Page 1

RIO DIÁ do

Curitiba, quinta-feira, 30 de abril de 2009 - Ano X - Número 477 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

BRASI

L

jornalismo@up.edu.br Divulgação

Câncer

Desde ontem, as mulheres que têm mais de quarenta anos podem fazer de graça o exame que permite diagnosticar o câncer de mama. Até a nova lei, que entrou em vigor ontem, o serviço médico era gratuito apenas para mulheres com mais de cinquenta anos. A intenção do Ministério da Saúde é formar uma espécie de banco de dados para monitorar o tempo de espera de cada paciente desde o momento da solicitação do exame até sobre os avanços de tumores constatados nas avaliações. Para 2010, o Ministério prevê que sejam realizados 3,5 milhões de mamografias. Os especialistas afirmam que é muito importante se descobrir o câncer mais cedo, já que assim o tratamento é menos agressivo. Mas, paralelo a isso, existe também a realidade da saúde pública brasileira, com falta de profissionais qualificados e infra-estrutura, nem sempre adequada.

de

mama Profissionais das ferrovias contam suas histórias no dia do ferroviário As histórias dos profissionais das estradas de ferro, que se confundem, em muitos aspectos, com a própria história de desenvolvimento do país. Entre as denominações antigas para os funcionários das ferrovias e as novas maneiras de se transportar cargas sobre trilhos, resta uma tradição dos trabalhadores antigos e as suas longas jornadas de trabalho fora de casa.

Páginas 4 e 5

Página 3

Feira oferece seis mil vagas de emprego aos trabalhadores em Curitiba Página 3

Deputados e senadores paranaenses são pouco eficazes, mostra pesquisa Desde 2003, os senadores aprovaram somente oito, dos 162 projetos apresentados no Senado. Na Câmara, no primeiro período de 2007, os deputados do Paraná apresentaram mais de 200 projetos, mas apenas um deles foi aprovado.

Página 3


2

Curitiba, quinta-feira, 30 de abril de 2009

Opinião Poítica

Fórmula 1

Abuso de

Heróis

paciência

Gabrielle Chamiço Nesta semana acontece a sessão do plenário na Câmara que vai decidir se as regras para o uso das cotas de passagens aéreas serão mais rigorosas. O motivo da discussão foi o fato do uso abusivo das passagens pelos deputados e seus familiares. Além do vergonhoso uso indevido do dinheiro público, existe a polêmica de que os deputados pediram para que a votação, que vai acontecer na sessão de semana que vem, seja secreta. Nesta história, teve político que colocou até o próprio casamento em jogo. Em uma matéria publicada na última sextafeira, na Folha de S. Paulo, o deputado Silvio Costa (PMN-PE) reclamou sobre as regras propostas, as quais preveem que as cotas só podem ser utilizadas pelo próprio parlamentar e por um assessor credenciado, e disse que elas poderiam até acabar com o casamento dele. Costa ainda comentou que achava um exagero o uso abusivo das passagens, mas que não existia uma norma clara sobre isso. Além disso, o deputado alegou a possível omissão de tais normas. Ao menos, ele e os colegas poderi-

am então ter usado o bom senso. O dinheiro público tem um destino a ser seguido, isso é de conhecimento nacional. Infelizmente, é de conhecimento nacional também que muitas vezes todo o dinheiro não é destinado para fins que desrespeitem a população. Quanto ao pedido de votação secreta, a norma é clara: o regimento da Câmara determina que a votação seja aberta, mas existe chance de mudança se os deputados apresentarem um requerimento com um pedido de votação secreta. Mas, as irregularidades aparecem até para isso. Não é comum os deputados apresentarem este requerimento. Eles têm medo do quê afinal? Diante de declarações tranqüilas, afirmando usar as cotas para viagens de familiares a passeio na Europa, por que querer esconder o voto? Uma das respostas pode ser a possível pressão da opinião pública sobre o resultado da votação. Infelizmente, é somente nestes momentos que alguns políticos deste país se voltam para a população e realmente se preocupam com ela. Como se não bastasse o uso abusivo das cotas, agora eles querem também abusar da paciência do brasileiro.

