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INTER-ESTAÇÃO CONHECIMENTO UMA INTERVENÇÃO URBANA EM SOBRAL

Lia Aguiar Carvalho Arruda Orientador: Prof. Luis Renato Bezerra Pequeno

Universidade Federal do Ceará Departamento de Arquitetura e Urbanismo Trabalho Final de Graduação

Maio/2013


Agradecimentos Agradeço e dedico este trabalho às pessoas mais importantes da minha vida, meus pais, que estiveram sempre presentes em todos os momentos, me incentivando com palavras de coragem. Ao painho, agradeço por me ensinar o valor do conhecimento e o crescimento que alcançamos em sua busca. À mainha agradeço por me ensinar o valor do coração. Aos dois, meu muitíssimo obrigada. Sem vocês nada disso seria possível. Agradeço também aos meus irmãos, que estão sempre dispostos a me ensinar e ajudar com palavras de interesse e conforto. Meu muito obrigada aos dois também. Desde já agradeço à Lana, minha afilhada, que mesmo sem ter nascido ainda, já desperta em mim os mais belos sentimentos e a força de vontade para fazer minha parte nas mudanças que estão por vir. À minha companheira de todas as horas, que esteve sempre ao meu lado, Miazinha. Por sempre se fazer presente, sempre me dar carinho, sempre me receber em casa com entusiasmo e por fazer graça nas madrugadas, arrancando um sorriso sincero. À minha vó Maria do Carmo, que mais do que ninguém, me ensina a ser solidária e a buscar ajudar quem necessita. Agradeço portanto a toda minha família pelo apoio e por acreditar. Essenciais nestas páginas estão também meus amigos da turma de Arquitetura e Urbanismo 2007.2 (e agregados), que por certo é a melhor turma que entrou no curso nos últimos tempos. Talentosíssimos, todas as conversas, almoços, saídas, trabalhos e viradas de noite eram sempre um grande aprendizado ao lado de vocês. Ao prof. Renato Pequeno, meu orientador, que me guiou durante este trabalho sempre com palavras muito sábias, lidando muito bem com meu nervosismo e inquietação e me trazendo sempre a tranqüilidade. Agradeço por todas nossas conversas que muito me enriqueceram e não me fizeram perder a esperança. À Zilsa que, com tranqüilidade, me atendeu as inúmeras vezes que a procurei com desespero. Ao prof. Ricardo Bezerra, por ter sido essencial na escolha da área deste projeto, acompanhando o início dele, e por estar sempre disponível, me ajudando bastante. A todos os professores que se fizeram presentes no meu percurso, todos me ajudaram de alguma forma a chegar aqui. Especialmente a prof. Carla Camila, que despertou meu interesse pelo urbanismo e ao prof. Roberto Castelo, que com suas palavras apaixonadas pela arquitetura, mesmo sem saber, me fez continuar nesta carreira. À Camila Matos e Cibele Bonfim pela ajuda na diagramação. Ao André e a Renata, pela disponibilidade e ajuda. A gente se acerta! A todos que me ajudaram, da forma que fosse, a concluir este projeto.

A todos os que despertam meu melhor,

Meu muito obrigada! Lia Aguiar.


Sumário 1.

Introdução ........................................................................................................... 09 1.1 Justificativa ........................................................................................................................................................................... 11 1.2 Objetivos .............................................................................................................................................................................. 11 Geral ........................................................................................................................................................................................................ 11

Específicos .............................................................................................................................................................................................. 11

1.3 Procedimentos de Pesquisa ................................................................................................................................................. 11 1.4 Fundamentação Teórico-Conceitual .................................................................................................................................... 12

2.

Conhecimento / Educação .................................................................................................................................................................... 12

Espaço Livre ........................................................................................................................................................................................... 13

“Estação Ciência” .................................................................................................................................................................................. 14

Desenvolvimento Sustentável ............................................................................................................................................................. 14

Acupuntura Urbana .............................................................................................................................................................................. 15

Inovação Tecnológica ............................................................................................................................................................................ 15

Semi-Árido / Região ............................................................................................................................................................................. 15

Rede ....................................................................................................................................................................................................... 16

Região de Influência ............................................................................................................................................................................. 16

Interdisciplinaridade ............................................................................................................................................................................. 17

Sobre a área em questão.................................................................................... 21 2.1 A cidade ............................................................................................................................................................................... 22 2.1.1 Histórico ...................................................................................................................................................................................... 22

2.1.2 A cidade na região ...................................................................................................................................................................... 23

2.1.3 Análise Ambiental ...................................................................................................................................................................... 24

2.1.4 Análise sócio-econômica ............................................................................................................................................................ 25

2.1.5 Análise Intra-Urbana .................................................................................................................................................................. 26

a cidade em seus bairros ........................................................................................................................................................ 26

centralidades .......................................................................................................................................................................... 27

estrutura viária ...................................................................................................................................................................... 29

VLT ............................................................................................................................................................................. 30

frentes de expansão urbana .................................................................................................................................................. 32

equipamentos sociais ............................................................................................................................................................ 33

espaços livres ......................................................................................................................................................................... 35


2.2 O espaço urbano em transformação .................................................................................................................................. 36 Projetos Espaços Edificados ............................................................................................................................................................... 36

Projetos Mobilidade Urbana ............................................................................................................................................................... 36

Projetos Espaços Livres ...................................................................................................................................................................... 36

2.3 Área de Intervenção .......................................................................................................................................................... 38 2.3.1 Usos do solo ................................................................................................................................................................................ 38

2.3.2 Mobilidade Urbana ..................................................................................................................................................................... 41

2.3.3 Espaços Livres ............................................................................................................................................................................ 43

3. Referências Projetuais ........................................................................................ 47 3.1 Parque Explora ................................................................................................................................................................... 47 3.2 Estação Ciência - USP ....................................................................................................................................................... 49 3.3 High Line Park ................................................................................................................................................................... 50 3.4 Parc de la Villette .............................................................................................................................................................. 51 Cité des Science et de l’Indstrie ......................................................................................................................................................... 51 3.5 Science Museum ............................................................................................................................................................... 52

4. Inter-Estação Conhecimento ...............................................................................55 4.1 Programa de Necessidades ................................................................................................................................................ 56 4.2 Diretrizes ........................................................................................................................................................................... 59 4.2.1 Inter-Estação Conhecimento e a Cidade .................................................................................................................................... 59

4.2.2 Inter-Estação Conhecimento e seu entorno ............................................................................................................................. 61

4.2.3 Inter-Estação Conhecimento em si ........................................................................................................................................... 64

4.3 Plano Mestre ..................................................................................................................................................................... 65

5. Espaço Livre - Projeto ......................................................................................... 67 5.1 Memorial Descritivo ........................................................................................................................................................... 67 5.2 Perspectivas.......................................................................................................................................................................70 5.3 Plantas / Cortes / Detalhes ................................................................................................................... pranchas em anexo

Considerações Finais .......................................................................................... 79 Bibliografia ........................................................................................................ 80 Lista de Imagens ................................................................................................ 83 Lista de Siglas .................................................................................................... 86


1.

Introdução

Vivemos em um mundo em busca do desenvolvimento, que quer expandir, habitar, ocupar, crescer e, que nesse processo, encontra dificuldades em estabelecer limites. Sustentabilidade é a atitude que vem tentando tornar esse crescimento equilibrado. Curiosamente, a mesma tecnologia que, em tese, ajuda esse desenvolvimento sem medida, pode ser a mesma que vai contribuir para garantir o desenvolvimento sustentável. É tudo uma questão de como se utiliza o conhecimento adquirido e como se faz para adquiri-lo. Segundo Baggio: A tecnologia não é boa ou ruim, depende de sua utilização, de como será usada na melhoria das condições de vida da população. Mais do que estender os horizontes, os avanços tecnológicos vêm ampliando a capacidade humana e auxiliando em novas descobertas na medicina, na agricultura e na indústria. Estamos falando em produtividade, renda e cidadania, esta última fundamental, já que as inovações tecnológicas permitem uma maior participação do cidadão nos aspectos sociais, econômicos e políticos de sua comunidade. (BAGGIO, 2001)

Eis o principal foco. Reforçar a importância do conhecimento científico para um país, de maneira que seu povo deve ser educado dessa forma, tendo contato


diário com as ciências, sejam elas químicas, físicas, biológicas, geográficas, agrícolas, tecnológicas, ou de qualquer outro campo de conhecimento. Pois é esse conhecimento que, quando incentivado, gera oportunidades. O conhecimento adquirido na escola é de suma importância, porém, só atinge a uma parcela da população. Além do que, em sua grande maioria, detêm-se apenas nas teorias. Os museus de ciências têm adotado uma maneira dinâmica de repassar o conhecimento científico através de experimentos práticos, porém, atingem a uma parcela ainda menor da população. Busca-se um espaço de encontro, livre, aberto a discussões, que difunda o conhecimento e o senso crítico. Uma área livre em que experimentos científicos estimulantes sejam desenvolvidos, instigando a curiosidade de todos. Simplificar o conhecimento e torná-lo interessante, incitando cada vez mais a vontade de aprender. O desafio é, portanto, associar essa necessidade de divulgação do conhecimento às possibilidades que um espaço pode gerar como transformador de uma sociedade. Propor esse ambiente que funcione como ponto de encontro e, dessa forma, consiga não apenas passar o conhecimento de forma dinâmica para a população visitante, mas, de alguma forma, propagá-lo para o maior alcance possível. Assim, pensou-se na própria função de uma estação de metrô, para a qual, ao mesmo tempo que se coloca como ponto de convergência da população, agrupando-a em um mesmo espaço, em seguida a diverge, espalhando-a em seus diversos destinos, alcançando, assim, a função buscada de propagar o conhecimento. Após justificar socialmente, culturalmente, economicamente, ambientalmente e

politicamente o equipamento e explicitar os objetivos gerais e específicos, apresenta-se um quadro conceitual com as definições dos seguintes termos, que estão intrínsecos ao projeto, sendo estes: Conhecimento / Educação Espaço Livre “Estação Ciência” Desenvolvimento Sustentável Acupuntura Urbana Inovação Tecnológica Semi-árido / Região Rede Região de Influência Interdisciplinaridade Depois dessa fundamentação teórico-conceitual do projeto, parte-se para uma análise da área em questão, primeiramente, analisando a cidade de Sobral como um todo, sua história, sua influência na região, suas questões ambientais, sócio-econômicas, e realiza-se uma análise intra-urbana, verificando as centralidades, fluxos de crescimento, equipamentos urbanos, espaços livres e a estruturação da cidade em si. Após estudar a cidade como um todo, analisa-se a área de intervenção propriamente dita quanto à mobilidade, aos espaços livres, equipamentos e uso do solo, definindo um diagnóstico que irá sugerir previamente as proposições a serem implantadas. A seguir, identificam-se outros projetos já previstos pela Prefeitura Municipal de Sobral para promover uma possível integração entre eles e o projeto sugerido, já que a cidade, como sistema, tem um melhor funcionamento de seus equipamentos quando existe uma conexão entre eles.

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Em seguida foram analisadas referências projetuais, que serviram de bons exemplos a serem seguidos em alguma questão ou outra, sendo eles: o Parque Explora, que foi uma das principais referencias do projeto, a Estação Ciência, da Universidade de São Paulo - USP, o Parc de la Villette, o High Line Park e o Science Museum, de Londres. Após uma análise de cada referência projetual, foi elaborado um quadro síntese, importante para a elaboração do programa de necessidades da Inter-Estação Conhecimento. Enfim, após todo esse processo prévio de análise e diagnóstico, apresenta-se o processo projetual da Inter-Estação Conhecimento, desenvolvendo um Programa de Necessidades e definindo um Plano de Diretrizes para as Áreas Livres, a Mobilidade Urbana e para o Espaço Edificado. Como aprofundamento de projeto, optou-se por demonstrar as proposições específicas das Áreas Livres, que serão apresentadas através de recortes da praça, cortes, perspectivas e detalhes.


1.1 JUSTIFICATIVA Um projeto como o que se está propondo resulta em um encadeamento de reações, que podem ser positivas ou negativas. No caso, considerando a análise realizada previamente, acredita-se que as conseqüências positivas sejam bem mais relevantes, pois o projeto procura adaptar-se às necessidades pré-existentes da cidade e da área em particular analisada. No âmbito social, o projeto torna-se mais uma área livre para a população, um espaço de encontro, de troca de idéias, de lazer, além de ser um equipamento cultural e educacional, que incentivará o conhecimento científico Economicamente, pode trazer vantagens ao município. Um equipamento deste porte atrai pessoas de outras regiões, inclusive de outros países, difundindo mundo a fora a importância dada pelo Poder local ao conhecimento, na forma como o mesmo, deva ser difundido e disseminado. É possível também propor algumas parcerias entre a Prefeitura Municipal, o Governo do Estado ou outras instituições voltadas a essa área, para desenvolver projetos utilizando o equipamento e o conhecimento científico adquirido, possibilitando, assim, o desenvolvimento de novas tecnologias. Renovar um espaço como este escolhido, com tanto potencial, e com tanta importância na história da cidade, é muito importante, primeiramente, para revitalizar toda a região do entorno, que merece esse cuidado, alem de ajudar na relação governo x população, pois se faz necessário mostrar o interesse dos governantes em disponibilizarem equipamentos desse porte que favorecem a

difusão do conhecimento, a popularização da ciência, junto à população. O equipamento, ao renovar todo o sítio, se propõe também a criar uma área verde para a cidade, que sofre tanto pelo clima árido, desenvolvendo portanto um espaço agradável, de livre acesso, que atraia a população, recupere o que estava degradado e ajude a revitalizar uma região que se encontrava bastante perigosa, através de uma acupuntura urbana de qualidade.

1.2 OBJETIVOS

Geral Contribuir para o ordenamento da área do entorno da antiga Estação Ferroviária visando a recuperação não só da área de intervenção, mas com intuito de produzir reflexos de mudanças positivas em todo o município e região de influência, buscando uma paisagem dinâmica, alem de uma eficiente gestão dos espaços.

Específicos - Promover a diversidade de usos e melhoria dos espaços; - Garantir um desenho urbano de qualidade, privilegiando o pedestre e garantindo a acessibilidade universal. - Incentivar a inclusão social, através da geração de emprego e renda com a implantação do equipamento proposto; - Garantir a melhoria na mobilidade da cidade;

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- Promover a estruturação de um Sistema de Espaços Livres, de maneira a aproveitar o potencial destas áreas; - Promover a disseminação do conhecimento pela cidade e região.

1.3 PROCEDIMENTOS DE PESQUISA Este projeto iniciou-se na cadeira de Projeto Urbanístico 5, com o prof. Ricardo Bezerra. Uma vez definido que o projeto seria em Sobral, foi realizada uma análise prévia dos espaços livres da cidade e da existência de propostas para os mesmos. Através do auto-conhecimento da autora, que é natural de Sobral e estudante de arquitetura e urbanismo, e de algumas entrevistas com gestores e estudiosos da cidade, foi escolhida uma área em particular para ser analisada, não apenas por apresentar um grande problema, mas por possuir também grande potencial. Uma vez escolhida a região, foi resgatada toda a fundamentação teórica a ser utilizada para este projeto, além da realização de uma intensa análise intra-urbana de diferentes escalas da área de intervenção, juntamente com relatórios técnicos existentes, podendo, desta forma, desenvolver um diagnóstico fundamentado capaz de produzir um programa de necessidades real e satisfatório para o equipamento proposto. Portanto, através da análise, após a identificação das problemáticas, foi possível desenvolver diretrizes voltadas à resolução desses problemas e, juntamente com o repertório projetual analisado pela autora, desenvolvido o atual projeto da Inter-Estação Conhecimento.


1.4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-CONCEITUAL Este trabalho se desenvolveu com base em alguns conceitos que, ao longo da pesquisa, foram se interligando, se inter-relacionando. Destacam-se a seguir as principais “palavras-chave” do trabalho explicando a definição de cada conceito e a maneira como ele se interliga aos outros conceitos e se aplica ao próprio projeto, explicitando assim sua importância na estruturação do mesmo.

CONHECIMENTO / EDUCAÇÃO

Definição O conhecimento diz respeito ao ato de se incorporar algum conceito novo sobre um fato ou um fenômeno qualquer. A maneira que se adquire esse conhecimento se dá através das experiências que acumulamos, dos livros, dos relacionamentos inter-pessoais, e de nossa vida cotidiana em geral. De certo modo, se estivermos atentos, a cada dia, é possível apreendermos algo novo e adquirirmos esse conhecimento. Existem vários tipos de conhecimento, o empírico, que se obtêm através das nossas experiências não planejadas; o filosófico, que vem através do raciocínio e reflexão humana, é um conhecimento especulativo; o teológico, que se diz revelado pela fé divina ou crença religiosa, porém, por sua origem, não pode nem ser confirmado, nem negado; e o conhecimento científico, que se baseia em um1 raciocínio sistemático, exato e verificável. Requer que sua tese seja verificada através

de procedimentos baseados na metodologia científica. Sem desmerecer nenhum dos outros tipos de conhecimento, pois acredita-se que cada um tem seu valor formador na sociedade e no caráter das pessoas, o foco principal deste projeto, baseia-se no conhecimento científico. O próprio projeto que esta sendo proposto segue uma metodologia científica, através da qual, procura-se proporcionar, ao final do trabalho, um conhecimento científico racional, analítico, verificável e útil. Quanto à educação, Oliveira diz: No sentido mais amplo, educação é um processo de atuação de uma comunidade sobre o desenvolvimento do indivíduo a fim de que ele possa atuar em uma sociedade pronta para a busca da aceitação dos objetivos coletivos. Para tal educação, devemos considerar o homem no plano físico e intelectual consciente das possibilidades e limitações, capaz de compreender e refletir sobre a realidade do mundo que o cerca, devendo considerar seu papel de transformação social como uma sociedade que supere nos dias atuais a economia e a política, buscando solidariedade entre as pessoas, respeitando as diferenças individuais

É através da educação que o conhecimento científico será repassado, tornando a relação entre esses dois termos dependente.

Aplicabilidade O conhecimento científico e a educação estão intrínsecos ao projeto. Primeiramente pelo projeto em si, como dito anteriormente, pois consta de um trabalho científico, que contem dados comprovados e busca-se propor algo através deles. Em segundo lugar, pelo tema escolhido pela proposta: Inter-Estação Conhecimento. A idéia de revitalização de toda a área escolhida gira em torno da educação e da importância transformadora que se acredita que ela tem, assim como do conhecimento científico, que através dele, acredita-se ser possível ajudar a desenvolver toda a região, gerando oportunidades para a população.

de cada um. (OLIVEIRA, 2009)

Portanto, a educação é um processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano. Segundo Paulo Freire apud Oliveira, Daniel (2009) “[...] não há seres educados e não educados. Estamos todos nos educando. Existem graus de educação, mas estes não são absolutos”, afirmação que só reforça o sentido de processo e continuidade da educação. Não existe, então, fórmula pronta para a educação, ela precisa ser desvendada de acordo com cada situação, levando em conta, dentre vários fatores, o conhecimento prévio de cada indivíduo.

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FIGURA 01 - Conhecimento. Fonte: <http://gestaopessoas7.wikispaces.com/Compartilhando+o+conhecimento+GP+%26+GC> Acessado em 20 de abril/2013


ESPAÇO LIVRE

Definição Espaços livres são áreas não contidas em uma edificação, que tem como principais funções a circulação, a recreação, a composição da paisagem e o equilíbrio ambiental. Podem ser de domínio privado, restringindo-se a uma coletividade específica, ou de domínio público, mais acessível. Segundo Tardin (2008), os espaços livres: (...) são os lugares mais frágeis e um dos mais promissores, tendo em conta a possibilidade de reestruturação do território, já que podem assumir algumas importantes funções, por exemplo, como lugar dos ecossistemas, da percepção da paisagem e como possível lugar para o futuro da ocupação urbana. ( TARDIN, 2008).

