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I I J A ( I ' I . i n . i ) 99 min. P & B

l i l l o n i . i : inj'Jcs

0 SEGREDO ATRAS DA PORTA mm (SECRET BEYOND THE DOOR)

D l r e ç S o : Fritz Lang P r o d u c S o : Fritz Lang, W a l t e r Wanger R o t e i r o : Rufus King, Silvia Richards

Os fãs de Fritz L a n g g e r a l m e n t e se d i v i d e m entre os que preferem seus clássico', c o n s a g r a d o s e pretensiosos c o m o M, o vampiro de DusscJdorf (1931), Metrópolis (1926) I Os corruptos (1953) e os que preferem os f i l m e s m a i s e s t r a n h o s , crípticos e perversos dl

i " i ' T , i - i l i . i : M a n l e y Cortez sua obra, q u e p e n d e m para áreas m e n o s b e m - v i s t a s da cultura popular, c o m o O diabo M u t l c i : Miklós Rózsa feito mulher (1952) e O tesouro do Barba Rubra (1955). Para a l g u n s , O segredo atrás da l l r n c o : loan B e n n e t t , M i c h a e l Krilf'i.ivc. Anne Revere, Barbara O'Neill, N.it.ilic Schafer, Anabel S h a w ,

porta c o n s e g u e se safar c o m o um f i l m e noir respeitável, p o r é m é sua divertida mistura de vários gêneros - m e l o d r a m a f e m i n i n o , estudo de caso freudiano, mistério de serial

I' ill Rey, (ames Seay, Mark Dennis,

killer e alegoria do processo artístico/criativo - que o torna u m a peculiaridade tão

I'.Mil I . I V . I I I . l j ' . l l

especial e i m p r e s s i o n a n t e na carreira do diretor. O f i l m e faz parte do período do " G ó t i c o F e m i n i n o " de H o l l y w o o d , explorando o r e l a c i o n a m e n t o fecundo d e u m a m u l h e r (aqui, J o a n B e n n c t t ) c o m u m h o m e m ( M i c h a c l Redgrave) que é ao m e s m o t e m p o e n i g m á t i c o , sedutor e (à medida que a t r a m a se desenrola) perigoso. C o m o em Rebecco, a mulher inesquecível (1940), de Hitchcock, que serviu de inspiração para L a n g , a heroína adentra o lar de e s t r a n h o s , repleto de t r a u m a s p a s s a d o s e ocultos e r e l a c i o n a m e n t o s d o e n t i o s e secretos. L a n g se concentra nas a m b i g ü i d a d e s c l a r a m e n t e s a d o m a s o q u i s t a s desta trama (Qual a verdadeira natureza da fera m a s c u l i n a , sensibilidade ou agressividade? O que a m u l h e r quer dele na v e r d a d e , a m o r ou m o r t e ? ) dentro de um contexto surpreendentem e n t e original: Redgrave é um a t o r m e n t a d o gênio da arquitetura que construiu u m a casa de " c ô m o d o s precisos", cada q u a l a reconstrução da cena de um a s s a s s i n a t o atroz e a b e r t a m e n t e psicossexual. O segredo atrás da porta faz parte de um grupo especial de filmes da década de 40 que incluem A mulher desejada {1947), de J e a n Renoir, e a prod u ç ã o de Val L c w t o n A sétima vítima (1943), cuja aura poderosa e onírica é p r a t i c a m e n t e garantida pela sua precariedade de f i l m e B e pela t r a m a de associação livre - assim c o m o por u m a narração q u e , a q u i , m u d a de forma d e s o r i e n t a d o r a de B e n n e t t para R e d g r a v e , s u c e s s i v a m e n t e . Por m a i s heresia q u e seja para um defensor de carteirinha do c i n e m a de autor admitir, os cortes i m p o s t o s pela Universal na m o n t a g e m original de Lang p r o v a v e l m e n t e a c e n t u a r a m essa q u a l i d a d e onírica. O resultado final pode carecer de associações ou explicações racionais, porém O segredo atrás da porta é u m a das preciosas o c a s i õ e s em q u e L a n g - auxiliado de forma i m e n s u r á v e l pela fotografia barroca de S t a n l e y Cortez e pela trilha exuberante de M i k l ó s Rózsa - c o n s e g u i u acrescentar u m a d i m e n s ã o r i c a m e n t e poética a o s e u f a t a l i s m o h a b i t u a l . A M


A FORÇA DO MAL

(1948)

(FORCE OF EVIL) C o m o O mensageiro do diabo, A força do mal é um a c o n t e c i m e n t o único na história do cinema a m e r i c a n o . S e u diretor, A b r a h a m Polonsky, realizou mais dois filmes m u i t o d e -

E U A (Enterprise, M C M ) 7 8 min. P & H I d i o m a : inglês D i r e ç ã o : A b r a h a m Polonsky P r o d u ç ã o : Bob Roberts R o t e i r o : A b r a h a m Polonsky, Ira

pois d e s t e , roteirizando ainda o u t r o s , m a s este é o único em q u e toda a extensão do Wolfert, baseado no livro Tucker's seu b r i l h a n t i s m o promissor ficou clara, a n t e s de ele ter sido extinto pela lista negra do inacarthlsmo. A força do mal se coloca de forma desconfortável dentro do gênero noir, apesar da

People, de Ira Wolfert F o t o g r a f i a : George Barnes M ú s i c a : David Raskin

presença de um astro ( J o h n Carficld) associado a filmes de d e t e t i v e . Ele é, a c i m a de t u -

E l e n c o : J o h n Carfield, Thomas

do, poético, conduzido por u m a narração em " v e r s o s b r a n c o s " e por diálogos h a r m o -

C o m e z , Marie Windsor, Howland

niosos a l t a m e n t e estilizados, q u e e s t ã o entre as m a i s s u r p r e e n d e n t e s e radicais

Chamberlain, Roy Roberts, Paul I ix.

inovações do c i n e m a da década de 40, a n t e c i p a n d o Terra de ninguém (1973), de M a l i c k .

Stanley Prager, Barry Kelley, Paul McVey, Beatrice Pearson, Fred o.

Esta é u m a história de a m o r a l i d a d e , culpa e r e d e n ç ã o , d r a m a t i z a d a a t r a v é s do Sommers recurso q u a s e bíblico da traição entre irmãos. Polonsky quebra o f a t a l i s m o s o m b r i o do filme (sua i m a g e m final que desce até um cadáver em meio ao lixo é aterrorizante) c o m uma história de a m o r c o m o v e n t e c m u i t o moderna entre Carfield e Beatrice P e a r s o n . O f i l m e c estilizado até os m í n i m o s d e t a l h e s c o m sua a m b i ç ã o poética: libertar s o m , I m a g e m e a t u a ç ã o e fazer os três interagirem em u m a polifonia inebriante. AM

PRIMAVERA NUMA PEQUENA CIDADE (1948) (XIAO CHENG ZHI CHUN) Se u m a das m a r c a s de um g r a n d e f i l m e é a c a p a c i d a d e de apresentar personagens de forma e c o n ô m i c a , Primavera numa pequena cidade, de Fei M u , projeta sua grandeza i n s t a n t a n e a m e n t e . De maneira hábil e t o c a n t e , ele nos revela cinco figuras: "A E s p o s a " ( W e i W c i ) , solitária e cansada das tarefas d o m é s t i c a s ; " O M a r i d o " (Shi W u ) , u m h o m e m

C h i n a 85 min. P8cB

Idioma: Direção:

mandarim Fei

Mu

R o t e i r o : LI Tianjl F o t o g r a f i a : LI Shengwei M ú s i c a : H u a n g Yijun E l e n c o : Cul Chaoming, Li W e i , Shi W u , W e i W e i , Z h a n g Hongmei

melancólico e d o e n t i o ; "A I r m ã " ( Z h a n g H o n g m e i ) , jovial e cheia de vida; Lao H u a n g , "O C r i a d o " (Cui C h a o m i n g ) , s e m p r e vigilante; c "O V i s i t a n t e " (Li W e i ) , c h e g a n d o à c i d a d e do título (vindo do passado) para se tornar o catalisador da m u d a n ç a . O f i l m e constrói de maneira concisa seu drama do pós-guerra: os desejos, e s p e r a n ç a s , s o n h o s e m á g o a s que circulam entre esses personagens c a p t u r a d o s em um arranjo de corpos e m o l d u r a d o s , u m a coreografia de olhares furtivos e gestos súbitos de resistência e resignação. C o n t u d o , há t a m b é m um e l e m e n t o m o d e r n i s t a : a narração da e s posa, q u e reitera de forma poética o q u e está m e r a m e n t e visível, oculta a c o n t e c i m e n tos que ela não presenciou e põe realidades tristes em palavras brutais. A p e n a s r e c e n t e m e n t e esta obra-prima do cinema chinês recebeu o r e c o n h e c i m e n t o m u n d i a l que m e r e c e , i n f l u e n c i a n d o Amor ò flor da pele (2001), de W o n g K a r - W a i , e g e rando u m a ref I l m a g e m respeitosa em 2002. Primavera numa pequena cidade está entre os m e l h o r e s , m a i s ricos e c o m o v e n t e s m e l o d r a m a s do c i n e m a . AM

Ml


I U A (i Maries K. Feldman, Monterey) 133 m i n . P & B l.lmrii.i

ini'lc,

Director Howard H a w k s , Arthur

RIO VERMELHO

<i948)

(RED RIVER) U m a refilmagem em forma de faroeste de O grande motim (1935), este é um filme consideravelmente m a i s profundo do q u e o original, apresentando a relação entre Bligli

KIP.'.nil

e Christian cm t e r m o s de um conflito pai/filho. O astro J o h n W a y n e - um dos mais ii('(liiç.1o: Charles K. Feldman, 11 i'

1

1 1 1 1 Hawks Iro: Borden Chase, Charles

bonitos protagonistas masculinos da década de 30, interpretando um personagem mais velho do q u e ele próprio c o m uma aspereza autêntica e circunspecta - é contrastado de forma interessante por H a w k s c o m o fotogênico M o n t g o m c r y Cllft, a síntese do tipo

S< l i n e r

l o i o | ' i . i i i a : Russell Harlan M M - . K . 1 . 1 mini 1 i Tiomkin

de neurose sensível e masculina que entraria em moda na década seguinte. Depois de um longo prólogo que se passa durante as conseqüências de um ataque de

rlcnco: John W a y n e , Montgomery

índios em 1851, no qual v e m o s o empobrecido Tom Dunson (Wayne) e o órfão Matthew

1 III 1, |oanne Dru, Walter Brennan,

Carth (Clift) juntarem seus rebanhos para formar um império do gado, somos apresentados

1

Oleen Cray, Harry Carey, John

in 1 uni Nu,1I1 Beery Jr., Harry Carey

à Red River D - como o personagem de W a y n e chama sua propriedade - na depressão econômica pós-Guerra Civil. Conduzindo um rebanho até o Missouri, o inflexível Dunson se

l i . 1 h i d Yowlachie, Paul Fix, Hank Worden, Mickey K u h n , Ray Hyke,

vés de uma rota mais segura até Abilenc. Dunson admira a coragem do rapaz, mas, ainda

w.illv W a l e s

IndU

.ii,

.10 ,10

torna cada vez mais tirânico, levando Matt a se rebelar e conduzir a boiada para o Oeste atra-

Oscar: Borden Chase

(iiHrlio), Christian Nyby (edição)

assim, jura ira seu encalço para matá-lo, o que leva a um clímax que é dos mais emotivos do gênero, no qual dois h o m e n s que se a m a m duelam em meio ao gado nas ruas de Abilene. H a w k s , o grande cronista das sagas masculinas do cinema, encena aqui a ópera de caubóis definitiva, ofuscando todos os outros faroestes de condução de gado com seqüências belas, líricas e empolgantes de estouro de boiada, clima árido, vaquejadas e conflitos c o m os índios. Os protagonistas estão no auge, com W a y n e surpreendentemente rivalizando Clift em termos de sutileza. Temos ainda coadjuvantes excelentes, como Walter Brennan como o tolo desdentado; John Ireland como um pistoleiro magricela; c j o a n n e Dru como a garota pioneira q u e é c a p a z d e levar uma f lechada no ombro quase sem cambalear. Embora seja conhecido por seus faroestes, H a w k s fez, surpreendentemente, poucos filmes do gênero. Este parece ser um tributo carinhoso a J o h n Ford, realizado c o m uma certa atitude de também-posso-fazer-isso, uma vez que Hawks escalou vários membros da trupe do colega; Harry Carey e Harry Carey Jr., Hank Worden c até o próprio W a y n e . O diretor usa uma abordagem fordiana dos esplendores perigosos da paisagem do Oeste, assim como uma trilha à Ford de Dimitri Tiomkin, baseada em canções folclóricas. KN


FESTIM DIABÓLICO mm (ROPE) I inliora deva sua f a m a a um estilo mirabolante e carregado de e m o ç õ e s fortes, Alfred l InÍ hcock sempre foi um dos cineastas m a i s experimentais do c i n e m a comercial. Tendo i n i n o base sólida u m a peça de Patrick Hamilton (famoso por À meia-luz) baseada no Caso Leopold e Loeb e dramatizada de forma m a i s convencional no filme Estranha npuísão, de 1959, festim diabólico c h a m a a t e n ç ã o para seu cenário único utilizando h 11 nadas de um rolo de duração que são juntadas de maneira quase invisível para que ele pareça não ter cortes. Em se considerando q u e , em 1948, m u i t o s dos espectadores mal '.ablam que filmes consistiam cm trechos breves m o n t a d o s para efeito dramático - a t é hoje, a maioria dos filmes sobre c i n e m a parece sugerir que as cenas são filmadas c o m o s e estivessem acontecendo a o vivo, c o m o e m u m palco - , pode-se supor q u e Hitchcock estivesse mais interessado em se dirigir a colegas de profissão, d e m o n s t r a n d o uma maneira alternativa de se contar uma história em filme de forma s e m e l h a n t e ao que o posterior m o v i m e n t o Dogm.195 e A bruxa de Blair (1999) t e n t a r a m fazer. Além dos desafios técnicos de fazer a câmera seguir os personagens por um apartamento grande cm Nova York, contando uma história em " t e m p o real", Festim diabólico c bastante interessante por si próprio, mostrando dois solteiros q u e m o r a m juntos (John Dall e Farley Cranger) que t e n t a m se safar de um assassinato casual para provar uma teoria obscura. Ao m e s m o t e m p o um drama psicológico intenso c uma comédia de humor

E U A (Transatlantic, Warner Bros I

negro ao estilo de Este mundo 6 um hospício (1944), o filme apresenta um conflito de gato

80 min. Technicolor

e rato à medida que os assassinos convidam o professoral J i m m y S t e w a r t para Impres-

I d i o m a : inglês

sioná-lo c o m a inteligência deles, flertando de várias formas c o m a revelação do crime.

D i r e ç ã o : Alfred Hitchcock

A técnica distrai menos do que se poderia esperar, permitindo a Stewart e Dall se confrontarem em uma grande batalha entre afetação homicida e retidão moral. É possível

P r o d u ç ã o : Sidney Bernstein R o t e i r o : H u m e Cronyn, Arttiut Laurents, baseado na peça Rope'1

que toda a atenção que se deu aos planos longos tenha feito os censores ignorarem a representação extraordinariamente aberta de uma relação quase homossexual entre os a s sassinos - apesar de nunca mencionado nos diálogos, há apenas um quarto no apartam e n t o que eles dividem. A insegurança de Cranger fica ainda mais clara com a duração impiedosa das t o m a d a s , mas Dall e Stewart mostram-se á altura do desafio de apresentar atuações ininterruptas, ao estilo do teatro, na mídia mais intimista do cinema. KN

End, de Patrick Hamilton F o t o g r a f i a : William V. Skall, Joseph *. Valentine M ú s i c a : David Buttolph E l e n c o : J a m e s Stewart, John Dall. Farley Cranger, Cedric Hardwii ke, Constance Collier, Douglas Dick, Edith Evanson, Dick Hogan, Juan Chandler


I U A (lux) 108 min. P & B

Idloma:

ingles

NA COVA DA SERPENTE

(imbi

(THE SNAKE PIT)

I > i n \ . > o : Anatole Litvak Um dos produtos m a i s impressionantes da guinada de Hollywood em direção a um maior I

luçSo: Robert Bassler, Anatole

111 v.11«., Parryl F. Zanuck

ROtllro:

Millen Brand, Frank Partos,

I I . I M ' . K I O no üvro de Mary Jane Ward F o t o g r . i f l a : Leo Tover M i i - . n a : Alfred N e w m a n I I I - I K u: ( ilivia de Havilland, Mark [I

realismo no pós-guerra é esta a b o r d a g e m brutalmente honesta de Anatole Litvak sobre ,i doença m e t a l e seu t r a t a m e n t o nos sanatórios m o d e r n o s , cujos horrores incluem a ala

ens, Leo G e n n , Celeste H o i m ,

superlotada em que os incuráveis são confinados - a "cova da serpente" do título. O filme apresenta uma visão m a i s equilibrada dos distúrbios mentais do que m u i t o s filmes mais recentes, entre eles o m u i t a s vezes louvado Um estranho no ninho (1976). Virgínia C u n n i n g h a m (Olívia de H a v l l l a n d ) parece, a princípio, uma psicótica i n c u r á v e l , p o r é m , c o m o t r a t a m e n t o de M a r k Kick (Leo G e n n ) , um m é d i c o c o m p a s s i v o ,

I i l i ' i i u I a n g a n , Helen Craig, Leif

ela c o n s e g u e se s u b m e t e r a u m a "cura pela fala". Flashbacks m o s t r a m u m a infância na

i ni - n i , Hculah B o n d i , Lee Patrick,

qual lhe foi n e g a d o não só o a m o r da m ã e c o m o tarríbém a a t e n ç ã o do pai, que morreu

Howard Freeman, Natalie Schäfer, Im Ii I

q u a n d o Virgínia era m u i t o j o v e m . Ela t a m b é m sofre c o m a m o r t e do h o m e m que a m a ,

nelly, Katherine Locke,

I I m l I niiioy, Minna Gombell iridic . i t . t o a o O s c a r : Robert Bassler, -M itole I Itvak ( m e l h o r f i l m e ) ,

pela qual acredita ser responsável. S o b os c u i d a d o s do Dr. Kick, ela se eleva a " m e l h o r p a c i e n t e " da ala, a p e n a s para ser m o l e s t a d a lá dentro por u m a enfermeira tirânica. O m a u c o m p o r t a m e n t o s u b s e q ü e n t e de Virgínia a coloca na "cova da s e r p e n t e " ; porém

An.Hole I itvak (diretor), Frank Partos,

essa experiência aterrorizante se mostra e s t r a n h a m e n t e terapêutica. Por f i m , ela recebe

Milieu Brand (rotelro), Olivia de

alta, f i n a l m e n t e c o m p r e e n d e n d o c o m o seus s e n t i m e n t o s de culpa são irracionais.

Havilland (atriz). Alfred N e w m a n I

MI

A maneira c o m o o f i l m e mostra o terror pelo qual a doença de Virgínia a faz passar

a) é m e m o r á v e l . O realismo otimista de A cova da serpente contrasta c o m as soluções p s e u d o f r e u d i a n a s de o u t r o s filmes da é p o c a , incluindo Qtrcjndo faia o coração ( 1 9 4 5 ) , de Hitchcock.

1 1 1 A (1 oliiinhia, Mercury) 87 min. P8cB I d l n m . t s : ingles / cantones

KBP

A DAMA DE SHANGAI (ms) (THE LADY FROM SHANGAI)

P u n .Mi I > I • . 1 . 1 1 Welles Depois de provar c o m O estranho ( 1 9 4 6 ) q u e podia fazer um filme " n o r m a l " se quisesse, I ' I I H I I I C H O : W i l l i a m Castle, Orson Welles, Rli haul Wilson U n l t ' l i n : 1 ' r . m i Welles, baseado no 111 Pie Before / Wake, de

O r s o n W e l l e s retorna, a q u i , a o gênero noir, e s c o l h e n d o q u a s e a o a c a s o u m r o m a n c e pu/p (lf / Die Before I Wake, de S h e r w o o d King) e a p r e s e n t a n d o algo t ã o rico e e s t r a n h o que estava fadado a desagradar Harry C o h n , diretor da C o l u m b i a . Ao s i m p l e s m e n t e cor-

'.hr'iwood King

tar a cabeleira que era marca registrada de Rita H a y w o r t h e tingi-la de louro, W e l l e s d e s -

l o p i g i . i f i a : Charles Lawton Jr.

valorizou d e l i b e r a d a m e n t e u m a propriedade do e s t ú d i o , que calhava de ser t a m b é m

M i e n .1 11111 Is Fisher, Allan Roberts.

sua ex-esposa. E Isso se d e u a n t e s de ficar claro q u e ela não estava Interpretando a

Ilein/

Koemheld

I I r a n i : KM a l l a y w o r t h , Orson Welles, 1 v r i e i 1 Sloane, Glenn Anders, Ted de

beldade c a t i v a n t e de Gilda ( 1 9 4 6 ) , m a s u m a vilã tão cruel que a t é seu Indisfarçável sex appeal se torna repulsivo. C o m um s o t a q u e irlandês t i t u b e a n t e , W e l l e s é um marinheiro c o n t r a t a d o por um

1 I I I - . i . I , 1 rsklne Sanford, Gus Schilling, 1

e l 11,111k. I nuis Merrill, Evelyn Ellis,

H . H i y shannon

a d v o g a d o aleijado (Everett S l o a n e , sórdido e assustador) para trabalhar em seu iate e talvez t a m b é m (como no enredo preservado por W e l l e s em U m a história imortal [1968]) prestar serviços à sua bela esposa. Um a s s a s s i n a t o ocorre, seguido por um j u l g a m e n t o em q u e t o d o s a g e m de forma no m í n i m o a n t i é t i c a , e um caleidoscópio louco é d e s p e d a ç a d o por um clímax e n v o l v e n d o um tiroteio n u m a sala de e s p e l h o s . A dama de Shangai, c o m o f i l m e , é um e s p e l h o d e s p e d a ç a d o , c o m f r a g m e n t o s de genialidade que j a m a i s poderão ser j u n t a d o s para f o r m a r algo que faça s e n t i d o . KN

il


O VALENTE TREME-TREME

(i948)

(THE PALEFACE) Jane Russel interpreta Calamity J a n e , recrutada pelo governo dos Estados Unidos para ajudar na caçada a uma gangue de brancos renegados que estão vendendo armas para os Índios. Para poder se passar por emigrante cm um trem que está indo para o Oeste, ela se casa com Painless Peter Potter, um dentista incompetente e covarde. (Não se deve buscar plausibilidade neste tipo de filme!) Bob Hope se diverte no papel de Painless, disparando uma enxurrada de piadas e partindo do princípio de que, se você não gostou da que acabou de ser contada, logo virá outra. Muito do humor de O valente treme-tremeé previsível, com índios inalando

EUA (Paramount) 91 min. Ter hnlcoloi I d i o m a : inglês D i r e ç ã o : Norman Z. McLeod P r o d u ç ã o : Robert L. Welch R o t e i r o : Edmund L. H a r t m a n n , I i,inl< Tashlin F o t o g r a f i a : Ray Rennahan M ú s i c a : Ray Evans, Jay Livingston, Victor Young E l e n c o : Bob Hope, Jane Russell,

o gás do riso do dentista e Hope protagonizando uma série de trapalhadas, que o levam a

Robert Armstrong, Iris Adrian, Itohhy

ser confundido c o m um corajoso combatente de peles-vermelhas. Hope, é claro, sente-se

W a t s o n , Jackie Searl, Joseph Vital*,

loucamente atraído pela curvilínea Russell: "Você tem o tipo de boca na qual eu gostaria de trabalhar." Há uma piada recorrente sobre a consumação eternamente postergada do casamento, á medida que Russell continua seu trabalho de derrotar os bandidos. Painless e C a l a m i t y são capturados e levados para um a c a m p a m e n t o Indígena, o n d e os índios são interpretados tanto pelo chefe Y o w l a c h i e (que era índio de fato) q u a n t o por Iron Eyes Cody ( u m ítalo-americano que se faz passar por pele-vermelha). As piadas às custas deles, embora não sejam p o l i t i c a m e n t e corretas, são bobas d e m a i s para ser consideradas ofensivas. H o p e faz u m a interpretação simpática da c a n ç ã o " B u t t o n s a n d B o w s " , escrita por Victor Young, q u e g a n h o u um Oscar. Ela é um pedido para q u e as garotas v o l t e m para o Leste e v i s t a m roupas b o n i t a s , m a s Russell está i g u a l m e n t e encantadora c o m seus vestidos de seda e calças de couro. Q u a t r o a n o s depois, " B u t t o n s a n d B o w s " foi reprisada em u m a seqüência Intitulada O filho do treme-treme (dirigida pelo roteirista do filme original). Hope e Russell se r e e n c o n t r a m , desta vez contando c o m Roy Rogers e seu cavalo Trigger, que g a n h a u m a canção só para ele: "A Four-Legged Friend". EB

Charles Trowbridge, Clem Bevans, |ell York, Stanley Andrews, W a d e Cmshy, Cheif Yowlachle, Iron Eyes Cody, |ohfl Maxwell O s c a r : Jay Livingston, Ray Evans, Victor Young (canção origin,il)


i M f J . i i r r i . i (Independent, Rank, The Mi I h t . ) 113 min. Technicolor

O S SAPATINHOS VERMELHOS ( m s ) (THE RED SHOES)

I d i o m a: liifjes

D l r e ç A o : Michael Powell, Emeric I •

I 111 li J r * I

Produc.lo: dt'or^e R. Busby, Michael I'tiwrll. I i t H ' i u Prcssburger

Rottlro:

M n hael Powell, Emeric

l'it",',l)iii)',ci, Keith Winter, baseado ihm mil o (Ir I inns Christian Andersen l u i u p . i . t l i . i [.1.1 ( ardiff M u - . i . .1

• • i m I ,isdnle

I ' l r i H o : Anion Walbrook, Marius (.niiiif,, Moira Shearer, Robert

A p r o d u ç ã o de 1948 de M i c h a e l P o w e l l - E m e r i c Pressburger foi a m a d a por gerações dl garotas que q u e r i a m ser bailarinas q u a n d o crescessem, e m b o r a sua m e n s a g e m

pari

elas seja d e c i d i d a m e n t e de duplo sentido. Em uma fascinante releitura da velha hlstorll do n a s c i m e n t o de u m a estrela, Victoria Page (Moira S h e a r e r ) , u m a j o v e m dançarina a t r a e n t e , obstinada e t a l e n t o s a , se apaixona pelo empresário Bóris L e r m o n t o v ( A n l o n W a l b r o o k ) , u m a mistura de S v e n g a l i c o m R a s p u t i n e Diaghilev. Ela negligencia sua vida pessoal ( u m r o m a n c e c o m o c o m p o s i t o r M a r i u s Goring) em prol de u m a devoç.m p a s s i o n a l e q u a s e d o e n t i a â a r t e , o q u e antecipa um final trágico b e l a m e n t e e n c e n a d o . D e p o i s q u e Boronskaja

(Ludmilla Tchérina), a

bailarina

principal q u e L e r m o n t o v

a b a n d o n a q u a n d o ela diz querer se casar, sai de c e n a , Vicky estréia em u m a a d a p t a ç ã o para o balé da história de H a n s Christian A n d e r s e n sobre u m a garotinha cujos sapatos

I Id (Mil.inn, I eon ide M a s s i n e , Albert I '

• M I L I U M , IudmlllaTchérina,

I M l i n l l i l I 111;. •. 111

a m a n t ê m d a n ç a n d o até ela cair m o r t a . Isso leva os c i n e a s t a s - auxiliados pelo dançarino-coreógrafo Robert H e l p m a n n , o co-astro Léonide M a s s i n c e o m a e s t r o Sir T h o m a s

< >M . l i I lein Heckroth, Arthur Lawson

B e e c h a m - a u m a seqüência de d a n ç a f a n t á s t i c a de 20 m i n u t o s q u e criou u m a t e n -

(•in.•< , i u ilc arte), Brian Easdale

dência (ver Sinfonia de Paris, Um dia em Nova York, Oklahoma!) de interlúdios estilizados

(

imtli I

M'

u

e s o f i s t i c a d o s em m u s i c a i s . No e n t a n t o , ela c o n s e g u e ser m u i t o m e l h o r do que .10 Oscar: Michael Powell,

Pirsshiiif.ei (melhor filme),

q u a l q u e r u m a de suas i m i t a ç õ e s ao recontar em s í n t e s e a história do f i l m e ao m e s m o t e m p o e m que ainda f u n c i o n a b e m c o m o u m n ú m e r o m u s i c a l i n d e p e n d e n t e .

I mui 11 l'ic-.shiiij'.er, Michael Powell I

), Reginald Mills (edição)

O b v i a m e n t e , a vida de Vicky fora d o s palcos s e g u e os passos daquela da heroína de A n d e r s e n , c o n d u z i n d o ao clímax em q u e ela salta - c o m o em um balé - d i a n t e de um t r e m e ao i n e s q u e c í v e l tributo no q u a l s e u s colegas desolados f a z e m u m a nova apres e n t a ç ã o de " S a p a t i n h o s V e r m e l h o s " a p e n a s c o m os s a p a t o s no lugar da estrela. Shearer, pequenina e extraordinária na sua estréia nas telas, é u m a presença poderosa q u e c o n s e g u e fazer frente a toda a i n t e n s i d a d e da a t u a ç ã o soberba de W a l b r o o k . Ela c o n s e g u e convencer t a n t o c o m o u m a dançarina ingênua e m u m s a l ã o lotado c o m uma c o m p a n h i a de terceira categoria q u a n t o c o m o a grande estrela adorada por todo o m u n d o . A heroína é cercada por telas de f u n d o e s t r a n h a s , dignas de c o n t o s de fadas, para o exuberante balé, p o r é m o d e s e n h i s t a de p r o d u ç ã o Hein H e c k r o t h , o diretor de arte A r t h u r L a w s o n e o fotógrafo J a c k Cardiff t r a b a l h a m duro para tornar as cenas fora dos palcos a p a r e n t e m e n t e n o r m a i s t ã o ricas e exóticas q u a n t o os m o m e n t o s de d e s t a q u e no teatro. W a l b r o o k - c o m os o l h o s b r i l h a n d o , q u a n d o n ã o escondidos atrás de óculos e s curos - arrulha e sibila falas diabólicas c o m u m a s a t i s f a ç ã o da qual n ã o c o n s e g u i m o s deixar de compartilhar, m a n i p u l a n d o t u d o à sua volta c o m facilidade, embora esteja t r a g i c a m e n t e sozinho na sua d e v o ç ã o religiosa ao balé. Os sapatinhos vermelhos é um raro exemplo de m u s i c a l que captura a magia dos e s p e t á c u l o s teatrais s e m negligenciar o esforço árduo e sofrido necessário para se criar esse tipo de v e í c u l o para o e n c a n t a m e n t o . S e u clima de bastidores a j u d o u b a s t a n t e a tornar o balé acessível para a l é m da elite, c o n t r a s t a n d o as e x p e c t a t i v a s dos apreciadores de m u s i c a i s a m o n t o a d o s nas poltronas m a i s altas (e m a i s baratas) c o m a c o n d e s c e n d ê n c i a d e s d e n h o s a dos figurões b e m v e s t i d o s nos c a m a r o t e s , para os q u a i s as pérolas a r t í s t i c a s são j o g a d a s . C o n t a n d o c o m cores brilhantes m a r a v i l h o s a s , u m a seleção de m ú s i c a s c l á s s i c a s q u e f o g e m ao clichê e um viés sinistro q u e captura p e r f e i t a m e n t e a a m b i g ü i d a d e do t r a d i c i o n a l , ao contrário dos contos de f a d a s da Disney, esta é u m a obra-prima e x u b e r a n t e . KN


I U A (Warner Bros.) 126 min. P & B I d i o m a : inglês

0 TESOURO DE SIERRA MADRE

(i 4S) 9

(THE TREASURE OF SIERRA MADRE)

D i r e ç ã o : John Huston P r o d u ç ã o : Henry Blanke, Jack L.

J o r n a d a s fracassadas, a l i m e n t a d a s pela a m b i ç ã o e frustradas pela ganância e desavril ças internas, e r a m o enredo favorito de J o h n H u s t o n , pois a g r a d a v a m a mistura dl

Wamel K o t i ' i r o : John Huston, B. Traven, baseado no livro de B. Traven I n t o g r n f i a : Ted D. McCord M ú s i c a : Buddy Kaye, Max Steiner

r o m a n t i s m o e c i n i s m o q u e c o m p u n h a sua própria personalidade. De O falcão ma/tél (1941) até O homem que queria ser rei (1975), ele realizou u m a série de variações sohie o t e m a - porém O tesouro de Sierra Madre o apresenta dentro de algo próximo da sul forma arquetípica. No México, três andarilhos a m e r i c a n o s Incompatíveis j u n t a m fon,.is

E l e n c o : Humphrey Bogart, Walter

para g a r i m p a r ouro, o e n c o n t r a m e - i n e v i t a v e l m e n t e -, no f i m , retiram a derrota das

Huston, Hm Holt, Bruce Bennett,

garras da vitória e f r a c a s s a m n o v a m e n t e . H u s t o n , responsável por grandes adaptaçoi".

li.iiion M a c L a n e , Alfonso Bedoya,

da literatura para as telas, retirou essa história do misterioso e recluso escritor B. Traven

AH

e, c o m o s e m p r e , tratou o material original c o m respeito e carinho, preservando boa

'.oto Rangel, M a n u e l Donde,

I t i ' . e loivay, Margarlto Luna Otc.ir: John Huston (direção e roteiro), Walter Huston (ator

i ç l o ao Oscar:

(inelhiii lilme)

Apesar da oposição do estúdio - pois filmagens em locação, pelo m e n o s para produções h o l l y w o o d l a n a s classe A, eram raras naquela época -, Huston Insistiu em

< n.idjuvante)

Indli

parte dos diálogos lacônicos e do s a r c a s m o do autor.

Henry Blanke

filmar quase Inteiramente em locações no México, próximo a um vilarejo Isolado a mais de 200 quilômetros da capital. S u a intransigência rendeu bons frutos. A textura do f i l m e transpira a aridez poeirenta da paisagem mexicana, de m o d o q u e , ao assisti-lo, v o c ê q u a s e c o n s e g u e sentir a areia entre os d e n t e s ; e os atores - exilados do a m b i e n t e confortável do estúdio e tendo q u e enfrentar as Intempéries - são obrigados a oferecer interpretações tensas e irascívels. Isso combinava c o m o t e m a de O tesouro...: c o m o as pessoas reagem sob pressão. E n q u a n t o o velho garimpeiro (interpretado por Walter H u s t o n , pai do diretor) e o j o v e m ingênuo (o ator de filmes de caubói Tim Holt) se agarram a seus princípios diante das adversidades e da t e n t a ç ã o do ouro, o paranóico Fred C. Dobbs ( H u m p h r e y Bogart em um dos seus papéis mais m e m o r a v c l m c n t e aflitivos) d e s m o r o n a e s u c u m b e . A d e t e r m i n a ç ã o de Huston em filmar O tesouro... como queria t a m b é m rendeu bons frutos ao estúdio. A princípio, Jack W a r n e r detestou o filme, mas ele rendeu à W a r n e r Brothers não só um sucesso de bilheteria c o m o um d e s e m p e n h o triunfante no Oscar. H u s t o n g a n h o u d u a s e s t a t u e t a s - de M e l h o r Direção e M e l h o r Roteiro -, e n q u a n t o seu pai c o n q u i s t o u o prêmio de M e l h o r Ator C o a d j u v a n t e . Foi a primeira e - até o m o m e n t o - única vez que u m a e q u i p e de pai e filho foi premiada na cerimônia. PK


A HISTORIA DE LOUISIAIMA m (LOUISIANA STORY)

E U A (Robert Flaherty) 78 min. P8.I! I d i o m a s : Inglês / francês D i r e ç ã o : Robert J . Flaherty

Pira

sua última obra, A história de Louisiana, o grande d o c u m e n t a r i s t a Robert J . Flaherty

li 1'itou o patrocínio da Standard 011 para fazer um filme sobre a extração de petróleo nos luaços de rio da Louisiana. O patrocínio foi dado s e m c o m p r o m i s s o s , p o r é m , m e s m o Sim, Flaherty talvez tenha sido um pouco c o m p l a c e n t e no seu retrato da c o m p a n h i a

P r o d u ç ã o : Robert J . Flaherty R o t e i r o : Frances H. Flaherty, Robert J . Flaherty F o t o g r a f i a : Richard Leacock

ile petróleo, mostrando-a c o m o u m a força benéfica que não causa danos à natureza

M ú s i c a : Virgil Thomson

virgem. No e n t a n t o , um toque de ingenuidade não é algo i n t e i r a m e n t e despropositado:

E l e n c o : Joseph Boudreaux, Lionel I c

OS a c o n t e c i m e n t o s no braço de rio ca chegada dos petroleiros são m o s t r a d o s através do

Blanc, E. B l e n v e n u , Frank Hardy, 1 P

olhar de um garoto de 12 anos ( J o s e p h Boudreaux). A paisagem desoladora e inundada sc

Cuedry

lorna um lugar m á g i c o , repleto de folhagens escuras e a n i m a i s exóticos, onde u m a torre

I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Frances I I .

ile perfuração deslizando de forma majestosa em um canal parece mítica e insondável,

Flaherty, Robert J . Flaherty (roteiro)

c orno os l o b i s o m e n s e sereias nos quais o m e n i n o acredita. O diálogo é m í n i m o - em parte porque o diretor, c o m o de hábito, trabalhou c o m nativos da área e não c o m atores profissionais - e Flaherty confia p r i n c i p a l m e n t e nas suas i m a g e n s c o m o v e n t e s e líricas e na trilha de Virgil T h o m s o n para conduzir a narrativa. A música de T h o m s o n g a n h o u o P r ê m i o Pulitzer - a primeira trilha sonora a receber essa honra. Em A história de Louisiana, a s s i m c o m o em t o d o s os s e u s melhores trabalhos, Flaherty celebra a beleza, o perigo e o fascínio d a s regiões s e l v a g e n s . Pl<

IV)


I U A (I'.iiamount) 115

™ir>-

P&B

TARDE DEMAIS

(1949)

l . l i o m . i : nij'Jes

(THE HEIRESS)

l H n - 1 . i n : William Wyler

" C o m o você pode ser t ã o c r u e l ? " " E u aprendi c o m os melhores." A inesquecível

• ' i m l u i a o : I csier Koenig, Robert

a d a p t a ç ã o de W i l l i a m W y l e r do r o m a n c e A herdeira, de Henry J a m e s (refilmado s e m ne-

W v l n . W i l l i a m Wyler

cessidade e m 1 9 9 7 ) , gira e m t o r n o de a t u a ç õ e s I n e s q u e c í v e i s , Intensificadas pelos

K n t r l r o : Augustus Goetz, Ruth Goetz,

exigentes planos longos que eram marca registrada do diretor e pelo d o m í n i o meticulo

ban ado no romance A herdeira, de

so da atmosfera, i l u m i n a ç ã o e técnica de f i l m a g e m . Olivia de H a v l l l a n d , que recebeu seu

H r n i y James I

BtOgraJ i a : I co Tover

segundo Oscar pelo papel, está de tirar o fôlego c o m o a garota terrivelmente insossa e d o l o r o s a m e n t e gaúche fadada a ser u m a solteirona apesar da fortuna que irá herdar do

Aaron Copland

Mull)

pai frio e ríspido (Ralph Richardson), q u e a considera um estorvo. I i n n i t (ilivia d c Havilland,

Montgomery ( l i f t , Ralph Richardson,

M o n t g o m c r y Clift, e n t ã o bonito na pele de um caçador de fortunas Imprestável, a

Mil lain I lopklns, Vanessa Brown,

corteja c o m doses iguais de sedução e falsidade. Apesar das objeções afrontosas do pai

Bitty

e c o m a conivência de u m a tia t o l a m e n t e romântica ( M i r i a m Hopkins), Catherine trama

I inli'v, Ray Collins, M o n a

II I'd 11 a 11, Selena Royle, Paul Lees,

uma fuga. Q u a n d o seu a m a n t e decide tentar suas chances em outro lugar, ela passa por

I in iv Am i n n , Russ Conway, David Ihui-.hy ( H e a r : William W y l e r (melhor filme),

u m a dura transformação. Q u a n d o a Ingênua Catherine percebe que foi a b a n d o n a d a , a lentidão c o cansaço c o m que Havilland sobe as escadas da casa são e t e r n a m e n t e apavo-

W i l l i . i m W y l n (diretor), Olivia de

rantes. Sua última subida para o andar de c i m a , saboreando um a m a r g o triunfo à m e d i -

Havilland (atri/), J o h n M e e h a n , Harry

da que seu pretendente, que havia retornado, esmurra d e s e s p e r a d a m e n t e a porta, é

11

I I mile Ktui (direção de arte),

I ililh I lead, Gile Steele (figurino), I opland (música) i m l i < .11.10 a o O s c a r : Ralph

Kll hardson (ator coadjuvante), Leo Invei (fotografia)

I

i g u a l m e n t e t o c a n t e . A classe de toda a produção é ressaltada pela trilha original evocativa de Aaron Copland, t a m b é m ganhadora do Oscar. AE


AS OITO VITIMAS

(1949)

(KIND HEARTS AND CORONETS) U m a das primeiras c o m é d i a s produzidas pelos e s t ú d i o s Eallng - a fábrica de invenções humorísticas de Sir M i c h a e l B a l c ó n , localizada na zona o e s t e de Londres - c um rxemplo perfeito do seu h u m o r i n c o n f u n d i v e l m e n t e Inglês, As oito v í t i m a s é u m a c o média de h u m o r negro i n c o m p a r á v e l em t e r m o s de elegância e savoir faite. Ela é '.ofisticada, d e l i c i o s a m e n t e espirituosa e d e t e r m i n a d a por outra marca registrada dos i stúdios Ealing: um enredo provocativo e inteligente. Oito m e m b r o s da e s n o b e , rica e aristocrática família D'Ascoyne m o s t r a m - s e um obstáculo entre Louís M a z z i n i (o sutil Dennis Price) - um p a r e n t e pobre, a m a r g o e ( r i a m e n t e egoísta - e um d u c a d o , o q u e o obriga a c o m e t e r u m a série de a s s a s s i n a t o s nesta comédia de classes a u d a c i o s a m e n t e e l e g a n t e de Robert Hamer. O filme foi a d a p t a d o por H a m e r e J o h n D i g h t o n de um p u n g e n t e r o m a n c e sobre a d e c a d ê n c i a da alta s o c i e d a d e , Israel Rank, de Roy H o r n i m a n , e m b o r a se e s p e c u l e q u e ele t a m b é m tenha sido influenciado pelo m a i s controverso Monsicur Verdoux (1947), de Charles Chaplin. Na sua escalada inexorável e Inescrupulosa, o m a q u i a v é l i c o Mazzini de Prlce se envolve de maneira fatídica c o m d u a s m u l h e r e s diferentes: Edith D'Ascoyne (Valerie

I n g l a t e r r a (Eallng Studios) 106 min.

H o b s o n , esposa de J o h n P r o f u m o , o notório protagonista do e s c â n d a l o sexual de 1963

P&B

q u e derrubou o g o v e r n o inglês), v i u v a de u m a das v í t i m a s e dona de u m a graciosidade

I d i o m a : inglês

c o m o v e n t e ; e a s e n s u a l Sibella - f a b u l o s a m e n t e excêntrica e p e r i g o s a m e n t e felina -,

D i r e ç ã o : Robert Hamer

intepretada por J o a n G r e e n w o o d , a atriz favorita da produtora inglesa.

P r o d u ç ã o : Michael Balcón, M¡< hail Relph

Todos os oito D'Ascoynes, c l a r a m e n t e incestuosos e a m a l u c a d o s - incluindo a s u fragista Lady A g a t h a , que é derrubada a tiros de um balão; o general expansivo c o n d e -

R o t e i r o : Robert Hamer, Roy H o r n i m a n , J o h n Dighton, baseado 111

nado ao breve prazer de urna lata de caviar explosiva; e o a l m i r a n t e louco q u e poupa trabalho a Mazzini a f u n d a n d o c o m o próprio navio -, são interpretados pelo h o m e m de mil faces d o s e s t ú d i o s Ealing, irreconhecível de um f i l m e para o outro (e, neste caso, de u m a cena para a o u t r a ) , o e n c a n t a d o r Alec C u i n n e s s . H a m e r alcançou seu breve auge c o m o diretor com As oito vítimas. Ele chegou ao filme com uma bagagem valiosa de montador e encontrou o equilíbrio entre diálogos Inteligentes e esquetes visuais vigorosos e satíricos. O habilidoso trabalho em preto-e-branco de

livro Israel Rank, de Roy Horniman F o t o g r a f i a : Douglas Slocombe M ú s i c a : Ernest Irving E l e n c o : Dennis Price, Valerie llnh'.uii J o a n Greenwood, Alec Guinness, Audrey Fildes, Miles Malleson, ( live M o r t o n , J o h n Penrose, Cecil R.iiu.ige. Hugh Griffith, J o h n Salew, Eric

Douglas Slocombe, um c a m e r a m a n de cinejornais de guerra que se tornou fotógrafo, levou a uma carreira muito mais longa e prolífica: ele filmou vários clássicos ingleses da década de 60 e, mais tarde, sucessos internacionais c o m o a trilogia Indiana Jones. AE

Messlter, Lyn Evans, Barbara I e.ike, Peggy Ann Clifford F e s t i v a l d e V e n e z a : Robert H a m e i ,


MORTALMENTE PERIGOSA

(1949)

(GUN CRAZY / DEADLY IS THE FEMALE) Moralmente perigosa, a pérola cult de J o s e p h H. Lewis, é u m a espécie de caso de t e s t l em d e b a t e s c o n t e m p o r â n e o s sobre o significado do controverso t e r m o " f i l m e noir". L i v r e m e n t e b a s e a d o na história dos i n f a m e s bandidos da década de 30 B o n n i e Parker I Clyde Barrow (o roteiro foi escrito por M a c K i n l a y K a n t o r e pelo escritor Dalton Trumbn, q u e na época fazia parte da lista negra e foi creditado c o m o Millard K a u f m a n para es conder o fato de que era um dos Dez de H o l l y w o o d ) , esta t r a m a rural sobre dois a m a n tes em fuga parece ter pouco a ver c o m o s u b m u n d o barra-pesada, n o t u r n o e urbano tUA (King, Pioneer) 86 m l n . P & B lillnma: ingles DlrccMo: Joseph H. Lewis

PfOdUCSoi

frank King, Maurice King

i i n i i ' i i o : M a c K i n l a y Kantor, Millard l< .mini,in F o t o g r a f i a : Russell Harlan

que g e r a l m e n t e define a tradição noir. Contudo, se c o m p a r a d o à história s e m e l h a n t e de dois a m a n t e s m a l f a d a d o s de Amarga esperança (1948), a s s i m c o m o a f i l m e s que t r a z i a m trabalhadores h o n e s t o s em u m a m a r é de azar - c o m o O desesperado (1947), Mercador de ladrões (1949) e justiça injusta (1951) -, Morta/mente perigosa compartilha do t e m a noir do h o m e m m a r g i n a l e desenraizado (prevalecente d u r a n t e a Depressão e ainda f o n t e de a n s i e d a d e nos a n o s q u e s u c e d e r a m a S e g u n d a Guerra M u n d i a l ) que t a m b é m caracteriza c â n o n e s do gênero, c o m o O destino bate à porta {1946) e Curva do

M u j l c a : Victor Young destino (1945), a m b o s histórias fatalistas de andarilhos. i Ir

Peggy < u m m i n s , John Dall,

D e s d e criança, Bart Tare ( J o h n Dall) era o b c e c a d o por a r m a s de fogo. Depois de d e i -

I'.euv Kroeger, Morris Carnovsky, ii ihel '.h.iw, Harry Lewis, Ned rick ]•,. Hire. Tamblyn, Ross Elliott

xar o exército, ele c o n h e c e e I m e d i a t a m e n t e se apaixona pela e s t o n t e a n t e A n n i e Laurie Starr ( P c g g y C u m m i n s ) , que c o m p a r t i l h a do seu fetiche por a r m a s e era a atração principal do n ú m e r o de tiro ao alvo e m u m s h o w de v a r i e d a d e s itinerante. Eles i n i c i a m uma série de roubos q u e , a n t e s da m o r t e dos dois pelas m ã o s da lei, c u l m i n a no assalto do d e p a r t a m e n t o de c o n t a b i l i d a d e de u m a distribuidora de c a r n e s . No nível formal, o status privilegiado de Morta/mente perigosa em meio à imensa quantidade de filmes B é mais do que justificável, em virtude das suas inovações estéticas dentro das limitações de orçamento - o longo plano-seqüência de um roubo de banco, a perseguição através do abatedouro - e da caracterização incomparável de C u m m i n s de uma femme fatale psicótica. Esta história atemporal de amour fou (amor louco) foi uma grande influência para Acossado (1960), o clássico da nouvelle vague de J e a n - L u c Godard. OS


A COSTELA DE ADÃO ( i r o ) (ADAMS RIB)

EUA

(MGM) 101 m i n . P&B

I d i o m a : inglês D i r e ç ã o : George Cukor

" l o d o s t e m o s nossos truques." Esta excelente c o m é d i a de guerra dos sexos serviu de inspiração para incontáveis filmes e séries de televisão sobre casais briguentos, porém

P r o d u ç ã o : Lawrence Weingarten R o t e i r o : Ruth Gordon, Garson Kanin

'.('xualmente i n f l a m á v e i s . Dos nove filmes q u e a lendária dupla S p e n c e r Tracy e

F o t o g r a f i a : George J . Folsey

Katharlne H e p b u r n fez entre 1947 e 1967, A costela de Adão pode ser considerado o m e -

M ú s i c a : Cole Porter, Mlklõs Ró/s.i

lhor. Ele ainda conserva o frescor c o m seus diálogos espirituosos, discussão a n i m a d a

E l e n c o : Spencer Tracy, Katharine

'.obre Igualdade entre os sexos e estereótipos de gênero e a t u a ç õ e s m a r a v i l h o s a s . O

Hepburn, J u d y Holllday, Tom Ewell.

loteiro foi escrito pelos grandes a m i g o s de Tracy e Hepburn, o casal Garson K a n i n e

Francis Attinger, David W a y n e , lean

Ruth Gordon (a atriz que g a n h o u um Oscar por O bebê de Rosemary). A história real que deu origem ao enredo foi a dos a d v o g a d o s W i l l i a m e Dorothy W h i t n e y , marido e

Hägen, Hope Emerson, Eve March, Clarence Kolb, Emerson Treacy, Polly M o r a n , Will Wright, Elizabeth

mulher, que representaram o Sr. e a Sra. R a y m o n d M a s s e y em seu divórcio, em seguida

Flournoy

se divorciaram e c a s a r a m - s e c o m seus respectivos clientes. A coisa não chega a tanto em A costela de Adão. Q u a n d o Dóris Attinger, u m a loura meiga e a m a l u c a d a - interpretada pela s e n s a c i o n a l m e n t e engraçada J u d y Holllday, e s treando no papel q u e lançou sua carreira meteórica -, é acusada de tentativa de a s s a s sinato de W a r r e n (Tom Ewell), seu marido infiel, a advogada protofemlnista A m a n d a , " P i n k l e " B o n n e r (Hepburn) concorda em defendê-la. No e n t a n t o , o m a r i d o de A m a n d a A d a m " P i n k y " B o n n e r (Tracy), é o promotor público e a batalha dos dois no tribunal logo se estende para o q u a r t o . As hostilidades se a g r a v a m q u a n d o Kip (David W a y n e ) , um músico apaixonado, passa a mostrar interesse por A m a n d a , c o m p o n d o " F a r e w e l l , A m a n d a " ( u m a c a n ç ã o escrita por Cole Porter) em sua h o m e n a g e m . O diretor George Cukor, reconhecendo a teatralidade Inerente a situações de tribunal, m a n t é m um ritmo deliberadamente teatral depois da seqüência de abertura de suspense cômico em que Dóris segue Warren do trabalho até o local do encontro c o m Beryl ( J c a n Hagcn), sua a m a n t e vulgar, e tenta m atá -l o i n u t i l m e n t e a tiros. Os longos planos-seqüência do filme dão a Hepburn a liberdade de passear pelo tribunal, onde ela faz seu show extraordinariamente astucioso, e p e r m i t e m a Tracy extravasar sua indignação diante das táticas da esposa. Dentre os m o m e n t o s de de sta q ue estão A m a n d a Interrogando a Idiota Dóris no início e o espetáculo de A d a m em lágrimas expondo seu lado feminino para ficar b e m c o m a esposa. Embora alguns dos a r g u m e n t o s possam parecer a n t i q u a d o s hoje em dia, a sofisticação do filme permanece Intacta. AE

I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Ruth Cordon, Garson Kanln (roteiro)


ALEGRIAS A GRANEL (1949) (WHISKY GALORE!) J u n t a m e n t e c o m Um pnís de anedota e As oito vítimas, Alegrias o granel faz parte da pri melra safra das célebres comédias inglesas produzidas no pós-guerra pelos estúdios Eallng, sob o c o m a n d o do paternal produtor sír M i c h a e l B a l c o n . U n i v e r s a l m e n t e admira do, o filme foi f u n d a m e n t a l para o e s t a b e l e c i m e n t o do t o m característico, autodepre d a t i v o e ligeiramente satírico daqueles que se seguiram a ele, assim c o m o do t e m a recor rente das pessoas humildes, porém destemidas, que triunfam sobre os mais poderosos. A influente c o m é d i a de c h o q u e s culturais de Alexander " S a n d y " M a c k e n d r i c k , bela I n g l a t e r r a {Ealing Studios, Rank)

m e n t e filmada e m locação e m Barra, nas Ilhas Hébridas, n o estilo d e u m falso d o

Hz m l n . P & B

Idlomi:

c u m e n t á r i o , relata a procura do c a p i t ã o da guarda local (Basil Radford) - um inglês Inglês / gaélico carola, c e r t i n h o e a b s t ê m i o - pelo c a r r e g a m e n t o d e uísque " s a l v a d o " d e u m navio

i m i l l o : Alexander Mackendrlck n a u f r a g a d o . A bebida deveria ter s e g u i d o para a A m é r i c a , m a s foi interceptada por 1'roduç.lo: Michael Balcon, Monja I • MUM h e w s k i

I ' i ' i i - i i o : Aiij^us M a c P h a i l , Compton i l l i n . i r , l u s e a d o n o livro d e t ninploti Mackenzie l u l o | > , i a f i a : Gerald Cibbs M ú s i c a : Ernest Irving i Ir 1.11

: I ' J ' . I I Radford, Catherine By,

Bruce

Setton, Joan Greenwood,

W y l l c W a t s o n , Gabrielle Blunt, I n n I . H kson, Jean Cadell, J a m e s

ilhéus s e d e n t o s e e m p o b r e c i d o s por conta da guerra. O c a p i t ã o da guarda é h a b i l m e n t e d e s p i s t a d o pelos a s t u t o s n a t i v o s de Todday, q u e são m a i s rápidos do q u e ele e os h o m e n s do fisco. A história, imortalizada

pelo escritor C o m p t o n

M a c k e n z i e , foi

inspirada n o " d e s a p a r e c i m e n t o " real d e 5 0 mil e n g r a d a d o s d e u í s q u e depois q u e u m navio cargueiro naufragou nos arredores da ilha de Eriskay. O romancista-roteirista t e m u m a participação no filme c o m o o c a p i t ã o do S . S . Cabinet Minister. Alegrias a granel é m a i s d a t a d o do que a l g u m a s das c o m é d i a s dos estúdios Ealing, e m b o r a s e u c h a r m e a n t i q u a d o seja c o n t r a b a l a n ç a d o por sua hilaridade histriónica, sua crítica social apaixonada e inteligente e s e u retrato autêntico da vida nas ilhas Hébridas, c o m a t u a ç õ e s deliciosas. A principal atriz inglesa da produtora, a sedutora J o a n G r e e n -

Robertson J u s t i c e , Morland G r a h a m , I'll

igson, J a m e s W o o d b u r n ,

w o o d , está fabulosa c o m o a filha p r o v o c a n t e de M a c r o o n ( W y l i e W a t s o n ) , um taverneiro

I a m i " . Andi'ison, J a m e s o n Clark,

m a l a n d r o . O m e s m o pode ser dito dos protagonistas g e n u i n a m e n t e escoceses, c o m o

I M i m . i n m . H rae, Finlay Currie

J a m e s Robertson J u s t i c e , Gordon J a c k s o n e Finlay Currie, o c ô m i c o narrador. O apelo universal do h u m o r antiautoritarlsta do filme está na sua idealização da vida em um vilarejo remoto repleto de excêntricos, garotas bonitas e um povo brigão e justo estrag a n d o a festa dos s e u s inimigos p o m p o s o s e burocráticos. M a c k e n d r i c k , um a m e r i c a n o c o m jeito escocês que dirigiu três das maiores pérolas d o s e s t ú d i o s Eallng (as outras d u a s são O h o m e m do terno branco, de 1951, e O quinteto da morte, de 1955), mostraria m a i s tarde um t a l e n t o I g u a l m e n t e i m p r e s s i o n a n t e para dirigir d r a m a s , p r i n c i p a l m e n t e d e p o i s de sua ida para a A m é r i c a , c o m o filme A embriaguez

do sucesso,

de

1957.

