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Jinx –Meg Cabot Capítulo Um O negócio é, minha sorte sempre foi detestável. Só olhe para o meu nome: Jean. Não Jean Marie, ou Jeanine, ou Jeanette, ou mesmo Jeanne. Apenas Jean. Você sabe que na França eles chamam garotos de Jean? É o francês para John. E tudo bem, eu não moro na França. Mas ainda assim. Eu sou praticamente uma garota chamada John. Se eu vivesse na frança, de qualquer jeio. É esse o tipo de sorte que eu tenho. O tipo de sorte que eu tive desde antes mesmo da mamãe preencher minha certidão de nascimento. Então não foi muito surpreendente para mim quando o motorista de táxi não me ajudou com minha mala. Eu já tinha tido que aguentar chegar ao aeroporto e não achar ninguém para me receber, e então não obtive resposta a nenhum dos meus telefonemas, perguntando onde minha tia e meu tio estavam. Eles não me queriam, afinal? Será que eles mudaram de idéia? Eles ouviram falar da minha má sorte - todo o caminho de Iowa - e decidiram que eles não queriam que isso caísse sobre eles? Mas mesmo que isso fosse verdade - e como eu disse a mim mesma um milhão de vezes desde que cheguei à esteira de bagagens, onde eles deveriam me encontrar, e não vi ninguém a não ser skycaps e motoristas de limusine com pequenas placas com o nome de todo mundo nelas menos o meu - não havia nada que eu pudesse fazer em relação a isso. Eu certamente não podia ir para casa. Era Nova York - e a casa de Tia Evelyn e Tio Ted - ou falência. Então, quando o motorista de táxi, ao invés de sair e me ajudar com a bagagem, apenas apertou um botão para que o porta-malas se abrisse alguns centímetro, não foi a pior coisa que já havia acontecido comigo aquele dia. Eu tirei minha bagagem, cada uma com 5000 quilos, pelo menos - exceto a caixa do meu violino, é claro - e então fechei o porta-malas de novo, tudo isso enquanto estava no meu da Rua 69ª Leste, com uma fila de carros atrás de mim, buzinando impacientemente porque não podiam passar, afora o fato de que atravessando a rua do prédio dos meus tios havia uma van Stanley Steemer estacionada em duas vagas. Por que eu? Sério. Eu gostaria de saber.


O táxi partiu tão rápido que eu praticamente tive que me segurar entre dois carros estacionados para não ir junto. As buzinas cessaram quando a fila de carros que estava esperando atrás do táxi começaram a se mover de novo, com seus motoristas me lançando olhares sujos ao passarem. Foram todos os olhares sujos que fizeram isso - me fazer perceber que estava em Nova York. Afinal. E é, eu tinha visto o horizonte de dentro do táxi, quando ele cruzava a Ponte Triboro... A ilha de Manhattan, em toda sua glória, com o Empire State saindo do meio como se fosse um grande e brilhosos dedo do meio. Mas foram os olhares sujos que realmente fizeram a diferença. Ninguém in Hancock jamais seria tão mau a alguém que era claramente de fora da cidade. Não que muitas pessoas visitassem Hancock. Mas tanto faz. Então havia a rua em que eu estava parada. Era uma daquelas ruas que parecem exatamente como aquelas que mostram na TV quando querem dizer que algo está situado em Nova York. Como em Law and Order. Você sabe, as três - ou quatro - brownstones (provavelmente algum tipo de moradia) estreitos com portas brilhantemente pintadas e a pedra inclina... De acordo com a minha mãe, a maioria dos brownstones em Nova York foram originalmente casas de uma única família, quando foram contruídos, pelos anos de 1800. Mas agora foram divididos em apartamentos, então há agora uma - ou até duas ou mais famílias - por piso. Não o brownstone da irmã da minha mãe, Evelyn, porém. Tia Evelyn e Tio Ted Gardiner possuem todos os quatro pisos do brownstone deles. Isso é praticamente um piso por pessoa, já que Tia Evelyn e Tio Ted só têm 3 filhos, meus primos TOry, Teddy e Alice. Na minha casa, nós só tínhamos dois pisos, mas haviam sete pessoas vivendo lá. E só um banheiro. Não que eu esteja reclamando. Ainda assim, desde que minha irmã Courtney descobriu as festanças, as coisas têm sido bem horríveis em casa. Mas por mais alta que a casa dos meus tios fosse, era realmente estreita apenas três janelas atravessando-a. Mesmo assim, era uma casa urbana bastante bonita, pintada de cinza, com ornamentos cinza claro. A porta era de um amarelo alegre e brilhante. Haviam caixotes de flores amarelas juntos às bases de cada janela, coixotes de flores com vermelho brilhante - e obviamente recém plantados, já que eram meados de abril, e não muito quente o suficiente para elas - gerânios transbordando. Era bom olhar para aquilo; mesmo em uma cidade sofisticada como Nova York, as pessoas ainda percebiam quão receptivas e caseiras um caixote de gerânios podia ser. A presença daqueles gerânios me animaram um pouco.


Como se talvez a Tia Evelyn e o Tio Ted tivessem se esquecido que eu estava chegando hoje, e não tivessem deliberadamente se esquecidos de me buscar no aeroporto porque tinham mudado de idéia sobre me deixar vir morar com eles. Como se tudo fosse ficar bem, no final. É. Com a minha sorte, provavelmente não. Eu comecei a subir os degraus da porta da frente do número 326 da rua East Sixty-ninth, e percebi que eu não conseguiria com as minhas malas e meu violino. Deixando umas mala na calçada, eu arrastei a outra pelos degraus comigo, o meu violino embaixo de um braço. Eu coloquei a primeira mala e a maleta do meu violino no topo dos degraus, e me apressei descendo para pegar a segunda mala, que eu tinha deixado na calçada. Só que eu acho que tentei descer muito rápido, já que eu tropecei e quase cai de cara na calçada. Eu consegui evitar no último segundo, me agarrando em um desses suportes de ferro que os Gardiners colocaram ao redor das lixeiras. Enquanto eu me recuperava lá, um pouco abalada da minha quase catástrofe, um senhora elegante e estilizada caminhando com o que parecia ser um rato em uma coleira (só que deveria ser um cachorro, já que estava usando um casaquinho) passou e balançou sua cabeça para mim. Como se eu tivesse rolado pela escada abaixo dos Gardiners de propósito para assustá-la, ou alguma coisa assim. Em Hancock, se uma pessoa visse alguém quase caindo numa escada – mesmo alguém como eu, que quase cai na escada quase todo dia – ela teria dito alguma coisa como, ―Vocês está bem?‖ Em Manhattan, entretanto, as coisas eram claramente diferentes. Não foi até a senhora idosa e o seu cachorrinho-ratinho passaram que eu ouvi um click. Arrumando me – e descobrindo que as minhas mãos estavam cheias de ferrugem da cesta – eu vi que a porta do 326 da rua East Sixty-ninth estava aberta, e uma jovem, linda, loira estava me olhando por cima dos degraus. ―Oi?‖ ela disse com curiosidade.


Eu esqueci sobre a senhora e o seu rato, e o meu quase-mergulho-no-cimento. Eu sorri, e subi rapidamente os degraus. Mesmo que eu não conseguisse acreditar o quanto ela tinha mudado, eu estava tão feliz em vê-la... ...e tão preocupada que ela não fosse sentir-se do mesmo jeito em relação a mim. ―Oi,‖ disse. ―Oi, Tory.‖ A jovem mulher, toda pequena e muito loura, piscou para mim sem reconhecimento. ―Não,‖ ela disse. ―Eu não sou Tory. Sou Petra.‖ Pela primeira vez, eu percebi que a garota tinha sotaque... um sotaque europeu. ―Eu sou a au pair* do Gardiners.‖ ―Oh,‖ eu disse sem certeza. Ninguém tinha me dito nada sobre uma au pair. Felizmente, eu sabia o que era, por causa de um episódio de Law and Order que eu vi uma vez, onde eles suspeitavam que a au pair estava matando as crianças que ela deveria tomar conta. Eu estiquei a minha mão cheia de ferrugem para Petra. ―Oi,‖ disse. ―Eu sou Jean Honeychurch. Evelyn Gardiner é minha tia...‖ ―Jean?‖ Petra tinha esticado e automaticamente apertado a minha mão. Agora o seu aperto tinha ficado mais forte. ―Oh, você quer dizer Jinx**?‖ Eu estremeci, e não só pelo apertão forte da menina – ela era realmente forte para alguém tão pequena. Não, eu estremeci porque a minha reputação tinha claramente me precedido, se a au pair me conhecia por Jinx ao invés de Jean. ―Certo,‖ disse. Porque o que mais eu poderia fazer? Bem feito por ter ido começar de novo onde ninguém me conheci pelo meu apelido desfavorecedor. ―Minha família me chama de Jinx.‖ E iria continuar para sempre, se a minha sorte não mudasse. ____________________________________________________________


* au pair: espécie de empregada-babá-faz tudo. ** Jinx: Azarada Capítulo Dois ―Mas você não deveria chegar até amanha!‖ Petra lamentou. A bola de preocupação enrolando o meu estomago se afrouxou. Só um pouco. Eu deveria ter sabido. Eu deveria ter sabido que a Tia Evelyn não iria se esquecer completamente de mim. ―Não,‖ eu disse. ―Hoje. Eu deveria chegar hoje.‖ ―Oh, não,‖ Petra disse, ainda balançando a minha mãe para cima e para baixo. Meus dedos estavam ficando sem circulação. Fora os lugares que estavam doendo quando eu me agarrei à grade de metal ao redor do lixo, também. ―Eu tenho certeza que o seu tio e a tia disseram amanhã. Oh! Eles vão ficar tão chateados! Eles iriam te pegar no aeroporto. Alice até fez um cartaz... Você veio todo o caminho sozinha? Num táxi? Eu sinto tanto por você! Ai, meu Deus, entra, entra!‖ Com um ritmo que era contraditória a sua estrutura delicada – mas combinava com o seu aperto de mão – Petra insistiu em pegar as minhas duas malas, deixando o violino para mim, e carregando-as para dentro ela mesma . O excesso de peso delas não pareceram incomodá-la nem um pouco, e só demorou uns dois minutos para descobrir o porque, sendo Petra quase tão faladeira que a minha melhor amiga, Stacy, lá em casa: Petra tinha de mudado da Alemanha para os Estados Unidos porque ela está estudando para ser fisioterapeuta. De fato, ela me contou que vai à faculdade de fisioterapia todas as manhas em Westchester, que é um subúrbio logo fora de Nova York, onde, quando não está na aula, ela tem que levantar pessoas pesadas e ajudá-las nas muletas, depois ensiná-las a usarem o braço e tal de novo, depois de um acidente ou queda. O que explica porque ela era tão forte. Por causa do levantamento de pessoas pesada, e tudo.


Petra estava vivendo com os Gardiners, pagava por seu quarto e alimentação cuidando dos meus priminhos. Então, enquanto as crianças estavam na escola todos os dias, ela ia para Westchester aprender mais coisas sobre fisioterapia. Dentro de um ano, ela teria a sua licença e poderia conseguir um emprego em um centro de reabilitações. ―Os Gardiners têm sido tão gentis comigo,‖ Petra disse, carregando minha bagagem para o quarto de hospedes no terceiro andar como se elas não pesassem mais do que um par de CDs. E não parecia ser necessário a Petra parar para tomar fôlego entre as frases. Incrível, sendo que inglês não era nem a sua língua nativa. O que significava que ela podia falar mais rápido ainda em sua língua materna. ―Eles até me pagam trezentos dólares por semana,‖ Petra continuou. ―Imagina, vivendo em Manhattan livre de aluguel, e com a comida paga também, e alguém te dando ainda trezentos dólares por semana! Meus amigos de Bonn dizem que é muito bom para ser verdade. Sr. e Sra. são como pai e mãe para mim agora. E eu amo o Teddy e a Alice como se eles fossem meus próprios filhos. Bom, eu só tenho vinte, e Teddy tem dez, então eu acho que ele não poderia ser meu filho. Mas meu irmãozinho, talvez. Aqui, agora. Este é o seu quarto.‖ Meu quarto? Eu tentei ver o doorframe(?) ao redor. Julgando pelo olhar rápido que tinha tido do resto da casa olhando da escada, eu soube que viveria cheia de luxo durante os próximos meses... Mas o quarto no qual Petra deixou minhas bolsas tirou minha respiração. Era totalmente lindo…uma parede branca com a mobília cor de creme e dourada, e cortinas de seda rosas. Havia uma lareira de marmóre em um lado—―Não trabalho, neste aqui,‖ Petra me informou tristemente, quando eu estava tentando adivinhar como funcionava a lareira do meu quarto novo, ou algo assim—e um banheiro privado no outro. A luz solar entrou pelas janelas, deixando o tapete rosa com um tom manchado. Naturalmente, eu soube imediatamente que algo estava errado. Este era o quarto mais agradável que eu tinha visto. Era cem vezes mais agradável que meu quarto em minha casa. E eu tinha dividido aquele quarto com Courtney e Sarabeth, minhas duas irmãs mais novas. Na realidade, esta seria a primeira vez que dormia em um quarto de meu próprio.


SEMPRE. E nunca em minha vida me divertia tanto a idéia de ter um banheiro próprio. Isto não era possível. Mas eu poderia contar pelo modo que Petra estava, sacudindo o pó imaginário para fora das coisas, que era possível. Não parece possível, mas… elas eram. ―Emocionante,‖ era tudo que eu poderia dizer. Foi à primeira palavra eu pude falar desde que Petra tinha começado a falar, abaixo da porta da frente. ―Sim,‖ Petra disse. Ela pensou que eu estava falando do quarto. Mas realmente, eu falava... Bem, tudo. ―É muito agradável, sim? Eu tenho meu próprio apartamento nesta casa, com uma entrada—com térreo privado, você sabe? A área do apartamento. Você provavelmente não viu isto. A porta fica inclinada para a casa na cidade. Também há uma porta dos fundos para o jardim. É um apartamento pequeno privado. Eu tenho minha própria cozinha, também. As crianças descem à noite às vezes, e eu os ajudo com a lição de casa deles, e às vezes nós assistimos a TV, tudo aconchegante. É muito agradável.‖. ―Você não está brincando,‖ eu respirei. Mamãe tinha me falado que Tia Evelyn e a família dela estavam bem—meu tio Ted, tinha adquirido uma promoção recente de presidente de qualquer companhia em que ele trabalhou, enquanto Evelyn, uma decoradora, tinha acrescentado uma dupla de supermodels à lista de clientes dela. Ainda, poderia não ter preparado para mim… isto. E era meu. Todo meu. Bem, por enquanto, de qualquer maneira. Até que eu faça alguma confusão aqui, de alguma maneira. E, eu como eu me conheço, eu sabia que isso não demoraria muito tempo. Mas eu ainda poderia desfrutar disto enquanto durar. ―Sr. e Sra. Gardiner sentem muito eles não estavam em casa para recebe-la,‖ Petra estava dizendo como ela foi para o lado da cama de tamanho grande e começou meticulosamente a afofar a meia-dúzia travesseiros em baixo da cabeceira. ―E eles ficarão até mais tristes quando soubrerem que trocaram os dias. Eles ainda estão ambos no trabalho. O Teddy e Alice logo virão escola, entretanto. Eles estão ambos muito entusiasmados com a vinda da prima Jinx deles. Alice lhe fez um cartaz o de boas-vindas. Ela ia segurar isto no aeroporto quando eles a pegariam, mas agora... bem, talvez você possa pendurar isto na parede daqui do seu quarto? Você tem que fingir estar agradada com isto, até mesmo se você não está, porque ela trabalhou muito


duro nisto. Sra. Gardiner não põe nada em suas paredes, você vê, porque ela quis esperar para ver como você está. Ela diz que já se passaram cinco anos desde a última vez que eles a viram!‖. Petra olhou para mim maravilhada. Aparentemente, as famílias na Alemanha vivem muito mais íntimas e se visitam muito mais freqüentemente que as famílias nos E.U.A…. Ou minha família, de qualquer maneira. Eu acenei com a cabeça. ―Sim, isso soa quase certo. Tia Evelyn e Tio Ted me visitaram pela última vez quando eu tinha onze anos...‖ Minha voz se arrastou fora. Isso porque há pouco tinha notado que no grande banheiro, as instalações eram todas de metais e moldadas como pescoços de cisne, com a água saindo do bico esculpido do pássaro. Até mesmo a barra das toalhas tinha asas de cisne no fim. Minha boca estava começando a ficar seca à vista de tudo esse luxo. Eu quero dizer o que alguma vez eu tinha feito para merecer tudo isso? Nada. Especialmente ultimamente. Que era fato por que eu estava em Nova Iorque. ―E sobre Tory?‖ eu perguntei, com um esforço para mudar de assunto. Melhor não pensar sobre o porquê de eu estar aqui em Nova Iorque e não em Hancock. Especialmente porque desde a última vez que eu fiz isso deu aquele nó enjoado em. ―Quando ela vem da escola para casa?‖. ―Oh,‖ Petra disse. Isto ―Oh,‖ porém, foi diferente de todos os outros fora que Petra tinha deixado escapar. Eu notei imediatamente. Também, considerando que Petra vinha falando com entusiasmo nada disfarçado, agora ela olhou para baixo e disse apreensiva, encolhendo os ombros, ―Oh, a Tory já veio da escola. Ela está na parte de trás, no jardim, com os amigos dela.‖. Petra apontou para uma das duas janelas em frente à cama. Eu fui para lá, enquanto empurrava devagar a fina cortina branca—essa cortina branca tão fia como uma teia de aranha—e olhei para baixo… para um jardim de conto de fadas. Ou pelo menos, foi isso que aparentou para mim. E certo, eu que sou acostumada com nosso quintal em Hancock que está completamente cheio com coisas de meus irmãos e irmãs mais novos como bicicletas e brinquedos de plástico, um jogo de balanço, uma corrida de cachorro, o remendo de legume variegado da Mamãe, e pilhas grandes de sujeira, esvaziados lá pelo Papai que está sempre trabalhando em uma parte nova para a casa nunca totalmente construída. Porém, este quintal se parecia com algo de um espetáculo de TV. E não 'Law


and Order', tampouco, mas algo na linha de MTV Cribs. Cercado em três lados através de tijolo musgo-coberto, rosas cresciam—e brotavam—por toda parte. Havia videiras por todos os lados até nos menores, glassed-in(?) pavilhão em cima de um canto do jardim. Havia uma mesa de forjado de ferro e cercada por cadeiras, um banco de carruagem almofadado em baixo dos extensos galhos de um salgueiro chorão recentemente brotado. Mas o melhor de tudo era uma fonte baixa que, até mesmo com as três históricas janelas fechadas, eu poderia ouvir burburinho. Uma sereia de pedra sentada no centro da piscina de base larga, com água jorrando para cima pela boca de um peixe que estava nos braços dela. Eu não podia estar segura, enquanto olhava de tão alto, mas eu pensei que vi alguns flashes de laranja dentro da piscina. Peixe Dourado! ―Koi,‖ Petra me corrigiu, quando eu disse isto em voz alta. A voz dela estava voltando ao normal, agora que nós não estávamos discutindo sobre Tory, eu não pude ajudar notando. ―Eles são japoneses. E você vê Mouche, a pequena gata do jardim? Ela senta lá o dia todo, enquanto os assisti, mas nunca pegou um, mas ela vai, um dia.‖. Eu vi uma chama súbita vinda de baixo do telhado de vidro do pavilhão. Você realmente não pode ver de dentro, porque o vidro era embalado. Tory e os amigos dela deviam estar dentro, mas eu não pude vê-los, só os movimentos sombrios deles, e a chama. Pareceu que aquela Tory e os amigos dela estavam fumando. Quer dizer tudo bem, entretanto. Eu conheço bastantes pessoas com menos idade em Iowa que fumam. Bem, okay. Um. Ainda, todo o mundo tinha me falado que as coisas eram realmente diferentes em Nova Yorque. Não só coisas, mas as pessoas, também. Pessoas da minha idade, especialmente. Como, as pessoas que supostamente tem minha idade em Nova Yorque são muito mais sofisticadas e mais velhas para a idade deles que as pessoas em meu antigo lar. E isso é certo. Eu posso controlar isso. Embora meu estômago, julgando que meu estômago deu logo um nó, parecesse discordar. ―Eu acho que preciso ir lá em baixo dizer oi para Tory,‖ eu disse…por que eu me sentia como se devesse. ―Sim,‖ Petra disse. ―Eu suponho você deve.‖ parecia que era algo que ela quisesse dizer, mas pela primeira vez desde que eu tinha conhecido-a, ela


emudeceu. Grande. Assim o que aconteceu entre ela e Tory? E quanto você quer apostar que, com minha sorte, eu ia entrar no meio disto? ―Bem,‖ eu disse mais corajosamente que me sentia, enquanto colocava a cortina de volta no ligar. ―Você prestaria atenção no meu modo?‖. ―Naturalmente.‖. Petra pareceu que não era o tipo de garota que ficasse muito tempo quieta. Petra pareceu que não era o tipo de garota que ficasse muito tempo quieta. Enquanto descíamos as escadas para o segundo piso, ela perguntou sobre o violino. "Você o toca há muito tempo?" "Desde os seis anos", eu disse. "Seis! Então você deve ser muito boa. Nós teremos um concerto alguma noite, sim? As crianças irão adorar isto!" Eu meio que duvidei disso, a não ser que meus primos fossem realmente diferentes das crianças da minha casa. Ninguém que eu conhecesse em Hancock gosta de me escutar tocar. Exceto talvez quando eu fazia "O Diabo Desceu Para Georgia". Mas mesmo assim, eles meio que perdiam o interesse, a não ser que eu cantasse as palavras. E é difícil cantar e tocar ao mesmo tempo. Até Patti Scialfa, a mulher de Bruce Springsteen, que pode tocar o violino e cantar, nunca realmente faz os dois ao mesmo tempo. Então Petra perguntou se eu estava com fome, e me contou sobre a aula de culinária que a Sra. Gardiner pagou para ela ir, para que então ela pudesse aprender a fazer comidas americanas para as crianças. "Eu iria fazer filet mignon para sua chegada amanhã, mas agora que você está aqui, eu acho que para o jantar de amanhã nós teremos comida chinesa do Szechuan Palace! Espero que não se importe. O Sr. e a Sra. Gardiner têm um benefício para o qual precisam ir. Os Gardiner são muito gentis, pessoas solidárias, e estão sempre indo a benefícios para levantar dinheiro para causas dignas... Há muitas desses em Nova York. E a comida chinesa aqui é muito boa, é autêntica - a Sra. Gardiner até fala, e ela e o Sr. Gardiner estiveram na China para o aniversário de casamento deles ano passado - Oh, aqui está a porta para o jardim. Acho que verei você, então."


"Obrigada, Petra", eu disse, dando a ela um sorriso agradecido. Então eu empurrei a porta de vidro que dava para o pátio que dava para o jardim, e descu is degraus para o jardim em si (cuidadosamente segurando o apoio para evitar um segundo quase-desastre com um lance de escadas). Aqui o som da fonte era muito mais alto, e eu podia sentir o cheiro pesado de rosas no ar. Era estranho estar no meio de Nova York e cheirando rosas. Apesar de que misturado ao cheiro de rosas estava o odor de tabaco queimado. Eu chamei, "Olá?", enquanto alcançava o gazebo, para deixá-los saber que eu estava chegando. Ninguém respondeu imediatamente, mas eu tinha certeza de que ouvi alguém dizer a palavra com "F". Imaginei que Tory e seus amigos estivessem lutando para apagar seus cigarros. Apressei-me para entrar no gazebo, então pude dizer "Ah, não se preocupe. É apenas eu." Mas é claro que me encontrei falando a seis totais e completos estranhos. Minha prima Tory não estava em lugar algum que eu pudesse ver. Que é, você sabe. A minha sorte. Capítulo 3 Vinda do meio dos estranhos, uma menina cujos cabelos pretos que combinavam com a cor do minidress dela e do salto alto das botas, se levantou e veio até mim, rebolando seu quadril enquanto andava e me olhou nos olhos. ―Quem infernos você é?‖ ela exigiu. Atenta as pessoas dentro do pavilhão estavam me encarando com hostilidade igual, eu me ouvi gaguejando, ―Um, eu sou Jean Honeychurch, a primo de Tory Gardiner…‖. A menina de cabelo preto disse que a palavra com F novamente, agora em um tom realmente diferente. Então ela ergueu a mão que ela tinha mantido na parte de trás do corpo, e tomou um longo gole do copo que ela segurava. ―Não se preocupem,‖ ela disse, por cima do ombro dela para as pessoas no pavilhão. ―É minha prima louca de Iowa.‖. Eu pisquei, uma vez. Duas vezes. E então uma terceira vez. ―Tory?‖ eu


perguntei incrédula. ―Torrance,‖ minha prima me corrigiu. Fixando o copo em um baixo banco de pedra, ela tirou um cigarro por detrás da orelha dela e colocou isto entre os lábios escarlates dela. ―O que você está fazendo aqui? Supostamente não era para você vir amanhã.‖. ―Eu... Eu cheguei cedo,‖ eu disse. ―Desculpe.‖. Nem mesmo me faça a pergunta por que eu estava me desculpando para alguém que nem mesmo estava sentido minha falta—os Gardiners eram o únicos que se enganaram quanto ao dia da minha chegada, não eu. Mas havia algo sobre Tory—esta nova Tory, de qualquer maneira—isso fez o nó em meu estômago se apertar ainda mais. Isto era Tory? Esta era minha prima Tory, com quem, quando os Gardiners iam nos visitar em Iowa na última, eu tinha vadeado embaixo do Riacho de Pike, e escalei árvores em cima da escola primária? Não pode ser. Aquela Tory era rechonchuda e loira, com um sorriso travesso e um senso de humor igualmente danoso. Esta Tory me olhou como se tivesse sido muito tempo—um tempo realmente longo—desde que ela tinha me sorrido pela última vez. Não que ela não estivesse bonita. Ela estava, em um super sofisticado, tipo urbano-chique. Ela tinha perdido a gordura de bebê dela, e agora a figura dela era esbelta. Também, o cabelo loiro foi substituído por um pageboy(?) severamente cortado, preto. Ela parecia uma modelo — mas nada dessas felizes, ensolaradas, como Cindy Crawford. Ela se parecia um do tipo, uma… como a infeliz Kate Moss, depois que ela tinha sido presa por ser pega com cocaína. Tory, eu quis dizer. O que aconteceu a você? Tory deve ter pensado algo do mesmo tipo—só que eu não estive mudando tanto desde que ela me viu pela última vez—, ela riu de repente (conseguindo fazer disto o riso mais sem de humor que eu alguma vez tinha ouvido) e disse ―Deus, Jinx. Você não mudou nem um pouco. Você ainda parece fresca-defazenda e doce-caipira.‖. Oh. Tão talvez ela não estivesse pensando algo do mesmo tipo. Eu olhei para mim. Eu tinha me vestido com um cuidado extra-especial de manhã, sabendo que quando eu pisasse fora o avião, estaria na cidade mais sofisticada no mundo. Mas evidentemente minhas calças jeans, suéter de algodão rosa, e mesmo a camurça rosa não eram o bastante para disfarçar o que de fato eu sou, a maior parte, exatamente o que a Tory tinha me acusado de ser: menina-fresca-defazenda e doce-caipira.


Embora nós na verdade vivamos atualmente em um cul-de-sac (algum tipo de habitação caipira), e não em uma fazenda. ―Deus,‖ disse uma voz vinda de dentro do pavilhão. ―O que eu não daria para ter aquele cabelo.‖ E então, ziguezagueando como uma cobra, uma menina tipo tão modelo-esbelta quanto Tory—Tyra para Tory Kate Moss — deslizou do pavilhão, e se juntou a Tory na inspeção dela em mim. ―Isto é natural?‖ a garota perguntou, enquanto representava nos dedos do pé dela brilhava uma tinta do tipo vermelho primavera, que eu tentei não reparar basicamente. Ela parecia estar usando algum tipo de uniforme escolar composto de uma blusa branca, jaqueta esporte azul, e saia cinza pregueada. Mas até mesmo nela, um uniforme escolar parecia alta moda. Do modo como ela era bonita. ―Oh, o cabelo dela é natural,‖ disse—não que parecesse que Tory pensasse nisso como uma coisa boa, ou algo do tipo. ―Nossa avó tinha isto, também.‖. ―Deus,‖ a menina disse. ―Isso é tão selvagem. Eu conheço meninas que pagam centenas para adquirir cachos espirais assim. E a cor! É tão… vivida.‖. ―Ei,‖ disse uma voz masculina do pavilhão. ―As menina vão ficar gritando em cima do Vermelho, ou nós vamos pegar o ônibus?‖. A menina que tinha gostado de meu cabelo revirou os olhos dela, e Tory—ou Torrance maior, como ela aparentemente preferia ser chamada — exibiu algo que se assemelhou a um sorriso agora. ―Deus, Shawn,‖ ela disse. ―Relaxe.‖ Para mim, disse ela, ―Você quer uma cerveja?‖. Eu tentei não deixar aparentar o choque. Uma cerveja? Tory estava me oferecendo uma cerveja? Tory que cinco anos atrás nem comia Pop Rocks, porque lhe convenceram que eles a fariam explodir? ―Um‖ eu disse. ―Não, obrigado.‖ Não porque eu não bevo — eu tinha bebido champanhe da mãe de Stacy no casamento da mãe dela com o novo padastro, Ray—, mas porque eu não gosto de cerveja. ―Nós temos Long Island gelado, também,‖ o amigo de Tory disse amigavelmente. ―Oh,‖ eu disse, enquanto sentia um alivio. ―Certo, eu tomo isto.‖. O amigo de Tory fez uma cara. ―Sim,‖ ela disse. ―Eu não gosto de cerveja, ou de algo assim. Eu sou a Chanelle, a propósito.‖. ―Chanel?‖ eu repeti. Eu não estava certa se tinha ouvido direito. ―Certo,‖ ela disse. ―Só com um L extra e um E ao fim. Chanel é a loja favorita de minha mãe.‖.


―Coisa boa não era Gucci,‖ o menino que a Tory tinha chamado de Shawn disse. ―Ignore-o,‖ Chanelle disse a mim, enquanto revirava os escuros olhos expressivos dela novamente, quando eu a segui no pavilhão. ―Esse é Shawn,‖ ela disse, enquanto apontava a um sujeito loiro dentro que estava com uma blusa estampada, e sentado numa mesa de vidro. Ele estava usando calças compridas cinzas, uma camisa branca com as mangas enroladas para cima, e uma gravata vermelho-e-azul-listrada que tinha sido descuidadamente nodosa e da mesma maneira que negligentemente soltou novamente. ―E esse é meu namorado, Robert, lá em cima,‖ Chanelle disse. Outro menino, este com cabelo preto, mas cansativamente com exatamente as mesmas roupas de Shawn, balançou a cabeça para mim em cima do cigarro que ele estava fumando. Que foi quando eu percebi que todos fumavam. ―E essa é Gretchen,‖ Chanelle disse, enquanto apontando a outro garota—esta uma bela loira, com uma sobrancelha furada—usando o mesmo uniforme como Chanelle. ―E essa é Lindsey.‖ Lindsey, também com uniforme escolar, era uma versão menor de Gretchen, menos o piercing. Ao invés disso, ela estava usando um brilhante batom vermelho. Ambas as meninas apenas reconheceram minha existência apenas. Elas olhavam muito mais interessadas nas bebidas que seguravam do que em mim. ―Certo,‖ Shawn disse, enquanto esfregava as mãos uma na outra. ―Nós terminado com o bate-papo agora? Nós podemos voltar ao negócio?‖. No canto mais distante do pavilhão, encostado em uma parede segurando um copo se encontrava mais, que clareou a garganta dele. ―Oh,‖ Chanelle disse. ―Eu quase esqueci. Esse é Zach.‖. O sujeito no canto inclinou uma lata de Coca-cola em minha direção como um tipo de saudação. ―Oi, Prima Jean de Iowa,‖ ele disse agradavelmente. Ele, diferente dos outros dois meninos, não estava usando uma gravata ou calças compridas formais, mas calças jeans e uma Camiseta. Ele também era eu pensei, um ou dois mais velho que todo o mundo no pavilhão que parecia ter mais ou menos a minha idade. Ele também era sexy. Muito sexy. Em sua camisa meio larga, escuro, olhos verdes, tipo um Deus Grego. ―Você não vem, homem?‖ Shawn não perguntou para Zach... Em uma voz muito amigável. ―Eu ia,‖ Zach disse, enquanto se movia para abrir espaço para mim no banco dele—a esquerda do assento. ―Mas talvez eu demore um pouco.‖.


―Que carinhoso você,‖ Shawn disse. Mas ele não soava muito feliz com isto. ―Bom,‖ a Tory disse, enquanto enchia um copo com iced tea e se sentava no chão do pavilhão. Ela passou o copo para mim. Eu tinha sentado perto de Zach. ―Eu odeio como você nunca se junta com a galera para uma festa, Zach.‖. ―Talvez porque eu não vire um zumbi antes da escuridão,‖ Zach disse. ―Eu desejo que você fosse um zumbi de vinte e sete anos,‖ Robert disse instantaneamente, enquanto fumava seu cigarro. ―Você é‖ Chanelle o assegurou. E não soou como se ela estivesse contente com isto. ―Certo, aonde nós vamos?‖ Tory quis saber. ―Oh, sim. Eu preciso saber antes, para poder pelo menos me arrumar um pouco. Você quer Chanelle?‖. ―Bem,‖ Chanelle disse. Eu notei que o suéter que ela tinha amarrado ao redor da cintura dela era da mesma cor azul que as listras nas gravatas dos meninos. Assim eram também os de Gretchen e Lindsey. Assim todos eles iam para a mesma escola—o Chapman School que eu tinha sido transferida… mudei tardiamente esse ano, admiti. Mas houve circunstâncias atenuantes. Eu engoli. Melhor não pensar agora mesmo nas circunstâncias atenuantes. ―Nada para mim, obrigada,‖ Chanelle disse. ―Deus, Chanelle,‖ Tory disse, com os lábios entreabertos. ―Meio-termos. Para não mencionar, primavera formal. Você quer estragar isso? Hello?‖. ―Deus, Torrance. Cravos. Para não mencionar, espinhas. Você quer que meu dermatologista me mate? Hello?‖ Chanelle atirou de volta, não grosseiramente, em uma imitação morta de Tory que fez Lindsey rir até o iced tea sair pelo nariz dela. ―Perdedora,‖ a Tory disse, quando ela viu isto. Lindsey esfregou o nariz dela na manga do suéter, e disse, "Considere como vinte.‖. ―Vinte‖ Shawn disse, enquanto esmurrava números no caderno que ele tinha puxado de uma mochila que estava no chão. ―Você, Tor?‖. ―O mesmo, eu acho,‖ a Tory disse. Ela acendeu o próprio cigarro, me ignorando educadamente, embora eu estivesse ao alcance da sua visão. Eu não pude acreditar no que eu estava vendo. Eu quero dizer, era ruim o bastante, Tory era agora uma morena, e magra como uma estrela de cinema. Mas ela estava usando drogas, também? Embora eu tivesse de admitir que Shawn não se parecia nada com os negociantes de droga que mostram tão regularmente em 'Law and Order'. Ele


não era nenhum mendigo ou usava roupas sujas. Ele parecia… legal. E a Tory não se parecia com uma viciada. Eu quero dizer, ela é totalmente deslumbrante. Ainda, a vida dela, pelo meno de longe, parecia perfeita. Para que ela precisava de drogas? Estes eram os pensamentos que estavam se debatendo em minha cabeça quando eu sentei. Eu adivinho que você diria que eu estava sofrendo de algum choque cultura. Também, o nó em meu estômago estava mais apertado que nunca. ―E eu preciso de Valium,‖ Tory adicionou. ―Eu ando muito tensa ultimamente.‖. ―Eu pensei que suas pequenas viagens com o Shawn eram para evitar isso,‖ Gretchen disse, enquanto falava pela primeira vez. A voz dela era surpreendentemente grave. Assim era o que ela estava dizendo. Surpreendente, eu quero dizer. A Tory e Shawn estavam saindo? Mas Tory atirou para sua amiga um olhar sárcastico. E o dedo médio dela. ―Eu posso conseguir dez,‖ Shawn disse, enquanto sorria. ―Qualquer um consegue isso, só que há alguma dificuldade. Eu sei que isto é uma causa perdida, mas e você, Rosinha? Precisa de qualquer coisa?‖. Ao meu lado, disse Zach, ―Não, obrigado. Eu estou bem.‖. Tory parecia chocada. ―Zach,‖ ela disse. ―Você está certo? Porque Shawn pode conseguir realmente qualquer coisa, você sabe. Nada daquelas merdas genéricas. O pai dele é um doutor.‖. ―Jesus, Tor, o homem está doente, certo? Deixe-o,‖ Shawn disse. O olhar dele parou em mim. ―E você, Ruiva?‖. Tory que parecia aborrecida antes deu uma risada tão grande que fez o Iced Tea sair pelo seu nariz. Isto fez Lindsey dizer, "Perdedora,‖ exatamente do modo que a Tory fez quando tinha acontecido isso com ela. Eu disse, enquanto tentava não demostrar meu pavor, ―Não, obrigado. Eu-Eu estou bem.‖. ―Ei,‖ Zach disse com voz morta. ―Bom pra você, Prima Jean. O primeiro passo para admitir que há um problema.‖. ―Obrigada,‖ eu disse, tentando esconder o vermelho em meu rosto tomando um Iced Tea… … o qual eu vomito prontamente para fora. Infelizmente, vomito tudo em Zach. ―Ei,‖ Robert disse, na defensisa. ―Fale, não vomite, Ruiva!‖. ―Oh meu Deus,‖ eu chorei. Eu poderia sentir minhas bochechas entrando em


chamas. ―Eu sinto muito... Muito. Eu não fiz de propósito… Eu não esperava—‖. ¨- tem álcool nisso?.¨ Tory tinha se recuperado e jogou uns guardanapos para Zack. ¨Por que você acha que é chamado de *Long Island iced tea*, sua retardada mental?¨ ¨Eu nunca bebi isso antes¨ eu disse. ¨Eu nunca estive em Long Island. Oh, meu Deus, Zach, me desculpe.¨ Mas Zack não parecia nervoso. De fato ele estava com um sorrisinho em seu rosto. ¨Eu nunca estive em Long Island,¨ Ele repetiu pensativo, como se tentasse memorizar a frase. ¨Me desculpe¨ eu disse de novo. Eu realmente não conseguia acreditar nisso. Bem, eu conseguia, porque isso é uma coisa típica da minha parte, claro. Mas, eu quase não acreditei, porque - bem, porque eu vomitei todo o LONG ISLAND ICED TEA em um garoto que eu nunca vi. Quer dizer, eu mal cheguei de New York e já mostrei a completa tonta que sou. Tory e suas amigas devem pensar que eu sou a pior caipira que elas já conheceram. No meu antigo lar nenhum adolescente bebia, ou ficava alto, ou comprava drogas. Eles só não entendenderiam isso… bem, ao meu redor. ―Realmente sinto muito,‖ eu disse. Zach sorriu para mim. Eu sentia que arrancavam meu coração. Firme lá, Jean. ―Nenhum problema, Prima Jean de Iowa. Você quer uma Coca-cola, ou algo assim?‖ O sorriso se alongou. ―E eu quero dizer o tipo carbonatado.‖. ―Seguramente,‖ eu disse completamente deslumbrada pelo sorriso. ―E que seja grande.‖. Zach subiu, mas se sentou novamente quando a Tory latiu, ―eu pego isto para ela,‖ e abruptamente marchou para fora do pavilhão. ―Jesus,‖ Gretchen disse. ―O que há com ela?‖. Robert rodou os olhos dele na direção de Zach. ―Uma suposição levemente selvagem.‖. "O que?‖ Chanelle exigiu, defendendo Tory. ―Jesus, você quer que eu encruba tudo? O Lance sobre Rosen,‖ Robert disse, entre baforadas. Zach ficou carrancudo. ―O que você quer dizer, o que a Tory fez?‖. ―O au pair, homem.‖ Robert balançou a cabeça dele. ―Por que outro vai um


grande veterano como você andaria com secundaristas com nós? Você não está obviamente aqui para comprar, assim…‖. Zach, em lugar de negar isto, como eu meio que esperei, só pareceu pensativo. ―Ei,‖ Chanelle disse indignada. ―Isso não é verdade. Torrance está com Shawn. Ela não está paquerando com Zach.‖. ―Se Tor está com Shawn,‖ Robert quis saber, ―por que ela está tentando manter Rosen longe do au pair? Huh?‖. ―Cale-se, Robert,‖ Chanelle disse, enquanto lhe dava um pontapé por debaixo da mesa. ―Você não sabe o sobre o que está falando.‖. ―Ei, não bata no mensageiro,‖ Robert disse. ―Isso não é tão ruim para Torster o Sr. Quatro-Pontos-Oh, ela já sabe—se você sacou o que eu quis dizer.‖. ―Totalmente!‖ Chanelle chorou, e Zach disse carrancudo, ―Não meta Prima Jean, por favor. Ela é nova aqui.‖. Robert me examinou. ―Oh,‖ ele disse. ―Desculpe.‖. E eu tinha vontade de morrer mais do que nunca. Prima Jean? Era quase tão ruim quanto Jinx. Quase. ―Ei, é tudo bem. Torrance e eu,‖ Shawn disse suavemente, enquanto observava seu Caderno, ―temos um acordo.‖. Então naquele exato, momento Tory voltou com uma lata de refrigerante. ―Aqui, Jinx,‖ ela disse, enquanto empurrava o refrigerante para mim. ―Que tipo de acordo nós temos, Shawn?‖. ―Você sabe,‖ Shawn disse. Os dedos dele estavam voando em cima do teclado do Treo, o olhar dele colado à tela. ―Relação aberta, e toda aquela merda.‖. ―Oh,‖ Tory disse, enquanto se afundava novamente no assento dela. ―Certo. os Amigos com benefícios. Por que nós estamos falando sobre isto?‖. ―Por razão nenhuma,‖ Chanelle disse depressa, enquanto lançou um olhar à Robert que só sorriu maliciosamente. Eu sentei lá, enquanto tentava não parecer chocada. Amigos com benefícios? Eu tentei imaginar como reagiria minha melhor amiga Stacy se seu namorado, Mike, sugerisse a ela que eles fossem amigos com benefícios, em vez de um casal exclusivo. Então eu estremeci. Porque o resultado, eu sabia, não seria bonito. ―A propósito,‖ Tory disse para mim, enquanto arrombava meus pensamentos. ―Você é bem-vinda.‖. ―Oh,‖ eu disse, enquanto olhava para à lata de refrigerante, esquecida, em minha mão, e me sentindo ficar novamente vermelha. ―Obrigada.‖. ―Você só achará mais iguais a estes no freezer,‖ Tory disse seca. ―Petra lhe mostrou a cozinha?‖.


