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1 agosto | setembro | outubro 2010

enquete

Como você cuida do planeta?

Playground

Cinema, música, arte, livros, brincadeiras e muito mais

viagem

Paris com as crianças

moda

Tons suaves e estampas delicadas para fazer a festa

TRIP EDITORA Processado em Sat Aug 14 01:25:29 2010 BLACK YELLOW MAGENTA CYAN

1608692_Lilica_01_Capa.pdf - 213.0 x 275.0 mm - pág. 1


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lilicaripilica.com.br


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EDITORIAL

Gente grande e gente pequena

ocê já deve te ter er o ouvido muito a expressão, em conversas por aaí: quando alguém quer dizer que um projeto ou uma iniciativa evoluiu, se aperfeiçoou, cresceu cresceu, não raro encerra a frase com “é e , nã coisa de gente grande”. N Nem preciso dizer que aqui a gente pensa diferente. O que fazemos de melhor com as marcas Lilica Lili Ripilica Ri ili e Tigor T. Tigre vem em escala reduzida, do tamanho das crianças de até 10 anos. Lilica&Tigor é, claro, uma revista de moda e estilo, mas não é só isso: é sobre aquilo que aproxima pais e filhos, avós e netos, tios e sobrinhos. Esse é o nosso negócio. Mais do que um jeito confortável e divertido de vestir, o que a gente procura é criar roupas que ajudem as crianças a se expressar e a interagir com o mundo dos adultos. Cada estampa, combinação de cores ou tecido molinho que dá origem a um pijama para embalar o sono, cada vestido para fazer a festa ou bermudão para brincar, nada disso seria Lilica ou Tigor se não nascesse da relação entre o universo infantil e o mundo dos adultos. Por isso, aqui na Lilica&Tigor, nos aventuramos a enxergar as coisas – pode ser moda, estilo, viagem, comportamento, livro ou comida – na perspectiva das crianças. Se a gente vem ficando mais colorida, mais bem-acabada, mais divertida com o passar do tempo, posso dizer sem exagero que, mais do que o resultado do trabalho duro de nossa equipe de pesquisa, criação e produção (ei, vocês são incríveis!), isso é reflexo direto desses anos todos de convivência em 1.500 lojas pelo Brasil afora. É coisa de gente grande – ou melhor, de gente pequena.

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Um beijo e divirta-se, Rafaela Donini, e equipe da Lilica&Tigor

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CAPA Foto Debby Gram, styling Leticia Toniazzo, hair e make up Jô Castro (Capa MGT), modelos: Mariana Sanches (Agência Vogue) e Pietro Possagno (Fifi Kids)

Marisol Indústria do Vestuário Ltda. Presidente Giuliano Donini Diretor executivo Jair Pasquali Diretor unidade premium Marcos Zick Coordenação e consultoria de relacionamento Rafaela Donini LILICA & TIGOR | Editor Paulo lima Diretor editorial Fernando luna Diretora de criação Ciça Pinheiro Diretora de gestão e novos negócios Adriana Naves Diretor financeiro Renato B. Zuccari Diretor de núcleo Tato Coutinho Conselho editorial Giuliano Donini, Jair Pasquali, Marcos Zick, Rafaela Donini, José Henrique Falbo, Lilian Bianca Nazario e Rodrigo Branco (Marisol); Paulo Lima, Fernando Luna, Carlos Sarli e Ciça Pinheiro (Trip) Diretora de redação Ana Paula Orlandi Projeto gráfico Paula Carvalho e Ciça Pinheiro Direção de arte Paula Carvalho Pesquisa de imagens Coordenação Aldrin Ferraz Pesquisador Fernando Cambetas Indexadora Livia Lopes Assistente Daniel Andrade Estagiária Juliana de Almeida Revisão Coordenação Daniela Lima Revisoras Ecila Cianni, Janaína Mello e Léa Tosold Produção gráfica Coordenadores Walmir Graciano e Monica Yamamoto Produtora gráfica júnior Mariana Pinheiro Tráfego comercial Jessica Osseki Departamento comercial Diretor comercial Rogério Rocha Analista de marketing Nancy Minervini Assistente Priscila Queiroz Assistente de arte Amanda Mussi Projetos especiais e eventos Diretora Ana Paula Wheba Editora de arte Camila Fank Assistente Tahisa Pavan Trade e logística Diretora Daniela Basile Gerente de logística Jéssica Panazzolo Analista de Trade Thais Meneghello Assistente Bruna Costa Colaboraram nesta edição Editora Luciana Jardim Editora assistente Liana Mazer Repórteres Carol Sganzerla e Luciana Mattiusi (São Paulo), Simone Raitzik (Rio de Janeiro) Editores de arte Kiki Saraiva e Maria Mello Produtora executiva Carol Signorini Assistente de produção Ana Rosa Sardenberg Produtores Cyhthia Gyuru, Michelle Grein e Paulo Lagreca (São Paulo), Ana Hora (Rio) Stylist (moda) Letícia Toniazzo Cabelo e maquiagem Jô Castro Fotografia Caio Vilela, Carol Sachs, Carol Quintanilha, Debby Gram, Eduardo Delfim, Marcelo Naddeo, Miro, Nino Andrés, Tavinho Costa, Thiago Pompéia, Victor Affaro e Xico Buny (São Paulo), Daryan Dornelles (Rio) Ilustração Maria Valentina e Pedro Inoue Colunistas Alê Abreu, Benny Novak, Clarice Reichstul, Helio Schwartsman, Juva Batella, Marcello Araújo, Maria Ercilia Galvão Bueno, Odilon Moraes e Taciana Barros Pré-impressão Arizona Impressão IBEP Gráfica LILICA &TIGOR é uma publicação da Trip Editora e Propaganda SA, sob licença da Marisol Indústria do Vestuário Ltda. Redação e publicidade: caixa postal 11485-5, CEP 05422-970, São Paulo, SP. Tel.: (11) 2244-8786/8797. www.tripeditora.com.br A Trip Editora, consciente das questões ambientais e sociais, utiliza papéis Suzano com certificação FSC (Forest Stewardship Council) na impressão deste material. A certificação FSC garante que uma matériaprima florestal provenha de um manejo considerado social, ambiental e economicamente adequado e outras fontes controladas. Impresso na Ibep Gráfica Ltda. – certificada na cadeia de custódia – FSC.

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colaboradores

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1 debby gram Debby clicou os editoriais “Piquenique sem formiga” e “Conto de fadas”. “Não tenho muito apego a objetos, mas guardo com carinho as fotografias da minha infância.” 2 simone raitzik Simone trabalhou no jornal O Globo e hoje colabora para títulos como Casa Claudia. Do Rio, onde nasceu e mora, assina a reportagem “Diversão na água”. 3 carol sganzerla Carol é editora da revista Tpm. Para nós, escreveu “Memória afetiva”. “Fiquei com saudade do balanço do jardim...” 4 letícia toniazzo Colabora da Marie Claire e da Vogue, a stylist gaúcha assina o estilo dos nossos editoriais de moda. “Não combina” foi uma das primeiras frases que falou. 5 daryan dornelles O fotógrafo carioca retrata músicos e esportistas para revistas como Serafina, Bravo! e Placar. Nesta edição, registrou crianças que praticam esportes aquáticos.

6 6 tavinho costa

9

Há dois anos o catarinense trocou a carreira de designer gráfico pela de fotógrafo de moda. Nesta edição, ele fez o ensaio “Tchibum”. Da infância, não se esquece da piscina de plástico da casa dos pais. 7 luciana mattiussi A jornalista paulistana passou pelo Jornal da Tarde e colabora para revistas como Época e Galileu. É dela a matéria “Grande família”. 8 maria valentina A artista venezuelana ilustrou os stills de moda. “Adorava brincar de amarelinha com meus primos”, diz Valentina, que aprendeu a desenhar com a mãe. 9 pedro inoue Colaborador da Adbusters Media Foundation, o designer paulistano ilustrou os títulos das matérias de comportamento desta edição. Da infância, lembra do boneco Ultra Seven, que a avó trouxe do Japão.

Ele rabiscou a revista 10 nicolas

10

Corinthiano nascido em Londres, Nicolas, 3 anos, é fã da elefanta Elly, amiga do Pocoyo. São dele as interferências que você vai descobrir quando começar a folhear a revista.

TRIP EDITORA Processado em Wed Aug 18 00:52:21 2010 BLACK YELLOW MAGENTA CYAN

1608692_Lilica_01_Editorial_Colaboradores_P009.pdf - 208.0 x 275.0 mm - pág. 9


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prateleira

playground

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Literatura, cinema, música, arte, museus, mundo digital, moda, gastronomia, viagem, decoração, bichos, cultura de rua, brincadeiras, comportamento, memória. Criança tem assunto que não acaba mais. Nossos colunistas estão de olho em tudo

Música

14

por Taciana Barros

Seria impossível educar as crianças sem as canções infantis

Comida

12

16

por Benny Novak

Quem disse que eles não gostam de novidade no prato?

Mundo digital

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por Maria Ercília

O que é a leitura nos tempos do computador

Cinema

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por Alê Abreu

A aventura de um mundo novo na sala escura

Literatura

por Odilon Moraes

22

Nem todo livro sem palavra é um livro sem texto

Estilo

10

por Clarice Reichstul

24

Como investir na liberdade que o guarda-roupa infantil proporciona

decoração

34

A vida em movimento Parede de escalada na

sala. Yellow Submarine no quarto. O apartamento do fotógrafo Caio Vilella foi pensado para estimular a imaginação dos filhos e o convívio em família

34

enquete

38

O que você faz pelo seu planeta? Cinco crianças contam como usam a imaginação para transformar o mundo em um lugar melhor parar viver

conexões

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Minha turma

As relações e afinidades de uma turma de crianças. E também de suas mães

viagem

44

44

“A Juju me ajudou a descobrir uma Paris que eu não conhecia” Julia, 5 anos, foi a “guia” da mãe, Vanina, nas férias em Paris

TRIP EDITORA Processado em Fri Aug 13 00:30:14 2010 BLACK YELLOW MAGENTA CYAN

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moda Tendências

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Festa

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Estampas

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Piscina

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Bebês

94

64

A chegada do verão abre os guardaroupas às cores, às estampas, aos tecidos molinhos e confortáveis e, claro, ao mar e às piscinas. A linha Atelier completa o figurino para fazer a festa na estação

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“Como

comecei a surfar antes e sou mais experiente, dou muitos toques no papai. Ele leva jeito e aprende ” rápido Antônio, 7 anos, surfista do Arpoador, no Rio de Janeiro

comportamento 58

Casa & cia. GRANDE FAMÍLIA Como a casa pode aumentar ou encolher no ritmo dos filhos

80

Esporte DIVERSÃO NA ÁGUA Surf, vela, canoa polinésia... Como espantar o tédio no verão

104

Infância MEMÓRIA AFETIVA Objetos que marcaram a infância e crescem com a gente

colunas 108

Olho mágico O editor Marcello Araújo investiga o mundo na perspectiva das crianças

110

O pai doméstico O escritor Juva Batella e os desafios da vida doméstica masculina

Os meus, os seus e os nossos

112

Helio Schwartsman e as grandes questões – e as pequenas também – na educação dos filhos

58

Frase da infância

114

“Quem vai segurar o cabrito?”

TRIP EDITORA Processado em Wed Aug 18 00:53:27 2010 BLACK YELLOW MAGENTA CYAN

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Fotos still xico buny produção michelle grein

“ É pelo trampolim do riso, não pela lição de moral, que se chega ao coração das crianças”

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José Paulo Paes (1926-1998), poeta, tradutor, crítico e ensaísta paulista

Tudo de felTro Em 2004, após se formar em moda na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, Paola Abiko foi trabalhar em uma fábrica de chapéus de feltro, em Limeira, interior do Estado. Encantada com a versatilidade do material, começou a criar itens como carteiras e chaveiros – algumas dessas criações chegaram à loja do Museu de Arte Moderna (MoMA), de Nova York, no ano passado. As almofadas custam a partir de R$ 90 na loja Angelina Vai às Compras, em São Paulo. Tel. (11) 3845-6828.

