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RIO Á I D do

Curitiba, terça-feira, 11 de maio de 2010 - Ano XII - Número 555 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

L BRASI

redacaolona@gmail.com

Comunidade da CIC cobra legalização de terrenos

Michel Prado

Contrariando o modelo de cidade sorriso, já faz 30 anos que os moradores do Sabará, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), buscam a regularização das suas moradias. A assembleia popular organizada por eles tenta melhorar essa situação, convocando os moradores para discutir os problemas acarretados pela falta de definição.

Fernando Mad/ Lona

Cidadania

O passe escolar mais caro do sul Para serem beneficiados pelo passe escolar, os estudantes devem atender a requisitos, entre eles morar em Curitiba, estar a mais de um quilômetro da escola e ser compatível com renda familiar estabelecida pela prefeitura, que varia de

acordo com cada caso. Contudo, apenas 5% dos estudantes da capital paranaense têm acesso ao passe, o que faz com que muitos gastem R$ 90 mensais com transporte. Pág. 4

Coluna

A surpreendente inovação de

Psicose...

Segundo os psiquiatras, a psicose é uma patologia que difere das outras doenças psicológicas pelo fato de não se basear em experiências vividas. No entanto, quando o diretor de

Pág. 3

“Psicose”, Alfred Hitchcock decidiu inovar em “Psicose”, a loucura dele fez uma verdadeira revolução no cinema. Pág. 6

Entrevista

O filósofo corinthiano Sócrates, ex-integrante do Corinthians e da Seleção Brasileira, abre o jogo sobre carreira, Democracia Corinthiana e fala da expectativa para Copa do Mundo 2010. Pág. 7


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Curitiba, terça-feira, 11 de maio de 2010

Espaço

Opinião

do Leitor

Um momento histórico no Paço da Liberdade

Pontapé inicial

Lucas Kotovicz

Cássio Bida de Araújo

lucas.kotovicz@gmail.com

cassiobida@gmail.com

Entrei no histórico Paço da Liberdade extremamente ansioso. Estaria eu presenciando, em poucos instantes, um debate histórico com um dos grandes nomes do futebol brasileiro: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o Magrão, ou o Doutor Sócrates. Devo antes dizer que não o vi jogar. Nem mesmo um vídeo. No máximo em um jogo de futebol retrô de videogame. Em cima do tapete feito de grama sintética, posto ali especialmente para o evento, não estava mais um típico jogador de futebol a que nos acostumamos a ver: sem conteúdo, movido pela fama e pelo dinheiro. Não. Ali estava um homem que entrou para a história do futebol. Ali estava um doutor, formado em Medicina. E como eu haveria de saber, não me arrependi. Mais do que futebol, Sócrates falou sobre educação, sobre política, sobre história. O aspecto antigo da sala quadrada do piso três do prédio, com detalhes entalhados em madeira, com o teto pintado por anjos nus (e aí coube uma piadinha do jogador: “Sutiã moderno para aquela época, né?”, disse ele, referindo-se à cobertura pintada para esconder os seios de uma mulher) me deixou com a sensação de um ser privilegiado. Egoísmo. Ali deveriam estar todos os que algum dia pensaram em como ser feliz. Se Sócrates não foi em busca do dinheiro e da fama, o que muitos jogadores são, ele também era: mulherengo. “Se eu tivesse arrumado companhia naquele dia, eu também não voltava para a concentração, mas eu não arranjei. Renato (Gaúcho) e Leandro arranjaram”, contou ele. Boêmio, de inteligência fora do comum. O conselho que

Daqui a exatamente um mês o mundo vai parar. Todas as atenções estarão voltadas ao continente africano. Por pelo menos 5760 minutos - isso sem contar os acréscimos do juiz em todos os jogos, e as prorrogações e decisões nos pênaltis nas fases eliminatórias - os olhos de pelo menos um bilhão de pessoas ao redor do planeta vão se prender às emoções dos gramados da África do Sul. Uma competição diferente, cheia de novos contrastes e conflitos é o que se desenha para daqui a um mês na sede da 19ª Copa do Mundo da Fifa. Quando a bola rolar pela primeira vez no gramado do estádio Soccer City para África do Sul e México, jogo de abertura do torneio, não veremos apenas a disputa para saber quem será o melhor dentro de campo. O resultado final depois de 90 minutos não vai importar muito, a não ser para as estatísticas. O pontapé inicial vai materializar a possibilidade de se conduzir um evento organizado fora dos tradicionais grandes centros mundiais. Evento este que já deveria ter acontecido em 2006 e foi ameaçado tantas vezes depois por conta de incertezas com relação a prazos, sem falar nas paralisações e protestos - mais que legítimos - dos operários que construíam os palcos do espetáculo. A determinação dos africanos em fazer um bom espetáculo lembra muito o que foi feito no México em 1986. Um ano antes, os mexicanos sofreram com os efeitos de um terremoto devastador que matou milhares de pessoas no país. Mas nem isso foi capaz de abalar a confiança na realização de um torneio memorável como foi a Copa 86. A Copa não vai resolver as mazelas do continente africano, nem mesmo trará melhorias significativas na vida da população. A única certeza que fica é que a Copa 10 já entrou para a história antes mesmo da bola rolar. Resta saber se, ao final de 30 dias, será uma Copa para sempre ou apenas mais uma na lista.