Temos os parques e as praças como ótimos exemplos de espaços livres, que em sua maioria, são de domínio público. As ruas, que, por vezes, podem se desenvolver como áreas de lazer para a população, dentre outros. O espaço livre ajuda a construir uma imagem do lugar, estabelecendo as relações entre os elementos, possibilitando, assim, a percepção da paisagem. Cada sitio possui um caráter especial, determinado pelas suas características, que podem ser identificadas através dos seus componentes formais, segundo Tardin: (...) os espaços livres podem apresentar distintos caracteres, entre eles, o rural, o hídrico, o florestal, o das grandes peças urbanas não ocupadas ou outros, segundo suas características espaciais (tamanho, posição e elementos compositivos) e funcionais (o alcance, ou a repercussão, das funções que se realizam no seu âmbito). (TARDIN, 2008)

Como vimos, o espaço livre é também um lugar para a futura ocupação urbana, reestruturando assim, o território. É necessário, portanto que essa ocupação seja feita de forma consciente e respeitosa, relacionando-se harmonicamente com o seu entorno e suas necessidades.

Aplicabilidade O projeto proposto alterará a percepção da paisagem, assim como a ocupação urbana do sítio, tendo a função também de área verde da cidade, unindo as três situações em um só espaço. A intervenção proposta ocupará um espaço livre degradado, reestruturando toda a área, propondo uma nova área livre, porém com alguns pontos edificados, identificando uma relação harmoniosa entre o espaço livre e o espaço edificado. Este conceito se inter-relaciona com os outros adotados para o trabalho realizado através de uma rede, pois os espaços livres, como sistema, compõem um todo mais significativo do que a soma de várias partes. E como foi visto anteriormente, quanto aos espaços em geral, está tudo interligado, e é somente analisando a totalidade das interações que podemos perceber a realidade de um sítio verdadeiramente.

FIGURA 02 - Requalificação de espaços livres urbanos. Fonte: <http://concursosdeprojeto.files.wordpress.com/2012/11/enepea-1c2ba-lugar-imagem-07.jpg> Acessado em 30 de abril/2013.

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FIGURA 03 - Sistema estrutural: O parque como elemento de reconexão urbana de Agudos / Plano Diretor Participativo. Fonte: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.114/13> Acessado em 30 de abril/2013

FIGURA 04 - Sistema de Espaços Livres Públicos Parque da Chaminé. Fonte: IAB < http://www.iabsp.org.br/premiacaoiabsp2008/ paisagismo.html> Acessado em 20 de abril/2013


“ESTAÇÃO CIÊNCIA”

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Definição

Definição

Tornou-se uma palavra chave para este trabalho, pois, além de ser o nome de um projeto referência, caracteriza bem dois pontos específicos que nortearam a proposta. A própria Estação Ciência da USP, é um centro de ciências dinâmico e interativo, que realiza exposições e atividades na área da ciência e tecnologia, tendo como objetivo popularizar a ciência e promover a educação, idéias que também nortearam nosso projeto. A palavra Estação aqui se refere não só à questão do equipamento estar próximo a estações ferroviárias, mas também no sentido de que uma estação promove viagens, sejam estas ao mundo do conhecimento científico, sejam ao passado, ao futuro, ou apenas uma passagem para a diversão educativa. A Ciência, por sua vez, é o resultado de um processo lógico de idéias e ações que ajudam a desvendar os sistemas de funcionamento da natureza. Ela modifica o relacionamento que o homem tem com o universo, explica o que parece inexplicável. Com o bom uso da ciência pode-se desenvolver uma relação simbiótica, em que a natureza nos provém, mas ao mesmo tempo, nós poderemos prover a ela.

Segundo o Relatório Brundtland, de 1987, a definição oficial do conceito é “desenvolvimento que dê resposta às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade das gerações futuras darem resposta às suas próprias necessidades”. Dessa definição, temos que, de inicio, nos preocuparmos em atender aos mais necessitados, tendo já o pensamento no futuro, fazendo uso responsável dos recursos da natureza, combatendo o desperdício, buscando fontes de energias renováveis, e tomando atitudes que irão garantir o não comprometimento da possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades.

Aplicabilidade Importantes conceitos norteadores do projeto que foram unidos em um termo só para explicitar mais ainda a idéia de Rede, outra palavra-chave.

Aplicabilidade Através dessa rede de conceitos interligados, observa-se que o desenvolvimento sustentável mostra-se diretamente relacionado às inovações tecnológicas e ao conhecimento gerados na contemporaneidade. É através dos mesmos que se podem obter novas formas de energia renováveis, técnicas de reutilização de materiais, além de inúmeras outras possibilidades. Com isso, o desenvolvimento sustentável torna-se peça chave para que o equipamento proposto tenha maior alcance, além de poder se tornar o principal difusor dessa idéia junto à sociedade. A região também se insere nesta abordagem, cujas características e adversidades do semi-árido e do crescimento desigual 14

FIGURA 05 - Fachada Estação Ciência USP. Fonte: < http://borboletasbr.blogspot.com.br/2011/07/o-mundo-das-borboletas-na-estacao.html> Acessado em 30 de abril/2013

FIGURA 06- Desenvolvimento Sustentável. Fonte: http://www. portaleducacao.com.br/biologia/artigos/17693/sustentabilidade-do-meio-ambiente


vigente, se colocam como desafios a serem superados, a caminho do desenvolvimento sustentável.

Uma das melhores acupunturas, segundo o próprio Lerner é “ajudar a trazer gente pra rua”, criando pontos de encontro.

ACUPUNTURA URBANA

Aplicabilidade

Definição Segundo Jaime Lerner, acupuntura urbana é o que acontece ao tomarmos alguma atitude que venha gerar transformações em determinada área. Como o planejamento é um processo, suas transformações não são imediatas, portanto a implantação de alguma edificação, a restauração de um rio ou parque, a criação de uma feira noturna, ou até a forma de utilização de alguns espaços são atitudes que vêm a desencadear uma transformação na vida de uma cidade. Segundo Lerner: Assim como a medicina necessita da interação entre medico e paciente, em urbanismo também é preciso fazer a cidade reagir. Cutucar uma área de tal maneira que ela possa ajudar a curar, melhorar, criar reações positivas e em cadeia. É indispensável intervir para revitalizar, fazer o organismo trabalhar de outra maneira.” (LERNER, 2003)

Acredita-se que o projeto proposto exerceria muito bem esta função de atrair pessoas. Além do que, ao inserir este equipamento, muitos benefícios viriam para a área de intervenção, modificando bastante sua configuração e realmente desencadeando várias reações positivas, visto que a região que foi escolhida para trabalhar encontra-se subutilizada, contribuindo para a atuação marginal de alguns habitantes, desperdiçando grande potencial. Desta forma, o projeto e o que vai surgir dele trará várias transformações não só nesse espaço, mas também para toda a cidade, chegando a afetar até cidade vizinhas, devido à importância que Sobral tem na região.

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

Definição De acordo com Giovani Dosi, inovação está diretamente relacionada à busca, a descoberta, a experimentação. Essa procu-

ra por novas possibilidades associada ao conhecimento científico, é o que remete à Inovação Tecnológica. Esta, por sua vez, tem como principal função trazer alguma melhoria significativa à sociedade.

Aplicabilidade Este conceito esta aqui citado pois se inter-relaciona com outros pontos importantes do projeto, criando uma rede de desenvolvimento. A inovação tecnológica só pode acontecer através do conhecimento. O semi-árido, por sua vez, através da inovação tecnológica, pode obter ajuda para vencer alguns dos seus obstáculos quanto à seca, na questão da agricultura, ou quanto à alimentação e ajudar a diminuir a extrema desigualdade social existente nessa região, contribuindo para melhorar a qualidade de vida da população. É através também da inovação tecnológica que podemos partir para um desenvolvimento sustentável, que nos leve a criar uma consciência de crescimento equilibrado, diminuindo as desigualdades sociais existentes, além de aprendermos as inúmeras possibilidades de reaproveitamento de materiais, minimizando o impacto ambiental, contribuindo para o desenvolvimento econômico. As possibilidades são infinitas.

SEMI-ÁRIDO / REGIÃO

Definição

FIGURA 07- Acupuntura urbana. Fonte: LERNER, 2003.

FIGURA 08 - Inovação tecnológica. Fonte: www.pppg.ufma.br. Acessado em 20 de abril/2013.

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A região do semi-árido ocupa boa parte do Nordeste do Brasil e um pouco do norte do estado de Minas Gerais. Caracteriza-se, basicamente, pela escassez pluviométrica. As chuvas, quando vêm, se concentram em um


período de cerca de três meses, e se apresentam de forma forte e curta, de maneira que ao longo do ano, as precipitações pluviométricas se tornam raras e imprevisíveis. Desta forma, o semi-árido se torna também uma palavra-chave neste projeto pelo simples fato de nos encontrarmos nesta região, e como já mencionamos, por ser através da inovação tecnológica e do conhecimento que podemos diminuir os efeitos da seca que assola essa região, e assim, reduzir as desigualdades sociais existentes. Sobral, cidade escolhida para o projeto, está dentro do mapa do semi-árido brasileiro, que recentemente incluiu outros municípios a partir da cartilha da Nova Delimitação do Semi-Árido Brasileiro2, cercada de várias cidades que estão na mesma situação, e, devido a importância e influência de Sobral sobre estas, é interessante o desenvolvimento de projetos que ajudem a sanar os problemas de tão castigada região.

REDE

Aplicabilidade

Definição Uma rede estabelece conexões. Qualquer tipo de fluxo existente, seja de informações, de mercadorias ou de algo físico, pressupõe a existência de redes, caracterizando “as relações de uma sociedade que se organiza sob estratégias de circulação e comunicação, pautadas cada vez mais, na instantaneidade e simultaneidade” (MOURA; WERNEK, 2001). As redes são realidades concretas “[...] formadas de pontos interligados que, praticamente se espalham por todo o planeta, ainda que com densidade desigual, segundo os continentes e países.” (SANTOS, 2002, p. 82). Ao analisar um espaço, se faz necessário enxergá-lo como um todo. Segundo Milton Santos, “é somente a relação que existe entre as coisas que nos permite realmente conhece-las e defini-las” e acrescenta “fatos isolados são abstrações e o que lhes dá concretude é a relação que mantêm entre si”. Portanto vemos como é importante entender um espaço como parte de uma rede, de um sistema, que se inter-relaciona em vários pontos, desenvolvendo uma especificidade única a esse espaço, pois “as relações em rede exercem efeitos determinantes sob a organização do território.” (MOURA; WERNEK , 2001)

FIGURA 09 - Mapa do Semi-Árido Brasileiro. Fonte: <http://www. bnb.gov.br/content/aplicacao/Investir_no_Nordeste/Mapa_do_ Semi_Arido/gerados/apresentacao.asp> Acessado em 30 de abril/2013

2 A cartilha da Nova Delimitação do Semi-Árido Brasileiro é uma publicação realizada pelo Ministério da Integração nacional, que limita a área geográfica de abrangência do semi-árido, devido a constatação de que o critério anteriormente adotado, desde 1989, não se adequava, pois levava em conta apenas a precipitação media anual.

FIGURA 10 - Rede. Fonte: < http://tecnologia.culturamix.com/ dicas/a-melhor-maneira-de-administrar-suas-licencas-e-recursos-de-rede> Acessado em 30 de abril/2013

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Aplica-se o conceito de rede no projeto em dois pontos principais. Primeiramente na análise, como mencionado, pois é de extrema importância que se considere o espaço analisado como uma rede para poder ter um real entendimento sobre ele e assim, fazer uma proposta que se integre à rede. Outro ponto em que o conceito se aplica ao projeto é no próprio link das referencias teóricas, que está desenvolvido em forma de rede, pois todas elas se inter-relacionam e se comunicam, desenvolvendo um sistema de informações mais completo.

REGIÕES DE INFLUÊNCIA

Definição As regiões de influência se referem a um determinado perímetro, que consiste em regiões rurais, distritos e municípios, que tem uma dependência de um centro específico, determinando, assim, seu grau de influência. Essa necessidade de ir até certa região para obter alguns bens e serviços gera fluxos, e é através da intensidade de cada fluxo que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE definiu níveis de hierarquia urbana, alem de estabelecer a delimitação das regiões de influência das cidades brasileiras. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, a classificação se divide em 5 grandes níveis, sendo eles: as Metrópoles, que se caracterizam pelo seu grande porte e pelo seu forte relacionamento entre si, além de, geralmente, possuírem extensa área de influência direta, subdividindo-se em Grande Metrópole Nacio-


nal, Metrópoles Nacionais e Metrópoles; as Capitais Regionais, que tem nível de gestão imediatamente abaixo às metrópoles, tem área de influência regional, sendo mencionadas como destino por vários municípios para um conjunto de atividades, subdividindo-se em A, B e C; os Centros sub-regionais, que possuem atividades de gestão menos complexas e área de atuação mais reduzida, seus relacionamentos com centros externos à sua própria rede são estritos, subdividem-se em A e B; os Centros de zona, que constituem cidades de menor porte e com atuação restrita à sua área imediata, subdividem-se em A e B; e por fim, os Centros locais, as

demais cidades, cuja centralidade e atuação não extrapolam os limites de seu município. (IBGE, 2007) Com base nessa hierarquização das cidades, o IBGE produziu um mapa mostrando a região de influência das cidades, definindo sempre sua conexão com a metrópole nacional principal. É possível identificar Sobral como uma Capital Regional, de nível C, e perceber a grande influência que em 2007 já tinha com seu entorno, e que, acredita-se, deve ter aumentado nos últimos anos com os investimentos realizados.

Aplicabilidade É de grande importância que se verifique a influência que uma cidade tem em seu entorno para perceber que é necessário suprir não só as necessidades de seu próprio município, mas de toda uma região que se faz carente de uma grande quantidade de serviços e equipamentos. Sobral, portanto, faz esse papel de provedor para várias cidades, desenvolvendo uma extensa região de influência.

INTERDISCIPLINARIDADE

Definição Assunto que esta em pauta, a interdisciplinaridade, vem se tornando cada vez mais presente no cenário educacional brasileiro. A sua utilização para desenvolver a integração dos conteúdos de uma disciplina com outras áreas de conhecimento vem sendo adotada, porém, é ainda pouco conhecida. “A interdisciplinaridade visa garantir a construção de um conhecimento globalizante, rompendo com os limites das disciplinas.” (OLIVEIRA, 2010)

Através desta visão da interdisciplinaridade ocorrem interações recíprocas entre as disciplinas. Estas geram a troca de dados, resultados, informações e métodos. Esta perspectiva transcende a justaposição das disciplinas, é na verdade um “processo de co-participação, reciprocidade, mutualidade, diálogo que caracterizam não somente as disciplinas, mas todos os envolvidos no processo educativo”. (BOCHNIAK, 1992) A interdisciplinaridade pode ser tomada como uma possibilidade de quebrar a rigidez dos compartimentos em que se

FIGURA 11 - Regiões de Influência. Fonte: www.ibge.gov.br. Acessado em 21 de março/2013.

17


encontram isoladas as disciplinas dos currículos escolares. No entanto, ela não deve ser vista como uma superação das disciplinas, mas, uma etapa superior a elas, possibilitando uma compreensão mais abrangente sobre o assunto, colaborando para a formulação do saber crítico-reflexivo do indivíduo.

Assim, a seguir, temos um quadro síntese que demonstra graficamente a inter-relação entre os conceitos adotados como fundamentação teórico conceitual deste projeto.

Aplicabilidade Nesse sentido, tendo a educação e o conhecimento como umas das principais temáticas abordadas no projeto proposto, sugere-se que desde o início a idéia da interdisciplinaridade esteja intrínseca também ao projeto, garantindo uma compreensão mais abrangente sobre os assuntos analisados. Define-se também um link de interdisciplinaridade na formulação teórico-conceitual deste projeto, pois ao definir cada “palavra-chave” adotada, teve-se sempre o cuidado de relacionar umas com as outras, explicitando esse sistema que formavam e ajudando, consequentemente, a compreendê-los de forma mais abrangente através desse mesmo sistema.

FIGURA 12 - Interdisciplinaridade. Fonte: <http://espiritismocomprofundidade.blogspot.com.br/2012/07/blog-post.html> Acessado em 30 de abril/2013

18


ESPAÇO LIVRE

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

SEMI ÁRIDO / REGIÃO REGIÃO DE INFLUÊNCIA

ACUPUNTURA URBANA

CONHECIMENTO / EDUCAÇÃO “ESTAÇÃO CIÊNCIA”

REDE

INTERDISCIPLINARIDADE

ORGANOGRAMA 01 - Quadro síntese do referencial teórico. Fonte: elaborado pela autora.

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DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL


2.

Sobre a área em questão

Levando em consideração a instalação da Inter-Estação Conhecimento em Sobral, acha-se necessário analisar as especificidades da cidade, assim como da região em que se encontra, de forma a ter um projeto que se integre em seu terreno e converse com seu entorno. Realizar essa análise prévia e essa integração é importante para garantir a sustentabilidade do projeto, pois ao entender as necessidades e anseios da região, é possível disponibilizar um equipamento que as supra, desenvolvendo uma identificação com este, tornando-se, portanto, essencial para a população. Desta forma, antes de iniciar as proposições de um programa de necessidades, faz-se útil realizar uma análise da cidade e da área de intervenção, direcionadas às questões principais do projeto, para assim embasar melhor as propostas sugeridas.


2.1 A CIDADE 2.1.1 HISTÓRICO A cidade surgiu da Fazenda Caiçara, em 1756, ponto em que convergiam as rotas das boiadas na época da carne de charque., às margens do Rio Acaraú. Em 1773, emancipou-se, recebendo o título de Vila Distinta e Real de Sobral, com sede na povoação de Caiçara. Em 1777 foi lançada a pedra fundamental da Igreja Matriz, inaugurando-a em 1783. Com a construção da igreja, o povoamento aumentou bastante, de forma que tornaram-se perceptíveis as mudanças no território. O comércio se desenvolveu, paralelo à pecuária, além de outros serviços, e com o tempo surgiu a cultura do comercio de exportação, com o ciclo do algodão* . Com a rapidez do crescimento da vila, em 1841, surgia a “Fidelíssima Cidade Januária do Acaraú”, recebendo seu nome definitivo de acordo com a Lei nº 244, de 25 de outubro de 1842, a pedido do povo. Era agora a cidade de Sobral. (ROCHA, 2003) Graças ao seu sucesso econômico, o desenvolvimento de Sobral chegou a superar o de Fortaleza na segunda metade do século XVIII. O que consolidou Sobral como centro urbano e comercial, por sua vez, foi a inauguração da Estação Ferroviária de Sobral (1882), que fez com que a cidade ficasse na rota dos transportes de mercadorias. Em 1919, Sobral ficou conhecida no mundo científico, pois nesse ano uma comitiva formada por astrônomos, vindos da Inglaterra, realizou observações que permitiram comprovar a teoria da relatividade, consagrando Einstein definitivamente. Fato que foi relembrado com um monumento na Praça do Patrocínio, local em que a comitiva visualizou

o eclipse, e posteriormente com o Museu do Eclipse. A cidade cresceu, encontrando uma considerável perda de seu domínio com a construção da ponte sobre o Rio Acaraú em 1935, completando a ligação rodoviária até Fortaleza. Ainda na primeira metade do século XX, o bispo Dom José Tupinambá da Frota organizou o território sobralense de forma estratégica, construindo equipamentos em pontos específicos, já determinando fluxos de expansão. “O declínio socioeconômico e político sobralense acentuou-se na segunda metade do século XX.” (ROCHA, 2008) Apesar da economia não estar bem, a cidade continuou a crescer, definindo rapidamente uma complexidade na estrutura urbana da cidade. Essa intensa urbanização trouxe um aumento de ocupações de pobreza cercando a cidade, sem encontrar qualidade nos serviços e infra-estrutura correspondentes à zona central. A criação da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA muito contribuiu para o desenvolvimento da cidade, pois alem da oferta dos cursos de graduação à comunidade, também modificou o território da cidade com a implantação dos diversos campi desenvolvendo o entorno de cada um deles com a melhoria da estrutura urbana dessas regiões. A partir de 1997 é possível perceber uma grande modificação na paisagem urbana da cidade. Sobral se torna o que muitos chamam de “cidade vitrine”, pois é embelezada para conquistar uma projeção de sua imagem e, consequentemente, de investimentos. Os equipamentos, de uso público, são todos bastante interessantes e sem dúvida trouxeram grande revitalização para a paisagem da cidade. A crítica (AGUIAR JUNIOR, 2005),

22

FIGURA 13 - Caminhos das boiadas. Fonte: COSTA, Campelo; ROCHA, Herbert, 2008.

