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LINCE jornal

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton Paiva Nº 58 | Março de 2014

DE SARNEY A COLLOR

AS ETERNAS DINASTIAS POLÍTICAS | pÁGINAs 8 e 9

A DUrA rotINA Dos roDoVIÁrIos | pÁGINAs 10 e 11

o GÊNero MUsICAL eLeIto peLo poVo | pÁGINAs 3 À 5


arquivo pessoal

Opinião

A reportagem

fora das mídias

Expediente

LINCE jornal

Jornal Laboratório

do Curso de Jornalismo

convencionais

do Centro Universitário Newton

Roger Leon

para lembrar cada palavra pro-

último adaptado para o cinema,

3º Período

ferida pelas testemunhas. O

também obteve sucesso. De

 

mais famoso livro reportagem

certa forma, quase um século

Para se contrapor ao estilo

até hoje é “Hiroshima”, de John

antes, Euclides da Cunha,

enxuto das reportagens da

Hersey, um retrato minucioso

então repórter do jornal O

época, um grupo de jornalistas

sobre seis sobreviventes à explo-

Estado de São Paulo, fez o

dos anos 1950-1970 criou o

são mais famosa da história,

mesmo com “Os Sertões”,

estilo literário conhecido como

feita após um ano do ocorrido,

cobrindo a Guerra de Canudos.

“New Journalism’’. Incluindo

no Japão. Apresar de triste, a

O livro não ficção mais ven-

uma narrativa literária que

história se mantém como uma

dido do ano passado foi exata-

seduz o leitor, a notícia passava a

lição de vida de pessoas que

mente um livro reportagem

ser mais interessante e aprofun-

passaram por um dos maiores

feito com maestria por Daniella

dada, criando uma leitura mais

atentados da história.

Arbex, o “Holocausto Brasi-

Presidente do Grupo Splice Antônio Roberto Beldi Reitor João Paulo Beldi Vice-Reitora Juliana Salvador Ferreira de Mello COORDENADORA DOS CURSOS DE COMUNICAÇÃO Juliana Lopes Dias

leve e agradável. Inicialmente

No Brasil, o gênero chegou

leiro”, história do manicômio de

publicadas apenas com textos

no final dos anos 1970, pelas

Barbacena, onde morreram

mais longos, em revistas como a

mãos de Fernando Moraes, com

mais de sessenta mil pessoas.

“Squire’’ e a “New Yorker’’, sem

o livro “A Ilha”, o primeiro sobre

Um dos melhores livros de

tanta profundidade no

Cuba, no auge da Era Fidel Cas-

2013, “Holocausto’’ choca e

tema, hoje já passam a ser de

tro. Porém, sem muito sucesso,

enche seus leitores de compai-

domínio das editoras e podem

o gênero só caiu nas graças do

xão pelos internos, e causa

ser adquiridas em livrarias con-

público no início dos anos 1990,

revolta em saber que as autori-

vencionais.  

quando Ruy Castro falou sobre a

dades não fizeram nada para

O pioneiro no estilo narra-

bossa nova em “Chega de sau-

barrar um dos maiores absurdos

(Registro Profissional 127/MG)

tivo foi “A sangue frio”, de Tru-

dade”, sucesso de público e crí-

da história do Brasil. O gênero

man Capote, que investigou a

tica, e “A Estrela Solitária”, bio-

ganha pontos positivos por

Monitores João Paulo Freitas e Caíque Rocha

fundo a história da chacina de

grafando a lenda Mané Garrin-

desenvolver ao máximo um

uma família em uma cidade no

cha. A partir daí, a prática virou

assunto que pode ser polêmico

interior dos EUA. O autor, que

comum e vários jornalistas se

ou que já foi até esquecido do

não chegou nem a utilizar gra-

lançaram no mercado editorial.

grande público. O gênero

vadores, conversou direta-

Caco Barcellos é um exemplo da

amplia os conceitos de reporta-

mente com os assassinos antes

grande aceitação do gênero,

gem e de grande reportagem dos

mesmo de serem descobertos,

com suas reportagens em forma

Jornais diários, a partir do

deixando a trama mais concisa e

literária — “Rota 66”. Dráuzio

momento em que faz profunda

com uma leitura mais instigante

Varela, com “Carcereiros” e

pesquisa na vida das persona-

— Capote usava sua memória

“Estação Carandiru”, sendo o

gens’ envolvidas.

Coordenador da central de produção JORNALISTICA - CPJ Pro­fes­sor Eus­tá­quio Trin­dade Netto (DRT/MG 02146)

Conselho Editorial Professor Menoti Andreotti

Pro­jeto grá­fico e Direção de Arte Helô Costa

Reportagens Alu­nos do Curso de Jornalismo do Centro Universitário New­ton Diagramação Márcio Júnio Estagiários do Curso de Jornalismo Cor­res­pon­dên­cia NP4 - Rua Ca­tumbi, 546 Bairro Cai­çara - Belo Horizonte - MG CEP 31230-600 Contato: (31) 3516.2734 sugestoeslince@hotmail.com

Sugestões de pautas? Participe do Jornal Lince.

Este é um jor­nal-la­bo­ra­tó­rio da dis­ci­plina La­bo­ra­tó­rio de Jorna­lismo II. O jor­n al não se res­p on­s a­bi­l iza pela

Uma publicação feita pelos alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton.

emis­são de con­cei­tos emi­ti­dos em ar­ti­

E-MAIL: sugestoeslince@hotmail.com

gos as­si­na­dos e per­mite a re­pro­du­ção to­tal ou par­cial das ma­té­rias, desde que ci­ta­das a fonte e o au­tor.

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Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Março de 2014


Rotulado de cafona, gênero musical se reinventa a todo o momento e, apesar do preconceito, mostra sua força e influencia cada vez mais a música brasileira

DA MpB

o CamaLEÃo

COMpORTAMEnTO

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014

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caMiLa chagas e MaRcus soaRes

no país, e os cassinos tinham portas aber-

exibida pela Rede Globo, em 2012, foi um

5º período

tas para artistas do mundo inteiro — fran-

dos maiores sucessos da paraense Gaby

ceses, americanos e, principalmente lati-

Amarantos.

Que o Brasil é um país de múltipla

nos, vindos do México — a influência mais

Para o radialista, poeta, letrista e crí-

musicalidade, todos já sabem. Mas há

forte, possivelmente, é a dos boleros

tico de música, Kiko Ferreira, o sucesso

alguns gêneros que nunca saem da moda.

românticos mexicanos e cubanos, que

desse tipo de composição se refere ao

Um deles, o que é definido como “música

vieram a influenciar, décadas depois,

empobrecimento intelectual de uma

brega”. Ao longo do tempo, o estilo se rein-

autores como Orlando Dias, Odair José ou

população que não tem acesso a arte e

ventou, incluiu novas sonoridades em um

Lindomar Castilho e até os sertanejos

cultura nas escolas. “Mas Gaby e a banda

amplo arsenal que vai de baladas românti-

Bruno e Marrone. O gênero, que um dia

Calypso são altamente profissionais,

cas a batidas eletrônicas, em canções que

habitou prostíbulos (que no nordeste têm

sabem o que estão fazendo, assim como o

falam de amores, traições, dores de coto-

sinônimo de brega), hoje frequenta os

pessoal do axé e do funk”, reconhece.

velo, da vida das empregadas e prostitutas,

mais finos ambientes.

em letras, às vezes até bizarras, mas de

— Eles sabem apelar para o que Fausto Fawcett chamava de baixos instin-

melodias fáceis, que todo mundo sabe

MetaMoRFose aMBuLante

tos... Gaby é uma estrela ao nível de uma

cantar. Mesmo quando diz que não gosta.

O sucesso do gênero pode ser atribu-

Célia Cruz, mas a música de Célia Cruz é

Um dos segredos do brega é sua incrí-

ído, em grande parte, à sua capacidade de

muito, muito melhor e mais sofisticada

vel capacidade de mudar e de se adaptar.

se transformar e se adaptar aos modismos

— compara Kiko.

Sempre que teve a morte declarada, con-

musicais de cada época. Num processo de

seguiu renascer. Mais do que isso, ressur-

selvagem antropofagia, o brega se apossou

RegRaVaÇÕes BRegas

gir como novidade. Por isso, há uma lista

do bolero, da jovem guarda, do samba, do

A maioria dos artistas desse estilo vem

extensa de artistas que são referência

forró, do sertanejo, do pop rock, do samba

do nordeste do Brasil, região que sofre

dentro do brega. Ela vai de Reginaldo

(que transformou em pagode) e até da

com as secas e falta de chuvas. São lugares

Rossi a Odair José, passando por Sidney

batida eletrônica, inventando o techno-

mais pobres, em que o acesso a produtos

Magal, Nelson Ned, Fernando Mendes,

brega. É tal e qual prega a Lei de Lavoisier,

culturais mais sofisticados é difícil. Há

Waldik Soriano, Grupo Molejo, Karame-

o brega renasce das cinzas e, em sua natu-

artistas que não saem do nordeste porque

tade e Diana, mas agrega novos bregas,

reza, se nada se cria, nada também se

fazem tanto sucesso em suas regiões de

como a Banda Calypso e Gaby Amarantos,

perde: tudo se transforma.

origem, que nem têm pretensão de serem

numa invejável mostra de vitalidade.