Radical e ecológico Não por acaso, o skate desenvolvido pelo estúdio carioca Fibra Design foi batizado de Folha Seca: o material usado é um composto que mescla camadas de laminado de pupunha e laminado de bambu orgânico. A tábua de 90 centímetros, sem os acessórios, custa R$ 620 e o prazo de entrega é de até 30 dias. Para andar de skate no Rio de Janeiro, a equipe da Fibra Design recomenda lugares como: Toda a orla da zona sul, principalmente aos domingos, quando a pista da praia é exclusiva para o lazer. O bairro do Cosme Velho abriga ladeiras para iniciantes. Fibra Design (www.fibradesign.net)

TRIP EDITORA Processado em Fri Aug 13 00:57:02 2010 BLACK YELLOW MAGENTA CYAN

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É o bicho Cabeças de pelúcia, como este elefante com 50 centímetros de altura (R$ 520), vêm da Bélgica para enfeitar paredes dos quartos das crianças. Urso-polar, tigre e girafa são outras opções divertidas. Na Coisas da Dóris, São Paulo. Tel. (11) 3083-1962, www.coisasdadoris.com.br.

SimpleS aSSim As ideias de brinquedos e brincadeiras do artista plástico californiano Joel Henriques são daquelas fáceis de copiar e ótimas para envolver toda a família. No blog Made by Joel (madebyjoel.blogspot.com) ele ilustra o passo a passo de diferentes projetos com imagens de seus dois filhos pequenos, Jack e Tess, curtindo as criações.

Fotos: Divulgação

Lilica&Tigor Como você começou a criar brinquedos? Joel Henriques Eu fazia os meus próprios brinquedos quando era criança e nunca mais parei. Quando meus filhos nasceram, fiquei entusiasmado com montar brinquedos para eles também. L&T Quais são as criações que as pessoas mais gostam? JH A cidade de papel e os discos de papel (acima) com cortes para montar. Sou artista plástico e então é divertido incorporar desenhos e pinturas em meus brinquedos. Eles se tornaram bem populares desde que os pais começaram a baixar os modelos do meu blog e montar as peças com seus filhos.

A céu aberto (e fechado) No planetário da Gávea, no Rio, foram inauguradas as sessões Janela mágica (que ensina com desenho animado os princípios básicos da astronomia para crianças a partir de 4 anos) e Projeto científico (marionetes apresentam o céu para pré-adolescentes). E todas as quartas-feiras, entre 18h30 e 19h30, há observação pra valer do céu, no terraço panorâmico. Os ingressos das exposições custam R$ 4 (meia) e R$ 8 (inteira). E das sessões de cúpula, R$ 8 (meia) e R$ 16 (inteira).

TRIP EDITORA Processado em Fri Aug 13 00:57:01 2010 BLACK YELLOW MAGENTA CYAN

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playground

Música Feito à mão À frente do ateliê Uauá (www.uauababy.blogspot. com), as amigas Fabiane e Juliana criam adesivos de parede, brinquedos de pano e bonecos personalizados – é o caso da coruja (ao lado), um enfeite de porta para maternidade feito à mão. Encomendas pelo e-mail uauababy@ gmail.com.

taciana barros, aos 3 anos

Sobre canções e bananas

dobRaR, colaR e sentaR

Sempre curti tocar violão enquanto meus filhos brincavam. O problema é quando eles começam a engatinhar e conseguem vir na direção do som. Daí, de repente, o sossego é interrompido por uma mãozinha abafando as cordas, seguida de uma boca querendo comer o instrumento. Mas aos poucos eles foram crescendo e se acostumando com música em casa. Tenho certeza de que a música faz companhia para a criança, assim como tem adulto maluco que deixa a televisão ligada para não se sentir só. Uma boa musiquinha pode ser um grande conforto. Ou estímulo. Lá em casa inventei música para tudo: para a hora de tomar banho, de comer, de guardar os brinquedos, de largar a chupeta... Às vezes, as primeiras notas da melodia já vinham acompanhadas de um “jáaaa voooooooou!!!!”. Depois de muitos nana-nenês e sapos-cururus fui inventando a minha própria canção de ninar que com o tempo batizei de “Meu Anjinho”. Ela funcionou durante um bom tempo, como um mantra que também me acalmava nessa difícil missão de fazer um serzinho muuuuuito animado sossegar. Um dia desses minha irmã mais velha soltou esta: “Seria impossível criarmos nossos filhos se não existisse banana!”. Concordei totalmente e agora digo mais: sem música também seria bem complicado!

O arquiteto suíço Nicola Enrico Stäubli colocou em seu site Fold School (www.foldschool.com) modelos de bancos e cadeiras de papelão para serem feitos em casa. O recurso possibilita baixar as imagens (o download é gratuito), imprimi-las em folha A3 ou A4 e usá-las como molde. Nicola, que defende a democratização do design, aconselha a fazer primeiro uma peça de teste para entender o processo antes de montar algo maior e reforçado.

Taciana Barros é integrante da banda Pequeno Cidadão em parceria com Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e Antonio Pinto. É mãe de Daniel, 22 anos, e Luzia, 9

“A música é o barulho que pensa” Victor Hugo (1802-1885), escritor e poeta francês

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TRIP EDITORA Processado em Fri Aug 13 00:57:02 2010 BLACK YELLOW MAGENTA CYAN

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Taciana Barros indica

10 CDs para ninar Crianças

1 The Melody At Night, With You Keith Jarrett, ECM 2 Amoroso/Brasil João Gilberto, WEA 3 Águas da Amazônia uakti e philip Glass, point Music 4 Beatles André Mehmari, MpBaby, MCd World Music 5 Urubu tom Jobim, WEA 6 Villa-Lobos para Crianças Vários, Acervo Funarte 7 My Funny Valentine Chet Baker, Blue Note 8 História de Pescadores dorival Caymmi, EMi/odeon 9 Cravo bem Temperado Bach, Ariola 10 Ballads Jonh Coltrane Quartet, impulse

ImagInação à solta Há cerca de dois anos, a artista francesa Sandrine Boulet passeava pelas ruas de Paris, onde mora, quando começou a “enxergar” coisas. Ela então teve a ideia de tirar fotos de cenas reais para depois, com ajuda do computador, inserir na imagem o que havia imaginado. Hoje, suas interferências aparecem em objetos como hidrantes, em paisagens, roupas e até nas fotos das filhas de 10 e 7 anos. Confira no site www.sandrine-estrade-boulet.com.

Fotos: Divulgação | Retrato colunista: acervo pessoal

Ritmo e consciência

Lançamento Este kit produzido pela ONG mineira Emcantar, que trabalha com arte e educação, traz dois CDs – um com canções e brincadeiras como “Corre Cutia” e outro com playbacks para todo mundo cantar junto. Mais: um DVD com brincadeiras populares encenadas pelos integrantes do grupo. Encomendas pelo e-mail contato@ emcantar.org.

Na Teca Oficina de Música, crianças a partir de 3 anos podem aprender a tocar ou construir um instrumento com material reciclado. “O objetivo é trabalhar a criatividade, a concentração e a capacidade de escutar o outro”, explica a musicista Teca Alencar de Brito, que fundou a escola há 24 anos e integra o Comitê Permanente do Movimento Latino-americano e Caribenho da Canção Infantil. De quebra, em cada último sábado do mês acontecem os encontros musicais, quando convidados como Barbatuques e Orquestra de Bandolins de São Paulo se apresentam para alunos, pais e convidados. Teca Oficina de Música, São Paulo. Tel. (11) 3064-2853, www.tecaoficinademusica.com.br.

TRIP EDITORA Processado em Fri Aug 13 00:57:02 2010 BLACK YELLOW MAGENTA CYAN

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playground

Comida benny novak, aos 5 anos

Sem frescura Tome noTa

Embalagens de suco e guloseimas são algumas das inspirações dos blocos de nota da Papelaria. No site www.designnmaniaa.com.br, os blocos Picolé de Groselha e Suco de Tuti Fruti saem por R$ 14 (cada).

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aventuras em sérIe Com uma vista incrível para a lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio de Janeiro, o parque da Catacumba oferece várias atividades para pais e filhos se exercitarem – e se divertirem. MUrO DE ESCALADA Com 7 metros de altura e três níveis diferentes de dificuldade. Para crianças a partir de 4 anos. ArVOrISMO A trilha com 120 metros de comprimento e nove obstáculos diferentes fica a 7 metros de altura. Há uma opção mais baixa, com 2 metros e 65 metros de comprimento. TIrOLESA Atravessa a parte baixa do parque. De brinde, o visual impressionante da mata e da lagoa. Idade mínima: 7 anos. rAPEL É praticado na pedra do Urubu, a 130 metros do nível do mar. Para chegar até a base, bastam 15 minutos de caminhada. LAGOA AVENTUrAS, Rio de Janeiro. Tel. (21) 4105-0079, www.lagoaaventuras.com.br.

Na minha casa, a alimentação é tão importante quanto a leitura de livros infantis, as brincadeiras e a escovação dos dentes. Em suma, é um tema que eu e minha mulher tocamos com seriedade, embora de uma maneira bem leve. Gostamos bastante de comer, principalmente em família, todos juntos, dando risadas, contando histórias. Desde que minha primeira filha, Sofia, nasceu, decidimos que ela experimentaria de tudo, sem frescura. Deu certo. Como gostamos de comidas variadas e não apenas do trivial, eles aprenderam também a valorizar a alimentação. É o caso, por exemplo, das rãs que sirvo em meu restaurante e que meus filhos pedem pra comer desde pequenos. Foi divertido o dia em que minha filha descobriu o que realmente era uma rã. Estávamos vendo um programa na TV e, quando apareceu o bicho, ela olhou pra mim na hora e perguntou: “É isso que eu como no ICI? Um sapo?”. E mesmo assim ela continua comendo com gosto. Hoje, meus quatro filhos também gostam de coisas como tabasco verde (mais leve que o vermelho), sopa de feijão com beterraba, salada de acelga e mariscos. Até os gêmeos André e Gabriel, com 1 ano e 4 meses, já comem de tudo: purê de mandioquinha, fígado de boi e geleia de mocotó. Tudo isso para dizer: criança gosta de novidade no prato, sim!

Pai de Sofia, 7 anos, Fernando, 5, e dos gêmeos André e Gabriel, 1 ano e 4 meses, o chef Benny Novak é dono do ICI Bistrô e de outros restaurantes em São Paulo

TRIP EDITORA Processado em Fri Aug 13 00:57:01 2010 BLACK YELLOW MAGENTA CYAN

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À moda do chef

Agradecimentos: Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br), Livraria da Vila (www.livrariadavila.com.br), ST2 Music (www.st2.com.br) | Fotos: divulgação | Retrato colunista: acervo pessoal

Touca (acima) e kit Petit-Chef com formas, avental e colher de pau da A de Aurélia, São Paulo. Tel. (11) 3061-2888, www.adeaurelia.com. br. Preço sob consulta.

Conversa de gente grande Com um catálogo que reúne clássicos do design assinados por gente como o casal Charles e Ray Eames, a loja MiCasa exibe também criações divertidas do espanhol Javier Mariscal como a casa de papelão Villa Julia, (acima, por R$ 1.192). Outro destaque é o Paradise Tree, cabideiro assinado pelo finlandês Oiva Toikka que reproduz os galhos de uma árvore. De aço galvanizado e polietileno, sai por R$ 3.120.

mão na massa

MiCAsA, São Paulo. Tel. (11) 3088-1238, www.micasa.com.br.

