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Revista do

A Revista do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo • Abr/Mai/Jun • Ano 2 • Nº 6

Gestão Setor de petróleo muda regras para fornecedores Economia Reforma trabalhista e a volta do crescimento

Produtividade fora do eixo

Tecnologia, carga tributária e qualificação são engrenagens da atividade, estagnada há anos


Editorial

O preço da Justiça

A

Justiça do Trabalho custa nada menos que R$ 17,8 bilhões por ano para o Brasil. Com 3,4 milhões anuais de novas ações, o país segue em um nada honroso primeiro lugar em reclamações trabalhistas no mundo hoje. É uma situação que resulta em insegurança jurídica para as empresas e aponta a necessidade de uma verdadeira reforma da CLT. Na edição deste mês, abordamos a questão, que tanto preocupa a indústria nacional. Em tempos de busca pelo reaquecimento da economia brasileira, é hora de falarmos sobre um gargalo antigo quando o assunto é desenvolvimento: a produtividade. Há mais de três décadas o Brasil passa por uma estagnação da produtividade do trabalhador. As causas, que vão do atraso tecnológico ao peso dos impostos, freiam empresas e comprometem a renda. Conheça em detalhes os riscos de ficar estagnado e a opinião de especialistas sobre como mudar esse panorama. Além de produtividade, a capacitação é um tema de vital importância para a indústria nesse momento de retomada. O Mapa do Trabalho Industrial do Senai aponta para a necessidade de formar mais de 13 milhões de trabalhadores até 2020. Para isso, é preciso investir, desde já, na integração entre setores produtivos e instituições de ensino. Após um hiato em suas atividades, a Samarco poderá voltar a funcionar por dois anos com uma nova estrutura. Para isso, busca o licenciamento de uma cava como alternativa temporária para depositar os rejeitos da produção. Veja como funcionará a ação que significa o retorno dessa empresa tão importante para o nosso Estado. A fidelização de apenas 5% de clientes pode significar um aumento de 25% a 85% no lucro da sua empresa. No entanto, conquistar a confiança do cliente é sempre um desafio. Essa missão fica mais fácil com o uso do Customer Relationship Management (CRM), ou simplesmente Gestão de Relacionamento com o Cliente. Trata-se de um conjunto de práticas, estratégias de negócio e tecnologias focadas no consumidor. Saiba mais a respeito nesta edição. Aproveite a sua revista. Boa leitura!

Lúcio Dalla Bernardina Presidente do Sindifer

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Notícias Expediente

Presidente

Luis Soares Cordeiro

Lúcio Dalla Bernardina

Luiz Alberto de Souza Carvalho Luiz Henrique Pessanha de Sousa

DIRETORIA

Manoel de Souza Pimenta Neto

Antônio Ermelindo Ribeiro Falcão de Almeida

Marcos Antonio Pilloti

Antonio Prando

Marilza Sarmenghi

Antonio Carlos J. Macedo

Milena Soares

Bruno Carlesso

Matheus Pêsso da Silveira

Cesar Daher Carneiro

Paulo José Garayp

Cristiana Scelza

Paulo Caetano

Daives Carlo de Souza Alvarenga Darcy Rodrigues Filho

Rusdelon Rodrigues de Paula

Eliane Gomes

Vicente Bezerra

Etore Selvatici Cavallieri Eugênio José Faria da Fonseca

EQUIPE

Fausto Frizzera Borges

Breno Carneiro de Rezende Brotto

Gilmar José Marchesi

(27) 3225-8457 | breno@sindiferes.com.br

Gilmar Luis Delatorri Leite

Gerlane Delpupo

Gilson Pereira

(28) 3521-4035 | sindifersul@sindiferes.com.br

Haroldo Olívio Marcellini Massa

Jonathan Aguiar da Silva

Jacqueline Donateli Simões

(27) 3225-8457 | jonathan@sindiferes.com.br

João Marcos Dell Pupo

Mariana Pin

Jonas Altoé

(27) 3264-0734 | sindifernorte@sindiferes.com.br

José Augusto Folleto

Rita de Cassia Dillem

José Emilio Brandão Leonardo Jordão Cereza

(27) 3225-8457 | rita@sindiferes.com.br

Lucio Dalla Bernardina

Dr. Odair Nossa Sant’Ana

Luciana Soares

(27) 3225-8457 | juridico@sindiferes.com.br

SEDE Rua Dr. Juiz Alexandre Martins de Castro Filho, 180 Ed. Cesar Daher Carneiro, Santa Luíza - Vitória/ES Cep: 29045-410 - Telefones: 27 3225-8457 | 27 3225-8821 E-mail: sindiferes@sindiferes.com.br

LINHARES Av. Filogônio Peixoto, nº 396, Aviso, Linhares/ES – 29901-290 Telefone: 27 3264-0734 E-mail: sindifernorte@sindiferes.com.br

CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM Av. Domingos Alcino Dadalto, s/n, Monte Cristo, Cachoeiro de Itapemirim/ES - 29312-200 Telefone: 28 3521-4035 E-mail: sindifersul@sindiferes.com.br

Uma empresa do Grupo Next Editorial Diretor: Mário Fernando Souza

Apoio: Mara Cimero

Gerente de Produção: Cláudia Luzes

Fotografia: Jackson Gonçalves, Renato Cabrini, Fotos cedidas e arquivos Next Editorial

Textos: Gustavo Costa, Luciene Araujo, Lui Machado, Mike Figueiredo, Thiago Lourenço e Weber Caldas Editoração: Gisely Fernandes e Michel Sabarense

Copidesque: Márcia Rodrigues Colaboraram nesta edição: Clovis Vieira, Durval Vieira de Freitas e José Luciano de Mattos Dias

Contato: Av. Paulino Müller, 795, Jucutuquara – Vitória/ES CEP 29040-715 Telefax: (27) 2123-6500 redacao@lineapublicacoes.com.br www.lineapublicacoes.com.br

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SUMÁRIO

Desafios para a produtividade Estudos comprovam que a produtividade do trabalhador no Brasil está estagnada há três décadas e meia, sendo quatro vezes menor do que a verificada nos Estados Unidos. A deficiência é fruto de uma série de gargalos que emperram a engrenagem industrial. Tecnologia defasada, carga tributária elevada e qualificação deficiente são problemas crônicos que desviam o eixo do crescimento nacional. É preciso reagir agora.

Reforma trabalhista Com 3,4 milhões de novas ações por ano, Brasil é campeão mundial em reclamações trabalhistas. A enxurrada de processos causa cenário de insegurança jurídica para as empresas e reforça a urgência de reforma da CLT.

Economia | 60

Economia | 08

CAPA

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Clovis Vieira

Gestão

Programas de Recuperação Fiscal (Refis) podem ser o remédio para eliminar a dor de cabeça do empresariado: as dívidas tributárias. O industrial capixaba poderá regularizar sua situação tanto com a Receita Federal quanto com a Estadual. Municípios também oferecem chances.

Setor metalmecânico: inovar é necessário e urgente

2018: um cenário político promissor

Brasil: retomada lenta e gradual 14

Em paz com o Fisco

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Luciano Dias

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Durval Vieira

Governo reduziu para até 50% a exigência de conteúdo local nas novas contratações de bens e serviços na indústria de petróleo. Esse percentual passa a valer para a exploração em terra. Veja o que muda para os fornecedores e como manter a atração dos negócios.


Economia Gestão Por Weber Caldas

Questão de (in) justiça

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Com 3,4 milhões de novas ações por ano, Brasil é campeão mundial em reclamações trabalhistas. Situação gera insegurança jurídica para as empresas e reforça necessidade de reforma da CLT

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Brasil fechou 2016 com um “título” que está longe de ser motivo de orgulho: o de campeão mundial em reclamações trabalhistas. Só no ano passado, foram abertas 3,4 milhões de ações e pagos R$ 8 bilhões em indenizações. Uma situação que gera insegurança jurídica para todo o setor produtivo e atrasa a retomada do crescimento, num país com 13,5 milhões de desempregados. Mas que pode ser contornada a partir da aprovação da reforma trabalhista proposta pelo presidente da República, Michel Temer. Os números são mesmo alarmantes. O Brasil responde por 98% das ações trabalhistas em todo o planeta. Bem acima de outros países, como os Estados Unidos, onde o total de processos não passa de 75 mil, e mais ainda do que o Japão, com 2,5 mil processos. Como consequência disso, o orçamento da Justiça do Trabalho, previsto para 2017, chega a R$ 20,13 bilhões. Esse valor supera a soma dos custos de outras esferas da Justiça brasileira: Supremo Tribunal Federal (R$ 686 milhões), Superior Tribunal de Justiça (R$ 1,41

NÚMEROS

R$ 8 BILHÕES Foram pagos em indenizações trabalhistas no Brasil em 2016

R$ 20,13 BILHÕES É o orçamento previsto para a Justiça do Trabalho, em 2017

3,4 MILHÕES Foi o total de processos trabalhistas ajuizados no Brasil em 2016

bilhão), Justiça Federal (R$ 11,58 bilhões) e Justiça Militar (R$ 530 milhões). Tal cenário foi alvo de críticas até do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Martins Filho, incomodado com o que considera “parcialidade, paternalismo e intervencionismo” da Justiça trabalhista – questão que o magistrado comparou até aos problemas enfrentados na área da segurança, durante seminário realizado em São Paulo, em fevereiro. “Sem segurança pública, nos transformaremos numa Colômbia e, sem a questão trabalhista, numa Venezuela”, disse Gandra. “E queremos escapar de uma guerra civil e de uma desestruturação econômica.” Para o presidente do TST, a reforma trabalhista em tramitação no Congresso deverá pôr fim à insegurança jurídica e reduzir o elevado número de ações trabalhistas no país, por permitir que negociações entre trabalhadores e empresas passem a prevalecer sobre a legislação. Mesma expectativa demonstrada pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira. “Em médio e longo prazos, a reforma trabalhista trará a segurança jurídica e a harmonia nas relações de trabalho”, assegurou ele, durante evento da Confederação Nacional da Agricultura, em março. O ministro reforçou a necessidade de modernização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que entrou em vigor em 1943 e, desde então, passou por poucas alterações. E garantiu que a proposta do governo não tira direitos dos trabalhadores. “Eu quero reafirmar que a proposta do governo vem ancorada em três eixos: consolidar direitos, dar segurança jurídica e gerar empregos. Em que pese às manifestações descabidas contra a proposta, neste momento, posso assegurar que ela é pró-trabalhador”, afirmou. O primeiro passo para essa modernização foi dado com a aprovação, em março, de um projeto de lei que autoriza o trabalho terceirizado de forma irrestrita para qualquer tipo de atividade empresarial. A proposta tramitava no Congresso desde 1998, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso,

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Economia

e já havia sido aprovada pela Câmara, mas, ao passar pelo Senado, sofreu alterações. De volta à Câmara, o texto aguardava desde 2002 pela análise final dos deputados. O texto aprovado agora autoriza a terceirização em todas as atividades, inclusive na atividade-fim das empresas, que até então a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST) proibia terceirizar. “O mundo todo já adota a terceirização. No Brasil, isso também já é feito, em algumas atividades. O que se está estabelecendo agora é uma base legal para esse modelo”, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Marcos Guerra. A expectativa agora é que seja votado, ainda neste primeiro semestre, o projeto de reforma trabalhista apresentado pelo presidente Temer às vésperas do Natal de 2016. Entre as propostas, está a possibilidade de patrões e empregados negociarem alterações nas regras trabalhistas, incluindo jornada de trabalho diferente de oito horas diárias e 44 horas semanais; divisão de férias em até três períodos; trabalho fora da empresa; intervalo de 30 minutos e remuneração por produtividade. As novas jornadas, porém, não poderão exceder 12 horas diárias e 220 horas mensais. “Hoje há muita gente legislando em cima da CLT. Isso dificulta muito a situação de quem emprega no país. Os avanços

O QUE MUDA COM A APROVAÇÃO DA LEI DA TERCEIRIZAÇÃO ATIVIDADE COMO ERA: Jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST) proibia terceirização da atividade-fim. COMO FICA: É autorizada a terceirização em todas as atividades, incluindo atividades-fim. Por exemplo, uma escola poderá contratar de forma terceirizada tanto faxineiros e porteiros (atividades-meio) quanto professores (atividade-fim). RESPONSABILIDADE COMO ERA: A empresa que contratava serviço de terceirização só era acionada na Justiça se a contratada não cumprisse as obrigações trabalhistas. COMO FICA: Quem contrata serviço de terceirização deve fiscalizar se a contratada está cumprindo as obrigações trabalhistas. Se não o fizer, aí pode ter de responder na Justiça também. TRABALHO TEMPORÁRIO COMO ERA: Empresa só podia contratar de forma temporária por até 90 dias. COMO FICA: Amplia para até nove meses a permissão para empresas contratarem funcionários temporários.

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“Em médio e longo prazos, a reforma trabalhista trará a segurança jurídica e a harmonia nas relações de trabalho”- Ronaldo Nogueira, ministro do Trabalho

da reforma trabalhista reduzirão muito os prejuízos causados pela ‘indústria dos processos’. Do jeito que está, a partir do momento que você gera um emprego, passa a gerar também um passivo invisível no seu negócio”, acredita Marcos Guerra. Com a reforma, as convenções coletivas ganharão ainda mais força, o que deve pôr fim ao constante risco de disputas judiciais. “Hoje, o que acontece é que, mesmo quando uma empresa e um sindicato firmam um acordo com amparo na lei, há o risco de um cancelamento dessa negociação por força de uma decisão judicial”, afirma Alexandre Furlan, presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em mais uma crítica à insegurança jurídica que afeta o setor. “Além de estar previsto na Constituição, a partir do momento que houver uma sinalização de que haverá respeito à norma de autotutela, principalmente por parte do Tribunal Superior do Trabalho, àquilo que as partes negociaram livremente, teremos um avanço bastante grande”, completa Furlan. Para o presidente do Conselho Estadual do Trabalho e do Conselho Temático de Relações do Trabalho (Consurt) da Findes, Haroldo Massa, tão importante quanto a modernização das leis é a clareza do texto final, para que não crie brechas para diferentes interpretações. “O conjunto da reforma trabalhista ainda não está consolidado. Devemos pugnar por uma legislação que nos assegure, para empregador e empregado, direitos e obrigações claras, com redação eficaz. De nada adiantará obtermos um rol de vantagens e desvantagens de parte a parte se, no bojo do texto, não entendermos o que se pretende dele. Não podemos ficar à mercê do julgamento e da intepretação individual dos magistrados. Essa tem sido nossa maior insegurança jurídica”, enfatiza. Alexandre Furlan, por sua vez, lamenta que a busca pela modernização nas relações de trabalho no Brasil ainda seja permeada por um debate ideológico que envolve o “capitalista explorador” contra o “trabalhador explorado”. “Esse tipo de conversa não combina com o século XXI. Quem você tem para defender o empresário hoje a não ser o próprio empresário? E quem você tem para defender o trabalhador? Sindicatos, associações, federações, confederações, centrais sindicais,


PRINCIPAIS PONTOS DO PROJETO DE REFORMA TRABALHISTA APRESENTADO MICHEL TEMER JORNADA PARCIAL COMO É ATUALMENTE: As empresas têm permissão para contratar trabalhadores por jornadas menores do que a prevista em lei, com salários e benefícios reduzidos. Mas essa jornada parcial deve durar, no máximo, 25 horas por semana, o equivalente a 57% da jornada integral, sendo proibida a realização de horas extras. O QUE O GOVERNO PROPÕE: O chamado “contrato de trabalho a tempo parcial” passaria para até 30 horas semanais. E haveria permissão para horas extras quando a jornada contratada fosse de até 26 horas semanais, elevando-a para até 32 horas – caso em que a jornada parcial alcançaria 73% da integral. JORNADA DE TRABALHO COMO É ATUALMENTE: A jornada padrão é de oito horas por dia e de 44 horas semanais, com possibilidade de quatro horas extras, totalizando 48 horas semanais. O QUE O GOVERNO PROPÕE: O cumprimento da jornada diária poderá ser negociado entre patrões e trabalhadores, desde que não ultrapasse o limite máximo de 220 horas mensais e de 12 horas diárias. REPRESENTAÇÃO DE TRABALHADORES COMO É ATUALMENTE: Em empresas com mais de 200 empregados, a Constituição permite que seja eleito um representante dos trabalhadores para negociar com os patrões. Porém, como não há regulamentação sobre isso na CLT, sua aplicação é impedida. O QUE O GOVERNO PROPÕE: Nas empresas com mais de 200 empregados, passaria a ser autorizada a eleição de um até cinco representantes dos trabalhadores. O mandato é de dois anos, com possibilidade de reeleição e garantia de emprego por até seis meses após o final do mandato. ACORDOS ENTRE PATRÕES E EMPREGADOS COMO É ATUALMENTE: Acordos coletivos assinados entre sindicatos e patrões que conferem mais direitos aos trabalhadores têm força de lei, e devem ser cumpridos. Acordos que ferem a legislação trabalhista ou reduzem direitos dos empregados podem ser contestados na Justiça e revogados. O QUE O GOVERNO PROPÕE: A convenção ou acordo coletivo entre sindicatos e patrões terá força de lei quando tratar de 13 temas, incluindo jornada de trabalho, férias, intervalo para descanso, banco de horas, registro de jornada e remuneração por produção. FÉRIAS COMO É ATUALMENTE: Os trabalhadores têm direito a 30 dias ininterruptos de férias por ano. O QUE O GOVERNO PROPÕE: Os 30 dias serão mantidos, mas com a possibilidade de serem divididos em até três períodos durante o ano, com pagamento proporcional aos respectivos períodos, sendo que uma dessas frações deve corresponder a, pelo menos, duas semanas de trabalho.