FIGURA 14 - Estradas reais. Fonte: COSTA, Campelo; ROCHA, Herbert, 2008.

porém, menciona que faltaram investimentos em equipamentos urbanos nos bairros pobres, com menor visibilidade. Os novos equipamentos, portanto, apesar de serem de uso público, tornaram-se inacessíveis para uma grande parcela da população que mora na periferia. Outro ponto importante a ser destacado é o tombamento do Sítio Histórico3, em 3 O Sitio Histórico de Sobral configura um conjunto edificado marcado pela variedade de arquiteturas e pela justaposição de imóveis com diversidade tipológica, de escala, de uso e ocupação do solo, e onde se misturam repertórios populares e eruditos, evocando seus fatores de localização e desenvolvimento. É um dos documentos mais importantes do urbanismo colonial da região, assim como da história do desbravamento e da ocupação do sertão nordestino. (COSTA, Campelo; CRUZ, Andrea; ALVES, Maria do Carmo)


FIGURA 15 - Poligonais do sítio histórico de Sobral. Fonte: COSTA, Campelo, 2008.

1999, como Monumento Nacional, através de iniciativa do Instituo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Foi definida uma poligonal de preservação rigorosa, com área de 0,455km² e uma outra que a circunda, já considerada área de proteção, com leis um pouco mais brandas, e área de 1,029km². Sobral foi se desenvolvendo e tornou-se um centro urbano dinâmico, atraindo novas atividades, se destacando no comercio, educação, saúde e na indústria. Dessa forma, vem atraindo várias pessoa em busca de oportunidades, tornando-se um importante centro regional, como veremos a seguir.

2.1.2 A CIDADE NA REGIÃO Sobral subiu de nível na escala de influência das cidades brasileiras, segundo publicação do IBGE, em 2008. Encontra-se agora no grupo das 70 cidades em todo o território brasileiro que compõem a categoria de “capital regional”, juntamente com Juazeiro do Norte. Isso a torna uma cidade procurada como destino para vários tipos de atividades por grande número de municípios. Sobral é, portanto, centro da região noroeste do Estado do Ceará, sendo procurada por várias cidades em busca de serviços não prestados em seus próprios municípios. Tornou-se também centro educacional, por possuir não só a UVA , mas também um campus da Universidade Federal do Ceará 23

UFC, além de Faculdades e Instituições que oferecem formação em diversas áreas de conhecimento. Além do ensino superior, Sobral é também destaque no ensino Fundamental e Médio, o que leva várias pessoas de municípios próximos a irem estudar na cidade. Através de estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará - Ipece em 2010, Sobral tem a 4º maior economia do Estado, considerando o Produto Interno Bruto - PIB municipal, ficando atrás apenas de Fortaleza, Maracanaú e Caucaia. Essa posição configura importante papel da cidade na cena econômica não só do Estado, mas em todo o interior do nordeste, atraindo, por sua vez, vários investidores. Sobral atualmente conta com uma fábrica de calçados da Grendene Sobral S/A , uma unidade da fábrica de cimentos do grupo Votorantin, empresas como a Moageira Serra Grande e Fabrica Coêlho, o centro comercial Pinheiro, os supermercados Super Lagoa e Rainha, a montadora de veículos TAC Motors (fig. 18), além de vários importantes investimentos, como o North Sobral Shopping (fig. 19), que já vem atraindo mais investidores.

FIGURA 16 - Sobral e sua divisão distrital. Fonte: < www.sobral. ce.gov.br> Acessado em 20 de janeiro/2013


FIGURA 17- Hospital Regional de Sobral. Fonte: http://sobralnews. com.br/novo/hospital-regional-norte-sera-entregue-hoje/. Acessado em 15 de janeiro/2013.

FIGURA 18 - TAC MOTORS. Fonte: http://camocimimparcial. blogspot.com.br/2012/10/adece-sera-uma-das-acionistas-da.html. Acessado em 15 de janeiro/2013.

FIGURA 19 - North Shopping Sobral. Fonte: http://www.northshoppingsobral.com.br/. Acessado em 16 de janeiro/2013.

O município não se tornou centro da região apenas pela educação e economia. Recém construído, o Hospital Regional de Sobral (fig. 17), tende a ser referencia em saúde, inserindo-se entre os mais equipados do nordeste em tecnologia hospitalar. Com ele, Sobral concentrará também todos os atendimentos em saúde da região, assim como pesquisas científicas na área. Em 2012 estreou a NordesTV, emissora de TV de Sobral, que retransmite a SBT no Ceará. Fato marcante foi a realização do primeiro debate televisionado dos candidatos a prefeito do município. A instalação de uma emissora de televisão proporcionará um desenvolvimento na área da mídia na cidade, além do crescimento no setor publicitário, jornalístico e crítico. A transmissão, por sua vez, alcança várias cidades da região, podendo ser assistida em Fortaleza, inclusive. Como diz, poeticamente, Campelo Costa:

Tudo ao redor de Sobral, do calor ao esplendor do sol, é sempre novo, promissor e crescente, como se espera de um lugar que se reinventa. [...] De frente às majestosas torres brancas de suas Igrejas ou debaixo de um céu suspenso bem acima de nossas cabeças, é bom assistir ao espetáculo das cores se desmanchando, ao correr do ano, pelas encostas de suas serras, ou desfrutar de cintilantes pontos de vistas da paisagem desta cidade que se aninha amistosa entre o sopé da Meruoca e as águas do Acaraú.”(COSTA, 2008)

2.1.3 ANÁLISE AMBIENTAL

FIGURA 20 - Localização de Sobral no estado do Ceará. Fonte: www.sobral.ce.gov.br/. Acessado em 20 de janeiro/2013.

Sobral está situada no Estado do Ceará, região nordeste do País. Possui uma área de 2.123 km² e 188.233 habitantes. Encontra-se no que é geograficamente chamado de 24

“Depressão Sertaneja”, caracterizada por estar entre a serra da Meruoca e o Rio Acaraú, principal recurso hídrico da cidade. Curiosamente, Sobral é o município que mais registra sismos no Brasil, tendo ocorrido tremor forte em 25 de maio 2008, alcançando 4.3 pontos na Escala Richter. (fig. 21) O bioma da região é a caatinga, que constitui índices pluviométricos muito baixos, temperaturas altas, que pouco variam durante o ano, com ventos secos. O clima quente e seco provoca intenso desconforto térmico na população nos horários de pico do sol. As plantas da caatinga se adaptam ao clima, sendo muito comum a presença de xerófitas, vegetais que se transformaram de forma a acumular e aproveitar melhor a escassa água que recebem. Árvores características da região estudada, a Carnaúba e o Juazeiro contribuem para o desenvolvimento econômico da região. A primeira, abundante em nosso Estado, considerada árvores símbolo do Estado, possibilita infinitas formas de utilização, mesmo em período de estiagem. A segunda, além de suas propriedades farmacêuticas, apresenta ainda curiosidade: durante a seca, quando toda a vegetação está aparentemente sem vida, ela é a única que se mantém verde.

Sobral está inserido na região do semi-árido cearense, sob domínio dos sertões secos da caatinga, de natureza excepcional, cujo contexto climático e hidrológico configura uma mudança de paisagem: cinzenta e sem vida nos períodos de longa estiagem, esverdeando de repente quando chegam as primeiras chuvas. (AGUIAR JÚNIOR, 2005)

O principal recurso hídrico da cidade é o Rio Acaraú (fig.22), como já mencionado, que recebe como importante afluente o Rio Jaiba-


ras, represado no Açude Aires de Souza antes de chegar a cidade. Recebe também como

FIGURA 21 - Tremores de terra na região de Sobral. Fonte: http:// www.sobralportaldenoticias.com/v1/2011/11/24/o-porque-dos-tremores-de-terra-em-sobral/. Acessado em 24 de abril/2013.

2.1.3 ANÁLISE SÓCIO-ECONÔMICA Segundo o censo de 2010 (ver fig. 24), Sobral é uma cidade jovem, em que a predominância da população é de pessoas de 20 a 24 anos, com um pequeno percentual a mais de mulheres que de homens (ver fig. 25). Quanto ao rendimento nominal mensal, segundo o IBGE, temos que, considerando a análise por domicílios, a maioria possui uma renda entre um e dois salários mínimos. (ver fig. 23). Quanto às atividades econômicas de Sobral, segundo dados do IGBE, o setor de serviços tem a maior participação no PIB do município, em seguida vem o setor das industrias e só depois o agropecuário. Este, apesar de sua pequena participação no PIB da cidade, é uma fonte de renda importante para grande parcela da população, principalmente nas áreas rurais. Redes, chapéus de palha e bordados são artesanatos caracte-

FIGURA 24 - Pirâmide etária Sobral. Fonte: http://www.ibge.gov.br/ home/. Acessado em 13 de março/2013.

FIGURA 25 - População residente em Sobral. Fonte: http://www. ibge.gov.br/home/. Acessado em 13 de março/2013.

FIGURA 22 - Visual do rio Acaraú, Sobral. Fonte: www.arcoweb. com.br. Acessado em 24 de abril/2013.

tributários para o Rio Acaraú alguns riachos, sendo os principais: o riacho Mucambinho, o riacho Cachoeira (que alimenta o açude Cachoeira), o riacho do Córrego, o riacho do Oiticica e o riacho Jatobá, que formam o sistema da Várzea Grande. Existem também, ao norte, algumas lagoas intermitentes. A sede do município de Sobral está a 70m do nível do mar. O relevo é predominantemente plano, tornando-se um pouco mais acidentado nas proximidades da serra da Meruoca, ao norte e da serra do Rosário, a noroeste.

FIGURA 23 - Rendimento familiar na cidade de Sobral. Fonte: http://www.ibge.gov.br/home/. Acessado em 13 de março/2013.

rísticos da região, que se tornaram também uma fonte de renda para várias pessoas. Outro fato que chama a atenção ao município é o desempenho educacional que vem demonstrando. As práticas instaladas pelo governo municipal já há alguns anos

25

estão colhendo frutos. A cidade foi destaque ao atingir uma das maiores notas no IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, importante avaliação federal da qualidade do ensino, e dentre 82 escolas que alcançaram nota maior ou igual a 6 (seis) no


5º Fundamental, 27 são de Sobral (ver figuras 26 e 27). No ensino superior, Sobral também se destaca. Acolhe a UVA , o Campus Avançado da UFC e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE, no que concerne às instituições públicas, com vários cursos de graduação disponíveis. Dispõe também de faculdades particulares, o Instituto Superior de Teologia Aplicada - INTA,

a Faculdade Luciano Feijão – FLF e vários institutos que realizam cursos de graduação presenciais e à distancia. Os mais de 50 cursos existentes, consolidaram Sobral como um importante centro universitário do Estado. A cidade, inclusive, teve grande parte de seu desenvolvimento a partir da criação da UVA, estando presente sempre em projetos de incentivo ao conhecimento. A influência de Sobral em mais de 50 municípios da região, a existência de um centro universitário consolidado e o excelente desempenho no ensino fundamental e médio justificam a implantação do equipamento, pois a ciência e o conhecimento são alguns dos grandes norteadores do projeto.

2.1.5 ANÁLISE INTRA-URBANA

A cidade em seus bairros A cidade de Sobral atualmente está dividida em 37 bairros oficiais, de acordo com a Lei Complementar Nº 33 de 15 de dezembro de 2012. O crescimento da cidade ocorreu tendo a margem esquerda do Rio Acaraú como ponto de partida. Desta forma, próximo ao rio, mas de costas, a cidade cresceu, formando o primeiro bairro: Centro. Com o constante crescimento foram surgindo os demais bairros desta margem, sendo eles: Pedrinhas, Derby Clube, Coração de Jesus, Alto da Brasília, Campo dos Velhos, Alto do

BAIRRO CACHOEIRO

RENATO PARENTE

FIGURA 26 - “Dinheiro não garante educação”. Reportagem da revista Época. Fonte: http://www.istoe.com.br/. Acessado em 25 de janeiro/2013

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

BAIRRO DR. JUVÊNCIO DE ANDRDE

CIDADE PEDRO MENDES CARNEIRO PARQUE SILVANA

CIDADE DR. JOSÉ ECLUIDES

BAIRRO MUCAMBINHO

ALTO DA BRASÍLIA EXPECTATIVA

JERONIMO DE MEDEIROS PRADO

JUNCO VILA UNIÃO

EDMUNDO MONTE COELHO BAIRRO JARDIM

CAMPO DOS VELHOS DOMINGOS ALTO OLÍMPIO DO CRISTO PE. IBIAPINA

CORAÇÃO DE JESUS

DERBY

PEDRINHAS

CENTRO

BAIRRO JUAZEIRO

BAIRRO DAS NAÇÕES

VÁRZEA GRANDE

DOM JOSÉ DOM EXPEDITO

PE. PALHANO SUMARÉ

CIDADE GERARDO CRISTINO DE MENEZES

DISTRITO INDUSTRIAL

FIGURA 27- “Dinheiro não garante educação”. Reportagem da revista Época. Fonte: http://www.istoe.com.br/. Acessado em 25 de janeiro/2013

NOVO RECANTO

SINHÁ SABÓIA

COHAB II

COHAB I

JATOBÁ

FIGURA 28 - Sede do município de Sobral: divisão de bairros. Fonte: PDP Sobral, 2008.

26

100 500 200

1000


Cristo, Dom José, Padre Ibiapina, Domingos Olímpio, Vila União, Junco, Parque Silvana, Expectativa, Jerônimo de Medeiros Prado, Novo Recanto, Juvêncio de Andrade, Cachoeiro, Renato Parente, Nossa Senhora de Fátima, Cidade Pedro Mendes Carneiro, Cidade Dr. José Euclides (Terrenos Novos), Mucambinho, Edmundo Monte Coelho, Jardim, Juazeiro, Padre Palhano e Sumaré. À margem direita do Rio Acaraú surgiram os seguintes bairros, já mais recentes: Dom Expedito, Várzea Grande, Distrito Industrial, Sinhá Sabóia, COHAB I, COHAB II, Bairro das Nações, Cidade Gerardo Cristino de Menezes e Jatobá.

dos trilhos e do rio. Com o crescimento da cidade algumas novas centralidades foram se desenvolvendo, já transpondo a barreira da via férrea. A estrada de ferro, implantada no final do século XIX, e o rio Acaraú foram os principais fatores físicos responsáveis pelo adensamento da cidade. Os trilhos, até o começo da última década de 80, representavam o limite físico entre a classe dominante e o proletariado, Era pejorativo dizer que alguém morava “depois da linha” ou do “outro lado do rio”, isto é, à margem direita.(ROCHA, 2003).

Centralidades Desde o surgimento de Sobral, o centro cívico e religioso da cidade encontrava-se próximo a praça da Matriz, onde estavam a Igreja da Sé e a Casa de Câmara e Cadeia, constituindo o primeiro núcleo urbano de Sobral. Com o crescimento da cidade, os núcleos foram se reproduzindo, mas mantendo-se sempre entre a área que os trilhos e o Rio Acaraú definem, que hoje vem a constituir o bairro Centro. É possível perceber claramente, ao analisar o crescimento urbano da cidade, a barreira física que os trilhos foram, e ainda são. E como esse fator foi determinante para a forma urbana que a cidade criou. A identificação do Rio Acaraú como uma barreira, também determinou a maneira de crescer da cidade, que até alguns anos atrás, se desenvolvia de costas para o rio. O espaço intra-trilhos se manteve instransponível por um tempo significativo, e começou a ser excedido pela população mais carente, que foi ocupando as margens

FIGURA 29- Primeiro núcleo urbano de Sobral. Fonte: ALVES, Maria do Carmo, 2011.

A busca por uma maior qualidade de vida com proximidade as áreas verdes, maior tranqüilidade e procura por um clima mais ameno, levou o crescimento da cidade para o caminho da Serra da Meruoca. Devido ao fluxo de passagem para a Serra, e com a implantação de alguns equipamentos, como o Estádio Plácido Aderaldo Castelo e o Centro de Convenções, além de toda uma reformulação urbana no Parque da Cidade, desenvolveu-se ao longo da Av. do Contorno uma nova centralidade, que hoje aglomera serviços comerciais e um grande pólo residencial, com escolas e áreas de lazer disponíveis. Outro importante fator de crescimento foi a implantação da UVA , cujo campus da Betânia, localizado próximo a Lagoa da Fazenda, área de lazer em potencial, fez com que alguns condomínios residenciais surgis27

sem nas proximidades, além de residenciais unifamiliares, que reconheciam aquela área como um pólo de crescimento. Além do campus da Betânia, a implantação do Campus da Cidao, que atualmente abriga o IFCE e o Centro de Ciências Exatas e Tecnologia - CCET, da UVA contribui para o desenvolvimento do seu entorno. Essas duas regiões são bem próximas, e com o surgimento de novos equipamentos na área, como supermercados, restaurantes, lanchonetes, academias e algumas lojas, esta região como um todo, conforma uma nova centralidade, que acopla serviços e residências. A instalação do Campus Derby, que abriga o Centro de Ciências da Saúde (CCS) e o curso de Medicina da UFC nas proximidades dessa região, consolidaram ainda mais essa área como uma nova centralidade a se estabelecer. Apesar dessas novas centralidades, o centro de Sobral ainda se mantém muito forte, garantindo a maior concentração de serviços. Mesmo ainda encontrando muitos pontos residenciais no bairro, vemos que a maioria deles está nas proximidades do seu limite, afastados do centro comercial. Uma área do Centro, delimitada como Sitio Histórico, foi tombada pelo IPHAN, garantindo a proteção de toda a área, havendo um rígido

FIGURA 30 - Av. do Contorno, Sobral. Fonte: arquivo pessoal.


sistema de fiscalização. Em seu entorno, foi delimitada também uma área de preservação, esta com legislação menos rígida, mas ainda estabelecendo regras e índices específicos quanto às reformas e usos dos estabelecimentos da região. Atualmente existe um projeto já em processo de implantação que irá internalizar toda a fiação da área do Sitio Histórico, além de uniformizar as calçadas,

LEGENDA bairro - centro área tomabada - patrimônio histórico área de preservação - patrimônio histórico centralidade - ueva centralidade - av. do contorno nova centralidade - shopping/faculdade

FIGURA 31 - Av. Dr. Guarany. Fonte: arquivo pessoal.

tornando-as acessíveis, e restaurar algumas praças e fachadas de edifícios públicos que se encontram na área. Apesar dessas três centralidades definidas acima (Centro, Av. do Contorno e entorno da Universidade e equipamentos educacionais), a cidade cresceu como um todo, principalmente no lado esquerdo do Rio Acaraú, desenvolvendo toda uma malha interligando os principais centros, além de crescer juntamente com a estrutura viária principal implementada.

nova centralidade - loteamento margem direita 100 200

500 1000

FIGURA 33 Mapa Centralidades. Fonte: mapa elaborado pela autora.

