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Mais do que informação é viver com paixão Nº1 | 2 a 15 de Junho de 2011 Preço:1,00 €

Beleza. Aprenda a cuidar de si sem gastar muito dinheiro Destinos. Évora, cidade bela, histórica e emblemática Portugal. Refúgio de muitos imigrantes que querem mudar de vida Entrevistas. Ana Luísa Henriques. Pires Cabral. Rui Oliveira

Viver o otimismo 15 % de desconto nas livrarias Bertrand


Editorial Em mês de festa e alegria, a Viver Mais presta homenagem a todas as pessoas que venceram barreiras com o seu otimismo e autodeterminação. Nunca é demais acreditar. Junho. Mês de festas populares, de alegria e de folia. Mês para sorrir e ser feliz colocando de lado os desânimos da vida. A chave do sucesso está no Otimismo, no apreço por aquilo que é positivo na nossa vida e que nos encaminhará para o bem -estar. Ter uma atitude oti-

mista ajuda-nos a acreditar e a desenvolver a capacidade de sonhar, de perspetivar sobre a realidade e encarar os obstáculos como desafios. Acabar com o pessimismo, erguer a autoestima e agir. Uma vida de recordações. Ana Luísa Henriques é referência de força interior, vontade de viver e solidariedade. Na produtiva inquietude da sua tenra idade, a estudante de Ciência Política e Relações Internacionais partilha com a Viver Mais o seu olhar perante a vida. Também Pires Cabral o faz. O escritor transmontano que já arrecadou vários prémios revela que deve aquilo que é a Trás-os-Montes e, por isso, escreve sobre coisas transmontanas para pagar à terra a

dívida que tem para com ela. Outro homem em destaque é Rui Oliveira. O fotojornalista foi distinguido com o prémio de prata em reportagem ibérica. O seu vasto portfólio valeu-lhe a escolha para integrar um workshop na maior agência de fotojornalismo do mundo. São alguns exemplos de mérito e confiança na sociedade portuguesa, que abriram portas e horizontes. No entanto, ainda há muitos caminhos por desbravar. Sorrateiramente, a fome começa a atingir a mesa dos portugueses, a crise alastrase. Pedro Leite e Hernâni Ermida dizem-nos como comer bem sem gastar muito dinheiro. Também Camilo Lourenço, Jornalista de Economia, nos deixa alguns tru -

ques para poupar. Apesar de tudo, Portugal ainda é um refúgio para quem ambiciona mudar de vida. Mas, nem sempre é fácil. Ainda assim deixe-se encantar pela beleza histórica da cidade de Évora. Com o Verão quase aí, as consultoras de moda Patrícia Pereira e Catarina Vasques Rito dão-nos conselhos sobre o prazer de estar na moda com atitude e estilo nesta estação. E porque estar na moda não é só a roupa que usamos, Manuela Nunes, esteticista, aconselha -nos a experimentar alguns truques caseiros de beleza. Isabel Alves também falou à Viver Mais sobre os problemas ambientais. A Direção

Nesta edição

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MAIS DO QUE INFORMAÇÃO É VIVER COM PAIXÃO Contacto: Vivermais@gmail.com Diretoras: Cláudia Rocha Liane Carolina Camacho Tiragem: 50 mil exemplares Revista escrita segundo a nova ortografia do português

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« pág.17 – 21

« pág. 30 - 31

Em foco

Secções

Pág. 12 - 14 » Viver o Otimismo

VivArte » 4 - 5

Outros destaques

Cultura & Lazer » 6 - 9

Pág. 10 - 11 » À Conversa com Pires Cabral

Esfera Saúde » 15 - 16

Pág. 17 - 21 » Portugal como Refúgio

Moda com Atitude » 24 - 27

Pág. 21 - 23 » A História de Ana Luísa Henriques

Beleza & Bem-estar » 28 - 29

Pág. 24 » As Tendências por Patrícia Pereira

Descobrir Portugal » 30 – 31

Pág. 26 » Estar na Moda com Catarina Rito

As Receitas de… » 34 - 35

Pág. 28 » Os Truques Caseiros de Manuela Nunes

Poupar Mais » 36 - 37

Pág. 32 - 33 » Entrevista a Rui Oliveira

Mundo Verde » 38 - 39

Pág. 36 » Poupar com Camilo Lourenço Pág. 38 » A Opinião de Isabel Alves

Mais Tecnologia » 40 - 41 Português Mal Tratado » 42


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VivArte

Dar vida aos espaços

Os Maniaks fazem pinturas criativas em paredes e muros, conferindolhes outra dinâmica através do graffitti Rui, Tiago e Diogo, ou melhor Nitro, Blast e Mots, como preferem ser conhecidos, são três jovens artistas do Porto, que conseguem fazer com que os espaços ganhem uma nova vida.

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hamam-se Maniaks. São um grupo de três amigos que se conheceu na escola secundária e aproximou-se graças à partilha de um gosto comum, o graffiti. ―Passávamos grande parte do nosso tempo juntos a desenhar, trocar ideias e pintar‖, contaram à Viver Mais. Neste projeto, a arquitetura, as artes plásticas e a pintura conjugam-se de formas diferentes, complementando -se, em que ―cada um desempenha um caminho

singular dentro das artes‖. Desde 2002 que estes jovens conseguem transformar paredes, muros e espaços descaraterizados, através da arte do graffiti e da street art (arte urbana). Inspiram-se no quotidiano, na fantasia, nos medos e até noutros artistas. A rua é o seu local de eleição. ―Consideramos a rua como o nosso maior cartão-devisita. Na rua todos se cruzam, é o único espaço democrático que existe, está acessível a todos como artéria de interação social‖, afirmaram os Maniaks, salientando que ―é o espaço onde sentimos liberdade para expressar, com o intuito de criar impacto visual nas pessoas‖. Trabalhos lá fora Residências particulares, infantários, muros e fundações já foram pintados por este conjunto. O primeiro serviço foi realizado na Escola Secundária Aurélia

de Sousa, no Porto, e desde aí que não pararam. Além de Portugal, os Maniaks já fizeram trabalhos na Polónia, na Holanda e no Rio de Janeiro. ―O trabalho mais difícil que tivemos de fazer foi numa residência privada, onde tivemos de reproduzir uma imagem de um fresco das termas de Pompeia datado do primeiro século. Demorou cerca de dois meses, num trabalho

de grandes dimensões e muito minuncioso‖, confes -saram. O trabalho deste colectivo pode ser reprodutivo, isto é, limitar-se à execução técnica do que é pedido pelo cliente, ou pode ser criativo no qual os artistas dão asas às suas ideias. O tempo de execução dos serviços ―depende da dimensão e da minuciosidade‖ do que é pedido e o preço varia consoante

Pintura sobre o Ciclo do Pão, em Sendim

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Foto: Direitos Reservados

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a dimensão, o trabalho exigido, o material utilizado e a distância. ―Maniaks não tem significado, não está longe da verdade se virmos o nome como uma descrição do grupo, mas é para nós hoje o resumo de partilhas, de gostos e de trabalho em comum‖, concluíram. ▪ CLÁUDIA ROCHA

Mais informações em: mnksworks@gmail.com www.facebook.com/ mnksworks themaniaks.blogspot.com

Desenhos no Infantário “O Principezinho”

Nomes: Rui, Tiago e Diogo (Nitro, Blast, Mots) Idades: 24 anos Cidade: Porto

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Pinturas no Rio de Janeiro

Projeto: Maniaks (2002) Áreas: Arquitetura, Pintura e Artes Plásticas Espaços: infantários, casas particulares, muros, fundações Local de eleição: rua Inspirações: quotidiano, fantasias, medos e outros artistas

Muro com imagem de Marilyn Monroe

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Cultura & Lazer

Buddha Eden Garden

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Buddha Eden Garden inserese na Quinta dos Loridos, uma propriedade da empresa vitivi níco la B acalhô a Vinhos de Portugal, da qual Joe Berardo é sócio maioritário. Apesar de ainda não ter havido uma inauguração oficial, este jardim já recebeu 900 mil visitantes (dados de Agosto de 2010). ―Embora estejamos abertos ao público e tenhamos recebido inúmeros visitantes desde do início da sua construção, a verdade é que não tivemos, ainda, uma inauguração propriamente dita. Neste momento, ainda, temos alguns trabalhos a

Tome nota

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decorrer, que pretendemos terminá-los para breve. No entanto, por definição, um jardim nunca está acabado‖, afirmou Daniel Portugal, um dos funcionários do Buddha Eden Garden. “Não tivemos apoios de ninguém, nem da autarquia local, nem do Turismo de Portugal, de nenhuma entidade pública ou privada‖, referiu Daniel, acrescentando que ―todo o investimento no Jardim, quer ao nível da construção, quer ao nível da manutenção foi suportado pelo Sr. Comendador Joe Berardo, em seu nome particular‖. Este espaço tem centenas de esculturas, ―que variam entre os 50 centímetros e os 21 metros, ultrapassando as 6000 toneladas de mármore e granito, às quais se juntam 900 soldados de terracota pintados à mão e variadíssimos elementos relativos à cultura oriental‖, sublinhou Daniel Portugal. ▪

De segunda a domingo, incluindo feriados Das 10 às 19 horas Entrada Livre (inclui só visita aos jardins) Mais informações: Tel (+351) 26 2605240 www.buddhaeden.com info@loridos.com

Buddha dourado

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Buddha Eden Garden é um jardim pouco convencional. Situado no Bombarral, distrito de Leiria, apresenta uma vasta coleção de estátuas em mármore e granito espalhadas por uma extensão de 35 hectares.

CLÁUDIA ROCHA e LIANE CAROLINA CAMACHO

Estátua de Buddha dourado com 14 metros


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300 visitantes por dia O Museu recebe ―por ano, entre 100 mil e 110 mil visitantes, o que ronda mais de 300 visitantes por dia, em média‖, revelou o diretor científico.O Museu tem, também, uma biblioteca especializada que permite o estudo de assuntos relacionados com o pão. Curiosamente, há um mapa-mundo com a palavra ‗pão‘ escrita em várias línguas. É um espaço em que a cultura a pedagogia e lazer coabitam.▪

A palavra “pão” escrita em várias línguas

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tas e outras iguarias e, ainda, uma viagem de dez minutos de comboio turístico até ao museu (mediante marcação prévia, para grupos). Há também exposições temporárias que variam a cada seis meses. ―O museu tem várias atividades ao longo do ano, de que podemos salientar as tertúlias culturais, as exposições temporárias, as atividades pedagógicas e os eventos gastronómicos.‖, disse, à Viver Mais, Sérgio Carvalho.

Cavaco Silva

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história, o património e a arte do pão português conjugam-se num só espaço: o Museu do Pão. Abriu portas em 2002 na cidade de Seia, pertencente ao distrito da Guarda, tendo sido ―fundado pelo dr. António Quaresma, com o contributo de uma equipa de docentes‖, disse, à Viver Mais, Sérgio Carvalho, diretor científico do Museu. O espaço tem uma área com mais de 3.500m² e contém quatro salas expositivas: Sala do Ciclo do Pão, do Pão Político/Religioso, da Arte do Pão e Pedagógica. Nessas salas, o visitante tem a oportunidade de conhecer a história do pão, os vários tipos de pão existentes no território português, entre outros. A visita faz-se durante cerca de uma hora e inclui a elaboração de um souvenir feito em pão (que é feito pelo próprio visitante), a possibilidade de experimentar pão feito na padaria do Museu e de adquirir compo-

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Viagem ao mundo do pão

Tome nota Horário Terça a sábado das 10 às 18 horas. Encerra às segundas-feiras. sextas e sábados abertos até às 22 horas. Preços Bilhete normal - 2,50 €; Bilhete dos 3 aos 12 anos - 1,50 €; Bilhete a partir dos 65 anos - 1,50 €; Crianças até 3 anos - Gratuito Marcação de visitas para grupos 238 310 760/61/62. info@museudopao.pt

Mário Soares Página 7


Vai acontecer... Semana de 02.06 a 08.06 Quinta. 02 - Braga Histórias Magnéticas resultam num espetáculo que se situa entre o concerto e a história contada. Lotação limitada a 30 participantes (prevê-se 4 sessões). 00 horas. 2 euros. Local: Theatro Circo

Sexta. 03 - Faro Início do Festival da Água, em Estoi, com concertos, exposição fotográfica, gastronomia, artesanato, animação de rua, percurso pedestre... Entrada Livre

Sábado. 04 - Aveiro A Audição Final de Alunos OMA realiza-se no Centro Cultural de Congressos Aveiro. 16 horas. Entrada Livre.

Domingo. 05 - Bragança Dia Mundial do Ambiente - Passeio Turístico de Bicicleta na Zona Histórica. 10 horas. Sede da Freguesia de Santa Maria

Segunda. 06 - Setúbal Encontro: Cuidados a ter com o sol. Sessão do projeto 'Educação para a Saúde' para a população idosa da Bela Vista. Local: Gabinete da Bela Vista. 14.30 horas.

Terça. 07 - Vila Real Stand up comedy com João Seabra no CaféConcerto, no Teatro de Vila Real. 23 horas. Entrada Livre.

Quarta. 08 - Vila Real Jamie Harrison apresentará o seu novo disco ―Get Under The Carpet‖, no Café-Concerto, no Teatro de Vila Real. 23 horas. Entrada Livre Página 8


Semana de 09.06 a 15.06 Quinta. 09 - Estarreja Feira do Livro e do Artesanato na Biblioteca. 14. 30 horas: Entrega de Prémios do Concurso “Uma Quadrazinha Pró Santo António‖; 15 horas: Apresentação da obra ―O Meu Arco-Íris‖, com a autora Liliana Ribeiro;

Sexta. 10 - Castelo Branco Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Ponto alto nos dias 9 e 10 de Junho, mas prolongam-se por um período mais alargado, entre 5 e 12 de Junho. Haverá várias atividades dedicadas a toda a população.