“O direito do trabalhador está e deve ser assegurado. Precisamos atualizar procedimentos e modernizar modos de operação”

Haroldo Massa, presidente do Consurt Ministério do Trabalho, Auditoria Fiscal do Trabalho e, no próprio Judiciário, um viés ideológico fortíssimo, um ativismo judicial sem precedentes na história. O discurso do patronato opressor e do coitadinho do trabalhador explorado é coisa do século passado”, reclama Furlan. O dirigente da CNI lembra que 85% das empresas brasileiras são micro, pequenas e médias. E são justamente essas as maiores vítimas da insegurança jurídica nas relações trabalhistas. “O empresário brasileiro não é só Gerdau, BRF, Nestlé. O empresário brasileiro é o pequenininho, é o que está perdendo a sua empresa por causa de um cara que ganha R$ 2 mil por mês e, quando sai da empresa, entra com uma reclamatória de R$ 180 mil, R$ 200 mil na Justiça. Criamos indústrias no Brasil, a indústria do dano moral, a indústria da reclamação trabalhista. Esse é o problema”, observa Furlan. Essa mesma preocupação foi revelada pelo ministro do Trabalho, em audiência na Câmara dos Deputados. “Dos 39 milhões de empregos formais existentes no Brasil, 85% são de micro e pequenos empresários. Às vezes, são micro e pequenas empresas que geram cinco empregos. É um pequeno empreendedor que paga aluguel, não tem nem casa para morar, seus filhos estudam em escola pública, mas estão gerando emprego. Precisamos de uma legislação trabalhista que traga segurança jurídica para esse empreendedor”, almeja Ronaldo Nogueira. Para micro, pequeno, médio ou grande empresário, a urgência da aprovação da reforma trabalhista parece se tornar maior a cada dia. Antes que a situação do país fique ainda pior, como alerta Haroldo Massa. “O direito do trabalhador está e deve ser assegurado. Precisamos atualizar procedimentos e modernizar modos de operação. O avanço, quando concluirmos essa reforma, não será significativo, mas representativo. Espero que não seja muito tarde. E que não ultrapassemos os 13,5 milhões de desempregados”, anseia o presidente do Consurt, da Findes.

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Registro

Mills tem o melhor instrutor do mundo no uso de plataformas aéreas

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técnico sênior Anderson Puff, da Mills, foi escolhido em abril como o melhor instrutor de plataformas aéreas do mundo pelo Iapa Awards, premiação organizada pelo International Powered Access Federation (Ipaf). A empresa introduziu as plataformas aéreas no mercado brasileiro em 2008 e vem divulgando as vantagens do uso do equipamento, que resulta em ganho de produtividade e segurança na execução de trabalhos em altura. O case apresentado pela Mills ficou entre os melhores projetos do ano e mostra a utilização de plataformas aéreas de forma inovadora, em ambientes não convencionais.

Trabalho do técnico Anderson Puff foi reconhecido pelo Iapa Awards

Para o diretor comercial da Mills, Daniel Brugioni, a premiação como melhor instrutor do ano é um sinal do bom trabalho desenvolvido pela empresa. “Essa premiação é parte do reconhecimento da Mills nesse segmento. Nosso Centro de Treinamento já foi reconhecido como o melhor do mundo, e nessa premiação continuamos no topo da lista”, falou ele. E de fato a Mills conseguiu 10 indicações em seis anos consecutivos, que renderam três premiações. A utilização de plataformas aéreas para a realização de trabalhos em altura vem crescendo no Brasil, e a empresa oferece uma prestação de serviço diferenciada, com uma grande frota disponível e unidades estrategicamente localizadas por todo o país, que servem para facilitar o acesso às máquinas.

Conferencista norte-americano realiza treinamento na Imetame Com o tema “Líderes conscientes num mundo inconsciente”, aconteceu na Imetame, em Aracruz, uma nova etapa de treinamento com o norte-americano Bob Mandel. Realizado entre os dias 31 de março e 2 de abril, o treinamento ofereceu aos colaboradores da empresa a oportunidade de fazer uma autorreflexão, compreendendo suas histórias e o que cada momento traz como lição que seja útil para o trabalho e a vida social. “Todos os dias eu me esforço para fazer do mundo um lugar melhor”, afirmou Mandel, que é escritor, consultor e conferencista de fama internacional, sendo licenciado em Filosofia e Literatura Inglesa. Com livros publicados em vários

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países, ele leva a diferentes plateias assuntos como amor, trabalho e dedicação. Mandel é um vanguardista no trabalho de desenvolvimento pessoal, sendo responsável pelo International Seminars Leadership Program (ISLP), que tem o objetivo de treinar indivíduos, casais, famílias e empresas. Para os capixabas, o treinamento foi muito produtivo e inspirador. “Sou grato primeiramente a Deus por fazer parte desse treinamento. Pude entender o quão importante é estar em conexão com outras pessoas e por isso, falar, ouvir e ser ouvido. Foi importante para meu crescimento pessoal, espiritual e profissional, e com certeza irei aplicar no meu dia a dia tudo o que aprendi”, disse Reginaldo Moura, supervisor da Imetame.


Artigo

Clóvis Vieira é economista e sócio-diretor da Rosenberg Associados

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Brasil: retomada lenta e gradual

o Brasil, a recuperação da atividade econômica continua ocorrendo de maneira lenta e gradual, de acordo com os números até então divulgados. Depois dos dados frágeis de comércio e serviços de janeiro, recentemente tivemos a divulgação da produção industrial de fevereiro, que mostrou estabilidade na margem, porém em patamar mais elevado. Com base nos dados referentes ao setor automobilístico de março, confirma-se o sentimento de recuperação ao mostrar aumento das vendas na comparação interanual, pela primeira vez desde março de 2014. Cabe ressaltar que a inflação de março, de 0,25%, registrou a menor variação (0,96%) para o período desde o início do Plano Real. As medidas do núcleo corroboram o processo de queda da inflação em curso, com destaque para o declínio nos grupos de serviços e de produtos industriais. O bom comportamento no grupo de alimentos está sujeito a volatilidades climáticas/choques de oferta de curto prazo e foi o maior responsável pela aceleração do movimento recente de queda do índice – o que pode significar que, à medida que o choque benigno sobre tais preços perca a força, o ritmo de queda pode ser menor, mas ainda bastante condizente com as demais variáveis de emprego e atividade. Portanto, enquanto as contas externas e a inflação só nos dão alegrias, domesticamente, a dificuldade para aprovação da reforma da Previdência vai sendo percebida e atacada. A recente pesquisa efetuada no Congresso peca pelo fato de nos mostrar estaticamente um placar dinâmico, refletindo a reação a uma proposta que ainda não é a final. Sabe-se que a reforma é necessária para auxiliar na retomada da confiança e no crescimento da economia, mas os políticos querem evitar ao máximo a vinculação de sua imagem ao projeto, pois a reforma é

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vista como impopular. Esse ajuste da Previdência é essencial para a sustentabilidade das contas públicas nos próximos anos, e temos de aproveitar o atual cenário favorável da economia mundial para realizá-lo. Cabe lembrar que, recentemente, o Governo Federal alterou a meta fiscal de 2018, passando de um déficit de R$ 79 bilhões para R$ 129 bilhões, devido à urgência do envio do projeto da LDO de 2018 ao Congresso. A meta anterior era baseada em uma retomada da atividade econômica mais robusta, que tem se mostrado mais lenta que o esperado. O governo tenta evitar a situação desconfortável ocorrida neste ano, quando estipulou uma meta fiscal ambiciosa prevendo um crescimento do PIB de 1,6% em 2017, tendo sido recentemente forçado a revisar para baixo o desempenho do PIB, o que provoca uma substancial redução da arrecadação esperada. Ainda, com a decisão política de não aumentar impostos e tampouco alterar a meta fiscal de 2017, o governo teve que realizar um grande contingenciamento de gastos e recorrer a diversas fontes de receitas extraordinárias. Para 2018, lembrando que se trata de um ano de eleição geral, aumentos de impostos provavelmente estão descartados. Isso implica uma trajetória mais lenta de recuperação fiscal e reforça a necessidade de avanço das reformas. Cabe lembrar que o resultado primário só deverá retornar ao terreno positivo ao redor de 2020-2021. Assim, aguardemos os desdobramentos das ações em curso, especialmente com relação às incertezas que temos em nosso ambiente político, resultantes do levantamento do sigilo das delações dos executivos da Odebrecht e do parecer do relator da reforma da Previdência. Mas seguimos otimistas com a recuperação esperada para os próximos anos.


Registro

Palestra abordou introdução da NR-12, adequação à norma e riscos legais e econômicos, entre outros assuntos

Evento sobre NR-12 tira dúvidas do setor metalmecânico

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m dos países que mais sofrem com acidentes de trabalho no mundo, o Brasil ainda precisa avançar muito quando o assunto é prevenção. Segundo dados mais recentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 612.632 acidentes de trabalho foram registrados no país em 2015. O setor de serviços respondeu por quase 56% dos acidentes com registro e a indústria, com 41%. Diante desse cenário, é fundamental a atenção para normas como a NR-12, que trata de requisitos mínimos para o trabalho seguro em máquinas e equipamentos, englobando desde o projeto até o descarte das máquinas e as diversas interações com os trabalhadores em todas as fases de utilização. Para esclarecer detalhes dessa norma, o Sindifer realizou em seu auditório, no dia 12 de abril, a palestra “NR12”, com o analista de automação David Bergami Soares.

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O público, que compareceu em grande número, tirou dúvidas sobre adequação e documentação necessária, entre outros assuntos. “Muitas perguntas relevantes foram levantadas. E esse interesse é algo muito bom. A importância da NR é total. Ela tem força de lei, veio para complementar as lacunas que a CLT não comtempla. As normas são fundamentais, voltadas para a proteção do trabalhador, e ainda ajudam as empresas no processo de produção. A NR-12, em particular, pede máquinas em excelente estado, todos os registros, controle interno de qualidade. Ela é vista como um custo, quando deveria ser percebida como investimento para melhora contínua do negócio. A NR-12 é crucial para garantir a segurança e a saúde do trabalhador, além de proteger de complicações legais no futuro a empresa que a segue à risca . Eventos que tratem do assunto são muito úteis na adequação a esse tipo de norma”, afirmou o palestrante.


Registro

Produtividade é tema de palestra em Vitória

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eja em tempos de crise, seja em fases ou de bonança, a produtividade é fundamental para empresas de qualquer ramo de atividade. Mas, para produzir, é preciso saber aproveitar oportunidades e inovações disponíveis. Com essa premissa, o Sindifer realizou no dia 7 de abril a palestra “Produtividade - Desafios e estratégias para ser mais competitivo em 2017”. O evento, gratuito para os associados, aconteceu no auditório do sindicato e recebeu 80 pessoas. O palestrante foi Marcelo Lage, fundador da escola de inovação e empreendedorismo Startify. “Falamos sobre a situação do país, com uma retrospectiva sobre o mercado nos últimos 65 anos. O Brasil não apenas evoluiu pouco, mas também aumentou sua distância para outros países, inclusive vizinhos nossos, quando se fala em produtividade. O trabalhador brasileiro cresce muito lentamente. É preciso saber usar as evoluções da tecnologia e da gestão para aumentar a produção. Vivemos uma cultura de contingência a cada crise. Ficamos esperando sempre por mudanças reais, mas na verdade só repetimos o que já fazemos. Com isso,

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Marcelo Lage foi o palestrante do evento “Produtividade - Desafios e estratégias para ser mais competitivo em 2017”

não conseguimos dar um salto significativo no país. É preciso mudar isso”, falou o palestrante. Segundo Lage, o interesse do público foi um destaque. “O evento foi muito positivo, tivemos pessoas interessadas nesse importante tema. Muito se fala em produtividade, mas é preciso entender o que ela representa. A partir de iniciativas simples, baratas, podemos gerar um grande impacto na produtividade das empresas. As pessoas querem desenvolver os seus processos. No final, ficamos mais de 30 minutos conversando e respondendo a dúvidas. Foi um evento muito rico e cujo conteúdo elas podem levar para os seus negócios”, explicou.


Sustentabilidade Especial

Foto: Leonel Albuquerque

Por Mike Figueiredo

Licenciamento de cava pode ser a solução para a Samarco

A empresa poderá funcionar por dois anos com a nova estrutura para depositar os rejeitos

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Samarco pretende voltar a operar com 60% de sua capacidade já no primeiro semestre de 2017. A empresa apresentou em audiências públicas, realizadas em 14 e 15 de dezembro do ano passado, o projeto para o Governo de Minas Gerais licenciar uma cava na área da própria mineradora como alternativa temporária para depositar os rejeitos da produção. A permissão para utilizar o espaço confinado no Complexo Industrial Germano-Alegria, localizado em Ouro Preto (MG) e Mariana, torna possível a volta das operações sem ser necessária a construção de outra barragem como a que se rompeu em 5 de novembro de 2015. A mineradora está com suas atividades paralisadas há mais de 12 meses, desde o rompimento da barragem, que causou a morte de 19 pessoas e um gigantesco impacto ambiental, até o

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fim de 2016, quando aconteceram as audiências públicas. Todo esse período de inatividade representou uma perda de R$ 4,4 bilhões de faturamento direto e indireto na cadeia de produção da companhia. Além disso, os governos deixam de arrecadar R$ 989 milhões em impostos federais, estaduais e municipais. “O que aconteceu na barragem de Germano mudou a história da Samarco, da mineração no Brasil e da legislação do setor. Lamentamos muito todo o prejuízo causado e, principalmente, as vidas perdidas”, declarou o gerente de Meio Ambiente da Samarco, Márcio Perdigão, durante a audiência pública em Ouro Preto, em 14 de dezembro. Segundo Perdigão, o impacto da paralisação das atividades da Samarco é grande na sociedade porque a empresa representou, em 2014, 5,8% do PIB do Espírito Santo e 1,5% do PIB de Minas Gerais. “Nossa solução foi encontrar uma das cavas para


voltar a operar, gerar renda e impostos, e melhorar a situação dos empregos nesses estados”, complementa. Após o vazamento da barragem em Mariana, a Samarco teve de reduzir o quadro de pessoal; foram dispensados 924 empregados por meio de um plano de demissão voluntária, além de outros 153 por meio de um plano de demissão involuntária. Mas a situação pode se agravar ainda mais. A Tendências Consultoria Integrada produziu um estudo e concluiu que, se a paralisação da Samarco continuar, quase 20 mil vagas diretas e indiretas de emprego estarão em risco. Minas Gerais será o estado mais afetado, podendo perder mais de 14 mil vagas, enquanto o Espírito Santo poderá deixar de contar com mais de 4 mil postos de trabalho. As audiências Um total de 1,3 mil pessoas participou da audiência pública em Ouro Preto, em 14 de dezembro, quando a Samarco apresentou à comunidade o projeto de licenciamento da cava de Alegria Sul. Já em Mariana, a audiência aconteceu no dia seguinte, 15 de dezembro, e um total de 1,8 mil pessoas esteve presente.

