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ágora

Revista do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva Ano IV | Janeiro a Dezembro 2008

Rolé de bike

Caçadores de memórias: gente que coleciona tudo

Minha vida de cachorro:

jovens fantasiados de bichos dão duro nas ruas


ágora ESTA É UMA REVISTA LABORATÓRIO DA DISCIPLINA JORNALISMO IMPRESSO (PRODUÇÃO DE REVISTA)

RUA CATUMBI, 546 - BAIRRO CAIÇARA

expediente

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS REITOR: Professor Luis Carlos de Souza Vieira

PRO-REITOR ACADÊMICO: Professor Sudário Papa Filho

PRO-REITOR DE PLANEJAMENTO E EXTENSÃO: Administrador Eduardo Eterovick

COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO: Marialice Nogueira Emboava

EDITORA: Rosangela Guerra

EDITORA DE ARTE E PROJETO GRÁFICO: Helô Costa 127/MG

REPÓRTERES: ADMILSON VELOSO, ANDRÉ LUÍZ SILVA, CARMEN MEDEIROS, CARINE FIDELIS, CÁSSIO CALDAS, CLÁUDIA AMARAL, DEBORAH MIRANDA, DIANA BESSAS, ELAINE KARINA, FRANCISCO TEIXEIRA, GABRIEL CARVALHO, GREICIMILA MENDES, ÍTALO CAPUTO, JOÃO GUILHERME ROSA, JOSIANE REGINA, LEANDRO JAHEL, LORENA PIMENTEL, MARIA THEREZA, MARIANA FERREIRA, NATÁLIA NASCIMENTO, PAULA MOREIRA, RAFAELLA MARQUES, RICARDO QUARESMA, RICHARD NOVAES, ROSANE GONÇALVES, ROSE BORGES, SABRINA MENDES, STEFAN SALY JÚNIOR, STÉPHANI PAULA, TIAGO SILVA, WALLACE GRACIANO, WALLISON MATA E WILIANE NASCIMENTO.


Comparado a um gol, o Home Run é o momento que todo fanático por beisebol e softbol espera! No país do futebol, estes esportes buscam um lugar no coração dos brasileiros

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André Luiz Silva

André Luíz Silva, Cássio Caldas e Francisco Teixeira

Em um país onde grande parte da população pratica e venera o futebol, esportes como o beisebol e o softbol não chegam nem

a coadjuvantes. Pouco difundidos no Brasil, o esporte do taco e da bolinha sobrevive graças ao esforço e à determinação dos entusiastas do jogo, em sua maioria descendentes de asiáticos e de norte-americanos. Praticado nos EUA e no Japão, o beisebol


chegou ao Brasil em 1901, na cidade de São Paulo, por meio de imigrantes americanos que trabalhavam em empresas como a Light, a Companhia Telefônica e o próprio consulado dos Estados Unidos. Com a chegada da imigração japonesa, em 1908, o esporte espalhou-se por outros estados. Segundo o presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), Jorge Otsuka, a chegada dos imigrantes foi o início de uma grande amizade entre Brasil e Japão. “Em meio às dificuldades do trabalho nas lavouras, e à adaptação ao novo país, o beisebol foi uma das primeiras atividades de lazer que os imigrantes nipônicos desenvolveram”, afirma Otsuka. Segundo a CBBS, a primeira equipe brasileira foi formada em 1919, congregava funcionários e jornalistas do jornal Nippaku Shibum, editado em São Paulo pelos imigrantes. A primeira formação da seleção brasileira de beisebol foi em 1951 para a disputa do Pan-Americano no ano seguinte, no Chile. Há 18 anos, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) criou a CBBS para organizar e administrar o beisebol e softbol no país. De acordo com a Confederação, os dois esportes contam com 30 mil praticantes, seis federações estaduais – Brasília, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo – e a participação em 55 campeonatos nacionais e internacionais. Para manter e divulgar as modalidades a CBBS recebeu este ano 290 mil reais. “É o terceiro ano consecutivo com redução”, lamenta Otsuka. Esta verba, repassada pelo COB, é oriunda da Lei Piva, em que 2% da arrecadação das loterias federais é repassada aos esportes olímpicos e paraolímpicos.

ENQUANTO ISSO, NA SERRA DO CURRAL A Associação de Beisebol e Softbol de Belo Horizonte (ABS-BH) é o único local na capital mineira, onde esses esportes são praticados. Aos sábados pela manhã, cerca de 15 crianças, de 8 a 14 anos, entre meninos e meninas, jogam beisebol, sob o comando da animada e exigente treinadora, Emi Kyoucho, em um campo de futebol, na região oeste de Belo Horizonte. Cada associado paga dez reais/mês para ajudar na manutenção do campo. Bem à vontade, de bandana, short e

blusa de malha, Emi, designer de produtos no dia-a-dia, organiza as atividades: corrida ao redor do campo, aquecimento com cara de recreio, arremesso de bola em duplas e, finalmente, para a alegria das crianças, principalmente Helbert de Souza, marinheiro de primeira viagem, o início do jogo. A disputa entre eles é evidente. Todos querem ser o melhor rebatedor, o melhor arremessador. À medida que o treino prossegue, a treinadora corrige e ensina na prática, rebatendo e arremessando bolas. Por fim, fatigadas, as crianças aliviam o cansaço e o calor com uma água bem fresca, que a treinadora, trouxe de casa. Aos domingos à tarde, também na região oeste da capital, em outro campo de futebol (sem custo), em piores condições que os das crianças, jovens e adultos treinam. Sob a coordenação do professor de educação física Junio Yung Park. Para ele, a falta de incentivo nas escolas, a ausência de estrutura e a falta de apoio da mídia são as principais causas da estagnação dessas modalidades no país. Boca a boca parece ser, neste momento, o melhor meio de divulgação do softbol. Felipe Bernardes, 22 anos, conta: “Comecei a praticar o softball por acaso, por meio de um informativo que estava na Associação Mineira de Cultura Nipobrasileira. Como precisava praticar um esporte resolvi ir à ABSBH”.

AS REGRAS DO JOGO Cada time possui nove jogadores. O arremessador (pitcher) deve lançar (tem três chances) a bola, passando pelo rebatedor (batter). Atrás deste fica o receptor (catcher), da mesma equipe do arremessador. O rebatedor deve acertar a bola, jogando-a para longe, e correr pelas bases. Os jardineiros (filders), nome este porque ficam na grama, do time adversário devem pegar a bola e jogar na direção das bases para os jogadores de sua equipe, para evitar o progresso do rebatedor. Caso o rebatedor consiga percorrer todas as bases, este ganha um ponto. O jogo é composto de nove turnos (ataque e defesa alternados). Cada turno termina quando os três rebatedores são eliminados. Isto ocorre quando o arremessador consegue três strikes consecutivos (arremessos nos quais o batler não consegue rebater a bola) ou quando os fielders impedem o rebatedor de prosseguir para as bases.

DIFERENÇAS O softbol, modalidade em que as mulheres são maioria, é uma adaptação do beisebol. A bola utilizada pelos jogadores é maior e mais leve, a dimensão do campo é menor, o arremesso é feito por baixo (no beisebol é feito acima da altura do ombro) e o tempo de jogo é menor (sete innings ou entradas, enquanto que o beisebol possui nove).

QUANTO

CUSTA? TACO de 50 a 700 reais (de madeira ou alumínio, amador ou profissional, infantil ou adulto)

BOLA de 30 a 300 reais (de couro ou de borracha)

LUVA de 70 a 470 reais (em sua maioria de couro) A maioria dos materiais profissionais são importados.


Umquesonho custa caro Com as facilidades para a compra de carro, muitas pessoas não enxergam as ciladas que podem cair e investem em financiamentos cada vez mais longos Ítalo Caputo, Josiane Regina, Lorena Pimentel e Paula Moreira

Funcionária pública há 23 anos, Regina Maria da Silva, viúva e pensionista, está acostumada com as dívidas a longo prazo. Comprou a casa própria com um financiamento de 20 anos. E hoje está pagando o seu segundo veículo (usado). Ela fala das facilidades da compra e da dificuldade de manter um veículo: “comprei o meu segundo veiculo com uma pequena entrada e financiei o restante em 60 meses, hoje vejo que está difícil manter em dia as prestações de R$ 416,00. Na hora da compra calculei só o valor da prestação, mas não fica só nisso. O carro ficou como o meu terceiro filho, os gastos para mantêlo são muito grandes. Assim como Regina grande parte da população vive essa realidade. Diante das facilidades de comprar um carro, é cada vez mais difícil resistir às tentações das ofertas. Segundo Paulo Oliveira, gerente de uma agência de veículos usados na Av. Cristiano Machado, em um único dia a agência vendeu 20 carros usados, todos financiados. As facilidades de adquirir um veículo nunca foram tão grandes. As financeiras travam uma constante batalha para

Fotos Richard Novaes


conquistar clientes com propagandas na TV, outdoor’s, feirões, que prometem condições especiais de pagamento, taxas especiais, preços “nunca vistos”, são alguns dos atrativos usados para quem quer sair de “carro na mão”. As financeiras já chegam a oferecer planos de 99 meses, mas cuidado: um carro popular que custa R$ 25.910,00, num plano como esse, com prestações de R$ 389,00 pode chegar a R$ 64.908,39, isso com uma taxa de 0,99% ao mês. Outra guerra acontece entre montadoras e agências de carros usados, e quem vem levando a melhor são mesmo os carros 0 km, que têm taxas de juros mais baixas, e tecnologias mais avançadas o que atrai ainda mais o cliente. Entre março e novembro do ano passado as vendas de carros 0 km aumentaram 100% e o número de clientes aguardando na fila de espera são os maiores já vistos. O economista e gerente geral do Banco

Santander, Ricardo Parreira, diz que a procura por financiamentos longos está cada vez maior, principalmente para os carros 0 km. E esse tipo de veículo que em médio prazo começa a trazer transtornos para o seu dono, pois a partir do terceiro ano de uso a maioria dos carros novos precisam de manutenção. E como o gasto não estava previsto, muitos começam a vender os veículos. Isso acarreta outros problemas o inchaço de veículos no mercado e conseqüentemente no trânsito. Atrações à parte, muitos fatores devem ser pensados e pesados na hora de assinar o contrato, como estar ciente de que não só o valor da prestação que deve ser levado em conta. Há outros gastos que devem ser calculados como seguro, manutenção, combustível ou alguma eventualidade. Com o orçamento planejado, e as contas em dia, é só escolher bem, aproveitar o aquecimento do mercado e sair por aí dirigindo.

FINANCIAMENTO: Operação de crédito direto ao consumidor, com planos de até 99 meses para pagamento. Neste financiamento, em que há incidência de IOF (imposto sobre operações financeiras), o veículo é dado como garantia e fica alienado à Instituição Financeira até o término do contrato.

LEASING: Operação de arrendamento mercantil (leasing), com planos de 24 a 60 meses para pagamento e sem incidência de IOF. O veículo arrendado é de propriedade da Instituição Financeira até que você termine de pagar as parcelas do contrato.


