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Editorial “Certa manhã, um homem novo e arrapazado entrou numa livraria e pediu para falar com o dono. O seu pedido foi prontamente atendido. O livreiro, um velho de figura veneranda, lançou um olhar incisivo ao homem um tanto acanhado que tinha diante de si e deu-lhe sinal para que falasse. ‘Quero ser livreiro’, disse o juvenil principiante, ‘é um desejo que tenho e não sei de nada que pudesse impedir a sua concretização. Desde sempre imaginei que o negócio dos livros seria encantador e não percebo por que razão fiquei eu até hoje do lado de fora de uma coisa tão bonita e tão amável. Fique a saber, meu caro senhor, que, tal como hoje estou aqui à sua frente, me sinto extraordinariamente habilitado a vender os livros da sua loja, tantos livros quantos o senhor desejar. [...] Aqui na sua loja (e a voz do rapaz ganhou uma súbita candura), senhor livreiro, sem dúvida que serei capaz de permanecer anos a fio. Em todo o caso, tudo leva a supor que será boa ideia conceder-me uma oportunidade.” Robert Walser, os IRMÃOS TANNER Chegámos a Maio. Aguardamo-lo, como sempre, na nossa e sua livraria. Este mês continuamos com as nossas Leituras Fabricadas, desta vez, a comunidade de leitores para a qual insistimos em convidá-lo lerá Da Tragédia à Farsa de Zizek, nos dias 10 e 24 de Maio. A 15 e 29 a imoderação de Nuno Nabais e André Gomes espera-o para mais duas sessões de Stand-Up Philosophy. Desde já convidamo-lo também para a apresentação do livro SOLARIS BETA PICTORIS de Rodrigo Vilhena no dia 13 de Maio. Na tarde de Domingo 22 o convite estende-se às crianças (além dos pais e educadores) para uma apresentação dos livros CANTAR JUNTOS I e II pela Associação A Par - Aprender em Parceria. Os livros e os autores que compõem este território aberto de intensidades a que chamamos livraria convidam-no mais uma vez.


Max Ernst ŠMan Ray

Editorial


Novidades

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A MÃO NA ÁGUA QUE CORRE Autor: José Manuel de Vasconcelos “Meu pai falava do odor das alfavacas e eu corria ao dicionário («Planta labiada, semelhante ao manjericão…»), logo decepcionado Imaginava uma vaca primordial depositária de bíblicos segredos capaz de mudar o curso das coisas de ser fundamental, talvez, na minha vida mas nada disso: havia-as de caboclo, de cobra, dos montes, do campo, de cheiro (certamente as do meu pai) e nenhuma referência à cornuda que apascentava a minha imaginação. Aprendi assim a desconfiar das palavras e da realidade a ver como ambas nos enganam sem qualquer piedade”.

ESCREVER PAISAGEM Autor: Manuel Baptista «Tudo vem, afinal, da banda desenhada. No princípio, uma criança copiava e forjava histórias aos quadradinhos a partir de figuras que o deslumbravam, como o Rato Mickey e o Bugs Bunny. Tirava-as dos álbuns e dos filmes de desenhos animados. No fim (que foi um outro começo), um pintor, em plena posse da sua linguagem, inventava o seu próprio mundo. Entre estes dois pontos muita coisa se passou. É apenas uma linha, entre tantas outras, que aqui se procura seguir, paramelhor entender estes desenhos de 1958 a 1972 de Manuel Baptista.» José Gil

POESIA Autor: Umberto Saba Herdeira de uma tradição poética classicista com origem em Dante, na qual se podem incluir autores como Petrarca, Parini, Manzoni, Leopardi e o Foscolo dos sonetos, das odes e de Dei sepolcri, a poesia de Saba é a procura persistente de uma perfeição e coerência formais com que cobrir a aspereza do vivido e do sentido, com as suas contradições, a sua incompletude, as suas consequências.


