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UM PRATO, DOIS PRATOS, TRÊS PRATOS RASOS E A PANELA TAMBÉM.

Em uma cidadezinha, no interior do país, existia uma família que morava em um sítio próximo da cidade.

Porém essa família estava passando necessidades, não tinham nada para comer, não tinham nada para dar para seus animais, e família era constituída por pai, mãe, e seis filhos. Em certo dia o pai, o homem da família, resolveu ir a uma mata, próxima de seu sítio, caçar alguns animais de pequeno porte para dar de comer a sua família.


Falou para sua esposa que iria sair cedo e só voltaria quando estivesse encontrado algo para matar a fome das crianças e deles dois também. Logo cedo o homem pegou uma espingarda, tomou um copo de água, pois nem café tinha mais, e foi para a mata, entrando a mata o homem nada encontrava, não tinha nem um pequeno preá para caçar, nem um pássaro, nem uma cotovia, enfim nada de bichinhos da natureza para caçar. O homem que havia prometido à esposa que só voltaria com algo, ficou na mata o dia todo, todos sabem que quando vai escurecendo na mata ela fica sinistro e misterioso, o homem vendo que não conseguiria mais voltar para a casa naquela noite resolveu arrumar um local para dormir, procurou, procurou até que encontrou numa clareira uma árvore bem frondosa, com galhos que pareciam até camas para serem desfrutadas, e ali o homem resolveu pernoitar. Subiu na árvore por causa de algum bicho peçonhento e dormiu. Quando foi lá pela meia noite lá vem de longe uma voz que falava assim:

__Um prato, dois pratos, três pratos rasos... __Um prato, dois pratos, três pratos rasos... E a voz foi se aproximando da árvore, o homem que já estava petrificado de tanto medo resolveu fazer o seguinte, enquanto a voz vinha com o seu refrão ele resolveu inteirar a frase. A voz disse assim: __Um prato, dois pratos, três pratos rasos... E o homem falou: __E a panela também. A voz se colocou embaixo da árvore e olhando para cima falou para o homem: __Desça daí e venha aqui. O homem que estava morrendo de medo acabou descendo. Quando o homem se aproximou da voz pode ter uma visão panorâmica da voz, era um monstro horroroso com mais de dois metros de altura e tinha uma boca que não era dele. O monstro vendo o homem com muito medo disse assim: __Me tire daqui e me ponha ali. O homem que estava com muito medo mesmo assim obedeceu.