Contratado! Profissão: carroceiro Eles ganham a vida sem ter carteira assinada. A profissão não é reconhecida pelo Ministério do Trabalho. Mas os profissionais da carroça não deixam de se orgulhar

Carine Fidelis, Gabriel Carvalho, Leandro Jahel, Natália Nascimento, Richard Novaes e Sabrina Mendes

Eles não têm uniformes, nem batem cartão. Não têm horário de chegada, nem de saída e fazem quantas horas de almoço desejarem. Não têm ninguém para lhes dizer o que deve ou não ser feito, apontar o que está errado ou lhe cobrar resultados. Quem não gostaria de trabalhar assim? Esse talvez seja, na teoria, o emprego dos sonhos de muita gente. Mas, na prática, a situação é bem diferente. Alguém se habilita a ser um carroceiro? Os carroceiros despertam um misto de sensações. Afloram a fúria de motoristas

Fotos Gabriel Carvalho

e pedestres, causam admiração, curiosidade, receio e até preconceito. Por alguns, nem sequer são vistos. A rotina desses profissionais é tão ou mais pesada que a da maioria. Trabalham ao ar livre - ou não tão livre - das grandes metrópoles, e nem sequer têm tempo de admirar a paisagem. E o salário, no final do mês, depende exclusivamente de seu esforço diário. A concorrência é grande. Como diria o carroceiro Ezequiel Gomes, 54 anos: “As pessoas acham que somos ladrões, ficam com medo só de aproximarmos, fazem piadinhas e tratam a gente como os próprios animais. Antes, eu tive de comer capim para sobreviver. Agora, eu deixo essa refeição somente para o cavalo.” Descreve o carroceiro. Natural do interior, Zequinha, como é chamado pelos amigos, veio à capital com o mesmo objetivo de muitos outros: tentar a sorte. Afinal, o município de Matias Barbosa, zona da mata, não tinha nada a oferecer a ele. A vida, porém, em um grande centro urbano foi mais complicada do que se imaginava. Além de não ter onde morar, Ezequiel não tinha o que dar de comer a seus três filhos e à mulher grávida. Assim, conheceu um amigo carroceiro a quem ajudava a carregar entulhos. A partir daí, Zequinha não parou mais. “Consegui comprar um barraco e matricular meus filhos na escola. Tenho televisão e já comprei até um DVD”, conta o carroceiro, dessa vez com um sorriso de satisfação. Tudo isso é fruto dos 600 reais que consegue por mês fazendo carreto com seu velho cavalo. Ele trabalha na regional leste de Belo Horizonte e apelidou o animal com o nome de seu amigo falecido, que o ensinou a montar numa carroça: Aldani.


POCOTÓ...POCOTÓ...POCOTÓ.... “Ele é meu melhor amigo. Entende tudo o que eu falo, sem reclamar. Quando estou chateado, me alegra e não fica me olhando estranho só porque uso roupas sujas”. Assim diz Pedro Paulo Cunha, quando se refere ao animal, é claro. Homem de poucas palavras, o carroceiro, 37 anos, confessa que prefere a relação com o cavalo às pessoas. Talvez, devido à história de vida difícil, que formou sua personalidade. Órfão desde os três anos de vida, sem nem sequer ter algum contato com o pai, Pedro Paulo encontrou no animal um convívio harmonioso que nenhum ser humano lhe conseguiu proporcionar. “Sempre apanhava nos lugares que passei. Morei na rua passando frio e fome. Roubei para sobreviver. Ninguém me ajudou. Só na cadeia vi que podia fazer alguma coisa”, declara o trabalhador, lembrando dos tempos difíceis das ruas e de quando foi preso. Hoje ele tem casa própria graças ao trabalho na carroça.

PROFISSIONALISMO Promover dignidade e contribuir com o meioambiente. Esta é a proposta do Programa de Correção Ambiental e Reciclagem com Carroceiros, criado pela prefeitura de Belo Horizonte, há mais de 10 anos. O programa busca melhorar a qualidade de vida e trabalho dos car-

roceiros e evitar danos ambientais causados por resíduos deixados em terrenos baldios e córregos. As carroças, de tração animal, são emplacadas, registradas e licenciadas gratuitamente, e o carroceiro ainda recebe a carteira de condutor para este tipo de veículo. Os animais também merecem atenção do programa: por um convênio com a Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, eles têm controle de vacinação e monitoramento de possíveis doenças. Uma iniciativa digna de prêmios! E eles vieram, e não foram poucos: o programa foi premiado pela Fundação Getúlio Vargas (prêmio Programa Gestão Pública e Cidadania) em 2000, pela Fundação Oswaldo Cruz (prêmio Milton Santos de Saúde e Ambiente) em 2002, pela Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos – Habitat II (prêmio Global de Dubai – Emirados Árabes) também em 2002, e pela revista Superinteressante (prêmio Super Ecologia 2003). Criado em 2000, o Programa Carroceiros, como é conhecido, conta com o disque-carroça e recebe por mês, uma média de cem ligações. Basta informar o tipo e material a ser recolhido e o local onde se encontra que eles, sem demora, dão um jeitinho. O custo é aproximadamente 12 reias por carreto, menos que o aluguel da caçamba, que na média varia de 100 a 150 reais.

A VISÃO SOBRE QUATRO RODAS Existem motoristas que não concordam com esse tipo de transporte. É o caso do motorista de táxi, Paulo Martins, que trabalha no ramo há 22 anos e roda na região Centro Sul de BH. “Eles (carroceiros) atrapalham todo o trânsito. Tem dias que algumas carroças ficam um tempão empacados na avenida, impedindo os motoristas dos carros de passarem. Os clientes reclamam bastante quando isso acontece. E os cavalos também sujam a rua inteira”, reclama o taxista que, apesar disso, reconhece a dificuldade dos carroceiros em arrumar um emprego convencional na cidade.

Para o carroceiro Ezequiel Gomes: “As pessoas acham que somos ladrões, ficam com medo só de aproximarmos”.


100 anos de

Moda, rock e atitude. Um ícone, que vai muito além dos pés

brilho Deborah Miranda, Marina Ferreira e Wallace Graciano

Cem anos se passaram e ele continua ditando moda do mundo. Feito de lona e sola de borracha, o All Star já foi visto em pés de soldados, roqueiros, crianças e adultos. O simples calçado da empresa fundada por Marquis M. Converse, em 1908, tornou-se um dos "pisantes" mais populares da história, com mais de um bilhão de peças vendidas. Mas, afinal, o que ele fez para que esse modelo sobrevivesse a gerações e caísse no gosto da moda? Em 1921, sentindo a falta de calçados especializados para o basquete, a Converse—começou a patrocinar o atleta, Chuck Taylor, que, desde então, deu seu nome ao modelo mais popular do All Star. Começava ali uma grande identificação da marca com o público jovem, que ganhou reforço nos anos 1950, quando o astro James Dean aderiu à moda. Aos poucos, o tênis tornou-se símbolo de irreverência, tornando-se febre entre as grandes estrelas de Hollywood na década de 60. Depois que Converse foi comprada pela Nike, em 2003, os tradicionais modelos ganharam vida nova com mais estampas, cano longo e baixo, couro, bordado ou customização. Um dos que idolatram o calçado é o segurança Damião de Jesus. Boa parte dos seus 32 anos foram passados com um All Star nos pés. Ele acredita que "o tênis faz sucesso por ter acompanhado a evolução. Tamanha é a paixão de Damião pela marca, que seu filho, Luis Felipe, de dois anos, já segue os passos do pai e tem seu tênis da estrela nos pés.


A ESTRELA DO ROCK “Toda primeira vez a gente nunca esquece, eu nunca mais vou e s q u e c e r, não há nada a se comparar, com o dia em que eu comprei meu primeiro All Star”. A cena é um show da banda e punk rock carioca, Carbona. Fãs cantam um dos maiores sucessos do grupo, “Meu primeiro All Star”, enquanto o calçado pode ser visto nos que estão pés dos ali presentes. Mas, por que um simples tênis tornou-se um ícone para os roqueiros? Para entender o significado que o All Star Chuck Taylor tem para uma geração, vamos viajar no tempo, mais precisamente para o início dos anos 70. O cenário é Nova York, dia 16 de abril de 1974. No bar CBGB, famoso reduto do rock underground da época, três rapazes com sobrenome Ramone— Dee Dee, Joey e Jonny (primeira formação da banda)—, sobem no palco para começar sua carreira de sucesso. Jaqueta de couro, óculos Ray Ban, camisa branca e calça Jeans fazem parte do figurino. Mas ali, nos pés de cada um dos integrantes, um calçado preto, de cano alto, chama atenção da platéia. A rebeldia do movimento punk é um contraste do tênis que marcou a geração. Em meados dos anos 70, as grandes fabricantes, Adidas e Nike, despontavam no mercado. O All Star, por ser um calçado simples, leve, barato

e diferente dos demais, tornou-se símbolo dos movimentos de contracultura da época até os dias atuais. Viajando adiante, mais precisamente na década de 90, o Nirvana, liderado por Kurt Cobain, influencia uma nova geração de roqueiros, os Grunges. Além das letras sarcásticas e melancólicas, dos cabelos bagunçados e da camisa xadrez, Kurt leva os fãs ao delírio e os rabiscos na lona de seu All Star. As frases que o vocalista do Nirvana colocava em seu tênis são copiadas até hoje pelos fãs de rock. Andando pela Praça da Savassi, tradicional reduto de roqueiros, em Belo Horizonte, não é difícil achar um All Star sujo com rabiscos de esferográfica. Daniel Coelho, 20 anos, é um deles. Roqueiro desde sua adolescência, hoje, ele anda pelos paralelepípedos da praça com seu Converse “preto e sujo”, como gosta de dizer. Para ele, o All Star não é só um calçado. “É o tênis que leva a essência do Rock nos pés. Pelo seu preço e simplicidade, virou um ícone, já que também carrega a ideologia da nossa geração: rebeldia e atitude”, explica. A sintonia entre o tênis e os fãs de Rock é tamanha, que em maio deste ano foi lançada uma edição especial com desenhos e escritos do músico líder do Nirvana. O produto faz parte das comemorações do centenário da marca, que busca resgatar ídolos do que usavam tênis Converse, como Ian Curtis, do Joy Division e Sid Vicious, do Sex Pistols. Além de passar por todos os estilos e agradar grande parte do público a Converse se preocupa com produtos ecologicamente corretos e projetos sociais. Recentemente, a empresa lançou um tênis com tecido feito de garrafa PET e apóia o projeto RED, criado pelo vocalista da banda U2, Bono Vox, para gerar verba para o Fundo Global de Combate à Aids, Malária e Tuberculose.


Embalado

para o futuro A quantidade de sa colas plásticas usad as ao redor do mundo traz sérios prejuízos à na tureza. Por isso, a populaçã o e os governantes procuram alternativ as para não deixar que o Planeta Terra seja empacotado de vez

Imagem Renato Pedrosa

Por Wallison Mata


É nos céus das grandes cidades que podemos contemplar o vôo de objetos fazendo um verdadeiro balé pelos ares. Levadas pelo vento, as sacolas plásticas se confundem com a própria paisagem. Nos ares, no chão, acomodando lixo nas calçadas. Sacolas que parecem ser simples na essência, mas que escondem sérios perigos quando usadas de maneira indiscriminada. Apesar da facilidade para transportar as compras e um nível considerado de resistência, elas são verdadeiras vilãs para o meio-ambiente. Por serem feitas a partir de elementos extraídos do petróleo, cada sacola leva de 300 a 500 anos para se decompor. Além disso, elas dificultam a compactação do lixo, entopem vias pluviais e poluem rios e mares. Temendo a aceleração desse crescimento, várias pessoas estão aderindo a novas culturas. É o caso da aposentada Maria Eugênia Torres que aprendeu com os netos a se preocupar com o meio-ambiente e há muito tempo abandonou as “feiosas” de plástico. “Depois que eu ganhei minha sacola de pano as coisas ficaram muito mais fáceis. Ao invés de carregar um tanto de sacolinha, eu levo uma só. Ela é bonita e prática de carregar. E também não prejudica a natureza, né?” E não é só a população civil que tem se mobilizado contra o uso dessas sacolas. Em Belo Horizonte, foi aprovada uma lei de autoria do vereador Arnaldo Godoy (PT) que proíbe a distribuição dos sacos convencionais nos comércios da capital. A lei prevê que, no prazo máximo de três anos, todos os estabelecimentos comerciais deverão oferecer aos consumidores alternativas ecologicamente corretas, como a distribuição de sacolas oxibiodegradáveis, sacolas retornáveis ou, até mesmo, voltar com o antigo hábito de se utilizar sacos de papel no transporte das compras. Apesar de já ter sido sancionada, a lei ainda necessita ganhar apoio da sociedade. Para o vereador, os sacos plásticos já fazem parte da cultura dos brasileiros, sendo preciso a mudança na mentalidade de todos. “É necessário fazer uma mudança cultural na população. A conscientização deve partir dos órgãos de comunicação, que devem ajudar a disseminar a idéia de levar mochilas e sacolas retornáveis quando as pessoas forem às compras”, afirma o vereador.

Já para a geógrafa Sheilla Patrícia Lara, a sociedade humana não está pensando no futuro. Para ela, a população tem pouca preocupação no que se refere à quantidade de lixo que tem sido depositada na natureza. “Se nada for feito, vai ser um amontoado de sujeira que será deixado como legado para as próximas gerações”, ressalta. E se as sacolas de supermercado continuarem sendo depositadas indiscriminadamente, em breve, será o planeta Terra que estará embalado, rumo à sua decadência.

Três milhões d e toneladas de são produzida lixo s no planeta diar Os ambientali stas

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evêem que em 20 produção de pr lixo deve dob25r a ar

5% desse total é gerado no Brasil 60% das cidades brasileira

não têm contr s ole do descar te do lixo Apenas

20%

do total de vo lume de lixo sólido é reciclado

0,22 euros é o valor cobrad

o na Irlanda por cada saco la distribuída

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Brasil é composto un icamente por sacolas No Brasil, ca da consumid or utiliza um a média de

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A celebração do Tanabata Matsuri é uma forma de preservar a tradição e as crenças japonesas

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Cláudia Amaral e Greicimila Mendes

A princesa Orihime, conhecida como a “Princesa Tecelã” morava próximo à Via Láctea. Um dia o rei Tenkou, um deus do reino celestial, apresentou o jovem e belo Kengyu para a filha. Os jovens, completamente apaixonados, casaram-se. Envolvidos pelo amor, não se importavam mais com as tarefas e obrigações diárias. Revoltado com o descuido do casal, Tenkou decidiu separá-los para sempre. Passariam a viver em lados opostos da Via Láctea, com apenas um encontro no sétimo dia do sétimo mês do calendário Lunar. E teriam que atender à condição de realizar todos os pedidos vindos da Terra neste dia. Essa lenda deu origem ao Festival Tanabata Matsuri, que acontece há mais de 1.150 anos, no Japão. Considerado um dos maiores eventos realizados no país, o Tanabata Matsuri é um grande ritual de purificação, utilizado para atrair bons fluidos durante o ano todo. No dia 7, do mês 7, às 7 horas da noite, o ambiente está perfeito para fazer pedidos. É o momento do grande encontro entre a princesa e o seu amado. Quem acredita no poder mágico desse instante, escreve nos Tanzaku (tirinhas de papel colorido com desenhos de animais) os

desejos para o ano que se inicia. Os pedidos são pendurados em um grande céu, montado com ramos de bambu (sassa dake). Os preparativos para o grande dia começam um mês antes. É preciso tempo para tecer as tirinhas e os enfeites, tudo feito à mão. Ao final da festa, as tirinhas são incineradas e os pedidos flutuam com a fumaça até à Via Láctea, indo ao encontro dos Deuses. A secretária Daniele Matsuda, 27 anos, sempre participou do festival. Foi incentivada pelos avós japoneses e, posteriormente pelos pais. A participação no Tanabata Matsuri vai além da conservação da cultura japonesa, é parte da vida dela. “Se não fizer os meus pedidos nesse dia, é como se o próximo ano não fosse ser abençoado. Participar do Festival é primordial para um ano harmonioso”, diz. O presidente-diretor do Instituto de Cultura Oriental, Tatsuo Kanashiro, 72 anos, veio do Japão para o Brasil em 1962 e desde então, procura manter viva a cultura do seu povo. Em casa, incentivava os filhos a estudar e a utilizar símbolos típicos da cultura japonesa, como o quimono. Participante assíduo do Tanabata Matsuri que acontece em Belo Horizonte, Kanashiro faz questão de contribuir para não deixar que os rituais sejam esquecidos. “Transmitir a cultura japonesa não é só ensinar a língua, mas os costumes e as tradições também”, diz.

Tradições japonesas O povo japonês é conhecido por sua tradição. As superstições fazem parte da cultura japonesa. Alguns amuletos são muito utilizados para espantar o mau-olhado e para proteção de objetos, do corpo e da alma. São as crenças, que dão um tempêro todo especial ao diaa-dia desse povo. O MAMORI é um enfeite, uma espécie de casinha, que simboliza proteção e segurança do carro. O EBÍSU é o Deus do comércio e do labor. Ele protege os pescadores, navegantes e comerciantes, é representado pela figura de um pescador, com cesto e uma vara de pescar. É o símbolo do famoso conceito popular, o de ensinar a pescar, ao invés de dar o peixe. Sua figura em casa ou no estabelecimento comercial

garante sucesso nos negócios. Alguns animais também são cultuados. A CORUJA é uma ave muito apreciada pelos japoneses, pois é um símbolo da sabedoria. A TARTARUGA, que simboliza a longevidade e a saúde, é presença constante nas residências na forma de enfeite. Também é comum carregá-la na carteira, em miniatura de ouro ou prata, como protetores pessoais. Há, ainda, amuletos formados pela combinação de dois animais. O ROGUÍN é formado pela cabeça de um dragão e o corpo de uma tartaruga. Na boca, moedas significam a entrada constante de dinheiro. É muito usado em estabelecimentos comerciais.

“Transmitir a cultura japonesa não é só ensinar a língua, mas os costumes e as tradições também”, diz Tatsuo Kanashiro


u o r i t s i Des

? r i u g e s s o r p Um bom emprego, com um salário que dê condições dignas para viver, são atrativos para a escolha da profissão. Mas, e quando bate a incerteza? O que fazer?

Guilherme Vilella aluno do 70 período de Relações Públicas

Fotos Maria Thereza


Diana Bessas, Maria Thereza e Wiliane Nascimento

Quando chega o momento da escolha de uma profissão, as dúvidas se tornam constantes. Muitas vezes, os jovens acabam optando por cursos que não são exatamente o que sonharam e por fim acabam desistindo durante a graduação ou podem até se formar para depois tentar outro curso. Dúvidas quanto ao mercado, questões financeiras, dificuldade para conciliar trabalho e estudo, acabam levando à desmotivação e à sua desistência do aluno. Hoje as estatísticas demonstram que uma grande porcentagem dos alunos pensam ou já pensaram em desistir de algum curso. Isso é reflexo, muitas vezes, de escolhas imaturas e de influências de pessoas próximas ao aluno. Foi o que aconteceu com o aluno de Comunicação Guilherme Vilella, que sob influência de seu pai médico, fez até o 4º período de Medicina, pensou e resolveu abandonar o sonho de seu pai, para viver seus próprios sonhos. Hoje no 7º período

Arquivo pessoal de Érika Cabral

Erika Cabral, formada em comunicação e sonha em fazer Medicina

de Relações Públicas tem a certeza que está no caminho certo. “Estagiando na área pude perceber o prazer de trabalhar com o que realmente gosto”, diz ele com uma expressão de satisfação. Já Érika Cabral teve outra atitude diante da dúvida. Ela conta que soube desde o início que o curso de Relações Públicas não era o que queria, mas como já estava lá, resolveu prosseguir. Concluiu o curso em 2006 e partiu para o próximo: Fisioterapia. Este sim parecia que era o que almejava, mas também não se identificou, desistiu no 2º período e hoje está fazendo uma pós-graduação em Marketing e de olho em outro curso. “Meu sonho é medicina e pretendo fazê-lo em breve, diz Erika ainda transmitindo uma ligeira incerteza.”

Orientação profissional na busca pelo auto-conhecimento A psicóloga Eliane Cardoso diz que o ser humano é repleto de incertezas, e que antes de escolher um caminho ou outro, a pessoa deve pesquisar e aprofundar em suas alternativas, para não tomar decisões precipitadas. No caso da escolha do curso, a psicóloga orienta que o aluno leve em consideração um conjunto de fatores. Primeiramente suas aptidões, para que posteriormente analise o mercado de trabalho, disponibilidade financeira, localização da faculdade, ou influência de terceiros. “Se o aluno considerar algum des-

ses fatores isoladamente, terá uma tendência a não concluir o curso”. Segundo a analista de recursos humanos Jane Assunção a escolha errada e a falta de aptidões para a profissão, refletem de forma negativa quando o aluno ingressa no mercado de trabalho. “No processo seletivo buscamos analisar a identificação que o candidato tem com a vaga. São avaliados não somente o currículo ou formação acadêmica, mas também as aptidões reveladas em seu perfil, que devem ir de encontro com as atividades a serem desenvolvidas pelo profissional.”

“O ser humano é repleto de incertezas, e antes de escolher um caminho ou outro, a pessoa deve pesquisar e aprofundar em suas alternativas”. Psicóloga Eliane Cardoso


Qual é o seu

?

l imite

Trabalhar, estudar, namorar e ainda achar um tempinho para os amigos. Hoje, essa é a realidade da maioria dos jovens e a cada dia fica mais difícil arranjar tempo para si mesmo

Carmen Medeiros, Cláudia Amaral e Elaine Karina

Sair, beber e rir com os amigos. Como é possível fazer tudo isso quando acrescentamos a essa mistura oito horas de trabalho, quatro horas de estudo, atividades de faculdade e umas horinhas, mas só algumas horinhas, de sono? Parece tarefa fácil, mas não é. Nem todo mundo consegue levar esse ritmo intenso por muito tempo. Será que você consegue? Os jovens estão cada vez mais extrapolando os limites do corpo para driblar a rotina do dia-a-dia. Imagine uma pessoa que acorda às seis horas e sai correndo para pegar o ônibus que passa quinze minutos depois. Isso sem tomar café da manhã, pois assim gastaria mais tempo, e, provavelmente, chegaria atrasada no emprego. Chegando lá, come qualquer “bobagenzinha” e cai de cara no trabalho. Horário de almoço? Pode até existir para alguns, mas tem sem-

pre um que pula essa parte com a famosa desculpa de que não dá tempo. No final da tarde come qualquer outra coisa e sai correndo para não perder o ônibus da faculdade. Os professores falam, falam e ainda mandam fazer um trabalho para entregar no dia seguinte. E você que lê essa matéria pensa: “como?” É são menos horas de sono! Para piorar, sempre tem um amigo que te convoca para sair quando você menos pode. E a vida social, onde mora? Ainda tem que encontrar tempo para encontrar com a turma! Estressante isso, não?! Se você se identificou com a pessoa “imaginária”, bemvindo ao mundo dos jovens sem tempo! A estudante de Relações Públicas e auxiliar de contabilidade, Crislei Carolina Barbosa da Silva, 24 anos, representa bem esse panorama: “Eu trabalho e estudo por necessidade, porque não posso me dar ao luxo de me dedicar só aos estudos. Quanto aos amigos, penso

Richard Novaes


que também é preciso ter uma vida social, pois não conseguiria viver só em função de trabalhar e estudar. Meus amigos são como uma válvula de escape...” Para a estudante, devido a falta de tempo, a alimentação e o sono acabam ficando em segunda plano, o que ocasionou problemas de saúde como dores de cabeça constantes, dores estomacais, stress e dores nas costas. Assim como Crislei, o estudante de Direito e estagiário, Fábio Douglas Borges Oliveira, 27 anos, também encontra-se no mesmo dilema. Segundo ele, o sono ou a alimentação são prejudicados diante de tantas tarefas a serem cumpridas diariamente. Viver em uma vida acelerada, em que tudo é para ontem, requer muita disciplina. Mas nem sempre isso é seguido. Comer e dormir mal tornaram-se hábitos da maioria dos jovens. Uma pesquisa realizada em São Paulo no ano passado mostra que 97% dos jovens precisam mudar seus hábitos alimentares. Doenças, antes existentes somente no mundo adulto, começam a atingir pessoas cada vez mais novas. A coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário Newton Paiva, Carla de Oliveira Barbosa Rosa, diz que muitas vezes a pessoa busca alimentar-se bem, mas, devido à falta de alternativas acaba optando pelos fast foods. Ela ressalta que esse tipo de alimento é inadequado para o consumo diário, pois o excesso de gordura contida nesses alimentos prejudica a saúde e pode resultar em doenças crônicas como obesidade, câncer, doenças cardiovasculares e diabetes. Segundo Carla, existem jovens que preocupam-se com a saúde e procuram programas de educação alimentar. Ela diz que no laboratório de Nutrição da faculdade há muita procura por instruções nutricionais e que através dessas, ela busca mostrar aos jovens que as doenças crônicas são totalmente passíveis de serem evitadas a partir de uma alimentação correta. Para isso, Carla explica que deve-se fazer refeições com intervalos de três em três horas ou no máximo de quatro horas, e, além disso, buscar alimentos que proporcione uma refeição mais equilibrada e que forneçam os nutrientes necessários, como frutas, leite e seus derivados, sucos naturais etc. Uma dica dada pela coordenadora é que se evitem refrigerantes, frituras e demais comidas que tenham exces-

so de gordura e que os substituam de casa como pão, torrada e yogurte. Além dos problemas ligados à má alimentação, o psicólogo Bruno de Morais Cury, fala que as exigências do mundo moderno, a competitividade e o fato de muitos jovens terem que escolher a futura profissão podem levar a pessoa ao stress ou Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, que implica em dificuldades organizacionais da administração do tempo, no planejamento e no processo de tomada de decisões. Segundo Bruno, para que os jovens possam manter esse ritmo com saúde é preciso priorizar as necessidades que estão além das obrigações diárias, como trabalho e estudo. O tempo livre é recomendado e indispensável por várias razões, uma delas é de que todas as pessoas também precisam de um momento para si mesmas, para organizarem-se internamente. Seguindo esses passos, Alessandro Eugênio dos Santos, 33 anos, microempresário, tinha uma rotina muito estressante quando mais jovem. Ao notar que as muitas atividades estavam prejudicando a saúde, a primeira coisa que fez foi sair de um dos empregos, pois na época ele trabalhava em dois lugares, estudava e ainda fazia um curso profissionalizante. A busca por uma ajuda profissional deu-se quando passou a ouvir dos próprios amigos e familiares que ele não era mais o mesmo, devido a sobrecarga das atividades diárias. Hoje, Alessandro continua trabalhando e estudando, mas busca fazer tudo de uma maneira mais tranqüila e equilibrada procurando seguir uma rotina de exercícios físicos e sempre dando prioridade para uma boa alimentação. Fonte: http://jornalcidade.uol.com.br/ paginas.php?id=24649

97% dos jovens precisam mudar seus hábitos alimentares.


Precisa-se de um profissional qualificado, disposto a ser treinado pela pr贸pria empresa, interessado em ocupar cargos estrat茅gicos e que aceite ganhar bem

O mercado de

portas abertas


“O essencial dos programas de trainee é poder praticar o conhecimento teórico da graduação e promover o autoconhecimento”. Olívia Medeiros, trainee da área de Engenharia Civil Admilson Veloso, João Guilherme Rosa, Stéphani Paula e Tiago Silva

Eles são empreendedores, independentes, têm potencial de liderança e são preparados para assumir posições estratégicas dentro das empresas. Têm entre 22 e 30 anos, idade prérequisito para a contratação. Durante o período de um a três anos, dependendo da empresa, sua função é apenas aprender e treinar. São um tipo diferenciado de profissionais. Eles são trainees. Voltados para estudantes dos últimos períodos da graduação ou já formados, os programas de trainee são considerados uma outra etapa na vida profissional dos jovens. Nessa fase, eles não têm a necessidade de mudar constantemente de empresas e nem praticam determinadas funções apenas para ganhar experiência, como é o caso dos estagiários, que geralmente assinam contratos temporários. A analista de Gestão de Pessoas, Graziella Borges, explica que os programas de trainee são benéficos para ambas as partes. “As empresas optam pelos trainees devido à necessidade de qualificação de profissionais que não estão disponíveis no mercado e também por poder treiná-los dentro da visão e cultura da organização”, diz. E para o aluno ou recém-formado, a vantagem é participar de um processo de profissionalização muito curto, que permite desenvolver a maturidade e adquirir bom ganho financeiro e de conhecimento. “O essencial desses programas é poder praticar o conhecimento teórico da graduação e promover o autoconhecimento”, afirma Olívia Medeiros, há sete meses como trainee da área de Engenharia Civil. “Considero mais importante descobrir o que se gosta de fazer, ser feliz e realizado, saber o que precisa ser aperfeiçoado e onde será necessário investir na carreira”, diz. As expectativas são animadoras pelas duas partes. O interessado não participa de um programa de trainee se não tiver perspectivas de crescimento, e a empresa não investe na formação do profissional para lançá-lo no mercado ao fim do programa. Por isso, o processo seletivo é longo e passa, geralmente, por cinco etapas: avaliação de currículos, produção de

redação, testes psicológicos, dinâmicas de grupos e entrevistas individuais. Ser fluente em inglês e ter disponibilidade para morar em outras cidades (ou países) também justifica um diferencial dos trainees: os altos salários.

COMPETÊNCIA SOB SUSPEITA Um ponto a ser observado é a necessidade de apresentar resultados em um curto espaço de tempo. Patrícia Braga, analista de Gestão de Pessoas e coordenadora de programas de trainees, explica que, em cerca de um mês, esses profissionais têm que absorver os processos da área em que se encontram e implantar propostas para melhorar o fluxo de trabalho. “Além disso, é comum que os trainees gerem ciúmes nos funcionários mais antigos, pois eles podem pensar: ‘Por que estão investindo neles e não em mim, que estou aqui há tantos anos?’”, conta Patrícia. Essa situação pode gerar boicote e o não repasse de informações necessárias para que os trainees se integrem à área. “Com um acompanhamento freqüente, temos o feedback da chefia e do próprio trainee, e podemos trabalhar a gestão de pessoas e propostas para modificar a situação”, diz Patrícia. O programa só é interrompido se houver incompatibilidade do profissional com a empresa, se o trainee não se destacar, tiver desvios de comportamento ou não apresentar projetos consistentes.

ALGO PODE DAR ERRADO Eduardo Ferrari se formou em jornalismo há 17 anos, e no oitavo período, participou de um processo de nível nacional para concorrer a uma vaga de trainee. Ele foi selecionado com outras duas pessoas, mas, ao fim do programa, não foi contratado. “Sofri demais, achei que ia dar certo e não deu. Mas ainda assim foi positivo, porque fui preparado para a cobrança que teria ao longo da vida corporativa, conheci diferentes áreas da empresa e desenvolvi a minha liderança e relacionamento humano”, lembra Eduardo, hoje gerente de comunicação de uma instituição financeira.

Nem

só de trainees vive o mercado Mas nem todos precisaram dos programas de trainees para ter sucesso. Fábio Alves tem 25 anos, se formou em Publicidade e Propaganda ao fim de 2007 e hoje é diretor de arte do departamento de marketing de um banco. “Trabalho na área desde os 17 anos. Tenho experiência com vários programas de criação gráfica e a faculdade permitiu desenvolver habilidades em outras áreas. No banco, comecei como estagiário e busquei meu lugar”, diz. Para o consultor em comportamento humano, Ricardo Melo, em qualquer situação é preciso ter em mente o que se quer do futuro. “O ideal para todo profissional é não ficar parado, e para isso, convém criar um plano de ação. Algumas perguntas podem auxiliar nesse planejamento, como ‘onde quero chegar?”, aconselha. Para isso, algumas dicas são básicas: investir em cursos profissionalizantes, ter uma boa rede de relacionamentos e, acima de tudo, aproveitar as oportunidades de aprendizado.


Da brincadeira a profissão... Os games são hoje um mercado promissor. Se ligue aí nessas novidades

DE BANCO IMOBILIÁRIO

aos games

Divulgação Cleber Pitta

Rafaella Marques Rose Borges

Pense rápido. Pique - esconde, pega–pega, rouba bandeira, Ludo, War, Banco Imobiliário, xadrez, dominó... Final de tarde, amigos e muita festa. O que isso te lembra? Infância. Mas, hoje, quantas mudanças! Muitas brincadeiras passaram para o mundo virtual. Na Grécia antiga, os jogos eram ligados ao preparo físico e ao desenvolvimento de habilidades. Hoje, alguns deles são modalidades olímpicas, como arremesso de disco e dardo. Os jogos eram utilizados para demonstrar a virilidade masculina e serviam para o fortalecimento, e na maioria das vezes, eram simulações de guerra. Com o passar do tempo a idéia se reformulou e surgiram os primeiros jogos: de tabuleiro, depois os videogames. Na década de 70, o ATARI, o pioneiro. Segundo o coordenador do curso de Desenvolvimento de Jogos Eletrônicos, Guilherme Bahia, 34 anos, da Faculdade Infórium, os jogos evoluíram absurdamente. No senso comum são chamados de formas lúdicas de aprendizado. Ele diz que não é difícil entrar neste universo, basta apenas entender a lógica de cada jogo. No final dos anos 90, existia uma dificuldade em relação à qualidade estética e a capacidade de armazenamento, mas, já existiam narrativas. Atualmente, com o significativo crescimento da área, os jogos estão cada vez mais próximos do real. São tão bem feitos que podem ser comparados a produções cinematográficas, até mesmo pelo investimento. Um jogo pode custar cerca de 10 milhões de dólares. Tudo é possível no mundo virtual; desde a recriação do mundo real, como a construção de um mundo inexistente. Para Bahia produzir jogos eletrônicos é uma arte, e a sociedade tende a se utilizar deles cada vez mais. Em curto prazo deverá ser utilizado desde treinamento (auxiliando quais atitudes tomar) a fazer a sua ginástica dentro de casa, no Japão, já se encontram jogos desse tipo. O desenvolvimento de jogos, em Belo Horizonte ainda é muito novo, se comparado aos países pioneiros, como Canadá, Estados Unidos e Japão. Mas, aqui já existem sete empresas voltadas para a produção de games. O mercado é promissor.

