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RIO DIÁ do

Curitiba, quarta-feira, 29 de abril de 2009 - Ano X - Número 476 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Gripe suína pode gerar epidemia

BRASI

L

jornalismo@up.edu.br Divulgação

Urbs promove audiência pública

global

Quatro casos suspeitos da gripe suína foram detectados no Paraná nesta semana. Três já foram descartados, mas um ainda aguarda análise laboratorial para saber se há infecção pelo vírus. Os riscos de a doença virar uma epidemia global existem, como revelou o secretário de Saúde do Paraná Gilberto Martins, ontem à tarde em entrevista à imprensa. Pesquisas sobre a mutação do vírus mostram que a doença é resultado de uma mistura de características de vírus que afetam os seres humanos e os animais, de forma parecida com o que aconteceu com a gripe espanhola no início do século XX. A situação causada pela doença já é considerada de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). As ações de vigilância tomadas pelo plano de preparação para enfrentamento da pandemia já estão sendo tomadas, inclusive no Brasil. Página 3

O Memorial da Cidade foi o local escolhido para acontecer a Audiência Pública do Transporte Coletivo convocada pelo presidente da URBS, Marcos Isfer. A participação da população será primordial para aprimorar o sistema de transporte da cidade. Página 3 Coluna

Preconceito atinge também mulheres do mundo musical Página 7


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Curitiba, quarta-feira, 29 de abril de 2009

Opinião Debate

A pirataria deve ser liberada?

Sim

Não

Pague quanto vale

Valorize a cultura

Leonardo Schenato Barroso

Rodrigo de Oliveria Muniz

O dinheiro já se tornou um dos maiores símbolos do imaginário de felicidade da sociedade. Não é raro começarmos frases para descrever um futuro que consideramos perfeito com a expressão “quando eu for rico”. Grandes eventos, como a Expo Money, apresentam todo ano palestras e livros falando sobre como enriquecer e criar uma fortuna que, supostamente, garantiria por si só uma boa vida. Essa busca incessante por bens materiais é geradora de inúmeros problemas pessoais e sociais, mas pouca gente consegue relacioná-la à pirataria. Ao assistirmos a um DVD original, é comum vermos as propagandas de conscientização mostrando o quanto a pirataria está ligada à violência, às drogas e ao crime organizado em geral. O problema é que, em nenhuma delas, a posição das grandes produtoras e gravadoras é questionada. Se elas pensassem um pouco menos no quanto vão ganhar com um filme, com uma música ou com um videoclipe e mais com o maior acesso do público aos seus produtos, fariam tudo sair mais barato. Com produtos sendo baratos, o consumidor teria menos motivos para buscá-los na pirataria. Não apenas ajudando a financiar o crime organizado, essa ganância leva à banalização dos produtos culturais de toda uma geração. Bandas musicais são tratadas como minas de ouro: assim que deixam de ser extremamente lucrativas, são abandonadas pelos grandes nomes do mercado de gravação e, com o tempo, caem no esquecimento do público, que

é bombardeado com um tipo de produção voltado somente para a geração de lucros. Todos saem perdendo. Exceto, claro, as grandes gravadoras. Agora, quando o assunto é o consumidor indo atrás desses produtos gratuitamente na internet, o que afeta diretamente nos ganhos empresariais, a coisa é tratada pela justiça como crime. E isso não é nenhum exagero. Em 2003, o jovem americano Joel Tenenbaum foi processado pela RIAA (Record Industry Association of America – Associação Americana de Indústria Fonográfica) por ter baixado músicas sem pagar. O processo está aberto até hoje e, caso perca, Tenenbaum será obrigado a pagar um milhão de dólares à RIAA. Se isso fosse em nome da justiça, e não do dinheiro, essa multa teria um valor mais coerente. Talvez devêssemos nos preocupar menos com o dinheiro e mais com formas alternativas de consegui-lo sem afetar a qualidade da cultura. Um bom exemplo é o que a banda Radiohead – que, inclusive, será chamada a depor a favor de Tenenbaum no processo – fez com seu último álbum, intitulado In Rainbows: deixaram o CD disponível para download no site e os fãs pagavam o quanto quisessem pelas músicas, recebendo assim um retorno do público sobre a qualidade do trabalho. E para quem acha que isso vai contra a lógica de lucros, o disco rendeu mais dinheiro à banda do que seus trabalhos anteriores, vendidos da forma comum. Medidas como essa, muito além do dinheiro, valorizam o público, os artistas e a cultura de forma geral.

