Liderança no Feminino - Outubro 2021

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A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO NA GESTÃO DE CRISE Rita Serrabulho, Ceo & Founding Partner da AMP Associates

#40 OUTUBRO 2021

O ESPÍRITO EMPREENDEDOR E A PAIXÃO PELA ESCRITA

Liderança no Feminino é uma publicação da responsabilidade editorial e comercial de Sandra Arouca | Periodicidade mensal | Venda por assinatura 8€

Carmen Mateus, Administradora da Combine Business Outsourcing

A VERSATILIDADE E MATURIDADE DA ATRIZ ANA MARTA FERREIRA DE ATRIZ A COACH, A BUSCA PELA REALIZAÇÃO PESSOAL Edilene Abreu, Coach e Analista Comportamental

O SEGREDO PARA UMA BOA REPUTAÇÃO CORPORATIVA Vanessa Sequeira, Diretora Geral na Merco Portugal


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ÍNDICE

05 | Editorial 06 | A versatilidade e maturidade da atriz Ana Marta Ferreira

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12 | A importância da comunicação na gestão de crise Rita Serrabulho, CEO da AMP Associates 16 | De atriz a coach, a busca pela realização pessoal Edilene Abreu, Coach 22 | O segredo para uma boa reputação corporativa Vanessa Sequeira, Diretora Geral na Merco Portugal 26 | O espírito empreendedor e a paixão pela escrita Carmen Mateus, CEO e fundadora de empresa de outsourcing Combine

30 | O esforço para valorizar e ajudar os profissionais de marketing digital Marta Ferreira, Diretora Geral da Marketers 34 | “A Educação é um dos pilares de qualquer sociedade” Ana Mestre, Diretora Escola de Comércio do Porto 38 | The Lake Spa Resort reconhecido como o melhor Resort Lifestyle de Luxo da Europa 40 | Nova SBE apresenta indicadores do impacto da mudança para o campus

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EDITORIAL

MULHERES INSPIRADORAS.

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Nesta edição destacamos a versatilidade e maturidade da atriz Ana Marta Ferreira. A atriz conta com uma carreira de 18 anos e com mais de duas dezenas de projetos no currículo. Desde novelas e séries a anúncios publicitários. Mais recentemente, foi uma das estrelas do filme e série Bem Bom, sobre a icónica banda portuguesa, as Doce. A profissionalização do coaching é um tema que tem dado muito que falar, dada a sua rápida expressão nas diversas esferas da vida da sociedade moderna. Fomos conhecer Edilene Abreu, que foi no coaching que encontrou a sua vocação e se reencontrou. Agora afirma ser uma mulher realizada e ajuda os outros a alcançar o mesmo.

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Conjugar a aparência com a realidade para uma boa reputação corporativa é o trabalho de Vanessa Sequeira. O seu percurso de vida passou pela consultoria ao empreendedorismo na área de formação de executivos e na gestão digital de prestação de serviços de estética a empresas. Enquanto diretora geral da Merco Portugal, explica-nos como funciona a avaliação da reputação corporativa e que parâmetros contribuem para estar no topo do ranking. Rita Serrabulho foi jornalista durante uma década, mas foi na comunicação empresarial que encontrou a sua vocação. Ceo da AMP Associates conta-nos como ajudou os seus clientes a lidar com a crise sanitária e revela alguns conselhos para o sucesso do futuro do tecido empresarial português pós-covid. Carmen Mateus é a CEO e fundadora de empresa de outsourcing Combine. Desde jovem que demonstrou a sua veia empreendedora. Mais tarde descobriu o gosto pela escrita e agora partilha as suas experiências de vida, e de quem encontra nas suas viagens, para tentar ajudar os outros.

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Este ano tornou-se diretora geral da Digital Marketers, uma associação que pretende ajudar os profissionais da área e ser um elo entre eles, as empresas e os consumidores. Marta Ferreira é uma especialista na área do Marketing, com uma vasta experiência e versatilidade.

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Ana Mestre defende que educação é um dos pilares de qualquer sociedade.Professora há quase três décadas, vê na educação a solução para um mundo mais justo e feliz. É diretora da Escola de comércio há quase 15 anos, uma escola que aposta na inovação, interdisciplinaridade e a aprendizagem orientada para a solução de problemas.

Boas leituras! Sandra Arouca

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A VERSATILIDADE E MATURIDADE DA ATRIZ ANA MARTA FERREIRA A atriz conta com uma carreira de 18 anos e com mais de duas dezenas de projetos no currículo. Desde novelas e séries a anúncios publicitários, Ana Marta fez de tudo. Mais recentemente, foi uma das estrelas do filme e série Bem Bom, sobre a icónica banda portuguesa, as Doce e entrou na série O clube, disponível na Opto.

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Ana Marta Ferreira tinha apenas 9 anos quando se estreou como figurante especial na famosa série juvenil Morangos com Açúcar. Desde então a sua carreira de atriz nunca mais parou: fez muitas outras séries juvenis marcantes como o Clube das Chaves, Floribella e Rebelde Way. Mesmo trabalhando desde cedo, não sente que tenha perdido a sua infância ou adolescência. Aliás, quando descobriu esta paixão sentiu-se como um peixe dentro de água. Nunca fez nenhum curso de teatro, nem andou no conservatório. Tudo o que aprendeu foi com as pessoas com quem trabalhou, com o meio onde cresceu. Enquanto adulta, já participou em várias telenovelas, como Laços de Sangue, Sol de Inverno e a Única Mulher. Entrou esporadicamente em filmes e realizou trabalhos em áudio para spots publicitários de rádio e televisão, dobragens de áudio e voz-off de anúncios e filmes de várias produtoras.

Aos 27 anos continua a demonstrar a sua versatilidade enquanto atriz. Recentemente participou no filme Bem Bom e na série televisiva homónima sobre as Doce, interpretando Laura Diogo. O filme retrata mais a vida profissional da banda e a série explora mais a fundo a vida pessoal de cada uma das integrantes. Tem uma forte componente musical, baseada em factos e depoimentos reais, acompanhando todo o percurso da banda desde o seu início em 1979 até ao fim da formação inicial. Esta história é contada pelos olhos das quatro protagonistas, as cantoras das Doce, mas também inclui aqueles que lhes são mais próximos: amigos, cúmplices, namorados, amantes, bem como opositores. Segundo um comunicado da RTP, a série mostra como as quatro “mosqueteiras” (assim se apresentaram vestidas no Festival da Canção que venceram em 1882) conseguiram deixar um legado que sobreviveu às vozes

Ana Marta Ferreira, atriz

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Quando descobriu esta paixão sentiu-se como um peixe dentro de água. Nunca fez nenhum curso de teatro, nem andou no conservatório. Tudo o que aprendeu foi com as pessoas com quem trabalhou, com o meio onde cresceu.

conservadoras do seu tempo. “As DOCE sobreviveram a todos os críticos e deixaram a sua marca numa geração e num país”, remata o comunicado. Antes da série e do filme, Ana Marta não tinha grande relação com as Doce. Como muitos, conhecia as músicas mais populares, como o “Amanhã de Manhã” e o “Bem Bom”, mas nem conhecia bem a cara delas. Este esquecimento e o quase apagar o nome da história é, nos olhos da atriz, um grande sofrimento para a banda. “Ainda bem que a Patrícia teve esta ideia, de dar voz, de dar força outra vez, a estas mulheres, porque elas merecem mesmo”, afirma. Interpretar pessoas que ainda estão vivas foi um enorme desafio para a atriz. Na preparação da personagem, encontrou-se com Laura Diogo, que vive em São Francisco desde que a banda terminou. Laura teve de voltar a Portugal e proporcionou assim o contacto. Este encontro deu-se depois de uma