Cenário virtual, criado por Cleber Pitta, estudante do curso de Desenvolvimento de Jogos Eletrônicos


SUCESSO DOS GAMES Basicamente, o sucesso dos jogos se deve à possibilidade de criar uma identidade diferente e poder viver um outro mundo. No Brasil, COUNTER – STRIKE é o mais famoso, seguido por GTA, Half Life e o campeão entre as meninas, THE SIMS. Outro fator é a facilidade para obtê-los. Várias páginas da internet oferecem jogos gratuitos para baixar e, além disse o custo de uma hora na lan house é baixo: (média de R$2,00). Segundo o psicólogo, Jésus Marcos da Silva, 46 anos, os jogos eletrônicos trazem diversos benefícios, como estimular a percepção espacial, a coordenação motora das crianças, ampliando seu campo de visão e raciocínio. Por outro lado, é notável também os malefícios, como tendência à introspecção, negligência das atividades cotidianas, perda de sono, agitação e ainda, “síndrome de abstinência”, na falta dos jogos. O psicólogo aconselha os pais a observarem o filho antes de comprar os jogos; a faixa etária, o tipo de temperamento, a questão do limite. E lembra que os jogos não devem ser substitutos da presença materna / paterna, assumindo um papel de “Babá” ou “cercadinho eletrônico”, já que os pais de hoje tem menos tempo para ficar com as crianças. O limite deve ser estipulado pelos pais com sabedoria, rigor e autoridade, e devem ficar sempre atentos á mudança de comportamento dos filhos.

JOGADORES Charlei Marques Júnior, 14 anos, começou a jogar com 8, com os primos e amigos. Entre os jogos preferidos estão: Counter Strike, GTA e Futebol Monange.

Apesar de ter o seu computador, o adolesceste freqüenta lan house. “Vou para jogar com meus amigos. Em casa fico quieto e não tenho amigos para conversar, lá eu posso zoar”, diz. Para ele se acabasse o jogo hoje, ficaria entediado, já que passa boa parte do seu tempo jogando. Em relação ao desempenho escolar, às vezes, essa vida de “jogador estudante” atrapalha. Muitas vezes deixou o dever escolar de lado. Thiago Loureiro Granjeiro Silva, 15 anos, joga há três anos e meio, cerca de 8 horas por dia. Sexta, sábado, domingo e segunda são os dias preferidos para freqüentar a lan house. O garoto diz gastar R$ 50 nos finais de semana. Word of Warcraft, Counter Strike e Frozen Throne são os jogos que mais gosta. A mãe de Thiago, Raquel Loureiro Granjeiro, 49 anos, diz não gostar dessa situação, e já o proibiu de freqüentar a lan house. “Cheguei a falar com o dono de lá para não deixá-lo entrar”. Quando os pais se recusam a dar dinheiro, o garoto trabalha com o tio, em jardinagem ou montando móveis, para fazer o que gosta, ir a lan house. Já Cleber Soares Pitta, 28 anos, levou a brincadeira de criança a sério. Após ganhar o primeiro jogo aos 11 anos, nunca mais deixou de jogar e hoje está fazendo o curso de Desenvolvimento de Jogos Eletrônicos, na Faculdade Infórium. Atualmente, grande parte do seu tempo é dedicado para a criação de seqüência de jogos (trechos) e roteiros. Ele tem mais de 50 criações e já participou de três competições. Em uma delas faturou o primeiro lugar. O universitário diz que tem muita garra e que um dia será reconhecido por seu trabalho, e para isso tem se empenhado muito. O “mundo virtual”, que o espere.

ATARI os 70 nos Surgiu nos an é os id Estados Un ícone um o ad er id ns co ames. og de vi os dentre o i fo O Atari 2600 rante du o id nd ve s mai a nd Ai . os anos 80 el siv po e je ho enas encontrar pequ uzindo empresas prod esse cartucho para modelo.

COUNTER-STR IKE (CS) É um jogo on line de tiro em primeira pe ssoa, em que se tem a equipe de “terrorista e co ntra terrorista”, qu e combatem até a a vitória . Foi lançado em 19 99 e tem capacidade pa ra 32 jogadores simultaneamen te. Exige muita es tratégia, trabalho de eq uipe, e habilidade pa ra ser um vencedor. É o preferido entre os menin os.

THE SIMS computador É um jogo de do real. Foi ão aç ul de sim 00. Neles 20 lançado em controlar e r ia cr -se pode rsonagens pe s do as vidas enome br virtuais, de so ões de fãs gi le iu ra At Sims. é o jogo do un em todo m versões em s ai m ve te e qu , isso devido toda a história de, e em da a sua simplici telonas. s na ra ta es breve


Beija eu,


O beijo para muitos é o principal ingrediente para medir a temperatura amorosa entre os casais

beija eu, beija eu,

me beija... Para os que não prestam atenção ao sabor do beijo, o beijo sem gosto, é beijo por beijo. Não significa nada. De acordo com alguns especialistas é possível perceber um gosto doce na boca na hora do beijo; é porque está havendo entrega, interesse. Mas quando o gosto está ácido, é muito melhor, sinaliza que a coisa perdeu o controle, a adrenalina está disparada e a curtição é total. Para a sexóloga Patrícia Espírito Santo, colunista do jornal Estado de Minas e do programa Feminina, o ato sexual começa quase sempre com beijo. Segundo ela, propicia um tipo de contato físico que desencadeia não apenas respostas fisiológicas como também emocionais. “Beijar por beijar pode não acrescentar em nada à uma pessoa, a ponto de ela nem saber quem beijou, porque beijou e o que sentiu naquele momento. Pode ser uma experiência inexpressiva para muita gente, mas pode ser também uma experiência frustrante”, diz. Seguindo uma outra linha de pensamento existem aqueles que não dão a mínima para formalidades e tudo que querem é cair na balada e beijar muito. É o caso de Laís Helena Pontes,19 anos, estudante. Para ela, a vantagem de beijar muitas bocas numa única noite, é a possibilidade de conhecer um monte de gente em um só dia. Laís diz ainda que o beijo sem compromisso nada tem a ver com o sexo sem compromisso. Segundo ela, o sexo exige um contato maior e pode ser sinônimo de uma relação mais séria, enfatiza. Porém, como vivemos numa sociedade ainda machista, a mulher que sai beijando muitos caras

na balada pode ficar com a imagem queimada. É o que pensa a operadora de telemarketing, Thaís Ventura. “A mulher fica queimada porque a sociedade é conservadora e não aceita tal atitude”, disse. Alguns médicos e psicólogos, de modo geral, não vêem motivo para os pais se preocuparem com a moda do beijo em série. Para o psiquiatra Fernando Luiz Gonçalves, beijar vários parceiros na mesma balada nada mais é do que uma brinUma prática desenvolvida há 500 anos antes de cadeira entre os adolescentes; não Cristo, época em que os amantes começaram a ser querendo com isso necessariamenretratados nas esculturas e nos templos,o beijo,depois te banalizar o amor, completou o de passar por algumas adaptações, continua sendo médico. uma das maneiras mais prazerosas de se ter e dar praA pedagoga da Escola Estadual zer. Para os romanos existiam três tipos de beijo: o Pedro II, Maria Amélia Ribeiro basium,trocado entre conhecidos;o osculum,dado Fernandes, diz que sair e beijar apenas entre amigos íntimos; e o suavium; que era um monte numa festa não conso- o beijo dos amantes. Independente do significado, me a solidão, até mesmo porque, mas principalmente quando se está apaixonado,beivai chegar um tempo em que a jar é tudo de bom. O naturalista inglês Charles Darwin,em sua teopessoa vai sentir falta de ter ria da evolução das espécies,afirma que a origem desalguém fixo do seu lado. Para ela, sa carícia é mais antiga. Segundo ele, tratava-se de o papel da família é fundamental uma sofisticação das mordidas que os macacos trona construção da identidade da cavam em seus ritos pré-sexuais. moçada. Maria Amélia ainda faz um alerta sobre os perigos de se contrair doenças como a mononucleose infecciosa, a famosa doença do beijo, mais conhecida como sapinho e também a Hepatite B. “Antes de sair por aí beijando Deus e o mundo, é melhor certificar sobre o estado de saúde e a higiene da boca pretendida”, finalizou.

Mordida de macaco


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Guilherme Mesquita Kênia Rodrigues

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Imagine reunir em apenas um veículo características fundamentais para circular em qualquer metrópole – agilidade e baixo custo. E ainda ter uma alternativa saudável de transporte que não polui o ar. É essa a proposta da bicicleta, a famosa “magrela”, “camelo”, “bike”. Veículo de transporte tradicional no interior do Brasil, a bicicleta perdeu espaço nas grandes cidades. Esse fato pode ser atribuído, em grande parte, à opção dos governantes brasileiros de seguir um modelo de transporte voltado para o carro, a estrada e a rodovia pavimentada. Diante dos benefícios oferecidos pela bicicleta, representantes do poder público, associações, grupos de ciclistas e de cicloativistas (aqueles que defendem os direitos dos ciclistas no uso da via pública) têm discutido a utilização da bicicleta como veículo de transporte. O objetivo é alcançar melhores condições para pedalar e popularizar o uso da bicicleta como veículo. Em 2006, a BHTrans lançou o programa “Pedala BH”, voltado principalmente para o incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte. O coordenador do programa, Ricardo Lott, informa que em breve a BHTrans irá licitar 19 quilômetros de ciclovias através do programa “Pedala Brasil”, do Ministério das Cidades.


Atualmente, a cidade conta com cerca de 20 quilômetros de ciclovias distribuídos em várias regiões, entre as principais estão as de Venda Nova e Pampulha. Mas, de acordo com Ricardo Lott, as ciclovias não foram planejadas dentro de uma lógica de rede, ou seja, uma ciclovia ligando a outra. O que dificulta o acesso de mais usuários dentro da cidade de uma maneira segura. O relevo acidentado é sempre tido como um dificultador para o uso da bicicleta em Belo Horizonte. Mas isso não é desculpa, pois, segundo o coordenador do Pedala BH, as declividades estão distribuídas por diferentes regiões da cidade. A bicicleta é uma alternativa de transporte economicamente mais viável frente ao preço do combustível e da passagem de transporte coletivo. Além disso, necessita de um espaço bem menor para ser estacionada e leva o ciclista enquanto motoristas ficam parados em engarrafamentos. Sem falar nos benefícios para a saúde e para o meio ambiente. Entretanto, a realidade para quem transita de bicicleta por Belo Horizonte não é das mais confortáveis. Fábio Antunes, estudante de educação física e instrutor de spinning, circula de bicicleta diariamente pelas ruas. Ele garante que é um desafio pedalar pela cidade. “Os carros te ignoram, os motoristas de ônibus não te enxergam, sem falar nos taxistas e, por fim, os buracos, que são inúmeros”. Mesmo com esses obstáculos, o estudante defende o uso da bicicleta como meio de economizar dinheiro e tempo, além de se manter em forma, e conclui: “pedalar é um grande prazer”.