Lourdes Castro ©Catarina Mourão

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Sugestões Sombras à volta de um centro Autor: Lourdes Castro “Não é fácil sair de si próprio. se bem que não haja coisa mais natural no mundo. Sabem-no as plantas e os animais. Sabe-o o próprio universo com as suas galáxias e constelações. Sabe-o a sombra mesmo quando o corpo o ignora”. João Fernandes

A história Fabulosa de Peter Schlemihl

Autor: Adelbert Von Chamisso “No centro da História Fabulosa de Peter Schlemihl está o dilema em que o autor coloca o seu anti-herói: Somos quem, ou o quê? Corpo ou sombra? Eu ou outro? Presente ou memória? Matéria ou alma? Chamisso resolve o dilema em favor de uma incógnita - a alma que Schlemihl quer preservar - [...] a sombra”. João Barrento

EU: SEIS INCONFERÊNCIAS Autor: E.E Cummings Num tom predominantemente autobiográfico, o autor revela quais os valores em que se fundamenta a sua ‘retórica tipográfica’. Essses valores são ‘ser’ e ‘crescer’, metáforas da ‘autotranscendência’, [...] que, de acordo com a definição dada na ‘inconferência’ cinco, consiste em ‘morrer no tempo e renascer para a eternidade’.


Ivan TurguÊniev ŠNadar

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HORA: NOITE Autor: Liudmila Petruchévskaia “Para quem pensa que a moderna Rússia é realmente moderna, ou que a sua literatura contemporânea nada tem a ver com Dostoievski, esta excelente novela de Liudmila Petruchévskaia serve de útil esclarecimento. Entre Tchékhov e o nouveau roman, o estilo é adequado ao material, e o recurso ao velho esquema dos manuscritos encontrados algures não parece artificioso. Quanto à matéria, podemos descrevê-la como uma versão um bocado mais intensa de alguns vícios familiares portugueses, incluindo a corrupção.” Luís M. Faria

SOLO VIRGEM Autor: Ivan Turguéniev “Turguéniev tem [...] uma intuição profundamente sensível à deslumbrante complexidade das nossas almas.” Henry James

A FAMÍLIA GOLOVLIOV Autor: Saltykov-Shchedrin “A linhagem que começa com Dostoievski, passa por Shchedrin e chega a Hamsun é visível. Assim considerado, Família Golovliov, um livro estranho e áspero, cujas personagens a um mesmo tempo sofrem a doença do nada e aspiram a ela, um livro que é por vezes uma ampla sátira, outras um livro de terror gótico, e outras ainda um anti-romance, torna-se cada vez mais moderno com a passagem do tempo.” James Wood


F. Scott Fitzgerald / http://www.answers.com

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The crack-up e outros escritos Autor: F. Scott Fitzgerald ““Toda a vida é um processo de demolição.” Quem o diz é F. Scott Fitzgerald, que viveu na pele os altos e baixos da existência humana: o brilho do sucesso, mas também depressões, dívidas, alcoolismo e bloqueios criativos. São todos estes “golpes” que recorda neste conjunto de textos redigidos na fase mais difícil da sua vida. Entre outros temas, o escritor norte-americano fala sobre a era do jazz, o êxito precoce, O Grande Gatsby e o seu declínio.” Luís Ricardo Duarte

AMOR E VERÃO Autor: William Trevor Chegou oVerão e em Rathmoye pouco ou nada acontece.Tanto mais notória se torna a chegada de um estranho de cabelo escuro, Florian, que se passeia pela cidade na sua bicicleta. Collected Stories de William Trevor está entre os melhores livros da literatura anglo-americana desde 1945 segundo o crítico James Wood.

Americana Autor: Don DeLillo “DeLillo é um homem com uma percepção assustadora.” Joyce Carol Oates


Hugo Ball / Rober t WalserArchiv / wwww.robertwalser.ch

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histórias de imagens Autor: Robert Walser Walter Benjamin, Franz Kafka, Robert Musil e Herman Hesse, juntamente com W.G. Sebald ou Agamben declararam-se admiradores da obra do Walser, o que faz dele um dos escritores mais importantes da literatura alemã moderna. “No meu livro “Comunidade que Vem”, comparei as figuras de Walser com as criaturas que habitam o limbo. A felicidade do limbo é o segredo das criaturas de Walser. Estas vivem fora da maldição e da salvação. Ignoram Deus e o homem, a lei e o destino. Permanecem para sempre perdidos pelo abandono de Deus.” Giorgio Agamben

O caderno cinzento Autor: Josep Pla Ultrapassando os limites da literatura catalã, apresenta-se-nos como uma das obras imprescindíveis da literatura do século XX. Cronologicamente situado num dos momentos históricos decisivos dos inícios do século,este livro é uma visão particular da autobiografia de um estudante que,partindo de uma realidade local ,se prepara para ser,sem o saber plenamente e segundo o conhecimento e a tradição literária posterior, um dos agentes culturais mais agudos que nós, europeus, tivemos ao longo de mais dos sessenta anos que nos levaram da era finissecular até isto que agora chamam de pós-modernidade e que não é mais do que a crise do velho continente perante a revolução tecnológica, com todas as implicações económicas e sociais que o facto acarreta.