Já agora nesses últimos anos, e após a reforma da Margem Esquerda do Rio Acaraú, a cidade vira-se para o rio buscando crescimento mais intensificado também na outra margem. Antes, o lado direito do rio era ocupado basicamente pela população menos favorecida, com residências precárias e pouca infra-estrutura. Essa ocupação foi conformando o bairro Dom Expedito. Além dessas habitações era possível encontrar algumas

FIGURA 32- Av. Monsenhor Aloísio. Fonte: arquivo pessoal. Foto: André Carvalho.

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chácaras e alguns outros equipamentos que não chamam tanto a atenção para desenvolver um pólo residencial. Deste lado foi definido o Distrito Industrial, e implantadas a COHAB I e COHAB II, alem de várias residências de baixa renda que começaram a ocupar a região por estarem próximas de seus locais de trabalho. O momento agora é outro para esta margem do rio. O shopping de Sobral está concluindo sua implantação, inaugurando ainda este ano, e faculdades e institutos vêm se instalando nessa região. Estes equipamentos chamam um novo tipo de ocupação, despertando interesse da população em transformá-los em pólos residenciais, devido à proximidade de serviços e infra-estrutura que estará agora disponível a eles. Esse interesse se faz logo perceptível ao se verifi-


car um acentuado aumento do valor imobiliário da região. Portanto definimos o entorno do shopping de Sobral e equipamentos educacionais como uma nova centralidade que está prestes a surgir. SOBRAL VIA WIRELESS Há algum tempo, a prefeitura de Sobral iniciou um projeto para disponibilizar internet grátis em alguns pontos da cidade, principalmente na região central, chamado “sobral via wireless”. Seis antenas foram instaladas, dentre as quais três se encontram no bairro Centro, duas no bairro do Junco, considerado uma nova centralidade, e uma outra no bairro da Expectativa, próximo a UVA, outra centralidade reconhecida. Ainda não é possível reconhecer o projeto como um sucesso completo, pois em poucos pontos as redes realmente funcionam, mas já é um grande passo para diminuir a exclusão digital. Esse processo é importante pois hoje em dia, graças à internet, podemos nos conectar com qualquer parte do mundo, o que nos aproxima de diversas culturas e diferentes conhecimentos, afora todo o material de noticias, estudos e cultura disponibilizados nas redes. FIGURA 34 - Nota Sobral via wireless. Fonte: elaborado pela autora

É também deste lado do rio, aproveitando toda a infra-estrutura que esta prestes a vir, que estão sendo feitos muitos investimentos em loteamentos. Determinamos que o loteamento Parque Boa Vista, relativamente próximo ao shopping, que se propõe a entregar toda a infra-estrutura de pavimentação viária, de sistema de drenagem, redes de água e esgoto, energia elétrica, iluminação e arborização, irá conformar também uma nova centralidade.

LEGENDA via expressa via arterial via coletora via paisagística via principal (tombada) VLT - linha existente a remodelar VLT - linha a implantar

100 200

500 1000

FIGURA 35 - Mapa Hieranquia Viária. Fonte: mapa elaborado pela autora.

Estrutura viária O sistema viário foi analisado segundo a classificação sugerida pela própria Prefeitura Municipal de Sobral no Plano Diretor Participativo - PDP, realizado em 2008. A classificação se dá através de uma hierarquização das vias existentes e propostas, em que cada uma tem sua própria especificidade. Dessa forma, temos as Vias Expressas, aquelas que unem as rodovias às vias da cidade propriamente dita. A continuidade da CE 440, que liga Sobral a serra da Meruoca; a CE 362, que liga Sobral a Massapê e da BR 222, que vem de Tianguá, à oeste, e de Fortaleza, à leste. As Vias Expressas se unem às Vias Arteriais, que são as principais vias urbanas, destinadas a absorver um grande volume de tráfego

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e fazer a conexão principal entre as unidades de vizinhança. As Vias Coletoras, por sua vez, são as intermediárias ente as Vias Locais e as Vias Arteriais, fazendo essa conexão com bom padrão de fluidez. São bastante importantes, pois são elas que permeiam toda a cidade. As Vias Locais, por sua vez, são destinadas a atender o acesso aos lotes, normalmente de trafego calmo. Existem também as Vias Paisagísticas, que costumam se encontrar contornando rios ou lagoas, as Vias de Pedestres, que como o nome diz, atendem apenas aos pedestres, mas são bem escassas e as ciclovias, que são faixas destinadas para o uso apenas dos ciclistas. Estas existem basicamente apenas contornando as Vias Arteriais.


Este é o principal sistema de funcionamento das vias da cidade, que estruturalmente está bem servido, porém apresenta alguns problemas. As ciclovias, infelizmente, ainda são poucas. Apesar de já existirem em alguns pontos importantes, devido a quantidade de bicicletas existentes, que servem como único meio de transporte para muitos, seria necessário o planejamento de mais trechos com ciclovias por toda a cidade. As vias locais, por muitas vezes chegam a se tornar “ruas sem saída”, comprometendo a fluidez do sistema, além de, às vezes desnecessariamente, serem asfaltadas, aumentando a sensação térmica dos moradores, quando poderiam apenas fazer uma pavimentação semi-permeável de qualidade. Os pedestres, apesar de terem vias destinadas exclusivamente a eles, raramente tem as suas calçadas corretas, tendendo a serem estreitas, mal cuidadas e inacessíveis. Quanto a todo o sistema em si, não existem muitos problemas. Há realmente uma fluidez garantida pelas vias, porém, devido ao aumento do número de carros e ao excesso de motos, começamos a ver na cidade um tráfego menos calmo e fluído, o que chama a atenção para a possibilidade de pensar em artifícios que venham a trazer essa fluidez novamente. Segundo dados relativos a 2012, do IBGE, em Sobral, a maior frota é de motonetas, com uma porcentagem de 50,8% da frota total se referindo a esse meio de transporte. Em seguida estão os automóveis, com 26,7%. Desses dados, juntamente com os já analisados anteriormente, podem-se tirar algumas conclusões. Levando em consideração a renda média por domicílio e a idade média da população, é compreensível o alto numero de motonetas, considerando que são um meio

FIGURA 36- Veículos em Sobral. Fonte : IBGE. Adaptado pela autora.

de transporte mais barato que o automóvel e mais independente, por só levar duas pessoas, além de ocupar menos espaço. O automóvel, por sua vez, torna-se, cada vez mais, um equipamento indispensável para as famílias que tem que deixar filhos na escola e irem ao trabalho, além de ser mais seguro, aumentando cada vez mais sua porcentagem na frota total da cidade. Essa necessidade de possuir um meio de transporte particular acontece porque em Sobral não existe um sistema de transporte público de qualidade. Com o intuito de desafogar o transito e oferecer à população um serviço público de direito, esta se desenvolvendo e implantando o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos - VLT, integrado com as linhas de ônibus a serem implantadas, o que provavelmente irá modificar consideravelmente o cenário da mobilidade e meios de transporte atual da cidade.

O VLT O VLT é um sistema de transporte público sobre trilhos que muito se assemelha aos bondes, que já circularam nas cidades brasileiras anos atrás, inclusive em Sobral (ver FIGURA 39). Porém, ele ressurge mais tecnológico, mais leve, econômico e silen-

FIGURA 37 - Linhas de metrô de Sobral. Fonte: Secretaria de Infraestrutura do Governo do Estado do Ceará.

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cioso. É um transporte de média capacidade e que, se bem projetado, causa pouco impacto na cidade, sendo considerado um re-qualificador urbano, em muitos casos. Existem, claro, alguns contra-pontos. Infelizmente, para realizar o projeto, nem sempre é possível aproveitar somente os trilhos já existentes, muitas vezes fazendo-se necessária a desapropriação de casas para a criação de nova via férrea. Este processo, se bem conduzido, não precisa, necessariamente, ser traumático, porém, na maioria dos casos, acaba sendo assim, seja por falta de diálogo, ou por falta de interesse dos governantes, o que dificulta bastante o processo e tempo de implantação e até a aceitação do equipamento por parte da população. O VLT de Sobral está sendo implantado, com previsão de conclusão em 2013. É um importante equipamento para a cidade que passa a investir mais em transporte público em um momento em que a frota de veículos particulares está crescendo bastante. Ir contra a corrente e investir em novas possibilidades para o transporte público é muito importante. Além disso, o sistema de transporte municipal de ônibus está sendo reformulado, de maneira a se integrar completamente com o VLT, melhorando sua funcionalidade. No projeto são duas linhas propostas que permeiam pela cidade, criando quatro grandes ramos, com 12 estações4, que se integram na Estação Coração de Jesus, no

4 Inicialmente o projeto contava com 11

estações, mas segundo o arq. Diretor de Desenvolvimento e Tecnologia da Companhia Cearense de Transporte Metropolitano Edílson Aragão, a comunidade da Vila Recanto, juntamente com

FIGURA 38 - Estação Boulevard. Fonte: arquivo pessoal. Foto: André Carvalho.

limite do bairro do Centro. A Estação Dom José, por sua vez, está localizada na área escolhida para intervenção, encaixando-se em todo o contexto do projeto proposto, passando a ter um papel essencial na sua consolidação. Quanto ao VLT acha-se necessário ressaltar alguns pontos marcantes sobre o projeto. Muito se discute quanto à real necessidade de um equipamento como este para a cidade de Sobral, pois acredita-se que não há demanda para ele. Porém, precisa-se ter em mente que o município está em rápido processo de crescimento e que se faz extremamente necessário que a prefeitura realize investimentos no transporte público, importante serviço para a população, garantindo a mobilidade de maneira integrada e segura. O VLT torna-se também um recuperador da paisagem da cidade. As linhas férreas que transportavam apenas cargas, passam agora a fazer parte do cotidiano das pessoas, revitalizando-as, ajudando a quebrar a barreira que elas podem ter se tornado. Por outro lado, para a implantação do VLT, apesar de aproveitar boa parte da linha férrea já existente, foi necessária a duplicação e implantação de algumas vias e, dessa forma, a desapropriação de algumas residências e pontos comerciais. Esta é sempre uma questão desagradável a ser trabalhada, 31

mas às vezes, infelizmente, faz-se necessário. Nesses casos, é sempre importante que exista um diálogo com as pessoas que serão desapropriadas, juntamente de um acompanhamento por assistentes sociais. A situação deve ser o mais transparente possível e andar sempre dentro da legalidade. O VLT ganhou fama, dentre outros motivos, por ser considerado um transporte limpo, já que se move eletricamente. No Ceará, por sua vez, os carros implantados no Cariri, em Fortaleza e em Sobral, utilizam o biodiesel como combustível, tornando-o mais poluente. Muitas críticas giram em torno dessa decisão de implantar VLT movido a biodiesel, alguns considerando-o uma total distorção do projeto original. Esta situação acontece devido a uma maior facilidade na implantação, já que o carro movido a eletricidade necessita de uma estrutura bem mais dispendiosa, com todo o sistema de eletrificação (subestações, distribuição, posteamen-

FIGURA 39 - Praça do Mercado de Sobral. Fonte: ROCHA, Herbert. 2003.


to, etc.), por sua vez a utilização do biodiesel como combustível o torna menos poluente do que as locomotivas diesel-elétricas, antes utilizadas. Este poderia ser reconhecido como um ponto negativo quanto a implantação do VLT, porém acredita-se que com o incentivo ao conhecimento, ao desenvolvimento científico e à inovação tecnológica, é possível que surjam algumas pesquisas no intuito de aproveitar o recurso mais abrangente não só de Sobral, como do Ceará, o sol, de maneira a utilizá-lo como fonte de energia para movimentar o VLT, pensando numa posterior adaptação da estrutura do equipamento a essa possibilidade.

Frentes de Expansão Urbana LEGENDA Frentes de expansão na direção indicada

As frentes de expansão urbana estão, de certa forma, muito ligadas às novas centralidades apontadas anteriormente. A tendência de crescimento da cidade, coincidentemente ou não, acontece pelas mesmas áreas indicadas, porém diferem dos pontos marcados como centralidades já existentes. Assim temos uma frente de crescimento a caminho da Serra da Meruoca, onde muitos loteamentos vem surgindo naquela região, em busca, principalmente, de mais tranqüilidade, uma maior proximidade com o verde e um clima um pouco mais ameno, como já foi dito. O número de pessoas que moram na própria Meruoca ou em distritos vizinhos, em sítios, e trabalham em Sobral, inclusive, vem aumentando bastante, devido à proximidade das duas cidades. Outra frente de expansão é no sentido do município de Massapê, onde vêm surgindo vários loteamentos também. Já é possí-

500 100 200

1000

FIGURA 40 - Mapa Eixos de Expansão. Fonte: elaborado pela autora.

vel perceber o notável crescimento que vem ocorrendo e, pelos investimentos em grandes loteamentos e alguns condomínios fechados

FIGURA 41- Projeto Terra Nova. Fonte: Manual do investidor, 2002.

32

que pretendem construir na região, esta é, acredita-se, mais uma frente de expansão da cidade.


Transpondo o que foi a principal barreira da cidade durante anos, a outra grande frente de expansão vai além do Rio Acaraú. A construção da ponte Dr. José Euclides, próxima a Rodoviária de Sobral, dando continuidade a Av. Monsenhor Aloísio, em 2000 já indicava o interesse em desenvolver a cidade para o outro lado do rio. O Projeto Terra Nova (ver figura 41), que consta de um Plano Setorial de Desenvolvimento Econômico nesta região iniciado em 1999 com o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano - PDDU, que organizava toda a ocupação desta área, já indicava esta expansão. Agora está sendo inaugurado o North Shopping Sobral, além de outros investimentos, conforme o projeto, estabelecendo definitivamente este eixo de expansão.

Equipamentos sociais Ao analisar os equipamentos sociais, considerando que o projeto proposto tem uma conexão muito forte com a educação, optou-se por dar destaque aos estabelecimentos educacionais em seus diferentes níveis. A análise se dá em especial no que se refere à distribuição espacial, verificando sua concentração nas regiões centrais e na forma como os mesmos se distribuem na cidade. A seguir, no mapa, vemos: Analisando as escolas municipais e estaduais, é possível perceber que elas se distribuem bem ao longo da cidade. Existe uma pequena concentração na região intra-trilhos, mas os equipamentos vão surgindo extrapolando essas barreiras, seguindo o

escola municipal escola estadual escola particular universidade

100 500 200

1000

FIGURA 42 - Mapa Equipamentos Educacionais de Sobral. Fonte: Levantamento Topográfico realizado pela Prefeitura de Sobral em 2003 atualizado segundo conhecimentos da autora.

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crescimento da cidade. A menor concentração destes equipamentos, por sua vez, é na margem direita do rio Acaraú, onde as escolas estão presentes em menor quantidade. Isso se deve, provavelmente, ao fato de que apenas há alguns anos a cidade voltou seu crescimento para essa região, apesar de já estar ocupada há bem mais tempo. Quanto às escolas particulares, apontam-se apenas os equipamentos de ensino fundamental e médio, sem considerar as escolas de ensino infantil, e pode-se perceber que, em sua maioria, elas se concentram na região intra-trilhos e nas regiões de novas centralidades já apontadas anteriormente Neste mapa, ao analisar os equipamentos educacionais de graduação, destacaram-se apenas os campus da UVA e da UFC, no âmbito público e as faculdades particulares INTA e FLF, que se tornaram equipamentos-chave para o surgimento das novas centralidades mencionadas. Por julgar que os equipamentos culturais, pela aprendizagem repassada, se enquadram no quesito de estabelecimentos educacionais, opta-se por analisar a existência de tais equipamentos na cidade e sua distribuição espacial, verificando se ocorre alguma concentração dos mesmos em uma região específica e se existem conexões entre os equipamentos. A seguir, no mapa, pode-se ver o resultado da análise realizada. Percebe-se que na região intra-trilhos encontra-se uma forte concentração dos principais equipamentos culturais. Destaca-se o fato da inauguração de alguns destes equipamentos ter sido há muitos anos, quando a cidade ainda não havia se expandido tanto. O Teatro São João, por exemplo, passou por grande reforma recentemente


FIGURA 43: Maquete do projeto de reforma do Museu MADI. Fonte: blogs.diariodonordeste.com.br. Acessado em 25 de abril/2013.

e se mantém até hoje em sua antiga localização desdeza implantação da pedra fundamental em 1875. O Museu Dom José, considerado o 5º do Brasil em Arte-Sacra e Decorativa, pelo Conselho Internacional de Museus - ICOM, por sua vez, teve sua inauguração oficial em 1971. Quanto aos museus, Sobral possui ainda o Museu do Eclipse, que tem sua posição relacionada ao local histórico em que um grupo de cientistas comprovou a Teoria da Relatividade, e o Museu MADI5, que se encontra às margens do rio Acaraú, próximo à Escola de Cultura Comunicação Ofícios e Artes - ECOA, outro equipamento cultural importante da cidade, e integrado a este. Nas proximidades do MADI e ECOA foi implementada a Biblioteca Municipal Lustosa da Costa, com um acervo inicial de 15.000 volumes. Estes equipamentos fazem parte do projeto de urbanização da margem esquerda do rio Acaraú, que contou com a implantação 5 Em 2009, devido as fortes chuvas, o Museu MADI foi inundado, havendo portanto a necessidade de transferir todo seu acervo para outro local. Desde então o Museu continua sem edificação definida, porém 70% de suas obras estão em exposição na Casa de Cultura de Sobral. O prédio original do MADI passará por uma reforma (ver figura 43), que esta em processo de licitação, e deverá em breve retornarz com a exposição completa e outras atividades variadas.

museu teatro biblioteca municipal centro cultural educação suplementar

100 500 200

1000

FIGURA 44 - Mapa Equipamentos Culturais. Fonte: mapa elaborado pela autora a partir de pesquisa de campo.

também de quadras esportivas, áreas recreativas e um anfiteatro. Há ainda a Casa da Cultura, que surgiu da reforma do antigo “solar dos Figueiredo”, e é um símbolo do ressurgimento da consciência cultural sobralense, alem de ter tido um papel importante na história da revitalização do patrimônio histórico-cultural da cidade. Outro equipamento importante é o Palácio de Ciências e Línguas Estrangeiras que, inserido no mapa como educação suplementar, se propõe a oferecer cursos de inglês, espanhol, informática, bem como física, química e biologia, prioritariamente, para alunos da rede pública. Disponibiliza de salas multimídia e sofisticados laboratórios para a prática de experimentos científicos. Trata-se também de outro equipamento que deu novo uso ao antigo 34

edifício do Palace Club, resgatando um patrimônio histórico-cultural da cidade. Este, por sua especificidade de ser um equipamento ligado à pratica das ciências e à democratização do conhecimento tem grande potencial para desenvolver um programa em conjunto com o projeto proposto. Existe, portanto, uma concentração de equipamentos culturais na região central da cidade, que não se conectam entre si, nem se interligam com a cidade por completo. De maneira a promover o acesso de moradores distantes da região central aos centros culturais, a Secretaria de Cultura e Turismo desenvolveu um projeto que promove visitas guiadas aos espaços culturais de Sobral, fazendo o trajeto de ônibus, gratuitamente, aos sábados e domingos.


ma, sua percepção da paisagem se torna mais acentuada e as melhorias que trazem para a população são bem maiores. Dessa forma, criando conexões entres espaços anteriormente segmentados, permite-se uma passagem e seqüência entre eles, privilegiando o fato de ir e vir, alem de sugerir a possibilidade da criação de áreas de lazer e equipamentos coletivos ao longo de suas rotas. (TARDIN, 2008) Acredita-se, portanto, que seja necessário desenvolver um sistema com os espaços livres já existentes, ordenando-os, permitindo alcançar uma maior relação entre eles, reestruturando o território. A re-qualificação da área deste projeto visa torná-la um importante espaço livre que venha a desenvolver o sistema proposto.

