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O DESIGN PREMIUM ALIADO À PRODUÇÃO ARTESANAL PAULA SOUSA, CEO DA URBANMINT

AS MUDANÇAS SERVEM-SE AO PEQUENO-ALMOÇO

SANDRA NOBRE, BREAKFAST GIRLS JUST WANNA HAVE FUN

ABRAÇAR A COMUNICAÇÃO INCLUSIVA

JULHO DE 2019

AMÉLIA AMIL, INTÉRPRETE DE LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA

Publicação da responsabilidade editorial e comercial de Sandra Arouca.

UMA MENSAGEM MANUSCRITA É AMOR PARA A VIDA ANDRESA CASTRO DE BASTOS, FUNDADORA DA LOVE OF MY LIFE

ENTREVISTA ESPECIAL

TECNOLOGIA PORTUGUESA NA SALVAGUARDA DA ECONOMIA AZUL

CUSTÓDIA REBOCHO ADMINISTRADORA EXECUTIVA DA BLUEGROWTH


ÍNDICE 2 | Editorial 4 | INOVAÇÃO TECNOLÓGICA PORTUGUESA NA PRESERVAÇÃO DA ECONOMIA AZUL (Custódia Rebocho - Administradora Executiva da Bluegrowth) 12 | O DESIGN PREMIUM ALIADO À PRODUÇÃO ARTESANAL (Paula Sousa, CEO da Urbanmint) 18 | ABRAÇAR A COMUNICAÇÃO INCLUSIVA (Amélia Amil, Intérprete de Língua Gestual Portuguesa) 20 | UMA MENSAGEM MANUSCRITA É AMOR PARA A VIDA (Andresa Castro de Bastos, Fundadora da Love of My Life) 24 | AS MUDANÇAS SERVEM-SE AO PEQUENO-ALMOÇO (Sandra Nobre) 30 | SHE’S MERCEDES: A SOCIEDADE COMERCIAL C. SANTOS QUER MULHERES AVENTUREIRAS AO VOLANTE 36 | A NOVA LEI E OUTRAS QUESTÕES (Sandra Gomes Pinto, Advogada) 40 | POLINÉSIA FRANCESA FICHA TÉCNICA Direção e Edição: Sandra Arouca Colaboração da Media XXI | Formalpress Periodicidade - Mensal Contactos: geral@liderancanofeminino.org redacao@liderancanofeminino.org Registada na ERC com o n.º 126978 Propriedade de Sandra Arouca Sede e Redação - R. Nova da Junqueira, 145 4405-768 V.N.Gaia Liderança no Feminino tem o compromisso de assegurar os princípios deontológicos e ética profissional dos jornalistas, assim como pela boa fé dos leitores. O conteúdo editorial da Revista Liderança no Feminino é totalmente escrito segundo o novo Acordo Ortográfico. Todos os artigos são da responsabilidade dos seus autores e não expressam necessariamente a opinião da editora. Reservados todos os direitos, proibida a reprodução total ou parcial de todos os artigos, sem prévia autorização da editora. Quaisquer erros ou omissões nos artigos, não são da responsabilidade da editora.

44 | VERÃO EM BELEZA 48 | ALIMENTAÇÃO DE VERÃO


LIDERANÇA NO FEMININO | Julho de 2019

EDITORIAL A sustentabilidade como premissa da vida com qualidade Nesta edição destacamos a inovação tecnológica da Bluegrowth, especializada na “economia azul”. Esta empresa portuguesa tem como base apoiar o desenvolvimento sustentável do setor económico ligado ao mar e a outros recursos hídricos. Urge mais do que nunca implementar soluções tecnológicas que contribuam significativamente para um mundo defensor dos seus recursos naturais e essenciais à vida. Debater a problemática das alterações climáticas ou o colapso dos nossos recursos – dados como adquiridos – não é suficiente. É preciso concretizar. Executar boas práticas baseadas no modelo do “crescimento azul”. É com muito orgulho que damos a conhecer o trabalho inovador desta empresa que já criou parcerias com empresas de prestígio internacional. Também “made in Portugal” são as marcas de design Munna e Ginger&Jagger. À conversa com a diretora criativa Paula Sousa percebemos o quão importante é a colaboração com mestres artesãos. É com base artesanal que as peças são desenhadas, refletindo a construção criativa numa narrativa de luxo. Estas marcas já têm as suas peças em vários pontos do mundo, um reconhecimento do exigente trabalho de design de autor. Destacamos também a importância em comunicar de forma inclusiva. É esse o trabalho de Amélia Amil, intérprete de língua gestual portuguesa no Porto Canal e empreendedora que irá publicar brevemente um livro. Este mês viajamos com a “She’s Mercedes” através da Sociedade Comercial C. Santos, um projeto pensado para as empresárias que, ao longo do verão, promove vários

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eventos como, por exemplo, no Forte de São João (Vila do Conde). Uma viagem de encontro premium e conforto inigualável. Aceitamos ainda o convite para um “Breakfast Girls Just Wanna Have Fun” que tem como anfitriã Sandra Nobre. Mais do que um networking profissional, a exclusividade dos encontros permite a partilha de experiências e revelações pessoais. É ao início da manhã que as empresárias revelam o seu espírito inquieto e empreendedor. A revista Liderança no Feminino comemora dois anos enriquecidos pelo apoio das empresárias que lideram em diferentes setores de atividade. Iniciamos a internacionalização da Liderança no Feminino no continente africano, um projeto além-fronteiras impulsionador que dá voz ao sucesso e à valorização profissional. Viaje connosco pelo empreendedorismo feminino “made in Portugal”.

Sandra Arouca


TEMA DE CAPA:

INOVAÇÃO


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INOVAÇÃO TECNOLÓGICA PORTUGUESA NA PRESERVAÇÃO DA ECONOMIA AZUL Custódia Rebocho é Administradora executiva da Bluegrowth, uma empresa portuguesa que, através da tecnologia de ponta, promove um desenvolvimento sustentável das atividades económicas ligadas ao mar e a outros recursos hídricos. Criar impacto positivo no Mundo é uma das premissas desta empresa.

A Bluegrowth surge como resposta às preocupações com a economia azul?

Quais os maiores desafios na salvaguarda da economia azul?

A Bluegrowth surge das oportunidades que emergem de um novo paradigma de desenvolvimento baseado no azul que cobre mais de dois terços do planeta onde vivemos, o mar. Respondemos a estas preocupações levando ao mercado conhecimento e soluções tecnológicas concebidas para apoiar o desenvolvimento sustentável das atividades económicas que usam, ou que impactam com o mar, e outros recursos hídricos.

O tempo é o nosso maior desafio, porque urge «fazer acontecer» em vez de apenas falar sobre. É preciso concretizar o potencial, gerando riqueza ao mesmo tempo que reparamos os danos causados pelas décadas de industrialização selvática que o planeta sofreu.

Estamos conscientes de que os recursos no planeta estão a acabar e que Portugal é um país que, para além de possuir recursos naturais limitados, faz um uso insustentável dos que tem. A juntar à dívida soberana, a dívida ambiental portuguesa aumenta ano após ano e como empresa de base científica e tecnológica, especializada nos desafios da “Economia Azul”, reconhecemos a nossa obrigação em produzir riqueza ao mesmo tempo que geramos valor social e ambiental. A iminência da escassez de recursos, as alterações climáticas, a crise energética e a urgência de transitarmos para uma economia carbono neutral, colocaram na agenda dos líderes mundiais a necessidade de modelos de desenvolvimento sustentáveis, como é o caso do modelo do “Crescimento Azul”. Como empresa procuramos explorar o potencial que emerge da Revolução Digital em curso, colocando-o à prova das oportunidades que surgem dos novos paradigmas de desenvolvimento para Portugal, Europa e o resto do Mundo.

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Apostámos num modelo de negócio que surge da simbiose do universo digital com os compromissos de desenvolvimento sustentável, pois acreditamos que este nos permitirá explorar o potencial e concretizar as oportunidades com um impacto positivo para o Mundo em que vivemos. Quais as parcerias que têm desenvolvido no campo da inovação tecnológica? O nosso leque de parceiros é muito vasto. Somos pequenos demais para conseguirmos inovar na oferta e explorar os mercados internacionais sozinhos. Procuramos parceiros que, como nós, assumam compromissos de responsabilidade social e ambiental nos quais nos revemos. A nossa resposta ao mercado baseia-se na oferta de conhecimento e de soluções tecnológicas, concebidas para apoiar o desenvolvimento sustentável das atividades económicas que usam ou que impactam com o mar e outros recursos hídricos. Na área da dessalinização e purificação de água, somos parceiros da empresa norte americana, OffGridBox, com a qual trabalhamos em soluções para o fornecimento de água potável em comunidades rurais ou em locais remotos do planeta. Este desafio coloca à prova a resiliência das nossas tecnologias, para operar nos ambientes mais extremos, e a sensibilidade da nossa equipa, para lidar com situações de elevada complexidade humanitária.


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“A nossa aposta em projetos de inovação social coloca à prova a resiliência das nossas tecnologias, para operar nos ambientes mais extremos, e a sensibilidade da nossa equipa, para lidar com situações de elevada complexidade humanitária.”, afirma Custódia Rebocho, Administradora Executiva da Bluegrowth, em entrevista à Revista Liderança no Feminino.”