Mortes imaginárias Autor: Michel Schneider Belo cemitério este por onde Michel Schneider nos leva a passear. De Montaigne a Truman Capote, conta-nos os derradeiros momentos de trinta e seis escritores, num livro quase divertido, como todas as lições de lucidez e de coragem. Nada de “falecidos ” nem de “desaparecidos.” Nada de disparates modernos como“cumprir o luto”.Os moribundos que habitam esta recolha sabem que a morte faz parte da vida, que é resumo e revelador último dela. Nabokov abandona a vida a pensar em borboletas; Flaubert termina (talvez) os seus dias da mesma forma como terminou A educação sentimental : com um pensamento de grande reconhecimento dirigido às prostitutas.


Suspense Colecção: Gato Preto Editor: Cotovia

Matthew Scudder e Bernard Rohdenbarr, dois detectives e duas séries criados pelo autor de uma nova colecção de livro policial. Block escreveu duas séries de culto, protagonizadas por Bernard Rhodenbarr e Matthew Scudder. Puro divertimento literário, são ambas publicadas na Colecção Gato Preto. O ladrão-alfarrabista Bernie Rhodenbarr não desenvolve grandes teorias à volta da sua carreira do fora-da-lei. É bom no que faz, e para além da excitação viciante que isso traz, ganha-se muito mais do que tratar de velhos livros. Matthew Scudder: nos primeiros livros é um antigo polícia, alcoólico furioso e defectivo sem licença. Nos livros mais recentes já está sóbrio.


Fábrica Junior medos de mãe Autor: AAVV Editor: Livros Horizonte “A Mãe Cabra é uma mãe muito ansiosa, como todas as mães. Mais ainda. Em tudo vê perigos. Umas vezes exagera, outras tem razão: quem é que se fia num carniceiro vegetariano e num Senhor Lobo saudoso dos tempos em que os lobos eram ferozes?”

A aventura no mar Autor: Enid Blyton Editor: Relógio D’Água A Relógio D’Água publica duas obras de Enid Blyton, da colecção Aventuras: A Aventura no Barco e A Aventura no Mar, ambas ilustradas por Stuart Tresilian. Aqui continuam as aventuras de João, Filipe, Dina, Maria da Luz e da catatua Didi. Como a autora diz no Prefácio, cada um dos livros “constitui uma história completa”, vivida nos diferentes cenários em que as personagens passam férias emocionantes.

DÁCHENKA ou a vida de um cachorrinho Autor: Karel Capek Editor: Alfabeto “A Dáchenka já não é uma bolinha indefesa de rabo a tremer, é agora um ser extremamente independente, felpudo e curioso, dentudo e traquinas, voraz e destruidor. Falando cientificamente, a Dáchenka evoluiu para uma criatura vertebrada (verte! bradra!) da família dos canídeos traquinas, ordem dos diabretes, género dos irrequietos, espécie dos bandidos, raça dos travessos-de-orelhas-pretas”.


Apresentação Domingo, 22 de Maio, às 16H

Sessão A PAR para Pais e Filhos

CANTAR JUNTOS I e II compõem uma série de livros com CD com rimas e canções. Cada um deles pretende proporcionar um momento agradável e divertido de brincadeira entre pais e filhos, que contribui fortemente para a criação de vínculos relacionais positivos entre estes e para o desenvolvimento saudável das crianças, criando nestas predisposições positivas para as aprendizagens. Os livros também incluem algumas sugestões de jogos e actividades para os pais ou educadores fazerem com as crianças. Estas publicações são editadas pela ASSOCIAÇÃO A PARAPRENDER EM PARCERIA que prepara uma sessão aqui na nossa livraria. Saiba mais em: www.a-par.pt


Francis Bacon ŠDavid Bailey

Destaques


Destaques a verdadeira imagem Autor: Hans Belting Editor: Dafne “Nas fontes relativas à controvérsia sobre as imagens, habitualmente, onde se fica a saber grande coisa sobre a figuratividade, mas bastante mais sobre as relações de poder no espaço público. As imagens eram, uma e outra vez, apresentadas em lugares públicos para atrair sobre elas a prática que rotulamos de culto. A destruição da imagem é tão-só a outra faceta do culto da imagem, é o culto da imagem sob o signo contrário ou a violência contra as imagens em nome das quais se sofreu violência.” H.B.

