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Revista do

A Revista do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo • Nov/Dez/Jan • Ano 2 • Nº 5

Entrevista Márcio Félix: as mudanças no setor do petróleo Indústria Crise hídrica: as saídas para o consumo consciente

Economia Infraestrutura retoma o rumo

PREVENÇÃO PARA TODOS

A semana Prevenir adota modelo itinerante para levar mais conscientização e informação ao público


Editorial

A força da prevenção

P

revenir se mostra ainda muito mais eficaz do que remediar quando a conscientização do público-alvo é feita de forma articulada e multiplicadora. É com essa conduta mobilizadora que o Sindifer traz para profissionais e população em geral a Feira de Saúde e Segurança do Trabalho (Prevenir), que chega à edição 2016 totalmente reformulada.

A proposta é mostrar que a proteção está ao alcance de todos. Por isso, a nova formatação do evento priorizou um modelo itinerante, com atividades em vários locais a serem promovidas entre os dias 28 de novembro e 4 de dezembro. Neste número, destacamos em matéria especial todas as programações que serão desenvolvidas, entre elas rodadas de negócios, palestras, premiações, seminários e prestação de serviços. Segurança também é a palavra de ordem para os investimentos diante do desafiador quadro econômico atual. Seja no caixa da empresa, seja nos cofres do poder público, seja no bolso do consumidor, o panorama complexo exigiu de todos um realinhamento de posturas. E assim o ano se encaminha para seus dias finais trazendo não só as marcas dos obstáculos, mas também a esperança de uma recuperação mais consistente. A infraestrutura capixaba, sempre tão carente de investimentos, vive uma fase de alento com a retomada das obras do Aeroporto de Vitória e o avanço de grandes projetos fundamentais, como o Contorno do Mestre Álvaro, entre Serra e Cariacica, e o Porto Central, em Presidente Kennedy. Com esse foco, detalhamos como caminham esses empreendimentos e as saídas para os gargalos existentes. A ajuda também não deve cair do céu quando nos deparamos com a pior estiagem enfrentada pelo Estado nos últimos 80 anos. A crise hídrica é problema de todos e por isso exige soluções conjuntas, envolvendo desde os segmentos rurais (agricultura e pecuária) até o setor produtivo instalado nas zonas urbanas, passando, claro, pelo consumidor residencial. Gestores e especialistas apontam, então, quais as medidas a serem tomadas e detalham os prognósticos. Em outra frente, falamos sobre o futuro da área de petróleo e gás, com um recorte sobre o cenário do Espírito Santo. Esse é o tema da entrevista com Márcio Félix, secretário do Ministério de Minas e Energia, que também já comandou a pasta do Desenvolvimento Econômico durante os governos Paulo Hartung e Renato Casagrande. Esta é a última edição da Revista do Sindifer em 2016, e a primeira desde que assumi a presidência do Sindicato no lugar de Manoel Pimenta, que passa a ser diretor da entidade após uma gestão repleta de conquistas. Esperamos trazer mais notícias com viés positivo e propositivo em 2017; contamos com você nesta jornada. Boa leitura!

Lúcio Dalla Bernardina Presidente do Sindifer

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Notícias Expediente

PRESIDENTE

Luis Soares Cordeiro - Aracruz

Lúcio Dalla Bernardina

Luiz Alberto de Souza Carvalho Luiz Henrique Pessanha de Sousa – Aracruz

DIRETORIA

Manoel de Souza Pimenta Neto

Antônio Ermelindo Ribeiro Falcão de Almeida

Marcos Antonio Pilloti

Antonio Prando

Marilza Sarmenghi

Antonio Carlos J. Macedo

Milena Soares

Bruno Carlesso

Matheus Pêsso da Silveira

Cesar Daher Carneiro

Paulo José Garayp

Cristiana Scelza

Paulo Caetano – Cachoeiro de Itapemirim

Daives Carlo de Souza Alvarenga

Rusdelon Rodrigues de Paula

Darcy Rodrigues Filho

Vicente Bezerra

Eliane Gomes Etore Selvatici Cavallieri - Aracruz

EQUIPE

Eugênio José Faria da Fonseca

Breno Carneiro de Rezende Brotto

Fausto Frizzera Borges

(27) 3225-8457 | breno@sindiferes.com.br

Gilmar José Marchesi

Rita de Cassia Dillem

Gilmar Luis Delatorri Leite – Linhares

(27) 3225-8457 | rita@sindiferes.com.br

Gilson Pereira

Jonathan Aguiar da Silva

Haroldo Olívio Marcellini Massa

(27) 3225-8457 | jonathan@sindiferes.com.br

Jacqueline Donateli Simões

Gerlane Delpupo

João Marcos Dell Pupo Jonas Altoé - Cachoeiro de Itapemirim

(28) 3521-4035 | sindifersul@sindiferes.com.br

José Augusto Folleto

Mariana Pin

José Emilio Brandão

(27) 3264-0734 | sindifernorte@sindiferes.com.br

Leonardo Jordão Cereza - Cachoeiro de Itapemirim

Dr. Odair Nossa Sant’Ana

Lucio Dalla Bernardina – Colatina

Dr. Fábio Jorge Delatorre Leite

Luciana Soares

(27) 3225-8457 | juridico@sindiferes.com.br

SEDE Rua Dr. Juiz Alexandre Martins de Castro Filho, 180 Ed. Cesar Daher Carneiro, Santa Luíza - Vitória/ES Cep: 29045-410 - Telefones: 27 3225-8457 | 27 3225-8821 E-mail: sindiferes@sindiferes.com.br

LINHARES Av. Filogônio Peixoto, nº 396, Aviso, Linhares/ES – 29901-290 Telefone: 27 3264-0734 E-mail: sindifernorte@sindiferes.com.br

CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM Av. Domingos Alcino Dadalto, s/n, Monte Cristo, Cachoeiro de Itapemirim/ES - 29312-200 Telefone: 28 3521-4035 E-mail: sindifersul@sindiferes.com.br

Uma empresa do Grupo Next Editorial Diretor: Mário Fernando Souza

Fotografia: Jackson Gonçalves, Renato Cabrini,

Gerente de Produção: Cláudia Luzes

Fotos cedidas e arquivos Next Editorial

Textos: Fernanda Zandonadi, Gustavo Costa, Lui Machado, Thiago Lourenço e Weber Caldas

Copidesque: Márcia Rodrigues

Editoração: Michel Sabarense

Getulio Apolinário Ferreira, Aroldo Natal Silva Filho

Apoio: Mara Cimero

Colaboraram nesta edição: Alessandra Lamberti, e Odair Nossa Sant’Ana

Contato: Av. Paulino Müller, 795, Jucutuquara – Vitória/ES CEP 29040-715 Telefax: (27) 2123-6500 redacao@lineapublicacoes.com.br www.lineapublicacoes.com.br

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Sumário

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Iniciativa do Sindifer, evento chega à edição 2016 totalmente reformulado. Inédito, o modelo itinerante contará com programação intensa, entre 28 de novembro e 4 de dezembro. Confira as novidades.

Mãos às obras Retomada e evolução de megaprojetos trazem alento ao Estado diante da crise nacional. As obras no Aeroporto de Vitória e os passos adiante para implantação do Porto Central e para construção do Contorno do Mestre Álvaro dão fôlego ao pacote.

Entrevista | 24

Economia | 08

CAPA

A nova Prevenir

Alessandra Lambert

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Como medir resultados na gestão? 34

Getúlio Apolinário Ferreira

À frente da área de petróleo e gás no Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix traça um panorama sobre o setor, destacando a importância do Estado. Conhecedor da realidade local, por ter comandado a Secretaria de Desenvolvimento capixaba, ele garante: “O Espírito Santo costuma ser campeão quando se fala em um local para se investir, trabalhar e viver.

Crédito descomplicado no Bandes

NR-12: nova postura é o foco 14

Márcio Félix

Aroldo Natal

Flexibilização das normas trabalhistas 66

Odair Nossa Sant´Ana

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Indústria

Para superar os obstáculos da pior estiagem em 80 anos, indústrias e população do Estado buscam formas para poupar a água cada vez mais escassa.


Foto: Leonel Albuquerque

Economia Especial Por Fernanda Zandonadi

Leonardo Duarte - Secom-ES

Governador Paulo Hartung em visita às obras do Aeroporto de Vitória

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Infraestrutura volta a andar Depois de tempos tempestuosos, importantes obras de infraestrutura voltam a caminhar no Espírito Santo

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ituado em um local estratégico, que liga o Nordeste aos principais centros econômicos do Sudeste, o Espírito Santo sofre, há décadas, com a falta de uma infraestrutura suficiente para atrair novos investidores. Esse cenário, apesar da crise que afeta o Governo Federal – principal financiador de obras importantes –, está tomando rumos mais positivos. Exemplo é o Aeroporto de Vitória, que há anos se mostra um entrave para o crescimento do Estado. A expectativa é de que os trabalhos de ampliação estejam finalizados em setembro do ano que vem. O Porto Central, em Presidente Kennedy, é outro empreendimento que pode render negócios para o Estado, e também já deu um passo a mais este ano, rumo à construção e ao desenvolvimento do projeto. O Contorno do Mestre Álvaro, obra importante para a mobilidade na região metropolitana, teve sua ordem de serviço assinada em 1º de agosto. A previsão é de que a primeira parte dos trabalhos esteja pronta no primeiro semestre de 2019. “Tudo isso vai acontecer em razão da solidez fiscal do Espírito Santo. Ela cria um cenário de equilíbrio que estimula empreendedores públicos e privados e faz com que se sintam mais à vontade para retomar os processos que estão engavetados ou transcorrendo em ritmo mais lento. O equilíbrio fiscal é, portanto, importantíssimo para essa retomada”, avalia o diretor do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer) José Emílio Brandão. A definição em relação impeachment que retirou a ex-presidente Dilma Rousseff do poder também foi importante para montar um cenário mais

“Há também a possibilidade de novos negócios a partir do ano que vem, com a expectativa de retomada de investimentos da Petrobras, leilões de linhas de transmissão e avanço de projetos portuários”

José Eduardo Faria de Azevedo, secretário de Estado de Desenvolvimento 9


Economia As obras de dragagem e derrocagem do Porto de Vitória foram retomadas em agosto deste ano

positivo para os investimentos, segundo Brandão. “Começamos, a partir dessa definição, a ter pilares de sustentação da credibilidade do investidor. O investidor gosta de risco, topa riscos nos seus empreendimentos, mas isso desde que ele observe que há um cenário de equilíbrio e de cumprimento de contratos. E isso é visível no Espírito Santo. O que percebemos é que há empreendimentos ‘hibernando’ no Estado e que têm potencial de retomada.” FELIZ ANO NOVO Se 2016 será riscado do mapa econômico pela profunda recessão que o país vivenciou, 2017 já surge no horizonte de forma mais consistente e positiva, na avaliação tanto de gestores do setor privado quanto do público. “Temos boas expectativas para o próximo ano. Considerando a continuidade das obras em andamento, teremos investimentos federais (Aeroporto de Vitória, BR-101 e dragagem do Porto de Vitória, por exemplo) e estaduais, como as rodovias que estão recebendo melhorias com recursos do Estado. Há também a possibilidade de novos negócios a partir do ano que vem, com a expectativa de retomada de investimentos da Petrobras, leilões de linhas de transmissão e avanço de projetos portuários. Esperamos, ainda, que a licitação para a construção da EF-118, obra federal, aconteça no próximo ano”, explica o secretário de Estado de Desenvolvimento, José Eduardo Faria de Azevedo. As perspectivas de que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça – o Banco Central prevê queda de 3,3% do PIB para 2016 e um crescimento de 1,3% para 2017 – também deixa os empreendedores mais otimistas. “Já é um alento. Temos que ter em mente que nem o dinheiro nem o investidor somem. Eles se escondem até que o cenário econômico se apresente de forma mais equilibrada. E isso já está acontecendo. Precisamos enxergar que o riscos sempre serão assumidos pelos empreendedores, faz parte da característica do investidor, mas eles precisam ser assumidos em um cenário de equilíbrio fiscal, político e social, que estamos retomando agora”, resume Brandão.

“Tudo isso vai acontecer em razão da solidez fiscal do Espírito Santo. Ela cria um cenário de equilíbrio, que estimula empreendedores públicos e privados e faz com que se sintam mais à vontade para retomar os processos que estão engavetados ou transcorrendo em ritmo mais lento” José Emílio Brandão, diretor do Sindifer

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DE VENTO EM POPA Vários empreendimentos de infraestrutura importantes para o crescimento do Estado estão sendo retomados. Confira: PORTO CENTRAL A Porto Central S.A., uma join-venture entre o Porto de Roterdã, na Holanda, e a brasileira TPK Logística, que está desenvolvendo um porto multipropósito no Espírito Santo, e a empresa Van Oord Dredging and Marine Contractors, uma das líderes internacionais em dragagem, assinaram um acordo, em outubro, para o desenvolvimento e a construção do Porto Central. O Porto Central é um complexo industrial portuário privado multipropósito desenvolvido no modelo de condomínio portuário, no qual os empreendedores são responsáveis pela construção, pela manutenção e pela administração da infraestrutura portuária, terrestre e de utilidades. O projeto está sendo construído em fases, diante das demandas dos clientes. Por meio do acordo de outubro, o Porto Central e a Van Oord constituíram uma equipe integrada que se dedicará a um processo conjunto de otimização que envolve desde projeto conceitual à construção e à operação do porto. O objetivo mútuo é construir um porto de alta qualidade, dentro do orçamento e do cronograma previstos. Esta é a primeira vez que um acordo desse tipo está sendo implementado para o desenvolvimento de um projeto portuário como um todo. A primeira fase do empreendimento terá como foco as necessidades e as demandas dos clientes do Porto Central, com a devida incorporação das condições e dos requisitos das licenças e das autorizações nos planos e nos designs. A segunda fase abordará a otimização dos métodos de construção e os cronogramas, com o intuito de permitir que


OBRA DO AEROPORTO EM NÚMEROS: Terraplenagem: 90% já executados Drenagem: 50% dos serviços prontos Pavimentação: 15% realizada Estrutura pré-moldada do terminal de passageiros: 50% executada Estacas de brita de reforço da fundação da pista: 5,3 mil usadas (85%)

os operadores portuários comecem suas operações o mais breve possível. A terceira fase da cooperação é a própria construção do porto. O acordo firmado foi inspirado nas diferentes formas de contratação e cooperação mantidas entre o Porto de Roterdã e a Van Oord, como o desenvolvimento da nova área de expansão do Porto de Roterdã através do aterro de 2.000 hectares no chamado “Maasvlakte 2” e projetos no Porto de Sohar em Omã, do qual o Porto de Roterdã também é acionista. AEROPORTO DE VITÓRIA Gargalo para a alavancagem da economia do Espírito Santo, o novo terminal de passageiros do Aeroporto de Vitória tem nova data para ser concluído: setembro de 2017. O então ministro da Aviação, Eliseu Padilha, e o presidente da Infraero na época – hoje a pasta é ocupada por Antônio Claret de Oliveira – , Gustavo do Vale, assinaram, em 25 de junho deste ano, a ordem de serviço para a retomada das obras. Durante a cerimônia, Padilha destacou o ganho para o Estado com as obras no terminal. “Vitória será inserida

no mesmo patamar que outros aeroportos, como Brasília. Teremos um espaço três vezes maior do que o atual. Este aeroporto vai receber Boeings 767 e, com isso, vai aumentar o envio de cargas para outros estados. Temos tudo para dar um salto de qualidade. Basta cada um fazer a sua parte, e nós vamos honrar nossos compromissos”, afirmou Padilha. No final de setembro, a Infraero informou que 34,5% da obra estavam concluídos, sendo que cerca de 35% das lajes pré-moldadas já haviam sido montados e 75% da estrutura metálica da cobertura já haviam sido fabricados, com montagem prevista para novembro deste ano. A nova pista está recebendo serviços de drenagem, terraplenagem e pavimentação, além de sistemas de navegação aérea. O investimento total será de R$ 571,62 milhões. Em 2017, com tudo pronto, a nova pista poderá receber aviões de maior porte. A antiga pista será destinada a jatos executivos e helicópteros. A estimativa é de que o novo aeroporto eleve a capacidade de transportar passageiros/ano de 3,3 milhões (hoje) para 8,4 milhões. A pista também ficará maior, passando de 1.750m (hoje) para 2.058m e, no futuro, será possível receber voos internacionais. A expectativa do secretário de Estado de Desenvolvimento, José Eduardo Azevedo, é de que até o final de 2017 os capixabas já estejam usufruindo dessa nova infraestrutura. “O novo aeroporto irá melhorar o dinamismo econômico do Espírito Santo e a nossa integração com o resto do país e do mundo. Com a ampliação, tornaremos o transporte de passageiros e de cargas mais competitivo, contribuindo para a geração de emprego e de renda para os capixabas”, destacou. Atualmente, cerca de 700 pessoas trabalham diretamente no empreendimento, e outras 1.000 pessoas, de forma indireta, segundo a construtora responsável pelas obras. De acordo com o Consórcio JL, mais de 350 máquinas e equipamentos estão sendo usados nas atividades de terraplenagem, drenagem e obras civis, e a quantidade de vagas de estacionamento do novo aeroporto será triplicada para 1,5 mil. CONTORNO DO MESTRE ÁLVARO No dia 1º de agosto, foi assinada a ordem de serviço para início das obras de implantação do Contorno do Mestre Álvaro, na BR-101/ES. A construção do Contorno, realizada por meio de convênio entre o Governo Federal, por intermédio do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), e o Governo do Estado, reduzirá o atual percurso entre Serra e Cariacica em 11,7 quilômetros, eliminando a circulação de veículos em trecho de tráfego intenso, o que vai proporcionar mais conforto e segurança aos usuários. O Contorno do Mestre Álvaro possui 19,7 quilômetros de extensão, tendo início no km 249 e final no km 275 da BR-101/ES. A execução das obras ficará sob a responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem (DER/ES), com acompanhamento pelo Dnit. A previsão de conclusão dos serviços é em 2019.

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Economia Perspectiva do Porto Central, que será instalado em Presidente Kennedy

DRAGAGEM DO PORTO DE VITÓRIA As obras de dragagem e derrocagem do Porto de Vitória foram retomadas em agosto deste ano. Os sete quilômetros do canal hoje têm profundidade de 11,4 metros e capacidade de 40 mil toneladas de carga máxima. A profundidade chegará aos 14 metros quando as obras forem concluídas. A previsão para o fim dos trabalhos é o final deste ano. A obra, que é do Governo Federal, foi orçada em R$ 120 milhões. A história da dragagem é antiga. Foi iniciada há quatro anos e paralisada no segundo semestre de 2015. Para a finalização da retirada de pedras do fundo da baía (derrocagem) restam 4.000 metros cúbicos, de um total inicial de 110 mil metros cúbicos de pedras. ES-482 No final de outubro, o projeto de duplicação da rodovia ES-482, entre Cachoeiro de Itapemirim e o distrito de Coutinho, entrou como prioridade no planejamento do Governo do Estado. As obras têm prazo de conclusão previsto para o segundo semestre de 2017. Além de garantir melhoria e mais segurança no acesso à cidade de Cachoeiro de Itapemirim, a obra contribuirá para o escoamento da produção e para uma melhor integração da região sul capixaba, exercendo influência sobre os municípios de Jerônimo Monteiro, Alegre, Guaçuí, Muniz Freire, Venda Nova

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do Imigrante, Castelo, Conceição do Castelo, Itapemirim, Atílio Vivácqua e Muqui. Realizadas pelo DER, as obras da rodovia representam um investimento da ordem de R$ 74,9 milhões, envolvendo a duplicação de 11 quilômetros de vias e implantação, entre outros serviços, de viadutos, passarelas, ciclovia, faixa multiuso, calçada e 26 pontos de ônibus. Na ocasião da divulgação das obras, o secretário de Estado da Economia e Planejamento, Regis Mattos Teixeira, destacou que a duplicação do trecho da ES-482 integra a carteira de projetos estruturantes gerenciados intensivamente pelo Escritório de Projetos do Governo, que é ligado à Secretaria de Estado de Economia e Planejamento (SEP).