Rolé urbano

Bikeboys

cur io s

Belo Horizonte conta ainda com grupos de cicloativistas e comunidades, como o Mountain Bike BH (MTB-BH), que buscam conscientizar a população quanto ao uso da bicicleta em vias urbanas e também garantir uma utilização mais segura. O MTB-BH se articula por meio de seu website e seu blog, que trazem discussões sobre o assunto, projetos em andamentos e ações que visam a mobilização das pessoas a respeito do tema. Uma dessas ações é o RUT – Rolé Urbano das Terças, reunião de ciclistas que acontece nas noites de terças-feiras. Segundo Vinícius Mundim, integrante do MTB-BH, o percurso dura em média duas horas. A intenção é promover a interação dos ciclistas com o ambiente urbano, estimulando a convivência com os motoristas de outros meios de transporte e o respeito à sinalização. Outro grupo de ciclistas que se reúne semanalmente é o Le Vélo (a bicicleta, em francês). Todas as quartas-feiras os bikers se encontram e saem da frente de uma tradicional lanchonete na Rua da Bahia, 2652.

Uma demonstração da necessidade do uso da bicicleta como veículo de transporte é o surgimento das empresas de bikeboys. Belo Horizonte tem várias empresas do ramo e uma das primeiras é a Transpedal. Segundo o proprietário, Ítalo Schueler, a empresa foi criada em 1996 com o objetivo de oferecer um serviço de entrega com rapidez, já que a bicicleta não fica retida em engarrafamentos, e é ecologicamente correta. Atualmente, a Transpedal conta com oito bikeboys e três motoboys. “É um sonho que virou realidade. Eu era ciclista, participava de vários campeonatos, era assinante de revistas de bikes, e descobri que os serviços de bikeboys eram muito comuns em países europeus. Então importei a idéia e implantei a empresa em Belo Horizonte”, conta Ítalo.

s e d a id

� A bicicleta surgiu no surgiu no século XIX, na Europa, e chegou ao Brasil em 1898.

� De acordo com dados da Abraciclo – Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares, a frota de bicicleta no Brasil gira em torno de 60 milhões de unidades.

� O Brasil tem 2,5 mil quilômetros de ciclovias. � O Brasil fabrica 5 milhões de bicicletas por ano. A China produz 80 milhões/ano - 60% das bicicletas feitas no mundo, e a Índia 10 milhões de bicicletas por ano.


entrevista ESPORTE

A modalidade que começou apenas por diversão, já faz parte do Pan-Americano e pode ser o próximo esporte Olímpico

BOLICHE da diversão às Olimpíadas Aline Soares, Michelle Garcez, Renata Nunes e Paulla Mirella “Eu comecei a jogar boliche brincando, quando eu ainda morava no Rio de Janeiro. Jogava praticamente toda quinta-feira à noite. Quando vim para BH passei a competir no Minas Tênis Clube e jogar realmente pela Federação Mineira. Eu me identifiquei muito com o esporte: a gente faz amigos, ganha competições e por aí vai”, conta Renato Castellans, engenheiro mecânico e colecionador de títulos no esporte. O boliche vai além de um esporte na vida das pessoas, seja como lazer, relaxamento, treinamento

ou também como trabalho. Você vê num mesmo ambiente homens e mulheres, avô e neto, profissionais e amadores. Qualquer pessoa praticar, basta ter vontade, concentração e confiança. O boliche é uma modalidade dos Jogos PanAmericanos, a sua estréia foi em Havana (Cuba) em 1991. No ano passado, no Pan do Rio de Janeiro, a equipe brasileira não fez feio, teve resultados expressivos como, por exemplo, a medalha de prata para a dupla Fábio Rezende e Rodrigo Hermes.


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PINO - g arrafas do boliche. O pino te m uma alt ura média de diâme de 20 cm tro e pesa a 50 cm aproxima damente 1,5 kg. As bolas pesam en tre 2,72 furos ond kg e 7,25 e são colo kg e c o n cados os têm três dedos. As pistas têm o co mprimen 1,07m. Ap to de 18 enas um ,2 m e a jogador d largura é eve ficar de n a pista. STR IKE – acontece quando to primeiro dos os pin lançamen os são de to. rrubados no SPARE – acontece quando derrubad os pinos os na pri que não m eira taca segundo foram da são d arremess errubado o. s no SPLIT – figura form ada quan afastados do restam um do ou pinos tro.

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Há vestígios da prática do boliche entre os egípcios, há pelo menos sete mil anos. Dá para acreditar? Sim! Um jogo, semelhante a esse que derruba pinos, foi citado na obra Ilíada, de Homero, escrita no século VIII a.C. No século III, na Alemanha, alguns fiéis carregavam um kegel, espécie de bastão protetor. Assim, para se livrar dos pecados, eles atiravam pedras nesses bastões para se libertar. Na Inglaterra, século XII, apareceu nas gramas um tipo de jogo. A idéia principal era colocar uma bola o mais próximo de algum alvo, mas sem derrubá-lo. O boliche teve grande impulso no início do século XX, nos EUA. A versão moderna foi criada com dez pinos que eram colocados em forma triangular. Em 9 de setembro de 1895, foi organizado em New York o Congresso Americano de Boliche, que tinha como principal objetivo aperfeiçoar regras. Isso possibilitou a padronização do equipamento e das competições no mundo todo. No Brasil as primeiras manifestações do boliche foram em São Paulo e Rio de Janeiro. Nos anos 90, com o surgimento de várias federações e da CBBOL (Confederação Brasileira de Boliche), o esporte ganhou mais adeptos.

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O esporte ganha cada vez mais adeptos. No Brasil, porém é considerado caro por causa dos investimentos em infra-estrutura e materiais, que precisam vir do exterior porque não há fábricas no país. Mas isso não impede que várias pessoas espalhadas pelo país sejam apaixonadas pelo boliche e pratiquem o esporte regularmente. Durante todo o ano são realizados cerca de 10 campeonatos de boliche em Belo Horizonte. No mês de março último, rolou um torneio de duplas no Boliche Del Rey. Vinte e duas duplas inscritas na Federação Mineira de Boliche competiram entre si. Se você quer começar a jogar boliche procure uma tribo, a experiência do outro pode valer muito.

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Ludmila Tavares

Relatos de um

cachorrão (*) Kênia Pires, Ludmila Tavares, Marina Prates

Um coturno, um macacão preto, uma máscara de cachorro e Igor está pronto para ir trabalhar. Conheça como é a vida de cachorro e de outros mascotes que movimentam as ruas da capital.

Há pouco mais de um ano, Igor, de 20 anos, tem um emprego que atiça a curiosidade das pessoas. Vestido de mascote da empresa de Segurança Eletrônica Emive, o rapaz dança e balança o corpo nas ruas e eventos da cidade de baixo de sol (mas de chuva não!, ele afirma). Igor conta que procurou a profissão a partir da indicação de um amigo, mas confessa que nunca havia reparado os mascotes nas ruas antes de se tornar um. Ser “cachorrão”, apelido dado aos meninos que se vestem de o cachorro da Emive, não é moleza. A prova de seleção é realizada na rua e avalia a resistência física

e desenvoltura do candidato. Ginga e rebolado são pré-requisitos básicos para conseguir a vaga. Afinal, criatividade não pode faltar para animar as pessoas por mais de seis horas por dia. Luciana Ulhoa, gerente de marketing da Emive, confirma o sucesso da estratégia. Segundo ela, os mascotes também englobam um “projeto social da empresa”, pois buscam contratar garotos que enfrentam dificuldade no mercado de trabalho ou problemas financeiros. Ela garante que todos trabalham com carteira assinada, vale transporte, ticket alimentação, cestas básicas e seguro de vida.


Brincadeiras dos colegas Igor se diz tímido, mas, em entrevista, se mostrou uma pessoa extremamente extrovertida e comunicativa. Apesar de afirmar que alguns colegas de trabalho têm vergonha do emprego que exercem, e, segundo ele, chegam a inventar que são instaladores de alarme, ele não sente a menor vergonha ao dizer que é um cachorrão. Ser feliz e ter o salário depositado ao final do mês é o que mais importa para ele. Preconceito existe. Na escola, Igor escuta brincadeiras pejorativas dos colegas, mas diz não ligar, afinal, ele confessa ser também um grande gozador. O rapaz, que cursa o segundo ano do ensino médio, mostra orgulho ao dizer que pode pagar pelo seu lazer e ainda contribuir com as despesas de casa.

Debaixo de sol Macacão preto, feito com um material grosso e quente. O coturno é parecido com os utilizados por policiais. Na cabeça, uma máscara relativamente leve, mas enorme, chegando a ser três a quatro vezes maior do que a sua própria cabeça. A visibilidade de dentro da mascara é pequena, mas nosso personagem explica que, com o tempo, se pega o jeito. No início, não se sentia seguro sequer para atravessar uma rua. Segundo a gerente de marketing Luciana, o uniforme é inspirado nos bonecos de Olinda, em Pernambuco. Cada cachorrão recebe um uniforme e cada um é responsável por lavar sua fantasia. Igor conta que a empresa de segurança oferece apenas um pouco de sabão em pó. Por conta própria, ele passa álcool em seu material para garantir a higiene. “Alguns não limpam suas máscaras, o que gera um cheiro insuportável”. Os cachorrões já pediram um uniforme mais fresco, pois é difícil encarar o sol com uma roupa tão quente.

Morre de medo Se a rua já apresenta perigo para as pessoas que transitam nela, imagine para alguém que precisa se equilibrar no canteiro central ao fazer acrobacias e dançar fantasiado. Igor diz que já passou apertos e sabe que cuidar da saúde é essencial. Por isso, o rapaz diz que para de dançar quando sente que pode passar mal. Para ele, seu santo é forte e, por isso, nada de grave nunca lhe aconteceu, mas confessa que, às vezes, morre de medo de se machucar.

Tem que ter rebolado A estratégia de colocar rapazes para dançar com a fantasia do mascote da empresa se tornou um sucesso. Por isso, Igor conta que a exigência aumentou. Revela que, sua prova de seleção foi muito mais branda, comparada as que são realizadas atualmente. “Hoje as provas chegam a durar três horas e são realizadas debaixo de sol bravo”, afirma. São avaliados o carisma e a resistência dos candidatos.

Fama e anonimato Várias pessoas entortavam o pescoço para ver o rosto do rapaz, que segurava a máscara de cachorrão da Emive, enquanto concedia entrevista na região da Savassi. Não é difícil flagrar alguém pedindo para tirar uma foto com o cachorrão. Sobre a fama, ele diz que sabe separar a fama do cachorrão e a do Igor.

Sonho de um cachorro Igor vê a profissão como um passo para seu futuro. Por isso, revela não querer abrir mão do emprego tão cedo. Diz que pretende comprar um computador e tirar a carteira de motorista com o salário mínimo que recebe por mês. Seu sonho? Só quer ganhar dinheiro sem trabalhar muito. “Pode não ser agora ou para daqui a dez anos, mas vou conseguir.

Ludmila Tavares


Chocolate ilegal, imoral ou engorda? (*) Priscilla Aduan e Thais Salgado Todos os anos, no período da Páscoa, muitas pessoas se perguntam: por que o chocolate foi escolhido como o doce que representa data tão significativa e importante, como o renascimento de Jesus? Que o chocolate é o doce predileto para as crianças e adulto, não é novidade. Mas será que ninguém nunca se perguntou o que faz o chocolate ser tão apreciado? Sim, porque balas, pirulitos, chicletes, todas essas guloseimas são lançadas diariamente no mercado, disputando espaço com o chocolate nas prateleiras das lojas, mas não tornam-se páreo para ele. Faz parte da nossa cultura e tradição, associarmos o chocolate a datas comemorativas, sobretudo àquelas mais românticas. Quando pensamos

em presentear alguém de quem não somos tão próximos, também nos lembramos logo do chocolate, porque é algo que quase todo mundo gosta de ganhar. Além de ter um preço acessível, não é necessário conhecer os gostos mais íntimos de alguém para acertar no presente. Segundo o Clínico Geral, Alessandro Loiola, o chocolate, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não aumenta o colesterol, e nem causa espinhas, pelo contrário, seu consumo combate a hipertensão de intensidade média, e pode prevenir o câncer. Essas afirmações representam um alívio para chocólatras, como Mariella Araújo. A estudante, 21 anos, diz não ficar sem uma barra de chocolate, ou pelo menos uma pe-


quena amostra do doce em sua bolsa. Segundo Mariella, a paixão vem de quando era criança. Passar um dia sem comer a guloseima é quase uma tortura. ”O meu preferido é o branco, mas na hora do desespero, qualquer um resolve”.

