Page 1

LINCE

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva Ano V | Nº 47 Novembro de 2011

DE olho na notÍcia

"Indignados": movimento une o mundo contra a indiferença política | PÁGinas 8 E 9

o GiGantE nÃo MorrEU, o jornal iMPrEsso sErÁ "rEi" nos PróXiMos sEtE oU DEz anos

caFEtErias QUEbraM o ParaDiGMa Do caFÉ traDicional E MostraM novas ForMas DE saborEÁ-lo

a rEvista Fashion bP FEita Por hoMEns acaba coM o PrEconcEito DE MoDa sEr aPEnas Para as MUlhErEs

| PÁGina 03

| PÁGinas 6 E 7

| PÁGinas 10 E 11


2

Novembro/2011

Nós, da equipe do Jornal Lince e da CPJ desejamos aos alunos e familiares um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

expediente Reitor Luis Carlos de Souza Vieira Pró-reitor acadêmico Sudário Papa Filho Co­or­de­na­dora do Curso de Jor­na­lismo Pro­fes­sora Ma­ri­a­lice Em­bo­ava

Coordenador da central de produção JORNALISTICA- CPJ Pro­fes­sor Eus­tá­quio Trin­dade Netto (DRT/MG 02146) Pro­jeto grá­fico e Direção de Arte Helô Costa (127/MG) Monitores: Lorayne François Diego dos Santos

Diagramação: Paula Andrade Ludmila Rezende Geisiane de Oliveira Fillipe Gibram

Cor­res­pon­dên­cia NP4 - Rua Ca­tumbi, 546 - Bairro Cai­çara - Belo Horizonte - MG - CEP 31230-600 Te­le­fone: (31) 3516.2734 - jornallince2008@gmail.com

Reportagens: Alu­nos do Curso de Jornalismo do Centro Universitário New­ton Paiva

Este é um jor­nal-la­bo­ra­tó­rio da dis­ci­plina La­bo­ra­tó­rio de Jorna­lismo II. Dis­tri­bu­i­ção gra­tu­ita. Edi­ção men­sal. O jor­nal não se res­pon­sa­bi­liza pela emis­são de con­cei­tos emi­ti­dos em ar­ti­gos as­si­na­dos e per­mite a re­pro­du­ção to­tal ou par­cial das ma­té­rias, desde que ci­ta­das a fonte e o au­tor.


iMPressOs...

a POLÊMica

cOntinUa GaEl MoUra (8º Período) “Nos Estados Unidos, o jornal impresso será ‘rei’ por mais sete ou dez anos; em países como o Brasil e a Índia, por pelo menos mais 50 anos”. A frase é do presidente da INMA (International Newsmedia Marketing Association), Earl Wilkinson, em palestra no Seminário Internacional de Jornais, realizado em novembro, em São Paulo. “Depois”, admitiu Wilkinson, “o reinado será dos tablets”. Mas ele deixou claro também que isso não significa o fim dos impressos, “desde que os empresários saibam pensar”. Sugestão dele para que os empresários pensem: a transformação do jornal para um modelo multiplataforma. Ou seja, um provedor de conteúdo por meio de um leque de plataformas, texto e vídeo, internet, iPad, smartphone e impresso. Wilkinson lembrou que os tablets ainda não são um fenômeno de massa. Afinal, custam, em média, US$ 800. Mas, daqui a uns quatro anos, quando forem mais rápidos, leves e estiverem na casa dos US$ 100, a história promete ser diferente. No Brasil, por enquanto, o momento é de celebração. O número de jornais impressos circulando no Brasil bate o recorde de 4,4 milhões de e xe m p l a re s d i á r i o s . O número atestado pelo IVC,

Instituto Verificador de Circulação, mostra que no primeiro semestre deste ano, os 652 jornais diários em circulação no país estão conquistando um público cada vez m a i o r. A l é m d i s s o , s e incluirmos os jornais que não foram auditados pelo instituto, a estimativa aumenta para mais de 8 milhões de exemplares de jornal por dia. Como se estima que cada jornal é lido por cerca de quatro pessoas, são mais de 32 milhões de leitores diários no país. O jornal é um veículo de comunicação que nasceu na Europa do início do século XIX para criar mais transparência do poder público do Estado e a população. A Folha de São Paulo, que nasceu em de 1921, vem com o passar dos anos se adaptando ao crescente público para atender suas demandas, mas sem esquecer o compromisso de informar o leitor com qualidade. E os dados também indicam que o crescimento ecônomico que segue de 2004 até o primeiro semestre de 2011 fizeram a circulação de jornais crescer 32,7%. As estatísticas comprovam que os brasileiros, com um maior poder de compra, buscam nos jornais impressos um meio de comunicação que reflitam seu momento. E este é um momento em que todos almejam a construção de um Brasil melhor com a formação de uma opinião pública cada vez mais forte.

