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Ricardo Vieira

1ª Edição


Ficha Catalográfica

Viera, Ricardo - 1977Greve Geral / Ricardo de Paula Vieira Belo Horizonte : Literato, 2010. 180 p. ; 21 cm. (Versus). ISBN: 978-85-99885-41-3. 1.Crônica

I. Título. CDD :B869.7


Agradeço a Deus,

Á minha família,

Aos voluntários do Setor Braille da Bibioteca Pública Estadual Luiz de Bessa,

Aos amigos Ângela Maria de Oliveira Lage, Beatriz de Castro Melo, Cleusa Nunes dos Santos, Cristina Araújo, Dinaura Baungratz Chineli, Dinalva Chineli, Eunice de Ávila, Fernanda Nicoli Ribeiro, Léa Jeber, Maria Auxiliadora de Brito Mendes, Maria de Lourdes Alves silva Marly Vieira, Mary Hausemer, Moacyr Gonçalves da Costa Filho, Nazira de Oliveira Rocha, Neusa Pereira, Nice Vale Tourinho, Rosangela Diniz Palhares Machado, Teresa Iclesias, Vânia Araújo. Agradeço também aos meus leitores. Deus vos abençoe.


Valentin Haüy (1745 a 1822) fundou em Paris, em 1784, a primeira escola destinada à educação dos deficientes visuais e à sua preparação profissional. Valentin adotava o alfabeto vulgar, que se traçava em relevo, na expectativa de que as letras fossem percebidas pelos dedos dos deficientes visuais. Os alunos aprendiam as letras e os algarismos, combinando caracteres móveis para formar palavras e números, construindo frases. Outro homem que se preocupou com a educação dos deficientes visuais, foi o Capitão de Artilharia, Charles-Nicolar Marie Barbier de la Serre. O Capitão Barbier, apaixonado pelos problemas da escrita rápida e secreta, ideou um processo, que foi evoluindo ao longo de sucessivos aperfeiçoamentos, destinado a velar o segredo das mensagens militares e diplomáticas. Barbier desenvolveu um sistema em relevo para que os oficiais pudessem utilizá-lo no escuro. Por meio de um pequeno instrumento, com auxílio de um estilete, grafava-se no papel todos os símbolos desse Sistema. Esse Sistema foi batizado de “Escrita noturna sem lápis e sem tinta”. O tato era essencial na leitura desses símbolos formados por pontos em relevo. Depois de experimentar esse Sistema com alguns deficientes visuais, Charles Barbier o apresentou, em abril e março de 1821, na Escola de Valentin Haüy. Todavia, as grandes dimensões dos caracteres tornavam difícil conhecê-lo ao primeiro contato tátil e lê-lo sem ziguezaguear com o dedo através das linhas. Além disso, os princípios fonéticos em que o Sistema se assentava faziam dele um sistema pouco prático. O Sistema de Barbier nunca foi utilizado na Escola de Valentin Haüy, mas constituiu a base dos trabalhos que Louis Braille realizou por volta de 1825. Braille reduziu as proporções dos pontos do Sistema de Barbier, obtendo sinais que formavam uma verdadeira imagem debaixo dos dedos. Além disso, criou uma convenção gráfica, atribuindo a cada símbolo valor ortográfico e não fonético, em perfeita equivalência com os caracteres vulgares. Louis Braille é natural de Coupvray, pequena aldeia a leste de Paris, onde nasceu a quatro de Janeiro de 1809. Era o filho mais velho de Simon-René Braille, o correeiro da localidade, e de Monique Baron. Tinha um irmão (Louis-Simon) e duas irmãs (Monique-Catherine Josephine, Marie-Céline). Em 1812, quando brincava na oficina do pai, Louis Braille feriu-se num dos olhos. A infecção progrediu, transmitiu-se ao olho sã, perdendo totalmente a visão. Louis Braille morreu no dia seis de Janeiro de 1852, em Paris. Aponta-se o ano de 1825 como a data do aparecimento do Braille, mas foi em 1829 que Louis Braille publicou a primeira edição do seu “PROCESSO PARA ESCREVER AS PALAVRAS, A MÚSICA E O CANTOCHÃO POR MEIO DE PONTOS, PARA USO DOS CEGOS E DISPOSTOS PARA ELES”, a que deu forma definitiva na segunda edição, publicada em 1837. O Braille é constituído por sessenta e quatro sinais, obtidos pela combinação sistemática de seis pontos que, na sua forma fundamental, se agrupam em duas filas verticais e justapostas de três pontos. Cada sinal não excede o campo tátil e pode ser identificado com rapidez, pois, pela sua forma, adapta-se exatamente à polpa do dedo. Na leitura, qualquer letra ou sinal Braille é apreendido em todas as suas partes ao mesmo tempo, sem que o dedo tenha que ziguezaguear para cima e para baixo. Os benefícios do Braille estenderam-se progressivamente à medida que as aplicações revelaram todas as suas potencialidades. As máquinas de escrever permitem fazer simultaneamente todos os pontos de um sinal, em vez de grafá-los um a um, com o punção. Obteve-se, o interponto, graças a um sistema de precisão em que é possível intercalar os pontos do verso de uma página com os do recto.


