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RIO DIÁ do

Curitiba, terça-feira, 15 de junho de 2010 - Ano XII - Número 577 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Brasil estreia hoje na Copa

BRASI

L

redacaolona@gmail.com

Vício

Jogos perigosos

Fernando Mad

Praticantes de jogos de azar podem desenvolver dependência parecida com a que sofrem dependentes químicos. A procura por um psicólogo é o mais indicado caso a pessoa permita que horas de lazer se transformem em um vício. Págs. 4 e 5

Coluna

Cinema nacional As producões brasileiras são o destaque da coluna dos anos 60. “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, foi um dos marcos da década, sendo premiado no Festival de Cannes. Pág. 8

Perfil

Manuela Ghizzoni

Um sorriso cativante A utilizada na Copa do Mundo de 1930

Conheça a jornada de uma supervisora de caixa que tem a receita ideal para conciliar o trabalho com os prazeres da vida. Pág. 7

Seleção brasileira inicia a luta pelo hexa contra a Coreia do Norte. Tentando apagar a má campanha feita em 2006, a equipe comandada por Dunga fez vários treinos fechados à imprensa. O resultado

dos quatro anos de trabalho do treinador na seleção começa a ser testado contra a Coreia do Norte, a grande incógnita do grupo. A bola rola às 15h30. Pág.

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Curitiba, terça-feira, 15 de junho de 2010

Expediente

Opinião

Reitor: José Pio Martins. Vice-Reitor: Arno Antonio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Cosme Damião Massi; PróReitor de Pós-Graduação e Pesquisa e PróReitor de Extensão: Bruno Fernandes; Pró-Reitor de Administração: Arno Antonio Gnoatto; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira e Marcelo Lima; Editoreschefes: Nathalia Cavalcante (nathalia.jornal@ gmail.com), Daniel Castro (castrolona@gmail. com.br) e Diego Henrique da Silva (ediegohenrique@ hotmail.com).

Pelé e Mané... Kaká e Robinho...

Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”. O LONA é o jornallaboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP Redação LONA: (41) 3317-3044 Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR CEP 81280-30. Fone (41) 3317-3000

Copa do Mundo ou Mundo da Copa? Wellington Mengatto

Danilo Georgete danilo_georgete@hotmail.com

O que Garrincha, Pelé, Kaká e Robinho possuem em comum? Não são os respectivos números da camisa amarelinha... 10 e 11. O rei e o Anjo das pernas tortas nunca perderam uma partida jogando juntos pelo escrete canarinho. Kaká e Robinho também não – vale frisar que isso é na “Era Dunga”. A dupla, que conquistou os mundiais de 58 e 62, jogou 40 partidas pela seleção, obtendo trinta e cinco vitorias e cinco empates. A dupla do século 21, sob a batuta do técnico Dunga, jogou trinta e duas vezes, com 28 vitórias e quatro empates. O retrospecto das duplas é quase igual, tirando o fato dos títulos mundiais de Mané e Pelé. Nessa Copa, Robinho e Kaká podem se consagrar como astros eternos do futebol brasileiro e ser mais uma dupla histórica de títulos mundiais, como: Bebeto e Romário em 94; Pelé e Jairzinho em 70 ; Ronaldo e Rivaldo em 2002.

Imagina se tivéssemos Garrincha caindo em uma ponta, Robinho na outra, Kaká armando pelo meio e Pelé fazendo o que melhor sabia fazer?

Mas o fato de Kaká não estar 100% preocupa o povo brasileiro. No caso (torço para que não aconteça) do astro de Real Madrid não conseguir jogar a Copa inteira, Robinho estaria preparado para ser o que Garrincha foi em 1962 quando Pelé se machucou? Eu acho que sim, Robinho vem voando e sendo decisivo na seleção; assim como Mané, faz arte com a bola nos pés, deixando a zaga adversária preocupada e abrindo espaços para os companheiros. Como não vai acontecer do Kaká ficar sem condições de jogar, a torcida vai para que os deuses da Copa estejam do lado verdeamarelo - que não seja somente o verde-amarelo dos sul-africanos - ajudando a seleção brasileira a consagrar mais uma dupla infernal, inesquecível, de outro planeta. Espero que Kaká, o camisa 10 da seleção de 2010 seja o Pelé da Copa de 70, e Robinho, que veste a camisa 11, seja igual nosso anjo das pernas tortas, o 11 em 1958. Que Kaká encante o público com seu futebol clássico e elegante, que Robinho arrase “Joãos ninguéns” pelo mundial. Ao escrever, imaginei uma situação. Imagina se tivéssemos Garrincha caindo em uma ponta, Robinho na outra, Kaká armando pelo meio e Pelé fazendo o que melhor sabia fazer? Claro, esse esquadrão de ataque só pode ser formado no videogame. Kaká e Robinho não chegam aos pés de Pelé e Garrincha, mas são os craques da nossa seleção... agora, cá entre nós, já pensou se o ataque do videogame fosse de verdade?! Não custa sonhar e torcer para que a dupla desse ano chegue perto do Rei Pelé e do Anjo Mané.

