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รกgora Revista do Curso de Jornalismo do Centro Universitรกrio Newton Paiva

Ano VI - Janeiro a Julho de 2013

Guto Muniz

Grupo Galpรฃo, 30 anos


รกgora REVISTA DA DISCIPLINA

JORNALISMO PARA REVISTA

Guto Muniz

RUA CATUMBI, 546 - BAIRRO CAIร‡ARA BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS


expediente

PRESIDENTE DO GRUPO SPLICE Antônio Roberto Beldi REITOR João Paulo Beldi VICE-REITORA Juliana Salvador Ferreira de Mello COORDENADORA DOS CURSOS DE COMUNICAÇÃO Juliana Lopes Dias SUPERVISÃO Profª Rosangela Guerra EDIÇÃO E REVISÃO Edwaldo Cordeiro - JP 11388

COORDENADOR DA CENTRAL DE PRODUÇÃO JORNALISTICA - CPJ Professor Eustáquio Trindade Netto (DRT/MG 02146) EDITORA DE ARTE E PROJETO GRÁFICO: Helô Costa 127/MG ESTAGIÁRIOS DA DIAGRAMAÇÃO: Laura Senra e Márcio Júnio

REPÓRTERES: Cristina Costa, Diego Araújo, Douglas Macedo, Elder Alvarenga, Enedina Prates, Fillipe Gibram, Geisiane de Oliveira, Giordano Silva, Isabella Matos, Isabella Rocha, João Sabino, Kathlein Roberta Larissa Vidal, Lorraine Souza, Luana Evelyn, Maiara Morais Marina Marras, Michelle Gomes, Nayara Costa, Nayara Perez Pedro Duarte, Rayane Dieguez, Robert Rodrigues e Thais Venturatto


esta ediçã


ARTE Luthier, o talento que encanta CRISTINA COSTA, LARISSA VIDAL E ROBERT RODRIGUES

PROFISSÃO Vida de Fotógrafo PEDRO DUARTE

CULTURA Renascimento cultural LORRAINE SOUZA E RAYANE DIEGUEZ

A Liberdade é point da cultura FILLIPE GIBRAM, ISABELLA MATOS E LUANA EVELYN

Ouro, carros e luxo. A onda ostentação ISABELLA ROCHA E THAIS VENTURATTO

TRAJETÓRIA Grupo Galpão, 30 anos CRISTINA COSTA, ROBERT RODRIGUES E LARISSA VIDAL

ECONOMIA Startups, uma maneira inovadora de fazer negócios Thiago Fernandes

GIORDANO SILVA, KATHLEIN ROBERTA E MAIARA MORAIS


Revista ĂĄgora 2013/1

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aRte

Luthier,

a profissĂŁo vem mudando o conceito de instrumentos musicais, transformando em arte o que antes era visto como produto

Cristina Costa

Fotos Cristina Costa

o talento que encanta


Revista ágora 2013/1 Cristina Costa, Larissa Vidal e Robert Rodrigues

Saber tocar um instrumento é o desejo de quem gosta e aprecia boa música, mas nem todos conhecem o trabalho que pode existir atrás disso. A criação e a produção de instrumentos musicais acontecem de duas formas: uma é a industrial, em que os produtos são feitos em grande escala; há também o modo artesanal, fabricação feita por profissionais conhecidos como Luthiers, que produzem instrumentos exclusivos, sob medida. A luteria é uma arte que agrega conhecimentos de outras artes, como marchetaria, marcenaria, desenho, química, pintura, matemática, eletrônica e outras. Para ser um bom artesão nessa área, o profissional precisa dominar várias técnicas de construção do instrumento. A palavra Luthier é de origem francesa e significa fabricante de alaúde. Com o passar do tempo, ela começou a designar a profissão daquele que constrói um instrumento musical. Um questionamento que envolve o mundo dos luthiers é a comparação feita entre a qualidade do instrumento industrial e o artesanal. O artesão Vergílio Arthur de Lima trabalha como Luthier há 39 anos. Ele explica a diferença: “O instrumento artesanal tem uma dedicação muito grande de horas do artesão, então a qualidade do instrumento é invariavelmente melhor do que o instrumento industrial”.

Pessoas que entendem do universo musical compartilham a mesma opinião do profissional, como é o caso do baixista Felipe Valente. Ele acredita que um músico, ao procurar um produto artesanal, está buscando um instrumento com um timbre específico, que se encaixe no seu estilo musical. “A pessoa busca exclusividade, pois cada instrumento que um luthier faz é único, tem característica própria, tanto no som quanto na construção. É um instrumento criado sob medida”, ressalta. Ainda segundo Felipe, os instrumentos artesanais são superiores aos industrializados. O baixista acredita que a qualidade dos instrumentos industrializados seja prejudicada pela obsessão por lucro. “Isso se deve à linha de produção dos fabricantes, pois muitas marcas ‘não conceituadas’ não têm um bom controle de qualidade, e isso acaba tornando o instrumento ruim, aparecendo imperfeições nos acabamentos”. O mercado de instrumentos artesanais é restrito; porém, a tendência é que o ofício de luthier torne-se mais conhecido. A profissão está em ascensão. Novos ateliers e lojas especializadas em instrumentos artesanais estão surgindo e o espaço para profissionais explorarem seu trabalho está crescendo. Vergílio define seu espaço profissional da seguinte maneira: “Minha fatia de mercado são as pessoas que estão interessa-

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das em um bom instrumento personalizado, no sentido de atender às necessidades específicas do estilo musical de cada um e à sua capacidade técnica”. Inúmeros acontecimentos e decisões podem levar uma pessoa a se tornar luthier; mas, para ser um bom profissional, é preciso entender bem as especificidades de cada instrumento. Quando criança, Vergílio aprendeu com o pai a fabricar gaiolas. Aos 14, foi para os Estados Unidos fazer um curso de marcenaria. O tempo passou e ele começou a se interessar e a estudar violão. Então, começou a consertar os violões dos amigos, e isso o fez se interessar cada vez mais pelo trabalho. Em 1978 foi morar em São Paulo para ser aprendiz de Shiguemitsu Suguiyama, famoso luthier da época. Virgílio não parou mais. Já o músico Moatan Saboiaque teve a curiosidade de saber mais sobre o que acontece antes de o instrumento estar pronto para uso, e como é realizado esse processo. “O que me levou a ser luthier foi a busca de conhecer todo o ciclo que, para mim, um percussionista deve conhecer, começando na construção do seu instrumento e depois aprendendo a usá-lo. Um Luthier tem toda a liberdade de ser percussionista, mas um percussionista nem sempre sabe como se confecciona o instrumento que esta utilizando”, afirma. Larissa Vidal

eDucaÇÃo Pelo tamBoR O projeto social “Educação pelo Tambor” existe desde 2005. É uma iniciativa da Prefeitura de Contagem e representa um marco na cidade, porque leva crianças, jovens e adultos a participarem de várias oficinas culturais, entre elas, a de construção de instrumentos. Para isso, são utilizados métodos por meio da reutilização e transformação de materiais recicláveis. Saboiaque foi um dos primeiros alunos do projeto, e, desde 2009, dá aulas de fabricação. “Os instrumentos feitos no projeto são confeccionados pelos alunos que, com a nossa instrução, aprendem como fazer. A ideia é que eles construam os próprios instrumentos para poder depois ter aulas de percussão. A iniciativa vem transformando vidas em Contagem”, ressalta.


