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ágora Revista do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva

Ano V - Janeiro a Julho de 2012

Grafite em 3d Arte pop ganha novas técnicas e conquista diferentes espaços

NAs NUVeNs No passeio de balão sopra o vento da liberdade A PAlAVRA É ... emPReeNdeR Com visão de futuro, jovens se arriscam nos negócios ViAGem liTeRÁRiA AO sOm de PAlAVRAs Voluntários leem livros para deficientes visuais


รกgora REVISTA DA DISCIPLINA

JORNALISMO PARA REVISTA

RUA CATUMBI, 546 - BAIRRO CAIร‡ARA BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS


expediente

PRO-REITOR ACADÊMICO: Professor Sudário Papa Filho COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO: Marialice Nogueira Emboava EDITORA: Rosangela Guerra EDITORA DE ARTE E PROJETO GRÁFICO: Helô Costa 127/MG ESTAGIÁRIOS DA CPJ: Geisiane de Oliveira e Nayara Perez REPÓRTERES: Bárbara Batista, Bruno Menezes, Diego dos Santos, Lídia Salazar, Lorayne François, Luciane Lana, Miriã Amaro, Miriam Gonçalves, Nayara do Carmo, Robson Rodrigues, Sabrina Assumpção, Sérgio Viana e Thiago Alves


Por que ÁGORA Na Grécia antiga, quando um assunto relevante precisava ser discutido nas assembleias públicas, as pessoas se reuniam na ÁGORA, um espaço de comunicação, reflexão e debate. Foi por esse motivo que os alunos escolheram o nome ÁGORA para a revista do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva. ÁGORA fala de agora, olha o passado e vislumbra o futuro. Textos e imagens produzidos pelos alunos do 5° período mostram como a aprendizagem está sendo construída. A vivência desse processo representa para nós, educadores, uma oportunidade imperdível de partilhar com os alunos a aventura fascinante de fazer revista.

Rosangela Guerra Professora de Jornalismo para Revista


nesta edição


Nas nuvens No passeio de balão sopra o vento da liberdade MIRIÃ AMARO, MIRIAM GONÇALVES E NAYARA DO CARMO

Escalada: aventura em alta Paredões de academia e de pedra para quem quer esporte, desafio e diversão BÁRBARA BATISTA E BRUNO MENEZES

CULTURA Grafite em 3D Arte pop ganha novas técnicas e conquista diferentes espaços DIEGO DOS SANTOS E THIAGO ALVES

ETNICORRACIAL Sentindo na pele Universitários africanos enfrentam preconceito no Brasil SÉRGIO VIANA

SOCIAL Trilhas da leitura O prazer da leitura em contato com a natureza ROBSON RODRIGUES

EMPREENDER A palavra é ............empreender Com visão de futuro, jovens se arriscam no mundo dos negócios LÍDIA SALAZAR E LORAYNE FRANÇOIS

INCLUSÃO Viagem literária ao som de palavras Voluntários leem livros para deficientes visuais NAYARA DO CARMO, SABRINA ASSUMPÇÃO E LUCIANE LANA

DANIELA MENDONÇA

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ESPORTE


Esporte

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Fotos Tyciano Maia Ribeiro

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No passeio de balão sopra o vento da liberdade. Quem já voou conta que a sensação é de calma e felicidade


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Miriã Amaro, Miriam Gonçalves e Nayara do Carmo

Feche os olhos, respire fundo e sinta o vento bater em seu rosto. Agora olhe para baixo e veja que tudo vai ficando bem pequeno e distante. Esqueça o chefe, a mensalidade em atraso na faculdade, as noites mal dormidas e tantas outras coisas. Para muitos de nós, habitantes de selvas de pedra e adeptos de rotinas cada vez mais extenuantes, a cena descrita acima faz parte de um sonho distante da realidade de um jovem em formação acadêmica. Certo? Bom, isso depende se você está lendo essa reportagem na terra, no céu ou a bordo de um balão dirigível. Meio de locomoção aéreo mais antigo do mundo, com cerca de dois mil