Na área da robótica submarina, estabelecemos um acordo de cooperação tecnológica com um dos maiores fabricantes mundiais, a francesa SubSeaTech. Juntos estamos a explorar mercado e a atrair investimentos para Portugal. Contudo, mais do que as parcerias empresariais ou institucionais que celebramos dentro e fora do país, podemos dizer que somos um projeto empresarial com muitos amigos e curiosos que, todos os dias, e principalmente nos dias mais difíceis, trazem até nós a energia extra que precisamos nas pernas e a luz para vermos melhor o caminho que estamos a percorrer. Destaco o papel do Fábio Santos da Startup Angra, do José Damião do Madan Park, do Duarte Pimentel do Terinov, do Freddy Duarte da Netspin, do Samuel Silva da Domatica, do Nelson Pinho da Microsoft, da Sandra Silva e do Ruben Eiras da DGPM, do André Magrinho da Fundação AIP e muitos outros que nos atendem o telefone nas horas difíceis. A primeira aposta da Bluegrowth foi no setor da aquacultura. Como surgiu essa aposta? É uma aposta em curso e a base para quase tudo o resto que fazemos. Desenvolver vida debaixo de água tem as suas complexidades. Quando olhamos para um prado os nossos olhos vêm o verde que indica haver pasto. Também conseguimos observar o comportamento dos animais: se comem, se crescem… já dentro de água os nossos olhos veem pouco e os restantes sentidos de pouco ou nada nos servem. Foi muito rápido conseguir identificar

Custódia Rebocho, Administradora Executiva da Bluegrowth

a oportunidade. Chegar a soluções tem sido um dos desafios que mais apelou à multidisciplinaridade e resiliência da nossa equipa. O setor aquícola em Portugal está em vias de desenvolvimento. Procurar a voz do cliente para apoiar o desenvolvimento do produto coloca-nos, quase sempre, longe do país. Isso tem exigido bastante mais da nossa dedicação. Já existem muitas tecnologias de monitorização de qualidade da água. Esse tem vindo a ser um pequeno espaço do mercado que está a ser fortemente disputados quer por grandes empresas quer por pequenas startups. A Bluegrowth posicionou-se um pouco mais à frente na cadeia de valor, oferecendo uma solução completa de monitorização, suporte à decisão e automação. Hoje, temos condições de poder automatizar todos os processos produtivos com uma abordagem tecnológica competitiva. O papel da inteligência artificial continua a ser uma miragem, mas estamos empenhados em conseguir ir mais além com os dados que possuímos, por enquanto fazemos pouco mais do que tentar.

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“O oceano é o verdadeiro berço da humanidade e a água é vida! Liderar um projeto que tem como foco esta premissa é um grande orgulho pessoal”, afirma Custódia Rebocho, Administradora Executiva da Bluegrowth, em entrevista à Revista Liderança no Feminino.”

Rosa Monteiro - Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade


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Um pouco por todo o mundo a aquicultura tem sido alvo de fortes críticas dos ambientalistas. Como relacionam a vossa aposta no setor com a vossa mensagem de sustentabilidade?

A Bluegrowth vai criar, em Portugal, o primeiro centro de excelência de robótica submarina. É uma resposta à incipiente taxa de adesão tecnológica, nas atividades emergentes ligadas ao mar?

É verdade. Sabemos que muitos dos modelos produtivos são deficientes, por isso torna-se pouco responsável embandeirar em arco a sustentabilidade da atividade. Mas tudo tem um caminho para melhorar e o setor tem vindo a percorrê-lo a passos largos.

O incremento das taxas de adoção tecnológicas nas atividades emergentes ligadas ao mar não é uma opção, é um imperativo!

A necessidade de alimentar a população mundial obrigará a que se produza mais proteína na água. É expectável que os modelos se produção de intensifiquem. O que não é expectável é que o façam sem um forte suporte tecnológico. As abordagens inteligentes são o braço direito para se alcançar abordagens sustentáveis. As tecnologias de informação têm um papel determinante nesse exercício. Cabe-nos a nós, desenvolver soluções competitivas e que sejam possíveis de ser democratizadas. Estar no mercado global da robótica submarina é um passo importante para a vossa empresa? Sem dúvida! A internacionalização das empresas portuguesas é um passo decisivo para a sustentabilidade da economia do país. Procuramos abordar os mercados internacionais com a aposta numa estratégia de Piggy-Back, ou seja, estabelecemos parcerias com empresas que nos permitam estender o nosso portfólio, ao mesmo tempo que podemos introduzir as nossas tecnologias nos seus produtos. É um modelo de parceria, baseado na cooperação tecnológica, que nos permite a alcançar vários mercados, beneficiando dos canais de venda dos nossos parceiros. Adicionalmente, temos o nosso portfólio de produtos estendido à oferta dos nossos parceiros, permitindo-nos atuar como distribuidores e gerar valor nos mercados em que operamos. Eu venho da Literatura e das Ciências Sociais, como formação de base, e possuo interesses muito diversos e até contraditórios, às vezes. É como a minha relação com o mar. Seria incapaz de viver sem ver o mar, no entanto é uma relação contemplativa, não passa por navegá-lo. Já o mar profundo… adorava conhecê-lo. O desconhecido sempre me motivou a ir mais além e a estimular os outros a irem para além das suas fronteiras.

A nossa abordagem segue o propósito de darmos um contributo para eliminar as barreiras ao incremento das taxas de adoção tecnológica. Em Portugal, a aplicação da robótica submarina na eficiência produtiva das atividades económicas ligadas ao mar está condicionada pela falta de respostas na manutenção, reparação de equipamentos e formação das pessoas. “Imaginem o que seria viver num país sem escolas de condução e oficinas para a reparação e manutenção de automóveis! Temos a certeza de que o acesso aos automóveis seria condicionado a uma elite com sérios desafios para manter o seu património.” Ora, é isso que acontece no que se refere à robótica submarina. Por exemplo, se um aquicultor português investir num ROV, a curto prazo é confrontado com o facto de não existir oferta formativa que responda às necessidades de capacitação dos seus colaboradores, e a médio prazo é confrontado com a inexistência de serviços manutenção e reparação dos seus equipamentos. A nível académico, em Portugal, na faculdade de engenharia da Universidade do Porto e no Instituto Superior Técnico, existem bons trabalhos científicos e bom desenvolvimento de competências. A nossa missão é converter esse potencial em negócio, apoiando a democratização de tecnologias que são essenciais para o desenvolvimento sustentável da Economia do Mar. Estamos convictos de que vamos conseguir superar estas barreiras, criando condições para que, também, o investimento tecnológico seja sustentável. Recentemente foi também anunciado a aposta na economia social. Em que consiste o projeto? Quais as áreas de atuação? Apostar em projetos de inovação social permite-nos gerar valor ao mesmo tempo que combatemos as assimetrias que afetam muitos daqueles com quem partilhamos o planeta.

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Irrigar os campos para combater a fome, purificar a água para combater as doenças, gerar rendimento para combater a pobreza, empregar mulheres para combater a desigualdade, são os objetivos que marcam o projeto OffGridBox. A OffGridBox consiste numa unidade modular, capaz de fornecer energia renovável e água limpa a 300 famílias em áreas remotas e países em desenvolvimento. O sistema integra a produção de energia fotovoltaica, dessalinização e purificação da água, permitindo a vida independente em qualquer ambiente, seja por escolha ou por causa de desastres naturais. A sua administração, nos países em desenvolvimento, é entregue a uma mulher responsável pela manutenção dos equipamentos e pela gestão do abastecimento de eletricidade e água à comunidade. Em todo o Mundo, cerca de 2,1 biliões de pessoas não têm acesso a água potável e 4,4 biliões vivem sem saneamento básico, resultando anualmente na doença e na morte de milhares de pessoas. A minha formação de base humanista e a minha experiência de vida não me permitem ficar indiferente a esta realidade. A mais valia da economia social é o envolvimento direto (responsabilidade, compromisso e ganhos partilhados) dos agentes diretamente implicados no problema e que são também os que trabalham a solução. Ao longo do meu percurso como professora, numa escola da margem sul do Tejo, lidei com várias situações de extraordinária complexidade social que, desde cedo, me fizeram compreender a importância dos valores da inclusão. Atualmente, com este projeto, atuamos na área do fornecimento de água sob um modelo que luta contra a fome, a sede, a doença e as desigualdades numa realidade que nos está distante dos olhos, mas perto do coração. Dentro em breve, esperamos levar a cabo novos projetos em áreas de atuação como a saúde e o envelhecimento da população. Como travar o emergente colapso dos nossos recursos naturais? Com abordagens holísticas, inteligentes e inclusivas. A educação tem um papel preponderante na criação de um modelo inclusivo. A literacia dos oceanos e o pensamento sobre a sustentabilidade chegou tarde aos currículos escolares e isso tem atrasado a construção de uma consciencialização social para comportamentos mais responsáveis.

