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01França, ano 1700 - Século XVII — Eu te amo, Roxie. — Ele sussurrou ao topo do meu ouvido, deixando que seus lábios me tocassem como plumas que faziam pequenas cocegas. E no momento seguinte, tudo que importava era o seu toque em meu corpo nu, seus beijos em cada parte do meu corpo, seu corpo pressionado contra o meu que fazia com que um formigamento enorme acontecesse em cada parte do meu corpo. Era primeira vez que fazia amor com meu amado, um ato proibido antes do casamento, mas um ato de amor. Eu o amava, eu o queria apenas para mim, eu queria que ele me tocasse e me beijasse toda, eu queria passar toda minha eternidade ao seu lado. Andrew caminhou seus labios até meu pescoço, me tirando dos meus pensamentos, e com pequenos toques, ele passou sua lingua em minha jugular, fazendo-me o desejar mais ainda. Horror tomou conta do meu corpo em seguida. Em minha jugular, senti a dor mais profunda que ja havia sentido em toda minha existencia, algo havia rasgado minha pele, algo como...presas. Eu tentei me livrar da dor, tentei me livrar desse homem que estava me mordendo, mas ele era muito mais forte do que eu e me segurava de um jeito que jamais conseguiria me soltar. Aos poucos passei a me sentir fraca, cada minuto que se passava era como se minha vida estivesse indo embora. Como se minha alma estivesse me deixando para que pudesse me transformar em uma... vampira.

Inglaterra, ano 2010 - Século XXI Por mais de um século eu viva nas sombras de França, escondida dos raios solares e com medo de que qualquer coisa pudesse me machucar. Mas havia um sentimento que era ainda muito maior do que o medo, esse sentimento se chamava raiva. Raiva que cresceu dentro de mim como se fosse um filhote feroz se tornando um adulto e tudo isso aconteceu por causa de um homem, aquele que eu amei com toda minha vida, a vida que ele tirou sem ter nenhum respeito ao meu sentimento. Mas o que eu podia esperar de vampiros? Eles eram sujos, repugnantes e nunca havia piedade de vidas humanas entre eles... E eu havia me tornado um deles.


Vingança, era isso que desejava com toda minha alma antes de encerrar com minha vida. Eu procurava por justiça, procurava por paz e o mais importante, procurava por Andrew le Boursier. Só assim eu completaria minha jornada na terra, como uma caçadora e como um monstro. Meus olhos se passaram por todo meu corpo no espelho, meus cabelos longos e ondulados que costumavam ser castanhos, estavam loiros e meus olhos que costumavam carregar uma vida cheia de alegria, não passavam de azuis vazios. Uma carinha de anjo descarada, meu pai dizia. O meu pai que morreu me chamando de monstro por nunca envelhecer e desejar sangue como se aquilo fosse a comida mais preciosa que já puderá existir. Meu celular tocou em seguida, fazendo com que minha atenção fosse totalmente dele no momento. Eu olhei para mim uma ultima vez e respirei fundo, a noite já estava caindo e essa era a hora que minha vida começava. Mas hoje em particular, não iria sair para matar algumas criaturas sobrenaturais, hoje uma amiga precisava da minha ajuda. Então eu caminhei até meu celular e o atendi.— Já estou a caminhou.— avisei. — Se não deseja ser comida em vida, se apresse! Já é quase lua cheia!— Meu olhos se reviraram de tanta ingratidão que acabei recebendo e finalizei a chamada antes que fosse chamada de lesma pela minha melhor amiga. O sol ainda estava posto no horizonte quando deixei as paredes que me protegiam dele, então queimaduras vieram por toda a minha pele até que eu estivesse dentro do meu carro. Nos dias de hoje, ser um vampiro se tornou algo muito simples, já que desde que o governo dos humanos souberam da existência das criaturas sobrenaturais, eles passaram a criar coisas que não nos prejudicassem e nos ajudar a sobreviver sem que houvesse muitas mortes entres os humanos, e a melhor parte disso tudo, foi a criação de vidros que não permitiam que os raios solares os ultrapassassem. Sendo assim, sem mais caixões ou um lugar sem janelas cheio de mofo para passar o dia. É claro que a maioria dos humanos do governo não gostavam da gente, mas eles colaboravam com nossa existência e isso ajudava muito. E eu não me importava muito do nosso segredo ser mantido perante a toda a população que não fazia parte do governo, pois se eu fosse uma humana e descobrisse sobre vampiros, seria capaz de ir parar em um hospício. E como em qualquer lenda, as criaturas sobrenaturais sempre são as piores pessoas quando se é colocado em uma competição entre os humanos a melhor opção foi que existisse reis e rainhas para cada raça e caçadores, pois são eles que colocavam a ordem naqueles que apenas desejam a morte de pessoas.


Eu não entendia muito bem o motivo de ter que considerar alguém como meu rei ou rainha, pois isso era algo do passado. Nem ao menos sabia quem era o responsavel pelos vampiros, apenas entendia a nossa politica da seguinte maneira: A clave aconselhava os reis, rainhas e os caçadores eram seus calangos, sendo assim, a clave tinha ainda mais poder sobre nós. Mas eu não conhecia eles, não conhecia ninguém desse meio e era feliz, pois assim como o governo dos humanos, eles eram sujos. E eu apenas fazia meu trabalho sem arrumar nenhuma confusão, matar aqueles que causavam discórdia para o mundo sobrenatural e humano era algo simples de se fazer sem que eu fosse envolvida nesse meio real. Eu parei o carro diante da floresta mais isolada de Londres, aquela que pertencia a criaturas sobrenaturais, já que os humanos acreditavam que ela era mal assombrada. Preferia acreditar que isso não era verdade também, pois fantasma sempre me deixavam arrepiada em um sentido nada bonito. Mas era por baixo dessa floresta que havia um enorme calabouço, o calabouço feito para manter licantropos presos na antiguidade quando se era lua cheia. Atualmente ele não era mais usado, mas era de grande ajuda para mim e Nyx, a licantropa que eu chamava de melhor amiga. Eu não gostava muito do fato de ter que prender minha amiga em correntes de pratas dentro de um calabouço cheio de mofo, mas quando ela se transformava em um lobo, sua mente não era mais a mesma e houveram lendas que diziam que a mordida de um licantropo pode ser mortal para vampiros. Então, eu não podia tentar adestrá-la quando se transformava nessa fera, por mais que desejasse a morte um dia, não pretendia deixar minha amiga lidar sozinha com o fato que tinha me matado apenas com uma mordida quando voltasse para sua forma humana. Desci os enormes degraus da escada que me levaria até o calabouço e quando cheguei até o ultimo dele, lá estava minha amiga licantropa ficando doida com o tanto de correntes que segurava. Olhar para ela era exatamente como ver uma boneca, ela parecia feita de porcelana em todos os detalhes. Nyx tinha olhos azuis tão escuros que lhe faziam jus ao nome de uma deusa da noite, e o rosto lembrava simplesmente a delicadeza de um pequeno coelho ou qualquer outro animal mais fofo, o que era cercado por uma camada de cachos louros tão bem arrumados que pareciam colocados fio a fio até o meio das costas. A pele quase translúcida não te ajudava a acreditar que ela era real, e que não estava saindo de uma versão 3D de um livro de contos de fada. — Por que está me olhando em vez de ajudar?— Ela percebeu que eu estava lá a observando, me fazendo acrescentar e lembrar que conto de fadas não existia quando se tratava dela. Caminhei até ela e peguei minhas luvas de couro sob a cadeira que eu passaria a noite e as coloquei. Essa era a única maneira de proteger dessas correntes feito de preta que ficariam ao redor do pescoço de Nyx, a queimando. Em sua forma humana, prata nunca podia fazer mal a ela, mas quando se tornava uma