―Não agora—‖. ―Bem, tenha certeza você consegue uma excursão. Esta é a última vez que eu vou buscar e levar para você.‖. ―Deus, Tor,‖ Chanelle disse. ―Você é uma cadela (Bitch), por que não vai?‖ Então, como se envergonhou pela rudeza de Tory, Chanelle virou-se para mim, e perguntou, ―Assim durante quanto tempo você ficará em Nova Yorque, Jean?‖. O nó em meu estômago balançou. Eu olhei para minha lata de Coca-cola. ―Eu estou sendo transferida para a Chapman pelo resto do calendário escolar,‖ eu disse. ―E passando o verão então aqui, também.‖. Eu não perdi os relances que Gretchen e Lindsey trocaram. Não as culpei. Quem é transferido para uma escola nova faltando só um mês para acabar o semestre?". Uma louca como eu. ―Certo,‖ Tory disse levianamente. ―Eu esqueci de falar para os caras. Jinx estará terminando o semestre conosco.‖. ―Por que?‖ Chanelle quis saber. Por um lado, eu fiquei aliviada pela Tory aparentemente não ter falado sobre mim. Agora eu poderia lhes contar tudo que eu sobre o por que de eu estar aqui. Por outro lado, eu também estava magoada. O que era ridículo, claro. Mas você pensaria que ela poderia ter mencionado aos amigos dela que a prima dela estava vindo para viver com ela. A menos que, claro que, simplesmente aquilo não era importante para ela. ―Oh,‖ eu disse, enquanto engolia. ―Eu há pouco amável de precisou de uma mudança.‖. Tory revirou os olhos dela. ―Deus, Jinx,‖ ela disse. ―Você poderia pensar em algo mais idiota para responder quando as pessoas lhe perguntarem isso? Elas vão perguntar e você sabe. Muito bem.‖. Emocionante. Tanto que teria que contar o porquê de eu estar aqui. Eu me sentia ruborizando. Novamente. ―Bem,‖ eu disse. O nó em meu estômago estava se transformando menos em um nó, e mais em um punho. ―É... pessoal.‖. ―Pelo amor de Deus,‖ Tory disse, enquanto se juntava a Shawn e dava um puxão nele ―Só lhes fale. Jinx está sendo espiada, okay?‖. Capítulo 4


Grande. Apenas grande. Eu admitiria isto, eu deveria saber melhor. Eu deveria ter tido uma resposta para pergunta muito natural de Chanelle e pronto. Só que eu não tinha. Naturalmente. Assim eu acho que mereci o que a Tory tinha feito. Mas ao mesmo tempo, era um choque ouvir isto assim, como se fosse assunto fácil. Especialmente desde então isso foi só a metade. A outra metade, naturalmente, só eu sabia. Obrigada Deus. Porque eu não teria brigado com Tory por ter dito tão bruscamente aquela parte. Especialmente desde que ela parecia estar amando a reação que ela tinha conseguido—meu silêncio mortificado, e os suspiros de Gretchen e Lindsey. Shawn disse ―Nenhum bosta?‖ e Zach, eu notei, olhou com seus olhos verdes para mim isso me fez sentir até mesmo mais incomodada do que eu já estava. Os olhos de Chanelle estavam arregalados. ―Realmente?‖ ela disse. ―Espionada? Isso deve ser assustador.‖. "Você tem tanta sorte!‖ Lindsey gritou, enquanto dava risada. ―Eu nunca fui espionada. Como é?‖. ―Deus.‖ Tory colocou o resto dos cigarros em cima de um cinzeiro. ―Não há nada excitante nisto, Lindsey, você é idiota. Eu soube que o sujeito é um psicopata completo. Ele provavelmente virá aqui e nos assassinará a todos nós em nossas camas. Eu não posso acreditar meus pais aceitam isto.‖. ―Ei,‖ Robert disse, ultrajado. ―Aquela junta ainda era boa!‖. Eu não pude acreditar nisto, de qualquer jeito. Não sobre a junta. Mas como aquela Tory pôde ter só… ANUNCIADO isto de modo, tão casual. Especialmente considerando o fato que eu tinha tido que deixar minha casa, e todos meus amigos, e a escola em qual, eu admito, eu tinha sido bem popular. Eu quero dizer, eu sou uma menina agradável. Pessoas gostam de meninas agradáveis. Estes tipos de coisas não acontecem a meninas agradáveis. Meninas agradáveis não são espionadas… … a menos que, naturalmente, elas tragam metade disto com elas. Mas a Tory não sabia a outra metade disto. Assim ela pôde só anunciar o que sabia em voz alta… Também, na frente de Zach que estava fazendo meu coração retumbasse praticamente toda vez eu olhava para ele. Eu quis morrer novamente. Ou vomitar. Era difícil decidir qual dos dois. ―Ele não é um espião,‖ eu disse, enquanto escolhia minhas palavras com cuidado. E também percebendo, através dos olhares alarmados que o pessoal


me lançou que talvez eu tivesse dito isto um tanto ruidosamente. Eu abaixei minha voz. ―Ele não é psicopata, ou algo do tipo. Ele é só um sujeito com quem eu saí, que levou a coisa toda à sério, muito rápido.‖ E Agora como sai minha voz? Eles acreditariam nisto? Por favor, os deixe acreditar nisto… ―Ele quis segurar as mãos provavelmente,‖ Tory disse, me enfrentando diretamente, e Shawn bufou com uma risada. Okay. Bem, isso era ruim. Mas eles acreditaram nisto. Tory acreditou nisto, de qualquer maneira. E isso era tudo o que importava. Quando eu atirei para ela um olhar enfezado—porque eu senti que isso é o que garotas como eu fazem—Tory disse, ―Bem, vamos, Jinx. Sua mãe É uma ditadora.‖. Chanelle me arremessou um olhar assustado. ―De modo algum! Você não é filha de um pastor, ou é?‖. Claro que ela disse isto como se fosse uma coisa ruim. As pessoas sempre reagem assim. ―Eu também sou filha de um consultor de computação,‖ eu disse. ―Meu pai trabalha com computadores.‖. Mas ninguém estava escutando. Ninguém. ―Deus,‖ Lindsey disse. ―Isso é tão romântico. Você teve que fugir do estado para escapar de um amante obsessivo. Eu queria ter um amante obsessivo.‖ ―Eu não prestaria atenção nele,‖ Chanelle disse secamente. ―Ao invés disso, só tenho o Robert.‖. Robert observou da junta que ele estava tentando salvar. ―O que é isso?‖ ele disse, quando ele viu que todo o mundo o estava encarando. ―Vê o que eu quero dizer?‖ Chanelle perguntou, com uma grande centelha nos olhos dela, que eu não pude segurar o riso— —até que Shawn estourou com, ―O que é isto? Enlouquecendo Oprah? Bastante romântica a vida desta garota. Eu preciso de pagamento, senhoras.‖ Ele ofereceu o Treo dele, para que assim eles pudessem ler o total nisto. ―E, não, eu não levo cheques pessoais.‖. Tory ficou carrancuda, mas pegou para a bolsa dela. Uma Prada, de mil dólares uma da linha de primavera que minha irmã Courtney tinha falado aos nossos pais que era a única coisa que ela queria no aniversário dela. Mamãe e Papai tinham rido como se isto fosse a coisa mais engraçada que eles alguma vez tinham ouvido. Tory, Gretchen e Lindsey juntaram uma pilha de dólares. Então, empurrando o


dinheiro para o namorado dela, Tory perguntou, ―Quando nós podemos esperar que seja entregue?‖. "Amanhã," Shawn disse, juntando o dinheiro e amontoando-o em uma pilha organizada antes de colocar em sua carteira. "No máximo segunda." "Amanhã," Tory disse, seus olhos fuzilando. "Tudo bem, tudo bem." Shawn balançou sua cabeça. "Amanhã." "Torrance?" a voz de Petra chamou do pátio. "Torrance, sua mãe está no telefone!" "Droga," Tory disse. "Eu volto já." Isso, eu sabia, era minha deixa para fazer uma saída graciosa. Bem, não seria graciosa, me conhecendo. Mas uma saída. "Devo ir, também," eu disse, me levantando. "Tenho muitas malas a desfazer. Foi muito bom conhecer todos vocês." Eu não tinha certeza se essa era a coisa certa a se dizer para um bocado de preciosos adolescentes de Nova York. Mas Chanelle disse, animada: "Prazer conhecer você, também! Nos vemos na escola!" Então eu achei que estava tudo bem. "E eu", Zach disse, também saindo, "escuto o chamado do meu dever de Cálculo. Vejo vocês depois!" ―Torrance!‖ Petra chamou de novo. Tory virou e deixou o gazebo. Zach a seguiu, e eu segui Zach. Enquanto a visão da parte de trás de Zach era ainda mais impressionante que a visão de sua parte da frente tinha sido, eu não pude aproveita-la. Tudo o que eu queria era subir até o meu bonito quarto rosa e fechar a porta e ficar lá por um tempo, sozinha, com a minha lareira ‗quebrada‘, e tentar entender o que tinha acabado de acontecer; sem mencionar, o que eu iria fazer. Porque isso não estava acontecendo exatamente do jeito que eu imaginava que


iria. Nem um pouco. Não que eu tenha pensado que Tory e eu iríamos passar nosso tempo juntas brincando num riacho e ‗trepando‘ em árvores. Eu só não tinha esperado exatamente... Bem, isso. No pátio, Petra entregou o telefone para Tory, e sorriu para mim e Zach. -Olá, - ela disse- vejo que vocês dois se conheceram. Não vai sair pela parede hoje, Zach? Zach levantou suas mãos, que estavam, eu percebi pela primeira vez, cobertas de arranhões, não diferentes daqueles que eu recebi da cerca de ferro enferrujado que eu agarrei para evitar de cair mais cedo naquele dia. -Não com essas rosas crescendo tão fora de controle ali atrás, -ele disse.aquelas coisas vão me matar um dia desses. -Você devia entrar pela porta como uma pessoa normal, de qualquer forma, Petra disse – você já está muito velho pra ficar escalando paredes. Para mim, ela disse: - Jean, se algum dia você quiser visitar um museu, ou ir à ópera, ou ao teatro, Zach é aquele que deve ser consultado. Ele sabe tudo que há pra se saber sobre a cidade. ―Hey, qual é agora‖ Zach disse, parecendo levemente embaraçado. Robert estava certo? Zach tinha uma queda por Petra? Mas se ele estava apaixonado por Petra, você não poderia dizer olhando ele interagir com ela. Ele parecia tratar ela com a mesma casualidade amigável que ele tinha... ...bem, me tratado. ―É verdade‖ Petra disse, rindo de Zach. ―Quando eu cheguei aqui, e eu não conhecia ninguém tirando Sr. e Sra. Gardiner e as crianças, Zachary me levou para todos os lugares. O Guggenheim, O Frick, O Met. Clubes de Jazz. Até para o zoológico.‖ Zach estava cada vez mais embaraçado. ―Eu gosto de focas‖, ele disse para mim, como se isso desculpasse a aparente estranheza de levar a au pair para o zoológico. Hm. Talvez ele tinha uma queda por Petra. ―E então...‖ Petra continuo, enquanto nós seguimos ela pelas portar Francesas, até o deque ―quando meu namorado, Willem, veio para me visitar, Zachary,


ele nos deu ingressos para o... como é mesmo que se chama?‖ ―Cirque du Soleil‖ Zach disse, agora parecendo completamente embaraçado. Ele deu os ombros bem naturalmente, apesar de disso. ―Meu pai sempre consegue ingressos para essas coisas, por causa do trabalho dele.‖ Eu sorri para ele. Eu não podia deixar de. Digo, apesar de ser muito gostoso, tinha alguma coisas sobre ele que era tão... bem, amigável. Eu gosto de focas. Eu iria totalmente ter entendido se o que Robert tinha dito era verdade, sobre Tory ter uma queda por Zach. Eu tinha uma eu mesma, e eu tinha acabado de conhecer ele. ―Jesus, mãe!‖ A voz de Tory, do pátio, era estridente. ―Você está brincando comigo? Eu tenho coisas para fazer, sabia?‖ Petra começou a fechar as portas Francesas, ―Jean‖ ela disse rapidamente, ―Eu tenho que ir pegar as crianças na escola. Você gostaria de ir comigo? As crianças iriam adorar se você fosse.‖ Mas Petra não foi rápida o bastante com as portas, não o bastante para que as gentis palavras de Tory não fossem ouvidas ―Porque eu tenho melhor coisas para fazer do que ficar de babá da minha prima jeca do interior.‖ As portas Francesas se fecharam, e Petra se encostou rápido contra elas, uma expressão de pânico na sua face. ―Oh, querida.‖ Ela disse ―Eu estou certa de que ela não quis... Eu tenho certeza... Algumas vezes Torrance diz coisas que ela não quer dizer...‖ Eu sorri. O que mais eu poderia fazer? E a verdade era que, meus sentimentos não estavam ao menos feridos. Ao menos, não esse tanto. Eu estava envergonhada, certamente. Especialmente porque eu vi Zach meio que recuar, e expressar a palvra Ouch quando ela disse o termo jeca do interior. Mas eu estava me contentando com o fato dessa Tory não era a doce, engraçada Tory que eu me lembrava de cinco anos atrás. Essa Tory, fria e sofisticada, era uma estranha. E eu realmente, eu não podia ter me importado menos com o que uma


estranha tinha dito de mim. Honestamente. Bem, ok, talvez não tão honestamente. ―Está tudo certo.‖ Eu disse casualmente, ao menos, eu esperava que isso soasse casual. ―Ela provavelmente tem coisas melhores para fazer do que ficar de babá. A coisa que chateia mesmo é as pessoas acharem que eu preciso de uma babá.‖ Eu adicionei, no caso deles não terem entendido a mensangem. ―Eu não preciso‖ Zach levantou suas sobrancelhas escuras, mas não disse nada. Eu tinha esperanças que ele não estava se lembrando da história do Long Island Ice Tea, mas ele provavelmente estava. Petra começou a arrumar desculpas para Tory (―Ela está nervosa por causa das provas‖, ―ela tem dormido pouco‖) todo o caminho para porta da frente. Eu me perguntei porque. Depois de tudo, essa nova Tory não parecia alguém que gostaria – muito menos precisado – de alguém arrumando desculpas para ela. Mas talvez havia coisas sobre ―Torrance‖ que eu não sabia e que precisavam ser levadas em consideração. Talvez, na maldade do seu lindo jardim e de sua banheira com detalhes dourados, nem tudo ia bem na família Gardiner. Ao menos onde Tory estava preocupada. ―Bem‖ Zach disse, quando a gente alcançou a calçada (Eu estava agradecida de que eu tinha conseguido com sucesso manobrar a escada sem cair dessa vez.) ―Foi bom conhecer você, Prima Jean de Iowa. Eu moro bem ao lado, então eu estou certo que nos veremos novamente.‖ Bem, agora eu tinha entendido o negócio sobre ele ter vindo por cima do muro – seu quintal era separado dos do Gardiners por aquele muro de pedra perto do Gazebo – e foi dessa maneira, também, que ele teve a chance de trocar o uniforme antes do outro, como Tory. ―Oh, sim, vocês se verão constantemente.‖ Petra disse, seu modo aparentemente lúcido agora que tínhamos saído da casa – e longe de Tory. ―Jean estará indo para a Chapman pelo resto do semestre.‖


―Fiquei sabendo‖ Zach disse, com uma piscada para mim. ―Vejo você lá, então. Até, Prima Jean de Iowa.‖ A piscadela causou outra parda cardíaca. Eu sabia que era melhor olhar para o outro lado. Por sorte, ele se virou para ir. Ele morava, eu vi, ele morava na casa a esquerda da dos Gardiners, também com quatro andares, pintada de azul escuro, com um ornamento branco. Se vaso de flores, mas uma porta da frente claramente pintada, essa vermelha como os gerânios dos Gardiners Vermelho sangue. Agora, porque eu havia pensado isso? ―Vamos, Jean‖ Petra disse, inclinando sua cabeça para direção oposta a que Zach tinha virado. ―A escola de Ted e Alice é para esse lado.‖ ―Só um segundo‖ Eu disse. Porque é claro que eu não podia ir, enquanto tudo estava indo bem. Oh, não. Não Jinx Honeychurch. Não, eu tinha que fica lá, plantada no mesmo lugar como a caipira que Tory havia dito que eu era, olhando Zach passar por um carro que havia acabado de estacionar em um desses postes de estacionamento que você paga. Alguém do lado do passageiro estava abrindo sua porta – - enquanto um homem em uma bicicleta de corrida, usando uma bagagem de correio, vinha descendo pela rua. Foi ai que um monte de coisas pareceu acontecer de uma vez só. Primeiro, o carteiro da bicicleta virou para desviar da porta do carro, e ia subir na calçada e bater em Zach... ... se eu não tivesse, no exato momento, me jogado no meio do caminho e empurrado Zach, que não tinha notado o carro, ou a bicicleta, ou o gerânios veremlho-sangue, fora do caminho.


E foi assim que eu terminei sendo atingida por uma bicicleta dos correios no meu primeiro dia em New York. Que, se você pensar sobre isso, era só minha sorte. Capítulo 5 ―Não dá nem para ver‖, Tia Evelyn disse. ―Bem, dá, mas com um pouco de maquiagem, ninguém vai notar, juro. E segunda, quando você começar a escola, com certeza terá ido embora.‖ Estudei meu reflexo em um espelho de mão. A pancada em minha sobrancelha direita tinha apenas algumas horas de vida, e já estava arroxeando. Por experiência, eu sabia que por volta de segunda-feira não estaria mais roxo, e sim um adorável tom de amarelo esverdeado. ―Claro‖, eu disse, para fazer Tia Evelyn se sentir melhor. ―Claro que vai.‖ ―Sério‖, disse Tia Evelyn. ―Quero dizer, se eu não soubesse que isso estava aí, eu não teria percebido de jeito nenhum. Você teria, Tory?‖ Tory, sentada em uma das cadeiras de braço rosa combinando sobre a lareira de mármore que não funcionava, disse: ―Eu não consigo ver.‖ Atirei-a um fraco sorriso. Então, não era minha imaginação, afinal de contas. Tory realmente tinha começado a ser mais legal comigo – incrivelmente mais legal – desde que minha cabeça bateu na calçada. Foi Tory, eu soube por trás da minha adquirida inconsciência, que ligou para a emergência, depois de ver a coisa toda se desenrolar por trás da janela da sala de estar. Foi Tory que entrou na ambulância comigo, enquanto eu estava desacordada, já que Petra ainda tinha que ir buscar os menores. Era Tory que estava segurando minha mão quando eu acordei, meio bêbada e dolorida, no Pronto Socorro. E foi Tory, acompanhada por seus pais, para quem eu fui liberada mais tarde, já que os testes hospitalares revelaram que eu não havia sofrido de fato uma concussão, e não teria que ficar paraobservação durante a noite (o mensageiro da bicicleta, aliás, escapou sem um arranhão – a bicicleta dele nem mesmo ficou tão estragada).


Eu não fazia idéia do que ocorreu para fazer minha prima ficar tão subitamente solícita com o meu bem-estar. Ela com certeza não parecia se preocupar comigo antes do acidente. Por qual motivo, apenas porque eu fui estúpida o suficiente para ficar inconsciente, Tory decidiu que se importava comigo, eu não conseguia imaginar. De qualquer jeito, eu apenas tinha provado o ponto da Tery: eu realmente sou uma jeca do interior. É claro, deve ter alguma coisa a ver com o fato de que Zach veio junto. Para o hospital, quero dizer. Comigo. Na ambulância. Eles não o deixaram entrar no pronto Socorro comigo, pelo fato de não ser da família. E quando ele soube que eu ficaria bem, ele foi para casa. Ainda assim. Se o que Robert disse no gazebo era verdade – sobre Tory ter uma queda por Zach – foram realmente algumas horas preciosas que eles passaram juntos. Mas Zach não estava por aqui agora, e Tory ainda estava sendo legal comigo. O que era isso? Eu abaixei o espelho e disse, ―Tia Evelyn, eu me sinto tão mal. Você e Tio Ted realmente não precisavam ficar em casa, da sua festa, por minha causa. Foi só uma pequena batida, mesmo.‖ ―Ah, por favor‖, disse Tia Evelyn, balançando sua mão em um gesto bem ao estilo Pooh. ―Não era uma festa, era um entediante velho beneficente para um entediante velho museu. Para dizer a verdade, estou encantada que você nos tenha arranjado uma desculpa tão boa para não comparecer.‖ Tia Evelyn é a irmã mais nova da minha mãe, mas é difícil ver alguma semelhança entre elas. O cabelo loiro é o mesmo, mas minha mãe usa o dela em uma longa trança que vai até o quadril, e o de Evelyn é encolhido em um estiloso e favorecedor chanel. Eu nunca vi minha mãe, que considera cosméticos frívolos – mais para o pesar da minha irmã – usar maquiagem. Mas Tia Evelun usava batom, mascara, sombra para os olhos – até mesmo um delicioso perfume floral. Ela parecia – e cheirava – bastante glamurosa e dificilmente velha o suficiente para ter uma filha de 16 anos.


O

que,

pensei,

provava

que

a

maquiagem

funcionava.

Tia Evelyn percebeu a caneca vazia ao lado da minha cama. ―Você quer mais chocolate, Jean?‖ ―Não, obrigada‖, eu disse, com uma risada. ―Se eu tomar mais chocolate, vou sair flutuando. Sério, Tia Evelyn, você e Tory não precisam sentar aqui comigo a noite toda. O médico disse que eu estou bem. Foi só uma batida e, acredite, já tive bastantes batidas antes. Eu vou ficar bem.‖ ―Eu só me sinto tão mal‖, Evelyn disse. ―Se eu apenas soubesse que você viria hoje, e não amanhã, como nós pensávamos–‖ ―Teria feito o quê?‖ eu perguntei. ―Feito com que todas as bicicletas dos Correios fechassem antecipadamente?‖ Não que isso fosse funcionar. Ainda teriam me achado. Sempre acham. ―É só que não é como eu imaginei sua primeira noite aqui‖, Evelyn disse, balançando a cabeça, ―como eu imaginei sua primeira noite aqui. Petra iria fazer filet mignon. Nós iríamos ter um ótimo jantar, a família toda junta, não pedidos na cozinha após chegar em casa da sala de emergência...‖ Olhei amigavelmente para a cabeça inclinada de minha tia. Pobre Tia Evelyn. Agora ela estava começando a saber como minha mãe deve se sentir o tempo todo. Em relação a mim. Eu

disse,

sentimental,

―Sinto

muito.‖

A cabeça de Evelyn levantou de novo. ―O quê?‖, ela disse. ―Sinto muito? Pelo que você sente muito? Não é sua culpa–― Exceto, é claro, que era. Eu soube o que eu estava fazendo. Eu soube que a bicicleta iria atingir a mim, não a Zach. Mas eu sabia que o resultado não foim perto do que iria ser, se fosse com o Zach, Porque eu estava esperando, e ele não. Por

que

mais

os

gerânios

pareciam

tão

vermelhos?

Mas é claro que eu não disse isso em voz alta. Porque eu aprendi há muito tempo que dizer coisas assim em voz alta só levariam a perguntas que eu


preferiria

não

responder.

―Knock-knock.‖ A voz do Tio Ted veio através da porta fechada do quarto. ―Podemos entrar?‖ Tory levantou e abriu a porta. No corridor estava meu tio Ted, Alice, de cinco anos, em seus braços, e Teddy Jr, de dez anos, escondido timidamente atrás de uma das pernas de Ted. ―Tenho algumas pessoas aqui‖, Tio Ted disse, ―que querem dizer boa noite à sua prima Jean antes de irem para a cama. ―Bem,‖ Evelyn disse, parecendo preocupada, ―Acho que só por um minuto. Mas–― Alice, no minuto em que seu pai a colocou no chão, deu um salto e voou até minha cama, agitando um pedaço de papel branco. ―Prima Jinx, Prima Jinx‖, ela balbuviou. ―Olha o que eu fiz para você!‖ ―Gentilmente, Alice‖, Tia Evelyn falou. ―Gentilmente!‖ Eu disse, ―Tudo bem‖, e coloquei Alice, que estava vestindo um vestido de noite florido, na minha cama comigo, como eu costumava fazer com Courtney antes, quando ela deixava, e ainda faço algumas vezes, com Sarabeth. ―Deixeme ver o que você fez para mim.‖ Alice mostrou sua pintura orgulhosa. ―Olhe‖, ela disse. ―É uma quadro do dia que você nasceu. Ali está o hospital, e aqui é você, saindo da Tia Charlotte.‖ ―Uau‖, eu disse, imaginando o que ensinam no jardim-de-infância em Nova York. ―Isso com certeza é... Gráfico.‖ ―A porquinha guinea da classe deles acabou de ter filhotes‖, Tio Ted explicou apologicamente. ―E vê ali?‖ Alice apontou para um grande globo de tinta preta. ―Essa é a nuvem de onde a luz veio, a luz que apagou todas as luzes do hospital quando você nasceu.‖ Alice postou-se contra o meu braço, parecendo satisfeita consigo mesma.


Eu disse, em um sorriso que eu esperava que fosse convincentemente encorajador: ―É uma ótima pintura, Alice. Vou pendurá-la bem ali, em cima da lareira.‖ ―A lareira não funciona‖, Teddy informou-me, alto, do fim da cama. ―Jean sabe disso, Tio Ted disse. ―Já está ficando muito quente para fogo mesmo, Teddy.‖ ―Eu disse a eles que este era o melhor quarto para colocar você‖, Teddy me disse. ―Por causa da lareira já não prestar. Porque em qualquer lugar em que você esteja, as coisas quebram. ―Theodore Gardiner Junior!‖ Evelyn gritou. ―Peça desculpas à sua prima nesse minuto!‖ ―Por quê?‖ Teddy perguntou. ―Você mesma disse, mãe. Por isso que todos a chamam de Jinx ‖ ―Eu sei de m certo rapaz,‖ Tio Ted disse, ―que irá para a cama sem comer sobremesa.‖ ―Por quê?‖ Teddy pareceu perplexo. ―Você sabe que é verdade. Veja o que aconteceu hoje. A cabeça dela quebrou.‖ ―Certo,‖ Tio Ted disse, segurando a cintura e tirando-o do quarto. ―Chega de visitas para a prima Jean. Venha, Alice. Vamos ver Petra. Acho que ela tem histórias de dormer para contra a vocês dois.‖ Alice pressionou seu rosto contra o meu. ―Eu não ligo se as coisas quebram quando você está por perto.‖, ela sussurrou. ―Eu gosto de você, e estou feliz que esteja aqui‖. Ela me beijou, cheirando a uma limpa criança de cinco anos. ―Boa noite.‖ ―Ah, querida,‖ Evelyn disse, quandp a porta se fechou de novo. ―Eu não sei o que dizer.‖ ―Tudo bem‖, eu disse, olhando para a figura de Alice. ―É tudo verdade.‖ ―Ah, não seja ridícula, Jinx‖, minha tia disse. ―Er, Jean. As coisas não se quebram quando você está por perto. Aquilo na noite em que você nasceu foi


um comosechama. Um tornado, ou supercélula, ou alguma coisa. E hoje foi só um acidente.‖ ―Tudo bem, Tia Evelyn‖, eu disse. ―Eu não me importo. Mesmo‖. ―Bem, eu me importo.‖ Evelyn pegou a caneca vazia e levantou. ―Vou dizer às crianças para não chamá-la mais de Jinx. É um apelido ridículo, de qualquer maneira. Além do mais, você está praticamente crescida. Agora, se você tem certeza de que não precisa de nada, Tory e eu vamos sair e deixar você dormir. E você não vai sair da cama até pelo menos as dez horas da manhã, está entendido? O médico disse bastante descanso. Vamos, Tory.‖ Mas Tory não se moveu da cadeira. ―Vou em um minuto, mãe.‖ Evelyn não pareceu escutá-la. ―Acho melhor eu ligar para sua mãe‖, ela disse, enquanto saía do quarto. ―Só Deus sabe como eu irei explicar tudo isso a ela. Ela vai me matar.‖ Quando teve certeza que sua mãe não poderia mais ouvir, Tory calmamente fechou a porta do quarto, se apoiou nela, e olhou para mim com aqueles grandes, maquiados olhos azuis dela. ―Então‖,

ela

disse.

―Há

quanto

tempo

você

sabe?‖

Abaixei a pintura que Alice tinha feito para mim. Eram pouco mais de nove horas, e eu estava realmente cansada... mesmo que eu ainda estivesse no horário de Iowa, então na verdade eram menos de nove horas. Fisicamente, eu estava bem, como eu assegurei Tia Evelyn. A abtida na minha cabeça dificilmente doía – exceto quando era tocada. Mas a verdade era que eu estava exausta. Tudo que eu queria fazer era entrar naquele lindo banheiro de mármore e me lavar, então voltar à minha grande e confortável cama e dormir. Era isso. Só dormir. Mas agora parece que eu teria que esperar. Porque Tory parecia querer ter uma conversa. ―Há quanto tempo eu sei o quê?‖ eu perguntei, esperando que meu cansaço não aparecesse na minha voz.


―Bem, que você é uma feiticeira, é claro‖, ela disse. Capítulo 6 Eu pisquei para ela. Tory parecia perfeitamente séria, contra a porta. Ela ainda estava usando o vestido preto, e sua maquiagem ainda estava perfeitamente combinada. Quatro horas sentada em uma cadeira de plástico em uma sala de espera da emergência em um hospital não tinham feito nada para acabar com a sua perfeita beleza. ―Uma o quê?‖ Minha voz falho na palavra quê. ―Uma feiticeira, é claro.‖ Tory sorriu tolerante. ―Eu sei que você é uma, não tem como negar isso. Uma feiticeira sempre reconhece a outra.‖ Eu comecei a acreditar, não muito do que Tory tinha dito, mas da forma curiosa que ela estava segurando o seu corpo - como nosso gato Stanley sempre faz no volta para casa, quando ele está ficando pronto para atacar – que Tory estava falando sério. Minha sorte. Seria melhor se ela estivesse só brincando. Eu disse, escolhendo minha palavras com cuidado ―Tory, desculpe-me, eu estou cansada, e eu realmente quero ir dormir. Talvez a gente pudesse conversar sobre isso uma outra hora...?‖ Isso foi a coisa errada a se dizer. De repente, Tory estava brava. ―Oh,‖ ela disse, se endireitando. ―Oh, isso é como isso é, não é? Você acha que você é melhor que eu, porque você vem praticando a mais tempo, ou algo assim? É isso? Bem, deixe-me contar-lhe uma coisa, Jinx. Eu sou a feiticeira mais poderosa no meu clã. Gretchen e Lindsey? Yeah, elas não são nada perto de mim. Elas continuam fazendo pequenos e idiotas feitiços de amor – isso não funciona, por sinal. Tem gente na escola que tem medo de mim. Eu sou tão poderosa. O que você tem a dizer, Srta. Onipotente?‖ Meu queixo caiu. A coisa era, eu devia saber. Eu não sei porque, quando mamãe disse para tia Evelyn o que estava acontecendo, e tia Evelyn sugeriu que viesse para New York por um tempo, eu pensei que eu estaria a salvo aqui.


Eu deveria saber. Eu realmente deveria. ―É isso pelo o que aconteceu essa tarde?‖ Tory exigiu. ―O negócio com a maconha? Você está realmente brava comigo porque descobriu que eu uso drogas?‖ Eu dsise, ainda sentindo desnorteada – traída, mesmo não sabendo por quê. Não era como se tia Evelyn pudesse ter alguma idéia do que sua filha fosse capaz, ou se ela tinha posto empecilho nisso – ―Não, Tory. Honestamente. Eu não ligo para o que você faz. Bem, digo, eu me importo. E eu acho estupidez você ficar mexendo com medicações que não foram prescritas para você-― "O Ritalin é só para me ajudar a passar nas provas mensais," Tory interrompeu. "E o Valium é só... bem, às vezes eu tenho problemas para dormir. Só isso.‖ Tory tinha atravessado o quarto e tinha desabado na minha cama. ―Eu não estou como, viciada nelas, ou algo. Eu não tomo ecstasy, ou cheiro cocaína, ou qualquer outra coisa. O que, seu clã é contra o uso de drogas ou algo? Deus, isso é tão careta.‖ ―Tory‖ eu disse, eu não podia acreditar que isso estava acontecendo. ―Eu não pertenco a um clã, ok? Tudo que eu quero é ser deixada em paz. Sem ofensas, mas eu estou realmente cansada. Agora foi a vez de Tory piscar os olhos, e ela fez isso tão curiosamente, olhando para mim como se uma das torneiras em formato de cisne no banheiro tivesse de repente começado a falar. Finalmente, ela disse ―Você realmente não sabe, sabe?‖ Eu balancei minha cabeça ―Sabe o quê?‖ ―Que você é uma de nós,‖ Tory disse ―Você devia ter suspeita. Apesar de tudo, eles te chama de Jinx.‖ ―Yeah, ele me chama de Jinx.‖ Eu disse com armagura que eu não tinha intenção de disfarçar. ―Porque, como seu pequeno irmão disse, tudo que eu toco quebra.‖ Mas Tory estava mechendo sua cabeça, ―Não, não. Isso não quebra. Não hoje, isso não quebrou. Jinx, eu vi você. Eu estava no telefone com mamãe, entrei


em casa e vi a coisa toda da sala-de-estar.‖ Os olhos de Tory estavam tão perspicazes, eles pareciam brilhar no escuro. ―Era como se você soubesse o que iria acontecer antes mesmo de alguém fazer alguma coisa a respeito. Você jogou Zach para fora do caminho ANTES da bicicleta chegar à calçada. Você não poderia saber que o carteiro iria mudar de direção. Mas você sabia. Alguma parte de você sabia.-― ―Mas é claro que parte de mim sabia.‖ Eu disse frustrada. ―Eu tenho bastante experiência. Quando eu estou por perto, qualquer que seja a pior coisa que possa acontecer, irá acontecer. É a história da minha vida. Eu não posso não estragar alguma coisa, se tem alguma coisa lá para ser estragada." ―Você não estragou nada, Jinx,‖ Tory disse. ―Você salvou a vida de alguém. A vida de Zach.‖ Eu balancei novamente a minha cabeça. Isto era inacreditável. Era disto que eu estava fungindo quando vim para cá. E agora estava começando tudo de novo. Minha prima Tory — a última pessoa no mundo que eu teria suspeitado de tal coisa — estava tentando recomeçar isso. ―Olha, Tor,‖ eu disse. ―Você está fazendo uma grande negócio de nada. Eu não fiz—‖ ―Sim, Jinx. Sim, você fez. Zach pode dizer. Se você não tivesse feito o que você fez, Zach teria virado uma panqueca contra o asfalto.‖ De repente, meu estômago estava me doendo mais do que minha cabeça. Eu disse, ―Talvez—‖ ―Jinx, você só vai ter que encarar isso. Você tem o dom.‖ Minha respiração gelou em minha garganta. ―O… o que?‖ ―O dom,‖ Tory repetiu. ―A Vovó nunca lhe falou sobre Branwen?‖ Eu deixei escapar uma risada nervosa. Que mais eu poderia fazer? ―Você quer dizer aquela história louca sobre a trisavó dela, ou alguém?‖ eu tentei soar tão brincalhona possível. ―Qual é, Tory. Não me fale que você acredita naquelas besteiras. São só loucas histórias da vovó que ela contava


para parecer sombria ao grupo com quem ela jogava cartas em Boca….‖ ―Não é besteira,‖ Tory disse, parecendo brava. ―E não é uma história louca. Nossa ta-ta-ta-ta-ra avó Branwen era uma feiticeira, em Gales. E Branwen falou para a filha dela, que falou para a filha dela, que falou para a filha del,a que falou para a nossa Vovó que a primeira filha da filha dela — são só as filhas mais velhas, não as mais jovens — teriam o dom. O dom da magia. Às vezes salta algumas gerações, eu acho. Como você têm os cabelos vermelhos da Vovó, mas nenhuma de nossas mães tem isto.‖ Minha mão tocou o meu cabelo defensivamente, do modo que sempre faz quando alguém menciona isso. ―A Tory,‖ eu disse. ―Eu realmente não faço —‖ ―Você não vê? Nossa ta-ta-ta-ta-ra avó Branwen estava falando sobre nós. Nós somos as primeiras filhas de nossas mães. Ou o que seja, nós somos a próxima geração de feiticeiras na família.‖ Ai, caramba. Eu respirei profundamente. O nó no meu estômago virou uma bola de boliche e estava rolando. ―Sem ofensas, Tory,‖ eu disse. ―Mas eu acho que você viu muitos episódios de Charmed. Mesmo sem isso, eu acho que você ainda está um pouco alta por causa de hoje a tarde no Gazebo.‖ Tory suspirou. ―Eu acho que terei que provar isso a você, não vou?‖ Eu olhei pra ela nervosamente. ―Como você vai fazer isso?‖ ―Não se preocupe,‖ ela disse com uma risada. ―Eu não vou fazer o colchão levitar ou qualquer coisa assim.‖ Ela saiu da cama e foi para a porta. ―Não funciona assim. Fique aqui.‖ Ela saiu e foi para o corredor. Legal. Agora minha prima Tory pensa que ela é uma feiticeira. Isto só é tão… típico — de minha sorte, de qualquer maneira. Não sabendo mais o que fazer, eu apanhei o espelho de mão e olhei para minha pancada um pouco mais. Não havia nenhuma dúvida sobre isto. Era uma contusão, não um inchaço. Era feio e de jeito nenhum eu iria com isso


para o meu primeiro dia em minha nova escola. Minha nova e EXCLUSIVA escola particular em Manhattan. Aquela que toda vez que eu pensava nela me deixava nauseada. Oh, bem. Não é como se eu fosse alguma rainha da beleza para começar. Do que foi que o amigo de Tory, Shawm, me chamou mesmo? Oh, sim. Vermelinha (Red). Era isso que me esperava na segunda-feira? Pessoas me esculachando porque eu tenho cabelo vermelho e eu venho de um estado tradicionalmente rural? Eu sou destinada a ser a Prima Jean de Iowa para o resto de minha vida? Bem, é melhor do que ser chamada de Jinx. Eu acho. Tory voltou para o quarto, levando uma caixa de sapato de papelão. Ela fechou a porta atrás dela, e então trouxe a caixa de sapato à cama. Havia algo no modo delicado que Tory estava segurando a caixa que fez a bola de boliche em meu estômago parecer se tornar algoainda maior. Uma de basquete, talvez ―Se você abrir a tampa desta caixa,‖ eu disse, ―e algo vier, pulando em mim, eu juro que vou te matar.‖ ―Nada vai pular em você,‖ Tory disse. ―Não seja uma idiota.‖ Ela se sentou e educadamente e removeu a tampa da caixa. Eu me apoiei adiante, enquanto olhava rapidamente para tentar ver o que estava em baixo do lenço de papel branco, apesar do fato de que eu estava bem segura de que eu não queria saber. E então Tory alcançou a caixa e puxou.......um boneco. Meu estomago revirou. Eu só pude sair da cama e correr para o banheiro antes que todo o pedaço de galinha de Kung Pao e as costelas de sobressalente que eu tinha comido uma hora mais cedo voltassem para cima. Quanto tempo eu fiquei lá ajoelhada, eu não sei. Mas quando eu saí do banheiro — sentindo, eu tenho que admitir, um pouco melhor, a bola de basquete em meu estomago tinha se transformado em uma bolota — Tory ainda estava sentada ao lado da minha cama, com o boneco em seu colo. Eu tentei manter meu olhar longe daquele boneco.


