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9 novembro 2012 | fevereiro 2013

HISTÓRIA COLETIVA A

Comemore com a gente a temporada mais animada do ano

O que acontece quando um grupo de crianças encontra dois autores premiados?

TÚNEL DO TEMPO As histórias de pais que revisitaram com os filhos os destinos marcantes da infância

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EDITORIAL

A imaginação no poder uito se discute hoje em dia se as crianças da era dos tablets e dos smartphones estariam se tornando mais digitais do que analógicas. A metáfora aqui é atrelada ao suposto desaparecimento de um dos territórios mais característicos da infância: aquele em que se plantando tudo dá. A criatividade ampla, geral e irrestrita das crianças estaria perdendo terreno pouco a pouco em um mundo onde os limites das coisas que existem e não existem são definidos cada vez mais precocemente pela informação e pelo conhecimento, e não pela ausência de um e de outro. Será mesmo? Bem, se depender da matéria “A imaginação no poder”, um dos destaques desta edição, a fantasia infantil – seja analógica ou digital – vai muito bem, obrigada. Como você vai ver adiante, a ideia de juntar um grupo de crianças com dois autores consagrados, no caso, Eva Furnari e o nosso colunista Odilon Moraes, rendeu uma parceria das boas. “O nascimento de uma história só é possível com concentração e criatividade”, diz Eva Furnari na reportagem. “E foi isso que mobilizou estas crianças.” Aqui em Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre concentração e criatividade são também nossos principais combustíveis na hora de preparar as coleções. Hoje, muito mais que o sonho e a fantasia, o que nos inspira são as histórias extraordinárias escritas no dia a dia por pais e filhos: da troca de fraldas ao piquenique na pracinha, dos primeiros passos à estreia na escola, enfim, todo esse repertório de situações que ajuda a ilustrar os desafios e delícias dessa relação tão especial. A apresentadora e ex-modelo Fernanda Tavares sabe bem disso. Ao lado do marido, o ator Murilo Rosa, e do filho Lucas, ela posou em setembro para nossa campanha de Natal grávida de sete meses e mostrou que está cada vez mais focada em seu momento família. “Faço questão de acompanhar de perto o crescimento dos meus filhos”, conta em entrevista nesta edição. “Quem vive a infância de forma plena se transforma em um adulto mais feliz e generoso.” Felicidade e generosidade, aliás, são duas ótimas palavras para fechar um ano cheio de realizações. Em clima de festa, aproveito para desejar um feliz Natal e um ótimo 2013!

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Um beijo, Rafaela Donini e equipe Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre

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CAPA Foto Cecília Duarte, Styling Letícia Toniazzo, Hair & Make Up Flávio Lacerda (Capa MGT), Modelos Julia Nogueira (Arte Bambini) e Juliana Akemi (Vogue) Marisol Indústria do Vestuário Ltda. Presidente Giuliano Donini Diretor corporativo Jair Pasquali Coordenação e consultoria de relacionamento Rafaela Donini www.lilicaetigor.com LILICA&TIGOR | Editor Paulo Lima Diretor Editorial Fernando Luna Diretora de Criação Ciça Pinheiro Diretora de Criação Adjunta Micheline Alves Diretora de Desenvolvimento de Negócios Adriana Naves Diretor Financeiro Renato B. Zuccari Diretor de Núcleo Tato Coutinho Conselho Editorial Giuliano Donini, Jair Pasquali, Rafaela Donini, José Henrique Falbo e Graziela Della Giustina (Marisol); Paulo Lima, Fernando Luna, Carlos Sarli e Ciça Pinheiro (Trip) Diretora de Redação Ana Paula Orlandi Diretora de Arte Kiki Saraiva Projeto Gráfico Paula Carvalho Produtora Executiva Renata Campos Pesquisa de Imagens Coordenação Aldrin Ferraz Bibliotecário Daniel Andrade Assistente de Pesquisa Trainee Marina Amalia Revisão Coordenação Ecila Cianni Revisores Adriana Rinaldi, Janaína Mello, Márcia Costa e Marcos Visnadi Produção Gráfica Walmir Graciano Produtor Gráfico Cleber Trida Pré-impressão Roberto Oliveira e Roberto Longatto Inteligência & Planejamento Monica Yamamoto Assistente Jessica Oseki Departamento Comercial Diretora de Publicidade e Circulação Isabel Borba iborba@trip.com.br Assistente Comercial da Diretoria Bruna Ortega brunaortega@trip.com.br (11) 3898-8227 Diretor de Planejamento e Mkt Publicitário Rogerio Rocha rogerio@trip.com.br (11) 3898-8249 Diretor de Publicidade Heitor Pontes heitorpontes@trip.com.br (11) 3898-8235 Gerente de Publicidade Mercado Segmentos Claudia Atala Claudiaatala@trip.com. br (11) 3898-8238 Coordenadora Comercial e Atendimento Vanessa Soares vanessa@trip.com.br (11) 3898-8241 Assistente de Marketing Publicitário e Arte II Fabiana Cordeiro fabicordeiro@trip.com.br Assistente Comercial Juliana Ávila juliana.avila@trip.com.br (11) 3898-8360 Gerentes de Contas: Flavia Marangoni flavia.marangoni@trip.com.br, Paulo Paiva paulo.paiva@ trip.com.br, Roberta Rodrigues ro@trip.com.br, Executivos de Contas: Marcelo Milani milani@trip.com.br, Thais Meneguello t.meneguello@trip. com.br, Vivian Viviani vivian.viviani@trip.com.br, Gerente de Contas On-line Marco Guidi marco.guidi@trip.com.br (11) 3898-8342, Assistente Comercial On-line Sharon Ajzental sharon.aj@trip.com.br (11) 3898-8340 Para anunciar publicidade@trip.com.br (11) 3898-8227 Representantes INTERNACIONAL Internacional Sales: Multimedia, Inc. (USA) info@multimediausa.com +1 407 903-5000 ARGENTINA Roberto Rajmilevich rra@ar.inter.net (54 011) 4961-5210 BA Romário Júnior Romário@upmidia.info (71) 9105-5155 DF Alaor Machado alaormachado@a2representacao.com.br MG Rodrigo Freitas rodrigobox@me.com (31) 9421-6777 PE Wladmir Andrade wladmir.recife@ omegamidia.com.br (81) 3465-4479 PR Raphael Muller raphaelmuller@ consultoriaresultado.com.br (41) 7813-7395 RJ Juliana Rocha juliana.rocha@ gsbmidia.com.br (21) 3022-0110 RJ (Trip e Tpm) X² Representação alexandralibero@gmail.com (21) 3177-1510 RS/SC Ado Henrichs ado@trip.com.br (51) 3028-6511 SE Pedro Amarante pedroamarante@gabinetedemidia.com.br (79) 3246-4139 SP Interior Daniel Paladino dpaladino@ld2comunicacao.com. br (11) 8384-0008 Coordenadora de Marketing Nancy Minervini Assistente de Arte Danusa de Freitas Planejamento e BLT Priscila Queiroz Projetos Especiais e Eventos Diretora Ana Paula Wehba Coordenação Regina Trama Assistentes Pedro Toledo e Mariana Beulke Editora de Arte Camila Fank Trade e Logística Diretora Daniela Basile Gerente de Circulação Adriano Birello Assistente de Circulação Aline Trida e Vanessa Marchetti Assitente de Assinaturas Gabriella Saragiotto Analista de Trade Renata Vilar Assistente de Trade Fabio Pinheiro Novos Negócios Digitais Diretor Jan Cabral jancabral@ trip.com.br Gerente Izabella Zuanazzi izabella@trip.com.br Projetos Digitais Diretor de Arte Beto Macedo betomacedo@trip.com.br Editora de Arte Debora Andreucci Colaboraram nesta edição Editor André Viana Editora assistente Liana Mazer Texto Anna Paula Buchalla, Fátima Telles, Letícia de Castro e Patricia Cerqueira Editora de arte Luciana Soga Produtora Gisele Alemar Assistente de Produção Manuella Viscardi Produção (Rio de Janeiro) Ana Hora Stylist Letícia Toniazzo Fotografia André Brandão, Anna Fischer, Carol Quintanilha, Cecilia Duarte, Chemma Llanos, Cristiano Madureira, Daniel Aratangy, Eduardo Delfim, Ilana Bessler, Kiko Ferrite, Marcelo Naddeo, Ricardo Toscani e Xico Buny Ilustração Cadão Volpato, Herbert Loureiro, Madalena Matoso e Odilon Moraes Tratamento de Imagem Regis Panoto/Photouch e Daniela Liberal Cabelo e Maquiagem Flavio Lacerda, Juliana Oliveira e Jô Castro (Capa MGT) e Vanessa Barone Produtora de Objetos Paola Abiko Colunistas Benny Novak, Clarice Reichstul, Helio Schwartsman, Juva Batella, Marcello Araújo, Maria Ercilia Galvão Bueno, Odilon Moraes, Ricardo Calil e Taciana Barros

Impressão Gráfica Plural LILICA&TIGOR é uma publicação da Trip Editora e Propaganda S/A, sob licença da Marisol Indústria do Vestuário Ltda. Redação e publicidade: caixa postal 11485-5, CEP 05422-970, São Paulo, SP. Tel.: (11) 2244-8786/8797. www.tripeditora.com.br

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COLABORADORES

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1 DANIEL ARATANGY Fotógrafo. Nasceu em Boston, cresceu em São Paulo. Clicou o editorial de moda “É nóis, mano”. Qual lugar marcou sua infância? “O campus da USP, Sesc Pompeia e Ubatuba.”

6 CECÍLIA DUARTE Fotógrafa paranaense, vive em São Paulo. Clicou o editorial de moda “Hoje é dia de praia”. Qual a coisa mais corajosa que você já fez? “Trocar Barcelona pelo Brasil e ser fotógrafa.”

2 ANDRÉ BRANDÃO Fotógrafo paulistano. Fez o ensaio de moda “Amigos imaginários”. Qual lugar marcou sua infância? “Sarapuí, cidade no interior de São Paulo, onde minha família tinha um sítio.”

7 HERBERT LOUREIRO Designer alagoano. Fez as ilustrações dos stills de moda. Qual lugar marcou sua infância? “A casa da minha vó Lurdinha.”

3 KIKO FERRITE Fotógrafo paulistano. Clicou a matéria “A imaginação no poder”. Qual a coisa mais corajosa que você já fez? “Experimentei sorvete de lichia.”

8 LETÍCIA DE CASTRO Jornalista paulistana. Escreveu a matéria “Primeiros passos”. Qual a coisa mais corajosa que você já fez? “Há oito anos larguei um emprego estável para viajar pela Europa.”

4 PATRÍCIA CERQUEIRA Jornalista paulistana. Para nós, escreveu “A imaginação no poder”. Qual lugar marcou sua infância? “A casa onde meu pai nasceu, no semiárido da Bahia, que conheci aos 9 anos.”

9 CADÃO VOLPATO Músico, escritor e ilustrador paulistano. São dele os desenhos do ensaio de moda “Amigos invisíveis”. Qual a coisa mais corajosa que você já fez? “Ter quatro filhos.”

5 ANNA PAULA BUCHALLA Jornalista paulistana. É dela a matéria “Terra estrangeira”. Qual a coisa mais corajosa que você já fez? “Andar de avião.”

10 ILANA BESSLER Fotógrafa carioca, vive em São Paulo. Clicou a seção Decoração. Qual lugar marcou sua infância? “Barra de São João, no Rio de Janeiro.”

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Voo livre As ilustrações da paulistana Laura Giordano de Castro Armiliato, 8 anos, estão espalhadas pelas páginas desta edição. “Adoro andar a cavalo e brincar com minha cachorra Vic, uma spitz alemã”, conta.

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PRATELEIRA

PLAYGROUND Literatura, cinema, música, arte, museus, mundo digital, moda, gastronomia, viagem, decoração, bichos, cultura de rua, brincadeiras, comportamento, memória. Criança tem assunto que não acaba mais. Nossos colunistas estão de olho em tudo.

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por Taciana Barros

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Música

Tocar em uma banda ensina muito sobre a convivência em grupo

por Benny Novak

Comida

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A sustentabilidade se transformou em estilo de vida

Mundo digital

por Maria Ercília

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Uma estudante denuncia os problemas da escola em um blog

Cinema

por Ricardo Calil

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Tenha critério na hora de escolher um filme para seu filho

Livros

por Odilon Moraes

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Um outro recurso narrativo, além do texto escrito e das imagens

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Estilo

por Clarice Reichstul

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Por que os filhos enrolam tanto para se vestir?

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ENQUETE Qual é a coisa mais corajosa que você já fez?

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Eles já encararam situações que deixariam muitos adultos de cabelo em pé

DECORA ÇÃO

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Nossa casa, nossa cara

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Brinquedos de criança e de adulto se misturam em um colorido apartamento paulistano

CONEXÕES Unidos pelas diferenças

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O encontro em uma pré-escola bilíngue aproximou mães e filhos

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VIAGEM Túnel do tempo

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Histórias de pais que revisitaram com os filhos destinos marcantes da infância

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MODA Tendências 28 Festa

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Bebês

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Meninas

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Praia

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Meninos

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62 Escolha uma roupa bem bonita e venha comemorar com a gente

“No Brasil é como se fosse preciso passar o tempo todo a mão na cabeça das crianças, privando-as das frustrações naturais da vida” Daniela Pistone, 42, publicitária italiana que vive no Brasil desde 2006, com o marido argentino e os dois filhos (à direita)

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COMPORT AMENTO Entrevista MODELO DE MÃE A apresentadora

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Fernanda Tavares fala de infância e de seu momento família

Infância PRIMEIROS PASSOS Nossos convidados

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relembram como o contato com a arte na infância influenciou a carreira que seguiriam no futuro

Encontro A IMAGINAÇÃO NO PODER Um grupo de crianças e dois autores consagrados criam juntos uma história coletiva

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Família TERRA ESTRANGEIRA O Brasil vem se

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tornando destino de muitas famílias vindas de outros países

COLUNAS Olho mágico Um passeio ao museu pode se transformar em uma conversa sobre a vida

O pai doméstico

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A transformação de uma menina-criança em menina-mulher

Frase da infância

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Bento Ribeiro, humorista: “Olha, é o cavaleiro sanitário!”

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Os meus, os seus e os nossos

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Até hoje é conversando que pais e filhos se entendem

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TÍTULO MADALENA MATOSO

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No ano em que comemora seus 75 anos, a Estrela resolveu ressuscitar o primeiro jogo eletrônico vendido no Brasil, o Genius. Sucesso de venda quando foi lançado, em 1980, “o computador que brinca”, como era conhecido, se tornou um dos ícones daquela época. Ao contrário de outros jogos clássicos, como Banco Imobiliário e Pula Pirata, que voltaram às prateleiras com uma repaginada no visual, Genius retorna em sua forma original. Preço sugerido: R$ 129,90.

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As frases em destaque neste Playground são do livro Dia brinquedo (editora Ática), de Fernando Paixão com ilustrações de Suppa

Guarde na caixola Para comemorar os 21 anos de parceria com a designer Etel Carmona, o ilustrador Marcelo Cipis criou a série Kaixollas. Feita de madeira, a caixa serve para guardar chaves, documentos, carteiras e outros badulaques. Com status de obra de arte, cada uma vale R$ 4,4 mil na Etel, em São Paulo, tel. (11) 3064-1266.