A Arena Mariana recebeu mais de 1.800 pessoas no dia 15 de dezembro, durante a audiência pública da Samarco no município

Compareceram aos locais das audiências moradores dos municípios afetados, funcionários da Samarco e representantes da sociedade civil, de organizações não governamentais, do poder público e de entidades de classe. Após a apresentação do projeto de licenciamento, o direito à palavra foi estendido ao público, e as inscrições foram abertas a quem quisesse se manifestar. A coordenadora do movimento “Justiça

Sim, Desemprego Não”, Poliane Freitas, defendeu a permanência da Samarco e a importância da companhia para a região. “A empresa está cumprindo todos os compromissos assumidos com as comunidades atingidas, desde o começo. Eu acompanho de perto porque represento uma dessas comunidades”, relatou. “Esse foi um momento muito difícil e acreditamos que a empresa tem condições de voltar a operar, porque nosso

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Sustentabilidade

“Quem precisa da Samarco são os trabalhadores diretos e indiretos. Para cada emprego gerado pela empresa, outros 13 são criados indiretamente. A paralisação provocou um enorme prejuízo econômico e social, mas temos a plena confiança de que a empresa arcará com sua responsabilidade” Manoel de Souza Pimenta, vice-presidente da Findes e diretor do Sindifer

povo quer e precisa trabalhar. Queremos justiça, mas a Samarco deve ficar”, defendeu. Além de representantes da comunidade, lideranças sindicais também manifestaram apoio à volta das operações. “Não se trata de defender a Samarco, mas sim os trabalhadores, que estão perdendo seus empregos”, declarou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos (MetaBase) de Mariana, Sérgio Alvarenga. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Espírito Santo (Sindimetal-ES), Sérgio Luiz Guerra, também falou da dificuldade pela qual a categoria passa. “Nosso interesse é que a Samarco volte a funcionar o mais rápido possível. Sou funcionário da empresa há 32 anos e é muito triste ver colegas desempregados e passando dificuldade no dia a dia para procurar trabalho. Inclusive, muitos terceirizados também perderam seus postos”, contou Guerra. Comitiva capixaba apoia Samarco As audiências da Samarco em Ouro Preto e Mariana contaram com a participação de um grupo de representantes de empresas e de entidades, que saiu do Espírito Santo para prestar apoio à aprovação do licenciamento ambiental do projeto da cava de Alegria Sul. A comitiva contou com 30 pessoas e foi organizada pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Espírito Santo (Sindifer) e pelo Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (Cdmec). Durante as audiências, algumas das lideranças demonstraram publicamente seu apoio e a importância do retorno às operações da Samarco. Segundo o vice-presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Manoel de Souza Pimenta Neto, o número de pequenas empresas paralisadas devido à interrupção das atividades da mineradora é grande, e a quantidade de desempregados é preocupante. “Metade da economia capixaba é representada pela indústria. Além disso, a empresa precisa continuar a funcionar até mesmo para cumprir o compromisso que assumiu depois do acidente com a barragem”, discursou Pimenta.

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A cava de Alegria Sul não possui conexão física com as barragens da Samarco e poderá reter 17 milhões de metros cúbicos de rejeitos após a construção de um dique de dez metros feito em solo compactado

“A arrecadação do ICMS do município de Mariana ainda não foi afetada pela paralisação da Samarco porque o imposto só chega à cidade dois anos depois. Então, a partir de novembro de 2017, o impacto vai ser ainda maior nas contas públicas e teremos uma nova queda de receita” Duarte Júnior, prefeito de Mariana

“Nós acreditamos na capacidade da Samarco de assumir responsabilidades e superar desafios. Não podemos voltar atrás e mudar a história, mas devemos construir um futuro mais justo para os afetados. Somos a favor do retorno da empresa para que a economia do Espírito Santo volte ao normal”, afirmou o diretor do Sindifer Antônio Prando. O subsecretário de Estado de Polos Industriais, Sérgio Gianordoli, também destacou a importância da empresa para o equilíbrio econômico do Espírito Santo e acredita que o diálogo é a melhor maneira de encontrar uma solução para enfrentar essa crise. “A Samarco representa muito para o PIB capixaba, e o resgate do emprego e da renda é vital para a retomada do crescimento econômico. Esperamos que a recuperação seja realidade e que haja o envolvimento dos municípios, estados, Ministério Público e população”, defendeu.


“O resgate do emprego e da renda é vital para a retomada do crescimento econômico e, juntos, vamos encontrar no diálogo uma solução para enfrentar esse problema. Esperamos que a recuperação seja realidade e que haja o envolvimento dos municípios, estados e população” Sérgio Gianordoli, subsecretário de Estado de Polos Industriais

A SAMARCO ANTES DO ACIDENTE • 24,9 milhões de toneladas de minério em 2015, sendo 97% em pelotas e 3% em finos de minério de ferro; • 12ª maior exportadora do Brasil; • 3.027 empregos diretos, sendo 1.736 em Minas Gerais e 1.291 no Espírito Santo; • Receita correspondente a 5,8% do PIB do Espírito Santo e a 1,5% do PIB de Minas Gerais; •  7.000 empresas envolvidas na cadeia de fornecedores.

Já o presidente do Cdmec, Durval Vieira de Freitas, falou sobre a referência que é a Samarco na mineração e que espera uma nova fase no setor. “O projeto da cava é a solução adequada para a empresa operar nos próximos dois anos. Temos certeza de que, nesse período, a Samarco vai conseguir desenvolver soluções que podem até revolucionar a mineração no país”, apostou. O projeto da cava para depositar rejeitos O licenciamento da cava de Alegria Sul para dispor rejeitos é uma das etapas do planejamento operacional elaborado pela Samarco após o vazamento da barragem. No entanto, não é suficiente para a empresa voltar a operar a todo vapor. A cava pode confinar 14,5 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Outros 2,5 milhões de metros cúbicos ficarão retidos com o apoio de um dique de 10 metros de altura feito em solo compactado que será construído na borda da cava, resultando em uma capacidade total de armazenamento de 17 milhões de metros cúbicos. A obra vai garantir dois anos de operações para a Samarco. O diretor de Projetos e Ecoeficiência da Samarco, Maury de Souza Júnior, comentou sobre as alternativas que estão sendo desenvolvidas para a contenção dos rejeitos da mineração. “Além da utilização da cava de Alegria Sul, vamos desenvolver o projeto para usar outra cava que existe no complexo

da companhia. Isso dá condição para a Samarco operar até 2022 e voltar a seguir o plano diretor estabelecido antes do acidente”, explica. A estrutura em atual processo de licenciamento não possui conexão física com a barragem de Germano e com o Vale do Fundão, onde ocorreu o rompimento. Um sistema de bombeamento permitirá a retirada da água remanescente da disposição dos rejeitos. Essa água será reutilizada no processo de beneficiamento do minério e reduzirá a necessidade de captação de mais água. Caso a Samarco obtenha a aprovação das licenças, o planejamento operacional da empresa prevê uma produção de 18 milhões de toneladas de pelotas por ano, mesmo operando com 60% da capacidade. No Plano Integrado de Aproveitamento Econômico, protocolado no Governo Federal, a empresa previu uma produção de 36,7 milhões de toneladas de minério nos dois primeiros anos. Atualmente, a companhia possui reservas de 2,86 bilhões de toneladas de minério no Complexo de Germano. Segundo a empresa, esse volume, somado a toda a infraestrutura dos minerodutos e das quatro usinas pelotizadoras no Espírito Santo, garante condições de a Samarco continuar operando com competitividade no mercado internacional, caso consiga a aprovação dos órgãos ambientais. Assim como já ocorre com as estruturas remanescentes, a nova área de disposição de rejeitos terá monitoramento constante. Com o auxílio de câmeras, telões, drones, radares, estações meteorológicas e acelerômetro, uma equipe especializada realiza o monitoramento durante toda a semana, 24 horas por dia. Segundo Maury de Souza, a empresa já tem pesquisa para o desenvolvimento de produtos com a utilização do rejeito de minério. “Temos uma série de produtos que vão de telhados e pisos a pigmentos para tintas. Agora, buscamos parcerias para poder criar esses produtos e, dessa forma, reduzir ao máximo a necessidade de deposição de rejeitos”, revela.

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Especial Por Thiago Lourenรงo

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Benefícios e desafios para atuação integrada entre academia e setores produtivos Mapa do Trabalho Industrial do Senai identifica necessidade de formar mais de 13 milhões de trabalhadores até 2020. Para garantir que esses profissionais tenham condições de atender às demandas da indústria, é preciso investir na integração entre setores produtivos e instituições de ensino

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ais de 13 milhões de trabalhadores, nos níveis superior, técnico e de qualificação, deverão ser capacitados no Brasil até 2020. É o que constatou o Mapa do Trabalho Industrial 2017-2020, elaborado pelo Senai para subsidiar o planejamento da instituição na oferta de formação profissional. Entretanto, para garantir que essa mão de obra atenda às demandas do setor industrial, é preciso que haja uma atuação integrada entre empresas e instituições de ensino. Quando a academia e os setores produtivos atuam de forma integrada, todos se beneficiam. Ganham a academia, cujo papel é formar cidadãos aptos a transitar no mundo do trabalho,

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Especial

e as empresas, que são beneficiadas ao receberem profissionais aptos a contribuir em seus processos, a partir da aplicação de suas bases conceituais. “O papel da academia é formar cidadãos que possam contribuir para os processos produtivos a partir de suas bases conceituais. Nesse processo, o setor produtivo colabora por meio dos programas de estágio e visitas técnicas ou estabelecendo parcerias a partir de desafios tecnológicos ou sociais, com envolvimento dos nossos alunos. Tudo isso colabora com o processo de formação e desenvolvimento tecnológico ou social”, avalia o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Márcio Almeida Có. Para o reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Reinaldo Centoducatte, essa integração “não apenas é importante, mas também indispensável”. Ele acrescenta que “as universidades têm como missão principal preparar os profissionais nos diferentes aspectos relacionados com as demandas das diversas profissões, assim como estar permanentemente atualizando essa formação em função, por exemplo, dos avanços científicos e tecnológicos, das novas demandas da sociedade e da necessidade cada vez maior de aumentar a eficiência e eficácia do que é ofertado pelo setor produtivo”. Segundo informações do Mapa do Trabalho, das dez áreas que mais demandarão profissionais, sete estão em segmentos que possuem grande peso na economia do Espírito Santo: construção (3,8 milhões), metalmecânica (1,7 milhão), alimentos e bebidas (1,2 milhão), vestuário e calçados (974.592), petroquímica e química (327.629), madeira e móveis (258.570) e meio ambiente e produção (2,4 milhões). No Espírito Santo, diversos entes atuam em formação profissional, desde instituições públicas e privadas, incluindo ainda representantes de setores produtivos e também as entidades do Sistema S, como Senai, Senat e Senac. “O trabalho dessas instituições inclui a identificação das demandas dos setores às quais estão ligadas para garantir que haja uma sintonia entre o que o mercado busca e o que é oferecido em termos de mão de obra qualificada. Essa premissa é importante inclusive para garantir diferenciais competitivos ao Estado na busca por novos investimentos, visto que um dos fatores para instalação de empresas é a existência de profissionais capacitados a atuar em seu ramo”, pondera Márcio Almeida Có. Na avaliação do superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-ES), Fábio Dias, todas as organizações e lideranças políticas e empresariais devem inserir em seus discursos e agendas o incentivo à maior integração entre instituições de ensino, aluno e empresas. “A agenda da educação e sobretudo da qualidade dos nossos alunos que saem das universidades é certamente uma das maiores prioridades para o nosso país, e a responsabilidade é de todos nós, sem exceção”, garante. A integração entre instituições de ensino e setores produtivos tem grande importância para impulsionar o desenvol-

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“É o conhecimento que gera a inovação. Envolver nossos estudantes no processo de inovação é garantir que o profissional que estamos formando tenha condições de agregar mais valor e pensar a inovação no setor produtivo” Márcio Almeida Có, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação do Ifes

vimento científico e tecnológico do país. “A grande maioria das inovações demandadas pelo setor produtivo necessita, em geral, de uma abordagem científica mais elaborada, papel esse que as universidades realizam de forma natural. Por outro lado, as pesquisas científicas desenvolvidas nas universidades normalmente chegam à fase de prototipação, cabendo ao setor produtivo concluir o ciclo do protótipo ao produto. Logo, o sucesso do ciclo pesquisa-desenvolvimento-inovação será tão maior quanto maior for a integração universidade-setor produtivo”, afirma Centoducatte. O reitor da Ufes pondera ainda que a integração viabiliza a geração de produtos, processos e serviços inovadores “mais adequados às reais necessidades da sociedade e acompanhando a tendência na velocidade de mudança dessas necessidades em termos de qualidade, custos, diversidade, facilidades de uso e maior valor agregado”. Conhecimento gera inovação De acordo com a Pesquisa de Inovação (Pintec) 2014, divulgada em fevereiro de 2017 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 64% das empresas no país não investem em inovação, sendo que entre as que inovam, apenas 2,4% o fazem visando ao mercado mundial. O pró-reitor do Ifes avalia que quando comparado a países mais desenvolvidos, o investimento em inovação começou a se tornar realidade há pouco tempo no Brasil. “É o conhecimento que gera a inovação. Envolver nossos estudantes no processo de inovação é garantir que o profissional que estamos formando tenha condições de agregar mais valor e pensar a inovação no setor produtivo. No Espírito Santo, a indústria do conhecimento é uma opção viável ao modelo tradicional de desenvolvimento, pautado em grandes plantas industriais. Veja a situação da capital, sem espaço geográfico para abrigar novos parques fabris. Com o fortalecimento de uma indústria do conhecimento, é possível agregar valor à produção, que é mais limpa e requer menos espaço”, destaca.


Márcio lembra ainda que o processo de inovação e transformação de pesquisa em produtos passa por etapas relacionadas à pesquisa básica, provas de conceito, simulação, prototipagem, análises e teste, que a academia, dependendo do tema, tem muita condição de contribuir, especialmente para as pequenas e médias empresas, que em geral não mantêm corpo técnico dedicado a essas etapas do processo de inovação. “As pesquisas realizadas no Ifes têm contribuído muito para a inovação de processos industriais. Isso ocorre não só nos projetos de pesquisa, mas também nos trabalhos de conclusão de curso, seja na graduação, seja na pós-graduação. O desenvolvimento de produtos também ocorre, em menor escala. Um exemplo que posso citar é o desenvolvimento de sistemas inteligentes de medição de energia, desenvolvido em parceria com o Ifes, para a empresa Zaruc, com o apoio da Fapes, da qual coordenei uma das etapas. No início do segundo semestre deste ano a empresa deve lançar os produtos no mercado de medição com vistas à gestão de energia e à eficiência energética em ambientes coorporativos.” Levar inovação para o ambiente das empresas é uma preocupação cada vez mais constante. E as instituições de ensino podem contribuir muito nesse processo. “Essa parceria é fundamental, pois possibilita o uso de abordagens científicas mais elaboradas e de metodologias de desenvolvimento mais especializadas. Assim, as empresas podem acelerar seu processo de inovação, tornando-as mais competitivas e com produtos mais adequados, em termos de qualidade e preço, às necessidades da sociedade, além de possibilitar às empresas se inserirem num contexto mais global de mercado”, destaca o reitor da Ufes, Reinaldo Centoducatte. Desafios para a integração Segundo os especialistas consultados, os principais desafios relacionados à integração e ao desenvolvimento de

“A agenda da educação e sobretudo da qualidade dos nossos alunos que saem das universidades é certamente uma das maiores prioridades para o nosso país” - Fábio Dias, superintendente do IEL-ES

“As universidades têm como missão principal preparar os profissionais nos diferentes aspectos relacionados com as demandas das diversas profissões, assim como estar permanentemente atualizando essa formação” Reinaldo Centoducatte, reitor da Ufes parcerias para pesquisa com a academia, em geral, é ajustar os tempos de resposta, a busca pelo financiamento e o tratamento das questões burocráticas relacionadas ao estabelecimento das parcerias. “Um ente que está muito ligado à resolução desses gargalos e que pode puxar essa integração é o Estado, promovendo por meio de incentivos e de informações estratégicas a ligação entre empresa e academia. Para que as parcerias entre academia e setor produtivo se concretizem, é preciso firmar um convênio. Esse acordo vai estabelecer diversas regras, inclusive no que tange à propriedade intelectual. Garantir a celeridade desses processos é uma forma de facilitar essa relação porque os benefícios são muitos. Isso significa que há um interesse por parte da academia e dos setores produtivos de atuarem de forma cada vez mais integrada. Tivemos alguns avanços com o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação publicado ainda muito recente, no começo de 2016. Para que essa integração ocorra, as instituições de ensino precisam ter uma interlocução permanente com o setor produtivo. “Isso pode acontecer através de fóruns, workshops e outros encontros que visem a entender de forma clara qual o perfil de profissional que o mercado exige. Existem também algumas ferramentas que possibilitam essa integração, como estágio, bolsas e programas de trainees, enfim, que criam condições para que os jovens na fase do estudo possam colocar em prática o que estão estudando no banco das escolas. Porém, é importante que essas ferramentas sejam utilizadas de forma responsável, e não apenas como redução de custos de pessoal, desviando as atividades desses jovens para outras que não venham a agregar na sua formação”, conclui Fábio Dias.