100 500 200

1000

FIGURA 45 - Mapa Áreas Livres. Fonte: mapa elaborado pela autora a partir de pesquisa em PDP, 2003 e imagem aérea.

Sistema de espaços livres A cidade, por se encontrar à margem do Rio Acaraú, já possui uma grande quantidade de espaços livres, pois além do próprio rio, os afluentes vão circundando a cidade, disponibilizando alguns pontos ou caminhos verdes. Possui também a lagoa da Fazenda, o açude do Javam e o açude Sobral (Cachoeiro), que são importantes espaços livres para Sobral, juntamente com o riacho Pajeú, que atualmente conforma o projeto do Parque da Cidade. No mapa (figura 45) é possível perceber que a maior parte dessas áreas forma uma espécie de cinturão verde em torno

da cidade, encontrando-se normalmente às margens da área urbana. Principalmente na área entre trilhos, pode-se encontrar uma grande densidade de ocupações. Existe, porém, a preocupação em manter uma quantidade razoável de praças, o que garante uma melhoria na qualidade de vida da população. Sobral, portanto, apresenta uma boa quantidade de espaços livres, mesmo na área densamente urbanizada, com a preocupação de disponibilizar praças para a população que, costumeiramente utiliza esses espaços para o lazer e a contemplação. Percebe-se, porém, que as áreas livres não dispõem de um sistema, ocupando regiões pontuais. Como já mencionado, quando os espaços livres estão conectados através de um siste35

FIGURA 46 - Imagem da área de intervenção. Fonte: arquivo pessoal.

FIGURA 47 - Imagem da área de intervenção. Fonte: arquivo pessoal.


2.2 O ESPAÇO URBANO EM TRANSFORMAÇÃO Recentemente, em Sobral, foi criada a Secretaria de Urbanismo e encontra-se em fase de implantação o Instituto de Estudos Urbanos do Município - IURB, que demonstram a preocupação da atual gestão no desenvolvimento urbano da cidade, voltadas para sanar pontos críticos como a mobilidade, o saneamento básico, a habitação social, a segurança, etc. Dentre as atuais preocupações, percebe-se a priorização da qualificação do transporte coletivo, de maneira a reduzir a utilização do veículo privado e do espaço publico ocupado por ele e a busca pela sustentabilidade da cidade, incorporando a idéia que reciclar edifícios é mais sustentável do que demoli-los. Além disso, se fortalece a idéia de que é imprescindível seguir o planejamento previamente realizado, acatando algumas atualizações, mas evitando que projetos privados se sobreponham sobre a legislação prevista. Desta forma, está sendo proposta uma revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e a configuração do Sitio Histórico. Com todo esse cenário favorável à cidade, existem alguns projetos com implantação já prevista que foram classificados conforme sua principal abordagem, sendo estes:

Projetos Mobilidade Urbana

Projetos Espaços Livres

Duplicação da Avenida Ermírio de Morais (entrada de quem vem do Piauí) – Projeto pronto, faltando o estudo de impacto ambiental. Duplicação da Av. Moacir Feijão (Ligando a Av. Fernandes Távora à Av. Mons. Aloísio) – Projeto pronto. Avenida de ligação BR-222 ao shopping, pelo acesso dos Gaviões. Pericentral (continuação) Rotatória do Boulevard do Arco Boulevard do Arco (continuação) – Projeto pronto Calçadas da Avenida Desembargador Moreira – Projeto Pronto

Parque do Junco (JAVAN) Jardim Botânico do Seminário (IBAMA) Parque do Córrego (Fazendinha) Lagoa da Fazenda Lagoa José Euclides Lagoa da SAIC (próximo ao Hospital Regional) Parque da Cidade (continuação) Praça vizinha ao Clube do Vaqueiro Praça do bairro Sinhá Sabóia Cinturão Verde no entorno da atual área de adensamento urbano de Sobral. Urbanização da Margem Direita (trecho dos Gaviões) – Projeto em desenvolvimento. Entorno do Estádio do Junco Urbanização do Alto do Cristo Área da antiga Estação Ferroviária

2 1

3

Projetos Espaços Edificados Feira vizinha à antiga Estação Ferroviária Modernização dos Mercados Municipais Pinacoteca

1 2 3

Feira vizinha à antiga Estação Ferroviária Modernização dos Mercados Municipais Pinacoteca

100 200

FIGURA 48 - Mapa de Projetos Estruturantes de Mobilidade Urbana. Fonte: elaborado pela autora.

36

500 1000


4

5

6

7 1 1 2

Duplicação da Av. Ermírio de Moraes Duplicação da Av. Moacir Feijão

3

Av. ligação BR-222 ao shopping

4

Pericentral

5

Rotatória Boulevard do Arco

6

Boulevard do Arco (continuação) Calçadas Av. Desembargador Moreira

7

3 2

100 500 200

1000

FIGURA 49 - Mapa de Projetos Estruturantes de Mobilidade Urbana. Fonte: elaborado pela autora.

3

1

Parque do Junco

2

Jardim Botânico do Seminário (IBAMA)

3

Parque do Córrego

4

Lagoa da Fazenda

5

Lagoa José Euclides

6

Lagoa da SAIC

7

Parque da Cidade (continuação)

8

Praça do bairro Sinhá Sabóia

9

Urbanização Margem Direita

5

10

6

1

2

4

7 11

12 9

8

10 Entorno do Estádio do Junco 11 Urbanização do Alto do Cristo 12 Área da antiga Estação Ferroviária

13 Cinturão Verde

100 200

FIGURA 50 - Mapa de Projetos Estruturantes de Espaços Livres. Fonte: elaborado pela autora.

37

500 1000


100 200

500 1000

FIGURA 51 - Identificando a Área de Intervenção. Fonte: mapa elaborado pela autora.

2.3 ÁREA DE INTERVENÇÃO

Após realizar uma análise geral de Sobral e de seus espaços livres, foi identificada a área escolhida para implantação do equipamento proposto, que se encontra no terreno e entorno da antiga Estação Ferroviária da cidade. Escolheu-se esta área porque além de ser uma região que necessita urgentemente de uma intervenção, por encontrar-se subutilizada, o contexto do terreno encaixa-se muito bem com as diretrizes do projeto.

Posteriormente foi feita uma análise prévia específica do terreno com a finalidade de desenvolver um programa para propor um equipamento que supra as reais necessidades existentes e que se adeque as peculiaridades da área. Como já foi mencionado, Sobral possui um relevo predominantemente plano, porém, na região escolhida para implantar o projeto, percebe-se uma pequena variação topográfica de algo em torno de quinze metros. A área encontra-se há pouco mais de 200m de distância de um dos pontos mais altos da cidade, onde está situado o monumento do Cristo Redentor. Marco do município, do Alto

38

do Cristo é possível visualizar uma das mais belas vistas de Sobral. A área prevista para o equipamento situa-se próximo ao centro da cidade, tornando-se assim um ponto estratégico no desenvolvimento de um sistema de espaços livres. Considerando-se que esta área encontra-se próxima a uma região bastante adensada, é de extrema importância que seja feita uma proposição para esta área, que ainda se mantém livre, garantindo a sua utilização como equipamento social para a população, alem de espaço livre qualificado. O mapa a seguir apresenta o recorte analisado da área de intervenção. De maneira a fazer uma análise mais voltada às questões de projeto, optou-se por identificar os problemas em três categorias específicas, já se relacionando às categorias de diretrizes a serem propostas, sendo estas: o uso do solo, que apontará as problemáticas acerca dos espaços edificados, assim como a legislação de uso e ocupação da região; a mobilidade urbana, definindo os problemas acerca da estrutura existente; e os espaços livres que, por sua vez, identificará as principais necessidades quanto a estas áreas.

2.3.1 USOS DO SOLO Fundamental para que se possa analisar o uso e a ocupação da área de intervenção, foi feito um estudo detalhado do Plano Diretor Participativo de Sobral, ressaltando-se as questões relevantes para a intervenção proposta. Segundo o Mapa do Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo do Plano Diretor Participativo, atualizado em 2010, a área de intervenção envolve quatro principais zonas, sendo elas a Zona Residencial de Media Densi-


ZONAS

ZUM

50 60

ÍNDICE  DE   APROVEI-­‐ TAMENTO   (IA) 1,0 1,5

ALTURA   MÁXIMA  DA �� EDIFICAÇÃO   (m) 9 14

60

1,5

18

TAXA  DE   PERMEABI-­‐ LIDADE  (%)

TAXA  DE   OCUPAÇÃO   (%)

Residência  unifamiliar Residencial  multifamiliar Comércio  v arejista,  serviços  em   geral,  equipamentos,  indústrias  de   pequeno  e  médio  porte  n ão   poluentes Misto  (residência  associada  a   comércio  varejista  e/ou  serviços   em  geral  e/ou  indústrias  de   pequeno  porte,  não  poluentes,  ou   usos  não  residenciais  associados   entre  si) Equipamentos  de  uso  público  em   geral.

20 20 20

Residência  unifamiliar Comércio  e  serviço  de  pequeno   porte  c om  c aráter  local Misto  (residência  associada  a   comércio  varejista  e/ou  serviços   em  geral  e/ou  indústrias  de   pequeno  porte,  não  poluentes,  ou   usos  não  residenciais  associados   entre  si) Indústria  leve  e  semi-­‐artesanal Escola  de  1º  grau  e  assemelhados   e  Creche  e  assemelhados

USO

FUNDO

LATERAL

0 0

3 3

0 1,5

ÁREA   DO   LOTE   (m²) 125 125

0

3

1,5

125

RECUOS FRENTE

20

60

1,75

18

0

3

1,5

125

20

60

1,5

14

0

3

1,5

125

25

50

1,0

9

0

3

0

125

25

50

1,0

9

0

3

0

125

25

50

1,0

9

0

3

0

125

25

50

1,0

9

0

3

0

125

25

50

1,0

9

3

3

0

125

50 1,5 Comércio  v arejista,  serviços  em   geral,  equipamentos,  indústrias  de   50 1,5 pequeno  e  médio  porte  n ão   poluentes Misto  (residência  associada  a   comércio  varejista  e/ou  serviços   em  geral  e/ou  indústrias  de   50 1,75 pequeno  porte,  não  poluentes,  ou   usos  não  residenciais  associados   entre  si)   urbanísticos previstos na LUOS de Sobral. tabela legislaçãoFonte TABELA 01 - Índices

18

0

3

1,5

300

18

0

3

1,5

300

ZR3

ZR4

Residencial  multifamiliar

18

0

3

1,5

300

OBSERVAÇÕES

Nas  quadras  lindeiras  ao  anel  pericentral  a  altura   máxima  dos  edifícios  será  de  42,0  metros.  Quando   a  edificação  possuir  mais  de  14m  de  altura  o  recuo   de  frente  deverá  ser  de  5m  a  partir  do  1º  pavimento Nas  quadras  lindeiras  ao  anel  pericentral  a  altura   máxima  do  edifício  será  de  42  metros.  Quando  a   edificação  possuir  mais  de  14m  de  altura  o  recuo  de   frente  deverá  ser  de  5m  a  partir  do  1º  pavimento.     Os  usos  não  residenciais  podem  ser  associados   entre  si  em  uma  mesma  e dificação. Nas  quadras  lindeiras  ao  anel  pericentral  a  altura   máxima  do  edifício  será  de  42  metros.  Quando  a   edificação  possuir  mais  de  14m  de  altura  o  recuo  de   frente  deverá  ser  de  5m  a  partir  do  1º  pavimento.    

As  edificações  poderão  ter,  n o  máximo,  04   (quatro)  pavimentos,  incluindo  o  pavimento   térreo. As  edificações  poderão  ter,  n o  máximo,  04   (quatro)  pavimentos,  incluindo  o  pavimento   térreo.   Os  usos  não  residenciais  podem  ser  associados   entre  si  em  uma  mesma  e dificação.

  mento, transportes, cultura, esportes, dade – 250hab/ha – ZR3; a Zona Residencial lazer, educação, saúde, tenha   O   Plano   Diretor   ainda   sugere   q ue   grande   parte   da  abastecimento, área   de   entorno   analisada   prioridade   na   implementação   institucional (creches, escolas ede   assemede Alta Densidade – 500hab/ha – ZR4; a Zona promoção social e outras correlatas. lhados). estacionamentos.   de Uso Misto - ZUM; e a zona de Áreas InstiA qZR4, suae  ovez, constitui tucionais - AI. Analisada  a  legislação  pertinente  a  intervenção,  seguiu-­‐se  um  estudo  da  situação  atual  da  região   uanto  por o  uso   cupação   do   uma O entorno da área de implantação do zona residencial de alta densidade e de A área deé  implantação do que  em   sua   grande   maioria,   o   uso   da   área   é   residencial   solo.   No   mespecífica apa   a   seguir   possível   perceber   e   misto,   havendo   alguns   pontos   equipamento, que faz parte das propostas uso misto, possibilitando a edificação equipamento proposto comporta a zona de de  ocupação  por  equipamentos  educacionais  de e  de   saúde,  além  compõem de  alguns  lotes   comerciais   de  pequeno  e  médio  porte.     intervenção a ZUM no lado de apartamentos. Permite, portanto, as Áreas Institucionais, que segundo a Lei do intra-trilhos e as ZRs ao transpor a via férrea. residencial multifamiliares, o uso misto e Parcelamento e Uso do Solo, diz: A ZR3 constitui uma zona residencial de comercial varejista. Art. 67 – Constituem áreas institu- media densidade, restringindo o uso a uma A ZUM, configura as zonas de uso cionais aquelas inseridas no territóúnica família por lote. São permitidas residênmisto e estão situadas na área central de rio municipal, pertencentes ao Poder Público, nas esferas federal, estadual e cias unifamiliares, atividades comercias e de Sobral, segundo a Lei do Parcelamento e municipal, onde as edificações ou grupo serviços de pequeno porte e caráter local, de edificações se destinam a abrigar Uso do Solo, sobre a ZUM, temos: atividades nos setores da administra- uso misto, industrial leve e semi-artesanal e ção pública, defesa, segurança, sanea-

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“Art. 37 – A definição dessas zonas objetiva manter e incentivar a habitação no centro da cidade, com a finalidade de evitar a deteriorização da zona comercial e de garantir sua vitalidade durante todo o dia. Ao mesmo tempo em que se intensificam os negócios, possibilita-se que a população disponha de locais bem infra-estruturados para sua moradia.

Dessa forma, na ZUM são permitidos o uso residencial unifamiliar e multifamiliar, o comercio varejista e os serviços em geral e o uso misto. Quanto aos índices nas Áreas Institucionais não há números definidos, necessitando de aprovação na prefeitura apos uma análise do projeto. Já nas outras zonas, tem-se os seguintes índices: O Plano Diretor ainda sugere que grande parte da área de entorno analisada tenha prioridade na implementação de estacionamentos. Analisada a legislação pertinente a intervenção, seguiu-se um estudo da situação atual da região quanto o uso e ocupação do solo. No mapa a seguir é possível perceber que em sua grande maioria, o uso da área é residencial e misto, havendo alguns pontos de ocupação por equipamentos educacionais e de saúde, além de alguns lotes comerciais de pequeno e médio porte. Porém, existem algumas ocupações residenciais que não são consideradas adequadas, pois estão muito próximas à ferrovia, além de não obedecerem os índices de recuos nos lotes, deixando as moradias amontoadas e, por vezes, sem as condições sanitárias necessárias. Devido a essa implantação indevida, em muitos casos o acesso às próprias residências é comprometido. Destacam-se os equipamentos educacionais existentes na área para analisar a

Institucional Educacional Praças Comércio / Serviços Residencial Misto Saúde FIGURA 52 - Uso e Ocupação. Fonte: elaborado pela autora com base em visitas de campo sobre imagem aérea.

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possibilidade de parcerias entre as escolas e o projeto proposto. A principal escola, por estar mais próxima ao local da implantação do novo equipamento, é a Escola Municipal Osmar de Sá Ponte. Existem outras duas escolas públicas na área de entorno analisada, porém lembra-se o fato estratégico de implantação deste equipamento nesta área específica ao aproveitar a proximidade com a nova Estação do VLT, que irá juntamente com os trilhos, integrar os quatro cantos da cidade e seus respectivos equipamentos educacionais, divulgando, assim, o conhecimento.

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2.3.2 MOBILIDADE URBANA Quanto ao sistema viário, encontram-se alguns problemas que impedem um melhor fluxo da região, acarretando transtornos ao longo de todo o sistema. É possível identificar algumas barreiras, descontinuidades e nós ao longo da estrutura analisada. O problema 1 identificado, configura uma descontinuidade. Neste caso, existia um projeto de continuação da Avenida Pericentral, cujo projeto previa sua implantação ao longo da via férrea. Porém, devido às desapropriações que iriam ocorrer , ele não foi executado. Vê-se que a avenida foi concluída em um sentido, porém no outro sentido, tornou-se um ponto onde há quebra de fluxo. O problema 2 e 3 são similares, pois ambos apresentam barreiras que decorrem em descontinuidade. No caso do problema 2, encontram-se ruas estreitas e eventualmente, sem saída, devido a grande proximidade com o muro protetor da linha do trem dificultando o acesso às residências ali existentes. No problema 3, a situação é bem parecida, apesar da caixa da rua tornar-se bem menor, a sua existência e configuração indica uma

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FIGURA 53 - Diagnóstico de Mobilidade Urbana. Fonte: elaborado pela autora com base em imagem aérea.

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continuidade que não existe, pois ao seguir por ela, torna-se uma rua sem saída, surgindo, portanto, uma barreira e uma quebra de fluxo. Já o problema 4 decorre de uma impossibilidade de acesso aos lotes existentes. Atualmente, devido ao descaso com a área, isto não se configura como um problema que impeça a mobilidade do sistema, porém, após a implantação do equipamento proposto, será de extrema importância a existência de vias que separem os acessos dos diferentes equipamentos existentes na região. Quanto ao problema 5, identifica-se um nó por acreditar que a solução proposta para o cruzamento é inapropriada e gera congestionamento e confusão, impedindo um fluxo simples e fácil. Portanto, de forma geral, o sistema viário da região se estrutura bem, havendo uma hierarquização de vias, sendo elas: Arteriais, Coletoras e Locais, definidas pelo PDP, definindo um bom fluxo, que começa a encontrar alguns problemas a medida que se aproxima da linha do trem, que é sempre uma barreira física, se não for bem inserida na cidade, e pode vir a causar transtornos no sistema viário. Quanto à mobilidade do pedestre encontram-se certas dificuldades de fluxo, visto que as calçadas existentes são muito estreitas e, em sua maioria, encontram-se sem manutenção, tornando o passeio do pedestre difícil. Outro problema identificado é a falta de uma ciclovia, que traga segurança na locomoção para esse tipo de transporte. Serão propostas algumas diretrizes para tentar sanar os problemas identificados, de maneira a garantir uma melhoria em

toda a estrutura viária, que por ser um sistema, afeta não só a região, mas toda a cidade, possibilitando, portanto, uma mobilidade urbana qualificada.

