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a iMpoRtÂncia Do EnaDE paRa os EstuDantEs

o DiLEMa Das oBRas DE MontEiRo LoBato

EM tERRa DE pÃo DE QuEiJo, os pastéis RouBaM a cEna

pRa pEDiR DE RoMaRia E pREcE paZ nos DEsaVEntos

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LINCE

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva Ano V | Nº 51 Outubro de 2012

DE oLHo na notÍcia

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Como é difícil ser um ator sério no Brasil

o ator caio Junqueira em sua atuação no grande sucesso "tropa de Elite"

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o ator geraldo Rodrigues, uma das estrelas do filme "Linha de passe", dirigido por Walter salles e Daniela thomas


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a feSTa

CARLOS MARTINS

não Pode

aCaBar JoÃo pauLo

FREitas (2º pERÍoDo)

Alegria é algo que nos motiva a querer sempre o improvável em nossa real capacidade. Sempre que alguém me questionava, lá no final dos anos 1990, sobre o que era futebol, eu não hesitava em dizer um milhão de frases espontâneas e passionais somente para satisfazer o simples ego de exímio conhecedor desse esporte fascinante. Mesmo com a pouca idade, me entendia perfeitamente naquele universo mágico, em que os 90 minutos se transformariam em toda uma vida. Mas, algo tão contagiante assim, que nos faz sorrir e emocionar, pode um dia perder todo esse brilho? Pra muitos sim, e para mim também. Porém, não sou saudosista, viúvo das décadas de 1960 e 1970, com seus vídeos em preto e branco juntamente com cheiro de naftalina. Acho que não seja para tanto. Às vezes, paro pra pensar, e — por que não? –, voltar àquela época em que Marcelo Ramos e Alex Alves de um lado, se confrontando com Marques e Valdir “Bigode”, pudessem ter sido o final de uma era em que todos os espectadores saíam vitoriosos. Mesmo que fossem poltronas reais feitas de cimento, em um palácio em que os lustres eram as estrelas iluminando o tapete da sala. Quantas grandes festas esse cenário misterioso e cheio de encantos presenciou? Mas, como diria Carlos Drummond de Andrade, “E agora José”? Ou melhor dizendo, “E agora João? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou”. Onde estão as bandeiras celestes e alvinegras tremulando nas arquibancadas como em um baile real? Torcedores eram amigos e se confraternizavam, mesmo naquele espaço reservado aos poucos que podiam pagar, mas mantinham o respeito e a ordem. Os uniformes tinham mais vida, mais cores, completavam o jogador como se este fosse um único ser. Gols de placa eram normais. Faltas cobradas com perfeição pelo maestro Valdo (Cruzeiro). Dribles desconcertantes, o sobrenome de Marques (Atlético). De Zé Afonso (América), os chutes fulminantes. E as comemorações? Um show a parte, sem aquele senhor do apito atrapalhar com cartões amarelos distribuídos a granel. Nesse ano de 2012, os alvinegros têm, sim, um bom motivo para se orgulhar, com uma excelente campanha no Campeonato Brasileiro. Mas, pense em como seria, se tudo fosse como antes, ou seja, com o mesmo brilho. Acho que não gostaria de voltar ao passado, mas sim, deixar uma reflexão de como seria importante para nós, amantes do futebol, se mudássemos a nossa concepção desse esporte, e aceitar que ele foi criado unicamente para nos alegrar. Mesmo que, diariamente, seja derramado tanto sangue em nossa mesa de jantar, acompanhado de sobremesas amargas feitas de mensalões, ainda assim, somos os mestres. Os únicos em uma arte que jamais poderá morrer. A arte de SORRIR.

"Onde estão as bandeiras celestes e alvinegras tremulando nas arquibancadas como em um baile real?"

EXPEDiENtE REITOR Luis Carlos de Souza Vieira PRÓ-REITOR ACADÊMICO Sudário Papa Filho COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO Professora Marialice Emboava

COORDENADOR DA CENTRAL DE PRODUÇÃO JORNALISTICA- CPJ Professor Eustáquio Trindade Netto (DRT/MG 02146) PROJETO GRÁFICO E DIREÇÃO DE ARTE Helô Costa (127/MG) MONITOR: João Paulo Freitas

DIAGRAMAÇÃO: Fillipe Gibram, Geisiane de Oliveira e Nayara Perez REPORTAGENS: Alunos do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva

CORRESPONDÊNCIA NP4 - Rua Catumbi, 546 - Bairro Caiçara - Belo Horizonte - MG - CEP 31230-600 Telefone: (31) 3516.2734 - jornallince2008@gmail.com

Este é um JoRnaL-LaBoRatÓRio da disciplina Laboratório de Jornalismo ii. o jornal não se responsabiliza pela emissão de conceitos emitidos em artigos assinados e permite a reprodução total ou parcial das matérias, desde que citadas a fonte e o autor.


Por Que É

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ImPorTanTe? Dicas paRa u

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a Ma Boa pRoV

ias estudadas - Revise as matér s do seu curso atérias específica exame - Dê ênfase as m es anteriores do provas das ediçõ as m co os ad ul - Faça sim local das provas ncia o horário e dê ce te an m co ica ou - Confira ça uma boa mús ure se distrair. Ou oc pr a, ov pr da - No dia . ige leia um bom livro ame é longo e ex ite de sono, o ex no a bo a um r te - Procure scansados. corpo e mente de rras de cereais e finha d’água, ba rra ga , s” ão m m - Tenha “e ão de energia. fontes de reposiç as im ót o sã is po o. chocolate; riedade e atençã ça a prova com se fa e: nt rta po im l - E o mais cação profissiona rso e sua qualifi cu u se e qu , la de É por meio serão avaliados.

RaQuEL DuRÃEs (2º pERÍoDo) As provas estão chegando, e com elas a oportunidade de mostrar que o curso valeu a pena. O ENADE — Exame Nacional de Desempenho do Estudante — tem o objetivo de aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências. Ele é obrigatório para todos os alunos que cursam o último ano do ensino superior e condição indispensável para a obtenção do diploma. De acordo com o INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, cerca de 587.350 alunos se inscreveram para as provas que serão aplicadas dia 25 de novembro próximo.

Alunos que cursam o último semestre dos cursos de graduação são convocados à realização do ENADE. Entretanto, poucos são aqueles que respondem a esse chamado.

Entretanto, se o exame é assim tão importante, qual o motivo do descaso de tantos estudantes em relação ao teste? Afinal de contas, o bom preparo e desempenho dos alunos nas provas é o que define a sua qualificação profissional. “Se o curso demonstra, por meio da avaliação, ser inferior, o profissional também vai ser visto no mercado profissional como mau qualificado”, explica Alexandre Miserani, professor e coordenador dos cursos de relações e negócios internacionais e cursos tecnológicos do Centro Universitário Newton Paiva.

REsistÊncia E oBRigaÇÃo Para muitos alunos, o Enade é visto como tortura. São

quatro horas de pura perda de tempo. Mas, ao contrário dos que muitos teimam em dizer, a realização das provas é um momento importante na vida do acadêmico, — ele estará representando seu curso, sua universidade, e seus colegas de trabalho. “O aluno tem que ter a consciência de que ele é a peça chave de todo o processo; e que faz parte de um grande sistema de avaliação, desde o momento em que a ficha de inscrição é preenchida, até o momento da prova em si”, afirma Miserani. Entretanto, os alunos têm uma justificativa. “Nossa resistência é um pouco pela obrigatoriedade; o aluno deveria se oferecer, mas, nós, estudantes, temos a terrível mania de só fazer com boa vontade o que recebemos em forma de notas”,

EnaDE E EnEM 2012 Desde 2011, os calouros foram dispensados do Exame. As notas deles no Enem serão utilizadas para o cálculo dos indicadores de qualidade da Educação Superior. Em entrevista ao site Brasil.gov.br, Cláudia Maffini Griboski, Diretora de avaliação de Educação Superior do INEP/MEC, explicou que: “usando o Enem, nós vamos ter uma base mais confiável de saber exatamente os parâmetros desse estudante ao chegar na educação superior e comparar com a saída dele na sua formação”.

confessa Márcio de Amaral, 26, que realizou o exame em 2010, quando estava no último período do curso de matemática da UNIBH. Além disso, “muitos conteúdos cobrados nas provas foram estudados há muito tempo e já podem ter sido esquecidos, isso também causa uma insegurança muito grande”, justifica Márcio.

Está pREpaRaDo? A prova é composta por 40 questões, sendo dez questões da parte de formação geral e 30 da parte de formação específica da área, contendo as duas partes questões discursivas e de múltipla escolha. Diante de tantas questões, o aluno tem quatro horas para respondê-las. “Ele deve estar muito bem prepa-

rado, descansado e consciente na hora da prova, é um momento decisivo e pode afetar, futuramente, toda a vida profissional do aluno”, ressalta Miserani. “Quem quiser dar uma olhada nas provas e gabaritos das edições anteriores do Enade, é só acessar o site do INEP (http://portal.inep.gov. br)”, recomenda a professora e jornalista Thais de Mendonça Jorge, coordenadora da assessoria de comunicação do INEP. Além das provas, o aluno terá acesso ao Manual do Enade, relatório de avaliação dos cursos das instituições, lista dos alunos convocados e demais informações sobre o teste. A nota de avaliação das instituições varia de um a cinco. À medida que esse valor aumenta, melhor é o desempenho no exame.

Miserani: " o aluno tem que ter a consciência de que ele é a peça chave de todo o processo"

Esse ano serão avaliados os cursos que conferem diploma de bacharel em Administração, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Comunicação Social, Design, Direito, Psicologia, Relações Internacionais, Secretariado Executivo e Turismo; e tecnólogo em Gestão Comercial, Gestão de Recursos Humanos, Gestão Financeira, Logística, Marketing e Processos Gerenciais. Aqueles que não foram selecionados podem fazer as provas como voluntários.


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alerTa! O escotismo está de volta e mostra que os grupos escoteiros trabalham como nunca pelo crescimento intelectual, físico, afetivo e social de jovens e crianças.

RaQuEL DuRÃEs (2º pERÍoDo)

MoMENto

Be prepared, Siempre Listo, Toujours Prêt, Esso étimos. Seja em inglês, espanhol, francês ou grego, qualquer escoteiro sabe a importância da frase “Sempre Alerta”. O escotismo, fundado na Inglaterra em 1907, por Lorde Robert S t e p h e n s o n S m y t h B a d e n - Po w e l l , cresce cada vez mais no país. Segundo a UEB — União dos Escoteiros do Brasil — hoje existem aproximadamente 80 mil escoteiros no Brasil. No mundo, são mais de 30 milhões de jovens e adultos voluntários que aprendem e trabalham para criar um mundo melhor — como prega a filosofia do escotismo. O escotismo está de volta. Hoje, até mesmo psicólogos recomendam aos pais que procurem grupos escoteiros para aprimorar o desenvolvimento social dos filhos. — As crianças se tornam cada vez mais individualistas. Estão acomodadas na zona de conforto, onde tudo é fácil e gira em torno delas. É melhor ficar em casa com o videogame do que ter o trabalho de sair e fazer alguma atividade em grupo ou ao ar livre. No escotismo não existe comodismo —, afirma Robert Wagner Machado Mendlovitz, diretor-técnico do Grupo Escoteiro Duque de Caxias.

aLERta EM toDas as REgiÕEs Em Belo Horizonte, há cerca de 17 grupos escoteiros espalhados pelos diversos bairros da cidade. Como exemplo, pode-se citar o Grupo Escoteiro Duque de Caxias, no bairro Caiçara, que

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faz suas reuniões em frente à Unidade Newton Paiva 800. Mas há mais. O Grupo Escoteiro Antonio Mourão Guimarães, no bairro da Baleia é um deles. Os outros grupos estão em bairros situados em regiões diversas, como em Santo Agostinho (Centro – Sul) ou Padre Eustáquio (Noroeste). Mas, Vera Cruz, Santa Efigênia, Palmeiras e muitos outros também abrigam associações escoteiras. — Qualquer pessoa pode participar do grupo, independente de cor, crença ou opção sexual —, informa Robert.