Dez, dez não tá... Diria uns 9,5... Só falta uma visão mais moderna, com mais novidades, mais experimental! Luis Gustavo Fonseca, estudante de jornalismo, via twitter (@luisgustavofons); sobre o editorial publicado na primeira edição do Lona deste ano.

Erratas 1. O real e-mail da autora (Caroline Moraes) do artigo “Pirataria e jogos eletrônicos”, publicado ontem aqui no LONA, é carolinne.cherry @gmail.com. 2. A fotografia publicada na capa do LONA de ontem, como sendo de autoria de Fábio Muniz, na verdade é de Fernando Mad. 3. A fotografia com José Marques de Melo publicada na página 3 de ontem, sem crédito, foi feita pelo jornalista Fábio Muniz.

Expediente Reitor: José Pio Martins. Vice-Reitor: Arno Antonio Gnoatto; PróReitor de Graduação: Renato Casagrande; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Cosme Damião Massi; Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa e Pró-Reitor de Extensão: Bruno Fernandes; Pró-Reitor de Administração: Arno Antonio Gnoatto; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira e Marcelo Lima; Editores-chefes: Aline Reis (sccpaline@gmail.com), Daniel Castro (castrolona@gmail.com.br) e Diego Henrique da Silva (ediegohenrique@hotmail.com).

Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”. O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP Redação LONA: (41) 3317-3044 Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-30. Fone (41) 3317-3000

Estava eu quase acreditando que ali assinaríamos algum documento importante. Uma constituição, talvez. Eram eu e mais algumas poucas dezenas de pessoas que acompanhariam um debate como aquele, e ninguém mais. ele deu ao pequeno garoto corinthiano que acompanhava o debate, e a todos ali, foi o mesmo que meus pais sempre me ensinaram: “Leiam”. É a leitura que tem o grande poder de fazer do menino um homem. Da ignorância, a inteligência. Do escuro, a luz. Finalizamos com, de fato, um momento histórico: o primeiro encontro de Sócrates com José Miguel Wisnik, dez anos depois do professor da USP ter composto e gravado a música “Sócrates Brasileiro”. E foi escutando Wisnik tocar piano e vendo Sócrates com olhos fechados, em pura demonstração de sentimento, que fechei a porta do pequeno salão e saí do Paço, rumo à chuva, perdido em meus pensamentos e encantado com o que a vida me oferecia.

Divulgação

Loftus Versfeld: um dos estádios a serem usados na Copa do Mundo, localizado na cidade de Pretória na África do Sul


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Curitiba, terça-feira, 11 de maio de 2010

Michel Prado

Cidadania

Da terra para o papel Moradores do Sabará tentam há 30 anos garantir que suas histórias escritas na terra sejam gravadas no papel Antonio Carlos Senkovski Priscila Schip O cheiro era de domingo. Mas não aquele resumido para muitos ao frango assado e guaraná. Alguns lugares da região tinham um ar de esquecido, de fora do mapa. Era um domingo comum, era Curitiba. Era a mesma de sempre, que apesar de ter por toda a parte espalhado o mesmo cheiro do prato típico de domingo, não demonstrava igualdade quando tratava da garantia dos benefícios reconhecidos por prêmios à cidade modelo. O Sabará – na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) – não estava no mesmo mundo que a cidade mais sustentável do planeta. Não parecia cidade sorriso. Para alguns, o cheiro do frango era misturado ao que escorria nas valas próximas às casas sem rede de esgoto. O almoço daquele dia, em especial, seria mais rápido. Mas naquele domingo a pressa não era causada por um compromisso de fim de semana. O habitual encontro na rua destinado às conversas do dia a dia foi substituído. Todos tinham compromisso na tarde de domingo, a partir das 14h. Tinham que fortalecer uma luta. Era a assembleia popular convocada por moradores e moradoras. Era uma peleja que valia o sacrifício de mastigar mais rápido o pescoço da galinha. História Mais de 20 anos separavam a união dos moradores do Sabará em uma assembleia popular, no domingo – dia 2 de maio – e as primeiras ocupações na área. “Entre a região

de Barigui e Sabará, moro há mais de 25 anos, criei minha família aqui”, conta o aposentado José Marcondes dos Santos. No final da década de 80, houve uma série de ocupações em Curitiba. Para regularizar a situação de milhares de famílias em áreas como a Cidade Industrial de Curitiba (CIC), a Companhia de Habitação (Cohab) passou a fornecer Termos de Concessão do Uso do Solo (ver texto 1, abaixo). Teoricamente, os moradores que pagassem esses contratos teriam direito à posse dos lotes ocupados na época. Não foi o que aconteceu. Seu José e quase 40 mil famílias de algumas vilas de Curitiba pagaram todas ou parte das parcelas, mas tiveram os contratos cancelados no último mês de fevereiro. “Nós fomos enganados pela Cohab”, fala, convicto, Marcondes. “Mas agora”, continua, “nós queremos o documento. Porque senão o que acontece? É de pai pra filho, de filho pra neto, de neto pra tataraneto e não tem dono. E nós somos donos, sim. Quem está morando em cima é dono” (ver texto 2, abaixo). Mobilização Tinha um ar afobado quem esperava por informações na assembleia popular, antes do seu começo. As crianças ironicamente brincavam com a terra pela qual os pais lutavam. Aquela terra que seguravam nas mãos era para algumas a mesma que pisavam desde que nasceram. Possivelmente, aquelas crianças já eram netos e netas das pessoas que chegaram ali até 30 anos antes.