da resistência

Cássio Bida de Araújo E lá se foram quinze anos. Enquanto muitos vão à praia ou ao campo aproveitar mais um feriado, o mundo do esporte fica em silêncio por alguns instantes. Nos próximos dois dias é lembrada a mais recente tragédia de um final de semana de corrida na Fórmula 1. No Grande Prêmio de San Marino de 1994 morreram dois pilotos: Roland Ratzenberger da Áustria no treino oficial do sábado e, na corrida, o brasileiro e tri-campeão mundial Ayrton Senna. O momento atual da categoria traz algumas semelhanças com 1994, pelo menos no regulamento técnico. Assim como em 2009, naquele ano estava proibida a ajuda eletrônica nos carros. Nada de controle de tração, freios ABS ou suspensão ativa. A potência dos motores, no entanto, era a grande questão daquele período. Ainda eram potentes V12, ou seja, doze cilindros. Hoje são modestos V-8 que precisam durar, no mínimo, três corridas e com a potência limitada em pou-

hora de tomar providências sérias sobre a segurança dos pilotos ou novas tragédias iriam acontecer. De lá para cá, a segurança dos bólidos evoluiu bastante. Prova disso foi o acidente gigantesco no Grande Prêmio da Bélgica em 1998 em que quase vinte carros se envolveram. O dano, felizmente, foi material. Outro acidente impressionante aconteceu em 2007, com o polonês da BMW Robert Kubica, no GP do Canadá. A batida assustou. Mas o dano final ao piloto não passou de um tornozelo torcido. Hoje, a categoria vive sem a ajuda de componentes eletrônicos e parece ter voltado ao tempo das disputas eletrizantes. Pena que tudo isto tenha sido à custa da vida de dois pilotos. Um deles no seu ano de estréia. O outro no auge da competitividade e sedento por mais títulos. Dois verdadeiros heróis que morreram em nome da paixão pela velocidade e que, de alguma forma, contribuíram na evolução da categoria mais assistida no automobilismo mundial.

Expediente Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”.

Fotos: Divulgação

co mais de 19 mil giros. Eram outros tempos, de vacas mais gordas. Motor novo a cada corrida e carros extrapolando os 300 km/h nas pistas mais rápidas. A questão não foi a imprudência em tornar o esporte mais humano. O problema foi não pensar no detalhe mais básico: a segurança dos pilotos. Algo que ficou evidente durante os treinos livres do GP de San Marino, no circuito de Imola. Na sexta-feira, dia 29 de abril, Rubens Barrichello se acidentou com violência. No dia seguinte foi a vez da Simtek de Roland Ratzenberger se espatifar contra o muro da curva Villeneuve. Morte instantânea, o que faria a corrida ser cancelada de imediato. Mas, como o jeitinho não é exclusividade brasileira, avisaram a morte do austríaco após a prova e o show de horrores continuou. Na largada, a Lotus do português Pedro Lamy encheu a traseira da Benneton de J. J. Lehto e jogou detritos na arquibancada. Alguns minutos depois, o acidente fatal de Senna na curva Tamburello. Foi a gota d'água. Era

Reitor: Oriovisto Guimarães. Vice-Reitor: José Pio Martins. Pró-Reitor Administrativo: Arno Antônio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande; Pró-Reitora de Extensão: Fani Schiffer Durães; Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa: Luiz Hamilton Berton; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Renato Casagrande; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida e Marcelo Lima; Editores-chefes: Antonio Carlos Senkovski, Camila Scheffer Franklin e Marisa Rodrigues. O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP, Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-30. Fone (41) 3317-3000


3

Curitiba, quinta-feira , 30 de abril de 2009

Opinião Poítica

Nova Lei garante exame para detectar câncer de mama Medida beneficiará mulheres com mais de 40 anos; as pacientes terão direito a descobrir se têm a doença sem ter que pagar pelo serviço médico

Entrou em vigor ontem (29) a Lei nº 11.664 de 2008, que garante a realização do exame preventivo de mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS) para mulheres acima de 40 anos. Antes, os exames só eram realizados pelo SUS por indicação de um médico ou para mulheres com mais de 50 anos. Agora, com a nova medida o requerimento do exame pode ser feito pela própria paciente. Segundo dados do Ministério da Saúde, houve um aumento de 118,3% nos exames realizados pelo SUS nos últimos sete anos. A expectativa é que sejam realizadas três milhões de mamografias na rede pública até o fim do ano. Em 2010, a previsão do Ministério é de 3,5 milhões de exames e 4,4 milhões em 2011. Atualmente os postos da rede pública contam com 1.246 aparelhos que realizam o exame chamado mamamografia. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que no ano passado foram diagnosticados cerca de 50 mil novos casos da doença no país e que a taxa anual de mortalidade de mulheres com câncer é de, aproximadamente 10 mil. De acordo com a Federação Brasileira de Instituições Fi-

lantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) uma em cada três mulheres teve, tem ou terá algum tipo de câncer e uma em cada dez desenvolverá câncer de mama. A nova lei também garante a assistência integral do SUS para a paciente que for diagnosticada com câncer de mama, com tratamento e controle da doença. Antes, a assistência só era garantida até a detecção. Para monitorar os avanços na detecção e cura da doença, o Ministério da Saúde prevê a criação, em junho deste ano, de um banco de dados (Sismama) que vai reunir informações das pacientes, como idade, tempo de espera para a realização de exa-

Divulgação

Marisa Rodrigues

mes e estágio do tumor. A ginecologista Clélia Scheffer acredita que a lei é um avanço para a saúde das mulheres. “O diagnóstico precoce aumenta, consideravelmente, as chances de cura da doença, além de minimizar os procedimentos cirúrgicos, no caso de uma retirada de um tumor, o que contribui para uma melhor qualidade de vida da paciente”. Porém, Clélia alerta que a ampliação e melhoria do atendimento do SUS, com mais mamógrafos e técnicos que sejam qualificados para realizar o exame, são imprescindíveis para que a garantia dos novos direitos não fiquem somente no papel e sejam bem desenvolvidos na prática.

Trabalhadores têm chance de encontrar emprego no feriado Feira do Emprego e Capacitação traz ofertas de emprego em pleno feriado do Dia do Trabalho

Cássio Bida de Araújo A prefeitura de Curitiba, em parceria com 89 participantes, promove nos próximos dias 1 e 2, no calçadão da Rua XV de Novembro, a Primeira Feira do Emprego e Capacitação. Durante o evento, serão oferecidas em torno de seis mil vagas de empregos diretos, além de 20 mil vagas em cursos de capacitação profissional. Para o Secretário Municipal do Trabalho, Jorge Bernardi, a feira é uma forma diferente de se comemorar o Dia do Trabalho, geralmente marcado por festas, shows e alguns protestos em diversas cidades. “Em um período de crise, resolvemos comemorar a data com o foco nos desempregados. O objetivo do evento é fazer o elo de ligação entre as empresas e as pessoas que procuram uma oportunidade de inclusão no mercado de trabalho”, explica o secretário. Participam do evento universidades, empresas, agências de emprego e algumas instituições não-governamentais, como a Universidade Livre para a Eficiência Humana (Unilehu). A instituição trabalha desde outubro de 2003 e conta com o apoio de 22 empresas mantenedoras. O objetivo da Unilehu é a inclusão das pessoas portadoras de necessidades especiais nos diversos setores da

sociedade. A instituição enxerga na feira uma boa oportunidade de divulgação de vagas de emprego e estágio. “Esperamos, através deste evento, mobilizar as pessoas com deficiência. Além de mostrar à sociedade em geral as possibilidades que essas pessoas têm em desempenhar atividades profissionais”, comenta o coordenador de projetos da instituição Enéas Pereira. Para se inscrever, é importante que o candidato leve um documento com foto e um currículo atualizado. Quem ainda não fez a Carteira de Trabalho pode ir à feira para fazer o documento. A prefeitura vai montar uma barraca para a confecção da carteira. Quem já tem o currículo deve levar cópias, já que diversas agências de emprego estarão coletando dados para agendamento de entrevistas. Só o Banco Nacional de Empregos (BNE) deve coletar aproximadamente mil currículos, de acordo com a expectativa do gerente do BNE José Luiz Tortato. “Esperamos que nossos clientes consigam fechar as vagas oferecidas neste evento”, conclui.

Serviço 1ª Feira do Emprego e Capacitação – Dias 1º e 2 de maio. Os estandes estarão instalados na Praça Osório e no calçadão da Rua XV de Novembro das 09 às 17 horas. A entrada é franca.


4

Curitiba, quinta-feira, 30 de abril de 2009

Profissão Dia do ferroviário

Trilhos e trens Priscila Fernandes O dia amanhece. Estamos na década de 60, época de ouro da estrada de ferro. Os trens cortam o país. Ao longe, se escuta um apito, é o trem chegando em mais uma cidade, crianças chegam bem perto do trilho para receber o pai que acaba de chegar de mais uma casativa jornada de trabalho de dias a fio. Na cabeça um quepe lhe dá um ar nobre e no coração a confiança do dever comprido lhe permite por os pés no chão. Chegara são e salvo novamente em casa após dias de viagem. Esta era a vida de um trabalhador da rede Ferroviária até alguns anos atrás, antes da privatização da ferrovia. Mas quem é o ferroviário?