MuDanÇas pRoFunDas Em alguns casos, há até mesmo a possibilidade de uma grande mudança na vida das pessoas. Não são poucos os participantes que atestam isso. Ana Luiza Miranda Correa, 20 anos, pioneira no Grupo Escoteiro Antônio Mourão Guimarães, conta que aprendeu a aceitar as diferenças dos outros, a ouvir, a respeitar, e a dar carinho para recebê-lo de volta. — Os escoteiros são verdadeiros irmãos, e só quem participa ou participou sabe o que é. Indico a todas as crianças o movimento escoteiro, principalmente nos dias de hoje, em que é tão difícil ter uma atividade ao ar livre, saudável e que prioriza o caráter do jovem —, afirma Ana Luiza. Uma das características do escotismo é desenvolver especialmente o trabalho em equipe. Todos abrem mão do orgulho e precisam esquecer o egoísmo. — Todos nós somos iguais. Traba-

lhamos e nos ajudamos da mesma forma. Em um grupo escoteiro, não existe MINHA equipe ou MEU grupo —, observa Robert Mendlovitz. Ele lembra que, no escotismo, as transformações são constantes e que todos passam por ela, inclusive os chefes e instrutores. — As atividades são muito variadas e sempre há alguma coisa a mais para se aprender; e é claro que também estudamos o escotismo em seu aspecto histórico e cultural. Todos nós sabemos quem foi o fundador do movimento e sua importância para o desenvolvimento dos jovens ingleses, numa época difícil para a Inglaterra —, afirma Ana Luiza.

o LiVRo Da sELVa Todo grupo tem suas tradições e costumes, bem como suas cores e sua bandeira. Observá-las é fundamental para que a filosofia do escotismo se preserve. No começo de toda reunião há o que se chama de “ferradura”. É quando se fazem as cerimônias de hasteamento (no começo) e arriamento (final) da bandeira. — Fazemos uma oração para o dia, para, então, começar a reunião propriamente dita —, revela Ana Luiza. Além disso, os ensinamentos são passados de forma a se adequarem à idade dos participantes. Cada ramo é retratado em um dos cenários do famoso “Livro da Selva” (The Jungle Book), de Rudyard Kipling, nos lembrando de situações e aprendizados vividos por Mogli, o menino-lobo. É a vida imitando a arte!


FOTOS RAQUEL DURÃES

A história e as

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“pétalas da promessa” Flor de Lis. Esta é a principal marca do escotismo, e a que aparece em todo o mundo. Mas, para distinguir uma nacionalidade da outra, geralmente, o emblema nacional de cada país é colocado junto à Flor de Lis. Entretanto, o motivo de tamanha popularidade dessa flor, que nem é nativa do Brasil, e ainda foi por muito tempo o símbolo da realeza francesa, ainda é desconhecido por muitos. Afinal, por que foi escolhida por pelo inglês Baden-Powell para ser o símbolo mundial do escotismo? É que, antigamente, a Flor de Lis era desenhada nas cartas náuticas para indicar o norte na Rosa dos Ventos. Nessas cartas, representava o sentido de direção, o motivo exato que Baden-Powell buscava para simbolizar o escotismo. Em tese, a flor simboliza fraternidade, deveres para com o próximo e união. Tanto que, para o lorde inglês, as pétalas representam as três vertentes da Promessa Escoteira: dever para com Deus (independente da crença), para com o próximo e para consigo mesmo. Nascido em Londres, 1857, Baden-Powell seguiu carreira militar, sendo, inclusive, o mais jovem general do exército britânico. Em 1907, já considerado herói nacional pelos ingleses, Powell realizou o primeiro acampamento escoteiro, na Ilha de Brownsea. No início de 1908, foi publicado o livro “Scouting for Boys” (Escotismo para Rapazes), que se tornou uma verdadeira febre entre a juventude da época, desencadeando um movimento que se expandiu e alcançou rapidamente todo o mundo.

"no escotismo há uma mudança comportamental constante para não haver acomodação," diz Robert Wágner, chefe dos escoteiros

coMo paRticipaR O jovem (ou responsável) deve entrar em contato com o grupo de preferência e se informar sobre como proceder. Geralmente, além do uniforme escoteiro, no decorrer das atividades são cobradas pequenas taxas de contribuição e de registro anual — este, no valor de R$ 50 para o seguro contra acidentes em atividades escoteiras. INFORMAÇÕES: www.escoteirosdobrasil.com.br ou geducas@gmail.com ou ainda com José Carlos Costa (9395-7902).


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PERFil

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MINAS para o MUNDO

De

Seguindo os passos de Marta, a rainha dos gramados, a mineira Vanessa Cristina também é a top mundial do futsal e sonha com a valorização desse esporte

JoÃo VitoR ciRiLo (2º pERÍoDo) Quando deu seus primeiros chutes na bola, aos cinco anos de idade, a mineira Vanessa Cristina Pereira, natural de Patos de Minas, não imaginava que um dia poderia se tornar a melhor jogadora de futsal do mundo. E muito menos que seria eleita por dois anos consecutivos. Vanessa foi escolhida em 2010 e 2011 pelo site Futsal Planet (www.futsalplanet.com) como a principal jogadora de seu esporte, recebendo o prêmio Umbro Futsal Awards. Hoje, aos 24 anos e longe de sua cidade natal, a ala segue dando show como o principal nome do Unochapecó / Nilo Tozzo / Aurora, equipe de Santa Catarina, atual tetracampeã da Liga Futsal feminina. Além disso, a craque, mesmo tão nova, já conseguiu atingir seu grande sonho de criança: representar a Seleção Brasileira. De origem humilde, Vanessa conheceu o futsal dentro da Escola Adelaide Maciel,

em Patos de Minas, onde morou por 14 anos. “Por meus pais trabalharem na escola como ajudantes de serviços gerais, tinham a chave de tudo, inclusive das quadras, onde ficavam as bolas. Sendo assim, toda parte da minha infância foi dentro da quadra”, conta. A influência de Antônio Eustáquio Pereira, seu pai, também ajudou a dar um empurrãozinho. “Meu pai trabalhava numa escolinha de futsal e, com isso, fui pegando o gosto pelo esporte. Acho que a paixão pelo futsal já veio no sangue”. Quando entrou na escolinha de seu pai, surgiram mais meninas querendo participar e assim foi montada a primeira equipe para a disputa dos Jogos da Juventude, uma espécie de Jogos Escolares de Patos de Minas. Aos 12 anos, ela entrou pela primeira vez em uma escolinha de futsal feminino, a WM, do professor Epitácio, de onde saíam da cidade para jogar na região. A partir desse momento, sua carreira embalou de vez.

FELiciDaDE no DRiBLE “Aos 17 anos, joguei os Jogos Escolares Estaduais, Em que o pessoal da equipe de Governador Valadares me viu; a partir daí, me chamaram para jogar para eles. Depois disso, minha carreira se resume em títulos nacionais e a saída para o sul, jogando primeiro em Caçador (SC) e depois na Unochapecó (SC), onde estou até hoje”, resume. A facilidade que a craque tem para driblar não vem de agora. Vanessa acostumou-se desde cedo a ludibriar alguns “adversários”. “Minhas aulas de Educação Física eram apenas jogando futsal. Saía de algumas para jogar. Minha família, de certa forma, sempre me apoiou. Minha mãe, Iolanda, um pouco menos. Não gostava que eu jogasse bola com os meninos e, às vezes, me batia para não sair pra jogar. Mas graças a Deus deu tudo certo e hoje sinto

que, de certa forma, sou um orgulho deles”. Ao contrário do que se pode imaginar, o futsal feminino não é um “primo pobre” do futebol feminino. Além de melhor organização da Confederação, a estrutura proporcionada pelo Chapecó possibilita a Vanessa e suas companheiras a dedicação integral ao esporte. Entretanto, ela vai além: “A faculdade é o que penso ser minha garantia para o futuro. Hoje, infelizmente, o futsal feminino não é algo duradouro. Pode acabar daqui a quatro anos, não sei. Com a possibilidade de conciliar o futsal e o estudo, garanto algo para o meu futuro. Mas, em algumas equipes, as atletas têm que trabalhar, não se dedicam apenas ao futsal”. Para que o futsal feminino caia de vez nas graças do torcedor, Vanessa sabe o que é necessário o apoio dos canais de televisão transmitindo jogos, falando mais sobre o

Liga FEMinina 2012 Na edição 2012 da Liga Futsal feminina, que começou no mês de setembro, Vanessa e as meninas do Unochapecó encerraram a primeira fase como líderes do grupo A e segundas colocadas no geral. Conseguiram a maior goleada da história da liga, um 16 a 0 sobre a equipe do Ciagym Maringá / Unifamma / Anglo. Nas quartas de final, eliminaram o Grêmio Osasco / ItaWag / Unip / DalPonte, com o placar agregado de 9 a 2 (8 a 1 em Osasco e 1 a 1 em Chapecó). Nas semifinais, o adversário será o São Caetano/Drumont/NS.

futsal feminino. “Você ver uma final, como foi a do Mundial, e ver pessoas comentando depois, já nota como isso pode ajudar a evoluir. Para mim e para qualquer uma que estava ali acho que foi marcante, pois tínhamos uma Sportv transmitindo o jogo, o que é um fato histórico para nós», fala a jogadora, que marcou dois gols que deram o bicampeonato Mundial ao Brasil, no fim de 2011. Quanto à possibilidade de seguir como melhor do mundo, Vanessa, que tem Vander Iacovino e Manoel Tobias como ídolos e exemplos dentro e fora das quadras, é bem modesta. “Não existe ninguém melhor do que ninguém; existe algo que uma jogadora possa ter que a diferencie da outra. Temos atletas de excelência em todo o mundo e elas estão em busca disso também.” Finalizando o papo, uma pergunta não poderia ficar de fora: O futsal deveria ser modalidade olímpica? “Com toda a certeza”, responde, sem hesitar.


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Vanessa cristina, esbanjando talento e mostrando ao mundo que futsal tambĂŠm ĂŠ esporte para mulheres

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SeGuIndo a reCeITa

ao PÉ da leTra... Antigamente, em quase todas as casas reinava o caderno de receitas. Hoje, alguns, escritos por avós e bisavós, reinam como verdadeiras relíquias, em um tempo em que o mercado editorial se mostra cada vez mais sofisticado e exclusivo pÂMELa Matos (2º pERÍoDo) Aquela imagem da velhinha contadora de histórias, sentada em um balanço tricotando ou à beira do fogão fazendo bolinhos de chuva não poderia ser mais clichê. Porém, essa imagem, fortemente consagrada pela personagem Dona Benta, a famosa avó do Pedrinho e da Narizinho do Sítio do Pica-pau Amarelo, ganhou novas interpretações no mundo do consumo. Entre massas de bolo e nome de restaurantes, a marca “Dona Benta” virou um referencial em gastronomia — nome e capa de livro —, ramo que cresce com números surpreendentes na atualidade. Em tempos de nouvelle cuisine, no entanto, as receitas tradicionais lutam para sobreviver. Nunca se comprou tanto livro de receita como agora. Um número grande de vendas impressiona pesquisadores e escritores deste mercado. As editoras Senac, por exemplo, superaram os 800 mil exemplares vendidos na área, apresentando um crescimento de 24% em 2011. Somente nos últimos cinco anos, as vendas do selo subiram 107%. A produção de títulos da área acompanhou essa evolução — foram lançados 33% mais livros, na comparação entre 2010 e 2011. Hoje, o segmento representa 11% das vendas do catálogo Senac Editoras e 20% dos lançamentos anuais. Para 2012, a expectativa é publicar 40% mais títulos do que nos anos anteriores.

Quebrando paradigmas “Ao incentivo da mídia, através dos realities shows”, afirma Gabriel Campos, livreiro de 29 anos. Para ele, que trabalha na Livraria Mineiriana, a mídia como veículo de comunicação tem um papel muito importante. Para Juliana Borges, funcionária da Livraria Leitura, a mídia ajuda, mas não recebe todos os créditos por isso. “Eu vejo um crescimento muito grande de homens na cozinha”, opina. O século XXI quebrou o paradigma de a mulher ser a única responsável pelos afazeres domésticos. Hoje, a inversão de papéis não é algo incomum, e os “donos de casa” são comumente notados em classes médias altas da sociedade. Aind a não tão acostumados ao preparo d e

massas e verduras, esses homens buscam nos livros uma mãozinha. “Os homens, que antes não participavam dessa rotina, estão aderindo à arte de cozinhar”, conclui Juliana. “Hoje, acho a situação tão normal que é como se ela sempre tivesse existido”, afirma Geraldo Florêncio, que aos 56 anos de idade, cuida da casa e da filha Luiza, para a esposa trabalhar. “Eu era segurança e, quando aposentei, virei o responsável pelos afazeres domésticos, enquanto minha esposa trabalhava”. Ao ser provocado quanto a ter sofrido algum tipo de preconceito, ele afirma que não. “Só a zoação dos amigos mesmo”. Geraldo diz que possui alguns livros de receita, mas que quase nunca os utiliza. Por isso, reconhece que sua comida não é muito boa. No entanto, Geraldo parece ser uma exceção à regra. A culinarista Helena Regina Seabra afirma que os homens não se prestam muito a fazer o que chama de trivial, o famoso arroz com feijão. “Isso ainda é tarefa das mulheres ou das empregadas domésticas”, afirma

Helena, lembrando que, pelo menos em casa, os homens vão à cozinha em momentos especiais. “Quando vão, vão para fazer pratos mais elaborados, que se valem de ingredientes mais exóticos ou sofisticados; tem homem que não sabe fazer angu ou sequer fritar um ovo, mas é capaz de receitas elaboradíssimas, usando ingredientes nobres e caros”, acredita Helena. Vale lembrar também que o mercado já identificou nos homens os principais consumidores de n o v i d a d e s g a s t ro n ô m i c a s e m supermercados e delikatessens. Tantos que produtos como molhos e temperos importados ocupam hoje o alto das gôndolas, bem ao alcance dos olhares e das mãos masculinas. “Há muitas mulheres que têm o diploma de chef de cuisine, o que é bem diferente de saber cozinhar, mas, nesse quesito elas ainda perdem para os homens, que são maioria e os mais respeitados na área, inclusive na televisão — de Claude Troisgros a Olivier Anquier, ambos com livros no mercado”, observa Helena Regina.