Em 1701, o bandeirante João Leite da Silva Ortiz chegou à Serra de Congonhas (depois Serra do Curral), onde fixou residência. Apossouse da terra. Posteriormente, o Governador Antônio de Albuquerque Coelho Carvalho, em dezenove de Janeiro de 1711, legalizou essa posse através de sesmaria concedida a João Leite. O bandeirante construiu a Fazenda do Cercado (senzalas, engenhos, casebres), marcando o início do Arraial Curral Del-Rey. O plantio e a criação de gados atraíram outros povoados. Devido à posição estratégica da Fazenda, ela transformou-se em ponto de concentração de rebanhos que eram destinados ao abastecimento das zonas auríferas. O Arraial atraía novos moradores e aventureiros. João Leite da Silva Ortiz partiu para uma aventura em Goiás. Morreu em Recife, Pernambuco, em 1730. Em 1733, o Arraial Curral Del-Rey tinha prosperado bastante. Possuía várias construções e suas principais atividades eram a lavoura, criação e negócio de gados, e fabricação de farinha. Implantaram-se fábricas de algodão, têxteis e unidades de fundição de ferro e bronze. A Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, no centro do arraial, era o ponto de convergência dos moradores e viajantes. Com a decisão de transferência da Capital Mineira de Ouro Preto para o Arraial Curral Del Rey, organizou-se uma comissão técnica, oficialmente criada em 1893, que seria responsável pela construção da nova cidade. Vinculada ao Estado Mineiro, a Comissão Construtora gozava de ampla autonomia. O engenheiro Aarão Reis chefiou a Comissão até 1893, quando passou a chefiá-la Francisco Bicalho. A Comissão trabalhou com base na classificação de grupos coordenados entre si. Foram delimitadas as áreas urbana, suburbana e rural. A zona urbana concentrava os serviços (prédios, bancos, Palácio do Governo, Matriz etc.), separada da Zona Suburbana pela Avenida do Contorno, caracterizada por traços irregulares, e a Zona Rural, destinada a sítios e à produção agrícola. Inaugurada em doze de Dezembro de 1897, a Capital foi denominada Cidade de Minas, nome que permaneceu até 1901, quando passou a se chamar Belo Horizonte.


I PADRES

A Igreja de São José localiza-se no centro da cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais. Muitas pessoas participam das atividades realizadas nessa casa santa. Embora pertença à Arquidiocese de Belo Horizonte, a Igreja São José está aos cuidados dos Missionários Redentoristas, Ordem religiosa em atividade em áreas internacionais. O fundador dessa Congregação é Santo Afonso Maria de Ligório. Conta-se que esse Santo era advogado, mas abandonou os tribunais após perder uma causa de modo corrupto por parte de seus adversários. Havia quatro Padres alemães, recém-ordenados, responsáveis pelas atividades na Paróquia. O mais velho deles, líder dos quatro, chamava-se Wilhem Hegel. Contava trinta anos de idade, media dois metros de altura, pesava noventa quilos, tinha cabelos loiros e olhos azuis. O segundo cura, era Emanuel Kant. Contava vinte e oito anos de idade, esse media um metro e noventa e 9