―Você está bem?‖ Tory perguntou, enquanto olhava genuinamente preocupada. Eu só acenei com a cabeça e rastejei para debaixo das cobertas. As cobertas – elas eram muito mais confortáveis que as lá de casa – estavam frias e suaves contra a minha pele. ―Isso foi rude‖ Tory comentou. ―Eu sei,‖ Eu disse, minha cabeça afundando no travesseiro macio. ―Desculpeme‖ ―Você quer que eu chame minha mãe?‖ Tory quis saber. ―Não,‖ eu disse, fechando os meus olhos ―eu vou ficar bem.‖ ―Bom‖ Tory disse ―De qualquer jeito. Sobre o que eu estava dizendo...‖ ―Tory,‖ Eu disse. ―Torrance‖ Ela me corrigiu. ―Torrance,‖ Eu disse, meus olhos ainda fechados. ―A gente pode fazer isso mais tarde?‖ ―Eu vou ser bem rápida‖ Tory disse. ―Continuando, você vê esse boneco?‖ Eu balancei a cabeça confiramando, meu olhos continuavam fechados. Não ia fazer diferença, porque eu consegui dar uma boa olhada nele antes da minha pequena viagem ao banheiro. Este era o boneco feito em casa mais bruto que eu já tinha visto. Era todo remendado por algum tecido recém-colorido. Estava usando uma camiseta branca e calças cinzas, e uma gravata listra de vermelho e azul. A coisa mais estranha no boneco é que em cima da sua cabeça tinha um material que parecia muito com cabelo humano, um pouco castanhoescuro, e um pouco de cabelo preto muito parecido com... Bem, com o de Tory. A voz de Tory estava cheia de orgulho quando ela perguntou, ―Reconhece


ele?‖ Eu não tinha nenhuma outra escolha a não ser abrir meus olhos. ―Eu não sei...‖ Eu disse. Então eu entendi. O boneco estava usando um uniforme da Chapman, ―É para ser Shawn?‖ Eu perguntei, com a voz baixa. ―Não bobinha,‖ Tory disse, com uma risada. Ela claramente não tinha notado que alguma coisa ia errado. Comigo, quero dizer. ―É Zach. Está vendo o cabelo castanho? Eu levei ele para dar um corte no cabelo mês passado. Ele pensou que eu era louca! Então eu peguei um pouco do cabelo dele e misturei com o meu, e fiz esse boneco. Enquanto eu manter nosso cabelo junto, ele não pode se apaixonar por mais ninguém. É um feitiço, vê? Eu amo feitiços. Eu peguei esse na internet. Legal, né?‖ Por um segundo eu achei que eu fosse vomitar novamente. Felizmente, a onda de náuseas havia passado. ―Eu pensei que você estivesse saindo com Shawn.‖ Eu disse fracamente. ―Eu estou,‖ Tory disse ―mas eu sempre tive uma coisa por Zach – Deus, ele é tão gostoso, você não acha? É claro que ele é meu vizinho desde, bem, sempre. Então por um bom tempo ele mal parecia saber que eu estava viva. Como uma garota, de qualquer jeito. Eu sempre fui a Tory gordinha da casa ao lado. Mas as coisas vem mudando desde que eu descobri mágica... e desde que eu fiz esse boneco. Eu acho que ele está finalmente começando a perceber.‖ ―Ele não parece.‖ Eu disse, pensando no comentário do Zach. - ―Eu não gosto de bancar o zumbi antes do escuro.‖ – ―Parece com o seu tipo, exatamente.‖ Ao menos, não o tipo que essa nova Tory – na opinião dela, de qualquer jeito – melhorada iria gostar. ―Yeah‖ ela admitiu. ―Ele é muito mais bonito na escola do que ele é em um festa. Mas, você sabe. É só porque ele precisa de mim para ajudar ele a curtir mais a vida. Tudo vai mudar quando eu fizer dele meu.‖ Quando

eu

fizer

dele

meu.

Eu fechei meus olhos, e disse ―Eu não acho que ficar mexendo com bruxaria é uma boa idéia, Tory.‖


―Porque não?‖ Tory perguntou, genuinamente surpresa. ―Está no nosso destino genético. E está funcionando, sabia? Ele não tem saído com mais ninguém depois que eu fiz o boneco. E ele vem depois da escola praticamente todos os dias.‖ Eu pensei no que Robert e os outros tinham dito. Eu pensei que o fato de Zach vir aos Gardiners todos os dias eram mais adoráveis do que Tory ter feito esse boneco, e sim o fato de que Petra estava aqui. Eu não disse isso em foz alta, de qualquer forma. Eu só disse ―Isso me parece muito... Eu não sei... grosseiro.‖ ―Bem,‖ Tory zombou. ―Você saberia.‖ Eu abri meus olhos para atirar para ela um olhar sujo, mas não disse nada. O que eu poderia dizer? Ela tinha razão. De mais modos do que ela sabia. ―De qualquer maneira,‖ Tory disse, encolhendo os ombros. ―Assista isto.‖ Então Tory removeu uma agulha que estava dentro da caixa de sapato, e enfiou pela cabeça do boneco de Zach. ―Ei!‖ eu chorei, enquanto sentava verticalmente em minha cama, meu coração martelando. ―O que você está fazendo?‖ ―Relaxe,‖ Tory disse. ―Eu estou perfurando os pensamentos dele. Vê? Agora ele não pode ajudar mas pode pensar em mim" Eu vou admitir, eu meio que esperava algum tipo de grito vindo do quarto de Zach da casa ao lado. Felizmente, eu ouvi somente o barulhinho da fonte, e a sirene da policia vinda de algum canto da cidade. ―Aiii‖ Eu disse, enquanto Tory enfiava a agulha em várias partes diferentes da cabeça de algodão remendada de Zach. ―Eu não estou muito certa de que é em você que ele está pensando. Eu acho que ele está pensando em tomar uma Aspirina.‖ ―Zach não saiu com mais ninguém desde que eu fiz esse boneco.‖


―Você já disse isso‖ Eu apontei a ela. Então, relutante, visto que eu não sabia como Tory iria reagir, eu perguntei, ―Mas ele chamou você para sair?‖. ―Bem‖ Tory disse, colocando o boneco novamente dentro da caixa de sapato. ―Não exatamente. Mas eu te disse, ele vem aqui todos –― ―- os dias depois da escola. Yeah, você disse isso também.‖ Eu balancei minha cabeça ―Olha, desculpe-me, Tor. Mas essa... essa coisa de feiticeira? Não é uma boa idéia. Acredite em mim nisso. Ok?‖ ―Não é uma coisa de feiticeira,‖ Tory disse. ―E não é uma idéia. É um fato. Eu sou uma feiticeira. Você também é. Provavelmente, sendo primeira filha.‖ A bolota no meu estomago se transformou em uma laranja. ―Tory,‖ eu disse ―Quero dizer, Torrance. Eu estou falando sério. A gente não pode falar sobre isso algum outro horário? Porque eu realmente não estou me sentindo bem.‖ Tory colocou a tampa e fechou a caixa. ―Se você está sentindo algo, só pode ser alivio. De que ao menos, você não está sozinha.‖ ―Deus,‖ Eu disse. ―Obrigado... isso foi reconfortante.‖ ―Eu percebi que é um muita coisa para se digerir de uma vez só.‖ Tory continuou ―E eu vou admitir, foi um choque para mim, também. O fato é que, desde que Primeira Vovó me contou essa história, a última vez que todos nós fomos para Florida para ver ela, eu pensei que eu fosse aquela. A Branwen que ela estava falando, a neta que iria receber o dom que ela estava falando. Mas não tem como negar isso, depois do que eu vi hoje, você, Jinx, tem o dom também. E você tem que admitir, isso é muito provável, depois de ter passado por tantas gerações, a visão de Branwen pode ter ficado um pouco distorcida. Ela deve ter dito filhas das filhas da vovó. E não filhas da vovó. Proquê vovó tem duas filhas, e cada uma delas tem uma filha. Então deve ser nós duas. Nós duas somos feiticeiras. Deve ter lugar para duas feiticeiras em uma geração, certo?‖ Sem esperar pela minha reposta, Tory continuo. ―Então tudo que você tem que fazer agora é aprender a usá-lo. O dom que Branwen deixou para gente, quero


dizer. Eu posso totalmente te ajudar com isso. Você só tem que vir para uma das reuniões do clã. Com nossos poderes – o seu e o meu combinado – não tem nem como dizer do que seremos capazes. Comandar a escola, para alguma coisa. Mas porque para por aí? Deus, Jinx. A gente pode comandar o mundo. Eu disse rapidamente ―Não.‖. Tory parecia supresa ―Por que não?‖ ―Porque‖ eu respirei fundo. Ela ia ficar com raiva. Eu sabia isso. Mas a raiva de Tory era melhor do que ela descobrindo a verdade. ―Eu não acho que ficar mexendo por ai com mágica é uma boa coisa, você sabe? Digo, eu não sei muito sobre isso mas vamos só dizer que é verdade – nossa ta-tara-seiláoqueavó era uma feiticeira, e passou seus poderes para nós. É realmente legal usalos para enganar rapazes? Quero dizer, pelo que eu sei sobre feitiçaria, não tem algum tipo de regulamentos que os praticantes tem que usar seus poderes para o bem e não para o mau?‖ ―Como deixar o cara que você tem uma queda louco por você ser mau, exatamente?‖ Tory rolou os olhos ―Por favor, não comece com essa baboseira de respeitar a natureza e idolatrar árvores –― Foi tudo que eu pude fazer para não dar um tapa na cara dela. ―Não é uma baboseira.‖ Eu disse, mantendo as minhas mãos por perto com esforço. ―Pelo que eu entendo, feitiçaria é sobre usar a natureza – é energia. Se você não respeitar sua fonte de poder, isso vai virar contra você. E se você está usando esse poder para algo ruim – como esse seu boneco, na qual o propósito básico é tirar a liberdade de Zach gostar de quem ele quiser gostar – então as coisas ruins vão todas voltar.‖ Tory não parecia mais surpresa. Agora ela parecia zangada. Seus lábios bonitos tinham todos desaparecido, ela estava mantendo eles juntos tão forte. ―Ótimo‖ Ela disse. ―Ótimo. Eu pensei que você fosse ser um pouco mais mente aberta para essas coisas. Até porque, é a sua herança. Mas se você quer ser um jeca para toda a sua vida, é escolha sua. Só lembre-se, Jinx. Nós estamos aqui quando você mudar de idéia.‖ Ela ficou de pé, segurando a caixa com o boneco de Zach, e foi saindo.


―De fato,‖ Ela adicionou, quando chegou perto da porta. ―Nós estamos em toda parte.‖ Como se eu já não soubesse isso. Capítulo 7 ―Saí da frente‖ Eu mudei de direção para a direita da trilha, só para ouvir alguém atrás de mim gritar. ―Hey, se mova!‖ Eu me apressei para sair do caminho, e os corredores passaram por mim. Eles estavam todos me ultrapassando. Eu sei que eu não sou a pessoa mais atlética do mundo, ou algo assim, mas isso era ridículo. A coisa toda era ridícula, na verdade. Minha antiga escola em Iowa só requeria um ano de Educação Física durante o Ensino Médio, e eu já havia feito o meu no 1º Ano. Na Escola Chapman, era diferente, apenas o 3º Ano é dispensado das aulas de Educação Física. O que é ótimo – os índices de obesidade são grandes nos EUA, é importante estar em forma, e tudo. Mas é assim que eu me encontro agora, no meu primeiro dia em minha nova escola, correndo pela trilha suja em volta do Centra Park – porque a escola Chapman não tem um ginásio, então eles fazem sua Educação Física no mundialmente famoso Centra Park – em uma camiseta branca e um short, que na minha opinião, era embaraçosamente curto. Como se eu não fosse ruim o suficiente que eu fosse a corredora mais lerda do mundo. Eu tinha que parecer estúpida fazendo isso, também. Tão típico da minha sorte. ―Saia daí‖, alguém arquejou atrás de mim. Então eu fiz. Dessa vez era foi uma garota loira com assas no pé que passou por mim. Eu observei seu rabo de rabo-de-cavalo enquanto ela fazia a curva e desaparecia na trilha, e imaginei o que era diferente em mim que me fez uma excluída social na Chapman.


De primeira eu pensei que não fosse minhas roupas que estavam fazendo de mim uma pária, desde que todo mundo na Chapman tinha que usar uniforme. Então eu percebi que podia ser minhas jóias – ou a falta de. A Maioria das meninas na minha sala – inclusive a garota loira que havia me passado – tinha diamantes nas suas orelhas, alguns do tamanho das minhas unhas. Eu dificilmente duvidava que eles fossem Zircônios. E seus relógios... eu fiquei espantada em descobrir que o de Tory era um Gucci. Chanelle possuía um Rolex. Ninguém na Chapman parecia ter ouvido falar de Swatch ou Timex. E aparentemente mocassins da Nine West não eram considerados sapatos apropriados para um estudante do segundo ano da Chapman. Mesmo que eu pudesse perceber que a única diferença entre os meus sapatos e os Ferragamos de Tory eram meros 400 dólares, tinha algo errado com o meu, mesmo que os de Tory fossem aceitos. Exceto de que meus sapatos eram da loja errada e que eu não possuía nenhuma jóia cara, somado ao enorme roxo na minha testa – sempre um acessório atrativo – e minha completa inabilidade de entrar e sair de um sala sem tropeçar e esbarrar em alguém ou algo eram aparentemente responsáveis pelo meu status de looser. Mesmo desta distancia de casa, isso se mostrou, eu não podia escapar do meu apelido, desde que Tory me chamou assim de forma grosseira quando eu derrubei uma lata de refrigerante – que imediatamente explodiu – no refeitório durante o almoço no meu primeiro dia, e deste então, todo mundo vem seguindo o exemplo, me chamando de Jinx. Jinx. Eu sempre vou ser Jinx. Você não é uma nota de cem dólares Vovó dizia quando nós, crianças, íamos visita ela em seu retiro no Estado Ensolarado. Nem todo mundo vai gostar de você. Como se esse não fosse o evento esperado do ano. Como se não fosse ruim o bastante se filha de uma pastora. Quero dizer, as pessoas esperam que você seja uma mimada, ou um puta total, como a personagem Lori Singer no filme


Footloose. E isso era apenas o que as pessoas podiam apenas... dizer. Sobre a coisa da filha de pastora. Talvez fosse só o meu jeito do interior. Talvez fosse o violino – eu entrei na Orquestra escolar, a única aula que eu pareço remotamente me encaixar... mesmo que ondas ruins tenham sido mandadas quando eu me sentei na segunda carteira perto da janela. Como se fosse minha culpa que eu fosse uma esquisita que gosta de praticar. Ou talvez fosse a minha estranheza com Kanye West ou The Hills e outros musicas e shows que não eram permitidos assistir em minha casa por causa dos meus irmão mais novos. O que quer que seja – ou algo acima do que ainda não havia considerado – era como se alguém tivesse carimbado FORA DO PADRÃO na minha testa e a maioria dos alunos da Chapman tivessem conseqüentemente concordado. Mas ao menos, aqui fora na área aberta do Central Park, não tinha um monte de pessoas para me ver bater em uma árvore enquanto eu corria, ou o que fosse. É claro, que era só minha sorte que eu tivesse começado o meu primeiro dia no primeiro Teste Físico. Eu tinha realmente achado que o Instrutor estava brincando quando ele apontou para o reservatório – que era mais como um lago, em minha opinião – e nos informou que nós estaríamos correndo em volta disso duas vezes. Ele estava brincando? Aparentemente não, desde que o resto da classe – com tanta gente, todas vestidas iguais, e eu tão tímida, incapaz de encontrar algum olhar, eu não tive nenhuma chance com nenhum deles desejar sorte na corrida ou conversar – sai dessa, corra pela trilha suja. Eu tinha que alcança-los. Ainda, isso não era completamente desagradável. Era engraçado estar em tamanha vastidão – com varias árvores por perto – e ainda ver os topos dos arranha-céus acima dos galhos. E tinha outras pessoas na trilha fora as da minha sala. Havia turistas, curtindo um passeio pelo parque e tirando fotos com suas câmaras, e grupos de crianças do maternal, visitando com seus professores no caminho para o Museu de


História, e até cavaleiros, em suas calças de montaria e capacetes pretos, trotando por perto dos corredores. Era até legal, na verdade. Bem, exceto pela parte de correr. E então uma voz de menino disse atrás de mim ―Hey.‖. Pensando que era qualquer pessoa querendo que eu saísse do caminho – mesmo que eu estivesse o mais longe possível da trilha que eu podia ir – eu olhei para trás, perturbada. E tropecei em uma raiz. ―Whoa, você esta bem‖ O corredor diminui e parou perto ―Você esta bem, prima Jean de Iowa?‖. Eu não tinha caído, ao menos. Eu tropecei, mas eu não cai de cara, ou me machuquei, pela primeira vez. Eu me arrumei e disse, esperando que ele não percebesse o quão rápido meu coração estava batendo (e não era só por causa da corrida) enquanto ao mesmo tempo tentava não sorrir tão abertamente ―Oi, Zach.‖ Ele deu uma risada. Como eu, ele estava vestindo uma camiseta branca. Mas diferente de mim, suas bermudas azul royal não pareciam nem um pouco pequenas nele. Elas pareciam só bem. Mais do que bem. Elas pareciam perfeitas. ―Eu não sabia que você estava nessa aula,‖ Eu disse. Então eu juntei minhas sobrancelhas. ―Porque você está nessa sala? Eu pensei que você fosse um junior.‖ Zach deu os ombros. ―A Chapman obriga você a fazer três anos de Ed.F. Então aqui estou.‖ ―Oh‖ eu disse inteligentemente. Alguns corredores passaram reclamando pela curva. Zach me agarrou pelo


braço e me puxou para fora da trilha, para alguma moita. ―Jeez‖ ele disse, olhando para os corredores, claramente perturbado ―O que eles acham que isso aqui é, as Olimpíadas?‖ Eu disse ―Bem...‖ eu não consegui pensar em mais nada para dizer. ―Eu acho melhor nos juntarmos a eles, eu acho, ou o presidente vai ficar desapontado com nosso desempenho em educação física.‖ Zach olhou no seu relógio. Eu não podia dizer se era um Rolex, como o de todo mundo na Chapman. Mas parecia bastante impressionante. ―Diga você.‖ Ele disse ―eu não acho que na verdade o presidente ligue para o meu desempenho em ed. Física. Vamos sair daqui.‖ Eu olhei de volta para a trilha ―Mas se a gente não terminar a corrida...‖ ―Oh, nós vamos.‖ Zach disse, ainda rindo. ―Nós iremos bufando e respirando pesado junto com o melhor deles. Só porque eu conheço um atalho...‖. Eu olhei para a trilha suja, e então de volta para Zach. Eu nunca tinha matado em toda a minha vida. Quero dizer, eu sou uma filha de pastora. Mas me veio algo em mente [Não é exatamente isso, mais eu não achei coisa melhor para colocar], então: Mamãe não estava exatamente perto. Felizmente o nó em meu estômago — que tinha estado crescendo e encolhendo durante todo o dia, dependendo das circunstâncias — estava aparentemente dormente…entretanto se era por causa da presença de Zach, ou apesar disto, eu não tinha a menor idéia. Assim eu disse, ―Bem, certo. Se você prometer que nós não entraremos em roubadas. Eu não quero entrar em roubadas em meu primeiro dia.‖ Ele sustentou três dedos. ―Palavra de escoteiro.‖ Eu sorri. ―Você nunca foi escoteiro. Eu aposto que nem mesmo tenha escoteiros em New York.‖ Ele disse, ―Bem, eles provavelmente fazem, mas você tem razão. Eu nunca fui


um.‖ O atalho de Zach nos levou, em vez de mais fundo na parte selvagem do parque, como eu tinha tido medo que nos levasse, a uma calçada pavimentada que não estava aglomerada exatamente com pessoas, mas que tinha bastantes vendedores de sorvete e turistas com sorvetes em suas mãos [improvisado], o que me fez sentir vontade. Na realidade, Zach passeou direito até um dos vendedores de sorvete, então virou e me perguntou, ―O que vai ser?‖ Eu me inclinei para olhar para as fotografias no lado do carro. Eu não reconheci muito as casquinhas [cones]. Até mesmo o sorvete em New York é diferente. ―Gee,‖ eu disse, enquanto olhava para um volumoso vermelho, branco, e azul ice pop [estouro de gelo]. ―O que é aquele?‖ ―Dois Jetstars Gigantescos,‖ Zach disse ao vendedor. Para mim, ele disse, ―Também conhecido como Foguetes. Eu não posso acreditar que você nunca teve um antes. O que eles comem em Iowa, de qualquer maneira? Casquinha de batata?‖ Ofendida em nome do meu estado, eu disse indignada, ―Isso é Idaho. E há muitos sorvetes bom em Iowa. Como casquinhas de cereja.‖ Zach encolheu os ombros. ―Aposto que vocês não têm gelato.‖ ―Nós certamente fazemos.‖ ―E eu sei o que Casquinha de Cereja é. Eu também sei que é nojento, e certamente algo que eu nunca vou considerar digerir.‖ O vendedor entregou a Zach dois sorvetes, e Zach entregou a ele um nota de 5 dólares que ele tirou de suas meias. E foi quando eu percebi que eu não tinha nenhum dinheiro comigo. ―Meu trato‖ Zach disse, quando eu mencionei isso. Então ele me entregou o meu Jetstar Gigantesco com um movimento galante. ―É o melhor que eu posso fazer, considerando que você salvou a minha vida. Se esses forem os tempos antigos, creio eu que eu te devo eterna servitude.‖ Eu me senti ficando vermelha como a última bola do sorvete que eu segurava.


―Eu não salvei a sua vida.‖ Eu disse. ―Yeah‖ Zach parecia divertido. ―Entretenha-se você, então. Gostou do seu Foguete?‖ Tinha o gosto de qualquer outro sorvete que eu tinha provado na minha vida, mas eu disse, para ser educada ―É muito gostoso.‖. ―Te disse.‖ O sorvete estava me congelando um pouco na verdade. Era quente para abril, e agora que nós tínhamos deixado as sombras das ��rvores, o sol batia na gente. O tempo quente tinha trago patinadores, assim como vendedores de sorvete e babás empurrando carrinhos de bebê. Eu vi até uma pessoas tomando sol. ―Então‖ Zach disse, enquanto nós passeávamos. ―Seu roxo parece melhor.‖ Eu coloquei a mão nele cientemente. Ele estava apensas sendo educado, é claro. O roxo, como nada, parecia pior do que nunca. Zach tinha visto isso no dia anterior, quando ele e seu pais forma ao Gardiners para ver como eu estava, para minha completa e total humilhação, eles trouxeram para mim duas dúzias de rosas que ele me presentearam como agradecimento pelo o que eu tinha feito por Zach. Eu tentei ser graciosa, do jeito que minha mãe gostaria que eu fosse. Mas era difícil. Digo, todo mundo – não apenas Tory, pensando que eu tinha feito essa grande e nobre ação, me jogando no meio do ciclista-descontrolado. Quando na verdade, tudo que eu tinha feito foi por minha típica falta de sorte. O tempo todo que Zach e os pais estiveram lá, eu fiquei incapaz de desejar que um buraco se abrisse no meio da sala do Gardiners e me engolisse viva. Os pais de Zach eram os dois super-espertos, seu pai um advogado do entreterimento, e sua mãe uma advogada de imposto, e eles eram certamente pessoas legais. Mas eu teria infinitamente preferido que eles tivessem ficado em casa. Eu sou dificilmente a pessoa mais sociável do mundo, e eu me senti extremamente desconfortável sendo o centro de tanta atenção. Isso era muito ruim, de fato, que tivesse sido eu, e não Tory, que estava lá quando o carteiro quase bateu em Zach. Se Tory tivesse salvado Zach, e não


eu, ela teria curtido toda a tempestade em copo d‘água, as rosas, a preocupação. Em vez disso, Tory foi forçada a experimentar isso tudo de segunda mão, encostada na parede com um joelho dobrado, um pequeno sorriso de gato em seus lábios, observando enquanto eu desconfortavelmente retrucava toda a educada atenção dos pais de Zach na conversa. Zach, da sua parte, tinha sentado no sofá branco no deque dos Gardiners com uma lata de coca nas mãos, contribuindo pouco, mais sorrindo muito. Mais tarde, Tory disse que Zach estava o tempo olhando para seu joelho, aquele que ela havia dobrado. Porque, você sabe, ele a quer tanto, ou algo assim. Eu tive uma impressão um pouco diferente – que Zach estava olhando para mim. Porque todas as vezes que eu olhei para cima, o olhar dele parecia ter encontrado o meu. Eu não mencionei isso a Tory, de qualquer jeito. E provavelmente, eu estava errada, e ele estava olhando para o joelho de Tory. Ainda assim, todo mundo teve a oportunidade de olhar o meu roxo, analisando seu tamanho e cor, e estimando quanto tempo ainda ia ficar antes de ir embora. Eu quase considerei juntas as minhas coisas e voltar para Iowa (não de verdade, é claro.). Mas isso me fez sentir falta da minha própria família, que leva os meus absurdos como destino (e coisas como carteiros em bicicletas). Mesmo lendo e respondendo um monte de e-mails da minha melhor amiga, Stacy, com o laptop que Tio Ted tinha me emprestado mais tarde naquela noite não me ajudou. Mas então eu me lembrei que ser presenteada com duas dúzias de rosas dos parente do garoto (vamos admitir isso) que você tem uma queda – e na qual eu sabia que nunca ia me amar de volta por causa da queda dele por uma au pair alemã muito bonita – era infinitamente melhor do que estava acontecendo lá em casa. Agora, eu olhei para meu Jetstar Gigantesco, (desejando mais do que nunca, todos esse meses antes, que eu tivesse feito outra escolha.) eu disse ―Obrigada.‖. ―O que eu não entendi ainda,‖ Zach disse, enquanto a gente passa por um lago


aonde algumas pessoas – até alguns homens adultos – estava velejando com pequenos barcos a controle remoto ―é porque todo mundo na sua família te chama de Jinx.‖ Eu suspirei ―Eu teria achando que isso seria perfeitamente óbvio, depois do que aconteceu. Eu sou um imã para má sorte. De fato, desde o meu nascimento, aonde quer que eu esteja, bem... coisas parecem simplesmente estragar.‖ Eu contei pra ele da explosão que aconteceu quando eu nasci, e das pessoas que tiveram que ser transportadas por um helicóptero para o hospital em outro estado, por causa da falta de energia. ―O médico que me entregou brincou que eles deveriam me nomear Jinx, e não Jean,‖ Eu continuei, ―e todo mundo achou que isso era realmente engraçado, então o apelido ficou. Infelizmente.‖. Zach deu os ombros. ―Bem, isso não é tão ruim. Meu pai tem um cliente que nasceu com um monte de saliva na boca, então todo mundo chama ele de Bolhas. Isso sim, seria pior.‖ Eu disse ―Acho que sim.‖. Mas eu duvido que Bolhas tenha passado a vida inteira com bolhas de saliva saindo da boca dele, enquanto a minha onda de má sorte ainda não tenha ido embora, não nesses 16 anos. O que me lembrou de algo que eu queria perguntar a Zach, se eu alguma vez corresse com ele sozinha. ―Sobre a minha prima Tory‖ eu comecei temporariamente. Porque, é claro, pelo que eu sabia que Tory sentia por ele, eu não sabia como Zach se sentia sobre Tory. Eu me lembro de quão supresso ele ficou quando Robert mencionou sua queda por Petra... e a queda de Tory por ele. ―Siiiiiiiiiiiiiiim?‖ ele prolongou a palavra tanto que multiplicou a silabas. ―Ela usa... hm, ela usa droga muito? Digo, como, se isso fosse um problema? Ou é só uma coisa recreativa? Não que eu vá dizer algo para os pais dela.‖ Eu me apresei em adicionar. A outra coisa ruim sobre ser filha de uma pastora é que todo mundo automaticamente assume que você é uma dedo-duro. ―Mas se isso é sério –―


―Sendo a filha da pastora,‖ Zach disse, jogando uma moeda que ele achou em um fonte por perto. ―Não está?‖ Whoa. Eu fiquei vermelha. Era como se ele estivesse lendo a minha mente. ―Yeah‖ eu disse, sentindo as minhas batidas do coração novamente. Se acalme, Jean. Ele está apaixonado por Petra, com quem você nunca vai poder competir. Mesmo se quisesse. O que você não quer, porque ela é sua amiga. ―É isso, às vezes.‖ ―Pensa demais. Não conte para ninguém – iria destruir meu crédito na rua – mas Seventh Heaven era meu programa preferido quando eu era criança.‖ Ele piscou. Eu ri. Eu gostava de como parecia que quando eu estava com ele, o nó no meu estomago tinha desaparecido. ―Não é exatamente como isso,‖ Eu disse ―Ao menos, não tão ruim. É só que... eu estou preocupada com ela, é só isso.‖ ―Maior parte do que sua prima Tory faz e diz,‖ Zach disse ―ela faz e fala para ganhar atenção. Seu tio e sua tia são pessoas muito ocupadas, e Tory é meio que uma rainha do drama, no caso de você ainda não ter notado. Como com essa coisa de feiticeira.‖. A dor no meu estômago retornou, como uma revanche. Uou. Muitas coisas aconteciam quando Zach estava por perto. ―Oh‖ eu disse, as batidas do meu coração espancando – não batendo. E não de um modo bom. ―Você sabe sobre isso?‖ ―Você está brincando? Eu acho que Tory quis ter certeza que toda escola soubesse. Ela e o clã delas. Ela até trouxeram um caldeirão para escola uma vez,‖ ele continuou ―para fazer as pequenas feitiçarias delas no refeitório. Só que elas dispararam o alarme de fumaça. Baldwin Principal se mixou. Tory tentou fazer todo o drama de como ele estava proibindo ela de praticar sua religião. Como se feitiçaria fosse uma religião.‖ ―Na verdade,‖ ofendida com o tom dele ―isso é. Mas você não pode achar que o que Tory e suas amigas estão fazendo – brincando de ser feiticeiras – é


feitiçaria de verdade. Feiticeiras de verdade não usam feitiços para chamar atenção, mas por que isso as dá realização de espírito. E feitiçaria, se feita apropriadamente é um agradecimento – e uma amostra de apreciação – do que tentar fazer as coisas levitarem ou... ou aparecerem magicamente.‖ ―Não me diga‖ ele disse, soando como se estivesse desaprovando ―que você é uma delas também?‖ ―Eu não sou.‖ Eu me apressei a assegurá-lo. ―Mas um dos lado de ser uma filha de pastora é um interesse especial por praticas espirituais. Todas as praticas espirituais. Eu posso lhe falar sobre shamanismo, também, se você quiser.‖ ―Vou me lembrar disso‖ Zach disse. ―Eu acho que isso significa que eu vou ter que acreditar em você sobre essas coisa espiritual. Ainda assim, eu não acho que sua prima está nisso para nenhuma Nova Era, granola-crocante razão, mas sim porque é a nova coisa quente em seu grupo social.‖ ―Eu acho que é um pouco mais fundo que isso para Tory‖ eu disse, pensando e quão brava ela ficou durante a nossa conversa sobre nossos ancestrais, Branwen, na minha prima noite em New York. ―Mas eu estou aliviada com o fato de você achar que ela não tem um problema. Com drogas, quero dizer.‖ ―Honestamente, eu acho que Tory é muito esperta para meter sua cabeça nesses problemas. Eu pensei muito sobre o que você viu no Gazebo aquele dia e aquilo foi mais... bem, ela estava se mostrando.‖ Para ele. É claro que ele não disse isso, mas para quem mais ela estaria se mostrando? Pensando que talvez seria melhor mudar de assunto, desde que a última coisa que eu queria era ser acusada por Tory de estar falando dela por trás – essas coisas tem um jeito de cair na boca do povo – eu perguntei ―Então, para onde você viaja durante o ano?‖ A descrição da vista e dos sons de Florença, Itália, demorou todo o caminho da 5ª à 89ª, aonde o treinador Winthrop, instrutor de Ed.F estava esperando com seu cronômetro. Nós jogamos nossos cones de sorvete fora – eu tinha apenas tomado cuidado para chegar a parte branca do meu sorvete, e não apenas experimentado o azul – e fizemos alguns alongamentos para ficar mais flexível e chegarmos ao nosso grande final. E então, escondidos atrás de algumas moitas, nós esperamos até que batalhão azul royal-e-branco descesse, para enfim, nos juntarmos a eles correndo até o treinador Winthrop e seu cronômetro, respirando difícil com se tivéssemos acabado de correr 10 milhas, e não apenas uma pequena fração de.


―Excelente, Rosen‖ o treinador disse, jogando um toalha na direção de Zach. ―Você cortou um pouco do tempo do seu ano de secundarista.‖ Eu não pude mais segurar minha risada, especialmente quando Zach disse ―Obrigador, treinador. Eu venho treinando bastante.‖. Mais tarde, quando estávamos voltando para escola, Zach me achou na multidão de garotas tentando entrar no vestiário para tomar um ducha e trocar de roupa, e perguntou ―Hey Jean, você já experimentou um souvlaki?‖ ―Não.‖ Eu me senti ficar vermelha, poque, é claro, todas as outras meninas se viraram para ver com quem ele estava falando. ―Ah, caramba‖ Zach disse, sorrindo misteriosamente ―Amanhã a gente tenta o souvlaki. Você esta dentro por causa do trato.‖ Então, se dizer outra palavra, ele entrou no vestiário dos garotos. Whoa. Então Zach estava planejando me levar para um souvlaki amanhã durante a aula. O que era meio que um encontro. Bem, ok, talvez não, porque ele estava fazendo tudo isso provavelmente por causa da coisa toda de eu ter salvado a vida dele. Mas ainda assim. Foi só depois de eu estar lavada e indo para minha nova aula com um olhar sonhador que eu me lembrei que Zach não era exatamente um homem livre. Quero dizer, se os rumores fossem verdadeiros, ele estava apaixonado por Petra... ... e minha prima estava loucamente apaixonada por ele. Tão loucamente apaixonada que foi capaz de fazer um boneco, e enviar agulhas nisso. O que significa, se eu fizer alguma coisa que desagrade ela – algo como ir para o souvlaki com o cara que ela gosta – não tem nada que possa impedi-la de fazer a mesma coisa comigo.


E não seriam os meus pensamentos que ela estaria perfurando com a agulha, tenho bastante certeza. E ainda, lembrando do jeito que os olhos verdes de Zach tinham rido para os meus aquele dia no final da linha na Ed.F, eu descobri que eu não ligava. Eu não ligava que Tory amava ele. E eu não ligava que ele, por outro lado, estava apaixonado por Petra. Isso era o quão longe eu já estava. Você pensaria, pelo meu tempo de experiência, que eu tinha reconhecido os sinas de perigo. Mas isso só acontece para mostrar como minha sorte é realmente podre, depois de tudo. Capítulo oito Isto era como eu havia visto Mouche - um pequeno gato em cima de uma sexta de lixo. [Não é bem isso, não consegui traduzir direito essa parte] Tarefas. Elas eram uma grande transação na casa dos Gardiner. Não porque haviam tantas delas. Era porque haviam muito poucas. Graças a Petra, a au pair, e Marta, a empregada, e Jorge, o jardineiro, não havia um lote inteiro deixado para nós, as crianças, fazer alguma coisa no brownstone. Mas Tia Evelyn e Tio Ted acreditam tão fortemente quanto meus pais que as crianças precisam aprender responsabilidade, assim alguns dias depois de minha chegada — uma vez que minha contusão tinha diminuido — havia uma discussão sobre qual seria minha ―tarefa‖. ―Ela não pode fazer o meu trabalho,‖ Teddy tinha declarado. Nós estávamos comendo o filé mignon que Petra tinha prometido cozinhar na noite da minha chegada...só algumas noites mais tarde. ―Eu tomo conta de esvaziar a lavadora de louça quando Marta não está aqui, e alimento o koi. E eu gosto dos meus trabalhos.‖ ―Ela pode ter meus trabalhos,‖Tory murmurou. Ela tinha decidido só naquela manhã que ela era vegetariana, e tinha forçado Petra a preparar tofu pra ela em vez de filé mignon. Ela olhou para mim como se estivesse lamentando aquela


decisão, se o modo como ela estava contemplando o meu bife fosse uma indicação. ―Carregando a lavadora de louça, e a caixa da gata [caixa de areia dos gatos]. Eu não sei por que que eu tenho que limpar a caixa da gata diariamente.‖ Tia Evelyn olhou sombriamente para Tory. ―Porque você que quis um gato,‖ ela apontou. ―Você nos falou que assumiria todas as responsabilidades por ela.‖ Tory rodou os olhos. ―Aquela gata,‖ ela disse, ―é o animal mais ingrato que eu já vi. Ela dorme com Alice todas as noites, embora seja eu que a alimente e limpe a caixa dela.‖ Alice que estava comendo o hambúrguer de filé mignon dela entre duas fatias de pão branco cheias de catchup, disse indignada, ―Talvez se você não gritasse com Mouche todo o tempo, por ter pêlos em toda parte de suas roupas pretas, ela quisesse dormir mais com você.‖ Tory rolou os olhos novamente e disse, ―Só dê a Jinx o dever da caixa do gato.‖ Tia Evelyn não aprovou o novo arranjo — de mim assumindo o trabalho de Tory de monitorar a caixa de areia de Mouche — mas isso foi o que aconteceu. Eu também ofereci olhar Teddy e Alice em uma tarde quando o horário da escola de Petra não lhe permitisse voltar a tempo para a cidade para fazer isso, uma tarefa antigamente executada por Marta...eu deduzi então que ninguém conseguiria convencer Tory a fazer isso. Nem mesmo os próprios pais dela. Entretanto, eu não me senti exatamente encomodada. Eu genuinamente gosto de meus primos mais jovens, porque eles me fazem lembrar de meus próprios irmãos e irmãs, que eu estava perdendo muito mais do que pensava — Courtney, treze anos, aspirante a modelo; Jeremy, dez anos, fanático por baseball; Sarabeth, sete anos, obcecada por Bratz; e especialmente Henry, quatro anos, o bebê da família. Ter tarefas a fazer, como as que eu deixei para trás, me fez sentir menos sozinha e como se eu pertencesse mais a família Gardiner, que, em retorno, me fez perder a minha solidão. Ainda assim, quando o pagamento da semana saia, e Tia Evelyn me presenteava com uma nota de 50 dólares novinha em folha, eu sabia que eu


não estava mais de volta em Iowa. Olhando para isso, eu perguntei ―Pra que isso serve?‖ achando que ela talvez fosse querer o troco. ―Seu pagamento.‖ Tia Alice passou para Tory uma nota idêntica. Teddy e Alice, nas quais as necessidades financeiras eram aparentemente mais baratas, recebem uma de 20 e outra de 10 respectivamente. ―Mas...‖ eu olhei para a nota. 50 dólares? Por limpara a caixa de areia de Mouche e pegar as crianças na escola uma vez por semana? ―Eu não posso aceitar isso, você já está pagando a minha escola e me deixando fica aqui e tudo.‖ Eu suspeitava que os Gardiners tinha feito mais que isso, até. Eu não podia ter certeza, mas eu juntei umas coisas que eu ouvi na escola, que nem todo mundo era admitido na Chapaman. Tinha uma lista de espera, uma que eu tinha aparentemente pulado para primeiro lugar, devido a uma ―doação‖ que os Gardiners fizeram em meu apoio. Eu não sei se meus pais sabiam disso, mas eu certamente estava, e isso só me fez mais conscientizada do que nunca do quanto eu devia aos Gardiners. Especialmente porque eu trouxe a minha razão de ser transferida para a Chapman. Eu não merecia nem mais um centavo do dinheiro deles. Mas aparentemente eles sentiam-se diferente. ―Honestamente, Jean‖ Tia Evelyn disse, ―Eu devo a você ao menos por cuidar de Alice e Teddy toda quarta. Qualquer babá em Manhattan teria cobrado muito mais.‖ ―Sim, mas –― Digo, eu venho cuidado dos meu irmãos, livre de pagamento, pela vida inteira. ―Sério, eu não acho...‖ ―Deus, Jinx‖ Tory balançou a cabeça pela minha descrença ―Você está louca? Só aceite isso.‖ "Eu concordo" Tia Evelyn disse. "Pegue o dinheiro, Jean. Tenho certeza que esse fim de semana você vai querer ir ao cinema ou alguma coisa assim com seus novos amigos do colégio. Divirta-se, você merece. Não foi exatamente o que eu fiz,digo, eu não tenho nenhum amigo novo da


escola. Ah tem as crianças da orquestra, que gostam de mim o bastante, uma vez que eles pegaram um estranho marcando o violino da segunda carteira no primeiro dia de aula dela. Se você toca um instrumento, você vai sempre se entrosar com a multidão da orquestra. E tinha Chanelle, com quem eu me sentava na hora do almoço. Mas ela era amiga de Tpry, sério – mesmo ela não estando no papo do ―clã‖ de Tory, Lindsey e Gretchen, e parecia estar lá, na verdade, só porque era lá que seu namorado, Robert, se sentava com Shawn. Tory me deixava sentar lá, também, mas nunca sem deixar a impressão de que deixando eu fazer isso, eu a estava devendo um enorme favor. Eu sabia que ela prefiria que eu me sentasse com o grupo da Orquestra, ao invés. Eu teria preferido me sentar com eles, também. Mas eu não conseguia imaginar um jeito de fazer isso sem que Tory fizesse um comentário sarcástico. Porque mesmo sabendo que ela não me queria lá, e sabia que ela ia gostar ainda menos se eu destratasse ela. Ela não vem sendo necessariamente a Srta. Amigável depois de toda aquela conversa da Bradwen. Ainda, por mais ilegal que eu achasse que fosse, eu achei um uso para o meu dinheiro vindo do nada no primeiro dia que eu limpei os detritos da caixa de Mouche. Os Gardniers favoreciam a limpeza da caixa, que é fácil de limpar, desde que tudo que tínhamos que fazer era tirar os detritos com uma pequena peneira em forma de pá. Mas até os detritos eram inferiores, ou Tory não vinha limpando isso há bastante tempo, porque não importava o quanto eu peneirasse isso, continuava fedendo... muito. O cheiro característico de amônia na urina do gato literalmente enchia o ar da sala utilitária aonde a caixa ficava. Eu me sentia mal por Marta, que tinha que usar a sala utilitária toda vez que ela lavava as roupas. Então eu achei um pacote de areia fechado, e decidi dar a Mouche um novo suprimento, depois de jogar fora o velho. Eu não entendi o que eu estava olhando, primeiro. Eu pensei que aquilo tivesse de ser um engano. Então eu vi a fita adesiva, e eu percebi que não era um engano. Eu larguei a caixa vazia como se tivesse pego fogo de repente.