x Rádio ou TV, internet ou impresso... Onde você olha, a Copa está presente. São 32 seleções, diversas “estrelas”, estádios monumentais, todos querendo a taça. Mas o que tem de tão importante nessa taça? Que poder é esse, capaz de parar um planeta por 30 dias? Isso se contarmos apenas os dias de jogos. Com preparativos, passamos dos 50. O pior é quando se acredita que uma guerra iminente entre as Coreias pode deixar de existir porque vai começar a Copa, ou então, será que a Hungria não atravessará uma crise financeira parecida com a da Grécia (que acho que passou por causa da Copa). Ah, tem o tal vulcão na Islândia, que, respeitando a Copa, parou de lançar cinzas e provocar o caos aéreo na Europa. A Copa ainda não começou oficialmente, mas por enquanto a grande campeã é a British Petroleum. Quando em toda a história, uma empresa conseguiu derramar (e continua derramando) milhões de litros de petróleo no mar, acabar com um ecossistema, causar danos que serão sentidos pelo menos pelas duas próximas Copas e ainda sair impune?

O pior é quando se acredita que uma guerra iminente entre as Coreias pode deixar de existir porque vai começar a Copa

Não, de forma alguma, não sou contra a Copa do Mundo, sou apenas contra o Mundo da Copa, que empurra a sujeira para baixo do tapete para não incomodar na hora de comemorar o gol. A propósito, vou ficar quieto. O dia chegou. Vai começar a execução dos hinos nacionais...


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Seleção Brasileira estreia hoje contra a Coreia do Norte Comandados de Dunga esperam ter pouco espaço para jogar diante de um adversário desconhecido Miguel Basso Locatelli O Brasil fará nesta tarde, às 15h30, sua estreia na Copa do Mundo 2010. O jogo contra a Coreia do Norte será em Johanesburgo, no Estádio Ellis Park. Será o duelo do líder do ranking da FIFA contra uma seleção que se encontra em 105º. A Seleção Brasileira vem de duas vitórias em jogos amistosos, contra Zimbábue e Tanzânia. Já a Coréia do Norte, não vence há sete jogos, quando goleou a Seleção de Mianmar, por 5 a 0, em fevereiro. Será a segunda participação da Coreia em Copas do Mundo, sendo que a primeira aconteceu

44 anos atrás, na Copa de 1966, na Inglaterra. Naquela ocasião, a equipe surpreendeu, eliminando a Itália na primeira fase e chegando às quartas de final. Por outro lado, será a 19ª participação brasileira em Copas, afinal, é a única Seleção a disputar todos os Mundiais. A última derrota em estreia aconteceu em 1934, quando a Espanha venceu por 3 a 1. Na Copa de 2006, o Brasil venceu a Croácia, com gol de Kaká. Para o técnico da Coreia do Norte, Kim Jong Hun, a Seleção do técnico Dunga é favorita, mas garante que seu time não entrará em campo como derro-

tado. “O Brasil é favorito, claro. Mas na força mental e na concentração nós podemos equilibrar. Ou até mesmo ganhar”, afirmou o treinador. Hun afirmou conhecer a seleção e não irá divulgar seu time até momentos antes do jogo. “Eu estudei muito o Brasil, mas prefiro não divulgar nada antes da hora”, finalizou. O técnico não deverá ter problemas para contar com Jong Tae-Se, o craque do time, mais conhecido como “Wayne Rooney da Ásia”, em alusão ao destaque do time da Inglaterra. Pelo lado brasileiro, a aposta de gols está no atacante Luis Fabiano, que não marcou pela seleção nos últimos cinco jogos. Porém, o próprio atacante acredita nos números em estreias para acabar com o jejum. "Ter um histórico de gols bom em estreias me deixa mais tranquilo". Exemplo disso foi em seu primeiro jogo pela Seleção, quando marcou na vitória por 3 a 0 sobre a Nigéria, em 2003. No primeiro jogo da Copa América, em 2004, e da Copa das Confederações, em 2009, também balançou as redes. O técnico Dunga não deve ter problemas para escalar a Seleção e, mesmo realizando treinos secretos, a escalação deve ser: Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos, Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká, Robinho e Luis Fabiano. O juiz da partida será o húngaro Viktor Kassai, auxiliado por Gabor Eros e Tibor Vamos.