3

deBAte

Novembro/2011


4

Novembro/2011

estÁ tUdO

PeLOs ares... carla izabEla FErnanDEs (8° Período) A copa de 2014 se aproxima, mas isso não parece incomodar os aeroportos do Brasil. As salas de espera não acolhem ninguém, as pistas não são largas o suficiente e até o cafezinho parece de outro mundo com os preços abusivos. Enquanto isso, o passageiro engole em seco e tenta não p e rc e b e r q u e o s i s t e m a aéreo do país está, literalmente, de pernas para o ar “Atenção, senhores passageiros: informamos que todos os vôos estão atrasados. Procurem a empresa área de sua escolha para mais informações”. Este é um dos avisos mais ouvidos por quem se encontra nas minúsculas salas de embarque dos aeroportos de todo o país. A única opção para os consumidores – ou espectadores no grande circo que é o serviço aéreo brasileiro – é passar as próximas duas ou três horas vagando pelos terminais à procura de algo para fazer. Mas o problema piora exatamente nesse ponto: as condições dos aeroportos são tão precárias que a atitude mais sensata é dar uma voltinha pela cidade na expectativa de que a espera não se prolongue por um dia inteiro. “Os aeroportos brasileiros são, em sua maioria, relativamente pequenos,+ se considerarmos o volume de vôos todos os dias. Há muito tumulto e quando finalmente conseguimos embarcar no avião, temos que esperar mais vinte minutos, já que a fila é enorme e desor-

ganizada”, diz o consultor de campo Marcelo Seabra. Ele, que viaja constantemente, pode apontar com propriedade os piores defeitos de cada aeroporto do Brasil, e é categórico ao afirmar que a selva urbana se estende, também, pelos corredores espremidos do embarque e desembarque. “Aqui em Confins, por exemplo, não há lugares para os passageiros, os portões são insuficientes, as equipes das companhias aéreas são despreparadas e tudo é muito caro. Isso sem falar na segurança que é praticamente nula”, reclama. Foi o que notou o executivo José Alves de Castro. Além de todas as situações lastimáveis criticadas por Marcelo, José ainda acrescenta mais um ponto negativo na longa lista de defeitos do aeroporto de Confins: o estacionamento. “O desembarque é feito pelo mesmo local de entrada de dois dos três estacionamentos, o que acarreta em um engarrafamento de trinta minutos p a r a a n d a r m í s e ro s 2 0 0 metros”, diz. José não é otimista quanto ao papel de anfitrião do Brasil em 2014. Ele acredita, sim, na receptividade dos brasileiros durante a copa, mas o descrédito na qualidade dos serviços do país também é uma realidade para ele, que convive quase sempre com o pior que os aeroportos têm a oferecer. “A única razão pela q u a l a i n d a a c re d i t o n o grande número de estrangeiros no país é devido ao acolhimento das pessoas. É ter esperança... Quem sabe ainda dá tempo?”, encoraja, apesar de tudo.

A copa de 2014 se aproxima, mas isso não parece incomodar os aeroportos do Brasil. As salas de espera não acolhem ninguém, as pistas não são largas o suficiente e até o cafezinho parece de outro mundo com os preços abusivos. Enquanto isso, o passageiro engole em seco e tenta não perceber que o sistema aéreo do país está, literalmente, de pernas para o ar