Sábado. 11 - Coimbra Feira Medieval. Animação cultural: Visita guiada à Igreja e Claustros da Sé Velha, pelo Monsenhor João Evangelista, animação teatral, música e dança. Entre as 9 e as 19 horas. Local: Largo da Sé Velha.

Segunda. 13 - Leiria Exposição de pintura ―Expressões‖ de Kim Cruz (Joaquim Almeida Cruz). Até 30 de Junho. Diariamente das 17.30 às 22 horas. Dias de espetáculos das 17. 30 às 24 horas. Local: Teatro José Lúcio da Silva. Entrada livre.

Domingo. 12 - Porto Último dia da 81ª Feira do Livro do Porto. Local: Avenida dos Aliados, Porto. Horário das 11 e às 23 horas.

Terça. 14 - Lisboa Festas de Lisboa‘11. Prolongam-se até dia 30 de Junho. Programa inspirado no Tejo e na candidatura do fado a Património da Humanidade.

Quarta. 15 - Viana do Castelo Espetáculo ―Abre-te cena". O teatro visto quer na história do edifício, quer como processo de criação e produção. Às 21. 30 horas e às 23 horas. (mediante marcação prévia). Local: Teatro Sá de Miranda Página 9


Entrevista. Pires Cabral fala da sua ligação à literatura. Foto: Direitos Reservados

À conversa com Pires Cabral

“Não vivo da literatura” A região de Trás-osMontes é vista como uma zona distante e esquecida. Mas, Pires Cabral é um exemplo de que o local em que vivemos não interfere no reconhecimento do trabalho de quem tem qualidades. O escritor é hoje uma das grandes referências da Literatura na região Transmontana. Viver Mais (VM): Como se iniciou na literatura? Pires Cabral (PC): A escrever ‗para a gaveta‘, bastante cedo, quase na adolescência. Mas a publicação do primeiro livro foi aos 33 anos de idade (um bocado tarde para os padrões lusitanos, convenhamos…). Foi um livro de poemas, Algures a Nordeste, em edição de autor, que

na altura me custou 9 contos de réis na moeda antiga (45 euros na atual) por uma tiragem de 1.000 exemplares. O que é a inflação! VM: Quando percebeu que queria ser escritor? PC: Justamente quando comecei a escrever ‗para a gaveta‘ e a notar que ‗a gaveta‘ não desgostava do que eu escrevia. VM: Onde gosta mais de escrever? PC: No escritório da minha casa de Vila Real. Curiosamente, sendo eu um escritor de manifesta veia rural, não me ajeito a escrever na aldeia (Grijó, Macedo de Cavaleiros), onde também tenho uma casa e passo férias. Digamos que lá é para carregar baterias; cá, é para as descarregar no papel (melhor: no computador). VM: É um escritor transmontano. Como é viver da literatura nesta região? PC: Não faço a mínima ideia, porque na verdade não vivo da literatura. É verdade que tenho ganho o meu tos-

tão com alguns dos meus livros. Mas estava bem servido, se vivesse da literatura… Andava aí pelas esquinas a pedir esmola e a fazer concorrência aos romenos e aos búlgaros, de certeza. Felizmente arranjei a tempo outras ferramentas para poder sobreviver. De resto, quem (sobre)vive da literatura em Portugal? Meia dúzia? Uma dúzia? “Comecei a escrever „para a gaveta‟ e a notar que „a gaveta‟ não desgostava do que eu escrevia” VM: Possui uma vasta obra literária. Já escreveu poesia, teatro, romance, conto, crónica… As suas obras retratam a região transmontana, a sua ruralidade e as suas dificuldades. Porque decidiu escrever sobre esta temática? PC: Escrevo sobre Trás-osMontes porque Trás-osMontes é o meu mundo. Nasci cá, vivi sempre cá (tirando

uma dúzia de anos passados em Coimbra para estudar e noutros lugares já para trabalhar), identifico-me com a sua gente e com a sua cultura. Acontece que também acho que a escrita, para não soar a falso, deve tomar por assunto aquilo que o escritor conhece como as suas próprias mãos. Costumo às vezes dizer que escrever sobre coisas trasmontanas é uma maneira de pagar à terra a dívida que tenho para com ela, porque a ela devo em primeiro lugar aquilo que sou. Não infiram daqui que sou algum bicho do monte. Não sou. Sou cosmopolita quanto baste. Mas tenho o direito de escolher os meus temas, e os meus temas não têm de ser citadinos. O que não quer dizer que não sejam universais. Porque tanto pode ser universal o que se passa em Grijó de Vale Benfeito como o que se passa em Nova Iorque. Recuso altivamente o rótulo de escritor regional que já me têm tentado colar. Página 10


VM: Tem algum livro que queira destacar? Qual o motivo? PC: Sim, tenho vários, cada um por seu motivo. Mas vá lá um, um pouco ao calha: Como se Bosch tivesse enlouquecido. Porque com ele abri portas que agora me tem sido difícil fechar. Quero dizer: pelo seu papel seminal na minha poesia atual. VM: Já arrecadou vários prémios… Como se sentiu? PC: Todo o prémio é duas coisas simultaneamente: um reconhecimento e um estímulo. Ambas me fazem sentir muito bem. VM: Considera que essas atribuições correspondem ao reconhecimento da qualidade do seu trabalho? PC: Sem falsas modéstias, quero acreditar que sim. Mas quem o pode afirmar com segurança? O que se pode afirmar é que corresponderam à opinião de júris respeitáveis e qualificados em dado momento. Mas opinião é opinião. Júris diferentes podiam ter tido opiniões diferentes. “Todo o prémio é duas coisas simultaneamente: um reconhecimento e um estímulo. Ambas me fazem sentir muito bem.” VM: Ser Transmontano é um entrave ao reconhecimento do mérito do escritor? PC: Já acreditei que sim, mas hoje penso que até pode ser uma mais-valia, em consequência do carisma de Trás-osMontes, semelhante ao do Alentejo, por exemplo — regiões que lutam por manter

uma identidade multissecular e uma diferença estimulante em relação aos padrões comuns. VM: Atualmente, dirige o Grémio Literário VilaRealense. Como vê a cultura e a literatura na região Transmontana? PC: Saudáveis, na medida do possível. O que não quer dizer que não haja muito trabalho a fazer. VM: Quer deixar algum incentivo aos jovens que vivem no interior? PC: Não um incentivo, mas um recado. Que assumam o interior, ou o abandonem. Parafraseando Kennedy (salvo erro): não perguntem o que o interior pode fazer por eles, mas o que eles podem fazer pelo interior. Se não encontram dentro de si forças e talentos com que possam ajudar a região a desenvolver-se (culturalmente, economicamente, etc., com prejuízo mínimo para a sua identidade) é melhor desertar — ou resignarse, o que é sempre pior. VM: O que ainda não fez e ainda gostaria de fazer? PC: Dar por terminado um famigerado dicionário de linguagem popular trasmontana e alto-duriense (em que ando a fossar há mais de vinte anos e que agora está quase, quase). Escrever mais um romance cuja trama me anda a dançar cá dentro há muito tempo (uma história trasmontana, uma vez mais…). Reincidir na poesia, mais um livro ou dois. Mas começo a ter consciência de que pode já ser tarde para tudo isso… (O que não significa que não seja saudável ter projetos e acreditar neles até à hora da morte). VM: Se não fosse escritor, o que gostava de ser? PC: Escritor. ▪ CLÁUDIA ROCHA

“Hoje penso que ser Transmontano até pode ser uma maisvalia ao reconhecimento do mérito do escritor.”

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“Escrever sobre coisas trasmontanas é uma maneira de pagar à terra a dívida que tenho para com ela, porque a ela devo em primeiro lugar aquilo que sou.”

À Lupa Nome: António Manuel Pires Cabral Aniversário: 13 de Agosto. Idade: À boca dos 70. Hobbies: Campo. Fotografar flores e animais. Pintar aguarelas. Jogar sueca. Cidade: Coimbra e Salamanca. Livro: Bichos, de Miguel Torga, e O Malhadinhas, de Aquilino Ribeiro. Autor: Camilo Castelo Branco e Shakespeare. Filme: O Navio, de Fellini, e O mundo a seus pés, de Orson Wells. Um desejo: Muito prosaicamente, ver Portugal desatolado da crise.

A UM GALO Aquele que injuriava a madrugada com ácida, assídua voz. O que tinha esporões por baioneta, o do ciúme em brasa. O galo. Um osso dele ainda no quintal. A.M. Pires Cabral Página 11


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Viver o Otimismo Ser otimista dá saúde e cria uma sensação de bem-estar a vários níveis

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om uma boa dose de energia positiva, é possível fintar o pessimismo que paira sobre a vida de muitos portugueses. Para isso, há que começar por afastar os pensamentos negativos. Desde a saúde ao bemestar, passando pela vida profissional e as relações pessoais, diversos estudos têm comprovado que o otimismo influencia positivamente variadas áreas da vida. Mas, não quer dizer que a vida dos otimistas seja um mar de rosas onde não existem problemas; a diferença é que essas pessoas sabem encará-los de forma positiva e otimista, acreditando que os conseguirão resolver da melhor maneira. O otimismo é, portanto, uma escolha pessoal, que permite transformar o olhar sobre a vida, tornando-o mais positivo.

Chave do sucesso Existem vários estudos que demonstram que quanto mais otimistas formos, mais felizes e saudáveis tendemos a ser. Nas doenças do foro oncológico, vários estudos comprovaram que a taxa de sobrevivência é muito mais elevada em pessoas mais otimistas. Quanto à depressão e ao stress, em 1996, foi provado que mulheres de meia-idade pessimistas apresentavam um maior risco de depressão. Em relação a problemas cardíacos, os doentes mais otimistas apresentam uma melhor recuperação e menos dias de internamento. Otimismo vs pessimismo Os pessimistas explicam os sucessos como algo que não depende deles, e os insucessos como confirmações de que não são úteis. Já os otimistas reconhe-

cem, perante um sucesso, que têm competências, que se esforçaram e dedicaram e que, da próxima vez, voltarão a ter sucesso, ou seja, generalizam positivamente. Perante um insucesso, reconhecem o seu caráter pontual, e consideram que da próxima vez será melhor. Segundo Helena Marujo, especialista em Psicologia Positiva, diferentes abordagens da realidade terão impactos muito diferenciados no nosso comportamento, pois este ―depende, em parte, das nossas emoções, razão pela qual temos que aprender a reconstruir as leituras interiores sobre a vida e sobre nós próprios‖. ―Um dos principais objetivos na formação para o otimismo, tem sido levar as pessoas a fazerem um processo de autoeducação, lembrando-lhes que todos somos modelos para os

outros. Ou seja, temos a obrigação moral de construir uma cultura otimista, já que se provaram os seus benefícios em termos de saúde física e mental e, ainda, de maior felicidade‖, concluiu. Ser otimista Os otimistas veem o melhor da realidade. Essas pessoas caraterizam-se por serem positivas, autoconfiantes, persistentes, comunicativas, possuem uma autoestima elevada. Além disso, os otimistas adoecem com menos frequência, mantêm relações pessoais gratificantes, têm o sistema imunitário reforçado, recuperam mais rapidamente, além de que têm menor probabilidade de desenvolver depressão. Razões de sobra para começar a encarar a vida de uma forma mais ―colorida‖. ▪ CLÁUDIA ROCHA e LIANE CAROLINA CAMACHO

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Através da Psicologia Positiva, um ramo recente da Psicologia, é possível lidar com pensamentos e sentimentos negativos de uma forma mais otimista. Viver Mais (VM): Em que consiste a Psicologia Positiva? MM: No estudo científico das forças e virtudes humanas, do bem-estar e da felicidade, daquilo que faz a vida merecer a pena ser vivida e florescer. Interessase por estudar as emoções positivas, e os traços e qualidades individuais virtuosos, mas também pela compreensão das instituições positivas que possibilitam que essas forças sejam utilizadas e postas em prática. VM: Qual a metodologia? MM: Utiliza a metodologia científica, quer através de estudos quantitativos, quer qualitativos, com uma grande preocupação de rigor metodológico.

“A psicologia positiva interessa-se por estudar as emoções positivas, e os traços e qualidades individuais virtuosos, mas também pela compreensão das instituições positivas que possibilitam que essas forças sejam utilizadas e postas em prática” VM: Qual a sua importância? MM: No meio ponto de vista, ajudou a trazer mais equilíbrio aos dados da ciência e a não dar apenas uma visão do ser humano como problemático ou po -

tencialmente disfuncional. Considero isto muito relevante, pois agora estudamse de forma dedicada e rigorosa temas como generosidade, amor, humor, gratidão, perdão, criatividade, otimismo, felicidade e bemestar, coragem, crescimento pós-traumático...e tantos outros que sabemos intuitivamente importantes para a nossa vida, mas que quase não eram alvo da ciência psicológica. Se acreditarmos, como eu acredito, que aquilo a que damos atenção cresce, então percebemos que dar atenção ao melhor das pessoas, em vez de apenas à depressão, à hiperatividade, à violência, à ansiedade...perturbações que têm vindo a aumentar nas sociedades desenvolvidas á medida que cada vez mais as estudamos e mais sabemos sobre elas e sobre como as tratar, então talvez percebamos a importância da psicologia positiva. VM: Há quanto tempo existe? MM: Há pouco mais de uma década, desde que em 1998 Martin Seligman começou a fazer campanha como Presidente da American Psychological Association para que a ciência psicológica se tornasse mais equilibrada e não estudasse apenas os problemas e perturbações humanos, mas se interessasse também pelo estudo das pessoas no seu melhor. Mas só em 2000 saiu a primeira publicação científica que organiza um

conjunto de estudos e apresenta o termo Psicologia Positiva. No entanto, ao longo da história da psicologia, houve teóricos e investigadores interessados em estudar o lado luminoso da vida e dos seres humanos, como Maslow ou Rogers, que defendiam uma visão positiva, mas ficaram sozinhos e poucos estudos fizeram no seu tempo.

