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Índice ●∞●

Introdução, autor e apresentação bibliográfica (7) 1 Linguagem corporal: mensagens silenciosas repletas de significados (16) 2 Cinésica: os movimentos do corpo como forma de comunicação não verbal (21) 2.1 - Expressões faciais: o retrato sincero das emoções (22) 2.2: Sorriso: a expressão facial da abertura social (24) 2.3: Características físicas da face que transmitem si gnificados (26) 2. 4: Gestos e postura: movimentos que ilustram a fala (27) 2.4.1: O auto toque: resposta do corpo a tensões internas durante o ato comunicativo (32) 2.4.2: Os gestos que sinalizam a mentira (34) 2.4.3: Movimentação da cabeça: gestos substitutos ao sim e não (35) 2.5: Postura: fonte para formação das percepções (36)

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Paralinguagem: as características da voz na comunicação 3 interpessoal (39) 3.1: O silêncio fala (40) 2.3: O sotaque de todos nós (43) 4 Oculésica: o comportamento ocular sob o ponto de vista da comunicação interpessoal (46) 5 Tacêsica: a manifestação da comunicação por meio do toque (53) 6 Olfática: o cheiro humano como forma de comunicação não verbal (58) 7

Proxêmica: espaço interpessoal como forma de comunicação (66)

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Cronêmica: a percepção e relação do tempo indicam significados

comunicativos (74) 9

Aparência física: características corporais como fontes de

mensagens não verbais (80) 9.1 - As mensagens transmitidas por meio do vestuário (80) 9.2: A beleza física como atributo de comunicação (83) 10

Conclusão

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Bibliografia

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Introdução

Linguagem corporal e a responsabilidade pela forma como somos percebidos.

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A ideia para a realização deste livro surgiu pelo interesse nas interações humanas e a seguinte inquietação: o que é sinalizado pela linguagem corporal e que impacto é causado na percepção humana ?

A comunicação é ferramenta imprescindível para satisfazer as aspirações e necessidade. Comunicar é tão imprescindível quanto respirar. Por serem animais racionais absolutamente sociáveis, pessoas sem contato social podem perder a sanidade mental.

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Ser competente enquanto se fala é pré-requisito para as interações sociais prazerosas e efetivas. Pessoas sem habilidades comunicativas podem ser percebidas como menos socialmente atrativas. Êxitos pessoais dependem das habilidades de interação e comunicação.

O ser humano é fonte ininterrupta de mensagens e influencia pelo que é, diz ou escreve. De alguma forma, comunicação é uma ação simples e nata. Por outro lado, comunicar efetivamente requer atenção e prática. Comunicar de forma competente é tarefa complexa porque em cada etapa do processo há potenciais chances de erro. Interpretações incorretas de mensagens podem causar desastres.

Dada a importância da comunicação interpessoal e o fascínio pela significação das mensagens emitidas por meio do corpo, o desenvolvimento deste livro se deu graças à análise de estudos científicos em Português, Inglês e Espanhol. O estudo possibilitou elaborar o primeiro trabalho em Língua Portuguesa sobre a influência dos feromônios durante as interações sociais e o comportamento ocular no processo de comunicação interpessoal face-a-face. Além disso, traz respostas às seguintes inquietações: 

Em quanto tempo é formada a primeira impressão?

Qual o impacto da aparência física na comunicação interpessoal?

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O que é mais efetivo durante a interação: uma bela face ou uma linda voz?

Porque as pessoas tocam tanto em si mesmas enquanto conversam?

Como identificar a linguagem corporal da mentira?

Como os aromas produzidos pelo corpo humano influenciam as interações sociais?

Como atrair pessoas com a linguagem corporal ?

Respostas para estas perguntas e a análise científica de como expressões faciais, comportamento ocular, características vocais, gestos e postura corporal emitem significados são encontradas ao longo das próximas páginas.

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Autor ●∞●

Leandro Freitas é jornalista, pós-graduado em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Escola de Comunicação e Artes da “Universidade de São Paulo” e certificado em Gestão de Marketing Estratégico pela Escola de Negócios da “Columbia University” em Nova Iorque. Sua experiência profissional foi iniciada no jornal Folha Regional, seguida pela atuação na área de Comunicação e Marketing de empresas nacionais e multinacionais como Banco Martinelli, Itaú BBA, Dow e Natura. É também autor do estudo “O poder da comunicação organizações

interpessoal privadas”.

A

nas pesquisa,

disponível digitalmente por meio do sistema Dédalus USP, contribuiu para despertar o interesse pelo significado da linguagem corporal e a forma como as mensagens não verbais influencia a percepção humana durante o processo de comunicação interpessoal face-a-face. ................................................................................................................................................................


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Apresentação bibliográfica ●∞● Este livro é baseado em pesquisa feita em 175 livros e 54 artigos científicos, técnicos ou editoriais. Grande parte do material de referência foi consultada na “Questia”, biblioteca digital baseada em Chicago (EUA), que dispõe do maior acervo do mundo nas áreas de Humanidades e Ciências Sociais. Por meio de www.questia.com podem ser acessados mais de nove milhões livros e artigos, graças a acordo de digitalização feito com 260 editoras comerciais e universitárias, como a Lawrence Erlbaum Associates e a Oxford University Press .

Os principais autores referenciados neste estudo, além dos filósofos Sócrates, Platão, Aristóteles, Immanuel Kant, John Locke e Santo Agostinho, são: 

Albert Mehrabian: psicólogo, PhD pela Clark University e pioneiro no estudo da comunicação não verbal.

Barbara McClintock: geneticista americana, ganhadora do Prêmio Nobel de 1983 pela descoberta de feromônios em seres humanos.

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Charles Darwin (1809-1882): idealizador da Teoria da Evolução das Espécies que denominou a comunicação como um dos fatores para o desenvolvimento da raça humana.

Michael

Argyle (1925-2002): benemérito psicólogo da

Universidade de Oxford, dedicou a carreira no estudo da comunicação não verbal e interação social, 

Paul Ekman: professor PhD de Psicologia na Universidade da Califórnia, estuda o comportamento não verbal com foco na expressão e fisiologia das emoções humanas.

Ray

Birdwhistell

(1918-1994):

antropólogo

PhD

pela

Universidade de Chicago especializado em Cinética e micro comunicação humana. 

Sigmund Freud (1856-1939): médico neurologista e fundador da Psicanálise.

Você encontrará a relação completa de autores e obras utilizada para referenciar este livro nas últimas páginas.

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1 – Linguagem corporal: mensagens silenciosas repletas de significados

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O corpo é um instrumento de comunicação humana abrangente. Gestos, expressões faciais, comportamento ocular, características físicas e reações hormonais são mensagens repletas de significados. O corpo humano, como canal, pela maior parte do processo de comunicação interpessoal. Com ou sem intenção, as pessoas emitem por meio do corpo mensagens que indicam atitudes e emoções. O primeiro estudo sobre linguagem corporal foi realizado por Charles Darwin em 1872. Na Teoria da Evolução, o biologista analisou a demonstração de emoções em seres humanos e animais através da face e concluiu que: “A linguagem corporal, além de ser uma forma ................................................................................................................................................................


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de comunicação inata, contribuiu para a evolução da espécie humana.”

Os sinais provenientes dos movimentos corporais são considerados mais sinceros que a linguagem verbal. A maioria dessas mensagens não verbais é de difícil controle por ser emitida de forma involuntária e inconsciente. Tais sinais indicam personalidade, predisposição social, status e estado emocional. São fontes valiosas de informação sobre como as pessoas se sentem em relação aos outros e a elas mesmas. Quando duas pessoas estabelecem comunicação face-a-face, a fala corresponde ao menor significado da interação social. A linguagem corporal constitui 93% do processo comunicativo. Dentro desse contexto, 55% correspondem aos gestos, expressões faciais e movimentos da cabeça, membros, mãos e pés. Trinta e oito por centro correspondem às tonalidades vocais. Por fim, apenas 7% do processo são compostos pelas mensagens verbais. A linguagem corporal supera o valor semântico das palavras. Em ordem hierárquica de significados, movimentos corporais são considerados mais expressivos que características vocais, que por sua vez, superam as palavras faladas no processo de comunicação interpessoal face-a-face. “O homem é um ser extremamente sensorial que, ................................................................................................................................................................


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de vez em quando, verbaliza,” – Ray Birdwhistell, antropólogo americano e um dos maiores especialistas mundiais em linguagem corporal. Os sinais emitidos pelo corpo, além de serem responsáveis pela forma com que as pessoas são percebidas, substituem, complementam e realçam a linguagem verbal. A interação social torna-se mais bem sucedida nas situações em que as pessoas estão atentas à linguagem corporal emitida por si próprias e por aquelas com as quais se comunicam. Ser competente na troca desses sinais requer sensibilidade, atenção e, principalmente, consciência do próprio corpo. A

linguagem

corporal

varia

conforme

personalidade, cultura e contexto. A interpretação dos sinais emitidos pelo corpo deve considerar tais variáveis por interferirem diretamente no comportamento não verbal dos seres humanos. Para melhorar a compreensão da linguagem corporal, seis especialidades estudam a capacidade de seus significados comunicativos. São elas: 

Cinésica: pesquisa a comunicação derivada dos movimentos da cabeça, membros inferiores e superiores, além de pés e mãos;

Paralinguagem: ciência que analisa os significados das características vocais;

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Oculésica: examina os sinais emitidos por meio do comportamento ocular durante a interação social;

Olfática: compreende o significado do cheiro humano por meio das reações dos feromônios;

Proxêmica: estuda os significados dos espaços interpessoais e posicionamento corporal no processo de comunicação interpessoal face-a-face;

Cronômica: analisa os sinais comunicativos diante da percepção e relação das pessoas com o tempo.

Tacêsica: avalia os significados do toque durante o processo de comunicação.

Apesar de ainda não existirem denominações para os estudos científicos da aparência física e vestimenta no contexto da comunicação interpessoal, tais atributos também serão considerados no campo analítico da linguagem corporal. As características faciais e corporais, assim como estilo, formato e cor de roupas, transmitem mensagens e afeta a forma como as pessoas percebem e são percebidas.

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2 – Cinésica: os movimentos do corpo como forma de comunicação não verbal

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Cinésica, também denominada Cinética, é denominação científica para a análise dos significados comunicativos dos movimentos corporais. A Cinésica baseia-se nas expressões faciais, agitação de membros superiores e inferiores, além do posicionamento de cabeça, mãos e pés. A Cinésica requer três condições para a interpretação dos movimentos do corpo. A primeira delas refere-se à interferência direta do contexto na emissão de mensagens não verbais. O significado de qualquer movimento ou expressão do corpo depende das interferências impostas pelas circunstâncias e pelo ambiente. A segunda condição refere-se à cultura social. As atitudes e valores que caracterizam determinada sociedade padronizam os significados sinais não verbais. A ................................................................................................................................................................


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terceira

interferência na interpretação

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está relacionada ao

comportamento humano, o qual influencia as atividades corporais e fonéticas. Ou seja, enquanto os movimentos corporais são baseados na estrutura fisiológica, os aspectos comunicativos dessa ação são padronizados pelo contexto, cultura social e personalidade. O corpo humano é, portanto, fonte importante e ininterrupta de informações. Um comunicador eficiente e atento consegue interpretar no outro quase todas as informações emitidas por meio do corpo. O que não é expresso por meio de palavras pode ser encontrado nas expressões faciais, nas gesticulações, no tom de voz ou nos movimentos da cabeça.

