Page 1

ágora Revista do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva

Ano IV | Janeiro a Julho de 2011

Mergulho Beagá entra nessa onda

Bissexualidade: assunto da vez

Nos pubs:

o velho e bom rock’n’roll Divulgação Mar a Mar


รกgora REVISTA DA DISCIPLINA

JORNALISMO PARA REVISTA

RUA CATUMBI, 546 - BAIRRO CAIร‡ARA BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS


expediente

REITOR: Professor Luis Carlos de Souza Vieira PRO-REITOR ACADÊMICO: Professor Sudário Papa Filho COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO: Marialice Nogueira Emboava EDITORA: Rosangela Guerra EDITORA DE ARTE E PROJETO GRÁFICO: Helô Costa 127/MG MONITORES DE DIAGRAMAÇÃO: Leonardo Moreira e Ludmila Rezende REPÓRTERES: Anelise Costa dos Santos, Ellen Magalhães, Erick Dias, Fernanda Ribeiro, Geraldo Evangelista, Gilnei de Souza, Isabela Prates, Leonardo Moreira da Silva, Tomaz de Alvarenga.


Por que ÁGORA Na Grécia antiga, quando um assunto relevante precisava ser discutido nas assembleias públicas, as pessoas se reuniam na ÀGORA, um espaço de comunicação, reflexão e debate. Foi por esse motivo que os alunos escolheram o nome ÁGORA para a revista do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva. ÁGORA fala de agora, olha o passado e vislumbra o futuro. Textos e imagens produzidos pelos alunos do 5º período mostram como a aprendizagem está sendo construída. A vivência desse processo representa para nós, educadores, uma oportunidade imperdível de partilhar com os alunos a aventura fascinante de fazer revista.

Rosangela Guerra Professora de Jornalismo para Revista


nesta edição


CONSUMO Corrida de descontos Fernanda Ribeiro

AÇÃO SOCIAL Arte para transformar vidas Geraldo Evangelista

TRABALHO Pelo telefone Leonardo Moreira da Silva

MÚSICA Ícone errante - Bob Dylan Tomaz Alvarenga

COMPORTAMENTO Espionagem on-line Ellen Magalhães

ESPORTE No fundo Erick Dias

NIGHT Como nos bons tempos Gilnei de Souza

SEXUALIDADE Você gosta de homem, de mulher ou dos dois Analise Costa dos Santos

MUNDO COUNTRY Madrinheira de rodeiros

CRÔNICA Sorria, você está sendo vigiado Anelise Costa dos Santos

Divulgação Circus Rock Bar

Isabela Prates


Consumo

Corrida de descontos

Fernanda Ribeiro

Para que perder tempo no trânsito, enfrentar lojas lotadas e ainda pagar mais caro? Os sites de compras coletivas selecionam o produto e conseguem descontos. e a melhor parte: você não precisa sair de casa

Ir ao colégio, almoçar, estudar, fazer cursos e academia. Assim não sobra tempo nem para passar perto das vitrines dos shoppings. É por isso que os sites de compra coletiva estão bombando. A galera já se acostumou a espiar a irresistível combinação: descontos e compra por impulso. Ofertas de beleza, gastronomia, viagens, shows, tudo com prazo de validade. Um relógio digital conta as horas, minutos e segundos de duração de cada oferta. É comprar logo ou pagar mais caro depois. Após inaugurar uma clínica de estética, a fisioterapeuta Fernanda Pereira, 26 anos, divulgou um pacotão de tratamentos no Groupalia. Em vez de pagar 220 reais (preço sem desconto), a turma que visitou o site no fim de março útimo pagou 60 reais por quatro sessões de carboxterapia, quatro de ultrassom e uma massagem redutora. E agora você se pergunta: “por que um desconto desses?”. Fernanda explica: “Com um desconto muito alto, o lucro da promoção não compensaria. O importante é a divulgação. Muita gente procurou outros serviços ou continuou o tratamento depois”. A executiva do Groupalia, Sheila Atanazio, diz que muitas empresas deixam de investir em outdoors, panfletos e outras parafernálias da mídia para apostar na nova onda. “A

maioria das empresas consegue manter pelo menos 50% dos clientes atraídos pelo site”, conta. Mas não é qualquer uma que pode aproveitar a onda. Existe um controle de qualidade que seleciona as empresas parceiras. É preciso seguir as exigências dos sites. “Alguém da equipe vai ao estabelecimento para ver se tudo se encaixa ao nosso perfil, se está com alvará em dia e se tudo funciona legalmente”, explica.

sAlAdA de OFeRTAs Rose Ribeiro, 30 anos, visita diariamente sites desse tipo: “Tem o Peixe Urbano, Groupalia, Groupon, Clickon, City Best, Clube do Desconto e descobri um que reúne a oferta de quase todos os outros”. Ela prefere as ofertas de bares, restaurantes e de hospedagens. “O último cupon que comprei foi de um rodízio de pizza que custou 9,90 reais. Com os descontos, conheço muitos lugares bons e acabo voltando depois”, afirma. Apesar das vantagens, Rose chama a atenção para alguns cuidados. Um deles é checar a credibilidade da forma de pagamento. “Sempre verifico se o dinheiro será devolvido, caso aconteça algum problema, e se vou poder trocar a mercadoria, se eu não ficar satisfeita. Além disso, costumo entrar no site dos estabelecimentos e pesquisar sobre eles”, conta.


Fernanda Ribeiro

COM O PÉ ATRÁs Enquanto uns aproveitam, outros ficam com o pé atrás. Bernardo Carneiro Rezende, 45 anos, conhece os sites, mas preferiu não arriscar. “Não gosto de fazer compras pelo computador. Clonaram o cartão de um parente meu que comprou pela internet”, conta. O tempo de duração da oferta também faz algumas pessoas desistirem de comprar. “Costumo acompanhar as ofertas dos sites, mas penso bastante antes de comprar. Às vezes, quando ainda estou decidindo se vou comprar ou não a oferta perde a validade”, diz Luane Marçal, 27 anos.

