Issuu on Google+

LINCE

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva Ano V | Nº 50 Setembro de 2012

DE OLHO NA NOTÍCIA

As aventuras de um jovem pescador | PÁGINAS 8 E 9

ESPORTE COM PSICOLOGIA

NOS MOTÉIS, SÓ O TRIVIAL

PEQUETITO,O REI DA LOCUÇÃO ESPORTIVA

NOTÍCIA DÁ LUGAR A ENTRETENIMENTO

| PÁGINA 4 E 5

| PÁGINA 6 E 7

| PÁGINA 15

| PÁGINA 20 E 21 ARQUIVO PESSOAL


2

Setembro/2012

OS CINCO INIMIGOS DA

OPORTUNIDADE DAYANE CRISTINA DO NASCIMENTO (2º PERÍODO)

A oportunidade é algo que todos nós temos. Oportunidade de ter uma família, um bom emprego, uma promoção no trabalho, uma casa, um carro. Oportunidade de fazer uma faculdade, de ser feliz, enfim, de ter a vida transformada. Essas oportunidades surgem para nós a todo momento, mas, muitas vezes, não sabemos aproveitá-las. Existem cinco inimigos da oportunidade. São eles: pessimismo, preguiça, medo, complexo de inferioridade e mentira. O pessimismo, segundo o dicionário Aurélio, em sua versão eletrônica, é a "disposição de espírito que leva o indivíduo a encarar tudo pelo lado negativo, a esperar de tudo o pior". Uma pessoa diz que não quer se casar porque acredita que todas as pessoas que se casam vivem infelizes ou se divorciam rapidamente. Isso é pessimismo. A preguiça é considerada o oposto do trabalho; o descanso além

do necessário. Muitas pessoas perdem grandes oportunidades, principalmente de emprego, devido à preguiça. O indivíduo não querer trabalhar porque terá que acordar cedo – mesmo sendo o emprego dos seus sonhos – e preferir ficar em casa sendo bancado pelos pais, é sinônimo de preguiça. "O medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente quanto psicologicamente”. Ele é o responsável por não permitir uma pessoa viver novas experiências. Por exemplo, uma pessoa que não quer ter outro relacionamento com medo de ser como os anteriores. O medo afasta a oportunidade de ser feliz novamente. O complexo de inferioridade coloca uma pessoa abaixo de todas as outras. Ela se sente incapaz de exercer alguma função; se acha inútil. Há pessoas que dizem não serem capazes de conseguir uma promoção no emprego, pois não têm capa-

cidade suficiente para isso. Muitas pessoas não mostram nem valorizam seus dons, pois têm complexo de inferioridade e, por isso, não são reconhecidas. A mentira é a destruidora das oportunidades. Nada se consegue mentindo. Pode ser a melhor mentira já contada, mas ela será descoberta. Algumas pessoas usam dela para conseguir algo, mas acabam perdendo muitas oportunidades. Por exemplo, uma pessoa mente para seu chefe para conseguir ter uma promoção. Ela consegue o que tanto queria, mas, pouco tempo depois, seu chefe descobre que ela usou de má fé para ser promovida e, então, ela é demitida. A mentira destruiu a oportunidade do crescimento na empresa. Estes são apenas alguns exemplos em que se pode encontrar a ação dos cinco inimigos da oportunidade. Devemos ficar atentos para não sermos convencidos por eles e perdermos as oportunidades que surgirem.

"O medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente quanto psicologicamente”

EXPEDIENTE REITOR Luis Carlos de Souza Vieira PRÓ-REITOR ACADÊMICO Sudário Papa Filho COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO Professora Marialice Emboava

COORDENADOR DA CENTRAL DE PRODUÇÃO JORNALISTICA- CPJ Professor Eustáquio Trindade Netto (DRT/MG 02146) PROJETO GRÁFICO E DIREÇÃO DE ARTE Helô Costa (127/MG) MONITOR: João Paulo Freitas e Carolina Zocratto

DIAGRAMAÇÃO: Fillipe Gibram, Geisiane de Oliveira e Nayara Perez REPORTAGENS: Alunos do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva

CORRESPONDÊNCIA NP4 - Rua Catumbi, 546 - Bairro Caiçara - Belo Horizonte - MG - CEP 31230-600 Telefone: (31) 3516.2734 - jornallince2008@gmail.com

Este é um JORNAL-LABORATÓRIO da disciplina Laboratório de Jornalismo II. O jornal não se responsabiliza pela emissão de conceitos emitidos em artigos assinados e permite a reprodução total ou parcial das matérias, desde que citadas a fonte e o autor.


CAROLINA ZOCRATTO

(“NÃO FOI POSSÍVEL COMPLETAR SUA LIGAÇÃO”)

MARCUS SOARES (2º PERÍODO) As reclamações foram tantas, que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) resolveu punir algumas das prestadoras de serviço móvel — Oi, TIM e Claro —, na proibição de novas habilitações e vendas. A penalidade, mais do que justa, se deve ao grande número de reclamações dos clientes no que se refere à queda de sinal, cobranças indevidas, mau atendimento e falta de respeito. A repreensão atingiu 18 estados e o Distrito Federal. Segundo o PROCON, órgão vinculado ao Ministério Público Estadual, que atende consultas ou reclamações que envolvam interesses ou direitos difusos coletivos ou individuais, o setor de telefonia celular é responsável por 70 mil atendimentos em todo país, desbancando os cartões de crédito, os bancos e os planos de saúde, tradicionais campeões de reclamações. Só no primeiro semestre deste ano, foram registrados mais 850 mil

demandas de consumo de defesa do consumidor.

TEM QUE RECLAMAR A advogada Geovanna Fonseca, que se formou em 2010, e foi responsável pelo setor de questionamentos do Direito do Consumidor em uma empresa na cidade de Santa Bárbara (MG), dá dicas para quem sentir que foi lesado pela operadora, por uma cobrança indevida. “De uma forma ou de outra, o primeiro contato a ser feito deverá ser com a operadora; se ela não resolver, você tem que fazer uma reclamação no PROCON.” Mas, e quando o caso é queda de sinal no meio das ligações? O que pode ser feito? A dica da advogada é, de novo, procurar a operadora pra contestar o valor. “Caso ela não resolva, então o remédio é procurar imediatamente a Anatel”. A professora Lídia Maria Pinheiro cansou-se de reclamar contra cobranças indevidas. “É um estresse muito grande, porque ficam só te enrolando e não resolvem nada; no final, você perde a paciência e acaba aceitando

o prejuízo”, diz. Para o estudante João Francisco de Mendonça, esse é justamente o jogo das operadoras. — Elas tentam te vencer pelo cansaço. Eu sei, porque já trabalhei como atendente e você recebe até aulas para aprender a enrolar o cliente. O importante é não desistir nunca; se precisar, tem que entrar na justiça e pedir indenização. É o único jeito delas aprenderem. O ranking de problemas mais visados pelos clientes no PROCON aponta, em primeiro lugar, para as cobranças indevidas, que têm o incrível percentual de 54,98%. A má qualidades dos serviços prestados é responsável por um percentual de 6,94%. Alguns clientes relatam suas experiências sobre serviços de suas operadoras e dizem o que mais incomoda.

TUDO NA MESMA Filipe Gama, 22, estudante, conta que era cliente da operadora OI, mas que fez portabilidade, há um mês, mudando para a Claro. Hoje, diz que está satisfeito com a troca. O motivo

foi uma cobrança indevida no valor de R$ 5 mil, que fez com que procurasse um advogado e entrasse na justiça contra a antiga operadora. O químico Victor Freitas, 23, relata que teve muita dor de cabeça com a TIM, devido à queda de sinal nas ligações. “Um dia, não aguentei mais e resolvi fazer a portabilidade para a Claro, acompanhado por toda a família, mas os problemas não acabaram”. Segundo Victor, a operadora atual manda cobranças indevidas e inexplicáveis em sua conta.

FICAR DE OLHO! A escolha da operadora, no caso, parece ser uma espécie de loteria, pois o designer Guilherme Tavares, 22, está satisfeito com a TIM, devido “às facilidades de falar com a família e o beneficio das promoções, que são mais baratas”, afirma. Seja como for, é bom ficar de olho. A Vivo, uma das prestadoras de telefonia móvel que ficou fora das punições da Anatel, também vai ter que prestar contas, para que não haja problemas futuros.