criatura da lua, isso mudava. Eu não concordava em ter que colocar essas correntes de pratas nela, pois sabia que machucava, mas Nyx disse que era a melhor opção, caso o portão não aguentasse sua fúria. — Eu sinto o cheiro dele, Roxie.— Ela disse quando eu estava fechando a cela.— No dia de lua cheia todos meus sentidos ficam mais fortes do que o normal e aquele cheiro que senti em suas roupas, anos atras, está aqui em Londres.— — Eu sei que você está chateada por ontem termos matado aquele vampiro em vez de trocarmos sua vida por informações, já que ele conhecia Andrew.— Eu disse, me lembrando de que aquilo foi a melhor escolha a se fazer.— Mas ele é um vampiro antigo, sabe-se lá Deus o quanto é, e não podemos lidar com isso sozinhas.— — Claro, você espera que o coração de ouro faça algo, mas duvido muito que ele mate até mesmo uma mosca.— — Falta dois minutos para você se transformar.— Resolvi ignorar seu comentário.— Apenas pense em um campo cheio de margaridas e fique calma.— — Eu sou alérgica e odeio abelhas.— Nyx resmungou. — Ok.— Eu disse calmamente, não deixando que seu mal humor me agredisse e quando olhei para seus olhos azuis, eles não eram mais os mesmos. Eles ainda continuavam azuis, mas estavam se transformando nos olhos de uma besta, não havia nada de humano no olhar dela. Então eu dei minhas costas para ela e caminhei até a entrada do calabouço, e encarei o céu. Nyx sabia que eu odiava ver sua transformação, pois doía até mesmo em mim ver aquilo e logo os gritos de dor invadiram meus ouvidos, o som de ossos quebrando vieram em seguida deles e eu apertei meus olhos tão firmes que poderia me machucar pela força usada, mas quando a hora do choro pedindo ajuda chegava, eu não aguentava. E depois de longos minutos ali, com meus olhos fechados, os gritos passaram a se misturar com rosnados e finalmente um uivo tão poderoso tomou conta do calabouço. Ela havia se transformado. Eu me segurei na parede assim que abri meus olhos e respirei fundo, aquilo era uma tortura para mim e nem podia imaginar o quanto doloroso podia ser para Nyx. Me virei para encontrá-la e dentro daquela cela, com uma corrente de prata passada ao seu pescoço que lhe causavam queimaduras a ponto de sangue manchar seu pelo, estava Nyx. Ela era a licantropa mais linda e diferente que eu já havia visto. Assim como todos, ela era enorme e provavelmente devia ser maior do que eu quando estivesse apenas em duas patas, mas seu pelo era tão branco quanto a neve e seus olhos não ficavam amarelados como os dos outros, eles continuavam naquele azul que ao mesmo tempo que eram selvagens, eram suaves. Ela estava sentada e acompanhava cada movimente que eu fazia com seus olhos e fazia alguns chiados para demonstrar o quanto aquela corrente a irritava.— Bom, daqui alguns anos, você não precisará mais ser trancafiada em uma cela com correntes. — Eu disse pelo seu bom comportamento. E sobre deixá-la livre, era verdade. Agora Nyx não tentava me atacar como antes,


parecia que ela me conhecia... Mas me faltava coragem em soltá-la, eu não queria que nada de ruim acontecesse nessa liberdade. Depois de um tempo a observando me sentei na cadeira que estava de frente com sua cela e por mais tedioso que fosse, séria ali que eu passaria a noite toda. Cuidando de uma licantropa que provavelmente dormiria até o dia nascer, em quanto a babá Roxie ficaria atenta a qualquer perigo dentro do calabouço e fora dele. Depois de um tempo em puro silencio no calabouço, Nyx passou a ficar agitada e rosnar com pura raiva, só então escutei os passos nos degrau. Eu deixei minha cadeira de lado e fiquei ainda mais próxima da cela de Nyx, colocando minha mão sob minha estaca presa no meu cinto, me preparando para arrancá-la dali se fosse preciso. — Então os fatos que dizem que o cão é o melhor amigo do homem se torna uma realidade nessa noite, já que está pronta para atacar um amigo por causa de Nyx.— Um homem apareceu no fim da escada, com um longo casaco e chapéu marrom que escondias seus cabelos loiros. Sua pele tão branca e macia que provavelmente levava mulheres a loucuras, eu não conhecia aquele homem, mas bastava olhar para sua mão direita e ver uma enorme cicatriz que cobria quase o topo inteiro dela, para saber que aquele incubbus era muito bem vindo no calabouço. — Iawy!— Eu exclamei seu nome sorrindo e corri até seus braços que me apertaram fortemente.— Eu senti tanto sua falta.— murmurei em seu ombro. O coração de ouro, de Nyx, havia voltado a Londres depois de uma longa viagem a negocios, finalmente. Iawy era dono da central de caçadores em que eu trabalhava, foi ele que me transformou em uma boa pessoa depois que me encontrou suja e perdida nas ruas escuras de França. Ele havia se tornado mais um pai do que um chefe depois de anos, pois ele cuidava de mim como se fosse sua joia favorita, já Nyx, era o seu melhor tesouro e custava apenas um olhar dele até ela, para ter certeza disso.— Como Nyx está?— Ele perguntou educadamente assim que me soltou e caminhou para ficar mais perto da cela, aquele sotaque egípcio que nunca o abandonou durante tanto tempo de vida era muito vivido.— Ela está muito feroz nessa bela noite.— — Você causou isso a ela.— Eu disse.— E irá ficar pior quando descobrir que a chamou de cão.— — Você não fará isso comigo, Roxie.— Iawy disse com um sorriso encantador, que poderia causar amnesia em qualquer mulher nessa forma. Claro que suas antigas transformações eram divinas, mas Iawy tinha um bom gosto para criá-las e essa estava divina, ainda mais com esses olhos verde-agua que lembravam a mistura de um mar com selva. — Eu não irei se me contar da onde essa forma saiu.— — Você gostou?— Ele perguntou e quando acenei com minha cabeça, Iawy sorriu.— Essa é a forma que meus pais escolheram para mim séculos atrás, apenas isso.— — É linda.— Eu disse.— Talvez Nyx goste também.— — Talvez esteja na hora de tentarmos dar remedios para ver se o coração dela