Ana Marta Ferreira, atriz

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preparação de um mês, por isso quando se sentaram frente a frente, partilhavam a mesma postura e a mesma forma de falar. “Ouvir as histórias da boca dela foi a cereja em cima do bolo", conta. O filme, que parecia amaldiçoado, por ter visto o seu lançamento adiado duas vezes por causa da pandemia, foi um sucesso nos cinemas. Para Ana Marta ferreira, é um filme muito especial. De repente, todas as pessoas podem conhecer a história das Doce – uma banda icónica, mas que pouco conhecem realmente. Para além disso, é muito fácil de se ver – “tem músicas, tem animação, não há muitas partes “mortas”. Acho que as pessoas no geral estão com vontade de ver coisas mais leves!” Existe também um documentário de making-of “Bem Bom – Realidade e Ficção” que mostra a preparação que fizeram para encarnar as Doce, com grande foco para as coreografias e para a dinâmica em palco. Entretanto, Ana Marta já passou para outros projetos: interpretou Jacinta na novela da SIC “A serra”, personagem que abraçou com garra e mais recentemente, deu vida a Rita para a terceira temporada de “O clube”, que arrancou na Opto. A série é baseada nas vivências reais das acompanhantes de luxo que frequentavam o Elefante Branco. Rita é uma mulher casada, com um filho e que passa por algumas dificuldades. O marido não trabalha e ela acaba por ter de arranjar uma solução – entrar no mundo da prostituição e acompanhamento de luxo. Foram duas personagens diferentes, interpretadas num curto espaço de tempo. Para Ana Marta, “a variedade de personagens é muito importante para o crescimento enquanto atriz”. Por isso mesmo, aceitou o desafio de interpretar Rita, a personagem bastante ousada. “Gostei imenso de sair da minha zona de conforto, foi um grande desafio tanto profissional como pessoal”, revela a atriz. O seu filho de 5 anos, Vasco, contracenou consigo na série, fazendo a sua primeira presença em televisão. “O Vasquinho participou porque a Patrícia Sequeira perguntou se era possível, visto que era uma criança de 5 anos e para haver realidade no vínculo entre mãe e filho”, relata. No início, a atriz ficou um pouco reticente, mas acabou por aceitar. Quanto ao seu futuro na área, essa será uma escolha que deixará apenas para Vasco. Independentemente da sua vontade, irá apoiá-lo e protegê-lo ao máximo. “É um meio que as vezes é muito exigente e para as crianças também o é”, confessa. “Mas foi um orgulho gigante!” Enquanto mãe, o seu objetivo é passar os melhores exemplos para o seu filho ser o melhor cidadão possível. Equilibra assim o papel de mãe com todos os papéis que interpreta na vida profissional. Com uma carreira sólida de 18 anos, já possui uma maturidade na área. "Estou numa fase em que sei o que quero realmente fazer e o melhor que quero dar. Vou aplicar todo o meu conhecimento nestes projetos atuais, confirmando que sou capaz”, realça.

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Ana Marta Ferreira, atriz

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RITA SERRABULHO

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO NA GESTÃO DE CRISE Rita foi jornalista durante uma década, mas foi na comunicação empresarial que encontrou a sua vocação. Ceo da AMP Associates conta-nos como ajudou os seus clientes a lidar com a crise sanitária e revela alguns conselhos para o sucesso do futuro do tecido empresarial português pós-covid.

Rita foi jornalista da SIC por mais de uma década. Passou pelos papeis de coordenadora e diretora editorial de vários programas televisivos. Foi nessa estação televisiva que descobriu o gosto pela comunicação, enquanto ainda tirava a licenciatura em marketing e publicidade. Quando terminou o curso, viajou para Nova York para aprofundar os seus conhecimentos em televisão e broadcast com uma pós-graduação. Após anos a trabalhar na área, percebeu que o seu caminho não estava no jornalismo, mas sim na comunicação empresarial, onde poderia trabalhar em temas de maior interesse como estratégia, gestão de crise e desenvolvimento de competências de líderes. Apesar da mudança de rumo, a escrita foi-se adaptando às diferentes fases profissionais. É algo que sempre lhe deu muito gosto e que não pretende abandonar. “Quem sabe chegue um dia a vez de um romance ...”, sonha Rita. Depois do jornalismo trabalhou na área da comunicação empresarial e institucional. Em 2011, tornou-se conselheira de comunicação do ministério da economia. Uma missão complicada, tendo em conta a situação socioeconómica que estava a ser ultrapassada, mas que Rita se orgulha bastante. “Poder contribuir para que os governantes pudessem da melhor forma informar sobre questões estruturais que impactam a vida de muitas pessoas, nem sempre fáceis de explicar e acolher, é um enorme desafio e uma enorme responsabilidade”, afirma. Em 2015, saiu do cargo e tornou-se uma das sócias fundadoras da AMP Associates, empresa da qual é atualmente CEO. A AMP, acrónimo de ampliar e amplificar, foi criada no seguimento da crise de 2011-2015 e pretendia corrigir os erros das inúmeras empresas que não sobreviveram à crise e dar respostas às que procuravam a solução nos mercados externos. “Percebi que essas empresas não tinham nenhuma organização a apoiá-las na comunicação internacional e que isso era fundamental para se darem a conhecer e gerarem negócio”, explica a CEO. Fruto de experiências profissionais anteriores, percebeu também que se perdia por “ineficácia e desajustamento dos gestores e empresários face às estratégias de comunicação das suas organiza-

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ções”. Nesse sentido, prepararam simultaneamente um programa com o objetivo de desenvolver competências nos líderes para dar uma resposta mais humana e mais eficaz ao mercado. Hoje os líderes estão mais preparados, sabem que têm de ser presentes no mundo digital, de manter proximidade com os colaboradores e estarem aptos a comunicar para qualquer media ou mercado internacional. O treino de competências foi muito importante a este nível. “A competitividade deixou de ter fronteiras e quem pensar o contrário rapidamente compreenderá que o seu negócio está a prazo, porque alguém se posicionará para ocupar esse lugar”, garante Rita Serrabulho. Embora seja Ceo, continua muito focada na operação – mantém proximidade com os clientes e esforça-se para estar junto dos media e de stakeholders que acrescentem valor de comunicação aos seus negócios. As relações institucionais, o pensamento e desenvolvimento estratégico, bem como o trabalho de desenvolvimento de competência de líderes é responsabilidade sua - “é um trabalho de relação e confiança que não se pode delegar.”

“A competitividade deixou de ter fronteiras e quem pensar o contrário rapidamente compreenderá que o seu negócio está a prazo, porque alguém se posicionará para ocupar esse lugar.”


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Rita Serrabulho, CEO da AMP Associates

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Com o surgimento do COVID-19, Portugal teve de enfrentar uma nova crise. De acordo com Rita, a crise sanitária abalou muitos dos pilares principais do ser humano: a confiança, a segurança, a liberdade e a família. “Ora, quando os nossos valores vitais – e neste caso são vários ao mesmo tempo – são postos em causa, as pessoas e organizações destabilizam”, ilustra. De um momento para o outro, fomos privados da nossa realidade habitual, ficamos confinados, impedidos de trabalhar e muitas vezes de receber salários. Em muito casos, perdemos pessoas importantes da nossa vida e tudo isto aconteceu com muitas incertezas para o futuro o que resultou numa perda de confiança, motivação e esperança. Por isso mesmo, Rita acredita que a comunicação tem um papel fundamental na gestão de crise. “É a bússola que gera a informação para podermos gerir e agir dentro de cada universo, e com isso fazer escolhas e to-

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A crise sanitária abalou muitos dos pilares principais do ser humano: a confiança, a segurança, a liberdade e a família. “Ora, quando os nossos valores vitais – e neste caso são vários ao mesmo tempo – são postos em causa, as pessoas e organizações destabilizam.”