Caro leitor, não podemos nos alienar e pensar apenas no próprio bolso e no consumo, sem pensar nas consequências. Já dizia o ditado: “o barato sai caro”. A condição financeira da maioria da população brasileira não é boa, mas um erro não pode justificar o outro. Que o governo deve dar condições para a população manter suas necessidades básicas (alimentação, moradia, vestuário) e principalmente a educação e a cultura, é inegável. Mas enquanto cidadãos, devemos nos informar e buscar outros meios para enriquecermos nossa cultura de maneira correta e sem prejudicar os artistas. É fácil detectar em terminais de ônibus ambulantes vendendo produtos ilegais por preços mínimos, o que

certamente atrai o consumidor. Ao cair na tentação e comprar, além de a pessoa que comprou ser prejudicada por levar um produto de qualidade danificada, é “roubado” o dinheiro daqueles que produzem a cultura (artistas, produtores, gravadoras, editoras) e quem perde é o público. A grande decadência, principalmente do cenário fonográfico, está diretamente ligada ao fácil acesso à pirataria (downloads gratuitos de músicas na internet). É raro hoje uma gravadora investir seu projeto em um artista em início de carreira. Investese apenas em artistas já consagrados e com a certeza de sucesso, os quais não precisam tanto dessa ajuda externa, pois podem mais facilmente “andar com as próprias pernas”. Artistas iniciantes, talentosos, não têm apoio das gravadoras e dos produtores qualificados do mercado, pois esses não

podem investir em algo ainda incerto e que provavelmente não dará retorno. Se artistas renomados sofreram uma queda brusca nas vendas de seus discos (hoje é praticamente nula a chance de um artista chegar ao disco de diamante – 500 mil cópias no Brasil), imagina quem não tem ainda a visibilidade de seu trabalho. Por isso, embora pese um pouco mais no bolso, há de se pensar duas vezes antes de comprar qualquer produto pirateado. Com certeza, você, estudante, trabalhador, não gostaria de ter seu produto/trabalho, que você produziu com seu suor, sendo comercializado por aí de forma ilegal, talvez até desmotivando-o para continuar a trabalhar com qualidade e esforço. Artistas sobrevivem disso e necessitam do apoio dos fãs. Não financie a pirataria, quem será prejudicado no final é você.

Expediente Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”.

Reitor: Oriovisto Guimarães. Vice-Reitor: José Pio Martins. Pró-Reitor Administrativo: Arno Antônio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande; Pró-Reitora de Extensão: Fani Schiffer Durães; Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa: Luiz Hamilton Berton; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Renato Casagrande; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida e Marcelo Lima; Editores-chefes: Antonio Carlos Senkovski, Camila Scheffer Franklin e Marisa Rodrigues. O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP, Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-30. Fone (41) 3317-3000


