Webinar COVID-19 I e-book

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Índice Introdução

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Perguntas respondidas

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Virologia (Professor Doutor José Miguel Pereira):

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• Qual é a sua opinião relativamente aos casos de "reativação" da doença? • É possível identificar a sequência do genoma viral? Qual é o nível de perigosidade da replicação do genoma do SARS-CoV-2 no organismo humano? É possível tratar os pacientes por terapia génica? • Existe alguma informação relativa ao tropismo viral para as ACE renais? • Existem riscos associados a vacinas baseadas no mRNA? Quais são os potenciais riscos associados a introduzir mRNA da proteína spike do SARS-CoV-2 no organismo humano? • Porque é necessário realizar o teste de contraprova? • Que dados existem sobre as possíveis mazelas a nível pulmonar após a recuperação do vírus? • O que se espera que aconteça para chegarmos à fase de recuperação? O que fará com que as pessoas consigam voltar às suas vidas normais sem risco (não igual ao atual) de ficar infetado por este vírus? • A dificuldade de manipulação deste vírus em laboratório deve-se à sua instabilidade do genoma ou apenas ao seu desconhecimento enquanto um grupo de vírus causadores de uma infeção respiratória? • Há possibilidade dos animais de estimação contraírem o vírus SARS-CoV-2? • O professor afirmou que o vírus não é transmissível pela roupa nem pelos sapatos, no entanto algumas fontes contrariam esta informação. Poderia esclarecer este equívoco?

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Setor farmacêutico (Dr.ª Ema Paulino):

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• As mutações já descobertas para o SARS-CoV-2 implicam que sejam pesquisados fármacos específicos para cada estirpe? • Existe algum tipo de terapêutica que reduza a exposição e contágio?

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Outros links importantes

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Sobre a LisbonPH

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Quem somos?

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Visão

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Missão LisbonPH

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Áreas de Atuação

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Introdução A COVID-19 é uma doença altamente infeciosa causada por um novo coronavírus, o SARS-CoV-2, que provoca infeções respiratórias graves no ser humano e que, em dezembro de 2019, desconhecido até então, despoletou um surto a partir de uma cidade chinesa, Wuhan. Já considerada uma pandemia mundial, a COVID-19 constitui a principal e mais urgente preocupação da população mundial, atualmente. Portugal encontra-se em Estado de Emergência desde dia 22 de março. Para abordar a vertente científica e clínica do SARS-CoV-2, explorar o impacto que a pandemia pode ter na sociedade portuguesa e discutir as melhores práticas para atendimento e aconselhamento ao doente, a LisbonPH realizou, no passado dia 17 de março, um webinar com este tema e que contou com a presença do Prof. Doutor José Miguel Pereira, Coordenador das Unidades Curriculares de Virologia e Virologia Clínica no Departamento de Microbiologia e Imunologia da FFUL, da Prof. Doutora Filipa DuarteRamos, responsável pela Unidade Curricular de Saúde Pública na FFUL, e da Dra. Ema Paulino, membro da Direção Nacional da Ordem dos Farmacêuticos (OF) e da Direção da Federação Internacional Farmacêutica (FIP). No final do webinar, a LisbonPH percebeu que um elevado número de perguntas que o público submetera não puderam ser respondidas, pelo que se comprometeu a esclarecê-las posteriormente. Ao navegar por este e-book, poderá encontrar a resposta a essas perguntas. O Webinar COVID-19 pode ser revisto a qualquer momento. Para isso, basta aceder https://www.youtube.com/webinarCOVID-19/LisbonPH. Mantenha-se informado!

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Perguntas respondidas Virologia (Professor Doutor José Miguel Pereira): 1.

Qual é a sua opinião relativamente aos casos de "reativação" da doença? Ainda não se sabe se este vírus é capaz de provocar uma infeção persistente com

eventuais reativações. Em princípio, tendo por base o que é observado com outros coronavírus, a infeção será do tipo “aguda”: incubação-sintomatologia-convalescençacura. 2.