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Custódia Rebocho A educação tem um papel preponderante na criação de um modelo inclusivo. É preciso investir nas áreas do saber que nos permitam alcançar soluções que não passem pelo depauperamento dos recursos ou do seu uso indevido. A literacia dos oceanos e o pensamento sobre a sustentabilidade há muito que deveriam ter ocupado a transversalidade dos currículos escolares, contribuindo, deste modo, para a criação de uma consciencialização social precursora de movimentos de transformação assentes em comportamentos responsáveis em tempo mais útil. O desenvolvimento inteligente, inclusivo e sustentável são premissas da vossa equipa. Como a descreve? Somos uma equipa multidisciplinar, com competências das ciências sociais à engenharia, cuja diversidade nos permite um olhar diferente, privilegiado, holístico. Procuramos criar uma equipa de pessoas felizes, com uma ética humanista, solidária e inclusiva, garante dos valores universais e respeitadora da diversidade. Temos preocupações e ambições comuns e unem-nos valores e crenças que denominamos como “Cultura de Mar”. O nosso processo de recrutamento assenta na va-


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lorização de soft-skills. Os talentos, encontram-se; as competências, desenvolvem-se; já a paixão, vem de dentro! A nossa “Cultura de Mar” leva-nos a privilegiar o “sangue na guelra”, o resto vamos desenvolvendo com base na cumplicidade e afetos. Temos uma política de desenvolvimento pessoal e profissional que suporta os valores da inclusão no seio da nossa equipa. Preocupamo-nos com o desenvolvimento das pessoas e não as metemos em caixinhas. Não mediatizamos quantas mulheres temos nos quadros da empresa, se empregamos ou não pessoas com deficiência, emigrantes, refugiados, etc.. Estatísticas para demonstrar cumprimento de metas são exercícios de redução das pessoas a números. Preservar a economia azul significa... Reparar os problemas, criando valor para aqueles com quem partilhamos o planeta. Da literatura às engenharias… como é que conjuga a sua formação de base humanista com a liderança de uma empresa de base tecnológica? Quais os desafios? Objetivamente, com trabalho de equipa, no qual a formação académica e as características pessoais de cada um constituem partes integrantes e complementares do todo que somos. Nós, Bluegrowth, possuímos várias áreas de atuação: a tecnologia é a base, faz parte das soluções que oferecemos. No entanto, a nossa visão, os valores que nos unem, são consonânticos com a diferença que queremos fazer acontecer, com o nosso comprometimento para com a sustentabilidade. Ainda que grande parte dos desafios que se nos colocam sejam, aparentemente, especialmente vocacionados para a área das ciências naturais ou da engenharia, não nos podemos esquecer que as pessoas estão no centro daquilo que fazemos. Produzimos tecnologia com pessoas e para pessoas. O meu contributo vai nesse sentido. As questões técnicas, específicas de cada área científica, têm os seus especialistas. Eu compreendo como funciona um processo produtivo em aquacultura, por exemplo, mas sou incapaz dominar as especificidades que dizem respeito aos domínios de conhecimento da biologia marinha. Só que, em qualquer solução ou qualquer projeto, deve existir uma visão holística, aliás, é uma tendência cada vez maior a da intervenção das humanidades e das ciências sociais nos mais diversos projetos de diferentes áreas.

Ser presidente da Bluegrowth representa... Um compromisso perante a sustentabilidade. Desde que me lembro de ouvir falar sobre alterações climáticas, aí pelo início dos anos 80, que nunca mais deixei de me inquietar com esses assuntos e de tentar fazer a diferença, de dar a minha contribuição individual para minorar impactos. A humanidade foi inconsequente na exploração dos mares e da terra e estamos a pagar por isso, com a ameaça da própria extinção do planeta, tal como o conhecemos. O oceano é o verdadeiro berço da humanidade e a água é vida! Liderar um projeto que tem como foco esta premissa é um grande orgulho pessoal. As pessoas são a base de tudo, e aquilo de que as pessoas são feitas é que faz a diferença. E na base está a educação, seja a formal seja a informal. A igualdade de género, por exemplo, passa muito pela educação. Hoje é um facto que as mulheres conseguem desempenhar as mesmas funções que os homens só que, pelos motivos histórico sociais que todos conhecemos, tal tem-lhes sido vedado e tem levado o seu tempo. Sou mulher, mãe, esposa, professora, presidente executiva da Bluegrowth e par de muitas outras mulheres como eu. Considero importante termos visibilidade, porque isso comprova que somos capazes, porque pode servir para aplacar inseguranças àquelas que ambicionam mais, porque pode demonstrar que é possível. O facto de também estar ligada à educação num local em que domina a interculturalidade, num contexto complexo quer económico quer social quer de índole humana, tornou-me muito próxima de uma realidade onde o espaço é o do respeito pela diferença, da aceitação do outro, da inclusão. Os ambientes mais carenciados propiciam maiores clivagens sociais, por isso, a educação é uma parte fundamental. Há mulheres anónimas, verdadeiras heroínas que, contra ventos e marés, asseguram sozinhas o futuro dos filhos, mantêm profissões mal remuneradas e estudam à noite para melhorar as suas condições de vida. Para elas tudo é mais difícil. Mas elas são uma inspiração para mim, porque por muito difícil que me seja conciliar mundos diferentes, tenho sempre presente esse exemplo que elas representam. Para mim, a conciliação do mundo profissional com o familiar também não é fácil, como também não é fácil viver! Ntão sou especialmente disciplinada, sou mais do tipo passional… é um bocadinho como uma montanha russa, calmo numas partes e intenso noutras… Não tenho receitas, não sigo receitas, vou pelo coração. No limite, são os afetos que dominam o mundo.

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INTERNACIONALIZAÇÃO


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O DESIGN PREMIUM ALIADO À PRODUÇÃO ARTESANAL O design da Munna e Ginger&Jagger é “made in Portugal” com peças selecionadas para editoriais e espaços de referência internacional. Paula Sousa, CEO da Urbanmint e diretora criativa das marcas, afirma que a colaboração com mestres artesãos altamente qualificados contribui “para a sustentabilidade dos ofícios e da identidade cultural portuguesa.” PELO TERCEIRO ANO CONSECUTIVO, A URBANMINT FOI DISTINGUIDA COMO EMPRESA PME LÍDER. O QUE REPRESENTA ESTE RECONHECIMENTO? É um indicador muito positivo, trata-se de um selo de reputação de empresas que distingue mérito das PME nacionais. É a certeza de que estamos no caminho certo. QUAL O BALANÇO DA PARTICIPAÇÃO NA MAISON&OBJET? UMA DAS MAIORES FEIRAS DE PRESTÍGIO INTERNACIONAL DO SETOR MOBILIÁRIO. Tem sido muito positivo. A presença regular em feiras internacionais como a Maison&Objet, é essencial para a afirmação internacional das marcas junto dos designers de interiores, arquitetos, curadores, editores e do público das grandes capitais de design como é Paris. Estamos presentes em mais de 60 mercados internacionais e a maioria dos clientes são angariados durante as feiras internacionais de grande impacto nos setores do design, design de interiores, contract, hotelaria e consumidores finais. A participação nestes eventos é vital para as marcas. É a oportunidade de mostrarmos as nossas peças e de marcar presença junto dos key players do setor. A receção ao nosso design e às nossas peças é fantástica. Muitas são selecionadas como tendência ou escolhidas para editoriais em publicações de referência como a Architectural Digest, Wallpaper, The Wall Street Journal, Vogue, The Telegraph e o Financial Times, entre outros.

PAULA SOUSA www.munnadesign.com www.gingerandjagger.com

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A URBANMINT DETÉM AS MARCAS MUNNA E GINGER&JAGGER. O QUE AS DISTINGUE? O design da Munna é contemporâneo, inspirado nos movimentos artísticos encontrados no cinema, arte, música e alta costura. São novos clássicos de design, peças de estofo — poltronas, cadeiras, sofás e camas — feitas à mão por mestres artesãos, com materiais e acabamentos de qualidade superior. É uma marca muito feminina, muito procurada por designers de interiores que pretendem criar espaços atraentes em hotéis, restaurantes e residências privadas. Já a Ginger&Jagger surgiu da vontade de experimentarmos materiais e processos de produção tradicionais de uma forma inovadora. O design é contemporâneo e a inspiração vem da pureza poética das formas da Natureza. São peças de caráter escultórico, absolutamente únicas. O trabalho artesanal e o romance com as formas da Natureza, que imortalizamos através de processos variados, são valorizados pelo público. O cliente Ginger&Jagger não procura somente uma peça, mas uma narrativa. APESAR DAS SUAS CARACTERÍSTICAS DISTINTAS, COMO SE COMPLEMENTAM NO ESTILO DE VIDA DAS PESSOAS? As marcas têm conceitos muito diferentes, que na verdade se complementam. Trabalhamos com designers de interiores que fazem projetos integralmente com peças das duas marcas. A tipologia de produtos é diferente, e por isso complementam-se num interior. Muitos designers de interiores procuram peças funcionais com design diferenciador que possam ser as protagonistas num interior. Para além disso, as marcas partilham os mesmos valores, a diferenciação pelo design, pela produção artesanal e pela qualidade. A identidade das marcas e das peças é o reflexo de uma construção criativa que resulta da sinergia do trabalho dos designers e artesãos.


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Para além disso, todas as peças são desenhadas e produzidas em Portugal, de forma artesanal e manual. O desafio é precisamente continuar a criar peças carismáticas, e felizmente a criação de tendências está na génese das marcas. COMO CARACTERIZA AS SUAS PEÇAS “MADE IN PORTUGAL”? São peças que se destacam pelo design, pela alta qualidade da produção artesanal e pela nobreza dos materiais que usamos. O SEGREDO ESTÁ NO TRABALHO CONJUNTO COM AS NOSSAS INDÚSTRIAS TRADICIONAIS? Sem dúvida. Trabalhamos com mestres artesãos extremamente qualificados e com uma excelente equipa interna de jovens designers. Experimentamos materiais e novas abordagens tendo como base a partilha de conhecimento entre gerações. É o nosso contributo para a sustentabilidade dos ofícios e da identidade cultural portuguesa. AS SUAS CRIAÇÕES DE LUXO ESTÃO PRESENTES EM VÁRIOS PONTOS DO MUNDO. COMO ANALISA O POSICIONAMENTO DA MARCA, NO MERCADO INTERNACIONAL? Os consumidores procuram cada vez mais experiências e produtos que sejam diferenciadores. Estrategicamente decidi concentrar-me em comunicar valores de design que caracterizassem a nossa identidade criativa, criando produtos que representam uma estética única. Desta forma, construímos a nossa vantagem competitiva através do design e da produção artesanal. O design é produto cultural, mas a sua linguagem pode realmente ser universal. QUAL A MAIOR EXIGÊNCIA DO DESIGN DE AUTOR?