Para o técnico da Coréia do Norte, Kim Jong Hun, a Seleção do técnico Dunga é favorita, mas garante que seu time não entrará em campo como derrotado

Portugal e Costa do Marfim se enfrentam em jogo decisivo Cristiano Ronaldo é a grande esperança da equipe lusitana; Drogba ainda é dúvida Miguel Basso Locatelli Antes de o Brasil entrar em campo, as outras equipes do Grupo G estreiam às 11h, em Porto Elizabeth. O jogo é tratado como uma decisão para os dois lados, já que o vencedor da partida pode praticamente se garantir nas oitavas, sendo que consideram a Seleção Brasileira como favorita. Pelo lado português, o craque Cristiano Ronaldo é a grande aposta da equipe para um bom futebol neste mundial. A equipe que cresceu nos últimos anos, sendo vice-campeã europeia em 2004 e ficando em quarto lugar na última Copa, espera repetir a boa campanha e chegar longe. Carlos Queiroz, técnico de Portugal, quer vencer para dar mais tranqüilidade ao grupo. “Não há espaço para erros e, portanto, queremos conquistar, se possível, logo esses três pontos”. A Seleção portuguesa teve um problema de última hora; dias antes de a Copa iniciar, o atacante Nani se machucou e foi cortado. Além de Cristiano Ronaldo, outros três jogadores se destacam, pelo bom futebol e por serem brasileiros. O zagueiro Pepe, o meio-de-campo Deco e o atacante Liedson esperam levar Portugual ao inédito título mundial. Pelo lado africano, a grande esperança é o atacante Didier Drogba, entretanto, ele sofreu uma lesão no braço direito e ainda é dúvida. Drogba foi opera-

Além de Cristiano Ronaldo, outros três jogadores se destacam, pelo bom futebol e por serem brasileiros. O zagueiro Pepe, o meio-de-campo Deco e o atacante Liedson esperam levar Portugual ao inédito título mundial do há oito dias, depois de ter se machucado em amistoso preparatório para a Copa contra o Japão. O atacante treinou normalmente ontem, mas o técnico da Seleção, Sven-Goran Eriksson, não quis adiantar se poderá contar com o atacante. Drogba ainda poderá entrar em campo com uma proteção no local da lesão. Mesmo assim, vai precisar de uma autorização do árbitro do duelo, o uruguaio Jorge Larrionda. Se não puder contar com o atacante, a Seleção de Costa do Marfim dependerá de jogadores importantes, como Salomon Kalou, Kolo Touré, Yaya Touré e Emmanuel Eboué.


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Vícios

O lazer que vira

dependência

Vício em jogos de azar atinge até 3% da população, diz estudo francês Luciane Nadolny Ele é aposentado da Câmara dos Deputados, ganha em torno de R$ 15 mil. Ela, aposentada do Banco Central do Brasil, R$ 7 mil. O casal tem filhos adultos, casados, e tem poucas despesas, mas ambos estão afundados em dívidas. Isso por causa da dependência em jogos classificados como de azar. Os jogos de azar são os que não dependem da habilidade do jogador, mas sim da sorte ou azar. Os mais conhecidos e praticados são os bingos, dados, jogos de baralhos, jogo do bicho, loteria, caça-níqueis e roleta.

De acordo com o artigo 50º do decreto de lei 3.688, de 3 de outubro de 1941, é proibido praticar atividades que envolvam esses jogos, tanto em lugares públicos como acessível aos mesmos, com ou sem pagamento.Com o casal, a dependência começou como lazer. Ele iniciou com corrida de cavalos pela televisão e depois passou para a roleta. Ela frequentava bingos com as amigas, chegou até mesmo a ganhar um carro uma vez. Porém, hoje, estão com muitas dívidas, garantindo que um prêmio de R$ 1 milhão só pagaria partes de suas delas. Jogando com freqüência e muito anseio, o jogador pode acabar viciado. A partir desse momento, os jogos deixam de ser diversão e passam a ser dependência. É difícil reconhecer como começa um vício em um jogo, mas geralmente se iguala ao começo

de uma dependência química, ou seja, a partir do momento que a pessoa muda o seu círculo de amizades e altera o seu comportamento. O ponto principal para se observar é que quem é considerado um dependente de jogo de azar – ou jogo patológico como também é conhecido - dificilmente reconhece que tem algum tipo de problema em relação a isso. Geralmente, a família é o primeiro grupo que percebe os problemas iniciais. Depois, os colegas de trabalho e por final as pessoas do convívio social. Alguns estudiosos relatam que o jogo patológico pode mudar outros quadros psicológicos da pessoa, como transtornos de humor, ansiedade e depressão. Ainda pode entrar em questão o abuso e dependência de nicotina, álcool e outras drogas. Mas, para todos, uma coi-

sa é certa: o jogador patológico busca o prazer em apostar. Alguns sentem mais prazer no começo da rodada, e outros na incerteza de que a próxima pode arruinar e levar tudo o que ganhou na noite. Há também um aspecto de ritual. O jogo é sempre cheio de nuances e regras, muitas delas fazem com que o jogador fique ainda mais entretido nas rodadas. Em uma mesa de poker, por exemplo, dificilmente o jogador levantará e irá para outro local. Ficará sentado durante horas jogando, consumindo álcool, ou fumando. Tudo no ambiente acaba chamando para o jogo. Dois escritores famosos sofriam com esse vício. O romancista francês Honoré de Balzac e Fiódor Dostoievski, maior escritor russo de todos os tempos. Dizem que de tão compulsivo que era, Dostoievski escreveu um li-

