THE BEST OF 2022 Edição dezembro

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O ano de todos os desafios das Lideranças Saudáveis

Rita Veloso

Fernanda da Conceição Ferreira

Mentora Social e Familiar

Espelho, espelho meu, há alguém mais líder do que eu? As mulheres e os cargos de liderança em Portugal

Lídia Neves

A presença feminina nas Tecnologias da Informação DECUNIFY

Jornada da Reconexão com Ana Moreira

Six Senses Douro Valley

A Urgência imperiosa de lideranças intermédias e do planeamento das sucessões nas organizações do Setor Público

Cátia Ferreira

A Liderança no Feminino nas Empresas (vulgo Função Pública)

Ema Assunção Pereira

Liderança Feminina

Teresa Cascais, CEO e CO- Founder da Rede do Empresários

LIDERANÇA NO FEMININO | NOVEMBRO 2022 4 ÍNDICE 14 40 30

Dezembro é sinónimo de Natal, Magia e Amor. E, é também o mês de destacar as mulheres que se diferenciaram ao longo do ano 2022.

Lançamos a revista “THE BEST OF 2022” com um artigo da já conhecida Rita Veloso, Vogal Executiva do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário do Porto, onde nos fala daquilo que foram os desafios deste ano, sobretudo, ao nível da saúde mental.

No que toca à literatura destacamos o percurso profissional de Fernanda da Conceição Ferreira que para além de engenheira mecânica e professora é, também, autora do livro “Eva entrega a costela a Adão.” Uma obra que leva o leitor a olhar para a história através do amor e não do julgamento.

Nesta que é a 50ª edição da revista apresentamos Lídia Neves, advogada há mais de 15 anos, que nos fala sobre o percurso profissional da mulher quando comparada com o homem, os desafios que se impõem e as medidas a adotar para que haja uma maior igualdade de género.

E falando em igualdade, a Decunify, empresa de tecnologias da informação é uma das marcas portuguesas que se comprometeu a lutar contra esta questão. Conta já com várias mulheres a representar cargos na empresa, seis delas estão em destaque nesta edição.

Com o novo ano aí à porta surgem experiências capazes de renovar o corpo e a mente para mais 12 meses de oportunidades e desafios. A Jornada da Reconexão abriu portas a três dias de retiro de saúde e bem estar no hotel Six Senses

Douro Valley, sob a orientação da Dra. Ana Moreira, médica com especialização em Medicina Integrativa.

Cátia Ferreira, Vogal Executiva do Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira fala na importância de inspirar as equipas no que toca à liderança e do planeamento das sucessões no setor público.

Para além de todos estes exemplos de liderança feminina, realçamos Teresa Cascais, Ceo e Co-Founder da Rede do Empresário que criou uma rede para empresários, com o objetivo da criação de novos produtos e gerar a diferenciação no mercado.

Ema Assunção Pereira exerce funções no Município de Paços de Ferreira, com 30 anos apresenta um vasto currículo de conhecimentos, o mais recente, um doutoramento em Médias Digitais. Fala na primeira pessoa acerca do seu percurso profissional, das funções enquanto técnica superior de comunicação e, o gosto pela escrita.

A cada um de vós que apoia este projeto e a todas as mulheres de sucesso desejamos uma quadra feliz! E um ano de 2023 repleto de alegrias!

São os votos desta equipa que vos presenteia todos os meses com os melhores exemplos de liderança feminina.

Boas Festas.

Boas leituras!

NOVEMBRO 2022 | LIDERANÇA NO FEMININO 5 ÍNDICE
Editorial

O ano de todos os desafios das Lideranças Saudáveis

2022 foi em particular, o ano de todos os desafios das nossas lideranças nas mais diversas áreas, como chefia ou como colaboradora, como colega, como mãe, como filha, como esposa, como cidadã, como Pessoa.

Todos estes nossos papéis requerem lideranças saudáveis, equilíbrio, bom senso. Vivemos dois anos que, esperamos, sejam irrepetíveis com a chegada da Pandemia, e que não nos deixarão indiferentes. Efetivamente nenhum líder estava preparado para o que viria depois. Quando a pandemia parecia adormecia, acorda a guerra na Ucrânia e que não nos deixou levantar, deixando marcas até hoje profundas. Na economia, na responsabilidade social, na nossa segurança. Conhecemos hoje um mundo muito mais exigente, no qual apesar de todo o impulso tecnológico, a importância da individualidade de cada Pessoa em todo o ecossistema atingiu o seu limite máximo. Todos sabemos o que sentimos durante todo este tempo e muitas vezes não conseguimos simplesmente explicar.

Para as instituições e empresas tem sido um desafio enorme “competir” com o sofá de casa das suas Pessoas, tendo que ser criativas em espaços, momentos para que a vontade de regressar, ainda que em parte, ao trabalho físico, ainda exista – caso contrário, onde ficará a cultura tão própria e carismática de cada instituição?

Para os adolescentes, o atraso provocado pelo isolamento em casa, pôs a nu o tema da saúde mental nos jovens e jovens adultos. E nos bebés geração “máscara”, não saberemos em

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“Temos de aprender a não ser tão exigentes connosco próprios e acreditar que fomos capazes de fazer os outros que nos rodeiam crescer.“
Créditos: Gil Araújo

concreto o impacto no desenvolvimento de algumas competências sociais que começam no dia do seu nascimento e que farão deles próprias Pessoas com necessidades, propósitos e formas de liderar um dia, diferentes.

Para os que trabalham em instituições de saúde, este impacto, não pretendendo dizer ter sido maior, foi de certo diferente. Concretizando, para mim em particular, como para muitos outros colegas, não soubemos o que foi ficar um único dia em casa em teletrabalho. A rotina casa-hospital parece ter contribuído para um certo equilíbrio, mas que trouxe a seu tempo as suas conse-

quências. Em 2021, em pleno pico pandémico, exatamente no local onde todos os dias

“CONHECEMOS HOJE UM MUNDO MUITO MAIS EXIGENTE, NO QUAL APESAR DE TODO O IMPULSO TECNOLÓGICO, A IMPORTÂNCIA DA INDIVIDUALIDADE DE CADA PESSOA EM TODO O ECOSSISTEMA ATINGIU O SEU LIMITE MÁXIMO

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Créditos: Gil Araújo Créditos: Gil Araújo

pelas 08:00 estaciono o meu carro, enfrentava a fila dos “sacos pretos” transportados em maca e que todos sabíamos o que representava. Diariamente tentamos motivar e inspirar as nossas Pessoas, quando nós próprios precisamos de ajuda. Nos hospitais estamos sempre focados nos doentes que nos chegam de fora e por vezes ignoramos as nossas Pessoas que também possam estar doentes, mentalmente doentes e a sofrer em silêncio. Lidamos com temas sensíveis como o suicídio (e tentativas de), assis-

timos a atos de quase desespero provocados pelo burnout e tentamos seguir em frente acreditando que é nosso dever gerir a crise, mas preparar o futuro pelas nossas Pessoas, com as nossas Pessoas para as nossas Pessoas. Por isso o meu 2022 começou com a procura de um equilíbrio interior e conciliação da vida profissional e familiar, tão essencial ao nosso bem-estar. Esta procura passou por encontrar na psicoterapia as ferramentas necessárias para os desafios que aí vinham. E

eram, e são, tantos! Este tema da saúde mental não pode nem deve continuar a ser um estigma ou assunto não falado dentro das nossas Organizações. A minha motivação clara nesta procura de ajuda foi:

Quando tudo na vida das nossas Pessoas falha, a nossa liderança saudável não pode falhar.

Cedo tomei consciência de que não se é líder por decreto ou mera nomeação. Para os cargos designados formalmente atribuem-se outras desig-

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DIARIAMENTE TENTAMOS MOTIVAR E INSPIRAR AS NOSSAS PESSOAS, QUANDO NÓS PRÓPRIOS PRECISAMOS DE AJUDA
Créditos: Gil Araújo Créditos: Gil Araújo

nações que todos conhecemos (umas mais modernas do que outras): chefe, diretor, responsável e respetivos estrangeirismos: chief, director, head. Todos estes cargos topo requerem skills que vão muito além da formação base, formação contínua, mba´s, congressos, livros, artigos. E que não se ensinam, sem ser na verdade sentidas e experienciadas. Aliás, atrevo-me a dizer que todos, enquanto gestores, seremos bastante conhecedores dos conceitos e boas práticas de uma boa liderança. Os nossos extensos currículos demonstram isso mesmo. Várias vezes me questionam qual o melhor curso para investir se quisermos aprender mais sobre como gerir bem as nossas Pessoas. Ironicamente por vezes tenho a tentação em responder “quase todas as Pessoas em lugares como o meu fizeram a mais variadíssima formação executiva nestas áreas e parece que na hora de agir o vulgo “bom-senso” não aparece nas suas ações, fazendo perder na prática as longas horas (e euros) de investimento em formação.”

Estaremos todos no mesmo ponto de partida para liderar? E para nos auto-liderar? E para procurar ser um líder saudável? No limite, a derradeira questão poderia ser, estarei eu disponível para seguir o líder que eu sou? Seria eu próprio influenciado por “ele”? Antes de mais, influenciar alguém é motivá-lo a fazer algo, por vezes, nunca feito. E motivar, por sua vez, é mais do que dar ânimo: é dar um propósito, propósito para trabalhar a favor de todos os níveis da organização, aprendendo com as pessoas, independente da hierarquia. Quem

me conhece sabe, nos lugares por onde passo (e efetivamente já foram alguns), encontro-me sempre com Pessoas extraordinárias e que me fazem ganhar o dia com um simples café logo pela manhã, e as curtas, mas necessárias conversas de 5 minutos sobre a vida quotidiana, nossa e dos que nos rodeia, necessárias porque nos torna genuínos e nos mantêm saudáveis.

Há uns meses uma Pessoa, líder, que muito respeito, me dizia, na presença da minha Francisca, que escolher ser médica ou médico por profissão poderá conter em si um lado altruísta, mas também, e se calhar em maior parte, um lado egoísta. Assim também o será quando decidimos manter-nos em lideranças que nos sugam a energia, mas nos fazem incansavelmente felizes. Poder mudar a vida para melhor de uma qualquer outra

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Créditos: Gil Araújo

Pessoa, próxima ou perfeita desconhecida, faz-nos inevitavelmente bem e fazemo-lo, estou certa, por esse mesmo motivo também: fazer bem às outras Pessoas, faz-nos bem a nós próprios. Chegar a casa no final de mais um dia e sentirmos no seu ímpeto a expressão “missão cumprida” é efetivamente um vício e que, assim queiramos, não terá fim. Mas como encontrar equilíbrio quando algo falha na vida das nossas Pessoas e sentimos que a nossa liderança não lhes poderá falhar também?

Todos nós já tivemos nas nossas equipas Pessoas que desistiram ou encontraram uma alternativa melhor. Penso nisso de forma séria cada vez que sou surpreendida (às vezes nem assim tão surpreen-

dida) por esses “abandonos”?

E penso para mim, eu que já troquei várias vezes de projeto e de equipa, estes percursos nem sempre são da responsabilidade de quem lidera. Mas alguns serão. Não tenho qualquer dúvida. E teremos Pessoas que desistem (pelos mais variadíssimos motivos), mas que necessariamente não abandonam as nossas equipas, e é precisamente estas que devemos tentar recuperar. Recordo o dia em que recebo uma chamada de um dos meus coordenadores, a A. tinha acabado de ingerir medicação em excesso durante a hora de serviço. Estava paralisada, sem qualquer reação, e irredutível em não contar o que havia tomado. Nesse momento voei a maior e mais rápida corrida

dentro daquele meu hospital. Sabia, porque estava atenta e os colegas também, que a sua vida em casa estava numa fase mais que difícil para si e para os seus. Sabia porque sempre me preocupei bastante com a felicidade e o equilíbrio das minhas Pessoas. E porque sabia exatamente o que se estava a passar, estaria em melhores condições de ajudar. Era hora de agir e transportar a nossa função muito para além das portas da nossa Organização. A. recuperou, agiu com coragem e seguiu em frente. Sentiu necessidade de mudar de rotina, saiu da nossa equipa e uns anos mais tarde regressou. Recebia com a mesma energia e enorme felicidade. A sua vida tinha ganho novo sentido outra vez. Foram vários,

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Créditos: Gil Araújo

muitos, os momentos em que fui “chamada” a agir – não só como líder, mas como comum Pessoa com especial sentido de responsabilidade sobre os que me rodeiam. E várias as vezes que os outros que me rodeiam no trabalho, tiveram também eles essa função em mim. É um círculo virtuoso, este dar e receber de equilíbrio e energia.

Efetivamente, o grande desafio nos dias de hoje é estar disponível para os outros, mas também para nós, procurando um equilíbrio entre o que nos preocupa, o que nos causa ansiedade, o que nos cansa e entre o que nos orgulha, nos motiva e nos enche o coração. O trabalho não pode ser uma exceção. E devemos estar atentos aos primeiros sinais de algum desequilíbrio e tentar compensar ou, se esta situação tender a piorar, no limite, procurar ajuda. Nos dias de hoje a saúde mental deve fazer parte da nossa agenda e as instituições devem pensar na sua estratégia em matéria de Pessoas incluindo a tão importante saúde mental.

A maioria de nós não dispõe de suporte ou ferramentas orientadas à saúde mental, o que influencia as Pessoas, causa o seu afastamento e pode levar à ausência de motivação trazendo uma sensação de inércia profissional sem esquecer que o clima organizacional ele próprio impacta na saúde mental das suas Pessoas. E algumas dessas Pessoas são, inevitavelmente, os líderes das nossas organizações. Daí a sua determinante importância em se manterem saudáveis.

Afinal de contas, quantos de nós contacta as suas Pessoas para saber simplesmente

como estão quando se encontram em “casa”, por vezes, durante meses? Ou quantos de nós faz periodicamente reuniões, mais ou menos formais, para perceber apenas como podemos ajudar as nossas Pessoas a que se sintam melhor no seu local de trabalho? Segundo Patrick Lencioni, no livro “The Five Disfunctions of a Team“, existem cinco aspetos (os quais denomina de “disfunções”) que levam uma equipa e, consequentemente, as lideranças, a enfrentar desafios: Falta de Confiança, Medo de Conflitos, Falta de Comprometimento, Evitar Responsabilizar e Falta de Atenção aos Resultados. Eu acrescento dois ingredientes essenciais: empatia e paixão. Todos nós conheceremos Pessoas em lugares de liderança, com currículos repletos de formações reconhecidas e experiência profissional invejável, mas que não serão suficientes para fazer emergir uma liderança inspiradora. Na maioria dessas Pessoas eu tenho sentido falta precisamente de empatia e paixão. Pelos projetos, pelas outras Pessoas, pelo que fazem no dia-a-dia. E nunca é demais lembrar que, tal como numa relação entre um casal, a paixão é precisamente aquilo que nos mantém “lá” quando algo falha ou corre menos bem. E no trabalho é mais que certo, algo vai inevitavelmente falhar ou correr menos bem. Vezes e vezes repetidamente. E teremos de ter uma grande coragem e segurança psicológica para aceitar e aprender a liderar com humildade pessoas que vão saber sempre muito mais do que nós próprios sobre muitíssimos temas, e que terão necessidades e pen-

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O ANO EM QUE TAMBÉM APRENDI QUE NEM SEMPRE SE DEVE DIZER “SIM” E QUE SE DEVE SER CLARA NA MENSAGEM “FAÇO, MAS PRECISO DE AJUDA” OU ENTÃO “AJUDO NO QUE PUDER” – MAS NÃO ACARRETANDO PROBLEMAS OU CULPA DE ALGO QUE NÃO É NECESSARIAMENTE DA MINHA RESPONSABILIDADE
FOI

samentos diferentes. Muitas vezes gestos tão simples como apenas perguntar “Em que posso ajudar?” fazem, estou certa, toda a diferença. Obviamente que o nosso investimento pessoal no conhecimento do estado-de-arte da nossa área de negócio é fundamental para esta liderança. Mais uma vez, como poderemos inspirar toda uma organização se não conhecemos as tendências mais recentes, se não procuramos incansavelmente os melhores exemplos que os outros “de fora” nos terão para oferecer?

Quem me conhece sabe. Os afetos, os carinhos, os abraços, a partilha, contam e muito. O “em que posso ajudar?” em cada telefonema ou reunião em que somos à ação faz parte da minha rotina genuína. Um líder deve ter a capacidade de motivar as suas pessoas de forma positiva e de conseguir apresentar o clima organizacional da sua instituição com objetivo de proporcionar experiências positivas com base em aspetos motivacionais, evitando assim o absenteísmo, incentivando o desenvolvimento pessoal para que com resiliência e motivação possa exercer a sua função sem que desenvolva síndromes e/ou traumas psicológicos. Estarão as nossas organizações a investir nestas áreas de suporte emocional e de saúde mental? Na promoção da qualidade de vida das suas Pessoas? A segurança psicológica vinda da parte das nossas lideranças é o ingrediente chave para a felicidade no trabalho. E essa segurança psicológica só se mantém no tempo se os líderes também eles procurarem manter-se saudáveis. Nem que

para isso, precisem de recorrer esporadicamente, eles próprios a ajuda. E 2022 colocou todos estes temas na ordem do dia. Apostamos na avaliação interna no âmbito de ambientes de trabalho saudáveis, apoiamos o desenvolvimento de skills de lideranças saudáveis e felizes às nossas chefias (sem estes líderes saudáveis e felizes esta mudança cultural dificilmente acontecerá dentro das nossas Organizações) , seja como ações de formação, coaching, ou apenas estratégias de role-modeling, e criamos condições que facilitem e libertem tempo dos nos colaboradores para essa conciliação trabalho-família-vida pessoal como a submissão de uma candidatura a um projeto piloto de trabalho híbrido ou o desenho na APP do nosso hospital da possibilidade de aquisição de refeições em regime takeaway. A disponibilização em breve da creche, acreditamos, também será uma grande mais-valia. Neste seguimento, para este Natal pedi “apenas” dois desejos: a criação de um banco solidário digno e a disponibilização de consultas de psicologia para as nossas Pessoas. A inovação e a melhoria da experiência e dos cuidados prestados aos nossos doentes tem sido o meu enorme foco mas, de forma honesta, enquanto não conseguir encontrar soluções que satisfaçam as necessidades básicas das nossas Pessoas, não conseguirei descansar. Quem priva comigo diariamente sabe a quantidade de energia que tenho alocado ao seu bem-estar. Mas 2022, foi também um ano de superação na vida pessoal, com investimento no meu

doutoramento, o regresso à atividade de docência académica e publicações, a entrada dos meus dois filhos no ensino secundário e a concretização de um grande objetivo: chegar aos 40 anos com os meus dois filhos com 15 anos. Mas qual a real importância deste marco?

Tendo sido uma mãe jovem para a minha geração, cedo me vi de certa forma em contraciclo para com o meu grupo de amigos: quando queriam sair à noite eu andava no meio das fraldas e nunca perdi o pensamento “Rita, quando tiveres 40 anos, os teus filhos terão 15 anos e tu ainda terás um mundo todo para abraçar pela tua frente.” Curiosamente, hoje sou eu quem quer sair à noite e são precisamente esses meus amigos que andam nas fraldas. E acreditem, sabe mesmo bem (uma pequena vendetta) dizer: “Hoje jantar. Sem crianças.” Foi o ano em que também aprendi que nem sempre se deve dizer “sim” e que se deve ser clara na mensagem “faço, mas preciso de ajuda” ou então “ajudo no que puder – mas não acarretando problemas ou culpa de algo que não é necessariamente da minha responsabilidade.” Aprendi que existe um banco de horas para nós próprios, e que o meu claramente estava com um saldo no limite do negativo, contra mim própria. Aprendi que são centenas as decisões (grandes ou pequenas que tomamos diariamente e que nos vão pesando a mochila). Consegui revisitar o passado e recriar hábitos que me trazem equilíbrio, escrever, correr pela manhã, ouvir música no carro por minha livre seleção (e não as rádios comerciais sempre interrompidas por

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AOS 40 ANOS TEREI 2 FILHOS COM 15 ANOS

publicidade, informação ou desinformação mas que não nos permite relaxar). Fiz as viagens há muito prometidas com os meus filhos, como Nova Iorque ou Londres e os maravilhoso sunset na companhia dos seus amigos e com quem tanto me diverti. Sim, não escondo como Mãe, a adolescência é uma fase exigente para nós mas ao mesmo tempo maravilhosa. Poder estar simplesmente a jantar e a interagir sobre temas complexos em comum, tem sido outro dos meus aprendizados. E aprendi a pensar antes de reagir a coisas simples, como um “deixei a porta-moedas no autocarro, mãe, desculpa.” Lema de 2022 na matéria: “sorrir e acenar” (para os fãs do filme de animação Madagáscar). Foi um ano de jantar e ficar fora sozinha (se necessário) sem remorsos ou preocupações para os que ficam, e ser

surpreendida com o meu telefonema às 07:15 para os meus filhos (obviamente para garantir que tudo estava bem) sendo confrontada do outro lado pelo Ricardo, que nem me deixou falar: “sim Mãe, já estamos a pé a caminho do autocarro. E não Mãe, não sei porque estás a telefonar” (a ironia foi óbvia). E dar por mim a pensar, a mudança em mim própria tinha mesmo de acontecer. No final, temos de aprender a não ser tão exigentes connosco próprios e acreditar que fomos capazes de fazer os outros que nos rodeiam crescer. E que tudo isto contribui para o nosso equilíbrio, e para nos manter saudáveis.

Deixo aqui a minha humilde e curta mensagem para 2023, como aliás escrevi no início: Quando tudo na vida das nossas Pessoas falha, a nossa liderança saudável não pode falhar!

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Fernanda da Conceição Ferreira

Fernanda da Conceição

Ferreira tem o orgulho de possuir um currículo repleto de experiências, qualidades e valências. É engenheira mecânica, professora, autora, mentora social e familiar, terapeuta de bem-estar emocional, política e fundadora da associação Amar Eva. Mas antes de tudo isso, é Mulher.

Fernanda da Conceição Ferreira é, entre muitas outras coisas, autora do livro Eva entrega a costela a Adão. Um livro narrado na voz do amor, que nos mostra que temos o poder de mudar tudo o que desejarmos à nossa volta. No decorrer do livro, o leitor é levado a percorrer a história olhando-a pelos olhos do amor e não do julgamento, e a compreender que todas as suas ações interferem com o

seu mundo envolvente, e em especial, com a família. Este livro vem criar um questionamento no subconsciente de cada mulher que o lê. Leva-nos a questionar se, nós, mulheres, carregamos a culpa de Eva, ou se continuamos num papel de submissão ao homem, por causa de termos a sua costela.

Refletindo sobre a sua vida, e sobre o seu mais recente livro, Fernanda tem apenas uma am-

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bição, a de que o mundo seja um lugar onde os direitos não sejam um privilégio, mas sim um dado adquirido. No período inicial da sua vida académica estudou engenharia mecânica, curso este, predominantemente frequentado por homens. Fernanda foi a primeira da família a ingressar no ensino superior e a primeira a romper com a tradição, vigente principalmente nos meios mais pequenos, que ditava que as meninas tinham de ficar em casa a fazer coisas rotineiras, enquanto os rapazes tinham mais hipóteses de mundo por descobrir. Refletindo sobre isto, a autora afirma que o maior desafio que sentiu nesta altura foi “tentar provar que uma mulher também pode ser inteligente, ao ponto de tirar um curso tão difícil, como engenharia mecânica, e que também pode escolher fazer algo que na altura era quase exclusivo dos homens.” Fernanda é a única menina no meio de quatro irmãos, e ao longo da sua vida, este fator de exclusividade, ou quase de diferença e distinção, manteve-se presente noutros parâmetros do seu dia a dia. Na escola era a única menina da turma; na faculdade, apesar de contar com algumas colegas, o número era reduzido. Até quando ingressa no mundo do trabalho como engenheira mecânica,

numa multinacional do ramo automóvel, Fernanda Ferreira era quase a única mulher e afirma “não era fácil para mim menina, viver sozinha e trabalhar no meio de homens.”

“A luta pela igualdade de género é algo que hoje em dia se legisla, mas que para as mulheres, em especial as que nasceram antes do 25 de abril de 1974, trouxe muitas lágrimas, depressões, suicídios, violência e eu não fui imune à maior parte dessas coisas.”

Entretanto, aos 25 anos, a vida da autora acaba por mudar de rumo. Fernanda casa e abandona a profissão para se dedicar à sua família. Nasce então o seu filho e com uma diferença de apenas 11 meses nasce também a sua menina. No entanto nem tudo são flores e felicidade e com o ambiente familiar degradado, Fernanda procura um novo emprego. Decide licenciar-se em Ciências da Educação. A posterior paixão pela área social é uma consequência do seu trabalho nas escolas. “Comecei a sentir a tristeza no olhar das mães e a perceber que muito do desinteresse nos estudos pelos alunos e o mau comportamento vinha de casa, de famílias vulneráveis e que essa vulnerabilidade tinha muitas causas. Nesse momento comecei por fazer peças de teatro envolvendo os alunos

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EVA ENTREGA A COSTELA A ADÃO, UM LIVRO ESCRITO PELA PERSPETIVA DO AMOR E NÃO COM A DO JULGAMENTO
NÃO ERA FÁCIL PARA MIM MENINA, VIVER SOZINHA E TRABALHAR NO MEIO DE HOMENS

para chamar a atenção dos pais e da comunidade para algumas temáticas consideradas tabus, mas que acabaram por despertar consciências.”

Fazendo valer a sua polivalência de funções é neste momento que a engenheira mecânica, professora, autora, entre outras valências, opta por se juntar à política com o objetivo de conseguir ajudar mais pessoas. Fernanda foi deputada municipal durante dois mandatos, e fez também parte da comissão alargada da CPCJ. Durante esse tempo realizou juntamente com a sua bancada, várias palestras e seminários sobre a educação e a família que visavam ajudar pais, mães e filhos. Como era também membro da associação de pais, Fernanda complementou o seu trabalho com uma simbiose entre tudo o que podia proporcionar às crianças e promoveu debates, teatros e atividades dirigidas à comunidade. Pode-se afirmar, que ajudou muitas pessoas, “o gosto por ajudar começou a aumentar a cada sorriso novo que se cruzava comigo ou a cada agradecimento.”

Confrontada com mais uma reviravolta da vida, é no ano do seu divorcio que Fernanda se depara

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PERCEBENDO QUE O QUE FAZIA NA ESCOLA ERA POUCO E NO SENTIDO DE A MINHA MENSAGEM PODER CHEGAR MAIS LONGE ENVOLVI-ME NA POLÍTICA

também com o maior desafio da sua vida profissional. Consequência da reforma no ensino, fica sem componente letiva na escola onde trabalhava perto de casa e volta a exercer a primeira profissão, de engenheira mecânica na Agência Portuguesa do Ambiente, sem nunca desistir face às dificuldades.

Mais uma vez Fernanda encontra condições semelhantes às de quando andava na escola, os homens eram a maioria e no curso de exploração e segurança de barragens que frequentou, dos 27 participantes, apenas 8 eram mulheres.

Apesar de a maioria serem homens, foi nesse momento que a engenheira reconheceu que “como mulher tinha aprendido a valorizar-me e a respeitar-me como ser humano. Não há trabalho para mulheres ou para homens, e quando percebi, aceitei e senti-me ainda mais feminina neste meu corpo de mulher percebi que haviam demasiadas mulheres e famílias a sofrer, só porque define-se e aceita-se as caraterísticas impostas pela sociedade, logo que se está na barriga da mãe e que se sabe o sexo do bebé.”

Após um percurso de 3 anos na Agência Portuguesa do Ambiente Fernanda volta a lecionar na escola e desta vez com um conhecimento da realidade fora da escola muito mais alargado. Contudo e apesar de 3 anos terem passado pouca coisa mudou. Continuou a “sentir e a ouvir os desabafos e as tristezas nos olhares” dentro das salas de aula. A preocupação ficou ainda maior

quando recentemente chegou o confinamento, as aulas á distância e o aumento de todas as condicionantes que despertaram ainda mais os problemas que as famílias vivem.

LIVRO, EVA ENTREGA A COSTELA A ADÃO

Ao observar que os problemas de sempre continuavam, sem esperança de cessar no futuro, Fernanda depositou neste livro os seus pensamentos e ensinamentos procurando “sensibilizar o leitor para problemas que estão no nosso subconsciente e que só conseguimos mudar quando tomarmos consciência das coisas.”

“Ouço muitas vezes as famílias a darem a desculpa de “sempre foi assim”, “já o meu pai/ mãe assim faziam” e é apenas quando olhamos para o que nos preocupa com um olhar mais atento que percebemos que ainda há muito por fazer.”

O mote deste livro está na seguinte questão:

“Nós, mulheres, carregamos a culpa de Eva ou continuamos num papel de submissão ao homem, por causa de ter a sua costela?”

Esta interrogação permanece até ao fim do livro e ao longo das páginas dele é possível

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“QUANDO SE DEPAROU COM AS DIFICULDADES ENFRENTADAS PELAS CRIANÇAS, FERNANDA TEVE VONTADE DE ESCREVER O SEU MAIS RECENTE

encontrar as consequências desses comportamentos na vida de duas crianças, a Maria, negligenciada e que acaba por se tornar vítima de abuso infantil. E o José que vive num ambiente familiar de violência doméstica e na escola é também vítima de bullying. Estas duas crianças crescem e carregam inevitavelmente com elas essas feridas emocionais que não lhes permitem ter uma vida afetiva normal. Pouco ou nada se fala de sexualidade, de prevenção de abusos e até de como acabar com o bullying e assim sendo, correm o risco de, sem ajuda, repetir tudo outra vez.

Esta obra que pretende alertar as famílias e o público em geral para o abuso sexual na infância, apela à sensibilização do bullying, da sexualidade, da violência doméstica e de deve-se olhar todos estes temas de forma a minimizá-los, fazendo com que seja cada vez mais fácil compreender e aceitar a dor, que se não for vista, não vai passar. E inclusivé irá continuar a fazer vítimas e a alimentar agressores que muitas vezes não têm consciência de que o estão a ser.

Eva entrega a costela a Adão, é um livro que pretende muito mais do que ser apenas lido e interpretado como uma história. É um livro que todas as famílias e que todos aqueles que trabalham com crianças e jovens deveriam tirar algum tempo para ler. O objetivo final de Fernanda da Conceição Ferreira é que com esta obra, juntos, possamos encontrar uma solução que leve à diminuição do número de mulheres mortas pelos companheiros, e à minimização do número de suicídios nos homens e nos

jovens, que apesar de ser um tema fundamental, é ainda uma realidade pouco falada.

FERNANDA DA CONCEIÇÃO

FERREIRA, MENTORA CERTIFICADA PELA REDE GLOBAL DE MENTORES, FOI DISTINGUIDA EM BUENOS AIRES PELO SEU TRABALHO EM TEMAS COMO A IGUALDADE DE GÉNERO, A DIVERSIDADE E A INCLUSÃO

mentores no trabalho. O que quero dizer com isto, de uma maneira simples é que o mentor é alguém a quem reconhecemos sabedoria e com quem queremos aprender algo (...) Tenho a certeza que teria resolvido os meus problemas de uma maneira mais rápida, mais eficaz e sem ter que derrubar tantos obstáculos se alguém me tivesse guiado e dito que não vale a pena lutar contra os obstáculos que os podemos contornar, ou então que há obstáculos que mesmo depois de ultrapassar não nos levam a lado nenhum.”

Para além de tudo o que foi abordado até agora, Fernanda é também mentora social e familiar. Afirma que a mentoria é não só necessária como inata ao ser humano. “Ao longo da nossa vida temos vários mentores, primeiro os pais, depois a família e os professores, mais tarde encontramos

O mundo gira a uma velocidade astronómica e cada vez maior. Sendo expostos a tantas mudanças e problemas, o ser humano pode acabar por adoecer se não conseguir gerir o seu tempo eficazmente e um mentor é uma boa solução para equilibrar a vida pessoal e profissional. O mentor consegue, através da sua experiência e formação levar o ser humano a conhecer e descobrir as suas potencialidades, dons e qualidades que tem adquiridas, mas que por vezes

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não tem coragem de mostrar por medo a ser abandonado, rejeitado, humilhado, traído ou injustiçado.

Na primeira vez que subiu a um palco para se dirigir a uma comunidade escolar, Fernanda foi questionada sobre quem era, ao que intuitivamente respondeu “Sou a pessoa que dá Alma ao melhor que tens em ti” e é isso que continua a fazer como mentora.

adquiridas, mas como cada vez mais presenteados com a qualidade de uma empresa gerida por mulheres.

“Uma mulher é naturalmente cuidadora, cuida de si e de todos à sua volta e uma empresa com uma equipa feliz, será certamente uma empresa de sucesso.”

da junta da cidade ou a algum órgão de uma estrutura politica. Tudo isto acontecia da forma mais natural possível… como se o facto de ser mulher baixasse automaticamente as suas competências.

“A verdade é que quando fazemos as coisas por paixão e porque acreditamos no nosso potencial e no nosso valor essa discriminação inicial, sempre que não a valorizamos, vai-se transformando em admiração à medida que vamos desenvolvendo o nosso trabalho.”

“A POLIVALÊNCIA DA MULHER COMO MÃE, PROFISSIONAL, CUIDADORA, RESPONSÁVEL PELA GESTÃO FAMILIAR E FINANCEIRA DO LAR, DÁ-LHE MUITAS VALÊNCIAS ADQUIRIDAS NA PRÁTICA E QUE COLOCA AO DISPOSIÇÃO DAS EMPRESAS DE FORMA INATA

Trabalhando em várias áreas onde a maioria eram os homens, Fernanda já sentiu na pele o que é ser discriminada pelo seu género. “Todos somos sujeitos a discriminação, mas as mulheres em particular têm ainda um trabalho árduo pela frente (...)

A Associação Amar Eva surgiu para combater a discriminação que Fernanda sofreu, que muitas mulheres sofrem… Esta associação tem o principal objetivo de informar, sensibilizar e criar estudos sobre temas de discriminação, em especial na igualdade de género.

Colocar mulheres em cargos de máxima importância é apostar no profissionalismo. “A mulher por tudo o que foi capaz de fazer e criar ao longo dos tempos na luta pelos seus direitos desenvolveu a capacidade inata de ser multifuncional, de fazer várias coisas ao mesmo tempo e saber dirigir o seu principal foco para o que realmente interessa, no momento.”

Cada vez temos vindo a ver mais mulheres em cargos de líderança, e isso está naturalmente ligado às suas capacidades naturais. Não que alguns homens não as tenham

É difícil não sentir que estou a ser discriminada quando o diretor da produção é um homem que acha que uma mulher não tem força, logo não pode desempenhar a função de uma engenheira mecânica.” Fernanda sentiu discriminação como engenheira mecânica, mas até como professora o mesmo aconteceu. Assim que chega a uma escola para lecionar a disciplina de práticas oficinais de mecânica, recuperação de espaços verdes, ou até de eletricidade de instalações, as suas capacidades são imediatamente questionadas apenas por ser mulher.

O mesmo acontecia quando fazia uma intervenção na assembleia municipal ou quando se candidatou a presidente

A Associação Amar Eva almeja, mais que mudar o mundo, começar a dar os primeiros passos para compreender o que está por trás da discriminação e com isso levar à sensibilização de todos aqueles que estão no nosso meio envolvente. “Se cada um fizer a sua parte vamos perceber que todos temos um mundo à nossa volta!”

Amar Eva tem por missão aprender a amar a tua essência, aquilo que és e a perceber o que te impede de o ser.

“Uma mulher tem o poder de colocar limites; tem o poder de valorizar-se; tem o poder de ser mãe, de ter um companheiro ao seu lado que a respeite, a admire acima de tudo tem o poder de ser feminina e assumir as responsabilidades do seu êxito profissional e pessoal.”

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ASSOCIAÇÃO AMAR EVA NASCEU PARA COMBATER A DISCRIMINAÇÃO

meu, há alguém mais líder que eu? As mulheres e os cargos de liderança em Portugal

Lídia Neves, Licenciada em Direito pela Universidade Católica de Lisboa, com mais de 15 anos de experiência, é Advogada da Miranda & Associados onde exerce a sua atividade predominantemente nos diversos ramos da Propriedade Intelectual e Tecnologias da Informação. Para além de ter concluído uma Pós-Graduação em Direito da Propriedade Industrial pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, obteve também o grau de Mestre em Direito pela Universidade Católica de Lisboa. É Agente Oficial de Propriedade Industrial junto do Instituto Nacional de Propriedade Industrial bem como European Trademark and Design Attorney junto do European Union Intellectual Property Office. É ainda árbitra no ARBITRARE - Centro de Arbitragem de Propriedade Industrial, Nomes de Domínios, Firmas e Denominações, Membro da Direção da Federação de Advogados de Língua Portuguesa (FALP) e da Associação ProPública – Direito e Cidadania e Embaixadora da Humanity Summit.

A desigualdade de género é uma realidade tão antiga quanto a luta contra ela. O movimento de luta pela igualdade de género internacionalizou-se com a instituição do dia 8 de março de 1910. Este movimento tem mais de cem anos e, nas últimas décadas, têm surgido vários movimentos e iniciativas de luta pela equidade de género, mas o avanço tem sido lento.

Na verdade, apesar de mais de 50% da população mundial ser constituída por mulheres, apenas menos de 10% ocupam lugares de topo no mundo corporativo. No que se refere a cargos de direção a percentagem aumenta, mas, mesmo assim, está abaixo dos 20%. No caso de Portugal, de acordo com o Fórum de Gestão de Dados de Investigação, em 2020, apenas 14% das mulheres ocupavam cargos executivos e somente 6% pertenciam a Conselhos de Administração. Se dermos uns passos até ao passado, na indústria automóvel, até 2011, os testes de colisão automóvel eram feitos como manequins com as medidas do homem médio. Por esse motivo, os cintos de segurança não tinham em consideração a forma do corpo feminino ou das crianças, o que causava um risco de ferimentos em acidentes de automóvel superior aos homens e um risco de morte maior de cerca de 17%. Nas tecnologias móveis, assistentes virtuais como o Google Voice e o Apple Siri inicialmente respondiam menos frequentemente às perguntas das mulheres do que às dos homens devido ao facto de as bases de dados estarem concentradas com dados masculinos. No domínio bancário, uma

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Espelho, espelho

concentração semelhante em sistemas de inteligência artificial resultou na concessão de linhas de crédito inferiores às mulheres apesar de mostrarem indicadores de solvência iguais ou superiores aos dos homens. No campo biomédico, no século passado, muitos dos testes clínicos eram baseados na hipótese de “homem branco de 70 Kg” servir como um bom representante médio da espécie humana, o que levou a que tivessem sido desenvolvidos vários medicamentos insuficientemente testados em mulheres. Em consequência, no final dos anos 90, cerca de 80% dos medicamentos tiveram de ser retirados do mercado americano por acarretarem maior risco de saúde para as mulheres.

A verdade é que, recuando no tempo, vemos a mulher como cuidadora, em comparação com o homem que era visto como o responsável pela tomada de decisões, pelo auferimento de rendimentos, o elo mais forte. Esta conotação foi sendo esbatida ao longo dos anos, mas o preconceito de género, etnicidade, atitudes culturais e a resistência à liderança feminina e a ambição são ainda fatores que têm ditado o papel e evolução da mulher. Durante alguns anos, era comum o uso da expressão “a primeira mulher” a atingir alguma coisa. Tínhamos notícias como a primeira mulher no exército ou espaço. Atualmente, as mulheres estão presentes em todas as esferas, profissões e atividades.

Há 60 anos, os percursos profissionais eram ditados em função do género, sendo que, tradicionalmente, as mulheres tinham profissões como

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professoras primárias e enfermeiras. Atualmente, apesar de toda a evolução, o mercado de trabalho continua muito segregado. Há uma tradição nos papéis e nas profissões ocupadas por homens e mulheres. A título de exemplo, em Portugal, no início deste ano, estávamos perante taxas de feminização em atividades de saúde humana e apoio social na ordem dos 83,7% e na educação de 75,8%. Por oposição, está registada uma descida na percentagem de mulheres licenciadas nas áreas das tecnologias de informação e das engenharias. Em matéria de igualdade de género, de acordo com o índice do Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE), Portugal está a progredir mais rápido do que a média dos 27 países da União Europeia. Nos últimos dados deste índice referentes a 2021, Portugal ocupa o 15.º lugar.

No entanto, a realidade mostra-nos que, apesar da igualdade formal alcançada, ainda persistem muitas desigualdades que penalizam as mulheres. E ao facto de ser mulher somam-se outros fatores de desigualdade. Basta pensar nos obstáculos que poderão ser colocados a uma mulher afrodescendente, a uma mulher emigrante, a uma mulher trans ou a uma mulher com deficiência.

Sabendo-se que, na esfera do trabalho e das organizações, existem desigualdades entre mulheres e homens, designadamente ao nível da desigualdade salarial. Com exceção da função pública, as mulheres, de um modo geral, têm um vencimento inferior ao dos homens. Por outro lado, as mulheres não só ganham menos

que os homens como têm de trabalhar bastante mais para poder evoluir e se afirmar.

Há igualmente uma tendência global no sentido de progressão das mulheres até a um determinado teto, não sendo geralmente as decisões finas tomadas por elas. As mulheres têm representação nos cargos de gestão nos vários setores de atividade, mas existe como “um teto de vidro” que as bloqueia.

Há ainda que fazer referência ao “Gender Pay Gap” entre homens e mulheres. Estima-se que globalmente as mulheres ganham menos 24% do que os homens com funções idênticas. No que respeita ao caso de Portugal, de acordo com as estatísticas referentes ao ano de 2021, as remunerações médias são sempre superiores nos homens em todos os níveis de qualificação e de habilitação, para todos os graus de antiguidade e em todos os grandes grupos profissionais. Os dados demonstram, mais concretamente, que as mulheres recebem menos 14% a 17% comparativamente aos homens. Há, por isso, uma urgente necessidade de promover medidas e ações específicas contra a discriminação a que as mulheres são sujeitas.

A crise sanitária veio acentuar ainda mais as desigualdades existentes, sendo reconhecido que as mulheres foram o grupo social mais impactado.

Em Portugal, temos registado uma evolução nesta temática ao nível legislativo. Temos a Lei 62/2017 de 1 de agosto, que regula o regime de representação equilibrada entre homens e mulheres nos órgãos de administração e de fiscalização das entidades do setor público

empresarial e de empresas cotadas em bolsa.

A Agenda 2030 da ONU vem convidar sociedades, governos e empresas a contribuírem para o cumprimento de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) através de ações e planos de compromissos alinhados com as metas estabelecidas. Mais concretamente, através do ODS 5, denominado de “Igualdade de Género”, pretende-se, designadamente, acabar todas as formas de discriminação contra as mulheres e meninas; eliminar todas as formas e violência contra as mulheres e meninas nas esferas jurídicas e privadas, incluindo tráfico e exploração sexual e práticas nocivas; reconhecer e valorizar o trabalho de assistência doméstico não remunerado e a promoção da responsabilização partilhada dentro do lar; assegurar a participação plena e oportunidades na liderança e tomadas de decisões para mulheres na vida política, económica e pública; garantir o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva; conceder às mulheres direitos iguais no acesso a recursos económicos; aumentar o uso de tecnologias para promover o empoderamento das mulheres e adotar e fortalecer políticas sólidas e legislação adequada para a promoção da igualdade de género e empoderamento da mulher em todos os níveis.

Em junho deste ano, foi alcançado um acordo histórico entre o Parlamento Europeu e Comissão Europeia sobre a Diretiva europeia Women on Boards relativa à participação das mulheres nos conselhos de administração das sociedades

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cotadas em Bolsa. Trata-se de um verdadeiro marco na luta contra a discriminação baseada no género, tendo finalmente sido estabelecido que as mulheres devem ter acesso aos cargos de topo com a mesma representatividade dos homens. Sendo evidente a desproporção existente a este nível em toda a União Europeia. De acordo com os dados do Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE), as mulheres representam menos de 30% dos membros dos Conselhos de Administração e apenas 8% dos CEO das principais sociedades cotadas na Europa.

Quando confrontados estes números com o facto de, na União Europeia, as mulheres constituírem atualmente 60% dos licenciados e já estarem em pé de igualdade com os homens em termos de representatividade na força laboral, facilmente se denota que estamos ainda perante uma cultura empresarial que diferencia em função do género quando se trata de decidir quem lidera de facto.

A Diretiva vem criar condições para mudar esta realidade definindo metas vinculativas com a previsão de penalizações em caso de incumprimento. Especificamente, foi estabelecido o objetivo de que, pelo menos 40% dos administradores não executivos das empresas sejam mulheres OU que 33% de todos os postos de direção sejam ocupados por mulheres. Estas metas terão de ser cumpridas pelas empesas até 2026. No entanto, notamos que as pequenas e médias empresas (PME) com menos de 249 trabalhadores ficam excluídas destas medidas. Ora, de acor-

do com os dados da PORDATA referentes a 2020, 99% das empresas portuguesas são PME, daí resultando que a grande maioria das empresas portuguesas não são abrangidas pela Diretiva. Este facto deverá ser objeto de enquadramento nacional em tempo oportuno. Isto porque de nada valerá uma Diretiva descontextualizada da realidade. Ressaltando-se que a Diretiva vem ainda apontar caminhos concretos para superar as atuais discrepâncias. A consciencialização nas escolas e nas universidades para os benefícios da promoção da igualdade de género nas empresas e a promoção de maior rotatividade nos conselhos de administração são alguns deles. Relativamente a este último ponto, o equilíbrio de género nos conselhos de administração é essencial pelos talentos que se aproveitam e pelas aptidões específicas que as mulheres trazem para estes cargos, sendo amplos os benefícios decorrentes da igualdade de género.

De apontar que o reforço da presença das mulheres nestes órgãos de decisão permitirá criar modelos que certamente inspirarão outros talentos femininos a procurarem afirmar-se nos vários setores de atividade, incluindo naqueles onde as mulheres ainda estão sub-representadas. O que ajudará a combater assimetrias salariais que, mais tarde, se traduzirão em diferenças ao nível do valor das reformas. Na economia global, estas diferenças resultam em prejuízos enormes. De acordo com um estudo do McKinsey Global Institute, se todos os países conseguissem reduzir

as assimetrias de participação das mulheres na economia a um ritmo idêntico ao país na sua região com melhores políticas de género, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentaria globalmente cerca de 11%, ou seja, seriam adicionados à economia global 12 milhões de milhões de dólares em 2025. Num mundo ideal, se as mulheres participassem na economia de forma idêntica aos homens, seriam adicionados 28 milhões de milhões de dólares no PIB global.

O que está em causa é assegurar que os melhores, sejam homens ou mulheres, tenham oportunidade idêntica de alcançarem os cargos mais altos.

A França é atualmente o Estado-membro da União Europeia mais próximo do equilíbrio de género nos Conselhos de Administração, representando as mulheres 43% dos conselhos de administração das principais sociedades cotadas em bolsa. É essencial que este exemplo seja seguido pelos restantes países, incluindo por Portugal, garantindo-se a correção dos desequilíbrios atualmente existentes.

Está criado o contexto necessário para a implementação de medidas concretas. Entre outras medidas, deverá ser feita uma verdadeira aposta na educação, tendo as escolas e as instituições de ensino superior um papel muito relevante a desempenhar. Os líderes de amanhã formam-se hoje. Para se atingir a ambicionada igualdade de género nos lugares de topo é preciso canalizar as jovens para a educação porque apenas a educação as poderá verdadeiramente libertar.

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DECUNIFY

Uma empresa de tecnologias da informação que pretende marcar a diferença assumindo um papel de liderança entre as empresas portuguesas de raiz tecnológica, apresentando-se no mercado como uma empresa que aplica e desenvolve soluções tecnológicas nas áreas relacionadas com Data Center, Infraestrutura Digital, Colaboração e Áudio e Vídeo. A Decunify apresenta-se também como uma empresa que não quer apenas ser fornecedora dos seus clientes, mas também sua parceira.

Apesar de se cada vez mais surgirem avanços e progressos que levam à igualdade de género, no universo corporativo nem sempre isto é decorrente. Em Portugal, há várias empresas que já se comprometeram a fazê-lo e a Decunify é um dos exemplos, com uma grande representatividade de mulheres nos cargos da empresa.

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DE LIDERANÇA

VERA PEDROSO SENIOR MARKETING MANAGER

Atual Senior Marketing Manager na empresa Decunify, iniciou a sua carreira académica quando concluiu uma licenciatura em Comunicação Social, realizando posteriormente, uma Pós Graduação em Marketing Digital. Vera Pedroso, conta já, com uma carreira de 20 anos que passou pela comunicação, pelo marketing e que até a levou a conhecer o mundo da organização de eventos. Antes de entrar na área das tecnologias da informação, também apresentou o seu trabalho na televisão, no ramo editorial e de retalho. Há 8 anos permanece, então, na Decunify.

Contando já com anos de experiência passados em diversas áreas, Vera Pedroso, afirma que com o passar dos anos “é notória uma readequação estrutural nas empresas, que contam agora com uma maior quantidade de oportunidades para as mulheres.”

O empoderamento feminino e a promoção da igualdade de género no mercado de trabalho é fundamental para o crescimento da empresa e dos seus negócios e para elevar a qualidade de vida de todos os colaboradores. A inclusão de mulheres em decisões estratégicas e a abolição de estereótipos de género faz toda a diferença no bom funcionamento de qualquer organização. Apesar de atualmente os indicadores de desigualdade ainda serem uma realidade, Vera Pedroso, acredita que a tendência é que estes se esbatam. Isto porque apesar dos resultados provenientes das decisões de uma liderança feminina serem diferentes dos resultados de uma liderança masculina, há características associadas tipicamente a cada um dos sexos que, na verdade, podem ser encontradas tanto em homens como em mulheres.

A Senior Marketing Manager, também destaca que, a melhoria do ambiente de trabalho é cada vez mais uma preocupação corporativa que facilita o empoderamento feminino, e neste campo a Decunify tem-se destacado, visto que a flexibilidade do local de trabalho tem sido uma grande aposta. Com este novo modelo de trabalho, as mulheres têm a possibilidade de gerir mais facilmente o seu cargo em conjunto com a sua vida pessoal, os seus filhos e as suas casas, algo que há alguns anos seria quase impensável.

A palavra de Vera Pedroso, para as mulheres que querem apostar num cargo de maior destaque, mas que possam recear a discriminação e o preconceito é que “tenham coragem e resiliência, porque todos os cargos acarretam desafios e precisam de ser enfrentadas com afinco.”

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CADA EXEMPLO
FEMININA É CERTAMENTE UM MODELO DE CORAGEM PARA MULHERES QUE QUEIRAM ALCANÇAR OUTROS PATAMARES

DIANA SANTOS SENIOR ACCOUNT MANAGER

Diana Santos começou o seu percurso profissional em 2014, realizando um estágio numa software house com sede no Porto, e onde mais tarde, em 2017, assumiu a direção comercial. No ano de 2018 tornou-se membro da Decunify e em 2020 conquistou o cargo de primeira gestora de conta sénior da equipa do Norte.

Ao refletir sobre o seu cargo de destaque, conquistado em tão pouco tempo, Diana Santos afirma com toda a certeza que “nós mulheres, somos tão capacitadas e qualificadas como os homens. Temos acesso aos mesmos estudos, à mesma formação e merecemos ocupar cargos de liderança dentro de uma empresa.”

Considerando as valências naturais de cada género no que toca à liderança corporativa coloca-se uma questão fundamental. Quais são os fatores que distinguem a liderança feminina da masculina?

A empatia, a inteligência emocional para gestão de conflitos, e a capacidade de resiliência perante possíveis dificuldades são apenas algumas características que Diana Santos aponta como fatores distintivos da liderança feminina. A atenção aos detalhes e o grande poder de observação na criação de equipas, dita que as mulheres tenham, por norma, uma liderança mais inclusiva, participativa e a capacidade de manter um equilíbrio corporativo saudável. Como mulher que já desempenhou cargos em empresas distintas, a atual Senior Account Manager, afirma que dentro da sociedade empresarial deveriam existir mudanças. Mudanças estas que começariam com o aumento da representação feminina em cargos de liderança e com a criação de uma cultura de igualdade e não discriminação. “É necessário contrariar alguns dos conceitos enraizados no setor empresarial, e principalmente começar a valorizar as competências pessoais e profissionais em vez do género de cada colaborador.”

Para aumentar a equidade de género dentro do mundo corporativo é uma necessidade “atribuir cargos que requerem algum tipo de liderança a mulheres, como cargos de gestão, onde atualmente os homens dominam, com salários que correspondam à sua função e qualificação, dando às mulheres uma voz mais ativa no mundo empresarial.”

ALEXANDRA COELHO

PRE-SALES & PROJECT MANAGER

Alexandra Coelho é Mestre em Ciências da Informação e começou o seu percurso profissional como Gestora da Base de Dados de Contactos no Gabinete de Inovação da Reitoria da Universidade do Porto. Em meados do mesmo ano tornou-se Account Manager de Soluções de Comunicações e Desmaterialização de Processos Organizacionais, numa empresa de software, e opera agora na Decunify onde integra a equipa de Pré-Venda e Gestão de Projetos.

Atuando numa área normalmente mais frequentada por

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“ AS MULHERES DEVEM TER UMA VOZ ATIVA NO MUNDO EMPRESARIAL

O RECONHECIMENTO DA LIDERANÇA FEMININA E ISSO É OBVIAMENTE INFLUENCIADO

PELA CULTURA E PELO MODELO DE LIDERANÇA, LIDERANDO JUNTOS, CAPACITANDO UNS AOS OUTROS. ISSO DEVERIA SER NORMAL NESTE MUNDO

homens, durante o seu percurso tanto profissional, como académico, Alexandra Coelho sentiu algumas vezes que foi tratada de maneira diferente, apenas por ser mulher. “ A discriminação começa com o olhar, que mesmo sem palavras diz muito, esse ato na nossa direção pode levar-nos a perpecionar que um juízo está a ser feito sobre nós em silêncio.”

Existem vários atos isolados que por si só têm a capacidade de tornar o mundo corporativo um pouco mais equitativo, e a valorização das soft skills, tanto quanto se valorizam as hard skills é uma ação a adotar na perspetiva de Alexandra Coelho. Enquanto mulher profissional, Alexandra Coelho fala da necessidade de equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal e afirma que a Decunify já começou a aplicar no seu ambiente de trabalho. “É essencial que o panorama empresarial se possa adaptar, orientando-se para assimilar a realidade de que colaborar com uma organização é mais do que um horário e um local de trabalho; é sobretudo o compromisso enquanto trabalhador mas também a realização enquanto pessoa.”

ALEXANDRA GONÇALVES SENIOR ACCOUNT MANAGER

Exposta ao mundo criativo desde muito cedo, é licenciada em Direito e especializada em Direito internacional e comunitário. É agora Senior Account Manager da Decunify.

Sendo uma mulher multifacetada, Alexandra Gonçalves sempre quis unir o mundo pela comunicação. Desde pequena uma líder nata, afirma “lembro-me que desde pequena, gostava de escrever histórias, gostava de escolher as pessoas atribuir-lhes um papel, e pensava que se alguém tem que mandar que seja Eu!”

Frequentando, já na vida académica um meio normalmente mais constituído por homens, Alexandra considera que encontrou algumas barreiras, mas que foi isso que a fez crescer como líder. ”As barreiras que a mulher pode encontrar ao lidar com uma área que é dominada por homens, devem ser encaradas como oportunidade, se acreditar no meu empoderamento como líder, ser homem ou mulher será irrelevante.”

“Facto é que quanto mais mulheres forem vistas em posições de destaque e de liderança, mais fácil será isso ser olhado como comum pela sociedade. O setor das tecnologias da informação é incontornavelmente dominado por homens, no entanto, a diversidade conquistou o seu espaço e no final o que é fulcral é fazer um bom trabalho que agregue valor a qualquer equipa. Aí é que está a diferença. Eu diria que se pode encontrar na cultura da Decunity algo fundamental - O reconhecimento de mulheres em vários cargos, promovendo a igualdade e equidade no ambiente de trabalho. Isso é obviamente influenciado pelo nosso modelo de liderança, pelo nosso CEO, e pelo facto de que procuramos liderar juntos e nos capacitarmos uns aos outros. Isso deveria ser normal neste mundo.”

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A ATENÇÃO AOS DETALHES, A CAPACIDADE DE MULTITASKING, E A EMPATIA SÃO ASPETOS QUE A LIDERANÇA FEMININA TEM A SEU FAVOR

É notório que a representatividade da mulher e o seu crescimento corporativo tem vindo a aumentar nos últimos anos, no entanto muitas dificuldades ainda persistem. Quando questionada sobre se alguma vez duvidaram se pertenceria àquele lugar corporativo, Alexandra Gonçalves afirma “Tenho a sorte de não ter enfrentado nada maior do que estar numa reunião de 30 pessoas e sendo a única mulher na sala, o apresentador se dirige a todos como “cavalheiro”, no entanto isso é insignificante quando comparado ao facto de que a mulher não recebe o mesmo que o homem mesmo tendo as mesmas qualificações. Ou quando considerado que não tem as mesmas oportunidades de crescimento na carreira. É aqui que reside o grande problema. Sinto que há um limite em relação ao quanto posso progredir.”

A atual Senior Account Manager, deixa a todas as mulheres uma mensagem. A de que não se devem forçar a nada, mas apenas devem levar o seu caminho usando a verdadeira liderança, porque chegar a líder pode demorar mais, mas provavelmente durará para sempre.

JOANA AMARO SENIOR ACCOUNT MANAGER

Joana Amaro é mestre em Psicologia do Trabalho e das Organizações e já trabalhou em mais de meia dúzia de empresas em diversas áreas. Atualmente, e desde dezembro de 2021 desempenha funções de Senior Account Manager na empresa Decunify.

Ao contrário de outras mulheres, Joana Amaro afirma nunca ter sido vitima de discriminação por ser mulher e considera que as empresas, pelo menos as que trabalhou, apostam sempre no profissionalismo independente do género. Esta competência é a maior mais-valia de uma empresa, apostar no profissionalismo e em características intrínsecas que sejam cruciais para o exercício de cada função e cargo da mesma. Joana não considera que as mulheres são colocadas de parte em cargos de liderança. O ponto fundamental de uma empresa deverá ser sempre a igualdade de género porque tanto homens como mulheres têm a mesma capacidade de chegarem onde pretendem, é necessário que se mostrem competentes e se distingam pelas suas qualidades. No entanto, Joana considera que questões como a maternidade, podem ser um fator de exclusão no que toca a cargos de liderança devido a toda a conotação que a sociedade atribui a mães devido à falta de disponibilidade no trabalho. Porém afirma que mesmo assim, isto se repete cada vez menos.

“Acredito, no entanto, que este tema deve ser discutido, mas nunca para favorecer um ou outro género, mas sim, para melhorar as nossas lideranças, e consequentemente as nossas empresas.”

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BASTANTES MUDANÇAS NO QUE RESPEITA AO TEMA DE “IGUALDADE DE GENERO.” AS GRANDES EMPRESAS JÁ TÊM ESTES TEMAS NA AGENDA
O MUNDO EMPRESARIAL ESTÁ A SOFRER

ANA CATARINA SANTOS ACCOUNT MANAGER

Ana Catarina Santos conta com formação em Gestão e em Saúde e com mais de 15 anos de experiência em consultoria, gestão de projeto e gestão de conta no mercado Healthcare. Atualmente, e desde 2018, atua como Account Manager na Decunify.

Depois de trabalhar durante alguns anos em várias áreas, a atual Account Manager, considera que não é de grande relevância alimentar uma discussão que tenha como foco os gêneros de líderes corporativos, mas que neste caso o mais importante é a meritocracia. “Ninguém deve ocupar um cargo de liderança sem ter todo um percurso profissional que lhe dê as bases necessárias para resolver os problemas com que os líderes de empresas e equipas se encaram.”

Em todas as empresas é necessário contar tanto com líderes femininas como com líderes masculinos. Isto porque tendo em conta a fisiologia diferente de cada género, existe um impacto diferente na maneira de enfrentar os mesmos problemas. “Não que o comportamento de um face ao outro deva ser preferível, mas o equilíbrio é a base para a construção de uma empresa com uma liderança forte, já que as mulheres vão ter mais valias que os homens não terão, mas o inverso será igualmente verdade.”

No mercado corporativo vemos cada vez mais mulheres a desempenhar um papel de destaque, e isso deriva não só da mudança de pensamento por parte das empresas, como já temos falado, mas também resulta de um aumento da oferta. Com este aumento da oferta, surgem também mulheres mais capacitadas no mercado, o que mostra que o mercado se adapta com razões próprias de ser. O conselho de Ana Catarina Santos para todas as mulheres que procuram ter sucesso num lugar de topo e de liderança é que sejam resilientes e que não desistam, porque só assim podem alcançar o que almejam.

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DISCUSSÃO MERAMENTE DE GÉNEROS, MAS EM PRIMEIRO LUGAR PRIORIZAR A MERITOCRACIA
“ NÃO CONSIDERO QUE SE DEVA VALORIZAR UMA

SEJA A PESSOA PELA QUAL SE APAIXONARIA

Uma viagem mágica de reconexão entre Corpo e Mente

O final do ano é sempre tempo de reflexão e reprogramação de objetivos, motivações e ações, e nada melhor do que começar o ano de 2023, de corpo e mente totalmente renovados para os novos desafios dos próximos 12 meses. No passado mês de dezembro os hospedes do Six Senses Douro Valley foram desafiados a mergulhar numa incrível aventura de desintoxicação de corpo e mente através de um programa especialmente desenhado pela Dra. Ana Moreira, médica com especialização em Medicina Integrativa. Esta Jornada de Reconexão, que decorreu durante três dias, elegeu a palavra “Felicidade” como o motor desta incrível caminhada.

“A Jornada da Reconexão é um movimento consciente e voluntário que devemos fazer para nos voltarmos a conectar com nós mesmos”

Este retiro teve como palco,

um dos hotéis mais luxuosos do Douro, um cinco estrelas inerte no meio da natureza, que se apodera de todas as paisagens à sua volta. O Six Senses Douro Valley é um resort de luxo, situado na mais antiga região vinícola demarcada do mundo que conta até com o selo de Património Mundial da UNESCO. E, quem nos leva a conhecer cada etapa desta maravilhosa e desafiante viagem é a Dra. Ana Moreira, licenciada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, fundadora do Centro de Medicina Integrativa Dra. Ana Moreira e Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Integrativa.

Segunda a Dra. Ana Moreira, a Jornada da Reconexão é muito mais do que apenas um retiro de saúde e bem-estar, é uma viagem de introspeção e autoconsciência de 3 dias, com o objetivo de passar por cada parte do seu corpo e mente. Neste retiro é possível encon-

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trar pessoas oriundas dos mais diversos países, neste particularmente, encontravam-se pessoas desde a África do Sul ao Canadá, cada uma com um propósito e motivações diferentes, cujo espaço de partilha único criado aquando desta aventura, lhes permitiram uma partilha ímpar das suas experiencias. A magia das partilhas e retorno emocional é de tal forma tangível, que algumas pessoas retornam a este programa, na procura de um nível ainda mais profundo da sua reprogramação mental e corporal. A mudança física e emocional, são evidentes!

De forma sucinta, o processo inicia-se com uma consulta de medicina integrativa e de nutrição funcional, um exame neuro-vascular, que mede o stress mental e físico e a elasticidade vascular, e um exame de termografia. Posteriormente, o que é pedido a cada participante são três dias de completa dedicação física e mental, cujo sucesso está directamente correlacionado com o nível de comprome-

timento e confiança no processo. O primeiro passo para a mudança é: Acreditar. O principal objetivo deste programa é uma reprogramação e fortalecimento consolidado do estado físico e mental de cada participante.

Segundo a Dra. Ana Moreira, muitas vezes, devido a toda a pressão social a que somos sujeitos, a tudo o que experienciamos a todos os níveis,

nomeadamente na forma como lidamos com os problemas que nos rodeiam, e que sem nos apercebermos, perdemos a nossa essência e deixamos de ser quem verdadeiramente somos. “As capas daquilo que vamos vivendo ao longo do tempo, ao longo da nossa vida afastam-nos da a nossa essência. O que nos vai acontecendo, os conflitos, os traumas, os bloqueios, as

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separações, os divórcios, as mortes, as falências de empresas, o desemprego. Todas essas coisas que nos vão acontecendo na vida vão-nos colocando diversas capas e abafam quem verdadeiramen-

te somos.” É precisamente através da Jornada da Reconexão, que segundo as suas palavras, são como “um movimento consciente e voluntário que devemos fazer para nos voltarmos a conectar com nós mesmos” que lança o desafio como o primeiro passo para esse reencontro.

O conceito deste retiro vem da definição da própria palavra, que deriva do Latim “retirare”. Procura ser, mais do que sitio, mas uma dimensão onde cada participante é “retirado” da sua vida habitual, dos seus problemas e de tudo o que o preocupa, para mergulhar num “sítio diferente durante, no mínimo 3 dias e pelo menos uma vez por ano, é fundamental para nos reconectarmos connosco próprios e para nos desconectarmos da nossa vivência do dia a dia.”

Muito mais do que uma quinta

senhorial desenhada em sinergia com a natureza, o Hotel

Six Senses no Douro é um local cuidadosamente escolhido, pela sua localização geográfica e geobiológica para amplificar a magia da descoberta que este retiro proporciona, através do poder de reconexão, detox e melhoria de qualidade de vida. Este maravilhoso hotel de 5 estrelas estabelece uma forte sinergia entre a sua particular localização, com um cuidado ímpar com uma alimentação biológica, orgânica e antiinflamatória de todos os seus hospedes, considerada como factor adicional essencial para um retino de sucesso com foco em wellness e saúde integrativa. Este hotel dispõe ainda uma magnifica piscina exterior, e um SPA com hidroterapia, sauna, e um leque de tratamentos de relaxamento entre outras

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“ A JORNADA DA RECONEXÃO, QUE CARACTERIZA COMO UM MOVIMENTO CONSCIENTE E VOLUNTÁRIO QUE DEVEMOS FAZER PARA NOS VOLTARMOS A CONECTAR COM NÓS MESMOS

praticas magistrais de relaxamento.

Apesar do retiro no Six Senses ser destinado a adultos, a Dra. Ana Moreira sublinha que a consciência da importância deste processo de reconexão e detox é benéfico para todos os seres humanos em qualquer idade, “esta prática de retirar-se faz sentido para todos, inclusive a crianças. Eu aconselho todas as pessoas, a fazerem, pelo menos 1 vez por ano fazer uma jornada de desconexão com o dia a dia para se obrigarem a reconectar-se consigo”.

ALIMENTAÇÃO

Uma parte fundamental deste retiro é a alimentação. Os participantes seguem, durante estes 3 dias, um conjunto de regras que se devem tornar hábitos no decorrer da sua

vida. O dia começa com um copo de água morna com limão e só depois de uma sessão de meditação é que se quebra o jejum de 12 horas. Para os mais famintos vale a pena a espera, porque serão presenteados com o delicioso pequeno almoço do Six Senses, repleto de sumos naturais, bebidas fermentadas e ainda bebida adaptogénica feita com extratos vegetais que tem a capacidade de ajudar o corpo a lidar com o stress com mais facilidade. Está ainda incluída uma vasta variedade de verduras e frutas combinadas na perfeição de sabores e cores. A dieta é sobretudo vegetariana, mas conta também com alguma proteína animal. E como o objetivo é desintoxicar o corpo nestes 3 dias, o álcool é proibido.

COMPONENTE MÉDICA

Outro fator diferencial deste retiro, é a aplicação endove-

“ ESTA PRÁTICA DE RETIRAR-SE FAZ SENTIDO PARA TODOS, INCLUSIVE A CRIANÇAS. EU ACONSELHO TODAS AS PESSOAS, A FAZEREM, PELO MENOS 1 VEZ POR ANO FAZER UMA JORNADA DE DESCONEXÃO COM O DIA A DIA PARA SE OBRIGAREM A RECONECTAR-SE CONSIGO

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“Somos o que comemos e os hábitos que temos”

noso do soro ortomolecular, rico em vitaminas, minerais e antioxidantes, utilizado medicamente quando há necessidade de desintoxicar mais profundamente o organismo, e é um procedimento totalmente supervisionado por uma equipa medica especializada.

O objetivo deste tratamento é ajudar o corpo a “desenferrujar”, já que o nosso estilo de vida tende a deixar o nosso corpo completamente oxidado. Além disso como é administrado de forma intravenosa potencializa a sua eficácia e tempo de resposta, quando comparado com um suplemento vitamínico administrado tradicionalmente.

Ao acordar e ao deitar, os participantes recebem também uma insuflação ozono rectal ministrada por uma enfermeira particular no seu quarto, com o objetivo de desintoxicar o

fígado, melhorar o transporte de oxigénio e regularizar o transito intestinal.

SONO

O último truque e também o mais importante é a saúde do sono. A Dra. Ana Moreira sublinha que o ideal será dormir entre 6,5 e 7 horas por dia, e que ao acordar é benéfico dedicar algum tempo para espreguiçar todos os músculos do corpo. O stress oxidativo dá origem à maioria das doenças crónicas comuns, mas com o decorrer de uma rotina de sono saudável é possível sentir a inflamação do corpo a diminuir consideravelmente.

uma frase autoral da médica “Seja a pessoa pela qual se apaixonaria.”

Neste tipo de retiros é possível analisar as mais variadas dimensões que podem condicionar o nosso equilíbrio, desde a dieta, o sono, equilíbrio intestinal, ou até temas mais complexos como a vida e a morte. Elevar o nosso nível de consciência, e aprender a digerir emocionalmente tudo isto contribui de forma clara e objectiva para o aprofundamento do nosso reequilibro, . e aumento de autoestima.

Um dos pontos cruciais deste retiro é a melhoria enquanto pessoa, o que gira à volta de

Nesta viagem, as personagens principais foram sem dúvida os participantes, que depois de viverem intensamente estes 3 dias repletos de palestras motivacionais, alimentação anti-inflamatória, tratamentos físicos e mentais tiveram a coragem de partilhar algumas reflexões sobre esta experiên-

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“Seja a pessoa pela qual se apaixonaria.”

cia única e transformadora. A empresária do ramo do desporto, Estrela Paulo, caracteriza este evento como uma “autêntica jornada de reconexão”. Conseguiu perceber sentimentos e sintomas menos bons que tinha dentro de si e quanto o stress influenciava negativamente a sua vida. O que mais a impactou foram as palestras que a redirecionam para o rumo que maximiza o sucesso do seu dia a dia, e ainda a inclusão como nova ferramenta de vida um conjunto cuidado de soros e vitaminas que a deixaram vitalizada de novo.

Por fim, a empresária afirma “deixei ir tudo aquilo que não quero para mim e tive a oportunidade de renascer de novo nesta vida, mas diferente enquanto ser integral, para que possa fazer a diferença na vida agitada que levo. Uma palavra final para a Dra. Ana Moreira pela competência de saberes, pela oratória e forma como sempre me “toca”. Obrigada, obrigada, obrigada!”

Vanessa Fernandes, atleta

olímpica, não esconde o que sentiu desde o primeiro momento. “Para mim foi a alquimia perfeita. Está união entre o enorme conhecimento revolucionário da Dra. Ana Moreira e o Magnífico e incrível Hotel Six Senses.”

A atleta sente que cada vez mais prioriza a sua saúde física, emocional, mental e espiritual, afirmando ainda que pretende continuar a investir em todas estas dimensões para continuar a melhorar a sua qualidade de vida. Considera esta experiência como uma oportunidade para abrir novos caminhos, e que é sem dúvida, a oportunidade de uma vida.

“Está experiência foi realmente extraordinária, uma reconexão à vida, num ambiente seguro e cheio de Amor vindo de uma fonte de uma grande entrega e serviço ao outro. Tudo foi especial!”

A futebolista Melissa Antunes, que veio novamente repetir a experiência, afirma que aprendeu a ler os sinais do seu corpo a nível físico, mental e emocional. Toda esta experiência tem contribuído para a elevação dos seus níveis de energia nas várias dimensões do seu ser. As palestras ensinaram-na a compreender melhor como é que o corpo pode adoecer e como é que deve proceder para o tratar, tendo sempre em mente que o momento vivido é sempre consequência de uma acção anterior.

“Esta é a minha 2.ª experiência em Retreat’s no Hotel Six Senses, com a maravilhosa e única Dra. Ana Moreira. A sua sabedoria é a fonte que me ensina a estar mais vezes

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“ A FELICIDADE ESTÁ COMIGO. POSSO TER MAIS OU MENOS MOMENTO DE FELICIDADE, MAS ELA ESTÁ COMIGO E EXISTE NA MINHA VIDA

feliz. Continuarei a procurar absorver todo o conhecimento quanto possível que a Dra. Ana Moreira tenha para partilhar.”