1 - As irregularidades A Lei de Parcelamento do Solo prevê que no caso de venda ou concessão há necessidade do consentimento do proprietário. As áreas em questão não pertenciam à Cohab, mas ao município. Mesmo assim ela fez contratos – agora cancelados – como se estivesse vendendo os lotes. Por Lei é previsto ainda a necessidade de que o loteamento seja aprovado pela prefeitura, com um projeto registrado em cartório com as ações de planejamento urbano e implementação de políticas públicas necessárias para a garantia dos direitos humanos para os moradores. Nenhuma das exigências foi cumprida.

Os filhos de Dona Amélia Carneiro Sampaio não brincavam com a terra. “A gente não desiste, não, vem de uma luta difícil, morava no sítio, meus filhos tinham que trabalhar de empregado. Tivemos a oportunidade de comprar uma casa aqui, pois a Cohab garantiu que ia ter o documento tudo certinho”. Nesse domingo, ela estava na cozinha da assembleia como faz nos últimos 21 anos. “Antes era só eu e mais uma mulher que sempre ficava responsável na cozinha. Agora o pessoal tem ajudado mais”. Apoio Dentro do processo de mobilização para efetivar o direito pela moradia, os moradores e moradoras contaram com o apoio de organizações não governamentais, militantes de outros movimentos sociais, estudantes e pessoas da sociedade civil (algumas filiadas a partidos políticos). A assistente social Andrea Braga ajuda na mobilização e organização das pessoas que moram no Sabará. “Foi um efeito dominó. Junto com a luta dos moradores pelo direito à moradia, vieram também outras reivindicações e ferramentas para isso. Acho que o próximo passo é ampliar a luta com outras comunidades para garantir então o direito efetivo na sua concepção mais ampla de moradia,

que é o direito à cidade, o direito humano”. Já estão na lista das conquistas a cooperativa de costureiras, programa de distribuição de alimentos e um jornal comunitário, a Folha do Sabará. Há ainda outro tipo de apoio, como a criação de palavras de ordem por integrantes da sociedade civil filiados a um partido político, que estiveram na assembleia. Gritavam eles, a cada trecho mais fervoroso das falas: “Cadê o direito, quem é que sabe, eu fui roubado no contrato da Cohab!” Espaço para os discursos Como pode se perceber, não foi só de diálogo que se consistiu a assembleia. Havia também os discursos. Quem atropelou o almoço para ter esclarecimentos sobre os contratos também ouviu alguns exercícios de oratória fora de órbita. Membros de organizações estudantis tomaram a palavra para manifestar apoio, assim como alguns integrantes da sociedade civil. Todos os apoios foram aplaudidos pelos moradores. No entanto, era bastante claro que nessa hora alguns pensavam que poderiam ter mastigado mais o frango, ter poupado tempo. O pescoço não caíra muito bem

2 - O processo A advogada Juliana Avanci, da Terra de Direitos, esteve na assembleia do Sabará e detalhou que o Ministério Público tomou conhecimento de que os contratos com os moradores não estavam preenchendo requisitos legais para serem firmados. “A partir disso foi proposta uma ação civil pública pelo Ministério Público, na qual ele pedia a declaração da nulidade dos contratos. É o que foi realizado pela vara de origem e pelo Tribunal de Justiça mais recentemente”. A anulação dos contratos em última instância, no Tribunal de Justiça, aconteceu no último dia 25 de fevereiro. Sem poder recorrer, a companhia aguarda desde então a determinação da sentença.

mesmo, mas só naquela hora, logo ele descia. Apesar do pescoço O remoído pescoço do frango não fazia esquecer da uniformidade do cheiro dos domingos e da disparidade dos direitos na capital. Era o que motivara o encontro. De fato, as 250 pessoas que compareceram ao evento tinham a impressão de que haviam dado um passo rumo à organização de uma frente. Da assembleia foi tirada uma comissão para tratar das estratégias de atuação da comunidade sobre o caso, que já se reuniu logo após o evento. Juliana Avanci, da Terra de Direitos, pensa que a mobilização popular é uma forma de pressionar a prefeitura, a mediar essa questão com os moradores, e para buscar soluções coletivas e obter a regularização fundiária. “É uma ferramenta importante para garantir o direito à moradia que é a porta pra qualquer efetivação de direito seja ele cultural, ambiental, social ou político”. Segundo o presidente da Associação dos Moradores Jardim Eldorado – uma das que representam os moradores do Sabará –, Sebastião Nei, o que se espera é que não seja necessário correr o risco do despejo de uma hora pra outra. “Isso é coisa que a gente levou 20, 30 anos pra construir. A gente não estaria tranquilo fazendo um negócio com gente que não é dono dessa terra. Ocupamos um espaço por uma questão de necessidade, e acreditamos que a justiça supere as nossas expectativas no sentido de atender essa demanda da moradia da população que precisa realmente de um teto”.