Chris Johnson/ SXC

vro autobiográfico: “O jogador”. A obra é o relato de um homem que é apaixonado ao mesmo tempo por uma jovem que n ão c o r r e sp on de se u amor e pelo ganho fácil nas mesas de roletas. Há dois anos, o jornal francês Le Monde publicou matéria sobre um amplo estudo que o Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica fez sobre esse tema. Analisando 1.500 artigos científicos, os pesquisadores chegaram à conclusão de que 1% a 3% da população é viciada em jogo – nessa pesquisa, incluíram também jogos de videogames. Os pesquisadores denominaram os jogos de “tóxico do século 21”. O psicólogo Leonardo Araujo analisa esse tipo de dependência e acredita que a proibição dos jogos de azar não alterará a rotina de um jogador. “Como é noticiado de tempos em tempos, cassi-


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ma de pagamento foi o próprio quadro, que por sinal valia mais de mil reais.” A recomendação para evitar um possível problema é a ponderação. Os jogos de azar podem ser uma fonte de lazer, mas com moderação. Se a pessoa já tem uma inclinação para dependência química, ansiedade e/ou depressão, é um sinal de alerta. Estudos já confirmaram que há uma forte ligação entre essas patologias e jogos de azar. O ideal – por mais que nem sempre seja possível - é que essas pesso-

nos e bingos clandestinos são descobertos e fechados pela polícia. Mesmo assim, o dependente sempre terá onde jogar. Pode ser em um cassino clandestino, em um bingo ou mesmo em uma mesa de jogo na casa de algum conhecido”, afirma. Araujo lembra ainda que, no Brasil, há pouco tempo os bingos foram proibidos, mas há outras modalidades de jogos de azar em pleno funcionamento, e com amparo legal. Um exemplo disso é a corrida de cavalos. ”Há diversos casos de pessoas que

arruinaram vidas e carreiras fazendo esse tipo de aposta. Lembrando também da aparentemente inocente loteria. Muitas pessoas são dependentes de jogos em casas lotéricas, mas isso ainda é pouco estudado pelo meio científico”. Marcos (nome fictício) é dono de um cassino clandestino, localizado no bairro Campo Comprido, em Curitiba, e afirma que pessoas dos mais diferentes tipos frequentam seu cassino. “Já apareceu até mesmo um pintor, desses famosos e a for-

Fabielle Rocha Cruz

Conquista

A sociedade diz que chamar alguns de “ex-drogados” é errado. O que deveria ser visto como errado não é apenas o fato de começar a se envolver com drogas de qualquer tipo, mas também a recusa de ajuda para as pessoas que são vítimas desta realidade. O fato é que uma pessoa dificilmente entra nesse mundo de substâncias ilícitas porque quer, bem como dificilmente sai por não ter ajuda. No caso de R. C., jovem de 21 anos, muitas coisas aconteceram até que as drogas tivessem tomado conta de tudo e suas vontades passassem a ser todas voltadas para comprá-las e consumi-las. “Sabe quando você olha uma vitrine cheia de doces e acha ali o seu preferido, fica torcendo para que tenha e vai comprá-lo? Foi assim que começou. Quando eu menos esperava, tava viciado. Era como se eu quisesse comer todo dia meu doce preferido”, conta ele, que se envolveu com as drogas aos 14 anos. Tão fácil foi para entrar, mas tão difícil foi para sair. O rapaz - que conta ter seguido esse caminho pelo fato de ver nas substâncias que usava a saída para seus problemas, sempre tendo a sensação de poder e de força – foi expulso de casa quando seus pais descobriram, aos 17 anos. Sem ter o que fazer, acabou indo morar na casa da namorada, que também vivia o mesmo drama. “Era triste. Nós ficávamos entocados em casa. Os pais dela não sabiam. Os meus sabiam e nem me que-

as fiquem longe de locais onde o jogo é praticado. O psicólogo também afirma que a cura definitiva é difícil, e o que pode acontecer é o controle do vicio. “É fundamental que o paciente reconheça o seu vício e que busque ajuda. Esse é o primeiro passo que pode ser dado”. Outro passo que pode ser dado é mudar o círculo de amizades que são ligadas ao jogo. Se não adiantar, a pessoa deve procurar uma ajuda especializada. O psicólogo é o profissional que irá trabalhar as an-

sem apoio Dependentes químicos têm dificuldade de sair das drogas pela falta de apoio e incentivo

riam mais como filho por isso. Eu lembro até hoje de quando saí pela porta de casa, com meu pai gritando tudo o que podia para mim”, disse o ex-dependente químico. Depois disso, aconteceu o

que não acontece com muita gente: ele e a namorada escolheram mudar. Ela, porque estava cansada de ter que vender quase tudo de casa para ter mais fonte de prazer; ele, porque queria reconquistar a família e provar

