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XVIII FNT - nº 04/ 07 de setembro de 2011

Beija-Flor

Infor mat ivo do Fest ival Nordest ino de Teat ro de Guaramiranga

“Da discussão nasce a sabedoria” O Debate Mostra Nordeste proporciona a discussão das pessoas, resultando em uma maior aproximação entre público e produção O Festival Nordestino de Teatro não é só um local de apresentações teatrais, mas também de discussão. Todas as manhãs são realizados debates que visam comentar e expor as opiniões do elenco, da direção, do público e dos debatedores sobre o espetáculo apresentado na Mostra Nordeste do dia anterior. “É uma oportunidade para o espetáculo reverberar mais, como se fosse uma extensão, onde a gente desenvolve outras formas de discurso e até de evento social” explica o professor André Magela. Um dos pontos altos do FNT, o debate, tem início com alguns esclarecimentos e comentários do diretor e dos atores sobre a peça: o processo criativo, a pesquisa sobre a proposta do enredo e as dificuldades de desenvolvimento. Posteriormente, os

debatedores – Celso Nunes, André Magela e Cida de Sousa – tomam a palavra para fazer algumas observações sobre o espetáculo. Por último, a palavra é passada ao público para que estes comentem a peça e façam perguntas ao elenco. “Essa conversa aberta faz com que a gente, como artista, esclareça alguns ‘por quês’ e favorece mais ainda uma continuidade para novos trabalhos”, diz Assis Lira, ator do grupo Garajal. A roda de discussão acaba se transformando em um grande momento de descontração e envolvimento entre produção e público no qual é possível conhecer e moldar o feedback deixado pela peça. “Debater, falar sobre o espetáculo, analisar criticamente é mais eficaz pra garantir esse processo de formação

de plateia”, diz Cida de Sousa. Segundo Celso Nunes, “o debate tem um espaço importante não só para o festival, mas para a carreira de cada pessoa, porque quando a gente discute temas, contrapõe ideias, e até discorda, a gente tá caminhando pro aprendizado”. Nesta terça-feira, a peça sabatinada foi a de Plínio Marcos, Abajur Lilás, encenada pelo grupo Imagens. Dentre os principais pontos analisados estavam a fidelidade da adaptação do grupo ao texto original, a verossimilhança do espetáculo e a utilização do espaço na composição do espetáculo. Para o diretor da peça “o debate é uma construção. Essa troca de ideias é muito importante pra gente ter um olhar de fora”.


Oi Esquetes

Editorial Ontem, o dia apresentou mais surpresas do que o normal. A AGUA está em festa, mas não é só por conta do evento. Em 1993, o FNT lançou um informativo com os principais destaques e algumas curiosidades sobre o festival. A partir de 2010, o Informativo, que passou a se chamar Beija-flor, é feito em parceria com um projeto de extensão da UFC, a Liga Experimental de Comunicação. Este ano, a Liga foi premiada pelo trabalho realizado no informativo Beija-flor no ano de 2010, no Congresso Nacional de Estudantes de Comunicação Social, como melhor Agência Júnior de Jornalismo. Estamos aqui novamente, tentando a cada edição registrar os fatos mais marcantes do FNT e proporcionar uma maior interação entre o festival e o público. Então, aproveite a leitura, porque esse informativo é o melhor do Brasil!

Na noite da ��������������������������� última terça-feira, ������� foi realizado o Oi Esquetes no Teatrinho Raquel de Queiroz. O espaço contou com apresentações de repertório do grupo 3x4 de Teatro, dirigido por Silvero Pereira e Rafael Barbosa. O espetáculo foi composto por quatro monólogos – O ovo, Perséfones, Terça-feira gorda e Sapatinhos Vermelhos – encenados por três atores: Silvero Pereira, Rafael Barbosa e Thiago Andrade.

Mostra Nordeste Na noite de ontem, o espetáculo a se apresentar na Mostra Nordeste foi Qualquer coisa a gente inventa, do grupo de teatro baiano Os Bobos da Corte. A autora, diretora e atriz Meran Vargens interagiu com o público durante todo o espetáculo, construído histórias, chamando alguns para o palco, cantando e dançando com eles. Além disso, a apresentação contou com a participação inusitada do Poeta Valter Di Lascio, que chegou declamando uma poesia que acabou norteando a história que estava sendo construída, ou seja, gerando um improviso dentro do improviso.