PRoFissテバ

vida

de Fotテウgrafo


Revista ágora 2013/1

Pedro Duarte

É sempre assim: quando um jornal ou revista chega à nossa casa ou até mesmo às nossas mãos, abastecido com ótimas fotografias, raramente o leitor sabe ou sequer faz ideia do quanto foi árduo o trabalho do fotógrafo. Talvez um dos profissionais mais injustiçados por não ter o trabalho devidamente reconhecido é ele. Trata-se de um personagem fundamental no cotidiano jornalístico. É por meio da imagem produzida para publicação que a notícia chega detalhada para milhares de pessoas. Com uma câmera profissional nas mãos, existem inúmeras possibilidades de um fotojornalista retratar determinado fato ou acontecimento. Várias pessoas se enganam ao pensar que a profissão de fotógrafo é sinônimo de glamour ou é fácil, que possibilita uma série de boas condições e situações. Não é bem assim. Como o mercado dos fotógrafos anda bastante concorrido, tal profissional não encontra vida fácil. Com o advento da tecnologia atual, qualquer indivíduo que possua um smartphone com câmera se denomina fotógrafo. Esta é uma das diversas dificuldades que é encontrada na profissão. Além disso, existe também o altíssimo custo dos equipamentos fotográficos. Emmanuel Pinheiro é repórter fotográfico do Jornal Metro em Belo Horizonte. Ele está há 15 anos na profissão. Segundo o fotojornalista, há inúmeras dificuldades. “Um fotógrafo em inicio de carreira, recém-formado, dificilmente consegue ingressar no mercado de trabalho. Hoje está pior ainda. Existem muitos pseudofotógrafos que compram câmeras digitais e

saem por aí fazendo trabalhos de graça. Isso ocasiona desvalorização dos serviços prestados. Ele acredita na necessidade de o profissional se manter preparado e apto a novas funções. “Hoje é importante o fotojornalista estar atento para as mudanças do mercado. Precisamos agora saber fotografar bem, editar bem, produzir conteúdo multimídia e saber noções de vídeo, além dos programas de edição. Se quisermos estar no mercado, temos de nos preparar, pois as mudanças vão chegar rápido”, alerta Pinheiro. Como diz o ditado, “uma boa imagem vale mais do que mil palavras”. E, para conseguir registrar boas imagens, o fotógrafo precisa enfrentar e lidar com uma série de condições e situações. Imagine, por exemplo, um fotojornalista que precisa registrar os últimos fatos de uma guerra civil em outro continente. Existem profissionais que muitas vezes correm risco de morrer para cumprirem esse tipo de pauta. Pinheiro conta que, certa vez, teve que fotografar traficantes acusados de matar um policial durante um tiroteio, dentro de um aglomerado: — A repórter conseguiu uma entrevista exclusiva com os matadores dentro do morro. Quando chegamos, com carros descaracterizados, já sabíamos onde eles estariam esperando por nós. Entramos e estavam lá cinco rapazes armados até os dentes. “OK”! Respirei fundo e pedi a eles que tirassem todos os anéis e coisas que poderiam identificá-los. Eles respeitaram e tiraram. Depois agachei e pedi para que todos eles apontassem as armas para a minha lente... Eles fizeram e eu fui fotogra-

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fando. Terminamos a entrevista. Mas como sair de lá com o morro todo tomado pela policia? E se a policia nos achasse e fosse atrás dos matadores? Um grande susto para o fotógrafo: — Fomos saindo da casa e, quando estávamos na porta, encontramos com três carros do Gate que, de pronto, os policiais desceram e nos colocaram na parede. O que vocês estão fazendo aqui? Eu, tremendo e gaguejando, respondi que estávamos fazendo uma matéria com uma senhora sobre cultura. Só que os matadores estavam indo em direção à porta. Pedi licença ao policial e disse que meu telefone estava tocando e fui atender, os policiais permitiram. Liguei para eles e disse para não saírem de lá, porque a policia estava na porta. Eles fugiram pelos fundos e nós conseguimos escapar das perguntas. Sete meses depois, três dos cinco que estavam na foto haviam morrido. Essa pauta realmente foi uma das mais perigosas que já fiz. Além de correr sério risco, Pinheiro relata que também cobriu a retirada dos perueiros da Praça Sete, em 2001, e a recente e histórica manifestação que reuniu mais de 30 mil pessoas em Belo Horizonte. “Hoje acredito que a oferta de imagens vindas de todo tipo de mídia cria o leitor repórter, que abastece grandes e pequenos jornais de imagens todos os dias. Vejo a situação do fotojornalismo com muita preocupação. Há milhares de câmeras nas ruas, milhares de fotógrafos surgindo, os jornais, quase na sua totalidade, não querem muita qualidade e, sim, agilidade, o que força o fotógrafo a ser mais um no dia a dia’’, diz Emmanuel.


cultura

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Renascimento cultural

Fotos Thiago Fernandes


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cinema, teatro, galeria de artes e museu, tudo em um só espaço. o tradicional cine Brasil está de volta Lorraine Souza e Rayane Dieguez

Em 1932, a população de Belo Horizonte foi presenteada com a inauguração do maior cinema da América Latina até então. Localizado na região central da cidade, o Cine Theatro Brasil abriu as portas para décadas de intensa programação cultural, com sessões de filmes, bailes de carnaval e festas tradicionais. Ao longo dos anos, diversas estreias e temporadas marcaram a história de cada um dos frequentadores do local. Fechado na década de 1980, o Cine Brasil deixou saudades. Mas, agora, a alegria de vê-lo novamente

aberto tomou conta da cidade. A reinauguração do V & M BRASIL Centro de Cultura (VMBCC), novo nome do espaço, aconteceu em setembro de 2013 e a Fundação Sidertube, empresa da V & M BRASIL, adquiriu o prédio em 2006 e trabalhou intensamente em sua restauração. Segundo Alberto Camisassa, superintendente da Fundação, o objetivo da empresa com a compra do local foi presentear a população com o retorno de um dos maiores espaços culturais da cidade. “Temos espaços museográficos, estúdios de gravação, galerias para exposições e o grande teatro

para receber espetáculos. É um espaço democrático para todas as manifestações culturais”, explica. O edifício possui 11 andares, distribuídos em 8,3 mil m², que abriga ampla sala de cinema e teatro com 1,1 mil lugares. Além disso, há um pequeno teatro para 200 pessoas e um café-livraria. Os investimentos para a realização do projeto somaram R$ 40 milhões, originados de recursos próprios da V & M do BRASIL e de repasses da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura (MINC). A empresa contou também com apoio da Usiminas, da Cemig e do Banco Itaú no projeto.

Grande estilo Além da reabertura do espaço, os mineiros ganharam outro presente especial: a exposição da obra Guerra e Paz, do artista plástico Candido Portinari. Considerada obra prima daquele que é considerado um dos maiores pintores brasileiros, os painéis pintados por ele somam 280m². Encomendado pelo ex-presidente da República Juscelino Kubitschek, o pintor, que era considerado comunista, trabalhou na obra durante quatro anos, para que fosse doada à Organização das Nações Unidas (ONU). A inauguração da exposição no VMBCC contou com a presença dos artistas Milton Nascimento, Fernando Brant, Ana Botafogo, Alex Neoral e Hamilton de Holanda.