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Curitiba, terça-feira, 11 de maio de 2010 Laura Beal Bordin

Transporte

Curitiba é capital do Sul que menos fornece passe escolar A quantidade de documentos exigidos pela URBS é um fator de des estímulo entre estudantes desestímulo Laura Beal Bordin Um aluno que utilize duas passagens de ônibus para ir à aula gasta cerca de R$ 90 por mês. Esse valor poderia ser diminuído pela metade, se Curitiba não fos-

se a capital do Sul do Brasil que menos atende às necessidades dos estudantes. Em Porto Alegre, onde o passe escolar é estendido também a professores, o número de usuários do transporte coletivo que receberam 50% de desconDivulgação

to na tarifa chegou a 128 mil, segundo a prefeitura da cidade. Já em Florianópolis, onde o número de habitantes é consideravelmente menor (Curitiba ultrapassa em mais de três vezes o número de habitantes da capital de Santa Catarina), 5 mil alunos da escola municipal recebem o benefício integral e não pagam a passagem. Os universitários têm pouco mais de 18% de desconto na tarifa. Já em Curitiba, em 2008, menos de 5% de todos os estudantes eram beneficiados. A assessoria da Urbanização de Curitiba S/A (URBS) não forneceu dados mais recentes. Os estudantes também não estão satisfeitos com o percentual. Bruna Ferreira, de 26 anos, estudante de música na Faculdade de Artes do Paraná, reclama da quan-

tidade de documentos necessários para tentar garantir o benefício. “Eu fiquei bem confusa na hora de preencher o formulário. Tudo isso demora muito”, conta Bruna, que também é mãe e depende do marido, que trabalha como torneiro mecânico. Para agilizar o processo, o formulário pode ser previamente preenchido. Estes formulários podem ser conseguidos nas agências da URBS ou pela internet. Para o direito ao desconto de 50% da tarifa, os documentos necessários são muitos. O primeiro critério é ter uma renda de três a cinco salários mínimos, morar em Curitiba com uma distância mínima de dez quadras (ou um quilômetro) da escola ou faculdade. Para estudantes universitários que participam dos programas governamentais, como o FIES e Prouni,

“Eu fiquei bem confusa na hora de preencher o formulário. Tudo isso demora muito” Bruna Ferreira, estudante Serviço O horário de atendimento da URBS é das 8h30min às 17h, e desde o dia 29 de

março é feito somente no posto de atendimento localizado na Rodoferroviária - Av. Pres. Affonso Camargo, 330. Para mais informações so-

além de identidade, CPF, e comprovante de residência, deve ser apresentado o contrato de financiamento, ou declaração firmada e reconhecida em cartório. No meio de tantos documentos, há sempre aqueles que tentam burlar algum deles para adquirir a tarifa reduzida. O fiscal da URBS, Demetrius Valeriano, que trabalha no terminal do Pinheirinho na subdivisão de passes escolares, diz que boa parte dos formulários preenchidos apresentam irregularidades. “Normalmente, as pessoas forjam a documentação, apresentam renda menor do que realmente têm e não declaram todas as pessoas que possuem renda na família”. Nestes casos, diz Valeriano, o processo é encaminhado para a investigação, que consiste em entrar em contato com familiares para esclarecimento. Se alguma irregularidade for apresentada, os documentos ficam armazenados caso o estudante tente se candidatar ao benefício novamente. bre como adquirir o passe escolar, acesse www.urbs.pr.gov.br, ou entre contato pelo 156.


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É

Saúde

A

mania que é

TOC

> Lavar as mãos cem vezes por dia, até elas ficarem vermelhas e “em carne” Lance Hancock/ Divulgação SXC

Camila Almeida O Transtorno Obsessivo Compulsivo, ou TOC, é um distúrbio caracterizado pela presença de obsessões e/ou compulsões. São pensamentos, sentimentos, ideias, impulsos ou representações mentais sem significado particular para o indivíduo. A famosa “neura” de limpeza e contaminação que muitas pessoas têm e de que não conseguem se livrar também pode ser uma forma de TOC. Além dessas, a verificação, contagem, ordenação e coleção de objetos são outros exemplos. As compulsões podem diminuir os sentimentos desagradáveis decorrentes das obsessões, como ansiedade, nojo ou desconforto. O diagnóstico do TOC pode ser feito por meio de uma consulta médica detalhada, conforme questionário da Associação Psiquiátrica Americana. De acordo com os dados divulgados pela Associação, o TOC é uma doença crônica que pode evoluir com períodos de melhora e piora ou com sintomas contínuos variando de intensidade. Segundo pesquisa feita em diferentes países, inclusive no Brasil, cerca de 2,5% das pessoas já tiveram TOC, ou seja, 25 em cada mil pessoas sofrem com obsessões e/ou compulsões em algum momento de suas vidas. O tratamento do