Intercambistas de Roraima Os grupos de teatro Malandro é o gato, Arteatro e Criarte, financiados pelo SEBRAE de Roraima, vieram até Guaramiranga para conhecer a organização do FNT. Eles chegaram dia 31 para acompanhar o movimento anterior ao festival. “Agora que nós já vimos como é o funcionamento, estamos participando da programação, dos debates e de todos os espetáculos, e também [acompanhando] a correria do pessoal por trás da cortina”, conta Silmara Costa, uma das intercambistas. O grupo vai embora hoje, depois de pesquisar economia criativa a partir do festival, e garante levar muita coisa do FNT, entre elas ,“toda a felicidade do povo cearense, de fazer tudo com muito carinho.”

Música no FNT O Música no FNT de ontem foi regido pelo Grupo G7, do Maciço de Baturité, com participação do grupo Jazzera Trio, de Guaramiranga. A trilha sonora da noite foi composta por jazz, blues, music e folk. O Grupo G7 é composto por integrantes de três municípios: Guaramiranga, Pacoti e Aratuba. Ele é resultado do Projeto Outra Banda da Serra, realizado em 2010 numa parceria da AGUA com o Festival de Jazz & Blues, que visava a formação de grupos de jazz e blues para o Maciço de Baturité.


Ator vagabundo, Diretor de sucesso O XVIII Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga conta com a participação do diretor Celso Nunes. Pela terceira vez em Guaramiranga, nesta edição Celso é um dos debatedores da Mostra Nordeste. Com mais de 40 anos de carreira, ele fala um pouco sobre sua estrada e conta algumas de suas impressões a respeito do festival. BF: O que você está achando do Festival? CN: Eu estou achando muito bom. Eu acho que eles encontraram uma saída bastante criativa como temática do festival, essa questão do teatro e a poética do espaço. Eu acho que isso, de uma maneira esperta, dá uma disfarçada no sério problema que é a ausência de um teatro na cidade. Eu acho que fazer um festival numa cidade sem teatro é igual a fazer jogos da Copa do Mundo numa cidade sem estádio de futebol. Você é obrigado a por o jogo em algum canto. Seja na praça, na rua, na várzea, num descampado, e é mais ou menos o que esta acontecendo aqui. Agora, se a gente pensa que estão se destinando bilhões de dólares em cada capital para fazer estádios e ninguém destina um ou dois milhões para instalar um teatro, consertar os problemas de estrutura que apareceram ali. BF: Essa já é a terceira edição do FNT que você participa. Nessas três edições, o que você observou de muito diferente? E o que observou de muito igual? CN: De diferente, hoje eu sinto que há um aparato técnico que não tinha. Hoje tem uma equipe técnica de montagem, de luz e de som muito eficiente. Todos os grupos no debate sempre fazem esse agradecimento no fim do espetáculo. Então, essa já é uma coisa que eu acho que deu uma grande melhorada porque não é só aqui, quer dizer, é uma coisa que existe no Ceará hoje um aparato técnico que suporta as atividades. Essa eu acho uma grande melhora. E o que é parecido é a receptividade da cidade, que eu acho muito bom. A cidade acolhe bem as coisas. BF: O que você está achando das peças que já foram apresentadas e debatidas

durante o festival? CN: Eu estou achando que tem altos e baixos na programação. Eu acho que tem espetáculos que são muito originais e que tem propostas novas, outros são um pouco aquilo que a gente sabe que as pessoas já estão fazendo há bastante tempo. E eu também acho que, se mantiver esse tipo de programação, o nome deveria mudar para festival nordestino de teatro e circo, porque tem muita coisa que não é teatro, é circo. (...) Então eu acho que deviam completar o nome. BF: Quais suas expectativas com as peças que serão apresentadas? CN: A melhor possível. To querendo cair do cavalo, ou do banco, se eu estiver sentado. [risos] Quero ver uma peça que me derrube, que eu diga: caramba! Nunca tinha visto nada igual. BF: Qual seu primeiro contato com o teatro e o como começou seu interesse? CN: Eu tinha uma namorada, que se chamava Tereza, que era espanhola, adorava teatro e acabou me levando. Aí, to lá sentado, assistindo... a peça se passava numa casa de operários, e eu também era operário. Aí eu falei: se eu subir ali, eu sou capaz de falar o que o cara esta falando direitinho, porque é igualzinho ao meu pai e minha mãe. Aí eu falei: quero fazer isso! Procurei saber se tinha escola e me matriculei. BF: E você já pensava em ser diretor? CN: Não, nunca. Eu achava que ia ser ator. Eu era mais ou menos bonitinho, tinha o olho azul, tinha cabelo. [risos] Eu gostava muito de Elvis Presley, de Bill Haley, então eu penteava o cabelo à moda dos roqueiros, deixava uma costeleta e um topete, que era uma vírgula, caído na minha testa. E aí, todo mundo dizia que eu parecia com artista de cine-