Concentração & amor Vale ressaltar que esta é uma vertente da culinária relativamente moderna. A dona de casa Eni Duarte, de 79 anos, afirma que não segue livros de receita e ainda se opõe aos mesmos. “Não considero esses livros importantes, por que seguindo a receita você fica presa nela, nas palavras, e perde toda a concentração e amor que devemos ter ao cozinhar para as pessoas que amamos.” A dona de casa Eliana Mendes, de 58 anos, filha de Eni, também não segue livros de receitas. “Fazer pratos muito incrementados não é comigo. Prefiro fazer comidas mais básicas. Até por que não tenho tempo pra isso”. Mas, apesar de não usá-los, não tem uma opinião tão radical quanto à mãe. “Se você quiser um maior aprimoramento na cozinha, acho que os livros podem ajudar”, reconhece. Mas conta, com certo orgulho, que ela mesma faz suas próprias receitas e medidas. “Aprendi a cozinhar com oito anos, minha mãe ensinou a mim e as minhas irmãs pela necessidade. Somos nove

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filhos e eu sou a terceira mais velha; ela e meu pai precisavam trabalhar e eu minha irmã olhávamos nossos irmãos. Com tantos anos de cozinha fui aprendendo a lidar com quantidades e sabores, então, hoje eu sigo só o instinto que a prática na cozinha meu deu, para elaborar minhas receitas, principalmente quando vou cozinhar para os meus filhos e netos. Modéstia a parte, ninguém faz uma omelete igual a minha”, conta Eliana, que apesar de tudo isso não gosta muito de cozinhar. “Tenho preguiça!”. Em contrapartida, a filha de Eliana, Estefânia Mendes, de 35 anos, adora os livros de receita. “Faço coleção!”. Ela afirma que ama cozinhar, mas que é bem exigente na hora da elaboração dos pratos. “Odeio o básico. Gosto de fazer coisas trabalhosas, de passar horas na cozinha preparando a refeição das minhas filhas, e quando elas gostam, pra mim, não há satisfação maior”, conta Estefânia, que ao contrário da mãe, considera a cozinha a melhor parte de ser dona de casa.

Jovens na cozinha Pedro Grossi, 19 anos, estudante de Gastronomia na Univali – Santa Catarina, sempre gostou de cozinhar e quando teve idade pra decidir o que queria da vida, não teve dúvidas. “Desde cedo comecei a cozinhar, mas não tinha uma visão da área da gastronomia. Desde os 12 anos que eu ficava dentro da cozinha do Buffet da minha avó. Com 14 anos, vi que poderia ser uma profissão, pesquisei mais e amei”. Pedro não acredita em preconceito, ele é até mesmo incisivo em afirmar que não. “Meus pais sempre me apoiaram”. A respeito dos livros ele acha a utilização válida. “É bom porque você aprende mais. São publicações testadas por chefes e aprovadas por pessoas especializadas no assunto, além disso, dão uma ajuda na elaboração de pratos, e ainda tiram dúvidas”.

Depois do curso, Pedro sonha em viajar pelo mundo e descobrir novos sabores e culturas. “Meu maior sonho é ser reconhecido pelo meu trabalho, fazer as pessoas se apaixonarem pela gastronomia e seu mundo de aromas e sabores”. Quem gosta de cozinhar e quer aprimorar seu repertório, seja por hobby, dinheiro ou para surpreender seu amor, os livros mais vendidos são “Dona Benta” — este, recentemente em oferta numa grande loja de departamentos — “30 M i n u t o s e Pronto”. Mergulhe nesse mundo de sabores e delicie-se!

Gastronomia na estante Alguns livros destinados ao segmento gastronômico estão — quem diria! — na lista dos Best Sellers em quase todo o Brasil. Da “Pizza do Faustão” (de Massimo Ferrari, a R$ 37,90) a “As melhores receitas de Que Marravilha” (de Claude Troisgros, a R$ 39,90), passando por “30 minutos e pronto” (de Jamie Oliver, a R$ 69,90) — todos da Editora Globo. Mas há mais: “Clássicos da Literatura Culinária: os mais importantes livros da História da Gastronomia” (Rudolf Treizer, a R$ 69) e “Viagem Gastronômica através do Brasil” (de Caloca Fernandes, a R$ 119) são dois bons exemplos. Nesse festival, não dá deixar de lado “30 maneiras criativas de variar o arroz”, de Izildinha Fernandes, nas melhores bancas de revista, a módicos R$ 2.


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a “força” do

EMPREENDEDoRiSMo

feIJão TroPeIro

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tHais VEntuRatto (4º pERÍoDo) O nome da rua é Catumbi, mas pelo menos em um quarteirão, o nome bem que poderia ser outro: Rua do Tropeiro. Por volta das seis da tarde, o cheiro já está no ar. Alho, cebola, torresmo,

linguiça, couve, bacon, ovo e, claro, feijão. São três minivans, todas licenciadas pela fiscalização sanitária, que conferiram um novo atrativo ao quarteirão, que fica em frente ao número 800 da Unidade Carlos Luz da Newton Paiva. Segundo seu público-alvo, os estudantes, sem

Com bons ingredientes e se a receita não desandar, um tropeirão mostra que pode fazer milagres...

a menor dúvida trata-se de um verdadeiro polo gastronômico. Mas, mais do que isso, é quando o popular tropeirão, quando bem feito, mostra sua força ao transformar ambulantes em prósperos microempresários. Não é por nada que o empreendedorismo no Brasil

está superaquecido. Desde 2009, o país ganhou mais de dois milhões de novos empreendedores. O que gera mais de 32 bilhões para a economia do país. E dentro deste grupo está a dona do mais famoso tropeiro do pedaço, Conceição Pascoal. Ela vendia feijão tropeiro, na porta

da faculdade, em uma caixa de isopor. E hoje, graças ao bom momento da economia do país, teve a oportunidade de abrir sua microempresa e tornou-se empreendedora individual. Tino comercial? Sim, mas também porque seu tropeiro sempre foi muito bom!

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Temperado com simpatia Conceição, durante um bom tempo, vendia seu produto em uma caixa de isopor e fazia muito sucesso. Além disso, sempre soube vender seu peixe, aliás, tropeiro, temperado com muita simpatia e gentileza. Tanto que ficou íntima da clientela, que a chama carinhosamente de Ceição. No início deste ano, ela teve a oportunidade de comprar

seu carro de lanches. Juntamente com seu s ó c i o Ti a g o To r re s , q u e estava guardando dinheiro há algum tempo, e pretendia aplicá-lo, só não sabia como. Foi aí que surgiu a ideia. Vizinho de Conceição, Tiago já conhecia seu famoso feijão tropeiro. “Eu moro em frente à Conceição, e todos comentavam sobre seu delicioso feijão

tropeiro. Eu sabia que se colocasse o capital com o produto de qualidade não teria como dar errado”, afirma Tiago. Com seu jeitinho mineiro, Conceição, que se diz tímida, não faz segredo da receita do feijão tropeiro: “É feijão com pouco caldo, farinha de mandioca, ling u i ç a , t o r re s m o , o v o e couve”. Ela sempre gostou

de cozinhar, e diz que, com o tempo, foi aperfeiçoando seus truques culinários. Porém, conta que o verdadeiro segredo do sucesso é o amor que dedica ao prato, na hora de cozinhar. “Quando vou produzir meus pratos, penso sempre que estou fazendo um almoço de família, assim não tem como dar errado,” conta Conceição, com a modéstia de sempre.

O ouro das Gerais Para muitos, o feijão tropeiro é um dos mais tradicionais pratos da cozinha mineira, ao lado do tutu, da canjiquinha, do jiló com quiabo e do frango com quiabo e angu. Diz a lenda que o nome vem das tropas a cavalo ou em lombo de

burros, que cortavam as trilhas e picadas de Minas desde o período colonial. Dava-se aos homens que comandavam essas tropas, o nome de “tropeiros”. O prato básico no cardápio desses homens se compunha de feijão misturado

com farinha de mandioca, torresmo, linguiça, ovos, couve e vários temperos, como a pimenta malagueta e, em alguns casos, a rara p i m e n t a d e m a c a c o, d a região de Cordisburgo. Para que chegasse à mesa das fazendas, foi um

pulo. Hoje, o feijão tropeiro é servido em restaurantes chiques, está no cardápio dos hotéis de luxo, ganhou prêmios em festivais internacionais de gastronomia e é, sem dúvida, o prato mais famoso da culinária mineira. O verdadeiro ouro das Minas Gerais!

RATTO

THAÍS VENTU

dedo n e e r p m e a r a Receita p

r

é tropeiro. E ia do feijão d m u a e 0 d ,5 er 4 de R$ o não p sai ao preço Bianca Mel e te u q an , u d co tu “E is es e. et A a do p e tomat que não enjo da de alface er la iz sa d e eu , z ao so ro ca saboro enfáti anhado de ar o está mais . vem acomp ijão da Ceiçã fe o cumbuca e não resisto” ia d e a u d que ca nfesso q ão co ss as re e p m u , q im ar a a rd nfess tenho ra não engo gime, mas co ão comer p alismo, faz re rn jo e até tento n d te an antos, estud ro Diego dos S ra, que é mag do sério. ra ti o o çã enrique Mei ei H C a as go d ia m ro h s, ei T o trop dante os os dia também estu m aulas tod o te a ão ar on p tr go m om ia u B “bater oite. Th ade só para erde uma n ld p cu a ão n fa en à so el r is H vi oras e por stuma igas e torced não tem, co am o d s, te an n u an co q d e o u tu mesm na — q ue as es tra, atletica ma forma q ou es ; m o se a d D o en . ir e o” u ze peirã hor q uma cru daqui é mel ia Garcia — “o tropeiro a: is Duque e Mar co a m o menos nu al cordam pel or individu empreended m u il, e . u m o” q 0 rã 6 ca ei Min expli tal de R$ léria Falcão daria um to e u 0. q ,1 o 6 3 — $ A gestora Va as R por mês ixos, são apen ba até R$ 5 mil o e sã ar u h o q n a çã ga ri ar p e pod a a insc BRAE itura e o SE os custos par fe E . re a te p ar a p en r a m ra ic al d anu a boa e procu Valéria. Um , a pessoa dev ta n te ie en or ” lm a, ia ic “In lação a nad us negócios. vidas com re expandir se er u não haja dú q e al dedor inform quem é ven

Conceição Pascoal, Tiago Torres e o feijão tropeiro. União perfeita.


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Política

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Qual a função de um

vereador? Ele deve cumprir um papel que não é totalmente esclarecido para o eleitor, que por isso, muitas vezes não entende a importância do cargo. E do voto.


JoÃo MaRcELo DRuMonD 2º pERÍoDo Os meses que antecederam as últimas eleições municipais foram marcados, principalmente, pelo exotismo com que muitos vereadores se fizeram anunciar para os eleitores. Como se a Câmara fosse um circo, de Tião do Peixe a Zé do Açougue, passando pelo Neco da Ambulância a Teka do DVD Pirata, muito do que se viu só fez com que o verdadeiro papel do vereador continuasse um enigma para a maioria dos eleitores. Afinal, qual é a verdadeira função do vereador? O festival de exotismo que assombrou o país nos últimos dias só fez aumentar a confusão. E faz também com que muita gente não perceba a importância do trabalho do vereador e do funcionamento da Câmara dos Vereadores — ou Câmara Municipal. Mais do que meramente criar projetos de leis e

fiscalizar ações da prefeitura, os vereadores são os políticos que acompanham o dia a dia das comunidades, que representam os cidadãos de seu município. Cada vereador representa uma parcela da população.

ELEitoR DEscREntE O candidato vinculado ao Partido Trabalhista do Brasil (PT do B), Nelson Furtado, reconhece que o eleitor está cada vez mais descrente da política e acredita que todas as propostas dos vereadores deveriam estar relacionadas à educação. “Meu principal plano será voltado para a educação, pois é a raiz da construção do cidadão brasileiro e deve ser investida com força’’, argumenta o candidato. A também candidata a vereadora Mariah Mello, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), afirma que, para se ter uma política democrática e um

país do futuro, é necessário atender a todos os requisitos para isso. “A função do vereador é legislar para a sociedade, mas, infelizmente, esse papel não está sendo feito. O eleitor deve cobrar isso das autoridades para que seja realizado um bom trabalho’’, sugere a candidata.