They don't speak English Se já é difícil sobreviver nos aeroportos brasileiros sabendo falar o português, imagine então o sufoco dos estrangeiros que, de repente, se vêem em meio a placas (des) informativas e funcionários despreparados. A vontade de dar meia volta é grande, mas o desapontamento de ver a famosa marchinha carnavalesca se transformando em “cidade maravilhosa cheia de 'defeitos' mil” é maior ainda. O americano Jarad Rasheske passou por maus bocados quando desembarcou no Rio de Janeiro. A primeira impressão do professor de inglês foi a de que o sonho havia acabado, e o que restava era somente o caos acolhido entre os braços do Cristo Redentor. “No aeroporto do Galeão do Rio o atendimento da alfândega é assustador, e quando saí de lá, fui bombar-

deado por um monte de pessoas me oferecendo táxis sem saber falar em inglês. Não foi o que eu imaginei do Rio de Janeiro”, conta. Quando Jarad chegou em Belo Horizonte, a situação não melhorou em nada, e por pouco não piorou 'graças' aos caixas eletrônicos dos saguões. “Tentei achar um caixa de banco, mas nenhuma máquina estava funcionando. Andei o aeroporto inteiro, e só achei um aparelho que teve utilidade. E olha que havia oito!”, indigna-se. Questionada sobre a atual situação dos aeroportos brasileiros, a Infraero se defende afirmando que, até 2014, o governo investirá R$ 7,1bilhões contemplados no PAC 2. “Temos um cronograma de investimentos para modernizar e ampliar a capacidade dos aeroportos diretamente relacionados às doze cidades-sede

Novembro/2011

5

da Copa do Mundo”, explica a encarregada de atividades da imprensa da Infraero, Brendaly Costa. Segundo ela, as ações previstas para o Aeroporto de Confins incluem a ampliação do terminal de passageiros e das pistas de pouso, além da reforma dos sistemas de pátio. “A capacidade do a e ro p o r t o h o j e é d e 7 , 2 milhões de passageiros durante o ano, mas, com as obras finalizadas em 2013, vamos alcançar a marca de 13 milhões”, garante. É o que esperam as pessoas que dependem do aeroporto para se chegar ao destino desejado. Os três anos restantes para o início da copa estão passando rapidamente, e a fé do brasileiro que não desiste (quase) nunca também, ao ver que as prometidas obras permanecem na pista e não decolam por nada nesse mundo.

WAGNER CORREA


6

Novembro/2011

O cafÉ se reinVenta

Você, que está acostumado a tomar aquele café quentinho no balcão da padaria, já parou para pensar que essa bebida pode se desdobrar em uma infinidade de sabores? E que tem até café gelado? jUliana liMa (1º Período) Na correria do dia-a-dia, nem sempre paramos para degustar um bom café da forma como deveríamos. Toma-se tão rápido, que é quase impossível desfrutar do sabor. Conservadores, pelo menos no que tange a cafés, alguns brasileiros têm certa resistência em experimentar as variedades com que a bebida pode se oferecer e, em vez de um hábito, se tornar um prazer. Afinal, se o café é bebida de muitos contrastes e apreciada de formas diferentes em diversos lugares do mundo, por que se render a uma única forma? Muitas cafeterias, também aqui, tentam quebrar o paradigma tradicional, inovando e estimulando o consumidor a experimentar novos sabores — ou novas formas de saborear o café. Para apresentar as novidades, primeiro pergunta-se aos clientes como gostam do café: fraco, médio ou forte?

Comprovando que existe um tipo para cada paladar, partese, enfim, para a oferta de uma diversidade de produtos com base em um só. É o café se reinventando para conquistar mais público. Dona Maria L eal, 87, apesar da idade, não abre mão do seu “expresso”, um café bem forte e concentrado, que tem sua origem na Itália. “Já experimentei alguns sabores, mas ainda prefiro o café expresso”, afirma. E sempre que possível, numa cafeteria. — Adoro esse ambiente aconchegante das cafeterias; aproveito para ler um jornal, s a b o re a r m e u c a f é c o m calma e colocar os assuntos em dias com as amigas. Maria Aparecida da Silva, 42, admite que é conservadora. Não abre mão do café tradicional e n~]ao quer saber de acrescentar nenhum ingrediente ao cafezinho. — P refiro do jeito comum, de manhã, com meu pãozinho de queijo. Nem todos são assim. Viajado, o empresário Paulo

Henrique Maciel, 35, habituou-se a tomar café expresso na Itália, onde estudou. Depois disso, transformou o forte café italiano em hábito diário. Paulo Henrique, além do expresso, aprendeu a tomar o café com creme, com conhaque e com licor de anis. — Ainda bem que os brasileiros estão aprendendo... O café é uma bebida para ser degustada, saboreada com calma, para se desfrutar todo o potencial do sabor. Claro, essa cultura do cafezinho no balcão não deixa de ter seu encanto, mas na cafeteria é outra coisa. Com certeza. Antes, as cafeterias eram pequenas e serviam o café no balcão. Poucos poderiam imaginar ser possível encontrar cafeterias sofisticadas, em que o serviço do café tradicional se transformasse num ritual requintado, em que até as xícaras se tornam específicas, com tamanhos adequados e diferentes formatos, só para realçar o sabor de cada tipo de café.