— Muitas vezes, o adolescente chega

reconhecidos no resto do país. Um deles é

querendo determinada música, mas

o megabrega Reginaldo Rossi, que jamais

status de cLÁssico

quando escuta uma coletânea e vê que

deixou seu Recife natal. Da mesma forma

Ninguém, em um primeiro momento,

existem outras canções conhecidas,

que outro pernambucano, Adilson Ramos

assume que gosta de música brega, mas,

acaba gostando do cantor e comprando

e o potiguar Gilliard.

dois drinks a mais, põe as músicas pra

mais produtos dele — revela Maria Apare-

Hoje, não é heresia afirmar que o

tocar em festas, canta o repertório inteiro

cida Calvo, vendedora da Discoplay, a

brega passou, inclusive, a influenciar a

e, por fim, admite que o brega, apesar de

mais sofisticada loja de discos de Belo

MPB. Para Kiko Ferreira, esta lição é

tudo, tem lá seus encantos. Afinal, as

Horizonte, mas que também mantém em

antiga. O Tropicalismo já dava sinal disso

letras são fáceis de serem entendidas,

seu acervo diversos títulos da nação brega.

desde o início dos anos de 1970.

falam de amor com palavras que estão no

Ao contrário do que acontece com

— Nem tudo que é brega é ruim; nem

dia a dia da maior parte da população. Não

artistas da elite, o brega ostenta cifras

tudo que é popular é dispensável. Artistas

é à toa que uma das músicas mais famosas

invejáveis tanto no que diz respeito a ven-

como Caetano Veloso e Arnaldo Antunes

do rei do brega, Reginaldo Rossi — “Gar-

das de discos quanto à agenda de seus

conseguiram identificar estas pérolas e dar a

çom” (“aqui, nessa mesa de bar, você já

interpretes mais famosos. Amado Batista

elas uma sofisticação que soa convincente.

cansou de escutar centenas de casos de

ou Eduardo Costa fazem mais shows em

Segundo Kiko, detalhes em um

amor”) — já está a um passo de conseguir

uma semana do que Adriana Calcanhoto

arranjo podem valorizar ou destruir uma

o status de clássico.

em três meses. Além de tudo, tocam mais

música. “Os caminhões de gás e as espe-

Reza a lenda que a música brega teve

nas emissoras de rádios de todo o país e já

ras telefônicas conseguiram transformar

início nas décadas de 1940 e 1950, mas

dominam as trilhas sonoras das novelas e

a erudita ‘Für Elise’, de ninguém menos

suas origens, a bem da verdade, se perdem

séries de televisão. “Ex mai Love”, da

que Ludwig Van Beethoven, numa coisa

no tempo, de quando o jogo era liberado

trilha sonora de “Cheias de Charme”,

irritante”, observa.

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Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014


Fotos: divulGaÇÃo

Brega é um conceito Hoje, as festas universitárias não tocam somente pop rock, sertanejo universitário ou músicas eletrônicas; investem também em canções bregas que viram temas da própria comemoração. Hits de Sidney Magal, como “Sandra Rosa Madalena” ou “Meu sangue ferve por você” agitam as baladas dos estudantes da classe média e ninguém reclama. “Fogo e Paixão”, do Wando, é outra. Da mesma forma que ninguém reclamou quando a rebolativa “Conga, La Conga”, da Gretchen, foi recriada num palco pela diva Marisa Monte. “Às vezes, a festa está desanimada e é só começar a tocar as músicas de Sidney Magal e Reginaldo Rossi, que crianças e pessoas mais velhas vão para as pistas de dança”, revela o músico Saulo Tecladista. É importante ressaltar que o brega não tem nada a ver com pobreza. Gênios como Cartola, Nelson Cavaquinho ou Nelson Sargento foram criados em favelas e nem por isso fizeram música mal feita; muito pelo contrário. Assim como o nosso Flávio Renegado, simples e inteligente. “Logo, pobreza de recursos não precisa, necessariamente, rimar com música de má qualidade“, filosofa Kiko Ferreira.

Um girassol na lapela Marcondes Falcão Maia. Quem

sempre falam de corno, chifre e traição com

comecei a gravar meus discos. Eu tive que

seria esse? Conhecido apenas como o

pitadas de humor e irreverência. O figurino

optar por um dos dois, ou a música ou arqui-

Falcão, ganhou fama e conquistou o

foi meio que sem querer, quando eu partici-

tetura. No caso foi a música, era o que estava

público com suas letras bem humora-

pei de um festival no Ceará, me deram a

dando mais dinheiro e trabalho.

das, figurino extravagante e um estilo

ideia de me inspirar no Waldick Soriano, e

que é tão pessoal que já independe do

nunca mais tirei. Mas, com o tempo foi pio-

brega. Nascido no Ceará, em 1957, o

rando. Fui acrescentando adereços e pen-

artista se prepara para lançar seu novo

duricalhos até chegar no que é hoje. E a

álbum de carreira e atuar no cinema.

tendência é só piorar.

reira e novos projetos. Lince - coMo coMeÇou seu inteResse PeLo

naLMente conhecido? FaLcÃo - O brega, no geral, é meio

esquematizado. No meu caso foi diferente, veio com uma dose de humor e irreverência,

Procurado pelo Lince, falou um pouco da sua história com o estilo brega, car-

Lince - coMo conseguiu se toRnaR nacio-

Lince – o senhoR se incoModa coM o títuLo de cantoR BRega?

mostrando mais uma caricatura do que é o brega. Então, ficou mais fácil. Assim, as pes-

FaLcÃo – Não, acho muito interessante,

soas veem pelas letras, a mensagem que eu

porque a música brega é muito popularizada

estou levando. Na verdade, eu não tive

e talvez toda música brasileira seja brega.

muito trabalho; eu me tornei o que as pes-

FaLcÃo - Foi uma coisa em que eu não

Música tem um apelo popular, uma música

soas queriam ver.

pensava. Quando vi, já estava fazendo

bem humorada, com um clichê de drama

canções, pois meu pai sempre ouvia esse

pessoal e passional. É claro que tem muita

estiLo BRega?

Lince - quais sÃo os seus PRoJetos FutuRos?

tipo de música. Quando eu quis ser com-

gente que confunde, que acha que brega é

positor foi mais fácil do que eu pensei, não

uma coisa mal feita, música de lixo e de mau

FaLcÃo – Vou lançar o nono disco da

gosto. Só que na verdade, o brega transmite

minha carreira, que inclusive já está gra-

na música e na cultura, fatos populares.

vado. Tenho alguns projetos de televisão,

foi nada planejado.

vou fazer um programa no Ceará e quero

Lince - de onde o senhoR tiRou insPiRaÇÃo?

Lince - PoR que o senhoR nÃo seguiu coM

FaLcÃo - Do improviso. Muito do que

a aRquitetuRa?

você está sentindo na hora, o que vai apare-

FaLcÃo – Trabalhei um tempo como

cendo a gente vai fazendo, músicas de brega

arquiteto, mas foi na mesma época que

fazer uma coisa nacional também. E no cinema, participei do filme “Cine Holliúdy”... A partir daí, devo fazer mais alguma participação este ano também.

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014

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Acordos, reformas e mudanças

EDUCAÇãO

rEforma Na

“vELha”

são feitas na grafia dos países de língua portuguesa.

Para que serve tudo isso?

ortografIa caMiLa chagas e

tanto, a decisão foi revogada e

por três etapas: assinatura,

por medidas para concluir o

RaqueL duRÃes

só será obrigatório a partir do

ratificação e implementação.

processo”.

5º período

início de 2016.

“A ratificação é necessária

Mesmo que a maioria já

Além de Brasil e Portugal,

porque o acordo tem o esta-

tenha aceitado o novo acordo,

Quando se fala no portu-

a Comunidade dos Países de

tuto de um Tratado Interna-

muitos ainda discordam ou

guês, as pessoas automatica-

Língua Portuguesa é formada

cional entre os países, e, por-

têm dúvidas sobre o assunto.

mente pensam em Brasil, Por-

p o r A n g o l a , C a b o Ve rd e ,

tanto, necessita de um pro-

“O que me incomoda mais é o

tugal e nas suas variações lin-

Guiné-Bissau, Moçambique,

cesso de internalização da

fato de ser um acordo só no

guísticas e escritas. Visando

São Tomé e Príncipe e Timor-

norma”, explica Gilvan Mül-

nome. Acho que, se é portu-

reunificar a ortografia, desde

-Leste, totalizando oito mem-

ler de Oliveira, diretor execu-

guês, deveria haver algum tipo

1990 os acordos ortográficos

bros. Com exceção de Angola e

tivo do Instituto Internacio-

de padrão”, afirma Bárbara

vêm sendo sugeridos nos paí-

Moçambique, todos já passa-

nal da Língua Portuguesa

Lourenço da Costa Dantas,

ses de língua portuguesa. Ape-

ram pela primeira fase do tra-

(IILP). Sobre o posiciona-

revisora de textos na Editora

sar disso, só depois de 18 anos,

tado, a assinatura. Temos hoje

mento dos demais, Gilvan

UFMG. Para completar, a pro-

após a assinatura do então

então, o acordo totalmente

Oliveira esclarece que “todos

fissional cita um exemplo de

presidente Luiz Inácio Lula da

ingressado no Brasil e, em

também já passaram pela

linguagem e escrita similar.

Silva, em setembro de 2008, o

parte, em Portugal. Os demais

segunda fase, menos Angola,

“Veja pelo lado dos EUA e da

Brasil decidiu finalmente

vão aos poucos ratificando e se

que ainda tem dúvidas se

Inglaterra. Há algumas dife-

ceder às novas regras de orto-

adaptando às mudanças.

ratifica ou não, e Moçam-

renças na grafia de determina-

bique, que já encaminhou a

das palavras, mas nada muito

grafia. De início, o prazo para a oficialização do acordo era

o acoRdo

confirmação da assinatura

discrepante como é com Por-

para janeiro deste ano. Entre-

A unificação oficial passa

para o Parlamento e aguarda

tugal e Brasil”, questiona.

Na economia Mudanças na ortografia

Tufano, autor de diversos

editoras já se adaptaram às

Tufano, não é tão simples

devem simplificar e facilitar

livros da Editora Moderna,

reformulações. O medo de

assim. “Não vejo como esse

a vida das pessoas. Por outro

entre eles, a segunda edição

muitas é que o acordo não se

acordo pode trazer benefí-

lado, as dificuldades com as

da Gramática fundamental,

concretize, e cause prejuí-

cios econômicos relevantes

novas regras gramaticais

que vem acompanhado do

zos à economia das empre-

que justifiquem os gastos”.

complicam ainda mais o

Tira-dúvidas: conjugação

sas. “Uma ortografia única

Além disso, a integração

aprendizado. “O texto da

verbal, que ao final apre-

possibilita nossa circulação

cultural de países que falam

reforma deveria ter sido

senta um apêndice com a

e atuação internacional.

português “deveria ser bem

mais debatido, como, aliás,

nova ortografia resumida.

