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Curitiba, segunda-feira , 27 de abril de 2009

RIO DIÁ do

Curitiba, segunda-feira, 27 de abril de 2009 - Ano X - Número 474 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

BRASI

L

jornalismo@up.edu.br

Quinta-feira termina prazo para acertar as contas com o leão Até agora somente 46% dos brasileiros mandaram a declaração. A Receita Federal prevê correria nesses últimos dias em que receberá os relatórios das pessoas físicas. Para agilizar o processo, a elaboração do documento foi simplificada. Agora não é mais necessário informar o número da declaração do ano anterior. Mesmo assim, a maioria dos contribuintes prefere procurar a ajuda de um contador. Os preços cobrados para fazer este serviço variam de acordo com o estabelecimento. Pesquisa feita pelo LONA mostra que o contribuinte que pesquisar pode economizar até R$ 70. Como nos outros anos, o formulário pode ser enviado pela internet, em disquete nas agências do Banco do Brasil e em formulário de papel nas agências dos Correios. Quem não entregar a tempo terá que pagar uma multa para regularizar o CPF, além de perder direitos como assumir concurso público ou fazer financiamentos. Página 3

Maioria das empregadas domésticas não tem registro

O retrato do gol visto por quem cuida dele

Lei que rege estes trabalhadores não prevê jornada de trabalho determinada, direito a seguro-desemprego, benefício por acidente de trabalho e nem obrigatoriedade para o depósito do Fundo de Garantia.

Goleiros brasileiros ganham importância no cenário do futebol e agora estão entre os heróis dos campos.

Páginas 4 e 5

Página 7

Divulgação


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Opinião Governo

Ética

Muros sociais

Prouni para quem?

Luiz Felipe Marques

Caroline Mafra Policarpo

Quase qualquer coisa pode ser justificada. Se algo não pode, arranja-se uma desculpa do mesmo jeito. Quem está fazendo isso, até o momento com maestria, é Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro. Ele acaba de pegar um projeto antigo, barrado inúmeras vezes, e tenta transformálo em novo, com base em uma nova justificativa. Trata-se da construção de muros em 13 favelas da cidade, sugestão dada há tempos e que soa preconceituosa e segregacionista também há muito. Pertence à velha e simplista noção de que o problema do Rio são as favelas – inocentando o comum esquecimento e a falta de políticas públicas, que não sobem os morros. A justificativa, no entanto, mudou e realmente se tornou mais inteligente. Talvez até por isso o projeto tenha saído do papel e os muros já começam a ser erguidos. Na explicação da medida, as obras devem ser conduzidas para evitar que a expansão contínua das favelas cause uma maior devastação da mata atlântica. Como foi dito, a justificativa tem uma ótima aparência, pode até parecer correta numa visão superficial. Ainda assim, porém, é frágil. Extremamente frágil. As favelas escolhidas para receberem os muros já provam que há algo de não tão “sustentável” no projeto. Como defende o espanhol El País, os muros serão construídos apenas em comunidades que ficam em áreas nobres da cidade. Já aquelas localizadas também em áreas de mata atlântica, mas distan-

As favelas escolhidas para receberem os muros já provam que há algo de não tão “sustentável” no projeto tes dos condomínios luxuosos, para o governo, podem continuar sem muros. Já os próprios condomínios luxuosos, como lembra o El País, também avançam incontroladamente sobre áreas de natureza a ser protegida. Quanto a isso, o que o governo fluminense falaria? Que os condomínios já possuem muros? Provavelmente, dando mais uma prova de que são muros de contenção social, não ambiental. Entre tantas maneiras de quebrar o argumento do governo de Sérgio Cabral, ainda há quem apoie o projeto, o que é deflagrado em diversas reportagens em jornais brasileiros. O irônico é ver que quase todos dão como base os números do Instituto Pereira Passos, vinculado à prefeitura carioca e que leva o nome de um ex-prefeito do outrora distrito federal, que em sua gestão criou as favelas, ao, numa “limpeza social”, expulsar famílias pobres do centro da cidade. Nas palavras do próprio instituo, suas obras eram em favor de “transformar o Rio de Janeiro numa cidade moderna, condizente com os valores das elites dirigentes da época”. Por mais que sejam diferentes em suas condutas, os passos de hoje têm os mesmos objetivos.