PAULA SOUSA, CEO URBANMINT

ESTÁ NO MERCADO MOBILIÁRIO HÁ DEZ ANOS E JÁ RECEBEU VÁRIOS PRÉMIOS PELAS SUAS CRIAÇÕES. SER EMPRESÁRIA NESTE SETOR É… Estar preparada e apta para o risco. Para além de CEO da Urbanmint, sou também diretora criativa de ambas as marcas. A criação das marcas e dos produtos têm o meu cunho, naturalmente. Há um trabalho diário de partilha de uma visão e de uma ideia de marca com os designers, marketing, comercial, produção, que é o que me dá mais prazer fazer. Construir marcas é um processo contínuo, nunca se abandona. QUAIS OS SEUS PRÓXIMOS PROJETOS? Continuar a criar valor cultural para o país e para o mundo! Posso adiantar que estamos a preparar a comemoração do aniversário da Ginger&Jagger que acontece durante a semana de design em Milão, em 2020 e que será incrível!

A diferenciação. O design português está a deixar uma marca nos mercados que lideram as tendências de design. Somos reconhecidos pela qualidade do design, da produção artesanal e pelos materiais. Hoje, o trabalho criativo e de autor ganha novas dimensões para além daquilo em que já éramos reconhecidos, como a arquitetura ou literatura, por exemplo. É gratificante para nós fazermos parte desta nova realidade na área do design.

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“O Eclipse tem uma dimensão escultórica, cada exemplar é absolutamente único” , refere Paula Sousa, fundadora, CEO e directora criativa da Ginger & Jagger


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PORTO, Portugal | julho 2019 | A marca portuguesa de design de mobiliário Ginger & Jagger vence European Product Design Award com o Eclipse Aplique de Parede. O prémio foi atribuído por um júri de designers independentes, curadores e editores de design. O European Product Design Award premeia anualmente o melhor nas áreas do design de interiores, design de produto e inovação, em todo o mundo. A criação da Ginger&Jagger venceu com “Gold” nas categorias Illumination, Designer Lighting e Home Interior Products, Lighting. O Eclipse Aplique de Parede é inspirado nas temáticas do universo, celestial e lunar. Mantendo a linguagem poética da Ginger&Jagger, a peça é esculpida à mão em mármore e incorpora um aro de metal moldado manualmente que cria uma ilusão de suspensão e movimento harmonioso.

para decorar iates de luxo em Itália. A peça figura em diversos projectos residenciais um pouco por todo o mundo. As criações da marca são presença regular nas páginas de tendência e editoriais de publicações prestigiadas em design e lifestyle como a Architectural Digest, Wallpaper*, The Telegraph e Financial Times. A Ginger&Jagger integra o Grupo Urbanmint, do qual também faz parte a marca portuguesa de design Munna. As marcas têm na sua génese a aliança entre o design contemporâneo e a sabedoria artesanal portuguesa, contribuindo para a sustentabilidade cultural de todo um país através da criação de peças de design únicas.

Fundada em 2012 no Porto, a Ginger & Jagger cria peças de design contemporâneo inspiradas na pureza das formas da Natureza, produzidas manualmente em Portugal, de forma artesanal, utilizando madeiras exóticas e materiais nobres como cobre, latão e mármore. O Eclipse Aplique de Parede foi recentemente escolhido

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GESTÃO E EMPREENDEDORISMO


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ABRAÇAR A COMUNICAÇÃO INCLUSIVA Amélia Amil é intérprete de língua gestual portuguesa no Porto Canal, a estação televisiva que tem vários programas com acessibilidade gestual. Ao longo da entrevista à Liderança no Feminino, Amélia frisa a importância em levar a informação a todos os públicos. NO NORTE DO PAÍS FOI A PRIMEIRA INTÉRPRETE DE LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA. UM MOTIVO DE ORGULHO PARA A COMUNICAÇÃO INCLUSIVA. Desde cedo que Amélia acompanha surdos para transpor a barreira comunicacional em tribunais e autoridades públicas. Um papel que desempenha desde os seus doze anos de idade. O seu percurso profissional começa a revelar-se enquanto ocupava o lugar de primeira funcionária da Delegação do Porto da Associação Portuguesa de Surdos, entidade esta que foi posteriormente substituída pela Associação de Surdos do Porto (ASP), por onde seguiu caminho. Naquele tempo, iniciava-se um ciclo de aceitação da língua gestual na sociedade, nas mais diversas frentes. A realização os exames de código na obtenção do título de condução com intérprete de língua gestual foi um marco onde Amélia também foi pioneira. Hoje recorda esses tempos como “momentos memoráveis, inesquecíveis e intensos”. A batalha pela inclusão da comunidade surda provocou burburinhos quando Amélia promoveu o debate de “Filhos de um Deus menor”. Momento jamais esquecível, do qual recorda “o quanto polémico e “barulhento” foi este si-

AMÉLIA AMIL INTÉRPRETE DE LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA

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lêncio que se espreguiçava e se agigantava, contra quem achava que os surdos não deviam deixar-se dominar pela língua gestual”. A acessibilidade à língua gestual portuguesa levantou voo e iniciou uma nova agenda política e social. Este foi um primeiro momento marcante, de destaque, e que iniciou a aceitação dos surdos com a sua língua materna: “Proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades”, registado no Diário da República no. 86/1976, Série I de 1976-04-10. A intérprete foi também a primeira pessoa a trazer à cidade do Porto, o Ministro da Segurança Social (1991), o Dr. Silva Peneda, a propósito da inauguração da nova sede da ASP, a 14 de setembro de 91. Este encontro simbolizou o marco em que a Língua Gestual começou finalmente a ocupar e merecer a atenção da agenda dos nossos políticos. NOVOS PROJETOS NA LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA: PELA PRIMEIRA VEZ EM PORTUGAL, O HUMORISTA FERNANDO ROCHA INICIOU A ACESSIBILIDADE EM LÍNGUA GESTUAL DO “PI100PÉ”, UM CANAL DO YOUTUBE.

A ACESSIBILIDADE À INFORMAÇÃO É A MAIOR REIVINDICAÇÃO DA COMUNIDADE SURDA? Os surdos são como os ouvintes, apenas não ouvem. É um handicap que não tem rosto, mas profundamente doloroso. A língua gestual é a língua materna dos surdos, é nela que se expressam no seu mais profundo eu. As mais pequenas banalidades da vida diária, passando pela informação, entretenimento, e tudo o que compreende e transmite pela comunicação, é impreterível que esteja acessível em língua gestual. Amélia Amil, durante a nossa conversa, fez-nos um convite, que passamos agora a todos os leitores: “Embarquem comigo nesta imagem: imaginem-se numa evacuação obrigatória num shopping da cidade por motivo de incêndio de uma das alas; ou a informação de que tem de se aproximar do veículo “tal”, que pertence a um surdo;


LIDERANÇA NO FEMININO | Julho de 2019 ou simplesmente, explicar a posologia de uma medicação em contexto hospitalar a um surdo. Este é só o princípio do desfiar da meada de interrupções à vida de um surdo”. O caminho é colocar todos os conteúdos sempre acessíveis em língua gestual. Amélia não vê nem compreende outro caminho. Tal como um amigo seu surdo diz: “vocês (ouvintes) podem aprender a falar em língua gestual, mas eu (surdo) não posso aprender a ouvir!” A publicidade, a informação institucional, as informações, os conteúdos digitais, os espetáculos, o turismo (…) tudo terá acessibilidade em língua gestual. Para Amélia, a missão apenas estará cumprida no dia em que tudo o que se diz estiver também em língua gestual, afirmando que até lá não descansará, tão pouco serenará. COMO SURGE O CONVITE PARA SER INTÉRPRETE DE LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA EM PROGRAMAS DE TELEVISÃO? Amélia sempre foi uma ativista da causa dos surdos. Enquanto CODA (Child of Deaf Adults), isto é, filha de pais surdos e que dependiam da língua gestual para comunicar fluentemente. Devido ao histórico familiar, a minha língua materna é a língua gestual e a língua portuguesa é, então, a sua segunda língua. Convidada pela RTP1, em 1992, desenvolveu o papel de intérprete televisiva. Permaneceu nesta atividade até 1996, altura em que a mesma se viu obrigada a ser cancelada por falta de verbas. Contudo, felizmente foi retomada há alguns anos, por via da ERC, que obriga a transmissão televisiva em língua gestual, nos canais generalistas da parte da programação, com um número mínimo de horas. É neste contexto que, em 2017, recebeu o convite do Porto Canal para a interpretação em língua gestual da programação desta estação do Norte. Pertencer ao Porto Canal, para Amélia, “é um privilégio, porque é uma estação onde as pessoas valem muito. O que nos move é a paixão pelo que fazemos. Existe uma grande amizade e cumplicidade entre todos. O Porto Canal não é um sítio onde trabalhamos, é um lugar que amamos. É difícil explicar isto. Sente-se. É tão bom sentir esta casa como a nossa segunda casa. Aqui valorizam-se as pessoas”. Pela primeira vez em Portugal, programas ecuménicos com o jornalista Pedro Carvalho da Silva, entrevistas como a de Júlio Magalhães, programas “Transparências” e “Pontos nos Is”, da jornalista Ana Guedes, jornais e programas desportivos, passam a ser acessíveis em língua gestual. É desta forma que se voltam a abrir portas à acessibilidade em programas, nunca traduzidos em nenhuma estação televisiva.