Digo, com segurança, que o

melhor e essa suposta ‘unifi-

pediram, durante anos,

Apesar das adaptações

processo é irreversível”,

cação da linguagem escrita’

vários estudiosos de nossa

na escrita ainda não serem

defende Gilvan Oliveira.

pouco faz por essa integra-

língua”, afirma Douglas

obrigatórias, milhares de

Entretanto, para Douglas

ção”, analisa o autor.

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Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014


Língua viva

O que é o VOC?

Reformas ortográficas

“O governo brasileiro assi-

Após toda essa discussão,

acontecem para formalizar uma

nou, ratificou e implementou a

estão sendo desenvolvidos

Send o as s im, o VO C ,

mudança que já está em uso. Se

nova ortografia, prevista no

diversos projetos educacionais

quando integralizado, será a

não fossem por elas, ainda

Acordo Ortográfico. O processo

que visam o aprendizado e a

soma de oito vocabulários orto-

escreveríamos ‘êle› ou ‹êste›. Por

está concluído e podemos para-

assimilação das mudanças na

gráficos nacionais (VON) e terá

mais que isso se torne motivo de

benizar o Brasil pela rapidez,

escrita. O Instituto Interna-

uma grande importância para o

polêmicas e discussões, não há

segurança e eficiência com que

cional da Língua Portuguesa

futuro da língua, como a maior

como negar que, se houve uma

o conduziu”, afirma Gilvan

coordena o processo de elabo-

base de dados lexicais digitais

necessidade de reformular cer-

Oliveira. Por outro lado, tal

ração do VOC, Vocabulário

existentes, e como instru-

tas palavras. Isso prova que a

eficiência no procedimento

Ortográfico Comum da Lín-

mento normativo reconhecido

língua é viva e está em constante

pode ser reavaliada, visto que

gua Portuguesa. O VOC é uma

pelos países. “O Acordo Orto-

mudança. Além disso, vale lem-

já são mais de 18 anos de dis-

base de dados digital de uso

gráfico, o Vocabulário Ortográ-

brar que o português é o quinto

cussão sobre a aceitação, ou

aberto e gratuito, com mais de

fico Comum da Língua Portu-

idioma mais falado no mundo.

não, das medidas.

300.000 palavras, nas quais se

guesa e o próprio IILP, apon-

aplica o Acordo Ortográfico, e

tam para um novo momento

que permite ao usuário escla-

da língua portuguesa, que só

recer qualquer dúvida sobre a

têm a ganhar com a colabora-

Na prática Para os jornalistas, escrito-

Como revisora, Bárbara

res, revisores e outros profissio-

admite ter a obrigação de

nais da área, o conhecimento

estar bem infor-

do português correto é indis-

mada, mas sabe

pensável. Afinal, são profissio-

que ainda tem

nais que têm como instru-

m u i t o

mento de trabalho a língua

aprender

escrita. Assim como um

sobre

médico deve saber as novida-

novas regras.

des da medicina, um revisor

“A s p e s s o a s

deve saber o que há de novo na

têm mania de

língua. “Quem lê um livro,

achar que quem

além da informação do conte-

forma em Letras é

údo propriamente dito, está

um dicionário ambu-

adquirindo conhecimentos

lante”, brinca. “Se um

sobre a ortografia da língua,

médico não souber da nova

mesmo sem perceber”, garante

vacina de Gripe, mesmo que

a revisora Bárbara Lourenço.

ele discorde dela, então não é

“Se quem formou em um curso

um bom médico. Se eu,

oliveira, diretor

especifico não está acompa-

mesmo que discorde do novo

eXeCutivo do instituto

nhando as mudanças, então

acordo ortográfico, não souber

esse não é um bom profissio-

do que se trata, então não sou

internaCional da línGua portuGuesa

nal”, conclui.

boa profissional”.

a as

determinada palavra.

ção entre os Estados para elaborar o futuro do portu-

Trata-se menos de uma escrita de Reforma Ortográfica e mais de um Acordo Ortográfico, como o próprio nome já diz.

guês”, afirma Gilvan Oliveira.

Foto: arQuivo pessoal

Gilvan mÜller de

Novas regras

Se as pessoas ainda têm dificuldade com a atual escrita, já imaginou o momento em que a nova ortografia se tornar obriga-

tória? Para aqueles que ainda não se acostumaram com a idéia (ou ideia, conforme as novas regras), será um Deus nos acuda. Para tentar esclarecer algumas dúvidas, veja algumas das regras básicas. 

O trema (¨), como era em “lingüiça”, está fora de uso. O sinal permanece apenas nas palavras estrangeiras e suas derivadas.

Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima

sílaba). Por exemplo, “alcatéia” passar a ser “alcateia”. 

Não se emprega o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s). Ex: “enjôo” vira “enjoo”.

Sempre se usa o hífen diante de “H”, como em anti-higiênico e super-homem. Esta é a regra básica, entretanto, existem exce-

ções neste caso. 

Para o uso do hífen, as regras são extensas e possuem muitas variações. A dica é pesquisar em referências especializadas em

Novas regrasNovas regras ortografia e conferir.

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POLÍTICA

Dinossauros políticos

Obcecados, eles não abandonam suas posições e, de pai para filho, as dinastias políticas se eternizam no poder legislativo

Frederico Vieira e Manuel Carvalho

5º período Dinastia é o período de sucessão, geralmente longo, em que membros pertencentes a uma mesma família permanecem no poder. Um exemplo disso aconteceu em Minas Gerais, com a família Ferraz. Começou com Adalberto Dias Ferraz da Luz, que foi o primeiro prefeito de Belo Horizonte, em 1897. Posteriormente, dois irmãos foram deputados estaduais por várias legislaturas consecutivas: Jorge Ferraz (de 1959 a 1971) e João de Araújo Ferraz (de 1967 à 1987). Em Barbacena, as famílias Bias Fortes e Andradas se rivalizaram na política local desde o fim do século XIX até 1930. Outros casos podem ser citados pelo Brasil afora: na Bahia, a família Magalhães está no poder há mais de 50 anos. No Maranhão, a dinastia Sarney administra o estado há mais de 40; enquanto em Maceió, a família Collor se mantêm há mais de 30. No Distrito Federal, a família Roriz se mantêm no poder há mais de duas décadas. — Percebo que em diversos estados existem oligarquias que se perpetuam no poder, mas vão deixando de ter aos poucos densidade eleitoral e até representação política — constata o deputado estadual Fred Costa (PEN), lembrando que a política necessita de uma renovação constante para o bem da democracia. Vale destacar que a perpetuação também ocorre fora do Brasil. Em Cuba, a ditadura militar da família Castro já vem desde 1976.

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Sarneylândia Existem “medalhões políticos” em praticamente todos os estados brasileiros. Alguns surgem como “heróis”, como aponta o jornalista Paulo Henrique Lobato, do jornal O Estado de Minas. — O José Sarney, quando surgiu lá no Maranhão, há muitos anos, apareceu com o discurso de que era algo de novo, mas agora ele não é mais. Sarney já foi presidente da República, senador, governador, deputado, dentre outros cargos políticos. Tem dois filhos na política: a atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e o deputado federal Sarney Filho, também conhecido como Sarneyzinho. Para não disputar voto com a filha, José Sarney já mudou até de estado — foi candidato e acabou eleito senador lá no distante Amapá.

Direito ao voto Historicamente, o Brasil sempre teve problemas relacionados à política. A imagem dos políticos, por causa dos escândalos, costuma ser diretamente relacionada à de pessoas de baixo caráter e na maioria dos casos, de corruptos. O processo eleitoral em nosso país é democrático. E, mesmo sendo obrigatório, a escolha do voto é livre. Mas, uma minoria mantém-se interessada em votar com sabedoria, tratando com seriedade necessária o processo eleitoral. Somos responsáveis por quem é eleito em nossas cidades, nossos estados e nosso país. Mesmo assim, há os que não dão o valor necessário ao voto e não têm a consciência da sua importância. O tempo em que esses políticos permanecem em seus respectivos cargos tem relação com a facilidade de se reelegerem. — Se determinadas famílias são perpetuadas no poder durante várias décadas, significa dizer que foi o povo quem escolheu essas pessoas. Bem ou mal, acredito que seja uma escolha democrática — completa o vereador Vilmo Gomes (PT do B). A pergunta é: será que somos capazes de escolher alguém politicamente correto e realmente preparado para nos representar?

Pilares da corrupção São poucos os eleitores que acompa-

altíssimos a fazer um voto consciente. O

nham o histórico dos candidatos antes de

vereador Vilmo Gomes cobrou “do brasi-

ir às urnas, e tampouco se preocupam em

leiro” o sentimento cidadão de fiscalizar o

conhecer a proposta do que vai se pro-

candidato que ele elegeu.

mete para o futuro. O descaso para com a

— Se nós formos perguntar ao “brasi-

política é refletido em escândalos estam-

leiro” em quem ele votou na última eleição,

pados com frequência em jornais e pro-

muito provavelmente ele não saberá dizer.

gramas de televisão. — A população tem a sua parcela de

Reforma urgente

responsabilidade; o mandato é representa-

Em 2005, estourou o escândalo do

tivo político. Se lá estão, significa que uma

mensalão, e mesmo assim, os deputados

parcela votou neles — adverte Fred Costa.

acusados, que haviam sido eleitos três anos

Em contra partida, a escassez de políticos

antes, acabaram sendo reeleitos em 2006, e

íntegros é um dos pilares da corrupção no

alguns em 2010.

poder legislativo do Brasil.