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Saúde Gripe suína

Extensão

Quatro casos de gripe suína são notificados em Curitiba Três foram descartados e um continua internado à espera de resultados laboratoriais Camila Scheffer Franklin Em entrevista coletiva realizada ontem na Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA), o secretário Gilberto Martins esclareceu dúvidas quanto à gripe suína. Segundo o que foi exposto, o vírus da Influenza Suína é novo, datado de março de 2009, e sofreu mutações para atingir o homem, pois normalmente não o afeta. Uma vez que o vírus atinge uma pessoa, ele é transmitido de uma a outra por meio de tosse ou espirro e secreções respiratórias infectadas. No cenário mundial, de acordo com a Organização Pan Americana de Saúde, no México, país em que a doença começou a ser disseminada, já foram notificados 1840 casos de gripe suína. Desses, 26 foram confirmados e ocorreram sete mortes. Nos Estados Unidos, os casos confirmados somam 40; no Canadá, 20 casos suspeitos e 6 confirma-

dos. No Brasil, 22 casos da doença foram notificados, mas nenhum ainda foi confirmado. A doença se assemelha a uma gripe comum. Para definir se um caso é suspeito, deve-se observar a apresentação de febre alta repentina, superior a 38ºC, acompanhada de tosse, dor de cabeça, dores musculares e articulares, principalmente se o suspeito esteve nos últimos dias nos Estados Unidos, México e Canadá. O tempo de incubação do vírus é de 10 dias e aglomeração de pessoas facilita o contágio.

Paraná Em Curitiba, quatro casos foram notificados. Três deles foram descartados e um espera confirmação por exames laboratoriais. O resultado vai chegar apenas na próxima quarta-feira, dia 6 de maio, e o possível doente encontra-se internado em isolamento em um hospital particular da capital. O exame é feito pelo Laboratório Central do Estado (La-

Fotos: Divulgação

cen) a partir da coleta de material naso-faríngeo e encaminhado ao laboratório Fio Cruz, em São Paulo, por determinação do Ministério da Saúde. Para o Ministério, apenas os laboratórios Fio Cruz, de São Paulo, e Evandro Chagas, do Pará, estão aptos a realizar os exames. A SESA dispõe de um plano de contingência da gripe suína baseado no plano realizado contra a gripe aviária e também de um Centro de Informações Estratégicas em Vigilância Sanitária (CIEVS), que funciona como retaguarda para esse tipo de situação. Todas as informações necessárias estão disponíveis no site da secretaria. Além disso, ela conta com um comitê de acompanhamento da influenza suína no Paraná com integrantes de órgãos públicos e da sociedade civil, e também um grupo técnico-operacional que realiza reuniões diárias para monitorar informações e notificá-las ao Ministério da Saúde. Se houver suspeita da doença, a pessoa deve se dirigir a um dos quatro hospitais da rede de referência da secretaria: Hospital Universitário de Londrina, Hospital de Clínicas da UFPR (Curitiba), Hospital do Trabalhador (Curitiba) e Hospital Costa Cavalcanti (Foz do Iguaçu). É recomendado que sejam adiadas viagens para o México e países com casos confirmados da doença.

Curso de Extensão da Universidade Positivo traz tendências do design mundial Marisa Rodrigues A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Positivo está com inscrições abertas para o curso de extensão de Design de Superfície. Voltado para os profissionais e estudantes de design, moda, artes, ilustração, artesanato e áreas comuns, o curso será ministrado pela designer de superfície e especialista em cores Renata Rubim, uma das precursoras deste tipo de trabalho no país. O design de superfície já é bastante conhecido no exterior, onde é chamado de surface design, e utilizado principalmente no mercado de decoração de interiores, móveis e vestuário. No Brasil, a atividade ainda não é muito difundida, mas, segundo a professora do curso de Design da Universidade Positivo, Eliza Sawada, sua utilização tende a crescer nos próximos anos. “A indústria moveleira tem absorvido as tendências estrangeiras com bastante rapidez. Um dos casos é a substituição da

lâmina que imita madeira por uma sobreposição de formas geométricas e de cores, criando novas realidades para os móveis. Relevo é outro caso que se destaca no mercado. No entanto, ainda falta mão-de-obra especializada para trabalhar com esses itens por aqui”, comenta. Além dos móveis, há uma grande diversidade de objetos que podem receber as técnicas de design de superfície. De louças e papéis de parede a tecidos, calçados e tapeçarias.