Porque mesmo achando que eu tivesse jogado fora toda a sujeira, a caixa não estava vazia. Não completamente. Grudado ao tampo dela, previamente escondida debaixo de várias toneladas de sujeira de gato velha e fedorenta, estava uma fotografia. Eu fotografia que eu podia ver, mesmo estando toda arranhada e consideravelmente desbotada, era de Petra. Eu não podia acreditar nisso. Eu realmente não podia acreditar. Porque eu sabia que tinha posto a foto lá. E eu também sabia por quê. Eu só não podia acreditar que alguém – ninguém – alguém podia ser tão má. Talvez, eu pensei, enquanto tirava cuidadosamente a foto do tampo da caixa, Tory não sabia o que ela estava fazendo. Ela não poderia saber. Ninguém que soubesse o que algo como isso poderia fazer para alguém poderia jamais tentar... nem mesmo na sua piro inimiga. Oh, certo. Para quem eu estava mentindo? Tory sabia exatament o que ela estava fazendo. O que era o que eu sabia que eu não tinha escolha a não ser tentar para-la... pelo que fosse necessário. Mesmo que isso significasse quebrar minha palavra. E ok, tinha sido prometida somente para eu mesma. Mas algumas vezes, essas são as mais difíceis de se quebrar. Eu achei o que eu precisava on-line... uma loja – uma loja real – que possuía o que eu estava procurando. Tal loja, em Hancock, teria certamente sido fechada por comunidades ultrapassadas. A loja, que era em East Village, fechava as sete. Eu tinha duas horas para descobrir como chegar lá. O metrô era a escolha mais lógica, mas desde que eu nunca andei no metrô de New York, só a idéia de usá-lo me encheu de horror. O problema era, o que poderia acontecer se eu não fizesse a viagem me enchia


ainda mais de horror... só que por diferentes razões. Então eu peguei um mapa do metrô entre tantos que havia na cozinha, aonde eu sabia que Tia Evelyn mantinha tais coisas, e deixei a casa, estudando o mapa cuidadosamente enquanto caminhava. Eu tinha ido exatos três passos à frente com o mapa enviado na minha cara antes de alguém puxa-lo e dobra-lo na minha frente. Meu coração bateu forte, eu olhei para cima... E eu quase me dobrei quando eu vi que era Zach Rosen. ―Nunca,‖ ele disse, ―ande pelas ruas de New York com a sua cabeça enviada num mapa do metrô. As pessoas saberão que você é de fora, e tentaram tirar vantagem de você.‖ Depois de ter passado todo o quinto período da semana inteira me esquivando do Teste Físico com ele, e ao invés disso ter explorado as delicias oferecidas pelo que o Zach chamava de Umbrella Cafés do Central Park, incluindo o misterioso – e delicioso – souvlaki, eu me sentia confortável o bastante para choramingar, ―Eu tenho que ir pra East Village. Você sabe qual metrô eu devo pegar?‖ Zach, que tinha retirado sua mochila e estava obviamente retornando de algum lugar, sem pensar colocou isso de volta nos ombros e disse ―Vamos.‖ Ok, ESSA não foi a resposta para minha pergunta . ―Não‖ eu disse, apavorada. Porque ele era a ultima pessoa que eu gostaria que soubesse aonde eu estava indo. Não porque eu ainda tinha uma quedinha por ele... Eu tinha, é claro, mesmo sabendo que eu tinha idéia de que era completamente fútil, eu tinha feito Zach admitir que ele estava apaixonado por Petra. A conversa – que foi na conzinha dos Gardiners depois da escola, aonde eu achei ele se recuperando de um jogo de pique-pega que ele e Teddy tiveram em frente a casa – foi bem assim: Eu (juntando toda a minha coragem, depois de Petra ter finalmente deixado a sala com Teddy, a fim de supervisionar a lavagem de suas mãos excepcionalmente imundas antes de deixar ele roubar um cookie de uma bandeja que ela tinha acabado de fazer): ―Então é verdade que você está apaixonado por Petra?‖


Zach (se engasgando com um cookie): ―O que te faz pensar isso?‖. Eu: ―Porque Robert disse aquele dia que eu te conhecia que essa era única razão de você ficar por aqui.‖. Zach: ―E Robert, como a gente sabe, é uma autoridade acabada em todas as coias, tendo tamanha percepção que não está de maneira alguma compromissado por nenhum substancia alucinógena.‖. Eu (com o coração na mão): ―Então você está dizendo que Robert está errado? Você nunca gostou de Petra?‖ Zach: ―Eu vou admitir que houve um tempo que eu achava Petra bastante atraente.‖ Eu (nem um pouco com ciúmes porque Petra é atrante, mais bondosa e boa cozinheira): ―Mas ela tem um namorado.‖ Zach: ―Eu sei. Eu o conheci. Willem. Ele é muito legal.‖ Eu: ―Mas você ainda passa tempo por aqui.‖. Zach (se levanta): ―O tempo que eu passo aqui te incomoda? Porque eu posso ir embora.‖ Eu (entrando em panico): ―Não! Eu só... você sabe. Eu só me pergunto por que você ainda vem aqui. Se você sabe que ela tem um namorado.‖. Zach (segurando um cookie): ―As abundantes delicias caseiras que tem por aqui não são o bastante?‖. Eu: ―Admita. Você ainda acha que tem uma chance com ela.‖. Zach: ―Tem alguém nessa casa que você acha que eu teria uma melhor chance?‖ Eu (pensando em Tory, com quem ele definitivamente tem uma melhor chance, mas quem ele deveria definitivamente ficar longe, considerando o boneco): ―Eu acho que não.‖


Zach (parecendo divertido): ―Então tá.‖ O negócio é, eu nunca nem me preocupei com o amor por Petra. Porque por um lado, nos dava muito sobre o que falar - não que nós precisássemos disso, já que nós parecíamos dividir a mesma opinião em várias coisas, como política, comida, música (apesar de Zach não estar realmente tão familiarizado com a clássica), um ódio por esportes organizados de qualquer tipo, e o estado deplorável no qual a apresentação Sétimo Paraíso havia entrado desde que Jessica Biel deixou de fazer parte do elenco em tempo integral. Mas nas raras ocasiões onde havia um branco na conversa, eu poderia sempre mencionar algo relacionado a Petra - que talvez se Zach fizesse aulas de alemão, ele poderia surpreendê-la perguntando-lhe como ela estava em sua língua nativa, ou algo assim. Pessoalmente, eu acho que ele realmente apreciava minha ajuda nesses casos. E eu, por outro lado, relamente apreciava o fato de não ter que me preocupar em como eu estava ou agia perto dele. Não importava que meus shorts Chapman School eram muito feios, ou que eu andasse nos pátios de Rollerbladers quase diariamente e tinha que ser posta em segurança por ele. Porque ele não estava interessando em mim daquela maneira. Nós éramos apenas amigos. Quando eu estava com Zachm eu podia esquecer todas as coisas horríveis das quais eu estava fugindo, e só relxar. Meu estômago nem mesmo doía quando eu estava com ele... Bem, a não ser que eu me achasse imaginando o que aconteceria se Petra de agum jeito desaparecesse do mapa, e Zach - milagre dos milagres - começasse a pensar em mim como mais que uma amiga. O que era quando meu estômago saltava. Porque, é claro, ele havia deixado claro como se sentia em relação a feiticeiras e feitiçarias, e lá estava... Bem, meu passado. E lá estava Tory. Mas eu tentei falar sobre ela para ele o menos possível. Eu ainda não sabia se ele sabia o quanto ela gostava dele - ou seele algum dia poderia gostar dela também. Eu não podai ver como, na verdade, algum cara não ficaria feliz em saber que uma garota tão bonita como Tory gostasse dele.


Ainda assim, apesar de ser verdade que Zach e eu éramos amigos, nós não éramos amigos o suficiente para discutir a queda de Tory por ele - e definitivamente não o suficiente para deixá-lo saber para onde eu estava virada no metrô aquele dia. "Não, você não precisa vir comigo", eu disse seguramente. Você pode apenas me dizer como eu poderia chegar na Rua Nona entre a Primeira e a Segunda Avenida?" Mas ele apenas balançou a cabeça. "Não, não. Você não vai descer tudo aquilo sozinha. As pessoas a chama de Jinx por um motivo, certo? Só Deus sabe em que tipo de disastres você pode se meter." "Mas -" ―Se você pensa que eu vou deixar você ir ao East Village sozinha, você está louca.‖ Ele segurou meu ombro e meu guiou. ―Mais uma coisa, eu ainda te devo minha eterna servitude por ter salvado minha vida, lembra? Ah, e a estação de metro é por aqui, burrinha.Vamos.‖ Não há nada menos romântico do que ser chama de burra. Sério. Especialmente desde que eu soube que de jeito algum Zach poderia se interessar por uma cabeça de fósforo, tocadora de violino filha da pastora quando há, por mais remota que seja,a possibilidade dele ter a maravilhosa, física-terapeuta-em-treinamento Petra. Então porque eu me senti tão ridiculamente feliz, por todo o caminho até o subsolo? Eu tinha esquecido tudo sobre minha raiva por Tory-— e meu desgosto comigo mesma, por voltar com a minha palavra, porque eu sabia que estava a ponto de fazer. Eu mal percebi a multidão que havia nas horas de rush na qual nós entramos, enquando embarcávamos no trem, e não prestávamos nem um pouco de atenção nos homens que imploravam para achar moedas de 25 centavos no carro, eu as placas informando aos passageiros para olharem suas carteiras, ou os guardas nas plataformas com seus cães farejadores... Os quais poderiam ter me assustado - se eu não estivesse com Zach. Ah, vamos encarar. Com certeza ele gostava de outra garota. Mas eu já era, mesmo. Ele me teve no gosto por focas. Mas quando nós finalmente alcançamos a Rua Nona Leste entre a Segunda e a Primeira Avenida, eu percebi que Zach iria realmente pensar que eu era


estúpida - ou pelo menos seriamente pertubada - quando ele viu o tipo de loja para a qual eu estava voltada. Eu reduzi a velocidade do meu passo enquanto nós íamos chegando. Eu podia ver o sinal, cortado na forma de uma lua crescente, pendurado sobre um toldo preto. ENCANTOS, dizia. O que eu vou dizer quando ele perguntar — como, sem dúvida, ele vai — por que eu iria para uma loja especializada em…bem…parafernália de bruxa? Zach estava me falando sobre um documentário que ele tinha visto na noite passada sobre um time de cirurgiões plásticos que vão para os países de Terceiro Mundo executar cirurgias corretivas grátis em crianças com fendas palatinas e materiais. Zach tem muito interesse em documentários. Ele quer estudar filmes quando ele conseguir entrar na NYU (New York University Universidade de Nova York), e fazer documentários sobre a vida selvagem ártica, como focas, e como nós estamos destruindo os hábitats delas. Ele igualaria me levando para ver as focas dele — no Jardim zoológico do Central Park. Ele conhece todos os nomes e, também, pode falar sobre cada uma delas. Eu escutei o resumo dele sobre o documentário com só uma orelha. Eu estava tentando me convencer que Zach não ia se preocupar com a loja que eu ia. Realmente, eu estava mudando a proporção da coisa inteira. Nós somos amigos. Os amigos não se preocupam com que tipo de livros seus amigos lêem. Certo? Mas, da mesma maneira que eu tinha suspeitado, aconteceria, Zach secou quando eu parei em frente à loja. Não ajudaram os cristais e as cartas de tarô que haviam na janela de exibição, organizados em um grupo de veludo preto. Nem ajudou o fato de que, enquanto nós estávamos de pé lá, a porta abriu, e duas mulheres vestidas todas de preto, os cabelos delas tingidos como o de Tory, saíram, levando sacos de papel e tagarelando alegremente. ―Isso é onde você quer ir?‖ Zach perguntou, as sobrancelhas escuras dele se levantaram. Desaprovando, como eu tinha suspeitado. ―Eu…‖ eu tinha gastado a maioria do passeio pela Ninth Street preparando uma história que eu esperava que soasse convincente. ―Eu tenho que comprar algo para minha irmã pequena —‖


―Courtney?‖ ele perguntou. ―Ou Sarabeth?‖ ―Courtney,‖ eu disse, enquanto tentava ignorar o rápido prazer por ele ter lembrado do nome da minha irmã. O nome das minhas duas irmãs! Eu só tinha lhe contado um milhão de histórias sobre elas. Eu não podia acreditar que ele realmente tinha escutado. ―O aniversário dela está chegando, e eu pensei que ela gostaria disto, afinal eu não acho que você pode achar um livro como esse em Iowa." Espera. Isso soou tão estúpido para ele como pra mim? Mas tudo que Zach disse foi: ―Já ouvisse sobre sobrenomes e nobres? Só tem apenas dois blocos até onde nós moramos‖, com uma voz divertida. ―Nós não tivemos que vir todo esse caminho até aqui em baixo, você sabe‖. ―Abençoado seja‖, disse a mulher bonita, que tinha cabelos pretos e estava atrás do balcão, porque entramos na loja. ― Um‖, eu disse avermelhada. Porque era isso que Zach devia estar pensandoque ela era do tipo New Age granola crocante. Obrigado. Apressada, passei pelo contador, me dirigi cegamente para trás, onde eu espiei algumas estantes de livros. Ainda, eu não pude ajudar observando aquilo a loja estava cheia de ervas e velas, amuletos e calendários lunares. Um gato preto colocava através de uma prateleira, sua calda que se contraia lentamente para frente e para trás como enquanto ela me via se aproximar. Envolta do pescoço dela tinha um colar de turquesa com um pentágono balançando em um sino, ele parecia ser normal não um gato de bruxa. Eu alcancei o livro que eu estava procurando - não um dos grandes, um lustroso e recoberto, preenchido por fotos e capítulos chamados ―Feitiços de Amor‖, o qual o amável Tomy e seus amigos puderam ter pego, mas pequeno, com figuras , coisa de papel amarrado, que não é disponível em nenhuma livraria.- voltou-se para trás e vasculhou o índice. Zach, enquanto isso, estava vagando por perto, pegando as coisas e as examinando curiosamente. Quando ele viu o gato, ele parou e coçou embaixo do queixo do bicho. O gato começou a fazer rosnar, mas tão alto que eu pude escutar mesmo estando mais da metade da loja longe deles. Então ele gosta de gatos também. Au pares, Sétimo paraíso, focas, crianças ...e gatos. Tem a possibilidade desse garoto pegar algum fofinho?


O sino tocou, e duas garotas passearam por dentro da loja. Duas garotas vestindo o uniforme do Colégio Chapman. Infelizmente, duas garotas, conhecidas. O nó no meu estomago, o qual teve visitado menos e menos tarde, repentinamente fez sua presença notada. A bonita balconista que estava atrás do balcão disse: ―Abençoada seja‖, para as duas novas clientes. E Gretchen e Lindsey disseram: ―Abençoado seja‖ , de volta para ela, Lindsey dava risadas o tempo todo. ―Quantos anos tem a esquina de Coutney, de qualquer jeito?‖ Zach, aparecendo detrás da prateleira de ervas, querendo saber. ―Doze?‖ Eu pulei e disse automaticamente, ―Quatorze‖. Eu tinha parado de procurar o índice dos livros. Mas eu já tinha achado o que eu estava procurando. Mas como eu iria comprar sem a Gratchen e a Lindsey estarem me observando e relatarem novamente para Tory que haviam me visto no Encantamento? Tory nunca acreditaria que eu apenas entrei naquela particular loja por acidente. Ou... ela iria? ―Oh meu deus‖ Lindsey gritou, quando eu propositalmente pisei fora detrás da prateleira de ervas diretamente no caminho dela. ―Jinx? È você ai? Gretchen, sempre é a mais séria da dupla, ela não pareceu exatamente radiante em me ver. O fato, ela pesadamente disfarçou os olhos estreitando-os e disse: ―O que você está fazendo aqui?‖ E então encarou e deu um empurrãozinho em direção a alguma coisa – ou alguém- atrás de mim, as pálpebras de Gretchen se estreitaram mais.‘Com ele?‖ ―Oh, sim‖, dise Zach, a medida que ele virava da prateleira de calendários que estava olhando.


"Hey" disse Lindsay. Ela, ao contrário de Gretchen, não parecia achar suspeito que eu e Zach estivéssemos em uma loja suspeita há aproximadamente seis blocos de onde moramos. "Tor está aqui, também? Eu achei que ela havia dito que iria para fazer alguma coisa no dentista essa tarde..." "Yeah" eu disse, nervosamente puxando meu cabelo para trás das orelhas "Sim, não, Tory não está aqui. Somos somente nós. Nós viemos para cá porque eu tenho que comprar um cartão. Um cartão de aniversário. Para minha irmãzinha". "Legal", disse Lindsay Ela olhou para o livro em minhas mãos e franziu o nariz "Mas por que você está pegando essa coisa velha? Este livro é muito melhor". Ela pegou o maior volume "Olhe. Cheio de ilustrações". "É que ela pediu este, " eu menti "Eu não sei. Ela é do tipo esquisita". "Você está dizendo que bruxas são esquisitas?" Gretchen mandou com aquela voz grave. "Não!" eu chorei "Gosh, não. Só minha irmã". "Eu acho que são esquisitas" Zach disse muito feliz. Lindsay se aproximou dele parecendo que ia beijá-lo. "É melhor você apenas assistir isso", ela disse "Ou eu colocarei um feitiço em você". "Pelo que você sabe, Lindsey, talvez alguém já tenha feito isso antes" Gretchen disse. Mas ela não disse isso parecendo se referir á Tory, uma vez que ela estava olhando direto para mim quando disse isso. "Eu não sei de nada sobre isso", eu disse com a voz mais agradável que poderia usar "Bem, já encontrei o que precisava. Pronto para ir, Zach?" "Sempre estou", Zach disse. "Bem, vejo vocês caras" eu disse para Lindsey e Gretchen. E comecei a andar para o caixa. "Oh, hey, " Lindsey nos chamou "Nós vamos fazer um chá depois disso, na Chinatown. Querem vir?" "Não posso", eu disse, depositando o livro no caixa. A bonita vendedora me sorriu. "Eu prometi para os pais da Tory que estaria em casa para o jantar" "Tory," Lindsey falou com uma risada "Não a deixe ouvir você chamá-la disso. Ela vai te matar!" "Ela vai matá-la de qualquer forma," Gretchen sussurrou - mas alto o bastante para eu ouvir. Minhas bochechas ficaram vermelhas. E o nó no meu estômago inchou como um balão.


"O que?" Lindsey pareceu confusa. "O que você disse, Gretch?" "Eu?" Gretchen bufou. "Eu não disse nada." Zach, que tinha me seguido, se abaixou, fingindo olhar alguns colares em um vidro abaixo do caixa. "Do que ela está falando?" ele sussurrou. "Nada," eu disse rapidamente. "É só... coisas de garotas." "Legal," Zach disse, ficando em pé. "Que tal eu te esperar lá fora?" "Talvez seja melhor," Eu disse. Zach assentiu com a cabeça e saiu da loja, e os sinos da porta bateram quando ele saiu. "Isso vai ser dez dólares," a mulher atrás do caixa disse. Eu entreguei a ela minha nota de cinquenta novinha. "Eu acho que Torrance estará bem interessada em saber onde você estava com o carinha dela," Gretchen disse, com uma voz dura. "O que?" Lindsey ainda parecia confusa. "Gretchen? Do que você está falando?" "Deus, Lindsey." Gretchen lançou um olhar irritado na direção da amiga. "Você não vê o que ela está tentando fazer? Ela está tentando roubar Zach debaixo do nariz da Torrance!" "Zach não é o carinha da Tory," eu explodi - surpreendendo a mim mesma mais do que a qualquer outra pessoa. As vendedoras pararam de contar meu troco, olhando atônitas para mim. "O que eu quero dizer é," eu disse, regulando meu tom," Zach não gosta de mim ou de Tory. Ele gosta de Petra, Ok? Zach e eu somos só amigos." "Certo," Gretchen disse, obviamente sem acreditar em mim. Lindsey, atrás dela, continuava a parecer confusa. "Nós somos só amigos," eu disse de novo, pegando meu troco com a vendedora. Eu esperava que Gretchen não visse que minhas mãos estavam


tremendo. "Você pode perguntar a ele, se quiser." "Eu acho que vou perguntar a Torrance," Gretchen dise. "Eu acho que é isso que eu vou fazer." "Certo," eu disse. "Faça isso." Eu peguei a sacola que a vendedora estava segurando para mim, agradeci, e virei do caixa em direção a portaE derrubei um monte de velas. "Deus," eu ouvi Lindsey dizer com um giggle(?), assim que eu parei de pegar as velas que eu conseguia antes que elas rolassem pelo chão. "Andou muito?" "Deixe, querida," disse a vendedora, vindo para mim de trás do caixa. "Me desculpe," eu dise, segurando um braço cheio de velas." Eu sou muito desajeitada." "Isso não faz nenhum sentido," a vendedora disse amavelmente." Isso teria acontecido com qualquer um. Aqui, coloque essas embaixo." Ela me ajudou a colocar as velas no caixa. "Aqui. Nenhum dano feito. Oh, e pegue isso. Você quase esqueceu." Ela pegou alguma coisa envolvida num quadrado de tecido de papel do bolso da sua saia, e entregou para mim.meio improvisado "O que...?" Eu alcancei aquilo automaticamente e olhei para o quadrado de papel. O que quer que fosse dentro chacoalhava ligeiramente. "Somente alguma coisa que eu acho que você precisará em breve," ela disse, olhando para a direção de Gretchen e Lindsey. "Para sorte. Blessings para você, irmã." Meu embaraçamento estava agora consumado. Eu pequei o objeto embrulhado no papel e coloquei na bolsa, murmurando," Obrigada," e saí da loja... ...e continuei descendo a rua como se eu não estivesse sendo seguida. "Hey," Zach chamou, se apressando atrás de mim." Mais devagar, pode ser? O Teste Físico Presidencial terminou, lembra?' "Desculpe," eu disse, cuidadosamente não olhando para ele."Oh, Deus. Eu estou tão embaraçada". "Por que você deveria estar embaraçada?" Ele parou um passo atrás de mim. Como ele poderia saber?Eue não tem a menorOh, certo. Ele não esteve aqui. Obrigada, Deus, Obrigada, Deus. "Nada," eu disse, sentindo giddy com relevo(?) "Depois que você saiu, eu...Eu...Eu andei para uma vitrine de velas e trombei com elas".


"Isso é tudo? Eu pensei que você estava dizendo a coisa das amigas da Tory, dizendo que nós estamos saindo." Eu congelei em minhas trilhas. E olheu para ele. Devagar. Seus olhos verdes estavam rindo para mim. "O que?" ele disse. "Você acha que eu não sei sobre a pequena queda de Tory por mim?" O balão em meu estômago inchou para uma melancia. "Você não pode dizer nada sobre isso para ela," eu disse, tudo de uma vez "Você não pode dizer a ela que você sabe. E isso é mais que uma pequena queda. Zach. Ela sériamente ama você." "Seriamente me ama, eh? Isso faz parecer que ela quer ser mais do que amigos...com benefícios." Ele estava rindo. Eu não podia acreditar que ele estava rindo. "Zach," eu disse "Você não entende.Ela não está cercando. Ela-" Eu quase disse á ele. Sobre o boneco. Eu não sei o que me parou, exatamente. Exceto que eu senti como se Tory desejasse ter alguma dignidade ao menos , apesar de seu próprio comportamento estúpido. "Ela poderia fazer a vida realmente desconfortável para mim," eu disse, instantâneamente, "se ela pensasse...bem, que você e eu..." Zach parou de rir. A próxima coisa que eu soube, foi que as mãos dele estavam nas minhas costas. "Hey," ele disse, me dando uma pequena sacudida."Prima Jean. Relaxe. Eu só estava brincando. A última coisa que e gostaria seria fazer a vida mais dura para você.Eu sei que é duro, sendo uma criança azarada. Isso deve ser ainda mais duro começando uma nova escola e vivendo numa nova família no auge da sua...bem..." Ele não disse a palavra espião em voz alta. Ele não precisava fazer. Ambos sabíamos sobre o que ele estava falando, ainda que nenhum de nós tenha mencionado isso desde a primeira vez em que Tory jogou isso para fora, tão casualmente, no dia da minha chegada. "Além do mais," Zach disse, dexando cair suas mãos para longe de mim. "O que isso importa? Considerando por quem eu estou supostamente apaixonado, lembra?" Estranhamente, esse lembrete, ao invés de fazer eu me sentir como se tivesse uma estaca enfiada no meu coração, me fez me animar...um pouco. "Está certo," eu disse "Quero dizer, isso é totalmente ridículo da parte dessas garotas pensarem que nós pudéssemos estar saindo, quando seu coração pertence á outra"


"Não apenas qualquer outra, tampouco," Zach disse "Mas o mais fino pedaço de mulher do planeta" "Yeah," eu disse "Se elas disserem alguma coisa sobre terem nos visto juntos para Tory, eu somente irei lembrá-la que Petra é o seu único verdadeiro amor." "E eu não vou ter outra escolha á não ser suportar isso," Zach disse, "Servidão Eterna, lembra?" Me sentindo um milhão de vezes melhor, eu voltei á começar á caminhar pela rua, balançando minha sacola da Encantamentos... ...e ouvi alguma o que quer que fosse que a vendedora me deu chacoalhando de novo. Eu parei, alcancei isso na sacola, e comecei a desembrulhar o tecido. "O que é isso?" perguntou Zach. "Eu não sei," eu disse "Algum tipo de amostra grátis ou alguma coisa assim que a moça da loja me deu..." Mas quando eu vi o que o tecido continha, eu parei em minhas trilhas, e parei tão abruptamente que fiz com que ele praticamente voasse sobre mim. "O que?" Zach perguntou "O que é isso?" E ele olhou para baixo o que eu segurava."Oh, que legal. Ela te deu um Símbolo Satânico. É um excelente serviço para cliente". "Isso não é um Símbolo Satânico," eu disse com a voz firme. Nos raios inclinados do sol de fim de tarde, a prata do laço de garganta (necklace ?) piscava do seu lugar no tecido. "Esse pentágono é um Símbolo de Magia Anciã, que oferece proteção espiritual par quem o usa. Isso não tem nada a ver com Satã." Zach disse numa voz gentil, "Hey, Jean. Eu estava brincando de novo, certo?" Horrorizada por encontrar meus olhos jorrando lágrimas na guia da calçada do lado de fora de uma pequena loja de piercings, eu guardei o laço de garganta dentro da bolsa. Para sorte, ela havia dito. Somente alguma coisa que eu acho que você precisará em breve. Como ela sabia? Uma pergunta melhor, acho, seria: o que ela sabe que eu não sei? Capítulo 9 ―O que você está fazendo no meu quarto?‖ A voz de Tory estava recheada de veneno. Ela ligou a luz de cabeceira, e agora ela estava em pé na porta, sua jaqueta de couro caindo sobre o ombro, olhando para mim.


Acordando lentamente, eu levantei a minha cabeça da onde ela tinha afundado em um dos travesseiros de Tory, e pisquei com o repentino jorro de luz. Eu devia ter, eu percebi, caído no sono enquanto esperava Tory vir para casa. O livro que eu tinha comprado mais cedo naquela tarde esparramado em cima de mim, aberto, eu sabia, no capítulo de feitiços de proteção. ―Tory,‖ eu disse meio grogue, me sentando. ―onde você esteve? Que horas são?‖ ―O que importa que horas são?‖ Tory disse rispidamente ―O que você está fazendo no meu quarto? Essa é a real pergunta.‖ Eu tirei um pouco de cabelo da minha cara e olhei para o relógio digital na mesa de cabeceira de Tory. ―Jeez,‖ eu disse ―É quase meia-noite. Seus pais vão ficar bravos-― ―Eles não estão em casa ainda eles mesmo.‖ Tory disse, ela tirou sua jaqueta de couro, deixando ela cair no chão, onde a maior parte da suas roupas iam ficar até Marta vier para limpar. ―O que você está fazendo aqui, de qualquer maneira? E porque você não está com Zach?‖ Então elas contaram para ela. Isso não levou tanto tempo. ―Tory,‖ eu disse, passando as minhas pernas para o outro lado da cama. Eu fiquei tão cansada esperando por Tory, que eu tinha trocados os meus pijamas. Agora meus pés descalços afundavam no carpete lavanda que cobria o quarto dela enquanto eu ficava de pé. ―Não tem nada acontecendo entre eu e Zach. Nós somos só amigos. Você sabe tão bem quanto eu que ele está apaixonado por Petra. A gente precisa conversar sobre outra coisa, é importante.‖ Tory tinha entrando no seu closet no segundo que eu mecionei Petra, perdendo o interesse na conversa. Ela deveria saber, o tempo todo que Gretchen ou alguém dize à ela sobre me ver com Zach, que não podia ser verdade sobre nós dois. Porque agora, quando emergiu do closet usando somente um sutiã preto, sua mini-saia, e um monte de colar, seus pesadamente – mas com habilidade – olhos maquiados esbugalharam. Isso porque ela tinha finalmente notado o livro. ―Então é por isso que você foi à Feitiços,‖ ela disse, ―Eu sabia que não era


para comprar um presente de aniversário para Courtney. O aniversário de Courtney é só depois de fevereiro. Você mudou de idéia?‖ Ela perguntou avidamente ―Você pensou no que eu disse, sobre juntar-se ao clã?‖ Eu balancei minha cabeça em sinal de negação. Isso, eu sabia, ia precisar de alguma coragem. Mas eu não tinha escolha. Eu realmente não tinha. Não importa quanto meu estômago doa. ―Não,‖ eu disse ―Eu quero falar com você sobre isso.‖ De dentro da capa do livro eu ainda estava segurando, eu tirei a fotografia de Petra, a da caixa de areia, e segurei isso fora para Tory ver. Estava um saco Ziploc zelado, mas você ainda conseguia ver o que era. Tory deu uma olhada, e então fez um cara. ―Eca,‖ ela disse ―você tocou isso? Isso não é muito higiênico, você sabe. Eu espero que você tenha lavado suas mãos.‖ Então, quando eu não disse mais nada, ela deu os ombros. ―Então. Você achou isso. Eu me perguntei se você iria. Bem. Você quer saber porque isso estava lá?‖ ―Eu sei porque isso estava lá,‖ eu disse ―o que eu quero saber é porque você fez isso.‖ Tory só deu os ombros de novo, então sentou no banquinho em frente a penteadeira, aonde ela começou a pentear seu cabelo preto cheio. ―Porque eu tenho que me explicar para você?‖ Ela perguntou para o meu reflexo. ―Porque isso é sério.‖ Eu cruzei o quarto para ficar do lado da penteadeira, e olhei para ela ―Talvez você não saiba, mas o que você fez – grudando a foto de Petra no tampo da caixa de Mouche desse jeito – é magia negra, Tory. É ruim.‖ Tory olhou para o meu reflexo incrédula por um segundo. Então ela deixou sair uma gargalhada.


―Olhe para você!‖ ela gritou ―Magia negra! Você me mata!‖ ―Eu estou falando sério, Tory.‖ Eu disse, e segurei para cima o livro que tinha comprado. ―Diz bem aqui. Feitiços para causar dano aos outros podem ser muito perigosos. Isso inevitavelmente volta para pessoa que o fez, como um boomerang. Mas três vezes.‖ ―Bem, olhe para você,‖ Tory riu para mim, seu sorriso claramente felino ―e eu achava que você não acreditava.‖ ―Sério, Tory,‖ eu disse ―E estou preocupada com você. Porque você faria algo como isso, e para Petra, de todas as pessoas? Petra é uma das pessoas mais doce e educadas que eu já conheci. Então o que você tem contra ela? É só porque Zach gosta dela? É isso? Porque o que você está fazendo... é errado. É mau intencionado e é errado. E eu não sei porque você fez isso para ela, mas eu estou dizendo isso para você bem agora, está acabado.‖ ―Oh,‖ Tory disse, sem sorrir agora ―Está acabado. Certo.‖ ―Eu estou falando sério, Tory. Você e esse seu clã de bruxas pode brincar por ai o quanto quiser. Você pode fazer pequenos feitiços e executar uma nas outras e ter um bom tempo, pelo que me interessa. Mas não feitiços que manipule ou machuque outras pessoas. Especialmente pessoas como Petra.‖ ―Ah, é?‖ Tory virou sua cabeça ―E exatamente como você vai me impedir?‖ ―Bem,‖ eu olhei para o chão. Eu tinha esperado que isso fosse tão diferente. Eu não sei por quê. Digo, conhecendo Tory, eu não deveria ter esperado que ela fosse fazer outra coisa além de ficar brava. Mas na minha cabeça, quando eu treinei essa conversa, Tory teria se desculpada e dito que não sabia que o que ela estava fazendo para Petra era tão ruim. Ela agradeceria a eu por ter dito a ela, e nós nos teríamos abraçado e descido para tomar um leite juntas. Não parecia que ia ser desse jeito depois de tudo. E eu estava agradecida que tinha feito recapitulações, só em caso. Eu suspirei.


―A verdade é que, Tor,‖ eu disse, virando o meu olhar para encontra o dela, ―Eu amarrei você.‖ ―Você amarrou-― Tory ficou boquiaberta para mim ―Você o quê?!‖ ―Amarrei você para impedi-la de fazer feitiços maldosos.‖ Eu manti meu tom. ―Você ainda pode fazer feitiços bons. Mas nenhum que manipule alguém você vai conseguir fazer. Eles não irão funcionar mais. Não mais.‖ Tory parecia tão chocada como se eu tivesse dado um tapa na cara dela. ―Sua pequena hipócrita... você está me dizendo que esse tempo todo – todo esse tempo - você realmente foi uma de nós?‖ ―Eu não sou uma das suas,‖ eu disse firmemente, ―Eu admito que eu fiquei interessada em mágica uma vez. Mas isso... isso não funcionou. Ok, Tory? Isso deu muito, muito errado, e alguém se machucou, e eu jurei para eu mesma que eu nunca faria isso de novo. Mágica, digo. É um negócio sério, Tory, e não é uma coisa que qualquer um que não saiba o que está fazendo possa ficar mexendo por aí.‖ Tory fez uma cara ―Obrigado pelo conselho, Mãe. Mas talvez interessa você sabe que eu sei o que eu estou fazendo.‖ ―Não, você não sabe. Não se isto é um exemplo.‖ Eu segurei a foto danificada de Petra. ―Algo como isso poderia realmente machucar alguém. È por isso – mesmo pensando que eu não queria – que eu tive que quebrar minha promessa de nunca mais mexer com mágica de novo, e amarrar você.‖ ―Oh,‖ Tory disse, colocando as duas mão no rosto numa expressão de horror. ―Oh, não faça isso, prima Jinx! Eu estou tão assustada. Eu estou certa que a sua estúpida mágica caipira é tão mais poderosa que a minha.‖ Ela deixou suas mãos caírem e olhou para mim com total desprezo. ―Vamos deixar uma coisa clara, Sabrina. Isso aqui é a cidade de Nova York, não Iowa. Eu desconfio que a minha mágica é um tanto quanto mais sofisticada que a sua. Então qualquer pequeno e porcaria feitiço com a qual você me amarrou, é melhor você não contar que funcione. Porque aqui na grande cidade, Jinx, nós não brincamos por ai.‖ ―Nós não brincamos em Iowa, também.‖ Eu indiquei calmamente. ―De fato, meus feitiços sempre funcionaram muito bem.‖ Na verdade, eu só tinha feito um. Mesmo ASSIM. Isso FUNCIONOU muito bem. Infelizmente, um pouco


muito bem. ―Oh, certo.‖ Tory jogou sua cabeça para baixo e riu. ―Você é claramente um feiticeira tão poderosa! Deixe-me ver... você e seus pais pobretões vivem em uma casa muito pequena para vocês, com apenas, tipo, um banheiro. Você não é permitida a ouvir rap ou assistir HBO. Você é uma nota A, velhota geek da orquestra. E você teve que se mudar para Ney York para viver da caridade dos seus parentes ricos, porque algum garoto na sua cidade se apaixonou por você, e seus pais ficaram malucos.‖ Ela estava de pé agora e me encarando com suas mãos nos quadris, um expressão de desdenho na cara dela, seus nariz a poucas polegadas do meu. ―Ah, sim...‖ Ela continua sarcástica. ―Você é uma poderosíssima bruxa, certo. Eu estou tão assustada. Porque você provavelmente fez tanto feitiços que funcionarão. Ou NÃO.‖ Eu pensei em bater nela. Eu realmente pensei. Não muito pela coisa do geek – vamos encarar isso: eu sou uma geek da orquestra (eu não sou uma velhota, de qualquer forma). Mas sim pela coisa da minha família ser pobretona. Digo, meus pais totalmente trabalharam para fazer dinheiro. Ok, talvez nós não ganhamos rolex de natal como as crianças por aqui. Mas meus pais nunca pegaram roupas para nós da caixa de doações da igreja. É verdade que Courtney está cansada de pegar tudo de segunda-mão de mim. Mas nem todo mundo tem condição de comprar para seus filhos um novo quarda-roupa todo ano... Mas eu não fiz. Bater nela, digo. Eu nunca bati em ninguém na minha vida inteira, e eu não iria começar com Tory, não importa o quanto ela me ofenda. Eu queria machucar ela, de certa forma. Machucar-la seriamente. O que era horrível, porque eu poderia te falar que ela já estava machucada. Por dentro, por ferimentos causados por ela mesma. Eu não tinha nenhuma idéia do porque Tory era tão insegura, mas isso tinha que ser o porquê dela ter me ofendido daquele jeito.... porque ela faria – ou tentaria, de qualquer jeito – o que ela tinha feito com Petra? Essa coisa de feiticeira – essa história que ela ouviu sobre a nossa ancestral, Bradwen – ficou na cabeça dela. Ela estava se agarrando a isso, como se fosse


balsa da vida, como se ela sentisse que não tinha mais nada a que se segurar. Ela não gostava dela mesma o bastante para bem... ser ela mesma. A coisa era que... eu conhecia essa sensação. Mas o que eu não conseguia entender é como ela ficou desse jeito. ―O que aconteceu com você, Tory?‖ eu perguntei a ela. ―Você não era assim cinco anos atrás. O que aconteceu para deixar você tão... má?‖ Tory estreitou seus olhos para mim. ―Cinco anos atrás? Você quer dizer quando eu era a menina mais impopular na escola, porque eu era gorda, um capacho idiota que deixava todas as meninas passarem por cima de mim e a única coisa que os meninos queriam de mim era ajuda no dever-de-casa? Eu vou te dizer o que aconteceu, Jinx. Vovó me contou sobre Bradwen. E eu percebi que o sangue de uma feiticeira corre em minhas veias. Eu percebi que eu tinha poder... poder de verdade, para fazer pessoas fazerem o que eu queria que elas fizessem... ou que se apaixonei por mim se elas não estão. Eu só tinha que tomar controle. Da minha vida. Do meu destino.‖ ―Oh‖ eu disse sarcástica. ―É isso que você está fazendo com Shawn nas caldeiras durante seu período livre todo dia? Tomando o controle do seu destino?‖ Tory me lançou um olhar gelado. ―Deus,‖ ela disse ―Você é tão criança. Eu deveria saber que você não ia entender.‖ Isso era supérfluo. Eu tinha percebido agora. Eu peguei meu livro e a foto de Petra e me virei para ir. Na porta, de qualquer maneira, eu hesitei e dei a isso mais uma chance. ―Sobre Zach...‖ Tory olhou para mim ―O que tem ele?‖ Eu sabia que eu deveria ter só despejado isso. Não tinha importância. E isso não ia fazer a menor diferença. Ainda, aquela coisa que ela disse sobre os meus pais... aquilo me pegou. Um pouco.