HoRa DE EXigiR Mais Apesar do folclore que transformou os programas do Horário Eleitoral Gratuito numa comédia sem precedentes, para o professor universitário e cientista político Rodney de Souza Pereira, “o eleitorado tem melhorado bastante”. Ou seja, em sua opinião, a cobrança aos prefeitos e vereadores tem sido, apesar de tudo, mais exigente e rígida. “A nossa jovem democracia já tem duas décadas, mas ainda há muito por fazer, é necessário cobrar mais; para isso os eleitores têm que ser organizar

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Para se candidatar, o postulante precisa ter nacionalidade brasileira (pode até ser estrangeiro, mas tem que ser naturalizado); estar filiado a algum partido político; ter idade mínima de 18 anos; possuir domicílio eleitoral no município pelo qual concorre ao cargo; ter pleno exercício dos direitos políticos, o que significa ter ficha limpa. Não se exige escolaridade relevante de nenhum candidato. Os vereadores são eleitos juntamente com o prefeito e são eles que dão posse ao prefeito e ao vice. É função deles discutir as questões locais e fiscalizar as ações do Executivo Municipal, ou seja, do prefeito e dos secretários, tanto no que se relaciona à administração quanto aos gastos do orçamento. Em tese, eles deveriam trabalhar em função da melhoria da qualidade de vida da população a que representam. Por sua vez, o prefeito, sob a fiscalização da Câmara, deve cumprir a Lei Orgânica, que é a Constituição Municipal.

melhor para exigir um bom mandato dos seus vereadores’’ — argumenta o cientista político. Mas, segundo Rodney, ao votar, o eleitor tem mais do que uma obrigação: “tem responsabilidade quanto ao futuro de sua cidade”.

a ciDaDE E suas REDEs Quem pode ser vereador? Os vereadores são eleitos através do voto direto, e seu mandato (ou legislatura) tem duração de quatro anos. Ao contrário de prefeitos, governadores e presidentes, sua reeleição é ilimitada, o que explica porque alguns vereadores permanecem por décadas na Câmara. O número de membros desse cargo político se estabelece por meio do contingente populacional de cada município — quanto mais habitantes, mais vereadores. No entanto, foi estabelecido um número mínimo de nove e um máximo de 55 vereadores por município.

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LOBATO

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litERatURa

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De repente, uma obra que tem reconhecimento mundial, cai na ira dos radicais, que querem redesenhar um novo perfil para Monteiro Lobato... O massacre já atinge também outros autores.

RACISTA? RaQuEL DuRÃEs (2º pERÍoDo) Desde 2010, um dos livros mais cultuados do célebre escritor brasileiro — “As Caçadas de Pedrinho” (de 1933) — enfrenta um dilema que pode comprometer sua distribuição nas escolas públicas do país, por, supostamente, apresentar contéudos racistas. Por exemplo, em um dos trechos do livro, Emília, a boneca de pano, que para muitos é o alter ego do escritor, compara a cozinheira Tia Nastácia à uma “macaca de carvão”. O caso aponta uma questão ainda mais delicada. Onde está a liberdade de expressão em tudo isso? Se considerarmos a quantidade de autores que abordam questões raciais, sexuais, e demais assuntos provocadores de conflitos, teríamos de revisar tudo o que entemos por literatura até então. Sem contar que, além de livros, estes itens estão presentes em novelas, sites, e

outros produtos midiáticos a que qualquer um têm acesso, independente do seu conteúdo. A discussão está apenas começando e já envolve a obra de outros autores.

LiBERDaDE pRoBLEMatiZaDa “Liberdade de expressão deve vir acompanhada do princípio da responsabilidade argumentativa”, afirma Marcos Fabrício Silva, que, além de jornalista, é doutorando em Literatura Brasileira (UFMG). Para ele, “a veiculação do livro de Lobato, dado o contexto contemporâneo de respeito à diversidade brasileira, deve ser problematizada. A crítica literária tem o imperativo ético de remediar este mal, promovendo, por exemplo, a inserção de notas e artigos explicativos que possam demonstrar os equívocos cometidos pelo autor na contemplação do povo negro em sua obra”.

Por outro lado, Carlos M a g a l h ã e s , p ro f e s s o r d e Comunicação e Cultura no Centro Universitário Newton Paiva, acredita “que exista um forte conteúdo racista, não apenas em expressões e frases isoladas, mas no sentido geral da obra. Tia Nastácia é colocada em uma hierarquia em que está posicionada abaixo de animais e outros seres, como bonecos de pano e sabugos de milho”. Carlos completa dizendo que, “no final das contas, penso que uma nota contextualizando o racismo presente no livro não é suficiente para que o livro possa ser utilizado em classes de ensino fundamental”.

pERgunta sEM REsposta Diante de opiniões que enfatizam o possível racismo de Lobato, Eduardo Eustáquio Chaves Júnior, 40, jornalista, revela sua opinião como leitor.

“É preciso ressaltar que toda a obra de L obato, inclusive ‘Caçadas de Pedrinho’, foi produzida entre os anos 20 e 40 do século passado, período em que a sociedade de então não tinha a consciência que tem hoje, por exemplo, em relação às práticas de racismo”. “Lobato, ao escrever e atribuir certas características à Tia Nastácia, não estaria justamente tentando provocar um debate sobre a intolerância racial? É uma pergunta sem resposta”, provoca Eduardo. Seguindo essa lógica, Adélio Gonçalves Brito, professor de Publicidade e Propaganda da PUC-SP, criou uma página no Facebook, a fim de questionar o tema. Segundo ele, a página não tem nenhuma pretensão de ser a representante de um movimento. “Na verdade, minha intenção é mostrar que não são poucas as pessoas que se revoltam com a ideia dos textos de Monteiro Lobato terem cunho racista”, justifica. Além disso, “as pessoas que encabeçam

essas ações, pinçam trechos da obra e os interpretam de acordo com a sua conveniência, deixando de lado fatores como, por exemplo, o contexto social da época”, diz Adélio. Esse contexto social da época é justamente o que a empresária Daniela Machado de Paiva, que tem os livros de Lobato como seus favoritos, levanta como argumento em favor do escritor. “Ele escreveu num tempo em que as empregadas, como a Tia Nastácia, tinham acabado de sair da senzala; se pintasse um outro perfil dela, e da forma como era tratada, seria uma coisa falsa”, defende Daniela. O livro “Caçadas de Pedrinho” foi retirado da escola em que estudam seus filhos Pedro e Fernando, de oito e dez anos, mas os menbinos leram o livro em casa. “Leram e discutimos o que estava no livro; não é proibindo a obra de um escritor tão genial que se vai acabar com o racismo no Brasil”, afirma Daniela.


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iDEoLogia “Dos inFERnos” Um livro traz pensamentos e sentimentos tão profundos, que possuem enorme influência em seus leitores, quer eles aceitem ou não. A leitura desenvolve o senso crítico que nossa sociedade tanto precisa. Entretanto, já dizia o velho ditado popular, “o diabo mora nos detalhes”, nas entrelinhas, e nas opiniões escritas sutilmente. ”Sendo ficção ou não, um livro traz consigo um conjunto de ideias; as ideologias apuradas e refinadas são benéficas para a formação do leitor e ampliam seus norteadores de percepção sobre o mundo”,

justifica Marcos Fabrício. Entretanto, ele reconhece o outro lado da moeda — “Há também, outro tipo de ideologia que merece atenção crítica, refiro-me aos estereótipos que impedem a expressão da alteridade, alimentando, assim, estigmas e preconceitos”.

soLuÇÃo sEM cEnsuRa Suponhamos que exemplares de “Caçadas de Pedrinho” tenham sua distribuição realmente vetada nas escolas públicas. Será mesmo que tal medida resolveria o caso? “Não penso que vamos resolver o problema do racismo e de outros preconceitos sim-

p l e s m e n t e p ro i b i n d o s u a exposição em um livro. Prefiro a livre discussão das ideias à proibição de sua circulação”, afirma Carlos. Porém, Marcos Fabrício, não encara a discussão da mesma forma. Para ele, “em respeito à diversidade formadora da sociedade brasileira, em especial à comunidade negra, não cabe ao MEC investir em obras de conteúdo discriminatório, a exemplo de ‘Caçadas de Pedrinho’. Em sua opinião, “há quadros literários mais competentes e autores mais qualificados na abordagem da temática negra que mereceriam maior atenção da promoção governamental”.

outRos VEtaDos Há aproximadamente quatro anos, outros livros também sofreram censura em diversos estados do país, por conteúdo sexual, violência e palavreado impróprio, especialmente para crianças. Em 2009, a Secretaria de Educação de São Paulo determinou o recolhimento, nas escolas estaduais, da coletânea “Dez na Área, Um na banheira, e Ninguém no Gol”, organizada por Orlando Pedroso, reunindo diversos autores; em 2012, “Violetas e Pavões”, de ninguém menos que Dalton Trevisan, também foi banido das listas dos vestibulares devido a protestos de pais e religiosos, por “conteúdo inade-

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quado” para os estudantes. “O próximo livro a entrar na lista pode ser a Bíblia, pois fala em ‘Sodoma e Gomorra’, o que deve ser péssimo para a formação da inocente juventude brasileira”, afirma Daniela. Mas vale lembrar que, seja qual for a natureza das ideias, mais uma vez retornamos ao início da conversa: “Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão” (Artigo 19.º, Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948), mas cuidado!

“Como escrever sem se expressar? Liberdade de expressão deve vir acompanhada do princípio da responsabilidade argumentativa” – Marcos Fabrício Silva. IMAGENS CEDIDAS PELO SITE LOBATO.GLOBO.COM


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REliGiÃo

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RaFaEL MaRtins (2º pERÍoDo) A fé dos romeiros que, todo ano, se dirigem à cidade de Aparecida do Norte é demonstrada de diversas formas. Há os que vão a pé, a cavalo... Há os que, de joelhos, pagam suas promessas. Muitos tentam fazer, pelas rodovias e trilhas, uma recriação nacional do famoso Caminho de São Tiago, na Espanha. Peregrinos chegam de todo o Brasil, movidos por uma fé que parece remover mais do que montanhas. Há o desconforto da viagem, das distâncias, mas tudo isso é nada quando se chega ao santuário e a emoção fala mais alto, na hora do encontra com a imagem da Senhora de Aparecida. Dona Raimunda é de Belo Horizonte e, há 24 anos, organiza caravanas para Aparecida do Norte. E nem pensa em parar. Cada viagem, uma emoção diferente. Desta vez, reuniu 184 pessoas, que foram distribuídas em quatro ônibus, que saíram diretamente do bairro Goiânia, na região Nordeste de Belo Horizonte, quase na divisa com o município de Sabará. A viagem é longa e fria: são oito horas, com duas paradas apenas. Por dois

“IlumIna a mIna eSCura, o Trem da mInHa vIda...” A cidade de Aparecida do Norte recebe 10 milhões de turistas por ano, em uma emocionante viagem

dias, cada romeiro paga R$ 300 que dão direito a transporte, hospedagem e três refeições. Tanto tempo de prática deu a dona Raimunda, além de traquejo, bons contatos e muita segurança para planejar as viagens. Há dois anos, por exemplo, ela hospeda seus romeiros n o H o t e l Fo r t a l e z a , m a s a reserva é feita um ano antes e confirmada quando faltam dois meses, já com a lista completa dos peregrinos. Por isso, ela é considerada pelo gerente do hotel, Paulo Azevedo, como uma cliente especial. E tem que ser assim, pois a cidade recebe, anualmente, mais de dez milhões de turistas.