Serviço Curso de extensão Design de Superfície Local: Universidade Positivo – Bloco Vermelho – Ateliê 1 (Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 – Campo Comprido) Datas e horários: De 7 a 9 de maio; quinta e sexta-feira, das 14h às 18h, e sábado, 9h às 13h e das 14h às 18h Mais informações e inscrições pelo site: http:// extensao.up.edu.br ou pelos telefones (41) 3317-3092 e 3317-3201

A indústria moveleira é uma das que mais utilizam os recursos da inovação pelo design


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Especial Literatura

Dante Mendonça resgata história de

Hendryo André

Curitiba

Livro “Curitiba – Melhores defeitos, piores qualidades” trata com humor aspectos da cidade Fernando Castro “Alô? Fernando? Rapaz aqui é o Dante, você não sabe o que me aconteceu, estou preso no meu estúdio, minha mulher saiu com a chave e deve voltar em meia hora, me espera no Distinto?”. Foi assim meu primeiro contato pessoal com Dante Mendonça, autor do livro “Curitiba – Melhores defeitos, piores qualidades”. O diálogo mediado pela voz metalizada que saía do interfone do estúdio do escritor parece peculiar, mas ao longo da obra fica evidente que situações como a relatada são das mais comuns quando o alvo em questão é o cidadão curitibano.

É bem verdade que a certidão de nascimento do autor entrega sua origem: Nova Trento, Santa Catarina. Mesmo assim, Dante explica: “Catarinauta, tenho Cidadania Honorária do Paraná. De Curitiba sou diplomado, com o título comprobatório assinado por minha mulher, jornalista Maí Nascimento”. Tal autoridade, inicialmente conferida por Maí, pode ser comprovada nas 287 páginas do novo livro do “Bardo emérito de Curitiba”, como bem definiu o exprefeito de Curitiba, Jaime Lerner. Sobre o apurado retrato de Curitiba e seus singulares habitantes, Dante revela: “O livro é importante para reunir

muito do que já se vinha falando de Curitiba, mas por outro viés”. A ideia desse apanhado da terra das araucárias tem pelo menos oito anos e, quando concebida, veio com título e capa; ao longo dos anos Dante arquitetou cuidadosamente seu conteúdo. Falando em capa, esta merece menção especial. A foto de Erony Santos mostra um churrasco realizado em comemoração à canalização do Rio Ivo, em 1971. O detalhe que chama a atenção é o local do evento, o buraco da obra, repleto de autoridades locais que não perdem a fleuma diante do inusitado buffet. Alheios à curiosa situação, os transeuntes seguem seu Hendryo André

“ O livro é importante para reunir muito do que já se vinha falando de Curitiba, mas por outro viés” DANTE MENDONÇA caminho pelo centro da cidade. Utilizando bastante o recurso da ironia, Dante passeia por sua Curitiba, a Curitiba de Lerner, a de Dalton Trevisan, a de Ernani Buchmann, René Dotti, entre outras notáveis crias da terra. Durante a obra, são resgatados textos, crônicas e entrevistas destes diversos personagens que compõem e caracterizam, cada um à sua forma, o curitibano e seu habitat.

Tudo se transforma Logo no início da obra, Dante apresenta a polêmica crônica do jornalista Fernando Pessoa. Escrita em 1967, “Curitiba, a Fria” é um marco no que se diz respeito a Curitiba e seus habitantes. “De 1967 em diante, todas as ironias vêm da mesma fonte, nada mais se cria, tudo se copia ou se transforma”. É assim que Dante introduz a crônica, que, nas palavras do mesmo, “colocou Curitiba na frente do espelho”. A crônica cita aspectos chave do cotidiano curitibano como o inverno constante, as chuvas, o sotaque, o tradicionalismo, além, é claro, da frieza. Escrita com o conhecimento empírico de quem viveu pelo menos 10

