Issuu on Google+

LINCE jornal

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton Paiva Nº 57 | Dezembro de 2013

BELO HORIZONTE

TEM QUE SER ATLETA PARA ENFRENTAR UMA

CIDADE DEFICIENTE | PÁGINAS 13 A 15

KITSCH, FORMA DE ARTE QUE MOVIMENTA UMA INDÚSTRIA MILIONÁRIA raYza KamKe

| PÁGINAS 10 A12


Pra estrangeiro ver...

e criticar

foto: arthur vieira

Opinião

Expediente

LINCE jornal

Jornal Laboratório

do Curso de Jornalismo

do Centro Universitário Newton

“Pelo jeito, somente a FIFA e a CBF estão animadas com a Copa. Infelizmente, o torneio não deixará nenhum benefício a quem realmente precisa” Presidente do Grupo Splice Antônio Roberto Beldi

Faltando quase seis meses

que tomam conta do esporte

para o início do maior evento

brasileiro e no governo, que

futebolístico do mundo, há mui-

sempre aceitam a vinda desses

Sempre que algum

tas obras longe de serem conclu-

eventos, esquecendo-se de que

evento de grande porte é cogi-

ídas. O estádio onde será reali-

nada se faz da noite para o dia e

tado para ser realizado no

zada a primeira partida – o Ita-

que o país não pode se dar ao

Brasil, muitos questionam:

querão – é o mais atrasado e já

luxo de “parar” por isso.

“Estamos preparados?”. Per-

tem no currículo lamentáveis

Já em 2016, com os Jogos

guntas assim são um reflexo

mortes de operários, devido à

Olímpicos, os olhos do mundo

da falta de organização regis-

queda de parte da estrutura. Os

novamente se voltarão para o

trada em vários acontecimen-

brasileiros não estão engolindo,

Brasil, mais precisamente

Coordenador da central de produção JORNALISTICA - CPJ Pro­fes­sor Eus­tá­quio Trin­dade Netto

tos do passado — alguns, não

e, pelo jeito, somente a FIFA e a

para o Rio de Janeiro. Se fizer-

(DRT/MG 02146)

muito distantes.

Conselho Editorial

Caíque Rocha

2º período

CBF estão animadas com a

mos uma observação rápida,

Desde 2006, quando o

Copa. Infelizmente, o torneio

veremos que nenhuma das

nome do Brasil passou a ter um

não deixará nenhum benefício

obras e “melhorias” para os

grande destaque no mundo,

a quem realmente precisa.

Jogos Pan-Americanos de

como candidato a país-sede da

Na Jornada Mundial da

Copa do Mundo de 2014, a

Juventude, quando o Papa

mídia de todos os lugares come-

Francisco visitou o Brasil, não

Falta de planejamento?

çou a questionar a qualidade do

ocorreram grandes problemas.

Ou falta de cuidados? Pelo

evento — caso fosse confir-

E, se levarmos em conta que

j e i t o, a s d u a s c o i s a s n ã o

mada a escolha — e argumen-

milhões de pessoas, do mundo

entram na cabeça das autori-

tou negativamente contra o

inteiro, desembarcaram na

dades e organizadores dos

mesmo. Além disso, a própria

Cidade Maravilhosa com a

meios esportivos em nosso

população brasileira, que sofre

intenção de ver Sua Santidade

país. Sem olhar a nossa reali-

na pele diariamente com os

de perto, a proporção tomada

dade, as autoridades que, não

infinitos problemas do país,

pela Jornada e por uma Copa do

se sabe o porquê, teimam em

também não enxergou com

Mundo, por exemplo, não é

ser chamadas de competen-

bons olhos a realização da Copa

assim tão diferente. Parece que

tes, cismam de fazer festa para

por aqui, oficializada em 2007.

o problema está é nas entidades

estrangeiro ver... e criticar.

2007 (também no Rio) servirão para os jogos de 2016.

Reitor João Paulo Beldi Vice-Reitora Juliana Salvador Ferreira de Mello COORDENADORA DOS CURSOS DE COMUNICAÇÃO Juliana Lopes Dias

Professor Menoti Andreotti

Pro­jeto grá­fico e Direção de Arte Helô Costa (Registro Profissional 127/MG)

Monitores João Paulo Freitas, João Vitor Cirilo e Caíque Rocha Reportagens Alu­nos do Curso de Jornalismo do Centro Universitário New­ton Diagramação Laura Senra Márcio Júnio Estagiários do Curso de Jornalismo Cor­res­pon­dên­cia NP4 - Rua Ca­tumbi, 546 Bairro Cai­çara - Belo Horizonte - MG CEP 31230-600 Contato: (31) 3516.2734 sugestoeslince@hotmail.com

Sugestões de pautas? Participe do Jornal Lince.

Este é um jor­nal-la­bo­ra­tó­rio da dis­ci­plina La­bo­ra­tó­rio de Jorna­lismo II. O jor­n al não se res­p on­s a­bi­l iza pela

Uma publicação feita pelos alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton.

emis­são de con­cei­tos emi­ti­dos em ar­ti­

E-MAIL: sugestoeslince@hotmail.com

gos as­si­na­dos e per­mite a re­pro­du­ção to­tal ou par­cial das ma­té­rias, desde que ci­ta­das a fonte e o au­tor.

2

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Dezembro de 2013


Teatro Francisco Nunes tem data para retorno das atividades. Parque Municipal volta a ser um polo cultural para a cidade de

rECoMEÇo

CuLturaL

FRedeRiCo vieiRa

Sentimos falta de espaços de qualidade como ele

4º período

para desenvolver nossas habilidades”, conta Lennison Farah, estudante de teatro na UFMG.

Aberto em 1950 pelo Prefeito Otacílio Negrão

noVo rEcoMEÇo Após cinco anos, o Francisco Nunes será reaberto. Uma parceria entre a Prefei-

de Lima, o Teatro Francisco Nunes ainda é o mais

mudaNÇas

tura e a Unimed possibilitou

emblemático da capital. O nome é uma grande

Em 1980, o teatro passou por sua primeira

que o projeto de restauração

homenagem ao maestro Francisco Nunes (1875-

grande reforma. Reconstruído e modernizado,

e modernização saísse do

1934) que criou a Sociedade de Concertos Sinfô-

manteve apenas a fachada. No que diz respeito à

papel. O prazo de entrega é

nicos de BH. Isso demonstra a ligação cultura/arte

funcionalidade, tudo continuou como antes. O

janeiro de 2014. O teatro será

que esse teatro posteriormente viria a oferecer.

Francisco Nunes seguiu sendo palco de vários

totalmente reformado e,

A inauguração do “Grande Chico” possibilitou

espetáculos e eventos. Alguns de maior expressão,

novamente, só manterá sua

BH ingressar no calendário cultural dos grandes

como o Festival Internacional de Teatro Palco &

fachada. O Chico receberá

artistas e companhias teatrais do Brasil e até do

Rua e o Fórum Internacional de Dança. A imagem

novas cadeiras, sistema de

mundo. O teatro recebia orquestras, temporadas

que se tinha na época era que o teatro continuaria

ar, novo tratamento acústico,

líricas, diversos shows, festivais universitários,

a ser uma das grandes atrações da cidade.

além de reformas em toda sua estrutura.

danças e espetáculos teatrais. A grade de atrações

“Era uma satisfação muito grande se apresen-

abria um leque de opções culturais e de lazer para

tar lá, o charme de ver o Parque Municipal aberto à

“A reabertura do teatro

a sociedade. Nos anos de 1950, Belo Horizonte

noite, com todas aquelas luzes, era algo inexplicá-

será o resgate histórico de

estava carente de teatros. O Teatro Municipal havia

vel”, conta Carlos Nunes, ator mineiro.

um dos maiores movimentos

se transformado em Cine Metrópole, o Palácio das

De lá pra cá, assim como o cinema de rua e

artísticos de BH”, garante

Artes ainda estava em construção, e o Teatro Marí-

outras atividades culturais de Beagá, o teatro per-

Marcelo do Vale, professor de

lia e a Imprensa Oficial nem sempre atendiam.

deu sua força. Dos anos de 1990 em diante,

Artes Cênicas da Oficina de

mudou-se a configuração da sociedade no que diz

Atores de Belo Horizonte

alTeRNaTivo

respeito ao lazer e cultura. A chegada dos grandes

Das concorridas tempo-

O teatro era altamente popular. Abria espaço

centros comerciais mudou as características da

radas líricas dos anos de

para novos projetos; tanto teatrais como musicais.

sociedade belo-horizontina, conta a atriz Helena

1950 e 60, à emergência de

Dava oportunidade para as novidades. Bandas de

Barcalla, ressalvando que, “o que definitivamente

bandas como Paulo Bagunça

Rock, por exemplo, divulgavam seus trabalhos e o

determinou o fim do Teatro Francisco Nunes foi o

e a Tropa Maldita, em 1970,

mesmo acontecia com as peças teatrais que esta-

descaso das políticas públicas para com o espaço”.

passando por apresentações

vam começando sua trajetória. Além disso, o teatro

Em 2009, a Fundação Municipal de Cultura

de megastars da MPB e do

era instalado no Parque Municipal. A boa localiza-

anunciou o fechamento, alegando riscos estrutu-

teatro, foi a verdadeira casa

ção garantia a praticidade e a facilidade de acesso,

rais no espaço. “O assunto repercutiu bastante,

de cultura da capital. Sem

o que justificava o bom público durante todos os

pois o fato de o Francisco Nunes ser tombado pelo

falar que algumas das mais

eventos realizados. Sem falar que, ao lado, sob as

patrimônio histórico dificultava a reabertura ime-

importantes manifestações

árvores, havia uma choperia das mais agradáveis.

diata”, lembra Carlos Nunes, ressaltando que “isso

culturais do Estado ali come-

não justifica o fechamento durar tanto tempo”.

çaram e floresceram.

“Já me apresentei lá em um festival de dança.