Hoje, quando uma pessoa entra em uma cafeteria, encontra um ambiente completamente diferente. Em vez da correria do balcão, um recinto tranquilo, aconchegante, chamando a atenção do cliente e convidando-o a entrar. Enquanto toma seu café, ele pode ler um jornal, livro e até mesmo colocar os assuntos em dia com os amigos. Essas cafeterias são em geral instaladas dentro de livrarias, hipermercados ou shoppings proporcionando ao cliente maior comodidade.

sEGrEDos EsPEciais Luciano Fernandes da Silva, 32 anos, proprietário de uma cafeteria “Café do Ponto”, no Shopping Del Rey, em Belo Horizonte, explica que a máquina é o coração do café. Sendo que o segredo está na espessura da moagem. “Para cada processo existe uma moagem diferente”, ensina. A qualidade do café também pode variar

dependendo das características da região em que é cultivado — altitudes elevadas, acidez do terreno, clima etc. A partir do momento em que é colhido, manuseado e embalado, começa a perder uma das suas principais qualidades que é o aroma. “ Pa r a i s s o ” , o b s e r v a Luciano, “é importante ser conservado a vácuo, para não perder o aroma”. Para ele, muitos ainda não sabem como apreciar bem o café. Apesar de não ser barista (profissional especializado em cafés de alta qualidade), ele garante que, para saborear é preciso antes limpar o paladar com água gasosa, e beber sem adoçar — “só assim a pessoa ira descobrir o verdadeiro sabor da bebida”. O e m p re s á r i o s e r v e diversos drinks em sua cafeteria, ao lado de bebidas quentes, geladas e com diferentes ingredientes — do chantilly ao licor; do leite condensado ao conhaque. “E mesmo assim”, garante, “não se perde a essência do café”.


Novembro/2011 Novembro/2011

rEnDa-sE Às D Café sobe

rano – Gota

ivErsiDaDEs D

s de conha

o caFÉ

que, licor d e cacau, leite condensad espresso, es o e chantilly puma de leite Cappuccin . , calda e rasp o – Espress as de choco o Café terrie la , espuma de te. Coffee ave leite cremosa lã - Chocon e raspas de -up, espress ch o ocolate. aromatizad raspas de ch o de avelã, es ocolate. puma crem o sa de leite e Café briga deiro – Brig adeiro crem o so , leite, café, Shake coff chantilly e ch ee – Café gel ocolate gran ado, leite, so ulado. rv ete de choco Café Orang late, licor de e - Café gel cacau, chan ado, creme tilly e cereja. de leite e su Café caram co de laranja elo ¬– Doce . de leite, café espresso, so de caramelo rvete de crem . e, chantilly e crocante African Bre eze – Bebid a refrescante , à base de ca Vienense fé, sorvete d Bebida à ba e creme e lic se de café, cr or amarula. em chocolate, ch e de leite, ch ocolate em antilly e cho pó, sorvete colate granu de lado. Reza a len da que o ca fé foi desco ca), no ano berto em K 850 D.C. N affia, proví a época, al que quand ncia da Eti guns pasto o seus anim ópia (Áfrire s de cabra ai s ingeriam ce agitados e da região, n rtas frutinh com maior otaram as vermelh resistência. Pegou um as, ficavam K aldi, um punhado d desses pasto mais e frutinhas sentiu-se m res, decidiu e preparou ais disposto averiguar. u m a in e fu alegre. Que são. Após in Porém, os af nem as cab gerir a beb ricanos não ida, ras! os árabes fo tiveram mu ram os prim ito interess eiros a cult e em cultiv ivá-lo e apre ar o café. C om isso, sentá-lo par a o resto do mundo. Café harm

onia – Café

7


8

Novembro/2011

UnidOs POr UMa

MUdanÇa gLOBaL

(MUdar É PrecisO e POssÍVeL) O movimento “Indignados” ganha respaldo mundial e alimenta a esperança dos insatisfeitos com o ônus do sistema capitalista