AE


FÚRIA SANGUINÁRIA

(1949)

E U A (Warner Bros.) 1 1 4 m i n . P&B I d i o m a : inglês

(WHITE HE AT)

D i r e ç ã o : Raoul Walsh "Você sabe o que fazer?", pergunta Cody ( J a m e s Cagney) c o m rispidez a seu parceiro no P r o d u ç ã o : Louis F. Edelman 1111< io de um a u d a c i o s o roubo de t r e m ; q u a n d o o outro c o m e ç a a responder, Cody o R o t e i r o : Virginia Kellogg, Ivan Coff, i i l i c r r o m p e : " E n t ã o feche essa m a t r a c a e f a ç a ! " Essa a t i t u d e i m p e t u o s a e impulsiva Ben Roberts i l r l i n e o vigor dos f i l m e s de Raoul W a l s h , que (conforme o b s e r v a d o por Peter Lloyd) F o t o g r a f i a : Sidney Hickox " m e d e m o pulso de u m a energia i n d i v i d u a l " e a inserem em u m a "trajetória e n l o u q u e M ú s i c a : Max Steiner Ida da qual n a s c e a c o n s t r u ç ã o de um ritmo". Poucos f i l m e s p o s s u e m u m a narrativa E l e n c o : J a m e s Cagney, Virginia MayO, Mo tensa, u n i f o r m e e e c o n ô m i c a q u a n t o Fúria sanguinária. W a l s h é um diretor i m p l a c a v e l m e n t e linear e direto cujo trabalho r e m o n t a ao

Edrnond O ' B r i e n , Margaret Wy< 111 • 11v. Steven Cochran, J o h n Archer, w.illv

( i n e m a m u d o - c o m o na e m p o l g a n t e seqüência de abertura em q u e um carro alcança

Cassell, Fred Clark

o t r e m . E n t r e t a n t o , ele t a m b é m explora as possibilidades intrigantes e c o m p l e x a s da

I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Virginia Kcllog

psicologia do s é c u l o X X . D u r a n t e o roubo, Cody m a t a de forma I m p i e d o s a . U m a vez

(roteiro)

r n t o c a d o c o m o u m a n i m a l e m u m a jaula c o m sua g a n g u e - d a m e s m a forma q u e será preso mais t a r d e -, sua psicopatologia c o m e ç a a vir à tona: indiferença ao s o f r i m e n t o alheio, fixação em u m a m ã e violenta e e n x a q u e c a s l a n c i n a n t e s q u e o deixam furioso. Cody, imortalizado na a t u a ç ã o intensa de Cagney, personifica a maior das contradições que leva os g à n g s t e r c s do c i n e m a à ruína: um e g o í s m o fantástico e delírios de invencibilidade ( " O l h e , m ã e , e s t o u no t o p o do m u n d o " ) m i n a d o s por d e p e n d ê n c i a s e vulnerabilidades d e m a s i a d o h u m a n a s . A M

NA TEIA DO DESTINO

(1949)

(THE RECKLESS MOMENT)

E U A (Columbia) 8 2 min. P & B I d i o m a : inglês D i r e ç ã o : Max Ophüls

Na teia do destino é um f i l m e nolr i n c o m u m , pois inverte os gêneros em u m a releitura P r o d u ç ã o : Walter Wanger da conhecida história (presente em Poeto sinistro e Almas perversas) da p e r s o n a g e m R o t e i r o : Mel Dinelli, Henry C a r , o n inocente que se envolve c o m um vigarista sedutor e se enreda em um c r i m e . A q u i , a F o t o g r a f i a : Burnett Cuffey classe e a respeitabilidade a s s u m e m um s t a t u s g e r a l m e n t e a t r i b u í d o ao sexo e ao d i M ú s i c a : Hans J . Salter nheiro à medida q u e a dona de casa Lúcia Harper ( J o a n B e n n e t t ) é tirada do seu cotidiaE l e n c o : J a m e s M a s o n , Joan Bennett, no s u b u r b a n o q u a n d o o c a n a l h a (Shepperd S t r u d w i c k ) q u e vinha saindo c o m sua filha Geraldine Brooks, Henry O'Neill, (Geraldine Brooks) é morto de forma quase a c i d e n t a l sob c i r c u n s t â n c i a s s u s p e i t a s e ela se livra do cadáver para fazer as coisas parecerem m e l h o r e s .

Shepperd Strudwick, David Blair, Roy Roberts

O justiceiro de Lúcia é interpretado por J a m e s M a s o n , estranha p o r é m a c e r t a d a m e n t e escalado para o papel de um v a g a b u n d o irlandês que c o m e ç a por c h a n t a g e á - l a , m a s depois passa, de forma perturbadora, a fazer sinceras propostas r o m â n t i c a s . O foco do filme e n t ã o m u d a à medida que o c r i m i n o s o é levado a fazer um sacrifício que trará a vida da heroína de v o l t a , m a s que t a m b é m sugere q u e B e n n e t t - q u e , afinal de c o n t a s , era u m a prostituta cm A/mos perversas - pode tê-lo m a n i p u l a d o i n c o n s c i e n t e m e n t e para benefício próprio t o d o o t e m p o . O diretor v i e n e n s e M a x O p h ü l s está mais interessado na ironia e na e m o ç ã o do q u e no crime e no d r a m a , o que dá a este filme um clima e x c e p c i o n a l m e n t e aflitivo. Ele t a m b é m conduz os protagonistas a a t u a ç õ e s reveladoras e i n u s i t a d a s . KN

•'•I'.


Inglaterra (British Lion, London)

0 TERCEIRO HOMEM

104 m i n . P & B

(THE THIRD MAN)

Idioma: inglês / a l e m ã o

Roteirizado por G r a h a m G r e e n e - o livro foi, na v e r d a d e , escrito a partir do roteiro! -, O

D i r e ç ã o : Carol Reed

terceiro homem transfere de maneira eficiente o m u n d o de pesadelo urbano dos filmes

(1949)

1 ' i o i l n ç ã o : Hugh Perceval, Carol Reed

noir da H o l l y w o o d de 1940 para um cenário e u r o p e u . Partindo das conseqüência',

Rottlro: Graham Greene, Alexander

c a ó t i c a s da guerra e oferecendo u m a c o n t i n u a ç ã o - passada cinco a n o s depois - al

Korda

obras de escritores de thrlllers ingleses e c i n e a s t a s e u r o p e u s exilados, ele mostra os

<

I n t n g r a f i a : Robert Krasker

efeitos pós-guerra d o s m o v i m e n t o s retratados nos filmes do c o m e ç o da carreira de

Múllca:

H i t c h c o c k , c o m o A d a m a oculta (1938) e O agente secreto (1936), bem c o m o nas obras do

Henry Love, Anton Karas

E l e n c o : loseph Cotten, Alida Valli, ' In

Welles, Trevor Howard, Paul

m e i o da carreira de Fritz L a n g - c o m o Quando desceram as trevas (1944), baseado em G r e e n e , ou O h o m e m que quis matar Hitler (1941), inspirado em Geoffrey H o u s e h o l d - e

Hflrblger, I mst D e u t s c h , Erich Ponto, l l t g f r l e d Breuer, H e d w i g Bleibtreu, v i u . m l Lee, Wilfrid H y d e - W h i t e ' •••> . o

U n b e l t Krasker (fotografia)

i m l i i . i ç . i o a o O s c a r : Carol Reed (diretor), O s w a l d Hafenrichter (rdlç.tii)

ainda

nas a d a p t a ç õ e s de

Eric Ambler, c o m o tornada do pavor (1942) e A máscara de

D/m/tr/OS (1944). A Viena o c u p a d a , dividida entre quatro poderes militares e infestada de v i g a r i s t a s do m e r c a d o negro, é um cenário tão fantástico q u a n t o qualquer outro projetado pelo exotismo de e s t ú d i o , c o n t u d o Reed e sua equipe c o n s e g u i r a m f i l m a r em l o c a ç ã o , em m e i o aos e s c o m b r o s e à exuberância, c a p t u r a n d o um m u n d o de m e d o e x t r e m a m e n t e real. N e s s e m u n d o d e v a s t a d o pela corrupção surge o a m e r i c a n o i n o c e n t e Holly M a r t i n s (Joseph Cotten). Um escritor de faroestes pu/p, ele é de alguma forma c h a m a d o para dar u m a palestra sobre literatura séria para u m a platéia p e d a n t e . S o m e n t e o sargento de polícia (Bernard Lee), s e n t a d o no f i m do auditório, leu a l g u n s de seus livros. Holly fica c h o c a d o ao descobrir q u e seu a m i g o de Infância Harry Lime (Orson W e l l e s ) morreu r e c e n t e m e n t e d e maneira misteriosa, t e n d o sido a p o n t a d o c o m o suspeito d e e n v o l v i m e n t o c m u m golpe e s p e c i a l m e n t e covarde. Holly s e e n v o l v e c o m u m a das n a m o r a d a s de Harry (Alida Valli) e u m a série de excêntricos sinistros na sua busca pelo "terceiro h o m e m " , que foi visto l e v a n d o o corpo de L i m e e m b o r a . Harry, c o m o t o d o s ( m e n o s Holly) s a b e m , na v e r d a d e forjou a própria m o r t e para fugir do policial C a l l o w a y (Trevor Howard). Depois de t o d o s esses a n o s , não é e x a t a m e n t e u m a surpresa, m a s o m o m e n t o em q u e o Harry de W e l l e s é pego por um f a c h o de luz da rua e n q u a n t o um gato se esfrega em seus s a p a t o s ainda é m á g i c o . O t e m a de cítara inesquecível de A n t o n Karas se destaca na trilha sonora e W e l l e s faz p r a t i c a m e n t e uma ponta c o m o um dos vilões m a i s c h a r m o s o s do c i n e m a . A fala m a i s f a m o s a de O terceiro homem - a piada do "relógio cuco", contada no alto da roda-glgante de Viena - foi escrita por W e l l e s no calor do m o m e n t o , c o m o a c r é s c i m o ao roteiro de G r e e n e , d a n d o substância ao p e r s o n a g e m e talvez assegurando a grandeza duradoura desta película. Um raro f i l m e Inglês que é t e c n i c a m e n t e tão perfeito q u a n t o os melhores clássicos de H o l l y w o o d - Reed j a m a i s faria algo t ã o magistral n o v a m e n t e -, O terceiro h o m e m é u m a extraordinária mistura de thrlller político, estranha história de amor, mistério gótico e t o r m e n t o r o m â n t i c o em p r e t o - e - b r a n c o . W e l l e s , q u e está v e r d a d e i r a m e n t e brilhante nos cinco m i n u t o s em que aparece, g a n h o u toda a a t e n ç ã o , m a s este é um f i l m e d e a t u a ç õ e s i m p e c á v e i s , c o n t a n d o c o m u m trabalho m a r a v i l h o s o d e Cotten c o m o o herói aturdido e d e s a p o n t a d o - sua " p a l e s t r a literária" é i n e s t i m á v e l - e c o m a beleza radiante da estrela Italiana Valli, c o m o a heroína pro forma. Este é um f i l m e q u e r e s p l a n d e c e c o n s t a n t e m e n t e , c o m s u a s paisagens u r b a n a s n o t u r n a s , s e u s rostos aflitos e as á g u a s c a u d a l o s a s dos esgotos que c a r r e g a m Lime no f i m . KN

|l.


i UA ( M ( , M ) 98 m i n . Technicolor

UM DIA EM NOVA YORK

(1949)

I d i o m a : inglês

(ONTHETOWN)

D i r e ç ã o : Stanley D o n e n , Gene Kelly

Dois m a rinh e ir os , Gabey (Gene Kelly) e Chip (Frank Sinatra), na c o m p a n h i a da taxlstl

P r o d u ç ã o : Roger Edens, Arthur Freed U n i i ' i i o : Adolph Green, Betty ( o m d e n , baseado na peça de sua •ml 01 l.i l o l o g r a f i a : Harold Rosson

B r u n h i l d c ( B c t t y Garrett), i n v a d e m u m a aula de desenho c o m m o d e l o vivo. Eles fii arfl b o q u i a b e r t o s ao v e r e m u m a m u l h e r n u a , de costas. A m o d e l o se vira: está usando uni ve st id o s e m a parte de trás. O trio sai correndo pela porta giratória pela qual entrou. V e m o s e n t ã o o terceiro marinheiro, Ozzie (Jules M u n s h i n ) , e sua namorada antropólo ga, Claire (Ann Miller), q u e se beijam f u r t i v a m e n t e .

M o - . i i . 1 : 1 eonard Bernstein, Saul A diversão l e v e m e n t e subversiva de Um dia em Nova York está toda contida nesta

( h.nihil, Roger Edens 1 I r i n o : 1 , i w Kelly, Frank Sinatra,

complexa g a g . O f i l m e é b a s i c a m e n t e u m a caça a sexo c a s u a l : três marinheiros, em

heiiv dairctt, Ann M i l l e r j u l e s

u m a licença de 24 horas, q u e q u e r e m transar. Na superfície, o f i l m e tenta negar esse

Mine,hin, Vera-Ellen, Florence Bates,

impulso básico

Alii 1 i v . i n e , i ,eorge Meader, Judy

" M i s s Turnstiles" - m a s há prova disso em toda parte: nas referências culturais (um

lliilllday 1 IM .11: Roger Edens, Lennie Hayton ( m i c h ,1)

t e m o s , afinal, o a m o r de Gabey por Ivy (Vcra-Ellen), a meiga e inocente

m u s e u d e v o t a d o ao " h o m o e r e c t u s " ) , nas frases de duplo sentido ("Ele queria ver as atrações turísticas e eu mostrei t u d o " ) c, p r i n c i p a l m e n t e , nos n ú m e r o s m u s i c a i s , em q u e t o d o o erotismo c s u b l i m a d o , embora a p e r f o r m a n c e virtuosa de Miller de "Prehistoric M a n ! " não faça q u e s t ã o d e esconder nada. Um dia em Nova York oferece m u i t o s e variados encantos c o m sua premissa simples porém vigorosa de " u m a vida em um dia", m e s m o c o m os diretores Kelly e Stanley Donen ainda a alguns anos de distância do seu ideal de musical d r a m a t i c a m e n t e integrado. Depois que os marinheiros se s e p a r a m , o filme fica e s p e c i a l m e n t e agitado, indo desde o burlesco ("You Can Count On M e " ) até o alto balé, este último a cargo do dueto Slnatra-Garrett ("Come Up to My Placc", um dos destaques da trilha jazzfstica de Leonard Bernstein). Os a c o n t e c i m e n t o s abrem c a m i n h o para toda sorte de devaneios (Gabey i m a g i n a n d o t o l a m e n t e Ivy c o m o u m a garota para toda a vida), digressões e g a g s . A faceta esquerdista da vida e da carreira de Kelly é g e r a l m e n t e ignorada. No e n t a n to, Um dia em Nova York possui - escondida sob a superfície, j u n t a m e n t e c o m o i m p u l so sexual - u m a aspiração política: esta "sinfonia u r b a n a " (com u m a fotografia em locação formidável) é u m a verdadeira ode às alegrias e tristezas de trabalhadores c o m u n s , a c u m u l a n d o experiências n a s brechas de u m a rotina m a s s a c r a n t e . AM

f


ORFEU (1949)

F r a n ç a (André Paulvé, Palais Royal) 112 m i n . P & B

(ORPHÉE) "A eternidade é privilégio das lendas", observa o narrador desde o início. E isso se m o s n o u verdadeiro para Orfeu, o filme de fantasia de J e a n C o c t e a u , u m a alegoria infinita-

I d i o m a : francês D i r e ç ã o : J e a n Cocteau P r o d u ç ã o : André Paulvé

m e n t e estranha e divertida que é t a m b é m u m a espécie de autobiografia v e l a d a . Orfeu R o t e i r o : J e a n Cocteau (interpretado por J e a n M a r a i s , a m a n t e de Cocteau) é um poeta a c l a m a d o que saiu de m o d a . Depois que um rival desprezado é atropelado por dois motociclistas unifor-

F o t o g r a f i a : Nicolas Hayer M ú s i c a : Georges Aurlc

Perler,

mizados, ele se fascina pela Princesa M o r t e (Maria Casares), p o r é m , q u a n d o Eurídice

E l e n c o : Jean M a r a i s , François

(Marie Déa), sua esposa negligenciada, morre, Orfeu desce ao Inferno para buscá-la.

Maria Casares, Marie Déa, Henri

A n a l i s a d o a p e n a s c o m o um filme de efeitos e s p e c i a i s , ele ainda é um m a r c o por conta do uso e n g e n h o s o de C o c t e a u das t é c n i c a s de reverse m o t i o n e retroprojcçáo. I spelhos fazem as vezes de portas para o A l é m ( " O l h e em um espelho por toda u m a

Crémieux, Juliette Greco, Roger Blin, Edouard D e r m i t h e , Maurice Carnegc. René W o r m s , Raymond Faure,

Pierre

Bertin, J a c q u e s Varennes, Claude vida e você verá a a ç ã o da M o r t e " ) , e m b o r a a p e n a s poetas p o s s a m a t r a v e s s á - l o s a seu Mauriac bel-prazer. O Purgatório é um limbo em c â m a r a lenta no q u a l as leis da física são s u s p e n s a s . Embora a narrativa e n i g m á t i c a possa ser confusa em alguns m o m e n t o s (o fato de t a n t o Orfeu q u a n t o C o c t e a u parecerem estar m a i s e n c a n t a d o s c o m a M o r t e do que c o m Eurídice n ã o a j u d a ) , a i m a g i n a ç ã o poética do filme é f a s c i n a n t e . T C h

0 SEGREDO DAS JÓIAS

(1950)

E U A (MGM)

112 m i n . P & B

(THE ASPHALT JUNGLE)

I d i o m a : inglês

Talvez o m a i s r e b u s c a d o f i l m e de " g a t u n o s " já produzido em H o l l y w o o d , o e s t u d o de

P r o d u ç ã o : Arthur Hornblow J i .

D i r e ç ã o : J o h n Huston

J o h n H u s t o n sobre um roubo a u m a loja de jóias mostra as relações profissionais entre

R o t e i r o : W. R. Burnett, Ben M.iridow.

c r i m i n o s o s de carreira de diversos tipos - d e s d e um gênio do c r i m e a t é o " h o m e m da

J o h n H u s t o n , baseado no livro de

caixa", q u e a r r o m b a o cofre, p a s s a n d o pelo " b r u t a m o n t e s " e s c a l a d o para cuidar dos

W. R. Burnett

g u a r d a s . Um c r i m e desses é a p e n a s " u m a forma heterodoxa de trabalho", sugere o h o m e m de n e g ó c i o s " r e s p e i t á v e l " q u e Irá receptar o furto.

F o t o g r a f i a : Harold Rosson M ú s i c a : Mlklós Rózsa E l e n c o : Sterling Hayden, Louis

O segredo das jóias focaliza não só o a s s a l t o , m a s t a m b é m as v i d a s privadas dos m e m b r o s da g a n g u c , q u e são individualizados c o m t o q u e s n o t á v e i s de diálogo e estilo

C a l h e m , J e a n Hagen, J a m e s W h l t m o r e , S a m Jaffe, John M c l o l i i e .

v i s u a l . H u s t o n c o n d u z c o m m a e s t r i a u m ó t i m o grupo d e a t o r e s , incluindo M a r i l y n

Commissioner Hardy, Marc I

M o n r o e - q u e interpreta a a m a n t e d e s m i o l a d a de um v e l h o , em um de s e u s m a i s

Barry Kelley, Anthony Caruso.

i m p o r t a n t e s papéis em início de carreira. C o m o na maioria dos f i l m e s de H u s t o n , a

Celll, Marilyn Monroe, William " W e e

ênfase t e m á t i c a está nas alegrias e tristezas das relações m a s c u l i n a s , c o m a inevitável

W i l l i e " Davis, Dorothy Tree, Brad

derrota dos c r i m i n o s o s pela lei - e por s u a s próprias fraquezas - s e n d o representada de forma q u a s e heróica. Doe R e i d e n s c h n e i d e r ( S a m J a f f e ) , o líder da g a n g u e , é c a p t u r a d o

awreni t FereSJ

Dexter, J o h n Maxwell I n d i c a ç ã o a o O s c a r : John Huston (diretor), Ben Maddow, J o h n Huston

porque se d e m o r a em um café assistindo a u m a j o v e m bonita dançar, e o durão Dix (Sterling H a y d e n ) sangra até a m o r t e e n q u a n t o tenta voltar para o Interior e para os c a v a l o s que a m a . Esses e l e m e n t o s m e l o d r a m á t i c o s c o n t r a s t a m d e forma interessante

(roteiro), S a m Jaffe (ator coadjuvante), Harold Rosson (fotografia)

c o m o retrato no geral I m p l a c á v e l que o f i l m e realiza da loucura, da traição e da sociopatia. R B P

-1 ' «


J a p ã o (Daiei) 88 m i n . P & B

RASHOMON (1950)

i d i o m a : japonês

Três v i a j a n t e s se r e ú n e m sob as ruínas de um t e m p l o durante u m a t e m p e s t a d e . U n i

ü l r c ç ã o : Akira Kurosawa

lenhador (Takashi S h i m u r a ) , um sacerdote ( M i n o r u Chiaki) e um servo (Kichijiro Ueda)

P r o d u ç ã o : Minoru Jingo, Masaichi

fazem u m a fogueira e refletem sobre u m a história perturbadora. Assim começa uma

N.i)',,H,i

história dentro da história sobre um h o m e m e u m a mulher c a s a d o s e um bandido que

R o t e i r o : Ryunosuke Akutagawa, Akira I Lirosawa, Shinobu Hashimoto, baseado nos contos " R a s h o m o n " e "Dentro da m a t a " , de Ryunosuke

Akutagawa

c a d á v e r do marido e dá seu t e s t e m u n h o diante de u m a c o m i s s ã o da polícia q u e investiga o ocorrido. A explicação horroriza o sacerdote e entretém o servo de tal forma que os m a n t é m o c u p a d o s durante toda a t e m p e s t a d e c o m quatro versões do crime.

f o t o g r a f i a : Kazuo Miyagawa

Múllca: Fumio llinco: lóshiro

se e n c o n t r a m em u m a estrada na floresta. O lenhador se depara m a i s tarde com o

C o n t a d o a partir de pontos de vista conflitantes em forma de flashback, filmado

Hayasaka

c o m u m a câmera fluida, em c o n s t a n t e m o v i m e n t o , e fotografado sob u m a abóbada de

Mifune, Machiko Kyó,

luz salpicada, Rashomon detalha perspectivas nâo-confiáveis. A sinceridade dos perso-

Uasayukl Mori, Takashi Shimura, Milioni Chiaki, Kichijiro Ueda,

n a g e n s na tela e a veracidade das ações relatadas m o s t r a m - s e , p o r t a n t o , e n g a n o s a s . Fatos são colocados à prova e i m e d i a t a m e n t e q u e s t i o n a d o s . Discrepâncias entre as

I n i i i i k i i H o n m a , Daisuke Katô O s c a r : Akira Kurosawa (prémio honorário) I n d i c a ç ã o a o O s c a r : 5o M a t s u y a m a , li M o t s u m o t o (direção de arte)

histórias sobrepostas do marido, da esposa e do bandido t o r n a m difícil um relato fiel. Um perfeito pesadelo epistemológico, a obra de Akira K u r o s a w a vencedora do Oscar ainda termina c o m u m a injeção de retidão moral. Embora Rashomon explore de forma Implícita a possibilidade perdida de renovação e redenção, seu t e m a central da

F e s t i v a l d e V e n e z a : Akira Kurosawa

descoberta da verdade c o m o u m a distinção entre o b e m e o mal é s u s t e n t a d o por

[Ltfto de Ouro), Akira Kurosawa

gestos simples de b o n d a d e e sacrifício.

(prêmio da crítica italiana)

C o m o a estrada na floresta é explorada através da perspectiva do bandido Tajomaru (Toshiro M i f u n e ) , ele é caracterizado c o m o um ser diabólico. Depois de ver M a s a k o ( M a c h i k o Kyô), ele se encanta c o m sua s ubmissão voluntária antes de soltar seu marido s a m u r a i , Takehlro ( M a s a y u k l M o r i ) , para que os dois h o m e n s p o s s a m lutar até q u e um deles seja morto. Do ponto de vista de M a s a k o , ela é estuprada, desonrada e em seguida rejeitada pelo marido; e n t ã o s u c u m b e a u m a ira histérica e o m a t a . Concordando a p e n a s que foi m o r t o , Takehiro fala através de um m é d i u m (Fumiko H o n m a ) , explicando c o m o sua esposa correspondeu à paixão de Tajomaru a n t e s de exigir a morte dele pelas m ã o s do bandido. S e m ver n e n h u m benefício no a s s a s s i n a t o , Tajomaru foge, a s s i m c o m o M a s a k o , a b a n d o n a n d o Takehiro, que c o m e t e suicídio. Cada história é contada de forma lisonjeira pelos seus próprios protagonistas. A s s i m , Tajomaru é um criminoso impiedoso, M a s a k o é u m a vítima inocente e Takehiro, um guerreiro honrado. Tudo isso parece v e r d a d e , até o lenhador explicar o que viu escondido nas s o m b r a s . Sua perspectiva ratifica a frivolidade da esposa, a bravata do bandido e a covardia do marido. Ela t a m b é m oculta a sua c u m p l i c i d a d e em relação ao c r i m e até o servo a p o n t á - l a , desprezando a busca pela v e r d a d e . Kurosawa termina esta história desoladora c o m u m a nota positiva. Um bebê a b a n d o n a d o é descoberto sob as ruínas do t e m p l o . O lenhador introduz no filme o t e m a da b o n d a d e h u m a n a ao a s s u m i r a responsabilidade de cuidar do órfão c o m o forma de redenção. Um desfecho coerente - dada a esquizofrenia formal de Rashomon c o m sua estrutura narrativa brilhante - para esta obra-prima de K u r o s a w a . CC-Q


I U A (universal) 9 2 min. P & B

WINCHESTER 73

I d l o m a : ingles

O primeiro dos oito filmes q u e o diretor A n t h o n y M a n n fez c o m o ator J a m e s S t e w a r t ,

(1950)

D l r c c a o : Anthony M a n n

Winchester '73 estabelece o t o m dessa parceira lendária. Os faroestes que esses dois ho

I ' r o d u c a o : Aaron Rosenberg

m e n s realizaram j u n t o s são g e r a l m e n t e a m a r g o s e de uma beleza árida, c o m fascinan-

ROtelro: Borden Chase, Stuart N.

tes implicações de incerteza m o r a l .

i il - Reiben I. Richards, baseado no in

Winchester '73 gira em torno de um rifle poderoso q u e troca de m ã o s repetidas

le •,in,ut N. Lake vezes. Cada h o m e m q u e o possui é m o d i f i c a d o de alguma forma - a l g u m a s vezes para

l o l o g r . i f i . i : W i l l i a m H. Daniels M ü s l c a : Walter Scharf l l e n c o : ),imes S t e w a r t , Shelley Winters, I).in Duryea, Stephen

o b e m , outras para o m a l . Tudo se decide em u m a c o m p e t i ç ã o de tiro na qual o prêmio é a própria arma do título. O elenco é e x t r e m a m e n t e forte. Shelley W i n t e r s está excelente e entre os c o a d j u -

M i Nllly, Millard Mitchell, Charles

vantes há atores versáteis c o m o Millard M i t c h c l l , S t e p h e n McNally, Will Geer e o i n c o m -

Duke, John

parável D a n Duryea. (Veja se v o c ê c o n s e g u e identificar um j o v e m Tony Curtis e Rock

Mclntire, Will Geer, Jay C.

I Uppen, Rock H u d s o n , J o h n 1

H u d s o n c o m o u m guerreiro indígena!)

1

' * 11 • 111111' 1 Steve Brodie, J a m e s M i l l n . i n . Aimer Biberman, Tony Curtis

Considerado hoje em dia um ator de I n c o m u m versatilidade, S t e w a r t estava preocupado - na época da produção do f i l m e - c o m críticas relacionadas às suas limitações c o m o intérprete. S e u p e r s o n a g e m , Lin M c A d a n i , é um herói insólito - titubeante, de certa forma, embora seja o eixo moral do filme. As atuações de S t e w a r t para M a n n se tornariam cada vez mais complexas e cínicas em filmes c o m o Um certo capitão Lockhart e O preço de um homem, provando, s e m deixar sombra de dúvida, que esse mestre do seu ofício poderia interpretar c o m c o m p e t ê n c i a qualquer papel que lhe fosse dado. E d e S

1 ha (Aij',n',y, Republic) 105 min. P & B Idloma

nirli".

RIO GRANDE

(1950)

A última parte da "Trilogia da C a v a l a r i a " de J o h n Ford - Sangue de heróis (1948) e

U l i r c . l o : I0I111 lord

Legião invencível (1949) são as o u t r a s d u a s -, Rio Grande é um f i l m e menor, embora

Produfio: Merian C. Cooper, J o h n

essencial, s u p o s t a m e n t e realizado para garantir o f i n a n c i a m e n t o para o projeto pessoal

I o k I . Herbert J . Yates

do diretot. Depois do vendaval (1952). Ele é m e n o s revisionista, criador de m i t o s e

11

elegíaco do que os dois f i l m e s anteriores da série, oferecendo u m a mistura de

Iro: I,lines Warner Bellah, J a m e s

I' • • v n i Mi Guinness, baseado na

bebedeiras, farras no quartel e c e n a s de cavalgada repletas de a ç ã o .

111.11 e i 1.1 d e jornal " M i s s i o n W i t h No I

I

cord . i l e I.lines Warner Bellah

i , i t , , | - . i . i l i . i : I'.eit Glennon mo .,.., 11.ile [ vans, Stan Jones, lex i iweie., Vic lor Young

O capitão Kirby York ( J o h n W a y n e , não e x a t a m e n t e recriando seu Kirby York de S a n g u e de heróis), um i a n q u e rabugento, se reconcilia c o m K a t h l e e n ( M a u r e e n 0 ' H a r a ) , sua ex-mulher sulista - cuja m a n s ã o foi incendiada durante a Guerra Civil -, para que possa criar c o m ela seu ingênuo filho recruta (Claude J a r m a n Jr.). O filho se torna um

l l r n t o : John W a y n e , Maureen

h o m e m sob a influência do pai sem perder a sensibilidade da m ã e . York lidera seus

1 ' 1 lira, Ben l o h n s o n , Claude J a r m a n

h o m e n s na perseguição aos indígenas q u e a t a c a m o quartel, v i n d o s do México c o m a

li . ll.niy ( areyjr., Chill Wills, J. Carrol lllh, vii tor M c L a g l e n , Grant Withers, Peter Ortiz, Steve Pendleton,

intenção de promover seqüestras, premissa que indica um e m b r i ã o da obra-prima de Ford e W a y n e , Rastros de ódio. Esta é u m a aventura m e n o s neurótica e m a i s interessada

I' irolyn Grimes, Alberto M o r i n , Stan

em a ç ã o , além de um raro filme de Ford q u e adota, de forma i n q u e s t i o n á v e l , u m a abor-

loin-,, 1 ied Kennedy

d a g e m m o c i n h o s versus bandidos dentro da guerra contra os índios. Ben J o h n s o n demonstra seu t a l e n t o de peão de rodeio em o u s a d a s seqüências de cavalgada e o grupo musical S o n s of t h e Pioneers acrescenta um t o m folclórico c o m baladas o p o r t u n a s , embora " B o l d Fenian M e n " t e n h a sido u m improvável sucesso v i n do do O e s t e na década de 1870. KN


A MALVADA (1950)

E U A (Fox) 138 m i n . P8tB I d i o m a : inglês

(ALL ABOUT EVE) 1 onsiderado um d o s f i l m e s m a i s perspicazes e s o m b r i o s já feitos sobre o s h o w

D i r e ç ã o : Joseph L. Manklewicz P r o d u ç ã o : Darryl F. Zanuck

huslness, o d r a m a de 1950 de J o s e p h L. M a n k l e w i c z , baseado cm " T h e W i s d o m of E v e " , R o t e i r o : J o s e p h L. M a n k l e w i c z , um conto de 1946 publicado na revista Cosmopo/iton, t a m b é m foi a d a p t a d o para o

baseado no conto "The W i s d o m of

rádio. E v i t a d o d u r a n t e quatro a n o s por outros e s t ú d i o s , a c o m b i n a ç ã o do roteiro cínico

E v e " , d e M a r y Orr

e espirituoso de M a n k i e w i c z c o m um elenco de alto calibre t r a n s f o r m o u a história em

F o t o g r a f i a : M i l t o n R. Krasner

um e n o r m e sucesso c i n e m a t o g r á f i c o . Recebendo 14 Indicações ao Oscar, um recorde

M ú s i c a : Alfred N e w m a n

para a época, A malvada g a n h o u seis e s t a t u e t a s . Incluindo as de M e l h o r Filme e M e l h o r

E l e n c o : Bette Davis, Anne Baxter,

Ator C o a d j u v a n t e (George S a n d e r s ) , a s s i m c o m o as de M e l h o r Direção c M e l h o r Roteiro

George S a n d e r s , Celeste H o l m . Gary

para M a n k l e w i c z . B e t t e D a v i s , A n n e Baxter, Celeste H o l m e T h c l m a Ritter foram indica-

Merrill, Hugh M a r l o w e , Gregory Ratoff, Barbara B a t e s , Marilyn

d a s , t o r n a n d o - o o recordista de indicações f e m i n i n a s . M o n r o e , Thelma Ritter, Walter O filme c o m e ç a c o m um plano fechado do prêmio a ser recebido pela j o v e m atriz

H a m p d e n , Randy Stuart, Cralg Hill,

Eve Harrington (Anne Baxter). A câmera e n t ã o recua, revelando um salão repleto de

Leland Harris, Barbara W h i t e

c o n v i d a d o s . E m s e g u i d a , Addison D e W I t t (Sanders) c o m e ç a u m a narração q u e volta n o

O s c a r : Darryl F. Z a n u c k (mclhoi

t e m p o para revelar a verdadeira história de c o m o aquele sucesso foi c o n q u i s t a d o . B e t t e Davis é M a r g o C h a n n i n g , u m a envelhecida atriz da B r o a d w a y de 40 a n o s que se torna amiga de E v e , u m a j o v e m fã a t o r m e n t a d a por u m a vida dura. Birdle (Ritter), a camareira

filme), J o s e p h L. Mankiewicz (diretor), Joseph L. Mankiewicz (roteiro), George Sanders (ator coadjuvante), Edith H e a d , Charles Le Malre

de M a r g o , é a primeira a desconfiar da história triste de E v e , f a l a n d o : " Q u e história! Só f a l t a m os cães de caça m o r d e n d o - a no traseiro." Eve retribuí a c o n f i a n ç a da atriz infiltrando se na sua vida profissional e pessoal a t r a v é s de u m a série de m e n t i r a s . Em

(figurino), T h o m a s T. M o u l l o n (j

I

I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Anne Baxter, Bette Davis (atriz), Celeste H o l m ,

s e g u i d a , Eve e n g a n a a melhor amiga de M a r g o t ( H o l m ) , seduz seu crítico leal, p o r é m

Thelma Ritter (atriz coadjuvante),

d i s t a n t e ( S a n d e r s ) , e fracassa em sua tentativa de roubar o noivo dela (Gary Merrill,

Lyle R. Wheeler, George W. Davis,

m a r i d o de Davis na vida real). Em u m a ponta breve, porém d e s l u m b r a n t e , M a r i l y n

T h o m a s Little, Walter M. Scott

M o n r o e aparece nos braços de D e W i t t na festa de M a r g o , em que ela diz a famosa frase:

(direção de arte), Milton R. Krasnei (fotografia), Barbara McLean

" A p e r t e m os c i n t o s , vai ser u m a noite turbulenta."

(edli 10),

Alfred N e w m a n (música) Tendo t a m b é m g a n h a d o um Oscar em 1949 por Quem é o infiel?, há q u e m considere

F e s t i v a l d e C a n n e s : Joseph L .

o sucesso de M a n k i e w i c z c o m A malvada a prova definitiva de seu t a l e n t o se c o m -

Mankiewicz (prêmio especial do ( m l ) .

parado ao seu i r m ã o H e r m a n , q u e g a n h o u o prêmio de M e l h o r Roteiro Original por

Bette Davis (atriz)

Cidadão Kane.

I n d e p e n d e n t e m e n t e dessa

discussão, A malvada

derado a maior conquista da longa carreira de D a v i s ; o único s e n ã o do f i l m e é Baxter, q u e não parece ser nada m a i s que pura a m b i ç ã o n a forma d e mulher. K K

é amplamente

consi-


I U A (Paramount) n o m i n . P & B

Idioma:

inglês

D i r e ç ã o : Billy Wilder

Producto: Charles B r a c k e n ROtllro: Charles Brackett, Billy

CREPÚSCULO DOS DEUSES

(isso)

(SUNSET BOULEVARD) f

iin.i

J o e Gill ( W i l l i a m Holden), u m rotelris a d e s e m p r e g a d o , f l u t u a n d o m o r t o e m u m

piscina, reconta a história do seu r e l a c i o n a m e n t o pessoal e profissional malfadado com a m e g a l o m a n í a c a diva do c i n e m a m u d o Norma D e s m o n d (Gloria S w a n s o n ) . U m a me-

Wilder, n. M. M a r s h m a n Jr., baseado un i un i o "A Can of Beans", de Charles

lindrosa c i n q ü e n t o n a , cuja t e n t a t i v a de permanecer j o v e m a faz parecer ter mil anos,

lit.u k e n e Billy Wilder

N o r m a vive em u m a m a n s ã o d e c a d e n t e no S u n s e t B o u l e v a r d , realizando um funeral á

I o t o g r a f i a : John F. Seitz

m e i a - n o i t e para seu m a c a c o de e s t i m a ç ã o ("Ele deve ter sido um c h i m p a n z é muito

M ú s i c a : Jay Livingston, Franz W a x m a n

importante", reflete J o e ) , r a s c u n h a n d o um roteiro impossível de se produzir e sonhando

I I r n c o : William Holden, Gloria

c o m um recomeço inviável ("Odeio essa palavra! Este será um retorno!") c o m o S a l o m é .

' . w . n r . m i , Erich von Stroheim, Nancy

De prontidão, há um m o r d o m o sinistro (Erich von S t r o h e i m ) , que havia sido seu

i III

diretor favorito e q u e foi, a propósito, s e u primeiro marido.

Fred Clark, Lloyd G o u g h j a c k

Webb, I ranklyn Farnum, Larry J.

Geralmente um cineasta avesso a visuais ostentosos, Wilder é Incentivado por esse

Ill.ikr, Charles D a y t o n , Cecil B. DtMllle, Hedda Hopper, Buster II

, Anna Q. Nilsson, H. B. Warner

Oicar: Charles Brackett, Billy Wilder, D M M a r s h m a n Jr. (roteiro), Hans i

iriler,

lohn M e e h a n , S a m Comer, Ray

M " V ' i (,ln,'(..i» d e arte), Franz

cenário a criar composições que trazem à m e n t e o covil do Fantasma da Ópera ou a m a n são X a n a d u , de K a n e , c o m o o e n o r m e d o s e nas m ã o s de luvas brancas tocando um órgão sibilante e n q u a n t o o gigolô aprisionado aproxima-se agitado ao fundo. O passeio ácido, porém nostálgico, de Wilder por essa casa mal-assombrada da indústria cinematográfica é um filme que pode ser revisto Incontáveis vezes, m e s m o depois de sua Influência ter se Infiltrado no gênero terror (O que terá acontecido a Babyjane?, de Robert Aldrich) e gerado

W a x m a n (música) u m a adaptação para o teatro de Andrew Lloyd Webber. Ele combina um estranho carinho Indli -li a o a o O s c a r : Charles Brackett ( i i i i l l i i i i filme), Billy Wilder (diretor), W i l l i . m i Holden (ator), Gloria IWIniOn (atriz), Erich von Stroheim (.um i oadjuvante), Nancy Olson (.ii i l / 1 u.uljiivante), J o h n F . Seitz (fotografia), Doane Harrison, Arthur I' '.i i n n , I ; (edição)

pela decadente Norma e pelo fracassado J o e com o uso um t a n t o sádico de rostos devastados e enrijecidos do cinema m u d o c o m o Buster Keaton, H. B. W a r n e r e Anna Q. Nilsson. U m a das discretas ironias de Crespúscuío dos deuses é q u e , embora N o r m a não consiga se safar da sua loucura ( " N i n g u é m dá as costas para uma estrela!"), a indústria permite q u e t o d a s as outras pessoas a j a m c o m o m o n s t r o s : Cecil B. D e M i l l e (interpret a n d o a si m e s m o ) lembra g e n t i l m e n t e a N o r m a que o ramo do c i n e m a m u d o u , porém W i l d e r conclui essa cena a p o n t a n d o a câmera para suas botas de e q u i t a ç ã o lustrosas e


seu andar p o m p o s o de estrela a b s u r d a m e n t e a n t i q u a d o . Embora t e n h a m reconhecido s u a s c h a n c e s de um último m o m e n t o de glória, S w a n s o n (que aceitou o papel depois de M a r y Plckford tê-lo recusado) e von S t r o h e i m (que é forçado a assistir a um trecho de Queen Kelly, um desastre não c o n c l u í d o de 1920 no qual dirigiu S w a n s o n ) c o m p r e e n d e ram a c r u e l d a d e da visão de W i l d e r e a maneira c o m o ele os t r a n s f o r m a v a t o d o s em m o n s t r o s . Trata-se de um f i l m e duro e cínico, em conflito c o m seu m a l f a d a d o , porém terno, caso de a m o r " n o r m a l " : no f i m . N o r m a está tão aterrorizada pelo fato de J o e estar e s c r e v e n d o um roteiro [História de amor sem-título) c o m a a s s i s t e n t e de produção Nancy O l s o n q u a n t o pela possibilidade de ele a a b a n d o n a r pela rival m a i s j o v e m . S w a n s o n ( " E u sou g r a n d e . Os f i l m e s é q u e f i c a r a m pequenos.") está v i b r a n t e em sua loucura, que a t i n g e o clímax em um m o m e n t o de Inesquecível horror-glamour, à medida q u e ela se aproxima de forma sedutora de um cinegrafista de cincjornal d u r a n t e sua prisão por assassinato e declara que está pronta para seu d o s e . Ao m e s m o t e m p o , W i l d e r recua a câmera para enquadrá-la em um plano aberto q u e enfatiza sua solidão e i n s a n i d a d e , e n q u a n t o o grande e s p e t á c u l o em torno de um a s s a s s i n a t o e n v o l v e n d o celebridades c o m e ç a . Este filme indica o c a m i n h o para A montanha dos sete abutres (1951), de W i l d e r , ao mostrar t a m b é m u m a cultura de exploração de crimes pela mídia que p e r m a n e c e t e r r i v e l m e n t e viva m a i s d e m e i o século depois. K N


OS ESQUECIDOS

(1950)

(LOS OLVIDADOS) Embora Os esquecidos faça uso de várias c o n v e n ç õ e s dos filmes sobre questões sociais, ele vai m u l t o a l é m delas. Passado na periferia da Cidade do M é x i c o , a pungente obra prima de B u ñ u e l se concentra em dois garotos d e s a f o r t u n a d o s : Pedro (Alfonso Mejia), q u e se esforça para ser b o m , e o m a i s v e l h o e Incorrigível J a i b o (Roberto Cobo), que surge a todo m o m e n t o c o m o um irmão d e m o n í a c o para d e s e n c a m i n h a r Pedro. Um dos críticos do neo-realismo italiano, B u ñ u e l exigia que o conceito de realismo fosse expan dido para incluir e l e m e n t o s e s s e n c i a i s , c o m o o s o n h o , a poesia e a irracionalidade - re presentados pelo pesadelo de Pedro, no qual um e m a r a n h a d o de culpa e desejos é deslindado na i m a g e m sensacional de u m a peça de carne crua oferecida pela m ã e do garoto f a m i n t o , e pela visão que se apresenta a um Jaibo a g o n i z a n t e , na qual o anjo da M e x i c o (Ultramar) 85 min. P8tB I d i o m a : espanhol

m o r t e surge c o m o um cão sarnento q u e o conduz por u m a estrada longa e sombria. Dentre as outras a l m a s perdidas da cidade dos c o n d e n a d o s de B u ñ u e l e s t ã o o re-

D i r e ç ã o : Luis Bunuel

pulsivo m e n d i g o cego Carmelo ( M i g u e l Inclán); o m e n i n o de rua Ojitos (Mário Ramirez),

P r o d u ç ã o : Oscar Danclgers, Sergio

explorado por Carmelo: a ninfeta M e c h e (Alma Della Fuentes), cujas coxas n u a s são ba-

Kogan, Jaime A. Menasce R o t e i r o : Luis Alcorlza, Luis Bunuel l o t o g r a f i a : Gabriel Figueroa M u s i c a : Rodolfo Halffter, Gustavo I'n 1 .iluj',.1

•Itnco: Alfonso Mejia,

n h a d a s em leite e u m a das m u l t a s I m a g e n s provocativas do filme; e o virtuoso Julián (Javier A m é z c u a ) , rapidamente assassinado por J a i b o . P e g a n d o e m p r e s t a d o o bordão de Nos/iW/le, p o d e - s e dizer q u e o ú l t i m o p e r s o n a g e m essencial é v o c ê , e s p e c t a d o r hipócrita. Um fator crucial que torna Os esquecidos superior a outros filmes sobre questões sociais é a maneira c o m o ele provoca a g r e s s i v a m e n t e a platéia - de forma mais

Estela Inda,

assombrosa q u a n d o Pedro, revoltado em um reformatorio, joga um ovo na c a m e r a .

Miguel Inclán, Roberto Cobo, Alma 1 ' ' l i . 1 1 uentes, Francisco Jambrina,

De maneira m e n o s espetacular, porém ainda c h o c a n t e . Os esquecidos desencoraja o

losus Navarro, Efrain Arauz, Sergio

espectador a assumir a postura de sensibilidade nobre geralmente cultivada pelos filmes

Villarreal, Jorge Perez, Javier

de m e n s a g e m liberal. Para começar, o t o m é cáustico d e m a i s , distanciado e contraditório

A n u v c u a , Mário Ramirez r r s t i v a l d e C a n n e s : Luis Bunuel

- c o m o q u a n d o o espetáculo patético do l i n c h a m e n t o do cego Carmelo pela g a n g u e de J a i b o é acobertado por um plano sarcástico de u m a galinha. Além disso, B u ñ u e l evita

(melhor diretor) primorosamente um verdadeiro catálogo de subterfúgios de f i l m e s - m e n s a g e m , entre eles o uso de arquétipos para conduzir nossos s e n t i m e n t o s e a concentração em casos específicos para atenuar o problema mais a m p l o . Os esquecidos foi criticado por sua insensibilidade e falta de soluções construtivas, porém B u ñ u e l é um artista, não um legislador, e talvez seja difícil reconhecer a compaixão deste filme extraordinariamente honesto apenas por ela não estar amenizada pelo s e n t i m e n t a l i s m o . MR


NO SILENCIO DA NOITE

(1950)

E U A (Columbia, Santana) 9 4 m i n . P&B

(IN A LONELY PLACE)

I d i o m a : inglês No silêncio da iioítcpode ser c h a m a d o de obra prima sob vários aspectos: c o m o o melhor filme do diretor cult Nlcholas Ray; c o m o um drama nolr s i n g u l a r m e n t e r o m â n t i c o e Infeliz; c o m o vitrine para as melhores a t u a ç õ e s das carreiras de H u m p h r e y Bogart e Gloria G r a h a m e ; e c o m o um dos mais perspicazes filmes sobre H o l l y w o o d já produzidos. Dix S t e e l e ( B o g a r t ) , um roteirista de pavio curto, é suspeito de um a s s a s s i n a t o e s p e c i a l m e n t e cruel, p o r é m sua vizinha de porta. Laurel Gray ( G r a h a m e ) , pode lhe servir

D i r e ç ã o : Nlcholas Ray P r o d u ç ã o : Henry S. Kesler, Robert Lord R o t e i r o : Dorothy B. Hughes, Edmund H. N o r t h , Andrew Scott, baseado no romance de Dorothy B. Hughes

de álibi. Isso leva a dupla a um caso passional que é m i n a d o q u a n d o Laurel se apavora

F o t o g r a f i a : Burnett Guffey

c o m as t e n d ê n c i a s v i o l e n t a s de Dix e c o m e ç a a se perguntar se ele não teria c o m e t i d o

M ú s i c a : George Anthell

de fato o a s s a s s i n a t o . Depois de anos Interpretando sujeitos durões, p o r é m r o m â n t i -

E l e n c o : Humphrey Bogart, Gloria G r a h a m e , Frank Lovejoy, Carl B e n l o n

cos, aqui Bogart mergulha m a i s fundo na sua própria persona, revelando um viés n e u Reid, Art S m i t h , Jeff Donnell. Martha rótico que poderia ter feito de S a m S p a d e ou Rick B l a l n e p e r s o n a g e n s instáveis e a b s o l u t a m e n t e a s s u s t a d o r e s nas s e q ü ê n c i a s e m q u e Dlx explode, a p l i c a n d o surras e m q u e m merece e c m q u e não m e r e c e .

S t e w a r t , Robert W a r w i c k , Morris A n k r u m , W i l l i a m Ching, Steven Geray, Hadda Brooks

O t e m a depressivo do filme é retratado de forma e m p o l g a n t e pelo visual sombrio de Ray e por u m a qualidade poética q u a s e surrealista. O b o m r o m a n c e de Dorothy B. H u g h e s é a d a p t a d o de maneira interessante: no livro, descobre-se que S t e e l e é m e s m o o assassino, porém o filme é ainda mais desolador, uma vez q u e , no f i m das c o n t a s , o que importa não é o fato de ele ser Inocente, e sim que ele poderia f a c i l m e n t e não ser. KN

A MONTANHA DOS SETE ABUTRES

(1951)

E U A (Paramount) i n m i n . P & B

(THE BIG CARNIVAL)

I d i o m a : inglês / latim

A montanha dos sete abutres é lembrado por dois m o t i v o s : é a única parceria de Klrk

P r o d u ç ã o : W i l l i a m Schorr, Bllly W l l d l

D i r e ç ã o : Bllly Wllder

Douglas com Billy W i l d c r c é um dos filmes mais raivosos e a m a r g o s já saídos de a l g u m

R o t e i r o : Walter N e w m a n , Lesser

estúdio de H o l l y w o o d .

S a m u e l s , Billy Wilder

Douglas interpreta C h u c k T a t u m , um repórter cínico e arrogante q u e vai parar em

F o t o g r a f i a : Charles Lang

um jornal n u m a cidadezinha do Novo México depois de ser despedido de vários jornais

M ú s i c a : Hugo Frledhofer

na cidade grande. Q u a n d o cobre a história de um m i n e r a d o r (Richard B c n e d i c t ) preso em u m a caverna por causa de um deslizamento, ele vê a c h a n c e de dar a volta por c i m a .

E l e n c o : Kirk Douglas, J a n Sterling) Robert Arthur, Porter Hall, Frank Cady, Richard Benedict, Ray leal.

Instiga o xerife a atrasar as e q u i p e s de resgate c o m a promessa de atrair turistas e Frank Jacquet curiosos para fazerem parte de u m a c o m o v e n t e matéria de c u n h o h u m a n o . T a t u m Incita o frenesi m i d l á t i c o , a s s u m e o papel de repórter solitário com um furo nas m ã o s e transforma o a c o n t e c i m e n t o em um espetáculo. Até m e s m o a d e s a f o r t u n a d a esposa do minerador ( J a n Sterllng) - o paradigma da mulher egoísta e materialista - não escapa ao alcance de T a t u m , provando-se u m a rival à altura na sua busca desonesta por

I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Bllly W i k l c i . Lesser S a m u e l s , Walter N e w m a n (roteiro) F e s t i v a l d e V e n e z a : Bllly Wllder (prêmio Internacional), Indicação

v a n t a g e n s pessoais. E tudo termina c o m o se pode esperar, ou seja, m u l t o , m u l t o m a l . (Leão de Ouro) A raiva p e r m a n e c e no ar m u i t o t e m p o depois do f i m do f i l m e e a m o r d a c i d a d e verbal q u e é a marca registrada de W l l d e r mal c o n s e g u e adocicar o n ú c l e o a m a r g o da história, que nos acusa a t o d o s . P u n g e n t e e austero. AT


E U A (charles K . Feldman, Warner Bros.) 122 m i n . P & B I d i o m a : inglês D i r e ç ã o : Elia Kazan P r o d u ç ã o : Charles K. Feldman H o t e l r o : Tennessee W i l l i a m s , Oscar

liul, baseado na peça de Tennessee Williams I l i t o g r a f i a : Harry Stradllng Sr. M u s i c .1: Alex North I l e n c o : Vivien Leigh, Marlon Brando, Kim I lunter, Karl M a i d e n , Rudy B o n d , Nl< k Dennis, Peg Hillias, W r i g h t King, Uli haul Garrlck, Ann Dere, Edna Ihom.is, Mickey K u h n

UMA RUA CHAMADA PECADO

(1951)

(A STREETCAR IMAMED DESIRE)

O i c a r : Vivien Leigh (atriz), Karl

" S e m p r e dependi da bondade de estranhos." Embora a peça deTennessee W i l l i a m s manti-

Maiden (ator coadjuvante), Kim

vesse o foco exclusivamente no heroísmo desesperado e poético de Blanche DuBois, o

Hunter (atriz coadjuvante), Richard 11.IV. i lemge J a m e s Hopkins (direção

m a g n e t i s m o grosseiro e animal de Marlon Brando, em contraste c o m a bel/e frágil e lânguida de Vivien Lclgh, domina a tela. Da m e s m a forma que havia eletrizado platéias nos

d e ,iile) palcos da Broadway em detrimento da Blanche de Jéssica Tandy, quatro anos antes (numa I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Charles K.

produção t a m b é m dirigida por Elia Kazan). Até hoje, o naturalismo taciturno de Brando,

leldin.in (melhor filme), Elia Kazan ( i l i i e i o t ) . lennessee W i l l i a m s 1

• n o ) . Marlon Brando (ator), Harry 11

e l l in}', Sr. (fotografia), Luanda

li.ill.ml (figurino), Alex North (uiuslt a). N a t h a n Levlnson (som)

sua sexualidade m u n d a n a e seus gritos de " S t c l l a a a a a ! " t o r n a m quase impossível o trabalho dos atores que se a v e n t u r a m no papel do bruto Stanley Kowalskl depois dele. I r o n i c a m e n t e , a versão de K a z a n para o c i n e m a - t a m b é m roteirizada por W i l l i a m s , m a s s u b m e t i d a à censura por a l g u n s c o n t e ú d o s impróprios - g a n h o u três das quatro e s t a t u e t a s do O s c a r de a t u a ç ã o às q u a i s c o n c o r r e u , Incluindo a de L e i g h , q u e t a m b é m havia interpretado B l a n c h e na p r o d u ç ã o do estúdio londrino W e s t E n d , dirigida por seu m a r i d o , sir Laurence Ollvier. K i m H u n t e r e Karl M a l d e n t a m b é m g a n h a r a m os prêmios de atriz e ator c o a d j u v a n t e s , p o r é m Brando foi derrotado por H u m p h r e y B o g a r t (por Uma aventura

na

África).