Pesquisas feitas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revelaram fraudes na participação de alguns bolsistas do Prouni, no descumprimento de critérios básicos para poder ter direito ao benefício. Segundo o TCU, cerca de 0,6% dos bolsistas possuem carros e muitos são modelos de luxos. Nas próximas semanas, a Receita Federal fará um estudo nas condições dos beneficiados, para analisar se eles ainda estão dentro dos critérios estabelecidos. O que se conclui das pesquisas é que o governo está pagando Universidade, em alguns casos, para quem não precisa. Dos 380 mil beneficiados, há indícios de ilegalidade em quase 31 mil. O primeiro absurdo é o fato de 1700 bolsistas possuírem carros novos; desse número, 39 alunos do Distrito Federal, da Bahia e de São Paulo possuem

carros de luxos, que custam mais de R$ 90 mil. Além disso, existem outros problemas: 3.561 alunos já têm curso superior - o que é proibido - e 23.100 têm renda superior à permitida para participar do sistema. É triste ver pessoas que são capazes de atitudes como estas. Grande parte da população que não possui condições financeiras vê o Prouni como uma oportunidade para o futuro, uma chance de mudar a vida. Essa cultura corrupta não é apenas dos políticos, como muitos dizem; ela pode ser vista também na sociedade. As pessoas criticam quando é roubado dinheiro público para benefícios próprios, mas a fraude no Prouni é o quê? É dinheiro roubado do mesmo jeito, principalmente da classe baixa. Muitos pensam: “Ah, o governo rouba meu dinheiro, não vai ter problema”, e esquecem que o mais atingido com isso não é o governo, e sim a classe mais

desfavorecida. E, assim, acabam entrando no jogo da corrupção. Nada justifica as atitudes do governo e não podemos tomá-lo como espelho. O caso das fraudes no Prouni é reflexo disso. Essas pessoas que fraudaram o Prouni tiraram o sonho de quem buscava um objetivo na vida, para pensar só em economizar mais o seu dinheiro ou de alguma maneira tentar “recuperar” seu dinheiro. E aqueles que agora já podiam estar cursando uma universidade, como ficam? Será que eles vão ter as mesmas oportunidades? Essa questão deve ser revista e medidas mais drásticas devem ser tomadas. Segundo matéria do site Globo, em alguns casos, se confirmados, muitos alunos vão ter que dar o valor das mensalidades que já tinham sido pagas pelo órgão. Isso é o mínimo perto do dano que eles causaram para a sociedade.

Expediente Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”.

Reitor: Oriovisto Guimarães. Vice-Reitor: José Pio Martins. Pró-Reitor Administrativo: Arno Antônio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande; Pró-Reitora de Extensão: Fani Schiffer Durães; Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa: Luiz Hamilton Berton; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Renato Casagrande; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida e Marcelo Lima; Editores-chefes: Antonio Carlos Senkovski, Camila Scheffer Franklin e Marisa Rodrigues. O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP, Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-30. Fone (41) 3317-3000


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Geral Cultura

Imposto de Renda

Preço da declaração do IR pode variar até 70%

Shakespeare de ontem no mundo de hoje Palestra do “Abril de Shakespeare” aconteceu na Universidade Positivo

Contadores aceitam fazer a declaração até um dia antes do prazo final Talyssa Chagas Lima A poucos dias do prazo final para a entrega da declaração do imposto de renda, 70% dos paranaenses estão em falta com o Leão. O ritmo de trabalho nos escritórios de contabilidade é grande nessa época .Os preços para fazer a declaração variam muito. Nos bairros, nota-se uma diferença grande no preço cobrado pelos escritórios de contabilidade para fazer a declaração do imposto de renda. De acordo com levantamento feito pelo LONA em três bairros de Curitiba, o serviço pode custar quase o dobro do preço em de um lugar para outro. No Bairro São Braz, a declaração pode ser feita por R$ 30, no Centro da cidade o preço é de R$ 50 e no Boqueirão está o preço mais caro, R$100.

Dificuldades A justificativa para tanta diferença é o grau de dificuldade. “O preço para fazer depende da complexidade da declaração. Para a declaração simplificada o preço é de R$ 50”, afirma João Carlos Nascimento, responsável pelo departamento pessoal de um escritório de contabilidade. Mas não são todos que dei-

xam para fazer a declaração perto do prazo final. A contribuinte Roseana Almeida afirma que já concluiu tudo há duas semanas. “A minha declaração era a simplificada, então já declarei tudo o que tinha para declarar, não gosto de deixar nada para a última hora”. A contadora Alessandra Bom explica o que significa uma declaração simples. “Esta declaração é quando não tem nenhum empecilho, quando tem informe de rendimento, cinco ou seis bens declarados, quando tem toda a documentação.” Estar em dia com o Leão dá trabalho não só para os contribuintes, mas também para quem é responsável pela “confecção” da declaração. Os escritórios de contabilidade estão contratando muitos funcionários e horas-extras são necessárias para conseguir terminar o trabalho.“ Contrataremos pelo menos mais dois contadores; o movimento é tão grande que os funcionários estão fazendo horaextra desde já”, relata Nascimento. Alguns escritórios de contabilidade garantem que fazem a declaração até cinco dias antes do prazo final, outros

Silvia Guedes

afirmam que podem tentar fazer a declaração em cima da hora. “Aceitamos fazer a declaração até o dia 29 de abril”, salienta Nascimento. Já outros não prometem terminar o trabalho. “Fazemos até mais perto do último dia, mas não prometemos entregar porque o site da Receita Federal fica muito congestionado”, aponta Carlos Gomes, que trabalha no departamento pessoal de um escritório de contabilidade.