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Dezembro de 2013

3

Foto: raFael martins

Belo Horizonte

pATRiMÔniO


Anjos PROFISSÕES

da guarda

Eles nem sempre são reconhecidos e também não recebem salários milionários, mas poucos fazem um trabalho tão necessário e importante

Camila Chagas e Sueli Azevedo

cia for, por exemplo, uma parada cardior-

se o mesmo quiser fazer isto. Os conduto-

4º período

respiratória. Estão disponíveis substân-

res têm carga horária de trabalho de 12

cias como a adrenalina, que é um tipo de

horas a cada 36 e os técnicos de enferma-

Não é nada fácil trabalhar no Serviço

droga que só pode ser aplicada por um

gem e médicos fazem 12 a cada 60”, conta

de Atendimento de Urgência Móvel

médico da USA e o monitor multiparâ-

Cristiano Manoel Batista, motorista da

(SAMU). A entidade tem o objetivo de

metros”, explica o condutor Cristiano

ambulância. Ele explicou ainda que 90%

socorrer a população que venha a precisar

Manuel Batista.

das ocorrências acontecem durante o dia.

de um auxílio médico de emergência e, às

O suporte avançado trabalha com

Normalmente, os socorristas atendem

vezes, o pedido de socorro pode ocorrer a

dois técnicos de enfermagem que

12 chamados durante o dia e pelo menos

qualquer dia, hora e lugar. Seja em que

devem possuir registro no Conselho

quatro na madrugada. Durante o dia, o

circunstância for, os profissionais do

Regional de Enfermagem de Minas

número de ocorrências é maior. “São aci-

SAMU fazem o atendimento o mais rápido

Gerais (COREN), um médico com regis-

dentes de trânsito, pessoas idosas que caem

possível, visando sempre a vida e o bem-

tro no Conselho Regional de Medicina

nas calçadas ou acidentes de trabalho”,

-estar do paciente.

(CRM) e um condutor com carteira de

enumera Manoel. “Por outro lado, os casos

O processo de atendimento do SAMU

habilitação categoria D (ambulâncias,

que ocorrem de madrugada são poucos,

é feito da seguinte forma: alguém liga para

viaturas, carros com sirene). O último

mas mais sérios, porque costumam envol-

o número 192 e o técnico que atende

deve realizar o curso de Condução de

ver armas brancas, convulsões e mal

identifica o grau de emergência e trans-

Ve í c u l o s d e E m e rg ê n c i a ( C OV E ) ,

súbito”, exemplifica Eliana de Paula, téc-

fere para o médico que orienta como se

quando são aplicados os conteúdos de

nica de enfermagem no SAMU há um ano e

deve proceder. A sigla SAMU, no entanto,

Legislação de Trânsito, Direção Defen-

meio. Manoel cita, por exemplo, casos inusi-

esconde o mais importante de tudo, que

siva, Noções de Primeiros Socorros,

tados, em que o socorro foi solicitado em

são as pessoas que realizam os atendimen-

Respeito ao Meio Ambiente e Convívio

motéis e — pasmem! — até em cabines de

tos, os profissionais que, em quaisquer

Social e Relacionamento Interpessoal.

uma sex shop! Pior que isso, só mesmo os

condições, lutam pela vida alheia.

As unidades básicas trabalham com dois

trotes, que também acontecem.

técnicos de enfermagem e o condutor. QUEM SÃO

Em caso de acidentes em que a pessoa fica presa nas ferragens, é acionado também

As unidades móveis de atendimento

ATÉ NA SEX SHOP

o Corpo de Bombeiros (193), responsável

são divididas em dois tipos de ambulân-

A contratação do médico e técnico de

por serrar as ferragens para que a equipe do

cias: as Unidades de Suporte Básico

enfermagem é feita por meio de concurso

resgate possa retirar as vítimas. Charles

(USBs) e as Unidades de Suporte Avan-

público. O condutor é contratado pela CLT

Silva é bacharel em enfermagem e trabalha

çado (USAs). As primeiras contam com

(Consolidação das Leis Trabalhistas). Uma

no SAMU há quatro anos, porém, está na

equipamentos básicos, porém, primor-

vez aprovado no curso COVE, o candidato

área da saúde há 12. “Sempre gostei de tra-

diais para o resgate de ocorrências.

tem seu contrato renovado de cinco em

balhar nesta área, e já presenciei alguns

“Podem surgir casos em que, após o

cinco anos, dentro da sua função. “O con-

fatos chocantes como, por exemplo, aci-

Suporte Básico chegar ao local, se soli-

dutor apenas dirige o veículo, não tem a

dente de moto com amputação de braço,

cite o suporte avançado — se a emergên-

obrigação de ajudar no socorro. Somente

esmagamento de pelve”, revela.

4

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Dezembro de 2013


Foto: sueli azevedo

nos serviços de saúde pública exis-

Erros e acertos

— Quando não há problemas, con-

o atendimento telefônico até a che-

tem falhas. a demora no atendimento é

versamos com os socorristas e até

gada da ambulância. o condutor Cris-

uma das reclamações da população. o

mesmo com a vítima; tudo com o con-

tiano Manuel Batista explica que o

repórter Júlio César santos, da tV

sentimento do chefe da equipe de

atraso pode ocorrer pela questão do

record Minas, trabalha exclusiva-

saúde. se a prioridade é levar rápido

trânsito que, às vezes, “fica muito

mente à noite, e conta que acompanhar

para o hospital, pegamos a informação

complicado, principalmente se o cha-

o trabalho do saMu é quase uma rotina.

depois de todo o trabalho de socorro.

mado ocorrer em horário de pico”.

por isto, já presenciou alguns casos de

Mas nem tudo é só problema no

outra justificativa dado pelo condu-

negligência como, por exemplo, a difi-

saMu. há também as coisas boas e

tor é que, ao atender a ligação, o aten-

culdade do mesmo em conseguir um

suas recompensas. Maria da Conceição

dente faz várias perguntas para que

atendimento em uma unidade de

silva é doméstica e relata que sofre de

ele possa ter o máximo de certeza de

pronto atendimento (upa) para uma

hipertensão e que precisou do atendi-

que não se trata de um trote. “o aten-

idosa. “os socorristas levaram a

mento do saMu em sua casa. “Comecei

dente tem que prestar muita atenção

paciente para cinco upas e nenhuma

a passar mal e minha filha ligou para o

em todas as informações que a pes-

recebeu a mulher porque não tinha

saMu. Vieram bem rápido e fui socor-

soa está descrevendo do outro lado

macas para colocá-la. os socorristas

rida em casa mesmo e, depois, levada

sobre o paciente: essas informações

ficaram andando por quase 50 minu-

para uma upa. Quando fui atendida por

são os sintomas que a pessoa está

tos em busca de atendimento e a idosa

um médico, ele me disse que estava com

sentindo, a posição que o doente está,

sofrendo por causa da precariedade

princípio de infarto e que se não fosse a

o local onde se encontram”.

da saúde pública”, conta o jorna-

ação rápida dos médicos do saMu, tal-

só depois de todas as informações

lista. Júlio César ressalva que, apesar

vez eu não tivesse a mesma sorte. sou

passadas ao atendente e repassadas

de seu trabalho, os jornalistas “não

muito agradecida a eles”.

por ele para o médico, é que se envia a

são invasivos, e a equipe trabalha sem interromper o resgate do saMu”.

as reclamações pela demora do saMu também existem. e vão desde

ambulância que estiver mais perto do local e disponível para atendimento.

Curiosidades A base do SAMU se situa dentro das unidades do Corpo de Bombeiros. No início do projeto, os profissionais eram remunerados com um salário mínimo, mas, hoje, os salários dos agentes variam de acordo com a função de cada um. O médico recebe o salário total de R$ 2.272,00; o auxiliar ou técnico de enfermagem, R$ 1.354,00; e o condutor tem o salário total de R$ 1.610,00. Quando aprovado no concurso do SAMU, o candidato tem a possibilidade de escolher a cidade em que quer atuar. O condutor Cristiano Manuel Batista possui GPS particular para encontrar os lugares.

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Dezembro de 2013

5


MOMENTO

“E eu digo não ao não, e eu digo:

É! Proibido proibir!”(*)

Em tempos onde impera a liberdade de expressão, quando resquícios de proibição aparecem, já se instala a polêmica. Afinal de contas, é ou não é proibido proibir? Pâmela Matos

Chico Buarque e Roberto Carlos encabe-

tabilidade ou se tiverem fins comer-

4º período

çam o “Procure Saber”, “um grupo de

ciais” (Artigo 20 do Código Civil).

autores, artistas e pessoas ligadas à música,

O outro artigo diz que “a vida pri-

Há 49 anos, o Brasil enfrentava a

dedicado a estudar e informar os interessa-

vada é inviolável” (Artigo 21 do Código

Ditadura Militar, quando a liberdade de

dos e à população em geral sobre regras, leis

Civil). A Associação dos Editores alega

expressão não existia e a opinião da

e funcionamento da indústria da música

que a necessidade de autorização pré-

população era severamente punida com

no Brasil” (Fonte: Perfil Procure Saber no

via é uma forma de censura. E que isso

o exílio. Hoje, onde tudo é permitido (ou

Facebook). Porém, no auge da polêmica, o

ataca a Constituição, que prevê a liber-

quase tudo), a polêmica está de volta e a

grupo entrou em crise e o Rei decidiu aban-

dade de expressão e o direito à informa-

liberdade de expressão é colocada, mais

donar seus amigos, afirmando que “algu-

ção. Os editores pedem que o Supremo

uma vez, à prova. Onde se inicia o direito

mas atitudes radicais não estavam condi-

declare a inconstitucionalidade parcial

à liberdade de expressão e termina o

zendo com o que ele achava”.

dos artigos, deixando claro que não

direito à intimidade e à privacidade? A bola da vez são as biografias não auto-

deve haver autorização prévia para a O QUE DIZ A LEI

publicação de biografias.

rizadas. O questionamento é se as biografias

A polêmica sobre a publicação de

O Supremo Tribunal Federal reali-

precisam ou não da autorização prévia do

biografias está no Supremo Tribunal

zou no dia 21 de novembro uma audiên-

biografado para serem publicadas. Tudo

Federal. A Associação Nacional dos Edi-

cia pública para debater a publicação

começou em 2007, quando Roberto Carlos

tores de Livros (Anel) entrou, no ano

das biografias. Na audiência, a ministra

conseguiu na justiça que a biografia

passado, com uma ação questionando

relatora Carmen Lúcia ouviu dezessete

“Roberto Carlos Em Detalhes”, do escritor

dois artigos do Código Civil. Um dos

palestras sobre o tema, expondo suas

Paulo César de Araújo, fosse recolhida das

artigos determina que é preciso autori-

opiniões, tanto a favor quanto contra as

livrarias, alegando invasão de privacidade.