“A todos os que participaram e partilharam esta fantástica experiência, o nosso muito obrigada! Aguardaremos por todos vós, novamente, no próximo ano. Gratidão!”.

A estilista Elsa Barreto, caracteriza estes dias como inesquecíveis e afirma que foi a transformação da sua vida a todos os níveis: físico, mental e emocional.

“A Dra. Ana Moreira é uma força da natureza! A sua energia e a sua sabedoria leva-nos a um outro nível de consciência.

Aprendi, percebi muita coisa que estava escondida no meu inconsciente, vivi, deitei fora o que já não queria mais para a minha vida e finalmente renasci! Tudo isto integrado num grupo de pessoas que eu não

conhecia e hoje trago no meu coração! Obrigada, obrigada, obrigada!”

“A felicidade está comigo. Posso ter mais ou menos momento de felicidade, mas ela está comigo e existe na minha vida.” Quando questionada sobre o tema do retiro “A Felicidade”, a médica tem a dizer que “A felicidade não se encontra, a felicidade é uma emoção interna. No meu entender todos temos ou nascemos

com um potencial máximo de felicidade e isso vai-se camuflando na nossa vida. É mais fácil para alguns seres humanos serem mais felizes do que para outros, e isto não tem a ver com dinheiro ou status. A felicidade tem a ver com a capacidade de disfrutarmos daquilo que somos e daquilo que temos nos momentos da nossa vida.”

A Dra. Ana Moreira afirma ainda que é uma mulher feliz, e que por isso não encontrou a felicidade apenas no retiro.

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Enquadramento profissional

Cátia Ferreira é orgulhosamente

Vogal Executiva do Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM, EPERAM) que recentemente foi condecorado pelo Presidente da República como Membro Honorário da Ordem de Mérito. No Conselho de Administração, dedica-se à execução do REACT-EU e do Plano de Recuperação de Resiliência afeto ao SESARAM para a Saúde Mental, Envelhecimento e Digitalização da Saúde, o que corresponde à concretização de um investimento de 50 M€ e à promoção, acompanhamento e operacionalização de iniciativas estratégicas e/ou inovadoras para a organização. Tem o privilégio de trabalhar com profissionais de excelência e com equipas de alto desempenho que promovem a inovação contínua e a excelência na prestação de cuidados. Com uma carreira profissional anterior feita no setor privado, considera que no setor público é imperativo revolucionar a organização das Pessoas em 3 níveis: i) apostar de forma clara e transparente na capacitação de todos os profissionais, ii) descentralizar as lideranças - para identificar e delegar responsabilidade em líderes intermédios, e ainda iii) garantir a gestão adequada das sucessões.

Recentemente foi nomeada como membro do Digital Health Office da Secretaria Regional de Saúde e Proteção Civil e representante desta entidade para o Conselho Regional de Inovação.

A Urgência imperiosa de lideranças intermédias e do planeamento das sucessões nas organizações do Setor Público

O futuro e a sustentabilidade das organizações do setor público passa inequivocamente pelo compromisso com a formação e a valorização de profissionais altamente diferenciados do ponto de vista humano, profissional e ético, de forma a posicionarem-se como organizações da Era do Conhecimento, com uma maior eficiência e eficácia no cumprimento da sua missão e objetivos económicos e sociais. As organizações da Era do Conhecimento caracterizam-se por assumirem, sem preconceitos, uma cultura de aprendizagem, procurando sempre perceberem o ambiente que as rodeia, adaptarem-se, evoluírem e renovarem-se conti-

nuamente, alavancando-se na capacidade de transformar o seu maior ativo intangível - o conhecimento do capital humano - nos resultados organizacionais desejados.

Desta forma, a existência de líderes em todos os níveis e em todas as áreas da organização é fundamental para se obter uma cultura organizacional robusta, promotora do progresso, consistente em todos os pontos de contacto e um fator acelerador da prática de inovação e obtenção de resultados.

Estes devem ter o estilo de liderança que realmente interessa ao mundo atual: líderes centrados em princípios, que inspirem, que sejam de confiança a partir da integridade

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e dos exemplos colocados em prática, saibam comunicar, esclareçam propósitos, libertem os talentos dos que os rodeiam e alinhem sistemas entre todos os stakeholders.

Atualmente no setor público, apenas “aparecem” os líderes que têm inerentes cargos cuja função envolve a tomada de decisão. Não é frequente a distribuição de lideranças e por isso são dadas poucas oportunidades e autonomia aos elementos das equipas para se afirmarem também como líderes de confiança, capazes de apoiar na execução da estratégia, o que atrasa o aparecimento de resultados.

Se pensarmos no setor privado, o oposto ocorre. O incentivo ao crescimento e desenvolvimento destes líderes intermédios ocorre desde o primeiro dia.

Assim sendo, mais do que nunca nas organizações do setor público torna-se imperativo captar, reter e gerir novos talentos de forma a alinhar os objetivos individuais com os organizacionais. A base da gestão das organizações do setor público deve passar a estar assente em processos humanos que criam ambientes propícios à construção do conhecimento, ao desenvolvimento de competências individuais e coletivas e à emergência dos denominados líderes intermédios que no contexto das novas práticas de gestão no setor público, devem ser incentivados.

Os líderes intermédios não são de forma nenhuma forças de bloqueio mas antes, parceiros estratégicos importantes para concretizar processos de inovação e de progresso da organização. A ideia é que todos podemos ser líderes na função que ocupamos da organização

sem ter que ser nomeado para o efeito, pois todos temos e devemos contribuir para a concretização da missão da organização. Trata-se de tornar a organização num laboratório para a aceleração de resultados, que oferece ferramentas para escalar a inovação, e que incentiva a manutenção de equipas motivadas e dinâmicas, por forma a manter a agilidade. É pela via da descentralização e distribuição das lideranças e da proliferação de líderes intermédios que se consegue a construção e a manutenção da união e maior eficiência das equipas de trabalho, a identificação de fontes de inovação nos processos e a maior propensão para a partilha de boas práticas entre equipas, pois estes tendem a consolidar a sinergia entre todos os escalões para incentivar a partilha da visão e o compromisso com a missão institucional.

E porque nenhum líder é, fisicamente, eterno e/ou consegue executar tudo sozinho, é importante inspirar as equipas que nos rodeiam com ensinamentos e exemplos para deixar um legado quando o nosso ciclo chegar ao fim ou quando novas oportunidades emergirem. Um líder de sucesso tem a responsabilidade acrescida de anteci par a formação de novos líderes para ocupar sua posição ou para alcançar novos lugares, continuando o bom trabalho independentemente da sua presença. Somente assim as suas conquistas não são esquecidas ou apagadas da memória, com sua saída, mas perpetuam-se, continuando as equipas que ficam a gerar os resultados desejados e a ser um exemplo a

ser seguido.

Assim sendo e dado o contexto atual, é possível afirmar que a sustentabilidade futura, o progresso e a inovação das organizações do setor público assentam na necessidade de ativar o factor urgência imperiosa para se obter um outro modelo de gestão e liderança das Pessoas. De acordo com Bill Gates, “Há duas grandes forças na natureza humana: o interesse próprio e o cuidado dos outros. A escolha é nossa.” (World Economic Forum de 2008).

Enquanto líder, a minha escolha já a fiz. Consciente do meu propósito de vida e da minha missão, caminho sempre lado a lado com as Pessoas e com os interesses da organização. Sou assim estou a servir verdadeiramente.

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A Liderança no Feminino nas Empresas (vulgo Função Pública)

A sua licenciatura é em Ciências da Comunicação e o seu Mestrado em Marketing (ISMAI). Tem duas Pós-Graduações, em Marketing Digital pelo IPAM, e em Direito do Trabalho e da Segurança Social pela U. Católica.

Ema Assunção Pereira é, atualmente, Doutoranda em Médias Digitais na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, com especialização em Indústria, Públicos e Mercados.

Tem, também, várias formações complementares na área de Marketing, Protocolo, Storytelling, etc.

A sua maior paixão e, também, refúgio, é a escrita. Escreve, pontualmente, para o Observador, especialmente sobre liderança, comportamento e relações interpessoais. Exerce funções no Município de Paços de Ferreira, como Técnica Superior de Comunicação desde 2021, e é responsável pela Presidên-

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Ema Assunção Pereira tem 30 anos e é de Paços de Ferreira, local onde reside e trabalha. EMA ASSUNÇÃO PEREIRA CRÉDITOS: MÁRIO DOMINGUEZ

cia e Vereação, pela paginação e edição do boletim municipal, (parte da) gestão de redes sociais, contacto com imprensa, produção e edição de fotografia e vídeo, organização e revisão do orçamento municipal, apoio na realização de relatórios de prestação de contas, organização de eventos, relações públicas e atividades protocolares. Quanto ao projeto de investigação no âmbito do seu doutoramento em Médias Digitais, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que iniciou este ano: este foca-se no estudo do uso e recurso a tecnologias imersivas (Realidade Aumentada) para despertar o interesse do(s) público(s) pela preservação de sítios patrimoniais, como é o caso da Citânia de Sanfins, em Paços de Ferreira.

Ema Assunção Pereira na primeira pessoa…

Num contínuo esforço de crescimento pessoal e profissional, confesso que sou uma apaixonada pela aprendizagem contínua e é o meu desejo ter sempre a grata oportunidade de continuar a investir em formação e no privilégio do crescimento pessoal. Na verdade, admito ter uma espécie de infinita sede de conhecimento. Não conheço outra forma de estar bem comigo mesma, se não estiver continuamente a investir na minha formação, e desafiando os meus limites, de maneiras cada vez mais árduas e tentadoras, também no âmbito pessoal.

Pauto-me pela dedicação ao estímulo constante da criatividade e da irreverência, em apoio a uma postura de análise, minúcia, orientada para os resultados, e sempre

salpicada de alguma ambição. Procuro ser proativa, inovadora e persistente. Considero-me responsável e dedicada. Gosto de desafios. Gosto de ajudar o próximo e de ser útil. Procuro fazer o meu trabalho com o foco no impacto que essas ações terão nas pessoas/ equipas e nos seus sentimentos e ações em cadeia. Aprecio equipas unidas, com forte sentido de confiança e com pessoas que são sempre a solução e nunca o problema. Acredito que quando trabalhamos para a liderança e para o sucesso das organizações, o foco está sempre nas pessoas e grupos, e só assim se alcançam os resultados, que vêm depois. Todos os dias me esforço para chegar ao fim de cada dia e, no meu “exame de consciência”, antes de dormir, poder dizer com tranquilidade: “hoje esforcei-me por dar o meu melhor - por mim, pelos outros e pelo meu trabalho.” E esforço-me, também, para que - ao fazer a pergunta “o que é que os meus filhos (se os tiver) vão pensar relativamente às minha decisões?” - a resposta seja sempre “orgulho”, e nunca “vergonha.” Ainda assim, como qualquer ser humano, admito que falhei muitas vezes na minha vida. No entanto, vejo uma vantagem na minha postura: a capacidade de contínuo auto-conhecimento e de auto-análise, e o reconhecimento (o primeiro passo para a mudança e melhoria contínua). Sou também uma pessoa empática e dou sempre o benefício da dúvida. Acredito que a educação que recebemos de berço, que a vontade com que nos permitimos absorver os ensinamentos desde crianças e que os nossos valores de vida, ditarão sem-

pre, em primeiro lugar, o nosso sucesso pessoal e profissional. Toda a aprendizagem será sempre um processo bilateral e de progressão não linear, porque somos o somatório da manta de retalhos que é a herança individual, de quem passa por nós, passando depois a sermos um “coletivo.”