Com especialização no Institute of Culinary Education, de Nova York, a nutricionista e confeiteira Denise Haendchen ensina crianças a partir dos 3 anos a preparar receitas saudáveis nas oficinas que organiza no buffet Turma do Haroldo, em São Paulo. Tel. (11) 2528-5628. A nosso pedido ela indica três livros de culinária para iniciantes. 100 reCeiTAs PArA CriANçAs iNTeLigeNTes (Publifolha) – Pratos sem complicação para café da manhã, almoço, lanche, jantar e sobremesa. Inclui alternativas para quem tem restrição ou intolerância alimentar . PrATo do diA PArA CriANçAs (Editora Paz e Terra) – A chef Tiça Magalhães apresenta receitas de pães, bolos, sopas, molhos. As crianças curtem pratos como picolé de peixe e nuvem de abóbora. deLiCiosos e disFArçAdos (Ediouro) – A norte-americana Jessica Seinfeld (esposa do comediante Jerry Seinfeld) mostra como faz para seus filhos comerem alimentos saudáveis sem notar.

cafÉ da manhã veRde A marca tailandesa Plan Toys é conhecida pelo compromisso ambiental e pelo design inovador graças aos brinquedos feitos com tinta atóxica e madeira de seringueira – árvore que costuma ser cortada e queimada quando para de dar borracha por volta dos 25 anos de idade. Da fábrica abastecida com energia solar e de biomassa saem brinquedos como o Kit Breakfast (foto acima). Vale R$ 117,30, na loja Pindorama, em São Paulo. Tel. (11) 3032-7871, www.pindoramabrinquedos.com.br.

TRIP EDITORA Processado em Fri Aug 13 00:57:02 2010 BLACK YELLOW MAGENTA CYAN

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playground

surf no asfaLto Premiado no Good Toy Gold Award, na Inglaterra, o patinete Mini Micro tem três rodas e permite que crianças de 3 a 5 anos façam manobras com segurança. De acordo com o fabricante, a marca suíça Micro, a sensação é a de surfar no asfalto. Custa R$ 380, na Imaginarte Empório Lúdico, em São Paulo. Tel. (11) 3085-5346, www.imaginarteonline.com.br.

“Toda criança é um artista” Pablo Picasso (1881-1973), artista espanhol

aS palavraS e o mundo Este é o nome da exposição em cartaz no Sesc Pompeia, em São Paulo, até o dia 17 de outubro. A mostra ocupa parte de um galpão de cerca de 1.200 metros quadrados e explora as possibilidades da linguagem de maneira interativa. No Berçário do Abecedário, crianças de até 3 anos brincam com objetos que remetem às etapas do desenvolvimento da fala. Outra atividade divertida é a Pesca Palavras, instalada no lago do centro de convivência, que substitui os peixes por fichas de palavras.

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CoIsa de CIentIsta Projeto do laboratório de mídia do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), nos Estados Unidos, o Lifelong Kindergarten (http://llk.media. mit.edu/index.php) cria softwares para crianças. É o caso do Singing Fingers, aplicativo de iPhone, iPod e iPad (o computador portátil da Apple) que permite desenhar com os dedos na tela e, ao mesmo tempo, conectar figuras aos sons previamente gravados. Assim, se você faz um risco com o dedo enquanto grita, por exemplo, quando tocar o mesmo risco, o som será reproduzido. Dá para baixar de graça no http://itunes.apple.com.

Fotos : divulgação. | Retrato colunista: acervo pessoal

SESC POMPEIA, São Paulo. Tel. (11) 3871-7700, www.sescsp.org.br.

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Mundo digital maria ercilia, aos 7 anos

De carona Meu filho ainda não aprendeu a ler, mas já começa a empinar o nariz para as estantes de casa e fazer perguntas. Vejo que está a um passo de entrar numa outra dimensão, o mundo dele nunca mais vai ser o mesmo depois que começar a ler; revivo minhas memórias dessa época, da curiosidade que se acendeu e nunca mais se apagou, do cheiro dos livros velhos, o mistério que eles guardavam, a vontade de ler tudo o que tinha sido escrito neste mundo. E fico pensando como a viagem dele vai ser diferente da minha. Até ontem éramos homens das cavernas do conhecimento. O Brasil dos anos 1970 era a terra da Manchete, do Fantástico, da enciclopédia Barsa. Eu devorava isso tudo, mais os inacreditáveis best-sellers dos anos 1940 que meu avô me emprestava, e a coleção de Tarzan do meu tio... Tudo isso acabou tão rápido. Acordamos de repente num planeta do futuro em que palavras, sons e imagens jorram continuamente das telas abertas, feito um maná bíblico. Vejo meu filho brincando no computador, todo absorto, desvendando o abrir e fechar das telas. Estragadinho pelo YouTube, não entende por que os seriados da TV não passam na hora em que ele quer. Quase dá pra ver as luzinhas se acendendo na sua cabeça a cada descoberta, os pontinhos se conectando... eu, que comecei estes parágrafos saudosista, me encanto e vou junto... que delícia assistir um serzinho tão novo a passear nesse universo tão em explosão, e pegar carona nessa viagem...

Maria Ercília Galvão Bueno passou a infância com o nariz nos livros, os 20 enfiada num jornal e depois dos 30 se afundou na internet. É mãe de Theodoro, 4 anos

Cenas do Little Big Planet 2

a volta do saCkboy Little Big Planet, jogo de plataforma para Playstation 3 que permite personalizar o simpático boneco de pano Sackboy e criar diferentes fases que podem ser compartilhadas em uma comunidade on-line, ganhará uma nova versão. A previsão é que o game chegue às lojas norte-americanas no próximo mês de novembro.

Games + mitos Novo romance do escritor anglo-indiano Salman Rushdie, Luka e o Fogo da Vida inspira-se nos video-games e em mitologia arcaica para contar a história de um garoto que mergulha no jogo Mundo da Magia – espécie de versão literária de Wiis e Playstations – para salvar o pai moribundo. “Os games apresentam um modo muito novo de contar uma história”, disse o autor, fã dos jogos eletrônicos. O livro, que Rushdie dedicou ao filho Milan, 11 anos, acaba de sair no Brasil pela Companhia das Letras.

Clube virtual As crianças adoram brincar, jogar e fazer amigos pela internet. E isso tudo elas podem encontrar nos sites do Clube Lilica e do Clube Tigor, aberto a crianças de até 11 anos. Em Meu Clube/Minha Toca, os sócios criam grupos de amigos, escrevem diários e postam fotografias – essas informações são acessadas apenas pelos amigos virtuais. Nos clubes é também possível imprimir desenhos para colorir, além de baixar papéis de parede e protetores de tela com imagem da Lilica e do Tigor. Há várias opções de jogos, como de corrida, de dança e kung-fu, e nos blogs estão dicas de livros, filmes, videoclipes, passeios, brinquedos e promoções. Outra vantagem é enviar mensagens e sugestões para os personagens com direito à resposta da equipe Lilica e Tigor. Vai lá: clubelilicaripilica.com.br e clubetigorttigre.com.br

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playground

lição de casa

a atriz JULiANA ArAriPe e a filha, CALú, contam o que aPrenderam uma com a outra POR luciana Jardim RETRATO marcelo naddeo

A

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atriz paulistana Juliana Araripe, 32 anos, não abre mão da companhia da única filha, Calú, 5. “A gente sempre faz as refeições juntas e adora bater papo”, conta a mãe, que participou da série Mothern, do GNT, e atualmente está em cartaz em São Paulo com a peça Confissões das Mulheres de 30. De vez em quando, a menina fica no camarim brincando de massinha, desenhando e comendo pão de queijo enquanto Juliana se apresenta no palco. “Calú é tranquila e querida”, derretese. Graças a tantas afinidades, Juliana não titubeia ao contar o que de mais importante aprendeu com a filha: “Eu aprendi que dá tempo de fazer tudo. Dá tempo de trabalhar, de ser mãe, de ser mulher, de ser amiga. E também que, para estabelecer uma relação de confiança, é preciso sempre falar a verdade”. Decidida como a mãe, Calú emenda: “Com ela eu aprendi a amar!”.

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Cinema alê abreu, aos 5 anos

Fotos : divulgação. | Retrato colunista: acervo pessoal

De volta à sala escura

Cinema mexe com a gente. Não falo exatamente dos filmes, mas principalmente das nossas próprias histórias envolvendo a sala de cinema, embora muitas vezes seja difícil separar as duas coisas. Certa vez meu sobrinho, com 5 anos de idade, tomou um susto tão grande ao ver o trailer de A Noiva Cadáver que nunca mais quis voltar ao cinema. Eu, então, me encarreguei de reaproximá-lo da sala escura: compramos pipoca e começamos assistindo ao filme do lado de fora, através do vão da porta de entrada que ficava nos fundos da sala e de onde se podia enxergar uma pequena fatia da tela. Depois passamos para o interior da sala, bem encostados na porta. Daí até o seu assento reservado numa das fileiras da frente, junto da irmã, dos primos e dos pais, houve mais duas paradas estratégicas nos degraus do corredor “para acostumar”. Psicologia barata, pensei. Talvez eu estivesse aplicando nele a mesma ideia que teve meu pai quando me ensinou a gostar de queijo me oferecendo primeiro os furinhos para experimentar. Mas o que mais me marcou naquele dia foi a leveza e a alegria contagiantes com que meu sobrinho saiu no fim da sessão. Ele e o cinema tinham feito as pazes.

Alê Abreu é desenhista e cineasta de animação. Realizou diversos curtas e o longa infantil Garoto Cósmico

Agora em dvd thomas & friends – novas aventuras com thomas (st2 Vídeo) Quatro novos episódios da série inglesa. Em uma das aventuras, a locomotiva Thomas quer ir a uma festa à fantasia. Peixonauta – Volume 5 – mais um Caso resolvido (Paramount) Oito episódios estrelados pelo peixe misto de astronauta e agente secreto. A série, primeira totalmente concebida e produzida no Brasil, é dirigida por Célia Catunda e Kiko Mistrorigo.

vem aí A primeira parte de HArrY PoTTer e As reLíqUiAs dA MorTe, que encerra a série de J. K. Rowling no cinema, estreia aqui no dia 19 de novembro. O trailer do filme está disponível em harrypotter. warnerbros.com. Com estreia prevista para 2011, os sMUrFs – o FiLMe comemora o cinquentenário da série de animação belga. Saiba mais em www.smurfhappens.com.

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playground

Livros odilon moraes, aos 8 anos

Outra maneira Leitura experimental Criada no ano passado pelas amigas Pétula Lemos e Daniela Padilha, a editora Jujuba conta hoje com autores como Ana Terra e Ilan Brenman. Os livros podem ser comprados no site www.jujubaeditora.com.br, mas a partir de agosto estão nas livrarias de São Paulo. Da Índia, onde mora há poucos meses, Pétula falou por e-mail sobre a proposta da editora. Lilica&Tigor Por que vocís decidiram abrir a Jujuba? Pétula Para poder fazer livros que a gente acredita dentro de uma nova proposta de leitura: a do experimentar. Uma de nossas coleções é “Folia de Papel” [na foto acima, um dos títulos da série]: uma folha de papel impressa com uma história que pode acontecer da forma que a criança quiser sem precisar apertar botões ou acender luzinhas. Como a gente acredita também que o livro infantil é, acima de tudo, para a criança, decidimos não ter nas quatro capas dos livros aqueles textos mercadológicos ou politicamente corretos direcionados a professores e pais. Na Jujuba, todos os textos de capa não podem ter mais do que uma linha. L&T Como é o processo de trabalho de vocís? Vocí mora na Índia e daniela, a outra sócia, vive em são Paulo... Pétula A editora tem uma proposta de não ter espaço físico. Fazemos tudo pela internet: usamos skype, MSN e e-mail para falar com nossos autores, com a gráfica, com nossa distribuidora nos Estados Unidos e para nossas reuniões semanais. Basicamente funcionamos com home office na Índia e em São Paulo e as reuniões presenciais acontecem sempre em cafés ou livrarias. 22

Primeiro: nem todo livro sem palavras é um livro sem texto. Existem outras maneiras de narrar sem palavras. O gesto do mímico é um texto, embora efêmero. No livro, outra possibilidade de criar textos, escrever, é com imagens. A linha, a cor, a textura, o contraste, além de serem expressões plásticas, podem se configurar também como escrita. É só pensarmos que antes da escrita fonética (essa com a qual me comunico agora) o homem já se utilizou do desenho para se comunicar. O livro de imagens nos remete à experiência primitiva, ancestral de escrever antes da existência da palavra, ou prescindindo dela. Segundo: não é por não ter palavras que um livro de imagens se destina necessariamente ao público pré-alfabetizado, isto é, às crianças pequenas. Ler imagens, entender a narrativa que acontece num encadeamento de desenhos, exige uma habilidade específica, seja de uma criança, seja de um adulto. É preciso educar-se para ler imagens, como para ler palavras. Aliás, a literatura infantil tem cada vez mais se aberto a experiências narrativas nas quais a ilustração e a palavra contribuem igualmente na construção do texto. Ao lado, acima, dois exemplos da força narrativa do desenho: Zoom, de Istvan Banyai (Brinque-Book), e ida e Volta, de Juarez Machado (Agir).