zação para a publicação ou uso da ima-

publicações. Segundo a ministra, todas

Já em 2013, o assunto voltou à tona

gem de uma pessoa. E que “a divulgação

as falas serão levadas em consideração e

com tamanha força que lados foram dividi-

de escritos, a transmissão, publicação

a decisão será anunciada em dezembro.

dos e grupos foram criados para reforçar as

ou exposição poderão ser proibidas se

opiniões. Caetano Veloso, Gilberto Gil,

atingirem a honra, a boa fama, a respei-

(*) Caetano Veloso Foto s: Re prod ução

6

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Dezembro de 2013


Não gostou? Recorra! “A questão das biografias na legislação brasileira atual não é homogênea, uma vez

nem o direito a privacidade: deve haver um

tica, invasão de privacidade. “Por outro lado,

equilíbrio entre ambos.

a liberdade de expressão deve encontrar seu limite, na calunia e difamação. No entanto,

que a Constituição Federal e o Código Civil de 2002 divergem sobre o tema”, afirma a

Retrocesso, censura ou inutilidade?

ao agredido, caluniado, difamado e ofen-

advogada Camila Costa. Segundo ela, “a

O professor, mestre e doutor Julio

dido cabe o direito de processar o autor da

Constituição Federal garante o direito a

Buere é favorável à publicação das biogra-

biografia e exigir reparos nos termos da lei”.

liberdade de expressão e a vedação a qual-

fias, independente da autorização do bio-

— De qualquer forma, é necessário que

quer tipo de censura”.

grafado ou da família. Para ele, “além de

o debate extrapole a esfera das manchetes

— A liberdade de expressão é uma

configurar um retrocesso do ponto de vista

sensacionalistas, que têm como objeto os

forma de exercício da democracia. E caso as

da censura, constitui uma ameaça para a

ditos “famosos” e ganhe imediatamente

partes envolvidas sintam que seus direitos

construção da história”.

uma esfera mais ampla que contribua para o

foram violados devem recorrer ao judiciário,

— O que alguns artistas estão propondo

a fim de ser indenizadas, se for o caso. Con-

pode gerar um processo de censura prévia a

tudo deve haver limites e os biógrafos devem

documentos e registros orais e escritos de

Já Leonardo Sarmento, do blog “Brasil

assumir a responsabilidade por todas as

todo e qualquer individuo. Este processo,

247”, julga as biografias desnecessárias para

suas obras. Caso infrinjam qualquer direito

certamente cerceará o trabalho de cientis-

o crescimento intelectual da sociedade.

ou causem qualquer dano às partes envolvi-

tas sociais, jornalistas e escritores no resgate

“Sem querer desmerecer os penosos traba-

das, devem responder por seus atos e, se for

da memória histórica.

lhos biográficos, não os enxergo como infor-

fazer da história e da constituição da democracia e da liberdade no país.

o caso, indenizar as partes. Nenhum direito

Mas ressalta a intervenção da Justiça

mações de imprescindível interesse público

é absoluto: nem a liberdade de expressão

caso a liberdade de expressão vire uma, caó-

que não possa ficar a sociedade sem acesso”.

De Alexandre Frota a Renan Calheiros Nos Estados Unidos o mercado

entre a liberdade de expressão e o direito

publicação, com cada um assumindo

de publicações não autorizadas está

à privacidade, muito cuidado é pouco”.

novos riscos. Quem causar dano deve

se expandindo cada vez mais,

Chico Buarque, cantor e compositor.

re s p o n d e r f i n a n c e i r a m e n t e . E u

segundo o biógrafo Lawrence Ber-

“Talvez eu seja contra, porque o

defendo, neste caso, indenização

green. Assustado com a abordagem

autor pode contar a história do jeito que

pesada”. Joaquim Barbosa, presi-

da discussão, ele revela que nos EUA

ele bem entender”. Paola Oliveira, atriz.

dente do Supremo Tribunal Federal.

“as biografias não autorizadas têm

“Acho que biografia deve ser auto-

“As pessoas estão entendendo mal

mais credibilidade do que as autori-

rizada, acordada entre biografado,

a questão biográfica, como veículo de

zadas, em que o biografado só deixa

autor e editor. O combinado não sai

fofocas, vidas privadas. Na verdade, o

sair aquilo que lhe interessa”.

caro. Eu me sentiria invadido, saca-

que se trata, é do Brasil contar sua his-

“The Man Behind the Baby Blues”,

neado, mal compreendido, currado e

tória. É um absurdo uma lei menor que

biografia não autorizada do ator Paul

violentado se escrevessem a minha

contraria o princípio básico da Consti-

Newman, escrita por Darwin Porter, faz

história sem minha autorização”. Ale-

tuição, que é a liberdade de expressão.

revelações polêmicas sobre a vida do astro

xandre Frota, ator e agora também

O Brasil tem uma situação que é única

norte-americano, insinuando relações

escritor, que recentemente publicou

no mundo, que é o único país que cen-

homossexuais com diversos outros ato-

sua biografia “Identidade Frota”.

sura ,que faz censura prévia a biogra-

res. Apesar do escândalo, a família de

“Eu acho que o Brasil tem mudado

Newman não proibiu a venda do livro,

demais e esse processo de mudança não

limitando-se a publicar uma nota com

nos permite conviver com as censuras

“Eu acho essa história absurda,

desmentidos. Darwin Porter é especia-

das biografias. Eu tenho uma posição

sem pé nem cabeça. Isso tudo não é

lista nesse tipo de biografia: Howard

contrária com relação a isso. Se isso acon-

contra a biografia não autorizada, é

Hughes, Marlon Brando e Katharine

tecer (proibição de biografias não autori-

contra a produção de ficção em geral.

Hepburn são alguns de seus biografados.

zadas) significará um retrocesso dificí-

As pessoas têm que entender que a

No Brasil, a história é outra:

limo de ser administrado”. Renan Calhei-

História do Brasil é do Brasil”. Fer-

ros, presidente do Senado.

nando Morais, autor das biografias

“Aprendi, em conversas com amigos compositores, que, no cabo de guerra

“O ideal seria liberdade total de

fias”. Cristóvão Tezza, autor do livro “O Filho Eterno”.

“Olga” e “Chatô: O Rei do Brasil”.

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Dezembro de 2013

7


TAMBÉM QUERO VIAJAR NESSE

BALÃO Voar, voar... Se você não tem medo, a felicidade pode estar à sua espera numa fantástica e divertida viagem de balão, tornando realidade seu sonho de Ícaro...

maNuel CaRvalho

foram programados. O sonho de Ícaro

material especial à prova de fogo, deno-

4º período

começava a se tornar realidade...

minado nomex, para evitar que o balão se inflame.

A primeira prática de balonismo

FuNCioNameNTo PRiNCíPio FísiCo

aconteceu em uma demonstração do

Antes, nada melhor do que ficar

padre brasileiro Bartolomeu de Gusmão

por dentro sobre como funciona um

Os balões de ar quente são baseados em

para o Rei Dom João V de Portugal. Em

balão. O balão de ar quente tem três

um princípio físico: o ar mais quente sobe

1709, o pequeno balão de papel, aque-

partes principais: o maçarico (queima-

mais que o ar frio. Portanto, para manter o

cido por uma chama, incendiou-se

dor), o envelope (balão propriamente

balão subindo é preciso reaquecer o ar. O

antes de alçar voo. Dois dias mais tarde,

dito), o cesto para proteger e transpor-

piloto aciona o queimador, aquecendo o ar

numa nova tentativa, o balão subiu

tar os passageiros, juntamente com os

que está dentro do balão. Como a densidade

cerca de quatro metros, e tornou a se

cilindros de gás propano –— C3H8, um

do ar fica menor que a do ambiente, isto gera

incendiar. Três dias depois, na terceira

derivado do petróleo —, e equipamen-

uma força para cima, sustentando o balão.

experiência, sucesso absoluto. O balão

tos de navegação. As laterais do cesto

Quanto mais quente o ar, mais o balão

ergueu-se lentamente até cair em um

são de vime trançado, sendo o material

sobe; à medida que o ar vai esfriando, ele vai

terreiro, após ter a sua chama esgotada.

mais adequado para absorver os impac-

descendo. Cabe ao piloto controlar a alti-

Mas, consta que o verdadeiro nasci-

tos no pouso além de ser um ótimo iso-

tude do voo, colocando-o dentro de uma

mento do balonismo veio em 1783,

lante elétrico. O envelope é confeccio-

camada de ar quente que esteja deslocando

quando os irmãos franceses Joseph e

nado com náilon e sua função básica é

na direção desejada. Para facilitar isso,

Étienme Montgolfier realizaram um

suportar a cesta com seus ocupantes e

pequenos balões cheios de gás hélio são sol-

teste com um balão, atingindo mais de

equipamentos, além de reter o ar

tos na atmosfera, informando a direção do

dois mil metros de altura. A tentativa foi

quente responsável pela sustentação

vento nas diversas camadas de ar, permi-

um sucesso e a partir daí novos voos

do balão. Na base (saia), é utilizado um

tindo ao piloto prever a direção de voo.

8

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Dezembro de 2013


SEGURANÇA

problema. “Respeitamos a natureza e as

um passeio bem tranquilo, não tem

O balão é uma aeronave, onde o piloto

condições climáticas. Quaisquer adversi-

nada de adrenalina como algumas pes-

deverá estar devidamente habilitado pela

dades, como rajadas de vento ou chuvas

soas devem imaginar”, conta Rafael

ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).

fortes, implicam cancelamento do voo”,

Glauss, que já fez o passeio várias vezes.

Por incrível que pareça, o balonismo é o

adverte Glauco Azevedo.

