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RIO DIÁ do

Curitiba, segunda-feira, 18 de maio de 2009 - Ano XI - Número 487 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Entidades de todo o país promovem hoje mobilização contra exploração sexual infantil Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Para marcar a data, diversas entidades de todo o Brasil promovem manifestações, discussões e seminários sobre o tema. Em Curitiba, a data é marcada pela promoção do Seminário Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes - Protegendo as Crianças e Adolescentes do Abuso e Pornografia na Internet. As discussões começam às 8h30, no Salão de Atos do Parque Barigui, e vão até às 17h30. Na Boca Maldita, no Centro de Curitiba, será realizada também uma manifestação contra a violência sexual infanto-juvenil, a partir das 13 horas. Página 3

Ensaio mostra santuário de leões na África

L BRASI

jornalismo@up.edu.br

Exercício ajuda combater insônia, aponta estudo da Unifesp Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo mostra que a prática de exercício aeróbico intenso pode reduzir a ansiedade e melhorar a qualidade do sono de pessoas que sofrem de insônia. O trabalho analisou 36 voluntários durante nove anos.

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Coluna descreve relação entre o trânsito e as

crianças

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Estado combate hanseníase

Rômulo Porthos

O Paraná é o estado sulista com maior número de casos de hanseníase. Em 2008, foram registrados 11,6 pacientes para cada 100 mil habitantes. A principal causa é a falta de saneamento básico, higiene pessoal e informação. Para combater o problema, o Estado vai investir cada vez mais em cursos de capacitação e oficinas em que são discutidas alternativas e medidas para controlar a doença com os profissionais das regionais de saúde.

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Opinião Mídia

A gripe da imprensa Willian Bressan De tempos em tempos um novo vírus desafia a comunidade científica. Não foi diferente com o surgimento do H1N1 (Gripe A, ex-Suína). Registrada pela primeira vez no México, a então gripe suína foi logo alçada à posição de uma nova pandemia, que viria para dizimar a população mundial, e lembrar os horrores da peste bubônica e da gripe espanhola. Divulgada com grande estardalhaço pela mídia mundial, o assunto logo virou o batepapo de milhões de pessoas preocupadas com a tal doença. Em Curitiba, para se ter uma ideia, faltaram máscaras cirúrgicas nas farmácias na se-

mana em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) elevou o nível de pandemia de quatro para cinco. Testes recentes mostram que o novo vírus é mais fraco do que o da gripe comum e que as mortes que ocorreram no mundo na verdade foram resultado de problemas respiratórios aliados aos efeitos comuns de um intruso num sistema imunológico já deficiente. Mas faltou avisar isso aos meios de comunicação. Assim que surgiu, o H1N1 logo ganhou os holofotes da fama e estampou as principais manchetes de jornais e telejornais de todo o mundo com uma única certeza: era certo que a população mundial seria dizimada e num futuro bem pró-

ximo. Isso foi o suficiente para causar pânico e fazer com que escolas fossem fechadas e pessoas desistissem de viagens programadas para lugares como Canadá e México. É preciso haver um cuidado na divulgação de assuntos como este, que mexem com a

saúde da população. Ninguém pode prever o futuro e pedir para não haver pânico após tudo o que foi dito só pode ser uma brincadeira de mau gosto. Não chegou ao ponto de as pessoas saírem desesperadas às ruas como em 1938, quando Orson Welles

(famoso por “Cidadão Kane”) fez uma leitura dramática e muito convincente de “A Guerra dos Mundos” em cadeia nacional. Mas foi quase. Portanto, precisa-se rever o jeito como as notícias são dadas. Informar, sim. Sensacionalizar, não.

