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HUMOR AMARGO


Ricardo Vieira

HUMOR AMARGO


Ficha catalográfica elaborada pela Bibliotecária Nina C. Mendonça CRB6/1288

V658h

Vieira, Ricardo de Paula, 1977Humor amargo / Ricardo de Paula Vieira. –Belo Horizonte : Literato, 2008. 56 p. : il. ; 21 cm. (Algo mais). ISBN: 978-85-99885-16-1.

1. Humorismo brasileiro. 2. Crônicas brasileiras. I. Título. CDD : B869.742

“A alma da gente dá vida às coisas externas, amarga ou doce, conforme ela for ou estiver...” (Machado de Assis).

“Não pode haver nada de errado quando uma coisa é feita

com simplicidade e inspirada pelo prazer de servir...” (William Shakespeare).


Agradeço a Deus; À minha família (José Paulo e Joana d’Arc, meus pais;

Rodrigo e Rafael, meus irmãos; Renata, minha irmã, e a filha dela, Camilly; meus avós, tios e primos); Aos meus amigos;

Aos voluntários do Setor Braille da Biblioteca Pú-

blica, especialmente os meus amigos: Ângela Maria de Oli-

veira Lage, Beatriz de Castro Melo, Cleusa Nunes dos Santos, Cristina Araújo, Dinaura Baungratz Chineli, Dinalva Chineli,

Eunice de Ávila, Fernanda Nicoli Ribeiro, Lea Geber, Maria

Auxiliadora de Brito Mendes, Maria Cristina Araújo Cam-

pos, Maria de Lourdes Gabriel, Mary Hausemer, Moacyr

Gonçalves da Costa Filho, Neusa, Nice Vale Tourinho, Rosangela Diniz Palhares Machado, Teresa Iclesias, Vânia

Prado Araújo.

Obrigado. “Se eu conhecer quanto se pode saber, e não tiver ca-

ridade, não sou nada.” (São Paulo).

A todos os meus amigos, obrigado. A todos vós, obri-

gado. Deus vos abençoe.


CANÇÃO DO EXÍLIO Meu País tem quatro poderes: Executivo, Judiciário, Legislativo e Globo. Alguns corruptos por si mesmos O povo fazem de bobo. Muitos passam fome, Não tomam nem mingau. Onde estão nossas riquezas? Embarcaram para Portugal? E o Presidente? Fica a viajar. Parece um satélite, Vinte e quatro horas no ar.

Até a política brasileira Já foi Café com Leite. Cadê o deputado? E o senador? Ai! É o povo quem sente a dor.

Pouco a pouco matam os índios. Muitas doenças, poucos remédios. Cadê as vacinas? Ó, classes assassinas.

Alguns lêem, Poucos dizem alguma coisa. Muitos assistem às novelas. E cada vez mais aumentam as favelas. Grandes rios, Todos poluídos. Vários solos férteis, Aos poucos destruídos.

Na minha terra tem futebol. Até nisso há corrupção. Os árbitros que lá apitam, Quase sempre metem a mão. 7


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Imensos recursos, Não são para brasileiros, Pois estes são roubados Pelos grandes estrangeiros.

Os políticos de minha Pátria, Não amam seu povo. Agem como irracionais, Manobrados pelas transnacionais. O bravo povo brasileiro, Dormindo em berço esplêndido, Não reage, nada diz. É esmagado em seu próprio País. As novelas destroem as famílias, Os filmes corrompem os jovens. A sociedade é manipulada, Cada vez mais massificada. Surgem os homens hedonistas, As mulheres consumistas, Os jovens permissistas E as crianças egoístas.

No meu querido Brasil, A política é Neoliberal, Tudo é privatizado, E ainda some o capital.

Aumenta a pobreza. Mas, e as florestas e as jazidas de minerais? Aquelas são desmatadas, Estas são furtadas. Não há investimento na saúde Nem na educação. Por isso, há muitas greves, Uma grande confusão. 8


Ricardo Vieira A invasão na agricultura, É de empresas estrangeiras. Desgastam os solos, Envenenam fauna e flora brasileiras. O futebol distrai o povo, E as torcidas travam lutas. São criaturas desinformadas, Pessoas alienadas. A economia brasileira Não se volta para o social, Fica a mercê Do imigrante capital.