―Só não envie mais agulhas na cabeça daquele boneco.‖ Tory se levantou ―E se eu enviar?‖ ―Você só estará desperdiçando o seu tempo‖ ―Ah é?‖ O tom de Tory não estava mais ridicularizado. Agora ele estava cheio de ódio. Puro e simplesmente. ―Bem, não vamos ver isso, não vamos? Vamos ver o quão perda de tempo você pensa que isso é, quando Zach terminar comigo – não com Petra, e certamente não com você. Porque você sabe o quê? Não importa o quanto vocês fiquem passeando juntos, e conversando sobre aquele Seventh Heaven esquisito, ou qualquer outra coisa, eu sou aquela com o dom, Jinx. Eu percebo agora. Branwen quis dizer a neta de vovó, não netas, ia ter o dom. E essa neta sou eu. Porque eu não tenho medo de usar o dom dela, do jeito que você tem. O que você pensa sobre isso?‖ Eu pensei rapidamente na mulher atrás do balcão na loja de bruxaria, do seu gentil agradeciemento – ―Louvada seja!‖ – e a bondadade que ela insistiu que eu levasse o pingente de pentágono, com o qual agora eu estava preocupada. Tão diferente, tão descaradamente diferente do tipo de feiticeira que Tory achava que era. Ou queria ser. ―Eu não sei se eu ficaria por ai discutindo o que você acha que herdou da nossa tatataravó, se eu fosse você Tory.‖ Eu disse. ―Porque não?‖ ―Vovó não mencionou como ela morreu?‖ Eu perguntei. Tory balançou a cabeça, parecendo curiosa, apesar de ser ela. ―Ela foi queimada até a morte na fogueira,‖ eu disse ―por praticar bruxaria.‖ Então eu deixei o quarto, fechando a porta por atrás de mim. Capítulo 10 "Eu não consigo acreditar." A mão de Petra estava tremendo enquando ela botava um monte de panquecas no meu prato. "Eu ainda não consigo acreditar. Em uma semana ele estará aqui. Só uma semana! É bom demais pra ser verdade."


Cautelosamente evitando o olhar irritado de Tory, eu peguei o jarro com o xarope e disse, "Bem, eu acho que isso é ótimo, Petra. Eu mal posso esperar para conhecê-lo." "Willem," Teddy disse, enfiando uma garfada de panqueca na boca, "é legal. Ele vai ficar por quanto tempo, Petra?" "Dez dias." Os olhos azuis de Petra não dinha parado de dançar desde que ela tinha desligado o telefone. "Dez dias, todas as despezas da viagem grátis! Você sabe quanto custa uma passagem do meu país pra Nova Iorque?" Alice disse, "Talvez eu deveria começar a ouvir rádio. Talvez eu consiguisse ganhar uma bicicleta nova. Eu realmente preciso de uma bicicleta nova." Petra, apesar de sua euforia, ainda era Petra, então ela disse com uma gentil rispidez, "Alice, você tem uma biciclate adorável que você ganhou no último Natal. "É," Alice disse. "Mas é bicicleta de bebê, com rodinhas. Eu quero uma bicicleta de gente grande, como a de Teddy, com freios de mão. Talvez eu pudesse ganhar uma na rádio, como Willem ganhou uma viagem para Nova Iorque." Tory lançou um olhar azedo para sua irmã mais nova por cima de copo de café que ela mesma tinha botado "Peça para o papai, pelo amor de Deus," ela disse. "Ele vai comprar uma porra de bicicleta pra você." Petra lançou um olhar a Tory, já que Teddy e Alice começaram a rir da menção da palavra com P, mas ela não disse nada. Eu me apressei para mudar o assunto. "Se você quiser tirar um dia pra ficar com Willem, e quiser alguém pra ficar de olhar nesses dois," Eu disse, dando aos meus primos, que estavam rindo, um olhar rígido, "me diga." Petra sorriu. "Brigada, Jean. Eu vou." Tory fez uma careta e sibilou Puxa-Saco para mim. Eu a ignorei.


Então, depois, enquanto nós estávamos saindo de casa para a escola, Tory disse, "Não acha, Jinx, que o namorado de Pertra ter ganhado essa viagem estúpida tem alguma coisa a ver com você ter tirano aquela foto fora do Mouche box. Ou com suas palavras mágicas idiotas. Eu não mudei minha expressão. "Eu nem sonharia em pensar alguma coisa assim," Eu disse. "Porque eu fiz um pouco de mágica de mim mesma ontem a noite," Tory disse "Nós veremos como fica o seu país jeca das palavras mágicas contra a realidade." "Eu acho que veremos," Eu disse, me perguntando como isso tinha chegado a esse ponto: minha prima e eu, brigando pra saber quem era a bruxa mais poderosa. Eu quero dizer, isso é estúpido. Eu não consegui evitar me sentir um pouco culpada. De certa forma, Tory tinha direito de estar brava: pra ela, eu provavelmente parecia a maior hipócrita do mundo, fingindo não saber do que ela estava falando, naquela primeira noite que eu cheguei. Quando eu sabia. Eu sabia perfeitamente. Vovó tinha me contado a mesma história - sobre como na minha geração nasceriam a próxima grande bruxa na família. Tinha sido apenas uma história pra dormir, contada pra me distrair. Mas isso tinha me impressionado muito quando eu ouvi - tanto quanto obviamente impressionou Tory. Porque, como Tory, Eu tinha me convencido que eu sabia qual era a bruxa da minha geração: Eu. É claro que era eu. Meu nome era Jinx, não era? Isso, junto com o cabelo vermelho e a história sobre meu nascimento... Eu tinha que ser a bruxa. Eu era a aberração. Eu era a azarada. Pra todos os outros da minha família, acho, essa era só uma história da Vovó, pra nos deixar interessados em nossa árvore genealógica. Obviamente nem ela acreditava nisso. Ela sempre ria enquanto contava isso, como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Mas ela não riu quando, na última vez que ela veio para nos visitar, eu a contei que eu tinha descoberto o que tinha acontecido com Branwen, sua tataravó. Vovó tinha convenientemente deixado de fora a parte sobre Branwen ter sido a última mulher a ser queimada até a morte por bruxaria em Wales, o


país de onde ela era - um fato facilmente confirmado com a internet. Eu tinha olhado o nome de brincadeira, entediada no computador um dia. Eu encarei a tela, sentindo meu sangue correr frio. Porque de repente, aquilo não era só uma história. Era realmente verdade. Eu era descendente de uma bruxa. Vovó tinha sido prudente sobre isso. "Hm, bem," ela disse. "Eu tenho certeza que Branwen era uma bruxa boa. Ela era uma curandeira, você sabe. Ela provavelmente tinha feito um trabalho melhor curando pessoas do que o alquimista da cidade, então ele ficou com inveja e a acusou de bruxaria. Você sabe como essas coisas eram naquela época." Vovó tinha acabado de acabadar O Código da Vinci. "Essa era a política." Política ou não, uma parte de mim tinha sido morta -morta!- por bruxaria. Claramente isso não era algo para se brincar. Coisa que eu tinha aprendido com dificuldade quando, apesar do que eu sabia sobre Branwen, Eu tinha lançado meu primeiro feitiço e tinha visto ele dar errado tragicamente. Que era o porque eu sabia que Tory - querendo ou não, ela tinha "o dom" que vovó assegurou que uma (ou duas) de nós herdaríamos de Branwen - tinha de ser parada. Então enquanto Petra estava pondo Teddy e Alice na cama na noite anterior, eu entrei sorrateiramente no apartamento dela, e furtivamente botei uma moeda em cada canto do quarto de Petra. Depois eu pus um pouco de sal ao redor de todos as soleiras das portas da entrada e da saída do apartamento de Petra. Depois eu escrevi o nome de Tory em uma folha branca, e enterrei embaixo da forma de gelo na geladeira de Petra. Se algum dia ela achasse aquilo, ela não entenderia nada, com certeza, mas pelo menos estaria a salvo... Mas seria difícil, eu podia dizer, convencer Tory de que o que ela estava fazendo era errado. Era culpa da Vovó, realmente, por encher a cabeça dela sem mencionar a minha - com toda aquela conversa sobre nossos destinos. Se eu nunca tivesse ouvido que eu era decendente de uma bruxa, eu talvez nunca tivesse pego aquele primeiro livro de feitiços, o que eu achei na biblioteca na


minha escola em Hancock, o que eu usei pra fazer meu primeiro feitiço, o que mudou completamente a minha vida... ...e, infelizmente, a de outra pessoa também. Mas se eu nunca tivesse lançado aquele primeiro feitiço, então, é claro, eu nunca teria vindo para Nova Iorque. E eu nunca teria conhecido Zach. Realmente, quando eu pensei sobre isso, tudo isso -o negócio de voltar pra casa, e a dor e a solidão de estar longe da minha família e recomeçar em uma escola nova- pareceu valer a pena quando eu contei que isso tinha me permitido conhecer Zach. Zach, quem, era verdade, estava apaixonado por outra pessoa. Mas quem também, sem intervenção de nenhuma magia, branca ou negra, ainda era meu amigo. E isso era alguma coisa. Era realmente alguma coisa. Então, levando em conta tudo que acontecera entre nós, eu não fiquei realmente surpresa quando Tory começou a me dar um gelo. Eu na verdade estava me perguntando porque isso não tinha acontecido antes. A única explicação racional era que Tory gostava de ter alguém por perto que ela pudesse perseguir impiedosamente. E desde que eu tente não considerar as maldades de Tory, eu não me importava realmente de ser essa pessoa. Mas quando eu me aproximei de Tory na mesa de almoço na manhã em que Petra disse que Willem havia ganho o concurso, ela olhou pra mim e disse, "Nem... pense... nisso." Bem. Até uma caipira como eu entende uma indireta. Eu peguei meu prato e fui sentar na mesa em que eu freqüentemente via meus colegas da orquestra se sentarem. Ainda não tinha ninguém lá, mas eu esperava que, quando eles aparecessem, eles não escolhessem sentar em outro lugar quando me vissem sentada lá. Para que eu não ficasse parecendo tão obviamente sem amigos, eu peguei meu livro de história dos Estados Unidos da minha bolsa e o abri.


Eu mal tinha lido uma página sobre Alexander Hamilton quando outra bandeja foi atirada do meu lado. Eu olhei pra cima e vi Chanelle sentando na cadeira ao lado da minha. "Credo," Chanelle disse, abrindo uma lata de soda diet "Sua prima é uma vaca." Eu levantei meus olhos. Aparentemente não era necessário que eu repondesse, porque Chanelle continuou falando. "Tipo, eu posso tolerar uma festa. Eu, pessoalmente, adoro uma boa festa. Mas não toda noite." Chanelle arregalou seus olhos canstanhos cheios de maldade. "Uma garota tem que deixar sua beleza dormir. Eu não posso ficar fora até depois da meia noite. Antes de tudo, meu dermatologista iria me matar, e depois, olheiras." Ela apontou para sua pálpebra. "As vê? Elas estão aqui. Olheiras. Olheiras. E eu só tenho 16 anos. "Mas essa não é a única coisa." Chanelle mordeu uma lasca de cenoura "São essas amigas novas dela. Aquelas chamadas de feiticeiras, Gretchen e Linsey? Olha, eu sou totalmente aberta para coisas novas. Eu até fui para um dos encontros delas. Você sabe, um encontro de feiticeiras. Era tão falso. Todas aquelas garotas de preto correndo em volta, convocando o espírito do leste... Eu estava, hm, alguém pode, por favor, me contar o que aconteceu em Grey's Anatomy ontem a noite?" A voz de Chanelle diminuiu dramaticamente. "Mas ninguém lá sabia." Eu dei um gola na minha soda e disse, "Talvez seja só uma fase. Talvez ela se canse disso logo." "Não ela." Chanelle começou a desembrulhar um bolinho da Hostess. A teoria dela, aparentemente, era que se ela não comesse nada além de lascas de cenoura e soda diet no almoço, era poderia se recompensar com uma sobremesa. "Dede que ela ouviu sobre sua tataravó, ela mudou. É como se ela tivesse virado Paris Hilton, ou alguém. Só que sem as compras e o Chihuahua. De repente tudo o que importa são festas e unhas pretas e amaldiçoar as pessoas. Eu estou te dizendo, ela realmente acha que é uma feiticeira. E tava tudo ok - eu respeito totalmente as religiões das outras pessoas e tudo o mais mas aí ela começou a fazer feitiços para as pessoas. Antes eram só professoros e garotos e as garotas mais velhas, sabe? Mas depois era eu. Eu sou bem tolerante, mas ficar sabendo que alguém pôs um feitiço em mim porque eu não vou ajudá-la a cavar para os cogumelos à luz da lua..."


"Cavar para o que à luz da lua?" Eu perguntei. "Eu não sei. Uns cogumelos que só crescem em pedras de túmulos. Ela me convidou agora para ir com ela para algum cemitério decendo a Wall Street no meio da noite e ajudá-la a raspar cogumelos de umas lápides... Bem, eu falei pra ela pra esquecer isso. Eu não vou ficar andando à toa em nenhum cemitério velho, e além disso, eu e Robert temos alguns planos pra hoje a noite, sabe? Ele é meu namorado, acima de tudo, ainda que ele seja meio careta. Mesmo assim, ele é fofinho quando não está drogado. Eu só queria que ele parasse de andar com aquele cara idiota, Shawn. Eu não sei o que Torrance vê nele. Realmente não vejo. O garoto é mau. Mas é popular. Então Tor o encontra no quarto do caldeirão todo dia..." Ela balançou o cabelo até que o prendedor caísse. "De qualquer forma, você sabe o que ela me disse? Ela me disse que ela não precisava da minha ajuda, porque as amigas VERDADEIRAS dela a ajudariam. Estava falando de Gretchen e Lindsey, é claro. Aí eu disse 'Ótimo, se suas amigas VERDADEIRAS são tão legais, você pode só almoçar com elas.' E ela disse, 'Ótimo, pelo menos minhas amigas VERDADEIRAS têm algo pra falar além de compras. E eu disse..." Cogumelos de uma lápide? O que, eu me perguntei, Tory estava planejando fazer? "Olha," Chanelle disse casualmente, partindo um pedaço do recheio do bolinho, "Eu gosto de você, Jinx. Você é meio esquesita, com aquele seu violino e tudo, mas você não põe as pessoas pra baixo, e parece que você não é metida em bruxaria ou roupas ou seu peso ou conseguir entrar no colégio certo, como todas as outras pessoas por aqui. Você quer ser minha nova melhor amiga?" Eu estava tomando um gole de soda enquanto Chanelle perguntou isso - que foi o porque eu fiquei em choque. Isso era tão Chanelle - o que eu conhecia dela, de qualquer forma - simplesmente surgir e perguntar algo assim. Quer ser minha nova melhor amiga? Como no mundo eu podia dizer não a um pedido desse, mesmo que eu quisesse? Mas, eu descobri, esse não era o caso. Eu gostava de Chanelle. E eu imaginei que Stacy, com quem eu ainda conversava pelo computador a


noite, iria entender. "Claro," Eu disse. "Mas, hm, só até você fazer as pazes com Tory. Porque eu sei que Tory realmente te ama, Chanelle. Ela só está passando por uma época difícil agora. Na verdade, talvez o que nós devêssemos fazer é fazer com que ela saiba que estamos aqui pra ela, seja lá quando ela estiver pronta pra, hm, se acalmar." "Ou," Chanelle disse, "não. Eu estou cansada dela me controlando. Ei, quer vir comigo depois da escola hoje? Eu estou tentando decidir um corte para o baile de primavera. Robert me levará. Nós poderíamos fazer uma mudança uma na outra. Eu iria AMAR por as mãos nos seus cabelos. Você já tentou prendê-lo mais encima?" Eu disse, "Não. Mas, com certeza, eu adoraria." Ninguém nunca tinha me convidade para sua casa para tentar penteados. Chanelle disse, "Ótimo!" Aí ela ficou séria. Mas eu acho melhor te avisar: eu não sou a única em que Tory está jogando um feitiço. Ela diz que pôs em você também." Eu comi um pedaço da minha salada. "Sério?" Eu, por precaução, manti minha voz sem emoção. "É. Ela tá realmente chateada sobre você e Zach." Chanelle parecia um passarinho enquanto cozinhava. Ela me perguntou, "Vocês dois estão saindo, ou alguma coisa?" Eu não consegui não sorrir. Qualquer menção ao nome de Zach parecia surtir esse efeito em mim. Isso era patético. "Não," Eu disse. "Nós somos só amigos." "Bem, vocês dois passam tempo suficiente juntos. Minha amiga Camile diz que vocês fogem da Educação Física juntos todo dia." "Ele está apaixonado por nossa au pair," eu disse apressadamente. "Verdade." "É, bem, Tory não acha isso. Ela acha que você está tentando roubar Zach dela propositalmente. Ela diz que vai lançar um feitiço em você, você vai pedir pra nunca ter saído de Idaho." "Iowa," Eu disse.


"Tanto faz." Chanelle estremeceu, mesmo que parecesse que estávamos numa poça de luz solar, que passavam pela janela da cantina. "Eu não sei, Jinx. Eu não acredito em feitiços nem nada disso, mas o jeito que ela falou isso... isso me assustou. Eu ficaria de olho se fosse você. Tipo, tá tudo bem pra mim. Eu não tenho que morar na mesma casa que ela. Mas era melhor que você abra o olho." "Brigada pelo conselho, mas eu me viro. Eu acho que todos os feitiços de Tory acabaram. Na verdade," Eu adicionei, enquanto eu assisti Tory jogar fora o que restava de seu almoço e, lançando um olhar maldoso na nossa direção, sair da cantina, "Eu posso garantir isso." Capítulo Onze E realmente parecia que sim – pelo menos aquele dia. Que os feitiços da Tory tinham acabados. Aquela noite, quando eu voltei da casa da Chanelle, Petra estava borbulhando com boas novidades. ―Eu tirei o único A na minha classe inteira de Nutrição*,‖ ela disparou, no minuto que eu entrei na cozinha procurando por refrigerante. ―Uau,‖ eu disse. ―Parabéns, Petra.‖ ―Tantas coisas boas em um dia,‖ Petra disse, com um suspiro feliz. ―Eu não consigo acreditar!‖ ―Eu também não consigo acreditar,‖ eu disse. ―Oh, e Jean. Zach ligou, aqui da casa do lado. Aqui está a mensagem. Ele pediu que você ligasse de volta.‖ Eu nem me incomodei de ir ao meu quarto retornar a ligação. Nem me ocorreu. AO invés, eu peguei o papel que a Petra segurava e disquei do telefone da cozinha, imaginando o que o Zach tinha para me dizer, considerando que eu já havia passado uma hora com ele a tarde, alimentando alguns patos do Central Park com pedacinhos de pretzel, matando o jogo de softball que o Treinandos Winthrop tinha organizado para a nossa turma no baseball diamante. Zach tinha recebido as más notícias – sobre a impossibilidade de Willem visitar Manhattan – bem masculamente, em minha opinião. ―Oh, ótimo, é você.‖ O som da voz profunda do Zach mandou calafrios de prazer pelos meus braços. ―Adivinha o quê? ―O que?‖ ―Bom, você sabe como o meu pai ganha ingressos de graça o tempo todo, através do trabalho, certo?‖ ―Sei,‖ eu disse.


―Bom, alguém deu a ele dois ingressos para Sábado à noite para ver um violonista no Carnegie Hall. Ele não quer ir, mas eu sei o quanto você gosta de violino, então eu pensei que talvez você já tenha ouvido falar desse cara – Nigel Kennedy – ― eu não consegui segurar um suspiro ofegante. Zach, que parecia estar rindo, continuou. ―É. Foi isso que eu pensei . Ele supostamente tinha que ser bom. Então eu imaginei se você estaria interessada. Eu pensei que eu poderia ir junto – como amigo, claro. Quero dizer, a não ser que você planeje convidar alguém da orquestra, ou algo assim.‖ Nigel Kennedy! Eu não conseguia acreditar! ―Oh, meu Deus, Zach,‖ eu berrei no telefone. ―Parece ótimo! Mas você tem certeza que não vai ficar entediado?‖ ―Eu acho que posso agüentar,‖ Zach disse. ―Você sempre pode me beliscar se eu dormir.‖ Eu inspirei felizmente – e então segurei a respiração quando Tory entrou na cozinha vinda do jardim do quintal e me encarou penetrantemente do batente da porta. Ela tinha ouvido? ―Eu achei talvez a gente pudesse jantar ou algo assim, antes,‖ Zach continuou. ―Como amigos, é claro. Talvez você pudesse me dar mais algumas dicas sobre como conquistar a Petra.‖ ―Há,‖ eu disse no telefone. Ela tinha ouvido, tudo certo. Seu olhar fica mais ameaçados a cada segundo. ―Ok. Parece ótimo.‖ ―Beleza,‖ ele disse. ―Te vejo na escola.‖ ―Até então,‖ e desliguei. Tory, ainda apoiada no batente da porta, me olhou. ―Então,‖ ela disse. ―Você e o Zach vão sair hoje à noite?‖ ―Sábado à noite,‖ disse. ―E só como amigos. Não é um encontro, nem nada assim. O pai dele ganhou cortesias para ver Nigel Kennedy, um violinista britânico, no Carnegie Hall, e Zach queria saber se estava interessada em ir com ele...‖ Tory me encarou. ―Eu não sabia que o Zach gostava de música clássica.‖ ―Bom...‖ eu olhei para Petra, que estava a alguns passos de distância, picando os vegetais. Além do fato de que os ombros dela ficaram um pouco tensos, Petra não dava sinal de estar escutando a nossa conversa. ―Eu não sei. Talvez ele queira expandir horizontes ou algo assim.‖ ―Que meigo,‖ Tory disse em um tom que mostrava que era tudo, menos aquilo. ―O que aconteceu com o seu cabelo?‖ Eu instintivamente toquei o meu cabelo. Eu tinha esquecido que a Chanelle tinha feito experiências com o meu cabelo mais cedo naquela noite. Ela o escovou em um topete bufante o qual ela insistia que eu deveria usar em casa.**


―Ah,‖ eu disse. ―Foi a Chanelle. Nós só estávamos bagunçando na casa dela.‖ ―Nossa,‖ Tory disse. ―Que lindo. Primeiro você rouba o meu namorado. Depois você rouba a minha melhor amiga. É assim que as coisas funcionam em Iowa? Porque eu tenho certeza que aqui não é assim‖ Tentando me controlar, eu disse, ―Você sabe perfeitamente que o Zach não gosta de mim de nenhum jeito, a não sei como amiga. E ele nunca foi seu namorado. Você tem um namorado. Shawn, lembra?‖ eu não queria falar ―amigos com benefícios‖ na frente de Petra, então eu apenas acrescentei, ― E Chanelle sente que você, desde que começou a sair com a Gretchen e a Lindsey, você não se importa mais com ela. Você não parece querer passar algum tempo com ela. Porque eu não poderia?‖ ―Eu não me importo com quem você gasta o seu tempo,‖ Tory disse com desdém. ―u só fico imaginando porque você iria passar tanto tempo assim com um cara que você diz não estar interessado em você. Como se não fosse suficiente passar o quinto tempo com ele todo dia. Ah, não. Agora você tem que ir a um concerto com ele também.‖ Eu olhei para Petra. Ela ainda estava picando. ―Olha, Tory,‖ eu disse. ―Se isso vai te deixar chateada, eu ligo pra ele e digo que não vou poder ir - ‖ Porque o que mais eu poderia fazer? Mas Tory parecia não gostar desta idéia, também. ―Ah, não,‖ ela disse. ―Não ir por minha causa. Eu não me importo como você desperdiça o seu tempo. É seu desperdício. Vai nessa, vai ver um concerto com o Zach Rosen. Porque eu me importo? Quando acabar, talvez vocês dois irão dar um passeio no Central Park, já que vocês dois gostam tanto de lá. Não seria divertido? Divertido e puro. Porque Deus sabe que a Prima Jean de Iowa nunca faz nada ruim. Só matar Educação Física, é claro.‖ Eu olhei para Petra, que tinha desistido que fingir que não tava escutando. Ela tinha se virado da tábua e estava prestando atenção completamente, seu olhar fixo na Tory, sua expressão impassível. ―Eu imagino o que o Treinador Winthrop diria se descobrisse o que vocês dois estão fazendo,‖ Tory disse pensativa. ―Você e o Zach. Todo quinto tempo. Você sabe, o Treinador Winthrop não suporta que matem suas aulas...‖ Eu engoli em seco. ―Isso é algum tipo de ameaça, Tory?‖ eu perguntei. Tory riu. Ela tinaha trocado o seu uniforme escolar por um de seus minivestidos pretos. Esse parecia ser de couro. ―Não,‖ ela disse. ―Isto é: eu imagino o quão amigável o Zach ficaria se descobrisse que aquele livro que você comprou na Encantos não era para sua irmã, na verdade, mas sim para o seu próprio uso – ― ―Torrance,‖ Petra disse.


Tory tinha andado vagarosamente até mim enquanto ela falava. Agora ela se virou impacientemente. ―O quê?‖ ela praticamente gritou para Petra. Petra, entretanto, estava perfeitamente calma quando ela falou, ―Sua mãe me ligou do escritório dela hoje. Ela disse que o seu conselheiro educacional ligou para ela hoje no trabalho. Ela queria que eu tivesse certeza que você estaria presente hoje no jantar, para o seu pai e ela poderem falar com você hoje. Acho que você sabe do que se trata. Então, por favor, fique em casa hoje, tudo bem?‖ Tory não disse nada de imediato. Ao invés disso, ela mandou um olhar de puro desprezo na minha direção. O olhar deixava claro, Você fez isso, não fez? Eu balancei a minha cabeça. Claro que não! O que quer que seja, Tory tinha feito a si mesma. Mas era tarde. Tarde demais. Tory soltou uma risada que não tinha um pingo de diversão. ―Então é isso,‖ ela disse. ―É guerra, Jinx.‖ Então ela se virou e sai correndo da cozinha. Alguns segundo depois, nós ouvimos a porta da frente bater, forte o suficiente para fazer as janelas balançarem. Petra foi quem quebro o silêncio que se instaurou. ―Me escuta, Jinx,‖ ela disse.‖Você vai naquela coisa, o negócio violinista. Vai com o Zach.‖ Eu balancei a cabeça. ―Não, Petra. Não vale a pena. Se isto vai chateá-la tanto. Está tudo bem, sério.‖ Por que qual era o objetivo? Tory só ia contar ao Zach, na primeira oportunidade, sobre o meu passado de feitiços... o que ela sabia disso, de qualquer forma, o que graças a Deus não era muito. E ele iria perceber que eu era tão louca varrida – senão a maior de todas – quanto ela, e me deixar de lado. ―Não, não ta tudo bem,‖ Petra disse, aumentando a voz pela primeira vez desde quando eu a conheci. Assustada, eu a encarei. ―Tem alguma coisa errada nesta casa. Eu sei disso. E eu estou te dizendo, o que ta errado nesta casa, é aquela lá.‖ Petra apontou a faca na direção por onde Tory tinha acabado de sair. ―Não é justo da parte dela te dizer isto, que você não pode ver o Zachary. Ele não pertence a ela. Ele nunca prometeu nada a ela. Você vai com ele.‖ ―Não vale a pena, Petra,‖ eu disse. ―Só vai deixá-la com mais raiva.‖ ―Ela já está com raiva.‖ Petra voltou para as cenouras. ―Me deixa lidar com a raiva dela. Eu já estou acostumada.‖


Eu não podia evitar de sorrir um pouquinho para as fortes e delicadas costas de Petra. Ela não tinha idéia do que estava falando. Era divertido até, se você parasse para pensar sobre isto. ―E o que ela quis dizer com aquilo?‖ a au pair virou para perguntar. ―O que ela quis dizer sobre a guerra?‖ ―Nada,‖ eu disse. Eu levantei a mão e toquei no pentagrama ao redor do meu pescoço.*** Parecia que eu iria precisar da sorte que ele deveria me trazer um pouco antes do esperado. Começou no dia seguinte. Eu sabia enquanto me aproximava do meu armário, antes que o primeiro período tivesse começado. Eu parei de repente, o tráfico no corredor passando ao meu redor, as pessoas me lançando olhares irritados, enquanto tentavam passar. Não havia sinal de Tory naquela manhã, e, tendo notado a tensão no rosto da tia Evelyn na mesa do café da manhã (aparentemente a reuniãozinha que ela e tio Ted tiveram com Tory na noite anterior, quando finalmente Tory tinha aparecido de novo, não havia ido bem), eu não esperei por ela, e fui para escola sem ela. Zach – que eu encontrei no caminho para a escola – olhou pelo corredor e perguntou, ―O que foi?‖ ―Olhe,‖ eu disse. E apontei. Os corredores da Chapman School são normalmente lotados. A escola exclusiva, cujos alunos rotineiramente entram em universidades da Ivy League*, estava experimentando uma onda de popularidade que havia resultado em salas de aula que quase transbordavam, e corredores que eram quase impossíveis de se passar. Mas naquele dia eles pareciam ainda mais. Então eu percebi que a multidão não era formada pelos jovens que eu normalmente via fora das salas de aula esperando o sinal tocar, mas por professores e até alguns administradores do escritório do diretor também. Eles estavam todos parados, encarando um único ponto...e aquele ponto, eu sabia, mesmo a 30 metros de distância, que era o meu armário. Com um crescente sentimento de temor – pra não falar da ressurreição do nó no meu estômago – eu abri caminho pelos jogadores de lacrosse que bloqueavam minha visão, e tropeçando eu parei. Ali, pendurado por um cadarço na abertura da metade de cima da porta do meu armário, estava um rato morto. Fluido de algum tipo – não sangue – pingava da cavidade aonde a cabeça do rato deveria estar, formando um poça rosada no chão de azulejo na frente do meu armário. Zach forçou passagem pela multidão atrás de mim, e então congelou. Eu senti


sua respiração quente atrás do meu pescoço, enquanto ele sussurrava, ―Santa – ‖ Um empregado da manutenção estava cuidadosamente desamarrando o rato, segurando um saco plástico aberto para receber o corpo assim que caísse. E caiu, com um doentio baque suave. Vários estudantes gemeram. ―Esse é o seu armário, minha jovem?‖ uma administradora de nariz pontudo me perguntou. Eu não consegui tirar meu olhar da poça rosada na frente do meu armário. ―Sim, madame‖ eu disse. ―Você tem idéia de quem fez isso?‖ Eu levantei meu olhar da poça, mas invés de rapidamente olhar para o rosto da diretora, eu percorri a multidão, procurando por uma pessoa em particular. Eu finalmente notei Tory encostada nos ombros dos jogadores de lacrosse, se espreitando para ver, um sorriso triunfante emplastado em seu rosto. Eu desviei o olhar e disse para a administradora ―Não, madame. Eu não tenho idéia sobre quem pode ter feito isso.‖ Eu passei o resto do dia em uma espécie de neblina. O que, eu fiquei me perguntando, Tory achava que estava fazendo? Roubando um rato dissecado do laboratório de biologia – porque de lá, eu fiquei sabendo, era daonde o rato tinha vindo. O fluído pingando do pescoço aberto era formol – cortar a cabeça do rato e pendurá-lo de ponta cabeça no armário de alguém não era bruxaria, negra ou branca. Não era nem mesmo magia. Era doentio. Era assim que Tory decidira me punir por proibi-la** de usar magia? Me mostrando o quão poderosa ela poderia ser sem nem ao menos usar magia? Bom, estava funcionando. Eu estava assustada – não do rato, mas do que ele representava. Se alguém podia fazer aquilo a um rato – até mesmo a um morto – o que poderia fazer com um gato...ou com uma au pair inocente? Como meus feitiços protetores – colocar moedinhas nos quatro cantos do quarto, ou escrever o nome de alguém em um pedaço de papel e colocar no freezer – poderiam manter alguém a salvo das perigosas brincadeiras que Tory e suas amigas gostavam de fazer? Porque era o que elas eram. Brincadeiras...brincadeiras tolas. Certamente não magia, e certamente não engraçadas. Elas eram o bastante, de fato, para deixar a mais calma das pessoas brava. ―De jeito nenhum podemos provar que foi ela,‖ Chanelle disse no almoço aquele dia, olhando para a mesa que Tory e Gretchen e Lindsey normalmente sentavam...que estava visivelmente vazia hoje. Elas pareciam ter escolhido comer em outro lugar. ―Eles nunca a expulsarão sem provas. Ela vai descobrir


quem contou, e então fazer algo muito pior com essa pessoa. Ela e aquelas amigas bruxas dela.‖ ―Elas não são bruxas,‖ eu disse teimosamente. ―Elas estão brincando de ser bruxas. A habilidade de fazer magia – magia real – é um dom, um dom de afirmação da vida. As pessoas que têm esse dom seguem um código moral, um código que prega construir harmonia com a natureza e entre as pessoas, não machucá-las.‖ Até Robert, comendo um cheeseburger de bacon, pareceu impressionado pelo meu discurso. ―Uau,‖ ele disse. ―Aonde você escutou isso? No Discovery Channel?‖ Eu disse, ―Não. Eu...eu li em algum outro lugar.‖ ―E sobre o rato?‖ Chanelle exigiu. ―Aquilo não foi uma afirmação da vida.‖ ―É exatamente o que eu estou tentando dizer,‖ eu disse. ―Aquilo não foi bruxaria.‖ ―Foi pura enganação,‖ Chanelle disse. Ela olhou para Shawn, que estava ocupado digitando em seu Treo***. ―Cara. Ela é a sua namorada. Você não pode dizer alguma coisa pra ela? Que se ela não se acalmar você não a leva ao baile da primavera.‖ ―Ela não é minha namorada,‖ Shawn disse, sem tirar os olhos da tela. ―Eu te disse. E eu tenho que levar ela. Eu já comprei os ingressos e paguei a limusine.‖ ―Leva outra pessoa,‖ Chanelle disse. Isso fez Shawn tirar os olhos da tela. ―Se eu disser a ela que vou levar outra pessoa,‖ Shawn disse, os olhos arregalados, ―ela vai pendurar um rato no meu armário. Ou pior.‖ ―Você estão dizendo que tem medo da sua própria namorada?‖ Chanelle exigiu. ―Pode apostar,‖ Shawn disse. ―Além do mais, por que eu iria querer enfurecê-la? Ela providencia um valioso serviço pra mim todo dia durante o período livre.‖ ―Você é nojento,‖ Chanelle declarou. Então, olhando tristemente para mim, ela disse, ―Desculpe, Jean. Acho que não há nada que possamos fazer a respeito.‖ Nada que possamos fazer a respeito. A frase ecoou pela minha cabeça pelo resto da tarde. Não podia ser verdade. Devia haver alguma coisa que podíamos fazer – alguma coisa que eu podia fazer. Só que o quê? ―Eu sei que foi a Tory,‖ Zach me informou, durante o quinto período. ―E é hora de alguém fazer algo sobre ela.‖ ―Por favor, não se envolva,‖ eu disse. Nuvens tinham finalmente se movido


para Manhattan, e ao invés de conduzir suas aulas de educação física na chuva, Treinador Winthrop estava forçando seus estudantes a jogar queimada na cantina. Prontamente me deixei ser atingida por uma bola, e um minuto mais tarde, Zach se juntou a mim, e nos sentamos com nossas costas viradas para a parede, junto com outros alunos que haviam sido atingidos. ―Eu já estou envolvido,‖ Zach disse. ―Sério, Jean, eu não sou estúpido. Eu não sei o que está acontecendo entre vocês duas, mas tenho minhas suspeitas, e não vou deixa-la –‖ ―Estou falando sério, Zach,‖ eu disse. Me concentrei em amarrar meus tênis de corrida, pra que ele não visse o quão próxima eu estava de chorar. ―Fique fora disso, está bem?‖ Ele não parecia nem um pouco acovardado. ―Por quê? Por que eu tenho que ficar de fora disso? Sou eu que estou causando isso, não é?‖ ―Não exatamente,‖ eu disse. Eu sabia o que devia fazer – o que era do interesse de Zach, pelo menos. Eu só não queria mesmo ter que fazer isso. Mas que escolha eu tinha? Ou eu contava a verdade para ele...ou Tory contaria a ele a versão dela. Pelo menos se eu contasse, teria uma chance – uma pequena chance, eu admito — que ele pudesse entender. Porque havia muito mais história do que o que Tory conhecia. ―Tem mais na história,‖ eu comecei embaraçadamente, me perguntando como eu poderia fazê-lo entender, ―do que só a queda da Tory por você.‖ Mas para minha surpresa, ele facilitou muito mesmo as coisas quando alcançou e tocou o pentagrama pendurado no meu pescoço. ―É essa coisa?‖ ele queria saber. ―Coisa de bruxa?‖ Algo ficou preso na minha garganta. Acho que foi o nó do meu estômago. ―É,‖ eu disse, depois de tossir. ―Aquele dia que fomos à Encantos, lá no Village...eu não...eu não te disse bem a verdade—‖ ―Quer dizer que aquele livro que você comprou era pra você, e não pra Courtney?‖ O olhar que ele me lançou era sarcástico. ―Eu posso não ter percepção extra sensorial como você, Jean. Mas eu descobri aquela parte sozinho.‖ ―Eu...eu não tenho percepção extra sensorial,‖ eu gaguejei. ―Certo. Como você sabia que aquele mensageiro da bicicleta iria me atropelar? Como você soube o exato momento de me tirar do caminho?‖ ―Isso foi só...isso foi só...‖ Minha voz se perdeu. Seu olhar esverdeado me hipnotizou. ―Jean, eu sei que você tem...bem, talentos especiais,‖ ele disse. ―Mas você não acredita realmente que toda aquela coisa de bruxa funciona, né? A magia e os feitiços e todo aquele vodu. Você não acredita né?‖ Separando meu olhar do dele com certo esforço, e focando-o, ao invés, no


jogo de queimada, eu disse, ―Eu...acredito, Zach. O negócio é que eu vi coisas...coisas que não poderiam ser explicadas de nenhuma outra forma além de magia.‖ ―Civilizações antigas usavam o conceito de magia para explicar qualquer coisa que eles não entendiam...como doenças,‖ Zach disse severamente. ―Mas nós sabemos melhor agora, devido a ciência. Só porque não há uma explicação que nós conhecemos, não significa que é magia.‖ ―Eu sei,‖ eu disse. ―Mas isso não nega o fato de que...eu acredito. E o que é mais importante, Tory também.‖ ―Bom, isso tem que parar. Não é certo. O que for que Tory esteja fazendo...eu não vou ficar parado e assistir como todos nessa escola fazem. Eu não deixa-la se safar disso.‖ Eu balancei a minha cabeça. ―Não. Sério, Zach, não. Tory...ela está muito brava comigo. Não só por sua causa, mas porque eu não...bom, eu não me junto ao clã de bruxas dela. Ela vai tentar se vingar, e um jeito dela fazer isso pode ser...bom, ela pode tentar te dizer coisas a meu respeito—‖ ―Que tipo de coisas?‖ Zach perguntou, um pouco depressa demais. Minhas bochechas começaram a esquentar, mas eu continuei a encarar o jogo. ―Coisas sobre eu ser uma bruxa,‖ eu disse. ―Eu não sou, mas, como eu disse...eu costumava gostar dessas coisas. E ela pode dizer algo sobre...bem, um cara.‖ ―O cara que estava te perseguindo,‖ Zazh terminou pra mim. ―É, eu imaginei. Que tipo de coisa sobre ele?‖ ―Eu não sei,‖ eu disse. ―O que quer que ela diga sobre ele será mentira, porque ela não conhece a história inteira.‖ ―Qual é a história inteira?‖ Zach perguntou. ―Jean, o que aconteceu com esse cara? O que ele fez pra você, que você teve que voar metade do país?‖ Eu lancei um olhar amedrontado para ele. ―Ele não fez nada pra mim. Não foi nada assim. Mas é o que eu quero dizer. Ela pode fazer parecer – eu nem sei. O negócio é, Zach, Tory tem problemas.‖ Eu pensei na foto de Petra no fundo daquela caixa. ―Problemas sérios‖ ―Eu sei que ela tem problemas,‖ Zach disse. ―Meu Deus, Jean, ela pendurou um rato sem cabeça na porta do seu armário. Essa não é a marca de alguém que tem todos os parafusos. Mais uma razão para contar aos pais dela.‖ ―Zach, isso não vai melhorar nada. Ela só vai negar. E não há provas que foi ela –‖ O estouro agudo do apito nos interrompeu. Treinador Winthrop gritou, ―Rosen! Honeychurch! Essa não é a sala de estar dos estudantes. Levantemse!‖ Eu fiquei rapidamente de pé.


―Por favor, Zach‖ eu disse, me sentindo muito mal. ―Deixe-me cuidar disso, está bem? Eu sei que tudo vai ficar bem.‖ Ele balançou a cabeça. ―Você sabe? Você deu uma olhada no futuro e viu isso?‖ Eu sorri. ―Bom, não...não exatamente. Mas as coisas não podem ficar piores, podem?‖ Capítulo Treze E pelo resto da semana, não aconteceu – as coisas não ficaram piores, de qualquer forma. Nada ruim aconteceu. Tory estava sendo mantida bem ocupada pelos pais, que finalmente acordado para o fato de que ela sendo reprovada em quase todas as matérias por não ter feito as tarefas praticamente o semestre inteiro. Como poderia ter feito? Ela tinha saído quase todas as noites com Gretchen e Lindsey, brincando de serem bruxas. Mas meus tios finalmente acabaram com a diversão cancelando todos os compromissos sociais e ficando em casa para supervisionar todas as suas saídas, e contratando-lhe um professor particular, a quem ela obrigada a ver seis dias na semana, incluindo das manhas de sábado. Tory armou uma enorme confusão, mas seus pais não voltaram atrás. Pessoalmente, eu tomei isto como um sinal de que as coisas poderiam melhorar. Zach, entretanto, tinha dúvidas. ―Eu já vi isso antes,‖ ele disse, dando de ombros, quando eu lhe contei tudo. ―Seus tios a pressionam por causa das notas por um tempo – levam-na ao terapeuta com mais freqüência, a fazer os trabalhos – e então ela faz algo dramático para fazê-los de sentirem culpados, e eles largam do pé dela.‖ Eu achei difícil de acreditar, mas o Zach, que ainda queria contar à Tia Evelyn e ao Tio Ted sobre o rato – exceto que eu não permiti – só falou, ―Só espera. Você vai ser.‖ Eu esperei, pensando que seria provado que ele estava errado. Tia Evelyn se manteve vigilante pelo resto da semana checando com os professores da Tory quais eram as tarefas, e o Tio Ted supervisionava-as, mesmo que ela já tivesse tido aula particular. Exceto por uns olhares tortos que ela me lançava, Tory me deixou em paz... e eu não achei que tivesse sido por causa do pentagrama o qual eu estava usando por proteção, também. Ela deixou a Petra em paz, também. Seria pelo feitiço expurgatório*? Ou a Tory tinha mesmo virado a página? ―Eu acho que ela está melhorando,‖ eu disse ao Zach, durante o jantar em um restaurante Italiano barulhento na noite em que nós fomos ver Nigel Kennedy. ―Ela não tem tempo de imaginar modos de torturar as pessoas. Ela


está muito ocupada fazendo as tarefas de Geometria.‖ ―Bom, talvez ela não tenha mais colocado animais mortos no seu armário,‖ Zach falou, ―mas isto não significa que ela não planeja fazer nada pior. Aquela garota ta contra você, Jean.‖ Mas, boba-alegre por ter saído com o Zach – mesmo que nós tivéssemos passado uma boa parte do tempo discutindo o impedimento do Willem em vir, e como isto iria afetar a campanha do Zach em ganhar o coração da mulher de seus sonhos – eu não podia exatamente concordar com sua perspectiva sobre a Tory. E no final do concerto, ele estava sorrindo tanto quanto eu... embora provavelmente fosse por achar engraçado a força com que eu tinha aplaudido no final do concerto mais do que qualquer coisa. Não foi até nós estarmos chegando em casa, depois de decidir caminhar para poder aproveitar o agradável ar noturno, para que alguma coisa acontecesse para empalidecer o meu espírito. ―Não foi o show mais chato que eu já fui,‖ Zach tentava me assegurar. ―Então por que os seus olhos estavam fechados durante a maior parte?‖ ―Eu estava descansando,‖ Zach disse. ―Verdade. Sério, eu não tenho nada contra música clássica. Jazz, entretanto? Nem me venha com jazz. Especialmente – como é que chama? Jazz livre. Você já escutou jazz free? É, sem chances. O que eu realmente gosto é de blues. Tem um lugar de blues ótimo no centro... talvez nós deveríamos ir lá no final de semana que vem. Eu tenho que te arrumar um RG falso primeiro, já que eles não te deixam entrar se você tem menos de vinte e um.‖ ―Seria demais,‖ eu disse. ―Na verdade,‖ Zach falou,‖ nós deveríamos ir lá sem ser neste, no próximo final de semana. No próximo final de semana tem o baile da primavera. Você sabe, o formal. Eu não sei se você quer ir – é bem tosco. Mas eu nunca fui, então eu pensei, bom... você que ir? Comigo? No baile? Estritamente como amigos, claro.‖ Meu queixo abriu como se a minha cabeça fosse dividida em duas. Era verdade que ele estava apaixonado por outra garota. Mas ele tinha me convidado, e não a ela, para ir ao baile com ele. Isso era bom demais para ser verdade. Isto não poderia estar acontecendo a mim, Jinx Honeychurch. Isto tinha que estar acontecendo a alguma outra garota. ―É,‖ eu falei, meu coração parecendo que ia explodir. ―Parece que pode ser divertido.‖ E então nós viramos a esquina da Rua East Sixty-ninth. E eu era capaz de ver a ambulância parada na frente da casa dos Gardiners, os


pisca-piscas vermelhos refletidos nas janelas escuras de todas as brownstones** em volta. ―Provavelmente não é nada,‖ Zach gritou atrás de mim, quando eu sai em disparada. Não era nada, entretanto. Nós chegamos lá enquanto os paramédicos saíram, carregando a Tory em uma maca. Eu vi na hora que ela estava consciente, e até olhando ao redor. O seu olhar caiu sobre o Zach e eu, e tão dramática como sempre, ela estreitou-os perigosamente. E eles colocaram-na na ambulância, e eu não pude ouvir mais, porque eles fecharam as portas. Eu subi as escadas correndo e quase esbarrei na Petra, que estava parada no foyer, procurando em uma pilha de cartões de crédito enquanto um oficial de polícia estava parado perto. ―Ah, Jean,‖ ela gemeu, seu lindo rosto cheio de lágrimas. ―Ah, Jean, graças a Deus você está em casa. Você ficaria com as crianças, enquanto eu vou com a Tory? Os pais dela – eles foram a um evento beneficente. Eles não estão aqui. Ela estava melhorando tanto, eles acharam que estaria tudo bem em sair – ‖ Eu disse, ―Claro que sim.‖ Foi o Zach, que tinha corrido atrás de mim, que perguntou a Petra, ―O que aconteceu?‖ ―É minha culpa,‖ Petra disse, enquanto procurava nos cartões da pilha. ―Eu deveria ter checado ela às seis, mas eu estava muito ocupada ajudando a Jean ficar pronta para sair – ‖ Eu lancei um olhar de culpada na direção do Zach. Petra tinha passado quase uma hora me ajudando a escolher um roupa para o meu encontro com o Zach às seis, ao invés de checar a Tory, a qual deveria estar no quarto dela estudando. ―Se eu tivesse checado ela,‖ Petra disse, sua voz cheia de lágrimas incontidas, ―Eu a teria encontrado antes. Mas te ajudando, e depois o Zach aqui, e então o jantar das crianças, e depois o banho, e a história de dormir – eu simplesmente esqueci. Ela estava tão quieta, eu até esqueci que ela estava em casa. Quando ela ficou em casa num sábado à noite? Ah!‖ Ela se virou ao policial. ―Eu não consigo achar!‖ ―Tudo bem, senhorita,‖ o oficial disse. ―Leve todos, e você pode procurar no caminho para o hospital.‖ ―O seguro de saúde,‖ Petra explicou, enquanto saia pela porta. ―Eu não consigo encontrar. Eu não tive chance de ligar ao Sr. e a Sra. Gardiner, também. Você pode avisá-los, Jean? Diga a eles que nós estamos no – ‖ Ela lançou um olhar inquisitivo ao policial, que disse, ―Cabrini.‖ ―Hospital Cabrini,‖ Petra repetiu, conforme ela começava a descer os degraus em direção a ambulância. ―Você vai avisá-los para me encontrar lá, Jean? Diga a eles que a Torrance – ‖


―Torrance o quê?‖ eu perguntei, minha voz estridente. ―Tentou se matar,‖ Petra falou, segurando um pequeno saco plástico em que o Shawn tinha entregado os Valium*** a Tory. ―Overdose.‖ ―Ah,‖ eu disse, olhando do saquinho de plástico para Petra depois para o policial e depois de volta. ―Na verdade, se a pílulas estavam nesse saquinho, elas eram aspirina infantil.‖ Capítulo 14 Bem, o que mais eu podia fazer? Eu não podia deixa minha própria prima por aí tomando drogas. Não se tivesse alguma coisa que eu podia fazer para impedi-la. Então eu iria encontrar suas drogas secretas em uma em que ela não estaria em casa (não seria tão difícil;ela esconde as pílulas dentro de sua caixinha de jóias), então eu procurei por tudo até achar alguma coisa parecida,mas inofensiva, comprimidos que eu pudesse substituir pelas de verdade – as quais eu joguei pela privada. ―Quando ela chegar em casa,‖ Zach disse por cima de sua Coca,‖ela vai te matar‖ ―Ela ia me matar antes disso,‖ eu disse mal humorada. ―Tudo isso é para o bem dela‖ ―Você sabe que ela não quis fazer isso, de qualquer jeito‖ Zach disse. Ele levantou sua latinha até a boca e tomou um longo gole. ―Não quis fazer isso? Zach, é claro que ela quis. Você não tem uma overdose de Valium sem querer.Isso é simplesmente loucura!‖ ―Huh.‖ Zach pegou um pacote de salgadinhos que alguém tinha deixado aberto na mesa da cozinha, e se serviu com uma mão cheia. ―Louca como uma raposa. Valium é a única droga que é realmente difícil de se matar.E o timing dela foi impecável, em caso de você não ter notado.‖ Me sentei miseravelmente na cadeira que Alice costuma sentar no café da manhã, eu virei pro Zach atônita. ―O timing dela?Do que você está falando?‖ ―Ela sabia que nós íamos sair hoje, não sabia?‖ Eu mordi meu lábio, lembrando do nosso confronto na cozinha. ‖Bem,‖ eu disse. ‖Sim‖ ―È isso que eu pensava. Então ela deve ter tomado naquela hora,‖ ele disse. ‖Logo quando eu vim buscar você. Se Petra tivesse checado ela, o que ela deveria fazer, ela teria encontrado ela caída no chão‖-ele mordeu uma batata fazendo um barulho muito alto- ―teria sido adiada indefinidamente.‖ Eu comecei a falar com ele do outro lado da mesa.‖Você não pode ta falando sério,‖ eu disse.‖Você está dizendo que a Tory não estava tentando se matar


no final da contas -- que ela tomou uma mão cheia de comprimidos só pra eu não sair com você?‖ Ele sugou e engoliu a batata com um gole de Coca. ―Não uma mão cheia,‖ ele disse. ‖Dois, é o que ela disse aos paramédicos. A Tory sabe que dois Valiums não vão fazer nada. È só um show. Um grande e inconveniente show. Ela nunca iria se machucar. Felizmente para nós, essa hora, você já tinha trocado o negócio de verdade por aspirina infantil. Então Petra errou e não encontrou Tory até depois de nós termos ido‖. ―Oh, Zach.‖ Eu falei. ―A pobre Petra acha que é tudo culpa dela, mas não é. É minha‖. Zach abaixou a latinha subitamente. ‖Foda-se isso,‖ ele disse, fazendo uma careta. Mas era fá para ele falar foda-se isso. Não era tão pra eu dizer para mim mesma. Tory tinha, afinal de contas, confiado em mim, mostrando a boneca que ela fez. E como eu retribuo?Saindo com Zach. Claro, Zach não gosta de mim do jeito que eu gosto dele, de qualquer jeito. Nós somos só amigos. Mas ele e Tory também eram só amigos, e ele não foi com nenhum concerto com ela. È claro que ela está com ciúmes. È claro que ela agiu assim por causa do ciúme. E agora ele me convidou para o baile. Se ela tentou se matar – ou, como o Zach acredita fingido uma tentativa de suicídio – só porque nós fomos num concerto juntos. O que ela faria se soubesse que Zach me convidou para o Baile de Primavera? Eu não sabia. Mas eu sabia que eu não queria descobrir. Foi quando o telefone tocou. Eu pulei de trás da mesa e tirei do gancho antes mesmo que tocasse uma segunda vez. ―Sou eu,‖ Tia Evelyn disse. ‖Nós estamos no hospital com Tory. Voltaremos para casa logo. Ela ficará bem. Graças a você.‖ Eu respirei aliviada.‖Graças a Deus.‖ Eu dei a Zach um sinal de O.K. e ele resmungou um ―eu te disse‖. ―Como estão as crianças?‖ Tia Evelyn quis saber. ―Dormindo,‖ eu disse. Alice graças a deus não acordou. Teddy ouviu o barulho da ambulância e desceu as escadas, mas Zach o convenceu a voltar para a cama com a promessa de um jogo de pega-pega no dia seguinte. ―Ótimo. Bem, parece que vão liberá-la logo. Eles não tiveram que lavar seu estomago já que eles sabiam que era… bem, o que você disse.Eu mal pude acreditar quando você me disse. Eu não sei como ela conseguiu Valium. Como você sabia Jean? ―Sabia o que?‖


―Que ela tinha aqueles comprimidos.‖ Eu respirei e disse, ―Eu, hum, apenas encontrei eles -‖. ―E não nos contou?‖ Tia Evelyn pareceu realmente desapontada comigo. ―Eu estou muito grata pelo que você fez Jean, mas você deveria ter nos contado. Tory está - Oh aqui vem o médico dela. Não nos espere acordada Jean. Conversaremos de manhã. Obrigada por olhar as crianças‖. ―Oh, não tem pro-‖. Mas Tia Evelyn já tinha desligado. Eu abaixei o telefone, e virei para o Zach. Eu me sentia doente. Mas eu não tinha escolha. Tory me mostrou isso. ―Então?‖ Zach estava me olhando com aqueles intensos olhos verdes. ―Ela está bem não está? Eu te disse.― ―Ela está bem.‖ Falei. Eu engoli em seco. ―Zach, eu não posso ia ai Baile com você‖. Eu disse isso rápido. E eu disse confiante. Ele apenas me olhou. ―È isso que ela quer você sabe,‖ ele disse. ―È por isso que ela fez isso‖. ―Ainda,‖ eu disse, lembrando do quão desapontada a voz de Tia Evelyn parecia. ―Eu não posso ir. Eu sinto muito.‖ Zach girou os olhos. ―Pare de se torturar. Nada disso é sua culpa.‖ ―É minha culpa também! É por isso que eu não posso ir com você. Não seria certo. Você terá que convidar outra pessoa.‖ Zach me olhou bravo. ―Eu não que ir com outra pessoa,‖ ele disse. ―Se eu não posso ir com a garota que eu quero, eu não vou com ninguém.‖ ―Por quê?‖ Eu respondi quente. ―Petra é quem você quer, mas você ia comigo. Que diferença isso faz?‖ ―Você quer saber?‖ Ele disse, deixando sair um repentina – e totalmente sem humor- risada. ― Você está certa. Não faz a mínima diferença.Eu vou para casa agora. Vejo você amanhã.‖ E então, ele tinha ido. Eu estava sozinha na cozinha dos Gardiners. O que tornou mais fácil o que eu fiz em seguida, que foi sentar e chorar por uns bons dez minutos. Eu não estava chorando só por mim, ou porque eu tinha perdido Zach – não que eu alguma vez tivesse ele. Não, eu estava chorando pela Tory, e pela Petra, e por todas as pessoas que minha magia – era magia, ou simplesmente má sorte? – tinham machucado. Porque, no final, o que a Tory fez com ela não foi resultado do meu feitiço de anulação? Eu a proibi de não machucar os outros… …mas não de machucar a si mesma. Esse fato doeu mais quando ela voltou para casa, e eu a vi lá com eles – seus


parentes e Petra – no foyer e corri para saudar eles. Ela estava pálida, e parecia mais magra que nunca. Ela podia parecer vencida, mas não tinha nada de fraco no olhar dela, maldade inalterada em cima de seus ombros quando ela parou seu caminho pela escada quando me ouviu dizendo, ―Oh, você está em casa.‖. ―Oh, Jean,‖ Tia Evelyn disse enquanto colocava seu casaco de noite nos ombros. ―Você ainda está acordada? Não precisava esperar. Está tarde.‖ ―Eu estava muito preocupada para dormir,‖ eu disse. ―Bem, você não precisa mais se preocupar,‖ Tio Ted disse olhando Tory nas escadas. ―Ela está bem. Graças a você.‖ Ouvindo isso, a cara de Tory perdeu um pouco da palidez e virou um vermelho de raiva. Então olhando para baixo até mim ela gritou, ―Eu vou fazer você par por isso Jinx, mesmo que seja a ultima coisa que eu faça Jinx!‖ ―Tory!‖ Tio Ted olhou para ela. ―Sua prima pode ter salvado sua vida essa noite. A coisa apropriada a fazer seria agradecer a ela‖. ―Oh, eu vou agradecê-la, tá bom,‖ Tory disse com um espirro. ―Eu tenho um ‗muito obrigada‘ muito especial que eu venho guardando para você, Jinx.‖ ―Torrance!‖ A voz de Tia Evelyn foi tão dura que poderia ter quebrado um copo. ―Vá para o seu quarto. Nós vamos discutir isso de manhã. Com seu terapeuta.‖ Tory me lançou um último olhar maligno, então subiu correndo as escadas. Quando sua porta já tinha batido, Petra, que tinha ficado parada ao lado da porta da sala de estar, disse. ―Bem, estou cansada. Se estiver tudo bem com vocês, acho que vou para a cama.‖ ―Oh, é claro Petra,‖ Tia Evelyn em um a voz completamente diferente. ―Muito obrigada por tudo o que você essa noite.‖ ―Não foi problema algum,‖ Petra disse. ―Eu estou feliz que... bem. Estou apenas feliz. Boa noite.‖ Ela passou pela porta que levava ao seu apartamento. Assim que ela saiu eu virei para Tia evelyn e paro o Tio Ted. Era hora. Eu já tinha feito com Zach. Agora era a vez deles. Eu não queria fazer. Mas eu não tinha escolha. ―Eu sei que vocês dois estão cansados e provavelmente querem ir para a cama,‖ eu disse. ―Mas, eu apenas queria dizer que eu sinto muito não ter falado sobre as drogas. Que eu sabia que a Tory tinha elas, eu quero dizer. e...e...‖ Eu coloquei essa ultima parte com pressa, tendo visto isso virtualmente em minha cabeça dês de que eu vi Tory sendo carregada pelos paramédicos. ―E vocês quiserem em mandar para casa eu entendo.‖ Os dois, Tia Evelyn e Tio Ted me olharam como se eu tivesse sugerido que


eles arrancasse minha cabeça. ―Mandar você para casa?‖ Ecoou Tio Ted. ―Porque nós iríamos querer isso?‖ ―Oh, Jean querida.‖ Tia Evelyn, cheirando exótica como sempre, e parecendo linda em um vestido longo preto, pôs um braço ao meu redor. ―O que aconteceu hoje não foi sua culpa. Tory vem tendo... dificuldades de uns tempos para cá. Eu sinto muito se eu briguei com voe no telefone. Eu estava apenas irritada. Mas nós não culpamos você. Não mesmo.‖ ―Mas‖ - como eu podia explicar isso sem fazer Tory me odiar (não que ela não me odiasse) para sempre se descobrisse- ―é só que… bem, essa coisa com Zach-‖. O belo rosto de Tia Evelyn endureceu, e ela tirou o braço ao redor de mim. Mas não, como o que eu pensei primeiro, porque ela estava brava comigo. ―É sobre isso que tudo isso aqui é?‖ ela perguntou. ―Nós imaginávamos. Tory tinha uma queda por ele pó um tempinho. È triste que ele não goste desse jeito dela, mas eu expliquei para ela… que é a vida. Não é sua culpa se ele escolheu você e não ela.‖ Eu corei até as raízes dos meus cabelos. ―Oh, não,‖ eu disse horrorizada. ―Zach e… nós não estamos saindo. Somos só amigos. Eu não sei por que Tory acha que tem alguma coisa a mais que isso.‖ Tia Evelyn levantou suas sobrancelhas. ―Sério?‖ Ela disse. ―Bem, deve ser porque ele parece estar sempre-‖. Mas ela não terminou, porque Tio Ted interrompeu. ―Espere. Eu não consigo acompanhar. Eu achei que Tory tinha seguido em frente com essa história de Zach,‖ Tio Ted disse. ―E sobre esse tal de Shawn?‖ ―Eles são apenas amigos, eu acho,‖ Tia Evelyn disse. Certo. Amigos com benefícios. ―A coisa é que‖ eu disse me sentindo como se eu tivesse perdido o ponto do meu discurso de algum modo, ‖eu acho que eu sendo amiga de Zach é o que fez Tory fazer o que fez. Então se talvez eu fosse pra casa -‖. ―Você não pode voltar para Hancock ainda, Jean,‖ Tia Evelyn disse, parecendo perturbada. ―Ted e eu adoramos ter você aqui. E Teddy e Alice adoram você. Petra não pode dizer coisas boas o suficiente sobre você. Até Martha diz que você é uma lufada de ar fresco nessa casa. Você se tornou muito querida aqui. Não sei o que faríamos sem você.‖ ―E,‖ Tio Ted acrescentou, ‖Francamente, eu acho que você ficar aqui faz bem para Tory. Eu sei que hoje a noite foi duro. Mas imagine o quão pior seria se você não tivesse feito o que você fez‖. ―Você é um bom exemplo pra ela, Jean,‖ Tia Evelyn concordou. ―Você tem os


pés no chão. Eu tenho que admitir Jean, eu realmente esperava que um pouco de sua boa influência caísse sobre Tory.‖ Eu mordi meu lábio inferior. Um bom exemplo? Eles esperavam que um pouco de minha boa influência caísse sobre Tory? Deus, sem duvida que ela me odeie! Eu me odiei, ouvindo ser descrita desse jeito. Mas a verdade era, que eu não queria partir. Mesmo se Tia Evelyn tivesse viajando com todo seu ―você tem os pés no chão‖. Ela claramente não tinha idéia onde eu estaria amanhã – onde eu sabia que, agora que eu estava ficando, eu não tinha escolha além de ir. Eu eu não ia contar a ela. ―Tá bom,‖ eu disse. ―Eu fico‖. Depois de tudo,qual seria o poir que poderia acontecer? Nada tão ruim quanto o que aconteceu em Hancock Ou era o que eu pensava. Capítulo 15 Os sinos por cima da porta da loja balançaram quando eu entrei. A mulher atrás do balcão me olhou por cima do livro que estava lendo e disse ―Bênçãos—‖ Então ela me reconheceu, e seu rosto abriu num sorriso. ‖Oh, é você,‖ ela disse bondosamente. ―Com vai você irmã?‖ Eu me aproximei do balcão tentada. Eu vim sozinha dessa vez, passando pelo trânsito de Nova York sem a ajuda de Zach. Foi assustador, tomar o trem sozinha — especialmente quando os metrôs vieram zunindo para a estação, rugindo tão alto que eu não consegui ouvir mais nada. Mas eu consegui. E agora eu estava na loja na Ninth Street, me sentindo boba por vir. Magia não podia me ajudar. E nem essa mulher. Ninguém podia me ajudar. A mulher abaixou seu livro. Eu olhei de relance a capa. Não era como eu esperava um livro de bruxaria, mas eu livro realmente velho de ficção científica. ―O que foi querida?‖ a mulher me perguntou em uma voz simpática. Eu olhei ao redor. Com exceção do gato, que estava deitado em uma pilha de livros no canto, se lambendo vagarosamente, não tinha mais ninguém na loja. Eu engoli em seco. Eu me sentia ridícula. E ainda… ―Alguém que eu conheço vai fazer um feitiço,‖ eu disse com pressa.Afinal…não faria mal, faria?Poderia até ajudar. ‖Tudo que eu sei é que um dos ingredientes é algum tipo de fungo que cresce em pedras de túmulos, e a, hum, pessoa que vai fazer o feitiço teria que colher o fungo a meia noite, sob a lua crescente. Eu estava imaginando se você teria alguma idéia de que tipo de feitiço seria.‖


A mulher, que deveria ter uns 30 anos, com pele perfeita e longos e pretos cabelos, levantou suas sobrancelhas pensativa. Eu estava preocupada que ela começasse a fazer um longo discurso sobre como praticar bruxaria era realmente tudo sobre o apoderamento, e que feitiços eram apenas um jeito das bruxas de focalizar sua energia em resolver um certo problema, mas ao invés disso, ela disse, ―Bem, uma lua crescente é quando a lua vai ficar cheia, então, um feitiço feito nesse período iria indicar crescimento de algum modo. È uma boa época para novos recomeços.‖ ―Então… ele poderia ser um bom feitiço não?‖ Eu me iluminei. ―Eu quero dizer, novos começos são bons, certo?‖ ―Nem sempre,‖ a vendedora disse, olha para mim simpaticamente. ― Por a coso a pessoa está com raiva?‖ Eu engoli em seco novamente. ‗Eu tenho um muito obrigada muito especial guardado para você, Jinx‘. ―Sim‖. Ela acenou e disse, ―Isso é um problema, então. Mas nada que você não possa resolver‖. Eu olhei espantada para ela. ―Eu? Dificilmente.‖ A mulher parecia divertida. ―Eu posso dizer só olhando para você que você é uma bruxa natural... e poderosa também, eu sinto.‖ Eu balancei minha cabeça tão forte que meu cabelo bateu em minhas bochechas. ―Não. Não, você não entende. Qualquer poder que eu tenho... é ruim. Tudo que eu toco é perdido. È por isso que eu sou chamada de Jinx.‖ A mulher sorriu, mas ao mesmo tempo, balançou a cabeça. ―Você não é azarada,‖ ela disse. ―Mas eu sinto... perdoe-me por dizer isso, mas eu sinto que você o teme. Seu poder.‖ Eu não consegui evitar ficar encarando. Como ela... Oh certo. Ela era uma bruxa. ―Eu fiz um feitiço uma vez,‖ eu disse minha garganta ficando derrepente muito seca. ―Meu primeiro feitiço. Meu único feitiço na verdade, com exceção do feitiço de proteção. Aquele feitiço - meu primeiro... deu errado. Realmente. Realmente errado.‖ ―Ah,‖ ela balançou a cabeça sabiamente. ―Agora eu percebo. Ele assustou você, esse poder que você descobriu em si mesma. Isso pode ser o que está fazendo você tão – azarada. Você está atraindo isso para si mesma, enfrente seu medo.‖ O que? Eu estava causando minha má sorte? Impossível. Porque eu faria isso? ―Eu entendo como deve ter sido para você‖ ela foi falando simpática. ―E você está certa sendo cautelosa. Um grande poder como o seu... é muita responsabilidade. Você nunca deveria usá-lo levianamente. E nunca, como acho que você já aprendeu, manipular a vontade de outra pessoa. Porque poderia dar errado... muito errado, como parece que foi o seu primeiro feitiço. Mas isso não significa que você deve ficar assustada. Cuidado, sim.


Assustada, não. Porque o seu poder – o seu dom – é parte de você. Uma boa parte. Não uma parte ruim. Não o aceitando, você está negando uma parte de você mesma. È como dizer que você não se gosta. E isso é errado. Com certeza você pode perceber que é isso que está acontecendo, porque você tem uma sorte... é, como você diz, ruim?‖ Eu me vi concordando. Eu não confiava em mim mesma para falar. ―A mágica que você possui,‖ a mulher foi falando gentilmente, ―é muito antiga, e muito poderosa. Eu iria chutar que quem quiser por esse feitiço em você – a pessoa dos cogumelos – não tem a mínima idéia do que está enfrentando. Você irá derrotá-la... mas apenas se você aceitar a magia que você teme.‖ Aceitar o que eu temia? Ela tinha que estar brincando. Eu quero dizer, era fácil para ela dizer. Talvez se ela ficasse em minha pele por um dia – só um dia – ela veria que não é nada para aceitar... Só coisas para fugir, gritando. Ratos decapitados e mensageiros de bicicleta perdendo o controle e bonecas com alfinetes nas suas cabeças... A mulher sorriu para mim. ―Você não acredita em mim,‖ ela disse. ―eu percebo isso. E eu não me importo. Mas esse seu feitiço de anulação – funcionou?‖ Eu pensei em Petra... e Willem ganhando aquela viagem para Nova York, e ela em sua aula de fisioterapia. ―S-Sim,‖ eu disse hesitante. ‖Na verdade, parece que funcionou. Até agora.‖ Ela me olhou interessada e disse ―Você não estava lutando contra seu poder naquela hora, estava?‖ ―Não,‖ eu disse. ‖Eu estava brava.‖ ―Viu? Raiva pode ser saudável. Quando a hora chegar – e vai chegar – lembre disso. E o que eu disse. Aceite seu poder – ame a si mesma do jeito que a Natureza fez você. E você vai prevalecer. Sempre.‖ Eu queria acreditar nela. Mas como eu poderia aceitar algo que minha vida inteira apenas ferrava as coisas para mim? Era impossível. Ainda, para ser educada, eu sorri. ―Hum,‖ eu disse, ―a coisa é que, eu não estou tão preocupada comigo mesma. Eu estou mais concentrada em... uma amiga minha.‖ Eu não queria admitir em voz alta que eu estava com medo da Tory machucar o Zach. Não de porpósito, claro, mas eu não podia tirar a imagem da boneca com o alfinete na sua cabeça da minha mente. Eu sabia – muito bem – como um feitiço podia dar errado e acabar machucando alguém que você nunca quisesse machucar. ―Eu estou preocupada que essa... pessoa... que está fazendo o feitiço com os cogumelos possa fazer alguma coisa com ele. Eu estava esperando que você talvez tivesse


alguma coisa aqui que possa proteger ele... sem ele saber, se possível.‖ ―Ele não acredita?‖ a mulher perguntou, com um sorriso torto. ―Hum... não exatamente.‖ Os olhos azuis da mulher brilharam. ―Entendo,‖ ela disse. ―Bem, na verdade...‖ E então a mulher – que realmente era, eu percebo agora uma bruxa praticante, apesar de não estar usando um vestido preto, mas sim uma camiseta preta Wonder Bread e jeans azuis – se levantou do naco em que estava, saiu de trás do balcão. ―Um pouco de casca de limão em pó,‖ ela disse indo para a parede distante da loja. Esta era cheia de prateleiras, nas quais cada uma tinha um tipo de jarra de vidro, com tampa de metal, que você levanta para pegar o que tem dentro, como uma doceria antiga. ―Isso é para purificação.‖. Ela levantou uma jarra e deu uma colherada em um pó amarelo e colocou-o em um pacotinho. ―Depois um pouco de gengibre para energia‖. Ela adicionou algumas fatias da raiz no saco. ―Trevo para proteção, á claro–― alguns pedaços foram para o saco. ―E não vamos esquecer de um pouco de rosmarinho‖. Ela virou e piscou para mim. ―Para o amor, como em ‗amor o seu inimigo‘, impossível como pode parecer nesse momento. Aqui.‖ Ela deu uma girada em cima do caco, e o prendeu com um pouco de fita vermelha. ―Com sorte, qualquer feitiço que for jogado contra ele,‖ ela disse me dando o saco, ―será bloqueado na hora, e voltara para quem fez o feitiço, contanto que ele carregue isso.‖ Com sorte. Eu engoli e peguei o saco. ‖Tipo aquela coisa que se diz quando é criança? ‗I‘m rubber, you‘re glue, anything you say bounces off me and sticks to you‘?‖ A mulher riu seus olhos azuis olhando os cantos novamente. ―Exatamente como isso.‖ Eu abri minha mochila, e coloquei o saquinho ali dentro, imaginando como nesse mundo que eu iria colocar isso escondido nas coisas do Zach sem ele saber... Especialmente considerando o fato de que ele não está falando comigo nesse momento. ―Bem, muito obrigada.‖ Eu falhei, em ver como que um saco de ervas secas iria proteger Zach da loucura da Tory. Mas de outro lado, eu uma vez falhei em ver como um feitiço diferente iria funcionar, e veja o que aconteceu. ―Quanto eu te devo?‖ A bruxa riu. ―Nada! É meu prazer ajudar você. Por falar nisso, meu nome é Lisa.‖ ―Jean,‖ eu disse, indo balançar a mão da bruxa. ―Mas você irá a falência se


continuar a me dar coisas. Você já me deu isso.‖ Eu toquei o pentágono no meu pescoço. ―Lembra?‖ Lisa sorriu. ―Eu lembro. Use-o na saúde boa. Volte em alguns dias, e deixe-me saber como tudo terminou.‖ Eu coloquei minha mochila nos ombros outra vez e disse, ―bem, tudo bem. Obrigado.‖ ―E não se esqueça‖ Lisa disse, quando eu estava saindo. ―Aceite seu bom, Jean. Nunca o tema. É uma parte de quem você é afinal.‖ Eu assenti e parti da loja após ter agradecido a outra vez. Havia uma parte de mim, naturalmente, que o pensava que a coisa inteira era boba. Aceitar o meu dom? Certamente não queria dizer o presente que a Bisa-Bisa-E-Assim-Vai-Avó Branwen tinha me deixado… ou nós, se você quiser incluir a Tory. O dom que Tory tinha dito assim tão zombadamente, que não estava receosa em usar, embora eu pudesse estar. O dom da magia. Como poderia essa mulher mesmo ter sabido sobre Branwen, abandonou seu dom? Eu tinha algum tipo do poder - real e verdadeiro - como a senhora pareceu pensar? E eu causava realmente minha própria má sorte, temendo e não aceitando o dom? Havia apenas um jeito de descobrir. Capítulo 16 Eu posso ter má sorte crônica - trazida por minhas próprias inseguranças, mas eu não sou burra. Eu não estava a ponto de dizer a pais do Tory onde ela tinha conseguido as drogas. Eu tinha tido bastante trabalho para me encaixar na escola - considerando o rato decapitado, pendurado acima em minha porta do armário, e os boatos sobre meu perseguidor lá em casa - sem também ser etiquetada como uma NARC*. Assim como Shawn tinha terminado sendo expulso, não teve nada a ver comigo. Quando, durante o terceiro período na manhã de segunda-feira, circulou que os administradores da escola procuravam o armário de alguém, eu não pensei nada dele. Mas quando, durante o quarto período (. História dos EUA, que eu tenho com Tory e Shawn, embora Tory não estava na escola em segunda-feira, devido a ter que ir às consultas com seu terapeuta e seu médico), o diretor realmente apareceu na porta da sala de aula e disse à Sra. Tyler, ―Eu posso falar com Shawn Kettering, por favor?‖ mesmo eu soube que não era um sinal bom. Então, no almoço, saíram boatos que ele foi expulso. Carregado. Pronto. ―Bem, eu pelo menos estou contente.‖ Chanelle era filosófica sobre a coisa inteira porque ela tinha tomado todo o seu Devil Dog. ―Assim, Robert terá


muito mais dificuldade com a apreensão dela agora. Você sabe. Erva. Certo, poderia ir para baixo até o Washington Square comprá-la. Mas a metade daqueles negociantes são tiras disfarçados. Ele não vai arriscar. Se ele for preso , seus pais irão mata-lo. Agora talvez será mesmo direito para o baile. Isso será uma mudança.‖ ―Eu tenho que ficar direito até o baile?‖ Robert olhou realmente um pouco tonto. ―Cara, isso simplesmente não está certo.‖ ―Oh, supre isso,‖ Chanelle disse. ―Será bom para você ver como o resto de nós vive.‖ ―O jeito que o resto de vocês vive é uma merda.‖ Robert disse. *NARC – narcóticos, polícia especial dos EUA que procura por drogas. Eu estava rindo de sua piada, quando uma voz familiar, grave muito perto de minha orelha foi, ―Levante-se, NARC.‖ Eu quase cuspi meu dedo da galinha. Eu girei em meu assento para ver a carranca de Gretchen e Lindsey abaixo em mim. ―Você está feliz agora NARC?‖ Gretchen quis saber. ―Como se não fosse bom o bastante roubar Zach debaixo do nariz de Torrance? Você teve que fazer o namorado dela, Shawn expulso da escola, também?‖ Eu olhei fixamente acima para as duas meninas. ―Eu não roubei Zach de ninguém,‖ I disse, quando eu encontrei finalmente minha voz. ―Ele e eu não estamos saindo. E eu não sei o que você está falando, sobre Shawn. Não fui eu que falei.‖ ―Oh, certo,‖ Lindsey disse, fazendo uma cara. ―Filha do pastor? Naturalmente que foi você.‖ ―Não foi‖ eu disse. ―O que quer que você diz, NARC,‖ Gretchen disse. E então e Lindsey pegaram suas bandejas e dirigiram-se para o lado distante do cafeteira. Quando eu girei, afligida, de volta para a mesa, Chanelle estava com uma expressão simpática. ―Oh, Jean,‖ ela disse. ―Não deixe aquelas bruxas puxá-la para baixo. Nós sabemos que não foi você. E mesmo se foi, quem poderia culpar você, após o que aconteceu com Torrance?‖ Porque, naturalmente, a notícia da tentativa do suicídio de Tory tinha espalhado como o fogo através da escola - embora eu não tivesse dito uma palavra sobre ela. ―Não fui eu,‖ Eu disse ferozmente. ―Não se preocupe sobre isso.‖ O olhar de Robert furou. ―Ninguém escuta aquelas duas vadias de qualquer maneira.‖


Havia somente outra uma pessoa no Chapman cuja a reação à coisa de Shawn eu me importei com. E ele tem me evitado como o praga desde a noite de sábado. Eu não tinha estado perto de bastantes a Zach para trocar uma única palavra com ele, deixei apenas o saquinho de Lisa deslizar em sua mochila. Não que eu o responsabilizei. Entre meus problemas com Tory, e então a coisa de bruxa –e agora isso- eu deveria ter parecido como o ímã de grande má-sorte eu que eu era. O Treinador Winthrop nos fez jogar softball outra vez. Não era nenhum milagre que Zach e eu terminamos na mesma equipe. O Treinador Winthrop, em um momento raro de bom humor, aparentemente decidiu que seria hilário escolher uma nerd de música - e rumores diziam que também era NARC, mas eu tenho quase certeza que o treinador não saiba disso ainda - como eu para a capitã da equipe. Zach era, naturalmente, a primeira pessoa que eu escolhi para minha equipe. Hey, podia ser o único jeito de fazê-lo falar comigo. Mas no final, eu estava errada. Outra vez.. Ele veio até mim, e falou comigo por vontade própria enquanto nós esperávamos nossa vez no bastão. ―Então, prima Jean de Iowa,‖ ele disse. ―Você não estava mentindo quando disse que tinha má sorte crônica. Você seriamente tem a pior sorte que alguém já viu. Agora você é uma NARC pelo que ouvi?‖ Era tudo que eu poderia fazer -sério- não estourar em lágrimas lá atrás da cerca da corrente-ligação, mesmo que nós todos soubéssemos que não há nenhum choro no baseball. Ou softball, tanto faz. ―Não fui eu‖ eu disse, pouco alto demais. Todo mundo em nossa equipe olhou para em mim. O sorriso de Zach era delicado. ―Relaxe, Jean,‖ disse. ―Eu sei que não era você. Interessante que deveria ser sobre isso que o boato deveria ser, embora, huh?‖ ―Faz sentido,‖ eu disse com um resmungo. ―Eu quero dizer, ela é minha prima. Eu sou nova aqui. Eu sou—‖. ‖—a filha de um pastor,‖ Zach disse. ―Yeah, eu sei. Eu ouvi eles todos, também. Então. O que você vai fazer?‖ Eu resmunguei outra vez. ―O que posso fazer?‖ ―Você pode ir ao baile comigo,‖ Zach disse. Eu olhei para ele como uma coruja. ‖Você é louco? Isso fará apenas as coisas piores. Gretchen e Lindsey já estão por ai dizendo—‖. ―Exatamente,‖ Zach disse. ―Gretchen e Lindsey estão pondo lenha no fogo. E porque você pensa estão fazendo isso?‖ Porque eu não juntarei forças com Tory e ajudar elas a se transformarem em as mais poderosas bruxas de Nova York.. Só que eu não poderia dizer isso a


ele. Assim eu disse, ―porque elas me odeiam.‖ ―Certo. Mas por que elas te odeiam? Porque a Tory disse a elas para.‖ Eu agitei minha cabeça, confusa. ―Você está dizendo que Tory lhes disse que fui eu quem fez Shawn ser expulso?‖ ―Isso parece impossível, dado ao que você conhece sua prima?‖ Eu pensei sobre isso. Eu realmente pensei. Eu apenas não poderia ver Tory fazer algo dissimulado. Fingindo um atentado de suicídio — dado que ela era a rainha do drama - sim. Mas espalhar um boato que soube não era verdadeiro sobre mim? Por outro lado, ela TINHA sido muito terrível ultimamente... Ainda. ―Eu não sei, Zach,‖ eu disse. ―Eu não penso que mesmo Tory seria tão baixa‖ ―Certo,‖ ele disse. ―Mas caso você mude de idéia… o convite ainda está de pé.‖ ―O convite… ao baile?‖ Eu sinto tanto em dizer isso que minha voz se levantou a um guincho no final. Yeah,‖ Zach disse, parecendo sentido, mas acho que é por causa do guincho. ―Esse mesmo.‖ ―Mas—‖ a verdade era embora eu tivesse dito que as palavras que duas noites atrás — aquelas que dizem a ele que eu não poderia ir ao baile com ele — elas ainda feriram… e elas doeram ainda mais que minha oferta aos pais do Tory para ir de volta a Hancock. Mas eu soube que eu não poderia o prender a um convite que ele pudesse lamentar ter feito. Quero dizer, isso não seria justo. Ninguém — nem mesmo um cara tão grande quanto Zach quer ser associado com uma NARC, segundo os rumores. ―Serio Zach,‖ Eu disse. ―Está tudo bem. Você pode levar outra pessoa. Eu não me importarei.‖ Iria me matar. Mas, eu não ia o deixar saber disso. Mas para minha surpresa, em vez de discutir algum mais, disse ele, ―olhar, você está fazendo História dos EUA. Tem a Sra. Tyler começado aos estilos diferentes do governo?‖. ―Sim,‖ eu disse, querendo saber o que na terra isso tinha a ver com o baile. ―Ela já chegou à aproximação do laissez-faire de governar… de deixar as coisas tomarem seu próprio curso?‖ ―Abstenção pelo governo de interferir com o mercado livre,‖ eu disse. ―Certo. Eu suponho que você poderia dizer que eu sempre tive um tipo de aproximação amigável com a Tory. Contanto que ela não me incomodasse, eu não ia incomodar ela, sabe o que eu quero dizer? Eu suspeitei por um tempo que ela tivesse uma queda por mim, mas—‖ ―Mas você gostava da Petra,‖ eu terminei para ele. ―E assim por muito tempo enquanto você continuou amigo da Tory, você teve uma desculpa para vê-la.


Petra, eu quero dizer.‖ Ele realmente parecia embaraçado. ―Bem,‖ ele disse. ―Yeah. Basicamente. Por um tempo, em todo o caso. Mas está aqui a coisa: Eu não planejo em fazer uma aproximação em Tory mais… ou qualquer um, se isso importa. Eu penso que é hora de eu terminar com isso.‖ Eu disse cuidadosamente "Mas Zach, se você e eu formos juntos ao baile, Tory ficará louca, e então eu" - Eu engoli, mas continuei - "Eu volto para Hancock, e você não terá mais um pretexto para ver Petra. Tory não vai perdoar você, você sabe. " "Eu sei", Zach disse. "É o que estou tentando dizer. Estou disposto a fazer esse sacrifício." Eu o olhei curiosamente. "Mas porquê? Por que você faria isso? Você não ama mais a Petra? " Zach tinha um estranho olhar no seu rosto. Parecia ser o meio caminho entre a frustração e a diversão. Ele abriu a sua boca para responder alguma coisa, mas foi interrompido pelo Coche Winthrop, que berrou, ―Rosen! Você está fora!‖ Me dando um sorriso de desculpas, Zach saiu para pegar um bastão. Me inclinei para atrás contra o banco, pensando no que ele estava a ponto de possivelmente dizer. Podia os sentimentos de Zach em relação a Petra terem mudado? Será que ver ela tão exitada em relação a visita iminente de Willem finalmente o fez ver que ele realmente nunca teria chances com ela? O que estava acontecendo? Eu nunca teria a possibilidade de descobrir, entretanto, porque durante o jogo, alguém rebateu a bola que colidiu com a minha cabeça (típico) e tive que me sentar fora do campo até que Coche Winthrop finalmente se convenceu que não tive uma concussão e me deixou voltar à ao vestiário para me trocar. Mas se os sentimentos de Zach por Petra eram história, não eram os únicos, Eu descobri quando eu cheguei da escola naquele dia. Então, eram os sentimentos de Tory em relação a mim, eram sentimentos do Tory para mim. Seus sentimentos da animosidade em relação a mim, em todo o caso. Ou assim pareceu. Eu estava em meu quarto praticando quando eu ouvi a batida a em minha porta. ―Entre,‖ eu disse, abaixando meu violino. Eu soube que tinha que ser algo importante. Eu tinha colocado nas cabeças de Teddy e Alice que durante minha hora de prática cada tarde, eu não devia ser perturbada, não importa o que tinha acontecido em Bob Esponja.


Eu devia ter sabido que não eram os Gardiners mais novos, que eram realmente bons em não me incomodar quando ouvem Stravinsky sair de meu quarto. Ao invés, era Tory. ―Hey,‖ ela disse para mim, após ter fechado a porta atrás dela e inclinar-se contra ela. ―Tem um minuto?‖ Eu a encarei. Havia algo… diferente sobre ela. Realmente diferente. No início eu não podia dizer o que era exatamente. Então me acertou. Ela não estava vestida de preto. Ele estava de jeans ordinários não aqueles que ela usa as vezes que ela tinha decorado com ankhs e pentagramas com marcador preto. Ela não estava usando uma tonelada de maquiagem também. Uma incrivelmente bonita menina, Tory nunca tinha necessitado todo o delineador e mascara de base que usava, em todo caso. Sem isso, ela parecia bonita do mesmo jeito... Mas em uma maneira diferente, mais vulnerável. Algo mais estava diferente, também. Eu levei outro minuto para perceber o que, mas então me acertou. Ela não estava me encarando. Ela realmente olhou… bem, como se ela estivesse feliz em me ver. ―Eu queria apenas me desculpar,‖ ela disse, ―pela maneira que eu tenho tratado você desde que você chegou aqui.‖ Eu quase deixei cair meu violino, de tão pasma que eu estava. ―Eu sei que eu fui uma verdadeira louca ultimamente,‖ Tory falava. ―Eu não sei o que tem sido o problema comigo. Eu acho que tudo começou a ser demais – a escola, e a pressão de ser popular, e a coisa com Zach, e… e a coisa de bruxa. E eu terminei descontando em você. Que não é justo, eu percebo isso agora. Meu terapeuta você sabe, o único que eu venho vendo – está realmente me ajudando com isso. Então eu quis apenas dizer que eu sinto muito pela maneira que eu tenho agido, e muito obrigado pelo o que você fez na outra noite - com as drogas, e tudo. Eu sei que você apenas fez isso porque você ficou preocupado comigo. Eu sou sortuda de ter tantas pessoas em minha vida que se importam tanto comigo. Aquilo foi realmente uma coisa que me acordou. Então... obrigada, Jinx. E… se fosse tudo bem com você… eu gostaria que você me desse uma outra chance.‖ Eu não podia parar de encarar ela. Eu ouvi que a terapia fazia milagres, mas eu nunca esperei nada assim. ―Eu…‖ O que eu poderia dizer? Eu estava excitada em ter a velha Tory de volta – há de cinco anos atrás – de volta. Se isso fosse realmente verdadeiro. ―Oh, Tory. Você realmente fala sério?‖ ―É claro que eu falo sério,‖ Tory disse, com um sorriso.Até mesmo seu cabelo parecia diferente.Ela tinha prendido ele, fora dela os olhos, de modo que ela parecesse… bem, uma colegial. E feliz, para variar. ―E eu não quero brincar


de ser bruxa mais, também. Essa coisa inteira sobre a Vovó, e Branwen… aquilo era apenas bobo. Como aquela coisa com Zach, e a boneca-‖ Ela estremeceu. Deus! Eu não posso acreditar que eu um dia fiz aquilo. É tão embaraçoso! Eu coloquei aquela estúpida boneca no lixo e esqueci dela, como você me disse. Eu realmente quero ser sua amiga novamente, Jinx.Você pensa que nós podemos?‖ ―Naturalmente que nós podemos,‖ Eu disse. Mas algo estava me incomodando… e não era o nó minúsculo em meu estômago, de qualquer jeito. ―Mas e sobre… Shawn?‖ ―Shawn?‖ Tory olhou confusa. Então riu. ―Oh, Shawn! Eu sei, você pode acreditar naquilo? Eu não posso acreditar que alguém o passou para trás daquele jeito. Mas ele ficará bem. Eu ouvi que sei pai já mexeu alguns palitinhos para fazer ele entrar em Spencer. Embora Dr. Kettering teve que trancar todos os seus blocos de receita.‖ Eu encarei ela. ―Suas amigas -Gretchen e Lindsey- parecem pensar que eu fiz isso. Toda a escola parece pensar que eu fiz isso.‖ ―Eles pensam ?‖ Tory balançou sua cabeça. ―Mas isso é apenas bobo! É claro que não era você. Eu não posso acreditar nisso. Deus, você realmente tem a pior sorte, Jean. Você sempre teve. Isso é uma das coisas que eu amo em você, eu acho. Você é sempre tão… previsível.‖ Eu encarei ela. Ela realmente pareceu séria. Pareceu ser… bem, a velha Tory. Realmente. A próxima coisa que eu vi, era que eu esva indo abraçar ela – então eu percebi que aindo esva segurando meu arco e meu violino, e rindo, abaixei eles, e fui caminhando para seu abraço. Eu não podia acreditar! Quando ela me abraçou, eu tive que piscar para as lágrimas sairem de meus olhos. Não pareceu possível, mas estava realmete acontecendo. Eu tinha a velha Tory de volta! ―Oh, Jean,‖ ela disse, quando nós finalmente nos sotamos. ―Eu estou tão feliz que você me perdoa. Especialmente quanto eu era tão horrivel com você.‖ ―Tory.‖ Eu balancei minha cabeça. ―Eu sempre irei te perdoar. É para isso que servem as primas ,certo? Mas...‖ Tinha levado uma viajem para o hospital para arruma-la, mas ela parecia ter um remorso genuino. Ainda. ―Você está realmente certa... eu quero dizer—‖ ―Oh, Jean, você não tem que se preocupar mais comigo,‖ela disse, com uma risada. ―Eu estou realmente arrumada. Eu apenas espero que você não... você sabe. Se sinta estranha. Não sobre a coisa de bruxa, mas sobre Zach. Eu realmente superei ele. Realmente. Eu juro. Eu não me importo nem um pouco se você dois está saindo. Na verdade, eu penso que vocês fazem um par fofo. Você ficarão adoráveis juntos no Baile.‖


―Obrigada,‖ Eu disse desconfortável. ―Mas, como eu continuo falando a você… nós não somos un casal. Com certeza nós não vamos ao Baile juntos.‖ ―Por que? Ele não te convidou?‖ Os olhos de Tory estavam cheios de interesse. ―Isso parece estranho. Eu quero dizer, você dois ficaram tão próximos… mesmo que voçes fossem só amigos,eu pensei que ele te convidaria para o Baile...‖ ―Bem,‖ Eu disse estranha. ―Ele convidou .Mas eu disse não. Porque apenas não pareceu como—‖ ―Oh, Jean!‖ Tory gritou, vindo até mim e espremendo meu braço. ―Vocês têm que irem juntos! Vocês simplesmente têm! Não será o mesmo se você não estiver lá.‖ ―Se eu não…‖ Minha voz arrastada fora. ―Você ainda irá? Mas eu pensei...‖ ―É claro que eu vou! Não com Shawn, claro,‖ ela disse. ―Ele não tem permissão de ir a nenhum evento patrocinado pela escola. Mas eu pensei em ir, você sabe. Sozinha. Varias meninas fazem isso. Eu não vou parecer a maior aberração. E quem sabe? Talvez eu ache alguém lá... alguém um pouco mais interessado em ser apenas meu amigo, ao contrário de ‗amigos com benefícios‘.‖ Ela piscou para mim. ―Se você entende o que eu digo.‖ ―É uma ótima idéia,‖ eu disse, pensando que era exatamente o que tory precisava - um novo recomeço, especialmente na área de garotos. ―Espere, eu sei. Por que nós não vamos juntas? Você e eu… nós duas procurando por caras novos...‖ ―Oh, Não,‖ Tory disse. ―E deixar de fora o pobre Zach? Isso não parece justo. Você tem que ir com Zach, Jean. Você apenas tem. Se você não… bem, eu sentiria que era por causa de mim.‖ ―Bem,‖ I disse hesitante. Tory bateu na boca com a mão. ―Oh, não! É por causa de mim, não é? Oh, Jean, eu me sinto terrível. Apenas terrível! Eu não quero minha estúpida bagagem afetando outras pessoas. Jean, você tem que ir com ele. Você apenas tem .‖ ―Mas eu já lhe disse que não iria,‖ eu disse um pouco desesperada. ―E se você ligasse para ele e lhe dissesse que você mudou de idéia? Eu tenho certeza de que ele ainda quer ir.‖ ―Bem,‖ I disse outra vez. ―Eu não sei. Talvez. Mas-‖ ―Oh, ligue para ele,‖ Tory disse. Escolheu acima a extensão e sentou no puff ao lado de minha cama. ―Ligue para ele agora, e diga que você mudou de idéia.‖ ―Não é tão fácil, Tory,‖ Eu disse, pensando na expressão dele na última vez


que eu o tinha visto, quando eu perguntei a ele se ele ainda estava apaixonado por Petra. Ele parecia tão estranho…. Se ele não estivesse mais apaixonado por Petra , que incentivo ele teria para passear comigo? Nenhum, é isso. ―Você nunca saberá ,‖ Tory disse,segurando o telefone para mim, ―se você nem mesmo tentar.‖ Olhei o telefone. Ela tinha razão, evidentemente. E que mal faria em perguntar? Dei de ombros, pequei o telefone dela e digitei o número de Zach. Ele atendeu na segunda chamada. "Zach?" Eu disse. "Sou eu, Jean." Eu não percebi que eu estava segurando minha respiração até que ele disse, "Oh, oi", em uma voz que indicava que ele estava realmente feliz em me ouvir. Então eu exalei, tudo em uma pressa. "Como é que vai?" ele perguntou. "Como está sua cabeça? Eu procurei você após a aula, mas você já tinha ido—" "É, eu estou bem agora", eu disse, recuei desta recordação da minha desconcertante falta de atletismo. "Que bom. Como vai sua prima? Ela tem—" "Tory está ótima", eu o interrompi para dizer, com um sorriso na direção de Tory. Ela sorriu de volta, colocando o polegar para cima para boa sorte. "Na verdade, é essa a razão de eu estar ligando... sobre o baile de primavera. O negócio é... Tory está se sentimento muito, muito melhor hoje. E ela diz que ela realmente odiaria se nós não fôssemos a dança por sua causa." "Oh", disse Zach. "Ela falou isso, não é?" "Ela falou", eu disse. "realmente. Então, eu estava querendo saber se você ainda queria ir. "Eu percebi que minhas mãos estavam suando, e as limpei — transferindo o telefone de um mão para a outra — em meu jeans. "Comigo, quero dizer." "Jean", disse Zach. "Sim?" "Tory está aí no quarto com você agora?" "Uh-huh", eu disse, tomando cuidado para não encontrar o olhar de Tory. "Isso não soa como uma espécie de golpe para você?" "O quê?" Eu fiquei assustada. "Não. Não, Zach, não é nada desse tipo. Tory está indo para a dança também... sozinha, evidentemente, devido ao que aconteceu com Shawn. E ela disse que se sentiria realmente mal se a gente não estiver lá." Limpei minha garganta. Isso era tão embaraçoso. Porque se o que penso que Zach estava tentando me dizer lá no jogo for realmente verdade, ele nem


gostava mais de Petra dessa maneira. Então, porque razão ele iria querer andar comigo? "Tudo bem se você já encontrou outra pessoa para ir com você", acrescentei rapidamente. "Só estava verificando. No caso de você não ter chamado ninguém. Mas se você está indo com outra pessoa, realmente, tá tudo bem—" "Não é isso", Zach disse. "É só que você não acha que tudo isso é tipo—" "Jean", Tory disse. Eu olhei para Tory. Ela estava estendendo a mão. "Deixeme falar com ele." Sem saber o que fazer, eu entreguei o telefone para Tory. Ela disse, na mais animada voz que eu nunca ouvi ela usar antes, "Zach? Oi, sou eu, Torrance. Olha, Zach, sei que isso pode parecer repentino, mas eu realmente sou tão grata a Jean pelo o que ela fez por mim. Eu só quero que ela saiba quão triste eu realmente estou pela forma como eu a tenho tratado desde que ela chegou aqui, e — o que foi isso? Ah, claro, Zach. Eu já fiz. E Jean realmente parece disposta a me dar outra chance. Eu estava esperando que você pudesse, também. " Houve silêncio enquanto Tory ouvia o que quer que seja que Zach estava dizendo a ela. Então sua cara se transformou em um grande sorriso. "Ótimo", ela disse. "Obrigado, Zach. Você não vai se arrepender. Sim. Aqui está ela." Ela entregou o telefone de volta para mim, balbuciando, Ele disse sim! Eu não podia acreditar. Sorrindo, eu coloquei o receptor na minha orelha. "Zach?" "Ou ela é uma total lunática delirante, ou tá tentando empurrar algo em cima de você," disse Zach. "Mas não sei como vamos provar nenhum dos dois. Portanto, digo que devemos apenas ir. Pelo menos estaremos todos juntos, vamos ser capazes de manter o olho nela. Além disso, quanto problema alguém poderia causar em um baile da escola?" "Verdade", eu disse, lançando um olhar nervoso em Tory, preocupada se ela poderia ter escutado. Mas ela estava olhando para o concerto em meu estrado, e não parecia estar prestando a menor atenção. "Isso soa bem. Então..." Eu queria perguntar a ele sobre o que ele disse no jogo, sobre Petra, mas descobri que não poderia, com Tory ainda no quarto. "Ela ainda está aí?" Zach quis saber. "Sim", eu disse. "Olha, eu falo com você amanhã na escola", disse ele. "Certo?" "Certo", eu disse, aliviada. Aliviada porque não ia ter que mencionar o assunto sobre Petra afinal. Porque houve uma parte de mim que realmente, realmente


não queria saber. "Bye.‖ "Bye", Zach disse. E desligou. Eu coloquei o telefone de volta. "Bem", eu disse a Tory. "É isso." "Ele realmente disse sim?" Tory perguntou ansiosamente. "Ele realmente disse", eu falei. "Yeeeyyy!" Tory saltou para cima e para baixo, batendo palmas, parecendo tanto com o seu velho, antigo ser — a Tory com quem eu me divertia tanto, há cinco anos atrás — que era impossível pensar que Zach poderia estar certo sobre ela. Talvez ele estava sendo apenas um Nova Iorquino cínico sobre a coisa toda. Talvez Tory realmente tinha aprendido a lição, e mudado sua maneira. Mas eu estava pensando sobre o que ela tinha dito há pouco, sobre pôr o boneco de Zach que ela fizera no lixo. Ela tinha feito realmente? Não que eu — ao contrário de Zach — não acreditasse na sua transformação. Mas eu não tinha sido capaz de tirar aquele olhar que ela me deu — sábado à noite, nas escadas — da minha cabeça. Foi ótimo que ela tenha mudado de idéia, ótimo que ela tenha desistido da bruxaria — coisa que, no seu caso, não tinha sido poderoso da forma como deveria ter sido, mas mais perigoso do que qualquer outra coisa . Mas e se não fosse verdade? Quer dizer, e se for tudo uma atuação? Eu me senti HORRÍVEL por eu ter podido sequer pensar em tal coisa. Quer dizer, era tão evidente que Tory estava pronta para fazer um novo começo. Ela até perguntou se poderia sentar e me ouvir praticar. Eu deixei, naturalmente — Fiquei muito lisonjeada para dizer não. E então, quando ela tinha sugerido de descermos para fazer sundaes com creme quente e assistir algumas reprises de The Real World, bem, eu não tinha dito não a isso também. Mas, mais tarde naquela noite, depois do jantar — a mais agradável refeição que eu já tive na família Gardiner, vendo como Tory conversava feliz durante todo o jantar, em vez de fazer comentários mal-humorados sobre tudo que os outros disseram — eu saí para a varanda da frente e desci as escadas para a Rua 69ª Leste. Onde eu comecei a revistar o lixo dos Gardiner. Não demorei muito para encontrar. Estava em uma sacola de compras Eu S2 Nova Iorque*, sozinha. O boneco de Zach que Tory fez. Ela realmente o TINHA jogado fora. Ela realmente TINHA mudado. E embora ela disse que não queria mais brincar de ser bruxa, Eu carreguei o boneco de Zach, em sua sacola, de volta pra dentro da casa comigo. Não porque eu não confie nela — não era NADA DISSO.


É só que... bem, se Tory tivesse o dom da magia ou não, ainda era um boneco com o cabelo de Zach sobre ele. E de maneira nenhuma eu ia deixá-lo mofar em algum aterro de Staten Island. Eu trouxe o boneco pro meu quarto e o desembrulhei de seu saco plástico. Ele realmente era o mais horrível boneco feito à mão que eu já vi. Ainda assim, ele era supostamente Zach. Quem sabe? Talvez eu o desse a Zach algum dia (após jurar a ele segredo sobre onde eu o tinha achado), por diversão. Mas então, quando eu já estava prestes a cair no sono naquela noite, ocorreume algo. Era burrice, eu sabia. Mas, mesmo assim, me obriguei a levantar e puxar o boneco do esconderijo que eu havia encontrado para ele. Assim como eu suspeitava, Tory havia deixado seu cabelo enroscado por cima da cabeça do boneco com alguns do cabelo de Zach. E sei que isso foi provavelmente a coisa mais burra no mundo de se fazer. Mas eu também sabia que eu nunca voltaria a dormir a menos que eu fizesse isso: eu separei cuidadosamente todas as mechas do cabelo de Tory, deixando apenas o de Zach sobre a cabeça do boneco, e dei descarga nos de Tory. Então eu pus o boneco de volta onde ele pertencia, e caí no mais profundo sono que já experenciei desde que me mudei para Nova York. Talvez a senhora do Enchantments tinha razão afinal: Tudo realmente ia dar certo. Capitulo 17 Willem — o namorado de Petra — chegou naquela quarta-feira, trazendo com ele presentes — um minúsculo acordeão que toca de verdade para Alice; uma bola de futebol autêntica da Alemanha para Teddy; perfume para Tory; erva do gato para Mouche e um pequena figura de uma menina tocando o violino para mim — e um ar geral de bom humor e alegria de viver. Ele estava, claro, devastadoramente lindo. Eu não esperava que Petra, que era tão bela, namorar um monstro, e ela definitivamente não namorava. Willem era ainda mais alto do que Zach, com cabelos loiros, olhos azuis, e um rápido, fácil sorriso. Eu ouvi Tia Evelyn dizer à minha mãe, durante o seu telefonema semanal, "Meu Deus, eu estou quase apaixonada por ele, eu mesma." Petra foi, naturalmente, extremamente feliz por recebê-lo lá. "Ele está dormindo no sofá", foi o que ela disse a Teddy e Alice. E, na verdade, havia até um travesseiro e um lençol dobrado no sofá de seu pequeno e confortável apartamento privado.


Mas mesmo assim eu vi o que a denunciou o sinal de arranhado de barba no seu rosto no café da manhã todas as manhãs. Eu me perguntava como ia contar a notícia pra Zach que a visita de Willem parecia estar indo sem problemas — se é que ele se importava mais. Nunca parecia haver um bom momento, desde aquela tarde no campo de beisebol, para mencionar o que conversamos lá — a nova política de intervenção de Zach em relação a Tory, e como isso ia ter impacto em seu relacionamento com Petra... ...especialmente desde que Tory agora parecia estar bem com nós dois sendo amigos, e Zach passava lá em casa tão freqüentemente quanto ele costumava, para jogar bola com Teddy ou ficar na cozinha comigo. (Isto me proporcionou ampla possibilidade de deslizar o sachê de Lisa em sua mochila. Não que eu não acreditasse na alegação de Tory de que ela tinha desistido da feitiçaria. Mas eu ainda tinha Gretchen e Lindsey com que me preocupar. As duas me lançavam olhares mais malvados do que todos os dias no café... sobretudo agora que Tory tinha se desculpado com Chanelle também e tinha sido perdoada e estava comendo comigo e Chanelle novamente, e ignorando-as.) Eu sabia que deveria ter chegado e perguntado a Zach diretamente, "Você ainda está apaixonado por Petra?" Mas, cada vez que eu pensava em fazer isso, o nó em meu estômago — que, desde a transformação da Tory, tinha aparecido cada vez menos — retornava com força total. Portanto, eu apenas mantive minha boca fechada sobre o assunto. Zach certamente nunca o trouxe à tona. Se bem que isso possa ter sido porque ele estava por perto o suficiente para ver por ele mesmo quão felizes Petra e Willem eram juntos... Não que eu tivesse muito tempo para me preocupar com a vida amorosa de Petra. Com o baile acontecendo dentro de poucos dias, todas nós meninas estávamos enlouquecendo sobre o que íamos vestir. "Você tem que vestir preto", Chanelle disse. "Todo mundo veste preto", Tory concordou. "É como, tradição." "Eu não acho que a minha mãe iria deixar eu vestir algo preto" eu falei, preocupada. Meus pais, depois de ouvirem sobre a dança — mas nada sobre a tentativa de suicídio de Tory (como Tia Evelyn colocou, "Deus me livre se Charlotte deve ouvir sobre nada disso. Ela vai fazer você voltar pra casa em um segundo Nova Iorquino. Talvez seria melhor, ehh, protegê-la da verdade.") — tinham enviado cinqüenta dólares para eu ir atrás de um vestido. Eu queria esticar o dinheiro tanto quanto possível. Que é a razão pela qual eu estava planejando em ir a H & M na 5ª Avenida. Mas Tory, que tinha parado de me gozar sobre a relativa pobreza da minha família, parecia horrorizada com a idéia. "Você não pode vestir um vestido de H&M para o baile", ela disse, chocada.


"Todo mundo vai saber que você só gastou cinqüenta dólares nele." "Mas essa quantidade de dinheiro não vai muito longe numa loja normal," eu disse, já tendo pesquisado os vestidos na Bloomingdale's e Macy's. "Deixe comigo", disse Tory. E naquele dia, ela chegou em casa do escritório de seu terapeuta com um sacola da Betsey Johnson. "Ela tem uma loja ao lado do Dr. Lippman's", Tory explicou animada, enquanto puxava um longo, magro vestido pra fora dele. "Eu vi isto na janela, e sabia que seria perfeito para você. Não se preocupe, ele estava em liquidação. Mais do que cinqüenta dólares, mas em comparação, você sabe. Meu presente oficial de agradecimento por tudo que você fez por mim." Eu encarei o vestido. Era lindo. Mas... "É preto", eu disse. "Eu sei que é preto," Tory disse, com uma ponta de sua antiga aspereza em sua voz. "Mas olha para ele. É perfeito para você. Com sua pele branca, e esse cabelo ruivo - " "Mas ... ele é preto." Eu olhei pra ela. "Minha mãe me mataria. Ela diz que eu sou muito jovem para preto. E você sabe que Tia Evelyn vai mandar as fotos pra ela pelo e-mail..." "Diga a sua mãe para chegar ao século XXI", disse Tory com um riso. "Isto é Manhattan, não Hancock. Ninguém veste rosa para bailes aqui." Eu toquei o vestido. Não era que eu não QUERIA vesti-lo. Decotado, com tiras fininhas, era nada mais do que dois pedaços de tecido preto pendurados, costurados entre si na diagonal. Penduradas em torno da bainha havia dezenas de brilhantes miçangas pretas que fazia um som de clique cada vez que se moviam. Era lindo. Era também nada a ver comigo. "Apenas vista-o", disse Tory. Eu sabia que se eu vestisse, eu nunca seria capaz de deixá-lo ir. "Não", eu disse. "Eu realmente não deveria. VOCÊ o vista para o baile, Tory. Você ficaria fantástica nele." "Eu já tenho um vestido onde eu fico fantástica", disse Tory. "Basta experimentá-lo. Não faz mal experimentá-lo." Abrace aquilo que você teme. Ela estava certa. Não fazia mal experimentá-lo. Então eu fiz. E, assim como eu suspeitei, eu sabia que eu tinha de tê-lo. Coube em mim perfeitamente, como uma luva, mostrando meus braços e a quase toda as


costas, e muito mais do meu peito do que eu jamais mostrei antes, fora de uma piscina. Mas ele me fazia parecer... ele me fazia parecer... "NÃO como a filha de um pregador", disse Tory. "Quando Zach vê você nisso, de maneira nenhuma ele vai querer ser 'apenas amigos' com você." E com isso, eu soube que ia ficar com ele. Não que eu disse algo a Tory para fazer ela acreditar que eu concordava com ela. Porque eu não concordava. Zach nunca ia pensar sobre mim como mais do que apenas uma amiga .... Mas não fazia mal parecer um pouco sexy pra variar. Minha mãe teria apenas que lidar. Ou talvez eu pudesse falar com Tia Evelyn em dizer que a sua câmera estava quebrada.... Na manhã do baile, a mãe de Tory surpreendeu a nós - Tory, Chanelle e eu - com uma viagem totalmente paga ao seu spa preferido no Soho. Manicure, pedicure e nosso cabelo e maquiagem feitos por profissionais de verdade. Tia Evelyn disse que fez isso porque "vocês estão se dando tão bem. E Tory, você progrediu tanto essa semana." Haviam lágrimas de verdade nos olhos de tia Evelyn quando ela disse isso na mesa do café-da-manhã. Foi tão doce que eu praticamente tive lágrimas em meus próprios olhos... Só que não pelo mesmo motivo que tia Evelyn. A verdade era que, pela primeira vez na minha vida, as coisas estavam indo realmente bem. Eu não sei se Lisa fez alguma coisa para virar a minha sorte ou se, por algum milagre, eu mesma o havia feito. Tudo o que eu sabia era que eu não só estava me dando muitíssimo bem com Tory, como também tinha uma boa amiga - Chanelle, que graciosamente concordou em deixar Tory voltar ao seu círculo social, contanto que ela continuasse a não discutir sobre coleção de cogumelos de pedra à mesa do almoço -, assim como, se não um namorado, pelo menos um garoto amigo. Foi Zach, de fato, que me mostrou o folheto que ele havia encontrado no escritório administrativo da escola, anunciando uma bolsa - integral - para o próximo ano letivo a qualquer estudante com GPA suficiente que mostrasse necessidade financeira. O truque? O estudante também teria que mostrar que podia tocar um instrumento. Teria que fazer uma audição e tudo mais. "É perfeito para você", Zach disse. "Você já ganhou."


Eu não sabia disso. Mas eu sabia o quanto aprendi a amar Nova York. Não tanto a Escola Chapman, que eu ainda achava que era cheia de esnobes alguns cujo ainda me culpavam pela expulsão de Shawn... Não que eu ainda me incomodasse tanto. Eu sabia a verdade e, mais importante, também sabiam as pessoas com as quais eu me importava de verdade. Mas eu amava viver com os Gardiners, agora que Tory estava sendo tão legal comigo finalmente, e eu amava, amava, amava a cidade. Eu amava as ruas cheias e as vitrines incríveis e as grandes construções e o "Met" e o "Carnegie Hall' e o "gyoza" da Sushi por Garie os bagels da H&H e o "lox" da Citarella. Eu já tinha até perdido meus temores a respeito do metrô, e podia(quase) tomar o trem número 6 sem o menor sinal de nó no estômago. Eu ainda estava sem esperanças de descobrir qualquer um dos outros trens.Mas eu tinha o 6 sob controle. E ok, eu sentia falta da Stacy e da minha família. Mas Hancock? E não sentia falta nem um pouco de Hancock. Especialmente de alguns aspectos de lá. E se eu conseguisse a bolsa, eu não teria que voltar. Eu sabia que a Tia Evelyn e o Tiom Ted me deixariam ficar com eles. Claro, meus pais ficariam tristes (exceto a Coutney - uma pessoa a menos pra "roubar" o banheiro dela). Mas até minha mãe e meu pai entenderiam que se formar na escola Chapman iria parecer melhor na minha iscrição na Julliard do que na Hancock High - porque eu não deveria tentar entrar na Julliard, com o rumo que minha sorte estava tomando? Tem muito muitas vantagens ficando na cidade ou invés de voltar a Hancock...e eu nem estava incluindo o fato de que Zack estaria em Chapman – por mais um ano, de qualquer forma, também.Às seis e cinquenta e nove na noite do baile – depois de passar o dia sendo bajulada e estilizada ( embora o cabelereiro, Jake, tinha dado uma olhada no meu cabelo e disse, ― Não. Não vamos fazer nada com ele. Talvez por mais no alto na frente com um clip- oh é, isso é ótimo,- mas ninguém chega perto dessa garota com um ‗flat iron‘ ( ?). Vocês me ouviram, gente? ― – Eu estava apertando a sandália para noite quando a campainha tocou. Então eu ouvi Teddy –sempre o primeiro a chegar à porta- gritar, ―Zack!‖ ―Ele está aqui, ele está aqui,‘ Alice veio correndo até o meu quarto anunciar. Ela derrapou na entrada, até, e me olhou, boquiaberta.‖ Ai meu Deus,‖ ela disse. ―Jean, você parece uma princesa.‖ ―Sério?‖ Eu puxei nervosa o vestido, olhando meu reflexo no espelho que chegava ao chão, na porta do banheiro. De repente, tudo parecia exagerado- o vestido estava muito colado, o decote muito embaixo, minha maquiagem


muito pesada, meus saltos muito altos, o pentáculo no meu pulso...é, eu ainda estava usando, pra dar sorte, porque se eu já precisei de sorte alguma vez, era NESSE MOMENTO. Mas eu achei que usando-o no meu pulso seria um pouco mais discreto, desde que ele era normalmente escondido embaixo do colarinho da minha blusa....especialmente desde que meu decote estava tão embaixo, fazendo com que o pentáculo estivesse bem à mosta em volta do meu pescoço. ―Oh, Jean‖ Petra se juntou a Alice no corredor. ―Ela está certa. Você está linda‖ ―O vestido não está muito colado?‖ eu perguntei ansiosa. ―Nem um pouco,‖ Petra disse. ―Oh, eu espero q a Sra. Gardiner encontre a câmera!‖ Eu fiz uma prece em silencio para que a tia Evelyn não a achasse...principalmente depois que eu a escondi na secadora. ― Bem,‖ eu disse. ―Aqui vou eu.‖ E deixei meu quarto e comecei a descer as escadas. Zack estava lá, parecendo incrivelmente lindo em seu smoking, conversando com o tio Ted. Uma mão estava no bolso de sua calça, enquanto a outra segurava uma caixa de plástico com uma flor dentro. Ele olhou para a escada quando ouviu Alice- que estava vindo escondida atrás de mim – soltar um risinho. E todo o meu nervoso sobre minha aparência desapareceu. Isso porque, o que quer que Zach estivesse falando com meu tio, ele pareceu não lembrar, enquanto sua voz desapareceu e seu olhar, vidrado em mim, me acompanhou ao descer as escadas. Quando eu finalmente cheguei no final da escada, Zach ainda não tinha se mexido. Pelo menos, não até Teddy, ainda segurando a maçaneta, falar, ―Nossa, Jean! Você está ótima.‖ Então Zach pareceu acordar. Ele disse, ―É. É, você está...está – ― Eu fiquei lá, meu estomago de repente dando um nó – o que ele iria dizer? Com certeza não que eu parecia linda, ou algo do tipo. Isso não é o tipo de coisa que amigos dizem um ao outro... ―Você está linda!‖ Foi a tia Evelyn quem terminou a frase por ele, abrindo os braços para me abraçar. E Zach- eu não pude evitar reparar- não fez questão de corrigi-la. ―Oh, Jean, eu queria saber onde eu deixei a câmera. Sua mãe vai me matar!‖ ―Tude bem, tia Evelyn,‖ eu disse, desviando meus olhos para Zach atrás dos ombros da tia Evelyn, enquanto a abraçava. Ele finalmente sorriu para mim. ―Eu tenho certeza que ela vai entender.‖ ―Mas eu não.‖ Ela me soltou, e olhou para Zach e eu com os olhos marejados. ―Oh, vocês dois estão tão...tão...‖


―Mãe,‖ Tory disse, com uma voz alarmada ao descer. ― Não comece a chorar. Se não eu vou começar a chorar, e você fará com que eu arruíne minha maquiagem.‖ Todos nós olhamos para Tory, uma visão de branco (mas ela não tinha dito que todo mundo usava preto no baile de primavera?) na escada. O vestido dela, especialmente paraTory, quase modesto, um tule de branco-neve com um tecido que ela juntou às luvas além do cotovelo . Se alguém parecia com uma princesa, era a Tory. Em comparação, eu achava que estava, bem...um pouco vadia. ―Tory,‖ a mãe dela gritou. ― Você está de tirar o fôlego!‖ Oh, onde foi que eu deixei a câmera?‖ "Aqui, use a minha, mamãe," Tory disse, tirando algo volumoso - de dentro de uma mala - da bolsa da câmera digital. Ótimo. Depois de todo o trabalho que eu tive, mamãe vai ter uma foto do mesmo jeito. E eu parecendo da maneira como Tory normalmente estaria, e Tory parecendo como.. bem, eu. Se eu não tivesse perdido a cabeça com o vestido que ela me deu. Ela TINHA falado que todo mundo usava preto. Então o que ela estava fazendo de branco? Nós tiramos varias fotos, e a humilhação do Zach colocando a flor que havia trago pra mim – uma rosa vermelho-sangue – o que exigiu MAIS fotos.( E isso era particularmente vergonhoso porque não havia muito espaço no vestido onde pregar. Tia Evelyn teve que vir ajudar- o que foi bom, já que eu estava me sentindo a ponto de morrer, com o Zach tão perto de mim que eu podia ver o pedacinho de barba que ele esqueceu de barbear perto da orelha...o que era muito perto pra ser confortável pra mim.) Finalmente, quase sete e meia, eles nos deixaram sair, e nós entramos na limusine que estava esperando, respirando aliviados. ―Atire em mim,‖ Tory disse, do meio daquele vestido fofo de poodle no assento de couro, ―se eu ficar desse jeito um dia, ok?‖ Quer dizer, igual aos pais dela. ―Eu achei fofo,‖ eu disse. ―De matar. Mais fofo.‖ Eu tentei não demonstrar o quanto eu estava impressionada em andar de limusine. Nunca estive em uma, claro. Eu vi que tinha um lugar específico pra whiskey no barzinho, e uma telinha de tv que abria. Mas eu não mechi em nenhum botão, ou qualquer outra coisa. Melhor previnir, afinal de contas isso não era uma coisa que eu fazia todos os dias. Andar de limosine, quero dizer. E então haviamos chegado. Devido ao fato de a escola não ter um ginásio, eles


tinhão que realizar o baile formal de primavera em um grande salão de hotel. O hotel escolido este ano era o Waldorf-Astoria. Waldorf era um hotel enorme e extravagante em Park Avenue. Quando paramos em frente a portaria vermelho e ouro, um porteiro abriu a porta da limosine para nós. Tory foi a primeira a sair, seguida por mim e Zach. Tory não esperou por nós no entanto. Enquanto saimos da limosine, ela já estava entrando nas grandes portas giratorias. "Okay," Zach disse. "Alguém está ávido por uma bebida." "Eu sei," eu disse inconfortável. "Eu espero que ela não estrapole." Então, depois de me ver atravessando o tapete vermelho e indo para as portas giratórias, Zach perguntou, "Hey, eu disse como você está ótima nesse vestido?" "Não," eu disse, corando e esperando que ele não notasse. "Você não disse." "Bem, você tá ótima nesse vestido." "Obrigada," eu disse. O que estava acontecendo aqui? Zach estava quase... bem, flertando comigo. "Você também não está nada mal." "Bem," Zach disse, com uma voz dramática. "Eu faço o que eu posso." Então nós atravessamos as portas giratórias e entramos no enorme salão. "Oh meu Deus, Jean!" Chanelle estava de repente ao meu lado, arrastando um alerta Robert atrás. "Você está fabulosa! Que vestido ÓTIMO. Oh, oi, Zach. Então, cadê a Tory?" Chanelle perguntou, não esperando resposta. "Ela passou por nós como um tornado branco. E você viu o vestido dela? Quem ela acha que é, de qualquer maneira? Princesa Diana?" "É," eu disse. "Eu pensei que vocês tivessem dito que todos vestiam preto no Baile Formal de Primavera." "Todos VESTEM," Chanelle disse, indicando o próprio vestido preto, que provavelmente custou um ANO da minha mesada. Robert olhou para Zach e disse, "Cara. Você trouxe alguma erva?" "Não," Zach disse. "E eu não acho que você está liberado para fumar aqui." "Eu sei," Robert disse "eu só queria saber se você tinha. Pra mais tarde." "Vocês tem que ver o baile." disse Chanelle, levando-nos em direção a umas portas duplas com uma faixa que lia-se BAILE FORMAL DE PRIMAVERA DA ESCOLA CHAPMAN. "Está super extravagante. Eu não sei em que a comissão de dança estava pensando. Bom, espere até você..." Mas nos não chegamos a ver tal extravagancia produzida pela comissão de dança da escola... Isso porque naquele momento Tory veio correndo até nós, com um


rapaz alto e loiro ao seu lado. "Oi pra todos" disse ela, com um sorriso de orelha a orelha. "Eu quero que vocês conheçam o homem da minha vida. Eu não disse antes sobre ele porque queria fazer uma surpresa para hoje. Oh, Jinx, penso que você já o conhece" Surpresa, eu olhei para o rosto do rapaz. E quando o vi, quase desmaiei. CAPÍTULO DEZOITO Eu tenho um muito obrigada especial pra você Jinx. Foi o que a Tory havia me dito.Eu tinha sido muito tola em acreditar nela. "eu não posso acreditar que ele..."eu murmurei no saco de papel. "Eu simplesmente não posso acreditar que ela..." "Shhhh" Chanelle disse "apenas respire" "Eu não posso acreditar que ela estava fingindo," eu levantei a cabeça fora do saco de papel para dizer "o tempo todo. Ela não tinha mudado. E disse que tinha um agradecimento muito especial para mim... e o fez." "se você não respirar dentro do saco," Chanelle disse,"você não vai parar de hiperventilar." Eu respirei no saco. Isso foi horrivel. Não, isso foi pior que horrivel. Foi a pior coisa que tinha acontecido na minha vida. E você sabe, considerando o tipo de sorte que eu tenho tido na vida, isso é muito considerável. Vendo que eu já respirava mais tranquilamente, Chanelle - cuja preocupação por mim parecia sincera - me conduziu até o epelho para que eu visse meu reflexo, disse "melhor agora?" Eu assenti no saco. "Certo," disse ela "então me diga. Quem é o rapaz?" Eu abaixei o saco, e fiquei surpresa em notar que eu já podia respirar normalmente. Deus abençoe aquele banheiro feminino, que tinha um saco de papel a disposição. "O nome dele é Dylan" eu disse. "Ele...ele é um amigo da cidade que eu morava." Eu não podia lhe dizer a verdade. Eu não podia. Era horrivel demais. Chanelle franziu a testa."Só isso? Então porque você ficou tão abalada em vêlo?"


