Edição Especial Dia Internacional da Mulher março 2023

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Liderança no Feminino é uma publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa jornalística Narrativalider | Periodicidade mensal Venda por assinatura 8 € EDIÇÃO N.º 53 MARÇO 2023 A ESCOLHA DELAS DIA INTERNACIONAL DA MULHER especial

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A escolha delas Mudança com M de Mulher, segunda edição

Olhar para a Comunicação como um “work in progress”

Elsa Borda d’Água

A força do marketing e o repto de trabalhar em diferentes áreas de negócio

Andreia Agostinho

O poder do Coaching no sucesso empresarial

Maria Vieira

Uma aposta nos seus suits de comunicação

Paula Carvalho

O orgulho de liderar uma equipa exclusivamente feminina

Isabel Matos

Uma odisseia de sucesso

Filipa Filipe

Rita Moreira e o Dia Internacional da Mulher Membro da Comissão Executiva do SNS

Ser líder, mulher ou homem, por opção. Sempre.

Rita Veloso

LIDERANÇA NO FEMININO | MARÇO 2023 2 ÍNDICE 04 22 28 32 36 40 42 44 46
04 28 22 EDIÇÃO
ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

No Dia Internacional da Mulher (8 de março) é lançada a segunda edição especial da Liderança no Feminino, dedicada ao tema “Por um mundo digital inclusivo: inovação e tecnologia para a igualdade de género”, tal como estipulado pelas Organização das Nações Unidas (ONU). Estando a celebrar-se o 48.º Dia Internacional da Mulher, é necessário, cada vez mais, reconhecer o contributo das mulheres “no avanço de tecnologias transformadoras e da educação digital”. Em contrapartida, também existem desigualdades de género no mundo digital em que vivemos, tornando-se imperativo falar sobre as diferenças económicas e sociais e da violência de género que acontece na Internet.

De acordo com o relatório UN Women’s Gender Snapshot 2022, a exclusão das mulheres do mundo digital resultou na perda de 1 trilião de dólares do “produto interno bruto de países de baixa e média renda”, nos últimos dez anos. Para além disso, foi possível constatar, num estudo dedicado a jornalistas de 125 países diferentes, que 73% das mulheres já sofreram de violência online no decorrer do seu trabalho.

EDITORIAL

Apesar de os avanços digitais possibilitarem acesso a mais informação e, consecutivamente, tornar as mulheres mais conscientes dos seus direitos, também trouxe um risco de promoção da desigualdade de género. Perante este contexto, é essencial dar voz a mulheres que se encontram a trabalhar num contexto digital ou até contribuam para o desenvolvimento das tecnologias.

Nesta edição falamos com várias mulheres – líderes, empresárias e empreendedoras da área do marketing, comunicação e vendas —, a fim de conhecer o seu percurso e com elas entender o que já mudou nesta luta pela igualdade e o que ainda falta mudar. São elas, entre outras mulheres, que fazem a diferença e são o futuro neste mundo digital: Teresa Preta, Cátia Pitrez, Nassrin Majid, Beatriz Correia, Andreia Agostinho, Elsa Borda D´Água, Isabel Matos, Filipa Filipe, Sílvia Correia, Eva Santos, Maria Vieira, Paula Carvalho e Rita Moreira.

O presente já é marcado por mulheres que escolhem o que querem ser e fazer, podendo conciliar uma vida profissional com a pessoal e, principalmente, com a familiar, sem que sejam julgadas por tal. Este dia, como todos os outros, deve dar confiança a jovens mulheres que estão a começar o seu percurso profissional e dizer-lhes que tudo é possível.

Não poderíamos terminar sem deixar uma pequena citação de reflexão: “Se as mulheres são melhores que os homens eu não sei – o que eu sei é que elas não são piores” (Golda Meir).

Feliz Dia, Mulheres! Continuaremos a lutar pela liderança!

MARÇO 2023 | LIDERANÇA NO FEMININO 3 ÍNDICE
EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

A escolha delas

TERESA PRETA NASSRIN MAJID

CÁTIA PITREZ

BEATRIZ CORREIA

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER é lançada mais uma edição especial dedicada à Mudança com M de Mulher: “Por um mundo digital inclusivo: inovação e tecnologia para a igualdade de género”, tal como estipulado pelas Organização das Nações Unidas (ONU). Dá-se voz a mulheres que ocupam cargos de liderança e de chefia, tanto em Portugal como em Espanha. Tenta-se entender, com as mesmas, se já algo mudou e o que ainda falta mudar. Ao celebrar este dia, é essencial também ressaltar a sua importância, perceber o porquê de uma mulher, numa posição de destaque, ainda ser considera notícia — será possível, um dia, alcançar a plena igualdade de género?

A Consumer Choice é uma das empresas que apoiam e adotam um sistema meritocrático. A mesma é dedicada a criar e aplicar sistemas de avaliação e classificação de marcas, tendo por base a satisfação do cliente. O sistema mais conhecido designa-se por “Escolha do Consumidor”, mas também já existe o “Boa Escolha”, a “Loja Online Recomendada”, a “Escolha Ética” e os “Happy Awards”.

LIDERANÇA NO FEMININO | MARÇO 2023 4 EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

A Liderança no Feminino traz à sua revista quatro mulheres que ocupam um cargo de liderança na Consumer Choice: Teresa Preta é a Iberia managing director, Nassrin Majid é a iberian chief commercial officer, Cátia Pitrez é a chief marketing officer de Portugal e Espanha e Beatriz Correia é sales country manager de Espanha. As quatro falam de todo o seu percurso e do seu atual papel na empresa, destacando as vantagens de ali trabalhar – a escolha sempre foi delas e continua a ser, uma

vez que nunca lhes foi imposta nenhuma restrição e todas podem conciliar a sua vida profissional com a pessoal e principalmente com a familiar. Teresa Preta até pôde manter e gerir, ao mesmo tempo, o seu negócio e trazer as ideias deste para a empresa, implementando os “Happy Awards”.

É perante a autenticidade e a inclusão que a Consumer Choice atua, rodeando-se de mulheres com um percurso profissional exímio.

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EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

TERESA PRETA

Iberia managing director da ConsumerChoice – Escolha do Consumidor

Prova viva de que o trabalho supera o talento natural

Teresa Preta é a atual Iberia managing director da Escolha do Consumidor e gere a sua própria agência de consultadoria em felicidade, a “Your Happy Mode”. Acredita genuinamente que a felicidade numa organização é o principal segredo para o seu sucesso e por isso liderou também o primeiro sistema de qualificação em felicidade nas organizações na ConsumerChoice – os “Happy Awards”.

Teresa Preta nasceu em Castelo Branco, numa família de pequenos empresários — os seus pais eram padeiros e o seu avô e tios maternos eram agricultores. Crescendo no interior do país, a empresária sempre sentiu a necessidade de “criar projetos que solucionassem os problemas de quem vive no interior”, sendo eles a “enorme desigualdade e escassez de oportunidades”, explica Teresa. Para conseguir cumprir com os seus objetivos, Teresa Preta envolveu-se em várias associações, nas quais colaborou voluntariamente, chegando a gerir equipas. Entrou no teatro e fez parte da Cruz Vermelha, sendo que “tinha uma vontade gigante de fazer coisas

que envolvessem pessoas, que me dessem prazer e me fizessem feliz, pelo que sempre fui muito eclética nas minhas escolhas”, explica.

Não se pode assim discordar da afirmação de que “o empreendedorismo sempre me correu nas veias”. Isto não quer dizer que Teresa tenha apostado logo na sua vertente empreendedora, porque também não a conhecia a 100%. A primeira ambição foi “conhecer o mundo e sair de Castelo Branco”, afirma Teresa. Para isso, rumou até Coimbra para estudar Línguas e Literaturas Modernas, uma área que a empresária considerava não ser o seu forte, assumindo-

-se como uma “aluna mediana em línguas”. Isto não a demoveu do seu objetivo, tendo passado o último ano do curso na Alemanha – o primeiro passo para alcançar o desejo de conhecer o mundo. O segundo foi ir para Inglaterra trabalhar como baby-sitter, tendo como objetivo evitar seguir a carreira de professora.

“Sou uma pessoa muito trabalhadora e quando me meto nalguma coisa, de que natureza for, esforço-me ao máximo para ser não a melhor, mas o melhor que consigo”

Para além da licenciatura, Teresa ainda realizou duas pós-graduações, uma em Organização e Gestão de Eventos e outra em Tradução para a Legendagem, e, por fim, um mestrado em Tradução Audiovisual. Durante este percurso académico, Teresa trabalhou como assistente de direção e formadora de línguas na Dinefer (uma empresa de engenharia industrial) e, ao fim de três anos, integrou o departamento de tradução da RTP, em que Teresa afirma ser “o objetivo de qualquer tradutor audiovisual naquela altura”.

Olhando para este percurso, concluía-se que a empresária tinha uma grande ambição de ser tradutora audiovisual e tinha conseguido chegar lá, mas, na realidade, esse não era o seu grande objetivo, mas sim conseguir um dia ser empresária e empreendedora de algum projeto. Por ter crescido numa família de empresários, cedo percebeu que “para se conseguir algo na vida, tem de se trabalhar muito” — e foi neste lema que Teresa foi construindo o seu caminho, tendo sempre em mente de que o facto de ser mediana a línguas não a impediria de ser uma grande tradutora – bastava trabalhar.

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“Sou a prova viva de que o trabalho supera o talento natural”, acrescenta.

Apesar de ter começado na tradução, não foi nesta que quis continuar. O interesse no empreendedorismo sempre esteve lá e no momento em que surge um anúncio a pedir “empreendedores para o Energia de Portugal (da Fábrica de Startups), o primeiro e maior concurso de empreendedorismo a nível nacional”, Teresa não hesita e candidata-se. Tendo sido selecionada, a empresária rumou até Lisboa, logo após ter sido mãe, e avançou com o seu projeto de “babysitting & seniorsitting”. “Aí confirmei: quero fazer disto vida!”, afirmou Teresa.

A partir deste projeto, tudo acontece. Durante 7 anos, Teresa teve a oportunidade de “trabalhar e ser sócia do maior player nacional em gestão de incubadoras de negócios municipais”, explica. Na Territórios Criativos, a empresária chegou a ser diretora-executiva, business consultant e senior advisor de mais de uma dezena de incubadoras nacionais e internacionais. Para além disso, chegou a ser professora do Master em Gestão do Turismo e Hospitalidade, no ISMAT.

Teresa também é formada em Sustainbale Finance, Liderar a Mudança Organizacional, Gestão de Empresas Familiares, Coaching, The Science of Hapiness e The Foundations of Hapiness at Work. Nos últimos anos a empresária tem investido em formações ligadas à gestão, felicidade e sustentabilidade — áreas que, aqui há uns anos atrás, não imaginava estar a vir a especializar-se. “Acredito que podemos ser excelentes profissionais e especialistas

em áreas que nada têm que ver com a nossa formação de base”, afirma. Teresa sempre reforça que trabalhou e trabalha em diversas áreas e que o segredo não está no dom, mas sim no esforço de cada um em querer se tornar o melhor.

“O segredo para crescer profissionalmente, no meu caso, é ser apaixonada pelo que faço e investir em saber o máximo possível nas áreas em que estou a trabalhar”

Ao longo dos anos, a empresária foi crescendo profissionalmente e abraçando vários projetos, até ao dia que criou a sua própria agência. Teresa Preta lançou recentemente a sua agência de felicidade, que integra soluções de formação e consultadoria estratégica – a “Your happy Mode”. O objetivo passa por trazer felicidade a organizações,

territórios e pessoas. Teresa considera que a felicidade é “a base para vivermos em plenitude, seja numa organização, seja na vida pessoal”, acreditando que a mesma se atinge no trabalho quando os valores do colaborador estão alinhados com os da organização.

A agência tem desenvolvido uma formação certificada de Hapiness Manager, em que, apesar de Teresa não considerar imperativo a existência deste cargo numa organização para o desenvolvimento de um plano estratégico de felicidade, as organizações procuram-no cada vez mais. O grande objetivo desta certificação não passa por trazer um novo cargo para o mercado de trabalho, mas sim dar uma ferramenta única e colaborativa aos participantes, com a chancela da Your Happy Mode, que lhes

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permita desenvolver o já referido plano estratégico de felicidade. Foi na sequência da apresentação deste seu projeto na área da felicidade ao CEO da ConsumerChoice - Escolha do Consumidor, José Borralho, que surgiu a oportunidade de trabalhar para a empresa com o maior sistema de avaliação de marcas em Portugal. A decisão de aceitar o cargo não foi imediata, sendo que Teresa não se via a voltar a trabalhar por conta de outrem. Contudo, a empresária decidiu ir em frente, só pelo facto de poder trabalhar com uma pessoa que admira e que vê como um “empresário inspirador” — o mesmo a quem apresentou o seu projeto, José Borralho. “Não podia negar-me a trabalhar com o melhor do setor!”, acrescenta Teresa Preta.

E assim foi. Teresa é a atual Iberia managing director da ConsumerChoice, tendo colocado duas condições: a primeira recaiu num horário de trabalho flexível, de modo a poder continuar a acompanhar a filha, e a segunda em poder manter a sua agência de felicidade. Há pouco mais de seis meses, a empresária já marcou pela diferença, tendo liderado o desenvolvimento de um novo sistema que permite reconhecer a felicidade nas organizações — os “Happy Awards”. Estes são

completamente inovadores na empresa, uma vez que incluem uma “avaliação por parte de todos os stakeholders: colaboradores, clientes e fornecedores”. Desta forma, qualquer organização poderá candidatar-se, submetendo-se a um processo de avaliação de satisfação e felicidade.

Para além disso, a empresária também ajudou a implementar a “Escolha Sustentável”, “o primeiro sistema de qualificação público de produtos, serviços e medidas que contribuam para a sustentabilidade a nível social, ambiente e económico”, explica. Isto quer dizer que a avaliação é realizada por especialistas e pelos próprios consumidores, que asseguram os seus próprios interesses na sociedade, em que um deles passa pela sustentabilidade.

