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Comunicação Social 1º Ano/ 2º Semestre Recuperação e Avaliação de Informação Docente: Teresa Barros

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esearch Paper “

Trabalho realizado por: Liliana Melo 8629


Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade www.cecs.uminho.pt

Instituto de Ciências Sociais

“Weblogs e Jornalismo: um exemplo de aproximação na universidade portuguesa”.

SANTOS, L. A. e ZAMITH, F. (2004). “Weblogs e Jornalismo: um exemplo de aproximação na universidade portuguesa”, Comunicação e Sociedade, nº 5, pp. 137-149, CECS-UM, Campo das Letras, Porto.

Apresentação de Documento em formato Original Autor: Fernando Zamith (Agência Lusa/ Universidade do Porto) Luís António Santos (Assistente); Tipo de Documento: Estudo (na área da comunicação e sociedade); Data: 2004; Palavras – chave: Weblogs (Weblogues), Blogs (Blogues), Jornalismo, Jornalismo Participativo. Resumo: “Este texto tem por objectivo a análise enquadrada de uma experiência de utilização de weblogs no desenvolvimento de competências profissionais no âmbito de uma licenciatura em Jornalismo e Ciências da Comunicação. Estando ainda por esclarecer se, de facto, os weblogs constituem 1

um novo suporte híbrido , o certo é que algumas das suas primeiras aplicações sugerem claros pontos de contacto com o vasto campo de acção do jornalismo, revelando-se também, desde já, um novo espectro de vantagens e um novo conjunto de questões potencialmente problemáticas. A experiência em curso na Universidade do Porto pode funcionar, em simultâneo, como um laboratório de novos métodos de ensino/aprendizagem e como repositório – ainda que embrionário e controlado – de alguns dos desafios que o jornalismo pode vir a enfrentar no futuro não muito distante.


Resumo 1.Introdução/ Enquadramento O tema central desta reflexão debruça-se sobre os weblogs (a sua criação, o que representam na sociedade, a evolução e a que foram submetidos). Os weblogs remontam a criação da internet sendo que o primeiro weblog foi a primeira página Web com a finalidade de registar sítios. O weblog mais antigo e ainda em funcionamento foi criado por Dave Winner em 1977 ”Scripting News”.

1.1 A Evolução Início das páginas pouco “mediatizadas” ; (ex: “What´s New” da Netescape); 

Surgimento de espaços vocacionados para iniciativas colaborativas e/ ou Comunitárias;

Os weblogs começaram por ser constituídos por conteúdos como experiencias semelhantes de divulgação, seriação e classificação humana;

Em 1999 dá-se a explosão de interesse com o aparecimento de ferramentas espacificas, gratuitas e simples; (ex: Pitus, Blogger e Groksoup)

Em 2000 os weblogs já existindo aos milhares atingem através do Blogger o milhão;

Até 2003, num estudo da Persus, define-se em estimativa 4,12 milhões de weblogs em todo o mundo tendo em conta que 1,4 milhões dessa fatia se consideram activos (uma actualização pelo menos de 2 em 2 meses);

A AOL e a Yahoo possiblitam o início do “blogar” aos seus clientes como experiencia piloto;

A Google e a Lycos seguiram o exemplo da AOL e da Yahoo criando o “bloger”;

Consequentemente à afluência ao serviço devido a sua gratuitidade pressupôs-se que o objectivo das empresas seria a fidelização de clientes no entanto a utilização comercial estaria presente na elaboração da opção estratégica destas empresas. (Blogging, to the horror of some, is trying to go commercial- The Economist)


1.2 Crescimento global dos Weblogs em Portugal Em 2003 inicia-se a afirmação dos weblogs em Portugal:

2003

Entradas

Janeiro

174

Maio

400

Junho

+ de 600

Julho

905 Tabela 1: Evolução numérica

Directórios

2003

Entradas

“ptbloggers”

Outubro

1442

“Bloco de notas1”

Outubro

2462

“Weblog.com.pt

Outubro

665

+ Ferrameta Movable Type Tabela 2 : Evolução numérica dos Directórios

Em 2003 a Sapo disponibiliza também, em início de Novembro, a possibilidade de utilizar o weblog.

