Issuu on Google+

Linha Direta INOVAÇÃO . EDUCAÇÃO . GESTÃO

O futuro já começou Transformações sociais e econômicas irão influenciar a aprendizagem

TECNOLOGÍA // TECNOLOGIA Contenidos en chips // Conteúdos em chips 2º SEMESTRE Volta às aulas PARCERIA Desenvolvendo talentos CONGRESSO Educação Superior

EDIÇÃO 172 ANO 15 - JULHO 2012

COMEMORAÇÃO Recorde de estudantes atendidos

INVESTIMENTO Concentrar mais na educação infantil

Ruben Formighieri

Anita Adas


editorial

Universidades do futuro

Universidades del futuro

As mudanças provocadas pela globalização estão influenciando consideravelmente a educação mundial. Por isso, as instituições de ensino, principalmente as de nível superior, precisam se adaptar a essa nova realidade e buscar mecanismos que possam garantir sua sobrevivência. Pensando nessas transformações, a ­Pearson Brasil promoveu o 10º Fórum Universitário Pearson, com o tema Inovação e empreendedorismo no ensino superior: a academia e o setor produtivo. Um dos palestrantes convidados foi Michael Barber, especialista britânico em sistemas e reformas educacionais e conselheiro chefe para Educação do Grupo Pearson, que falou para os gestores brasileiros sobre o futuro das instituições. Confira na matéria de capa deste mês os principais pontos discutidos no evento, além de uma entrevista exclusiva que Sir Barber concedeu à Linha Direta. Boa leitura!

Los cambios provocados por la globalización están influenciando considerablemente la educación mundial. Por esto, las instituciones de enseñanza, principalmente las de nivel superior, precisan adaptarse a esta nueva realidad y buscar mecanismos que puedan garantizar su sobrevivencia. Pensando en estas transformaciones, ­Pearson Brasil promovió el 10º Foro Universitario Pearson, con el tema Innovación e iniciativa empresarial en la educación superior: la academia y el sector productivo. Uno de los ponentes invitados fue Michael Barber, especialista británico en sistemas y reformas educacionales y consejero jefe para la Educación del Grupo Pearson, que habló para los gestores brasileños sobre el futuro de las instituciones. Vea en la materia de tapa de este mes los principales puntos discutidos en el evento, además de una entrevista exclusiva que Sir Barber concedió para Linha Direta. ¡Buena lectura!

Marcelo Chucre da Costa Presidente da Linha Direta

Marcelo Chucre da Costa Presidente de Linha Direta

Publicação mensal dos Sinepes, Anaceu, Consed, ABMES, Abrafi, ABM, Fundação Universa e Sieeesp

Presidente Marcelo Chucre da Costa Diretora Executiva Laila Aninger Editora Valéria Araújo – MG 16.143 JP Designer Gráfico Rafael Rosa Atendimento Flávia Alves Passos Estagiária de Jornalismo Débora Ferreira Preparadora de Texto/Revisora Cibele Silva Tradutor/Revisor de Espanhol Gustavo Costa Fuentes - RFT1410 Consultor Editorial Ryon Braga Consultor em Gestão Estratégica e Responsabilidade Social Marcelo Freitas Consultora para o Ensino Superior Maria Carmem T. Christóvam

Revista Linha Direta

Conselho Consultivo Ademar B. Pereira Presidente do Sinepe/PR – Curitiba Airton de Almeida Oliveira Presidente do Sinepe/CE Amábile Pacios Presidente da Fenep Antônio Eugênio Cunha Presidente do Sinepe/ES Antônio Lúcio dos Santos Presidente do Sinepe/RO Átila Rodrigues Presidente do Sinepe/Triângulo Mineiro Benjamin Ribeiro da Silva Presidente do Sieeesp Cláudia Regina de Souza Costa Presidente do Sinepe/RJ Dalton Luís de Moraes Leal Presidente do Sinepe/PI Emiro Barbini Presidente do Sinep/MG Fátima de Mello Franco Presidente do Sinepe/DF Fátima Turano Presidente do Sinepe/NMG Gabriel Mario Rodrigues Presidente da ABMES Gelson Menegatti Filho Presidente do Sinepe/MT

Hermes Ferreira Figueiredo Presidente do Semesp Ivana de Siqueira Diretora da OEI em Brasília Ivo Calado Asepepe Jorge de Jesus Bernardo Presidente da Abrafi e do Semesg José Carlos Barbieri Presidente do Sinepe/NOPR José Carlos Rassier Secretário Nacional da ABM Krishnaaor Ávila Stréglio Presidente do Sinepe/GO Manoel Alves Presidente da Fundação Universa Marco Antônio de Souza Presidente do Sinepe/NPR Marcos Antônio Simi Presidente do Sinepe/Sul de Minas Maria da Gloria Paim Barcellos Presidente do Sinepe/MS Maria Nilene Badeca da Costa Presidente do Consed Miguel Luiz Detsi Neto Presidente do Sinepe/Sudeste/MG Natálio Dantas Presidente do Sinepe/BA

Odésio de Souza Medeiros Presidente do Sinepe/PB Osvino Toillier Presidente do Sinepe/RS Paulo Antonio Gomes Cardim Presidente da Anaceu Paulo Sérgio Machado Ribeiro Presidente do Sinepe/AM Suely Melo de Castro Menezes Vice-presidente do Sinepe/PA Thiers Theófilo do Bom Conselho Neto Presidente da Fenen Victor Maurício Nótrica Presidente do Sinepe/Rio Pré-Impressão e Impressão Rona Editora – 31 3303-9999 Tiragem: 20.000 exemplares As ideias expressas nos artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não representam, necessariamente, a opinião da Revista. Os artigos são colaborativos e podem ser reproduzidos, desde que a fonte seja citada.

(31) 3281-1537 www.linhadireta.com.br


contexto

PARA COMEMORAR Editora Positivo bate recorde de estudantes atendidos

A

tingir a marca de 1 milhão de alunos que estudam com seu material didático é um resultado que deve ser muito comemorado. Esse é o caso da Editora Positivo, que em 2012 alcançou essa marca, atendendo a estudantes de escolas privadas e públicas, inclusive no Japão. De acordo com Ruben Formighieri, diretor superintendente, a fórmula de sucesso é uma gestão bem fundamentada, que resulta em excelentes produtos e serviços voltados à educação. Na empresa há 33 anos, desde que ela ainda se chamava Distribuidora Positivo, Ruben acompanhou toda a sua história de sucesso. Confira a entrevista exclusiva concedida à Linha Direta. Em sua opinião, qual o caminho para se alcançar os objetivos de uma empresa? Primeiramente ter uma boa gestão. Temos um modelo que está fundamentado em três pilares: transparência, tomada de decisões a partir de dados consistentes e envolvimento dos colaboradores

Revista Linha Direta

em todas as fases do processo. Creio que, por meio dessas ações, seja possível alcançar todos os objetivos desejados. Além disso, acredito que, pelo fato de fazermos parte de um grupo educacional com todos os recursos necessários, escolas próprias e tecnologia educacional, temos total segurança de que desenvolvemos os melhores produtos e serviços voltados à educação. Em época de segmentação, é possível atender com qualidade a mercados diferentes? É sim. Nossas soluções educacionais, por exemplo, são voltadas ao mercado privado e também à área pública, tanto no segmento de sistemas de ensino quanto no de livros escolares. Atualmente, temos o Sistema Positivo de Ensino, que atende ao mercado de escolas particulares, e o Sistema de Ensino Aprende Brasil, que atende à rede pública de ensino. No mercado de livros escolares, trabalhamos com livros didáticos, paradidáticos, obras de formação de professores

e de literatura infantojuvenil. Para atender à área pública, participamos de programas governamentais, como o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Além disso, contamos com obras de referência, incluindo o conjunto de produtos Aurélio – o mais conhecido dicionário da língua portuguesa no Brasil, cujos direitos de publicação a Editora Positivo detém desde 2003. Aumentar a oferta de serviços unificados também é possível? Sim. Até o ano de 2007, nós tínhamos uma distribuidora, que cuidava da área de sistemas de ensino, e uma editora que era responsável pelo segmento de livros escolares, comercializados por meio de programas de governo e também por livrarias de todo o Brasil. As duas áreas atuavam de maneira distinta no mercado. Em 2008, resolvemos unificá-las, para ganhar mais força e sinergia. Hoje, a Editora Positivo obtém resultados expressivos com todo o portfólio de produtos, o que nos dá a certeza de termos tomado a decisão certa.


Divulgação

Ruben Formighieri, diretor superintendente da Editora Positivo

sileiras no Japão em 1997, com o objetivo de oferecer continuidade nos estudos para os filhos de decasséguis residentes no país. De lá prá cá, as escolas do Japão seguem rigorosamente o mesmo calendário letivo do Brasil, e o aluno que frequenta uma escola conveniada ao Sistema Positivo de Ensino no Japão pode ser transferido para cá no momento em que os pais retornarem ao País, sem a necessidade de fazer testes de equivalência. Atualmente, temos 992 alunos em 10 escolas de nove cidades japonesas.