Os clientes não economizam elogios perante os serviços prestados. A estudante Sylvia Costa, 20, diz que a Vivo é a melhor operadora do Brasil tanto no quesito rede 3G, quanto ao sinal de qualidade. Mas nem tudo são flores. Segundo Sylvia, a operadora peca nas cobranças pelos serviços, apesar de compensar com “o bom atendimento, você sendo um cliente atual ou antigo”. A funcionária pública Maria Francisca Silva, 51, escolheu a Vivo pela quantidade de promoções, mas está sempre atenta. Da mesma forma que a professora Lenice Del Caro, q u e a n d a s e m p re c o m o número da Anatel dentro da bolsa. “Qualquer problema, já entro denunciando; faço isso tanto, que acho que os atendentes da Anatel até me conhecem — Para ter seus direitos garantidos, o consumidor tem que botar a boca no trombone. Para quem quer saber mais sobre os planos que as operadoras vão apresentar durante este ano, deve entrar em contato com a Anatel pelo telefone 1331, ou acompanhá-la em suas páginas nas redes sociais.

3

COMUNICAÇÃO

TU, TU, TU...

Setembro/2012

As operadoras de telefonia móvel no Brasil são mestras em irritar e desrespeitar o consumidor brasileiro, oferecendo serviços de baixíssima qualidade...


COMPORTAMENTO

4

Setembro/2012

Assim como o estado físico, o psicológico de um esportista também é determinante para sua vitória.

SE UM VAI BEM,

O OUTRO TAMBÉM


RAQUEL DURÃES (2º PERÍODO) Bloqueio emocional, nervosismo, falta de motivação... Quem pode explicar porque, tanto atletas amadores quanto profissionais, alguns até com experiências internacionais ou medalhistas olímpicos, se deixam influenciar por questões sujeitas a pressões psicológicas que muita gente nem suspeita que existam no universo esportivo? São estas pressões que podem, em décimos de segundos, determinar o fracasso ou a vitória. “Não existe divisão entre corpo e mente, trata-se de uma unidade”, afirma Eduardo Cillo, doutor em Psicologia Experimental. Qualquer desequilíbrio afeta o modo de jogar do atleta. “O lado emocional faz toda a diferença. Se tem algum problema fora de quadra, é necessário um momento para se concentrar. Caso contrário, o físico sobrecarrega, dando uma falsa sensação de cansaço, quando o problema é outro”, afirma Daniel Taiar, 25, jogador de basquete. Para ele, o auxílio de um psicólogo é de grande importância. Pois, nem sempre tem-se a liberdade de se abrir com o técnico ou outros integrantes do time.

MOTIVAÇÃO Para Daniel, “o stress e a ansiedade vão existir e não há como fugir disso”. Contudo, momentos de distração e relaxamento auxiliam o atleta a se manter motivado e equilibrado com ele mesmo e com o restante do time. “O atleta precisa estar sempre buscando melhorar suas habilida-

Eduardo: "Não existe divisão entre corpo e mente".

des, sempre acreditando no sonho. O que mais motiva um jogador é ganhar espaço e credibilidade dentro do time”, relata o jogador. Entretanto, treinos mais sérios e diários também são indispensáveis. “Planejamento e esforço costumam resultar em bons desempenhos”, afirma o psicólogo Eduardo Cillo.

SALTO

Felizmente , de acordo Mente Ca com inform mpeã, gra ações publi ndes atleta cadas no d Menezes, s já descob ia 13 de ag que nos de riram a im osto pelo si u a honra Luciana C portância te da medalh astelo Bra da psicolo a de ouro nco desde gia. Sarah ouro na gin n o judô, traba 2009. Do m ástica artís lha junto à esmo mod tica, e a du vôlei de pra psicóloga o, Artur Za pla de joga ia, também n e tt i que foi m d o re s Allison e afirmam q e antes das c dalha de Emanuel, ue trabalh ompetiçõe medalha d aram e de s. e se prata no nvolveram Entretanto bastante o , ainda na e m lina, não s ocional Olimpíad se mante as, nossa ve firme m a je equipe ru stosa equ como o e ssa, o tim ipe de vô sperado. e subiu no lei mascu Após faze no jogo é sa lt r dois a z o fundame e acabou e ro n le ta contra a v a l, n m d o um tom c o n tr a a as, em ex bo. Ter co cesso... Já s e le ç ã o d nfiança o s E s ta d as menin durante a o s U n id o as, que co partida. T s m , p m e tiram o s a tr n to que lev a ra m g a rr trando de aram a ho a e c o n tr terminaç n ra o le d ã o ouro para o na vitóri 2008, ven a contra casa, mosceram co a s a mericana m o placa s, que, em r de três a zero.

PACIÊNCIA A psicologia é um ramo que se expande cada vez mais no esporte. O psicólogo visa a saúde integral — física e mental — do atleta, treinador ou técnico. Mas, apesar de todo esse crescimento, a psicologia aplicada ao esporte ainda é novidade. Tanto que só foi reconhecida como uma especialidade da Psicologia em dezembro de 2000, e ainda enfrenta preconceitos por parte de alguns técnicos e atletas. “No Brasil ainda é difícil ter o treinador como cliente. Infelizmente, não há cultura favorável para isso”, reclama o psicólogo. Tal visão negativa pode ser explicada por inúmeras razões. Entre elas, a falta de paciência na espera do “resultado final”. Da mesma forma que o desempenho físico, o emocional também leva tempo para ser trabalhado. De nada adianta contratar um profissional pouco antes do campeonato e logo querer resultados imediatos. “Como não há milagres em nenhum trabalho sério, um psicólogo não deve aceitar trabalhos que exijam resultados miraculosos com prazos diminutos”, afirma Eduardo Cillo.

ALTO

RQUIVO

FOTOS A

PESSOAL

NOVIDADE No Brasil, atualmente já se conta com os trabalhos da ABRAPESP – Associação Brasileira de Psicologia no esporte – um projeto iniciado por psicólogos e profissionais de educação física, e que vem sendo desenvolvido desde 2003. Em outubro de 2007, foi realizado em São Paulo, o I Congresso da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte, com a participação de profissionais e estudantes de Psicologia, Educação Física e de outras áreas da saúde de diversas regiões do Brasil. Neste Congresso, foi lançada a Revista Brasileira de Psicologia do Esporte.

Setembro/2012

5


GASTRONOMIA

6

Setembro/2012

UNE BELLE MEUNIERE

COM FAROFA E VINAGRETE...

Quem for aos motéis de Beagá vai ter que batalhar muito para comer bem. É que, antigamente a fama dos cardápios se equiparava aos restaurantes de luxo, mas hoje vai pouco além da farofa com batata frita...

LEONARDO AUGUSTO (5º PERÍODO) Se por um lado, a decoração das suítes e os climas de sedução de n s m o téis d a capital a l g u ns mineira surpreendem, por outro, quando o quesito é gastronomia, deixam a desejar. A reportagem do Lince se aventurou por motéis de n í v e i s varia-

dos, classes A a C, em diferentes regiões da cidade, e notou um problema que vai além da previsível fraqueza da cozinha: a falta do conceito de que comida e serviço sejam inspirados no que se faz nos bons restaurantes e hotéis. Os casais que decidem ir a motéis querem, antes de tudo, a excelência de um atendimento vip em que uma noite de prazer, de amor e confidências vai muito além de simplesmente dormir no motel. É a magia que se busca numa noite especial. Um conforto a mais, proporcionando momentos de luxo aonde as fantasias possam tomar conta da imaginação do casal. É o que afirmam Regina e Marcel Azeredo Jr., casados há 12 anos, mas que, de vez em quando, ainda programam passar uma noite em um motel, “para se lembrar dos velhos tempos”. Mas, na hora de — para deixar o clima completo — programar um jantar a luz de velas, com um cardápio refinado, começam os problemas. — Como manter um clima de paixão com batata frita e farofa? — pergunta Regina.

FESTA DE ARROMBA Conversando com uma atendente do motel Forest Hills, a reportagem se passou por cliente que desejava uma noite de arromba. Avaliamos diversos pontos. Desde a suíte que fosse a mais requintada ao cardápio servido. Constatamos que realmente o luxo seria garantido. Na suíte presidenc i a l havia televisor d e

plasma 42 polegadas, ar condicionado, polidance, frigobar, teto solar, piscina aquecida, sauna, efeito de luzes, banheira de hidromassagem “com espaço para seis pessoas”, segundo a atendente. E o preço dessa noite de luxúria? Sairia por R$ 1.299 por 12 horas. Mas, o jantar, esse seria o famoso trivial arroz com feijão. Analisando as opções do site do motel e as informações pelo telefone, percebeu-se que a tal porção de fritas e filé mignon era a especiaria que comandava o cardápio. Questionamos mais uma vez a atendente, e dizendo que se tratava de uma noite única, ela afirmou que havia a opção de saladas variadas e massas... Ao perceber o tom de relutância na voz do repórter, mais do que depressa anunciou que havia uma picanha gaúcha com vinagrete, batata, arroz e a famosa farofa, servida em prato executivo pelo valor de R$ 59.

