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RACIONALISMO DESCARTES (1596-1650) acena para o estado de profunda incerteza em que se encontrou ao término de seus estudos: “encontrei-me tão perdido entre tantas dúvidas e erros que me parecia que, ao procurar me instruir, não havia alcançado outro proveito do que o de ter descoberto cada vez mais a minha ignorância” (Trecho autobiográfico)

DESCARTES, René. Discurso do Método. São Paulo: Victor Civita, 1973. 1. Parte – considerações atinentes às ciências; 2. Parte - as principais regras do método; 3. Parte – algumas das regras morais; 4. Parte – razões pelas quais prova a existência de Deus e da alma humana, os fundamentos da metafísica 5. Parte - a ordem das questões de física – especialmente – a explicação do movimento do coração e algumas outras dificuldades que concernem à medicina; 6.

Parte - pesquisa da natureza e que razões o levaram a escrever.

PRIMEIRA PARTE a) O bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada, pois cada qual pensa estar tão bem provido dele, que mesmo os que são mais difíceis de contentar em qualquer outra coisa não costumam desejar tê-lo mais do que o têm. b)

Quanto à razão ou ao senso, posto que é a única coisa que nos torna homens e nos distingue dos animais, quero crer que existe inteiramente em cada um, e seguir nisso a opinião comum dos filósofos, que dizem não haver mais nem menos senão entre os acidentes, e não entre as formas ou naturezas dos indivíduos de uma mesma espécie.


c) Assim, o meu desígnio não é ensinar aqui o método que cada qual deve seguir para bem conduzir sua razão, mas apenas mostrar de que maneira me esforcei por conduzir a minha. d) Aqueles cujo raciocínio é mais vigoroso e que melhor digerem seus pensamentos, a fim de torná-los claros e inteligíveis, podem sempre persuadir melhor os outros daquilo que propõe, ainda que falem apenas baixo bretão (sinal de pouca importância que Descartes concede à língua: todo pensamento pode exprimir-se em qualquer língua)

SEGUNDA PARTE a) A ciência é resultado de um só indivíduo – próprio do pensamento escolástico – fragmentos p. 42-43 b) Da possibilidade de “reformulação” e seu fundamento. P. 44 c) Considerações e dificuldades Filosofia/Lógica/Matemática. P. 45

da

ciência

d) Propõe novo método. p. 45-6 e) Conhecimento procede do simples ao complexo. P. 47-8 f) Aplicação à filosofia. P 49

CONSEQUÊNCIAS:

a) Dúvida metódica – evidência – evidente (Eu, Deus e o Mundo) b)

A certeza fundamental – cogito ergo sum - Penso, logo existo, não é um raciocínio, mas uma intuição pura – ato intuitivo pelo qual percebo a minha existência enquanto ela é pensante. Descartes afirma que ela é uma res cogitans, uma realidade pensante, sem qualquer corte entre pensamento e ser. A


substância pensante é o pensamento em ato e o pensamento em ato é uma realidade pensante. - O homem é uma realidade, pensante e está bem consciente do fato fundamental representado pela lógica da clareza e da distinção. - Afirma Descartes “na afirmação penso, logo existo, não há nada que me assegure que eu esteja dizendo a verdade, se eu não vir muito claramente que, parra pensar, é preciso existir, então acreditei poder tomar por regra geral que as coisas que concebemos muito clara e distintamente são todas verdadeiras. - Assim, a filosofia, não é mais a “Ciência” do ser, mas sim a doutrina do conhecimento. Assim, antes de mais nada, a filosofia se torna gnosiologia (teoria do conhecimento) – é essa a reviravolta que Descartes imprime à filosofia, que passa a se orientar no sentido de encontrar ou fazer emergir, a propósito de qualquer proposição, os dados da clareza e da distinção, que, tornam desnecessárias outros suportes ou outras garantias. - Portanto, o banco de provas do novo saber, filosófico e científico, é o sujeito humano, a consciência racional. - “A faculdade de julgar bem e distinguir o verdadeiro do falso, é propriamente aquilo que se chama bom senso ou razão, (que) é naturalmente igual em todos os homens”. - A unidade das ciências remete à unidade da razão. E a unidade da razão remete à unidade do método. Se a razão é uma Res Cogitans, que emerge através da dúvida universal, a ponto de nenhum ser maligno poder sitiá-la e nenhum engano dos sentidos obscurecê-la, então o saber deve basear-se nela e repetir sua clareza e distinção, que são os únicos postulados irrenunciáveis do novo saber.


Descartes discurso