“Agora estudam-se de forma dedicada e rigorosa temas como generosidade, amor, humor, gratidão, perdão, criatividade, otimismo, felicidade e bem-estar, coragem, crescimento pós-traumático...e tantos outros que sabemos intuitivamente importantes para a nossa vida, mas que quase não eram alvo da ciência psicológica. ”

VM: Há quantos praticantes? MM: Muitos milhares pelo mundo. Não sei quantas, nem ninguém saberá, mas sei que na associação internacional, a International Positive Psychology Assocication, temos associados de mais de 70 países no mundo e vão em crescendo… VM: Os Portugueses são um povo otimista?

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Aprenda a ser positivo

Manuela Marujo Professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa MM: De acordo com estudos internacionais e nacionais, parece que não mostramos muito a nossa capacidade de antecipar boas coisas para o futuro nem explicamos o que nos acontece com padrões explicativos dos mais otimistas. No entanto, um ou outro estudo nacional vai apontando para que somos um povo em que o otimismo e o pessimismo coexistem, num formato complexo. Uma das razões possíveis pode ter a ver com questões históricas ou culturais, mas ainda andamos a tentar perceber o que pode explicar o nosso fado, o nosso sentido de destino. Uma das nossas hipóteses, que não é mais do que uma possível explicação, inclui o terramoto de 1755, que já foi considerado por filósofos internacionais, como Susan Neiman, como sendo o acontecimento que levou ao fim do otimismo na cultura ocidental. Foi uma das maiores catástrofes da Europa da época, e levou a que filósofos como Voltaire e Rousseau, que andavam a escrever sobre o Melhor dos Mundos Possíveis (considerando que a época que se vivia era a melhor de sempre) passagem a escrever sobre o castigo, o mal, um Deus imprevisível...abrindo caminho a uma visão pessimista sobre a existência, que poderá ainda estar viva entre nós. Mas é apenas uma teoria sem provas...uma ideia... Página 13


“Entre desanimar, deixar de acreditar na capacidade humana para resolver as coisas, baixar os braços, desistir...e meter as mãos confiantemente na massa para encontrar soluções criativas e diferentes para sair da crise, acreditando que somos e sempre fomos capazes de resolver grande parte dos problemas da humanidade todos juntos, a escolha é clara...Desistir e definhar, ou confiar, lutar, e florescer.”

VM: Que atividades favorecem a saúde física e mental? Quais as estratégias para combater o pessimismo? MM: Dicas para aumentar a confiança e resolver os problemas que surgem de uma forma otimista: andar 10000 passos por dia faz bem à saúde física e à mental. Dar atenção aos bom e ao belo e ao bem que existe nas nossas existências, treinar essa capacidade de ver a luz no meio das trevas, procurar o sentido da vida e

Foto: Direitos Reservados Foto: Direitos Reservados

VM: Como é que numa altura de crise se pode ver a vida de uma forma otimista? MM: Precisamente porque a alternativa não é viável, ou seja: entre desanimar, deixar de acreditar na capacidade humana para resolver as coisas, baixar os braços, desistir...e meter as mãos confiantemente na massa para encontrar soluções criativas e diferentes para sair da crise, acreditando que somos e sempre fomos capazes de resolver grande parte dos problemas da humanidade todos juntos, a escolha é clara...Desistir e definhar, ou confiar, lutar, e florescer. VM: Qual é a diferença entre uma pessoa otimista e uma pessoa pessimista? MM: Uma das distinções é que uma acredita que o que aí vem no futuro é bom e que o que lhe irá acontecer será sobretudo positivo e outra acredita que o que vem aí no futuro é mau ou pior. VM: De que forma as palavras positivas podem mudar a forma de encarar a vida? MM: A linguagem não se limita a descrever a realidade, mas as palavras que escolhemos criam essa realidade. Veja-se a diferença em dizer que uma criança é hiperativa (uma doença, algo não positivo) ou dizer que tem muita energia (um dos sintomas da hiperatividade, mas que é considerado uma coisa positiva e

fazer coisas que vão para além do nosso umbigo, como voluntariado ou atividades pelo planeta, cuidar da linguagem para não alimentar só o mau, mas através de conversas que alimentam a esperança abrir caminho para avançar, agradecer o que já se tem em vez de apenas nos focarmos no que falta para finalmente sermos felizes, assumir a felicidade como um projeto individual com efeitos coletivos, ajuda bastante. ▪ CLÁUDIA ROCHA e LIANE CAROLINA CAMACHO

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“De acordo com estudos internacionais e nacionais, parece que não mostramos muito a nossa capacidade de antecipar boas coisas para o futuro nem explicamos o que nos acontece com padrões explicativos dos mais otimistas. ”

boa). VM: Como é que se pode atingir o equilíbrio emocional? MM: Assegurando que temos presente na nossa vida cinco elementos: emoções positivas (amor, humor, curiosidade, gratidão...); relações positivas (não há equilíbrio emocional fora de uma boa rede de suporte); uma vida comprometida (saber quais as nossas virtudes e colocá-las em prática nalguma área da nossa vida, de forma a fluir); sucessos/metas atingidas; e uma vida com sentido e propósito.

10 Dicas para ser mais Positivo 1 - Viva o dia de hoje com entusiasmo e harmonia; nia 2- Construa você mesmo a sua vida. vida Não permita que opiniões e erros alheios o conduzam ao fracasso; 3 - Irradie amor, amor carinho e simpatia; simpatia 4 - Não espere pelos outros. A sua grande fonte de energia está em si mesmo; 5 - Seja pontual, pontual sincero e exigente consigo mesmo. O tempo deve ser usado com sabedoria; 6 - Cuide do seu corpo e de tua mente, mente conservando ambos saudáveis; 7 - Tenha paciência. paciência Não tenha pressa, tudo tem o seu tempo; 8 - Fuja da extravagância e do desperdício; desperdício 9 - Faça diariamente uma avaliação da sua vida. Veja o que realmente deve dar importância; importância 10 - Seja seguro nas suas decisões. decisões Saber querer é a base para vencer. vencer Com otimismo tudo se resolve! ADAPTADO DE GISLAINE LIMA

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Esfera Saúde

Cancro de Pele Todos os anos há 10 mil novos casos pele mais perigoso e um dos tumores malignos mais agressivos. A sua taxa de mortalidade concentra-se entre os 10 e os 15 por cento ao fim de cinco anos, por isso ―se o melanoma não for tratado precocemente são poucas as possibilidades terapêuticas para salvar uma pessoa", explicou, à Lusa, o dermatologista. O melanoma maligno pode aparecer sobre a pele aparentemente sã, em qualquer parte do corpo ou sobre sinais preexistentes. Carateriza-se, habitualmente, pelo aparecimento de um pequeno nódulo ou mancha, de cor negra, mas o seu aspeto inicial é variado. (ver ABC dos sinais). Raios ultravioleta A radiação ultravioleta (UV) pode causar graves prejuízos para a saúde, caso exceda os limites de

segurança. O índice desta radiação apresenta cinco níveis: baixo (menor que 2), moderado (de 3 a 5), alto (de 5 a 7), muito alto (de 8 a 9), extremo (quando atinge 11). Portanto, quando os índices são muito elevados, há que adotar comportamentos que não favoreçam a sua penetração na pele. Proteger para prevenir As exposições solares devem fazer-se progressivamente, de modo a que a pele se vá adaptando, len -

tamente, às exposições solares intensas. É essencial utilizar óculos de sol com filtro UV, chapéu ou boné, t-shirt, guarda-sol, protetor solar e que se evite a exposição das crianças ao sol. Evitar a exposição ao sol entre as 11 e as 16 horas também é uma forma de prevenir . De acordo com especialista Osvaldo Correia, é fundamental realizarem-se autoexames da pele de forma a contribuir para os diagnósticos precoces de eventuais sinais de risco. ▪ LIANE CAROLINA CAMACHO

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O

verão está a chegar… É tempo de calor, exposições frequentes ao sol e de cuidados redobrados com a pele. É também nessa altura que os raios ultravioletas atingem níveis mais elevados. Todos os anos há 100 mil novos casos de cancro de Pele em Portugal provocados por exposições excessivas ao sol, alertou, recentemente, a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC). São sobretudo as fases de criança, adolescente ou jovem adulto em que há "maior exposição solar, sobretudo aquela que é episódica, súbita mas intensa e que ocorre fora da altura balnear habitual", disse à Lusa, Osvaldo Correia, dermatologista e secretário-geral da APCC. O melanoma é o cancro da

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Aproveite os benefícios do sol ABC dos sinais

 Abuse dos chapéus e bonés;  Opte por guardaguarda-sóis de algodão com tecido refletor do lado avesso, eles absorvem menos radiação e calor;  Passe uma camada reforçada de protetor solar, especialmente nas bochechas e nariz;  Tecidos de nylon produzem sombra, mas não protegem da radiação solar;  Os dias nublados enganam e a sensação de refrescante da brisa fazfaz-nos esquecer dos cuidados com a pele;  Aplique o filtro solar a cada duas horas.

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 Evite a exposição solar entre as 10 e as 17 horas, pois é quando a intensidade dos O auto-exame cutâneo regular é a melhor forma de se familiarizar com raios solar é maior; as manchas pigmentadas e os sinais.  Ter particular atenção às áreas sensíveis como rosto, Benigno: Benigno: lábios e cabeça; Sinal de aspeto normal. Contorno regular. Duvidoso: Duvidoso: Contorno irregular com cor desigual. Talvez benigno, necessita ser examinado pelo médico. Maligno: Contorno irregular, cor negra, não uniforme. Melanoma superficial. Diâmetro superior a 10 mm. Tratar sem demora. Maligno: Maligno: Melanoma nodular. Forma irregular e cor desigual. Tratar sem demora.

A exposição prolongada ao sol requer alguns cuidados com a pele

Fonte: Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo Fonte: Revista Nova Gente

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Em foco

Portugal como refúgio O sonho comum de mudar de vida fez com que Mariane, Natalino e Violeta escolhessem Portugal para viver. Mas, nem sempre é fácil realizar esse sonho.

H

oje, Portugal é o destino escolhido por muitas pessoas provenientes sobretudo dos países de Leste, do Brasil e de África. Há portugueses que consideram que os imigrantes vêm para cá perturbar a ―paz‖ Portuguesa, outros veem a sua chegada como ―uma lufada de ar fresco‖. Com a grande crise económica mundial que parece não ter fim, Portugal encontra-se em ruína em vários setores Mas, o nosso território revela-se um ―local de sonho‖ para as pessoas que decidem vir para cá morar e refazer a sua vida. Porquê Portugal? é a pergunta feita pelos Portugueses. A resposta é simples. A procura de melhores condições de vida é o principal motivo que leva alguém a imigrar. Em países em que a pobreza, o desemprego, a guerra, a violência e a perseguição política ou religiosa se alastram, torna-se decisivo

iniciar uma nova vida noutro país. Portugal é um país de esperança.

A procura de melhores condições de vida é o principal motivo que leva alguém a imigrar.

A chegada a Portugal ocorre nas mais variadas situações. Na bagagem trazem sonhos, esperança, saudade e uma vida por melhorar. Mariane Reis, cidadã Brasileira, reside em Portugal há cerca de cinco anos. ―Vim para cá em condições diferentes da maioria dos imigrantes. Quando chegámos estavam pessoas à nossa espera, já tínhamos uma casa para morar, um carro e o apoio necessário para os primeiros tempos. Portanto, foram muito boas condições, não nos faltou nada e tivemos bastante apoio‖.

Natalino Semedo é Cabo Verdiano. Vive em Vila Real com o objetivo de concluir o mestrado em Turismo. ―Os estudos cá em Portugal são mais desenvolvidos, valorizados e reconhecidos do que em Cabo Verde. Vim com o estatuto de estudante, mas sem bolsa do meu país. Os meus pais me pagaram o estudo, e algumas pessoas amigas portuguesas me ajudaram a pagar propinas‖. Violeta é Ucraniana. Não revela a sua idade. Atualmente, mora numa modesta casa em Viana do Castelo, mas no início ―morou‖ num carro com o marido por não ter dinheiro para alugar uma casa. Veio em busca do ―sonho lusitano‖. Portugal é um bom acolhedor. Tanto para Mariane como para Natalino, a receção foi boa. No entanto, Mariane considera que ―existe algum preconceito em relação aos brasileiros‖ e Natalino admite haver ―algumas reservas por parte de algumas pessoas‖.

Na bagagem trazem sonhos, esperança, saudade e uma vida por melhorar.

A procura de uma nova vida quando chegam aos países de destino leva os imigrantes a enfrentar grandes desafios. A busca de emprego de forma a assegurar a sua subsistência nem sempre é fácil, pois são poucas as opções de profissões para os imigrantes. Em situações de fragilidade, muitos imigrantes sujeitam-se a qualquer tipo de trabalho. São empregos, normalmente rejeitados pelos portugueses, cujas remunerações não são as ideais, ou pura e simplesmente não são pagas. Os imigrantes nem sempre são pessoas com capacidades de profissionalização e alfabetização baixa. Alguns, como é o caso dos Ucranianos, têm um nível Página 17


A busca de emprego de forma a assegurar a sua subsistência nem sempre é fácil, pois são poucas as opções de profissões para os imigrantes.

As dificuldades por que os imigrantes passam quando cá chegam são diversas. Há famílias que se separam, há sonhos de uma vida que se desmoronam, há pais que mudam de vida para terem como ajudar os filhos a completar os estudos, há uma cultura e língua diferentes, há um clima distinto e há um esforço de aceitação social. As situações discriminatórias acontecem em qualquer local como no trabalho, na escola, no hospital ou no café. Violeta é exemplo disso. Tem um olhar triste e um rosto com rugas vincadas que mostram a saudade e as dificuldades sentidas. Mal fala português, desconhece os seus direitos e não sabe a quem recorrer no caso de necessitar de ajuda. Esta Ucraniana é alvo de injúria e humilhação por parte das colegas de trabalho. Sujeita-se a tudo isso porque tem contas para pagar, como renda da habitação, comida, vestuário, saúde e receia não arranjar

“É importante a diversidade cultural em Portugal para que os portugueses possam aprender mais sobre outras culturas” A afirmação nos países de refúgio é um dos objetivos dos imigrantes. Francis Obikwelu (natural da Nigéria) e Naide Gomes (natural de São Tomé e Príncipe) são dois exemplos

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emprego noutro lugar. Mariane, apesar de ter sido bem recebida e acolhida, também, já se sentiu ―revoltada‖. ―Ao escrever um e-mail para um órgão de ―apoio‖ ao imigrante em Portugal, pedindo informações sobre como arranjar a autorização de residência em Portugal, as resposta que tive foi «vá trabalhar como empregada doméstica você e a sua mãe e depois procuram o SEF (Serviços de Estrangeiros e Fronteiras)»‖. Para Natalino, o clima foi a principal dificuldade. ―Aqui faz muito frio em relação ao meu país‖. Os imigrantes deparam-se com uma diferença cultural. A integração no país de acolhimento faz, muitas vezes, com que estes sintam uma perda de identidade. Mariane confessa-nos que ―é importante a diversidade cultural em Portugal para que os Portugueses possam aprender mais sobre outras culturas e deixarem de se basear apenas no que ouvem e veem da televisão.‖ Mariane e Natalino podemse considerar ―sortudos‖, porém as suas histórias ilustram apenas aqueles imigrantes que se conseguiram afirmar nos países de destino. Já Violeta apresenta uma situação bem diferente.

de sucesso. Naturalizaramse portugueses e, atualmente, representam o nosso país em competições desportivas de atletismo. Ambos contribuíram para o desenvolvimento e reconhecimento do país mostrando a importância que os imigrantes podem ter. Os imigrantes nem sempre são pessoas com capacidades de profissionalização e alfabetização baixa.

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de alfabetização alto e são formados em profissões que exigem grande destreza mental. Impõe-se a obrigação de imigrar, porque não conseguem exercer a sua profissão na sua ―Terra Natal‖. Violeta era no seu país assistente de um médico, cá trabalha como funcionária de limpezas. Na Ucrânia, Violeta estava habituada ao cheiro característico dos hospitais, agora, lida diariamente com o cheiro a detergentes.

Portugal revela-se um país de esperança

Viver com melhores condições seguindo os nossos sonhos e projetos é um direito de todo o ser humano.

para quem

▪ quer mudar

CLÁUDIA ROCHA e LIANE CAROLINA CAMACHO

de vida Página 18


No nosso país não deixou de existir emigração, mas Portugal é agora o destino de muitas pessoas que veem nele a esperança de uma vida melhor do que aquela que tinham. Viver Mais (VM): Portugal foi durante muito tempo um país de emigrantes. No entanto, atualmente tem-se verificado uma transformação desta tendência passando o nosso país a ser considerado um país de imigração. A partir de quando se verificou esta tendência? Maria Manuela Mendes (MMM): O nosso país nunca deixou de ser um país de emigração, contudo, a partir dos anos 80 do século passado tornou-me mais visível a presença dos imigrantes no nosso país (os seus quantitativos cresceram bastante, após 1980). Não é verdade que o nosso país tenha passado de um estatuto de país de emigração para o de país de imigração. Aquilo que se observa em Portugal, desde a década de 80, é uma espécie de sincronia entre os dois fenómenos. Até muito recentemente o fenómeno da emigração foi invisível nos mass media e também nos discursos políticos, tendo-se declarado nos anos 90 o ―fim da emigração portuguesa‖. Também é verdade que a investigação científica em torno do fenómeno da emigração também sofreu um défice de atenção e de produção. Ao longo do tempo, tem havido mudanças importantes sobretudo na composição dos movimentos emigratórios, nomeadamente nos protagonistas sociais (trabalhadores e mais qualificados), tempo

de migração (sazonal e temporária) e destinos. Nas décadas de 80, 90 e na actualidade os portugueses continuaram e continuam a emigrar principalmente para a Europa, por exemplo, Suíça, Reino Unido, Andorra e Luxemburgo.

“Portugal nunca deixou de ser um país de emigração, contudo, a partir dos anos 80 do século passado tornou-me mais visível a presença dos imigrantes no nosso país” VM: Quais são os países que escolhem Portugal como destino? MMM: As nacionalidades com um maior número de imigrantes no nosso país são os Brasileiros, os Ucranianos, o Cabo-verdianos, os Romenos, os Angolanos e os Guineenses. VM: Em que situação vêm os imigrantes para Portugal? MMM: De uma forma geral, e numa primeira fase do seu percurso migratório, os imigrantes vêm sozinhos, mas também encontramos a este respeito algumas diversidades. Assim, nas migrações provindas do Leste (homens sozinhos numa primeira fase) e até Brasil (mulheres sozinhas ou em casal), de uma forma geral, estes imigrantes entram com

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Imigração em Portugal

Maria Manuela Mendes Investigadora do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia

visto de turista e depois acabam por ficar em Portugal. Na imigração brasileira e do leste da Europa foi muito relevante o papel de redes informais e até ilícitas que organizavam o ―pacote‖ da viagem (viagem, visto e até o contacto com o empregador ou do primeiro local de trabalho). Nas migrações dos PALOP é sobretudo importante o papel da família e dos concidadãos no apoio que é prestado à organização da viagem e no estabelecimento destes imigrantes (no apoio à procura de habitação, trabalho e na autossubsistência numa fase inicial) em Portugal.

“Tem havido mudanças importantes sobretudo na composição dos movimentos emigratórios, nomeadamente nos protagonistas sociais (trabalhadores e mais qualificados), tempo de migração (sazonal e temporária) e destinos.

VM: Como é que os portugueses, na generalidade, veem a chegada destes imigrantes? MMM: De uma forma geral a opinião oscila, mas de uma forma geral há uma aceitação face à presença

dos imigrantes, no entanto, isto não significa que não haja racismo e discriminação face aos imigrantes.

“As nacionalidades com um maior número de imigrantes no nosso país são os Brasileiros, os Ucranianos, o Caboverdianos, os Romenos, os Angolanos e os Guineenses.” VM: A imigração é importante para um país como Portugal, pois os imigrantes ajudam a minimizar certos existentes como a taxa denatalidade e a realização de tarefas que normalmente são rejeitadas pelos nacionais… Para além destes, a chegada dos imigrantes há mais traz benefícios? MMM: Diversidade cultural, religiosa e linguística e a sua interinfluência entre imigrantes e sociedade de acolhimento (novos protagonistas culturais como pintores, designers, dançarinos, atores, artesãos, músicos entre outros), que poderão contribuir não só para a revitalização cultural mas também para o desenvolvimento económico local; Casamentos e relacionamentos mistos (alargamento da convivência multi e intercultural, mesmo no plano das relações familiares e mais pessoais); Maior Página 19


“De uma forma geral, e numa primeira fase do seu percurso migratório, numa primeira fase do seu percurso migratório, os imigrantes vêm sozinhos, mas também encontramos a este respeito algumas diversidades.”

VM: Quais são as principais dificuldades que um cidadão estrangeiro encontra ou pode encontrar num país estrangeiro? MMM: Atualmente são as dificuldades no campo da saúde, a integração no mercado de trabalho e a obtenção de uma profissão correspondente às habilitações e à experiência. As dificuldades sentidas no caso dos problemas de saúde podem ser justificadas por uma questão de idade e pela fase do ciclo de vida em que as pessoas se encontram, ou seja, à medida que a idade vai avançando as pessoas tendem a ter mais problemas de saúde, assim devemos estar perante problemas de saúde causados pelo envelhecimento e não por questões de adaptação à sociedade de acolhimento. No caso das dificuldades sentidas no mercado de trabalho provavelmente são valores influenciados pela conjuntura económica atual. Em todos os outros casos as dificuldades esbateram-se com o tempo.

“De uma forma geral há uma aceitação face à presença dos imigrantes, no entanto, isto não significa que não haja racismo e discriminação face aos imigrantes.”

VM: Na sua opinião, quais são as previsões para o nosso país em relação à imigração? Portugal continuará a ser o destino dos estrangeiros ou com a crise voltará à tendência de emigração? MMM: Continuará a receber imigrantes, embora em menor número, já que alguns re-emigraram para outros países e outros voltaram para o seu país de origem. Segundo a ONU, o fluxo de imigrantes registado a partir de 1990, que fez com que pela primeira vez Portugal registasse um saldo positivo entre imigrantes e emigrantes, vai cair para metade ainda nesta década e para quase zero a partir do meio do século. Outra questão levantada pelo relatório da ONU é a sustentabilidade da economia portuguesa, em particular da Segurança Social. A percentagem de pessoas com 65 ou mais anos de idade, a esmagadora maioria dependente de pensões, vai 'explodir' dos 17,9% no ano passado para os 34,3% em 2050. O número de pessoas com mais de 80 mais do que triplica (de 4,6% para mais de 14%). Paralelamente, a percentagem de jovens será menor. ▪

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enriquecimento cultural da sociedade de acolhimento (programas de rádio para comunidades imigradas, programas de televisão, associações…); Empreendedorismo imigrante (além de criarem o seu próprio emprego contribuem muitas das vezes para a dinamização do mercado local de emprego ao proporcionarem postos de trabalho a outros imigrantes e a autóctones).

FONTE: TSF (2002)

CLÁUDIA ROCHA e LIANE CAROLINA CAMACHO

“Portugal continuará a receber imigrantes, embora em menor número” FONTE: SERVIÇO DE ESTRANGEIROS E FRONTEIRAS (SEF)

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Entrevista. Ana Luísa Henriques venceu uma leucemia. Foto: Direitos Reservados

Viver a vida...

Tenho tendência a dar mais valor aos pequenos momentos e às pequenas vitórias” Nem sempre ter cancro é sinal de morte. Ana Luísa tinha 13 anos quando lhe foi diagnosticada uma Leucemia. Esteve seis meses internada nos Hospitais da Universidade de Coimbra, fez várias sessões de quimioterapia e a sua vontade de viver fê -la vencer. É a prova de que é possível sobreviver a este problema. Depois de derrubada esta barreira passou a encarar a vida de uma outra maneira. Viver Mais (VM): Como ficaste a saber que tinhas leucemia? Ana Luísa Henriques (ALH): Sentia dores bastante fortes num braço, dirigi-me a urgência do hospital mais próximo da minha zona de residência e o médico que me atendeu diagnosticou uma suposta tendinite, prescreveu-

me um medicamento que iria atuar sobre a inflamação que estaria a provocar a tendinite, e o qual eu deveria tomar durante cerca de 15 dias seguidos. Enquanto estive medicada não voltei a sentir dores, passados esses 15 dias a dor voltou, e ainda mais forte. Desta vez dirigi-me ao médico de família que entre outros exames me prescreveu a realização análises sanguíneas de rotina. Quando chegaram os resultados, o diagnóstico era a leucemia. VM: Lembraste do dia? ALH: Sim, foi no final do mês de agosto, eu estava no período de férias letivas. Lembro-me que o laboratório de análises informou primeiramente a minha mãe, uma vez que eu era menor, e lembro-me de a ver a chorar e não saber o que se passava. Nesse dia ela disse-me que eu estava muito doente e tinha uma leucemia e que no dia seguinte teria de ser encaminhada de urgência para o Hospital da Universidade de Coimbra. (H.U.C) VM: Que idade tinhas? ALH: Tinha 13 anos.

VM: O que sentiste? ALH: Não sei ao certo o que senti. Lembro-me que quando a minha mãe me disse ―tu estás muito doente, tens uma leucemia‖, a minha resposta foi: ―que fixe, vou rapar o cabelo!‖ Penso que com 13 anos não tinha noção da gravidade que é ser doente oncológica. Não me lembro sequer se questionei o que era uma leucemia. Além do mais, nada daquilo fazia sentido, pois apesar das dores no braço eu sentia-me bem. Apenas me apercebi que o ambiente à minha volta era realmente pesado, sinónimo de que o que eu tinha era algo grave.

“Com 13 anos não tinha noção da gravidade que é ser doente oncológica.” VM: Que tipo de leucemia te foi diagnosticado? ALH: Foi-me diagnosticado uma Leucemia Linfoblástica Aguda.