FAROFA À BELLE MEUNIERE... Buscando melhores opções gastronômicas, nos reportamos a outro motel. Um mais simples e com valores mais acessíveis para a Classe C. Motel Parati. A reportagem foi atendida por uma senhora que trajava uniforme vermelho e boina azul e atendia pelo nome de Margareth. Explicado o meu interesse por uma suíte que tivesse um preço acessível, mas algum conforto, ela, então, sugeriu a suíte Max Luxo, que sairia pelo preço de R$ 125 o pernoite. A suíte tinha frigobar, ventilador, ducha, vidros no teto e luzes coloridas, mas não tinha polidance. No cardápio, de novo a dobradinha filé com fritas mais uma vez ganhou destaque. Ao perguntar se a comida era preparada na hora, dona Margareth disse que não teria como informar, mas falou que havia deliciosos bolinhos de bacalhau que sairiam por R$ 24,99 e lombo a palito por R$ 27,99. Partimos para outro motel. Um da mesma rede do motel Forest Hills. O Green Park , um dos motéis mais luxuosos da região sul de Belo Horizonte. O cardápio do motel tem conteúdo interessante. Tem-se desde a farofa, que parece estar em todos os cardápios de motéis, a um peixe à belle meuniere (uma sofisticada receita francesa em que o molho é à base de manteiga e limão) com alcaparras. O Green Park, como os demais motéis, não possui um jantar realmente sofisticado, por isso a reportagem questionou a atendente quanto a lagosta, caviar e champanhe. Ela pediu “um tempo”, mas logo depois retornou dizendo que “infelizmente, não”. — Em compensação, oferecemos, se o senhor optar pela suíte Romana, que está ao preço de R$ 1.399 o pernoite, um espumante nacional, o Moscatel Garibaldi Rosé 750 ml, além de pétalas de rosas na entrada da suíte, ambiente aromatizado com essência de Ylang-Ylang, com propriedades afrodisíacas. Em seguida, a atendente disse que, “com todo o bom gosto da casa, seria uma noite inesquecível”. O Green Park não quis informar os valores do seu cardápio, mas deu a entender que o pessoal que vai a motel adora filé com fritas. “Todo mundo que vem aqui pede”, disse a atendente.


Setembro/2012

CALIENTES, PER O NO MUCHO Outros mot éis foram p rocurados e a of erta quanto ao cardápio não mu dou: farofa, vinagrete, filé com frit as e, às veze s, massas. A carta de vinhos tam bém não m o st ro u va ri e d a d e s. E m d o is motéis Cla sse C, do ce ntro da cidade, as at endentes fo ram grosseiras e afir maram que “quem quer jantar deve procura r restaurante”. Em um deles, o Motel Caliente, hav ia chips, am endoim japonês e ce rveja em la tinha ou “caipirinha preparada n a hora”. Segundo a atendente, as mulheres pediam mais caipir inha e os homens, ce rveja. O c a sa l d e e m p re sá ri o s Regina e M arcel lembr a que, em outros temp os, os motéi s já ofereceram card ápios mais so fisticados, “incluin do lagosta, caviar e champanhe” . E aproveit am para sugerir que, com a inevit áv el Copa do Mundo se aproxim ando, os cardápios m elhorem, in clusive para atender ao público in ternacional. “Pois o romantism o”, avisa Regina, “d efinitivamen te, não sobrevive co m farofa e vi nagrete”.

7


8

Setembro/2012

PESCARIA É SINÔNIMO DE DIVERSÃO E EMOÇÃO Aproveite que há uma porção de feriados à vista e programe uma boa pescaria para relaxar e, também, se emocionar... FOTOS ARQUIVO PESSOAL

O jovem pescador Armando segurando um belo exemplar de Tucunaré, encontrado na represa de Três Marias

Bons pes

queiros próximo sa Belo Hor izonte

-PESQUE & PAGUE CAMPES TRE próximo à entrada de Itabirit o

(60 km de

BH)

-PESQUE

& PAGUE PALMITA L BR-040, n o sentido Belo Horizonte - Brasília.

(35 km de

BH)

- FAZEND A PACU BR-040, sentido Be lo Horizon te - Brasília.

(80 km de

ARMANDO GIAQUINTO (2º PERÍODO) Arranjar tempo para se distrair e se divertir com qualidade está cada vez mais difícil nos dias de hoje. As pessoas se preocupam muito com o trabalho e nem sempre tiram um tempinho para o

lazer em família. Uma maneira rápida e fácil de resolver esse problema é pegar a família e se mandar para uma boa pescaria. Nem que seja apenas por um dia em um pesque & pague em sua cidade. Como há muitos feriados à vista, a hora é agora. Mas... Se alguns acham que pescar é algo monótono, que

BH)

exige apenas paciência e calma, é bom ficar sabendo que, dependendo do local e das condições, a pescaria pode se tornar uma atividade tão divertida quanto emocionante. Para isso, no entanto, é preciso seguir algumas dicas. E aqui vão algumas para aqueles que não costumam pescar, e também, para os pescadores de plantão.


DICAS PARA PESCAR EM REPRESAS, LAGOS E RIOS

Após a grande "batalha" chega o momento de pesar o troféu

 Procure se informar sobre as características dos peixes do local, tais como: tamanho, peso, agressividade e hábitos alimentares.

 Procure se informar sobre a variedade de espécies que existem nos locais desejados.  Em lagos formados devido à presença de córregos, sempre existem traíras, que são peixes extremamente agressivos e predadores. Caso tenha o equipamento adequado, use iscas artificiais para chamar mais a atenção delas e aumentar a taxa de capturas.  O tucunaré também é um peixe conhecido por ser muito agressivo, territorialista e predador. São famosos devidos aos seus ataques explosivos às iscas artificiais. Então, se for pescar onde haja tucunarés, não deixe de levá-las.  Um bom lugar para se pescar o famoso tucunaré é a represa de Três Marias. Já foram capturados exemplares com mais de 5 kg.  Em rios, procure utilizar iscas como peixinhos vivos, minhocas ou iscas artificiais, pois estas iscas rendem mais nesses locais. Mas não se esqueça de pesquisar se existem ou não peixes predadores no local, pois se não houver, desista das artificiais  Alguns dizem que em dias frios e chuvosos não se pesca muito, porém, no caso dos peixes predadores, a pescaria pode ficar até melhor nestas situações. Claro que se for uma tempestade nem perca tempo tentando, mas se for uma chuvinha leve, não se preocupe.  Quando pescar em lugares como rios, lagos e represas, não se esqueça de praticar a pesca esportiva, pois é de extrema importância soltar os peixes após a captura para que não haja danos no habitat nem na cadeia alimentar. Também é importante para a preservação das espécies que ali vivem.

DICAS PARA PESCAR EM PESQUE-PAGUE:

 Peixes predadores, como a traíra, podem fazer a diferença na emoção, pois ao invés de iscas normais, como massas e minhocas, podemos usar iscas artificiais, que irão tornar a pescaria muito mais divertida e prazerosa.  Sempre leve equipamentos de pesca compatíveis com o peso e tamanho dos peixes no local.

Traíra à Amarantos (frita sem espinha) O autor desta reportagem, o futuro jornalista Armando Giaquinto, é pescador esportivo (ou seja, pesca e depois devolve os peixes para as águas). Mas como nem todos têm a mesma formação ou capacidade de resistir a uma boa traíra, aqui vai uma receita especial. INGREDIENTES – 1 traíra sem escamas (entre 1,5 kg e 2 kg); alho; sal; limão e farinha para polvilhar (se preferir, pode usar fubá); COMO FAZER – Pegue a traíra já previamente sem as escamas, e trate de tirar a espinha dorsal, eliminando também os espinhos restantes. Tempere com sal e limão e um pouco de alho (evite o excesso, pois o alho interfere no sabor da carne). Deixe de molho por pelo menos meia hora, virando o peixe a cada cinco ou dez minutos, para incorporar bem o suco. Passe o peixe na farinha (ou fubá), mas não se esqueça de bater para retirar o excesso de farinha. Mergulhe o peixe numa panela (de preferência com material antiaderente, para não precisar de muito óleo) com óleo, em fogo alto. Fritar entre dez ou 12 minutos. Retirar da panela e deixar alguns minutos sobre papel toalha, para retirar o excesso de óleo. Servir com arroz branco e uma boa salada de alface, tomate e cebola.

 Não mantenha o peixe muito tempo fora da água (caso for devolvê-lo), apenas o suficiente para tirar uma foto, se é essa sua intenção.  Uma isca que funciona em todos os pesqueiros é a salsicha. Sempre leve algumas na bolsa, pois elas podem fazer a diferença nas capturas.  Alguns peixes, como o tambaqui e o pacu, são frugíferos, ou seja, se alimentam de frutas. Portanto, se for pescar em lugares onde haja este tipo de peixe, não deixe de levar uma maçã.  Geralmente, nas pescarias em pesque & pague, os pescadores sempre pedem uma porção de fritas com carne ou mandioca para se deliciarem, mas muitos não sabem que carne e mandioca frita também são ótimas iscas para pescar.  Observe o comportamento dos peixes, pois eles também têm lá suas manhas... Geralmente, em dias frios, eles costumam ficar no fundo. Já em dias quentes, sobem para a superfície da água. Sendo assim, no frio procure manter as iscas no fundo; e no c a l o r, m a n t e n h a - a s n a superfície.