“O medo só ocorre mesmo no início da

transporte aéreo mais seguro do mundo, segundo estatísticas da FAI (Federação

subida do balão. Depois, você está tão AO AMANHECER

alto e voando lentamente que não dá pra

Aeronáutica Internacional). Em voos turís-

Além disso, antes de iniciar o voo é

sentir muito medo”.

ticos, os balões alcançam uma altura média

feito um briefing para explicar curiosida-

Apesar da serenidade do voo de balão,

de 100 a 300 metros, para que os passagei-

des do balonismo e questões de segurança.

algumas medidas são necessárias. Gestan-

ros possam interagir com a natureza e obter

“Também é importante voar sobre regiões

tes, idosos com mais de 70 anos, portado-

um belo visual panorâmico da região. Voar

planas e abertas, livres de linhas de ener-

res de qualquer deficiência física e porta-

de balão proporciona uma sensação de estar

gia, e com fáceis acessos para a chegada da

dores de distúrbios cardíacos, neurológi-

mais próximo do céu. A direção do vento

equipe de apoio, além da comunicação via

cos, psiquiátricos e/ou psicológicos, deve-

define o destino da viagem.

rádio/GPS”, complementa Glauco. Os voos

rão submeter-se a um exame médico e

A evolução das técnicas de voo faz

de balão de ar quente são realizados

obter uma autorização para voar. É aconse-

com que a utilização do balão seja segura.

somente ao amanhecer, com decolagens

lhável, também, usar roupas confortáveis,

Quem quiser se aventurar, pode ter a cer-

previstas por volta das 6h30. No caso de

botas ou tênis, um boné para facilitar a

teza que não haverá riscos. Mas, claro,

voos ao entardecer, as decolagens são por

visão contra a luz do sol, não fumar durante

medidas de segurança sempre terão que

volta das 16h30.

o voo e manter no pulso a alça de filmado-

fotos: Glauco Azevedo / byBrazil Balonismo

ser adotadas para que não haja nenhum

“A sensação é de liberdade e paz. É

ras e máquinas fotográficas.

CUSTOS A byBrazil Balonismo oferece uma prestação de serviços considerando a segurança dos passageiros — lanche durante o briefing, sessão de fotos no interior do balão, voo com duração média de 40 minutos, brinde de champanhe no pouso e café da manhã especial à beira do maior lago artificial para pesca esportiva da América Latina, no Resort Águas do Treme, Roteiros de Charmes (www.aguasdotreme.com.br). O valor disso é R$ 420 por pessoa. A partir de duas pessoas, o valor cai para R$ 360 cada. Passeios podem ser realizados mediante reserva através do e-mail contato@bybrazil.com.br ou contato telefônico (31) 8727-9972.

CLIMA A melhor época do ano para voo é o período de abril a outubro, porque o balão terá maior sustentação. As temperaturas externas poderão ser menores que as internas. Ventos moderados e sem precipitação de chuvas são considerados a melhor condição climática para um voo. — O balão voa ao sabor do vento e o piloto, variando a altura, identificará diferentes direções e velocidades das correntes de ventos, demonstrando suas habilidades (controle indireto de pilotagem). É por isso que o voo de balão é mágico, porque cada voo tem suas particularidades, acrescenta Glauco Azevedo, piloto da byBrazil Balonismo.

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Dezembro de 2013

9


ESTiLO

jÁ QuE o CHIQuE

É sEr brEga... pinguins de geladeira, flores artificiais, frutas de plástico, cores extravagantes, peles de animais, sapatos de plataforma, anões de jardim e limusine cor-de-rosa: conheça o Kitsch

RaYza KamKe e FeliPe FReiTas

4º período No Brasil não há uma cultura perfeitamente homogênea, e sim um mosaico cultural, resultado da influência de vários povos e etnias. Embora o país tenha colonização portuguesa, os povos indígenas, africanos, italianos, holandeses, japoneses e alemães deixaram marcas profundas na cultura nacional. A liberdade cultural, movida muitas vezes por movimentos vanguardistas, popularizou a arte e traçou novos rumos nas tradições nacionais. Fora do padrão ou não, o Kitsch é a mistura do tocante e do exagero que eclodiu culturalmente pelo Brasil e no mundo.

10

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Dezembro de 2013


Para o professor de Comunicação e

a oRigem

uma miscelânea que acompanha a livre

Mas o que quer dizer Kitsch?

Cultura, Luiz Henrique Miranda, o Kitsch

Segundo o filósofo alemão Ludwig Giesz,

é, antes de tudo, uma grande interferên-

Alguns críticos entendem que o Kitsch

o termo Kitsch surgiu na segunda metade

cia da população nas formas de produção

é um fenômeno recorrente na história da

do século XIX, quando turistas norte-

artística, que antes eram restritas a clas-

arte, mas a maior parte dos estudos

-americanos, na Europa, pediam a pinto-

ses dominantes. “Talvez o Kitsch seja o

concorda que se trata de uma manifestação

res que realizassem esboços (sketch) de

berço da cultura contemporânea, ou a

cultural recente, e que deriva dos avanços

quadros, o que seria mais barato. Assim,

forma mais real da expressão dessa cul-

da industrialização e da tecnologia. Sua

a cópia é a origem. É um produto da

tura, porque a população se apropria des-

definição não é fácil: baseando-se em juí-

industrialização e da cultura de massa,

ses produtos, e dá a eles o valor que reco-

zos de valor, geralmente é tido como sinô-

considerado típico da classe média com

nhece, muitas vezes sem fundamento.

nimo de algo banal, barato e de mau gosto.

pretensões de “subir na vida”. Mas não se

Esses produtos passam a ter o valor

Ao contrário da arte contemporânea, o

engane: o Kitsch é uma forma de arte, um

comercial, decorativo, das expressões

objetivo não é criar novas expectativas nem

segmento cultural, e movimenta uma

mais naturais próprias da psique humana.

desafiar o status quo, e sim agradar ao

indústria milionária.

Não há no Kitsch um padrão; existe, sim,

maior número de pessoas.

expressão”, explicou.

voCÊ É KItsCH? Não se tem um paradoxo do que é ou não de bom gosto, mas existem algumas leis, normas e conceitos que norteiam o “bom produto”. Independente de ser um estilo contestador e cheio de críticas, o Kitsch se espalhou tanto pelo mundo que fica difícil distinguir: podemos ser usuários de vários frutos da cultura. Capas de celulares com bichinhos, Pen Drive de desenho animado, roupas estampadas, terços no retrovisor do carro e até mesmo papel higiênico perfumado podem ser considerados Kitsch... E você nem sabia! Existe o execrável e o de bom humor. O professor Luiz Henrique explica que “o bom produto são elementos estéticos e funcionais, que fazem com que o item seja realmente útil, e que não seja apenas rico pelos elementos perceptivos implícitos que ele apresenta”. O Kitsch não existe na natureza; é uma invenção do homem. Um pavão em seu habitat natural é lindo, mas na cabeça da Elke Maravilha, passa a ser Kitsch. Uma moda que vem enchendo a sala de cabeleireiros, sapatarias e até mesmo consultórios estéticos é a de poltronas em forma de sapatos de salto. A novidade pode ser encontrada de vários tamanhos, cores e estampas de animais. “A maior parte da mulherada adora; os homens costumam achar mais exagerado”, disse o vendedor Jackson Maciel, que trabalha em uma loja de produtos de cabeleireiro no centro de BH. A Fotos: raYza KamKe

maquiadora Virginia Januário não vê a hora de comprar uma para seu salão, porque é “puro luxo”. Já a cabeleireira Bernadete Soares pensa o contrário: “É brega e de mau gosto; no meu salão não entra”. O preço da iguaria pode ir de R$ 179 a R$ 199.

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Dezembro de 2013

11


SEM UNANIMIDADE O problema básico que o Kitsch

Na maioria das vezes, é passível de

arte brasileiro, Oswaldo Olney Krüse,

levanta para a crítica é o relativismo do que

críticas por emergir do povo, mas, ainda

definiu o Kitsch como a gota de bom

se considera bom ou ruim. O influente

assim, o Kitsch é sinônimo de bom humor.

humor que faltava na arte séria. “O Kitsch

crítico de arte Clement Greenberg afirmou

Luiz Henrique acredita na autenticidade

não tem maldade”. O filósofo americano

que, “enquanto a arte de vanguarda, sendo

da cultura.

Karsten Harries, por sua vez, observou

como é — abstrata, introspectiva e refle-

— Ser brega e bizarro é sensacional.

que o “anseio pelo Kitsch surge quando a

xiva, dedicada às explorações metalinguís-

Nós, quando acompanhamos um estilo de

emoção genuína se torna rara, quando o

ticas, tende a imitar os processos da arte

muitas formas, vamos ter certo empobre-

desejo adormece e precisa de estímulo

—, o Kitsch imita os efeitos da arte”. Já para

cimento da livre expressão emocional em

artificial; o Kitsch é uma resposta ao

o filósofo Umberto Eco, o Kitsch é uma

detrimento de uma estética pré-conce-

tédio”. No final das contas, mostra a

quase nulidade, não passa de “uma citação

bida. Se ele é banalizado e sofre precon-

diversidade cultural que existe na popu-

incapaz de produzir um contexto novo”.

ceito, é ótimo, porque assim ele também se

lação de forma comum e natural. É a livre

Para outros, o Kitsch não passa de uma

transforma e se fortalece.

expressão, sendo a forma mais legitima da

bela mentira.

Um importante jornalista e crítico de

liberdade de um povo.

De Carmem Miranda a Lady Gaga A alma brasileira sempre copiou estilos externos e pode ser considerada meio Kitsch. As influências internacionais são recebidas e misturadas com aquilo que é do gosto do brasileiro. Personalidades não faltam: Chacrinha, Falcão, Hebe Camargo e Elke Maravilha... Mas nenhum consegue tirar de Carmem Miranda o título de ícone máximo do Kitsch. Já no exterior, Marilyn Monroe, Elvis Presley e James Dean são os campeões. Eva Perón, Madonna, Hilary Clinton, Lady Gaga e Katy Perry também fazem parte deste seleto grupo de personagens. Mas o Kitsch não é exclusividade da mídia. Paula Lyon Guimarães – Paulinha Docinho, como gosta de ser chamada, adora tudo que tem brilho e é chamativo. A personalidade de Paula é figurinha carimbada para aqueles que a conhecem. Brilho e estrelas, unhas decoradas, o carro enfeitado com strass, ursinhos e adesivos são sua marca registrada. “Tudo que tem brilho me chama atenção: não suporto rotina e igualdade”, detona. Conhecida por seus vídeos no Youtube, onde reinterpreta músicas de seus artistas favoritos, Paula diz não se importar com a opinião dos que a consideram “brega”. A professora de educação física ainda contou ao jornal Lince que em sua casa há espaços reservados para cada tipo de coleção: ícones do México, do Cruzeiro, bichinhos de pelúcia, enfeites de cachorro e para seus ídolos. Até tatuagem para os artistas ela tem! No total de 13, três são em tributo a apresentadora Eliana, à cantora Kelly Key e a dupla sertaneja Thaeme e Thiago. “Muitos me rotulam e me julgam, acham que sou infantil e quero atenção, mas quem me conhece de verdade sabe que eu sou assim naturalmente”, completou. “O Kitsch é uma coisa feita pra gente sonhar, como se não houvesse problema no mundo. É a busca desesperada pela felicidade”, fuzila Oswaldo Olney Krüse. A visagista Danuza Miranda concorda com isso. Tanto que todas as almofadas de sua casa têm a cara do Ronaldinho Gaúcho, em dezenas de fotos diferentes. — Jogadores bonitinhos, como o Kaká, por exemplo, não fazem o meu gênero, mas o Cristiano Ronaldo — pra mim, o mais brega de todos —, o Neymar e Ronaldinho Gaúcho são o máximo. Não por acaso, Neymar e Cristiano Ronaldo, emoldurados por estampas imitando peles de onça, de zebra e penas de galinha de angola vão reforçar a decoração da casa de Danuza antes do Natal. “É um sonho”, delira. E talvez seja isso mesmo. No final, tudo é tão brega, mas tão brega, que fica legal.