anos, o balão tem atraído cada vez mais seguidores. De um lado, os empresários que investem no mercado de ecoturismo que cresce ano após ano. De outro, os consumidores de serviços com foco no lazer perto da natureza. O empresário Enrico Dias, proprietário da By Brazil Balonismo, é um veterano nos céus. Há mais de 15 anos passeia por entre as nuvens, variando entre a asa delta, o paraquedas e a sua atual paixão: os balões. “É para quem quer realizar o sonho de voar como um pássaro e de interagir de forma plena com a natureza. E isso em qualquer idade”, diz. Para os que desejam sentir o vento da liberdade batendo nos cabelos, enquanto se está entre a terra e o céu, basta verificar as condições cli-

máticas, ir até o local de decolagem e se admirar ao ver inflar o envelope, como se chama a parte que faz o balão flutuar. O balonismo encanta pela simplicidade. Não é preciso turbinas, velas ou combustíveis fósseis. Voar de balão significa entrar em sintonia com o vento. A professora Ana Paula Manso, que já voou de balão várias vezes, diz que é indescritível a sensação de sair do chão sem solavancos e barulho, como acontece no voo de avião. “Devagar vamos deixando o chão. Os olhos vão se enchendo com a beleza da paisagem, que vai ficando pequena enquanto o horizonte vai se ampliando. Ver a expressão no rosto das pessoas que voam conosco é uma sensação ímpar”, conta.


NO CesTO No Brasil, há cerca de 70 balões aptos para voar. Parece pouco, mas o valor mínimo de investimento para que uma empresa atue no ramo é alto: cerca de 500 mil reais para comprar cestos, envelopes, carros, rádios comunicadores entre outros itens necessários, principalmente para a segurança do voo. Enrico ressalta que não é apenas querer montar uma empresa. É preciso preparo, recursos e paciência para um negócio desse tipo. Um voo de balão dura em média 50 minutos, a altura varia de acordo com as condições climáticas. Em cada cesto do balão cabem nove pessoas com o piloto. O valor do passeio custa, em média, R$400,00. A procura é grande. Algumas empresas têm lista de espera.

PelO mUNdO Os amantes de balonismo compartilham informações nas redes sociais e participam de eventos nacionais e internacionais. Torres, no Rio Grande do Sul, sedia um festival de balonismo, que é realizado há cerca de 20 anos. O maior festival de balonismo do mundo é realizado em Albuquerque, cidade do Novo México, nos Estados Unidos. Esse evento é famoso por ser palco de lançamentos de balões diferentes, em forma de bichos ou com mascotes de grandes empresas.

CALMA AÍ, SEU FAZENDEIRO!!!! Depois do frio na barriga antes do voo, da emoção e das lágrimas nos olhos ao subir e descer do céu, é hora de comemorar em grande estilo: com brinde de champanhe! Essa tradição começou em 1783, quando os franceses Pilâtre de Rozier e o Marquês d'Arlandes fizeram um dos primeiros voos de balão da história, que durou pouco menos de meia hora e percorreu quase dez quilômetros sobre Paris. Ao pousar, foram surpreendidos por um fazendeiro que logo quis dar cabo do “dragão voador”. Para acalmar o dono das terras e impedir que ele estragasse o sonho de percorrer o céu, os aventureiros decidiram presentear o proprietário das terras com um champanhe, aberto ali mesmo e dando início a tradição.

FICA A DICA: By Brazil Balonismo: (31) 3681-8696 contato@bybrazilbalonismo.com.br Festival de balonismo de Torres,RS. www.festivalbalonismo.com.br


#eu fui Sempre achei interessante e bonito os voos de balão e até já tinha tentado fazer um passeio fora do Brasil, mas as condições climáticas não ajudaram. Uma das minhas alunas me indicou uma empresa em Belo Horizonte que trabalha com voo de balões. Fiquei curiosa e logo entrei e contato, animada com a possibilidade de realizar o meu desejo de voar. Medo eu não tinha, mas receio era o que não faltava, principalmente em relação à segurança. Como fui muito bem orientada, percebi que o receio poderia se transformar em emoção. E foi o que aconteceu. Ao entrar na cesta a euforia é grande, pois não sabemos o que vai acontecer. Pouco depois, sem que percebamos, estamos literalmente flutuando. Aí vem a calma e uma sensação de felicidade! Já voei de balão com pessoas idosas, adolescentes e crianças. Todos são unânimes: voar de balão não tem preço! Ana Paula Manso, professora de fundamentos de gestão