Não

obstante,

o

impacto

de

Brando em

Uma rua

chamada

pecado o colocou na v a n g u a r d a dos atores de c i n e m a m o d e r n o s , t o r n a n d o - o o m a i s f a m o s o e i n f l u e n t e expoente do " m é t o d o " do Actors S t u d l o . Tendo perdido para o fisco a propriedade da sua família há m u i t o d e c a d e n t e , e sua r e p u t a ç ã o ao buscar e s q u e c i m e n t o e consolo, B l a n c h e chega a Nova O r l e a n s para morar c o m Stella, sua irmã m a i s n o v a , e seu rude c u n h a d o S t a n l e y no a p a r t a m e n t o a p e r t a d o e abafado dos dois. S t a n l e y - c o n v e n c i d o de q u e B l a n c h e está e s c o n d e n d o u m a herança imaginária - é e n l o u q u e c i d o pela m u l h e r n e u r ó t i c a , q u e se agarra de forma patética a seu r e f i n a m e n t o e aos s e u s d e v a n e i o s . S o b as a m e a ç a s rancorosas de S t a n l e y , as ú l t i m a s esperanças de B l a n c h e são b r u t a l m e n t e d e s t r u í d a s e ela se refugia e m u m e s t a d o psicótico. Embora seja o s é t i m o l o n g a - m e t r a g e m de K a z a n , Uma rua chamada pecado é m a i s teatral do q u e c i n e m a t o g r á f i c o . S e u poder p r o v é m das a t u a ç õ e s , e s p e c i a l m e n t e do c a t i v a n t e duelo entre a teatral L e i g h , c o m seu estilo ferino, etéreo e clássico (que poderia ser c h a m a d o de d e t e r m i n a d o ) , e o explosivo e instintivo B r a n d o , q u e são tão distintos em seus m é t o d o s de a t u a ç ã o q u a n t o B l a n c h e e S t a n l e y o são em s u a s pers o n a l i d a d e s . Kazan, q u e foi c o - f u n d a d o r do Actors S t u d i o em 1947 e ainda era um n o m e de peso no teatro a m e r i c a n o da é p o c a , m o s t r a v a pouco Interesse nas possibilidades v i s u a i s da m í d i a , m a s seu traquejo c o m atores fica m u l t o claro a q u i . AE


PACTO SINISTRO

(1951)

E U A (Warner Bros.) íoi min. P & B I d i o m a : inglês

(STRANGERS ON A TRAIN) Não é n e n h u m a surpresa que Alfred Hltchcock tenha se Interessado pelo livro Pacto sinistro, de Patricla

H l g h s m l t h . O primeiro r o m a n c e da autora

possui e l e m e n t o s

encontrados em p r a t i c a m e n t e t o d o s os filmes de Hltchcock: u m a f a s c i n a ç ã o por a s s a s -

D i r e ç ã o : Alfred Hitchcock P r o d u ç ã o : Alfred Hitchcock R o t e i r o : R a y m o n d Chandler, W h i t f i e l d Cook, Czenzi O r m o n d e ,

sinato, m a l - e n t e n d i d o s e desejos homossexuais não e x a t a m e n t e reprimidos. D e s n e c e s baseado no livro de Patrícia sário dizer q u e o diretor não t a r d o u a comprar os direitos do livro e pôr m ã o s à obra. Hlghsmith C o n t a n d o c o m um g r a n d e roteiro de R a y m o n d Chandler - c o m retoques de B e n H e c h t , F o t o g r a f i a : Robert Burks entre outros -, o f i l m e se t o r n o u um d o s m a i s b e m - s u c c d i d o s do diretor. Pacto sinistro c o m e ç a i n o c e n t e m e n t e . G u y H a i n c s (Farley Granger), um tenista de

M ú s i c a : Dimitri Tiomkln E l e n c o : Farley Granger, Ruth Uniu

sucesso, literalmente dá de cara em um t r e m c o m B r u n o A n t h o n y (Robert W a l k e r ) , um

Robert Walker, Leo G. Carroll

estranho excêntrico c excltável. A m b o s t ê m em sua vida u m a pessoa da q u a l g o s t a r i a m

Hitchcock, Kasey Rogers, Marlon

de se livrar. G u y quer tirar do m a p a sua esposa e B r u n o quer fazer o m e s m o c o m o pai

L o m e , J o n a t h a n Hale, Howard St. J o h n , J o h n B r o w n , Norma Varden.

dominador, de m o d o que este ú l t i m o bola o a s s a s s i n a t o " p e r f e i t o " para resolver os

Robert Gist

problemas dos dois h o m e n s : eles s i m p l e s m e n t e t r o c a m de v í t i m a . G u y rejeita a idéia, I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Robei I I'm I m a s logo Bruno o c h a n t a g e i a para que ele cumpra sua parte do acordo. Q u a s e u m a c o m é d i a d e h u m o r negro, Pacto sinistro t a m b é m f u n c i o n a c o m o u m bizarro ritual de a c a s a l a m e n t o , no qual Granger faz o papel do h o m e m c e r t i n h o e W a l k e r o de louco e x t r a v a g a n t e . C o m o s e m p r e , Hitchcock se diverte explorando os apuros do seu protagonista. Os diálogos g a n h a m brilho à medida q u e W a l k e r fecha o cerco em volta de Granger, o q u e leva ao que pode ser considerada a partida de tênis mais repleta de suspenso da história do c i n e m a . P o r é m , em se t r a t a n d o de Hltchcock, o desfecho e m o c i o n a n t e se dá em um carrossel, c o m Granger e W a l k e r l u t a n d o e n q u a n t o o brinquedo fora de controle gira cada vez m a i s rápido. É um final d e s t o a n t e para o que é em grande

parte

um

filme

Introspectivo

sobre l o u c u r a , c h a n t a g e m c c u l p a , p o r é m H l t c h c o c k o e x e c u t a de f o r m a b r i l h a n t e . À medida q u e o c h a r m e caricato de W a l k e r leva a impulsos m a i s a b e r t a m e n t e homicidas, ele cresce c o m o vilão e só pode ser morto de uma maneira que faça jus a sua personalidade

exuberante.

Na

verdade,

W a l k e r ( e m seu ú l t i m o papel) d o m i n a o filme. Ele é o ego d e s e n c a d e a d o , o espalhafatoso outro lado da moeda da loucura mais reprimida que Hitchcock t a m b é m exploraria nove anos mais tarde em Psicose. J K I

(fotografia)


Inglaterra (Ealing, Rank) 78 m i n . P8<B Idloma:

ingles

D l r e c S o : Charles Crichton FTOduclo: Michael B a l c o n , Michael human

0 MISTÉRIO DA TORRE

(1951)

(THE LAVENDER HILL MOB) J u n t a m e n t e c o m O quinteto da morte, de 1955, q u e t a m b é m é u m a c o m é d i a de ladrões, O mistério da torre é a m a i s e n g r a ç a d a das célebres c o m é d i a s d o s e s t ú d i o s Eallng pro d u z l d a s por slr M i c h a e l B a l c o n e i n t e r n a c i o n a l m e n t e a d o r a d a s por seu h u m o r inglês

Rottlro: i.e. b.Clarke l o t o g r a f i a : Douglas S l o c o m b e

irreverente. Irônico e i n i m i t á v e l . O Inigualável Alec G u i n n e s s Interpreta o insignificante

M i i m c . 1 : i ,corge Auric

caixa de b a n c o q u a t r o - o l h o s q u e planeja f i n a n c i a r uma a p o s e n t a d o r i a de luxo c o m o

1 k m n : A l n G u i n n e s s , Stanley

r e c o m p e n s a por u m a carreira que considera s e m valor. Ele bola um roubo o u s a d o de

I Inllow.iy, sld J a m e s , Alfle B a s s ,

barras de ouro c o m o produtor de souvenlrs S t a n l e y H o l l o w a y e os t r a p a l h õ e s c r i m i -

Mirjorle Fielding, Edie M a r t i n , J o h n •..ilrw, K i m . i l d A d a m , Arthur M.imhllng, Glbb M c L a u g h l i n , J o h n

n o s o s profissionais Sid J a m e s e Alfle B a s s neste roteiro v e n c e d o r do O s c a r do ex-policial T. E. B. " T i b b y " Clarke. O f i l m e é u m a aula de c o m o elaborar um roteiro repleto de a r m a ç õ e s e I n c i d e n t e s ,

1 i r t g j o n , ( live M o r t o n , Sydney Tafler, apresentado

de forma

admirável

pela

direção

empolgante de

Charles Crichton,

M.ir 11* Burke, Audrey Hepburn ' III 11 11 B. Clarke (roteiro)

e s p e c i a l m e n t e d u r a n t e a c o n f u s ã o na Torre Eiffel ( G u i n n e s s e H o l l o w a y d e s c e n d o às

Indll " .10 a o O s c a r : Alec Guinness

pressas a s e s c a d a s e m espiral, perseguindo e m v ã o a s colegiais Inglesas q u e c o m p r a -

(.inn)

r a m i n o c e n t e m e n t e m o d e l o s e m ouro m a c i ç o d o ponto turístico parisiense, trocados por e n g a n o ) e o clímax a l u c i n a n t e de perseguição (no q u a l , em d e t e r m i n a d o m o m e n t o , um policial galês c a n t a n t e pega carona no estribo do carro da horrorizada dupla de fugitivos). Não perca a j o v e m Audrey H e p b u r n na cena de abertura no Rio, na qual um G u i n n e s s generoso e s i m p á t i c o conta sua história para um grupo de p e s s o a s Interessadas. AE

l M | . l . i t < t i . i ( I i n i k a y . Romulus) 122 m i n . I n h i m ulol

i'l

1.1: ingles / espanhol

l i l i r ç . l o : A l l i n I I ewin

Produçlo:

loseph K a u f m a n , Albert

OS AMORES DE PANDORA

(1951)

(PANDORA AND THE FLYING DUTCHMAN) Embora já tenha sido desprezada c o m o pretensiosa e absurda, a reputação desta f a n t a sia r o m â n t i c a m á g i c a m e l h o r o u g r a d u a l m e n t e c o m o passar d o s a n o s . A m b i e n t a d o no

Irwin

c o m e ç o da década de 30 em u m a c i d a d e c h a m a d a Esperanza na " c o s t a me-diterrânea

R n t r l r o : Allien Lewin

da E s p a n h a " , o n d e exilados ricos e o c i o s o s se m i s t u r a m c o m pescadores locais. Os a m o -

r . i . i l i . i : i n I Cardiff

res de Pandora c o m e ç a c o m a d e s c o b e r t a de dois corpos a f o g a d o s c o m as m ã o s

M i r . l i . i : Alan R a w s t h o r n e

e n t r e l a ç a d a s . E m f l a s h b a c k . Pandora R e y n o l d s (Ava G a r d n c r ) , u m a cantora a m e r i c a n a

1 1 , i n c . 1 m u " . M a s o n , Ava Gardner,

especializada em levar h o m e n s à loucura e â m o r t e , encontra seu par Ideal em Hendrlck

i i ' i ' I I'.iirick, Sheila S i m , Harold

V a n Der Z e e ( J a m e s M a s o n ) , c a p i t ã o e única tripulação de um luxuoso iate q u e é, na

w . i i i r i i i l r i . M a r i o Cabré, Marius 1

• l " l m 1 .iiirie, Pamela M a s o n ,

1 1

. 1 1 ' . u n e . Margarita D'Alvarez,

1 1 1 ' l l l i n . i . Abraham Sofaer, Francisco i n i l , 1 iiilllcrmo Beltran

v e r d a d e , o H o l a n d ê s Voador, c o n d e n a d o a n a v e g a r pelos m a r e s a t é encontrar u m a m u lher disposta a morrer por ele. O produtor, diretor e roteirista Albert L e w i n , um dos p o u c o s i n t e l e c t u a i s de Hollyw o o d , era um h o m e m de o s t e n t o s a erudição literária (seus f i l m e s são repletos de citações de poesias, a ponto de Pandora fazer um c o m e n t á r i o i m p r o v i s a d o sobre c o m o t u d o o que as pessoas dizem parece u m a citação) e r o m a n t i s m o f a n t á s t i c o (todos os s e u s f i l m e s são sobre a m o r e s I m p o s s í v e i s que g o z a m de m o m e n t o s de perfeição entre maldições). C o m sua fotografia em Technicolor de tons escuros, p o r é m a r r e b a t a d o r e s , a cargo de Jack Cardiff, o f i l m e é u m t r i b u t o à beleza de Ava Gardner, c o m referências ã i n t e n s i d a d e taciturna d e J a m e s M a s o n . K N


UMA AVENTURA NA AFRICA

(1951)

(THE AFRICAN QUEEN)

I n g l a t e r r a (Horizon, Romulus) 1 0 5 min. Technicolor I d i o m a : inglês / a l e m ã o / suaíli

O clássico de 1951 de J o h n H u s t o n é u m a d a s a v e n t u r a s m a i s i m p r e s s i o n a n t e s ,

D i r e ç ã o : J o h n Huston

divertidas e c a t i v a n t e s de H o l l y w o o d . B a s e a d o no r o m a n c e h o m ô n i m o de 1935 de C. S.

R o t e i r o : J a m e s Agee, John H u s t o n ,

Forester, Uma aventura na África narra o improvável caso a m o r o s o de Charlle Allnut

baseado no romance de C. S. Forestfll

( H u m p h r e y B o g a r t ) , c a p i t ã o de um barco m e r c a n t e a vapor, e Rose S a y e r ( K a t h a r l n e

E l e n c o : Humphrey Bogart, Katharine

Hepburn), uma missionária puritana solteirona. Rose p r a t i c a m e n t e não suporta Charlle,

Hepburn, Robert Morley, Peter Bull,

m a s o destino os u n e . Q u a n d o se vê em m e i o à violência da Primeira Guerra M u n d i a l

Theodore Blkel, Walter Gotell, I ' r i n

I m i n e n t e , Rose precisa escapar rio abaixo no v e l h o rebocador de navios de Charlle. No e n t a n t o , um navio de guerra a l e m ã o bloqueia a rota de saída c Rose põe em prática seu

S w a n w i c k , Richard Marner O s c a r : Humphrey Bogart (atoi) I n d i c a ç ã o a o O s c a r : J o h n Huston

plano de e n c h e r o c a r r e g a m e n t o de Charlle de material explosivo para deter os a l e m ã e s (diretor), J a m e s Agee, J o h n Huston e os dois c o n s e g u i r e m fugir.

(roteiro), Katharine Hepburn (.un/)

A história de a v e n t u r a , no e n t a n t o , fica em s e g u n d o plano diante do r e l a c i o n a m e n to difícil entre Charlie e Rose e, apesar do c o n t e ú d o a b e r t a m e n t e político do enredo de guerra, a alegoria m a i s interessante de Uma aventura na África c representada pela história de a m o r d o s dois. Rose, u m a solteirona inglesa certinha e reprimida, é seduzida pela m a s c u l i n i d a d e desalinhada e beberrona de Charlie. Embora se passe em 1914, a m e n s a g e m implícita da e m e r g ê n c i a d o s E s t a d o s U n i d o s c o m o principal potência internacional a p ó s a S e g u n d a Guerra, à medida que os poderes coloniais tradicionais se enfraqueciam, é inequívoca. H e p b u r n e B o g a r t e s t ã o d i v e r t i d í s s i m o s c o m o p r o t a g o n i s t a s . A m b o s estrelas v e t e r a n a s e g r i s a l h a s u s a n d o ao m á x i m o trejeitos e c a c o e t e s q u e e r a m m a r c a s registradas, eles d ã o ao filme um clima leve e c ô m i c o que não atenua a a ç ã o . A q u í m i c a entre os dois é perfeita e a p a s s a g e m das c o n dições d i a m e t r a l m e n t e o p o s t a s d e c a m a r a d a s para a m a n t e s se dá de forma tranqüila e c o n v i n c e n t e , e m b o r a s e j a m m a i s divertidos q u a n do estão v o a n d o um na g a r g a n t a do outro. A fotografia colorida e as v e r d a d e i r a m e n t e surpreendentes t o m a d a s em locação da floresta a u m e n t a m o e n o r m e c h a r m e de U m a aventura na África. B o g a r t g a n h o u seu único O s c a r por sua a t u a ç ã o no f i l m e e H u s t o n t a m b é m foi indicado (direção e roteiro), j u n t a m e n t e c o m Hepburn e o roteirista J a m e s A g e e . As resenhas e s u b s e q ü e n t e s elogios q u e o f i l m e recebeu não são capazes de capturar sua m á g i c a . M e s m o t e n d o - o assistido várias vezes, ele s e m p r e me deixa c o m um sorriso no rosto e de b o m humor, e , e m m e i o aos vários filmes m a r a v i lhosos r e s e n h a d o s neste livro, é verdadeiram e n t e imperdível. R H

.•1,1


tança

(UGC)iio min. P&B

I d l o m a : francês

(JOURNAL D U N CURÉ DE CAMPAGNE)

D l r e ç â o : Robert Bresson R o t c l r o : Robert Bresson, baseado no llvio de Georges Bernanos in. . i c i : Léon Carré, Robert \IIV,IVI(I

DIÁRIO DEUM PADRE (195D

,

Um dos maiores artistas do c i n e m a estava em busca de Inspiração e a e n c o n t r o u no livro Diário de um pároco de aldeia. C o m i m a g i n a ç ã o , coragem e rigor, Robert Bresson descobriu q u e para se fazer c i n e m a não e r a m necessários o r ç a m e n t o s polpudos, estrelas ou efeitos especiais. O c i n e m a poderia contar qualquer história, provocar qualquer e m o ç ã o , se abrir a todos os t e m a s materiais e imateriais, privados e públicos através do

l n t o g r . i f i a : Léonce-Henri Burel

MÛlll a: jV.~in-Jacqu.es Griinenwald I Itnco: t laude Laydu, Léon Arvel, Antoine Ualpêtré, J e a n Danet, Jeanne

uso m a i s e l e m e n t a r de sua verdadeira natureza. O r o m a n c e de Georges B c r n a n o s conta a história de um j o v e m padre q u e v i v e no interior, t e n d o que lidar c o m as dificuldades do dia-a-dla e o q u e s t i o n a m e n t o dos seus

I I levant, André Guibert, Bernard

a t o s e da sua fé. B e r n a n o s se recusa a dar trégua t a n t o aos crentes q u a n t o aos ateus,

n u b i e n n e , Nicole Ladmiral, M a r t i n e

abrindo a b i s m o s no m u n d o concreto. A a d a p t a ç ã o de Bresson do livro é um êxito h u -

l ' i n . m e , Nicole Maurey, Louise ( M m e Louise) Martial M o r a n g e . J e a n Ktvryrc, Gaston Séverin, Gilberte I r i b o l s , M a r i e - M o n i q u e Arkell

Nftlvil d e V e n e z a :

Robert Bresson

milde q u e revela os alicerces da m e n s a g e m cristã. U m a m e n s a g e m que diz que o c i n e m a foi feito para traduzir a palavra em i m a g e m e s o m , t r a n s f o r m a n d o - a em c a r n e . O c i n e m a é a c o n s u m a ç ã o do Mistério da E n c a r n a ç ã o . O filme de Bresson d e m o n s tra q u e t u d o pode se tornar possível: brincar c o m a m o r t e , escrever na tela, jogar c o m o

(ptPmlo internacional), (prêmio da

desejo, observar os Insights da psique, gerar f a s c i n a ç ã o pela vida na França rural da

-1 ii ii .1 italiana), (prêmio OCIC),

m e t a d e do século XX e confrontar q u e s t õ e s religiosas. J - M F

i i n l i i H,.ii) ( i c à o de Ouro)

I U A ( M ( , M ) 113 m i n . Technicolor

Idioma:

Inglês / francês

SINFONIA DE PARIS

(1951)

(AN AMERICAN IN PARIS)

D l r c ç i l o : Vincente Minnelli

•fOduÇlo: Roger Edens, Arthur Freed

Sinfonia de Paris conquistou seis e s t a t u e t a s do Oscar - incluindo a de M e l h o r Filme (derrotando os supostos favoritos U m a rua chamada pecado e Um lugar ao sol) -, a l é m

k i i i r i r n : Al.in Jay Lerner de u m a m e n ç ã o honrosa ao coreógrafo-astro G e n e Kelly e o prêmio Thalberg M e m o r i a l I o t o g r a f i a : John Alton, Alfred Gilks para o produtor da M G M Arthur Frecd. O alegre m u s i c a l de V i n c e n t e M i n n e l l i foi escrito M u i l c . i : Saul Chaplin d i r e t a m e n t e para as telas, concebido por Freed c o m o um veículo para Kelly e construído I I n n o : ' ,1 in Kelly, Jerry Mulligan, II

in 1

11

OlCII

em torno de a l g u m a s das c a n ç õ e s m a i s populares de George G e r s h w i n ("I Got R h y t h m " ,

rise Bouvier, Oscar

1 ev.iiil, Adam Cook, Georges Guétary, I', illlel, Nina Foch, Milo Roberts Arthur Freed (melhor filme),

AI HI I iv 11

1 (roteiro), Cedric

Gllilxins, I. Preston A m e s , Edwin B. Wille. I Keogh Gleason (direção de

" ' S Wondcrful"). Kelly, um artista pobretão, traz um pouco de exuberância para a asséptica região de M o n t m a r t r e , dança c o m c r i a n ç a s , se apaixona pela musa travessa Leslle Caron e a disputa c o m o cantor francês de fala m a n s a Georges Guétary. E n q u a n t o isso, a m e c e n a s Nina Foch ferve de raiva. Isso t u d o é o b s e r v a d o c o m indiferença pelo pianista e I n térprete de G e r s h w i n Oscar L e v a n t , no papel do a m i g o compositor. Parodiando a t e n -

.nie), Allied Gilks, J o h n Alton (fnliiK.i.ifla), Orry-Kelly, Walter

dência dos a m e r i c a n o s da G e r a ç ã o Perdida de mergulhar em um pouco de cultura

iiiinl e i t . Irene Sharaff (figurino),

francesa, M i n n e l l i e n c h e o f i l m e de v i t a l i d a d e , r o m a n c e e u m a a p o t e o s e de cores. O

1 - -111 • 11 Gieen, Saul Chaplin (música)

s e n s a c i o n a l e inovador a u g e é o balé original de Kelly ao s o m da c a n ç ã o - t í t u l o , e n -

n u l l « ,i(,.\o a o O s c a r : Vincente Minnelli

c e n a d o através de cenários ao estilo dos artistas franceses, n o t a d a m e n t e Toulouse

(dlieliii), Adrlenne Fazan (edição)

Lautrec, e " O u r Love Is Here To Stay," o n ú m e r o de dança às m a r g e n s do rio S e n a do casal a l e g r e m e n t e romântico K e l l y - C a r o n . AE


UM LUGAR AO

S0L(1951)

E U A (Paramount) 122 min. P & B

(A PLACE IN THE SUN)

Idioma: inglês

Ao adaptar Uma tragédia americana, de Theodore Dreiser, para as telas, o diretor George

Direção: George Stevens

S t e v e n s se deparou c o m a dificuldade de tornar a história c r u e l m e n t e naturalista de luta de classes algo Interessante para u m a platéia da década de 50, m a i s ávida por entret e n i m e n t o do q u e por d o u t r i n a ç ã o política. S u a solução foi de u m a eficácia brilhante: dar d e s t a q u e ao desejo sexual de George E a s t m a n ( M o n t g o m e r y Clift) pela bela Angela

P r o d u ç ã o : Ivan Moffat, George Stevens Roteiro: Harry B r o w n , Theodore Dreiser, Patrick Kearney, Michael W i l s o n , baseado no livro Uma

Vlckers (Elizabeth Taylor). Parente pobre de um industrial rico, George é e n v i a d o a ele pela m ã e para vencer na vida. No e n t a n t o , d o m i n a d o por s e n t i m e n t o s de privação e

tragédia

americana,

de

Theodore

Dreiser, e na peça Um lugar iw sol, dl

exclusão, George não d e m o n s t r a disposição ou iniciativa para sair da sarjeta através do

Patrick Kearney

trabalho. Na v e r d a d e , ele é t ã o fraco q u e , mal c o m e ç a a trabalhar na fábrica, viola u m a

Fotografia: W i l l i a m C. Mellor

de suas regras f u n d a m e n t a i s . Ao sair c o m u m a colega, acaba e n g r a v i d a n d o a pobre

M ú s i c a : Franz W a x m a n

mulher, pela qual logo perde o Interesse. Interpretado c o m u m a Ingenuidade patética por Clift, os maiores bens de George

Elenco: M o n t g o m e r y Clift, Elizabeth Taylor, Shelley Winters, Anne Revert, Keefe Brasselle, Fred Clark, RaynT

p a s s a m a ser sua beleza e docilidade. A s s i m , Um (rigor ao sol se tornou um dos r o m a n ces mais c o m o v e n t e s e trágicos da H o l l y w o o d clássica, resultado da maneira cuidadosa

I

Burr, Herbert Heyes, Shepperd Strudwlck, Frieda Inescort, Kathryn

c o m o George S t e v e n s dirigiu os protagonistas (que foram Instruídos a enfatizar a

Glvney, Walter S a n d e , Ted de Coisl.i,

linguagem corporal, e não o diálogo) e de sua m a n i p u l a ç ã o habilidosa de dois estilos

John Ridgely, Lois Chartrand

c o n t r a s t a n t e s . O encontro de conto de fadas de George c o m a Inocente Angela é d o m i nado por um trabalho de c â m e r a Intimista, c o m d o s e s sobrepostos de forma especialm e n t e cuidadosa em uma fotografia borrada. As cenas na fábrica, c o m a namorada

Oscar: George Stevens (diretor), Michael W i l s o n , Harry Brown (roteiro), W i l l i a m C. Mellor (fotogrll l| em P & B ) , Edith Head (figurino),

Alice (Shelley W i n t c r s ) , e posteriormente no tribunal, no e n t a n t o , são fotografadas no

William Hornbeck (edição), Franz

estilo de f i l m e noir, enfatizando a i l u m i n a ç ã o chiaroscuro e c o m p o s i ç õ e s Instáveis que

W a x m a n (música)

expressam b e l a m e n t e a a m e a ç a q u e as circunstâncias r e p r e s e n t a m ao desejo de

Indicação a o Oscar: George M r v n r ,

George por seu "lugar ao sol".

(melhor filme), Montgomery ( 1 (ator), Shelley Winters (atri/)

Grávida, Alice a m e a ç a entregar George a sua família se ele não se casar c o m ela: ele é salvo desse destino s o m e n t e porque a prefeitura está fechada por causa de um feriado q u a n d o o casal c h e g a . George sugere um passeio no lago em um pequeno barco; sua Intenção é q u e ocorra um " a c i d e n t e " e Alice se afogue. Não c o n s e g u e levar a cabo o a s sassinato, porém Alice, assustada, cai na água. Ela se afoga porque ele não tenta salvá-la e George paga c o m a vida pela sua indiferença. S t e v e n s , no e n t a n t o , o torna m a i s m e m o r á v e l c o m o a m a n t e trágico do que c o m o objeto d e lição política. B P


0 DIA EM QUE A TERRA PAROU

m i a (Fox) 9 2 min. P & B

I d i o m a : inglês

(1951)

(THE DAY THE EARTH ST00D STILL)

ü l t c c S o : Robert W i s e O drama de ficção científica dirigido por Robert W i s e em 1951, b a s e a d o no conto "Adeus 1

lucJo: Jiilian Blausteln ao m e s t r e " , de Harry B a t e s , sensibilizou o público da é p o c a , q u e estava c a n s a d o de

R o t e i r o : Harry Bates, E d m u n d H.

ouvir falar em guerra nuclear e política. C o m e ç a n d o em um estilo q u a s e d o c u m e n t a l ,

Ni 11 i h , baseado no conto "Adeus ao ele

M n . i h ' , d e Harry Bates 1

grafia:

veicula

uma

arrepiante

mensagem

antibélica

através

de

efeitos

especiais

e s p e t a c u l a r e s e caracterizações m e m o r á v e i s . M a i s do q u e um f i l m e B, este foi o

Leo T o v e r ,

M 1 r . i 1 . 1 : l',ri 11,ml Herrmann E l e n c o : Mlchael Rennie, Patrícia Neal, Hiigh M a i l o w c , S a m J a f f e , Bllly Cray, 11.11111". n.ivier, Lock Martin

primeiro f i l m e de ficção científica adulto de sucesso a transmitir u m a m e n s a g e m real sobre a h u m a n i d a d e . U m emissário interestelar c h a m a d o Klaatu (Mlchael Rennie) aterrissa e m W a s h i n g ton, D.C. para transmitir a m e n s a g e m de que a guerra no nosso m u n d o deve parar. Sua espaçonave é cercada de a r m a s e tanques e Klaatu é acidentalmente ferido e enviado para um hospital, deixando apenas Gort (Lock M a r t i n ) , um robô de m a i s de dois metros, para proteger a n a v e . S e m rosto, m u d o e possuindo u m a espécie de ralo laser m o r t a l , Gort é invencível. A única maneira de impedi-lo de proteger a espaçonave c dizendo: " G o r t , K l a a t u barada niktoh", uma frase decorada por pratic a m e n t e todas as crianças que v i r a m o filme. K l a a t u escapa do hospital e c o n h e c e H e l e n ( P a tricia N e a l ) , u m a bela m u l h e r de inteligência excepc i o n a l , e seu filho Bobby (Bllly Gray), e é ela q u e m d e v e d e s a r m a r o mortífero Gort. A f i m de provar seu poder e dar peso à sua m e n s a g e m de paz, K l a a t u desenvolve

um

plano

para

Interromper

todos

os

m o v i m e n t o s m e c â n i c o s d o m u n d o ( c o m exceção d e a v i õ e s e hospitais). O r i g i n a l m e n t e , o papel de K l a a t u seria interpret a d o por C l a u d e Reins, m a s p r o b l e m a s de agenda d e r a m a o p o r t u n i d a d e a R e n n i e , cujo rosto a n g u l o s o e t e m p e r a m e n t o c a l m o c o n f e r e m u m a ligeira e s u a v e superioridade ao p e r s o n a g e m . N e a l , um s í m b o l o de bravura f e m i n i n a , r e s u m e o q u e de m e l h o r a h u m a n i dade tem

para

oferecer.

G o r t foi

interpretado

por

M a r t i n , um porteiro de 2,3501 do Teatro C h i n ê s de G r a u m a n , em Los Angeles. Sobrecarregado pela roupa p e s a d a , M a r t i n precisou de ajuda para segurar Neal nos braços e, em a l g u m a s c e n a s , os c a b o s q u e o s u s t e n t a v a m f i c a m c l a r a m e n t e v i s í v e i s . Para que a nave parecesse inteiriça, a fenda da porta foi v e d a d a e pint a d a de p r a t e a d o . A v e d a ç ã o e n t ã o se rompia, f a z e n do c o m q u e a porta surgisse de repente, s e m aviso visual a l g u m , j a m a i s superado, O dia em que a Terra parou é um clássico em vários a s p e c t o s , não só por conta da sua m e n s a g e m antibélica e efeitos especiais

MICHAEL RENNIE PATRICIA NEAL HUGH MARLOWE siiitiiE um [tu ttmu ttm ita « i m

HAN BLAUSTEN I • ROBERT WS IE • EOMUNO H. NM i H 2o

inteligentes, c o m o t a m b é m pelo uso m a r c a n t e que B e r n a r d H e r m a n n fez do t e r e m l m , o m a i s a m i g o inst r u m e n t o m u s i c a l eletrônico. K K


DEPOIS DO VENDAVAL

(1952,

E U A (Argosy, Republic) 129 min. Technicolor

(THE QUIET MAN)

I d i o m a : inglês / gaélico O diretor J o h n Ford é m a i s c o n h e c i d o por suas celebrações da história e da cultura D i r e ç ã o : J o h n Ford a m e r i c a n a s , p o r é m ele t a m b é m realizou u m a série de f i l m e s que exploraram s u a s oriP r o d u ç ã o : M e r i a n C. Cooper, I, B gens celtas e, e s p e c i a l m e n t e , irlandesas, dentre os quais Depois do vendaval talvez seja o m a i s b e m - s u c e d i d o . U m a Interessante mistura de d r a m a e c o m é d i a , o filme a c o m -

Forbes, J o h n Ford, L. T. Rosso R o t e i r o : Frank S. Nuget, Maurice

panha o r e t o m o de S e a n T h o r n t o n ( J o h n W a y n e ) , um a m e r i c a n o de o r i g e m irlandesa, à

W a l s h , baseado no conto "Green

"velha terra", o n d e c o m e ç a u m a relação passional c t e m p e s t u o s a c o m M a r y K a t e

Rushes", de M a u r i c e W a l s h

D a n a h e r ( M a u r e e n 0 ' H a r a ) . Filmado no c o n d a d o de C a l w a y (de o n d e a família de Ford

F o t o g r a f i a : W i n t o n C. Hoch

e m i g r o u para os E s t a d o s U n i d o s ) , Depois do vendaval oferece b a s t a n t e a ç ã o ao estilo

M ú s i c a : Victor Young

Ford, t e n d o c o m o clímax épico e apropriado a luta do ex-boxeador S e a n c o m W i l l

E l e n c o : J o h n W a y n e , M a u r e e n ( I T i.n. 1 .

D a n a h e r (Victor M c L a g l e n ) , I r m ã o de M a r y , por causa de sua recusa em c o n c e d e r a m ã o

Barry Fitzgerald, W a r d B o n d . Vk toi M c L a g l e n , Mildred Natwick. 1 1 .

da Irmã.

Ford, Eileen Crowe, M a y Craij',, A11I1111 A briga termina porque os dois h o m e n s v ã o ficando bêbados d e m a i s (durante os I n tervalos na ação) para continuar; eles a c a b a m se t o r n a n d o a m i g o s e, no f i m , depois de

Shields, Charles B. Fitzsimons, | . u n e \ Lilburn, Sean McClory, Jack

W i l l , a família aceita o c a s a m e n t o . C o n t u d o , o filme não é e x a t a m e n t e sobre valores

M a c G o w r a n , J o s e p h O'Dea

m a s c u l i n o s . M a r y é m u l t o m a i s do que o simples m o t i v o da disputa e n t r e os dois.

O s c a r : John Ford (diretor), Winton

Embora deseje S e a n , M a r y se recusa a ir contra o irmão para se casar c o m ele. C a s a r - s e c o m S e a n nessas c i r c u n s t â n c i a s seria um insulto para ela. A princípio, S e a n

que

1

H o c h , Archie S t o u t (fotografia) I n d i c a ç ã o a o O s c a r : : John I mil. Merlan C. Cooper (melhor filme), 11.111k

matara um h o m e m no ringue - se recusa a lutar e M a r y pensa q u e ele n ã o a a m a o

S. Nuget (roteiro), Victor M r l agleu

s u f i c i e n t e para se arriscar em u m a briga c o m s e u i r m ã o . Um plano é bolado por tercei-

(ator coadjuvante), Frank Hni.iliui:,

ros no vilarejo para q u e D a n a h e r dê sua permissão para o c a s a m e n t o s e m saber e os

J o h n M c C a r t h y Jr., Charles S.

dois f i n a l m e n t e se c a s a m . P o r é m o irmão logo descobre q u e foi e n g a n a d o e se nega a

Thompson (direção de arte). Daniel I

pagar o dote de M a r y . Ela, por sua vez, se recusa a dormir c o m S e a n a n t e s q u e o dote, q u e representa seu valor Individual, seja pago. No e n t a n t o , a luta de boxe do final resolve a m b a s as q u e s t õ e s e o casal se reconcilia.

Bloomberg (som) F e s t i v a l d e V e n e z a : John I ord (prl internacional), (prêmio OCIC), indicação (Leão de Ouro)

S o b a direção inteligente de Ford, Depois do vendaval c o n t r a p õ e o c h a r m e c o n v e n c i o n a l do vilarejo à beleza do cenário n a t u r a l , resultando em um filme q u e é sério o b a s t a n t e para ser c o m o v e n t e , p o r é m f a n t a s i o s o o b a s t a n t e para ser e x t r e m a m e n t e divertido. ESP

.ue,


BRINQUEDO PROIBIDO

(1952)

(JEUX INTERDITS) Vários f i l m e s realçam os absurdos e crueldades da vida ao representá-los a partir dos olhos de crianças, c o n t u d o , poucos o fizeram de forma m a i s eficaz e p u n g e n t e q u e a obra m á x i m a de René C l e m e n t , Brinquedo proibido. O cenário, c o m o em m u i t o s dos melhores f i l m e s de C l e m e n t , é a Segunda Guerra M u n d i a l : u m a menina de cinco a n o s , P a u l e t t e (Briglttc Fossey), fica órfã q u a n d o seus pais, fugindo de Paris, são m o r t o s em um a t a q u e aéreo. Adotada contra a v o n t a d e por u m a família c a m p o n e s a , ela se torna amiga do filho m a i s j o v e m , M i c h e l (Georges Poujouly), de 11 a n o s , e os dois c r i a m um m u n d o secreto que reflete a m o r t e que v ê e m ao seu redor. Recolhendo os cadáveres de a n i m a i s e insetos, eles e x e c u t a m ritos solenes e os enterram em um celeiro a b a n d o n a d o , m u r m u r a n d o frases que não e n t e n d e m por c o m p l e t o de rituais funerários cristãos. Essa prática, q u e é o "brinquedo proibido" do título, escandaliza os adultos que a descobrem I •.mu -i (Mlver) 102 m i n . P & B

IdiomI! fiances

e as crianças - a n g u s t i a d a s e perplexas - são separadas. C l e m e n t g a n h o u f a m a c o m um d o c u m e n t á r i o d r a m a t i z a d o , A batalha dos trilhos

D l r c ç A o : René C l é m e n t

(1946), sobre as operações da Resistência na m a l h a ferroviária francesa, e a abertura de

P t o d u ç a o : Robert D o r f m a n n

Brinquedo proibido c o n t é m um i m p a c t o p o d e r o s a m e n t e realista, à m e d i d a que c a ç a s

R o t e l r o : l rançois Boyer, Jean 'mu<-1n lie, Pierre Bost, René Clément,

a l e m ã e s b o m b a r d e i a m c m e t r a l h a m u m a coluna dispersa de refugiados. A seqüência do a t a q u e é ainda m a i s aterrorizante por contar a p e n a s c o m efeitos s o n o r o s n a t u r a i s ,

li.r.i'.tdo mo romance Les Jeux in. i innus, de François Boyer i OtOgrafla: Robert Juillard

Mutlca:

s e m o a c r é s c i m o de m ú s i c a , e por se passar em m e i o ao suave calor de verão do Interior da França. No e n t a n t o , depois disso, o f i l m e se torna m a i s estilizado. Por um lado, ele é sobre o m u n d o dos c a m p o n e s e s visto a t r a v é s dos olhos Intrigados e fascinados das

Narciso Yepes crianças - as rixas e d i s p u t a s m e s q u i n h a s são c a r i c a t u r a d a s , c o m falsos elogios pres-

i I n n n i .ruines Poujouly, Brigitte I o v . c y , A m é d é e , Laurence B a d i e ,

t a d o s à religião, e n q u a n t o vidas são d o m i n a d a s pela g a n â n c i a e pelo rancor. Em c o n -

M idelelne Barbulée, S u z a n n e

t r a s t e , as crianças são vistas c o m ternura e carinho à m e d i d a que c o n s t r o e m s e u

( ourt.il, Lucien Hubert, J a c q u e s

secreto m u n d o de f a n t a s i a , e a s e p a r a ç ã o forçada d o s dois ao f i m é desoladora.

M , H in, Pierre M e r o v é e , Violette M

er, P e n i s e Péronne, Fernande

De

seus jovens

protagonistas, Clement

retira

atuações

extraordinariamente

expressivas e c o n v i n c e n t e s , f e l i z m e n t e livres de pieguice; há u m a graça instintiva na

Roy- Louis S a i n t è v e , André W a s le b o n d a d e do m e n i n o em relação a sua pequena a m i g a . Narciso Yepes contribui c o m • K i • 11 i i . i n i . i ( m e l h o r f i l m e rsli.inf,eiro)

Indll i ç l o a o O s c a r : François Boyer (lolrlri l) l r % t l v . i l d e V e n e z a : René C l é m e n t ( I r a o de Ouro)

u m a lírica trilha de guitarra solo, expressiva em sua s i m p l i c i d a d e . PK


ALMA EM PÁNICO

(1952)

E U A (RKO) 9 1

min. P&B

(ANGEL FACE)

I d i o m a : inglês

O m o v i m e n t o noir a m e r i c a n o é d o m i n a d o por r o m a n c e s m a l f a d a d o s e femmes fcita/es

D i r e ç ã o : O t t o Preminger

p o d e r o s a m e n t e m a n i p u l a d o r a s , que l e v a m h o m e n s i n g ê n u o s à ruína. Alma em pânico,

P r o d u ç ã o : O t t o Preminger, H o w i r d

de O t t o Preminger, é um e x e m p l o tardio do gênero e, o b v i a m e n t e , d e v e m u i t o a filmes

Hughes

c o m o Fuga do passado ( 1 9 4 7 ) , de Jacques Tourneur. A q u i , t e m o s Robert M i t c h u m e m u m

R o t e i r o : Chester Erskine, Oscar

papel s e m e l h a n t e de d e t e t i v e particular q u e descobre as m a q u i n a ç õ e s da m u l h e r q u e

Millard, Frank S. Nugent F o t o g r a f i a : Harry Strandllng S i .

a m a , m a s não c o n s e g u e escapar d e l a s . M ú s i c a : Dimitri Tiomkln Alma em pânico, c o n t u d o , é mais cínico e sarcástico do que seus antecessores. Ele

E l e n c o : Robert M i t c h u m , Jean

a c o m p a n h a a obsessão de um h o m e m da classe trabalhadora, Frank J e s s u p ( M i t c h u m ) ,

S i m m o n s , M o n a Freeman, Herbert

por uma bela mulher rica q u e o envolve em um plano para matar sua madrasta. Antes,

Marshall, Leon A m e s , Barh.u.i < 1'Nlll

Diane Tremayne ( J e a n S l m m o n s , b e m escalada e x a t a m e n t e por não fazer o tipo) havia

Kenneth Tobey, R a y m o n d Greenlral,

destruído d e l i b e r a d a m e n t e o noivado de Frank com M a r y ( M o n a F r e e m a n ) , a mulher

Griff Barnett, Robert Gist, Morgan

" b o a " que representa a vida normal que já não basta para Frank depois q u e ele conhece Diane e desenvolve o gosto pelo luxo. O plano de assassinato dá certo, porém a p e n a s ao custo adicional e inesperado da vida do pai de Diane. Ela, no e n t a n t o , não sente um pingo de culpa, e nada a faz desistir dos seus objetivos. O casal é a c u s a d o do que logo se suspeita ser um c r i m e , p o r é m , na linha de O destino bate à porta, é absolvido pelo a d v o g a d o c h a r l a t ã o que Diane contrata para d e f e n d ê - l o s . Embora a p a r e n t e m e n t e destinados a ficar j u n t o s , a consciência de Frank f i n a l m e n t e pesa. Ele tenta romper c o m Diane depois do j u l g a m e n t o e retomar sua antiga vida. Em um gesto que sela seu destino (e que traz mais u m a vez à m e n t e o personagem de M i t c h u m em Fuga do passado), Frank deixa Diane levá-lo de carro à estação rodoviária. No e n t a n t o , ela prefere morrer a perdê-lo. Diane joga o carro em um desfiladeiro, m a t a n d o a m b o s , em uma atitude s e m e l h a n t e a o " a c i d e n t e " q u e tramara a n t e r i o r m e n t e . Alma em pânico nos traz Interpretações i m p r e s s i o n a n t e s de M i t c h u m e S i m m o n s , reforçadas de forma

sutil

pela direção de P r e m i n g e r a t r a v é s de

m a n i p u l a ç ã o d a m i s e - e n - s c è n e - u m f i l m e noir clássico. B P

u m a habilidosa

Farley, J i m Backus


CANTANDO NA CHUVA (1952) (SINGIN' IN THE RAIN) Alguns filmes são tidos em alta conta por seus famosos

ineditismos - u m a

Inovação

artística

impressionante ou a estréia surpreendente de a l g u m astro. Outros são reverenciados s i m p l e s m e n te por serem os melhores de seu gênero. Cantando na chuva se enquadra nesta última categoria. Ele não é pioneiro em n e n h u m verdadeiro sentido da palavra, t a m p o u c o representa um grande avanço na linguagem cinematográfica, porém poucos film e s conseguiram englobar de forma tão simples e I I I A ( M ( , M ) 103 m i n . Technicolor

Idlomi!

inglês

D i r e ç ã o : Stanley D o n e n , Gene Kelly P r o d u ç ã o : Arthur Freed

maravilhosa tudo o que há de b o m no cinema: as glórias jubilosas, os fracassos lastimáveis e a oscilação perfeita e eterna entre esses dois pólos. É a b s o l u t a m e n t e apropriado q u e o m a i o r de t o d o s os m u s i c a i s de H o l l y w o o d seja, em e s s ê n c i a , sobre o próprio s o m . Ou pelo m e n o s sobre a c h e g a d a dele. O ano é 1927, e

R o t e i r o : Betty C o m d e n , Adolph Green

Don L o c k w o o d ( G e n e Kelly) é um f a m o s o astro do c i n e m a m u d o . No meio das filma-

fotografia: Harold Rosson

gens de um filme de capa e espada c o m sua parceira das telas Lina L a m o n t (Jean

M ú s i c a : Nacio Herb B r o w n , Lennie

E l e n c o : Gene Kelly, Donald O'Connor, I

lobble

H a g e n ) , o estúdio é i n f o r m a d o da estréia i m i n e n t e de O cantor de jazz e cancela a prod u ç ã o . A única maneira de o filme ser concluído é transformá-lo em um m u s i c a l , porém

Hayton

Reynolds, Jean H a g e n , Millard

M m hell, Cyd Charisse, Douglas I n w l e y , Rita M o r e n o

existem dois p r o b l e m a s : Don não suporta Lina, sua co-protagonista, e o forte s o t a q u e n o v a - i o r q u i n o dela j a m a i s daria certo na nova era dos f i l m e s s o n o r o s . A s o l u ç ã o ? Usar a ingênua K a t h y (Debbie Reynolds) para dublar a voz horrível de L a m o n t e torcer para que o público j a m a i s descubra. C o n t u d o , essa solução t a p a - b u r a c o gera outro proble-

I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Jean Hagen (atriz 1 Oldjuvante), Lennie Hayton (1111r.11.1)

m a : D o n se apaixona por Kathy, o q u e arruina sua relação profissional c o m Lisa. Co-dirigido por Kelly e S t a n l e y D o n e n , Cantando na chuva traz vários grandes n ú m e r o s m u s i c a i s , e s p e c i a l m e n t e " M a k e ' E m L a u g h " , de Donald O ' C o n n o r s , e o f a m o s o solo de Kelly d u r a n t e a c a n ç ã o - t í t u l o . Kelly, c o m u m a capa de c h u v a a m a r e l a , gira trepado em um poste de luz e pisoteia p o ç a s em êxtase, de tão apaixonado que está pelo novo a m o r da sua vida. E s t r a n h a m e n t e , m u i t a s das c a n ç õ e s de Cantando na chuva f o r a m recicladas dos arquivos m u s i c a i s da M G M , m a s Kelly e sua equipe as r e n o v a m de tal forma que hoje elas s ã o i n e x t r i c a v e l m e n t e relacionadas ao f i l m e . O roteiro, de Adolph G r e e n e B e t t y C o m d e n , é ligeiro e e n g r a ç a d o , parodiando a difícil transição do c i n e m a m u d o para o falado c o m a espirituosidade veloz que s o m e n t e a geração s e g u i n te de roteiristas poderia oferecer. Em u m a ironia digna do próprio f i l m e , Cantando na chuva foi recebido i n i c i a l m e n t e c o m relativa indiferença e passou q u a s e em branco pelo Oscar. No e n t a n t o , c o m o t e m po, suas s e q ü ê n c i a s a n i m a d a s e astros c a r i s m á t i c o s t o r n a r a m - s e irresistíveis. Agradeça em parte às reapresentações pela coroação de Cantando na chuva c o m o rei dos m u s i c a i s , agradeça aos i n ú m e r o s críticos de c i n e m a por colocá-lo nas listas dos 10 m a i s , p o r é m , a c i m a de t u d o , agradeça a Kelly e D o n e n por tê-lo realizado. O m u n d o do c i n e m a t o r n o u - s e um lugar m e l h o r d e p o i s de Cantando na chuva. JKI


VIVER (1952) (IKIRU) Embora seja m a i s c o n h e c i d o por seus épicos s a m u r a i s (Os sete s a m u r a i s ; Yojimbo, o guarda-costas), Akira Kurosawa nunca e s t e v e , no f i m das c o n t a s , e s s e n c i a l m e n t e i n teressado em s a n g u e e tripas - embora se possa a r g u m e n t a r q u e n e n h u m outro diretor explorou tão a fundo o potencial das i m a g e n s v i o l e n t a s nas t e l a s . Kurosawa foi um dos m a i o r e s h u m a n i s t a s do c i n e m a e em n e n h u m a outra obra sua isso fica tão claro q u a n t o em Viver. O f i l m e é sobre Kenjl W a t a n a b e (Takashi S h i m u r a , um dos atores recorrentes de K u r o s a w a ) , um burocrata cujo cotidiano é m a ç a n t e e Insatisfatório. S u a maior realização - q u e ele leva m u l t o a sério - é o fato de nunca ter faltado um só dia ao trabalho na repartição da prefeitura de Tóquio em 30 a n o s . Ele não se arrepende da trivialidade da sua v i d a ; a p e n a s não c o n h e c e outra o p ç ã o . Tudo isso m u d a q u a n d o ele descobre q u e está c o m câncer e t e m pouco t e m p o de vida. D u r a n t e seus últimos m e s e s , W a t a n a b e reconsidera s u a s c o n q u i s t a s ( n e n h u m a ) e s u a s prioridades ( n e n h u m a ) e decide q u e não é tarde d e m a i s para m u d a r o m u n d o para melhor. Ele devota toda a sua energia à c o n s t r u ç ã o de u m a praça - um p e q u e n o gesto q u e , t o d a v i a , significa m u i t o para W a t a n a b e , e t a m b é m para K u r o s a w a . S h i m u r a nos brinda c o m a m a i o r interpretação da sua vida em Viver. Depois que W a t a n a b e descobre q u e está d o e n t e , o rosto do ator nos revela t u d o o que precisamos saber: da Inexprcssivldade à h u m i l d a d e , está t u d o lá, nos traços de S h i m u r a . É i m p o s Japta (loho) 143 m i n . P & B

sível não sentir a dor do p e r s o n a g e m , q u e se m o v e pelas cenas c o m a aparência de um

Idioma:

h o m e m que foi v e r d a d e i r a m e n t e d e v a s t a d o .

j.iponês

D i r e ç ã o : Akira Kurosawa

Produção:

Embora repleto de tristeza, Viver é um filme de grande o t i m i s m o espiritual. E esta

sojiro Motoki

era a i n t e n ç ã o de K u r o s a w a : mostrar q u e , para se conquistar q u a l q u e r tipo de satisfa-

R o t e i r o : Shinobu H a s h i m o t o , Akira

ç ã o e felicidade, é preciso sofrer. C o n t u d o , o s o f r i m e n t o faz parte da vida e pode ser

K u i o s a w a , Hideo Oguni

u s a d o para o b e m . Viver é i m e n s a m e n t e pró-vida, embora seja sobre a m o r t e e a

F o t o g r a f i a : Asakazu Nakai

tristeza. A dádiva de Kurosawa foi revelar c o m o esses estados de espírito não são c o n -

M u s i c a : I umio Hayasaka 1

lanço:

rakashi Shimura, Shinichi

1 i m n i i i . Haruo Tanaka, M i n o r u Chiaki, Ml Kl o d a g i r i , Bokuzen Hidari, M

Silke Yamada, Ka mata ri

1 ujlwara, Makoto Kobori, Nobuo 1 ineko, Nobuo N a k a m u r a , Atsushi w.ii anabe, Isao Kimura, M a s a o I h l m l z u , Yunosuke Ito I rsl i v a l I n t e r n a c i o n a l d e B e r l i m :

A l - li.1 Kuiosawa (prémio especial do \ r n . u l o de Berlim)

traditórios, m a s interligados c o m o parte do ciclo da vida. Sua crença sincera de q u e peq u e n o s gestos f a z e m diferença é ao m e s m o t e m p o a n i m a d o r a e c o m o v e n t e , e s p e c i a l m e n t e na aldeia global dos dias de h o j e , t ã o impregnada de ironia. E d e S


EUROPA 51

(1952)

I t á l i a ( P o n t i - D e Laurentiis) 113 min.

Europa 51, de Roberto Rossellini, c o n t é m a mais imprevisível mistura de ingredientes

P&B

que se pode imaginar, o q u e o transforma em u m a iguaria que v o c ê talvez não queira

I d i o m a : italiano

provar: ela inclui u m a atriz e s c a n d i n a v a q u e se t o r n o u u m a estrela de H o l l y w o o d ; o pai

D i r e ç ã o : Roberto Rossellini

do n e o - r e a l i s m o italiano; um c o m e n t á r i o sobre as condições sociais d a s cidades no

P r o d u ç ã o : Dino de Laurentiis,

pós-guerra e u r o p e u ; u m a reflexão metafísica sobre a natureza do b e m e do m a l e sobre o direito inalienável à a u t o d e t e r m i n a ç ã o ; a oposição em todos os níveis e n t r e burgue-

Roberto Rossellini R o t e i r o : Sandro De Feo, Mario Pannunzio, Ivo Perilli, Brunello Rondl

sia e classes populares; a m o r t e de u m a criança; a traição e redenção de u m a m ã e . . . Moirano m i a ! E, e n t ã o , v o c ê se senta no escuro, a tela se ilumina e o f i l m e c o m e ç a . É simples, é óbvio. Elegante, profundamente tocante, incrivelmente vivo. Um a n o d e p o i s , em Stromboii, Rossellini transforma Ingrld B e r g m a n - c o m a

Roberto Rossellini F o t o g r a f i a : Aldo Tonti M ú s i c a : Renzo Rossellini E l e n c o : Ingrid B e r g a m a n , A l e x . i n d e i

a n u ê n c i a da atriz - em u m a extraordinária m a r i o n e t e , s u b m e t i d a s i m u l t a n e a m e n t e ao

Knox, Ettore G i a n n i n i , Gluliclla

jugo de Deus e do seu diretor (e a m a n t e ) . Isso não a c o n t e c e a q u i . O q u e se dá é a p e n a s

Masina, Teresa Pellati, Sandro

a criação ousada - pelo m e s m o cineasta e a m e s m a estrela - de u m a inédita fusão do

Franchina, W i l l i a m Tubbs, A l l i e d Brown

m e l o d r a m a c o m o gênero popular c o m o f i l m e de autor, c o m s u a s p r e o c u p a ç õ e s éticas F e s t i v a l d e V e n e z a : Roberto e sociais. Todas as s i t u a ç õ e s em Europa 51 são c o m p o s t a s de e l e m e n t o s c o n v e n c i o n a i s , porém cada cena é s u r p r e e n d e n t e , repleta de u m a perturbadora s e n s a ç ã o de realidade,

Rossellini (prêmio Internacional), indicação (Leão de Ouro)

de ligações secretas c o m a vida real, embora elas pareçam jogar a p e n a s c o m as referências h a b i t u a i s , t a n t o no a s p e c t o r o m a n e s c o q u a n t o no t e m á t i c o . E t u d o ocorre s e m qualquer efeito d r a m á t i c o e v i d e n t e , s e m qualquer tipo de o s t e n t a ç ã o , c s i m , pelo c o n trário, c o m u m a incrível modéstia (partindo de um diretor c u m a atriz q u e poderiam ser t u d o , m e n o s humildes) na maneira c o m o a história é c o n t a d a , filmada e interpretada. Europa 51 foge a qualquer gênero no qual poderia, a p a r e n t e m e n t e , se enquadrar, a l c a n ç a n d o um nível de h u m a n i s m o f u n d a m e n t a l raras vezes visto no c i n e m a - e s e m n u n c a usar m é t o d o s a p e l a t i v o s . À medida q u e a p e r s o n a g e m de B e r g m a n , Irene Girard, ultrapassa os o b s t á c u l o s em seu r e c o n h e c i m e n t o c o m o santa pelas p e s s o a s , o próprio f i l m e traça esse m e s m o c a m i n h o , e v i t a n d o todos o s p e c a d o s e m q u e poderia incorrer. U m f i l m e " s a n t o " ? Por que n ã o ? J - M F

.71


I U A (I dew's, M G M ) 118 m i n . P8tB I d l o m a : ingles D l r e c a o : Vincente Minnelll

ProducSo: John H o u s e m a n R o t c i r o : George Bradshaw, Charles ',(liner l o t o g r a f l a : Robert Surtees M I I ' . K . I : David Raksin i

linco:

I ana Turner, Kirk Douglas,

W.ilici I'idgeon, Dick P o w e l l , Barry Sullivan, Gloria G r a h a m e , Gilbert Unland, Ieo G. Carroll, Vanessa Brown, Paul S t e w a r t , S a m m y W h i t e , 11.line Stewart, Ivan Triesault i

.11: i Ii.ii los S c h n e e (roteiro),

Gloria

ASSIM ESTAVA ESCRITO

(1952)

i.iahame (atrlz coadjuvante),

( ciliii Gibbons, Edward C. Carfagno, I ilwln H. Willis, F. Keogh Gleason M i n i . H I J e arte), Robert Surtees

(THE BAD AND THE BEAUTIFUL) Ainda o melhor filme h o l l y w o o d i a n o sobre H o l l y w o o d , Assim estava escrito é livremente baseado na carreira de David O. Selznlck, fugindo ao tema para incluir a l g u m a s piadas

(litingi.ilia), Helen Rose (flgurino) I m l U a c a o a o O s c a r : Kirk Douglas (•

)

internas sobre Val L e w t o n , Orson W e l l e s , R a y m o n d Chandler, Diana B a r r y m o r e , Alfred Hltchcock e Irving Thalbcrg. A t e n ç ã o t a m b é m à esposa discreta, porém Influente, do diretor Inglês (interpretado por Leo G. Carroll, um dos atores recorrentes de Hltchcock). Três pessoas c o m bons motivos para odiar o produtor J o n a t h a n Shields (Klrk Douglas) estão reunidas aguardando uma ligação de Paris, na qual o decadente Shields tentará vender um novo projeto. Através de flashbacks, eles discorrem sobre sua carreira - de diretor de filmes B para o estrelato -, lembrando por que o detestam tanto. O diretor Fred Amiel (Barry Sullivan) é um antigo sócio que foi incentivado por Shields a fazer um filme de monstros barato c h a m a d o A maldição do homem-gato (A marca da pantera v e m à mente), m a s e n t ã o é afastado do projeto dos seus sonhos, uma produção mexicana risivelmente " i m p o r t a n t e " c h a m a d a A montanha distante. Geórgia Lorrison (Lana Turner), a filha vulgar e bêbada de um astro encrenqueiro estilo J o h n Barrymore, é retirada da sarjeta, transformada em uma deusa do cinema e depois trocada por uma qualquer (a maravilhosamente irônica Elaine Stewart) na noite da estréia. Dentre os três, o menos disposto a perdoá-lo é o roteirista profissional J a m e s Lee Bartlow (Dick Powell), cuja mulher frívola e assanhada (Gloria G r a h a m e , vencedora do Oscar) Shields repassa para o " a m a n t e latino" Victor " G a ú c h o " Ribera (Gilbert Roland), que a mata em um acidente de avião. Douglas está I m b a t í v e l c o m o um m e g a l o m a n í a c o a m b i c i o s o . O retrato q u e faz de S h i e l d s , a b u s a n d o dos dentes t r i n c a d o s e das s u a s c o v i n h a s , está entre os melhores de sua carreira. O roteiro cheio de fofocas (a cargo de outro v e n c e d o r do Oscar, Charles S c h n e e ) é conduzido de forma i m p e c á v e l pela m e l o d r a m a t u r g l a exuberante do diretor V i n c e n t e M i n n e l l l e pela trilha sonora sedutora de David Raksin. P a s s a d o s 50 a n o s , o f i l m e g a n h o u um efeito t r a g i c ô m i c o , u m a vez q u e a r e p u t a ç ã o de Selznick foi por água abaixo. A convicção de S h i e l d s de q u e está fazendo u m a g r a n d e arte ( c o m p a r t i l h a d a c o m seu contador!) pela qual vale a pena sacrificar a vida de outras pessoas torna-se ainda m a i s perturbadora q u a n d o Minnelli nos permite vislumbrar e x a t a m e n t e o tipo de e s p e t á c u l o exagerado e arrogante q u e a c a b o u sendo m e n o s b e m - s u c e d i d o do que produções m a i s m o d e s t a s . S a b e m o s q u e , na filmografia de S h i e l d s , preferiríamos ver A maldição

do

homem-gato

no

lugar de

A

montanha

distante.