12

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Dezembro de 2013


ESpECiAL

“ELE É, CADEiRAnTE

MAS É TÃO BONITINHO...”

Soluções paternalistas, descaso e desrespeito: é assim que o portador de deficiência física é tratado em Belo Horizonte RaFael maRTiNs

sam ajudar na construção e na definição

emoção, eu não conseguia ver, pois o

4º período

das normas para o bem-estar de todos.

público se levantava.

— Com a participação de um cadei-

Ele também revela que no Estádio

É muito fácil identificar problemas

rante, as calçadas estariam realmente de

Independência, mesmo com a atuação do

para os portadores de qualquer tipo de defi-

acordo com a segurança e uso correto

Ministério Publico, não se encontrou ainda

ciência ao andar pelas ruas de Belo Hori-

daqueles que as utilizam.

um lugar adequado, seguro e com boa visibi-

zonte. Das calçadas aos estabelecimentos

Um dos exemplos apontados por

lidade, observando, no entanto, que os dois

prestadores de serviços — hotéis, comér-

Ronaldo é o tipo de calçamento utilizado,

estádios têm boa acessibilidade. Os proble-

cios, repartições públicas — passando pelo

com as chamadas pedras portuguesas,

mas continuam em muitos restaurantes e

transporte coletivo (houve um aumento

que se soltam com facilidade e os buracos

lanchonetes, onde as pessoas deficientes

recentemente na frota de táxis acessíveis;

logo aparecem. Calçamentos à base de

têm enorme dificuldade, pois os balcões

antes, era um só; agora, 60). No mais, fal-

ardósia, muito escorregadias, são igual-

ficam acima da altura de suas cadeiras de

tam respeito e educação. Mas, se tem algo

mente repudiados por Marisa Pontes de

rodas e muitos não são adaptados para defi-

que os portadores de deficiência têm de

Almeida, 44, que anda de bengala e disse

cientes visuais.

sobra é capacidade de superação para viver.

que já tomou dois tombos. “Num deles,

Essa é sua arma contra o preconceito.

quebrei o pulso”, emenda.

“Ser deficiente não é fácil”, constata o

Os bancos, hotéis e os meios de transporte seguem um mesmo caminho de ter lugares reservados, máquinas

jornalista Rafael Bonfim, portador de defici-

PadRÃo FiFa?

com acessos, mas a maioria é só pra dis-

ência física.

A maioria dos locais públicos não possui

farçar, conforme a reportagem do Lince

— Sofremos preconceito, temos com-

banheiros adaptados, não bastando apenas o

pôde verificar. “Em lojas de roupas, o

plicações médicas, o imaginário popular em

símbolo da cadeira de rodas e sim sua efetivi-

espaço de circulação é ruim, pois os

relação a nós é confuso e eu não sei o porquê

dade para uso. Somente alguns shoppings

colocam produtos em prateleiras altas

de, diabos, adorarem adotar o diminutivo

têm banheiros adaptados e mesmo assim,

inacessíveis para cadeirantes e a maio-

quando falam conosco: Você quer uma

em alguns casos, com ressalvas. Nos cine-

ria dessas lojas não tem provador para

aguinha? Vai tomar um solzinho?

mas, em sua maioria, o cadeirante tem que

esse público”, afirma a cadeirante

Rafael, que já ouviu até mesmo um

ficar na primeira fileira, praticamente

Telma de Oliveira.

incrível “ele é cadeirante, mas é tão boni-

debaixo da tela e sem a presença de seu

tinho”, faz aqui um claro desabafo contra

acompanhante, pois deixam a fileira livre,

o cotidiano que os portadores de deficiên-

sem uma cadeira do lado de forma alternada.

— Qualquer pessoa, para sua satisfa-

cia enfrentam em Belo Horizonte. Razões

Nos estádios de futebol, mesmo após

ção plena, não gostaria de depender de

não lhe faltam. O dia a dia é mesmo bem

o controvertido padrão FIFA, descumpri-

outra; no caso das pessoas com deficiência,

complicado, a começar dos acessos às

ram as normas e demonstraram retro-

a dependência está atrelada, na maioria das

calçadas e rampas; muitas não estão den-

cesso no quesito acessibilidade. A denún-

vezes, a um sentimento de impotência,

tro da norma da Associação Brasileira de

cia é do vereador e deficiente Leonardo

principalmente pelo fato de que a depen-

Normas Técnicas (ABNT). Ronaldo

Mattos. Ele esteve no Mineirão e não

dência não vem seguida de uma gentileza,

Bhur, advogado, 45 anos, sendo 30 deles

conseguiu ver o jogo.

respeito ou educação, mas de coisas que são

cadeirante, sugere que cadeirantes pos-

— Os lances perigosos e de mais

Segundo Ronaldo Bhur, é um incômodo ter que precisar de outras pessoas.

feitas como uma obrigação.

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Dezembro de 2013

13


AÇÕES GOVERNAMENTAIS Muitas leis já foram sancionadas

grande em viagens de ônibus,

na Câmara Municipal de Belo Hori-

incluindo problemas como a dificul-

zonte, mas pouco se vê sua aplicação.

dade para entrar e sair, falta de mobili-

(Confira na página 15).

dade e autonomia, já que a cadeira de

Segundo o vereador Leonardo Mattos, as leis, ou não são fiscalizadas por

rodas fica no porta-malas e falta banheiro acessível.

falta de fiscais ou por falta de recursos.

Nas viagens de avião, os mesmos

“As leis requerem recursos. Muitas vezes,

problemas que no ônibus. No embar-

o governante fica na dúvida se gasta com

que, desde o check-in, os portadores de

a saúde e educação ou com a acessibili-

deficiência ficam à mercê dos funcio-

dade. Fica realmente difícil definir qual a

nários da companhia aérea, sem

prioridade”.

nenhuma autonomia. O acesso ao

Triste com a situação, Ronaldo

avião e o desembarque dependem dos

Buhr fez um desabafo sobre as ações do

recursos do aeroporto e da companhia

governo. “Falta vontade, respeito para

aérea (não são todos que têm). Os

com a pessoa, desrespeito com as leis

melhores são os fingers e os ambulifts

que asseguram os direitos da pessoa

— tipos de aparelhos que auxiliam na

com deficiência, seja pelo poder público

locomoção —, mas ainda há ocasiões

ou público-privado. Os governantes

em que são carregados pelas escadas.

pouco fazem e aqui cabe uma crítica a

A compra de um veículo com

muitos que utilizam da deficiência

isenção de impostos é muito burocrá-

adquirida ou congênita em eleições e

tica devido às exigências da Receita

que ocupam funções de deputados,

Federal. O melhor é optar pelos servi-

vereadores e administradores públicos e

ços de um despachante especializado

não lutam pela efetividade dos direitos

no assunto. Eles têm o direito às isen-

da pessoa com deficiência”.

ções de IPI, ICMS, IOF (na compra do

Para ele, o setor privado acredita

primeiro veículo financiado) e IPVA. Para ter direito às isenções, o

emprego cumprindo uma cota exigida

valor de mercado do veículo deve ser,

por lei. “A produtividade das pessoas

no máximo, de R$ 70.000,00 (setenta

com deficiência é igual ou superior

mil reais) e somente para carros

àquelas que não possuem nenhuma

zero km, o qual já é faturado com as

limitação. O Ministério Público finge

isenções.

que fiscaliza e é omisso no cumpri-

Existem vários modelos que

mento das leis. Vivemos num mundo

podem ser adaptados para motoris-

capitalista e o dinheiro está acima de

tas com deficiência. “No nosso caso,

tudo”, completa.

o carro deve ter câmbio automático e

Leonardo Mattos também acredita

porta-malas espaçoso para

que faltam manifestações concretas de

cadeira de rodas. É possível também

interesse de melhoria da situação. Para

conseguir as isenções mesmo

ele, todos os governantes têm o dis-

quando a pessoa não é habilitada e o

curso incisivo, solidário, mas a prática

seu carro será conduzido por outra

não acompanha esse intuito.

pessoa”, afirma Gilberto Porta. Para ter direito à nova isenção, a pessoa

mais PRoBlemas

deve ficar, no mínimo, dois anos com

A palavra dificuldade é uma das

o veículo. Se a pessoa quiser comprar

mais vistas no dicionário dos deficien-

um carro usado, nada impede, mas

tes. Nas viagens e compras de carro, ela

não terá as isenções. Se o preço do

também está inserida. Gilberto Porta

veículo for acima de 70 mil reais, só

conta que o desconforto é muito

terá direito à isenção do IPI.