saLa Das pRoMEssas Para receber os turistas, Aparecida do Norte conta com uma infraestrutura que impressiona. São hotéis, restaurantes, lanchonetes, lojas que vendem souvenires, roupas, brinquedos e, é claro, artigos religiosos. A alta temporada vai de agosto a novembro, aproveitando-se o dia especial dedicado a Nossa Senhora, que é 12 de outubro. Aline Martins, acompa-

nhada do pai, Ebson, e da tia Denise, foi pela primeira vez. Aline ficou impressionada com tudo e aproveitou para fotografar a Basílica, o Jardim Norte e a “sala das promessas”. — As paredes são todas revestidas com fotos de pessoas desconhecidas e de gente famosa e ilustre, que ali deixaram suas mensagens — diz Aline, referindo-se aos ex-votos. São fotos e também objetos, entre os quais se incluem até mesmo camisas de times de futebol, que, de alguma forma, representam o reconhecimento dos romeiros por alguma graça alcançada. As histórias se confundem e se irmanam nesse encontro de fé, em que todos se sentem, de repente, solidários e amigos para compartilhar histórias. Algumas tristes; outras, não. Dona Janete veio de Ribeirão Preto e, na “Sala das Velas”, pedia pela saúde do neto e proteção para toda a família. Ao acender a vela, rezava pela paz, “pois há tantas pessoas más no mundo, que só as bênçãos de Nossa Senhora podem nos ajudar a ficar em paz”. Não muito longe dali, Sérgio Dias, um idoso senhor, se movia de joelhos, em direção à

basílica. O peregrino pagava uma promessa por causa da filha. — Ela não andava, ficava paralisada e não tinha remédio que curasse. Só melhorou depois que eu vim aqui e pedi a Nossa Senhora; hoje, ela não tem mais nada. Não é por nada que o encontro com a imagem de Nossa Senhora é definido pelos romeiros como um momento mágico. As pessoas choram, se ajoelham, fazem promessas e agradecem pelas graças recebidas. De manhã, quando coincidem com o horário das missas, as filas são enormes e exigem muita paciência. Mas quem vai não se arrepende. E não arreda o pé. A determinação para que a data da padroeira fosse comemorada a cada dia 12 de outubro foi tomada em 1953, em uma reunião da Confederação dos Bispos do Brasil (CNBB). Até então, não havia uma data fixa para a comemoração.

uMa HistÓRia DE Fé A história de Nossa Senhora Aparecida tem início quando da passagem do Conde de Assumar, Don Pedro de Almeida, governa-

dor da Província de São Paulo e Minas Gerais, pela Vila de Guaratinguetá, a caminho de Vila Rica (Ouro Preto). Os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves foram obrigados a pescar no rio Paraíba, a fim de que se preparasse um banquete para o conde. Depois de muitas tentativas sem sucesso, os pescadores, por fim lançaram as redes e apanharam o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, mas sem a cabeça. Lançada mais uma vez, a rede apanhou a cabeça da mesma imagem. Daí em diante, a pescaria foi um sucesso. Durante 15 anos seguidos, a imagem ficou com a família de Felipe Pedroso, que a levou para casa, onde as pessoas da vizinhança se reuniam para rezar. No ano de 1894, chegaram à localidade padres e irmãos da Congregação dos Missionários Redentoristas, para trabalhar no atendimento aos romeiros que, aos milhares, acorriam aos pés da imagem para rezar à Senhora "Aparecida" das águas. O nome original, cunhado pela Igreja Católica é Nossa Senhora da Conceição Aparecida, mas a cultura popular impôs Nossa Senhora


FOTOS RAFAEL MARTINS

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Janete acende velas em sinal de fé

seu sérgio agradece de joelhos suas bençãos

Pequeno ro t

eiro

•Aparecid a do Norte é um munic de Guarati ípio da mic nguetá, no rorregião V ale do Para tal de São P íba, a 168 k aulo. Sua p m da capio p ulação, em era de 35.5 2004 (últim 77 habitan o censo) te s. •A 8 de sete mbro de 19 04 , a Imagem da Conceiç de Nossa S ão Apareci enhora da foi coroa bispo D. Jo da, solenem sé Camarg e n te o , pelo B arros. • No dia 29 de Abril de 19 08, a igreja Basílica M recebeu o tí enor. tulo de •Vinte ano s depois, a 17 d e dezembro se formara de 1928, a vi ao redor d la que a igreja no Coqueiros alto do Mo tornou-se M rr o u dos n icípio. •Em 1929, nossa Sen h o ra oficial do B foi proclam rasil, do Pa ada padro pa Pio XI. eira •Em 1984, a Conferên ci a N acional dos (CNBB) de Bispos do B clarou ofici almente a B rasil S a n tu á ri o asílica de A N a c io n a l; p a re ci "m da: a io r S a n tu á mundo". ri o M a ri a n o do •Hoje, a ba sílica está si tu a da em uma em que o tu cidade pró rismo relig spera, ioso se faz economia, com segura como era d n ça , cuja e se esperar, gir atividades religiosa, co a em torno m das in tenso comé •Em Apare rcio. cida do Nort e , n ã lica (Basíli o deixe de ve ca Velha); r: Matriz B Basílica No asís im o; C a p va; Capela e la d a R e s do Santíss u rr e Morro do P iç ã o; M o rr resépio; Po o d o C ru z e ir o; rto do Igua sas; Relógio çu; Sala da das Flores; s PromesJ a rd -se belíssim im Norte. D os morros te a vista da S erra da Ma mntiqueira.


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o lInCe SaI em BuSCa do

PaSTel

PerfeITo

O pastel, da forma como conhecemos hoje, é considerada uma iguaria tipicamente brasileira, sendo derivado — acredite se quiser — do tradicional rolinho primavera da culinária chinesa. Criado pelos imigrantes que tiveram de adaptar matérias primas disponíveis no Brasil para fazer suas receitas, tem sua autoria disputada também pelos italianos e, em algumas regiões, até pelos portugueses. Seja como for, a popularização do pastel na cultura do brasileiro, veio por meio das mãos dos imigrantes japoneses que, por ocasião da II Guerra Mundial, vieram a abrir diversas pastelarias no intuito de se passarem por imigrantes chineses, livrando-se dessa forma, da discriminação que havia na época, contra a aliança entre alemães, italianos e japoneses. Os princípios de manipulação e processamento de alimentos da culinária japonesa, foram introduzidos nas pastelarias que, ao final, tornaram-se um grande negócio dentro da colônia, ao mesmo tempo em que os pastéis ganhavam o gosto popular, por serem produtos saborosos, de rápido consumo e principalmente baratos. Em culinária, chama-se pastel a uma forma de preparar alimentos utilizando massa de farinha a que se dá a forma de uma caixa ou envelope, que se recheia e depois se frita ou assa no forno. Em bom português, recomenda-se consumi-lo, de preferência, com caldo de cana bem gelado. Bom apetite!

FOTOS BRUNO MENEZES

Historia do Pastel


Outubro/2012

JoÃo gaBRiEL DE sousa (2º pERÍoDo) E BRuno MEnEZEs (6º pERÍoDo)

“uM pouco Mais DE REcHEio”

Farinha, água, óleo, sal e recheio a gosto. Esses são os principais ingredientes para se fazer o tradicional pastel comercializado no Brasil. Reza a lenda que teria sido criado por imigrantes chineses, mas, no caldeirão multicultural do país, o pastel foi ganhando identidade própria e, hoje, é um legítimo cidadão brasileiro. O de carne, principalmente, talvez seja o petisco alimento mais democrático — e barato! — de se comer na região central de Belo Horizonte. Uma opção de que conquista pessoas de todas as idades e classes sociais. Engana-se quem acha que na terra do pão de queijo isso seria diferente. A reportagem do LINCE passeou pelas ruas do centro de Belo Horizonte em busca do pastel perfeito. Entramos, acompanhamos a preparação, batemos um papo com quem entende do assunto e — é claro! — experimentamos pastéis em três das pastelarias mais famosas do centro: Pastelaria Ouvidor, Pastelassi e A Pastelândia.

Com 47 anos de existência, a Pastelaria Ouvidor é bem movimentada e uma boa opção para quem passa pela tradicional Galeria do Ouvidor. O acesso mais rápido se dá pela Rua São Paulo — a pastelaria fica logo depois da entrada. O lugar não é tão grande nem há cadeiras para se sentar, tudo é servido e apreciado ali mesmo, no balcão. A unidade do pastel é vendida a R$ 0,90 e são cinco opções: carne, queijo, frango, palmito e banana. O estabelecimento é bem limpo, mas o calor é o principal ponto negativo. Os ventiladores instalados não dão conta de espantar a sensação de estar em pleno Saara, mas os funcionários são bem atenciosos e o pastel, bem, o pastel... “Bom, acho que em todo o centro os pastéis deveriam ser mais caprichados, com mais recheio. Tem muitas lojas que acham que o tamanho do pastel é o principal, mas se esquecem de que um pouquinho a mais de recheio não faria mal — mas é gostoso”, resume o garçom Paulo César. Curvando-se para pegar outro pastel, ele afiança que se o

pastel tivesse mais recheio, “viria todo dia”. Paulo César está certo. Poderia haver mais recheio e, em nossa opinião, um pouco mais de tempero. Mas a massa é muito boa e o pastel não é gorduroso. E tem mais: quem comprar quatro pastéis irá pagar a bagatela de R$ 3,50. A Pastelaria Ouvidor ficou em terceiro lugar em nosso ranking.

noViDaDE napoLitana Na Rua dos Tupinambás, entre a Avenida Paraná e a Rua dos Guaranis, está a Pastelássi. Pastelaria tradicional, já com 16 anos de história e funcionários que trabalham lá desde a criação do estabelecimento. A casa possui mesas para quatro pessoas e tem cinco opções de sabores: carne, queijo, frango, banana e napolitano (que em alguns lugares é conhecido também como “pastel de pizza”). Este último é apresentado como uma novidade da casa. A gerente Natália Bernardes, filha dos donos da pastelaria e formada em psicologia, fala sobre o novo sabor. “A novidade agora é o pastel Napolitano, que tem feito

a pastELÂnDia

Pastel - Carne, Queijo, Banana - VALOR: R$ 0,90. Promoção: 10 pastéis – Carne, Queijo, Banana - VALOR: R$ 8,50

pastELássi

Pastel - Carne, Queijo,Frango, Pizza e Banana - VALOR: R$ 0,80 Promoção: 3 pasteis + 1 refresco - VALOR: R$ 3,30

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muito sucesso, mas o de carne ainda é a preferência nacional”, reconhece. “Temos nossos clientes fiéis, tem gente que vem aqui desde que abrimos”, explica Natália. A pastelaria é bem limpa, os funcionários ficam uniformizados e usam a proteção para cabelos (aquela rede que evita que o cabelo do funcionário caia sobre a comida). O pastel é um pouco gorduroso, mas o tempero do recheio é, segundo nossa avaliação, “maravilhoso”. Dentre as pastelarias avaliadas, a Pastelassi é a única a ter uma máquina de casquinha de sorvete na porta, o que pode fazer diferença em dias quentes. A pastelaria tem o pastel mais barato entre as pesquisadas, R$ 0,80 e ficou em segundo lugar em nosso ranking.

tuDo EM FaMÍLia Mais adiante, ainda na Rua dos Tupinambás, entre a Avenida Paraná e a Rua Curitiba está a pastelaria campeã. Que rufem os tambores! Para o primeiro lugar no ranking da pastelaria com o melhor pastel da região central de Belo Horizonte, a equipe do Lince elegeu A Pastelândia.

Lar do bom atendimento e do melhor pastel do centro da capital mineira, A Pastelândia tem 48 anos de história e muitos clientes fiéis. No caixa, uma senhora morena, com os cabelos presos, tímida na hora de falar seu nome, mas simpática quando é para ajudar nossa reportagem, atendia os clientes como se fossem amigos. Com muita pressa, mas orgulhoso de seu negócio, o dono da pastelaria, Gilberto Lara, conta como foi o início do empreendimento. “Um dos meus irmãos mais velhos fundou em 1964, a primeira pastelaria, ainda na Galeria do Ouvidor. O tempo foi passando, até que fomos expandindo o negócio e abrimos outras lojas. Hoje em dia, toda loja que tem o nome ‘A Pastelândia’ é da mesma firma, porém de primo, sobrinho, e outros familiares — no total, temos 14 lojas espalhadas pela cidade”. Apesar da pouca variedade de sabores — carne, queijo e banana — o pastel do empresário Gilberto Lara não é gorduroso, o recheio é bem temperado e a massa crocante. Vendido a R$ 0,90 a unidade, é uma ótima pedida para quem anda pelo centro e quer fazer um

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Para quem gosta, o centro de Belo Horizonte é um verdadeiro paraíso; foi lá que os repórteres famintos do Lince testaram pastéis em algumas das lanchonetes mais populares.


