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RIO Á I D do

Curitiba, terça-feira, 1º de setembro de 2009 - Ano XI - Número 509 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

BRASI

L

jornalismo@up.edu.br

Fábio Muniz

Especial

Ministro diz que setor agrícola salvou país da crise mundial

A ligação íntima entre bebida e violência contra a mulher Páginas 4 e 5

Premiação

A pouca visibilidade da área agrícola pela população urbana, de acordo com o que diz o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes (foto ao lado), não reflete a situação real do setor no país. Com potencial para ser o maior exportador do mundo, o Brasil, de acordo com o ministro, só não cresce mais pelo modo como é formulada a legislação sobre as questões ambientais. Página 3

Vice-reitor da UP, José Pio Martins, é o Economista Acadêmico do Ano Página 3

Juliane Moura

Pelo diploma de jornalista

Ensaio

Visita ao MST

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, esteve em Curitiba na última sexta-feira, no Tribunal de Justiça do Paraná. Em frente à Casa, estavam estudantes e jornalistas curitibanos que, indignados pela decisão do STF relativa à não-obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a profissão, protestaram com narizes de palhaços e com panelaço. Na foto, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, Márcio Rodrigues.

Alunos do 4º período do curso de Jornalismo da UP fazem visita técnica ao Assentamento Contestado, do MST, no município da Lapa. A viagem faz parte do estudo para a produção de um videodocumentário que será desenvolvido pelos próprios estudantes.

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Opinião Cultura

Gripe A

Encontro de Os lucros da gripe

gerações Thiago Maceno O evento aconteceu há mais de 40 anos. Naquela época minha mãe e meu pai tinham por volta de 10 anos e nem sonhavam que um dia iriam se conhecer. Woodstock, como foi chamado o festival que revolucionou uma geração marcada por guerras, tinha como o objetivo pregar a paz e o amor pela música. O evento, que aconteceu numa fazenda em Bethel, perto de Nova York, entre os dias 15 e 17 de agosto de 1969, extrapolou todas as barreiras da época, tornando-se um marco na história. Aproximadamente 186 mil ingressos foram vendidos antecipadamente, e os organizadores que estimaram um público de 200 mil pessoas, viram-se em um mar de mais de 500 mil pessoas que compareceram, derrubando cercas e tornando o festival um evento gratuito. Nasceu uma geração que queria mudar o mundo. O tempo passou, a pele enrugou, os cabelos perderam a cor, e depois de tanto tempo, muita coisa mudou dos jovens que viveram Woodstock para os de hoje. Após tanto tempo ainda continuamos vivendo em uma sociedade de consumo, os hippies da época desapareceram ou se renderam à rotina, preferindo cortar os cabelos, fazer a barba e colocar o seus ternos. A tecnologia envolveu toda a sociedade. Hoje, os jovens já “nascem” sabendo mexer no computador, e as “revoluções” começam pela internet ou pelos “sitios”, como prefire nosso governador. Temos à disposição inúmeros canais para interagir com o próximo, seja pelo orkut, twitter ou msn. Podemos nos comunicar de uma

maneira muito mais rápida, mas mesmo assim, com toda essa tecnologia, parece que o sentimento da contracultura está se perdendo aos poucos. Esta geração obviamente não é igual a anterior e é de certa forma “conformada”. Mas será que em nada os nossos jovens lembram os de antigamente? O que seria um Woodstock de hoje? Na época em que aconteceu, o festival era tido como uma bagunça generalizada; seus participantes eram rotulados como vagabundos e inconsequentes — por sinal, adjetivos para designar certos jovens até hoje. Afinal, tudo que é novo sofre represálias. O que é certo é que cada geração vive uma época, os anos 60 e 70 já se foram e a revolução agora é digital. Mas isso não quer dizer que eventos como os que os aconteceram não possam vir a ocorrer. Tudo é uma questão de tempo. As raves, por exemplo, tem uma grande semelhança com o festival de 69. Ou não? Uma grande festa, para públicos de 15 mil a 20 mil pessoas que se juntam para dançar e se confraternizar com pessoas totalmente diferentes. É o início de uma nova maneira de ver a realidade, tudo ainda é muito novo para esses jovens. Crescemos diante de um futuro incerto. Não sabemos até quando o planeta estará vivo, ou até quando haverá água para beber. Nossa geração está muito mais preocupada com o presente do que com o futuro. Diferente da geração de 69, que tinha o futuro pela frente, tinha um projeto. Hoje é tudo muito mais rápido, existe a internet. Vivemos uma época de grandes mudanças. Nossa revolução cultural é a condição necessária para a revolução política.