O BAlÃO COMeÇA A MURChAR Quem achou que era fácil ganhar dinheiro montando um desses sites dançou. Apesar do sucesso, 20% dos que estavam em operação no fim do ano passado estão fora do ar. Ao que tudo indica, alguns dos empresários que se aventuraram pelo ramo avaliaram mal as dificuldades para manter os sites. Como eles dependem de parcerias com lojas, restaurantes ou prestadores de serviços, o setor de vendas deve ser forte a atuante para conseguir manter ofertas no ar. Para ter sucesso, o site precisa de uma boa equipe de funcionários para captar clientes, o que custa caro. Por isso, muitos ainda não conseguiram lucrar. Para driblar a concorrência, alguns sites se especializaram, oferecendo apenas um tipo de produto, como hospedagens e alimentação.


Ação social

Presidiários, dependentes químicos, portadores de hiv, crianças e adolescentes de periferia participam das oficinas de arte do Projeto Fred

Arte para transformar vidas

Anderson Xavier

Geraldo Evangelista

No dia 13 de janeiro de 1998, um telefonema da Bahia iria mudar a vida da educadora Andréa Ambrósio e de algumas centenas de presidiários e de famílias carentes. Do outro lado da linha, uma voz avisava que seu irmão Frederico Ambrósio havia sido assassinado. Condenado por tráfico de drogas, ele passou dez anos interno num presídio mineiro e nos últimos anos de vida tinha se recuperado da dependência das drogas. "Fiquei seis meses em depressão profunda por causa da morte do Fred, como nós o chamávamos. Eu vivia à base de remédios até que um dia ouvi um chamado. Era para eu ajudar os outros ‘Freds’", conta Andréa Ambrósio. Os outros “Freds” eram os internos das penitenciárias de Minas. Nascia assim a organização não governamental Projeto Fred, que começou ensinando os penitenciários a produzir tapetes, na oficina Trama sem nó. Mais tarde, Andréa estendeu o projeto para comunidades da periferia da Região Metropolitana de Belo Horizonte, portadores de HIV, dependentes químicos e também para ado-

lescentes e crianças, que participam de oficinas de street dance. Quando o irmão estava preso, Andréa o visitava toda semana e costumava conversar com os outros internos. Isso foi despertando nela o desejo de ajudá-los de alguma forma. “Num saco de linhagem enorme, eu levava para eles enlatados, macarrão, pacotes de arroz e feijão e também muitos livros", conta Andréa. Foram nessas visitas que Andréa descobriu que o outro "pão" que os internos necessitavam era algum trabalho que pudesse mudar suas vidas e também a visão que as pessoas têm dos presidiários. "Os presos precisam ter condições de se recuperarem e de manter a sua família com dignidade. Eles enfrentam uma dupla pena: têm a grade dentro da prisão e também lá fora. Quando estão em liberdade são segregados pela sociedade ", afirma. O trabalho solidário mostrou a Andréia que as pessoas podem transformar a dor em amor ao próximo. Ela diz que há empresas dispostas a fazer parcerias e investir no ser humano por meio de trabalhos com arte.


Geraldo Evangelista

ReCONheCiMeNTO superlotação dos presídios do país, isso representa um benefício para o sistema prisional de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde o projeto está implantado. Os produtos do projeto são vendidos em feiras e exposições nacionais e internacionais, sendo que 70% da arrecadação são destinados ao beneficiário e 30% para investimento no projeto. Em 2005, a convite do governo mineiro e com a parceria do Banco do Brasil, o Projeto Fred expôs seu trabalho durante um evento na França. Em novembro último, o Projeto Fred fez sua mostra anual no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Entre 1.200 peças produzidas pelos participantes do projeto, 250 foram escolhidas para a exposição e agradaram o público presente.

Arquivo Pessoal

O projeto Fred foi o detentor do primeiro lugar do prêmio "Eu acredito!", promovido pelo jornal Hoje em Dia, em parceria com o governo estadual e com o Centro de Apoio ao Terceiro Setor, do Ministério Público de Minas Gerais. A premiação - um troféu criado pela artista plástica Fátima Santiago - tem por objetivo destacar os projetos sociais de sucesso, realizados em parceria com governos, empresas e sociedade civil. O prêmio reconhece o trabalho desenvolvido pelo Projeto Fred por meio do trabalho manual na confecção de tapetes, socialização e renda para o detento e a sua família. A participação no “Fred” contribui para a diminuição da pena, já que essa é reduzida em um dia a cada três dias de trabalho no projeto. Com a atual

Andréa Ambrósio criadora do Projeto Fred

PARCeRiA e eXPANsÃO

Atualmente, o Projeto Fre d tem como parceiras empresas de grande porte: Vale, CEMIG, Companhia Ene rgética de Minas Gerais, Vallourec & Manne sman do Brasil, Carrefour, MBR (Mineraç ões Brasileiras Reunidas), Magnesita Ref ratários, Secretaria de Justiça e Dir eitos Humanos do Estado de Minas Ger ais, Prefeituras Municipais de Contagem , Congonhas, Rio Acima, Raposos, Sarzed o, Nova Lima, Itabira, Inhapim, São Seb astião do Anta e Santa Luzia.


Trabalho

Pelo telefon e

Leonardo Moreira


Uns já estão cansados do serviço. Outros querem crescer e aparecer. Operadores de telemarketing contam a sua dura rotina Leonardo Moreira da Silva