Ana Paula M

anso e Ana Cristina Tôr res e a emoção do voo

Arquivo pe

ssoal


EsportE

aventura em alta

escalada:

Bruno Menezes

Paredões de academia e de pedra atraem quem procura fazer atividade física com desafios e diversão


Bárbara Batista e Bruno Menezes

As academias de escalada estão revolucionando a forma de fazer atividade física. Mistura de esporte e lazer, a escalada mexe com vários músculos do corpo, além de desenvolver habilidades para vencer desafios. Yan Ouriques é o proprietário da academia Rokaz, localizada na Savassi. Ele conta que há dez anos abriu um pequeno centro de escalada em Belo Horizonte e, pouco a pouco, os interessados foram chegando. Hoje, num espaço de 753m², a Rokaz tem uma estrutura que proporciona aos alunos a sensação de desafio e aventura. “As pessoas chegam à academia procurando formas de exercitar, e, ao mesmo tempo, de se divertir. Em pouco tempo, todos estão apaixonados pela prática da escalada”, afirma Ouriques. A academia conta com um ambiente "indoor", ou seja, para escalada em local fechado. Mas a estrutura e o sistema de ventilação colaboram para uma simulação em ambiente "outdoor", ou seja, de escalada na pedra. Antes da prática, os alunos passam por um curso básico de iniciação para que compreendam como são as aulas e como devem usar os equipamentos de segurança. Há dez vias ou rotas definidas por graus de dificuldade que os alunos e os monitores seguem durante a escalada. Os iniciantes começam pelas vias brancas, de menor grau de dificuldade, e sempre

com o apoio de um monitor. “Á medida que ganham confiança passam a explorar as vias mais difíceis”, explica o monitor Renato Seabra.

mOdAlidAdes Há três modalidades principais de escalada. No "Bolden" não é necessário o uso de cordas, pois a escalada chega, no máximo, a quatro metros de altura. Na “Escalada Guiada” o aluno, ao subir, vai prendendo a corda em ganchos. Para isso, o monitor tem que liberar corda para ele. E por último, o "Top Rope" que é a escalada tradicional, de paredão, em que a corda vem de cima. Uma pessoa fica embaixo, controlando o freio.

PRePARAÇÃO Para começar a praticar, o aluno precisa estar bem fisicamente. Deve passar por exames para confirmar a inexistência de lesões e pode começar a escalar só após ser liberado por um médico. Crianças, jovens e adultos podem escalar, tudo depende da condição física de cada um. Na prática do esporte, todo o esforço se concentra nas pernas, sendo que os braços servem de apoio para percorrer as rotas.

seGURANÇA Os equipamentos de segurança básicos são a cadeirinha que serve para sustentar o aluno; o pó de magnésio que ajuda a deixar a mão do escalador

seca para facilitar a subida; e a sapatilha que deve ser dois números menor do que o pé do aluno para dar firmeza. Todos esses equipamentos podem ser alugados na academia, mas se o aluno quiser, estão também disponíveis para venda. Treino e viagens

TReiNO e ViAGeNs Um treino de escalada para amadores pode variar de 40 minutos a três horas. Em um treino de curta duração, o aluno chega a perder entre 250 e 300 calorias. Na academia Rokaz, o trabalho de escalada "outdoor" é feito em um sábado por mês. Para que escalem na pedra, os alunos viajam na companhia de monitores para cidades mineiras, como Lapinha, Fidalgo, Pedro Leopoldo, Sabará entre outras.

eXPeRiÊNCiA Com apenas 15 anos de idade e quatro de treino, Yan Kalapothakin já participou de várias competições. “A mais interessante foi na Escócia, onde morei. Treinei forte e venci em primeiro lugar”, relembra. As mulheres estão aderindo a modalidade e já participam de campeonatos. “Eu pratiquei vários esportes, mas me apaixonei quando experimentei a escalada. Já participei do campeonato brasileiro de escalada "indoor" e do campeonato de "Bolden”, conta a publicitária Aline Marina Osório, 26 anos.