Lógica da sensação Autor: Gilles Deleuze Editor: Orfeu Negro Francis Bacon – Lógica da Sensação apresenta-nos o trabalho filosófico de Gilles Deleuze em confronto com a obra de um dos pintores mais marcantes do século xx: Francis Bacon.Tendo como base a lógica não-racional da sensação, Deleuze inaugura uma nova concepção da estética, que encontra a sua origem e paralelo em determinados aspectos das pinturas de Bacon. O texto, publicado pela primeira vez em 1981 (Éditions de la Différence, 2 vols.), está organizado numa cadência quase musical, dividindo-se em 17 sequências, através das quais vamos não só descobrindo uma composição de conceitos, mas ainda as ligações entre as artes visuais e as áreas da filosofia, da literatura e da música.

filosofia da arte Autor: Noel Carroll Editor: Texto & Grafia “Das estátuas de demónios e escudos de guerreiros aos readymades de Duchamp, o que é preciso para que um objecto seja arte? Filosofia da Arte é uma obra destinada ao leitor interessado pela estética. Perseguindo a questão sobre o que define o que é ou não arte, tem por objectivo apresentar as modalidades mais destacadas da filosofia analítica: teoria da arte, formalismo e neoformalismo, estética da arte, neowittgensteinianismo, teoria institucional da arte, assim como abordagens históricas da natureza da arte. “ N.C.


Norber t Elias ©Gisèle Freud

Destaques


Destaques A sociedade de corte Autor: Norbert Elias Editor: Estampa A sociedade de corte constitui um dispositivo fundamental na modificação das sensibilidades e dos comportamentos do homem ocidental nos séculos XVII e XVIII. É no seu seio que se produzem as novas relações entre os homens, a partir de novas regras de comportamento.

os viajantes e o “livro dos museus” Autor: João Carlos Brigola Editor: Dafne Ao longo dos séculos XVIII e XIX, numerosos viajantes estrangeiros relataram as suas visitas às colecções e museus de Portugal. Este livro recolhe e sistematiza esses textos, escritos quase sempre em língua inglesa, francesa ou castelhana, por homens que se ocupavam com as artes da guerra, a escrita, a diplomacia ou a erudição naturalista.

razões de saúde Autor: AAVV Editor: Fim de Século Na vida quotidiana,invocar“razões de saúde”permite justificar um comportamento de ruptura em relação a expectativas sociais ou a determinados compromissos.“Razões” são, neste caso, causas ou constrangimentos incontroláveis que se opõem à acção consciente e racional de um indivíduo. Esta tensão é constitutiva do eixo principal deste volume.


Jacques Derrida / mutlaktoz.wordpress.com

Destaques


Destaques Teoria geral do direito e do estado Autor: Hans Kelsen Editor: Martins Fontes “O Direito é uma ordem da conduta humana. Uma ‘ordem’ é um sistema de regras. O Direito não é, como às vezes se diz, uma regra. É um conjunto de regras que possui o tipo de unidade que entendemos por sistema.” H.K.

discurso sobre as paixões do amor Autor: Blaise Pascal Editor: Fenda “O homem nasceu para pensar; por isso não está um momento sem o fazer; mas os pensamentos puros, que o tornariam feliz se pudesse sustentá-los sempre, fatigam-no e abatem-no. É uma vida igual à qual não pode acomodar-se; faltam-lhe a agitação e a acção, quer dizer que é necessário que o sacudam por vezes paixões.” B.P.

a escritura e a diferença Autor: Jacques Derrida Editor: Perspectiva O que aqui se escreve aqui diferança assinala o estranho movimento, a unidade irredutivelmente impura de um diferir (desvio, adiamento, delegação, divisão, desigualdade, espaçamento) cuja economia excede as fontes declaradas do logos clássico. É esse movimento que dá unidade aos ensaios aqui encadeados.