1.3 A Blogosfera Ao reflectir sobre os números que constituem a blogosfera, 1,4 milhões de weblogs activos (e também nos cerca de 2 mil portugueses) aos 665 milhões de utilizadores da Internet, não existe dificuldade em admitir em relação a estes números que nem uma ínfima parte dos utilizadores da internet utilize weblogs. Este tipo de dados permite-nos ter em consideração qualquer proposta que questione a sobre-valorização da actividade, no entanto, pode também reforçar o argumento de que esta actividade tem um carácter passageiro e ainda a sua irrelevância. Existindo unanimidade em que “blogar” é uma actividade principalmente restrita e em que se encontra exemplos de conteúdo muito pouco relevante ou original é necessário e importante reter, de acordo com esta reflexão, a afirmação de Matt Welsh, segundo a qual “ 90 por cento de todas as novas formas de expressão tendem

1 “Bloco de Notas: Portuguese Blogspotting”


a ser medíocres”. “Julgar um meio pelos seus piores elementos não é uma actividade muito louvável”, adianta Welsh, para acrescentar: “as acções dos que estão nos 10 por cento estão entre as coisas mais excitantes (...) vistas nos últimos tempos” (2003). A blogosfera poderá ser uma moda passageira, um despeito de “tecnofóbicos” sem qualificações específicas, a utilização em massa de algo que não tem nada de novo, ou seja ela, pelo contrário, mais uma alternativa de um meio de comunicação inter-pessoal, potenciador de novos espaços de debate público, criador de alterações profundas no entendimento que profissionais e destinatários têm de algumas áreas de actividade será muito mais produtivo e proveitoso neste momento evitar juízos de valor em benefício da análise de acções/interacções em desenvolvimento.

2.Um novo ambiente de trabalho Ao definir tecnicamente os weblogs caracterizamo-los como sítios Web, criados, mantidos e actualizados com o mínimo de recuso à utilização do código, sendo adequados para suportar um arquivo e de incorporar ligações para outros endereços. São normalmente vistos como uma espécie de sistemas ‘light’ de gestão de informação, com capacidade para capturar, organizar, manipular e aceder, em contínuo e de forma simplificada, a todo o tipo de conteúdos. (Definição abreviada de Weblog) A junção de uma estrutura formal rígida como a possibilidade da abertura a uma míriade2 de conteúdos poderá ser uma das razões do seu grande sucesso, comportando-se aqui a blogosfera como uma espécie de um novo ‘ambiente de trabalho’, não já instalado no computador de cada um, mas disponível, para partilha, na web. Após a familiarização dos utilizadores da internet com os weblogs torna-se fácil a sua utilização mesmo tendo em conta as suas várias ferramentas, não descartando a relevância da lógica de utilização e conforto no entanto este sistema depende também para o seu sucesso de uma frequência de utilização. Para se poder considerar um weblog como o novo “ambiente de trabalho” é necessário definir uma cronologia temporal que é concebida pela entradas datadas dos “posts” que permitem aos visitantes ter acesso a ultima entrada do utilizador. A comunidade de bloggers –leitores-de-bloges (origina maior frequência de actualização). Uma análise totalmente técnica não nos permite ter uma visão genuína do fenómeno, no entanto, é necessário estar atento aos efeitos que os weblogs produzem e ao seu factor surpresa. O crescimento da blogosfera, segundo Giles Turnball, forçou alterações de percepção. Pessoalmente, demoroume bastante tempo a perceber o que tinham de tão significativo tanto o formato blog como a nossa própria ferramenta», diz Williams, para quem a distintividade dos weblogs resulta da combinação de três factores: frequência, brevidade e personalidade (Turnball, 28.02.2001: Part 2). Os factores anteriormente referidos podem ter sido responsáveis pelas funções sólidas da blogosfera, no entanto, Williams descreve a “personalidade” como sendo a impulsionadora do carácter, dinamismo, novidade e adesão como características atribuídas aos weblogs.

2 Forma numérica de origem grega significando dez mil


Em 1999 apareceu o “weblog - filtro” (“weblog – bloco – de - notas”), incentivado pela pressão da actualização, sendo este o modelo mais utilizado. Os “posts” mais higienizados permitiram novas ligações, novos temas em prespectida de discussão establecendo assim novas comunidades. Estas novas comunidades, com novos interesses, cuja principal vantagem – a potencialmente igual capacidade de participação de todos os elementos – não foi, até agora, empalidecida pela inevitável emergência de algumas ‘figuras de culto’. A blogosfera permitiu a existência de um substituto virtual face a saloon, cafés ou pub´s, ou seja, sítios de confraternização. Segundo Habermas “um blog é escrito por um indivíduo e expressa a atitude e convicção do seu escritor; é estritamente subjectivo, embora não necessariamente íntimo. Isto não o impede de estar no domínio público e de se preocupar com questões que pertencem ao domínio da autoridade pública. Cada indivíduo pode usar os weblogs como entender melhor, sem respeito por qualquer tirania de valores que lhe imponha o que é ou 15