Todos os dias nos deparamos com denúncias, em todos os níveis, contra o governo

isabElla rocha (2° PErÍoDo) “Eu fiquei indignado, ele ficou indignado, a massa indignada, duro de tão indignado. A nossa indignação é uma mosca sem asas, não ultrapassa as janelas de nossas casas.” A música da banda mineira Skank mostra que o sentimento de uma população inconformada é bem antigo. Escrita há quase 20 anos por Samuel Rosa e Chico Amaral, ‘Indignação’ ainda serve para delinear o atual movimento de cidadãos contra os políticos e a economia. Sua letra nunca esteve tão atual, mesmo 20 anos depois. “Indignados” nasceu na Espanha, um dos países mais atingidos pela crise na Zona do Euro, em 15 de maio deste ano. Ganhou força e visibilidade mundial com o ‘Occupy Wall Street’ (Ocupe Wall Street), em Manhattan, Nova

York. O centro financeiro dos EUA foi tomado, no dia 17 de setembro, pela população preocupada com a desigualdade econômica. Mais de 80 países — entre Itália, Alemanha, França, Bélgica, Grécia, Japão, Chile e Brasil — também abraçaram a causa e buscam medidas concretas para resolver a crise financeira. Apesar da violência e forte repressão policial, principalmente em Roma, a maioria dos protestos foram pacíficos. Os ativistas estão reagindo ao corte de benefícios sociais que os governos estão fazendo para combater a recessão. Os bancos dos países atingidos pela crise de 2008 precisaram de dinheiro público para evitar um colapso no mercado, mas, agora, abarrotados de dívidas, são obrigados a recorrer ao Estado para reduziras despesas. E adivinha quem paga por tamanha inconsequência? Nós, claro! Aumento de

impostos, corte de gastos públicos, crescimento da taxa de desemprego e desigualdade são os principais danos à população. Para o sociólogo Rodney de Souza, essa é uma reivindicação de camadas que perderam renda, emprego e benefícios sociais por conta da crise de 2008 e começaram uma articulação buscando a ação do Estado para reverter as perdas sociais. — Se o movimento se consolidar com um número cada vez maior de países, poderá, no mínimo, forçar os governos a controlarem o fluxo de capitais e intervir no mercado de uma maneira mais forte.

inDiGna inaÇÃo O sociólogo concorda com os “Indignados” e considera positiva qualquer mobilização de pessoas buscando justiça social. A estudante de Fisiote-

rapia Eriane Abreu, 19, fica indignada “com a corrupção na política, o SUS, que leva às pessoas carentes um péssimo atendimento e ao preconceito contra os homossexuais, sendo que a sociedade possui problemas mais preocupantes como fome e educação deficiente”. Já Ana Luíza Miranda Corrêa, 19, estudante de Direito, tem preocupação em relação às drogas. “Pessoas com poder aquisitivo alto estão se afundando em um caminho sem volta; as autoridades deveriam tratar este problema como de saúde pública e não ficar negligenciando um fato tão sério”, questiona a futura advogada. No Brasil, o último movimento relevante de jovens, aconteceu, principalmente, nas cidades de São Paulo, Salvador e Brasília — os Caras Pintadas. Em 1992, essa onda reuniu estudantes com um objetivo: tirar do poder o então presidente Fernando Collor.

Após denúncias de corrupção, houve passeatas da juventude com o rosto pintado de verde e amarelo. Com tanta pressão social, Collor deixou o cargo no mesmo ano. Prova de que o mesmo povo que coloca os representantes no poder, também tem força para tirá-los. Aqui no Brasil, os “Indignados” ainda são poucos. “Talvez porque nosso país tenha sido menos afetado pela atual crise”, afirma Rodney Souza. Mas, mesmo com uma participação tímida, é animador ver os brasileiros saírem às ruas lutando por seus ideais. Diferente dos principais países atingidos pela crise, a nossa reivindicação é dar um basta na praga da corrupção. Todos os dias nos deparamos com denúncias contra o governo em todos os níveis. Como anunciou o Skank, antecipadamente, “Indignação, indigna. Indigna, inação”.