14

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Dezembro de 2013

Foto: artHur vieira

ser um favor destinar vagas de


BH Legal mostra pontos positivos e negativos na cidade O site www.bhlegal.net foi criado

costumeiramente não são acessíveis, a

absurdos até para quem anda sem dificul-

pelo casal Gilberto Porta e Telma de Oli-

começar pelas entradas, sempre com

dade. O equipamento urbano - telefones,

veira, um metalúrgico aposentado e

degraus muito altos”, reclama Telma.

caixas de correio, lixeiras - muitas vezes é

uma funcionária pública. O casal tem

Ela afirma também que a maioria tem

mal colocado atrapalhando o pedestre.

deficiência de locomoção e iniciou o

corredores de circulação muito estrei-

Apenas parte dos órgãos públicos tem

projeto com o objetivo de esclarecer e

tos, dificultando o trânsito para cadeira

seus prédios acessíveis, mas alguns ainda

informar a população que enfrenta difi-

de rodas. Os balcões e o caixa são sem-

não se adaptaram. Bares, restaurantes e

culdades na busca por serviços especia-

pre altos demais para cadeirantes e pes-

hotelaria, também em parte; os de grande

lizados para portadores de deficiência.

soas de baixa estatura.

porte, portanto mais caros, são os que

O primeiro passo foi a criação do site. “O segmento de bares e restauran-

Nas lojas de roupas, segundo o casal, os problemas são ainda maiores.

seguem mais as normas. — A área de saúde é vergonhosa.

tes e hotelaria parece ser o mais atento

— Não existe provador adaptado e a

Onde mais se esperaria cuidados, é

às necessidades dos portadores de defi-

pessoa é obrigada a comprar sem provar

onde menos se encontra: clínicas e hos-

ciência física”, explica Gilberto, lem-

e depois passar pelo transtorno da troca

pitais inacessíveis desde a entrada,

brando que a maioria procura dar aces-

de roupas. Os vendedores são mal pre-

banheiros mal adaptados, falta de cadei-

sibilidade aos portadores de deficiência

parados para nos atender, não enten-

ras de rodas para os pacientes, falta de

em diversas instâncias.

dem nossas necessidades mais básicas:

elevadores e rampas em aclive irregular.

somos um segmento de consumidores

Até nas áreas de internação costuma

que vem sendo praticamente ignorado.

faltar banheiro adaptado.

— Os shoppings se adequaram e a maioria está dentro das normas, com pessoal bem preparado para nos atender,

“A pior entre as piores”, em nossa

“De outro lado, se o equipamento

afirma o casal, ressalvando que, dentro

opinião, “é o estado das calçadas”,

urbano nem sempre é adequado, encon-

das lojas, isso costuma ser diferente. A

afirma Gilberto.

tramos muita boa vontade e gentileza por

parte de cinemas, teatros e casas de espe-

— BH já dispõe de ônibus adaptados

táculos está se adequando aos poucos,

(embora os usuários façam reservas

— Sempre que estamos sozinhos e

sendo que os mais novos seguem as nor-

quanto à qualidade desse serviço) e tam-

em dificuldade aparece uma ou várias

mas, os mais antigos nem sempre. O

bém de táxis acessíveis. O difícil é transi-

pessoas oferecendo ajuda: seja para

mesmo se dá com os museus.

tar pelas calçadas até chegar ao ponto de

guardar a cadeira de rodas no porta-

“O pior em acessibilidade é o comércio

ônibus ou, usando o táxi, descer dele e ir

-malas do carro ou para nos ajudar a

em geral, que parece ainda não ter se

pela calçada até o seu destino. A manu-

subir uma rampa ou atravessar a rua.

dado conta de que somos uma parcela

tenção dos passeios é péssima. A topogra-

Nesse aspecto, de gentileza urbana, a

considerável de consumidores. As lojas

fia da cidade faz com que haja desníveis

cidade é nota 10!

parte da população”, afirma Gilberto.

lEiS para oS portaDorES DE DEFiciÊncia lei 10.214/11 - leonardo Mattos e luzia Ferreira a norma institui o Censo inclusão, com objetivo de identificar e cadastrar os perfis socioeconômicos e as condições de habitação e de mobilidade urbana das pessoas com deficiência que residem no município.

lei 10.066 - arnaldo godoy prevê a adaptação de táxis no município. a norma deu origem ao decreto 14.843/12, em que o executivo incluiu 60 veículos adaptados entre as novas permissões de placas.

lei 10.418 - leonardo Mattos prevê o incentivo ao desenvolvimento de pesquisas e projetos multidisciplinares com foco no autismo e na melhoria da qualidade de vida dos afetados.

lei 10.142 - leonardo Mattos estipula que jardins, parques, clubes, áreas de lazer e áreas abertas ao público geral, contenham, além de condições de acessibilidade, brinquedos adaptados.

lei 10.490 - Sérgio Fernando pinho tavares permite às pessoas idosas ou com deficiência o agendamento de consultas por telefone nas unidades públicas de saúde onde sejam cadastradas.

lei 10.440 - Sergio Fernando pinho tavares determina desde março de 2012 a instalação de banheiros químicos adaptados em todos os eventos realizados no município.

lei 10.190 - Divino pereira Garante assistência especial à parturiente cujo filho recém-nascido seja pessoa com deficiência.

lei 10.442 - léo burguês de castro autoriza o executivo a implantar semáforos sonoros nas vias mais movimentadas do município, proporcionando maior segurança na travessia.

lei 10.530 - cabo júlio Condiciona a concessão e renovação do alvará de funcionamento das agencias bancarias à instalação de bebedouros e banheiros com dependências próprias para pessoas com deficiência

lei 10.439 e 10.113 - alberto rodrigues e luís tibé assegura o recebimento de correspondências do poder público municipal em braile; determina que lan houses e cybercafés ofereçam computadores adaptados para pessoas com deficiência visual.

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Dezembro de 2013

15


DiVERSiDADE

CoMo sE baILa

Na trIbo... Mas, ao contrário do “eterno domingo”, em que todo mundo vivia pelado e pintado de verde, em seu cotidiano os índios enfrentam desconfiança e preconceito até na luta pela sobrevivência RaPhael gouvÊa e Thiago CaldeiRa

demonstrado pelas pessoas, segundo

2º período / 6º período

Chawã — por “inocência ou, às vezes, chacota” — é bater na boca para imitar

Em Belo Horizonte, pelo menos por

sons onomatopaicos geralmente atribuí-

quem anda pelo centro, um dos assun-

dos aos índios. São sons ritualísticos usa-

tos mais comentados ainda é a presença

dos em cerimônias tribais, comuns a

de índios brasileiros e até mesmo

quase todas as comunidades indígenas do

estrangeiros que ocupam o centro da

Brasil, mas que nem sempre representam

cidade. Há os que tocam instrumentos

uma realidade cotidiana. É um estereó-

musicais — estes quase sempre bolivia-

tipo, segundo os índios.

nos e equatorianos — e também os

— Eles nem sabem o que isso signi-

índios brasileiros, que deixam suas

fica. Por isso que, para nós, indígenas, isso

famílias nas tribos e vêm à capital para

é uma forma de agressão, como se estives-

vender artesanato.

sem chamando o índio para a briga. Isso

Por que a presença dos índios é uma

não pode ser feito de maneira nenhuma,

questão muito discutida nas ruas? Muita

pode acabar gerando um conflito. Por isso

gente contesta a presença deles, princi-

que procuramos ignorar quando passa

palmente na Praça 7, pelo fato de estarem

alguém aqui batendo na boca e olhando

ocupando um local onde é grande o movi-

para nós.

mento de pessoas durante todo o dia, e, às

As viagens às capitais são parte de um

vezes, atrapalhando a passagem dos

processo quase ininterrupto de sobrevi-

pedestres. É que os índios ocupam boa

vência. Ao falar como funcionam essas

parte da praça com a exposição de seu

idas e vindas para a Beagá e outras capi-

artesanato.

tais, Chawã explica que é uma espécie de rodízio, pois há outros serviços que os

BaTeR Na BoCa

pataxós vêm para desenvolver aqui.

Em uma conversa com o Lince, o

Engana-se quem pensa que eles só vêm

índio Chawã, 27, que pertence a tribo

16

para vender artesanato.

Pataxó, falou de suas dificuldades. Além

— O trabalho é voluntário, pois para

de ter que ficar longe da família, ainda tem

nós que somos criados na natureza, o

que conviver com o preconceito de uma

importante nem sempre é o lado finan-

boa parte desses pedestres.

ceiro. Queremos ajudar na formação de

— Normalmente, ficamos por aqui

pessoas, e mostrar um pouco da cultura

durante um mês, até vender o artesanato...

indígena para eles. Sempre trabalhamos

Ficamos preocupados, porque temos famí-

em grupos. No mês de abril, fazemos tra-

lia e sentimos muitas saudades. Nem vie-

balhos em escolas para divulgação da

mos para Belo Horizonte, pois viajamos

nossa cultura com palestras e danças.

para outros estados também.

Vamos com um grupo de cinco a sete pes-

U m a i m a g e m d o p re c o n c e i t o

soas para mostrarmos nossos rituais.

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Dezembro de 2013


BATALHADORES Os comerciantes da região

da lanchonete. Para ela, a forma

discutem muito sobre a pre-

com que eles colocam o artesa-

sença dos indígenas na praça,

nato no chão, num local em que

sempre com visões diferentes. O

o movimento de pessoas é muito

comerciante Gilmar Fernando,

grande, atrapalha tanto para os

47 anos, dono de uma lancho-

pedestres quanto os que são

nete no local, não tem do que

como ela, vendedores de fotos:

reclamar.

Segundo Maria Guilher-

— Acho esses índios bem

mina, “eles espalham os produ-

batalhadores; afinal, eles saem

tos deles aqui no chão e, às

de outros estados para vir ven-

vezes, pegam um espaço

der seus artesanatos aqui em

grande, que poderia ser usado

Belo Horizonte. Não é qualquer

por mim, para eu tentar vender

pessoa que teria coragem de

mais fotos”, grita a ambulante,

largar sua casa para vir passar

sem se importar de ser rotulada

uma temporada morando de

de egoísta. Guilhermina tem

aluguel em uma cidade total-

uma visão bem curiosa sobre a

mente diferente do lugar em

permanência dos indígenas na

que você nasceu e foi criado.

praça. Ao mesmo tempo em que

Mas, se o olhar de cumplici-

confessa que não sentiria a

dade recai com frequência sobre

menor falta deles, caso fossem

os índios brasileiros, com os

remanejados de lá, faz uma res-

estrangeiros a coisa é bem dife-

salva e diz “que é a favor,

rente. Quando perguntado se é

olhando pelo lado deles, que só

contra ou a favor da presença

estão querendo ganhar um

dos índios bolivianos, o comer-

dinheirinho”. Mas, como nin-

ciante não tem meios termos.

guém é perfeito, ela também diz

“Aqui na praça sete existem dois

que “vendo que eles estão me

tipos de índios. Os cantores e os

atrapalhando no trabalho, então

não cantores”, afirma Gilmar.

eu sou contra”.