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2.3.3 ESPAÇOS LIVRES Ao analisar os espaços livres do recorte realizado, encontram-se algumas praças e duas áreas ainda não edificadas, mas que compõem o entorno de algum equipamento ou monumento específico, porém estão em uma situação de completo abandono, necessitando urgente de uma revitalização. Existem também alguns espaços livres particulares, porém não se achou necessário identifica-los para a abordagem deste tópico. Apesar de apontar no mapeamento várias áreas livres, apenas foram numeradas problemáticas de alguns, isto porque um dos problemas identificados quanto a esta questão é a falta de conexão entre esses espaços. Como já foi mencionado anteriormente, os espaços livres tem um melhor funcionamento se formarem um sistema, em que estas áreas se interliguem, articulem os diferentes tecidos urbanos, e criem caminhos, possibilitando a quebra de barreiras previamente existentes. Neste caso, não só a via férrea é uma barreira física clara, como também a topografia acentuada da região, portanto, a falta de um sistema existente que articule estes espaços, enfraquece a funcionalidade dos mesmos, além de dificultar a fluidez da mobilidade urbana. Além da problemática do sistema geral de espaços livres, é possível identificar alguns problemas pontuais, tais como: a existência de uma grande área livre que se encontra completamente abandonada; a recuperação de uma praça já estabelecida; e a urbanização de um marco da cidade, ponto turístico, que se encontra descuidado, possui difícil acesso e é considerado uma das áreas mais perigosas da cidade.

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FIGURA 54 - Análise Espaços Livres. Fonte: elaborada pela autora sobre imagem aérea.

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O problema 1, portanto, refere-se a grande área livre abandonada. É nesta região que se encontra a Estação Ferroviária de Sobral e, atualmente, a Transnordestina Logística S/A porém, mesmo com a ocupação destes equipamentos, o entorno da área encontra-se completamente abandonado. O local tornou-se ponto de atividade ilícitas, trazendo insegurança para os moradores, que são basicamente os usuários da área. A Estação, que tem um grande valor histórico e deveria ser um importante ponto turístico em Sobral, é pouco visitada, devido à falta de cuidados da própria edificação e de seu entorno. Estava prevista a implantação de um estacionamento nesta região no PDP, mas acredita-se que esta área possua um grande potencial paisagístico e histórico que deveria ser melhor aproveitado. Também nesta região, no pátio de manobras da Estação Ferroviária, está sendo implantada a Estação Dom José, do VLT de Sobral, ocupando parte da área livre e sugerindo mais um motivo para a revitalização desta área. Quanto ao problema 2, identificam-se mais as questões de manutenção da Praça do Patrocínio. Local de importância histórica em Sobral, abriga a Igreja do Patrocínio, o Museu do Eclipse e Planetário da Lua, prestes a ser inaugurado. Por possuir tantos equipamentos e tamanha importância para a cidade, é de se admirar que sua manutenção esteja sendo realizada de maneira inadequada. Calçadas quebradas e inacessíveis, bancos e canteiros rachados, além de pouca iluminação à noite. Em novembro de 2011, porém, foi lançado o Projeto de Revitalização da Praça do Patrocínio, que conta com a implantação do Planetário e toda uma revitalização do ambiente, com novos passeios, ilumina-

ção e paisagismo, alem de um parque infantil, brinquedos educativos e um cata-vento eólico, como vemos nas figuras 55 e 56. O problema 3 se refere à área livre no entorno do Cristo Redentor de Sobral, localizado em um dos pontos mais altos da área urbana da cidade, onde é possível apreciar uma das mais belas vistas do município. Atualmente o monumento, que foi inaugurado em 1938, encontra-se abandonado, sendo apontado como local de venda de drogas, roubos e demais atividades marginais. A manutenção do local está precária, as grades de proteção do mirante foram arrancadas e o piso foi quebrado, além das inúmeras pichações que danificam o monumento. A iluminação à noite é falha e o lixo se acumula em todo o entorno do Cristo, atraindo bichos e possibilitando a propagação de doenças. Em 2009 foi divulgado o Projeto de Urbanização do Alto do Cristo, que contaria com nova pavimentação, iluminação artística e a construção de uma praça onde atualmente se encontra o reservatório do Serviço Autônomo de Água e Esgoto - SAAE, além de uma ampla escadaria de acesso ao pátio e à estátua. Além da

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implementação deste projeto proposto pela Prefeitura, acredita-se que seja interessante desenvolver alguma solução que venha a conectar os áreas 1 e 3, quebrando a barreira física não só do trilho, mas também da topografia, dentro da proposição citada da criação de um sistema de espaços livres.

FIGURA 55 - Projeto Praça do Patrocínio. Fonte: silveiraroccha. blogspot.com.br/2011. Acessado em 30 de março/2013.

FIGURA 56 - Projeto Praça do Patrocínio. Fonte: silveiraroccha. blogspot.com.br/2011. Acessado em 30 de março/2013.


3.

Referências Projetuais

A seguir serão apresentados alguns projetos que, de alguma maneira, serviram de referências para o desenvolvimento da Inter-Estação Conhecimento, cada um com sua devida especificidade.

3.1 PARQUE EXPLORA Ocupando uma área de 37 mil metros quadrados, divididos entre praças públicas e edificações fechadas, o Parque Explora é um centro interativo de apropriação e divulgação da ciência e da tecnologia, que se encontra em Medellín, na Colômbia. Possui mais de 300 experimentos interativos, auditório, estúdio de televisão, salas de exposições, um grande aquário, dentre várias outras atividades, além de uma praça ao ar livre que dispõe de equipamentos baseados em leis científicas, que de forma divertida, garantem lazer e difusão do conhecimento. O Parque Explora tem em sua missão “oferecer a públicos heterogêneos estímulos favoráveis à apropriação do conhecimento científico e tecnológico, através


de cenários interativos e exibições que, em relação sempre respeitosa com a vida, promovem uma cultura científica e cidadã útil à construção de uma sociedade melhor”. Medellín tem sido celebrada por conseguir realizar uma transformação urbana memorável. Cenário de guerras entre o narcotráfico, era uma cidade bastante afetada pela violência e pelas desigualdades sociais. Graças a toda uma política integradora, que se voltou a acolher a cidade informal ao invés de segregá-la, Medellín mudou. Foram feitos investimentos em educação, cultura e qualidade de serviços públicos. Foi realizado um projeto que reestruturou todo o transporte público, inserindo teleféricos que ligavam favelas aos grandes centros, e integralizando-os com todo o sistema de transporte público, havendo assim uma total inserção, alem de disponibilizar outras possibilidades, como os Bus Rapid Transit – BRT se as linhas de metrôs. Medellín contou com uma transformação também no setor educacional com o programa Buen Comienzo (Bom Começo) e de inclusão social com o Projeto Urbano Integral - PUI, que consiste em levar aos bairros boas condições de subsistência, trabalho e serviços. Interessante ressaltar que, antes da implantação de cada projeto na cidade, foi realizada uma pesquisa com os moradores para compreender as necessidades reais de cada um, podendo então, atendê-las de fato, desenvolvendo portanto um programa de pesquisa e planejamento prévio. De acordo com Carlos Pardo, arquiteto que assinou o projeto do premiado colégio Antonio Derka, no bairro de Santo Domingo Sávio, em Medellín, é possível ver como é importante o planejamento urbano de uma cidade e a

conexão e coesão dos equipamentos implantados, entendendo então a cidade, como um sistema: A maior lição aprendida com todo este conjunto de operações é que, para o êxito dos projetos, é necessário haver um plano ordenador que garanta a coesão das diferentes intervenções arquitetônicas e urbanas na cidade. Algo que articule os planos urbanos parciais ou locais dentro de uma malha maior, que é a cidade, para que os progressos se mantenham no tempo, independentemente das vontades políticas momentâneas. (PARDO,

Dentre os equipamentos implantados, o Parque Explora se configura como um desses que ajudaram a transformar a região. O arquiteto do projeto, Alejandro Echeverri foi um dos responsáveis, juntamente com o prefeito eleito Sergio Fajardo, por essa grande mudança, visto que fez parte do planejamento urbanístico que contou com intervenções tanto no âmbito da habitação social, quanto de planos de passeios e parques lineares que reconectaram a cidade, além da implantação de dezenas de escolas, bibliotecas e diversos equipamentos, juntamente com a reformulação do sistema de transporte público já mencionado, sempre tendo em mente a inclusão social. Desta forma, Medellín se transformou, e o Parque Explora, equipamento que colaborou, tornou-se um exemplo interessante a ser examinado como referência

FIGURA 59- Plano de intervenção Parque Explora, Medelín. Fonte: arquivo pessoal. Foto: Ricardo Bezerra

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FIGURA 57 - Parque Explora, Medelín. Fonte: Arquivo Pessoal Ricardo Bezerra

FIGURA 58 - Detalhe de sinalização Parque Explora, Medelín. Fonte: arquivo pessoal. Foto: Ricardo Bezerra


projetual. Além de identificar um equipamento que funcione também como agente transformador de uma região, propõe-se à mesma intenção de desenvolver um espaço dinâmico e flexível, que aproxime crianças, jovens e adultos, e que proporcione diversão, cultura e educação. Tudo isso, usando a paisagem da cidade como fundo, criando um jogo de cheios e vazios, através da relação entre espaços livres e edificados.

3.2 ESTAÇÃO CIÊNCIA – USP A Estação Ciência é um centro de ciências e tecnologia que, através de experimentos e exposições dinâmicas e interativas, alem de cursos, eventos e outras atividades, se propõe a promover a educação científica de forma prazerosa e lúdica. Segundo o próprio site da instituição, quem criou o nome foi o publicitário Washington Olivetto, juntamente com a criação do primeiro logotipo. O nome “estação” vem do sentido de uma estação ser o ponto em que as viagens se iniciam, no caso uma viagem a mundo do conhecimento científico. Além, claro, do fato da localização da própria edificação, que se encontra muito próxima às estações ferroviárias e de metrô. Os galpões que uma vez abrigaram uma tecelagem, no século XX e quase foram destruídos em um grande incêndio em 1936, são os que hoje abrigam a Estação Ciência. Antes disso, abrigaram a Secretaria de Agricultura do Estado e alguns outros órgãos do governo. Em 1985, quando da construção do Terminal Rodoviário da Lapa, surgiu a discussão quanto à manutenção desses galpões. Alegou-se a importância histórica deles, iniciando um estudo para o tomba-

mento dos mesmos, vetando a demolição ou qualquer alteração na estrutura do prédio. Para a instalação de um centro de ciência para a juventude, o governo cedeu o imóvel, inaugurando em 1987 a Estação Ciência. A partir de 1990, a USP passou a administrar a Estação Ciência. O centro conta com salas multiuso para cursos, treinamentos e reuniões, auditório, mezanino para eventos e exposições. Ciências biológicas, físicas, matemáticas, químicas, humanas, todas elas de uma maneira simplificada e dinâmica, em exposições que atraem mais de 400 mil pessoas por ano, propagando, assim, o conhecimento. A Estação Ciência da USP é uma importante referencia projetual, juntamente com

FIGURA 60 - Estação Ciência USP. Fonte: www.eciencia.usp.br. Acessado em 20 de abril/2013

o Parque Explora, pois ambas tem a mesma perspectiva de propagar o conhecimento de forma interativa, além de se localizar próxima a uma estação ferroviária e situar-se em uma área já urbanizada.

FIGURA 61 - Estação Ciência USP. Fonte: www.eciencia.usp.br. Acessado em 20 de abril/2013

FIGURA 62 - Experimento da Estação Ciência. Fonte: http://eurecabr.blogspot.com.br/2008/11/estao-cincia-usp.html. Acessado em 30 de abril/2013

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3.3 HIGH LINE PARK O High Line é um parque linear, situado no lado oeste de Manhattam, em Nova Iorque, que ocupa uma antiga linha férrea elevada abandonada desde 1980. Celebrado no mundo inteiro por suas características marcantes e por ter re-qualificado uma área central que estava degradada, é um dos espaços públicos mais visitados da cidade, o que só reforça a qualidade do projeto e justifica todo o esforço realizado para a não demolição da linha, propondo assim uma estratégia de renovação. O parque tem como principal uso a contemplação, utilizando-se da estrutura inicial da linha férrea e de sua altura, fazendo-o de mirante. Funciona como conector também pois, inicialmente já ligava alguns edifícios antigos, e agora, apos a revitalização, algumas conexões foram criadas através de passarelas, definindo acessos diretos a lojas, restaurantes e outros serviços em edifícios vizinhos. Tornou-se portanto não só um local de lazer, ao passo que faz parte do cotidiano passar e passear pelo parque. O projeto de reutilização de uma linha férrea elevada abandonada encontra referencias no Promenade Plantée, parque de 4,7km que atravessa praticamente todo o 12º arrondissement, em Paris. Inaugurado em 1993, e ocupando uma antiga estrada de ferro a mais de 9m de altura chão, o Promenade Plantée, encanta turistas e parisienses com seus jardins muito bem cuidados e sua vista especial da cidade. Até a inauguração do High Line, o Promenade Plantée era o único parque sobre trilhos existente. Agora já existem várias propostas para revitalizar essas áreas

que comumente se tornam barreiras físicas e degradam regiões, mas que tem um peso histórico marcante para a cidade e não merecem apenas desaparecer. Exemplos disso são os projetos para construção do Queensway Cultural Gate, no Queens, do parque linear em Blommingdale Trail, em Chicago e no elevado do Viaduto Reading em Callowhill, Filadélfia. Aqui, os trilhos não são elevados, mas contêm história. Definem uma barreira que por anos não foi transposta e que marcou a configuração da cidade. Hoje é a área da própria Estação Ferroviária antiga e entorno que se encontra degradada e necessitando de recuperação. Um olhar apurado em todas essas grandes idéias de renovação de áreas que se declaravam perdidas é iluminador.

FIGURA 64 - Highline Park. Fonte: http://www.thehighline.org/. Acessado em 20 de abril/2013

FIGURA 65 - Highline Park. Fonte: http://www.thehighline.org/. Acessado em 20 de abril/2013

FIGURA 63 - Highline Park. Fonte: http://www.thehighline.org/. Acessado em 25 de abril/2013

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FIGURA 66 - Highline Park. Fonte: http://www.thehighline.org/. Acessado em 20 de abril/2013


3.4 PARC DE LA VILLETTE O Parc de La Villette é o maior parque urbano cultural de Paris, ocupando uma área de 55 hectares, situado no 19º arrondissement, que foi desenvolvido para recuperar uma antiga área industrial e o matadouro que ali existiam e encontravam-se desativadas. Em 1979 iniciou-se o processo para desenvolver um novo projeto pra região que tivesse três principais objetivos, sendo estes: um complexo arquitetônico voltado à musica, um museu nacional de ciência e tecnologia e desenvolver um parque urbano cultural aberto ao público, lançando, assim, em 1982, um concurso internacional para este projeto. O arquiteto suíço Bernard Tschumi, venceu o concurso, em março de 1983, com um projeto desconstrutivista, que se baseava em um sistema de pontos, linhas e planos em uma intenção de criar um espaço sem hierarquias, como diz Solfa: (...) é feito através de uma sequência de superposição de três sistemas autônomos e independentes: pontos, linhas e planos. Como consequência ele consegue uma estrutura sem centro, sem hierarquias, sem pontos de convergências. (SOLFA, Marilia)

A criação dessa malha abstrata é uma maneira de não determinar um uso ou função definida para cada área do parque, possibilitando uma maior flexibilidade, além de não estabelecer limites definidos para ele. Essa malha é composta pelos Folies que, geometricamente, dispõem-se em cubos imaginários de 10m x 10m, tornando-se pontos de referência. Inicialmente, os folies não tinham função determinada, sendo apenas pontos marcantes no projeto, mas recentemente alguns deles tem sido transformados em restaurantes ou bares.

O Parc de la Villette acomoda atualmente a Cité de la Musique, a Cité des sciences et de l’industrie, o Conservatoire National de musique et de danse, a Géode, o Grande Halle e o Pavillon Paul Delouvrier, o WIP Villette e o Zénith, além de algumas fontes, restaurantes e monumentos expostos ao ar livre, sem mencionar os inúmeros jardins muito bem cuidados. Atravessado pelo Canal de l’Ourq, este parque mostra também uma maneira de fazer bom proveito de um recurso que poderia ser uma barreira, tornando-a imperceptível nesse sentido, aproveitando o seu potencial paisagístico. O parque esta sempre em uso, com uma agenda de eventos de até um ano de antecedência, tornou-se parte do cotidiano da cidade e dos turistas, sendo um belo espaço para lazer e contemplação. O Parc de la Villette é um ótimo exemplo de revitalização de uma área livre, que desde sua conceitualização teve a preocupação de criar um ambiente flexível. A implantação de edificações de cunho cultural e educativo é o que o aproxima ainda mais esse com a ideia do nosso projeto. Renovar uma área livre que está bastante danificada, criando um espaço permeável, que se adapte ao ambiente, mas que ao mesmo tempo tenha a capacidade de quebrar as barreiras existentes e receba um equipamento de grande porte, unindo harmonicamente o espaço livre com o espaço edificado.

disponibilizar o conhecimento científico que se encontra em nosso cotidiano de maneira simples e divertida para que qualquer leigo possa compreendê-lo. Essa tem sido uma filosofia cada vez mais adotada pelos museus de conhecimentos científicos pelo mundo, em que a ciência é abordada de maneira não menos correta, porém mais acessível aos que a desconhecem, podendo assim prender mais a atenção das pessoas. Alguns dos pioneiros nesse tipo de filosofia, que é sintetizada na expressão science is fun, são o Museu do Ar e do Espaço, de Washington e o Exploratorium, de San Francisco. A Cité se estrutura em cinco pavimentos, que disponibilizam exposições, salas interativas, salas de cinemas e espetáculos, biblioteca, um aquário, um planetário, alem de toda a estruturação básica de um equipamento deste porte. Em frente a uma das fachadas, tem-se a Géode, uma esfera de aço polido de 36m de diâmetro, projeta filmes em seu interior sobre o corpo humano ou o fundo do mar, por exemplo, com uma avançada tecnologia, proporcionando uma incrível sensação de realismo. Além do assunto estar muito relacionado ao do projeto proposto, a filosofia utilizada pela Cité des science se assemelha à sugerida para a Inter-Estação Conhecimento.

Cité des Science et de l’Industrie Encontra-se no Parc de la Villette e é um dos maiores museus científicos do mundo. Conta com vários espaços abertos ao público e tem, como principal intenção,

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FIGURA 67 - Follies. Fonte: <www.kmtspace.com> Acessado em 02 de abril/2013


4.5 SCIENCE MUSEUM - LONDON

FIGURA 68 - Vista Parc La Villete. Fonte fr.academic.ru. Acessado em 25 de abril/2013.

FIGURA 69- Parc La Villete. Fonte: fr.academic.ru. Acessado em 25 de abril/2013.

FIGURA 70 - Plano de intervenção urbanística Parc La Villete. Fonte: fr.academic.ru. Acessado em 25 de abril/2013.