desenvolve mais sentimentos alem de raiva.— Iawy sorriu, mas não para mim, aquele perfeito sorriso pertencia a Nyx. E eu mantive minha boca fechada, pois não queria estragar o momento do reencontro de um homem que gostava de uma licantropa que tinha vontade de pular em sua garganta e rasgá-la. Era dificil entender o motivo de Nyx não corresponder ao sentimento de Iawy, eles se conheciam a mais tempo do que eu em questão deles, e ele sempre a tratava como uma verdadeira dama. Mas talvez fosse normal da raça de Nyx sentir mais raiva do que qualquer outra coisa ou Iawy tinha razão em dizer que ela precisava de remédios. Depois de longos segundos observando Nyx com o dono da central de caçadores que colocava ordem no mundo, Iawy se virou para mim.— Eu tenho que ir agora, minha central esteve sob comando de outras pessoas, não quero imaginar do quão bagunçado tudo pode estar.— Ele caminhou para mais perto de mim e me abraçou novamente.— Eu senti sua falta também, minha menina.— Eu sorri para Iawy pela ultima vez antes dele subir a escada que o levaria para fora do calabouço assim que ele me soltou.— Vejo você amanhã?— Perguntei, o impedindo de ir embora. — Sim, você me verá amanhã.— Foram suas palavras antes de começar a subir os degraus daquela antiga escada, me deixando sozinha com Nyx. Tudo que fiz foi voltar para aquela cadeira que conforme as horas passavam se tornava mais dura do que um chão de pedra, talvez estivesse na hora de arrumar uma cama para colocar nesse lugar... Meus olhos cairam diretamente na licantropa albina em minha frente, ela estava deitada de frente para a parede, ficando de costas para mim. Ela era ótima em fazer birra até quando estava transformada.— Ele foi foi embora, Nyx.— Eu murmurei calmamente, fazendo com que ela se virasse para mim novamente, mas ainda continuava deitada. Tudo indicava que seu sono havia chegado, o sinal que eu precisava para saber que o resto da noite seria longa e solitária. E conforme as horas iam passando, meu subconsciente foi me puxando para o seu mundo, cada vez mais se tornava dificil de separar o que era real e imaginação, então quando minha imaginação se tornou algo bonito, eu parei de lutar para me manter acordada. *** Barulhos de correntes se debatendo vieram até meus ouvidos, meu cenho franziu naquele momento, pois isso não fazia parte do bonito sonho que eu estava tendo. Então, me lembrei do real motivo de estar em um lugar tão desconfortável em vez de estar em minha cama. Meus olhos se abriram rapidamente, eu quase empurrei a cadeira para trás quando me levantei, permitindo que ela caísse para trás e fizesse um grande barulho no meio de tanto silencio, mas nada disso aconteceu, pois eu vi Nyx, já vestida, se livrando da corrente em seu pescoço.— Então a bela adormecida está acordada novamente.—


— Desculpe, eu não pretendia ter dormir em quanto estivesse de guarda.— Eu disse, ficando mais próxima da cela para abri-la e quando a carranca de Nyx não melhorou, decidi falar algo novamente.— Talvez eu possa melhorar seu humor, por eu ter estado dormindo a maior parte do tempo que estive aqui.— — Se isso envolver comida, eu ficarei muito feliz.— Nyx disse alegremente. — Não, na verdade não envolve.— A cara dela se fechou novamente.— A minha novidade é que Iawy voltou.— E essa noticia fez com que sua cara se fechasse ainda mais quando pensei que não fosse possível. — Sabe que isso não melhora nada, né?— — Você devia ficar feliz, Iawy não costuma nos mandar para trabalhos ruins, como aquele homem que estava cuidando da central de caçadores.— — Isso é um lado bom, meus esmaltes vão durar mais tempo, mas terei que aturar Iawy, o que deixa tudo ruim.— — Eu sei que você gosta dele, bem no fundo do seu coração.— Eu sorri para ela, pois mesmo que Nyx demonstrasse que odiava ele, pelo menos carinho havia quando se tratava de Iawy. Afinal, foi ele que cuidou dela durante anos depois que ela decidiu abandonar sua família, mas era com o seu mal humor que Nyx demonstrava seu sentimento pelas pessoas, então não tinha o que fazer.— Vamos embora, antes que o sol fique mais forte.— Falei quando ela decidiu não me responder. Nyx saiu de dentro da cela e enganchou seu braço no meu, ela era muito mais alta do que eu, mas eram minhas amadas booties que me deixavam quase da altura dela. Meus olhos foram para minhas booties antes mesmo que pudesse começar a andar, terra vermelha as sujavam por causa de ter caminhado até esse calabouço, mas não tinha problema. Eu estava ajudando uma amiga e se tivesse que começar a tirá-las para fazer isso, não iria existir nenhuma guerra comigo mesma por fazer isso. Afinal, fazendo isso, elas não ficariam tão sujas. Depois de achar comida para nós na rua, a comida que eu não tinha nenhum desejo de comer, apenas comia para não deixar Nyx se sentir solitária, nós voltamos para nosso apartamento. No momento, eu estava deitada em minha cama ainda me recuperando das minhas queimaduras feitas pelos raios solares. Meu quarto estava em total escuridão, mesmo que os vidros da minha janela não deixasse que o sol me queimasse, minhas cortinas estavam fechadas. Eu era uma criatura da noite, não tinha culpa se não gostava do dia. O pior de tudo era que estava sem sono por ter dormido a noite inteira naquela cadeira. Era incrível como uma noite dormindo podia mudar todo meu cronograma de vida. Estar sozinha, fechada em um lugar escuro e tentando achar meu sono, apenas fazia com que minha mente caminhasse para o lado que eu sempre mantinha fechado, o lado da minha mente que pertencia a Andrew.


Apenas eu sabia o quanto o amei um dia e como o odiava agora, mas ele conseguiu tirar de mim as palavras que são consideradas mais preciosas do que ouro e tudo não passou de um divertimento para tirar seu tédio por viver eternamente. Tudo não passou de mentiras para que ele pudesse ter meu sangue. Isso me machucou durante anos, mais do que eu esperava, mas agora tudo que importava era sua morte. E eu iria encontrá-lo, não importava quantos séculos teria que esperar até ficar frente a frente com ele, não importava o quanto eu disse que amava no passado... Ele iria morrer por ter causado tanto sofrimento a mim. Nunca desejei viver eternamente, meu sonho era apenas casar e ter meus filhos para cuidar, mas Andrew tirou tudo de mim em apenas uma mordida venenosa. Eu não era completamente feliz antigamente, minha família não era tão rica como as das minhas amigas e meus pais eram mais interessados no dinheiro de Andrew do que em minha felicidade quando viramos noivos. Mas eu tinha minhas irmãs, minha humanidade e vivia bem apesar de ser ingenua. Se eu tivesse descobrido o que Andrew realmente era no passado, não teria essa vida de hoje. Eu não teria tanto rancor dentro do meu coração, se eu tivesse pelo menos tentar descobrir o motivo dele nunca poder me ver durante o dia ou por que seu olhar se tornava como um felino faminto as vezes... Tudo seria diferente. Mas infelizmente eu aprendi que pequenos detalhes sempre são importantes na pior maneira que podia existir, na maneira em que meu noivo me levou para a cama apenas pra se alimentar do meu sangue até que tirasse minha humanidade. Minha porta foi aberta em seguida, a claridade que veio junto fez com que meus olhos ardessem um pouco por estar acostumada a escuridão, Nyx apareceu ali logo em seguida.— Você precisa ver algo.— Ela disse solenemente. Eu a encarei por alguns segundos e me levantei para segui-la até nossa sala. Assim que sentei no sofá, Nyx ligou a televisão e uma repórter em frente de um enorme galpão, totalmente desconhecido para mim, surgiu na tela.— Hoje mais de 30 funcionários que trabalhavam no turno da noite dessa fabrica foram relatados como desaparecidos e dentro desse galpão existe diversas pequenas manchas de sangue com o DNA de cada homem que trabalhava aqui na noite passada e...— A televisão foi delisgada antes mesmo que a mulher terminasse seu anuncio, mas eu não precisava de mais nada para saber o que estava se passando. — Iawy deve estar pirando.— Foi o que eu disse. — Por que alguma criatura sobrenatural sumiria com o corpo de tantos homens e nem ao menos derramasse sangue como é o de costume vermos?— Ela perguntou. — Eu não sei, Nyx.— Disse com toda a minha sinceridade.— Mas quando virmos Iawy não podemos esquecer de perguntar isso.—