Menos da metade O delegado da Receita Federal, Vergílio Consetta, relata que o movimento de entrega do imposto de renda está equivalente ao do ano passado e que menos da metade dos contribuintes já declararam o Imposto de Renda. “Até agora 30% das pessoas já declararam. No Paraná, aproximadamente 493.498 contribuintes já fizeram a sua declaração”, aponta o delegado. Segundo a Receita Federal, aqui no Paraná, o número estimado de pessoas para fazer a declaração é de 1.650.000.

Shakespeare está por todo lado. Cinema, música, fotos, pinturas, novelas e até em propaganda de goiabada. Mônica e Cebolinha, personagens do cartunista Maurício de Souza, já se vestiram de Romeu e Julieta para esse comercial. Mas não é só nas artes que Shakespeare está presente. Aimara da Cunha Resende, presidente do Centro de Estudos Shakespeareanos (CESh), cita na sua palestra para o “Abril de Shakespeare”, uma frase que ainda se encaixa perfeitamente nos dias de hoje: “Seja meiga e bonita, donzela. Mas deixe que os outros sejam inteligentes.” O machismo e a diferença entre homens e mulheres na sociedade atual já era retratado antigamente nas peças de teatro. Para Aimara, o autor é um vírus. Quem conhece sua obra quer se aprofundar ou pelo menos entender. A tradução das obras escritas por Shakespeare afasta o público daquilo que ele realmente significa. O endeusamento do autor se deve ao marketing que ele teve na Inglaterra. Motivo esse que contribui para o afastamento do povo em relação ao autor. “Ele mostra a realidade, o ser humano, faz a gente pensar. Para que Freud, se existiu

Shakespeare?”, diz Aimara, confessando que essa é sua frase preferida. O “shake-scene”, como foi chamado na época, era antes de tudo um grande empresário. Começou de baixo e morreu rico, como um nobre inglês. “Se Shakespeare estivesse vivo até hoje talvez ele tivesse uma ‘Rede Globo de Teatro’”, diz Aimara. A palestra na Universidade Positivo, o título “Shakespeare ontem e hoje”, realizada na quinta-feira à noite, abordou temas da história da arte e mostrou como foi a evolução de Shakespeare na sociedade mundial. O contraste entre o ontem e o hoje se faz presente na influência que o autor tem nas artes modernas. O problema disso tudo é que ele não é citado. “Nas novelas aparece uma história próxima de Romeu e Julieta, mas alguém sabe que isso é Shakespeare?”, analisa Aimara. E por que continua fazendo parte do cotidiano artístico até hoje? Porque o autor aborda todos os lados do ser humano. O “Abril de Shakespeare” foi promovido de 22 a 24 de abril. Contou com o apoio da Universidade Federal do Paraná, da Uniandrade, da Universidade Positivo, do Solar do Rosário, da Cultura Inglesa e do Centro de Estudos Shakespeareanos.


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Especial Direitos do trabalhador

Empregada doméstica sofre com informalidade No Brasil, a cada 100 trabalhadoras dessa área, apenas 27 têm carteira assinada Gabrielle Souza Em dia de semana, ela se levanta às seis da manhã, pega quatro ônibus até chegar ao trabalho e outros quatro para voltar. Por dia, fica três horas dentro do ônibus, passa sete horas do seu dia dentro de um apartamento desempenhando serviços que muitas pessoas não gostam de fazer. Passar, lavar, arrumar as camas e tirar pó, ela faz “de olhos fechados”. Com a aparência tranquila, não aparenta ter 51 anos, 23 deles dedicados a uma única profissão. Rute Santana é empregada doméstica e, junto com seu marido, educou quatro filhos. Agora o companheiro está desempregado e é ela que há cinco anos sustenta a casa. Rute é uma empregada doméstica entre as mais de seis milhões de mulheres que de-

sempenham essa função no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2003, o trabalho doméstico era a segunda maior categoria ocupacional das mulheres, sendo que 41,6% eram empregadas; 18,6%, trabalhadoras domésticas; 17,5%, trabalhavam por conta própria; 10,1%, não remuneradas; 9,5%, militares e estatutárias e 2,7%, empregadoras. Quanto aos homens, no mesmo ano, apenas 0,9% dos homens eram trabalhadores domésticos. Empregado doméstico é aquele que presta serviço contínuo, não eventual, não esporádico e que visa atender as necessidades diárias da residência ou de uma pessoa. Na categoria, enquadram-se, além dos domésticos, os motoristas particulares, vigias, caseiros, damas de companhia, babás, governantes,

jardineiros e faxineiros. Além de desempenharem serviços essenciais dentro de uma casa, os domésticos muitas vezes são símbolo de fidelidade. Eles têm a chave da casa, sabem onde estão a maioria das coisas, desde documentos até roupas. “É uma profissão muito importante, porque a maioria da classe média precisa do nosso trabalho, mas mesmo assim devíamos ser mais reconhecidas”, afirma Rute.