RICARDO VIEIRA

oito centímetros de altura, pesava oitenta e oito quilos, tinha cabelos loiros e olhos verdes. O terceiro Padre era Ludwig Feuerbach. Contava vinte e seis anos de idade, media um metro e noventa e seis centímetros de altura, pesava oitenta e seis quilos, tinha cabelos loiros e olhos negros. O quarto Sacerdote era Karl Marx. Contava vinte e quatro anos de idade, media um metro e noventa e quatro centímetros de altura, pesava oitenta e quatro quilos. Os quatro haviam sido ordenados no último mês de dezembro, em Berlim, Alemanha. O religioso Superior da Congregação, Padre Karl Rahner, enviou-os para realizar missão no Brasil, onde eles morariam os dois primeiros anos do Ministério. Depois, seriam enviados para outro país. Os quatro sacerdotes tinham modos semelhantes. Falavam manso, claro, eram calmos, transpareciam muita tranquilidade, transmitiam serenidade. Ainda pronunciavam um Português com sotaque Alemão. Todavia, as pessoas compreendiam o que eles falavam, ajudando-os a pronunciar palavras que lhes eram mais difíceis de serem pronunciadas. Esses Missionários Redentoristas têm homônimos ilustres, pois foram grandes filósofos. Hegel e Kant (junto Sócrates, Platão e Aristóteles) eram considerados os maiores filósofos da história. Tal título era lhes dado porque eles engendraram Sistemas Filosóficos que abrangeram os principais pontos de existência da humanidade (cosmologia, direito, ética, política, psicologia etc.). Karl Marx marcou a história pela sua contribuição econômica, social e política. Ele é o criador do Sistema Econômico denominado Socialismo Científico. Esse sistema foi implantado na Rússia após a Revolução Russa. Mas fatores humanos ruíram o sistema. 10


Ludwig Feurebach foi filósofo e jurista. Escreveu uma grande obra chamada “A ESSÊNCIA DO CRISTIANISMO”, onde realizou uma análise desse Sistema Religioso. Algumas vezes, as teorias desses sábios chocaram-se. Karl Marx, por exemplo, escreveu teses que contrariavam o pensamento de Hegel e Feuervbach. A imprensa internacional comentava que somente a Igreja Católica poderia ter reunido figuras polêmicas depois de tanto tempo, aludindo aos quatro homônimos que estavam estudando geologia em campo santo. Esses Missionários Redentoristas estavam no Brasil desde o mês de janeiro, período no qual eles estavam sendo preparados pelo Padre Antônio Vieira, Pároco da Igreja São José. Padre Antônio tinha cinquenta anos de idade e vinte de sacerdócio. Media um metro e oitenta centímetros de altura, pesava oitenta quilos, era negro e tinha olhos castanhos. Era calmo, transmitia paz às pessoas. Era muito querido pelos fiéis. A sua sabedoria e paciência encantavam a todos que se aproximavam dele. Sempre exerceu o Ministério no Brasil. Havia morado, exercido o sacerdócio em três cidades: Raul Soares (cidade do interior de Minas Gerais), Aparecida do Norte (considerada a Capital Espiritual do Brasil) e em Belo Horizonte, onde estava há cinco anos. Na primeira cidade, que era sua terra natal, foi Vigário por dez anos. Depois, passou cinco anos em Aparecida. Agora, estava em Belo Horizonte, preparando os Padres alemães para exercerem o Ministério no Brasil. Explicava-lhes os costumes brasileiros e ministrava-lhes aulas de Português. Padre Vieira falava Alemão muito bem, o que facilitava-lhe a comunicação com seus irmãos sacerdotes. O Padre Mestre tem por homônimo um Padre Português, Antônio Vieira, que viveu no Brasil, Colônia 11


RICARDO VIEIRA

de Portugal. Esse Português é escritor da Literatura brasileira, no Período Literário chamado barroco. O Cura Lusitano escreveu Sermões, conhecidos em todo o mundo. Os Curas germânicos mostravam-se interessados na cultura brasileira. Haviam aprendido o Português rapidamente e já se comunicavam com povo brasileiro. Os fiéis entusiasmavam-se com os estrangeiros. Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos vinham tomar bênção aos Padres e pedir-lhes conselhos. Iniciava-se o mês de novembro. A Igreja Católica preparava-se para celebrar o Dia de Todos Os Santos e o Dia de Finados (primeiro e segundo dias novembrinos, respectivamente).

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FICHA TÉCNICA EDIÇÃO E SUPERVISÃO EDITORIAL: SILVIO CERCEAU REVISÃO FINAL E PROJETO GRÁFICO: RYAN EMMANUEL CAPA: MÉRCIA MAFIA

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