BENEFÍCIOS DA ESCALADA TRABALHA DIVERSOS MÚSCULOS MELHORA A FLEXIBILIDADE, A COORDENAÇÃO MOTORA E O EQUILÍBRIO AUMENTA A CONCENTRAÇÃO ALIVIA O ESTRESSE E AJUDA NA SUPERAÇÃO DO MEDO


Agora em

cUltUra

3d O novo grafite é mais arrojado e conquistou espaços menos convencionais Diego dos Santos e Thiago Alves

Evolução à vista! Em muros, pontes, fachadas de casas e prédios, o grafite já não é mais o mesmo e surpreende pela qualidade dos traços. A onda agora é o estilo tridimensional. As imagens simulam situações reais e provocam ilusões nos espectadores. O material usado na produção varia de acordo com o gosto do artista. Alguns andam deixando de lado os sprays, que marcaram esse tipo de arte, e partem para o giz. Grande parte dos grafiteiros iniciaram sua trajetória com a pichação, que representa um verdadeiro ataque ao patrimônio. “É um caminho evolu-

tivo”, reconhece Alberto dos Santos, que começou a pichar aos 16 anos. Hoje, com 27 anos, ele se dedica ao grafite em 3D e assina como TOT suas obras que estão na região na Região Metropolitana de Belo Horizonte.“Foi um alívio para minha mãe”, brinca. Segundo ele, o estigma continua. Muitas pessoas ainda confundem grafite com pichação. “Já me prenderam como se eu estivesse pichando”, lembra. Apesar disso, TOT diz que a cada dia o grafite se torna uma arte mais respeitada no mundo da comunicação visual. Para ele, isso se deve à saturação das artes convencionais. “O 3D

representa uma maneira de combinar o domínio das técnicas da arte renascentista com o grafite. É um novo conceito visual urbano”. Para fazer seus trabalhos, TOT fez estudos de técnicas de cenografia e, com isso, ganhou destaque no desenvolvimento de painéis de grafite. Desde 2008, ele trabalha no projeto PDF Crew, que tem como clientes pessoas que querem ver os muros de suas casas grafitados. O PDF Crew tem dez integrantes de diversos lugares: Bahia, Distrito Federal, Ceará, Minas Gerais e São Paulo. Em Minas, a iniciativa é representada pelos grafiteitos Ed-Mun, Matos, além de TOT.


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GRAFITÊS: VEJA O QUE ELES FALA M GRAFITEI RO OU WRIT

TER: O ARTI STA QUE PI NTA BITE: IMIT AR O ESTILO DE OUTRO G RAFITEIRO CREW: GRU PO DE GRAF ITEIROS QU E PINTAM JU NTOS TAG: ASSIN ATURA DO G RAFITEIRO TOY: GRAF ITEIRO INIC IANTE SPOT: LUG AR ONDE É PRATICADA A ARTE DO GRAFITE

da rua para casa Nascido como arte pública, feita nas ruas e à vista de todos, o grafite, aos poucos, ganhou espaços privados. Primeiro, conquistou as paredes de empresas, lojas descoladas e galerias de arte. Agora, marca presença em residências, mas sem deixar de captar os olhares de quem passa nas ruas. Maria Antonieta da Silva, 42 anos, moradora de Contagem, conta que admira a beleza e a leveza tridimensional dos painéis assinados TOT

expostos nas ruas. “Fico impressionada com a realidade dos desenhos. Eu queria uma arte dessas na minha casa, como a Última Ceia, de Leonardo Da Vinci, feita em grafite 3D”, diz. Mesmo ainda convivendo com o preconceito, o grafite tem alto poder de comunicação e atrai jovens talentosos. Matias Gutierrez, 15 anos, sonha ser um profissional do grafite. Desde pequeno, ele faz rabiscos em

cadernos e, agora, quer fazer arte em proporções maiores nos muros e outros espaços. “Mas eu nunca consigo comprar tinta em spray para começar a grafitar”, lamenta. A razão para isso é a proibição das vendas de aerosol para menores de 18 anos. A atual legislação da venda do material foi definida pela Lei 12.408, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 26 de maio de 2011. As latas vêm com o aviso: “Pichação é crime”.