Quais as principais dificuldades de se firmar uma marca educacional no mercado? No nosso caso, por sermos uma empresa paranaense, que nasceu fora do eixo Rio-São Paulo, no qual surgiam os grandes grupos empresariais, ultrapassar esse domínio regional e levar o nome Positivo para todo o Brasil foi, sem dúvida, um grande desafio. Nesse sentido, o Sistema Positivo de Ensino, que foi nosso primeiro produto, contribuiu muito para que o nome Positivo fosse conhecido e reconhecido no cenário nacional. De que maneira se deu a evolução de alunos que utilizam os materiais da Editora? Nós iniciamos nossas atividades em 1979. Já no terceiro ano da empresa, em 1981, fornecíamos material

didático para 18 mil alunos. Vinte anos mais tarde, em 2001, chegávamos à marca de 500 mil estudantes. Agora, em 2012, conquistamos mais um recorde, a marca de 1 milhão de alunos que utilizam nossos sistemas de ensino. Na verdade, nosso crescimento se deu de forma orgânica, em um mercado muito competitivo, onde a maioria dos players já passou por processos de fusões e aquisições. Esta é a primeira vez que uma editora brasileira alcança esses números, superando a soma do 2º e 3º colocados no ranking nacional do segmento de sistemas de ensino. Como funciona a distribuição dos materiais para o Japão, e como a empresa conseguiu estender-se para lá? O nosso material começou a ser comercializado com escolas bra-

Como você se sente, à frente da Editora Positivo, depois de 33 anos? E o que você espera para a Editora Positivo no futuro? O fato de conhecer a estrutura e o funcionamento da empresa, desde a sua fundação, de ter enfrentado períodos de incertezas e ter conseguido superá-los fortalece aquilo que chamo de direção. Isso permite ter convicção e manter, a partir de bases sólidas, o rumo que se pretende seguir. É como uma bússola, que está sempre voltada para o norte, pois quando os objetivos são claros, o rumo fica melhor definido. Isso acaba possibilitando que se tenha um direcionamento forte, o que para mim é também um fator determinante para o sucesso. Minha expectativa quanto ao futuro é continuar crescendo e, com isso, permitir que mais brasileiros tenham acesso a uma educação de qualidade, ajudando, desta forma, a viabilizar a formação do verdadeiro cidadão.  Revista Linha Direta


capa

©Pavel Losevsky/PhotoXpress

O FUTURO JÁ COMEÇOU

Revista Linha Direta

Transformações sociais e econômicas irão influenciar a aprendizagem


M

udanças no currículo escolar, na postura dos alunos, nas aulas, nos professores, nas pesquisas e na gestão das universidades. As modificações provenientes da globalização deverão afetar o ensino superior, mundialmente. Para sobreviver nesse novo mercado, as instituições de ensino precisarão entender o que está acontecendo e se adequar ao perfil das universidades do futuro. Pensando em como aumentar as relações das universidades brasileiras com o mercado e em como criar ambientes para que isso aconteça, a Pearson Brasil, empresa de origem britânica – líder em soluções educacionais e editoriais –, com atuação em mais de 70 países, promoveu, no final do mês de maio, o 10º Fórum Universitário Pearson, encontro realizado anualmente com profissionais das instituições de ensino superior. Com o tema Inovação e empreendedorismo no ensino superior: a academia e o setor produtivo, o 10º Fórum contou com a participação de renomados palestrantes internacionais, como o especialista britânico em sistemas e reformas educacionais e conselheiro chefe para Educação do Grupo Pearson, Sir Michael Barber, que atuou no governo britânico como chefe de Gabinete do primeiro ministro e como assessor chefe da Secretaria de Estado da Educação; e o professor-assistente do Departamento de Ciências e Engenharia e líder de núcleos de parcerias universidade-empresas da Stanford University, da Califórnia, EUA, Charles Eesley.

Segundo Fredric Litto, consultor da Pearson Brasil e presidente da Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed), o contexto que justifica uma das principais discussões realizadas no Fórum é a menor capacidade das famílias de custear a educação de seus filhos, tanto no Brasil quanto em outros países. “As instituições de ensino superior terão de repensar seus modelos de sustentabilidade”, afirmou Litto, ao dizer que as contingências econômicas governamentais do mundo estão obrigando instituições públicas a cobrar taxas para alunos que podem pagar. Ele cita como exemplos a Universidade da Califórnia – Berkeley, que cobra atualmente US$ 50 mil por ano de estudantes não residentes daquele Estado, e o governo do Reino Unido, que cortou 30% das verbas anuais para as universidades públicas, forçando as instituições a iniciar cobranças equivalentes a US$ 10 mil por aluno. Enquanto as maiores instituições educacionais não precisam, inicialmente, pensar em mudar seus modelos atuais, as instituições menores terão de encontrar novos modelos. Para o consultor da Pearson, uma das saídas é a realização de parcerias com entidades do setor produtivo, como empresas de médio e grande porte. Outra saída a ser considerada seria o estímulo a um maior espírito empreendedor entre professores e gerentes universitários, para que eles busquem novas formas de atrair e reter alunos nas suas instituições, especialmente através da modernização

de seus currículos educacionais, suas formas de atividades didáticas e seus esforços de, constantemente, procurar qualidade no processo ensino-aprendizagem. Fredric Litto destacou, ainda, as palestras internacionais. O professor Charles Eesley, da Universidade Stanford, apresentou de maneira dinâmica o cenário norte-americano de empreendedorismo acadêmico (especialmente os modelos do MIT e de Stanford) e os benefícios e cuidados necessários ao firmar parcerias universidade-empresas. Já Sir Michael Barber, conselheiro chefe para Educação do Grupo Pearson, fez um prognóstico das prováveis mudanças sociais e econômicas que ocorrerão nos próximos 50 anos e que certamente deverão afetar a aprendizagem em todos os níveis e setores. O futuro das instituições A educação global também diz respeito ao perfil dos alunos que irão se matricular nas universidades. De acordo com Michael ­Barber, “as melhores universidades vão recrutar estudantes de todas as partes do mundo e, através do ensino a distância, vão globalizar seus estudantes.” Como a Europa deixou de ser o grande centro de conhecimento, pois perdeu espaço para os Estados Unidos e para a Ásia, a tendência é que haja uma grande movimentação no mundo todo, inclusive por meio do ensino a distância. Em entrevista exclusiva à Linha Direta, Michael Barber explicou como as universidades se comportarão em um futuro que não está muito distante. Confira! Revista Linha Direta


Como é o trabalho que você está desenvolvendo na Pearson?

Como pensar a educação de uma forma global?

Desenvolvemos pesquisas em sistemas de ensino de todo o mundo com o objetivo de contribuir para a solução dos desafios educacionais vivenciados pela Pearson nos mais de 70 países onde o grupo atua. Nosso trabalho é colaborar com o aprimoramento das soluções e serviços da Pearson, a partir da experiência dos próprios sistemas educacionais das escolas e de faculdades. Considerando o mundo em desenvolvimento, duas questões são relevantes nesse sentido. Uma delas é que queremos investir em cadeias de escolas de baixo custo que possam ajudar a resolver os problemas educacionais de países emergentes. Aqui no Brasil, a Pearson tem sistemas educacionais que auxiliam escolas particulares e públicas a melhorar a educação, a partir de um modelo que respeita os currículos escolares, auxilia na capacitação de professores e que apresenta resultados muito bons em comparação com outras escolas. É interessante que esse modelo, que é uma criação brasileira, possa ser aplicado em outros países. A outra questão diz respeito a como os governos dos países em desenvolvimento podem melhorar o sistema educacional com mais velocidade. Se você refletir sobre os últimos 40 anos, Cingapura, Coreia e Hong Kong passaram de sistemas muito ruins para sistemas fabulosos. A pergunta é: Brasil, Colômbia, Índia, Paquistão e outros países do Oriente Médio poderiam dar o mesmo salto em 15 anos, ao invés de em 40? Que combinação de inovação e reformas traria esse progresso? No Brasil, o sistema de educação melhorou, mas ainda não é equivalente ao ensino no século XXI; e existe muita desigualdade.

Nos próximos 50 anos, o mundo irá mudar completamente. Vamos passar de 7 para 9 bilhões de pessoas, em um mundo onde 60% da população estará nas cidades, consideradas como um ambiente que já vive sob pressão e que estará sob pressão ainda maior. No momento, temos muita desigualdade e precisamos diminuí-la; há muitas tensões e conflitos, e temos de resolvê-los. Tudo isso precisa ser solucionado porque é algo muito perigoso para o futuro da humanidade. Quando penso em educação, imagino cada aluno aprendendo como pensar por si mesmo, como pensar em grupos, como pensar sob pressão e adquirindo conhecimento e habilidades. E também penso em cada aluno como um líder, como pessoas que podem influenciar os outros, que são persuasivas e capazes de ouvir e de debater. O aluno ainda deverá saber liderar com ética.