— Você acha que ele vai nos colocar pra trabalhar nesse caso?— — Bom, se não for algo perigoso, com certeza vamos estar nisso. E rastrear corpos sempre foi intrigante e fácil, então não vejo problema em estar nesse caso.— Nyx olhou para mim e sorriu, com outras pessoas talvez fosse raro ter um desses sorrisos, mas comigo era algo normal. Afinal, Nyx e eu estavamos morando juntas já fazia 5 anos e se não conseguisse fazê-la sorrir, ela realmente deveria me odiar.— Vai ser divertido, é melhor do que ficar no seu quarto pensando no seu ex sanguessugapsicopata.— — Você é tão má para criar apelidos.— Eu disse ironicamente.— Mas acho que esse combina perfeitamente com Andrew.— — Quando eu não gosto de alguém, tem que existir um apelido maldoso, então...— Ela deu de ombros.— É mais forte do que eu.— Passar a manhã inteira com Nyx foi muito mais divertido do que ficar trancada em meu quarto esperando com que meu sono chegasse. Estava obvio que eu iria sofrer alguns dias até que voltasse a dormir durante o dia e quando uma preguiça lenta estava chegando ao meu corpo, o sinal de que logo, logo eu teria que ir dormir um pouco, alguém bateu na porta do nosso apartamento, fazendo com que qualquer ideia minha de ir diretamente para minha cama acabasse naquele momento. Nyx caminhou até a porta e a abriu, mas ao mesmo tempo que fez isso, ela estava pronta para fechá-la. Isso apenas não aconteceu pois eu fui mais rapida e segurei a porta para que não batesse na cara de Iawy.— Não seja mal educada.— A repreendi e dei um pequeno puxão nela pra que saísse de trás da porta, para que pudesse abri-la totalmente agora.— Iawy!— Eu disse totalmente sorridente, ignorando o fato de Nyx estar o fuzilando com seus olhos azuis que poderiam explodir facilmente. Quando eu me movimentei para que permitisse a entrada do nosso amigo, puxei Nyx novamente, mas antes mesmo que Iawy entrasse, dois homens vestidos de pretos que estavam atras dele entraram primeiro. Ambos carregavam duas caixas retangulares enormes e colocaram em nosso sofá. Nyx olhou para mim em silencio, seu olhar era mais curioso do que fuzilador agora. Talvez eu estivesse com o mesmo olhar. Aqueles homens saíram do nosso apartamento em silencio total e apenas com um acenar de cabeça de Iawy, eles começaram a ir embora e finalmente o dono da central de caçadores entrou em nosso apartamento.— Boa Tarde, meninas.— — Pessima tarde.— Nyx murmurou com seu mal humor e eu pensei em cutucá-la, mas antes que pudesse fazer isso, os olhos verdes de Iawy estavam nela. E um brilho naqueles olhos surgiu naquele momento. Era primeira vez que ele estava a vendo em sua forma humana desde que voltou e era obvio que ele tinha muito mais desejo em vê-la assim do que como um grande


cachorro branco. — É bom vê-la novamente, Nyx.— Iawy disse calmamente, sem mais delongas. Apesar de estar meio obvio do sentimentos do incubbus pela minha amiga, Iawy provavelmente nunca se humilharia por uma mulher, ele viveu muito tempo e cartas em suas mangas, para levar uma mulher aos delírios sem ao menos tocá-la, era o que ele mais tinha. Era ótimo que ele não ficasse correndo atrás de Nyx, pois ela provavelmente não gostasse disso, Iawy sempre tentava ignorar a presença de Nyx, já que era o que ela fazia também, mas ele provavelmente estava com saudades de suas patadas, já que esteve fora por um bom tempo. — O que tem nas caixas?— Eu perguntei, quando percebi que Nyx não o responderia. Alem do mais, mesmo que acontecesse um milagre divino em Nyx tratar Iawy bem, tinha que lembrá-los que eu não era vela. — Minhas damas, creio que já tenham visto os noticiários dessa manhã.— Iawy disse, olhando para as caixas por um momento antes de encontrar nossos olhares apreensivos e concordantes.— Vampiros estão no meio desse caos todo e tudo indica que aqueles homens foram transformados por eles.— — Por que tantos vampiros transformados apenas em uma vez?— Nyx perguntou, tirando as palavras da minha boca. — Eu não sei responder isso por agora, mas tudo que importa é que aqueles vampiros necessitam ser alimentados pela primeira vez até o final dessa noite.— Ele disse.— E conforme minhas investigações ficaram mais profundas, tudo indica que havera um ataque em uma festa de gala a moda antiga mais tarde.— — Legal!— Eu me animei, mas quando vi os olhares repreensivos de Nyx e Iawy, fazendo me lembrar que uma chacina iria ocorrer nesse baile a moda antiga, eu me desanimei.— Desculpe.— O que eu podia dizer? Eu não ia em uma festa há muito tempo. — Vocês duas me acompanharão nesse evento, não as quero misturadas com os outros caçadores.— — Tudo bem por mim.— Eu disse, mesmo que essa festa estivesse em penhasco, estava muito curiosa para ver o meu vestido, que provavelmente estava naquela caixa. Nossos olhares foram para Nyx, em total silencio ao meu lado.— Tudo bem por mim também.— Ela disse, quase revirando seus olhos. Um lado bom? Iawy meio que tinha conseguido ser acompanhante de Nyx nessa festa. E depois que ela concordou com isso, um pequeno sorriso cresceu nos lábios de Iawy, mas ela não retribuiu aquilo, apenas movimentou sua cabeça em um tipo de sim, aceitando aquela baboseira toda sem nenhuma vontade de fazer guerra. Isso era algo. — É um baile de mascaras.— Iawy disse depois de um tempo, assim que o silencio caio entre nós.— Eu irei buscá-las as 20 horas e estejam preparadas para salvar muitas vidas humanas.— — Você também, Iawy.— Eu disse gentilmente, o acompanhando até a porta quando o incubbus egípcio passou a caminhar até a saída. — Até mais tarde, Roxie.— Ele disse, assim que passou por mim. — Iawy.— Eu disse seu nome para que pudesse o impedi-lo de pegar o elevador.— Não se esqueça que você tem que contar todos os detalhes de sua viagem para mim.