Formalidade X informalidade Rute começou a trabalhar como empregada doméstica em 1985. Durante cinco anos trabalhou na informalidade, e só em 1990 veio o seu primeiro registro em carteira. Em todas as residências que trabalhou teve uma permanência que variou de um ano e meio a dez anos

(emprego em que está hoje). Faltando cerca de sete anos para se aposentar por idade, Rute confessa que não tem pretensão de sair do emprego ou deixar da profissão. A categoria só veio a ter sua profissão reconhecida em 1972, através da lei do empregado doméstico (Lei 5859/72). Na época, havia pouquíssimos direitos trabalhistas, que só foram ampliados em 1988, com a Constituição Federal. A advogada da área trabalhista Kelli Artigas de Oliveira explica que alguns direitos dos empregados domésticos são diferentes dos demais trabalhadores. “Eles não possuem jornada de trabalho determinada, não têm direito a seguro-desemprego, benefício por acidente de trabalho e o depósito do FGTS é facultativo”, comenta. Mas por lei as férias passaram a ser de 30 dias, existe a garantia de estabilidade no emprego até o quinto mês após o parto, direito a 13º salário, descanso semanal remunerado, férias, licença-paternidade de cinco dias corridos, licença-maternidade de 120 dias, avisoprévio e aposentadoria.

Impressões A empregada considera o salário da categoria conveniente, mas acha os direitos um tanto quanto falhos. Apesar do gosto que tem pelo que faz, Rute comenta que a profissão é cansativa. “Todo dia é a mesma coisa para se fazer, às vezes tenho vontade de voltar embora no meio do caminho”, declara. O recifense José Olimpio, de 48 anos, faz parte do outro lado da situação. Ele trabalha em um

hotel de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), há cinco anos, sem carteira assinada. Lá desempenha as funções de camareiro, jardineiro, recepcionista, cozinheiro e de limpeza, um “multiuso”, como ele mesmo define. A carga horária é das 10h30 às 20h. Num espaço de cerca de 7000 m2 de área, Olimpio tem muita coisa para fazer, e por isso precisa de um “motorzinho” ligado em seu corpo. Lembra que um hóspede ao vê-lo trabalhando fica impressionado, porque teoricamente e numa visão até machista seriam tarefas desenvolvidas por mulheres. Para ele, o reconhecimento não vem do patrão, mas a recompensa está na própria profissão. “O carinho do cliente não tem dinheiro que pague. É muito prazeroso saber que você está sendo útil para os outros”, conta. A interação é tão grande entre Olimpio e as patroas, que as considera uma família e o hotel a sua casa, apesar de lá não morar. “Virei o mascote do hotel, elas acordam gritando o meu nome”, afirma. A médio prazo, Olimpio pretende mudar de profissão: quer montar uma fábrica de doces e salgados.

Associações e sindicatos Em Curitiba, existem ao menos duas organizações que tratam apenas de assuntos ligados aos domésticos. As organizações auxiliam e orientam os empregados na hora do contrato, da rescisão e de tirar dúvidas. A maior bandeira das organizações que defendem a classe é a luta pela carteira assinada.


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Especial Direitos do trabalhador Fotos: Gabrielle Souza

Pastoral da Criança oferece curso de formação de domésticas Gabrielle Souza

Olimpio trabalha com afazeres domésticos há cinco anos em um hotel sem carteira assinada A Associação de apoio às empregadas domésticas de Santa Zita, localizada no bairro Uberaba, próximo a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, existe desde 7 de setembro de 1944. Com fins assistencialistas, a instituição ajuda as domésticas não só na parte burocrática, mas também oferecendo cursos de especialização, como culinária, etiqueta e arrumação de casa. Para angariar dinheiro, a Associação realiza bingos, faz bazar de roupas usadas, promoções e tarde do chá.

A atual presidente e co-fundadora da Associação, Eulália Ventura, tem 82 anos, dos quais 46 como empregada doméstica, em uma única casa. Eulália tem muito orgulho da profissão e conta que a sua juventude está na associação. Apesar de Eulália achar que atualmente a profissão está bem regulamentada, algumas até ganhando bem, dependendo da competência, ela comenta que a situação da informalidade é muito acentuada em todo o Paraná, principalmente no interior.

