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RIO DIÁ do

Curitiba, quinta-feira, 20 de maio de 2010 - Ano XII - Número 562 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

redacaolona@gmail.com

Greves terminam em três montadoras da RMC Aline Reis

Estudantes de Jornalismo e Publicidade da UP são premiados na Expocom Sul O Intercom Sul 2010 chegou ao fim ontem, com a premiação do Expocom. Alunos e alunas de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Universidade Positivo tiveram seus trabalhos premiados e poderão apresentá-los na edição nacional do evento, que acontece em setembro em Caxias do Sul. Páginas 3 e 8

L BRASI

Voltaram ao trabalho hoje os metalúrgicos da Volvo, Volks-Audi e Renault. Após cinco dias de paralisação, os trabalhadores da Renault aprovaram a proposta empresa de Participação dos Lucros e Resultados (PLR). O pagamento da primeira parcela R$ 4,75 mil será feito ainda no mês de maio, e a segunda parcela em fevereiro de 2011. Durante o período de greve deixaram de ser fabricados 2,18 mil veículos na empresa. Já na Volvo, 2,8 mil funcionários retornaram ao trabalho. A empresa ofereceu o valor R$ 9 mil da Participação dos Lucros para cada funcionário. Durante as 24 horas de paralisação, deixaram de ser produzidos 80 caminhões e quatro ônibus. A Volkswagen-Audi atendeu as reivindicações dos metalúrgicos, e a primeira parcela da PLR será paga este mês. O pagamento da segunda parcela será decidido no próximo semestre. A Volks-Audi deixou de fabricar nesse período de greve 800 veículos por dia. Continuam em greve os trabalhadores da New Holland, Bosch e Brafer. Pág. 3


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Espaço

Curitiba, quinta-feira, 20 de maio de 2010

Opinião

do Leitor Eu só quero criticar as pessoas que criticam as criticas no espaço de críticas. Criticado! Fernando Mad, estudante de jornalismo, via twitter.

Muito boa a coluna de moda “Ankle boots”, escrita por Alinne Rodrigues no dia 17/5. Além de tratar do tema com afinidade, a autora mostra tendências variáveis para todos os gostos. Sidney da Silva, estudante de jornalismo, via email.

Expediente Reitor: José Pio Martins. Vice-Reitor: Arno Antonio Gnoatto; PróReitor de Graduação: Renato Casagrande; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Cosme Damião Massi; Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa e Pró-Reitor de Extensão: Bruno Fernandes; Pró-Reitor de Administração: Arno Antonio Gnoatto; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira e Marcelo Lima; Editores-chefes: Aline Reis (sccpaline@gmail.com), Daniel Castro (castrolona@gmail.com.br) e Diego Henrique da Silva (ediegohenrique@hotmail.com).

Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”.

O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP Redação LONA: (41) 3317-3044 Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-30. Fone (41) 3317-3000

Remando contra a maré Humberto Frasson Lucas Kotovicz Brasil, Turquia e Irã assinaram na segunda-feira um polêmico acordo que prevê a troca de combustíveis nucleares entre Turquia e Irã para fins médicos. Basicamente, o Irã enviaria 1200 quilos de urânio levemente enriquecido para a Turquia e, após um ano, a Turquia deveria mandar 120 quilos de urânio altamente enriquecido para o Irã. Tudo para fins médicos. É claro que um acordo de tais proporções deixou os Estados Unidos e países aliados com um ninho de pulgas atrás da orelha. Obviamente, eles temem que o Irã use esta considerável quantidade de urânio para fins militares. E o Brasil, onde entra em todo esse rolo? O Brasil é apenas um intermediário do acordo que, agora, não possui lado certo. Se o Irã romper o acordo e usar esse material para fins bélicos, o Brasil entrará na lista suja dos Estados Unidos como um dos países que “apoiaram” o armamento do Irã. Os efeitos colaterais seriam péssimos para o Brasil, afinal, estaríamos nos tornando inimigos de quem ainda somos dependentes. Este é o lado que a maioria teme, e com razão. O outro é o lado em que o Brasil acredita veemente: “Nós acreditamos que o Irã, com todas as tradições de berço da civilização oriental, tem direito a uma credibilidade”. A afirmação é de José Alencar, vice-presidente da república. Mas caso as previsões mais pessimistas se realizem e o Irã resolver explodir tudo, o país berço da população pode ser aquele que iniciará o seu fim. Está claro que o Brasil quer consagrar-se o país do diálogo e da paz. É isso que queremos mostrar ao mundo: acreditamos em um mundo melhor, sem guerras e sem vilões. Mas, para isso, é mesmo necessário nos envolvermos até o talo com um país que apresenta um histórico desfavorável quanto a guerras e armamento nuclear? A questão não é desmoralizar o presidente Lula, mas analisar as consequências do ato. Mexer em um barril de pólvora que não é nosso pode levar para os ares todo um histórico de “boa vizinhança” com os demais países. Recentemente já vimos um caso parecido de intervenção com o chapeleiro maluco de Honduras, Manuel Zelaya. Nós intervimos em uma disputa na qual deveríamos no máximo dar uma opinião. Tudo bem, não fomos prejudicados (muito menos favorecidos), mas acabamos levando a fama de “intrometido”. Resta a nós, reles eleitores brasileiros, sentarmos em nossas poltronas e ver quem abrigaremos em nosso lar quando o próximo “marido” for expulso de casa.