Etnicorracial

Sérgio Viana

sentindo

na pele

Alunos africanos no campus da UFMG

Universitários africanos enfrentam preconceito no Brasil

Sérgio Viana

O preconceito racial é uma forma de exclusão social que ainda persiste no mundo. No Brasil, apesar de ser um país em que grande parte da população é negra ou afrodescendente, o racismo é uma prática muito comum. Os congoleses Archange Michael, Peter Abram e Princess Kabilo já sentiram na pele o que é isso. Eles vie-

ram para o Brasil com o propósito de estudar na Universidade Federal de Minas Gerais, (UFMG). Há três anos morando no Brasil, Peter, 25 anos, estudante de jornalismo, conta que já sofreu preconceito por parte da polícia, dos colegas da faculdade e ao fazer compras num supermercado. “De repente, olhei para trás e vi os seguranças me seguindo,

enquanto as outras pessoas andavam tranquilamente pelos corredores. Muitos acham que somos miseráveis e criminosos”, desabafa. Um dia, ele estava com a namorada num churrasco e as pessoas começaram a olhar para ele e a cochichar. O motivo? “Minha namorada é branca e eu sou negro”, responde. Segundo os congoleses ouvidos pela

reportagem, o preconceito por parte de policiais é o mais frequente. Todos eles já foram abordados várias vezes por policiais e nos momentos mais inusitados. ”Até a caminho da igreja, que fica perto da minha casa, fui abordado por policiais. Eles duvidaram que eu estava indo para a missa e me perguntaram onde estava a Bíblia”, conta Peter. Também na faculdade, Peter já passou

por constrangimentos. Ele afirma que os professores parecem ter receio de tocar em assuntos relacionados ao continente africano. Uma vez, na sala de aula, durante a exibição de um documentário sobre os problemas do Haiti, ele percebeu que os colegas não paravam de olhar para ele. Peter não entendeu a razão: “O Haiti fica na America Central e eu sou africano!”, ironiza.


“O mÉdiCO NÃO QUeRiA TOCAR em mim” O congolês Archange Michael, 23 anos, estuda geologia na UFMG. Ele conta que na faculdade, quando os africanos têm dificuldades nas aulas, ninguém os quer por perto. “As pessoas infelizmente associam o negro à pobreza e à falta de inteligência”, observa. E o pior é que o preconceito vem de todos os

Os congoleses Archange Michael, Peter Abram e Princess Kabilo

lados. Logo que chegou ao Brasil, Archange estava com suspeita de dengue e foi a um posto de saúde. O médico não quis atendê-lo, alegando que não conseguia entender o que ele falava. “Percebi que o médico não queria tocar em mim e me receitou remédios, sem sequer pedir um exame”. Como Peter, Archange

também reclama da polícia. Uma vez, sem justificativa nenhuma, um policial começou a revistá-lo quando ele estava com um grupo de pessoas, todas brancas: ”Eu perguntei ao policial por que só eu estava sendo revistado e ele disse que era uma simples batida policial”. A congolesa Princess

Kabilo, 22 anos, veio para o Brasil há dois anos para estudar Física na UFMG. Para ela, a falta de informação e o conhecimento geram o preconceito. “A imprensa e as pessoas acham que no continente africano só existem leões e outros animais ferozes e que todas as pessoas passam fome”.

“As pessoas nos acham miseráveis e que somos criminosos.” Peter Abram, congolês


leitura O prazer da leitura em contato com a natureza

Fotos: Robson Rodrigues

Social

Trilhas da


Robson Rodrigues

Preocupado com a preservação da natureza e também com a cultura, Ricardo Carvalho, mais conhecido como Cadinho, anda feliz. Ele comemora um ano do Trilhas da Leitura, projeto que idealizou num período difícil da vida e que agora lhe dá muita alegria. Funcionário do Parque Ecológico do Eldorado, em Contagem, Cadinho conta que estava de cama em casa, lutando contra um câncer, quando assistiu pela TV uma reportagem sobre uma professora que incentivava a doação de livros para promover a leitura. Ele pensou: “Ôpa! Posso fazer isso no parque também.” Quando recuperou a saúde e voltou ao trabalho, Cadinho encontrou alguns

livros guardados nos armários do parque. A partir daí, a ideia do projeto foi tomando forma e assim nasceu o Trilhas da Leitura. “Hoje, o projeto está dando resultados muito positivos. Trabalhamos a questão educacional, cultural e ambiental”, explica. As pessoas vão ao parque, usufruem da natureza, têm acesso aos livros e participam de uma série de eventos culturais, como teatro, dança, música, exposições de artes e lançamentos de livros.