Sala enorme, ar climatizado, cadeiras confortáveis, mesas espaçosas, “zum zum zum” de gente falando com fone no ouvido. Essa é a descrição de um call center. Vez ou outra, os operadores de telemarketing fazem pausas curtas porque ninguém é de ferro. Os chefes sabem disso e não é à toa que enfeitam o ambiente com balões e criam prêmios para o bom desempenho de quem trabalha ali. Os supervisores são treinados para cobrar agilidade no atendimento dos operadores. E não importa se o cliente é do tipo que fala manso ou que esbraveja quando suas demandas não são atendidas. Haja paciência! No Brasil, o desenvolvimento do call center teve seu marco nos anos 1980, quando corporações norteamericanas começaram a chegar ao país. O telemarketing já absorve cerca de 400 mil trabalhadores e a expectativa é de crescimento e geração de novos empregos, a maioria no setor de telefonia. Calcula-se que essa atividade movimente em torno de 65 bilhões de reais por ano no país. Mas é preciso atenção: por trás de tanto dinheiro em circulação, o telemarketing pode esconder problemas e perigos relacionados como baixos salários e doenças ocupacionais, tanto físicas como emocionais. Os operadores de telemarketing executam tarefas muitos repetitivas. Ao falarem com o cliente, eles têm que seguir um script predeterminado e são rigorosamente supervisionados, já que toda a conversa é gravada. “A garganta fica seca de tanto falar e há muitos ruídos nos ouvidos”. Esse é o relato, da operadora Bernadete Lourdes, que trabalha em um call

center de telefonia móvel. A rotina de trabalho da operadora é de seis horas e vinte minutos por dia. Ela só tem uma folga por semana. As pessoas envolvidas nesse meio afirmam que o serviço nunca foi um mar de rosas, mas tudo depende do convívio com as pessoas. “Tem cliente que é gente boa, educada, mas outros xingam os atendentes e acham que nós temos culpa dos problemas deles”, queixa-se a operadora Stefani Cristine. Michele Rosa conta que já comeu o pão que o diabo amassou dentro de um call Center, mas hoje já superou as dificuldades e continua no mesmo emprego. “Quando entrei, odiava o que eu fazia, mas precisava do salário no final do mês. Logo em seguida, engravidei e tive que engolir muitos sapos para continuar. Agora meu filho está maior e fica em uma creche enquanto eu trabalho. Se hoje ele está bem vestido, bem alimentado é graças a esse emprego”, reconhece Michele. Além das doenças ocupacionais a que estão sujeitos, os operadores de telemarketing reclamam dos baixos salários. “Não sou valorizado, tem gente lá fora sem escolaridade que ganha mais do que eu”, revolta-se o operador Rafael Alan. A profissão de operador de call center não tem legislação específica na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Engloba as funções de atendente, digitador e telefonista e é exercida, sobretudo, por jovens e estudantes, a maioria do sexo feminino.

O OUTRO lAdO dA MOedA Algumas pessoas gostam do serviço. Elas acreditam que o telemarketing representa uma boa oportunidade de crescimento profissional. Muitos

operadores relatam que no call center rola muita bajulação dos chefes, já que os processos seletivos não são tão frequentes. A supervisora Eliane Alves discorda. Para ela, quem acredita nessa lenda é gente que não tem ambição de crescer. Ela conta que foi promovida quando tinha um ano de operadora. Fez o processo seletivo e conquistou o cargo de supervisora. Com a alta rotadividade no setor, devido à insatisfação dos operadores, quem quiser pode crescer. A ex-supervisora de um grande call center de telefonia móvel Suzana Costa diz que era só alegria no setor em que ela trabalhava. Ela conta que tudo era festa. “Sempre encontrava alguma forma de motivar os meus operadores. No Halloween fantasiávamos de bruxas e, muitas vezes, fazíamos sorteios de brindes”, lembra.

COMO TUdO COMeÇOU O telemarketing surgiu nos Estados Unidos, quatro anos após a invenção do telefone, em 1864. Um pasteleiro norte-americano montou uma lista com 180 clientes e passou a oferecer seus produtos através de contato por telefone. Também uma empresa norte-americana chamada Bell lançou o primeiro serviço de 0800. Outra que pegou carona nessa nova ideia e querendo vender mais carros, foi a Ford, que realizou a primeira campanha de telemarketing por telefone. Contratou 15 mil donas de casa, que realizaram mais de 20 milhões de chamadas de suas próprias residências. O objetivo era identificar futuros clientes, pessoas com potencial para compra de um automóvel. Essa foi uma das primeiras campanhas de telemarketing.


Reprodução / radarurbano.com.br

Música

Ícone

errante Bob dylan completa 70 anos de idade. Autor de canções de amor e de liberdade, ele construiu uma trajetória singular

Tomaz de Alvarenga

Este ano, Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como Bob Dylan, completa 70 anos. Não é pouco para um dos nomes mais importantes da música popular do século XX. “Bob Dylan é inigualável. Ninguém, nem mesmo os Beatles foram tão fortes em subverter estilos, gêneros musicais, gravando músicas que vão muito além de meras canções. São poemas musicados. Dylan consegue ser politizado e brincalhão, sem perder a genialidade em cada acorde, em cada palavra”, diz o advogado Guilherme Marques. Dylan foi um dos nomes mais populares do movimento da contracultura, que eclodiu entre o final dos anos 1950 e início dos anos 1970. Os hippies eram contra a guerra, principalmente a do Vietnã (de 1959 a 1975), defendiam a liberdade sexual e o uso de drogas. A música Blowin’ in the Wind virou um hino nesta época Ousado, Dylan em 1965 dividiu um álbum (Bringing It All Back Home), entre canções acústicas e plugadas. O rompimento com o folk chocou os puristas do estilo e a sonoridade mais tarde foi rotulada de folk rock. Muitos regravaram as composições de Dylan, como Stevie Wonder, Guns N’ Roses, The Clash, George Harrison, Joan Baez, Rage Against the Machine, The Byrds, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Dave Matthews Band e vários outros. Segundo o site http://dylancoveralbums.com/, quase 33 mil covers das músicas de Dylan foram registradas até o início de 2010.


Reprodução/message-music.blogspot.com Reprodução/classmatesmemorylane.wordpress.com Reprodução / roddus.blogspot.com Reprodução / coveralia.com

Dylan entrou nos anos 1990 com elogiados trabalhos, como World Gone Wrong (1993) e, principalmente, Time Out of Mind (1997). Esse último trabalho reflete a sua proximidade com a morte, porque, na época, foi internado com problemas no coração. Até hoje é considerado seu melhor álbum. Com o passar dos anos e a idade avançando, a voz rasgada de Dylan começou a dificultar a compreensão das músicas, principalmente nos shows. Em 1998, o músico Carlos Moreira acompanhou o show de Dylan e contou: “Eu quase não entendia nada do que ele cantava. Começava a música e eu tentava, através do arranjo, decifrar qual era a música. É claro que era importante estar lá, no show do maior compositor de todos os tempos, mas confesso que bateu uma ligeira frustração em tentar entendê-lo durante o show”. Após Time Out of Mind, Dylan lançou outros quatro bons discos e o mais importante: continua em plena atividade aos 70 anos de idade. Prossegue criativo, atuante, poético e desafiador e com uma obra digna de aplausos.