A questão não é desmoralizar o presidente Lula, mas analisar as consequências do ato. Mexer em um barril de pólvora que não é nosso pode levar para os ares todo um histórico de “boa vizinhança” com os demais países.

Heterofobia Fernando Mad Do grego, hetero - “diferente”, e phobia, palavra que pode ser entendida como aversão (ou mesmo como medo). Do ponto de vista sociocultural é algo próximo do racismo, do etnocentrismo e da xenofobia. Preconceito, por sua vez, é bem mais óbvio, é um “pré-conceito”. Eventualmente esse preconceito gera discriminação. É como o leitor que antipatiza com o autor pelo título antes de conhecer o conteúdo do texto. Ok, exemplo esdrúxulo. Lembro-me de uma campanha que perguntava: “Onde você guarda seu racismo?”. A pergunta estende-se facilmente a todo tipo de preconceito. E nada disso é novo. Mas o que me deixa reflexivo ultimamente é uma corrente fervorosa contra a discriminação, que não percebe o quão mais preconceituoso é se comparada aos seus desafetos. Preconceito com preconceituosos pode? O sujeito do País de Cima, criado desde pequeno sem voz ativa e doutrinado a defender seu pedaço de chão contra os ‘’terríveis moradores’’ do País de Baixo, que são feios e comem criancinhas. Quando cresce, ele vai morar sozinho no País do Outro Lado, que é mais desenvolvido intelectualmente. No primeiro caso de demonstração de seu preconceito contra o país rival ele será bombardeado por ofensas e sermões. Afinal, todos os moradores do País do Outro Lado têm um conhecimento bem bacana e um senso de justiça apuradíssimo. Absurdo mesmo esse preconceito do cidadão do país de Baixo. Ou era de Cima? Ah, são parecidos. Outro ponto recorrente é a necessidade da corrente “não” preconceituosa ser uma necessidade extrema de demonstrar o orgulho por “não” ser preconceituosa. Orgulho necessita disso? Bom, quem sou eu para querer conceituar orgulho, né? Mas, o pensador Lisounenko diz que orgulho é uma confirmação natural dos sentimentos, conquistas e alegrias; não algo necessário de auto-afirmação. Eu concordo com ele. Enfim. Eu não posso participar dessa onda. Meus genes, minha criação, minha cultura e meu credo impedem que eu seja uma pessoa 100% sem preconceitos. Mas não vou utilizar do clichê básico: “Aquele que não tem qualquer tipo de preconceito que atire a primeira pedra”. Eu sei que seriam muitas.


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Curitiba, quinta-feira, 20 de maio de 2010

Metalúrgicos de três empresas voltam ao trabalho Cariem de Lucena Foram encerradas na manhã de ontem as greves nas empresas Volvo, Volks-Audi e Renault. Após cinco dias de paralisação, os trabalhadores da Renault aprovaram a proposta empresa de Participação dos Lucros e Resultados (PLR). O pagamento da primeira parcela R$ 4,75 mil será feito ainda no mês de maio, e a segunda parcela em fevereiro de 2011. Durante o período de greve deixaram de ser fabricados cerca de 2,18 mil veículos. Os 2,8 mil funcionários da Volvo também retornaram ao trabalho. A empresa ofereceu o valor R$ 9 mil da Participação dos Lucros para cada funcionário, valor que será pago no dia 28 de maio. A assessoria de imprensa da fábrica informou que durante as 24 horas de paralisação deixaram de ser produzidos 80 caminhões e quatro ônibus. A Volkswagen-Audi atendeu as reivindicações dos metalúrgicos, e a primeira parcela da PLR será paga este mês. O pagamento da segunda parcela será decidido no próximo semestre. A Volks-Audi deixou de fabricar nesse período de greve 800 veículos por dia. Diferente das outras montadoras, na New Holland a greve continua. Empresa e funcionários não entraram em acordo e manterão a greve. Na manhã de terça-feira, os 3,5 mil funcionários da Bosch haviam encerrado a greve, decidiram voltar à paralisação. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, os trabalhadores optaram por fazer uma nova votação e como a Bosch não apresentou uma nova proposta, os funcionários, decidiram continuar a greve. Uma nova assembleia acontecerá nesta quinta-feira às 15h com os três turnos da fábrica. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sergio Butka, diz que a mobilização dos trabalhado-