“Sabe quando você olha uma vitrine cheia de doces e acha ali o seu preferido, fica torcendo para que tenha e vai comprá-lo? Foi assim que começou. Quando eu menos esperava, tava viciado. Era como se eu quisesse comer todo dia meu doce preferido”. R.C., 21 anos

que ainda podia ter tudo o que queria sem precisar de outras coisas para obter, exceto seu próprio mérito. “O caso dele foi tão difícil quanto outros casos. Ele quis resolver o problema, mas a família não estava ali para dar apoio, os recursos financeiros eram poucos. Sem contar que a sociedade faz uma pressão sobre eles que não tem tamanho”, comenta o psicólogo Luciano Galhardos, que ainda comenta que muitos pacientes em recuperação desistem porque concluem que não serão capazes de voltar a viver normalmente com todas as barreiras existentes e im-

gústias e os aspectos emocionais do paciente. Se houver necessidade, será feito o encaminhamento para um médico psiquiatra, e se esse assim diagnosticar, irá prescrever medicamentos para auxiliar no tratamento. “Essa é uma recomendação comum no tratamento de outras dependências, uma vez que o paciente altera as amizades ligadas a ela, e também a sua rotina. Não é possível um tratamento sem que esses passos sejam dados pelo paciente”.

postas pela sociedade. Depois de um ano e três meses dentro de uma clínica de reabilitação, o jovem decidiu que iria falar com a família. Para a sua surpresa, quando contou que estava tentando largar os vícios, os pais lhe aceitaram de volta e começaram a incentivar. A mãe o acompanha nas consultas do psicólogo. Para Galhardos, o problema maior está nas pessoas que fazem parte do círculo social do drogado. “A primeira coisa que elas fazem é se afastar, e não dar apoio. Os pais, amigos e quem mais estiver disposto a ajudar e dar à essa pessoa uma chance de uma nova vida sem precisar desses ‘alimentos’ ruins, será bem vindo. Ela precisa disso, da força”, afirma. De tudo o que passou, o jovem conta que nunca achou que a tentação de voltar para o mundo das drogas fosse tão grande. Mesmo com a reabilitação, ele conta que às vezes sente vontade, mas lembra-se que tem alguém para lhe dar apoio. “O problema é que as pessoas só veem o lado ruim de um drogado. Eu quis sair por conta própria, mas se a minha namorada não tivesse bancado para mim, jamais teria conseguido. Tudo ficou melhor quando meus pais me apoiaram. Eu tive certeza que estava fazendo a coisa certa. Hoje, só tenho a agradecer a todos pela oportunidade e torcer para que a juventude não saia do caminho certo, como eu fiz. E ainda perdi o melhor da minha vida por isso”.


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Espaço Literário

Larissa Coutinho Escreve quinzenalmente, às terças-feiras, sobre assuntos ligados à década de 60 larissa_beffa@hotmail.com

Divulgação

Anos 60

O cinema nacional inteligente

Daniel Zanella

Fotos: Reprodução

Pedro de Andrade, inspirado na obra de Mário de Andrade. Infelizmente, por causa da repressão da ditadura e do pouco acesso à cultura da população naquele período, o movimento não durou muito e foi pouco conhecido pelos brasileiros. O filme com maior repercussão foi “Terra em Transe”, que ganhou dois prêmios no Festival de Cannes, mas que foi censurado e proibido no Brasil até que o padre do filme, interpretado por Jofre Soares, tivesse um nome. O Cinema Novo foi uma forma de manifestação contra o cinema comercial instituído por Hollywood que marcou presença na luta contra a ditadura. Duas lutas semelhantes, Hollywood sendo o que conhecemos hoje: uma ditadura americana de “punhos de ferro”.

O movimento cinematográfico brasileiro denominado Cinema Novo foi uma revolucionária mudança, que tinha como principal objetivo retratar o povo e seus problemas. Influenciado pelo neo-realismo italiano dos anos 40, o Cinema Novo teve início com a quebra dos grandes estúdios brasileiros. Os cineastas, muitos educados na Europa, criaram novos ideais que podem ser resumidos na frase de Glauber Rocha “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. A primeira característica do movimento é o orçamento baixo. Os cineastas eram contrários aos caros filmes produzidos pelos estúdios Atlântida e Vera Cruz, e à alienação das chanchadas. Para o baixo orçamento, utilizavam atores inexperientes e filmavam nas ruas. Os filmes precisavam ter uma mensagem e servir de alerta. Criatividade e simplicidade era o lema não só do movimento brasileiro, mas do Nuevo Cine argentino, do Cine Imperfecto cubano e da Nouvelle Vague francesa, todos inspirados no movimento italiano pós-guerra. A primeira fase do Cinema Novo, de 1960 a 1964 é marcada por filmes como “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos e “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, que apresentam temas como a fome, dificuldades econômicas e alienação do povo rural. Na segunda fase, que vai de 1964 até 1968, os temas abordados eram voltados à política. Exemplos dessa fase são “O desafio”, de Paulo Cezar Saraceni, “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, e “O Bravo Guerreiro”, de Gustavo Dahl, que criticam a ditadura militar. De 1968 a 1972, a última fase tem influência do tropicalismo e utiliza da exuberância e exotismo do país para fazer uma crítica que pudesse passar despercebida pela censura. O grande marco foi “Macunaíma”, de Joaquim