Obedecendo às automobilísticas, O Governo não cria projetos Para as ferrovias e hidrovias, Apenas para as rodovias. Poucos se lembram Do Criador, Deus. Preferem ganhar dinheiro Com os mitos de Zeus.

Inventam novas doutrinas Criam novas igrejas. Esquecem a religião. Ó, minha Nação.

Florestas, rios, de tantas imagens belas, Ó Brasil, tu és fonte. Não quero que a morte me beije, Antes que eu aviste este lindo horizonte.

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TIME GLOBAL Vasco da Gama Santos Caxias nasceu em Bragança Paulista no dia 15 de Novembro de 1986. É feliz por ser Bragantino, por nascer no estado de São Paulo. Estudou na Argentina, era um dos Estudientes de la Plata. Estudou no Chile, na Universidade Católica e Universidade Chile. Aprendeu a falar o Tupi-Guarani com seu amigo Valério Serra, um empresário Fluminense que leciona Letras nas maiores Universidades do Brasil. Vasco está noivo de uma Portuguesa, Vitória do Porto. Na véspera do casamento, o casal conversava na casa da moça. Vasco da Gama disse: _Na Lua-de-Mel, eu quero uma viagem Nacional. Eu quero ver Curitiba, Fortaleza, Criciúma, Caxias, conhecer a Bahia, Paraná, Goiás, Ceará. Vitória discordou: _Eu quero uma viagem Internacional, pela América, Europa e partes de outros continentes. Eu quero conhecer o Havaí, Roma, Verona, Liverpool, o Rio São Lourenço. Quero um Cruzeiro nas Ilhas Gregas. É bom você não me decepcionar, pois meu pai dizia: "Não decepcione essa moça porque ela Botafogo em quem o faz”. Gama retrucou: _Na Escola, eu era Presidente do Grêmio Estudantil. Estou acostumado a mandar e não a obedecer. A lusa respondeu: _Mandou em uma Juventude irracional. Em mim você não manda. _Amor, pense bem. Vamos viajar para Minas Gerais, conhecer Uberlândia, Uberaba, Araxá. Os mineiros são alegres e carinhosos. Vamos conhecer a Vila Nova, cruzar o Rio Branco passando sobre a Ponte Preta. Você poderá praticar um Esporte e manter esse corpo Atlético. _Não quero ira à Ipatinga e nem coisa parecida. Quero conhecer Valladollid, Valência, Lyon, Bordeau, Colônia. Gama retrucou: _Não! É melhor passearmos no Ipiranga vestidos de roupa Social, dormir sob as Palmeiras brasileiras... Vitória interveio: _Se você não me levar onde eu quero, comerei até ficar

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gorda como uma baleia ou Tubarão. É sério, é protesto Comercial. Nesse momento, passou um menino chorando pela porta e veio agarrar-se à Portuguesa. Uma mulher magra e baixa entrou atrás da criança. O menino disse: _Madrinha, mamãe vai me bater. A mulher repreende o menino: _Cala a Boca, Júnior. A Portuguesa indaga: _O que meu afilhado fez? A mulher respondeu: _Esse menino é um Moleque Travesso. Ele pôs dentro de casa um Galo, um Coelho, um Sapo, e colocaria, se fosse possível, Jacaré, Leão, Pantera, Raposa etc. Os animais que ele pôs dentro de casa, fizeram uma sujeira no chão e nos móveis. Vitória disse ao afilhado: _Vai com sua mãe. Você fez bagunça e deve ser castigado. O menino obedeceu. Ele deu a mão a mãe e os dois saíram. Vasco voltou a falar: _Eu sou Democrata. Respeito seu desejo de conhecer cidades estrangeiras, mas precisamos chegar a um acordo. Você ganhou minha Confiança, mas não deixo você viajar sozinha. Você viaja pelo Brasil comigo ou não há viagem. Vitória rebateu: _Aposto que você quer viajar por aqui só para ver Olímpia, sua ex-namorada. Ela mora em Londrina. O noivo repeliu: _Você quer ir à Europa só para ver aquele ator equatoriano, Santa Cruz. É seu ex-namorado e mora em Londres. Ele é rico, poderoso. Ele mesmo diz: "Sou Independiente”. Ele tem um River Plat. A noiva contrapôs: _Vou pegar o Remo de meu Pai Sandu e bater na sua cabeça. É um negócio Náutico. O noivo falou: _Enquanto seu pai era navegador, o meu era Operário. Seu pai ficava a Beira-Mar, o meu na Siderúrgica. Vou pegar uma ferramenta para me defender. Ela ponderou: _Não vamos brigar. Só quero viajar pelo mundo, ouvir a