Nilton de Oliveira - SMC

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos diz que a mobilização dos trabalhadores foi fundamental para conquistar valores da PLR res foi fundamental para conquistar valores da Participação dos Lucros e Resultados maiores do que no ano passado. Segundo as informações do sindicato, a Participação dos Lucros e Resultados aumentou em relação a 2009. Na fábrica da Renault houve um aumento de 89,5%, na Volvo 65% e 27% na Volkswagen-Audi.

Movimento de grevistas em frente à fábrica de Renault em São José dos Pinhais

Alunos da Universidade Positivo são premiados no Expocom Sul Aline Reis, Maria Carolina Lippi e Thomas Mayer, de Novo Hamburgo (RS) Na manhã de ontem foram divulgados os vencedores do Expocom, no XI Intercom Sul – Comunicação, Cultura e Juventude em Novo Hamburgo (RS). O auditório da Feevale estava lotado de estudantes ansiosos pelo resultado. Antes, contudo, houve a divulgação do Intercom Sul 2011, que será em Londrina, na UEL. Os organizadores mostraram um vídeo institucional e lançaram a candidatura da Universidade. A seguir, houve a premiação dos trabalhos em Relações Públicas; Produção Editorial e Produção

Transdisciplinar em Comunicação; Cinema e Audiovisual; Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Todos os projetos foram analisados por uma banca de júris online e outra presencial. Da Universidade Positivo, foram premiados trabalhos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Diego Henrique da Silva ganhou na categoria Jornal-Mural com o “Teia na Parede” e foi classificado na categoria JornalMural avulso com “Personalidade”; Raphael Costa na categoria Projeto Laboratorial de Telejornalismo com “TelaUn”; Thomas Mayer Rieger foi premiado na categoria Produção Multimídia em “O Olhar”; a jornalista Luísa Barwinski, formada neste ano, ganhou prêmio na categoria Blog com “Paliteiro”, e o jornalista Hendryo Anderson André, formado neste ano, na categoria Livro-reportagem, com “Preto no

Branco – Olhar sobre as ações afirmativas de inclusão do negro na UFPR”. Na Publicidade e Propaganda, o aluno Leandro Cardoso foi o primeiro na categoria anúncio impresso, com o trabalho “Escolha um filme, a

Vídeo 1 tem”. Houve um problema na divulgação de algumas categorias e isso causou alguns transtornos aos alunos, que aguardavam o resultado. Os trabalhos se encerraram às 10h30. Aline Reis

Alunos acompanham anúncio da premiação de ontem


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Curitiba, quinta-feira, 20 de maio de 2010

A nova

Riachuelo

Marcos Paulo de Assis Wellington Mengatto

Velhos casarões, ruas de paralelepípedos, fachadas do começo do século XX. Uma loja de esquina vende móveis antigos, fabricados com madeiras nobres, como o carvalho. Na rua estreita, lojas de artigos para sapatos, casas de umbanda e um motel convivem democraticamente. Você imagina um centro histórico preservado de uma grande cidade? Não, estamos na Rua Riachuelo, no centro de Curitiba. O que se vê na Riachuelo do

século XXI é o comércio mais antigo do mundo, o árabe. A maioria das lojas é de propriedade de famílias vindas do Oriente Médio. Os produtos vendidos são móveis, usados ou novos, geladeiras, fogões, roupas e outros artefatos pouco comuns. Nas calçadas, máquinas trabalham escavando e realojando o emaranhado de fios de luz, telefone e os canos de água e de gás, que fazem funcionar uma cidade moderna.

Drogas, crime e prostituição

Basta caminhar pela rua, em plena luz do dia, para perceber os garotos com olhar longínquo, bonés virados para trás e roupas sujas. O crack é usado livremente sob o olhar assustado das pessoas que passam pelo local. Outra presença marcante na Riachuelo é a das prostitutas. Quando cai a noite elas começam a surgir. Desconfiadas, alegres, cheirando a álcool, elas

se acomodam nas esquinas, exibindo seus atributos. Certamente, este não é um cenário de uma região histórica e preservada de uma cidade. Mas um projeto da Prefeitura de Curitiba promete mudar essa realidade.