2.1 - Expressões faciais: o retrato sincero das emoções

A parte frontal do crânio humano é formada anatomicamente por 14 ossos, 43 músculos, cartilagem, gordura e pele. É dividida em três partes principais: testa e sobrancelhas; olhos e nariz; bochechas e boca. Apesar do único osso móvel da face ser a mandíbula, é possível produzir vários movimentos nessa região do corpo. Os músculos da face são responsáveis até 250 mil expressões distintas. Apesar da quantidade aparentemente excessiva, menos de 100 conjuntos de expressões constituem símbolos distintos de significados. ................................................................................................................................................................


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As mudanças nas atividades musculares da face são rápidas. A ocorrência de cada movimento varia de 250 milésimos de segundos a cinco segundos. Por meio das expressões faciais é possível identificar sete estados básicos de emoção: surpresa, tristeza, medo, raiva, aversão, desprezo e felicidade. Outros sentimentos como orgulho, culpa ou timidez são mais difíceis de serem reconhecidos, já que a complexidade dos movimentos musculares permitem expressar mais de uma emoção ao mesmo tempo. Por exemplo: enquanto a boca indica alegria ao sorrir, os olhos podem expressar tristeza. A face é fonte segura de como a pessoa absorve informações do ato comunicativo. O estado cognitivo e emocional gerado com a recepção de mensagens é demonstrado principalmente por meio de expressões minúsculas e momentâneas, geralmente de difícil assimilação e controle. Se bastante atenção for direcionada à face no momento da interação, aumentam-se as chances de reconhecer a harmonia entre as palavras emitidas, as atividades mentais e o estado emocional da pessoa com quem se fala. Outros elementos, como o nível de fluxo sanguíneo e as secreções glandulares, também contribuem para a emissão de mensagens não verbais por meio da face. Quando o fluxo de sangue é aumentado no rosto, pode se tratar de reações orgânicas relacionadas às sensações de timidez, embaraço ou euforia. As atividades das glândulas sudoríparas e sebáceas, além de aumentarem a temperatura corporal e a quantidade de óleo sobre a pele, podem significar o nível ................................................................................................................................................................


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de estresse, medo, ansiedade ou excitação de determinada pessoa durante o processo comunicativo.

2.2: Sorriso: a expressão facial da abertura social

Uma forma de expressão facial universalmente reconhecida é o sorriso. Em média, adultos em condições normais sorriem de diferentes formas e significados durante a soma de seis minutos diários. A assiduidade do sorriso é influenciada por fatores como gêneros, idade, percepção de status, cultura e contexto. Mulheres tendem a sorrir mais que homens. Jovens riem mais facilmente que idosos. Pessoas que se consideram de menor status em dete rminada situação, tendem a se sentirem mais pressionadas a sorrir. Entre homens, há evidências de quem possui alto nível de testosterona sorri menos que aquele com quantidade menor desse hormônio. O sorriso, além de ser sinal comunicativo de receptividade, tem impacto na saúde física dos seres humanos. A Gelotologia, ciência que analisa as propriedades terapêuticas de sorrir, comprova o valor do sorriso para fazer as pessoas se sentirem melhor. Durante o ato de sorrir,

são

liberadas

endorfina

e

adrenalina,

hormônios

neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e bemestar. A redução do estresse graças ao sorriso contribui para a ................................................................................................................................................................


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fertilidade feminina. A dilatação e contrição dos vasos sanguíneos que ocorrem

enquanto

as pessoas sorriem favorecem a saúde

cardiovascular. Quando pacientes com AIDS e câncer são submetidos a situações cômicas, resposta automática é gerada no sistema nervoso para causar o gerenciamento de dores e aumentar as defesas naturais do organismo. A Getologia também analisa a capacidade instintiva dos seres humanos em diferenciar sorrisos reais daqueles que são apenas convenção social. Gelotologistas afirmam que o verdadeiro sorriso é expresso pelos olhos, não pela boca. O sorriso é ainda considerado um comportamento involuntariamente imitativo. Quanto mais se sorri para alguém, mais essa pessoa tende a repetir o comportamento. Pessoas sorridentes são percebidas como mais amistosas, alegres e atraentes. Sorrir é um importante recurso social que transmite mensagens de agradecimento, apreciação, superioridade, desprezo, concordância, aprovação, reconhecimento, ironia, maldade, prazer e felicidade. “O sorriso une as pessoas. Há histórias de guerra em que soldados treinados para a luta desarmam-se literalmente diante dos inimigos que sorriem para eles”, afirma Sherry Dunay Hilber, fundador do RX Laughter Institute, entidade californiana que utiliza a comédia para amenizar tratamento médico de crianças com câncer.

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2.3: Características físicas da face que transmitem significados

A face humana é composta por características físicas mutáveis e permanentes. As mutáveis, influenciadas pelo tempo e por hábitos pessoais, são compreendidas por rugas, manchas ou espinhas. As permanentes estão ligadas à estrutura óssea, textura, coloração da pele e cabelos, além dos detalhes individuais da aparência. As características mutáveis e permanentes transmitem atributos da personalidade. O formato da face veicula mensagens fisionômicas como gênero e origem étnica. O aspecto do rosto sinaliza, além da idade, condições socioeconômicas e físicas. Rosto bem cuidado sinaliza hábitos corretos de alimentação, cuidados dermatológicos e saúde física em condições favoráveis. A formação óssea possibilita indicar fisicamente o grau de parentesco entre membros da mesma família. A face constitui o principal elemento de identidade humana e fundamenta a formação de impressões. As expressões faciais, na maioria das vezes, são mensagens fiéis das atividades cognitivas e do estado emocional. Apesar do estabelecimento de pressões sociais, que geralmente impedem revelações de sentimentos em determinadas ocasiões, interpretar as expressões faciais possibilita saber como cada um se sente enquanto se comunica e o que realmente acontece entre os agentes do processo interativo.

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2.4 – Gestos e postura: movimentos que ilustram ou substituem a fala

Gestos são movimentos do corpo, principalmente das mãos e braços, que exprimem significados comunicativos. Tais atos transmitem informações semânticas por estarem relacionados com as palavras que os acompanham. Os gestos são usados para ilustrar ações sequenciais, substituir palavras ou diminuir a ambiguidade do significado nas expressões verbais. Das partes do corpo que gesticulam, as mãos são as mais perceptíveis em virtude dos movimentos longos, rápidos e intensos. Mãos gesticulam com mais ritmo por estarem conectadas a uma região do cérebro considerada maior que aquelas, gerenciadoras de outros movimentos corporais. Dentro da comunicação não verbal, a expressividade intensa das mãos permite considerá-las com a mesma representação que a língua recebe na comunicação verbal. Os gestos geralmente são mecânicos, executados automaticamente e de forma quase inconsciente. As mãos, além da face, absorvem e canalizam a maioria das emoções durante o processo comunicativo. É possível perceber o nível de tensão interna das pessoas somente pela observação das mãos. Dedos contraídos podem transmitir sensações negativas como ansiedade, nervosismo, insegurança, submissão, ódio ou medo. Se ................................................................................................................................................................


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estendidos, indicam estado emocional favorável. A exceção ocorre com os polegares. Quando esses dedos estão rigidamente desdobrados, revelam estado de intranquilidade ou emoções contidas, como ódio ou intenção de domínio social. Dedos são considerados “garras” humanas de tensão. As mãos são responsáveis pela ligação física entre seres humanos e cumprem funções de pacificação e conexão, como o cumprimento social. Tal ato é responsável pelo início da sincronização da comunicação interpessoal e, ao ocorrer de forma competente, aumenta as chances do desenvolvimento e manutenção da interação. A forma de cumprimentar outra pessoa depende de fatores como o nível de intimidade. Independente da forma de relação interpessoal estabelecida, o ato requer premissas básicas, infelizmente nem sempre seguidas, para manifestar atenção, respeito e afeto. O cumprimento efetivo exige toque firme e sutil, geralmente nas mãos e/ou ombros. Manter contato visual no momento do cumprimento demonstra que a outra pessoa possui significado social e faz parte da realidade de quem saúda. Expressões faciais positivas indicam a satisfação de encontrar de quem é saudado. Pronunciar o nome da pessoa, ou repeti-lo após a primeira apresentação, é uma maneira polida e eficiente de aumentar a aproximação. Em sociedades mais táteis e relacionais, como a brasileira, o cumprimento termina com beijo na face e a ocorrência desse ato depende do nível de formalidade e intimidade do relacionamento. A forma de cumprimento, aliada à emissão de outros sinais ................................................................................................................................................................


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corporais, é responsável pela formação das primeiras impressões quando duas pessoas desconhecidas se saúdam pela primeira vez. Elas precisam de um décimo de segundo, menos tempo que o piscar de olhos, para formar a primeira impressão. Tão importante quanto a primeira é a última impressão. Por isso, a forma de duas pessoas se despedirem também deve seguir as mesmas premissas, caso a intenção seja manter ligação social prazerosa, efetiva ou até mesmo afetiva. A cultura social também influencia a forma de se cumprimentar. Há diversas formas de saudação. No arquipélago de Andaman, ao sul da Índia, as pessoas quando reencontram parentes ou amigos sentam-se no colo um do outro, passam o braço pelo pescoço do conhecido e choram de felicidade por alguns minutos. Na ilha de Hokkaido, ao norte do Japão, quando um rapaz reencontra a irmã, ele segura as mãos dela, aperta as orelhas, emite um grito e depois encostam os ombros e faces. Se isso pode parecer estranho, o mesmo deve acontecer a um morador desses locais ao verem duas brasileiras tocarem levemente as faces e beijarem o ar ao mesmo tempo. As mãos transmitem outras mensagens não verbais além de gestos. A fisionomia dessas partes do corpo revela características de personalidade. Dentro dos padrões de tamanho de mãos nos gêneros sexuais, pessoas de mãos largas tendem a ser extrovertidas. Mãos finas, por outro modo, podem indicar personalidade introvertida. O posicionamento das mãos, assim como gestos, também indica estados ................................................................................................................................................................


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emocionais. Mãos enlaçadas mostram repouso e confiança. Mãos que sustentam a cabeça denotam cansaço e a pessoa nesta posição assegura o próprio envolvimento na atividade cerebral. Dedo indicador estendido sugere concentração no que se é dito. Enquanto os gestos inconscientes predominam o uso da mão esquerda, os considerados conscientes utilizam a direita. Pessoas que movimentam mais a mão esquerda tendem a ser mais racionais que emocionais. Os gestos são subprodutos da articulação verbal, mas, obviamente,

não

têm

a articulação

da fala.

Porém,

são

consideravelmente informativos e desempenham papel crucial no entendimento do que é dito. Apesar da importância dos gestos no processo comunicativo, o excesso desses movimentos é considerado ruído de mensagem. A gesticulação ilimitada interfere na recepção das mensagens por transferir a atenção da informação para os gestos. Por outro lado, gesticular de menos torna a expressão monótona, menos viva e atrativa. O ideal é manter a gesticulação equilibrada, com movimentos moderados, que contribuam para a ilustração ou substituição da fala. Os movimentos do corpo são tão pessoais quanto a assinatura. A interpretação dos gestos varia conforme a personalidade, cultura ou contexto social. Gênero também é determinante, pois homens e mulheres gesticulam de formas diferentes. Mesmo assim, há ................................................................................................................................................................