Teresa não pretende ficar por aqui e afirma que haverá ainda outras oportunidades para outros projetos dentro da ConsumerChoice, principalmente os “que promovam sistemas de qualificação em empresas a nível nacional e regional, bem como a vários níveis do tecido económico nacional”.

“A ConsumerChoice é claramente uma empresa trend hunter”, afirma Teresa. O que isto quer dizer? Que a empresa está constantemente a observar o mercado, os seus consumidores e tendências, tentando entender como acompanhá-los. Tendo associado a si um sistema de avaliação, torna toda a questão organizacional mais complexa e difícil de se manter ativa; contudo, Teresa acredita que “os sistemas de avaliação vão continuar a ter procura”, mas só sobreviverão “apenas os que tiverem uma metodologia rigorosa e idónea,

com processos bem delineados e balizados”, tal como é o caso do sistema de avaliação designado por Escolha do Consumidor.

Para a empresária, quando se está numa empresa o mais importante é ser e estar feliz, tal como já foi possível comprovar. Teresa encontrou isso na ConsumerChoice, não deixando de esconder a surpresa que teve, dando o seu exemplo ao referir que os seus valores foram assegurados.

“Consigo ter um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e acompanhar de perto a minha família (a minha filha). Consigo a liberdade que preciso para criar projetos novos e para desenvolver outros projetos fora da organização. E consigo ter a autenticidade que me carateriza, sendo aceite tal e qual como sou.”

Teresa Preta apresenta alguns exemplos de iniciativas da ConsumerChoice que promovem a felicidade dos colaboradores e coloca em primeiro lugar o bem-estar e as famílias dos mesmos: “Temos direito a ir a uma massagista todos os meses, o ambiente é de segurança psicológica e de liberdade para sermos nós próprios, no Natal fomos todos passar dois dias juntos com as nossas famílias, em fevereiro fomos à Turquia com os nossos companheiros...” Verifica-se assim um investimento no colaborador e num “salário emocional”, tal como a empresária designou.

Como mulher, Teresa nunca sentiu que foi impedida de alcançar o que queria por ser do sexo feminino, não havendo nada que a demovesse de seguir os seus sonhos. Contudo, já passou por situações em que sentiu que era difícil que a ouvissem ou a levassem a sério em determinada

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“ SE FORMOS BOAS NO QUE FAZEMOS E DOMINARMOS O TEMA, A AUTORIDADE VAI CHEGAR NATURALMENTE

situação, por ser mulher. “E cheguei a sentir-me muito mal”, confessa. Mas também, devido à sua personalidade, assume que nunca deixou nada por dizer e crê que “sempre consegui deixar uma mensagem e acredito que em algumas organizações de clientes ou parceiros tenha contribuído para deixar a semente para uma mudança de mentalidade”. De acordo com a empresária, oportunidades e posições de cargos de topo estão disponíveis para homens e mulheres, mas isto não quer dizer que as empresas não optem, na mesma, por contratar homens. Teresa assume que isto é um fenómeno cultural, considerando que existe mais tendência a escolher um homem por estes estarem “mais expostos e consequentemente mais na memória”. A empreendedora expôs um caso, que testemunhou, de um evento com o tema de desporto em que, entre 15 oradores, só duas eram mulheres. Esta situação equipara-se a muitas outras, tais como só haver 36% das mulheres representadas nos assentos parlamentares em Portugal, ou a nível internacional só 16 países terem mulheres como chefes de Estado e/ou de Governo. Voltando à situação de Teresa Preta, a empresária escreveu, para a entidade encarregada pelo evento, a indicar a indicar mulheres que poderiam estar no painel e no evento seguinte a representação feminina estava equiparada à dos homens. Entende-se assim que Teresa acredita que podemos fazer o nosso papel, alertando e ajudando a que estes casos deixem de existir.

A empresária expõe também outra perspetiva quanto a mulheres entrarem em menos lugares de chefia que os homens: “Também considero que muitas

vezes nós, mulheres, recusamos determinados cargos, porque exigem horários prolongados e muitas viagens, que nos obrigam a estar longe dos filhos”. Teresa considera que é uma razão válida e a própria assume que — neste momento — rejeitaria uma proposta assim, porque quer acompanhar a filha, situação que não conseguiu assegurar no último desafio profissional.

“Acredito que, na maioria dos casos, o não se convidar uma mulher para determinado cargo pode dever-se ao desconhecimento das melhores profissionais no mercado”

Teresa Preta considera que é necessário continuar a dar-se destaque a mulheres em cargos de chefia, uma vez que estas necessitam de ficar “na memória das pessoas”. “Só quando houver uma quantidade suficiente de mulheres que vêm automaticamente à mente de quem contrata, de quem organiza eventos, do governo, é que será possível haver igualdade de oportunidades”, acrescenta. A empresária vê como algo bom uma mulher em posição de destaque ser notícia, sendo que isso acaba por ser mais um passo para haver igualdade de género no trabalho.

A empresária também não considera que uma mulher, num cargo de chefia ou em qualquer outra situação, deva aceitar ter de provar constantemente o seu valor. “No trabalho, num relacionamento amoroso ou numa amizade, se temos constantemente de provar o nosso valor, então é porque a relação não é saudável nem sustentável”, explica a empresária. Se isso acontece, então é necessário repensar se

queremos estar naquela relação laboral, amorosa ou de amizade.

Contudo, na perspetiva de Teresa, as mulheres que pretendem alcançar cargos de chefia não devem viver “obcecadas por inverter esta situação”, porque a mesma ainda tem um grande caminho a percorrer e o foco está em nós mesmas e no nosso percurso. A empresária lembra que nada é impossível e deixa um conselho: “Focarmo-nos em perceber o que realmente gostamos de fazer e o que nos apaixona e, depois, trabalhar, trabalhar, trabalhar para o conseguir.”

Como já foi percetível, os dois grandes pilares para Teresa é o conhecimento e o trabalho, sendo que “se formos boas no que fazemos e dominarmos o tema, essa autoridade vai chegar naturalmente”.

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Mulher determinada, resiliente e polivalente

Nassrin Majid assume-se como uma mulher determinada, resiliente e polivalente: “Desde pequenas que somos ensinadas a ´jogar em várias frentes´”

Nassrin Majid é a atual iberian chief commercial officer da ConsumerChoice, a empresa na qual começou como new business. É aqui que Nassrin se orgulha de poder ter crescido profissionalmente, tendo tido sempre a possibilidade de o conciliar com a sua vida familiar (incluindo a maternidade) e pessoal.

Nassrin Majid não teve um percurso profissional fácil e teve de lutar muito para chegar onde está hoje. Seguir o curso de Marketing e Publicidade não foi uma escolha difícil, sendo que, desde cedo, entendeu que “a comunicação, as pessoas, o relacionamento com o público era o que mais me acrescentava valor”, afirma. Toda a família tinha raízes à Gestão e à Economia, o que inicialmente causou alguma discussão por Nassrin ir seguir Marketing e Publicidade.

O mais interessante é que a atual Iberia Chief Commercial Officer desenvolveu o interesse nesta área no trabalho de verão que tinha no negócio de família, em que implicava o contacto direto com o público. Nassrin

terminou o curso em 2013, uma época em que não havia muitas opções renumeradas na área e, por esse motivo, teve de aceitar um trabalho de operadora de serviço ao cliente na Fnac. Hoje, a profissional de marketing e publicidade vê esta experiência como bastante enriquecedora, afirmando que foi ali que aprendeu “o verdadeiro sentido da palavra liderança de equipa”.

Ao fim de quase dois anos, Nassrin ganha a primeira oportunidade em Marketing e Comunicação numa empresa de delivery, a “noMenu”. Ao alcançar todos os objetivos que tinha definido ao entrar nessa empresa, Nassrin ruma até ao seu último destino – a Consumer Choice: Escolha do Consumidor.

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NASSRIN MAJID

A profissional de marketing e publicidade entrou na Consumer Choice,como New Business, duas semanas antes de acontecer o primeiro confinamento devido à Covid-19. “Assumo o desafio profissional e de repente o mundo para. As pessoas param. Os negócios paralisam”, afirma Nassrin, que confessou ter sido muito difícil gerir tudo isso. As organizações e as suas respetivas equipas passaram por uma adaptação a uma nova realidade, tendo de fazer o negócio avançar a partir de sua própria casa. A Iberia Chief Commercial Officer viu-se durante algum tempo perdida, a repensar muitas vezes a mudança que tinha acabado de fazer. Mas não foi preciso muito para Nassrin entender que tinha de aprender a criar oportunidades e aquela situação servia perfeitamente, aproveitando para “traçar um caminho que seduzisse as marcas e que percebessem o impacto que esta distinção pode trazer”, acrescenta.

ELE É IMPLÍCITO

É perante este mote que Nassrin se assume como mulher

determinada e resiliente, com um grande foco nos seus objetivos. E foi por ter estas características que a profissional de Marketing e Comunicação, ao fim de três anos, foi promovida a Iberia Chief Commercial Officer da ConsumerChoice.

“Assumir este cargo, de chefia, é uma grande oportunidade, mas também um enorme desafio de fazer mais e melhor”, assume Nassrin. A mesma destaca que é necessário estar em constante inovação, acompanhando as tendências e as necessidades do mercado, para então depois definir as melhores estratégias de venda.

A ConsumerChoice é líder de mercado nos sistemas de avaliação em Portugal e, de acordo com Nassrin Majid, a Escolha do Consumidor é o sistema que “obtém maior notoriedade (espontânea e total), a mais credível e a que mais motiva a compra”, afirma. Considerando o sucesso que estão a ter cá, Nassrin confessa que o próximo passo está em apostar na expansão internacional, contratando uma equipa que irá ajudar em todo esse processo.

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EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER
“Um não é para mim um ´challenge acepted´”
“ POR SERMOS MULHERES, SOMOS OBRIGADAS A MOSTRAR CONSTANTEMENTE O NOSSO VALOR, QUANDO MUITAS VEZES

A Escolha do Consumidor já chegou a Espanha, posicionando a marca no mercado ibérico. Para além desta expansão, o principal foco está em trazer novos projetos inovadores, que abranjam “as várias dimensões do tecido empresarial”. Exemplo disso são os novos sistemas “Happy Awards”, “Escolha sustentável” e o “Q.”.

“Os próximos dois anos serão de crescimento sustentado e de consolidação das marcas que vamos, entretanto, lançar”, acrescenta Nassrin Majid.

Para além desta questão familiar, Nassrin Majid é muçulmana e pratica o Ramadão, o que poderia também causar algumas complicações profissionais no respetivo mês – mas não. Sendo que a chefe de vendas já mantém esta prática desde os seus 10 anos, acaba por ser algo natural e com o qual gere muito bem, a par da sua profissão.

Para Nassrin, a polivalência é o grande ponto forte das mulheres e que acaba por as beneficiar em cargos de liderança.

“A nossa polivalência e contínua resiliência permite-nos transformar e criar vida”

É esta a principal razão para que, no contexto profissional, nada impeça, as mulheres, de criar uma nova cultura, um novo ecossistema social e, essencialmente, de tomar as melhores decisões.

Apesar de o trabalho lhe trazer grande desafios, Nassrin confessa que o maior e o mais difícil desafio é a “vida familiar e a maternidade”. A chefe de vendas é mãe de três crianças e o seu marido encontrase a trabalhar no estrangeiro, o que se torna particularmente mais difícil conseguir gerir o tempo entre as vidas pessoal e profissional. No entanto, esta situação leva a que se realize “uma gestão de vida e de tempo muito eficiente”, refere Nassrin, que confessa ter-se tornado mais resiliente e otimista em tudo o que faz. Para além disso, o teletrabalho, promovido pela ConsumerChoice, veio ajudar em toda a gestão e permitiu que Nassrin se sentisse realizada pessoalmente, profissionalmente e a nível familiar.

E é com base nestas capacidades que Nassrin, desde que entrou na ConsumerChoice, soube que caberia a ela poder chegar a um cargo de liderança. Isto porque a empresa define a progressão profissional dos seus colaboradores com base no mérito. O género nunca foi considerado uma barreira para a respetiva progressão, sendo que, de acordo com a chefe de vendas, a organização respira “autenticidade e inclusão”.

“Considero ainda, que, por sermos mulheres, somos obrigadas a mostrar constantemente o nosso valor. Quando muitas vezes, ele é implícito”

Mas isto não acontece em todas as organizações e, por isso mesmo, “o caminho ainda é longo para que possamos falar, de facto, num contexto de equilíbrio e igualdade”, afirma Nassrin Majid. Já se verifica uma mudança de paradigma, em que mulheres ocupam vários cargos de liderança. Contudo, não é suficiente e existem outros aspetos a ser corrigidos, tal como a necessidade de mostrar constantemente o seu valor.

Para Nassrin, a “determinação, resiliência e a ambição são a chave do sucesso” e, como mulheres, é essencial acreditar em nós e no nosso trabalho, não necessitando de estar constantemente à espera de uma validação, porque “somos tão capazes como qualquer um”.

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“ SOMOS TÃO CAPAZES COMO QUALQUER UM
13 MARÇO 2023 | LIDERANÇA NO FEMININO EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

O desafio de coordenar a secção de Marketing de dois mercados

Cátia Pitrez é a atual Chief Marketing Officer da ConsumerChoice –Escolha do Consumidor que lida, todos os dias, com dois mercados muito diferentes – o de Portugal e de Espanha. A marketeer fala-nos um pouco do seu percurso, dos principais desafios enfrentados na ConsumerChoice e dá o seu exemplo como mulher num cargo de liderança por escolha.

A Chief Marketing Officer da ConsumerChoice licenciou-se em Comunicação Social e especializou-se em Marketing Management, uma área do qual nunca mais saiu. Quando começou o seu percurso profissional, o marketing ainda não tinha migrado para o digital e, por isso mesmo, chegou a desenvolver funções mais tradicionais em cargos como relações públicas na Câmara Municipal de Vila Real e marketeer na AEIOU.

É já na OgilvyOne – agência de marketing relacional do grupo Ogilvy&Mather – que Cátia passa pela sua primeira experiência de marketing digital, tendo tido a oportunidade de migrar toda a comunicação da Nestlé, que até ali era feita em papel (alguns exemplos fornecidos por Cátia são “folhetos, cartas, catálogos”), para o digital, isto é, “sites, emails, apps, redes sociais”.