Revitalização

Iniciada no ano passado, a obra de revitalização da Rua Riachuelo foi paralisada durante o Natal para não prejudicar o comércio na região, e retoma-

da no início deste ano. Segundo o administrador da Regional Matriz da prefeitura de Curitiba, Omar Akel, a primeira fase da obra foi usada para se descobrir exatamente o que havia no subsolo da região, que é uma das áreas mais antigas da cidade. “As equipes contratadas pela prefeitura já fizeram os ajustes necessários no projeto e vão tocar as obras sem problemas”, explica. As empresas prestadoras de serviços de co-

Davi Ivanowiski

Projeto da Prefeitura vai revitalizar uma das ruas mais tradicionais de Curitiba e criar centro cultural


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Curitiba, quinta-feira, 20 de maio de 2010

Divulgação

Os extintos Cine Luz e Cine Ritz serão realocados no antigo prédio do Exército Brasileiro, na esquina da Riachuelo com a Rua Carlos Cavalcanti

municação já instalaram e reformaram as redes de cabos subterrâneos, o que vai permitir despoluição visual na Rua Riachuelo. Novas calçadas de lajotas de concreto na cor vermelha já foram colocadas, e as equipes de trabalho aplicarão o mesmo padrão no restante da via. A segunda fase da obra prevê também uma nova iluminação pública e a sinalização turística. Está prevista também uma nova cobertura asfáltica. O projeto de revitalização visa a integração das ruas Riachuelo, São Francisco e Barão do Serro Azul, Praça Generoso Marques, Praça Tiradentes e o Largo da Ordem. O investimento total chega a R$ 860 mil.

tem mais porque a prefeitura está tirando. A polícia e a Saúde Pública estão atuando em conjunto sobre a rua”, ressalta Chaim. Segundo ele, algumas mudanças já podem ser notadas. “A segurança melhorou 100%. A polícia e os guardas municipais estão sempre passando, está melhorando bastante”, diz. Uma dificuldade apontada por Chaim são os prédios abandonados, que acabam abrigando moradores de rua e impedindo a construção de novos imóveis. “Alguns prédios estão abandonados há quase 20 anos. Esses proprietários não nos ajudam a modernizar o centro histórico. Histórico é histórico, velho é velho.”, reclama.

Comerciantes aprovam a reforma

Um novo espaço de cinema para a cidade

A modernização da Riachuelo vai trazer benefícios para a população e para os comerciantes. Segundo o vice-presidente da Associação dos Comerciantes e Moradores da Rua Riachuelo, Chaim Jarer, a expectativa é que o movimento aumente depois da revitalização. “O comércio vai aumentar porque vai haver mais pessoas passando pela rua. Alguns hotéis e bares de terceira classe não exis-

O projeto de revitalização da Rua Riachuelo inclui, agora, um espaço para os amantes do cinema. Os extintos Cine Luz e Cine Ritz serão realocados no antigo prédio do Exército Brasileiro, na esquina da Riachuelo com a Rua Carlos Cavalcanti. O terreno já abrigou a Impressora Paranaense, de propriedade do Barão do Cerro Azul. No velho casarão funcionava um quartel do Exército. A Fundação

Cultural de Curitiba (FCC) herdou o prédio da Prefeitura Municipal. Havia uma disputa com a Guarda Municipal, que tem um quartel atrás do imóvel, e pretendia expandir sua sede. Segundo a coordenadora de cinema e vídeo da Fundação Cultural, Solange Stecz, além das duas salas de exibição, o local abrigará outras atividades ligadas ao cinema. “Haverá espaço para cursos, salas de edição, será um pólo cultural de cinema”, afirma Solange. No momento, está em andamento a parte jurídica da obra. “O local já passou oficialmente para a Fundação Cultural. O projeto arquitetônico está sendo feito pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), em parceria com a área de arquitetura e engenharia da Fundação Cultural”, informou Stecz. Ainda não foi definida a data de inauguração. “A liberação das verbas para a obra já está tramitando na prefeitura, e deve entrar no orçamento de 2011. Temos que fazer a licitação para a obra, para o mobiliário e para o equipamento, e isso demanda tempo. Nossa previsão é que até meados de 2011 tudo isso esteja pronto”, explica.

Ecos do passado Em 1972 o então prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, lançou um projeto para transformar a Rua XV de Novembro, no centro da cidade, em uma área exclusiva para pedestres. Os comerciantes da região foram pegos de surpresa e o caso foi parar na justiça. Hoje, a Rua XV tem um dos comércios de rua mais movimentados do país e transformou-se num cartão postal do Estado.