Odilon Moraes, 44 anos, é escritor e ilustrador de títulos como A Princesinha Medrosa (2002) e Pedro e Lua (2004), ambos considerados melhor livro do ano pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. É pai de João, 4 anos, e Francisco, 1

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“Palavras nunca mudam de ideia” adriana Falcão, escritora e roteirista

imagem em ação ZooM, de istvan banyai, editora brinque-book

idA e VoLTA, de Juarez machado, editora agir

“Um dos livros de imagens mais famosos do mundo. A sequência de ilustrações, em vez de sugerir a passagem do tempo, altera o ponto de vista do leitor para vislumbrar a mesma cena. A compreensão da narrativa é transformada a cada página.”

“É considerado o precursor do gênero livro de imagens no Brasil. Conhecido como pintor e mímico (coincidência ou não?) nos anos 1970, Juarez Machado aqui se utiliza do desenho de pegadas para dar sentido à narrativa.”

Fotos : divulgação. | Retrato colunista: acervo pessoal

um olhaR PoP

menina maluquinha “Gosto muito dos livros da Estela: ela é maluquinha e tem um irmão menor, como eu. E os desenhos são lindos, bem coloridos” Beatriz Delfim, 5 anos

quando estela era muito, muito Pequena, de marie-Louise gay, Brinque-Book. A personagem acredita que as árvores falam e vê formigas nas páginas.

A arte contemporânea do norte-americano Keith Haring (1958-1990) analisada por meninos e meninas de 5 a 15 anos é o tema do livro Ah, se a Gente não Precisasse Dormir!, lançado pela Cosac Naify. Aqui, os trabalhos mais representativos do artista pop, ícone da cultura underground da década de 1980, ganham interpretações inusitadas aos olhos de crianças e adolescentes, que constroem suas próprias narrativas baseadas nas obras de arte. Em cada imagem há um texto explicativo e perguntas para os leitores, estimulando a reflexão. A edição brasileira apresenta uma reportagem sobre Haring e sua relação com o Brasil, país que visitou várias vezes. Em tempo: quem assina a quarta capa é a dupla de grafiteiros osgemeos.

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Estilo clarice reichstul, aos 5 anos

com cheirinho fresco e adocicado, o perfume pink Melon (r$ 89,90) é uma das novidades da coleção de verão da lilica ripilica e chega em setembro às lojas franqueadas e multimarcas de todo o Brasil. inspirada no mundo alegre e divertido da marca, a fragrância desenvolvida para meninas de 5 a 12 anos combina notas frutadas, como laranja e melancia, e florais, caso do jasmim e do gerânio, além de musk, vanilla, cedro e caramelo sândalo. outros lançamentos da lilica para a próxima estação são dois modelos de gloss com glitter e um brilho labial nos sabores morango (shiny red), uva (fantastic Purple) e melancia (fresh Pink) – as bisnagas e roll-on valem r$ 14,90 cada uma. Para completar a linha de beleza, o xampu e o condicionador Pink Bubbles (r$ 24,90 cada um; exclusivos das lojas franquedas) têm esferas de manteiga de karité que se desmancham durante o banho para garantir hidratação, maciez e brilho aos cabelos.

Múltipla escolha Dois clientes Das marcas LiLica RipiLica e TigoR T. TigRe elegem seus itens favoritos Da coleção De verão

carol Quintanilha

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Davi costa dos Santos, 7 anos, veste calça (r$ 139,90) e camisa (r$ 109,90).

Beatriz Ferraz Monteiro, 4 anos, gostou do vestido (r$ 229,90).

Liberdade de vestir

Quando descobri que estava grávida, demorou um pouco para cair a ficha. É que no começo as mudanças no corpo não são muito visíveis e eu tive um início de gravidez bem tranquilo. Só fui perceber que tinha que fazer um certo enxoval para o meu filho no fim do oitavo mês. Nessa hora, acabei comprando o que faltava um pouco na correria, um tanto sem olhar, dando preferência a roupas lisas, sem estampa localizada e, quando possível, em cores menos banais. com o nascimento de Benjamim fui ficando mais interessada na moda infantil. eu me perguntava, por exemplo, por que é que não tem roupinha de bebê preta. Sério! Você já se fez essa pergunta? os bebês ficam lindos de preto, contrasta com a pele fina e clarinha, uma graça. encontrei poucas as peças pretas, mas todas as vezes que ele usava, ficava um charme. Fui ficando menos gótica com o passar dos meses, mas segui um padrão, ou melhor, uma ideia, que ainda sigo: procuro desconjuntar tudo, misturar cores, estampas e estilos. as crianças têm uma liberdade que a gente esquece ou não percebe, elas podem experimentar todas as cores, todas as estampas sem se preocupar com o que é certo e errado, com o que é apropriado ou não.

clarice Reichstul é produtora de programas para tv, assina a coluna de moda no blog minas de ouro e é mãe de Benjamim, 2 anos

fotos : divulgação. | retrato colunista: acervo pessoal

Que beleza!

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Menos é mais PASSARELAS E FAMOSAS CONFIRMAM O QUE VAI ESTAR EM ALTA NA PRóxIMA TEMPORADA DE VERãO

mInImalIsmo

A moda está de volta ao básico com itens de modelagem seca e tecidos lisos. Aqui, a década de 1960 e as formas geométricas surgem como principais referências

Maria Bonita Gisele Bündchen

transparênCIa

Fotos : divulgação. | Retrato colunista: acervo pessoal

Alexandre Herchcovitch

“No mar de desejos da temporada, o que está em jogo é uma certa provocação de olhares. O prazer de mostrar a própria pele e imaginar como os olhos alheios vão se deliciar com a imagem”

Liv Tyler O verão é transparente, fluido e, acima de tudo, muito sexy. Rendas e recortes colocam o corpo em evidência com elegância e sofisticação

Cavalera

Osklen

Vivian Whiteman, editora de moda da folha de s.paulo, na revista serafina

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moda

ILUSTRAÇÃO Maria Valentina fOTOS eduardo delfiM

Vestido e colete bebê R$ 159,90

Vestido de jacquard R$ 159,90

Blusa R$ 119,90 Vestido meia malha R$ 99,90 Rádio retrô H Presentes R$ 140

Almofada Hits Kids´n Teens R$ 217,60

Mala dobrável Panacéia R$ 280

Dupla dinâmica

Azul e vermelho vêm com tudo na estação do calor. Aqui, a dobradinha surge em itens de malha, cambraia e jacquard. 26

Produção Paulo Lagreca e Sabrina Kauffmann | Atelier Panacéia (www.atelierpanaceia.com.br) | H Presentes (www.agapresentes.com.br) | Hits Kids´n Teens (www.hitskidsnteens.com.br)

Vestido de cambraia R$ 139,90

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Passe o protetor e deixe apenas uma área seca para colar o peixinho. Quando o adesivo mudar de cor, troque o peixinho e proteja-se do sol.

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Ensina o seu filho a se proteger do sol. Sensor Solar – a novidade do verão. Adesivos que mudam de cor conforme a exposição aos raios UVB. Bloqueadores com o exclusivo sistema Fullprotection™ – proteção de longa duração* contra os raios UVA e UVB, resistentes à água. Gel pós-sol para uma pele hidratada e fresquinha.

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moda

Regata R$ 39,90

Blusa de tricô R$ 144,90 Camisa polo R$ 89,90

Saia bebê R$ 79,90

Sapatilha R$ 119,90

Camisa bebê R$ 74,90

Moringa de porcelana Rachel Hoshino R$ 74,90

Equilíbrio perfeito Clássico que nunca sai de moda, as listras funcionam como coringa e ajudam a compor looks divertidos com outras estampas

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Camisa polo bebê R$ 66,90

Produção Paulo Lagreca e Sabrina Kauffmann | Portfolio (11) 3034 4275 | Rachel Hoshino (http://www.hoshino.com.br)

Pasta R$ 46,00 na Portfolio

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moda

Boina bebê R$ 49,90

Body bebê R$ 36,90 Kit babador com 2 peças R$ 42,90

Camisa bebê R$ 79,90

Camisa R$ 99,90 Livro O Florista e a Gata R$ 35 na Livraria da Vila Peso de porta R$ 95 na Coisas da Dóris

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Bloco de notas R$ 28 na Portfolio

Camisa R$ 109,90

Produção Paulo Lagreca e Sabrina Kauffmann | Coisas da Dóris (www.coisasdadoris.com.br) | Livraria da Vila (www.livrariadavila.com.br) | Portfolio (11) 3034-4275

Bermuda R$ 119,90

Xeque-mate É tempo de xadrez. A estampa surge em peças e padronagens divertidas que vão do parque à festa sem fazer feio. Aproveite: é tempo de brincar!

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Tiara com laço R$ 23,90

Almofada Pic Nic Preço sob consulta Sapatilha bebê R$ 109,90

Sandália de couro bebê R$ 114,90

Ladrilhos Flávia del Prá de R$ 15 a R$ 25

Tênis R$ 144,90

Produção Paulo Lagreca e Sabrina Kauffmann | Flavia del Prá (www.flaviadelpra.com.br) | Mundaréu (www.mundareu.org.br) | Pic Nic (www.picnicdecor.com.ar)

moda

Boneca Mundaréu R$ 65

Jogo de amarelinha O tom do verão colore os acessórios da temporada. Para as meninas, sapatilhas e sandálias de couro. Tiaras arrematam o look. Confortável, o tênis não sai dos pés dos meninos

Sapatilha R$ 134,90

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rosacha.com.br

SUMMER 2011

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COMING SOON


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decoração

A vida em movimento

Parede de escalada na sala. um submarino amarelo no quarto das crianças. ideias assim fazem deste aPartamento Paulistano quase um Parque de diversÕes por luciana jardim fotos caio vilela

Na foto maior, Artur escala os suportes instalados pela Vertical Indoor (www. verticalindoor. com.br). À esquerda, o garoto no quarto que divide com os irmãos, Tomás (na foto) e Martin 34

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D

iversão é o mote deste apê em São Paulo, onde moram a jornalista Ana Busch e o fotógrafo Caio Vilela com os filhos, Tomás, 6 anos, e os gêmeos Artur e Martin, 4. Repleto de curiosidades e surpresas, o espaço de 260 metros quadrados retrata, antes de tudo, o estilo de vida de uma família que gosta de movimento – Caio já visitou mais de 70 países e junto com Ana compilou fotos e experiências de viagens, com ou sem os filhos, no livro Um Mundo de Criança (Panda Books). Não por acaso, a necessidade dos garotos de brincar, pular e correr pautou as escolhas da decoração, a exemplo da parede de escalada com suportes coloridos na sala de estar. No quarto dos irmãos, um submarino amarelo pintado na parede traz nas escotilhas os rostos de Tomás, Martin e Artur. “Para completar o quarteto e ocupar uma das janelinhas, eles elegeram Pablo, da série Backyardigans”, conta o pai. Conheça a seguir outras ideias divertidas deste apartamento de alma pop.