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padronizações de movimentos que possibilitam aos estudiosos de comunicação atribuírem significados a esses movimentos. Alguns deles, com respectivos significados atribuídos, estão disponibilizados na tabela abaixo:

GESTO cabeça inclinada à esquerda ou direita homem puxando a orelha ou alisando a barba levantar, girar ou flexionar um ou os dois ombros. esfregar o nariz braços cruzados na frente do corpo cumprimentar abaixando a cabeça cabeça e peitos erguidos mulher passando a mão no cabelo corpo inclinado para trás corpo inclinado para frente relaxamento muscular da face dedos na boca posição do pé quando a perna estiver cruzada ou estendida

SIGNIFICADOS ATRIBUÍDOS indícios de galanteio, sinalização de amizade, afinidade, confiança mútua ou timidez. visualização de mulher atraente Responder perguntas, dicas de incerteza disposição, resignação, dúvidas ou proibição indícios de desaprovação algum tipo de defesa submissão dominação, sensação da própria importância indícios de galanteio recuo, rejeição ou desinteresse aceitação, interesse ou desibinição Desinteresse angústia, agonia ou necessidade de satisfação aceitação, concordância ou intimidade com a pessoa posicionada na mesma direção do pé

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mostrar a palma das mãos mulher mostrando a palma das mãos olhar para baixo

narinas abertas aperto forte de mão aperto fraco de mão acariciar os próprios cabelos continuadamente corpo em direção oposta ao olhar mãos abertas e braços estendidos lábios presos entre os dentes cotovelos apontados

aceitação, concordância indícios de galanteio pessoa dominada pelo ambiente ou sentimento de inferioridade. Pode indicar derrota ou vergonha medo firmeza, franqueza, interesse ou vigores físico e psíquico desinteresse, timidez ou receio carência desconfiança, desinteresse, incomodação estímulo à interação ansiedade ou falta de vontade em verbalizar afastamento da pessoa próxima, falta de identificação ou sintonia

bocejo

sono ou falta de interesse

adulto sentado no chão sentar-se na beira da cadeira autoagressão coçar o couro cabeludo

regressão à infância vontade de se levantar tensão ou baixo autoestima falta de confiança autoconfiança, atividade mental intensa

palmas juntas com dedos apontados para cima mãos juntas atrás do corpo com queixo para cima manipular objetos continuadamente olhar fixo sem piscar

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autoconfiança, superioridade

ansiedade tristeza ou atividade mental intensa

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rejeição visual, ausência de gesticulação e rigidez corporal

indicação de comunicação desprazerosa

sobrancelhas elevadas atenção visual contínua

submissão ou espanto submissão

uma mão atrás da cabeça duas mãos unidas atrás da cabeça flexionar o pescoço para proteger ou abaixar a cabeça não tocar a outra pessoa

incerteza, conflito, desacordo, frustração, fúria, aversão social ou pensamentos e emoções negativas. Sinal de dominância indica desacordo, aversão e medo submissão, falta de identificação ou timidez

2.4.1 - O auto toque: resposta do corpo a tensões internas durante o ato comunicativo

Outro gesto bastante significativo na comunicação interpessoal é o auto toque. Especialistas em comunicação humana sentem-se atraídos pela significação comportamental desse tipo movimento realizado principalmente enquanto as pessoas conversam. É muito comum observar pessoas, durante o processo interativo, coçando-se, tocando-se ou pegando na própria roupa ou cabelos. O interessante é que as pessoas nem sempre sentem coceiras, precisam arrumar roupas ou segurar os cabelos. O auto toque pode, na maioria das vezes, tratarse de uma resposta do corpo a uma tensão interna. Na ausência de ................................................................................................................................................................


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canalização de tal emoção, a tensão se manifesta em forma de comichões, inquietações ou ansiedade. As pessoas, ao apresentarem esse comportamento, podem estar com sensações desconfortáveis e tendem a se esquivar da interação.

2.4.2: Os gestos que sinalizam mentira

Os gestos podem ainda indicar processos internos no ser humano com a associação de comportamentos enganosos. É possível detectar quando uma pessoa mente com a observação atenta da linguagem corporal. A mentira pode se manifestar de diferentes maneiras. A primeira delas se dá por meio das excitações fisiológicas que sugerem aumento de estresse. As excitações podem ocorrer com a aceleração dos batimentos cardíacos, transpiração e tentativa de controlar desempenho verbal. Todas as pessoas mentem, por mais honestas que se julguem ser. Quando enganam, elas se preocupam com a transparência da ansiedade ou culpa, além de tentarem aumentar o processo cognitivo de informação. Quem mente evita olhar nos olhos, comete falhas de marcação temporal e ilustram menos a história contada, com gestos curtos e nervosos. Elas ainda podem lamber os lábios, esfregar os olhos ou se tocar. As pessoas sabem fingir faces alegres, zangadas ou tristes, mas têm dificuldades para mantê -las por muito tempo. Porém, tais mensagens devem ser interpretadas da ................................................................................................................................................................


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mesma forma que todos os outros sinais não verbais e considerar personalidade, contexto e cultura. Pessoa de conduta maquiavélica, por exemplo, pode enganar facilmente sem evitar mirar diretamente para o nos olhos da outra pessoa.

2.4.3 – Movimentação da cabeça: gestos substitutos ao sim e não

Outra gesticulação associada à fala é a movimentação da cabeça. Assentir e girar o crânio podem ser usados para satisfazer funções semânticas, comunicar emoções e responder conversações. Movimentar para cima e para baixo indica formas de compreensão e concordância. Assentir enfaticamente enquanto fala ou ouve pode indicar sentimentos dominantes de convicção, animação, superioridade, empatia emocional e, algumas vezes, irritação. Girar a cabeça horizontalmente de um lado para o outro indica desacordo ou incompreensão da mensagem. Numa conversa emocional, girar a cabeça de um lado para o outro pode transmitir incredulidade, mágoa, compaixão ou desarmonia cognitiva. Enquanto assentir com a cabeça está associado a intenções e emoções positivas, virá-la para esquerda ou direita está relacionado a condutas e sensações negativas. Quando os sinais positivos e negativos da movimentação da cabeça não precisam ser emitidos durante o processo interativo, a posição mais ................................................................................................................................................................


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efetiva dessa parte do corpo é no ângulo de 90°, formado entre o pescoço e a parte inferior do crânio, em posição paralela ao solo. Essa posição, além de indicar equilíbrio entre sinais de superioridade ou inferioridade, permite o livre funcionamento do aparelho fonador, que deixa de ser pressionado ou estendido quando a cabeça está levemente abaixada, levantada ou inclinada.

2.5 – Postura: fonte para formação das percepções

Diferentemente dos gestos, a postura é o aspecto mais estático e consistente ao ser comparada com outros movimentos corporais. A postura, além de sinalizar atitude, é um dos sinais não verbais que mais oferecem subsídios para os seres humanos formarem percepções interpessoais. As pessoas têm modos individuais de manter o corpo quando andam, sentam ou ficam em pé. A postura transmite emoções, caráter, atitudes interpessoais, gênero e status. Enquanto gestos estabelecem e mantêm o ritmo da troca de mensagens, a postura apoia a comunicação e estabelece plataforma comum de significado. As posições corporais ainda revelam como as pessoas se sentem em relação às outras e o que acontece entre elas. As posições são divididas em duas categorias: • Posturas congruentes ou espelhadas: mantêm a sincronia da ................................................................................................................................................................


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comunicação interpessoal. Sinaliza empatia, afiliação e disposição verbal. São as formas mais recomendadas de interação, pois criam espaços de receptividade. Exemplo: corpos na mesma direção, em posições espontâneas, com braços e pernas relaxadas. • Posturas incongruentes ou divergentes: indicam discórdia, falta de interesse ou afinidade. Exemplo: corpo oposto à direção do olhar ao da pessoa com quem se fala com braços cruzados ou rígidos. A disposição configurada por braços, pernas, mãos, costas e pés é resultado da atividade mental. A função cognitiva está diretamente relacionada à forma como as pessoas se postam. Quando uma pessoa mentaliza “isso não vai funcionar”, o pensamento crítico é refletido instantaneamente na postura. Uma maneira de visualizar a própria posição corporal é atentar-se para o tipo de pensamento no corrente momento. A postura, invariavelmente, indica a imagem mental. A postura, além de projetar as próprias convicções, transmite às outras pessoas a percepção interna das declarações e ideologias recebidas. Porém, nas relações interpessoais, os seres humanos tendem a focar na postura alheia, não na própria. Por isso, as atitudes corporais ressoam com frequência. O terapeuta, por exemplo, imita a posição corporal do paciente para estimular o acordo.

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3 – Paralinguagem: as características da voz na comunicação interpessoal

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A Paralinguagem estuda os significados das características vocais.

A voz humana possui as seguintes

características: altura, melodia (aguda ou grave), velocidade (as pessoas expressam a média de 150 a 185 palavras por minuto), tonalidade, articulação e pronúncia. A voz é uma extensão tão forte da personalidade, que a maneira pela qual as pessoas são percebidas depende em grande parte do desempenho vocal. Quando as pessoas falam, elas informam condições físicas, emocionais e sociais. A boa voz impressiona e atrai. A pessoa que deseja ser considerada socialmente ................................................................................................................................................................


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atrativa deve modular a própria voz conforme o padrão vocal do contexto comunicativo. A voz de qualidade aumenta a percepção de competência e dominância. Uma emissão vocal favorável é capaz de superar a beleza física no quesito “fascínio social”. A intensidade da voz humana pode oscilar entre 40 e 50 decibéis. Entre a voz sussurrada e a mais intensa há diferença de até 100 decibéis. A fala inteligível requer atenção à acentuação. Bons falantes usam tonalidade alta, enquanto maus falantes nem sempre. Pessoas extrovertidas emitem mais quantidade de palavras e em tom maior, ao contrário das pessoas introvertidas. Quanto mais alta e firme é a voz, mais a pessoa será percebida como socialmente dominante. Para despertar o interesse em quem ouve, a velocidade efetiva da fala deve ser flexível e na altura confortável para a compreensão. As palavras precisam ser pronunciadas com articulação adequada, clareza e em diferentes níveis de entonação.

3.1: O silêncio fala

Outra

característica

vocal

analisada

pela

Paralinguagem é o silêncio. Incluído entre as sete características da expressividade, o silêncio é designado pela ausência da voz e pode ser tão expressivo quanto palavras. O silêncio comunica e tem variados ................................................................................................................................................................


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significados. Conforme o contexto, transmite hostilidade, frieza, rigidez, ódio, timidez, emoções negativas ou falta de identificação com a outra pessoa. Pode ainda denotar respeito, bondade, contemplação, empatia, aceitação e reflexão. O silêncio indica consentimento ou rejeição pelo o que é dito e pode ainda indicar organização dos pensamentos antes expressá-los.

“O silêncio é uma função comunicativa complexa e profunda”, John Locke, filósofo inglês em “Ensaio sobre o entendimento da humanidade”.

Os momentos de silêncio durante o processo interativo incomodam a maioria das pessoas, principalmente nas relações sociais de menor intimidade. Isso porque a ausência de comunicação verbal está associada à falta de interesse na interação. Os silêncios interativos aumentam em duração e freqüência na medida em que a distância física das pessoas é diminuída. O

impacto do silêncio na comunicação é

contraditório em algumas sociedades. Na cultura oriental, o silêncio é frequentemente bem interpretado. Os japoneses consideram que, na falta de algo melhor para dizer, é preferível ficar em silêncio. Eles também consideram esse tipo de mensagem não verbal como uma ................................................................................................................................................................