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Artigo

Alessandra Lamberti é advogada atuante no consultivo e contencioso na área trabalhista empresarial, bacharel em Direito pela Ufes e especialista em Direito do Trabalho pela Faculdade Cândido Mendes de Vitória/ES

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NR-12: mudança de postura é o foco do momento

odas as empresas que admitem empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sejam elas privadas ou públicas, têm a obrigatoriedade de observar as normas regulamentadoras (NRs) que foram aprovadas pela Portaria nº 3.214/78 do Ministério de Trabalho e Emprego (MTE) e que servem para dispor as instruções sobre condutas relacionadas à medicina e à segurança do trabalho, prevenindo acidentes e doenças. Contudo, desde 2010, empresários de todos os segmentos e portes vêm sofrendo com as mudanças estabelecidas para a NR-12, que por meio da Portaria SIT nº 197, de 17/12/2010, ampliou em mais de 300 itens as medidas preventivas de segurança e higiene do trabalho a serem adotadas pelas empresas no que diz respeito a instalação, operação e manutenção de máquinas e equipamentos. O número expressivo de acidentes de trabalho vinculados à falta de segurança em máquinas e equipamentos, bem como a gravidade desses registros – que, na maioria das vezes, causou falecimento ou sequelas funcionais permanentes aos indivíduos envolvidos –, foi o ponto primordial para o corte abrupto havido na legislação, ainda mais considerando que as despesas eram acolhidas pelo governo, que se via obrigado a deferir benefícios previdenciários e pensões. Ademais, pelo evento da globalização, era necessário alinhar os padrões nacionais aos internacionais. O tempo passou e até hoje as empresas sofrem para

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dar cumprimento à regra, principalmente as do setor metalmecânico. As obrigações se refletem diretamente no orçamento das organizações, uma vez que exigem alto investimento e desfavorecem a competitividade das empresas, motivo pelo qual há exigência de revisão da regra. Os principais pontos a serem esclarecidos e mais bem apresentados estão voltados para a deliberação da forma de interpretar a base jurídica criada. Obviamente, de modo que seja viável aplicá-la pelo menor custo possível. E esse é o principal problema! A crítica do setor empresarial inicia-se pelo entendimento de que a aplicação e/ou exigência de cumprimento à nova ordem jurídica vão de encontro à garantia constitucional da proteção ao ato jurídico perfeito, no sentido de que a nova lei não poderia abarcar o ajuste da produção e os equipamentos e máquinas que foram planejados em contexto normativo anterior. Ou seja, caberia ao legislador ter pensado em estabelecer condições de adequação aos processos existentes, ou talvez uma linha de corte, inclusive no sentido de ordenar regras e circunstâncias caso não houvesse possibilidade de adequação, seja por onerar o processo, seja por incompatibilidade dos equipamentos e máquinas em uso. O prejuízo é tamanho! E os empresários estão sendo forçados a realizar adequações imediatas, sem que exista um planejamento financeiro e estratégico correlato, situação complicada, principalmente considerando o momento delicado da economia vivido no país.


Além disso, também há questionamentos acerca da falta de um órgão certificador que possa atestar e/ou validar máquinas, equipamentos e procedimentos. Complica-se ainda mais a discussão se considerarmos que a fiscalização, mesmo sem conhecimento técnico específico, está contestando os procedimentos e conformidades de equipamentos e máquinas. Tudo implicando insegurança jurídica, uma vez que é possível afirmar que há conflito na interpretação da NR-12. O custo também se eleva diante da necessidade de aquisição imediata de equipamentos, legislação específica (normas técnicas da ABNT) e criação de procedimentos. Ora, a NR-12 faz referência às normas técnicas da ABNT que não são de domínio público, ou seja: é preciso pagar para acessá-las. Quanto à aquisição dos equipamentos, as mudanças podem variar da simples limpeza do ambiente de trabalho à aquisição de válvulas e blocos de segurança ou sistemas pneumáticos e hidráulicos de mesma eficácia, podendo passar por mudança de planta inteira de fábrica. A situação de complexidade da norma é ainda mais latente quando se observa que a regra foi criada considerando a legislação de proteção de máquinas da União Europeia, elaborada de forma distinta para fabricantes e usuários. Contudo, aqui no Brasil, foi misturada e está sendo imposta indistintamente, com obrigações equivalentes para os que fabricam e os que utilizam os equipamentos e as máquinas em seus ambientes de trabalho. Critica-se, também, a falta de planejamento estrutural do Estado para a implementação das mudanças determinadas pela NR-12, de modo que fosse possível a criação de linhas de financiamento e deferimento de prazos maiores para adequação, como também a criação de exceções à regra, permitindo às empresas nacionais produzirem equipamentos e máquinas considerando a legislação do país de destino, o que poderia elevar a competitividade internacional, aumentando exportações. Ocorre que todas essas questões já estão sendo debatidas em ambiente interno, por meio da Comissão Nacional Tripartite Temática da Norma Regulamentadora nº 12, que tem como um dos atores principais o setor empresarial, como também por meio de ações e investidas legislativas, destacando-se o Projeto de Decreto Legislativo (Senado Federal) nº 43 de 2015, que possui em sua ementa o objetivo de sustar a aplicação da NR-12 do Ministério do Trabalho e Emprego. Por fim, cabe destacar que, mesmo questionada e dúbia, a regra está vigente e oponível a todas as empresas que utilizem máquinas e equipamentos no ambiente de trabalho. Nesse sentido, não cabe invocar as alegações antes apresentadas em caso de fiscalização e autuações.

Pelo contrário, na ocorrência de acidentes na operação de máquinas e equipamentos em que se evidencie a vinculação desses registros ao descumprimento das regras da NR-12, restará dificultada a defesa, pois cabe às empresas, na condição de empregadoras, adotar todas as medidas de proteção para o trabalho em máquinas e equipamentos, capazes de garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores. Destaco, por oportuno, que já é procedimento adotado pela Justiça do Trabalho, considerando a Recomendação Conjunta GP CGJT nº 2/2011 do TST e da CorregedoriaGeral da Justiça do Trabalho, encaminhar à ProcuradoriaGeral Federal (PGF), por intermédio de endereço de e-mail institucional, cópia das sentenças e/ou acórdãos que reconheçam conduta culposa do empregador em acidente de trabalho, a fim de subsidiar eventual ajuizamento de ação regressiva, nos termos do art. 120 da Lei nº 8.213/91. As ações regressivas acidentárias visam ao ressarcimento, à administração pública, dos gastos havidos pelas prestações sociais (benefícios e pensões previdenciárias) decorrentes de acidente de trabalho, e têm como fundamento de constituição de provas a simples inobservância às regras da NR-12. Cabem, também, as sanções administrativas resultantes de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, que incluem notificações, autuações e interdições de equipamentos, máquinas e até do pátio fabril, além das ações de indenizações movidas perante a Justiça do Trabalho que, na maioria das vezes, apontam resultados que podem impactar diretamente os recursos financeiros da empresa, pois é evidente que não há previsão em orçamento. Assim, ignorar as regras instituídas pela NR-12 é negligenciar o avanço protetivo implementada pelo novo regramento legal. Mas também é certo que ignorar a realidade de cada uma das empresas, principalmente no momento de crise atualmente vivido, é medida desproporcional, cabendo ao legislador estabelecer meios igualmente seguros, mas ao mesmo tempo menos gravosos e mais razoáveis para as empresas. Dessa forma, imprescindíveis às mudanças. Contudo, o setor empresarial não pode manter-se inerte dentro desse processo e deve buscar seu sindicato para, juntos, promoverem discussões e estabelecerem procedimentos a serem adotados de modo que seja possível participar ativamente das deliberações já iniciadas na Comissão Tripartite, ou por meio de lobby político, no caso da proposta legislativa já em andamento, como acima citada, ou considerando novas propostas que possam a ser apresentadas.

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Especial Por Thiago Lourenรงo

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Mec Show abre as portas para a tecnologia e a inovação Com mais de R$ 50 milhões em negócios gerados e a visita de 16 mil pessoas, evento apostou na programação técnica e mostrou que a inovação é a bola da vez para superar a crise

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m verdadeiro palco onde o espetáculo em cartaz teve como protagonistas a inovação e a tecnologia. Assim foi a Mec Show 2016 – Feira da Metalmecânica, Energia e Automação, realizada de 26 a 29 de julho no Pavilhão de Carapina, na Serra. Os 16 mil visitantes que passaram pelo evento conheceram novidades dos principais players que compõem a indústria de bens de capital: automação, robótica, compressores, metrologia industrial, acionadores, redutores e motores, tecnologias industriais de ponta e máquinas de corte, entre outros. A Mec Show 2016 gerou mais de R$ 50 milhões em negócios e superou as expectativas dos organizadores. Em um cenário econômico nublado e duvidoso, a feira apostou numa ampla programação paralela, que incluiu desde cursos a rodadas de negócios, passando por palestras, encontros técnicos, seminários e exposição de produtos para o setor de petróleo fabricados por fornecedores locais, conforme as necessidades de grandes empresas dessa área. Durante a abertura da Mec Show, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, destacou a importância da realização da feira no que chamou de “momento de desafio”. “Temos que puxar as mangas e colocar ‘a mão na massa’. O Brasil perdeu o timing das mudanças inovadoras e precisa reencontrar seu caminho. Precisamos reformar o país para criar as condições de se produzir e inovar. É assim que deve ser feito em um mundo integrado como o que a gente vive”, declarou. O diretor do Sindifer-ES Manoel Pimenta, que na ocasião ocupava a presidência do Sindicato, também destacou que o setor está disposto a trabalhar bastante. “Vamos esquecer esse assunto (crise). O segmento é um dos mais importantes para a economia capixaba também pelo fato de estar ligado à movimentação de negócios em diversas outras

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Especial atividades econômicas. Não vejo um caminho para o setor metalmecânico capixaba que não seja o sucesso”, afirmou. INOVAÇÃO EM FOCO O investimento em inovação é considerado fundamental para a sobrevivência e o crescimento dos negócios, principalmente para a superação da crise financeira. Por esse motivo, a Mec Show ampliou o espaço para esse assunto, com diversas ações em sua programação técnica voltadas para discutir a importância de as empresas buscarem soluções inovadoras para resolução de seus gargalos. “A programação da Mec Show este ano já ampliou as discussões sobre inovação, e essa é uma tendência que deve crescer nas próximas edições, visto que hoje qualquer negócio precisa estar atento a essa área, principalmente no setor de petróleo e gás, em que muitas tecnologias ainda precisam chegar ao Espírito Santo. No decorrer dos próximos meses vamos trabalhar para que no ano que vem tenhamos mais empresas interessadas em trazer novas tecnologias para as indústrias locais”, complementou o empresário Lúcio Dalla Bernardina, que logo depois sucederia Pimenta na presidência do Sindicato. Uma ação inédita na feira deste ano foi a Ilha da Inovação, criada pela Startify, braço educacional da aceleradora global de startups Start You Up. Promovido pelo CDMEC e pelo Espírito Santo em Ação, com apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes), Bandes, do ISH, da UCL, do Sebrae e da Findes, o evento paralelo contou com palestras e workshops que abordaram temas como a implantação de novas práticas e procedimentos dentro das organizações, como o uso de big data; processamento e informação em nuvem; absorção do design thinking para construção de processos; e as maneiras como as startups podem contribuir com o setor. “Por ser uma iniciativa essencial para o desenvolvimento da cadeia de fornecedores do Espírito Santo, a Mec Show se apresentou como a grande oportunidade para falarmos sobre o tema e sobre a nossa metodologia”, comentou Marcelo Lage, sócio da Startify.

“O empresário local tem a oportunidade de apresentar seus projetos inovadores para as maiores empresas aqui instaladas, que verificam a aplicabilidade dos projetos em seus negócios”

Benildo Denadai, diretor técnico do Sebrae-ES Outro evento que compôs a programação da Mec Show e teve da inovação como tema foi o 4º Seminário de Inovação, discutindo casos de sucesso, desafios e recursos disponíveis para a inovação tecnológica, sustentável e econômica nas empresas brasileiras. O seminário foi coordenado pela secretária de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional, Camila Dalla. O Fórum Capixaba de Petróleo e Gás (FCP&G) e o Sebrae levaram para a feira o Painel de Inovações, com o objetivo de fomentar a inovação e o desenvolvimento tecnológico. O evento possibilitou que pequenas empresas apresentassem propostas inovadoras de bens ou serviços que pudessem atender às demandas das cadeias industriais do Espírito Santo, através da seleção de propostas enviadas às grandes empresas do Estado. “É uma forma de aproximar as pequenas empresas das grandes, pois o empresário local tem a oportunidade de apresentar seus projetos inovadores para as maiores empresas aqui instaladas, que verificam a aplicabilidade dos projetos em seus negócios”, destacou o diretor técnico do Sebrae-ES, Benildo Denadai. Segundo o presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC), Durval Vieira de Freitas,

A Mec Show 2016 gerou mais de R$ 50 milhões em negócios

“O segmento é um dos mais importantes para a economia capixaba também pelo fato de estar ligado à movimentação de negócios em diversas outras atividades econômicas. Não vejo um caminho para o setor metalmecânico capixaba que não seja o sucesso” Manoel Pimenta, diretor do Sindifer-ES

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VENCEDORES DO 4º PRÊMIO MEC INOVA Incentivar a cultura da inovação entre as empresas do setor metalmecânico, energia e automação, por meio da apresentação de práticas, processos e produtos inovadores. Esse foi o objetivo do Prêmio Mec Inova, promovido em parceria entre Sindifer e CDMEC, que em 2016 chegou à sua 4ª edição. Empresas de todos os portes, associadas ao Sindifer ou CDMEC, puderam inscrever seus projetos, que foram avaliados por uma comissão técnica em itens como relevância técnica, benefícios, método, grau de desafio ou dificuldade e impacto inovador. Para o diretor do Sindifer Manoel Pimenta, a premiação é um reconhecimento ao mérito inovador das empresas participantes, que são fundamentais no balanço econômico do Estado. “A premiação é uma oportunidade de apresentar aos capixabas as boas práticas e os produtos inovadores locais. É uma forma de devolvermos o investimento que essas empresas realizam no Espírito Santo a cada produto lançado no mercado”, disse. CONFIRA OS RESULTADOS: 1º lugar – Empresa Brasmetal, com o projeto “Elevador de Obra para Carga e Passageiros” 2º lugar* – Empresa UpLevel, com o projeto “Smart Plug” 2º lugar* – Empresa Espiral, com o projeto “Escada Metálica Modular” 2º lugar* – Empresa USM, com o projeto “Teste Hidrostático com Wireless ou Cabeamento de Internet” 3º lugar – Empresa Zaruc, com o projeto “TAD-E” *Os três projetos empataram no 2º lugar.

“Temos que puxar as mangas e colocar a mão na massa. Precisamos reformar o país para criar as condições de se produzir e inovar. É assim que deve ser feito em um mundo integrado como o que a gente vive” - Paulo Hartung, Governador do Estado

as ações realizadas na Mec Show na área de inovação, como a Ilha da Inovação e o Prêmio Mec Inova (mais detalhes no box), foram muito bem recebidas pelo público. “Pudemos perceber que houve uma maior integração entre os expositores de outros estados, as nossas grandes empresas e também os fornecedores locais de tecnologia”, destacou. OLIMPÍADA DO SENAI Novidade na Mec Show 2016, a Olimpíada Senai de Ocupações reuniu alunos das unidades do Senai-ES de Vitória, Serra, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Colatina, São Mateus, Vila Velha e Aracruz, que foram desafiados a executar tarefas do dia a dia da indústria, dentro de prazos e padrões de qualidade predeterminados. “O trabalho se caracterizou pelo ineditismo de sua realização no Espírito Santo. Colocar nossos alunos em contato com o industrial, mostrando, estudando e fazendo em tempo real, é uma forma de mostrar o nível da qualidade da mão de obra que está sendo formada pelo Senai-ES”, reforçou o presidente do Sistema Findes, Marcos Guerra. Entre as ocupações expostas, quatro foram de demonstração - Tornearia CNC, Fresagem CNC, Automação e Controle e Soluções de Informática para Negócios. Já outras três, apresentaram-se em regime de competição - Tornearia Mecânica, Mecânica de Manutenção e Soldagem, vencidas por Igor Marsalia (Senai Linhares), William Lacerta Mutz (Senai Aracruz) e Virgílio Neto Filho (Senai Cachoeiro de Itapemirim), respectivamente. OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS Propiciar a geração de negócios entre expositores, fornecedores e grandes empresas está entre as propostas da Mec Show desde sua primeira edição, em 2008. Este ano, o volume de negócios ficou acima dos R$ 50 milhões. “O evento atingiu nossos objetivos, considerando o momento que atravessa a economia brasileira. Chegamos até a receber sugestões de que a feira não fosse realizada, mas

AGENDE-SE: MEC SHOW 2017 A Mec Show já está confirmada no calendário de eventos de negócios do Espírito Santo para 2017, marcada para acontecer de 18 a 20 de julho.