Paranaguá Em Paranaguá, no litoral do Estado, o Plano de Mobilidade do Centro Histórico de Paranaguá, elaborado pelo Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, propõe a restrição da circulação de veículos no centro histórico da cidade. A região, localizada na margem esquerda do Rio Itiberê, na Rua da Praia, possui casarões típicos da colonização portuguesa do fim do século XIX, começo do século XX. Ali está a primeira igreja construída na região sul do país. A igreja de São Benedito foi erguida por escravos e negros devotos entre 1600 e 1650. A área tombada pelo Patrimônio Histórico ainda abriga a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, edificada em 1578 e marco central do povoado e da Vila de Paranaguá.


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Curitiba, quinta-feira, 20 de maio de 2010 Dilvugação

Priscila Schip

Henrique Bonacin Filho

Escreve quinzenalmente sobre questões de gênero, sempre às quintas-feiras priscilaschip@gmail.com

Escreve quinzenalmente, às quintas-feiras, sobre política hbonacin.ike@gmail.com

Gênero

Política

Olhos abertos

Homem que é homem não chora Sabe aquela velha história de que homem se arruma em um minuto e a mulher demora horas? Consequência do machismo. Antes que me joguem pedras, explico. O machismo, além de pregar a máxima de que os homens são superiores às mulheres, também exige do homem uma conduta especifica: a do homem macho. Ainda criança, o menino é educado para não demonstrar emoções, engolir o choro e negar o medo. O pai quase nunca demonstra carinho ao filho e pouco a pouco a criança vai aprendendo a esconder sentimentos. Os pais justificam a falta de modos e peraltice no fato de a criança ser um menino e não o corrigem. Na adolescência, incentivam o rapaz a ser namorador e desaprovam qualquer demonstração de vaidade. A criança cresce com as influências da sociedade machista em que vivemos. Cria-se um ideal de que homem que é homem não admite fraqueza,

Cria-se um ideal de que homem que é homem não admite fraqueza, é durão, fala grosso, tem muitas mulheres e nunca se apaixona. Essa construção do homem macho é meramente cultural

é durão, fala grosso, tem muitas mulheres e nunca se apaixona. Essa construção do homem macho é meramente cultural, trata-se de uma máscara de força que tenta promover a superioridade, mas que causa dores aos que decidem não usála. É como se passassem a ser menos homens por não se adequarem ao padrão. Esses homens que choram, que admitem sentimentos, que abraçam seus filhos, que falam manso e que são vaidosos sofrem tanto preconceito pelo machismo quanto a mulher. Porque embora o machismo busque a superioridade masculina, ele acaba estabelecendo limites negativos ao próprio homem. O movimento feminista percebe essa limitação e busca uma educação igualitária entre meninos e meninas. Essa educação parte do pressuposto de que, se crianças de ambos os sexos foram educadas de forma comum e cresceram com os mesmos valores, poderemos alcançar uma sociedade ideal em questão de gênero. Arrisco em dizer que é a luta feminista que vai igualar o tempo que o homem leva para se arrumar ao da mulher. A partir do momento que a vaidade seja vista como uma característica humana e não específica de um gênero, o homem terá opções de vestimenta suficientes para demorar a ficar pronto. Por ora, o homem demora menos para se arrumar por falta de opção. Mas esse é só um exemplo bobo de que a desigualdade ainda é gritante. Antonio Lacerda/Efe

“Proposta de Emenda à Constituição Estadual: fica proibida a cessão, disposição funcional, requisição, celebração de convênio ou termo de cooperação ou ainda a prestação de serviços por servidores públicos, policiais civis e militares a outros poderes, Órgãos da Administração Pública Estadual, inclusive o Ministério Público, ainda que na condição de lotação em quadro diverso, excetuados os casos de requisição judicial.” Isso é um resumo da proposta de emenda à Constituição Estadual, mais conhecida como “PEC”, que tramitou na Assembleia Legislativa do Paraná na quarta-feira, dia 12, e que tem possibilidades de ir a plenário para votação. Alguns dizem que foi uma retaliação à invasão que o Ministério Público realizou à Assembleia, junto ao Grupo de Atuação Especializada ao Crime Organizado (GAECO). O Ministério Público levou embora uma Kombi cheia de documentos para análise, além de algumas prisões. Agora, após a invasão, começou a rodar essa “PEC” na mão dos jornalistas e deputados. O grande problema é que nas cópias que estavam circulan-