— Iawy estava com suas mãos nos bolsos de seu blazer e quando se virou somente um pouquinho para que seus olhos encontrassem os meus, ele deu de ombros.— Não deixe que minha vida tediosa atrapalhe seu tempo.— — Eu tenho muito tempo.— Eu o lembrei e sorri quando ele sorriu. — Tchau, Roxie.— Ele disse de uma maneira divertida e eu permiti que Iawy fosse embora, quem era eu para ficar segurando uma pessoa tão importante. Depois que fechei a porta atrás de mim, Nyx literalmente já estava em cima das caixas, abrindo a sua. Assim que ela tirou o seu, eu fiquei encantada. Não era o modelo que usei durante anos quando era humana, com aquela armação por baixo que deixava o vestido parecendo um balão, era de uma época em que eu já era vampira. Na época em que o longo agarrado na cintura e solto a baixo dela veio à tona. O vestido de Nyx era branco e com detalhes azuis, com uma fita de seda preta que passava pela cintura e formava um laço atras de suas costas. Cada detalhe era feito de renda fina e pequenas perolas. Era um vestido lindo. E a máscara de Nyx era preta, do formato de uma borboleta, ela tinha a mesma cor do vestido, azul claro, e havia uma renda preta, com desenho de flores, que a cobria. Pelo tamanho da mascara, provavelmente cobriria boa parte do seu rosto, mas iria realçar muito bem seus olhos azuis.— Se foi Iawy que escolheu isso, não posso negar que ele tem bom gosto.— Ela murmurou. Eu abri minha caixa em seguida e me deparei com um vestido do mesmo modelo de Nyx, a diferença era que em vez de azul, ele era rosa. E minha máscara tinha a mesma cor do vestido, e era incrível o quanto ela se encaixava perfeitamente, como a ultima peça de um quebra cabeças. Ela tinha a perfeita forma de um boomerang invertido, do tipo que só cobre a parte dos olhos, e tinha os cantos longos e inclinados para cima, com um pequeno contorno em dourado em volta do rosa bebê. Haviam também três penas em seu centro, cor de rosa, é claro, e elas tampavam tanto minha testa quanto parte do meu cabelo. Realmente, Iawy tinha um bom gosto. — O que é isso?— Nyx perguntou, tirando um espartilho branco de dentro da caixa. E antes mesmo que eu pudesse responder, ela caminhou até o balcão americano que separava a sala da nossa cozinha e pegou a tesoura.— Se ele pensa que eu vou usar isso, está delirando.— Ela disse raivosamente e novamente, sem tempo de abrir a boca para impedi-la, Nyx começou a destruir o espartilho com aquela tesoura. E eu nem ficava surpresa, até demorou para que seu humor terrivel voltasse.— Não me olhe assim, jamais usarei algo que esmague minhas costelas.— — Eu não estou falando nada.— Disse com toda minha sinceridade, salvar essa alma perdida já não estava mais em minhas mãos.— Apenas vamos nos arrumar para não nos atrasar.— — Ok.— Ela concordou comigo e tudo que fizemos foi pegar nossos vestidos e


caminhar até nossos quartos para começar toda a produção de beleza. Em questão de tempo para me arrumar, não demorou muito. Eu apenas tinha que lidar com a maquiagem, pois meus cabelos iriam soltos ao natural. Lisos, ondulados nas pontas e jogados por cima dos meus ombros. E assim que coloquei meu vestido, ele ficou ainda mais perfeito. Eu não queria me auto bajular, mas estava realmente linda com aquele vestido. Era uma pena que apenas um olhar diretamente para meus olhos, para que tudo isso acabasse. Não importava quanta maquiagem eu passasse ou o quanto minha roupa era bonita, o pesadelo e a dor sempre existiria neles. E essa era a marca que destruía a beleza de qualquer mulher. Eu me dei uma ultima olhada no espelho e sai do meu quarto, não havia nada que pudesse fazer sobre isso, então não tomaria mais meu tempo. Quando disse que fazia tempo que não ia a uma festa, realmente era verdade. Depois que todos os sonhos do meu casamento foi tirado de mim, depois que tudo foi tirado da minha alma, apenas não parecia certo festejar. Pois eu estaria festejando o que? A vida eterna? Eu abri minha porta e logo avistei Nyx alisando seu vestido em nossa sala, provavelmente me esperando. No momento, ela parecia uma boneca que tinha acabo de sair da sua caixa de papelão, uma boneca bem fina apenas pelo cabelo dela estar preso em um coque simples, mas que esbanjava sofisticação. E Nyx nunca teve aquele vazio em seus olhos, então, as estrelas perderiam feio quando fossem comparadas com seus olhos, mesmo que seu humor e jeito de ser fosse mortal. — A limousine de Iawy já está lá em baixo nos esperando.— Ela disse para mim, pegando sua mascara, mas não a colocando. — Por que não me avisou para que me apressasse?— — Náh, eu apenas não queria ver a cara de Iawy nos minutos anteriores.— Eu encarei Nyx por alguns segundos. Sem salvação, eu lamentei mentalmente antes de pegar minha mascara em cima do balcão e enganchar meu braço ao dela, para que pudéssemos ir ao encontro do incubbus que nos esperava lá em baixo em uma limousine magnifica. Iawy estava encostado na porta traseira do automóvel, provavelmente cheio de tédio por ter ficado esperando por longos minutos até que descêssemos. Ele vestia um o smoking tradicional, preto e branco com uma gravata de borboleta. Iawy também não vestia sua mascara, mas a segurava em sua mão. E era uma mascara simples da cor


preta, ela apenas cobriria a região de seus olhos e nada mais.— Vocês estão lindas.— Ele nos elogiou, deixando que seus olhos caissem em Nyx por mais tempo. — E você está horrivel.— Nyx rebateu o elogio de Iawy com grosseria e eu quase a rebati contra o carro, mas não pretendia estragar meu vestido. — Muito gentil, Nyx.— Iawy foi um pouco irônico e abriu a porta da limousine para nós.— Vamos logo antes que seus elogios comecem a me deixar constrangido de tão belos que são, minha dama.— Nyx sorriu para Iawy antes de entrar, mas um sorriso totalmente sarcástico e irônico. Pelo menos ninguém podia dizer que ela nunca sorriu para ele. Logo após que ela entrou e se acomodou perto da janela, eu a segui. O caminho até o baile de máscaras não foi muito longo, apesar de todas criaturas sobrenaturais sempre se manterem afastadas da vida humana, Nyx e eu moravamos em uma parte da cidade de Londres que não era afastada de nada do mundo. Afinal, Nyx era 50% humana e não podiamos simplesmente ir morar em uma mansão velha e afastada de vizinhos, lojas, etc. Ela precisava estar entre os humanos por questão de comida, principalmente por causa dos disk's comidas. Assim que a limousine parou em frente de um enorme Plaza Hotel, nós colocamos nossas máscaras em silêncio. Nyx e eu não precisavamos de instruções, pois tudo estava claro, a instrução era simples: salvar os humanos. Iawy foi o primeiro a descer da limousine e quando chegou minha vez ele pegou em minha mão para me ajudar a sair do automóvel, como um verdadeiro cavalheiro. Já Nyx, ela negou toda essa educação que vinha dele e saiu dali sozinha, o que fez meus olhos rolarem. E antes de começar a caminharmos, antes que pudéssemos ficar a vista das pessoas, Iawy passou seus braços por minha cintura e a de Nyx, mostrando para qualquer pessoa que eramos suas acompanhantes, mesmo sendo algo profissional de se fazer, pude ouvir Nyx rosnar com sua atitude, mas ela nada disse sobre isso. Nós entramos no hotel e fomos até o salão em que a festa ocorreria, era incrível como aquele lugar podia ser ainda mais belo do que a vista que podíamos ter lá de fora. E claro que o salão estava arrumado conforme o tema, muito fino e com o toque de décadas passadas. O lugar já estava cheio de humanos, as únicas pessoas que eu conhecia nesse lugar eram os caçadores de Iawy espalhados por todos os cantos, tanto como seguranças ou alguém 'curtindo' o baile. Iawy cumprimentou várias das pessoas que passavam por nós, tudo que Nyx e eu fizemos foi colocar um sorriso em nossos rostos quando alguém nos olhava.— Acho que tudo está bem, por em quanto.— Eu disse assim que a ultima pessoa educada ao cumprimentar Iawy foi embora, com meus olhos fixos nas pessoas que dançavam