“Esta mudança ensinou-me que, independentemente dos canais e meios que temos para comunicar, temos de ter sempre uma estratégia; só assim poderemos ter sucesso”, afirma Cátia Pitrez. A marketeer refere que esta passagem do marketing tradicional para o digital aconteceu de forma muito natural, sendo que surgiu a “necessidade de me adaptar aos desafios e projetos em que me ia envolvendo”.

“Na verdade, já não me recordo o que é trabalhar na era “pré-digital”

Esta necessidade de adaptação levou a que Cátia também se especializasse em outras áreas, através de formações, sendo elas o Programa Geral de Gestão, o de Facebook & Instagram Ads, o de Inglês e o de Fotografia.

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A chief marketing officer utilizou a expressão “o saber não ocupa lugar” para justificar todas a formações que foi fazendo, para além de ter que responder positivamente aos desafios que foram surgindo na sua carreira.

É cada vez mais importante ter conhecimentos em áreas diversas para estarmos aptos a lidar com os desafios do mercado atual.

Contudo, Cátia alerta que as formações não são tudo e é necessário haver muito empenho na realidade prática para que tudo resulte. A formação e a experiência complementam-se. Hoje, os profissionais de marketing mais jovens acabam por ter uma vantagem em relação aos mais antigos, uma vez que já cresceram num ambiente onde existiam redes sociais e internet. Estes nativos digitais acabam por ter uma maior compreensão das várias ferramentas digitais e utilizam-nas de forma mais eficiente. Isto não quer dizer que a anterior geração não seja tão boa profissional quanto a nova, porque é essencial ter outras competências para se poder ter sucesso profissionalmente: “a capacidade de nos adaptarmos às mudanças constantes, a criatividade, a capacidade de comunicação e a compreensão dos objetivos de negócio”, como explica Cátia Pitrez.

“Acredito que para sermos um bom marketeer não precisamos de dominar as ferramentas digitais do ponto de vista técnico, mas devemos saber que existem, e devemos entender as suas potencialidades e de que forma as podemos aproveitar para alavancar os nossos produtos/serviços”

Foram todas estas competências e conhecimentos que Cátia foi aplicando ao longo de 10 anos na ConsumerChoice - Escolha do Consumidor e agora mais recentemente como Chief Marketing Officer, coordenando tanto o marketing da agência em Portugal, como em Espanha. A profissional de marketing revela que todos os conhecimentos adquiridos permitiram-lhe “criar estratégias de comunicação 360, abordando os diversos touchpoints da relação B2B e B2C” para a ConsumerChoice e “ter ferramentas de gestão de equipas e projetos” que a ajudaram a ter maior eficiência e produtividade no trabalho, para além de ter sido fulcral para resolver os desafios que iam surgindo.

Assumindo as funções de direção de Marketing da empresa, como Chief Marketing Officer, Cátia revela que ganhou uma nova

liberdade, mas também uma nova responsabilidade. É a partir desta que Cátia define os seus principais objetivos para o plano de Marketing da empresa, sendo o primeiro “encontrar soluções criativas para chegarmos de forma pertinente aos nossos clientes e consumidores”. Esta necessidade de criatividade é cada vez mais essencial para se poder destacar dos seus concorrentes e, hoje em dia, com tanta informação, ser criativo não é uma tarefa fácil. Contudo, Cátia deixa algumas dicas para se conseguir destacar no mercado: são elas a “criação constante de novos produtos”, que consigam responder às necessidades do mercado, a “implementação de marketing de conteúdo”, partilhando com o cliente e com o consumidor “conteúdo de alta qualidade e relevante” e, por fim, estar sempre ao lado, mais uma vez, do consumidor, tanto através

15 MARÇO 2023 | LIDERANÇA NO FEMININO

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das redes sociais como na vida real, praticando marketing mais tradicional.

Não nos podemos esquecer que Cátia Pitrez atua no mercado português e no espanhol, que por si só acaba por ser ainda mais desafiante. São dois países muito diferentes e consecutivamente os seus mercados também. “Os maiores desafios podem ser as diferenças linguísticas e culturais e o tamanho do mercado, que é bem diferente do nosso”, explica a coordenadora de marketing.

Cátia compara esta situação à da emigração, revelando que é como “começar de novo” –“Temos de criar novos laços (parcerias), conhecer os vizinhos (concorrentes), fazer amigos (clientes)”. Inserir-se no mercado espanhol foi toda uma nova aprendizagem, em que teve de criar de raiz toda a sua estratégia de marketing e entender a que velocidade tudo acontece em Espanha. Em contrapartida, Cátia confessa estar tudo a correr bem, tendo a ajudá-la uma grande equipa.

Recentemente a profissional de marketing também tirou a formação de “Hapiness Manager”. Esta formação já não soa a desconhecido, isto porque é a integrante da agência “Your Happy Mode”, em que a CEO é a colega de trabalho de Cátia, Teresa Preta - a atual Iberia Managing Director da Escolha da Consumidor. Entende-se que a agência está a apostar em colaboradoras que acreditam que a felicidade está na base do sucesso de uma organização e que é na Escolha de Consumidor

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que encontrarão também uma organização feliz.

“Posso dizer que trabalho numa organização feliz que premeia outras organizações, também elas felizes”

Apesar de a Escolha do Consumidor já ser uma organização feliz, tenta tornar a felicidade num processo contínuo, de modo a aumentar, cada vez mais, a felicidade e satisfação dos colaboradores. Para além disso, ainda promove este conceito a outras organizações com os Happy Awards.

Cátia Pitrez afirma que as organizações acreditam, cada vez mais, que “funcionários felizes e satisfeitos tendem a ser mais produtivos e mais comprometidos com as suas funções e responsabilidades, e isso leva claramente a melhores resultados no negócio”. Para além disso, se é conhecido que uma organização tem um bom ambiente de trabalho, inevitavelmente irá atrair novos talentos e manterá uma maior reputação no mercado em que atua. Para a coordenadora de marketing, o conceito de felicidade engloba muitos aspetos, entre eles está “o equilíbrio trabalho-família, a realização pessoal e profissional, a remuneração, identificação com os valores da organização”, entre muitos outros, até pessoais de cada colaborador.

A ConsumerChoice – Escolha do Consumidor, como vimos até agora, tem à frente de cargos de chefia e de liderança várias mulheres e apoia-as na sua vida profissional e pessoal. “Somos todas (90%) mulheres, líderes e mães e conseguimos gerir o nosso tempo, de forma a não sofremos ou ficarmos frustradas quando não conseguimos estar em todas as frentes”, revela Cátia Pitrez.

A Chief Marketing Officer afirma que a ConsumerCoice vai contra todo o tipo de preconceito e desigualdade e tenta passar esta mentalidade com campanhas de comunicação – a mais recente focou-se no mote “As tuas escolhas fazem a diferença”, independentemente se é mulher ou homem, o que é interessa é que “se faça ouvir”, acrescenta. Cátia apresenta também uma nova perspetiva de ter mulheres em cargos de liderança: A mesma refere que o sexo feminino traz à empresa um novo ponto de vista e uma nova forma de fazer as coisas, não sendo pior, nem melhor, mas sim algo novo: um acrescento.

“Somos diferentes; sentimos, vivemos e gerimos de forma diferente”

No entanto, na maioria das organizações existem muitos mais homens a ocupar cargos de liderança em que, por vezes, torna-se mais difícil para uma mulher aceder a esses cargos. Foi o caso de Cátia, que depois de ser mãe, sentiu grandes dificuldades em conseguir aceder a cargos de liderança, algo que a surpreendeu, não tenho “grande noção que essas desigualdades existiam”.

A coordenadora de marketing afirma que apesar de já haver muita promoção da igualdade de género no mercado de trabalho, ainda há um grande caminho a percorrer para que esta realmente exista. Este caminho passa pelas organizações implementarem “políticas de igualdade salarial, programas de formação e desenvolvimento para mulheres, garantindo a diversidade e a inclusão em todos os níveis da organização”, acrescenta Cátia.

Entretanto uma mulher em posição de destaque é

considerada notícia, mesmo para incentivar a mudança de mentalidade. E quando esta situação irá ser considerada normal? “Acho que a solução passa pelos homens poderem engravidar!”, brinca Cátia Pitrez. A mesma considera que deviam ser criadas mais políticas de apoio à maternidade, uma maior flexibilidade de horários e um incentivo ao teletrabalho.

Em contrapartida, a Chief Marketing Officer também reconhece que já foi percorrido um longo caminho, iniciado este pelas nossas avós: “Isso enche-me de orgulho e de esperança, pois acredito que as minhas filhas já terão direito às suas verdadeiras oportunidades!”, afirma.

E o foco está sempre em alcançar o topo. Cátia Pitrez, recorrendo a Fernando Pessoa, deixa um único conselho às mulheres, em início de carreira, que pretendem alcançar uma posição de chefia na área do Marketing. Entende-se que este lema do poeta também Cátia o seguiu:

“Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo”.

17 MARÇO 2023 | LIDERANÇA NO FEMININO
EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER
PEDRAS NO CAMINHO? GUARDO TODAS, UM DIA VOU CONSTRUIR UM CASTELO

BEATRIZ CORREIA

Sales country manager na Espanha da ConsumerChoice – Escolha do consumidor

A capacidade para mudar de país e de área profissional

Beatriz Correia deixou o Turismo para se juntar à equipa da Consumer Choice como Sales Country Manager na Espanha. A gestora fala-nos das diferenças entre o mercado português e o espanhol e conta-nos os grandes desafios de mudar de área profissional.

A paixão por viagens, em aprender com outras culturas e em lidar com pessoas levou Beatriz a seguir academicamente a área do Turismo. Licenciou-se em Tourism Business Management e, durante muitos anos, trabalhou em agências de viagem.

“Atraiu-me muito o lado cor-de-rosa do Turismo, o viajar sem sair do lugar”

O seu percurso profissional começou como trainee na Associação Portuguesa de Turismo de Culinária e Económica, mas, ao fim de quatro meses, migrou para a GeoStar e exerceu

o cargo de travel consultant. Em 2018, segue-se a Agência Abreu, onde Beatriz exerce exatamente o mesmo cargo. A gestora afirma que todo este caminho foi resultado da sua curiosidade e do seu esforço pessoal, para além de lhe permitir desafiar-se a si própria e explorar o que está fora da sua zona de conforto.

No entanto, o seu grande desafio surge no momento em que decide ir viver para Barcelona. Foi lá que exerceu o cargo de business development executive sales da TripAdvisor, sendo, mais tarde, promovida a senior executive sales. Beatriz Correia confessa

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que mudar-se para outro país foi a melhor decisão que tomou, nunca tendo vivido nenhum choque cultural, mas sentiu e sente um “ambiente internacional, quase como se fosse Londres do Sul da Europa”, acrescenta.

Tendo em conta o cargo que exercia, Beatriz considerou necessário complementar a sua formação em Turismo com um programa executivo em B2B Sales Performance, uma vez que as duas áreas se focam numa vertente mais “relacional entre a empresa e os seus parceiros/clientes”.

No início deste ano, Beatriz aceitou ser sales country manager da Consumer Choice – uma empresa que cria sistemas de avaliação e classificação de marcas, em que o primeiro e o principal sistema se designa por “Escolha do Consumidor”. A gestora afirma que a equipa que lidera é constituída por “génios do Marketing”. Beatriz Correia viu ali um grande desafio, saindo, pela primeira vez, do ramo do turismo. Esta mudança alterou muita coisa no contexto profissional da gestora, que sentiu diferenças e as mesmas fizeram-na “recuar, estudar e interligar todo o conhecimento que adquiri até hoje”. O conhecimento adquirido, tanto pelas formações como pela experiência profissional, contribuiu para que Beatriz ganhasse uma visão “mais holística” das relações entre os parceiros e a própria empresa. A gestora enumera algumas “soft skills” que aprendeu e que sempre considerou serem essenciais e relevantes no exercício profissional: “a resiliência, o trabalhar em equipa, a criatividade necessária para a resolução de problemas ou mesmo para a criação de estratégias”.

TEMOS MULHERES INCRÍVEIS A LIDERAR INSTITUIÇÕES E A ALTERAR A SUA CULTURA ORGANIZACIONAL

Beatriz é responsável pela expansão internacional da empresa em Espanha, por criar alicerces nos processos e estratégias comerciais, fazendo crescer o negócio e repetir o sucesso que teve em Portugal. O principal objetivo passa por “tornar a Consumer Choice líder de mercado em Espanha

e quiçá, no resto da Europa”, explica Beatriz. A empresa já se encontra na Polónia e na Roménia, para além de Portugal e Espanha. A Consumer Choice está constantemente a inovar e a criar meios para que o consumidor possa avaliar as marcas que mais gosta e que consuma por escolha própria.

19 MARÇO 2023 | LIDERANÇA NO FEMININO
EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

ROMA NÃO SE

FEZ NUM DIA E CONHECIMENTO É PODER

Atuar no mercado espanhol altera toda a forma como o trabalho acontece. Beatriz Correia revela que o mesmo é “muito especial e tem várias particularidades que o distinguem do mercado português”, sendo elas o poder de compra, a comunicação mais informal e de forma mais direta para com outras empresas e o facto de ser um mercado partido regionalmente. Contudo, a gestora considera que a base da cultura espanhola é muito semelhante à portuguesa – “falamos a mesma língua emocional”, acrescenta. Esta similaridade acaba por ajudar na questão de adaptação e a compensar as diferenças existentes.

Estando Beatriz a assumir um cargo de liderança, a mesma partilha algumas das características que considera essencial um líder ter: “humildade, ambição, responsabilidade e resiliência”. Para além disso, deverá inspirar-se noutros líderes para liderar e inspirar a sua equipa a ser melhor. No entanto, olhando para a realidade atual, conseguir alcançar um cargo de líder nem sempre é fácil para uma mulher. Beatriz confessa que já sentiu alguma dificuldade “em fazer-me ouvir e em conseguir alcançar um cargo de líder enquanto mulher e jovem, numa área ainda hoje muito associada ao género

masculino, ao típico homem de negócios”. Apesar de tudo, embora nunca fossem negadas oportunidades à gestora, destaca contudo que, em alguns setores, ainda existe essa desigualdade e discriminação de género.