O ferroviário O trabalhador da ferrovia

contribui para o funcionamento do complexo sistema de transportes que é a rede de trens. O cargo que vem à cabeça das pessoas quando se pensa em transporte férreo é o de maquinista - o "motorista", que comanda o trem. As pessoas que tem um pouco mais de idade, e que já passearam de trem, devem lembrar deste profissional sempre muito bem vestido, com um belo quepe na cabeça. A verdade, é que existem muitos outros profissionais que atuam para que um trem possa cruzar as cidades. Para começar, é preciso lembrar que o ferroviário pode atuar em vários tipos de trens: urbanos, turísticos, de carga. Para o presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas da Ferrovia, Nery Carvalho, embora se denomine ferroviário todo o trabalhador

“O pessoal ferroviário propriamente dito era o pessoal que trabalhava ao longo da via. O pessoal de via permanente, o pessoal de trens, guarda-freio, chefe de trem, maquinista, foguista, entre outros . Essa nomenclatura foi mudando. Estes são os ferroviários propriamente ditos” NERY CARVALHO, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS DA FERROVIA

da rede - que atua para o bom funcionamento da ferrovia -, há um grupo merece maior destaque. “O pessoal ferroviário propriamente dito era o pessoal que trabalhava ao logo da via, o pessoal da via permanente, o pessoal de trens, guarda-freio, chefe de trem, maquinista, foguista, entre outros. Essa nomenclatura foi mudando. Estes são os ferroviários propriamente ditos, havia ainda as pessoas da manutenção que trabalhavam nas oficinas da rede”.

Graças a construção das linhas ferroviárias, milhares de pessoas foram empregadas de diversas locais do mundo, contribuindo com a aproximação de várias culturas.

Dia do ferroviário

A ferrovia e o ferroviário

Para homenagear o profissional trabalhador das estradas férreas, foi designado como dia do ferroviário o dia 30 de abril. Isto porque, em 30 de abril de 1854, foi inaugurada a primeira linha ferroviária do Brasil. Esta viagem contou com a presença do imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina. A Estrada de Ferro Petrópolis, que tinha 14 km de trilhos, ligava o Rio de Janeiro à Raiz da Serra, na direção da cidade que batizou a ferrovia. Ela foi um empreendimento do empresário Irineu Evangelista de Sousa, que, por isso, recebeu do governo imperial o título de barão de Mauá. Porém, para os trabalhadores da rede, havia outra data na qual eles comemoravam, era 30 de setembro que é o dia da implantação da rede. Para os trabalhadores, essa era a data que eles consideravam a mais importante, como explica Nery. “Para nós, trabalhadores da rede, a data mais especial era 30 de setembro. Porque foi a data em que aconteceu a inauguração da rede ferroviária. Neste dia havia muita festa”, relembra Carvalho.

Assim começava a história da ferrovia no Brasil. Porém, a ferrovia possui outras datas muito importantes. Uma delas, inclusive, é considerada a mais importante pelos ferroviários. Como o 30 de setembro, dia em foi criada a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), que unificou as 42 ferrovias existentes, criando um sistema regional composto por 18 estradas de ferro. Nesta época também surge as primeiras locomotivas a diesel no Brasil.

Nos tempos da ferrovia “Café com pão, café com pão, café com pão. Virgem Maria que foi isto maquinista? Agora sim. Café com pão. Agora sim, café com pão. Voa, fumaça, corre, cerca; Ai seu foguista, bota fogo, na fornalha, que eu preciso, muita força.Muita força,” quem não conhece o famoso poema de Manuel Bandeira. O poema relata um pouco como era o trabalho para movimentar os trens que na época não eram movidos com diesel. Quando a ferrovia surgiu, os trens e trilhos ligavam populações, regiões, países e