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mar decisões.” É necessário que qualquer líder, seja familiar, empresarial ou até do país, disponibilize a informação de forma honesta, realística e acessível. “Mesmo que esta seja muito difícil e não haja uma solução, é preciso explicar cenários e as razões das escolhas efetuadas”, realça. A AMP Associates está habituada a lidar com a gestão de crise, o que facilitou a navegação no contexto pandémico. Para além disso, o facto de Portugal ter sido dos últimos países da Europa a ser afetado ofereceu uma margem para antever cenários e preparar os clientes para a crise. Prioritariamente acionaram os gabinetes e planos de crise e definiram novas estratégias de comunicação para os seus clientes – a aproximação dos líderes aos colaboradores através da comunicação interna e uma comunicação estratégica permanente com os stakeholders-chave. “O trabalho foi muito de manter uma comunicação viva e ativa no mercado”, diz Rita. “A valorização do capital humano foi, na minha opinião, crucial para ultrapassar desafios e manter vivas as organizações.” Foi um período de aprendizagem para todos, incluindo Rita. “Mais do que nunca as empresas tiveram que arranjar estratégicas para dizerem aos consumidores que estavam disponíveis para dar respostas às suas necessidades”, explica. Uma tarefa desafiante, já que o espaço mediático estava inundado por Covid e as pessoas estavam fechadas em casa. “Quem o soube fazer, não será esquecido”, garante. Agora que a pandemia parece controlada, que as restrições foram retiradas e que começamos a viver

perto da realidade pós-pandemia, Rita está muito otimista. “Admito que vamos passar um processo de adaptação, com muitas alterações ao nível da gestão de recursos humanos e modelos de negócio que implicarão a morte de algumas empresas e o nascimento de outras, mas conseguiremos recuperar a médio prazo”, prevê. A CEO espera que esta crise tenha ensinado às empresas portuguesas que vivemos num mercado global e que para tal precisamos obrigatoriamente de ser mais competitivos. Cada produto ou serviço que se disponibiliza concorre com todo o mundo e não só com o que se faz no país. Esta realidade, que cresceu ainda mais através da digitalização, aumenta a competitividade, mas também o potencial de venda, e por isso a comunicação internacional é fundamental para o sucesso. Por acreditar tanto no sucesso possível das empresas portuguesas, fez parte da criação do livro O Futuro é Hoje, onde deixou conselhos para um Portugal pós-pandemia. A crise sanitária veio expor severamente as fragilidades das empresas que já existiam, na medida em que muitas não tinham mercados alternativos internacionais, não tinham uma organização processual e metódica para fazer face a uma crise e mantinham uma relação distante dos seus colaboradores, o que dificultou o trabalho quando mais precisaram deles. Assim, Rita salienta que a comunicação internacional, a estruturação de gabinetes e manuais de crise e uma forte comunicação interna de proximidade e motivação dos colaboradores devem ser práticas prioritárias na gestão de todas as empresas.

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Edilene Abreu, coach

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EDILENE ABREU

DE ATRIZ A COACH, A BUSCA PELA REALIZAÇÃO PESSOAL Edilene foi atriz durante vários anos no Brasil, mas quando se mudou para França percebeu que tinha perdido o seu propósito. Foi no coaching que encontrou a sua vocação e se reencontrou. Agora afirma ser uma mulher realizada e ajuda os outros a alcançar o mesmo.

Desde criança que Edilene sonhava ser artista, viver em cima do palco, com os holofotes virados para si e a atenção do público reservada. Queria ser cantora e dançarina, mas acabou por ser atriz. Como designer de moda, começou por fazer figurinos para as peças de teatro. Demasiado tímida e com medo da rejeição, fez amizades no teatro e disponibilizou-se para substituir sempre que algum ator faltava aos ensaios. Com facilidade para decorar textos, foi descoberta, estudou e dedicou-se à área durante vários anos. Ser atriz permitia que vivesse várias vidas. “Cada personagem me trazia ensinamentos de como superar adversidades, subir no palco e dar vida a um personagem me libertava da minha própria vida que por muito tempo não amei”, conta. Através das personagens podia dar asas à sua imaginação e libertar as suas emoções. Com o trabalho de campo, ao analisar o comportamento de pessoas reais em situações parecidas com a da personagem que iria interpretar, aprendeu a ser muito mais empática. “Isso me fez olhar o outro sem julgamento, ouvir na essência, ver pelo seu olhar, sua perspetiva, me colocando verdadeiramente no seu lugar”, revela a atriz. A indústria do cinema e do teatro são complexas, com muitas variações. Sendo atriz durante vários anos, transborda de histórias para contar sobre a profissão. Uma vez, enquanto fazia de polícia numa curta-metragem, foram gravar uma cena dentro da favela na Bahia. A produção era inexperiente e não avisaram que utilizariam armas falsas ao final da tarde. A claquete soa, a ação começa: Edilene e mais 8 atores vestidos de polícia federal, com arma em punho na escuridão. O resultado foram “bandidos reais” a correr pelo mato. “Continuamos a cena, no final eu só pensava que a cena foi bem feita a ponto de os bandidos correrem e que poderia ter morrido”, relembra. “E o pior, o filme nem foi comercializado.” Em 2013, decidiu mudar-se para França, em busca de si mesma, de viver o amor, conhecer outras culturas e aumentar a sua bagagem pessoal. Durante 8 anos, tentou viver de acordo com o molde de vida francês. Deixou de ser uma atriz e produtora, que trabalhava 20 horas por dia, sem férias há 12 anos, com bons rendimentos, mas sem segurança nem permanência, para trabalhar no horário convencio-

Atualmente vive seu propósito como coach pessoal e considera-se uma mulher realizada. No entanto, o caminho para cá chegar foi moroso. Edilene sofria com síndrome de pânico e um dia foi internada com uma crise tão forte que ficou entubada durante 12 horas a fazer vários exames. No final, o médico não a conseguiu diagnosticar nem ajudar. Foi esse o momento em que percebeu que precisava de se reencontrar e procurar o seu propósito.

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nal, de segunda à sexta, com férias e salário fixo. “Ou seja, trabalhar a semana toda esperando o fim de semana, trabalhar o mês todo esperando o dia do pagamento e trabalhar o ano todo esperando as férias o que me levaria a trabalhar a vida toda esperando a aposentadoria”, ilustra. Foi nesse período de tempo que julga se ter desconectado completamente da sua essência. Atualmente vive seu propósito como coach pessoal e considera-se uma mulher realizada. No entanto, o caminho para cá chegar foi moroso. Edilene sofria com síndrome de pânico e um dia foi internada com uma crise tão forte que ficou entubada durante 12 horas a fazer vários exames. No final, o médico não a conseguiu diagnosticar nem ajudar. Foi esse o momento em que percebeu que precisava de se reencontrar e procurar o seu propósito. Ajudar os outros foi um instinto natural que a acompanhou na sua vida – conselheira de turma, incentivadora da sua família e amigo e até de estra-

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nhos, olhava o próximo com amor e preocupação. Através do teatro, ajudava muitas pessoas indiretamente e até pensou voltar à faculdade para terminar o curso de psicologia. Por isso, quando teve o primeiro contacto com o termo coaching, por acaso, teve a certeza de que essa era a sua verdadeira vocação. Partiu para a pesquisa e o estudo e passou pelo processo de coaching para testar na primeira pessoa a transformação que o processo pode gerar na vida de alguém. Formou-se na área, praticou e pratica autocoaching e dedica-se a ajudar os seus clientes a alcançarem os seus objetivos. A maior parte das pessoas que a procuram encontram-se desmotivadas por não se sentirem reconhecidas, sobrecarregadas com as suas tarefas, stressadas pela exigência do trabalho, sem tempo para fazer tudo o que precisam, ansiosas e muitas vezes confusas com quem são e o que realmente querem. Há casos em que pretendem mudar de carreira, muitas vezes por causa do ambiente do trabalho,


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A maior parte das pessoas que a procuram encontram-se desmotivadas por não se sentirem reconhecidas, sobrecarregadas com as suas tarefas, stressadas pela exigência do trabalho, sem tempo para fazer tudo o que precisam, ansiosas e muitas vezes confusas com quem são e o que realmente querem.