Setembro/2012

9


10

Setembro/2012

MULHERES COMEÇAM A BEBER MAIS CEDO

OMPORTAMENTO

THIAGO CALDEIRA

Um território a mais conquistado pelas mulheres. A mesa de bar


Setembro/2012

A emancipação feminina e maiores espaços no mercado de trabalho pavimentaram o caminho para mais essa “conquista”. CLAUDIA AGUIAR E SHIRLEI ROSSANA (2º PERÍODO) A expressão “conquista” é usada com veemência pela maioria das mulheres. Sejam elas de classe alta, média ou baixa, não importa mais — em Belo Horizonte, ninguém estranha mais o alto consumo de álcool entre as mulheres. Em parte, esse aumento se deve a uma emancipação crescente, que se reflete na expressiva participação no mercado de trabalho e na confiança gerada pela autonomia pessoal. O problema é que as mulheres, agora, estão

começando a beber cada vez mais cedo. Não se trata de um fato isolado. Essa emancipação teria se iniciado no século passado, com as primeiras lutas das sufragistas, e tomou fôlego depois da Segunda Guerra Mundial. Na década de 1960, uma série de acontecimentos sociopolíticos — feminismo, hippies, o movimento estudantil em Paris, os protestos contra a Guerra do Vietnam, as guerrilhas urbanas na Europa — acenderam o pavio para transformações radicais que sacudiram de tal forma o planeta, que houve até quem dissesse que esta foi “a década que mudou o

mundo”. O feminismo, que assegurou uma série de conquistas para as mulheres, veio na esteira dessas mudanças. A bebida alcoólica, de certa forma, foi uma dessas “conquistas”. Antigamente, era associada à ideia de luxo e glamour. Somente as mulheres ricas e as estrelas de cinema usufruíam dela. Beber champanhe, então, era considerado um charme, mas, hoje em dia, virou algo corriqueiro. Antes, em mesas de bar, era comum os homens pedirem bebidas alcoólicas para si e refrigerantes para as mulheres.Mas, essa é uma cena que começou a se tornar

rara já nos anos de 1990, quando a maioria das mulheres passou a prescindir das companhias masculinas na hora de frequentar bares. “Casais ainda predominam, mas muitas mulheres preferem sair em grupo, para ter mais liberdade em suas conversas”, atesta Rogério Marques, 54, garçom com 29 anos de experiência. Atualmente, estudos comprovam que, pelo menos no que diz respeito a bebidas, as jovens do sexo feminino já superam os homens da faixa etária dos 15 aos 29 anos. O psicólogo Fernando Dório Anastácio afirma que “a primeira coisa que influencia

essas jovens a beberem seria exatamente um fator cultural e familiar”. Segundo ele, para controlar essa quantidade enorme de jovens que estão bebendo cada vez mais cedo, o melhor seria tentar delimitar um pouco mais essa divulgação feita pela mídia. “Não proibir, mas restringir o acesso aos jovens, criando políticas públicas — tipo ‘Se beber não dirija’ ou ‘Beba com moderação’ — mas o que é beber com moderação? O que é moderação para mim talvez não seja necessariamente para você, não tem como tentar quantificar isso ou vai classificar moderação pela atitude que se tem”, afirma.

Tequilazinha básica! Em consultas a estudantes dos 18 a 29 anos, o que se comprovou foi que a maioria delas acha mais do que natural consumir bebida alcoólica. Priscila Santos, 26, estudante de relações públicas conta que começou a beber aos 16. — Foi quando passei a fre-

quentar festas e baladas. Sempre curto ir a bares, pois é lá que eu e meus amigos nos reunimos para jogar conversa fora, rirmos ou até mesmo matarmos a saudade. Já Ana Luísa, 18, estudante de jornalismo, quando vai a um bar, sabe bem o que

quer. “Eu, particularmente, não dispenso uma cerveja gelada, mas dependendo da ocasião prefiro os destilados, como uma tequilazinha básica. Não sou muito fã é de vinho”, afirma. O bar se assemelha, portanto, a um território recém-conquistado e fre-

quentá-lo é algo que parece comum a todas, como afirma Iuly Maccari, 19, estudante de publicidade e propaganda. Ela diz que gosta de ir a bares, para conversar fiado com os amigos, jogar baralho e ver jogos de futebol. Para ela, hoje as mulheres são totalmente inde-

pendentes e fazem o que têm vontade, sem se preocupar com mais nada: “se querem se divertir, vão se divertir.” — Não concordo com aquela frase que diz que antigamente as mulheres cozinhavam como a mãe e hoje bebem como o pai...

Birita terapêutica Cláudia Boaviagem, 22, estudante de fisioterapia, diz que não gostava de beber, mas começou a beber para compensar a timidez. “Cansei de ficar excluída; todo mundo se divertindo e só eu com cara de bunda; foi a bebida que me ajudou a resolver esse problema. Chego, tomo umas duas ou três doses de tequila e tudo fica legal”, afirma Cláudia, ressalvando que acha importante “não passar do limite”. Duas de suas amigas, Anedith Lins, 21, e Luana Isis, 20, estudantes de moda, assumem que gostam de beber e não veem “nenhum mal nisso”. Em vez

de tequila, preferem champanhe, “que tem, mais a ver com moda”. Luana chegou a dispensar o namorado quando ele começou a implicar com a birita. — Ficar sem champanhe? Tá louco? Fico sem namorado, mas não fico sem champanhe! A l g u m a s re c o n h e c e m que, na verdade, o alcool passa a sensação de liberdade e coragem, “como se a bebida fosse uma magica que te faz cantar bem, dançar bem”, teoriza R afaela Ruas, 19, estudante de Engenharia Ambiental. — Porém esses efeitos só

vêm para o bêbado. Para Rafaela, ao beber, nem todas mulheres estão querendo enfrentar os homens. — Não há nenhuma competição nisso, estamos só aproveitando agora de algo que a muito tempo nós não tínhamos, que se chama liberdade de expressão. No entanto, o psicólogo Mauro Sérgio de Azevedo Filho lembra que é um erro fazer qualquer tipo de associação entre álcool e liberdade de expressão. Ou usar o consumo de álcool “como muleta para vencer timidez”. Segundo Mauro, “isso se faz

com terapia e acompanhamento de um profissional experiente”. Mesmo considerando positivo que as mulheres conquistem novos espaços, ele acredita que, na maioria dos casos, o arrependimento não tarda a chegar. “Há os riscos da dependência e as doenças decorrentes do alcoolismo”, afirma. A conquista desse espaço — bares, restaurantes e casas noturnas — parece mais do que consolidado. Segundo o Promoter da boate Swingers, Tiago Marinho, 23, “nas baladas de hoje em dia há muito mais mulheres do que homens”. Mas, por causa dos

estatutos de algumas casas, há, segundo Tiago, a política de não deixar “ter mais homens na casa”. — Porém, quando elas bebem bastante, passam muito mal e chegam até a dar vexame em público e fazem coisas absurdas. Fique por dentro: As oito bebidas mais pedidas pelas mulheres são: 1º – Tequila; 2º – Vodka; 3º – Uísque; 4º – Cerveja; 5º – Champanhe; 6º – Conhaque; 7º – Vinho tinto; 8º – Vinho branco; As mulheres que possuem um maior nível de escolaridade são as que fazem uso do álcool com maior frequência.