Matemática. 17 de novembro de 2005. Do Classroom portraits 2004-2012, Julian Germain, copyright © Julian Germain, 2012.

A VOLTA DO GENIUS

Foto: divulgação e Escola Estadual Nossa Senhora do Belo Ramo, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Series 6,

“O poeta escreve poesia para ser criança todo dia”

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POCOTÓ POR ACASO Rocker, criação dos designers Nipa Doshi e Jonathan Levien, do estúdio londrino Doshi Levien, é um “cavalo” de balanço minimalista. “Queríamos que lembrasse um objeto encontrado por acaso, um improviso”, explica Levien. O brinquedo, que integra a coleção infantil do fabricante de móveis alemão Richard Lampert, custa 513 libras esterlinas no site www.twentytwentyone.com.

E AINDA ILUMINA As dezenas de círculos de madeira que formam a luminária Bau (construção, em alemão) vêm soltas, o que faz com que cada um possa montar sua luminária do jeito que preferir. “Quero que o espectador tenha uma experiência com o objeto”, explica a designer dinamarquesa Vibeke Fonnesberg Schmidt. O modelo grande sai por US$ 300 no site www.normann-copenhagen.com.

Já para a escola! Nos últimos oito anos o fotógrafo britânico Julian Germain visitou 175 escolas de 20 países, incluindo o Brasil. O resultado é o recém-lançado livro Classroom Portraits 2004-2012 (editora Prestel, vale US$ 37,80 no site www.amazon.com), com retratos de estudantes do mundo inteiro. Germain conversou com LILICA&TIGOR. Depois de visitar tantas escolas, como se sente em relação a essa instituição? Para ser sincero, não sei se a instituição é boa ou ruim, mas é fascinante. A maioria das crianças em países mais ricos está entediada com a escola, mas reconhece sua absoluta necessidade. Em países mais pobres os estudantes me pareceram mais entusiasmados. Mas eu definitivamente não quero fazer julgamentos com meu trabalho, simplesmente quero mostrar o que e quem está lá, para que as pessoas vejam e pensem a respeito.

Estudantes de uma escola pública em Belo Horizonte

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Pode citar um dos melhores momentos do projeto? São tantos! Mas nunca vou me esquecer da hora da soneca em Taiwan, quando todos os estudantes descansam suas cabeças sobre as carteiras depois do almoço. É lindo! Outro momento memorável foi quando cheguei à escola Madrasah, no vilarejo de Nengurahat, em Bangladesh. Fui recebido como um herói por centenas de crianças. Fiquei um pouco envergonhado, mas devo admitir que gostei da recepção.

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PLAYGROUND

Música TACIANA BARROS , AOS 3 ANOS

NOS BASTIDORES Ficou curioso ao ler a coluna ao lado? Dê então uma olhada nas fotos acima para sentir o clima da gravação do CD Pequeno cidadão 2, que começou a ser produzido em outubro de 2011 e deve ser lançado em novembro. O disco traz 14 faixas, como “Tarde noitinha”, com participação de Arnaldo Antunes, ex-integrante da banda, e “Abre a nuvem”, gravada em Salvador com Carlinhos Brown, Timbalada e as crianças da Associação Pracatum, comandada pelo músico baiano no bairro do Candeal. 12

Prepare os ouvidos Coloridos e cheios de estilo, os fones de ouvido se transformaram em febre entre as crianças do mundo inteiro. Agora, as marcas Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre acabam de lançar uma linha própria do acessório nas cores roxo e azul. Disponível a partir de novembro, nas lojas multimarcas e franqueadas, com preço sugerido de R$ 79,90.

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O singelo plano era registrar nossa amizade e de nossos filhos através da música. Nem pensávamos em show. Depois de oito meses gravando, numa experiência incrível, as crianças ainda novinhas, resolvemos fazer um show, só pra celebrar. Cenário, telão de animação, bichos malucos, circo, banda, figurino, tudo que deu na telha. Curtimos. Resolvemos fazer mais shows e estamos há três anos na estrada. Tocamos por todo o país. Lançamos CD, DVD e dois livros. Muitas histórias divertidas, ataques de riso, busão, avião, vans, bagunça no hotel, piscina, palco, piscina, almoço, piscina, violão no quarto, piscina e, assim, sempre. Um ajudando o outro, fomos crescendo e aprendendo. Depois de três anos de rock’n’roll aqui estamos nós, terminando de gravar o novo CD. As crianças cantando com mais consciência, mandando nos técnicos e na gente. “Quero cantar esse trecho de novo porque minha voz ficou dura!”, “Dá pra abaixar o metrônomo e subir o piano?” Coisas assim... Tocar numa banda ensina muito sobre convivência em grupo. A hora de silenciar, a hora de tocar junto, de dar ideias, de aceitar ideias diferentes, a hora de solar. Imagine um grupo com 21 pessoas, contando a equipe toda. E agora vamos para a estrada com os novos sons, novas brincadeiras no palco, quem diria! Viramos uma família gigante, com música, alegria, tolerância, carinho e amor nos unindo. Por favor, não espalhem (porque pagam pra gente fazer isso), mas é divertido pra caramba! Taciana Barros é integrante da banda Pequeno Cidadão em parceria com Edgard Scandurra e Antonio Pinto. É mãe de Daniel, 24 anos, e Luzia, 11

Retrato colunista: arquivo pessoal Fotos: divulgação

Pequeno cidadão 2

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ARTE A GALOPE

Tetê Pacheco, mãe de Otto e Bento

“A vida com arte é renovação sem fim”

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o ver os desenhos feitos pelos filhos Otto, 8 anos, e Bento, 12, a publicitária Tetê Pacheco resolveu criar um blog para armazenar e divulgar as obras das crianças. Nascia assim, em abril de 2011, o Museu do Filho (museudofilho.tumblr. com), ideia que evoluiu para uma página no Facebook (www.facebook.com/museudofilho) e alcançou outras redes sociais, como Twitter e Pinterest. LILICA&TIGOR conversou com Tetê.

Carmelita, Altiplánico, Aguayo e Poncho são toys art feitos com resina e... crina de cavalos. A estranha combinação foi a forma que os designers Christopher Macaluso e Camila De Gregorio, do estúdio Eggpicnic (www.eggpicnic.com), encontraram para homenagear um tipo de tecelagem que existe há mais de 200 anos no vilarejo de Rari, no sul do Chile. Cada boneco da The Crin Collecion, feito em colaboração com a artesã Marcela Sepúlveda, nativa de Rari, sai por US$ 1.000. Encomendas pelo e-mail hello@eggpicnic.com.

“A tarde existe porque a manhã fechou os olhos”

Fotos: divulgação

O que motivou você a criar o Museu do Filho? O blog nasceu quando percebi que a produção artística dos meus filhos revelava um conteúdo muito rico em traços, pinceladas, e comecei a achar uma pena deixar aquilo passar em branco. Ao perceber que outras famílias viviam a mesma situação, decidi criar uma página no Facebook, em que recebemos os desenhos dos filhos enviados pelos pais e, a partir de uma curadoria de temas, apresentamos a criança e explicamos por que achamos importante aquela manifestação artística. Qual é a diferença entre o blog e a página no Facebook? No Facebook trazemos também dicas de exposições no Brasil e no mundo afora com relatos de quem foi e por que considera importante levar os filhos, além de depoimentos de artistas plásticos sobre a relação deles com a arte na infância. Em setembro criamos um site com editora e loja virtual. A ideia é fazer essa rede crescer cada vez mais e se tornar um movimento. O Museu do Filho é um esforço de valorizar a arte dentro de casa, a partir da relação de pais e filhos. A vida com arte é renovação sem fim.

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Bolhas de felicidade Spilling a Rainbow, segundo álbum solo do norte-americano Mike Andrews, reflete todo o entusiasmo do músico pelo fato de ter se tornado pai recentemente. Para entrar no clima alegre e psicodélico do disco, o diretor Josh Hassin decidiu ousar no videoclipe de uma das músicas, “Bubbles in Space”. “Queria que cada frame fosse único, então convidei Jeremy Farson e seus alunos de artes da escola High Tech High, de San Diego, para desenharem algumas cenas que havíamos filmado”, conta. O resultado, feito com mais de 3 mil imagens animadas, pode ser visto no link vimeo.com/45943084.

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PLA PLAY AY A Y YGROUND G OUND GR N

Conta comigo COMPANHEIRISMO CO C OMP M ANHE H IRIS É PALAVRA-CHAVE NA RELAÇÃO DA APRESENTADORA DO PROGRAMA MÃE MÃ É MÃE, NO CANAL GNT, DIANA BOUTH, COM SEU FILHO PEDRO

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ode parecer piegas o que vou dizer”, avisa Diana Bouth, 31 anos, “mas, quando me tornei mãe, a vida finalmente fez sentido.” Mãe de Pedro, 6, a apresentadora do programa Mãe é Mãe, no canal GNT, afirma que a maternidade causou uma revolução no seu modo de enxergar as coisas. “A gravidez foi um momento de avaliar toda a minha vida, do trabalho aos amigos. Eu precisava preservar apenas o que me deixava feliz”, conta. As prioridades mudaram, mas, como toda mãe que trabalha, Diana no início sentia culpa por não poder estar sempre perto do filho. Para sua sorte, Pedro lhe fez encarar tudo com mais otimismo. “Ele é muito carinhoso, muito alegre e, em vez de ficar chateado com a minha ausência ou com a do pai [o surfista profissional Simão Romão], aproveita ao máximo os momentos em que estamos juntos”, Diana diz. Quando o pai está participando de alguma competição de surf dentro ou fora do Brasil, Pedro não deixa que Diana se sinta só. “Ele é meu maior companheiro”, resume, orgulhosa. Um orgulho que infla ainda mais quando o pequeno começa a enumerar o que aprendeu com ela: “Mamãe me ensinou a desenhar, a falar direito…”. Nessa hora, ele se vira para ela e crava: “Você me ensina tudo, né, mamãe?”.

Retrato: Alexandre Campbell/ Divulgação GNT

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POR LIANA MAZER

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Comida BENNY NO VAK, AOS 5 ANOS

Retrato colunista: arquivo pessoal Fotos: divulgação

Crianças conscientes A sustentabilidade hoje em dia se transformou em estilo de vida. Falo isso pelas experiências que tenho vivido como dono de restaurante e pai de quatro filhos. Nos dias de hoje, a grande maioria das escolas ensina e prega como viver em um mundo sustentável, com uma alimentação orgânica balanceada e por aí vai... Chego a me assustar com a conscientização dos meus filhos em relação a esses assuntos e costumo até levar algumas broncas no dia a dia. Afinal de contas faço parte de uma geração em que essas questões nem eram assunto e, de uma maneira automática, acabo cometendo algumas gafes que para eles, filhos, são um grande absurdo. Se deixo a torneira aberta na hora de escovar os dentes, por exemplo, lá vem minha filha me puxar a orelha. Eles também torcem o nariz quando fumo e bato a cinza do cigarro na rua ou na grama de casa. Ou então uso sacolas plásticas em supermercados e não compro alimentos orgânicos. No fundo, acho isso tudo muito interessante. Vale a pena tentar aprender com as crianças conscientes que temos hoje a utilizar produtos e tomar atitudes que colaborem para a qualidade da nossa saúde e não prejudiquem o meio ambiente. Elas têm muito a nos ensinar! Pai de Sofia, 9 anos, Fernando, 7, e dos gêmeos André e Gabriel, 3, o chef Benny Novak é dono do Ici Bistrô e de outros restaurantes em São Paulo

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Arte que dá fome Artista norte-americano radicado em Seattle, Christofer Boffoli realiza desde 2003 uma série fotográfica intitulada Big Appetites, grandes apetites, em livre tradução. Nas cerca de 200 imagens que já produziu até agora, bonecos em miniatura contextualizam situações do cotidiano em cenários produzidos com comida de verdade. “Apesar de bem-humoradas, as fotos fazem pensar sobre o modo excessivo como nos relacionamos com aquilo que nos sustém”, explica o artista, que atualmente prepara um livro sobre a série com previsão de lançamento para 2013. Enquanto isso, algumas imagens podem ser vistas em http://bigappetites.net/.

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Mundo digital

PLAYGROUND

MARIA ERCÍLIA , AOS 7 ANOS

TELA VIVA

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No projeto Symbiosis a artista visual paraense Roberta Carvalho projeta à noite figuras humanas que fotografa e registra em vídeo em copas de árvores, criando imagens impressionantes. Uma das paradas do projeto, na ativa desde 2009, foi na ilha do Combú (PA), onde Roberta gravou o rosto da anciã local e também de 13 crianças. “Foi incrível ver a comunidade reunida em torno do projeto, criando vínculos e estreitando laços”, comemora. Exibido em cidades como São Paulo e Barcelona, o Symbiosis participa entre 18 de dezembro e 17 de fevereiro da exposição Entrelugares – Amazônia, lugar da experiência, no Museu Casa das Onze Janelas (museucasadasonzejanelas.blogspot.com), em Belém.

“Gosto da vida passando esquecida dos relógios” TELEFONE, CASA Romo é um robô que sabe dançar, fazer caretas e até permite que você converse com outras pessoas a muitos quilômetros de distância. Sabe como? Romo é seu próprio smartphone! Depois de baixar o aplicativo (ele pode ser comprado nas apps store da Apple e do Google), basta conectar o aparelho a uma base móvel. Além de programar as ações do robozinho, você ainda pode controlá-lo a partir de um iPad, um computador ou mesmo de outro smartphone. A brincadeira vale US$ 149 no site www.romotive.com.

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Os pré-adolescentes de agora são a primeira geração que nasceu com as redes sociais e com uma internet ridiculamente fácil de usar. É uma liberdade interessante que essas crianças têm – não precisam atravessar as barreiras técnicas, financeiras e físicas que todas as gerações que vieram antes tiveram que romper para se expressar. Por outro lado, se se encantarem demais com o fato de serem ouvidas e ficarem atrás de audiência antes de terem algo legítimo a expressar, podem ficar apenas postando fotos do Justin Bieber e adicionando ruído a este mundo tão barulhento. Ou vemos Isadora Faber, a menina de 13 anos que criou o blog Diário de Classe, onde registra todos os equipamentos quebrados, professores ausentes, tudo o que a gente sabe que acontece nas escolas públicas. Mas por algum motivo na página da Isadora a realidade vem forte. Talvez porque limpa das agendas políticas de sempre. O professor corporativista, o jornalista autocomplacente, os políticos em véspera de eleição. Mas não é só por isso. Essa menina tem postura, uma inteligência inata de como se comunicar que surpreende. O tom dos seus comentários é sempre sem agressividade, mas muito determinado. Ela é graciosa nos vídeos que grava, didática e vai encorajando as pessoas a replicar sua iniciativa, sempre repetindo: “Quero o melhor não só para mim, mas para todos”. Espero que consiga lidar com as pressões que virão. Ela me dá esperança no mundo que nossos filhos vão herdar. Maria Ercília Galvão Bueno passou a infância com o nariz nos livros, os 20 enfiada num jornal e depois dos 30 se afundou na internet. É mãe de Theodoro, 6 anos

Retrato colunista: arquivo pessoal. Fotos: arquivo pessoal e divulgação

Diário de classe

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Fotos: divulgação

ATELIÊ VIRTUAL Um dos mais importantes museus de arte moderna e contemporânea do mundo, o MoMA, de Nova York, acaba de ingressar no universo dos tablets com o MoMA Art Lab. O aplicativo, indicado para crianças acima dos 7 anos, permite a criação de músicas, poemas visuais, colagens e desenhos que depois podem ser salvos e compartilhados com amigos e parentes. De quebra, pais e filhos aprendem sobre o processo criativo de artistas com obras presentes no MoMA, como Henri Matisse. Custa US$ 4,99 na Apple Store.