pela falta de reconhecimento ou a busca de melhores salários. “Ou até mesmo a escolha no passado da profissão errada. Tudo é avaliado num nível mais profundo para entender qual tipo de mudança trará real satisfação”, explica a coach. Muitos destes problemas tem a raiz no trabalho e para além da mudança pessoal, deveria existir também uma mudança dentro da cultura e do mercado empresarial para criar melhores condições para os trabalhadores. O burnout, a depressão e ansiedade no trabalho são cada vez mais recorrentes. Para Edilene, a solução passa pelo desenvolvimento de profissionais, líderes e equipas com maior conhecimento de si e entendimento do outro – “o ideal seria as empresas investirem mais em desenvolvimento pessoal das equipas, porque o profissional antes de tudo é uma pessoa, e as empresas são feitas de pessoas.” E cada pessoa age, sente, aprende e executa de formas distintas. Só através da cooperação, comunicação e empa-

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tia se pode resolver estes problemas. Se os funcionários conhecerem bem os seus recursos e tiverem uma boa gestão de tempo e clareza nos seus objetivos profissionais e pessoais, todas as partes saem a ganhar – “a empresa que terá um profissional mais dedicado eficaz, que bate as metas com eficiência, os colegas e colaboradores ganham porque tudo começa a funcionar como uma orquestra sinfônica e a pessoa em si que terá mais tempo de qualidade para si e para a família , será mais leve fazendo seu trabalho alinhado com quem é”, garante. Igualmente necessário é eliminar a discriminação dentro do mercado de trabalho. Edilene confessa já ter sofrido de discriminação por ser mulher e por ser brasileira a viver num país europeu. Lamenta que algumas pessoas julguem a capacidade “pelo sexo, nacionalidade, idade, cor, número de diplomas e tantas outras formas de discriminação”. A nossa bagagem pessoal, as nossas experiências, devem ser uma vantagem, aliadas ao nosso conhecimento técnico e académico. É esse o seu olhar sobre o mundo: todas as suas experiências, lugares onde passou, pessoas que conheceu, tornaram-na na pessoa que é hoje. Cresceu numa família de matriarcas, “mulheres fortes e independentes”, mas também trabalhou em ambientes predominantemente masculinos e tem dois filhos adultos. Assim, consegue atender e entender as necessidades e dores de ambos. “Fui líder e liderada, empresária e profissional contratada, o que me facilita trabalhar com esses públicos de forma empática com comunicação assertiva e para trazer melhores resultados”, acrescenta.

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Tudo isto culminou na mulher que é e acima de tudo no seu sentimento de realização na sua vida pessoal. Nem sempre foi assim, passou por “fases de vitimização, reclamações, insatisfação, no piloto automático, sem encontrar o real sentido”, admite. Quando questionada sobre o segredo, afirma que não existe uma fórmula mágica que funcione para todos. No entanto existem caminhos que se podem percorrer e dois segredos que quer partilhar. O coaching é uma metodologia comprovada e eficaz e o profissional coach um agente de transformação. Em primeiro lugar, é necessário ter serenidade para aceitar as coisas que não podemos mudar, que estão fora do nosso controlo; coragem para mudar as que pudemos e sabedoria para distinguir uma das outras. Em segundo lugar, entender que a nossa missão no mundo é evoluir e o nosso propósito é servir. A partir daí devemos procurar essa evolução diária, descobrir de que forma podemos servir e implementá-la na nossa vida. Uma das dádivas da vida é o livre arbítrio – “saber que posso escolher como me sinto, escolher minhas ações, e fazer disso um exercício diário. Você não é perfeito, nem precisa buscar a perfeição, e sim a sua evolução”, realça.

Edilene Abreu

Coach e Analista Comportamental E.: ninacoachabreu@gmail.com Linkedin: Edilene Abreu T.: +351 931 422 817


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Vanessa Sequeira, Diretora Geral na Merco Portugal


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VANESSA SEQUEIRA

O SEGREDO PARA UMA BOA REPUTAÇÃO CORPORATIVA O seu percurso de vida passou pela consultoria ao empreendedorismo na área do coaching e estética. Enquanto diretora geral da Merco Portugal, explica-nos como funciona a avaliação da reputação corporativa e qual o segredo para estar no topo do ranking.

Vanessa gostava de ter tempo suficiente na vida para estudar e exercer profissões totalmente diferentes. Na altura de escolher a licenciatura, não tinha muito claro o que queria fazer no futuro. Escolheu Gestão de Marketing no ISCEM, aliciada pela aproximação ao mercado empresarial, através dos estágios, e os protocolos com universidades nos EUA e em França. Optou por esta licenciatura, mas podia ter seguido outras áreas, como psicologia ou comunicação social. “Estou convencida que teria sido feliz

A Me Time é uma plataforma que disponibiliza serviços de estética (manicure e threading) nas empresas. Vanessa caracterizase como sendo muito feminina, algo que lhe é intrínseco, e por isso desenvolveu este projeto mais direcionado para as mulheres, com o propósito de contribuir para um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

na mesma”, garante. Mais tarde, fez um mestrado em gestão, o que consolidou os seus conhecimentos na área financeira. Ao longo da sua carreira procurou fazer coisas diferentes, em áreas que se complementam. Iniciou o seu percurso na consultoria de recursos humanos, onde começou a dar formação. Foi neste período que tirou uma pós-graduação em personal coaching. “Na relação com os meus familiares e amigos era muito evidente este meu foco no ajudar as pessoas a se alinharem com o seu propósito”, conta. Muitas vezes, no processo de recrutamento e seleção, percebia que o candidato adequado à função não era o que tinha a experiência que a empresa exigia. “Foram várias as situações em que me vi na posição de defender o candidato que menos correspondia em termos ou de experiência profissional, ou de idade, de vencimento, ou mesmo de género”, relata. “Creio que agora as empresas já fizeram um caminho e já são mais flexíveis, mas na altura as barreiras eram mais que muitas.” Pouco depois, cofundou a Intrinsic, uma empresa de coaching e formação em áreas comportamentais, que foi mais tarde vendida. No final de 2016 criou a Me time. Esta necessidade de criar os seus próprios negócios alimentaram a sua veia de empreendedora e o seu lado “pouco convencional”. A Me Time é uma plataforma que disponibiliza serviços de estética (manicure e threading) nas empresas. Vanessa caracteriza-se como sendo muito feminina, algo que lhe é intrínseco, e por isso desenvolveu este projeto mais direcionado para as mulheres, com o propósito de contribuir para um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Quando lançaram a empresa, existia uma maior abertura por parte das empresas multinacionais para estes serviços. As empresas mais conservadoras apenas autorizavam que os serviços fossem prestados durante o período de almoço. Contudo, à medida que o conceito de employer branding surgiu e a necessidade de atração e retenção de talentos se tornou um tema mais central para as empresas, Vanessa garante que as mentalidades das empresas mudaram nesse sentido. Atualmente, alia a gestão da Me time ao cargo de diretora da Merco Portugal. A Merco, monitor

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empresarial de reputação corporativa, só chegou a Portugal em 2018. Publicaram a primeira edição em 2019 e preparam-se para publicar agora a segunda, dia 4 de novembro. A edição de 2020 ficou suspensa devido à pandemia. Segundo Vanessa Sequeira, a abertura, interesse e reconhecimento da qualidade da metodologia da Merco por parte do mercado não podia ter sido melhor. As grandes empresas estão cada vez mais conscientes da necessidade de serem agentes de mudança e parte da solução de vários desafios socais, começando pela responsabilidade que têm enquanto entidade empregadora. Variáveis como a igualdade de género, o papel que assumem na comunidade, a responsabilidade social e ambiental, a comunicação e o investimento na inovação são tidas em consideração quando medida a reputação corporativa. Mais concretamente, o Merco Empresas avalia seis áreas: resultados económico-financeiros; qualidade da oferta comercial; talento; ética e responsabilidade corporativa; dimensão internacional e inovação. Existem paralelamente o Merco Digital, que avalia a atividade em canais próprios, que envolvem meios digitais, influencers e utilizadores; e o Merco Consumo, que tem em conta a perceção do Consumidor. Pela primeira vez será lançado este ano o Merco Líderes, que constatará os 100 líderes eleitos e mais

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bem pontuados pelos stakeholders. Para além disso, no final do ano, será publicado o Merco Responsabilidade e Governo Corporativo. Mas o que é preciso para estar no topo do ranking Merco? Para Vanessa, a chave é a consistência. “No Merco costumamos dizer que não basta parecer, é preciso também sê-lo e por isso a nossa metodologia integra as duas vertentes, perceção e realidade”, afirma. A perceção é medida através das avaliações feitas pelos Stakeholders – jornalistas da área de economia, analistas financeiros, membros do governo, professores universitários da área empresarial, ONG’s, sindicatos e até associações de consumidores. Quando à realidade, é analisada com base num “questionário de méritos”, que permite avaliar a reputação atribuída a cada empresa, de acordo com os critérios homologados dos principais índices. Analisando a sua carreira até aqui, Vanessa confessa que cometeu vários erros e superou muitos desafios. No entanto, aprendeu com eles e os momentos que mais a marcaram foram sempre os mais positivos, quando mobilizou pessoas ou “fez acontecer”. “Sou uma pessoa que se move por paixão e o ser humano quando está motivado é capaz de conseguir o “impossível”, declara. Teve sempre também o apoio incondicional do seu marido e encontrou na família a energia que precisava para enfrentar os desafios.


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CARMEN MATEUS

O ESPÍRITO EMPREENDEDOR E A PAIXÃO PELA ESCRITA Carmen Mateus é a CEO e fundadora de empresa de outsourcing Combine. Desde jovem que demonstrou a sua veia empreendedora. Mais tarde descobriu o gosto pela escrita e agora partilha as suas experiências de vida, e de quem encontra nas suas viagens, para tentar ajudar os outros.

Carmen cresceu em Angola, na fazenda dos seus pais. Ainda muito jovem presenciou a guerra civil em Angola e na África do Sul. Atribui a sua veia empreendedora aos pais que lutaram para alcançar tudo e que acabaram por perder durante a guerra. Cresceu com a vontade de batalhar e vencer. “O empreendedorismo foi visto por mim não como um sonho maravilhoso (nunca é) mas como um caminho a seguir, uma luta a ganhar”, afirma Carmen Mateus. Começou a trabalhar cedo - aos 16 anos conjugava o trabalho com os estudos noturnos. Aos 21 anos, abriu o seu primeiro negócio: uma clínica veterinária com loja de animais de companhia. Quando fez 25 anos, já tinha 3 clínicas abertas – duas em Sintra e uma em Lisboa. Interessada pela gestão de negócios, continuou a estudar à noite, o que se apresentou como uma luta diária - mãe de um casal de miúdos e com 3 lojas para gerir, Carmen ficou com muito pouco tempo para se dedicar a si mesma, a ser mulher. Mais tarde, decidiu levar a gestão de negócios como um projeto mais sério e assertivo. Vendeu as clínicas e abriu uma empresa como gestora de negócios de empresas nacionais e internacionais. Viajou pelo mundo, passou pelo Brasil, Angola, Noruega e muitos outros países que lhe apresentaram formas diferentes de criar e organizar projetos, novas culturas e visões diferentes. Foi também nestas viagens de trabalho que começou a escrever, quase como um diário, a partilhar as histórias de vida que encontrou ao longo do caminho. Já publicou 3 livros, entre eles “Não te percas na tua viagem”, que retrata o seu regresso a Angola passado vários anos. Carmen escreve por prazer, mas a escrita tornou-se também numa forma de se treinar emocionalmente e disciplinar a mente e o coração. “Perceber-me e perceber melhor o que se vive e como se vive à minha volta”, acrescenta. Está agora a trabalhar no seu quarto livro, que irá sair em março de 2022. O livro retrata a relação das pessoas com a vida, vários testemunhos pessoais e o que Carmen aprendeu com cada experiência. Para a autora, é muito mais marcante e útil ler histórias de vida reais e perceber como foram vividas do que ler livros de autoajuda

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A Combine surgiu, em 2017, pela vontade de Carmen de “continuar a lutar” e pela necessidade do mercado de “recriar o outsourcing não apenas em tecnologia – o que era o habitual – mas o outsourcing em gerir uma unidade de negócio”, explica. Uma área muito jovem onde ainda há muito para explorar e desenvolver.


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Carmen Mateus, CEO e fundadora de empresa de outsourcing Combine

com regras frias e lógicas. “O prazer da escrita ensina-me todos os dias a agradecer a minha vida. Viver é uma bênção. Uma dádiva. E a nossa vida deve refletir essa noção”, salienta a escritora. Atualmente é CEO e fundadora da Combine, uma empresa de gestão de unidades de negócios em outsourcing, com escritório em Portugal e Milão. A empresa trabalha para a abertura de novos mercados, ao nível internacional através da gestão comercial e eventos de empresas e networking empresarial. A Combine surgiu, em 2017, pela vontade de Carmen “continuar a lutar” e pela necessidade do mercado de “recriar o outsourcing não apenas em tecnologia – o que era o habitual – mas o outsourcing em gerir uma unidade de negócio”, explica. Uma área

muito jovem onde ainda há muito para explorar e desenvolver. Após anos de trabalho, ganha-se a capacidade de perceber o que os outros precisam. Assim, a Combine está muito ligada também a mudanças na vida. “A luta depois de uma guerra, de uma família inteira sair do seu país, ser-se refugiados – essa noção de vencer e mudar vidas fez da Combine a empresa que quer pelo menos ajudar a mudar uma vida para melhor”, conta a empresária. Dentro da Combine, foram criadas várias summits – eventos anuais em cada área de negócio para juntar empresas, projetos e empreendedores. No final do mês de novembro, acontecerá a IBS- International Business Summit. Existe ainda a

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WBS- Women Business Summit, um encontro com expositores de projetos, oradoras e testemunhos internacionais, que termina com um jantar de networking. Por fim, o IBF – International Business Fashion, que, tal como o nome indica, reúne todos os que têm ligação à indústria da moda, seja na produção de roupa, acessórios ou até serviços. Estas ferramentas de comunicação permitem a divulgação e networking que facilita a criação de parcerias. Para além da sua experiência em gestão e consultoria de negócios e marketing comercial, dedica-se também ao coaching pessoal e profissional. Em pro-bono, desenvolve encontros e entrevistas na televisão e workshops para mulheres que fazem a diferença na sua vida e na vida dos outros. “Sou mulher e como mulher faço questão de apoiar outras mulheres”, exclama. Criou o projeto “Nós Mulheres”, sem base comercial nem regras impostas – é gratuito, graças a apoios de patrocinadores. “Aqui tento mostrar e alavancar pro-

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jetos de mulheres que lutam, que querem mais do que ser meras observadoras nesta sociedade”, ilustra. Num mercado empresarial que ainda apresenta desigualdade de género, o segredo está, para Carmen, em nós próprias, em lutarmos e defendermos as mudanças que queremos. “Não vale a pena falarmos ao vento e deixar tudo igual”, realça. As mudanças numa sociedade “fria e sem alma” só podem acontecer através de uma luta constante, sem espaço para desistir ou para deixar as emoções levarem o melhor de nós. “O grande nas mudanças é feito de milhares pequenos, todos os dias”, assegura. Por isso mesmo, para as jovens mulheres que estão agora a iniciar a sua carreira, Carmen apela a que não cedam à vontade emocional e financeira de desistir e que procurem ser o melhor de si mesmas. “Não copiar, não imitar, não seguir conselhos vazios. Analisem, descubram, falhem, aprendam, estudem!”, urge a empresária “E façam muitas vezes tudo de novo, até encontrarem a vossa rua certa.”