não válido como tema de escrita ” (2002: 258). A “publicação pessoal” permite aos weblogs ter sucesso uma vez que possibilita pela primeira vez os utilizadores avançarem reflexões/comentários/ informações para além do círculo regular de conhecimentos pessoais tornando assim esta ferramenta um espaço alternativo de comunicação. O weblog permite então o lançamento da “ voz” caracterizando-se esta atravez das palavras que são projectadas e das ligações escolhidas como menciona Tim Jarrett “um blogger cria uma voz online com história, cronologia, evolução e contexto”. Os weblogs são espaços pessoais e interpretativos, marcados, em simultâneo, pela subjectividade e por um certo grau de responsabilização. É demasiado ambicioso pensarmos que o grupo crescente de “ utilizadores – tornados – criadores” da internet estabeleceu neste sentido uma cidadania mais participativa em que a eliminação de algumas barreiras de definição valorativa de conteúdos (gatekeeping) alterou a unidireccionalidade dos fluxos e, por consequência, democratizou a informação. Tendo em conta todas as considerações até agora relativizadas sobre a blogosfera como um novo “ambiente de trabalho” sem desvalorizar qualquer uma delas sendo que algumas se caracterizam como positivas e impulsionadoras de um novo espaço de comunicação ao invés de outras que defendem a mediocridade de tal liberdade para projectar a “voz” é necessário ter em conta a perspectiva sobre o assunto de Walter Shapiro, colunista do USA Today: “Como qualquer outra revolução, a blogosfera é exageradamente promovida na fase de crescimento, exageradamente depreciada na fase seguinte e finalmente assenta, no reino intermédio da 18

realidade” . A blogosfera torna-se um local ruptura em que existe lugar para ideias mais marginais, há sinais de um novo processo de criação de conhecimento partilhado, há maior descentralização na produção e distribuição de conteúdos e há uma reformulação das concepções tradicionais sobre a audiência/ destinatário/ receptor.

3.Weblogs e o Jornalismo No inicio da explosão de interesse pela internet as empresas de comunicação social preocuparam-se inicialmente com o como se inserirem no meio que desconheciam ao invés de se preocuparem de como inserir o conteúdo nesse mesmo meio. Após esta nova intervenção de uma nova forma de comunicação o jornalismo/ jornalistas desvalorizaram os actores do novo processo e aproveitaram ao vantagens do jornalismo assistido.


O já antes mencionado aparecimento do “weblog – blog – de – apontamentos” logo de inicio criou um grupo heterogéneo mas ainda restrito de utilizadores, onde se incluíam jornalistas profissionais mais atentos, leitores críticos da postura ideológica dos media tradicionais, académicos ligados à comunicação e alguns jovens com formação na área mais ainda em início de carreira. Os “weblogs-jornais” só apareceram na idade adulta da blogosfera permitindo o desejo permanente de actualização capaz de catalisar um fluxo invulgar de desenvolvimento, já conhecido nos weblogs mas perturbador para o mundo do jornalismo estabelecido. A explosão dos “weblogs-jonais” implicou uma série de alterações nunca antes percepcionada, reconhece-se que esta alteração propôs esta forma de escrever a uma nova forma de jornalismo provocando na blogosfera um ordenamento mediático pré-estabelecido. Segundo Jonh V. Pavlik,em relação ao jornalismo na blogosfera, “Em muitos sentidos, representa uma melhor forma de jornalismo porque consegue renovar a ligação a uma audiência cada vez mais desconfiada e alienada mas, ao mesmo tempo, apresenta-se como uma ameaça aos valores e padrões de comportamento mais defendidos; autenticidade de conteúdo, verificação de fontes, correcção e verdade estão todas sob suspeita num meio em que qualquer pessoa com um computador e um modem se transforma num editor à escala mundial” (2001: 5), assumindo este jornalismo como sendo de carácter ubíquo, acesso globalizado, pela instantaneidade, pela interactividade, pelo conteúdo multimédia e por uma personalização extrema. Surge então um paralelismo sobre o que é um verdadeiro jornalismo, pondo em causa: 

A ausência de qualquer processo de filtragem de erros;

Clarificação de linguagem;

Confirmação de factos;

Todo o debate sobre os “weblogs-jornais” gera novas opiniões e incita o aparecimento de novos conceitos quanto esta forma de expressão comunicativa: 

Jornalismo “amador”;

Jornalismo “comunitário”;

Jornalismo “participativo”.

Em Portugal a quase inexistente representação deste tipo de weblogs serve apenas como complemento ao jornalismo tradicional. No entanto a manifestação dos bloggers (leitores – ouvintes – telespectadores) exterioriza-se questionando-se: 

As formas de actuar;

Perspectivas;

Apontam falhas;

Avançam alternativas;

Colocam novas dúvidas.