Divulgação

Embarque e desembarque Suellen Ferreira Hoje em dia, Curitiba tem um transporte coletivo que é considerado referência nacional e até mesmo para outros países. Cada vez mais, temos ônibus que poluem menos, adequando-se às leis de proteção ao meio ambiente. Ônibus como o expresso biarticulado, que tem capacidade para transportar um grande número de passageiros, traz um sistema moderno, equipadoo com painéis eletrônicos que avisam o nome da próxima estação de parada, além de gravação, facilitando a vida de quem precisa descer. Mas nem tudo são flores. Os passageiros que precisam desembarcar têm sérias dificuldades, principalmente pelo excesso de pessoas que encontram pela frente. Quando estão quase conseguindo, esbarram com os passageiros que querem embarcar, travando uma batalha horrível. Algumas medidas foram adotadas para tentar amenizar esse problema, como dei-

xar apenas uma das cinco portas para embarque e duas para desembarque. Isso funcionaria caso se não houvesse tantas pessoas dentro do ônibus, e principalmente, próximas à porta de embarque. Uma segunda medida adotada foi a de retirar as barras superiores utilizadas para as pessoas se segurarem, localizadas próximas às portas de embarque, diminuindo o fluxo de pessoas naquele local e facilitando o embarque. Não surtiu o efeito desejado, pois os passageiros passaram a se agarrar onde podem, e quando não conseguem, ficam vulneráveis a acidentes. Talvez um dia encontrem a medida certa. Isso só vai acontecer quando os responsáveis, sejam eles governantes ou estudiosos do assunto, sintam na pele o mesmo que os passageiros. Seria necessário que deixassem seus carros na garagem por um dia e andassem de ônibus. Talvez fosse criada uma medida no ponto certo.

Expediente Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”.

Reitor: Oriovisto Guimarães. Vice-Reitor: José Pio Martins. Pró-Reitor Administrativo: Arno Antônio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande; Pró-Reitora de Extensão: Fani Schiffer Durães; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Renato Casagrande; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida e Marcelo Lima; Editores-chefes: Antonio Carlos Senkovski, Camila Scheffer Franklin e Marisa Rodrigues.

O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP, Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-30. Fone (41) 3317-3000


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Geral Infância

Cultura

Seminário promove debate sobre exploração e abuso sexual infantil Aline Reis Em 18 de maio de 1973, a cidade de Vitória, no Estado do Espírito Santo, ficou chocada. A menina Araceli Cabrero Crespo, de oito anos, foi encontrada carbonizada. Araceli, antes de ser morta, foi raptada, estuprada e drogada por alguns rapazes de classe média da capital capixaba. Apesar da barbárie, os acusados ficaram impunes. Vinte e sete anos depois, em 18 de maio de 2000, a Lei Federal nº 9970/00 instituía a data como o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, considera-se criança a pessoa que tem até 12 anos de idade e adolescente aquele que tem de 12 a 18 anos. Quem abusa ou explora uma criança ou um adolescente sexualmente pode ser indiciado por estupro e atentado violento ao pudor. Se condenado, o agressor pode pegar de 6 meses a 10 anos de prisão. Entretanto, parece que a punição não intimida os agressores. Dados divulgados pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos dão conta de cerca 80 denúncias de abuso e/ou exploração contra crianças e adolescentes por meio do ‘Disque 100’. As denúncias cresceram nos últimos anos graças às ações e políticas que estão sendo feitas para conscientizar a população a revelar todos os casos de

agressão, já que o Estatuto também dá esse direito aos pequenos: “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”. Por isso, hoje, dia 18 de maio, haverá várias manifestações em prol dessa causa. Em Curitiba a Fundação de Ação Social (FAS) organizou um Seminário Municipal de Enfrenta-

mento a Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, com o tema da proteger as crianças da pornografia na internet. O seminário acontece das 8h30 às 17h30 no Salão de Atos do Parque Barigui. No centro da cidade, a partir das 13h conselheiros tutelares farão um manifesto de repúdio à violência sexual infantojuvenil na Boca Maldita, com contação de histórias e explicações à população sobre o Disque 100. Mais tarde, às 16h a Rua XV de Novembro será tomada por uma passeata, que contará também com a distribuição de panfletos e informativos.