O Science Museum, como instituição, existe há mais de um século e meio. Considera sua origem na Grande Exibição de 1851, no Hyde Park, que foi um grande sucesso, e possibilitou o surgimento de vários estabelecimentos educacionais nas proximidades. O Museu finalmente ganhou seu espaço, localizando-se na Exhibition Road, lugar que hoje é considerado o coração cultural de Londres e que recentemente foi reconstruída para melhor se adequar à situação que se encontra. Com um projeto bem interessante, a Exhibition Road torna-se um espaço livre que conecta vários equipamentos culturais, educacionais e históricos, de maneira democrática. A proposta é criar um espaço compartilhado, em que pedestres, veículos e ciclistas ocupem a mesma superfície. Parece arriscado, mas o efeito geral é de generosidade e calma. Além da Exhibition Road, existe uma conexão do Science Museum com o Natural History Museum através de antigos túneis, tornando a conexão desses dois museus tão interessantes e relacionados ainda mais próxima. O Science Museum, como o próprio nome diz, tem como proposta apresentar equipamentos científicos, sua história e funcionamento. É um museu um pouco mais tradicional por se basear mais na apresentação e exibição dos equipamentos, mas utiliza da mais alta tecnologia para fazer isso e dispõe de vários equipamentos interativos, tornando-o diferenciado. O Science Museum é o maior acolhedor de “primeiros” equipamentos da história da ciência, medicina e tecnologia, desenvolvendo exibições impressionantes destes equipamentos. Disponibili-

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zam de uma ala sobre aviação, automóveis e locomotivas, outra sobre o espaço, com um grande globo que apresenta as modificações atmosféricas. É mesmo um museu de encher os olhos. Não é à toa que já ganhou incontáveis prêmios e quase 3 milhões de pessoas o visitam por ano. Devido ao assunto em comum, educação, ciência e tecnologia e pelo fato de ter tido a oportunidade de visitar pessoalmente o museu, achou-se de grande valia incluí-lo como importante referencia projetual.

FIGURA 71 - Implantação do Parc de la Villette. Fonte: < http:// www.archdaily.com/92321/ad-classics-parc-de-la-villette-bernard-tschumi/> Acessado em 20 de abril/2013.


FIGURA 72 - Exposição sobre o Espaço, Londres. Fonte: Arquivo pessoal da autora

FIGURA 73- Fachada Science Museum, Londres. Fonte: www.e-architect.co.uk. Acessado em 20 de abril/2013.

FIGURA 74 - Maquete eletrônica Science Museum, Londres. Fonte: www.e-architect.co.uk. Acessado em 20 de abril/2013.

FIGURA 75 - Mapa do museu. Fonte: <www.sciencemuseum.org. uk/> Acessado em 14 de fevereiro/2013

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4.

Inter-Estação: Conhecimento

Após todo o trabalho analítico, faz-se necessária a síntese dos resultados obtidos, de maneira a identificar de forma clara e objetiva os problemas encontrados, tornando-os, assim, questões de projeto a serem trabalhados, pois será através destes pontos que se desenvolverão as diretrizes que irão trazer as soluções para os problemas. Portanto, de acordo com a análise feita, será apresentado um quadro sintético com as principais problemáticas encontradas em diferentes escalas, classificando os problemas quanto à questão do uso e ocupação do solo, muito voltada também aos equipamentos e serviços oferecidos e quanto a questão da mobilidade urbana.


Na cidade como um todo Problemas de uso e ocupação do solo: Centralidades desconectadas e dispostas sem uniformidade pela cidade; Equipamentos educacionais dispostos sem conectividade; Grande concentração de equipamentos culturais no Centro da cidade. Inexistência de um “sistema” de espaços livres. Problemas mobilidade urbana: Dificuldade de circulação Inexistência (até então) de transporte público adequado e eficiente.

QUADRO DE VARIÁVEIS

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

LOCALIZAÇÃO

PORTE

IMPLANTAÇÃO / VOLUMETRIA

INSERÇÃO NO ENTRONO

ACESSOS

PÚBLICO ALVO

INTER-ESTAÇÃO CONHECIMENTO

PARQUE EXPLORA

experimentos interativos, auditório, estúdio de televisão, salas de exposições, um grande aquário e uma praça ao ar livre que dispõe de equipamentos baseados em leis científicas

zona urbana de Medellín, Colômbia.

37.000 m² entre praças públicas e edificações fechadas

distribui seu programa entre uma grande praça e quatro blocos vermelhos

próximo a parques, seguindo um caminho de equipamentos e ao lado de um bairro carente

um principal acesso, com rotas fáceis de metrô e ônibus.

voltado a públicos heterogeneos.

a interatividade das exposições, a utilização de cheios e vazios ao distribuir o programa entre a praça e os blocos

ESTAÇÃO CIÊNCIA - USP

centro de ciências dinâmico, com salas multiuso, área para eventos e exposições temporárias e auditório que comporta 190 pessoas.

localizado na Lapa, em São Paulo.

os galpões da antiga fábrica, algo em torno de 4.000 m²

trata-se de um reaproveitamento de um edifício existente, portanto, apesar das reformas, a volumetria dos galpões permanece

se insere bem no contexto do entorno. (estação ferroviária, estação de metrô)

um principal acesso, com rotas fáceis de metrô e ônibus.

recebem muitas escolas, mas são voltados para o público em geral

a maneira dinâmica de aproximar o conhecimento das pessoas

HIGH LINE PARK

o principal conteúdo programático é a cidade em si, já que o projeto se baseia na contemplação.

parque sobre linhas férreas em Nova York.

aproximadamente 2,4 km de extensão

volumetria linear, seguindo o caminho dos trilhos.

se insere bem no entorno e revitaliza equipamento que estava deteriorado

diversos pontos de acesso, com acessibilidade universal.

o parque se volta mais a quem busca a contemplação ou esteja transitando

revitalização de espaço deteriorado e quebra de uma barreira física, que são os trilhos.

PARC DE LA VILLETTE

um espaço que une a calmaria de um parque com a arquitetura, a cultura e o entretenimento.

situado no 19º arrondissement, em Paris.

ocupa uma área de 55 hectares.

grande parque aberto com equipamentos e folies dispostos de maneira a criar um projeto desconstrutivista

se insere bem ao dispor uma grande área verde recuperando uma antiga área industrial.

público em geral, visto que dispõe de diversos tipos de equipamentos

disposição de projeto com cheios e vazios, trabalhando a idéia da praça e dos equipamentos culturais.

SCIENCE MUSEUM

salas de exposições sobre os mais variados assuntos envolvendo a ciência e a tecnologia.

localiza-se na Exhibition Road, em Londres

ocupa um grande quarteirão

estrutura seu programa ao longo de 7 pavimentos bem definidos e temáticos.

se insere muito bem, pois faz parte do roteiro histórico/cultural de Londres, juntamente com outros equipamentos

o acesso pela Exhibition Road é o principal, além de outro acesso interessante pelos tunéis antigos.

pessoas do mundo inteiro, das mais variadas idades.

a exposição do assunto ciência e tecnologia de maneira criatuva e interessante.

INTERESTAÇÃO CONHECIMENTO

espaço que revitalize, una o espaçp livre com construído e disponha de experimentos interativos, tornandose um centro dinâmico

programa distribuido em grande praça e algumas edificações permeáveis ao longo da área

revitalizar a região respeitando o entorno e se inserir em seu contexto

para a praça será possível acessá-la em diversos pontos, as edificações terão seus acessos definidos.

voltado a públicos heterogeneos.

Na área da intervenção Problemas uso e ocupação do solo / conflitos territoriais: Ocupações inadequadas; Espaços livres desconectados; Falta de manutenção das praças existentes; Existência de projetos de intervenção que ainda não foram realizados; Problemas mobilidade urbana: Dificuldade de circulação Inexistência (até então) de transporte público adequado e eficiente. O conteúdo programático do projeto, por sua vez, recebe outras contribuições, além do diagnóstico da análise da área de intervenção em suas diferentes escalas, dentre eles, o repertório projetual estudado. Os cinco projetos escolhidos e estudados já foram apresentados de forma mais analítica, inclusive mencionando sua história, porém, de maneira a identificar as principais contribuições que estes podem vir a trazer para o projeto proposto, opta-se por realizar uma síntese destes equipamentos identificando objetivamente alguns pontos específicos e

em uma zona urbana adensada, próximo a uma estação

grande porte

pode acessá-lo por diversos pontos diferentes

TABELA 02 - Síntese de referencias projetuais. Fonte: elaborado pela autora.

apontando-os em um quadro comparativo. (TABELA 02) A Inter-Estação Conhecimento, portanto, começa a tomar forma. O projeto, por se tratar de uma intervenção em toda a região do entorno da antiga Estação Ferroviária, tem uma grande abrangência, o que implica diversas funções, equipamentos, diretrizes e, consequentemente, programas.

4.1 PROGRAMA DE NECESSIDADES O conteúdo programático da Inter-Estação Conhecimento parte de vários caminhos. Em um primeiro momento tem-se o equipamento expositivo e interativo do conhecimento e da ciência, como algo já determinado através de toda a pesquisa realizada. Após a análise das referências projetu56

ais, identificou-se a possibilidade de dissolver o programa deste equipamento em áreas edificadas e áreas livres, surgindo assim a Inter-Estação Conhecimento em si, edificação que da nome a intervenção, e a Praça da Ciência, que será a área de espaço livre, contendo vários equipamentos interativos e dinâmicos de cunho científico, tendo como principal referencia a praça do Parque Explora. Tendo isso em vista, foi definido um programa base destes equipamentos, conforme especificado na TABELA 03. Como mencionado durante a analise realizada, um dos equipamentos existentes em Sobral destaca-se por também trabalhar com a popularização da ciência, sendo este, o Palácio de Ciências e Línguas Estrangeiras.


Acredita-se que, pela proximidade do assunto trabalhado, é possível unir os dois programas, desenvolvendo uma nova edificação dentro da intervenção proposta, com o intuito de atender a demanda de ciências do Palácio. Tendo em mãos o projeto “Praticando Ciências”, relatório de atividades semestral do Palácio, vê-se que constam aulas práticas em laboratórios de física, química e biologia, atendendo a alunos do 8º ano de dez escolas municipais. Com o objetivo de atender a 50% das pessoas matriculadas , eles chegaram a uma média de 930 alunos. Atualmente possuem cronogramas de aula para dois professores de física, dois de biologia e um de química, totalizando 5 professores. Portanto, de forma a atender essa demanda pensou-se em uma edificação com um programa educacional, especificado na TABELA 03. Outro espaço importante que será desenvolvido é o Centro Esportivo, que contará com uma quadra poliesportiva, uma pista de skate, uma academia da saúde, com exercícios voltados à terceira idade, espaço para abdominais, barras e demais exercícios, além de um circuito para caminhada e/ou corrida e outro para bicicletas, uma parede de escalada e spiroball, que além de uma atividade física é também uma brincadeira para crianças. O Centro Esportivo põe em prática algumas leis da física com os próprios equipamentos, e algumas vezes até desafiando-as, como é o caso da pista de skate. A biologia e a química também estão presente ao analisar o que acontece com o corpo humano ao realizarmos atividades físicas. Importante sempre lembrar que para ter uma mente sã é necessário também ter um corpo sã (vide Tabela 03).

CENTRO EDUCACIONAL

CENTRO ESPORTIVO

INTER-ESTAÇÃO CONHECIMENTO

PRAÇA DA CONECTIVIDADE

TABELA 03 - Programa de necessidades Inter-Estaçào Conhecimento. Fonte: elaborado pela autora.

57


Será proposta a Praça da Conectividade de maneira a conectar todos estes ambientes propostos, dispersando-se entre eles, e por se tratar do espaço que vai quebrar a barreira existente da via férrea, unindo duas regiões que, apesar da proximidade física, atualmente não mantém contato direto. Será uma praça dispersa, mas conterá a área onde se situa a Estação Dom José, do VLT, que fará toda a conexão do equipamento com a cidade, tornando-o assim algo bem próximo do que foi idealizado para ser. A fim de aproveitar a topografia acentuada da área, opta-se por propor um anfiteatro. Outra proposta é a de situar alguns telões conectados a outros “museus da ciência”, aonde serão apresentadas palestras, documentários ou a própria exposição do museu repassada de maneira virtual, instalando algumas arquibancadas, aproveitando a topografia também, para poder assisti-los. A praça também contará com playgrouns e todo o mobiliário urbano necessário, como bancos, mesas de convivência, lixeiras, postes de iluminação, bicicletários, quiosques, etc (TABELA 03). Toda a área livre, Praça da Conectividade e Praça da Ciência, terá um paisagismo eficiente e integrado ao contexto do projeto. Devido à forte incidência solar da cidade é imprescindível a existência de uma arborização frondosa, sugerindo-se que seja também diversificada e botanicamente identificada. Após a definição do conteúdo programático base do projeto, utilizaram-se manchas em escala para realizar uma pré-espacialização dos equipamentos na região, obtendo-se o mapa seguinte (FIGURA 76).

Inter-Estação Conhecimento Centro Esportivo Centro Educacional Praça da Ciência Praça da Conectividade Estação Dom José - VLT Estação Ferroviária de Sobral Museu do Trem Área reservada para reassentamentos FIGURA 76 - Programa preliminar espacializado. Fonte: elaborado pela autora.

58


4.2 DIRETRIZES Depois da pré-espacialização do conteúdo programático faz-se necessária a conferência com as diretrizes, de maneira a identificar se existe coerência no projeto, adequando-o para isto. As diretrizes que serão propostas terão três escalas diferentes, que definem a relação entre a Inter-Estação Conhecimento e a cidade, a Inter-Estação Conhecimento e seu entorno e a Inter-Estação Conhecimento em si, através de diretrizes voltadas para a mobilidade, os espaços livres e os espaços edificados. Estação Ferroviária

4.2.1 A INTER-ESTAÇÃO CONHECIMENTO E A CIDADE

Estação Rodoviária Estação VLT - linha implantada Estação VLT - linha remodelada via expressa via arterial via principal - centro (tombada)

Mobilidade

VLT - linha existente a remodelar VLT - linha a implantar

100 500 200

- A Implantação do VLT garante um remodelamento de todo o sistema de transportes da cidade. A Estação Dom José, que integra a intervenção proposta, torna o projeto um equipamento central nesse fluxo que passará a existir, garantindo o propósito inicial da Inter-Estação Conhecimento, que é a de popularizar o conhecimento, tornando-o parte do dia-a-dia das pessoas.

1000

FIGURA 77 - Diretrizes Mobilidade Urbana. Fonte: elaborado pela autora.

Espaços Livres - Implantação de um sistema de espaços livres tendo o equipamento da Inter-Estação Conhecimento como base, aproveitando seu posicionamento na cidade e proximidade com a via férrea, sugerindo assim um possível parque linear que siga os trilhos, encontrando-se com a boulevard existente. Através do VLT e da presença de uma de suas estações no espaço de intervenção, já se inicia um

Áreas livres Equipamento proposto Sistema livre 100 500 200

FIGURA 78 - Diretrizes áreas livres. Fonte: elaborado pela autora.

59

1000


sistema, visto que mesmo sob a via férrea, desenvolve-se um sistema de conexão e aproximação entre as áreas livres existentes. O equipamento proposto, na sua componente espaço livre supre uma área deficiente da cidade promovendo através do parque linear uma demanda constatada na análise na escala do intra-urbano.

extra-trilhos já demonstra esta descentralização proposta, mas a implantação do VLT juntamente com o intervenção proposta, sugere um alcance desse tipo de equipamento a regiões que dificilmente tinham acesso.

Espaços Edificados - A criação de um eixo de descentralização dos equipamentos culturais, através da conexão entre a Praça do Patrocínio e a Inter-Estação Conhecimento, seguindo o eixo até o Alto do Cristo. A indicação de crescimento

Equipamento proposto Equipamentos culturais Eixo de descentralização 100 500 200

FIGURA 79 - Diretrizes Espaços edificados. Fonte: elaborado pela autora.

60

1000


4.2.2 A INTER-ESTAÇÃO CONHECIMENTO E SEU ENTORNO

Mobilidade

03

LSABINO

NE RUA CORO

S GUIMARÃE

05

DE

SO

BR

AL

/P

ER

ICE

NT

RA

L

02

RU AV ILA

- Implantação uma rotatória no encontro da Avenida Senador José Ermírio de Soares e da Rua Vila de Sobral de maneira a resolver o nó existente naquela região que é, atualmente, um ponto mal resolvido no sistema viário existente. Neste ponto deverá ser locado um monumento-marco da Inter-Estação Conhecimento. (01) - Transformação da Rua Coronel Sabino Guimarães em uma rua para pedestres com acesso para veículos apenas local para os moradores, de maneira a criar uma conexão com a Praça do Patrocínio e a Inter-Estação Conhecimento. (05) - Implantação de um funicular* da Rua Bela Vista à Rua Getúlio Vargas, facilitando o acesso ao Cristo Redentor, importante marco turístico da cidade, e aproximando-o, assim, com o equipamento implantado. (02) - Fiscalização de todas as calçadas do entorno, garantindo uma largura mínima de 2,40m e seguindo as inclinações corretas, tornando-as devidamente acessíveis. - Criação de ciclovia paralela à continuação da Av. Pericentral com, no mínimo, 2,50m de largura. (03) - Criação de uma nova via de que passa por trás da Escola Osmar de Sá Ponte, facilitando o acesso ao equipamento como um todo, resolvendo problemas identificados na análise como inacessibilidade de lotes. (04) - Implantação de passagens elevadas para pedestres nas vias de fluxo intenso, de forma a garantir que os transeuntes possam atravessar com segurança.

MÍRIO DE

R JOSÉ ER

AV. SENADO

04

SOARES

01

LEGENDA diretrizes na área de mobilidade urbana

FIGURA 80 - Mapa de diretrizes do entorno / Mobilidade Urbana. Fonte: elaborado pela autora

61


- Criação de ciclovia circundando o equipamento com largura mínima de 2,50m. (03)

Espaços Livres - A criação de um eixo de descentralização dos espaços livres, desenvolvendo um sistema conectado entre a Praça do Patrocínio, a Inter-Estação Conhecimento e o Alto do Cristo, através de uma via para pedestres que será criada entre a Praça do Patrocínio e a Inter-Estação Conhecimento e a proposição de implantação de um funicular entre as pracinhas próximas à Inter-Estação Conhecimento e o Alto do Cristo, desenvolvendo, portanto este eixo. (01) 01

Espaços Edificados - Retirada das ocupações inadequadas nos pontos X e re-locação para o ponto Y, utilizando-se da possibilidade da verticalização, seguindo os índices apontados pela legislação.

01

LEGENDA sistema de áreas livres áreas livres FIGURA 81 - Mapa de diretrizes do entorno / Espaços Livres. Fonte: elaborado pela autora

62


X

Y

X

LEGENDA desapropriações reassentamentos FIGURA 82 - Mapa de diretrizes do entorno / Espaços Edificados. Fonte: elaborado pela autora

63


4.2.3 A INTER-ESTAÇÃO CONHECIMENTO EM SI

Mobilidade - As praças deverão ter acessos facilitados por diversas áreas, tornando-se convidativas. - A edificação da Inter-Estação Conhecimento deverá ter seu acesso de serviço próximo à área do estacionamento, garantindo que caminhões com materiais para as exposições tenham fácil acesso. Seu acesso principal deverá ser próximo à chegada da via de pedestres da Rua Coronel Sabino Guimarães. - O Centro Esportivo, por ser em partes área livre, deverá ser também acessado de maneira facilitada por várias pontos. A quadra poliesportiva, por sua vez, que será a única edificação fechada do Centro Esportivo e acomodará algumas salas administrativas, terá um acesso principal próximo ao pátio central e um acesso de serviço pela área administrativa. - O Centro Educacional terá seu acesso principal pela Rua Tabelião Idelfonso Cavalcante, ocupando a região do antigo clube da Rede Ferroviária Federal S/A - RFFSA, que agora pertence à Prefeitura Municipal. Seu acesso de serviço se dará pela sua lateral, próxima a área de alongamento e a via de serviço criada. - Será desenvolvida uma grande rampa larga que facilite o acesso da Rua Vila de Sobral ao equipamento, pois o desnível topográfico é muito grande. A rampa deverá seguir as inclinações indicadas pela legislação e compor um bonito equipamento, de maneira a integrar-se no projeto.