MORTE Pode ser que a madrugada me mate, a geada que consome as plantas mais sensíveis, recolhe os animais em si, o frio. Pode ser o descanso do caminhoneiro que dorme ao volante, a me atingir enquanto sintonizo uma rádio no painel do carro. Pode ser o cão a atravessar impetuoso a estrada e lançar-me de susto contra o muro indefeso. Pode ser o ladrão a não aceitar minhas desculpas por não ter mais. Pode ser um raio que irrompa do céu angustiado num dia em que a chuva me abrigue na árvore derradeira. Pode ser o credor impaciente por mais um mês de atraso. Pode ser a mulher do amigo, enfastiada de tantas bebidas compartilhadas. Ela não bebe. Pode ser o suicida do cinema, sua arma santa e certeira. Pode ser um ataque cardíaco fulminante, um coração desmantelado, o médico a consolar a família: foi um caso raro, fizemos o que pudemos. Pode ser a dentista a perfurar meu siso, não conseguiu conter a hemorragia. Pode ser um pedaço de frango em meio à piada mais incorreta, os amigos ao enterro dizendo: bem, foi uma morte pitoresca, digna de seu currículo. Pode ser uma partida de futebol, quadra pequena, um empurrão, cabeça batida na parede, dois coágulos, cirurgia de risco, eram poucas as chances de sobrevivência. Pode ser um mergulho no mar, um recife mais agressivo, o corpo a boiar na passagem de ano novo. Pode ser um café entre amigos, um comentário sobre a finitude de nossas vidas, tantas coisas que passamos juntos, se eu morresse agora morreria feliz. E morri, um sorriso de ironia. Pode ser um assassino a confundir-me com o antigo desafeto no beco sem saída. Pode ser um crítico encerrando prematuramente minha carreira antes mesmo de ser. Uma dica, meu caro: não insista nesse negócio de escrever, não. Repare: está sobrando emprego na construção civil. Pode ser a lua a cair do céu sobre meus anseios românticos. Pode ser a loucura capturando minha sanidade nas noites de insônia, me lançando na treva mais profunda. Pode ser a fome, definhando meus músculos até não mais conseguir levantar do sofá. Pode ser a morte e a morte do livro que acabou ou do livro que nem existiu, ser póstumo antes de ser, nem deixar uma ideia de título. Pode ser a morte que a saudade constrói a cada compasso diário, as lembranças mais límpidas, as conjecturas apaixonadas, eu te digo, minha querida, te digo todas elas, todos os clichês, todas as saudações, todos os lamentos, todas as feridas que lambemos enquanto o mundo profana o que de melhor temos, as garantias que fizemos enrolados na coberta da cama dura, as promessas de tempos vindouros, os anseios de eternidade, a saudade, enfim, rasgando a carne, desmanchando o sangue, porque se morre de saudade, sim, a saudade me fazendo pensar em você e em amor, a saudade é pior do que se entrevar, disse o cantor, num rompante um tanto exagerado, é verdade, mas não nos culpem pela dor que só a gente sente. Pode ser morrer bem velhinho, com a companheira ao lado, uma filha escrevendo as últimas palavras, tocando a Catedral Submersa, alguns versos de João Cabral de Melo Neto, um filme sem final, uma passagem mergulhada em calmaria, nada de funesto, nada de lágrimas, nada de homenagens, música, queremos música, um mundo sem música é um desatino, apenas o descanso a quem viveu mais de uma vida, duas, três, cinquenta vezes a vida e a poesia e a tragédia e a desigualdade e a crueldade e a beleza e o amor que nela adentra. Porque escrever, cunhar no papel, não deixa de ser a morte da palavra. Até que a página aberta ressuscite.


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Manuela Ghizzoni Eram 10 horas da manhã quando começamos nossa conversa. O movimento na cantina do bloco vermelho da Universidade Positivo não era tão grande, havia apenas um ou dois grupos de amigos comendo o famoso jacaré da lanchonete e rindo alto. No entanto, apesar da tranquilidade do local, nossa conversa era constantemente interrompida por algum funcionário necessitando ajuda da minha entrevistada. “Doroti, o que eu faço agora?”. “Doroti, onde está o ge-

rente?”. Foi nesse momento em que percebi a importância de Doroti Muller para os seus colegas. Aos 46 anos, seu sorriso se ilumina ao falar do seu papel de mãe. Sua filha Aline, de 21 anos, e Henrique, de 18, são os seus maiores orgulhos. A felicidade deles é o principal objetivo de Doroti. “O meu sonho é ver os sonhos dos meus filhos realizados, é ver eles felizes.” Com vários conhecimentos na área da gastronomia, Doroti trabalhou quatro anos por conta própria fazendo salgadinhos para vender. Porém, sem