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Registro

ArcelorMittal debate projetos socioambientais em Cariacica

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nvestindo sempre em questões socioambientais e culturais, a ArcelorMittal Cariacica segue criando parcerias com órgãos governamentais para o desenvolvimento de projetos que beneficiem a comunidade onde está inserida. Representantes da empresa e da Fundação ArcelorMittal se reuniram com a secretária municipal de Educação de Cariacica, Vanusa Stefanon Maroquio, e com o secretário municipal de Cultura, Erildo Denadai, para discutir ações da companhia realizadas na cidade. As reuniões aconteceram nos dias 24 e 27de março, na Secretaria Municipal de Educação, e no dia 29 de março, na Secretaria Municipal de Cultura. Entre outros assuntos, o encontro tratou de projetos como o Prêmio ArcelorMittal de Meio Ambiente (Pamma) e o projeto Vida + Segura, além de debater propostas de iniciativas culturais identificadas no Diagnóstico Cultural de Cariacica. “Na pasta da Cultura, já deixamos agendado um novo encontro para o mês de maio, em que apresentaremos o Diagnóstico Cultural para a classe artística do município, e planejamos promover um projeto de qualificação para eles”, disse Paloma Moreno, analista de Comunicação da ArcelorMittal Cariacica.

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Representantes da ArcelorMittal Cariacica estiveram em secretarias municipais no mês de março para debater projetos


Registro

MAR/ABRIL • 01

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Gestão Por Gustavo Costa

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Governo muda regras para conteúdo local no setor de petróleo O

governo federal reduziu para 50% a exigência de conteúdo local nas novas contratações de bens e serviços a serem utilizados pela indústria de petróleo na exploração e na produção em novas áreas. De acordo com a medida, anunciada no dia 22 de fevereiro, esse percentual passa a valer para a exploração em terra. Já nos blocos com campos situados no mar, em profundidade superior a 100 metros, o conteúdo mínimo será de 18% na fase de exploração, 25% nas plataformas marítimas, 25% na construção de poços e 40% em sistemas de coleta e escoamento. As mudanças passaram também pela redução das multas sobre os percentuais obrigatórios de conteúdo local que não forem respeitados pela indústria. No lugar dos pedidos de waiver (perdão) quando acontecia o descumprimento dos índices, agora serão aplicadas multas por descumprimento que começarão em 40% (com desconto de 30% se forem quitadas nos primeiros 10 dias após a notificação) e chegarão a 75%, e não mais a 100%. Com foco na indústria nacional, o governo já sinalizou que destinará recursos para a qualificação dos fornecedores da cadeia de petróleo, gerando mais competição com os importados. Parte dos recursos de pesquisa e desenvolvimento, correspondente a

Com percentuais obrigatórios menores e multas reduzidas, objetivo é aumentar a competitividade nacional

1% do faturamento das operadoras, será destinada a um programa com esse objetivo. Os próximos leilões da Agência Nacional de Petróleo (ANP) já serão realizados sob as novas regras: em setembro, acontecerá a 14ª rodada de licitações de blocos para exploração de petróleo e gás natural; e em novembro, o destaque será a terceira rodada de leilões de blocos no pré-sal. Para o secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Marcio Felix, os ajustes propostos servirão para aprimorar a política de conteúdo local nas atividades de exploração e produção, gerando o aumento da competitividade da indústria petrolífera no país. “Estão sendo definidos percentuais de conteúdo local considerados plenamente factíveis, de modo a se evitar a reserva de mercado e garantir que a indústria busque conduzir seus projetos de forma sustentável, contratando no país os itens que atendam a critérios de preço, prazo e qualidade. Nesse sentido, consideramos o retorno dos investimentos uma oportunidade que poderá ser determinante para a indústria local. Entendo que há o risco tecnológico, e ainda os baixos preços do petróleo no mercado internacional, que podem acirrar a competição para o fornecimento de bens e serviços”, frisou.

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Gestão

“Consideramos o retorno dos investimentos uma oportunidade que poderá ser determinante para a indústria local”

Marcio Felix, do Ministério de Minas e Energia Desdobramentos no Estado Um dos protagonistas quando o assunto é produção de petróleo e extração de gás natural, o Espírito Santo se prepara para as novas regras que afetam o conteúdo local. O Estado pode se beneficiar da existência de bons projetos de produção, além da vizinhança com o pré-sal, maior produtor de petróleo no Brasil. “Entendo que as empresas do Estado têm plenas condições para competir com empresas internacionais, visando ao fornecimento para a indústria petrolífera. No entanto, é necessário estarem atualizadas tecnologicamente e buscarem condições para atendimento à demanda atual e futura”, enfatizou o secretário. Felix acredita que o fato de o valor das multas para as empresas que não cumprirem as novas regras de conteúdo local também ter sido reduzido é, na verdade, uma forma de adequar a legislação à realidade do empreendedor. “Assim, há maior estímulo para a condução dos projetos em prol da descoberta de petróleo e gás, reduzindo-se a preocupação com a forma da execução, que muitas vezes atuava limitando o interesse das empresas em participar das próprias atividades de pesquisa, simplesmente com o objetivo de evitar

“Apesar de sermos ainda o segundo produtor de óleo e gás do Brasil, a nossa indústria voltada para esse segmento é recente. Acredito que sairemos ganhando com as mudanças” Luiz Alberto de Souza Carvalho, coordenadorexecutivo do FCP&G e diretor do Sindifer

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CONFIRA OS NOVOS PERCENTUAIS DE CONTEÚDO LOCAL: Áreas marítimas

18% 25% Exploração

Construção de poços

40% Sistemas de coleta e escoamento

25% Unidades Estacionárias de Produção (UEP)

Áreas terrestres

Produção

50%

50%

Exploração

Fonte: Governo Federal

o desbalanceamento do orçamento do projeto e evitar o pagamento de multas pela contratação de itens a fornecedores internacionais”, argumentou ele. Já o coordenador-executivo do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás (FCP&G) e diretor do Sindifer, Luiz Alberto de Souza Carvalho, afirma que as regras anunciadas podem resultar em desburocratização de investimentos, geração de empregos e incentivo à competição. “Essa posição do governo busca, com as novas regras, atrair o interesse das grandes operadoras internacionais. As regras anteriores tinham caráter punitivo, enquanto as atuais deverão atuar no sentido de bonificar as operadoras que forem além da regulamentação mínima de conteúdo local. Apesar de sermos ainda o segundo produtor de óleo e gás do Brasil, a nossa indústria voltada para esse segmento é recente. Acredito que, de uma forma geral, sairemos ganhando com as mudanças”, destacou. Para Carvalho, o Estado precisa trabalhar para buscar desenvolver tecnologia, aliando-se às empresas importantes fornecedoras na exploração e na produção offshore. “Empresas como Schlumberger, Aker Solution, Technip, FMC, GE, Hallibourton e tantas outras, que são cocriadoras de novas tecnologias e que atuam em conjunto com as operadoras. O Estado tem uma ambiência política, acadêmica e empresarial preparada para participar desse momento ímpar.” O dirigente termina dizendo que as empresas podem se habilitar ao desenvolvimento de novas tecnologias por intermédio do FCP&G. Mudanças anunciadas, resta ver como o mercado reagirá e os reflexos disso para o setor petroleiro nos próximos anos.


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Artigo

José Luciano de Mattos Dias é mestre e doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj)

A

2018: um cenário político promissor

edição da revista The Economist de 16 de março de 2017 traz, em sua capa, a bandeira do Brasil. Ela mesma, verde e amarela, posta sobre um balão que se ergue no céu da recuperação mundial. Após anos de crise política e recessão, o balão verde-amarelo surpreende, ao lado das bandeiras de Índia, Japão, Reino Unido, China, Comunidade Europeia e Estados Unidos. O motivo da capa é celebrar a imprevista recuperação mundial – e, de fato, as grandes economias mundiais alçam voo em direção a horizontes desconhecidos. Nos Estados Unidos, para começar, tomou posse um presidente da República que é um empresário bem-sucedido. Não é um mero operador político. Prometeu defender o emprego dos norte-americanos e, como chefe do Executivo, está conduzindo diretamente negociações com empresas e liberando negócios. Na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi continua levando à frente uma interessante mistura de movimento religioso e reforma econômica desde 2014 e colheu, recentemente uma vitória eleitoral espetacular no estado de Uttar Pradesh, cuja população é do tamanho da brasileira. O apelo da reforma econômica foi tão forte que dividiu o voto dos muçulmanos locais, sempre temerosos de votar em partidos hindus. A China também experimenta reformas, enquanto o Reino Unido começa a aventura do Brexit, calibrada para produzir a experiência do “país-empresa” no berço do capitalismo e das finanças internacionais. São tempos estimulantes e fascinantes. E o Brasil? É apenas ar quente no balão verde e amarelo que sobe na capa de The Economist? Não. O impeachment da presidente Dilma Rousseff abriu caminho para que o país reconstruísse uma maioria parlamentar e, assim, formasse um governo capaz de cumprir metas e avançar com reformas. O país, na prática, voltou a ter um governo. No curto período de alguns meses, a legislação do petróleo foi modificada, abrindo novamente espaço para o investimento privado, a Petrobras recuperou valor na Bolsa e uma emenda constitucional limitando os gastos

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federais foi aprovada ainda em 2016. Neste ano de 2017, uma nova repatriação de ativos já foi aprovada, assim como uma lei de terceirização da mão de obra. São fatos, não são promessas e planos. Para compreender, contudo, a novidade do cenário político, é preciso ir além dos fatos. Vamos examinar, então, as novidades. O resultado das eleições municipais, por exemplo. Foram realizadas em meio à maior recessão da história do país e não produziram uma vitória sequer de candidatos radicais ou estranhos à política partidária. Os partidos de esquerda, que tentaram nacionalizar a campanha, atacando as reformas, sofreram uma derrota sem precedentes nas urnas. Na cidade de São Paulo, por sinal, um candidato do PSDB, João Doria Jr, prometeu reformas e privatizações sem qualquer cuidado. Disse, em campanha, que iria vender ativos e fazer parcerias com o setor privado. Foi eleito no primeiro turno, fato inédito na vida política da maior cidade do Brasil. Na primeira pesquisa de avaliação de seu governo, divulgada pelo Datafolha em 12 de fevereiro de 2017, a soma dos conceitos “bom” e “ótimo” chegou a 44%. Não é a única liderança partidária sem medo da reforma e da privatização. Vários prefeitos, em todo o país, tomam o mesmo caminho. É novidade também a reação da sociedade diante da crise das administrações estaduais no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. Apesar dos parcelamentos dos salários dos funcionários e da crise nos serviços públicos, não há apoio popular nem para a elevação de impostos nem para os movimentos de funcionários. As ruas continuam vazias, como se os contribuintes soubessem muito bem o que está em jogo. Há mais. Os desdobramentos da Operação Lava Jato criaram a possibilidade concreta de uma reforma fundamental da política brasileira. O modelo de financiamento de campanhas esgotou-se tanto no plano legal, quanto no plano policial. O Supremo Tribunal Federal já decretou inconstitucionais as doações de empresas e o país


caminha para o financiamento público de campanha. Esse passo exige a moralização da vida partidária. Não será possível destinar mais recursos públicos para eleições sem uma redução no número de legendas e sem reforma dos estatutos partidários. Na vaga de indiciamentos e processos produzida pela Lava Jato, também é possível perceber um horizonte de renovação de lideranças políticas. Muitos nomes já foram inviabilizados politicamente e muitos ainda o serão, abrindo caminho para uma nova geração de líderes. Na verdade, examinando as manifestações da opinião pública nas urnas em 2016, nas ruas e nas sondagens é possível notar uma mudança mais profunda de valores. Quem estuda as pesquisas realizadas na última década pode constatar o contraste entre a posição claramente conservadora do eleitorado brasileiro e a aparente hegemonia dos candidatos presidenciais de esquerda. O eleitor que votou nos presidentes Lula e Dilma sempre foi favorável, por exemplo, à propriedade privada, à lei e à ordem, contra a reforma agrária e até mesmo favorável à pena de morte. Essa contradição, ao que tudo indica, está sendo superada pelo impeachment. A emergência de lideranças de direita é hoje um fenômeno evidente, acompanhada por uma pressão reformista sentida por todos os governos no Brasil. A retórica do populismo está, hoje, na defensiva. É essa a promessa do novo cenário político brasileiro.

Para compreendê-lo, é preciso deixar de olhar para trás e mapear as promessas à frente. Os escândalos de corrupção, as prisões de lideranças políticas e empresariais e a revelação dos esquemas de financiamento de campanhas ainda ocupam o noticiário com grande destaque, mas já pertencem ao passado. Muitos precedentes foram derrubados nos últimos três anos e consolidaram um novo ambiente. Não é mais possível dizer que senadores nunca são presos; nem que os presidentes da Câmara e do Senado estão fora do alcance do Poder Judiciário. A tensão que ainda ocupa o noticiário, assim, vai perder substância logo à frente, com as novas eleições. Quando os escândalos e nomes do presente forem se diluindo no tempo, restará à sociedade brasileira uma nova forma de ativismo político, digital e não digital, diferente daquela do passado, muito mais inteligente e diversa. Neste novo momento, o medo das privatizações e das reformas terá passado, e elas serão defendidas não tanto pelos governos, mas pelos cidadãos informados. O populismo terá saído de cena não apenas por um fracasso econômico, também com a imagem marcada pelo roubo dos recursos públicos. A crença nos poderes do Estado estará consideravelmente reduzida. É para este momento que os atores políticos devem se preparar. As transformações serão muito rápidas. Não haverá retorno, e quem perder o barco, perdeu. É essa a promessa que está logo à frente, nas eleições de 2018.

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Registro

Um grupo de 40 pessoas acompanhou o evento, que trabalhou o tema “O despertar do poder feminino”

Sindifer celebra Dia da Mulher com workshop

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om o tema “O despertar do poder feminino”, o Sindifer realizou em 15 de março um workshop especial que marcou o Dia Internacional da Mulher. Com turmas nos períodos matutino e vespertino, o evento recebeu um público total de 40 pessoas. A palestrante foi a coach Gislene Ataíde, que disse ter saído do lugarcomum para falar sobre os pontos fortes das mulheres no dia a dia. “Trabalhamos o tema de forma muito significativa e diferente. Queríamos mostrar que as características femininas, como a intuição, a preocupação com os outros, o fato de saber lidar com várias coisas ao mesmo tempo, a maternidade, entre outras, são muito importantes e devem sempre ser cultivadas. É algo que deve ser falado, já que vemos muito a mulher preocupada só com ser

cada vez mais competitiva no mercado de trabalho. Nós queríamos justamente falar o contrário. A mulher deve, sim, ser valorizada por ser feminina. O público entendeu isso, e a participação foi muito boa. Tivemos uma plateia bem diversificada, com mulheres de várias faixas etárias e profissões. O feedback foi muito bom, chegamos até a criar um grupo em um aplicativo para falarmos mais sobre o assunto. Todas gostaram, o que é gratificante. Foi uma jornada rumo ao autoconhecimento”, disse ela. O Dia da Mulher é celebrado em todo o mundo em 8 de março e representa um reconhecimento à coragem, à dedicação e à luta feminina.

Universidade da Vale é premiada na França Competência ultrapassa fronteiras. É o que comprovou a Valer, universidade corporativa da Vale, que conquistou a medalha de bronze na categoria Inovação do prêmio do Conselho Global de Universidades Corporativas (GlobalCCU). A medalha foi entregue no dia 4 de abril, em Paris (França). A condecoração é concedida a cada dois anos pelo Conselho, que congrega grandes organizações de todo o mundo. Para chegar ao reconhecimento, a Vale apresentou iniciativas inovadoras que vem implantando nos últimos anos. Um exemplo foi a criação de uma Comunidade de Prática dos Líderes, uma plataforma

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on-line por meio da qual os mais de 2,7 mil líderes da Vale no Brasil e em Moçambique podem interagir e trocar experiências. A plataforma recebe aproximadamente 26 mil acessos por mês. Para Desiê Ribeiro, gerente-executiva de Educação e Gestão de Talentos da Vale, que recebeu a medalha em nome da companhia, o prêmio fortalece a reputação e a identidade da Vale como empresa que desenvolve cidadãos. “É uma premiação internacional e nos dá parâmetros de comparação com outras práticas de ponta, impulsionando-nos a buscar melhorar a cada dia” explicou ela.