ALEGRIA Alexandre explica que a dependência do chocolate tem fundamento científico. “Não é apenas o delicioso sabor do chocolate que vicia. Entre as mais de duzentas substâncias presentes neste doce, estão as xantinas, responsáveis pela sensação de bem-estar, relaxamento e ânimo, além dos carboidratos, que interferem na produção de serotonina e endorfina, substâncias que também provocam prazer e alegria. O problema é que todo esse ânimo acaba, levando a pessoa, logo em seguida, a um estado de depressão, que fará com que busque o chocolate novamente. É aí que o vício se estabelece”, explica o médico.

ALISA E NUTRE O chocolate tem tido outras aplicações que, à sua maneira, também proporcionam prazer, ao interferir na auto-estima de quem faz uso dessas prá-

ticas. A escova de chocolate,usada no cabelo, assim como os tratamentos faciais baseados neste produto, tem sido encontrada com uma freqüência cada vez maior nos salões de beleza. Valéria Siqueira, cabeleireira do Salão Realce, ensina que o cacau e a cafeína são substâncias ricas em ácido graxo, que fornecem emoliência e nutrição aos fios. “Associadas à outras substâncias, eles agem recuperando os estragos provocados por agentes químicos ou naturais, além de alisar os fios”, diz. No tratamento para pele, o chocolate serve como hidratante e relaxante para peles sem vida e ressecadas pelo sol. “Além de garantir maciez, brilho e vitalidade, o tratamento à base de chocolate proporciona sensações de bem-estar e relaxamento”, garante Valéria. Embora os argumentos convençam, e as técnicas deixem muitas pessoas satisfeitas, o médico Alessandro não acredita na eficiência de tais tratamentos: ”Na maioria dos casos, trata-se apenas de modismo, sem grande embasamento científico”. Quanto ao limite para consumo desta delícia, o médico garante não haver riscos, desde que a quantidade de calorias consumida diariamente esteja dentro do previsto para altura e peso ideal. Os fãs desta irresistível guloseima podem comemorar, porque não é ilegal, nem imoral, e só engorda, se consumido em excesso!

De Olmeca para o mundo A origem do chocolate remonta à 1500 A.C, segundo registram estudos que demonstram que a civilização Olmeca foi a primeira a aproveitar o fruto do cacaueiro.Nesta época, o cacau era usado como uma bebida, normalmente acrescida de algum condimento.Era ingerida pelos sacerdotes em rituais religiosos. Historicamente, foi Cristovam Colombo quem descobriu o cacau para a Europa, em sua quarta viagem ao Novo Mundo. Por volta de 1502. Em 1519, Herndando Cortez descobriu o cacau durante suas conquistas no México, mas os espanhóis não apreciaram muito a bebida, achando-a gordurosa, fria e amarga. Em 1528, Cortez trouxe de volta para a Espanha cacau e as ferramentas necessárias para seu preparo. Com o passar do tempo, os espanhóis começaram a agregar açúcar a outros adoçantes à bebida, tornando-a menos amarga e mais palatável, portanto, ao gosto europeu. O chocolate quente começava, cada vez mais a cair no gosto da

elite espanhola. Também nesta época, o cacau começou a ser feito em tabletes. Ao longo dos próximos 150 anos, a novidade foi se espalhando pelo resto da Europa, enquanto vários ingredientes continuavam sendo agregados ao chocolate líquido. Foi somente em 1755 que o cacau apareceu nos Estados Unidos. Em 1795, a utilização de máquinas a vapor para esmagar os grãos de cacau, deu início à fabricação do chocolate em maior escala. Mas a verdadeira revolução do chocolate aconteceu cerca de 30 anos depois, quando os holandeses desenvolveram uma prensa hidráulica que permitia a extração, de um lado da manteiga de cacau, e de outro, da massa do cacau. Esta prática permitiu o desenvolvimento de bebidas achocolatadas, e em sequência, a mistura com manteiga de cacau fez aparecer os primeiros tabletes de chocolate, mais ou menos como os conhecemos hoje.


A arte de colecionar é capturar em cada objeto uma lembrança e um pouco de si mesmo

Caçadores de Anderson Fernandes Camila Andrade Elaine Lopes Viviane Sousa

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Thor, herói criado por Stan Lee, inspirado na mitologia nórdica

memórias Hobby, mania ou compulsão? Para alguns, colecionar é apenas juntar “coisas”. Para outros, esse hábito é carregado de valores e sentimentos. O professor de geografia, Washington Eloi, coleciona apenas por diversão. Seu interesse por histórias em quadrinhos o levou a acumular, em vinte anos, cerca de 500 revistas, 34 bonecos, além de 100 dvd´s de filmes e desenhos de seus personagens favoritos. O destaque da coleção é o personagem Batman, presente até mesmo na colcha da cama e na parede de seu quarto, o que demonstra sua verdadeira “bat -paixão”. Aos 29 anos, Washington não se envergonha de exibir sua tatuagem – um martelo, símbolo do super-herói Thor, guerreiro loiro, de capa vermelha criado pelo consagrado Stan Lee, no ano de 1962. Esse também é o símbolo de sua banda preferida, Manoway, que assim como o personagem, tem inspiração na mitologia nórdica européia. Existem aqueles que se identificam com os objetos colecionados. É o caso da estudante de Administração Ellen Gotschalg Heilbuth, 23 anos, que considera sua coleção de cerca de mil papéis de carta “delicada e meiga”, como ela mesma se define. Ellen conta que muitas pessoas vêem sua mania como algo infantil, mas ela não se importa, pois coleciona desde os seis anos e não pretende parar. “É meu xodó, traz boas recordações”, diz a estudante. Colecionar pode ser uma interessante forma de conhecer novas pessoas. Foi trocando papel de carta que Ellen começou seu primeiro “namorico”. E é por meio de diversas coleções que surgem círculos de amizades e comunidades virtuais, onde pessoas de vários lugares do mundo se relacionam.


Anderson Fernandes

Washington: Até na pele

Camila Andrade

Ellen: “É meu xodó, traz boas recordações”

É um luxo Para colecionar, muitas vezes não é necessário apenas querer, e sim, poder. Esse hábito requer investimentos e, dependendo do objeto, os valores não cabem no bolso de qualquer um. A paixão por carros antigos levou o engenheiro José Pinto, mais conhecido como Neto, 56 anos, a pagar R$ 25 mil por um carro Lincoln Continental Mark IV, ano 1974. Entre os seus 19 carros, que conquistou ao longo de quatro anos, o que considera mais importante é o Ford 1934, o mais antigo da coleção, modelo usado na época por gângsters americanos. Neto participa de um clube de colecionadores, da Associação de Amigos de Carros Antigos. No futuro, pretende criar o primeiro museu de carros antigos de Belo Horizonte. Quando decidem exibir suas coleções para o grande público, os colecionadores muitas vezes contribuem para a formação cultural da sociedade. É dessa forma que nascem importantes exposições e também museus, como o Museu dos Brinquedos, em Belo Horizonte, que conta com um acervo de mais de 5 mil objetos. Inaugurado em 2006, é o primeiro com essa temática no Brasil. O projeto foi idealizado por Luiza de Azevedo Meyer, nascida em 1912, que durante seus 88 anos de vida reuniu uma coleção de centenas de brinquedos, como bonecas,

José Pinto/Arquivo pessoal

Zé Pinto: Paixão que custa caro

cavalinhos de pau, discos e livros que preservam a memória da infância. O Museu dos Brinquedos trabalha com doações para incorporar novas peças ao seu acervo. Thiago Carlos Costa, historiador e técnico de Acervo de Objetos do Museu Abílio Barreto, explica que qualquer pessoa pode exibir sua coleção, basta que ela tenha relevância histórica e cultural. No caso do Abílio Barreto, os objetos doados passam pela avaliação da Comissão de Política de acervo do museu, que só oficializa a exposição se os objetos se referirem à história de Belo Horizonte.

Prazer em reviver A psicóloga e professora Sylvia Flores acredita que o hábito de colecionar é uma forma de garantir a permanência de um tempo que já passou, é praticar o desejo da imortalidade. “A coleção é uma forma de apossar-se do mundo, pois, não se possui apenas o objeto, mas todo um emaranhado de significados, vivências e práticas a ele ligados”, explica a psicóloga. Ainda segundo Sylvia, colecionar torna-se uma obsessão quando o hábito passa a ser o único sentido da vida de uma pessoa. Neste caso, é necessária uma ajuda psicológica para trazer o indivíduo de volta à realidade.


Tamara Souza

Nadar, tocar instrumentos, ser co-piloto de rally e até mesmo vereador. A deficiência visual não é o limite Gabrielle Garcia, Luiz Josué e Tamara Souza

EU sou assim

Como seriam as noites sem as luzes ou as salas de cinema sem um telão? Os deficientes visuais não podem definir a sensação da cor vermelha, do pôrdo-sol ou da multidão reunida pulando num show. Quem não consegue enxergar da mesma forma que outras pessoas, desenvolve seus próprios métodos de ver o mundo. Vencer pequenas deficiências se tornou motivação para algumas pessoas. Comprometidos com a vida e o desejo de serem felizes, eles conquistam seus lugares no pódio.


Gabrielle Garcia

A VIDA CONTINUA As etapas vencidas são ‘aperitivos’ para as próximas aventuras de Arnaldo Godoy, que, embora não enxergue, já levou as filhas - ainda pequenas - e sobrinhos para um clube, deu comida e cuidou das meninas sozinho. Arnaldo é vereador e não se encaixa em nenhuma característica de político. Não é engravatado, é alegre e aparentemente bem-resolvido. Ele nasceu com uma doença chamada retinose pigmentar e parou de enxergar aos 15 anos. Estudou no Instituto São Rafael, onde dá aula hoje. “Eu nunca tive nenhum problema com meus alunos, fazia de tudo. Atividades físicas, teatro, música, ia pra rua com a garotada sozinho”, conta. Arnaldo namora, trabalha e se diverte como todos. “O cego não deve se colocar na posição de rejeitado, senão ele atrai isso. No plenário ninguém me trata diferente porque sou cego, eu me coloco em situação de igualdade. Claro que é diferente, eu sou cego e você não é, mas isso não me torna melhor ou pior, maior ou menor”. As gêmeas Marina e Fernanda de Paiva, 17 anos, são atletas, colecionam medalhas e distribuem simpatia. Duas garotas que exibem uma barriga sequinha de dar inveja em muitas mulheres e levam uma vida tão ou mais saudável que muitas pessoas que enxergam bem. As meninas que têm apenas dez por cento da visão, são pura animação quando o assunto é piscina. Nadam horas por dia e se lançam em projetos desafiadores. Pretendem conquistar medalhas nas paraolimpíadas de Pequim. Elas têm perda progressiva da visão, devido ao parentesco entre os pais. São primos. No colégio, o auxílio vem das colegas: “Temos que prestar muita atenção na aula, mas as colegas sempre dão apoio”, conta Marina. Elas gostam de ir ao shopping e já estão pensando no vestibular.