Quebra-cabeça Feita de MDF, a rena Nara (acima) é montada como se fosse um quebra-cabeça antes de ganhar as paredes da casa. Criação da marca paulistana Iuni Store, custa R$ 250, sem o valor do frete, no site www.iunistore.com.br, que entrega em todo o Brasil.

Como nasceu a ideia do programa? Minha inspiração foi meu filho, Bernardo (hoje com 16 anos), e os amigos dele. Quando tinham 8, 9 anos, já sabiam coisas sobre times e jogadores do mundo inteiro e tinham opiniões próprias – quem jogou mal, se foi golaço, se foi impedimento. Ao mesmo tempo, choravam quando o time deles perdia. Pensei que essa mistura de articulação e passionalidade poderia render uma coisa adorável – e honesta – em um debate na TV. Como foi feita a escolha dos comentaristas? Fizemos testes com cerca de 150 garotos que chamamos pelo boca a boca, pelas redes sociais, por e-mail. O interessante foi notar que essa mistura de conteúdo e carisma que buscávamos não é um fenômeno isolado, mas geracional. Ou seja, mesmo em um casting tão pequeno, tivemos trabalho para escolher os quatro comentaristas, porque a oferta era muito grande: vários dos garotos que testamos tinham um jeito legal, desinibido e original de falar de futebol.

BOLA DENTRO

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ideogame, álbum de figurinhas e, claro, futebol são as grandes paixões do corintiano João Alves Braga e do são-paulino Pedro Crema, ambos com 8 anos, do santista Matheus Ribeiro, 9, e do palmeirense Eric Lanfredi, 11. O quarteto, mediado pela atriz Cristina Mutarelli, compõe desde abril a mesa-redonda do Cartãozinho Verde, programa exibido pela TV Cultura de segunda a sexta, às 19h15. LILICA&TIGOR conversou com a jornalista Teté Martinho, autora da ideia.

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Por que não tem meninas no time de comentaristas? Não foi por falta de esforço! Queríamos muito. Mas não conseguimos achar nenhuma menina que soubesse tuuudo sobre o time dela, o que era requisito para nós. Mas acho que essa ideia ainda está no ar. Você gosta de futebol? Eu gosto de ver o Messi jogar! Fora isso acho chatíssimo [risos]. Mas sei que o futebol não só é a paixão nacional, como um assunto vasto e interminável, que mobiliza todo mundo.

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PLAYGROUND

BATALHA-NAVAL

“Quando os mares riem a espuma mostra os dentes” 18

Fotos: divulgação

A Papafoxtrot é uma pequena empresa londrina especializada em fabricar modelos de navios cargueiros ainda na ativa, como o Emma Maersk (o maior do mundo, com 367 metros de comprimento por 56 de largura) e o Arctic Princess (ele consegue carregar gás natural suficiente para abastecer 45 mil lares por um ano). Feitas à mão com metal e madeira certificada, as miniaturas vêm desmontadas para que seu dono se sinta um genuíno engenheiro naval. Custam entre U$ 156 e U$ 175 no site papafoxtrot.com.

POTE DE CULTURA O que será que tem dentro do pote mágico do Dim, o menino mais velho da turminha da favela? Só arrumando R$ 5 para saber. Esse é o mote de O pote mágico (editora Planeta Infantil), primeiro livro para crianças de Ferréz, escritor que nasceu, cresceu e ainda hoje mora em Capão Redondo, bairro da periferia de São Paulo. Criador da ONG Interferência (onginterferencia.blogspot.com. br), que leva arte e cultura às crianças do Capão Redondo através de oficinas de leitura coordenadas por uma pedagoga, Ferréz respondeu por e-mail a algumas perguntas de LILICA&TIGOR: Você é pai de uma menina, Dana, 5 anos. Chegou a ler o livro para ela antes de enviar para seu editor? Não li, pois ainda não tinha as ilustrações [de Rodrigo Abrahim]. Mas contei a história e ela curtiu. Eu costumo contar minhas histórias para um monte de gente antes de escrever. E a cada vez lapido conforme as reações.

UMA CÂMERA NA MÃO Desde 2009 as produtoras de cinema Cristina Savian e Daniela Gracindo comandam no Rio de Janeiro a oficina Pequeno Cineasta, voltada para crianças e adolescentes de 8 a 17 anos. “A ideia é que ao longo de dois meses o aluno realize um curta-metragem passando por todas as etapas do processo de filmagem, da criação do roteiro à montagem, até chegar ao grande momento: a experiência de assistir a sua obra”, conta Daniela, neta dos atores Paulo Gracindo e Lima Duarte. Saiba mais no site www.pequenocineasta.com.br.

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Quais eram as brincadeiras da sua infância? Brincava de pega-pega, esconde-esconde, bolinha, pião. Naquela época a favela tinha mais espaço, muito campo de futebol, áreas vazias que hoje são moradias. Quando e como surgiu a vontade de se tornar escritor? Olhando hoje, não vejo um dia específico. Aos 6 anos, eu colecionava quadrinhos e brincava de ter banca de vender gibis. Aos 8, copiava trechos da Bíblia num caderno. Aos 11, já fazia redações de 20 páginas. Foi tudo muito natural.

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Cinema RICARDO CALIL , AOS 2 ANOS

as crianças EVERETT COLLECTION / GRUPO KEYSTONE, A batalha dos vegetais e Igor divulgação

Retrato colunista: arquivo pessoal Fotos: Frankenweenie Tim Burton Fãs Brasil, Querida, encolhi

Com critério Quando as crianças ficam hiperativas ou entediadas, um cineminha surge sempre como uma solução fácil. É quase uma garantia de que elas ficarão uma hora e meia mais focadas e entretidas. Mas nessa hora é preciso tomar cuidado para não cair em roubadas. Desesperados para conseguir um pouco de paz, os pais irão ver qualquer coisa que esteja em cartaz. Pode ser o 17º filme da Sininho (eu me recuso a chamá-la de Tinker Bell) ou 25º do Garfield. Pode ser uma animação feia, com cartaz sujo e trailer malvado. Produtores e distribuidores de cinema sabem que pais culpados são, de longe, o tipo menos criterioso de espectador. E se aproveitam disso para despejar no mercado – em meio a belas animações de estúdios renomados – filmes baratos, obscuros e de baixa qualidade, que deveriam sair direto em DVD. Da próxima vez que seu filho estiver num daqueles dias e você quiser sair correndo para o cinema, consulte outros pais sobre os filmes em cartaz e dê uma olhada nas avaliações dos sites que agregam críticas, como o www. rottentomatoes.com. Se as opiniões não forem muito animadoras, cogite outro tipo de passeio: um parque, um show ou uma exposição. Vai ser mais bacana do que simplesmente trocar a telinha da TV ou do videogame pela telona de uma sala escura de um shopping. Cinema não é Ritalina. Pai de Teresa, 5 anos, e Julieta, 3, Ricardo Calil é diretor de núcleo da Trip Editora e crítico de cinema da Folha de S.Paulo

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FILMES COM EXPERIÊNCIAS ÊNCIA AS TR RADAS CIENTÍFICAS DESASTRADAS FRANKENWEENIE (2012), Walt Disney A nova animação do diretor Tim Burton conta a história de um garoto que usa o poder da ciência para ressuscitar seu cachorro, mas acaba transformando-o em uma espécie de Frankenstein canino. A BATALHA DOS VEGETAIS (2005), Dreamworks Às vésperas de um concurso de vegetais gigantes, o inventor Wallace e seu cachorro Gromit criam uma máquina para exterminar coelhos, mas o experimento sai de controle.

QUERIDA, ENCOLHI AS CRIANÇAS (1989), Walt Disney Neste clássico dos anos 1980, um cientista atrapalhado desenvolve uma máquina para reduzir o tamanho das coisas, e ela é usada acidentalmente pelos seus filhos.

IGOR (2008), Exodus Um ajudante de cientista maluco desenvolve uma máquina para criar o monstro supremo, mas o resultado é uma criatura dócil, que deseja se tornar atriz.

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PLAYGROUND

Tá esperando o quê? A NOVA COLEÇÃO Ã DE LIL ÃO LILICA LICA RIPILICA E TIGO TIGOR T. TIGRE JÁ CHEGOU ÀS LOJAS. VEJA O QUE EST ESTÁ TÁ F FAZENDO AZENDO D SUCES SUCESSO NOS TROCADORES

Agradecimento: Loja Lilica & Tigor Shopping Higienópolis (tel: 11 3823-3737)

FOTOS CAROL Q QU QUINTANILHA INTANILHA

Thayná Pavani, 3 anos, tiara (R$ 44,90), macaquinho (R$ 189,90), pulseiras (R$ 69,90, conjunto com cinto) e sapatilha (R$ 129,90)

Isabel Akesaka, 7 anos, tiara (R$ 44,90), camisa polo (R$ 89,90), short (R$ 139,90, conjunto com cinto) e sapatilha (R$ 129,90)

Felipe Millan, 7 anos, camiseta (R$ 79,90), bermuda (R$ 169,90) e tênis (R$ 169,90)

Gustavo Rezende Caetano, 8 anos, conjunto de camiseta com bermuda (R$ 129,90) e tênis (R$ 169,90)

Andrés Rodriguez de Almeida Gómez, 5 anos, camiseta (R$ 49,90), bermuda (R$ 149,90) e tênis (R$ 169,90)

Giovanna Millan, 8 anos, chapéu (R$ 74,90), pulseiras (R$ 69,90, conjunto com cinto), blusa (R$ 69,90), short (R$ 129,90) e sandália (R$ 149,90)

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Livros ODILON MORAES, AOS 8 ANOS

Retrato colunista: arquivo pessoal Fotos: Xico Buny (livro Lá em casa somos), divulgação e arquivo pessoal

O livro e o objeto Todos concordamos que o livro é um objeto. No entanto, esquecemos disso tomando por livro somente seu conteúdo, o que se insere nesse objeto, isto é, o texto escrito e, em alguns casos também, as imagens. O objeto que constitui o livro é reduzido à pura condição de suporte e, como tal, semelhante a um pedestal de escultura ou ao chassi de um quadro, tem como função fazer aparecer a obra enquanto ele próprio desaparece. Qualquer interferência sua na apreciação da obra seria indesejável. O mesmo não acontece com o livro infantil contemporâneo. Os aspectos físicos, como o papel, a textura, o formato etc. são os que aparecem em primeiro lugar nas mãos de uma criança, e tanto mais forte quanto menos letrada esta for. O que é tido como suporte em um livro adulto, servindo para organizar a leitura, é para a criança o próprio livro. Não é de se espantar, portanto, que grandes obras da literatura infantil, em vez de desprezá-lo, vão fazer do suporte mais um recurso narrativo, somado ao texto escrito e às imagens. Bons exemplos disso são O livro do foguete, de Peter Newell (Cosac Naify), e Vizinho, vizinha, de Roger Mello, Graça Lima e Mariana Massarani (Cia. das Letrinhas). Odilon Moraes, 44 anos, é escritor e ilustrador de títulos como A princesinha medrosa (2002). É pai de João, 4 anos, e Francisco, 1

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D’além-mar Gostou dos desenhos criados para os títulos do Playground e das reportagens desta edição? Eles foram feitos pela ilustradora portuguesa Madalena Mattoso (acima). Em 1999, ela e dois amigos, Bernardo Carvalho e Isabel Minhós Martins, fundaram um ateliê especializado em revistas e outros projetos voltados para crianças. Alguns anos depois, o Planeta Tangerina se tornou uma respeitada editora de livros infantis, com delicadas obras premiadas e traduzidas em diversos países da Europa. Aqui no Brasil, o Planeta Tangerina tem alguns títulos publicados em parceria com várias editoras, como Lá em casa somos, da Cosac Naify. “São editoras de grande qualidade, o que nos deixa muito orgulhosos”, diz Madalena.

“Criança gosta de pensar sem pensamento” DUPLO SENTIDO

Soltei o pum na escola, de Blandina Franco e José Carlos Lollo, editora Cia. das Letrinhas. Por R$ 25 na Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br)

“Eu achei que era sobre alguém que tinha soltado um pum na escola. Mas depois descobri que não era nada disso e achei tudo muito engraçado, principalmente na parte que a diretora gosta do Pum”, Fernanda Castro, 7 anos

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PLAYGROUND

Charme à prova d’água MESMO FIEL AO ESTILO BÁSICO QUE COMBINA COM SUA ROTINA DE ATLETA, A REMADORA FABIANA BELTRAME NÃO ABRE MÃO DE UM TOQUE FEMININO NO GUARDA-ROUPA

POR LIANA MAZER RETRATO ANNA FISCHER

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om uma rotina de treinos diários, a remadora catarinense radicada no Rio de Janeiro Fabiana Beltrame mal consegue tirar o traje esportivo. “E no dia a dia sou muito básica, porque não gosto de perder tempo pensando em combinações”, justifica a atleta, que prefere aproveitar o tempo livre para curtir a filha, Alice, 3 anos. Mesmo assim, Fabiana, que competiu nos Jogos Olímpicos de Londres e foi a primeira remadora brasileira a participar de uma Olimpíada (no caso a de Atenas, em 2004), não abre mão de um toque feminino no guarda-roupa. “É difícil ter uma vida social agitada porque no fim do treino estou muito cansada”, diz. “Mas quando tenho uma festa escolho um dos meus vestidos e capricho na produção.” Veja, abaixo, algumas das peças favoritas da remadora para se exercitar e passear.

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“Com este conjunto da Adidas corro, faço musculação e até remo.” “Adoro correr no calçadão de Ipanema com este tênis superconfortável.” “Uso bastante este casaco roxo, minha cor preferida, porque vou de bicicleta para os treinos de manhã cedo, quando faz frio.” “Este short jeans da Taco é a cara do Rio. Com ele levo Alice para a escola.” “A sapatilha da Zaxy combina com vários dos meus vestidos. Prefiro sapatos baixos em nome do conforto.” “Descobri este vestido em uma lojinha de Nova Friburgo (RJ), quando passava um fim de semana com minha família. Amei a estampa!”