Abuso e exploração, qual a diferença? Por serem muito parecidas, muitas pessoas confundem a exploração sexual com o abuso sexual, mas entre uma e outra agressão existem diferenças. Abuso sexual é quando o menor é obrigado a praticar o ato sexual, caracterizando nesse sentido um estupro. Já a exploração sexual é quando a criança ou adolescente é induzido a praticar sexo em troca de benefícios (que pode ser comida, escola, moradia...); geralmente isso ocorre no caso de pornografia infantil e na prostituição infantil.

Disque 100 O disque-denúncia mais conhecido como Disque 100 é uma central que recebe todo e qualquer tipo de denúncias relativos a exploração e abuso sexual de crianças. As denúncias são encaminhadas para os órgãos regionais e municipais próximos de onde a denúncia foi feita, é claro, sem identificar o denunciante. A ligação é gratuita, e o serviço funciona das 8h às 22h todos os dias, inclusive domingos e feriados. Basta ligar 100 e fazer a denúncia.

Exposição de arte francesa abre temporada artística nacional Museu Oscar Niemeyer comemora ano da França no Brasil

Guilherme Sell O Museu Oscar Niemeyer abre em Curitiba o roteiro nacional da exposição Uma Aventura Moderna – Coleção de Arte Renault, incluída no calendário oficial das comemorações do Ano da França no Brasil. O evento, realizado na última sexta-feira, reuniu convidados, diretores mundiais e nacionais da marca francesa, além do governador Roberto Requião e sua esposa, que é presidente do Museu. Pinturas, esculturas, desenhos e colagens estão entre as 96 obras em exibição. Os trabalhos são assinados por 18 artistas da segunda metade do século 20, como Miró, Vasarely, Arman, Jean Dubuffet e Erró. A exposição está aberta desde sábado e pode ser visitada até 9 de agosto. Depois segue para São Paulo, onde será apresentada no Museu de Arte Contemporânea. A seleção integra o acervo da Coleção Renault, constituído entre 1967 e 1985. A mostra é dividida em quatro núcleos: O Universo Industrial, O Meio Ambiente Dubuffet, Pintura Abstrata e Pintura Cinética. Os trabalhos foram produzidos a partir de um sistema pioneiro de mecenato, no qual há o patrocínio e apoio da iniciativa privada na democratização da cultura. Com o objetivo de estabelecer um elo entre o universo industrial e a arte, a montadora

francesa convidou artistas, abriu as portas de sua fábrica e disponibilizou materiais, incluindo as peças de uso cotidiano em uma indústria automobilística. Nas obras foram utilizados de motores a parafusos, e transformados em arte. “Eles apresentaram um espelho, talvez crítico ou sarcástico, mas, afinal de contas, amplificador”, afirma a historiadora de arte e curadora do acervo, Ann Hindry, sobre o histórico encontro entre o mundo industrial e grandes nomes da arte contemporânea. O acervo é composto por obras de artistas dos mais diversos movimentos da história da arte contemporânea. Como exemplo desses movimentos vale citar Jean Dubuffet, que junto de Jean Fautrier, foi um dos precursores e protagonista da Arte Informal na França. Robert Rauschenberg foi o grande instigador da Pop Art americana; enquanto que, Jean Tinguely, muito impregnado pelo Dadaísmo, ingressou no grupo dos Novos Realistas, orientado por Arman.

Serviço Uma Aventura Moderna – Coleção de Arte Renault fica em exposição até 9 de agosto no Museu Oscar Niemeyer. Rua Marechal Hermes, 999. Aberto de terça a domingo, das 10h às 18h. Ingressos à R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (estudantes).