KN


ORIO DA AVENTURA (1952)

E U A (Winchester) 1 4 0 m i n . P & R I d i o m a : inglês

(THE BIG SKY)

D i r e ç ã o : Howard Hawks Em O rio da aventura, de Howard H a w k s , Kirk Douglas e D e w e y M a r t i n são dois v e n d e dores de peles na década de 1830 q u e s o b e m o rio Missouri até a região dos índios algonquinos em u m a pequena e m b a r c a ç ã o . O f i l m e é baseado em um excelente rom a n c e de A. B, G u t h r i e Jr., que t a m b é m escreveu o roteiro de Os brutos t a m b é m a m a m (1953) e cujos livros These T/iotrsand Hi/is e Tire Way West t a m b é m se t o r n a r a m filmes de

P r o d u ç ã o : Howard Hawks, Edward Lasker R o t e i r o : A. B. Guthrie Jr., Dudley Nichols, baseado no livro de A. B. Guthrie Jr.

faroeste. No c a m i n h o . D o u g l a s e M a r t i n e n f r e n t a m ob stá cul os tanto naturais q u a n t o

F o t o g r a f i a : Russell Harlan

h u m a n o s e t r a n s f o r m a m sua tripulação em u m a elite profissional típica de H a w k s . Essa

M ú s i c a : Dimitri Tiomkln

c a m a r a d a g e m é a m e a ç a d a q u a n d o c a p t u r a m u m a garota indígena. Teal Eye (Elizabeth

E l e n c o : Kirk Douglas, Dewey M.111111

Threatt), c o m o refém para garantir sua segurança. Os dois h o m e n s se a p a i x o n a m por

Elizabeth Threatt, Arthur Hunnll U M . Buddy Baer, Steven Geray, Henri

ela, m a s o conflito é solucionado no f i m . Fotografado em preto-e-branco, c o m alguns cenários i m p r e s s i o n a n t e s , o f i l m e de

Letondal, Hank W o r d e n , J i m D a v i ) I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Arthur

H a w k s está m e n o s Interessado nas possibilidades épicas da história do que na sua rica galeria de personagens. Incluindo Hank W o r d e n c o m o um v e l h o índio e n l o u q u e c i d o ,

Hunnicutt (ator coadjuvante), R u i f l l l Harlan (fotografia)

Arthur H u n n i c u t t c o m o um velho rabugento e Steven Ceray c o m o Frenchy, o capitão do barco. Há t a m b é m os toques de h u m o r negro característicos do diretor, e s p e c i a l m e n t e q u a n d o Douglas precisa ter seu dedo a m p u t a d o , u m a cena q u e , o r i g i n a l m e n t e , deveria ter sido interpretada por J o h n W a y n c em Rio vermelho (1948). EB

MATAR OU MORRER

(1952)

(HIGHNOON)

E U A (Stanley Kramer) 85 min iT.it I d i o m a : inglês D i r e ç ã o : Fred Z i n n e m a n n

N u m a bela m a n h ã de d o m i n g o na pacata cidade de Hadleyville, no N o v o México, P r o d u ç ã o : Carl Foreman, Stanley q u a n d o o xerife W i l l K a n e (Gary Cooper) está prestes a se casar c o m u m a q u a c r e (Grace Kelly), chega a notícia de que Frank Mlllcr (Ian M a c D o n a l d ) - o psicopata q u e K a n e ha-

Kramer R o t e i r o : J o h n W. Cunningham, 1 ail

via prendido a n t e r i o r m e n t e - foi solto da prisão e vai chegar no trem do m e i o - d i a . E n -

Foreman, baseado no conto "The tio

q u a n t o os m a i s o d i o s o s c ú m p l i c e s de Miller e s p e r a m na e s t a ç ã o , o xerife tenta

Star", de J o h n W. Cunningham

conseguir ajuda. No e n t a n t o , os habitantes da cidade (colegas, a m i g o s , dignitários) se

F o t o g r a f i a : Floyd Crosby

r e c u s a m a arriscar suas v ida s por ficar do seu lado contra o c r i m i n o s o que quer não

M ú s i c a : Dimitri Tiomkin

apenas vingança c o m o t a m b é m d o m i n a r Hadleyville n o v a m e n t e .

E l e n c o : Gary Cooper, Thomas Mitchell, Lloyd Bridges, Kaly lurado,

Vários relógios revelam que o meio-dia está se aproximando: t o d o s insistem para que K a n e saia da cidade, m a s o herói, no melhor estilo Gary Cooper, precisa arcar c o m

Grace Kelly, Otto Kruger, Lon 1 hani Jr., Harry M o r g a n , Ian MacDonald,

suas responsabilidades. Matar ou morrer se passa em t e m p o real, c o m a hora fatal se

Eve M c V e a g h , Morgan Farley, Harry

aproximando e n q u a n t o a m ú s i c a - t e m a (a balada " D o Not Forsake M e , Oh My Darling")

S h a n n o n , Lee Van Cleef, Roheii |

insiste em frisar os a c o n t e c i m e n t o s , c o m aqueles q u e o xerife supõe que vão ajudá-lo

Wilke, Sheb Wooley

caindo c o m o pinos de boliche. No clímax, q u e continua pungente m e s m o nestes dias de filmes de ação de um h o m e m contra um exército, ele é deixado p r a t i c a m e n t e sozinho contra quatro vilões. O f i l m e de Z i n n e m a n n é ao m e s m o t e m p o um excelente faroeste de s u s p e n s e e u m a perfeita alegoria do clima de m e d o e suspeita q u e prevalecia nos Estados Unidos durante a era M c C a r t h y . KN

O s c a r : Gary Cooper (ator), Elmo Williams, Harry W. Gerstad (edição), Dimitri Tiomkin (música), Diiiiitn Tiomkin, Ned Washington (cançlo) I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Stanley K i . i m e i (melhor filme), Fred Zinnemann (diretor), Carl Foreman (roteiio)

•Vi


n . i l i . i (Amato, De Sica, Rizzoli) 91 m i n .

UMBERTO D

P&B

Este f i l m e c o m o v e n t e sobre um burocrata a p o s e n t a d o (Carlo Battisti) e seu cachorro

I d i o m a : italiano D i r e ç ã o : Vittono De Sica 1 ' i o d u ç . í o : Giuseppe A m a t o , Vittorlo 1 ir ',ii a, Angelo Rizzoli

Roteiro: Cesare Z a v a t t i n i i otografia: Aldo Grazlati

(1952)

Fllke ficará para s e m p r e na sua m e m ó r i a . Depois de t e r e m realizado o clássico n e o realista Ladrões de bicicleta em 1948, o diretor Vittorio De Sica e o roteirista Cesare Z a v a t t i n i r e t o r n a m a um t e m a e m é t o d o s e m e l h a n t e s em Umberto D. A técnica da d u pla é estruturar o f i l m e em torno de u m a história pessoal c a t i v a n t e e carregada de e m o ç ã o q u e revela, ao ser c o n t a d a , as c o n d i ç õ e s sociais que lhe s e r v e m de cenário. Umberto D foi f i l m a d o nas ruas de Roma e os papéis principais são interpretados

M u s i c a : Alessandro Cicognini por atores não-profissionais, o que dá ao filme maior urgência e a u t e n t i c i d a d e . U m a E l e n c o : Carlo B a t t i s t i , Maria-Pia das m a i o r e s críticas ao n e o - r e a l i s m o é q u e o t r a t a m e n t o m e l o d r a m á t i c o dispensado à ••Mio, I ina C e n n a r i , lleana S l m o v a , 1

lena Rea, M e m m o Carotenuto

história m e n o r dilui a m e n s a g e m social m a i s ampla e a reivindicação de realismo do

I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Cesare Zavattini

próprio f i l m e . C o m sua história trágica, c o n t a d a s e m pudor, sobre o desespero de um

(itileíro)

senhor de idade e o seu amor pelo seu bicho de e s t i m a ç ã o , e c o m sua v i s ã o incisiva das injustiças s o c i a i s , Umberto D oferece a o p o r t u n i d a d e perfeita para o espectador refletir sobre essa q u e s t ã o , q u e diz respeito a um dos m o v i m e n t o s m a i s influentes da história do c i n e m a . B a t t i s t i , um professor a p o s e n t a d o , Interpreta o p e r s o n a g e m do título c o m um senso c o n t i d o de dignidade e resignação d i a n t e da sua s i t u a ç ã o . V i v e n d o c o m uma p e n s ã o i n s u f i c i e n t e , U m b e r t o m a l c o n s e g u e pagar seu quarto a l u g a d o , no q u a l está à mercê de u m a senhoria Insensível, q u e quer se livrar dele. Ele divide a c o m i d a q u e c o n s e g u e na instituição b e n e f i c e n t e local c o m s e u cachorro, q u e é s e u único c o m p a n h e i r o e f o n t e de consolo. À medida q u e as coisas f i c a m cada vez piores para U m b e r t o , ele é forçado cm várias s i t u a ç õ e s a escolher entre a própria vida e a de Fllke. Em u m a das s e q ü ê n c i a s m a i s i m p o r t a n t e s do f i l m e , Flike se perde e U m b e r t o t e m e que ele seja m o r to no canil m u n i c i p a l . Como em Ladrões de bicicleta, o suspense construído em torno da busca cada vez m a i s desesperada rivaliza c o m um thrlller de Hitchcock. O f i l m e nos mostra que um c ã o z i n h o que traz alegria a u m a existência desprovida dela (ou uma bicicleta que significará um e m p r e g o em u m a época de grande pobreza) é capaz de gerar o m e s m o grau de interesse e e m o ç ã o que uma arma secreta ou um esconderijo de j ó i a s r o u b a d a s , e m u m cenário m a i s f a n t á s t i c o . A q u i , D e Sica faz c o m q u e nos p e r g u n t e m o s se o a m o r de U m b e r t o por s e u c ã o é redentor ou fútil. RH


A CARRUAGEM DE OURO (1952) (LE CARROSSE DOR)

I t á l i a / F r a n ç a (Hoche, Panaria) 1 0 3 m i n . Technicolor I d i o m a : italiano

O primeiro f i l m e da trilogia " t e a t r a l " de J e a n Renolr (os outros dois são French Cancan, de 1955, e As estranhas coisas de Paris, do a n o s e g u i n t e ) , esta c o - p r o d u ç ã o I t á l i a / F r a n ç a traz um elenco a n g l o - i t a l l a n o c a p i t a n e a d o pela infatigável Anna M a g n a n i . Na versão falada em inglês, ela l a m e n t a a impossibilidade de atuar em u m a língua estrangeira usando seu i n i m i t á v e l e forte s o t a q u e italiano. Ela interpreta Camilla, u m a c o l o m b i n a em uma trupe de commedia deWarte que chega ao Peru do século X V I I I . Ao Invés de ruas a s f a l t a d a s c o m ouro, eles não e n c o n t r a m asfalto a l g u m - precisam a t é construir o

D i r e ç ã o : J e a n Renoir P r o d u ç ã o : Francesco Alliata, Rcnzn Avanzo R o t e i r o : Renzo Avanzo, jack Kirkland Ginette D o y n e l , Giulio Mace li 1, hm Renoir, baseado na peça te Carrosse du Saint-Sacrement,

de

Prosper

Mérimée teatro para o qual foram c o n t r a t a d o s . O que eles a c h a m do N o v o M u n d o ?

F o t o g r a f i a : Claude Renoir M ú s i c a n ã o o r i g i n a l : Antonio Vivaldi

Ele vai ficar bonito depois de t e r m i n a d o . Apesar das primeiras impressões de Camilla, ela logo c o m e ç a a ser cortejada por p r e t e n d e n t e s distintos, um deles, o vice-rei e s p a n h o l ( D u n c a n L a m o n t ) , q u e a presen-

E l e n c o : Anna M a g n a n i , O d o a i d o Spadaro, Nada Fiorelli, Dante. Duncan L a m o n t , George Hlgglns,

teia c o m a c a r r u a g e m de ouro do título. Infelizmente, para um ator, a h o n e s t i d a d e na

Ralph Truman, Gisella M a t h e w s . Ral

vida não é garantia de um final feliz. A trama s u p e r f i c i a l m e n t e frívola e farsesca e s c o n -

De La Torre, Elena Altieri, Paul

de u m a obra madura e até m e s m o melancólica sobre a relação tensa entre amor, arte e

Campbell, Riccardo Rioli, William Tubbs, J e a n Debucourt

vida. François Truffaut o c h a m o u de "o filme m a i s nobre e refinado de todos os t e m p o s . . . ele é todo finesse e delicadeza, graça e frescor... um f i l m e sobre o teatro dentro do teatro". A n t o n i o Vivaldi fornece a trilha e Claude, irmão de Renoir, é responsável pela bela fotografia colorida. TCh

0 BIGAMO

(1953)

E U A (Filmmakers) 8 0 min. P81B

(THE BIGAMIST)

I d i o m a : inglês

Este f i l m e Inesquecível é u m a das várias inesperadas o b r a s - p r i m a s dirigidas por um

D i r e ç ã o : Ida Lupino

c u r t í s s i m o período por Ida Lupino, considerada a "ESette Davis dos p o b r e s " q u a n d o era

P r o d u ç ã o : Collier Young

u m a estrela calejada da W a r n e r Brothers na década de 40. E d m o n d O ' B r i e n interpreta Harry G r a h a m , um v e n d e d o r de geladeiras q u e , graças a s u a s a n d a n ç a s desastradas pela vida, acaba c o m d u a s e s p o s a s . Eve ( J o a n Fontaine) e Phyllis (Lupino), sendo q u e u m a não sabe da existência da outra. A direção s u b e s t i m a d a de Lupino e n v o l v e os

R o t e i r o : Larry Marcus, Lou S< hor, Collier Young F o t o g r a f i a : George E. Dlskanl M ú s i c a : Leith Stevens E l e n c o : Joan Fontaine, Edmund

personagens em u m a p i e d a d e discreta c i m p o t e n t e . G w e n n , Ida Lupino, Edmond O'Brltn, O tipo de d r a m a presente em O bígamo t e m sua origem na tristeza de três p e s s o a s : a solidão de Harry; o pesar de Eve pela m o r t e de seu pai e sua i n c a p a c i d a d e de conceber

Kenneth Tobey, J a n e Darwell, Peggy Maley

u m a criança; e a relutância de Phyllis em exigir q u e Harry a a s s u m a , por não querer se tornar um fardo para ele. O f i l m e inteiro é u m a cristalização dessa tristeza coletiva representada pela a m b i e n t a ç ã o ( S ã o Francisco e Los Angeles são os cenários da vida dupla de Harry), pelo c o m p o r t a m e n t o dos personagens (a passividade entorpecida e aflitiva de Harry; o i s o l a m e n t o caprichoso de Phyllis; o esforço d e s e s p e r a d o e patético de Eve em ser ao m e s m o t e m p o a esposa perfeita e a parceira profissional perfeita) e, a c i m a de t u d o , pelos olhares t r o c a d o s ou p a r c i a l m e n t e evitados entre as p e s s o a s . Na devastadora seqüência final no tribunal, a orquestração desses olhares alcança u m a c o m b i n a ç ã o de a m b i g ü i d a d e e intensidade q u e traz à m e n t e t a n t o Carl Dreyer q u a n t o Nicholas Ray. Cfu

•7\


I U A ( M G M ) i n m i n . Technicolor

A RODA DA FORTUNA (1953)

I d i o m a : inglês

(THE BAND WAGON)

D i r e ç ã o : Vincente Minnelli

C o m o Cantando na chuva, l a n ç a d o no ano anterior, A roda da fortuna, de Vincente

l ' t o d u c ä o : Arthur Freed

M i n n e l l i , é um m u s i c a l q u e se debruça de forma afetuosa sobre a história do seu

R o t e i r o : Betty C o m d e n , Adolph Green

gênero. A partir daí, ele funda um estilo n o v o e "integrado", b a s e a d o nos personagens

fotografia: Harry Jackson

e no e n r e d o , ao m e s m o t e m p o que goza dos benefícios do estilo antigo e " d e revista".

MÚlIca:

Adolph Deutsch, Arthur

E o faz de maneira inteligente, ao t r a n s f o r m a r o Fred Astaire de O picolino (1935) em um

'.i h w . n i / (canções)

d i n o s s a u r o em um m e l o artístico m o d e r n o e fazê-lo passar por u m a provação em que

I I r n c o : I red Astaire, Cyd Charisse,

d e v e lidar c o m a visão autoritária de um diretor estilo O r s o n W c l l c s (Jack B u c h a n a n ) e,

I Iii .11 i evant, Nanette Fabray, Jack I'm

hanan, J a m e s

por f i m , afirmar seu valor c o m o u m d a n ç a r i n o à m o d a a n t i g a , p o r é m a d a p t á v e l , e m u m

Mitchell, Robert

Gilt I n d i c . i ç á o a o O s c a r : Betty C o m d e n ,

e s p e t á c u l o d i n â m i c o e de s u c e s s o . C o m o a maioria dos m u s i c a i s , A roda da fortuna é sobre c o m p r o m i s s o , o c a s a m e n t o

Adolph (,icen (roteiro), M a r y Ann

de t e n d ê n c i a s a n t a g ô n i c a s . Os p e r s o n a g e n s s i m b o l i z a m os extremos da baixa e da alta

Nyberg (figurino), Adolph Deutsch

cultura: Tony Hunter (Astaire) contra Gabrielle Gerard (Cyd Charisse), sua relutante co-

(mtr.lt .1]

p r o t a g o n i s t a , vinda do balé. P o r é m , q u a n d o a necessidade b a t e à porta, essas diferenças culturais c a e m por terra no m e s m o i n s t a n t e . Tony se prova um especialista em arte e G a b y c a n t a "I S e e a N e w S u n " a plenos p u l m õ e s no palco c o m o u m a dançarina de cabaré. Essa mistura estética é t a m b é m , l i t e r a l m e n t e , um r o m a n c e , s a c r a m e n t a d o por " D a n c i n g In t h e Dark", o pas de deux i m o r t a l no Central Park. E s s e n c i a l m e n t e , no e n t a n t o , A roda da fortuna é uma agradável " c o l a g e m de atraç õ e s " - c o m e ç a n d o c o m as c o n t r i b u i ç õ e s c ô m i c a s cheias de energia de N a n e t t e Fabray e O s c a r L e v a n t , alter egos dos rotelristas B e t t y C o m d e n e Adolph G r c e n . Minnelli t e m a o p o r t u n i d a d e de exibir vários tipos de m l s c - e n - s c è n e : seja j o g a n d o c o m a d e c o r a ç ã o e a arquitetura na cena cm que B u c h a n a n entoa s e u " F a u s t o " e n q u a n t o p e r s o n a g e n s em três c ô m o d o s c o n t í g u o s o u v e m à s e s c o n didas; conduzindo c o m fluidez u m grupo de artistas através d a s m u d a n ç a s de clima n a inesquecível " T h a f s E n t e r t a l n m e n t " ; o u aproveitando

as

inovações

puramente

teatrais do n ú m e r o t r e s l o u c a d o "Triplets". No e n t a n t o , o maior de todos os espetáculos é o extraordinário n ú m e r o de 11 m i n u t o s "Girl H u n t : A Murder Mystery in Jazz", uma

paródia

dos f i l m e s

noir ( e m

cores

vibrantes) na qual a coreografia de M i c h a e l Kldd explode em arabescos estilizados de gestos c o m u n s (fumar, lutar) e as estrelas exibem seu glamour, seja n u m a d e m o n s t r a ç ã o de s e n s u a l i d a d e (Charisse) ou no simples prazer de c a m i n h a r (Astaire). AM


DESEJOS PROIBIDOS

(1953)

F r a n ç a / I t á l i a (Franco London, IndUI Rlzzoll) 105 m i n . P & B

(MADAME DE...)

I d i o m a : francês Poucos f i l m e s dizem t a n t o , em t a n t o s níveis e c o m u m a e c o n o m i a tão i m p r e s s i o n a n t e , q u a n t o o s u b l i m e Desejos proibidos, de Max O p h ü l s . Louise (Danielle Darrleux) é a

D i r e ç ã o : Max Ophüls P r o d u ç ã o : Ralph B a u m

" M a d a m e de..." do título original por ser a n ô n i m a , típica da sua classe privilegiada; são R o t e i r o : Mareei Achard, Max OphUll s o m e n t e os brincos que v e m o s na abertura - prestes a s e r e m e m p e n h a d o s - que

Annette W a d e m a n t , baseado no livm

d e s e n c a d e i a m seu d r a m a . C o n f o r m e esses brincos s e m o v e m , a c â m e r a s e m o v e c o m

Madame de, de Louise de Vil mui 111

eles, f i n a l m e n t e revelando Louise e m u m e s p e l h o , e m m e l o aos seus b e n s m a t e r i a i s .

F o t o g r a f i a : Christian Matras

Desse m o m e n t o em d i a n t e , O p h ü l s j a m a i s nos permitirá ignorar o q u e s u s t e n t a esse

M ú s i c a : Oscar Straus, Georges v.m

m u n d o de o p u l ê n c i a : a circulação de dinheiro e d í v i d a s , os criados o n i p r e s e n t e s a

Parys

postos, o ritual da preparação a n t e s das aparições em público. M e s m o o trajeto do

E l e n c o : Charles Boyer, Danielle

quarto à porta da frente se torna uma e l e g a n t e exposição sociológica.

Darrieux, Vittorio De Sica, jean

Depois da casa e da loja de penhores v ê m a igreja (lar da hipocrisia burguesa) e a

Debucourt, J e a n Galland, Mlrellle Perrey, Paul Azais, josselin Hulieii

ópera, o n d e tudo é m o s t r a d o ; lá, s o m o s a p r e s e n t a d o s ao m a r i d o de Louise, André

Noel, Lia Di Leo

(Charles B o y e r ) , " e n c a n t a d o r " e n q u a n t o c o n s e g u e controlar o s c a s o s ( t a n t o s e u s

I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Georges

q u a n t o dela) que c a r a c t e r i z a m esse c a s a m e n t o " s o f i s t i c a d o " . Q u a n d o o s brincos v o l -

Annenkov, Rosine Delamare

t a m às m ã o s de André pela terceira vez - e Louise se apaixona p e r i g o s a m e n t e por

(figurino)

D o n a t i (Vittor io De Sica) -, o que poderia ser um conceito s i m p á t i c o (os brincos ligando t o d o s os p e r s o n a g e n s , o q u e r e m e t e ao anterior Conflitos de amor [1950], t a m b é m de Ophüls) acaba a r t i c u l a n d o todas as distinções sutis c cruciais entre enredo e t e m a . Para Louise, q u e v i v e em um e s t a d o de n e g a ç ã o no que diz respeito às c o n d i ç õ e s q u e torn a m possível sua suposta liberdade, os brincos são u m s í m b o l o d o seu r e l a c i o n a m e n t o c o m D o n a t i ; para A n d r é , são u m s í m b o l o d e posse, do poder patriarcal, militar c aristocrático q u e ele exerce sobre o d e s t i n o das outras pessoas. Desejos

proibidos

é,

alternadamente,

frágil,

b r u t a l , c o m p a s s i v o e t o c a n t e . O p h ü l s delineia esse m u n d o c o m u m a precisão digna d e B r e c h t , c o n t u d o , j a m a i s despreza a força ou i m p o r t â n cia dos a n s e i o s Individuais reprimidos. M e s m o com os personagens debatendo-se em suas prisões m e t a f ó r i c a s o u c a p t u r a n d o - s e m u t u a m e n t e e m s u a s a r m a d i l h a s , suas paixões n o s c o m o v e m : e s p e c i a l m e n t e q u a n d o André fecha as j a n e l a s diante de Louise c o m o um carcereiro e n q u a n t o declara, q u a s e sussurrando e m s e gredo: " E u t e a m o . " A M


i

A UM PASSO DA ETERNIDADE

(1953)

(FROM HERE TO ETERNITY) Apesar da famosa cena icônlca de Burt Lancaster e Deborah Kerr rolando e se beijando em uma praia do Havaí, a versão de Fred Z i n n e m a n n do best-seller de J a m e s J o n e s sobre a vida em u m a base militar americana em 1941, às vésperas do a t a q u e j a p o n ê s a Pcarl Harbor, sofreu de certa forma a ação do t e m p o . Embora o linguajar, o sexo e a violência já não t e n h a m o m e s m o I m p a c t o , o foco em t e m a s c o m o adultério, prostituição, corrupção e intimidação sádica garantiram ao f i l m e a premiação em oito categorias do Oscar. C o m o passar dos a n o s , seus e l e m e n t o s sensacionalistas parecem m e n o s o u s a d o s e são E U A (Columbia) 118 min. P8<B

as a t u a ç õ e s Intensas do seu elenco de estrelas que f i c a m na m e m ó r i a . Lancaster é o sar-

Idioma:

g e n t o W a r d e n , um h o m e m de princípios, p o r é m p r a g m á t i c o . M o n t g o m e r y Cllft é

inglês

D i r e ç ã o : Fred Z l n n e m a n n

Prewitt, o trompetista novo no quartel (cuja recusa em lutar boxe para a equipe do seu

P r o d u ç ã o : Buddy Adler

batalhão gera um t r a t a m e n t o preconceituoso por parte dos oficiais) e Frank Sinatra é seu

R o t e i r o : J a m e s J o n e s , Daniel

a m i g o M a g g i o , que sofre a implicância do odioso sargento Fatso (um m e m o r á v e l Ernest

rtradash, baseado no livro de J a m e s || Mil's

Borgnlne). I n e v i t a v e l m e n t e , talvez, neste estudo p r o f u n d a m e n t e " m a s c u l i n o " sobre a coragem abrutalhada ea honra individual em conflito com as expectativas conformistas

l o t o g r a f i a : Burnett Guffey

da c o m u n i d a d e em geral, as atrizes não se s a e m t ã o b e m . A Inglesa Kerr está apenas um

Múllca:

pouco constrangida c o m o a tórrida adúltera americana e Donna Reed interpreta uma

1n

Morris Stoloff, George

ig, J a m e s J o n e s , Fred Karger,

Robert Wells E l e n c o : Burt Lancaster, M o n t g o m e r y

prostituta q u e se faz passar por a e r o m o ç a . Z i n n e m a n n p r o v a v e l m e n t e não era o diretor Ideal para este trabalho. Um artesão

1 hi I, Deborah Kerr, Donna Reed,

b a s t a n t e m e t i c u l o s o que progrediu de e n t r e t e n i m e n t o s r a z o a v e l m e n t e eficientes para

1 i.nik Sinatra, Philip Ober, Mickey

f i l m e s algo c o n s c i e n t e s d e m a i s da sua própria " i m p o r t â n c i a " , ele se encontrava a q u i no

l h a u g h n e s s y , Harry Bellaver, Ernest

q u e se m o s t r o u um ponto de virada na sua carreira. As e s t a t u e t a s significaram que ele

Borgnlne, Jack W a r d e n , J o h n Dennis,

poderia passar a fazer filmes m a i s o s t e n s i v a m e n t e " d e qualidade", p o r é m A um passo

M e i l e Iravls, Tim Ryan, Arthur K c c g a n , Barbara Morrison O s c a r : Buddy Adler (melhor filme),

da eternidade teria lucrado c o m um t o q u e m e n o s "realista". Afinal de c o n t a s , ele é na v e r d a d e um m e l o d r a m a , e um pouco de expressionismo sombrio viria a calhar. Dito

1 h ' i I Z l n n e m a n n (diretor), Daniel

isso, o f i l m e é eficiente q u a n d o se concentra na dinâmica da I n t i m i d a ç ã o dos mais

i.u.iil.rJi (roteiro), Frank Sinatra (ator

fracos e n o s oficiais que f a z e m vista grossa às Infrações e aos preconceitos que c o n t a -

Coadjuvante), Donna Reed (atriz

m i n a m q u a l q u e r grupo f e c h a d o . A l é m disso, Z i n n e m a n n c o n s e g u i u extrair interpreta-

coadjuvante), Burnett Guffey (Inlografia), W i l l i a m A. Lyon (edição), I11I111 P. I ivadary (som) I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Montgomery 1 hi 1 (ator), Burt Lancaster (ator), I irborah Kerr (atriz), J e a n Louis (figurino), Morris Stoloff, George Dulling (música)

J/K

ções vigorosas dos seus atores. E, depois d a q u e l e rolar na areia da praia, a vida j a m a i s seria a m e s m a . GA


ERA UMA VEZ EM TÓQUIO

(1953)

J a p ã o (shochlku) 136 min. p & B I d i o m a : japonês

(TÔKYÔ MONOGATARI)

D i r e ç ã o : Yasujiro Ozu "A vida não é d e c e p c i o n a n t e ? " , pergunta u m a adolescente a sua c u n h a d a viúva no

P r o d u ç ã o : Takeshi Yamamoto

funeral da m ã e ; " S i m " , é a resposta, a c o m p a n h a d a de um sorriso. Esse breve diálogo,

R o t e i r o : Kôgo Noda, Yasujiro Ozu

perto do f i m de Era u m a vez em Tóquio, a obra-prima de Yasujiro O z u , exemplifica a

F o t o g r a f i a : Yuharu Atsuta

atmosfera

M ú s i c a : Kojun Saitô

não s e n t i m e n t a l de tranqüila

resignação que d i s t i n g u e sua obra. As

a t u a ç õ e s , o cenário - o lar de classe média que a garota dividia até e n t ã o c o m seus pais idosos - e os diálogos são t o t a l m e n t e naturalistas e não p a r e c e m , n e m por um instante, ter sido planejados para fazer parte de a l g u m clímax grandioso. No e n t a n t o , quando as palavras são ditas, elas possuem um e n o r m e peso e m o c i o n a l e filosófico. Os filmes de O z u são m a r a v i l h o s a m e n t e contidos e de u m a simplicidade ilusória ao

E l e n c o : Chishu R y u , Chieko Higashiyama, Setsuko Hara, Haruko Sugimura, Sô Yamamura, Kunlko Mlyake, Kyoko K a g a w a , Ejirõ Tono, Nobuo Nakamura, Shirô Osaka, 1 llsio Toake.Teruko Nagaoka, Mutsuko

retratarem, em sua maioria, rituais cotidianos d o m é s t i c o s e profissionais da classe média japonesa c o m u m a Idiossincrática falta de ênfase (dramática ou estilística) q u e pode fazer c o m q u e os m a i s d e s a t e n t o s os considerem b a n a i s . A q u i , t u d o o que acontece é q u e os pais idosos deixam sua filha em sua casa no c a m p o para visitar seus outros filhos em Tóquio; eles nunca h a v i a m ido à capital, m a s fazem esse esforço por saberem que seu t e m p o está se a c a b a n d o . Porém seus filhos já t ê m suas próprias f a m í l i a s e e v i t a m os pais, m a l disfarçando a necessidade de v o l t a r e m para s u a s vidas atarefadas no J a p ã o do pós-guerra. Apenas a nora deles, q u e perdeu o marido na guerra, parece ter t e m p o para os dois. Não que eles r e c l a m e m disso, n e m ela t a m p o u c o . Tudo é o b s e r v a d o , c o m o de c o s t u m e nos filmes de O z u , por u m a c a m e r a parada a alguns poucos metros do c h ã o ; apenas um plano do filme se m o v e - e, ainda a s s i m , ele o faz c o m discreta lentidão, embora se dê no exato m o m e n t o em q u e os pais d e c i d e m voltar para casa. E n t ã o c o m o Ozu prende nossa a t e n ç ã o , q u a n d o o q u e v e m o s e o u v i m o s é t ã o d i s t a n t e do q u e a maioria dos espectadores considera d r a m á t i c o ou i n c o m u m ? Tudo se resume no caráter c o n t e m plativo desse olhar, q u e implica que qualquer atividade h u m a n a , por m a i s " d e s i m p o r t a n t e " q u e seja, m e r e c e nossa a t e n ç ã o . Em contraste com seu estilo de filmar especial (e especialm e n t e Inspirador), as experiências, e m o ç õ e s e p e n s a m e n t o s dos seus p e r s o n a g e n s são t ã o " u n i v e r s a i s " q u a n t o qualquer outra coisa no c i n e m a - um paradoxo q u e consagrou este f i l m e c o m justiça c o m o um dos maiores de todos os tempos. GA

Sakura, Toyoko Takahashl, Tom Abi


A PRINCESA E 0 PLEBEU

(1953)

(ROMAN HO LI DAY) Se os produtores s o u b e s s e m e x a t a m e n t e o q u e t i n h a m em m ã o s à época, talvez t i v e s s e m m u d a d o o título A princesa e o plebeu para Nasce uma estrela. Audrey Hepburn havia aparecido a p e n a s em alguns papéis de européia e em uma m o n t a g e m da Broadway de Cigi q u a n d o foi escalada c o m o u m a princesa no filme de W i l l i a m Wyler. N e m é preciso dizer que o papel caiu c o m o u m a luva, A princesa e o plebeu foi um sucesso e Hepburn foi c a t a p u l t a d a para o topo da realeza de H o l l y w o o d . Ela foi um caso de história de Cinderela transformada em realidade pela mágica do c i n e m a . O próprio filme apresenta o outro lado da fábula da Cinderela. A princesa A n n de Hepburn está cansada da pompa e circunstância das suas obrigações oficiais. U m a noiE U A (Paramount) 118 m i n . P8<B

t e , ela foge do controle dos seus manipuladores e, disfarçada de garota c o m u m , c o n h e -

I d i o m a : inglês

ce o jornalista americano J o e Bradlcy (Gregory Peck). Ele vê na princesa a possibilidade do

D i r e ç ã o : William Wyler

furo da sua carreira, porém, à medida que a conhece melhor, sente-se m u i t o mal por tirar

P i o d u ç ã o : Robert Wyler, William

proveito da sua inocência. E n q u a n t o os dois passeiam pela cidade, percebem que estão

Wylel

se a p a i x o n a n d o , c o n t u d o , a realidade das suas respectivas situações pode tornar esse

R o t e i r o : Ian McLellan Hunter, John 1

Hgl

]

MÚlIci:

r e l a c i o n a m e n t o impossível. A s s i m , eles a p r o v e i t a m a cidade e seus e n c a n t o s , sabendo que o curto t e m p o que estão passando j u n t o s pode não se repetir.

Georges Auric

F o t o g r a f i a : Henri Alekan, Franz

Peck e Hepburn estão excelentes c o m o o casal improvável e Eddle Albert está perfeito c o m o o e n t u s i a s m a d o cinegrafista de Peck levado a reboque. Wyler, um dos c i n e a s -

1'l.inei tas m a i s confiáveis de H o l l y w o o d , f i l m o u em locação em Roma e os pontos turísticos da E l e n c o : Gregory Peck, Audrey Hepburn, Eddie Albert, Hartley Power, 1 li

uri W i l l i a m s , Margaret

cidade a j u d a m a realçar a já mágica história. Outro ponto alto é o roteiro divertido, que foi alvo de controvérsia por ter sido escrito por Dalton Trumbo, que estava na lista negra.

R i w l l n g s , Tullio C a r m i n a t i , Paolo

P a s s a r a m - s e literalmente d é c a d a s a n t e s de Trumbo f i n a l m e n t e receber o credito que

I i i l i i n Claudio Ermelli, Paola

merecia por ter ajudado a fazer este filme maravilhoso.

hoiboni, Alfredo Rizzo, Laura Solari,

O restante da equipe não t e v e q u e esperar t a n t o - A princesa e o plebeu recebeu

Tl,1 Cori, Heinz Hindrich, J o h n Horne O s c a r : Audrey Hepburn (atriz), Edith He.kI (figurino), Ian McLellan Hunter (1 l i l t o n Irumbo) (roteiro - história) I n d i c a ç ã o a o O s c a r : W i l l i a m Wyler (

Ihor filme), W i l l i a m Wyler

(diretor), Ian McLellan Hunter (Dalton li ninho), J o h n Dighton (roteiro i r g u m e n t o ) , Eddie Albert (ator 1 oadjuvante), Hal Pereira, Walter H. lyler (direção de arte), Franz Planer, Henri Alekan (fotografia), Robert '.wink (edição)

impressionantes 10 indicações ao Oscar, rendendo u m a vitória para a quase d e s c o n h e cida H e p b u r n . Ela seria escalada para o papel de ingênua m u i t a s outras vezes na sua carreira, m a s foi este filme que marcou de forma oficial e promissora sua chegada. J K l


O SALÁRIO DO MEDO

(1953)

F r a n ç a / I t á l i a (CICC, Fllmsonoi, h m ' 1, Vera) 1 4 1 min. P & B

(LE SALAIRE DE LA PEUR)

I d i o m a : francês / inglês / espanhol / Um

retrato c o n t u n d e n t e da g a n â n c i a e da

influência corruptora

do c a p i t a l i s m o

disfarçado de filme de a v e n t u r a , O salário do medo, de Henri Georges-Cluzout, pode ser

alemão D i r e ç ã o : Henrí-Georges Clouzot

considerado, c o m justiça, um dos filmes mais carregados de tensão de t o d o s os t e m -

P r o d u ç ã o : R a y m o n d Borderle, Henri

pos. Passado na América do S u l , duas equipes c o m p e t e m para realizar um serviço

Georges Clouzot, Louis Wipf

relativamente simples: transportar um c a m i n h ã o de nitroglicerina por um desfiladeiro

R o t e i r o : Henri-Georges Clouzot.

de cerca de 5 0 0 quilômetros a t é o local de um Incêndio em uma refinaria de petróleo

Jérôme Géronlmi, baseado no

para que a c o m p a n h i a petrolífera possa explodir o oleoduto e apagar o fogo. O problema? N o t o r i a m e n t e instável, o c a r r e g a m e n t o de nitroglicerina fará o motorista ir

romance de Georges Arnaud F o t o g r a f i a : Armand Thlrard M ú s i c a : Georges Aurlc

pelos ares se ele não tiver o m á x i m o de c u i d a d o . Com uma I m a g i n a ç ã o sádica, Clouzot coloca vários obstáculos no c a m i n h o dos dois c a m i n h õ e s à medida que eles s e g u e m (em ritmo de tartaruga) pelo desfiladeiro

E l e n c o : Yves M o n t a n d , Charles Vanel Peter van Eyck, Antonio Ceuta, Darling Legitimus, Luis De Lima, Jo

acidentado. C u r v a s fechadas e pontes b a m b a s já são um problema m e s m o se os

Dest, Dario Moreno, Faustini,

c a m i n h õ e s não correm o risco de explodir e cada buraco ou deslizamento de pedras traz

Seguna, William Tubbs, Vera t louzot

consigo a possibilidade de m o r t e i n s t a n t â n e a . N ã o é a promessa de glória q u e faz cada dupla de motoristas aceitar esse serviço tão arriscado, e s i m a promessa de dinheiro, e, à medida que o filme se desenrola, c o m e ç a m o s a nos perguntar a t é o n d e aqueles

Folco Lulll, Jerónimo Mitchell Festival Internacional de Berlim:

Henri-Georges Clouzot (Urso de Ouro)

h o m e n s Iriam para pôr suas m ã o s nele. De forma v i t a l , Clouzot a n t e c e d e os m o m e n t o s de a ç ã o em q u e os protagonistas

F e s t i v a l d e C a n n e s : Henri Georgei Clouzot (Palma de Ouro), c h . n l i - .

d e s a f i a m a morte c o m uma longa seqüência - q u e foi cortada por seu caráter político -

Vanel (menção honrosa

atuai 9o)

passada em uma favela à beira de u m a estrada s u l - a m e r i c a n a , na qual andarilhos e v a g a b u n d o s v ã o parar q u a n d o já não t ê m para o n d e Ir. Lá, descobrimos q u e , em m u i t o s a s p e c t o s , q u a s e não v a l e a pena conhecer aqueles patifes dispostos a arriscar suas vidas por dinheiro. S u a s atitudes suicidas são i m p u l s i o n a d a s pelo e g o í s m o e pelo desespero, traços explorados pela corporação oportunista que segura c o m cinismo a cenoura na ponta da vareta diante desses h o m e n s q u e , na prática, não p a s s a m de m u l a s . De fato, esse grupo m a l - a j a m b r a d o de mercenários, cheio de desconfiança e ódio, age de maneira primitiva e bestial, representando uma a m e a ç a t ã o grande uns aos outros q u a n t o os c a r r e g a m e n t o s de explosivos representam a todos. É u m a situação sem saída, uma vez q u e a linha de chegada é a recompensa financeira à custa da falência espiritual. J K I

.•II


F U A (i.oew's, M G M ) g i m i n .

Idioma: inglês DlrtçSo:

(1953)

O terceiro da extraordinária série de faroestes que o diretor Anthony M a n n realizou c o m

Anthony M a n n

P r o d u ç ã o : William H. Wright R o t e i r o : Sam Rolfe, Harold Jack Hloom

0 PREÇO DE UM HOMEM (THE NAKED SPUR)

Ic< linicolor

*

F o t o g r a f i a : William C. Mellor

J a m e s S t e w a r t na década de 50, O preço de um homem traz S t e w a r t c o m o Howard K e m p , um caçador de r e c o m p e n s a s a m a r g u r a d o t e n t a n d o conseguir dinheiro para comprar de volta o rancho que perdeu q u a n d o sua mulher o traiu durante a Guerra de S e c e s s ã o . No c a m i n h o , ele se junta a J e s s é (Millard Mltchell), um velho mlnerador, e Anderson (Ralph M e e k e r ) , um oficial do Exército renegado. O personagem de S t e w a r t

M u s i c a : Branislau Kaper

acaba c a p t u r a n d o o h o m e m q u e está perseguindo, um m a t a d o r sarcástico c h a m a d o

I I ' - i n o: |.imes Stewart, J a n e t Leigh,

B e n (Robert R y a n ) , porém seus problemas estão a p e n a s c o m e ç a n d o . A jornada árdua

Roberl

Ryan, Ralph Meeker, Millard

pelo deserto para levar Ben à justiça testa os limites de K e m p .

Mitchell I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Sam Rolfe, Hamid Jack B l o o m (roteiro)

O q u e torna este filme excepcional é, em primeiro lugar, a exploração - escrita c o m m ã o firme e b e l a m e n t e representada - das tensões entre os personagens, à medida que K e m p e B e n l u t a m para ter a supremacia psicológica, c o m Ben u s a n d o sua namorada Lina ( J a n e t Leigh) c o m o Isca ao notar a vulnerabilidade sob a dureza exterior do rival. J a m e s S t e w a r t oferece um retrato brilhante de um h o m e m à beira da histeria. Em s e g u n d o lugar, M a n n possui um e n o r m e talento para filmar cenários m o n t a n h o s o s , u s a n d o a natureza árida do terreno c o m o um contraponto físico à confusão interna dos personagens. O filme é quase inteiramente rodado em locação. EB

IUA(Fox)8omin.

P&B

I d i o m a : inglês

ANJO DO MAL (1953) (PICKUP ON SOUTH STREET)

l i i r c ç a o : S a m u e l Fuller

Um f e n ô m e n o menor do Início da Guerra Fria, o ciclo do gênero de filmes de espião

P r o d u ç ã o : Jules Schermer

a n t i c o m u n i s t a s gerou uma obra-prima, Anjo do mal. Um batedor de carteiras deve

R o t e i r o : Samuel Fuller, baseado no "iii 11 de Dwight Taylor

escolher entre o patriotismo e o lucro depois de roubar um m i c r o f i l m e confidencial. Anjo do mal transcende seu subgénero c o m seu estilo d i n â m i c o e representação vívida

F o t o g r a f i a : Joseph MacDonald

do s u b m u n d o nova-iorquino. S a m u e l FuIler demonstra um prodigioso leque de criativi-

M ú s i c a : Lelgh Harline

d a d e estilística, descobrindo novos conceitos visuais para q u a s e t o d a s as cenas. O

I l e n ç o : Richard W i d m a r k , Jean Peters,

ingrediente-chave é o d o s e , c o m a c â m e r a enfiada no rosto dos atores de forma tão

rhelma Ritter, M u r v y n V y e , Richard

agressiva q u e q u a s e c o n s e g u i m o s ver a respiração deles e m b a ç a r a lente. Esse excesso

I' ili'V, Willis Bouchey, Jerry O'Sulllvan, II n iv 1 arter, George E. Stone, George

de d o s e s sinaliza a prioridade que o filme dá ao intimísimo em d e t r i m e n t o do aspecto

I Idtedge, Stuart Randall, Frank

ideológico, sua aprovação das atitudes m o t i v a d a s não só por abstrações, m a s por amor,

i- umagal, Victor Perry, E m m e t t Lynn,

lealdade e culpa no seu nível m a i s í n t i m o e pessoal.

Parley Baer I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Thelma Ritter

Os protagonistas nunca e s t i v e r a m t ã o b e m : Richard W i d m a r k , o cínico c o n v e n c i d o ; J e a n Peters, a prostituta de coração grande; Richard Kiley, o patife suarento; e, especial-

(.a 1 1 / 1 oadjuvante) I e s t i v a l d e V e n e z a : S a m u e l Fuller, Indli a i , a o (Leão de Ouro)

m e n t e , a delatora sem arrependimentos Thelma Ritter. A cena m a i s poderosa mostra u m a Ritter exausta encarando a morte pelas m ã o s do assassino de aluguel Kiley. Em um filme t ã o devotado à individualidade, faz sentido q u e seu maior m e d o não seja a m o r t e , m a s u m a sepultura a n ô n i m a . C o m o diz ela em u m a das m u i t a s frases de efeito do roteiro: " S e fosse para ser enterrada em Potter's Field, eu me m a t a v a ! " MR


OS HOMENS PREFEREM AS LOURAS

(1953)

(GENTLEMEN PREFER BLONDES)

E U A (Fox) 91 m i n . Technicolor I d i o m a : inglês D i r e ç ã o : Howard H a w k s

A canção " W h e n Love Coes W r o n g " não é o número m a i s f a m o s o de Os homens preferem as louras, m a s ela captura o que há de m a i s contagiante neste musical extravagante e

P r o d u ç ã o : Sol C. Siegel R o t e i r o : Charles Lederer, baseado nu

hilariantemente c a m p . Dorothy (Jane Russell) e Lorelei (Marylin Monroe) r e c l a m a m em

livro de Anita Loos e na peça de

um café parisiense ao ar livre da dificuldade de m a n t e r relacionamentos c o m os h o m e n s .

Joseph Fields e Anita Loos

À medida que uma multidão se junta, as duas mulheres se e n t u s i a s m a m c o m o ritmo

F o t o g r a f i a : Harry j . W i l d

cada vez m a i s expansivo das suas queixas, que logo as faz sair de suas cadeiras, c a m i nhando e p a v o n e a n d o - s e entre os curiosos ao estilo do coreógrafo J a c k Cole. E e n t ã o a c o m o ç ã o d i m i n u i : a música morre, a multidão se dispersa e nossas heroínas v ã o embora

M ú s i c a : Harold A d a m s o n , Hoagy Carmlchael, Leo Robin, Julc Styne E l e n c o : Jane Russell, Marilyn Monroe, Charles Coburn, Elliott Reid, Tommy

em um táxi - da banalidade ao êxtase e de volta à banalidade, m a r a v i l h o s a m e n t e . N o o n a n , George W i n s l o w , M a n el Produto típico da década de 50, Os homens preferem as louras é u m a c o m é d i a ácida sobre caça à f o r t u n a , s e m m e d o d e m i s t u r a r s o n h o s s e n t i m e n t a i s c o m u m leve

Dalio, Taylor H o l m e s , Norma Vardeu, Howard W e n d e l l , Steven Geray. Henri

sarcasmo e mágica glamourosa com um tino materialista a respeito do q u e u m a garota

Letondal, Leo Mostovoy, Alex 1 1 . 1 / n

precisa fazer para se virar - u m a espécie de c o n t r a d i ç ã o divertida i m o r t a l i z a d a no

George Davis

n ú m e r o f r e q ü e n t e m e n t e i m i t a d o de M o n r o e , " D í a m o n d s Are A Clrl's Best Friend". C o n f o r m e escreveu J o n a t h a n R o s e n b a t i m , o f i l m e é " u m objeto impossível

- um C i n e m a s c o p e da m e n t e , um P o t e m k i n

capitalista". O f i l m e ( s e g u n d o os teóricos) é um p a l i m p s e s t o , selecion a n d o e d e s c a r t a n d o a l e a t o r i a m e n t e partes do r o m a n c e de Anita Loos, de sua a d a p t a ç ã o para a B r o a d w a y , de c a n ç õ e s das duplas Leo Robi / J u l e S t y n e e H o a g y C a r m i c h a c l / H a r o l d A d a m s o n e, a c i m a de t u d o , das possibilidades oferecidas por s u a s d u a s poderosas estrelas. A persona de Russell combina rispidez c o m praticidade; M o n r o e é u m a mistura vigorosa de erotismo p r o v o c a n t e e inocência infantil, a r r e m a t a d a c o m um t o q u e de m a n i p u l a ç ã o sagaz. O a u g e c ô m i c o é q u a n d o os papéis se t r o c a m para a i m p e t u o s a i m i t a ç ã o que Dorothy faz de Lorelei no t r i b u n a l . H o w a r d H a w k s é g e r a l m e n t e c o n s i d e r a d o u m diretor m u i t o clássico e c o n t i d o , m a s aqui ele p e n d e para o estilo das c o m é d i a s loucas e e s p e t a c u l a r m e n t e v u l g a r e s de Frank Tashlin

u m a c o n s t a t a ç ã o c o m p r o v a d a pela presença de

George W i n s l o w , aquela criança m a r a v i l h o s a m e n t e grotesca. Os excessos e a estranheza de certas s e q ü ê n c i a s ( c o m o a imortal serenata de Russell endereçada a um grupo de brutam o n t e s Indiferentes, " A i n ' t There A n y o n e Here To L o v e " ) e a relação f r e q ü e n t e m e n t e superficial que elas t ê m c o m a história principal são a l g u n s dos a s p e c t o s q u e t o r n a m o f i l m e tão delicioso para a s platéias c o n t e m p o r â n e a s . A M

2


OS CORRUPTOS

(1953)

(THE BIG HE AT) Como O diabo feito mulher, o faroeste de 1937 de Fritz Lang, Os corruptos é uma balada de "ódio, assassinato e vingança": começa com um dose de uma arma prestes a ser usada pelo policial corrupto Tom Duncan para cometer suicídio e se volta rapidamente para os horrores chocantes que deformam os personagens. O policial Dave Bannion (Glenn Ford) passa de h o m e m de família a obsessivo quando sua esposa (Jocelyn Brando) é morta por um carro-bomba endereçado a ele. Moll Debby (Gloria Grahame) fica amargurada quando Vince (Lee Marvin), seu namorado gângster, a desfigura jogando-lhe café quente no rosto, e passa para o lado de B a n n i o n . Em um desdobramento crucial à trama, o herói atormentado ainda não consegue I U A (< ulumbia) 8 9 m i n . P8cB I d i o m a : inglês D i r e ç ã o : Fritz Lang

Produção:

Robert Arthur

R o t e i r o : Sydney B o e h m , baseado no llvio de William P. McGivern 1

grafia:

cometer assassinato a sangue-frio, de m o d o que um substituto precisa entrar em cena para t o m a r a atitude decisiva que permititá que a justiça seja feita: a grande operação policial que derruba o chefão do crime Lagana (Alexander Scourby) é desencadeada quando Debby confronta e assassina sua "Irmã de casaco de pele", a gananciosa viúva do policial corrupto. M a i s b a s e a d o em u m a realidade política do que a maioria dos f i l m e s noir de L a n g , graças ao d e t a l h i s m o c o n t u n d e n t e do r o m a n c e de W i l l i a m P. M c G i v c r n e do roteiro de

Charles Lang

S y d n e y B o e h m , Os corruptos faz parte de um ciclo de filmes de denúncia da década de

M u s i c a : Daniele Amfitheatrof, Arthur

50 ao estilo m á f i a - c o n t r o l a - a - c l d a d e - dentre outros exemplos e s t ã o Cidade do vício

Million

I lenco: Glenn Ford, Gloria G r a h a m e , Im rlyn Brando, Alexander Scourby, I r r M a r v i n , J e a n e t t e Nolan, Peter

(1955) e Cidade cativa (1952). A direção de L a n g ainda bebia no expressionismo a q u i , c o m cenários q u e refletem os traços de personalidade d o m i n a n t e s dos p e r s o n a g e n s : o luxo frio da casa de D u n c a n , comprada c o m dinheiro sujo; a opulência de m a u gosto da

Whitney, Willis Bouchey, Robert

m a n s ã o de Lagana, c o m o retrato horroroso da santificada m ã e do mafioso c suas

Burton, Adam W i l l i a m s , Howard

festas de adolescente; a cobertura moderna de Vince e Debby, o n d e o comissário de

Wendell, Chris Alcaide, Michael Gl,inger, Dorothy Green, Carolyn

polícia joga c a r t a s c o m assassinos; o a p a r t a m e n t o p e q u e n o , pobre, porém honrado, da família B a n n i o n ; e o quarto de hotel em que B a n n i o n termina, sua vida degradada pelo

|i,in".

desejo de v i n g a n ç a . O final t a m p o u c o oferece conforto: depois da queda da m á f i a , o herói retorna para sua mesa no D e p a r t a m e n t o de Homicídios. As b o a s - v i n d a s dos seus colegas de trabalho - expressadas, é claro, pela oferta de um café - são abreviadas à medida que os créditos finais s u r g e m sobre B a n n i o n , q u e coloca seu c h a p é u e casaco ao sair para cuidar de um " c a s o de a t r o p e l a m e n t o e fuga na S o u t h Street". KN


AS FERIAS DO SR. HULOT (1953) (LES VACANCES DE MONSIEUR HULOT)

França (Cady Films, Specta Fllms) 114 m i n . PücB Idioma: francês

Este clássico a t e m p o r a l e c a t i v a n t e do c i n e m a francês revelou J a c q u e s Tatl, em seu Direção: Jacques Tati segundo l o n g a - m e t r a g e m c o m o diretor, c o m o um dos estilistas m a i s i n v e n t i v o s e oriP r o d u ç ã o : Fred Orain ginais da mídia c i n e m a t o g r á f i c a . U m a sucessão de incidentes p r a t i c a m e n t e desproviRoteiro: Jacques Tati, Henri M a r q u e i , dos de enredo e diálogos passados em um resort à beira da praia, o f i l m e retira graça dos detalhes a p a r e n t e m e n t e m a i s banais do dia-a-dla. P a r a l e l a m e n t e aos a c o n t e c i -

Plerre Aubert, Jacques Lagrange Fotografia: Jacques Mercanton, h . n i

m e n t o s e n c e n a d o s c o m e s m e r o - c o m o um bando de turistas correndo de u m a plata-

Mousselle

forma de t r e m para outra à medida q u e m e n s a g e n s distorcidas s ã o vociferadas de

M ú s i c a : Alain Romans

forma incompreensível pelos alto-falantes -, há vários m o m e n t o s e n g r a ç a d o s e delicio-

Elenco: Jacques Tati, Nathalle

sos e m q u e q u a s e nada acontece. A s pessoas s i m p l e s m e n t e s e n t a m - s e , c o m e m , l ê e m ,

Pascaud, Micheline Rolla, Raymond

f i c a m à t o a , d e t e r m i n a d a s a p e r m a n e c e r no ritmo de feriado o t e m p o t odo . A

Carl, Luclen Frégis, Valentinr ( . n n . i •

imobilidade estóica de tudo é e x t r e m a m e n t e c o n t a g i a n t e . Tati c o m p r e e n d e u tão b e m q u a n t o Hltchcock q u e a m l s e - e n - s c è n e não deve ser imposta pelo cineasta, m a s sim descoberta dentro dos rituais cotidianos: q u ã o perto as pessoas se s e n t a m u m a s das outras em u m a sala de jantar; os códigos em vigor q u a n do se permite q u e elas t r o q u e m olhares; todas as regras de etiqueta e c o m p o r t a m e n t o social d u r a n t e o período livre, porém estruturado, de férias na França - Tati encontrou inspiração para sua comédia nesse tipo de observação atenta. O f i l m e controla rigorosamente o t i m i n g c ô m i c o , a organização espacial e os sons pós-sincronizados das suas gags concebidas de forma brilhante - a t é o repetitivo rangido de u m a porta é engraçado, graças à maneira c o m o Tati o "muslcallza". Ele pega f o r m a s c o n h e c i d a s de g a g s - c o m o a maneira à la Buster Keaton c o m q u e o protagonista imita a l u c i n a d a m e n t e os m o v i m e n t o s de um fanático por exercícios - e e n t ã o as torna e s t r a n h a s pelo m o d o c o m o as filma e m o n t a a a ç ã o , m u i t a s vezes d e s v i a n d o r a p i d a m e n t e nossa a t e n ç ã o para outra gag que está c o m e ç a n d o perto da anterior. Embora nos seus ú l t i m o s filmes Tatl tenha reduzido d e l i b e r a d a m e n t e s u a s aparições na tela, aqui a figura esguia c desajeitada do Sr. Hulot é u m a grande fonte de c h a r m e e graça - e há até a tentativa c o m o v e n t e , embora m a l - s u c e d i d a , de u m a intriga a m o r o s a . S e m p r e hesitando a n t e s de entrar em qualquer lugar, d e s c u l p a n d o - s e e c u m p r i m e n t a n d o c o m e d u c a ç ã o todos os presentes ao fazê-lo, Hulot não c o n s e g u e deixar de desencadear a l g u m a c a l a m i d a d e c o m os m o v i m e n t o s aflitos de seu corpo - que c u l m i n a m no m a i s inspirado uso de fogos de artifício da história do c i n e m a . AM

Indicação ao Oscar: Jacques L m . Henri Marquet (roteiro)


1 1 . u n .1 / Italia (Titanus, Italia, Junior, Ariane, S.E.C., S C C , Sveva) 1 0 0 min.