11


Setembro/2012

NOSSO

FELIPE FREITAS E PÂMELA MATOS (2º PERÍODO) O país ainda é do futebol. Mas quem se destacou nas Olimpíadas de Londres, em vez de gols, o fez por meio dos “tachi-waza” e “ta-waza”, nomes complexos e, ao mesmo tempo, semelhantes, que constituem um grupo de técnicas do judô, o esporte que mais trouxe medalhas para o Brasil em 2012. Foram três de bronze e uma de Ouro. Mesmo sem os patrocínios milionários da seleção de futebol, o judô fez bonito e se tornou uma das grandes esperanças para a olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. As conquistas foram ouro, com Sarah Menezes, nos 48 kg; bronze, com Mayra Aguiar, nos 78 kg; Filipe Kitadai, nos 60 kg e Rafael Silva, na categoria acima de 100 kg. E ainda houve um digno quinto lugar

FOTOS ACADEMIA JUDÔ HOLÍSTICO

12

GRAMADO É O

TATAME!

com Tiago Camilo, nos 90 kg, além de Suelen Altheman, na categoria acima de 78 kg. Fechando a lista, tivemos um sétimo lugar com Leandro Guilheiro, nos 81 kg. O Brasil ficou em sexto lugar na disputa por equipes, mesmo enfrentando países como o Japão e a Coréia do Sul, onde esse esporte é bem mais difundido. O presidente da Federação Mineira de Judô, Luiz Augusto Martins, destaca os pontos positivos das conquistas em Londres. “Primeiro, o que vejo de positivo é o número de medalhas conquistadas, que foi maior que nas Olimpíadas anteriores”, afirma. Para ele, quando o Brasil conquistou três medalhas de bronze e uma de ouro, aconteceu também um feito inédito, “não só pelo número de medalhas; é que os atletas mais jovens, sobre os quais não havia tantas expectativas

de medalhas, foram os que ganharam, então, isso mostra o lado positivo da renovação”. L u i z Au g u s t o l e m b r a também que cada vez mais jovens atletas estão chegando a esse nível de competição nacional e internacional. — Isso indica que o nosso nível técnico tem crescido bastante e, quando vemos isso nos judocas, é sinal que se está fazendo um bom trabalho na base. Para nós isso é muito bom.

SONHOS OLÍMPICOS O judô foi criado em 1822, pelo japonês Jigoro Kano, que o definiu como “A arte em que se usa ao máximo a força física e a espiritual”. O professor de judô Ricardo Xavier, ex-presidente da Liga Mineira de Judô (LMJ), concorda com K ano. “Não só concordo como eu vou além; a

força física é necessária em qualquer modalidade, mas a espiritual é essencial para a autoconfiança, não apenas no esporte, mas na vida”. Segundo Xavier, “quem não possuir o ‘Espírito do Guerreiro’, não conseguirá se sobressair”. Pelo fato de o judô se basear em uma filosofia que busca integrar corpo e mente, sua técnica utiliza músculos e a velocidade de raciocínio para dominar o oponente CPOR meio de uma ação integrada. Para a maioria dos praticantes, a receita para quem quiser tornar-se um bom lutador, prega que, antes de tudo, é preciso que o atleta seja também um grande ser humano. “Por meio do judô, fui me conhecendo melhor”, declara Breno Reis, 21, campeão mineiro desse esporte. “Até a q u e s t ã o d o m e u n a m o ro melhorou; chegou a um ponto que eu não tinha mais vergo-

nha de conversar com as garotas, perdi até o medo de levar um fora”, conta Breno. Ele afirma também que foi por meio do esporte que conseguiu se socializar melhor e apresentar trabalhos na escola para toda a turma, coisa que antes não fazia. — Aprendi a ter paciência; consegui entrar em uma faculdade, isso nem meus amigos e eu esperávamos. Quem me conhecia sabe que eu era hiperativo e não conseguia me concentrar. As palavras do judoca, no entanto, escondem ambições maiores: o sonho de ser um atleta olímpico. — Tenho esse objetivo em longo prazo. Estou com 21 anos e pode parecer que estou com uma idade avançada, mas a média de idade dos medalhistas olímpicos é de 29 anos, então, ainda tenho tempo de me preparar para 2016.


Setembro/2012

Um histó

ativas em

rico de

Expect

alta

panha do lente cam e c x ee a , 016 s de esp lar em 2 brasileiro s o o n u s e E, por fa o h enc lizad L ondres serão rea e m u e s q a , te s d r o a o g z esp os jo reali utas são os próxim p a r is r a d a p s h a a n ç a ran ando nal g eiro. “Qu ta nacio n e a tl r J a o e s s d m fe u Rio o pro e de a chanc onhece c , a re s ia , a v ” c e r L em ite. “ o maio a um palp s é muit c a is a r lh d r a e a d a m e m duas e aind avier, qu lo menos X e s o p n r ti rd r a a r a ic e R sto M s esp uiz Augu , podemo L . ô te ” d n e ta ju a m r o a n a que as de p 16 e ach uro e du 0 o s 2 a e a d lh a s to a d n lh qua s me s dar vária é otimista o , ” n m já é e b d e s d m s a ta ectiv ar de a trabalh des persp r n a a ç r e g m m o te ciso c Mas é pre asil a mais. “ as no Br desportiv . s a a orc lv p ti a s s lí e s o s p re s sim, o que as a ro m e l, p o s b E — fute medaapenas o zer mais a m tr ie c o ã fi r e e pod não ben lmente, potencia tes que, o Brasil. lhas para

sucesso no Brasi

l

Em 2016 será a dé s e r á d is cima prim p u ta d o eira vez q e m O li m ue o judô Tóquio, p ía d a s . em 1964 A e s tre ia . Desde en casa 19 fo i e m tão, o Br medalha asil troux s: a pion 1972, su e para eira foi bindo ao Chiaki Is terceiro veio 16 a h ii , em lugar do nos mais pódio. A tarde, co inclusive de ouro m Auréli , é o ma o Miguel ior meda empatad — este, lhista olí o com T m pico bras ia go Camil com dua ileiro, o e L ean s medalh dro Guil as cada. h eiro, Se o país hoje se d estaca ne mos mu ito a que sta moda m trouxe lidade, d M it s u y o eveo esporte Maeda, p a ta ra o Bra mbém c Coma. E sil, o n h e c id le fez sua o por C primeira Porto Ale onde apresenta gre. Dep ção no p ois disso Paulo, R aís em , o espor io de Jan te passou e ir o e ganhou se conso p o r São lidando c o país, qu omo um e hoje ve esperanç a potência m a para 20 no espor 16. te e, é

O judô se destacou em Londres e, mesmo sem investimentos milionários, foi o grande esporte brasileiro na olimpíada

13


14

Setembro/2012

CRESCENDO A CADA

ROUND Apesar da boa atuação nas olimpíadas, o boxe brasileiro ainda necessita de investimentos para se firmar

JOÃO GABRIEL SOUSA (2º PERÍODO) Mesmo sem muita tradição em olimpíadas, o boxe brasileiro tem história. Mas a verdade também é que, desde o lendário Éder Jofre, o país não sabe o que é ter um ídolo dentro desse esporte. Essa é uma historia que pode começar a mudar. Com um belo desempenho nas Olimpíadas de Londres, nosso boxe fez com que o Brasil conquistasse três medalhas, sendo uma de prata e duas de bronze. Apesar de pouco investimento nessa categoria, os atletas conseguiram se destacar. Em crescimento, o boxe já é praticado em academias e centros de treinamento especializados, tanto por pessoas que querem se profissionalizar quanto pelos que procuram apenas manter a boa forma. Depois do desempenho dos lutadores brasileiros em Londres, até crianças passaram a se interessar pela modalidade. A partir disso, as aulas começaram a ser frequentadas, desde cedo, por jovens e adultos — gente de todas as

idades. “Para treinos em academias, já aceitamos alunos a partir de dez anos. Começamos com uma recreação infantil e vamos adotando as técnicas e disciplinas com o passar do tempo”, afirma o professor de boxe Anderson Silva. Para ele, “o boxe ajuda a criança a controlar o apetite, a ser mais produtiva na escola, além de aumentar sua força muscular e flexibilidade”. Enquanto os jovens procuram aprender os golpes e esquivas, os adultos querem mais preparo físico e não deixam de se exercitar. Isso vem levando o Brasil a crescer nesse esporte. E grandes campeões de MMA (Mixed Martial Arts, ou seja, Artes Marcias Mistas), utilizam o boxe para se destacar, “pois o MMA é uma mistura de artes marciais e todo lutador tem que ter como base o boxe, jiu-jítsu, e muay-thai, sendo o boxe o principal”, confirma Silva.

A BASE DE TUDO O estudante Rafael Antunes Silva, 23, treina boxe há um ano. Tudo começou como

brincadeira, acompanhando um amigo que já lutava há mais tempo. Sem a intenção de se profissionalizar, Rafael conta que o treinamento lhe deu mais segurança e melhorou sua condição física. “Sem contar que eu perdi peso pra caramba e tonifiquei o tórax; agora não tenho flacidez e minha musculatura ficou legal”, diz. Lélio Marciano Jr., 20, o amigo de Rafael, acabou de se transferir para uma academia em São Paulo, já com a meta de se profissionalizar e, quem sabe, representar o Brasil em uma grande competição internacional. No entanto, para que outros talentos promissores possam seguir o mesmo caminho de Lélio Marciano, Anderson diz que há um longo caminho a percorrer. “Temos que conseguir investimento financeiro e mais apoio da mídia para gerar mais ídolos; estamos precisando de destaque como meu xará Anderson Silva, o Cigano ou o José Aldo Cigano”, afirma. “Com esse destaque nas olimpíadas, com certeza, ainda mais que depois que os irmãos Falcão e Adriana Araújo trouxe-

ram três medalhas, após 44 anos em jejum numa competição desse porte, acho que o governo investirá mais no esporte. E a tendência é melhorar com o passar do tempo”. Não custa lembrar que, se há um esporte no Brasil que vive de glórias passadas, esse é o boxe, estagnado há muitos anos. No momento, a hora é de correr atrás de patrocínio, pois o boxe perdeu terreno para outras modalidades de luta, como o judô, o jiu-jítsu e o karatê. “Por isso”, explica Lélio Marciano, “há tantas dificuldades para arranjar patrocínio”. Além disso, intercâmbio com centros mais evoluídos, promoção de torneios e investimento nas categorias de base são os caminhos que ele indica para o sucesso. “Temos que seguir o modelo dos cubanos, com um bom programa de treinamentos, mas para isso tem que ter investimento”, diz.