— A verdade é que há uma brecha nas leis brasileiras, que atrasam e postergam

Escândalos

julgamentos contra políticos para mantê-los

Nossos políticos usam do poder aquisi-

nos cargos — reivindica Lobato.

tivo para comprar votos como se fossem

Com os casos dos mensalões e dos des-

mercadorias, e — o pior —, a uma fila

vios milionários dos cofres públicos, a classe

extensa prontinha para vender.

política perdeu credibilidade dentro e fora

— Infelizmente, ainda é uma realidade. Se há políticos que compram votos, também

do território nacional. A população está cada vez mais desanimada com a classe.

tem os eleitores que vendem, alerta Fred Costa.

— Há um amadurecimento da demo-

Ainda existem aqueles que, mesmo

cracia que provoca cada vez mais um senti-

depois de venderem o tão precioso voto, vão

mento de indignação das pessoas — aponta

às ruas para manifestar, clamando por uma

Fred Costa, observando que, “se os escânda-

reforma política e econômica. A consequên-

los são pertinentes, o processo eleitoral

cia é clara, mas invisível aos olhos da maioria

falho, e a política corrupta, é necessária uma

da população, que prefere pagar impostos

reforma urgente”.

Voto distrital Há uma crescente pressão por

políticos, valores para financiamento de

mudanças no processo eleitoral, para

campanhas públicas. “O fundo partidário

incentivar e aperfeiçoar a participação polí-

é um dos maiores responsáveis pelas

tica no país. Uma forma de aumentar o

dinastias, mas não o maior. Existe uma

controle da população sobre os políticos

coisa chamada caixa dois”, denuncia

seria o voto distrital. Desta maneira, o

Lobato — “Não quer dizer que a dinastia

estado (ou cidade) seria dividido em peque-

acabaria, mas seria mais transparente”.

nas regiões, os distritos. Cada partido apre-

Com o voto distrital os candidatos não

sentaria um candidato por distrito, e o mais

precisariam percorrer todo o estado (ou

votado seria o eleito. O voto distrital ajuda-

cidade) atrás de votos, diminuindo os gas-

ria a minimizar a força das dinastias, aca-

tos com campanhas. Mas a não aprovação

bando com a distribuição de votos dentro de

do voto distrital é de interesse dos que

partidos ou coligações. O vereador Fred

atualmente exercem o poder. No ano de

Costa é a favor desta medida. “Sou a favor

1600, ao ser queimado pela Inquisição, o

completamente do voto distrital. Acho que

filósofo dominicano Giordano Bruno des-

nos remeteria a representações mais legíti-

tacou que não há nada mais ingênuo do

mas e maior fiscalização”.

que “pedir aos donos do poder a reforma

O Brasil tem as campanhas eleitorais

do poder”. Não há mudanças, pelo contrá-

mais caras do mundo. Um fundo partidá-

rio. A tendência é as dinastias continua-

rio foi criado para repassar aos partidos

rem a se perpetuar no poder.


CIDADE

Trilhos urbanos para o inferno

Conheça a dura rotina dos profissionais que atuam no transporte público de Belo Horizonte, os motoristas e cobradores

Caíque Rocha Thiago Caldeira

mesma não será revelada — cada viagem

3º Período e 5º Período

costuma durar mais de uma hora.

ESTRUTURA

Nem mesmo durante os intervalos entre uma viagem e outra, os profissio-

A “Revolta dos 20 Centavos” e o Movi-

DESPROPORÇÃO

nais do transporte público não têm vida

mento Passe Livre, que tomaram propor-

De acordo com o presidente do Sindi-

fácil. De acordo com Ricardo, os pontos

ções imensas em nosso país no ano de

cato dos Trabalhadores em Transportes

finais da linha em que trabalha são

2013, bateram de frente contra o preço

Rodoviários de Belo Horizonte (STTRBH),

extremamente precários.

abusivo do transporte coletivo, mas

Ronaldo Batista de Morais, o salário de um

— Não temos um lugar para almoçar,

esqueceram de personagens importantes.

motorista de ônibus em BH independe do

geralmente comemos dentro dos ônibus ou

Quando entramos em um ônibus,

número de viagens ou da duração das mes-

em algum restaurante próximo. E o mais

logo percebemos a escassez de uma boa

mas. É um valor fixo de R$ 1.585,18,

básico de tudo, que são banheiros separa-

estrutura para facilitar o trabalho dos

enquanto o dos responsáveis pela cobrança

dos, para homens e mulheres, não há.

motoristas e cobradores. O risco de vida,

das passagens é de R$ 792,59. Outro deta-

vulnerabilidade a assaltos, a poluição

lhe, não há o benefício da insalubridade.

sonora e a proximidade com o motor superaquecido são exemplos. — Sinto falta de um bebedouro com

O Sindicato afirma que a falta de banheiros é um dos problemas mais reivin-

— Juntamente com outros sindica-

dicados e que está sempre na pauta das

tos, federações e entidades classistas,

lutas da classe para melhorar suas condi-

estamos na luta há anos por esse benefí-

ções de trabalho. Vale lembrar que,

cio. Inclusive, o texto do projeto que

segundo o presidente do Sindicato, esta é

Estas palavras, carregadas de indigna-

regulamentou a profissão do motorista

uma luta que não se restringe às discussões

ção, ilustram desafios enfrentados por

em 2012, continha o direito de insalubri-

durante a campanha salarial. “Ela se

Ricardo Evangelista, 35. Ele é motorista de

dade e da aposentadoria especial, mas foi

estende ao debate com os poderes públicos

uma das linhas de ônibus mais longas da

retirado do texto quando passou pela

em busca de melhores condições de traba-

capital mineira — a pedido do motorista, a

avaliação no senado — relatou Morais.

lho para os Rodoviários”, afirma.

água gelada no final das viagens.

10

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Março de 2014


DESGASTE

ALÉM DO LIMITE

BRT MOVE

Tanto física quanto psicologica-

O motorista Ricardo Evange-

Ainda no primeiro semestre deste ano,

mente, a saúde dos motoristas é muito

lista conta que outro problema,

a prefeitura de Belo Horizonte irá inaugurar

prejudicada. Por ficar dentro de um ôni-

além da carga horária alta, é que às

o BRT - “Bus Rapid Transit” — em portu-

bus por mais de oito horas, diariamente,

vezes é necessário cobrir a ausên-

guês, Trânsito Rápido de Ônibus —, que

com todos os problemas já citados, esses

cia de algum motorista. “A empresa

recebeu o nome de MOVE. Com a intenção

trabalhadores ainda têm que lidar com a

nos liga, quando estamos na última

de tornar as viagens entre algumas regiões e

falta de paciência e o descaso de alguns

viagem, pedindo para rodarmos no

o centro da cidade mais rápidas e, principal-

passageiros. “Me incomoda a falta de edu-

lugar de alguém que faltou.

mente, melhorar o tráfego em geral, princi-

cação das pessoas”, reclama a cobradora

Quando isso ocorre, chegamos a

palmente em relação aos automóveis, o

Débora Ferreira, 29, que trabalha na

trabalhar de dez a 12 horas no

projeto ainda coloca algumas interrogações

mesma linha que o motorista Ricardo

mesmo dia, ininterruptamente”.

na cabeça da população belo-horizontina.

Em um artigo escrito para o

Evangelista.

Para muitos, os problemas irão persistir.

— Nem imagino quantas pessoas pas-

Jornal Lince, Mônica Aparecida

“Em relação a mobilidade urbana,

sam por dia pela roleta, mas menos de um

Bruno — médica de família e

acredito que a novidade chegou um pouco

terço delas me cumprimenta... Às vezes,

comunidade — explica que esse

tarde e pouca coisa irá mudar”, Afirma o

fico na dúvida se devolvi o troco correta-

desgaste físico e psíquico está

presidente do Sindicato, destacando que os

mente e peço pra conferir; aí, sou chamada

muitas vezes além do limite de

investimentos no metrô seriam a grande

de burra, lerda, entre outros nomes.

tolerância, com longas jornadas

saída para desafogar o trânsito e melhorar,

Os próprios passageiros reconhecem

de trabalho, condições precárias

de fato, o transporte público. É importante

essa falta de respeito. Ana Luiza Oliveira

de higiene, alimentação não sau-

ressaltar que muitos ônibus, segundo a Pre-

tem 22 anos e é auxiliar administrativa. Ela

dável e estado precário de conser-

feitura de Belo Horizonte, serão retirados

usa o ônibus como meio de transporte todos

vação das estradas e dos ônibus.

em função do MOVE. Com isso, muitos

os dias, para ir ao trabalho. Mesmo tendo

Com isso, explica a médica, existe

cobradores também ficarão sem emprego,

consciência das dificuldades dos motoristas

um risco maior de distúrbios psi-

uma vez que no novo meio de transporte os

e cobradores, Ana afirma não ter o costume

quiátricos que podem levar até ao

passageiros pagarão os bilhetes nas platafor-

de cumprimentá-los. “Sei que isso é errado,

suicídio.

mas de embarque.

mas, ás vezes, com cansaço do final do dia e a preguiça no início do mesmo, acabo não me preocupando com isso”. — Passarei a tratá-los com mais carinho; desejar bom dia, boa noite, afinal, não custa nada: eles estão na mesma luta que eu — promete.

— É necessário discutir mais

“Eu tenho um pouco de receio; afinal,

sobre esse assunto, procurando

minha linha passa em uma das principais

melhorar a qualidade do trabalho e

avenidas onde o MOVE irá circular. Ainda

da vida desses profissionais. A pro-

não sei qual será o destino das empresas que

fissão de motorista é uma das mais

passam nesses locais, mas tenho esse

estressantes e causadoras de doen-

receio, sim”, preocupa-se Débora, confusa

ças que existem.

em relação ao futuro de seu emprego.

Foto: artHur vieira

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014

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COMPORTAMENTO Quem é a mais nova famosa grávida? Quem se separou? Quem foi a atriz mais mal vestida na festa de premiação do Oscar? Ficou curioso para saber as respostas? Então, admita: você adora uma fofoca

Menina,

nem te

conto!