VM: Depois do diagnóstico da doença, quanto tempo demorou até se iniciarem os tratamentos? ALH: Fiz análises numa segunda-feira, recebi a resposta do laboratório numa terça-feira e na quarta-feira fui encaminhada para os H.U.C onde fui alvo de mais exames e de algumas despistagens a fim de se concretizar o diagnóstico. Nessa quartafeira a noite, iniciei a primeira sessão de quimioterapia. VM: A que tipo de tratamentos foste sujeita? ALH: Quimioterapia apenas. VM: Dividias o quarto. Com quantas pessoas? ALH: Dividia o quarto com outras duas pessoas. VM: Há alguma que te tenha marcado mais? ALH: É impossível dizer que apenas uma me marcou, todas a pessoas com quem lidei durante os seis meses de internamento marcaram-me imenso. No entanto, houve uma que foi mais especial: a Rita. A Rita era uma menina que teve leucemia com a mesma idade que eu e passou Página 21


“Todas a pessoas com quem lidei durante o internamento marcaram-me imenso.” VM: Viste alguns colegas partir... Como foi lidar com isso? ALH: Sim, a maioria das pessoas com quem privei faleceram. Nunca tinha lidado de perto com a morte e a primeira vez que tive de o fazer foi muito difícil. Quando uma das minhas colegas de quarto faleceu e quando eu soube da notícia, entrei em depressão. Ela significava muito para mim. Mais tarde quando faleceu a Rita também me custou muito, mas já não foi tão difícil de encarar a situação, pois eu já tinha noção de que as coisas não estavam a correr bem com ela. VM: Perante o que ias vendo à tua volta, alguma vez pensaste no pior? ALH: Sim, quando lidei pela primeira vez com a morte, acordei para a realidade. Percebi que naquela enfermaria a maior parte das pessoas morre e não sobrevive ao cancro e eu sabia que comigo talvez não fosse diferente, tinha noção de que o cancro me podia matar. Cada vez que pensava na morte sentia ânsia de viver, queria viver muitos anos, era como se afastasse de mim esta ideia negativa, mas quase certa que era a morte e a substituísse por uma intuição que me dizia claramente que eu não ia morrer, porque não queria e porque tinha ainda muitos anos para viver e experienciar. VM: Recebeste algum tipo de apoio psicológico? ALH: Não. Apesar de ter

sofrido uma depressão logo no meu primeiro tratamento, apenas fui medicada para tal. VM: Na altura estavas no 8º ano. Como foi ter aulas no hospital? ALH: Era complicado porque os tratamentos de quimioterapia deixavam-me muito debilitada e cansada. Lembro-me que muitas vezes a professora me estava a explicar um determinada matéria, mas eu tinha de parar nesse instante para vomitar (os enjoos são um efeito secundário da quimioterapia), mas depois retomava novamente o trabalho. No entanto, foi uma grande ajuda ter aulas no hospital, primeiramente, porque este tipo de contacto distraia-me e permitia que eu tivesse ocupada e depois porque, desta forma, não fui forçada a perder nenhum ano letivo por estar internada e ter uma doença da qual não fui culpada. VM: Durante quanto tempo estiveste internada? ALH: Durante seis meses.

“Nunca tinha lidado de perto com a morte e a primeira vez que tive de o fazer foi muito difícil.” VM: Lembraste do dia em que soubeste que estavas curada? Qual foi a sensação? ALH: Um doente de cancro muito raramente é dado como curado. No meu caso o que acontece é que estou em remissão completa, ou seja, no meu organismo não existe qualquer vestígio da doença, sou uma pessoa saudável. No entanto, ainda hoje passados sete anos, vou a consultas de rotina onde realizo análises periódicas. VM: Depois de saíres do hospital, quais os cuidados que tiveste de ter? Durante

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por um processo semelhante ao meu, no entanto, era uma menina frágil e delicada e fisicamente franzina. Entre nós surgiu uma grande amizade.

Esteve internada durante seis meses quando tempo? ALH: Depois dos internamentos, fiz dois anos de hospital de dia, uma vez por mês e fazia medicação em casa. Os cuidados a ter eram, sobretudo, com a alimentação e com os esforços. Não podia estar exposta ao sol durante muito tempo, tinha de ter cuidado com as constipações, pois as minhas defesas ainda estavam muito debilitadas. Estes cuidados acompanharam-me ao longo de cinco anos. Aprendi a viver com limitações, mas, apesar disso, como uma pessoa normal. VM: Qual foi o momento mais difícil dessa fase? ALH: Não houve um momento mais difícil, houve pequenas lutas que resultaram numa grande batalha. Penso que os momentos mais difíceis são para a família e

não tanto para o doente. É complicado para os familiares lidarem com a doença e é ainda mais complicado terem noção de que não podem ajudar diretamente a ganhar uma luta que não é deles. VM: Onde foste buscar forças para ultrapassar os momentos difíceis? ALH: A força surgia espontaneamente. Surgia da vontade de viver, do medo de morrer, do apoio que recebia da família e amigos, da certeza que não estava sozinha que tinha pessoas a torcer por mim. Os amigos e família são essenciais nesta força interior que ainda hoje não sei de onde vinha.

“Estou em remissão completa. No meu organismo não existe qualquer vestígio da doença.”

À Lupa Nome: Ana Luísa Vieira Henriques Aniversário: 17 de Outubro Idade: 21 anos Hobbies: Leitura, música, filosofia, política Cidade: Aveiro Livro: O meu pé de laranja lima Autor: Fernando Pessoa Filme: My sister keeper Um desejo: Que o sonho comande sempre a minha vida. Página 22


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VM: Consideras que falar com outras pessoas que tenham vivido uma situação semelhante à tua te reconforta de alguma forma? ALH: Reconforta-me imenso poder falar com pessoas que estão agora a passar por algo semelhante ao que eu já passei, na medida em que possa servir de exemplo positivo e de esperança de que o cancro mata é certo, mas que também é possível enfrentá-lo e sobreviver. VM: Hoje, depois teres passado por toda essa luta, o que mudou na forma como enfrentas a vida? ALH: Hoje tenho tendência a dar mais valor aos pequenos momentos e às pequenas vitórias. Tornei-me uma pessoa mais fria, mas mais consciente da vida e das suas responsabilidades. Cresci imenso com esta experiência e isso foi o mais positivo.

“Aprendi a viver com limitações, mas, apesar disso, como uma pessoa normal.”

VM: Custa-te falar nisso? ALH: Não, de forma nenhuma. VM: Dedicas muito do teu tempo a ajudar os outros… Há quanto tempo és bombeira voluntária? ALH: Desde de novembro de 2005. VM: Como te tornaste bombeira? ALH: O meu pai e o meu irmão são bombeiros, cresci nesse meio. Ser bombeira, para mim, era algo que iria fazer parte da minha vida. VM: Costumas fazer piquetes nos bombeiros, o que te obriga a pernoitar no quartel dos Bombeiros… Como funciona? ALH: Temos cerca de 12 equipas. A cada equipa pertence uma letra do alfabeto. Depois há uma escala que abarca os doze meses do ano e em que cada dia uma dessas equipas (de voluntários) tem de pernoitar no quartel. Basicamente, fazemos piquetes de nove em nove dias. De sábado para domingo o piquete que pernoita no quartel fica também até domingo às 13h e, depois, segue-se um piquete que faz a tarde até às 21h.

É bombeira nos Bombeiros Voluntários da Murtosa

VM: Já tiveste alguma situação que te tivesse marcado por uma razão especial? ALH: Já passei por várias situações, marcam-me, sobretudo aquelas mais engraçadas como ter de socorrer um trabalhador que caiu do cimo do tecto de uma vacaria mesmo em cima do estrume das vaquinhas e termos de socorrer o senhor neste tipo de ambiente e com as vacas ao nosso lado. VM: Estás prestes a concluir a tua licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais, na Universidade da Beira Interior. Quais são as tuas perspectivas de futuro? ALH: Neste momento, as minhas perspectivas não são as mais optimistas, neste contexto de crise em que vivemos, sei apenas que vou ter de me esforçar em dobro para alcançar aquilo que definir como os meios principais objectivos. E espero ser bem sucedida a esse nível. ▪

LIANE CAROLINA CAMACHO

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Ana Luísa é uma verdadeira lutadora

Estudante de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade da Beira Interior

“Ser bombeira, para mim, era algo que iria fazer parte da minha vida” Página 23


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Moda com Atitude

Tendências Primavera/ Verão para Ela & Ele Patrícia Pereira Para os leitores da revista “Viver Mais” e considerando que esta é a minha primeira abordagem conclui que o ideal seria começar por dar sugestões de tendências adequadas à estação atual (primavera/ verão 11), mas …. com um detalhe extremamente interessante.

Para o Homem mais jovem temos a tendência ―muito Teen‖ American Vintage. Esta tendência foi inspirada nas equipas de futebol e basquetebol Americano, que foram transportadas para o nosso quotidiano para um homem urbano, citadino, descontraído e de bem-estar com a vida.

Este verão usa-se imensa cor, as cores quentes, os fúshias , também os nudes e realmente a nível de cor acredito que a principal novidade da estação é o Look Black Total que é tão raro ser uma tendência no verão, por isso quem gosta do preto total use e abuse esta estação.

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Para um Homem mais moderno que goste de usar fato, mas que assim mesmo também aprecie as tendências de moda, poderá usar a mono cor pois dependendo do corte do fato, manter-seá mais ou menos clássico e definitivamente com uma tendência de moda.

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A tendência geométrica tal como o nome indica vale todo o tipo de geometria, mistura, cores e materiais e pode ser usada em qualquer situação, logo que a matéria -prima esteja adequada á mesma. Relembro que a silhueta Maçã é a menos privilegiada nesta tendência e deverá evitar.

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Para a Mulher uma das peças essenciais é o nosso My Little Black Dress (LBD) mas … no verão a peça essencial é efetivamente o My Little White Dress (LWD) a demais que esta estação a cor branca é efetivamente mais notória, por isso Girls.... toca a comprar um vestido branco.

Fashion Adviser (Consultora de moda)

Outra tendência muito importante é a tendência floral e geométrica. Definitivamente a floral é fresca e happy que anula na totalidade o padrão dos quadrados no nosso guarda-roupa.

Para o Homem que quiser colocar esta dica em prática, relembro que se escolhe a cor azul poderá usar diversos tons de azul. Não é sinónimo de tonalidade exatamente igual embora não deva oscilar muito a diferença da mesma.▪ PATRÍCIA PEREIRA

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Estar na moda A Moda é para dar prazer

muito marcantes. Optar por peças discretas ou por nada. Em relação aos sapatos, saber conciliar o tipo de calçado mediante o corte das peças escolhidas e do formato do pé. Não esquecer que os pés querem-se cuidados quando expostos em sandálias abertas. A moda é para dar prazer a quem usa e a quem vê. É também motivo de inspiração, pois é importante não ser igual a todos os outros. Tenha prazer em ter um estilo próprio, mais não seja num pequeno detalhe. Aí recai a diferença. Tenha atenção à maquilhagem, por mais discreta que seja (colocar base, pó compacto e batom ou gloss no dia-adia) e cabelo hidratado. Estar na moda é um todo! ▪

Catarina Vasques Rito Consultora de moda

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cima de tudo estar na moda é uma questão de atitude. Existem dois factores fundamentais para se estar na moda: o corpo e o estilo. Depois de se ter bem presente estas duas questões, então, tentar perceber o que ditam as tendências, que neste momento passam por diversas coisas, a saber: riscas; assimetrias; cores nude; padrões fortes; calças cigarrette; calças largas; vestidos compridos e largos; vestidos curtos e justos; vestidos saias rodadas. Enfim, o divertido da moda neste momento é tudo estar na moda, onde vários estilos, influências se cruzarem, permitindo um jogo entre distintas ideias, ajudando às mais variadas silhuetas. No entanto, evitar os corsários e as calças de cós muito baixo, assim

como as blusas ou tops muito curtos. Sabendo que os estilos 'hippie', 'navy', 'urbano', 'romântico' ou 'country' estão na moda, e não só, é ver o que melhor se adapta ao seu género. Depois fazer algum shopping em lojas como Zara, Mango, Bershka, Lanidor, Globe, Stradivarius, Modalfa, Desigual, Massimo Dutti, Benetton ou Sisley (entre outras) e entrar no espírito deste Verão, onde a cor e o padrão predominam. No caso d e só go star de tonalidades mais neutras, não tem de se preocupar, pois o branco e o nude também estão na moda. Os acessórios são um complemento, e por isso devem ser vistos como isso mesmo, um complemento. Quando se escolhem vestidos muito elaborados ou garridos, não usar colares, brincos ou pulseiras

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a quem usa e a quem vê

CATARINA VASQUES RITO

Os estilos „hippie‟, „navy‟, „urbano‟, „romântico‟ ou „country‟ estão na moda

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Beleza & Bem-estar As dicas de Manuela Nunes Manuela Nunes

Cuide de si sem gastar muito dinheiro! Contra o suor e mau cheiro dos pés

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Misture 2 colheres de sopa de folhas e flores de louro picadas num litro de água a ferver; deixe ferver durante 10 minutos. Coe e misture com água morna, mantenha os pés durante 15 minutos nessa água.

Sumo para ativar o bronzeado

Truque pré-festa

Antes que a época balnear se inicie, beba todos os dias em jejum um sumo de laranja, com sumo de cenoura, sumo de beterraba e sumo de abóbora. O seu bronzeado ficará mais bonito e natural.

Bata duas claras de ovo e aplique no rosto e deixe secar. Retire com água tépida. Melhora o aspeto da pele de imediato e é ótimo para situações inesperadas ou up antes de uma festa.