O Sindicato dos Empregados Domésticos fica localizado na XV de Novembro e tem como principal função a assistência jurídica, como cálculos de rescisões. Os domésticos procuram muito o Sindicato para ter esclarecimentos de situações irregulares, como falta de pagamento e diferença salarial. Há alguns anos, Rute procurou o Sindicato para pedir informações sobre o valor correto da rescisão. “Os meus antigos patrões queriam me pagar menos do que eu tinha direito por lei”, lembra.

“Quartinho de empregada” Segundo a arquiteta Daniela Maistrovicz, nos últimos anos, as pessoas não têm mais solicitado dependência de empregada nos projetos de residências urbanas, padrão médio-alto. “Acredito que por serem tempos mais fáceis. Hoje em dia existem sistemas de transportes eficazes, podendo assim as funcionárias voltarem para suas casas todos os dias”, comenta a arquiteta. Devido à tecnologia de materiais de acabamento usados na construção que são de fácil manutenção e dos aparelhos que facilitam o trabalho, o serviço doméstico está mais fácil. “Percebo que as pessoas estão optando por diaristas em vez de mensalistas”. Já em casas de alto padrão ainda se fazem dependências de empregada, mas existe uma consciência maior do que antigamente, tanto por parte dos proprietários como dos profissionais, e normalmente são projetados cômodos confortáveis. Ás vezes com mais de um quarto e banheiro, sendo que o quarto não é menor do que 6,50 m2. Divulgação

Desde 2001, a Pastoral da Criança oferece em Curitiba um curso de formação em serviços domésticos e gerais. O projeto-piloto deu certo, e agora está também em Belo Horizonte, Brasília, Recife e São Paulo. A coordenadora em Curitiba, Maria da Graça Dias Umada, explica que para participar do programa é preciso ser mãe, ou líder, ou avó que participe ou tenha participado de ações na comunidade em que mora. O curso é ofertado toda vez que acontece o dia de Celebração da Vida. Apesar de a Pastoral ser filiada à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mulheres de todas as religiões podem participar. O curso é gratuito, mas não auto-sustentável’; ele é mantido com a ajuda da Pastoral. Além disso, após capacitada, cada profissional precisa fazer a devolução das despesas durante 10 meses. São 12 dias úteis de curso, das 8 às 17 horas, totalizando 96 horas de aulas, onde as alunas aprendem na prática como limpar a casa, organizar o guardaroupa, arrumar uma mesa mais sofisticada e o modo correto de lavar uma roupa. Maria da Graça diz que o curso visa sempre à economia para os patrões. O espaço em que acontece o curso na Pastoral era o antigo refeitório do Lar das Meninas. Nele foi construída uma espécie de casa, onde tem quarto, sala de dois ambientes, lavanderia, banheiro, cozinha e sala de aula, tudo para aliar com sucesso teoria e prática. Dispõem também de alguns equipamentos como microondas, máquina de lavar e de secar para que as futuras empre-

gadas domésticas saibam como usá-los. Os alunos também têm aulas teóricas com advogado, dentista, nutricionista e capacitadoras. Em culinária, são ensinados pratos triviais bem elaborados, como comida árabe, frango cremoso, bife a parmegiana, rocambole de carne, bolos, doces e sobremesas. A Pastoral trabalha com os pilares da honestidade, responsabilidade, higiene, auto-estima, ética e relações humanas. Dia 2 de março, foi iniciada a 90° turma do curso, que tem 12 mulheres, todas com idade acima de 18 anos. Nos sete anos de curso, cerca de 686 mulheres já se formaram e 70% delas está empregada, todas com carteira assinada, o maior objetivo da Pastoral. Um diferencial do curso é que grande parte delas saem automaticamente trabalhando, pois no 10° dia de aula fazem estágio de um dia na casa de uma pessoa. Maria da Graça ressalta que a procura é maior que a oferta. Os interessados precisam ir até a Pastoral e solicitar o serviço de uma aluna. “O projeto de geração de renda já melhorou o nível social de muitas mulheres”, afirma Maria da Graça. Maria Santa da Silva, moradora de Pinhais, já trabalhou como doméstica, mas resolveu fazer o curso da Pastoral para ter mais referência e garantia de carteira assinada. “Estou aprendendo cada vez mais, coisas que eu não conhecia, estou vendo aqui. Dias atrás aprendi a fazer panqueca no curso e resolvi fazer em casa, todos adoraram”, revela. Ana Carolina Soares de Almeida é outra aluna, mas que está em busca do seu primeiro emprego aos 19 anos. O que mais gosta no curso são as aulas de culinária, especialmente as dicas de reaproveitamento de alimentos.