- A integração entre todas as edificações se dará pela Praça da Conectividade, que com caminhos paisagísticos, circuitos e mobiliário urbano unificará toda a intervenção. 2ª fase - Com a retirada do pátio de manobras, deverão ser criados vários acessos de um lado ao outro do trilho, conectando as regiões de intervenção.

Espaços Livres - É imprescindível garantir a conexão entre as praças propostas para a intervenção, possibilitando que o sistema de espaços livres comece sua implantação já dentro do equipamento, apenas reproduzindo o exemplo nas diferentes escalas. - Espaço reservado para estacionamento ao ar-livre com espaço para 120 vagas, atendendo as exigências do Plano Diretor quanto a esse tipo de equipamento. Sugere-se o plantio de árvores frondosas que possam criar sombra para proteger os carros da forte incidência do sol, porém com uma distancia mínima que garanta a passagem de eventuais caminhões. 2ª fase - Retirada do pátio de manobras da área, relocando-a para a periferia, permitindo assim um melhor aproveitamento do espaço. - Implantação de arborização seguindo o caminho dos trilhos.

Espaços Edificados - Espaços edificados do equipamento proposto não deverão ultrapassar a altura

64

máxima de 12m, de maneira a garantir a permanência da horizontalidade na praça. - Cada edificação deverá se concentrar na região determinada pelo mapa das diretrizes, marcando assim seu espaço. Como são vários equipamentos propostos, eles serão distribuídos homogeneamente ao longo da praça. - A antiga edificação da Estação Ferroviária de Sobral, que atualmente se encontra abandonada e completamente degradada, deverá ser devidamente restaurada e passará a acomodar o Museu do Trem, proporcionando-lhe, assim, um uso adequado. 2ª fase - com a retirada do pátio de manobras da Transnordestina Logística S/A da região, os edifícios deverão ser ocupados pelo centro administrativo do equipamento como um todo, de maneira a garantir uma maior unificação.

4.3 PLANO MESTRE O Plano Mestre (figura 83) desenvolvido busca atender as necessidades do programa proposto, adaptando-se as diretrizes definidas. Resulta um projeto em busca da permeabilidade, conectividade e interatividade. A edificação da Inter-Estação Conhecimento (04), portanto, surge conectada com o prédio do Centro Educacional (02) através de uma grande passarela (18), criando sob ela um espaço de permanência (03) protegido da insolação e com pé direito alto o suficiente para não trazer uma sensação incômoda. A Praça da Ciência (05), grande pátio com equipamentos interativos de cunho científico, acontece na própria região de


01

Quadra poliesportiva coberta

02

Centro Educacional

03

Pátio de convivência

04

Inter-Estação Conhecimento

05

Praça da Ciência

06

Resgate do desenho original da Estação Ferroviária

07

Anfiteatro

08

Skate Park

09

Edifícios para abrigar os reassentamentos

10

Rua para pedestres

11

Funicular acesso ao Cristo Redentor

12

Rotatória com Monumento Inter-Estação Conhecimento

13

Criação de nova via (sentido duplo)

18

14

Bolsões de estacionamento

03

15

Reforma da Estação e instalação Museu do Trem

16

Ciclovias

17

Área de academia ao ar livre

11

09

08 07 15

06 10 16

05

16 04 19

14

13 17 01

02

14

18

Passarela de conexão entre Centro Educativo e Inter-Estação Conhecimento

19

Playground

01

12

Masterplan esc.: 1/4500 FIGURA 83 - Masterplan da Intervenção. Fonte: gerado pela autora.

65


acesso à edificação da Inter-Estação Conhecimento, criando portanto um espaço intermediário entre o acesso ao equipamento, um espaço livre, e vai se aproximando ao espaço edificado. Próximo a Praça da Ciência e a Inter-Estação Conhecimento foi implantado o Playground (19), sugerindo-se que a linguagem dos equipamentos da Praça da Ciência seja a mesma dos propostos para o Playground. O Centro Esportivo se encontra disperso ao longo de todo o equipamento, surgindo próxima ao centro Educacional, e aonde antigamente havia um campo de futebol, uma Quadra Poliesportiva coberta (01). Bem próximo à Quadra tem uma Área de Academia ao Ar Livre (17), definindo portanto um pólo do Centro Esportivo nesta região. Devido a própria volumetria das edificações e sua implantação, surge entre O Centro Educacional e o Centro Esportivo um pátio de convivência que, com o uso de uma arborização favorável, pretende-se firmar esse espaço. O Skate Park (08) ficou um pouco na periferia do equipamento de maneira a garantir maior espaço para propor rampas inusitadas. Ao lado do Skate Park, surge o Anfiteatro (07), que através da inclinação das arquibancadas e da utilização de uma arborização frondosa, tem sua segurança e proteção contra a poluição sonora garantidas. Para garantir a melhoria dos acessos ao equipamento e resolver uma problemática quanto a fluidez da mobilidade urbana, foi criada a via (13) que passa por detrás da Escola Osmar de Sá Ponte. O principal acesso, portanto, é o de pedestres, que foi definido através da criação de uma via preferencial para estes (10), conectando a Praça do Patrocínio e o equipamento proposto.

Quanto ao desenho definido, buscou-se um resgate as linhas do projeto original, mantendo o pátio em frente a antiga Estação Ferroviária, adaptando os outros percursos aos desenhos das edificações e às linhas da malha existente da região. (06) Quanto à própria edificação da Estação Ferroviária, que se encontra abandonada, propõe-se a restauração do prédio e a instalação do Museu do Trem, garantindo-lhe assim um bom uso. (15) Próximo ao Skate Park cria-se uma espécie de condomínio aberto com três edificações que tem como principal função abrigar reassentamentos que serão necessários. Sugere-se a implantação de ciclovias circundando todo o equipamento, garantindo um acesso seguro para este meio de transporte. De maneira a atender as necessidades do equipamento, e seguindo a legislação pertinente, são criadas 120 vagas para estacionamento, divididas entre dois bolsões e estacionamentos de rua a 90º. (14) Fora das linhas específicas do equipamento, mas compondo a intervenção, propõe-se a instalação de um Funicular (11) que garanta um acesso direto e facilitado a área do Cristo Redentor (Alto do Cristo). Sugere-se também a reformulação do cruzamento da avenida José Ermírio Soares e da rua Vila de Sobral, criando uma rotatória e propondo a instalação de um monumento que demarcará o equipamento da Inter-Estação Conhecimento. (12) Todo o desenho urbano deverá se enquadrar nas diretrizes propostas, sempre havendo uma preocupação com a acessibilidade universal.

66


5.

Espaço Livre - Projeto

Quanto ao projeto, apesar de pensar na volumetria e implantação de todo o equipamento proposto, será apresentado de maneira mais detalhada apenas as áreas livres da intervenção, especificamente o espaço que conforma a Praça da Ciência e a Inter-Estação Conhecimento. A Praça da Ciência conformará um grande pátio com equipamentos interativos de cunho científico, algo muito próximo ao que existe no Parque Explora. Os equipamentos deverão possuir um projeto adequado e detalhado que especifique suas dimensões apropriadas e sua localização ideal no pátio. Projeto digno de uma longa e minuciosa pesquisa. Aqui, portanto, apenas serão citados alguns exemplos de equipamentos que poderiam ser instalados, pois apresentam teorias e leis da física de maneira divertida e interativa. A seguir as imagens de alguns destes equipamentos que se encontram na área livre do Parque Explora.


FIGURA 84 - Giroscópio de equilíbrio - Parque Explora. Fonte: Arquivo Ricardo Bezerra

FIGURA 85 - O foco da parábola - Parque Explora. Fonte: Arquivo Ricardo Bezerra

FIGURA 86 - Parafuso de Arquimedes - parque Explora. Fonte: Arquivo Ricardo Bezerra

FIGURA 87 - Equipamento interativo Parque Explora. Fonte: Arquivo Ricardo Bezerra

70


FIGURA 88 - Ondas ascendentes - Parque Explora. Fonte: Arquivo Ricardo Bezerra

FIGURA 89 - Vórtice mecânico - Parque Explora. Fonte: Arquivo Ricardo Bezerra

71

FIGURA 90 - Inércia rotacional - Parque Explora. Fonte: Arquivo Ricardo Bezerra


A arborização deverá se frondosa, de maneira a amenizar o clima quente de Sobral e proporcionar sombras para a proteção da forte insolação. Sugere-se a tentativa de permanecer com as Carnaúbas (Mauritia vinifera) existentes na região. Para plantio é aconselhável que se utilizem espécies resistentes a regime com pouca irrigação (xeroscape), dentre elas o Oiti (Moquilea tomentosa), o Mulungu da Austrália (Erithrina indica picta) e a Castanhola (Terminalia catappa), dentre várias outras. O ideal é que, mantendo a idéia de repassar o conhecimento, sejam elaboradas placas instrutivas para a vegetação, indicando seu nome científico, sua procedência e demais curiosidades a cerca de cada espécie. A implantação do projeto se dará em três fases. A primeira fase compete a implantação de toda a área à direita da via férrea, criando apenas alguns caminhos que irão atravessar o pátio de manobras ainda existente. A segunda fase contará com a retirada do pátio de manobras desta área, proposta a médio prazo que já esta em processo. Com a retirada do pátio de manobras, a região à esquerda da principal via férrea se torna apta a receber equipamentos com segurança. A proposta é de realizar nessa região um parque que siga os caminhos das linhas férreas existentes, de forma a manter o hirtórico do lugar. Esta área conformaria mais a utilização para passeio e contemplação, surgindo alguns equipamentos que, de maneira a manter a linguagem e histórico do lugar, poderiam vir a ocorrer em vagões de trem que não sejam mais utilizados e que passarão por uma reforma, podendo assim atender as

possíveis necessidades. Nesta área serão implantados também alguns telões com arquibancadas que farão conexão direta com outros museus e instituições que tenham o conhecimento científico como tema principal. Em uma terceira fase as próprias linhas férreas seriam retiradas, conformando assim um espaço mais agradável e passivo de utilização. De toda forma se manteriam os seus caminhos através de passeios marcados pela vegetação. Esta área da intervenção conforma bem a ideia de parque linear, definindo o início deste, seguindo pela via férrea atualmente existente e que fez parte da configuração intra-urbana da cidade, conectando-se com a Boulevard do Arco, fazendo surgir, em outro sentido, a ideia de um sistema de espaços livres. A seguir uma planta baixa do projeto proposto apresentando uma sugestão de arborização para a primeira fase da intervenção (FIGURA 91). Apenas como estudo volumétrico das edificações, foram realizadas algumas perspectivas que serão apresentadas a seguir. (FIGURAS 92, 93, 94 e 95). Em seguida serão apresentadas pranchas do projeto em menor escala, podendo, assim, identificar maiores detalhes (pranchas em anexo).

72


01

Planta baixa esc.:

1/2000

FIGURA 91 - Planta Baixa projeto. Fonte: elaborado pela autora

73


5.2 PERSPECTIVAS

FIGURA 92 - Estudo volumétrico. Fonte: elaborado pela autora

FIGURA 93 - Estudo volumétrico. Fonte: elaborado pela autora

74


FIGURA 94 - Estudo volumĂŠtrico. Fonte: elaborado pela autora

FIGURA 95 - Estudo volumĂŠtrico. Fonte: elaborado pela autora

75


5.3 PRANCHAS DE PROJETO


Considerações Finais De maneira a atingir os objetivos adotados no início do projeto, acredita-se que foi realizada uma intervenção satisfatória pois, da maneira que foi implantada, promove a diversidade de usos da região, havendo uma considerável melhoria dos espaços. Incentiva a inclusão social, não apenas por ser um equipamento que gere emprego e renda, mas também pelo tema que aborda, tornando o conhecimento científico acessível para toda a população, gerando meios de aproximação entre a periferia da cidade e a área de intervenção, identificando-se uma conexão essencial com o VLT. Alcança também objetivos quanto a mobilidade urbana, disponibilizando outras maneiras de locomoção ao implantar ciclovias, vias de pedestre e o funicular. Essas facilidades criam uma conectividade entre os espaços livres, fazendo surgir, portanto, um Sistema de áreas livres que tem como intenção se expandir. Através de um desenho urbano de qualidade e a garantia de acessibilidade universal, a intervenção continua trazendo melhorias na questão da mobilidade urbana. Percebe-se que intervenções urbanas como esta, que ocupam apenas uma pequena área, se comparada ao tamanho do município, são capazes de trazer repercussões que extrapolam os limites da cidade. Uma intervenção pontual afeta de forma considerável toda a estrutura urbana de todo o município, alterando, assim, a conformação de sua mobilidade urbana, a concentração de equipamentos sociais, indicando um eixo de descentralização e a criação de um grande sistema de espaços livres, através dos parques lineares que podem vir a surgir do equipamento proposto, assim como do outro eixo definido, que conecta diretamente três espaços livres de grande importância para a cidade. É de extrema necessidade que os olhares estejam atentos para perceber regiões críticas do município que, com uma proposta de revitalização bem integrada, são capazes de mudar completamente a vida de uma cidade, ajudando a diminuir os índices de violência e desigualdade.

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Sites visitados: http://www.cite-sciences.fr/en http://www.ibge.gov.br/ http://www.parqueexplora.org/ http://www.sciencemuseum.org.uk http://www.sobral.ce.gov.br/ http://www.sobral.ce.gov.br/sec/d_eco/ http://www.villette.com/en

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Lista de Imagens FIGURA 01 - Conhecimento FIGURA 02 - Requalificação de espaços livres urbanos FIGURA 03 - Sistema estrutural: O parque como elemento de reconexão urbana de Agudos / Plano Diretor Participativo FIGURA 04 - Sistema de Espaços Livres Públicos Parque da Chaminé FIGURA 05 - Fachada Estação Ciência USP FIGURA 06- Desenvolvimento Sustentável FIGURA 07- Acupuntura urbana FIGURA 08 - Inovação tecnológica. FIGURA 09 - Mapa do Semi-Árido Brasileiro FIGURA 10 - Rede FIGURA 11 - Regiões de Influência FIGURA 12 - Interdisciplinaridade FIGURA 13 - Caminhos das boiadas FIGURA 14 - Estradas reais FIGURA 15 - Poligonais do sítio histórico de Sobral. FIGURA 16 - Sobral e sua divisão distrital. FIGURA 17- Hospital Regional de Sobral FIGURA 18 - TAC MOTORS FIGURA 19 - North Shopping Sobral. FIGURA 20 - Localização de Sobral no estado do Ceará. FIGURA 21 - Tremores de terra na região de Sobral FIGURA 22 - Visual do rio Acaraú, Sobral FIGURA 23 - Rendimento familiar na cidade de Sobral. FIGURA 24 - Pirâmide etária Sobral FIGURA 25 - População residente em Sobral. FIGURA 26 - “Dinheiro não garante educação” FIGURA 27- “Dinheiro não garante educação” FI GURA 28 - Sede do município de Sobral: divisão de bairros’ FIGURA 29- Primeiro núcleo urbano de Sobral FIGURA 30 - Av. do Contorno, Sobral FIGURA 31 - Av. Dr. Guarany FIGURA 32- Av. Monsenhor Aloísio FIGURA 33- Mapa centralidades FIGURA 34 - Nota Sobral via wireless FIGURA 35 - MAPA HIERARQUIA VIÁRIA FIGURA 36- Veículos em Sobral

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FIGURA 37 - Linhas de metrô de Sobral. FIGURA 38 - Estação Boulevard FIGURA 39 - Praça do Mercado de Sobral. FIGURA 40 – Mapa eixos de expansão FIGURA 41- Projeto Terra Nova FIGURA 42 - Mapa Equipamentos Educacionais de Sobral FIGURA 43: Maquete do projeto de reforma do Museu MADI FIGURA 44 – Mapa Equipamentos Culturais FIGURA 45 - Mapa Áreas Livres FIGURA 46 - Imagem da área de intervenção. FIGURA 47 - Imagem da área de intervenção FIGURA 48 - Mapa de Projetos Estruturantes de Mobilidade Urbana FIGURA 49 - Mapa de Projetos Estruturantes de Mobilidade Urbana FIGURA 50 - Mapa de Projetos Estruturantes de Espaços Livres FIGURA 51 - Identificando a Área de Intervenção. FIGURA 52 - Uso e Ocupação FIGURA 53 - Diagnóstico de Mobilidade Urbana FIGURA 54 - Análise Espaços Livres. FIGURA 55 - Projeto Praça do Patrocínio FIGURA 56 - Projeto Praça do Patrocínio FIGURA 57 - Parque Explora FIGURA 58 - Detalhe de sinalização Parque Explora, Medelín FIGURA 59- Plano de intervenção Parque Explora, Medelín. FIGURA 60 - Estação Ciência USP. FIGURA 61 - Estação Ciência USP FIGURA 62 - Experimento da Estação Ciência FIGURA 63 - Highline Park. Fonte: FIGURA 64 - Highline Park FIGURA 65 - Highline Park FIGURA 66 - Highline Park FIGURA 67 - Follies FIGURA 68 - Vista Parc La Villete. FIGURA 69 - Parc La Villete FIGURA 70 - Plano de intervenção urbanística Parc La Villete FIGURA 71 - Implantação do Parc de la Villette FIGURA 72 - Exposição sobre o Espaço, Londre FIGURA 73- Fachada Science Museum, Londres FIGURA 74 - Maquete eletrônica Science Museum, Londres FIGURA 75 - Mapa do museu. FIGURA 76 - Programa preliminar espacializado

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FIGURA 77 - Diretrizes Mobilidade Urbana FIGURA 78 - Diretrizes Espaços Livres FIGURA 79 - Diretrizes Espaços Edificados FIGURA 80 - Mapa de Diretrizes do entorno / Mobilidade Urbana FIGURA 81 - Mapa de Diretrizes do entorno / Espaços Livres FIGURA 82 - Mapa de Diretrizes do entorno / Espaços Edificados FIGURA 83 - Masterplan da Intervenção FIGURA 84 - Giroscópio de equilíbrio - Parque Explora. FIGURA 85 - O foco da parábola - Parque Explora. FIGURA 86 - Parafuso de Arquimedes - Parque Explora FIGURA 87 - Equipamento interativo - Parque Explora FIGURA 88 - Ondas ascendentes - Parque Explora FIGURA 89 - Vórtice mecânico - Parque Explora FIGURA 90 - Inércia rotacional - Parque Explora FIGURA 91 - Planta Baixa Projeto FIGURA 92 - Estudo Volumétrico FIGURA 93 - Estudo Volumétrico FIGURA 94 - Estudo Volumétrico FIGURA 95 - Estudo Volumétrico

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Lista de Siglas USP - Universidade de São Paulo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional UVA - Universidade Estadual Vale do Acaraú UFC - Universidade Federal do Ceará Ipece - Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará PIB - Produto Interno Bruto IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica IFCE - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará INTA - Instituto Superior de Teologia Aplicada FLF - Faculdade Luciano Feijão CCET - Centro de Ciência Exatas e Tecnologia CCS - Centro de Ciências da Saúde VLT - Veículo Leve sobre Trilhos PDDU - Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano ICOM - Conselho Internacional de Museus ECOA - Escola de Cultura Comunicação Ofícios e Artes ZR3 - Zona Residencial de Média Densidade ZR4 - Zona Residencial de Alta Densidade ZUM - Zona de Uso Misto AI - Zona de Áreas Institucionais PDP - Plano Diretor Participativo SAAE - Serviço Autônomo de Água e Esgoto IURB - Instituto de Estudos Urbanos do Município IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis SAIC - Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental BRTs - Bus Rapid Transit PUI - Projeto Urbano Integral RFFSA – Rede Rodoviária Federal S/A

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Inter-Estação Conhecimento