Reprodução / coveralia.com

dOs ANOs 1990 PRA CÁ

Reprodução / xiami.com

Em 1979, Bob Dylan, que é judeu, se interessou nas leituras da Bíblia e se converteu ao cristianismo. Tornouse um defensor fervoroso e fez álbuns totalmente influenciados pela nova fé, como Slow Train Coming (1979), Saved (1980) e Shot of Love (1981). Muitos fãs se afastaram, os shows não agradavam como de costume, pois Dylan descartava antigos sucessos e só cantava músicas, tentando “catequizar” seu público. E que ironia: ao som de rock. Em 1983, com Infidels, Dylan voltou ao judaísmo. São desse tempo alguns dos trabalhos mais contestados, que mostram um artista perdido, precisando de um norte.

Reprodução / ronkanefiles.wordpress.com

ReliGiÃO

70 ANOs eM 7 disCOs Aqui um roteiro básico para descobrir o que há de melhor na vasta discografia de 34 álbuns

Álbum: The Freewheelin’ Bob Dylan (1963) Sucessos: Blowin’ in the Wind e Masters of War Ouça também: I Shall Be Free, A Hard Rain’s A-Gonna Fall e Don’t Think Twice, It’s Allright

Álbum: Bringing It All Back Home (1965) Sucessos: Subterranean Homesick Blues e Mr. Tambourine Man Ouça também: It’s All Over Now, Baby Blue e Maggie’s Farm.

Álbum: Highway 61 Revisited (1965) Sucesso: Like a Rolling Stone Ouça também: Desolation Row e Ballad of a Thin Man

Álbum: Blonde on Blonde (1966) Sucessos: Rainy Day Women #12 & 35 e I Want You Ouça também: Visions of Johanna e Just Like a Woman.

Álbum: New Morning (1970) Sucesso: If Not For You Ouça também: If Dogs Run Free e The Man in Me.

Álbum: Blood on the Tracks (1975) Sucesso: Tangled Up in Blue Ouça também: todas as demais.

Álbum: Desire (1976) Sucesso: Hurricane Ouça também: One More Cup of Coffee, Sara.


Comportamento

Ellen Magalhães

espiona on-lin

A dor de cotovelo entre os jovens caiu na rede. No Facebook e outras redes sociais tem sempre um espião louco para matar a saudade de amores passados. “No fundo, rola aquele sentimento de ciúmes quando ela está com outro”, reconhece Sérgio Viana, estudante jornalismo. Como na internet, a maior parte dos jovens não faz questão de manter a privacidade, esquecer os amores torna-se mais difícil. O universitário Diogo Pires, 22 anos, sofreu quando a ex-namorada o excluiu do Orkut. “Na época, eu tinha ainda algum sentimento por ela”, diz ele. No fim dos relacionamentos, muita gente pensa que a amizade pode continuar, nem que seja apenas para conversas na internet. Será que dá certo? Há quem pense que isso acaba deixando no ar uma certa esperança de voltar. Afinal, como canta a dupla Leandro & Leonardo “como é que eu posso ser amigo de alguém que eu amei”. No embalo de outra música sertaneja, desta vez de Cesar Menotti & Fabiani “mandei mensagem pra ela, ela não me respondeu (...). Vou te ligar, vou deixar recado, vou mandar mensagem. Pode ser que nada adiante”.


agem ne

Passar o tempo imaginando o que a outra pessoa está fazendo, pensando e, principalmente, com quem está se envolvendo é de partir o coração. “O mais difícil é apagar as fotos, a mão coça para olhar as atualizações da ex-namorado”, entrega Jéssica de Almeida. No caso dela rolou até um remember: “Tudo começou com uma conversa no MSN, mas não foi além disso”. Outra que fazia espionagem virtual era a estudante Geisiane Fernanda. “Todos os dias eu entrava no Orkut para saber detalhes da vida dele”, conta. Mas ela acabou mudando de ideia. Viu que nada disso vale a pena e passou a cuidar da própria vida, de olho nos novos relacionamentos.

O QUe diZ O ANAlisTA A psicóloga Vanessa Barros analisa o caso e diz que a espionagem ocorre quando a pessoa ainda está fixada no relacionamento que acabou. A receita, segundo ela, é ressignificar a relação. A pessoa precisa passar a se interessar por outras coisas e deixar de lado as reminiscências. Enfim, é preciso se dar uma nova chance e buscar novos objetivos. Mas como fazer isso? Vanessa sugere, por exemplo, que a pessoa busque novas amizades, frequente ambientes diferentes daqueles que ia com o ex e que crie outros hábitos que não façam lembrar em nada o que foi vivido com o amor do passado.

Basta clicar e o ex-amor surge na tela. É preciso coragem para desconectar


esporte

No fundo “Eu mergulhei em Angra do Reis, RJ.

Foi maravilhoso! Tudo certinho,

Beagá, cidade das montanhas, entra na onda do mergulho

acompanhada do instrutor. Ele sabia guiar a gente exatamente para os pontos onde tinham peixes e estrelas do mar, cada uma mais linda que a outra. As cores são muito vivas e a água é cristalina! O mais legal é você pular em alto mar e querer ficar no fundo o maior tempo possível.” JÉSSICA COELHO, 20 ANOS, ESTUDANTE.