É possível identificar a sequência do genoma viral? Qual é o nível de

perigosidade da replicação do genoma do SARS-CoV-2 no organismo humano? É possível tratar os pacientes por terapia génica? A sequência já é conhecida e é com base nesse conhecimento que os testes de rastreio baseados em RT-PCR se fundamentam. Ele é patogénico e com um grau de virulência alto, em particular em doentes mais idosos e/ou com patologias/morbilidades (cardiovasculares, diabetes, cancro, patologias respiratórias, etc.). A terapia génica, neste caso e neste momento, está demasiado longe para ser uma alternativa. A principal razão deve-se a: (i) o vírus fazer uma infeção de rápida evolução (não é como o HIV que está anos/décadas a infetar o indivíduo antes de lhe provocar a morte); (ii) a alternativa seria mudar a ligação do vírus ao receptor celular (ACE-2), no entanto este recetor desempenha papéis fundamentais na regulação do sistema da angiotensina, pelo que interferir a este nível iria causar toxicidades graves.

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Existe alguma informação relativa ao tropismo viral para as ACE renais? Como em qualquer caso, a expressão do recetor viral numa célula torna-a

suscetível à infeção por esse vírus.

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Existem riscos associados a vacinas baseadas no mRNA? Quais são os

potenciais riscos associados a introduzir mRNA da proteína spike do SARS-CoV-2 no organismo humano? As vacinas usando mRNA da proteína que se pretende expressar, e para ela serem criados anticorpos, é usada de uma forma experimental. Este vírus/vacina poderá ser uma dessa experiências. De qualquer forma, o alvo dos anticorpos neutralizantes induzidos pela vacina deverão ser específicos da proteína S, pois é esta que interage com o recetor celular. 5.

Porque é necessário realizar o teste de contraprova? O teste é realizado porque o teste inicial não foi conclusivo por alguma razão. Este

teste só é realizado nesta situação. 6.

Que dados existem sobre as possíveis mazelas a nível pulmonar após a

recuperação do vírus? É demasiado cedo para se conseguir ter dados seguros sobre sequelas respiratórias (ou outras) em consequência desta infeção. Com o aumento do número de casos de infetados e posteriormente curados iremos perceber isso. 7.

O que se espera que aconteça para chegarmos à fase de recuperação? O que

fará com que as pessoas consigam voltar às suas vidas normais sem risco (não igual ao atual) de ficar infetado por este vírus? É uma pergunta com uma resposta muito pouco clara. O que tem de acontecer para se controlar uma pandemia como esta, passa por diminuir o R0 (mede a taxa de transmissão) que, no presente, se situa a 2,6 e terá que passar para <1. Isto significa que atualmente 1 indivíduo infetado transmite a infeção a 2,6 pessoas e terá que passar para uma situação em que 1 infetado transmita a menos de 1. Isto consegue-se, a curto prazo, com o isolamento e medidas que evitem o contágio e, a médio-longo prazo, com a imunização massiva da população, em que uma percentagem >60% da mesma tenha imunidade e, como tal, não seja infetável. Esta imunidade é difícil de ser atingida sem uma vacina. Não creio que, tal como aconteceu com o SARS de 2003, este vírus desapareça de circulação. É uma incógnita como evoluirá. 5


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A dificuldade de manipulação deste vírus em laboratório deve-se à sua

instabilidade do genoma ou apenas ao seu desconhecimento enquanto um grupo de vírus causadores de uma infeção respiratória? Não percebo bem o que se pretende perguntar. A manipulação do vírus é feita e ele é propagado em células de laboratório. Por outro lado o seu genoma é estável, embora, como o de todos os vírus com genoma RNA, esteja sujeito a acumular mutações.

9.