Mais uma vez, apesar de não ser o caso de Beatriz, a mesma já conheceu mulheres em funções de liderança, principalmente nas multinacionais, que têm de adotar uma postura firme e uma linguagem mais assertiva, ao contrário dos seus colegas homens. Mesmo assim, Beatriz reconhece que estamos no bom caminho e, “cada vez mais, temos mulheres incríveis a liderar organizações e a alterar a cultura organizacional das mesmas”, acrescenta.

“Fazemos a diferença todos os dias ao demonstrar que somos iguais e tão capazes como qualquer género”

Infelizmente nem sempre chega uma mulher demonstrar o seu trabalho diário, podendo ser reconhecida unicamente pelo seu mérito. Por esta razão, Beatriz Correia considera que é ótimo uma mulher ser notícia por alcançar uma posição de destaque, uma vez que se comprova que já acontece. Para além disso, inspira outras mulheres e gerações futuras que

é normal uma mulher alcançar um cargo de chefia ou de liderança por mérito próprio. A gestora fala que é imperativo “normalizar a liderança feminina”, para que um dia se possa acabar com as quotas obrigatórias em várias organizações e instituições, por exemplo. Torna-se também essencial “conversar, informar e educar todas as gerações do que é igualdade de género e como a podemos alcançar”, acrescenta Beatriz. Estas são alguma medidas que a sales country manager considera que devem ser seguidas, para que um dia seja considerado normal haver uma mulher como chefe ou líder.

Para Beatriz, as mulheres que anseiam chegar a uma posição de chefia ou de liderança na área de gestão de vendas devem ser persistentes, confiantes em si próprias e aprender com todos os que as rodeiam. É também essencial acreditar que é possível, não esquecendo que só a lutar e a trabalhar se consegue alcançar os sonhos e as ambições.

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EDIÇÃO
21 MARÇO 2023 | LIDERANÇA NO FEMININO EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Olhar para a Comunicação como um “work in progress”

Elsa Borda D´Água conta-nos como foi todo o caminho até chegar a coordenadora da equipa de comunicação do ActivoBank. O seu primeiro trabalho foi num banco e, para além de o mesmo lhe permitir ingressar pela comunicação, nunca mais deixou esta área de negócio. Foi nela que adquiriu as principais competências que tem hoje.

A comunicação entra na vida de Elsa Borda d´Água de uma forma bastante peculiar, não tendo seguido o caminho normal da formação na área. Ao aproximar-se os 18 anos, Elsa já tinha pensado seguir gestão, mas a vida deu-lhe a volta e a comunicadora viu-se a ter de adiar os estudos para ficar à frente, com a mãe, de uma empresa de brindes publicitários pertencente ao seu pai, que tinha acabado de sofrer um AVC. Elsa considera, até hoje, que aquele foi o seu maior desafio profissional, tendo em conta que se viu num contexto de liderança, sem qualquer formação académica e num “mundo

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ELSA BORDA D’ÁGUA COORDENADORA DA COMUNICAÇÃO DO ACTIVOBANK
LIDERANÇA NO FEMININO | MARÇO 2023 EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

maioritariamente de homens”, acrescenta.

“Ir, com pouca experiência, a grandes empresas defender contratos de publicidade incentivou-me a tentar desenvolver competências que não revia nos outros”

Elsa foi começando a desenvolver “copys originais numa simples mochila ou nas lonas de um camião” tendo, a partir dos mesmos, conquistado várias encomendas. Sem a comunicadora saber, teve ali a sua primeira experiência como copywriter.

Em 1998, já com 24 anos, a comunicadora entra para a

secretaria-geral do Banco Comercial Português e alguns meses depois oferecem-lhe a oportunidade de fazer secretariado no primeiro gabinete de Comunicação e Imagem do BCP (Banco Comercial de Portugal). Foi ali que trabalhou com “António Cunha Vaz, um homem com quem aprendi muito nesses anos, pois reconheceu-me competências que não vêm num CV”, assegura Elsa. O diretor de Comunicação começou a desafiá-la e atribuiu-lhe tarefas mais relacionadas com comunicação corporativa e institucional do Banco, que não se enquadravam na sua função como secretária da Direção.

Em 1999 teve a sua primeira oportunidade e em 2001 foi

promovida a gestora de marcas. Já em 2008, a comunicadora foi convidada a ser pivot e jornalista da televisão corporativa “Millenium TV”. Tendo já algumas competências nesta área, Elsa, em 2015, integrou a equipa de Comunicação do ActivoBank, um banco muito mais pequeno do que a comunicadora estava habituada a trabalhar. As próprias equipas de trabalho demonstravam-se muito reduzidas, o que tornava todo o trabalho mais desafiadorl. Esta mudança foi um grande desafio para Elsa, uma vez que teve de utilizar todas as competências adquiridas na área da Comunicação e até desenvolver novas, de modo a responder às necessidades do Banco. Para isso, a comunicadora

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MARÇO 2023 | LIDERANÇA NO FEMININO EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

decidiu realizar uma formação em Marketing Digital, o que acabou por ser uma mais-valia quando, em 2020, assume o cargo de coordenadora da equipa de comunicação do ActivoBank, que exerce até hoje.

Elsa abraçou este cargo numa época em que nos encontrávamos já numa pandemia, o que torna todo o processo mais difícil e desafiante. Contudo, a comunicadora tinha a vantagem de já estar a trabalhar antes na equipa de Comunicação e fazer parte de tudo o que já estavam a fazer. Elsa orgulha--se de o ActivoBank ter tido a vantagem de já ter, antes da pandemia, muitos dos seus processos digitalizados. O banco, ao contrário de outras marcas concorrentes, olhou previamente para a transformação digital como uma urgência e começou a privilegiar o marketing digital.

“Sabemos que nesse período [de pandemia] o consumo de conteúdos na internet cresceu exponencialmente e o ActivoBank já lá estava”

Elsa explica que as marcas devem estar preparadas para qualquer cenário e antecipar qualquer mudança que possa acontecer. Torna-se assim necessário renovarem-se constantemente e de forma imediata. É algo que o ActivoBank tenta fazer – inovar constantemente e ir respondendo às necessidades do cliente.

“Somos um Banco que possui canais físicos e digitais bem integrados”, afirma Elsa. Como explica, a equipa de comunicação e marketing tenta sempre pensar no cliente, simplificando ao máximo as suas operações financeiras (no contexto de jornada digital), trazendo-lhe uma segurança acrescida em relação aos outros concorrentes (têm 16 pontos Activo) e apresentando-lhe uma oferta bastante completa que permite ajudar o cliente em vários momentos da sua vida. Para além disso, a comunicadora refere que a marca, na vertente da sustentabilidade, está cada vez mais empenhada em posicionar-se proativamente nas causas que defende, tendo já desenvolvido parcerias com “a Ocean Alive, com a reflorestação das pradarias marinhas, com a No Bully Portugal (combate ao cyberbullying), ou em diversas campanhas premiadas sobre a igualdade de género”.

O ActivoBank tenta, nestas campanhas, envolver tanto os clientes como os colaboradores, convencido de que as marcas não podem mais manter-se neutras quanto a estes assuntos.

Olhando para trás, Elsa já não se revê noutro setor de atividade e confessa que a comunicação lhe fascina. Foi nesta área que a comunicadora desenvolveu as suas competências, mesmo sem formação académica.

Elsa acredita que “todos temos apetências naturais que serão mais fáceis de desenvolver do que para quem não as tenha”, mas o mais importante para se ter sucesso é dedicarmo-nos ao nosso próprio desenvolvimento – será sempre um “work in progress”. Na comunicação, é essencial saber acompanhar “as tendências e os conteúdos para quem comunicamos, adaptando os canais e o tom de voz das marcas”, acrescenta.

Na opinião de Elsa, uma boa comunicadora deve primeiramente saber escutar e estar disponível para tal, de modo a ser mais eficaz, transparente e clara na mensagem que vai transmitir ao público. O cliente tem de sentir que não é só um número e que o escutam. Para além disso, é necessário conseguir atrair a sua atenção e para isso é essencial construir uma boa história.

“Atualmente o desafio é conquistar uma audiência em poucos segundos e ainda assim fazer storytelling”

Elsa confessa que nem sempre a Comunicação é uma área valorizada pelas empresas e vista

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como essencial na conquista pelo seu sucesso. Os desafios são constantes e a criatividade deve estar presente em cada um deles:

“Numa parede de um Ponto Activo, na escolha de um patrocínio, num feed de social media, numa campanha publicitária, em branded content, num press release ou num encontro de colaboradores –tudo deve representar a marca e contar uma história”, explica.

Por esta razão, a comunicadora afirma que o mais importante, para uma pessoa em início de carreira na área de Comunicação e Marketing, é não desistir e ter consciência que o seu caminho poderá ser mais longo do que outros. É essencial não perder o foco e, mais tarde ou mais cedo,

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EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

o reconhecimento irá chegar. Elsa acrescenta que também é importante estar sempre a acompanhar o que se faz nas diversas áreas de negócio e, tal como já referiu, desenvolver constantemente a criatividade: “O planeamento é muito relevante e gerir as urgências, definindo novas prioridades regularmente, é o maior desafio”.

Já quanto a uma mulher em início de carreira, a comunicadora alerta que a maior dificuldade estará em conciliar o lado profissional com o pessoal, nunca deixando um

dos lados em défice. Para que a mesma assuma uma posição de destaque e seja líder, é preciso que saiba que não é perfeita, sendo essencial aprender com as derrotas e com as vitórias da equipa.

“A liderança é também um work in progress”

Ser líder pode demonstrar-se complexo, mas, de acordo com Elsa, algo que não poderá faltar é o apoio e motivação à equipa, “até para errar”, afirma. Muitas vezes, em comunicação é necessário

arriscar para se fazer diferente, mesmo sabendo que se pode falhar. A equipa de trabalho será onde uma líder crescerá mais. Por fim, para a comunicadora, aprender com exemplos de lideranças de sucesso que admire poderá ser bastante útil.

O papel das marcas na promoção de uma igualdade de género

Estando-se a comemorar o Dia Internacional da Mulher, Elsa considera que ainda é preciso muita coisa mudar até que uma mulher que assuma um papel de liderança ou tenha um cargo de chefia deixe de ser notícia. Esta mudança tem de passar, principalmente, por deixar de haver confusão entre o que é feminismo e o que é machismo:

“O feminismo apenas luta pela igualdade de género e mesmo em países mais desenvolvidos ainda existem muitos dogmas”

A comunicadora refere que é preciso mudar mentalidades mas enquanto as mesmas não mudarem, as campanhas de sensibilização, as notícias de mulheres em posição de

destaque, o cumprimento de quotas, são necessárias. Elsa apresentou um exemplo desta luta pela igualdade de género e aconselha todos a conhecê-la: Nos anos 70, Ruth Bader, uma juíza norte-americana, deparou-se com um processo de “Stephen Wiesenfeld, um homem que, após ficar viúvo, percebeu que não tinha direito ao subsídio da segurança social que lhe permitiria trabalhar menos para cuidar do filho”, explica.

Verifica-se aqui uma distinção entre o papel de uma mãe e o de um pai baseado no seu género. Este é um exemplo de que “o género é estereotipado no seio familiar”.

“As mulheres e os homens devem ter o direito de escolher sobre as prioridades nas suas vidas, sem terem julgamentos”

Elsa alerta que para haver mudanças é necessário “ser ativista nas causas e alertar consciências”, adotando o papel de um agente catalisador. Para a comunicadora, as próprias marcas devem adotar este papel na sua comunicação e investir em iniciativas e campanhas. No caso do ActivoBank, Elsa explica que no Dia Internacional da Mulher deixaram de dar presentes às mulheres, no contexto da sua comunicação pelas redes sociais e começaram a lançar “campanhas de consciencialização do problema das desigualdades”.

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MARÇO 2023 | LIDERANÇA NO FEMININO 27 EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

A força do marketing e o repto de trabalhar em diferentes áreas de negócio

Do setor automóvel a produtos de piscina e outdoor, bebidas espirituosas, setor alimentar e IT, Andreia Agostinho deixou a sua marca como marketeer. Hoje, assume um cargo de liderança na Frutorra – o de diretora comercial & marketing – e afirma que está a trabalhar na área de negócio que mais a apaixona (FMGC).

Andreia Agostinho perdeu uma grande carreira como psicóloga, mas ganhou-a como marketeer. Tendo quase ingressado no curso de Psicologia, uma área que sempre a fascinou, Andreia optou pelo curso de Marketing no Politécnico de Coimbra. Foi no mesmo que entendeu que a Psicologia também está presente no trabalho de uma marketeer, uma vez que esta tem que saber um pouco de “psicologia do consumidor e compreender comportamentos de compra”. Andreia juntou assim o útil ao agradável e pode dizer que não se arrependeu da sua escolha.

“Sabia que teria de estar ligada a algo dinâmico, com criatividade, mas que me permitisse metodologia, e, no final, ver as coisas acontecer”

Depois de se licenciar, a marketeer ainda tirou uma pós-graduação em gestão de empresas na Coimbra Business School. A mesma surge na necessidade de complementar o trabalho de Marketing de “dentro e para as organizações”, afirma. Andreia sente que a sua formação lhe deu conhecimento que a ajuda, atualmente, em “tomadas de decisão e mediação das suas implicações no universo global

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da organização”. A diretor de marketing sempre trabalhou na área organizacional e empresarial, mas ao longo do seu percurso foi conhecendo várias áreas de atividade e negócio que a desafiavam e motivavam ao mesmo tempo.

A marketeer começou a sua carreira profissional como Marketing Assistant na Litocar, uma empresa de distribuição automóvel. Ao fim de dois anos, aceitou o desafio de ser Marketing Manager da SCP Distributors, “uma rede do maior distribuidor de produtos de piscina e outdoor living do mundo”, explica Andreia. Em 2015 juntou-se à Companhia Espirituosa, uma distribuidora de marcas de bebidas (Exemplos: Licor Beirão, Bushmills, Amarguinha) como Brand Manager. No ano seguinte foi promovida ao cargo de Trade

Marketing Executive do Licor Beirão e mais tarde ainda assumiu o desafio de Brand Manager da Lusiaves (empresa do setor avícola) e ainda passou pela área de IT, como Head of Marketing Communications da Wit Software (setor das telecomunicações).

