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RIO DIÁ do

Curitiba, sexta-feira, 14 de maio de 2010 - Ano XII - Número 558 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Feirão Caixa da Casa Própria começa hoje Divulgação

BRASI

L

redacaolona@gmail.com

Brasileirão

Expectativas para os parananenses A segunda rodada do Campeonato Brasileiro está movimentada. Atlético Paranaense e Coritiba jogam como mandantes, enquanto o Paraná Clube encara a Ponte Preta fora de casa. Pág. 4

Coluna

Chama o garçom Já sabe onde tomar a cervejinha desse final de semana? Os nossos colunistas têm a dica certa para você se divertir relembrando os momentos da infância. Pág. 6

Basquete

NBB

Flamengo vence e avança à próxima fase do Novo Basquete Brasil e aguarda definição entre Brasília e Pitágoras. A vantagem nesta semi-final é do time da capital federal, que lidera o pleito de melhor de cinco. Pág. 4

O Feirão Caixa da Casa Própria oferece até domingo cerca de 15 mil oportunidades para quem quer comprar sua moradia. Casas e apartamentos novos, usados e na planta podem

ser financiados em 100%. Inscritos no Minha Casa, Minha Vida, programa do governo federal, também poderão adquirir financiamento pela Caixa. Pág. 3


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Espaço do Leitor O jornal está muito bom, tirando a falta de cor =\ a coluna de gênero está ótima. Juliane Moura, estudante de jornalismo, via twitter (@Juliane_Moura) Ñ consegui ler o Lona hoje pq ñ há edição digital, e acabo tendo contato com a publicação só à noite. Pq ñ disponibilizam o PDF? Antonio Senkovski, estudante de jornalismo, via twitter (@acsenkovski). Gostei muito da edição dessa quarta-feira do Lona! Muito boas as colunas sobre Cinema e Mundo (cont) http://tl.gd/191ae0 Lucia Winchester, via twitter (@LuciaWinchester) Acabei de ler "Os Zé-niguéns da academia" e concordo ipsis literis com as ideias expostas em seu artigo - até parece que tu está convivendo com os mesmos zé-niguéns que convivo em minha sala de aula: aqueles que riem e nem sabe do quê. Marcela Brotto, estudante da UP, via e-mail enviado a Aline Reis.

Errata

Curitiba, sexta-feira, 14 de maio de 2010

Opinião

Vou para A epidemia do crack Tangamandapio. Lá se evita a fadiga Matheus Dumsch

matheus_dumsch@hotmail.com

Camila Almeida almeidacamilas@gmail.com

Hoje é domingo... Não me apetece fazer mais nada... Simplesmente deito em meu sofá e pronto: lugar perfeito não podia ser melhor, meu momento Garfield, até que o meu cérebro em um surto psicótico resolve me trazer a pior das lembranças: “Ai!, amanhã é segunda...” Existe dia pior que a segunda-feira? Parece que tudo conspira. Você trabalha mal, come mal, segunda-feira é o dia da TPM fora de hora, estresse puro. Nessas horas costumo dar uma de Polyana, por isso acredito que o melhor dia da semana é a quinta-feira, só porque está longe da segunda e pertinho da sexta; sexta é o dia santo. Que atire a primeira pedra quem nunca mentiu uma dorzinha para não ir para a escola ou ficou mais cinco minutinhos na cama e acabou perdendo a hora. AinDivulgação

O e-mail do autor do artigo “Bolsa Família pelo ralo”, publicado ontem no LONA estava incorreto; na verdade é sidneycap01@ hotmail.com

São inúmeros os fatores que contribuíram para a disseminação do crack, droga que age de maneira rápida e vicia já nas primeiras vezes em que é consumida

Expediente Reitor: José Pio Martins. Vice-Reitor: Arno Antonio Gnoatto; PróReitor de Graduação: Renato Casagrande; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Cosme Damião Massi; Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa e Pró-Reitor de Extensão: Bruno Fernandes; Pró-Reitor de Administração: Arno Antonio Gnoatto; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira e Marcelo Lima; Editores-chefes: Aline Reis (sccpaline@gmail.com), Daniel Castro (castrolona@gmail.com.br) e Diego Henrique da Silva (ediegohenrique@hotmail.com).

Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”. O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP Redação LONA: (41) 3317-3044 Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-30. Fone (41) 3317-3000

O avanço do crack é algo que assusta a todos. A droga, que era consumida por moradores de ruas e pessoas com baixo poder aquisitivo, chegou às classes mais elevadas da sociedade. No Brasil, o consumo da droga aumentou consideravelmente e hoje vivemos uma espécie de "epidemia" da droga. São inúmeros os fatores que contribuíram para a disseminação do crack, droga que age de maneira rápida e vicia já nas primeiras vezes em que é consumida. São necessários apenas oito segundos para o organismo absorver as substâncias tóxicas existente na droga. Com a mesma intensidade com que chega, o efeito se vai, criando no usuário a chamada “estiga” (necessidade de ingerir mais doses da droga para se livrar de suas crises de abstinência). O preço da droga é algo que também chama muita a atenção. Hoje se paga cerca de cinco reais por uma pedra de crack, preço relativamente barato, mas o problema se dá pelo fato de a droga ser consumida em grandes quantidades, fazendo com que sua venda seja um negócio altamente rentável, despertando o interesse do crime organizado, que mantém um forte esquema de corrupção, podendo ven-

da mais nesses dias de frio. Eu mesma já fui craque, mas isso não é preguiça, é tudo culpa do Sr. Newton, com a tal da inércia: "Tudo o que está em repouso tende a permanecer em repouso". Já ouviu falar na preguicite aguda? Alguns dos sintomas são: bocejar o tempo todo, principalmente nas horas menos propícias, como velórios, reuniões e até na aula. O verbo dormir é o que você mais gosta da língua portuguesa e por isso vive falando dele. O melhor lugar da sua casa é o seu quarto e seu templo é sua cama. Quando você tem vontade de trabalhar, simplesmente se senta e espera a vontade passar. Você descansa durante o dia para dormir bem de noite. Se vir alguém descansando, você o ajuda, se você apresenta esses sintomas, mantenha a calma. Ninguém nunca morreu por descansar. Pois é, eu queria que o mundo se acabasse em barranco para eu morrer encostada! Tá certo que sempre vai ter alguém “absurdado”, tipo aquelas pessoas que odeiam a segunda, mas fingem amá-la, venerá-la, idolatrá-la, que iram criticar a preguiça do outro e dizer para eu parar de escrever besteiras, inutilidades, coisas que não levam a lugar algum, mas eu nem levo em conta cada um no seu quadrado e para terminar essa minha apologia à preguiça e como boa discípula do carteiro Jaiminho, vou me mudar para Tangamandapio, porque eu faço tudo para evitar a fadiga.

der livremente a droga. Cerca de 70% dos usuários cometem pequenos furtos para manter o vício; 17% se envolvem com o tráfico. A prostituição também é uma prática normalmente associada ao consumo da droga. As viciadas “trocam” seu corpo por algumas pedras, provando que os efeitos do crack também são sociais, pois a droga nasceu em meio à miséria e leva seus usuários a conviver com ela. Por se tratar de uma droga altamente viciante, o crack possui tratamento difícil. Nem sempre é tão efetivo. O número de recuperados não chega a sequer a 50% dos usuários. Por esse motivo, a única forma de pôr um "stop" nessa história toda é esclarecer a população de que o crack é um caminho sem volta. Nele, o barato acaba saindo muito caro. Muitos já pagaram com suas vidas. Divulgação


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Curitiba, sexta-feira, 14 de maio de 2010

Moradia

Caixa Econômica Federal oferece

15 MIL moradias em feirão O 6º Feirão Caixa da Casa Própria também disponibiliza moradias para inscritos no Projeto Minha Casa, Minha Vida

Maria Carolina Lippi Cerca de 15 mil famílias poderão realizar o sonho de comprar a casa própria a partir de hoje. A Caixa Econômica Federal realiza até domingo o 6º Feirão da Casa Própria, no Marumby Expo Center, em Curitiba. O evento também ocorre em outras 12 cidades do país. O Feirão oferece móveis novos e usados e ainda na

planta. O público esperado pela Caixa Econômica Federal, organizadora do evento, para este ano é de 40.000 pessoas, 5 mil a mais do que no ano passado. O Feirão, que está na sua sexta edição, vai oferecer até o dia 11 de junho em todo o país mais de 450 mil moradias. A assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal divulgou que na última edição do

evento foram assinados 31 mil contratos, que equivalem a R$ 1,8 bilhão em imóveis no Brasil. Na capital paranaense, 2,4 mil contratos foram feitos, o equivalente a R$ 184 milhões. Neste ano, a novidade é a venda de imóveis para os participantes do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida. O programa oferece financiamento de moradias para famílias com renda entre 3