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Especial Saúde

Programas tentam conter avanço da hanseníase Brasil ocupa o segundo lugar em casos de hanseníase no mundo Stephany Bravos O Paraná é o estado da região Sul onde há mais casos de hanseníase. Foram 11,6 pacientes para cada 100 mil habitantes em 2008. As regionais de saúde de Ponta Grossa, Guarapuava, Foz do Iguaçu, Maringá, Londrina, Toledo e Curitiba registraram o maior número de casos. A 3ª Regional de Saúde, em Ponta Grossa, por exemplo, está com 45 pacientes novos em tratamento. Mesmo assim, estudo realizado pelo Ministério da Saúde registrou uma queda de 23% no número de casos de hanseníase no Brasil. Em 2003, foram registradas mais de 51 mil portadores da enfermidade. Já em 2007, o valor caiu para 41 mil pessoas. A incidência não só da hanseníase, mas de grande parte das doenças como HIV, hepatite, entre outras, é maior na popu-

lação carente. O principal motivo é a falta de saneamento básico, higiene pessoal e informação. Para continuar obtendo resultados como estes, o Estado tem investido cada vez mais em cursos de capacitação e oficinas em que são discutidas alternativas e medidas para controlar a doença com os profissionais das regionais de saúde. “A prevenção em incapacidades físicas faz parte de um conjunto de ações para eliminar a doença. As outras são diagnóstico, tratamento poliquimioterápico, vigilância epidemiológica por meio de exames, educação em saúde e reabilitação”, disse a coordenadora Estadual do Programa de Controle da Hanseníase, Nivera Noemia Stremel, em entrevista à Agência Estadual de Notícias. A Organização Mundial de Saúde (OMS) pretende, até 2010, Secretaria de Estado de Saúde

que ocorra menos de um caso para cada 10 mil habitantes.

Histórico

Conhecida também como “lepra”, a hanseníase é a mais antiga doença humana. Ela surgiu na Ásia no século IV A.C., caminhando em direção à Grécia, à Europa e posteriormente às Américas. No Brasil, os primeiros indícios da doença datam do século XVII. O Brasil atualmente é o segundo país no mundo em número absoluto de casos de hanseníase e o primeiro da América Latina, segundo dados do Ministério da Saúde. A doença é causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, descoberto em 1873 pelo cientista norueguês Dr. Gerhard Amauer Hansen. É uma doença crônica que ataca principalmente a pele, olhos e nervos.

Transmissão A Coordenadora Estadual do Programa de Controle da Hanseníase, Nivera Noemia Stremel, explica que o bacilo pode ser transmitido pela saliva ou pela respiração, através de contato íntimo e prolongado com um portador da doença que não esteja em tratamento. Desde o momento em que o bacilo penetra no organismo até o aparecimento dos primeiros sintomas, pode transcorrer em média num período de 3 a 5 anos.

Sintomas

Programas atuam no combate à hanseníase no Paraná, estado com mais casos da doença na Região Sul

Os sintomas ou sinais da hanseníase são manchas em qualquer parte do corpo. Essas manchas podem ser esbranquiçadas ou avermelhadas, onde a pessoa não sente dor, nem calor, nem frio, pois a região fica adormecida, além de nódulos. Quando a pessoa tem regiões

“Quando fui trabalhar fora do Hospital eu não podia contar que morava lá, era proibido dizer, caso contrário as pessoas nem se aproximavam e nem davam emprego” SEBASTIÃO CARLOS PAMPLONA do corpo amortecidas ela acaba não sentindo quando bate em algum lugar, por exemplo. Isto explica a razão das feridas que podem aparecer. A pessoa pode sentir dor próximo ao cotovelo, joelho e tornozelo. Ocorre também a queda dos pêlos do corpo. A doença provoca deformidades por comprometer nervos periféricos (que ligam o sistema nervoso central a diversos órgãos). A hanseníase só pode ser identificada através de um exame clínico e laboratorial realizado em qualquer unidade de saúde. Nivera ressalta a importância de se fazer o exame o quanto antes, já que a doença pode ser curada sem deixar nenhuma seqüela, além de eliminar o risco de contaminação.