Por um lado, o Poder Legislativo ter que ser invadido por militares para que preste contas do que está realmente acontecendo na casa já é um absurdo. Por outro, o Legislativo começar uma ação absurda para tentar afrontar e minimizar o poder de atuação da justiça paranaense é pior ainda. do não aparecia o autor da proposta, muito menos as 18 assinaturas necessárias para que ela vá para plenário. Durante o dia, muitos deputados foram entrevistados e nenhum tinha conhecimento prévio dessa “PEC”, ou sequer a havia assinado, o que já soa estranho aos nossos ouvidos. Sem dúvida, ninguém quer colocar a cara a tapa, mas essa proposta fere os direitos dos cidadãos e as atuações da Justiça, por exemplo, nos mandados de prisão. Caso a emenda seja aprovada, por exemplo, quando houver mandados de prisão para traficantes, o pessoal da Justiça não vai ter apoio da polícia para poder atuar. Tristes em toda essa história são os absurdos envolvidos, isso após as denúncias que a Gazeta do Povo e a RPCTV começaram a realizar. Por um lado, o Poder Legislativo ter que ser invadido por militares para que preste contas do que está realmente acontecendo na Casa já é um absurdo. Por outro, o Legislativo começar uma ação absurda para tentar afrontar e minimizar o poder de atuação da Justiça paranaense é pior ainda. Se as coisas continuarem dessa forma, os poderes que regem nosso país vão começar a se digladiar, e nós, cidadãos (para quem eles trabalham), vamos ser os últimos com quem eles irão se preocupar. Aonde vamos chegar? Espero que essa proposta fique apenas em mero engano. Opine! | Discordou dos nossos colunistas? Gostou? Critique ou elogie pelo redacaolona@gmail.com


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Imagem: Divulgação

Página Literária

Desrespeito de pombo Fernando Emmendoerfer de Castro Uma das brincadeiras mais simples e divertidas da minha infância foi, sem dúvida, correr atrás de pombos. Seja na praça, na escola ou no estádio, a sensação de ver os pombos voando assustados para um local seguro é para qualquer garoto, antes de tudo, uma afirmação de poder, de autoridade, em um momento da vida onde esses sentimentos são praticamente nulos. Pois bem, relutei em aceitar os fatos, busquei enquanto pude - com uma réstia de esperança encontrar um bando de pombos que se assustassem com a presença humana. Em vão. Algo de

muito errado aconteceu, hoje em dia os pombos fazem pouco caso da presença humana, não entram em frenesi com uma pisada mais forte e não deixam o local onde estão enquanto houver milho ou pipoca por ali. A gota d’água aconteceu ontem: eu caminhava pela Praça Rui Barbosa, quando avistei um pombo na descendente, vindo em minha direção. Logo temi ser transformado em alvo das necessidades biológicas do animal, mas esse medo passou quando vi que ele já voava baixo. O que houve foi que a criatura, por algum motivo que eu ignoro totalmente, resolveu pousar no meu pé esquerdo. Lá veio ela, acionou o

reverso, abriu o trem de pouso e em uma rasante só não conseguiu seu objetivo porque eu, muito habilmente, percebi sua inescrupulosa intenção. Os fatos estão aí só não vê quem não quer: os pombos não têm mais medo de nós. Ousados. Acredito que não exista um estudo social ou biológico sobre o assunto, portanto me senti à vontade para elaborar teorias. Em pesquisa realizada no “pai dos burros virtual” – o Google descobri que os pombos que vivem em ambientes urbanos têm um tempo de vida estimado entre três e cinco anos apenas. Logo, os pombos que hoje riem de nós não são os mesmos que

um dia espantamos enquanto saboreavam sua refeição. Descartada então a hipótese de vingança, sobra a teoria de evolução das espécies de Darwin. A seleção natural extinguiu os representantes medrosos dos pombos e hoje quando um pombo nasce já vem ao mundo desprovido de qualquer restrição quanto a nós, humanos. Fica o alerta, os pombos estão cada dia mais perigosos. Se minha teoria estiver correta, logo logo os exemplares com pontaria torta serão extintos também e aí só será possível caminhar pelas praças, escolas e estádios com um guarda-chuva. O tiro será sempre fatal!