O LEGADO DO ‘GALINHO DE OURO’ O melhor boxeador brasileiro foi Éder Jofre, considerado por especialistas como

um dos maiores nomes do boxe mundial em todos os tempos. Aqui, ele ficou conhecido também pelo apelido “Galinho de Ouro”. Em 1953, Éder Jofre subiu pela primeira vez aos ringues, como amador, no torneio “Forja de Campeões”. Éder realizou 78 lutas, com 72 vitorias, sendo 50 por nocautes. E sofreu apenas quatro empates e duas derrotas. Profissionalmente, começou em 1957, na categoria “peso galo”. No ano seguinte, já era campeão brasileiro em sua categoria. Em 1960, conquistou o título sul-americano dos “galos”, começando assim, a escrever o seu nome na história do boxe internacional. No mesmo ano já era campeão mundial. Mesmo depois de abandonar o boxe profissional, Éder continuou a lutar em forma de exibição. Tornou-se também um político, ao ser eleito vereador em São Paulo entre 1988 e 1992. Atualmente, Éder dá aulas de boxe em uma academia de classe média alta, na capital paulista, e é conhecido ainda por suas radicais posições contra as novas modalidades de luta conhecidas como MMA.


Setembro/2012 Junho/2012

ARQUIVO PESSOAL

LOCUÇÃO ESPORTIVA, UMA PAIXÃO AO VIVO E SEM CORES

JOÃO PAULO FREITAS E PAULA RABELO (2° PERÍODO) Com o objetivo de entreter e informar, a locução esportiva, ao incentivar a imaginação do ouvinte, conquistou milhares de adeptos ao longo dos anos. Sua linguagem extremamente irreve-

rente e rica em detalhes faz com que uma simples partida de futebol – paixão nacional – se torne um grande evento, uma ação recheada de emoções. Por mais que a TV se inove, os amantes do rádio e das transmissões esportivas pretendem manter a tradição viva em seu cotidiano.

Essas transmissões terão sempre destaque por terem sido fundamentais para a transformação do futebol em um esporte de massa, no qual não se diferencia pessoas por classes. Todos possuem cadeiras cativas para acompanhar e vibrar por sua equipe do coração. O velho radinho de pilha ainda conse-

gue manter, nem que seja por alguns momentos, o centro do universo para muita gente! A rádio Globo/CBN e a rádio Itatiaia são dois belos exemplos de profissionalismo e aceitação no mercado comunicativo esportivo. Um dos grandes destaques da locução no estado é Osvaldo Reis, mais

conhecido como “Pequetito” (Rádio Globo/CBN). Com um estilo contagiante, o narrador vem conquistando fãs a cada partida. De forma bastante simpática, o locutor nos concedeu uma entrevista contando um pouco de sua carreira, e também, sua visão sobre a história da locução.

15

JORNALISMO

Pequetito ao lado do Mineirão, sua segunda casa

A emoção do rádio que contagia várias gerações se mantém por inteiro, intensa, na era digital.

VAI QUE EU TÔ TE VENDO!

Lince - Como os locutores esportivos do rádio contribuíram para a popularização do futebol em nosso país? Osvaldo - O rádio é um veículo de massa poderoso e, grande companheiro de nós, brasileiros. Se o futebol é a paixão nacional, d e v e - s e m u i t o a o s l o c u t o re s esportivos que através de suas fantásticas narrações conquistaram o coração do nosso torcedor, porque descreviam de uma forma tão “mágica” o que acontecia no e s t á d i o, e t o d o m u n d o f i c o u maravilhado com aquela nova arte: a do futebol, e o show de transmissão de nossos narradores do rádio.

Lince - Sabemos que a locução no rádio sempre teve uma linguagem bastante irreverente. Quais dessas expressões criadas ao longo da história lhe chamaram mais atenção? Osvaldo - A maneira como narram os gols e os “bordões”. Admiro tudo que já foi feito, destaque para Luiz Mendes: o nosso m a i o r m e s t re , Pe d ro L u i z , Jorge Curi, Waldir Amaral, Osmar Santos, José Carlos Araújo, Willy Gonser, Alberto Rodrigues, Oscar Ulisses. Não vou especificar uma expressão em si, prefiro fazer um grande narrador com um pouquinho de cada um desses que citei. Não seria, então, a criação do

melhor narrador do mundo (risos)?

Lince - Quais as responsabilidades que o locutor precisa ter nas transmissões, e como foram suas primeiras narrações no rádio? Osvaldo - Você tem que ter o jogo em suas mãos, não deixar a partida tomar conta de você. Tem que ter correção na informação dos lances, mostrar ao ouvinte onde está a bola, dinamismo na narrativa e emoção no ponto certo. Lince – Quando o senhor começou? Osvaldo - Comecei muito jovem, com 18, 19 anos. Claro, no

início da carreira é tudo muito difícil, mas depois que você vira para o microfone e diz a ele: “Bom dia!” e ele te responde amigavelmente, é porque você, com certeza, é do ramo e será um narrador.

Lince - Qual transmissão marcou sua carreira? Osvaldo - Toda transmissão é importante pra mim, mas o Cruzeiro campeão da Copa do Brasil em 2000, ainda mais sobre o São Paulo, no Mineirão, com 100 mil pessoas foi demais. Que virada, aquela de 2 X 1... Ah, e a conquista celeste em 2003, no Brasileirão. Lince - Que dicas o senhor

daria para os futuros locutores esportivos que pretendem brilhar no rádio? O s v a l d o - O u ç a m m u i t o, leiam bastante, sejam curiosos sempre, mas procurem criar um perfil próprio, sem copiar ninguém. Agora, o mais importante, é saber se Papai do Céu lhe deu o “dom” quando nasceu. Senão, dificilmente você será um narrador. Não existe faculdade para narrador! É uma oportunidade muito legal de poder passar um pouco do que penso para os leitore s . M e u c a r i n h o s o a b r a ç o a todos os alunos da Newton Paiva e sucesso na futura profissão. Vai que eu tô te vendo!


Setembro/2012

FALCOARIA

16

DE ESPORTE DOS REIS

A ARTE

MILENAR ARMANDO GIAQUINTO (2º PERÍODO)

Iniciada há mais de dois mil e duzentos anos antes de Cristo, a falcoaria ainda é praticada e admirada por muitos hoje em dia. Antigamente, na época dos reis e faraós, os rapinantes eram animais muito considerados, porém, somente os nobres e pessoas de alto escalão podiam criar essas aves. Há registros escritos testemunhando que Júlio César, imperador de Roma, caçava pombos com um falcão altamente treinado. Outro fato que

mostra a importância e valor dessa prática na antiguidade é o livro “De Arte Venandi Cum Avibus” (A Arte De Caçar Com Aves), escrito por ninguém menos que o rei Frederico II, da Prússia, em 1740. Muitas vezes, os nobres usavam o falcão peregrino em suas caças, pois é o animal mais rápido do mundo, alcançando até 320 km por hora. Mas, afinal, o que é falcoaria? Falcoaria, também conhecida como Cetreria, é a arte milenar de criar e treinar aves de rapina. Usada principalmente com o objetivo de caçar outros animais,

essa prática é cada vez mais comum nos aeroportos. É fácil entender o porquê. Garças, urubus e outros pássaros são um grande risco para as aeronaves, pois podem se colidir com as mesmas e causar sérios acidentes. Há diversos registros de aeronaves gravemente danificadas, depois que algumas dessas aves foi “sugada” pelas turbinas. Por esse motivo, empresas aéreas contratam falcoeiros para eliminar ou espantar esse tipo de praga, gerando assim, mais segurança para os tripulantes em um voo.