Fonds Sonia Sheridan / http///www.fondation-langlois.org

Lanรงamento


Lançamento 6ªfeira, 13 de Maio, às 21H Solaris - Sistema Beta Pictoris Autor: RODRIGO VILHENA Editor: Fim de Século Irão participar o autor, Cristina Pratas Cruzeiro, José R. Croca e Olga Pombo Serão projectados dois pequenos vídeos

Solaris – Sistema Beta Pictoris é um work in progress dividido em dez tempos. Estes formam um ciclo de exposições que ocorreram em diversos espaços expositivos, em Lisboa e Londres, entre 2004 e 2009. Os dez tempos estão interligados entre si, mas, como o título e subtítulo indicam, “Solaris – Sistema Beta Pictoris”, as exposições começaram por focar essencialmente o planeta Solaris, para partirem, posteriormente, para o sistema Beta Pictoris, onde o planeta se encontra. Rodrigo Vilhena, com a idade de trinta e três anos, termina, em 2001, o seu trabalho consagrado ao auto-retrato. A partir desta data, entra num processo autofágico, no qual vai destruindo as suas obras, a sua história e as suas referências culturais. Renega uma arte que se deixou envolver no mercado artístico e na gestão dos valores estéticos.Desde 2010,recusa expor em galerias e feiras de arte comerciais. A sua prática artística implica, a partir de então, um processo curatorial experimental, entendido como partilha de um espaço que é seu com um grupo muito diversificado de artistas, e que se constrói com base em apropriações, combinações e recombinações de imagens referenciais.


Stand-Up Philosophy Domingo, 15 e 29 de Maio às 22H Com André Gomes e Nuno Nabais A filosofia começa com uma imensa gargalhada. Primeiro, a gargalha da mulher da Trácia quando vê Tales a tropeçar num poço. Ela não podia evitar sentir como cómico esse contraste entre a pretensão a explicar os céus e a falta de jeito para as coisas do chão. Sócrates procurou trazer essa gargalhada para a praça pública. Mas os atenienses não conseguiram rir de si próprios. Sócrates teve que engolir o seu próprio riso (a que chamaram ironia) no momento em que foi obrigado a engolir a cicuta. Desde então o humor ficou domesticado no interior da comédia. Aristóteles ainda fez a sua reabilitação no segundo livro da Poética, opondo a gargalhada cómica à catarsis trágica. Mas essa metafísica do humor não sobreviveu. Umberto Eco tentou convencer-nos que teriam sido os medievais a queimar a teoria aristotélica do riso. Talvez tenha razão. O que é um facto é que ainda hoje a filosofia procura afirmar-se diante da opinião pública com a impostura do sério e do grave. Mas, não seria possível regressar ao poço de Tales e ouvir de novo o riso da mulher Trácia? E se a nossa falta de jeito já não fosse para as coisas do chão mas, pelo contrário, para os assuntos dos céus? Assim o novo humor seria o de cairmos para os céus no momento em que nos especializámos na arte de colocar bem os pés sobre a terra. O riso teria a forma de uma elevação involuntária. Não seria isso uma Stand Up? Uma Stand Up Philosophy? A partir de um qualquer conceito, dois comediantes que já dedicam algum tempo aos grandes livros da tradição filosófica procuram recuperar a gargalhada que se esconde nos pensamentos mais profundos. A próximas sessões serãos nos dias 15 e 29 de Maio. Com imoderação de André Gomes e Nuno Nabais.


Leituras Fabricadas Nas 3ªfeiras dias 10 e 24 Maio às 22H www.versobooks.com/ authors/2-slavoj-zizek

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- 10%

Há livros que resistem à leitura. Expulsam o leitor para lugares de cegueira, de confusão ou de simples aborrecimento. Na Fábrica do Braço de Prata acreditamos que alguns desses livros merecem uma segunda opor tunidade. Para isso inventámos as “leituras fabricadas”: são protocolos de experimentação que procuram ligar os livros directamente à terra. Este mês continuamos as nossas Leituras Fabricadas com Da Tragédia à Farsa de Slavoj Zizek (Relógio d’Água), uma comunidade de leitores, com a orientação de Nuno Nabais, que agora se irão encontrar a10 e 24 de Maio. * nos dias da leitura


Sugestões - Exposições Fbp O Conhecimento Secreto Autor: David Hockney Editor: Cosac Naify Um livro fascinante sobre as técnicas perdidas dos mestres da idade clássica da pintura e também sobre como vemos, tratamos e fazemos imagens hoje, na era da manipulação digital. Fruto de anos de pesquisa do pintor inglês David Hockney, surgido no contexto da arte pop dos anos 1960, a obra mescla centenas de imagens de quadros e desenhos célebres a trabalhos gráficos do próprio autor, para assim desvendar os métodos usados pelos artistas de outrora na busca da reprodução mais exacta do real.