TOC envolve aspectos educacionais, abordagens psicológicas, psicofarmacológicas e, em casos extremos, neurocirurgia. Segundo a psicóloga Fernanda Pascoto de Souza, o tratamento é feito por meio de vários métodos, como medicações, terapia cognitivo-comportamental (TCC), entre outros, que são usados de forma independente ou em associação, e que poderão ser complementados por novos estudos tecnológicos, como a Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva (rTMS). Esta nova tecnologia altera a atividade cerebral mudando campos magnéticos e permitindo que a atividade cortical possa ser estimulada ou interrompida. O piloto agrícola Valdemar Antonio Lima, paciente do Hospital de Clínicas, faz acompanhamento no grupo de TOC desde 2008. Lima, que sofre da doença desde os 10 anos, diz que o tratamento o ajudou a reconhecer a doença e a se autocontrolar diante das crises. “Agora consigo viver melhor”, conta. Lima só descobriu que tinha TOC há cinco anos, quando sofreu de depressão. Foi quando começou a frequentar palestras e começou a integrar o grupo de tratamento de TOC. Muitas vezes as pessoas que sofrem do transtorno são incentivadas a procurar ajuda pela própria família. É o caso da fisioterapeuta Maria Clara Fernandes, que foi alertada por fa-

miliares em relação a alguns comportamentos. “Eles se informaram ao longo do tempo e me sugeriram tentar ir ao grupo de TOC para ser avaliada e para confirmar o diagnóstico”, diz Maria, que sofre de TOC desde os cinco anos.

> Famosos e suas manias

Mania de estrela. É assim que muitos podem entender alguns comportamentos de famosos. O cantor Roberto Carlos é um exemplo disso. Ele costumava entrar e sair de um ambiente sempre pela mesma porta, não usava roupas da cor marrom e

>Infalivelmente, lavar as mãos antes de cada refeição >Dedicar todo tempo livre e dinheiro para montar uma coleção de arte

Kriss Szkurlatowski/ Divulgação SXC

>Fechar e tornar a fechar a porta antes de ir para o trabalho todo dia por meia hora >Guardar por 19 anos jornais “por acaso”, sem nenhum sistema de arquivamento ou busca Thomas Picard/ Divulgação SXC

>Um músico que repete uma passagem difícil várias vezes até obter a perfeição

> Sem saber

Muitos portadores do transtorno não sabem que têm a doença, como a secretária Lurdes Meneses, de 32 anos, que sofre de TOC desde os oito anos. "Quando era mais nova, arrumava gavetas, armários, livros... sempre me achei uma pessoa organizada. Nunca tive ideia de que eu fosse uma pessoa doente. Com o tempo, passei a seguir um ritual para limpar meu quarto, que durava quatro horas, e isso passou a me incomodar, mas não sabia exatamente o que estava acontecendo. Até que depois de adulta procurei ajuda”, conta. É comum a presença de outras patologias associadas ao TOC, o que os médicos chamam de comorbidade. Dentre essas, estão tiques, anorexia, bulimia e outros.

TOC

>Verificar e tornar a verificar se a porta de casa e as janelas estão fechadas todas as noites antes de ir para a cama

doença

Ações descontroladas podem ser sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo, que afeta mais de 25 mil pessoas, segundo pesquisa

NÃO É

Curitiba, terça-feira, 11 de maio de 2010

Tim van de Velde/ Divulgação SXC

>Necessitar bater de leve na moldura de uma determinada porta 14 vezes antes de entrar >Gastar horas colocando em ordem alfabética todos os itens do armário da cozinha nem assinava contratos na fase minguante da Lua. Com tratamentos, o cantor passou a se sentir melhor. Luciana Vendramini sofre do mesmo distúrbio. A atriz criou rituais para começar bem o dia, tomar banho e comer. Em razão das suas manias, ela já ficou horas debaixo do chuveiro, mas a doença também foi controlada por meio de tratamento especializado. O apresentador Jô Soares confessou recentemente em seu programa que sofre de TOC. Jô afirma que desenvolveu a doença com a idade e, atualmente, to-

>Não ir embora do escritório até que a mesa esteja limpa e as gavetas, vazias dos os quadros de sua casa têm que estar levemente tombados para a direita. Outra famosa que admite ter a doença é a atriz Cameron Diaz, que apesar de ser uma pessoa pública, não suporta compartilhar germes e "fluídos" com outras pessoas. Cameron esfrega as maçanetas das portas antes de entrar em algum lugar que as deixa brilhando. Além disso, ela tem mania de limpeza: lava as mãos e o piso várias vezes durante o dia e usa os cotovelos para abrir portas Colaborou Aline Reis


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Curitiba, terça-feira, 11 de maio de 2010

Larissa Coutinho

Camilla Di Lucca

Escreve quinzenalmente, às terças-feiras, sobre assuntos ligados à década de 60 larissa_beffa@hotmail.com

Escreve quinzenalmente sobre arte, sempre às terças-feiras cami.baudelaire@gmail.com Divulgação

Anos 60

Mestre supremo do suspense Alfred Hitchcock usa sacadas geniais para dirigir um dos grandes sucessos dos anos sessenta Reprodução