Creme anti-rugas É necessário: 1 Pepino, 1 colher de chá de azeite, 1 colher de sopa de farinha de trigo,1 colher de farinha maisena. Reduza o pepino a sumo (se tiver alguma dificuldade pode misturar um pouco de água mineral sem gás) e misture todos os ingredientes. Se for necessário, para ficar com mais consistência, pode misturar mais farinha de trigo ou mais farinha Maisena. Pode aplicar este creme todas as noites após a limpeza do rosto. Este creme também ajuda a aclarar as sardas.

Infusão relaxante de eucalipto

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Para esta infusão são precisas: 2 Folhas de eucalipto; 3 Folhas de hortelã; 2 gotas de óleo de lavanda Cascas de laranja e de limão. Ferva meio litro de água e deite por cima das folhas e das cascas e misture o óleo. Colocar o rosto a receber esse vapor durante 10 minutos. Também serve para os pés, ajuda a relaxar e ativar a circulação.

Truque para pele mista e com acne Truque anti-idade

Dica anti-idade Misture 1/2 mamão amassado com uma colher de sobremesa de mel. Este truque auxilia também no tratamento de peles com manchas. Hidrata, rejuvenesce e

Esteticista

Misture uma barra de gelatina incolor em meio copo de vinho tinto e deixe gelar por 15 minutos. Aplique no rosto e deixe atuar durante 30 minutos.

Misture meio pepino fatiado com meia colher de farinha maisena na misturadora. Equilibra e revitaliza a pele.

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esteticista Manuela Nunes lançou, recentemente, um livro com ―217 Receitas de Saúde e Beleza‖. Ora veja algumas... Chá de folhas e flores de Artemísia: ideal para alívio de dores menstruais. Beba duas ou três chávenas por dia. Chá de grãos de Pimenta: para alívio de enxaquecas. Molhe o pó de pimenta em gaze, esprema bem e aplique

sob a nuca. Chá de flores de Poejo: utilizado para tratamento de infeções bocais (aftas e sapinhos). Chá de flores de Sálvia: serve para evitar suor excessivo. Chá de folhas e flores de Louro: utilizado para evitar o suor e o mau cheiro dos pés. Aplique o chá nos pés durante 15 minutos. Chá de folhas de Hamamelis: para aliviar varizes e inchaço nas pernas e pés.

Chá de flores de Lógena: para a anemia, a falta de apetite e a gastrite. Chá de folhas de Abacateiro ou Centelha Asiática: problemas de obesidade. Beba duas a três chávenas por dia. Chá de erva Cidreira: nervosismo e ansiedade. Chá de folhas de Alcachofra, casca crua de Beringela, folhas de Erva doce: para combater o colesterol. ▪

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Os efeitos dos chás

Livro “217 Receitas de Saúde e Beleza” de Manuela Nunes

Dormir bem pode ajudar a emagrecer

ormir bem e reduzir os níveis de stress pode ajudar a emagrecer, revelou um estudo divulgado pela Revista Época. Mas, os médicos alertam dizendo que esta não é a única solução e, por isso, ter uma vida saudável em todos os sentidos também poderá ajudar. Um estudo do médico Kaiser Permanente descobriu que diminuir os níveis de stress e dormir mais do que seis horas e não mais de oito horas, por dia, auxiliam a perder peso.

Cerca de 500 pacientes foram analisados durante a pesquisa que relaciona o sono, a depressão e o tempo que se gasta em frente ao computador com a facilidade que uma pessoa possui para emagrecer. O stress e a falta de sono com qualidade associados à obesidade já haviam sido estudados anteriormente, mas segundo os médicos não se tinha relacionado o facto de se dormir bem com a perda de peso. ―Este estudo mostra que quando as pessoas estão a tentar perder peso devem dormir adequadamente‖, disse o autor da pesquisa, Char-

les Elder, acrescentando que ―algumas pessoas precisam simplesmente de ter mais espaço nas suas agendas e dormir um pouco mais. Outras vão perceber que os exercícios as ajudam a descansar melhor e a reduzir os níveis de stress.” A pesquisa envolveu duas fases: na primeira, os participantes comprometeram-se a perder quase cinco quilos em seis meses. Caso conseguissem, passavam para o próximo passo, no qual eram submetidos apenas a tratamentos de acupuntura para emagrecer. De acordo com os resultados,

quantidade de sonos e de stress eram bons fatores na luta pela perda de peso. Apesar dos bons resultados, os investigadores afirmaram que os pacientes estavam muito motivados e, por isso, não se pode aplicar uma regra que confirme que dormir mais significa um emagrecimento mais rápido sem que a pessoa tenha motivação. No entanto, os médicos estão seguros de que esses fatores podem ajudar, assim como ter um registo do que se come diariamente para conseguir controlar o apetite. ▪ PUB


Descobrir Portugal

Évora

Beleza e História Situada no coração do Alto Alentejo, a cidade de Évora é exemplo da grande riqueza histórica, cultural e artística construída e preservada ao longo dos tempos. Classificada, em 1986, como Património Cultural da Humanidade, esta metrópole é conhecida pela beleza, pela cozinha tradicional e pela exuberância dos seus monumentos. Évora tem o encanto próprio das cidades antigas.

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Onde ficar

Onde comer

desde uma riqueza natural e patrimonial às unidades de turismo rural e de enoturismo. O artesanato, a gastronomia, os sabores, as tradições, o povo hospitaleiro, a cultura, a história e a beleza tornam Évora numa cidade apaixonante, à espera de ser visitada.▪ CLÁUDIA ROCHA e LIANE CAROLINA CAMACHO

Paladar da cozinha tradicional alentejana Após uma visita histórica pela cidade, o visitante poderá deliciar-se com a gastronomia tradicional alentejana. O sabor do prato é complementado com a excelência dos produtos locais, como o vinho e o azeite. Experiências únicas que merecem ser revividas numa das mais antigas povoações de Portugal. Évora

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Cidade Emblemática A importância desta cidade deve-se, em grande parte, à sua história, que recua ao período Neolítico, tornando-a uma das cidades romanas mais admiráveis e, mais tarde, um dos grandes centros do Sul do país. Évora era um lugar frequente de visitas e estadias dos monarcas, devido ao património histórico e artístico que ainda hoje preserva. É esse conjunto monumental da cidade associado ao urbanismo popular e aos melhores modelos de qualidade de vida do país que estão na

Vestígios do passado As origens de Évora estão ligadas a um passado longínquo. As suas ruas, palácios, igrejas e monumentos contam parte da nossa História. Évora é testemunha de diversos estilos e correntes estéticas patentes em monumentos de várias épocas. Caminhando pelas ruas antigas, entre casas brancas com barras coloridas e varandas de ferro do século XV, deparamo-nos com a paisagem arqueológica megalítica e com a exuberância dos palácios, mosteiros e igrejas. Possuidora de uma vasta riqueza histórica, cultural e religiosa, esta região tem inúmeros locais emblemáticos. O Recinto Megalítico dos Almendres, cuja data remonta ao V milénio Antes de Cristo, constitui o maior monumento megalítico

europeu mais antigo quer ao nível da sua dimensão quer quanto ao estado de conservação. O templo de Diana - um dos mais célebres templos romanos portugueses da Península Ibérica- é uma das suas riquezas devido às suas características canónicas greco-romanas. A Catedral de Santa Maria (um edifício românico-gótico dos séculos XIII-XIV), a Universidade de Évora, a Igreja da Graça, o Aqueduto da Água da Prata também contam a sua história, sendo alguns dos monumentos que fazem de Évora uma cidade museu.

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É

base da classificação de Évora como Património Cultural da Humanidade, desde 1986.

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uma das cidades mais antigas e mais bem preservadas do nosso País. Capital da região do Alentejo, Évora foi fundada pelo povo romano que a denominou de Ebora Liberalitas Iulia. Atualmente, tem cerca de 50 mil habitantes e ocupa uma área de 1.309 Km2.

Pensão Giraldo Rua dos Mercadores, 27 7000-530 Évora Tel: 266 705 833 Preços: 30 - 50 € Residencial Os Manuéis Rua do Raimundo nº35 7000-661 Évora Tel: 266 769 160 Preços: 25 - 60 € Pensão Residencial Diana Rua Diogo Cão, nº2 7000-872 Tel: 266 702 008

O que visitar

Restaurantes: A Baiuca Rua das Fontes, 67 7000-589 Évora Preço Médio: 10 €

Museu de Évora

Mr. Pickwick Rua da Alcárcova de Cima, nº3 7000-842 Évora Tel: 266 706 999 Preço Médio: 15 €

Capela dos Ossos

O Garfo Rua de Santa Catarina 13/15 7000-516 Évora Tel: 266 709 256 Preço Médio: 15 €

Convento dos Remédios

Palácio dos Duques do Cadaval Igreja de S. Brás

Templo de Diana Universidade de Évora

Castelo Velho Aqueduto da Água da Prata

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Entrevista. Rui Oliveira é um talento em ascensão.

A vida de Rui Oliveira

“Não me imagino com outra profissão” Rui Oliveira sempre lutou pelo seu sonho, o fotojornalismo. Hoje, trabalha na agência Global Imagens e já conquistou muito a nível profissional, com apenas 28 anos, embora só esteja nesta área há cerca de dois anos. Viver Mais (VM): Quando começaste a fotografar? Rui Oliveira (RO): Comecei a fotografar na altura em que estava a tirar um curso de Gestão. Sentia-me desadequado ao que estava a fazer e entrei em rotina. Para fugir um bocado à depressão de fazer algo de que eu não gostava, comprei uma pequena câmara em modo automático. Comecei a fotografar na rua e fui tirando fotos perfeitamente banais, nada de técnico, sem ter noções nenhumas. VM: Onde te formaste em fotografia? RO: No Instituto Português da Fotografia. Tinha várias

modalidades e optei por um curso que me complementasse, que abrangesse tudo, ou seja, optei por um curso de fotojornalismo, de moda, de fotografia em geral. Quando conheci várias áreas, optei pela minha preferida, o fotojornalismo. VM: Quando percebeste que te querias dedicar à fotografia? RO: Quando comecei a tirar fotos apenas por tirar, percebi que era aquilo que eu queria fazer. VM: Há quanto tempo és fotojornalista? RO: Trabalho há dois anos. Estagiei no jornal Correio da Manhã e trabalhei lá durante oito meses. Trabalhei, também, numa revista de moda, de social chamada In People e, atualmente, estou na Global Imagens que abrange Jornal de Notícias, Diário de Notícias e Jornal O Jogo. Colaboro com uma revista de Música, a Whisper Magazine. VM: É difícil trabalhar na tua área? RO: É bastante difícil, porque a exigência é cada vez

maior. Todos os anos há muita gente a tentar entrar nesta área e os jornais não estão a passar por uma fase propriamente boa, há vários jornais a fechar... VM: É fácil conciliar a vida pessoal com a profissional? RO: Não, é muito difícil gerir os horários... No meu caso, não obedeço a qualquer tipo de horários fixos. Podem precisar de mim e a qualquer momento tenho de estar disponível. VM: Continuas a investir na tua formação? De que forma? RO: Sim, desde que acabei o curso fui fazendo alguns workshops. O último que fiz foi na Magnum, a maior agência de fotojornalismo do mundo. “Comecei a tirar fotos apenas por tirar, percebi que era aquilo de que eu gostava” VM: Atualmente, trabalhas para a Global Imagens, no Porto. Como é o teu dia-a-dia? RO: O meu dia-a-dia não é

como à tarde. Acho que a única coisa que consigo descrever como uma rotina será o entrar no edifício. Quando chegamos da rua, passamos para o computador as fotografias tiradas. Obedecemos a algumas normas em relação à edição de fotografia: não podemos alterar imagem, temos de criar uma legenda e colocamos no sistema. VM: Já estiveste em situações arriscadas, de perigo? RO: Às vezes, há situações de perigo das quais não estamos à espera. Recordo-me de, quando trabalhava no Correio da Manhã, ter ido fazer um trabalho a Valença, um trabalho perfeitamente normal, acerca do comércio nas muralhas e houve uma apreensão de material contrafeito... Quando os comerciantes perceberam que nós estávamos a fotografar aquele aparato todo e tentaram agredir-nos. Pegaram na câmara do repórter de vídeo e tentaram mandá-la para debaixo do muro. VM: Qual a máquina que usas? RO: Diariamente uso uma Canon 5 D Mark II ou uma Página 32


logia tem aproximado o fotógrafo profissional do amador? RO: Em alguns aspectos, sim. O lado negativo é que pode-se utilizar para próprio proveito. Agora criou-se um bocado a ideia geral de que fotografar é muito fácil e não tem nada que saber, mas exige empenho, trabalho, arriscar, estar em constante evolução, ser rápido e original… VM: Apesar de seres muito jovem, o teu trabalho já foi reconhecido várias vezes. Que prémios já arrecadaste? RO: Inicialmente, um dos que mais me marcou foi a minha seleção para o concurso ―Lá e Cá‖, que era uma parceria de estudantes finalistas de fotografia de Portugal e do Brasil, ou seja, tínhamos alguns trabalhos que era seleccionados para representar o nosso país no Brasil e acontecia o mesmo ao contrário. Era constituído por três exposições nas cidades de Lisboa, Rio de Janeiro e Brasília. Recebi o prémio de prata em Reportagem Ibérica e fui selecionado para integrar o workshop mundial da Magnum… Também ganhei alguns concursos de fotografia. VM: E projetos para o futuro? RO: Futuramente, vou tentar expandir-me um pouco mais. Sinto-me muito bem na fotografia e é isso que quero, mas noto que há algumas lacunas… Pretendo fazer um curso para aliar a fotografia ao vídeo, ou seja, conseguir aliar as duas coisas. Mas ainda estou a decidir, ainda não sei onde o vou tirar…

“Inicialmente inspireime em alguns ícones da fotografia como Robert Capa, Henri CartierBresson Em Portugal também tenho alguns fotógrafos que acabam por ser ícones.”