Raquel Durães e Sueli Azevedo

mação cultural, responsável pela constru-

intangíveis social, econômica e geografi-

5º período

ção do senso crítico, se transformou em

camente.

uma pseudoformação.

— Acho que há um certo prazer em

Há os que acham que isso não é jorna-

— O indivíduo está tão alienado, que

acompanhar os momentos de fraquezas

lismo. Mas há revistas, colunas, progra-

não percebe a ideologia em torno desses

dos famosos. Isso os humaniza e mostra

mas de rádio e de TV, blogs e sites que só

produtos e do interesse na vida das dessas

que por trás de todo o glamour, essas pes-

falam disso. E tem gente que não conse-

pessoas: o mais preocupante é a aceitação

soas são tão miseráveis quanto nós — alfi-

gue ficar sem isso. Por isso, somos diaria-

sem nenhuma resistência desses jornais,

neta.

mente bombardeados com fofocas e boa-

revistas ou programas de TV, com baixa

tos sobre a vida de pessoas famosas,

qualidade.

mesmo que notícias assim não tenham a

Além do mero interesse, há casos de pessoas que desenvolvem sérias síndromes em acompanhar celebridades. “Elas

menor importância Mas afinal, por que

A vida do outro

acreditam que precisam viver cada vez

tanto interesse na vida alheia?

Toda essa curiosidade em torno do dia

mais próximas do ídolo; criam relaciona-

Para Bruno Paiva, professor de Socio-

a dia das estrelas chega a ter um quê de

mentos imaginários com pessoas céle-

logia no Centro Universitário Newton, a

voyeurismo. Mas qual é a utilidade em

bres, em vez de dedicar a pensar em rela-

curiosidade que as pessoas têm sobre a

acompanhar um cotidiano tão distante?

cionamentos reais, o que, segundo muitos

vida das celebridades é desenvolvida pela

Para a jornalista Rafaela Freitas, é uma

psicólogos, pode chegar a ser um sinal de

própria Indústria Cultural, que cria estas

forma de pessoas comuns buscarem pro-

depressão e de ansiedade”, afirma a asses-

necessidades. Segundo o sociólogo, a for-

ximidade com seus ídolos, muitas vezes

sora de imprensa e jornalista Juliana Pio.

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Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Março de 2014


Quem quer saber? Não existe um segmento com um

vinha das donas de casa ou dos jovens que

queiram entrar no Reality Show, ou que

perfil determinado daqueles que ficam

assistem novela ou programas do tipo,

não têm nenhum programa melhor

de olho na vida das estrelas. Seja com Big

mas cheguei à conclusão que tudo é muito

para fazer”. Existem também aqueles

Brother ou por notas de sites de entrete-

amplo. Não existe classificação de faixa

que se espelham na vida dos ídolos e

nimento, a maioria da população con-

etária ou classe social.

acabam se esquecendo do próprio coti-

some tais produtos, em menor ou maior

Entretanto, a promotora e produ-

diano. “Infelizmente nossa cultura é a

escala. Há quase três anos, o jornalista

tora de eventos Adria Castro vai além

da fofoca. Falar da vida dos outros é

Felipe Pedrosa trabalha com TV e notí-

d e s s e c o n t e x t o. “ S u p o n h o q u e o s

melhor do que olhar a nossa e analisar

cias das estrelas.

espectadores assíduos do BBB, por

se estamos fazendo algo de produtivo”,

exemplo, sejam pessoas que talvez

afirma Adria.

— Achava que a maior audiência pro-

Divulgação e lucro “Os veículos de comunicação divul-

décima quarta temporada e é, “estre-

gam esses assuntos porque sabem do

lado”, por pessoas que nem são celebri-

enorme interesse das pessoas; se existe

dades. Mais uma vez, as mídias refletem

uma demanda, eles querem atingi-la”,

um problema delicado na sociedade, a

afirma o repórter dos jornais O Tempo e

transformação do que é privado em

Super Notícia, Felipe Pedrosa. Certamente

público e vice versa. “Ora, não é por

a repercussão dessas notícias é muito

acaso que programas de Reality Show

lucrativa, basta olhar a enorme quantidade

fazem tanto sucesso com o público bra-

de revistas e programas de fofocas espalha-

sileiro”, ironiza o sociólogo. Vale lem-

dos pela mídia em todo país.

brar que também nos Estados Unidos e

Um exemplo é o reality show Big Brother Brasil, que já está em sua

na Europa os reality shows fazem grande sucesso na televisão.

Noite dos desesperados O sociólogo e psicólogo Renato

Segundo Renato, a maioria das

Pereira de Vasconcellos acredita que há

pessoas se dedica a esses programas

“outros impulsos” que levam o público a

porque sente prazer em ver o sofri-

perder tanto tempo com reality shows.

mento dos outros.

“Nos Estados Unidos, desde os anos da

— É uma forma de compensar sua

Grande Depressão, por volta da década

própria infelicidade ou a ideia do anoni-

de 1930, já havia um ensaio desses reality

mato, de saber que no fundo tem inveja

shows de hoje — a diferença é que era

de quem é famoso, mesmo que os famo-

tudo ao vivo e a plateia participava inten-

sos sejam esses coitados desses rapazes

samente”. Uma dessas práticas foi explo-

e moças que aparecem no Big Brother e

rada pelo cineasta Sidney Pollack em um

que não têm nada além de uma aparên-

de seus filmes mais elogiados, “A Noite

cia bonita.

dos Desesperados” (They Shoot Horses,

É por isso que, na opinião de

Don’t They?” – 1969), em que casais se

Renato, notícias sobre separações ou até

inscreviam em maratonas de dança que

doenças de gente famosa chamam tanta

duravam dias, dançando numa arena,

atenção e viram temas de piadinhas

onde eram cercados por centenas de fãs,

infames — “infames e cheias de veneno

que apostavam e torciam, sem se impor-

e de crueldade”.

tar com o sofrimento deles. “Era uma

— São bonitos, ricos, famosos, mas

prática de extrema crueldade; que se

também sofrem, se separam e morrem,

assemelha muito a esses programas atu-

enquanto eu que não sou bonito, nem rico,

ais, onde as pessoas são submetidas a

nem famoso continuo vivo. Pensar assim é

testes físicos exaustivos, passam fome e

uma forma de criar uma espécie de auto-

sofrem humilhações”.

compensação para a mediocridade.

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014

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pOLiTiCA

é rEI! Em “tErra” dIgItaL, quEm tEm faCEbooK

Vai chegando a época das eleições e, com elas, as não tão aceitas propagandas políticas. Afinal de contas, para o candidato, as redes sociais são uma boa alternativa?

PâMeLa Matos e RaqueL duRÃes

espaço tão livre, onde todos falam o que

bém a veiculação de propaganda eleitoral

4º período

pensam, traria um resultado benéfico ao

por meio de blogs, sites de relacionamento

candidato? No Brasil, metade da popula-

e sites de mensagens instantâneas”,

“Uma mesa de bar virtual”. Assim que

ção está ligada à rede, mas nem todos se

afirma Diogo Cruvinel, responsável pela

a ministra Carmen Lúcia descreve o twit-

interessam por política. “As redes sociais

área de propaganda eleitoral no TRE-MG

ter, rede social com mais de 140 milhões

na campanha obrigam candidatos e parti-

(Tribunal Regional Eleitoral de Minas

de contas ativas, onde pelo menos 20 mil

dos a criar um aparato para utilizá-las,

Gerais). “É permitida ainda a reprodução

são de cunho político. No facebook, são

forçam os políticos a se mostrarem e a

do jornal impresso (contendo a propa-

1,1 bilhão de usuários, sendo que 30%

responderem de forma rápida certas

ganda eleitoral) na internet, desde que

desse número são relacionados a partidos

demandas”. Rodney também ressalta o

seja feita no sítio do próprio jornal, respei-

e candidatos. Com tantas plataformas de

fato de que o candidato não pode deixar

tado integralmente o formato e o conte-

divulgação, podem as redes sociais ser

apenas a tecnologia fazer o trabalho: é

údo da versão impressa”, conclui.

aliadas positivas na hora de se promover e

necessário manter o corpo a corpo presen-

— Não será permitido qualquer tipo

lançar carreira política?

cial, o comício, o discurso e o contato com

de propaganda eleitoral paga. Nem pro-

“As campanhas nas redes sociais são

o eleitor. “Nem todos querem se comuni-

paganda em sites de pessoas jurídicas,

inevitáveis. Na era digital, é impossível

car pelo virtual, mas ele é fundamental na

com ou sem fins lucrativos, e em sites

impedir que a internet seja utilizada na

campanha moderna”.

oficiais ou hospedados por órgãos ou

campanha eleitoral”, afirma o cientista

entidades da administração pública.

político e professor do Centro Universitá-

o que dizeM as RegRas?

Serão aplicadas aos provedores de con-

rio Newton, Rodney Souza Pereira. Mas

Em princípio, as regras para a veicu-

teúdo ou de serviços multimídia as

ressalta que é muito difícil controlar o que

lação de propaganda eleitoral na internet

penalidades previstas em lei caso não

é postado no meio digital. “Se alguém lan-

continuarão as mesmas. Assim, após o dia

cumpram, no prazo estipulado, a deter-

çar conteúdo eleitoral na rede, pode ale-

5 de julho, serão permitidas propagandas

minação da Justiça Eleitoral para cessar

gar que o fez sem o conhecimento do par-

em sites de partidos e candidatos, desde

a divulgação de propaganda irregular

tido ou candidato ou simplesmente por

que comunicados à Justiça Eleitoral e

veiculada sob sua responsabilidade,

gostar das suas propostas”, completa.

hospedados em provedores estabelecidos

desde que comprovado seu prévio

no Brasil. “Após essa data é permitida tam-

conhecimento.