anos na cidade, a crônica despertou a ira dos viventes da época. Na opinião de Fernando Pessoa, isso reflete como o curitibano é exagerado. É interessante analisar ao longo da obra de Dante o quanto os textos dele e de Fernando Pessoa se assemelham nas temáticas. A grande diferença reside na forma de abordagem. Enquanto Pessoa coloca sua visão de maneira satírica e por vezes ofensiva, Dante explora os fatos de maneira simpática, qualificando os defeitos como os melhores, e as qualidades como as piores. Dessa forma, o efeito dos textos de Dante são bem vistos pelos curitibanos. Em ambos os casos, há justificada identificação, mas o enfoque de Mendonça é mais agradável aos ferozes olhares locais. Na entrevista realizada no bar Ao Distinto Cavalheiro, Dante Mendonça confessou que convidou Fernando Pessoa para o lançamento do livro, porém, como não poderia dedicar 100% de atenção, não insistiu.

As piores qualidades É nesse quesito que o livro “Curitiba – Melhores defeitos,


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Especial Joâo Pedro Schonarth

Curitiba ilustrada por quem entende do assunto Hendryo André

Dante Mendonça explora os fatos bons e ruins, com uma ironia e delicadeza ímpares. O pétit-pavet das calçadas da cidade vira tema recorrente na obra. piores qualidades” atinge seu ponto máximo. Valendo-se do fato da fleuma e do orgulho do curitibano, Dante Mendonça explora os fatos bons e ruins, com uma ironia e delicadeza ímpares. O pétit-pavet das calçadas da cidade vira tema recorrente na obra. Tido como vanguarda em termos arquitetônicos, o autor brinca com a dificuldade de andar sobre o piso em vários momentos da obra, sem nunca desmerecer tão estimado exemplar da história local. A arquitetura, ali-

ás, é um dos quesitos que melhor refletem esse viés da obra de Dante Mendonça. Ele cita em uma das crônicas uma história fictícia hilariante sobre a fundação de Curitiba, na qual o índio Tindiquera, ao chegar na região da praça Tiradentes, marco zero da capital, decretou: “Taki-Keva”. Posteriormente um tradutor tingui teria decifrado o mistério: “Arquiteto faz o resto” era a sentença do cacique. Tudo isso para introduzir as 7 maravilhas da cidade, guia que por si só vale a leitura do livro.

Dante explora os fatos de maneira simpática, qualificando os defeitos como os melhores, e as qualidades como as piores.

O livro de Dante Mendonça traz três ilustrações que ajudam a compreender a intenção do autor. As ilustrações não poderiam deixar de ser um ponto referencial do livro. Cartunista em período sabático, Dante se vale das obras de artistas da estirpe de Poty Lazzarotto, Tiago Recchia e Solda para transmitir sua visão sobre Curitiba. Jaime Lerner definiu o livro como “a passagem do Dante do desenho para a crônica”, mas nem por isso as três ilustrações impressas perdem importância. A charge do prefácio é um desenho de Tiago Recchia que ilustra a indecisão de dois turistas sobre entrar em uma Curitiba representada por um castelo sombrio, rodeado de névoa e morcegos, ou seguir estrada rumo a Florianópolis ou Porto Alegre. Classificada por Dante como “uma obra-prima”, a charge reflete exatamente o tom irônico que o autor usa quando trata da imagem da cidade quando vista sob o olhar forasteiro. Na contracapa, o autor nos brinda com uma ilustração de Poty Lazzarotto. O desenhista curitibano, autor de murais, painéis e ilustrações em vários lugares do Brasil, apresenta nesta ocasião um mapa de suas obras espalhadas pela capital paranaense. Chamada de Potylândia por Dante Mendonça, o complexo esboçado por Lazzarotto chama a atenção pela simplicidade dos traços e pelo humor embutido nas referências e indicações do autor. Dentre as obras citadas, estão as fachadas e painéis do Teatro Guaíra, do Hotel Residência e do aeroporto Afonso Pena. A terceira ilustração também faz referência a Poty. Uma caricatura do bigodudo desenhista curitibano, de autoria do desenhista Solda, ocupa toda a página 95. Uma singela homenagem de Dante àquele que ele mesmo denomina como a oitava maravilha de Curitiba. Essa caricatura vem acompanhada da crônica que, além da história, traz também curiosidades sobre o artista e suas obras. Em um livro cuja espinha dorsal são as referências aos personagens locais, a homenagem prestada por Dante Mendonça encontra plena justificativa.