Há possibilidade dos animais de estimação contraírem o vírus SARS-CoV-2? Até ao momento só tenho conhecimento de um cão que tinha nas suas secreções

RNA do SARS-CoV-2. Creio que era assintomático. 10. O professor afirmou que o vírus não é transmissível pela roupa nem pelos sapatos, no entanto algumas fontes[https://tvi24.iol.pt/videos/sociedade/covid-19] contrariam esta informação. Poderia esclarecer este equívoco? É fundamental perceber o seguinte: 1- O vírus transmite-se por inalação de partículas virais presentes em aerossóis, criados quando uma pessoa infetada tosse ou espirra, ou a partir de mãos e objetos contaminados que são levados à boca-nariz-olhos; 2- O vírus é inativado por detergentes; 3- Os profissionais de saúde que lidam com doentes devem usar bata e vestuário de proteção e esse equipamento não deve sair do local onde é usado (ou seja a bata não serve para identificar o profissional de saúde, mas para proteger a roupa que traz por baixo dessa bata); 4- Ao caminhar na rua, jardim, escadas, etc. a probabilidade de se “pisar” uma secreção respiratória contendo vírus é imensamente baixa. Mas, mesmo que tal possa por ventura acontecer, a infeciosidade do vírus é quase nula, pois ele está dependente de inúmeros fatores que o inativam.

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Webinar COVID-19 I e-book Dito isto: ➢ A probabilidade de as nossas roupas virem contaminadas ao chegar a casa é praticamente nula a não ser que sejamos profissionais de saúde e tenhamos estado expostos a pessoas infetadas que tossiram ou espirraram para cima de nós e em que a bata não tenha sido suficiente para conter as secreções expelidas. Acho conveniente neste contexto (e só neste) que haja uma roupa que só seja usada no local de trabalho e que deva ser transportada para casa, para ser lavada, dentro de um saco de plástico; ➢ Da mesma forma que quando lavamos as mãos não o fazemos com água a 60ºC, a temperatura da água de lavagem da roupa não necessita de estar a 60ºC, desde que nessa água exista detergente. É este o agente que vai inativar o vírus; ➢ Mesmo assumindo que os sapatos vêm contaminados, qual a probabilidade de, a partir deles, haver transmissão? Existe aerossol a partir das solas? Vamos tocar com os sapatos na nossa boca-nariz-olhos? Se a resposta é “não” para ambos os casos, como será possível haver contágio? Setor farmacêutico (Dr.ª Ema Paulino): 1.

As mutações já descobertas para o SARS-CoV-2 implicam que sejam

pesquisados fármacos específicos para cada estirpe? No que concerne às vacinas, sim, estas terão de ter em conta as mutações. Tal como na gripe, em que temos de nos vacinar todos os anos de acordo com os tipos de vírus que estarão em circulação, também neste caso poderá haver esta necessidade. Quanto à terapêutica/fármacos específicos, as mutações, em princípio, não terão influência. 2.

Existe algum tipo de terapêutica que reduza a exposição e contágio? Neste momento não existem terapêuticas aprovadas, mas existem várias em fase

de análise. Aqui estão as informações mais recentes sobre as terapêuticas que se encontram em avaliação pela OMS:https://www.sciencemag.org/news/2020/03/wholaunches-global-megatrial-four-most-promising-coronavirus-treatments.Também aqui se encontra

informação:https://www.aemps.gob.es/la-aemps/ultima-informacion-de-la-

aemps-acerca-del-covid. Contudo, é muito importante referir que há desenvolvimentos diários sobre as alternativas terapêuticas. Os seguintes jornais conferem acesso aos artigos de forma livre, todos os dias: 7


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NEJM: https://www.nejm.org/coronavirus BMJ:bmj.com/coronavirus Lancet: https://www.thelancet.com/coronavirus JAMA: https://jamanetwork.com/journals/jama/pages/coronavirus-alert UpToDate: https://www.uptodate.com/contents/coronavirus-disease-2019-covid-19 Ebsco (incluindo o DynaMed): https://covid-19.ebscomedical.com Cochrane:https://www.cochrane.org/special-collection-coronavirus-covid-19-evidencerelevant-critical-care