Tratamento O tratamento da hanseníase, assim como diversas outras doenças, é feito através de medicamentos, fornecidos gratuitamente nos postos de saúde. Nivera destaca que o tratamento nunca deve ser interrompido antes de o paciente receber alta. O tratamento, na maioria das vezes, pode durar de seis meses a um ano. A coordenadora explica ainda que após a primeira dose do medicamento (rifampicina), 90% dos bacilos são mortos e a doença deixa de ser transmitida. A Assistente Social do Hos-

pital de Dermatologia Sanitária do Paraná, Silvia Novacki faz o acompanhamento dos pacientes que, em raros casos, precisam permanecer internados, devido a uma ferida onde o paciente precisa ficar em repouso, por exemplo. Ela explica que há uma conversa com o paciente para saber o grau de conhecimento que ele tem sobre a doença. Silvia comenta também a orientação sobre a prevenção da perda de incapacidade e das mutilações. “Orientamos a família também para não baixar o nível de afetividade entre o paciente e a família”, acrescenta a assistente social.

Curiosidade O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o imperador Dom Pedro II foram os únicos dirigentes nacionais a conhecer de perto as colônias de vítimas de hanseníase. Numa das visitas, o presidente Lula assinou um decreto com pedido de análise das 33 colônias ainda existentes no país. Até 1967 essas colônias funcionavam como centros de isolamento para vítimas de hanseníase, apesar de a cura da doença ter sido anunciada 27 anos antes, na década de 40.

Preconceito Sebastião Carlos Pamplona viveu a época do regime compulsório. Pamplona conta que


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Especial Divulgação

Saúde

Divulgação

muito triste mesmo”.

Direitos

A hanseníase é causada pelo bacilo de Hansen, chamado assim porque foi descoberto por Carl Willian Hansen (foto) os “leprosos”, como eram chamados na época, eram levados de trem até o Hospital São Roque, hoje Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná, de onde não podiam sair devido ao perigo de transmissão. “O Hospital São Roque tinha prefeitura própria, cinema e até cadeia. Era uma cidade”, acrescenta. Pamplona que aprendeu datilografia e algumas coisas na área de enfermagem, na época em que viveu no Hospi-

tal, diz que a maior dificuldade era o preconceito. “Quando fui trabalhar fora do Hospital eu não podia contar que morava lá, era proibido dizer, caso contrário as pessoas nem se aproximavam e nem davam emprego”. Pamplona conta ainda que o último vagão do trem era dos leprosos. “Quando ele se aproximava do Hospital as pessoas fechavam as janelas porque tinham medo de se contaminar, era terrível,

A Legislação Sobre o Controle da Hanseníase no Brasil, publicada no dia 26 de julho de 2000, reconhece a necessidade de orientar a assistência às pessoas atingidas pela doença. O artigo 1º prevê as medidas de prevenção, diagnóstico, tratamento e controle de hanseníase no País, em todos os níveis do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as ações descritas nos quatro parágrafos que se seguem, estão a redução da morbidade e danos causados pela doença, expressos pela gravidade das incapacidades físicas, ações que visam à detecção de casos e ações intensivas junto à população. O apoio à capacitação de pessoal para execução de todas as atividades de controle da hanseníase na rede do SUS, tais como: realização de cursos, treinamentos, seminários e pesquisas, assistência hospitalar aos doentes, além do monitoramento e avaliação das ações de controle do Programa nos níveis nacional, estadual e municipal, também fazem parte dos direitos previstos na Legislação. Nivera enfatiza: “a finalidade das campanhas desenvolvidas anualmente pelo Programa de Combate a Hanseníase é a mobilização da sociedade para o problema de hanseníase e o diagnóstico precoce como forma de evitar complicações.