FOTOS ARQUIVO PESSOAL

Após o treinamento, o dono e o Falcão criam um vínculo de respeito e amizade


Setembro/2012

Cuidados especiais No caso da falcoaria como hobby, pessoas que desejam criar um rapinante devem primeiramente se informar sobre o animal. Por isso é fundamental ter informações sobre seus hábitos alimentares, higiene e outras necessidades da ave. Tudo isso deve ser pesquisado pelo interessado, antes de efetuar a compra. Outro fator importante é conhecer as técnicas de amansamento e treino, pois uma ave mal treinada certamente irá causar problemas ao falcoeiro, ou até mesmo poderá fugir. Outro fato importante para se lembrar é que estas aves se alimentam exclusivamente de carne. Muitas vezes, por esse motivo, as pessoas evitam ou até mesmo criticam os rapinantes. Mas, se você está interessado mesmo assim, é preciso saber que a alimentação comum em cativeiro é baseada em codornas e

camundongos abatidos. O passo seguinte é conhecer alguns equipamentos que são necessários para se praticar falcoaria. Luvas de couro, apitos e radiotransmissores (Telemetria) são alguns dos mais importantes. No Brasil existem três criadouros legalizados de aves de rapina, sendo um no Rio De Janeiro e dois em Minas Gerais. Os preços variam de R$ 800 a R$ 9 mil, dependendo da espécie. As aves mais vendidas são o gavião asa de telha (Parabuteo Unicinctus), que custa, em média, R$2.500; o falcão quiri quiri (Falco Sparverius), na faixa dos R$ 800, e o falcão de coleira (Falco Femoralis), na faixa dos R$1.500. Em outros países, existem aves que chegam a custar incríveis R$ 100 mil, devido à raridade e treinamento das mesmas.

Etapa de treinamentos Após adquirir o animal, deve-se iniciar o amansamento e treino. Essa é a etapa mais importante para um falcoeiro, e deve ser efetuada com paciência e dedicação. Falhas e erros não são permitidos durante este processo. O tempo de treinamento irá depender da experiência e sabedoria do adestrador, variando de um a seis meses.

Após devidamente treinada, a ave de rapina se torna um ótimo pet, pois além de sua beleza e história, geralmente cria um vínculo com seu dono. Atualmente, caçar animais selvagens é proibido no Brasil, portanto, ao sair com sua ave, avalie sempre o local e certifique-se de que não haja possíveis presas.

17


SUSTENTABILIDADE

Setembro/2012

OPINIÃO

18

DEVE SER TEMA DE TODO DIA ANA PAULA MOREIRA (4º PERÍODO) E JOÃO MARCELO DRUMOND (2º PERÍODO) O termo sustentabilidade pode ser definido como a capacidade de o ser humano interagir com o mundo, preservando o meio ambiente para não comprometer os recursos naturais das gerações futuras. Tendo esse conceito esclarecido podemos dizer que foi o principal assunto do evento brasileiro RIO+20, evento que teve a finalidade de discutir a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável. Este foi considerado o maior evento já organizado pelas Nações Unidas, e contou com a participação de vários intelectuais e chefes de estado do mundo todo. A capital mineira é pioneira

quando o assunto é equilíbrio ecológico e incentiva as energias renováveis como eólica e a dos ventos. Podemos observar isso no funcionamento do Parque Ecológico da Pampulha, administrada pelo ambientalista Evandro Xavier. Segundo ele, o parque é estruturado com tratamento de água e esgoto, além de incentivar o destino adequado ao material reaproveitável. A reciclagem foi uma das técnicas sustentáveis defendidas pelo evento RIO+20. Pode-se observar sua importância na Associação de Papel e Materiais Reaproveitáveis (Asmare) que cuida do destino do lixo e ajuda milhares de seus funcionários a conquistar sua independência. Geralda Marçal é presidente da Asso-

ciação e diz que se sente honrada em ser idealizadora de um símbolo sustentável. Sustentabilidade é o processo que vai fazer com que a geração atu al ven ha satis fa zer as suas necessidades sem comprometer as gerações futuras é o caminho é a educação ambiental. Por isso, é necessário compreender que tudo é re l a c i o n a d o c o m a i n t e r a ç ã o humana que não deve agredir a biodiversidade terrestre. Para muitos ambientalistas o RIO+20 está longe de ser um evento de recuperação do meio ambiente, mas já é um bom começo para preservar. Agora, o mais importante de tudo é não deixar que o tema caia no esquecimento.


Setembro/2012

EMERSON RIVELINO

E NO TABULEIRO DA

BAIANA

O QUE É QUE TEM?

Dorival Caymmi, o compositor brasileiro que melhor interpretou a alma da Bahia, disse que tem vatapá, caruru, munguzá, abará, umbu e... além disso, muita sensualidade... LEONARDO AUGUSTO (5º PERÍODO) Com a exibição da minissérie “Gabriela”, na televisão, não há quem viaje pela obra de Jorge amado, sem querer provar os temperos de alguma de suas musas baianas. Da apimentada moqueca de siri mole de Dona Flor aos acarajés de Gabriela. Em seus romances, além dos já citados, o escritor temperou como poucos a culinária da Bahia, pintando com cores fortes um dos traços mais marcantes das tradições afro-brasileiras. Mas, você sabe mesmo o que é que tem no tabuleiro da baiana? Cheiro, sabor e sensualidade não podem faltar. Afinal, são alguns dos muitos ingredientes da comida baiana, que já ultrapassou as divisas de seu estado natal. E no mês em que o escritor Jorge Amado completaria 100 anos, o Lince foi até “A Baiana do Acarajé”, aqui em Belo Horizonte, bem no coração da Savassi, para conferir um pouco mais desse

u n i v e r s o t e m p e r a d o c om pimenta, cravo e canela. Entre as peculiaridades da gastronomia baiana, o estabelecimento visando um local que parecesse um “pedacinho da Bahia, no coração da Savassi”, preferiu se utilizar de imagens e cores fortes e do visual um tanto quanto regional, trazendo das origens baianas um universo de alegria e descontração. Além do sotaque original de fábrica, as atendentes se caracterizam pelas batas de renda, saias brancas e lenço na cabeça. Uma das funcionárias do bar, Ana Hilda, nos conta que o traje foi planejado para chamar atenção mesmo. “Além do que, gera uma curiosidade de nos ver com roupa normal”, completa. Ana diz que durante o atendimento, os clientes não as chamam de garçonete ou garçom. Gritam: “Vem cá, baiana; vem cá, baiano”, o que faz do atendimento um momento de descontração dentro de um clima bem nordestino. Aila Portugal, que por sinal é baiana e por isso se diz “suspeita para falar sobre o

lugar”, é cliente assídua e considera o bar seu “segundo lugar de ficar” em Belo Horizonte. — É minha praia e minha casa. Durante a entrevista, Aila experimentou um vatapá e aprovou. Disse que o tempero “parece ter vindo diretamente da Bahia”. O cardápio do bar da baiana é bem diverso. Tem desde uma moqueca de camarão servida para duas pessoas ao preço de R$ 74,90 e que é um prato típico da culinária local, podendo ser de peixe, de camarão, de siri, e até mesmo de arraia. Esse prato é uma espécie de ensopado preparado com leite de coco, azeite de dendê, pimentão, cebola e coentro. “Quem não gostar de azeite de dendê ou quiser fazer uma refeição mais leve, pode pedir o ensopado, que segue a mesma receita, porém, sem esse ingrediente em sua mistura” comentou Ana. Mas o petisco mais popular é o acarajé, uma iguaria das mais apreciadas na Bahia, encontrado comumente em tabuleiros

dispostos nas ruas pelas famosas baianas, cozinheiras vestidas em trajes folclóricos. Na verdade, trata-se de um bolinho salgado feito com massa de feijão fradinho, que é frito no óleo de dendê e pode vir recheado ou não de camarão e vatapá. Outro petisco muito popular é a casquinha de siri. Segundo Ana Hilda, estes são os pratos “campeões”, os que saem com maior frequência e são vendidos em porções individuais ao preço de R$ 8,90 e a porção por R$ 19,90. A culinarista Maria da Ajuda Ribeiro, 36, aprova esse pedacinho da Bahia em Beagá, mesmo com o “excesso de folclore do ambiente”. Para ela, a culinária baiana é a que apresenta maior influência das tradições africanas, principalmente no uso dos temperos fortes, com destaque para as pimentas. Mas é um erro taxá-la de apenas africana. — É miscigenada. Tal e qual a mineira. Os índios, por exemplo, contribuíram com a mandioca; os portugueses, com o azeite de oliva; os negros, com

19

o dendê. Por isso ganhou esse clima de sensualidade, que recebeu um reforço ainda maior nas descrições dos livros de Jorge Amado — cada prato está ligado à personalidade de uma personagem, de Tieta a Dona Flor e Gabriela. Maria da Ajuda lembra que em livros, como Jubiabá, Os Pastores da Noite ou Tereza Batista Cansada de Guerra, entre outros, às vezes, com inegável paixão, Jorge Amado faz referências a esses hábitos que nos vieram da África subsaariana com os escravos. — Tudo isso só reforça a importância da culinária dentro da cultura brasileira. As três vertentes mais importantes são a baiana, a mineira e a do Pará, que é a única totalmente derivada das tradições indígenas, sem interferência dos negros ou dos portugueses. Quem quiser viver um pouquinho da Bahia em Minas Gerais, já sabe: Baiana do Acarajé fica no coração da Savassi — Rua Antonio de Albuquerque, 473.