Evento nós mulheres


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Carmen Mateus, CEO e fundadora de empresa de outsourcing Combine

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Marta Ferreira, Diretora Geral da Marketers

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MARTA FERREIRA

O ESFORÇO PARA VALORIZAR E AJUDAR OS PROFISSIONAIS DE MARKETING DIGITAL Marta Ferreira é uma especialista na área do Marketing, com uma vasta experiência. Este ano tornou-se diretora geral da Digital Marketers, uma associação que pretende ajudar os profissionais da área e ser um elo entre eles, as empresas e os consumidores.

Marta Ferreira conta com mais de 20 anos de carreira com vasta experiência na definição e implementação de estratégia de Marketing e no crescimento da notoriedade das marcas. Já foi senior account e research marketing na QSP e mais recentemente foi diretora de Marketing do ISAG, tendo sido nomeada para integrar o Conselho de Direção com os pelouros de Marketing e Formação Executiva da universidade. Após duas décadas, o constante crescimento e inovação ainda a mantém interessada no trabalho. Esta é uma área que permite uma aprendizagem constante e acesso a novos inputs de todo o mundo. Para além disso, existe o desafio diário de se manter a par das mudanças rápidas e as exigências do consumidor sobre as marcas. “Eu digo muitas vezes que podemos fazer as mesmas ações, mas têm que ser de forma diferente, temos que surpreender”, ilustra Marta. Assim, a formação é uma componente essencial para a evolução enquanto profissional. Para além da licenciatura em Gestão de Marketing, tirou o mestrado em Consumer Behaviour. “Durante o mestrado consegui ter a noção que nós, consumidores, alteramos os nossos comportamentos constantemente, pelo que somos obrigados a estar atualizados”, revela. Para além de alargar as competências técnicas, a formação também estimula as soft skills, através da partilha do conhecimento com colegas e docentes. Durante os vários anos em que esteve ligada ao ensino superior e à formação executiva, percebeu o verdadeiro impacto da formação num profissional – “tornam-se mais exigentes e preparados para enfrentar o mercado de trabalho”, afirma. Atualmente é a Diretora Geral da Digital Marketers – Associação de Profissionais de Marketing Digital (APMD). Aceitou o cargo no verão de 2021, mas já estava associada à instituição há quase 2 anos. Em Portugal, o crescimento do Marketing Digital foi muito lento em comparação a outros países. A pandemia veio, indiretamente, forçar essa transição e para Marta o resultado foi muito positivo. “Tivemos uma adaptação muito rápida e com sucesso, e isso foi latente nas gerações mais seniores, que rapidamente começaram a pensar de uma forma digital”, relata. Agora que estamos oficialmente na era digital, é necessário “arrumar a casa” – consolidar os conhecimentos que foram adquiridos no último ano e meio.

Apesar do crescimento do Marketing Digital, este não deve ser visto como um adversário do Marketing tradicional. Uma boa estratégia de marketing deve ser planeada tendo em conta as duas vertentes: online e offline. “O consumidor está online, mas vive offline, não nos podemos esquecer disso”, realça a diretora. São áreas complementares e para cada marca deve-se analisar qual das duas faz sentido aprofundar mais. Vivemos na era das redes sociais, e estas devem ser vistas como uma oportunidade para conquistar consumidores e aumentar o engagement com a marca. Contudo, para que o sucesso não seja efémero, é preciso ter uma estratégia de marketing bem consolidada.

“Vivemos na era das redes sociais, e estas devem ser vistas como uma oportunidade para conquistar consumidores e aumentar o engagement com a marca. Contudo, para que o sucesso não seja efémero, é preciso ter uma estratégia de marketing bem consolidada."

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Marta Ferreira sempre encarou o trabalho como um desafio constante. “Tive a sorte de estar em projetos que tiveram de se implementar e vencer no mercado, todos eles foram desafiantes porque tinham de ser inovadores para crescerem”, conta. Procurou sempre projetos com base na necessidade de crescimento e rápida adaptação ao mercado, que precisassem de se reinventar. Não se revê em marcas que não percecionam o mercado como um desafio diário, que não tem uma visão e um foco assente na inovação. A pandemia veio demonstrar que é preciso estar preparado e ter capacidade para enfrentar o maior desafio de todos: o desconhecido. Por isso mesmo, não hesitou em aceitar o cargo de diretora da Marketers Digital. O objetivo principal no seu mandato é criar uma associação que esteja ao

“Tive a sorte de estar em projetos que tiveram de se implementar e vencer no mercado, todos eles foram desafiantes porque tinham de ser inovadores para crescerem.”

Marta Ferreira, Diretora Geral da Marketers

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lado das empresas e dos profissionais de marketing e marketing digital, que garanta as boas práticas e se torne uma referência das tendências nesta área. A associação quer criar um ecossistema que ajude os trabalhadores e empresas a tomarem decisões acertadas, bem como ajudar os profissionais a nível de empregabilidade, promover ações de formação e propor soluções legais. “É essencial apoiar os profissionais e as empresas numa altura de mudança, o digital já está implementado, agora é tempo de nos organizarmos”, reforça. A profissão de Digital Marketer ainda sofre com alguns estigmas, sendo desvalorizada em Portugal. Muitas das vezes, áreas como a gestão de redes sociais são associados aos “estagiários”. Durante a pandemia, foram ultrapassadas muitas barreiras e, nos

últimos meses, subiram o número de ofertas de emprego para a função de Digital Marketing Manager. Para Marta, a história do marketing repete-se com o digital. Há 20 anos atrás, poucas eram as empresas que possuíam departamentos de marketing e contratavam profissionais da área. Agora, as empresas já têm plena consciência de que é imprescindível e fundamental para o sucesso da marca. “O mesmo se está a passar com o Digital Marketer, mas a grande diferença é que esta evolução está a ser muito rápida”, explica. As empresas já estão a perceber a importância do marketing digital e a solicitar profissionais qualificados. A Digital Marketers quer acompanhar esta evolução e ser a ligação entre os profissionais, empresas e consumidores. Mas, afinal, o que é essencial para ser um bom marketer digital? Em primeiro lugar, ser apaixonado pelo marketing e marketing digital. Depois há um conjunto de soft e hard skills que são muito valorizadas. No que toca a hard skills, um bom profissional precisa dominar as principais técnicas de marketing digital e ter conhecimento de marketing de conteúdo. O seu foco deve estar sempre centrado no cliente aliado a uma visão estratégica do mercado e do negócio. Na área das soft skills, Marta enumera algumas

que se podem destacar: ser criativo, uma característica que se não for nata pode ser trabalhada; ter uma mente analítica, que questione os números e olhe para eles de uma forma estratégica; ter iniciativa, algo fundamental para encontrar soluções; ser curioso, para procurar as novas tendência e as novidades do mercado; e por fim, ter inteligência emocional, uma característica fundamental no que diz respeito à tomada de decisões. “É importante referir que estas competências podem ser todas trabalhadas e este é um dos nossos objetivos enquanto Associação de Marketing Digital”, enfatiza Marta. Para além de todas estas qualidades, para um profissional de marketing digital prosperar não pode ter barreiras socias, “se as tiver a sua criatividade certamente estará comprometida e consequentemente o seu trabalho.” Neste sentido, Marta Ferreira acredita que a área do marketing é bastante equilibrada a nível de igualdade de género. Apresenta como prova o facto de grandes marcas nacionais e internacionais terem mulheres nas direções de marketing. “Sempre trabalhei com equipas multidisciplinares, tanto a nível do género como de idade e sempre se respeitaram, não tenho dúvidas que são essas equipas que conseguem os melhores resultados”, garante. Existem muitas profissionais mulheres na área e, após um bom caminho, atualmente é mais fácil ocuparem cargos de liderança e serem reconhecidas. Na Digital Marketers, chegam até a brincar com o sistema de quotas - deveria existir para os homens neste caso, já que a equipa é formada maioritariamente por mulheres. “Isto acontece porque a filosofia da associação é trabalhar e convidar por mérito e não por outro tipo qualquer de razões”, sublinha a diretora.