Andreia tornou-se numa verdadeira marketeer, uma capacidade que a diretora comercial foi descobrindo e considera que a mesma se aprende e desenvolve-se continuamente. Isto é, durante a experiência profissional que se vai ganhando.

“Ser marketeer é ter cá dentro um ´bichinho inquieto´! Não é necessariamente algo com que se nasce, mas algo que descobrimos e que dificilmente conseguimos dissociar do nosso dia a dia”

Para Andreia, as características de uma boa marketeer são a humildade, resiliência e ambição e acredita que a combinação destas três permite alcançar os objetivos previamente definidos. Contudo, se o grande objetivo passa por ser um profissional de destaque no mercado competitivo em que se vive, tem de se somar às características mencionadas a “criatividade, o pensar fora da caixa e o querer fazer melhor”, acrescenta.

Como se pode constatar, Andreia já passou por várias áreas de

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negócio – desde o mercado automóvel, a produtos de piscina e outdoor, bebidas espirituosas, setor alimentar e IT. Experiência em mercado não lhe falta, mas a área que mais a apaixona é a FMGC – “Fast-moving consumer goods” (Em português: “bens de grande consumo”) e foi por isso, que em 2020, aceitou o desafio de ser Marketing Manager da Frutorra – uma marca de aperitivos, legumes e frutos secos. Em 2021, Andreia é promovida a Diretora Comercial & Marketing, cargo que exerce atualmente.

A marketeer considera que o grupo Frutorra se diferencia pela sua natureza próxima, em que os seus colaboradores lutam para o mesmo lado, partilhando os mesmos valores e objetivos, e principalmente, tem uma grande “sede de vencer”, apesar de manter sempre a humildade.

Andreia confessa que é raro falarem dos seus concorrentes, uma vez que têm em mente que o mercado é livre e todos lutam por mais. Contudo, a diferenciação é o grande objetivo, para que consigam ser “competitivos, eficientes e estratégicos”. O foco estará sempre no cliente, em dar-lhe qualidade nos produtos e fornecer-lhes um bom serviço, para além de querer trespassar confiança nas decisões que tomam. Tudo isto irá acrescentar valor à Frutorra.

Andreia entrou para a Frutorra no ano em que a Covid-19 veio alterar toda a realidade até aí conhecida, o que fez com muitos negócios passassem por grandes dificuldades ou até declarassem falência. E agora, estando quase ultrapassada a pandemia, as marcas também sentem alguma dificuldade em conseguir prosperar, tendo que fazer grandes esforços para voltar

AINDA

a ser o que era. Contudo, não é o caso do grupo em que trabalha Andreia – “continuámos a crescer a dois dígitos”, revela. Isto porque desenvolveram uma estratégia de segmentação, fizeram um “rebranding total” à marca, criaram um “plano de lançamentos de inovação” e reforçaram a sua distribuição numérica.

O crescimento do retalho alimentar também contribuiu para que a Frutorra tivesse números bastante positivos, sendo estes até acima do total do mercado. Atualmente, devido também à inflação, as vendas na área da alimentação têm crescido exponencialmente e, de acordo com o Dinheiro Vivo, no último ano houve um crescimento de 9,6%. Em fevereiro, a Frutorra foi eleita, mais uma vez, como escolha do consumidor na categoria de frutos secos, o que comprova que a aposta da marca está a dar frutos e os portugueses escolhem o seu produto. Desde a sua fundação que o posicionamento da marca se foca na qualidade e processo de transformação dos seus produtos, possuindo as certificações HACCP e IFS.

De acordo com a revista Grande Consumo, a Frutorra é a marca líder de mercado e cresceu, em 2022, 13% em vendas, alcançando, pela primeira vez, um volume de faturação de 30

milhões de euros. Foi no mesmo ano, que a marca se juntou ao “Too Good To Go”, um movimento que contraria o desperdício alimentar ao vender produtos mais baratos por se encontrarem no final da data de validade ou por serem do dia anterior.

A diretora comercial confessa que o maior desafio profissional é o atual, ou seja, o cargo que desempenha na Frutorra. Andreia Agostinho refere que desenvolveu uma relação emocional com a marca, uma vez que trabalhou, desde o início, no seu “rebranding” e na construção da sua estratégia de marketing. No entanto, o maior aspeto desafiante é a gestão das pessoas, uma vez que a marketeer considera ser uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, gratificante. Apesar dos inúmeros desafios que já lhe surgiram, nos diferentes cargos que já desempenhou, o maior vai ser aquele que vai de encontro à sua valorização profissional e valores pessoais.

“Algo muda quando nos sentimos realmente parte de algo, numa empresa onde somos valorizados pelo contributo que o nosso trabalho oferece e que tem uma cultura alinhada com os nossos valores pessoais”

LIDERANÇA NO FEMININO | MARÇO 2023 30
EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER
EXISTEM MUITAS EMPRESAS QUE NÃO APRESENTAM UMA POSIÇÃO INCLUSIVA DE VALORIZAÇÃO DO MÉRITO COMO PESSOA E NÃO COMO HOMEM OU MULHER.

Atualmente, Andreia é vista como uma líder, mas a mesma nunca ambicionou alcançar esta posição e tudo acabou por acontecer naturalmente. A marketeer afirma que não se deve trabalhar para alcançar uma posição de destaque, mas sim “focar-nos no que estamos

Um líder sem nada ou ninguém para liderar perde o seu propósito.

As pessoas são o ponto central de qualquer mudança ou crescimento, estando incluído o caminho que se faz para alcançar uma maior igualdade de género. Hoje, uma mulher em posição de destaque ainda é considera notícia, mas, para Andreia isso é uma coisa positiva e já se estão a verificar algumas mudanças – como, por exemplo, “na disparidade salarial entre homens e mulheres, para posições equivalentes”.

“Mais do que nos focarmos em impor a diversidade e inclusão nos cargos de chefia, devemos

cumprir o nosso papel na sensibilização”, afirma a diretora comercial e de marketing. Este papel de sensibilização passa por demonstrar que existem grandes vantagens numa liderança feminina, em que a nova realidade passa por adotar um sistema meritocrático (valorizar unicamente o mérito para alcançar cargos de topo).

Já existem empresas a praticar este sistema e, por isso, o caminho já está a ser percorrido, mas o mesmo ainda se demonstra longo até à meta, uma vez que existem muitas outras que não apresentam uma posição inclusiva e de valorização do mérito como pessoa e não como homem ou mulher.

a construir e desfrutar dessa viagem”. É um dos conselhos que Andreia deixa a mulheres em início de carreira, mas não é único. A mesma considera que é bom ter ambições e objetivos, mas, independentemente disso, cada uma deverá dar o melhor de si todos os dias, tornando o crescimento mais autêntico e natural – “assente em pequenas conquistas e em alguns fracassos que nos ajudam a evoluir pelo caminho”, acrescenta.

Andreia Agostinho não considera que existem líderes perfeitos, mas a caraterística que mais defende num é a “capacidade de sermos justos, connosco e com os outros”. Isto porque um líder também erra e tem de ter a capacidade de assumir os seus erros, para além de assumir uma atitude transparente e empática, de modo que possam estar rodeados “de pessoas igualmente empenhadas”, afirma.

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SEM NADA OU NINGUÉM PARA LIDERAR PERDE O SEU PROPÓSITO
UM LÍDER
ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER
EDIÇÃO

O poder do Coaching no sucesso empresarial

Maria Vieira é, desde 2007, Partner na Ideias & Desafios, estando responsável pela área de Business & Executive Coaching. Da biotecnologia para a área comercial, gestão, inovação e por fim Coaching.

Maria Vieira licenciou-se em Química Aplicada no ramo de Biotecnologia e ambicionava seguir a carreira de investigação. Esta via interessava-lhe e, de certa forma, romantizava-a: “Os professores que tive na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa eram todos investigadores, a área de genética era apaixonante e ainda é um tema que me apaixona”, explica Maria. Contudo, mesmo antes de terminar o curso, percebeu que o seu “feitio e competências pessoais” não eram as mais indicadas para seguir a área de investigação e, por essa razão, começou a concorrer à

área comercial de empresas farmacêuticas.

Foi desta forma que Maria entrou na Johnson & Johnson para o cargo de comercial. Mais tarde, é promovida a sales manager e ao fim de três anos aceita o cargo de senior key account manager. É já no último ano na empresa que Maria decide fazer uma pós-graduação PAEGI, Gestão e Inovação, na Universidade Católica Portuguesa.

“Por que não inovar e empreender dentro de uma empresa?…”

Estes dez anos de carreira na Johnson & Johnson foi o primeiro e o maior desafio profissional que Maria enfrentou. Olhando para trás, a partner considera que era muito nova para o cargo de sales manager, uma vez que tinha a responsabilidade de chefiar os colegas – “era desafiante e aterrador”, confessa. Contudo, também assume que teve a sorte de ter formação em liderança”e ter ao seu lado diretores e colegas que a ajudaram muito, para além de descrever a sua equipa como “espetacular”. “Fui modelando os

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MARIA VIEIRA PARTNER NA IDEIAS & DESAFIOS
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SABIA QUE TERIA DE ESTAR LIGADA A ALGO DINÂMICO, COM CRIATIVIDADE, MAS

dedicada a ajudar empresários de pequenas e médias empresas a ter melhores resultados, otimizar o seu negócio e melhorar a sua qualidade de vida, a partir de um programa de formação. Para além de ter sido a segunda a entrar no programa, Maria foi das primeiras pessoas a obter a certificação em Portugal e revela que a formação foi um “ponto de viragem em termos de conhecimento, networking, abordagens diferenciadoras e aprendizagens”

melhores e aprendendo o que fazer e não fazer para motivar e dinamizar cada elemento da equipa”, acrescenta Maria.

Maria Vieira deixa a empresa, em 2006, para abraçar um novo projeto numa área inovadora, naquela altura, em Portugal, a business & executive coaching, foi a segunda pessoa a entrar na ActionCOACH – uma empresa

A empreendedora afirma que foi ali que obteve as bases do negócio que a ajudaram a estruturar a forma de trabalhar com equipas.

No ano seguinte, Maria inicia-se como partner na Ideias & Desafios, ficando responsável pela área de Business & Executive Coaching. É o cargo que exerce até hoje e onde tem vindo a investir, de modo a melhorar o seu desempenho no exercício das

funções que lhe estão associadas. Maria conheceu o responsável pela empresa, José Almeida, num evento de networking e foi ali que percebeu que partilhavam “o mesmo gosto por trabalhar ´hands on´ (colocar as mãos na massa) com as equipas, pelo coaching e formação comercial e de liderança”, explica. Foi um desafio que aceitou de imediato. Para além de se dedicarem à área de Coaching, a empresa trabalha com equipas e empresas para as ajudar a melhorar as competências de liderança e comerciais. O objetivo passa sempre por melhorar a sua performance organizacional, alinhar as suas equipas na estratégia global da empresa, alcançar metas mais desafiantes em menor tempo e aumentar a dinâmica pessoal de cada colaborador.

A Ideias & Desafios apresenta um conjunto de formações aos

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QUE ME PERMITISSE, NO FINAL, VER AS COISAS A ACONTECER

seus clientes e sugere-lhes o ideal para o seu negócio, para além de as personalizar para cada um, atribuindo-lhes um coach ou formador.

A partner afirma que o grande fator de diferenciação da concorrência é o facto de os elementos da equipa da Ideias & Desafios serem eles mesmos comerciais e terem muitos anos de experiência em cargos comerciais e de liderança. “Experienciamos, na primeira pessoa, as frustrações, dificuldades, ansiedade, stress e alegrias que a profissão de comercial traz” e isso permite empatizar de forma mais imediata com os elementos das equipas com quem trabalhamos para

além de nos dar uma elevada credibilidade de alguém que passa por processos semelhantes. E é isso que a líder coloca em prática no seu trabalho, referindo que o gosto por ajudar, motivar e fazer com que as empresas atinjam as suas metas é o que a motiva e a faz continuar. Maria escreve pequenos textos sobre a sua área profissional, que são publicados no site e na newsletter da Ideias & Desafios.

Maria afirma que já trabalharam em diversas áreas e vertentes, com “empresas fantásticas, equipas excelentes e com vontade de fazer a diferença, independentemente da dimensão das mesmas”. Uma das áreas core nos ultimos anos

da Ideias & Desafios é a área da indústria farmacêutica e das farmácias, de modo a dar aos profissionais formação em liderança e gestão de equipas, atuando em áreas como as vendas, o atendimento, a comunicação, entre outras: a empresa tem vindo a trabalhar com mais de200 farmácias de norte a sul do país e desde 2010 que é uma entidade formadora certificada pela DGERT (DireçãoGeral do Emprego e das Relações de Trabalho), contando com várias formações acreditadas pela Ordem dos Farmacêuticos.

A partner recorda, com um “carinho especial”, as ações gratuitas de formação e coaching que realizaram a pessoas

Ou estamos a crescer ou estamos a morrer...

É apoiando-se neste lema que Maria quer e vai continuar o seu percurso, aprendendo cada vez mais, trabalhando com a sua equipa na constante melhoria e continuar a fazer crescer outras empresas, transmitindo-lhes também a elas este mote.