Entretanto, se promover em um

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Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014


“Fiscalização”

“Êta Presidenta moderna”

Como já foi esclarecido, o uso das redes sociais não é proibido aos candida-

Uma das páginas mais famosas da

tos. O que a legislação veda é a veiculação

internet e do twitter é o perfil fictício da

de qualquer tipo de propaganda eleitoral

Presidenta Dilma Rousseff, chamado

Um dos momentos mais engraçados

antes do dia 6 de julho, seja pela internet

Dilma Bolada. Os perfis são mantidos

se deu quando, em conversa descontraída

ou por qualquer outro meio. “Assim, se

pelo humorista Jeferson Monteiro, sem

e muito informal, Dilma Bolada pergun-

algum candidato já faz uso de redes sociais,

fins lucrativos e sem nenhum vínculo

tou se o perfil oficial «vai ou fica». A Presi-

nada impede que continue fazendo, desde

com o governo. O que não deixa de ser

denta respondeu: «Eu voltei, voltei para

que não poste mensagem, antes da data

uma tamanha plataforma de propa-

ficar. Porque aqui, aqui é meu lugar».

permitida, com elementos que possam

ganda para a presidenta, já que o humo-

“Rainha da Nação” e “Soberana das Amé-

caracterizá-la como propaganda eleito-

rista manda recados desaforados para o

ricas” são as hastags mais utilizadas pelos

ral”, explica Diogo. A fiscalização da propa-

presidente Obama, decreta feriados,

usuários para se referir a Dilma. O perfil

ganda eleitoral na internet será feita pelos

reclama e fala do seu “governo maravi-

Dilma Bolada no twitter tem mais de 145

servidores da Justiça Eleitoral e, principal-

lhoso”. As piadas feitas por ele chamam

mil seguidores e foi criado em 2010. No

mente, pelos eleitores e pelos próprios

a atenção da população e não só a vir-

site oficial, Jeferson Monteiro se apre-

candidatos, que poderão contribuir na

tual, uma vez que em outubro desse ano,

senta como carioca, estudante de publici-

tarefa de informar ao TRE sobre a ocorrên-

a Presidenta se encontrou com Jeferson

dade, de 23 anos. Neste ano, foi premiado

cia de possíveis irregularidades.

sósia, fazendo piadas e revelando informações aos usuários.

no Palácio do Planalto para uma “con-

pela segunda vez consecutiva na categoria

Quem identificar alguma propaganda

fraternização entre Dilmas”. Neste

Melhor Uso das Redes Sociais no Brasil

em desacordo com a lei poderá denunciá-la

mesmo dia, a Presidenta voltou a usar

em votação de público no Shorty Awards,

de três maneiras; pelo sistema Denúncia

sua conta no twitter e interagiu com sua

o Oscar das redes sociais.

Online, que ficará disponível no site do TRE-MG (www.tre-mg.jus.br) durante

O povo fala? O povo fala mesmo!

todo o período eleitoral; pessoalmente, perante qualquer cartório eleitoral do

Quando se trata de eleição, o cidadão é o principal agente desse

Estado; ou perante o Ministério Público

processo. Mas, quando política e redes sociais se misturam...

Eleitoral, pessoalmente ou via internet. “Uma vez recebida a notícia de irregularidade, o Juiz Eleitoral determinará ao candidato ou partido beneficiado que, no prazo de 48h, a regularize, se for possível, ou a retire”, explica Cruvinel.

Sou a favor. Vivemos em uma época onde rede social é a sala de estar da massa. E, se

queremos politizar o maior número de pessoas, então vale qualquer veículo para isso. É claro que campanhas eleitorais trazem discussões políticas e, particularmente, penso que falar sobre o assunto é uma prática saudável para o crescimento da cidadania e da democracia” nathÁLia cRuz, 21, estudante de Medicina

o BRasiL Foi Às Ruas... e agoRa?!

Quando as manifestações estouraram em todo o Brasil no meio deste ano, muito se disse à respeito do papel fundamental da população nas redes sociais, convocando as pessoas a irem protestar por seus direitos e fazer valer a sua vontade. Mas toda essa

manifestações trouxeram de novo foi a mobilização social pela rede. Porém, há uma dúvida: até quando esses grupos continuarão se mobilizando? Até que ponto esse ímpeto vai se manter? “As redes podem mobilizar, mas qual é o objetivo da mobilização: Mudar o governo, o mundo?”, questiona.

Sou a favor porque as redes sociais são

a melhor forma de divulgação. E, como

uma relação bilateral entre as partes inte-

muitos jovens são alienados, é bom para

ressadas, além de serem um meio livre

eles verem outros jovens expressando

para a propagação de ideias”

seus pontos de vista em discussões assim”

tura de discussões políticas na rede? “Não, tempo”, afirma Rodney. Para ele, o que as

meios de comunicação, proporcionam

mobilização digital vai influenciar na abera política já está na internet há muito

As redes sociais, diferente dos outros

PauLa RoBeRta, 19

MiRza oLiVeiRa, 20

estudante de JoRnaLisMo

estudante de diReito

Sou totalmente contra e acho um

Invasão de privacidade. Acho que

absurdo. Na maioria das vezes, entro na

quando temos o direito de recusar se quere-

internet para fugir dessas propagandas

mos ou não receber esse tipo de mensagem,

chatas, e ter isso nas redes sociais é o

tudo bem. Mas, quando isso não acontece, é

cúmulo”

um desrespeito e algo muito invasivo”

FeRnanda santos, 21

cLaudiLene Viana, 39,

estudante de nutRiÇÃo

adMinistRadoRa

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014

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pERFiL

o VeNCeDor Do CrACK

Ex-traficante supera o vício e ensina uma profissão para os jovens da comunidade

Foto: arQuiVo pESSoal

thiago caLdeiRa

preso, Julio nunca desistiu do seu sonho de

5º período

ajudar o próximo, uma maneira de retribuir um pouco do que as pessoas fizeram por ele.

Julio César de Souza, 38, é um exemplo

Foi então que surgiu a ideia de pedir ajuda

para os jovens de hoje. Vindo de família

aos amigos que estavam fora, mas que sem-

humilde, foi criado na comunidade do

pre iam visitá-lo na prisão.

IMPORTÂNCIA DOS AMIGOS em momentos difíceis da vida é que conseguimos ver quem são nossos verdadeiros amigos. Muitos só

Morro do Papagaio, Zona Sul de Belo Hori-

“Conversei com o Cris do Morro. Ele é

zonte e, para ajudar seus parentes, começou

um amigo de longa data aqui na favela, e um

a trabalhar cedo em uma gráfica fazendo

dos integrantes do projeto ‘Fica Vivo’, que é

serviços gerais. Tinha tudo para ser o orgu-

um programa do governo dirigido a jovens

zações etc. Júlio ressalta a impor-

lho da família, mas aos 13 anos de idade,

de 12 a 24 anos residentes em áreas com

tância das verdadeiras amizades.

começou a cheirar tíner, o primeiro passo

altos índices de criminalidade no Estado.

querem estar ao nosso lado em momentos felizes, em confraterni-

— Meus amigos foram funda-

para entrar no mundo obscuro e quase sem-

— Cris me estendeu a mão e resolveu

mentais para o desenvolvimento da

pre sem volta das drogas. Aos 17 anos, se

me ajudar. Surgiu a ideia da oficina de silk

oficina e também para minha recu-

envolveu com o crack, que o levou à prisão e

manual na comunidade

peração. eles acreditaram em mim

quase acabou com a sua vida. “A criminalidade não compensa”, reco-

e me deram uma chance de correr VoLta PoR ciMa

atrás do tempo perdido.

nhece Julio, que chegou a ser preso algumas

Julio ganhou a oportunidade de dar

Julio faz questão de citar os

vezes por assalto à mão armada e tráfico de

aulas em uma oficina de silk manual, na

nomes desses amigos: alexandre

drogas. “Dentro da prisão, fiquei ao lado dos

favela do Morro do Papagaio. O público-alvo

maiores bandidos que existiam em Belo

escolhido por Julio para participar da oficina

souza, que ensina corte e cabelo

Horizonte”, afirma.

são jovens entre 12 e 24 anos de idade. O

— O tempo que passei lá dentro serviu

horário noturno também foi pensado cuida-

para refletir que eu estava jogando meus

dosamente, pois a noite é o momento em

sonhos fora e acabando com a minha pró-

que os jovens estão mais vulneráveis, uma

pria vida. Resolvi mudar.

vez que a maioria dos participantes estuda

Mesmo envolvido com a criminalidade,

de manhã e à tarde.

Julio continuou recebendo ajuda, pois sem-

“Buscamos preencher esse espaço vago

pre foi uma pessoa do bem, pela criação

com o nosso curso, além de promover bate-

familiar que teve. Ele conta que, mesmo

-papos”, explica.

aqui na região Centro-sul; Cris do Morro, e o outro que me ajudou financeiramente, Cacá, que é dono de uma agência de publicidade chamada perfil. Julio César não esconde seu passado, mas procura usar sua história de vida para tocar no coração e na mente das pessoas. afinal, chegar ao fundo do poço e conseguir

“enfrentando todas as dificuldades da vida”,

Júlio hoje oferece aos jovens da comu-

sua mãe jamais deixou de batalhar para dar

nidade a oportunidade de aprender uma

educação e um pouco conforto a seu filho

profissão. O primeiro passo foi dado para

— “Ajudar as pessoas é uma arte que nos

abrir e conscientizar a mente desses jovens.

vidado para palestras e oficinas, o

permite crescer na escola da vida, e vermos

Além do Morro do Papagaio, a oficina tam-

vencedor do crack deixa suas men-

que não conseguimos chegar a lugar algum

bém é realizada toda semana na favela da

sagens para os jovens e também

sem que tenhamos uma pessoa ao lado para

Ventosa, também na região Oeste. Já existe

para quem está na luta diária para

nos dar forças e incentivos”, ensina.

um projeto para levar a oficina a outros luga-

se livrar do vício.

dar a volta por cima não é para qualquer pessoa. Constantemente con-

res fora da favela. A intenção é trazer tam-

— a droga é um obscuro e arris-

Pedido de aJuda

bém os jovens de classe média para apren-

cado caminho que quase sempre

Nos quase oito anos em que esteve

der a arte dos desenhos e do silk .

não tem volta.