E se a história desta profissão que – na feliz imagem de Kovach e Rosentiel – ajuda indivíduos e sociedades a manter alimentado o ‘instinto de percepção’ reservar aos weblogs o papel de propiciadores dessa mudança isso já terá sido mais do que eventualmente preconizaram os seus primeiros utilizadores.

4.Weblogs e o Ensino do Jornalismo

‘How to write a better weblog’, Dennis A. Mahoney começa por nos falar da clara diferença entre o profissional da escrita e o amador com um exemplo muito poderoso: um profissional diria «Nova Iorque é magnífica na Primavera», ao passo que um amador escreveria: «Sei que, hoje, em dia, isto é um cliché, particularmente depois do 11 de Setembro, mas vivo em Nova Iorque, uma cidade que está agora muito mais limpa e segura por causa do Giuliani, que deveria, de facto, voltar a ser presidente, sobretudo depois de ter lidado tão bem com a crise (...) mas, depois de tudo dito e feito, Nova Iorque é uma grande cidade, especialmente quando começa a ficar mais quente e as pessoas começam a passar mais tempo fora de casa, como acontece em Março e Abril» (22.02.2002).

A imagem que Dennis nos dá é definitivamente forte sobre o texto e a gramática no entanto é necessário que se tenha em consideração os weblogs como sendo uma nova forma de expressão pessoal e social aplicando assim este tipo de weblogs como desejo de uma mudança na postura do jornalismo.

É assim que uma nova perspectiva surge para os jovens em formação no novo ambiente e nova postura do jornalismo. Sendo que as principais razões que impulsionam esta nova forma de aprendizagem baseiam-se no: 

Baixo custo;

Flexibilidade e natural enquadramento com as exigências do tempo jornalístico.

Sendo que os weblogs constituem uma excelente ferramenta para a prática técnicas de expressão jornalística online: 

Têm campos distintos para título, lead /entrada e corpo da notícia;

Permitem hipertexto e hipermédia;

Ordenam/destacam as notícias pelo critério mais adequado ao meio – a actualidade;

Criam automaticamente arquivos e categorias (por datas e temas);

A publicação é imediata.

Ciente desta oportunidade, o curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto (a mais nova licenciatura pública na área e uma das que mais aposta nas vertentes prática e tecnológica) criou no início do ano lectivo de 2002/2003 um weblog de apoio às aulas de Técnicas de Expressão Jornalística (TEJ) Online, o


JornalismoPortoNet (http://blog.icicom.up.pt). Paralelamente a este” weblog –satélite” em Portugal foram criados outros weblogs com a função de proporcionar informações úteis aos alunos, ligações a páginas de interesse para futuros jornalistas:

Nome

Início

Entradas/posts

Comentários

JornalismoPortoNet

Out/2002

206

44

Arte_Factos

Nov/2002

37

72

Oubelá

Nov/2002

39

22

Palco

Nov/2002

34

51

A Tenda dos Índios

Jul/2003

30

13

A actividade destes três blogs foi muito “sazonal”, com quase todas as entradas a coincidirem com o período lectivo do primeiro semestre, ainda que tivesse havido um apelo aos alunos para que continuassem a alimentar os blogs no segundo semestre, o que apenas aconteceu esporadicamente. Este risco (assumido) de previsível paralisação dos blogs nunca foi entendido como um mal em si, dado tratar-se de trabalho em “laboratório”. Despoletaram, contudo, uma série de alterações, para o ano lectivo de 2003/2004, como a concentração de produção em apenas dois ou três blogs temáticos.

O objectivo, alcançado, baseia-se principalmente na aplicação prática de noções teóricas sobre esta nova forma de jornalismo: 

Treino da rapidez;

Capacidade de síntese;

Construção de notícias segundo a técnica dos blocos (pequenos textos ligados entre si);

Uso adequado do hipertexto (limitações técnicas impedem, para já, o avanço para a associação de som e imagem em movimento).

Promovendo competências específicas do jornalismo num novo enquadramento, que é, ao mesmo tempo, atraente e recompensador para os jornalistas em formação.

A esfera que envolve o mundo dos jornalistas pelo qual estes se vêem obrigados a reflectir sobre a verificação, equilíbrio, correcção e independência exige uma réplica da forma realista de um ambiente de trabalho que futuramente poderão encontrar.


Prospecção final:

Será mais fácil exigir maior honestidade, maior inquietação, maior adaptabilidade a uma sociedade em mudança e maior empenho em trabalho colaborativo aos jornalistas – talvez sim. Mas isso não nos parece, de todo, um indicador de fragilização do papel do jornalismo.


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