20

JORNALISMO

Setembro/2012

O SHOW DA (DES) INFORMAÇÃO

O entretenimento está cada vez mais ganhando espaço nos telejornais e assim o factual deixa de ser o protagonista

Raquel Capanema: "Não se pode deixar o jornal fugir de sua real função"

FOTOS RAIANE COTTA


Setembro/2012

RAIANE COTTA (4º PERÍODO) Dicas de como se vestir no inverno, como fazer um quiabo sem baba, a maquiagem ideal para o dia-a-dia e até lendas, como a de um certo Cabloco d’água agora já não são temas estranhos a muitos telejornais brasileiros. Cada vez mais, conteúdos que até então só eram valorizados em revistas de entretenimento têm feito parte da rotina do telejornalismo. Com isso, até o apresentador teve que se adaptar. A postura séria e o apresentador sempre sentado, atrás do balcão, deixaram de ser padrão. O âncora agora parece o mestre de cerimônias de um espetáculo: fica de pé, anda de um lado para outro, comenta, opina e brinca com o espectador. Vale tudo pela interatividade.

A jornalista Mariana Bontempo, 34 anos, que há 18 anos atua em diversas áreas da TV — já foi cinegrafista, editora de imagem, apresentadora, diretora de TV, produtora, repórter e, atualmente, trabalha como editora de texto na TV Rede Minas – aponta, como principal fator dessa mudança, o medo da emissora de se comprometer. “É muito mais ‘tranquilo’ dar a receita do bolo da celebridade do que falar do buraco da rua. O buraco da rua exige um levantamento sobre quantos buracos existem naquele bairro, requer uma pesquisa sobre quantas vezes aquele mesmo buraco já foi consertado. Precisa ouvir a fonte oficial e, na maioria das vezes, se posicionar de forma contrária ao que foi explicitado pelo órgão público”, justifica. Mariana acredita que os factuais têm perdido espaço

nos jornais. “Infelizmente, o telejornalismo virou uma revista eletrônica. Cada vez mais, os programas de cunho informativo deixam de cumprir o seu papel de, realmente, informar”, afirma.Quanto às novas maneiras de se apresentar o telejornal, a apresentadora Raquel Capanema, apresentadora do Jornal Minas - 1ª Edição (exibido diariamente na TV Rede Minas), acredita ser um reflexo dos dias de hoje, que está cada vez mais veloz e afetado pela tecnologia. Para ela, o importante é não deixar o jornal fugir de sua principal função. “Isso não pode comprometer a nossa missão que é levar a informação sem ruído e com máxima clareza”. Para Raquel, o entretenimento, usado na medida certa, ajuda a dar leveza ao noticiário nos dias marcados por factuais

de grande impacto. “Entretenimento e cultura fazem parte dos nossos assuntos, do cotidiano e do leque de novidades de um jornal. Mas, não da pra ocupar mais de 15% da edição”, explica.

CARISMA & BOA APARÊNCIA Para a editora de texto, Mariana Bontempo, as qualidades do bom jornalismo — credibilidade, competência, trajetória profissional e bagagem cultural — foram definitivamente vencidas pelo carisma e boa aparência. “Olhou pra câmera com classe, sorriu e fez alguma piadinha, perfeito! Já é o novo e melhor apresentador de telejornal”, ironiza. Raquel Romagna, jornalista, 28 anos, defende a ideia de que sempre haverá jornais

com linhas editoriais diferentes, que atendem diversos tipos de interesses.“Além do público que gosta de chegar em casa e ver matérias mais leves para encerrar seu dia, também há público que sente falta de um assunto melhor abordado em matérias mais consistentes. (..) Como telespectadora, tenho a liberdade de mudar o canal quando eu quiser, procurando aquilo que mais me interessa”, justifica. Luiz Gonzada Godoi Trigo, afima em seu livro “Entretenimento, uma crítica aberta” ( São Paulo, Editora Senac, 2008), que o telejornalismo vive um novo período, onde os produtores de mídia tentam renovar o jornalismo mesclando-o ao entretenimento, se tornando “um tempero para melhor expor a notícia”.

TELEVISÃO

Mariana Bontempo: "Infelizmente o jornalismo virou revista eletrônica"

21


22

Setembro/2012

Nossa

FOTOS CAROLINA ZOCRATTO

privacidade

acabou? Porque a relação de confiança que as pessoas têm com a internet está cada vez mais ameaçada

BRENDDA COSTA & CAROLINA ZOCRATTO (4º PERÍODO) Apesar de, nos dias de hoje, encontrarmos sites que ofereçam certo nível de proteção, ainda há pessoas que burlam todos esses aparatos de segurança conseguem acesso a informações de caráter sigiloso. Essas pessoas são conhecidas como “crackers” — os hackers do mal —, e utilizam seu conhecimento em informática para a prática de crimes virtuais. Entre os mais comuns cometidos na rede estão a falsa identidade, que é quando o criminoso utiliza de dados pessoais da vítima para compras e criação de perfis na internet. D i f a m a ç ã o, c a l ú n i a e injúria são os chamados crimes contra a honra. São comuns nas redes sociais, quando um usuário divulga informações que denigrem a imagem prejudicando a repu-

tação do outro. Outro crime é o “phishing”, que se utiliza de dados particulares, como o número do CPF, da conta bancária e senha de acesso, para depois serem usados em roubos e fraudes.

SALDO NEGATIVO A professora Paulyane Christina, 28, foi vítima de um desvio de dinheiro em sua conta bancária. — No segundo semestre do ano de 2007, ao utilizar um caixa eletrônico, me deparei com um saldo negativo, proveniente de um empréstimo automático realizado on-line e a transferência de todo meu dinheiro para outra conta. Após o registro oficial na delegacia de Polícia Civil, a conta foi bloqueada, porém o débito era feito todo mês. Alguns meses depois o banco ofereceu um acordo e fez o pagamento do

valor total, incluindo as taxas. Bárbara Gonçalves, 24, mestranda, teve seu cartão clonado. Ela descobriu quando foi tentar passar o cartão de d é b i t o n o s u p e r m e rc a d o. Assim como no caso de Paulyane Christina quando foi comprovada a fraude o banco a ressarciu, mas o susto e o medo continuaram. — Acredito que os meios de comunicação evoluiram tanto que ter privacidade depende da vontade dos outros em querer respeitá-la. Não importa o que façamos, há sempre uma forma de acessar nossa informações, saber onde estamos e o que fazemos. Escolhemos expor nossas vidas e não controlamos as informações disponíveis em bases de dados nesse mundo tecnológico e informatizado — opinou Bárbara. A técnica em segurança do trabalho, Enedina Prates,23, teve sua conta invadida em um s i t e d e re l a c i o n a m e n t o s . Segundo ela, não houve muitos

danos, pois rapidamente acionou o administrador do site e recuperou seu acesso. “Como entro com frequência na rede social, agi rápido e não tive maiores complicações. Mas, me senti ameaçada, e percebi que minhas informações estavam vulneráveis”, relatou.

DIREITOS DO USUÁRIO No Brasil, até hoje, não existe uma legislação específica para esse tipo de crime. Utiliza-se o código penal e cível convencional. — Na esfera criminal, requer-se a prisão de alguém; na esfera cível, um ressarcimento econômico por danos — explica o professor e advogado Fernando Gonçalves Coelho Júnior. Segundo Fernando, os crimes virtuais podem tomar proporções maiores. — Uma diferença é que lá tudo isso pode ser potenciali-

zado. Por exemplo, uma fotografia que a gente mostra para um grupo de amigos expondo aquela pessoa, ridicularizando, mostrando para quatro ou cinco pessoas é uma coisa, na internet, você tem um universo de seis bilhões de pessoas, ou seja, o efeito potencial pode ser muito mais perverso — comentou o advogado. Quanto às punições, ele disse que depende do tipo de crime cometido. Recentemente houve a exposição das fotos em que o princípe Harry aparece nu. A realeza britânica, com toda certeza, não aprovou a atitude do herdeiro, mas, ao que tudo indica, a família real decidiu não acionar a justiça para cobrar possíveis direitos. O que, no caso, denota alguma sabedoria, pois Harry, desde a adolescência, tem se revelado uma pedra incômoda no sapato da realeza. Depois de ameaçado, sabe-se lá o que o autor ou autora da foto ainda teria para mostrar...


Jornal Lince Setembro de 2012