Novembro/2011

9

E adivinha quem paga por tamanha inconsequ锚ncia? N贸s, claro!


Novembro/2011

EMPREENDEDORES

10

O negócio da

Homem mexer com moda? Três ex-alunos da Newton derrotam o preconceito e assumem um projeto que se tornou sucesso no primeiro exemplar Isabella Rocha A moda de Belo Horizonte ganhou comunicação interna e externa – a revista Fashion BP. Lançada em outubro deste ano, a revista tem a intenção de abrir o mercado do Barro Preto, pólo belo-horizontino do ramo, considerado um dos maiores do país e que atrai clientes até de outros países da América Latina. O projeto foi uma ideia da empresa Cola Oficial, que tem um ano e meio de exis-

Lucas,Jefferson e Leonardo: Tudo é fashion no jornalismo

tência e foi criada por exalunos de Jornalismo da Newton Paiva. Lucas Campos, Jefferson Delben e Leonardo Cunha procuraram a Associação Comercial do Barro Preto (ASCOBAP) para concretizar uma parceria que beneficiou os clientes e lojistas. E deu certo! A ideia surgiu como uma oportunidade do mercado. Segundo os jovens, eles analisaram e viram a p o s s i b i l i d a d e n o B a r ro Preto, um pólo de moda em que não havia um meio de comunicação próprio.

Engana-se quem pensa que seria fácil três homens totalmente leigos no mundo fashion falarem sobre o assunto. “Há um ano, estamos estudando, lendo revistas, seguindo blogs, entendendo, realmente, a linguagem da moda”, conta Jefferson. A Fashion BP é trimestral e, inicialmente, gratuita. “Na revista, mostramos alguns looks dentro do Barro Preto, com as roupas dos lojistas e matérias de comportamento”, diz Leonardo Cunha. A revista é

d i re c i o n a d a p a r a d o i s públicos diferentes — o varejista e o atacadista. “O n o s s o p ú b l i c o d i re t o é aquela pessoa que revende moda no interior de Minas e São Paulo. O revendedor que tem essa revista ganha na concorrência direta, pois antecipamos as tendências para eles”, afirma Lucas Campos, autor do projeto gráfico e diagramador da revista. Ainda na primeira edição, a aceitação foi muito boa e, apesar dos altos e baixos de todo começo de

trabalho, o retorno tem motivado os empresários. “Recebemos elogios do papel, da qualidade do texto, imagens, todo trabalho em si. Os anunciantes adoraram a revista e tiveram o número de vendas aumentado”, fala Lucas. A tiragem inicial foi de dez mil revistas e 52 páginas. A previsão é de aumentar para vinte mil revistas, com 120 páginas cada. A segunda edição, que sai em março já traz uma prévia do outono-inverno. E isso é só o começo!


11 Novembro/2011 11 Novembro/2011


12

Novembro/2011

a cOBertUra internaciOnaL aPós 11 de seteMBrO de 2001

alDEn starlinG (3° Período) A destruição das Torres Gêmeas do World Trade Center (vírgula) em Nova York foi vista ao vivo — e com toda sua chocante realidade —, pelo mundo inteiro. A princípio, com certa incredulidade; depois, com todos os horrores do acontecimento caindo sem dó sobre os corações e mentes. Pela primeira vez, o mundo recebia em tempo real cenas reais de um fato altamente impactante, antes somente visto em películas criadas pelos estúdios hollywoodianos. Anteriormente, o ponto alto da mídia tinha sido a cobertura da Guerra do Iraque, com cenas vivas de uma Bagdá

sob o efeito de imagens do tipo “guerra nas estrelas”. Cenas noturnas, gravadas e narradas na devida distância pelas maiores emissoras mundiais. Um avanço na comunicação, apressavam-se a dizer os comentaristas da época. O fato chegou a se tornar rotineiro (resguardado o devido respeito às vítimas dos bombardeios aéreos): ligava-se o receptor e lá estavam os correspondentes falando dos mortos e feridos, exibindo números que não diziam nada, enquanto as lentes captavam as imagens com exatidão. As mesmas imagens. Com certeza, podia-se traçar um roteiro, montar uma pauta, tudo devidamente assessorado por fontes oficiais. As mesmas fontes oficiais.