ma. Então eu entrei para a escola achando que eu ia ser um ator, mas depois, durante o curso, eu fui percebendo que eu seria melhor diretor do que ator, porque eu só era bonitinho, mas era vagabundo. BF: Você trabalhou em muitos espetáculos que criticavam o regime militar. Se nos anos 1960 e 1970 a arte era engajada na luta contra a ditadura, contra o que a arte deve se engajar hoje? CN: Eu não acho que precise ser contra, ela pode ser a favor de alguma coisa. Eu acho que ela está muito a favor da inclusão social. Eu acho muito bom que hoje os artistas estejam se preocupando em abrir as portas para que mais pessoas entrem para a cultura. Esse trabalho que se faz hoje com as populações carentes, nas favelas, eu acho isso muito incrível. Na ditadura era impossível pensar numa coisa dessas. Então eu não vejo muito o que precise ser contra, eu acho que ela pode ser a favor, desde que seja uma causa bastante humanitária. BF: Depois ������������������������������������� dessa experiência com o festival você pensa na possibilidade de trabalhar com o teatro de rua? CN: Ah, eu penso sempre. Daí eu fico me sentindo um pouco velho. Falo: acho que não da mais tempo! Mas vendo essa moçada toda, que não está nem aí pra essa questão de idade, diz: vamos fazer! E faz. Aí eu falo ‘ah, de repente eu chego à Bahia, monto um grupo de rua e saio fazendo alguma coisa, ou vendendo acarajé’.


Impressões “[Qualquer coisa a gente inventa] é uma peça interesante. Um projeto novo, que envolveu o público, as crianças, dentro de uma dinâmica de grupo interessante e que levou a reflexões.” Samuel Facó, advogado.

“Essa é primeira vez que nós viemos para Guaramiranga a gente está gostando muito, pois vimos como uma cidade tão pequena pode abarcar tantas coisas boas com um recurso pequeno” Silmara Costa, atriz e visitante do festival através do SEBRAE de Roraima

Programe-se

Amostra Coletivo Artístico Atores à Deriva: esse é o nome do grupo potiguar que irá apresentar a peça Flúvio e o Mar na Mostra Nordeste neste feriado. A peça infanto-juvenil conta a história de um menino que sai em busca do mar e, em seu caminho, encontra personagem que os ajudarão em suas escolhas, como o sábio Poeta, o inteligente Maravilhoso e o compulsivo João Insatisfação. O espetáculo, dirigido por Henrique Fontes, propõe uma reflexão muito bonita sobre nossas escolhas e conseqüências. Erratas sobre a edição III do Beija-flor: 1. A data era 06/09/2011 e a edição era a de nº 3. 2. Na matéria O FNT sobre três perspectivas, a foto 1 se rreferia a Luciano Gomes e não a Vanildo Franco como havia sido exposto.

DIA 06/09 (TERÇA)

10h

Ciclo de Debates sobre os espetáculos

Sala do Mosteiro

17h

FNT para crianças: Contação de Histórias

Praça do Artesanato

18h 19h

Mostra Paralela: Ai se cêsse Grupo: Arte Jovem de Redenção | Livre Palco Giratório Sesc: Bilú e Curisco Grupo: Armatrux | Livre Mostra Nordeste: Flúvio e o Mar

20h30

Grupo: Coletivo Artístico Atores à Deriva | 16 anos

22h

Palco Giratório Sesc: Dentrofora Grupo: In.co.mo.de-te | 14 anos

Praça do Artesanato Praça do Teatro

Praça do Artesanato Teatrinho

Informativo Beija-flor #4  

Ediçao #4 do informativo do Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, publicado no dia 7 de setembro de 2011.

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