Um novo paradigma traz novas oportunidades a mulheres líderes

Maria Vieira fala-nos que sente que o paradigma está a mudar e que as novas gerações –millennials e geração Z – já têm outra perspetiva quanto às suas carreiras, as suas orientações profissionais, aos seus fatores motivacionais e à forma como conciliam a sua vida pessoal e profissional. De acordo com a partner, tanto os homens como as mulheres líderes

têm de se adaptar a uma nova forma de liderança, apoiada no companheirismo e na entreajuda. As mulheres acabam por, finalmente, conseguir com este novo contexto de liderança novas oportunidades e uma maior confiança no seu trabalho. Para Maria, a mulher tem todo o potencial para ser uma líder de sucesso, uma vez que têm uma grande capacidade de gerar empatia, “de ir ao encontro dos outros” e “são cuidadoras por natureza”.

líder e têm de ser criadas mais oportunidades e promover mais igualdade em todos os cargos, especialmente nos de liderança. Maria afirma que se costuma dizer “que a Liderança vem sem certificado de garantia”, uma vez que até se pode fazer tudo bem, mas a garantia de que vão ser gerados os resultados esperados não está lá e tanto pode correr bem como mal. A partner explica que a liderança funciona como uma conta bancária, porque se só retiramos e não depositamos nada, então a conta irá ficar a negativo. Maria tenta passar que uma líder tem, além de pedir, de saber dar à sua equipa e, para além disso, saber escutar. Estes são os grandes conselhos de uma líder para outras mulheres que também o pretendem ser.

Contudo, nem sempre é fácil conseguir ter sucesso como

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“Mais do que nunca é importante escutar os colaboradores. Daí a importância do coaching em contexto de liderança”
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desempregadas, e as iniciativas de cursos gratuitos e ações ´pro bono´ (pelo bem público) “enchem sempre o nosso coração”, afirma Maria, um pouco emocionada.

Em 2010, Maria decidiu, em conjunto com o seu sócio José Almeida, fazer uma certificação em Coaching de Executivos, Performance e Liderança de Equipas na Escola Europeia de Coaching. Revela que foi das formações mais impactantes que fez até hoje, em que o objetivo passava por conseguir “ajudar o outro a chegar à sua melhor conclusão”. A partner da Ideias & Desafios sempre tentou melhorar as suas competências

profissionais nesta área ao fazer várias formações. Algumas delas foram com personalidades de renome, tais como Jay Levinson, Anthony Robbins, Jake Canfield e Jeffrey Guitomer. A líder afirma que o grande segredo para o crescimento profissional está em “assistir a webinars, formações e ler livros”. Ela é apaixonada por livros de marketing, gestão e motivação pessoal. Apesar de estar no mesmo cargo há 16 anos, isso não significou que Maria estivesse estagnada profissionalmente – muito pelo contrário, foi desenvolvendo as suas capacidades para melhorar, cada vez mais, o seu

desempenho. A partner acredita que todos nós “somos capazes de feitos fantásticos e de que temos de desafiar constantemente o preestabelecido” para podemos crescer e alcançar os nossos objetivos.

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A EQUIPA DA IDEIAS & DESAFIOS DA ESQUERDA PARA A DIREITA: JOAQUIM BARROSO, MARIA VIEIRA, JOSÉ ALMEIDA, ANABELA CONDE
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DIA

Uma aposta nos seus suits de comunicação

Paula Carvalho gere a sua própria agência de comunicação, a Suit PR, onde é PR tailor & client manager. A equipa da agência é constituída por alfaiates de comunicação que fazem cada plano/proposta à medida do cliente. A CEO é apaixonada pelo que faz e fala-nos deste percurso ainda em construção.

Desde muito nova que Paula Carvalho tem interesse em comunicação, principalmente na sua vertente mais criativa. “Em miúda, adorava ver anúncios e esta parte da gestão das marcas — como comunicam e como contam as suas histórias — sempre me fascinou”, confessa.

Como sempre soube o que queria, Paula licenciou-se em Relações Públicas e Publicidade e, ao mesmo tempo, estagiou no departamento de relações públicas do Studio 8A. Depois de terminar a formação, a profissional de comunicação teve a oportunidade de estagiar no Grupo GCI: “foi a minha grande escola”, afirma. Paula recorda que trabalhou com “pessoas incríveis”, com quem aprendeu muito, referindo-se tanto a colegas como

a clientes. A atual empreendedora ficou na agência durante seis anos, tendo chegado ao cargo de senior client executive.

Para além da comunicação, Paula tem uma grande paixão por Teatro e refere que teve uma grande sorte de sempre ter conseguido conciliar o seu trabalho na GCI com a arte performativa. Durante muitos anos, a comunicadora fez parte do grupo de teatro amador O Intervalo Grupo de Teatro em Linda-a-Velha. Contudo, em 2012, o seu contexto profissional e pessoal começou a passar por uma grande transformação: Paula engravidou e, ao mesmo tempo, começaram a surgir oportunidades para “trabalhar em projetos que uniam o amor e a paixão”, ou seja, a comunicação e a produção de teatro.

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É nesta altura que começa a surgir a ideia de criar o seu próprio negócio, tendo falado com contabilistas, amigos que trabalhavam a partir de casa e freelancers. É assim que, no primeiro mês de 2013, Paula começa o seu projeto e pode-se dizer que passou ali pelo seu maior desafio profissional. Não só por ter de começar a trabalhar sozinha, sem qualquer apoio por trás, mas também por ter de ser mãe e tinha-o sido há pouco tempo — a filha Margarida nasceu um mês antes de Paula dar início a este projeto.

“Foi uma enorme aprendizagem, porque era tudo novo. Mas valeu cada segundo!”

O mais caricato é que Paula não pensava nem queria ter um negócio próprio, uma vez que cresceu nesse meio e via as dores de cabeça que o mesmo provocava aos seus pais.

Contudo, naquele momento da sua vida, fez-lhe sentido e decidiu arriscar. Inicialmente a ideia nem estava em ter uma agência, mas sim em criar um projeto de freelancer na área do teatro e da comunicação de marcas e empresas mais pequenas. “Não tinha planos de ter uma agência. Ia, simplesmente, abraçar uma nova fase, muito ligada à parte de teatro”, confessa, referindo que nem nome quis dar à empresa, porque não a via como tal. Mas a vida dá voltas e a profissional de comunicação viu o seu “projeto de freelancer” a crescer, surgindo cada vez mais oportunidades. O negócio começou a fluir naturalmente, sem que a mesma se apercebesse e “aqui estamos nós, de braços abertos e mangas arregaçadas”, acrescenta. Nos primeiros anos, o projeto tinha o nome de PCarvalho Comunicação e só em 2019 é que a agência surge como Suit PR.

O DESTAQUE A UMA LÍDER É DADO, CADA VEZ MAIS, PELO SEU PERCURSO E MÉRITO

Paula Carvalho olha para todo este caminho com orgulho e considera que só chegou onde está hoje por ter tido um grande espírito de entrega ao negócio. Afirma que “vamos passando por todas as funções até conseguirmos crescer e ir formando uma equipa”. Para além dos pais, o irmão também é empreendedor e tem o seu próprio estúdio de treino. Ele costuma dizer que é CEO, personal trainer e responsável das limpezas e Paula tem nele um grande apoio. Além de ser a CEO da Suit PR, é “PR tailor & client manager” da agência. Paula comenta: “Felizmente, hoje em dia, tenho uma equipa fantástica e ótimos parceiros, por isso, a carga é mais leve e o caminho mais divertido.” Mas isso não significou, para Paula, que tivesse de deixar determinadas funções de lado – a comunicadora trata da gestão financeira, da equipa, dos clientes e ainda acarreta funções de “account”, porque é isso que adora fazer.

A CEO partilhou connosco as três máximas da agência e que, para todos os que trabalham lá, são fundamentais. A primeira baseia-se em só aceitar clientes e projetos em que realmente acreditam, para que os “jornalistas e influenciadores sintam de nós essa paixão”, explica. A segunda foca-se em fazer cada proposta à medida de cada cliente, tornando-a única. É com base neste lema

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que foi desenvolvido o nome da agência – suit significa “fato” em português, e um bom fato é aquele que é feito à medida do cliente. Quem o faz é um alfaiate, ou seja, a Suit PR é constituída por alfaiates da comunicação, em que o nome do cargo de cada colaborador tem sempre “tailor”. O objetivo passa por não aplicar as mesmas soluções a todas as marcas, definindo cada proposta de acordo com o orçamento, as necessidades, os objetivos do cliente e a personalidade da sua marca. É assim que conseguem marcar pela diferença.

Por último, a terceira máxima não se aplica aos clientes, mas sim à equipa. É regra geral respeitar as 8 horas de trabalho, em que Paula transmite a ideia de que não quer que os seus colaboradores trabalhem mais horas e possam ir descansar sem se sentirem culpados. Existem algumas exceções à regra, sendo um exemplo eventos fora de horas,

mas, tirando isso, a agência tenta que não seja algo recorrente.

“É quase cultural, em Portugal, a pressão para trabalhar mais do que as 8 horas diárias; e isso é algo que não quero que aconteça”

Mais uma vez, Paula relembra que a sua equipa é o grande motivo do sucesso da agência e o que a faz diferenciar-se da concorrência. Isto porque cada um dos colaboradores tem várias valências e um percurso profissional único, com “formações complementares em áreas tão distintas como o improviso ou a comédia”, acrescenta. Paula Carvalho, que também é apaixonada por teatro, tentou constituir a sua equipa com pessoas que também tivessem uma paixão noutra área, trazendo o seu conhecimento adicional para o trabalho. Paula acredita que esse é o motivo de as suas “propostas e ideias não

serem tão formatadas e mais ´fora da caixa´”

A líder ainda se sente no início da sua carreira — “´Só´ tenho 20 anos de carreira”, brinca —, uma vez que ainda tem muitas ambições e, para tais, ainda há um longo caminho a percorrer. Este não deixa de ser feito na área da comunicação e acompanhado pela sua agência, a Suit PR. Paula acredita que ainda vão surgir novos desafios e parcerias, confessando que a agência tem crescido muito com os seus clientes, em que estes “nos desafiam, tiram-nos da nossa zona de conforto e motivam-nos a fazer mais e melhor”

O destaque a uma líder é dado, cada vez mais, pelo seu percurso e mérito

Uma mulher em posição de destaque ainda é considerada notícia e, para Paula Carvalho, isso não é mau desde que se deva ao seu percurso e mérito.

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Como afirma, felizmente, a maioria das notícias já se focam nestes dois aspetos e não no facto de ser mulher. “A meu ver, a forma como contamos a história também ajuda a mudar mentalidades!”, afirma.

Já no seu trabalho, Paula refere que nunca teve de provar o seu valor por ser uma mulher num cargo de liderança, seja a clientes, parceiros ou à própria empresa. Contudo, tem consciência de que nem todas as empresas são iguais e isso poderá acontecer em algumas. Isto não quer dizer que um cargo de liderança não traga pressão, uma vez que a equipa procura no líder as respostas e espera que ele tenha sucesso nas mesmas, mas isso é independente de ser “homem, mulher, português, estrangeiro, novo ou mais experiente”, acrescenta.

Para Paula, uma mulher pode ser uma líder de sucesso da mesma forma que um homem, ou seja, seguindo os mesmos princípios: “dedicada, honesta com a equipa, apaixonada, respeitadora, trabalhadora, mantendo sempre a mente aberta e estando disponível para aprender e, o mais importante, a liderar pelo exemplo”. Para além disso, é essencial gostar do que se faz.

A líder afirma que vê, cada vez mais, mulheres em cargos de chefia nas empresas. Uma das áreas profissionais que estão mais atrasadas nesta evolução é a política, em que, no caso português, só 38,7% representam os assentos parlamentares, considerando que ainda existe uma quota mínima de género de 40%. Contudo, a líder considera que, se a nível empresarial já houve mudanças, não vai faltar muito para que a nível político também haja.

Paula entende que estas mudanças levam o seu tempo. “Há muitas mulheres incríveis neste país capazes de ser o rosto dessa mudança e acredito que seja apenas uma questão de tempo… e do interesse delas!”

Para Paula, o segredo para se ser bem-sucedido e fazer valer a pena o negócio que se cria é ser apaixonado por aquilo que se faz e ser um modelo de negócio viável.

A CEO deixa uma mensagem para as mulheres que pretendem ser líderes ou criar o seu próprio negócio: “Tenham coragem de lutar por aquilo em que acreditam. É essencial ouvir quem está à nossa volta, falar com quem tem experiência, procurar por informação, mas, no fim, quem decide o que fazer somos nós.”

Paula explica que estar à frente de um negócio não é fácil e a mesma vê-o como um filho.

“Eu tenho três filhas: a Margarida, a Diana e a Suit PR”

A comunicadora considera que ser empresária é como ser mãe, em que existem noites mal dormidas, cansaço, uma constante atenção ao crescimento da empresa. Para além de ter de cuidar dela e “alimentá-la”. Mas todo este processo é transformador, aprendendo e crescendo com o próprio negócio e “cada primeiro passo, cada nova ´gracinha´ são vitórias que têm um gosto incomparável!”

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O orgulho de liderar uma equipa exclusivamente feminina

Isabel Matos entrou, há 23 anos, para o departamento de marketing do Crédito Agrícola e hoje é diretora de comunicação e relações institucionais. É na área da banca que se sente realizada e é no Crédito Agrícola que encontra um ambiente estratégico, criativo, inovador, sustentável e promotor de responsabilidade social.

Isabel Matos licenciou-se em Sociologia e especializou-se em Sociologia do Trabalho, tendo como ambição futura trabalhar na área de Recursos Humanos. O que a atraía era o seu fator principal: as pessoas. No entanto, a vida dá voltas e Isabel começou o seu percurso profissional no departamento de marketing do BCI (Banco de Comércio e Indústrias), o atual Banco Santander. Ao fim de dez anos, aceitou também fazer parte do departamento de Marketing do Crédito Agrícola.

Isabel assume que foi uma boa decisão, uma vez que reconhece ao banco a sua “constante valorização de competências, pensamento estratégico, dimensão criativa, cultura de inovação e compromisso sustentável”. Mais tarde, é promovida a diretora de comunicação e relações institucionais, cargo que exerce até hoje. É aqui que tem a possibilidade de liderar uma equipa exclusivamente feminina, da qual se orgulha. É a partir da sua equipa que Isabel pode demonstrar que a ideia de “muita mulher junta não dá bom resultado” está errada.

A líder considera que a sociologia está presente no desempenho das funções que acarreta atualmente, uma vez que envolve pessoas: “A circunstância de estar em permanente contacto com as pessoas de uma instituição nos seus diferentes patamares de responsabilidade, a relevância de causas como a diversidade e a igualdade de género, a minha missão, entre outros aspetos...”, explica.