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decoração

1 1 A sala é livre de itens como luminária de piso e mesa de centro para não atrapalhar a circulação. O pufe vermelho e o tapete de borracha evitam que as crianças se machuquem

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3

2 Os gêmeos, Martin (à esquerda) e Artur, brincam em um

canto da sala – o banco de madeira que apoia o computador portátil também funciona como baú. A parede ao fundo foi pintada na cor favorita da dona da casa

3 No lugar de estante, os nichos abrigam livros, aparelho de

som e toca-discos, além do aquário decorado com mobília de plástico. As aberturas ovaladas reforçam o clima retrô da casa

4 A partir da esquerda, Artur, Ana, Tomás, Martin e Caio na

sala do apê onde moram no bairro paulistano da Vila Madalena. O desenho da parede é inspirado no movimento da op art

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5 Artur se diverte com a coleção de bonecos no banheiro. Pôsteres com fotos de crianças clicadas por Caio em vários lugares do mundo enfeitam as paredes

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ENQUETE

O que

você faz pelo

planeta? CinCo Crianças Contam Como zelam pelo futuro da terra Com atitudes simples e sustentáveis por Liana Mazer fotos nino andrés

Cecília Zamboti Pessoa, 6 anos

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“ Como na minha casa a água demora a esquentar, coloco uma bacia embaixo do chuveiro para depois molhar as plantas.”

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Bárbara Pires de Lima, 7 anos

Agradecimentos: Livraria da Vila (www.livrariadavila.com.br)

“Não jogo papel na rua para não entupir os bueiros e provocar enchentes. E sempre trato as plantas com carinho.”

Guilherme Pereira Bolzan, 9 anos “ Se vejo a torneira pingando, fecho na mesma hora. Se o problema continuar, peço para minha mãe chamar o encanador.”

Aurora Vinci de Moraes, 8 anos “ No dia do lanche sem lixo, que acontece uma vez por semana na minha escola, não levo nenhum alimento em embalagem descartável.”

Tom Himmelstein Altman, 5 anos “Salvei uma aranha com a ajuda de seu Wilson, que trabalha na minha escola. Ela estava caída no chão e colocamos o bichinho de volta na árvore.”

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conexões

minha

turma

marina, 9 anoS

“Sou parecida com minha mãe e com meu pai”

Por luciana jardim fotos victor affaro

Julia, Anna, Daniela e as irmãs gêmeas Marina e Luiza se conheceram aos 2 anos em uma escola paulistana. Hoje, estudam na mesma classe, no 4º ano, e formam uma turma de meninas bastante unida, que compartilha várias afinidades, mas tem lá suas diferenças. Laura, 5, e Nicolas, 2, são irmãos de Julia e, de certa maneira, os mascotes dessa turma animada. Ao lado, conheça as relações entre as amigas e alguns gostos semelhantes.

laura, 5 anoS

“Adoro sorvete de framboesa”

“Faço natação, balé e francês” Fotos: Victor Affaro

luiza, 9 anos

relações

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Já dormiu na casa São irmãos Já foi à casa de campo Já brigou

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daniela, 9 anoS

“Prefiro brincar de pega-pega” anna, 9 anoS

“Gosto de berinjela à parmegiana”

julia, 9 anoS

nicolas, 2 anoS

“Tenho medo de tarântula”

afinidades Livro Querido Diário otário Gosta de cantar Gosta de dançar Gosta de sorvete de chocolate

natação Brinca de pega-pega Conhece o zoológico Gosta de cheesebúrguer

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conexões

cristina, mãe de Luiza e Marina

Unidas pelas filhas Ao levar as filhas na casa de uma amiga aqui, de outra ali, logo se estabeleceu o contato entre Cristina, Andrea, Carolina e Eliana. Com o tempo, elas descobriram diversos assuntos em comum e, assim, nasceu também uma amizade. Hoje, elas gostam de se reunir para saborear um bom vinho e, claro, conversar sobre as meninas.

andrea, mãe de Julia, Laura e nicolas

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carolina, mãe de anna

eliana, mãe de Daniela

relações

afinidades Já recebeu para jantar Revezam-se na carona Já foi à casa de campo

Gosta de Woody allen Gosta de salada Gosta de dançar Gosta de beber vinho

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viagem

Paris

Mães que fizeraM prograMas incríveis coM as crianças na capital francesa abreM seus álbuns e anotações

para brincar lá fora Por liana Mazer

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e Paris não se encaixa de primeira na lista dos destinos mais desejados pelas crianças, a culpa não é dela. Não que tenha o mesmo apelo de, digamos, Orlando e seus parques incríveis, mas, convenhamos, nem tudo é montanha-russa e toboágua no imaginário infantil quando o assunto é viagem. Assim como os filhos têm o poder de transformar a Disney em um lugar legal para os adultos, os pais também podem fazer o mesmo com as crianças ao planejar uma viagem para uma cidade como Paris. A publicitária carioca Anna Paula Pomarico, por exemplo, não pensou só nos passeios mais bacanas para fazer com o filho, Gabriel, 2 anos e meio: ela foi atrás de um voo direto que minimizasse ao máximo as inconveniências e longas esperas em aeroportos. A fotógrafa Bebete Viégas e o marido, Guga, que viajaram com o filho, João, 5 anos, se organizaram para neutralizar as inevitáveis filas das principais atrações de Paris: compraram ainda em São Paulo as entradas para a Torre

Julia numa das caixas de areia da place des Vosges

Eiffel e o Paris Museum Pass, que permite visitar 60 museus. A diretora de arte Vanina Batista, de São Paulo, tomou todos os cuidados na escolha de destinos que agradassem tanto ela quanto a filha, Julia, 5 anos: como Bebete e Anna Paula, negociou os passeios com cuidado, evitando, em locais históricos, a solenidade e a pompa cultural. Com a ajuda básica de guias como Paris com as Crianças (Publifolha), passaram dias divertidíssimos, ajudando a desfazer a impressão de que cidades assim não têm nada para fazer. Sentiu vontade de também se aventurar com seus filhos em francês? Dê uma espiada nos álbuns de viagem de Bebete, Vanina e Anna Paula.

Julia descobriu novas atrações na place des Vosges

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Piquenique no Palácio Ir ao palácio de Versalhes pode virar uma visita solene ou uma brincadeira de faz de conta. “No trem de Paris a Versalhes, comecei a preparar o clima, disse à Juju que íamos visitar a casa de um rei e de uma rainha”, conta Vanina. “Só foi difícil explicar depois por que não tinha nenhuma princesa lá.” Além do passeio, Julia gostou também do piquenique que fizeram nos lendários jardins do palácio. www.chateauversailles.fr

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Paisagem vista do barco Outro ponto alto da viagem, para Julia, foi passear de barco pelo rio Sena. “É uma delícia ver a cidade sem precisar andar”, diz Vanina. Os barcos saem da Torre Eiffel ou da catedral de Notre-Dame a cada 40 minutos. Menores de 3 anos não pagam ingresso. www.bateauxparisiens.com

No carrossel das Tulherias

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a cidade dos Parques Quem viaja com filhos pequenos acaba descobrindo que Paris, quem diria, é a cidade dos playgrounds. O da place des Vosges, no bairro de Marais, era um dos preferidos de Julia. “Lá todo mundo senta no gramado e as crianças brincam em dois tanques de areia”, diz Vanina. Outra opção é o Jardim das Tulherias, com carrossel e roda-gigante.

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No tour de barco pelo rio Sena

Antes de embarcar Julia com a mãe, Vanina, em Versalhes

para comprar seus ingressos antecipadamente utilize os sites www.parismuseumpass.com e www.tour-eiffel.fr

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viagem

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No parque La Villette, Gabriel brincou com a ciência

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um trote no jardim

No jardim de Luxemburgo

O jardim de Luxemburgo, que circunda o senado francês, tem passeios de pônei, um playground enorme e teatro de marionetes. “Foi um dos lugares que o Gabriel mais curtiu”, diz Anna. “O espetáculo é bem-feito e as crianças adoram, mesmo sem entender as falas.”

Anna Paula, Gabriel e André

Na Mala “No verão faz muito calor: boné e protetor solar são indispensáveis”

museu de motor

bebete viégas

Outra dica de Anna é a Cidade das Crianças, localizada no parque La Villette, dentro da Cidade das Ciências e da Indústria. “É perfeito para um dia de frio”, diz. O lugar reúne dois ambientes – um para crianças de 3 a 5 anos e outro para os maiores, entre 6 e 12. As estações explicam temas como o desenvolvimento do motor e as diferenças entre os animais.

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“Como o tempo em Paris é instável, não esqueça da capa de chuva e de camisetas de manga comprida” anna paula pomarico

Na Cidade das Ciências e da Indústria

“Leve uma bolsa para guardar lembranças dos lugares, como cartões, mapas, ingressos, além de um tênis confortável para caminhadas” vanina batista

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João se esbaldou nas fontes do parque Citroën

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esguichos e balão O parque André Citroën tem uma praça com fontes de água que esguicham do chão. “As crianças ficam loucas, correm sem parar no meio da água”, conta Bebete. “Como não tínhamos levado sunga, o João brincou de cueca mesmo.” Além das fontes, o parque tem playground, mesas de pingue-pongue e jardins, mas a principal atração é um balão preso ao chão, que sobe aproximadamente 150 metros de altura. “A vista de Paris lá de cima é incrível!”, conta Bebete.

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No parque Citroën

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Bebete, João e Guga

bichos, Plantas e esqueletos “O museu de História Natural de Paris é cheio de surpresas”, descreve Bebete. Uma de suas atrações é a Grande Galeria da Evolução, com 3 mil espécies de animais e um incrível esqueleto de baleia-branca. Outra é o Jardin des Plantes, o jardim botânico de Paris. Dentro dele fica o zoológico da cidade, o Ménagerie, o mais antigo do mundo, criado em 1794.

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João no zoológico, dentro do jardim botânico

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moda

Conto

fadas de

Tons suaves e esTampas delicadas inspiram o figurino das princesas conTemporâneas. os vesTidos ganham laços e babados para uma ocasião especial

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fotos debby gram

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Vestido r$ 229,90 e sapatilha r$ 119,90

styling letícia toniazzo

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Vestido r$ 139,90, sapatilha r$ 119,90 e faixa de cabelo r$ 39,90

Corporação de Ofícios (11 5531 0219), Entreposto (www.entreposto.com.br), L’Atelier Design Tapeçaria e Movelaria (www.cadeirasecadeiras.com.br), Os Quindins (www.osquindins.com.br), Panacéia (www.atelierpanaceia.com.br), Santa Paciência (11 38149188), Secrets de Famille (www.secretsdefamille.com.br)

Hair e make up: Jô Castro (Capa MGT) | Produção de objeto: Cynthia Gyuru | Tratamento de imagem: Jujuba Digital | Modelos: Beatriz Comitre (Dois Tons), Karine Vieira (agência Totem), Mariana Sanches (agência Vogue) e Pietro Possagno (Fifi Kids) | Agradecimentos: Blue Gardenia (www.bluegardenia.com.br),

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moda

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Vestido r$ 219,90. Pijama r$ 46,90

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moda

Vestido r$ 219,90, bolero r$ 169,90 e faixa de cabelo r$ 39,90. camisete r$ 94,90 e calรงa r$ 169,90. Pijama r$ 46,90 52

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camisa r$ 124,90

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Vestido r$ 169,90, sandรกlia r$ 114,90 e faixa de cabelo r$ 39,90

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moda

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camisa r$ 124,90, calรงa r$ 109,90 e sapatilha r$ 119,90

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casa & cia

alguns preferem disciplina, outros são mais informais. não importa. todo mundo que tem muitos filhos inventa um jeito de lidar com o dia a dia Por Luciana Mattiussi Fotos caroL sachs