ter tempo para lazer e cansada do seu emprego, ela decidiu dar um novo rumo a sua vida. “Eu quis cuidar mais de mim. Porque uma pessoa que é salgadeira se dedica apenas a essa atividade. Trabalha de segunda a segunda.” A ex-cozinheira mostrou que não se arrepende dessa decisão. “Não pretendo voltar a fazer o que eu fazia antes, gosto do que eu faço agora”, conclui. Essa mudança de vida radical trouxe novas oportunidades para Doroti, incluindo uma passagem pelo atendimento em uma padaria. Mas,

foi no emprego de supervisora de caixa, que já dura seis anos, que ela encontrou a sua real vocação. No começo, um dos principais desafios para Doroti foi a adaptação ao novo ambiente. “Antes, eu trabalhava em panificadora, então era um ambiente completamente diferente em comparação ao movimento. Eu estranhei muitas coisas no começo. Mas eu fui me acostumando e hoje em dia a universidade é meu lar.” A personalidade simpática de Doroti também ajudou muito na adaptação ao novo emprego. “Eu gosto muito de con-

O sorriso por trás do

versar, sou muito extrovertida e faço muitas amizades, inclusive com os alunos.” Além de cativar os estudantes, Doroti mantém um ótimo relacionamento com seus colegas de trabalho. “Me dou muito bem com todos eles”, ressalta. A experiência adquirida nesses seis anos é observada nos olhos azuis sempre atentos de Doroti. A grande competência e responsabilidade da funcionária chamaram a atenção dos alunos do curso de Jornalismo, que a homenagearam por dois anos seguidos como a Melhor Funcionária da Uni-

Perfil

caixa

Manuela Ghizzoni

Por meio da sua história, Doroti Muller mostra como é possível ser um profissional feliz versidade Positivo. Porém, ser uma das melhores não é fácil. É necessário responsabilidade e a busca por novos conhecimentos. Disponibilizados pela empresa em que trabalha, Doroti já fez cursos de manipulação de

alimentos e informática. A jornada de trabalho também exige bastante dedicação, o turno da supervisora inicia às seis horas da manhã, e acaba somente oito horas mais tarde. Em nossa conversa, Doroti se mostrou também adepta de

“Eu gosto muito de conversar, sou muito extrovertida e faço muitas amizades, inclusive com os alunos”

uma vida saudável. Ela é uma das poucas pessoas que vai ao trabalho de bicicleta. Entre os principais motivos para utilizar as duas rodas, Doroti cita a segurança e a rapidez. “O trajeto que eu faço para vir pro trabalho é perigoso, então com a bicicleta me sinto mais segura. É mais rápido que andar a pé. Mas o principal motivo mesmo é porque eu gosto de andar de bicicleta, além de ser bom pra saúde”, explica Doroti. Após um dia cheio de traba-

lho e às vezes estressante, Doroti tem um segredo para se acalmar. “Às vezes eu ligo o meu computador e vou jogar paciência. Mas normalmente quando eu chego em casa, vou para o meu quarto e começo a fazer o meu crochê. É a minha distração maior, ajuda a me acalmar.” Porém, o crochê só funciona de segunda a sexta, pois nos finais de semanas Doroti gosta de fazer outra coisa. “Namorar”, comenta empolgada. Durante toda a conversa,

não pude deixar de notar o orgulho que Doroti mostrava ao falar de seu emprego. O carinho recíproco que ela tem pelos alunos é enorme. Assim como sua paixão pelo o que faz. Mesmo com tantas fórmulas e métodos existentes no mundo para um profissional se tornar bom naquilo que faz, é justamente na dica simples de Doroti que eu acredito: “Você tem que gostar do que faz. Realize o seu trabalho como se estivesse fazendo para o seu lar.”


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Cultura

Sofia de Mello esen Breyner Andr Daniel Zanella Nesse cais de junho, noite de domingo, mais cinzento e mórbido do que a fome de tempos que não vivi, abarquei as palavras e o lirismo de Sofia de Mello Breyner Andresen. “Encontrei a poesia antes de saber que havia literatura. Pensava mesmo que os poemas não eram escritos por ninguém, que existiam em si mesmos, por si mesmos, que eram como um elemento do natural, que estavam suspensos e imanentes. É difícil descrever o fazer de um poema. Há sempre uma parte que não consigo distinguir, uma parte que se passa

na zona onde eu não vejo.” Dias há em que a poesia não suporta o peso das contas e da bebida amarga do bar. Mas hoje é domingo e a escritora portuguesa não me deixa dúvidas: só se deve escrever poesia quem acredita que a poesia não existe. Porque, de fato, é tudo invenção. Inclusive, o patrão. Exílio: Quando a pátria que temos não a temos / Perdida por silêncio e por renúncia / Até a voz do mar se torna exílio/ E a luz que nos rodeia é como grades. Ando um bom tanto perturbado com a natureza precária de meus sentimentos. Sinto-me estrangeiro de meus próprios sentimentos, uma árvore de galhos velhos