Registro Registro

Plinio Pereira: para o palestrante, certificações são frutos de bons produtos e serviços oferecidos pelas empresas

ISO 9001:2015 é tema de palestra em Vitória

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certificação deve ser resultado do bom desempenho de uma empresa no mercado em que atua. Esse foi um dos pontos demonstrados na palestra “Atualização da NBR ISO 9001:2015 e a Gestão de Riscos”, realizada na sede do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer) no dia 10 de março. Voltada para empresas associadas, a primeira palestra do sindicato no ano foi ministrada pelo consultor Plinio Pereira, que atua na área de certificações da multinacional alemã TÜV Rheiland. Para ele, o alcance de uma certificação deve ser percebido como um sinal de que os produtos e serviços de uma empresa conquistaram clientes, demonstrando assim excelência nas suas atividades. De acordo com Plínio, a nova versão da ISO foi idealizada com o objetivo de fazer com que o empreendedor tenha a verdadeira noção do que significa melhorar processos e conquistar uma qualificação que, por sua vez, serve como vitrine da qualidade dos serviços que a empresa é capaz de oferecer. “Quando uma empresa de determinada região começa a exigir altos padrões de qualidade, ao menos 15 ou 16 fornecedores ligados a ela também vão começar a exigir. E aí a gente começa a ter produtos mais consistentes para

o mercado, atingindo a finalidade da certificação”, afirmou. Já o presidente do Sindifer, Lúcio Dalla Bernardina, aproveitou para destacar como o mercado mudou em relação à busca por certificações. “Antigamente, as empresas procuravam se certificar porque o fornecedor exigia isso por ser algo que deixa a empresa bem conceituada no mercado. Hoje eles já pensam a certificação como um fim, não como um meio”, frisou. Para o presidente, os investimentos que deverão ser feitos no Espírito Santo nos próximos anos reduzirão a diferença do Estado para os vizinhos do Sudeste no que se refere às oportunidades e ao crescimento das empresas locais em todas as frentes. “Os investimentos ajudarão em muito no seu desenvolvimento. Somente o setor petrolífero deve injetar cerca de R$ 30 bilhões até 2021. E para surfarmos essa onda de crescimento, é necessário que desenvolvamos mais tecnologias, busquemos parceiros e promovamos eventos”, enfatizou Dalla Bernardina. Cerca de 120 pessoas estiveram presentes à palestra e o feedback e a participação do público foram muito positivos, segundo comentou o presidente do sindicato. De acordo com ele, o Sindifer continuará promovendo durante todo o ano de 2017 eventos relevantes para os seus associados.

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Indústria Por Mike Figueiredo

Produtividade do brasileiro está estagnada há 35 anos e ameaça renda O atraso tecnológico, o peso dos impostos e a baixa qualificação são fatores que prejudicam o indicador 38

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s anos 80 ficaram conhecidos como a “década perdida” na América Latina, por causa da estagnação econômica que atingiu vários países dessa região. Para o Brasil, esse período também marca o fim do crescimento da produtividade nas empresas, que chegou a registrar uma taxa média anual de 3,5% entre 1950 e 1980, quando houve a transição da atividade agrícola para a industrial, mas o país enfrentou em seguida os piores anos, quando a taxa no país caía 2% ao ano, em média. Esses e outros dados foram divulgados pelo banco Credit Suisse, que elaborou um estudo publicado no início de 2017

pela imprensa nacional. De acordo com o texto, no acumulado dos últimos 35 anos (a partir de 1981), a produtividade por trabalhador brasileiro aparece estacionada. Entre 1991 e 2010, houve crescimento acumulado de 2,8% no índice. Porém, desde então, o país vem sofrendo novas quedas, com média de -1,1% ao ano. O relatório aponta, entre outros fatores, a baixa adoção de tecnologias nas empresas e o peso dos impostos como causas desse impacto na produtividade. Apesar disso, registrou-se a partir da década de 1980 um crescimento médio da renda per capita de 0,7% ao ano,

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Indústria

5 DICAS PARA MELHORAR A PRODUTIVIDADE DO TRABALHADOR Cada empresa encara uma rotina diferente das outras, mas há sempre questões em comum que devem ser observadas para que não se prejudique o índice de produtividade dos colaboradores. É necessário que o empregado saiba exatamente o que deve fazer, quando fazer e que não desvie seu foco de trabalho para atividades secundárias.

“Sem uma formação adequada, O empregado vai precisar ter um treinamento intenso, o que representa um investimento maior, mais tempo gasto e, por fim, uma produtividade menor” Vânia Goulart Lopes, psicóloga especialista em Psicologia Organizacional

PLANEJE AS TAREFAS: Quando o colaborador não conta com um planejamento de suas atividades, ele acaba se confundindo nas tarefas e desconhecendo as prioridades da empresa. ESTABELEÇA O FOCO: Quando o funcionário não sabe quais são as prioridades, pode acumular muitas tarefas e depois não dá conta de todas. O resultado é a tentativa de fazer muita coisa ao mesmo tempo, mas sem concluir da forma desejada. MOTIVE A CONCENTRAÇÃO NO TRABALHO: É sempre improdutivo para a empresa quando o colaborador traz uma carga de problemas pessoais, o que prejudica o andamento das tarefas, ou quando perde muito tempo com conversas durante o trabalho. Também há aqueles que ficam reféns do telefone celular e checam e-mail, redes sociais e aplicativos de mensagem constantemente. INCENTIVE A CRIATIVIDADE: Muitos profissionais ficam desmotivados e não tentam desempenhar sua função com criatividade. Sem fazer um trabalho diferenciado, entregam-se ao comodismo e à falta de motivação. DEIXE DE LADO A PROCRASTINAÇÃO: Se os processos da empresa já contam com um bom planejamento, não há motivo para adiar a execução das tarefas. Deixar para outro o dia o que se deve fazer hoje só atrapalha o trabalho, estressa o colaborador e dá prejuízo à empresa.

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graças ao aumento do número de pessoas no mercado de trabalho. Segundo o estudo, a alta do rendimento médio se deve ao aumento da taxa de emprego entre 1981 e 2016, período em que o crescimento da produtividade do trabalho ficou parado. De acordo com informações de um relatório divulgado pelo Insper em 2016, o aumento entre 30% e 50% na renda per capita nos anos 2000 é resultado da elevação do número de pessoas ocupadas no mercado de trabalho. Dessa forma, a aposta para melhorar a renda média a partir de agora é na produtividade do trabalho, já que não é esperado para os próximos anos que o mercado absorva cada vez mais pessoas. O estudo “Evolução da Produtividade do Brasil: Comparações Internacionais” foi elaborado pelo Centro de Políticas Públicas do Insper e comparou a produtividade de vários países, como Brasil, México, Coreia do Sul e Estados Unidos. A análise mostra que o Brasil teve o pior desempenho entre as nações estudadas. Com exceção dos EUA, que são referência em alta produtividade, os países selecionados estavam numa situação econômica semelhante à brasileira no início do período analisado, a partir de 1965. Produtividade brasileira é 25% da americana São necessários quatro brasileiros para realizar o trabalho de um americano. Apesar de não ser exatamente dessa forma, os números da produtividade indicam que uma pessoa nos Estados Unidos representa, em média, uma receita de US$ 118.826 por ano, com dados de 2015. Já por aqui, o trabalhador gerava naquele mesmo ano, US$ 29.583. Segundo o consultor em inovação Marcelo Lage, pode-se destacar dois motivos pelos quais os índices de produtividade no Brasil são ruins. O primeiro deles tem relação com a forma de cálculo, porque os índices são baseados na riqueza produzida por trabalhador.


RANKING DA PRODUTIVIDADE Quantos trabalhadores são necessários para produzir o mesmo que um americano? Enquanto os Estados Unidos conseguem fabricar um produto com apenas um trabalhador, no Brasil, são necessárias quatro pessoas para fazer o mesmo trabalho. Este é um dos piores cenários desde a década de 1950.

ESTADOS UNIDOS

CHILE

BRASIL

RÚSSIA

CHINA

Fonte: The Conference Board Total Economy Database, 2015. Elaboração: Portal da Indústria

“O Brasil é um país que ainda tem uma produção de baixo valor agregado. Logo, cada hora trabalhada resulta em um produto de valor menor que os eletrônicos e softwares produzidos nos Estados Unidos”, analisa. Lage ressalta que isso é consequência da baixa qualificação relativa da mão de obra nacional, resultado de um sistema educacional

antiquado, que pouco estimula o empreendedorismo e a inovação. Além disso, ele destaca o atraso tecnológico nos métodos de produção, que está ligado à baixa automação das plantas das fábricas quando se trata de robótica e de sistemas de informação. Para os níveis de produtividade brasileira aumentarem, um dos grandes desafios é o investimento que visa à melhoria da educação em longo prazo. Quanto mais rápido começar a reforma da educação nacional, com investimentos pesados na formação técnica, mais rápido chegará o resultado. Segundo a psicóloga Vânia Goulart Lopes, especialista em Psicologia Organizacional, a baixa escolaridade dificulta a adaptação do empregado à execução do trabalho, bem como o seu desenvolvimento na empresa. Há um descompasso causador da queda de produtividade que envolve a falta de clareza do trabalhador quanto à realização das tarefas e à capacitação de que ele necessita para executá-las. “Sem uma formação adequada, esse empregado vai precisar ter um treinamento intenso. Isso representa um investimento maior, mais tempo gasto e, por fim, uma produtividade menor”, explica. Outros fatores A baixa produtividade das empresas brasileiras está ligada também a grandes desperdícios. No ambiente empresarial, é comum faltarem recursos para execução das atividades, não haver planejamento das tarefas, acontecerem a quebra de equipamentos e defeitos na produção. O consultor Marcelo Lage alerta que esses desperdícios, embora pareçam pequenos, quando somados, são a principal causa de prejuízo nas organizações. “Para o empresário que deseja reverter a situação, minha sugestão é buscar conhecimento sobre um método de produção que o ajude a identificar e eliminar os desperdícios que ele mesmo tem nas mãos”, aponta. O consultor trabalha com o princípio do “Pensamento Enxuto”, um método baseado na experiência da Toyota e que hoje é aplicado em todo tipo de indústria, e até mesmo em instituições que prestam serviços, como hospitais e bancos. Vânia Goulart destaca a falta de clareza que o trabalhador brasileiro tem acerca de quais são e de como executar

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Indústria

suas tarefas. O papel do líder tem importância cada vez maior para superar os desafios e é fundamental haver engajamento da parte dele para que os empregados se sintam comprometidos. “É preciso traduzir o caminho mais rápido possível para quem está executando a tarefa e alinhar a estratégia da empresa para que quem está trabalhando possa entendê-la melhor. Se eu, como líder, não consigo traduzir para mim e para minha equipe, a produtividade tende a se reduzir.” Ela afirma que nem sempre um bom profissional, um especialista, se destaca num papel de liderança. Porém, a tendência brasileira ainda é fazer um bom funcionário virar líder, sobretudo porque, geralmente, é a única forma de avançar na carreira e receber melhores salários. “O tipo de líder de que precisamos é o que desenvolva o papel de engajar as pessoas dentro da estratégia da empresa, para que elas se sintam mais produtivas e desenvolvam tarefas com que possuem mais afinidade”, avalia. Vânia também acredita que um aspecto cultural nacional pode impactar negativamente a produtividade. “Nós, brasileiros, somos muito criativos, afetivos, e, por isso, costumamos ser muito próximos dos colegas de trabalho – o que pode

NÚMEROS DA PRODUTIVIDADE PAÍSES SELECIONADOS Em 1950, os americanos produziam, em média, cerca de US$ 40 mil anualmente, enquanto os brasileiros rendiam em torno de US$ 10 mil e os coreanos, menos de US$ 5 mil. Os coreanos ultrapassaram o Brasil no fim da década de 1980, quando a produtividade por aqui era um pouco menor do que a atual.

US$ 118.826 Estados Unidos

US$ 25.198

China

US$ 71.287 Coreia do Sul

US$ 29.583

Brasil

Fonte: Conference Board Total Economy Database (2015) e FGV. Elaboração: O Estado de São Paulo.

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Foto Alex Gouvea

“O Brasil é um país que ainda tem uma produção de baixo valor agregado. Logo, cada hora trabalhada resulta em um produto de valor menor que os eletrônicos e softwares produzidos nos Estados Unidos” Marcelo Lage, consultor em inovação

facilitar, mas, em contrapartida, se não houver uma liderança forte e foco no trabalho, a produtividade fica prejudicada.” Competitividade do Brasil é a pior desde 1997 O Brasil figura na 81ª posição no ranking da competitividade divulgado em 2016 pelo Fórum Econômico Mundial. Em relação ao ano anterior, o país perdeu seis posições, sendo esta a pior colocação na lista desde a primeira versão do relatório, publicada em 1997. Entre os grandes problemas que atingem o potencial de competitividade do Brasil, o relatório destaca o peso dos tributos, os casos de corrupção, a rigidez das leis trabalhistas e a ineficiência da burocracia estatal. Porém, o texto também destaca os aspectos positivos do país, como a maior inserção internacional, o espaço para o investimento privado e os investimentos em inovação tecnológica. A Suíça lidera o ranking da competitividade, seguida de Singapura, Estados Unidos e Holanda. O Fórum Econômico Mundial leva em consideração 118 variáveis que envolvem, por exemplo, a infraestrutura, os níveis de educação básica e superior, o mercado de trabalho, o investimento tecnológico e a inovação. Segundo o estudo “Indústria brasileira: da perda de competitividade à recuperação?”, publicado em novembro de 2015 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria brasileira perdeu competitividade nos últimos 10 anos, encolhendo sua participação no valor mundial de manufaturados de 1,83%, em 2003, para 1,66%, em 2013. O relatório da CNI mostra que o país vinha se recuperando desde 2011, porém a produtividade do trabalho na indústria brasileira, quando comparada com a dos principais parceiros comerciais do Brasil, continua em queda e ameaça o ganho de competitividade.


Perfil Indústria

Renato Vieira Ribeiro de Souza N

atural de Caxambu, cidade no sul de Minas Gerais, Renato Vieira Ribeiro de Souza é formado em Engenharia Metalúrgica e atua desde 1974 com aplicação de revestimento refratário e isolamento térmico. Depois de 25 anos trabalhando em uma empresa da área, Renato decidiu que era hora de criar a sua própria. Nasceu assim, no ano de 1999, a Reframax, que se consolidou no mercado aliando a um serviço de qualidade uma equipe sempre atualizada. O empreendedor reside hoje em Belo Horizonte, onde fica localizado o escritório central da Reframax, mas visita sempre o Espírito Santo. “A empresa foi criada em Minas Gerais, mas tem forte presença em terras capixabas. O Estado sempre foi de uma representatividade muito grande, em termos de faturamento. Aliás, empregamos aqui cerca de mil pessoas de um total de 2,5 mil funcionários que temos. É algo que mostra a importância com que percebemos o Espírito Santo”, afirmou ele. Após tornar a empresa uma referência em seu campo de atuação, Renato já iniciou os preparativos para a sucessão do negócio, dando oportunidade para uma nova geração. “Quando completei 60 anos, procurei a Fundação Dom Cabral para estudar o processo sucessório. E ouvi lá o seguinte conselho: ‘Faça um favor para a sua empresa e vá para o Conselho, deixando gente mais jovem tocar o dia a dia da organização’. E assim nós fizemos. Tivemos cinco anos de preparação e, além dos direcionamentos da Dom Cabral, tivemos o apoio da Bridge Business uma empresa de consultoria de São Paulo. Fizemos a sucessão há um ano e meio. Hoje eu estou na Presidência do

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Criador da Reframax, empreendedor prepara o caminho para que a empresa siga sua trajetória de sucesso Conselho. O Nelson Gorgulho é o nosso CEO e vem comandando a Reframax muito bem. Acho que a empresa só ganhou com isso. E mesmo em um momento de crise, estamos aumentando o nosso portfólio. Sinal de que nos mantemos no caminho certo”, falou ele, que afirma que a Reframax vem dando um importante passo rumo à diversificação das suas atividades, com a criação do setor de serviços complementares, realizando a montagem de acesso (andaimes), pintura industrial e manutenção eletromecânica. Renato lembra que sua família, sempre ao seu lado, também o acompanha na trajetória na Reframax. “Minha esposa, Ruth, participou desde o início da empresa e os meus três filhos me ajudam bastante: Eduardo está na Equipamax, cuidando dos equipamentos tanto da Reframax quanto do mercado em geral; Fernanda, que fez faculdade de Jornalismo, implantou o jornal na empresa e está na área de Recursos Humanos; Paula, formada em Direito, está na área jurídica. Somos muito unidos e tudo isso transparece no cotidiano da empresa, sempre com bons resultados”, enfatizou. O engenheiro diz que poder ter criado uma empresa como a Reframax é um orgulho e uma marca que levará para toda a vida. “O importante não é você chegar ao topo, e sim a caminhada até lá. E posso dizer que o caminho foi bem percorrido e com gente que sempre esteve presente para somar. Agradeço à família, ao grupo de trabalho da Reframax com sua grande qualidade técnica que se manteve unido ao longo da nossa trajetória, aos parceiros e aos clientes”, finalizou ele.