Descobertas e dedicação Foram várias novidades e curiosidades que surgiram ao longo da revitalização. Confira detalhes da reforma de alguns dos ambientes do edifício que surpreendem:

VITRAIS: os vitrais da fachada do prédio estão concluídos desde 2009. Para a execução do projeto, as peças, que são artesanais e fabricadas do mesmo material que as originais de 1932, tiveram que ser importadas dos Estados Unidos. GRANDE TEATRO: na revitalização do espaço, importantes pinturas do italiano Ângelo Biggi, escondidas embaixo de várias camadas de tinta, foram descobertas. Foi uma grande surpresa. Cerca de 470m² de áreas foram restauradas cuidadosamente durante dois anos, conservando a beleza do antigo local. Agora, tradição e modernidade misturam-se. O ambiente possui iluminação especial. A intensidade das luzes projetadas no palco é controlada conforme a sonoridade do espetáculo. E 3.500m de cabos de aço foram usados para sustentar as varas do palco. Outro detalhe é o teto: ele parece estar suspenso no ar. Feito de MDF, fibra de média densidade em forma curvilínea, ela auxilia na acústica. Para o palco, foram utilizados 284m² de madeira freijó. PEQUENO TEATRO: o novo espaço do prédio terá a finalidade de abrigar apresentações culturais para um público menor. Com carpetes vermelhos e 200 poltronas restauradas do Antigo Cine Brasil, o local será uma espécie de miniatura do Grande Teatro, conservando toda a sua beleza e originalidade. HALL E PISOS: sete mil peças danificadas da década de 1930 estão sendo restauradas, uma a uma, para instalação de outras iguais às originais. Os tacos internos do Centro de Cultura também passaram por processo de revitalização, que durou cerca de três meses. A área, de aproximadamente 1.600m², é composta por peças de madeiras nobres como peroba rosa, ipê, sucupira e angelim. Elas ainda formam sete mosaicos diferentes nos pisos, com mix de tons claros, intermediários e escuros. PASSARELAS: concebidas para receber exposições artísticas e eventos, as passarelas estão suspensas no 6º andar do edifício. A estrutura arrojada foi construída com tubos feitos de carvão vegetal, proveniente das florestas plantadas de eucalipto. Devido à transparência das passarelas, o público pode visualizar o andar inferior.


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cultuRa

ouRo, caRRos e luXo

a onDa ostentaÇÃo

inspirados em vídeos norteamericanos, o funk “ostentação” possibilita aos mc’s ganharem, em um dia, o que seria o salário do mês


Revista ágora 2013/1 Isabella Rocha e Thais Venturatto

Com o passar dos anos, o Funk carioca ganhou diferentes ritmos e espalhou-se pelo Brasil. Entre as suas variações, um estilo vem chamando atenção dos apreciadores da música: é o chamado Funk “ostentação”. Ouro, carros importados, mulheres bonitas, mansões e motos caras são algumas das formas de os cantores desse estilo musical chamarem a atenção. Os MCs, como são conhecidos, com o sucesso que alguns deles estão fazendo, passaram a ganhar, em uma noite, o que ganhavam em um mês inteiro de trabalho. O sucesso é a fórmula para sustentarem todos aqueles aparatos. Inspirado em rappers americanos, o funk "ostentação" surgiu no Brasil há aproximadamente três anos. As letras refletem o estilo, pois também falam em ouro, carros, mulheres bonitas, mansões, muito brilho e luxo. Os artistas conseguem fazer até nove shows por noite. É a média dos funkeiros do Rio e de São Paulo, o que gera a eles uma renda mensal de até R$ 500 mil, possibilitando realmente uma vida de ostentações. Mas nem tudo é fácil nesse universo. Para conseguir ganhar dinheiro, alguns cantores enfrentam diversas barreiras. A primeira delas, segundo o MC Boy do Charme, foi a dificuldade para produzir um vídeo. De acordo com ele, alguns produtores tinham preconceito em relação ao gênero musical. O primeiro vídeo que conseguiu gravar foi produzido por ele mesmo, e chama-se “Megane ou 1.100”. Konrad Dantas foi o primeiro produtor de vídeo e criador da estética do funk “ostentação” no Brasil. Dono da produtora Kondzilla, ele é responsável pela maioria das produções em vídeo do estilo, com produções acessadas por milhões de pessoas no Youtube. Segundo o produtor, um problema frequente são os donos de algumas marcas que não gostam de associar

suas grifes a um ritmo oriundo das classes mais baixas, gerando dificuldades na produção dos artistas.

Destaques Com a música “Plaque de 100”, MC Guime foi o maior destaque de 2012. Além dele, é possível encontrar nomes importantes no estilo, como MC Pokahontas, MC Dede, MC Netim e outros. Netim conta que seu interesse pelo funk surgiu ao ver o amigo e padrinho na música, MC IGÃO, fazendo um show, com casa lotada. Nessa hora, ele teve certeza do que queria. No ramo desde 2009, ele faz uma média de 10 apresentações por mês. Quando questionado sobre sua inspiração, ele afirma: “Ela vem do nada. Tento misturar um pouco da realidade e um pouco do sonho de ter e conquistar”. O produtor de Belo Horizonte Julio Dias gosta de ser chamado de “Miquimba”. Começou no funk quando ainda tinha 13 anos. Ele conta como entrou para o meio artístico: “Eu sempre gostei muito de música. Comecei cantando, mas ainda não era o que queria. Quando aprendi a editar vídeos e a produzir, aí meu caminho estava trilhado”. Em oito anos de carreira, Miquimba produziu mais de 100 vídeos, alguns deles de amigos que fizeram sucesso e que se apresentam em casas de funk. Ele acha que os vídeos são difíceis de serem produzidos por causa do fato de ter ouro nas cenas, carros de luxo e lugares bonitos. O produtor explica por quê: “Nem todos os MC’s têm essa realidade para mostrar, tá ligado? Quando o cara tem, aí é outra história. Mas conseguir um glamour para exibir na tela é outro papo”.

Por novos caminhos O que antes era motivo de preconceito, hoje está tomando novos rumos. As portas para o funk estão cada vez mais abertas, principalmente para o

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“ostentação”. Nesse estilo acontecem várias misturas. Um bom exemplo é o grupo Pollo de rappers. Isso deu a eles a condição de ganharem mais de 10 milhões de visualizações no Youtube. Até o sertanejo e o Pagode estão expandindo as letras e se inspirando no funk. O sertanejo universitário envolve em quase todas as suas letras carros, mulheres e grava seus clipes com muito luxo. A dupla mineira Igor e Vinicius vai lançar seu primeiro vídeo em agosto e promete uma mistura diferente. “A gente sempre cantou sertanejo de raiz, desde 2008. Mas para gravar a gente precisava de uma mistura diferente. Pensamos: Por que não o funk?”, conta Igor.

FAZ SENTIDO Uma questão que também pode ser avaliada para o aparecimento do funk "ostentação" é a ascensão da classe C e D. Elder Soares tem uma empresa de contabilidade que realiza frequentes pesquisas relacionadas ao crescimento da sociedadade. Ele acredita que antes pelo fato de existir muito preconceito com as classes C e D, até mesmo na hora de conseguir um emprego gerava muita revolta nessa parte da população. Quando a vida dessas pessoas começou a melhorar, elas param de se preocupar com a revolta e começaram a querer celebrar uma nova vida. Ainda existem situações a serem melhoradas, mas comparado há dez anos, muita coisa mudou. Desde 2007 o aumento do salário mínimo foi real, e é justamente a partir daí que as letras de funk começam a mostrar uma nova realidade. "Quando essas pessoas percebem que o poder de compra delas aumenta, elas começam a almejar coisas melhores, na maneira como se vestem e como vivem, a partir daí colocam em seu trabalho sua realidade, o funk 'ostentação'", conclui Elder.


tRaJetÓRia tRaJetÓRia

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Fotos Guto Muniz

Desde 1982, Galpão encanta e emociona o público


Revista ágora 2013/1

Cristina Costa,Robert Rodrigues e Larissa Vidal

A ideia de montar o Grupo Galpão surgiu em um festival em Diamantina. Fundado pelos atores Eduardo Moreira, Antônio Edson, Wanda Fernandes e Teuda Bara, a primeira apresentação aconteceu em novembro de 1982, com a peça “E a noiva não quer casar”, encenada na Praça 7, no centro de Belo Horizonte. Hoje o elenco é composto por 13 atores. O Grupo construiu uma linguagem artística importante para o teatro brasileiro, a partir da participação de vários diretores, criando espetáculos populares e ao mesmo tempo eruditos — do tradicional ao contemporâneo —, mesclando ainda apresentações de rua e de palco. Tais métodos fizeram a companhia teatral alcançar grande sucesso, inclusive no exterior. De acordo com Antônio Edson, o Grupo representa, antes de tudo, um sentimento de que valeu a pena. “Que sirva para as pessoas se interessarem pelos artistas e diretores. Ninguém poderia prever que chegaríamos aonde chegamos. É um exemplo de valores, trabalho e seriedade”, ressalta.