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Canon 1 D Mark III. Em momentos de maior adrenalina, tribunais, apreensões uso sempre as duas. A 5D Mark II quando é um trabalho em que tenha mais calma. VM: O que é que mais gostas de fotografar? RO: Sou um bocado viciado em adrenalina. Gosto muito de fotografar desde crimes até acidentes, apreensões policiais, tudo o que envolva ação e envolva um certo perigo. VM: O que faz, na tua opinião, uma boa fotografia? RO: Tem de estar bem tecnicamente, tem que ter uma lógica, fazer com que as pessoas percebam o que se quer transmitir. Além do momento, que é o que faz a fotografia, tem-se que conseguir criar um dinamismo e ser apelativo àquele momento, conseguir construir algo ali, através da técnica e do enquadramento. VM: Há algum fotógrafo que consideres um ídolo, uma inspiração? RO: Inicialmente inspirei-me em alguns ícones da fotografia como Robert Capa, Henri Cartier-Bresson... Em Portugal, também tenho alguns fotógrafos que acabam por ser ícones. Em termos de carreira, gosto muito de Alfredo Cunha, um exemplo a seguir, e como inspiração diária são o Leonel de Castro e o Paulo Pimenta. VM: A técnica fotográfica tem evoluído… Hoje é possível fazer montagens e alterações na imagem. O que pensas acerca disso? RO: É um tema muito falado ultimamente… Tudo o que se pode fazer no Photoshop, que as pessoas acham que é milagre, podia fazer-se antigamente no laboratório, quando as fotos eram tiradas a rolo. A única diferença é que hoje em dia qualquer pessoa tem um computador e pode alterar uma foto. Em termos de arte, acho fabuloso, porque conseguimos alterar mais facilmente. Em termos de fotojornalismo, acaba por não me abalar não me diz muito porque não o utilizo. VM: Acreditas que a tecno-

VM: O que é que ainda não fizeste e gostavas de fazer? RO: Muita coisa… Neste momento, sinto-me um aprendiz. Todos os dias tento aprender com as pessoas com quem trabalho. Sinto-me muito pequenino, ainda me falta fazer muita coisa… Há uma experiência que me deixa a pensar várias vezes: se eu conseguiria ser fotógrafo de guerra. Gostava de experimentar... Já experimentei algumas situações arriscadas. A que mais me marcou foi uma operação no Bairro do

Aleixo, em que entrei na torre mais problemática onde há muito tráfico de drogas e de armas. Entrei lá e consegui fotografar a entrada da polícia. Entrar num cenário daqueles sem máscara, só com t-shirt e calças e câmara na mão, às vezes, não é muito fácil. VM: Se não fosses fotojornalista, o que gostavas de ser? RO: Não me consigo imaginar com outra profissão. ▪ CLÁUDIA ROCHA

À Lupa Nome: Rui Miguel Rocha Oliveira Aniversário: 2 de Julho Idade: 28 anos Hobbies: Fotografar, andar de mota, futsal, ler, cinema, música, sair com os amigos Cidade: Porto Livro: The Europeans Autor: Henri Cartier-Bresson Filme: Palermo Shooting Um desejo: Fazer o que faço por muitos anos e com o mesmo gosto de quando comecei Site http://ruioliveiraphotospot.blogspot.com/


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A receita de Hernâni Ermida

Terrina de Fiambre Para 6 pessoas | Grau de dificuldade: Fácil | Tempo: 80 minutos

Hernâni Ermida Chefe de cozinha

Ingredientes         

400 g de espinafres ultracongelados 2 embalagens de fiambre fatias finíssimas 2 dl de polpa de tomate 1 embalagem de pão de forma branco 100 g de creme vegetal para cozinhar 60 g de farinha 1 litro de leite quente 100 g de queijo mozzarella ralado Sal q.b. Pimenta q.b.

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Prato principal por 0,93 € / pessoa Modo de preparação 1º - Deixe descongelar os espinafres. Leve ao lume uma frigideira com 20 g do creme vegetal para cozinhar, deixe-o derreter, junte os espinafres e deixe-os cozinhar até perderem o líquido. Tempere com sal e desligue o lume. Retire a côdea ao pão. 2 º - Prepare o molho: Leve ao lume um tacho com o resto do creme vegetal para cozinhar, deixe-o derreter, junte a farinha e mexa bem. Depois junte o leite quente em fio, mexendo sempre até obter um molho cremoso. Tempere com sal e pimenta. Ligue o forno a 200˚C. 3 º - Coloque no fundo de um recipiente de forno uma camada de fatias de pão de forma barradas com polpa de tomate, cubra com as fatias de fiambre e espalhe em cima os espinafres. De seguida cubra com outra camada de fatias de pão de forma barradas com polpa de tomate, cubra com o molho e polvilhe com o queijo ralado. Leve ao forno durante 20 minutos, retire e sirva. Página

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A sobremesa de Pedro Leite

Souflé de kumquat Para 4 pessoas | Grau de dificuldade: Fácil | Tempo: 60 minutos Pedro Leite

Ingredientes 200 g de Kumquat

40 g de manteiga

50 gr de farinha

2 dl de leite

4 gemas

4 claras

120 g de açúcar

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Estudante de cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra

Sobremesa por 0,87 € / pessoa Modo de Preparação 1º - Unte taças com manteiga e polvilhe com açúcar 2º- Pré-aquecer forno a 200ºC 3º - Abra os frutos e retire as sementes 4º - Triture (sem retirar casca) e passe a polpa por um coador ou peneiro 5º - Dissolva o açúcar no leite 6º - Derreta a manteiga num tacho, adicione a farinha e mexa bem para que ligue. Junte o leite aos poucos e mexa bem para que não crie grumos e deixe cozer um pouco. Este preparado deverá ficar bem espesso 7º - Adicione a polpa de kumquat, as gemas e envolva bem 8º - Bata as claras em castelo e envolva cuidadosamente 9º - Encha cada taça com a massa até 2/3 e leve ao forno pré-aquecido a 200º C durante 10/12 minutos 10º - Polvilhe com açúcar em pó e servir ainda quente PUB

C o m p r o v e!

Produto

Preço

Quantidade Valor Real

Kumquat

12,95 €

0,2

kg

2,59 €

Manteiga

5,96 €

0,04

kg

0,24 €

Farinha

0,72 €

0,05

kg

0,04 €

Leite

0,72 €

0,2

kg

0,14 €

Açúcar

0,92 €

0,12

kg

0,11 €

Ovos

0,09 €

4

uni

0,36 €

Total:

3,48 €


Poupar mais

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Cuidados ao reservar hotéis pela net

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facilidade do acesso à internet faz com que muitos portugueses utilizem este meio para planear e reservar as suas férias. Recentemente, a Deco fez um estudo acerca da reserva de hotéis pela internet. A conclusão obtida foi a seguinte: é necessário pesquisar muito bem e ter em atenção vários critérios antes de agir. Tenha em conta: a facilidade de con-

tacto (número de telefone, e-mail) e identificação do sítio (entidade proprietária, morada); clareza do local (categoria, popularidade, preço); facilidade de localização (importante para quem não conhece bem o local a visitar); acesso às condições de utilização do serviço e às do contrato. Esse mesmo estudo serviu, ainda, para verificar que as páginas na internet de hotéis nacionais disponibilizam pouca informação ao

consumidor. A Deco aconselha, ainda, a comparar preços antes de fazer qualquer reserva. É importante visitar vários sites de hotéis antes de tomar uma decisão, pois há casos em que as diferenças de preços são abismais. Procure informar-se sobre as características oferecidas pelo alojamento e compare valores. Portanto, antes de traçar o seu destino, pesquisar é essencial. ▪

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Truques para poupar Camilo Lourenço Jornalista de Economia CL: O melhor é dizer que não se pode gastar acima das nossas posses. VM: Onde cortar nas despesas da casa? CL: Nas coisas supérfluas: ineficiência energética, água, etc. Mas sobretudo nas despesas que não são fundamentais para o nosso dia a dia. Por outro lado, na conjuntura actual, é melhor optar pelo arrendamento e não pela compra de casa. VM: Quais as medidas a implementar nas famílias portuguesas agora que o FMI está cá? CL: Não gastarem acima das suas posses VM: É seguro ter dinheiro nos bancos? CL: É mais seguro do que ter o dinheiro em baixo do colchão. VM: Dicas para poupar

dinheiro nas acções do dia-a-dia. CL: São muitas as coisas que podem ser feitas. Por exemplo, não comer tantas vezes fora. Por exemplo não levar o carro todos os dias para o trabalho. Por exemplo usar o carro de forma moderada nos finsde-semana. As compras nos supermercados devem ser feitas segundo uma lista rigorosamente planeada. As compras nos supermercados devem ser feitas segundo uma lista rigorosamente planeada. Não gastar dinheiro só em coisas de marca; as marcas brancas (também na roupa e higiene) são um bom substituto para as marcas.▪

Fonte: Público

Viver mais (VM): Como são os hábitos de poupança dos portugueses? São um povo poupado ou gastador? Camilo Lourenço (CL): São um povo que já foi aforrador e que hoje gasta o que tem... e o que não tem. Veja o último gráfico da poupança em Portugal, divulgado pela Católica, que está ao nível mais baixo desde 2001. VM: Os portugueses sabem organizar o seu orçamento? CL: Não me parece. Caso contrário não haveria tantas famílias em dificuldades por se terem endividado em excesso. 599 mil famílias deixaram de pagar os créditos ao consumo… VM: O que são despesas desnecessárias?

CLAUDIA ROCHA e LIANE CAROLINA CAMACHO

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Poupe combustível, proteja o ambiente Há pequenas atitudes que fazem a diferença...

Mudança Nas descidas e travagens, mantenha uma mudança engrenada, pois o consumo será nulo.

Conduzir por antecipação

Se o percurso for curto, prefira utilizar uma bicicleta ou vá a pé. Além de não prejudicar o ambiente, poupa na carteira.

Peso na bagageira Retire objetos desnecessários da bagageira, pois o consumo aumenta 7 por cento por cada 100 kg a mais.

Ar condicionado Para poupar o ambiente e combustível, limite o uso do ar condicionado. Nas autoestradas poupa entre 15 a 20 por cento de combustível e na cidade 30 por cento. Semáforo fechado Quando se encontrar a alguma distância, não acelere para travar em cima. Abrande, para que possa acelerar de novo quando abrir.

Motor desligado Procure arrancar com suavidade quando fizer paragens superiores a 1 minuto.

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Autoestrada Foto: Cláudia Rocha

De forma a evitar travagens repentinas e manobras bruscas, esteja atento ao veículo que esteja à

Evitar usar o carro

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Rotações Num motor a gasolina, evite ultrapassar as 3 mil rotações por minuto e num motor a gasóleo evite as 2500. Passe para a mudança seguinte.

Foto: Cláudia Rocha

Sabia que o seu comportamento na estrada influencia o consumo e a emissão de poluentes? Existem várias ações que permitem poupar algum dinheiro e minimizar as consequências negativas para o ambiente. Nas suas deslocações diárias, o ideal seria deixar o automóvel em casa, mas se não pode evitar utilizá -lo, tome nota de alguns conselhos e truques que podem fazer a diferença no seu orçamento. De que está à espera para poupar?

Se conduzir a uma velocidade média de 100 km/h, reduzirá no consumo e aumentará a segurança.