Erick Dias

Tudo em volta é azul, muito azul! Peixes coloridos nadam pra lá e pra cá. De repente, surgem as estrelas do mar, os cavalos marinhos, enquanto as algas se mexem suavemente. Descrever as belezas do fundo das águas é difícil. Se em fotos e vídeos o mundo coberto por águas já é incrível, estar presente lá é melhor ainda. “A sensação de nadar junto a tartarugas marinhas é simplesmente única”, afirma Luísa Simões. Encantada com o silêncio e a vida debaixo d’água, ela conta que já fez cerca de 40 submersões. Nayara Lima teve sua experiência com o fundo do mar recentemente e garante: “É um mundo desconhecido e de uma beleza estonteante”. Para Poliana Oliveira o mergulho nos surpreende sempre.

As mergulhadoras citadas acima são todas de Belo Horizonte. Acredite, o número de mergulhadores nessa cidade de montanhas cresce a cada dia, como mostra o aumento de frequentadores das escolas de mergulho na capital. Se prestar atenção, você vai ver que muitos carros que circulam na cidade têm um adesivo com a bandeira do mergulho. Utilizada nos barcos, a bandeira indica que há alguém debaixo d’água e sinaliza que os motores das embarcações devem ser desligados nas proximidades para evitar acidentes com os mergulhadores. Próximo a Belo Horizonte também existem pontos de mergulho. Os peixes e a vegetação das águas doces impressionam pela beleza. Os locais mais conhecidos são Serra do Cipó, Escarpas do Lago, em Capitólio, a 250 km da capital, e a famosa e bela

Mina da Passagem, na história Mariana. Mas para viver a experiência impressionante de mergulhar numa mina de ouro inundada é preciso fazer curso de mergulho em caverna. Com 9.198 km de litoral, o que não falta no Brasil são lugares incríveis para mergulhar. Os pontos mais frequentados são: Abrolhos, arquipélago no sul da Bahia; Guarapari, no Espírito Santos; Paraty, Cabo Frio, Ilha Grande, Arraial do Cabo e Búzios no Rio de Janeiro. Há quem diga que o arquipélago de Fernando de Noronha é imbatível. Em águas cristalinas e com temperatura agradável, ali é possível mergulhar entre tartarugas, peixes de diferentes espécies e golfinhos. Em Bonito, no Mato Grosso do Sul, o mergulho em águas doces atrai turistas do mundo todo.


Mergulho livre ou apnéia

Mergulho autônomo

Mergulho livre de flutuação

Bandeir

a do mer

PUle Existem dois tipos de mergulho: o autônomo e o mergulho livre, também conhecido como apneia. O mergulho livre utiliza uma máscara, um respirador e nadadeiras. Pode ser praticado em piscinas, lagos, rios e no mar. Os entusiastas preferem a aventura do mergulho livre marinho pela diversidade maior de espécies animais e vegetais a serem observadas. Frequentemente, o mergulho livre está associado ao uso das técnicas de apneia para efetuar imersões. O termo apneia quer dizer a suspensão voluntária ou involuntária da respiração, ou seja, é o ato de prender o ar nos pulmões. Já aquele mergulho com cilindros de oxigênio é conhecido como autônomo. Consiste em submergir total

ou parcialmente na água utilizandose de equipamento autônomo de respiração. Por ter consigo uma fonte de ar comprimido, o mergulhador pode permanecer mais tempo debaixo d’água. O mergulho autônomo é conhecido internacionalmente pelo termo SCUBA, uma abreviação de Self Contained Underwater Breathing Apparatus (Aparelho de respiração autônomo subaquático).

BÁsiCO Para mergulhar, é necessário fazer, no mínimo, o curso básico. Para isso, você tem que ter suas nadadeiras, os famosos pés de pato, uma máscara e o snorkel, aquele “caninho” que você coloca na boca. O próximo passo é assistir as aulas

gulho

Fotos divulgação Mar a Mar

Escola de Mergulho Mar a Mar

teóricas e, depois, as práticas. Faz parte do curso viajar até a um ponto de mergulho, no litoral brasileiro, com os colegas de classe e os instrutores. E aí você faz quatro mergulhos em mar aberto. Se sair bem, recebe uma credencial de mergulhador, válida no mundo inteiro. Em Belo Horizonte, existem várias escolas, algumas consideradas por revistas especializadas no esporte como melhores do Brasil. São vários cursos oferecidos, desde o básico aos mais específicos, como mergulho em caverna e fotografia subaquática. O custo de equipamentos básicos, como nadadeiras, máscara e snorkel, é cerca de 250 reais. O curso básico inclui aluguel de roupas e equipamentos, viagem, hospedagem e quatro mergulhos. Os preços podem variar de 500 a 1200 reais.


Night

COMO NOS

BONS TEMPOS Gilnei de Souza

São onze e meia. A noite está apenas começando em Belo Horizonte. A galera não arreda pé da fila, que chega a dobrar uma das esquinas do bairro de Lourdes. Tudo isso para entrar no Circus Rock Bar, com capacidade para 600 pessoas. A estudante Camila dos Santos está na fila, junto com as amigas Natália Guimarães e Eveline Miranda. Para elas, encontrar pessoas e curtir boa música são os maiores atrativos dos pubs. “Pela falta de tempo durante a semana, marcamos de nos encontrar aqui, para colocar a conversa em dia e, é claro, divertir. Adoramos a música e o ambiente é muito legal e criativo”, conta Camila, enquanto Natália fala ao telefone chamando uma quarta amiga, “perdida” na noite de BH em busca de uma boa opção de balada. Convite aceito, minutos depois as quatro entram na casa para curtir os grandes clássicos do rock ao som de bandas da capital e do interior, que se especializaram em reproduzir fielmente o bom e velho rock’in’ roll dos anos 1960 a 1990. Ou, como diria os proprietários do pub, para uma noite “como nos bons tempos”.