Para o diretor e autor Paulo José, pode-se afirmar que hoje o Galpão apresenta uma linguagem própria, mas com influências de pensadores das artes cênicas como Brecht e Stanislavski, das técnicas circenses do teatro balinês, da música folclórica com os experimentos musicais mais contemporâneos, da dramaturgia clássica com o melodrama. “Tudo se mistura nesse caldeirão que os alquimistas do Galpão transformam, com visão crítica e generosidade, em teatro da mais pura cepa, arte maior, celebração da vida”, explica José. Segundo o autor, o Grupo sempre participou de movimentos de rua e encontros com outras companhias, de diversas regiões do Brasil. Isso influenciou a formação da identidade do Galpão. “Se hoje ele é um dos elencos mais conhecidos do país, deve-se o fato à sua postura popular, pois sempre se buscou as raízes do teatro de rua”, observa. O Grupo começou a ganhar notoriedade no cenário nacional e internacional a partir de 1992, quando encenou Romeu e Julieta, de Shakespeare, em uma montagem tipicamente de rua. Com a peça eles ganharam os prêmios do júri popular do Festival

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Nacional de Teatro de Curitiba e o Shell Especial, em 1993. A encenação da peça foi tão bem conceituada que o Grupo tornou-se o primeiro elenco brasileiro a apresentar-se no Globe Theather de Londres, na Inglaterra, famoso local onde se encenam apenas peças do autor inglês. Eles visitaram também outros países da Europa, além dos Estados Unidos, Canadá e vários da América Latina. Com mais de 40 apresentações em festivais internacionais pelo mundo e cerca de 70 eventos em território nacional, o grupo acumula mais de 100 premiações. Destaque para os prêmios “Usiminas Sinparc”, “SESC Sated”, de Reconhecimento Cultural pelos 25 anos de Atividades e a “Ordem do Mérito Cultural”, condecoração do Ministério da Cultura dada a grupos e personalidades que contribuíram e contribuem para a arte brasileira. O elenco atual do Galpão conta com Antônio Édson, Arildo de Barros, Beto Franco, Chico Pelúcio, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Inês Peixoto, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia, Paulo André, Rodolfo Vaz, Simone Ordones e Teuda Barra e Wanda Fernandes.

GalPÃo cine hoRto Inaugurado em março de 1998 e dirigido pelo Grupo Galpão, o Centro Cultural Cine Horto tornou-se espaço importante voltado para pesquisas, formação e estímulo ao teatro, além de os artistas poderem expor trabalhos. Segundo a Assessoria de Comunicação do local, situado em um prédio da década de 1950, o espaço possui Teatro Multimeios para 200 espectadores, uma sala de cinema com 80 lugares, três salas de aula e, desde 2006, mantém o Centro de Pesquisa e Memória do Teatro (CPMT), pioneiro em Minas Gerais, que disponibiliza gratuitamente acervo de mais de 5.500 livros, CDs e DVDs ligados à pesquisa e à preservação da memória do teatro. Atualmente, o Centro Cultural oferece cursos e oficinas de formação artística e mais de uma dezena de projetos de produção, criação, fomento, compartilhamento e difusão teatral, que beneficiam artistas do Brasil e do exterior.


cultuRa

Yes, baby sexo?

Thais Venturatto

Garotas de programa preparam-se para a copa do mundo fazendo aulas de idiomas


Revista ágora 2013/1 Douglas Macedo, Isabella Rocha e Thais Venturatto

Entre quatro paredes também é preciso se comunicar. Esse é o motivo pelo qual os profissionais do sexo pretendem não ficar de fora da Copa do Mundo de 2014. De olho nos lucros, garotas e garotos de programa, além de travestis, começaram aulas de inglês, espanhol, francês e italiano. “A ideia de terem aulas surgiu das próprias profissionais. Elas estavam preocupadas em negociar e comunicar-se com os clientes estrangeiros”, ressalta a presidente da Associação das Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig), Cida Vieira. Para fechar um programa, segundo a presidente, é necessário que todos saibam pelo menos o básico do idioma do cliente. “Espero que se dediquem ao máximo para que possam aprender, qualificar e se capacitar cada vez mais”, disse Cida. Ainda segundo a presidente, os profissionais a serem qualificados podem chegar a 4 mil até a data do evento, em junho. As primeiras lições foram aprendidas em um espaço improvisado na própria Associação, na Rua Guaicurus, desde o começo de 2013. Agora, as aulas estão sendo ministradas no UAI Shopping. As aulas de Inglês, Espanhol, Francês e Italiano são ministradas por voluntárias. “Se for necessário, a Associação vai contratar mais professores. Inicialmente,

o curso terá duração de seis a oito meses, com grupos de aproximadamente 20 alunos, para o aprendizado ser mais específico”, conta Cida. Além disso, ela explica que os 12 professores voluntários ensinam de acordo com a necessidade de cada um: “Acontece uma aula por semana, com 1h30min. de duração. Psicólogos e médicos também estão ajudando com o trabalho voluntário”. A procura pelas aulas foi tão grande que profissionais do sexo de Betim, Sabará, Contagem e região quiseram se inscrever. Além deles, profissionais que não fazem parte da Aprosmig também ficaram interessados. “Afinal, é um curso gratuito que não exclui ninguém. E quem quiser participar do desafio é só se inscrever. Essa iniciativa é essencial para quebrar barreiras e derrubar o preconceito”, diz a presidente. A expectativa das garotas é grande com relação às aulas. Monique Leite não faz parte da associação, mas ficou interessada quando soube das aulas gratuitas. “Fiquei com muita vontade de aprender e isso vai ajudar muito a nossa profissão. Todas vão precisar na Copa”, observa a profissional. As garotas de programa vão aprender o básico. Mas algumas palavras vão ser mais trabalhadas, como sexo, fetiche entre outras. O responsável pela organização das aulas e a busca dos professores é a Associação. “No mundo em que vivemos, o conhecimento de outras

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línguas é necessário em qualquer profissão. Isso prova que as garotas merecem respeito e devem ser reconhecidas por seu esforço em procurar melhorar e aperfeiçoar o seu trabalho”, avalia Cida.

“venDo o que É meu”

O preconceito é parte da batalha diária. Profissionais do sexo sofrem com isso e não têm espaço para mostrar que sua atividade também requer esforços e deve ser reconhecida como qualquer outra. Joelma Santos* trabalha na área há sete anos e conta que nesse tempo não foi nada fácil, principalmente a aceitação da família e a convivência com o resto da sociedade. “Não é fácil ser garota de programa. Quando escolhi a profissão, sabia que seria difícil, mas não esperava tanto. Minha família é de classe média alta e escolhi por opção, acho que isso choca ainda mais as pessoas”, desabafa. “Acho muito pior uma pessoa roubar e vender o que não é dela. Eu pelo menos ganho dinheiro com o que é meu e com o que eu gosto”, ressalta. Quando Joelma soube do curso, ela não pensou em fazer, por já ter morado fora, porém ficou satisfeita em ver como as garotas estão se esforçando para melhorar. Para ela, é muito triste ser discriminada por uma opção. *Nome fictício

Além dos ensinamentos de línguas estrangeiras, as garotas de programa que não tiveram oportunidade de concluir o ensino fundamental poderão fazê-lo. As aulas serão disponibilizadas por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), em uma sala no shopping UAI. Inicialmente, um professor foi cedido pela Prefeitura de Belo Horizonte e o curso foi aprovado pelo Ministério da Educação (MEC).