e 10 salários mínimos. A meta do governo é construir 1 milhão de casas e apartamentos para a população inscrita. No Feirão, 200 mil imóveis serão ofertados pelo projeto. Em Curitiba, 9 mil das 15 mil moradias também serão disponibilizadas para os inscritos, de acordo com a assessoria . Estão presentes no Marumby Expo Center cerca de 100 empresas e instituições, além de 1000 funcionários da Caixa Econômica Federal. Os visitantes poderão conhecer os imóveis e até fechar negócio. Quem não puder ir ao local do evento, pode acessar o site do Feirão www.feirao.caixa.gov.br - e obter todas as informações. A população também pode acompanhar a movimentação do local pelo twitter.

Financiamento O financiamento oferecido pela Caixa Econômica Federal pode ser de até 100% do valor do imóvel , com prestações que podem durar até 30 anos. Os juros são de 4,5% ao ano, mais TR, para imóveis do Programa Minha Casa Minha Vida; e variam de 4,5% a 13%, para imóveis financiados com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Crédito). TR é a taxa referencial de juros e foi criada para ser uma taxa básica mensal de referência para os juros que devem ser utilizados no mês vigente. Essa tabela é utilizada em contratos com duração maior de três meses. Essa taxa também é utilizada para correção da caderneta de poupança.

Serviço O 6º Feirão Caixa da Casa Própria ocorre no Marumby Expo Center, Avenida Wenceslau Braz, 1.046, Vila Guaíra. Horário: Sexta-feira (14) e sábado (15), das 10h às21h. No domingo (16), das 10h às 21h. Documentos necessários para financiamento: RG, CPF e os três últimos contra-cheques para trabalhadores com carteira assinada ou os seis últimos extratos bancários para trabalhadores informais. Mais informações e simulador habitacional em www.feirao.caixa.gov.br e www.twitter.com/FeiraoCaixa

Divulgação


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Curitiba, sexta-feira, 14 de maio de 2010

Esporte

Basquete

Campeonato Brasileiro Flamengo é o terá sua segunda rodada primeiro neste final de semana finalista do NBB Paranaenses buscam melhores resultados; segundona já começou na terça-feira com dois jogos

Rubro-negro bateu Franca por 86 a 85 e espera o adversário no duelo entre Brasília e Minas Divulgação

Miguel Basso Locatelli Dois jogos da Série B abriram a segunda rodada do Campeonato Brasileiro. O placar ficou igual em ambas as partidas: Sport x Guaratinguetá e Santo André x Brasiliense, o resultado ficou no 1 a 1. A rodada tem sua sequencia hoje e os demais jogos amanhã. Pela Série A, três jogos abrem a rodada na tarde de sábado, com os demais jogos no domingo. Os times paranaenses buscam melhores resultados, já que a primeira rodada não foi das melhores. O único vencedor da capital foi o Paraná, que venceu o Ipatinga por 3 a 0, na Vila CaSérie A Sábado, 15 de maio Fluminense x Atlético-GO (18h30) Barueri x Atlético-MG (18h30) Vitória x Flamengo (18h30) Domingo, 16 de maio Grêmio x Corinthians (16h) Santos x Ceará (16h) Guarani x Internacional (16h) São Paulo x Botafogo (16h) Cruzeiro x Avaí (18h30) Atlético-PR x Guarani (18h30) Vasco x Palmeiras (18h30)

panema. Agora, o tricolor vai até Campinas enfrentar a Ponte Preta, no Moisés Lucarelli, às 16h. Também pela segundona, o Coritiba fará seu primeiro jogo em “casa”. Na primeira rodada, a equipe foi ao Recife e perdeu para o Náutico por 3 a 1. O Verdão joga na noite de hoje, às 21h, na Arena Joinville, contra o América-MG. Será o primeiro jogo da equipe cumprindo a punição de dez jogos pela invasão da torcida no jogo contra o Fluminense, pela última rodada do campeonato no ano passado. O Atlético também fará sua primeira partida na Arena, contra o Guarani, no domingo, às 18h30. A equipe estreou no Brasileirão Série B Sexta-feira, 14 de maio Coritiba x América-MG (21h) Vila Nova x Icasa (21h) Figueirense x Portuguesa (21h) Sábado, 15 de maio Bragantino x ASA (16h) Ipatinga x Bahia (16h) Duque de Caxias x Náutico (16h) Ponte Preta x Paraná (16h) América-RN x São Caetano (21h)