Apesar do repertório de músicas antigas, a maioria do público tem entre 20 e 30 anos e está em grupos de amigos. É difícil encontrar alguém sozinho. Rildo dos Santos e sua namorada, Karina Mairinque, dizem que vale a pena esperar quase uma hora na fila. “A cidade tem outras opções, mas gostamos dos pubs. Belo Horizonte é um ótimo lugar pra quem gosta de rock”, conta Rildo. E para os músicos roqueiros não faltam espaços para tocar. De olho nesse movimento, empresários têm expandido seus negócios com a abertura de casas com a proposta de oferecer uma nova opção de lazer aos belo-horizontinos. O Circus Rock Bar, por exemplo, pertence à empresa Circuito do Rock, composta por outros dois pubs na cidade. A ideia é que não seja boteco, nem um lugar de balada, como explica um dos sócios da empresa, Gustavo Jacob. “A noite em Belo Horizonte tem, em sua maioria, com bares ou boates. A nossa proposta foi trazer para a cidade um estilo de bar, onde os amantes do rock pudessem se encontrar para curtir suas músicas preferidas”, diz ele.


Belo horizonte se rende ao formato dos pubs ingleses, espaço disputado para se ouvir o bom e velho rock'n'roll

Fotos divulgação Circus Rock Bar


ROCK POR TOdA PARTe Sempre com criatividade e irreverência, o rock está presente em tudo no Circus Rock Bar, na decoração, nos vídeos, nas apresentações ao vivo, na animação do público e até no cardápio. O empresário Gustavo Jacob conta que a criação da casa foi inspirada no filme The Rolling Stones Rock and Roll Circus. A decoração remete à atmosfera do filme, de 1968, em que Mick Jager e seus convidados, entre eles John Lenon, Jethro Tull, The Woo e outros grandes ícones da música, faziam uma festa do rock no picadeiro de um circo. E como não poderia faltar, mesas de sinuca, cerveja bem gelada e drinks e petiscos completam os elementos que dão ao lugar um clima de pub londrino. Localizado no bairro Funcionários, região centro-sul de Belo Horizonte, o Jack Rock Bar, primeira casa do Circuito do Rock, teve o nome escolhido em referência à música The Jack, da banda australiana AC/DC. Já o Lord Pub, inaugurado em 2005 no bairro São Pedro, possui decoração inspirada em um castelo medieval. O espaço tem dois ambientes: na parte de baixo, fica a pista e o palco. As paredes têm imagens de bandas lendárias, como Beatles, Rolling Stones, AC/DC, Led Zeppelin, The Dooors, Pink Floyd, Iron Maiden entre outras. Para quem quiser engatar um batepapo em um ambiente mais tranquilo, o piso superior é ideal, com direito a especialidades da cozinha japonesa em um sushi lounge.

elAs GOsTAM Foi a paixão pelo rock que levou Kiko Alvinegro a viajar para a Inglaterra e para a Irlanda em busca de informações sobre os autênticos pubs europeus. O resultado da pesquisa de Kiko foi a abertura do Excalibur Pub, em 2009, e o Rota 85, em 2010. As duas casas ficam no bairro Santa Amélia, região da Pampulha, um lugar, no mínimo inusitado, para esse estilo de bar. Mas o empreendimento deu certo, porque segundo Kiko, Belo Horizonte carecia

de um lugar que oferecesse música boa. O que ele considera uma surpresa é o fato de que o público dos pubs é, em grande parte composto por mulheres que buscam um local para se divertir. O estilo medieval está presente no Excalibur Pub, numa referência ao rei Arthur, os Cavaleiros da Tábula Redonda e a famosa espada medieval. O Rota 85 é inspirado em aventuras automobilísticas com visual que remete rotas e estradas. As duas casas, com capacidade para 300 pessoas cada, mesclam o ambiente mais agitado, com a apresentação das bandas, ao mais aconchegante e discreto.

COveR Bandas de rock não faltam em Belo Horizonte. Há quase 100 bandas que se revezam nos shows em bares e pubs. A maioria são covers das mais conhecidas bandas de rock nacional e internacional das últimas décadas. Outras se dedicam a repertório próprio e têm conquista espaço no cenário da música independente. Para quem é fã do cantor e guitarrista inglês Eric Clapton, considerado um dos maiores ícones do blues rock, pode curtir shows da Clapton Takes, que surgiu em 2010 para homenagear o músico. E tem ainda a opção de ouvir a Claptonmania, uma das bandas cover mais conhecidas da cidade. Os que se lembram com nostalgia dos anos 90, ao som de Aerosmith, Guns N’ Roses, Red Hot Chili Peppers, Lenny Kravitz, Bon Jovi, U2 entre outros, aplaudem as apresentações das bandas mineiras Aeroguns, Aeroplane, Audiosoul, Bon Jovem e Charlie, só para citar algumas. Beatles, Rolling Stones, U2 e Pink Floyd são homenageados por covers, como Hocus Pocus, It`s Only Rolling Stones, U2 Cover Brasil e Pink Floyd Reunion, respectivamente. Em se tratando de música brasileira, os sons mais reproduzidos são do Barão Vermelho, Cássia Eller, Secos e Molhados, Raul Seixas e O Rappa. Para essa missão, habilitam-se os músicos da Balão Vermelho, Mahgah, Nem Secos, Rauzitles e Instinto Coletivo.


The Cavern

Club

A palavra pub é derivada d a express ão inglesa pu blic house . Comum em países e regiões de influência britânica, o pub é um a mistura d e bar com hotel, devido às suas acomodaç ões. A cer veja é a bebida m ais pedida . Há, aproximad amente, 5 7 .500 pubs na In glaterra. Um dos m ais famos os é o The Cav ern Club, considera do o berço dos Beatles. E ra lá que, e m 1961, o fam oso quinte to (sim, na é poca eram cinco) passavam noites a fi o tocando s uas prime ir a s canções, a ntes de se tornarem conhecido s no mundo. In augurado em 1957, o Th e Cavern C lu bé uma casa noturna tã o lendária e m Liverpo ol que, depois de ser demoli do em 1973, foi re construído dez anos mais tarde com os tijolos ori ginais.


Anelise Costa dos Santos

sexualidade

se antes a questão era assumir a homossexualidade e enfrentar os preconceitos, agora é a vez da bissexualidade

você gosta de homem,

de mulher

ou dos dois?