dOAÇÕes Segundo Cadinho, todos os livros doados pela população para a realização do Trilhas da Leitura passam por uma triagem. Os que estão em boas condições são doados para as pessoas que vão ao parque e se mostram interessadas em sua leitura. Os que não

Ricardo Carvalho – Cadinho

PARQUE ECOLÓGICO DO ELDORADO Thiago Rodrigues Ricardo Rua das Paineiras, 1722, Eldorado Contagem - MG Informações: (31) 3351 6188

estão em bom estado são destinados à Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Contagem (Asmac). Cadinho conta que é fantástica a participação da comunidade. “As pessoas param o carro na porta do parque e descarregam caixas de livros”, diz. O projeto conquistou vários parceiros, o que contribui para aumentar ainda mais o acerco do projeto. O Trilhas da Leitura fez com que o Parque entrasse na agenda cultural da cidade e, agora, muitos lançamentos de livros são realizados ali. “No começo tudo parecia um sonho. Hoje, o trilhas da Leitura já não cabe em minhas mãos”, diz Cadinho. Ele se orgulha de ser um servidor público no sentido literal da palavra e agradece por ter tido a oportunidade de trabalhar servindo ao povo.


Empreender

A palavra é........

empreender Com visão de futuro, jovens se arriscam no mundo dos negócios

Lídia Salazar e Lorayne François

Impulsividade e ousadia. Essas são algumas das características de um jovem empreendedor. Mas o que isso significa? Segundo o dicionário Aurélio, o empreendedor é aquele que realiza algo. No mundo contemporâneo, a palavra de ordem é empreender. E, para isso, é preciso desenvolver uma série de habilidades, além de investir na qualificação profissional. Aos 21 anos, Marco Túlio Araújo Moreira entrou para o mundo dos empreendedores jovens. Ele perce-

beu que faltava à cidade de Viçosa, MG, uma loja que fugisse da padronização e que atendesse ao gosto dos estudantes e dos professores da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Com um investimento inicial de 15 mil reais, ele abriu a Artesania, loja de vestuário feminino e masculino. O diferencial é que a maioria das peças é produzida por Marco Túlio e sua namorada Raíra. Há dois anos, a loja é um sucesso de vendas. A razão para isso é que Marco Túlio se preocupou com todos

os detalhes. Fez cursos de técnicas de vendas, atendimento ao cliente e de administração, todos ofertados pelo Sebrae. Além disso, assistiu palestras sobre empreendedorismo na UFV. “ A Artesania é bem organizada, tem peças de bom gosto e bem feitas”, avalia o cliente Francisco Fiorini. Como todo empreendedor, Marco Túlio está sempre atento a novas oportunidades. Agora, ele pretende ampliar a loja e passar para um ponto mais próximo da UFV, onde está a maior parte de sua freguesia.

Negócio de família Mariana Rabelo, 25 anos, trabalha há dois anos na RPD Comunicação. Mas desde a adolescência, ela já se interessava pela empresa que é de sua família. Mesmo sabendo da grande concorrência no segmento da comu-

nicação, ela assumiu a liderança da empresa e aprendeu a lidar com a pressão no dia a dia. “Meu maior desafio foi manter a empresa na posição já alcançada em muitos anos de mercado. Consegui isso através da

apresentação de novas propostas de trabalho’’, revela Mariana. Para ela, o empreendedor deve ser dinâmico, ter capacidade de enxergar oportunidades até mesmo nos momentos difíceis e, é claro, ter espírito de liderança.


João Vitor acessa a internet para ver como estão os índices na Bolsa de Valores

Lídia Salazar

Um OUTRO TiPO de emPReeNdedORismO Existem jovens empreendedores que não atuam no próprio negócio. É o caso de João Vitor Silva, 25 anos, formado em administração. Ele é gerente de relacionamento de pessoa jurídica em um banco em Belo Horizonte, MG. João Vitor se considera um “intra-empreendedor”, pois põe em prática suas habilidades para aumentar a sua produtividade no local onde trabalha. Ele também empreende por meio de aplicações na Bolsa de Valores, o que para ele é um grande aprendizado sobre o mercado de capitais. Dinâmico, antenado e ambicioso, João Vitor, enxerga algumas características que um jovem empreendedor precisa ter: “vontade de aprender e disponibilidade para assumir riscos”. Ele deixa uma dica para quem quer aplicar na Bolsa de Valores: “Para começar, invista uma pequena quantia, um percentual não muito grande da sua renda. Quando você aplica na Bolsa, já está assumindo alguns riscos e a primeira fase deve ser de aprendizado. É preciso estudar e ter paciência para investir na empresa certa e no momento certo”, aconselha.