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Marketing Por Lui Machado

CRM: o caminho mais curto para a fidelização de clientes Coletar informações sobre os clientes e saber como utilizá-las pode ser um grande trunfo na hora de oferecer um atendimento de qualidade

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PRINCIPAIS FERRAMENTAS DO CRM

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uem lida com vendas, seja de que segmento for, sabe muito bem que nada é mais valioso para uma empresa do que um cliente fiel. A conquista do freguês é essencial não só para a consolidação de uma marca no mercado diante da concorrência, como também é diretamente responsável pelo faturamento da empresa em médio e longo prazos. Basta dizer que a retenção de apenas 5% de clientes pode levar a um aumento de 25% a 85% no lucro no futuro, de acordo com a estimativa publicada no artigo de Frederick F. Reichheld e Phil Schefter, pela Harvard Business School, e largamente replicado em livros e trabalhos sobre administração e marketing na academia brasileira. Conseguir a confiança do cliente, entretanto, não é um trabalho fácil. Pelo contrário, fidelizar a clientela é um processo que costuma ser lento e gradual e que exige não só investimento financeiro, mas também tempo e paciência. Ter informações sobre o público-alvo pode ser um belo atalho para construir essa relação de confiança. Detalhes como a preferência por determinados tipos de produtos, por comprar com cartão ou com dinheiro, a assiduidade com que ele volta a procurar a loja ou a marca, por exemplo, podem ser informações essenciais para construir um atendimento eficaz e garantir a fidelização daquele cliente. E é aí que a estratégia do Customer Relationship Manager (CRM) pode fazer toda a diferença. O que é? A sigla em inglês diz tudo: gerenciamento de relacionamento com o cliente. O termo é usado para designar um sistema integrado de gestão que reúne as informações de clientes reais ou potenciais em processos e tarefas de uma forma organizada e integrada. Apesar da explicação técnica e do nome pomposo, a prática do CRM é antiga. “Se analisarmos bem, o CRM nada mais é que aquela cadernetinha que o ‘Seu Zé’ tinha anotado com o nome, aniversário e telefone dos clientes de sua mercearia. O que aconteceu é que as coisas foram sendo aprimoradas com o passar do tempo, mas o princípio é o mesmo”, diz Leonardo Carrareto, fundador da Wis Educação, empresa especializada em consultoria e cursos voltados para o marketing. No mundo corporativo não há mais espaço para a “caderneta do Seu Zé”. No lugar dela, é cada vez mais comum o uso de bancos de dados e de softwares especializados para cruzar as informações obtidas, criando um padrão personalizado para cada cliente. Essas informações podem ser um trunfo importante na hora de oferecer o produto mais relevante para o consumidor. “Seja com o trabalho básico de pegar telefone e e-mail e mandar um cupom de desconto no aniversário do cliente, ouseja em algo mais complexo como fazer um relatório detalhado sobre o perfil da clientela para basear uma campanha publicitária, o CRM bem-feito traz possibilidades infinitas nesse sentido”, completa Carrareto. “O objetivo do CRM é antecipar as necessidades potenciais do cliente”, diz Riberto Araújo, sócio-fundador da Primvs, empresa de consultoria de gestão em negócios. Segundo ele,

O que dizem os sites especializados sobre os principais softwares de CRM do mercado: Salesforce Talvez seja o mais famoso dentre eles. Conta com planos para grandes corporações e pequenas empresas. Ponto positivo: possui um dos melhores e mais completos serviços do mercado, com funções intuitivas que facilitam o uso. Ponto negativo: sistema é baseado na nuvem, o que pode ser extremamente prático, mas não tão recomendável para negócios que demandam alta confidencialidade Microsoft CRM A ferramenta da Microsoft é voltada para a produtividade, porém, o software também conta com experiências em vendas, marketing e serviços. Ponto positivo: é interessante para quem utiliza ferramentas como o Office e o Outlook, além da possibilidade de integração com o Windows Phone. Ponto negativo: não é tão interessante caso não possua os outros produtos Windows para complementar. Oracle Dono de uma fatia de 10% do mercado, tem como foco a comunicação com os clientes, principalmente quando ela está voltada para as redes sociais. Ponto positivo: está na parte de comunicação com o cliente. Mesmo que ela aconteça por telefone, e-mail ou por meio das redes sociais, o software é capaz de gerir tudo de forma que a impressão é que todas as informações estão centralizadas em apenas um local. Ponto negativo: a ferramenta não é das mais intuitivas do mercado.

o conhecimento sobre suas preferências reduz consideravelmente o tempo necessário para conquistar a confiança do consumidor e torna mais certeiras as estratégias de marketing utilizadas para atingir o público desejado. Para Araújo, é inadmissível que as empresas não tenham informações sobre seus consumidores. “Não saber o básico sobre quem está de fato comprando o seu produto é como atirar no escuro. Ao mesmo tempo, o conhecimento aprofundado sobre a clientela é um trunfo para definir futuras campanhas e garantir a retenção da mesma”, ressalta ele. Implementação A forma de aplicar as práticas do CRM depende da necessidade e do objetivo de cada empresa. Por isso, antes de tentar colocar em prática, é preciso ter em mente qual o tipo que melhor se encaixa nas características de cada empresa. Principal teórico do marketing mundial na atualidade, o americano Philip Kotler separa a estratégia do CRM em quatro tipos: operacional, analítico, colaborativo e social.

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Marketing

O primeiro consiste na aplicação da tecnologia de informação para melhorar a eficiência do relacionamento entre clientes e empresa – por exemplo, a coleta de dados por meio do atendimento telefônico. Já o analítico refere-se à análise de informações e cenários, a partir de gráficos e dados utilizados para conhecer os clientes e identificar suas necessidades. Para isso, é imprescindível o uso de programas de armazenamento e processamento de dados que permitem obter uma visão mais consistente de cada cliente. O CRM colaborativo é caracterizado pela aplicação da tecnologia de informação que permite a automação e a integração entre todos os pontos de contato do cliente com a empresa. Por fim, há ainda o CRM social, que são a interação com o cliente e a captação de seus dados e informações compartilhadas em seus perfis nas redes sociais. “Ter a possibilidade de capturar o que o meu cliente está falando nas redes sociais sobre o meu produto e cruzar isso com as informações que eu já tenho na hora de fazer uma promoção, por exemplo, é uma vantagem enorme”, aponta Carrareto. Sobre a implantação da prática, Riberto Araújo aponta alguns passos essenciais para o sucesso. O primeiro é definir quais são os objetivos que a empresa quer atingir. Novamente, saber estudar as opções de tipos de CRM pode ser fundamental para traçar a melhor estratégia de negócios. Adquirir um software compatível com o porte da empresa também é decisivo para auxiliar as tarefas e criar uma rotina automatizada. No mercado há opções de softwares gratuitos e outros cujos planos têm mensalidades que podem variar de R$ 30,00 a R$ 1.000,00, dependendo do número de usuários do sistema. Como comparação, Araújo cita o exemplo da Primvs, uma empresa de pequeno porte com cerca de 1.000 contatos comerciais ativos. “Contratamos uma empresa húngara por cerca de €35 (35 euros) ao mês, para até cinco usuários. O tamanho e a complexidade do investimento são proporcionais aos portes do negócio e da base de clientes”, explica. A outra etapa imprescindível é comunicar a todas as áreas que terão interface com o processo. Ou seja, vendas, pré-vendas, financeiro, marketing, ouvidoria e todos os outros setores da empresa que venham a ter contato direto ou indireto com os clientes devem ser bem informados sobre o assunto. “É preciso que se crie mais intimidade com o cliente e fazer com que isso vire cultura em todos os setores da empresa”, diz Araújo. A mesma importância tem o treinamento dos usuários, ou seja, dos colaboradores. Desafios Para Carrareto, uma das maiores dificuldades na implantação do CRM consiste em moldar a cultura da empresa em torno da importância dessa ferramenta para o crescimento dos negócios. Ele lembra que os softwares, por mais avançados que sejam, sempre dependerão da operacionalização das pessoas. Para isso, normalmente é preciso ser feito um intenso trabalho de conscientização dos colaboradores sobre o quanto a coleta de dados é primordial.

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“Fidelizar um cliente é um trabalho que requer duas coisas básicas. Atendimento e qualidade. Todo o resto é secundário. Se você tiver serviço e qualidade, não há motivos para o cliente preferir um concorrente” Leonardo Carrareto, fundador da Wis Educação

“No Brasil a cultura de resultados rápidos ainda é muito forte, e geralmente é difícil fazer o colaborador se acostumar com a ideia de anotar quando o cliente foi à loja, por exemplo. É indispensável que ele entenda que a disciplina de sempre fazer esse registro é algo necessário e que, ao não fazê-lo, ele pode estar sabotando a si e à empresa”, esclarece Carrareto. Acostumado a lidar com esse trabalho de conscientização dentro das companhias, Araújo explica que essa reeducação da relação entre clientes e empresa não pode ficar restrita apenas aos funcionários. Os próprios donos, diretores e ocupantes de cargos mais altos costumam ter dificuldades em se adaptar à estratégia do CRM. “O brasileiro confia exageradamente no ‘achismo’. Há uma relutância cultural em implementar ou mesmo confiar na análise dos dados coletados”, diz. Para o consultor, muitos empresários são autoritários e tomam decisões sem levar em consideração as informações obtidas. Desacreditam dos outros colaboradores para seguir o próprio feeling. “Eles não valorizam os dados na tomada de decisões. Preferem seguir a intuição e se apoiam na experiência que têm no mercado, preterindo o processo de alimentação do CRM”, conta. Outro desafio, aponta Araújo, é o investimento, e isso não se relaciona apenas com o dinheiro. Embora haja softwares para todos os bolsos, sua aquisição é apenas uma parte do processo. “É preciso treinar as pessoas e, por vezes, investir também em hardware. Isso demanda certos recursos e tempo”, salienta. Carrareto frisa que o CRM é um meio, não um fim. A estratégia facilita que os objetivos da comunicação e do relacionamento com o cliente possam culminar em sua fidelização porque permite quebrar a barreira de falta de informação e coerência na hora de tomar as decisões. Nesse sentido, as empresas brasileiras ainda estão amadurecendo, e é importante que o façam, para que consigam alcançar o sucesso almejado. “Fidelizar um cliente é um trabalho que requer duas coisas básicas. Atendimento e qualidade. Todo o resto é secundário. Se você tiver serviço e qualidade, não há motivos para o cliente preferir um concorrente”, lembra Carrareto.


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Registro O evento “Investimentos Previstos: oportunidades e desafios”, reuniu representantes dos setores público e privado nacional e de outros países

Mec Show é lançada na Findes

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rincipal vitrine do setor metal mecânico capixaba, a Mec Show foi lançada no dia 17 de março, durante o evento “Investimentos Previstos: oportunidades e desafios”, realizado no auditório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes). A solenidade reuniu representantes dos setores público e privado nacional e de outros países. O presidente do Sindifer, Lúcio Dalla Bernardina, falou sobre a importância da feira, que acontecerá entre os dias 18 e 20 de julho, no Pavilhão de Carapina. “O Sindifer não tem medido esforços para atuar na aproximação cada vez maior entre as grandes empresas e seus fornecedores. E a Mec Show é oportunidade única para isso”, frisou. Consolidada, a feira recebeu em 2016 um público de mais de 16 mil pessoas, de 17 estados e de países como África do Sul, Bangladesh, Canadá, Chile, China, Estados Unidos, Itália, Malásia, México, Moçambique e Suíça. Já o presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico, Durval Vieira de Freitas, aproveitou o lançamento para falar sobre aproximação entre o mercado e as instituições de ensino e pesquisa. “Temos de melhorar constantemente a produtividade. Temos de ter conhecimento, inovar. As soluções em menor tempo e mais assertivas dependem

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essencialmente da aproximação entre as empresas e a academia”, disse. Segundo o coordenador da feira, Marcos Milanez Milaneze, o evento vai além de uma exposição de máquinas, equipamentos, serviços e produtos. “A feira busca oferecer aos participantes oportunidades para geração de negócios, capacitação profissional e networking. Fazem parte da programação: rodadas de negócios, encontro tecnológico, conferências, seminários, cursos, apresentações de trabalhos técnicos e homenagens setoriais”, frisou. Grande programação Entre as novidades da Mec Show, que este ano chega à sua 10ª edição, está a parceria firmada com a Petrosul – II Conferência e Encontro de Negócios do Setor de Petróleos do Sul e Sudeste do Brasil. Paralela a Mec Show, a conferência vai contar com o encontro de 12 redes petros nacionais e com a apresentação de palestrantes internacionais de países como Argentina, Canadá, Colômbia, México, entre outros. “Existem muitas demandas nas empresas operadoras de petróleo, tanto em terra quanto no mar, e também na área de refino e petroquímica; e existe oferta de produtos


10º MEC SHOW Data: 18 a 20 de Julho Local: Pavilhão de Carapina Horário de Funcionamento: 15 às 21h (acesso até as 20h)

parceria entre o Sebrae-ES, o Fórum Capixaba de Petróleo e Gás e a Petrobras. Falando no Sebrae, a entidade também promoverá as Rodadas de Negócios, sempre com muitas oportunidades de negociar diretamente com os setores de compras das grandes empresas capixabas.

e serviços locais, muitas vezes desconhecida pelas compradoras brasileiras. Por outro lado, há uma demanda enorme de produtos e serviços em alguns países ao redor do Brasil, uma excelente oportunidade para as empresas brasileiras”, enfatizou Nicolás Honorato, representante da Petrosul. Outro destaque será o 16º Seminário e Exposição de Instrumentação, Sistemas, Elétrica e Automação (Isa Show ES), momento já consagrado no setor de automação e integrante da programação da Mec Show. O Isa Show, que foi idealizado para buscar sinergias capazes de fortalecer ainda mais o setor de automação no Estado, traz sempre minicursos, exposição de empresas e apresentação de trabalhos técnicos voltados para profissionais da área industrial. As novas tendências do mercado também têm o seu lugar no evento desde a criação da Ilha da Inovação, que foi um sucesso na última Mec Show e retorna em 2017. A segunda edição do espaço tecnológico contará com um ambiente inédito para a exposição de protótipos e simuladores interativos, sem contar com as presenças de representantes de startups com iniciáticas ligadas a pesquisa, investigação e desenvolvimento de produtos de vanguarda. Durante a Mec Show, acontecerá o Encontro Tecnológico, que apresenta demandas com foco em desenvolvimento tecnológico mapeadas pela Petrobras e que são oportunidades de negócios para as empresas capixabas. O encontro, que promove oportunidades para pequenos negócios, é fruto de uma

Senai e Sesi disseminam conhecimento no evento As atrações da Mec Show 2017 passam ainda por ações tanto do Senai-ES quanto do Sesi. Entre as iniciativas, são esperados as Olimpíadas de Ocupações, a Clínica do Sesi Saúde, unidades móveis e box de áreas técnicas de serviços de tecnologia e inovação. O espaço das entidades do Sistema Findes apresenta o serviço de consultoria em tecnologia e inovação, além do atendimento em calibração, eficiência energética e meio ambiente. Para o presidente da Findes, Marcos Guerra, a federação tem buscando estreitar cada vez mais os laços com as indústrias capixabas, destacando serviços e projetos que possam ampliar, de fato, a competitividade dos setores. “Estar inserido na Mec Show e apresentar o portfólio de ações de nossas entidades é uma oportunidade única de interação com lideranças industriais do Estado, do Brasil e do mundo”, enfatizou ele. A Olimpíada Senai de Ocupações representa o acesso para a inserção do jovem no mercado de trabalho, usando a qualificação profissional para alcançar novos objetivos. O torneio de educação profissional deverá reunir aproximadamente 35 participantes das 10 unidades Senai-ES, que são desafiados a executar tarefas do cotidiano da indústria. A Mec Show é uma promoção do Sindifer e do Cdmec, com realização da Milanez & Milaneze e correalização do Sebrae -ES. Além do Sistema Findes, apoiam o evento Abimaq, Abimei, ABM, Instituto Aço Brasil, ISA-ES, Fórum Capixaba de Petróleo e Gás e Governo do Estado do Espírito Santo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento (Sedes).