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Ricardo Vieira Rádio Valecano na Espanha, ver o Vinhedo espanhol, visitar Bolonha, conhecer o cidadão Logronhês. Ver a Real Madri, a fantástica Paris, a linda Müschen. Ele balbuciou: _Tenha Piedade. Vamos à Cachoeirinha, Cachoeira brasileira. Para que fazer um passeio Americano ou europeu? Vamos conhecer Volta Redonda, Itaperuna, Madureira, São José, Campo Grande, ver a antiga Olaria na qual fizeram muitos tijolos. _Eu quero conhecer Napoli, Veneza. Subir no ponto mais alto da Itália e olhar as cidades. Que Bela Vista! Andar pelas ruas de Hamburgo, passear na Europa Central. Ele insistiu: _Vamos conhecer São Caetano do Sul, Brusque, Montes Claros, Santo André. Ela contestou: _Vamos à Biblioteca de Lisboa e ver as obras de Gil Vicente. Vamos conhecer o Cosmos, falar Flamengo com os holandeses, falar espanhol. Ele respondeu: _Viajaremos Treze dias de Trem pelo Brasil. Na rua, uma criança gritava: Quero Colo, Colo. Ele continuou: _Vamos a Joinville, ouvir a Rádio Alvorada. Vamos visitar Corinto. Os Corintios são acolhedores. Vamos passear nas Águas de Lindóia, viajar na estrada Ferroviária Madeira-Mamoré. Isso seria o Ideal. Vamos ao Rio Negro, descançar a Beira Rio, ver o Mineirão em Belo Horizonte. Ó, minha Moça Bonita! Dar-te-ei um brinco de ouro, será o brinco de ouro da princesa. Passearemos no Morumbi, no Pacaembu, dormiremos sob as Laranjeiras. _Bem! Fica longe de mim. Quero minha Independência. Não quero mais o casamento. Você não é amoroso. Gama sugeriu: _Vamos tomar um Maracanã para nos acalmarmos. Vamos ao Clube, ao Paraná Clube, tomar um Cafezinho. A Portuguesa gritou: _Sai daqui, agora. Gama saiu. Bateu a porta com raiva. Vasco da Gama Santos Caxias brigou com a Portuguesa Vitória do Porto. Ninguém ganhou, ambos perderam, descarregando seu Arsenal. Foi uma briga Brasiliense, pois aconteceu em Brasília.

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FICHA TÉCNICA

EDIÇÃO E SUPERVISÃO EDITORIAL: SILVIO CERCEAU

REVISÃO DE TEXTO, ORGANIZAÇÃO E EDITORAÇÃO: RYAN EMMANUEL DO CARMO CRUZ

CAPA: TÚLIO OLIVEIRA ILUSTRAÇÕES: TAKITA

©2008 by Ricardo Vieria® DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO RESERVADOS EXCLUSIVAMENTE A EDITORA LITERATO LTDA Todos os direitos reservados de acordo com a Convenção Internacional de Direitos Autorais, com o artigo 184 do Código Penal Brasileiro, com o artigo 30 da Lei 5.988/73 e com a lei de direi-tos autorais, 9610/98. É proíbida a reprodução total ou parcial deste livro, sejam quais forem os meios empregados, tais como eletrônico, mecânico, fotográfico, gravações, ou quaisquer outros, sem permissão por escrito da editora.

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