Dias há em que a poesia não suporta o peso das contas e da bebida amarga do bar. Mas, hoje é domingo e a escritora portuguesa não me deixa dúvidas: só se deve escrever poesia quem acredita que a poesia não existe

e folhas secas que retira da terra o seu sumo e devolve sordidez. E aquela que diz ser uma mulher sem amor criada em algum momento de amor-demais é minha irmã. Ausência: Num deserto sem água/ Numa noite sem lua / Num país sem nome / Ou numa terra nua / Por maior que seja o desespero/ Nenhuma ausência é mais funda do que a tua. Não posso dizer do que desconheço. Desconheço o amor dos outros, são como iluminuras de copistas afligidos por tormentas e cada tormenta é diferente da outra. Hoje, ocorreu-me que o amor também não existe e que isso não é nenhum ineditismo. O que existe é a ideia de amor, esse algo de éter e de sonho, que perseguimos sem saber se há eterna viagem ou se há latente ancoradouro. Se tanto me doi que as coisas passem: Se tanto me doi que as coisas passem / É porque cada instante em mim foi vivo / Na busca de um bem definitivo / Em que as coisas de Amor se eternizassem. Ouço música como se o som extinguisse amanhã. Reparo que a poesia também tem esse algo de inefável que circunda as coisas erradicando, a vida surgindo, as paixões que nos deixam confusos. Pra escrever sobre a morte basta um pouco de ironia suicida, uma boa dose de aguardente e um ano de distância. Espero: Espero sempre por ti o dia inteiro / Quando na praia sobe, de cinza e oiro, / O nevoeiro. Se eu pudesse escolher uma só poesia pra descrever o instante derradeiro em que as coisas parecem começar a evaporar, escolheria essa abaixo, de uma sutileza que jamais terei e de uma finitude que sempre me carrega. Até porque hoje é domingo e os domingos são sempre iguais. Cada dia é mais evidente que partimos Cada dia é mais evidente que partimos / Sem nenhum possível regresso no que fomos, / Cada dia as horas se despem mais do que o alimento: / Não há saudade nem terror que baste.

Menu Rodrigo Cintra

Documentário sobre quadrinhos Será lançado hoje, na Cinemateca de Curitiba, o documentário “Entre Quadrinhos”, que retrata a paixão de consumidores de HQs, tendo como pano de fundo a história de uma comic shop de mais de 20 anos. O filme integra o Projeto Olho Vivo, que incentiva a produção audiovisual na capital. Quando: Hoje, às 20h | Onde: Cinemateca de Curitiba (R. Carlos Cavalcanti, 1174, São Francisco) | Quanto: Gratuito

Lançamento de CD

A dupla sertaneja Álvaro & Daniel fará a gravação do segundo CD ao vivo nesta quarta no Victória Villa. O novo álbum contará com 20 canções, que vão do sertanejo universitário à música de raiz. Os músicos paranaenses ficaram famosos com hit “Estrela”, que fez parte da trilha sonora da novela Paraíso, da Globo. Quando: Quarta, a partir das 22h | Onde: Victoria Villa (Av. Victor Ferreira do Amaral, 2291, Tarumã) | Quanto: R$ 20

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Museu Alfredo Andersen abre novas exposições

Quatro novas mostras estão em cartaz no Museu Alfredo Andersen. Alfredo Andersen – Período Noruega apresenta telas do artista pintadas em sua terra natal. A mostra é parte das comemorações dos 150 anos de nascimento de Andersen. A instalação Mandinga Budista, de Frabricio Vaz Nunez, insere o Buda no cotidiano das pessoas comuns. Imagens de construções inacabadas ou demolições captadas pela fotógrafo Tarcisio Costa compõe a mostra Tapumens. Já a exposição de Glauco Menta, Plano: Espaço, reúne obras que brincam com o espaço tridimensional. Quando: Terça a sexta, das 9h as 18h; sábado e domingo, das 10h às 16h. | Onde: Museu Alfredo Andersen (R. Mateus Leme, 336) Quanto: Gratuito

Masoquismo e literatura Adaptado do livro de mesmo nome, o espetáculo “A Vênus das Peles” mostra o escritor SacherMasoch dividindo o palco com os protagonistas do romance, Wanda e Severim, e uma Vênus de beleza idealizada. Enquanto Wanda e Severim vivem sua relação de masoquismo e sadismo, o escritor e a Vênus ficam frente a frente descortinando conceitos de amor, literatura, filosofia e sexualidade. Quanto: Quarta a sábado, às 21h; domingo, às 19h. Onde: Miniauditório do Teatro Guaíra (R. Xv de Novembro, 971, Centro) | Quanto: R$ 10 (quartas e quintas) e R$ 20 (demais dias)

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LONA 577 - 15/06/2010