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Colunas Educação

Jovem

Subjetividade etimológica Hendryo André Voltava Ptolomeu da melhor lição que um sofista podia lhe oferecer, exaurido e orgulhoso do conhecimento volátil aprendido (ou apreendido, visto que já sonhara em esquecer tudo aquilo logo após a conquista do fogo), quando encontrou, em meio àquela caminhada no centro da democrática, igualitária e fraterna Atenas mais-que-moderna, um cidadão cuja alcunha carregava consigo o progresso. Os habitantes dos Balcãs mal puderam perceber tal ação, diluída em meio à homogeneidade daquela ópera (importada de uma península banhada por outros mares, digase de passagem) composta por um cenário acinzentado, com tenores que circulavam por aquelas avenidas enquanto escutavam a si mesmos – na particularidade de fones de ouvidos que ditavam um só ritmo – e protegiam as retinas com escuras cortinas emperradas. Fitavam-se naquele instante como se já se conhecessem há um bom tempo. Estavam próximos a um vestíbulo que dava acesso a uma estrutura menor apenas que Cronos e, diluídos na penumbra daquele edifício, não trocaram uma só palavra nos dois minutos seguintes. Ptolomeu procurou observar durante o rápido momento aspectos positivos naquele senhor vestido com roupas pretas e óculos escuros, barbas brancas e pele clara, ar imponente e respeito invisível. “Digo a você, caro jovem, como se falasse a meu primo-

gênito”, interveio o homem ao quebrar o flerte e terceirizar o sentimento familiar, “para vencer na vida como eu, é obrigação entender a subjetividade etimológica do cotidiano”. Ptolomeu apenas não riu – e tem-se vontade de gargalhar, certas vezes, ao se deparar com cidadãos moralistas e gananciosos – porque ficou anestesiado com o excerto “vencer na vida como eu”. Por isso, limitou-se a sorrir (afinal, há diferença entre rir e sorrir). “Prometa”, continuou o senhor ao mesmo tempo em que coçava a barba e ajeitava a gravata, “que um dia você será um integrante da sombra que hoje nos impede de vermos o crepúsculo”. Enquanto falava o senhor, o jovem vislumbrava o edifício que projetava uma sombra dez vezes maior – talvez quinze – que o tamanho real da obra arquitetônica: “Posso ser dessa altura, talvez maior”, concluiu consigo quando o movimento transversal do pescoço alcançou o topo do prédio, ao mesmo tempo em que os olhos brilharam e o sorriso traçava-lhe um ar de alento, mal percebera naquele instante de êxtase a presença de um abutre no ápice. Naquele início de noite, Ptolomeu reviu os ensinamentos dos sofistas com gana e rememorou a conversa com o desconhecido que o tratara pelo nome. “Vencer na vida como eu” não lhe saía da cabeça e o “prometa” o instigava a ponto de o estudante trocar o ócio por apostilas, na busca incessante de respostas à prova de fogo.

Todos os dias, o garoto passava em frente ao imponente monumento e, em busca de conselhos, procurava em vão pelo ancião. Havia no fundo uma corrente de pensamento que o fazia crer em um imediato reconhecimento do cidadão que o ensinara os meandros do progresso. Mas, o fato é que o moralista não mais reapareceu nas proximidades do vestíbulo. Houve um dia, entretanto, que Ptolomeu percebeu um movimento estranho em uma das janelas do prédio. Atinou-se que era a pessoa com a qual passara a partilhar princípios e, por isso, observou-o por alguns instantes – era ainda o ancião um mero rastaquera, segundo seu próprio discurso. Não foi difícil interpretar – e a onisciência narrativa permite isso – que aquela figura patriarcal da qual Ptolomeu mal sabia o nome admirava consigo o poder de suas próprias retinas, as quais não se dilatavam ao desafiarem a luz solar já rubra. Nesse momento, Ptolomeu percebera que teria de ir além: era preciso ver a luz e sentir o calor do astro de outro ângulo. “Poderia tornar-me dono do astro”, concluiu em um pensamento que germinou uma espécie de desejo intenso de ganância, iminente à loucura, que o instigava a roubar a luz do sol para projetar as sombras como bem quisesse. O vestíbulo era apenas a porta de entrada para a objetividade sintática e, quanto mais alto Ptolomeu chegar, mais próximo ao abutre faminto estará. O vestíbulo é apenas a porta de entrada para o edifício comercial.