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forma de respeitar a individualidade dos outros. Já na cultura ocidental, o silêncio tende a desconfortável. No Brasil, onde as pessoas são culturalmente mais interativas, momentos de silêncio tendem a causar constrangimentos. Diferenças culturais à parte, o fato é que a ocorrência do silêncio diminui na medida em que aumenta a intimidade das relações interpessoais. São nas relações mais íntimas que os momentos de silêncio são menos embaraçosos. As pessoas podem medir o nível de intimidade de seus relacionamentos quando o silêncio entre elas deixam de ser um tipo de incômodo. Além do silêncio, outros aspectos não fonêmicos da voz também são abrangidos pela Paralinguagem. São eles: 

Prosódia: estudo das variações vocais que

alteram ou enfatizam o significado das palavras faladas. Quando as pessoas aumentam a entonação de uma determinada palavra, dão significados diferentes

a

elas,

independentemente

da

equivalência semântica. *

* Extralinguística: avaliação dos diversos tipos

sotaque

em

um

mesmo idioma como reforço da

expressividade

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2.3: O sotaque de todos nós O sotaque, objeto de estudo da Extralinguística, favorece a formação de impressões por diferenciar a expressão com características além da linguagem. O sotaque torna os idiomas multifacetados e tem conceito relativo. A Língua Portuguesa, por exemplo, tem pronúncia e melodia peculiares em cada um dos sete países em que é o idioma oficial. A diferenciação de expressividade acontece também dentro do mesmo país ou até cidade. Apesar de possuir base gramatical idêntica, uma pessoa nascida e vivida na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, tem entonação e melodia diferentes se comparada à outra pessoa de mesmas condições no Recife, Pernambuco. A explicação para esse fato se deve às influências culturais, econômicas, geográficas e até mesmo à formação do aparelho fonador. Alguns sotaques sustentam prestígio, outros nem tanto. Esse conceito se forma de acordo com a percepção do local de origem pelos agentes do ato comunicativo. A medida de status de um sotaque é proporcional ao status de seu local de origem.

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O sotaque, quando percebido, também pode diminuir a eficiência da mensagem comunicada. A entonação e a melodia da fala sobressaem ao conteúdo transmitido e desvia a atenção de quem o recebe.

Quanto mais intenso é o sotaque, mais ruído tende a causar no processo comunicativo. As palavras devem ter pronúncia mais próxima possível do padrão de expressividade do lugar em que a comunicação é estabelecida, sem que a naturalidade verbal seja perdida. O treino ideal, caso necessário, é fazer leituras em voz alta, ouvir atentamente os nativos e repetir várias vezes palavras que necessitam de pronúncia mais precisa. O fato é que todas as pessoas têm sotaque e somente se dão conta disso quando estão em lugares diferentes da própria origem ou vivência.

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4 – Oculésica: o comportamento ocular sob o ponto de vista da comunicação interpessoal

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As funções e o impacto do comportamento ocular durante a comunicação interpessoal face-a-face são analisados sob a perspectiva da Oculésica. Trata-se do estudo sobre as diferentes formas de olhar e respectivos significados comunicativos.

Os olhos são as partes mais sinceras e sensíveis do processo comunicativo. Os músculos oculares, por serem incontroláveis, revelam informações verdadeiras sobre o estado de ânimo das pessoas. Os olhos, além de serem fontes importantes de resposta interativa, expressam emoções, atenção e ameaça. A maior parte das informações ................................................................................................................................................................


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transmitidas por esses órgãos opera fora do nível de atenção e está além da habilidade do controle consciente. Há várias formas de estabelecer o contato visual. As mais frequentes são:

• olhar fixo e direto: feito olho a olho. Se prolongado, pode ser percebido como forma de ameaça. Todas as culturas reprovam olhares fixos, diretos e demorados. Quando uma pessoa é observada intensamente, ela tende a apresentar ritmo cardíaco mais acelerado. • olhar indireto: se dá por meio da mirada direcionada a alguma região da face. As mais habituais são boca, queixo ou nariz. • olhar omisso: denota desprezo ou negligência à mensagem transmitida e à pessoa com que se comunica. Aversão em olhar tem o efeito de reduzir a pessoa com quem se interage. • olhar fugaz: é rápido e esporádico. Pode significar timidez, baixa percepção de status ou falta de atratividade interpessoal. • olhar parcial direto: alternam miradas atenciosas em partes da face, do corpo e do contexto. Na face, as miradas são fixadas alternadamente na região dos olhos, boca e nariz. No corpo, as miradas são apontadas para as partes mais distintas, visíveis e móveis a fim de captar gesticulações, posicionamentos e características da aparência. No contexto, esse tipo de olhar capta composições e disposições dos elementos que fornecem informações importantes para troca de mensagens. O olhar parcial direto é o mais indicado para o estabelecimento efetivo da comunicação interpessoal face-a-face.

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Os comportamentos visuais e vocais estão estritamente relacionados no processo de comunicação. Habitualmente, as pessoas olham menos enquanto falam e mais quando escutam. Numa típica sequência interativa, nos primeiros segundos, é comum olhares fixos e diretos para despertar atenção, interesse e abertura dos canais de comunicação. Com o avanço das expressões verbais, o olhar torna-se parcial e direto, para que todos os sinais do processo comunicativo possam ser interpretados. No fim da fala, a ocorrência do olhar tende novamente a ser fixo e direto. Assim, a pessoa que fala confirma a decodificação das mensagens recebidas e sinaliza à outra a chance da fala. O movimento dos olhos juntamente com a tonalidade da voz são marcadores de início e fim dos turnos da fala.

As pessoas direcionam olhares para o que lhes despertam atração. Quando duas pessoas se olham, elas aumentam as chances de serem percebidas como empáticas e afetivas. É possível obter forte senso de quem é uma pessoa ao olhar diretamente nos olhos dela. Quando dois olhares se encontram, também é possível identificar o estado emocional daquelas com quem se interage. As variadas emoções que as pessoas experimentam são exibidas na face, mas a intensidade desses sentimentos é transmitida pelos olhos.

O nível de atração interpessoal influencia a ocorrência do contato visual. O olhar está diretamente relacionado com o gostar. As pessoas olham com maior frequência para aquelas que elas gostam mais. ................................................................................................................................................................


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Paradoxalmente, durante as circunstâncias de discórdia, as pessoas também olham extensivamente àquelas que estão em conflito.

Durante processo interativo, os olhares variam de 28% a 70% do tempo. Homens e mulheres têm comportamento visual diferente. Os olhares delas são mais frequentes e mais prolongados que o deles. Esse fenômeno se explica, pois mulheres têm mais necessidade de inclusão e afiliação que homens. Além disso, homens tendem a considerar olhares como forma de ameaça. O contato visual dos homens é mais frequente entre mulheres que entre outros homens. Mulheres tendem a possuir o mesmo nível de ocorrência do contato visual para ambos os sexos.

Piscar, o rápido comportamento de abrir e fechar os olhos, reflete estado emocional. O ser humano pisca, em condições normais, 20 vezes por minuto. A média de duração desse movimento é um quarto de segundo, tão rápido que as pessoas os percebem somente quando pensam nele. Piscar rapidamente indica nervosismo, ansiedade ou tensão. Conforme o nível de stress, uma pessoa pode piscar até sete vezes mais que o normal, como aconteceu com o candidato derrotado para a presidência dos Estados Unidos, no debate televisivo de 1996. Bob Dole piscou, em média, 147 vezes por minuto. As pessoas piscam mais rapidamente em situações de tensão ou excitação. Quando cortejam, falam em público ou mentem, uma parte do cérebro chamada sistema de ativação reticular desperta tais movimentos, que são aumentados conforme o nível de excitação. Os olhos piscam ................................................................................................................................................................


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principalmente no começo da vocalização, usualmente no início da primeira letra da palavra.

O ser humano tem reduzida capacidade visual, principalmente quando comparado a certos animais, como o gato. Mesmo assim, as pessoas percebem fortemente a sensação do olhar. Mesmo à distância e sem necessariamente estabelecer olhar fixo e direto, as pessoas podem perceber que são observadas. Além disso, quanto mais uma pessoa se sente olhada, mais a outra se considera observadora, mesmo que tal impressão derive de percepções erradas de ambas as partes. Partes específicas do cérebro são ativadas quando as pessoas percebem que alguém olha diretamente para elas.

Olhar transcende palavras. Nas relações interpessoais de maior convívio e intimidade, é possível interpretar as intenções das pessoas somente com o contato visual. Olhar também pode expressar níveis de acordo e segurança e ainda é fonte significante de medo e surpresa. Olhar de lado pode ser compreendido como discordância e insegurança ao que é dito. Já olhar firmemente demonstra falta de timidez, alta percepção de status, confiança nas palavras expressadas ou pretensão da pessoa em absorver a reação daquela com quem se fala. Fechar os olhos é revelação consistente de dor. Níveis reduzidos do contato ocular podem ser interpretados como desaprovação e baixo nível de intimidade e dominância. A pessoa que fala pode também controlar o comportamento de quem escuta através de movimentos oculares. ................................................................................................................................................................


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Diante de olhares fixos é possível impedir interrupções da fala ou estimular reposta para as mensagens transmitidas. Outro componente da visão bastante estudado pela Oculésica é a pupila. Comumente chamada de “menina dos olhos”, trata-se da região central da íris responsável pela regulação do fluxo de luz para a retina. Quando há pouca incidência de raios luminosos, a pupila se dilata e pode medir até oito milímetros. Em circunstância contrária, essa região se retrai ao ponto de equivaler à dimensão da cabeça de um alfinete. Como o olho é considerado extensão do cérebro, é possível avaliar a atividade mental através do tamanho da pupila. Quando essa parte dos olhos está dilatada, pode significar que a pessoa está diante de uma situação agradável, que a emociona e desperta interesse. Quando os agentes do processo comunicativo experimentam trocas aprazíveis de mensagens as pupilas se dilatam. Por outro lado, a constrição da pupila pode indicar resposta emocional de aversão a algum aspecto da interação. A técnica de observar o movimento da pupila é utilizada por mágicos e vendedores. O cliente tem a pupila expandida quando está diante de um produto que lhe desperta desejo de consumo. Mágicos identificam em truque qual foi carta a pré-selecionada por determinada pessoa ao observar o aumento das pupilas delas ao rever a carta escolhida. Dilatação da pupila é um sinal confiante das emoções positivas de excitação e interesse. Por fim, para interpretar dos significados do movimento da pupila deve ser levar em consideração a influência do nível de luminosidade no ambiente em que ocorre o processo de comunicação interpessoal face-a-face. ................................................................................................................................................................


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5 - Tacêsica: a emissão de significados comunicativos por meio do toque ●∞● A Tacêsica é a ciência que analisa o contato físico como forma de interação social. Quando duas pessoas se tocam acontece um ato de comunicação por se tratar inevitavelmente de experiência recíproca com resposta simultânea. A pele é o primeiro e maior canal presencial de comunicação interpessoal e é por meio dela que todo o ambiente chega aos seres humanos.

O contato físico também é interpretado como uma manifestação de afeto interpessoal. As pessoas tocam mais naquelas que gostam e se identificam. Relações sexuais são, indiscutivelmente, a forma mais intensa de contato físico. Quando as pessoas se envolvem dessa maneira, estão, na verdade, descobrindo as sensações máximas da comunicação tátil. O ser humano, por ser animal sociável, possui forte necessidade de toque. A pele tem grande valor na comunicação interpessoal por se tratar ................................................................................................................................................................