Revista Linha Direta

Como a educação pode contribuir para resolver os problemas da humanidade? De várias formas. Uma delas é aprendermos, com a educação, a construir melhores relacionamentos com pessoas que tenham pontos de vista diferentes. Sabemos que quanto melhor a educação de um país, menor a possibilidade de ele se envolver em uma guerra. Quanto melhor a educação, menor a probabilidade de problemas de saúde. Quanto mais educação, maior probabilidade de crescimento econômico. É importante que instituições internacionais, como bancos mundiais e governos como o do Brasil e o da Inglaterra, pensem não em educar só uma parte, mas em

educar todos. O governo precisa oferecer acesso a todos, e não deixar isso apenas para quem tem recursos, renda ou sorte. Quem serão os alunos e os professores das universidades do futuro? A primeira coisa que devo dizer é que haverá um grande crescimento no número de alunos. Hoje, 14% dos estudantes vão à faculdade e, no futuro, esse número vai aumentar muito. O segundo ponto é que haverá alunos de todas as idades, não serão apenas os jovens. As pessoas vão cursar faculdade em diferentes épocas de suas vidas. E o terceiro é que haverá maior diversidade, já que o número de estudantes vai aumentar. Nas melhores universidades, especialmente, haverá uma globalização da educação. Em Harvard e em ­Stanford, muitos alunos são da Índia, do Brasil e da Europa. As melhores universidades vão recrutar estudantes de todas as partes do mundo e, através do ensino a distância, vão globalizar seus estudantes. Haverá uma grande mudança nos alunos, e também na forma de ensinar e de pensar sobre a universidade. Os professores também vão mudar e, em um ambiente global, também serão recrutados de todas as partes do mundo para as melhores universidades. Por meio do aprendizado a distância e de videoconferências, o professor poderá ser muito eficaz, apesar de estar a milhares de quilômetros de distância. Às vezes eu faço palestras em Londres para outras partes do mundo; hoje em dia isso é fácil. Eu posso ser tutor de um aluno online, trocando emails ou pelo Facebook. Para as universidades brasileiras esse é um aspecto importante, porque


Divulgação

o Brasil precisará de dúzias de universidades capazes de atuar de maneira global, não apenas de universidades regionais. Nesse contexto, qual é a importância da seleção dos professores para a qualidade das instituições de ensino? É muito claro que, para uma instituição de ensino, a qualidade dos professores é fundamental. Por que as pessoas querem ir para as melhores escolas? Porque elas têm os melhores professores. Qualquer universidade que queira ser conhecida por sua qualidade deve ser muito cuidadosa na seleção dos professores, na motivação deles. É necessário monitorar a qualidade e melhorá-la, porque a qualidade da pesquisa e do ensino depende da qualidade dos professores que você recruta. Há uma grande concorrência pelos melhores talentos. Existem tipos diferentes de universidades? A palavra universidade tem vários significados. Às vezes queremos falar sobre uma universidade em uma região como São Paulo, ou no nordeste da Inglaterra, ou na região rural da Alemanha. Nesses casos, as universidades trabalham como empresas locais, com cursos vocacionais que são práticos e têm a ver com a economia da região. Esse é um papel importante, e é diferente daquela universidade muito acadêmica, como Harvard e Stanford, por exemplo, onde eles recrutam uma elite de alunos e professores, e onde a reputação depende da qualidade da pesquisa. Nos dois casos, são universidades. E a forma como se gerencia a qualidade nesses dois ambientes é diferente, são abordagens diferentes.

Sir Michael Barber, chefe para Educação do Grupo Pearson

Como seria a formatação ideal dos currículos universitários no futuro? Isso também varia com o tipo de universidade. Em geral, haverá estudo de disciplinas determinadas, mas também assuntos que serão tratados com interatividade por alunos que assumirão a responsabilidade de pensar e trabalhar em cima de problemas, a partir de estudos interdisciplinares. Por exemplo, pode-se perguntar a es-

tudantes de uma universidade de elite: como vocês resolveriam os problemas de transporte em São Paulo? A partir dessa proposta, seria possível combinar história, governança da cidade, ciência política, economia e engenharia, unindo as faculdades de História, Ciências Políticas, Estudos Ambientais, Economia e Engenharia. Esse é um exemplo de trabalho interdisciplinar que relaciona alunos de diferentes áreas, que aprendem primeiramente as disRevista Linha Direta


ciplinas de sua área de atuação e depois partem para outras áreas. Também queremos que o aluno tenha conhecimento para o conteúdo, saiba o “que” e o “como”. Eles têm de aprender a pensar de diferentes formas, de forma criativa, indutiva, em equipes, individualmente, e também aprender a liderar, a persuadir. E isso deve ocorrer dentro da disciplina, e em outras situações, se o que se quer é que os alunos tenham conhecimento, saibam pensar e liderar. O que as universidades devem ensinar aos alunos para estimular o desenvolvimento da liderança? Algumas habilidades de liderança vêm da forma como se dá aula. Mas liderança se aprende através de drama, debates, esportes, música etc., quando alunos diferentes têm oportunidades de liderar em diversas situações. Atividades extracurriculares podem ser uma parte importante desse ensino. Na universidade onde estudei, fui presidente da União dos Estudantes, e também aprendi liderança com isso. Ou, por exemplo, quando jogo em um time, aprendo trabalhos de equipe e também de liderança. O que a gente conta como válido para as notas, no momento, é o conhecimento do assunto. No futuro, talvez sejam incluídas outras questões além do conhecimento, como a forma de pensar e a liderança, pois precisamos encontrar novas formas de avaliar essas habilidades. Hoje, fazemos um curso de empreendedorismo e somos aprovados com provas. No futuro, empreendedorismo será testado assim: você criou uma empresa, aconselhou, ela cresceu, então a avaliação passa da prova para o mundo real. Revista Linha Direta

Quais as transformações mais importantes que se iniciarão nas universidades nos próximos anos? A tecnologia irá mudar as universidades, mas o mais importante é que a próxima geração de alunos vai exigir mudanças. E, para eles, tecnologia é algo normal. Os professores atuais terão dificuldades com essa mudança. Hoje em dia, os alunos pagam mais pela universidade, ou à vista ou por empréstimos, e se o ensino vai custar mais, eles serão ainda mais exigentes. Se uma universidade é grátis e seu ensino não é bom, não importa. Mas quem está pagando muito vai exigir que cada aula seja boa. Se o aluno achar que desperdiçou um semestre com milhares de dólares, ele será muito exigente. As grandes transformações serão de volume, tecnologia e mais exigência por parte dos alunos. Que características devemos esperar que os alunos do século XXI tenham ao sair das universidades? Quando o aluno sai da universidade, ele tem em média 24 anos de idade. No passado, havia muitos empregos para se escolher. Os pais perguntavam aos filhos se eles queriam ser advogados, professores ou contadores. No futuro, os empregos tradicionais talvez não estejam disponíveis. A primeira característica é que talvez os alunos não saiam da universidade para ter um emprego que já existe, talvez eles tenham de sair e criar um emprego para si. Os alunos terão de ser empreendedores e inovadores. A segunda característica é que eles terão de assumir responsabilidade pessoal. Ninguém no século XXI irá fazer o seu “ganha-pão” por você. Quando o aluno sair da universidade, ele não vai pensar “estou pronto, o mundo precisa me dar um empre-

go”, e sim “estou bem preparado, o que vou fazer para tornar o mundo um lugar melhor?” Essa será a mentalidade. O que pode ser feito para contribuir com a fusão entre trabalho e ensino? Vamos começar com o que não pode ser fundido. Quando, por exemplo, você trabalha em um emprego secular, você é gerenciado e tem de atingir objetivos. Numa empresa, tem-se uma missão, e devese gerar receita e lucro. Quando se está na universidade, seu trabalho é lecionar e pensar, e é importante que as pessoas possam saber pensar sozinhas em uma propriedade acadêmica. A universidade cria e cuida dessa cultura. Essa é uma missão importante da universidade, que não deve ser perdida só porque estamos empolgados com a economia global do futuro. O trabalho e o aprendizado têm uma superposição. Dei como exemplo a classe de empreendedorismo, que talvez envolva não apenas aprender, mas ser um empreendedor, fazer. Tradicionalmente, numa classe de ciências, os alunos se tornam pesquisadores, e na classe de empreendedorismo, o aluno se torna empreendedor, não apenas aprende sobre. As universidades e negócios vão colaborar em torno de projetos de pesquisa e pensamento de negócios para gerar inovação. Por exemplo, há relação entre a Universidade de Stanford e o Google. Na França, serviria a relação entre a cidade de Toulouse e a Airbus, fabricante de aviões. A cidade se beneficia de forma econômica, e a Airbus se beneficia da Universidade de Toulouse, e esta, por sua vez, se beneficia com as verbas de pesquisa. Aqui no Brasil, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) tem uma relação com a Embraer, e é a mesma ideia. 