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acima, o casal de DJs iggor cavalera e Laima Leyton com os cinco filhos: videogame e liberdade de horários

história dos DJs Iggor Cavalera e Laima Leyton renderia o roteiro de uma comédia romântica. Quando se conheceram, os dois haviam acabado de se separar e a identificação foi imediata, mas ainda faltava a aprovação dos filhos de cada um – Iggor é pai de Joanna, 14, Raíssa, 10, e Ícaro, 8; Laima é mãe de Pedro, 12. Resolveram então marcar um encontro entre todos num parque no Guarujá, litoral paulista. A ideia deu certo: o casamento dura seis anos e o casal acrescentou à trupe o caçula Antonio, 4. A família vive junta, mas não em tempo integral. Laima explica: “Todo mundo mora e não mora. Inclusive a gente, que viaja muito. Aqui é uma base e a divisão não é muito regrada. Eles vêm pra cá quando querem. Quando Iggor e eu viajamos, é hora de irem para as casas dos outros pais. Mas fazemos esforço para que todos fiquem aqui quando estamos na cidade”. Ao contrário dos Cavalera, a família Guterman sempre buscou planejar cada detalhe. Desde a época de namoro, a professora Conceição e o engenheiro Marcelo

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casa & cia

Família Cavalera:

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trocaraM

carros por uma minivan coM sete lugares

vivem em um apartamento de quartos. um é dividido entre os dois filhos mais velhos, e o outro entre os mais novos

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Família arruda os horários são rígiDos. Nas Férias, BruNo, 10, aNdré, 8, Marcela, 6, e FerNaNda, 3, segueM uMa taBela de tareFas coMo a de uM acaMPaMeNto 60

por seMana são LavaDos

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kg de rouPa

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sonhavam em ter muitos filhos. Hoje são pais de sete: Mariana, 19, Ivo, 17, Álvaro, 15, Maria Isabel, 13, João Paulo, 10, Maria Ester, 7, e Carlos José, 5. “Acho que, com mais gente em casa, é mais fácil educar, impor limites”, defende Conceição, que abandonou a profissão depois do quarto filho para cuidar exclusivamente da prole. Com exceção da primogênita, que está passando uma temporada nos Estados Unidos, a família mora toda em um apartamento de três suítes. Como são mais numerosos, os meninos ficaram com o que seria a suíte do casal e ganharam um beliche duplo projetado com ajuda de uma decoradora. Para a casa não ficar cheia o tempo todo, os irmãos se revezam por lá durante o dia. Os mais velhos vão para a escola de manhã e os mais novos, à tarde. “Cada um se responsabiliza por suas coisas e temos uma tabelinha com o dia de cada um lavar a louça. Eu lavo nos fins de semana”, conta Marcelo. sem bagunça

a partir da esquerda, Marcela, elaine, Fernanda, andré, Mauro e Bruno (atrás). “eles têm hora para acordar, comer e tomar banho”, diz a mãe

por Mês são consuMiDos

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litros de leite

Para manter a ordem em casa, a solução do publicitário Mauro Arruda e da engenheira Elaine Conchon, pais de quatro crianças, foi estabelecer horários para diferentes tarefas. E enquanto estão trabalhando contam com a ajuda de duas empregadas domésticas. “Somos bem rígidos com isso, pois é muita gente. Eles têm hora para acordar, comer e tomar banho; assim funciona superbem”, ressalta Elaine. Nas férias em casa, Bruno, 10 anos, André, 8, Marcela, 6, e Fernanda, 3, seguem uma tabela de tarefas como a de um acampamento. O café da manhã é servido das nove às dez horas. Até às 12h30, hora do almoço, eles podem assistir televisão, ficar no computador ou jogar videogame. Das 13 às 16 horas, os quatro escolhem se querem jogar, brincar ou descansar. “Até as 18h30, eles leem e estudam música no estúdio aqui de casa”, explica Elaine. O jantar

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casa & cia

Família Guterman por Mês, consoMeM

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kg de arroz

é servido às 19h30. Às 22 horas, todos devem ir para a cama. “Assim, com regras definidas, o cotidiano flui bem na casa”, diz a mãe. Mais liberais, Iggor e Laima não impõem tantas regras em relação aos horários, principalmente para as crianças dormirem. Sempre que possível elas também acompanham os pais em seus shows. “Nas férias, a gente libera 100% o horário de dormir, até porque quando estão em aula eles mesmos se organizam. A gente fica trabalhando na sala e eles vão para o quarto, pois sabem que no outro dia têm que acordar”, observa Iggor. Quando o assunto é refeição, entretanto, as três famílias se parecem. As crianças e os adolescentes comem o que está na mesa. “Eles não participam do cardápio, senão vira bagunça e cada um vai querer uma coisa diferente”, explica Elaine. E Conceição ressalta que, na hora de sair, também não é possível ser muito democrático. “Já tentamos perguntar aonde eles queriam ir no fim de semana, mas não dá certo. Então somos nós que escolhemos”, estabelece. na estrada

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Na casa dos Guterman, as saídas em conjunto não acontecem com frequência, principalmente pela diferença de idade dos irmãos, mas as viagens em família para destinos como Foz do Iguaçu e Rio de Janeiro continuam sagradas e precisam de planejamento. Detalhe: para transportar os filhos na estrada e na cidade, o casal comprou uma van – que Conceição aprendeu a dirigir grávida do quinto filho. Antes de partir, o pai elabora a programação para as férias dentro do que ele chama de POV (Plano de Ocupação do Veículo). “O POV determina onde cada um irá sentar nas etapas do percurso e evita aquela briga: ‘Agora é minha vez de ficar na janela!’”, diverte-se Marcelo.

a família guterman e a van com que andam em são paulo e também viajam para destinos como rio de Janeiro e Foz do iguaçu

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o casal cedeu a suíte mais espaçosa do apartamento para os quatro filhos e dorme em um quarto menor a caDa reFeição é serviDo

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kg De carne

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moda

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i e q piquenique e p n u q i u sem formiga

Listras, xadrez, fLoraL. a combinação esperta de estampas coLore as aventuras de um grupo de amigos em um dia de soL no parque

fotos debby gram

styling LetÍcia toniazzo

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(Fundação Aron Birmann), D. Filipa locação de material para festas (www.dfilipa.com.br), Paola Abiko (www.paolaabiko.com.br), Parangolé Festas (www.parangole.art.br) e Wondercakes Cupcakes (www.wondercakes.com.br)

Hair e make up: Jô Castro (Capa MGT) | Tratamento de imagem: Jujuba Digital | Modelos: Amanda Furtado (Fifi Kids), Cecília Toledo (Styllus Model), Dannyel Parede (Fifi Kids), Guilherme Prado (agência Vogue), Karine Vieira (agência Totem) | Agradecimentos: Parque Burle Marx

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moda

Da esquerda para direita: calça R$ 139,90 e camiseta listrada R$ 79,90. Camisa R$ 99,90, bermuda R$ 189,90 (conjunto) e sandália R$ 124,90. Blusa R$ 44,90 e short R$ 114,90. Regata R$ 59,90, macacão R$ 159,90 e sapatilha R$ 124,90

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Camisa R$ 94,90, regata R$ 39,90 e short R$ 114,90

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moda

Camisa polo R$ 94,90, camiseta R$ 39,90, calça R$ 99,90 e tênis R$ 134,90. Camisa R$ 109,90, camiseta R$ 59,90, calça R$ 139,90 e tênis R$ 144,90

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Vestido R$ 114,90 e sandรกlia R$ 119,90. Camisa polo R$ 89,90, cinto (acompanha pulseira) R$ 54,90, calรงa R$ 179,90 e sandรกlia R$ 129,90

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moda

Vestido de jacquard R$ 159,90

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Regata R$ 59,90, macacรฃo R$ 159,90 e sapatilha R$ 124,90

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moda

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Blusa R$ 144,90 e calรงa R$ 49,90. Camisa R$ 109,90 e bermuda R$ 129,90

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moda

Vestido R$ 139,90 e meiacalça legging R$ 42,90

Camisa R$ 109,90 e bermuda R$ 129,90. Camisa R$ 99,90, camiseta R$ 166,90 (conjunto), calça R$ 139,90 e tênis R$ 134,90

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Vestido R$ 99,90 e sandรกlia R$ 109,90

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moda

Blusa R$ 69,90, calรงa R$ 179,90 e sandรกlia R$ 134,90. Blusa R$ 144,90, cinto (acompanha pulseira) R$ 54,90, calรงa R$ 136,90 e sandรกlia R$ 109,90

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moda

Camisa R$ 104,90, calça R$ 139,90 e tênis R$ 134,90. sobreposição de camisetas R$ 39,90 e R$ 79,90, bermuda R$ 119,90 e sandália R$ 124,90

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Camisa R$ 94,90, short R$ 129,90, meia-calรงa legging R$ 42,90, sandรกlia R$ 114,90 e mochilas R$ 129,90 cada uma

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esporte Por Simone Raitzik, do rio de janeiro

Fotos DaRyan DoRnelleS/fotonauta

nem tudo é o pra lÁ pra cÁ da natação quando o assunto é esporte aquÁtico. pode ser mais divertido, pode ter muito mais adrenalina

Um por todos, todos por Um

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Quatro irmãos, com idades entre 3 e 12 anos, remam em ritmo cadenciado e fazem avançar a canoa de fibra de vidro pela baía de Guanabara, aos pés do Pão de Açúcar. Sob a supervisão do pai, o biólogo e ambientalista francês Nicolas Bourlon, eles praticam uma modalidade esportiva chamada canoa polinésia. “Conheci esse esporte na adolescência, quando morei no Havaí”, conta Nicolas, diretor do Rio Va’a Clube (va’a é o nome da canoa na Polinésia), entidade que fundou em 2000. Tradicional na Polinésia, esse esporte incentiva o trabalho em equipe e a disciplina e pode utilizar canoas de um, dois, quatro, seis e 12 lugares. “As culturas indonésia e polinésia dão muita ênfase às crianças, e canoa é um importante meio de transporte nesses lugares”, explica. Os filhos mais velhos, do primeiro casamento,

herdaram o gosto de Nicolas pelo remo. “Em 2001, Thomas tinha 3 anos e Leon, 1, e saíam para dar umas voltas comigo”, lembra. “Em 2004 começaram a participar de competições.” Os caçulas Luca Moana (oceano, em taitiano), 5 anos, e Sofia Marie, 3, filhos de seu segundo casamento, com a fotógrafa e artista plástica Fábia Schnoor, também entraram na brincadeira. “Os dois praticamente nasceram dentro de uma canoa”, constata Nicolas. “A gente vê muito peixe e aprende a domar as ondas”, diz Luca. O QUE MAIS de acordo com nicolas Bourlon, crianáas a partir de 4 anos podem comeáar a praticar a modalidade, sempre de colete e sob a supervisão de um adulto. “mas é por volta dos 8 anos que elas passam a interagir melhor com o esporte”, diz. saiba mais no site www.riovaa.com

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os irmãos thomas, leon, luca moana e sofia marie com os pais singram a baía de Guanabara na canoa polinésia

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esporte

vento e golfinhos

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conforme o sabor do vento, sempre acompanhado pelo instrutor, que navega num bote inflável. “A vela me deixou mais concentrado, pois preciso prestar atenção no vento para não me machucar”, constata. Apesar de focado em todos os detalhes do barco, ele também tem olhos para descobrir maravilhas em meio à bela, mas poluída, baía de Guanabara. “A gente ainda encontra muitos golfinhos por lá”, revela.