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Especial entendemos que se trata de uma marca consolidada que precisa ser fortalecida. Por isso, continuamos apostando nela”, ponderou Durval Vieira de Freitas. Uma das ações fomentadoras de novos negócios foi o 7º Encontro de Negócios, promovido pelo Programa Integrado de Desenvolvimento e Qualificação de Fornecedores (Prodfor), que dá visibilidade à demanda existente nas cadeias produtivas locais, colocando frente a frente quem demanda e quem fornece. Foi a primeira vez que o encontro foi realizado dentro da programação da Mec Show, tendo alcançado a marca de 162 reuniões entre 50 micro, pequenas e médias empresas do Prodfor e grandes plantas industriais do Estado. As negociações foram feitas diretamente com representantes e responsáveis pelos setores de Compras de oito empresas-âncoras do programa: Estaleiro Jurong Aracruz, Vale, ArcelorMittal, Canexus, Fibria, Petrobras, Technip e Oikos – empresa responsável pela construção da nova sede do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado (Sebrae-ES). A expectativa é que os negócios para os próximos 12 meses alcancem mais de R$ 21 milhões. Já o 4º Encontro Tecnológico, que foi promovido pelo Sebrae-ES em parceria com o FCP&G, apresentou 12 demandas da indústria de petróleo e gás para fornecedores locais. Durante o encontro, engenheiros explicaram como funciona o desenvolvimento do produto, com espaço para tirar dúvidas dos participantes. Em edições anteriores da Mec Show, essa troca de informações entre a Petrobras e os fornecedores locais rendeu bons negócios. Sete projetos solicitados pela estatal na edição de 2015 estão em fase de desenvolvimento por empresas locais. Este ano, foram efetuadas 62 inscrições, e 22 empresas diferentes passarão pelas etapas de seleção para o desenvolvimento dos produtos. As 12 demandas apresentadas no 4º Encontro Tecnológico foram: aplicativo “IHM Móvel” em poços terrestres; cabeçal de poços; sistema BPL em média tensão para comunicação em poços petrolíferos; Sistema móvel para inspeção de tubos em poços; sensores de fibra ótica para medição de temperatura em tanques de produção de petróleo;

“Pudemos perceber que houve uma maior integração entre os expositores de outros Estados, as nossas grandes empresas e também os fornecedores locais de tecnologia” - Durval Vieira de Freitas, presidente do CDMEC

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“A programação da Mec Show este ano já ampliou as discussões sobre inovação, e essa é uma tendência que deve crescer nas próximas edições, visto que hoje qualquer negócio precisa estar atento a essa área” Lúcio Dalla Bernardina, presidente do Sindifer-ES

fabricação de sensores óticos para medição de pressão, vazão e temperatura de fundo de poço com tecnologia já patenteada pela Petrobras; dispositivo auxiliar de acesso para espaço confinado; reparos de campo através de weld overlay; Revestimentos internos não metálicos especiais; Sistema auxiliar à limpeza interna de equipamentos e tubulações; robô para tratamento de superfície e pintura de costado de plataforma; e sistema de coleta e transferência de resíduo oleoso durante a limpeza de tanque de carga. ORGANIZADORES CELEBRAM RESULTADOS A Mec Show 2016 superou as expectativas da Milanez & Milaneze, empresa do Grupo VeronaFiere, responsável pela realização da Mec Show. “Reunimos um público altamente qualificado, e a feira se reafirmou como referência para o setor industrial no Espírito Santo, tornando-se palco de muita tecnologia, relacionamento e negócios. Com uma ampla programação de conteúdo, oferecendo inéditas 180 horas de palestras, debates e seminários, o evento buscou criar um espaço único para a troca de conhecimento e de informações, bem como para o estímulo aos negócios”, destacou o coordenador da Mec Show, Marcos Milanez Milaneze. Em 2017, a feira vai comemorar 10 anos e diversas ações estão sendo preparadas com o objetivo de criar um ambiente ainda mais favorável à geração de negócios durante e após a realização do evento e fomentar o setor industrial capixaba. Além de uma maior participação de marcas internacionais, a Mec Show 2017 ampliará a Ilha da Inovação, facilitando o encontro dos visitantes com as novidades do mercado industrial de todo o mundo. “Vamos promover o Buyers Club, uma ação específica de relacionamento com os principais compradores do setor, indicados pelas empresas participantes da feira, para oferecer aos expositores a oportunidade de receber em um espaço diferenciado os prospects mais ambicionados do mercado”, completou Marcos. A Mec Show 2016 foi uma promoção do Sindifer-ES e do CDMEC, com apoio técnico da DVF Consultoria, realização da Milanez & Milaneze/VeronaFiere e correalização do Sebrae-ES e Sistema Findes. O evento contou ainda com apoio de ArcelorMittal, Fibria, Estaleiro Jurong Aracruz, Vale, Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei), Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), ISA Seção Espírito Santo e Governo do Estado.


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Registro

ArcelorMittal participa de evento técnicocientífico

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m dos mais importantes encontros técnico-científicos da América do Sul, a ABM Week 2016, evento da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração, movimentou um grande público entre os dias 27 e 29 de setembro, no Riocentro, Rio de Janeiro. A semana apresentou eventos tradicionais da entidade, como o Congresso Anual e os seminários de Aciaria, Aglomeração, Logística, Balanços Energéticos, Gases Industriais, Laminação, Redução, Minério de Ferro, Automação e TI e Trefilação, além do Encontro Nacional de Estudantes de Engenharia Metalúrgica, de Materiais e de Minas (Enemet). Uma das muitas expositoras do evento, a ArcelorMittal participou de palestras, plenárias, painéis e mesas-redondas. Entre as atrações do Congresso da ABM, palestraram o diretor para Indústria Automotiva da Nafta e P&D Global da ArcelorMittal, Debanshu Bhattacharya; e o vice -presidente de Operações da ArcelorMittal Tubarão, Jorge Luiz Ribeiro

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Representantes da ArcelorMittal palestraram na ABM Week 2016

de Oliveira, que foi um dos debatedores da plenária “Como ser produtivo”. A coordenação ficou para o assessor da Diretoria da ArcelorMittal Aços Planos América do Sul, Francisco Coutinho Dornellas. Já o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da ArcelorMittal América do Sul, Charles de Abreu Martins, foi um dos convidados da mesa-redonda com o tema “Pesquisa, desenvolvimento e inovação”, e a diretora jurídica e de Relações Institucionais, Suzana Fagundes, palestrou sobre “Cultura da integridade e sustentabilidade dos negócios”, finalizando a participação da empresa no encontro.


Entrevista Por Thiago Lourenรงo

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Márcio Félix “Nossas relações internacionais tinham várias arestas que precisavam ser aparadas e temos conseguido avançar muito em poucos meses”

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igura conhecida dos capixabas, por já ter morado no Espírito Santo e comandado a Secretaria de Desenvolvimento Econômico por três anos nos governos Paulo Hartung e Renato Casagrande, Márcio Félix foi nomeado, em junho último, secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME). De perfil técnico, Félix chegou ao cargo com mais de 30 anos de experiência na área de petróleo e gás, com atuação que vai além da Petrobras. Nesta entrevista à Revista do Sindifer, ele comenta algumas mudanças que estão afetando o setor, como o fim da obrigatoriedade da participação da Petrobras na exploração do pré-sal e os desafios enfrentados para recuperação da credibilidade do país na esfera internacional. E aposta que a chegada de novos investimentos deve promover o que chamou de “novo boom” no segmento e que as empresas do Espírito Santo, com sua expertise de fornecimento, têm tudo para se destacar nesse novo cenário.

Como tem sido sua atuação nesses quatro primeiros meses à frente da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis ?

Este período tem sido muito intenso. O setor de óleo, gás e biocombustíveis tem muitos desafios, e estamos cuidando deles. O humor do mercado já mudou muito, com o Brasil voltando a ser local de interesse dos investidores. Realizamos muitas visitas, a países como Noruega, Singapura, Japão e Inglaterra, e muitas empresas também estão vindo conhecer o Brasil, em busca de nossas potencialidades. Na área do biocombustível, estamos discutindo com o setor sobre a importância de sua participação na matriz energética brasileira.

De que forma sua experiência de mais de três décadas como funcionário da Petrobras auxiliará nesse trabalho?

O fato de ter uma vivência na indústria de petróleo e gás como um todo, não apenas na Petrobras, de ter ocupado várias posições e de possuir experiência no Brasil e no exterior ajuda a ter mais sensibilidade para entender os desafios do setor.

A nomeação de cargos de acordo com o perfil técnico pode contribuir para uma gestão pública melhor?

A escolha das pessoas para ocupar as mais diversas posições precisa ter sempre um critério técnico, mas elas devem também ter capacidade de se relacionar. Não basta apenas ser técnico, é preciso possuir habilidades de modo geral, principalmente na área da gestão pública, em que o nosso patrão é a sociedade. É isso que deve nortear essas questões de confiança no governo. Já existem movimentos no país para discutir critérios mais específicos, como foi feito com a lei sobre as estatais, estabelecendo uma série de requisitos a serem seguidos para nomeação de Conselho de Administração e Diretoria. O mesmo deve acontecer também para as agências reguladoras, disciplinando a escolha das pessoas a partir de critérios mais objetivos. O Brasil está evoluindo nesse sentido. Quando isso acontece, gasta-se menos tempo discutindo a indicação, e a pessoa tem mais sensibilidade para entender as demandas setoriais.

No Espírito Santo, o senhor ocupou a Secretaria de Estado Desenvolvimento Econômico. O que destaca como principais conquistas desse período?

Atuei nesse cargo por três anos, nos governos Paulo Hartung e Renato

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Entrevista Casagrande, e foi um momento bastante positivo de atração de investimentos para o Estado, quando fizemos com que o Espírito Santo tivesse a maior razão investimento/habitante do país. Foi nesse período que se confirmaram vários investimentos, como a fábrica da Marcopolo e o Estaleiro Jurong. A grande marca foi justamente ter conseguido descentralizar os investimentos, que até então ficavam concentrados na região metropolitana ou em Linhares. Levamos uma série de projetos para Colatina, como a Bertolini, e também para Sooretama, São Mateus e, ao extremo sul do Estado, o Porto Central, que ainda está em fase de projeto.

multiplicador é muito maior. Com certeza há uma ligação, mas ela não é a única causa. A retomada dessa atividade ajudará o crescimento do país. Trabalhamos em um cenário em que a faixa de preço para o barril do petróleo esteja entre US$ 50 e US$ 70. Embora sejam patamares menores do que os já alcançados, a gente pode se manter competitivo mesmo assim. É questão de trabalhar com inovação, tecnologia, abordagem de custos menores e maior produtividade, o que é uma característica do pré-sal. Então, mesmo com preços mais baixos, continuamos competitivos.

O que entende como tendência para a economia capixaba nos próximos anos, principalmente após a esperada retomada do crescimento?

A conjuntura internacional, com a queda no preço dos barris, foi realmente um dos principais entraves enfrentados pela Petrobras nos últimos anos? O que mais afetou a empresa?

Ao longo de sua história econômica recente, o Espírito Santo conquistou empreendimentos muito grandes, não apenas quando eu estava no governo. Acredito que seja hora de não focar mais essas plantas de grande porte, mas investir na parte do conhecimento, no turismo, no bem-estar, na qualidade dos serviços e continuar fomentando a descentralização. Um dos segredos de estados como Santa Catarina é ter muitas cidades de médio porte e nenhuma metrópole, o que facilita muito a gestão. Precisamos ter mais cidades com potencial de atração, como Barra de São Francisco, Nova Venécia e Cachoeiro de Itapemirim, que são municípios que funcionam como âncoras. O Governo do Estado também tem o agronegócio como uma frente interessante. O Espírito Santo costuma ser campeão quando se fala em um local para se investir, trabalhar e viver. Preservar essa qualidade de vida requer a superação de muitos desafios.

A revista Época publicou cálculo da 4E Consultoria que atribuiu de 2 a 2,5 pontos percentuais à participação da crise da Petrobras e da cadeia de petróleo e gás na queda de 3,8% do PIB em 2015. Que peso essa atividade possui para a economia brasileira?

No Brasil se fala que o PIB ligado ao petróleo está na casa de 10% a 12%, caminhando para chegar a 20%. Porém, o efeito

A questão fundamental da Petrobras não foi o preço do petróleo. O problema é que quando estava alto, o preço dos derivados nos postos de gasolina foi mantido. Depois veio a questão de ter investido em projetos sem retorno, alguns dos quais não foram concluídos, ou em refinarias que foram descontinuadas. E agora estamos vendo a questão da Operação Lava Jato.

Como a diminuição dos investimentos previstos pela empresa para os próximos anos afeta outros setores econômicos do país, ainda que de forma indireta?

Estamos trabalhando para que haja investimento de outras empresas de forma mais acelerada, abrindo espaço para que Shell, Chevron e Esso, por exemplo, possam investir no Brasil e assim tenhamos um novo boom da indústria do petróleo. É hora de começar a pensar de forma diferente. Em toda conversa sobre o setor no Brasil, a gente fala da Petrobras. Temos que olhar para um outro mundo, com investimentos de empresas que atuam em diversos países. Então, em vez de pensar em fornecer apenas para o Brasil, as empresas também poderão fornecer para essas gigantes internacionais e ter acesso aos mercados que elas possuem em todo o mundo. O Espírito Santo é mestre em ter empresas que alcançam o mercado nacional e mundial, que ultrapassam as barreiras do Estado. Temos trabalhado para que esse nível de investimento seja coberto por outras empresas. Se você é um fornecedor competitivo, vai ter condições de atuar em qualquer lugar. Mais do que compensar, acho que o investimento deve ser maior com a chegada de novas tecnologias, paradigmas e outras formas de relação comercial.

“A mudança da Petrobras como operadora exclusiva (do pré-sal), mas mantendo a preferência, vai abrir caminho para supernegócios no Brasil” 26

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exterior, como em Nova Iorque, Estados Unidos, mostrando as oportunidades de investimento no Brasil, que incluem o setor de petróleo e gás, mas também a área da mineração, elétrica e de infraestrutura, entre outras. O humor do mercado já mudou. A Shell, por exemplo, vai fazer a reunião mundial de seu Conselho em nosso país e trazer os maiores investidores mundiais para conhecer o Brasil, de forma a sensibilizá-los a investirem aqui. Pelo mundo afora existem países que conseguem financiar projetos mesmo com taxas de juros negativas. Para isso, é necessário ter projeto interessante, o que é uma realidade brasileira na área de infraestrutura de petróleo e gás, ferrovias, portos e aeroportos que irão capturar esse dinheiro. Há recursos disponíveis no mundo, mas é preciso ter bons projetos, com regras claras e segurança jurídica, o que temos procurado mostrar para as outras nações. Nossas relações internacionais tinham várias arestas que precisavam ser aparadas, e temos conseguido avançar muito em poucos meses.

Em relação a combustíveis renováveis, o que pode ser aprimorado no país? Comparados a outras nações, em que pé estamos nesse rumo?

O Congresso aprovou em outubro o fim da obrigatoriedade da participação da Petrobras na exploração do pré-sal. Como avalia essa medida?

O efeito prático dessa medida é atrair outros atores como operadores, não adianta ser só “sócio”. A empresa é que será responsável pelas contratações, e no pré-sal os investimentos são bilionários. Com isso, teremos essa possibilidade de acessar mais cadeias de fornecimento em escala global. Então, esperamos que a mudança da Petrobras como operadora exclusiva, mas mantendo a preferência, abra caminho para supernegócios no Brasil. Essa medida está sendo tomada para que a Petrobras possa sobreviver como empresa, enfrentando grandes desafios para cuidar de sua saúde financeira. Por isso ela está abrindo espaço e vendendo ativos, porque não tem condições de atuar em alguns negócios, dando oportunidade para que outras empresas atuem, tanto da indústria offshore quanto DA onshore, inclusive com previsão de rodadas de licitação para o ano que vem. A Petrobras vai continuar sendo importante, mas a forma de se relacionar com essas outras empresas vai ser totalmente diferente. Os fornecedores precisarão aprender a lidar com esse novo momento.

Nos últimos anos, o Brasil perdeu a confiança de investidores internacionais. Acredita que o país já está preparado para recuperar sua credibilidade?

O Brasil já está fazendo seu “dever de casa”, dando a empresas como a Petrobras e a Eletrobras uma gestão mais profissional, com escolhas técnicas adequadas e conselhos de administração independentes. As ações em bolsas já tiveram crescimento gigantesco ao longo deste ano. Recentemente, o presidente do Brasil (Michel Temer) voltou ao Japão, após 11 anos sem visitas àquele país. Existe esse trabalho sendo executado no

Na área de combustíveis renováveis, o Brasil é um exemplo mundial, graças ao nosso programa de biocombustíveis, principalmente etanol e biodiesel, além de aqui termos os motores flex. Temos uma matriz energética bem favorável nesse sentido. Em Paris, na França, assinamos o acordo da COP 21 e agora participaremos da COP 22, em Marraquexe, no Marrocos. Uma coisa que pode ser feita é trabalhar para definir qual vai ser a trajetória da participação dos biocombustíveis na matriz energética, detalhando o equilíbrio financeiro e econômico do setor. Temos dialogado com todos esses segmentos para ver qual a melhor forma de fazer isso, também trabalhando os biocombustíveis de segunda geração, que produzem muito mais e ocupam menos terras. Junto ainda ao setor sucroalcooeiro, queremos manter o Brasil com uma matriz cada vez mais limpa.

Para finalizar, fale sobre suas metas à frente da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis. De que forma pretende atuar para fortalecer essas atividades no país?

Pretendemos criar iniciativas em todas as frentes – exploração e produção, refino e distribuição, além de gás e biocombustíveis – por meio do diálogo com todas as instituições representativas dos setores e com os grandes agentes individuais, buscando uma visão compartilhada entre a iniciativa privada e o governo. Mediante consulta pública, vamos formalizar essas diretrizes estratégicas, de modo que todo mundo saiba para onde o Brasil quer ir, com planos de ações para cada uma das frentes que cuidamos. Até o final do ano, estamos cumprindo uma agenda que chamamos de “UTI”, que é justamente resolver os problemas mais urgentes em curto prazo – alguns deles estão sendo discutidos há dois ou três anos. Fechados esses assuntos, poderemos trabalhar para colher resultados, atrair investimentos e ter uma agenda de trabalho mais participativa, através de reuniões, presença em palestras e eventos, além de interação por meio do site do ministério. É a prática de dialogar para a construção de um plano de ação feito a muitas mãos. Não tem pacote surpresa. A gente escuta, dialoga e constrói conjuntamente as soluções, começando pela visão de onde queremos chegar em 20 anos. A partir daí, identificar os gargalos que surgirão em curto, médio e longo prazo. Assim estamos estruturamos as atividades em todas as nossas áreas de atuação.

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Registro

Sindifer promove palestra sobre câncer de mama

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m outubro, entidades, órgãos, empresas e sociedade de forma geral participam da campanha que lembra a importância da prevenção do câncer de mama. O Outubro Rosa movimenta ações em todo o Brasil e chama a atenção para os cuidados que as mulheres devem ter para evitar ou combater essa doença. O Sindifer também realizou, no dia 20, um evento especial para falar sobre uma grande história de superação de uma mulher que enfrentou a doença e venceu. Cerca de 50 pessoas compareceram à palestra “Seja Mais Simples”, com Lena Resieri. A palestrante contou toda a sua trajetória: a vida antes, durante e depois da luta contra o câncer de mama. O público se emocionou com as histórias e compartilhou experiências. Para a gerente de Relações Institucionais do Sindifer, Rita Dillem, o feedback foi muito positivo. “A palestra ‘Seja Mais Simples’ com a

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“Seja Mais Simples”: a palestrante Lena Resieri contou como venceu a doença

Lena foi muito marcante. Realmente, uma oportunidade muito boa: as pessoas puderam conferir uma grande experiência de superação do câncer de mama. Foi um encontro de integração, voltado para diretoras, esposas de diretores, colaboradoras e profissionais em geral do setor metalmecânico. Todas gostaram muito do evento, que atingiu o seu objetivo de sensibilizá-las para a importância da prevenção, da identificação precoce e do tratamento. O câncer de mama tem chances altas de cura se descoberto a tempo. Então, quanto mais informação, melhor”, disse ela. Segundo Rita, existe a ideia de criar um grupo de mulheres no Sindifer, para atuar permanentemente em questões relacionadas ao universo feminino.