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Outros links importantes Deixamos-lhe uma série de ligações com informação e atualizações diárias importantes, onde pode saber mais sobre o COVID-19 e manter-se a par de tudo o que acontece e é decidido. 1. Website do Ministério da Saúde: https://covid19.min-saude.pt/ 2. Separador do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24): https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-infecciosas/covid-19/#sec-0 3. Mapa Epidemiológico de Portugal, atualizado pela Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP): https://www.anmsp.pt/covid19?fbclid=IwAR0v56hAG3uaTKZSgVA3p1YXWZVAgUnaBqMFa8hfX0ECyFpKo8yWASS280 4. Website criado pela VOST Portugal - Associação de Voluntários Digitais em Situações de Emergência, que informa sobre as medidas adotadas e aprovadas pelo governo, legislações e que contém uma lista de contactos importantes de diversos serviços: https://covid19estamoson.gov.pt/ 5. Toda a informação sobre o COVID-19, pela Organização Mundial de Saúde (OMS): https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019 6. Relatórios da situação, pela OMS: https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/situation-reports 7. Um mapa da OMS em constante atualização, com dados epidemiológicos a nível mundial: https://experience.arcgis.com/experience/685d0ace521648f8a5beeeee1b9125cd 8. Separador com acesso a Q&A, webinars e infográficos, do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo da Doença (ECDC): https://www.ecdc.europa.eu/en/novelcoronavirus/facts 9. Separador sobre mitos e equívocos sobre o COVID-19: https://informationisbeautiful.net/visualizations/coronavirus-myths-mythconceptions/ 9


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10. Um guia de autocuidados e bem-estar para os profissionais de saúde, da Direção-Geral de Saúde (DGS): https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/guiade-autocuidado-e-bem-estar-dos-profissionais-de-saude-durante-a-pandemia-pdf.aspx 11. A Strategic Intelligence é uma plataforma criada pelo Economic World Forum e desenvolveu um programa que mostra os últimos artigos, vídeos e publicações sobre o efeito do COVID-19 nos vários setores: https://intelligence.weforum.org/topics/a1G0X000006O6EHUA0?tab=publications (Nota: é necessário criar uma conta - gratuita).

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Sobre a LisbonPH Quem somos? A LisbonPH, Júnior Empresa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, é uma

associação sem

fins

lucrativos,

fundada

por

um

grupo

de

estudantes

empreendedores, dinâmicos e com vontade de acrescentar valor à sua formação, organizando eventos e formações para profissionais de Saúde.

Visão A

LisbonPH

atua

no

setor

da

Saúde

tendo

como

principal

visão

o

“desenvolvimento do Profissional de Saúde do futuro, empreendedor, criativo e multidisciplinar”, realizando para tal eventos chave e atuais nas temáticas da Saúde e empreendedorismo, quer presenciais, quer online.

Missão LisbonPH • Promoção e apoio ao empreendedorismo na área da Saúde e em toda a comunidade da FFUL; • Promoção da FFUL: o Promoção e apoio à investigação científica; o Aproximação da comunidade estudantil ao tecido empresarial.

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Áreas de Atuação

LisbonPH Events: Comprometemo-nos a organizar, gerir e promover eventos de cariz científico direcionados a profissionais de Saúde, dispondo de todos os recursos necessários para uma execução de excelência do serviço prestado;

LisbonPH e-Learning: Disponibilizamos formações interativas online especializadas para profissionais de Saúde e creditadas pela Ordem dos Farmacêuticos acessíveis a todos os interessados, estabelecendo-monos como uma alternativa de qualidade e low-cost comparativamente com as formações existentes no mercado;

LisbonPH Consulting & Logistics: Fornecemos consultoria na área da Saúde através de um acompanhamento personalizado ao cliente, direcionado para necessidades logísticas, formativas, de design e marketing para Farmácias.

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