A diretora de comunicação e relações institucionais afirma que existe uma afinidade natural entre a sociologia e o marketing e a comunicação. Isto porque, durante o seu percurso profissional, Isabel já identificou e teve de lidar com o fator comportamental das pessoas e as suas relações sociais. A formação em Sociologia trouxe-lhe uma capacidade de valorização e outras formas de atuação, no momento de definição de estratégias de marketing ou de comunicação — Isabel revela que existe uma maior atenção à abrangência e impacto dessas estratégias.

As pessoas são sempre o principal foco de Isabel e, consecutivamente, do Crédito Agrícola. O banco acaba por se diferenciar das outras empresas do setor pelo seu fator de proximidade, que provém também do facto de serem um banco cooperativo (único em Portugal) – esta designação significa que o CA (Crédito Agrícola) é constituído é por 72 Caixas e seus associados, tendo a maior rede de agências, o que lhe permite uma boa atuação

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ISABEL MATOS DIRECÇÃO DE COMUNICAÇÃO E RELAÇÕES INSTITUCIONAIS DO CRÉDITO AGRÍCOLA
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no desenvolvimento socioeconómico das regiões onde se encontra, principalmente no interior do país. O Crédito Agrícola tem na sua essência um foco na vertente regional e agrícola, mas a sua oferta está aberta a todos os setores, o que acaba por dar ainda mais relevância à proximidade: um fator que gera confiança, tanto na instituição, como no grupo financeiro e na sua marca. Isabel confessa que este fator é essencial para conseguir prosperar num pós-pandemia e numa altura de imprevisibilidade económica e financeira.

A líder afirma que o trabalho que desenvolvem no CA é marcado por vários projetos e desafios complexos, mas o que mais se destacou até agora foi a “uniformização da imagem das caixas de crédito agrícola”, que passaram a ser comunicadas simplesmente como Crédito Agrícola, o nome do grupo financeiro. Este projeto envolveu várias entidades e foi considerado um dos mais desafiantes, tendo de desenvolver uma comunicação que se adequasse a todas caixas da marca.

Para Isabel, a aptidão de comunicar, independentemente do que seja, não pode vir só da vocação. “A vocação será sempre inconsequente se não combinar com devoção, entrega e desejo de aprender – aprender mais, aprender muito, aprender sempre”, explica.

Apesar de Isabel já se encontrar a trabalhar no CA há 23 anos, afirma que ainda quer aprender mais e fazer mais, ultrapassando todos os desafios que surgem diariamente. Destaca-se a palavra todos, uma vez que tenta sempre resolver qualquer pedido que lhe é feito, mesmo que não seja possível no imediato.

A profissional de comunicação e marketing considera que uma boa comunicadora deve ser verdadeira, saber explicar-se com clareza, ter uma capacidade de adaptação a qualquer circunstância, conseguir compreender rapidamente o que lhe é transmitido e ter determinado conhecimento técnico.

acreditar em líderes perfeitos. Contudo, considera que uma boa líder tem de saber “ouvir, aceitar e entender as pessoas que formam a equipa. E isso tem a ver com capacidade de desconcentrar, delegar, partilhar e acolher”.

A líder ainda acrescenta que não se deve abraçar só as boas ideias, mas também as críticas e as sugestões. Isabel vê, desta forma,

Para juntar a estas competências, Isabel afirma que uma mulher que tenha o desejo de alcançar uma posição de destaque na área da comunicação e do marketing deve ter em conta os fatores responsabilidade, rigor e criatividade. Para além disso, deve estar alinhada com o espírito de equipa, a cultura e os valores da instituição em que está a trabalhar. Uma “comunicação honesta e transparente e o respeito pelas pessoas (tanto para com os colaboradores como para com o cliente)” também é essencial estar presente nos valores da profissional.

Para Isabel, a perfeição é uma utopia, o que a leva a não

o segredo para se construir uma equipa coesa e um ambiente de confiança.

Estando a comemorar o Dia Internacional da Mulher, Isabel afirma que a igualdade de género ainda tem um grande caminho a percorrer e não pode ser vista como um propósito: “Tem de ser um compromisso natural e sem concessões.”

E esta naturalidade tem de vir das empresas, demonstrando que já não tomam decisões com base em diferenças de género. Isabel reconhece que já se verificam algumas mudanças que permitem colocar lado a lado um homem e uma mulher, mas ainda muito falta ser feito.

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Uma odisseia de sucesso...

Comunicativa, curiosa e sem medo de enfrentar novos desafios e explorar novas áreas. É assim que se autocaracteriza Filipa Filipe, diretora deMarketing e Comunicação da Odisseias. Ainda adolescente começa por explorar o mundo da organização de eventos e ativações de marca; mas é na faculdade que entra pela primeira vez, a 100% no mundo empresarial. E faz questão de marcar a diferença desde o dia um.

Formada em Comunicação Empresarial, detém desde cedo um grande interesse pela comunicação e eventos; Filipa faz ainda questão de realçar que o que mais a apaixona é ver a teoria a sair do papel e acompanhar cada projeto a nascer, crescer e fazer sucesso.

Fruto da experiência adquirida ao longo dos estágios académicos, Filipa entrou de imediato no mercado de trabalho. No entanto, com o passar de alguns anos considerou necessário aumentar os seus conhecimentos na área da gestão. “Foi um período muito desafiante, aliar o dia a dia do trabalho e tirar um mestrado, mas foi uma experiência espetacular e muito, muito enriquecedora.”

O multitasking é fundamental

De estagiária a diretora de Marketing e Comunicação, Filipa iniciou o seu processo

na Odisseias com apenas uma colega e muito trabalho. Percebeu desde cedo que o multitasking é fundamental quando se trabalha numa start-up. Entretanto, a empresa foi crescendo, novos departamentos foram surgindo, e Filipa passou por vários, como o retalho e o corporate. Hoje é no departamento de Marketing e Comunicação que encontra o seu lugar.

“O que me fascina, na Odisseias, é o seu ADN inovador, que faz com que continue a aprender, todos os dias, e a superar desafios.”

“Adoro o meu trabalho”, diz Filipa de sorriso no rosto e peito cheio de felicidade! Não há nada como ser parte de algo com que nos identificamos. A marketeer destaca o propósito da empresa e o espírito de equipa sentido entre os colaboradores. “Adoro fazer parte da família Odisseias!”

“Ser um marketeer é definitivamente um work in progress”

O mundo gira depressa, mas o mundo do marketing gira duas vezes mais rápido. O marketing está em constante evolução, e as tendências em constante mudança. Nesta área é preciso ser-se dinâmico, aprender e trabalhar constantemente.

“Dou o exemplo dos principais canais de comunicação. Quando comecei na Odisseias, os principais meios eram a televisão, a rádio e os outdoors, assim como os eventos. A internet, e principalmente as redes sociais, vieram mudar o paradigma e o crescimento da Odisseias também se deve muito ao trabalho que foi realizado nestas novas plataformas de comunicação.”

“Criativa, proativa, comunicativa e com uma visão inovadora” — é assim uma boa marketeer

Este é um setor muito dinâmico, onde é necessário ter-se agilidade e capacidade para nos adaptarmos rapidamente às mudanças do mercado e da tecnologia. Também é fundamental possuir a capacidade de analisar dados e tendências,

O que é preciso mudar para que uma mulher em posição de destaque deixe de ser notícia?

“Felizmente, a sociedade tem evoluído muito na igualdade de género e há cada vez mais mulheres a destacarem-se no mundo empresarial. Há, no entanto, ainda um longo caminho a percorrer e é importante consciencializar a sociedade para a necessidade de eliminar a discriminação baseada no gênero. É fundamental promover uma educação inclusiva, que valorize o empoderamento das mulheres em todas as áreas da sociedade, sobretudo na política, na gestão e em áreas tecnológicas, áreas ainda lideradas, maioritariamente, por homens. Só assim se irá atingir a tão ambicionada igualdade de género nos lugares de topo e deixarão de existir notícias só porque se é uma mulher com uma posição de maior relevância.”

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FILIPA FILIPE DIRETORA DE MARKETOMG E COMUNICAÇÃO DA ODISSEIAS
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para que, com essa informação, seja possível definir as melhores estratégias.

A chave do sucesso na Odisseia que foi a pandemia Quando pensamos nos tempos de pandemia, é inevitável não pensarmos no quanto este fenómeno afetou negativamente muitas marcas e empresas em Portugal e em todo o mundo. No entanto, algumas marcas conseguiram prosperar, mesmo em tempos difíceis, e a Odisseias foi uma delas.

Falando-nos neste assunto como alguém que o viveu, intensamente, na sua própria pele, Filipa confessa que considera que a chave para o sucesso nessas circunstâncias “é a capacidade de adaptação e resiliência. Termos a capacidade de conseguir reinventar algo e adaptarmonos a uma nova realidade é sem dúvida o segredo”.

Apesar do feliz sucesso face a esta batalha, a Odisseias, sendo uma empresa que vende experiências, também teve os seus momentos de incerteza durante a pandemia. Foi necessária uma ação rápida e ágil e uma readaptação da oferta no mercado, para que a empresa prosperasse. Mas até nessas circunstâncias a diretora de marketing considera que a equipa se fortaleceu e se preparou da melhor maneira para o pós-pandemia. O que permitiu à Odisseias colher, mais tarde, esses frutos.

Odisseias que marcam pela diferença

A Odisseias é uma empresa com 18 anos, líder de mercado, que se tem destacado por um percurso marcado pela inovação e empreendedorismo. É uma empresa inclusiva, muito humana,

que se preocupa com o bemestar e felicidade da sua equipa. “Espírito de equipa, inovação, respeito, excelência e alegria no que se faz são os valores da Odisseias e com os quais me identifico — e acho que a entrega dos meus colegas, dos nossos parceiros e a satisfação dos nossos clientes torna-nos uma marca diferenciadora no mercado”

Filipa Filipe já passou por vários cargos ao longo da sua vida, mas o que considera o maior desafio da sua carreira profissional foi ser diretora de marketing e comunicação durante a pandemia.

“A minha função é incentivar e inspirar os portugueses a saírem de casa, a realizarem experiências, e quando somos surpreendidos por uma pandemia que nos exige ficar em isolamento temos de reinventar toda a estratégia, adotar novas ferramentas de comunicação e de forma muito imediata.”

Considera este processo como um grande desafio, mas que agora observa ao longe com orgulho, por ter superado, juntamente com a Odisseias, este problema com sucesso.

Não ter medo de arriscar!

Se tivesse de deixar um conselho às mulheres que almejam ter

uma posição de destaque no marketing, Filipa insiste em dois pontos principais. O primeiro conselho que dá é que invistam em formação especializada, para que possam alargar os seus conhecimentos; que leiam muito e estejam sempre a par das novas tendências. Além disso insiste: “Não tenham medo de arriscar! Para ter sucesso, o caminho pode ser muito longo e desafiador, mas a resiliência e a determinação podem levá-la ao topo”.

Como ser uma líder perfeita?

Inteligência emocional, empatia e humildade são as três características fundamentais de que nos fala Filipa Filipe:

“É difícil descrever uma líder perfeita, pois a liderança envolve muitas habilidades e qualidades diversas que podem ser valorizadas em diferentes contextos. Na minha opinião, diria que a inteligência emocional é fundamental para uma liderança eficaz. Uma pessoa empática, humilde, que esteja disposta a aprender, partilhe os mesmos valores da empresa e que lidere pelo exemplo, agindo sempre eticamente e fomentando espírito de equipa é, para mim, uma líder perfeita.”

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Rita Moreira e o Dia Internacional da Mulher

MEMBRO DA DIREÇÃO EXECUTIVA DO SNS

“Em dia de celebrarmos a Mulher, e tudo o que ela significa, só me ocorre a palavra ORGULHO”

Orgulho na minha mãe, na minha irmã, na minha filha e sobrinhas. Orgulho nas minhas amigas. Orgulho nas minhas colegas de profissão. Orgulho em todas as mulheres que lutaram para hoje chegarmos onde estamos. São todas uma inspiração. E digo isto de peito cheio! Porque conseguimos, nas nossas diferenças, crescer, como família e como trabalhadoras. Somos sem sombra de dúvida uma força única! Em conversa com uma destas mulheres que tanto admiro (mãe de três rapazes, fundadora de uma ONG e médica-dentista), relativamente à emancipação da mulher nestes últimos 100 anos, falou-me da sua avó, uma senhora com 96 anos, que nos diz… que, realmente, muito mudou: o facto de não ter de pedir autorização ao marido para poder viajar sozinha, de poder participar diretamente no processo político através

do direito ao voto, entre tanto mais, tudo isto, sem dúvida, foi alcançado nestes últimos anos a que, recorrentemente, chamamos História.

Cresci sempre a perceber que temos vários papéis e que só com a força da inteligência emocional de que dispomos, garra e noites mal dormidas, é possível alcançarmos os lugares de destaque a que hoje assistimos.

E temos vários exemplos, nas mais diversas áreas, de mulheres de garra. Desde lugares de topo no mundo da liderança empresarial (um ícone será sempre Cláudia Azevedo), na política (como esquecer Jacinda Arden, a ex-primeira-ministra da Nova Zelândia), passando pelo desporto (eterna fã de Steffi Graf, com 22 títulos de Grand Slam e uma Medalha de Ouro Olímpica), passando pela ciência (Marie Curie, a primeira mulher a dar aulas na Universidade de Paris e também a primeira mulher a receber um Prémio Nobel) e indo até à cultura (recordando

Tina Turner ou Aretha Franklin). Sem dúvida que a mulher contemporânea enfrenta grandes lutas: pela igualdade de género, acesso a educação, saúde e direitos.

Foi um caminho difícil mas pelo qual valeu e vale a pena continuar a lutar. Atingir a plenitude profissional exige muito de uma Mulher. Quando tentamos falar em equilíbrio, sabemos que é ainda difícil, que estamos a fazer um caminho. Não somos melhores ou piores. Temos é de fazer um caminho diferente, que exige muito de nós, porque todos esperam que possamos dar o nosso melhor nos diferentes papéis que encarnamos no dia a dia.