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Colunas Música

Cultura

Respeitável público:

o circo chegou! Silvia Guedes Rosto branco, olhos pintados, roupa colorida, sapatos enormes e tão coloridos quanto, além do famoso e indispensável nariz vermelho - que ultimamente pode ser encontrado no preto. Você pode ser um também, você pode aprender a encantar uma enorme plateia e no outro dia não ser reconhecido por ninguém sem a sua fantasia. Mas não é somente isso. Você pode se pendurar no trapézio, jogar malabares com uma enorme destreza, subir numa perna-de-pau, se equilibrar com outro alguém e todas as outras habilidades circenses. Ser um artista de circo na cidade das caras amarradas. A Companhia Trip Circo desenvolve aulas para quem tem interesse em aprender, se apresentar ou simplesmente conhecer as atividades de um picadeiro. Periodicamente, apresentações no barracão da Companhia são feitas para um público muito variado. Crianças, jovens, adultos e idosos. Algumas vezes, uns entendem a piada, outros não. Ás vezes, uns entendem a arte, outros não. Mas, mesmo assim, ela encanta os olhos.

Periodicamente, apresentações no barracão da Companhia são feitas para um público muito variado

Para quem pretende se tornar um “Malabarista Palhaço”, profissão reconhecida no Ministério do Trabalho, a Companhia dos Palhaços oferece cursos para se formar um artista e tanto. As apresentações, também periódicas, enchem de sorrisos as caras amarradas dos curitibanos. Para se tornar um artista circense é preciso muito preparo -

mental, físico e até teórico. Para ser um palhaço, há de se encontrar o seu “eu ridículo”. Aquilo que todos querem esconder. Existe coisa melhor do que você mesmo se aceitar? Curitiba, cidade das caras amarradas, é palco de manifestações de artes cômica e circense, embora poucos saibam disso. No próximo mês, por exemplo, acontece a 3ª Edição do Festival Curitibano de Circo. Até quem torce o nariz nas ruas estica o pescoço para ver uma apresentação na XV de Novembro e se encanta ao ver um corpo despencando do alto amarrado a um tecido. Não é espetáculo só para crianças. Todos apreciam apresentações circenses.

A Voz Profana Grasiela Piasson Ontem, ao ouvir uma rádio local, percebi um típico comentário subsequente entre os meios de comunicação de profissionais que se acham “entendidos” no assunto. O locutor, ao fazer a chamada de uma nova cantora, comentou, de forma infeliz, que a tal era apenas mais uma dessas “que estão surgindo aos montes” e que virou febre porque é moda. Na Idade Média, mais conhecida como Idade das Trevas, as mulheres eram proibidas de fazer praticamente tudo, culpadas pelo pecado original - nem tão original assim - que Eva cometeu ao oferecer o fruto proibido a Adão. Mulheres, em alguns momentos da história, foram consideradas a própria encarnação do demônio, temidas pelos monges e queimadas nas fogueiras da Santíssima Inquisição. Nada era permitido, principalmente a liberdade de sentir. Não podiam atuar no teatro e muito menos cantar, já que a liberação da voz feminina era considerada profana. Somente os homens, no caso monges, tinham o privilégio de espantar seus males por meio do canto gregoriano. Atualmente, a situação é diferente neste sentido. Cada vez mais as mulheres estão soltando a voz e o verbo na defesa de seus direitos. São inúmeras cantoras que estão surgindo no mundo da música, desde as regiões polares até as regiões mais quentes do globo. Elas exibem em suas vozes e interpretações diferentes estilos e expressões, sentimentos que jamais imaginávamos. Sim, porque para cada personalidade existe um “feeling” e para cada sentimento há uma forma de expressão vocal, que está relacionado ao timbre, ritmo e quantidade de ar liberada pelos pulmões. O ar é contido e liberado alternadamente, pois é do peito para fora que o sentimento se propaga, respira, vive e se desprende em forma de som. O canto, por sua vez, ecoa da boca para fora no sentido literal, porém com o coração pulverizado e permeado de sentidos. Nós, mulheres, nunca fomos consideradas santas - e não somos de fato -, ao passo que os nobres, os santos, os convictos líderes da história, foram para sempre idealizados e eternizados em molduras doiradas. Quando estes profissionais irão considerar com naturalidade o fato de as mulheres poderem se expressar, cantar, atuar, ou seja lá o que for, sem colocá-las, deliberadamente, num patamar inferior aos dos homens ? Hoje, as mulheres cantam mais e eu respiro aliviada, contudo me pergunto: quando os críticos e comentaristas de rádio cessarão suas colocações tolas a respeito das cantoras, sendo que são incapazes de sentir como elas?


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Esporte

Camila Scheffer Franklin

Projetos

Projeto inaugura local para treinar atletas de basquete Hortência Marcari, Rogério Sampaio e Raí estiveram na cerimônia Carlos Poly

Luiz Fernandes Foi de balançar as estruturas do Ginásio. A inauguração do projeto Centro de Excelência do Basquetebol contagiou o público, que foi ao delírio com a chegada da rainha Hortência Marcari no Ginásio Joval de Paula Souza, Parque Cachoeira. A inauguração do projeto aconteceu na segunda (27). A ex-atleta do basquete brasileiro Hortência, juntamente com Rogério Sampaio, Ouro no Judô nos Jogos Olímpicos de Barcelona, e o tetracampeão Mundial de Futebol e ídolo do São Paulo, Raí, desembarcaram na capital paranaense na manhã de segunda. “É muito bom poder inaugurar mais um Centro de Excelência, agora em Araucária”, disse Hortência. Por volta das 14h, os três, juntamente com o presidente da Federação Paranaense de Basquete, Amarildo Rosa e o

secretário de Esporte e Lazer, Wanderley Haddad, seguiram para Araucária onde foi inaugurado o projeto. Na chegada, muita aglomeração para ver os ídolos brasileiros. “Uma alegria muito grande poder estar participando deste projeto, com muitas praças e muitos atletas, pois é a inclusão social para muitos jovens”, disse o judoca Rogério Sampaio. Com o ginásio completamente lotado, a expectativa ficava em torno dos ídolos. O momento foi único. Na entrada de Hortência, Rogério Sampaio e Raí, todo o público se levantou e ovacionou os atletas. Um dos primeiros a fazer o uso da palavra, o secretário Haddad falou da importância do projeto e agradeceu o prefeito Albanor Zezé Gomes. “As crianças são a razão deste projeto. E agradeço ao prefeito Zezé por abraçar esse projeto e acreditar no esporte”. Já o prefeito disse que proje-