5

Curitiba, quinta-feira , 30 de abril de 2009

Profissão Dia do Ferroviário Fotos: divulgação

continentes que, até aí ,estavam completamente isolados. Na agricultura, produtos que corriam o risco de ficar nas regiões onde eram produzidos, puderam ser despachados para grandes distâncias, havendo o menor risco de sua degradação e encorajando o aumento das produções. Ao redor das estações ferroviárias nasceram e cresceram vilas e cidades, onde até então nada existia. A construção das linhas ferroviárias empregou milhares de pessoas, de cidades, regiões e até de países diferentes, contribuindo para aproximar diferentes povos e culturas. Neste periodo, os trabalhadores tinham muitos direitos. Embora passassem dias fora de casa longe da familia, eles tinham direito de morar em casas da rede e de participar de associações que promoviam lazer aos trabalhadores e suas familias. O trabalho era muito valorizado, sendo que as familias orientavam os filhos para que fossem fazer os cursos da rede para trabalhar na ferrovia, pois além de estabilidade, por ser um servidor do governo, havia outros benefícios. O trabalhador da antiga Rede Ferroviária Renato Stais, foi agente de estação e trabalhou 19 anos na oficina da Rede 11 no transporte. “Na nossa época era muito bom, os trabalhadores tinham as casas da Rede, tínhamos direito a la-

zer, havia os clubes dos ferroviários e, além disso, podíamos viajar de trem de passageiro quase de graça. Foi um período muito bom”, disse Stais.

Atualmente o transporte ferroviária existe apenas para o transporte de carga. O serviço de passageiros praticamente deixou de existir.

Desvalorização da ferrovia O tempo passou e as casas da rede, que antes eram ocupadas pela família dos funcionários, estão abandonadas, assim como muitos trilhos que cortam as cidades. Hoje, as estações estão fechadas e abandonadas à própria sorte. Os vagões, em muitas cidades, se tornaram moradias. Todo esse relato triste teve seu início quando a ferrovia ingressou num novo ciclo histórico e econômico no Brasil, no fim da década de 1990. A grande marca desta mudança foi o ano de 1997, quando a rede foi incluída no Programa Nacional de Desestatização e a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) foi privatizada. Ocorreram desde a privatização, quando a Rede foi concedida a América Latina Logística, diversas mudanças nas ferrovias. Hoje, o transporte ferroviário serve basicamente para o transporte de carga, já que o serviço de passageiros de longo e médio percurso, praticamente, deixou de existir, restando apenas duas linhas de longo percurso e os transportes urbanos em algumas regiões metropolitanas.

Desvalorização do ferroviário Com as mudanças, passouse a exigir maior qualificação do profissional para trabalhar nas ferrovias. Em contrapartida, diminuiu o número de profissionais necessários para o transporte. “Antigamente eram necessárias muitas pessoas para levar um trem, precisava o maquinista, o foguista e vários outros profissionais. Mais tarde quando veio a máquina a diesel este número diminuiu para duas pessoas. E hoje, um trem parte daqui de Curitiba apenas com o maquinista”, explica Nery. Passada uma década, o transporte ferroviário de cargas retoma o processo de crescimento, produtividade e reforça a sua participação na matriz nacional de transportes, demandando novos profissionais em novas especialidades. “Olha, eu posso falar até o momento em que eu estava na firma, em 1994. Acredito que houve uma valorização do trabalho do ferroviário, que novas técnicas foram criadas, novos equipamentos foram introduzidos. E as pessoas têm que se instruir mais para exercer estas atividades”, ressalta Carvalho. Não há mais o antigo gla-

mour na ferrovia. Se este brilho sumiu, o profissional que trabalhava e vivia em torno da rede, deixando por dias a família e o lar, também perdeu o valor com a mudança da ferrovia. Para o maquinista da America Latina Logística *Anderson, ocorreu uma grande mudança na forma como o ferroviário era visto antigamente e como é visto hoje. “No tempo dos meus avôs os ferroviários eram mais valorizados. Hoje não, a empresa não dá o mesmo valor que a antiga RFFSA dava. Outro ponto, que colaborou para essa mudança na forma como o profissional é visto hoje, foi a própria desvalorização do trem. Hoje em dia o trem só transporta carga daqui para o sul do estado. É verdade as pessoas reclamam muito, do barulho, de tudo, mas faz parte do progresso. Não sei se você já ouviu dizer mais ou menos assim: com a ferrovia o Brasil não para. Esta frase é mais ou menos do tempo do Vargas. É uma grande pena que a população não veja dessa forma e o nosso governo também não, pois privatizou quase todas as ferrovias do Brasil”, desabafa *Anderson. Já para Stais, o profissional aposentado sofre muito mais com

a desvalorização do ferroviário. “Acredito que hoje os ferroviários, são muito discriminados e pouco valorizados. Já nós, que éramos da época da rede, somos discriminados pela nossa idade. Outro exemplo da desvalorização do ferroviário aposentado é o fato de não termos nenhum aumento de salário nos últimos tempos, pelo contrário, tivemos uma baixa no ordenado.”