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comemoRaÇÃo

os 100 anos

do eterno amigo das mulheres Giordano Silva,Michelle Gomes e Nayara Costa

Há milênios as mulheres procuravam matérias-primas para confeccionar algo que sustentasse os seios, desafiando as leis da gravidade. Pesquisas revelam que em 2000 a.C., na Ilha de Creta, elas usavam tiras de pano para modelá-los. Mais tarde, as gregas passaram a enrolá-los para que não balançassem. Já as romanas adotaram uma faixa para diminuí-los, mas nada muito doloroso. Em 1913, a norte-americana Mary Phelps Jacob não estava satisfeita com a maneira do seu espartilho marcar o vestido de festa. Com dois lenços de seda, uma fita e um cordão, ela criou o sutiã para usar com o vestido. Nos anos 1930, a silhueta feminina voltou a ser valorizada. Surgiram os bojos de enchimento e as estruturas de

metal para aumentar os seios. Vinte anos depois, com o advento do nylon, as peças ficaram mais sedutoras e conquistaram as estrelas de Hollywood. Nos 1960, as feministas queimaram, em praça pública, a peça que consideravam símbolo da opressão masculina. Na década seguinte, a mulherada esqueceu a existência do assessório e foi curtir a liberação sexual. Já em 1980, surgem os modelos pontiagudos adotados por famosas da época, como Madonna. Na década de 1990, o sutiã retornou com força total no modelo “turbinado”, com diversos artifícios. Serviam para levantar, aumentar e unir os seios. Em 2000 surgiu o modelo high-tech, o qual estimulava o crescimento da mama. Além disso, ele secava e absorvia a transpiração e hidratava os seios. A partir disso, a peça centenária parece não ter mais limites.

como o sutiã evoluiu e se tornou indispensável no vestuário feminino

colecionaDoR Samara Morais coleciona sutiãs. Ela se diz apaixonada por eles. “Há algum tempo coleciono. Confesso que não vou parar tão cedo. Adoro ‘modelitos’ novos e de várias cores: um para cada ocasião”, conta. Segundo a jovem, o sutiã deixa as mulheres mais sensuais. “Os homens olham e gostam de ver o que você valoriza e o que tem; e se não tem, os sutiãs ajudam a ter”. Ainda segundo Samara, há vários modelos: de bojo, top camiseta ou tomara que caia e outros.Os homens também gostam e investem ao escolherem uma lingerie para a parceira. O vendedor Ricardo Teixeira adora sutiãs de cor vermelha. Segundo ele, o tom valoriza a esposa. “A deixa cada vez mais bela”, revela. Há os famosos que colecionam sutiãs a partir de suas fãs. Elas, enlouquecidas, lançam ao palco a peça


Revista ágora 2013/1

Fotos Nayara Costa

Samara nos apresenta sua coleção de sutiãs

íntima. Wando era o rei das calcinhas. Agora, Luan Santana está sendo considerado o dos sutiãs, após ganhar várias peças em shows. Algumas mulheres levam como presente para o cantor, outras não medem esforços para tirar o acessório e lançá-lo ao palco. As fãs, assim, “tietam” o ídolo de forma diferente e inusitada. As lojas investem e os produtores sempre criam e recriam cores, modelos e novos formatos, com ou sem alça, com todos os jeitos possíveis, práticos e versáteis, tanto em termos de materiais e estética, quanto em acessibilidade e conforto. O sutiã proporciona sensualidade e estilo e, por isso, adquiriu seu lugar no guarda-roupa. Além disso, o sutiã traz benefícios. De acordo com especialistas, ele funciona como suporte e preserva os tecidos de sustentação dos seios. Ou seja, à medida que eles vão crescendo, o acessório ajuda a diminuir a ação da gravidade, deixando-os fir-

mes. Ainda de acordo com os especialistas, não é necessário dormir com a peça, porque, quando se está deitada, a pressão sobre as fibras do seio é mínima. A comemoração de 100 anos não para aí. A peça íntima é tão fundamental no imaginário das pessoas que até uma exposição aconteceu em São Paulo para contar parte dessa história, no Casarão Brasil Associação GLS. “O soutien – a batalha continua”, inspirada pela campanha contra o câncer de mama, conta com peças fabricadas por 17 artistas brasileiros. Com formas e materiais inusitados, as obras representam a evolução do acessório, mostrando a luta e a importância da mulher na sociedade ao longo do tempo. Então mulheres! No ano de aniversário do sutiã, somos nós quem ganhou o presente: um acessório essencial à beleza e à saúde feminina. Não existem barreiras para usá-lo; portanto, abusem da criatividade...

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cultuRa

a liBeRDaDe É Point Da cultuRa em um dos locais mais visitados de Belo horizonte, museus, casas de cultura e memoriais ampliam o conhecimento


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Lúcia Sebe/Secom-MG

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Fillipe Gibram, Isabella Matos e Luana Evelyn

Fruto de parceria público-privada, o Circuito Cultural da Praça da Liberdade oferece à população de Belo Horizonte e a turistas um amplo acervo de cultura. Inaugurado em 2010, o objetivo do projeto foi explorar a diversidade artística, com foco principal nas expressões mineiras. Ele objetiva também oferecer opções interativas ao englobar entretenimento e informação. Segundo os administradores do local, a área escolhida para abrigar o complexo apresenta valor simbólico, histórico e arquitetônico para a cidade. Após a transferência da sede do Governo de Minas Gerais para a Cidade Administrativa, no bairro Serra Verde, os prédios onde funcionavam as secretarias passaram a abrigar espaços culturais. Em estilo eclético com elementos neoclássicos, oito edificações compõem o complexo, além de obras que estão em andamento para implantação de outras casas de cultura, museus e memoriais. “Estamos cuidando para que as atividades, serviços e atendimento supram necessidades, expectativas da população e de turistas vindos de várias partes do mundo”, ressalta Cristiana Kumaira, gerente do Circuito.

conheÇa os museus e esPaÇos que inteGRam o ciRcuito: ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO Com 116 anos, é a instituição cultural mais antiga do Estado. O prédio abriga documentos de origem pública e privada que remontam aos períodos Colonial, Imperial e parte do republicano. Compõem o acervo manuscritos, impressos, mapas, plantas arquitetônicas, fotografias, gravuras, filmes, livros, folhetos e periódicos. BIBLIOTECA PÚBLICA ESTADUAL LUIZ DE BESSA Projetada por Oscar Niemeyer na década de 1950, o espaço possui aproximadamente 260 mil títulos, os quais representam a produção intelectual de escritores brasileiros de diversas épocas. A Biblioteca recebe cerca de 1.500 pessoas diariamente, segundo a administração do espaço. O acervo é composto por livros, jornais e revistas históricas e atuais, além de obras em braille. Há salas de estudo e de pesquisa pela Internet, teatro e galeria de arte. CENTRO DE ARTE POPULAR CEMIG A poucos metros da Praça da Liberdade, no prédio do antigo Hospital São Tarcísio, foi inaugurado espaço no qual se privilegia a riqueza e a diversidade das manifestações culturais populares, valorizando o trabalho de artistas que traduzem no barro, na madeira e em outros materiais o universo em que vivem. ESPAÇO TIM UFMG DO CONHECIMENTO O antigo prédio da Reitoria da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) é hoje o “Espaço TIM UFMG do Conhecimento”. Resultado da parceria do Governo de Minas Gerais com a TIM e a Universidade Federal de Minas Gerais, o prédio, de cinco andares, é dedicado à divulgação científica. O museu abriga um planetário de última geração, um observatório astronômico e um conjunto de exposições temáticas interativas, que aborda assuntos relacionados ao universo e à vida na Terra.