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Estilo MUNDO COLORIDO CLARICE REICHSTUL , AOS 5 ANOS

Retrato colunista: arquivo pessoal. Fotos: divulgação

Quase pronto Por que é que toda vez os filhos enrolam para se vestir? O meu pelo menos enrola que é uma beleza. Sempre insiste em tomar café da manhã de pijama, mesmo em dia de aula. Parece que cada minuto ganho na enrolação é uma vitória. O Benjamim está aprendendo direitinho o enrolation. O problema dele é que nessa escola eu sou mestre e já no começo saco as artimanhas. Para a minha frustração, mesmo assim, o cara enrola. “Vamos lá, filho, coloca a cueca”, eu digo. “Só se for a do McQueen.” “Tudo bem, mas coloca a cueca sozinho, tá?” E lá vai o menino colocar a cueca de traz pra frente, com as pernas trocadas ou o diabo a quatro. Depois chega a hora da camiseta, invariavelmente ele coloca do avesso com um braço junto com a cabeça na gola. E as camisetas vão desbeiçando nas 20 mil tentativas que se seguem até ele conseguir. Não sei se mimo muito meu filho e esse seja o resultado de o garoto ser trocado pela mãe e a babá por tanto tempo. Só sei que na escola ele faz tudo sozinho e direitinho. Estou tentando reverter a situação e implantar o sistema do sozinho. Meu sonho era acordar de manhã, acordar o rapeize, ele me dizer “bom dia, mãe!”. Eu ir me vestir e ele me chamar: “Mãe, coloca a meia pra mim? Eu já tô quase pronto!” (é que a meia ainda é bem difícil, essa colher de chá eu dou pra ele). Eu chegar lá e ele realmente estar pronto. Enquanto isso não acontece, vou sonhando com esse dia de libertação... Clarice Reichstul é produtora de programas para TV, participa do blog Minas de Ouro e é mãe de Benjamim, 4 anos

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Inspirada pelo filho Valentim, 1 ano, a arquiteta paulistana Letícia Santos Lima cria bonecos de tricô feitos com lã merino e corantes naturais. “Minha ideia é mostrar um mundo mais colorido para as crianças”, conta Letícia, à frente da marca Littleland. Os bonecos, como este ao lado, valem R$ 140, sem o frete, no site www.littleland.com.br, que entrega em todo o Brasil.

“Vai caminhar na chuva, com a cabeça nas nuvens”

COISAS MÍNIMAS Moradora de Madri, Blanca Gómez desenha desde criança, mas demorou muito tempo para acreditar que poderia viver de sua arte. Cursou publicidade, depois fez design gráfico, sempre tentando encontrar um trabalho que fizesse bom uso de sua criatividade. Felizmente, um chefe seu percebeu os lindos desenhos que fazia em post its (e que acabavam no lixo) e lhe deu de presente o endereço www.cosasminimas.com. “Isso me fez dedicar mais tempo aos meus projetos pessoais, que naturalmente acabaram virando meu trabalho”, conta a ilustradora, que hoje tem em seu portfólio clientes como a revista Monocle e a Honda. Cada gravura custa em média US$ 30 (sem o frete) no link www.etsy.com/shop/blancucha.

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ENTREVIST A

A APRESENTADORA E EX-MODELO FERNANDA TAVARES VIVE HOJE UMA FASE DEDICADA À FAMÍLIA. POUCO ANTES DE DAR À LUZ O SEGUNDO FILHO, ELA POSOU PARA A NOVA CAMPANHA DE LILICA RIPILICA E TIGOR T. TIGRE COM O MARIDO, O ATOR MURILO ROSA, E O PRIMOGÊNITO, LUCAS. A SEGUIR, FERNANDA FALA SOBRE INFÂNCIA E MATERNIDADE POR LIANA MAZER

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os últimos meses Fernanda Tavares tem se dedicado com afinco ao que considera seu projeto mais importante no momento: a f amília. N ão por acaso , ela e o marido , o ator Murilo Rosa, que já têm Lucas, 5 anos, acabam de ser pais de outro menino e estrelam com o primogênito a campanha de Natal das marcas Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre. “Foi um convite irresistível: adoramos as marcas e a equipe”, diz a ex-modelo e apr esentadora de 32 anos , nascida no Rio de J aneiro, mas criada em Natal (RN). “Tive uma infância muito livre, tranquila e divertida. Er a brincalhona e bagunceir a, mas também sempre fui muito v aidosa”, conta na entr evista a seguir. Tanto que no final dos anos 1990 ela se tr ansformou em um dos símbolos da beleza brasileira no mundo e uma das quatr o modelos mais importantes do planeta, ao lado da amiga Gisele Bündchen. Entre outras campanhas, foi “angel” da grife de lingerie Victoria’s Secret e “r osto” da mar ca de cosméticos Guerlain, além de ter estampado capas de revistas como Vogue e Elle. Longe das passarelas, apresentou em 2004 e 2005 o pr ograma Missão MTV, na MTV Br asil, e agor a comanda ao lado do maquiador F ernando Torquatto o reality-show Desafio da beleza, no canal pago GNT. Tudo, claro, sem perder o foco na família. “F aço questão de acompanhar de perto o cr escimento dos meus fi lhos”, conta. “Quem vive a infância de forma plena se transforma em um adulto mais feliz e generoso”.

Lilica&Tigor Que tipo de criança você era? Fernanda Eu era bem extrovertida, brincalhona e bagunceira, mas ao mesmo tempo muito vaidosa. Quando tinha por volta dos 5 anos de idade queria deixar o cabelo comprido e passar batom. Também adorava brincar com as roupas da minha avó materna, que tinha um sapato para cada vestido.

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Foto: Rogério Mesquita/ Divulgação

A ex-model ex-modelo o e apresentadora Fernanda Tavares Tavares, grávida do lho: “Fiquei mais generosa com a maternidade” segundo filh

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Achava isso o máximo, naquela época o chique era usar tudo combinando [risos]. Como foi crescer em Natal? Foi incrível. Hoje, Natal é uma cidade bem diferente daquela em que cresci, na década de 1980. Não havia tanta preocupação com a segurança, as crianças cresciam mais livres, eu tinha muitos amigos na rua, a gente fazia piquenique, jogava queimada, brincava de esconde-esconde... Tive uma infância muito tranquila e divertida. Você parece ser bem família, não? Super! E o Lucas também. Ele passa um ano sem ver os parentes que moram longe, mas quando os encontra logo está íntimo de todo mundo. Lembro que quando moramos em Paris, há quatro anos, montei um mural com fotos dos avós, bisavós, tios, primos maternos e paternos. Mostrava todos os dias para Lucas e dizia: “Olha a madrinha, olha a ‘voinha’”, para ele nunca se esquecer da família. E a maternidade? Você sempre quis ser mãe, ter sua família? Desde criança. Eu brincava de boneca e sonhava com esse momento. Na época, queria ter um casal de gêmeos [risos]! E quando conheci meu marido tive certeza de que era com ele, porque o Murilo também é muito família. O que vocês mais gostam de fazer juntos? Lucas adora um piquenique, então todo sábado ou domingo a gente caminha até o parquinho perto de casa, estende um lençol na grama e toma um café da manhã maravilhoso com pão francês, que Lucas ama. É o dia da bagunça, a gente não olha para o relógio e Lucas devora suas balinhas...

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Você é muito rigorosa com a alimentação? Um pouco, mas procuro não ser radical. Lucas pode comer de vez em quando batata frita e sanduíche, por exemplo. Mas só libero doces no fim de semana e refrigerante está definitivamente fora do cardápio do meu filho.

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Nesta página, Fernanda nas capas da Vogue australiana e da Harper’s Bazaar russa; aos 10 anos de idade; desfilando para Diane von Furstenberg, em Nova York; e com Gisele Bündchen nos bastidores do desfile da Victoria’s Secret, em 2001

Acha que seu filho tem uma infância livre e tranquila como foi a sua? Eu moro em um condomínio aqui no Rio que permite que meu filho tenha bastante liberdade. Ele pode ir sozinho na casa do amigo, andar de bicicleta. Zelo muito pela infância do Lucas. Acho que quem vive a infância de forma plena se transforma em um adulto mais feliz e generoso. O que mudou em você depois que foi mãe? Nunca fui de fazer coisas por impulso, mas percebi que fiquei mais cautelosa com as minhas atitudes e até com as escolhas de trabalho. Porque agora não sou apenas eu, tenho dois filhos para criar. Acho também que fiquei mais generosa com a maternidade. Dá para conciliar a vida profissional com a rotina de mãe? Tento fazer minha agenda em função do calendário do Lucas. Faço o possível para levá-lo e buscá-lo na escola, dar banho, brincar... Mesmo grávida, com barrigão, sentava no chão com ele para desenhar. E nas viagens a trabalho, como você faz? Ele me acompanhava quando era pequeno, mas

Fotos: reprodução (capas), WIRE IMAGE/GETTY IMAGES (com Gisele Bündchen), arquivo pessoal (infância), Agência fotosite (desfile) e Luciana Prezia (campanha)

ENTREVIST A

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No alto, bastidores da nova campanha de Natal das marcas Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre. Ao lado, Fernanda, na época grávida de sete meses, o marido, Murilo Rosa, e o filho, Lucas. Acima, o garoto com a atriz Mel Maia

agora que frequenta escola não dá mais. Sou muito responsável com essas coisas, não permito que o Lucas falte à aula de jeito nenhum por causa dos meus compromissos profissionais. Ele está na fase de alfabetização. Você morou um longo tempo em Nova York quando era modelo e sempre visita a cidade. O que tem de legal para fazer com crianças lá? Há várias opções, principalmente no verão. Vale a pena fazer um piquenique no High Line Park e andar de bicicleta ao longo do Hudson River. Por ali também tem o Chelsea Piers, um complexo com pista de boliche, passeios de barco, lugar para andar de skate, paredes de escalada. Desta última vez levamos Lucas no [parque de diversões] Six Flags, que tem um parque aquático bem legal, e também em um musical novo da Broadway, Wicked, que conta a versão das bruxas para a história O mágico de Oz. Ele amou! E também ficou encantadíssimo com o Museu de Historia Natural, Lucas é fã daquele filme Uma noite no museu.

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TUDO EM FAMÍLIA A nova campanha de Natal de Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre traz também a atriz mirim Mel Maia Em setembro, a apresentadora Fernanda Tavares, o marido, o ator Murilo Rosa, e o filho mais velho, Lucas, se encontraram com a atriz Mel Maia, que interpretou a personagem Nina na infância, na novela Avenida Brasil, da Rede Globo. O quarteto foi fotografado por Jacques Dequeker em um casarão no bairro Jardim Europa, em São Paulo, para a campanha de Natal das grifes Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre. Com o mote “famílias reais, histórias verdadeiras”, a série já trouxe em edições anteriores a família do designer Marcelo Rosembaum e da estilista Cris Rosembaum e também a de Paulo Borges, criador do São Paulo Fashion Week. “Eu e Murilo zelamos pela privacidade de Lucas e nunca havíamos feito nada junto com ele, mas desta vez resolvemos abrir uma exceção porque o convite era irresistível: adoramos as marcas e a equipe”, conta Fernanda. “E valeu a pena, foi uma experiência incrível!”

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MODA |

RETRATOS EDUARDO DELFIM STILL XICO BUNY ILUSTRAÇÃO HERBERT LOUREIRO

MEU ESTILO É ASSIM!

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NOSSOS CONVIDADOS ELEGEM AS PEÇAS FAVORITAS DA COLEÇÃO DE ALTO VERÃO

“Eu gosto de brilho” MARCELA GIORDANO, 6 ANOS

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Vaidosa, Marcela gosta de roupas bem coloridas e de preferência com algum brilho. “Não gosto de cores apagadas, fica muito sem graça”, avisa.

1 CAMISETA “Achei linda porque é bem colorida e tem bolinhas douradas.” (R$ 79,90) 2

SHORT “Ele é verde, minha cor preferida junto com o vermelho.” (R$ 189,90, conjunto com blusa)

3 SAPATO “É dourado, tem um laço superbonito e combina com a camiseta.” (R$ 149,90)

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Bonito, mas sem frescura! JOÃO GABRIEL HENRIQUES, 6 ANOS

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João sabe muito bem como gosta de se vestir: com simplicidade e conforto. “Não gosto de muitos botões, enfeites, nada que me incomode”, afirma.

1 CAMISETA “É azul bem escuro, a cor mais bonita de todas.” (R$ 199,90, conjunto com bermuda) 2 BERMUDA “Prefiro bermudas porque me sinto mais livre, e adorei os quadradinhos desta aqui.” (R$ 149,90) 3 TÊNIS “Gosto muito de correr e por isso só uso tênis. Este é bom porque não precisa amarrar.” (R$ 129,90)

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Assistente de fotografia: Fábio Moraes e Hair & Make up: Vanessa Barone

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MODA | INSPIRAÇÃO

STILL XICO BUNY

Oui! A cor símbolo da França domina a cartela de cores da temporada

Sandália Sa S an nd dá állia ia R$ R $8 89,90 9,,90 9 ,9 90 0

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Vestido bebê (conjunto com calcinha) R$ 269,90

Foto: Samot/Shutterstock

Sandália bebê R$ 89,90

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lilicaripilica.com.br trip02.indd 1

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MODA | INSPIRAÇÃO

À italiana Escolha uma roupa confortável para esbanjar charme nas tardes quentes da estação

Bermuda bebê (conjunto com cinto) R$ 119,90

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Tênis bebê R$ 119,90

Foto: KRITINA LEE KNIEF/Getty Images

Camisa bebê R$ 109,90

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tigorttigre.com.br P033v2_Lilica09.indd 126

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Foto: Jackie Besteman/ Getty Images

MODA | INSPIRAÇÃO

Biquíni bebê R$ 119,90

Blusa bebê (conjunto com short) R$ 149,90

Vestido bebê (conjunto com calcinha) R$ 189,90

Sandália bebê R$ 89,90

Sapatilha bebê R$ 149,90

Frente fria Uma estampa refrescante combina com as altas temperaturas que se aproximam Blusa bebê (conjunto com jardineira) R$ 169,90

Calça bebê (conjunto com blusa) R$ 99,90

Short R$ 89,90 34

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Sandália R$ 119,90

Bolsa R$ 169,90

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MODA | INSPIRAÇÃO

Tênis bebê R$ 129,90

Camiseta R$ 54,90

Bermuda bebê R$ 99,90

Cinto (conjunto com calça) R$ 179,90

Chapéu bebê R$ 69,90

Foto: CSA Plastock/ Getty Images

Navegar é preciso

Camisa polo R$ 89,90

O estilo navy desembarca no guarda-roupa dos meninos

Bermuda bebê R$ 99,90

Camiseta R$ 54,90

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Tênis R$ 169,90

Regata bebê R$ 54,90

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MODA

TRÊS EM UM:

CAMISETA COM BRILHO Ela é protagonista neste trio de composições descoladas

A ESCOLHIDA Camiseta (conjunto com short) R$ 189,90

Colete R$ 129,90

Cinto (conjunto com pulseiras) R$ 69,90

Cinto (conjunto com pulseiras) R$ 69,90

Short R$ 139,90

Short R$ 129,90

Sapatilha R$ 149,90 Chapéu R$ 74,90 R Sandália R$ 149,90

Calça R$ 159,90

Tênis R$ 169,90

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MODA

TRÊS EM UM:

A ESCOLHIDA Bermuda R$ 99,90

BERMUDA ESTAMP ADA Em looks descontraídos, mas cheios de personalidade, para o alto verão

Boné é R$ 64,90

Camiseta R$ 64,90

Camisa polo R$ 64,90

Camisa R$ 109,90

Chinelo R$ 59,90

T Tênis R$ 149,90 Sandália R$ 119,90

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ENQUETE

Qual é a coisa

mais corajosa que você já fez? MESMO COM FRIO NA BARRIGA, ELES JÁ ENCARARAM SITUAÇÕES QUE DEIXARIAM MUITOS ADULTOS DE CABELO EM PÉ POR LIANA MAZER FOTOS RICARDO TOSCANI

Arthur e Matheus Lourenço Faria, 4 anos “Descer num escorregador bem alto” (Arthur) e “andar de avião” (Matheus). 42

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Sofia Goldfain, 5 anos

Agradecimento: Teatro Folha (www.conteudoteatral.com.br/teatrofolha)

“Ir de caiaque bem pertinho da cachoeira do Macuco [nas cataratas do Iguaçu].”