inclUsテバ

Viagem literテ。ria ao som de

palavras Voluntテ。rios leem livros para pessoas com deficiテェncia visual


Nayara do Carmo, Sabrina Assumpção e Luciane Lana

“Clara manhã, obrigado. O essencial é viver”. Assim o poeta Carlos Drummond de Andrade saúda o dia. Não viver sozinho, não se isolar, celebrar a vida por meio da literatura. É essa a a proposta do setor de braille da Biblioteca Pública Luiz de Bessa, em Belo Horizonte, MG. Ali, pessoas com deficiência visual encontram o que precisam para viajar em textos literários. Há tecnologia disponível e, principalmente, uma equipe de apoio e um grupo de voluntários que leem textos para os que não têm condições de fazer isso sozinho. “Só o fato de as pessoas doarem uma parte do seu dia para me ajudar, é indício de que vale a pena conviver

com elas”, diz emocionado, o deficiente visual Luís Chaves, sobre os voluntários do setor braille. Com 25 anos e apenas 10% da visão, Chaves participa toda semana dos grupos de leitura feita pelos voluntários. Luís nasceu com 30% da visão. Com o agravamento da deficiência visual na época da adolescência, ele passou a ter uma vida com muitas limitações. Não podia mais andar à noite e nem mesmo usar o computador. Como era aluno do curso de Direito, Luís teve que desenvolver outros métodos de estudo para conseguir concluir a faculdade. Hoje, estuda para concursos públicos e, para isso, se aperfeiçoa no braille, além de fazer uso de diversas ferramentas, como as que transformam textos em áudio. Há três anos, o aposentado Renato Barbosa da Silva, 73 anos, é voluntário

no setor de braille. “Quando conheci o trabalho me surpreendi e a cada vez que faço a leitura é um novo aprendizado”, diz. Renato mora em um bairro distante da biblioteca, mas conta que tenta realizar o trabalho com regularidade. Ele explica que o caráter e o esforço dos deficientes visuais fazem com que ele esqueça a idade que tem e assim não deixa de ir à Biblioteca Pública Luiz de Bessa. “A determinação dessas pessoas em superar suas dificuldades é incrível, enquanto nós, que enxergamos, não damos valor a isso”, diz Renato. Voluntários e deficientes visuais discutem os textos literários, trocam experiências e, muitas vezes, criam fortes laços de amizade, Luís conta que fez muitos amigos nos grupos de leitura literária.

serviços Em Belo Horizonte não há editoras que publicam livros em braille e, por isso, há na cidade uma grande carência de livros transcritos nessa linguagem. O setor de braille da biblioteca tem cerca de 5.600 volumes, a maior parte doados por instituições que trabalham com deficientes visuais. Além disso, o setor transcreve livros para o braille. “A escala de produção é pequena e não conseguimos atender à

demanda como gostaríamos”, diz Viviane Pereira, coordenadora do setor braille. Ela explica que na biblioteca funciona um estúdio para a gravação de áudio-livros, em arquivos no formato MP3. A leitura é feita por voluntários. Os áudio-livros são muito requisitados pelos que não podem participar dos grupos de leitura. O acervo do setor de braille é composto por literatura brasileira e estran-

geira, periódicos e dicionários. Atualmente, há 401 leitores cadastrados, que utilizam os serviços de empréstimo domiciliar de arquivos de áudio-livros e de livros em braille. O setor disponibiliza para os deficientes visuais acesso à internet por meio de computadores com sintetizador de voz (JAWS); ampliador de tela (MAGIC) e lupa eletrônica para leitores com baixa visão.

Biblioteca Luiz de Bessa Praça da Liberdade, 21- Funcionários Segunda a sexta-feira, de 8h às 18 horas e sábados de 8h às 12h. Informações: (31) 3269.1218.


Revista Ágora 1_2012  

Revista laboratório do curso de jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva

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