“no nível básico, dois alunos dividem o mesmo barco e se revezam nas atividades”, explica a professora de Gabriel, cinthia Knoth. “Já no avançado, a criança faz tudo sozinha: precisa cuidar do leme e da vela simultaneamente.” na escola c&l (www.clvela.com.br), o pacote com quatro aulas sai por r$ 195. saiba mais sobre o esporte no site da confederação Brasileira de vela e motor (www.cbwm.com.br)

Produção: ana Hora e assistente Marcela trotte

velejar é o esporte preferido de Gabriel mello (acima, com a mãe, daniela). “a gente ainda encontra muitos golfinhos na baía de Guanabara”, conta

Sempre disposto a andar de skate, surfar e nadar em mar aberto com o avô materno na praia de Ipanema, Gabriel Mello é um esportista nato. Entre tantas possibilidades, contudo, o garoto de 9 anos não esconde a predileção por conduzir um barco a vela na baía de Guanabara ou no sul da Bahia, para onde viaja frequentemente com a família. “Adoro a sensação de liberdade e do vento batendo no rosto quando estou velejando”, conta Gabriel, que aprendeu a prática com a mãe, a advogada Daniela Mello. Na escola C&L, onde está matriculado desde o ano passado, Gabriel já concluiu dois níveis básicos e o avançado da classe Optmist, voltado para crianças a partir de 7 anos. Durante as aulas, que acontecem na Marina da Glória, aprendeu a fazer diferentes tipos de nós, conduzir o leme, regular a vela e manobrar o barco

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de filho para pai Geralmente é o pai que influencia o filho na escolha de um esporte. Mas na história de Antônio José Marinho, 7 anos, foi o contrário: começou às vésperas do Natal de 2007, quando ele entregou à avó paterna, Madalena, uma carta para Papai Noel. O menino queria ganhar uma prancha de surf, desejo inusitado numa família como a dele, que jamais tivera, até então, um aficionado pelas ondas. “Vi alguns surfistas na internet e fiquei curioso para saber o que era aquilo”, lembra Antônio. Com o presente em mãos, Antônio, na época com 5 anos, começou a tomar aulas particulares na praia do Arpoador, em Ipanema, com o surfista Roberto Montilho, o Mér. A desenvoltura do garoto sobre as ondas logo contagiou o pai, o advogado Marlan Marinho Jr., 45 anos. No ano passado, sob o olhar atento do filho, ele passou a ter aulas com o mesmo professor. “Como comecei antes e sou mais experiente, dou muitos toques no papai”, diz Antônio. “Mas ele leva jeito e aprende rápido.” Graças a essa afinidade, os dois agora se preocupam com a preservação do mar, trocam experiências e fazem planos. “Já programamos pegar onda juntos no Havaí e em Biarritz, na França”, avisa Marlan. “a idade mínima para começar a surfar é 5 anos, quando a criança aprende a remar e adquire equilíbrio”, explica o professor roberto montilho, tel. (21) 9131-2368, que cobra r$ 50 por uma hora de aula. “com apenas um dia de treino, muitos já conseguem ficar de pé sobre a prancha.” veja mais no site da confederação Brasileira de surf (www.cbsurf.com.br)

o surfista antônio estimulou o pai, marlan, a também pegar onda. agora, a dupla planeja viajar pelo mundo com suas pranchas

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esporte

mãe radical, filha campeã Equilibrada sobre uma prancha de wakeboard, em manobras velozes na Rodrigo de Freitas, a publicitária Renata Schvartzer dava saltos radicais diante do olhar fascinado da filha pequena, Rafaela. “Ela era minha companhia constante. Ia na lancha que me puxava e ficava entusiasmada”, descreve Renata, praticante do esporte que é um misto de surf, snowboard e skate. Com 5 anos, Rafaela disse que queria experimentar. Aos 8, praticando semanalmente, com direito a tombos e conquistas, tornou-se uma radical de primeira. É a mais jovem atleta a participar de competições nessa categoria. Em 2008, foi campeã carioca mirim. “Ela é bem mais corajosa do que eu”, aplaude Renata. “Desde a primeira vez, nunca titubeou. Pulou na água e logo ficou em pé na prancha, o que não é nada fácil.” Entre mãe e filha, a atividade esportiva é base da educação e da convivência. “Só é difícil explicar que certas manobras são proibidas para crianças, pois ela acha que vale tudo”, comenta Renata a respeito da verve aventureira da rebenta, hoje com 9 anos. Bem-humorada, a menina se diverte com o zelo “excessivo” da mãe. “O mais difícil nesse esporte é aprender a se equilibrar sem cair para a frente”, minimiza Rafaela. “Depois que você pega o jeito, dá vontade de ir todo dia, é uma sensação muito legal!”

acima, rafaela pratica wakeboard na lagoa rodrigo de Freitas, no rio. ao lado, com a mãe, a publicitária renata schvartzer

O QUE MAIS usar o colete salva-vidas e saber nadar são cuidados essenciais para fazer wakeboard. “no início, aprende-se apenas a ficar de pé na prancha, não é preciso fazer manobras radicais”, diz o professor de rafaela, o belga Greg stassen. a aula, para crianças a partir de 6 anos, custa r$ 180, dura uma hora e inclui equipamento e lancha. você pode ligar para ele no telefone (21) 9961-0817. mais informações na associação Brasileira de Wakeboard (www.abw.com.br)

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peqUenas sereias As irmãs Maria Clara, 11 anos, e Gabriela, 8, trocam qualquer sessão de cinema com as amigas por uma prova de nado sincronizado. “É um esporte coletivo, com música e ritmo que me conquistou nas primeiras aulas”, diz Maria Clara. Para elas, o amor pelo esporte veio no DNA: Clarinha e Gabi são filhas e netas de ex-campeãs da modalidade. A mãe, a publicitária Cristiana Lobo, foi atleta por 15 anos, participou dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, e de dois campeonatos mundiais, em 1990 e 1994. Atualmente, trabalha como assessora da diretoria do Flamengo, onde as meninas nadam. A mãe de Cristiana, Ana Maria Lobo, é uma das precursoras do nado sincronizado no Brasil: competiu em 1963 no Pan-americano, em São Paulo, e até hoje é árbitra da Confederação Brasileira. Cientes da tradição, as meninas prometem perpetuar o sucesso do clã nas piscinas. “Minha meta é entrar para a seleção brasileira juvenil no ano que vem”, avisa Maria Clara. “Para isso treino quatro horas e meia todos os dias, faça chuva ou faça sol.” Apesar de iniciante, Gabriela compartilha do mesmo entusiasmo da irmã e só reclama do cuidado necessário para não engordar e manter o corpo elegante de bailarina. “Precisei reduzir os doces, que adoro”, conta. “Mas quando vejo as piruetas que fazemos na piscina, percebo que todo esforço vale a pena.”

acima, maria clara, de azul, e Gabriela com a mãe, a publicitária e ex-campeã de nado sincronizado cristiana lobo. no alto, as irmãs na piscina do Flamengo, onde treinam

O QUE MAIS o nado sincronizado é indicado para crianças a partir de 5 anos. as aulas incluem alongamento e exercícios de solo. na piscina, treinam-se os quatro estilos de natação, as posições básicas e coreografias da modalidade. o clube regatas do Flamengo – tel. (21) 2159-0201 –, aceita crianças acima de 8 anos, mas é preciso ser sócio para frequentar a escolinha. saiba mais sobre o esporte na confederação Brasileira de desportos aquáticos (www.cbda.com.br)

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moda

Maiô R$ 104,90 e biquíni R$ 72,90

fotos tavinho costa

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tchibum! Detalhes DivertiDos em biquínis e maiôs De tons vibrantes. É assim a moDa que vai Da piscina à praia com iDeias DescomplicaDas e materiais ultraleves

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Biquíni R$ 84,90 e macacão R$ 149,90

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Hair e make up: Jô Castro (Capa MGT) | Tratamento de imagem: Jujuba Digital | Modelos: Amanda Furtado, Bruna Xavier e Enrico D’Amaro (Fifi Kids) | Agradecimentos: Todas as Ondas (www.todasasondas.com.br)

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moda

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Kit 贸culos de mergulho e snorkel R$ 79,90, camiseta R$ 39,90, sunga R$ 64,90 e chinelo R$ 69,90

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moda

sunga R$ 64,90, kit óculos de mergulho e snorkel R$ 79,90, biquíni R$ 89,90 e bermuda R$ 69,90

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Bermuda R$ 79,90, biquíni R$ 84,90 e maiô R$ 104,90

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moda

sunga R$ 64,90, biquínis R$ 89,90 cada um e macacão R$ 159,90

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Hair e make up: Jô Castro (capa MGT), produção Paulo Lagreca | Tratamento de imagem: Jujuba Digital | Modelos: Beatriz Nakagawa (agência Baby), Matheus Nalini (agência Vogue), Nicolle Brasil (agência Vogue), Raissa Cervera (agência Baby), Raoni Gambôa (agência Baby) | Agradecimentos: Hits Kids´n Teens

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moda

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camiseta r$ 26,90 Jaqueta r$ 129,90 Short r$ 64,90 Sandรกlia r$ 89,90 lenรงo r$ 29,90

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moda

Sobreposição de camisetas r$ 29,90 cada uma calça r$ 99,90 tênis r$ 119,90 96

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Vestido r$ 79,90 meia-calรงa legging r$ 26,90 Sandรกlia r$ 89,90

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moda

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conjunto de camisa polo e bermuda r$ 124,90 camiseta azul r$ 29,90 tênis r$ 119,90

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camiseta r$ 26,90 Jardineira (parte do conjunto de blusa e jardineira) r$ 129,90 Sandรกlia r$ 89,90

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moda

conjunto de vestido e colete r$ 159,90 Sandรกlia r$ 89,90 lenรงo r$ 29,90 100

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camisa r$ 92,90 calça r$ 99,90 tênis r$ 134,90

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Da esquerda para a direita: Blusa r$ 59,90, short r$ 49,90. Body r$ 62,90. camisa polo r$ 69,90, camiseta vermelha r$ 29,90, bermuda r$ 94,90, meia soquete r$ 14,90 e tênis r$ 119,90

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infância

convidados por LILICA & TIGOR, TRês AduLTOs viajam no tempo ao Lembrar as diversões mais marcantes da infância

Por caroL sganzerLa Fotos thiago pompéia 104

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Agradecimento: João Kralik | foto Maria Ribeiro: Rodrigo Lopes - Divulgação Record

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Ganhar não era tão importante “Sou caçula de três irmãos bem mais velhos do que eu: nasceram 12, 11 e 9 anos antes de mim. Por isso, quando eu era criança, não havia muitas brincadeiras em comum. Uma das poucas era o videogame Atari, que teve a função de juntar a família e me aproximou muito do meu pai. Era um momento nosso e o objetivo era nos divertir, não apenas ganhar. Adorava o jogo Pacman e outro em que as galinhas atravessavam a rua em meio aos carros. E como o Atari era diferente dos videogames de hoje! Vejo meu filho João com

o Nintendo Wii e acho aquilo histérico, funciona em outra velocidade, é tudo muito rápido. Mas me esforço para brincar junto, porque acho que os pais devem tentar sempre se aproximar das crianças. Mesmo achando os jogos um pouco chatos, tento me atualizar. Jogo o tênis com ele por um tempo, mas o João é capaz de se divertir com isso por três horas sem parar. Como eu, no passado com meu Atari.” Maria Ribeiro, 34 anos, é atriz e mãe de joão, 7 anos, e de bento, 8 meses

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infância

“eu me apaixonei peLa histÓria a ponto de fazer uma música e um disco com o mesmo nome”

O menino e a turma

o músico Edgard scandurra, 48 anos, é pai de daniel, 22 anos, Lucas, 17, joaquim, 10, e estela, 6

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Foto Edgar Scandurra: Divulgação | Talytha Pugliesi: Luciana Prezia / AE

“Até os 11 anos, eu só lia os livros pedidos pela escola. O primeiro livro que li por vontade própria foi Os Meninos da Rua Paulo, depois que assisti na TV Cultura ao filme baseado no romance de Ferenc Molnár. Na década de 1970, todos os domingos, o canal passava longas-metragens europeus e tive a felicidade de vê-lo. Depois, pedi o livro ao meu pai e, por coincidência, a professora mandou a classe inteira comprar. É a história de uma turma de crianças que luta pelo terreno onde brinca e o defende de outro grupo. Seguem-se, então, situações emocionantes de companheirismo e traição. Na época, eu tinha uma turma na Vila Mariana (bairro de São Paulo) e brincava num terreno baldio, no lugar existe hoje um prédio de luxo. De certo modo, também lutávamos para mantê-lo reservado para nossas brincadeiras – guerra de mamona, esconde-esconde, futebol e pega-pega. Me apaixonei pela história a ponto de fazer uma música e um disco com o mesmo nome muitos anos depois.”