Beatriz Joo, 6 anos “Andar de tirolesa.”

Carolina Fontes, 6 anos “Andar de montanha-russa na Disney.”

Thiago Santos Parlavicini, 10 anos “Ficar num carro cheio de extintores de incêndio.”

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DECORA ÇÃO

NOSSACASA, NOSSACARA BRINQUEDOS DE CRIANÇA E DE ADULTO SE MISTURAM EM AMBIENTES COM CORES VIBRANTES E MUITA DIVERSÃO. ASSIM É O APARTAMENTO QUE A PSIQUIATRA RENATA LEONI DIVIDE COM SEUS DOIS FILHOS EM SÃO PAULO POR LIANA MAZER FOTOS ILANA BESSLER

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H

á mais ou menos um ano, quando comprou seu apartamento no bairr o de Perdizes, em São Paulo, a psiquiatra Renata Leoni tinha duas certezas. Primeiro, que os filhos, Frederico, 5 anos, e Vinicius, 9, iriam dormir no mesmo quarto. E segundo que a casa dos três seria alegre e descontraída. “Sou muito brincalhona, adoro cores vivas, e uma casa séria, com tons neutros, não teria nada a ver comigo e com as crianças, que herdaram esse mesmo gosto”, explica a mãe. Depois de folhear em vão muitas revistas de arquitetura e decoração, Renata foi apresentada por amigos em comum à designer de interiores Carol Lovisaro. A empatia foi imediata. “Ela entendeu exatamente o que a gente queria e desenhou um projeto de reforma com sacadas muito originais”, elogia Renata. Uma das soluções boladas por Carol em parceria com a sócia e irmã, a ar quiteta Fernanda Lovisaro, foi tr ansformar duas pequenas suítes em um dormitório amplo e iluminado para os garotos. “Agora, eles dividem o quarto, mas cada um tem seu banheiro”, continua Renata. Outra medida aplaudida pelos moradores foi integrar sala de TV e living, para criar um espaço compartilhado por todos, mesmo que cada um esteja fazendo coisas diferentes. “Sempre vem gente aqui em casa”, conta Frederico. “Outro dia teve uma festa do pijama e fizemos a maior bagunça!” A lousa e o jogo de dardos atraem Frederico (ao lado) e Vinicius para a cozinha enquanto a mãe prepara pratos. As estantes da sala de jantar são repletas de livros de culinária, brinquedos e peças de design

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DECORA ÇÃO

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7 1 Na entrada do apartamento, uma gravura de

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Miró, presente da mãe de Renata, divide espaço com a guitarra do videogame Guitar Hero

2 Uma das paixões de Renata é visitar lojas de design. Em uma delas arrematou a banqueta Elephant, clássico dos designers Charles e Ray Eames, que hoje enfeita a sala de TV

“A MARCENARIA BEM PENSADA FAZ COM QUE O QUARTO DOS MENINOS TAMBÉM FUNCIONE COMO ESPAÇO DE BRINCAR” RENATA LEONI

3 A varanda foi fechada com vidros retráteis para ampliar a sala de estar. Ali, vivem os mascotes da família: a furoa Lilica e o papagaio Pierre

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4 Cadeiras de diferentes cores e formatos con-

ferem um ar divertido ao canto da churrasqueira

5 O piso do quarto dos garotos é de tecnoci-

mento, da NS Brazil, revestimento fácil de limpar. Embaixo das camas ficam as escrivaninhas de Frederico e Vinicius. Puppy, criação do designer Eero Aarnio, é usado como banco e brinquedo

6 O brinquedo de montar Balance Game, do grafiteiro Keith Haring, que Frederico ganhou da tia, tem lugar cativo na estante da sala 7 Vinicius e Frederico adoram bichinhos de pelúcia e sempre que viajam trazem um de recordação. “Eles são tantos que já não cabem mais no baú do quarto”, diz Renata. Os irmãos Campana adorariam

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CONEXÕES

Unidos pelas diferenças

O ENCONTRO DE UMA TURMA DE CRIANÇAS EM UMA ESCOLA BILÍNGUE APROXIMOU SUAS MÃES

POR LIANA MAZER FOTOS MARCELO NADDEO

KIMBERLY-ANNE, 3 ANOS

“Eu amo caldinho de feijão”

LUIZA, 3 ANOS

LAURA, 3 ANOS

“Eu gosto de fazer pão de queijo de massinha”

“Eu sou a menina superpoderosa”

RELAÇÕES

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Estudam na mesma escola Os irmãos caçulas também são amigos Participam de provas de corrida Se encontram sempre na praia Vão ao mesmo pediatra

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Kimberly-Anne ama dançar balé, Luiza gos-

PEDRO, 3 ANOS

“Eu sou um super-herói”

MARIA, 3 ANOS

VICENTE, 4 ANOS

“Eu gosto de cavalos”

“Pega minha caixa de Playmobil?”

ta de fingir ser professora, Vicente não vive sem seus bonecos Playmobil, Laura adora brincar com água, Pedro vive fazendo cabaninhas e Maria é fã de bicicleta. Mas é só juntar essa turma que os interesses se misturam e ninguém os segura. Correm para todo lado, se escondem, se acham, vestem fantasias, brincam de faz de conta. Não há o que os faça parar. É por isso que ficam muito felizes quando suas mães anunciam que marcaram mais um encontro. Principalmente agora que não se veem mais todos os dias na pré-escola bilíngue Wings to Fly, nos Jardins, em São Paulo, onde se conheceram. Sorte que as mães são muito animadas e se esforçam para que a amizade entre seus filhos continue. Marcam visitas para que brinquem na casa de um ou de outro e adoram inventar uma festa. As crianças entram no clima, se vestem a caráter e variam as brincadeiras de acordo com o humor e o espaço disponível, sem bllema. Desde Des esde nenhum problema. untas a . que estejam juntas.

AFINIDADES Gostam de pular na cama elástica Adoram brincar de esconde-esconde Amam brincar com água São fãs do Batman O personagem preferido é a Bela

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Preferem sorvete de chocolate Adoram macarrão Não gostam de salada Praticam natação Sabem andar de bicicleta

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CONEXÕES

PAULA, mãe de Luiza

ROSEMEIRE, mãe de Kimberly-Anne

HELOISA, mãe de Laura

Hair & Make up: Vanessa Barone

RELAÇÕES

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Frequentam o mesmo clube Têm o mesmo personal Vão ao mesmo cabeleireiro Têm o mesmo acupunturista Moram no mesmo bairro

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A TODO MOMENTO

MYLENA, mãe de Pedro

MARIA CAMILA, mãe de Maria

STELLA, mãe de Vicente

Elas se conheceram no período de adaptação das crianças na escola. “Cinco de nós éramos mães de primeira viagem, então foi natural começarmos a trocar experiências”, explica a arquiteta Mylena Baccaro Kalil. Bastaram algumas conversas para verem que tinham muito mais coisas em comum: frequentavam o mesmo clube (o Harmonia) e a mesma praia (de Laranjeiras, perto de Paraty) e conheciam as mesmas pessoas. A administradora de empresas Stella Conte e a jornalista Heloisa Whately Gelpi são de cidades do interior de São Paulo (Rio Preto e Ribeirão Preto, respectivamente). “Temos aquelas conversas, que ninguém mais entende, sobre os contrastes entre a vida no interior e a vida em São Paulo”, contam. Outra característica que une todas as mães é a disposição para encontros. “Já fizemos várias festas e até organizamos um curso de primeiros socorros”, diz a administradora de empresas Paula Silveira Marques Lisboa. A designer de interiores Rosemeire Slavin confirma: “Elas são realmente animadas. Tenho dois filhos mais velhos e nunca tinha encontrado uma turma assim”. Maria Camila Giannella Brant, consultora de estratégias de marca, revela que os encontros sem os filhos são geralmente almoços que podem durar a tarde toda. “Geralmente vamos a algum restaurante, tomamos um vinho. É uma delícia!”

AFINIDADES Adoram visitar Paris Colecionam arte Curtem cozinhar Gostam de vinho Preferem suco de tangerina

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Meryl Streep é a atriz favorita Praticam corrida Não abrem mão de um prato de massa Gostam de pintar as unhas de vermelho Usam salto alto

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VIAGEM

Túnel do tempo REVER LUGARES MARCANTES DA INFÂNCIA SE TORNA UM PROGRAMA AINDA MAIS ESPECIAL NA COMPANHIA DOS FILHOS POR LIANA MAZER

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omo era bom ser criança. Basta encontrar uma caixa recheada de fotos antigas para bater aquela saudade das brincadeiras, dos amigos, dos bichos de estimação, das férias, dos momentos simples e sem preocupações. Algumas lembranças são tão boas que, quando nos tornamos pais, queremos revivê-las ao lado de nossos filhos. O economista Matthieu Rödel, a headhunter Fabiana Bezerra e a publicitária Tete Pacheco puderam curtir esse saudosismo ao viajar com seus filhos para lugares que marcaram sua infância. Matthieu levou a família para sua nativa Bordeaux, na França, onde suas filhas puderam brincar no mesmo carrossel que ele e seu pai brincavam quando eram crianças. Fabiana apresentou ao filho Nova York, onde ela passou sua infância. Já Tete mostrou a seus meninos como curtia as férias em Torres, no Rio Grande do Sul. É o que você vê a seguir.

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Andernos,1976 - Matthieu,com 5

Como nos velhos tempos

anos,e sua irmã Virginie,com 9

SUDOESTE DA FRANÇA Quando criança, as férias de verão do economista Matthieu Rödel se dividiam entre a casa de praia dos avós maternos e a casa de campo dos pais, ambas perto de Bordeaux, onde Matthieu nasceu e cresceu. Em julho passado, ele, a mulher, a produtora cultural Renata, e as gêmeas Chloé e Flora, 4 anos, passaram 20 dias na região, acompanhados dos pais de Matthieu. Juntos, eles reviveram muitas cenas da infância do economista, como caçar borboletas pelo bosque. “Foi uma folia”, resume Renata ao descrever as meninas, o pai e o avô correndo para todos os lados com suas redinhas. Matthieu destaca a emoção das filhas ao ver castelos de verdade. “Elas só ficaram um pouco decepcionadas porque não havia princesas”, brinca. O momento mais marcante, no entanto, foi quando percorreram a pé o caminho até a praia de Andernos, exatamente como Matthieu fazia com seus pais e irmãos. “Pude mostrar para as meninas um lugar autêntico, onde não é preciso pagar ou comprar um monte de coisas para se divertir”, resume Matthieu.

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“Foi muito especial poder mostrar para minhas filhas a tranquilidade e a autenticidade desses lugares” Matthieu Rödel

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VIAGEM VIAGEM

Apple 2 Big para crianças NOVA YORK

“ Quero que meu filho mantenha contato com o inglês e com culturas diferentes, e para isso não há lugar melhor que Nova York” Fabiana Bezerra

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A paulistana Fabiana Britto Bezerra tinha 8 anos quando se mudou com a família para Nova York. Graças ao emprego do pai, morou lá até os 15 anos de idade. “Tenho lembranças de coisas simples, como os dias em que não havia aula por causa da neve e fazíamos uma farra no Central Park”, conta Fabiana, que hoje trabalha como headhunter e pelo menos uma vez por ano visita a Big Apple. Em 2011, ela levou pela primeira vez o filho, João, 5 anos. “Confirmei que Nova York é o máximo para crianças”, diz. “Fomos duas vezes, no inverno e no verão, e sempre há muitas coisas legais para fazer.” Mãe e filho nem precisaram seguir a lista de programas que haviam levado. Curtiram a cidade seguindo as memórias de Fabiana. Caminharam pela 5ª Avenida e visitaram endereços famosos da cidade, como a centenária loja de brinquedos Fao Schwarz. “João adorou fazer as coisas que eu fazia”, observa Fabiana. “Ele nunca tinha visto neve e amou brincar e patinar no gelo. Também foi demais ir com ele ao zoológico do Central Park, um lugar que visitei muitas vezes quando criança.”

Nova York,1982 - Fabiana (de azul-marinho),com 11 anos,acompanhada da irmã mais velha e do pai

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“Meus filhos curtem Torres tanto quanto eu curti na infância” Tete Pacheco

Torres (RS),1974

3 No ritmo da maré TORRES, RIO GRANDE DO SUL “Nossos verões eram calmos e passavam lentamente”, lembra Tete Pacheco, publicitária gaúcha radicada em São Paulo há 20 anos. Ela se refere às temporadas na praia de Torres, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, onde seus pais têm casa e aonde leva seus filhos, Bento, 8, e Otto, 12, desde que eram pequenos. Lá, os três fazem tudo o que Tete fazia: sobem a pé o morro do Farol para ver Santa Catarina lá de cima, empinam pipas, catam mariscos na praia, comem casquinha de siri no Cantinho do Pescador, no seu tempo apenas uma barraquinha. “Os meninos já têm uma turma de amigos, como eu tinha”, orgulha-se.

VOLTA ÀS ORIGENS Através das lentes, a fotógrafa Carol Quintanilha deu novo significado a lugares importantes de sua infância Inspirada num ensaio que fez para uma revista virtual, a fotógrafa paulistana Carol Quintanilha se deu conta de que muitas de suas memórias de infância provinham, na verdade, de fotos antigas. Foi quando teve a ideia de recriá- las. “Escolhi as imagens pela importância dos lugares para mim”, explica. “A foto da praia é em Ubatuba, aonde fui minha vida inteira. A de minha irmã, Claudia, é no playground do prédio de minha querida avó Dercy.” A série Nostalgia pode ser vista em www.facebook.com/CarolQuintanilhaFotografias/photos.

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INFÂNCIA

POR LETÍCIA DE CASTRO E FATIMA TELLES

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ALTOS E BAIXOS CAIO BLAT, ATOR

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inha carreira começou aos 9 anos, quando fui acompanhar minha mãe a uma agência de modelos para fazer um book para as minhas irmãs. Acabei sendo convidado para fazer um teste de comercial: eu era o candidato número 380 entre centenas que estavam lá, mas fui aprovado na hora. Esse foi meu primeiro trabalho de fato: um comercial de um ursinho de pelúcia. A partir daí, participei de várias publicidades. Era bacana, porque ganhava um dinheirinho, podia viajar nas férias e comprar minhas coisas. Fiz minha primeira novela, Éramos seis, no SBT, em 1994, aos 13 anos. Lembro desse momento com muita emoção porque tive contato com vários ídolos – para se ter ideia, na trama, era um dos filhos de Irene Ravache e do Othon Bastos. Na época, frequentava a escola pela manhã e à tarde rumava para o estúdio gravar os capítulos. Adorava fazer a novela! Muita gente me pergunta como foi ter começado cedo na carreira artística. Acho complicado se você não tiver uma estrutura familiar

Fotos: Rede Globo/ Estevam Avellar e divulgação

NOSSOS CONVIDADOS ENTRAM NO TÚNEL DO TEMPO E RELEMBRAM DE QUE FORMA O CONTATO COM A ARTE NA INFÂNCIA INFLUENCIOU A CARREIRA QUE SEGUIRIAM MAIS TARDE

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O ator Caio Blat (o primeiro à direita), aos 13 anos, com o elenco da novela Éramos seis

e uma cabeça boa para segurar os altos e baixos da profissão. Quando eu fazia Éramos seis, por exemplo, fiquei muito famoso, dava autógrafos na rua e, três anos depois, como não estava na TV, ninguém mais me reconhecia. Foi duro, mas assim aprendi que isso faz parte da carreira de ator. Outro ponto positivo de ter começado criança foi que cheguei à vida adulta com uma bagagem rica. Aos 12 anos já havia conhecido a obra do [dramaturgo alemão Berthold] Brecht e seis anos depois, quando fui fazer a minissérie Chiquinha Gonzaga, na Globo, acumulava uma experiência de quase uma década como ator.”