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Mundo Verde Parques Naturais precisam de mais financiamento

O

secretário de E sta do do Ambiente, Humberto Rosa, admitiu à Lusa, que os parques naturais devem ter financiamento alternativo às transferências do Orçamento de Estado para fazer face às limitações financeiras atuais. Reagindo às críticas dos ambientalistas e reconhecendo que os ―parques naturais têm carência de recursos‖, Humberto Rosa defendeu que ―o país deve ponderar formas adicionais de finan-

Isabel Alves Professora na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

ais ambient s a m le b Os pro

m ser não pode

solu

―forma adequada‖. Assim, Humberto Rosa rejeita que os parques estejam ―sem capacidade de intervenção e sem assegurar que aqueles troços de território mantêm uma marca distintiva especial e particular‖. Sobre as relações com os autarcas e munícipes, o secretário de Estado do Ambiente reconhece a existência de pressões. No entanto, nos planos de ordenamento, ―acho que fizemos um trabalho de vulto e importante, aprovamos 17 planos de ordenamento, 14 deles em

áreas protegidas‖. ―Tenho a convicção profunda de que os planos de ordenamento que temos, sem serem perfeitos, nos servem melhor do que a sua inexistência e atingem uma conciliação muito razoável entre atividade humana e conservação‖ até porque são uma solução ―potenciadora de atividades económicas como o turismo natureza‖, salientou, concluindo que ―ordenar e restringir é muitas vezes potenciar certas formas de atividade, porventura em detrimento de outras‖. ▪

Quem precisa que um ramo entre na sua vida?1 Foto: Direitos Reservados

O P I N I Ã O

ciamento dos parques naturais que não sejam apenas transferências do Orçamento do Estado‖. ―Podemos considerar políticas fiscais ou outras que mobilizem recursos para a conservar da natureza, porque ela gera mais-valias económicas e sociais‖, explicou o governante, acrescentando que a recente ―reorganização e reestruturação‖ do Instituto de Conservação Nacional e Biodiversidade (ICNB) permitiu ―garantir que os parques naturais são geridos‖ de

em s tendo o d a n o ci

o ma visã u s a n e ap

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Num tempo em que diferentes áreas do saber alertam para a necessidade de se cuidar do planeta, as Humanidades entenderam que não podiam ficar à margem desta luta. Assim, na década de noventa do século vinte, e sobretudo em universidades americanas, tem início uma linha crítica – a ecocrítica - que, adotando um método interdisciplinar, tem como objetivo sublinhar a importância do mundo natural tal como surge representado em textos literários. A ecocrítica tem como interesse principal a interrelação do indivíduo com todos os outros seres que constituem os ecossistemas, expondo, paralelamente, a frágil teia dos equilíbrios naturais. Além do mais, esta perspetiva crítica sublinha a necessidade de um olhar ambientalmente informado e de uma ética que promova o respeito pelo ‗outro‘, sendo que esse ‗outro‘ abrange também o ar, a água, o solo, os animais e plantas. Como refere Aldo Leopold, uma ética da terra implica respeito não só pelos homens, mas

pela comunidade considerada coletivamente: a terra. Da confluência de saberes em redor do ambiente, o que se tem vindo a perceber é que os problemas ambientais não podem ser solucionados tendo em conta apenas uma visão tecnicista; é necessário revolucionar sensibilidades, comportamentos, leituras. É, por isso, imperioso dar voz àqueles que apresentam modelos alternativos de leitura do mundo, quer isto dizer, que enunciam a importância de quotidianamente fazermos nascer momentos de atenção para com o mundo natural, atitude que, provavelmente, nos fará tomar consciência da forma desastrosa como o homem tem atuado sobre os ecossistemas e de como foi perdendo a capacidade de se maravilhar perante manifestações da natureza. As Humanidades, e aqui incluímos a História, a Antropologia, a Filosofia, podem não ter soluções práticas para, por exemplo, combater as alterações climáticas, mas possuem ferramentas que permi-

tem analisar o modo como o discurso literário definiu a relação do homem com tudo aquilo que o rodeia. Conhecendo melhor os sistemas éticos que conduziram o ser humano a cultivar uma relação de indiferença e desrespeito, melhor poderão ser as respostas e mais respeitadoras as soluções. Os bons textos ajudam a estabelecer uma mais sólida compreensão do mundo; atuando sobre a consciência, uma análise ecocrítica alerta-nos para a relação intrínseca entre um planeta empobrecido do ponto de vista da biodiversidade e a pobreza das nossas vidas. Direcionando o pensamento para a necessidade de repensarmos e alargarmos as nossas preocupações éticas, a ecocrítica promove a atenção. Daí o verso de Llansol como interpelação a cada um de nós: não precisaremos de estar mais atentos? ▪ 1

Maria Gabriela Llansol. Amigo e Amiga: Curso de Silêncio de 2004. Lisboa: Assírio & Alvim, 2005, p.178. Página

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O

Hotel Rural Vale do Rio, em Oliveira de Azeméis, Aveiro, é o primeiro do país a funcionar inteiramente com energias renováveis, recorrendo a uma central hídrica e uma caldeira de biomassa. Rita Alves, diretora desta unidade hoteleira de quatro estrelas situada nas margens do Rio Caima, em Palmaz, garantiu, à Lusa, que ―podem existir outros hotéis com preocupações ambientais, mas este é o primeiro desta dimensão a funcionar apenas com energia verde – tem 30 quartos e, recorrendo a várias soluções técnicas, está apto a produzir mais energia do que aquela de que precisa‖.Ocupa uma área de 10 mil metros quadrados – além do hotel com o SPA Four Elements, inclui também o edifício da mini hídrica, restaurante, salão de eventos e uma vasta área arborizada – e o empreendimento custou seis milhões de euros, sendo que 20% desse investimento foi aplicado em recursos ener-

géticos. André Alegria, um dos gerentes, revelou que a aposta se materializou numa caldeira de biomassa alimentada a pellets e estilha, um ―chiller‖ de absorção, uma hídrica ativada pelo caudal do rio, painéis solares, térmicos e fotovoltaicos e um motor a óleo vegetal. ―Concorremos à certificação energética A++, que é a atribuída a edifícios que, mais do que produzir energia, têm capacidade para vendê-la‖, explicou. Rita Alves afiançou ainda de que ―todo o hotel foi pensado para vender sossego, não só por esta preocupação ambiental, empenhada na preservação da beleza deste parque, mas também a nível paisagístico, já que todos os quartos, sem exceção, têm vista para o rio‖. A unidade hoteleira deverá ser ―bastante procurada pela classe empresarial, porque se situa numa zona sossegada‖, mas a diretora do hotel aponta como público-alvo o turista sénior e os grupos familiares, que apreciarão a ―tranquilidade do local e o potencial da zona em termos

de lazer‖. Para Hermínio Loureiro, presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, a exploração do hotel ―integra-se na componente turística do projeto de preservação e requalificação das margens do Caima‖, que se propõe valorizar 40 hectares de terreno em torno da unidade e transformá-los no Parque Natural Bento Carqueja. ―São bem evidentes as preocupações ambientais do projeto e vamos ter um rio Caima despoluído e atrativo, o que, na área económica, será potenciador de riqueza para o município‖, concluiu. Com uma suite presidencial e quatro alojamentos comunicantes entre os 30 quartos, o edifício principal inclui o SPA com piscina interior e exterior, biblioteca e uma área de pequenos-almoços. As restantes refeições são servidas no HC Restaurante, que, com um bar e um salão de eventos para 180 pessoas, presta homenagem à bicentenária Hídrica do Caima. Os preços nesta unidade hoteleira compreendem-se entre os 80 e os 180 euros. ▪

Foto: Direitos Reservados

Primeiro hotel com energias renováveis

Hotel Rural Vale do Rio, o primeiro hotel do país a funcionar com energias renováveis

Pormenores Localização: em Palmaz, Oliveira de Azeméis Área: 10 mil m Categoria: hotel de 4 estrelas Custo: 6 milhões de euros 30 quartos com vista para o Rio Caima Preços: de 80 a 180 euros Energias renováveis através de uma Central Hídrica e de uma Caldeira de Biomassa 2

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Mais Tecnologia Esta tecnologia começou por ser utilizada nos sistemas de iluminação, em 2008, e as estimativas apontam para que em 2020 cerca de 80 por cento da iluminação pública, na Europa, seja feita com lâmpadas LED. Mas já em 2009, Portugal tinha inaugurado a primeira autoestrada da Europa iluminada com tecnologia LED. O nó de Angeja, distrito de Aveiro, foi o primeiro projeto de eficiência energética na iluminação pública de autoestradas da Europa. Mais de 200 luminárias foram instaladas e estão a evitar a emissão de mais de 40 toneladas de dióxido de carbono por ano. Para divulgar e demonstrar os benefícios

desta tecnologia, a empresa EnergiaViva está a desenvolver o ―Projecto Rua LED‖, que consiste na execução de um ―projecto experiência‖, ou seja, uma rua LED, em diversas autarquias do País. Por isso, já estão inscritas na comunidade LED cerca de 13 entidades, entre empresas e autarquias. ―O projecto tem servido paralelamente para campanhas de sensibilização, com os municípios e a EnergiaViva a revelar o contributo da Rua LED na redução de consumo, poupança financeira e redução de emissão de CO2‖, afirmou a empresa EnergiaViva. ▪

Primeira autoestrada da Europa iluminada a LED

Pormenores Primeira autoestrada: nó de Angeja (Aveiro) Já foram instaladas mais de 200 luminárias, que permitem evitar a emissão de mais de 40 toneladas de dióxido de carbono por ano.

Combate a software malicioso melhorou

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ortugal incorpora o grupo dos cinco países que melhoraram, em termos de segurança informática, contra infeções de 'software' malintencionado, revelou a Microsoft no seu décimo Relatório de Inteligência de Segurança, que reúne informação de 600 milhões de computadores de aproximadamente 117 países. Apesar de várias oscilações desde 2009, Portugal terminou o último trimestre de 2010 “com melhoramentos significativos‖ em relação ao final do ano transato, passando de 25 ―computadores limpos por mil‖ para 15,6, uma redução de 37,6 por cento, tal como avança o relatório.

A empresa utiliza a medida ―computadores limpos por mil‖ para avaliar a segurança informática de cada país, sendo que esta medida ―representa o número de computadores relatados limpos para cada mil execuções da Ferramenta de remoção de 'software' mal-intencionado do Microsoft Windows‖. O responsável pela área de Segurança e Estratégia de Plataformas da Microsoft Portugal, Sérgio Martinho, disse à Lusa que ―as coisas estão no bom caminho‖, mas salvaguarda que ―não é tempo de baixar a guarda‖, uma vez que Portugal ainda está ―bastante acima‖ da média mundial. Os números do relatório da Microsoft referem-se, sobre-

tudo, ao último semestre de 2010, numa recolha que incluiu mais de 100 mil computadores por todo o país. Sérgio Martinho afirmou que ―os consumidores estão cada vez mais na mira dos cibercriminosos‖, particularmente através das redes sociais. O responsável da Microsoft Portugal recomenda aos utilizadores que não circulem programas de que não conhecem a origem, que não descarreguem ficheiros que não sejam ―genuínos‖, sejam eles antivírus, filmes ou jogos. ―Antigamente, os computadores ficavam lentos ou não iniciavam, mas agora o criminoso não quer que o consumidor se aperceba‖ da infeção, alerta Sérgio Marti-

Foto Direitos Reservados

A

primeira “aldeia LED” de Portugal nasceu, no passado mês de Abril, em pleno coração do Parque Natural da Serra da Estrela. A tecnologia LED (Light Emitting Diode) possibilitará uma redução dos consumos energéticos de aproximadamente 70 por cento na iluminação pública de Cabeça, no concelho de Seia. ―A mudança representa não só uma redução de custos, mas também uma mudança nas mentalidades, impulsionando a preocupação com o meio ambiente por parte das populações e entidades públicas‖, disse a autarquia, à Lusa.

Foto Direitos Reservados

Lâmpadas LED iluminam via pública

De acordo com o comunicado enviado pela Microsoft, ―a categoria de 'malware' foi a mais comum registada em Portugal, ao longo do quarto trimestre de 2010, tendo o 'software potencialmente indesejado' afetado cerca de 34,7 por cento de todos os computadores infetados, comparativamente aos 27 por cento registados no terceiro trimestre‖. A redução alcançada por Portugal permite que se junte ao grupo dos cinco países que mais apresentaram melhorias entre o último trimestre de 2009 e o período correspondente de 2010, no qual se encontram também Bahrein, Brasil, China e Rússia. ▪ Página 40


Português Mal Tratado Concerto — referente à execução de um trecho musical. Exemplo: Logo há concerto na cidade. Conserto — consiste no ato de consertar, na reparação de uma coisa deteriorada ou em mau estado. Exemplo: Aqui faz-se conserto de calçado. Alugar — significa dar ou tomar de aluguer. Alugam-se bens móveis: barcos, bicicletas, motas, carros... Arrendar — refere-se a dar a forma de renda a. Arrendam-se bens imóveis: casas, escritórios, lojas...

Benvindo — é utilizado como nome próprio. Exemplo: Chamome Benvindo Correia

Bem-vindo — referente aquele que é recebido com prazer

Goluseima — não existe no dicionário de Língua Portuguesa Guloseima — é um doce, manjar saboroso. O mesmo que gulodice.

Em análise…. Aderência ou adesão Adesão é o acto de aderir. Exemplo: A adesão do público foi evidente. Aderência é uma característica física dos objetos. Exemplo: Este pneu tem pouca aderência ao piso

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Envie-nos os erros que encontra para o seguinte endereço: vivermais@gmail.com Não perca, na próxima quinzena, a explicação da diferença entre eminente e iminência! iminência


A minha cidade...

Foto: Liane Carolina Camacho

Viana do Castelo

Localização: Alto Minho Nº de Habitantes no Município: 91 mil habitantes Caraterísticas: pouco tráfego, tranquilidade, cidade saudável, praias com bandeira azul Interesses: Monte de Santa Luzia, Praias, Navio-Hospital Gil Eanes, Museu do ouro e do traje, artesanato

Francisco Peixoto 21 anos

Benvindo Rocha

Augusto Moreira

49 anos Empresário

74 anos Reformado

Gosto… do ar, das diversas praias com muita qualidade, da limpeza que a cidade apresenta, justificando o slogan “cidade saudável” e da belíssima vista que o Monte de Santa Luzia oferece, pois é algo que deixa os Vianenses bastante orgulhosos

Gosto… da gastronomia, do ambiente, das paisagens, das praias. É uma cidade com pouco tráfego, saudável e segura.

Gosto… dos jardins, da limpeza da cidade e da Praça da República porque é uma zona histórica e de convívio.

Aconselho a mudar… o espírito empreendedor, a falta de dinamismo (sobretudo aos fins-de-semana) e a elevada quantidade de parques de estacionamento a pagar que afasta muitas pessoas da cidade.

Aconselho a mudar… os horários dos transportes, pois são pouco flexíveis, a falta de dinamismo noturno na cidade e os parques de estacionamento a pagar.

Estudante

Aconselho a mudar… o horário dos transportes públicos, o local do mercado pois está mal situado e o funcionamento do Centro de Saúde e das urgências

Revista Viver Mais  

Viver Mais é uma revista realizada por Cláudia Rocha e Liane Carolina Camacho, duas alunas da Licenciatura de Ciências da Comunicação da Uni...

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