alegremente no centro do salão. — Ainda é cedo.— Nyx disse calmamente.— Os convidados ainda estão chegando. — — Nyx tem razão.— Iawy concordou com ela.— Apenas vamos nos separar por um momento e procurar por algo incomum.— — Tudo bem.— Eu disse totalmente em acordo. Afinal, era melhor saber o que estava se ocorrendo nesse hotel do que ser pega de surpresa. Iawy olhou para mim e Nyx por alguns segundos antes de soltar nossas cinturas e se colocar em nossa frente.— Eu não posso sumir dos olhos das pessoas, muitos me conhecem e se quem está por trás disso notar que não estou aqui pode ser um problema.— Ele disse calmamente.— Então eu quero que você, Roxie, veja se tudo está bem para fora do salão e Nyx ficará comigo.— — Por que eu?— Nyx disse rapidamente, em quanto um sorriso malicioso crescia em meus lábios. Dar uma ronda por ai para ver se 'tudo estava bem', uhum. Bom, pelo menos Iawy estava me livrando de ser uma vela, disso não podia reclamar. — Porque eu não posso ficar sem uma companhia, minha dama. E um passarinho cor-de-rosa disse que você dança magnificamente.— Nyx olhou para mim com um olhar fuzilador e se isso funcionasse, eu estaria morta nesse exato momento. Mas antes que qualquer coisa acontecesse, Iawy estendeu sua mão para ela.— Aceita dançar comigo, Nyx?— Ele perguntou educadamente. Ela olhou para Iawy e revirou seus olhos.— O que eu não faço por meu trabalho.— murmurou, pegando na mão estendida de Iawy e aceitando seu convite.— Se você pisar em meu pé, eu juro que esse será seu ultimo movimento, incubbus.— Ela avisou ou o ameaçou. Era dificil saber o que era uma ameça vindo de Nyx, já que na maior parte do tempo ela era assim. Assim que eles caminharam até o centro do salão, eu sai daquele local e fui diretamente para os lugares mais abandonados do hotel. Claro que eu queria ficar e observar eles dançando, mas Iawy falava sério quando disse para mim dar uma ronda e estava muito certo em deixar Nyx perto dele, já que ela não tinha uma enorme força quando estava em sua forma humana. Eu andei silenciosamente pelo corredor que escolhi por primeiro para dar uma olhada, era obvio que não andaria por esse hotel inteiro e muito menos iria para o andar onde ficava os quartos, não desejava passar toda a noite fazendo isso, pois o hotel era enorme. Para dizer a verdade, ele era tão grande que acabei me perdendo pelos corredores que andei. Não sabendo onde exatamente eu estava, acabei entrando em uma sala que parecia um tipo de escritório e biblioteca, mas não era um lugar fechado, então devia ser para os hospedes do hotel.


Ainda não preparada em ter que encontrar o salão da festa, eu caminhei até a enorme janela para ver a rua e os convidados chegando. Não havia muitas pessoas entrando no lugar, eram minimas as que passavam pelos seguranças. E também não havia nada como um grupo de 30 homens entrando, então tudo estava bem por em quanto. Talvez eu poderia até ficar feliz em acreditar em que isso era apenas um alarme falso. Eu fiquei ali observando a janela por alguns minutos, o hotel inteiro estava em silencio total, não contando com o salão e a cozinha, claro. Tudo indicava que não havia criaturas sobrenaturais no lugar e eu estava começando a acreditar que o louco que planejou vir até esse evento para alimentar seus criados, acabou desistindo. Me afastei da janela um pouco, tirando meus olhos dos convidados que a cada segundo que passava, apenas diminuía. Eu me virei para voltar ao salão e dizer para Iawy que tudo estava limpo pelo interior do hotel, mas começar a caminhar até lá, foi algo que jamais aconteceu. Pois atrás de mim, agora em minha frente, estava um homem que havia chegado em total silencio, a ponto que eu nem ouvisse seus passos.— Você devia estar no salão, não perambulando pelo hotel.— Ele disse, com um sotaque que eu desconhecia totalmente. — Eu apenas me perdi.— Menti ou disse a verdade, afinal, eu realmente tinha me perdido. Aquele homem parado em minha frente olhou para mim com mais cautela e eu aproveitei para observá-lo melhor também. Ele tinha cabelos de um loiro que parecia raios solares ao meio-dia, tão loiro e brilhante que podia ser confundido com o sol e seus olhos... que olhos. Esse estranho tinha olhos tão verdes que chegavam a ser desumanos, era como se uma natureza pura e limpa existisse ali, uma natureza misturada com pequenas gotas de chuvas de uma pequena tempestade de verão. Eu não podia ver o rosto dele, pois sua mascará não permitia isso, mas tudo indicava que ele era lindo. — Como se chama, minha querida?— Ele perguntou educadamente, mas eu jamais cederia a um estranho que conseguiu chegar perto de mim sem ao menos ser notado. — Eu estou acompanhada.— Eu disse. — É claro, eu imagino que esteja. Mas eu perguntei seu nome e não se está sozinha. — Ele disse em uma arrogância enorme que chegava quase a ser irônia. — Eu me chamo Roxie.— — Bem, Roxie, eu poderia acompanhá-la até o salão, mas imagino que saiba encontrar seu próprio caminho.— — Sim, eu sei.— Disse começando a caminhar e passando por ele.— Tenha uma ótima festa.— — Você também, vampira.— Eu parei onde estava no momento em que ele disse a palavra 'vampira'. Minha mão viajou até a frente da minha cintura, onde havia uma estaca. Eu a apertei por cima do meu vestido, mas antes de fazer qualquer loucura me virei para encarar aquele olhos verdes tão desumanos e foquei nas batidas de seu coração.


— Obrigada, vampiro.— Eu disse com um sorriso falso e voltei a caminhar para sair da sala. Esteve tão obvio que ele era um vampiro e eu nem ao menos notei, só uma criatura sobrenatural podia chegar perto de outra sem ser notado. Deus, eu precisava começar a ouvir o coração das pessoas para saber quem elas realmente eram. E podia ser loucura deixar que ele escapasse, mas esse vampiro parecia que apenas queria aproveitar o baile, ele não parecia ser um perigo para as pessoas que estavam aqui. Afinal, haviam vampiros que se misturavam entre humanos para que o tédio da vida eterna não acabassem com eles. Então tudo que fiz foi ignorar a presença desse vampiro e voltar para o salão onde o baile estava ocorrendo. Haviam mais pessoas no local desde que eu saí, acho que agora o baile de máscaras realmente tinha começado. Eu procurei por Iawy e Nyx, apenas para ver que eles continuavam dançando. Talvez não tivesse passado muito tempo desde que eu saí ou ambos acabaram se encantando com o momento e esqueceram do tempo real. E a segunda opção fazia muito mais sentido do que a primeira, pois a atenção estava apenas para eles, Iawy e Nyx pareciam não estar dançando, eles fizeram da dança apenas um detalhe daquele momento. Eles estavam conectados um com o outro, aqueles olhos verdes e azuis fixos apenas naquele momento, como se a festa fosse apenas deles e não houvessem convidados. Seus movimentos eram tão delicados e encantadores, que parecia que eu estava vendo uma versão sobrenatural de barbie o quebra nozes em sua dança final. E mesmo sendo totalmente assustador, até mesmo uma surpresa, pude ver pequenos sorrisos que saiam dos lábios de Nyx. Sorrisos que pertenciam a Iawy e ela não fazia questão nenhuma de escondê-los. Em quanto eu os observava dançar, eu senti que alguém também fazia o mesmo, mas não com Iawy e Nyx, e sim comigo. Talvez fosse paranoia minha, pois não tinha nenhum poder para saber se isso era uma verdade, mas minha intuição estava gritando que eu estava sendo observada. Eu olhei para baixo por um momento, tentando focar minha audição nas conversas que ocorriam em minha volta para ver se alguém falava de mim, mas nada. Ninguém disse meu nome, ninguém descreveu minha aparência ou meu vestido, mas alguém ainda olhava para mim. Lentamente, eu comecei a levantar meu queixo e meus olhos para olhar por cima do meu ombro direito, ninguém estava atrás de mim. Bom, eu pelo menos pensava isso, pois antes mesmo de endireitar minha postura e voltar a olhar meus amigos, uma voz sussurrante e meio rouca soou ao pé do meu ouvido esquerdo.— Uma dama não deveria estar sem um par em quanto essa