contra o Corinthians e saiu derrotada, 2 a 1, em um jogo de muita reclamação com a arbitragem, principalmente pelo lado do Furacão. O destaque da rodada fica por conta do jogo entre Grêmio e Corinthians, que será realizado no Estádio Olímpico, em Porto Alegre. O Tricolor Gaúcho vem de uma grande vitória pela semifinal da Copa do Brasil, quando venceu o Santos por 4 a 3. Já o time paulista teve a semana inteira para se preparar para esse confronto. O Santos recebe o Ceará, no domingo. As outras equipes semifinalistas, Atlético-GO e Vitória, jogam no sábado. A equipe de Goiás vai ao Rio de Janeiro enfrentar o Fluminense, no Maracanã. Enquanto isso, o Vitória recebe o Flamengo, que perdeu sua primeira partida das quartas-de-final da Libertadores. Outra equipe que foi derrotada nas quartas foi o Cruzeiro, que recebe o Avaí, no Mineirão, enquanto o São Paulo enfrenta o Botafogo no Morumbi. Depois desta rodada, restarão apenas cinco jogos para a paralisação do Campeonato, devido ao início da Copa do Mundo. Confira os jogos no quadro à esquerda. Fotos: Divulgação

Netinho (CAP), Marcos Paulo (Coritiba) e Marcelo Toscano (Paraná) são esperanças dos clubes paranaenses no Brasileirão

Miguel Basso Locatelli O time do Flamengo é o primeiro finalista do campeonato brasileiro de basquete de 2010. A equipe carioca venceu o Franca, na última terça-feira, por 86 a 85, e fará sua terceira final consecutiva da competição. Agora, o rubro-negro só espera a definição da outra semifinal, entre Brasília e Pitágoras Minas, para saber seu adversário. A equipe do Brasília está vencendo a série melhor de cinco e precisa de apenas mais uma vitória para fazer a terceira final consecutiva contra a equipe carioca. Já os mineiros precisam vencer em casa e depois em Brasília para ir à final. As duas equipes se enfrentaram na noite de on-

tem, em Minas, mas até o fechamento desta edição não tínhamos o resultado. O destaque do jogo entre Flamengo e Franca ficou por conta do ala Marcelinho Machado, que, além de ser o cestinha da equipe na partida com 21 pontos, protagonizou o lance mais emocionante da partida. A equipe de Marcelinho perdia por 85 a 83, faltando 19 segundos para o fim da partida. O técnico da equipe, Paulo Chupeta, pediu tempo e organizou a jogada de ataque e deu certo. A bola parou nas mãos do craque que, faltando 1 segundo, arremessou e fez uma linda cesta de 3 pontos, dando a vitória e a classificação para a final ao Flamengo.


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VERDE Comportamento

está na moda

Consumidores se preocupam com o meio ambiente na hora de comprar

Além da matéria-prima utilizada, transporte e embalagem também são levados em conta Nina Flores/ Divulgação

Sustentabilidade e beleza caminham juntas

Paola Marques

Curitiba, sexta-feira, 14 de maio de 2010

Paola Marques Qualidade dos tecidos, da costura, bom atendimento e respeito ao meio ambiente. Essas estão sendo as preocupações de quem faz e consome moda. Sempre atrelada a ideias como consumo, troca e descarte, hoje o segmento também procura ser menos agressivo à natureza. Isso tudo sem perder de vista sua preocupação número um: a beleza. A troca de coleções a cada seis meses ainda é regra no setor. No entanto, novos tipos de tecidos e embalagens estão sendo pensados para terem o mínimo de impacto no meio ambiente. O algodão orgânico é uma alternativa aos tradicionais, já que é cultivado sem agrotóxicos ou adubos químicos. O linho, o cânhamo e o tecido feito a partir de garrafas pet também estão ganhando consumidores e fabricantes adeptos dessa nova postura ambiental. Porém, nem tudo são plumas e paetês para o setor. Produzir uma peça com etiqueta ecológica ainda é muito caro. Como consequência, esse preço é repassado para o consumidor. O designer de moda e diretor de marketing Paul Diether, que trabalha diretamente com a produção de uma fábrica de roupas femininas, diz que fazer moda preocupado com o futuro do meio ambiente por enquanto é inviável. Ações que precisam ser feitas na fábrica, como trocar todo o sistema de limpeza do algodão para tecer, ou não usar produtos químicos fortes, não trazem custobenefício algum para a empresa. Além disso, outros pontos precisam ser levados em consideração. “Além de fazer