Depois do dia 11 de setembro, tudo mudou. Nada fora planejado por ninguém, a não ser pelos agressores. A confusão se estabeleceu no cenário midiático; imagens de câmeras de amadores — e não das grandes redes americanas —, foram as primeiras a registrar cenas chocantes que o mundo, certamente, guardará por muito tempo. Pior, tudo acontecera dentro da nação considerada a mais poderosa do planeta. Quando a comunidade mundial se deu conta, os dois grandes pilares da economia mundial já estavam condenados... e vieram ao chão. E havia outras notícias impressionantes: o Pentágono também fora bombardeado; além disso,

outra aeronave suicida estava a caminho da capital americana. Seu destino, a Casa Branca, sede do governo dos Estados Unidos. Soube-se que não chegara a seu destino, pela heróica reação dos passageiros contra os terroristas no comando. Durante o desenrolar dos fatos, a mídia tentava se organizar, sem conseguir muitos resultados efetivos. A saída? Reprisar ininterruptamente as cenas de horrores do World Trade Center e, mais reservadamente, do Pentágono — coisas que recentemente voltaram a se repetir no Egito e na Líbia. No ar, comentaristas nem sempre dizendo muito além do pouco que, até então, já se

conhecia; repórteres corriam atrás de pessoas desnorteadas e cobertas de pó. A mão do terror continuava invisível, mas mostrava agora um alcance insuspeitado: atacava dentro da casa do inimigo. Só assim, aos poucos, os pedaços desse quebracabeça foram sendo juntados. Mal se percebia, no entanto, que já surgira uma nova era. Um ponto determinante para um novo conceito da abordagem de fatos de interesse mundial. Reagir com velocidade e eficiência na cobertura de fatos chamados ‘imprevisíveis’, sem dúvida nenhuma, é uma tarefa desafiadora. O tempo, o mestre maior, já mostrou a lição, mas, pelo visto, ainda não a assimilamos.


Novembro/2011

13


14

Novembro/2011

chic Le freak c’est

Carla Izabela de Oliveira Fernandes (8º Período) Gabriela Cravo e Canela perdeu seu lugar. Juntou suas formas voluptuosas de moça nordestina e permitiu a entrada do estilo skinny do segundo milênio. Nada mais de pés descalços no chão e demonstrações do gingado brasileiro nas rodas das mulatas endeusadas por Adonirams, Zecas e Martinhos. Isso não é cool, minha amiga. Mas não se preocupe... Para o suposto consolo feminino, criaram um caldeirão lotado de fórmulas mágicas para sobreviver nos anos 2.0 com aquela cinturinha de pilão: ervas naturais, aparelhos de ginástica portáteis e Sibutramina. Por quê não? As promessas do pequeno comprimido são tentadoras. Duas doses diárias e puf! Lá se foram 600 calorias embora. O problema é que junto com elas também arrumaram as malas compostos indispensáveis no corpo humano e a saúde já conservada a duras penas nesse mundo onde surgem vírus, bactérias e sei lá mais quais doenças todos os dias. Simples assim, tal como a constante frase ‘me vê uma caixa Sibutramina’ dita de hora em hora nas farmácias de cada esquina brasileira. Talvez seja um preço muito alto pelo must. É raro que isso aconteça, mas pelo menos o Ministério da Saúde assumiu uma postura sensata ao proibir a venda do tal remédio milagroso. Talvez fosse essa a brecha que faltava para que a esperança da diversidade tão exaltada em discussões sociais finalmente desfile para a multiplicidade da plateia e mostre que o bom mesmo é ser diferente, e não apenas uma unidade qualquer. Por sinal, também é raro dizer que a Lady Gaga acertou em algo que vá além de suas bizarrices, mas o fato é que suas palavras na música Born This Way refletem o que realmente deveria ser. Cada um é bonito do próprio jeito, e o gosto, ah, esse aí é, felizmente muito subjetivo. Para Gisele, Gabriela, Aretha, quem for. Suas formas não definem seu estilo. Nós nascemos assim, querida. Tenha isso em mente. Lady Gaga nunca teve tanta razão.

Com proibição de diversos medicamentos, Ministério da Saúde desfere golpe mortal na venda livre dos moderadores de apetite e decreta a volta da mulher violão...

Jornal Lince 47  

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva