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XVII FNT - Nº8 I 12 de setembro de 2010

Beija-Flor

Informativo do Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga

“Uma Vez, Nada Mais” é eleita melhor peça pelo público A peça foi aclamada como melhor apresentação do Festival Nordestino de Teatro pelo voto popular

FOTO: DIVULGAÇÃO

Na solenidade de encerramento do Festival Nordestino de Teatro, o público pode, enfim, conhecer qual das apresentações foi eleita a melhor, segundo seu próprio voto. A vencedora deste ano foi a peça baiana “Uma Vez, Nada Mais”, com as atrizes Aícha Marques e Maria Menezes. A peça foi escrita numa parceria entre as atrizes e a diretora Hebe Alves, e conta, imitando a técnica do Cinema Mudo e com elementos de radio e telenovelas, a história de duas mulheres apaixonadas e sonhadoras em busca da estabilidade afetiva, mas que acabam se encontrando numa cômica tragédia amorosa. Na programação da Mostra Nordeste, o FNT trouxe uma amostra da produção cênica de cada um dos estados do Nordeste. No espaço, o público pode apreciar os mais diversos tipos de estéticas e experimentações realizadas pelos grupos. Foram adaptações de tex-

tos dramatúrgicos clássicos, como os de Anton Tchekhov, e de escritores renomados como Franz Kafka e Garcia Lorca. Pudemos ver também performances inusitadas como teatro mudo e experimentação de novas formas narrativas. Apesar de “Uma vez, nada mais” ter sido eleita a melhor peça pelo voto popular, todas as outras apresentações merecem receber méritos pelo esforço e dedicação de produzir e trazer para o Festival espetáculos tão bem cuidados e de ótima qualidade. Assim teve fim a Mostra Nordeste do ano de 2010. Esperamos que no próximo Festival possamos ter o prazer de apreciar encenações tão boas quanto as deste ano e que a chama do teatro possa ter se reavivado em cada um dos atores, produtores e diretores aqui presentes para que a produção teatral nordestina possa ser cada vez mais valorizada e aplaudida.


http://agua.art.br/fnt2010/

Pela 17ª vez, o Festival Nordestino de Teatro chega ao seu último dia. Com ele, o Informativo Beija-Flor também se encerra. O nome “Beija-Flor” é uma homenagem ao jornal criado, no início do século passado, por Gustavo Barroso. Na época eram produzidas poucas cópias, ainda escritas à mão. O Informativo Beija-Flor do FNT foi lançado em 1993, na 1ª edição do Festival, mas não foi publicado em algumas delas. O Informativo Beija-Flor cobre os mais importantes acontecimentos do festival, e neste ano, mesmo sendo a primeira vez que nós ficamos responsáveis pela sua produção, tentamos manter o espírito do jornal, já tão tradicional no FNT. Foram oito dias de programação intensa para noticiar: fóruns, espetáculos, debates, oficinas, entre outras atividades do Festival. Encerramos o informativo deste ano parabenizando o XVII Festival Nordestino de Teatro. São iniciativas como essa que colocam em evidência a nossa produção cultural e que deveriam ser realizadas com mais frequência, não só em Guaramiranga, mas também em outras cidades, para que mais pessoas tenham a oportunidade de apreciar um evento tão rico em expressão cultural. Agradecemos à Água, organizadora do XVII FNT, pela oportunidade de ficar à frente do Informativo Beija-Flor e à população de Guaramiranga, que mais uma vez recebeu tão bem o jornal do evento. Até o próximo Festival.

Informativo Beija-flor XVII FNT Expediente: Liga Experimental de Comunicação Universidade Federal do Ceará

História e tradição em 17 anos de FNT

Chega ao fim o XVII Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga. E a forma que o BEIJA-FLOR encontrou de encerrar esta edição foi lembrar o início do Festival, em 1993 e sua trajetória desde então

De acordo com Luciano Gomes, presidente da Associação, existia uma “sintonia de desejos, de vontade de fazer alguma coisa pelo campo cultural da cidade, que tinha potencialidades, mas não tinha organização”. E foi essa vontade que fez surgir, em 10 de outubro de 1992, a Associação dos Amigos da Arte de Guaramiranga (Agua). “A partir desse momento em que foi criada a Agua, observamos a conjuntura do lugar. Já havia uma tradição muito forte do teatro, e decidimos criar um evento que pudesse, de uma vez só, promover o desenvolvimento da cidade e uma reflexão da cultura das artes cênicas no Ceará e no Nordeste”, explica Luciano. Na época, apenas o Teatrinho Raquel de Queiroz havia sido aprovado pelo Ministério da Educação e se parecia muito mais com um auditório que com um teatro. O teatrinho foi adaptado, foi feito camarim e palco, e nele se realizou o primeiro FNT, em 1993. No ano seguinte, por falta de patrocinadores, o Festival não pode ocorrer, voltando ao calendário anual da cidade em 1995 e permanecendo até hoje. Luciano explica que Guaramiranga passou por dois grandes ciclos econômicos: o do café e o do açúcar. “Quando é no início de 1990, começa esse movimento e um

dos primeiros eventos mais significativos que puxa esse novo ciclo é o Festival Nordestino de Teatro. Quando ele começa a acontecer, (...) na sua esteira outros aparecem, outro festivais também bem fortes como o festival de Jazz & Blues. (...) Mas o Festival foi o precursor disso, desse movimento cultural. Ele marca esse início do novo ciclo, do terceiro ciclo econômico, que é o ciclo do turismo e da cultura”, explica. É com o desenvolvimento desse novo ciclo que os hotéis, restaurantes e o Teatro Municipal Raquel de Queiroz surgem. “A feição de Guaramiranga hoje é completamente diferente daquele tempo. É um caso concreto de um município, de um povo que se desenvolveu economicamente pelo mote da cultura”, conta Luciano, e quando questionado sobre essa edição do FNT, ele avalia como muito positiva a participação de grupos dos nove estados do nordeste, participação nunca conseguida em outra edição. “Isso é um fator de representatividade muito grande (...) e mais uma vez o festival acontece com uma programação muito diversificada, descentralizada”, diz ele. E completa, “então eu vejo que foi mais uma edição de sucesso, de vitória, que esperamos que na próxima a gente consiga ainda mais.”

FNT homenageia Mestre Chagas No XVII Festival Nordestino de Teatro também houve espaço para a cultura popular. No sábado (11), último dia de evento, dois momentos celebraram especialmente o Reisado na Mostra de Cultura Popular do FNT. As apresentações aconteceram na manhã e na noite do sábado. O Reisado, cuja origem herdamos dos colonizadores, vem da tradição dos Reis Magos, que percorreram o mundo anunciando a chegada do Messias. Atualmente, por ser celebrado em várias épocas do ano, ele celebra o tema que mais diz respeito ao lugar e ao momento em que está sendo festejado. Essa manifestação foi escolhida para representar a cultura popular na mostra por conta da relação intrínseca do festejo com a cidade de Guaramiranga. Segundo Oswald Barroso, estudioso da área e participante do Festival como Artista-Pesquisador, “o Mestre Chagas é um desses Reis Magos”. “O Reisado é um patrimônio imaterial do Ceará. Guaramiranga guarda esse tesouro e deve ter orgulho disso. Guaramiranga

Profa. Glícia Pontes,Gleydson Moreira, Iane Lara, Joaquim Sobreira, Mariana Freire e Ranniery Melo www.liga.ufc.br liga@ufc.br / @ligaufc FOTO: GLEYDSON MOREIRA FOTO: GLEYDSON MOREIRA

não pode perder esse patrimônio, nem o Ceará, nem o Brasil”, afirma Oswald. “É uma celebração que mexe com todas as artes”. O Reisado de ontem celebrava o encerramento do XVII FNT. O Mestre Vicente Chagas foi homenageado em um encontro com o Mestre Gonzaga. Brincante há cerca de sessenta anos e hoje Mestre da Cultura, Vicente Chagas conta que aprendeu observando os outros “porque toda a vida eu gostei de prestar atenção nessas coisas. Aí fui inventar de fazer o boi. Fui fazendo, às vezes fazia bom, às vezes fazia mal feito. (...) Hoje eu já faço é ensinar quem não sabe.” Uma das atuais preocupações do Mestre Chagas é a continuidade do Reisado de Guaramiranga: “Quero que, por acaso, se algum dia eu faltar, que eles continuem a brincar do mesmo jeito, que não deixem acabar, não deixem cair. Porque, se por acaso, eu deixar e eles deixarem, eles não continuarem, acaba a cultura de Reisado dentro de Guaramiranga.” Há cerca de dois anos, Vicente Chagas criou um grupo de reisado formado por crianças. Apesar

FOTO: GLEYDSON MOREIRA

Editorial

Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga

do grupo estar parado, o Mestre conta que vai estar disponível se os garotos quiserem retomar, “assim como eu passei para mestre da cultura um deles pode passar”, diz ele.


@agua2010

FNT em cena

Intervenção da Companhia Pã de Teatro

FOTO: GLEYDSON MOREIRA

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Informativo Beija-flor - 2010 - #8