Um dos fins das campanhas do Programa de Combate a Hanseníase é a mobilização da sociedade para o problema de hanseníase

Programas de prevenção no Paraná O Paraná foi o estado pioneiro na prevenção de incapacidades físicas no Brasil, pelo trabalho do médico curitibano Germano Traple. O médico ganhou destaque na implantação do cuidado com os pés e adequação de calçados no país. Em 1983 trabalhou no Central Leprosy Teacher and Research Institute e no Hand and Reconstructive Surgery and Rehabilitation Unit, na Índia, onde conheceu novas técnicas cirúrgicas de pé e mão com o Médico Sennes Vveinsteein além do uso da poliquimioterapia no tratamento da Hanseniase, tornandose multiplicador dessas técnicas no Brasil. Entre os anos de 1992 e 1995, Germano Traple atuou na direção do hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná. No ano de 2005 a Secretaria de Estado da Saúde homenageou o médico entregando-lhe uma medalha em reconhecimento do seu trabalho em prol da hanseníase. O médico Germano Traple faleceu em março do ano passado deixando saudades e uma grande herança para a saúde.


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Colunas Educação

Jovem

As crianças e o Na ponta trânsito da bala Hendryo André Crianças se vislumbram com velocidade, é bem verdade, mas, antes da própria relação entre distância e tempo, simplesmente se encantam quando veem a mãe ou pai a virarem o volante ora à direita, outrora à esquerda, antes de saberem qual será a direção a ser tomada ao longo da vida. As curvas são no imaginário infantil constantes e prova disso é o fato de que quando os pequenos brincam de automóvel, quase sem exceção o que se destaca não é o acelerador, e sim o volante. Essas imagens e brincadeiras ficam retidas nas mentes dos pequenos e o encanto pelo automóvel perpassa a ponto de a contagem regressiva para o tão sonhado domínio da máquina fazer a criança devanear a ser motorista antes mesmo de os ossos darem sustentação para que ela se torne pedestre. A passos largos os velozes cinco, seis anos chegam e o tempo urge de modo que o pupilo mal poder reter as lembranças de um tempo em que os pais estavam tão próximos, até mesmo quando se dirigiam com pressa, primeiro ao trabalho, depois à escola – tem-se os filhos com muita rapidez ou se sai da escola tardiamente? É tudo uma questão de ludismo... Chegava-se a hora de o filho frequentar o colégio e é então que se inicia o tempo do acelerador. Nas próprias aulas de educação física, engarrafadas em quatro dezenas dentro de uma quadra poliesportiva, corriam as crianças desordenadas, sem jamais se esquecerem da onomatopéia característica do ronco dos motores – e da buzina! Uma delas costumava ficar para trás, outra disparava orgu-

Divulgação

lhosa, a maioria corria no mesmo ritmo. Enquanto isso, a cidade dispunha do complemento para a encenação: freadas, cantadas de pneus, xingamentos... Tudo o que se refere à velocidade passa a ser incorporado pelos pequenos, desde o abusado ato de levantar da carteira quando a professora vai buscar algo em outra sala – gostam mais ainda do retorno triunfante para o local antes que a docente guardiã se aproxime da porta ofegante. Eis que é inaugurada a época da vertigem: o dia da primeira experiência no trânsito não se esquece. Há situações em que um dos pais ensina o filho a dirigir, outras em que o descendente aprende a guiar escondido – e é para isso, afinal, que servem as amizades com os mais velhos. E há situações curiosas nas quais o primeiro contato com o automóvel ocorre justamente nos centros de forma-

ção de condutores. A relação se torna tão íntima depois da aprovação no teste do Detran que há aqueles que veem no veículo uma extensão do próprio corpo – como na relação entre leitor e livro feita pelo escritor colombiano Gabriel García Márquez, cujo significado remete ao fato de que mulheres e homens se tornam mais humanos quando em contato com obras literárias. Eis o paradoxo: quando o condutor não percebe o limite de seu corpo (e, portanto, do automóvel) e o leitor considera a obra tão influente em sua vida que a usufrui como bengala, muleta ou cadeira de rodas. As cartilhas de trânsito deveriam, portanto, priorizar a educação das crianças no trânsito e os livros deveriam somente acelerar às asas da imaginação (não as atrofiar), seriam, assim, capazes de voar mais longe que qualquer Passat 3.2.