casas que têm filhos vicejam com seus próprios sóis – ser algo mais do que um nome e uma data no alvorecer da vida. De fato, gostaria mesmo é de ter uma filha. Creio que educar uma menina é algo capaz de significar o existir. Gostaria de lhe dar o nome de Sofia. Sofia. É o nome mais poético que conheço. So-fia. Um nome de contornos singelos, distanciado das injúrias, calúnias e difamações da vida, um nome que ecoa uma certa beleza mítica de soprar e aprender. Na minha sala de aula tem uma Sofia. É uma moça de volumosos cabelos negros, uma cachoeira tropical, intensa, linda. Ontem ela estava a usar um

aparelho de correção dentária que deve ter um nome simples, um nome que faria desnecessária as explicações, mas desconheço a simplificação. Nunca conversei com a minha companheira sobre meus anseios paternos. Agora é uma estação de viagens. Logo é a sua partida. Ficará um ano fora de casa – e a casa ficará à espera de seu breve retorno. Minha companheira das horas mais longas e das leituras no chão do mar, todo dia ouço esse nome: Sofia. Mas, não se preocupe, meus olhos não ardem por mais ninguém, só por você. É que toda vez que ouço esse nome sou acometido de uma força bruta que me traz ao

centro da terra e me faz imaginar tempos futuros. Porque gosto de contar histórias, de narrar os primeiros passos e um dia serei pai, sim, talvez um bom pai, você vai ver. (E você, minha querida Sofia, a quem já quero bem antes mesmo de existir, um dia você também saberá da imensidão dos caminhos e da dor de ver partir temporariamente quem a gente mais ama). Enfim... É hora de dormir, Sofia. Estamos sempre de chegada ou de partida, minha filha. Eu tenho literatura aqui, literatura que é de uma substância própria e diferente dessas agruras e vísceras que digo. O que é agrura e o que é víscera? Bem, quer que te conte uma história feliz?

Sofia Daniel Zanella Penso em ter um filho. O dia em que meus cabelos estiverem rareando e meus joelhos cansados de tantas esquinas quererei ser pai. Não um pai qualquer, abrupto, um acaso perante a velocidade do mundo. Quererei ser um pai livre das tribulações cotidianas, além dos grilhões mundanos, integral, um compêndio lírico de bem e mal a serviço da eternidade. Penso em ter um filho e penso em senti-lo em cada respiração, acordar com ele diante dos choros primeiros da madrugada, observá-lo no seio alvo da mãe, balançando na valsa ancestral, enamorá-lo nas manhãs de paz e esplendor – as


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Telejornalismo e mercado de trabalho são discutidos no Intercom Sul Thomas Mayer Rieger, de Novo Hamburgo (RS) O jornalismo televisivo é o referencial informativo da maior parcela da população brasileira, o que é comprovado pelos dados do IBGE: 98% das pessoas do país possuem pelo menos uma televisão em sua residência. Poucos sabem, entretanto, que conseguir uma vaga nessa área jornalística é cada vez mais difícil, e que o trabalho é tudo, menos fácil. A formação nessa área foi o tema da palestra do XI Intercom Sul de Novo Hamburgo, “O Telejornalismo e a Formação Profissional”, que contou com a participação de Marcel Souto Maior, diretor do programa Profissão Repórter, da Rede Globo, Caio Cavechini, repórter do programa e de Manoel Soares, repórter da Rede Brasil Sul (RBS) e diretor executivo da Central Única das Favelas do Rio Grande do Sul, a CUFA-RS. Quem abriu a palestra foi Soares, que falou sobre sua relação próxima com as comunidades pobres do Rio Grande do Sul e sua função como repórter na rede RBS. Logo no começo, ele relacionou o jornalismo comunitário ao avião de papel: ambos são fáceis de fazer. Soares também falou sobre o Comunidade JA, um bloco inserido no Jornal do Almoço da RBS com temas voltados às necessidades e anseios das populações gaúchas menos abastadas. Além disso, o repórter exibiu algumas matérias que fez, como “A Menina da Ilha”, sobre uma família que perdeu sua casa por causa das chuvas. Marcel Souto Maior começou sua participação no evento falando sobre os dois critérios

que ele e o apresentador do programa, o jornalista Caco Barcellos, procuram naqueles que querem entrar na equipe. Em primeiro lugar, eles conferem os olhos da pessoa. “Brilho no olho é fundamental”, disse. Em seguida analisam o desejo do candidato, e avisam que caso percebam que a pessoa está mais interessada em ganhar fama, ela não será selecionada. Segundo ele, o Profissão Repórter é resultado da conjugação de dois fatores: a experiência e a credibilidade de Caco Barcellos associadas ao entusiasmo e garra dos jovens jornalistas que integram a equipe do programa. Souto Maior explicou que o Profissão intercala temas pesados, como o consumo de crack, com leves, como pessoas vendo o mar pela primeira vez, porque o Brasil é muito rico e diversificado, e que retratar essa diversidade é fundamental. O jornalista também contou algo que os telespectadores não ficam sabendo: os repórteres da equipe não se esquecem dos personagens retratados no programa. Eles mantêm contato frequente e buscam saber como anda a vida dessas pessoas, mesmo depois de o programa ter ido ar. O Profissão Repórter, segundo o diretor, mostra a dificuldade dos jornalistas jovens e ajuda a mostrar aos telespectadores que eles são feitos de carne e osso. Uma das maiores preocupações da equipe do Profissão é humanizar as pessoas que participam do programa. Os telespectadores devem se identificar com aqueles que aparecem na televisão e perceber que, apesar de tudo, eles são gente como a gente. “O jornalis-