magnifica sinfonia é tocada. — Por instinto ou simplesmente pelo susto, dei um passo para trás e acabei me debatendo ao corpo do estranho que estava posicionado ao meu lado esquerdo, alguns centímetros atrás de mim. Eu estava pronta para me desculpar por ter trombado com ele quando me virei, mas assim que eu vi sua máscara me perdi totalmente. Para tampar seu rosto, esse homem escolheu uma máscara de um vermelho queimado, cada detalhe dela era contornado com um preto sombreado, dando a expressão que cada curva daquilo era real. Tanta fineza e beleza, faziam o desenho dessa mascara como o rosto de um demônio. — Me desculpe.— Eu sorri educadamente ao me desculpar pelo o que aconteceu.— Eu não estou sozinha, digamos que meus acompanhantes estão...ocupados.— Falei e olhei por um momento para Iawy e Nyx, antes de encontrar aqueles olhos novamente. — Tão triste estar nesse evento em um número impar.— Ele disse, sua voz tão cortante quanto uma estaca afiada e pronta para ser enfiada no coração de alguém. Essa máscara, suas roupas totalmente negras, apenas o fazia parecer tão misterioso. — Você parece estar sozinho também.— — Não tenha certeza sobre isso.— Seus lábios puxaram em um pequeno sorriso, mas antes mesmo de se tornar algo simpático, ele os fechou.— Mas por você, estarei sozinho para lhe acompanhar nessa dança. — Hipnotizante, era essa a palavra que descrevia muito bem esse estranho. Quando eu provavelmente fiquei sem reação, ele esticou sua mão esquerda em minha direção e esperou que eu a pegasse para aceitar seu convite. Meus lábios pareciam ter criado vida naquele momento, pois sem ao menos notar, eu estava sorrindo para aquele homem esperando por um sim, vindo de mim. Eu elevei as pontas dos meus dedos até sua mão, mas não pude sentir a sua pele que parecia ser tão macia, pois minhas luvas rosas que iam até meus cotovelos impossibilitaram isso. Esse estranho enganchou seus dedos aos meus e quando passamos a caminhar, ele passou seu braço direito por minhas costas até encontrar minha cintura. Eu congelei por um momento por dois motives simples. O primeiro, era que minha estaca estava presa ali, mas ele provavelmente não tinha a notado e o segundo motivo, foi por que aquele homem realmente parecia conhecer todos os segredos de como conduzir uma dama em uma dança. Quando chegamos ao centro do salão, ele elevou meu braço, que segurava meus dedos, um pouco para cima e eu dei um pequeno giro para que pudéssemos nos colocar na posição em que uma mulher e um homem ficavam quando estavam prontos para dançar. Eu coloquei minha mão livre no ombro daquele homem e depois que fiz isso, eu senti sua mão em minhas costas viajando lentamente até que encontrasse novamente minha


cintura. Quando ele finalmente a achou, não perdeu tempo em me puxar para mais perto até que nossos corpos se encontrassem. Nossos movimentos começaram no segundo seguinte, com passos pequenos e lentos, exatamente como a musica exigia. Meus olhos viajaram contra minha vontade para o estranho que me tinha nos braços, e o que eu podia ver dele era tão envolvente quanto os movimentos lentos e provocantes que ele usava para me guiar pelo salão durante a dança. Seu cabelo era longo, penteado de modo elegante para trás e a cor tão escura deles parecia ter saído de uma tempestade em uma noite de inverno, o que combinava perfeitamente com a cor vibrante de azul que ele tinha nos olhos. Era hipnotizante olhar. Sua pele tão pálida contrastava com o preto espalhado por toda sua roupa, ele era tão pálido e aqueles olhos que falavam por si, mas que demonstrava que a frieza era muito maior do que qualquer palavra ou sentimento... era exatamente como Andrew. E foi então que eu reconheci meu próprio pesadelo. Isso me fez parar de dançar, de respirar, fez com que eu perdesse total controle do meu corpo e da minha mente. Aquela máscara podia esconder grande parte do seu rosto, mas eu o reconheceria de qualquer maneira, de qualquer roupa ou mascara. — Há algo de errado?— Ele perguntou em um tom curioso. Meus lábios se entre abriram um momento e quando nenhuma palavra saio dali, eu desisti de dizer qualquer coisa. Tudo o que fiz foi elevar meus braços até acima de seus ombros e desatar o laço que segurava aquela mascara junto ao seu rosto e depois que ela caio sob nossos pés, tornando seu barulho de encontro o chão o pior som que já puderá existir, eu tive certeza de que esse era o pior baile que já participei ao ver o rosto dele novamente, o rosto que tornou minha vida um verdadeiro inferno. A escuridão invadiu o lugar em seguida, pois todas as luzes do hotel foram cortadas. Por um momento eu pensei que apenas escutaria murmurios ou pessoas chamando seus acompanhantes para ir embora, mas nada disso aconteceu. O que veio para meus ouvidos foram gritos de puro horror e logo em seguida o cheiro de sangue, o cheiro da morte.— Hora do show.— Andrew disse em minha frente e começou a se afastar de mim, sem ao menos se lembrar que a alguns minutos atras eu estava em sua frente. — Não!— Eu disse quase em um grito, mas antes mesmo de permitir que segurasse seu braço para impedi-lo de ir embora, eu me contive. “Não” essa era a palavra que eu dizia depois de anos de puro sofrimento nos treinamentos para me tornar uma caçadora... Muito genial, Roxie. Mas eu não podia mentir que o choque dentro de mim era enorme, eu não sabia se ia