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“AOS 12 ANOS DE IDADE EU JÁ HAVIA CONHECIDO A OBRA DO DRAMATURGO ALEMÃO BERTHOLD BRECHT”

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INFÂNCIA

Abaixo, desenhos feitos por Adão Iturrusgarai aos 5 anos

“PERCEBI CEDO QUE O ATO DE DESENHAR ME ACOMPANHARIA PELA VIDA AFORA”

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esenho desde que me conheço por gente. Quando tinha 1 ano e meio já pegava blocos de papel e canetas para rabiscar pela casa onde morava, em Cachoeira do Sul [RS]. Mais tarde a diversão ganhou as ruas e passei a desenhar pelas calçadas com caco de tijolo. Talvez por gostar tanto de desenhar, me apaixonei na infância pelos gibis de Walt Disney e de Mauricio de Sousa, mas só na adolescência tive contato com títulos mais elaborados, como Chiclete com Banana. Como meu interesse pelas HQs só crescia, saquei que o ato de desenhar me acompanha-

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ria pela vida afora, mas, ao mesmo tempo, não acreditava que poderia viver disso. Daí, fui cursar publicidade, trabalhei em agência de propaganda e só publiquei meu primeiro quadrinho com 20 e tantos anos na extinta revista Animal, na década de 1980. Foi aí que a coisa ficou séria [atualmente Adão é cartunista do jornal Folha de S.Paulo e Aline, a personagem que criou na década de 1990, virou seriado da TV Globo em 2009]. Hoje, o meu maior orgulho é ver a história se repetir com minha filha Olivia, 4 anos, que como eu no passado, adora espalhar seus rabiscos pela casa.”

Laís Bodanzky divulgação/Caroline Bittencourt e arquivo pessoal

ADÃO ITURRUSGARAI, CARTUNISTA

Fotos: Adão Iturrusgarai divulgação/Fernanda Chemale e arquivo pessoal

RABISCOS PELA CASA

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GAROTA DE FUTURO LAÍS BODANZKY, CINEASTA

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o final da década de 1970, quando tinha 9 anos, fui passar férias com o meu pai [o cineasta Jorge Bodanzky] no Rio Grande do Sul. Ele estava rodando Os Mucker, um filme de época sobre uma comunidade religiosa, e acabei acompanhando de perto boa parte das filmagens. Não demorou para ele me convidar para participar de uma cena como figurante. Na época, meu filme favorito era Guerra nas estrelas, e pedi para me fazerem o penteado da princesa Léa... Quando lembro disso, morro de rir. Imagine interpretar uma garota do final do século 19 com o jeito e o cabelo inspirados em uma personagem de ficção científica? Aquela foi a primeira vez que pisei em um set e fiquei completamente fascinada pela agitação dos bastidores. Ali também descobri que o cinema exige trabalho duro e que essa aura de glamour é superficial.”

“ IMAGINE INTERPRETAR Laís Bodanzky, aos 9 anos, no set do filme Os Mucker

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UMA GAROTA DO FINAL DO SÉCULO 19 COM CABELO INSPIRADO NA PRINCESA LÉA?”

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INFÂNCIA

Deborah Colker (primeira à direita), aos 9 anos, em uma apresentação do curso de oratória

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uando era pequena bastava ouvir uma música para sair mexendo o corpo sem timidez. Na época, dançar era uma grande brincadeira e também uma maneira de descarregar minha energia, que não era pouca [risos]. Isso chamou a atenção de minha mãe, que sacou que eu gostava de palco e me matriculou no balé clássico quando eu tinha 7 anos. Dois anos depois, entrei em um curso de oratória, onde estou na foto acima, em uma apresentação de final de ano para os pais. Mas dançar, claro, sempre foi minha paixão e na adolescência, após um longo hiato, voltei a fazer as aulas de balé que havia

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parado na infância. Isso me reconectou com o mundo e me salvou de vários conflitos típicos daquela fase. Aos 18 anos me juntei a algumas amigas, como Karen Worcman [hoje diretora do Museu da Pessoa, em São Paulo] e [a atriz] Débora Bloch, e criamos o espetáculo Anima e animus, inspirado nas ideias do [psiquiatra suíço Carl Gustav] Jung. Essa montagem foi um sucesso e influenciou de forma definitiva minha decisão de trabalhar como bailarina. Agora, quando olho para trás, tenho certeza de que nunca quero perder a espontaneidade que experimentei naquelas primeiras vezes em que pisei no palco.”

Adriana Falcão divulgação e arquivo pessoal

DEBORAH COLKER, BAILARINA E COREÓGRAFA

Fotos: Deborah Colker divulgação e arquivo pessoal

GRANDE BRINCADEIRA

“NA INFÂNCIA, DANÇAR ERA UMA FORMA DE DESCARREGAR MINHA ENERGIA, QUE NÃO ERA POUCA”

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SEM MISTÉRIO ADRIANA FALCÃO, ESCRITORA E ROTEIRISTA

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inha família sempre foi muito ligada em literatura, música e cinema. Meu avô era escritor e meus pais sempre liam histórias para nós. Isso, obviamente, despertou em mim um enorme interesse pela leitura e na infância já devorava a obra de escritores como Monteiro Lobato, a americana Laura Ingalls Wilder [1867-1957] e a russa Condessa de Ségur [1799-1874]. Como aprendi a escrever cedo, produzi meu primeiro livrinho aos 4 anos, uma história em quadrinhos no estilo bangue-bangue. E nunca mais parei. O conto abaixo, por exemplo, ‘Os telefonemas estranhos’, fiz aos 6 anos e faz parte de um livro intitulado Contos de ouro – Histórias espalha-

“AOS 4 ANOS PRODUZI MEU PRIMEIRO LIVRO E NUNCA MAIS PAREI DE ESCREVER” das. No pé de página eu avisava: ‘Algumas histórias são proibidas 6-12 anos e 18 anos’. O tom é de mistério, de história de detetive, provavelmente inspirado pelos romances de Agatha Christie que minha mãe e minhas irmãs mais velhas adoravam. Sim, naquela época meu sonho era ser Agatha Christie [risos].”

OS TELEFONEMAS ESTRANHOS Uma ajudinha para entender a letra da Adriana, aos 6 anos de idade

Uma mulher estava deitada e um telefone toca. Trim! Ela atendeu e uma voz disse: “Eu sou o Afonso. Quer ir ao cinema comigo?”. Ela desligou e disse ao marido. Um outro dia, o telefone tocou e ela atendeu e o homem disse a mesma coisa. Ela desligou de novo e ela tornou a falar com seu marido. E ele disse: “Você não sabe de quem é a voz?”. Ela disse: “Eu descobri hoje”. “De quem é a voz?”. “É do porteiro”. O homem disse: “Eu vou falar com o porteiro e vou comprar jornal”. Foi na disparada e quando voltou disse: “Não achei o porteiro”. A mulher disse: “Recebi outro telefonema e o marido dessas mulheres da polícia também receberam os telefonemas”.

FIM

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MODA

A partir da esquerda: Vestido R$ 239,90 Sandália R$ 149,90 Camiseta R$ 54,90 Calça R$ 169,90 Tênis R$ 149,90 Vestido R$ 179,90 Sandália R$ 139,90 Camisa R$ 149,90 Bermuda R$ 169,90 Tênis R$ 129,90 Blusa R$ 109,90 Calça R$ 159,90 Sapatilha R$ 149,90

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Adeus, Ano Velho... ... E QUE TUDO SE REALIZE COM MUITO ESTILO NO ANO QUE VEM POR AÍ

FOTOS CECÍLIA DUARTE STYLING LETÍCIA TONIAZZO

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MODA

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A partir da esquerda: Vestido R$ 259,90 Vestido R$ 319,90

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MODA

Nesta página: Camiseta R$ 54,90 Calça R$ 169,90 Na outra página, a partir da esquerda: Camisa R$ 139,90 Short (conjunto com body) R$ 179,90 Camisa R$ 129,90 Camiseta R$ 49,90 Bermuda R$ 139,90 Tênis R$ 129,90

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MODA

A partir da esquerda: Camisa polo (conjunto com bermuda) R$ 219,90 Calรงa R$ 169,90 Vestido R$ 229,90

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A partir da esquerda: Blusa R$ 109,90 Short (conjunto com cinto) R$ 139,90 Vestido R$ 219,90

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Nesta pรกgina: Camisa R$ 54,90 Camiseta R$ 49,90 Bermuda R$ 139,90 Na outra pรกgina: Blusa R$ 69,90

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MODA

A partir da esquerda: Vestido R$ 229,90 Sandรกlia R$ 139,90 Vestido R$ 179,90 Sandรกlia R$ 139,90

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ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: CAIO PORTO, HAIR & MAKE UP: FLÁVIO LACERDA (CAPA MGT), MODELOS: JÚLIA NOGUEIRA (ARTE BAMBINI), ISABELLA ARAGÃO (VOGUE), JULIANA AKEMI (VOGUE), PEDRO HENRICKE CARDOSO (FIFI KIDS) E GUSTAVO SANCHES (AQUARELA), PRODUTORA DE OBJETOS: PAOLA ABIKO, AGRADECIMENTO: DOM MASCATE (WWW. DOMMASCATE.COM.BR)

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MODA

Amigos imaginários PONHA OS BICHOS PARA FORA E SAIA POR AÍ ESBANJANDO CHARME E CRIATIVIDADE

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FOTOS ANDRÉ BRANDÃO STYLING LETÍCIA TONIAZZO ILUSTRAÇÕES CADÃO VOLPATO

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A partir da esquerda: Camisa R$ 109,90 Camiseta R$ 64,90 Bermuda (conjunto com camisa) R$ 189,90 TĂŞnis R$ 119,90 Vestido R$ 149,90 Sapato R$ 109,90

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MODA

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Na página ao lado: Camisa polo R$ 84,90 Bermuda R$ 139,90 Tênis R$ 119,90 Nesta página: Vestido R$ 179,90 Sapato R$ 109,90

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MODA

Nesta página: Camisa R$ 99,90 Calça R$ 119,90 Tênis R$ 119,90 Na página ao lado: Macaquinho (conjunto com blusa) R$ 169,90 Sapato R$ 109,90

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MODA

Nesta página: Camisa polo R$ 84,90 Bermuda R$ 124,90 Tênis R$ 119,90

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Na página ao lado: Vestido R$ 209,90 Sapato R$ 109,90

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ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: TIAGO MANICARDI, HAIR & MAKE UP: JÔ CASTRO (CAPA MGT), MODELOS: PEDRO POSSI (TOTEN), ISABELLA CAVALETE (AQUARELA) E ANGELINA PIGNATON (VOGUE)

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MODA

Jardim secreto EM CADA CANTEIRO, EXISTE SEMPRE UMA FLOR DE UMA BELEZA DIFERENTE DAS DEMAIS

FOTOS CRISTIANO MADUREIRA STYLING LETÍCIA TONIAZZO

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Blusa R$ 109,90 Short R$ 139,90

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MODA

Nesta pรกgina: Blusa (conjunto com short) R$ 199,90 Short R$ 89,90

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Na outra pรกgina: Vestido R$ 239,90 Sandรกlia R$ 139,90

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MODA

Nesta pรกgina: Vestido R$ 269,90 Sapatilha R$ 129,90

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Na outra pรกgina: Blusa R$ 89,90 Calรงa R$ 159,90 Cinto (conjunto com pulseiras) R$ 69,90

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MODA

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Nesta pรกgina: Vestido R$ 179,90 Na outra pรกgina: Vestido R$ 239,90 Sapatilha R$ 129,90

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MODA

ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: RENAN VITORINO, HAIR & MAKE UP: FLÁVIO LACERDA (CAPA MGT), MODELOS: MARIA EDUARDA GALERA (ARTE BAMBINI), ISABELLA OLIVEIRA BOM (VOGUE) E ISABELLA BORGES DE SIQUEIRA, AGRADECIMENTO: SECRETARIA DO VERDE E DO MEIO AMBIENTE – VIVEIRO MANEQUINHO LOPES

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Vestidos R$ 269,90 (cada)

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ERA UMA VEZ UMA TURMA DE AMIGOS QUE RECEBEU UM CONVITE DA REVISTA LILICA&TIGOR: PASSAR UMA TARDE COM OS PREMIADOS AUTORES DE LIVROS INFANTIS EVA FURNARI E ODILON MORAES PARA INVENTAR UMA HISTÓRIA COLETIVA. O RESULTADO, VOCÊ VÊ A SEGUIR

POR PATRÍCIA CERQUEIRA RETRATOS KIKO FERRITE ILUSTRAÇÃO ODILON MORAES

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PAIS & FILHOS ENCONTRO

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Havia uma piscina. Dentro dessa piscina havia um reino chamado Bló. Nesse reino havia uma casa. Quem morava nela eram os alienígenas.

“E SE A GENTE CRIASSE UMA HISTÓRIA BEM MALUCA DE UMA CASA DENTRO DE UMA PISCINA?” MIGUEL

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2

Do lado de fora da piscina existia um outro reino, o dos monstros. Eles moravam num castelo que não ficava em piscina alguma.

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“DAÍ O ALIENÍGENA TIRA O TAMPÃO DA PISCINA E TUDO SAI PELO RALO E VAI PARAR NUM OUTRO MUNDO” NICOLE

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PAIS & FILHOS ENCONTRO

3

Os monstros não gostavam muito dos alienígenas. Por isso, um dia decidiram atacar o reino de Bló.

4

“A ÁGUA VAI PELO RALO E OS MONSTROS ESTÃO INDO JUNTO. ELES ESTÃO FUGINDO DOS ALIENÍGENAS” OTÁVIO

Acontece que os monstros não sabiam que para ficar debaixo d’água era preciso respirar. Na hora de fugir, eles tiraram o tampão do ralo da piscina, entraram pelo cano e foram parar num outro mundo.