O Porto Canal é uma estação televisiva que permite a acessibilidade gestual em todas as frentes possíveis, inovando em Portugal com conteúdos inéditos, levando o seu trabalho muito além da difusão da comunicação, desenvolvendo também um trabalho de inclusão junto da comunidade. SER OUVINTE E INTÉRPRETE SIGNIFICA... “Ser intérprete significa colocar a tua voz, as tuas palavras nas minhas mãos. Cada voz é um desafio. Cada interpretação uma paixão.” Amélia tem já no seu currículo o registo de várias intervenções públicas, escritas e faladas, sobre os “silêncios” das nossas vidas, como os silêncios nos levam ao sucesso e torna-nos mais eficientes nas várias vertentes da nossa vida. Silêncios sem isolamentos. COMO PODEMOS APRENDER LÍNGUA GESTU“ESTAR NO PORTO CANAL É A FORMA DE PERMITIR A ACESSIBILIDADE NA REGIÃO, SEM NUNCA DESISTIR” ,refere Amélia Amil

AL PORTUGUESA? A via corporativa é uma de várias opções. Há muitos professores surdos a ensinar língua gestual nas próprias empresas. Para a intérprete faz todo o sentido, por exemplo, que um franchisado de qualquer marca, saiba pronunciar, em língua gestual, a ementa da sua casa. Para a própria, qualquer empresa que se preocupa com as suas vendas deve disponibilizar ao seu staff conteúdos funcionais em língua gestual para os clientes surdos, pois os surdos são clientes também. Também é possível aprender língua gestual portuguesa, individualmente, em associações de surdos, na área de residência mais próxima. SABEMOS QUE ABRAÇA OUTROS DESAFIOS. PODE-NOS EXPLICAR QUAIS SÃO? A língua gestual é algo que se habita em si de forma natural, espontânea e os surdos são a sua segunda prioridade na vida, logo após as suas filhas. Amélia, tem também outros desafios. Também especiais. Acabou de escrever um livro, que está a ser traduzido em duas línguas gestuais e que prevê a sua publicação ainda no decorrer deste ano. Esta obra retrata também a sua história de vida, tal como, representa a forma como a sociedade é vil para com os mais vulneráveis.

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UMA MENSAGEM MANUSCRITA É AMOR PARA A VIDA Andresa Castro de Bastos fundou recentemente a Love of My Life, uma marca cultural de greeting cards personalizados. A empresária já está a trabalhar nas primeiras coleções inspiradas em Portugal, Brasil e Angola. Os seus cartões distinguem-se pela autenticidade da sua criatividade. De engenheira civil a fundadora de uma marca cultural de luxo. Como surge a mudança? Somos seres de múltiplos talentos, e somos seres condicionados pela vida também. Cedo percebi ter curiosidade pela natureza e experiência humana e ter sensibilidade criativa. Mas optei pela engenharia! Hoje, penso que devia ter tido a coragem de seguir a minha natural propensão para as artes e ciências humanas, que foi estimulada pelo contacto com cinco países onde vivi localizados no continente africano, americano e europeu. No entanto, a engenharia aplicada é também uma excelente ferramenta na vida. Traz-nos disciplina, método e resiliência, e nesse contexto, aprendi muito. Os greeting cards são uma paixão de vida. A marca Love of My Life estava desde que me conheço, condenada a nascer. Adoro a “coisa manuscrita”, sempre escrevi, recebi cartas e greeting cards – e é sempre uma emoção receber e enviar correspondência em qualquer cenário da vida. Cartas e greeting cards são como as fotografias, guardam momentos, têm associado a si um universo de sentimentos e de vivências. Estou a fazer uma tese de mestrado na Católica do Porto sobre greeting cards, é um mundo que se expande. É maravilhoso. A independência, que vem de liderar um projeto de negócio, é um objetivo pessoal. O que podemos esperar da sua marca? A raiz desta marca é a cultura, a nossa caminhada humana, é uma homenagem às nossas mãos e ao mesmo tempo aos sinais e símbolos culturais que nos rodeiam. As coleções são limitadas. São coleções associadas a países distintos, e o elemento decorativo é fisicamente presente no greeting card, em

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ANDRESA CASTRO DE BASTOS andresabastos@hotmail.com

uma das faces. É assim um apelo aos sentidos. O lado virgem do cartão tem o propósito de propor a escrita à mão: sinal intransmissível da pessoa que oferece o greeting card. Cada coleção é uma homenagem declarada a algo de precioso, mas que nos é familiar, que nos acompanha no dia a dia, e que na boa parte das vezes, está connosco há séculos ou há milénios. É uma marca profundamente humana e é também nesse contexto que o luxo partilha essa natureza, o luxo da história e das relações humanas. A Love of My Life materializa um gesto nobre e generoso num objeto-prenda original, elegante, belo e único. Nesta fase estou a trabalhar nas primeiras coleções de Portugal, Brasil e Angola, por serem os países da minha vida e que muito me inspiram. Seguir-se-ão outros continentes, como a Ásia (Japão e China). Os materiais são originais e autênticos. A sua fonte é sempre o indivíduo, a organização ou entidade que protege esse bem ou essa arte. Em Portugal, tem-se vindo a perder o hábito de trocar mensagens manuscritas e a Love of My Life vai desafiar esse status quo que sobrevive do básico ainda que merecido “parabéns” ou “obrigado”.


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Os greeting cards são em si mesmos uma marca física e intemporal, que ao contrário das mensagens digitais nos nossos telemóveis e social media, estes podemos guardar e contemplar para sempre, podemos e devemos ser donos da nossa história. E estas pequenas grandes homenagens relembram uma história humana comum que cada vez mais nos deve sensibilizar e confortar. Como é que o coaching entra na sua vida profissional? Quando concluí o MBA Atlântico em 2016, que decorreu em Luanda, Rio de Janeiro e Porto, estava à procura de uma nova oportunidade profissional. Surgiu um projeto de capacitação e coaching de jovens empreendedores em Angola, província de Cabinda, que aceitei. Assim, trabalhei para uma academia Sul Africana brilhante que estava a conduzir este projeto. Este projeto foi um privilégio e um desafio, numa cidade com sérias dificuldades económicas e onde o acesso à informação de qualidade é escasso. Cresci muito com os empreendedores com quem trabalhei, e hoje a palavra resignação tem para mim um significado alargado, que toca a sabedoria, a capacidade de aceitar “a falta de” mantendo a dignidade daquilo em que se acredita, é uma pedra preciosa que guardo comigo. Ao mesmo tempo usufruí de passeios inspiradores, em que Angola é fértil e que incluíram a fabulosa floresta do Maiombe. Trabalha com o mercado português e sul africano. Quais as maiores diferenças? Na África do Sul estive em formação de preparação para o projeto de Angola. Nesse contexto, percebi que a juventude sul africana tem um enorme talento para o fazer business. Com o fim do apartheid em 1998, o sistema político criou uma moldura legal de maior inclusão dos jovens negros para iniciarem ou participarem de projetos empresarias. Esse contexto estratégico permitiu que hoje exista uma cultura empreendedora e dinâmica, mas também mais justa e diversificada, que é reconhecida internacionalmente.

Andresa Castro de Bastos, Fundadora da Love of My Life

Qual a maior dificuldade que sente, enquanto mulher empresária? Estou a iniciar o meu projeto, e creio que esta é a fase mais difícil, onde o tipo de identidade e de estrutura que se constrói terá impacto no futuro da marca. Costumo dizer que sou lenta, porque entendo que a originalidade dá trabalho, precisa de tempo para se arredondar e fazer sentido para o propósito da marca. O abstrato é fundamental nesta fase, e ter a paciência de amadurecer esse conceito sem pressa, é difícil, mas absolutamente necessário. Hoje a Love of My Life é uma depuração, construída com generosidade propositada. É sem dúvida excitante a construção do projeto e a aprendizagem intensa. O meu contexto familiar nunca foi empresarial e é um desafio também, lidar com o mind set empreendedor, que pela sua vocação de conquista constante, requer tenacidade, já que as frustrações, negociações e compromissos são “o” processo. A gestão do tempo e dos recursos económicos é um exercício exigente. Mas sobretudo, estou sempre a aprender, tento estar aberta e atenta a coisas diferentes, porque são essas que trazem as maiores e melhores surpresas. Estarei sempre perto de fontes de conhecimento e a Love of My Life só faz sentido assim. Sou obrigada a reconhecer a soft nature deste projeto, mas essa soft nature é justamente a sua razão de ser: a emoção, o tempo, o amor manifesto. Creio que as artes, o artefacto, e as indústrias criativas fazem ainda um caminho de afirmação, que é cultural.