O que se tem a comemorar no dia do ferroviário Com a chegada do dia do ferroviário uma pergunta fica no ar: o que temos par a comemorar? Para Carvalho os motivos não existem. “Hoje, infelizmente, se pensarmos em ferroviário da rede não temos nada a comemorar. A situação é bem complicada, a partir do momento em que ouve a privatização fomos esquecidos. Antigamente havia um real motivo de júbilo nesta data, mas hoje, infelizmente, as associações desapareceram. As pessoas estão morrendo, então não vejo nenhuma perspectiva para o ferroviário antigo. Nós não temos reajustes, somos renegados pelo governo. Eles nos desconsideram”. * O nome foi trocado a pedido da fonte.


6

Curitiba, quinta-feira, 30 de abril de 2009

Colunas Música

Cultura

Equilíbrio entre corpo e mente

política

Giulia Lacerda

Gabriel Hamilko

Fortalecer de dentro para fora. É esse o lema do Pilates. Mais do que uma atividade física, o método pilates consiste em uma filosofia de vida. Há pouco tempo comecei a praticar o exercício e as melhoras já são perceptíveis no meu cotidiano. Durante a aula, ao contrário das outras atividades desenvolvidas nas academias convencionais, não há repetições incessantes de cada movimento e sim uma rotina de exercícios curta e com maior eficiência. Isso leva o aluno a ter consciência de suas funções musculares e, dessa forma, passa a controlá-las de forma correta. No início os movimentos são difíceis de serem executados, porque exigem um grau de concentração muito alto, mas isso acaba conforme o equilíbrio entre corpo e mente vai sendo atingido. Eu descobri no pilates uma maneira de melhorar minha qualidade de vida. Não é uma atividade dinâmica, muito menos agitada, mas possibilita um conhecimento do seu próprio corpo e, consequentemente, uma melhor realização de qualquer outro exercício físico. É incrível como a mente consegue controlar os movimentos do corpo durante a aula e, aos poucos, fora dela também. É um momento onde tudo o que é externo dá lugar ao "eu" interior. A concentração é o principal fator para realizar os movimentos de forma correta. Os exercícios focam no fortalecimento dos músculos posturais, que ajudam a manter o corpo equilibrado. A chamada "power house" deve estar ativada du-

rante todos os exercícios e compreende o controle da força muscular aliado à respiração e concentração. Na aula, o praticante aprende quais músculos estão sendo trabalhados para que mantenha todos os outros relaxados. Como efeito disso, os adeptos do método adquirem melhor condicionamento físico, flexibilidade, equilíbrio emocional e postura correta. O método foi desenvolvido pelo alemão Joseph Pilates no início do século vinte para o condicionamento total do corpo. Para muitos especialistas da área, o pilates é a atividade física existente mais eficiente. São basicamente 500 exercícios que podem ser realizados no solo ou com aparelhos. Todos eles envolvem força e alongamento. O diferencial do método é a maneira como o corpo é trabalhado de forma que, por meio da consciência corporal, melhora a postura, deixa os músculos mais firmes e fortes e possibilita aos adeptos um maior autocontrole e tolerância ao stress. Por todos os seus benefícios comprovados, o pilates é uma alternativa de recuperação de lesões e cirurgias de qualquer outra articulação do corpo. Quem pratica entende que não é apenas uma atividade física e sim um condicionamento físico funcional.

Fotos: divulgação

No xadrez da

A esfera política paranaense vive de jogadas e estratégias muito bem planejadas. Cada peça é fundamental para o desfecho do jogo, um jogo que ainda vai se prolongar. O início já foi definido e partimos para as situações em que as jogadas se intensificam neste ou naquele lado do tabuleiro, enquanto, lá na outra parte, discretamente sem saber, o jogador adversário vai montando sua ofensiva, que pode ser fatal. Vamos dar nomes às peças: no último sábado, 25 de abril, Osmar Dias coordenou em Foz de Iguaçu, um evento que deu início à elaboração do Plano de Governo que vai usar em 2010. Diante dessa reunião, deixou bem claro para todos os paranaenses que já é um pré-candidato. ”Podem sair quantos quiserem, mas eu serei candidato”, palavras do convicto senador. A mensagem tem direção: os tucanos que estão no “chove e não molha” com a manutenção da super aliança. A popularidade de Beto Richa, o pré-candidato invisível e as ambições de seu “brother” Álvaro Dias, também senador pelo Paraná, atrapalham a aliança. Existe um acordo para não ocorrer uma disputa familiar, e quem estiver mais bem avaliado nas pesquisas dos próximos meses sairá candidato, sendo apoiado pelo outro. Aí mora a confiança de Álvaro, sendo contrariada pela frase proferida pelo outro Dias neste final de semana (Podem sair quantos quiserem). Sem dúvida, Osmar é a peça do jogo no momento: quem sabe um bispo (a peça, não o Lugo) com ampla movimentação pelas diagonais, ou um cavalo que pode sair em “L” e avançar por cima dos adversários, mas o que pode ser afirmado é que todos voltaram atenção para ele. Desde o desafeto Requião até o cassado Zé Dirceu. E isso passa pela possibilidade de Osmar ser o primeiro paranaense a ser nomeado líder do governo no Senado. Um agrado de Lula, que vê em Osmar o palanque ideal para sua discípula, Dilma Rousseff, fazer sua campanha para a sucessão presidencial. Requião se magoa cada vez mais, tanto com o governo federal, quanto com os deputados que acreditam mais nos outros do que no seu pré-candidato, Orlando Pessuti. Esse é um lado do tabuleiro. No outro, por fora, sem holofotes e com inaugurações seguidas em meio ao povo e viagens pelo Paraná, o prefeito de Curitiba avança com pequena artilharia e sem nada oficializado. Até alguém descobrir a brecha, e as peças de ataque ou assédio mudarem de direção. O fato é que poderá ser muito tarde até lá.


7

Curitiba, quinta-feira , 30 de abril de 2009

Política Transparência Brasil

Marcha lenta Pesquisa revela que bancada dos deputados paranaense é pouco eficaz Aline Reis Diego Sarza Maria Carolina Lippi Ao término de uma eleição são escolhidos nossos representantes legais, que devem lutar pelo interesse público, por melhorias e benefícios para o país. Mas, nem sempre esse papel é cumprido ou se é, nem sempre agrada aos eleitores, foi o que constatou a pesquisa realizada pela organização não-governamental Transparência Brasil. Os dados apresentados no levantamento dão conta de que a bancada paranaense está se mostrando um tanto quanto ineficiente em relação à aprovação de projetos. A pesquisa revela que desde 2003, os senadores paranaenses aprovaram somente oito projetos dentre os 162 apresentados. Na Câmara a situação não é diferente, no início da 57ª legislatura (2007) foram apresentados pelos paranaenses mais de 200 projetos e apenas um deles foi aprovado.No ranking feito pela ONG, a taxa de aprovação dos projetos dos paranaenses quanto aos senadores é de 4,9%, enquanto na câmara é de 0,5%. Com esses números os sena-

dores e os deputados federais do Paraná ocuparam a 18ª e 19ª colocação na lista de eficiência divulgada pela Transparência Brasil, que ainda divulgou quanto ‘custará’ cada parlamentar aos cofres públicos. Somente no senado, serão gastos R$34 milhões durante 2009. Segundo o vereador curitibano Pedro Paulo (PT), o método utilizado pela ONG para análise do trabalho da Câmara Federal e Senado não são satisfatórios. “Eu não sei se é eficiente a quantidade (número de projetos aprovados) como forma de medir eficiência. De qualquer forma, a minha avaliação é que o parlamento em geral, incluindo a Câmara de vereadores, não têm sido hábil no sentido de efetivar políticas públicas. Eu tenho mais de 20 projetos, nem todos viram lei, porque isso é política.” Ainda de acordo com o vereador, existem várias causas para a falta de aprovação dos projetos, dentre os quais figuram a demanda e as medidas provisórias. “A mesa da câmara tem essa possibilidade de aprovar projetos, se não aprovam é por falta de prioridades”, critica. O professor Sérgio Czajkowski, especialista em sociologia Rodolfo Stuckert - SEFOT/Secom