a camiseta de algodão, que não agride o ambiente, será preciso um método limpo para embalagem, transporte e venda dessa camiseta. Do que adianta a peça ser superecológica se vai embalada em um saco plástico?”, indaga Diether. Impacto social A preocupação com o transporte e embalagem atinge quem pensa além do próprio guarda-roupa. A produção têxtil, como é feita hoje, estimula e solidifica as relações de trabalho, com prejuízo para o trabalhador. As maiores redes de fast-fashion (termo que define uma moda ainda mais volátil, representada por grandes magazines e redes varejistas) importam seus produtos de países onde os funcionários produzem muito com baixos salários e, às vezes, num regime de semi-escravidão. Guilherme Appolinario, 18 anos, consome sempre pensando nas questões trabalhistas. “Prefiro valorizar um produto brasileiro, que tem mais chances de ter sido produzido sob normas trabalhistas mais estritas do que acontece, por exemplo, em países subdesenvolvidos da Ásia”, afirma. Outro fator determinante na hora da compra é a preocupação ambiental. “Quando consumo um produto nacional, significa que estou consumindo algo que não viajou tantos quilômetros para chegar até mim. Isso significa menor emissão de gases decorrentes de combustíveis e mais sensatez financeira, afinal pagarei menos pelo frete”, completa. Com relação às embalagens, menos é mais. A inovação fica, novamente, a cargo de materiais recicláveis e que poluem o mínimo possível. Papelão, linho e papel reciclado - reutilizáveis e em menor quantidade. Tudo isso com muito charme.

“Do que adianta a peça ser superecológica se vai embalada num saco plástico e, na hora da compra, em uma sacola plástica?” Paul Diether, designer de moda


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Curitiba, sexta-feira, 14 de maio de 2010

Danilo Georgete

Fotos: Divulgação

Escreve semanalmente, às sextas-feiras, sobre esporte danilo_georgete@hotmail.com

Fórmula 1

O mito, a lenda

Falar de Fórmula 1 e não pensar em Ayrton Senna é impossível! Quem fala que não se emociona, não se lembra de Ayrton quando ouve o famoso tema da vitória, não é um legítimo brasileiro. Senna imortalizou a música que toca sempre que acontece uma vitória brasileira na F-1. Ela não foi feita pra ele, mas ele foi feito para ela. Um completava o outro. A vitoriosa história de Ayrton na maior categoria automobilística do mundo começou no GP do Brasil de 1984, com a medíocre Toleman, ou “patinho feio”, como era conhecida a equipe. E não é que Senna fez um dos piores carros andar? Conseguiu resultados expressivos com a equipe, como o segundo lugar em Mônaco, que se tornaria o quintal de Senna, a sua pista favorita. Não é à toa que, após uma vitória, deu um banho de champagne no príncipe Rainier. Quem não se recorda das brigas de Senna e Prost? Brigas dignas de se tornarem epopéias gregas. A rivalidade instaurada pelos dois deu

Fernando de Castro e Luiz Felipe Marques Escrevem semanalmente sobre bares; sempre às sextas-feiras castrohand@hotmail.com | lfmarques@gmail.com

Chama o Garçom

A boa nostalgia bons tempos de bar

um novo sentido à Fórmula 1. Ambos foram responsáveis pelo grande sucesso da categoria. Ninguém se lembra de Senna sem se lembrar de Prost. Senna era um determinado por natureza, e essa determinação foi importante para conquistar sucesso no automobilismo mundial. O “Rei da Chuva”, apelido carinhoso que ganhou da imprensa, conquistou sua vitória mais suada no Brasil. Incansáveis vezes escutei histórias de meu pai sobre aquela fantástica corrida, aquela de Interlagos, onde o ídolo corria atrás de seu primeiro triunfo em pistas nacionais. Senna havia feito a pole position e, após a largada, disparou na dianteira. Já no meio da corrida, a torcida entusiasmada iniciava a festa, e o delírio tomava conta do circuito. A torcida se espremia na arquibancada bradando, como no furor de um gol de placa, um único coro: “Senna”! Mas a McLaren do piloto vinha perdendo rendimento. Mesmo assim, conseguiu sua primeira vitória no Brasil. Após a bandeirada, o carro parou na reta oposta do circuito, enquanto a torcida invadia o autódromo em uma cena inapagável da memória dos amantes do esporte mundial. A nova geração brasileira, que nunca viu Ayrton Senna correr, imagina e inveja o fato de não ter vivido a nostálgica época da Fórmula 1. Época em que a nação brasileira acordava nas manhãs de domingo pra vê-lo nas pistas. Seus feitos são passados de geração em geração; é como se ele estivesse em um relicário que a nação brasileira leva a todos os lugares. O ídolo, o mito, a lenda nunca morre.

Lembra daquele seriado que você assistia quando era pequeno e de que nunca mais ouviu falar? Ou daquela propaganda que fazia você vibrar quando passava – mesmo que fosse interrompendo seu desenho predileto? Ou ainda aquela banda que musicou seus romances, quase romances, decepções e alegrias – como se todas as canções tivessem sido compostas de forma personalizada para você, no alto de seus 12, 15, 10 anos? É sempre bom relembrar os momentos que passamos, afinal, a nostalgia é um sentimento inerente aos seres humanos. Quem nunca exclamou: “Ah, bons tempos aqueles em que...” Pois bem, compreendendo esse sentimento tão trivial, o Bons Tempos Bar se apresenta como opção para ser o ponto de encontro dos acalorados debates e divertidas lembranças. Lá são exibidos clipes, trechos de filmes e seriados, desenhos, propagandas, tudo remetendo aos anos 80, marcantes e saudosos para muitos. Para além de ver, é também possível reviver a época “alugando” jogos como Genius, Uno, Pesca Mania e Pega Varetas, enquanto está no bar. Se no quesito entretenimento o Bons Tempos é aprovado com louvor, em matéria etílica e gastronômica “não deixa a peteca cair”. Os anéis de cebola fritos são excelentes e, acompanhados de uma Devassa Loura bem gelada, são uma ótima opção para acompanhar debates peculiares ao local – “Nintendo ou Mega-Drive?”, “Quem foi ao show dos Menudos?”, por exemplo. No entanto, é muito provável que a especialidade da casa sejam os pastéis. De diversos sabores, quentinhos e na medida no quesito fritura (nenhum cru ou suando gordura, enfim, como tem que ser). Escolhendo um deles, é possível pedir outra opção de cerveja ou ainda, de chope. A casa oferece parte da boa carta da catarinense Eisenbahn, outra das premium da Schincariol, destacando os chopes, como é o caso do Weizenbier (de trigo), excelente pedida. Já se preferir privilegiar a região e conhecer um bom produto que está cada vez mais comum em (bons) bares e restaurantes curitibanos, basta levantar a mão e pedir ao garçom um chope da

Lá são exibidos clipes, trechos de filmes e seriados, desenhos, propagandas, tudo remetendo aos anos 80, marcantes e saudosos para muitos Klein Bier, cervejaria de Campo Largo que acaba de completar um ano de vida. Não vai se arrepender! Comida boa, bebida também, diversão mais ainda e, o que é muitas vezes o fator determinante, preço justo – nada de exageros, ou cobranças indevidas – finalizam a impressão sobre o Bons Tempos Bar. É só ir lá e lembrar de coisas que há muito tempo não vinham à sua cabeça e à de seus amigos. Surpresas e a gostosa saudade da infância são por conta da casa.


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Curitiba, sexta-feira, 14 de maio de 2010

Perfil

A Metamorfose As mudanças e histórias nada convencionais da vida de Yuri renderiam um novo livro para Kafka muro do colégio e foi para o mercado que havia do outro lado da rua. Trocou as três últimas aulas do dia por um pacote de bolachas e uma garrafa de refrigerante. A aventura rendeu uma suspensão e posteriormente uma ameaça de expulsão do colégio, mas a oportunidade de desafiar a rigidez que o ensino marista oferece rende risadas até hoje. Apesar dessas histórias nada convencionais, a mais interessante delas foi motivada por uma inversão de papéis. Aqueles que estão acostumados a realizar ações de caridade ficariam surpresos ao ver que Yuri, representante típico da classe média curitibana, ganhou um jantar de um morador de rua. Ele explica que já era tarde