MEMORIAL MINAS GERAIS VALE Em 2010, uma parceria entre o Governo do Estado e uma empresa de mineração criou o “Memorial Minas Gerais Vale”, instalado no antigo prédio da Secretaria de Estado da Fazenda. O foco do espaço é a história de Minas Gerais, do século XVIII ao cenário contemporâneo, com perspectiva futurista. Trata-se de um recorte inovador que alia história, literatura, moda e cultura. MUSEU DAS MINAS E DO METAL Ele é fruto da parceria do Governo mineiro com o Grupo EBX Investimentos. O local propõe-se a retratar o processo de desenvolvimento econômico, social e cultural de Minas Gerais. A mineração e a metalurgia são colocadas em perspectivas históricas, demonstrando os processos produtivos, a importância do metal na vida humana e sua inserção no imaginário coletivo. MUSEU MINEIRO Com características ecléticas, o Museu Mineiro apresenta ornamentos com referências francesas e linhas básicas da arquitetura greco-romana e renascentista. Construção do final do século XIX, ela revela a arquitetura que marcou a fase inicial da cidade. O espaço reúne coleções provenientes de diversas instituições e de coleções particulares. PALÁCIO DA LIBERDADE Para conhecer a história do Estado sob uma perspectiva política, nada melhor do que visitar o Palácio da Liberdade. O prédio central do conjunto arquitetônico da Praça é um dos principais cartões postais de Belo Horizonte. Inaugurado em 1897, possui estilo eclético e influência neoclássica. O edifício foi moradia de antigos governadores de Minas Gerais. Entre 2004 e 2006, o Palácio foi restaurado com apoio do Instituto Oi Futuro. A reforma revelou algumas obras de artes escondidas pelo tempo, como candelabros em bronze dourados e lustres em cristal.


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Fillipe Gibram

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novos esPaÇos MUSEU DO AUTOMÓVEL Na área externa do Palácio da Liberdade, será implantado o Museu do Automóvel. O espaço já foi estacionamento de veículos do Gabinete Militar do governador de Minas Gerais. O acervo será composto por raridades que contarão a história dos automóveis. A exposição é uma parceria entre o Governo do Estado e o Veteran Car Club do Brasil. INHOTIM ESCOLA A antiga sede da Secretaria Estadual de Cultura dará espaço ao Inhotim Escola. O projeto visa divulgar a formação de artes visuais e o meio ambiente com estratégias educativas de inclusão social e de cidadania. O novo espaço será destinado a exposições de arte contemporânea, do Museu Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico - Inhotim, em Brumadinho. Irá oferecer também cursos, oficinas, mostras de cinema, videoarte, apresentações de música, teatro, dança entre outras atrações.

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL O prédio da antiga Secretaria de Estado de Defesa Social dará lugar ao Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte (CCBB). O objetivo é contribuir para que Minas se torne um dos grandes polos da cultura nacional. O local irá promover oficinas e atividades de artes plásticas, cênicas, música e programas educativos. Além disso, abrigará exposições temporárias, atividades audiovisuais; salas para debates; conferências e palestras. CENTRO DE REFERÊNCIA DA ECONOMIA CRIATIVA SEBRAE-MG Em uma antiga residência localizada na Rua Santa Rita Durão, será instalado o Centro de Referência da Economia Criativa SEBRAE-MG, para ser referência na divulgação de informações sobre as relações entre criatividade, cultura, inovação, tecnologia e mercado. O objetivo é atender pessoas envolvidas em ações de economia criativa, aquelas que buscam capacitação a fim de aumentar a competitividade entre empreendedores.

CASA FIAT DE CULTURA O antigo Palácio dos Despachos deu lugar à Casa Fiat de Cultura. O prédio destinado à exposição tem quatro pavimentos que irão receber grandes exposições de artes, eventos e feiras de automóveis.

Para obter informações sobre dias de visitação e horários de funcionamento, acesse www.circuitoculturalliberdade.com.br.


mÚsica

“entra na minha casa...”

Fotos www.lagoinha.com.br

a música que aquece a fé e o mercado


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Elder Alvarenga, João Sabino e Diego Araújo

Quem nunca passou em frente a uma igreja evangélica e não se deparou com canções e bandas animadas? Para os que não sabem, os cultos realizados nessas instituições contam com uma profusão de “ornamentações musicais”. Boa parte disso se deve ao “boom” da chamada música Gospel no Brasil. O estilo acompanha o crescimento do número de evangélicos no país. No período de 2000 a 2009, eles saltaram de 15,4% para 20,23% da população. É graças ao Gospel que o mercado fonográfico aqueceu-se nos últimos anos, uma vez que chamou a atenção de gravadoras, de emissoras de rádio e de televisão. Um exemplo disso é a música “Entra na minha casa”, de Régis Danese. A canção foi sucesso

não só no meio, mas fora dele também, pois ganhou de outros artistas versões no pagode e até mesmo no funk. Isso fez com que o compositor da letra ficasse conhecido em todo o Brasil. O termo Gospel é de origem norte-americana (God + Spell) e quer dizer “evangelho”, “boa nova” ou simplesmente “musica evangélica”. Segundo os apreciadores do estilo, apesar de antiga, a palavra descreve bem a tendência da música cristã.

músicas espirituais

Introduzida maciçamente nas igrejas, elas eram, primariamente, expressões de fé, cantadas por escravos nas plantações do sul dos Estados Unidos. O estilo musical “blues”, por exemplo, oriundo da cultura africana, foi inserido nas regiões sulistas daque-

le país. Por isso, pode-se notar, principalmente nos filmes, a influência dele não só no Gospel, mas em vários estilos musicais. As canções das culturas afro-americanas, quando misturadas à música espiritual cristã, tornaram-se a base da música Gospel, a partir da década de 1920. Um exemplo dessa influência está no compositor Thomas A. Dorsey, que escreveu músicas Gospel utilizando elementos do “blues” e do “jazz”, transformando-as em hinos tradicionais e em canções espirituais. Em 1871, a Universidade Fisk tornou-se a casa do Jubilee Singers, um dos grupos pioneiros no estilo, modificando a música nos Estados Unidos. Surgiram então diversos quartetos e pregadores, os quais consolidaram definitivamente o Gospel no mundo.


capital e região É comum encontrar em Belo Horizonte igrejas que se dedicam a um só estilo, visando pessoas que pertençam a uma tribo específica. Mas também há outras. Rebeca Lemes é empresária de uma banda Gospel e líder de jovens na Igreja

Presbiteriana de Pedro Leopoldo, cidade da região metropolitana da capital. Ela comenta sobre o estilo: “Acho isso bacana na questão do evangelismo, porque é uma forma de alcançar todas as ‘tribos’. Para cada gosto há uma igreja que, no

fim, prega o mesmo objetivo”. Rebeca dá exemplos de igrejas que adotaram outros estilos. “Tem a Caverna de Adulão, para o pessoal punk; a Justiça e Retidão, para os metaleiros e a Bola de Neve, para o pessoal do surf”, conta.