Arnaldo Godoy: o cego não deve se colocar na posição de rejeitado

� Não evite palavras como "cego", "olhar" ou "ver". Os cegos também as utilizam. � Ofereça auxílio e tenha certeza de que ele quer ser auxiliado. � Avise quando for se distanciar. Não o deixe falando sozinho. � Ao indicar direções, seja claro. Informe os obstáculos do caminho.

INDICAÇÃO DE FILMES: Janelas da alma - Um documentário que explora a falta da visão. À Primeira Vista - Virgil, um homem que ficou cego após um acidente na infância, é convencido por Amy, que por ele se apaixona, a fazer a cirurgia que é realizada com sucesso. Ele reaprende a enxergar a luz do dia e a conhecer a força do amor. Além dos Meus Olhos – O casal James e Ethel, que são cegos descobrem que não podem ter filhos e decidem adotar uma criança. Eles enfrentam uma série de barreiras legais para provar que são capazes de cuidar de alguém.

PARECE IMPOSSÍVEL, MAS NÃO É

Marina e Fernanda: temos que prestar muita atenção na aula Gabrielle Garcia

Dirigir pelas ruas é complicado. Imagine orientar um carro de competição em rally sem enxergar nada. A tarefa é executada facilmente por Rafael Breno, na posição de co-piloto. Um jovem de 20 anos com deficiência visual que, com habilidade e velocidade de raciocínio, orienta o piloto pelas estradas de terra. “Eu tenho que informar tudo: atalhos, buracos, rios... De forma que meu companheiro não atrase na competição. Apesar de não conseguir enxergar, posso, através da minha leitura em mapas braile, ser os ‘olhos’ do piloto’’. Saindo da poeira do rally e navegando na internet, Rafael mostra que sua deficiência visual não prejudica nem o acesso ao mundo virtual. “Eu tenho orkut e msn. Me comunico normalmente, além de mexer em todas as ferramentas que o computador me disponibiliza”. O jovem consegue tudo isso através do programa Dosdox produzido pelo núcleo de computação e eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desenvolvido especificamente para cegos. Outro jovem que prova que ser diferente é normal, é o músico Juliano Lopes, 15 anos. Ele toca violão, flauta e se arrisca até no piano mesmo com menos de um por cento de visão. A melodia que inspira sua vida, mostra que o ser humano busca sempre se superar. “Eu fico aborrecido com o pessoal que fala comigo que tocar instrumentos é difícil. Se você treinar vinte minutos por dia, você aprende a tocar rapidinho. O segredo é treinar”. Entendendo as limitações das pessoas cegas, elevadores estão sendo adaptados com sistema de voz, os bancos estão emitindo extratos em braile, e os correios estão criando projetos que transferem as cartas para o braile. Apesar dessas adaptações, muita coisa ainda deve ser feita.


Tecnologias que revolucionam

a leitura (*) Daniel dos Santos, Fabius Alvim e Priscila Silva

Inovações como o e-book prometem modificar o conceito de leitura. Mas, será que essa tecnologia poderá acabar com o famoso “dobrar páginas”?

A sensação proporcionada pela leitura de um livro, jornal ou revista pode estar com os dias contados? Se depender do leitor eletrônico Kindle, sim. Talvez o nome ainda não lhe pareça familiar, mas os criadores desse aparelho para leitura prometem fazer você esquecer de vez aquele cheiro característico dos impressos, e todo o ritual praticado durante a leitura; como o charme de virar página por página ou sentir a textura das folhas.

Lançado pela livraria virtual Amazon, em novembro de 2007, o Kindle foi feito para revolucionar definitivamente a maneira de ler. Vantagens para convencer os apaixonados pelos impressos não faltam, começando pelo preço, US$ 399, cerca de R$ 700. O acervo de livros disponíveis para download é enorme, mas o custo é sempre inferior ao que se pagaria para comprar um impresso. Baixar um livro virtual custa, em média,


Direitos autorais Editores e donos de tradicionais livrarias ainda não estão preocupados com essa nova tecnologia para leitura. E, de acordo com pesquisas, a venda de livros aumentou consideravelmente, apesar de o preço ainda ser empecilho para um crescimento de vendas ainda maior. Um dos possíveis problemas envolvendo os e-books refere-se à facilidade de se pegar qualquer livro e transformá-lo em arquivo digital, sem preservar os direitos autorais e de comercialização. “A lei dos direitos autorais protege a atividade da criação e o e-book se insere nesse conceito. Em 2005, houve o caso de um médico que copiou, suprimindo o nome do autor, 12 ou 14 capítulos dos 16 que compõem o livro. Esse médico foi processado e condenado a pagar cerca de R$ 46 mil”, declara Renato Ópice, advogado especializado em direito eletrônico e Presidente do Conselho de Comércio Eletrônico da Fecomércio.

O surgimento do papel Foram os muçulmanos e os judeus que introduziram o papel na Europa. Os cruzados, (aqueles das cruzadas), também trouxeram folhas de papel sob suas vestes de combate ou entre os utensílios transportados no retorno do Oriente a seus países de origem. Centenas de anos depois, com a invenção da tipografia por Gutenberg, nasceu um novo e definitivo cliente, o impressor, que passou a consumir a maior parte da produção de papel. A partir da segunda metade do século XV, surgiu o livro impresso. Uma das primeiras e mais conhecidos publicações daquela época foi a Bíblia de Gutenberg, livro que inaugurou oficialmente a fundação da imprensa no Ocidente. Atualmente, o livro mais impresso no mundo continua sendo a Bíblia. No entanto, é rotineiro ouvir que o livro está morrendo, com o constante avanço da internet. Ao olhar exemplos de extinção, observa-se que o CD praticamente eliminou o vinil, e que o DVD tem expulsado os vídeos-cassete dos lares. Mas, por pouco tempo, pois a tecnologia Blu-ray — formato de disco óptico da nova geração para vídeo de alta definição e armazenamento de dados de alta densidade — promete eliminar o DVD. Enfim, cada um dos casos possui uma especificidade, porém é possível adiantar uma boa notícia para os amantes do famoso “dobrar páginas”. Segundo o reputado verificador de consumo online, Nielsen/NetRatings, o livro (sim! O Livro) é o produto mais comprado na internet. Dados recolhidos em 48 países revelaram que 41% dos 875 milhões de econsumidores compram mais livros do que qualquer outro objeto de consumo. Em síntese: oito em cada dez internautas encomendaram pelo menos um livro, nos últimos três meses, nas livrarias virtuais. Pelo visto, até os que vivem na internet não abrem mão de um bom livro, que por sinal, está longe da extinção.

Curiosidades

R$1,99. E não é só isso. O fácil manuseio do aparelho e a facilidade incrível para baixar um livro de 600 páginas — o que pode ser feito em menos de um minuto — é bastante atrativa. Como se isso fosse pouco, o aparelho para leitura ainda pode armazenar mais de 200 livros, revistas, jornais e até blogs; além de possibilitar o acesso à Wikipédia, a famosa enciclopédia eletrônica. Apesar de todos os benefícios, o Kindle tem características que podem dificultar a revolução desse aparelho no mundo das letras. A oferta de livros eletrônicos ou e-books na internet tem aumentado, mas o número de usuários desse recurso, não. A verdade é que a moda lançada ainda não pegou e muitos nem imaginam que um aparelho de apenas 280g pode significar ameaça aos impressos. Ainda é bem cedo para dizer que os leitores eletrônicos substituirão os impressos. Mas, será que o Kindle terá o mesmo poder de transformação dos MP3? Isso só o tempo dirá.

O fabricante do Kindle utiliza uma tinta especial que, de acordo com testes feitos por oftalmologistas, não é prejudicial à visão.


Com o fim do casamento, alguns procuram um novo amor. Sites de relacionamento e agência de namoro são algumas das alternativas. Mas, e os filhos o que pensam disso?

Ana Clara Otoni | Àurea Karine Gonçalves

“Minha


mãe

namorando” Marcella Bebiano tem 19 anos e sempre ficava na internet até altas horas conversando com as amigas. Mas, depois que sua mãe se cadastrou em uma site de namoro, ela teve que aprender a dividir o computador. Os pais de Marcella são separados há oito anos, e a notícia de que sua mãe tinha um novo amor deixou a jovem muito preocupada. “Eu achava que ele queria tomar o lugar do meu pai, e a idéia de um homem estranho na minha casa me incomodava muito”, desabafa Marcella, filha única de Jônia Felipe e Geovani Bebiano. Jônia precisou de muita cautela e conversa até levar Henrique, seu namorado, pela primeira vez em sua casa. Ela conta, que desde o início foi sincera com sua filha e abriu o jogo logo que começou a sair com ele. “Depois que me separei senti falta de ter alguém ao meu lado. Quando me cadastrei na agência, Marcella não gostou muito...mas, acho que já está aceitando que eu tenha um namorado”, conta Jônia. A busca por um novo relacionamento faz com que as pessoas procurem os métodos mais diferentes para encontrar alguém — de agências de namoro, sites de relacionamento a velhas simpatias para Santo Antônio. Helena de Almeida há sete anos une casais e conhece bem “as dores do coração” de quem a procura. Dona da Cupido, uma agência de relacionamentos em Belo Horizonte, Helena, é uma romântica à moda antiga. “As pessoas precisam ser amadas”, sonha. Normalmente, quem busca esse tipo de ajuda são os que acabaram de sair de um relacionamento sério e por isso, ainda estão muito ligadas à antiga relação. A proprietária da agência Cupido, porém, sempre aconselha: “é preciso deixar o passado, e buscar o novo. Chega de saudosismo”.

No fim de um casamento, pais e filhos se encontram na mesma situação: enfrentam uma nova realidade, passam por um momento de mudança e adaptação. Os filhos, carentes da presença de um dos pais, e os pais de um parceiro. Esse é o momento que mais precisam de apoio. Foi o que aconteceu com Thaís Salgado, que aos onze anos teve que lidar com a separação de seus pais e com o namorado de sua mãe. “Nessa época, eu dormia na cama com a minha mãe e morria de ciúmes quando o telefone tocava de madrugada. Sabia que era o namorado dela”, lembra Thaís. Hoje, aos 20 anos, ela aceita os novos relacionamentos de seus pais e diz que a presença de um homem em sua casa preenche um pouco a ausência da figura paterna. Aceitar os novos relacionamentos do pai foi muito mais fácil para Thaís. Ela diz que ele é muito carente e que até prefere que esteja namorando. “Acho ótimo meu pai ter uma mulher para cuidar dele, assim fico mais tranqüila“, conta a jovem. Sérgio Oliveira, pai de Thaís, está solteiro no momento; e conta com a ajuda da filha para encontrar uma nova namorada. “Ela me cadastrou em um site de relacionamentos, e sempre pergunta se conheci alguém legal”, alegra-se. As vantagens do namoro online é que se tem mais tempo de procurar alguém que combine com você, pois são diversos os perfis para serem analisados. Se não gostar da pessoa, pode encontrar outra na imensa lista de cadastrados, ou ainda, ser encontrado por alguém. O importante é não sofrer com a solidão, já que opções não faltam para quem deseja encontrar um novo parceiro.



Revista Ágora 2008