“O Projeto” - Um Amor gigante por um Pai que não é só meu, que é de um Concelho Encontro-me, de momento, a escrever um livro sobre a Vida e Obra de meu Pai - Professor Arménio da Arménio da Assunção Pereira, Presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira no período entre 1977 - 2004, pelo Partido Social Democrata. Autarca do ano em 2004, foi Conselheiro de Durão Barroso, e é conhecido como o Pai da Capital do Móvel, por ter sido o seu Fundador. O meu Pai, nascido em Julho de 1948, foi pioneiro em Marketing Territorial em Portugal e marcou várias gerações pela sua humildade e forma de liderar - próxima das pessoas e com empatia. Mais tarde, quando abdica do mandato, em 2004, para dar “lugar” ao seu Vice-Presidente, Pedro Pinto, o meu Pai termina

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ARMÉNIO ASSUNÇÃO PEREIRA CRÉDITOS: MÁRIO DOMINGUEZ

o seu percurso profissional, nas Águas do Douro e Paiva, SA., como Administrador. É por isso motivo - pelo seu Exemplo de Liderança Positiva - que me apaixona absolutamente falar de pessoas e para pessoas, falar de liderança… porque tive sempre o maior dos exemplos em casa. Este será um livro de memórias que juntará nomes de autarcas, políticos e amigos (já confirmados diretamente comigo) como Humberto Leão de Brito, Paulo Ferreira, Pedro Pinto, Sérgio Silva (PS Paços de Ferreira), Luís Montenegro, Miguel Relvas, Marco António Costa, Ribau Esteves, Miguel Albuquerque, Vasco Ribeiro (Assessor de Rui Moreira, Presidente da CM do Porto), Custódio Oliveira, Luís Filipe Menezes, assessores/as (Olga Leite - assessora principal do meu pai), Domingos Ferreira (Motoclube Paços de Ferreira), José Manuel Gonçalves Bastos (médico e melhor amigo), Rosário Correia Machado (Rota do Românico), Armando Coelho (Citânia de Sanfins), Zé Neto, José Leão (Torrinha), secretárias/os, amigos de infância, pessoas da terra - a Capital do Móvel, que o meu pai fundou, como Pioneiro em Marketing Territorial em Portugal, na iniciativa da fundação e registo da Marca (Patente) Capital do Móvel.

Em contrapartida, não será apenas um livro de testemunhos, sendo que farei a minha parte, relatando a história de Vida e Obra do meu Pai, desde a infância, passando pela Guerra da Ultramar e não esquecendo a Política e lutas da vida autárquica.

Não me sinto líder por tomar iniciativa neste projeto, mas sinto que tenho ao meu lado

um conjunto de líderes que, ao aceitarem prontamente o convite (todos eles, independemente da cor política), me fizeram sentir especial, sem necessidade de exaltação ou êxtase.

Um

Município de Liderança no Feminino

- Girls empower Girls

Trabalho num Município que me orgulha! Em todos os sentidos! Todos os dias deve ser lembrada a importância da diversidade, inclusão, igualdade de género, igualdade salarial e igualdade de direitos para todos e todas.

Na Câmara Municipal de Paços de Ferreira, cerca de 60% dos funcionários com funções administrativas são mulheres e 70% ocupam lugares de chefia, além de já haver muitas mulheres em funções políticas no nosso Concelho.

O Município de Paços de Fer-

reira trabalha sempre no sentido da promoção e partilha de melhores práticas laborais, sendo que, em 2021 foi distinguido com a Marca Entidade Empregadora Inclusiva 2021, em cerimónia oficial, num projeto liderado pela Chefe de Divisão de Recursos Humanos e Modernização Administrativa, Ana Leal.

Trabalhamos sempre em equipa e com total foco num futuro mais justo e inclusivo, onde a discriminação com base em características pessoais não possa ter lugar.

O Município promoveu ainda a dinamização de projetos na comunidade visando o desenvolvimento das qualificações e a inclusão ativa de pessoas com deficiência e incapacidade. Manifestamos o nosso orgulho em podermos contar com a colaboração de todas as nossas profissionais competentes, proativas, independen-

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tes e mães, recordando que o género e a identidade, a raça, a etnia ou até mesmo limitações físicas ou deficiências, não são nem devem ser considerados atributos profissionais, nem fatores de exclusão. No entanto, há ainda um caminho a percorrer na igualdade de género para que todas as pessoas (mulheres e homens) tenham o mesmo acesso ao mercado de trabalho, justamente remunerado em função da atividade que exercem.

O trabalho da Comunicação (em rede)

Este Município, liderado pelo Presidente da Câmara Municipal, Humberto Brito, e pelo seu Vice-Presidente, Paulo Ferreira, é um concelho jovem, urbano e cosmopolita! Um concelho que ambiciona mais e melhor para todos.

O esforço e o investimento feito na ação social e nas escolas foram enormes. Fomos o Município do país que conquistou a maior fatia do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a construção de novas creches e berçários em todas as freguesias do concelho de Paços de Ferreira. Serão 536 novas vagas para bebés e crianças até aos 3 anos de idade e a estas 13 novas creches e berçários junta-se ainda uma Estrutura Residencial Para Idosos, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário, uma Residência de Autonomização e Inclusão, e mais três equipamentos de IPSS’s do concelho. Parece-me uma inovação sem precedentes na história deste Concelho. Os transportes escolares gratuitos, as refeições escolares gratuitas, os manuais escolares gratuitos, e o cheque-bebé de 500 euros

atribuído a recém-nascidos… tudo isto significa uma poupança muito significativa nos orçamentos das famílias. Não conheço um concelho na região e no país que tenha apoios tão significativos na área social. Significa que os nossos concidadãos estão atentos à governação do nosso Executivo e que reconhecem o trabalho que tem sido feito, nas mais diversas áreas. Mas é um trabalho permanente. Continuamos com obras no terreno e ainda vamos ter muito mais intervenções para dotar o território, em toda a sua extensão, de melhores condições. Isto significa, que não trabalhamos apenas quando há eleições, apesar de todos os constrangimentos e incompreensões que as obras geram. Estamos com a revisão do PDM que permitirá enquadrar novas zonas industriais, ampliar a capacidade construtiva em alguns locais para colmatar a falta de oferta do mercado habitacional, tornando este concelho mais robusto. Sendo que hoje atingimos níveis impressionantes de investimento privado na construção de habitação. Mas também nos encontramos a devolver o espaço público às pessoas e criar condições de atração ao comércio local. Não são os carros que vão às compras. Mas as pessoas. Por isso precisamos que as pessoas se sintam confortáveis e seguras quando caminham nos passeios. É preciso que todos tenhamos consciência que algumas das reformas estruturais e transformações em curso terão resultados num futuro próximo. Nestas matérias, o tempo é fundamental e o resultado das políticas públicas não se esgotam em três mandatos! Hoje Paços de Ferreira

é procurado por centenas de pessoas que aqui querem fixar a sua residência e trabalham noutros territórios, exatamente porque garantimos apoios que mais ninguém garante. E a atração de pessoas é hoje determinante no sucesso ou insucesso das cidades, concelhos, territórios. É um círculo virtuoso que estamos a construir em conjunto com resultados mensuráveis.

Paços de Ferreira existe e está vivo e nós sabemos comunicá-lo! Não somos apenas Móveis. Não somos apenas cadeiras e camas. Somos e respiramos cultura e juventude, somos respiramos a ambição (que está cada vez mais próxima de se concretizar - da Ferrovia do Vale do Sousa!). Temos o Capão à Freamunde, a Citânia de Sanfins de Ferreira, o Mosteiro de Ferreira, as Grandiosas Sebastianas, o Corpo de Deus, tanta riqueza no nosso Património Material e Imaterial. Visite-nos e às nossas gentes - todas elas Líderes!

E para que estes trabalhos sejam possíveis, para que estes feitos se concretizem, há rostos de Líderes Femininas que têm nome: Fernanda Monteiro, Ana Leal, Mónica Cardoso, Fernanda Mendes, Célia Castro, Susana Alves, Mariana Cunha, Rute Freitas, Andreia Nunes e Andreia Carvalho.

E há líderes nas ruas, no comércio local e na restauração, e nos lares. Paços de Ferreira é um concelho de fortíssima liderança e as Mulheres são de personalidade Única!

Obrigada por me inspirarem, e por me ensinarem - diariamente - que a consistência faz o êxito e que o trabalho em rede é muito mais produtivo do que o trabalho isolado.

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Liderança Feminina

(...) LANCEI UM DESFIO A MIM PRÓPRIA, FAZER NASCER UMA REDE PARA EMPRESÁRIOS, CRIAÇÃO DE NOVOS PRODUTOS E GERAR DIFERENCIAÇÃO NO MERCADO

Falar em liderança feminina continua a ser um tema muito atual, o que de certa forma permite ampliar a nossa rede, crescer e conectar em constante aprendizagem, rumo a uma sociedade mais igualitária. A percentagem de mulheres nos conselhos de diretores das empresas portuguesas é, em média, de 22%, de acordo com o estudo Achieving Gender Balance in leadership da consultora McKinsey, 2018. Mais importante que os números é identificarmo-nos com algumas das muitas competências de liderança que são a essência do bom funcionamento organizacional.

Posso escolher duas ou três competências, a atitude , leva-nos a agir, concretizar, o  gene da generosidade , ficarmos felizes com as vitorias e sucessos dos que nos envolvem e uma terceira, a liderança digital que é estimulada por um fenómeno situacional, dinâmico, alavancando à reputação, influência e relevância de cada colaborador ter capacidade de dar resposta aos diferentes desafios que lhes são colocados diariamente.

Em Portugal, desde 2013 as microempresas representam, em média, 96,2% das empresas, as pequenas 3,2%, as médias 0,5% e as grandes 0,1%. Em 2018, o total de empresas PME era de 1.294.037, 1.244.495 das quais micro, 42.581 pequenas e 6.961 médias. Em 2019, em resposta às necessidades e ao contato diário com as PMEs. lancei um desfio a mim própria, fazer nascer uma rede para empresários, criação de novos produtos e gerar diferenciação no

mercado.

A RE foca sua liderança de forma colaborativa e com objetivos claros: a partilha do conhecimento, novos projetos, estudos, inovação para o desenvolvimento e manutenção de produtos ou serviços, e gerar meios que facilitem e promovam o diálogo entre a Indústria, a Academia e o Governo.

A Rede do Empresário é uma plataforma digital internacional, com uma equipa de talentos multidisciplinar, com mais de 7000 empresas aderentes, em Portugal, Brasil, Espanha e no continente asiático. E, como todas as redes, a RE diversifica muito as suas atividades, de que são exemplo o apoio à estratégia, vendas e comercialização, comunicação, internacionalização, formação, eventos, entre outros.  Adicionalmente, temos o nosso “produto de excelência”, e no qual, durante este último ano, grande parte da equipa se focou: o desenvolvimento das BSNs (Business and Science Networks), que integram grupos de trabalho colaborativos que se juntam para partilhar conhecimento, desenvolver projetos, garantindo interatividade, atividades e iniciativas ao longo do ano. Para isso, cada grupo de trabalho tem uma agenda anual de atividades.

As áreas dos BSNs integram as SmartCities, Educação e Formação, Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa, Turismo e Enoturismo, Inovação e Tecnologia, Economia Azul, Sector Automóvel, Sector Alimentar, Humanitário, Direitos Humanos e Reconciliação e, por último, Cultural. As BSNs têm como objeti -

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vo promover o diálogo entre o sector público e privado, a partilha do conhecimento e do saber académico, das boas práticas, de fóruns de debate, a investigação e estudos académicos de impacto, a formação, a par da exploração de novos modelos e abordagens para as questões globais, oferecendo uma orientação abrangente sobre as expectativas económicas para os diferentes sectores

de atividade, a nível nacional e internacional.

Em resposta aos novos desafios da Liderança feminina a RE lançou um programa para o próximo mês de janeiro, dias 12 e 13, WOMAN OPENNING LIVING LABS que aborda questões de liderança que afetam todos os executivos, num fórum que se centra nos desafios únicos que as mulheres enfrentam.

A RE leva a uma nova forma

de compreender a dinâmica dos negócios e do trabalho. Atualmente assistimos a uma nova forma de pensar e agir nas empresas. É preciso estar aberto ao conhecimento coletivo, a construir uma estrutura de relacionamentos dentro e fora das empresas. Conetividade e não competição. Os negócios em rede são o talento de saber partilhar.

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“ É PRECISO ESTAR ABERTO AO CONHECIMENTO COLETIVO, A CONSTRUIR UMA ESTRUTURA DE RELACIONAMENTOS DENTRO E FORA DAS EMPRESAS
DEZEMBRO 2022 | LIDERANÇA NO FEMININO 47 A T I V A Ç Ã O D E M A R C A | O R G A N I Z A Ç Ã O D E E V E N T O S | P R O M O T O R E S | H O S P E D E I R A S