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Artigo

Durval Vieira de Freitas presidente do CDMEC

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Setor metalmecânico: inovar é necessário e urgente

setor metalmecânico capixaba, nos últimos 25 anos, teve um crescimento acentuado, decorrente das oportunidades nos investimentos realizados no Estado nos setores de mineração, siderurgia, celulose e petróleo e gás. O fornecimento local passou de 8% para 60%, as empresas tornaram-se referência em vários segmentos, realizando fornecimentos para diferentes clientes em diversos estados brasileiros. Esse resultado é fruto de um trabalho conjunto entre sindicatos de classe, investidores e governo estadual, devendo destacar as ações dos programas PDF e Prodfor, trabalhando na melhoria do ambiente de negócios, certificação e promoção das empresas e qualificação dos trabalhadores. O Governo do Estado, com seus programas de incentivos e benefícios, destacando o Invest-ES e o Compete, propiciou o crescimento das empresas existentes e a atração de empresas de outros estados que vieram e aqui se instalaram, desenvolveram e se integraram ao setor. Atualmente este é constituído por cerca de 1.300 empresas, que empregam mais de 25 mil trabalhadores, com faturamento anual superior a R$ 8 bilhões, sendo mais de 50% desse valor oriundo de fornecimentos realizados para outros estados. Entretanto, apesar dessas conquistas, observamos que no ranking geral de competividade entre os estados brasileiros, avaliação do MBC-Movimento Brasil Competitivo, o Espírito Santo encontra-se em 6º lugar, estando acima da média em nove dos dez quesitos avaliados, sendo inovação o único item que ficou abaixo, perdendo para estados com menor expressão industrial, comercial e social. Considerando, também, o aumento da produtividade em nível global com o advento da revolução tecnológica aplicada à indústria, a estratégia de inovar surge como o melhor caminho. Para isso, é importante que o empresário invista em pesquisa e desenvolvimento (P&D), como fizeram Noruega e Singapura. Nesses países, os empresários aplicam cerca de 10% da receita em inovação, tratando esse item como investimento e não custo.

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REVISTA SINDIFER - ES

Para mudar essa cultura empresarial, é importante o papel do governo com incentivos à inovação, com criação de parques tecnológicos, disponibilização de recursos e/ou incentivos fiscais, que visam a criar condições favoráveis e impulsionar a competitividade. Importante a integração empresa-academia, propiciando a utilização de pesquisadores e laboratórios que podem amparar os trabalhos das empresas. No Estado, é importante destacar o papel da Fapes - Fundação de Amparo à Pesquisa, que tem se empenhado em atuar com a iniciativa privada na busca de soluções que atendam ao mercado. O Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico – CDMEC, procurando reduzir os riscos inerentes à inovação, atua como facilitador para fomentar a cultura inovadora e auxiliar as empresas nesse caminho. Em novembro de 2016, em parceria com Sindifer e a ArcelorMittal Tubarão, foi realizado um workshop lançando desafios de inovação para as empresas capixabas, independentemente de seu porte, o que permitiu às pequenas e médias competirem em igualdade com as grandes. Foi surpreendente o resultado, surgindo empresas com soluções inovadoras que estão desenvolvendo as propostas supervisionadas pela entidade. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2017, o CDMEC realizou um diagnóstico sobre a inovação no setor e visitou mais de 50 empresas, com excelente receptividade. O resultado mostrou que 43% investem mais que 5% de seu faturamento em inovação. Identificou que uma de cada três empresas possui mais de 20% de sua receita proveniente de produtos ou serviços desenvolvidos nos últimos três anos. O mundo está mudando muito rápido, a empresa que quiser crescer e se perpetuar precisa investir em inovação. É necessário que haja uma quebra de paradigmas e a criação de soluções para o mercado, lembrando o cientista britânico Charles Darwin (1809-1882): “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.


Artigo

JUNHO/JULHO

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Evento Indústria Por Gustavo Costa

Saúde e Segurança em destaque no Estado Semana Prevenir apresenta novo formato e grande programação para envolver os capixabas

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om novo formato, mas mantendo o foco em diminuir o grande número de acidentes de trabalho no país, a Semana de Saúde e Segurança Prevenir movimentou Vitória entre 28 de novembro e 4 de dezembro. Em sua terceira edição, a Prevenir contou em 2016 com diversas ações, distribuídas por diferentes locais, dias e formatos. Uma iniciativa do Sindifer correalizada por Sesi, Senai e Sebrae e organizada pela Dupla Produções, a Prevenir contou ainda com um comitê técnico formado por Vale, Engelmig, ArcelorMittal, EDP Espírito Santo, Samarco, Fibria, Petrobras e Corpo de Bombeiros do Estado do Espírito Santo. A abertura se deu no Edifício Findes, em Vitória, com a apresentação de toda a programação do evento. O ambientalista e piloto Lu Marini esteve presente e ministrou a palestra “Pelos Ares”, na qual traçou um paralelo entre suas experiências em grandes desafios, o planejamento necessário para se controlar riscos e a vida no mundo empresarial. “É sempre um grande prazer falar de segurança, um tema que me acompanha há muitos anos nas minhas aventuras, ajudando as empresas a manter seus níveis de acidente do trabalho em zero e colaborando para que os trabalhadores se conscientizem sobre os riscos em segurança”, disse ele.

No dia 30 de novembro o evento retornou ao Auditório da Findes, para o lançamento do Prêmio Sesi Boas Práticas Prevenir. A ação foi criada para reconhecer iniciativas focadas em prevenção e que incentivam a cultura da saúde e da segurança no ambiente empresarial. O Prêmio foi atribuído a partir da análise de quatro graus de risco e por porte de empresa (pequena, média, grande). A análise e a seleção dos trabalhos serão realizadas por uma comissão julgadora, que terá a tarefa de apontar o melhor projeto por categoria, segundo critérios como benefícios da prevenção, da relevância e do processo. Houve ainda o lançamento do Passaporte Industrial, uma iniciativa inédita no país e que unifica 41 procedimentos médicos e 10 treinamentos comuns às grandes plantas do Estado. Outra ação foi a Rodada de Negócios do Sebrae, realizada no Hotel Sheraton no dia 1º de dezembro. O espaço serviu para a negociação de produtos, serviços e parcerias. A iniciativa aproximou as fornecedoras e as empresas-âncoras. Já no dia 2, foi a vez do Prêmio Escola Segura, do Projeto Amadurecer, movimentar o Centro de Educação Ambiental ArcellorMittal. Com um comitê que tem a participação de Sindifer, instituições e empresas, ao lado da Secretaria de Estado da Educação (Sedu), a premiação foi idealizada para despertar nos alunos e colaboradores a noção da importância da

“Prevenção nunca é demais, em qualquer lugar. Deixamos o formato de feira para algo maior, um modelo itinerante” Lúcio Dalla Bernardina, presidente do Sindifer

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Evento

prevenção de acidentes em escolas, residências, espaços de lazer e trabalho. Com base nas ações e performances das unidades participantes, foram premiadas e homenageadas as seguintes escolas: Luiz Manoel Vellozo, localizada em Vila Velha; Germano André Lube e Laranjeiras, ambas localizadas na Serra. Dois estudantes de cada escola premiada foram homenageados pelo comprometimento com os estudos, pela empatia com a comunidade escolar e pelo espírito de equipe. Na unidade Laranjeiras, os alunos homenageados foram Antônio Jerônimo Simão Bart, do 8º ano, e Maria Eduarda Brzesk Rebonato, da 3ª série do ensino médio. Na Escola Estadual Luiz Manoel Vellozo, Luana Freitas da Silva e Enzo de Souza dos Santos foram os que ganharam destaque. Já na escola Germano André Lube, David Vidal Bautz, do 6º ano, e Gabrielle Oliveira Vieira de Souza, do 7º, foram homenageados. Além disso, o ex-aluno da Escola Estadual Laranjeiras Bruno dos Santos Martins recebeu uma placa de menção honrosa pelo trabalho voluntário de apoio à coordenação escolar no turno matutino. Já o Espaço Sesi ofereceu à população atendimentos gratuitos, realizados por uma equipe multidisciplinar.Foram disponibilizados testes de audiometria e glicose, aferição de pressão, aplicação de flúor nos dentes das crianças e diagnóstico de estilo de vida saudável. As ações foram realizadas nos terminais urbanos de Laranjeiras, Campo Grande e Itaparica e no Shopping Mestre Álvaro, na Serra. No total, foram realizados 1.170 atendimentos ao público nos terminais do Transcol. O encerramento da 3ª Semana Prevenir aconteceu na Praia de Camburi. O Corpo de Bombeiros promoveu uma simulação de resgate a vítimas de afogamento com moto aquática, lancha e helicóptero e atividades para crianças com a Patrulha da Alegria do Primeiro Batalhão da Polícia Militar do Estado (PMES). Novo formato aprovado Para o presidente do Sindifer, Lúcio Dalla Bernardina, a edição 2016 da Prevenir conseguiu envolver a população como um todo no debate da necessidade de práticas voltadas à redução de acidentes e à prática hábitos mais saudáveis. “A saúde e segurança do trabalhador são assuntos diários e debatidos sempre dentro das empresas. Com o evento, a ideia é conscientizar cada vez mais, tanto o empresário quanto o trabalhador, da necessidade da prevenção de acidentes. Queríamos envolver toda a população capixaba no tema, já que temos acidentes não apenas no ambiente de trabalho, mas também dentro de casa. Prevenção nunca é demais, em qualquer lugar. Deixamos o formato de feira para algo maior, um modelo itinerante. Destaco dois momentos muito marcantes no evento: o primeiro é o Prêmio Escola Segura, por meio do qual passamos a disseminar desde cedo hábitos seguros. Esses alunos vão crescer e se transformar em adultos responsáveis e capazes de antecipar riscos e evitar problemas. E também tivemos a simulação de resgate feita pelo Corpo de Bombeiros na Praia de Camburi, assim

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PRÊMIO ESCOLA SEGURA ESCOLAS PREMIADAS • Escola Germano André Lube (Jacaraípe, Serra ) • Escola Laranjeiras (Laranjeiras Velha - Serra) • Escola Luiz Manoel Vellozo (Glória, Vila Velha) PLACAS DE MELHOR ALUNO Escola Estadual de Ensino Fundamental Germano André Lube • David Vidal Bautz • Gabrielle Oliveira Vieira de Souza Escola Laranjeiras • Antônio Jerônimo Simão Bart • Maria Eduarda Brzesky Rebonato Escola Luiz Manoel Vellozo • Enzo de Souza dos Santos • Luana Freitas da Silva PLACA MENÇÃO HONROSA Voluntário na Escola Laranjeiras: Bruno dos Santos Martins

como o lançamento da campanha ‘Verão Seguro’, sempre chamando a atenção dos banhistas para os cuidados que devemos ter nos momentos de lazer”, falou. Segundo o presidente da Findes, Marcos Guerra, a Prevenir reforça a busca por práticas fundamentais no setor industrial. “Nós, do Sistema Findes, estamos investindo na melhoria da qualidade de vida dos profissionais da indústria, em um trabalho que ampliou o número de atendimentos e levou treinamento a todas as regiões do Estado. A Feira Prevenir é o ponto para o qual todas as ações positivas convergem, gerando troca de experiências, conscientização e avanços significativos para o debate em torno da segurança do trabalhador”, disse. Para Guerra, é preciso levar o debate para toda a sociedade, envolver a população e promover reflexão sobre o tema. “A mudança de formato é positiva e deve ser mantida e ampliada, com ações que tenham impacto no dia a dia das pessoas e pautem a discussão em torno de um assunto tão importante”, destacou. O gestor executivo de Operações da Engelmig, Matheus Pêsso da Silveira, lembrou que o evento vem ganhando representatividade e sendo assertivo no debate do assunto. “A consolidada Feira Prevenir tem evoluído a cada


3ª edição da Feira Prevenir contou com diversas ações, distribuídas por diferentes locais, dias e formatos

edição e tomou novo patamar através da Semana Prevenir em 2016. O diferencial é que propõe a participação de diversos segmentos e também da população, pois o tema segurança vai muito além da classe trabalhadora, ou seja, envolve toda a sociedade. A Engelmig participa desde a primeira edição da Feira Prevenir e fortaleceu sua presença em 2016 durante a Semana Prevenir. Participamos do comitê técnico, tivemos estande na feira e atuamos na Escola Segura e na Rodada de Negócios”, afirmou.

“A Feira Prevenir é o ponto para o qual todas as ações positivas convergem, gerando troca de experiências, conscientização e avanços significativos para o debate em torno da segurança do trabalhador”

Marcos Guerra, presidente da Findes

Com o final de mais uma edição, começam as expectativas a respeito da próxima feira. Bernardina aproveitou o momento para adiantar os planos da entidade para a edição deste ano, que deverá apresentar novidades em sua programação. “Para 2017, queremos realizar um seminário mais técnico e robusto, voltado para profissionais e empresários. Também manteremos a característica itinerante e migraremos de Vitória para Vila Velha, com a simulação de salvamento na Praia de Itaparica. Lançaremos também a Corrida Prevenir, com um trajeto de 5 km, para marcar o encerramento do evento com uma importante mensagem sobre exercício e saúde”, enfatizou. O setor metalmecânico e a sociedade capixaba como um todo aguardam pelas novidades.

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Perfil Indústria

Angelo Baldo Diretor da Metalúrgica Baldo fala sobre como a família aproveitou oportunidades de negócios e hoje conta com empresas em diferentes ramos de atuação

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om uma vocação para a metalurgia que veio de berço, Angelo Baldo gerencia diversas empresas do segmento no Espírito Santo. Nascido em 1960 em Governador Lindenberg, então um distrito de Colatina, o empreendedor mudou-se cedo com a família para Nova Venécia. Já com 15 anos, mudou-se para Vitória, para estudar. Mas seu caminho logo tomaria um rumo diferente do que previa. “Comecei a estudar Engenharia Mecânica, mas deixei o curso. Sentia que meu futuro estava em outra direção. Passei a trabalhar na empresa da família, a Indústria Mecânica Baldo, que meu pai fundou para atuar na implantação da CST, hoje ArcelorMittal Tubarão. Acabamos fazendo outros trabalhos na área industrial, como fabricação de máquinas para empresas do ramo de farinha e também para serrarias. Eu ajudava na elaboração de orçamentos e também fazia a parte comercial. Sempre vi meu pai trabalhando nessa área metalúrgica e pareceu um caminho natural para mim”, lembrou. Quando percebeu que os trabalhos para a CST não deveriam se prolongar por muito mais tempo, logo a família Baldo começou a buscar novos mercados. Primeiro, a metalúrgica começou a desenvolver produtos para o setor rodoviário. “Passamos a trabalhar com esse setor até que, anos mais tarde, encontrei o Luiz Augusto Suzano, que tinha um negócio no segmento ferroviário, e resolvemos criar uma nova empresa. Deixamos o rodoviário por causa da concorrência predatória e passamos para o ferroviário. Firmamos com o Luiz uma sociedade na Usisteel. Já em 2006, a nossa família notou a grande demanda por produtos fundidos e resolvemos chamar Fernando Antônio Suzano, irmão de Luiz, para montar uma outra sociedade. Nasceu assim a Tecnosteel. Cada uma dessas empresas tinha o seu nicho bem definido, embora estivessem próximas, na região do Civit, na Serra”, frisou ele. Baldo também investiu na Abrafer Comercial, uma loja que fornece abrasivos, EPIs e ferramentas para a indústria; e na Otimize, que trabalha com locação de equipamentos.