Saúde e segurança Especial Por Gustavo Costa

Semana Prevenir movimenta o Espírito Santo Com novo formato, evento terá seminário, rodada de negócios, entrega de prêmios e ações para o público 30

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quantidade de acidentes de trabalho no Brasil segue sendo um grande desafio para empresas, entidades, sindicatos, administrações de todas as esferas e sociedade de forma geral. Dados de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde, apontam que 4,948 milhões de trabalhadores sofreram acidentes de trabalho entre 2012 e 2013. E, de acordo com o documento “Estratégia Nacional para Redução dos Acidentes do Trabalho 2015-2016”, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apenas no ano de 2013 foram registrados 2.797 acidentes de trabalho fatais no país, o que representa uma taxa de mortalidade de 6,53 a cada 100 mil segurados. O documento vai além e aponta que, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 2,34 milhões de pessoas morrem todos os anos no mundo devido a acidentes ocorridos no ambiente de trabalho. Com o objetivo de ajudar a reduzir esses números, o Sindifer promoverá a Feira de Saúde e Segurança do Trabalho (Prevenir), este ano completamente reformulada. O evento é uma correalização do Sesi, do Senai e do Sebrae, com organização da Dupla Produções. Além dessas entidades, formam o Comitê Técnico do evento a Vale, a Engelmig, a ArcelorMittal, a EDP Escelsa, a Samarco, a Fibria, a Petrobras e o Corpo de Bombeiros do Estado. A “nova” Prevenir terá uma programação intensa de uma semana. Entre 29 de novembro e 4 de dezembro, estarão em foco a integração de conhecimentos e os métodos que possam colaborar com a proteção à vida e promover a saúde e a segurança do trabalhador do Espírito Santo. Sempre pautada pelo tema “Saúde e Segurança”, a Semana Prevenir 2016 contará com diversas ações, que serão distribuídas por diferentes locais, dias e formatos. A abertura acontecerá no dia 29, no Edifício Findes, em Vitória, com a apresentação de toda a programação do evento. Está prevista ainda uma palestra com o jornalista Clayton Conservani, da Rede Globo. Haverá ainda o lançamento do Prêmio Sesi Boas Práticas Prevenir. A ação foi criada para destacar iniciativas de prevenção e que incentivam a cultura da saúde e da segurança no ambiente empresarial. O prêmio será concedido segundo quatro graus de risco e por porte de empresa (pequena, média e grande). A análise e a seleção dos trabalhos serão realizadas por uma comissão julgadora, que terá a tarefa de apontar o melhor projeto por categoria, segundo critérios como benefícios da prevenção, da relevância e do processo. Também no primeiro dia de evento será apresentado o Passaporte Industrial. Trata-se de um documento que servirá como um “passaporte” junto às grandes indústrias em atividade hoje no Estado. Com a iniciativa, a expectativa é de que o tempo para a liberação dos funcionários para início das obras, que hoje fica entre 30 e 45 dias corridos, seja reduzido. O presidente do Conselho Temático de Relações do Trabalho (Consurt), Haroldo Massa, explica como o Passaporte funcionará e os seus benefícios. “É um documento identificador dos treinamentos que um colaborador tem e que o credencia a trabalhar em áreas industriais específicas, conforme exigências das indústrias e normas regulamentadoras de Saúde e Segurança no Trabalho. O Passaporte Industrial proporcionará ao trabalhador recrutado o acesso direto ao local de trabalho,

“A meta é diminuir o número de acidentes do trabalho. Teremos um seminário que será voltado para quem lida com saúde e segurança”

Lúcio Dalla Bernardina, presidente do Sindifer uma vez que sejam concluídos os exames médicos de rotina, sem a repetição de treinamentos especificados pelas Normas Regulamentadoras. Isso reduz o tempo de espera de recrutamento, de qualificação e de ambientação para a indústria à qual o trabalhador foi selecionado, respeitando as respectivas validades. O ganho verificado repercutirá diretamente no bem-estar do trabalhador evitando a habitual demora para o início de sua atividade laboral. E para as empresas contratantes e contratadas, haverá uma representativa redução em suas despesas de recrutamento. Estão no rol das contratantes as empresas patrocinadoras do Passaporte Industrial: Fibria, Vale, ArcelorMittal e Samarco. E no elenco das contratadas estão todas aquelas vinculadas ao Sistema Findes. Importante destacar que o Passaporte poderá abranger outras indústrias contratantes e outros segmentos empresariais”, disse. No dia 1º de dezembro, acontecerá no Hotel Sheraton Vitória um grande seminário de atualização e capacitação dos trabalhadores. No dia seguinte, o Sheraton receberá a Rodada de Negócios do Sebrae. O espaço servirá para que as empresas negociem produtos e serviços e firmem parcerias. A rodada aproximará as fornecedoras e as chamadas empresas-âncoras em reuniões de 20 a 30 minutos. O tempo deverá ser mais que suficiente para que as participantes possam apresentar produtos e serviços. Ainda no dia 2, acontecerá o Prêmio Escola Segura, do Projeto Amadurecer. Criada por um comitê que tem a participação do Sindifer, de instituições e de empresas,

“A cada ano o evento ganha ainda mais importância. O que começou como um seminário de um dia, hoje ganhou corpo e já é um evento de grande porte e que mobiliza muitos parceiros” Daives Alvarenga, diretor do Sindifer

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PROGRAMAÇÃO SEMANA PREVENIR – 29 DE NOVEMBRO A 4 DE DEZEMBRO ABERTURA OFICIAL Data: 29 de novembro Horário: 19h Local: Auditório da Findes *Lançamento do Passaporte Industrial e do Prêmio Sesi Prevenir de Boas Práticas. * Palestra do jornalista da Rede Globo Clayton Conservani. SEMINÁRIO DE SAÚDE E SEGURANÇA Data: 1º de dezembro Horário: 9h às 18h Local: Hotel Sheraton Vitória HORÁRIO

ATIVIDADE

09h00 - 9h10

Abertura

09h20 - 10h10

• Palestra Master: Limites Extremos • Palestrante: Clayton Conservani Jornalista da Rede Globo (Repórter do quadro “Planeta Extremo”, do “Fantástico”)

10h10 – 10h30

Intervalo

10h30 - 11h10

• Case Vale: Academia de Líderes em Saúde e Segurança • Palestrante: Diógenes Vale

11h10 - 11h50

• Palestra: Acidentes de Trabalho - Antes e Depois • Palestrante: Prof. Nilson Gonçalves - Solução Consultoria e Treinamento

11h50 - 12h30

• Palestra: Sistema Informatizado para Gestão da Entrega de Equipamentos para Proteção Individual • Palestrante: Rodrigo Moreira - RIP Serviços Industriais

12h30 - 14h00

Almoço

14h00 - 14h40

• Palestra: Desconstruindo o Estresse: como torná-lo seu aliado? • Palestrante: Dr. Hebert Cabral - SME Consultoria

14h40 - 15h20

• Case ArcelorMittal: Guia Visual para Análise de Risco • Palestrante: Diego Lunardi e Edward Koehler

15h20 - 16h00

• Palestra: Uso da Andragogia no Desenvolvimento da Cultura de Segurança • Palestrante: Anna Silvia Vassem BW Consultoria

16h00 – 16h20

Intervalo

16h20 - 18h00

Palestra: O Impacto da Saúde e da Segurança no resultado das Organizações

(16h20 - 16h40)

Palestrante 1: Mário Roberto Vitali - Empresário - Engeste Engenharia

(16h40 - 17h00)

Palestrante 2: Dr. Stephan Eduard Schneebeli - SGBMP Advogados

(17h00 - 17h20)

Palestrante 3: Dr. Valério Heringer - Ministério Público do Trabalho - ES

(17h20 - 18h00)

Mesa-redonda: perguntas e respostas

30/11 a 04/12

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Espaço Sesi

REVISTA SINDIFER - ES

ENTREGA DO PRÊMIO ESCOLA SEGURA Data: 2 de dezembro Horário: 14h RODADA DE NEGÓCIOS Data: 2 de dezembro Horário: 14h às 18h Local: Hotel Sheraton Vitória ESPAÇO SESI AÇÕES QUE SERÃO REALIZADAS NOS TERMINAIS URBANOS • Aferição de pressão e diagnóstico resumido de estilo de vida saudável; • M  assoterapia. Data: 29 de novembro Horário: 13h às 19h Local: Terminal de Laranjeiras – Serra Data: 30 de novembro Horário: 13h às 19h Local: Terminal de Campo Grande – Cariacica Data: 1º de dezembro Horário: 13h às 19h Local: Terminal de Itaparica - Vila Velha AÇÕES SHOPPING MESTRE ÁLVARO • Aferição de pressão e diagnóstico resumido de estilo de vida saudável; • Massoterapia; • Unidade Móvel de Audiometria e Dual de Saúde Ocupacional e Odontológica; • Apresentações do Teatro do Sesi; • Simulação com o equipamento convencedor. Atendimentos área de saúde – Hall do Finger Entrada principal do Shopping Data: 2 a 4 de dezembro Horários: 15h às 21h Teatro do Sesi – Praça de Alimentação do Shopping Data: 30 de novembro Horários: 1ª apresentação às 19h / 2ª apresentação às 20h. Data: 1º de dezembro Horários: 1ª apresentação 12h / 2ª apresentação 18h30. Data: 2 de dezembro Horários: 1ª apresentação 19h30 / 2ª apresentação 20h30. PREVENIR NO PARQUE Data: 3 de dezembro Local: Parque Botânico da Vale ENCERRAMENTO Data: 4 de dezembro Horário: 9h às 12h Local: Praia de Camburi


juntamente com a Secretaria de Estado da Educação (Sedu), a premiação desperta nos estudantes e colaboradores a noção da importância da prevenção de acidentes nas escolas, em casa, no lazer e no trabalho. Serão realizadas visitas às escolas para a aplicação de um checklist de autogestão. Serão avaliados pontos estratégicos para a criação de uma nova cultura de prevenção de acidentes, como liderança, práticas pedagógicas, estrutura física e valorização da proteção coletiva e individual. O Prêmio Escola Segura será entregue no Palácio Anchieta. Estará disponível durante os dias de evento o Espaço Sesi, que oferecerá à população atendimentos gratuitos, a serem realizados por uma equipe multidisciplinar. Poderão ser feitos testes de audiometria e de glicose, aferição de pressão, aplicação de flúor nos dentes das crianças e diagnóstico de estilo de vida saudável. As ações acontecerão nos terminais urbanos de Laranjeiras (Serra), Campo Grande (Cariacica) e Itaparica (Vila Velha), entre 30 de novembro e 1º de dezembro; e no Shopping Mestre Álvaro, na Serra, entre 30 de novembro e 4 de dezembro. Nesta última data, inclusive, acontecerá um grande evento na Praia de Camburi, com serviços disponibilizados por Corpo de Bombeiros, Sesi, Senai e empresas parceiras. EVENTO MAIOR E MELHOR Para o presidente do Sindifer, Lúcio Dalla Bernardina, a edição deste ano deverá ser um marco na cultura da prevenção de acidentes. “O modelo é itinerante. Com o local mudando sempre, a ideia é de que públicos diversos sejam atendidos. Queremos envolver toda a população e conscientizar os capixabas sobre a importância da saúde e da segurança não só no trabalho, mas também no dia a dia. Nós contamos com o apoio de várias empresas de grande porte e de entidades importantes. As expectativas são as melhores possíveis”, disse. Segundo Bernardina, a feira era estática e mais restrita, e agora deve ser mais direta e abrangente. “Quem mais participava era quem trabalhava no meio, com interesses comerciais, e agora não. Abriremos mais o leque, daremos uma amplitude maior. A meta é diminuir o número de acidentes do trabalho. Teremos um seminário que será voltado para quem lida com

“Sabemos que a inclusão da cultura da prevenção nem sempre é rápida e que é preciso persistência e habilidade para ter sucesso nesse trabalho, mas a gratificação vem a partir das vidas que são preservadas”

Jarbas Pires, diretor da Dupla Produções

“O Passaporte Industrial proporcionará ao trabalhador recrutado o acesso direto ao local de trabalho, uma vez que sejam concluídos os exames médicos de rotina, sem a repetição de treinamentos especificados pelas NRs. Isso reduz o tempo de espera de recrutamento, qualificação e ambientação para a indústria” Haroldo Massa, presidente do Consurt

saúde e segurança. Temos que disseminar esses conceitos e práticas para toda a empresa, do chão de fábrica até a parte administrativa. E o gestor tem um papel fundamental na disseminação dessa cultura de segurança e prevenção de acidentes. É uma preocupação constante nas empresas que utilizam mão de obra terceirizada mostrar a importância desse assunto e envolver os terceirizados. Estamos muito felizes por também estarmos contando com a participação de outros sindicatos, como Sinduscon e Sindirochas, que representam segmentos que registram números consideráveis de acidentes e que, por isso, têm interesse especial em reduzir o problema”, destacou. Para Daives Alvarenga, diretor do Sindifer, a Semana Prevenir chega para difundir a cultura da Saúde e Segurança no Trabalho. “Queremos que o tema seja discutido não só nas indústrias, mas na sociedade como um todo: dentro de casa, nas escolas e em outros lugares. A cada ano o evento ganha ainda mais importância. O que começou como um seminário de um dia, hoje ganhou corpo e já é um evento de grande porte e que mobiliza muitos parceiros”, frisou. Para o diretor da Dupla Produções, Jarbas Pires, as ideias e contribuições, além dos esforços da organização e do Comitê Técnico, servirão para tornar o evento algo com um propósito maior. “Sabemos da importância que o tema da prevenção em saúde e segurança tem e da forma como ele pode impactar a vida das pessoas. Diferentemente do formato feira, no qual o público vai até o evento, na maioria das ações da Semana Prevenir nós é que iremos até o público. E isso faz parte do conceito de naturalização da prevenção, que significa tornar o assunto o mais acessível e rotineiro possível. Como exemplos disso, teremos os atendimentos que o Sesi fará gratuitamente à população.” De acordo com Pires, independentemente do formato do evento, o foco é a valorização da vida. “Sabemos que a inclusão da cultura da prevenção nem sempre é rápida e que é preciso persistência e habilidade para ter sucesso nesse trabalho, mas a gratificação vem a partir das vidas que são preservadas. Os hábitos – ou a falta deles – que temos em casa se refletem no trabalho, e vice-versa. Por isso, o propósito da Semana Prevenir é justamente trabalhar a conscientização da sociedade como um todo, realizando uma série de ações que impactem não só gestores e colaboradores, mas também suas famílias.” A seu ver, a educação preventiva é a chave para que haja profissionais mais responsáveis e cidadãos mais conscientes nas futuras gerações.

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Artigo

Getulio Apolinário Ferreira é engenheiro mecânico, consultor empresarial e superintendente da Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (Fest), entidade de apoio à Ufes

Como medir resultados na gestão?

O

s novos tempos têm exigido dos líderes empresariais uma postura diferenciada em razão dos perigos que rondam as organizações, colocando em risco sua sobrevivência e tendo já comprometido, em grande maioria, os planos de crescimento no mercado. A qualidade da gestão nesse ambiente é fator estratégico. DESAFIOS DO MUNDO NOVO Ram Charan, consultor e autor do livro “Execução”, diz: “Os trabalhadores de hoje são diferentes dos metalúrgicos e operários que dominavam a economia quando a maioria das técnicas de administração foi desenvolvida. Agora os profissionais são mais especializados e possuem mais habilidades e, consequentemente, mais opções. Eles não toleram a força bruta. Não dá para gerenciá-los por meio da coação. Eles precisam de informações. De persuasão. E precisam ser ouvidos por seus líderes”. Charan nos leva à reflexão e ao aprofundamento sobre métodos de gestão. A palavra “método” vem do grego, “meta” (direção) e “hodos” (caminho). Gestão sem método é a chefia do acaso, da urgência e das pressões da rotina, sem tempo para pensar em melhorias, estratégias e planos futuros; enfim, resume-se no “tocar a obra”, e que Deus nos ajude no resultado! METAS E OBJETIVOS Sobre metas, uma citação de Robert Turner, pai de Ted Turner, magnata da mídia americana: “Filho, trate de estabelecer para si metas tão elevadas que você não possa alcançá-las em uma só vida... Cometi o erro de estabelecer para mim metas baixas demais e agora estou tendo dificuldade em inventar novas.” Outro ponto importante das definições simples e objetivas é o entendimento de que o alcance da meta ou do objetivo da gestão em que se pretende obter os melhores resultados de produtividade, por exemplo, não será viável

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REVISTA SINDIFER - ES

sem que se façam medições e controles. Daí vem a máxima de que “não havendo controle, não há gestão”. Medir resultados... esse é o ponto central da nossa conversa. AONDE QUEREMOS CHEGAR – CAUSA E EFEITO No diagrama Ishikawa (Causa e Efeito) a seguir, apresentamos a análise de caso real na empresa Tecnoclean, com foco em soluções de higiene e limpeza, atuando nos segmentos metalmecânico, comercial e de saúde, entre outros. O quadro foi aplicado na visão estratégica e de gestão de resultados da empresa a partir de 2010 até os dias atuais. O método é também parte integrante do SGQ ISO 9001:2015. O objetivo da análise dos fatores de causas é sistematizar um plano de ação com base nas variáveis que compõem os 8Ms. A abordagem mostra que a questão da produtividade e da lucratividade empresarial é o efeito esperado a partir do gerenciamento das causas.

Como medir os resultados na gestão? Essa é a grande pergunta! A visão sistêmica do diagrama de Ishikawa


nos sugere que para o efeito esperado, com sua meta estabelecida, será necessário determinar os indicadores dos itens de causas em MÃO DE OBRA (capacitação do pessoal, segurança, saúde, absenteísmo...), MÉTODO DE TRABALHO (procedimentos, padrões, projetos...), MEDIÇÃO (gestão à vista, frequência de controle, análise de variabilidades, controle in process...), MEIO AMBIENTE (indicadores de sustentabilidade...), MÁQUINAS, equipamentos e instalações (índice de falhas, paradas, custos operacionais...), MRP (prazo de entrega, efetividade dos planos e projetos...), MATÉRIAPRIMA (qualidade no fornecimento, estoques, perdas ou desperdícios...) e MARKETING (investimentos em inovação, captação das necessidades dos clientes, reclamações...). A prática nos revela que, tendo o conjunto de causas sob controle, os efeitos desejados serão plenamente factíveis e, neste caso, a produtividade se converte em lucratividade e esta, por sua vez, em competitividade. A GESTÃO PELO PDCA-I (PLAN, DO, CHECK, ACTION E INOVAÇÃO) O sistema de controle (medição) é complementado na prática do ciclo PDCA-I, como veremos a seguir. O PDCA original, Shewhart/Deming, não possui o “I” de inovação. Acrescentamos a inovação no método para dar maior destaque ao Kaizen no puro estilo japonês da melhoria contínua. Inovar é uma obsessão dentro de empresas que buscam um padrão mundial de excelência, e esse

comportamento é facilmente percebido na Toyota, no livro “Toyota, a Fórmula da Inovação” (Campus, Matthew E. May, Conselheiro da University of Toyota). Para sustentar a obsessão pela melhoria contínua como ferramenta da inovação, a adoção do PDCA-I, como mostrado na figura, é uma atitude correta e fundamental para a obtenção dos resultados pretendidos. A cultura do controle ou da medição das variáveis fundamentais de processo precisa ter como origem os requisitos dos clientes (mercado). A partir dessas definições é que todo o conjunto de especificações vai se estabelecendo para cumprir as fases preparatórias ao processo do desenvolvimento ou execução. Antes mesmo da medição ou controle das variáveis por determinados períodos, é importante que em processos aplicáveis seja implantado o controle in process, típico do uso de ferramentas como o Controle Estatístico de Processo (CEP). O Método PDCA, trabalhando as metas estabelecidas e o seu gerenciamento, possibilita o controle eficaz e consequentemente a correção de falhas, ou até mesmo a possibilidade de evitar que elas ocorram, por meio de um sistema de gestão à vista ou mesmo mediante o controle informatizado das variáveis fundamentais, tipo Cockpit Management. Na prática, quando observamos o comportamento das nossas empresas, encontramos muitas falhas e dificuldades no modo de gestão dos indicadores, e essa situação do “não controle” provoca o que denominamos de “voo cego” da empresa, sem contar com a incapacidade de se estabelecer cenários futuros dentro de um planejamento de médio e longo prazos (diretrizes estratégicas). ESTRATÉGIA E O BALANCED SCORECARD Sob o ponto de vista da estratégia da empresa, não podemos deixar de citar o Balanced Scorecard (BSC) como base para indicadores de performance desde o início dos processos focados no mercado (Balanced Scorecard – BSC, desenvolvido em 1992, por Robert Kaplan e David Norton). Fundamentado em quatro categorias básicas – finanças, clientes, processos internos e aprendizagem/crescimento empresarial, o BSC pode ser entendido como um método de administração baseado no equilíbrio organizacional, pois ele garante que a empresa tenha níveis de comprometimento e consequentemente estratégias e ações “equilibradas” em todas as áreas que afetam o seu negócio como um todo. E a inovação, como fica? “Nenhum problema consegue resistir à investida do pensamento constante”, dizia Voltaire. O que nos move em direção aos bons resultados da empresa é a gestão baseada em fatos e dados que, devidamente controlados e gerenciados, irão garantir a probabilidade de sucesso. A medição da rotina nos traz equilíbrio e estabilidade, a inovação nos traz o diferencial e aumento de competitividade, a partir da análise interna do nosso próprio desempenho e também de benchmarks externos, ou seja, do desempenho dos melhores competidores, a exemplo do que o Japão fez no pós-guerra, copiando e melhorando processos e produtos de forma contínua e permanente – o Kaizen. Concluindo, fica o desafio em duas grandes ações: a) não há como gerenciar sem medir; b) rotina controlada não garante competitividade; é preciso melhorar, inovar!