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NETWORKING


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AS MUDANÇAS SERVEM-SE AO PEQUENO-ALMOÇO À mesa do pequeno-almoço, Sandra Nobre recebe uma convidada e dez participantes. Mais do que networking profissional, o Breakfast Girls Just Wanna Have Fun é inspirador e promove as mudanças. O sucesso ditou o aparecimento do S Supper Club exclusivo para mulheres. São doze mulheres a cada edição e já passaram pelas mesas do Breakfast Girls Just Wanna Have Fun mais de 250 participantes, desde que arrancou a 8 de Março de 2018. Começou por ser um evento privado com convidadas de diferentes áreas e o sucesso da receita impulsionou a mentora, a storyteller Sandra Nobre, a replicar o formato para o público. As inscrições chegam pela página do Facebook (www.facebook.com/girlsnetworking), pelo Instagram (@breakfast.girls.fun), pelo LinkedIn, mas muitas pelo passa-palavra de quem já experienciou e recomenda. Mal são anunciadas as datas, as inscrições começam e os lugares esgotam rapidamente. “Quem participa percebe que não está a pagar apenas uma refeição, mas toda a experiência, desde ouvir alguém com créditos firmados a toda a partilha inerente ao encontro, para além de conhecer locais na cidade onde provavelmente não iria”. O local é revelado poucos dias antes do Breakfast. Por essa altura já é conhecida a convidada, mulheres com experiências para partilhar que inspiram pelo percurso de vida profissional e profissional. Pelo evento já passaram: Eduarda Abbondanza (ModaLisboa), Margarida Pinto Correia (Fundação EDP), Rosália Amorim (Dinheiro Vivo), Maria Cunha (Josefinas), Paula Sousa (Munna e Jinger & Jagger), a autora Helena Sacadura Cabral, terapeuta e nutricionista Tâmara Castelo, a cantora de jazz Sofia Hoffman, a jornalista e escritora Isabel Lucas, entre outras. Mas, na mesa do pequeno-almoço, não há

oradoras nem assistência, apenas mulheres numa conversa informal que nunca se sabe qual o rumo que toma – mudanças, desenvolvimento pessoal, medos, sonhos, fracassos, viagens, dietas, maternidade, astrologia... “Quero que todas as mulheres deem o seu testemunho e é essa a riqueza do encontro, porque a vida de cada uma vai inspirar outra das presentes ou tocar de alguma forma. E quero que se divirtam porque, entre a família e os compromissos profissionais, faltam momentos de diversão nas nossas agendas”, diz Sandra Nobre, a mentora do Breakfast Girls Just Wanna Have Fun. Cada uma das participantes fala da sua carreira e entra na conversa, a maioria tem idades entre os 30 e os 45 anos, encontram-se empresárias de topo, cargos directivos, artistas, coachs, accounts de comunicação, vendedoras, profissionais liberais, gestoras de recursos humanos, consultoras de beleza e imobiliárias, terapeutas, estudantes, pessoas disponíveis para iniciar novos desafios. No final, a mentora partilha os contactos de forma a que o networking continue.

Art Dinner com Ana Vidigal_suiteAtelier hotel O Artista4_S SupperClub_Foto©ClaraAzevedo 24


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SANDRA NOBRE

Sandra Nobre

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MAIS DO QUE UMA REUNIÃO, UM EVENTO SOCIAL Jornalista durante duas décadas, com passagem pela rádio e pela televisão e alguns prémios no currículo – Mulher Reportagem Maria Lamas, da Comissão de Igualdade dos Direitos da Mulher; prémio de imprensa escrita Direitos Humanos e Integração, do Gabinete para os Meios de Comunicação Social e a Comissão Nacional da UNESCO, o Prémio Internacional Jornalismo do Mediterrâneo, na categoria de Protecção à Infância –, Sandra Nobre escreveu, entre outros temas, sobre viagens, moda, gastronomia, em inúmeros títulos – Diário de Notícias, Sol, Fugas, do Público, Evasões, Volta ao Mundo, Vogue, Elle, Lux Gourmet, guia Boa Cama Boa Mesa. A experiência acumulada quis trazê-la para as mesas do pequenoalmoço proporcionando às participantes momentos prazerosos e até marcantes. “Não quero que estes encontros fossem mais uma reunião de trabalho na agenda, quero que sejam memoráveis ou até desafiadores ao tirar as participantes da sua zona de conforto”, explica a mentora do Breakfast Girls Just Wanna Have Fun. Nesse sentido, já promoveu pequeno-almoços em palácios, caves de vinho do Porto, num barbeiro de homens, numa academia de boxe, numa perfumaria, em hotéis ou em cafés de bairro que são o mais recente spot. O Breakfast começou por se realizar apenas em Lisboa e, desde Janeiro de 2019, também mensalmente no Porto e já conta com uma linha de cadernos com ilustrações de Ana Gil. Por regra, realiza-se é uma vez por mês, mas a frequência varia consoante a procura e a agenda de Sandra Nobre,

que se reparte por outros projectos, como as Short Stories, de livros personalizados, o storytelling, adaptando as histórias a diferentes formatos, de acordo com os desafios que lhe vão surgindo, ou a comunicação de espaços, marcas e eventos. Quando se ouve a sua história à mesa do pequeno-almoço e as sucessivas mudanças que desencadeia, pelo seu espírito inquieto e empreendedor, percebe-se porque dorme tão pouco...

REVOLUÇÕES PESSOAIS Cada encontro ganha diferentes contornos consoante as participantes que se juntam e a convidada, mas é a partilha das experiências que se torna marcante. No último encontro no Porto, em que a Liderança no Feminino esteve presente, falou-se de burnout, de recomeços, da morte e da perda, de discriminação, de doenças que apressam as mudanças, do desafios que é viver no estrangeiro e das diferenças culturais. Houve lágrimas e sorrisos, sempre com as emoções à flor da pele. “Se há um segredo para o sucesso do Breakfast é que, durante uma manhã, ouvimos. Deixamos as redes sociais para segundo plano e estamos frente a frente com outras mulheres, trocamos ideias, questionamos, partilhamos. É um momento real, presencial, e este espírito de tertúlia já estava praticamente extinto dos nossos hábitos”, diz Sandra Nobre. “Ter alguém a contar-nos episódios marcantes, como seja ter passado fome, ter sofrido bulling no local de trabalho, ter perdido um familiar de forma brutal, não deixa ninguém indiferente. Não é a notícia que lemos no jornal, tem uma cara e uma voz e está sentada na mesma mesa e essa proximidade desencadeia reacções”. Revêm-se

Palacete Chafariz d’El Rei1_Foto©SilviaMartinez 26


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Breakfast Academia de Boxe Vitoria-4@Ana Baião umas nas outras ou sentem-se inspiradas ao ouvirem que a outra passou por tantas dificuldades e está num lugar de destaque, que foi possível realizar o que parecia impossível. A partir daqui cada uma desencadeará a sua revolução pessoal. “São muitas as repetentes do Breakfast e é interessante observar as mudanças entre cada participação. O feedback que recebo é, muitas vezes, de gratidão por terem estado com aquela pessoa que, sem saber, trouxe as respostas que a outra precisava ouvir.”

encontros”, pagar uma jóia e, a partir daí, os membros acedem a eventos mais exclusivos. Por exemplo, o último foi um art dinner com a pintora Ana Vidigal, na suite de um hotel com o chef a cozinhar para as participantes, mas também já tiveram oportunidade de visitar a redacção da revista Elle e ficar à conversa com a sua directora, Sandra Gato. Para além disso, os membros passam a dispor do Private Jet da mentora, que lhes permite acompanhá-la a eventos, anteestreias, inaugurações e apresentações de marcas.

UM CLUBE EXCLUSIVO PARA MULHERES

Outra das iniciativas é o Bed & Breakfast, em formato de fim-de-semana com diversas actividades, para além dos diversos momentos à mesa e de partilha de vivências. A primeira edição decorreu no Six Senses Douro Valley e na quinta do Vale Dona Maria, mas Sandra Nobre adianta que já está a ultimar o programa da próxima edição, que se irá realizar perto de Lisboa e que vai desvendar em breve. E, na rentrée, em Setembro, a storyteller promete uma mão cheia de eventos especiais. “Procuro que sejam acontecimentos memoráveis e que acrescentem conhecimentos e experiências, pelo que a organização de cada encontro é sempre um desafio para mim. Não sei viver de outra forma!”

No dia em que assinalou o primeiro aniversário do Breakfast Girls Just Wanna Have Fun, num jantar para trinta mulheres, com uma visita cultural e momentos musicais, numa sala do museu da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, Sandra surgiu com uma novidade: o lançamento do S Supper Club. “É um grupo de partilha de interesses, de tertúlias temáticas, de cumplicidades, de experiências, que acontecem em lugares especiais, seja um atelier, um espaço inesperado ou até em casas particulares. Sobretudo, é mais um motivo para que cada mulher aproveite o lado bom da vida”, revela. O clube é exclusivo para mulheres: “Acredito que a participação de um homem iria restringir o teor das conversas, por isso quero dar oportunidade às mulheres de poderem falar livremente e sem tabus. Os homens têm os seus momentos, este é só nosso”. Para se aceder ao clube da Sandra é preciso passar por um Breakfast, “para perceber a filosofia dos

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SETOR AUTOMÓVEL


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SHE’S MERCEDES: A SOCIEDADE COMERCIAL C. SANTOS QUER MULHERES AVENTUREIRAS AO VOLANTE A Sociedade Comercial C. Santos desafiou bloggers, jornalistas, atletas e figuras públicas a testar os carros mais rápidos da Mercedez-Benz. Entre exercícios de demonstração de travagem, com água e curvas apertadas, as vencedoras dos melhores resultados puderam experimentar uma condução com pilotos AMG profissionais. A Liderança no Feminino participou na ação Driving Events com o grupo She’s Mercedes e foi uma verdadeira aventura marcada também pelo conforto que a marca oferece.

Num desafio de experiências que começaram na Sociedade Comercial C. Santos com sede na Maia, 14 mulheres reuniram-se para a descoberta da condução em pista no Circuito de Braga. Foram surpreendidas na Box Tecnológica com um briefing técnico do que ia acontecer, bem como ficaram a perceber o que a marca EQ pode vir a proporcionar no futuro. As rampas cativavam uma demonstração Off-Road da tecnologia 4Matic da Gama SUV. Os técnicos lideravam a condução e, assim, todos os obstáculos pareciam simples, ainda que numa das aventuras, uma das rodas estivesse suspensa. E como conduzir em segurança é perceber e conhecer o veículo, seguiram-se exercícios de demonstração de travagem, com água e curvas apertadas, utilizando os sistemas de segurança. Após vários desafios, todas as participantes tiveram oportunidade de fazer valer os seus tempos de condução. As vencedoras dos melhores resultados puderam experimentar uma condução com pilotos AMG profissionais. Já em pista foram apresentadas e demonstradas

a performance e a dinâmica das viaturas AMG através da co pilotagem, em duas voltas ao circuito, estando disponíveis os modelos Classe A, Classe B, CLA, Classe C, GLE e Classe E. Várias experiências de Drifting aconteceram durante todo o dia, com condução em pista e no Paddock. A Sociedade Comercial C. Santos desafiou ainda todas as mulheres a sentarem-se à mesa do restaurante do Chef Pedro Lemos para poderem partilhar as suas experiências, enquanto degustavam um menu especial preparado de modo a explorarem situações improváveis e surpreendentes, tal como fizeram durante o Circuito. Entre bloggers, jornalistas, atletas e figuras públicas, o dia ficou marcado por várias sensações. Desde a velocidade à adrenalina, da surpresa aos novos sabores, todas as mulheres revelaram as suas verdadeiras essências aventureiras e inspiradoras. Um dia de convívio com novos desafios, onde a Liderança no Feminino foi de todas. Ficaram os contactos e a confissão de que partilhar experiências originam resultados e laços que ficam na memória.