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Por conta das crises econômicas de 2008 e 2015, o empreendedor disse que a Metalúrgica Baldo precisou enxugar custos, mas manteve-se focada nos serviços de caldeiraria, usinagem, corte e dobra, além do desenvolvimento de equipamentos especiais para a indústria. “O setor metalmecânico sentiu bastante o impacto dessas crises. Mas, mesmo assim, seguimos gerando emprego e renda. Na Baldo temos 30 funcionários; na Usisteel outros 115; já na Tecnosteel são mais 60 funcionários”. Presente e futuro Para tocar tantos projetos simultaneamente, o empreendedor lembra que a família é fundamental, atuando em harmonia para vencer desafios e conquistar mercados. Casado com Sheila Miranda Castro, Baldo é pai de Alessio e Juliana. “Meu filho e duas das minhas irmãs, Kátia e Ângela, trabalham na Abrafer. Também tenho um sobrinho, Daniel, que trabalha na Metalúrgica Baldo. Somos muito unidos e, pelo menos por mais uma geração, o negócio da família deve continuar sendo nessa área”, disse. Angelo Baldo acredita que o sucesso das empresas da família passa também pela coragem de acreditar em ramos diferentes ao longo do tempo. “Aproveitamos bem as oportunidades de negócios. De prestadora de serviços para a Arcelor, depois com os equipamentos para indústria de farinha, chegando a seguir nas peças para caminhão e finalmente usinagem para o setor ferroviário, investimos e tivemos nosso retorno. Tivemos a sensibilidade de perceber que cresceríamos ainda mais com as parcerias e firmamos sociedade. Juntos, pudemos atravessar mesmo os tempos de crise, saindo fortalecidos e prontos para novos desafios.” E por falar em novos horizontes, Baldo está otimista quando fala sobre os próximos anos. “De uma forma geral, a gente só imagina que o pior já passou. Vamos seguir analisando o mercado e aproveitando oportunidades. Chegamos até aqui e continuaremos crescendo.”


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Economia Indústria Por Luciene Araújo

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Refis: em tempos de crise, todo refinanciamento é bem-vindo Programas de parcelamento de débitos melhoram as condições para ficar em dia com o Fisco e retomar a capacidade de operação da empresa

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esde 2000, quando o primeiro deles foi implantado, os Programas de Recuperação Fiscal (Refis) têm trazido benefícios tanto para o Governo Federal, quanto para os estaduais e municipais, bem como para os empresários. Em um cenário em que ainda é incerta a perspectiva de crescimento econômico, com desemprego alto e grande parte das contas públicas em desequilíbrio, a “receita extraordinária” vinda das renegociações representa importante fonte de recursos para os cofres públicos. As condições mais fáceis para o pagamento de dívidas tributárias são também oportunidade para as empresas “fazerem as pazes” com o Fisco e, dessa forma, recuperar a capacidade de operação. Em 2009, quando a retração da economia foi de 0,6%, o Refis reapareceu, permitindo o parcelamento das dívidas com o Fisco em até 180 meses. Naquele ano, 36 mil empresas, incluindo 75 instituições financeiras, renegociaram um montante de dívidas no valor de R$ 12 bilhões. O cenário econômico não apresentou a melhora esperada e o governo reabriu os prazos para renegociação em 2013. Desde então, o Refis vem sendo instituído pelo Governo Federal. Este ano, o empresário capixaba tem opções de regularizar sua situação tanto com a Receita Federal quanto com a Estadual. E, em algumas cidades, como é o caso de Vitória e Vila Velha, a renegociação das dívidas também já está legalizada pelas Câmaras Municipais. Na avaliação do advogado Thiago de Souza Pimenta, do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer), “sem margem para dúvidas”, a crise econômica que desacelerou os investimentos no Brasil afetou de forma acentuada a indústria metalmecânica. “Embora os dados econômicos apre-

sentados demostrem que a crise existe em nível nacional, o Estado do Espírito Santo, e em especial as empresas do setor metalmecânico, dão sinal de terem sido mais atingidas que outros segmentos”, garante Pimenta. Segundo ele, com a falta recursos financeiros das empresas, o primeiro sacrificado normalmente é o pagamento dos tributos. Por essa razão, seja qual for o Refis, Pimenta defende que é uma ótima oportunidade para que as empresas possam quitar seus débitos e regularizar as obrigações com a administração pública. “É inegável que todo Refis aprovado, na esfera municipal, estadual ou federal, representa um alento e uma chance às empresas devedoras, para que possam regularizar suas dívidas com o Fisco”, reitera.

“Embora os dados econômicos apresentados demostrem que a crise existe em nível nacional, o Estado do Espírito Santo, e em especial as empresas do setor metalmecânico, dão sinal de terem sido mais atingidas do que outros segmentos” Thiago Pimenta, advogado

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Economia

REFIS: QUANDO E ONDE União Na esfera federal, há o Programa de Regularização Tributária (PRT), instituído pela Medida Provisória nº 766, de 4 de janeiro de 2017. Todas as condicionantes estão reguladas pela Instrução Normativa RFB nº 1687/2017, que, em resumo, permite o pagamento dos débitos apurados até novembro de 2016. O gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, destaca fatores que colaboraram para o endividamento dos empresários. “O Produto Interno Bruto (PIB) da indústria encolheu mais de 11% nos últimos três anos, e a retração do faturamento limita a capacidade das empresas de honrarem seus compromissos”, esclarece. A CNI não possui dados estatísticos acerca do montante das dívidas das empresas industriais, mas levantamentos da entidade apontam que a maioria delas não tem conseguido faturar o suficiente para quitar os compromissos financeiros, especialmente os tributários. No primeiro mês do Refis federal, mais de 8 mil contribuintes aderiram ao programa, totalizando montante superior a R$ 2,3 bilhões em dívidas renegociadas. Os débitos até 30 de novembro de 2016, incluindo os de programas de parcelamentos anteriores, podem fazer parte da nova negociação. No entanto, os débitos com o Simples Nacional não entram no Refis, pois contam com regime próprio de parcelamento. Há quatro modalidades de adesão. A primeira exige que o devedor pague ao menos 20% da dívida à vista e em espécie, e o restante, com créditos de prejuízo fiscal, base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) ou com outros créditos de tributos administrados pela Receita Federal. A segunda possibilidade é o pagamento em espécie de, no mínimo, 24% da dívida em 24 prestações mensais e liquida-

“PIB da indústria encolheu mais de 11% nos últimos três anos e a retração do faturamento limita a capacidade das empresas de honrarem seus compromissos” Flávio Castelo Branco, gerente-executivo de Política Econômica da CNI

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REVISTA SINDIFER - ES

ESFERA

PRAZO PARA ADESÃO

FEDERAL

31 de maio

ESTADUAL

INFORMAÇÕES http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/_ Ato2015-2018/2017/ Mpv/mpv766.htm

http://internet.sefaz. 30 de novembro es.gov.br/informacoes/ refis2015.php MUNICIPAL

1ª etapa Até 17 de julho VITÓRIA

2ª atapa - 18 de julho a 14 de dezembro

Agendar atendimento em http://agendamento. vitoria.es.gov.br/ Aplicativo Vitória Online (para Android e IOS) Setor de Atendimento ao Contribuinte, térreo da prefeitura, de segunda a sexta-feira, das 12 às 18 horas. Pelos telefones 31397224 ou 3139-7497

VILA VELHA

05 de agosto

Prefeitura de Vila Velha - de segunda a sexta, das 8 às 17 horas

Fonte: Sites oficiais do governo

ção do restante com créditos tributários, apurados até 31 de dezembro de 2015 e declarados até 30 de junho de 2016. O saldo remanescente poderá ser parcelado em até 70 meses. Para quem pretende utilizar créditos tributários, serão permitidos o pagamento à vista de 20% dos débitos e o parcelamento do restante em até 96 vezes. E a quarta modalidade de adesão é fazer o pagamento da dívida consolidada em até 120 prestações mensais. Estado No âmbito estadual, a Lei nº 10.628/17, aprovada em 10 de março, instituiu o Programa de Parcelamento Incentivado de Débitos Fiscais. Nesse programa, explica o advogado do Sindifer, pessoas jurídicas e físicas podem pagar dívidas vencidas de IPVA, ITCMD e ICMS, bem como multas, com descontos de até 100% dos juros e multas em caso de pagamento à vista, ou ainda parcelar os débitos em até 120 meses, com descontos gradativamente menores dos juros e das multas conforme quantidade de parcelas. O secretário de Estado da Fazenda, Bruno Funchal, destaca que o Refis 2017 foi instituído a fim de preparar o Estado e as empresas para saírem da crise. “Quando uma empresa entra


em dificuldades, deixa de pagar impostos e, após uma crise com tamanha gravidade, há um acúmulo de dívidas tributárias, o que dificulta a retomada das atividades. A importância maior do Refis está justamente em criar condições para que as empresas possam recuperar a saúde financeira, retomar o crescimento, gerar novos negócios e empregos”, destaca ele. O programa terá perdão de juros para mais de 10 mil devedores e os débitos em dívida ativa com o Estado totalizam R$ 11 bilhões. Segundo Pimenta, cabe ressaltar que não haverá outra oportunidade de negociação até 2022. “A negociação vale para débitos cujos fatos geradores ocorreram até 31 de dezembro de 2016, admite pagamento parcial, relativo à parte incontroversa do débito fiscal exigido, e ficou vedada pelos próximos cinco anos, a instituição de novo Refis”, acrescenta. Há ainda a modalidade de parcelar a dívida de acordo com o faturamento da empresa, com valores mensais de, no mínimo, 4% da receita, e os montantes relacionados aos autos de infração em julgamento também poderão ser incluídos no Refis para regularizar débitos. A empresa que aderir ao programa, mas ficar inadimplente por mais de 60 dias, terá o contrato de parcelamento rescindido. Municípios Na esfera municipal, Vitória e Vila Velha já aprovaram

leis que permitem aos contribuintes parcelar débitos de Impostos Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), Taxas de Coleta de Resíduos Sólidos (TCRS) e Iluminação Pública (Cosip). Na capital capixaba, para essas dívidas, o pagamento pode ser à vista ou parcelado em até oito vezes, sem a cobrança de multa e juros desde que o vencimento da última parcela seja em 2017. Outra regra a favor do contribuinte e das empresas é que, em caso de dívidas iguais ou superiores a R$ 1 milhão, o percentual obrigatório a ser pago à vista para que possam ser renegociadas caiu para 25% do total devido – antes, esse percentual que era de 40%. Em qualquer uma das esferas de governo, as empresas devedoras precisam estar atentas aos prazos de adesão estabelecidos, aos descontos oferecidos em relação à quantidade de parcelas, proporcional à data de adesão ao parcelamento, bem como aos motivos para rescisão. “As empresas devem ainda recorrer a profissionais da área - contadores, consultores e advogados - para que analisem os detalhes de cada Refis, façam suas projeções e estudem a viabilidade da adesão”, enfatiza Thiago Pimenta.

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Agenda

20 e 21 de maio

5ª Virada Empreendedora “Empreenda. Mude o Brasil”. Esse será o tema da 5ª edição da Virada Empreendedora, com 24 horas ininterruptas de atividades realizadas na sede da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo. A expectativa é de superar a edição anterior, realizada em 2014, quando o evento reuniu mais de 1.600 pessoas que usaram o final de semana para aprender a gerir melhor suas empresas e ouvir empreendedores falarem sobre suas experiências. Cerca de 2,5 mil empreendedores deverão prestigiar o evento deste ano. Interessados podem acessar o site www.viradaempreendedora.com.br.

20 a 24 de junho

Feimafe 2017 Principal feira com foco em máquinas, ferramentas e controle de qualidade na América Latina, a Feimafe receberá mais de 1,4 mil marcas, todas com inovações de qualidade que pautarão o mercado pelos próximos anos. O evento, que acontecerá no Expo Center Norte, em São Paulo, gera oportunidades de negócios, networking, interação entre empresas e profissionais em busca de parcerias, produtos, tecnologias e serviços. Confira no site www.feimafe.com.br.

5 a 8 de julho

3ª Feconati

12ª Feira Metal Mecânica de Maringá

A Feira da Construção de Atibaia (Feconati) tem o objetivo de apresentar soluções para um mercado de construção civil mais sustentável. O evento reserva grandes oportunidades para empresas de diversos segmentos e contará com uma grade diversificada de fóruns e palestras, colocando o visitante em contato com os temas mais relevantes do setor. A Feconati terá lugar na Estação Atibaia, em São Paulo. Mais informações: www.feconati.com.br.

Consolidada feira de negócios na região sul do Brasil, a Metal Mecânica de Maringá contará em 2017 com mais de 250 expositores e milhares de compradores, que se reunirão no Pavilhão de Exposições da cidade. O setor metalmecânico impulsiona a economia e incentiva os avanços tecnológicos. A expectativa é de que cerca de 10 mil pessoas compareçam ao evento. Mais informações pelo site www.feirametalmecanica.com.br.

1º a 4 de junho

18 a 20 de julho

Mec Show 2017 O evento mais aguardado do setor metalmecânico no Espírito Santo está completando 10 anos. É a Feira da Metalmecânica, Energia e Automação (Mec Show), evento realizado pela Milanez & Milaneze em cooperação com VeronaFiere e promovida pelo Sindifer-ES e pelo Centro de Desenvolvimento Metalmecânico (Cdmec). Empresas de todo o Brasil movimentarão o Carapina Centro de Eventos, na Serra. Mais detalhes: (27) 3434-0600 ou info@ mecshow.com.br.

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4 a 5 de outubro

Tubotech A 9ª edição da Feira Internacional de Tubos, Válvulas, Bombas, Conexões e Componentes (Tubotech) movimentará o Expo Exhibition & Convention Center, em São Paulo. Durante os dias do evento, que é uma iniciativa da Associação Brasileira, da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), fabricantes, distribuidores e prestadores de serviços das áreas de tubos, válvulas, bombas e motobombas, conexões, máquinas e equipamentos apresentarão as novidades do setor. Simultaneamente, acontecerá a Feira Internacional de Fios e Cabos (III Wire South America), sempre com produtos que tenham sinergia com aqueles apresentados na Tubotech. Site oficial: tubotech.com.br

Jun/Jul/Ago • 2015

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Registro

Alessio Baldo é nomeado patrono da Escola de Solda e Alumínio

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empresário Alessio Baldo recebeu no dia 20 de abril uma homenagem do Sistema Findes. Baldo foi nomeado patrono da Escola de Solda e Alumínio do Centro Integrado Sesi/Senai Jones Santos Neves Filho, ou simplesmente Senai-ES Civit. Nascido no município de Castelo em 1938, ele iniciou sua trajetória no empreendedorismo com uma pequena serralheria em Governador Lindenberg, em 1960. Dois anos depois, montou uma oficina para reparo de caminhões e automóveis em Nova Venécia. Expandindo rapidamente seus negócios, Alessio logo escolheu a Serra em 1977, onde instalou uma indústria metalúrgica para atender às demandas da implantação da Companhia Siderúrgica de Tubarão – CST (atual ArcelorMittal). Com uma forte veia empreendedora, o empresário diversificou seus negócios ao abrir uma indústria de equipamentos para fabricação de farinha e outra de componentes para equipamentos rodoviários. Hoje, sua família conta com a Metalúrgica Baldo, a Abrafer Comercial e a Otimize, além da sociedade nas empresas Usisteel e Tecnosteel. “Fiquei muito feliz com a homenagem. Quando comecei, tudo era difícil, a gente tinha que ensinar os colaboradores a trabalhar com a solda. E ver hoje uma escola como essa é incrível. Sinto-me honrado por ser escolhido patrono, acho que marca a minha trajetória de muito trabalho no setor metalmecânico no Espírito Santo”, disse ele.

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Contando com um prédio exclusivo, a Escola foi totalmente remodelada e modernizada

Trajetória de sucesso: o empresário foi homenageado em solenidade realizada no dia 20 de abril

No ponto de vista do vice-presidente institucional da Findes na Serra e região, José Carlos Zanotelli, a entrega da Escola foi uma conquista importante para a indústria metalmecânica local, que é o segmento que mais demanda profissionais qualificados em soldagem. “Trata-se de um laboratório de solda de aço e alumínio de altíssimo nível, que possibilita um trabalho totalmente integrado às indústrias da região, pois o Senai-ES Civit é reconhecido há décadas como uma grande referência em qualificação para profissionais de solda, atendendo à constante demanda do setor metalmecânico, que é bastante forte na Serra”, explicou. Orçada em mais de R$ 13 milhões, a Escola foi inaugurada em agosto de 2016, com um prédio exclusivo e dotado de equipamentos totalmente novos para os cursos relacionados à soldagem industrial. O gerente do Senai-ES Civit, Leonardo Afonso Mello, lembra que a Escola de Solda já existia desde 1982, mas com a entrega das obras de duplicação, a unidade ganhou mais destaque. “A Escola de Solda agora tem um prédio com aproximadamente 900 m2, com 50 baias de soldagem e equipamentos novos e modernos. Foi um enorme avanço para esse tipo de atividade, que é fundamental para atender às demandas da indústria da região”, frisou.


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Revista do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo. Maio/2017