ações de cidadania

Educação capacitadora L

ocalizado na região metropolitana de Recife/PE, o Espaço Criança Esperança de Jaboatão (ECEJ), em Jaboatão dos Guararapes, foi construído especialmente para atender ao projeto. O público-alvo são crianças e adolescentes com indícios de vulnerabilidade social, e o objetivo do ECEJ é promover educação e cultura entre seus educandos, além de oferecer assistência social, orientação pedagógica e atividades de preparação para o mercado de trabalho. O Espaço Criança Esperança de Jaboatão é um projeto em parceria entre a TV Globo, a UNESCO, a Prefeitura Municipal de Jaboatão dos Guararapes, o Exército Brasileiro e a Universidade Católica de Pernambuco, responsável pela gestão local do ECEJ. Para participar das atividades oferecidas pelo ECEJ, o critério principal é estar matriculado em escola pública e ter aprovação em todas as disciplinas. Em segundo lugar, os atendidos devem ser moradores de uma das regiões acolhidas pelo projeto. As atividades são realizadas no contraturno escolar e visam a desenvolver competências cognitivas e não cognitivas. Os estudantes são divididos em três programas principais: Mãos Dadas com a Escola (MDE), Conexões e Recriarte, sendo que este último ainda se subdivide em Teatro, Música e Monitoria.

Revista Linha Direta

ECEJ educa e capacita crianças, adolescentes e jovens de Jaboatão dos Guararapes

O ECEJ alcança a cerca de 470 crianças, adolescentes e jovens. Cada programa é representado por uma camisa de cor diferente e, dessa forma, os coordenadores podem identificar melhor qual grupo cada participante integra. Do Conexões fazem parte os atendidos mais vulneráveis encaminhados pelo Centro de Referência e Assistência Social (Cras). Há um grande esforço em ajudar os participantes desse grupo e, inclusive, fazer com que migrem para o programa MDE, cujo foco é aumentar o desempenho escolar. Os programas O MDE atende a 150 alunos de escolas públicas, entre 9 e 14 anos, que se dedicam, têm habilidades, mas poucas oportunidades de elevar seu desempenho. Segundo o coordenador-geral do ECEJ, Alcivam Oliveira, os estudantes passam por um processo de seleção diferente para entrar nesse projeto: “Nós fazemos uma olimpíada de português e matemática, e a colocação nessas olimpíadas, além do diálogo com os gestores das escolas, determinam o grupo que será atendido no programa MDE”, explica. Esse grupo gasta 40% de seu tempo em oficinas de linguagem e matemática e raciocínio lógico. Além delas, os educandos do MDE ainda participam de oficinas de tecnolo-

gia da informação, recursos expressivos, educação física e linguagens artísticas. Todas são conduzidas por profissionais da área e apoiadas por estagiários. No programa Conexões, as crianças e adolescentes com os mais altos índices de vulnerabilidade são pré-selecionados pelo Cras e encaminhados ao projeto. O ECEJ procura trabalhar com eles as formas de lidar com os conflitos diários de suas vidas, por meio de dinâmicas, debates, visitas domiciliares e individuais, quando necessário. São quase 170 alunos, dos quais 81 estão fora da relação correta idade/série. A oficina de recursos expressivos ocupa 40% do tempo dessas crianças e adolescentes, e o objetivo é fazer a reconstrução da identidade de cada um sob o viés do atendimento psicossocial, com ênfase na psicologia social e no serviço social. Nesse caso, a identidade é trabalhada não apenas de forma individual, mas também num contexto coletivo. “A psicologia vai procurar desenvolver a cultura desse grupo social, que tem peculiaridades de falta de comunicação, falta de diálogo”, conta Alcivam. No restante do tempo, eles desenvolvem as mesmas atividades que o MDE. O programa voltado à semiprofissionalização de jovens é o Recriarte. Esse grupo é composto por adoles-


Fotos Divulgação

centes e jovens de 15 a 21 anos, necessariamente matriculados no ensino médio regular, em escolas da rede municipal ou estadual de Jaboatão dos Guararapes. A turma de Teatro teve início em 2011 e já está consolidada. Para comemorar o Dia da Matemática, o grupo criou, produziu e apresentou uma peça em homenagem ao professor Malba Tahan, matemático brasileiro que se tornou famoso no mundo.

Grupo do MDE em sala de aula

A turma de Música está iniciando neste semestre e conta com 17 educandos. Ainda em fase experimental, esse grupo está sendo preparado para tocar músicas dos estilos mais variados, e não apenas regionais, como o frevo. O processo seletivo para recrutar esses estudantes se deu por meio de festivais de arte realizados nas escolas parceiras, que revelaram quais habilidades artísticas os alunos tinham. Vinculado ao Recriarte, o projeto Monitoria dá oportunidade a estudantes do ensino médio de aprenderem uma profissão, semelhante ao programa nacional Jovem Aprendiz. A equipe é composta por dez estudantes que trabalham na parte administrativa ou na comunicação do ECEJ e são remunerados como estagiários de nível médio. A carga horária é de meio turno, e os contratados ainda podem fazer cursos e/ou oficinas na Universidade Católica de Pernambuco, a exemplo de Fotografia, curso de Recepcionista e outros, na área específica de atuação de cada grupo de Monitoria.

Encenação de peça de teatro

Boa vizinhança O ECEJ é vizinho de uma escola de ensino fundamental da rede estadual e tirou proveito disso para criar outro projeto. Após estabelecerem uma parceria, o ECEJ e a escola iniciaram duas turmas de um curso Atividades no pátio do ECEJ

Revista Linha Direta


preparatório para os exames da Escola Técnica Estadual e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco que são escolas de ensino médio articulado. Com média de 20 alunos cada, as turmas são formadas por estudantes do 9º ano do ensino fundamental que estudam na escola estadual e também por alguns adolescentes matriculados no próprio ECEJ. Além das aulas de português e matemática, a Universidade Católica de Pernambuco cede profissionais da área de psicologia para aplicarem testes vocacionais e fazerem oficinas de orientação vocacional, para que os alunos façam essa escolha precoce da profissão com o máximo de ajuda que puderem obter. Atividades Entre as atividades oferecidas no Espaço, há também as de tecnologia da informação, educação física, recursos expressivos, linguagens artísticas e orientação pedagógica. A primeira consiste em ensinar o domínio de ferramentas com apli-

cativos para aumentar o desempenho escolar e as competências cognitivas dos estudantes. “Não é para simplesmente mexer no mouse, mas para aprender, por exemplo, como utilizar a ferramenta de pesquisa avançada do ­Google”, explica o coordenador-geral. Nas atividades de educação física, o objetivo é estabelecer os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de educação física, algo que não é feito usualmente nas escolas. O ECEJ entende que é necessário realizar um processo de educação corpórea, e não apenas uma mera atividade recreativa entre as crianças. Os chamados recursos expressivos são a parte de atendimento psicossocial. Nessa oficina, são criadas rodas de diálogo entre os grupos para discutir aprofundadamente temas relevantes no cotidiano dos educandos. “Acreditamos que isso seja necessário dentro do tema de competências sociais e afetivas”, completa Alcivam. Psicólogos e assistentes sociais trabalham com a crença de que identidade é algo que está sempre em processo de

construção e não é apenas individual ou midiático. As linguagens artísticas possuem um viés mais educacional nos programas MDE e Conexões. A arte é tida como uma mediação pedagógica e serve para aguçar os sentidos artísticos das crianças. Por último, a orientação pedagógica constitui um grande desafio para o Espaço. Ela visa a ensinar às crianças, adolescentes e jovens uma maneira correta de estudar, já que muitas pessoas aprendem de maneira errada. É necessário ter alguém que faça a condução, dê uma direção quanto à forma mais adequada de estudar, que não seja apenas ler os textos. Aulas-passeio Para complementar todo o conteúdo que é ensinado nas oficinas do ECEJ, foram criadas as aulas-passeio, em que os estudantes fazem visitas guiadas. O Espaço trabalha com a pedagogia do projeto. Todo semestre é desenvolvido um tema diferente e, a partir dele, os educandos trabalham os con-

Depoimentos Na escola a gente aprende os conteúdos, e no MDE a gente aprende coisas para levar para a vida toda. Por exemplo: quando a gente vai aprender alguma coisa, os professores conversam; tem uma dinâmica nos conteúdos das matérias. São assuntos que a gente vai precisar sempre, fundamentais para qualquer coisa que formos fazer, em português, matemática e em outras atividades, como artes. As atividades são muito importantes para o nosso desenvolvimento. Eu me matriculei, entrei no Conexões, só que como o meu perfil não era o mesmo da turma em que eu estava – que é uma turma muito agitada –, me colocaram no MDE. Maria Eduarda, 13 anos, MDE Eu venho todo dia para o Espaço Criança Esperança com o objetivo de ter um futuro melhor, arrumar um emprego bom e sustentar minha família. Estou no projeto desde o ano passado. O que mais gosto são os passeios e as dinâmicas, que ajudam bastante nas tarefas da escola. Alice Helena, 12 anos, Conexões Revista Linha Direta


teúdos nas oficinas de português, matemática etc. Neste semestre, o tema escolhido é a água, e para melhor compreensão de suas utilidades, as crianças e adolescentes visitaram o Espaço Ciência de Pernambuco, em Olinda, o Projeto Peixe Boi, em Itamaracá, e ainda a Estação de Tratamento de Água de Pirapama, da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), estação responsável pelo abastecimento de água do município de Jaboatão.

Turma de um dos cursos preparatórios para exames

De volta ao projeto, a Compesa­ visitou as crianças e levou instrutores com maquetes para ensinar todo o processo de tratamento e abastecimento de água no Estado. Em outro momento, as crianças e adolescentes do MDE passaram a ser os instrutores e explicaram o que aprendem com as aulas-passeio e resumiram o que aprenderam sobre a água. Na próxima edição da Linha Direta, conheceremos como se dão as parcerias do ECEJ, e também mais profissionais que atuam no projeto. 

Visita guiada em uma das aulas-passeio

Quando esse projeto foi divulgado na minha escola, achei muito legal porque gosto muito de arte em si, não apenas de música. Então eu me inscrevi na oficina de Música, e desde que estou participando, minha vida melhorou muito. Tem sido tudo muito corrido, mas é muito bom porque durante o período da manhã eu não tenho nada específico para fazer. Música é algo que eu gosto e estou aprendendo mais. Eu já fazia percussão na escola, mas aqui estou aprendendo o que nós chamamos de instrumentos de sopro, que é o sax tenor. Está melhorando meu conhecimento de música. O Espaço Criança Esperança mudou um pouco meu jeito de ser, pois conversando com os profissionais do Espaço eu mudei a forma de ver a sociedade, a minha relação com a família e outras coisas. ­Taynan Priscila, 17 anos, Recriarte O Espaço Criança Esperança é uma grande aprendizagem, um lugar onde aprendo e ajudo no que precisar. Essa experiência está sendo muito positiva porque estou aprendendo coisas que eu não sabia. Os projetos sociais são bons para as comunidades porque nos tiram das ruas, em momentos que estamos sem fazer nada ou fazendo coisas erradas, então é melhor ficar metade do tempo na escola e a outra metade no projeto, fazendo um curso, por exemplo. Fiquei muito feliz com a oportunidade. Lindaci Batista, 19 anos, Monitoria Revista Linha Direta


espaço ibero-americano

espacio iberoamericano

Contenidos en chips E

n el año 2030 va a haber comunicación telepática de cerebro para cerebro. Es lo que dice el profesor José Luis Cordeiro, un estudioso del futuro que dio una conferencia interesante en V Congreso Brasileño de Educación Superior, realizado por Linha Direta, en junio, en Natal/RN. Cordeiro es un ciudadano mundial. Nació en Latinoamérica, hijo de padres europeos, fue educado en Europa y en Norteamérica. Actualmente es profesor y asesor de Energía en Singularity University (SU), en NASA Ames, EUA, e director de Venezuela Node de Proyecto del Milenio. ¡Vea la entrevista exclusiva!

Experto en singularidad de la tecnología habla de la educación en algunos años

Según sus estudios, ¿cómo va a ser la educación en el año 2030? La educación va a cambiar totalmente. Estamos empezando a estudiar el cerebro y, en los próximos 20 años, entenderemos cómo funcionan las conexiones entre las neuronas, lo que hará el aprendizaje mejor y más rápido. En el año 2030, vamos a tener comunicación telepática de cerebro para cerebro. Hay experimentos con ratones de laboratorio que muestran que es posible transmitir el conocimiento de un ratón para otro, reproduciendo las sinapsis. Esto está empezando ya con cascos de video, que tienen electrodos que monitorean los pensamientos. Así, vamos a poder transmitir pensamientos de persona para persona, aunque ya estamos haciendo esto ahora, transmitiendo pensamientos de persona para ordenador. Al conectarse un pen drive al ordenador, éste aprende todo lo que está en el dispositivo. Así es cómo vamos a hacer. No vamos más a utilizar a las escuelas y universidades, vamos a comprar chips con contenidos y conectarlos a nuestros cerebros. ¿Cómo usted define la singularidad de la tecnología? Es el momento en que la inteligencia artificial alcanzará los niveles de inteligencia humana. Esta será la última invención de los humanos, porque cuando existir una inteligencia superior, esta va a pen-

24

RevistaRevista Linha Direta Linha Direta

Profesor José Luis Cordeiro // Professor José Luis Cordeiro


Conteúdos em chips N

Especialista em singularidade da tecnologia fala da educação em alguns anos

Diógenes Almeida

o ano 2030 haverá comunicação telepática de cérebro para cérebro. É o que diz o professor José Luis Cordeiro, um estudioso do futuro que deu uma palestra entusiasmante no V Congresso Brasileiro da Educação Superior, realizado pela Linha Direta, em junho, em Natal/RN. Cordeiro é um cidadão global. Nasceu na América Latina, filho de pais europeus, foi educado na Europa e na América do Norte. Atualmente é professor e assessor de Energia na Singularity University (SU), em NASA Ames, EUA, e diretor da Venezuela Node do Projeto do Milênio. Veja a entrevista exclusiva. Segundo seus estudos, como será a educação no ano 2030? A educação vai mudar completamente. Estamos começando a estudar o cérebro e, nos próximos 20 anos, entenderemos como funcionam as conexões entre os neurônios, o que tornará a aprendizagem melhor e mais rápida. No ano 2030, teremos comunicação telepática de cérebro para cérebro. Há experimentos com ratos de laboratório que mostram que é possível transmitir o conhecimento de um rato para outro, reproduzindo as sinapses. Isso está começando já com capacetes de vídeo, que têm eletrodos que monitoram os pensamentos. Assim, poderemos transmitir pensamentos de pessoa para pessoa, apesar de já estarmos fazendo isso agora, transmitindo pensamentos de pessoa para o computador. Ao se conectar um pen drive a um computador, este aprende tudo o que está no dispositivo. É assim que vamos fazer. Não vamos mais utilizar escolas e universidades, vamos comprar chips com os conteúdos e conectá-los aos nossos cérebros. Como o senhor define a singularidade da tecnologia? É o momento em que a inteligência artificial alcançará os níveis de inteligência humana. Essa será a última invenção dos humanos, porque quando existir uma inteligência superior, esta vai pensar melhor e

25

RevistaRevista Linha Direta Linha Direta


sar mejor y más rápido que nosotros. Se estima que esto va a acontecer entre los años 2029 y 2042, pero creo que estamos mucho más cerca de esta realización. Yo me refiero a un ordenador de IBM, llamado Watson, que tiene el conocimiento disponible en internet y puede hacer analogías y deducir cosas. Hay también un científico británico, llamado Turing, que sostiene que no podremos diferenciar si estaremos hablando con un ordenador o con un humano. En el año 2029, va a haber más transistores en los ordenadores que las neuronas en nuestros cerebros. Ese momento será cuando los ordenadores serán tan grandes y poderosos que van a poder pensar. Nuestro cerebro no crece, el número de las neuronas es fijo, pero en los ordenadores podremos poner cada vez más transistores. ¿Cómo este concepto puede contribuir con la humanidad? Nos vamos a fusionar bien con la tecnología, porque ahora estamos parcialmente fusionados. Yo uso lentes para ver mejor, hay personas que usan marcapasos para mejorar el corazón, y todos utilizamos otras tecnologías, como los teléfonos móviles, que son casi parte de nosotros. El científico brasileño Miguel Nicolelis dice que, en el futuro, va a haber una extensión de nuestro cerebro conectado por un casco con electrodos. Los seres humanos van a tener más capacidad mental, y el proceso de enseñanzaaprendizaje será más rápido. Será posible comprar un chip con contenidos y conectar a nuestro cerebro. Las cosas que estoy diciendo parecen ciencia ficción, pero están aconteciendo y son increíbles. Vamos a trascender para una edad distinta, el ser humano va a desaparecer y será sustituido por una especie superior. Nosotros somos muy similares a los monos, pero tenemos 1% de diferencia, que hace un mundo de diferencias. En el futuro, vamos a mejorar 1% también, y la diferencia entre los humanos de hoy e los humanos de año 2040 va a ser increíble. ¿Cuáles son las leyes del futuro y cómo ellas podrán ser aplicadas en la educación? Arthur Clarke, un autor que escribe sobre ciencia ficción, explicó sobre la ley primera: cuando un científico famoso dice que algo es posible, probablemente está cierto, pero cuando dice que es imposible, probablemente está errado. La segunda es que la única manera de conocer los límites de lo posible es aventurarse más allá de ellos y hacer lo imposible. La última dice que cualquier tecnología

26

RevistaRevista Linha Direta Linha Direta

suficientemente avanzada no se diferencia de la magia. Hace 30 años, no había ordenadores personales. Hace 10 años, empezó Google. Las cosas que vienen son aún más increíbles. En 10 años, hablar será primitivo, aunque sea un avance, si lo comparamos con los monos, que no hablan y no pueden transmitir ideas. En el futuro, las palabras serán desnecesarias, las cosas que queremos decir, las tendremos en la cabeza.

... vamos a comprar chips con contenidos y conectarlos a nuestros cerebros. // … vamos comprar chips com os conteúdos e conectá-los aos nossos cérebros. ¿Pero todas las personas van a pensar el mismo? No sabemos. Por eso se llama singularidad, porque aún no sabemos qué va a suceder. Vamos a tener una inteligencia superior a la de los humanos no modificados. Estamos, en realidad, hablando de un nivel muy superior al de los humanos. No sabemos que va a acontecer, pero es un proceso evolutivo que siempre mejora – más tarde será mucho mejor de lo que es ahora. Las cosas que vamos a crear serán mucho mejores, muy superiores que nosotros. La OEI tiene metas educativas para el año de 2021. ¿Cómo piensas que estará la tecnología aliada a la educación en esta fecha? Ellas estarán muy aliadas. Corea anunció que no habrá más libros para la educación primaria, porque los niños ven los libros como cosas que no se mueven, no hacen nada. A ellos les gustan los tablets, que tienen colores, se mueven, se puede jugar; por eso no habrá más libros, porque a los niños les gustan las cosas vivas. Entonces, están empezando con la eliminación de los libros para la educación primaria y, en unos años más, será la educación secundaria, porque los estudiantes son viejos ya, si los comparamos con los niños de la primaria. Los niños de la primaria adoptan las cosas. Estas tecnologías de chip para ellos van a ser naturales. ¿Para qué estudiar 20 años cuando se puede tener en un segundo todo el conocimiento humano? Estamos hablando de otra edad post-humana. ¿Has visto alguna vez una universidad de chimpancés? Es otro nivel totalmente superior al nuestro. Es, biológicamente, muy complicado también. 


mais rápido que nós. Estima-se que isso vai acontecer entre os anos 2029 e 2042, mas creio que estamos muito mais próximos dessa realização. Refiro-me a um computador da IBM, chamado Watson, que tem o conhecimento disponível na internet e pode fazer analogias e deduções. Há também um cientista britânico, chamado Turing, que sustenta que não poderemos diferenciar se estaremos conversando com um computador ou com um ser humano. No ano 2029, haverá mais transmissores nos computadores que neurônios no nosso cérebro. Esse momento será quando os computadores serão tão grandes e poderosos que poderão pensar. Nosso cérebro não cresce, o número de neurônios é fixo, mas nos computadores podemos colocar cada vez mais transmissores. Como esse conceito pode contribuir com a humanidade? Nós vamos nos fundir bem com a tecnologia, porque agora estamos parcialmente fundidos. Eu uso lentes de contato para ver melhor, há pessoas que usam marca-passos para melhorar o coração, e todos nós utilizamos outras tecnologias, como os telefones celulares, que são quase parte de nós mesmos. O cientista brasileiro Miguel Nicolelis disse que, no futuro, haverá uma extensão do nosso cérebro conectado por um capacete com eletrodos. Os seres humanos terão mais capacidade mental, e o processo de ensino-aprendizagem será mais rápido. Será possível comprar um chip com conteúdos e conectá-lo ao nosso cérebro. As coisas que estou dizendo parecem ficção científica, mas estão acontecendo e são incríveis. Vamos transcender para uma idade distinta, o ser humano vai desaparecer e será substituído por uma espécie superior. Nós somos muito similares aos macacos, mas temos 1% de diferença, que faz um mundo de diferenças. No futuro, vamos melhorar 1% também, e a diferença entre os humanos de hoje e os de 2040 será incrível. Quais são as leis do futuro e como elas podem ser aplicadas à educação? Arthur Clarke, um autor que escreve sobre ficção científica, explicou sobre a lei primeira: quando um cientista famoso diz que algo é possível, provavelmente está certo, mas quando diz que é impossível, provavelmente está errado. A segunda é que a única maneira de conhecer os limites do possível é aventurar-se além deles e fazer o impossível. A última diz que qualquer tecnologia suficientemente avançada não se diferencia de magia. Há 30 anos, não havia

computadores pessoais. Há 10 anos, o Google foi lançado. As coisas que virão são ainda mais incríveis. Em 10 anos, falar será primitivo, ainda que isso seja um avanço, se compararmos com os macacos, que não falam e não podem transmitir ideias. No futuro, as palavras serão desnecessárias, teremos as coisas que quisermos dizer na cabeça. Mas todas as pessoas vão pensar o mesmo? Não sabemos. Por isso se chama singularidade, porque ainda não sabemos o que vai suceder. Teremos uma inteligência superior à dos humanos não modificados. Estamos, na realidade, falando de um nível muito superior em relação aos humanos. Não sabemos o que vai acontecer, mas é um processo evolutivo que sempre melhora – mais tarde será muito melhor do que é agora. As coisas que vamos criar são muito melhores, muito superiores do que nós mesmos.

… en el futuro, va a haber una extensión de nuestro cerebro... // … no futuro, haverá uma extensão do nosso cérebro... A OEI tem metas educacionais para o ano de 2021. Você acha que a tecnologia será uma aliada da educação nessa data? Elas estarão muito aliadas. A Coreia anunciou que não haverá mais livros para a educação primária, porque as crianças veem os livros como coisas que não se movem, não fazem nada. Elas gostam dos tablets, que têm cores, movimento, podem ser usados como jogos; por isso não haverá mais livros, porque as crianças gostam de coisas vivas. Então, estão começando a eliminar os livros para a educação primária e, em mais alguns anos, será a educação secundária, porque os estudantes já são velhos, se comparados com as crianças da educação primária. As crianças da educação primária adotam as coisas. Essas tecnologias de chip para elas serão naturais. Para que estudar 20 anos quando se pode ter em um segundo todo o conhecimento humano? Estamos falando de outra idade pós-humana. Já viram alguma vez uma universidade de chimpanzés? É outro nível totalmente superior ao nosso. É, biologicamente, muito complicado também. 

27

RevistaRevista Linha Direta Linha Direta


intratexto

Volta às aulas O

Como retomar o trabalho e preparar a escola para o 2º semestre

retorno às aulas após o recesso de julho representa um importante momento do trabalho pedagógico. É o instante de refletir sobre o que já foi feito, pensar nas conquistas obtidas, avaliar o trabalho desenvolvido e construir estratégias para os meses que seguem. Cabe, portanto, aos professores e gestores garantir que esse momento seja rico em reflexões e ações sobre os rumos que a escola quer percorrer. Assim como ocorre no início do ano, o planejamento constitui um importante elemento na retomada das atividades escolares, que deve ser revisto no meio do ano, considerando o que já foi feito e o que ainda é preciso fazer. Como o professor já teve contato com a turma, fica mais fácil planejar atividades adequadas, refletir sobre a pertinência de certos conteúdos, construir projetos conforme a demanda da sala e pensar em estratégias avaliativas mais adequadas. De posse do diagnóstico que foi feito ao longo do primeiro semestre, ele pode redirecionar seu trabalho, caso seja necessário, e dar continuidade às práticas que surtiram efeito positivo. É função da gestão escolar garantir um momento para que isso possa ser feito, visando à construção de um trabalho escolar mais adequado às especificidades estudantis.

Danielle Lameirinhas* ©Edyta Pawlowska/PhotoXpress

É preciso também pensar sobre a acolhida dos alunos no retorno às aulas. Ainda que eles já estejam adaptados às práticas escolares e já tenham contato com os docentes e com os colegas, trata-se de um novo começo. Aproveita-se, então, para reforçar combinados e regras, avaliar o trabalho, discutir o que foi adequado ou não, incentivar o diálogo entre os alunos. Esse momento pode ser usado também para estimular os alunos a se envolverem mais no trabalho pedagógico. Podem também ser utilizadas técnicas, dinâmicas e brincadeiras para transformar esse retorno em algo mais prazeroso e divertido, diminuindo o contraste entre as férias e a escola. Por fim, é importante que o professor também seja motivado para esse retorno às tarefas escolares. Essa motivação precisa ser construída não com textos motivacionais ou dinâmicas de grupo, mas com a valorização do trabalho realizado no primeiro semestre e com a construção constante de um ambiente de trabalho no qual todos compartilham metas. É importante que o docente tenha clareza de que o segundo semestre não é apenas mais uma etapa a se cumprir. Trata-se de um recomeço, uma possibilidade de construir algo novo e ressignificar as práticas desenvolvidas ao longo do primeiro semestre. O retorno às aulas deve caracterizar-se pela crença na possibilidade de criação e de mudança no espaço escolar. Como nos lembra Carlos Drummond, no início de uma etapa “entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.” Bem-vindos ao segundo semestre e boa volta às aulas!  *Pedagoga e mestre em Educação, consultora da Rede Católica de Educação www.redecatolicadeeducacao.com.br

Revista Linha Direta


tecido

©Oleksandr/PhotoXpress

Marcos Wesley*

O

s primeiros anos do século XXI foram marcados pela rapidez no surgimento de novas tecnologias. Aliado a isso, no entanto, está o descompasso na formação de profissionais capazes de acompanhar tais avanços, o que tem afetado diretamente a competitividade da indústria brasileira e o crescimento do País. Mais do que a modernização da infraes-

Revista Linha Direta

Desenvolvendo talentos humanos para a indústria do século XXI trutura tecnológica, é evidente a necessidade de investimentos em métodos educativos mais eficientes, que prezem por uma aprendizagem contínua ao longo da vida e que sejam inovadores no formato e nos conteúdos. Por meio de uma parceria que já dura mais de seis anos, a ZOOM, representante exclusiva da LEGO ® Education no Bra-

sil, tem colaborado ativamente para atender a essa necessidade emergencial no cenário industrial brasileiro. Atualmente, cerca de 170 mil crianças, adolescentes e jovens estudantes da rede de ensino SESI e SENAI em todo o País, da educação infantil ao ensino médio e profissionalizante, contam com as soluções de aprendizagem da ZOOM.


A metodologia ZOOM, materializada nos fascículos didáticos e considerada inovadora pela capacidade de desenvolver habilidades, competências, atitudes e valores para a vida, é a base que garante a eficiência da aprendizagem e, ao mesmo tempo, a diversão dos alunos. Os kits educacionais da LEGO® Education proporcionam o lúdico criativo e desafiador, com montagens relacionadas a máquinas e processos do mundo real, em um ambiente de aprendizagem significativo, onde novos conhecimentos são adquiridos não apenas porque precisam ser apreendidos.

ciar seu próprio desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Nesse contexto, os programas da ZOOM têm foco na mobilização e otimização de recursos e conhecimentos, na capacidade de tomada de decisões dos alunos e no saber agir em circunstâncias diversas. Exemplo disso foi o desenvolvimento do Programa ZOOM de Aprendizagem e Autodesenvolvimento, realizado em parceria com o Departamento Regional do SENAI do Rio de Janeiro. O Programa foi planejado para atender aos futuros profissionais da indús-

... é evidente a necessidade de investimentos em métodos educativos mais eficientes, que prezem por uma aprendizagem contínua (...) e que sejam inovadores... Ainda nesse contexto, competências como a capacidade de trabalhar em equipe, o autodesenvolvimento e a análise de cenários para tomada de decisões são amplamente vividas em todas as atividades. Logo, as soluções da ZOOM introduzem no processo de aprendizagem o uso de tecnologia sem se limitar a apenas um objeto utilitário ou ao uso e consumo de tecnologias. Há todo um processo criativo por detrás do desenvolvimento de novas tecnologias, atendendo assim à demanda exigente do atual mercado de trabalho. O trabalho em parceria com o Sistema SESI e SENAI trouxe para a ZOOM oportunidades para o desenvolvimento de novas soluções de aprendizagem, com o objetivo de formar profissionais que aprendam sempre e, com autonomia, sejam capazes de gerenRevista Linha Direta

tria, focando no desenvolvimento de habilidades e competências necessárias ao autodesenvolvimento. Composto por cinco fascículos didáticos, utiliza os kits de ® tecnologia da LEGO ­Education, o trabalho em equipe e a metodologia ZOOM para desenvolver conhecimentos, habilidades e competências nas áreas de empreendedorismo, cidadania, ética, qualidade e segurança do trabalho. As situações de aprendizagem simulam a planta baixa de uma indústria, desafiando os alunos na resolução de problemas por meio de montagem e construção de protótipos. Outras ações voltadas para a elevação da qualidade do ensino lideradas pelo SESI e SENAI é o Programa de Educação Básica e Educação Profissional – Ebep. O principal desafio desse programa é possibilitar a empregabilidade

do aluno após a conclusão do ensino médio e a continuidade dos estudos no ensino superior. A metodologia ZOOM foi desenvolvida para esse segmento em parceria com a Fundação de Apoio à Faculdade de Educação da USP, tendo como objetivo principal desenvolver situações de aprendizagem que criem, com o uso da robótica, pontes significativas entre os conhecimentos teóricos de física e matemática e situações do mundo real, em especial da indústria. A caixa de Pandora se abre e a mágica acontece quando, por exemplo, os alunos constroem uma fresadora CNC em LEGO e aplicam os conhecimentos de física e matemática de maneira significativa e divertida. Hoje, de forma articulada, o SESI e o SENAI buscam oferecer uma sólida formação básica no ensino médio, abrangendo conteúdos teóricos e atividades práticas, preparando os alunos para o mercado de trabalho e para a vida. A parceria que começou com o Departamento Regional da Bahia atende, atualmente, com o apoio do Departamento Nacional, a todos os Estados da federação, em vários segmentos de ensino. O segredo do sucesso da parceria SESI e ZOOM está na dedicação de ambas as partes, incluindo capacitações pedagógicas e formação continuada para que os professores sejam capazes de mediar o processo de aprendizagem de forma efetiva e eficiente com seus alunos.  *Fundador e presidente da ZOOM, representante exclusiva da LEGO® Education no Brasil. Um dos pioneiros na introdução da Educação Tecnológica no País www.legozoom.com


pró-texto

Desafios da educação superior Evento realizado pela Linha Direta reuniu lideranças, autoridades e educadores em Natal/RN

D

ebater os desafios vivenciados pelo ensino superior no País foi o principal objetivo do V Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular, evento itinerante realizado anualmente pela Linha Direta e promovido pelo Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular. Realizado entre os dias 14 e 16 de junho de 2012, em Natal/RN, o Congresso reuniu as principais lideranças do setor, autoridades governamentais e políticas, além de renomados educadores e formuladores de políticas públicas.

tuição de ensino superior atenda a uma turma de 20 alunos do ensino médio com monitoria em português e matemática. “O objetivo é contribuir com a qualidade da educação, fortalecendo o ensino médio público”, afirmou Gabriel.

seja aprovada uma lei que dê prioridade a esses universitários no critério de desempate em concursos públicos. Palestra magna

Proposta

Tomando como base o número atual de estudantes universitários no Brasil, que é de cerca de 5 milhões, se apenas 1% aderir ao projeto, serão 50 mil tutores atendendo, ao todo, a 1 milhão de alunos do ensino médio. Os benefícios do projeto seriam inúmeros, e não apenas pelo reforço escolar. Ganha a instituição de ensino superior, com prestígio na comunidade, reconhecimento do MEC e ingresso de alunos mais preparados. Para os universitários, as vantagens são experiência profissional e prestação de serviço comunitário. E ganha também o País, com universitários mais preparados e, consequentemente, profissionais mais competentes.

Representando o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o secretário da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Amaro Henrique Pessoa Lins, abriu as conferências com a palestra magna sobre Os desafios da educação no Brasil. O secretário ressaltou que a comissão organizadora do evento acertou quando colocou a palavra desafio acompanhando todos os temas que seriam tratados no Congresso. “O desafio faz parte da vida do brasileiro”, afirmou Amaro, enfatizando um dos grandes desafios da educação, que é transformar a sociedade brasileira em uma sociedade economicamente desenvolvida e onde todos possam realmente se sentir cidadãos.

Abrindo o evento, Gabriel Mario Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e secretário executivo do Fórum, lançou a proposta de implantação do Projeto Tutor Universitário. A ideia é que um universitário de cada insti-

A sugestão teve boa aceitação dos presentes no evento. Segundo o secretário, o Fórum irá dar continuidade às providências para que a parceria seja estabelecida de modo a viabilizar o projeto. Ele informou ainda que será apresentada uma proposta ao Senado para que

Segundo Amaro, o Brasil obteve um acréscimo de 60% de estudantes na educação superior, em oito anos. “Foi preciso muito esforço, flexibilidade e criatividade para chegarmos a esse momento”, disse o secretário. Para ele, não é possível atender às demandas educacionais

Com cerca de 300 conferencistas, representando mais de 17 Estados brasileiros, o evento pôde ser acompanhado ao vivo também pela internet, sendo transmitido para todas as regiões do Brasil e para países como Canadá, EUA, Inglaterra e Chile.

Revista Linha Direta


Fotos Diógenes Almeida

Gabriel Mario Rodrigues, presidente da ABMES e secretário executivo do Fórum

do País com as mesmas práticas utilizadas há 20 anos. “É preciso investir nas creches, na formação dos professores, viabilizar o transporte das crianças, dotar as escolas de modernas tecnologias, ou seja, muitas ações precisam ser realizadas”, afirmou o secretário, dizendo que, para isso se concretizar, é importante contar com as parcerias entre setor público e privado, sociedade e governo. O setor particular atende a aproximadamente 75% da demanda por educação superior do Brasil, e isso gera uma grande responsabilidade, na opinião de Amaro. “Vamos precisar cada dia mais dessa parceria, porque sabemos que os recursos públicos são limitados e precisamos fazer com que cada centavo possa ser bem utilizado, possa representar a mudança de vida de muitos jovens brasileiros”, ressaltou o secretário. Ele enfatizou ainda que é preciso definir estratégias para o País, saber para onde ele precisa caminhar e quais são as suas demandas.

Público do V Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular

Conferências O V Congresso da Educação Superior Particular discutiu temas relevantes para a educação do Brasil

Amaro Henrique Pessoa Lins, secretário da Educação Superior do MEC

Revista Linha Direta


Getúlio Américo Moreira Lopes, vice-presidente da Anaceu; Abib Salim Cury, presidente da Anup; Gabriel Mario Rodrigues, presidente da ABMES e secretário executivo do Fórum; Amaro Henrique Pessoa Lins, secretário da Educação Superior do MEC; Amábile Pacios, presidente da Fenep; José Janguiê Bezerra Diniz, presidente da Abrafi; e Hermes Figueiredo, presidente do Semesp

e do mundo e, para isso, contou com a participação de conferencistas renomados. Para falar sobre Os grandes desafios do ensino superior no futuro próximo: como se preparar para superá-los?, foi convidado José Cordeiro¹, titular da Cadeira Venezuela Node do Projeto do Milênio e professor da Singularity­ ­University na NASA, EUA. O debatedor dessa sessão foi o economista Marcos Formiga. Depois, em uma mesa-redonda, foi discutido o tema O desafio da formação de recursos humanos para a realidade do desenvolvimento brasileiro, pelo diretor de Políticas de Comércio e Serviços da Secretaria de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Maurício do Val, e pelo coordenador-geral de Expansão e Gestão dos Institutos Federais de Ensino Superior do MEC, Antônio Simões Silva. Além deles, também debateu o tema o técnico em Planejamento e Pesquisa do Ipea, Divonzir Arthur Gusso. Como fortalecer o ensino médio foi a temática discutida pela pós-doutora em Educação, Guiomar Namo de Mello. Já o coordenador adjunto da Comissão de Vestibulares da Unicamp, Renato Hyuda de Luna

Pedrosa, a diretora de Avaliação da Educação Superior do Inep/MEC, Claudia Griboski, e o coordenador do Comitê Técnico-Acadêmico do Fórum, Maurício Garcia, falaram sobre Os desafios do aperfeiçoamento do atual modelo de avaliação do ensino superior. A debatedora dessa mesa-redonda foi a doutora em Educação, Marcia Regina Brito. A quinta sessão do Congresso – Sobre os desafios da matemática e as parcerias para o aperfeiçoamento do ensino superior – contou com duas palestras. A primeira, intitulada Um desafio a ser vencido: o aprendizado da matemática no ensino superior como fator fundamental para abrir caminhos para as áreas estratégicas que o desenvolvimento do Brasil requer, foi ministrada pelo doutor em Matemática e reitor da Universidade Federal de Ouro Preto, João Luiz Martins. Já a segunda palestra ficou a cargo do coordenador-geral de Bolsas e Projetos e diretor de Relações Internacionais substituto da ­Capes, Geraldo Nunes Sobrinho, e teve como tema O desafio das IES particulares em estabelecer parcerias para o seu aperfeiçoa-

mento – a proposta do Brazil-US: ­Partnership for the 21st Century. Francisco das Chagas Fernandes, secretário executivo adjunto do MEC, e Priscila Candido Ubriaco de Oliveira, coordenadora-geral de Legislação e Normas do Ensino Superior da SESu, foram os conferencistas da palestra A utilização do Fies e de outros instrumentos para sustentar a expansão do ensino superior aos menos favorecidos. Na oportunidade, o advogado Carlos Monteiro debateu o tema. Com a palestra Não está na hora de se reformular o ensino superior particular?, o médico Naomar de Almeida Filho, autor de estudos sobre a universidade e sua relação com a sociedade, encerrou as conferências. Como em todas as edições do Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular, o encerramento se deu com a apresentação do resumo das principais conclusões do evento e a apresentação, discussão e aprovação da Carta de Natal. Confira a seguir! Nas próximas edições da Linha Direta, publicaremos entrevistas exclusivas que foram realizadas durante o V Congresso.

¹Veja entrevista exclusiva na seção do Espaço Ibero-americano desta revista Revista Linha Direta


Carta de Natal O V Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular: Desafios do Ensino Superior no Brasil, promovido pelo Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular e realizado nos dias 14, 15 e 16 de junho, em Natal/RN, se revelou um momento de profundas reflexões acerca dos grandes desafios que a educação no Brasil está enfrentando e trouxe novas luzes sobre caminhos alternativos a seguir para que dificuldades sejam superadas e nosso País prossiga com mais vigor na sua trajetória de inclusão social e de desenvolvimento com sustentabilidade. O excelente nível das palestras apresentadas e dos debates ocorridos traz a certeza de que o setor particular de ensino superior está no caminho certo para apoiar a melhoria do nível educacional em nosso País. Há que se prosseguir na busca de novos patamares de qualidade e de excelência na transmissão do conhecimento, na melhor profissionalização do cidadão e no apoio à sua realização pessoal. Para tanto, é fundamental que se dê continuidade ao desenvolvimento de ações que contem com a união entre todos, sejam professores, funcionários, reitores ou mantenedores. Juntos, estes constituem uma formidável força para alavancar o bem-estar do povo brasileiro. Nesse contexto, o V Congresso encerrou-se com a decisão de transformar seus resultados na denominada Carta de Natal. Os participantes desta edição do Congresso, considerando as refle-

xões, debates e conclusões nele ocorridos, expressam os seguintes compromissos e expectativas:

inclusão maciça de jovens das classes C, D e E no ensino superior.

• Necessidade da realização de um estudo com cenários alternativos sobre o ensino superior no Brasil de hoje até 2020 e as respectivas providências em termos de políticas públicas para que se alcance a expansão das matrículas com ensino de qualidade em níveis compatíveis com as aspirações do povo brasileiro e com justiça social.

• Estímulo à implantação de novas alternativas na estrutura curricular no nível de graduação que levem ao aperfeiçoamento do ensino na direção da formação interdisciplinar, multiprofissional e profissionalizante.

• Desenvolvimento de um trabalho intenso para que o País possa ter profissionais com nível de formação compatível com a demanda do mercado de trabalho, em especial na área das ciências, tecnologias e engenharias. • Apoio à formação dos estudantes do ensino médio mediante ações e atividades que os ajudem a superar obstáculos tais como dificuldades na adaptação ao ensino e no aprendizado da matemática e do português e a evasão precoce. • Contribuição, de maneira decisiva, para o aperfeiçoamento do atual modelo de avaliação do ensino superior. • Diligências para o estabelecimento de alternativas de parcerias com entidades educacionais do exterior, buscando alcançar melhores níveis de excelência no contexto do ensino de graduação e pós-graduação. • Apoio e colaboração com medidas governamentais que envolvam a utilização dos mecanismos do ProUni e do Fies, tendo em vista a promoção da

• Intensificação da utilização de modernas ferramentas de natureza tecnológica que impactam no processo de ensino-aprendizagem. • Atuação intensa para que o País alcance a meta de 10 milhões de alunos no nível de graduação o mais rapidamente possível. Para que esses compromissos possam ter êxito, todos os esforços deverão ser desenvolvidos pelo Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular junto aos seus associados e junto à sociedade brasileira em geral. Foi aprovada pelos participantes a continuidade das atividades do grupo de acompanhamento da execução das propostas contidas na presente carta. Natal (RN), 16 de junho de 2012. Abib Salim Cury Presidente da Anup Gabriel Mario Rodrigues Presidente da ABMES Hermes Ferreira Figueiredo Presidente do Semesp José Janguiê Bezerra Diniz Presidente da Abrafi Paulo A. Gomes Cardim Presidente da Anaceu Amábile Pacios Presidente da Fenep  Revista Linha Direta


Revista_172