ROMANCE NA ITÁLIA

(1953)

P&B

(VIAGGIO IN ITÁLIA)

I d i o m a : Italiano

J a c q u e s R i v e t t e e s c r e v e u certa vez q u e R o m a n c e na Itália, de Roberto Rossellini, "abre u m a brecha [pela qual] todo o c i n e m a , sob pena de m o r t e , precisa passar". Isso fica

i M n - i . K i : Roberto Rossellini

ROtiIro: Vltaliand Brancati, Rossellini

Roberto

,

claro desde os primeiros p l a n o s , repentinos e crus - u m a I m a g e m t r e m i d a , q u e segue por u m a estrada em direção a N á p o l e s ; um v i s l u m b r e da p a i s a g e m q u e passa; e, f i n a l -

F o t o g r a f í a : Enzo Serafín

m e n t e , d u a s estrelas, Ingrld B e r g m a n e George S a n d e r s , d i s t a n t e s de H o l l y w o o d em um

tviii-.ii.i: Renzo Rossellini

r o a d - m o v l e desprovido de enredo e não e x a t a m e n t e picaresco no qual expressam o que

I l e n c o : Ingrid B e r g m a n , George • tnders, l eslíe Daniels, Natalia Ray, M.nia M.uiban, Anna Proclemer, Lu kie I lost. Paul Millier

há de m a i s profundo em seus p e r s o n a g e n s através de banalidades lacônicas e gestos simples, m u n d a n o s . H o j e , o s críticos c u n h a r a m o t e r m o " c o m é d i a d e r e n o v a ç ã o m a t r i m o n i a l " , u m g ê nero no q u a l casais c o l o c a m sua u n i ã o à prova e, depois de m u l t a s c o m p l i c a ç õ e s , a r e a f i r m a m . Romance na Itália é algo raríssimo: um drama de r e n o v a ç ã o m a t r i m o n i a l no qual a revitalização deve ser e n c o n t r a d a no fluxo não d r a m á t i c o da c o m u n h ã o diária. Os J o y c e , Alex (Sanders) e K a t h e r l n e ( B e r g m a n ) , e n t e d i a d o s e ressentidos um c o m o outro, estão em um estado de s u s p e n s ã o . Estar " d e férias" os deixa Irrequietos, às vezes a n g u s t i a d o s c o m a cultura estrangeira q u e os cerca. A comida é diferente; o sono v e m em horários esquisitos, c o m o sol ainda no c é u ; há e n c o n t r o s c o m e s t r a n h o s q u e oferecem distração ou t e n t a ç õ e s . E há t a m b é m a p a i s a g e m , as c i d a d e s de N á p o l e s , Capri e P o m p e i a . Romance na Itália representa u m a virada radical na obra da década de 50 de Rossellini: ele deixa de lado o n e o - r e a l i s m o " s o c i a l m e n t e c o m p r o m e t i d o " em f u n ç ã o de um realismo introspectivo e e m o t i v o , prefigurando M i c h c l a n g e l o A n t o n l o n i e, e s p e c i a l m e n t e , o J e a n - L u c Godard de O desprezo ( 1 9 6 3 ) . P o r é m há ainda um clima de realidade d o c u m e n t a l nas I m a g e n s que K a t h e r l n e vê de seu carro, nas Igrejas, c a t a c u m b a s , poças de lama, e s c a v a ções arqueológicas... O a m b i e n t e I m p o s i t i v o acrescenta contexto, história e até mitologia ao e n r e d o Intimista e c o n j u g a l . Ele faz o passado Influir no presente, levando os p e r s o n a g e n s a recordarem de forma I n c e s s a n t e m o m e n t o s f o r m a t i v o s . E insere essa p e q u e n a crise individual em um ciclo c ó s m i c o de n a s c i m e n t o , m o r t e e r e n a s c i m e n t o . Pouco é explicado em Romance na /tá/ia, porém tudo é sentido: este é um filme que pode terminar o r g u l h o s a m e n t e - pouco a n t e s de outro plano de uma multidão passageira e c o m u m - com um arrebatador plano de grua e a milenar declaração: " E u te a m o . " AM

186


CONTOS DA LUA VAGA (1953) (UGETSU MONOGATARI) Em m e a d o s da década de 50, q u a n d o o circuito internacional de festivais de c i n e m a começava a surgir, os cineastas do O c i d e n t e f i n a l m e n t e descobriram o q u e s e u s colegas j a p o n e s e s já s a b i a m há a n o s : que aquele tal Kenji Mizoguchi era realmente algo fora de série. Contos do lua vaga (cujo título original significa, literalmente, A história de U g e t s u , mais c o n h e c i d o s i m p l e s m e n t e c o m o Ugetsu) foi o filme no qual as a t e n ç õ e s Internacionais se c o n c e n t r a r a m . Embora não seja n e c e s s a r i a m e n t e o melhor de M i z o g u c h i

J a p ã o (Dalei) 94 m i n . P & B I d i o m a : japonês

(honra que poderia ser concedida com a m e s m a facilidade ao p r o f u n d a m e n t e t o c a n t e Crisântemos tardios, de 1939), ele ainda é o m a i s conhecido do diretor na Europa e nos Estados U n i d o s c c e r t a m e n t e u m a das maiores obras-primas do c i n e m a m u n d i a l . M i z o g u c h i vinha escrevendo e dirigindo f i l m e s desde a década de 2 0 , c o n t u d o , não

D i r e ç ã o : Kenji Mizoguchi P r o d u ç ã o : M a s a i c h i Nagata R o t e i r o : M a t s u t a r ô Kawaguchí. Akinari U e d a , Yoshikata Yoda,

p o d e m o s culpar n i n g u é m pelo fato de sua obra ter p e r m a n e c i d o p r a t i c a m e n t e Inédita

baseado nos contos "Asaji Ca YadO" I

no O c i d e n t e , pois o J a p ã o era um m e r c a d o isolado. No e n t a n t o , q u a n d o Contos da lua

"Jasei No In", de Akinari Ueda

vaga a p o r t o u nas m a r g e n s o c i d e n t a i s , ele veio c o m t u d o : críticos t a n t o e u r o p e u s q u a n t o n o r t e - a m e r i c a n o s o elogiaram e n t u s i a s t i c a m e n t e , p r o c l a m a n d o - o o arauto de

F o t o g r a f i a : Kazuo Miyagawa M ú s i c a : Fumio Hayasaka, Tamekli hl Mochizuki, lehirô Saitô

u m a maneira t o t a l m e n t e nova de se fazer c i n e m a . Talvez t i v e s s e m razão. P o r é m , o q u e torna Contos da lua vaga tão extraordinário? A mescla do real c o m o I m a g i n á r i o é essencial ao filme, um tema q u e permeia os

E l e n c o : M a s a y u k i Mori, Machiko Kyfl, Kinuyo Tanaka, Eitarò Ozawa, Ikib S a w a m u r a , M i t s u k o Mito, Klkue

e n q u a d r a m e n t o s e as interpretações dos atores a cada i n s t a n t e . O m e s t r e nos puxa de

Mori, Ryosuke K a g a w a , Eigoro O u o c ,

um plano da existência ao outro - às vezes c o m aviso, outras vezes s e m . O controle

Saburo D a t e , Sugisaku A o y a m a .

de M i z o g u c h i sobre o t o m do f i l m e é t o t a l : a aura de sobrenaturalldade e profanação

Reiko Kondo, Shonzo N a n b u ,

j a m a i s se dissipa por c o m p l e t o . E n t r e t a n t o , esta não é u m a história de f a n t a s m a s c o m u m . Contos da lua vaga utili-

Kozabuno R a m o n , lehírô Aniano I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Kusune Kainosho (figurino)

za a d i c o t o m i a real/sobrenatural para explorar q u e s t õ e s referentes a amor, honra, responsabilidade e f a m í l i a . Cada um desses t e m a s é t o c a d o de a l g u m a forma pelo m u n d o f a n t a s m a g ó r i c o que M i z o g u c h i traça m i n u c i o s a m e n t e sobre a realidade q u e c o n h e c e m o s , e n e n h u m deles sai i n c ó l u m e desse c o n t a t o . Os h o m e n s tolos e as m u l h e r e s sofridas do f i l m e p a s s a m t o d o s por t r a n s f o r m a ç õ e s v i o l e n t a s c a u s a d a s pela interação do sobrenatural c o m o real. Contos da lua vaga é perturbador, d e s c o n c e r t a n t e e belo. A c i m a de t u d o , por é m , ele é belo; um f i l m e q u e n o s faz a s s u m i r u m a postura h u m i l d e : assisti-lo é estar na presença da grandeza. E d e S

F e s t i v a l d e V e n e z a : Kenji Mlzogui I " (Leão de Prata), indicação (Leão de Ouro)


E U A (Paramount) 118 m i n . Technicolor I d i o m a : inglês

OS BRUTOS TAMBÉM AMAM (1953) (SHANE)

D i r e ç ã o : George Stevens Os brutos t a m b é m a m a m não é o m a i s glorioso dos filmes de faroeste - para m i m , este P r o d u ç ã o : Ivan Moffat, George seria El Dorado (1967) -, nem o m a i s m a s c u l i n o - que seria Rio vermelho (1948) - ou Stevens m e s m o o mais autêntico - Jogos & trapaças .(1971) -, o mais estranho - lohnny Cuitar R o t e i r o : A. B. Guthrie Jr., baseado no (1954) - ou o m a i s dramático - No tempo das diligências (1939). No e n t a n t o , é c e r t a m e n t e livro de Jack Shaefer o m a i s icônico, o faroeste que fica cravado na nossa m e m ó r i a , aquele q u e n i n g u é m l o t o g r a f i a : Loyal Griggs c o n s e g u e esquecer depois de assistir. Tudo no filme, na verdade, é pura I m a g e m : o herói M ú s i c a : Victor Young

llinco: Alan Ladd, J e a n Arthur, Van Heflln, Brandon De W i l d e , Jack

vestido de couro que surge por acaso na cidade (Alan Ladd); o boladelro conivente (Emile M e y e r ) , c o m seus caubóls asquerosos e m a l - e d u c a d o s ; o colono h u m i l d e (Van Heflln),

I ' . I I . I I H c, Ben J o h n s o n , Edgar

c o m sua esposa a m o r o s a , dócil c prendada (Jean Arthur) e seu filho Ingênuo (Brandon De

Bui I1.111.1n, Emile Meyer, Elisha Cook

W i l d e ) ; o dono do bar e da loja de artigos gerais taciturno, desconfiado e velho (Paul

li , 1 louglas Spencer, J o h n Dierkes,

M c V c y ) ; o Imigrante sueco t í m i d o (Douglas Spencer); W i l s o n , o m a t a d o r de aluguel (Jack

I Urn Corby, Paul McVey, J o h n Miller,

P a l a n c e , vestido de preto dos pés à c a b e ç a ) , que é a sombria, ardilosa e abjeta personifi-

Edith I vanson O s c a r : l o y a l Griggs (fotografia) I n d i c a ç ã o a o O s c a r : George Stevens

c a ç ã o do M a l e n c a r n a d o . De fato, os personagens por si próprios são a história. O boiadeiro quer as terras do colono. Shane instala-se na propriedade deste para ajudá-

(melhoi U l m e ) , George Stevens

lo a protegê-la, conquistando, no processo (e talvez um pouco demais), sua esposa ordeira

(diretor), A. B. Guthrie Jr. (roteiro),

e seu filho deslumbrado, que t e m a infância roubada. Wilson é trazido para expulsar os

I'.i,1 IH I n n De Wilde (ator coadjuvante), |li I Palance (ator coadjuvante)

colonos e, não fosse pela Intervenção de Shane - fogo contra fogo, olho no olho, nobreza versus m a l d a d e -, teria com toda a certeza conseguido. No entanto, o B e m triunfa, e de forma tão profunda que S h a n e passa a ver o efeito que teve naquela charmosa e modesta família, monta em seu obediente cavalo e parte no final do filme, cavalgando em direção a um pôr-do-sol que ofusca todos os d e m a i s pores-do-sol. O pequeno Joey corre atrás dele, gritando: " S h a n e ! Eu te a m o , S h a n e ! " Filmado em Jackson Hole - e antes da era do widescreen e do Dolby Stereo -, Os brutos também a m a m é repleto de Imagens icônlcas. A cordilheira arroxeada do Grand Tetons ao fundo; um cervo pastando diante de um lago espelhado enquanto o menino atira nele com seu rifle de brinquedo; o sorriso repugnante de desdém no rosto do boiadeiro quando Starrett (Heflin) se recusa a lhe entregar suas terras; a expressão nos olhos de Palance quando ele atira no desarmado Frank "Stonewall" Torrey (Elisha Cook Jr.), derrubando-o na lama. O diretor George Stevens torna a lama palpável, como chocolate derretido. D u a s i m a g e n s já fazem com que este filme seja digno de ser assistido diversas vezes. Elas s e r v e m de t e s t e m u n h a , senão da História, a o m e n o s d o c i n e m a . W i l s o n a n d a n d o c o m o u m pavão pela calçada de madeira c o m as esporas de s u a s botas retinindo, e n q u a n t o o cachorro da cidade é mostrado em um plano f e c h a d o , f u g i n d o c o m o rabo entre as pernas. E S h a n e , depois de conhecer os Starrett e aceitar o convite deles para jantar, refestelando-se com u m a torta de m a ç ã . Essa é a torta de m a ç ã das tortas de m a çã: s u c u l e n t a , dourada, treliçada, v o l u m o s a , retirada do forno por uma bela garota em um vestido de algodão azul e servida c o m um b o m café preto. P o d e m o s até imaginar que foram tortas de maçã c o m o essas q u e fizeram o O e s t e a m e r i c a n o ; não a r m a s , gado ou aquele olhar distante e sonhador para o horizonte. MP


O DIABO RIU POR ULTIMO

(1953)

I n g l a t e r r a / E U A / I t á l i a (Rizzoll-

(BEATTHEDEVIL)

Haggiag, R o m u l u s , Santana) |{

F a c i l m e n t e um dos f i l m e s m a i s irreverentes e irônicos produzidos sob os a u s p í c i o s de

I d i o m a : inglês

H o l l y w o o d , O diabo riu por último se destaca por vários m o t i v o s . Em primeiro lugar, a

D i r e ç ã o : J o h n Huston

q u a n t i d a d e e o nível dos t a l e n t o s envolvidos nele são v e r d a d e i r a m e n t e extraordinários.

P r o d u ç ã o : Jack Clayton

J o h n H u s t o n dirige c o m base em um roteiro espirituoso e a m a r g o q u e e s c r e v e u em

R o t e i r o : Truman Capote, John

m

P&B

parceria c o m n i n g u é m m e n o s do que T r u m a n C a p o t e ; o fotógrafo O s w a l d M o r r i s teve

H u s t o n , baseado no livro de Jamei

c o m o a s s i s t e n t e o f u t u r o g i g a n t e da fotografia Freddie Francis; até m e s m o um j o v e m

Helvick

S t e p h e n S o n d h e i m participou das f i l m a g e n s batendo a s c l a q u e t e s .

F o t o g r a f i a : O s w a l d Morris

E e n t ã o t e m o s o elenco. H u m p h r e y B o g a r t foi um dos produtores e foi s e u respaldo

M ú s i c a : Franco M a n n i n o

que possibilitou q u e o filme fosse feito. Na tela, u n e m - s e a ele Gina Lollobrigida e

E l e n c o : Humphrey Bogart, Je

J e n n i f e r J o n e s , a l é m de dois dos maiores c o a d j u v a n t e s de t o d o s os t e m p o s : Peter Lorre

J o n e s , Gina Lollobrigida, Robeii

e Robert Morley. Esta é u m a produção em que se percebe que os atores se divertiram

In

Morley, Peter Lorre, Edward U n d e r d o w n , Ivor Barnard, M a n 0 lulli

i m e n s a m e n t e n o set d e f i l m a g e m .

Bernard Lee, Mario Perrone, Giulio

O enredo t e m algo a ver c o m a exploração de urânio na África, m a s não é tão I m p o r t a n t e . A q u i , as leis tradicionais de causa e efeito são flexibilizadas, g r a ç a s , em parte,

D o n n i n i , Saro Urzi, Aldo Silv.iui. I i i . i n de Landa

ao fato de o f i l m e ser u m a c o - p r o d u ç â o internacional e i n d e p e n d e n t e . Isso a u m e n t o u a liberdade criativa e a a u t o n o m i a financeira, e os t a l e n t o s por trás de O diobo riu por último tiraram proveito disso. Este é um filme único q u e se perdeu no t e m p o . E d e S

JOHNNY GUITAR

(1954)

E U A (Republic) n o min. Trucolor

O m e l o d r a m a de johnny Cuilar é tão exagerado que a l g u n s o acharão risível. O u t r o s

I d i o m a : inglês

serão c o n q u i s t a d o s por seu poder hipnótico. J o a n Crawford interpreta V i e n n a , a dona

D i r e ç ã o : Nicholas Ray

de um s a l o o n q u e fica em um terreno valorizado por u m a ferrovia. M e r c e d e s M c C a m -

P r o d u ç ã o : Herbert J . Yates

bridge é E m m a S m a l l , a filha solteirona, q u e só se v e s t e de preto, de um g r a n d e proprie-

R o t e i r o : Philip Yordan, bascad

tário de terras. Ela é apaixonada pelo h o m e m apelidado de D a n c i n g Kld ( S c o t t Brady)

livro de Roy Chansior

q u e , por sua vez, a m a V i e n n a , que t e m outro h o m e m n o seu p a s s a d o : J o h n n y Guitar, interpretado por Sterling H a y d e n . E n l o u q u e c i d a por seu desejo frustrado, E m m a lidera

F o t o g r a f i a : Harry Stradllng S i . M ú s i c a : VictorYoung E l e n c o : J o a n Crawford, Sterling

um bando de linchadores para incendiar o s a l o o n de Vienna e enforcar K i d . V i e n n a , no Hayden, Mercedes McCambridge, e n t a n t o , não se deixa abalar. No f i m , há um tiroteio entre as d u a s m u l h e r e s , o tipo de

Scott Brady, Ward Bond, Ben ( n u p e i .

s u b v e r s ã o de c o n v e n ç õ e s que levou a l g u n s críticos a considerarem o f i l m e f e m i n i s t a .

Ernest Borgnine, J o h n Carradiue,

Ele t a m b é m foi interpretado c o m o u m a alegoria a n t i - M c C a r t h y , contra a histeria cole-

Royai Dano, Frank Ferguson, Paul I I " .

tiva e a favor d a q u e l e s q u e d e f e n d e m seus princípios.

Rhys W i l l i a m s , Ian MacDonald

Seja qual for s e u verdadeiro significado, johnny Cultor, f i n a n c i a d o pelos estúdios Republic, u m a produtora menor, é c o r a j o s a m e n t e barroco no uso q u e faz de cores fortes, no s e u estilo de a t u a ç ã o virtuoso (com Crawford p a r t i c u l a r m e n t e espetacular) e na beleza i n e s q u e c í v e l da sua c a n ç ã o - t e m a , c a n t a d a pela grande Peggy Lee. Se esse tipo de exuberância artística for d e m a i s para v o c ê , talvez seja m e l h o r se limitar aos d o c u m e n t á r i o s . EB


I U A ( ( nliimbia, Horizon) 108 m i n . I'M!

SINDICATO DE LADROES

(1954)

(ON THE WATERFRONT)

i d i o m a : inglês D i r e ç ã o : Elia Kazan P r o d u ç ã o : S a m Spiegel

ROttlro:

Malcolm J o h n s o n , Budd

" E u poderia ter classe. Eu poderia ter sido um lutador. Poderia ter sido a l g u é m , em vez de um v a g a b u n d o , que é o que eu s o u , v a m o s admitir." Um dos maiores f i l m e s a m e r i c a n o s de todos os t e m p o s , Sindicato de ladrões caiu c o m o uma b o m b a em um país abalado

Si hulberg, baseado, na série de

pelas traições e pela paranóia do pânico a n t i c o m u n i s t a . Doloroso e terno, ele Introduziu

Igos de M a l c o l m J o h n s o n

e m H o l l y w o o d u m novo tipo d e realismo social c o n t u n d e n t e , graças, e m grande parte,

>I I

F o t o g r a f i a : Boris K a u f m a n

Mdlll »:

I

couard Bernstein

I I c - i n o : Marlon Brando, Eva Marie l|

Karl M a i d e n , Lee J . Cobb, Rod

Slelgcr, Pat H e n n i n g , Leif Erickson,

limes I.

Wcstcrfield, Tony Galento,

ao fato de ser repleto de interpretações inesquecíveis de vários atores do teatro n o v a iorquino da geração do pós-guerra, a d e p t o s do n a t u r a l i s m o e do " M é t o d o " do Actors S t u d i o , técnica de representação baseada nos preceitos de C o n s t a n t i n Stanislavsky. O bronco, porém sensível, Terry M a l l o y ( M a r l o n B r a n d o , m a i s belo do que n u n c a ) , um boxeador fracassado que se t o r n o u estivador e garoto de recados do corrupto chefe d o s i n d i c a t o J o h n n y Friendly (Lee J . Cobb), é a t o r m e n t a d o pela sua p a r t i c i p a ç ã o

M.iuriello, J o h n F. H a m i l t o n ,

1'ilni H i ' l d a b r a n d , Rudy B o n d , Don nl.ii l'm.m, Arthur K e e g a n , Abe S i m o n Oil • " :

' i i n Spiegel (melhor filme),

III I I . M U (diretor), B u d d Schulberg ( i i i i i ' i n i ) , Marlon Brando (ator), Eva Marie Saint (atriz coadjuvante),

involuntária no assassinato de um estivador d e s c o n t e n t e . Sua culpa é exacerbada q u a n d o ele se apaixona pela irmã do m o r t o , Edie Doyle (Eva M a r i e S a i n t em sua estréia no c i n e m a ) , p o r é m a descoberta de q u e ele t a m b é m foi traído - de f o r m a ainda m a i s d e s o l a d o r a , por s e u irmão m a i s v e l h o e m a i s esperto, Charley (Rod Steiger), q u e é a d v o g a d o e braço direito de Friendly - d e s e n c a d e i a uma crise i l u m i n a d o r a . Depois que Edie c o n v e n c e o padre da região (Karl M a l d e n ) , a n t e s o m i s s o , a liderar a cruzada contra

III haul Day (direção de arte), Boris I

m i I I I . i i i (fotografia), Gene Milford

a corrupção do sindicato, as i n t i m i d a ç õ e s de Friendly se t o r n a m m a i s m o r t a i s . Terry

(edição)

desafia p e n o s a m e n t e a lei do silêncio e t e s t e m u n h a em u m a c o m i s s ã o parlamentar.

u n i u . H .10 a o O s c a r : Lee J . Cobb (ator

Apesar de fazer a coisa certa, Terry é r e c h a ç a d o por " d e d u r a r " a c o m u n i d a d e litorânea e

I oadjuvante), Karl M a i d e n (ator

e s p a n c a d o n o estaleiro a n t e s d e s e u s t e m e r o s o s c a m a r a d a s s e j u n t a r e m a e l e ,

' ' ladjuvante), Rod Steiger (ator

d e s f a z e n d o o controle de Friendly sobre s u a s vidas e s e u t r a b a l h o .

I oadjuvante), Leonard Bernstein O f i l m e foi m a i s c l a r a m e n t e inspirado na série de artigos de jornal c h a m a d a " C r i m e ( m i l ' . I i .l)

on t h e W a t e r f r o n t " (Crime no litoral), de autoria de M a l c o l m J o h n s o n , q u e expunha a F e s t i v a l d e V e n e z a : Elia Kazan [prêmio OCIC), (Leão de Prata),

corrupção nos estaleiros de Nova York e Nova J é r s e i . O d r a m a t u r g o Arthur Miller

( 1111 111 i ( I < 1.1 crítica italiana), indicação

c o m e ç o u a trabalhar em um roteiro a pedido do diretor Elia K a z a n . No e n t a n t o , q u a n d o

(I l i o de Ouro)

Kazan t e s t e m u n h o u diante do C o m i t ê de A t i v i d a d e s A n t i a m e r i c a n a s do Congresso,

1

Miller r o m p e u c o m ele. Kazan recorreu a u m a outra " t e s t e m u n h a a m i g á v e l " , o roteirista B u d d S c h u l b e r g . A reputação d o s dois h o m e n s sofreu danos p e r m a n e n t e s e Sindicato de ladrões é m u i t a s vezes rotulado c o m o o pedido de d e s c u l p a s ou c o m o a defesa d e l e s . Kazan a d m i t i u que se identificava c o m o conflito de lealdade de Terry Malloy. I n d e p e n d e n t e m e n t e de qual lado se e s c o l h a , esse doloroso pano de f u n d o da vida real deu ao f i l m e um

n ú c l e o e m o c i o n a l visceral e sincero para o realismo do seu t e m a e o

n a t u r a l i s m o das suas interpretações ( c o m p l e m e n t a d a s pela trilha evocativa de Leonard Bernstein). Terry c o n f r o n t a n d o Charley no b a n c o de trás de um táxi é a cena clássica citada c o m m a i s f r e q ü ê n c i a , porém há m u i t o s outros m o m e n t o s i n e s q u e c í v e i s : B r a n d o brincando c o m a p e q u e n a luva de S a i n t , c o l o c a n d o - a na própria m ã o ; Terry descobrindo que t o d o s os seus p o m b o s , dos quais ele c u i d a v a c o m t a n t o c a r i n h o , f o r a m m o r t o s pelo m e n i n o v i z i n h o , q u e o a d m i r a v a ; Terry a r r o m b a n d o a porta de Edie e forçando-a a a d m i t i r seu a m o r à m e d i d a que eles d e s c e m ao c h ã o em um beijo d e s e s p e r a d o . C i n q ü e n t a a n o s depois, este f i l m e c o n t i n u a sendo uma reflexão i m p l a c á v e l sobre a traição. A E


I U A ( M G M ) 102 m i n . Anscocolor I d i o m a : inglês

SETE NOIVAS PARA SETE IRMÃOS

(1954)

(SEVEN BRIDES FOR SEVEN BROTHERS)

D i r e ç ã o : Stanley Donen

Produção: Jack C u m m l n g s

Sete noivas para sete irmãos é um m u s i c a l de 1954 p r o f u n d a m e n t e sexista e a l t a m e n t e a s s o b i á v e l - s u p o s t a m e n t e p a s s a d o e m g r a n d e s espaços a b e r t o s , p o r é m f i l m a d o

U o t e i r o : Albert Hackett, Frances s o b r e t u d o em estúdio -, c o m coreografias excelentes e atléticas a cargo de M i c h a e l I

'li i( h, Dorothy Kingsley, baseado to "The S o b b i n ' W o m e n " , de

Kidd e direção a c i m a da média de S t a n l e y D o n e n . B a s e a d o em um conto de S t e p h e n

Meplicii Vincent B e n e t

V i n c e n t B e n e t , que se Inspirou no rapto e estupro das mulheres s a b i n a s , o f i l m e é sobre

F o t o g r a f i a : George J . Folsey

seis repulsivos i r m ã o s c a ç a d o r e s de peles que v ã o à cidade procurar m u l h e r e s para

Múllca: Adolph D e u t s c h , Saul

casar d e p o i s q u e A d a m ( H o w a r d Keel), o m a i s v e l h o deles, se casa c o m Mllly ( J a n e

i 11.11>l11•. Johnny Mercer, Gene de Paul llenco: Jane Powell, Howard Keel, Jeff

P o w e l l ) . Eles a c a b a m s e g u i n d o s e u s instintos de h o m e n s da fronteira ao raptar as m u l h e r e s . No e n t a n t o , p r e c i s a m s u p o r t a r t o d o o Inverno a t é q u e s u a s parceiras

Rll haul',, Russ T a m b l y n , Tommy Rail, Man H a i r . M a t t Mattox, Jacques d'Ambolse, Julie N e w m a r , Nancy

i m p r o v i s a d a s d e c i d a m perdoá-los na primavera. Um olhar f a s c i n a n t e sobre a fantasia de estupro patriarcal q u e era considerada

Kllg.is. Betty Carr, Virginia Gibson,

b e m - i n t e n c i o n a d a e até " b o n i t i n h a " à é p o c a , Interpretado ao s o m das m ú s i c a s de

t ' n i . i I I T . Norma Doggett, Ian Wolfe

J o h n n y Mercer e G e n e de P a u l , que g r u d a m no o u v i d o , Sete noivos para sete irmãos traz

( I n , n : Adolph D e u t s c h , Saul Chaplin

no elenco Russ T a m b l y n , Virgínia G l b s o n e T o m m y Rali. Dentre as c a n ç õ e s m a i s m e m o -

(mush a)

ráveis - s e n d o q u e a l g u m a s d e l a s I n d i c a m c o m precisão a política sexual do f i l m e -

i i n l i i .it .10 a o O s c a r : Jack C u m m l n g s

e s t ã o : " B l e s s Your B e a u t l f u l Hldc", " S o b b i n ' W o m e n " , " G o i n ' C o u r t i n ' " , T m A L o n e s o m e

(melhoi

Polecat" e "Spring, Spring, Sprlng". J R . O S

11.

fllme), Albert Hackett,

IS Goodrich, Dorothy Kingsley Iro), George J. Folsey (fotografia),

Ralph I. W i n t e r s (edição)

Franca (1 ilmsonor, Vera) Idioma: francês

114 m i n . P & B

AS DIABÓLICAS

(1954)

(LES DIABOLIQUES)

D i r e ç ã o : Henri-Georges Clouzot

Em u m a escola pública d e c a d e n t e e provinciana, paixões assassinas f e r v e m logo abaixo

Producta Henri-Georges Clouzot

da superfície. A esposa m a l t r a t a d a e frágil (Vera Clouzot) e a a m a n t e m i s t e r i o s a m e n t e

R o t e i r o : Henri-Georges Clouzot,

s e n s u a l ( S i m o n e Signoret) de um diretor sádico (Paul Meurisse) o a s s a s s i n a m , d e s o v a n -

I'

do o corpo em u m a piscina coberta de algas. Q u a n d o a piscina é d r e n a d a , o corpo não

• G r r o n i m i , Frederic Grendel,

k n i e M a s s o n , baseado n o livro Celle

está m a i s lá e as m u l h e r e s c o m e ç a m a enlouquecer, e s p e c i a l m e n t e q u a n d o um a l u n o

• im l i , i , i i í plus, de Pierre Boileau e Thomas Narcejac I l i t o g r a f i a : Armand Thirard m i i - . i c . 1 : George Van Parys

afirma ter visto um f a n t a s m a . Logo as d u a s m u l h e r e s estão v e n d o coisas e algo horripilante surge na banheira. Um grande sucesso Internacional em 1954, As diabólicas perdeu um pouco do seu

l l e n c o : S i m o n e Signoret, Vera

poder perturbador, embora dezenas de filmes (Arrrradi/lia mortal. Com a maldade na alma)

i I- luzol. Paul Meurlsse, Charles

t e n h a m pegado emprestado seu enredo ardiloso e transformado seus m o m e n t o s m a i s

V i n i ' l . l e a n Brochard, Pierre Larquey,

c h o c a n t e s em clichês. Henri-Georges Clouzot dirige com uma crueldade sombria que

M u hei ' , 1 ' i r a u l t , Therese Dorny, Noel

c o m b i n a a trama i m p i e d o s a m e n t e intricada digna de Hitchcock (dizem que o Mestre

Roquevei 1, Yves-Marie M a u r i n , < .fulges Poujouly, Georges Chamarat, II

ques Varennes, Robert Dalban,

lean I elebvre

realizou Ps/cose para resgatar a coroa de Rei do S u s p e n s e , que havia perdido brevemente para Clouzot) c o m três interpretações centrais fortes e um cenário m a r a v i l h o s a m e n t e deplorável. O f i l m e possui cenas de horror físico ( u m truque c o m lentes de contato é apavorante), m a s Clouzot t a m b é m causa arrepios com Incidentes de s a d i s m o c o m u m , c o m o q u a n d o Meurisse força a esposa a comer o repugnante jantar da escola. KN


A REVOLUÇÃO DOS BICHOS

{1954)

(ANIMAL FARM) A revolução dos bichos é o primeiro l o n g a - m e t r a g e m de a n i m a ç ã o inglês (se você desconsiderar Handling Ships (1945), um f i l m e institucional da época da guerra). Dirigido pela dupla de marido e mulher H a l a s - B a t c h e lor (o inglês nascido na Hungria J o h n Halas e a inglesa Joy Batchelor), é baseado na sátira política mordaz de George O r w e l l , publicada em 1945. Na época em q u e o f i l m e foi produzido, a a n i m a ç ã o de longam e t r a g e m era d o m i n a d a pela Disney. D e t e r m i n a d o s a se m a n t e r longe do estilo do Tio W a l t de a n i m a i s bonitinhos e adoráveis, H a l a s - B a t c h e l o r a c e i t a r a m p r o n t a m e n t e u m a e n c o m e n d a do produtor a m e r i c a n o Louis De R o c h e m o n t ( m a i s c o n h e c i d o pela série de cinejornais March ofTime) para realizar o I n g l a t e r r a (Halas and Batchelor) primeiro longa de a n i m a ç ã o s e r i a m e n t e v o l t a d o para platéias a d u l t a s fora do bloco c o m u n i s t a . Até o ú l t i m o rolo, A revolução dos bichos se a t é m c o m fidelidade ao r o m a n ce original, escrito por O r w e l l c o m o uma sátira à traição dos Ideais da R e v o l u ç ã o Russa. Na Granja do Solar, os a n i m a i s se revoltam contra seu d o n o bêbado e d e c a d e n t e e

72 m i n . Technicolor I d i o m a : inglês D i r e ç ã o : Joy Batchelor, J o h n Halas P r o d u ç ã o : Louis De R o c h e m o n i , John

I n s t a u r a m uma c o m u n i d a d e d e m o c r á t i c a , livre de h u m a n o s , na qual " t o d o s os a n i m a i s

Halas

são iguais - m a s a l g u n s a n i m a i s são m a i s iguais do que outros". A massa de a n i m a i s ,

R o t e i r o : J o y Batchelor, John ll,il.i\,

oprimida e aterrorizada, a p e n a s trocou um czar por outro. Para realizar o f i l m e , a empresa de H a l a s - B a t c h e l o r foi expandida, t o r n a n d o - s e o m a i o r centro de a n i m a ç ã o da Europa O c i d e n t a l . A a n i m a ç ã o alcança um sagaz equilíbrio entre estillzação e naturalismo - os a n i m a i s não são a n t r o p o m o r f l z a d o s e os cenários da fazenda são d e s e n h a d o s de forma realista. S o n s de fazenda reais f o r a m gravados para a trilha. O c o m p o s i t o r clássico M a t y a s Seiber ( c o m o H a l a s , um inglês nascido na Hungria) contribui c o m u m a trilha poderosa e emotiva q u e mistura e l e m e n t o s folk

Borden M a c e , Philip Stapp, Lolhai Wolff, baseado no livro de George Orwell F o t o g r a f i a : S. G. Grifflths, J . Gurr, W.Taylor, R.Turk M ú s i c a : M a t y a s Seiber E l e n c o : Gordon Heath (narrador), Maurice D e n h a m (todos os animai'.)

c o m m o d e r n i s m o , e t o d o s os a n i m a i s são dublados - c o m Incrível v e r s a t i l i d a d e - pelo ator M a u r i c e D e n h a m . A revolução dos bichos preserva de forma fiel a raiva, a c o m p a i x ã o e o h u m o r sarcástico do r o m a n c e de O r w e l l . A c r u e l d a d e de certos incidentes não é a t e n u a d a pata desespero d o s pais da época, q u e lev a r a m s u a s c r i a n ç a s a o c i n e m a esperando s e n t i m e n t a l i s m o ao estilo Disney. A p e n a s o final foi m o d i f i c a d o para algo m a i s otimista - De R o c h e m o n t e H a l a s - B a t c h e l o r c o n c o r d a r a m q u e a d e s o l a ç ã o sombria do original era d e m a i s para o público. A m u dança t a m b é m pode reivindicar u m a certa justificativa

histórica: S t a l i n

morreu

en-

q u a n t o o f i l m e estava em produção. PK


1 HA (Paramount, Patron) 112 min. I r i linkolor lilinin.i:

JANELA INDISCRETA

(1954)

(REAR WINDOW)

inj'lrs

D l r e c a o : Alfred Hitchcock

A apoteose de todas as fixações psicossexuais ardentes e mal reprimidas de Hltchcock,

P r o d u c H o : Alfred Hitchcock

janeío indiscreta é t a m b é m provavelmente (com a possível exceção de Um corpo que cai, de

H o t i ' l r o : lohn Michael Hayes,

1958) a m a i s bem-sucedida mistura de entretenimento, intriga e psicologia da extraordi-

b u e a d o no conto "ft Had to Be

nária carreira do diretor. Um estudo fascinante sobre a obsessão e o voyeurismo, janela

M i i t i h i " . d e Cornell Woolrlch

indiscreto combina um elenco perfeito, um roteiro perfeito e principalmente um cenário

t o t o g r a f l a : Robert Burks M u t k a : I ranz W a x m a n

perfeito para um filme - que é ainda melhor do que a soma de suas partes. Para ter o m á x i m o de liberdade, Hitchcock construiu uma complexa réplica de um

11• -• 1«11. | . l i n e s Stewart, Grace Kelly, prédio de a p a r t a m e n t o s a b a r r o t a d o de pessoas e em c o n s t a n t e a g i t a ç ã o c o m s e u pátio Wendell Corey, Thelma Ritter, Raymond Burr, Judith Evelyn, Ross ! • > • ! • . m a n , Ceorglne Darcy, S a r a 11

11 1. 11.ink Cady, Jesslyn Fax, Rand

i g u a l m e n t e m o v i m e n t a d o . Cada janela dá vista para u m a outra vida e, para todos os efeitos, conta outra história. Em u m a , um c o m p o s i t o r se debruça sobre seu plano, l u t a n d o c o m sua obra m a i s recente. Em outra, um d a n ç a r i n o treina c o m p u l s i v a m e n t e .

ll.npi'i, liene W i n s t o n , Havls

U m a p a r t a m e n t o abriga u m a m u l h e r solitária, mal-sucedlda n o amor, e n q u a n t o outro

Davenport

abriga u m apaixonado casal r e c é m - c a s a d o .

l i u l k . i c S o a o O s c a r : Alfred Hitchcock

[dlrttor),

lohn Michael Hayes

(uilelm), Robert Burks (fotografla), I men 1

L. B. " J e f f " Jeffrles ( J a m e s S t e w a r t ) é um fotógrafo de sucesso afastado do trabalho por conta de u m a perna quebrada. Preso a u m a cadeira de rodas o dia todo, não t e m nada melhor para fazer do que espiar seus vizinhos. Ou pelo m e n o s é o que ele afirma,

Ryder (som) pois sua n a m o r a d a (e aspirante a esposa), a m o d e l o profissional Lisa (Interpretada por u m a s u r p r e e n d e n t e m e n t e sensual Grace Kelly, em um de seus ú l t i m o s papéis a n t e s da a p o s e n t a d o r i a ) , e sua enfermeira rabugenta Stella (Thelma Ritter) o b s e r v a m c o m perspicácia q u e ele está apenas viciado na e m o ç ã o do v o y e u r i s m o .


A idéia de que a l g u é m conseguirla desgrudar os olhos de u m a personagem tão bela e radiante q u a n t o Lisa é difícil de acreditar, até que Jeff começa a suspeitar que um de seus vizinhos ( u m carrancudo R a y m o n d Burr) assassinou a esposa. Logo, Jeff arrasta Lisa e Stella para o mistério, e s t u d a n d o o b s e s s i v a m e n t e o c o m p o r t a m e n t o do personagem de Burr em busca de sinais de culpa. Contudo, à medida que a Investigação furtiva de Jeff a v a n ç a , o m e s m o acontece c o m histórias de todos os seus outros vizinhos, que ignoram a trama a b o m i n á v e l que possivelmente se desenrola literalmente na porta ao lado. janela

indiscreta

é

construído

de

forma

tão

minuciosa

quanto

seu

complexo

cenário. Assisti-lo é c o m o observar um e c o s s i s t e m a v i v o , p u l s a n t e , c o m a e m o ç ã o a d i cional de um misterioso a s s a s s i n a t o para completar. Hltchock se diverte c o m o cenário p a r t i c u l a r m e n t e p ó s - m o d e r n o d o f i l m e : n ó s , o s e s p e c t a d o r e s , s o m o s hipnotizados pelas ações d o s p e r s o n a g e n s , q u e , por sua v e z , estão hipnotizados pelas ações de outros p e r s o n a g e n s . É um círculo vicioso de obsessão a r r e m a t a d o c o m h u m o r negro e um toque de sensualidade. De fato, e m b o r a o a b e l h u d o j e f f possa descobrir um assassinato no seu vilarejo urb a n o , são os vários r o m a n c e s que ocorrem nos outros a p a r t a m e n t o s q u e c h a m a m i n i c i a l m e n t e sua a t e n ç ã o para o peep show do pátio. É u m a perfeita ironia que s u a s o b s e s s õ e s pela vida a m o r o s a dos v i z i n h o s o i m p e ç a m de a d m i t i r s e u

interesse

romântico em Lisa. Na v e r d a d e , o solteiro que existe em Jeff vê seus vizinhos c o m o u m a desculpa para repelir os a v a n ç o s dela. A p e n a s q u a n d o s u a s a t i t u d e s a c o l o c a m em perigo ele f i n a l m e n t e percebe q u e o q u e t e m d i a n t e de si é m e l h o r do que qualquer coisa que possa ver pela j a n e l a . J K l


I UA 1 h.nr.(on,i, W a r n e r Bros.) ill

In hnicolor

NASCE UMA ESTRELA

(1954)

(A STAR IS BORN)

i i l i i i o i . i : Inglês O terceiro é o m e l h o r (e o s e g u n d o dirigido por George Cukor)

de q u a t r o f i l m e s sobre

nhi'i , i u I ,eorge Cukor um c a s a m e n t o arruinado pela a s c e n s ã o meteórica ao estrelato da esposa m a i s j o v e m e r i . i . l i i i .10: Vern Alves, Sidney Luft a a u t o d e s t r u i ç ã o do ídolo d e c a d e n t e / m e n t o r que ela a m a . O f i l m e de 1937, de W i l l i a m ROUlro: Moss Hart, baseado no n i i i ' i i o i l r 1937 de Alan Campbell e I

I hv Parker, a r g u m e n t o de

W e l l m a n , c o m Fredric M a r c h e J a n e t Gaynor, ainda é um d r a m a c o m o v e n t e ; a versão rock de 1976, com Barbra Streisand e Krls Kristofferson, é m e m o r á v e l a p e n a s por tê-la

Willi.nu A. W e l l m a n

c a n t a n d o . Porém o musical de Cukor, c o m J u d y G a r l a n d ( e m um retorno triunfante) e

l o l o n i . i f i . i : S a m Leavitt

J a m e s M a s o n e m i n t e r p r e t a ç õ e s e x c e l e n t e s , i n o v o u dentro d o gênero m u s i c a l a o

M ú s i c a : Harold Arien, Ray Heindorf

i m p u l s i o n a r u m a narrativa d r a m á t i c a c o m c a n ç õ e s - e s p e c i a l m e n t e na a t o r m e n t a d a

1 1 , - i n o hilly (,,11 land, J a m e s M a s o n ,

" T h e M a n That Got A w a y " de Garland e no n ú m e r o arrebatador " B o r n In A Trunk". I n s u -

I n f I . i r , o n , Charles Bickford, Tommy Noon.in, I ucy Marlow, A m a n d a Blake, li viii|'. Ii.ii on. I lazel S h e r m e t

perável, o N o r m a n M a i n e de M a s o n está f a s c i n a n t e em sua aparição bêbado na c e r i m ô nia do Oscar. Em parte u m a sátira a H o l l y w o o d - divertida ao mostrar a t r a n s f o r m a ç ã o no e s t ú -

i n i l l i at.10 a o O s c a r : James Mason (

). I m l y Garland (atriz), M a l c o l m

i

l i e n , Gene Allen, Irene Sharaff,

' , e o i | ; e |,unes Hopkins (direção de li o I h i n I oiiis Mary, Ann Nyberg, em

Sharaff (figurino), Ray Heindorf

dio da insossa Esther Blodgett na g l a m o u r o s a Vicky Lester e ácida em sua representação da m á q u i n a publicitária que aprisiona Esther e N o r m a n -, o f i l m e é u m a bela m i s tura de m ú s i c a , inteligência e tragédia r o m â n t i c a , realizado c o m u m a c o n v i c ç ã o c a t i v a n t e . Em 1983, m a i s de 20 m i n u t o s de material a n t e r i o r m e n t e c o r t a d o f o r a m restaurad o s , incluindo dois n ú m e r o s escritos para Garland por Harold Allen e Ira G e r s h w i n . AE

ill a), H,nold Arlen, Ira Gershwin (1 . n u , , 1 0 )

1 HA / l i . i l i . i (Figaro, Rizzoli-Haggiag) 1

1

lei hnicolor

A CONDESSA DESCALÇA (1954) (THE BAREFOOT CONTESSA)

l i l l o m a : ingles Os atrativos superficiais de A condessa descalça, de Joseph M a n k i e w i c z , são óbvios - Ava i i i , e , . i o : Joseph L. Mankiewicz Gardner no auge do glamour c o m o Maria Vargas, a estrela que saiu da sarjeta para a forP i o d u c . i o : Franco Magli i n , 1 , m i . loseph L. M a n k i e w i c z F o t o g r a f l a : Jack Cardiff M u s k . i : Maiio Nascimbene 1 l e i u o : 1 lumphrey Bogart, Ava 1 . . 111111 • 1 , 1 dinond O ' B r i e n , M a r i u s g, Valentina Cortese, Rossano

tuna, ao lado de Humphrey Bogart em seu m o m e n t o mais amargo, embora terno, c o m o o cineasta Harry D a w e s ; uma enxurrada de falas passíveis de citação ("Nunca é tarde demais para se desenvolver um personagem"); e as alusões Intrigantes a celebridades da vida real, incluindo Rita Hayward e Howard H u g h e s . No entanto, o filme não se limita a eles. A condessa descalça foi

buscar em

Cidadão Kane (1941) a sua estrutura em

mosaico

que oferece vários p o n t o s de vista sobre um p e r s o n a g e m - o q u e revela s o m e n t e c o m o

i i i 1 . 1 li/abeth Sellars, Warren

aquela pessoa era i n s o n d á v e l . A partir do funeral de M a r i a , oito f l a s h b a c k s p r o v ê m de

M e v i ' i i ' . , Franco Interlenghl, Mari

quatro narradores. M u l t o a n t e s de Pulp F/ction - Tempo de violência (1994), M a n k i e w i c z

A l i l i m . Alberto Rabagliati, Enzo

realiza u m a seqüência que mostra a transição de Maria de B r a v a n o ( M a r i u s Goring) para

S l . i l o l . i , Maria Z a n o l i , Renato 1 h l i n t o n l , Bill Fraser ( I I I .11: I dinond O'Brien (ator 1

n.iiljuvante)

V i n c e n z o (Rossano Brazzi) de dois p o n t o s de vista diferentes. O filme transita por três realidades sociais - o s h o w business de H o l l y w o o d , a alta sociedade francesa e a aristocracia italiana - excepcionalmente distintas, cada qual

Indli I I .10 a o O s c a r : Joseph L.

fechada em sl m e s m a , decadente e moribunda. Essa sinfonia da decadência encontra eco

M i n i ' lewlcz (roteiro)

na representação do m u n d o do teatro no clássico de 1950 de M a n k i e w i c z , A malvada. Enquanto seus filmes são às vezes criticados, com justiça, como teatrais e presos ao texto escrito, a riqueza e a coerência de A condessa descalça v ê m da sua metáfora do espetáculo teatral. A marca de M a n k i e w i c z é o " c o n g e l a m e n t o " da i m a g e m , em que a história pára e um narrador apresenta o personagem e nos dá o perfil de cada " j o g a d o r " à mesa. AM


A ESTRADA DA VIDA i v .

I t á l i a (Ponti-De Laurentlis) 94 min P&B

(LA STRADA)

I d i o m a : italiano A estrada da vida é o q u a r t o f i l m e de Federico Fel li ni e o que fez sua r e p u t a ç ã o i n t e r n a c i o n a l . Estrelando A n t h o n y Q u l n n c o m o Z a m p a n o , o h o m e m - m ú s c u l o s , e a esposa do diretor, Giulietta M a s l n a , c o m o a miserável G e l s o m i n a . É u m a história de a m o r e c i ú m e passada no circo, um m e l o recorrente na obra de Felliní. Z a m p a n o faz um

D i r e ç ã o : Federico Felllni P r o d u ç ã o : Dino de Laurentlis. ( n i " Ponti R o t e i r o : Federico Felllni, Tullio Pllill

n ú m e r o banal e m q u e arrebenta correntes a m a r r a d a s c m volta d o s e u peito. Precisa d e

F o t o g r a f i a : Otello Martelli, Carlo

u m a a s s i s t e n t e , e n t ã o compra G e l s o m i n a de sua m ã e para a c o m p a n h á - l o pela estrada.

Carlini

Ela atua c o m o palhaça e s e u s gestos l e m b r a m Charles C h a p l i n . Q u a n d o eles se j u n t a m

M ú s i c a : Nino Rota

a um circo itinerante, G e l s o m i n a fica t e m p o r a r i a m e n t e fascinada por um a c r o b a t a ,

E l e n c o : Anthony Q u i n n , Giulietta

B o b o , interpretado por Richard B a s e h a r t . Embora a trate m a l , Z a m p a n o s e n t e c i ú m e s

M a s l n a , Richard Basehart, Aldo

de Bobo e s u a s a t i t u d e s l e v a m o filme ao seu poderoso d e s f e c h o .