— Os que vendem artesa-

Da mesma forma que o

nato não atrapalham em nada,

taxista Wanderley José, que faz

afinal, montam uma espécie de

ponto diariamente na praça e já

lona improvisada no chão e

chegou a discutir com os índios

ficam ali o dia todo sem fazer

bolivianos.

barulho ou qualquer outra coisa

— Os brasileiros são bon-

que possa atrapalhar; os músi-

zinhos, ficam na deles, mas os

cos, não.

bolivianos, não. Tocam música

Para com os índios artesãos, Gilmar, além de compreensivo, é também, solidário.

altíssima, incomodam todo mundo. Emiliano e Yander, dois

— Quando os mesmos

índios bolivianos que costumam

querem comer alguma coisa,

trabalhar na praça, se defen-

vendo mais barato. Não são

dem. Dizem que, mesmo

todos que compram na minha

quando falam outro idioma e

lanchonete, mas os que com-

vêm de um país distante, não

pram já são clientes fixos e isso

estão tão longe dos índios brasi-

facilita na identificação para

leiros. “Nós e eles enfrentamos

que eu possa conceder os des-

os mesmos preconceitos. Não

contos a eles.

faz a menor diferença eu ser

Já a vendedora de fotos 3 x 4

boliviano e o Chawã ser baiano.

Maria Guilhermina, 48, não

Eles olham pra gente como se a

tem a mesma visão que o dono

gente fosse um bicho do mato”.

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Dezembro de 2013

Fotos: raFael martins

17


EDUCAÇÃO

ESCREVEU, NÃO LEU,

O PAU COMEU A dificuldade para redigir bons textos gera dúvidas sobre o futuro de nosso sistema educacional João Paulo Freitas

4º Período O que fazer quando precisamos vencer algo que tanto nos amedronta? Esta pergunta é feita por diversos estudantes que lutam por bolsas de estudo em grandes universidades e centros universitários, por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), ou também em diversos concursos. O motivo principal para tanta preocupação seria a tão temida prova de redação. A procura por aulas específicas aumenta diariamente. Páginas na internet são distribuídas aos montes para instruir os alunos que buscam técnicas e segredos para produzir um texto de alta qualidade. Mas, em tempos de globalização com informações em tempo real sobre tudo, a que poderia ser atribuído todo esse “pavor”?

PARAR PRA PENSAR Ao tentar explicar um pouco do que

sucedida significa, no mínimo, fazer

parece um “bicho

ocorre atualmente, a professora de Língua

um curso superior, o que pressupõe

de sete cabeças”. Em

Portuguesa, Literatura e Redação Nágila

obter uma boa nota na prova do ENEM

frente ao computador,

Santos de Araújo, 34, esclarece que a

ou ser aprovado em um concurso ou

os jovens criam frases e

redação hoje é de extrema importância

vestibular.

constroem parágrafos para se

para o sucesso estudantil.

A professora, que também é pós-gra-

comunicar com os amigos. No

— Se pararmos para pensar, vive-

duada em psicopedagogia, cita que muitas

momento da redação, escrever, muitas

mos em uma sociedade competitiva,

vezes são os próprios alunos que criam

vezes, se torna um suplício. Nossos estu-

que exige cada vez mais conhecimento

medos e expectativas exageradas. Mas

dantes leem e escrevem pouco. Como

para que o indivíduo consiga ingressar

não descarta que a falta de leitura diária

consequência não se tornam pessoas crí-

no mercado de trabalho. Adquirir tais

agrava a situação.

ticas, com plena capacidade de se posicio-

conhecimentos e ter uma carreira bem 18

— A redação para muitos alunos

nar diante de assuntos da atualidade.

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Dezembro de 2013


INTERNET E ENEM Já há alguns anos, a internet se

bulares e enem. a especialista tam-

tes. Com isso, ao redigirem textos,

tornou fonte essencial para a busca

bém é dona de uma página no facebook

não respeitam as regras gramaticais

constante de informação e comunica-

intitulada “redação”, que possui mais

básicas como acentuação, pontuação

ção. no caso da redação não foi dife-

de 28 mil seguidores.

e ortografia.

rente. porém, uma nova linguagem

— o que poderia ser uma grande

para Bethânia, criou-se um mito

vem sendo difundida pelas redes

ajuda para o aprendizado, tem se tor-

em relação à redação do eneM, como

sociais mundo afora, fazendo com que

nado um inimigo em potencial, pelo

se fosse um gênero textual novo. “o

aconteça uma confusão extrema de

menos no que diz respeito à escrita e

texto dissertativo-argumentativo

ideias. É o que diz Bethânia Cunha

a postura omissa de algumas escolas

cobrado nessa prova, nada mais é do

lomato, 42, diretora do Cellp (Curso

em relação a isso. os alunos, por

que a dissertação-argumentativa de

de estudos literários e língua portu-

dedicarem boa parte do tempo às

outrora, só que com a exigência de

guesa),

no qual ministra o curso de

redes sociais (chats, envio de mensa-

apresentação de proposta. esse

redação voltado para

gens através de e-mails e torpedos),

aspecto é o que a difere de outros ves-

concursos

criam o péssimo hábito de abrevia-

tibulares. entretanto, muitos alunos

públicos,

rem as palavras, quando não criam

d e s c o n h e c e m i s s o, o q u e a c a b a

vesti-

outras, específicas desses ambien-

gerando muitas dúvidas”, alerta.

OS ALUNOS Sim, são eles os personagens princi-

exemplo.

pais de toda esta história. São eles que

Não existe uma receita pronta ou

buscam dia após dia um aprimoramento

mesmo segredos para redigir um texto de

cultural. Pelo menos é o que supõe Fran-

qualidade. “Na verdade, o que existe é um

cielli Aparecida de Sousa, 18, estudante.

conjunto de ações”, explica a professora

Segundo ela, o maior medo é iniciar o

Bethânia Cunha Lomato, lembrando

texto de forma que seus argumentos pos-

que, “primeiramente, o aluno deve dedi-

sam convencer de forma positiva quem

car boa parte do tempo à leitura, para

for fazer a correção. Medos à parte, tam-

familiarizar-se com os temas atuais, que

bém diz ainda que a redação contribui e

possivelmente cairão nas provas; além

muito no desenvolvimento de ideias e na

disso, deve ter conhecimento das caracte-

própria comunicação diária. “Considero

rísticas do gênero textual exigido pela

fundamental esforçar ao máximo em

banca corretora”.

meu texto, não somente com o pensa-

— Por fim, deve dedicar-se à prática

mento voltado para altas notas, mas para

de redigir textos, diariamente, assistido

o desenvolvimento intelectual”, explica.

por um professor, para que possa fazer

Eduardo Humberto Machado, 20,

uma verificação do conteúdo assimilado.

cabeleireiro e estudante de arquitetura,

Aí começam os problemas para

corrobora o que disse Francielli. Para ele,

Hélvio Lage, 22, estudante. Cursando

quem não escreve bem, também não sabe

o último período de arquitetura numa

argumentar em situações difíceis do coti-

faculdade do interior, Lage mal se

diano. “À medida que vou estudando e

lembra do título do último livro que

desenvolvendo temas, minha habilidade

leu e ainda assume que, de 2012 para

para resolver problemas considerados

cá, não leu nenhum, nem mesmo os

simples passa a aumentar. Isto ajudará

indicados para seu curso. Reprovado

muito na minha futura profissão”, expõe.

em três concursos e com poucas perspectivas de conseguir emprego em curto prazo, faz bicos trabalhando

gero a valorização excessiva da redação

como garçom em um bar da capital,

nas notas finais. Segundo ele, outras

todo fim de semana. E está profunda-

matérias são tão importantes quanto, e

mente arrependido, pois, na semana

ajudam no desempenho de cada um,

passada, dois colegas seus ganharam

dependendo do que se for cursar.

bolsas de estudo na prestigiada Sor-

— No meu caso, preferiria mil

artHur vieira

Porém, Renato Reis, 23, estudante de administração, acredita ser um exa-

bonne, em Paris. Hélvio foi reprovado

vezes que focassem na matemática, na provanewton de redação. Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centropor universitário paiva - Dezembro de 2013

19


LiVRO

DICAS

dE taMaNHo a PrEÇo:

tudo CabE No boLso

holoCausTo BRasileiRo Um exímio trabalho da jornalista Daniela Arbex, que retrata uma triste página da história do nosso país, um verdadeiro genocídio em um sana-

RogeR leoN

bolso em sua coleção. “Pra mim

tório em Barbacena que perdu-

2º período

que sou colecionadora, o livro de

rou por décadas. Com relatos

bolso é um estraga prateleira. Se

de pessoas que passaram por lá

não tem a versão original, eu pre-

e m d i f e re n t e s s i t u a ç õ e s , o

firo aguardar”.

denso livro mostra porque é a

De clássicos como “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, a

daNiela aRBeX

ed: Geração

obra de não ficção mais ven-

febres adolescentes como “Melan-

Já com os vendedores (que na

cia”, de Marian Keys, os livros de

maioria das vezes ganham comis-

bolso estão cada vez mais presentes

são), os Pocket Books podem ser um

no mercado editorial. Além do preço

lucro a menos. Um vendedor, que

relativamente baixo, o tamanho que

preferiu não se identificar, foi cate-

não vai além de 13,0 cm x 19,8 cm

górico. “Dificilmente eu mostro a

agrada o leitor que lê em lugares

um cliente um livro de bolso, só se

como pontos de ônibus, consultó-

o eXoRCisTa Em comemoração ao aniversá-

ele realmente insistir, porque deixar

rios médicos e pode guardá-lo na

rio de 40 anos da franquia de

de vender um livro de 60 reais para

bolsa. Porém, os livros de bolso tam-

ter ror de maior sucesso de

vender um livro de 20 deixa o vende-

bém passam pela reprovação de

todos os tempos, o relança-

dor no prejuízo”. Mas para o vende-

autores que acham que a versão

mento de O Exorcista só prova

dor Ricardo Alves, o livro de bolso

diminuída desvaloriza a obra.

mais uma vez que a história se

tem uma função diferenciada.