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Registro

Lúcio Dalla Bernardina é o novo presidente do Sindifer

O

empresário Lúcio Dalla Bernardina ocupa a presidência do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer-ES) desde o dia 22 de agosto. Presidente da Metalosa, o colatinense Bernardina comandará o Sindicato até 2019. Na cerimônia de posse, que aconteceu no auditório do Sindifer, em Vitória, o novo presidente antecipou que pretende instituir o Conselho de Ex-Presidentes da entidade. “Vamos nos apoiar na experiência bem-sucedida dos nossos antecessores, como Cezar Daher Carneiro, João Marcos Del Puppo, Luiz Alberto de Souza Carvalho e Manoel Pimenta”, destacou ele. A ocasião solene ganhou um significado ainda mais especial para Bernardina e também para o presidente da Findes, Marcos Guerra, presente ao evento. “Nesta mesma data é celebrado o aniversário de emancipação de Colatina e, como colatinenses, estamos ainda mais felizes. O presidente Marcos Guerra vem trabalhando para a interiorização do desenvolvimento da indústria e, no Sindifer, pretendo atuar para o crescimento do setor, no meu município e em todo o Espírito Santo.” Lúcio Dalla Bernardina, que sucede Manoel Pimenta na condução do Sindicato, lembrou que é necessário olhar para as pequenas empresas do setor. “Vamos trabalhar na capacitação das pequenas e médias empresas. Queremos empresas cada vez mais fortes em sua gestão, nos seus departamentos de recursos humanos, no controle dos processos e na parte jurídica e trabalhista. Nós temos 650 associados, dos quais 70% são pequenas empresas, que geram muitos empregos e renda no nosso Estado. Então, precisamos olhar para elas com atenção, dando o suporte necessário para que possam se desenvolver e, assim, ampliar ainda mais o nosso setor”, disse. Para o novo presidente, o momento é de muito trabalho, e a união do setor é o que fará a diferença em tempos de crise econômica. “O momento do país é preocupante, e a indústria sentiu o impacto. Para retomar o crescimento, precisamos fomentar o debate de projetos

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Empresário colatinense dirigirá o Sindifer até 2019


Nova diretoria do Sindifer tomou posse em cerimônia realizada no dia 22 de agosto

estruturantes para o Espírito Santo. Um desses projetos é a Estrada de Ferro Rio-Vitória (EF-118), que faz parte do Programa de Infraestrutura e Logística e terá um impacto enorme na economia do Espírito Santo. Outro projeto importante é o Porto Central, em Presidente Kennedy, que movimentará todo o sul do nosso Estado. Podemos ainda citar as obras de implantação do Contorno do Mestre Álvaro, que reduzirão o percurso entre Serra e Cariacica, e as esperadas obras do Aeroporto de Vitória, que representam grandes oportunidades”, disse.

DIÁLOGO SERÁ A MARCA DA NOVA GESTÃO Segundo Bernardina, a sua gestão à frente do Sindifer será marcada pelo diálogo com entidades e órgãos, visando a aumentar a pressão para que questões consideradas fundamentais para a indústria sejam estudadas e aprovadas. “O meu objetivo é tentar fazer a interlocução com os meios políticos, via Sistema Findes e Confederação Nacional da Indústria (CNI), de forma a acelerar as matérias importantes para o desenvolvimento do país. Temos questões como a reforma trabalhista, o teto dos gastos públicos, que afetam a todos. Mas cito de forma especial a Norma Regulamentadora 12 (NR12), que trata de segurança no trabalho em máquinas e equipamentos. Queremos uma redação diferente para essa norma, para que ela seja aplicável de fato para as empresas. Precisamos mudá-la”, disse. Outro assunto que está na mira do novo presidente são o Controle da Produção e do Estoque (Bloco K) e campanha como isso afeta as empresas do setor metalmecânico. O Bloco K é uma obrigação eletrônica pela qual as indústrias precisarão entregar ao Fisco todas as fichas técnicas e formulações de produtos. “Nas pequenas empresas, isso terá um grande impacto, já que muitas têm que começar do zero, estruturando um conjunto de dados de que até então não precisavam. Isso tudo para atender a uma necessidade do Fisco. É uma medida que irá onerar demais e, no fundo, não traz benefícios práticos. Queremos o debate do Bloco K e vamos trabalhar nesse sentido. O Sindicato tem muitas lutas, então é hora de arregaçar as mangas. A retomada só virá com ações, planejamento e, claro, muito trabalho”, finalizou Bernardina.

MAR/ABRIL • 01

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Indústria Economia Por Weber Caldas

Nada de esperar a solução cair do céu

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A

pior estiagem registrada em 80 anos no Espírito Santo obrigou os municípios da Grande Vitória a enfrentarem, pela primeira vez na história, um racionamento de água, algo que só havia se tornado comum no norte do Estado. Nem as chuvas registradas no início de outubro foram capazes de pôr fim aos efeitos da crise hídrica, que afeta não só os moradores, mas também o comércio, a agropecuária, os serviços e as empresas na região metropolitana. Um sinal de que a solução não cairá do céu e dependerá também da adoção de novos hábitos por parte da população e de medidas sustentáveis pelos setores da cadeia produtiva. “O racionamento é um aprendizado que a comunidade como um todo está tendo a oportunidade de experimentar. Não há recursos suficientes para ficar lavando calçadas e fachadas. É preciso fazer um uso mais racional da água”, orienta o diretor de Engenharia e Meio Ambiente da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), Amadeu Wetler. “Os consumidores, inclusive as indústrias, têm de caminhar para fazer reúso de água. Ou mesmo construir reservatórios para aproveitar a água de chuva.” Desde 2014, o Espírito Santo vem sofrendo os efeitos de uma estiagem que se agrava a cada mês. Para se ter uma ideia da situação, o volume de chuvas registrado entre janeiro e julho de 2016 foi 50% menor do que o esperado para o período, em comparação com os anos anteriores à estiagem. Como consequência, as vazões dos principais rios capixabas se reduziram. Alguns deles secaram completamente. Em 20 municípios, a maioria nas regiões norte e noroeste do Espírito Santo, a situação é considerada extremamente crítica, não havendo água suficiente sequer para o consumo humano e animal. Também há racionamento de água em outros 17 municípios. Diante desse quadro, em agosto a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) prorrogou por mais 90 dias o estado de alerta no Espírito Santo. Em setembro, relatórios diários da Agerh apontaram que a vazão dos dois principais rios que abastecem a Grande Vitória - Santa Maria da Vitória e Jucu - estavam abaixo do limite considerado crítico. Essa situação levou a Cesan a elaborar um plano de contingência para o racionamento no fornecimento de água para a Grande Vitória.

Seca se agrava, leva a Grande Vitória a um inédito racionamento e obriga moradores e empresas a usar a água de forma mais sustentável

A BAIXAVAZÃO DOS RIOS JUCU E SANTA MARIA DAVITÓRIA RIO JUCU Média mensal de longa duração: 18.689 litros por segundo Situação considerada crítica: 5.292 litros por segundo RIO SANTA MARIA DA VITÓRIA Média mensal de longa duração: 8.972 litros por segundo Situação considerada crítica: 3.800 litros por segundo

14.000 12.000 10.000 8.000 6.000 4.000 2.000 0 16/9

19/9

26/9

28/9

03/10

06/10

17/10

Fonte: Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh)

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Indústria “A Grande Vitória é abastecida por dois rios que, historicamente, sempre tiveram vazão muito acima da necessária para a captação. No Rio Jucu, a vazão média chegava a ser cinco vezes maior do que a necessária para suprir a região por ele abastecida”, destaca Amadeu Wetler. “No início de setembro, a vazão dos rios ficou praticamente igual à necessidade de abastecimento. Em função disso, foi implementado um inédito racionamento na Grande Vitória”. Um total de 416 bairros, divididos em sete regiões dos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana e Fundão, ficou sem receber água por 24 horas, em sistema de rodízio, atingindo uma população de 1,7 milhão de habitantes, somando 566.807 unidades consumidoras, entre residências, comércio, serviços, indústria e setor público. “No caso das grandes indústrias, principalmente as conectadas ao Rio Santa Maria da Vitória, não seria possível paralisar totalmente as atividades em razão da falta de água, por questões de segurança. Assim, o sistema de racionamento foi diferente. Reduziu-se o fornecimento contínuo, de maneira que a soma da diminuição nos sete dias da semana equivalesse a 24 horas de abastecimento”, explica Amadeu Wetler. Essa é a situação enfrentada, por exemplo, pela ArcelorMittal Tubarão. Em razão da inviabilidade de um corte no fornecimento de água por 24 horas, a empresa enfrenta racionamento diário, desde janeiro de 2015. “Isso acontece porque temos equipamentos de grande porte que precisam de, no mínimo, 30 dias para serem desativados com segurança, o que poderia afetar postos de trabalho e arrecadação tributária. A empresa tem se empenhado para não trabalhar com esse cenário”, destaca a ArcelorMittal, por meio de sua assessoria de imprensa. A situação só não é mais grave porque a empresa já adota uma gestão sustentável dos recursos hídricos. Apenas 4,5% do total da água utilizada pela siderúrgica são captados do sistema de abastecimento público. O volume chega em estado bruto e é tratado dentro da própria usina, para uso humano, industrial e controles ambientais. Desse total, mais de 97% são recirculados internamente. A maior parte, 95,5%, da água utilizada pela siderúrgica vem do mar. Essa água realiza a refrigeração dos equipamentos,

“Se computarmos toda a água doce do mundo, dará um volume de 106 mil km3. Enquanto isso, há 10 milhões de km3 disponíveis em aquíferos no mundo todo” Claudio de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas

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É o número de barragens que serão construídas no Estado até 2018

1,65 BILHÃO

É a quantidade de litros de água economizados em um mês de racionamento na Grande Vitória Fontes: Governo do Estado e Cesan

sem entrar em contato com nenhum material e retorna ao mar, após passar por um canal onde sua temperatura é reduzida. “Todos nós temos que usar a água com ainda mais eficiência e responsabilidade. Afinal, essa crise hídrica não é do governo, da empresa ou de um lugar específico, é de todos nós”, observa a ArcelorMittal em nota publicada no seu site. “Quanto mais pessoas estiverem unidas com um mesmo objetivo, mais fácil será encontrar soluções para amenizar esta crise.” DENTRO DA META Em balanço divulgado pela Cesan, em um mês de racionamento, iniciado em 22 de setembro, foram economizados 1,65 bilhão de litros de água. Esse volume seria suficiente para abastecer 90 mil residências durante um mês ou o município da Serra por 38 dias. Além disso, essa economia está dentro da meta da companhia, que varia de 15% a 20% de redução no consumo. “Foi alcançada uma redução relevante no consumo. Esse valor inclui não só a restrição relativa ao não fornecimento da água, mas também a economia por parte das famílias, com adoção de novas práticas”, observa o diretor da Cesan. Com as chuvas do início de outubro, a vazão do Rio Jucu aumentou, saindo do limite crítico. Assim, o racionamento foi suspenso em Vila Velha e Viana, na região da Ilha de Vitória e em parte de Cariacica. “Mas a situação ainda é de alerta. Como o Jucu não tem um reservatório de água para garantir um abastecimento até o período normal das chuvas, ainda há risco de voltar o racionamento nas regiões atendidas por esse rio”, deixa claro Amadeu Wetler. Para controlar a disputa pela água em tempos de escassez, a Agerh recomendou que as prefeituras capixabas imponham sanções e até multas para o desperdício de recursos hídricos. Entre as atitudes proibidas estão o uso de mangueiras para a limpeza de calçadas, pisos, muros, fachadas, vidraças e veículos e também a irrigação de jardins. Essas práticas só são permitidas com a utilização de água de reúso. “Quanto mais crítica a situação, maior é o conflito pelo uso da água. Na Bacia do Doce, os rios Santa Maria da Vitória e Santa Joana praticamente não têm mais água. Por isso, é importante haver controle e regulação”, destaca o presidente da


Agerh, Paulo Paim. “É preciso se engajar na questão do reúso. O Espírito Santo pode sair na frente nisso.” Compostos por representantes do poder público, da sociedade civil organizada e das empresas ou atividades econômicas que usam a água do rio em seus processos, os Comitês de Bacias Hidrográficas foram criados para ajudar a gerir o consumo e os conflitos pelo uso da água. Atualmente, o Espírito Santo possui 13 comitês de bacias: Itapemirim, Rio Novo, Benevente, Jucu, Santa Maria da Vitória, Santa Maria do Doce, Litoral Centro-Norte, Santa Joana, Guandu, Barra Seca e Foz do Rio Doce, Pontões e Lagoa do Rio Doce, São Mateus e Itaúnas. A eles cabe fazer cumprir o Plano de Recursos Hídricos e Enquadramento, que estabelece metas a serem alcançadas ao longo do tempo. Graças a esse plano, é possível conhecer a situação atual de cada rio, cabendo à sociedade, por meio dos comitês de bacias, dizer como e para o que quer utilizar cada trecho de manancial, daqui a 20 anos: lazer, pesca, utilização para abastecimento humano ou de indústrias, diluição de efluentes, entre outros. Além desses instrumentos de gestão, o Governo do Estado já traçou uma série de ações para reduzir os efeitos da longa estiagem. Entre as medidas do Plano Estadual de Recursos Hídricos estão a construção de cinco barragens de médio porte e 26 de pequeno porte; a conclusão da barragem de Pinheiros -Boa Esperança; o fim das obras do Sistema de Abastecimento de Água Reis Magos; a construção de uma represa no Rio Jucu; e a intensificação do programa Reflorestar, entre outras. A meta é construir 60 barragens no Estado, num investimento total de R$ 60 milhões, até 2018. A maior delas estará situada no Rio Itauninhas, com capacidade para armazenar 17 bilhões de litros de água, o suficiente para abastecer uma população de 310 mil habitantes por ano ou para irrigar 5.000 hectares de café por meio de gotejamento. Essa obra foi iniciada em 2003, numa parceria entre a Prefeitura de Pinheiros e o Governo Federal. Mas sofreu diversas paralisações. Até que o poder estadual decidiu assumir a construção, que terá um investimento final de R$ 4,9 milhões. ÁGUAS SUBTERRÂNEAS Outra medida será a perfuração de poços de profundidade. Uma solução que promete dar bons resultados, na opinião do presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas), Claudio Pereira de Oliveira. “A utilização de água subterrânea sempre será uma boa alternativa, porque os mananciais subterrâneos são resistentes

“Quanto mais crítica a situação, maior é o conflito pelo uso da água. Por isso, é importante haver controle e regulação”

Paulo Paim, presidente da Agerh

“O racionamento é um aprendizado que a comunidade como um todo está tendo a oportunidade de experimentar. É preciso fazer um uso mais racional da água” Amadeu Wetler, diretor de Engenharia e Meio Ambiente da Cesan

aos períodos de estiagem”, garante Claudio. “Diferentemente dos lençóis freáticos, os aquíferos não diminuem de tamanho mesmo durante uma longa fase sem chuvas.” De acordo com o presidente da Abas, o que se percebe, na superfície, é apenas 1% do que existe de água no planeta. “Se computarmos toda a água doce do mundo, dará um volume de 106 mil km³. Enquanto isso, há 10 milhões de km³ disponíveis em aquíferos no mundo todo”, afirma Claudio Oliveira. “Os mananciais de água subterrânea não devem ser comparados a reservatórios de petróleo, que são bombeados por um tempo até esgotar. Nos aquíferos, a água se renova.” Apesar de o Espírito Santo ser composto, em 75% de seu território, por terrenos cristalinos ou rochosos, Claudio assegura que é possível perfurar poços na área restante, principalmente no litoral norte e na região noroeste. “Nessas regiões, os terrenos são sedimentares, e a água ocorre na porosidade da rocha, como uma esponja. Atualmente, o Espírito Santo não aproveita nem 10% do potencial de seus aquíferos”, aponta. Esse potencial, na visão do presidente da Abas, deveria ser aproveitado de forma estratégica pelas empresas capixabas, como já ocorre em outros estados. “Muitas só instalam a sua fábrica depois de saber se naquela região há água subterrânea à vontade. Não há nada mais estratégico do que uma fonte hídrica para manter a autonomia da indústria”, destaca Claudio Oliveira. “Nada funciona sem água. O investimento em poços é algo que se paga.” Do fim de outubro até março sempre foi o período mais chuvoso no Sudeste brasileiro. Em razão disso, a expectativa agora é de que, enfim, haja um alívio na seca que o Estado vem enfrentando. “Esse, normalmente, é o período em que mais chove e que mais acumula água no solo, de forma suficiente para que a vazão dos rios se mantenha no resto do ano, de abril a meados de outubro. O problema é que, há três anos consecutivos, isso não vem acontecendo”, afirma Amadeu Wetler, da Cesan. “Mesmo assim, a expectativa é que, a partir de agora, as chuvas ocorram de forma mais frequente. Não se trata de grande volume, mas sim de chover mais vezes durante o mês. Isso já seria importante para recuperar os nossos rios.” Os dados da matéria foram apurados até o final do mês de outubro, quando esta edição foi finalizada.