Daniel Castro Deve-se tomar cuidado ao entrar no quarto de Yuri Kulisky. As chances de tropeçar em um tênis ou de pisar nas roupas espalhadas pelo chão são grandes. No entanto, caso resista a esse primeiro impacto, a oportunidade de embarcar no universo desse rapaz de 18 anos pode se revelar uma experiência inesquecível. No recinto, as guitarras dividem espaço com os livros e desenhos, em uma disputa acirrada pelas horas livres do estudante de design e cinema. A sua estante é visitada por nomes como Jean-Paul Sartre e Franz Kafka, mas reserva um lugar especial para o humor escatológico de Angeli em sua fase mais ácida, imortalizada na revista “Chiclete com Banana”, ícone das publicações undergrounds da década de 1980. Na infância, Yuri foi influenciado pelos desenhos japoneses. Desiludido com a falta de talento para o handebol, decidiu se arriscar na escalada, esporte para o qual dedicou uma grande parte da sua adolescência, inclusive participando de competições. Hoje, Yuri tem um estilo de vida sedentário, reflexo da intensa vida acadêmica que leva. Nas viagens que faz com os amigos, não hesita em escolher os parceiros mais preguiçosos para dividir o quarto, já que assim não precisa acordar cedo por influência dos colegas que surfam e saem para a praia pouco depois do dia amanhecer. Sem grandes ídolos para cultuar, no cinema Yuri se identifica com o trabalho de três diretores: Andrei Tarkovski, Federico Fellini e Glauber Rocha. A respeito do cineasta brasileiro, a opinião do estudante é bem esclarecedora.

“Minha pretensão varia entre dois polos: mudar o mundo e não fazer nada”

da noite quando estava saindo da UTFPR. Ao iniciar o trajeto de volta para casa foi surpreendido com um pedido de abraço do morador. Ao ser correspondido com o gesto que tanto esperava, o homem se derreteu em elogios ao estudante, que nas suas palavras era o único ser humano com coração que ele havia encontrado. Depois de ouvir toda a história de vida do homem, Yuri pensou que já estava na hora de voltar para casa. Só não esperava receber um convite inusitado. “O cara falou que tinha pego duas marmitas na igreja, e queria que eu jantasse com ele. Foi aí que ele me passou uma delas e ficou com a outra. Comi com a mão mesmo. Tinha macarrão, frango e arroz”, conta. Arquivo Pessoal

Para ele, Rocha mudou o mundo ao dirigir “Terra em Transe”, premiado filme nacional de 1967. Uma das poucas coisas capazes de fazer com que Yuri perca a paciência são os seus três cachorros. O mais desafiador deles é Pudim, uma mistura de Chiwawa com Pinscher, considerado por seu dono o cão mais feio do mundo. O latido rouco e as tentativas de mordiscar o calcanhar das visitas são as marcas do animal, que parece ter uma personalidade tão peculiar quanto à do próprio Yuri. Rotina é uma palavra que o estudante esqueceu há algum tempo, mais precisamente desde que passou para o ensino universitário. Tendo isso em vista, não é estranho que Yuri se considere uma metamorfose, em semelhança com a que é descrita por Kafka na sua célebre obra literária. “Minha pretensão varia entre dois polos: mudar o mundo e não fazer nada”, explica. As ma-

drugadas na companhia do café são ideais para cumprir as obrigações acadêmicas, que insistem em ficar para a última hora. As noites não dormidas acabam se refletindo no seu dia a dia. Quem sabe muito bem disso é o estagiário responsável pelo laboratório de informática da UTFPR, que certa vez permitiu que Yuri dormisse embaixo da mesa onde ficam os computadores da sala pela qual é responsável. Quando acordou, o dorminhoco foi surpreendido pela existência de 30 chamadas não atendidas no seu celular, todas de sua mãe. A meia hora de sono que fora planejada se transformou em nada menos que seis horas. A excentricidade do rapaz rende histórias desde os tempos em que cursava o ensino médio. Em uma manhã de 2008, quando estava no terceiro ano, decidiu que não teria um recreio convencional. Junto com quatro amigos, pulou o


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Curitiba, sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cultura

Menu

Lazer e sabedoria oriental na Praça do Japão Manuela Ghizzoni Willian Bressan Ao caminhar por uma das ruas mais movimentadas de Curitiba, a Avenida Sete de Setembro, é possível observar um local que se destaca em meio a prédios e carros: a Praça do Japão. Luísa Bortoli tem uma receita infalível para o estresse do dia a dia: caminhar por lá. “Gosto de vir aqui quando estou estressada. A praça é muito bonita, calma, tem elementos de cultura e também tem um paisagismo muito interessante”, diz a estudante de Arquitetura e Urbanismo. Com 14 mil metros quadrados de área arborizada, a Praça do Japão foi concluída em 1962. Foi uma homenagem aos imigrantes japoneses que chegaram à capital paranaense em 1910. Construída com arquitetura em estilo oriental, em dias ensolarados a praça é alvo predileto de visitantes que desejam relaxar à sombras das 30 cerejeiras doadas pelo governo ja-