Anelise Costa dos Santos

Carol, 21 anos, tem um namorado e faz planos de se casar com ele em 2012. Ela confidencia que sua família é conservadora e que costuma fazer piadas preconceituosas sobre homossexuais. Ela diz ter certeza que ninguém desconfia de nada. De quê? Ela frequenta sites de relacionamentos e já agendou encontros com mulheres em motéis. Há quase um ano, Carol mantém um relacionamento com uma garota e tem medo da história ficar mais séria. As duas se conheceram na internet e, assim como Carol, a sua parceira tem uma vida heterossexual em paralelo. O problema é que ela não consegue escolher: gosta do namorado, quer construir uma família com ele, mas se sente constantemente atraída por mulheres. Assim como Carol, João Vitor, 23 anos, vive em dúvida. Ele se diz bissexual, mas confessa que costuma sentir mais desejo por homem do que por mulher. “Às vezes, fico louco com algumas meninas”, reconhece. Segundo o psicólogo Tiago Macedo, residente no hospital André Luis, em Belo Horizonte, MG, o sexo psicológico de uma pessoa só pode ser identificado com o passar dos anos. Diferente do sexo fisiológico que é definido ainda na formação intra-uterina, o psicológico começa a aparecer por volta dos sete anos. O psicólogo explica que a sexualidade se apresenta numa escala variante. Assim, é possível ter mulheres homossexuais femininas a mulheres heterossexuais pouco femininas. Da mesma forma, há homens homossexuais masculinos e heterossexuais pouco masculinos. O que determina a orientação sexual de uma pessoa é a atração que ela sente pelo feminino e/ou pelo masculino. As orientações sexuais são: assexual, bissexual, heterossexual, homossexual. A bissexualidade é a atração física e emocional por pessoas do mesmo sexo e também do sexo oposto. Pode-se ter bissexuais que se sentem mais atra-

ídos por homens e também aqueles que se sentem atraídos mais frequentemente por mulheres. Tiago explica que é difícil encontrar um bissexual que tenha vontade - na mesma intensidade - de ter relações com homens e mulheres. Ele esclarece que a atração sexual independe da vontade do sujeito, da família ou de seu grupo social: “É muito comum atender homens que já são pais e dizem sentir atração por outros homens. Algumas pessoas chegam a descobrir sua orientação sexual depois dos 40 anos. Cada caso é um caso”.

Ao longo do tempo Na Grécia antiga era comum a pederastia, ou seja, a relação homossexual entre homens experientes com jovens. O homem mais velho admirava o jovem por suas qualidades masculinas. E o jovem respeitava o outro por sua experiência, sabedoria e comando. Os dois tinham a mesma posição social e o relacionamento entre eles tinha um prazo de validade, pois o amantepupilo deveria depois ter mulher e filhos. Mais tarde, quando fosse um homem maduro, ele poderia ensinar a um jovem a “arte do amor”. Na época, não se aceitava o relacionamento homossexual entre homens da mesma idade e nem mesmo o homem efeminado.

Preconceitos de todos os lados Rafael Alves, 25 anos, conta que começou a ter relações homossexuais há quatro anos e que durante esse período teve diversas relações com mulheres. Ele diz que tem vontade de casar: “Ser hetero é muito mais fácil, você casa tem filhos e ninguém recrimina”. Os amigos homossexuais dizem que Rafael “não saiu do armário” e que ele usa o termo bissexual para não assu-

mir que gosta de homem. Rafael retruca e diz que ainda não se decidiu. Mas será que ele vai se decidir? Ele alega que não tem pressa e que está à procura de uma pessoa ideal. “Quero encontrar uma pessoa, mulher ou homem, que me entenda e me aceite, sem julgamentos.” Além de sofrerem preconceito por parte de homossexuais, os bissexuais também sofrem o mesmo com os heterossexuais. Rafael diz que estava namorando uma garota há alguns meses. A relação estava perfeita, até ele revelar que era bissexual. A garota ficou irritadíssima e chegou a publicar mensagens ofensivas no Facebook. Rafael lamenta o episódio. “Ela me julgou e várias pessoas passaram a me olhar de forma diferente depois das publicações que ela fez na rede social”.

É moda? O tema bissexualidade faz parte hoje das conversas de muitos jovens. Para o psicólogo Tiago, ser bissexual não está na moda. A diferença, segundo ele, é que a liberdade sexual é maior hoje. Há tribos urbanas livres de preconceitos quanto à orientação sexual. Provavelmente por esse motivo, tem-se a impressão de que a bissexualidade aumentou. “Por mais que o preconceito esteja solidificado em algumas instituições, é mais fácil admitir a orientação sexual hoje, diz Tiago.” Durante a década de 1950, Kinsey, um estudioso da sexualidade humana, se dedicou a pesquisar a bissexualidade, tanto de homens como de mulheres. Por meio de uma escala de avaliação de desejo, ou seja, da orientação afetivo-sexual, Kinsey comprovou que 46% dos entrevistados em sua pesquisa eram exclusivamente heterossexuais; 4% homossexuais e 50% eram bissexual. Isso indica que a bissexualidade não é de hoje. * Os entrevistados não querem se identificar e por isso foram usados nomes fictícios


Mundo Country

Madrinheira

de rodeios Jovem e bela, Amanda conquistou o mundo country


Isabela Prates

Perto de completar 23 anos, Amanda Luiza Ribeiro Sales, entra na arena como madrinheira. Sua missão é retirar de cena o peão e o cavalo que acabou de montar. Para isso, haja habilidade e também coragem. Recém formada em Medicina Veterinária, Amanda planeja fazer mestrado em reprodução animal. Na verdade, desde a infância a sua vida está ligada aos cavalos. Fazia aulas de hipismo clássico, quando, aos 12 anos, foi convidada pelo madrinheiro Fábio Silva para treinar e se tornar uma madrinheira. Desde então, não parou mais e tem participado dos mais famosos rodeios de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Atualmente, é madrinheira oficial da equipe João Wellington Promoções, que é responsável pela realização de algumas das melhores festas de peão em Minas, como as de Nova Serrana, Timóteo, Itabira, Bambuí, Lagoa da Prata, Santa Bárbara, Santo Antônio do Monte, João Monlevade e Sete Lagoas. Por onde quer que vá, Amanda conta sempre com a companhia de sua mãe, Sônia, e dos seus animais de trabalho: o cavalo “Mão Branca”, da raça