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VERSUS dsadas

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Os brinquedos artesanais estão voltando à moda e — quem diria! — já competem com os brinquedos eletrônicos. suELi aZEVEDo (2º pERÍoDo) Com o passar do tempo, os brinquedos também foram evoluindo. E com isto, foram esquecidos os jogos e as brincadeiras antigas, Quem se lembra de pular corda, rodar peão, dos carrinhos de rolimã e das brincadeiras de roda? Uma pesquisa realizada pela Duracell, em 2011, na Inglaterra (*), revelou que, hoje, a maioria das crianças prefere ganhar celulares a brinquedos. A pesquisa foi realizada com 2.138 crianças de cinco a 16 anos e concluiu que 54% dos entrevistados querem produtos tecnológicos de presente. Com 14% de preferência, o Iphone 4 é o item mais desejado. Mas, segundo um dos expositores da feira de artesanato da avenida Afonso Pena, Admilson Aparecido, 30, pelo menos em Belo Horizonte, a concorrência está ficando menor. “Estamos com grande expectativa quanto ao Natal, pois no Dia das Crianças, houve um aumento da procura desses brinquedos tanto pelos pais, quanto também pelas próprias crianças”, relata Admilson. Como quem

entende bem do ramo em que trabalha, ele também aconselha os pais a deixarem de lado os brinquedos eletrônicos, “que levam a criança ao sedentarismo, e ofereçam a ela principalmente os brinquedos de montagem, que estimulam o raciocínio e a coordenação motora”.

cooRDEnaÇÃo MotoRa O expositor Marcos Gomes, 41, que está nesse ramo há 26 anos, afirma que tem um público bem diferenciado, que cresce a cada ano. Segundo Marcos, a criança dos brinquedos eletrônicos pode até não trocá-los por um artesanal, “mas terá a curiosidade de brincar com ele e saberá diferenciá-los”. Por isso, Marcos defende com entusiasmo seu produto. “O brinquedo educativo une a família, pois a criança depende de alguém para brincar com ela, trazendo assim, o convívio social”. Ele apresenta seu brinquedo mais criativo, chamado de “seleção de cores”. O obje-

tivo é organizar as peças iguais d e u m l a d o, b a g u n ç a n d o assim o outro, estimulando a paciência, a concentração e coordenação motora. Luiz Ferreira, 50, tem em sua barraca um dinossauro de madeira para ser montado por crianças com idade a partir de quatro anos. O brinquedo, chamado “linhas de movimento”, tem, segundo ele, “objetivo terapêutico”. Mesmo reconhecendo que os brinquedos eletrônicos deixam as crianças mais acomodadas, Luiz admite que ela p re c i s a d e a m b o s “ p a r a desenvolver sua mente”.

cRiatiViDaDE inFinita Como expositor e fabricante dos brinquedos há 27 anos, Jorge Luís, 53, acredita que não há um brinquedo mais criativo que o outro, e sim, “uma criatividade infinita, a da própria criança”. Em sua barraca há vários brinquedos em madeira e alguns vêm com potes de tintas para que a própria criança se sinta um artista pintando ela mesma o brinquedo. Nas palavras de Jorge, “alguns

brinquedos eletrônicos podem ser instrutivos, porém, estão fazendo com que as crianças se tornem adultas mais rapidamente; já sabem mexer em tudo, como o celular, só não conhecem os brinquedos infantis que as colocam como deveriam ser”. Na barraca do Jorge estão expostos de 25 a 30 modelos de brinquedos diferentes. Entretanto, em sua casa, ele conta que tem pelo menos 150 protótipos diferentes, classificados em níveis mais difíceis para serem montados. Entre eles, o helicóptero da Apache e o avião Concórdia, dos mais procurados pelas crianças. Jorge produz tudo artesanalmente, e sente um grande orgulho disso. Por cuidar de seu pai idoso e com pouca mobilidade, Jorge não expõe nem metade de seus brinquedos, pois o tempo é curto. “A Viação Torres me encomendou 2.500 ônibus de Belo Horizonte até o Natal, mas tive que recusar, por falta de tempo”.

o tEMpo nÃo paRa S e é d i re i t o d e t o d a criança brincar, então, por

que não incentivá-la com brinquedos mais voltados para o seu desenvolvimento? Esta é também a pergunta da pedagoga Maria Amélia Alvim, que não discute a importância dos brinquedos eletrônicos — “afinal, o tempo não para” —, mas acha que os brinquedos tradicionais guardam um componente lúdico que não se encontra na parafernália eletrônica. “Mesmo morando em apartamentos, onde as áreas de lazer são cada vez mais reduzidas e as leis dos condomínios costumam ser muito repressoras, brinquedos como a corda de pular, por exemplo, são úteis, pois eles proporcionam a necessária movimentação física e ainda socializam, pois a criança não pula sozinha”. Quem ficou curioso ou quer adquirir estes brinquedos, poderá encontrá-los na Feira Hippie, que funciona somente aos domingos, na avenida Afonso Pena entre as ruas da Bahia e dos Guajajaras, entre 7h e 14h. (*) Fonte: http://nic.br/imprensa/ clipping/2012/midia1198.htm FOTOS SUELI AZEVEDO


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ROLLING STONES, 50 anoS de roCK and roll

A banda que se tornou o próprio sinônimo do rock chega aos 50 anos escrevendo uma história ímpar no movimento que mudou a música no planeta.

cLauDia aguiaR E FELipE FREitas (2º pERÍoDo) M i c k J a g g e r, K e i t h Richards, Charlie Watts e Ron Wood... Talvez você já tenha ouvido falar desses nomes. Pelo sim, pelo não, saiba que estes senhores — hoje, na casa dos 70 anos — revolucionaram a história do rock. Desde seu primeiro show vêm ganhando fãs até hoje. Neste ano, quando completaram meio século de carreira, os Stones se reuniram para rever a apresentação de sua trajetória, com mais de 70 imagens inéditas. No dia 12 de julho de 1962, os Stones se apresentaram pela primeira vez, numa casa de show chamada Marquee Club, em Londres. E lá se vão 50 anos do grupo musical mais famoso do mundo, que já vendeu cerca de 200 milhões de álbuns. É impossível citar todos os hits de maior sucesso — “Satisfaction” (I Can’t Get No), “Jumpin’ Jack flash”... A lista é interminável. Os quatro integrantes do grupo londrino relembram quando Jagger tinha 18 anos, na época em que a banda se lançou. Depois de décadas, com quase todos na faixa etária dos 70, os Stones posaram para os fotógrafos e mostraram

o logotipo marcante que foi modificado para comemorar a data. Não custa lembrar que, ao longo dos anos, surgiram muitas bandas de ótima qualidade, porém, o grupo conseguiu envelhecer com uma competência enorme, a ponto de conquistar gerações. Nenhum show ou turnê foi previsto para comemorar o aniversario da banda, mas um livro de 352 páginas, com mais de 700 fotos, chamado: “The Rolling Stones: 50”, e um documentário, serão lançados ainda este ano, para marcar a data.

pEDRas QuE RoLaM Keta Vagliano, 42, que é cantor e foi o idealizador da banda It´s Only Rolling Stones, contou que começou “a fazer” Stones também por diferenciá-los dos Beatles. Em sua opinião, os Stones eram mais rock and roll. ”Sempre gostamos mais dessa levada, as letras são mais instigantes e diretas: tem mais a ver com a minha realidade — Rolling Stones sempre foi para gente um estilo de vida”. Não deixa de ser importante destacar como a banda conseguiu sobreviver tanto tempo, pois eles mantiveram um espírito roqueiro, às vezes, na acepção mais negativa

dessa expressão. Tiveram brigas infernais — como a de Keith Richards e Mick Jagger, que ficaram sem conversar por muito tempo — e ainda viveram o trauma da morte por overdose de um de seus membros originais, Brian Jones, em circunstâncias pra lá de misteriosas. “Mesmo assim, souberam segurar a onda, conseguiram por a música deles acima de tudo”, afirmou Keta. O líder do It’s Only a Rolling Stone acredita que, hoje, “o rock perdeu sua rebeldia, mas a rebeldia de antigamente; então, a ideologia que é brigar, lutar, hoje não existe mais”. Segundo Keta, “os jovens de hoje já pegam o mundo pronto, não têm que lutar por nada”.

MunDo gLoBaLiZaDo Nem todos concordam. Para muitos, se os tempos mudaram, as lutas e a busca por um sentido, um jeito de viver, também mudaram. Francisco Otaviano Siqueira Jr., 17, lembra o Nirvana e o Kurt Cobain para justificar sua afirmativa. “O Cobain era um cara angustiado, que mergulho u numa v iagem sem volta com as drogas, vivendo a essência mais radical do rock”, afirma.

Richard de Paula Santos, 18, amigo de Francisco, bate na mesma tecla. “As injustiças são as mesmas — no mundo globalizado, os riscos estão cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres: não é porque a Classe C agora pode comprar geladeira de luxo nas Casas Bahia que a vida tá melhorando”. Segundo Richard, a luta hoje “é para se conseguir oportunidades iguais no mercado de trabalho, para não haver nenhum tipo de discriminação — nem racial nem com nenhum tipo de minoria”. O LINCE encontrou mais um fã que também curte um rock dos bons tempos. Francisco Falcão, 58, relata que é difícil uma banda permanecer por muito tempo assim, se não tiver qualidade. “A essência dos Stones é um rock pesado, não metaleiro, com um conteúdo muito contundente nas letras, e um som muito forte, uma sonoridade que entra em você e não há como não gost a r ” . Fa l c ã o c i t a o Ke i t h Richards como um exemplo disso. “É um cara que toca muito... O próprio Mick Jagger, no vocal, prova é isso”.

FaLaM os EspEciaListas “Os Rolling Stones sem-

pre vão continuar a influenciar as novas bandas que estão surgindo: serão sempre referência”, afirma Bauxita, 43, cantor e também radialista da 98 FM . Para ele, o diferencial dos Stones “é a química musical entre Jagger e Keith”. Bauxita assume que até gostava mais de um som mais pesado, “como o do Iron Maiden”, porém, passou a admirar a banda porque muitos de seus amigos ouviam os Stones. O critico musical Kiko Ferreira, 53, revelou que os Stones conseguiram se adaptar a todas as eras com seu estilo, por ser uma banda que conseguiu mesclar muito bem as raízes negras da música americana e, a partir daí, definir seu estilo próprio. “Como hoje em dia tudo está muito fácil, é muito difícil que essas bandas novas sobrevivam tanto quanto os Stones”, afirma. O jornalista Victor Manuel de Mello, 26, fã de blues, atribui a longevidade dos Stones ao estilo musical que adotaram. “Eles foram dos primeiros a beber nas raízes negras do blues, o que não era muito comum nem entre as bandas norte-americanas, então, isso confere à música deles uma sonoridade meio atemporal”, afirma.


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SOCORRO!

TÔ fICando Surdo... Sons em alto nível, como esse que você ouve no carro, acabam com a sensibilidade e podem causar perda auditiva

cRistina costa (4º pERÍoDo) Ouvir música alta, às vezes, pode ser muito bom. Enquanto espera a aula começar, quem não gosta de ouvir uma música, seja no Mp3, iPod,iPhone ou até mesmo no celular? Mas — atenção! — junto com o prazer vêm os problemas. O volume alto desses aparelhos pode ocasionar sérios problemas auditivos e inclusive a perda total da audição. Mas não é só ouvindo música que as pessoas p o d e m t e r p ro b l e m a s d e audição. Também no trabalho ou lugares barulhentos, tipo boates, bares e lanchonetes, os problemas podem s u rg i r d a m e s m a f o r m a . Muita gente não percebe o dano que está provocando aos próprios ouvidos, frequentando lugares assim, sem nenhuma proteção.

o soM Do BaiXo

pRotEÇÃo coMpLEta Profissionais que trabalham com máquinas barulhentas ou em lugares com ruídos excessivos também precisam também tomar um cuidado maior, já que ficam expostas por muito tempo ao trabalho. “Quem trabalha em oficinas mecânicas, serrarias e serralherias, por exemplo, tem que usar fones de ouvido — e daqueles grandes, que ofereçam proteção completa”, afirma Giovana Maria de Rezende, técnica em segurança no trabalho. Segundo Giovana Maria, as empresas são obrigadas a fornecer esse tipo de equipamento e são elas as responsáveis pela segurança do empregado. “Se alguém tiver qualquer tipo de problema por causa do barulho, tem que entrar na justiça e cobrar da empresa o tratamento”, afirma. Outro técnico em segurança do trabalho, o estudante Giordano Silva sabe da importância e fica sempre atento e de olho nos profissionais que trabalham sob sua

supervisão na construção civil. “O uso de aparelhos — como os tapadores —é essencial para quem fica muito tempo em contato com máquinas, equipamentos barulhentos, sons ou em lugares com alto nível de barulho”, exemplifica Giordano. De acordo com ele, o profissional não deve ficar mais do que quatro horas fazendo o mesmo trabalho. “Devido ao nível de ruído intenso, ao longo do tempo isso pode vir a caus ar um d ano maio r e inclusive a perda total da audição”, afirma Giordano.

pEQuEnas atituDEs O ouvido é uma parte sensível do nosso corpo e merece cuidado. O contato com o barulho em excesso ao longo do tempo vai prejudicando até sem que a pessoa consiga perceber. A exposição contínua é que gera, ao longo do tempo, a perda definitiva da audição. Em casa, não percebemos o barulho a que estamos expostos. O barulho da máquina de lavar, secador, som, TV e outros aparelhos, pode prejudicar e provocar a perda auditiva. Pequenas atitudes, como ficar o dia inteiro com o fone do MP3 no ouvido, representa um perigo daqueles, pois, normalmente, a maioria dos jovens ouve um tipo de música mais agressiva, como os sons eletrônicos e as batidas de dance, que provocam um dano ainda maior, pois a pessoa não percebe a agressão a que o ouvido está sujeito. “E quando percebe, aí já é tarde demais”, lembra Luiz Anselmo.

ARQUIVO CPJ

O som do carro no último volume é muito usado por jovens e adultos que querem aparecer. Ou que dizem que é assim que gostam de escutar intensamente sua música preferida. Mas essa não é uma boa para quem quer continuar ouvindo bem. Daniel Phillipe de Matos, 19, é um desses. “Sei que faz mal, mas não resisto, gosto de ouvir no talo, no último volume, pra sentir a p u l s a ç ã o d o b a i xo ” , d i z . Daniel, que faz Educação Física, já foi advertido por um professor, mas não emenda. Se ouvisse sobre o que aconteceu com Luiz Anselmo Ve n e r a n d o , 2 3 , t a m b é m

estudante de Educação Física e capoeirista, Daniel talvez mudasse de opinião. Luiz também tinha a mania de ouvir o som do carro no último volume, até que um dia os problemas começaram. “Fui ao médico e ele disse que se eu não me cuidasse, acabaria perdendo a audição; como sou capoeirista e toco berimbau, tive que me cuidar”. Mesmo assim, perdeu 50% da audição do ouvido esquerdo.


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Por TrÁS

daS CorTInaS JoÃo pauLo FREitas E FELipE FREitas (2º pERÍoDo)

O teatro é uma arte que sobrevive há milênios e com o p a s s a r d o s t e m p o s s o f re u mudanças. Surgiu na Grécia, no século VI A.C, em festas dionisíacas — homenagem a Dionísio, deus do vinho, do teatro e da fertilidade — em comédias, tragédias e sátiras. Apesar de ter sofrido várias transformações, não perdeu sua magia. Autores como Ésquilo e Sófocles, nos primórdios, deram lugar a dramaturgos como William Shakespeare, na Idade Moderna, até chegar às manifestações de vanguarda dos dias atuais. No Brasil, desde a vinda da família real portuguesa, o teatro sempre esteve entre as principais manifestações culturais do país. Entre os vários autores brasileiros, de Martins Pena, de quem até hoje se encena peças como “O Noviço” a Nelson Rodrigues, o teatro brasileiro se abriu em vertentes múltiplas, que abrigaram a vanguarda de Oswald de Andrade, o realismo

de Plínio Marcos e até mesmo a maestria de Francisco Buarque de Holanda — “Gota d’Água” (com Paulo Pontes), “Calabar” (com Ruy Guerra) e “O Grande Circo Místico”.

BRiLHaR nos paLcos “Teatro é a melhor forma de expressão do corpo e alma. Me encanta saber que podemos tocar os outros com uma interpretação”, diz a atriz e estudante, Jessica Barros, 21, ao falar sobre o que mais a atraiu no teatro. Mas, ela, assim como Bell Lara, 21, tem a mesma opinião sobre as dificuldades que, dentro ou fora de cena, esperam os novos atores. — A entrada para este mundo é bem complicada; na maioria das vezes, tem que se conhecer alguém, ou lutar bastante para se destacar, mas, se você é talentoso, com certeza pode passar o tempo que for que irá conseguir seus objetivos — afirma Bell Lara, que estuda teatro, e sonha brilhar nos palcos. Há quem procure atividades relativas ao teatro para se

desinibir, mas, o ator de verdade, com o tempo vai se apaixonando pelo palco e não quer sair dele nunca mais. A constatação é de Bell Lara, e se baseia numa experiência muito pessoal. — No início, era mais descontração, mas depois me apaixonei e resolvi estudar profundamente.

aDREnaLina nas coXias “Quando se vai ao teatro, é tudo tão real, tão perto de você que, às vezes, achamos que fazemos parte da história,” reconhece Jéssica, ao comentar sobre a magia do teatro. Rafael Mazzi, 31, um dos atores da peça “O marido da minha mulher”, fala sobre a adrenalina que reina nas coxias (o espaço d o t e a t ro q u e a n t e c e d e a entrada no palco) antes de cada espetáculo. — O teatro é mágico porque se faz ao vivo. As pessoas sentem, choram, riem, aplaudem. Você faz um trabalho de qualidade e tem o retorno imediato de quem assiste. O maior barato

são o frio na barriga, as preparações, os ensaios, a química com a produção e elenco. Tudo isso é prazeroso. Dessa magia também não escapou a atriz Bella Marcatti, que já fez a peças como “O marido da minha mulher”, “Dez maneiras incríveis de destruir seu casamento” e o espetáculo “Improcedente”, entre outras. Para ela, “o contato direto com o público e a resposta imediata são um momento único: você sabe no mesmo momento se está agradando a plateia ou não.”. Espetáculos de improviso, como “Improvável” (do Grupo Os Barbixas) e ”Improcedente” (de Uma Companhia), estão entre os que vêm ganhando espaço hoje em dia, pois geralmente são controlados pela própria plateia. Por meio de jogos de improvisação, os atores devem fazer uma cena sugerida pelo público. Há um tipo de interação que está muito presente em peças nos dias de hoje, e mostra que, o teatro incorporou novos elementos que o fortalecem mais.


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Falta

profissionalismo em Minas

No meio do caminho tinha uma pedra, disse certa vez um mineiro famoso, que uma vez também percorreu o caminho que, das montanhas de Minas, nos leva ao litoral e às promessas de fama e do sucesso no Rio de Janeiro. Não é pequeno o número de atores mineiros que procurou a fama nos palcos cariocas e paulistas. Mas, nem todos, como o ancestral Lima Duarte, Lady Francisco, José Mayer, Jonas Bloch, Deborah Bloch ou Selton Mello e os novos Débora Falabella, Daniel Oliveira e a periguete Isis Valverde, atingiram o sucesso. E o Brasil dá condições para que o ator sobreviva do teatro? “Sim, mas tem que dar sorte de estar numa companhia boa, num projeto bacana para a Lei Federal de Incentivo, que consiga captar a grana e agradar o público. Não é impossível, mas dá pra fazer. Ou então, seja um ator global e vá para os palcos. Aí vai ter a certeza de casa cheia em qualquer lugar”, ironiza Bella Marcatti. Já para Rafael Mazzi, conseguir sobreviver de teatro depende do ator. “Na verdade é o artista que tem de saber se tem condições para trabalhar. Se ele possui qualidades, estuda, empenha e pesquisa”, define. O que leva os mineiros a buscarem tanto o caminho para outros palcos? Não há, em Belo Horizonte, o mesmo interesse pelo teatro. A alegação é de Bella Marcatti, que hoje, tenta um lugar ao sol na cena paulista e fala com a autoridade de quem vivenciou os dois lados da moeda. — Em São Paulo, os teatros estão sempre cheios em qualquer lugar, dia e horário. O povo paulista gosta e se interessa pelo teatro. Em Belo Horizonte, fora da época de Campanha de Popularização, a coisa mais difícil que tem é ver um espetáculo com meia casa cheia. No Rio de Janeiro, o teatro é levado a sério como uma profissão do dia a dia. A afirmação é de Bell Lara, que optou por fazer um novo curso de teatro na Cidade Maravilhosa, e percebeu que, lá, as peças eram elaboradas com mais seriedade, e por isso, ficavam mais tempo em cartaz. “Em Belo Horizonte, uma temporada, na maioria das escolas cênicas, dura três dias; lá, um mês”. Mas, a capital mineira em breve poderá se equiparar aos grandes centros. “Aos poucos, cursos técnicos e workshops ajudam a vivenciar o crescimento,” é o que afirma o otimista Rafael Mazzi. Hoje, Jessica Barros espera que a capital invista na cultura. “Criar mais centros de arte onde haja cursos e apresentações e levar peças para as escolas, afinal, teatro é a arte que serve não só para atores, mas para a vida”.

Antes de tudo, o sonho de vencer. Mas o teatro nem sempre é capaz de brindar com um final feliz a carreira de quem, em Belo Horizonte, luta para brilhar nos palcos.

...continua nas páginas 26 até 29

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enTrevISTa CaIo JunQueIra “Muro de concreto, bom de derrubar” JoÃo pauLo FREitas E FELipE FREitas (2º pERÍoDo) Carioca, filho do também ator Fábio Junqueira, Caio, 34, é um rosto bem conhecido do público brasileiro. Já emprestou seu talento a novelas da Rede Globo e a filmes como “For All” e, principalmente, “Tropa de Elite” — onde interpretou o oficial “Neto”, que o revelou para o grande público. Caio falou ao Lince sobre sua carreira e sobre o que é ser ator. FOTOS ARQUIVO PESSOAL


o experiente e premiado ator caio Junqueira, sinônimo de profissionalismo e dedicação

Lince - Como foi seu início de carreira? Caio - Por ser filho de meu pai, Fabio Junqueira, foi quase inevitável ingressar na carreira de ator! Primeiro, que meu pai sempre foi o melhor exemplo de profissional e pessoa que conheci. Então, minha admiração pela arte de meu pai sempre foi m i n h a m a i o r m o t i v a ç ã o. Depois que entrei no palco, pela primeira vez, numa peça de conclusão de um curso que meu pai ministrava (1982/83), onde eu tinha cerca de cinco ou seis anos, q u e f o i a p re s e n t a d a n a Aliança Francesa de Botafogo , no Rio de Janeiro... Eu fui chamado para fazer minha primeira peça profissional, "Dito e Feito", uma adaptação para infantil da peça de teatro "O círculo de giz", de Bertold Brecht, dirigida pela diretora Lúcia Coelho, no teatro Villa Lobos, Rio de Janeiro (1984). Logo em seguida, fiz meu primeiro longa metragem como ator — "Com licença, eu vou à luta", dirigido por Lui Faria, direção de fotografia de Walter Carvalho e Fernanda Torres no papel principal. Na TV, ingressei no seriado "Tamanho família", na TV Manchete, também na década de 1980. Lince - São Paulo e Rio de Janeiro são as principais praças de teatro, televisão e cinema. O que falta para outros estados tentarem se equiparar a essas duas capitais? Caio - Falta a educação cultural que é muito falha no Brasil e, obviamente, vontade política e investimentos em todos os setores artísticos e produtivos em relação à criação e produção de trabalhos dignos e boas oportunidades. L i n c e - Vo c ê g a n h o u muito destaque ao atuar no

filme “Tropa de Elite”. O que significou esse filme em sua carreira? E o que mudou após o grande sucesso? Caio - O "Tropa" foi um divisor de águas na carreira de todos que fizeram parte d o f i l m e ! Te n h o c o m o a maior experiência cinematográfica que já participei. Além de atingirmos a melhor premiação internacional, junto com "Central do Brasil", de que também participei, ganhando o “Urso de Ouro” (*), foi o filme que mais interferiu socialmente e politicamente no Rio de Janeiro e no Brasil. Foi magnífico ter feito o "Tropa"... Agradeço todos os dias! Lince - No filme “Tropa de Elite”, qual foi a cena mais difícil de fazer? Caio - Todas as cenas foram muito complexas! Principalmente as de ação. Mas posso destacar que, para mim, a cena mais trabalhosa e dramaturgicamente especial, foi a cena da transição do “Neto” (minha personagem), filmada nos contâineres e ruínas de uma favela... "Boa, zero meia... fatiou passou!". Lince - No Brasil é possível viver somente como ator de teatro? Caio - Bem difícil! Viver como ator no Brasil é difícil. Se você não batalhar muito tentando conquistar os mercados audiovisuais e o próprio teatro, apresentando seu talento e vocação, é uma carreira muito complicada de se estabilizar. "Altos e baixos" são uma constante na vida da maioria dos atores do Brasil! Uma pena... Pois temos aqui maravilhosos talentos e profissionais. (*) Prêmio máximo do Festival de Cinema de Berlim, um dos três mais importantes da Europa.

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enTrevISTa Geraldo rodrIGueS JoÃo pauLo FREitas E FELipE FREitas (2º pERÍoDo) Paulista, o ator Geraldo Rodrigues, 28, é um apaixonado por cinema e fotografia. Teve grande destaque ao atuar em filmes como “Cara ou Coroa”, “Procura-se” e, principalmente, “Linha de Passe” — onde interpretou Dinho, o Irmão evangélico. Geraldo falou ao Lince sobre sua carreira, e também, o que pensa do teatro, TV e cinema. FOTOS ARQUIVO PESSOAL


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o ator geraldo Rodrigues (segundo da esquerda para a direita) no 61º Festival de cannes (França), ao lado de seus companheiros do premiado "Linha de passe"

Lince - Como foi seu início de carreira? Geraldo - Eu comecei estudando: entrei na EAD, que é uma escola de teatro ótima e foi um início muito importante, porque ali a gente fazia e conversava muito sobre teatro: era de segunda a sexta, das 18h30 às 23h30, só ensaiando, cantando, apresentando, dançando, fazendo todo tipo de cenas e de experiências com teatro, performance, dança. Só que eu fiquei dois anos, não cheguei a terminar a escola. Eu fui terminar minha faculdade de Psicologia (sou psicólogo formado!) e acabei não voltando para a escola porque passei nos testes para o filme “Linha de Passe”. Lince - São Paulo e Rio de Janeiro são as princi-

pais praças de teatro, televisão e cinema. O que falta para outros estados tentarem se equiparar a essas duas capitais? Geraldo – Boa pergunta! Em primeiro lugar, eu acredito que São Paulo ainda é diferente do Rio. O Rio concentra a produção de TV em uma escala muito maior do que São Paulo. No caso do cinema e do teatro, as duas cidades são polos e se equiparam. Pensando em Brasil, eu acredito que nós, enquanto país, estamos passando por transformações rápidas: estamos erradicando a p o b re z a , e s t a m o s m a i s conectados com as notícias pela internet, estamos mudando. Isso é ótimo. No caso do teatro e do cinema, precisamos de público. E como vamos conseguir isso? As pessoas precisam se sentir

atraídas pelo teatro. O teatro precisa ser importante, a ponto de as pessoas sentirem que vão sair dali tocadas. Isso p o d e a c o n t e c e r p o rq u e existe um incentivo de vários meios para que as pessoas vão ao teatro ou pode acontecer através da iniciativa de um grupo que se destaca e começa a interessar os seus vizinhos, o público da própria cidade. E isso vem acontecendo, é um processo. Lince - O que precisa ser feito para haver o interesse das pessoas em assistir uma peça teatral, da mesma forma em que elas assistem a uma novela ou filme? Geraldo - A novela é muito prática de se assistir: ela está na TV, você assiste de graça. O filme da TV também. No caso do cinema, há

um marketing forte para determinados filmes e isso funciona para chamar a atenção das pessoas, gerando um público bom. No caso do teatro, que muitas vezes não tem o mesmo volume financeiro de um filme ou da TV, é preciso inovar, ir atrás do público: escolas, universidades, clubes, oferecer oficinas e conversar com a plateia depois da peça, para saber como a peça tocou cada um. Isso não é se moldar, isso é conhecer como seu trabalho chega às pessoas e como você pode melhorar a cada dia.

Thomas), com vários takes para cada plano, com uma proteção com relação aos aspectos técnicos do cinema. Por exemplo: os atores se aqueciam juntos por 45 minutos, ficavam concentrados enquanto a equipe preparava o set e era só chegar e filmar. Em termos de exposição, o “Linha de Passe” nos apresentou para o público e os produtores de cinema do Brasil. E isso é importante para os profissionais conhecerem a cara e o potencial de cada ator.

Lince - O que significou o filme “Linha de Passe” em sua carreira? G e r a l d o - M U I TA S COISAS! Foi um trabalho profundo, com ensaios, com dois diretores muito feras (Walter Salles e Daniela

Lince - Qual foi a cena mais complicada que você já fez? Geraldo - Foi a cena do “Linha de Passe” em que eu bebo um copo de pinga, depois de brigar com o dono do posto. Aquela sequência

até o copo de pinga foi muito intensa, fisicamente e emocionalmente e a pequena ação de beber aquele copo de pinga foi muito intensa também. Lince - No Brasil é possível viver sendo somente ator de teatro? Geraldo - Sim! É preciso trabalhar muito, mas se o ator se dedica bastante ele consegue se manter, sim! Lince - Deixe um recado para os jovens que pretendem seguir essa profissão, para que possam representar Minas Gerais muito bem no cenário nacional. Geraldo - Acreditem, acreditem e acreditem e quando não acreditarem, continuem tentando até conseguir acreditar!!


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Setembro/2012 Outubro/2012

Dize-me o que postas e

te direi quem és... caRoLina ZocRatto (4º pERÍoDo), FELipE FREitas E pauLa RaBELo (2º pERÍoDo)

Você costuma pensar durante quanto tempo, antes de postar alguma coisa na internet? Muitas pessoas não pensam. Na euforia da novidade, loucas para aparecer, não pensam nas dimensões da rede e em como o excesso de exibição pode prejudicar o usuário. Fotos, vídeos ou comentários que indevidamente exponham o internauta podem levá-lo a situações constrangedoras. Algumas, irreversíveis. É quando se percebe que a internet também pode ser uma faca de dois gumes. E que não é necessário compartilhar tudo o que se faz e pensa. É o caso de CL, 17 anos, que trocou fotos nuas com um menino com quem estava se relacionando. As imagens acabaram se espalhando por toda a escola. “Aquele parecia ser o menino dos meus sonhos e, como toda garota mais nova, fui me entretendo na conversa. Ele então mostrou a foto para uma amiga dele daqui, que por azar era do meu colégio, e essa menina repassou a foto para mil pessoas. Fui exposta em várias redes sociais, passei por muita humilhação, quase cheguei a ser expulsa do colégio”, desabafa a garota. Hoje, quatro anos depois, ela aconselha aos jovens a se mirarem em seu exemplo. Muitas vezes, o que se pensa que não trará problemas acaba causando muitos aborrecimentos. O que seria apenas uma mensagem comentando o lugar em que você está pode ser prato cheio para pessoas maldosas. Comentários sobre outras pessoas também devem ser evitados se você não tem relação com elas. Ana Carolina Caldeira, 24, acabou indo parar em uma delegacia por causa da indireta de um amigo. “Ele postou alguns comentários sobre umas garotas no twitter e citou o nome delas. Alguém viu, contou para elas, e um B.O acabou sendo aberto para este caso. Como eu estava conversando com ele na rede, fiquei como cúmplice”, afirma. Ingrid Madureira, 19, também acabou postando o que não devia na internet e se arrependeu. “Aprendi que jogar indireta não leva ninguém a lugar nenhum, só gera briga. Uma boa conversa olho a olho com a pessoa é bem melhor e se resolve da melhor forma”, ela relata. Richard Matosinhos, 18, também sofreu por confiar num amigo desleal, que repassou uma foto sua, de sunga, um site gay, onde a foto correu mundo. Richard perdeu a namorada e até hoje tem que se expli car quanto à opção sexual.

Redes sociais e as empresas

Em tempos de uma ampla utilização da internet, cada vez mais precisamos tomar cuidado com o que postamos

Nos dias de hoje, muito se questiona o papel da internet no mundo corporativo. O que você posta, compartilha ou curte na rede pode indiretamente traçar o seu perfil. E isso pode ser utilizado contra você ou a seu favor durante um processo seletivo dentro de uma empresa. Até que ponto isso pode influenciar na escolha de um candidato durante o processo de seleção? Danielle Filizola é psicóloga e responsável por seleção e recrutamento de novos profissionais. Para ela, coisas que a pessoa divulga na internet podem ser um obstáculo em potencial na hora de uma entrevista de emprego. “Tem gente que coloca nas redes sociais coisas do tipo ‘dormindo na empresa’; ‘nada pra fazer, cansado de ficar à toa’... Isso nunca é bem visto pelos outros. Uma rede social tem que ser o seu espelho, afinal é ela que te apresenta para o mundo”, afirma a psicóloga. Então, você que gosta de navegar na internet, tome cuidado com o que anda postando. Em tempos de globalização, sua vida é vasculhada em todos os locais possíveis.


urGenTe: Outubro/2012

Os profissionais técnicos estão cada vez mais valorizados no mercado de trabalho. Às vezes, com remunerações que superam a de profissionais graduados. Há muitas vagas em aberto, mas a falta de qualificação é um dos fatores que preocupam as empresas, que necessitam de mão de obra rápida e qualificada. Como o Brasil vai sediar, nos próximos anos, eventos de repercussão mundial, a urgência é grande. A falta de profissionais, porém, não quer dizer que o

caminho está aberto para os jovens técnicos. É que as empresas preferem profissionais formados em escolas que tenham o certificado do MEC (Ministério da Educação), e ainda exigem profissionais já com alguma experiência no mercado. Por isso, a escolha do estabelecimento de ensino é importante. Elza Rocha, coordenadora geral da Escola Técnica Diretriz, explica que a cada semestre as escolas técnicas estão formando várias turmas, “mas, nem sempre com profissionais bem qualificados”. Para formar gente assim, a escola deve ter convê-

nios com empresas e cursos com aulas práticas em laboratórios próprios, complementando as teóricas. “Não existe desemprego; existe profissional mal qualificado”, observa Elza.

áREa EspEcÍFica At u a l m e n t e , e m B e l o Horizonte, algumas áreas se destacam pela falta de profissionais. Uma delas é a da saúde pública, que busca técnicos em enfermagem c o m c a rg a h o r á r i a d e 3 6 semanais oferece salários até R$ 1.800. Outra é a constru-

ção civil, que está em alta, em função da famosa Copa do Mundo de 2014. Por causa disso, técnicos em edificações, por exemplo, considerados o braço direito dos engenheiros, já conseguem remuneração superior a R$ 1.454. Mesmo assim, falta g e n t e . O e m p re e n d e d o r César Baeta de Andrade, conta que teve que buscar técnicos no Rio de Janeiro, para um projeto que tocou em Montes Claros. “Cansamos de procurar aqui”, conta. Outra área que sofre pela falta de profissionais é a tec-

nologia da informação. Os técnicos em informática, responsáveis por programas e sistemas para facilitar a rotina de uma empresa, se tornaram profissionais fundamentais nos dias de hoje. Em Belo Horizonte, os salários chegam a R$ 2.300. Foi o que Rodrigo Alvim de Carvalho começou a ganhar numa empresa especializada em softwares de gerenciamento. “Mas depois de um ano de trabalho, recebi proposta para ganhar três vezes mais, em São Paulo”, afirmou Rodrigo, que está de partida para a capital paulista.

FOTOS WELISON RODRIGUES

caMiLa cHagas (2º pERÍoDo)

EMPREGoS

onde eSTão oS TÉCnICoS?

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Escolha Profissional Alguns jovens, ainda na dúvida quanto à escolha profissional, preferem iniciar um curso técnico para se lançar no mercado. “É mais rápido e a re m u n e r a ç ã o é m e l h o r ” , afirma a estudante Tatiane Leia, do curso técnico de Rádio e TV, do Programa de Ensino P rofissionalizante (PEP). Tatiane conta que ficou com medo de iniciar um curso superior, “por ser mais concorrido do que um curso técnico e porque, uma vez iniciado, fica mais difícil decidir se vai continuar na área ou não”. Entretanto, a estudante do curso técnico em informá-

tica Ignez Janine iniciou os estudos por necessidade. ”Meu computador estragou, tive que pagar caro e não fiquei nada satisfeita com o serviço, mas vi como os técnicos cobram caro por pequenos serviços e que esta é uma profissão bem remunerada”, diz Ignez, reconhecendo que, “no começo, não tinha a menor ideia de fazer informática”.

pRocEsso sELEtiVo A psicóloga Markely Souza, da Selpe Recursos Humanos, destaca também que um dos

fatores que interferem na falta de técnicos é que as empresas precisam de profissionais com disponibilidade para viagens. Isso afeta até os estágios, pois a maioria dos estudantes não pode viajar, por causa dos estudos. “Assim, a primeira experiência do estudante com o mercado de trabalho, onde deveria colocar em prática tudo aquilo que aprendeu nas salas de aulas, fica comprometida”, constata a psicóloga.

a Busca continua “Atualmente, as empresas

estão anunciando suas vagas em sites especializados, visando facilitar as contratações, funcionando como um canal direto entre o candidato e o recrutador”, disse a consultora de RH da Catho Online, Larissa Meiglin. Segundo Thiago Sereza, gerente de Integração da Catho Online, o aumento de vagas para técnicos está relacionado ao ritmo de crescimento da economia, que está mais rápido do que a formação de mão de obra. “Isso é o que mantém o mercado sempre aquecido para os técnicos”, afiança Thiago. Em qualquer área técnica, o profissional tem que se atuali-

zar sempre. Então, as empresas estão exigindo cursos extracurriculares como, por exemplo, de PHP (Hyper Text Preprocessor), para os especialistas em informática, e um curso avançado com uma linguagem de código-fonte aberto muito utilizado na internet e especialmente criado para o desenvolvimento de aplicativos web. “Quem faz um curso desses encontra todas as portas abertas”, conta Leandro Venerando Silva, 24, que fez um curso desses e agora vai trabalhar no Paraná, com salário muito acima de sua expectativa (mas que ele não quis revelar).

Empregos não faltam; faltam profissionais qualificados e com experiência, o que já preocupa empresas em todo o Brasil


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Outubro/2012

Jornal Laborat贸rio do

Curso de Jornalismo do Centro Universit谩rio Newton Paiva

Jornal Lince Outubro de 2012  

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva

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