Tirou o monstro do lugar e o pôs em outro lugar. O monstro falou de novo com o homem: __Torne me tirar e torne me botar. E o homem assim fez. Tudo que o monstro pedia o homem fazia. O monstro falou para o homem assim: __Vou abrir minha boca e o que você tirar de lá de dentro é seu. O homem pensou “meu Deus agora estou perdido, esse monstro vai comer meu braço", mas como não tinha outro jeito o homem colocou a mão dentro da boca do monstro e puxou algo, quando olhou era uma pequena arca, e o monstro foi se embora falando: __Um prato, dois pratos, três pratos rasos. E o homem ficou ali sozinho com a pequena arca nas mãos, e resolveu voltar para a árvore e continuar a dormir. Quando chegou de manhã o homem acordou e resolveu ver o que tinha na arca, dentro dela tinha muitas moedas de ouro, e pela primeira vez depois de muitos dias de tristeza o homem sorriu. Voltando para casa com sua arca ele mostrou para a esposa e contou-lhe a história, mas como ele nunca tinha visto moedas de ouro nem sabia quando valiam resolveu pedir para o filho mais velho ir até a casa de um compadre pedir o medidor de moedas. O menino chegando à casa do padrinho, já foi fazendo das suas, estirou as mãos para o padrinho e pediu-lhe a benção, para ver se ganhava algum dinheiro, mas seu padrinho que era rico e sovina nada lhe deu a não ser a benção. O menino foi e pediu ao padrinho o medidor de moedas: __Padrinho meu pai falou que se o senhor poderia mandar o medidor de moedas para ele. O padrinho foi buscar o medidor de moedas, mas pensando na vida do compadre foi logo gesticulando um plano para saber o que estava acontecendo, e pensando consigo ele arquitetou um plano “vou colocar melado no fundo do medidor e o que o compadre medir vai ficar no fundo”. O menino foi embora com o medidor e o compadre só pensando “meu compadre é pobre o que será que ele vai medir”. Chegando a casa o pai do menino foi perguntando como estava o outro compadre e o menino falou: __Como sempre, mais rico e mais sovina. O pai ralhou com o menino, mas deixou para lá a fala do filho e foi medir as moedas. E falou para sua esposa: __Graças a Deus e aquele bicho horroroso nós teremos dinheiro para arrumar o sítio, para dar de comer para as crianças e para alimentar nossos animais. E depois de medir as moedas mandou que seu filho fosse levar o medidor para o compadre. Quando o menino chegou ao sítio do padrinho, entregou-lhe o medidor e foi embora, mas não sem pedir a benção de novo: __Benção padrinho. __Deus te faça feliz meu filho. E o menino foi embora frustrado por não ganhar nada do padrinho. O compadre que era muito ligeiro foi olhando o fundo do medidor e lá estava uma moeda de ouro, e o compadre pensou “nossa a coisa deve está boa para o meu compadre, pois ele tem tanto que até deixou uma moeda de ouro aqui pregada, tenho que ir lá saber o que aconteceu”. E assim ocorreu, o compadre zoião foi correndo na casa do outro compadre.


Chegando lá ele mal conversou com o compadre e já foi perguntando: __Meu compadre o senhor mandou meu afilhado lá em casa para buscar o medidor de moedas, mas por uma distração sua foi uma moeda grudada no fundo do medidor, e era uma moeda de ouro. O compadre que era uma pessoa simples e sem malícia foi logo contando toda história. E o compadre zoião resolveu fazer a mesma coisa. Quando chegou à manhã seguinte ele falou para a esposa que iria caçar uns preazinhos na mata próxima a seu sítio e a esposa lhe falou: __Mas meu querido temos de tudo aqui no sítio, não precisamos desses bichinhos da mata. Ele ralhou com a esposa e pôs a espingarda nas costas e saiu. Chegando à mata comeu a falar consigo: __Não tem nenhum bichinho aqui para caçar. Mas o intuito dele não era a caça e sim outra coisa, foi andando, e andando até que ficou tarde já era quase noite, e ele que já estava de olho onde ficava a árvore procurando uma clareira no meio da floresta achou a árvore frondosa com seus ganhos que pareciam camas, e ali se deitou e fingiu que estava dormindo. Quando foi lá pela meia noite ele ouviu a voz se aproximando: __Um prato, dois pratos, três pratos rasos... E foi logo se adiantando: __E a panela também. E a voz se aproximando: __Um prato, dois pratos, três pratos rasos. E ele: __E a panela também. E a voz se posicionou embaixo da árvore. E ele por mais que depressa desceu da árvore e foi ficar de frente para o monstro. E o monstro não falava nada. Ele perdeu a calma e falou para o monstro assim: __O senhor quer que eu tire o senhor daqui e coloque o senhor ali. O monstro falou para ele: __Tire se quiser e ponha se quiser. E assim foi feito. E ele que não tinha paciência falou de novo com o monstro: __O senhor quer que eu torne tirar e torne botar. E o monstro falou: __Torne tirar, torne botar se quiser. E assim ele fez. E ele falou para o monstro: __O senhor quer abrir a boca bem grande e o que eu achar ai dentro será meu. O monstro se posicionou com a boca bem grande para que ele tirasse o que quisesse de dentro. Quando ele colocou o braço dentro da boca do monstro, o monstro o engoliu. MORAL: Quando alguém ganhar uma benção nunca fique com usura, aquilo não era para você.


Um prato , dois pratos, três pratos rasos e a panela também