to traz grandes benefícios aos jovens do município. “Chegamos à conclusão de que é muito útil aos jovens de Araucária. Temos que mostrar para nossa juventude que o esporte é importante”, falou Zezé. O presidente da Federação Paranaense de Basquete, Amarildo Rosa, foi além da inclusão social e falou em revelar novos atletas. “Com certeza, de Araucária sairão jogadores e jogadoras para a seleção brasileira até onde Hortência, Rogério e Raí chegaram. O importante é que todos estejam engajados neste projeto”, avaliou Amarildo Rosa. Os atletas entregaram bolas autografadas aos alunos do projeto. Victor Martins Magalhães foi um deles. Com 17 anos, ele já disputa campeonatos pela equipe da Smel. “A presença deles aqui vai motivar muito a gente, como outros que queiram começar a jogar basquete”, disse. Madrinha do projeto, Hortência agradeceu pela bela organização do evento. “Todos estão de parabéns por esse belo evento. Estou muito feliz e espero poder voltar para Araucária”. Araucária terá cinco polos da escolinha da Hortência. As aulas serão oferecidas no Núcleo Esportivo São Francisco de Assis (CSU), no Caic, no Parque Cachoeira, na Escola Municipal Profª Azuréia Belnoski (Jardim Tupi) e na Escola Municipal Irmã Elizabeth Werka. Meninos e meninas de 10 a 17 anos podem participar. Para se inscrever, basta procurar um dos locais de aula.

Audiência pública debate transporte coletivo Pela primeira vez, Urbs promove debate aberto à população sobre o assunto Camila Scheffer Franklin Aconteceu nesta segundafeira (27), no Memorial da Cidade, a Audiência Pública do Transporte Coletivo, que foi convocada no início do mês pelo presidente da URBS, Marcos Isfer. Foram convidados para participar a população em geral e os representantes de entidades governamentais ou não com interesse no tema. Como previsto na lei número 12.597 de janeiro de 2008, a partir da audiência acontecerá a primeira licitação do transporte de Curitiba, criando um regime jurídico para a concessão do serviço para a iniciativa privada. Para Isfer, esse é um momento histórico para o transporte público de Curitiba. “Essa é a maior prova de transparência dentro do sistema de transporte coletivo da cidade”. Ele lembra que o transporte coletivo da cidade é exemplo para o país e para o mundo, e acredita que a licitação proposta por Beto Richa vai fazer com que ele melhore ainda mais em tecnologia, qualidade e custo. Com a audiência, fica determinado que

a empresa que ganhar a licitação tem um prazo de 15 anos para realizar seus serviços. Se obtiver sucesso, pode haver uma prorrogação justificada. Mas os contratos também poderão ser encerrados antes da data definida se acontecerem falhas na prestação do serviço ou no tratamento de usuários. Cléver Almeida, presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), acredita que a participação da população na audiência dará diretrizes para aprimorar o transporte coletivo na capital paranaense. “O número de veículos particulares é crescente, é três vezes maior que o número de pessoas. Isso é grave. Com a melhoria do transporte público e ouvindo a população, podemos melhorar ainda mais seu funcionamento e diminuir o uso de carros.” O edital de licitação será lançado após a audiência, obedecendo à legislação nacional sobre concessões de serviços públicos. As empresas que vencerem a licitação deverão detalhar em seus documentos os direitos dos passageiros em relação à segurança e qualidade dos serviços.


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Ensaio Igrejas

A fé transformada

em arte

Texto e fotos: Gustavo Krelling Igrejas. Algumas, além de locais de fé, são exemplos arquitetônicos que marcam época. Em Colônia, na Alemanha, está a catedral Kölner Dom. A construção da igreja gótica começou no século XIII (1248) e levou mais de 600 anos para ser completada. Quando foi concluída em 1880, era o prédio mais alto do mundo. A catedral é dedicada a São Pedro e a Maria. Um pouco mais ao sul da Alemanha, em Munique, está a Asamkirche. A igreja foi feita no estilo rococó, marcado pela opulência, pela ornamentação exacerbada. A arte do excesso. Saindo da Alemanha, vamos para Itália, Milão. Lá está a Catedral Duomo, mais uma igreja no estilo gótico, que é marcado pela monumentalidade, pelas ogivais, pelos arcos botantes e vitrais.


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