Amor que passa de pai para filho Aline Reis Quem nunca ouviu a expressão “filho de peixe, peixinho é”? E de fato, os “peixões” têm papel decisivo na vida de seus filhos, mas calma, não estamos falando de profissão, nem de namorados ou coisa parecida.O assunto em questão é a música. Num papo descontraído com a galera da banda Jardine, descobri que a paixão pela música é algo que está no sangue. E isso acontece mesmo quando o filho não sabe do “passado” do pai. “Meu pai teve banda, e eu fiquei sabendo disso só há pouco tempo, mas eu comecei a tocar teclado por incentivo dele aos oito anos de idade”, explica o baixista Paulo Vinicius, de 25 anos. O guitarrista do Jardine, Pedro Johns, 25 anos, relata que suas preferências musicais mudaram na medida em que ele crescia, mas a boa música sempre prevalece, segundo ele. “As influências mais fortes que eu lembro são Beatles, Bob Dylan e Chico Buarque, isso mostra que lá em casa tínhamos o gosto apurado para música”. O sertanejo é sem dúvida um dos gêneros mais ouvidos, mas se engana quem pensa que é o mais amado. “Lá em

casa meu pai e minha mãe ouviam bastante sertanejo, caipira... Zezé Di Camargo & Luciano, Tonico & Tinoco, nessa linha”, exemplifica o baterista da Jardine, Maicon Del Santa, de 26 anos. Contudo, Maicon diz que a sua maior influência veio por parte do irmão, que ouvia rock nacional e MPB. A vocalista da Banda, Flávia Rocha, de 25 anos, também ouviu muita música sertaneja na infância, mas hoje ela prefere – a exemplo de seus companheiros de banda – a MPB e o rock. “Minha família é do interior, eu sou uma pessoa de origens caipiras e meus pais sempre ouviram músicas sertanejas. Mas meu irmão (sempre o irmão mais velho!) começou a tocar cedo e ele ouvia heavy metal, todas as vertentes possíveis do metal e do rock. Mas minhas preferências mesmo são MPB, rock, e claro alguns vocais femininos; Cássia Eller, Ivete Sangalo, Elis Regina”, explica a cantora. O fato é que a influência que os pais exercem sobre o gosto pela música dos pimpolhos é enorme, eles podem não seguir os mesmos gêneros, mas, em geral sempre gostam de música. É o caso de Zizi e Luiza Possi, Martinho da Vila e Martinália, Zezé e Wanessa Camargo, Jair Rodrigues, Jairzinho e Luciana Mello.


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Esporte Dia do goleiro

A vez do goleiro Herói ou vilão, os arqueiros recebem a devida homenagem no dia 26 de abril

Fernando de Castro “Eu vou lhe avisar, goleiro não pode falhar. Não pode ficar com fome na hora de jogar. Senão é um frango aqui, um frango ali, um frango acolá”. A música “Eu vou lhe avisar”, de Jorge Ben Jor, dá o recado para os goleiros. E eles sabem disso. O goleiro é de longe o mais controverso personagem de uma partida de futebol. É o único atleta que, de herói, pode passar a vilão em questão de segundos. Nada mais justo que ontem, 26 de abril, foram prestadas sinceras homenagens aos guerreiros da meta. “É importante ter esse dia. O goleiro é sempre tão sacrificado durante os jogos e esse dia é, para nós, como se fosse um aniversário”, quem corrobora é o goleiro Galatto, de 26 anos, titular do Clube Atlético Paranaense. Rodrigo José Galatto é o retrato perfeito das glórias e agruras

da profissão. Revelado pelo Grêmio e herói da torcida do Atlético, o atleta já passou por diversos momentos marcantes em sua carreira. Foi herói do Grêmio em 2005 na chamada Batalha do Aflitos, onde o Grêmio conquistou o acesso à primeira divisão do campeonato brasileiro, mas algum tempo depois perdeu sua condição de titular. Chegou ao Atlético em 2008, e após alguns meses na reserva, entrou para não sair mais do time. “Eu já tive vários momentos importantes na minha carreira. Com 26 anos já passei por emoções, adquiri experiências e também já passei por dificuldades, mas consegui dar a volta por cima. Quando você é campeão e consegue o título não tem como esquecer”, relembra o arqueiro. É curioso analisar como o processo de descoberta do goleiro se transforma do acaso para a paixão. Sílvio Toaldo Junior, de 33 anos, é goleiro amador e retra-

ta exatamente este caminho: “É aquela velha história: ou você faz gol e vira um grande artilheiro ou vira goleiro; no meu caso, não tive muitas opções. Como eu nunca fui muito habilidoso com a bola nos pés, a vaga que sobrava para mim era no gol, abracei e estou até hoje”. Galatto compartilha da experiência de Sílvio: “Como toda criança quando começa a jogar futebol, queria fazer gol e comecei como atacante. Vi que não era a minha e aos poucos fui recuando até chegar ao gol. Foi com 13 anos. Uma vez faltou um goleiro e acabei ficando no gol. Fiz umas defesas boas e gostei da ideia. Quando vi que tinha dom acabei me tornando um goleiro”. Seja amador, profissional, ou de fim-de-semana, é fundamental para o sucesso do goleiro a responsabilidade que recai sobre ele. Esta responsabilidade é sempre maior do que a dos outros atletas.