Yohan Barczyszyn Está nas transmissões televisivas, nas ondas de rádio, cobrindo as calçadas em forma de folhetos, anúncios, cartazes que revestem os muros e janelas. Ela está diante do seu olhar, inclinada a oferecer uma felicidade sustentável. A propaganda. A deusa mais bela e horrenda do século 21. Ela infiltra-se em seu lar, fazendo eternas promessas de plena satisfação. Sua voz e seu coração estão nas embalagens, comerciais e revistas. Um mundo vendendo-se a si próprio. Por essa ousadia existe um preço sendo cobrado. Vivemos em uma selva, e a máquina capitalista permanece fixa no topo da cadeia alimentar, utilizando-se de um incomensurável arsenal de armadilhas e disfarces para nos capturar, nós, suas dóceis e obtusas presas. Estamos conectados ao restante do mundo em tempo real, todo o tempo. Lançamo-nos assim em busca de informação, análise e diversificação; e somos aos poucos feridos pelos espinhos sutis da propaganda. Nas páginas de um jornal, entre os blocos de um noticiário; somos perseguidos, arranhados e mordidos por ofertas, condi-

ções, financiamentos. Já adentramos uma cultura de masoquismo social. Compramos o que não precisamos, gastamos o que não temos. Onde há conteúdo (ainda que se mostre mutilado), há publicidade, imposição de desejos e alienação subconsciente. No lugar de matérias, colunas ou artigos, estão alojadas maravilhosas fotos, logomarcas e frases de efeito. Partilha-se desse modo um universo onde a realidade, juntamente com seus fatos e consequências, torna-se pano de fundo de um cenário onde a compra e a venda são as personagens principais. Entretanto, apesar da grotesca ferocidade atribuída à propaganda, ela não é autossustentável. É, sim, uma arma de guerra da era contemporânea e, como tal, precisa ser carregada, engatilhada e disparada. Há algo ou alguém por trás do gatilho; um ser cujo rosto tem milhares de feições; sua voz surge das gargantas da multidão. Somos eu e você, nós, quem servimos como matéria-prima bélica para este embate; somos o metal na ponta da bala, e o sangue na parede. Somos o fruto do nosso próprio flagelo. Divulgação


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Saúde Pesquisa

Exercício aeróbico ajuda no tratamento de insônia A constatação é de um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo; problema atinge 20% da população mundial Fabiola Menegusso Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) pode mudar a vida de quem sofre de insônia. A pesquisa comprova que a prática de exercício aeróbio intenso, horas antes de dormir, pode reduzir a ansiedade e melhorar a qualidade do sono de pessoas que sofrem de insônia crônica primária. Esse é o distúrbio do sono que atinge mais pessoas no mundo inteiro, cerca de 20% da população mundial. Segundo o estudo, o exercício físico pode aumentar em aproximadamente uma hora o tempo de sono das pessoas com dificuldades para dormir. O trabalho avaliou os efeitos de três modalidades de atividade aeróbia: caminhada moderada em esteira, caminhada intensa em esteira e musculação. Esses exercícios foram realizados de forma aguda e em diferentes intensidades. Foram analisados 36 voluntários, de ambos os sexos, com histórico de insônia crônica primária durante nove anos. Eles apresentaram um aumento de 37% no tempo de sono, reduções de 54% na latência do sono e 7% no estado de ansiedade. De forma geral, esse grupo apresentou um aumento de 21% no tempo de sono total e de 18% em sua eficiência. Para o professor de educação física Alex Sandro Chaves, quando uma pessoa que sofre de insônia pratica exercício físico ela não só “cansa” o corpo, como também ocupa a mente. “A atividade física está as-

sociada principalmente com a redução de fatores psicológicos que têm influência na insônia, como a ansiedade, depressão e o estresse, além de causar a fadiga física e ter efeitos calmantes fisiológicos”, afirma o professor.

Fabiola Menegusso/ LONA

Estresse Com a correria do dia-a-dia, as pessoas passam muito tempo acordadas. Para recuperar as energias vitais do organismo é necessário recompô-las através do descanso noturno. Dormir oito horas diárias garante o bem-estar da maioria das pessoas. Tudo isso não é regra, varia muito de pessoa para pessoa. Esta falta de sono apresenta três características fundamentais: a dificuldade para pegar no sono, dificuldade em manter-se dormindo e o acordar precocemente sem conseguir voltar a dormir novamente. Cada uma destas características surge em um determinado estágio da insônia, por exemplo, a dificuldade em pegar no sono geralmente ocorre em seu estágio inicial. A dificuldade para manterse dormindo, por um horário contínuo, já indica um estágio intermediário. A insônia conhecida como terminal é aquela quando o indivíduo desperta precocemente e já não consegue mais voltar a dormir. Hábitos como tomar café ou ingerir alimentos que contém cafeína, como chocolate ou alguns refrigerantes no período da noite, dormir em ambientes barulhentos, com claridade ou pouco arejados são alguns causadores da insônia. Além disso, existem fatores físicos e psicológicos. Entre as

“Depois de um tempo descobri que o que me causava insônia eram os remédios para tirar o apetite”, afirma Silvia Zanetti causas físicas podem ser considerados o excesso de luz, cama desconfortável ou alguma doen-

ça das vias respiratórias. A poluição sonora também desencadeia a insônia.

Causas psicológicas As causas psicológicas podem ser muitas, como o estresse, excesso de preocupações, depressão, alegria excessiva, ansiedade, entre outros aspectos. Quem sofre desse mal deve primeiro procurar fatores físicos. Às vezes o colchão da cama pode estar incomodando. Devese observar também se existe alguma medicação está causando efeito colateral, como o caso da costureira Silvia Zanetti. Ela sofria de insônia e apesar de procurar vários tratamentos não conseguia acabar com o problema. “Depois de um tempo descobri que o que me causava insônia eram os remédios para tirar o apetite. Meu médico mudou o remédio e a insônia passou”. A dona de casa Maria Aparecida Mocelin Polak sofre de insônia há mais de um ano. “No início eu tinha o sono leve, mas cheguei a um ponto de não dormir a noite inteira”, declara a dona de casa. Ela faz tratamento com um remédio controlado, específico para insônia, chamado de Clonazepam. Mesmo com a melhora do sono quando começou a tomar a medicação, Aparecida não quer fazer esse tipo de tratamento para sempre. Ela viu na atividade física uma forma de ter uma noite bem dormida. “O remédio que eu tomo é tarja preta, não quero tomar ele para sempre. Meu médico aconselhou a praticar atividade física. Isso está ajudando bastante eu conseguir dormir a noite inteira”, comenta a dona de casa.


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Ensaio África do Sul

O berço dos leões Texto e fotos: Rômulo Porthos Você já imaginou conviver numa jaula com leões ou até mesmo pegá-los no colo? É o que acontece em uma fazenda de criação desses animais na África do Sul. Localizada a 20 minutos de Sun City e cerca de 200 quilômetros de Joanesburgo, é um dos principais atrativos da região. O lugar foi criado com o objetivo de criar leões e vendê-los para reservas particulares, mas, enquanto não encontram compradores, os idealizadores acharam outra maneira de ganhar dinheiro com eles. Lá, o visitante encontra leões de todas as idades e pode pegar os menores no colo para tirar uma foto e guardar de recordação.

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LONA 487- 18/05/2009