Os ‘Pocket Books’ surgiram na

mantém densa e atual mesmo

“Antes de tudo, o livro tem uma fun-

Alemanha no início da década de

depois de tanto tempo. Os mais

ção social. O cliente que não pode

30, pois as editoras não conseguiam

medrosos podem ficar tranqui-

gastar tanto tem que ter o direito de

suprir a demanda da população.

los, pois a complexidade dos

adquirir a obra nem que seja na ver-

Naquela época, os livros eram cos-

personagens e os núcleos tão

são mais barata e todos têm que ter o

turados um a um, e os livros de bolso

bem entrelaçados se sobres-

direito de escolher”.

saem ao terror presente da pri-

dido do ano.

✰✰✰✰✰

William PeTeR BlaTTY

ed: aGir

tinham uma confecção mais ama-

Para o representante editorial

dora sendo prensados por uma cola.

Jardel Freitas, da editora Martin

Logo depois, os EUA copiaram o

Claret, os livros de bolso estão em

modelo com sucesso, e a editora

ascensão. “Nos últimos 20 anos, a

Globo foi a pioneira com os ‘Pockets’

venda dos Pocket Books subiu consi-

no Brasil. Hoje, a maioria das gran-

deravelmente e principalmente no

des editoras tem a sua filial que

âmbito escolar”, observa Jardel, que

lança seus sucessos em versões de

acha que os livros mais recentes

ideNTidade FRoTa, a esTRela e a esCuRidÃo.

bolso, como é o caso da Objetiva com

ainda têm preferência em sua ver-

A biografia de uma das per-

a Ponto de Leitura, e a LPM, que

são maior. “O forte ainda são os

sonalidades mais polêmicas

vêm se consolidando com as versões

livros antigos e mais clássicos, que

da mídia, Identidade Frota,

menores.

também são os preferidos da edi-

mostra um personagem sen-

tora. A tradução e os direitos auto-

sível e distante do que conhe-

rais saem mais em conta”.

cemos. Declarações polêmi-

O público divide a opinião. A estudante Renata Lopes, 19, sem-

meira a última página.

✰✰✰✰✰

pre prefere os livros de bolso. “Com

Vale ressaltar que a maioria dos

cas envolvendo terceiros

120 reais, consigo comprar sete ou

títulos ainda não são encontrados

chamam mais atenção que a

mais livros em versão pocket,

em versão de bolso, mas que, pela

história do protagonista, que

PedRo heNRique

enquanto se eu fosse comprar a

demanda atual, em breve as editoras

afirma: “Não quero servir de

PeiXoTo

versão original, não levava nem

farão como os EUA, que trabalham

exemplo”. Ainda bem.

ed: bb

três”. Já a aposentada Maria de

quase que exclusivamente com seus

Fátima não tem nenhum livro de

Pocket Books.

20

✰✰✰

Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Dezembro de 2013


ESpORTE COPA DO MUNDO:

Fotos: riCardo stuCKert / CbF

PErguNtas a sErEM rEsPoNdIdas

Jornal laborat贸rio do Curso de Jornalismo do Centro universit谩rio newton paiva - Dezembro de 2013

21


O povo dá sua opinião sobre o Mundial e os investimentos em torno dele.

Será que estamos no caminho correto? João Vitor Cirilo (4º período)

Quando o assunto é Copa, todo mundo fala um pouco; seja no futebol ou na reestruturação do nosso país por meio das grandes obras trazidas pelo evento. Resolvemos deixar o povo falar, dar seu pitaco sobre questões como segurança, transporte, serviços, investimento e, claro, futebol.

- Com a má imagem do país após mais uma briga em está-

- Iniciativas do governo realmente melhorarão a vida da

dio, turistas virão com a mesma tranquilidade?

população após o evento?

“Depende dos próximos seis meses, apesar de 2013 ter

“Sim. Toda a infraestrutura vai continuar no Brasil depois

tido vários confrontos nos estádios”. Raphael Abner, 20,

da Copa”. Leonardo Alvarenga, 21, engenheiro mecânico.

músico. – Rio de Janeiro (RJ).

Belo Horizonte (MG).

“Acredito que possa afetar, mas a hospitalidade do brasi-

“Acho improvável. Apenas os estádios mesmo”. Paulo

leiro é maior do que esses episódios de violência e vão

Armondes, 31, professor. – Belo Horizonte (MG).

amenizar o temor”. Fernanda Castro, 41, professora. – Belo Horizonte (MG).

- E quanto às manifestações? O que acha delas?

- Com as novas arenas, os preços foram substancialmente

“Se todos quisessem recursos médicos ao invés de espor-

elevados. A Copa poderá ajudar a reduzir a presença de

tivos, por que reclamar depois que a obra já foi feita?”.

marginais nos estádios?

Lucas Silva, 19, instrutor de informática. – Belo Horizonte (MG).

“Acredito que não. Vejo que esses delinquentes estão presentes em todas as classes sociais”. Victor França, 22,

“Válidas e democráticas. A violência é condenável, mas as

estudante de jornalismo. – Aracaju (SE).

manifestações tendem a ser radicais. Não vejo outra forma. Só assim pra chocar e chamar atenção. Só Gandhi,

“Um pouco. Tenho visto uma mudança de perfil. Sem

Mandela e Luther King fizeram diferente, e por isso são

dúvida há mais crianças, mulheres e idosos. Vou ao Minei-

tão especiais”. Paulo Armondes, 31, professor. – Belo

rão desde a década de 1990 e percebo elitização e menos

Horizonte (MG).

arrastões, brigas, roubos”. Paulo Armondes, 31, professor. – Belo Horizonte (MG).

- As cidades estão/estarão devidamente preparadas no que se refere a serviços, como aeroportos, hotéis e restaurantes?

- O que acha das obras do governo no que diz respeito a transporte público? Acredita que teremos problemas

“Alguns deslizes podem acontecer, mas acredito que a

durante o evento?

maioria das obras vai sair a contento”. Fernanda Castro, 41, professora. Belo Horizonte (MG).

“Poderão sim ajudar a população no requisito ‘tempo de viagem’, mas, ainda não acredito que os meios de transporte

“A mídia noticia sempre atrasos em obras de infraestru-

(como o BRT) irão comportar a população”. Lucas Silva, 19,

tura, especialmente em relação a aeroportos e mobili-

instrutor de informática. – Belo Horizonte (MG).

dade. O número de leitos não deve ser problema. O problema pode aparecer após o Mundial, já que vários empre-

“Hoje, temos um transtorno muito grande, mas, no futuro, as

endimentos são em função do torneio e há o risco de

próximas gerações poderão tirar proveito disso. Creio que (as

ficarem ociosos”. Matheus de Oliveira, 20, estudante de

obras) não vão ficar prontas e vamos ser motivo de chacota na

jornalismo – Belo Horizonte (MG).

Europa”. Vera Niza, 60, aposentada. – Belo Horizonte (MG).

22

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton paiva - Dezembro de 2013


- Muito se fala sobre uma possível “limpeza” da cidade, com os

- Resumidamente, acredita que o mar de dinheiro desti-

moradores de rua retirados dos locais onde geralmente ficam

nado a este evento está sendo bem investido?

para causar boa impressão aos turistas. O que acha disso? “Muito fácil um engenheiro fazer um projeto, falar que “Tirá-los momentaneamente da situação adversa não traz

está tudo errado, desviar mais dinheiro, pegar mais

qualquer benefício a eles e à sociedade. Camuflar a reali-

grana do governo... e é um dinheiro nosso, que estamos

dade das cidades é hipocrisia, e uma forma de esconder a

desperdiçando”. Vera Niza, 60, aposentada. – Belo Hori-

ausência de políticas públicas eficientes”. Matheus de Oli-

zonte (MG).

veira, 20, estudante de jornalismo – Belo Horizonte (MG). “Devíamos nos preocupar com outras coisas e não com “Vergonhoso, uma vez que antes de serem ‘mendigos’, são seres

futebol. Ainda não estamos preparados para recepcionar

humanos. O governo deveria pensar em um meio de reintegrar

um evento tão grande desse porte”. Gustavo Passos, 23,

essa minoria ao resto da população, e não os esconder”. Gus-

estudante de Direito. – Belo Horizonte (MG).

tavo Melo, 19, estudante de Direito. – Belo Horizonte (MG). - Em sua visão, a Copa é feita pra quem? - O que acha da construção de grandes estádios em localidades onde não há clubes que possam mantê-lo?

“Pra gringo ver!”. Felipe Araújo, 26, estudante de Publicidade e Propaganda. – Belo Horizonte (MG).

“Importante, porém, desnecessário. Acredito que a ideia é apenas mostrar o valor que as cidades têm. Afinal, os

“A Copa é para ‘poucos’. Apesar da FIFA vender ingressos (bara-

clubes são bem pequenos e ainda não têm o valor sufi-

tos) com meia-entrada, nem todos usufruem deste benefício.

ciente para poder administrar”. João Victor, 17, blogueiro.

Tive a oportunidade de ir a um jogo na Copa das Confedera-

– Maceió (AL).

ções, e os preços de alimentos e produtos no estádio eram absurdos. Não condiziam com a realidade brasileira”. Victor

“É mostrar para o mundo o quanto somos atrasados e

França, 22, estudante de jornalismo. – Aracaju (SE).

imbecis no quesito política! Gastam-se rios de dinheiro pra construir estádios de futebol de 1º mundo, onde na

“Pelos altos valores, dá para ter uma dimensão daqueles

verdade deveriam ter hospitais, escolas e ensino de 1º

que terão condições.” Guilherme Bruno, 21, operador de

mundo”. Felipe Araújo, 26, estudante de Publicidade e

caixa. – Belo Horizonte (MG).

Propaganda. – Belo Horizonte (MG).

- Quem é o favorito ao título? Torcedor poderá fazer diferença a favor do Brasil? “Brasil e Espanha, apesar dos espanhóis já estarem meio manjados como a Itália, que ganhou em 2006 e fracassou em 2010. Acho que a torcida do Brasil fará grande diferença, principalmente contra seleções rivais como Argentina (risos)”. Raphael Abner, 20, músico. – Rio de Janeiro (RJ). “Creio que a Alemanha poderá dar show, Argentina, Inglaterra e talvez Holanda. Entre todos, o Brasil é o maior favorito. Está em casa, ao lado da torcida que faz diferença sim”. Adailton Ascenço, 20, Oficial de Operações Ferroviárias. – Belo Horizonte (MG). Jornal laboratório do Curso de Jornalismo do Centro universitário newton paiva - Dezembro de 2013

23



Jornal lince dezembro 2013