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de fonte sensitiva, transmissora e receptora de informações. A sensibilidade cutânea é explicada por conter aproximadamente 50 células receptoras por 100 milímetros quadrados. A pele é um condutor elétrico de excepcional qualidade. A energia liberada por esse órgão é incapaz de produzir choque nas pessoas, exceto em situações ocasionais. A pele gera choques elétricos em virtude das mudanças emocionais. Essas alterações atingem o sistema nervoso autônomo, o qual promove o aumento da condutividade elétrica da pele, principalmente naquela encontrada na palma das mãos e sola dos pés. Os impulsos elétricos liberados pela pele podem simbolizar pensamentos e emoções por meio de sensações de choque, arrepios ou coceiras. Em virtude da tamanha sensibilidade, a pele é capaz de decodificar informações rápidas e sofisticadas percebidas pelo ser humano. Sentimentos de frustração, raiva e culpa não comunicados verbalmente, assim como necessidades de amor reprimidas, podem encontrar expressão automática na pele com, por exemplo, o aparecimento de acnes.

A pele, especialmente a do rosto, registra as tentativas e os triunfos pessoais durante a vida e, dessa forma, transparece a própria memória das experiências. O vestuário bloqueia parte das sensações agradáveis vindas pela pele. A tentativa de diminuir o tamanho das roupas ou mesmo se livrar delas são tentativas de aproveitar a estimulação natural da pele ao colocá-la em contato com o ar, sol, objetos ou mesmo outra pele. A pele opera em nível subconsciente e reflete o significado ................................................................................................................................................................


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emocional das palavras. A pele ainda comunica muitas mensagens não intencionais, como a aparência, temperatura corporal, transpiração, tensões musculares e até a saúde humana. A acne, por exemplo, pode representar a ebulição hormonal da puberdade em jovens. Nos adultos, podem representar a expressão de sentimentos e sensações sexuais reprimidas.

A pele humana é tipicamente quente quando as pessoas estão emocionalmente excitadas e fria quando deprimidas. O contato físico significa proximidade, pois quando duas pessoas se tocam acontece, inevitavelmente, uma experiência recíproca. Tocar, muito mais do que chamar pelo nome da pessoa, reduz distância social, estabelece relacionamento amistoso imediato e frequentemente constitui declaração de identificação e intimidade. Porém, qualquer toque acidental ou desnecessário, mesmo em uma pessoa bastante conhecida, pode ser considerado incômodo ou, até mesmo inaceitável, em determinadas sociedades tidas como menos interativas e mais formais.

O Brasil, país de população considerada extremamente tátil, possui uma tribo indígena no interior do Mato Grosso do Sul que pertence à etnia “Caingangue”. Na cultura dessa tribo, as crianças recebem quantidade de atenção dos adultos acima da média e podem sempre contar com alguém para lhes dar carinho e colo. Mesmo quando crescidas, dormem juntas e em bando, pelo mero prazer do contato ................................................................................................................................................................


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tátil. Os “Caingangues” dormem com rostos encostados, braços entrelaçados e perna passada por cima da outra, dando a impressão equivocada de amantes. Na verdade, estão dando vazão à necessidade de contato físico, fortemente estimulado por aquela cultura indígena desde o nascimento.

Normas de contato físico desenvolvidas nas sociedades modernas são influenciadas por dois fatores: a região do corpo em que é tocada e as variáveis demográficas que diferenciam uma pessoa da outra, como gênero, raça, idade, status e cultura. Tocar a cabeça, ombros e braços são frequentemente movimentos corporais mais aceitáveis do que toques outras partes do corpo, como perna, cintura ou tórax.

O relacionamento e o grau de afeto das pessoas, suas expectativas de interação e o contexto influenciam o nível de toques interpessoais. Na maioria das vezes, homens são relutantes em tocar ou serem tocados por outros homens em virtude da masculinidade e pelas conotações homossexuais socialmente atribuídas quando pessoas do mesmo sexo se tocam. Verifica-se que na relação homem-mulher, independentemente do nível de afeição, possui a maior quantidade de toques.

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6- Olfática: o cheiro humano como forma de comunicação não verbal

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Olfática é a forma de comunicação não verbal que analisa os sinais transmitidos pelas substâncias químicas responsáveis pela formação dos aromas no corpo humano. Assim como os olhos são os canais presenciais da Oculésica, na Olfática essa função é atribuída aos feromônios.

As pessoas subestimam a importância do nariz como receptor de mensagens. São relutantes em perceber o aroma umas das outras e pouco falam sobre cheiro humano. As pessoas, além de suprirem o olfato como sentido por fazerem parte de sociedades desodorizadas, ocultam os aromas naturais pelas fragrâncias industrializadas. Com isso, tentam se livrar dos cheiros biológicos, geralmente considerados como menos atrativos que fragrâncias. Isso acontece porque as pessoas, ................................................................................................................................................................


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além de viverem em sociedades que conscientemente desprezam o aroma natural, desconfiam dos prazeres do olfato em virtude da tendência sensual atribuída a este tipo de percepção. Porém, nem todas as culturas são avessas à sensação do cheiro biológico do ser humano. Os árabes, por exemplo, reconhecem a relação entre a disposição pessoal e o aroma natural. Os norte-americanos, por outro lado, são ensinados desde a infância a não respirar perto do rosto das pessoas por esse ato ser considerado descortês e deselegante.

O sistema olfativo é considerado órgão de sentido menos importante e muitas pessoas vivem sem grandes problemas na ausência dessa função. Em comparação com outros animais, o ser humano possui olfato pouco desenvolvido. Cachorros, por exemplo, têm capacidade três vezes maior. Tal fato se explicada porque 971 genes receptores de aromas estão espalhados pelas mucosas nasais desses animais. Se as pessoas fossem dotadas de narizes mais apurados, estariam sujeitas às variações emocionais permanentes daquelas que estão ao seu redor. Seriam capazes de descobrir, por exemplo, a ocorrência do ciclo menstrual à distância ou a irritação de alguém sem que isso necessariamente fosse expresso por atitudes mais explícitas.

Aromas desagradáveis, provenientes da halitose, bromidrose (tipo de sudorese produzida na região axilar) e até mesmo da indumentária, dificultam o contato e, consequentemente, a comunicação. Por outro lado, cheiros agradáveis, obviamente, induzem a interação. Pessoas ................................................................................................................................................................


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tendem a conversar mais com aquelas que as atraem pelo cheiro, algumas vezes de forma pouco ou nada consciente. Além disso, o ser humano, em comportamento semelhante aos dos animais irracionais, identifica dicas aromáticas que sejam diferentes às produzidas pelo próprio organismo para selecionar parceiros sexuais. Um das características favoráveis à atratividade física é a posse de cheiros agradáveis opostos, sejam esses naturais ou industrializados.

Os seres humanos comunicam-se, também, por meio dos feromônios. Prova disso é a percepção da circunstância quando uma pessoa de gênero compatível à orientação sexual se aproxima e gera a sensação de magnetismo instintivo, sem que quaisquer palavras ou sinais mais visíveis sejam expressos. Os feromônios são classes de substâncias químicas que extraem comportamentos estereotipados e são capazes de gerar respostas neuroendócrinas. Tais substâncias se dividem em duas categorias:

• Feromônios primários: induzem mudanças comportamentais e estados endócrinos de longa duração, como a sincronia menstrual. • Feromônios liberadores: induzem comportamentos imediatos, como por exemplo, a atração sexual. Ambas as categorias podem ser encontradas nas secreções salivares, sudoríparas e genitais como também em pelos e cabelos.

A palavra “feromônio” provém dos termos gregos pherein e hormon, ................................................................................................................................................................


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que significam respectivamente transportar e estimular. Esse conjunto de substâncias é produzido pelas glândulas apócrinas, responsáveis pelo transporte de secreção de gorduras e proteínas das células para as secreções e folículos capilares, não necessariamente para a epiderme.

A detecção dos feromônios é a explicação para a química humana, considerada como a sensação de atração ou aversão instantânea quando duas pessoas se encontram. Da mesma forma que atraem, os feromônios são capazes também de promover aversões sociais. Fato que remete à explicação dos motivos pelas quais as pessoas não gostam de outras sem nem mesmo ter ocorrido qualquer tipo de atitude desagradável entre elas.

Tal comportamento é mais facilmente visualizado em animais irracionais. Cachorros, por exemplo, se estranham abruptamente ao se encontrarem por conta da aversão gerada pelos feromônios. O mesmo ocorre com os animais racionais, porém de forma geralmente mais polida que cachorros. Além do cheiro humano, outra explicação para a aversão social é explicada pela contradição na troca de sinais não verbais como expressões faciais, tonalidade vocal, atratividade física, formas de gesticulação, postura e indumentária. As convicções que geram preconceitos também são motivos para as pessoas deixarem de gostar uma das outras. Além disso, o ser humano tem uma capacidade nata, instintiva e inconsciente de captar o fluxo mental das outras pessoas. ................................................................................................................................................................


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Dentre os tipos de feromônios produzidos pelos seres humanos, dois merecem destaque:

• Androestadienona: está presente nas secreções, como saliva e suor. Esse feromônio ativa o hipotálamo, região do cérebro responsável pela expressão emocional e comportamento sexual. Ativa também os córtexes pré-frontal e temporal superior, além das áreas olfativas. Essas partes do cérebro ativam a atenção, percepção visual, reconhecime nto e cognição social. Esse tipo de feromônio também está presente na urina e nas fezes, o que explica comportamentos tidos como patológicos em alguns seres humanos que se sentem atraídos por tais secreções durante atos sexuais. • Antigene leucocite: é um feromônio que distingue o cheiro individual dos seres humanos. As pessoas preferem aquelas que possuem feromônios diferentes. A detecção do “Antigene leucocite” tem sido proposta para explicar o motivo pelo qual as pessoas sentem atração ou aversão.

Esses dois tipos de feromônios são importantes devido ao poder de atração que exercem nas pessoas. São exatamente essas duas substâncias que fazem os seres humanos se sentirem mais confidentes e atraídos pelas outras pessoas. A consequência desse comportamento é verificada na predisposição para estabelecer a comunicação interpessoal. ................................................................................................................................................................


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Por muito tempo duvidou-se da existência dos feromônios nos seres humanos. A suspeita de que pessoas possuíam feromônios assim como os animais irracionais se deu a partir da observação da sincronia no ciclo menstrual quando duas mulheres vivem na mesma casa. Somente em 1998, as médicas Martha McClintock e Kathleen Stern conduziram estudo na Universidade da Califórnia e comprovaram as suspeitas da existência dessas substâncias químicas em humanos.

Como havia sugestões de que feromônios eram associados às secreções sudoríparas, elas coletaram o suor de uma mulher e aplicou no lábio superior de outra. A mulher, ao receber a aplicação da secreção, teve o ciclo menstrual alterado. O estudo provou, mesmo para os mais céticos, a existência dos feromônios pela capacidade dessa substância alterar o comportamento funcional do organismo.

O experimento ainda conclui que os efeitos dos feromônios nas pessoas estão diretamente relacionados aos contextos social e psicológico. Os efeitos dessas substâncias podem ser aumentados ou diminuídos conforme a interação social e o estado psicológico dos seres humanos. Uma vez estimulados, os feromônios afetam o cérebro e alteram comportamentos. Qualquer produto industrializado que reivindique a presença dessas substâncias nas fórmulas preparadas para aumentar a atração interpessoal deve ser desconsiderado.

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O sistema olfativo está estritamente ligado ao sistema gustativo. Tal fato é facilmente constatado em resfriados fortes, quando as narinas ficam excessivamente congestionadas e as pessoas deixam de perceber o sabor característico dos alimentos.

O paladar é responsável por quatro sabores essenciais: amargo, azedo, doce e salgado. Outras variações, como por exemplo, o sabor picante, são essencialmente olfatórias. Em comparação, enquanto o paladar poderia ser traduzido nas notas musicais o olfato representaria a diversidade possível dos sons. Em virtude dessa relação, pode-se afirmar que o ser humano também se comunica pelo paladar.

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7 – Proxêmica: o espaço interpessoal como forma de comunicação

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Proxêmica é a análise do espaço pessoal e da distância interpessoal como forma de mensagem não verbal corporal no processo de comunicação face-a-face. A distância que uma pessoa utiliza em relação à outra emite significados. A maneira com que cada pessoa utiliza o espaço físico influencia o comportamento e consequentemente a interação social. O comportamento proxêmico se distingue em três aspectos: territorialidade, espaço pessoal e orientação corporal.

Territorialidade é a área geográfica sobre a qual as pessoas reivindicam direitos pela forma de acesso, ocupação ou utilização por período de tempo. Envolve conceitos de anonimato, privacidade e reserva. Os espaços pessoais são as distâncias que os seres humanos mantêm ................................................................................................................................................................


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um do outro durante a interação social. Esses espaços variam do toque ao alcance da visão e o uso deles depende de fatores culturais, de gênero, idade, status, tema da conversação, nível de intimidade e características físicas. Tais espaços implicam no nível de conforto que as pessoas sentem sobre o encontro e em suas atitudes interpessoais.

Os espaços existentes entre duas pessoas que se falam indicam níveis de intimidade ou envolvimento. Em sociedades consideradas muito táteis, como a brasileira, há tendência da diminuição dos espaços pessoais. Mulheres têm áreas menores e chegam mais perto daquelas pessoas

com

quem

interagem.

Em

ocasiões

sociais,

elas

frequentemente sentam mais próximas de outras mulheres que de homens. Porém, em circunstâncias de desconforto ou ameaça, homens ficam mais próximos que as mulheres independentemente do gênero em questão. Pessoas introvertidas, competitivas e ansiosas geralmente reivindicam espaços interpessoais maiores.

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Edward Hall em “A dimensão escondida”

Em média, o espaço íntimo abrange 0,5 metros, enquanto o pessoal e o social avançam, respectivamente, a 1,2m e 3 metros.

Quando o tópico da conversação não agrada ou intimida, as pessoas geralmente aumentam a distância pessoal, dão passos para trás ou se se encostam à cadeira em que estão sentadas.

As características físicas são determinantes para quantificar do tamanho exato dos espaços pessoais. Pessoas mais altas, com braços maiores,

terão,

consequentemente,

espaços

expandidos em

comparação com pessoas de estaturas menores.

Já a orientação corporal refere-se aos ângulos formados pela disposição do corpo quando as pessoas se interagem. Cabeça e tronco no mesmo sentido de direção indicam o grau de acordo, agradabilidade da conversa e nível de intimidade. Cabeça e tronco em ................................................................................................................................................................


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sentidos diferentes indicam menor interesse pelo processo comunicativo. O ângulo formado pelo corpo é sinal para indicar inclusão ou exclusão de uma pessoa na conversação.

A orientação do corpo refere-se também à localização em que é situado no contexto comunicativo. Conforme o lugar ocupado no ambiente, o corpo expressa receptividade social, cooperação, coação, competividade ou aversão interpessoal.

Estudos já foram produzidos para analisar o comportamento humano em decorrência do lugar que ocupa nos espaços físicos. Foi pedido para duas pessoas se posicionarem numa mesa retangular e escolherem qualquer uma das seis cadeiras para se sentarem, com base em quatro circunstâncias.

A pessoa deveria se sentar para interagir, cooperar, constranger e competir com um amigo do mesmo sexo. Foram utilizadas várias duplas diferentes para as quatro situações. O resultado do estudo, mostrado na figura abaixo, indica que o melhor posicionamento para conversações é o formado por um ângulo de 90° entre duas pessoas ou naquela circunstância em que as pessoas estão frente-a-frente, de lados opostos. Posições adotadas lado-a-lado foram consideradas as mais indicadas para atitudes cooperativas.

O estudo ainda constatou que interação face-a-face pode carregar ................................................................................................................................................................


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entonações de competição quando as pessoas escolhem as posições opostas e mais distantes na mesa. Ao mesmo tempo, pessoas tendem a se sentarem transversalmente em lados opostos quando estão em ações de constrangimento. As posições mais escolhidas pelas pessoas ao se sentarem, conforme natureza das circunstâncias de interação, estão indicadas na ilustração a seguir:

Edward Hall em “As dimensões escondidas”

Posições escolhidas para situações de conversação (1ª e 2ª mesas), cooperação (3ª mesa), coação (4ª mesa) e competição (4ª mesa).

O local escolhido para se sentar encoraja ou desestimula a interação. Posições sociopetais são consideradas aquelas em que as disposições dos lugares para se sentar facilitam as relações interpessoais. O contrário é chamado de posições sociofugais. A forma com que qualquer tipo de assento é ordenado produz efeito ................................................................................................................................................................


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interacional no comportamento humano. O padrão sociopetal torna o intercâmbio mais aberto e compartilhado. Por outro lado, as variantes sociofugais podem ser mais ajustadas se a intenção da pessoa é dominar o contexto e usar comunicação de via única. As relações entre disposição de assentos e estímulos à interação em grupo estão indicadas na ilustração a seguir:

Edward Hall em “As dimensões escondidas”

A posição sociopetal estimula o nível de interação.

O uso dos espaços pessoais e a disposição corporal variam conforme o perfil psicológico. Pessoas extrovertidas, ao contrário das introvertidas, têm espaços interpessoais menores. Numa biblioteca, por exemplo, a pessoa introvertida ou a que quer ficar sozinha, geralmente escolhe a última cadeira na ponta de uma mesa retangular. A pessoa extrovertida ou aquela que quer encorajar a aproximação senta-se em uma cadeira disponibilizada no meio da mesa.

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A posição relativa que uma pessoa escolhe também pode comunicar nível de status. Líderes de grupo, pessoas com tendência de liderança ou projeção tendem a se dirigir para as cadeiras dispostas nas extremidades de mesas retangulares.

Quando um grupo de pessoas se reúne, cada um experimenta a posição no grupo por intermédio do lugar que ocupa. Ao escolher certa distância, a pessoa indica o grau de intimidade que deseja. Ao escolher o lugar principal, por exemplo, ela demonstra o papel de maior protagonismo na interação social em grupo.

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8 – Cronêmica: a percepção e relação do tempo como significados comunicativos

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Cronêmica é a análise da interpretação das mensagens não verbais derivadas da percepção e relação das pessoas com o tempo. Trata-se de estudo sobre o uso e significado do tempo na interação social. As formas pessoais de manipulação do tempo transmitem significados. A formação da palavra Cronêmica baseia-se em “chronos”, mito considerado como a personificação do tempo nos trabalhos filosóficos pré-socráticos.

A definição de tempo é variada, controversa e abstrata. Tempo pode ser a quantidade linear e sucessiva de instantes. Porém, tal conceito ................................................................................................................................................................


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remete ao questionamento de instantes. Se tempo é o conjunto de instantes, é necessário aplicar sentido para a tal palavra antes de arriscar a definição do que é tempo. Instantes podem ser considerados como componentes de duração. Duração, aliás, remete imediatamente a pensar que se trata de um período de tempo. Como se verifica, definir tempo é tarefa difícil. Filósofos e cientistas não são consensuais com relação ao conceito de tempo. Enquanto Aristóteles conceitua tempo como a medida de mudanças, René Descartes considera-o como o processo de recriação. Immanuel Kant avalia que tempo é a projeção mental baseada em estruturas matemáticas. O físico inglês Isaac Barrow rejeitou as concepções de Aristóteles ao afirmar que tempo é algo que existe independentemente de mudanças, já que essas podem ocorrer de forma lenta ou rápida. O físico, matemático e astrônomo Isaac Newton definiu tempo como substância imaterial formada por conjuntos de eventos. Albert Einstein, com a Teoria da Relatividade, considerou o tempo como a quarta dimensão do Universo. Independentemente do conceito mais adequado, é possível afirmar que o tempo pode ser denominado em:

• Tempo físico: dimensão geométrica que define períodos em milênios, séculos, gerações, décadas, anos, meses, dias, horas, minutos, segundos, entre outras unidades. • Tempo biológico: ritmo cíclico que governa comportamentos celulares • Tempo psicológico: processo mental em que a mesma duração de ................................................................................................................................................................


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tempo é percebida de diferentes formas. Os impulsos nervosos produzidos pelos estímulos fazem as pessoas apresentarem velocidades variáveis da noção de tempo.

O tempo recebe tratamento diferenciado conforme a sociedade em questão. Nas culturas latinas, por exemplo, o tempo é visto como fenômeno cíclico. O conceito de tempo nessas sociedades é casual. Os níveis de ansiedade são menores e, passado e futuro são integrados pacificamente ao presente. Em outras sociedades, como a inglesa ou norte-americana, o tempo é operado de forma linear. Nessas culturas, dá-se importância para às informações técnicas e factuais para o cumprimento de exigências. Pontualidade, por exemplo, é seguida com rigor por ser considerada ato de civilidade e boas maneiras. A forma com que o tempo é dividido, seja esse tratado de forma linear ou circular, baseia-se em três categorias:

• Tempo técnico: divisão precisa do tempo, como os nano segundos. • Tempo formal: são as unidades de medida do tempo físico, como minutos, horas, dias, entre outras. • Tempo informal: é representado por expressões que definem períodos imprecisos como “até logo”, “daqui a pouco” ou “mais tarde”. Esses termos geralmente causam dificuldades comunicativas por serem arbitrários e significarem diferentes conceitos e percepções.

Tempo, como ferramenta de comunicação, indica significados muitas ................................................................................................................................................................


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vezes incompreendidos. O fato se dá em virtude da percepção do tempo. As pessoas mantêm relações de formas diferentes com o tempo e essa característica possibilita dividi-las em dois grupos:

• Monocrômicas: pessoas que percebem o tempo rigorosamente fazem somente uma atividade por vez e de forma concentrada, além de cumprirem prazos e compromissos com pontualidade. Para elas, tempo é precioso e mais importante que relações sociais ou conteúdo. • Policrômicas:

pessoas

que

percebem

o

tempo

mais

distraidamente. Fazem muitas atividades ao mesmo tempo, cumprem prazos e compromissos se possíveis e mudam planos frequentemente, sem se sentirem culpadas ou obrigadas a se desculparem. Para elas, tempo é comodidade, pode ser gerenciado e considerado menos importante que relações sociais ou conteúdo.

Pontualidade é uma mensagem não verbal que pode medir a importância de pessoas ou circunstâncias. atrasadas podem expressar,

Pessoas que estão

não verbalmente,

desinteresse,

desorganização e vez ou outra, algum incidente.

A forma como se lida com o tempo também expressa consciência de status. O poder das pessoas pode ser medido conforme a autoridade que elas têm sobre o próprio tempo. Pessoas em altas posições de comando têm a luxúria de decidir o horário de compromissos e ainda chegarem atrasadas. Esperar, como consequência da forma como o ................................................................................................................................................................


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tempo é usado, também indica nível de status. A importância de uma pessoa é medida conforme o tempo que ela espera por outra. Quanto maior o prestígio de alguém, mais tempo ela será aguardada pacientemente. Médicos geralmente usam esse tipo de mensagem não verbal para indicar a importância deles aos pacientes. Consideram que a credibilidade e a reputação profissional podem ser indicadas pelo uso que fazem do tempo dos pacientes. Em muitos casos, pessoas valem o que elas esperam. As regras e princípios que governam o ato de esperar são parte da linguagem silenciosa da cultura, raramente expressa, mas com significado maior que palavras.

O tempo, independentemente das mensagens não verbais que pode oferecer à interpretação humana, é uma experiência que nada nem ninguém podem deter, retardar ou acelerar. Tudo o que começa vai surgir ou nascer, existir ou viver, acabar ou morrer ao longo do tempo. O tempo, apesar de tão recorrente a todos os seres vivos e inanimados, é dificilmente explicável em palavras por ser invisível e abstrato. Santo Agostinho, o filósofo do Cristianismo, não quis se arriscar na definição de tempo. Na obra Confissões, ele cita: “quando me perguntam o que é o tempo, eu simplesmente digo: adoraria saber”.

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9 – Aparência física: características corporais como fontes de mensagens não verbais

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Aparência comunica significados. A forma, tamanho e peso corporais, cor e estilo do cabelo, roupa e acessórios indicam etnia, gênero, idade, ocupação, status e hábitos sociais. As características físicas, como aspectos de mensagens não verbais, conduzem sinais de atratividade, inteligência, persuasão, confiança, extroversão.

9.1 - As mensagens transmitidas por meio do vestuário

O corpo também envia sinais não verbais pelas extensões. Roupas e ................................................................................................................................................................


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artefatos como relógios, bolsas, óculos, joias, bonés e calçados fazem parte da indumentária e emitem mensagens. As características do vestuário indicam gênero, idade, personalidade, status, ocupação profissional, disponibilidade sexual, estado emocional e afiliação religiosa.

Os primeiros seres humanos se vestiram com materiais naturais como fibras vegetais e couro de animais. Naquela época, o vestuário também indicava status. Quanto maior e melhor o couro derivado da caça que era exposto na entrada das cavernas para o preparo das roupas, mais força e poder eram demonstrados. A indumentária evoluiu com a sociedade, mas o significado de status se manteve.

Todas as culturas usam a indumentária para distinguir classes sociais. As pessoas emitem julgamentos a respeito da importância das outras baseadas, principalmente, na qualidade e beleza do que vestem. A diferença constatada na vestimenta induz as pessoas a tratar outras de maneiras desiguais.

As pessoas colocam roupas pelas mesmas razões porque falam: para tornar a vida mais fácil, anunciar ou disfarçar a identidade, além de estimular a atração sexual. A função do vestuário também tem o propósito de tornar a pessoa mais confiante de si mesma, a fim de que possa se julgar apta para atrair sexualmente. Enquanto homens geralmente usam roupa para indicar status, as mulheres tendem a ................................................................................................................................................................


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fazer uso do vestuário para atrair.

Indumentária reflete ainda a atividade profissional que a pessoa desenvolve. Médicos, bombeiros e executivos usam padrões de indumentária que possibilitam identificá-los imediatamente. O estilo de roupa e determinados acessórios ainda indicam a afiliação étnica e religiosa ou mesmo a condição civil. Tecidos coloridos usados na cabeça por afrodescendentes e hábitos utilizados por padres e freiras sinalizam suas agremiações. Anéis na mão direita ou esquerda indicam o estado marital. O cabelo, extensão do corpo carregada de significados, também expressa mensagens conforme o corte, a cor, o acessório utilizado e a forma do penteado. O colarinho aberto de uma camisa com a gravata afrouxada pode significar informalidade ou displicência. Se usado com o colarinho fechado e gravata devidamente posicionada pode representar sentido contrário.

As cores da indumentária enviam mensagens, apesar de carregarem significados diferentes conforme a cultura social. No Brasil, vermelho representa sedução, paixão e senso de autoestima. Amarelo indica alegria, verde esperança, branco paz e preto simboliza luto, introspecção e elegância. Roupas azuis ou rosas são associadas à masculinidade e feminilidade. Tal significado de azul e rosa foi adotado na França do século XIX e somente por volta de 1920 tornou-se comum em outros países.

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O formato das roupas pode indicar modéstia e disponibilidade sexual. Quanto menor ou mais justo for o corte, maior a evidência corporal e consequentemente a intenção de atrair parceria sexual. Por exemplo, as mulçumanas se vestem com burcas para proclamar a condição de mulheres respeitáveis. Mulheres ocidentais exageram na maquiagem e economia de uso de roupas para demonstrarem receptividade e intenções sexuais. Os efeitos da atração física pela indumentária são mais enfatizados em situações em que há pouca oportunidade para interagir com a pessoa-alvo da sedução por período extenso. A atratividade física com o uso de roupas, embora inicialmente importante, perde importância para habilidades sociais como expressões faciais, fala e fluência gestual nas interações de longo prazo.

9.2: A beleza física como atributo de comunicação

O maior atributo da aparência física é a beleza. Pessoas consideradas

bonitas

possuem

vantagem

no

processo

de

comunicação, pois atraem e retêm atenção para si com mais facilidade. Tendencialmente têm maiores possibilidades de ganhar discussões e convencer, pois o ser humano é naturalmente condicionado ao belo. Assim, a beleza é considerada elemento tanto complementar como funcional no processo de comunicação ................................................................................................................................................................


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interpessoal.

O conceito de belo é definido pelas ideias simétricas e harmoniosas de ordem, medida e proporção que excita as pessoas no senso comum ou individual. Platão cita que o belo é perfeito, absoluto e atemporal. Aristóteles também reconhece esses componentes e acrescenta que belo é qualquer elemento que agrada os sentidos da visão e da audição. Kant, ao analisar o sublime como a expressão máxima do belo, explica que beleza é o estado mental derivado do julgamento do gosto.

Ao afirmar que belo é proveniente do julgamento, Kant fundamenta de que a beleza está na mente de quem a contempla. Esse raciocínio possibilita assegurar que subjetividade do conceito de beleza. O que é belo para uma pessoa pode ser feio para outra. Para o filósofo Santo Agostinho, a beleza é sinônima de formas geométricas equilibradas. Em “Confissões”, obra na qual narra a própria conversão após tempos de perversão, ele fez do belo um objeto de culto: “Nós não amamos a não ser a beleza”. Ainda afirma na obra que o belo surge com a existência de empatia e projeção sentimental e que a beleza é produto da percepção mental.

A beleza das pessoas significa uma estrutura da constituição da face , corpo, comportamento e caráter. O padrão da beleza humana varia conforme a época e a sociedade. Na antiguidade, a beleza era relacionada às funções reprodutoras. Mulheres de quadris largos que ................................................................................................................................................................


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simbolizavam esse desempenho biológico da espécie eram consideradas mais belas. Naquela época, a gordura também tinha significado estético favorável.

Além de beleza, gordura simbolizava status social por denotar excesso de recursos financeiros. Entre índios, o conceito de pele branca é sinônimo de feiura. Por conta da subjetividade, é impossível padronizar normas absolutas para o que é belo e o que é feio.

A beleza do ser humano é relativa e suas formas concretas de manifestação são determinadas por traços nacionais, étnicos ou de classe. A transição de épocas, a formação, o desenvolvimento de novas relações sociais e outros entendimentos éticos transformam as concepções estéticas das pessoas. O belo é historicamente condicionado e historicamente mutável.

Aspectos do julgamento da beleza podem ser influenciados pela cultura e pela história individual, mas na sociedade moderna, traços geométricos de um rosto dão origem à percepção do belo. A face humana é considerada bonita, assim como o corpo, quando apresentam partes correspondentes em suas proporções.

Nancy Etcoff, psicóloga da Universidade de Harvard e autora da obra “A lei do mais belo: a ciência da Beleza” propõe no livro a divisão da face em três partes: do couro cabeludo às sobrancelhas, das ................................................................................................................................................................


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sobrancelhas à ponta do nariz e do nariz ao queixo. Para a psicóloga, se o tamanho desses espaços divididos for simétrico, tem-se então uma face humana bonita. Ela ainda acrescenta quatro características para a face ser considerada bela. A primeira delas é que a comprimento das orelhas deve ser igual ao comprimento do nariz. A segunda refere-se à distância entre os olhos e à largura do nariz, que deve ser equivalente. A terceira relaciona-se à base da orelha, a qual deve estar na mesma linha da ponta do nariz. Por fim, completa que a face humana bonita deve ter pele sem manchas, além de cabelos sedosos e brilhantes. Creative Common

Simetria facial é utilizada por estudiosos para definir rostos bonitos, diante da subjetividade do conceito de beleza.

O Homem Vitruviano, desenho de Leonardo da Vinci feito em 1492, é a representação do corpo proporcional, portanto, considerado belo e perfeito. A imagem fornece o modelo perfeito da proporção corporal, concentrada na razão matemática Pi. O termo Pi, ou Phi, provém de Phidias, o escultor grego que concebeu as esculturas de Parthenon. Pi é o nome dado à divisão de uma linha ou figura na qual a razão da seção ................................................................................................................................................................


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menor para a maior é a mesma da maior para o todo e igual a 1:1,618.

Alguns exemplos de proporção demonstrados pelo desenho são: a) o cumprimento dos braços abertos é equivalente ao peso; b) a altura é o mesmo que quatro antebraços; c) um palmo é a largura de quatro dedos. Mesmo sido produzido no período renascentista, o Homem Vitruviano ainda é símbolo atual da simetria básica do corpo, da perfeição e da beleza das formas.

Há estudiosos que rejeitam a existência de regras e medidas objetivas para determinar o que é belo. Medidas harmônicas, simétricas e perfeitas, em suas totalidades, são raramente encontradas nos seres humanos. Esses sistemas falham ao tentar padronizar a beleza, que pode, inclusive, se originar em medidas caóticas. Os critérios podem ser relacionados mais com a biologia do que propriamente com números ou divisões ideais.

A beleza, apesar de tudo, tem desvantagens, é injusta e extremamente perturbadora. O belo revela pouco sobre inteligência, caráter, senso de humor ou estabilidade emocional. Pessoas bonitas tendem a ser percebidas como menos fiéis. Mulheres belas podem ser julgadas como mães desatentas. Homens bonitos são menos rudes. Pessoas com boa aparência física são alvo frequente de erotização alheia.

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O culto da aparência gera preconceito, embora negado. É comum deparar-se com pessoas que se recusam admitir a importância da aparência. Porém, todo especialista em Marketing tem consciência de que a imagem é tão importante quanto o produto. Pessoas bonitas são tratadas preferencialmente. Fazem amigos e encontram parceiros sexuais com mais facilidade. Têm chances maiores de conseguir cooperação, seja de desconhecidos ou conhecidos. Mães de bebês considerados bonitos os encaram mais nos olhos quando comparadas com outras de filhos menos atraentes. A beleza é, definitivamente, uma vantagem em todas as esferas da vida. Mas nem por conta de tantos privilégios, a beleza causa mais felicidade.

“Felicidade está mais relacionada com qualidades pessoais como otimismo, senso de controle, autoestima, capacidade de tolerar frustração e sentimentos de conforto e afeição” - Immanuel Kant, na obra “Crítica da faculdade do juízo”.

O auge da beleza é passageiro e ocorre na juventude. Apesar de alegações de que beleza não tem idade, há uma fase preferida para ela. Ao se aproximarem dos trinta anos, as pessoas atingem o ápice de beleza física, força e virtude. A beleza extrema é rara e quase sempre é encontrada, quando existe, nas pessoas antes de completarem 35 anos, afirma Nancy Etcoff, psicóloga do Departamento Médico da Harvard University no artigo científico “Survival of the prettiest”.