mentos em iluminação. “É uma boate santa”, brinca sobre o resultado final o pastor Wesley Pereira. Segundo ele, o jovem precisa de um local onde é falada a sua língua. “Utilizo as luzes nas apresentações para jovens, com bandas e grupo de danças”, explica. Segundo ele, pessoas que entraram na igreja por

curiosidade acabaram ficando. Além da iluminação, a igreja chama atenção pela alta qualidade do sistema de som. No templo há também instrumentos modernos como guitarra, contrabaixo, violão e uma bateria eletrônica. Tudo, segundo Pereira, para levar um louvor de qualidade a quem precisa.

na vibe Pular, gritar e sentir a vibe não é pecado. Algumas igrejas da região metropolitana de BH, por exemplo, investem em tecnologia para proporcionar um ambiente agradável e ao mesmo tempo despojado. Na igreja Batista da L agoinha de Pedro Leopoldo, foram feitos, no último ano, vários investi-

via de mão dupla O Fenômeno Gospel atinge também a televisão. No início do ano foi ao ar, pela segunda vez na TV Globo, o Festival Promessas. Além disso, aconteceu também o quadro Jovens talentos, do programa Raúl Gil, do SBT, com apresentações de vários cantores Gospel. Artistas como Luan Santana, César Menotti e Fabiano, Cláudia Leite regravaram músicas que até então eram ouvidas apenas no meio evangélico, conseguindo atrair novos públicos para seus shows e produtos. O cenário Gospel parece ser realmente a nova cara da música brasileira.


economia

Daniela Moreira

Startups,

uma maneira inovadora de fazer neg贸cios modelo de empreendimento abre possibilidades de fazer neg贸cios da pr贸pria casa


Revista ágora 2013/1

Giordano Silva, Kathlein Roberta e Maiara Morais

Empresas de pequeno porte, recém-criadas e com ideias inovadoras são basicamente o significado de startup. O conceito teve origem nos Estados Unidos e se popularizou nos anos 1990, período de grande avanço tecnológico, especialmente na área de Internet. Naquela época, empreendedores e estudantes que tiveram boas ideias ligadas a esse mercado começaram a fazer fortuna trabalhando dentro da própria casa. Os exemplos mais comuns de startups mundialmente conhecidos são: Google, Yahoo!, Facebook e Microsoft. Nos últimos anos, essas empresas cresceram em ritmo acelerado, inclusive no Brasil. Elas conquistaram espaço no mercado e motivaram o jovem Matt Montenegro e seus sócios, Ricardo Zepf e Harlley Oliveira, a montarem o próprio startup. Formados em Publicidade e Propaganda, Design e Ciências Contábeis, respectivamente, a intenção dos profissionais com a empresa “Beved – Educação” foi desenvolver um aplicativo on-line que organizasse aulas e palestras presenciais em todo o País. Montenegro ressalta: “Estamos obtendo lucro desde junho de 2012, data do anúncio do aplicativo”. Segundo ele, a expectativa é expandir o negócio por toda América Latina. Contudo, é preciso alguns cuidados. Segundo Montenegro, empreendedores devem ter em mente que o início de qualquer startup é marcado por incertezas, e que algumas ideias aparentemente rentáveis podem se tornar inaplicáveis. Para ele, a maior dificuldade é alcançar um modelo de negócios escaláveis, não apenas faturar e obter lucro. De acordo com os empresários da área, com a nova ferramenta de

negócios, diversas entidades se manifestaram para patrocinar empresas, promovendo eventos e treinamentos. Um exemplo é o Farm — maior programa de aceleração de startups da América Latina. Ele oferece workshops durante todo o dia, com atividades práticas de empreendedorismo inovador. Além disso, é voltado para aquelas empresas que estão na fase inicial dos negócios ou para os empreendedores que pretendem conhecer o assunto. Quem já tem um negócio também pode participar de imersões no desenvolvimento de projetos, por meio de atividades propostas pelo programa. Outro startup que tem se destacado no mercado chama-se Cucco. É uma empresa que exerce trabalhos de agendamentos on-line para pequenas organizações e profissionais autônomos, desde salões de beleza a estúdios de música. O aplicativo possibilita a execução de agendamentos 24h por dia, sete dias por semana. Além disso, proporciona liberdade e conforto aos clientes de cada empreendimento, pois pode agendar os serviços de maneira rápida e prática. O objetivo é fazer com que os empreendedores economizem horas de trabalho, além de aumentar a rentabilidade dos negócios. Um fato sobre a Cucco. Em dezembro de 2011, a organização ganhou bolsa integral do site “Peixe Urbano” para participar do startup Farm. De acordo com um dos sócios, Daniel Falci, a criação da empresa começou pela procura de profissionais para o desenvolvimento do trabalho. “O principal foi reunir um time de pessoas dispostas, com conhecimentos e visões diferentes”, destacou. Para ele, vários são os desafios que surgiram ao longo da caminhada: “Vale destacar

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a dificuldade em conseguir dedicação integral ao próprio negócio”, frisa. Segundo Falci, os sócios da empresa têm entre 24 e 57 anos, e isso ajuda aliar experiência e energia, instrumentos fundamentais para empreender. Outros instrumentos de impulsão dos negócios são importantes para esse ramo. Segundo empresários, é importante lembrar que qualquer atividade empresarial precisa de publicidade. Algumas empresas partem do pressuposto de que o produto não se vende sozinho. Por isso, alguns formatos de propaganda são fundamentais, especialmente para organizações recém-criadas. Boa parte dos startups utilizam mídias especializadas para anunciar, como os sites de relacionamento. Para o cliente Jader Saraiva, é essencial que se conheça bem o produto: “A sensação é de que, quando o produto não é conhecido, ele não é tão bom”. Mauricio Carvalho, fundador de diversos startups no Brasil e colaborador do Programa Empreendedor Residente Ikewai, dá um conselho a quem quer abrir uma empresa nesse formato para trabalhar em casa. “O empreendedor deve ter a sensibilidade de captar necessidades e aspirações adormecidas, a audácia para acordá-las e a perseverança para nutri-las diariamente. O empreendedor é um eterno aprendiz, sempre buscando aquela peça nova de conhecimento que vai encaixar no gigantesco quebra cabeças que vem montando ao longo de sua vida. A missão do empreendedor nunca é o lucro. A missão do empreendedor é quase sempre algo intangível e coletivo. É ajudar os outros a serem mais eficientes, a viver melhor; a não sofrer; a sonhar mais alto; a chegar mais longe”.

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Touchê! esporte

Em busca de paz e equilíbrio, belo-horizontinos se rendem ao poder da esgrima

Enedina Prates, Lorraine Souza e Rayane Dieguez

Força, agilidade e concentração são alguns dos benefícios que a esgrima pode oferecer. Com movimentos rápidos e precisos, o esporte é indicado para aqueles que buscam aliar preparo físico à saúde mental. Por exigir atenção máxima durante a prática, possibilita ao esportista esquecer-se, por alguns minutos, de todas as preocupações do dia a dia, sendo um grande aliado no combate ao estresse. Se na Idade Média era usado como forma de confrontar o inimigo,

no século XX a esgrima passou a ser sinônimo de relaxamento. Praticado há sete anos pela atleta Bianca Dantas, para ela o esporte é uma paixão. “É como um xadrez em movimento, em que temos que aliar a parte técnica às estratégias de jogo”, explica. A mineira conquistou sua primeira medalha de ouro em Porto Alegre (RS) no ano de 2009 e ficou em terceiro lugar, por duas vezes, em torneios sul-americanos. Atualmente, ela faz parte da equipe brasileira, com grandes chances de representar o Brasil nas Olimpíadas de 2016. Outro mineiro que vem chegando aos poucos ao ataque é Bruno

Oliveira. No último torneio nacional, sediado em São Paulo, o estudante ficou na frente de reconhecidos atletas brasileiros. Ele conta como foi o treinamento até aqui e os benefícios que o esporte proporciona a ele: “No início, praticava apenas por diversão. Mas percebi que, quanto maior a minha evolução na esgrima, maior é também a minha capacidade de raciocínio, concentração e equilíbrio da ansiedade e do medo”. Além de todos esses benefícios, a esgrima é considerada um dos esportes mais seguros do mundo. As armas utilizadas não possuem cortes nem pontas


PaRa saBeR mais perfurantes. Os praticantes também utilizam um tradicional uniforme branco, especialmente desenhado para garantir a segurança do atleta. Mas a profissionalização da esgrima é ainda uma barreira. Há pouco patrocínio e os atletas, na maioria das vezes, são obrigados a arcar com os custos dos torneios. “O meu desejo é que o esporte se popularize cada vez mais, não só em Minas como em todo o país”, afirma Carlos Moreira, diretor da Associação Brasileira de Esgrimistas (ABE). Para ele, os belo-horizontinos possuem grandes chances de levarem a melhor nos próximos torneios e olimpíadas. “A equipe mineira obteve uma notável evolução e é muito provável que as próximas medalhas sejam nossas”, acredita.