Sllvanl, Marcella Rovere, Lívia

A estrado da vida é c o n t a d o em um estilo de fábula que c o m e ç a a se afastar do neorealismo de boa parte do c i n e m a Italiano no pós-guerra, um m o v i m e n t o c o m o qual

Venturini O s c a r : Itália (melhor filme estrangeiro)

Felllni se e n v o l v e u I n t i m a m e n t e c o m o roteirista. Embora seja f i l m a d o em l o c a ç ã o , ele I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Federico I elllnl poderia se passar nos dias de hoje ou há 100 a n o s . Z a m p a n o e G e l s o m i n a são arquétipos, personagens simples i m p u l s i o n a d o s pelas e m o ç õ e s e desejos m a i s e l e m e n t a r e s . A

Tullio Pinel li (roteiro) F e s t i v a l d e V e n e z a : Federit 111 i-llim

ação do filme se dá c o m o se fosse predeterminada e os personagens precisam agir da

(Leão de Prata), indicação (I ejo dl

forma que a g e m , o que torna a história trágica. A representação c o m o v e n t e de M a s l n a

Ouro)

da m a l t r a t a d a p o r é m corajosa G e l s o m i n a definiria sua persona cinematográfica em v á rios filmes posteriores de Felllni e em boa parte de seus outros trabalhos c o m o atriz. O u i n n está i g u a l m e n t e inesquecível c o m o o bruto h o m e m - m ú s c u l o s , incapaz de c o m preender os próprios s e n t i m e n t o s cm relação a G e l s o m i n a . A m b o s os atores realçam o d e s c o m p a s s o entre as performances de seus personagens e a realidade de s u a s vidas. Em toda a sua obra, Fel Mn i foi f a s c i n a d o pela tensão entre a faceta teatral de s e u s p e r s o n a g e n s e s u a s v i d a s Interiores Inexploradas e c o n f u s a s . A estrada da vido c o n q u i s t o u o O s c a r de m e l h o r f i l m e estrangeiro e é p r o v a v e l m e n t e o filme m a i s acessível e querido do diretor. C o n t u d o , e s n o b e s e sofisticados em geral não d e v e m usar isso contra esta obra complexa e c o m o v e n t e , que c o n tínua

oferecendo

novos

ínslghts

idéias a cada v e z q u e a r e v e m o s . RH

c


OS SETE SAMURAIS

J j p J u (loho) 155 min. P & B idioma: japonês

DlriçSo: Akira Kurosawa Produção: sojiro M o to ki Roteiro: Shinobu Hashimoto,

Akira Kurosawa é o diretor japonês m a i s conhecido em todo o m u n d o . Os sete samurais, um épico e m p o l g a n t e e h u m a n o , é sua obra-prima de popularidade m a i s duradoura e Akira

!• urosawa, Hideo O g u m i f o t o g r a f i a : AsakazU Nakai M u s i c a : Fumio Hayasaka I

Itnco:

(1954)

(SHICHININ NO SAMURAI)

lakashi Shimura.Toshiro

Miluiir, Yoshio Inaba, Seiji

t a m b é m seu f i l m e mais assistido. A refilmagem hollywoodiana eletrlzante, embora m e n o s profunda, Sete homens e um destino (1960) é o m a i s b e m - s u c e d i d o dos m u i t o s filmes de faroeste baseados na obra de Kurosawa - incluindo Quatro confissões, de 1964, u m a releitura de Rashomon (1950), e o w e s t e r n spaghettl f u n d a m e n t a l Por um punhado de dolares (1964), c o m p l e t a m e n t e d e c a l c a d o por Sergio Leone de Vojimbo, o

Mlyafuichi, Minoru Chiaki, Daisuke

guarda-costas (1961). A divertida permuta cultural é u m a deliciosa prova da linguagem e

Kalo, K a o Kimura, Keiko Tsushima,

do apelo universais do c i n e m a . Kurosawa inspirou-se nos faroestes de J o h n Ford e rea-

ml' [ko Shlmazaki, Kamatari Fujiwara, rOlhlO Kosugi, Bozuken Hidari, r*0ihl0 iMichiya, Kokuten K o d o j i r o

lizou algo q u e r o m p e c o r a j o s a m e n t e c o m as tradições limitadas do típico jidal-geki j a p o n ê s , filme histórico c o m ênfase em lutas de espadas em um J a p ã o medieval retratado c o m o u m a terra de f a n t a s i a . Os sete samurais é carregado de cenas de ação

Kum.ici surpreendentes, Incidentes c ô m i c o s , d e s v e n t u r a s , drama social, ó t i m o d e s e n v o l v i n u l l t a ç ã o a o O s c a r : So M a t s u y a m a

(direção <lc arte), Kôhei Ezaki (ftguiino) f e s t i v a l d e V e n e z a : Akira Kurosawa il lio de Prata), indicação (Leão de I

mio)

m e n t o de personagens e conflito entre dever e desejo, tudo tratado c o m u m a a t e n ç ã o i m a c u l a d a ao realismo. Um pobre vilarejo de fazendeiros, à mercê de bandidos que retornam todos os anos para estuprar, m a t a r e roubar, t o m a a decisão radical de revidar c o n t r a t a n d o roii/n (samurais itinerantes, sem mestre) para salvá-los. U m a vez q u e p o d e m oferecer apenas p e q u e n a s porções de arroz c o m o p a g a m e n t o , os aflitos emissários que s a e m em busca de e s p a d a s de aluguel t ê m a sorte de encontrar K a m b e l (Takashi S h l m u r a ) , um h o m e m honrado c c o m p a s s i v o resignado a fazer o q u e um h o m e m t e m que fazer, apesar de saber q u e não ganhará nada ao fazê-lo. Em m u i t o s aspectos o arquétipo do herói, ele recruta cinco outros andarilhos dispostos a lutar por comida e diversão, entre eles um velho e b e m - i n t e n c i o n a d o a m i g o , um j o v e m aprendiz inocente e um mestre espadac h i m de poucas palavras. O j o v e m Kikuchlyo (Toshlro M i f u n e ) , e s q u e n t a d o , Impulsivo e palhaço, é rejeitado pelos h o m e n s experientes, m a s o c a m p o n ê s fantasiado de s a m u r a i os a c o m p a n h a a s s i m m e s m o , louco para provar seu valor e Impressionar K a m b e l . Os aldeões t r a t a m o grupo c o m d e s c o n f i a n ç a , m a s , aos poucos, laços se form a m , um caso de a m o r floresce, as crianças se aproximam de seus heróis e K a m b e i organiza u m a resistência impetuosa q u e surpreende, enfurece e acaba derrotando os invasores. O filme é leve, ágil e e c o n ô m i c o , e l i m i n a n d o explicações d e s n e c e s sárias. Ele evoca mistério e sustenta um clima de apreensão - c o m planos breves e cortes rápidos c o n s t i t u i n d o a busca dos c a m p o n e s e s por protetores em potencial e expondo seu caso a K a m b e l . Há m u l t a s c e n a s de um poder visual e e m o c i o n a l avassalador - u m a mulher à beira da m o r t e se arrastando de um m o i n h o em c h a m a s e e n t r e g a n d o seu bebê para K l k u c h i y o , que se senta no riacho em c h o q u e , s o l u ç a n d o e gritando: " E s t e bebê sou e u . A c o n t e c e u a m e s m a coisa comigo", a roda do m o i n h o , i n c e n diada, girando às suas costas. No e n t a n t o , o melhor m o m e n t o do f i l m e é o desfecho: os três sobreviventes e x a m i n a m as covas dos seus c a m a r a d a s à medida que os c a m p o n e s e s abaixo, distraídos, v o l t a m toda sua a t e n ç ã o para o alegre ritual da plantação do arroz. AE


SEDUÇÃO DA CARNE (1954) (SENSO) Sedução da carne foi o terceiro filme do conde Lucfnno Visconti e seu primeiro em cores. Passado nas Veneza e Verona da década de 1860, às vésperas da expulsão dos austríacos realizada por C i u s e p p c Garibaldi e da criação do Estado italiano m o d e r n o , m a r c o u u m a ruptura total c o m o meio proletário dos filmes anteriores do diretor, Obsessão (1942) e A terra treme (1948). Não o b s t a n t e , a teatralidade patente de Sedução da carne não é diferente das paixões extravagantes de Obsessão, n e m m e n o s " a u t ê n t i c a " por conta de seu cenário aristocrático s u n t u o s o (dizem q u e o diretor insistiu para que flores f o s s e m cortadas d i a r i a m e n t e para cada a p o s e n t o no set de f i l m a g e m , i n d e p e n d e n t e m e n t e de haver ou não f i l m a g e m ali). Alida Valli é a condessa Lívia Sepieri, u m a partidária de Garibaldi que intercede em favor de seu primo q u a n d o ele desafia, de forma suicida, um oficial austríaco para um duelo. O tenente Franz M a h l e r (Farley Granger) d i s t i n t a m e n t e foge da luta. Um conquistador bonito e s e m princípios, M a h l e r seduz a condessa, que irá trair i m p u l s i v a m e n t e seu marido, sua honra e seu país pelo a m o r dele. Com um roteiro creditado tanto a Tennessee W i l l i a m s q u a n t o a Paul B o w l e s - entre seis roteirlstas no total -, Sedução da carne é um melodrama n i t i d a m e n t e de alto nível. Valli, u m a atriz que já passara do seu a u g e , c o m olhos faiscantes, os d e n t e s expostos, mal parece acreditar nas suas a t i t u d e s à medida que pede cautela aos quatro v e n t o s e aposta t u d o em um irresponsável q u e não faz q u e s t ã o de esconder sua própria covardia. Farley Granger está ainda melhor, e s p e c i a l m e n t e na grande cena do clímax em q u e ele dá vazão ao seu autodesprezo. R e lações desequilibradas e s a d o m a s o q u i s t a s s e m e l h a n t e s a essas v o l t a m a aparecer em f i l m e s posteriores de V i s c o n t i , e s p e c i a l m e n t e em Os deuses ma/d/tos (1969) e Morte em Veneza (1971), porém n e n h u m deles alcança a ferocidade d e m o n s t r a d a a q u i . Sedução da carne começa na ópera e a trilha de Anton Bruckner acentua cada ponto de virada dramático c o m um trovão operístico. " G o s t o muito de óperas, m a s não quando elas ocorrem fora do palco", observa a condessa ao tentar dissuadir Mahler de aceitar o desafio de seu primo. O mais ren o m a d o diretor de óperas da Itália, Visconti claramente pensava o contrário. T C h


HOMENS INDOMÁVEIS

(1954)

E U A (Pinecrest) 8 1 min. Technicolor D i r e ç ã o : Allan Dwan

(SILVER LODE)

P r o d u ç ã o : Benedict Bogeaus Neste faroeste e m o c i o n a n t e , J o h n P a y n e interpreta Dan Ballard, u m boiadeiro respeitado e querido na pequena cidade em q u e v i v e u pelos ú l t i m o s dois a n o s . D u r a n t e as c o m e m o r a ç õ e s do 4 de J u l h o , quatro e s t r a n h o s a p a r e c e m na c i d a d e , liderados por um

R o t e i r o : Karen DeWolf F o t o g r a f i a : J o h n Alton M ú s i c a : Louis Forbes

bandido beligerante e desagradável (Dan Duryea) que afirma ser um agente federal c o m

E l e n c o : J o h n Payne, Lizabeth Scott,

um m a n d a d o de prisão por assassinato para Ballard. À m e d i d a q u e a a ç ã o se desenrola

Dan Duryea, Dolores M o r a n , I mile

(em um período e q u i v a l e n t e à duração do f i l m e ) , os moradores da c i d a d e se v o l t a m

Meyer, Robert W a r w i c k , John I l i n K o n ,

contra Ballard e a c a b a m organizando um grupo para c a ç á - l o , e n q u a n t o ele luta para

Harry Carey Jr., Alan Hale Jr.

provar sua inocência. Homens indomáveis é um f i l m e de Allan D w a n por excelência: c o n c i s o , s i m p l e s , I n v e n t i v o , ágil, irônico, belo s e m ser espetacular. P r o v a v e l m e n t e n e n h u m outro faroeste t e m t a n t o s planos através d e j a n e l a s ( D a w n gostava d e encenar s u a s s e q ü ê n c i a s e m profundidade e de enfatizar situações em q u e os personagens se o b s e r v a m m u t u a m e n t e ) e poucos utilizaram de forma t ã o esplêndida a arquitetura e a d e c o r a ç ã o b e m c o n h e c i d a s da c i d a d e do Velho O e s t e h o l l y w o o d i a n a . Em um i m p r e s s i o n a n t e plano s e q ü ê n c i a , a c â m e r a de D w a n a c o m p a n h a P a y n e à medida q u e ele atravessa correndo quatro quarteirões da c i d a d e . G r a ç a s à segurança visual do diretor (e ao gênio da ilum i n a ç ã o J o h n Alton), Homens indomáveis é um dos m e l h o r e s dos v á r i o s faroestes americanos subestimados. C f u

CARMEN JONES

(1954)

E U A (Fox, Carlyle) 1 0 5 min. C 0 1

A atriz afro d e s c e n d e n t e Dorothy Dandridgc, legendária por sua beleza e personalidade

D i r e ç ã o : O t t o Preminger

p r o b l e m á t i c a , c o m o m u i t o s outros sex symbo/s, foi uma mártir da sua beleza em vida,

P r o d u ç ã o : Otto Preminger

ao passo q u e na m o r t e continua soterrada pela sua própria mitologia. Carmen Jones é o

R o t e i r o : Harry Kleiner, base,id

c o n t e ú d o por trás do alarde, u m a e x p l a n a ç ã o pungente do seu apelo e p e t m a n ê n c í a na

livro Carmen, de Prosper Mérimée

i m a g i n a ç ã o alheia t a n t o t e m p o depois da sua m o r t e .

F o t o g r a f i a : S a m Leavitt

B a s e a d o na ópera Carmen, de Bizet, Carmen Jones conta a história de u m a j o v e m v o raz e a m b i c i o s a (Dandridge) cujo narcisismo e g a n â n c i a l e v a m à destruição de J o e

M ú s i c a : Georges Bizet, Oscar Hammerstein E l e n c o : Harry Belafonte, Dorothy

(Harry Belafonte), um b o m h o m e m q u e a a m a t e r n a m e n t e . Repleto de c a n ç õ e s clássicas (a m ú s i c a e o libreto são do lendário Oscar H a m m e r s t e i n ) e c o m um elenco de apoio de

Dandridge, Pearl Bailey, Olga lamei, J o e A d a m s , Brock Peters, Roy Glenn,

primeira linha que inclui Pearl Bailey e u m a j o v e m D i a h a n n Carroll, o f i l m e conta com

Nick S t e w a r t , Diahann Carinii, I e V e i n

u m a série de n ú m e r o s m u s i c a i s extraordinários ( e m sua maioria em t o m a d a s únicas do

Hutcherson, Marilyn Hörne, M.nvlii

diretor O t t o Preminger) que são parte integrante do f i l m e . No e n t a n t o ,

por m a i s

i m p e c á v e i s q u e s e j a m a produção, a equipe e o elenco de apoio, este é um veículo para

Hayes I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Dorothy Dandridge (atriz), Herschel C i n t e

Dandridge do início ao f i m . Sua C a r m e n é u m a das d e u s a s do sexo m a i s ardentes e

Gilbert (música)

v i s c e r a l m e n t e d e v a s t a d o r a s já registradas em película - o andar felino frio, o corpo Festival

curvilíneo, os olhos f l a m e j a n t e s e a mistura de desejo e desprezo pelos h o m e n s c a p t u rados em sua armadilha a t o r n a m u m a criatura sobrenatural. Trata-se de u m a a t u a ç ã o poderosíssima que eleva este filme excelente ao p a t a m a r dos clássicos. EH

Internacional de

Berlim:

Otto Preminger (Leão de Prata)


O INTENDENTE SANSHÔ <1954) (SANSHÔ DAYÜ) " S e m c o m p a i x ã o , um h o m e m deixa de ser h u m a n o . " É o que diz Taira ( M a s a o Shimizu), um governador no J a p ã o medieval exilado por conta de suas políticas liberais, ao seu j o v e m filho Z u s h i ô . J u n t o c o m Tamakl (a grande K l n u y o Tanaka), sua m ã e , e sua irmã A n j u , Z u s h i ô foge da propriedade da família; traídos por uma sacerdotisa, Z u s h í S e Anju são e n v i a d o s para um e n o r m e complexo de trabalho escravo controlado pelo notoriam e n t e cruel S a n s h ô (Eitarô S h i n d ô ) , ao passo que sua m ã e é raptada e forçada a se prostituir em u m a ilha distante. A s s i m c o m e ç a u m a das maiores j o r n a d a s e m o c i o n a i s e filosóficas já realizadas no c i n e m a . P o s s i v e l m e n t e o ápice de u m a série ininterrupta de o b r a s - p r i m a s dirigidas por Kenjl M i z o g u c h l pouco antes de sua m o r t e , O intendente S a n s h ô apresenta o a u g e de um estilo visual característico, c o n s t r u í d o , p r e d o m i n a n t e m e n t e , por planos longos e c o m p l e x a m e n t e e n c e n a d o s , ritmados por m o v i m e n t o s de câmera fluidos, que M l z o g u c h i c o m e ç o u a desenvolver ainda na década de 30. Depois da abertura a n g u s t i a n t e , a história salta vários a n o s . O Z u s h i ô adulto (Yoshiakl H a n a y a g l ) , forte, porém m o r t o e m o c i o n a l m e n t e , se tornou um dos mais confiáveis c a p a n g a s de S a n s h ô ; c o m u m a crueldade I m p e r t u r b á v e l , ele executa ordens de torturar e m u t i l a r escravos. Um dia, Z u s h i ô recebe a i n c u m b ê n c i a de largar u m a idosa d o e n t e do lado de fora dos m u r o s do complexo para morrer; Anju (Kyoko K a g a w a ) o segue o s t e n s i v a m e n t e para ajudar, m a s um p e q u e n o a c i d e n t e - eles c a e m q u a n d o t e n t a m quebrar um r a m o de u m a árvore - evoca a m e m ó r i a da infância dos dois j u n t o s a n t e s de serem escravizados. De repente, Z u s h i ô percebe c o m o ele se tornou uma pessoa horrível. Ele e Anju d e c i d e m fugir, p o r é m , t e m e n d o q u e sejam capturados se f i c a r e m j u n t o s , a irmã se sacrifica para q u e Z u s h i ô possa escapar. Z u s h i ô foge e acaba conseguindo recuperar a posição de nobreza de sua família. Ele retorna, agora c o m o oficial, ao complexo de S a n s h ô ; depois de expulsar o feitor, e n t r e ga o complexo aos escravos, que o i n c e n d e i a m em u m a cena extraordinária de frenesi orgástico. A b a n d o n a n d o seu posto de oficial, Z u s h i ô sai em busca da m ã e . A n o s antes, ele e Anju h a v i a m o u v i d o u m a história sobre u m a prostituta velha e m a n c a em u m a Ilha, q u e c a n t a v a c o n s t a n t e m e n t e uma c a n ç ã o de l a m e n t o sobre seus filhos perdidos. Ele vai até a ilha e, em um trecho deserto de u m a praia, reencontra sua m ã e . Z u s h i ô d e s m o r o n a , pedindo perdão por todo o m a l q u e fez; pelo contrário, g a r a n t e - l h e a m ã e , seu pai ficaria orgulhoso ao ver que o filho v i v e u de forma tão fiel aos seus e n s i n a m e n t o s . Se a essa altura você não estiver se d e b u l h a n d o em lágrimas, é um d e s a l m a d o . A visão de m u n d o de M i z o g u c h l é negra c o m o a n o i te: violência, traição e crueldade Injustificável são as palavras de ord e m . P o r é m , embora não se possa m u d a r Isso, é possível protestar, m a n t e n d o - s e fiel aos próprios Ideais. A batalha entre o b e m o m a l é, no fim das c o n t a s , u m a batalha dentro de nós m e s m o s e, na m a g n í fica seqüência f i n a l , e n q u a n t o m ã e e filho se a b r a ç a m chorando, s e n t i m o s que o a m o r entre eles é a força mais poderosa do universo; m e s m o que esse a m o r não possa conquistar o m u n d o , ele pode transcendê-lo. RP


l U A (Independent, Intl Union of U n i , Mill 8 . Smelter Workers) l-l min. P&B

OSAL DA TERRA

(1954)

(SALT OF THE EARTH) Este clássico pouco exibido é o único l o n g a - m e t r a g e m I m p o r t a n t e da A m e r i c a n

dloma: inglês Independem

feito

por

comunistas.

Uma

história

ficcional

sobre

os

mexicanos

D i r e ç ã o : Herbert J . Biberman m i n e r a d o r e s de zinco no Novo M é x i c o , que na época e s t a v a m em greve contra s e u s ä

r o d u c ä o : Adolfo Barela, Sonja Dahl

l l l i e i i n a n , Paul J a r r i c o ,

chefes a m e r i c a n o s , O s a l da terra foi p e r m e a d o por a t i t u d e s f e m i n i s t a s b a s t a n t e i n c o m u n s para a q u e l e período. O f i l m e foi inspirado pela inclusão na lista negra do

I

m i : Michael B i b e r m a n , Michael diretor Herbert B i b e r m a n , do roteirista M i c h a e l W i l s o n , do produtor e ex-roteirista Paul

•Vll'.nn t t o g n f l a : Stanley M e r e d i t h ,

Jarrico e do c o m p o s i t o r Sol K a p l a n . C o n f o r m e refletiu p o s t e r i o r m e n t e Jarrico, já que

tfnnaid Stark

t i n h a m sido expulsos de H o l l y w o o d por s e r e m subversivos, eles c o m e t e r a m " u m crime

f i n i r a : M i l Kaplan

q u e correspondia à punição", realizando um filme subversivo. O resultado é u m a

le

l i ''.nua Revueltas, W i l l Ceer,

i,n/1.1 Wolle, Mervin W i l l i a m s , David W V l l i lu.m Chacón, Henrietta

propaganda esquerdista da melhor q u a l i d a d e , poderosa e inteligente m e s m o q u a n d o o f i l m e soa, em a l g u m a s partes, ingênuo e d a t a d o . B a s i c a m e n t e a f a s t a d o dos c i n e m a s a m e r i c a n o s a t é 1965, ele foi a m p l a m e n t e

Mill.un-., I mesto Velazquez, Angela H ' L E , l o e i . Morales, Clorinda

exibido e premiado na Europa. Porém j a m a i s recebeu o r e c o n h e c i m e n t o que merece nos

• I L . " i te, ( h a r l e s C o l e m a n , Virginia

Estados U n i d o s . Infelizmente, o debate crítico mais b e m conhecido nos Estados U n i d o s

em 1 1 , i li ti I on J e n c k s , Victor Torres

sobre ele é um a t a q u e de Pauline Kael em q u e o filme é ridicularizado c o m o " p r o p a g a n da". Por mais precisa q u e Kael seja sobre a l g u n s dos clichês esquerdistas de O sal da terra, ela retira i n d i s c r i m i n a d a m e n t e a l g u n s de s e u s exemplos do roteiro original e não do próprio f i l m e , não fazendo n e n h u m a a l u s ã o a o s m o t i v o s que o m a n t i v e r a m t ã o essencial meio século depois. J R o s

• »A I I ' 1 1 . •' I

unit) 109 m i n .

Im

ARTISTAS E MODELOS (1955) (ARTISTS AND MODELS)

j l o i l l . i : ingles Irocao: FrankTashlin i n d u c . l o : Paul N a t h a n , Hal B. Wallis « ' i . ' i m 1 'on Mi Guire, Frank Tashlin, 1 ' i i " n o ( o n t o " R o c k - A - B y e Baby", i' Me li.iel Davidson e N o r m a n fv.llie i i . i r i . i l i a : Daniel L Fapp D i l l . 1 : I L i n y Warren m i o: 1 ir,111 M a r t i n , Jerry Lewis,

Como os melodramas de Douglas Slrk, as comédias loucas de FrankTashIln exageram ao ponto da subversão os valores populares dos Estados Unidos da década de 50. O terreno de Tashlin era a esfera midiática da publicidade, tevê, cinema e showbiz: ao abraçar alegremente e satirizar com sagacidade essa arena de clichês e estereótipos, ele antecipou a pop art. Artistas e modelos, q u e ofereceu à dupla Dean M a r t l n - J e r r y Lewis seus mais gloriosos m o m e n t o s nas t e l a s , é u m a brincadeira v e r t i g i n o s a m e n t e auto-reflexiva sobre a ilusão do c i n e m a . E u g e n e Fullstack (Lewis) é um v i c i a d o em histórias em q u a d r i n h o s cujos s o n h o s pitorescos são transcritos - e v e n d i d o s em segredo - por Rick Todd (Dean M a r t i n ) . Eles são espelhados por d u a s m u l h e r e s , a sensual artista gráfica Abby (Dorothy

iiil'-v M.11 Laine, Dorothy M a l o n e , Idle Mayehoff, Eva Gabor, Anita i" ir 1 ,eorge W i n s l o w j a c k E l a m ,

M a l o n e ) e a atrapalhada Bessie (Shirley M a c L a i n e ) . O jogo i n f i n i t a m e n t e inventivo de permuta e c o m b i n a ç ã o entre esses quatro p e r s o n a g e n s de Tashlin gera um grande

. i i " i i Rudley, Richard S h a n n o n ,

m o m e n t o de c a o s burlesco: O détournement delirante de E u g e n e e Bessie da balada

t h i r d W e b b , Alan Lee, O t t o Waldis

r o m â n t i c a kitsch " I n a m o r a t a " . C o m um enredo q u e lança m â o s e m aviso de u m a intriga de e s p i o n a g e m internacional (com o a p a r e c i m e n t o de Eva Gabor) e de u m a d e m o n s t r a ç ã o m u s i c a l esplêndida de e n g e n h o s i d a d e a u d i o v i s u a l ( " W h e n You P r e t e n d " ) , faz t o d o sentido que as e s t r a t é gias de Artistas e modeios e n c o n t r e m e c o n o s alegres m o d e r n i s m o s de J a c q u e s Rivette (Celine et ¡ulie

Vont en

Bateau),

P.

Yahoo S e r i o u s (O desastrado). AM

T.

Anderson

(Embriagado

de amor)

e

no

australiano


ELES E ELAS

(1955)

E U A (Samuel Goldwyn) 1 5 0 min. Eastmancolor

(GUYS AND DOLLS) Os estereótipos feitos por H o l l y w o o d de outras culturas m u i t a s vezes são t o m a d o s c o m o ofensa, m a s é impossível resistir à visão de H a v a n a , em Cuba, na cena principal de Eles e elas. Sky M a s t e r s o n (Marlon Brando), um jogador de fala m a n s a , c o n v e n c e a

I d i o m a : Inglês D i r e ç ã o : Joseph L. M a n k l e w i c / P r o d u ç ã o : Samuel Coldwyn R o t e i r o : Joseph L. Mankiewicz,

certlnha S a r a h B r o w n ( J e a n S i m m o n s ) , m e m b r o do Exército da S a l v a ç ã o , a pegar um

baseado na peça d e j o Swerling v Ah<-

avião e j a n t a r c o m ele. À medida que fica bêbada e s u c u m b e a seus i m p u l s o s , ela é

Burrows e no conto "The Idyll ol Mlsj

Inflamada pelo drama primitivo e latino-americano que se desenrola ao seu redor: u m a

Sarah B r o w n " , de Damon Runynn

dançarina exótica, sua rival I n s t a n t â n e a , t e n t a n d o seduzir Sky. Logo, t o d o o lugar é

F o t o g r a f i a : Harry Stradling Sr.

arrebatado por uma dança hilariante de paixões e m b r i a g a d a s .

M ú s i c a : Jay Blackton, Frank Loessci E l e n c o : Marlon Brando, Jean

A cena fornece um exemplo magnífico da coreografia revolucionária de M i c h a e l Kldd para o cinema. Cestos normais, cotidianos, c o m o andar ou apontar algo, são aos poucos estilizados, tornados angulares e rítmicos, a t é se transformarem por completo em

S i m m o n s , Frank Sinatra, Vivian Blaine, Robert Keith, Stubby Kayfi, B. S. Pulley, J o h n n y Silver, Sheldon

dança. As ações individuals são organizadas em padrões coletivos. E, a c i m a de tudo, a

Leonard, Danny D a y t o n , C e o i g r I

e n c e n a ç ã o incorpora m o v i m e n t o s que são propositalmente desajeitados, deselegantes

Stone, Regis Toomey, Kathryn (avni'v.

e a p a r e n t e m e n t e a m a d o r e s - c o m o as estocadas e giros bêbados de S a r a h .

Veda Ann Borg, Mary Alan HokanSOrl I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Oliver S m i t h ,

Eles e elas é, na verdade, dois filmes em u m , dividido entre sua dupla de protagonistas m a s c u l i n o s - e, de fato, há um diálogo entre Brando e Sinatra que antecipa o e n c o n -

Joseph C. Wright, Howard Bristol (direção de arte), Harry Stradling Si

tro entre Al Pacino e Robert De Niro cm Fogo contra fogo (1995). A m e t a d e de N a t h a n

(fotografia), Irene Sharaff (figulino).

Detroit (Sinatra) está m a i s em dívida c o m a fonte do roteirista e diretor J o s e p h

Jay Blackton, Cyril J . Mockridge

M a n k i e w i c z , as histórias de D a m o n R u n y o n sobre trapaceiros adoráveis e m a l a n d r o s

(música)

(cada m a n e i r i s m o " é t n i c o " do linguajar e c o m p o r t a m e n t o nova-iorquino deliciosam e n t e exagerado). N a t h a n t e m c o m o par uma m u l h e r que já sofreu b a s t a n t e , Adelaide (Vivian Blaine), o que gera m o m e n t o s divertidos no tenso c a m i n h o dos dois para o altar, c o m o a c a n ç ã o "Adelaide's L a m e n t " na a n i m a d a trilha de Frank Loesser. Contudo - embora os n ú m e r o s coletivos arrebatadores e mais c o n v e n c i o n a i s c o m o "Luck Be A L a d y " e " S i t D o w n , You're Rocking The B o a t " sejam os m a i s recordados pelos fãs da Broadway -, é na m e t a d e m a i s romântica de Sky e Sarah q u e o filme realmente

deslancha,

com

Mankiewicz

f i n a l m e n t e superando sua habitual verborragia. As c a n ç õ e s "If I W e r e A B e l l " e "I'll K n o w W h e n M y Love C o m e s A l o n g " são gloriosos ápices de e m o ç ã o a m o r o s a , e M a n k i e w i c z as cerca de uma maravilhosa m l s e - e n - s c è n e de idas e vindas e atração e repulsão entres esses dois corpos a d m i ráveis. A M


India

(l loverno de Bengala Ocidental)

n', min. P & B

A CANÇÃO DA ESTRADA (1955) (PATHER PAIMCHALI)

•lema: bengali

B a s e a d o em um r o m a n c e clássico do escritor bengali B i b h u t i b h u s h a n B a n d y o p a d h y a y ,

D i r e ç ã o : Satyajit Ray

A canção da estrada, primeiro f i l m e de Satyajit Ray, faria, posteriormente, parte de uma

1 ' i m l i i ç a o : Satyajit Ray

trilogia c o m O invencível (1957) e O mundo de Apu (1959). Ray, que trabalhava em uma

R o t e i r o : Satyajit Ray, baseado no

agência de publicidade de Calcutá na é p o c a , t e v e grande dificuldade em levantar o

In/m de Blbhutibhushan lindyopadhyay liilografla: Subrata Mltra M u s i c a : Ravi Shankar

dinheiro para fazer seu f i l m e . A c a b o u c o n s e g u i n d o e m p r é s t i m o s suficientes para c o m e ç a r as f i l m a g e n s , na esperança de que o material convencesse os patrocinadores a ajudá-lo a concluí-las. Embora t e n h a m c o m e ç a d o a filmar em outubro de 1952, s o m e n t e no c o m e ç o de 1955 A canção da estrada foi finalizado.

E l e n c o : Kanu Bannerjee, Karuna linnerjee, Subir Bannerjee, Uma Das

Apu (Subir Bannerjee) é um m e n i n o crescendo em um remoto vilarejo do interior de

Gupta, ( hunlbala Devi, Runki

B e n g a l a . S e u s pais s ã o pobres e m a l c o n s e g u e m prover comida suficiente para A p u e

Ban

Durga ( U m a Das C u p t a ) , sua irmã m a i s velha, q u a n t o mais para a idosa conhecida c o -

jcc, Reba Devi, Apaena Devi,

ll.ui'ii Bannerjee, Tulsi Chakraborty, llibli.ni.ini Devi, Roma Canguli, Binoy

mo Tia (Chunibala Devi), que vive c o m eles. Em u m a das primeiras c e n a s , Durga rouba a l g u m a s m a n g a s , q u e dá à Tia, m a s a m ã e das crianças, Sarbajaya (Karuna Bannerjee),

I i n ! herjee, Harimohan N a g , Kshlrod RO) I una Cangopadhaya l i ' s i l v a l d e C a n n e s : Satyajit Ray I

in ile melhor d o c u m e n t o

hiiin.iiio), (Prêmio OCIC - menção r'.pri

ralha c o m ela. M a i s tarde, Durga é acusada por um vizinho m a i s rico de ter roubado um colar. Nessa hora, t e s t e m u n h a m o s não só a aflição da m ã e e da filha c o m o t a m b é m a reação de A p u , à medida que ele fica, i m p l i c i t a m e n t e , do lado da Irmã. Essas passagens m e n o r e s de drama são p o n t u a d a s por grandes tragédias. U m a das

i.il)

c e n a s m a i s c o n h e c i d a s do f i l m e se dá q u a n d o as crianças brigam c Durga é m a i s u m a vez repreendida pela m ã e . Ela sal correndo pelos c a m p o s , c o m A p u no seu encalço. V e m o s f u m a ç a preta subindo ao céu e, em seguida, um t r e m . A p u e Durga correm na direção dele, e m p o l g a d o s por essa visão de algo do i m e n s o m u n d o a l é m do seu vilarejo. No c a m i n h o de volta, c o n v e r s a n d o , as pazes feitas, eles e n c o n t r a m a Tia em u m a plantação de b a m b u s - q u a n d o Durga toca nela, ela cal de lado, está morrendo. O pai, Harlhar (Kanu Bannerjee), parte para a cidade para arranjar a l g u m dinheiro. E n q u a n t o está longe, Durga contrai p n e u m o n i a e morre. S e m saber de nada, o pai volta, a n i m a d o pelo sucesso e carregando presentes para a família, incluindo um sãrl para Durga. Sarbajaya c o m e ç a a chorar. Harlhar d e s m o r o n a de dor. O b s e r v a m o s Apu o u v i n d o o choro do pai. Com o t e m p o , Harihar decide levar o resto da sua família para a cidade. Em um m o m e n t o revelador, enquanto ajuda a limpara casa, Apu encontra um colar escondido em um vaso. Então Durga o havia roubado, no fim das contas. A descoberta torna a dor de Apu ainda mais pungente. Ele joga o c o l a r e m um lago, onde as algas se fecham sobre ele. A direção de Ray é de uma grande delicadeza, capaz de expressar t a n t o e m o ç õ e s fortes q u a n t o lirismo. Poucos esquecerão a seqüência em q u e Apu e Durga o u v e m o s o m do vendedor de doces a m b u l a n t e . Embora não t e n h a m dinheiro para comprar as g u l o s e i m a s , os dois s a e m correndo atrás dele, seguidos por um cachorro curioso, e n q u a n to a pequena procissão é refletida em uma lagoa. Auxiliado pela música maravilhosa de Ravi Shankar, A canção da estrada alcançou sucesso m u n d i a l , alçando Ray ao reconhecimento no Festival de C a n n e s em 1956. EB

,(>(


I U A ( M G M ) 8 1 min. Eastmancolor I d i o m a : ingiês D i r e ç ã o : J o h n Sturges 1 ' r o d u ç ã o : Hermann H o f f m a n , Dore

CONSPIRAÇÃO DO SILENCIO

0955)

(BAD DAY AT BLACK ROCK) O a n o é 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial, e Spencer Tracy é um veterano de um braço só que desembarca de um trem em Black Rock, urna remota cidade deserta da Califór-

Schary nia. Não sabemos a que ele veio, t a m p o u c o os habitantes da cidade. Porém eles são hostis R o t e i r o : Howard Breslin, Don 1

M l iulre, Millard K a u f f m a n , baseado no " B a d Day at Hondo", de lliiw.ud Breslin I n i o g r a f i a : W i l l i a m C. Mellor

e logo fica claro que estão escondendo algo. O diretor J o h n Sturges aumenta lentamente a tensão à medida que Tracy cava mais fundo em direção ao segredo da cidade, enquanto os habitantes cortam os fios telefônicos e sabotam um carro no qual ele tenta partir. Tendo c o m o cenário u m a paisagem árida do O e s t e , que o formato C i n e m a s c o p e do

M u s i c a : André Previn

filme valoriza ao m á x i m o , e produzido em cores, em grande parte sob uma luz do sol

E l e n c o : Spencer Tracy, Robert Ryan,

o f u s c a n t e . Conspiração do silêncio está espremido entre uma série de faroestes notáveis

A m o - 1 nineis, Dean Jagger, Walter

de Sturges, entre eles A fuga do Forte Bravo e Sem lei, sem alma. Ainda a s s i m , apesar de sua

r i ' i m i n . John Ericson, Ernest

lorgnlne,

Walter Sande i i i i i n - n ã o a o O s c a r : J o h n Sturges (diretor), Millard K a u f f m a n (roteiro), Spt'iu ci Tracy (ator) F e s t i v a l d e V e n e z a : Spencer Tracy I

aparência, Conspiração do silêncio aproxima-se mais, na verdade, do gênero noir, c o m seu

Lee M a r v i n , Rüssel Collins,

). empatado com o elenco de

IliiMmyn Semyrj

enredo de segredos obscuros no passado. Há pouca ação física e quase n e n h u m tiroteio, embora u m a cena seja m e m o r á v e l , q u a n d o Tracy é finalmente desafiado pelo abrutaIhado Ernest Borgnlne. O h o m e m de um braço só revela um repertório de golpes de caratê e socos q u e derrubam seu o p o n e n t e c o m o um boi abatido. Tracy enfrenta um impressionante leque de pesos-pesados aqui, Incluindo o líder Robert Ryan, cuja histeria nunca vai além da superfície, e Lee Marvin em um de seus papéis mais ameaçadores. Tracy precisa recorrerá ajuda dos membros mais fracos da comunidade: o recluso Doe (Walter Brennan) e o xerife bêbado e covarde (Dean Jagger). Acaba conse•jp.

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guindo investi-los de um pouco da sua coragem e eles o ajudam a fugir, mas, no fim, é forçado a contar apenas com sua própria engenhosldade.

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O segredo sujo da cidade é o assassinato de um nlpo-americano nos dias que se seguiram a Pearl Harbor. O filme foi produzido por

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Schaty, q u e t e n t o u lutai contra a lista negra e cuja gestão na

M G M foi m a u ,ii 1,1 por uma s c i i r de produções liberais. Conspiração do silêncio é um b o m exemplo disso, um thriller sólido, interpretado e dirigido c o m e s m e r o , que veicula u m a m e n s a g e m bem clara sobre tolerância racial. C o n t u d o , I n d e p e n d e n t e m e n t e de suas boas i n t e n -

1

ções, é Tracy q u e fica m a i s gravado na nossa m e m ó r i a . Poucos atores conseguiriam t r a n s m i t i r t ã o b e m uma bondade f u n d a m e n t a l s e m o m e n o r traço de hipocrisia. EB


OS MESTRES LOUCOS

(1955)

F r a n ç a (Plêiade) 36 min.

(LES MÂITRES FOUS)

I d i o m a : francês D i r e ç ã o : J e a n Rouch

Em 1954, o c i n e a s t a etnográfico J e a n Rouch foi c o n v i d a d o por um p e q u e n o grupo de F o t o g r a f i a : Jean Rouch h a u k a s da c i d a d e de Acra, na África O c i d e n t a l , para d o c u m e n t a r seu ritual religioso E l e n c o : J e a n Rouch (narrador) a n u a l . No decorrer dessa cerimônia, os h a u k a s e n t r a m em um e s t a d o de t r a n s e e são possuídos por espíritos que r e p r e s e n t a m os colonialistas o c i d e n t a i s (o e n g e n h e i r o , a esposa do m é d i c o , o g o v e r n a d o r - g e r a l , o m a j o r cruel, e t c ) . Embora tenha a p e n a s 36 m i n u t o s , as i m a g e n s de Os mestres loucos são extraordinárias e m u i t a s vezes c h o c a n t e s : h o m e n s p o s s u í d o s , c o m os olhos girando, e s p u m a n d o pela boca, q u e i m a n d o seus corpos c o m t o c h a s . De fato, o f i l m e Marat/Sade, de 1966, d i rigido por Peter B r o o k , faria referência ao h i s t r i o n i s m o e à l i n g u a g e m I n v e n t a d a c a p t u r a d o s a q u i por R o u c h . No e n t a n t o , c o m o o próprio diretor o b s e r v o u , para os h a u k a s , a possessão por espíritos era v e r d a d e , n ã o a r t e . Embora o f i l m e nunca explique por c o m p l e t o o significado por trás do ritual, a narração de Rouch sugere que a participação na cerimônia religiosa resulta em u m a espécie de c a t a r s e q u e dá a o s h a u k a s - em sua maioria t r a b a l h a d o r e s rurais m i g r a n t e s - a força necessária para m a n t e r sua dignidade e c o n t i n u a r t r a b a l h a n do sob c o n d i ç õ e s duras e opressivas. C o n f o r m e observa um a c a d ê m i c o , a q u e s t ã o m a i s Intrigante levantada por Os mestres loucos - um f i l m e no qual " o s o p r i m i d o s se t o r n a m , por um dia, p o s s u í d o s e p o d e r o s o s " - diz respeito à relação complexa d o s h a u k a s c o m sua experiência colonialista. U m a das o b r a s - p r i m a s do c i n e m a etnográfico. SJS

HILL 24 DOESN'T ANSWER

(1955)

Realizado pelo diretor inglês Thorold D i c k i n s o n , q u e tinha ido para Israel fazer um d o c u m e n t á r i o sobre o Exército (The Red Background), Hill 24 Doesn't Answer (A colina 24 não responde) foi o primeiro f i l m e desse período a alcançar sucesso i n t e r n a c i o n a l .

I s r a e l (Israel M o t l o n Picture, 'aí 'or) 101 m i n . P & B I d i o m a s : inglês / hebraico D i r e ç ã o : Thorold Dlckinson P r o d u ç ã o : T h o r o l d Dlckinson, 1'elei

D i c k i n s o n , q u e foi i n f l u e n c i a d o pelos f i l m e s que m i s t u r a v a m d o c u m e n t á r i o e ficção Frye, Z v i Kolitz, Jack Padwa produzidos na Inglaterra d u r a n t e a S e g u n d a Guerra M u n d i a l , usa t é c n i c a s c o n s a g r a d a s R o t e i r o : Peter Frye, Z v l Kolitz do gênero ( m a p a s explicativos, narração segura) para contar a história de urna pequena u n i d a d e israelense d e f e n d e n d o uma posição estratégica em u m a colina próxima de J e r u s a l é m contra um a t a q u e árabe d u r a n t e a guerra de 1948.

F o t o g r a f i a : Gerald Glbbs M ú s i c a : Paul Ben Chayim E l e n c o : Edward M u l h a r e , Mir hael

À maneira de Nosso barco, nossa alma, de David L e a n , Dickinson dedica pouco t e m -

Wagner, Margallt O v e d , Arík I avi.

po à ação p r o p r i a m e n t e dita, que se torna um pano de f u n d o sobre o qual são c o n t a d a s

Mlchael Shillo, Haya Harareet, I iii

a s histórias dos q u a t r o personagens principais: u m j u d e u a m e r i c a n o , u m irlandês, u m

Greene, Stanley Preston, Haini I yn.iv.

israelense de n a s c e n ç a e um j u d e u sefaradlta. Todos m o r r e m na b e m - s u c e d l d a defesa

Z a l m a n Lebiush, Azaria Rapaporl

do local, q u e , depois da visita de um observador da O N U , é c o n f i r m a d o c o m o território Israelense. F l a s h b a c k s d e t a l h a m os m o t i v o s que levaram cada um dos s o l d a d o s a lutar. O f i l m e é a r d o r o s a m e n t e pró-sionista, c o m Druse e os p e r s o n a g e n s Ingleses s e n d o a p r e s e n t a d o s de forma favorável e os árabes c o m o u m a força a n ô n i m a , hostil e d e s trutiva, cujos m o t i v o s para o a t a q u e j a m a i s são esclarecidos. Apesar do p r o p a g a n d i s m o óbvio, o f i l m e de Dickinson é u m a obra-prima em m e n o r escala, uma análise intrigante da m o t i v a ç ã o e do heroísmo em m e i o à batalha ideológica m o r t a l . BP

lie.


Inglaterra

(Ealing, Rank)

97

min.

0 QUINTETO DA MORTE

(1955)

I c i hilicolor

(THE LADYKILLERS)

Idioma:

O ú l t i m o filme de Alexander M a c k e n d r i c k para os estúdios Ealing (e t a m b é m o mais

inglês

D t r o ç ã o : Alexander Mackendrick

Produção:

Michael Balcon, Seth Holt

H o i c l r o : W i l l i a m Rose

m o r a v e l m e n t e raivoso A embriaguez do sucesso (1957), é u m a deliciosa comédia de h u mor negro sobre os c o s t u m e s ingleses. Um b a n d o de ladrões, escondidos sob o disfarce

I ( t t o g r a f i a : Otto Heller M u s i c a : Tristram Cary

s o m b r i o de todos), realizado a n t e s de ele ir para H o l l y w o o d e n o s presentear c o m o m e -

de um q u i n t e t o m u s i c a l na luxuosa casa de u m a senhorinha Ingênua e m u i t o , m u i t o

;

I l c n c o : Alec Guinness, Cecil Parker, Herben lorn, Peter Seilers, Danny

d e c e n t e interpretada por Katle J o h n s o n , decide q u e precisa assassiná-la antes que ela descubra sobre seu roubo recente e Insista q u e eles d e v o l v a m o b u t i m . O problema é q u e a honra entre esses ladrões em especial é algo distorcido e, embora não c o n s i g a m

Orten, l . i c k W a m e r , Katie J o h n s o n , Philip M a i n t o n , Frankie Howerd I n d i c a ç ã o a o O s c a r : W i l l i a m Rose (ititcliii)

se decidir a m a t a r a doce velhinha, eles não p o s s u e m esse tipo de pudor em relação uns aos o u t r o s . A s s i m , e s s e n c i a l m e n t e , O quinteto da morte é u m a variação cômica do clássico t e ma do roubo que saiu errado, fascinante t a n t o pelas suas habilidosas caracterizações (o b a n d o engloba u m gênio d o c r i m e ; u m tipo militar rude; u m m a t a d o r italianizado; u m e l e g a n t e "Teddy B o y " , c o m suas roupas ao estilo e d u a r d i a n o ; e um b r u t a m o n t e s t a pado) e por sua i n s i n u a ç ã o de que a Inglaterra do pós-guerra - c o m sua clara reverência a u m a era passada - estava dividida a ponto de não conseguir fazer a transição para a era m o d e r n a . A fotografia em cores de O t t o Heller e o d e s e n h o de produção de J l m M o r a h a n a j u d a m a reforçar o clima de u m a s o c i e d a d e presa ao p a s s a d o . CA

t U A ( l l c r h t , Hill & Lancaster, Steven)

MARTY

91 min. P & B

Durante a Era de Ouro da televisão, Paddy Chayefsky escreveu a peça para tevê Marty. Ela

l i l l u m a : inglês 1

• So: Delbert M a n n

ProducSo: Harold Hecht ROttlro: I ' a d d y Chayefsky

(1955)

ficou f a m o s a por se concentrar na vida c o m u m de um açougueiro solteiro. Chayefsky e n t ã o t r a n s p ô s o roteiro para a tela g t a n d e c o m Ernest B o r g n i n e no papel principal. D e s d e e n t ã o , M a r t y Pilleti se t o r n o u u m a cause célebre para a busca da felicidade fora dos m o l d e s da c o n f o r m i d a d e e do c o n s e n s o de m e a d o s da d é c a d a de 50.

l i i i o g i a f i a : Joseph LaShelle M i i - . i i . 1 : George B a s s m a n , Harry W . i i i r n , (toy Webb

loni 0:

Vendido c o m o " a história d e a m o r d e u m herói d e s c o n h e c i d o ! " , M a r t y e m o c i o n o u platéias c o m seu enredo sobre um h o m e m que v i v e c o m a m ã e , a matriarca italiana

11 nest Borgnine, Betsy Blair,

clássica. F r e q ü e n t a n d o bares para solteiros c o m seu melhor a m i g o A n g i e (Joe M a n t e l l ) ,

1 I t h e i M l n c l o t t l , Augusta Ciolli, J o e

ele c o n h e c e Clara (Betsy Blair) e os dois c o m e ç a m um ritual de a c a s a l a m e n t o . Angie

1

M . i n h ' l l , Karen Steele, Jerry Paris

logo fica c o m c i ú m e s , e n q u a n t o a Sra. Pilletti (Esther M i n c i o t t i ) c o n f u n d e a q u e s t ã o

Oscar: Harold Hecht ( m e l h o t f i l m e ) , 1 Itlben Mann (diretor), Paddy Chayefsky

c o m pesadelos de a b a n d o n o , m a s M a r t y f i n a l m e n t e vai atrás de Clara, pois gosta dela. Descrito dessa forma, Marty parece u m a c h a t i c e s e m t a m a n h o . P o r é m , c o m o

( r o t e i r o ) , truest Borgnine ( a t o r ) I l i d i r a ç ã o a o O s c a r : J o e Mantell (ator 1 Oldjuvante), Betsy Blair (atriz

retrato do seu t e m p o , e s p e c i a l m e n t e das neuroses do pós-guerra sobre tranqüilidade d o m é s t i c a , o f i l m e t e m um e n o r m e valor sociológico. Deixando de lado as políticas

1 ii.uljuvante), Ted H a w o r t h , Walter

culturais c o n t e m p o r â n e a s , a luta das pessoas solitárias para conquistar a c e i t a ç ã o e

M S l m o n d s , Robert Priestley (direção

a m o r é s e m dúvida um tema poderoso. D a n d o leveza ao filme, esse m o t i v o t a m b é m faz

ill* .11 le), Joseph LaShelle (fotografia)

u m elogio a o m e s m o t e m p o d a vida cotidiana e d a beleza. G C - 0

1 i".i I v a l d e C a n n e s : Delbert M a n n <I1111 •. 1 de Ouro), (Prêmio OCIC)

3111


A PALAVRA (1955) (ORDET) U m a obra extraordinária e, i n d i s c u t i v e l m e n t e , a maior realização d e s t e grande c i n e a s t a , a a d a p t a ç ã o de Carl Theodor Dreyer da peça de Kaj Munk é uma

raridade c i n e m a t o g r á f i c a no s e n t i d o de q u e , c o m os

recursos m a i s simples e s e m qualquer tipo de efeito e s p e c i a l , c o n s e g u e persuadir o espectador de que um milagre pode acontecer. A palavra é sobre os Borgen, uma família de fazendeiros, amorosa e unida, m a s t a m b é m abalada por tensões que provêm de uma série de divergências e adversidades - especialmente o c o m p o r t a m e n t o extravag a n t e de um dos irmãos adultos, a p a r e n t e m e n t e enlouquecido pela dedicação excessiva aos estudos sobre o p e n s a m e n t o religioso. Contudo, n e m todos p e n s a m que J o h a n n e s (Preben Lerdorff Rye) é louco e, quando Inger (Birgitte Federspiel), a esposa de outro Irmão, morre, seu filho pede que ele traga a m ã e de volta - o que, ao final do filme, ele parece fazer. Na verdade, Dreyer deixa a cargo do espectador decidir se a sua ressurreição é u m a q u e s t ã o de mera incapacidade científica de compreender o improvável ou da força da fé. A cena, entretanto, é extraordinariamente poderosa precisamente por ele se recusar a dar explicações e intensificar a carga dramática do filme; ela convence graças a sua própria atmosfera de tranqüilidade, assim c o m o a tudo que a precede. De f a t o , este é, em m u i t o s a s p e c t o s , o f i l m e mais " r e a l i s t a " ou " n a -

^

t u r a l l s t a " sobre o poder da fé, do a m o r ( e m t o d o s os sentidos) e do sobrenatural já realizado. Dreyer a b s t é m - s e de qualquer tipo de t r u c a g e m . Embora as I m a g e n s e m preto-e-branco m i n i m a l i s t a s , p o r é m e x c e p c i o n a l m e n t e belas, d e H e n n i n g B e n d t s e n c o n f i r a m à casa e aos pastos dos B o r g e n um certo resplendor, o r i t m o lento de Dreyer, seus planos longos e direção e n g a n o s a m e n t e simples p o d e m sugerir que o f i l m e é um d r a m a intimista sobre fazendeiros c o m u n s . A p e n a s a voz sedutora de J o h a n n e s pode parecer algo i n c o m u m , m a s ele, no f i m das c o n t a s , não bate b e m da c a beça. Esta é a grandeza de A polovra: q u a n d o o " m i l a g r e " a c o n t e c e , o f i l m e já c o n q u i s -

D i n a m a r c a (Palladium) 126 min. P M i I d i o m a : dinamarquês D i r e ç ã o : Carl Theodor Dreyer P r o d u ç ã o : Carl Theodor Dreyer, I ilk Nielsen, Tage Nielsen R o t e i r o : Kaj M u n k , baseado na p e ç l de sua autoria

t o u nosso respeito por sua integridade - c o m p r e e n d e m o s as pessoas na tela, pois suas F o t o g r a f i a : Henning Bendtsen a t i t u d e s , e m o ç õ e s , p e n s a m e n t o s e d ú v i d a s são c o m o as nossas. E, q u a n d o Inger abre o s olhos n o v a m e n t e , p r o v a v e l m e n t e s e n t i m o s e x a t a m e n t e o m e s m o q u e e l a s : a s s o m bro, felicidade e u m a a d m i r a ç ã o g e n u í n a . Pois, m e s m o que A palavra não consiga nos

M ú s i c a : Poul Schierbeck, Sylvia Schierbeck E l e n c o : H a n n e Agesen, Kirsten

converter à crença religiosa, t e r e m o s ao m e n o s t e s t e m u n h a d o arte c i n e m a t o g r á f i c a de

Andreasen, Sylvia Eckhausen. Bligltti

primeira grandeza. C A

Federspiel, Ejner Federspiel, Emll Hass Christensen, Cay Krlstlansen, Preben Lerdorff Rye, Henrik M a l h e i g , Gerda Nielsen, Ann Elisabeth Rud, O v e Rud, S u s a n n e Rud, Henry SkjNr, Edith Trane F e s t i v a l d e V e n e z a : Carl Theodor Dreyer (Leão de Ouro)


•rança >M

(<>CC, Play Art, Cyme) 98 min.

BOB, 0 JOGADOR

(1955)

(BOB LE FLAMBEUR)

I d i o m a : francês

Bob, o jogador, o quarto l o n g a - m e t r a g e m de J e a n - P l e r r e M e l v i l l e , faz parte de um

D i r e ç ã o : Jean-Pierre Melville

período m u l t o específico da História e da história do c i n e m a . Ele marca um sutil ponto

P r o d u ç ã o : Jean-Pierre Melville

de virada e saboreia esse m o m e n t o . Havia o c i n e m a clássico e o cinema m o d e r n o . Ha-

ROtatro: Auguste Le Breton, J e a n -

via f i l m e s de gângster, c o m é d i a s e retratos do cotidiano. Havia um h o m e m , ainda rela-

Pleiri'Melville

t i v a m e n t e j o v e m para um c i n e a s t a , q u e , c o m 39 a n o s de idade e b a s t a n t e experiência

*

I l i t o g r a f i a : Henri Decaë

de vida, já havia realizado um filme de guerra f a n t a s m a g ó r i c o de incrível intensidade (O

M u s i c a : I ddie Barclay

silêncio do mar), u m a a d a p t a ç ã o de um romance de J e a n C o c t e a u (Les enfants tcrribles)

E l e n c o : Isabelle Corey, Daniel Cauchy,

e um m e l o d r a m a fraco (Quando leres esta carta). M a i s tarde, se tornaria o Tio da n o u -

Kogei Duchesne, Guy Decomble,

velle v a g u e , o m e s t r e francês dos f i l m e s noir, o diretor que p a v i m e n t o u o c a m i n h o para

André Caret, Gérard Buhr, Claude ( r i v a l . Colette Fleury, René Havard, S i m o n e Paris, Howard Vernon, Henry Ail.m

, Germaine A m l e l , Yvette

Aniliaiile, Dominique Antoine

Sergio L e o n e , J o h n W o o e m u i t o s o u t r o s , o d o n o de um e s t ú d i o (que logo foi à falência) e o m a i o r d â n d i do c i n e m a e u r o p e u . P o r é m , na época em q u e s t ã o , Melville estava d e s e n v o l v e n d o a m o d e r n i d a d e da segunda m e t a d e do século XX utilizando as f e r r a m e n t a s da primeira. Bob, o jogador é nostálgico e burlesco, embora repleto de c o m p a i x ã o e u m a a t e n ç ã o apurada e respeitosa a lugares, objetos, palavras e aos s o n h o s que todos t ê m o direito de carregar. C a s s i n o s a s s a l t a d o s , gângsteres de o m b r o s largos, conversa de m a c h o , carros em disparada na noite, traição... está t u d o a q u i ! O f i l m e está interessado no material h u m a n o , em u m a polifonia de vozes e na m e m ó r i a de u m a era de ouro q u e nunca exist i u . É c o m u m dizer q u e grandes filmes são universais e eternos. C o n t u d o , Bob, o jogador é g r a n d e j u s t a m e n t e pelo m o t i v o o p o s t o : ele pertence a u m a época e a um lugar, partindo, d e forma m a i s o u m e n o s c o n s c i e n t e , e m direção a u m f u t u r o c o m p l e t a m e n t e distinto. Embora sua t r a m a Irônica seja I m p o r t a n t e , a essência do filme está na sua beleza e m e l a n c o l i a . C e r t a m e n t e , o m u n d o se t r a n s f o r m o u desde Bob, o jogador. No e n t a n t o , algo foi c a p t u r a d o por ele, c o m o em um globo de vidro, para que p o s s a m o s olhar para trás e n o s l e m b r a r m o s . E não há nada de triste nisso. J - M F

H l


A MORTE NUM BEIJO

(1955)

E U A (Parklane) 106 m i n . P & B

(KISS ME DEADLY)

I d i o m a : inglês

A morte n u m beijo é uma obra-prima casca-grossa, parida a fórceps pelo diretor Robert

P r o d u ç ã o : Robert Aldrich

Aldrlch e pelo roteirista A. I. Bezzerides do romance trash de Mickey Spillanc, filmada c o m

R o t e i r o : Mickey Spillane, A. I.

Direção:

Robert Aldrich

poesia ( " R e m e m b e r M e " , de Chrlstina Rosettl), violência inenarrável (as pernas nuas de

Bezzerides, baseado no livro de

uma mulher se debatendo enquanto é torturada na vagina com um alicate), linguagem

Mickey Spillane

doidona das ruas, personagens estranhos e elementos marginais fantásticos.

F o t o g r a f i a : Ernest Laszlo

Depois de créditos que p a s s a m ao contrário na tela e da I m a g e m de um carro sendo guiado à n o i t e , Clóris L e a c h m a n , nua debaixo de um sobretudo, faz sinal para M i k e H a m m e r (Ralph M e e k e r ) , um detetive particular b r u t a m o n t e s , parar na estrada e o ar-

M ú s i c a : Frank De Vol E l e n c o : Ralph Meeker, Albert Dskker, Paul Stewart, J u a n o Hernandez, W e s l e y Addy, Marian Carr, Marjorie

rasta para u m a t r a m a q u e e n v o l v e e s p i õ e s , arruaceiros, um gênio do c r i m e t ã o etudlto B e n n e t t , Maxine Cooper, Fortúnio que só c o n s e g u e falar em m e t á f o r a s ao m a n d a t u m a louta burra não mexer em algo m o r t a l o s u f i c i e n t e para m a t a r t o d o s ao seu a l c a n c e , a g e n t e s secretos q u e t r o c a m senhas ("Los A l a m o s . . . Trinity... Projeto M a n h a t t a n " ) e u m a pasta c o n t e n d o "o grande

B o n a n o v a , Clóris L e a c h m a n , Gaby Rodgers, Robert Cornthwaite, Nick Dennis, jack Lambert, Jack Elam

s e i - l á - o - q u ê " ( u m a caixa c o m algo flssionável q u e pode ser plutónio puro ou a cabeça da M e d u s a ) . O herói m a l v a d o de M e e k e r ( a t e n ç ã o ao sorriso dele e n q u a n t o tortuta t e s t e m u n h a s Inocentes quebrando discos de ópera insubstituíveis ou f e c h a n d o gavetas c o m força sobre s u a s m ã o s ) abre c a m i n h o aos m u r r o s por um elenco de pervertidos e prostitutas e e n t ã o (pelo m e n o s em a l g u m a s cópias) voa pelos ares c o m u m a n u v e m em forma de c o g u m e l o que s o b e de u m a casa de praia no final a p o c a l í p t i c o b e m no estilo da década de 50, KN

UM CERTO CAPITÃO LOCKHART

(1955)

E U A (Columbia) 104 m i n . Technlcoloi I d i o m a : inglês

(THE MAN FROM LARAMIE)

Direção: Este é o ú l t i m o de u m a série de faroestes extraordinários realizados por A n t h o n y M a n n

Anthony M a n n

P r o d u ç ã o : W i l l i a m Goetz

- logo a n t e s de ele passar para projetos mais a m b i c i o s o s (e talvez m e n o s I n t e r e s s a n -

R o t e i r o : Philip Yordan, Frank llui 1 ,

tes), c o m o Ei Cid (1961) - e j a m e s S t e w a r t , cujos caubóis i m p u l s i o n a d o s pelo m e d o da

baseado no conto de T h o m a s I I Iviin

década de 50 cotrem paralelos aos heróis t i t u b e a n t e s que interpretou para Hitchcock. O

F o t o g r a f i a : Charles Lang

g a n c h o da t r a m a é quase noir, prefigurando Cárter, o vingador (1971), c o m W i l l Lockhart

M ú s i c a : George Dunning

( S t e w a r t ) i n v e s t i g a n d o a m o r t e do seu i r m ã o e e n v o l v e n d o - s e na disputa familiar (nos

E l e n c o : J a m e s S t e w a r t , Arthui

m o l d e s de Rei Lear) de um barão do g a d o cego (Donald Crlsp), cujo filho a d o r a d o (Alex Nicol) é um fracote sádico. As platéias de 1955 ficaram c h o c a d a s c o m a cena em que Nicol m a n d a s e u s lacaios segurarem S t e w a r t e retribui um f e r i m e n t o a t i t a n d o na m ã o

Kennedy, Donald Crisp, Cathy O'Donnell, Alex Nicol, Aiine M a c M a h o n , Wallace Ford, Jack I I . i m John War Eagle, J a m e s Millican,

do herói à q u e i m a - r o u p a . Gregg B a r t o n , Boyd S t o c k m a n . 1 i.ml O c a p a t a z Vic Hansbro (Arthur K e n n e d y ) é - c o m o no faroeste anterior de M a n n , E

DeKova

o sangue semeou a terra - q u a s e t ã o m a c h ã o q u a n t o o herói, m a s acaba se m o s t r a n d o seu e q u i v a l e n t e d e m o n í a c o , i m p u l s i o n a d o pelo rancor em relação à família de cujo rancho cuida, m a s que j a m a i s herdará graças a um negócio sujo e n v o l v e n d o a venda de a r m a s para a p a c h e s r e n e g a d o s . Um certo capitão Lockhart é u m a

história tensa e

trágica, c o m u m a inesquecível c a n ç ã o - t e m a (com seu verso " O O e s t e j a m a i s verá u m h o m e m c o m t a n t a s m a r c a s na sua a r m a " , em referência ao c o s t u m e de se dar um t a l h o na pistola a cada h o m e m m o r t o c o m ela), o habitual tato de M a n n em relação ã maneira c o m o h o m e n s desesperados e obsessivos se r e l a c i o n a m e u m a paisagem a m e a ç a d o r a q u e enfatiza seus estados psicológicos extremos. K N

;i I


JUVENTUDE TRANSVIADA (1955) (REBEL WITHOUT A CAUSE) M u i t a s vezes este clássico popular é i n c o n s c i e n t e m e n t e c o n d e n a d o ao elogio d i m i n u tivo de ser o melhor dos três l o n g a s - m e t r a g e n s estrelados por j a m e s Dean durante sua vida t r a g i c a m e n t e curta. No e n t a n t o , juventude transviada continua sendo, c o m v a n t a g e m , o melhor filme da década de 50 a lidar c o m o então novo f e n ô m e n o da delinqüência j u v e n i l . Ele é t a m b é m uma obra essencial de Nicholas Ray, um diretor I m e n s a m e n t e t a l e n t o s o e especial q u e , infelizmente, continua sendo tão s u b e s t i m a d o q u a n t o na época e m q u e trabalhava e m H o l l y w o o d . "Vocês estão me destruindo!", grita o j i m Stark de Dean c o m os pais que v i v e m brigando, dando voz à confusão e alienação angustiante de tantos dos protagonistas de Ray. Desde o seu primeiro filme. Amarga esperança (1949), o diretor lidou de forma recorrente c o m a classe solitária dos outsiders dos Estados U n i d o s , mostrando simpatia especial pelos jovens vulneráveis q u e b u s c a v a m orientação de uma geração mais velha I l i f t (W.iiner Bros.) ill min. W.ll I H ' H llllll Idl

que não era mais sábia ou mais feliz do que eles próprios, jim se desilude com sua família, c o m seus professores, c o m a polícia e c o m a maioria de seus amigos. Sua busca cons-

.1 ingles

tante por diversão é tão irresponsável (embora m e n o s condenável, dada sua juventude)

Dlrncao: Nicholas Ray i'i"'lin.io: David Weisbart Rotelro: Nicholas Ray, Irving Minimal). Stewart Stern

quanto a recusa dos adultos em encarar dilemas morais. J u n t o c o m outras almas perdidas, Judy (Natallc W o o d ) e Plato (Sal M l n e o ) , J i m tenta estabelecer sua própria família alternativa, baseada em compreensão m ú t u a . Não é de surpreender que o trio aproximado pela morte absurda de um amigo levado pelo tédio a provar seu valor em um

m u m . , i : I ronard Rosenman " r a c h a " no topo de um penhasco e unido por noções Idealistas de "sinceridade" - vivesse I I n n ii I

••, I lean, Natalie W o o d .

'..il Mlneo, J i m Backus, A n n Doran, i prty Allen, William Hopper, Rochelle

em uma casa abandonada nas colinas de Los Angeles, b e m longe das outras pessoas. A solução que Ray encontrou para retratar o idealismo romântico de seus jovens so-

Hudson, Dennis Hopper, Edward

nhadores é admirável e alegremente física. O filme seria originalmente preto-e-branco,

Mm

m a s Ray convenceu os Irmãos Warner a deixá-lo filmar em cores. Os tons muitas vezes es-

Steffi Sidney, Marietta Canty,

H - n i l . i Brlssac, Beverly Long, Ian

plendorosamente expressionistas de Ray e suas composições cheias em CinemaScope evo-

Willie

India I C l O ao Oscar:

c a m a natureza febril da adolescência. Da mesma forma, Ray usa a arquitetura e os cenáNicholas Ray

( i n l e l m ) , Sal Mlneo (ator coadjuvante), riii Mm W o o d (atrlz coadjuvante)

rios, principalmente a diferença entre o espaço público e o privado, para aumentar nossa compreensão das emoções dos personagens. A escuridão de dentro de um planetário se torna um espaço de piadas íntimas, refúgio e fantasias, até m e s m o de contemplação do lugar do Indivíduo no cosmos. O terraço do lado de fora se transforma mais tarde, através de uma câmera posicionada no alto, em uma arena Iluminada pelo sol na qual uma luta de facas semelhante a uma tourada é encenada com gestos apropriadamente histriónicos. Ray compreende como, especialmente na juventude, vemos nossas vidas como um drama, a ' - »

sua sensibilidade Imaculada para cores, composição, c o n e s , iluminação e direção de atores eleva a Importância da ação. Um dos motivos que fez c o m que ele e Dean fossem perfeitos um para o outro é que era não só o estilo do ator, mas todo seu corpo que dava vida dramática à turbulência Interna. Assistir ao J i m de Dean é ver um personagem nascer, crescendo a cada instante diante dos nossos olhos. Isso, é claro, combina com o t e m a de juventude transviada, mas t a m b é m complementa a direção de Ray quanto à precisão com a qual ele expressa fisicam e n t e a atormentada vitalidade dos seus personagens. A s s i m , é uma tristeza que os projetos nos quais Ray e Dean planejaram trabalhar juntos j a m a i s t e n h a m sido realizados. Um só grande filme teve q u e bastar. GA


i U A (Allied Artists) roo m i n . P & B

CIDADE DO VICIO

(1955)

I d i o m a : inglés

(THE PHENIX CITY STORY)

Dlrcc.io: Phil Karlson

Cidadãos decentes t r a v a m uma guerra sangrenta para expulsar a marglnália que deu à

l ' i o d u c á o : S a m u e l Bischoff, David

cidade do Alabama o título de " C i d a d e do Pecado, EUA". Baseado em fatos reais e filmado

Diamond

em locação. Cidade do vicio, de Paul Karlson, relaclona-se com certas tendências do pós-

R o t e i r o : Daniel M a i n w a r i n g , Crane Wilbur

'

Fotografía: Harry N e u m a n n

guerra, c o m o o semidocumentário, a denúncia da corrupção urbana e o filme degãngster, porém n e n h u m desses rótulos faz justiça ao extraordinário poder visceral do filme. Embora sua violência gráfica fosse algo p r a t i c a m e n t e s e m precedentes em Holly-

M ú s i c a : Harry S u k m a n l l r n c o : John Mclntire, Richard Kiley, r ii In v i i G i a n t , Edward A n d r e w s , 1

ni i Peterson, Biff M c G u i r e , Truman

I

I i , lean Carson, Katby M a r l o w e , 1

I 'l 1 1 1 I in h, Allen Nourse, Helen f i.

i. o i i o Hulett, George Mitchell,

w o o d , o q u e torna este f i l m e de baixo o r ç a m e n t o e feito para chocar v e r d a d e i r a m e n t e i n o v a d o r é o r e c o n h e c i m e n t o de q u e n o v o s c o n t e ú d o s exigem n o v a s f o r m a s . A cidade do vício é um filme p r o p o s i t a l m e n t e feio, repleto de caipiras feios, e s p e l u n c a s feias, e n q u a d r a m e n t o s feios (no sentido de que d e s d e n h a m as c o n v e n ç õ e s de u m a " b o a " c o m posição) e violência feia, não estilizada. O cadáver de uma garotinha de óculos é atirado em um g r a m a d o s u b u r b a n o , um velho aleijado leva um tiro à q u e i m a - r o u p a na boca, os

M.l h r a t h i e h a b i t a n t e s da cidade são feridos e a l v e j a d o s c o m u m a regularidade de c a m p o de b a t a l h a . As atrocidades ou são esfregadas de forma abrupta nas nossas caras, ou m a n tidas a u m a distância d e s n o r t e a n t e , c o m o se s u p e r a s s e m a c a p a c i d a d e do f i l m e de representá-las a c o n t e n t o . M u i t o s filmes retrataram a violência de forma mais explícita e elaborada desde e n t ã o , m a s poucos t r a n s m i t i r a m a sua força caótica c o m u m a crueza t ã o Inteligente. M R

• S u é c l a (svensk) 108 m i n . P8cB I d l o m a : sueco D l r e ç J o : Ingmar Bergman

SORRISOS DE UMA NOITE DE AMOR

(1955)

(SOMMARNATTENS LEENDE)

l ' i o d i i ç . i o : Allan Ekelund

O primeiro sucesso internacional de I n g m a r B e r g m a n pode parecer, em retrospecto,

i i o i c i i o : Ingmar Bergman

u m a a n o m a l i a e m sua carreira. E m e n t r e v i s t a s , B e r g m a n a f i r m o u m u l t a s vezes não ter

F o t o g r a f i a : G u n n a r Fischer

talento para c o m é d i a , e s u a s incursões posteriores no gênero - O o/ho do diabo (1960) e

M u s l c a : I lik Nordgren

Para não faiar de todas essas mulheres (1964) - pareceriam c o n f i r m a r este s e n t i m e n t o .

E l c n c o : Ula J a c o b s o n , Eva Dahlbeck,

C o n t u d o , em Q u a n d o as mulheres esperam (1952) e, e s p e c i a l m e n t e , em Uma lição de

I l u i ni Andersson, Margit Carlqvist,

amor (1954), ele e n c o n t r o u u m a fórmula b e m - s u c e d i d a para c o m é d i a s espirituosas e

I . H I H I . H Björnstrand,Jarl K u l l e , Â k e I rldell, Björn Bjelfvenstam, Naima

sofisticadas c o m os dois excelentes atotes G u n n a r Bjõrnstrand e Eva Dahlbeck (carinhos a m e n t e c h a m a d a pelo diretor de "O Encotiraçado F e m i n i l i d a d e " ) c o m o um casal de

Wtfltrand, Julian Kindahl, Gull m e i a - i d a d e q u e a t o t m e n t a a l e g r e m e n t e u m a o outto. N.iloip. Biigitta Valberg, Bibi Andi'isson

Sorrisos de uma noite de amor é u m a v a r i a ç ã o dessa f ó r m u l a , transposta para u m a comédia m o r a l passada no século X I X e c o m um enredo teatral a l t a m e n t e influenciado

I r s t l v . i l d e C a n n e s : Ingmar Bergman

por Sonhos de uma noite de verão, de S h a k e s p e a r e . A q u i , o p e r s o n a g e m de Bjõrnstrand

(ptihnlo de h u m o r poétlco) é um filisteu de m e i a - i d a d e e o de Dahlbeck é u m a atriz e n v e l h e c i d a . A m b o s são v a i d o s o s e e g o í s t a s , v i v e n d o r e l a c i o n a m e n t o s distintos que se m o s t r a r a m ainda m a i s frustrantes do q u e o caso anterior dos dois. C o m a ajuda de um v i n h o afrodisíaco e do crepúsculo m á g i c o de uma noite de v e r ã o , os verdadeiros s e n t i m e n t o s deles - e de s e u s cônjuges - são revelados. P o r é m esse n o v o equilíbrio de c o m p l a c ê n c i a burguesa seria p o s t e r i o r m e n t e a b a l a d o de forma v i n g a t i v a por B e r g m a n em s u a s v i s õ e s infernais do c a s a m e n t o e da crise de m e i a - i d a d e em Cenas de um casamento (1973) e Da vida das marionetes (1980). MT


NOITE E NEBLINA (1955)

F r a n ç a (Argos) 32 min. P & B / Cor

(NUIT ET BROUILLARD)

I d i o m a : francês

A d o c u m e n t a ç ã o da d e s u m a n i d a d e do h o m e m é, por si só, u m a história a n t i g a . Ainda

D i r e ç ã o : Alain Resnais

assim, ela mal serviu para preparar o m u n d o para as atrocidades e s p e c í f i c a s do H o l o t austo, u m a série de e v e n t o s orquestrados tão horrível que ainda c o n f u n d e a m e n t e . Ciente de c o m o o passar do t e m p o c o s t u m a diluir as m e m ó r i a s , por m a i s poderosas que s e j a m , o c i n e a s t a Alain Resnais (que p o s t e r i o r m e n t e a l c a n ç o u m a i o r d e s t a q u e c o -

P r o d u ç ã o : Anatole D a u m a n , Samy Halfon, Phillppe Llfchitz R o t e i r o : J e a n Cayrol F o t o g r a f i a : Ghlslaln Cloquet, Sacha Vlerny

mo diretor de longas c o m o Hiroshiina, meu a m o r e Ano passado em Marienbad) decidiu i apturar as atrocidades dos nazistas em película, se não para a posteridade, c e r t a m e n -

M ú s i c a : H a n n s Eisler E l e n c o : Michel B o u q u e t , Reinhaid

te c o m o um lembrete duradouro do que s o m o s capazes de fazer u n s c o m os o u t r o s . Heydrich, Heinrich Himmler, Atlnll O primeiro f i l m e a abordar de fato o H o l o c a u s t o em u m a época em q u e a S e g u n d a

Hitler, Jullus Strelcher

Guerra M u n d i a l ainda produzia â n i m o s exaltados, e s p e c i a l m e n t e na E u r o p a , Noite c neblina sobrepõe material de arquivo em preto-e-branco de c a m p o s de c o n c e n t r a ç ã o e de suas v í t i m a s c o m i m a g e n s pastorais coloridas dos prédios e localidades 10 a n o s depois. Revelando a Intensidade da d e s c o n f i a n ç a e da n e g a ç ã o q u e existia m e s m o u m a década depois da queda do Terceiro R e i c h , Resnais utilizou i m a g e n s de arquivo da França, da Bélgica e da Polônia, m a s , c l a r a m e n t e , não da A l e m a n h a . Ele m o s t r o u que m u l t a s pessoas envolvidas c o m os c a m p o s de extermínio não s a b i a m c o m o lidar c o m a própria culpa e c u m p l i c i d a d e ou não q u e r i a m fazê-lo. A n e g a ç ã o é a mola propulsora de Noite c neblina. Resnais inclui i m a g e n s de arquivo dos m o r t o s s e n d o j o g a d o s aos m o n t e s e m c o v a s coletivas, cadáveres p e n d u r a d o s e m cercas d e a r a m e farpado, rostos e m a g r e c i d o s c o n g e l a d o s d e m e d o , corpos n u s e s q u e léticos sendo enfileirados para sofrerem h u m i l h a ç õ e s e trens e c a m i n h õ e s transportando s a b e - s e lã o quê para sabe-se lá o n d e . Ele d o c u m e n t a as c â m a r a s de gás e c r e m a tórios, a s s i m c o m o as t e n t a t i v a s grotescas dos nazistas de encontrar utilidade para os objetos pessoais d e s c a r t a d o s , o s s o s , pele e corpos de suas v í t i m a s . R e s n a i s , nas f i l m a g e n s de sua autoria, observa que esses c a m p o s de c o n c e n t r a ç ã o não f i c a v a m e m postos a v a n ç a d o s isolados, m a s f r e q ü e n t e m e n t e próximos d e cidades g r a n d e s , sugerindo que todo o ocorrido se d e u c o m pelo m e n o s u m a parcela de c u m plicidade por parte dos civis. Ainda a s s i m , m e s m o os nazistas responsáveis pelos c a m p o s n e g a m ter culpa. U m após outro, eles a f i r m a m : " N ã o sou responsável." M a s , s e eles não s ã o , pergunta o f i l m e , q u e m o é? Noite e neblina está mais preocupado em atribuir culpa coletiva do q u e acusar q u a l quer figura específica. M e s m o t ã o pouco depois da guerra, Resnais percebeu que a natureza fugaz d a m e m ó r i a a m e a ç a v a apagar o s horrores nazistas. " U m c r e m a t ó r i o pode ser t ã o bonito q u a n t o um c a r t ã o - p o s t a l " , observa o narrador. " H o j e em dia, turist a s t i r a m fotos d i a n t e deles." Trabalhando c o m o roteiro de J e a n C a y r o l , um sobrev i v e n t e do H o l o c a u s t o , e c o n t a n d o c o m u m a trilha sonora e s t r a n h a m e n t e singela de H a n n s Eisler ( u m marxista e exilado a l e m ã o q u e foi deportado dos E s t a d o s U n i d o s d u r a n t e o expurgo c o m u n i s t a de H o l l y w o o d ) , Resnais deixa as I m a g e n s a c u m u l a d a s de m o r t e e terror servirem de vívida r e f u t a ç ã o a qualquer pessoa que volte a dar as costas a esse tipo de atrocidade. S e , no f i m d a s c o n t a s , o breve, porém poderoso, Noite e neblina se aproxima da forma concisa de um c a r t ã o - p o s t a l , ele é um c a r t ã o - p o s t a l q u e t r a n s m i t e u m a m e n s a g e m e t e r n a m e n t e válida - o mal s e m p r e pode ressurgir. J K I

11/


I H A (Paul Gregory, United Artists) 93min. P&B

0 MENSAGEIRO DO DIABO

(1955)

(THE NIGHTOF THE HUNTER)

I d l o m a : inglês D i l e t .10: Charles L a u g h t o n l ' i o d u ç . i o : Paul Gregory

Baseado no romance curto e violento de Davis Ctubb, o único filme de Charles Laughton c o m o diretor é uma fábula passada durante a Depressão sobre psicose e fé, impres-

K n t r i r o : James Agee, baseado no

s i o n a n t e m e n t e sinistra e, ainda assim, profundamente h u m a n a . Contada em sua maioria

llviii de Davis G r u b b ,

do ponto de vista de crianças, a história tem a simplicidade de um conto de fadas, embora

F o l o g r a f i a : Stanley Cortez

fervilhe de problemas adultos. O estopim é um dinheiro escondido roubado pelo bandido

M u s i c . 1 : Walter S c h u m a n n

pobretão Ben Harper (Peter Craves) e confiado a seus filhos John (Billy Chaplin) e Pearl (Sally

t l r n c o : Robert M i t c h u m , Shelley

J a n e Bruce), o que torna Willa (Shelley Wlnters), a viúva desesperada de B e n , objeto de

W i m r r . . Lilian Gish, J a m e s Gleason,

desejo de um dos mais inesquecíveis vilões do cinema. O "reverendo" Harry Powell

1

velyn Varden, Peter Graves, Don

llddoe, Billy Chaplin, Sally Jane I

, 1 iloria Castillo

(Robert M i t c h u m ) , em vestes clericais preto-e-branco e com um chapéu estilo puritano cujas abas se enrolam no formato de dois chifres de aspecto demoníaco, é associado à Bíblia e a um canivete. C o m as palavtas " a m o r " e " ó d i o " tatuadas nos nós dos dedos, seu sermão consiste em um discurso alegórico sobre essas forças em conflito, que ele ilustra em uma queda-de-braço contra si m e s m o . O cortejo de Willa por parte de Powell é tenso, e ele engana a mulher (que acaba sendo serenamente afogada), m a s não as crianças, que fogem depois do assassinato com o dinheiro escondido dentro da boneca da menininha. M i t c h u m interpreta aqui um vilão comprometido com seu ofício, fazendo hora-extra como serial killer de mulheres liberadas, mas sexualmente obcecado pelo dinheiro, do qual acredita precisar para custear sua cruzada sangrenta. A fuga noturna rio abaixo, com sua fotografia monocromática expressionista, é uma seqüência mágica, com d o s e s de uma estranha fauna e flora pantanosa. C o m o binômio Amor/Ódio transmitido de forma tão poderosa, O mensageiro do diabo precisava de uma força para representar o B e m e o Amor. Laughton conseguiu convencer Lilian Gish a abandonar sua semi-aposentadoria para interpretar Rachel, uma mulher bondosa cuja fazenda está de portas abertas para as crianças fugitivas. Como uma serpente no Éden, Powell ameaça o idílio de Rachel, usando seu charme repulsivo com uma das garotas mais velhas para entrar na fazenda. Em um extraordinário clímax de cerco, o cantarolar ameaçador de M i t c h u m é acompanhado e completado por Gish, que conhece a letra inteira ("Confie em Jesus") e acrescenta sua voz à dele, expulsando sua escuridão no c a m p o auditivo antes de ele ser derrotado de fato. KN


• M C I /

li i

Alemanha

Ocidental

la, G a m m a , Oska-Fllm) no m i n .

Eastmancolor

Idioma:

LOLA MONTES

(1955)

(LOLA MONTÊS) Nascido na A l e m a n h a , naturalizado f r a n c ê s , v i e n e n s e por u m a sensibilidade q u e o

francês/ i n g l ê s / alemão a c o m p a n h o u por t o d a a v i d a , Max O p h ü l s era a escolha perfeita para f i l m a r a vida de

D l r c ç J o : Max Ophuls P i m l u ç ã o : Albert Caraco M O I I - I U I : Max Ophuls,,Annette W.iileni.in, J a c q u e s N a t a n s o n , I I

ido no livro La vie extraordinaire

Lola M o n t e s , u m a das grandes femmes fatales c o s m o p o l i t a s da história. M o n t e s , exímia dançarina e cortesã, protagonizou u m a série de e s c â n d a l o s pela Europa de m e a d o s do século X I X , incluindo entre s e u s v á r i o s a m a n t e s Franz Llszt e o rei da Bavária. O f i l m e de O p h ü l s , s e u ú l t i m o (e o único colorido), não é u m a cinebiografla c o n v e n -

jf| Lo/o Montês, de Cecil Saint-Laurent

c i o n a l . Em vez disso, ele elabora u m a luxuosa extravagância barroca, parte circo, parte

Fotografia: Christian Matras

cortejo, repleta de f l a s h b a c k s , e faz sua c â m e r a n o t o r i a m e n t e m ó v e l passear pelas

M u s i c a : Georges Aurlc

c o m p l e x a s d e c o r a ç õ e s . No p a p e l - t í t u l o , M a r t i n e Carol oferece u m a interpretação t a c i -

U l m c o : Martine Carol, Peter Ustinov,

turna e e m o c i o n a l m e n t e c h a p a d a . No e n t a n t o , apesar de t o d a s as suas l i m i t a ç õ e s ,

Anton w.ilbrook, Henri G u i s o l , Lise i >,T.1111.11,'. Paulette Dubost, Oskar i"

lean C a l l a n d , Will Quadflleg,

Carol se encaixa no conceito de O p h ü l s . C o m o s e m p r e , seu interesse está no a b i s m o entre o ideal do a m o r e sua realidade falha e d e s e n c a n t a d a . Sua Lola é a p e n a s u m a tabula rasa passiva em q u e os h o m e n s projetam s u a s f a n t a s i a s . S e u destino final c o m o

HCIrna M a n s o n , G e r m a i n e Delbat, i ail 11

d. Jacques Fayet, Friedrich

lionilii, Werner Flnck

u m a a t r a ç ã o de circo que v e n d e beijos por um dólar reduz sua profissão à sua lógica m a i s b r u t a l . Lola M o n t e s , um fl/m m a u d i t clássico, foi retalhado pelos seus distribuidores e , durante m u i t o t e m p o , e s t e v e disponível a p e n a s e m u m a versão t r u n c a d a , porém u m a cópia recém-restaurada nos permite apreciar o c a n t o de cisne de O p h ü l s em t o d o o s e u p u n g e n t e esplendor. PK

I U A ( M ( , M ) '|K m i n . Eastmancolor I d i o m a : ingles

PLANETA PROIBIDO (1956) (FORBIDDEN PLANET)

I H i r ç . t o : I led M . Wllcox I ' , , I , l , , , . 1 0 : Nicholas Nayfack l u a , n u living Block, Allen Adler, 1 vill H u m e I

i ' . I . i l l a : George J . Folsey

M I E . I , .1 Bebe Barron, Louis Barron I Itnco Waller Pldgeon, Anne Francis, I e-.lie N i e l s e n , Hobby, o Robô, Warren 5 | . H k Kelly, Richard Anderson,

Esta pérola da ficção científica dos a n o s 50 dirigida por Fred M. Wilcox, f i l m a d a a m b i c i o s a m e n t e em C i n e m a s c o p e , não d e v e nada à paranóia relacionada ao m a c a r t h l s m o da época c o m invasores hostis do e s p a ç o sideral, m a s deve m u i t o ao enredo de A t e m pestade, de W i l l i a m S h a k e s p e a r e , e à premissa psicológica sofisticada de q u e os m o n s t r o s m a i s perigosos são a q u e l e s q u e se e s c o n d e m dentro d o s i m p u l s o s primitivos do s u b c o n s c i e n t e . U m a m i s s ã o liderada pelo c o m a n d a n t e J o h n J . A d a m s (Leslle Nielsen) a o planeta Altair 4, para descobrir o que a c o n t e c e u c o m u m a expedição da Terra da qual n ã o se

I . n i I lulllman, George W a l l a c e ,

t e m notícia há d é c a d a s , descobre q u e os únicos s o b r e v i v e n t e s da colônia são o

Unheil i m , J i m m y T h o m p s o n , J a m e s

cientista genial e a r r o g a n t e Edward M o r b i u s ( W a l t e r Pidgeon) e sua filha Altaba ( A n n e

I H i n v , H a i l y Harvey Jr., Roger M c G e e , IVIei

Francis), nascida em m e l o à natureza, c o m s u a s m i n i s s a i a s p r o v o c a n t e s . Os dois são

Mlllel servidos por um d o s m a i s queridos p e r s o n a g e n s m e t á l i c o s do c i n e m a , o versátil e

I , n i e j ç A o a o O s c a r : A. Arnold

• a l l i ' s p i r , living G. Ries, Wesley C. M l l l e i (eleitos especiais)

prestativo Robby, o Robô. O doutor M o r b i u s e n c o n t r o u as i m p r e s s i o n a n t e s r u í n a s da antiga civilização extinta dos Krell, e mexer c o m suas m a r a v i l h a s t e c n o l ó g i c a s faz c o m q u e a d e s t r u i ç ã o recaia sobre t o d o s e l e s . Efeitos extraordinários (entre eles os " m o n s tros do i d " que são libertados), o f a s c i n a n t e complexo s u b t e r r â n e o dos Krell e u m a trilha sonora sinistra e inovadora de t o n s eletrônicos são a l g u m a s das delícias de um film e m u l t o c i t a d o que Inspirou v á r i a s das ficções c i e n t í f i c a s posteriores q u e e s p e c u l a m sobre c o m o a tecnologia pode destruir s e u s usuários. AE


A HARPA DA BIRMÂNIA (1956) (BIRUMA NO TATEGOTO)

J a p ã o (Nikkatsu) 116 m i n . P & B I d i o m a : japonês D i r e ç ã o : Kon Ichikawa

Embora Akira K u r o s a w a possa ser o cineasta j a p o n ê s mais f a m o s o no O c i d e n t e , seu

P r o d u ç ã o : M a s a y u k i Takaki

c o n t e m p o r â n e o K o n Ichikawa d e m o n s t r o u o m e s m o t a l e n t o e m , literalmente, dezenas

R o t e i r o : Natto W a d a , baseado no

de f l m e s , d e n t r e eles A harpa da Birmânia, sua elegia à inocência perdida. C o m e ç a n d o

livro de Michio Takeyama

no f i m da S e g u n d a Guerra M u n d i a l , o c a p i t ã o I n o u y e (Rentaro M i k u n c ) lidera seu pelo-

F o t o g r a f i a : Minoru Yokoyama

tão até a B i r m â n i a c o m u m a saudável mistuta de disciplina e a u l a s de m ú s i c a . Tendo

M ú s i c a : Akira Ifubuke

e n s i n a d o seus soldados a lutar, m a s t a m b é m a cantar, eles sâo um c o n j u n t o estranho de recrutas q u e a c a b a m indo de encontro ao Dia do Armistício. Presos em c a m p o de d e t e n ç ã o inglês e n q u a n t o a g u a t d a m a r e p a t r i a ç ã o , eles

E l e n c o : Rentaro M i k u n e , Shôji Y.isin, J u n H a m a m u r a , Takeoshi NaltÔ, t 0 Nishímura, Hiroshi Tschuikata, Sanpei M i n e , Yoshitaki Kato, Sojlro

o u v e m boatos sobre um grupo Isolado de j a p o n e s e s que se recusam a se render. C o m o A m a n o , Yôji N a g a h a m a , Eiji o tocador de harpa de I n o u y e e centro da vida espiritual do seu p e l o t ã o , M i z u s h l m a (Shôji Yasul) se ofetece para a c a l m a r os â n i m o s dos soldados em vez de deixá-los morrer em um a t a q u e de artilharia. Inabalada pelas súplicas, a força entrincheirada é morta e M i z u s h i m a é d a d o c o m o perdido, e m b o r a , graças a boatos, o pelotão c o n t i n u e a c r e ditando na sua sobrevivência.

N a k a m u r a , Shojiro Ogasawara, Tomoko Tonai, Tatsuya M i h a s h i , Yonosuke Ito I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Japão (melhoi filme estrangeiro)

O que se s e g u e é u m a jornada c o m o v e n t e à medida que M i z u s h i m a desperta do

F e s t i v a l d e V e n e z a : Kon Ichikawa

a t a q u e , ferido e c o m m e d o . Auxiliado por c a m p o n e s e s , ele c o m e ç a a voltar para

(Prêmio OCIC - menção honrosa),

I n o u y e , porém descobre aos poucos um propósito m a i s elevado. Vestido de m o n g e

indicação (Leão de Ouro)

budista, ele passa a enterrar os m o r t o s da guerra e s p a l h a d o s pelo S u d e s t e da Ásia s e m cerimônias funerárias ou m e n s a g e n s de despedida para seus lares. Ele reconhece a necessidade do luto, m a s t a m b é m sabe q u e a paz se baseará em a t e n ç ã o m ú t u a e lealdade p e s s o a l , de m o d o q u e renega sua vida pregressa para c a m i n h a r pelo m u n d o fazendo p e q u e n o s serviços o n d e eles são necessários. S u b s e q ü e n t e m e n t e , seus c a m i n h o s se c r u z a m várias vezes c o m os de I n o u y e , m a s ele f i n a l m e n t e explica sua c a u s a c o m o u m a última h o m e n a g e m aos m o r t o s , s e j a m eles inocentes o u c u l p a d o s , bons o u m a u s , pois é sobre os o m b r o s deles q u e o futuro se erguerá. U m a lufada de s e n t i m e n t o caloroso em um cenário m a c a b r o , A harpa da Birmânia retém cada partícula de dignidade associada à gentileza e à b o n d a d e . A própria Birmânia se torna u m a c o a d j u v a n t e passiva, porém a idéia de renovação espiritual, apresentada s e m d o g m a t i s m o ou i m p u l s o s proselitistas, gera um agradável epílogo aos horrores da S e g u n d a Guerra M u n d i a l nesta obra-prima precoce de I c h i k a w a . G C - Q


RASTROS DE ÓDIO

nsse)

(THE SEARCHERS) Rastros de ódio c o m e ç a c o m o plano de u m a paisagem de deserto vista de dentro de u m a casa. A l g u é m se aproxima m o n t a d o em um cavalo. É E t h a n Edwards ( J o h n W a y n e ) , v o l t a n d o da Guerra Civil para a fazenda do irmão no Texas. Através de u m a série de olhares e g e s t o s , p e r c e b e m o s q u e E t h a n está apaixonado pela m u l h e r do I r m ã o , M a r t h a (Dorothy J o r d a n ) . No dia seguinte, ele parte c o m um grupo de Texas Rangers em busca de índios q u e h a v i a m roubado a l g u m a s c a b e ç a s de g a d o . E n q u a n t o está a f a s t a d o , c o m a n c h e s a t a c a m a fazenda, m a t a n d o o Irmão e a c u n h a d a de E t h a n e raptando suas d u a s filhas. Por todo o resto do filme, em atos que se passam em um período de cinco a n o s , E t h a n e M a r t i n (Jcffrey Hunter), seu c o m p a n h e i r o de s a n g u e indígena, cruzam o O e s t e em busca das garotas. C o m o J o h n Ford t r a n s f o r m o u esse enredo simples em um dos maiores faroestes de t o d o s os t e m p o s ? Em primeiro lugar, há o cenário. Ford rodou m u i t o s faroestes no M o n u m e n t Valley, u m a região desolada na fronteira entre U t a h e Arizona. As rochas de arenito erodldas são um espetáculo extraordinário, e o olho clínico de Ford para c o m p o s i ç õ e s as Investe de u m a aura especial. O próprio t a m a n h o da paisagem faz as figuras h u m a n a s parecerem e s p e c i a l m e n t e vulneráveis e a vida dos colonos t e x a n o s , precária. C o m o é possível tirar s u s t e n t o de um lugar t ã o Inculto e árido? No coração da história, e n t r e t a n t o , está a figura de E t h a n Edwar ds. Na interpret a ç ã o de W a y n e , E t h a n é um colosso, devastador e I n d o m á v e l . C o n t u d o , ele t e m um defeito trágico. E t h a n é devorado por seu ódio aos índios e fica claro q u e sua busca é Impulsionada por um racismo I m p l a c á v e l . S u a I n t e n ç ã o , c o n f o r m e percebe M a r t i n , não é resgatar Debble (Natalie W o o d ) , sua sobrinha sobrevivente, m a s assassiná-la. Na vi são de E t h a n , ela se c o n t a m i n o u de forma irremediável pelo c o n t a t o c o m seus raptores c o m a n c h e s . Aos poucos, percebemos que Scar (Henry B r a n d o n ) , o c h e f e c o m a n c h e , funciona c o m o u m a espécie de espelho de E t h a n . Ao estuprar M a r t h a antes de m a t á - l a , Scar executou um terrível simulacro do ato que E t h a n , em segredo, sonhava cometer. A s s i m , a ânsia deste último em m a t a r Scar e Debbie nasce da sua necessidade de destruir seus próprios desejos ilegítimos. A verdadeira genialidade de Rastros de ódio está no fato de ele conseguir m a n t e r a simpatia dos espectadores por E t h a n , apesar de ele ser um racista homicida. Ao fazê-lo, a fita gera u m a reação multo mais complexa e produtiva do que a maioria dos filmes liberais desse filão, c o m o Flechas de fogo (1950). Em vez de pregar u m a m e n s a g e m , Ford nos conduz para as complexidades da experiência americana c o m a diferença racial. Há vários outros prazeres pelo c a m i n h o , entre eles u m a trilha sonora maravilhosa de M a x Stelner e m u i t o h u m o r a cargo de m e m b r o s da S o c i e d a d e A n ô n i m a J o h n Ford, c o m o Harry Carey Jr., Ken Curtis, Hank W o r d e n e W a r d B o n d . Vera Mlles está excelente c o m o Laurle, a namorada de M a r t y , cuja m ã e é interpretada por Olive Carey, viúva do primeiro astro do faroeste de Ford, Harry Carey. Em 1992, Rastros de ódio foi v o t a d o o quinto melhor f i l m e de todos os t e m p o s em u m a e n q u e t e c o m críticos de c i n e m a de vários países promovida pela revista Sight & Sound. É u m a honra e t a n t o , m a s o f i l m e de Ford faz j u s a ela. EB


F r a n ç a ( G a u m o n t , Nouvelles Éditions} I l min. p & b •

a: llancés

UM CONDENADO A MORTE ESCAPOU (1956) (UN CONDAMNÉ À MORT S E S T ÉCHAPPÉ OU LE VENT SOUFFLEOÜILVEUT)

U h r ç . l o : Robert Bresson Se a l g u é m precisar ser c o n v e n c i d o das alegrias e r e c o m p e n s a s do m i n i m a l i s m o no c i F i o d u ç â o : Alain Poiré, Jean Th u il Mer n e m a , Um condenado à morte escapou é o melhor lugar para se começar. Boa parte dele lotllro: Robert Bresson, baseado n o llvio de inemôrias de André Devigny P o t o f t r . i f l a : Léonce-Henri Burel • w o . i . .1 n a o o r i g i n a l : W o l f g a n g •Aiii.idcus Mozart l l i n c o : François Leterrier, Charles Le : l.ilm he, Maurice Beerblock, Roland

mostra F o n t a i n e (François Leterrier) sozinho em sua cela, fazendo c o n t a t o c o m s e u s colegas prisioneiros, c a v a n d o l e n t a m e n t e seu c a m i n h o para a liberdade. Como todos os filmes de Bresson, este Ilustra suas teorias de longa data sobre o " c i n e m a t ó g r a f o " : atores não-profissionais oferecendo interpretações c o m p l e t a m e n t e não dramatizadas; e n o r m e ênfase no s o m em off e na Informação que ele traz; música evitada até um último e glorioso m o m e n t o . E, c o m o os demais grandes filmes de prisão do cinema

Monod, lacques E r t a u d j e a n Paul

francês - A um passo da liberdade (1960), de Jacques Becker, e U m a canção de amor (1950), de

Delhi

J e a n C e n e t -, Um condenado ã morte escapou oferece uma alegoria de extraordinária pun-

a u , Roger Treherne, J e a n -

Phlllppr Delamare, César G a t t e g n o ,

gência do sofrimento h u m a n o c do desejo de liberdade. Ao m e s m o tempo, proporciona um

' lerlemans, Klaus Detlef l.irvriihntst, Leonhardt S c h m i d t N l t l v a l d e C a n n e s : Robert Bresson Indlcaçâo (Palma de Ouro)

tipo de suspense a t e n u a d o e tenso à altura do melhor de Hitchcock. Durante

muitos

anos,

Um

condenado

à

morte

escapou

foi

admirado

por

seus

a s p e c t o s existenciais e espirituais: a solidão do h o m e m , a fragilidade da c o m u n i c a ç ã o c o m o o u t r o , o d o m da graça de D e u s . M a i s r e c e n t e m e n t e , seu a s p e c t o político foi c o l o c a d o em primeiro plano e ele passou a ser visto c o m o u m a reflexão da experiência de Bresson na Resistência - d a n d o a toda sua carreira, c o m seus t e m a s de sujeição e " a l m a s a t o r m e n t a d a s " , u m a urgência d e c u n h o social. A M

I DA (Uiiivcisal) 99 m i n . Technicolor I d i o m a : inj'Jes ihiii.io:

PALAVRAS AO VENTO

(1956)

(WRITTEN ON THE WIIMD)

DouglasSirk Robert S t a c k , em u m a fúria bêbada, atira u m a garrafa de bebida contra a parede.

i ' o ' , l o , .10: Albert Z u g s m i t h Lauren B a c a l l , d i a n t e das cortinas de seu q u a r t o , d e s m a i a . Tiros, m o r t e , lágrimas. E, na i ' . a i i m I ieorge Z u c k e r m a n , baseado trilha sonora, um coro m a s c u l i n o c o m e ç a a c a n t a r " O u r nlght of stolen bliss w a s i m l u l u do Robert Wilder F o t o g r a f i a : Russell M e t t y M i r . l i . i : 11,111k Skinner, Victor Young l l e n c o : Rock H u d s o n , Lauren Bacall,

w r i t t e n o n t h e w i n d " ("Nossa noite d e felicidade roubada estava escrita nos v e n t o s " ) . Desde seus primeiros m o m e n t o s , e s t e é o m e l o d r a m a h o l l y w o o d i a n o que c o n t é m em si todos os d e m a i s de forma elétrica, c o n d e n s a d a e p o d e r o s a m e n t e lírica. Palavras ao vento é sobre as ligações distorcidas e fatais entre sexo, poder e dinheiro.

• • • " I " ii Stai k. Dorothy M a l o n e , l o b i r l 1 d l 11, Grant W i l l i a m s , Robert

Os personagens são dispostos c o m o reflexos invertidos uns dos outros, o b e m diante do

I Will< . I dward Piatt, Harry

mal - no e n t a n t o , t o d o s , no fim d a s c o n t a s , a s s u m e m u m a posição complexa e

- i i innon, John L a r c h , J o s e p h Granby,

contraditória no e s q u e m a geral (e impraticável) das coisas. Dorothy M a l o n e - m a r a v i -

I"

I , L i u I . M , lid i e N o r m a n , W i l l i a m

•a h.illi'il. Inane Jordan

lhosa c o m o o arquétipo da garota m á , que bebe, f u m a , adora jazz, fisga h o m e n s em torres de petróleo e atita o próprio pai escada abaixo - está e s p e c i a l m e n t e instigante.

O i c a r : Dorothy M a l o n e (atriz I O.lll)llV.lllt(')

l e i n .ii. .10 ,10 O s c a r : Robert Stack J

1

V.

adjuvante), Victor Young, v I alui (canção)

P o u c o s f i l m e s são ao m e s m o t e m p o t ã o viscerais e perspicazes q u a n t o Palavras ao vento - u m a novela c o m paixão, seriedade e Inteligência. O diretor D o u g l a s Sirk se e s pecializou em f i l m e s que já foram d e s d e n h a d o s t a n t o por a d e p t o s da alta q u a n t o da baixa cultura c o m o " a r r a n c a - l á g r i m a s para m u l h e r z i n h a s " . Q u a n d o eles foram redescobertos no Início da década de 70 em festivais de c i n e m a por t o d o o m u n d o , a audácia e a verdadeira subversão da sua obra f o r a m apreciadas pela primeira vez. AM


O HOMEM QUE SABIA DEMAIS

0956)

E U A (Paramount) 120 min. Technicolor

(THE MAN WHO KNEWTOO MUCH)

I d i o m a : inglês A única refilmagem de Hitchcock de um de seus próprios filmes levanta a questão da su-

P r o d u ç ã o : Herbert Coleman

perioridade da sua obra americana em relação à sua produção Inglesa. Embora a versão original

R o t e i r o : Charles Bennett, D. B.

de 1934 seja espirituosa, a refilmagem é mais exuberante e eficiente, contendo algumas das

W y n d h a m - L e w i s , John Michael H j y t l

cenas mais poderosas de Hitchcock. James Stewart interpreta um médico americano de férias

F o t o g r a f i a : Robert Burks

no Marrocos com sua família que descobre acidentalmente que um assassinato político

M ú s i c a : Bernard Herrmann

acontecerá no futuro próximo. Um casal Inglês amigável é, na verdade, uma dupla de espiões

E l e n c o : J a m e s S t e w a r t , Doris I >.iv.

que faz parte da conspiração. Eles raptam o filho de Stewart para garantir que ele ficará calado.

Brenda De Banzie, Bernard Miles, Ralph Truman, Daniel Gélln, Mogen-,

Assim, ele precisa evitar o assassinato sem colocar o filho em perigo.

W i e t h , Alan Mowbray, Hillary Broi .F.C o m o na maioria dos f i l m e s de Hitchcock, a intriga internacional é m e n o s ImporChristopher Olsen, Reggie Nal.lei, t a n t e do que a odisséia do herói. S t e w a r t de fato " s a b e d e m a i s " , s e m valorizar as capacidades de sua esposa (Dóris Day). C o m o desenrolar da t r a m a , no e n t a n t o , a ajuda

Richard W a t t i s , Noel W l l l m a n , Alix Talton, Yves Brainville

dela se mostra essencial, apesar dos seus m e d o s de que ela sofra um colapso e m o c i o n a l

O s c a r : J a y Livingston, Ray Eva.is

(ele chega a drogá-la antes de lhe contar sobre o assassinato). O clímax do filme se dá no

(canção)

Albert Hall em u m a s dàs melhores seqüências de toda a carreira de Hitchcock. O h o m e m que sábio demais oferece interpretações excelentes de S t e w a r t e Day e de Bernard M l l c s e Brenda De Banzle c o m o os agentes Ingleses. A trilha sonora de Bernard H e r r m a n n , que aparece no f i l m e conduzindo a orquestra, é u m a de suas melhores. BP

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

(1956)

E U A (Giant, W a r n e r Bros.) 197 min Warnercolor

(GIANT)

I d i o m a : Inglês / espanhol Edna Ferber se especializou em escrever sagas de f a m í l i a s d e s u n i d a s , m u i t a s delas passadas no O e s t e .

Cimarron, seu r o m a n c e de 1930, foi f i l m a d o d u a s vezes por

H o l l y w o o d , a s s i m c o m o S h o w Boat, de 1926, passado no Sul Profundo. Em Ciam, escrito em 1950, Blck B e n e d i c t (Rock Hudson) é um barão do gado texano que se casa c o m u m a

D i r e ç ã o : George Stevens P r o d u ç ã o : Henry Ginsberg, <,.-..ir. Stevens R o t e i r o : Fred Gulol, Ivan M u l l . 1 1 .

Impetuosa belle de M a r y l a n d c h a m a d a Leslle (Elizabeth Taylor). A Irmã de Blck deixou

baseado no livro de Edna Feibei

parte da propriedade para J e t t Rink ( J a m e s Dean), um ex-empregado s e u . Rlnk descobre

F o t o g r a f i a : William C. Mello.

petróleo e fica i m e n s a m e n t e rico, porém sua vida pessoal é um fracasso (ele é a p a i -

M ú s i c a : Dimitri Tiomkin

xonado por Leslle) e ele se entrega ao a l c o o l i s m o . À medida que Bick e Leslie e n v e l h e c e m , eles se p r e o c u p a m c o m a q u e s t ã o de q u e m cuidará da fazenda depois da m o r t e

E l e n c o : Elizabeth Taylor, Rock Hudson, J a m e s D e a n , Carroll Baker, J a n e W i t h e r s , Chill W i l l s , Mercedes

dos dois. A filha deles (Carroll Baker) quer a s s u m i r o controle, m a s não conta c o m a a p r o v a ç ã o de Leslle. Para decepção de Bick, seu filho (Dennis Hopper) se c a s o u c o m

McCambridge, Dennis Hoppei, '.ai Mineo, Rod Taylor, Judith Evelyn, 1.111

u m a m u l h e r latina e se t o r n o u m é d i c o . C o m o t e m p o , Bick e Leslie p a s s a m a aceitar seu

Holliman, Robert Nichols, Paul 11 -

destino.

O s c a r : George Stevens (diretor)

C o m b e m m a i s de três horas de duração, Assim caminha a humanidade faz jus ao seu t í t u l o original, Ciant (Gigante). Porém o elenco está excelente, e s p e c i a l m e n t e J a m e s D e a n , q u e m o r r e u t r a g i c a m e n t e em um acidente de carro pouco depois de concluir sua

i n d i c a ç ã o a o O s c a r : George Steven-. Henry Ginsberg (melhor filme). I ted Gulol, Ivan Moffat (roteiro), J a i n . - . Dean (ator), Rock Hudson (ato.).

participação no f i l m e . O diretor George S t e v e n s faz justiça à i m e n s i d ã o da p a i s a g e m do

Mercedes McCambridge (atriz

Texas e, de f o r m a i n c o m u m para a época, o f i l m e Ilda de maneira interessante c o m as

coadjuvante), Boris Leven, Ralph

diferenças raciais e de classe. EB

S. Hurst (direção de arte), Mn-,', M . i l . i y Marjorle Best (figurino), William Hornbeck, Philip W. Anderson, I led Bohanan ( m o n t a g e m ) , Dimlt Tiomkin (música)


> \


I u r t (I iniversal) 89 min. Technicolor I d i o m a : ingles

TUDO 0 QUE 0 CEU PERMITE (1956) (ALL TH AT HEAVEIM ALLOWS)

DtriçSo: Douglas Sirk Produção: Ross Hunter

Em um nível, Tudo o que o céu permite, de Douglas Sirk, é c o m o um exemplo fabuloso e

ROtflro: Peg Fenwick, Edna L. Lee,

irônico de a r t e p e r f o r m á t i c a , u m a relíquia de um género específico da m e t a d e do século

1 ),M 1 v I ee, baseado no conto de Edna

XX que degenerou na novela de t e v ê . C o n t u d o , as experiências e m o c i o n a i s no centro das

L,

vidas do filme são e t e r n a m e n t e c a t i v a n t e s . Este é, i n d i s c u t i v e l m e n t e , o melhor exemplo

Lee

*

1 otografla: Russell M e t t y

d o s luxuosos m e l o d r a m a s em Technicolor da década de 50 e o m a i s clássico dos diri-

M ú s i c a : Frank Skinner

gidos na Universal por Sirk. Nascido na D i n a m a r c a , Sirk (cujo n o m e verdadeiro era Detlef

flcnco: Jane W y m a n , Rock Hudson,

Sierck) era um diretor de teatro esquerdista que se tornou um cineasta de certo

Agnes Moorehead, Conrad Nagel, Virginia drey, Gloria Talbott, W i l l i a m Reynolds, Charles Drake, Hayden ROtke, Jacqueline d e W i t , Leigh Inowden, Donald Curtis, Alex Gerry, Ni itoi Paiva, Forrest Lewis

prestígio. Ele fugiu c o m a esposa judia da A l e m a n h a nazista para H o l l y w o o d e, ao voltar à estaca zero c o m o um e m i g r a n t e desconhecido, conferiu um b o m gosto característico a trabalhos a p a r e n t e m e n t e simples e banais. Sua sofisticação européia e formalidade visual t r a n s f o r m a r a m histórias absurdas e s e n t i m e n t a l ó l d e s em realidades delirantem e n t e divertidas e d r a m a s d o m é s t i c o s c o m o v e n t e s , entre eles Sublime obsessão (1954), Palavras ao vento (1956), Almas maculadas (1958) e Imitação da vida (1959). Em Tudo o que o céu permite, Cary S c o t t ( J a n e W y m a n ) , u m a simpática viúva de classe m é d i a , a b a n d o n a d a por seus filhos a d u l t o s egoístas e c o n d e n a d a ao o s t r a c i s m o social por seu frívolo grupo de a m i g o s , se apaixona por Ron Kirby (Rock H u d s o n ) , um jardineiro m u i t o mais j o v e m - H u d s o n era um dos atores favoritos de Sirk e t a m b é m aparece c o m o co-protagonista de W y m a n em Sublime obsessão. Ned ( W i l l i a m Reynolds), seu filho d i s t a n t e , está m a i s p r e o c u p a d o c o m a carreira, e Kay (Gloria Talbott), a filha a d o l e s c e n t e m i m a d a , sente v e r g o n h a por sua m ã e ser u m a

m u l h e r c o m desejos

sexuais. Um aparelho de tevê é o que i m a g i n a m ser um ó t i m o presente para preencher o t e m p o dela. O a m o r v e n c e , m a s s o m e n t e depois de passar pela provação de fofocas cruéis, u m a separação lacrimosa e u m a crise q u e coloca a vida do casal em risco. Esses são t o d o s e l e m e n t o s tradicionais dos a n t i g o s f i l m e s para m u l h e r e s , m a s Sirk os apresenta c o m um olho para os i m p u l s o s m a i s sombrios por debaixo da salubridade dos subúrbios ensolarados idealizados na A m é r i c a dos a n o s 50 - e c o m u m a m a n i p u l a ç ã o sutil das i n s e g u r a n ç a s reprimidas. J u n t a m e n t e com

Imitação da vida. Tudo o que o céu permite foi uma grande referência

para Longe do paraíso (2002), o tributo ao melodrama ousado e suntuoso deTodd Haynes. Ele t a m b é m serviu de fonte para a releitura de cunho racial de Fassbinder, passada alguns níveis abaixo na escala socioeconómica. O medo devora a alma (1974) traz uma pobre viúva alemã que é exposta ao preconceito e ao escárnio q u a n d o se apaixona pelo muito mais j o v e m Ali, um gentil e igualmente solitário imigrante do Norte da África. A influência do figurino de Tudo o que o céu permite chegou até à comédia francesa que homenageia o período. Oito mulheres (2002), com a filha de Catherine Deneuve chegando em casa das férias em uma réplica do gorro e do conjunto de Gloria Talbott. Rock H u d s o n , que fez boa parte de seus melhores trabalhos com Sirk, está perfeitamente sincero c o m o o j o v e m rude, porém sensível, no qual a dona-de-casa sentimental de W y m a n encontra carinho e empatia libertadores. O filme t e m uma aparência saborosa, com cores, composições, iluminação, direção de arte, figurinos e fotografia maravilhosos. Porém o estilo serve perfeitamente ao conteúdo, e a observação da natureza h u m a n a repleta de esplendor c o m p õ e um melodrama d i v i n a m e n t e romântico. AE


VAMPIROS DE ALMAS

(1956)

(INVASION OF THE BODY SNATCHERS) Um dos f i l m e s mais populares e paranóicos da Era de O u r o do c i n e m a de ficção científica a m e r i c a n o , Vampiros de almas, de D o n S i e g e l , é ao m e s m o t e m p o u m a alegoria a m b í g u a / a m b i v a l e n t e da Guerra Fria e u m a história de terror extraterrestre. Apesar do clima de filme B, a obra de Siegel - baseada no r o m a n c e de J a c k Finney está m e n o s interessada em r e s p e i t a i as c o n v e n ç õ e s da ficção cientifica do q u e em d r a m a t i z a r os perigos do c o n f o r m i s m o social e a a m e a ç a de Invasão que pode vir t a n t o de fora q u a n t o de dentro da própria c o m u n i d a d e , No e n t a n t o , a ausência de qualquer I I M (Allied Artists, Walter Wanger)

10

min.

m o n s t r o explícito - em parte graças a m o t i v o s e c o n ô m i c o s , o t e m a das plantas que r o u b a m corpos e dos duplos z u m b i f i c a d o s serviu c o m o u m a criativa tática de corte de

P&B

l i l l n m . i : IIIJ'.II",

d e s p e s a s - é mais do q u e c o m p e n s a d a pela representação sinistra da "vida c o m u m "

l l h i ' 1 , . 1 1 1 : I K m Siegel

q u e talvez não seja m a i s t ã o c o m u m q u a n t o parece. C o n f o r m e escreve K i m N e w m a n ,

I

" E m vez de garras de borracha, dinossauros a n i m a d o s e raios laser alienígenas m o r t a i s ,

l u c . t o : Waller Wanger

i t ' i i e i i n 11,1

1 M a l n w a r i n g , baseado

im llvm Hie Body Snatchers, de Jack I Mill' V

f o t o g r a f l a : Ellsworth Fredericks

o filme retira terror de um tio c o r t a n d o a grama, de u m a barraca de v e g e t a i s de beira de estrada a b a n d o n a d a , d e u m bar vazio d e clientes, d e u m a m ã e c o l o c a n d o u m a planta no berço de u m a criança, ou de u m a m u l t i d ã o se reunindo i n t e n c i o n a l m e n t e em u m a praça às 7I145 da m a n h ã em um sábado."

M ü i l c a : Carmen Dragon I I n n o : I ' evin McCarthy, Dana

Q u a n d o o Dr. M l l e s Bennell (Kevin M c C a r t h y ) volta para sua casa na cidadezinha de

W v i i i e i , I airy G a t e s , King D o n o v a n ,

S a n t a M i r a , na Califórnia, de um congresso de m e d i c i n a , ele se depara c o m relatos

Carolyn Jones, Jean Willes, Ralph

estranhos de m u i t o s dos seus p a c i e n t e s , q u e Insistem que seus parentes a p a r e n t e m e n -

I lumke, Virginia Christine, Tom

te b e n é v o l o s são, na v e r d a d e , impostores. Depois de a l g u m c e t i c i s m o inicial, M l l e s se

1 nidi 11 1 enneth Patterson, Guy Way,

c o n v e n c e q u a n d o , d u r a n t e um churrasco c o m a l g u n s a m i g o s , ele descobre dois casulos

I Hi 1 1 1 Stevens, Beatrice M a u d e , J e a n Aiiihen. Bobby Clark

q u e a r r e b e n t a m , liberando um fluido borbulhante e d u a s réplicas h u m a n a s i n c o m pletas, u m a das quais está b e m próxima de ficar Idêntica ao próprio M i l e s . Especulando q u e u m a invasão alienígena bizarra está a c o n t e c e n d o , ele e B e c k y (Dana W y n t c r ) , sua n a m o r a d a , t e n t a m fugir e n q u a n t o toda a cidade é d o m i n a d a pelos efeitos d e s u m a n l z a dores dos c a s u l o s . Um pesadelo c i n e m a t o g r á f i c o sobre a a m e a ç a c o m u n i s t a em p o t e n c i a l , ou um film e - m e n s a g e m a n t l m a c a r t h i s t a disfarçado de fantasia de ficção científica? Vampiros de a / m a s fornece a r g u m e n t o s para s u s t e n t a r a m b a s as interpretações. E seu final aberto e pessimista, no qual M i l e s perambula por u m a estrada e grita " V o c ê é o próximo" dir e t a m e n t e para a c â m e r a , fará você se perg u n t a r q u e m de

fato

seu lado à noite. SJS

está

d o r m i n d o do


O HOMEM ERRADO

(1956)

EUA (First N a t i o n a l , W a r n e i Broj.1

(THE WRONG MAN)

105 min. P&B

O homem errado é um d o s filmes m a i s d e s o l a d o r e s da carreira de Hitchcock. H e n r y

I d i o m a : Inglês

Fonda interpreta M a n n y Balestrero, um m ú s i c o de jazz q u e é I d e n t i f i c a d o por e n g a n o

Direção: Alfred Hitchcock

c o m o o h o m e m q u e a s s a l t o u u m a agência de seguros. Embora seja libertado sob

P r o d u ç ã o : Herbert C o l e m a n , All 1 nI

f i a n ç a , a I n d i g n a ç ã o e a v e r g o n h a c o m e ç a m a afetar sua e s p o s a . R o s e (Vera M i l e s ) . Eles t e n t a m encontrar pessoas q u e p o s s a m c o n f i r m a r o álibi de M a n n y , m a s f r a c a s s a m .