Pampa, que já a acompanha há sete anos, e da égua “Cak Sun”, que entrou no circuito este ano e já ocupa lugar de destaque no plantel da companhia. Por sua projeção no esporte hípico, em 2002, Amanda participou do Concurso Garota Globo Esporte, representando o hipismo clássico. Além disso, teve várias participações nos programas Globo Esporte, MG Esporte Clube e Esporte Espetacular. Cruzeirense, Amanda Sales é fã do cantor Leonardo e da dupla Rio Negro & Solimões. Além da paixão pelos cavalos, ela gosta de praticar handebol e não dispensa uma boa pizza de palmito, se possível, assistindo seu filme favorito, “À espera de um milagre”. E para quem quer seguir seus passos, tem sempre na ponta da língua a frase: “Lute sempre para alcançar seus objetivos”.

Na arena Rodeio é uma prática recreativa que consiste em permanecer por até oito segundos sobre um animal, geralmente, cavalo ou boi. A avaliação é feita por dois árbitros. Enquanto um árbitro avalia o competidor, o outro avalia o animal, totalizando a pontua-

ção de 0 a 100. A prática é bastante comum no Brasil, Estados Unidos, México, Canadá, Austrália e em alguns países da América Latina. O rodeio também é alvo de críticas, porque, para muitos, o esporte desrespeita os direitos animais. O maior evento do gênero no Brasil é a Festa do Peão de Barretos, que chega a reunir cerca de 300 mil pessoas e movimenta milhões de reais em diversos setores. Na edição de 2010, segundo organizadores do evento, a cantora brasileira Ivete Sangalo recebeu 600 mil reais apenas de cachê, fora despesas extras. Mesmo com as inúmeras críticas que o evento recebe, diversos artistas se apresentam todos os anos não apenas em Barretos, mas também nas diversas festas que ocorrem em outras cidades do interior do Brasil, principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. No Brasil o rodeio está regulamentado pela lei nº 10.220/2001 que institui normas gerais relativas à atividade de peão de rodeio, equiparando-o atleta profissional e a lei nº 10.359/1999 que dispõe sobre normas a serem observadas na promoção e fiscalização da defesa sanitária animal quando da realização de tais eventos.

Fotos Erica Aline

Madrinhagem Para muitos a madrinhagem tem a graça e a beleza de um balé. Mas que ninguém se engane: os treinos são intensos para se conseguir a habilidade nas manobras. Os madrinheiros entraram em cena para garantir a segurança do peão - depois de oito segundos de exibição e para imobilizar e acalmar o estresse do animal que foi montado. Foi-se o tempo que o rodeio era coisa só de homem. A madrinhagem cada dia mais é executada por mulheres ágeis, bem treinadas e glamorosas. Mas de onde vem esse nome? Há quem explique que o animal “madrinha” é aquele que serve de guia. No caso, os madrinheiros entram na arena montados nesses animais guia, em geral dóceis e adestrados para a função.


CRテ年iCA

sorria, vocテェ estテ。 sendo

vigiado


Anelise Costa dos Santos

Eu tenho um IPhone. Adoro! Para falar a verdade não vivo mais sem ele. Somos inseparáveis! Ele se tornou uma companhia para todos os momentos e me oferece informação, lazer e até mesmo coisas inúteis que amo saber. Ás vezes, eu até esqueço que ele é um celular. Só lembro quando alguém me liga! Mas, pensando bem, as pessoas me ligam bem menos do que antes. Preferem deixar uma mensagem no Facebook ou qualquer outra rede social que eu faça parte. A melhor coisa de um IPhone chama-se “Aplicativos”. São softwares que fornecem algum tipo de serviço, informação, lazer etc. O ideal é encher o seu IPhone de apps (abreviatura de application, em inglês). Assim você testa todos e exclui o que não gostar, com apenas um toque. Quando você baixa algum apps, surge na tela a seguinte pergunta: “Você permite que o apps use a sua localização?”. E, sem pensar, você clica em “Sim, muito obrigado!”. Você fica feliz! E a partir daí a sua mensagem passa a informar também onde você está. Se a sua mensagem não tem nada a ver com o local onde você está, não se preocupe, pelo menos você matou a curiosidade de alguém. O problema é que os aplicativos que possuem o recurso de localização se tornam muito poderosos.

Como? Essa belezura de aplicativo permite a divulgação dos lugares que você frequenta. Olha que coisa chique! “Anelise está no teatro”, “Anelise está no café”, “Anelise está no shopping”, “Anelise está no motel”.... Êpa, êpa! Aí não! Não quero divulgar esse tipo de coisa. Não quero que as pessoas saibam o tempo todo onde eu estou. Vou processar essa empresa. Está pensando o quê? E se o meu namorado descobre? Não vou deixar barato! Reclamar? Como assim? Você não autorizou lá no início a transmissão da informação de sua localização. Agora não quer mais essa modernidade? Vamos deixar a hipocrisia de lado! Você quer mostrar para seus seguidores do Twitter, amigos, inimigos que é descolado e frequenta lugares legais, mas desde que isso não lhe prejudique, não é? Exposição é a ordem do momento. Toda hora contamos para todo mundo o que fazemos. Nossa!, uma delícia, principalmente quando se tem 1000 seguidores! Chega a ser excitante! Além disso, gostamos de saber da vida alheia. Adoramos assistir reallyt shows, ler revistas de fofocas, espionar o Facebook e o Twitter alheios. Mas a gente, às vezes, muda de ideia. Há alguns dias resolvi deletar meu Facebook! Cheguei a conclusão que estava perdendo muito tempo de olho na vida alheia. Foi ótimo, ganhei mais tempo no meu dia! Não quer fazer o mesmo? Vou recomendar a todos no meu Twitter.


Revista Ágora 1/2011  

Revista Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you