Ponto FoRte É a acessiBiliDaDe Além das medalhas conquistadas, Belo Horizonte se destaca com atletas cadeirantes. Em março, a cidade sediou, pela primeira vez, a Copa Brasil de Esgrima em Cadeiras de Roda. Marcos Melo, que é tetraplégico, manteve o bom rendimento alcançado em outros torneios. Praticante há apenas três anos, ele acertou o alvo e já é um medalhista. “Em 2010 conquistei a prata no Campeonato Brasileiro e, logo no ano seguinte, fui ouro. Agora, minha meta é participar das paraolimpíadas”, revela. Assim como Marcos, outros 12 atletas mineiros que possuem lesão medular se preparam para as próximas competições, que são divididas em categorias. “Na A, os atletas possuem total movimento no tronco e chegam a movimentar os braços com tanta agilidade e força que as cadeiras costumam até levantar. Já na B, a lesão é mais alta e o atleta não possui tanto controle. O grau vai até a categoria E”, explica Thiago França, mestre esgrimista.

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A esgrima combina os ideais do esporte de alto rendimento com as tradições do combate de armas brancas. Crianças desde os seis anos de idade podem dar início à prática. Mesmo aqueles que começam com idade mais avançada têm chances de se profissionalizar e trilhar uma carreira no esporte. Praticada em três modalidades — espada, florete e sabre —, a atividade possui graduações divididas por brasões gravados em seus uniformes. Os principiantes iniciam-se com o branco e podem chegar até o preto. A evolução dura em média oito anos. Já as pontuações são computadas por meio do toque da arma no corpo do adversário, que são registradas automaticamente por uma aparelhagem eletrônica.

cuRiosiDaDes: ESPADA: modalidade mais praticada no Brasil. São pontuados apenas golpes realizados com a ponta da espada. SABRE: São pontuados golpes realizados com a lateral da lâmina, mas apenas aqueles que atingem o adversário da cintura para cima. FLORETE: modalidade extremamente técnica em que apenas golpes de ponta são utilizados. A zona válida para o toque é restrita ao tronco do adversário.

Ficou inteRessaDo? Para aqueles que desejam sentir o gostinho de um duelo, a capital mineira pode ser o lugar certo. O Barroca Tênis Clube (Rua Américo Macedo, 384, bairro Gutierrez), por exemplo, oferece aulas para principiantes e para quem busca se profissionalizar. Os cursos são realizados de segunda a quinta-feira para adultos, e sexta-feira para crianças. Cadeirantes podem realizar as aulas gratuitamente.


aventuRa

Fotos Marina Marras

andando nas alturas

esporte para quem busca viver em equilíbrio, o slackline ganha espaço em praças e parques de Bh

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Revista ágora 2013/1

Geisiane de Oliveira, Nayara Perez e Marina Marras

Com adeptos de todas as idades, o slackline ganhou as praças e parques de Belo Horizonte. O esporte “linha bamba” surgiu nos Estados Unidos na década de 1980, na Califórnia, e era praticado por escaladores em cima de correntes e corrimões. Hoje é utilizada uma fita esticada entre dois pontos fixos, podendo ser em árvores, postes ou penhascos, de forma que o praticante fique sobre ela em extremo equilíbrio. Até pouco tempo, a modalidade esportiva era desconhecida no Brasil. Em 2010, virou moda nas praias do Rio de Janeiro e se espalhou por todo o país. É possível ver a prática do esporte em diversos locais, aguçando a curiosidade das pessoas. João Paulo França, o famoso Tick, conheceu o esporte pela Internet. “Uns amigos trouxeram uma fita de fora e comecei a ir aos treinos. Depois comprei uma e viciei totalmente”, conta. Tick já participou de várias competições, como a Copa do Rio de Janeiro, a Dono da Fita, que é realizada em Belo Horizonte, e o Campeonato Brasileiro.

moDaliDaDes Dentro do slackline existem várias vertentes. Para os mais radicais, a longline é a modalidade ideal. Com fitas mais extensas, a prática exige maior concentração, técnica e equilíbrio. O highline não é indicado para

quem tem algum tipo de medo, que é realizado em alturas superiores a cinco metros. Para evitar acidentes, segundo os esportistas, é imprescindível a utilização de equipamentos de segurança. Já o waterline é realizado sobre a água, esticando a corda em cima de lagos, cachoeiras, piscinas, mar e rios. Marco Duarte, integrante do grupo Ecoline, começou a praticar o esporte há um ano. Segundo ele, foi amor à primeira vista. “Os benefícios para o corpo são muitos. Descobri movimentos que até então não conhecia”, destaca. Para a educadora física Mônica Oliveira, a atividade é um ótimo exercício físico, pois fortalece todos os músculos do corpo, o equilíbrio e a concentração. O slackiline também une pessoas. Segundo os esportistas, a “galera” reúne-se em praças para conversar, lanchar, ouvir música e treinar. Desse modo, os integrantes da “linha bamba” fogem do estresse do dia a dia. Mas um lembrete, por ser uma modalidade nova, o esporte ainda não possui regulamentação. Para quem tem interesse em praticá-lo, não é necessário muito investimento. É preciso apenas uma caneleira para proteger-se do atrito com a fita. Sapato de sola reta, tênis e roupas confortáveis são imprescindíveis. Para os iniciantes é recomendado treinar descalço e com uma fita mais baixa. O equipamento de segurança é encontrado em qualquer loja de esporte com preço acessível, já a fita é vendida apenas em lojas especializadas.

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FIQUE DE OLHO LUGARES PARA PRATICAR Praça do Papa no bairro Mangabeiras; praça Floriano Peixoto, em Santa Efigênia; no Campus da UFMG de música; Marco Zero; na Pampulha, e praça da Assembleia, no Santo Agostinho. VANTAGENS Melhora equilíbrio, força, velocidade, resistência e reação, percepção do espaço temporal, consciência corporal, coordenação, a redução do percentual de gordura, dentre muitos outros. EQUIPAMENTOS Kit Slackline Surferline 30m x 50mm: O modelo Surferline é perfeito para manobras de saltos e surf. Esta é uma fita mais longa, possui maior elasticidade, ideal para criação de novas manobras. Kit Slackline Jibline 15m x 50mm: O modelo indicada para os praticantes experientes, Fita fina, ideal para saltos e manobras de equilíbrio extremo. Tornozeleira Caneleira Beach Soccer c/ protetor Catraca Galvanizada 25KN Polias - Slack FR-Este conjunto de polias com bloqueador são o equipamento ideal para esticar qualquer Slackline.

LOJA EM BH Adrena Esporte e Aventura Nerea.

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Revista agora 1 2013  

Revista laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva

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