atrás daquele vampiro que me transformou em uma criatura sobrenatural ou se simplesmente o deixava ir. Nyx surgiu em minha frente antes mesmo que eu achasse a resposta para minha duvida.— Vamos, Roxie, nós temos que ir.— Ela disse desesperadamente. Eu fiquei parada olhando para o caminho que Andrew fez antes de sumir, não dando muita bola para Nyx e o seu assunto sobre ir embora, mas quando ela me deu um puxão no meu braço, me puxando para ir para alguma direção, eu voltei a vida. — Onde está Iawy?— Eu perguntei, me soltando de sua mão e passando a segui-la. — Ele está ajudando os outros caçadores e nos deu a ordem de sair do hotel imediatamente, pois a coisa está muito feia.— Eu não gostei muito da ideia de sair sem ajudar nenhuma pessoa, mas se Iawy havia decidido isso de ultima hora, devia ser por que a coisa estava para ficar pior. Meu olhar foi diretamente para a porta onde estramos, mas antes mesmo de abrir minha boca, Nyx voltou a falar.— Todas as portas estão trancadas, vamos ter que usar nossa criatividade para sair daqui.— Nyx e eu saímos do salão e naquela parte do hotel, onde a festa não ocorria, tudo parecia estar esquecido e abandonado. Eu forcei as janelas para abrirem e quando nada aconteceu, eu olhei para Nyx fazendo o mesmo e não tendo nenhum sucesso.— Vamos para outro andar.— Eu disse.— É impossivel que eles tenham bloqueado todas as janelas do hotel.— — Eu não posso pular de muito alto, Roxie.— Nyx disse me lembrando.— Um pouco humana, lembra?— Eu havia me esquecido desse pequeno detalhe, mas isso era apenas um detalhe e não um problema. E quando eu ouvi que o real problema estava chegando, pessoas se aproximando de nós, eu agarrei o pulso de Nyx e corri em direção da escada. Se nós chegássemos até um andar vazio, estaríamos salvas, pois fazer Nyx pular de uma janela, era a coisa mais simples que podia existir.— Vamos, alguém está vindo para cá.— Eu sussurrei para ela e qualquer resistencia sobre não pular de uma janela foi esquecida por e passou a cooperar comigo. Nós chegamos no corredor do primeiro andar e ele era imensamente enorme e cheio de portas em ambos os lados das paredes. Eu forcei a primeira porta para abrir e quando não tive nenhum sucesso nela e na segunda, optei por arrancar a terceira da parede. Primeiramente usei meu ombro para forçá-la a cair e depois acabei dando um chute, ela foi de encontro ao chão no minuto seguinte. Nyx entrou por primeiro no quarto, eu nem tive tempo de olhá-lo direito, mas esbanjava um luxo que quando fosse comparado ao meu, teria vergonha em chamar aquilo que durmo de quarto.


Eu entrei no quarto logo em seguida que Nyx abriu a janela, me aproximei dela o mais rapido que pude e acompanhei seu olhar para baixo. Haviam várias latas de lixos lá em baixo, mesmo sendo feitas de metal, aquilo iria amortecer a queda dela.— Você não vai se machucar muito, apenas tente cair em cima daquelas latas.— Eu apontei para os lixos. — Isso não é muito confortador.— Ela disse um pouco nervosa, olhando para aquelas latas. Eu podia ter me preocupado com isso, mas alguém estava vindo em nossa direção. Eu podia ouvir os passos apressados cada vez mais perto de nós. Eu olhei para Nyx e sua mão estava segurando o parapeito da janela tão forte que poderia moer no meio de seus dedos cobertos pela luva.— Você vai me matar depois, mas vale a pena.— Eu disse rapidamente e antes mesmo da mente dela processar o que havia saído da minha boca, eu puxei sua mão do parapeito e a empurrei em direção da única saída que haviamos encontrado disponivel. Nyx foi pega totalmente de surpresa pelo meu ato, então não houve nenhuma guerra para jogá-la da janela, então eu vi ela caindo, ouvi seus gritos e os barulhos das latas se amassando assim que o corpo dela se encontrou com o metal. Ela iria me matar, com certeza, mas pelo menos minha preocupação não era sobre saltar de uma janela. Afinal, vampiros eram exatamente como gatos quando saltavam, nós sempre cairíamos de pé. Eu estava prestes a saltar da janela, assim que Nyx se levantou com um pouco de dificuldade para sair do lugar onde provavelmente eu cairia, mas antes de qualquer movimento para sair daquele hotel, onde só haviam gritos de horror, alguém me impediu. Braços vieram em torno de mim e me puxaram para longe da janela, me levando para a escuridão do quarto. Eu tentei usar minhas unhas, cobertas pelas luvas, para me livrar dos braços que me seguravam e antes de ter qualquer sucesso, presas vieram de encontro ao meu pescoço, rasgando minha pele sem nenhuma piedade, quando mais eu me mexia, a dor e o corte apenas aumentavam. A pessoa que me segurava, apenas me puxava cada vez mais para longe da janela, então eu decidi fazer o que ela deseja. Com meu corpo colado ao daquele estranho que rasgava minha jugular, usei a força que ainda me restava pra empurrar nossos corpos para trás, até que o dele batesse contra a parede, que tremeu com o nosso contato feroz. Quando aqueles braços se afrouxaram um pouco em minha volta, aproveitei para pegar minha estaca escondida no laço do meu vestido. Eu a enfiei no braço daquela pessoa sem hesitar e um gemido totalmente masculino e alto escapou daquele homem. Eu me livrei de suas presas, de seus braços e assim que me virei em sua direção para terminar meu trabalho, enfiando uma estaca no coração dele, eu tremi


totalmente com a visão que tive. Por um momento eu pensei que estivesse vendos coisas, pois devido ao sangue que perdi era normal que me sentisse fraca e zonza. Mas aquilo não era uma visão, era a realidade. Um sorriso cresceu nos lábios de Andrew, assim que ele começou escorregar seu corpo para cima pela parede até que sua postura estivesse reta.— Uma caçadora.— Ele sussurrou, aquele sotaque francês tão forte que parecia que ele tinha dificuldades para falar o inglês.— Quanta honra nessa noite.— Ele se afastou da parede e passou a caminhar lentamente em minha direção, eu apenas recuava, com minhas pernas totalmente bambas mais pelo motivo de estar quase desmaiando do que ter Andrew em minha frente novamente. O vampiro que me trouxe somente sofrimento, estava prestes a vir pra cima de mim novamente, mas antes que ele apenas piorasse minha situação física, eu deixei que a estaca entre meus dedos fosse de encontro ao chão e em seguida, tirei minha mascara. E naquele momento, foi como se a maior arma mortal tivesse atingido o coração de Andrew. Ele parou de andar no mesmo momento em que aquela mascara que tampava meu rosto teve o mesmo destino da minha estaca. Seus olhos azuis passaram por todo o meu corpo, seus lábios entre abertos diziam que surpresa percorria todas as suas veias.— Roxie.— Meu nome saio de seus lábios em um sussurro, aqueles olhos azuis frios apenas diziam que ele jamais esperava me ver novamente. Eu poderia pegar minha estaca e aproveitar esse momento em que choque era muito maior do que a força em seu corpo, mas eu não conseguia. Eu não estava preparada para matar alguém que me olhava como se tivesse achado algo que perdeu há muito tempo, algo muito especial. A tontura me atingiu de vez nesse momento e meus pés vacilaram para trás, somente parei de fazer esforço para me manter de pé assim que sentei no parapeito da janela, eu não entendia o que estava acontecendo, pois o ferimento em meu pescoço já deveria estar curado, o sangue que Andrew tomou não foi o suficiente para me deixar assim, mas algo estava errado e eu não podia ficar mais aqui até encontrar minhas forças para matar esse vampiro. Jogando o restante de força que havia em mim, as joguei para trás e só parei quando não estava mais na segurança do parapeito, e sim indo em direção do chão. E aquilo que falei sobre vampiros ser como gatos, seria algo que jamais se realizaria essa noite, pois antes mesmo que meu corpo encontrasse as latas que foram amassadas por Nyx e sentisse a dor da queda, eu simplesmente apaguei.


02-


Toxic