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Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014


CULTURA um brINdE À INdEpENdÊNCIa!

Com quase 30 anos de carreira, a maior banda independente do Brasil ultrapassa, mais uma vez, as barreiras do mercado,

Foto: divulGaÇÃo

da mídia e do politicamente correto, lançando novo CD

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014

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caíque Rocha

grupo por décadas, com muito suor e

conta Paulão, lembrando que “o resul-

3º período

trabalho, sendo sempre a “banda da

tado ficou pesado, criativo e denso”.

esquina”. Paulão conversou com o

Segundo ele, alguns acham que está

Lince e comentou sobre alguns assuntos

mais maduro e amplo.

Não é fácil viver da música no Brasil. Se até os anos 1980 a censura foi

referentes à banda.

uma pedra no sapato dos artistas, de lá

— Eu acho, modestamente, que é um ótimo disco de rock e a turnê será

pra cá o grande “vilão” tem sido a mani-

noVo tRaBaLho

incendiária. Vamos pra estrada, e que ela

pulação da indústria fonográfica. Não

O primeiro semestre de 2014 marcou

nos leve a muitos lugares onde nunca

são todas as pessoas que têm coragem de

o lançamento de mais um CD das Velhas

tocamos. Vamos lançar novos sabores de

escutar as verdades da vida e nenhuma

Virgens. “Todos os dias a cerveja salva a

cerveja, multiplicar nossos bares, lançar

gravadora quer intermediar isso. Ou

minha vida” é o nome do novo álbum, que

livros e criar nossos filhos. Estamos feli-

você abandona seus ideais em nome do

sai do forno com muitas novidades.

zes. E nos divertindo com o que fazemos.

“Senhor Sucesso” e do dinheiro ou

— Falaremos da importância dos

Paulão conta que, hoje, 19 anos

enfrenta o caminho mais difícil: a inde-

gays no rock. Temos uma balada que fala

após a gravação do primeiro, é mais fácil

pendência. Mas, sem o reconheci-

do lado obscuro do artista e outra

chegar ao resultado final de um disco

mento, prestígio e, muitas vezes, até

música que conta a saga de lutador de

independente. Segundo ele, as ferra-

sem lugar para tocar, são poucas as ban-

boxe chamado Kid Marreta. Há também

mentas para registrar o som estão mais

das que sobreviveram sem o apoio de

a história de uma matadora de aluguel

acessíveis. “Produzir um trabalho ficou

empresários e de grandes gravadoras.

que se vinga do marido violento. Acho

mais fácil, mas a maior dificuldade con-

que é nosso disco mais variado.

tinua sendo a divulgação”. Nesses 28

Porém, desde 1986, uma banda paulista vem conseguindo essa façanha.

Esse CD retorna às origens da

Com bom humor, sinceridade, sarcasmo

banda. É o primeiro desde 2009 que

e muito rock’n’roll, a Banda das Velhas

conta apenas com músicas inéditas, só

— Nunca nos procuraram. Acho que

Virgens construiu um legado dentro do

de rock. De lá pra cá, eles haviam lan-

eles pensam que somos muito difíceis de

cenário da música independente nunca

çado dois CDs da série “Carnavelhas”

manipular. Empresários já sugeriram

antes atingido por nenhum outro artista

— projeto da banda que mistura rock

que a gente mudasse de nome, para uma

desse tipo.

com marchinhas de carnaval/samba

coisa mais popular e fizéssemos um som

(saiba mais no fim da matéria).

mais pra “Claudinho e Buchecha”. Jesus

O porta-voz é Paulo de Carvalho, o “Paulão”. Juntamente com Alexandre

“Foi o disco que envolveu mais

“Cavalo” Dias, ele carrega a bandeira do

intensamente todos os integrantes”,

anos de carreira, a banda nunca recebeu propostas de grandes gravadoras.

Cristo já falou sobre isso: “perdoai-os, eles não sabem o que dizem!”.

“VAQUINHA” ONLINE O grande diferencial desse novo CD foi, com certeza, o apoio dos amantes e fiéis seguidores da banda. O método usado pelas Velhas Virgens para arrecadar o dinheiro necessário para a produção — algo em torno de R$ 60 mil — foi o crowdfunding. Por meio da internet, as pessoas puderam contribuir com uma quantia para ajudar a banda a alcançar a meta. “Terá um sabor especial, sim. Eu mesmo tive dúvidas se íamos conseguir atingir a meta. Estamos extremamente orgulhosos dos nossos fãs”, exclama o vocalista, lembrando sempre do carinho que o público tem pela banda. “É pra eles que a gente toca”.

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Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014


dICas azuL da coR do MaR

 marina CarvalHo Um romance com várias re v i r a v o l t a s escritas pela m i n e i r a Marina Carvalho, que consegue uma aproximação muito grande com o público. Sem dúvida, o melhor livro da autora — encanta dos mais jovens até os mais velhos.

aMoR VeRíssiMo

 luis Fernando veríssimo Crônicas até para quem não gosta de ler crô-

guitarras, surdo e pandeiro – 10 anos do “carnavelhas”

nicas. Dia a dia re t r a t a d o d e uma maneira

em 2014, completam-se dez anos

Mas há, claro, um desafio por trás

bem simples e

de um projeto um tanto quanto inusi-

disso. a banda teve que convencer os

direta que ins-

tado, no qual as Velhas Virgens “radi-

fãs mais tradicionalistas.

pirou até a

calizaram” mais uma vez. Com a

— houve resistência e ainda há.

série homônima do canal de TV paga

intenção de comemorar a principal

alguns roqueiros são muito radicais e

GNT. Livro ganha pontos desde o

festa do nosso país, os criativos

não aceitam estas misturas. Mas, com

ambíguo título

roqueiros tiveram a ideia de misturar

o tempo, e sacando que não se tratava

o som pesado da banda com samba.

de uma coisa oportunista, mas sim de

sim, rock com carnaval!

um trampo musical consistente,

o LiVRo do Boni

“raul seixas misturou sons nor-

começaram a abraçar a ideia. tem



destinos com rock. os Virgulóides

muita música por trás e uma vontade

boni

também misturaram cavaco com

enorme de criar uma coisa roqueira

Uma completa

guitarra antes da gente. estão aí os

com algo brasileiro.

autobiografia

caras do sambô fazendo versões de

para comemorar a primeira

clássicos de rock numa levada sam-

década de folia, a banda fez, durante o

mundo que se

bista”, explica paulão, mostrando

período do carnaval, a já tradicional

i n t e re s s a p o r

que misturas desses tipo sempre

turnê, espalhando confetes e serpen-

comunicação,

estiveram presente em nossa cul-

tinas pelo Brasil. e, pegando carona

por um dos

tura. “não acho que sejamos invento-

na Copa do Mundo, que acontecerá no

maiores gesto-

res da coisa; acho que criamos espe-

meio do ano, a banda lançou duas

res da comuni-

cificamente a mistura da marcha com

“hard marchinhas” — termo usado

cação. Interessante ver como José

a guitarra, mas é apenas uma varia-

pelo cantor para nomear a mistura —,

Bonifácio passou de uma infância

ção do que outros já haviam feito ins-

“Ganha esta Copa, Brasil!” e “perder

humilde a diretor geral da Rede Globo

pirada na anarquia do raul”.

em casa nunca mais”.

de Televisão.

para

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014

19

todo


EnTREViSTA

“ Evidentemente o livro

impresso no papel ainda é o preferido e acredito que deva continuar sendo por muito tempo .

Luis Matos

umdE uNIvErso CuLtura E LaZEr Foto: arQuivo pessoal

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Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014


RogeR Leon

3º período O mercado editorial está cada vez maior e mais abrangente no Brasil. A ânsia por novas histórias faz com que os leitores estejam sempre buscando por novidades nas livrarias. Um exemplo da força que tem a literatura contemporânea é o fato de editoras recentes já serem grandes sucessos de vendas. A editora Universo dos Livros é uma delas. Lançada em 2006, já tem mais de cinco milhões de cópias vendidas e emplacou inúmeras vezes sucessos na lista dos mais vendidos da Veja. Em uma conversa com Luis Matos, diretor editorial, o Lince ficou a par de novidades, próximos lançamentos e um pouco da história da editora que a cada dia que passa conquista seus fiéis leitores.

Lince: no início, a editoRa tinha uM

nais como canal prioritário de distribui-

Lince: o senhoR acha que as Mídias

Foco Muito gRande eM LiVRos tÉcnicos e de

ção e venda. Porém, da mesma maneira

digitais estÃo Fazendo coM que os LeitoRes

auto aJuda. hoJe os RoMances e BiogRaFias

que nossa linha editorial, o modelo de

MigReM PaRa os e-BooKs, ou o BoM e VeLho

negócios também previa uma segunda

PaPeL ainda É o PReFeRido?

teM Mais esPaÇo do que os tÉcnicos. essa MudanÇa Foi PRoPositaL ou Foi FLuindo de acoRdo coM o gosto dos LeitoRes? Luis Matos: Quando criamos a Uni-

verso dos Livros, nós publicávamos revistas de informática, tecnologia e qualidade de vida. Então, o caminho inicial mais simples era lançar livros técnicos e de autoajuda, já que tínhamos em nossas mãos as revistas para divulgar todos os livros da editora, o que trouxe um sucesso inicial para nossa operação de livros. Porém, desde o começo sabíamos que essas áreas seriam apenas a porta de entrada da Universo dos Livros no mercado editorial. Nosso projeto previa que em poucos anos começaríamos a editar livros com potencial de «best-seller», deixando de lado a segmentação inicial. E foi exatamente o que fizemos. Lince: a editoRa suRgiu eM 2006 coM gRande Foco nos LiVRos de BoLso, que Ven-

etapa focada em outro ponto de venda, no caso, as livrarias. Hoje lançamos poucos títulos com foco em banca e, assim, o número de pockets em nosso catálogo é bem reduzido. Lince: hoJe eM dia, a editoRa teM uM PÚBLico aLVo esPecíFico?