A Assembleia de Euclides Autor: Francisco Tropa Editor: Culturgest “Os três projectos aqui reunidos sob o título Assembleia de Euclides - título retomado do primeiro desses projectos - podem ser encarados como relativamente autónomos. Não é por acaso que cada um deles guarda o seu próprio título. Quando foram produzidos e trazidos à experiência do público, não houve necessidade de os emoldurar a partir de um quadro de referência totalizante e unificador ao qual estariam indexados e que determinaria as suas possíveis leituras.” Miguel Wandschneider

I Think differently now that i can paint Autor: António Olaio Editor: Centro Cultural VilaFlor Guimarães O exterior, e depois, a margem terão sido os primeiros lugares da escrita em relação à imagem. Se nos lembrarmos dos títulos que do exterior ainda apontam para a obra, ou das placas colocadas nas molduras que contêm a data e o nome do autor gravado, verificamos que nas composições clássicas de pintura a bidimensionalidade da escrita seria inconciliável com a tridimensionalidade do espaço de representação da imagem. Aida Castro


Leyster

Sugestões - Exposições Fbp

http://exposicoesfbp.blogspot.com


Bibliografia A Imagem-Movimento: Cinema 1 / A Imagem-Tempo: Cinema 2 Autor: Gilles Deleuze Editor: Assírio & Alvim

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- 20%

“Os grandes autores de cinema pareceram-nos confrontáveis não só com pintores, arquitectos, e músicos mas também com pensadores. Eles pensam com imagens-movimento e com imagens-tempo, em vez de conceitos. A enorme proporção de nulidade na produção cinematográfica não é uma objecção: ela não é pior aí do que noutros domínios, embora tenha consequências económicas e industriais incomparáveis. Os grandes autores de cinema são pois simplesmente mais vulneráveis, é infinitamente mais fácil impedi-los de fazer a sua obra. A história do cinema é um longo martirológio. Mas não é por isso que o cinema deixa de fazer parte da história da arte e do pensamento, sob as formas autónomas insubstituíveis que esses autores souberam inventar e fazer passar apesar de tudo.” Gilles Deleuze * nos dias deste ciclo


Ciclo de Cinema O nosso convite propõe experimentar a imagem e pensar a diferença, preconizada por Deleuze, entre o cinema clássico e o cinema moderno. A iniciar no dia 8 de Maio, os encontros terão lugar uma vez por semana, aos Domingos, às 21h30 8-05-2011:

Murnau (Aurora, 1927)

15-05-2011:

Eisenstein (O Couraçado de Potemkin, 1925) 22-05-2011: Griffith (O nascimento de uma Nação, 1915) 29-05-2011: Gance (Napoleão, 1927) 05-06-2011: Renoir (A regra do jogo, 1939) 12-06-2011: Welles (Citizen Kane, 1941) 19-06-2011: Hitchcock (Vertigo, 1958) 26-06-2011: Rossellini (Roma, cidade aberta, 1945) Resnais (O último ano em Marienbad, 1961) Godard (Viver a vida, 1962 ) Pasolini (Teorema, 1968) Kubrick (2001, Odisseia no Espaço, 1968) Visconti (Morte em Veneza, 1971)

http://www.bracodeprata.net/cinema.shtml


18H-02H 18H-02H 18H-02H 18H-04H 18H-04H 15H-24H

Rua da Fábrica do Material de Guerra, nº1, 1950-128 Lisboa Portugal livrariabracodeprata@gmail.com | 216 090 816 | www.bracodeprata.com

Coordenação: César Morais Edição e direcção gráfica: Fabrice Ziegler http://exposicoesfbp.blogspot.com

3ªFEIRA: 4ªFEIRA: 5ªFEIRA: 6ªFEIRA: SÁBADO: DOMINGO:


Newsletter de Maio da Livraria Braco de Prata  

Publicacao mensal com as novidades e destaques editoriais e com os acontecimentos da livraria

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