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O amor pela beleza produz nas pessoas a necessidade de desejá-la. A beleza emociona, seduz e produz sensação de prazer. Ao mesmo tempo, o belo também pode causar distração. Tal distração, no processo comunicacional, é capaz de ocasionar a perda de parte dos significados das mensagens trocadas.

Nesse caso, a capacidade de sedução da beleza torna-se, ao invés de ferramenta, forte ruído de comunicação interpessoal. Apesar dessa ambiguidade, a beleza é considerada instrumento prático no processo comunicacional. Ela atrai a atenção mais que distrai. Induz a interação, influencia favoravelmente os julgamentos, provoca prazer, exerce autoridade e é extraordinariamente impressiva. A aparência, por ser a parte mais pública das pessoas, ocupa lugar de destaque nas relações humanas. Se a aparência é considerada bonita, as emoções, as percepções e os comportamentos humanos serão percebidos como mais positivos. A beleza é uma força social tão potente quanto raça e sexo. Pessoas bonitas tendem a ganhar discussões e convencer os outros de suas opiniões. Além da presença de aparência física, o conceito de belo pode estar contido nas mensagens não verbais. Vozes adequadas, capacidades de expressões verbais, gestos afinados, postura acertada, cheiro agradável e roupas apropriadas são características consideradas bonitas, além de contribuírem para atrair e reter atenção. Quando esses sinais são expressos de forma harmônica refletem funcionalidade e exercem efeitos positivos no processo de comunicação interpessoal. ................................................................................................................................................................


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10 – Conclusão

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A linguagem corporal é a expressão do estado físico e mental dos seres humanos. Emitida - na maioria das vezes - de forma inconsciente, revela sentimentos e percepções de forma sincera e sobrepõe-se aos significados da comunicação verbal. É surpreendente constatar que 93% do processo de comunicação interpessoal são atribuídos às mensagens geradas pelos movimentos do corpo e características vocais. Tal realidade inquieta porque a maioria das pessoas despreza os significados da linguagem corporal ou não presta atenção a esse tipo de sinal comunicativo. Como se trata de informações responsáveis pela forma com que as pessoas são percebidas, a linguagem corporal é capaz de aumentar o nível de atratividade pessoal e a capacidade de influenciar outras pessoas.

A decodificação das mensagens não verbais permite compreender o que as palavras geralmente não expressam. A observação atenta desses sinais possibilita perceber se o processo interativo agrada, se as intenções da comunicação são alcançadas e se o estado emocional da ................................................................................................................................................................


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pessoa com a qual se comunica está harmonioso. Apesar de personalidade, contexto e cultura individualizarem o significado da linguagem corporal, tais sinais são fontes confiáveis de informações. As pessoas geralmente se intimidam ao se conscientizarem que revelam pensamentos e emoções particulares sem o uso das palavras. Para aqueles que se atentam às mensagens não verbais durante interações sociais, recomenda-se que contenham o ímpeto de revelar o significado dos sinais percebidos. Geralmente, as pessoas sentem-se invadidas e consequentemente tornam o processo comunicativo menos espontâneo e fluído.

Dentre as diversas formas de mensagens não verbais, a voz exerce forte influência na forma como as pessoas são percebidas. O bom desempenho vocal supera a beleza física para influenciar e atrair pessoas. Vozes graves, no caso de homens, e vozes suaves, no caso de mulheres, denotam comunicação sofisticada quando impostas na altura, velocidade, articulação e pronúncia ideais. Na ausência de expressão vocal, as pessoas concedem silêncio, característica comunicativa carregada de significado. O silêncio deve ser cultivado por permitir o controle da respiração durante as pausas vocálicas e a organização do pensamento. Estudos sobre a linguagem corporal indicam que as pessoas deveriam falar menos, escutar mais e consequentemente valorizar o silêncio para aumentar as habilidades de comunicação.

Outro meio condutor da linguagem corporal são os olhos. Trata-se ................................................................................................................................................................


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das partes mais sensíveis, sinceras e reveladoras da comunicação interpessoal face-a-face. É possível constatar o estado emocional e informações particulares somente ao observar os olhos com profundidade e atenção. Os seres humanos possuem capacidade inativa para detectar personalidades e a disposição alheia somente com o contato visual. A melhor maneira de estabelecer conexão com outra pessoa é por meio do olhar parcial-direto. Ou seja, olhar nos olhos enquanto falamos, portanto, com moderação.

É importante mirar no olho durante as interações sociais. Além de demonstrar atenção e apreço, é a oportunidade para verificar o tamanho das pupilas e, dessa forma, identificar o nível de emoção e interesse da pessoa durante a interação. Tal olhar deve durar até o ponto em que o contato não denote ameaça ou incomode a pessoa com quem falamos. Adicionalmente, a parcialidade do comportamento ocular permite que outros estímulos presentes no contexto de comunicação interpessoal sejam captados, desde gesticulações às informações gratuitas presentes no ambiente em que se estabelece a conversação.

Os movimentos gerados pelo corpo por meio de expressões faciais, gestos e postura são responsáveis pela representação pessoal. A face é o principal elemento de identificação humana e o canal presencial que transmite o estado emocional na maior quantidade. Dentre o conjunto de emoções expressadas pela face, o sorriso é um importante recurso ................................................................................................................................................................


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social. Para reconhecer um verdadeiro sorriso, basta observar os olhos.

As

informações

emocionais

que

desencadeiam esse

comportamento estão muito além do movimento da boca, pois o verdadeiro sorriso está nos olhos.

Gestos, como subprodutos da articulação verbal, ilustram, substituem ou diminuem a ambiguidade das palavras. Apesar da importância dos gestos no processo comunicativo, o excesso desses movimentos é considerado ruído de mensagem. A gesticulação ilimitada interfere na recepção das mensagens por transferir a atenção da informação para os gestos. Por outro lado, a ausência de gestos torna a expressão monótona e menos atrativa. O ideal é manter a gesticulação equilibrada, com movimentos moderados, que contribuam para a ilustração ou substituição da fala.

O olfato também oferece a captação de sinais não verbais durante a interação. As pessoas geralmente subestimam a importância do nariz como receptor de mensagens. São relutantes em perceber o aroma natural uma das outras e quase não falam sobre cheiro humano. As pessoas suprem o olfato como sentido por fazerem parte de sociedades desodorizadas biologicamente. Os feromônios, principal condutor de mensagens e, portanto, alvo dos estudos da Olfática, exercem forte influência na comunicação interpessoal. Tais substâncias estimulam ou desencorajam interações sociais. Fato que remete à explicação parcial dos motivos que induzem as pessoas a gostarem ou não uma das ................................................................................................................................................................


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outras. Outra explicação para a aversão social é dada pela incompatibilidade das mensagens não verbais como expressões faciais, tonalidade vocal, atratividade física, formas de gesticulação, postura e indumentária. Por fim, as convicções que geram preconceitos também é um dos motivos para as pessoas sentirem aversão interpessoal, acrescidas da capacidade inconsciente dos seres humanos em detectar valores e fluxos mentais apenas ao se aproximar e observar outras pessoas.

A pele, outro importante canal condutor de mensagens não verbais, tem surpreendente capacidade de comunicação. Por meio do contato físico, as pessoas estabelecem elos, apesar de o toque ser considerado tabu por algumas sociedades. Tocar, muito mais do que chamar pelo nome da pessoa, reduz distância social, estabelece relacionamento amistoso imediato e frequentemente constitui declaração de identificação e intimidade.

Ao analisar as características da Proxêmica, estudo da linguagem corporal que analisa do posicionamento do corpo durante interações sociais, é possível afirmar que a melhor maneira de se estabelecer comunicação interpessoal face-a-face é posicionar o corpo frente ao da outra pessoa dentro do espaço íntimo ou pessoal-casual. A distância interpessoal varia do espaço que vai do corpo ao tamanho estendido do braço. Nessa posição é possível visualizar todo o corpo para obtenção da totalidade de sinais não verbais, desde a posição dos pés à sensação ................................................................................................................................................................


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do cheiro da pessoa com qual se comunica. Quando sentadas, a forma mais eficaz de estabelecer interação social é quando duas pessoas formam ângulo de 90° ou estão acomodadas frente-a-frente.

A percepção e reação ao tempo emitem significados não verbais. A definição de tempo é variada, controversa e abstrata. Tempo pode ser a quantidade linear e sucessiva de instantes. Porém, tal conceito remete ao questionamento do significado de instantes. Se tempo é o conjunto de instantes, é necessário aplicar sentido para essa palavra antes de arriscar determinar o que é tempo. Instantes podem ser considerados como componentes de duração. Duração, aliás, remete imediatamente a pensar que instantes se trata de um período de tempo.

Vê-se que definir tempo é tarefa difícil. Filósofos e cientistas não são consensuais em relação ao conceito de tempo. A forma como as pessoas se relacionam com o tempo emite sinais comunicativos de status e organização.

A cor, o estilo, o tamanho e a qualidade de tecidos sobre o corpo emitem sinais não verbais relacionados à indumentária. A cor e o estilo revelam estados emocionais e personalidade. O tamanho e a qualidade do tecido sinalizam níveis de disposição sexual e status. O vestuário é fonte bastante utilizada para formação e julgamentos e exerce forte influência no processo de comunicação interpessoal face -a-face. Os seres humanos comunicam de maneira diferente conforme os ................................................................................................................................................................


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julgamentos que fazem com relação ao que as pessoas vestem.

A beleza humana é outro atributo de comunicação que exerce forte influência durante interações sociais. Pessoas consideradas bonitas, além de serem mais bem percebidas, retêm atenção às mensagens que emitem e possuem maiores chances de persuasão. O fascínio pela beleza produz nas pessoas a necessidade de desejá-la. A beleza emociona, seduz e produz sensação de prazer. Ao mesmo tempo, o belo também pode causar distração.

Essa distração, no processo comunicacional, é capaz de ocasionar a perda de parte dos significados das mensagens trocadas. Nesse caso, a capacidade de sedução da beleza torna-se, ao invés de ferramenta, forte ruído de comunicação interpessoal. Apesar da ambiguidade, a beleza é considerada instrumento prático no processo comunicacional. Ela atrai a atenção mais que distrai. Induz a interação, influencia favoravelmente os julgamentos, provoca prazer, exerce autoridade e impressiona.

A aparência, por ser a parte mais pública das pessoas, ocupa lugar de destaque nas relações humanas. Se a aparência é considerada bonita, as emoções, as percepções e os comportamentos humanos serão percebidos como mais positivos. A beleza é uma força social tão relevante quanto raça e sexo. Pessoas bonitas tendem a ganhar discussões e convencer os outros de suas opiniões. ................................................................................................................................................................


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Além da presença de aparência física, o conceito de belo pode estar contido em outros tipos de mensagens não verbais. Vozes adequadas, capacidade de expressão verbal, gestos afinados, postura acertada, cheiro agradável e roupas apropriadas são características consideradas positivas e contribuem para atrair e reter atenção das pessoas durante o processo de comunicação face-a-face.

Por fim, o que se aprende com o estudo aprofundado da linguagem corporal é a capacidade perceber estados emocionais e decifrar níveis de receptividade social sem necessariamente necessitar dos significados semânticos da expressão verbais. Conclui-se, portanto, que usar o conhecimento sobre os significados da linguagem corporal é uma forma sagaz – e ética - de aumentar habilidades relacionais e potencializar a força do poder pessoal.

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11 – Bibliografia

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Significados da linguagem corporal  

Baseado em pesquisa científica, Leandro Freitas relata como expressões faciais, voz, olhares e gestos aumentam a capacidade de persuasão e i...

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