Luis Matos: É inegável que as mídias

digitais facilitam o acesso ao livro no formato digital, e que este é um mercado em franca expansão. Evidentemente o livro impresso no papel ainda é o preferido e acredito que deva continuar sendo por muito tempo.

Luis Matos: Não temos um público

Lince: PaRa FinaLizaR, quaL LiVRo da

alvo específico, mas sabemos que nossos

editoRa É o seu PReFeRido e coMo o senhoR

títulos têm aceitação maior pelo público feminino com faixa etária acima de 20 anos. Lince: coM a onda dos ‘’seX-seLLeRs’’,

conVidaRia os LeitoRes a conheceReM a uniVeRso dos LiVRos? Luis Matos: Para o editor, cada livro é

como um filho, cada um tem sua história e

VÁRios RoMances FoRaM PuBLicados coM

representatividade para a editora. Tal

sucesso PeLa editoRa — coMo o ‘’cRetino

como um filho é impossível dizer qual é o

iRResistíVeL’’ e o ‘’ 9/2 seManas de aMoR’’. a

preferido. Felizmente temos muitos livros

editoRa ainda teM PLanos de LanÇaMentos

de qualidade, o que nos traz muito orgu-

nesse segMento?

lho. Para aqueles que ainda não conhece boa parte deles, convido a se juntarem as

Luis Matos: Hoje, a Universo dos

mais de 100 mil pessoas que acessam o

Mente nÃo se encontRaM Muitos LiVRos de

Livros é a editora que mais vende livros

conteúdo do facebook da editora em face-

BoLso da uniVeRso nas LiVRaRias. a editoRa

neste gênero e tem em seu portfólio as

book.com/universodoslivros. Vale ainda

VeM aBandonando esse FoRMato?

principais autoras como Sylvia Day, Chris-

ressaltar que no último mês, o novo

tina Laurent, J. R. Ward, Lara Adrian,

sucesso da editora, ‘’Satiagraha’’, entrou

Luis Matos: Como tínhamos grande

Christine Feehan, Emma Chase, Alice

na lista dos mais vendidos das revistas Veja

experiência em bancas de jornais, por

Clayton, entre outras. Continuaremos

e Época, com a história de uma operação

conta de virmos do mercado de revistas,

lançando neste segmento e a tendência é

da Polícia Federal Brasileira contra a cor-

visamos inicialmente as bancas de jor-

de expansão de nosso catálogo nesta área.

rupção e o desvio de verbas públicas.

deRaM Mais de uM MiLhÃo de cÓPias. atuaL-

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Março de 2014

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esporte Fotos: Renato Araújo

Nossa quadra é

dos gringos João Vitor Cirilo e Pâmela Matos

4º período

Com a consolidação do esporte no país, estrangeiros buscam seu lugar no vôlei brasileiro

Se a chegada a outro país, com cul-

Minas Gerais, terra que já teve

tura e costumes diferentes, algumas vezes

grandes comandantes, como o coreano

pode se tornar uma missão um pouco

Young Wan Sohn — treinador minas-

Os americanos Brian Ivie, Salmon

complicada, no meio esportivo está cada

-tenista nos gloriosos anos de 1980 e

e Holmes são nomes sempre lembrados

vez mais comum, sobretudo no Brasil,

que faleceu há três anos —, tem em

no Minas Tênis Clube. Talvez nem

país onde as ligas se fortalecem a cada ano.

uma das suas principais equipes mas-

tanto quanto a romena Cristina Pirv,

Um bom exemplo é o voleibol, que cresceu

culinas, o Sada Cruzeiro, um técnico

que virou ídolo da torcida. A cubana

em popularidade nos últimos anos, e que

argentino. Marcelo Méndez tem total

Daymi Ramirez, a russa Ekatherina, os

hoje tem uma das competições mais fortes

confiança do grupo de atletas e vem

argentinos Pereyra, Quiroga, Uriarte,

do mundo, a Superliga. Por isso, dezenas

realiz and o bo m trabalho. H oracio

Daniel Castellani e Esteban Martinez

de estrangeiros desembarcam aqui a cada

Dileo, seu compatriota, esteve no

também não são nomes desconhecidos

ano, apostando na consolidação do tor-

comando do Vivo/Minas até o início

para o público do vôlei mineiro. A pre-

neio. No entanto, como se pode ver acima,

desta temporada, quando uma sequên-

sença dos estrangeiros no vôlei mineiro

este não é um fenômeno recente. Vem

cia negativa contra adversários de nível

vem de longa data.

desde os anos de 1980.

não tão alto o derrubou do cargo.

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Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Março de 2014


TRABALHO CONSOLIDADO

última temporada, após ficar dois anos

2011/2012. Em seu primeiro ano pelo

Marcelo Méndez já está em sua

sem jogar, por ter saído de seu país.

clube da capital, o então técnico da

quinta temporada à frente do Sada Cru-

“Quando eu cheguei, não sabia falar bem

equipe, Marcelo Fronckowiak, que

zeiro, e carrega em seu currículo três

o português, mas todo o time me ajudou

havia trabalhado com ele na Europa,

finais de Superliga e um caneco levan-

muito. Fiquei um mês sem entender, mas

dava instruções em francês. Mas o joga-

tado, além do último Mundial de Clubes,

agora estou bastante bem”, conta o atleta,

dor tratou logo de contratar uma profes-

disputado em Betim, em outubro, núme-

que foi destaque da sua seleção, e ainda

sora para auxiliá-lo na adaptação.

ros de respeito para o comandante argen-

“enrola” no português.

– O Minas é um clube muito impor-

tino. Ele também conquistou o último

“Todos me ajudaram muito, inclusive

tante, e encontrei muita coisa diferente

Sul-Americano, disputado em fevereiro.

o próprio Marcelo Méndez. Foi uma grande

num lugar onde não havia trabalhado.

Méndez já havia trabalhado em outro

experiência sair de Cuba pela primeira vez

Tive que fazer um trabalho de adapta-

clube mineiro antes de assumir o

e jogar em um clube. Tive que treinar

ção profissional. Humanamente, não.

comando do Sada. Ele foi o treinador do

muito. Ficar dois anos parado não é fácil,

As pessoas me receberam muito bem e

Montes Claros na temporada 2008/2009,

né?”, continua Leal. “Jogar por um clube

não tive problema nenhum. Todos

quando o clube teve sua melhor fase.

como o Sada Cruzeiro representa muito.

foram muito gente boa —, diz Filip, que

Temos sempre que ir bem”, acrescenta.

não leva sua família em suas viagens

— Sempre o desejo de todo treinador é fazer um trabalho como se está fazendo

O Cruzeiro também conta com o pon-

aqui. Me deram toda a liberdade para con-

teiro venezuelano Luis Diaz, que chegou

tratar jogadores e me ofereceram uma

nesta temporada. Diferente de Leal, Diaz

Além de Filip, o Minas também tem o

estrutura que inveja a todos. Dentro dessas

já havia jogado no Brasil, em 2002,

central sérvio Novica Bjelica, que chegou

condições, pudemos fazer um grande traba-

quando defendeu o time de Suzano, e é

nesta temporada. O time feminino tem a

lho, conquistar um título da Superliga,

um jogador bastante rodado, que já pas-

oposta americana Alania Bergsma, e a

ganhar diversos mineiros, chegar a várias

sou pela Turquia, Itália e Espanha.

porto-riquenha Lynda Morales. Outro

finais em quase todos os torneios que dispu-

pelo mundo. Todos ficam lá pela República Tcheca mesmo.

representante mineiro na Superliga Femi-

tamos. Temos que ser agradecidos por isso.

nina é o Banana Boat/Praia Clube, que

Filip Rejlek, oposto, saiu da Repú-

contratou a experiente ponteira cubana

dor estrangeiro. O cubano Leal, ponteiro

blica Tcheca e jogou na França antes de

Herrera, além de Kim Glass, jogadora da

de qualidade, chegou ao Cruzeiro na

vir para o Minas, na temporada

seleção norte-americana.

Horácio Dileo - Ex-técnico do Minas

Luis Diaz - Ponteiro do Sada

Marcelo Méndez - Técnico do Sada

“O jogador brasileiro é extrema-

também ressaltou a falta de uma

afirma Filip. Horacio Dileo, que foi seu

mente técnico, tem uma técnica depu-

Champions League no Brasil, torneio

treinador, concorda. “O melhor país

rada, trabalhada, principalmente nos

que envolve as grandes equipes do

onde trabalhei é, sem dúvida, o Brasil,

jogadores mais experientes. Coisa

continente europeu.

pela qualidade da liga e dos jogadores”,

Foto: Orlando Bento

“GENTE BOA”

Mas o Sada não tem apenas o treina-

DIFERENÇA EM QUADRA

que na Europa é mais difícil. Talvez o

De todas as perguntas feitas, uma

fala Dileo. “Aqui trabalhamos muito

potencial físico em alguns países

foi unanimidade para todos os entrevis-

com a imprensa, somos sempre o centro

europeus seja melhor do que aqui,

tados. “Pra mim, aqui (é o melhor lugar

das atenções de todos, e temos que ter

mas aqui se joga um bom voleibol, que

para se trabalhar). Fiquei cinco anos na

muito cuidado com o que falamos, como

permite formar uma boa tática com o

República Tcheca, seis anos na França,

procedemos, pois pode ser muito peri-

grupo”, opina Méndez. O argentino

mas me senti muito bem no Brasil”,

goso”, acrescenta o argentino.

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Março de 2014

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40 ANOS DO CURSO DE RELAÇÕES PÚBLICAS DA NEWTON. PRODUTO DE QUALIDADE ATRAVESSA DÉCADAS.

4º Período - 2013/2 do Curso de Publicidade e Propaganda


Jornal lince marco 2014