Silvia Letícia Serpe Nos tempos em que a gripe suína está em alta e as pessoas estão assustadas, os fabricantes e vendedores de álcool em gel aumentaram assustadoramente os preços, que triplicaram nas últimas semanas. Nas farmácias vendiam-se em média quatro frascos de álcool gel por mês; hoje esse número aumentou para 45 por dia, e, ao invés de os fabricantes baixarem os preços devido à enorme procura, deixaram os preços lá em cima. Por isso, o Procon no Distrito Federal está tomando algumas medidas, como a fiscalização das farmácias, mercados e drogarias. Quem praticar preço abusivo pode levar

Divulgação

multa de R$ 212 a R$ 3, 2 milhões. Na verdade, esta medida deveria ser adotada em todo o país. Um frasco de álcool que custava R$ 4, hoje custa R$ 12. Fazendo as contas, em um mês antes da enorme procura o estabelecimento tinha faturamento de R$ 16 com a venda de quatro frascos, hoje, com o produto sendo comercializado a R$ 12, o faturamento passa a ser de aproximadamente R$ 540 por dia, se 45 frascos do álcool forem vendidos. Se a mesma quantidade de frascos fosse vendida no preço antigo, o faturamento ainda seria gran-

de: R$ 180 por dia. Assim podemos perceber como os comerciantes que vendem álcool em gel, essencial na prevenção da nova gripe, estão abusando e explorando o consumidor — e ganhando dinheiro às custas da pandemia. O capitalismo, que gera a busca incansável pelo lucro, é o que faz os preços subirem tanto, pois quem está no poder muitas vezes visa o lucro e não o meio que se usa para obtê-lo. Esse aumento absurdo do álcool em gel, além de luvas e máscaras, também acaba restringindo o público a que o produto se destina. Só as pessoas que pertencem à faixa mais abonada da população podem comprar o produto para se protegerem da gripe. Os mais vulneráveis ao contágio são justamente aqueles que, na maioria das vezes, não podem ter o “luxo” de gastar parte de seu salário nesse tipo de produto, afinal existem outras prioridades como alimentação, e são essas pessoas que todo dia enfrentam os ônibus lotados para chegar ao trabalho ou à escola.

Expediente Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”.

Reitor: Oriovisto Guimarães. Vice-Reitor: José Pio Martins. Pró-Reitor Administrativo: Arno Antônio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande; Pró-Reitora de Extensão: Fani Schiffer Durães; PróReitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Renato Casagrande; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida e Marcelo Lima; Editores-chefes: Aline Reis, Camila Scheffer Franklin e Marisa Rodrigues. O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP, Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-30. Fone (41) 3317-3000


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Economia Agricultura

Prêmio Corecon

Agricultura salvou Brasil da crise, diz ministro Apesar da boa situação, legislação ambiental ainda freia desenvolvimento do setor, de acordo com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Fábio Muniz

Antonio Carlos Senkovski O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, defendeu, durante palestra realizada na sede da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), que o Brasil só consegue enfrentar a crise graças aos lucros gerados pela agricultura. O evento aconteceu na última sexta-feira e antecedeu a entrega do primeiro Prêmio Economista Paranaense do Ano, promovido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon PR) (veja matéria ao lado). Stephanes reforçou que a visão da população urbana a respeito da agricultura ainda é superficial e que a agricultura tem bem mais visibilidade quando bate na mesa do consumidor do que números mostram que o setor vai bem. “Nós somos o 2º maior exportador de produtos agrícolas do mundo, por exemplo, e caminhamos para chegar ao primeiro lugar”. O ministro também criticou a maneira como é tratada a legislação ambiental no Brasil. “As leis ambientais”, disse ele, “muitas vezes são compostas por um emaranhado de resoluções que nem sequer passam por votação. Eu duvido que algum advogado [do setor público] conheça de fato as previsões feitas na legislação ambiental do país”. Stephanes citou dois casos simbólicos: “O esgoto do Rio de Janeiro vai para onde? Para o

O ministro da agricultura, Reinhold Stephanes mar. Agora, quando as cinco vacas de um pequeno agricultor aqui do Paraná pularam a cerca para ir beber a água poluída do Rio Iguaçu, ele foi multado. E a outra situação, o que acontece?” O ministro citou a necessidade urgente de rever pontos sobre este aspecto, principalmente no que toca à agricultura familiar. “Imagine um pequeno agricultor com 50 hectares de terra à beira de um riacho. Com o trabalho nessa propriedade, ele já está no limite em termos de renda. Aí ele tem que reflorestar a beira do rio, o que vai gerar um custo, sem contar que ele pode perder até 30% do seu potencial de produção. E ain-

da temos outro fator: ele tem que fazer isso por conta própria”. Para resolver esta situação, Stephanes se mostrou a favor do pagamento de indenizações aos donos de pequenas propriedades que precisem reflorestar suas propriedades. Além disso, o ministro disse que está aberto a discutir a questão ambiental com quem for, e que tem somente uma ressalva: “Só não discuto com as ONGs internacionais [de meio ambiente], porque estas monopolizaram a questão de investimentos na preservação do meio ambiente brasileiro com os recursos da indústria do petróleo dos países ricos”.

Vice-reitor da UP recebe prêmio Economista Acadêmico do Ano Fábio Muniz

O vice-reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins, recebeu na última sextafeira à noite o prêmio Economista Acadêmico do Ano, concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR). A entrega foi realizada na sede da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), em Curitiba, e contou com palestra do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes. Segundo Martins, o economista O vice-reitor José Pio Martins nunca deve perder a característica de “acadêmi- vamente uma área de interesses co”. “O fato é que o economis- pela diversidade de ações e de ta tem que estudar até morrer, áreas de atuação que a mulher é a única maneira de ele se pode trabalhar. “Eu diria que desde a mimanter atualizado. E a melhor nha época de estudante já tímaneira de estudar é ter vinnhamos 50% de mulheres na culação com a área acadêmisala de aula. E a diversidade ca”, afirmou. que a economia traz, indepenJosé Pio Martins, economisdente de gêneros, interage como ta, professor, é também comenum ‘investimento’ muito importarista econômico da Rádio tante para o desenvolvimento CBN Curitiba e escreve regudo país”. larmente na Gazeta do Povo. Para Ana Paula, a conquisAs outras duas categorias ta de espaço pelas mulheres é do prêmio foram: Economista também um “investimento”. “A Paranaense do Ano - cuja gaeconomia ainda tem na questão nhadora foi a economista Eleodas finanças uma espécie de nora Fruet - e Jornalista Econôdesculpa para ser atribuída somico do Ano, com Ana Paula mente aos homens. Mas eu acho Eller da Silva como vencedora. que as mulheres sabem fazer De acordo com Eleonora, a economia tão bem ou, por que participação das mulheres no não, até melhor do que os homercado de trabalho é muito mens”. (ACS) ativa e a economia é definiti-


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Especial Alcoolismo

Violência con mulher e álc andam junt

Dados da Fundação Perseu Abramo mostram que cada 15 segundos no Brasil, o que soma cerca d

Alessandra Antunes A palavra medo vai muito além do que apenas um significado; ela também representa o principal motivo de muitas mulheres se “calarem” e não procurarem os seus direitos. A criação da Lei Maria da Penha, que consiste em au-

mentar o rigor das punições de agressores contra mulheres no âmbito familiar, a criação de vários dispositivos especializados como Centro de Referência e Atendimento à Mulher em Situação de Violência Doméstica de Curitiba e

A dependência do álcool é o principal fator associado aos atos de violência doméstica, sendo que 70% dos parceiros costumam ingerir bebidas alcoólicas antes das agressões

Região Metropolitana, Conselho Estadual da Mulher, Delegacia da Mulher e outras instituições, fizeram com que os registros de violência doméstica disparassem. Uma em cada cinco mulheres brasileiras, o que representa 19% do total, declara espontaneamente ter sofrido algum tipo de violência por parte de algum homem. Já quando estimulada pela citação de diferentes formas de agressão, o índice chega à marca de 43%. É por existir tamanha covardia que órgãos especializados continuam lutando para assegurar os direitos das mulheres que sofrem ou estão em situação de violência, como é o

caso do Centro de Referência. “O principal objetivo deste local é assegurar atendimento e acompanhamento psicológico, social e jurídico à mulher em situação de violência, que proporcione a superação da violência ocorrida e contribua para seu fortalecimento e o resgate de sua cidadania”, declara a assistente social Marciana Cunha Bastos.

Um trabalho amplo, porém pouco conhecido. No trabalho social, é verificada a situação de filhos e trabalho; no jurídico, caso mulher queira o divórcio; e o psicológico é para a mulher violentada e seus filhos. Para dar toda infraestrutura necessária, existe um decreto estadual que garante que


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Especial

Fotos: divulgação

ntra a cool tos

e uma mulher é espancada a de 2,1 milhões de vítimas

todas as empresas tenham um compromisso com o Centro de Referência ou qualquer outra instituição que encaminhe uma mulher em situação de violência, ou seja, promover meios para que ela fortaleça sua autoestima e tome decisões reativas à situação em que se encontra, evitando assim futuros atos de agressão. De março de 2006 até dezembro de 2008 foram realizados 908 atendimentos com, aproximadamente, três mil retornos nos três setores, sendo 60% para o setor de psicologia, 25% no setor jurídico e 15% no serviço social. De acordo com os números alarmantes, a sociedade em geral se preocupa em atender as necessidades e identificar as principais causas da violência doméstica, já que o al-

coolismo foi apontado como o maior responsável dos casos. Para se ter uma ideia, 2,1 milhões de mulheres são espancadas por ano no país, o que representa uma a cada 15 segundos de acordo com dados da pesquisa nacional “A mulher no espaço público e privado”, da Fundação Perseu Abramo. A dependência do álcool é o principal fator associado aos atos de violência doméstica, sendo que 70% dos parceiros costumam ingerir bebidas alcoólicas antes das agressões. “O alcoolismo é uma doença incurável, progressiva e fatal. É como a diabete, você sempre tem que tomar medicamento para que ela se mantenha estável, ou seja, o alcoólatra tem que perceber que é dependente do álcool e tratar disso”, afirma V. C., o coordenador do grupo Alcoólicos Anônimos de Curitiba, o AA. O grupo AA é uma irmandade de homens e mulheres totalmente voluntários, de diferentes classes sociais que têm o objetivo de compartilharem suas histórias e manterem a sobriedade. A ajuda mútua existente entre os membros é fundamental para quem depende do álcool, pois, segundo o AA,

é vendo que existem outras pessoas com o mesmo problema que a pessoa tem a oportunidade e a coragem de admitir que é doente, que é alcoólatra. Hoje, o número de participantes do AA em Curitiba e Região Metropolitana é de aproximadamente cinco mil. São membros dispostos a mudar de vida, a ter uma nova chance e, até mesmo, ajudar os outros. No programa AA, os membros simplesmente evitam o primeiro gole, um dia de cada vez. A sobriedade é mantida por meio de relato das experiências de cada um, das reuniões dos grupos e dos doze passos sugeridos para a recuperação da dependência do álcool. Para a psicóloga Vilma Almeida, se o alcoólatra tentar parar de beber e voltar a ter alguns sintomas, que são chamados de sintomas de abstinência, ele é considerado um alcoolista e precisa de ajuda. Há pessoas que não chegam nem a participar de uma terapia, só participando do AA eles conseguem. O efeito do álcool é tão grande que, na maioria das vezes, as pessoas perdem o controle, os sentidos e acabam

cometendo erros, mas é somente a partir do reconhecimento que dependem do álcool, que sofrem com este problema, que as pessoas podem encarar novamente e tentar se recuperar. Admitir que é um dependente do álcool é a fase mais difícil do tratamento do AA. Não é a toa que é o primeiro dos dozes passos indicados para a recuperação. “As pessoas em geral fazem coisas erradas quando estão alcoolizadas. Isso não justifica, mas é a partir desses erros que o alcoolista procura ajuda”, ressalta V.C. Por isso, quando os índices das pesquisas de violência doméstica apontam o álcool como o principal responsável, é verdade. Enquanto o número de alcoolistas continuar crescen-

do, a violência doméstica também só tende a aumentar. Uma das alternativas é que as pessoas que enfrentam esta doença busquem ajuda. O grupo Alcoólicos Anônimos é totalmente gratuito. Estima-se que hoje existam cerca de 120 mil grupos e mais de dois milhões de membros em 180 países. No Brasil o número chega a seis mil grupos. O problema é mais comum do que se imagina, por isso o AA tem uma política interessante: a de manter o anonimato das pessoas que participam das reuniões. O anonimato eleva a irmandade, que tem como objetivo tornar público o tipo de trabalho que a instituição desenvolve, e não quem participa dela, garantindo a “privacidade” dos participantes.

“O alcoolismo é uma doença incurável, progressiva e fatal. É como a diabete, você sempre tem que tomar remédios para que ela se mantenha estável; o alcoólatra tem que perceber que é dependente do álcool e “tratar” disso” V.C.,

COORDENADOR DO

AA DE CURITIBA


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Colunas

Fotos: divulgação

Televisão

Futebol

Legitimamente

Mari & Juana ilegitimado Camila Picheth O que você faria se seu marido ou esposa morresse subitamente e você tivesse que sustentar sua família sem perder o padrão de vida? Faria um empréstimo ou hipotecaria a casa? Que tal começar a vender maconha? Quando o canal “Showtime” lançou em 2005 a série “Weeds”, as expectativas eram baixas e negativas. Imaginem um programa repleto de humor negro, sarcasmo e inversão de valores alcançando vários espectadores. Pois foi o que aconteceu. No ano de sua estréia, “Weeds” alcançou a maior audiência do canal. O truque da série é sair dos clichês e criar um novo ponto de vista. Nancy Botwin não é uma traficante viciada normal, ela é donade-casa e mãe, que possui uma ética de trabalho (dentro do possível, claro). Quando Judah morre de um ataque do coração e não deixa dinheiro algum para Nancy e seus filhos, ela se vê obrigada a manter as aparências no pequeno subúrbio ficcional na Califórnia, Agrestic. A cidade que parece perfeita não passa de uma ilusão. Ao longo da temporada e dos anos seguintes, Nancy passa de simples “revendedora” para algo muito maior, até se envolver em uma grande teia que está difícil d e sair.

Além da genialidade da trama e dos diálogos, “Weeds” também é conhecida por sua ótima trilha sonora. A música-tema “Little Boxes” pode parecer chata em um primeiro momento, mas depois de alguns episódios não há fã que escute a música e não sinta uma felicidade no coração. Durante a primeira temporada, “Little Boxes” é cantada na voz original de Malvina Reynolds, enquanto na segunda e terceira, em cada episódio há uma versão nova. Regina Spektor, The Submarines e Death Cab for Cuties, são exemplos de cantores/bandas que fizeram sua versão. A protagonista Mary-Louise Parker já ganhou dois prêmios pela sua atuação, sendo que um deles é o Globo de Ouro. Também já foi indicada a vários outros, assim como a atriz coadjuvante Elizabeth Perkins. Uma curiosidade é que Mary-Louise deveria fazer o papel da Susan, de “Desperate Housewives”, mas abandonou o projeto para ficar em “Weeds”. Celebridades como Zooey Deschanel (Sim Senhor), Jeffrey Dean Morgan (PS. Eu te amo), Mary-Kate Olsen, Snoop Doog e Justin Chatwin (Guerra dos Mundos) já fizeram

participações especiais no seriado. Nessa quinta temporada, a cantora Alanis Morissette interpreta uma médica, e aparece em cinco dos doze episódios já exibidos. O canal “Showtime” é conhecido por suas séries polêmicas e fora do comum, como “The Tudors”, “Dead Like Me”, “The L Word” e a recém “Nurse Jackie”. E quando se trata de propaganda, o canal não poderia fazer diferente. Um dos vídeos promocionais da quinta temporada do seriado mostrava uma das personagens fazendo campanha eleitoral a favor de Nancy Botwin. No melhor estilo Barack Obama, Doug Wilson termina seu discurso dizendo “Yes We Cannabis” (fazendo um trocadilho com a frase-tema de Obama “Yes We Can” com o nome da planta que origina a maconha: Cannabis sativa). A quinta temporada está chegando ao final nos EUA. Já no Brasil, o canal GNT reexibe todas as segundas-feiras, às 23h30, a terceira temporada. Os quatro primeiros anos estão disponíveis em DVD.

Camila Scheffer Franklin No dia 23 de agosto, o Corinthians recebeu o Botafogo no Pacaembu para o jogo da vigésima primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Um jogo confuso na arbitragem e silencioso quanto a um dos gols marcados. André Lima, atacante do Botafogo, recebeu um cruzamento da direita e, adiantando-se ao goleiro corinthiano Julio Cesar, levantou a mão esquerda junto a sua cabeça e desviou (com a mão) a bola para o gol. Gol. Irregular? Não para o árbitro Arilson Bispo da Anunciação e seu auxiliar Luiz Carlos Silva Teixeira. O gol ilegitimamente legitimado contribuiu para o empate entre os dois times. O atacante nada disse e se esquivou da imprensa alegando que precisava realizar o exame antidoping. A história se repete. Em 1986 o astro do futebol argentino, Diego Armando Maradona, marcou um gol com a mão nas quartas de final contra a Inglaterra no Mundial do México e calou-se. Diferente do empate entre os times brasileiros, o gol de Maradona fez com que a seleção argentina vencesse a inglesa por 2 gols a 1 e, mais tarde, fosse campeã mundial. No mesmo ano, Maradona foi consagrado o melhor jogador da competição, recebendo um troféu pelo seu feito. Ele consagrou o seu feito denominando o gol com a mão como “gol da Mão de Deus”. Justo? Não. Mas foram necessários 22 anos para que o exastro da “muy amiga” Argentina se retratasse. E talvez a retratação tenha acontecido tão somente pelas negociações que aconteciam na época para que Maradona fosse técnico de um time no Premier League inglês. Muito ético. Muito justo. Muito correto... Quanto ao jogador brasileiro, André Lima, haverá retratação? O silêncio perpetua. Afinal, em boca fechada não entra mosca. Parece que ele vai manter-se mudo por um longo tempo.


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Geral

Fotos: Juliane Moura

Protesto

Manifestação marca visita do ministro Gilmar Mendes a Curitiba Estudantes e jornalistas protestaram contra um dos ministros que votaram pela não obrigatoriedade do diploma

Aline Reis Juliane Moura Na última sexta-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STJ), o ministro Gilmar Mendes, veio a Curitiba em visita ao Tribunal de Justiça. Jornalistas e estudantes foram à frente da Casa para protestar contra a decisão do STF pela não obrigatoriedade do diploma de jornalismo para exercer a profissão. Os manifestantes chegaram ao local por volta das 16 horas, e, pouco antes, preocupada com a manifestação, a assessoria do ministro Gilmar Mendes solicitou a presença da Polícia Militar. O uso de força, contudo, não foi necessário, pois a manifestação foi pacífica. Ainda indignados pela decisão, os jornalistas e estudantes usavam narizes de palhaço, bem como roupas pretas, sinalizando luto pela decisão. Outros entregavam panfletos para as pessoas que passavam na rua. Nos impressos havia a frase “Fora Gilmar Dantas”, fazendo alusão à decisão do presidente do Supremo, que concedeu a liberdade ao banqueiro Daniel Dantas, mesmo depois da confirmação das acusações sobre ele. O presidente do sindicato dos jornalistas, Márcio Rodrigues, falou sobre o protesto. “É uma maneira de demonstrarmos ao conjunto da sociedade o que está acontecendo. As pessoas aqui vão se perguntar: ‘o que esse bando de maluco está fazendo com nariz de palhaço

e pedindo jornalistas por formação e dizendo que o STF cometeu um erro ao derrubar a exigência do diploma?’ O jornalista não é um opinador profissional, o jornalista é um formulador da informação de qualidade, da informação capaz de transformar essa realidade. A partir do momento em que a população compreende essa informação, ela vai formar uma opinião diferenciada. Essa é a razão pela qual estamos fazendo esse protesto hoje aqui”. Segundo Rodrigues, a categoria não protestou somente pela regulamentação do diploma, mas, como estava impresso no panfleto, contra os erros do ministro Gilmar Mendes. “Quando a gente pede ‘fora Gilmar Mendes’ não é porque ele acabou com a obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a profissão, mas porque ele, como presidente do Supremo, como o mais alto dirigente de um dos poderes da nação, está invadindo outro poder. O que ele faz (ou fez na questão do diploma) é legislar, e ele não pode legislar porque ele não tem o cargo. Quando ele instiga os demais ministros a darem celeridade aos julgamentos de processos de ocupações de fazenda por parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, quando ele solta um empresário condenado como Daniel Dantas, ele comete erros. Ou seja, nós estamos aqui protestando pelos jornalistas, mas também pelo conjunto da sociedade. Não podemos admitir que ele (Gilmar Mendes) prossiga no comando de um

poder tão importante como é o judiciário”. Outra questão relevante é a ética que o jornalista deve ter ao escrever ou veicular matérias para os diversos meios, e nesse sentido, os ma-

nifestantes são unânimes ao defender a regulamentação. “Qualquer pessoa pode aprender a escrever, mas para exercer a profissão de jornalista é preciso estudar muito. Assim

como um advogado tem que saber as leis, o jornalista tem que saber a técnica e ser ético”, argumenta a estudante Jucilaine Aparecida, do primeiro ano de Jornalismo da Opet.

Jornalistas e estudantes de jornalismo protestaram em frente ao Tribunal de Justiça

Histórico Em 2001 houve a suspensão do diploma por meio de uma liminar favorável ao Ministério Público, que entrou com uma ação pedindo a suspensão da obrigatoriedade. Quatro anos depois, em 2005, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu pelo diploma. Em 2006 houve a decisão do STF, por meio de uma liminar, para que pessoas que trabalhavam como jornalistas pudessem exercer a profissão. No dia 17 de junho deste ano, por 8 votos a 1 o Supremo votou pela não obrigatoriedade do diploma. O ministro Marco Aurélio Mello defendeu a necessidade da formação acadêmica.

O protesto foi contra a decisão do STF pela não obrigatoriedade do diploma de jornalismo


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Curitiba, terça-feira, 1º de setembro de 2009

Ensaio Assentamento Contestado Texto e fotos: Diego Henrique da Silva No último sábado, alunos do quarto período de Jornalismo da Universidade Positivo (UP) realizaram uma aula de campo no Assentamento Contestado, no município da Lapa (PR). O local é habitado por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e fica a 68 km de Curitiba. A proposta da excursão foi realizar uma pesquisa de campo prévia, para a futura realização de um videodocumentário sobre Movimentos Sociais. O trabalho faz parte do projeto pedagógico da disciplina “Comunicação, Comunidade e Movimentos Sociais”, ministrado pela socióloga Eliane Basílio de Oliveira. A coordenadora do setor pedagógico do assentamento, Ceres Hadich, foi quem acolheu os alunos. Durante o período da tarde, os estudantes realizaram um bate-papo com Ceres, quando puderam tirar suas dúvidas e partilhar impressões que tinham sobre o MST. Além disso, fizeram uma visita aos arredores do assentamento, onde tiveram contato com um dos lotes, seus moradores e conheceram um pouco do trabalho dos camponeses. Atualmente, o assentamento é composto por 108 famílias que apostam na diversificação da plantação (milho, soja, feijão, arroz e hortifrutigranjeiros) e na rotação anual de culturas para não prejudicar o solo. Apesar de algumas famílias ainda trabalharem com agrotóxicos, muitas já produzem com certificação orgânica e outras também se encaminham para a produção de alimentos sem nenhum aditivo.

A terra é dos terráqueos


LONA 509- 01/09/2009