Arte

O nu artístico O nu artístico é a visão de um artista em relação ao corpo humano, sua forma e sua beleza, sem expressar a sexualidade na obra. Muitas vezes tido como vulgar, o nu artístico mostra a sensualidade de uma maneira diferente do que estamos acostumados, fugindo completamente do padrão das exibições pornográficas que circulam na mídia hoje em dia. O nu artístico trata da simples apreciação do corpo humano, dentro de diferentes padrões, gostos e fetiches. Depois de séculos de exaltação do belo, nas esculturas gregas e nos afrescos romanos, na pintura as primeiras obras a serem consideradas como nu artístico são as do Renascimento, mais precisamente do período do Quatrocento (século XV), representado, entre outros, por Michelangelo, Botticelli e Bronzino. Era a ruptura das pinturas sem perspectiva e com poucas cores, assim como a ruptura do pudor imposto pela Igreja. Surgiriam imagens de deuses gregos, anjos e até mortais nus ou seminus. A cada século seguinte surgiria um novo grande pintor e uma nova grande obra de nu. Da “Vênus”, de Velázquez, à “Lição de Anatomia de Dr. Tulp”, de Rembrandt, seguidos por Goya e sua “Maya Desnuda”, Manet e o polêmico “Almoço na Relva”, e Renoir com “As Grandes Banhistas”. Quando surgem então as primeiras fotografias, o mundo da arte e a maneira de retratar o ser humano mudam completamente. Fotografar pessoas nuas não está num simples click instantâneo. É preciso ter muita sensibilidade. O retrato da forma humana nua, depois de muitos séculos de tradição, não poderia deixar de ser feito por máquinas fotográficas. Atualmente, o nu artístico circula aos milhares na internet, das mais ingênu-

as cenas no Flikr e Tumblr, como é o caso de fotos das jovens Olivia Bee e Annette Pehrsson; aos ensaios mais profissionais, de artistas como os de Ruth Bernhard, Robert Mapplethorpe e Imogen Cunningham. Existem também os sites direcionados ao estilo alternativo de nu artístico, como o caso do Suicide Girls (que entra na estilo softcore, com um conteúdo mais ousado, embora não pornográfico), que exibe as chamadas Nude PinUps. Também há o Mod Fetish, onde várias pessoas diariamente postam suas fotos favoritas de nu artístico, estas que variam aos mais diversos estilos. Divulgação

O assassinato no banho: a cena mais instigante de “Psicose”

“Psicose”, filme de Alfred Hitchcock adaptado do livro de Robert Bloch, é um dos melhores filmes de suspense que existe até hoje. Além do renomado diretor, conta com um excelente elenco, incluindo o ótimo Anthony Perkins. Trata-se da história da secretária que tem problemas amorosos e relacionados ao dinheiro. Na primeira oportunidade, comete a loucura de roubar US$ 40 mil e se torna alvo da curiosidade dos espectadores. O trailer, no qual o próprio diretor apresenta as locações e a restrição de não ser possível entrar na sala de cinema após o início do filme, tornou tudo ainda mais excitante. Além dessas novidades, o longa foi o primeiro a mostrar um vaso sanitário. A cena foi adicionada especialmente pelo roteirista Joseph Stefano, que ainda era inexperiente quando o escreveu. Lançado em 1960, “Psicose” custou US$ 800 mil e faturou US$ 50 milhões no mundo todo. A famosa cena do assassinato durante o banho levou sete dias para ficar pronta, e o som do esfaqueamento vem de golpes deferidos contra um melão. Os cortes do filme dão a impressão de facadas, técnica genial do rei do suspense. Apesar das limitações dos equipamentos da época, o filme se tornou sem dúvida uma referência cinematográfica. A trilha sonora legendária é conhecida até mesmo por quem nunca assistiu a “Psicose”. Quem assiste não pode deixar de sentir certo receio quando vai tomar banho... Uma história imperdível com um exemplo de excelência do maestro do suspense Hitchcock, vale a pena conferir.


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Curitiba, terça-feira, 11 de maio de 2010

Reprodução/ corinthians.com.br

Entrevista

Doutor

na bola e na simpatia Danilo Georgete Humberto Frasson Com pés mágicos e mãos que operam vidas, Dr. Sócrates foi capitão da Seleção Brasileira na Copa de 82 e um dos líderes da Democracia Corinthiana. Eleito pela FIFA um dos 125 melhores jogadores da história do futebol ainda vivos, hoje ele segue a carreira de médico que iniciou junto à vida futebolística. Nessa entrevista para LONA ele falou sobre diversos assuntos, entre eles Corinthians e Seleção Brasileira. Como você se sente tendo feito parte daquela seleção da copa de 1982? Aquele era um grupo fantástico, mas isso não tem muita importância não. O importante é o que você é, e não o que você faz ou participou. O Doutor vê alguma semelhança entre a seleção de 1982 e o movimento das Diretas-Já? Ambos uniram o povo brasileiro, só que na Copa foi o futebol arte que nos uniu. En-

quanto nas Diretas o povo se uniu em busca de seus direitos. A seleção era uma expressão artística que também fazia parte da nossa cultura, já as Diretas foi um movimento político, a única semelhança entre as duas foi mostrar o quanto o povo brasileiro se une, apesar de hoje em dia o brasileiro só se unir a cada quatro anos no mês da Copa. E hoje como que fica o coração perto da Copa do Mundo? Torcendo pelo Brasil. Mas como hoje eu penso em futebol, escrevo sobre futebol, não posso me dar ao luxo de ser fanático. Quem tem visão crítica não pode ter visão apaixonada, tem que ser torcedor uma vez ou outra, apesar de querer ver o Brasil campeão sempre. Você perdeu um pênalti nas quartas de final da copa de 86 contra a França. Foi um dos piores momentos da sua carreira? Nada disso! O duro foi perder a mulher que eu amava. Pênalti todo mundo perde, é uma

Sócrates (em destaque) e o time da Democracia Corinthiana

questão de trabalho, isso não vale nada. Entenda o seguinte: é muito mais importante uma lágrima do que um saco de dinheiro; é muito mais importante um carinho, um abraço, do que um gol na Copa do Mundo. É muito mais importante um amor, do que ser campeão do mundo.

decisão, isso ajuda o jogador.