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Registro

Outubro de arte e saúde em ações da ArcelorMittal Cariacica

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ma iniciativa da ArcelorMittal Cariacica que tem beneficiado muitos alunos da rede de ensino do município, o Programa Ver e Viver teve mais uma etapa encerrada no dia 7 de outubro. Aproximadamente 400 estudantes foram diagnosticados com dificuldades visuais durante as triagens do projeto, que disponibiliza consulta com oftalmologista. Em novembro acontecerá a doação de óculos para alunos das escolas Joana Maria da Silva, no bairro Castelo Branco, e Renascer, em Padre Gabriel. Com uma década de bons resultados, o Programa Ver e Viver já melhorou a qualidade de vida de 17 mil estudantes de escolas públicas de Cariacica com a identificação de problemas visuais. Nesse período, mais de 1,3 mil óculos de grau já foram entregues, de forma gratuita. Ainda na área da saúde, a siderúrgica mostra estar atenta à preocupação das funcionárias que voltam ao trabalho após a licença-maternidade e que ainda estão amamentando. A empresa possui uma Sala de Apoio a lactantes, com profissionais que oferecem orientações sobre a saúde do bebê e cuidados com a mama. A estutura também pode ser utilizada por esposas de empregados que frequentam o Centro de Promoção da Saúde. O espaço exclusivo para a retirada e o armazenamento do leite materno foi oficializado com a Secretaria de Estado da Saúde. Mas a ArcelorMittal Cariacica também acredita na importância da arte na vida das pessoas. Com foco na formação de público e na divulgação das atividades artísticas nos bairros vizinhos, a empresa deu início, em outubro,

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Programa Ver e Viver beneficia alunos da rede municipal de Cariacica

ao projeto “Artes Cênicas Mês a Mês”. Jardim América foi o primeiro bairro a receber uma ação do projeto, com a comédia musical “O Mistério da Bomba H”, apresentada pelo Grupo Oriundo de Teatro. Outras ações foram feitas nos dias 16 e 23 de outubro, respectivamente, nos bairros Vale Esperança e Vasco da Gama. Até o dia 4 de dezembro, são esperados nove espetáculos, sempre gratuitos, durante os finais de semana. O projeto continua por meio da Lei Rouanet e conta com o apoio da Fundação ArcelorMittal e da Prefeitura Municipal de Cariacica. De acordo com a analista de Comunicação da empresa, Paloma Moreno, antes de levar a iniciativa para os bairros próximos, a indústria realizou um diagnóstico local para conhecimento das demandas culturais do município. “O projeto envolve apresentações gratuitas de teatro em espaços públicos e que facilitem o acesso de todos. Também tem como objetivos a formação de público e o aprimoramento de nossas relações com as comunidades à nossa volta”, falou ela. Já o Circuito do Conhecimento, também concretizado no entorno da usina, oferece jogos interativos, oficinas, dicas de saúde e orientação ambiental, além do debate sobre boas práticas e mudanças de hábitos, atitudes voltadas para a preservação do meio ambiente e uso sustentável dos recursos naturais. O projeto apresenta ainda como funcionam a gestão e o controle ambiental da ArcelorMittal Cariacica e oferece serviços de aferição de pressão, cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) e exame da glicose.


Perfil

Moisés Pêsso Uma história de sucesso no setor elétrico

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eterminação e muito trabalho. É assim que pode ser resumida a história de sucesso do empresário Moisés Pêsso, que há mais de 30 anos fundou a Engelmig, uma das maiores empreiteiras do país para serviços em redes, linhas e subestações de energia elétrica. A trajetória do empreendedor começou na cidade de Manhuaçu, em Minas Gerais, com o objetivo de atender à construção de redes elétricas na região, além do comércio varejista de materiais elétricos. Desde então, com a expansão dos serviços prestados, a empresa atua hoje com contratos contínuos em oito estados. Enquanto ampliava seus serviços, a Engelmig continuou apostando no comércio. A firma elaborava os projetos elétricos para os prédios, executava o serviço e também fornecia os materiais, principalmente em edificações residenciais. Em seguida, passou a atender à área de eletrificação rural, o que acabou expandindo sua atuação para o Espírito Santo,

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em 1990, quando firmou contrato com a Escelsa para realizar a extensão de eletrificação rural em Iúna. Segundo Moisés Pêsso, o Espírito Santo tem uma participação fundamental na história de crescimento da Engelmig. “Na época, a gente ainda era muito pequeno, tínhamos apenas 60 funcionários. Foi a partir da chegada ao Espírito Santo que a empresa começou a alçar voos maiores. Nesse sentido, a parceria com a Escelsa funcionou como um benchmarking e impulsionou nosso crescimento para atender a outros estados”, conta. Com a expertise adquirida em solo capixaba, a empresa se expandiu e hoje já tem cerca de 4.000 funcionários, sendo 1.100 apenas no Espírito Santo. Nos últimos anos, mesmo em meio à crise financeira, a empresa tem conseguido crescer em torno de 20% ao ano, sustentada pela eficiência de sua administração. A capacitação contínua de seus colaboradores tem fornecido as condições ideais para as tomadas de decisões,


Perfil

“Na época, a gente ainda era muito pequeno, tínhamos apenas 60 funcionários. Foi a partir da chegada ao Espírito Santo que a empresa começou a alçar voos maiores. Nesse sentido, a parceria com a Escelsa funcionou como um benchmarking e impulsionou nosso crescimento”

além da aplicação de modernos sistemas de gestão, inclusive com certificação ISO 9001:2008, obtida em 2011 após a realização de um grande trabalho de aprimoramento, no escopo “Prestação de Serviços de Manutenção em Redes de Distribuição, Linhas de Transmissão e Subestações Energizadas e Desernegizadas até 230 KV”. O segredo do sucesso, segundo Pêsso, é o trabalho desenvolvido com base em alguns princípios fundamentais. “Segurança do trabalho, compromisso com o resultado, a força do trabalho e a simplicidade nos tratos. Este último significa fazer as coisas acontecerem de forma mais simples, dentro da gestão dos nossos projetos. Por fim, outro princípio que adotamos é a austeridade. O engajamento de nossos colaboradores nesses princípios é o que sustenta nosso crescimento”, revela. O trabalho realizado como empreendedor vem recebendo diversos reconhecimentos. No ano passado, por exemplo, a Engelmig recebeu o prêmio de melhor empresa do setor elétrico, concedido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Pêsso também foi escolhido duas vezes como empresário do ano pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Minas Gerais (Federaminas),

além de ter recebido a Medalha do Mérito Industrial em 2015, concedida pela Fiemg. Para o industrial, esses reconhecimentos são frutos também do trabalho realizado pela Engelmig na área de responsabilidade social, através de uma preocupação permanente da organização quanto à qualidade ética das relações da empresa com seus colaboradores, clientes e fornecedores, com o poder público e também com as comunidades em que está inserida. São desenvolvidos os programas Energia Educativa, Energia Quente e Energia Vital, que abrangem ações educativas nas escolas, recolhimento de agasalhos e doação de sangue, respectivamente. “Dentro da sociedade, a empresa tem um papel maior do que ser uma geradora de empregos. Ela tem o compromisso de contribuir para além das obrigações legais e contratuais junto aos órgãos competentes. Por isso, motivamos nossos colaboradores a participarem de nossas campanhas, gerando um senso de compromisso social em todo o nosso time de funcionários. O que a gente percebe é que esse incentivo acaba fazendo com que as pessoas se tornem mais participativas no ambiente social em que estão inseridas”, avalia Pêsso. Ter bom planejamento, metas definidas e saber aonde quer chegar são alguns dos atributos que o empresário entende serem fundamentais para um bom gestor de negócios. “É necessário ter um direcionamento para conseguir traçar metas e objetivos. Possuir uma equipe estruturada que comunga desses mesmos objetivos também é fundamental para que o trabalho seja feito com motivação, bem executado e dentro dos prazos definidos. Assim, o trabalho em equipe pode ser conduzido para o alcance de resultados. Liderar as pessoas no sentido de desenvolver suas habilidades também é outro fator que auxilia a superação dos obstáculos que surgem no dia a dia”, pontua. Quanto aos desafios que deve encarar em seu futuro à frente da Engelmig, Moisés Pêsso acredita que o maior deles será continuar “oxigenando” para conseguir acompanhar as evoluções do mercado, através de um serviço de excelência e oferecendo preços competitivos. A seu ver, o desafio é justamente manter o fortalecimento para atender às futuras demandas, sempre unindo as equipes. “O setor elétrico, principalmente o de transmissão, possui grande potencial de crescimento para os próximos anos. Por isso, continuamos motivados a investir e fazer a empresa crescer. A ampliação dos investimentos privados, através dos leilões planejados pelo Governo, e também a necessidade dos nossos clientes de contar com empresas cada vez mais organizadas para prestar serviços dentro dos mais altos padrões de qualidade criam estimativas das mais otimistas”, declara. Por fim, se você é um empreendedor, está começando agora seu negócio e também espera construir uma trajetória de sucesso, a orientação de Pêsso é nunca desanimar diante dos desafios. “O empreendedorismo é fundamental para impulsionar nossa sociedade ao futuro. Faça isso, planeje seu crescimento aliado ao dos profissionais que estiverem juntos em sua caminhada, que certamente será mais fácil enfrentar os percalços que vierem a existir”, conclui.

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Tendência Por Lui Machado

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De olho na fábrica do futuro Realidade cada vez mais próxima do setor produtivo mundial, o conceito de indústria 4.0 pede passagem para se tornar novo padrão de fábrica

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escritor russo Isaac Asimov foi um visionário. Em 1939, ele lançou uma coletânea de contos chamada “Eu, Robô”. O livro, que depois virou filme hollywoodiano tendo o ator Will Smith como protagonista, fala sobre um futuro no qual os robôs estariam tão sofisticados, modernos e independentes, que a presença humana nas fábricas, nas indústrias e até mesmo na tomada de decisões em várias situações sociais iria se tornar quase desnecessária. Bem, o presente ainda não envolve uma revolução das máquinas, nem a luta pelo controle mundial entre homens e robôs. Entretanto, já podemos dizer que estamos na 4ª Revolução Industrial, na qual as máquinas são mais inteligentes e ágeis e não precisam do homem para tomar determinadas decisões. Bem-vindos à indústria 4.0. O termo “indústria 4.0” foi utilizado pela primeira vez na Feira de Hannover, em 2011. Naquele ano, foi mostrado um projeto de automação muito mais célere e independente, em que os operadores das máquinas eram

substituídos por programadores e as decisões no chão de fábrica eram tomadas em milésimos de segundos, com interação automática entre setores da indústria. No ano seguinte, o grupo responsável pelo projeto apresentou ao governo alemão o novo conceito de fábrica, em um relatório contendo recomendações para melhoramento do parque industrial do país, já pensando na implantação de mudanças na produção. Esse novo conceito de fábrica tem sido debatido à exaustão desde 2013. Foi, por exemplo, o ponto central do Fórum Econômico Mundial deste ano, em Davos, na Suíça, quando se discutiu sobre o potencial, as limitações e o impacto social da indústria inteligente. Mas isso não era uma novidade para o país bávaro. Ainda em 2010, a Alemanha já incluía o modelo de indústria 4.0 no plano de ação High Tech Strategy 2020 – Action Plan, que estabelecia o país como fornecedor principal de soluções de ciência e tecnologia em diversas áreas de conhecimento. Com investimento de R$ 4 bilhões ao ano, o governo

OS SEIS PRINCÍPIOS DA INDÚSTRIA 4.0 1) Interoperabilidade: permitindo que todos os sensores e computadores espalhados pela fábrica ou pelo ambiente industrial possam se comunicar através das redes. 2) Virtualização: possibilitando que os dados obtidos nos computadores e nos sensores da fábrica sejam transmitidos aos modelos virtuais e em simulações. 3) D  escentralização dos controles dos processos produtivos: uma vez que os computadores embarcados em conjunto com a internet das coisas gerarão produtos com tomadas de decisões na manufatura e nos processos de produção em tempo real. 4) Adaptação da produção em tempo real: já que os dados serão analisados no instante em que são coletados, permitindo que a produção seja alterada ou transferida para outros setores e computadores em caso de falhas ou na produção de bens customizados. 5) O  rientação a serviços: dados e serviços serão disponibilizados em rede aberta, utilizando o conceito de internet of service – uso de arquiteturas de softwares direcionadas aos serviços – ainda mais robusto. Dessa forma, a customização de processos de produção e operação terá maior flexibilidade de adaptação, de acordo com as especificações dos clientes. 6) Sistemas modulares dos equipamentos e linhas de produção: tornarão as fábricas mais flexíveis e adaptáveis às alterações necessárias. Fonte: HERMANN, M; PENTEK, T; OTTO, B. Design Principles for Industrie 4.0 Scenarios

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Tendência alemão deve colher, nos próximos 10 anos, o aumento na produtividade da manufatura, podendo alcançar de €90 bilhões a €150 bilhões, dependendo do setor industrial. Também terá aumento de receita em €30 bilhões por ano, o equivalente a 1% do PIB do país, já que a customização gerará maior demanda tanto por parte dos consumidores finais (bens manufaturados) quanto de equipamentos especializados. Os dados são da consultoria The Boston Consulting Group, no estudo “Industry 4.0 - The Future of Productivity and Growth in Manufacturing Industries”, divulgado em abril de 2015. Além da Alemanha, berço da “4ª Revolução Industrial”, países como Japão e Estados Unidos já possuem programas de inovação específicos para conseguir implantar a modernização da indústria nesse sentido. A China, por exemplo, possui o Made in China 2025, que propõe a construção de centros de inovação em fabricação, projetos de fabricação inteligentes, projetos de fortalecimento da indústria de base, de fabricação verde e de inovações disruptivas em equipamentos. No Brasil também há exemplos de empresas que já adotam o sistema típico da quarta revolução industrial. A Ambev adotou em oito cervejarias um sistema de automação para melhorar o controle do processo de resfriamento da cerveja e reduzir as variações de temperatura, evitando o desperdício de energia. Já na Volkswagen Brasil, os projetos nascem a partir de um modelo digital e são simulados em ambiente 3D, o que acelera o processo, garante flexibilidade, otimiza o tempo de produção e ainda abre postos de trabalho altamente qualificados. O processo imita o que já acontece em fábricas automotivas da BMW, da Volkswagen e da MercedesBenz, na Alemanha. A também alemã Siemens Mobile tem igualmente investido forte digitalização dos processos de produção dos aparelhos celulares, por exemplo. Assim, a mais nova “revolução industrial” prevê um ambiente em que os mundos virtuais e físicos se fundem através da internet, em que tudo dentro e ao redor de uma planta operacional, dos fornecedores ao produto final, é conectado digitalmente, proporcionando uma cadeia de valor altamente integrada. A ideia é que, durante a próxima década,

“Não vejo possibilidade de aplicar isso na indústria da siderurgia. Não há como tornar isso realidade em um futuro não tão próximo, porque é algo muito complexo” Luiz Alberto Souza, presidente da Tecvix

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a quarta revolução industrial dará início a uma era de produção “descentralizada”. O uso de tecnologia de sensores, interconectividade e análise de dados permitirá a fusão dos mundos reais e virtuais na produção. “É um grande movimento tecnológico que vai unir várias tecnologias em apenas um único processo. É a junção do que temos hoje de mais tecnológico sendo utilizado a favor da indústria, como inteligência artificial, robótica automativa, nanotecnologia e impressão 3D, tudo isso podendo trabalhar em conjunto e praticamente ao mesmo tempo”, afirma Osvaldo Lahos Maia, gerente de Inovação e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de São Paulo. REALIDADE BRASILEIRA E o Brasil? está preparado para ter uma indústria 4.0? Essa é uma pergunta complexa. Mas primeiro é importante que o industrial brasileiro se lembre de que esse não é um “bicho” tão assustador assim. A indústria 4.0 é, na verdade, um conjunto de melhorias tecnológicas e uma continuidade da evolução do processo de automação já em curso há tempos. De qualquer forma, para o presidente da Tecvix, Luiz Alberto de Souza, ainda não. “Não vejo possibilidade de aplicar isso na indústria da siderurgia, por exemplo. Não há como tornar isso realidade em um futuro tão próximo, porque é algo muito complexo. Hoje, apenas empresas do porte da Fibria têm condições de fazer esse tipo de implantação”, analisa. Já Osvaldo Maia acredita que sim. “Estamos com nossa indústria na época do 3.0, mas temos alguns casos bem próximos de entrar de cabeça na implantação dessa empresa do futuro. Claro que existem no setor metalmecânico, por exemplo, organizações de todos os tipos e tamanhos. Mas temos no Brasil know-how para fazer”, diz. Entretanto, ele completa, o que não pode é haver uma empolgação desmedida do setor. Afinal, o conceito de indústria 4.0 ainda está sendo implantado no mundo inteiro. “Ainda não é algo que já conseguiram colocar em prática em grande escala. Estamos numa fase de testes. Existem casos de fábricas que já possuem 90% desse conceito implantado, até mesmo no Brasil. Mas ainda não é algo consagrado”, explica ele, que coloca os setores automobilístico e aeronáutico como os que devem investir mais nesse sistema de produção. O diagnóstico cauteloso de Maia vai ao encontro do que dizem os maiores pesquisadores de tecnologia industrial do mundo. Um exemplo é Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial (WEF), que em janeiro deste ano disse que “o mundo ainda não está suficientemente preparado para a quarta revolução industrial”. Segundo Schwab, esse processo “cairá sobre as indústrias como um tsunami e mudará sistemas inteiros”. João Alfredo, diretor de Tecnologia da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), aponta que na prática é só uma decisão de fazer ou não os investimentos necessários para entrar nessa nova era. Entretanto, é preciso estar pronto para tomar essa decisão. “Se não estiver com o seu processo bem desenhado quando for partir para uma automatização desse porte, há uma possibilidade muito grande de jogar dinheiro fora. Se a organização


não estiver com o nível de gestão e inovação em um patamar elevado de maturidade, vai fazer tudo errado”, avalia. Em razão disso, Alfredo tranquiliza os empresários: a seu ver, não é nenhum “bicho de sete cabeças”. Afinal, não se trata de nenhum tipo de tecnologia desconhecida ou não dominada. “Não está acontecendo algo tão revolucionário ou impossível. Já está em curso, mas aos poucos. Muitas empresas do segmento metalmecânico no Brasil já possuem impressoras 3D de metal”, exemplifica. Para o diretor, a carga tributária e os custos de importação inibem o investimento, e é necessário haver políticas públicas, principalmente em financiamento, que facilitem e motivem o empresário a inovar. “Não haverá uma nova indústria por enquanto”, diz Franco Machado. “Não é como se fosse desmontar a indústria que existe atualmente e tratar o hoje como obsoleto, até porque nem os alemães nem os japoneses têm essa capacidade ainda. Está tudo no campo da tentativa, das ideias”, completa. TRANSFORMAÇÕES Osvaldo Maia explica que a indústria do futuro terá algumas características bem específicas. Primeiro, a coleta e a análise de dados de forma instantânea, permitindo a tomada de decisões em tempo real, otimizando o tempo de produção e evitando falhas no processo final. Essa tomada de decisões, aliás, poderá ser feita através do espaço cyber-físico. Outra característica importante serão a autonomia das máquinas e a descentralização da tomada de decisões. Isso porque os robôs não receberão apenas comandos, mas também fornecerão informações sobre todo o ciclo de produção, fazendo com que as máquinas trabalhem de forma descentralizada com o objetivo de aprimorar os processos de produção, que também sofrerão mudanças no futuro, obedecendo à demanda. A produção passará a ter acoplamento e desacoplamento de módulos em seu processo, oferecendo flexibilidade para alterar as tarefas das máquinas facilmente. Dessa forma, as próprias máquinas poderiam ter a capacidade e autonomia de prever e corrigir falhas nos processos e até mesmo agendar suas próprias manutenções, tornando todo o processo de produção mais rápido, eficiente e seguro. Ainda há muitas perguntas pairando no ar sobre o futuro da indústria. Mas a maior certeza que se tem até agora sobre a indústria 4.0 é quanto à utilização maciça de softwares em todas as etapas do ciclo produtivo. Na opinião do diretor do Sindicato das Empresas de Informática do Espírito Santo (Sindinfo), Franco Machado, dois conceitos serão utilizados de forma central: a internet das coisas e o big data. A primeira consiste na conexão em rede de objetos físicos, ambientes, veículos e máquinas por meio de dispositivos eletrônicos embarcados que permitem a coleta e a troca de dados. Sistemas que funcionam à base da internet das coisas e são dotados de sensores e atuadores são denominados de sistemas cyber-físicos. A segunda são estruturas de dados muito extensas e complexas que utilizam novas abordagens para captura, análise e gerenciamento de informações. Aplicada, a tecnologia de big data consiste em seis “C” para lidar com informações relevantes: conexão (a rede industrial, sensores e controladores lógicos programáveis – CLPs); cloud (nuvem de

“Estamos com nossa indústria na época do 3.0, mas temos alguns casos bem próximos de entrar de cabeça na implantação dessa empresa do futuro. Claro que existem no setor metalmecânico, por exemplo, organizações de todos os tipos e tamanhos. Mas temos no Brasil know-how para fazer.” Osvaldo Lahos Maia, gerente de Inovação e Tecnologia do Senai de São Paulo

dados por demanda); cyber (modelo e memória); conteúdo; comunidade (compartilhamento das informações); e customização (personalização e valores). “Dentro da indústria já temos muita engenharia de automação, computação e de software. O que muda é a importância deste último campo de estudo, que será bem mais utilizado. O desenvolvimento e o conhecimento de software dentro das organizações passarão a ser fundamentais para o processo produtivo”, explica Machado. Especialista do setor de tecnologia e informação, ele diz que já é possível verificar uma busca maior por softwares que auxiliem a automação das indústrias e que essa procura já movimenta a economia, principalmente do setor de tecnologia. “Estamos desenvolvendo uma tecnologia de integração de equipamentos no chão de máquina financiada pela Cisco, que é uma das maiores empresas de TI do mundo. Já temos condições, aqui no Brasil, de produzir tecnologia para a indústria”, afirma. MÃO DE OBRA NO CHÃO DE FÁBRICA Outra mudança certa é quanto ao perfil dos trabalhadores do chão de fábrica, diz João Alfredo, da Abimaq. “O futuro reserva uma integração muito forte com TI, o que vai implicar um novo jeito de enxergar a fábrica. A internet das coisas vai assumir uma proporção muito grande.” Franco Machado acrescenta: “Serão necessárias outras ocupações. Surgirão profissionais na indústria como analistas de dados. É um cargo que já existe em algumas empresas, mas que terá um papel estratégico no futuro. Como serão muitas tecnologias, temos que nos preparar em termos de capital humano para lidar com isso”. Dessa forma, talvez a principal dificuldade para a implantação total da indústria 4.0 passe pela falta de mão de obra qualificada. Para Machado, a formação é fraca, principalmente nas disciplinas que envolvem matemática. “É provável que as empresas continuem durante muito tempo tendo que suprir esse papel, que deveria ser das faculdades”, conta. De uma forma ou de outra, antes de pensar no futuro, o industrial brasileiro deve primeiro pensar no presente. Resolver os gargalos atuais – como falta de mão de obra especializada e a limitação na capacidade de investimento e de inovação das indústrias nacionais – deve ser colocado como prioridade. A transformação para a empresa do futuro deve ser gradual, planejada e natural. Pensando no futuro, mas cuidando do presente.