Dou o meu exemplo, recente. Desde dezembro de 2022 mudei de funções. Deixei o meu lugar, aparentemente confortável e seguro, no Conselho de Administração do CHUPorto (hoje CH Santo António) para integrar a Direção Executiva do SNS. Este desafio numa

LIDERANÇA NO FEMININO | MARÇO 2023 44 EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

estrutura (instituto público) criada de raiz tem como missão coordenar a resposta assistencial das unidades de saúde do SNS, assegurando a integração da prestação de cuidados de saúde, o seu funcionamento em rede, a referenciação, o acesso a cuidados de saúde, os direitos dos utentes, a participação das pessoas no SNS e, ainda, a governação e a inovação. A sua dimensão são os utentes e os profissionais que trabalham no SNS. Quatro décadas passadas da criação do SNS, os desafios são enormes. Os contextos epidemiológicos, sociais e económicos do país transformaram-se, mas mantémse os desafios ao humanismo, universalidade e proximidade.

O desfafio é imenso por todo a a evolução que, Homens e Mulheres, conseguiram obter na medicina, na ciência e na tecnologia. E com todas as mudanças a que temos assistido: do perfil demográfico e epidemiológico, o envelhecimento da população e a predominância das doenças crónicas não transmissíveis.

É, por tudo isto, o papel mais desafiante que encarei até hoje. Não me sinto especial nesta função por ser Mulher. Sinto antes que precisamos de pessoas capazes para ajudar a gerir o SNS, pessoas que se dediquem e percebam o que de melhor se faz em Portugal na área da saúde e que canalizem todo esse potencial para o SNS. Que esta nossa equipa, com Homens e Mulheres, com tanta experiência e conhecimento em áreas tão distintas, que juntos fazemos a unidade. Mas por isto mesmo: porque somos diferentes. A capacidade de conseguirmos trabalhar juntos e nas mesmas

posições de liderança são sem dúvida a maior evolução destes anos. Tenho orgulho em poder trabalhar assim.

Curiosidade: quem mais valoriza o Dia Internacional da Mulher em minha casa é o meu marido. E vive com duas! Mas tem a sensibilidade para perceber que, não só em casa, mas fora de portas, somos especiais.

MARÇO 2023 | LIDERANÇA NO FEMININO 45 EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Ser líder, mulher ou homem, por opção. Sempre.

RITA VELOSO

Neste dia em particular gostaria que pudéssemos refletir sobre alguns números e o seu impacto na nossa sociedade.

Recentemente foram divulgadas algumas estatísticas que, confesso, me deixaram muito inquieta, e que revelam que antes de falarmos em lideranças no feminino, devemos perceber que existem no mundo global à data, direitos humanos básicos que continuam a ser sonegados a nós Mulheres.

Em...140 países não existe licença parental remunerada. Em…95 países não existe legislação que determine que para trabalho. Em…de igual valor remuneração igual. Em…68 países as mulheres não tem os mesmos direitos que os homens para se casarem novamente. Em…46 países não existe legislação para assédio sexual no trabalho. Em… 34 países

uma mulher não pode solicitar um passaporte da mesma forma que um homem.

Se quisermos concentrar a nossa reflexão no mundo do trabalho, e já passaram mais de 25 anos desde a adoção da Plataforma de Ação (de Pequim) da ONU, que visa promover um conjunto de medidas por forma a garantir às mulheres a intervenção de pleno direito nas tomadas de decisão em questões políticas, económicas, sociais e culturais, ou seja, a fim de garantir o seu empoderamento, a realidade ainda se torna mais chocante.

O “Global Gender Gap Index” 2022 do Fórum Económico Mundial, revela que o gap entre homens e mulheres se situa em 68,1% (76,6% em Portugal) o que, a este ritmo, levará 132 anos para alcançar a paridade total. Por outro lado, o “U27 Gender Pay

GAP 2020 (fonte: Eurostat 2022) mostra que as mulheres na União Europeia ganham, em média, menos 13% do salário bruto por hora do que os homens (11,4% em Portugal). A mesma fonte, Eurostat 2022, revela que, apesar de 1/3 dos gestores da UE serem mulheres, apenas 7% são CEO (6% em Portugal).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, as mulheres representam 70 % dos 43 milhões de trabalhadores no sector da indústria global da saúde. No entanto, ao nível executivo, apenas 25% dos cargos de liderança na área da saúde são ocupados por mulheres.

Em particular no meu hospital, o Santo António, mais de 52% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres. Temos uma mulher também na liderança dos Sistemas de Informação e ao nível

LIDERANÇA NO FEMININO | MARÇO 2023 46 EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

do Board tenho sido eu a liderar os processos de mudança cultural e de transformação digital por onde tenho passado.

Gosto genuinamente de acreditar que muitas de nós poderemos não estar, por opção, a contribuir para uma maior estatística quando falamos de lugares de topo, como o lugar de CEO. Mas também sei que as oportunidades não serão certamente as mesmas. Sei-o porque os sucessivos estudos e experiências coletivas no nosso dia-a-dia, o comprovam claramente.

Efetivamente, o mundo digital proporciona de longe um potencial muito maior para promover a igualdade de género, ser menos preconceituoso e mais inclusivo do que o mundo “tradicional” e, no entanto, o mundo digital ainda é maioritariamente liderado pelos homens.

Recentemente tive a oportunidade de assumir funções de CEO precisamente nessa área. E, no final, optei por não aceitar. Não importarão aqui as razões, que serão sempre de natureza pessoal, mas importa sim reforçar as expressões: “tive a oportunidade de assumir funções de CEO” e “no final, optei por não aceitar”. E esta tem sido verdadeiramente a minha causa, que existam as mesmas oportunidades para homens e mulheres, independentemente da função ou posição, mas também que estas lideranças que vamos assumindo sejam sempre por nossa opção, no momento certo, com o sentimento certo. No final do dia, será sempre esse sentimento, e que é tão nosso, que nos fará felizes e mentalmente saudáveis.

Acredito que juntos, homens e mulheres, estamos a tentar

inverter todos estes gaps, mas façamo-lo com este propósito: o de que a igualdade mostrar-se-á na igualdade de oportunidades e não apenas em estatísticas finais. E no final que essas estatísticas representem as nossas vontades, as nossas opções.

E as estatísticas são conhecidas e reveladoras de uma situação persistentemente discriminatória:

apesar de igualarem superarem os homens ao nível de instrução académica superior, as mulheres ganham significativamente menos e têm maior dificuldade em ascender aos cargos de topo.

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EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Tenhamos voz!

EVA ROSA SANTOS

Em março, continuamos a ter voz! E a celebrar a equidade do género, a sororidade e o contínuo desenvolvimento e capacitação das Mulheres, deixando um convite a todos os homens que se queiram juntar a nós.

Por isso, falar da iniciativa Liderança Feminina em Angola, criada por mim a 9 de fevereiro de 2019 para valorizar a Mulher, Dando e Tendo Voz, é uma condição necessária e obrigatória.

A Liderança Feminina Angola nasce de um sonho, mas também de uma necessidade: ajudar as Mulheres a desenvolver o seu máximo potencial enquanto líderes. A estabelecerem mais relações de confiança, a realizarem networking saudável, a construir as suas histórias de sucesso, a cuidar de si e a acreditar que podem fazer a diferença.

Como tal, a equidade de género é fundamental e pretendemos desta forma contribuir ativamente para o 5.ª ODS da ONU - Objectivo Desenvolvimento Sustentável: Igualdade do género.

Queremos elevar as competências das mulheres para poderem assumir e consolidar o seu potencial enquanto líderes para deste modo contribuir ativamente para o incremento do número de mulheres líderes em funções de topo.

Para cumprir a sua missão de elevar a Voz da Mulher Líder Dando e Tendo Voz, desenvolvemos as seguintes actividades:

• Dar Voz a Pessoas reais para partilharem os seus percursos de liderança às mulheres e homens através das Conversas Liderança Feminina Angola no seu canal de Youtube, que conta com uma média de 2,8 mil visualizações por conversa, com 79 conversas já efetuadas a 28 de fevereiro.

Em março, continuamos a ter voz! E a celebrar a equidade do género, a sororidade e o contínuo desenvolvimento e capacitação das Mulheres, deixando um convite a todos os homens que se queiram juntar a nós.

Por isso, falar da iniciativa Liderança Feminina em Angola, criada por mim a 9 de fevereiro de 2019 para valorizar a Mulher, Dando e Tendo Voz, é uma condição necessária e obrigatória.

A Liderança Feminina Angola nasce de um sonho, mas também de uma necessidade: ajudar as Mulheres a desenvolver o seu máximo potencial enquanto líderes. A estabelecerem mais relações de confiança, a realizarem networking saudável, a construir as suas histórias de sucesso, a cuidar de si e a acreditar que podem fazer a diferença.

Como tal, a equidade de género é fundamental e pretendemos desta forma contribuir ativamente para o 5.ª ODS da ONU - Objectivo Desenvolvimento Sustentável: Igualdade do género.

Queremos elevar as competências das mulheres para poderem

assumir e consolidar o seu potencial enquanto líderes para contribuir ativamente para o incremento de mulheres líderes em funções de topo.

Para cumprir a sua missão de elevar a Voz da Mulher Líder Dando e Tendo Voz, desenvolvemos as seguintes actividades:

• Dar Voz a Pessoas reais para partilharem os seus percursos de liderança às mulheres e homens através das Conversas Liderança Feminina Angola no seu canal de Youtube, que conta com uma média de 2,8 mil visualizações por conversa, com 79 conversas já efetuadas a 28 de fevereiro.

• Conectar criando uma rede de network onde a partilha de ideias, experiências e negócios é realizada de forma transparente e em ambiente saudável e seguro. Um regresso a encontros presenciais, em que o foco é realizar networking no feminino e onde estiveram presentes cerca de 50 Mulheres. Neste âmbito também organizou quatro tertúlias, o III Aniversário LFA conta com 21 mil visualizações no canal de Youtube, e o IV Aniversário conta na presente data já com 37 mil visualizações.

• Capacitar através de programas de coaching e mentoria. E nesta área organizamos 9 webinars Capacitar com a Ciência, quatro programas Coaching Consigo (que reuniu 36 mulheres e 10 coachs) e um Programa de Mentoria Ondjilla, e a implementação, no ano de 2022, da Bolsa de Estudo Ermelinda, tendo sido atribuídas até ao momento 13 bolsas.

Este ano a Liderança celebrou o seu quarto aniversário de duas formas: uma online através do canal de Youtube da Liderança

Feminina em Angola, no dia 09 de fevereiro, e outra presencial,

LIDERANÇA NO FEMININO | MARÇO 2023 48 EDIÇÃO ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER
EM ANGOLA
A INICIATIVA LIDERANÇA FEMININA

no dia 11 de fevereiro, no Hotel Intercontinental Luanda Miramar. O evento online contou com nomes como Luís Telespresidente da Comissão Executiva do Standard Bank Angola, João André - administrador executivo da SOMOIL, SA e José Octávio Van Dúnem - Prof. da Faculdade de Direito Agostinho Neto, numa mesa-redonda sobre o tema: “Liderança Feminina na Visão Masculina”, moderada pela Horvanda Andrade Thielleux. Também teve dois momentos culturais, a cargo da Elisangela Rita e Benjamim M’Bakassy e

como mestre de cerimónias Dicla Burity.

O evento presencial realizou-se no sábado, dia 11 de fevereiro, que juntou cerca de 250 pessoas para a celebração.

Como oradores convidados marcaram presença Nady Ferreira - administradora executiva da Televisão Pública de Angola, Gabriela Cohen — vice-presidente do Conselho Directivo da ADRA do BAI, Ana Regina Victorpresidente (não executiva) do Conselho de Administração da Áurea, Micaela Reis - modelo, atriz e fundadora da ACIC. Nos momentos culturais estiveram presentes Alzira Simões, Sandra Bande e Benjamim M’Bakassy, sendo a mestre de cerimónias Horvanda Andrade Thielleux. Foi realizada uma homenagem póstuma a Eunice de Carvalho, por Ana Major, mantendo presente a importância da valorização da Mulher.

Um agradecimento especial aos nossos parceiros e patrocinadores

que prestigiaram o nosso evento elevando a qualidade do mesmo. Em ambos os momentos, a Amália Morato, directora executiva da Liderança Feminina em Angola, e eu partilhámos a continuidade da estratégia em que visamos capacitar 5000 Mulheres até 2025. Acreditamos que a consolidação de mais parcerias que visem trazer maior sustentabilidade a este tema tão pertinente é fundamental para alcançarmos estes números.

Mantemos a nossa actuação de acordo com os nossos valores: INTEGRIDADE, CONFIANÇA e EMPODERAMENTO / EMPOWERMENT.

Acredito que todos os dias devemos manter presente a necessidade de termos voz, de forma construtiva, consistente e impactante.

Queres juntar-te a nós?

Vamos reduzir o gap dos 140 anos que nos faltam para alcançarmos a igualdade de género em funções de liderança!

Biografia de Eva Rosa Santos

Eva Rosa Santos é licenciada em Psicologia Social e das Organizações, pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa (IUL). Tem especialização em Gestão de Empresas – Universidade Politécnica de Madrid e especialização em Recursos Humanos pela Universidade Católica de Lisboa.

Complementarmente, conta com formação profissional enquanto coach pela ICF – International Coach Federation com o curso ACSTH – Approved Coach Specific Trainning Hours; possui a certificação Claridity 4D e é certificada pela PDA – Personnal Development Analysy. É detentora de várias outras formações, especialmente nas áreas de Recursos Humanos, Liderança, Comunicação e Negócios. Tem experiências internacionais nos seus quase 25 anos de carreira profissional, com especial foco na área de Capital Humano, onde assumiu funções de liderança em empresas multinacionais e nacionais enquanto diretora de Capital Humano.

Apaixonada por Pessoas, pela sua capacitação e desenvolvimento, pela Liderança e em especial pela Liderança Feminina, considera que é através da partilha de conhecimento que nos tornamos mais ricos. Pretende trazer um novo olhar sobre a valorização da Mulher e o seu papel como Líder.

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