A Democracia Corinthiana foi o maior movimento ideológico da história do futebol brasileiro. Como esse fato afetou os jogadores do clube a ponto de uma melhora dentro dos gramados? A Democracia Corinthiana colocou uma postura educativa no clube, todos tinham o mesmo direito; do roupeiro ao jogador de maior salário, o valor dos votos era igual. Tínhamos uma postura igual a que todo o povo brasileiro queria: a de igualdade. E outra, não mudou os jogadores, não mudou os dirigentes, isso proporciona uma melhora tremenda dentro de campo, começamos a jogar livres, sem pressão, tínhamos poder de

Hoje em dia tem algum jogador que desperta o seu interesse de ver jogar? Existem muitos jogadores bons, mas o Paulo Henrique Ganso é um jogador que se diferencia dos outros. É inteligente, enxerga bem os espaços no campo, é bonito de se ver jogar.

Fernando Mad/ Lona

O Doutor acha que hoje o Brasil já é por completo um país democrático? Ainda não. Hoje só temos direito a voto, precisamos ter uma democracia social e econômica também, e estamos muito distante disso.

Hoje é difícil a torcida criar uma identidade com os jogadores, a culpa é do futebol comercial? Hoje o jogador fica muito pouco tempo no clube, não dá pra criar uma paixão, amor. Se você fica um dia na casa de alguém não tem como conhecer a fundo a pessoa, tem que ficar anos convivendo com ela pra saber se vocês se gostam ou não. Hoje ninguém para em lugar nenhum é uma rotatividade muito grande, não dá pra criar um sentimento de quem fica dez ou 15 anos como os jogadores ficavam no passado. A forma com que clube e jogador se relacionam atualmente é diferente, e isso tem que ser respeitado. Falta personalidade nos jogadores atualmente, já que muitos são manipulados por seus empresários? Não é falta de personalidade, é falta de educação. Tem que dar educação para esse povo, senão vai ficar por isso mesmo, vão ser manipulados pro resto da vida , e não só por empresários, mas por técnicos, dirigentes e até mesmo os filhos. Às vezes o filho de três anos é mais inteligente do que o cara

de 30 que vai jogar no seu time, e isso está claro, tem que educar esse povo, e não são só os jogadores, todos os brasileiros têm que ser educados. E a obrigação é do estado. O Doutor jogou no Corinthians, Botafogo de Ribeirão Preto, Fiorentina, Flamengo e Santos. Qual destes clubes foi sua maior paixão? O Botafogo foi o clube que comecei, é um carinho especial, é como sua primeira namorada. O Corinthians foi o clube que me deu visibilidade, foi por onde cheguei à seleção, foi minha primeira esposa, aquela que deixa marcas profundas no coração. A Fiorentina foi o time que me acolheu na Europa. O Flamengo é o Flamengo, qual jogador não sonha poder vestir a camisa dos clubes com maiores torcidas do Brasil? Eu vesti as duas. O Santos era o time que torcia na infância, então teve um sentimento especial. Mas a minha marca é o Corinthians, não que os outros tenham sido piores. Eu me apaixonei por todos. Como foi conciliar o futebol com o curso de medicina? Foi difícil, mas dava mais importância para a faculdade, o futebol foi um acidente de percurso na minha vida, um bom acidente por sinal. Só me dediquei mesmo ao futebol depois que concluí a faculdade, não que desprezava os treinamentos, mas sim a importância que eu dava foi maior. Pode pintar alguma surpresa na convocação do Dunga? Ah, é difícil adivinhar isso. É mais fácil entender a cabeça da Branca de Neve do que do Dunga (risos), mas tenho certeza de que ele vai fazer o melhor para seleção. Se tiver alguma surpresa deve ser o Ganso.


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Curitiba, terça-feira, 11 de maio de 2010

Copa do mundo também é arte

Menu Rodrigo Cintra

Cultura

Pamela Almeida

Na Praça Imagine assistir a uma tragicomédia em praça pública de dentro de um gigantesco cubo de acrílico. Agora, imagine que este espetáculo acontece em meio às pessoas que transitam pelo local. Esta inusitada apresentação se chama “Espaço Outro”, e está sendo apresentada na Praça Santos Andrade pela ACRUEL Companhia. Onde: Praça Santos Andrade, Centro. Quando: Terça a sábado, às 16h30. Preço: Gratuito.