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Música de família “Desde que eu era menina, meu pai sempre tocou violão para os filhos. Meus três irmãos e eu cantávamos juntos, em volta dele. Sempre gostei de cantar. Uma das brincadeiras que fazíamos era tentar adivinhar as músicas nos primeiros acordes. Pedia sempre ao meu pai para tocar Legião Urbana, que eu adorava. Quando fiz 9 anos, ele me deu um violão de aniversário. Logo depois, comecei a ter aulas, mas eu era tímida e meu pai me incentivava muito. Um ano depois, eu já tocava bem. Não lembro exatamente a razão de ter parado com as aulas. Recentemente senti muita vontade de voltar a tocar. Tenho um violão no apartamento de Paris, onde moro, e outro dia o peguei, mas não lembrava mais de nota alguma. Até hoje, quando venho ao Brasil, a família se reúne para jam sessions. É uma delícia.”

“uma das brincadeiras que fazíamos era tentar adivinhar as músicas nos primeiros acordes”

Talytha Pugliesi, 28 anos, é modelo

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olho mágico | por marcello araújo*

aimaginação

no poder “V

O que as frases das crianças têm a dizer sObre O mundO dOs adultOs

ida, me dá força pra pular nessa boia!”, disse Ouvir algumas dessas frases é como provar os bisa Laura em voz alta, momentos antes de pu- coitos que a personagem de Alice come para mudar lar da borda da piscina para dentro de uma de tamanho e passar para o outro lado da porta. É boia quase do tamanho de um pneu de caminhão. passar com a Laura para o lado da invenção e exerPerguntei que “vida” era essa. Ela me respondeu citar a imaginação. “Minha amiga falou que ela não batendo no peito: “A vida! Meus pulmões! Meu existe pra nada!”, disse ela. “Sério? E você, existe para coração!”. Essa história de “pulmões e coração” quê?”, perguntei. “Pra comer chocolate e trepar nas começou no dia em que Laura, então com 4 anos, coisas!”, respondeu com uma risada. me perguntou o que tinha debaixo da pele e do que era feito o corpo. Não tirei uma Ouvir algumas dessas frases é cOmO foto do salto para dentro da boia, repetido prOvar Os biscOitOs que a persOnagem até que as pontas dos dedos enrugassem de de Alice cOme para mudar de tamanhO frio, mas registrei o que ela falou, anotando, e passar para O OutrO ladO da pOrta – tempos depois, num caderninho.

e exercitar a imaginaçãO

Tenho tanto orgulho das frases da minha filha que já pensei em guardá-las em tiras de papel dobradas na carteira. E nas conversas, quando o assunto chegasse aos filhos, mostraria as frases em vez de fotos. Alguns retribuíram com frases de seus filhos. Até hoje ninguém me desafiou para um duelo de frases. Imagine a cena, um repente de pais coruja cada um com um pandeiro na mão! Já contei os ditos da Laura para muita gente. Em geral, ao contar as histórias, emendo uma na outra, quase nunca na mesma ordem. Tem uma que guardo sempre para o fim da conversa. Essa não vou contar ainda. Por favor, tenha paciência. Quer ouvir mais uma? Aqui, a Laura fala do milagre da multiplicação de avós. “Minha família é uma maluquice”, disse, puxando conversa enquanto cortava o cabelo no salão. “Minha irmã não é filha da minha mãe, meu pai não é filho do meu avô, eu tenho um monte de avós!”

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Como já estamos quase no fim do texto, vou contar a minha predileta. E, depois, prometo que deixo você contar a sua. “Se eu aceito o seu já volto, por que você não aceita o meu já vou?”, falou em resposta a um, dois, três pedidos para que fosse escovar os dentes. Depois dessa, troquei a cara séria de quem dava uma ordem por um sorriso. Não me entenda mal. Concordo com a importância dos limites e coisa e tal, mas tem horas em que é preciso admitir a derrota. A imaginação no poder… antes de ir escovar os dentes! Será que essas frases divertidas um dia crescem e ficam sérias? Será que frasear é como desenhar? Todo mundo faz quando é criança, mas depois de uma idade acaba dizendo: “Ih, sou péssimo para desenho…”. Como não tenho a resposta, continuo anotando as histórias da Laura no caderninho, nossa cápsula do tempo escrita à mão.

*Pai de Laura, 6 anos, e de Carolina, 17, o ilustrador Marcello Araújo é autor das coleções “Sapo” e “1, 2, 3 e já!”, da editora Nova Fronteira.

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o pai doméstico | por juva batella*

Pai para toda obra

Um doUtor entre as qUestões da academia e fraldas trocadas em 17 segUndos

É

-se pai de um bebê de um segundo para outro, e dizer isso não é cair em redundância. Antes de ser “pai de um bebê”, um sujeito é, no máximo, “pai de uma barriga” que cresce e se arredonda. Aquela barriga não é apenas uma barriga, sabe-se disso, mas pouco mais se sabe. Uma barriga sempre será, para um pai, uma abstração. As mães vão tornando-se mães aos bocadinhos, mês a mês e a cada pequeno chute daqueles seres tão minúsculos e ao mesmo tempo bem maiores, bem maiores do que o mundo em que se vive e a história que se atravessa.

Além de fazer de tudo, ainda fiz uma tese de doutorado, começando o meu batente às sete da manhã, com tapinhas nas costas da Pipoca, à espera paciente de um arrotinho libertador, que me liberaria então para iniciar uma sessão de leitura, usando o olho direito, de algum teórico da literatura, ao mesmo tempo em que, com o esquerdo, vigiava a pequena para que não se virasse no berço e ficasse de barriga para baixo. O resto da manhã alongava-se até a hora do almoço, quando, a seguir a uma nova quota de leite, eu me punha novamente a implorar por um arrotinho, depois do qual ela dormia a sesta e durante a qual eu despencava ao seu lado, exausto, não tanto dos meandros da semântica, da semiótica e da hermenêutica, mas dos desafios e das grandes questões que me propunha a Pipoca, a interpretar criticamente o mundo, ali do seu berço.

E, um dia, a barriga, num átimo, deixa de ser barriga, e o sujeito torna-se pai. E é tudo tão rápido que todas as águas se misturam, as da barriga e as dos olhos, que, estupefatos, assistem àquele que seria o segundo nascimento, porque o nascimento mesmo, o primeiro, ninguém sabe quando eu, como pai doméstico, fiz de tudo. é que se dá, só os bebês e as mães. só dar o peito é que não dei. ainda fiz O segundo, embora ainda privado, é uma tese de doutorado, começando o mais público, e desse os pais participam, batente Às sete da manhã, À espera de e cada vez mais.

um arrotinho libertador

De “pai de uma barriga” para “pai de um bebê”, é inevitável que o sujeito, trabalhando em casa, entre na condição de “pai doméstico”, a categoria de pai que mede o seu quotidiano em quotas — de leite, arrotos, fraldas e choros. É o chamado “pai pra toda obra”. E eu, como “pai doméstico”, fiz de tudo. Só dar o peito é que não dei. Fiz camas e compras, lavei louças e mamadeiras e troquei fraldas como ninguém, batendo o recorde nacional para a “categoria um”, com 17 segundos para uma troca completa, e ficando em terceiro lugar na “categoria dois” (bem mais complexa), com 28 segundos.

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Ao fim da tarde lá ia eu, a passear com a Pipoca pelo Leblon, digo, pelos corredores da livraria Argumento, onde me punha a pesquisar os livros de “teoria”, não de “teoria literária”, claro está, mas aqueles que contivessem a palavra “bebê” no título — sempre em busca de uma orientação, um padrão, uma forma de bem lidar com a minha nova condição: a condição de “pai doméstico”.

*Doutor em literatura brasileira, Juva Batella, 40 anos, é autor de, entre outros livros, A cabine & O trânsito (7Letras, 2002), que teve o conto “A cabine” adaptado pela Globo na série Brava Gente. Pai de Alice, 7 anos, e de Clara, 3, mora atualmente em Lisboa.

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os meus, os seus e os nossos | por hÉlio schwartsman*

Alguns “sins” e muitos

“nãos”

Pequenas e grandes questões em torno da educação dos filhos

BrigA entre irmãos

BrincAndo em serviço

“Um dos meus filhos bate no outro várias vezes ao dia sem motivo. Após muitas conversas sem resultado, agora peço para aquele que apanhou revidar. Vai funcionar?” Luciana, professora de inglês

“Meu filho de 3 anos tem o hábito de levar um brinquedo com ele sempre que sai. Mas na escola ele só pode levar em um único dia, determinado pela diretoria. Como ele fica irritado com isso, acabo cedendo. Devo ser taxativa e proibi-lo de levar o brinquedo para a escola ou regras são negociáveis?” Regina, fotógrafa

Defender-se de agressões não provocadas é uma prática autorizada por todas as éticas e sistemas legais conhecidos. Assim, o revide estaria em princípio justificado. O problema aqui, contudo, não parece ser de ética, mas de emoções. O irmão que bate está certamente tentando chamar a atenção para alguma coisa. Seria interessante descobrir por que ele age assim e atuar sobre as verdadeiras causas.

Ação virAl “Meu filho acordou com uma tosse parecida com a diagnosticada pelo pediatra como alérgica e não contagiosa. Como não tinha com quem deixá-lo em casa, mandei-o para a escola mesmo sabendo que ele talvez pudesse contaminar os colegas. Agi certo?” Paula, arquiteta

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Regina, regras são, evidentemente, negociáveis, ou o Código de Hamurabi ainda estaria em vigor. A questão é que, assim como precisamos ter um bom motivo para baixar uma norma, precisamos também de boas razões para modificá-las. Será que o simples fato de o menino ficar irritado é suficiente? Já resvalando na área da psicologia, eu ousaria dizer que crianças precisam ouvir alguns “sins” e muitos “nãos”, para aprender que existem normas e para exercitar a capacidade de assimilar frustrações – uma habilidade útil para a vida toda. E é até difícil imaginar uma situação mais propícia do que essa para escutar um sonoro “não”. Afinal, não está em jogo aqui nada além de um capricho infantil, cuja recusa não traria consequências físicas ou psicológicas duradouras.

Paula, se você pergunta, é porque temos, sim, um problema ético. O risco de espalhar doença é uma atitude socialmente condenável. Só que a ciência por trás da propagação de moléstias é complicada e desafia os raciocínios morais. Para começar, nesta época do ano, é provável que a tosse seja alérgica e não infecciosa. Ainda que tenha etiologia viral, segurar o garoto em casa não seria suficiente para evitar o contágio. No máximo, o limitaria um pouco, pois normalmente os vírus são transmissíveis antes de aparecerem os sintomas. Devemos limitar as situações de contágio, mesmo cientes de que equivale a enxugar gelo. Nenhuma epidemia é freada só com tal medida. É nessa fresta de incerteza que abusamos, especialmente quando temos uma “emergência” do tipo “a babá faltou”. É feio, mas é humano.

*Bacharel em filosofia, Hélio Schwartsman é articulista da Folha de S.Paulo e pai dos gêmeos Ian e David, 8 anos.

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frase da infância

por Liana Mazer

Quem vai segurar o cabrito? Gustavo ” Borges

Gustavo Borges, aos 4 anos, na piscina da casa onde morava em Ituverava, interior de São Paulo

Poucos imaginam que, aos 4 anos, o ex-nadador Gustavo Borges, ganhador de duas medalhas de prata e duas de bronze em Jogos Olímpicos, sonhava em ser boiadeiro. Na época, ele vivia com a família em Ituverava, no interior de São Paulo, onde José Jovino, pai de Gustavo, era dono de uma fazenda. O menino conhecia e adorava brincar com todos os bichos. Tanto que, num almoço de domingo, quando Jovino falou que ia até o restaurante buscar um cabrito para o almoço, o filho logo se prontificou: – Quem vai segurar o cabrito? O pai, rindo, respondeu: – Não, filho, o cabrito já está morto e ensopado! A situação virou pretexto para Jovino, muito brincalhão, pegar no pé de Gustavo, que cresceu forte e disposto, como se mostrou no “dia do cabrito”. Tanto que bateu três vezes o recorde mundial dos 100 metros livres em piscina curta (25 metros) e recentemente lançou o livro infantil Tchibum!, editado pela Cosac Naify.

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Lilica & Tigor #01