Hitchcock R o t e i r o : Angus M a c P h a i l , Maxwell Anderson, baseado no livro rhe MM

Rose t e m um colapso n e r v o s o a n t e s do j u l g a m e n t o e é internada em um m a n i c ô m i o .

Story

of

Chistopher

Emmanuel

No f i m , q u a s e por a c a s o , o verdadeiro a s s a l t a n t e é e n c o n t r a d o , m a s Isso p r a t i c a m e n t e

Balestrero, de Maxwell Anderson

não altera s e u e s t a d o m e n t a l .

Fotografia: Robert Burks

Fotografado em preto-e-branco, c o m um realismo q u a s e d o c u m e n t a l , O homem

Elenco: Henry Fonda, Vera M i l ' " . A n t h o n y O u a y l e , Harold Stone, lohn

errado é b a s e a d o em uma história real, de acordo c o m o próprio Hitchcock em um curto prólogo. Ele explora um d o s t e m a s eternos do diretor, o de um h o m e m a c u s a d o por um

Heldabrand, Doreen Lang. Normi Conolly, Lola D A n n u n z I o , Robei 1

c r i m e q u e n ã o c o m e t e u (Intriga internacional, de 1959, parte de u m a premissa s e m e -

Essen, Dayton L u m m l s , Charlei

lhante). Hitchcock t r a n s m i t e de forma brilhante c o m que presteza os p r o c e d i m e n t o s de

Cooper, Esther M l n c i o t t i , I aurlndl

a c u s a ç ã o e e n c a r c e r a m e n t o c o n s p i r a m para conferir u m a s e n s a ç ã o de c u l p a b i l i d a d e m e s m o a o s I n o c e n t e s . Em u m a seqüência m a g i s t r a l que faz uso da c â m e r a subjetiva,

Barrett, N e h e m l a h Persofl, Klppy Campbell

v e m o s M a n n y sofrer a h u m i l h a ç ã o de ser a u t u a d o , revistado e ter as I m p r e s s õ e s digitais t i r a d a s , a tinta suja e m s u a s m ã o s parecendo uma c o n f i r m a ç ã o d a sua culpa. E B

DELÍRIO DE LOUCURA

(1956)

(BIGGER THAN LIFE)

E U A (Fox) 95 m i n . Color Del 11 I d i o m a : inglês D i r e ç ã o : Nlcholas Ray

O melhor dos filmes de Nlcholas Ray é um m e l o d r a m a expressionista brilhante que utiP r o d u ç ã o : James Mason liza a controvérsia e n t ã o a t u a l da descoberta e I m p l e m e n t a ç ã o da "droga milagrosa" cortlsona ( u m tipo de esferóide) para desenvolver uma crítica devastadora ao conformis-

R o t e i r o : Cyril H u m e , Richaul M a l b a u m , baseado no artigo dl

mo materialista de classe média q u e definia o S o n h o A m e r i c a n o d u r a n t e o pós-guerra. Burton Roueche O t a c i t u r n o J a m e s M a s o n (que t a m b é m produziu o filme) está perfeito c o m o o F o t o g r a f i a : Joseph MacOonald professor de u m a cidade pequena a t o r m e n t a d o por u m a crise financeira e de m e i a M ú s i c a : David Raksin idade q u e , d e p o i s de lhe receitarem esteróldes, fica v i c i a d o na s e n s a ç ã o de b e m - e s t a r E l e n c o : J a m e s M a s o n , Barbam Ruih que eles p r o v o c a m . Isso o transforma em um tirano m e g a l o m a n í a c o e de u m a neurose

Walter M a t t h a u , Robert F. S i m o n ,

Irascível em relação à mulher, ao filho e a t o d o s ao s e u redor. A droga, o b v i a m e n t e , é

Christopher Olsen, Roland W i i i i r t ' . .

apenas um catalisador que desperta a repulsa que ele s e n t e por sl próprio e pelo m u n d o

Rusty Lane, Rachel Stephen'., r Ipp

e n t o r p e c i d o e passivo no qual se vê preso. Na v e r d a d e , seu desespero é tão profundo q u e q u a n d o , f i n a l m e n t e , ele decide que precisa salvar o filho das d e p r a v a ç õ e s da

Hamilton F e s t i v a l d e V e n e z a : Nicholas Ray, indicação (Leão de Ouro)

h u m a n i d a d e m a t a n d o - o e sua esposa (Barbara Rush) o recorda q u e D e u s I m p e d i u Abraão de m a t a r Isaac, M a s o n se limita a responder: " D e u s estava errado." Um f i l m e h o l l y w o o d l a n o p r o f u n d a m e n t e radical para a época, que se destaca não só por seu desprezo pela idéia suburbana de " n o r m a l i d a d e " , m a s t a m b é m pela clareza belam e n t e a p a v o r a n t e d a sua Intensidade colorida e m C i n e m a S c o p e . U m a obra-prima. C A


I I M (lililí; Crosby, M C M , Sol C. Siegel) I n ; min, lechnlcolor hi l u i o.i : iiij'les

ALTA SOCIEDADE

(19 ) 56

(HIGH SOCIETY) U m a atualização em forma de musical da comédia romântica da classe alta de George

Direção: Charles Walters ProduçSo: Sol C. Siegel

Cukor, Núpcias de escândalo, Afta sociedade une os talentos melódicos imbatíveis de Bing

l i , , i , • m i i i i l i n I'atrick, baseado na peça

no c i n e m a a n t e s de a b a n d o n a r H o l l y w o o d e se tornar a princesa Grace de M ô n a c o .

Hu l'/iilndclphiö Story, de Philip Barry l u i i i | ; i . i f l a : Paul Vogel

Mullen: Saul C h a p m a n , Cole Porter I U n , o I •. 1111 -. i insby, Grace Kelly, ' f i n i Sinatra, Celeste H o l m , J o h n

Crosby, Ftank Sinatra e Louis Armstrong com a beleza de Grace Kelly em seu último papel

A gélida e m i m a d a Tracy (Kelly) está prestes a se casar c o m G e o r g e ( J o h n Lund), um galã c h a t o e previsível, p o r é m , às vésperas d a s n ú p c i a s , seu ex-marido Dexter (Crosby) retorna para tentar impedir o c a s a m e n t o . A tiracolo para registrar as frivolidades do e v e n t o social do ano e s t ã o os jornalistas Liz (Celeste Holm) e M i k e (Sinatra), c o m o g i g a n t e do jazz A r m s t r o n g (interpretando a si m e s m o ) oferecendo u m a espécie de coral

I muí, I nuis Clahern, Sidney Blackmer, ( m i l s Ainistrong, Márgalo Gillmore I n , I I , j ç . i o .10 O s c a r : Edward Bernds, I Iw

I tlllnian (roteiro),* J o h n n y

L i l i l í , '..ml Chaplin (música). Cole

grego, deixando a platéia a par das c o n f u s õ e s a f e t i v a s de Dextet e Tracy. S e g u i n d o I n ú m e r o s m u s i c a i s h o l l y w o o d i a n o s da década de 40 e do c o m e ç o d o s a n o s 50 q u e e r a m repletos de c o m p l e x o s n ú m e r o s m u s i c a i s , o diretor Charles W a l t e r s encaixa p e r f e i t a m e n t e n o v e interpretações básicas de c a n ç õ e s de Cole Porter no f i l m e ,

I ' l l l l i ' l (l .1111, .10)

s e m deixar q u e elas o d o m i n e m . A r m s t r o n g c o m e ç a c a n t a n d o " H i g h S o c i e t y " , q u e * luí Id ai, ai 11 ei usada quando a Academia I-, i, i l l , H que havia confundido o

explica a t r a m a , do banco de trás da l l m u s i n e lotada q u e divide c o m sua b a n d a , e n -

h i i i i i i i i i i i i i i ) High Society, de Bernds e

q u a n t o a clássica " W h o W a n t s To Be A M i l l i o n a i r e " é c a n t a d a a n i m a d a m e n t e por S i n a -

I M i n i . m . i u n i a produção de Sol Siegel

tra e H o l m sozinhos em um q u a r t o cheio dos vários presentes de c a s a m e n t o extravag a n t e s de Tracy. U m a c o m é d i a m u s i c a l leve, pueril e a t c m p o r a l . JB

I U A 1111 i l I i DeMille, Paramount) UM

lechnlcolor

OS DEZ MANDAMENTOS

(1956)

(THE TEN COMMANDMENTS)

lillnin.i: inj'.le-, OlrocJo: Cecil B. DeMille P r o d u c l o : Cecil B. DeMille, Henry Wlli

I n e . i ' . M a i Kenzie, Jessie Lasky

Ii 11.1 ' .111 - .1 l e i l e i i r M. Frank, baseado 1

, liviii , i'lilai of Fire, de J. H. Ingraham, 1 ' 1 1 1 .'il. '•, IV1111/, de A. E. S o u t h o n , e I'm

m a i s extravagante arrasa-quarteirões é repleto de absurdos e v u l g a r i d a d e s , porém a cor é arrebatadora e a d e m o n s t r a ç ã o de v i r t u o s i s m o de D e M i l l e , que inclui sua própria

ii-uii

Hui rli 11

Com quase quatro horas de duração, o último l o n g a - m c t r a g c m de Cecil B. DeMille e seu

' /qvpi. de Dorothy Clarke Wilson

liitu|.,iafia: I u y a l Griggs M u \ l i .1:11111 <-1 Bernstein t l r n c o : ( harlton H e s t o n . Y u l Brynner,

narração, j a m a i s falha. P o d e - s e afirmar que Charlton H e s t o n a l c a n ç o u seu a u g e c o m o M o i s é s - a n ã o ser q u e c o n s i d e r e m o s q u e foi M o i s é s q u e a l c a n ç o u s e u a u g e c o m o H e s t o n - e a maioria d o s d e m a i s atotes do elenco está i g u a l m e n t e m í t i c a . Ao m e s m o t e m p o ridículo e esplêndido, este épico é Impulsionado pelo tipo de convicção pessoal que praticamente não voltaria a ser encontrada em futuros monólitos hollywoodianos.

Para

o

interpretarmos

corretamente,

precisamos

vê-lo

manifesto ideológico e espiritual que diz respeito e s p e c i f i c a m e n t e à

como

um

maneira c o m o

DeMille enxergava o m u n d o refém da Guerra Fria em 1956. Assim, q u a n d o ele surge diante

A n n e l'.axiei, I dward G. Robinson, Y v o n n e de ( ailo, Debra Paget, J o h n

de u m a cortina franjada de dourado para apresentar o filme, seu objetivo principal não é

1'' n 1 ' . ' I i i' I lardwicke, Nina Foch

apenas falar sobre o uso de fontes c o m o Filo e Josefo para narrar os 30 anos da vida de

11-.. .11

M o i s é s omitidos na Bíblia, m a s t a m b é m declarar que "o tema deste filme é se o h o m e m

l"l 1111' 111I11 in (efeitos especiais)

linlli .11.10.10 O s c a r : Cecil B. DeMille (

Ih. 11 l i l i n e ) , Hal Pereira, Walter H.

Tyli'i. Allien Nozaki, S a m Comer, Ray M o v e i (dliecao d e arte), Loyal Griggs

deve ser governado pelas leis de Deus ou... pelos caprichos de um ditador c o m o R a m s é s " . Q u a n d o fala "ditador", ele está c l a r a m e n t e pensando em uma figura ao estilo M a o Tset u n g , o que o orlentallsmo sugerido por Yul Brynner c o m o R a m s é s deixa claro. O filme foi relançado a l g u m a s vezes - m a i s recentemente em 1990 - em um formato

( i n i i i i ' i . h i . 1 ) . I tilth H e a d , Ralph Jester, M m I ' Men, Dorothy J e a k i n s , Arnold I i l b e i i ; (llguilno), Anne B a u c h e n s ( ' ' I " i"l I

1 1 I . Ryder (som)

em w i d e s c r e e n esticado e a n a m ó r f i c o , o que significa que a parte de cima e de baixo de cada quadro foram cortadas. Talvez haja a l g u m a espécie de vingança divina envolvida nisso: DeMille tinha um f a m o s o fetiche por pés e, graças a esse t r u q u e de estúdio, m u i t o s dos intérpretes e m primeiro plano e n c o n t r a m - s e agora c o m eles cortados.

JRos


DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA

(1957)

(12ANGRY MEN) O f i l m e de tribunal de Sidney L u m e t goza de u m a popularidade duradoura por ser um caldeirão de interpretações inteligentes, viradas repentinas e m o n ó l o g o s apaixonados. De forma única, o drama b r i l h a n t e m e n t e e c o n ô m i c o e Instigante de Doze homens e uma sentença não se dá e x a t a m e n t e no tribunal - exceto por um breve prólogo em q u e o júri é d i s p e n s a d o c o m as instruções do juiz -, e sim no decorrer de u m a única tarde calorenta na sala do júri. Henry Fonda Interpreta o Jurado ns 8, cujas dúvidas cabíveis e resistência b e m f u n d a m e n t a d a aos poucos d e m o v e m os 11 outros m e m b r o s do júri de seu primeiro e i m p e n s a d o veredicto de culpado no caso de um j o v e m a c u s a d o da m o r t e do próprio pai. Fonda ficou impressionado c o m o poder da engenhosa peça para tevê de Reginald Rose, exibida ao vivo pela C B S em 1954 (e q u e se acreditava estar perdida até 2003,

E U A (Orlon-Nova) 96 min. P8di

q u a n d o u m a fita V H S foi descoberta). R e c o n h e c e n d o um papel que se a d e q u a v a c o m

I d i o m a : inglês

perfeição à sua sinceridade tranqüila e v e n d o a o p o r t u n i d a d e de um f i l m e e m o c i o n a n te, ele o produziu do próprio bolso. Entregou a direção a L u m e t , um d i n â m i c o veterano do teatro de t e v ê ao vivo. cuja experiência lhe permitiu - e ao diretor de fotografia Borls K a u f m a n , outro especialista cm trabalhar cm espaços limitados c em preto-e-branco extrair a t e n s ão g a l o p a n t e do roteiro b e m a m a r r a d o de Rose e concluir o filme em

D i r e ç ã o : Sidney Lumet P r o d u ç ã o : Henry Fonda, Reginald Rose R o t e i r o : Reginald Rose F o t o g r a f i a : Boris K a u f m a n M ú s i c a : Kenyon Hopkins

m e n o s de 20 dias.

E l e n c o : Henry Fonda, Lee J . í ohh, I d

A adorada e cativante estréia de L u m e t não se envergonha de sua teatralidade, tornando sua intensidade claustrofóbica e tórrida uma virtude. E cada ator deixa sua mar-

Begley, E. G. Marshall, Jack W a i d e n , Martin B a l s a m , John Fiedler, l a d

ca nesta vitrine de caracterizações excelentes, q u e é t a m b é m um exemplo de dinâmica

K l u n g m a n , Ed Blnns, Joseph

de grupo, desde o inseguro líder dos jurados de M a r t i n B a l s a m até o beligerante e a m a r -

Sweeney, George Voskovet. Robirl

gurado Jurado n2 3 de Lee J. Cobb. Interessantemente, dois dos h o m e n s , J o s e p h S w e e n e y ,

Webber

c o m o o idoso e perspicaz Jurado n' 9, e George Voskovlc, c o m o o metódico Jurado ns 1 1 ,

I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Henry i

estiveram na produção televisiva original. Preconceitos de classe e raciais, suposições

Reginald Rose (melhor filme), slilm y

J

pessoais e personalidades v ê m à tona em u m a batalha colossal por um j u l g a m e n t o

Ii

Lumet (diretor), Reginald Rose (roteiro)

limpo. O f i l m e g a n h o u o Urso de Ouro no Festival de Berlim, mas sua maior glória é q u e , F e s t i v a l d e B e r l i m : Sidney I i i u i e i depois de assisti-lo, n i n g u é m participará n o v a m e n t e de um júri s e m fantasias de se tornar um tenaz c a m p e ã o da justiça c o m o Fonda, seja qual for o caso em q u e s t ã o . AE

(Leão de Ouro), (Prêmio OCIC)


S u é c i a (Svensk) 9 6 min. P & B

0 SÉTIMO SELO

(1957)

Mloma: sueco

(DET SJUNDE INSEGLET)

Direção:

A i m a g e m de u m a M o r t e de m a n t o preto e rosto branco ( B e n g t Ekerot) j o g a n d o xadrez

Ingmar B e r g m a n

Produção: Allan Ekelund Roteiro: Ingmar B e r g m a n ,

na praia c o m um cruzado c a n s a d o e q u e s t i o n a d o r ( M a x v o n S y d o w ) está tão arraigada baseado

na peça Itümàlning, de Ingmar Brii/MUIl

«

na m e m ó r i a coletiva dos cinéfilos q u a n t o K i n g K o n g no topo do Empire S t a t e B u i l d i n g , H u m p h r e y B o g a r t r e c h a ç a n d o Ingrid B e r g m a n no aeroporto, J a n e t Leigh sendo esfaq u e a d a no chuveiro ou o cruzador Imperial p a s s a n d o por cima da c a m e r a . Essa simples

f o t o g r a f i a : Gunnar Fischer

cena do f i l m e de arte sueco O sétimo selo r e s u m e a i m p o r t â n c i a , o e n c a n t o e o i m p a c t o

M u s i c a : Erik Nordgren

q u e n o v a s f o r m a s d e c i n e m a t i v e r a m e m u m a certa época, q u a n d o a s certezas d e

f I r n c o : Gunnar Björnstrand, Bengt I |uj)rOt, Nils Poppe, Max v o n Sydow,

H o l l y w o o d e s t a v a m e m baixa. S e n ã o , c o m o explicar a s paródias o u referências que v o l ta e mela a p a r e c e m cm filmes tão v a r i a d o s q u a n t o A máscara m o r t a l (1964), de Roger

luhi A m l n s s o n , Inga Gill, M a u d Hansson, Inga Langré, Gunnel

C o r m a n , A última noite de Boris Crashenko (1975), de W o o d y Allen, O dirimo grande herói

I Indblom, Bertil Anderberg, Andres

(1993), de J o h n M c T I e r n a n , e Bill e Ted - Dois loucos no tempo (1991), de Peter H e w i t t , no

I k, Akt- Fridell, G u n n a r Olsson, Erik

q u a l a M o r t e joga twister?

Strandmark

Essa cena foi parodiada diversas v e z e s e é u m a pena q u e tenha passado a repre-

P c i t l v . i l d e C a n n e s : Ingmar Bergman (pi^inlo especial do júri), e m p a t a d o <mu

I

.iiiiií

sentar t o d o o filme no i m a g i n á r i o popular. Há u m a Idéia injusta de q u e o escritor e roteirista I n g m a r B e r g m a n foi solene d e m a i s ao tentar realizar algo q u e pudesse ser um arquétipo da seriedade e da qualidade artística. Na v e r d a d e , O sétimo selo, e m b o r a t e n h a s u a s raízes nos g r a n d e s t e m a s do a u g e de B e r g m a n , é um f i l m e m u i t o divertido, freqüentemente cômico

u m a fábula

medieval

Influenciada

pelo e n t u s i a s m o d o

diretor pelos filmes de s a m u r a i de Akira Kurosawa -, tão preocupado em celebrar os prazeres simples q u a n t o c m a p o n t a r t o r m e n t o s complexos. A n t o n i u s Block ( S y d o w ) , retornando após 10 anos de u m a cruzada sangrenta que foi iniciada por um trapaceiro q u e agora g a n h a a vida roubando c a d á v e r e s , sente q u e sua fé em Deus é uma doença que deveria ser extirpada da h u m a n i d a d e . C o m seu escudeiro ( G u n n a r Bjbrnstrand), que é t a n t o um c o m p a n h e i r o de d e b a t e s q u a n t o seu escada, Block encontra a m o r t e na forma de um cadáver infestado pela peste a n t e s de e n c o n trá-la em pessoa. O q u e está em jogo na partida de xadrez jogada por todo o filme entre a M o r t e e o cavaleiro não é a p e n a s a vida do cruzado, m a s s u a s Idéias sobre D e u s , a


religião e a h u m a n i d a d e . No f i m , a esperança chega na forma de u m a família sagrada alternativa - um malabarista alegre (Nils Poppe), sua mulher de sensualidade m u n d a n a (Gunnel Lindblom) e o bebê Inocente e cheio de energia dos dois que Block salva da p e s te se j u n t a n d o por v o n t a d e própria à dança da m o r t e , q u e convoca p e r s o n a g e n s m a i s v e n a i s e corrompidos. Se o cavaleiro, c o n s t a n t e m e n t e a t o r m e n t a d o por curiosidades sobre D e u s e o nada (ele chega a se aproximar de u m a bruxa c o n d e n a d a a ponto de se q u e i m a r para perguntar a ela o q u e o D e m ô n i o sabe sobre Deus), representa um lado de B e r g m a n , o simples artista de circo, g e n t i l m e n t e repreendido pela sua esposa prática ("Você e seus s o n h o s e v i s õ e s " , diz ela na última fala do f i l m e ) , representa o outro. Este busca redenç ã o através de d i v e r t i m e n t o s h o n e s t o s e fica consternado q u a n d o sua a p r e s e n t a ç ã o inocente é ofuscada pelo espetáculo grotesco, aprovado pela Igreja, de u m a m u l t i d ã o de penitentes s e n d o chicoteados e torturados. B e r g m a n está s e m p r e indignado e e n tristecido diante do mal ptaticado pelos h o m e n s , e s p e c i a l m e n t e q u a n d o ele é s a n c i o nado por u m a suposta religião, porém o f i l m e t a m b é m celebra o a m o r físico e e s p i ritual, a expressão artística coletiva, a comida e a bebida e a beleza n a t u r a l . KN


I L I A (I u x ) 119 min. Color De Luxe dloma: Ingles

TARDE DEMAIS PARA ESQUECER (1957) (AN AFFAIR TO REMEMBER)

Slreclo: Leo McCarey " Q u e r i d o , se v o c ê pode pintar, eu posso andar n o v a m e n t e ! " Por anos a fio, o c a m i n h o 'roducao: Leo McCarey, Jerry W a l d cheio de e s p i n h o s percorrido por Cary Grant e Deborah Kerr em Tarde demais para lottlro: I eo McCarey, Mildred C r a m , esquecer foi q u a s e i l i c i t a m e n t e v e n e r a d o . E n t ã o ele foi consagtado - e s p e c i a l m e n t e por irlini'i Daves, Donald Odgen Stewart • n i n p . i . i f i . i : Milton R. Krasner Muilca: Hugo Frledhofer, Harry Warren

Sintonia de amor, de 1993 - c o m o um dos maiores f i l m e s de mulherzinha de todos os t e m p o s , para ser visto, i d e a l m e n t e , c o m b a s t a n t e c h o c o l a t e e u m a caixa de lenços d e s c a r t á v e i s à m ã o . O f i l m e - r e f l l m a g e m de Duas vidas, de 1939, u m a comédia d r a m á -

le

H V tirant, Deborah K e n ,

nil I

I Denning, Neva Patterson,

tica do m e s m o diretor, estrelado por Irene D u n n e e Charles Boyer - reflete dois lados

. Ithleen Nesbltt, Robert Q. Lewis,

conflitantes do produtor/roteirista/diretor Leo McCarey. No seu a u g e , o gênio da c o m é -

: h.iile-. W a l l s , Fortunio B o n a n o v a ,

dia uniu o Gordo e o M a g r o , dirigiu os Irmãos Marx em Diabo a quatro e g a n h o u seu pri-

S r o i j t r Winslow

meiro Oscar dirigindo Grant em Cupido é moleque teimoso, o clássico das c o m é d i a s e s -

n d l i .11, an ao Oscar: Milton R. Krasner

c r a c h a d a s da década de 30. No e n t a n t o , M c C a r e y t a m b é m possuía um s e n t i m e n t a l i s -

Jtolni'.ialla), Charles Le Maire

m o descarado q u e ficou p a t e n t e e m seu adorado f i l m e dos a n o s 4 0 , 0 bom pastor (pelo

jfljiiulnn). Hugo Friedhofer (muslca), •l.inv w . i n e n , Harold A d a m s o n , Leo Mi ( aiey (cancan)

qual g a n h o u os prêmios de Melhor Filme, Direção e Roteiro). O playboy espirituoso Nick Ferrante, interpretado pot Grant, é um pintor fracassado. Ele e Terry M c K a y , a desconfiada cantora de boate de Kerr (seus vocais foram dublados pela cantora de estúdio M a r n i e Nixon, que t a m b é m a dublou em O rei eeti), se c o n h e c e m a bordo de um transatlântico luxuoso e se r e n d e m - c o m m u i t o b o m h u m o r - à a t r a ç ã o que s e n t e m um pelo outro. I n f e l i z m e n t e , a m b o s estão c o m p r o m e t i d o s c o m seus noivos e passados. E n t ã o f a z e m um pacto r o m â n t i c o . Dall a seis m e s e s , se tiverem dado um jeito em suas v i d a s , se e n contrarão no topo do Empire S t a t e B u i l d i n g e viverão felizes para s e m p r e . Na data m a r c a d a , G r a n t põe seus pincéis de lado e se e n c a m i n h a a l e g r e m e n t e para o observatório do a r r a n h a - c é u , porém Kerr, correndo e m p o l g a d a cm direção ao prédio, é atropelada por um carro. O q u e se s e g u e é q u a s e inconcebível para a geração do telefone celular, m a s , acreditando q u e levou um bolo, Grant se entrega a um c i n i s m o a m a r g u r a d o , s e m saber que Kerr está t e n t a n d o b t a v a m e n t e aceitar o fato de ter ficado paraplégica, m a s é orgulhosa d e m a i s para i n f o r m á - l o da sua s i t u a ç ã o . A c o m é d i a é a b a n d o n a d a na lacrimogênea segunda m e t a d e do f i l m e , e n q u a n t o os espectadores são deixados em u m a d e l i c i o s a m e n t e prolongada e aflitiva dúvida sobre se eles vão ficar juntos ou não. M c C a r e y exagera nas c a n ç õ e s , mas n e m m e s m o Kerr e n s i n a n d o um coro de crianças bonitinhas d e m a i s c o n s e g u e estragar o clímax de reunião, revelações e abraços a p e r t a d o s . AE


MORANGOS SILVESTRES

(1957)

S u é c i a (Svensk) 91 min. P & B I d i o m a : sueco / latim

(SMULTRONSTÀLLET)

D i r e ç ã o : Ingmar Bergman

P o s s i v e l m e n t e a m a i s terna das obras-primas de Ingmar B e r g m a n , Morangos silvestres

P r o d u ç ã o : Allan Ekelund

a c o m p a n h a a odisséia geográfica e espiritual traçada pelo Idoso professor Isak Borg

R o t e i r o : Ingmar Bergman

(cujo n o m e em sueco significa, a p r o x i m a d a m e n t e , "fortaleza de g e l o " ) , Interpretado

F o t o g r a f i a : Gunnar Fischer

por Victor S j õ s t r õ m . Borg vai de carro, em c o m p a n h i a da sua nora M a r i a n n e (Ingrid

M ú s i c a : Erik Nordgren

Thulln), de Estocolmo para a Universidade de Lund para receber um título honorário. No

E l e n c o : Victor Sjõstrõm, Bibi

c a m i n h o , dá carona para três j o v e n s - entre eles a a n i m a d a Sara (Bibi A n d e r s o n ) , cujo

Anderson, Ingrid Thulln, Gunn.n

n o m e e índole o fazem lembrar do a m o r de sua vida - e um casal de mela Idade. Ele visita sua m ã e já anciã, antes de f i n a l m e n t e ter u m a conversa sincera c o m seu filho

Björnstrand, Julian Kindahl, Füll Sundqvist, Björn Bjelfvenst.mi Nalma Wlfstrand, Gunnel Brost m m ,

Evald (Cunnar Bjõrnstrand), um misantropo cínico que M a r i a n n e planeja abandonar. A conversa q u e B o r g t e m c o m Edvald é crucial n ã o só porque pode salvar o c a s a m e n t o do seu filho, m a s por mostrar q u e a jornada do professor lhe trouxe um certo grau de

Gertrud Frldh, Sif Ruud. Gunnai Sjöberg, Max von Sydow. Ake Frida II Yngve Nordwall

a u t o c o n h e c i m e n t o . Ele se tornou ciente não só da sua m o r t a l i d a d e , m a s t a m b é m da I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Ingmat Bsrgmin sua própria reticência e m o c i o n a l - herdada dos pais, consolidada por u m a vida de decepções e por sua imersão no trabalho. E ele a t r a n s m i t i u , quase i n c o n s c i e n t e m e n t e , c o m o um ví r u s , para Evald.

(roteiro) F e s t i v a l d e B e r l i m : Viel 111 sjir.t m m (Prêmio FIPRESCI), Ingmar Bergman

A força do relato de B e r g m a n deste dia na vida - o u , melhor falando, de u m a vida

(Urso de Ouro)

em um dia, pois a longa jornada de 24 horas traz de volta toda sorte de m e m ó r i a s reve-

F e s t i v a l d e V e n e z a : Ingmai Bi

ladoras - está na maneira segura c o m q u e ele c o m b i n a as realidades objetivas e

(prêmio da crítica italiana)

subjetivas da vida de Borg. Os detalhes internos e externos j o g a m , aos poucos, m a i s luz sobre o h o m e m . Não são apenas seus s o n h o s e l e m b r a n ç a s que I l u m i n a m nossa c o m preensão dele (e sua c o m p r e e n s ã o de sl m e s m o ) , m a s t a m b é m seus vários e n c o n t r o s e conversas. M a r i a n n e , embora educada e carinhosa, é c o m p a r a t i v a m e n t e explícita na suas alusões aos fracassos de Borg. Sara o recorda de sua j u v e n t u d e m a i s apaixonada. O casal briguento lhe traz à m e n t e sua própria rabugice e o futuro que M a r i a n n e pode enfrentar c o m E d v a l d . A aquisição redentora de a u t o c o n h e c i m e n t o de Borg t a m b é m afeta a q u e l e s ao seu redor, e o milagre de Morangos silvestres é que B e r g m a n j a m a i s imbui essa c o n c l u são de s e n t i m e n t a l i s m o . A b e n ç oa do por uma interpretação radiante, porém coraj o s a m e n t e d e s a g r a d á v e l , de S jõ s tr õm ele próprio um dos maiores c i n e a s t a s da Suécia a n t e s de B e r g m a n -, este filme extraordinário

c

multo

Imitado

possui

uma h o n e s t i d a d e e m o c i o n a l c o m p l e t a m e n t e em h a r m o n i a c o m a v i a g e m feita por seu protagonista. CA


• H l / i rança (De Laurentiis,

n n eau) no min.

NOITES DE CABIRIA

(1957)

(LE IMOTTI DI CABIRIA)

P&B

d l o r n . i : italiano

A Cabíria do título do clássico de 1957 de Federico FeIIIni é interpretada pela esposa do

3lreç3o: Federico Fellini

cineasta, Giuletta M a s i n a , que g a n h o u , c o m justiça, o prêmio de M e l h o r Atriz em

• • • U n o i rdcrico Fellini, Ennio

C a n n e s por sua a t u a ç ã o c o m o u m a prostituta ingênua. Envergonhada pela sua profis-

i

o, hillio Pinelli, Pier Paolo

•.P.ollhl

,

s ã o , a vigorosa Cabíria busca, s e m grandes esperanças, a l g u m ricaço para levá-la e m bora, p o r é m , no f u n d o , o q u e está procurando é por um a m o r duradouro.

I n n t i : • aiilictta Masina, François • • m i Aiiicdco Nazza ri, Aldo Si Iva ni,

Depois de sua estréia, um trecho controverso envolvendo um samaritano repleto de

' im i M a r / i , Dorian Gray, Mario

boas intenções foi cortado devido aos protestos da Igreja Católica. Aparentemente, gene-

•.r.-..mie, i'ina Gualandri, Polidor,

rosidade espontânea é uma característica provinciana, m a s , felizmente, o material foi

olami, Christian Tassou,

resgatado com o passar do tempo. De fato, a questão da bondade é essencial ao filme de

f . m Molller, Riccardo Fellini, Maria |j

Fellini, no qual, apesar do materialismo de fachada, Cabíria só quer ser feliz, como qual-

i Rolando, Amedeo Girardi,

lllin l o i a//ari Iii .H

Itália (melhor filme

lltungrlro)

quer u m . Ainda a s s i m , ela é a maior das prostitutas c o m coração de ouro, nunca triste o bastante a ponto de um bom m a m b o , ou u m a feira de rua, não levantar seu moral. Cabíria não consegue deixar de espalhar sua bondade, porém ela muitas vezes lhe

> » t l v . i l d e C a n n e s : Giulietta Masina

causa decepção o u , piot, humilhações. Um encontro casual com um hipnotizador de circo

t T i r l l i c i i atrlz), Federico Fellini

(Aldo Silvani), que extrai dela seus desejos íntimos, é bastante comovente, m a s t a m b é m

i

OCIC - menção especial)

particularmente cruel, uma vez que lhe dá esperanças de que seus sonhos e fantasias de uma vida melhor possam se tornar realidade. Sua franqueza até leva um observador a explorar sua fragilidade emocional. As atenções igualmente cruéis do artista de cinema galantcador (Alberto Lazzari) t a m b é m lhe dão falsas expectativas, m e s m o quando ela é, no fim das contas (e literalmente), tratada como um cachorro. Os sonhos de Cabíria jamais se tornam realidade e, na verdade, muitas vezes resultam cm violência casual, à medida que predadores se aproveitam de sua inocência obstinada. M e s m o assim, Fellini não explora a história de Cabíria em busca de c o m paixão fácil. Ela é uma mulher forte e orgulhosa que compra brigas, erguendo-se depois de cada queda, sacudindo a poeira e recomeçando sua caminhada em direção a uma vida nova e m e lhor. Noites de Cabíria é, como A doce vida (1960), também de Fellini, contado através da perspectiva dos destituídos, um olhar para o proverbial outro lado da sociedade, ornamentado com uma alegria otimista, mas, no fim das contas, imbuído de tristeza. JKI


TRONO MANCHADO DE SANGUE

(1957)

(KUMONOSU JÔ)

J a p ã o (Toho) 105 m i n . P & B I d i o m a : japonês D i r e ç ã o : Akira Kurosawa

Com bastante justiça, a a d a p t a ç ã o habilidosamente arrepiante, formal e e x t r e m a m e n t e Mel de Akira Kurosawa de M a c b c t h é considerada u m a d a s m a i s s e n s a c i o n a i s versões para o cinema de uma peça de S h a k e s p e a r e . A trama e a psicologia são transpostas

P r o d u ç ã o : Akira Kurosawa, Sojlro Motokl R o t e i r o : Shinobu Hashimoto, Ryu/11

b e l a m e n t e para o J a p ã o feudal, o n d e o valoroso guerreiro s a m u r a i general W a s h l z u

Klkushima, Akira Kurosawa. Hideo

(loshlro M i f u n e ) e sua esposa d e m o n í a c a , Lady Asaji (Isuzu Y a m a d a ) , I m p u l s i o n a d o s

Ogunl, baseado na peça Mui betfl .Ir

por uma a m b i ç ã o implacável e inspirados pela profecia de uma bruxa, a s s a s s i n a m seu

William Shakespeare

1 o m a n d a n t e militar, I n v a d e m um reino e se c o n d e n a m a um fim ritual e Inescapável de

F o t o g r a f i a : Asakazu Nakal

(arnificlna, paranóia, loucura e ruína. O maravilhoso M i f u n e - um dos protagonistas favoritos de Kurosawa em u m a partcria longeva ( m a i s de 16 filmes) t ã o notável q u a n t o a de M a r t i n Scorsese c o m Robert De Niro - a p r o f u n d o u sua reputação c o m o ilustre astro Internacional j a p o n ê s c o m sua

M ú s i c a : Masaru Satô E l e n c o : Toshlro Mifune, Isuzu Yamada, Takashi Shimura, Akira Kubo, Hiroshi Tachikawa, Mlnuiii Chiaki, Takamaru Sasaki, Kokuten

a t u a ç ã o . A seqüência da sua m o r t e , encenada de forma brilhante, na qual ele é cravado

Kodo, Kichljiro Ueda, Eiko Mlyiishl,

por uma saraivada de flechas, é uma das grandes I m a g e n s Icônicas do c i n e m a m u n d i a l .

Chleko Nanlwa, Nakajiro Touilla, vu

I lementos do teatro Nô, da tradicional arte da batalha japonesa, de realismo histórico

Fujikl, Sachio Sakaí, Shin Otomc

e da reflexão c o n t e m p o r â n e a sobre a natureza do b e m e do mal são fundidos aqui em

F e s t i v a l d e V e n e z a : Akira Kurosawa, Indicação (Leão de Ouro)

um m u n d o opressivo e envolto em neblina, repleto de presságios sinistros e m á g i c o s , c o m suas florestas e castelos (o castelo foi construído em locação nas alturas do m o n t e Fuji, c o m a ajuda de um batalhão do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados U n i d o s baseado nas proximidades). AE

0 INCRÍVEL HOMEM QUE ENCOLHEU

E U A (Universal) 8 1 min. P & B

(1957)

I d i o m a : inglês

(THE INCREDIBLE SHRINKING MAN)

D i r e ç ã o : Jack Arnold

1 xposto a uma n u v e m misteriosa, p r o v a v e l m e n t e radioativa, e n q u a n t o estava em um ( l u z e i r o , Scott Carey (Grant W i l l i a m s ) se surpreende encolhendo aos poucos. A simpll( I d a d e visual do diretor J a c k Arnold c o m b i n a perfeitamente c o m o caráter absurdo e a m b í g u o da premissa da história de Richard M a t h e s o n . A primeira m e t a d e de O incrível homem que encolheu - representando a condição do herói c o m o um problema alterna-

P r o d u ç ã o : Albert Zugsmlth R o t e i r o : Richard M a t h e s o n , Rn li.inl Alan S i m m o n s , baseado no livro Dll Shrinking Man, de Rlchaid Mathe-.ini F o t o g r a f i a : Ellis W. Carter M ú s i c a : Foster Carling, Earl

d a m e n t e médico, doméstico e socioeconómico - não faria feio ao lado de Delírio delouE. Lawrence 1 ura (1956), de Nlcholas Ray, e de Palavras ao Vento (1956), de Douglas Slrk, c o m seu E l e n c o : Grant Williams, Randy Muni retrato Irônico e aterrorizante da vida da classe média a m e r i c a n a virada do avesso.

April Kent, Paul Langton, Ray

C o n t u d o , é na sua segunda m e t a d e - Scott, e n t ã o menor do que o salto de um sapato,

Bailey, William Schallert, Frank I

i' a b a n d o n a d o em seu porão e precisa enfrentar várias a m e a ç a s naturais - que o filme

Scannell, Helene Marshall, Diana

l e a l m e n t e d e s l a n c h a , t o r n a n d o - s e uma aventura de ficção científica e m o c i o n a n t e e

D a m n , Billy Curtis

I

poética. O desfecho inspirador - "Para D e u s , não existe zero" - é um raro exemplo de 1 inema popular lidando de forma explícita c o m a metafísica. Grande parte da força do filme v e m da sua agudeza psicológica e do uso vívido e preciso dos objetos - sua arquitetura de e s c a d a s , caixotes, caixas de fósforos e latas de tinta. Para M a t h e s o n e Arnold, Scott Carey é um típico h o m e m da era a t ô m i c a : sua aventura é uma lição sobre a hostilidade do espaço urbano e da propensão Indestrutível da h u m a n i d a d e de t o m a r a si m e s m a c o m o medida de todas as coisas. Cfu

11/


India

(i pic) 127 min.

P&B

0 INVENCÍVEL (1957) (APARAJITO)

I d i o m a : bengali D l i r ç a o : Satyajlt Ray

O invencível é o s e g u n d o f i l m e da grande trilogia de A p u de Satyajit Ray. Após a m o r t e

P r o d u ç ã o : Satyajit Ray

da sua irmã em A canção da estrada, o j o v e m A p u (Pinaki S e n g u p t a ) e seus pais se

R o t e i r o : Satyajit Ray, baseado no

m u d a m para B c n a r e s . E n q u a n t o o pai Harihar ( K a n u Bannerjee) g a n h a a vida c o m o

l l v i u de Bibhutibhusan

pregador nas m a r g e n s do G a n g e s , o m e n i n o perambula pela c i d a d e , fascinado pela rica

handyopadhyay

'

mistura de paisagens e s o n s que ela oferece. P o r é m Harihar contrai u m a febre e morre,

f o t o g r a f i a : Subrata Mitra

e Sarbojaya (Karuna Bannerjee), a m ã e de A p u , incapaz de se s u s t e n t a r sozinha, leva o

IHÚtll . 1 : Ravi Shankar

filho de volta para o c a m p o , para a família de seu sogro. A p u , tendo sentido o gosto da

llenco:

Kanu Bannerjee, Karuna

I ineerjee, Pinaki S e n g u p t a , S m a r a n

Bhòlllt Santl

Gupta, Ramanl

I m e n s i d ã o do m u n d o , já não se satisfaz c o m a vida interiorana simples da sua infância e o professor da região Incentiva a a m b i ç ã o e curiosidade do rapaz. Aos 16 a n o s , ele g a n h a u m a bolsa para estudar em C a l c u t á . S e d u z i d o pela a g i t a ç ã o da c i d a d e f e r v i l h a n -

S r n g u p l a , Ranibala, Sudipta Roy, Alay

Ifltra,'

h.miprakash G o s h . Subodh

(í.injrull. M a n i S r i m a n i , H e m a n t a Chatterjee, Kali Bannerjee, Kalicharan liny

i c u i v . d d c V e n e z a : Satyajit Ray (Leão

t e , A p u ( e n t ã o Interpretado por S m a r a n Ghosal) volta para casa r a r a m e n t e e c o m relutância. S a r b o j a y a , solitária e d e s e s p e r a d a m e n t e d o e n t e , se recusa a pedir q u e seu filho tenha c o m p a i x ã o dela por m e d o dc atrapalhar seus e s t u d o s . F i n a l m e n t e , uma carta do tio de Apu o traz de volta - um dia tarde d e m a i s . Depois do funeral, r e c u s a n d o se a seguir o pai no sacerdócio, ele volta para C a l c u t á .

d r < lum) C o m o c o n v é m à sua c o n d i ç ã o de filme do m e i o , O invencível forma uma ponte essencial na trilogia de Ray. Ele apresenta a vida a t c m p o r a l e a u t o - s u f i c i e n t e da aldeia bengali de A c a n ç ã o da estrada à Influência nociva da c i d a d e , m o s t r a n d o o j o v e m herói de Ray dividido e n t r e dois m u n d o s e se a f a s t a n d o gradual e i n e v i t a v e l m e n t e d o s s e u s pais. C o m o de hábito, Ray não pesa a balança a favor de um ou outro p e r s o n a g e m . E n t e n d e m o s por que Apu se sente compelido a buscar o m u n d o mais a m p l o ; c o m p a r t i l h a m o s sua alegria em aprender, sua s e n s a ç ã o de conquista pessoal. No e n t a n t o , ao m e s mo t e m p o , v e m o s a dor de S a r b o j a y a , q u e perdeu a filha de forma prematura e agora está

perdendo seu filho. No m o m e n t o

mais pungente do filme, Sarbojaya, uma noite, aguarda, à beira da m o r t e , a c h e g a da do t r e m , na esperança dc q u e ele lhe traga Apu d e volta u m a última vez. U m t r e m se aproxima ao longe; ela se l e v a n ta, a n s i o s a , o l h a n d o para a e s c u r i d ã o . Nada - a p e n a s o silêncio e a dança dos vaga-lumes. PK


SEM LEI, SEM ALMA

(1957)

E U A (Paramount) 122 min. Tech

loi

I d i o m a : Inglês

(GUNFIGHT AT THE OK CORRAL)

D i r e ç ã o : John Sturges A recriação de J o h n Sturges da famosa batalha entre W y a t t Earp e a gangue de Clanton em

P r o d u ç ã o : Joseph H . Hazen, Paul

lombstone, Arizona, no dia 26 de outubro de 1881, não foi a primeira versão para o cinema

N a t h a n , Hal B. Wallls

do ocorrido. Contudo, o filme de Sturges é um pouco mais historicamente preciso do q u e

R o t e i r o : George Scullln, Leon N u I ,

Puixõo de fortes (1946), de J o h n Ford. No filme de Ford, por exemplo. Doe Holllday, o sócio

baseado no artigo "The Killer", de

de Earp, é m o r t o na batalha; na verdade, ele continuou vivo por mais seis a n o s . Sem lei.

George Scullin

Sem alma é u m a grande produção, t e c n i c a m e n t e excelente e com um orçamento polpu do, e t e m a seu favor um ótimo elenco. Burt Lancaster está repleto de autoridade como

F o t o g r a f i a : Charles Lang M ú s i c a : Dimitri Tlomkln E l e n c o : Burt Lancaster, Klrk D o u g l l l ,

1 11 p, por vezes assustador em sua determinação. Em contraste, Klrk Douglas se diverte como o tuberculoso Holliday, sempre com um sorriso no rosto, m a s tão mortal quanto

Rhonda Fleming, Jo Van Fleet, lohn Ireland, Lyle Bettger, Frank Faylen.

uma serpente. Há t a m b é m um elenco de apoio de peso, c o m Jo Van Fleet c o m o " B l g

Earl Holllman, Ted de Corsia, Dennis

N o s e " Kate, a mulher maltratada de Doe, e J o h n Ireland c o m o o pistoleiro J o h n n y Ringo.

Hopper, W h i t Blssel, George

A trilha sonora melodiosa, a cargo de Dimitri Tiomkin, que t a m b é m c o m p ô s a m ú s i c a de outros faroestes no estilo "cidade em perigo", c o m o Matar ou morrer e Onde comera o inferno, é u m a contribuição considerável, e a c a n ç â o - t e m a de Frankie Laine foi um grande sucesso. No e n t a n t o , se você deseja um t r a t a m e n t o mais realisticamente pessi-

M a t h e w s , J o h n Hudson, De Foresl Kelley, M a r t i n Milner I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Warren I o w (edição), George Dutton (s

)

mista da história de W y a t t Earp, deve assistir A hora da pistola, a seqüência de 1967, l a m b e m de S t u r g e s , no qual o Incidente no OK Corral é a p e n a s o c o m e ç o . EB

A PONTE DO RIO KWAI

(1957)

(THE BRIDGE 0N THE RIVER KWAI)

I n g l a t e r r a (Columbla, Horlzon) 161 m i n . Technicolor I d i o m a : I n g l ê s / j a p o n ê s / tallandll

Pode não haver honra entre ladrões, m a s o m e s m o não se pode dizer de inimigos de D i r e ç ã o : Davld Lean guerra. Pelo m e n o s é nisso que acredita o coronel Nlcholson de Alec G u i n n e s s em A P r o d u ç ã o : S a m Splegel ponte do rio Kwai, q u e insiste q u e os inspetores japoneses do calorcnto c a m p o de con, filtração birmanês em que está preso o t r a t e m , e a seus h o m e n s , c o m respeito. P o r é m , enquanto esse c o m a n d a n t e impecável - um paradigma do pragmatismo inglês - organi.1 11 nnstrução de uma ponte ferroviária inimiga, um grupo de a m e r i c a n o s c o m a n d a d o pelo prisioneiro fugitivo major Shears ( W i l l i a m Holden) está a c a m i n h o para explodi-la.

R o t e i r o : Carl Foreman, Mi< hael W i l s o n , baseado no llvrn A ponte d" rio Kwai, de Pierre Boulle F o t o g r a f i a : Jack Hildyard M ú s i c a : Malcolm Arnold

0 diretor David Lean retira do conflito iminente o máximo de ironia, estabelecendo

E l e n c o : W i l l i a m Holden, Alec

1 iiiinness como a contraparte trágica do ianque frio de Holden. Como sempre, Lean carrega o

Guinness, Jack Hawkins, SeS!

hl

H a y a k a w a , J a m e s Donald, Geoffriy

de Inúmeros detalhes, preenchendo a Imagem em widesercen com atividades comple1 cenários meticulosamente construídos.

No entanto, o que sustenta a unidade deste epii 11 da Segunda Guerra Mundial são os três

Horne, André Morell, Pcter W I I I I . I I I I * . , John Boxer, Percy Herbert. Harold G o o d w l n , Ann Sears, Heihachlro Okawa, Kelichiro K a t s u m o l o , M R 11

pioiagonistas leônicos: Guinness, rígido e tra-

Chakrabandhu

dli ninai; Holden, relaxado e cínico; c Sessue

O s c a r : S a m Spiegel (melhor filma),

Hayakawa, como o coronel japonês apanha-

David Lean (diretor), Plerre B o u l l e . 1 nl

do, Inadvertidamente, no meio de um conflito transatlântico de vontades. Embora as cenas

Foreman, Mlchael Wilson (roteiro) Alec Guinness (ator), Jack Hildyaul (fotografia), PeterTaylor (edição),

i I H . i r . de destruição sejam enaltecidas, com

Malcolm Arnold (música)

lUItlça, por seu trabalho de dubles, coreogra-

* O s roteírístas Carl Foreman e Mu hael

lla e m o n t a g e m , um dos elementos mais m e -

Wilson estavam na lista negia <• lm.111

i.ivels de Kwai continua sendo "The Colo-

premiados postumamente em n

1

I n d i c a ç ã o a o O s c a r : Sessue in'l Bogey March", a marcha bem-humorada e

Hayakawa (ator coadjuvante)

i v . 11Iii,ida de Malcolm Arnold. JKl

!!'i


MAE INDIA

(1957)

(BHARAT MATA) M õ c índia, de M e h b o o b K h a n , c o n t i n u a s e n d o o m a i s f u n d a m e n t a l filme indiano m e s mo 50 a n o s depois do seu l a n ç a m e n t o . Ele retrata a luta de u m a mulher, Radha (Nargis), para conciliar valores t r a d i c i o n a i s e a vida rural c o m u m a prometida utopia m o d e r n a . Um sucesso internacional de público em boa parte da Ásia e da África - que v i a m a índia c o m o exemplo de luta pela descolonização -, M ã e índia t a m b é m c o n q u i s t o u r e c o n h e c i m e n t o na Europa e nos Estados U n i d o s c o m o um dos poucos filmes i n d i a n o s já indicados para um Oscar. M e h b o o b K h a n , um dos primeiros diretores indianos a utilizar ostensivamente as cores, já havia trabalhado cm uma escala épica em seus filmes históricos e se aproveitou dessa experiência neste estudo da vida rural, realizando, no processo, um épico nacional, uma nova história para uma nova n a ç ã o . Mãe índia possui um enredo poderoso, que a c o m panha a heroína de seu c a s a m e n t o até a velhice, e é repleto de referências mitológicas, i n , l i . I (Mehboob) 172 min. Technicolor i-li

.1:

uma vez que os n o m e s dos personagens os associam a figuras-chave do panteão hindu. O filme conta com as principais estrelas indianas da época, notadamente Nargis, Raj

hindi

D l i i ' t a o : M e h b o o b Khan

K u m a r e Sunil Dutt. Nargis, que tinha um relacionamento amoroso com o lendário Raj

Produção: M e h b o o b Khan

Kapoor, causou frisson ao se casar com Sunil Dutt após o término das filmagens, especial-

Roteiro: Mehboob K h a n , W a j a h a t

m e n t e por ele ter Interpretado seu filho nas telas. A trilha sonora eternamente popular de

M i l / . I , S. All Raza

M ã e índia foi composta por Naushad Ali, numa mistura de canções populares e rogos

I

(melodias hindus) arranjadas em um estilo ocidental com sua orquestra de 100 músicos,

1:1.ilia: Faredoon A. Irani

M M M I .1: Naushad

marca registrada do estilo de cinema indiano supostamente inventado pelo compositor.

I l e i i c o : N.irgis, Sunil Dutt, Raaj

Mãeíndia t a m b é m é visualmente espetacular. Seus planos da heroína arrastando um arado

I

como um animal de carga e os rostos felizes de Radha com seus filhos depois da colheita,

. 1 1 , Rajendra Kumar, Kanhaiyalal,

I- mill' u m , Mestre Sajid, Sitara Devi,

olhando em direção a um futuro melhor no estilo do realismo soviético, se tornaram ícones.

• m i n , Sajid K h a n , Azra, C h a n c h a l , • IN in I aushal, Sheela Naik

Indll i c l o ao

Oscar: índia (melhor

flliiu' estrangeiro)

A complexidade de Mãe índia e a série de interpretações diferentes que ele gerou t o r n a r a m este filme um dos poucos que ainda c o n s e g u e m atrair platéias onde quer que seja exibido. Este é o primeiro filme I n d i a n o q u e q u a l q u e r pessoa Interessada no c i n e m a m u n d i a l deveria assistir. R D w


QUANDO VOAM AS CEGONHAS (1957)

U R S S (Mosfllm) 97 min. P & B I d i o m a : russo

(LETJAT ZHURAVLI)

Direção:

Mikhell Kalatozishvili'

Nos ú l t i m o s a n o s de S t a l l n e do s t a l l n i s m o , o c i n e m a soviético p r a t i c a m e n t e d e s a p a P r o d u ç ã o : Mikhell Kalatozishvili i c c e u . A c o n t í n u a d e v a s t a ç ã o e c o n ô m i c a acarretada pela guerra, a s s i m c o m o o m e d o generalizado que definia a vida cotidiana, fizeram c o m q u e os a n t e s prósperos estúdios

R o t e i r o : Viktor Rozov, baseado em sua

peça

ietjat Zhuravll

soviéticos q u a s e f e c h a s s e m as portas. A p ó s a m o r t e de Stalin em 1953, um c i n e m a so-

F o t o g r a f i a : Sergel Urusevsky

viético redivivo c o m e ç o u l e n t a m e n t e a vir à t o n a , e o filme q u e velo a simbolizar esse

E l e n c o : Tatiana S a m o i l o v a , Air 11

renascimento foi Quando voam as cegonhas, de Mikhall Kalatozov. A p a r e n t e m e n t e um

Batalov, Vasill Merkuryev, Aleksandl

r o m a n c e de guerra sobre dois a m a n t e s , Borls (Aleksel B a t a l o v ) e Veronika (Tatiana

Shvorln, Svetlana Kharítonova,

••amollova), q u e são separados logo d e p o i s do início do conflito, o f i l m e d e s a f i o u ,

Konstantin Nikitin, Valentin / nl'I "

c o r a j o s a m e n t e , t o d o s os clichês do g ê n e r o . Em vez de celebrar as vitórias gloriosas do

Antonina Bogdanova, Boris Kokovkln

Exército V e r m e l h o , Quando voam as cegonhas se concentra em a l g u n s d o s m o m e n t o s mais sombrios da guerra, q u a n d o a e x t r e m a m e n t e eficaz e aterrorizante m á q u i n a de

Yekaterina Kupriyanova F e s t i v a l d e C a n n e s : Mikhell Kalatozishvili (Palma de Ouro),

guerra a l e m ã estava derrotando c o m facilidade o m a l organizado c e q u i p a d o (embora Tatiana Samoilova (menção espei M I | heróico) exército russo. Na frente interna há pouco m a i s que desespero e a s e n s a ç ã o de que é " c a d a um por '.!". A d m i r a v e l m e n t e , as platéias soviéticas receberam de braços abertos essa reflexão sobre s u a s experiências dos t e m p o s de guerra. Talvez por estar cansada de propaganda, eles s a b i a m m u l t o b e m q u e a guerra, na v e r d a d e , produzira poucos heróis de q u a l q u e r ilpo. C o m o os j o v e n s a m a n t e s , Batalov c S a m o l l o v a estão m a r a v i l h o s a m e n t e c o m o v e n les, sexy e c a t i v a n t e s , p o r é m a verdadeira estrela do filme é o trabalho de c â m e r a v o l u p t u o s o do fotógrafo Sergcl U r u s c v s k y . C o m s e u s planos de grua de tirar o fôlego, p a n o r â m i c a s arrebatadoras c uso v i b r a n t e de câmera na m ã o , U r u s e v s k y (que havia trabalhado

com

Dovzhenko

no

brilhante d o c u m e n t á r i o

de

guerra

Ucrânia soviética) traduz um m u n d o que perdeu o r u m o , ou mesmo qualquer ponto de referência fixo - seja ele moral ou politico - e t a n g í v e l . U r u s e v s k y faria p o s t e r i o r m e n t e , com Kalatozov, o i n f a m e , e m b o r a m u i t o a d m i r a d o , Soy Cuba (1964), pol e m , e n q u a n t o para a l g u n s este ú l t i m o parece s a b o t a d o por

m

Sua própria estilização barroca, Quando voam as cegonhas ja-

jm

mais se p e r m i t e usar s e u s efeitos visuais de forma gratuita, Este t a m b é m foi o primeiro f i l m e soviético da era da Guerra Mia a receber distribuição ampla (pela W a r n e r Brothers) nos I-.lados U n i d o s . R P

j • 18

A

batalha pela

* O diretor t a m b é m é chamai In d. Mlkhail Kalatozov


1001 filmes para ver antes de morrer parte iii