Driving Events no grupo She’s Mercedes 30


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Driving Events no grupo She’s Mercedes

Driving Events no grupo She’s Mercedes 31


Driving Events no grupo She’s Mercedes

Restaurante do Chef Pedro Lemos

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ESPECIALIZAÇÃO NAS RELAÇÕES JURÍDICAS


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A NOVA LEI E OUTRAS QUESTÕES “As mulheres em cargos de chefia em Portugal recebem em média menos 9.000 Euros do que homens segundo dados do Ministério do Trabalho.”

Entrou recentemente em vigor uma nova lei sobre igualdade salarial em Portugal. Esta lei em termos materiais, ou seja, no que diz respeito ao direito propriamente dito das mulheres serem tratadas em termos salariais sem qualquer discriminação não traz nada de novo. Na verdade, já há muito a constituição e a lei laboral consagravam o princípio da igualdade e que o trabalho igual deve corresponder obrigatoriamente a um salário igual, independentemente do género. De qualquer maneira, este direito de igualdade salarial formalmente consagrado está muito afastado da realidade dos factos, uma vez que as mulheres continuam a ganhar muito menos do que os homens, mesmo com o mesmo tipo trabalho, e isso é transversal a todas as faixas etárias, classes sociais e níveis de escolaridade. Um estudo recente da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre “igualdade de género ao longo da vida” constata isso mesmo: as mulheres são discriminadas e ganham menos ao longo da vida, sendo que a discriminação ainda é mais acentuada nas mulheres com maior escolaridade. Isto não deixa de ser paradoxal numa sociedade em que as mulheres trabalham arduamente há várias gerações, muitas vezes fora de casa, e há muito um grupo significativo de mulheres que são educadas no pressuposto de que é fundamental ter uma carreira e que em nada são inferiores aos homens. Relembro - e certamente muitas das leitoras terão memórias parecidas – a minha avó materna que já tinha em solteira tinha um pequeno negócio de representação de máquinas de costura, tendo tido outros negócios mais tarde e que sempre incentivou fervorosamente as filhas e as netas a estudarem. Com estes exemplos e estando as mulheres portuguesas há tanto tempo e em tão grande número no mercado de trabalho não deixa de ser difícil perceber e aceitar este atraso na

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questão da discriminação salarial das mulheres. Neste contexto, é com bons olhos que vemos esta Lei n.º 60/2018, de 21 de agosto, a qual aprova medidas de promoção da igualdade remuneratória entre mulheres e homens por trabalho igual ou de igual valor e que cria alguns instrumentos para corrigir esta desigualdade salarial, sendo que nos termos da qual passa a ser exigido que: »»

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As empresas tenham uma política remuneratória transparente assente em critérios objetivos em matéria de remuneração assente na avaliação das componentes das funções, com base em critérios objetivos, comuns a homens e mulheres, nos termos do artigo 31.º do Código do Trabalho; A ACT (Autoridade para as condições de trabalho) passa a ter poderes para notificar as empresas cujos balanços evidenciem diferenças remuneratórias para apresentarem planos de avaliação; A entidade competente na área da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é competente para a emissão de parecer sobre a existência de discriminação remuneratória em razão do sexo por trabalho igual ou de igual valor, a requerimento do trabalhador ou de representante sindical; Perante um trabalhador que se queixe de discriminação presume-se que o mesmo tem razão se a empresa não tiver uma política remuneratória transparente, ou seja nesse caso é a empresa que tem que ter a tarefa de provar que não discriminou.

Estes instrumentos são úteis, mas só o tempo dirá o seu nível de eficácia. Uma coisa é certa, a primeira etapa para a resolução deste problema de desigualdade salarial, passa por ter consciência que em Portugal é um problema sério, que perpassa todas as idades e classes sociais e até é mais grave dos executivos e nesse sentido o já mencionado artigo da Fundação Francis-


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co Manuel dos Santos é elucidativo. Também em termos mundiais a situação não é brilhante, um estudo recente denominado “Women in the Workplace 2018 ” feito pela Mckinsey & Company em parceria com a LeanIn.Org conclui de apesar de as mulheres terem progredido nos estudos e na permanência do mundo laboral, ainda enfrentam discriminação de tratamento e tem muito mais dificuldade em aceder a posições de “management”. Sendo que essa discriminação surge logo nas primeiras contratações e nas promoções, as empresas têm que ter como prioridade combater esta desigualdade, o que deve ser feito logo nos primeiros anos de carreira. Ainda de acordo com este estudo as mulheres sofrem, para além do assédio e de serem muitas vezes as únicas em posições superiores, uma discriminação no dia-a-dia. Esta discriminação passa por vezes por comportamentos subtis como, por exemplo, assumirem que as mulheres têm uma posição mais júnior, demorarem mais tempo a reconhecer o valor e a competência de uma mulher ou as piadas de que são alvo. Sendo certo que estes pequenos atos, uns mais conscientes do que outros, são sinais claros de desrespeito e de discriminação e minam a progressão das mulheres. A este propósito não posso deixar de mencionar alguns exemplos recentes, mas muito reais, como o de uma amiga minha, que acompanha administrações de empresas de topo e que depois de uma apresentação, a qual foi unanimemente considerada excelente, lhe foi dito publicamente que “todas as suas apresentações seriam sempre muito boas porque ela era muito sexy”. Noutra ocasião, estava numa reunião com o administrador de uma empresa para discutir um caso de arbitragem importante e foi-me transmitido pelo departamento jurídico que tinham total confiança no meu trabalho, mas era necessário levar um homem para a reunião por uma questão de credibilidade perante os administradores e assim fiz: levei um colega, que entrou mudo e saiu calado. Os exemplos caricatos e quase inverosímeis até de mulheres que dificultam a vida umas as outras podiam-se multiplicar… Mas uma coisa é certa, diversos estudos demonstram que maior igualdade de género nas empresas e maior inclusão em geral tem um impacto direto na melhoria dos seus resultados financeiros. Da mesma forma que a falta dessa igualdade e inclusão também afeta negativamente as empresas do ponto de vista financeiro. Num perspetiva global, um estudo da Mckinsey & Company concluiu que se as empresas e países avançassem na igualdade de género isso poderia significar um aumento de 12 triliões de

SANDRA GOMES PINTO, Advogada dólares no produto interno bruto em termos mundiais, sendo que tanto os países desenvolvidos como os subdesenvolvidos beneficiariam se se evoluísse no sentido de aproveitar o potencial e o talento das mulheres. A este propósito são muitos elucidativos os estudos da Mckinsey & Company, entre os quais: “Delivery trough diversity” e “How advancing women´s equality can add 12 trillions to global growth ”. Aliás, o que pode ser feito. As empresas têm a agora a tarefa de implementar uma politica salarial transparente e de fazer reports para conhecerem bem a sua própria realidade interna, de forma a puderem agir sobre a mesma e implementar a lei que agora entrou em vigor. Para além disso, as empresas devem intencionalmente: garantir a contratação e promoção das mulheres em fases iniciais de carreira; criar uma cultura de inclusão e respeito, garantir o acesso das mulheres a posições de “management”, promover formas de trabalho mais flexíveis que ajudem a compatibilizar a vida laboral com a vida familiar; combater ativamente as pequenas discriminações do dia-a-dia e o assédio. Finalizando, considero que todos nós podemos e devemos fazer o nosso papel, o qual passa pela educação dos nossos filhos e filhas, pelo apoio às colegas, pela nosso desenvolvimento pessoal e profissional para um melhor desenvolvimento das nossas carreiras, pelo repúdio assertivo dos atos de discriminação do dia-a-dia e pela promoção consciente de uma cultura inclusiva. Termino com uma pergunta: e a leitora, o que considera que poderia ser feito por uma maior igualdade das mulheres no mundo do trabalho?

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VIAGEM


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POLINÉSIA FRANCESA Desde que o capitão francês Louis-Antoine de Bougainville atracou no arquipélago, em 1768, e espalhou para o mundo que havia encontrado o paraíso. Este lugar mágico está no imaginário dos casais apaixonados. É um privilégio poder desfrutar desse paraíso perdido, com alguém especial, em bungalows sobre a água azul cristalina.