mo precisa cada vez mais surpreender e emocionar. Aquele que expuser um olhar novo acerca de um tema que já foi contado várias vezes tem grandes chances de conseguir um emprego”. Por último houve a participação do repórter Caio Cavechini, que explicou como funciona o processo produtivo do programa da Rede Globo e contou que não existe qualquer tipo de texto pré-preparado para os repórteres. “A imagem e o som que mostramos são mais importantes que qualquer tipo de texto. E as imagens têm que ser naturais, captar o momento”. Um tema mencionado pelos palestrantes foi a relação da universidade com o mercado de trabalho na área jornalística. “A universidade é o lugar de experimentar e não repetir vícios do jornalismo. Os universitários não precisam seguir fórmulas batidas”, disse Cavechini. Souto Maior complementou com a ideia da novidade: “A universidade é pilha nova, é sangue novo. É disso que precisamos no jornalismo”. Para o estudante de jornalismo Antonio Carlos Senkovski, a palestra teve um aspecto mais ilustrativo. “Ela serviu para mostrar uma coisa que foge um pouco do padrão. Foi válido, mostraram uma forma diferente de fazer jornalismo”. A também estudante Maria Carolina Lippi achou que faltaram algumas discussões no evento. “Eles poderiam ter explorado mais o lado da participação da universidade na formação. O próprio repórter Caio Cavechini não falou qual é a importância da formação que ele tem com a sua participação no programa”.

Luc Ferry dá palestra no Teatro Positivo Daniel Castro Hoje à noite, a Universidade Positivo recebe o filósofo e ex-ministro da Educação da França, Luc Ferry, para uma palestra. O evento acontece no Teatro Positivo - Grande Auditório, às 20h30, e trata da busca por uma vida boa e virtuosa. Ferry foi mentor do polêmico projeto que proibiu o uso de símbolos religiosos pelos estudantes nas escolas públicas francesas. Segundo o Reitor da UP, José Pio Martins, as diferenças entre os conhecimentos religiosos e filosóficos são bem definidas pelo francês. “Para Ferry, existe outro caminho para a busca da salvação: a filosofia, que propõe ser uma doutrina de salvação por si mesmo, sem a ajuda de Deus”.

Menu Rodrigo Cintra

A lenda do blues Um dos melhores guitarristas do mundo, o americano Johnny Winter, se apresenta em Curitiba neste domingo. No show, ele tocará os grandes sucesso da carreira acompanhado do irmão, Edgar Winter, e pelos músicos Paul Nelson, Scott Sprau e Vito Luizzi. Onde: Teatro Guaíra (R. XV de Novembro, 971, Centro). Quando: Domingo, às 20h. Quanto: R$ 120 a R$ 200.

Carrascos A Cinemateca de Curitiba exibe a partir de amanhã o documentário “Carrascos – Artistas do Ringue”, do diretor Túlio Viaro. Sem a pretensão de fazer um resgate histórico, o filme mostra a vida de ex-lutadores de luta livre e tele-catch paranaenses e de São Paulo. Onde: Cinemateca de Curitiba (R. Carlos Cavalcanti, 1174, São Francisco). Quando: Sexta a domingo, às 20h30. Quanto: Gratuito

Sobre mulheres Amor, abandono, sacrifício, escolha, dualidade, desejo e transcendência são os temas levantados pela peça “Marias e Madalena”, em cartaz no Teatro Cleon Jacques. Baseado no conto de mesmo nome, da escritora Marguerite Yourcenar, e em versões diversas sobre a história de Maria Madalena, o espetáculo discute as várias faces do feminino e a visão da mulher sobre si mesma. Onde: Teatro Cleon Jacques (Parque São Lourenço, snº, São Lourenço). Quando: Quarta a sábado, às 20; domingo, às 19h. Preço: R$ 10 Divulgação


LONA 562 - 20/05/2010