ponês, além de observar os seis lagos artificiais com carpas, que representam longevidade e sucesso. Junto com o belo jardim, existe a Casa da Cultura, uma biblioteca de literatura nipo-brasileira, com 200 livros. Segundo a responsável pela administração da biblioteca, Yoshi Ito, para emprestar livros, é necessária a carteira do Farol do Saber. Caso o visitante ainda não a possua, para obtê-la, precisa apenas apresentar no local comprovante de residência, RG ou CPF. “A maioria está em língua portuguesa, porém temos cerca de 20 livros em japonês”, afirma. A Casa da Cultura é uma imponente réplica do Templo Dourado, de Kyoto, com 11 metros de altura, e com uma garça de bronze no topo. A ave foi doada por uma comitiva japonesa da cidade de Hijemi em visita a Curitiba em 1994. O local abriga loja de artesanato, com destaques aos origamis - entre os quais pássaro tsuru. Além dos objetos feitos em papel, existem o kaeru, um pequeno sapo carregado normal-

Rodrigo Cintra

Robin Hood: quase herói

mente dentro de carteiras para atrair sorte, e a famosa estatueta do maneiko neko, que, com uma de suas patas levantadas, atrai fortuna e protege contra doenças e outros males. Um grande diferencial que a Praça do Japão possui em relação a outras praças curitibanas são as diversas práticas culturais oferecidas no local. A Cerimônia do Chá, por exemplo, acontece das 9h às 12h, nos sábados, e as práticas de meditação ocorrem no mesmo dia, às 19h30 para os iniciantes, e às 9h de domingo, para os já praticantes. As aulas de origami ocorrem de quinta a domingo, das 10h às 17h. A Feira Orgânica acontece na quinta-feira, das 14h às 22h. Por fim, as aulas de Ábaco são realizadas nas sextas-feiras, das 13h às 17h. Serviço Praça do Japão Localização: Av. Sete de Setembro, Água Verde. Horário de Funcionamento: Ininterrupto / Todos os dias. Telefone: (41) 3242-7222 (Praça do Japão/ Casa da Cultura). Willian Bressan

Depois de abrir o Festival de Cannes, o filme “Robin Hood” chega às telas de cinema brasileiras. Nesta montagem, o fora-dalei inglês ainda não é o famoso ladrão que tirava dos ricos para dar aos pobres. A versão do roteirista Ridley Scott (“Gladiador” e “Cruzada”) mostra como Longstride, um arqueiro do exército do rei Ricardo, se tornou o lendário bandido. Em cartaz no Cinemark Barigui e Mueller, Cineplus Shopping Jardim das Américas, Cinesystem Total e Curitiba, UCI Estação e Palladium e Unibanco Arteplex. Divulgação

“Amelia” desembarca em Curitba O filme “Amelia”, que estreou no Brasil em 25 de março, também entra em cartaz hoje nos cinemas curitibanos. O longametragem da diretora indiana Mira Nair retrata a vida da aviadora americana Amelia Earhart (Hilary Swank), primeira mulher a se tornar piloto na história da aviação. O filme mostra os desafios enfrentados por Amelia e sua maior conquista: a volta ao mundo a bordo de um Electra em 1937. Em cartaz no Cineplex Batel.

Da literatura para a telona Baseado no livro homônimo do jornalista sueco Stieg Larsson, o filme “Os Homens que não Amavam as Mulheres”, primeiro da trilogia Millennium, acompanha o repórter Mikael Blomqvist na investigação do desaparecimento de uma adolescente que aconteceu há 40 anos. Com a ajuda de uma misteriosa hacker, ele descobre que o desaparecimento está relacionado com um série de crimes sexuais e raciais. Em cartaz no Cinemark Mueller, UCI Estação e Unibanco Arteplex

Muita bebedeira e música country

Um grande diferencial que a Praça do Japão possui em relação a outras praças curitibanas são as diversas práticas culturais oferecidas no local

Outro destaque da telona é o longa-metragem “Coração Louco”, sobre o cantor de música country Bad Blacker. Depois de vários casamentos e muita bebedeira, ele procura arrumar a própria vida com a ajuda de uma jovem jornalista. O filme ganhou o Globo de Ouro e rendeu o Oscar de Melhor Ator para Jeff Bridges pela interpretação do protagonista. Em pré-estreia no Cineplex Batel e no Unibaco Arteplex.


LONA 558 - 14/05/2010