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“EU ACHO QUE OS MONSTROS ESTÃO BRAVOS COM OS ALIENÍGENAS PORQUE ELES FIZERAM ALGUMA COISA, MAS NINGUÉM SABE O QUE É” ARIANNE

5

Nesse outro mundo, vivia um jacaré malvado com um rabo muito longo e muito estranho. O jacaré estava com fome e comeu todos os monstros, só deixando os ossinhos. “EU DESENHEI UM JACARÉ COM RABO GRANDE. DESENHEI TAMBÉM OS OSSINHOS, PORQUE ERAM OS MONSTROS QUE FORAM COMIDOS POR ELE” DIEGO

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ENCONTRO

M

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iguel, Arianne, Otávio, Nicole e Diego têm 7 anos de idade e são amigos desde quando entraram na Escola Projeto Vida, em São Paulo, há cerca de cinco anos. Acostumados a criar e ilustrar livros coletivos em sala de aula, eles ficaram para lá de excitados com a chance de desenhar com dois autores que já conheciam pelos livros: Eva Furnari e Odilon Moraes. Autora e ilustradora de mais de 60 títulos, Eva Furnari já ganhou diversos prêmios literários, entre eles o Jabuti pelos livros A bruxa Zelda e os 80 docinhos (1996) e Felpo Filva (2007). Odilon Moraes, por sua vez, já recebeu o prêmio de melhor livro do ano da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil por A princesinha medrosa (2002) e Pedro e Lua (2004). Apesar da eletricidade das crianças, todas ficaram naturalmente tímidas quando se viram cara a cara com os autores. Para quebrar o gelo e atiçar a turma, Eva e Odilon levantaram as perguntas básicas para a criação de qualquer história: onde ela se passa, quem são os personagens, como ilustrar cada etapa do processo. “Essas questões ajudaram a mostrar como se dá o processo de criação de um livro”, explicaria Eva mais tarde. Nessa etapa inicial, referências visuais também são importantes. Eva e Odilon, então, começaram a mostrar às crianças livros de autores infantis estrangeiros, como a alemã Susann Opel-Götz. “Já sei! E se a gente criasse uma história bem maluca de uma casa dentro de uma piscina?”, sugeriu de repente Miguel. “Nossa, isso é bom, não?”, disse Odilon. Todo mundo concordou. Eva, então, propôs que todos se inspirassem numa música instrumental composta pelo filho dela, Paulo Furnari. “Vamos fechar os olhos. Quando a gente fecha os olhos, vai para um lugar dentro da gente”, disse ela. “E aí a gente pensa em alguma coisa que não existe”, completou Otávio. Durante dois minutos, todos ouviram a música em silêncio. Quando começaram a contar o que imaginaram, monstros e alienígenas brotaram naturalmente. Da imaginação de Nicole saiu uma cena que Eva adorou: “Um alienígena tira o tampão da piscina e todos os personagens vão parar em outra dimensão, onde há um castelo”. Uma ideia puxou outra até surgir, 90 minutos e muitas risadas mais tarde, a história que você conheceu aqui.

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“A CRIAÇÃO DE UMA HISTÓRIA SÓ É POSSÍVEL COM CONCENTRAÇÃO E CRIATIVIDADE. E FOI ISSO QUE ACONTECEU HOJE, COM AS CRIANÇAS” EVA FURNARI

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“NESSES ENCONTROS, A GENTE NUNCA SABE SE VAI DAR CERTO. UMA CRIANÇA PODE LEVANTAR, OUTRA PODE NÃO SE CONCENTRAR. COM ESTA TURMA, ISSO NÃO ACONTECEU. O GRUPO FOI MUITO HARMÔNICO E CRIATIVO. SÃO CRIANÇAS QUE TÊM FAMILIARIDADE COM O LIVRO” ODILON MORAES

A partir da esquerda, Miguel, Nicole, Arianne, Diego e Otávio com os autores Eva Furnari e Odilon Moraes

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FAMÍLIA

O BRASIL VEM SE TORNANDO DESTINO DE MUITAS FAMÍLIAS ESTRANGEIRAS, VINDAS SOBRETUDO DE PAÍSES ATINGIDOS PELA CRISE ECONÔMICA. QUAIS AS MAIORES DIFERENÇAS CULTURAIS QUE ENCONTRAM PARA A EDUCAÇÃO DE SEUS FILHOS? O QUE ELES TÊM AQUI QUE NÃO TINHAM LÁ E O QUE ACHAM QUE FALTA PARA VIVER BEM NO BRASIL? É O QUE LILICA & TIGOR MOSTRA NA REPORTAGEM A SEGUIR

POR ANNA PAULA BUCHALLA FOTOS CHEMA LLANOS

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JULIA MOLL O BRASIL É BOM PORQUE... “Tem uma enorme riqueza cultural e pessoas extremamente amáveis”

... MAS EU SINTO FALTA DE...

“Uma infraestrutura melhor para o lazer ao ar livre com as crianças”

A chinesa Julia Moll, o marido, o alemão Andreas, e os filhos Konstantin, 6 anos, e Youya, 3, em sua casa paulistana

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FAMÍLIA

A

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americana Christine S anders se lembr a do susto que le vou ao entr ar no quarto da fi lha Claire, 8 anos, e vê-la ensaiar uma cor eografia para lá de sensual com a amiguinha br asileira da mesma idade. “Só depois fui entender que se tr atava da música de Michel Teló, que todas as crianças brasileiras dançam e cantam inocentemente”, diz ela, que há dois anos deixou Boston, nos Estados Unidos, para acompanhar o marido, executivo de uma multinacional, transferido para São Paulo. Christine, como tantos outr os estr angeiros que desembarcam no Br asil, encantou- se com o país no primeiro momento : o clima quente e ensolar ado, a cordialidade e a informalidade dos br asileiros a deixaram particularmente euf órica. Bem dif er ente da vida que levava no seu país de origem, aqui ela tem à disposição motorista, empr egada e uma ótima esco la bilíngue par a os fi lhos – Christine também é mãe de Jonas, 6 anos. Não demorou muito e veio a agonia diante do trânsito caótico, da violência, do medo. “Levei uns seis meses até conseguir estabelecer uma r otina de fato”, diz. Para ela, apesar de tantas barr eiras, a mais difícil de ser ultrapassada ainda é educar os filhos pequenos numa cultura completamente diferente da sua. “As diferenças são muitas, mas também não podemos fazer disso um motivo de frustração para os nossos filhos”, conta. Criar filhos é um desafio comum a todas as mães –  e pais , é clar o –, em qualquer parte do mundo . Criá-los em outr o país , bem longe de casa, é um desafio único, que cada f amília apr ende a enf r entar à sua maneir a. A mudança é dif ícil. P ara além das barr eiras cultur ais, há insegur ança e incertezas. Como equacionar v alores nativos com os lo cais sem prejudicar o desenvolvimento da criança? Para os fi lhos, a sensação de ser difer ente, um dos principais pesadelos inf antis e adolescentes , pesa bastante no pr ocesso de socialização . M as, como crianças são e xtremamente adaptá veis e abertas a mudanças , super ados os obstáculos iniciais , as vantagens da experiência longe de casa são incontáveis. Da visão globalizada do mundo ao apr endizado precoce de como lidar com a diversidade e a tolerância, crianças multicultur ais têm nas mãos ferramentas valiosíssimas para o futuro.

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Hoje há mais de 1 milhão de imigr antes que adotaram o Brasil como moradia – um aumento de 86% nos últimos dez anos . O perfi l mudou bastante em relação aos estr angeiros que vinham par a cá no final dos anos 1990 , apenas de passagem. Embalados pelo processo de abertura econômica de então , profissionais er am tr ansf eridos da matriz de suas multinacionais e por aqui fi cavam entre um e tr ês anos, segundo le vantamento do Ministério do T rabalho feito à época. H oje, eles vêm par a ficar. Com a crise econômica que assolou a Eur opa e os Estados Unidos, o número de estrangeiros à procura de melhores oportunidades de empr ego por aqui pr aticamente dobr ou em tr ês anos . O que os atr ai? O crescimento econômico, em primeir o lugar, e, não menos importante, o regime democrático e a intertolerância étnica e religiosa. No ano passado , o númer o de autorizações concedidas pelo Ministério do T rabalho par a estr angeiros tr abalharem no país cr esceu mais de 20% em r elação ao ano anterior . S ão principalmente portugueses, espanhóis , americanos , bolivianos , chineses e paraguaios, que têm entre seus destinos São Paulo, Paraná, Minas Ger ais, Rio de J aneiro e Goiás. “Pela posição de destaque do Brasil no cenário internacional, somos um polo de atração de imigrantes e a tendência é de aumento no númer o de estrangeiros se mudando para cá”, diz Paulo Sérgio de Almeida, pr esidente do Conselho N acional da Imigração. Calcula-se que de cada dez profissionais que desembarcam em terras brasileiras, apenas um se expresse em português . As mulher es são as que mais sof r em os ef eitos da mudança par a o Br asil. Sobre elas r ecaem os pr oblemas domésticos como cobrar o mar ceneiro que nunca apar ece, esperar a funcionária que falta sem avisar ou se atrapalhar no trânsito caótico par a chegar ao seu destino . “Além da segurança e da violência no trânsito, a educação

HOJE HÁ MAIS DE 1 MILHÃO DE IMIGRANTES QUE ADOTARAM O BRASIL COMO MORADIA – UM AUMENTO DE 86% EM RELAÇÃO À ÚLTIMA DÉCADA. A EDUCAÇÃO DOS FILHOS ESTÁ ENTRE OS ITENS QUE MAIS PREOCUPAM QUEM CHEGA AO PAÍS

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EUGÊNIO BORGES O BRASIL É BOM PORQUE... “É um país muito acolhedor para os estrangeiros”

... MAS EU SINTO FALTA DE... “Baby-sitters e de cidade mais tranquila, com um trânsito menos violento”

O arquiteto português Eugênio Borges com a mulher, Vera, e o filho, Ivo: saudades da baby-sitter

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FAMÍLIA

DANIELA PISTONE O BRASIL É BOM PORQUE... “Aqui, relacionar-se com as outras pessoas é mais fácil”

... MAS EU SINTO FALTA DE... “Uma vida mais relaxada, como eu tinha na Europa”

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A italiana Daniela Pistone com o marido, o argentino Tomás, e os filhos, Sofia, 6, e Matias, 8: longe das “ilhas de proteção”

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dos fi lhos está entr e os itens que mais pr eocupam os estr angeiros”, diz Celina S ampaio, ger ente administrativa da American S ociety, entidade que dá suporte a quem chega ao Brasil. FESTINHA COM BABÁ E não se trata apenas de encontrar uma boa (e incrivelmente cara) escola: os pais se r essentem dos valores que as crianças ir ão absorver em no vo território. “O mais difícil é se enquadrar no modelo de educação do país”, diz a publicitária italiana Daniela Pistone, 42 anos, que veio par a cá com o marido ar gentino e os dois fi lhos em junho de 2006 . Atrás de no vas oportunidades de tr abalho, o marido de D aniela, Tomás, logo arrumou um bom empr ego numa empr esa nacional. Ao contrário dos estrangeiros que se instalam em “ilhas de pr oteção”, Daniela, que cresceu no Brasil, optou por adotar o país de fato , com o que há de bom e de ruim. Seus filhos não estudam em escolas para estrangeiros e eles não moram em condomínios fechados e superprotegidos. “Procuro educá-los do jeito brasileiro, mas confesso que isso é um pr oblema”, diz. “T emos um perfil europeu, mais rígido, e o brasileiro é muito permissivo na educação das crianças . Para elas, tudo pode e há um excesso de proteção por parte dos pais”, conta. Na primeira competição de natação de Matias, 8 anos, e Sofia, 6, Daniela e o marido estranharam que, apesar de não terem chegado nas primeiras posições, os dois receberam medalhas. “É como se fosse preciso o tempo todo passar a mão na cabeça das crianças , privando-as das frustrações naturais da vida.” A dir etora de planejamento chinesa J ulia M oll, 37 anos, estranha – e muito – a r elação das crianças brasileiras com a tele visão. Ela e o marido , o alemão Andreas, 43 anos, chegaram ao país em janeir o, com os filhos, Konstantin, 6 anos, e Youya, 3. “Uma amiga brasileira me disse que o melhor amigo de sua fi lha de 4 anos é a tele visão”, conta, indignada. “T ambém acho difícil entender o fato de os brasileiros gastarem R$ 5 mil em uma festinha infantil. Pr efiro usar esse dinheiro para levar meus filhos para conhecer o mundo, explorar novos povos e novas culturas”, diz. Americanos e eur opeus, principalmente, prezam muito a convivência com os fi lhos no dia a dia. M uitos nem quer em a interf er ência de uma babá nessa relação. Para eles é estr anho ver f amílias no fi m de semana acompanhadas de uma f uncionária vestida de branco em par ques, restaurantes e festinhas . “Na comemoração do Dia dos Pais, na escola do meu filho, estranhei que muitos pais não participavam das atividades. Quem fazia isso er am as babás”, diz a italiana Francesca Merico, 37 anos.

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“NO BRASIL É COMO SE FOSSE PRECISO PASSAR O TEMPO TODO A MÃO NA CABEÇA DAS CRIANÇAS, PRIVANDO-AS DAS FRUSTRAÇÕES NATURAIS DA VIDA” “Infelizmente, não temos no Br asil a fi gura da baby-sitter e isso faz muita falta”, diz o português Eugênio Filipe Borges, 35 anos. Ele e a mulher, Vera, ambos arquitetos, vieram há pouco mais de dois meses para o Br asil com o fi lho, Ivo, 2 anos e 4 meses . “A ideia de ter alguém morando em casa não nos agrada e optamos por colocá-lo em um ber çário”, afirma. “O problema é que à noite não podemos sair.” PARADOXOS A relação das famílias com o espaço urbano é outro f ator comum de f rustr ação. H á um ano e meio no Brasil, Francesca, que já viveu na Fr ança e na S uíça, teve difi culdades par a encontr ar um bairr o em S ão Paulo onde pudesse passear a pé com o fi lho Leo, 2 anos (ela agor a está gr ávida de gêmeas). “Em Genebra tínhamos um tr ansporte público de ótima qualidade e muita ár ea verde para atividades ao ar livr e”, conta. “Aqui, é preciso pegar o carro para ir a um parque perto de casa, até pela questão da segurança”, diz. É um paradoxo com o qual os estrangeiros frequentemente se deparam: se antes viviam em cidades amigáveis, tinham a contr apartida de um po vo fechado. No Brasil, encontram cidades duras, compensadas por relações calorosas e acolhedoras. “O lado bom de criar filhos no Brasil é que os brasileiros adoram crianças”, diz Julia Moll. “Podemos levá-las a qualquer lugar, inclusive a r estaurantes caros, que elas são bem tr atadas. Difícil me imaginar fazendo isso na Alemanha ”, afirma. “Levo meu fi lho a r estaurantes desde que ele era bebê e muitas brasileiras me perguntam como ele aprendeu a se portar tão bem em locais públicos”, diz Francesca. A receita do bom comportamento? “ Mães europeias são se veras e impõem r otinas rígidas par a acordar, brincar, estudar e dormir”, ensina. “Isso ajuda a criança a se sentir mais segura, autoconfiante e evita as birras e escândalos infantis .” Se as mães estr angeiras têm muito a apr ender no novo país, também têm bastante a ensinar às brasileiras.

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MODA

E VO VOCÊ CÊ ESTÁ Á CO CONV NV NVID VID IDAD A O! TRA AD R GA U MA ROU UPA CONF CO F OR ORTÁVE VELL E UM I TE T EM DI DV VE ERT RTID DO PA PARA RA A A GENTE BR BRIN IN N CA CAR R AT ATÉ É DI DIZE Z ER R CH HEG EGA A

FOTOS CEC ECÍL ÍLIA DUART R E ST STYL YLIN ING G LETÍCIA A TON ON NIA I ZZ ZO

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A partir da esquerda: Blusa R$ 159,90 Short R$ 149,90 Camisa polo R$ 64,90 Bermuda R$ 99,90

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Nesta pรกgina, a partir da esquerda: Camisa (conjunto com bermuda) R$ 179,90 Bermuda (conjunto com camiseta) R$ 199,90 Macaquinho R$ 189,90.

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Na outra pรกgina: Macaquinho R$ 199,90 Blusa R$ 69,90

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Mai么 R$ 129,90

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Camiseta R$ 79,90 Camiseta R$ 49,90 Bermuda (conjunto com camisa polo) R$ 219,90 Chinelo R$ 59,90

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BiquĂ­ni R$ 119,90 Bermuda R$ 89,90

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Vestido R$ 189,90

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A partir da esquerda: BiquĂ­ni R$ 119,90 Blusa R$ 49,90 114

Vestido R$ 149,90

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ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: CAIO PORTO, HAIR & MAKE UP: JULIANE OLIVEIRA (CAPA MGT), MODELOS: TAÍS MORELLO (TYP0S), BRUNO GRILLO SMARIE (MONDIALE) E GIOVANA CORDEIRO SOARES (MONDIALE), AGRADECIMENTO: VELAMAR NÁUTICA (WWW.VELAMAR. COM.BR)

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É NÓIS, MANO! FAÇA CHUVA OU FAÇA SOL, AS CORES DA CIDADE INSPIRAM NOSSO ESTILO

FOTOS DANIEL ARATANGY STYLING LETÍCIA TONIAZZO 116

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A partir da esquerda: Camiseta R$ 79,90 Bermuda (conjunto com polo) R$ 219,90 TĂŞnis R$ 129,90 Camisa polo (conjunto com bermuda) R$ 229,90 Bermuda R$ 149,90 TĂŞnis R$ 169,90

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Nesta página: Camisa polo R$ 99,90 Calça (conjunto com cinto) R$ 179,90 Tênis R$ 149,90 Na página ao lado: Camisa (conjunto com bermuda) R$ 239,90 Camiseta R$ 49,90 Bermuda R$ 139,90 Tênis R$ 169,90

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Na página ao lado: Camiseta R$ 64,90 Bermuda R$ 119,90 Tênis R$ 129,90 Nesta página: Camiseta R$ 79,90 Calça (conjunto com cinto) R$ 169,90 Tênis R$ 149,90

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A partir da esquerda: Camisa R$ 129,90 Camiseta R$ 49,90 Calça (conjunto com cinto) R$ 179,90 Tênis R$ 129,90 Camiseta (conjunto com bermuda) R$ 209,90 Calça (conjunto com cinto) R$ 169,90

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Nesta página: Camisa (conjunto com bermuda) R$ 239,90 Bermuda R$ 139,90 Tênis R$ 169,90 Ao lado: Camisa polo R$ 64,90 Camiseta R$ 49,90 Bermuda (conjunto com camisa) R$ 239,90 Tênis R$ 129,90

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ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: FERNANDO FUCHIGANI, HAIR & MAKE: JÔ CASTRO (CAPA MGT), MODELOS: JOÃO GABRIEL MANSOUR (TYPOS), GIOVANNI PRATES (FIFI KIDS) E ERICK LEAL (VOGUE), ASSISTENTE DE STYLING: NELISE DEZZEN. AGRADECIMENTOS: PANOLETOS (WWW.PANOLETOS.COM) E CALOI (WWW.CALOI.COM)

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OLHO MÁ GICO| POR MARCELL O ARAÚJO*

Margens plácidas OU DE COMO UM FRUSTRANTE PASSEIO AO MUSEU PODE SE TRANSFORMAR NUMA CONVERSA SOBRE AS MUDANÇAS DA VIDA

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gente é pobre?”, perguntou Laura, minha filha e pr otagonista desta coluna. “ Certamente que não ”, respondi, emendando com os dados que ha via pesquisado par a um tr abalho recente. “No Brasil”, disse a ela enquanto esperávamos pelo ônibus que nos le varia até a estação de metrô, “são consideradas pobres aquelas pessoas com renda mensal igual ou menor que R$ 151”. O ônibus chegou, subimos e arrumamos um lugar para sentar. O programa do dia er a um passeio até o Museu do Ipiranga, a pedido da Laura, que estava entusiasmada com as aulas de história do Brasil. “Então por que a gente não tem carro?”, ela perguntou. “Porque a gente vendeu!”, respondi. A venda. Foi assim: o funcionário da companhia de seguros chegou par a examinar o carr o. Olhou o nosso 1.3 , ano 2003 , e começou a andar em volta dele com o computador na mão e uma car a de nem sim nem não. A cada arr anhão que achava dava um clique no computador de mão . Alguns cliques e o veredicto: “O sistema reprovou o seu carro!”. A companhia não renovaria o seguro. Foi aí que decidimos aumentar nossa liquidez familiar , economizar par a pagar algumas contas futuras e reduzir nossas pegadas de carbono . Nos despedimos da companhia de seguros e vendemos o carro! O ônibus par ou em f r ente ao metr ô. Pegamos o trem e 20 minutos depois chegamos na estação mais próxima do museu, onde vimos a reprodução do quadro de Pedro Américo e uma maquete do pr édio que iríamos visitar. Decidimos, ó pátria amada, idolatr ada, salve, salve, que iríamos encar ar a caminhada de muitas e muitas quadras até o museu. Uma, duas , tr ês, quatr o quadr as... “T ô cansada, me carr ega?”, pediu a Laur a. Com um pouco

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de esf or ço coloquei-a nos meus ombr os. “Uf a!” A certa altur a, expliquei que meu pr azo de v alidade de carr egador estava expirando, pois ela estava cr escendo e eu não ia fi car mais f orte , muito pelo contrário. “Isso não é justo!”, disse a Laura. “É a vida...”, respondi, desviando de uma cratera na calçada par a e vitar me esborr achar

“DEVIA SER ASSIM: A PESSOA NASCE, CRESCE, PODE TER FILHOS E QUANDO CHEGA A UMA CERTA IDADE, O TEMPO VOLTA E ELA FICA JOVEM DE NOVO!”, LAURA ME EXPLICOU em ber ço esplêndido . “A gente de via ter v árias encarnações”, ela retrucou. “Como assim?”, perguntei, admir ado com o vocabulário da minha filha. Quando eu tinha a idade dela, encarnação, para mim, er a sinônimo de bullying . “Devia ser assim: a pessoa nasce , cr esce, pode ter fi lhos e quando chega a uma certa idade , o tempo volta e ela fi ca jovem de no vo!”, ela me e xplicou, enquanto contemplava a paisagem do I piranga do alto dos meus ombros. Enfim, chegamos ao museu. Iríamos conhecer mais um pouco da história do Brasil. Lugar bonito, temperatura amena e ... uma folha de papel tamanho A4 colada na entrada principal. O aviso era um tanto despr oporcional à gr andeza e imponência do pr édio: “ O museu está f echado . Estamos sem energia, não temos pr evisão de quando o pr oblema será resolvido”. Ao nosso redor, outras pessoas liam o mesmo r ecado, que não for a assinado pelo Arnesto, mas causou em todos uma baita duma reiva, que logo passou. De volta par a casa, Laurinha cochilou com o sacolejo do trem do metrô.

* Pai de Laura, 8 anos, e Carolina, 20, o ilustrador Marcello Araújo é autor das coleções “O saco” e “1, 2, 3 e já!” e acaba de lançar o livro Psiu!

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O PAI DOMÉSTICO | POR JUVA BATELLA*

Diante do espelho A

TODA MENINA QUE ENJOA DA BONECA É SINAL DE QUE O AMOR JÁ CHEGOU NO CORAÇÃO

vida é uma coisa que v ai acontecendo aos poucos, tim-tim por tim-tim, mas às vezes não é bem assim. O programa em si, apesar de aguar dado e vivido como “ dia especial”, f oi bem prosaico. Dizem, no entanto , que é no v ai e vem das ondas desse ir e vir cotidiano que se desvelam as cenas que nos transformam – aquelas que depois, e somente depois, revelam o quanto está vamos a vivenciar, exatamente, o que se chama “a divisão das águas”. Eu estava desde o café da manhã com a música “O xote das meninas ” (Luiz Gonzaga & Zé D antas, 1953) rebolando dentro da minha cabeça; na verdade, com uma das duas deliciosas interpr etações da Marisa M onte, e em especial os primeir os versos: “Mandacaru/ Quando fulor a na seca/ É o siná que a chuva chega/ No sertão/ Toda menina que enjoa/ Da boneca/ É siná que o amor/ J á chegou no coração.../ Meia comprida/ Não quer mais sapato baixo/ Vestido bem cintado/ Não quer mais vestir timão...”.

lojas e sem qualquer pressa, para que ele lhe dê, a ela, um presente ao vivo, ali na hora, e por ela escolhido — o pr esente do padrinho. Assim fazemos há uns anos. Eu acompanho a dupla, mas de longe e proibido de dar pitacos, impedido de me meter: um assunto lá deles, um momento de afeto, intimidade e delicadeza. Às vezes entro numa livraria para sair do mundo. E assim fiz dessa vez, esquecido da vida, metido nas páginas e sem conseguir parar de cantarolar que toda menina que enjoa da boneca é sinal de que o amor já chegou ao coração… E chegaram os dois à livr aria, uma hor a depois e com o pr esente escolhido , compr ado e dado. Foi então que per cebi o quanto ele es tava emocionado; o quanto desejava compartilhar comigo o que viu e sentiu quando a viu e a sentiu, a ela, Alice , dif er ente e mais mulher (ou mais menina), a escolher enfi m o seu pr esente, que não era uma boneca, como sempr e foi, mas algo diferente; e não er a apontando o dedo e gritanCHEGARAM OS DOIS À LIVRARIA, UMA HORA do “Quero esta!”, como sempr e foi, mas quieta e DEPOIS E COM O PRESENTE ESCOLHIDO. concentrada, a passear os dedos tamborilantes entre as saias e os vestidos dependur ados; r etiFOI ENTÃO QUE PERCEBI O QUANTO ELE rando em silêncio as peças prováveis dos cabiESTAVA EMOCIONADO; O QUANTO DESEJAVA des; colocando-as à sua frente, também em silênCOMPARTILHAR COMIGO O QUE VIU E SENTIU cio, num ensaio de e xperimentação que incluía virar-se de lado, de frente, de costas, aproximanE, a partir do meio da manhã, pensando já no tal programa: o almoço com a minha fi lha Alice (a do-se e af astando -se do espelho , num ritmado Pipoca), com quase 10 anos de idade, e um amigo do ir e vir, num atento, lento e intimista mirar-se a coração, que, além de amigo do coração, vem a ser o si mesma e vendo , não mais a menina- criança que antes víamos , pai e padrinho , mas a menipadrinho da miúda. Trata-se de um rito: sempre que saímos de Lisboa na-mulher que passamos a ver , tr ansf ormada, e vamos para o Rio de J aneiro, reservamos um dia diante do espelho. — E… — disse eu ao padrinho — não há um só para esse prosaico almoço especial, e após o programa a tr ês acontece o pr ograma a dois , que signifi ca remédio em toda a medicina... Ainda bem. um passeio do padrinho com a afi lhada, por v árias

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* Doutor em literatura brasileira, o carioca Juva Batella é autor de, entre outros livros, Confissões de um pai doméstico (Planeta, 2003). Pai de Alice, 9 anos, e Clara, 5, mora atualmente em Lisboa

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OS MEUS, OS SEUS E OS NOSSOS | POR HÉLIO SCHW ARTSMAN*

A origem de tudo

EM UM MUNDO ONDE AS INFORMAÇÕES PARECEM ESTAR A UMA TECLA DE DISTÂNCIA, É CONVERSANDO QUE PAIS E FILHOS AINDA SE ENTENDEM

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ?

NÃO CHUTE, CHEQUE

Não costumo dar esmolas, mas meu filho de 5 anos fica bravo, pois acha que eu deveria ajudar as pessoas. Tento explicar que dar esmolas não resolve a questão da pobreza, mas percebo que ele não compreende meu argumento. O que fazer? Eliana, escritora

Tenho uma filha de 7 anos que entrou na fase de perguntar sobre a origem de tudo. E tenho um marido muito inteligente, com grande capacidade de guardar informações na memória e que consegue responder suas questões na hora – sem precisar recorrer aos livros e ao Google, como faço. Conclusão: minha filha acredita que o pai é mais inteligente do que eu. Como lidar com isso? Mônica, empresária

Só o que resolveria a questão da pobreza é o desenvolvimento de tecnologias que nos levassem a uma situação de plena abundância nos itens mais essenciais, como água, alimentos, energia, medicamentos. É até possível que a ciência permita tais avanços no horizonte de algumas décadas, mas, enquanto isso não ocorre, é bom ter em mente que não damos esmolas para resolver nenhum problema, mas apenas para aplacar nossos sentimentos. A empatia nos faz ligar para o infortúnio de nossos semelhantes. Nesse sentido, seu filho tem razão em ficar bravo.

MEIO DESLIGADO Meu filho de 10 anos é desligado e quase diariamente falo com ele sobre isso. Será que o estou prejudicando por reforçar esse tema? Patricia, jornalista Prejudicando talvez seja uma palavra forte demais, mas não há dúvida de que você o está aborrecendo com a marcação cerrada. Antes de mais nada, seria preciso determinar que tipo de distração ele demonstra. Há aqueles que parecem alheados porque se concentram bastante no que estão fazendo no momento, o que não é absolutamente indesejável. Mas, se o nível de desatenção está causando prejuízos concretos, como esquecer de fazer a lição, ficar ralhando com ele não vai ajudar muito. O melhor seria desenvolver ao lado dele rotinas que o façam ter certeza de que está com todos os seus compromissos em dia.

Mônica, se você quiser fazer uma média com seu marido, diga para ela que o pai é mesmo o máximo. Mas, se você é do tipo competitivo e não quer ficar para trás, lembre-a de que os computadores e a internet vieram para ficar e que, a exemplo do que ocorreu 5 mil anos atrás, quando a escrita foi criada, avanços tecnológicos são bons porque liberam nossa memória para outras finalidades, de modo que já não há necessidade de decorar fatos e explicações que estão a uma tecla de distância. Melhor ainda, você pode aproveitar a deixa para ensinar a ela a regra de ouro do jornalismo: não chute, cheque.

* Bacharel em filosofia, Hélio Schwartsman é articulista da Folha de S.Paulo e pai dos gêmeos Ian e David, 9 anos

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FRASE DA INFÂNCIA

“Olha, é o Cavaleiro Sanitário!” Bento Ribeiro, humorista

Foto: arquivo pessoal

POR LIANA MAZER

Pelo que conta a psicanalista Berenice Batella Ribeiro, seu filho, o ator e apresentador da MTV Bento Ribeiro, 31 anos, tem talento para a comédia desde pequeno. “Bento foi uma criança muito falante: era simpático, cativante e engraçado”, lembra. “Ele gostava de se exibir e adorava fazer as pessoas rirem.” Bento, que atualmente faz parte do elenco dos programas humorísticos Furo MTV e Comédia MTV, adorava comandar – com direito a locução – as brincadeiras em seus aniversários. Também organizava desfiles das amigas da irmã caçula, Francisca, e uma vez chegou até a ganhar 130

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um campeonato de imitadores de Michael Jackson. Qual fosse a situação, ele alegrava a todos com suas gracinhas. Ironicamente, a frase dele que ficou para a história foi dita sem querer. Quando tinha uns 5 anos, assistindo à televisão em Itaparica, terra natal de seu pai, o escritor João Ubaldo Ribeiro (Bento morou na ilha até os 9 anos de idade), o menino soltou: “Olha, é o Cavaleiro Sanitário!”. Ele se referia ao desenho animado O Cavaleiro Solitário, febre entre a criançada da época. “Não era para fazer gracinha, não, era como ele ouvia mesmo, graças ao som da nossa TV ‘possante’”, diverte-se Berenice.

No alto, Bento, aos 10 anos, com a irmã caçula, Francisca, 8

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