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Ana Mestre, Diretora Escola de Comércio do Porto

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ANA MESTRE

“A EDUCAÇÃO É UM DOS PILARES DE QUALQUER SOCIEDADE” Professora há quase 3 décadas, vê na educação a solução para um mundo mais justo e feliz. É diretora da Escola de Comércio do Porto há quase 15 anos, uma escola que aposta na inovação, interdisciplinaridade e a aprendizagem orientada para a solução de problemas.

Desde os seus 19 anos que Ana Mestre se interessou por entender a realidade humana e social. Licenciou-se em sociologia, para explorar os fenómenos e as relações sociais e os comportamentos que os indivíduos estabelecem entre si. Em 1997, começou a lecionar sociologia na Escola de Comércio do Porto (ECP). Aí encontrou a paixão pelo marketing, relacionada com a sua área predileta: os estudos do comportamento do consumidor. Vinte e quatro anos depois, mantem-se ligada à ECP, sendo a diretora da escola há 14 anos. É professora há quase 3 décadas e é nesta profissão que se sente realizada. “A Educação é um dos pilares de qualquer sociedade”, afirma. “Aprender é a capacidade que mais nos distingue enquanto seres humanos”. Ana acredita numa sociedade mais inclusiva e pacífica, numa abordagem mais altruísta e humanística que torne o nosso mundo melhor e mais feliz. “Creio sinceramente que a função de professora me dá a oportunidade de aprender e trabalhar ainda mais em prol dos outros”, justifica. Um educador pode despertar a necessidade, provocar o deseja ou levar à mobilização, tendo a capacidade de operar a mudança e a renovação na vida de uma pessoa. É impossível ignorar que durante muito tempo, os cursos profissionais sofreram uma grande estigmatização e foram vistos como algo secundário no sistema de ensino. “Nós não o entendemos assim, e lutamos todos estes anos, para mudar esse estigma”, diz. Os estudantes dos cursos profissionais terminam o 12º ano, com dupla certificação - académica e profissional – que, segundo a diretora, lhes permite enfrentar o mercado de trabalho com melhores ferramentas que os alunos do regime científico humanístico. Muitos optam por ingressar no ensino superior e são, em vários casos, a primeira pessoa com curso superior na família. Existem inúmeras escolas profissionais espalhadas pelo país, por isso tentamos perceber o que distingue a ECP. A resposta foi a busca pela inovação, a promoção de metodologias ativas e a valorização do trabalho colaborativo através da aprendizagem orientada para a resolução de problemas. A escola desenvolve projetos interdisciplinares abrangentes que incentivam a “aprender a aprender” e “aprender fazendo”. A ECP incentiva também os alunos a participarem em concursos, tendo obtido diversos prémios em

“Aprender é a capacidade que mais nos distingue enquanto seres humanos. Creio sinceramente que a função de professora me dá a oportunidade de aprender e trabalhar ainda mais em prol dos outros.”

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Ana Mestre, Diretora Escola de Comércio do Porto

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concursos de empreendedorismo social e criativo, sustentabilidade ambiental e práticas de inserção profissional. “Esta participação desafia os alunos, a serem curiosos, audazes e capazes de saírem da sua zona de conforto, expondo-se publicamente à crítica, no sentido de fazerem melhor”, descreve Ana. A escola promove ainda intercâmbios nacionais e internacionais no âmbito do Erasmus+. Esta experiência permite uma convivência no mundo global atual, preparando os alunos para a diversidade social e cultural presentes nos diferentes mercados de trabalho. As competências adquiridas nestes intercâmbios apresentam-se como vantagens no mercado atual, sendo fatores diferenciadores. Para além disso, os estágios de curta duração permitem desenvolver competências fulcrais para a sua futura profissão - “competências linguísticas, de adaptação cultural experiência internacional; e conhecimentos técnicos essenciais para fazer face a um mercado de trabalho cada vez mais global e competitivo”, enumera Ana Mestre. Nos mais de 30 anos de vida da ECP, o comércio foi mudando e adaptando-se às novas realidades. Na era da digitalização, o e-commerce deixou de ser apenas uma alternativa de conveniência para passar a ser também uma necessidade com o surgimento da pandemia. De forma a manter-se atualizada, a ECP tem apostado na formação nas áreas do e-commerce e da criação e gestão de conteúdos das redes sociais. Simultaneamente, o Grupo Ensinus, do qual a ECP faz parte, tem apostado bastante e de forma continua na formação das suas equipas diretivas e pedagógicas, para se manterem atualizados e na vanguarda das metodologias de trabalho inovadoras. Para além das mudanças digitais, as lojas físicas também se adaptaram, oferecendo, por exemplo, experiências únicas e personalizadas. Todas estas mudanças estão ligadas à customer experience. Ana aponta que “os consumidores estão cada vez mais exigentes e, por consequência, precisam de mais experiências únicas, que os façam sentir valorizados em todos os pontos de contacto.” Assim, as lojas físicas devem apostar num contacto de maior proximidade e com um atendimento mais personalizado, enquanto a loja online deve refletir os valores e a imagem da marca. Deve existir, ainda no online, um esforço para antecipar os gostos e as necessidades dos clientes. “É fundamental existir controlo em ambas as frentes”, realça a diretora. A crescente exigência dos consumidores contrasta com a descida da compreensão face a falhas, em todo o processo de compra, desde o apoio ao cliente à qualidade do produto. Uma das grandes preocupações dos consumidores atualmente prende-se com a sustentabilidade. “A valorização de produtos feitos com materiais sustentáveis, ecologicamente corretos e produzidos por trabalhadores em boas condições de trabalho são argumentos importantes e convincentes para a maioria de nós sobre a ética empresarial”, rela-

“Para alguns negócios, o online pode tornarse no principal canal de distribuição, mas para outros, o espaço físico é insubstituível enquanto via primordial de vendas. Por isso, temos que estar atentos e trabalhar para a valorização do local e do sustentável.”

ta Ana. “Por isso, temos que estar atentos e trabalhar para a valorização do local e do sustentável.” Para o comércio tradicional, a digitalização é uma faca de dois gumes. Se existem negócios que responderam ao desafio e ultrapassaram a crise com renovação e modernização ajustadas, existem fatias do comercio tradicional mais atingidas, em que os estabelecimentos comerciais terão mais dificuldade em ultrapassar os obstáculos. “Para alguns negócios, o online pode tornar-se no principal canal de distribuição, mas para outros, o espaço físico é insubstituível enquanto via primordial de vendas”, reconhece. Para além de diretora da Escola de Comércio do Porto, ainda é professora na Universidade Lusófona e doutoranda em Estudos em Comunicação para o desenvolvimento. Já terminou a parte escolar, falta apenas encontrar tempo “num futuro próximo” para se dedicar a terminar a tese. Este doutoramento estabelece uma ponte entre a Sociologia do desenvolvimento e a comunicação. “O progresso e o desenvolvimento são termos cada vez mais presentes nos diversos campos da comunicação e, existem cada vez mais, lógicas e estratégicas comunicacionais, que favorecem o desenvolvimento”, algo que a cativou e motivou a estudar. Equilibrar todas as vertentes da sua vida torna-se, por vezes, difícil. O marido e o seu filho são muito presentes, colaborantes e expressam apoio e orgulho no seu percurso. “É uma construção feita com e para eles. Tenho deles, a segurança e a confiança para continuar a dedicar-me também aos outros”, confessa. Sempre foi apaixonada pela vida, por novos desafios e por colecionar experiências, por isso este ritmo de vida já faz parte do seu ADN.

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THE LAKE SPA RESORT RECONHECIDO COMO O MELHOR RESORT LIFESTYLE DE LUXO DA EUROPA Foram conhecidos os vencedores dos “óscares do Turismo” para a região da Europa. O The Lake Spa Resort foi distinguido nos World Travel Awards com o título de melhor Resort Lifestyle de Luxo europeu.