Fora dos gramados Quando questionados sobre os primeiros cinco goleiros que vêm à cabeça, dez entre dez entrevistados citaram apenas goleiros de futebol. Possivelmente reflexo de vivermos no país do futebol, goleiros de modalidades como Handebol, Hóquei ou Pólo Aquático não foram citados. Para Murilo Vali, 20, goleiro de handebol, é muito difícil conseguir o mesmo espaço que um goleiro de futebol possui, principalmente no Brasil. “Sinto-me um pouco esquecido e um pouco triste com a atenção demasiada dada exclusivamente a um único esporte, isso tira o incentivo para o desenvolvimento de outras modalidades e de outras atividades culturais”, confessou Murilo. O descontentamento do goleiro é decorrente da falta de conhecimento do brasileiro em relação a outros esportes. Lincoln Rocha, 30 anos, quando questionado sobre a razão de ter citado apenas goleiros de futebol, demonstra esse comportamento: “E qual outro esporte tem goleiro?”. Apesar da falta de incentivo, Murilo prefere acreditar que os goleiros de outras modalidades terão seu espaço reconhecido com o tempo, do que mudar de esporte, mesmo acreditando que poderia ter um bom desempenho. “No handebol os arremessos são realizados a no máximo nove metros de distância, sendo menor quando há uma projeção do jogador para o interior da área de 6 metros. Isso gera uma velocidade muito alta e uma facilidade de retificação muito grande, sendo requeridos grande velocidade de reação do goleiro e ótimos reflexos”, concluindo que o goleiro de handebol pode apresentar maior facilidade para outros esportes.

“Um atacante, um médio e mesmo um zagueiro podem falhar. Só o arqueiro tem de ser infalível”, dizia Nelson Rodrigues.

O preparador de goleiros O goleiro pode “frangar” ou ter uma ótima atuação; o ônus ou as glórias sempre recairão sobre ele. O que a maioria das pessoas parece não saber é que por trás do desempenho que vemos durante os 90 minutos de jogo, existe um trabalho crucial feito pelo preparador de goleiros. Quem assiste aos jogos do goleiro Galatto, pouquíssimas vezes relaciona o que vê com o trabalho de seu preparador de goleiros, Wanderley Filho. Wanderley, que assumiu recentemente o posto de treinador de goleiros do Clube Atlético Paranaense, admite que o trabalho não é reconhecido como deveria. “Nos sentimos um pouco indignados, porque quando o goleiro vai bem a maioria das pessoas não reconhece que tem um trabalho por trás disso. Mas quando o goleiro vai mal, as pessoas chegam e, além da cobrança, falam - o seu goleiro foi mal - e não que é o goleiro da equipe que foi mal”. Se externamente nem tudo vai como Wanderley gostaria, o maior beneficiado de seu traba-

lho, Galatto, não tem dúvidas sobre a importância do trabalho do treinador de goleiros. “O treinamento específico é tudo para o goleiro. É onde você se qualifica e aperfeiçoa as técnicas. Para o jogador de linha, o condicionamento é importante, para nós este treino específico para o goleiro é muito importante”, afirma o arqueiro.

Da meta ao ataque A paixão pelo ofício nem sempre é suficiente para manter um goleiro em atividade. Wagner Ribas, 27, encerrou sua carreira como goleiro amador, justamente para jogar na posição em que se encontram os maiores algozes dos arqueiros, o ataque. Ele afirma que a mudança nada teve a ver com as críticas comuns da profissão. “Fiz essa opção pura e simplesmente por querer correr mais, jogar e ter a chance de decidir um jogo fazendo gols”, afirmou. A motivação de Wagner comprova a frase de Yustrich, ex-técnico da seleção brasileira: “Goleiro não ganha jogo, só perde”. Verdade ou não, casos como o de Wagner apenas contribuem para o enorme folclore que existe em torno dos goleiros.


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Ensaio Bombeiros de Curitiba

Profissão de risco risco Texto: Paula Y. S. Werner Fotos: Gustavo Alberge “Por uma vida todo sacrifício é dever”. Esse é o lema do Corpo de Bombeiros do Paraná. Uma profissão tão arriscada que exige muita dedicação. Não é à toa que os bombeiros são considerados verdadeiros anjos da guarda. Somente neste ano, no estado do Paraná, 37.510 ocorrências foram atendidas – uma média de aproximadamente 357 por dia. As fotos desta página registram um incêndio ocorrido no dia 4 deste mês em uma casa abandonada, próxima ao cruzamento entre a rua Ubaldino do Amaral e a Avenida Sete de Setembro, na região central de Curitiba. O Corpo de Bombeiros chegou rapidamente ao local e controlou as chamas em cerca de 15 minutos. A casa, que costuma abrigar moradores de rua, felizmente estava desocupada no momento do incêndio.

Curitiba, segunda-feira, 27 de abril de 2009


LONA 474- 27/04/2009