TAHITI: a primeira etapa A Polinésia Francesa - chamada pelos locais de “Tahiti e suas Ilhas” - é formada por um conglomerado de 118 ilhas e atóis divididos em cinco arquipélagos paradisíacos, no Pacífico Sul (Ilhas da Sociedade - onde ficam as famosas ilhas Bora Bora e Moorea; Marquesas; Austrais; Mangarevas e Tuamotu). De todas elas, apenas 12 ilhas têm infraestrutura para receber turistas. As outras são praticamente inabitadas e só podem ser alcançadas por embarcações particulares. É muito comum as pessoas fazerem referência a Tahiti como arquipélago, mas é apenas o nome da ilha mais conhecida. A região formou-se devido a grandes erupções vulcânicas. É enorme e longe de tudo. A Nova Zelândia é a vizinha mais próxima e está a mais de 4 mil quilómetros de distância. Sendo a ilha do Tahiti, a maior, a mais populosa (250 mil habitantes) e onde fica a sede, ela serve como porta de entrada para qualquer viajante que vá a Polinésia Francesa. A capital é Papeete. Com um formato que lembra o número 8, a ilha é dividida em Taiti

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Nui (a parte maior, no oeste) e Taiti Iti (a península, no leste). Com praias de areia preta, lagoas, cachoeiras e 2 vulcões extintos, trata-se de um destino de férias bastante procurado. Explorada pelo Capitão James Cook no século XVIII, foi retratada em várias pinturas pelo artista francês Paul Gauguin. E saiba com antecedência que a ilha não oferece grandes atrativos, além de um belo pôr do sol. Mas, como todos os voos internacionais chegam no aeroporto de Papeete (PPT) e geralmente no fim do dia ou de madrugada, é preciso dormir em Papeete para partir para as ilhas de sonho no dia seguinte. Então, já que está por ali, aproveite para dar um passeio, conhecer o centro, comprar umas pérolas negras, ir ao mercado e comer num bom restaurante ( Lotus, Coco ou Belvedere). O Tahiti é a maior ilha da Polinésia Francesa, arquipélago que fica no Oceano Pacífico.

TAHITI


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LIDERANÇA NO FEMININO | Julho de 2019

Descobrir as ILHAS

Informação útil

Morea é a ilha mais próxima do Tahiti e uma das mais visitadas. A melhor forma de ir para Moorea é no Ferry Aremiti. Já, para as demais ilhas - Bora Bora, Huahine, Taha’a, Raiatea, Tetiaroa, Rangiroa, Tikehau, Fakarava, Manihi, Marquesas - os voos domésticos da Air Tahiti são a melhor opção. Esses voos não são muito baratos. Aconselhamos a comprar todos os voos num passe aéreo disponível no site da companhia.

Língua Oficial: Tahitiano e Francês, mas o Inglês é utilizado a nível turístico

A melhor data para viajar O ideal é conhecer a Polinésia Francesa numa época ensolarada. De maio a outubro é considerado inverno, ou seja, não costuma chover muito. A altíssima temporada é no mês de setembro, quando são férias escolares e as baleias jubarte estão na área. O verão vai de novembro a abril, essa época é mais chuvosa, e pode ter ventos fortes e furacões, especialmente em janeiro.. A humidade relativa é sempre muito elevada e a temperatura é constante ao longo do ano, costumam ficar entre 20 e 30 graus, amenizada pelos ventos provenientes do Pacífico.

O que levar na sua mala Roupas práticas, leves e frescas para durante o dia e vestuário mais formal para usar à noite, principalmente nos restaurantes e hotéis. Apesar do bom clima considere um casaco leve para usar quando visitar as zonas mais altas ou passear à beira mar em noites mais frescas.

Moeda: Franco Pacifico – Moeda de Cambio fixo ( 1€ = aproximadamente 119CFP) Podem-se trocar euros nos bancos, hotéis e agentes de cambio autorizados. A utilização de cartões de crédito está generalizada em hotéis e restaurantes mas existem poucos ATM´s Diferença horária: – 10 horas (De Novembro a Março) ou – 11 horas (De Abril a Outubro) Vacinação: Não existe vacinação obrigatória Documentação: Passaporte Português de leitura ótica (com validade mínima de 6 meses a contar da data de regresso) e Declaração eletrónica de Entrada nos Estados Unidos (ESTA – obrigatório para transitar nos EUA). Descubra uma beleza que vai muito além das praias e das paisagens inigualáveis. Os nativos chamam-lhe Mana! Mana é a energia que liga todas as ilhas. É algo que não se consegue descrever mas que se sente, e que é possivel perceber num mergulho no oceano, no som da chuva ao final do dia, no perfume de uma flor de tiaré ou no sabor doce de uma manga.

Não se esqueça da indispensável roupa de praia, óculos de sol, chapéu e protetor solar.

Visit e a Po lin é sia e e x p e r im e n t e s e n t ir o M ANA ! B oa v i a ge m!

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CUIDADOS A TER NO VERÃO


VE R Ã O E M BE L E ZA Estamos em altura de idas frequentes à praia, piscina e a outros locais com elevada exposição solar. As zonas da pele não cobertas por roupa deverão ser protegidas com um protetor solar contendo filtros para UVA e UVB. Durante as primeiras exposições ao sol recomenda-se o uso de um protetor com Fator de Proteção Solar (FPS ou SPF) igual ou superior a 30. O protetor solar é uma loção, spray ou produto tópico que ajuda a proteger a pele da radiação ultravioleta, reduzindo as queimaduras solares e outros danos na pele. Quando escolher o seu protetor solar, escolha um que proteja não só dos raios UVA como também dos raios UVB. Tão importante quanto a escolha do produto é a sua correta aplicação. Por exemplo, para se conseguir a proteção indicada com o «fator de proteção solar», é necessária uma quantidade de 2mg/cm². Para cobrir todo o corpo, pode ser necessário até metade de uma embalagem pequena. Acresce que esta quantidade deve ser aplicada 30 minutos antes do início da exposição solar (de preferência antes de sair de casa), de 2 em 2 horas durante a exposição solar e sempre após os banhos de mar ou piscina.

Atenção: no caso de se expor ao sol diariamente, devemos aplicar protetor solar sempre que nos expomos à radiação solar.

O protetor solar não deve ser aplicado unicamente na praia ou na piscina, mas sim durante todas as atividades quotidianas (profissionais e lúdicas). 60 minutos de sol na praia têm o mesmo efeito na pele que 60 minutos de sol a praticar ciclismo ou 60 minutos de sol no exercicio de uma atividade profissional na rua de uma localidade. Use protetor solar nas áreas expostas para evitar o dano solar que se acumula durante os anos de vida e assim retardar o envelhecimento da pele.

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Devemos, sem dúvida, utilizar produtos de proteção solar e recomenda-se a escolha de protetores solares contra radiações UVA e UVB. É importante que saibam que os produtos de proteção solar devem ser apenas uma entre várias medidas de proteção contra as radiações solares UV, como:

• Evitar exposições prolongadas nas horas de maior intensidade solar; • Não dispensar a t-shirt, o chapéu e os óculos de sol; • Não expor bebés e crianças pequenas à luz solar direta.

Lembre-se ainda que o seu cabelo também sofre agressões com o sol, pelo que deverá protege-lo com um protetor solar específico para o cabelo e, sempre que for possível, proteja o seu couro cabeludo usando um chapéu. Não se esqueça de usar óculos escuros, que protegem os seus olhos das radiações solares. Opte sempre por investir em qualidade, pois a escolha de lentes inadequadas pode prejudicar a sua visão. Neste verão, todas as misturas de cores são permitidas. Muito em voga estão os vestidos e blusas com renda. Idealmente usam-se com T-shirts por dentro para um ar extra cool. Poderá optar por um look total white. Os querem-se padrões grandes, vistosos e que possam ser combinados com outros. Quantos mais, melhor. Conforto é a palavra de ordem! Use e abuse de padrões alusivos ao verão!

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NUTRIÇÃO


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ALIMENTAÇÃO DE VERÃO O verão é a estação mais quente do ano e por isso necessitamos de total atenção aos alimentos que ingerimos. No verão, o nosso corpo precisa de menor quantidade de energia. Devemos utilizar alimentos menos calóricos. A falta de hidratação pode trazer consequências indesejáveis como fadiga, dor de cabeça, tontura, fraqueza entre outros. Sentir sede já pode ser um pequeno sinal de desidratação. Por isso: Não espere a sede chegar. Devemos ter cuidados especiais em relação a higiene e refrigeração dos alimentos, evitando assim o risco de infecções conseqüências devido a contaminação de alimentos.

Cereais integrais e carnes magras devem completar nossa alimentação com os benefícios vindos das proteínas fundamentais para crescimento e reparação do nosso organismo.

Alimentos fontes de ómega 3, como salmão, sardinha e linhaça melhoram a inflamação e consequentemente as manchas da pele por exposição solar.

Evitar sobrecarregar o organismo, o melhor é investir em 5 a 6 refeições pequenas ao longo do dia, mantendo o bom fornecimento de energia.

Beba água ao longo do dia (aproximadamente 35ml por quilo de peso).

Portanto,deixamos alguns conselhos para estes dias quentes de verão:

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Verduras e legumes devem compor boa parte da nossa alimentação, pois são alimentos pouco calóricos e cheios de vitaminas e minerais. Alimentos como couve, brócolos, ervilhas, são fontes de luteína e zeaxantina, que atuam como filtro para os raios ultravioletas.

Frutas além de refrescantes são campeãs em proteção. Entre outros benefícios elas são ricas em vitamina C e betacaroteno, com potente efeito antioxidante, que atuam no combate aos danos causados pela excessiva formação de radicais livres, vindos da exposição solar. Os alimentos mais amarelados como manga, melão, laranja, morango, melancia. Ah!! E também vegetais como abóbora, cenoura, couve, brócolos, tomate e outros.

Ainda falando de fotoproteção, cito castanhas, amêndoas, nozes, gérmen de trigo, semente de girassol, milho, amendoim que atuam desta forma por serem ricos em selênio e vitamina E.

Água, sumos e chás são bons para hidratar com doses naturais de minerais e ainda vitaminas antioxidantes necessários para a proteção do organismo.


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