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Registro Evento mobilizou centenas de pessoas durante um dia inteiro de palestras com especialistas em corrosão

Sindifer realiza 1º Seminário de Corrosão

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om a premissa de reunir e trocar experiências entre a comunidade técnica e científica de universidades, institutos de pesquisas, empresas e profissionais da área de corrosão, aconteceu no dia 26 de outubro o 1º Seminário de Corrosão. Realizado no Teatro do Sesi, em Jardim da Penha, em Vitória, o evento é um projeto desenvolvido pelo Sindifer e pelas empresas e entidades ArcelorMittal, Fibria, Petrobras, Senai, Akzo Nobel, Vale e WS Equipamentos. O seminário serviu para incentivar o intercâmbio de informações e divulgar conhecimentos recentemente adquiridos com os estudos da corrosão e suas mais variadas formas de controle e prevenção. Durante todo o dia, acadêmicos, especialistas, gerentes, consultores, pesquisadores, engenheiros e técnicos que têm o seu trabalho direta ou indiretamente impactado pela corrosão puderam debater o tema. O evento foi a oportunidade de tratar de assuntos como a especificação com revestimentos de alta resistência química e de proteção contra fogo na construção civil e em plantas da indústria de petróleo e gás; avaliação e qualificação da corrosão; evolução tecnológica dos equipamentos de preparo de superfície e pintura; e questões sobre o gerenciamento de ativos que têm impacto sobre a redução do ciclo de vida de equipamentos. Além de uma exposição de produtos e serviços voltados para o combate à corrosão no ambiente industrial, a programação do evento foi marcada por muitas palestras. A primeira tratou da “Aplicação de técnicas de engenharia

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de manutenção para atenuação do processo corrosivo no lingotamento contínuo” e foi ministrada por Wander Pacheco Vieira, da ArcelorMittal. Em seguida, foi a vez de “Tecnologia, métodos e processos de pintura”, com Wilian Saura, sócio-diretor da WS Equipamentos. Após do coffee break, foi a vez de Nilton Vieira Larcher, da ArcelorMittal, abordar “Engenharia de aplicação em situações de corrosão ambiental”; e Marcelo Strieder, da Vale, falar sobre “Galvanização e pintura no Complexo Portuário de Tubarão”. Depois do almoço, o público retornou para a palestra “Viabilidade técnica para substituição do isolamento térmico convencional pela tinta isolante (DTI)”, com Roberto Lúcio Britto Oliveira, da Vale. Na sequência, aconteceu a palestra “Revestimentos de alta resistência química e proteção passiva contra fogo”, com Daniele Silva, da Akzo Nobel. O dia terminou com “Avaliação da corrosão induzida por micro-organismos em juntas soldadas de aço API 5L X80 - qualificação e capacitação de mão de obra”, ministrada por André Alves Ferreira, do Senai; e uma apresentação da Petrobras. SINDICATO QUER MÃO DE OBRA CAPACITADA Segundo o diretor do Sindifer e da Conami Manutenção, Antônio Prando, foram apresentadas as diversas formas de corrosão encontradas nas plantas industriais e os melhores estudos, técnicas, aplicações e tecnologias para combater esse problema. “Trabalhamos para despertar no profissional da indústria e do setor de manutenção a


Seminário contou com uma grande exposição de produtos e serviços voltados para o tema

“Trabalhamos para despertar no profissional da indústria a vontade de conhecer as mais recentes alternativas para o combate e a prevenção da corrosão” Antônio Prando, diretor do Sindifer

Pioneiro, o seminário é um projeto desenvolvido pelo Sindifer e pelas empresas e entidades ArcelorMittal, Fibria, Petrobras, Senai, Akzo Nobel, Vale e WS Equipamentos

vontade de conhecer as mais recentes alternativas para o combate e a prevenção da corrosão. Esse problema causa um grande transtorno e gastos que podem ser evitados pelas empresas; então é preciso estar sempre atualizado a respeito do tema, para saber como agir e se prevenir”, explicou. De acordo com Prando, o interesse de empresas de vários portes mostra como o debate sobre a corrosão se faz necessário. “Reunimos pessoas que atuam na manutenção de pintura industrial, além de técnicos, gerentes e empresários de empresas contratadas e contratantes. A ideia é ter um fórum permanente de debate para as indústrias. Queremos que eventos assim resultem em bons frutos para as nossas empresas. Além do conheci-

mento, tem a capacitação, e tudo fica mais fácil quando trabalhamos com instituições como o Senai. Com esse apoio, o objetivo de termos mão de obra capacitada para oferecer às fornecedoras das grandes plantas do Estado pode ser alcançado”, analisou ele. A realização de mais um evento pioneiro mostra que o Sindifer segue trabalhando com afinco para o desenvolvimento do setor, com a criação de um ambiente propício e saudável para que empresas apresentarem suas tecnologias, divulguem seus grandes casos de sucesso, ganhem ainda mais visibilidade e recebam um importante suporte nas mais variadas questões que podem ter impacto sobre os negócios. Por meio do intercâmbio de conhecimentos, as empresas capixabas se fortalecem a cada ação do Sindicato.

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Registro

Ação da empresa distribuiu conjuntos de moletom e cobertores para crianças carentes

Imetame se torna parceira do programa Rede Responsável

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preocupação com a vida e o bem-estar social é um dos principais valores à Imetame Metalmecânica. Prova disso é o seu programa “Nova Consciência”, que busca conscientizar as pessoas de que elas são capazes de mudar de atitude e conquistar uma vida melhor. As ações acontecem graças ao comprometimento dos colaboradores com os resultados da empresa, que são em parte direcionados para a realização de iniciativas diversas, voltadas à melhoria da qualidade de vida. Uma dessas ações, chamada “Amor que Aquece”, ocorre no inverno e distribui conjuntos de moletons e cobertores para crianças de bairros carentes. Este ano, a distribuição total foi de 16 mil, sendo 2,5 mil no município de Três Lagoas (MG), onde a empresa atua na obra do Projeto Horizonte 2. As iniciativas da Imetame no campo social conquistaram o reconhecimento da Fibria, que incluiu a empresa como parceira de

seu programa Rede Responsável, criado em 2013 com a intenção de unir esforços e conectar diversos agentes localizados em uma mesma região, estabelecendo e fortalecendo uma rede que visa ao desenvolvimento socioambiental dos municípios do entorno. O Rede Responsável já captou mais de R$ 30 milhões, dos quais cerca de 60% foram investidos em projetos de geração de renda para as comunidades. O número de famílias beneficiadas diretamente é de 6.149, um crescimento de 86% desde o início do programa. O evento que formalizou a inclusão da Imetame contou com a participação de mais de 90 pessoas, entre representantes de grandes empresas, instituições e beneficiários de projetos sociais já apoiados pelo Rede Responsável.

Mills fornece a maior plataforma aérea do mundo A missão de trocar toda a iluminação do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, por lâmpadas de LED ficou mais fácil com as duas plataformas aéreas de lança telescópica fornecidas pela Mills, empresa especializada em produtos e serviços de engenharia. A plataforma utilizada, a SX-180, é considerada a maior do mundo e a única capaz de realizar o trabalho, feito a uma altura de 50 metros. E assim, os Jogos Olímpicos Rio-2016 puderam ser ainda mais iluminados e mágicos para o grande público que passou pelo local desde então. Além da locação, a Mills disponibilizou atendimento técnico e apoio comercial em regime especial, já que, para serem concluídas, as atividades exigiram que os equipamentos fossem usados também no período noturno. Por conta do

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êxito das operações, a locação foi ampliada para atendimento à instalação da nova iluminação da orla de Copacabana – desta vez, com uma plataforma de lança articulada, modelo Z-80, que pode alcançar 25m. “O compromisso da Mills é oferecer aos seus clientes uma experiência completa com nossos equipamentos e serviços. Nosso time está sempre empenhado em promover o melhor atendimento para superar as expectativas dos contratantes”, destacou o presidente da empresa, Sérgio Kariya. Atuante em todo o Brasil e associada no Espírito Santo ao Sindifer, a Mills busca continuamente uma relação sempre próxima aos seus clientes, além de priorizar um atendimento ágil e que atenda às demandas do mercado.


Gestão Por Lui Machado

Compete-ES coloca a competitividade ao alcance das indústrias capixabas

Programa do Governo do Espírito Santo reduz carga tributária e oferece chance de igualdade com empresas de outros estados

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um consenso que beira o clichê: a competitividade nacional esbarra na questão tributária (complexa e excessiva) e na enorme burocracia. Não é difícil entender o motivo. Dependendo do tamanho e do tipo da empresa, é possível que ela pague seis impostos federais – como, entre outros, o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Ainda há o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), no âmbito estadual, e o Imposto Sobre Serviços (ISS), pago ao município. Isso sem contar com as contribuições previdenciárias e para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cuja natureza jurídica é polêmica – alguns o consideram um tipo de imposto, visto seu caráter obrigatório para os patrões, enquanto outros o classificam como contribuição previdenciária, ou ainda como uma obrigação social para com o trabalhador. Na ausência de uma ampla reforma tributária que facilite e unifique o verdadeiro “balaio de gatos” que é a arrecadação federal, resta aos estados a incumbência de atrair empresas e indústrias com incentivos fiscais. Criado em 2008 pelo Governo do Estado do Espírito Santo, o Compete-ES surgiu como instrumento para a concessão de incentivos fiscais a setores produtivos locais, permitindo àqueles que estejam aptos a aderir ao programa uma redução de 12% para até 1% da alíquota efetiva do ICMS nas saídas interestaduais. “É um programa de incentivo ao desenvolvimento que trabalha por setores produtivos, não por empresas, isoladamente. Temos hoje em vigor 20 contratos, que têm o objetivo de adequar alíquotas tributárias com relação aos estados competidores do Espírito Santo”, informa o secretário de Desenvolvimento do Estado, José Eduardo Faria de Azevedo. O secretário lembra também que o Espírito Santo não é o único a ter esse tipo de pro-

BENEFÍCIO Os setores beneficiados pelo Compete-ES podem ter redução para até 1% da alíquota efetiva do ICMS nas saídas interestaduais.

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Gestão

SETORES QUE PODEM ADERIR AO COMPETE-ES grama, e que é normal que isso aconteça. “Somos um Estado com apenas 3 milhões de habitantes e temos a concorrência de estados muito maiores, como São Paulo e Minas Gerais. Então, as indústrias precisam ser competitivas para vender para fora”, afirma. Atualmente, 21 setores estão aptos a participar do Compete-ES. Além da indústria metalmecânica, também as de bebidas, vestuário, móveis e até rações podem procurar o programa. Em contrapartida ao tratamento tributário diferenciado que recebem ao aderir ao programa, os setores devem investir em ações que resultem em seu próprio desenvolvimento socioeconômico sustentável. O objetivo final é garantir manutenção e criação de empregos, ocupação, renda e evolução na capacitação profissional da população local, simultaneamente a uma melhora na capacidade industrial, tecnológica e comercial de cada setor beneficiado. “Com isso, ganham o Estado, a sociedade e as empresas, porque o Compete-ES fomenta o desenvolvimento socioeconômico, gerando capacitação profissional e emprego para os capixabas”, afirma. Os contratos do programa também estabelecem compromissos que as empresas beneficiadas precisam assumir visando à melhoria global dos setores em que estão inseridas. “Em uma reunião anual, fazemos a análise do mercado e a avaliação do nível de competitividade dessas empresas. O que queremos é que o setor produtivo se mantenha sempre ativo e para isso ajudamos a criar formas de melhorar o desempenho do parque industrial do nosso Estado, garantindo condições de geração de emprego para os cidadãos”, explica Azevedo. Empresas cujo setor já aderiu ao programa consideram seus resultados positivos: “O Compete-ES criou um ambiente propício à inovação e à competitividade desses segmentos em relação a outras regiões. Os benefícios que ele oferece permitem que negócios e empresas cresçam ou se

“Entramos no programa para buscar alternativas de competitividade perante o mercado e foi o que encontramos. Tanto na oferta de seus produtos e serviços quanto na geração de novos empregos” Luis Soares Cordeiro, presidente da Estel

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• Atacadista (centros de distribuição) • Água mineral • Aguardentes de cana-de-açúcar, melaço e outros • Aquicultura e pesca • Argamassa e concreto não refratário • Açúcar • Bares e restaurantes • Café torrado e moído •E  mbalagem de material plástico, papel e papelão e de reciclagem plástica, de papel e de papelão • Gráficas • Metalmecânico • Mistura pré-preparada para bolos • Móveis seriados • Móveis sob encomenda • Rações • Rochas ornamentais • Temperos e condimentos • Tintas e complementos • Vestuário • Moagem de calcário e mármores

estabeleçam”, defende Saulo Vieira, responsável pelas áreas contábil e fiscal da Imetame, indústria do setor metalmecânico, um dos beneficiados. “Com a adesão ao programa, os produtos ou serviços feitos no Estado do Espírito Santo podem ser oferecidos a todo o mercado nacional com igualdade de carga tributária, o que efetivamente faz diferença na negociação, na qualidade, no atendimento e na garantia, entre outros aspectos”, completa ele. Não por coincidência, aliás, o Espírito Santo está em sexto lugar no ranking de competitividade dos estados brasileiros. Quem afirma é o estudo da consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), junto com o Centro de Liderança Pública (CLP) e a Tendência Consultoria, que analisou 65 itens em 10 pilares estratégicos: segurança pública; eficiência da máquina pública; sustentabilidade social; capital humano; inovação; potencial de mercado; sustentabilidade ambiental e, claro, solidez fiscal. A pesquisa mostra que o Estado capixaba subiu uma posição em relação a 2015, quando o Espírito Santo ficou em sétimo lugar. COMPETITIVIDADE Uma palavra, 15 letras e muito significado dentro do mundo empresarial. Termo que também vive na ponta da língua de qualquer gestor de empresa no mundo. Ter uma empresa competitiva em um contexto de mercado globalizado e cada vez mais acirrado é, na realidade, mais que um desejo das empresas: trata-se de uma corrida pela sobrevivência.


