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Após o final da Grande Guerra iniciou-se o ciclo das grandes viagens aéreas. Em 17 de junho de 1922, no âmbito das comemorações do primeiro centenário da independência do Brasil, Gago Coutinho e Sacadura Cabral concluíram com assinalável êxito o raid aéreo Lisboa-Rio de Janeiro, a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, inscrevendo Portugal e os seus nomes de forma perene nos anais da história da aviação mundial.

O ‘Lusitânia’ à saída da doca do Bom Sucesso, acelerando para descolar a 31 de março de 1922 para a realização da 1ª Travessia Aérea do Atlântico Sul. A chegada ao Rio de Janeiro concretizou-se em 17 de junho desse ano de 1922.

Em 15 de novembro de 1924 desaparecia no Mar do Norte, aos comandos do aparelho que pilotava, o Comandante Sacadura Cabral. No entanto, a Aviação Naval soube resistir ao falecimento do seu principal mentor, tendo-se tornado, nos finais dos anos 20, numa força pequena, mas eficiente. Durante a Segunda Guerra Mundial, embora Portugal não tenha sido beligerante, a Aviação Naval aumentou exponencialmente a sua atividade aérea. Tal ficou a dever-se, em grande parte, aos voos de busca e salvamento dos náufragos dos navios torpedeados no Atlântico, dos quais se destacam as pesquisas aos dois últimos salva-vidas do paquete ‘Ávila Star’, com cerca de 40 náufragos, que foram encontrados após 17 dias à deriva, por um hidroavião do Centro de Lisboa. Em 1952, com a criação do Subsecretariado de Estado da Aeronáutica, a Aviação Naval

passou a integrar, em conjunto com a Aeronáutica Militar do Exército, a estrutura daquele que viria a ser o terceiro ramo das Forças Armadas: a Força Aérea Portuguesa. Após trinta e cinco anos de atividade e de relevantes serviços prestados ao país, a Aviação Naval era extinta enquanto meio operacional da Marinha. Passadas quatro décadas, a evolução da tecnologia aeronáutica e das doutrinas operacionais justificaram a aquisição de helicópteros para equipar as novas fragatas da classe ‘Vasco da Gama’. Contando com cerca de 22.000 horas voadas em segurança, a Esquadrilha de Helicópteros é um caso de sucesso de uma unidade que já atingiu a sua maturidade e que já participou em inúmeras missões e cenários, desde as operações de resgate de cidadãos nacionais na Guiné-Bissau em 1998, manutenção de paz em Timor-Leste em 2000, combate

ao terrorismo no Mediterrâneo desde 2001 até ao combate à pirataria na Somália entre 2010 e 2013. Quando há quase 25 anos se deu a introdução dos helicópteros Lynx, a bordo das fragatas da classe ‘Vasco da Gama’, a Marinha Portuguesa deu um enorme salto qualitativo na forma de operar e até mesmo de pensar. A Marinha voltava a ter ‘asas’! A exposição inaugurada a 3 de outubro irá prolongar-se por 2018, marcando o primeiro centenário da Primeira Grande Guerra. Se a Guerra revela o pior da Humanidade, também mostra muitas vezes o melhor do Homem. As nossas histórias são feitas de dedicação, por vezes de génio, de um profundo sentido de dever e de sacrifício pessoal. Convidamo-lo a redescobrir o Museu de Marinha, aproveitando a visita à nossa Exposição sobre a Aviação Naval. 7

Catálogo 2018  

Catálogo da Loja & Livraria do Museu de Marinha para 2018.

Catálogo 2018  

Catálogo da Loja & Livraria do Museu de Marinha para 2018.

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