política, analisou a posição dos parlamentares paranaenses e as consequências que isso pode acarretar para nosso Estado. “No Paraná, talvez a questão do partido seja mais forte: ‘eu não vou me aliar com o indivíduo do outro partido porque ele defende ideologicamente algo diferente’. No plano do dia a dia o que leva às vezes a pessoa a não se unir é porque o político se considera como representante de um grupo qualquer, então ele acha que o cargo é dele e acaba não se aliando para ‘não prejudicar o cargo’”. A questão que vale a pena ser discutida é até que ponto os eleitores são responsáveis pela ineficiência dos deputados e senadores da bancada paranaense. “Não seria falta de fiscalização da população, propriamente dita? A cultura no Brasil prega que político bom é aquele que faz, mas não que faz para o coletivo, mas aquele que faz para você, enquanto indivíduo. O político bom é o que dá cadeira de rodas, óculos, internamento hospitalar”, exemplifica Czajkowski. Ainda de acordo com o especialista, pode-se avaliar o posicionamento da bancada paranaense em duas vertentes: a primeira trata dos interesses do Estado como um todo, independentemente do partido; a segunda analisa a ideologia partidária e exclui a ligação entre pessoas de partidos diferentes mesmo quando se trata das questões de interesse do Estado. “Se partimos do princípio de não dar importância ao partido, nosso interesse maior é o Estado, e isso é muito prejudicial. Mas se vermos a questão de que o Paraná tem várias vozes consonantes e grupos com interesses diversos, é muito bom, porque se todos votassem em blocos nós, como eleitores, não teríamos opção de voto”.

Profissionais da comunicação esportiva ministram curso de extensão na UP Priscila Paganotto A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Positivo está com inscrições abertas para o Curso Aplicado de Jornalismo Esportivo. A atividade é direcionada para profissionais recém-formados e acadêmicos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Educação Física, além de pessoas interessadas em jornalismo esportivo. O principal objetivo do curso é aproximar os participantes da realidade do mercado de trabalho, auxiliar na ampliação de conhecimentos específicos e ensinar as diferentes técnicas de trabalho dos veículos de comunicação esportiva. Em Curitiba, por exemplo, todos os canais de televisão aberta possuem um ou mais programas esportivos. No rádio, são onze emissoras que dedicam espaços diários para debates e notícias sobre esporte — além de jornais, revistas e sites. Trata-se de um amplo mercado de atuação. Com carga horária de 36 horas e divisão em oito módulos, as aulas serão teóricas e explicativas, com participação interativa dos alunos. História e noções do jornalismo esportivo, ética e assessoria e marketing serão alguns dos temas discutidos. O corpo docente é formado pelos coordenadores Carlos Henrique Bório e Cristian Toledo, Marcelo Dias Lopes, Joyce Carvalho, Irapitan Costa e Leonardo Mendes Júnior.

Serviço Curso Aplicado de Jornalismo Esportivo Local: Universidade Positivo. Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 – Campo Comprido. Horário: Sexta-feira, das 18h30 às 20h30, e sábado, das 8h30 às 10h30. Mais informações e inscrições pelo site: http://extensao. up.edu.br ou pelos telefones (41) 3317-3092 e 3317-3201. Vagas limitadas de 40 alunos. Divulgação


8

Curitiba, quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ensaio Copacabana

Muito além do banho de mar Texto e fotos: Eli Antonelli Copacabana no Rio de Janeiro é mais que uma bela praia. A arte se faz presente nas belas esculturas na areia, turistas e cariocas não resistem e param atentos e curiosos pela técnica e perfeição. Enquanto isso, eventos organizados por Instituições e pela Prefeitura marcam presença em vários pontos. Um exemplo são as aulas de informática. Idosos de bairros distantes de Copacabana se encontram aos domingos para aulas à beira da praia. Mais à frente está o Forte de Copacabana, que tem suas origens em 1763. Integra ao Forte o Museu Histórico do Exército com atividades culturais e educacionais. No mês de maio, o museu recebe a exposição “O Aleijadinho e a Religiosidade Barroca Brasileira.” Continuando o passeio, é possível sentar num banco e relaxar a beira do mar azul. E se esse banco for o mesmo em que o poeta Carlos Drummond de Andrade refletia e elaborava seus textos primorosos? E é esse o presente que Copacabana oferece. Ao lado da estátua do poeta, você pode imaginar-se conversando com ele. Você e Carlos Drummond de Andrade num cenário de sonhos.

LONA 477- 30/04/2009  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you