Retrospectiva

Di Ferra afirma que, quando faltar inspiração, ele dividirá seus quadros em várias partes para começar tudo de novo

“Eu acho que é uma coisa que deve estar no sangue. Eu não consigo trabalhar em nada que não seja com cor, acho que transmite muita alegria e paz também” Di Ferra, artista Pamela Almeida Natural de Campo Largo, região metropolitana de Curitiba, Marcelo Ferreira, ou Di Ferra, é um dos cinco brasileiros escolhidos pela FIFA (Federação Internacional de Futebol) para participar do Fine Art Collection. A exposição reunirá trabalhos de artistas de 32 países, que abordam a Copa do Mundo e a África do Sul. Em entrevista, Di Ferra fala sobre o seu trabalho e suas expectativas para o evento. No seu quadro “Celebração do Mundo”, você utiliza elementos do futebol de uma maneira pouco convencional, principalmente nas cores, estilizando o verde e amarelo, por exemplo. Como você chegou a esse resultado? Quando recebi o convite, em novembro de 2008, foi um presente de aniversário, só que um pouco atrasado. A primeira coisa que me veio à cabeça foi que artistas vão usar jogadores de futebol, bola, aquela coisa bem nítida; e eu não quero fazer isso. Eu quero fazer uma arte com contexto, um trabalho para análise. A pessoa que vai para uma

exposição tem que parar na frente e analisar o contexto da obra, procurar todos os detalhes que eu quis passar com o tema que eles impuseram: Copa do Mundo e África do Sul. Eu trabalhei em cima disso em um estudo, depois fui trabalhar na tela. É uma tela pequena, relativamente. Nessa telinha eu usei mais de 54 cores diferentes, e ela não ficou agressiva, ficou gostoso de olhar o trabalho. Recebi os parabéns dos artistas aqui do Brasil. Um deles me falou: “Enquanto todos nós estamos seguindo em frente, você foi o único que saiu por outro caminho. Fez uma obra totalmente diferente.” Agora é aguardar e ver o que vai acontecer para frente. A sorte está lançada. Por que o uso da Pop Art? Do expressionismo, de tanta cor? Eu acho que é uma coisa que deve estar no sangue. Eu não consigo trabalhar em nada que não seja com cor, acho que transmite muita alegria e paz também. Todo mundo fica alegre, quer procurar alguma coisa para espantar o mau humor. No site oficial do Fine Art Collection encontramos a seguinte afirmação: “A sua obra não

deve ser olhada apenas com os olhos, porque você corre o risco de não entender”. O que isso quer dizer? O meu trabalho é um trabalho de emoções. A pessoa tem que ver a emoção na obra, o que eu transmito no meu trabalho pela brincadeira, pelo colorido e pelos círculos. Tudo o que eu faço ali é diferente para cada pessoa. A FIFA vai promover a exposição em 32 países simultaneamente, com isso você vai ganhar muita visibilidade. Quais são as suas expectativas? Isso apareceu na minha vida porque devo ter alguma coisa boa no meu trabalho e em mim também, para estar em um projeto desses sem gastar nada. Agora é esperar até acabar a Copa e ver o que vai acontecer, porque isso é imprescindível. Eu não costumo criar muitas expectativas do tipo: “Ah, vou ficar superfamoso, vender um monte de quadros”. Enquanto não acontece, eu prefiro ficar com o pé no chão e pensar: “Pode vender como pode não vender”. Mas o meu nome, Campo Largo e o Paraná vão estar em 32 países.

Esta dica é para quem gosta de futebol. A Seleção Brasileira é o tema da exposição “Palladium na Copa”. Espalhadas pelo shopping, estão 40 imagens inéditas de grandes nomes do fotojornalismo, que mostram os jogos da Seleção desde o início da Copa da Alemanha até as eliminatórias para a Copa da África do Sul. Para esta exposição, o shopping reservou ainda mais uma novidade. Usando apenas um celular, o visitante tem acesso a informações sobre os jogos de que a seleção participou e outras fotos por meio do aplicativo Bee Tagg (disponível para download no local gratuitamente). Onde: Palladium Shopping Center (Av. Presidente Kennedy, 4121, Portão) Quando: Segunda a sexta, das 11h às 23h; sábado, das 10h às 22h; domingo, das 14h às 20h. Preço: Gratuito.

Design Alemão Desde o dia seis, o Museu Oscar Niemeyer recebe a exposição “Come In: design de interiores como meio de arte contemporânea na Alemanha”. A mostra conta com trabalhos de 25 artistas alemães, interligando o mundo das belas artes com o do design aplicado à arquitetura, móveis e objetos usados no dia a dia. As obras refletem o pensamento de vanguarda dos artistas alemães. Onde: Museu Oscar Niemeyer fica na Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico. Quando: De 6/5 a 19/9 Preço: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia entrada)

Sertanejo A dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano retorna a Curitiba para apresentar seu novo show: “Duas Horas de Sucesso”. O repertório é formado por músicas que marcaram a carreira dos irmãos goianos, como “Tristeza do Jeca”, “A Ferro e Fogo” e “Nunca Amei Ninguém Assim”, entre outras. Onde: Teatro Guaíra (Praça Santos Andrade, snº, Centro). Quando: Quarta e quinta, às 21h Preço: R$ 120 a R$ 240 Divulgação

LONA 555 - 11/05/2010  

JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO

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