O The Lake Spa Resort é o destino ideal para uma escapada ou férias de sonho proporcionando uma experiência premium aos seus clientes. A satisfação dos clientes e a excelência das instalações e serviço proporcionado é evidenciada não só pelo facto do resort ser o número 1 na classificação de satisfação de clientes em Vilamoura, tanto no Booking como no Tripadvisor, mas agora também chancelada por um dos mais relevantes prémios internacionais do sector do Turismo. Para Alexandre Maia de Carvalho, director geral do The Lake Spa Resort, “a distinção que recebemos enquanto melhor Resort Lifestyle de Luxo da Europa não nos podia deixar mais orgulhosos. Bem-receber com excelência e familiaridade é um requisito essencial neste resort. Sabemos que cada prémio que conquistamos reflete a dedicação de todos os colaborares que diariamente executam um serviço de qualidade superior, mas também acresce na responsabilidade de fazermos mais e melhor por quem nos escolhe para passar as suas férias ou para uma escapada.” Com uma localização privilegiada a poucos passos da praia da Falésia, da marina e de cinco campos de golfe de classe mundial, o The Lake Spa foi

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projectado para oferecer um ambiente envolvente e encantador, quer a famílias como casais ou grupos de amigos que aqui escolhem usufruir descontrair e reenergizar-se. Este resort de cinco estrelas conta com 47 apartamentos e 192 quartos, 9 dos quais são suites, todos com generosos espaços interiores e varandas privadas de onde se avistam os jardins com espécies de plantas dos cinco continentes, as piscinas, uma das quais com um fundo de areia natural, ou o lago privado de água salgada e o mar. No The Lake Spa Resort os hóspedes podem relaxar, usufruindo dos tratamentos no SPA, enquanto as crianças se divertem no Koala Club sob a supervisão dos animadores do espaço, ou deliciar-se com os mais variados sabores gastronómicos e refrescantes cocktails servidos no Blue Lagoon, para um almoço ou lanche mais ligeiro, e no Zanzibar com bebidas e snacks disponíveis ao final da tarde. A escolha para a noite é inevitavelmente no Fusion, o restaurante fine dining do resort que serve um menu à la carte com propostas do Chef Vitor Moreira e da sua equipa sobretudo privilegiando a grelha, os produtos da temporada e a preservação dos sabores autênticos da tradição e cultura portuguesa.


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A CELEBRAR 3 ANOS EM CARCAVELOS…

NOVA SBE APRESENTA INDICADORES DO IMPACTO DA MUDANÇA PARA O CAMPUS A Nova School of Business and Economics (Nova SBE) está a celebrar o 3º aniversário do campus de Carcavelos, inaugurado em setembro de 2018 – uma mudança que trouxe proveitos de crescimento e diversidade internacional, maior dinamismo ao ecossistema docente e de investigação, e novas infraestruturas para albergar áreas de conhecimento basilares para a sustentabilidade da escola.

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O campus de Carcavelos onde a Nova SBE se instalou há 3 anos permitiu à escola prosperar em várias frentes. Os indicadores refletem a materialização do sonho que entusiasmou a sociedade civil, com destaque para os antigos alunos, empresas e organizações, e possibilitou que a escola de negócios portuguesa seja hoje uma referência pelo ensino e investigação de excelência, reconhecida a nível nacional e internacional. Durante os 3 anos nas novas instalações, mais de 20.000 alunos frequentaram a escola. Atualmente a escola conta com alunos de mais de 60 nacionalidades, sendo que 61% dos alunos de mestrado são internacionais, contribuindo para a diversidade e

para a partilha de experiências. De notar que 68% dos alunos de mestrado da Nova SBE prosseguem as suas carreiras profissionais fora de Portugal, em empresas internacionais de referência, algo que contribui para o lugar de destaque que a escola ocupa nos principais rankings internacionais, posicionando-se entre as melhores escolas de gestão e finanças do mundo. Estes resultados são possíveis graças, não só às infraestruturas que a escola oferece, mas também pelo investimento no aumento do corpo docente internacional – de 18% para 41% desde 2018 –, captação de professores provenientes de universidades internacionais como Standford ou da Rotterdam

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School of Management, e também pelo reforço da oferta formativa que hoje abrange nove áreas diferentes, mais quatro que há três anos. Nesta oferta destacam-se a Área de Especialidade em Hotelaria & Gestão de Serviços e os três mestrados de nova geração lançados pela Nova SBE: Mestrado em Análise de Negócio, Mestrado em Empreendedorismo de Impacto e Inovação e o Mestrado em Desenvolvimento Internacional e Políticas Públicas. A Nova SBE é cada vez mais uma instituição aberta ao mundo e que emana e partilha conhecimento, contando hoje com 13 centros de conhecimento, com uma capacidade de investigação e análise ímpar em Portugal, destacando-se os 29 artigos publicados em meios de referência em apenas três anos. Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável são cada vez mais transversais à atividade da escola,

A Nova SBE é cada vez mais uma instituição aberta ao mundo e que emana e partilha conhecimento, contando hoje com 13 centros de conhecimento, com uma capacidade de investigação e análise ímpar em Portugal, destacando-se os 29 artigos publicados em meios de referência em apenas três anos.

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não só apostada em impactar toda a comunidade escolar, mas também com reflexo na restante comunidade. A ambição materializa-se hoje através do envolvimento em inúmeros projectos de inovação social, que será ainda mais reforçada com a recente atribuição da ERA Chair ao SOCIALinNOVA-HUB, e de sustentabilidade, como são exemplos o Bios Urban Farm e o Cascais Smart Pole. Com o intuito de continuar a dinamizar um ecossistema de impacto de Carcavelos para o mundo, a Nova SBE acaba de inaugurar o Westmont Hospitality Hall e, muito em breve, novos espaços dedicados à inovação e empreendedorismo vão complementar a construção deste campus único na Europa, um espaço de colaboração disruptiva e de inovação contínua, no qual as empresas beneficiam da capacidade de experimentar, aliado à ousadia dos alunos, assente num modelo de sustentabilidade transversal a todas as atividades. Daniel Traça afima que “Apesar dos grandes objetivos que alcançámos nos últimos três anos, a nossa missão nunca está terminada, porque sentimos que o país e a Europa precisam de nós. Da nossa capacidade para inspirar e desenvolver os mais talentosos da Europa, numa comunidade verdadeiramente pan-europeia, fiel àquilo que a Europa sonhou ser. E a liderar nos novos desafios que se põem a todos: a sustentabilidade acima de tudo, mas também a renovação do capitalismo, a coesão social, a transformação pela tecnologia, o digital e os dados, e tantos outros. Vamos continuar a apoiar ainda mais a transformação das empresas e das instituições – e com ela a vida das pessoas – rumo ao futuro. Temos um vasto conjunto de projetos em desenvolvimento, de que destacaria o lançamento do ecossistema de inovação ainda este ano, o Nova SBE Westmont Institute of Tourism and Hospitality inaugurado na passada segunda-feira, o Nova SBE Haddad Entrepreneurship Institute, o Social Design Lab, o DataLab, entre muitos outros projetos ambiciosos e que contribuirão para um reforço da sustentabilidade económica, social e ambiental de Portugal.” O 3º aniversário do campus de Carcavelos é hoje assinalado com um evento que reune a comunidade académica, parceiros e entidades oficiais. A cerimónia conta intervenções do Reitor Universidade Nova de Lisboa, João Sàágua, do Presidente Fundação Alfredo de Sousa, Miguel Pinto Luz, do Director da Nova SBE, Daniel Traça e do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor. No decorrer do evento o professor da Nova SBE, Nadim Habib, e o Vice-Almirante Henrique Gouveia e Melo (Coordenador do Plano de Vacinação COVID-19) são os protagonistas duma conversa sobre "A Cultura Portuguesa de Liderança em tempos de Crise”, e o professor Pedro Oliveira conversa com Alexandra Palt (Chief Sustainability Officer & Executive Vice President L'Oréal) sobre “O caminho para um Futuro Corporativo Sustentável e o papel das Escolas de Negócios”.


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