A busca por oferecer o melhor produto, da melhor forma possível, no menor tempo, ao menor custo e pelo melhor preço é o que move a economia baseada no livre comércio e é o objetivo de toda empresa que deseja se tornar ou se manter forte no mercado. Ignorar essa equação básica do comércio pode resultar em cruel destino para os empreendedores, como entrar para a estatística registrada na pesquisa Demografia das Empresas, realizada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostra que metade das empresas no Brasil não chegam de portas abertas ao seu quarto ano de vida. Mas é bem verdade que a competitividade não está somente ligada ao desempenho das organizações. Uma boa gestão, ímpeto de inovação, planejamento estratégico e qualidade são extremamente importantes, mas há muitos outros componentes que influenciam o fortalecimento ou o enfraquecimento das empresas. Indústria nenhuma no mundo, por melhor que seja sua gestão, consegue crescer sem alguns fatores primordiais. Energia, infraestrutura, logística e qualidade de mão de obra precisam ser levadas em consideração. Em outras palavras, uma empresa não consegue se tornar competitiva apenas com ações internas se não houver ambiente e incentivos externos adequados para esse fim. A criação desse ambiente favorável para o crescimento de uma indústria forte é papel de uma administração pública competente, e também um grande gargalo. No ranking divulgado este ano pelo Fórum Econômico Mundial, em parceria com a Fundação Dom Cabral, o Brasil é apenas o 81º no ranking de competitividade – o país desceu seis posições entre 2015, quando era o 75º, e 2016. Em apenas quatro anos (2012 a 2016), o Brasil perdeu 33 posições na lista dos países mais competitivos. Elaborado desde 1997, o ranking estudou 138 países, levantando dados como instituições, infraestrutura, ambiente macroeconômico, saúde e educação primária, educação superior e treinamento, eficiência do mercado de bens, eficiência do mercado de trabalho, desenvolvimento do mercado financeiro, prontidão tecnológica, tamanho de mercado, sofisticação empresarial e inovação. Segundo o relatório, a economia brasileira foi afetada no último ano pela deterioração de fatores considerados básicos para a competitividade, como ambiente econômico, desenvolvimento do mercado financeiro e, principalmente, capacidade de inovação. Nesse contexto, fica fácil entender a importância do Compete-ES para o setor produtivo do Espírito Santo. “O programa permite uma interação maior entre o Estado e o setor beneficiado – no nosso caso, o metalmecânico – e, principalmente, que este fique ciente das necessidades do segmento em relação aos concorrentes de outras regiões do país. Assim, as empresas capixabas conseguem buscar melhorias de qualidade e produtividade em produtos e ser-

“Somos um Estado com apenas 3 milhões de habitantes e temos a concorrência de estados muito maiores, como São Paulo e Minas Gerais. Então, as indústrias precisam ser competitivas para vender para fora” José Eduardo Faria Azevedo, secretário estadual de Desenvolvimento

viços que não encontrariam sem os incentivos oferecidos”, aponta Saulo Vieira. É o caso também da Estel Serviços Industriais. Fundada em 1985, a empresa, sediada em Aracruz, tem como negócio fabricação, manutenção e montagem mecânica, reparo, revisão e recuperação de motores e máquinas elétricas industriais; bem como manutenção elétrica e de instrumentação industrial e comercialização de materiais elétricos e de instrumentação. No Compete-ES há cinco anos, a empresa se tornou um caso de sucesso do programa, cujos benefícios permitiram que ela se inserisse ainda mais fortemente no mercado e concorra de igual para igual com empresas de estados maiores. “Entramos no programa para buscar alternativas de competitividade perante o mercado, e foi o que encontramos. Tanto na oferta de produtos e serviços quanto na geração de novos empregos”, avalia Luis Soares Cordeiro, presidente da Estel. Ele ressalta que a atual conjuntura econômica e política brasileira tem feito com que empresas de outros estados busquem espaço em mercados vizinhos, incluindo no Espírito Santo. Ainda de acordo com Cordeiro, a participação das empresas em um segmento tão competitivo quanto o metalmecânico depende também de ações e compromissos do Governo para fomentar o desenvolvimento e o fortalecimento dessas empresas. Com o Compete-ES, o Estado assume esse papel de indutor da competitividade. O secretário José Eduardo Azevedo ressalta que, para a saúde do bem público, os benefícios fiscais para empresas não podem ser o único caminho para o fortalecimento do setor produtivo. Ele aponta a redução da burocracia como outra forma de promover esse fortalecimento, assim como o papel do próprio industrial na busca por melhoria das suas organizações. “Conectado ao programa há um desafio dos setores produtivos para melhorar sua capacidade de análise do mercado, bem como a capacidade tecnológica. É preciso usar da melhor maneira possível as ferramentas

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Gestão “Com a adesão ao programa, os produtos ou serviços feitos no Estado do Espírito Santo podem ser oferecidos a todo o mercado nacional com igualdade de carga tributária, o que efetivamente faz diferença na negociação, na qualidade, no atendimento e na garantia, entre outros aspectos”

Saulo Vieira, da Imetame dadas para otimizar a competitividade das nossas empresas”, afirma. Uma das ações dentro do Compete-ES é o Prêmio Qualidade Espírito Santo (PQES). Lançado em 2004, o PQES representa um reconhecimento às organizações que demonstrarem esforços efetivos direcionados ao bom desempenho

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do seu modelo de gestão e cujas ações resultem em racionalidade do processo produtivo, melhoria dos níveis de qualidade e produtividade dos produtos e serviços, maior satisfação dos clientes e dos funcionários e das demais partes interessadas. Promovido em parceria entre a Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes), o Sebrae-ES e o Movimento Espírito Santo em Ação, direcionado a micro, pequenas, médias e grandes empresas, o PQES propicia ao setor empresarial o aprimoramento do ambiente competitivo e a busca contínua das empresas capixabas pela melhoria e aperfeiçoamento de sua gestão, além de estimular as empresas a participarem do programa. Ainda vivendo o momento de instabilidade política e econômica, o setor produtivo dificilmente verá uma reforma tributária em curto prazo. Embora o Governo Federal acene com mudanças na legislação trabalhista que beneficiam as indústrias, reduzindo, em tese, o custo da mão de obra, ainda é necessário que haja uma discussão profunda sobre a modernização do modelo de tributação em vigor no Brasil e sobre a redução da burocracia. Enquanto essas mudanças não se concretizam, o Compete-ES segue como uma alternativa importante para as indústrias que buscam viabilizar um caminho de sucesso e crescimento.


Artigo

Crédito descomplicado no Bandes

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os momentos de crise, as soluções inovadoras costumam aflorar nos setores produtivos. Afinal, não é a crise que dificulta o desempenho das empresas, mas sim o quanto as empresas estão preparadas para enfrentá-la. É importante estar capacitado para quando a economia voltar a respirar, e a busca por mecanismos que contribuam para o aumento da competitividade é a tônica nesses momentos. Na indústria, no comércio exterior, no setor de serviços, os interessados em investir em novas ideias têm no Bandes, o banco de desenvolvimento capixaba, soluções adequadas de crédito para abrir, ampliar ou modernizar seu negócio. Além das áreas em que o banco já possui atuação destacada, como financiamento de máquinas e equipamentos (inclusive importados) e investimentos em implantação, expansão e modernização de parques fabris e tecnológicos das empresas (englobando todo o processo produtivo do setor de rochas), com limite de até R$ 15 milhões, há opções para os empreendedores do setor investirem também em áreas estratégicas, por meio de programas específicos de fomento e crédito. São alternativas para empresas e empreendimentos de todos os portes, como as opções existentes no campo da “economia verde”, inclusive com a possibilidade de participação em FIPs (Fundos de Investimento e Participação), que possibilitam até mesmo a participação acionária no projeto. Outra boa alternativa de investimento é a ampliação do portfólio de exportações capixabas. O objetivo do

Aroldo Natal Silva Filho é diretor-presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes)

Bandes é propor e criar um fórum permanente de articulação de iniciativas públicas e privadas para a promoção comercial do Espírito Santo, ampliando o leque dos nossos produtos no mercado exterior e formulando um plano de ações para aumentar as exportações. Com isso, iniciativas de todos os portes e que fazem o Espírito Santo se desenvolver podem financiar seus investimentos por meio do Bandes. As modalidades foram criadas com o intuito exclusivo de facilitar a vida do cliente. Significa que o empreendedor não precisa saber se a linha ideal para ele é “A” ou “B”. Ele precisa saber se para implantar, expandir ou modernizar seu negócio ele precisará de crédito. Se a resposta for sim, ele pode procurar o Bandes ou sua rede de consultores e contratar o crédito orientado, planejado e descomplicado para apoiar o negócio e, assim, contribuir para o desenvolvimento regionalmente equilibrado do Estado. E para ser atendido, nem é preciso sair de casa, ou do seu estabelecimento. O Bandes tem uma equipe de consultores qualificados e credenciados que atuam em todo o Espírito Santo. Com a rede de atendimento, as propostas de financiamento chegam corretamente e o atendimento ao seu projeto será mais ágil. Você poderá ter acesso a todas as informações sobre financiamento e acesso aos consultores credenciados no site do banco (bandes.com.br) ou pelo Bandes Atende (0800 283 4202).

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Conferência debate desafios para engenharia costeira e portuária

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om o tema “Aperfeiçoando o transporte aquaviário e o desenvolvimento costeiro – o desafio de alcançar soluções integradas”, aconteceu entre os dias 16 e 21 de outubro, no Rio de Janeiro, a IX Conferência Internacional de Engenharia Costeira e Portuária em Países em Desenvolvimento (Pianc-Copedec). Cerca de 450 profissionais da área de infraestrutura portuária e marítima, fornecedores de produtos e serviços, especialistas ambientais, pesquisadores e estudantes de 37 países participaram do evento, coordenado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A Conferência contou com 32 patrocinadores e 60 expositores. “A expectativa era de 350 inscritos, mas esse número foi superado em mais 100 inscrições”, informou Rafael Galvão, presidente do Comitê Local da IX Pianc-Copedec, ao declarar aberta a Conferência. “O número de trabalhos apresentados também superou as expectativas, atingindo

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Crédito Antaq

Registro

Evento reuniu profissionais da área de infraestrutura portuária e marítima, fornecedores, pesquisadores e estudantes

150 estudos”, celebrou o presidente do Comitê Internacional da IX Pianc-Copedec, Freddy Wens. Já o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Fernando Fortes, aproveitou a oportunidade para citar avanços do setor portuário desde as mudanças derivadas da nova Lei dos Portos (Lei nº 12.815/13), como as 71 novas instalações privadas, já autorizadas, e outros 67 novos processos, que somam investimentos da ordem de R$ 24 bilhões. Fortes lembrou ainda que há um orçamento de R$ 1,1 bilhão no ministério para alocação nos portos do Rio de Janeiro, de Vitória, de Paranaguá e de Santos, já em andamento, em dragagem e obras de infraestrutura.


Registro

Missão internacional do governador Paulo Hartung estreitou laços com várias empresas asiáticas e holandesas

Empresa de petróleo e gás quer investir no Estado

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ma das líderes internacionais no segmento de engenharia de estruturas metalmecânicas do ramo de petróleo e gás, a empresa Dyna-Mac pretende investir no Espírito Santo. A intenção foi manifestada em uma reunião entre representantes da empresa e o governador do Estado, Paulo Hartung, realizada em Singapura em setembro. Com plantas produtoras instaladas naquela cidade-estado do Sudeste Asiático e também na China e na Malásia, além de uma base operacional provisória em Santa Catarina, Sul do Brasil, a Dyna-Mac revelou que as vantagens competitivas nos setores metalmecânico e de óleo e gás no Espírito Santo são convidativas para novos investimentos. A impressão sobre o Estado foi tão positiva que o vice-presidente global para Desenvolvimento de Negócios da Dyna-Mac, Park Yong Kap, liderará uma visita de diretores ao Espírito Santo, a fim de conhecer as alternativas para implantação de uma unidade da empresa em solo capixaba.

Durante a missão internacional, Hartung e o secretáriochefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Júnior, também estiveram com dirigentes da PSA, empresa concessionária do Porto de Singapura. Na ocasião, foi realizada uma apresentação sobre o Porto Central, joint-venture entre investidores capixabas e o Porto de Roterdã, na Holanda. O Porto de Singapura também enviará uma missão ao Estado para analisar a possibilidade de participar do Porto Central, localizado no município de Presidente Kennedy. Já na reunião organizada pela International Enterprise Singapore (IES), José Carlos apresentou a carteira com oportunidades em terras capixabas em áreas como tecnologia da informação, indústria metalmecânica ligada ao setor de óleo e gás, importação de alimentos em geral e regime tributário, entre outras. O CEO do IE Singapore, Yew Sung Pei, também foi convidado a conhecer o Estado.

Magnesita lança aplicativo de suporte ao cliente A Magnesita Refratários acaba de lançar o aplicativo MagCalc, que disponibiliza mais eficiência para o cálculo da demanda de tijolos refratários para novos revestimentos ou mesmo reparos em fornos rotativos de cimento. Com a ferramenta de suporte, o cliente pode escolher o sistema de unidades (métrico ou imperial), além de informar os detalhes das múltiplas zonas do forno conforme o reparo previsto. Disponível para iOS, Android e web, o aplicativo usa todos os dados que coleta para calcular o número de tijolos, o peso total estimado, as chapas de aperto e até qual a melhor argamassa a ser usada. Tudo é oferecido de maneira dinâmica e objetiva e, com poucos cliques, o cliente pode solicitar uma cotação diretamente à Magnesita e concentrar a atenção na produção de cimento. O MagCalc é mais uma inovação da empresa, voltada a

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mineração, produção e comercialização de refratários e a diversos serviços. A Magnesita conta com mais de 25 mil tipos de produtos diferentes em seu portfólio, representando um grande leque de opções para a indústria. De materiais monolíticos e tijolos convencionais a cerâmicas mais nobres, a empresa possui clientes em mais de 70 países. Associada ao Sindifer, a Magnesita oferece serviços completos e personalizados, que vão de manutenções simples a ajuda nas operações e montagens industriais. Sempre pioneira e focada em apresentar o que há de mais positivo com referência à relação custo/benefício, seu modelo de prestação de serviços, chamado Custo por Performance (CPP), atrela a remuneração diretamente aos resultados obtidos pelo cliente, e não apenas à quantidade de refratários comercializados.


Agenda 22 a 25 de novembro

Feira Brasil Petróleo & Gás A 10ª Feira Brasil Petróleo, Gás e Biocombustível movimentará por quatro dias a Universidade Salgado de Oliveira, em Salvador (BA), com as novidades das linhas de produtos e serviços voltados para o setor. Cerca de 300 expositores apresentarão equipamentos e soluções em calderaria, usinagem, automação, elétrica, válvulas, manômetros, tubulações, tecnologia, ferro e aço. Promovido pela empresa Feiras Delfim Marketing e Congressos, o evento é não só uma vitrine para os últimos lançamentos, como também o local ideal para o debate de novos caminhos para o segmento de petróleo e gás. Inscrições e informações: delfim@grupodelfim.com.br.

28 a 30 de novembro

7ª ExpoCatadores Boas ideias, sustentabilidade e eficiência podem ser conferidas na 7ª ExpoCatadores, evento anual internacional que traz em sua programação seminário estratégico, feira de máquinas e equipamentos para coleta seletiva, seleção e triagem de materiais e exposição de projetos de coleta solidária. O evento deste ano receberá 55 expositores e acontecerá no Anhembi, em São Paulo. Para saber mais a respeito da ExpoCatadores 2016, acesse o site: www.expocatadores.com.br.

14 a 17 de fevereiro 2017

Vitória Stone Fair Consolidada e muito aguardada por empresas do setor de rochas do mundo inteiro, a Feira Internacional de Mármore e Granito (Vitória Stone Fair Marmomacc Latin América) chega à sua 43ª edição e novamente oferecerá o Buyers Club, responsável por trazer ao evento compradores e potenciais importadores. Sediada no Centro Carapina de Eventos, na Serra, a feira é uma realização da Milanez & Milaneze e do Grupo Veronafiere, e conta com a promoção do Sindirochas e do Cetemag. Saiba mais sobre os destaques do evento, que no ano passado recebeu 420 expositores e reuniu 25 mil pessoas. Acesse www.vitoriastonefair.com.br.

12 a 15 de abril 2017

Intermold

17 a 20 de janeiro 2017

SteelFab Com um mercado de construção em crescimento e atraindo os olhos do público em importantes eventos nos anos que estão por vir, o Oriente Médio hoje une tradição e tecnologia. E para mostrar este momento de destaque na região, acontecerá em Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, a SteelFab 2017, uma feira que contará com moderno maquinário e soluções para a indústria do aço. Entre os setores que marcarão presença no evento estão o de acessórios, cortes, ferramentas para aço, terminações, testes, preparação de superfícies, produtos anticorrosivos e soldaduras. Mais detalhes no site www.steelfabme.com.

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Tóquio, no Japão, deverá receber um grande público para a sua Feira da Indústria e Maquinário de Metal (Intermold). Segundo a organização, 50 mil pessoas são esperadas no evento, que apresenta o que existe de mais moderno na área metalmecânica. A feira terá como sede o Tokyo International Exhibition Center (Tokyo Big Sight), que fica situado no bairro futurista de Odaiba. Mais informações no site oficial da feira: www.intermold.jp.

24 a 28 de abril 2017

Hannover Messe O Parque de Exposições Deutsche Messe Hannover, na Alemanha, realizará em abril a Feira Internacional da Automação Industrial 2017, que trabalhará o conceito de indústria integrada para a criação de valor, além dos benefícios da “indústria 4.0” para os negócios de empresas de todo o mundo. Mais detalhes sobre a feira podem ser conferidos, em inglês, no site www.hannovermesse.de.


25 a 29 de abril 2017

Automec 2017 A 13ª Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços é o local para inovações nas áreas de peças e sistemas, acessórios e tuning, reparação e manutenção, TI e gestão. É o momento ansiosamente aguardado por distribuidores, lojistas, atacadistas, varejistas e oficinas, que podem conhecer as tendências do mercado, estratégias para impulsionar vendas e fortalecer uma marca, além de aumentar a qualidade de serviços oferecidos no mercado. A feira está marcada para o São Paulo Expo. Mais informações: www.automecfeira.com.br.

18 a 20 de julho 2017

Mec Show 2017 Depois de registrar um volume de negócios acima de R$ 50 milhões e receber mais de 16 mil visitantes em sua última edição, a Feira da Metalmecânica, Energia e Automação (Mec Show) já está sendo trabalhada para ser ainda maior e melhor em 2017. Realizada pela Milanez & Milaneze em cooperação com VeronaFiere e promovida pelo Sindifer-ES em conjunto com o Centro de Desenvolvimento Metalmecânico (Cdmec), a feira chega à sua 10ª edição como maior vitrine do setor no Espírito Santo, atraindo empresas de todo o Brasil ao Carapina Centro de Eventos, na Serra. Entre em contato e saiba como ser um expositor: (27) 3434-0600 ou info@mecshow.com.br.

Jun/Jul/Ago • 2015

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Artigo

Odair Nossa Sant´Ana é advogado, sócio do Escritório Sant´Ana & Laporti Advogados associados e especialista em Direito do Trabalho e Relações Sindicais

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Flexibilização das normas trabalhistas

flexibilização das normas trabalhistas é um tema amplamente discutido em diversos segmentos, depois que o Governo Federal enviou proposta de Reforma Trabalhista para o Congresso Nacional. Algumas correntes se posicionaram contra e outras a favor, mas uma verdade não pode deixar de ser dita: não era preciso que uma crise de grandes proporções mobilizasse o Estado em torno do tema. Essa discussão já deveria ter começado há anos. É certo, como já dito, que o tema, apesar de antigo, somente voltou a ser discutido em razão da grave situação socioeconômica e política que o país vive, com o desemprego em alta, já que, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde mais de 11 milhões de pessoas estão desempregadas, o que representa 11% da população brasileira, um número assustador para uma economia que vinha crescendo em tempo pretérito. Os que defendem a Flexibilização afirmam que as normas são muito arcaicas, protetivas demais à classe trabalhadora e totalmente desconexa com a realidade do país em que vivemos. Afirmam ainda que a flexibilização não significa desregulamentação ou exclusão de direitos trabalhistas, mas sim a redução da intervenção do Estado, possibilitando às partes, através da negociação coletiva, buscar a adaptação do direito do trabalho à realidade sócio-econômica vivenciada, conforme já ocorre nos países mais desenvolvidos. A Flexibilização na perspectiva da proposta enviada ao Congresso Nacional dar-se-ia, em princípio, por meio de acordo ou convenção coletivas de trabalho, garantindo a prevalência do que foi acordado pelo que estabelece a legislação. E aí é que se encontra a maior polêmica da

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proposta, que sofre muita oposição dos magistrados trabalhistas, sob a fundamentação de que precariza o trabalho em todos os seus aspectos. O Projeto de Lei 4.193, de 2012, em tramitação na Comissão de Trabalho da Câmara, contém o seguinte artigo: “As normas de natureza trabalhista, ajustadas mediante convenção ou acordo coletivo, prevalecem sobre o disposto em lei, desde que não contrariem as normas de ordem constitucional e as normas de higiene, saúde e segurança do trabalho”. Além do projeto de flexibilização, passou pela Câmara dos Deputados uma proposta de regulamentação da terceirização, a PL 4330/2004, permitindo que qualquer atividade seja terceirizada, inclusive a atividade-fim das empresas. Atualmente a súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) prevê que as empresas somente podem subcontratar serviços terceirizados para as chamadas atividades-meio. Importante frisar ainda que a Consolidação das Leis Trabalhistas - CLT, norma que regula as relações de trabalho no Brasil, foi publicada em 1943, sob a ótica de um modelo de Estado totalmente diverso do atual, sendo que não se trata simplesmente necessária, mas indispensável uma modificação da norma para torná-la contemporânea, visando a aumentar a capacidade de empregabilidade do empresariado brasileiro, já que a legislação vigente onera por demais os empregadores. Diante de todo esse cenário é que o projeto de flexibilização das normas e terceirização que estão sendo viabilizados pelo Governo, representam uma saída neste tempo de crise e desemprego exorbitante, para manutenção da competitividade no mercado nacional e aumento de sua capacidade empregatícia.


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