"Eu só fiquei surpresa de vê-lo aqui... só isso. " eu disse. Meu coração tinha parado de bater frenéticamente, mais eu ainda me sentia agitada. O que ele estava fazendo aqui? Como ele chegou aqui? Mas eu sabia a resposta de ambas as perguntas. E sabia muito bem. Eu tenho um muito obrigado bem especial para você Jinx. Saimos do banheiro, e ela olhando pra mim como se eu fosse uma manteiga prestes a derreter. Eu estava me segurando para não sair correndo e gritando do banheiro feminino. "Oh, Jinx, aí está você." disse Torry, brilhando com seu incrivel vestido branco. Ela olhou interessada "Estavamos tão preocupados com você. Você simplismente saiu correndo para lá. Você está bem?" "Ela está bem" Disse Chanelle com a mão no meu ombro. "Ela sofreu apenas um pequeno choque." "Eu sei que deveria ter te falado sobre o Dylan" disse Tory sorrindo para o assistente do banheiro, que tinha se levantado e estava organizando alguns frascos, e que estava fingindo não prestar atenção na nossa conversa. "Mas eu pensei que seria uma surpresa agradável, considerando que vocês eram bem... proximos." "Oh" eu disse. Eu senti que outro saco de papel seria bem útil nesse momento. "Foi uma surpresa, tudo certo." "Agradável, eu espero" disse Tory com seu sorriso deslumbrante, que não saia de seu rosto. "Dylan parece realmente satisfeito em ver você. Por que você não vai lá agora dizer um oi pra ele? Parece que ele e Zach estão se dando bem." "Parece que sim." eu disse. Como eu pude ser tão estúpida? Como eu pude achar que ela realmente tinha mudado? Zach havia me avisado, mais eu não o ouvi, porque eu realmente acreditei nela. Quando na verdade eu estava totalmente errada sobre ela. "Vamos lá" disse Tory, se virando para ir até lá"Não vamos deixa-los esperando." Chanelle se virou para mim "Tem certeza que você está bem Jinx?" "Oh," eu disse, me segurando em cima dos pés. Talvez eu pudesse disfarçadamente chamar a Segurança. É, era isso. Eu apenas iria dizer à


Segurança que Dylan... ... que Dylan o quê? Ele não tinha feito nada. Ele era apenas um dos convidados de um estudante da Escola Chapman. Mesmo que a Segurança tentasse expulsar ele, Dylan iria, certamente, protestar. Ele provavelmente faria uma cena. E se não fizesse, Tory certamente faria. Isso seria a ruína do baile.. não somente para mim, mas para Zach também. Expulsar Dylan apenas chamaria mais atenção para o problema... Quando a verdade era que, eu nem tinha certeza se aquilo ainda era um problema. Muito tempo passou desde a última vez que eu o vi. Talvez ele tivesse parado. Talvez estivesse tudo bem... É. E talvez era por mim que Zach estava apaixonado, e não Petra. Certo. "Eu estou bem," eu disse respondendo à pergunta de Chanelle. Porque não havia - absolutamente nada - mais que eu pudesse fazer. "Ótimo." Tory deu outro lindo sorriso para mim. "Vamos." Meu estômago estava revirando, parecia que alguém tinha chutado minhas tripas, eu segui Tory e Chanelle de volta para o salão do hotel. Assim com Tory havia dito, Dylan e Zach estavam aproveitando a briza fora das portas do salão, enquanto Robert estava parado lá, parecendo que queria estar em outro lugar... provavelmente o gazebo dos Gardiners. Eu não culpei ele. Eu queria estar lá também. Zach, que obviamente estava olhando para o banheiro das mulheres, esperando por mim, sorriu ao me ver. Dylan, aparentemente notou o sorriso de Zach, olhou para mim e sorriu também. "Aí estão vocês," Dylan disse. "Nós estávamos preocupados." "Apenas coisas de garotas," Chanelle disse simplesmente. "Tá tudo bem agora." "Bom saber," Dylan disse. Ele estava sorrindo para mim com aqueles olhos que uma vez tinham me convencido de que eu estava apaixonada, com interesse e... admiração. Okay. Bem, talvez ele não estivesse voltado ao normal ainda. Mas isso não queria dizer que... "Agora nós podemos dizer oi direito. Faz muito tempo, Jean. É realmente bom ver você." Então ele abaixou para me beijar. Apenas um beijo de 'oi'. Apenas amigavelmente. Mas eu involutariamente dei um passo para trás. É, isso mesmo. Eu recusei. Recusei um beijo de um garoto totalmente gostoso por quem eu já fui apaixonada. Ou pensava que era apaixonada, de qualquer forma. "É bom ver você também, Dylan," eu disse rapidamente, oferecendo minha mão para cumprimentá-lo. "Como vai você?" "Uh," Dylan disse, estendendo a mão e me cumprimentando. "Eu estou bem."


"Ótimo," eu disse alto. As outras pessoas do salão me olharam com curiosidade. Todas as garotas estavam usando preto, menos Tory. "Que bom. Ótimo." Eu soltei a mão dele e segurei o braço de Zach. "É melhor nós irmos. Pegar o começo da festa e tal. Você você depois." E eu puxei Zach pelo salão, com um sorriso forçado no rosto, e parei para procurar a mesa que tínhamos reservado. "Você vai me falar o que diabos está acontecendo?" Zach me perguntou, com um sorriso forçado também. Só que nele, aquilo era adorável. "Nada," eu disse sorrindo. "Nada mesmo. Tá tudo bem. Oh, olhe, mesa sete. Aqui está, perto da janela." "Nada está bem," Zach disse. "Eu não sou idiota. Não é exatamente normal quando a acompanhante de alguém vê outro cara num baile e começa a hiperventilar." "Oh," eu disse, abandonando o sorriso. "Você notou isso?" "É," disse Zach, parando também de sorrir. "Eu notei. Quem é ele, Jean? O que está acontecendo?" "Ele é apenas..." Meus ombros caíram... o que era perigoso, porque se eu não estivesse reta, as tiras do meu vestido poderiam cair, e isso não é uma boa coisa, considerando que elas eram a única coisa que estava me vestindo. "Ele é apenas... ele," eu disse miseravelmente. "Ele quem?" Zach perguntou, parecendo frustrado. "Ele," eu disse significantemente. "O cara. O cara de quem eu fugi." "Espera." Zach parecia procurar Tory e Dylan, que de deviam estar procurando em que mesa sentar. "Ele? Ele é AQUELE cara? O que estava te perseguindo?" "Shhhh," eu disse, assim que a garota que estava perto olhou assustada, depois de ouvir a palavra perseguição. "Ele não estava - Eu te disse. Ele não estava exatamente me perseguindo. Bem, quer dizer, ele estava, mas..." "Ele está aqui, né?" Zach exigiu. "Eu poderia dizer que ele está te perseguindo." "Ele está aqui porque Tory o convidou," eu disse. "Por que diabos ela faria isso?" "Para me atingir," eu disse. Chegamos à mesa sete. Haviam seis lugares, cada um com umas trinta peças de prataria e uns oito pratos. Um sonho comparado aos bailes da minha escola de Hancock, onde nós tínhamos que jantar antes do baile, e não NELE, e geralmente era no Applebee. Então nós tínhamos que nos juntar em algum ginásio com um DJ e alguma luz de festa, não toda uma orquestra e candelabros.


"Tory trouxe ele até aqui," Zach disse, "para te atingir... de que forma, exatamente? Você pegou algo dela? O que você fez para aborrece-la? É com Shawn? Ou... comigo?" "Isso porderia ser sobre qualquer coisa," eu disse. "Ou sobre todas as coisas. Ou algo a mais. Quem sabe, se tratando de Tory?" E nós tínhamos pensado que ela tinha mudado. Correção. Todo mundo tinha pensado, menos Zach. "Bem, e o cara?" ele queria saber. "Ele é perigoso? Nós deveríamos chamar a segurança? Jean... você quer ir embora?" "Não," eu disse, sentando na minha cadeira. "Oh, não, Zach. Não é nada disso. Ele apenas... ele só realmente gosta de mim, okay? E o sentimento não é recíproco. No máximo, já foi, mas não é mais. Mas ele... ele não queria me deixar. Ele continuou ligando para casa o tempo todo, e... e indo lá também. Como no meio da noite. Meu pai finalmente falou para ele me deixar. Mas ele continuou indo a todo lugar que eu estivessse. Na igreja, na livraria, no trabalho. Ele apenas continuou... me seguindo. Então finalmente nós decidimos que eu deveria ficar longe por enquanto. Então eu vim pra cá." Eu não poderia, naturalmente, dizer a Zach toda a verdade. Não mesmo. No início eu estava exitada por ter a atenção de Dylan voltada para mim. Quer dizer, eu tinha uma quedinha por ele desde o ginásio. Afinal de contas quando eu poderia contar com um cara romântico, capitão da equipe de futebol, presidente da classe, inteligente, vir procourar a mim, uma garota que tocava em uma humilde orquestra, em vez de uma garota da torcida? Quando finalmente ele tinha me notado, me convidou pra sair. Minhas amigas mal podiam acreditar, que eu, a Jinx, a com mais azar, tivera a sorte de ser convidadda por Dylan Peterson, o cara mais popular da escola de Hancock. Mas era verdade. Foi o que aconteceu. E quando nos saimos juntos, Dylan logo pediu para namorar comigo, e eu, achando que tinha morrido e ido pro céu, logo disse sim. Mas ser a namorada de Dylan foi muito mais complicado do que eu esperava. Ele espera que eu estivesse em cada um dos seus jogos, mesmo quando estes eram nos mesmos horários que as apresentações da orquestra. E se eu não aparecia ele me perturbava dizendo que eu não o amava de verdade. O que não era verdade. Pelo menos no início. Ele me queria sempre assistindo seus jogos. Ele queria ficar grudado comigo o tempo todo. Queria me levar a escola de manhã, e depois queria comer no intervalo comigo, depois queria que eu o visse praticar futebol depois da escola, em seguida jantar na sua casa, e me levar em casa... estou certa que ele tambem


gostaria de dormir na minha casa se meus pais permitissem. E ficava me perturbando se eu falasse que ia ao cinema com minhas amigas, ou que eu ia ficar em casa praticando violino. Tudo que antes pensei ser um sonho, se tornou um pesadelo. Até que eu finalmente percebi que o amor que sentia por ele havia desaparecido, e que não queria gastar qualquer momento com ele, muito menos dia inteiro, como ele queria. Então, rompi com ele. Eu tentei ser agradável com ele. Disse que o problema não era ele, e sim eu. Te disse que não era madura o suficiente para ter uma relação intensa como a nossa, e que as coisas etavam indo rápido demais para mim. Disse-lhe que precisava de espaço, e que tinha que me concentrar nos estudos e na minha música.Disse que precisava ver meus amigos, e trabalhar de babá nos fins de semana, em vez de gastar todo meu tempo com ele. Ele disse que me compreendia totalmente, e que se eu o desse outra chance eu teria meu espaço. Mas o problema era que eu não queria o dar outra chance. Porque não gostava mais dele. Então eu lhe disse uma mentira. Disse-lhe que meus pais disseram que eu não poderia mais sair com ele, porque ele era velho demais pra mim, e eles achavam que era avançar demais. Hey, eu sou filha do pregador, não era difícil de se esperar isso não? Foi a coisa errada a dizer. Eu deveria ter dito desde o início, "Eu não te amo mais". Porque então ele disse se nos tinhamos esse tipo de amor impossível, como o de Romeu e Julieta, nós tinhamos que lutar pelo nosso amor, e que meus pais não poderiam nos impedir. Foi quando ele começou a me ligar no meio das noites, e a me seguir em todos os lugares. Então finalmente lhe disse em uma noite - depois que ele me acordou às quatro da manhã, jogando pedrinhas na minha janela, querendo que eu fosse até lá em baixo para conversar com ele - que não amava-o mais, e para me deixar em paz. Mas àquela hora, ele estava envolvido demais para acreditar em mim. Então eu sai de fininho da cidade. Eu não sabia o que mais fazer. Eu não queria que aquilo se tornasse em Amor Sem Fim, aonde o cara iria tentar queimar a minha casa ou coisa do tipo (e, dada minha sorte, era exatamente isso que iria acontecer).


Porque eu não podia simplesmente me apaixonar por um cara e ele por mim de uma maneira boa, saudável e normal era só mais uma outra indicação do quanto as estrelas estavam mal alinhadas na noite em que eu apareci no Planeta Terra. Quero dizer, ter que fugir rapidamente para o outro lado do país para escapar de um namorado obsessivo pode ser a ideia de romance da Lindsey. Mas com certeza não era a minha. E agora eu tinha o prazer de descobrir que eu não tinha conseguido nem fazer ISSO com sucesso (fugir rapidamente para o outro lado do país, eu quero dizer). Porque aqui estava ele, no baile formal da primavera da minha nova escola. Bom. Muito bom. Por que a Tory não podia ter atirado em mim e terminado com tudo isso? Teria sido muito menos doloroso. E embaraçoso. "Então todo esse tempo, enquando nós achavamos que ela estava indo tão bem," Zach disse, tomando seu lugar ao meu lado na Mesa Sete, "Tory esteve planejando isso." "Acho que sim," eu disse. "E você não precisa dizer 'nós'. Você estava certo. Oh, Zach. Eu sinto muito." "Você sente muito?" Zach sacudiu seu guardanapo e o deitou no colo. "Pelo que você sente muito? Não é culpa sua." "É sim," eu disse, sentindo o meu estômago pior que nunca. "Acredite em mim. É sim." "O que, que algum cara é louco por você? Ou que a sua prima tem um problema com você por algum motivo? Confie em mim, Jean. Nenhum dos dois é culpa sua." Mas ele não conhecia a história toda. Não naquele momento, pelo menos. "Então o que você quer fazer, Jean?" ele perguntou pra mim. "Porque eu estou pensando que talvez seja melhor que a gente vá embora." "Oh!" eu disse. "Não, Zach. Não por minha causa. Ou por causa dele, eu acho. Vai ficar tudo bem. Mesmo." Tinha que ficar. Não dava para ficar pior. "Oh, ei!" Chanelle apareceu do lado da mesa, segurando um pequeno cartão marfim que ela tinha pego do mapa de localização das mesas. "Mesa Sete?" "Mesa Sete," Zach disse, indicando o arranjo de centro, no qual um número 7 estava fixado. "Bem vinda." "Bom." Chanelle disse. "Estou tão feliz que não estamos junto com um bando de idiotas. Sente-se, Robert." Robert se sentou perto de Chanelle, que tinha preenchido o assento vazio do outro lado de Zach. "Olhem para todos esses talheres. Pra que precisamos de tudo isso? Ah meu Deus, um garfo para


peixe? Eu odeio peixe. Quem decidiu peixe para o baile? O hálito de todo mundo vai feder." E então, de repente, quando eu comecei a pensar que talvez eu estava certa e as coisas não pudessem piorar, elas pioraram. "Oi, pessoal." Eu escutei a voz mas não olhei pra cima. Eu não precisava. "Isso não é divertido?" Tory sentou-se do lado de Zach. Eu senti a cadeira do meu lado se mover, e sabia que Dylan tinha se sentado nela. "Tudo está tão lindo. O comitê do baile realmente fez todo o possível, hein?" "Eles estão servindo peixe," Chanelle disse desdenhosamente, segurando seu garfo de peixe. "Tenho certeza de que será delicioso," Tory disse, levantando seu guardanapo e o abrindo com habilidade em um estalo, antes de coloca-lo sob seu colo branco neve. "Mal posso esperar." "Eu também." Dylan disse. "Esse com certeza ganha do baile em Hancock, não é Jinx?" O som da voz dele, que uma vez havia excitado cada nervo meu, agora me fazia sentir como se alguma coisa estive se arrastando pelas minhas costas. Era o tanto que eu não o amava mais. Eu imaginei se alguma vez eu o havia amado, se eu podia me sentir desse jeito em relação a ele agora. "É," eu disse, em uma voz com completa falta de entusiasmo. Eu não podia acreditar nisso. Isso não era para ter acontecido. Eu estava usando o meu pentagrama! E na minha bolsa carteira eu tinha um pequeno saco de temperos - como aquele que a bondosa mulher da Encantamentos tinha feito pro Zach. Não era pra me proteger de coisas como essa? E quanto ao feitiço de anulação que eu tinha jogado na Tory? Ela não poderia ser capaz de me machucar. Então eu percebi que todas essas coisas - o pentagrama, o encanto, e o feitiço de anulação - só poderiam me proteger de magia. O que Tory havia feito essa noite não era magia. Não havia nada mágico em relação a isso. Tudo que isso havia exigido era um pouco de habilidade investigativa e um cartão de crédio importante. "Eu gostaria de fazer um brinde" Dylan disse, levantando seu copo de água assim que o garçom tinha passado e enchido os nossos copos com um jarro de cristal. Eu tinha certeza de que iria vomitar. "A velhos amigos" Dylan disse, olhando diretamente pra mim. "A velhos amigos" Chanelle imitou. "Ah, isso foi fofo. E a novos amigos também, certo Jean?" Eu ergui meu copo d'água. "Sim." Eu estava impressionada que eu consegui


falar. Eu dei uma olhada na direção do Zach e vi que ele estava olhando pra mim. Ele levantou uma sobrancelha. A expressão dele claramente dizia Vamos lá. Isso não é tão ruim. E ele estava certo. Não era. E então ficou. "Então, Tory" Chanelle disse, enquanto um time de garçons colocava nosso primeiro prato na nossa frente... uma salada mesclun com molho vinagrete. "Como você conhece Dylan?" "Oh, é um história engraçada, na verdade." Tory disse, depois de engolir um pedaço de sua salada. "Eu sabia que Jinx tinha saído com um cara chamado Dylan, mas eu não sabia o sobrenome dele nem nada. Então eu liguei pra irmã dela, Courtney, que estava mais do que feliz em me dizer tudo sobre ele." Chega. Quando eu voltar pra Hancock, a primeira coisa que eu vou ter que fazer é matar a Courtney. Se eu sobreviver a hoje a noite, claro. "Então eu liguei pro Dylan e a gente conversou" - Tory fez uma pausa para lançar um sorriso brlhante para Dylan...quem, para minha surpresa, sorriu de volta, quase como se...bem, quase como se gostasse dela - "e eu pensei que seria uma surpresa divertida para Jinx - quem, apesar de eu saber que ela provavelmente não mencionou para todos vocês, tem tido muitas saudades de casa ultimamente - traze-lo para o baile. Então eu trouxe. Infelizmente, o vôo dele era tarde, ou ele teria nos encontrado em casa. Mas eu acho que assim funcionou muito melhor. Não acha, Jinx?" "Ah, sim" eu disse, movendo os pedaços de mesclun pelo prato na minha frente. De jeito nenhum eu conseguia comer. "Funcionou otimamente." "Eu achei que era o mínimo que eu podia fazer" Tory continuou, no mesmo tom de conversa. "Trazer o Dylan pra cá e tudo o mais. Para mostrar a Jinx o quão grata eu estou por todas as coisas que ela fez pra mim desde que chegou aqui. Como roubar a minha melhor amiga. Ah, e delatar o Shawn. Ah, e arrancar o Zach bem debaixo do meu nariz." Chanelle derrubou seu garfo. Todos os outros na mesa - incluindo Dylan estavam encarando em choque Tory. Robert foi o primeiro a quebrar o silêncio. "Você disse que não delatou o Shawn" ele disse, olhando acusadoramente para mim. Meus olhos tinham se enchido de lágrimas. Eu achei que pior do que aquilo não podia ficar. Mal sabia eu que em breve ficaria muito, muito pior. "Eu não delatei ele" eu disse. Então, como um raio do nada, eu me dei conta. "Mas eu tenho uma boa idéia de quem o fez." eu adicionei, estreitando meus


olhos para Tory. "Ah, certo, Jinx" Tory disse, com uma risada. "Como se eu fosse delatar o meu próprio namorado -" "Seu próprio namorado que já havia pago a limusine de hoje a noite." eu disse. "E que poderia não levar na boa se você acabasse trazendo outra pessoa ao baile." O olhar acusador de Robert balançou na direção de Tory. "Você delatou o Shawn para que pudesse vir ao baile com esse Dylan?" ele gritou. Tory, no entanto, nunca tirou seus olhos de mim. "Você," ela disse, "vai desejar tanto que nunca tivesse nascido." "Certo," Zach disse, colocando seu guardanapo na mesa, e se levantando. "Chega. Jean, estamos indo embora. Agora." "Ah meu Deus," Tory disse, com uma risada. Mas ela ainda estava olhando pra mim e não pro Zach. "Você até fez ele comer na sua mão agora. Não bastava você ter que roubar minha melhor amiga e meus próprios pais. Você ainda foi e roubou o cara que eu amo." Eu me senti ficando mais vermelha que o tapete. Tory não tinha exatamente falado na voz mais quieta do mundo também. Todo mundo - pelo menos todas as pessoas sentadas ao redor - estavam encarando a Mesa Sete agora. "Jean não roubou ninguém de você, Tory." Zach se abaixou em direção a cadeira dela para falar com uma voz baixa e firme. "Por que nós dois não damos uma volta lá fora, sim? Eu acho que você precisa de um pouco de ar fresco." "Olha pra ele," Tory disse para mim, com um olhar de desprezo na direção de Zach. "Tão pronto para fazer qualquer coisa por você. Bem como o Dylan aqui. Você deveria ter escutado o quão animado ele estava quando eu liguei e disse aonde você estava. Ele mal podia se conter. Eu não suponho que algum desses dois já se deu ao trabalho de considerar porque eles estão tão enlouquecidos por você." O calafrio que passou pela minha espinha dorsal naquele momento era dez vezes mais forte do que o que eu senti quando Dylan falou comigo. Então, eu só tinha sentido nojo. Agora, eu sentia como se alguém tivesse acabado de andar pelo meu túmulo. Porque eu sabia o que Tory estava prestes a fazer. Eu sabia com a mesma certeza de que sabia que fora ela que entregara Shawn. "Tory," eu disse, numa voz que não soava nada com a minha, era muito fina com medo. "Não." Mas era tarde demais. Era tarde, tarde demais.


Porque Tory já estava puxando sua bolsa e revistando-a. Eu achei que era grande demais para um acessório de noite. Um segundo mais tarde, ela havia jogado uma boneca no meio da mesa. Uma boneca que eu reconhecia bem demais. E eu tenho certeza que todos na Mesa Sete reconheciam também. Já que ela se parecia exatamente com Dylan. Capítulo Dezenove A boneca tinha os olhos de Dylan. Ela tinha a forma de Dylan - os largos ombros, as longas pernas. Estava até no uniforme de futebol americano de Dylan, nas cores verde e branco da Hancock High. O número do Dylan - número 12 - estava adornado no peito da boneca. Apesar de talvez Dylan e eu sermos os únicos na mesa que sabiam disso. Exceto por Tory, que havia obviamente adivinhado. A boneca tinha até o cabelo de Dylan. Seu cabelo VERDADEIRO; cabelo pelo qual eu tinha passado por muitos problemas para conseguir, quando eu havia planejado fazer Dylan se apaixonar por mim. Eu tive que falar para ele que estávamos pegando amostras de cabelo de todos os membros do time de futebol para costurar em uma colcha encorajadora da sorte*. Uma colcha encorajadora, pelo amor de Deus. E então eu realmente tive que fazer uma colcha encorajadora, por conta de não querer que Dylan descobrisse que era só o cabelo DELE que eu queria. É claro, se eu soubesse que o feitiço iria funcionar tão bem quanto funcionou um pouco BEM demais, na verdade - eu não teria me dado ao trabalho de fazer a colcha. Porque assim que eu terminei a última costura na cara da boneca, o telefone tocou, e era Dylan me convidando para aquela primeira, histórica Nevasca. Eu sabia de tudo isso, é claro. E, eu tive um pressentimento, que Tory também. Ou da maioria, de qualquer jeito. Mas ninguém mais na Mesa Sete sabia. Particularmente Zach. Ainda havia uma chance. Ainda havia uma "Você já se perguntou, Dylan," Tory perguntou em uma voz doce, "porque foi que você se apaixonou tão forte, e tão depressa, por uma garota com a qual não tinha nem uma coisa em comum?" Dylan não tinha parado de contemplar a boneca. Ele começou, "Número doze. Esse é o número da minha camisa. O que É essa coisa? Era para ser eu? Esse é o meu CABELO?" "Sim," Tory disse. "Sim, Dylan. Essa é a boneca que Jinx fez de você, para faze-lo se apaixonar por ela. Veja bem, originalmente ela costurou um pouco do cabelo dela na sua cabeça também, para que você não fosse capaz de tirar


ela da sua cabeça. E funcionou. Não é?" Dylan olhou da boneca para Tory, para mim, e de volta. "O que é isso?" ele quis saber. "Algum tipo de vodu?" "Não, Dylan," eu disse. Eu podia sentir meu mundo - o qual, vamos encarar, não era particularmente incrível, mas era o único mundo que eu tinha escorregando para longe de mim. "Era só um jogo. Eu achei um livro de encantos na escola, veja, e...bem, nossa avó sempre nos disse - " "- que uma das filhas na nossa geração iria se tonar uma grande bruxa," Tory terminou por mim, para o benefício da mesa. "Um palpite de quem tornou-se essa bruxa." Todos os olhos na Mesa Sete estavam sobre mim. Não só a Mesa Sete como as Mesas Seis e Oito estavam me olhando bem intensamente também. "Era só um jogo," eu disse, com uma risada nervosa. "Um jogo bobo. Quero dizer, nenhuma pessoa sã poderia acreditar que você pode fazer alguém se apaixonar por você ao fazer uma BONECA que se parece exatamente com ele." "É," Tory disse. "Exceto que no seu caso funcionou, não é Jinx?" Eu balancei minha cabeça, com força. "Por favor," eu disse. "Vamos ser razoáveis. Esse tipo de coisa não acontece. Foi só coincidência, Dylan. Quer dizer, que eu fiz uma boneca e você acabou me convidando para sair. Quer dizer, provavelmente a única razão pela qual você me notou, em primeiro lugar, foi porque eu inventei a história sobre precisar do seu cabelo para a colcha idiota - " Dylan parecia perplexo. "Você inventou a história da colcha? Da colcha encorajadora? Mas eu vi ela. Todos os caras doaram cabelo, também..." "Acho que eu podia acreditar que era uma coincidência," Tory disse pensativa, "se tivesse acontecido apenas uma vez." Tirei meu olhar de Dylan e encarei a mão de Tory, que estava mergulhando, mais uma vez, na sua bolsa. Ah, não. Ah, pelo amor de Deus, não "Mas então você fez de novo," Tory disse. "Não foi, Jinx?" E ela jogou a boneca do Zach na mesa, do lado da boneca do Dylan. Eu deveria saber que se ela tivesse achado uma, ela acharia a outra. A primeira - a boneca de Dylan - eu escondi em um lugar que havia achado brilhante na minha primeira noite em Nova York. Eu havia trazido a boneca comigo porque eu não queria que uma das minhas irmãs pequenas tivessem achado-a no nosso quarto. E eu não tinha jogado fora pelo mesmo motivo que eu pesquei a boneca da Tory da lixeira... Eu não podia deixa-la mofando em algum depósito de lixo. Essa era uma boneca de alguém que uma vez eu amei. Então eu coloquei a boneca do Dylan em um lugar que achei que ninguém iria


pensar em procurar. E eu coloquei a boneca do Zach no mesmo lugar, algumas semanas depois. Pena eu não ter percebido que Tory esteve me espionando esse tempo todo. Ou ela, também, gostava de esconder coisas no cano da chaminé da lareira que não funcionava no meu quarto? Zach, encarando o que Tory tinha acabado de jogar na mesa, perguntou, em uma voz que soava extremamente distante, "Isso era para ser eu?" "Zach," eu disse, sentindo como se eu estivesse sufocando. "Eu NÃO fiz essa. Eu juro por Deus. Eu fiz a do Dylan. Mas foi há muito tempo atrás, e eu percebi de cara que foi um erro terrível - " "Espera." Chanelle levantou seu olhar das duas bonecas para o meu rosto. "Então você É uma bruxa?" Eu engoli. Como isso podia estar acontecendo? Quero dizer, eu sei que sou eu, e esse tipo de coisa acontece com alguém como eu. Mas não algo tão ruim ASSIM. Minha má sorte nunca tinha sido terrível ASSIM antes. "Eu lançei um feitiço," eu admiti. O que mais eu podia fazer? Abrace aquilo que você teme. Era o que Lisa tinha dito. E eu certamente temia admitir para alguém o que eu tinha feito. Talvez, se eu esclarecesse as coisas agora, as coisas melhorariam. "Eu achei que estivesse fazendo magia branca. Eu não percebi que magia branca NÃO é tentar forçar as pessoas a fazerem alguma coisa contra a vontade delas, ou manipular suas emoções. Eu não sabia disso quando eu fiz essa boneca de você, Dylan, e eu realmente sinto muito. Assim que eu percebi, eu tentei desfazer o feitiço tirando o meu cabelo dali. Mas...mas eu acho que não funcionou." Robert, do outro lado da mesa, olhou das bonecas para mim e falou, "Cara. Isso está me assustando. Ela é uma bruxa, ou o quê?" "Ela é uma bruxa," Tory disse firmemente. "Eu só pensei que todos vocês deveriam saber. Primeiro ela fez o pobre Dylan ficar perdidamente apaixonado por ela. E então eu acho que ela decidiu que ter um cara completamente louco por ela não era o bastante, e veio para Nova York e imediatamente mirou no pobre Zach aqui - " "Eu não fiz a boneca do Zach!" eu gritei, me levantando. "A Tory fez. Ela mostrou pra mim na primeira noite que eu cheguei em Nova York. Ela acha que ELA é a bruxa que Vovó estava sempre falando, e ela fez essa boneca e tentou me convencer a se juntar ao seu clã. E então quando eu disse que não queria saber de nada daquilo - porque eu havia aprendido, do modo difícil, o que acontece quando você mexe com magia - ela se zangou." Respirando fundo, eu olhei ao redor da mesa para os rostos estupefatos de


Dylan e meus amigos. Nenhum deles parecia acreditar em mim. Zach não podia nem me olhar nos olhos. "Zach," eu disse, apelando para ele. Porque era a opinião dele, dentre a de todos, com a qual eu me importava mais. "Você tem que acreditar em mim. Quer dizer, olha só para essa boneca." Eu apanhei a boneca do Zach. "Não se parece em nada com a boneca que eu fiz. Quer dizer, um...um...macaco poderia costurar uma boneca melhor que essa." "Eu acho," Tory disse calmamente, quando Zach não respondeu de imediato, "que é melhor você ir embora, Jinx. Ninguém te quer aqui." Eu olhei pra ela então. Quer dizer, eu realmente olhei para ela. E então eu percebi o quão brilhantemente ela tinha conseguido realizar o seu pequeno plano, até os pequenos detalhes. Em seu vestido de baile de branco e em sua maquiagem virginal, ELA parecia a filha do pregador - a que, naturalmente, estaria contando a verdade. Enquanto eu, no colante vestido preto que ela tinha escolhido pra mim e com meu cabelo vermelho selvagem, parecia cada centímetro com o que ela estava clamando que eu era...uma bruxa praticante, que tinha estipulado ganhar o coração não de um, mas de dois dos mais populares garotos em ambas as escolas que eu havia estudado naquele ano. Eu tinha que dar o braço a torcer. Ela teve sucesso, e provavelmente mais do que em seus sonhos mais selvagens. Mas ela ainda não tinha acabado. O golpe final ainda estava por vir. "Eu realmente acho," Tory abaixou sua voz para falar, como se fosse uma conversa "só das meninas" - apesar de, nessa altura, o salão inteiro estar ouvindo...até os garçons, que tinham vindo com o prato do peixe - "que talvez você queira aprender uma lição com nossa ta-ta-ta-ta-ra avó Branwen, Jinx. Porque, você sabe, ela foi queimada na fogueira por bruxaria. Nós não iríamos querer que isso acontecesse com você, iríamos?" Eu não acredito que ela estava repetindo pra mim o que eu tinha contado pra ela sobre Branwen. Eu não podia acreditar que ela estava disposta a trazer à tona a maneira horrível como Branwen havia morrido, só para me fazer parecer má na frente de Zach. Mas eu não deveria ter ficado surpresa. Quer dizer, se ela estava disposta a mentir sobre a boneca, ela não pararia por nada. "Ótimo," eu disse, em uma voz que tremia. "Está tudo ótimo, Tory. Você venceu. Sabe por quê? Eu...eu nem ligo mais." E eu levantei e me afastei. E, na frente de todos aquelas pessoas, com todos aqueles olhares perfurando as minhas costas, eu segui pelo salão do baile, esperando que eu


tivesse forças para sair de lá antes que começasse a chorar. Eu achei que tinha escutado uma voz de um garoto chamando meu nome, mas se era Dylan ou Zach, eu não conseguia dizer. Tudo que eu sabia era que, quem quer que fosse, eu não poderia encara-lo. Não aquela hora. Não sem explodir em lágrimas. Eu consegui sair das portas giratórias e fui parar na Park Avenue. Ali, para meu alívio, o porteiro perguntou, "Precisa de um táxi, senhorita?" Eu fiz que sim com a cabeça, e ele fez sinal para um táxi por mim. Eu engatinhei para o banco traseiro, grata de ter trazido dinheiro o suficiente comigo para me levar para casa, se eu precisasse...uma lição que minha mãe pregadora havia me ensinado desde criança. "Para aonde, senhorita?" o taxista me perguntou. Eu queria dizer para aeroporto. Eu queria dizer Penn Station, ou Grand Central, ou qualquer lugar que me colocaria em um avião ou trem para longe de Nova York e de volta para Iowa. Só que eu não tinha TANTO dinheiro assim comigo. Então eu só disse, "Rua East Sixty-ninth, número 326, por favor." E o taxista acenou com a cabeça, e ligou o taxímetro, e me levou para casa. Eu não chorei até chegar ao meu quarto. Felizmente, eu não encontrei ninguém no corredor ou nas escadas. Alice já estava na cama, e Teddy estava dormindo fora de casa, e Petra e Willem, de babás enquanto tia Evelyn e tio Ted estavam em uma das muitas festas que eles são constantemente convidados, estavam no gabinete assistindo a um filme. Ninguém me escutou chegando. E ninguém me escutou chorando na minha banheira depois de que eu tirei minha roupa espalhafatosa e engatinhei na grande banheira de mármore. Eu chorei até meus olhos ficarem vermelhos e inchados, até eu não poder espremer mais nenhuma gota. Eu deixei a água correndo o tempo todo, para que se Petra fosse ver como estava Alice, ela não iria me escutar chorando. Como isso podia ter acontecido? Eu tinha sido humilhada na frente da escola inteira - me fazendo parecer uma esquisita maior ainda do que eles já achavam que eu era. Eu não ligava muito para o que Robert ou até Chanelle pensavam de mim. Mas Zach! Como ela podia ter feito isso na frente do Zach? Quer dizer, eu sabia que ela gostava dele. Eu sabia que ela estava chateada que o meu feitiço tinha funcionado no Dylan e o dela no Zach não. Mas ela TINHA que fazer isso na frente do Zach? E então, quando uma nova onda de lágrimas começou a aparecer, elas de repente secaram. Porque um novo pensamento tinha me ocorrido, um que eu nunca tinha considerado antes.


Era ISSO sobre o que era tudo isso? Era menos por causa de um menino, e mais sobre o fato do meu feitiço ter funcionado e o dela não? A Tory estava com inveja porque ela sabia que era eu a bruxa que Branwen tinha prometido que apareceria? Ela estava com inveja porque ela achava que deveria ser ELA? Porque eu não tenho medo de usar o dom dela, do jeito que você tem. Era isso o que Tory tinha dito pra mim. Parecia tão estúpido. Quer dizer, por que isso importava? Meus poderes, como eles eram, só tinham me trazido azar e mágoa. Claro, eu salvei Zach daquele mensageiro da bicicleta. Mas aquilo não era magia. Eu tinha meramente estado no lugar errado na hora certa. E a energia acabando no dia em que eu nasci...aquilo só tinha sido um temporal com trovões. E Willem ganhando a viagem para ver Petra...aquilo só tinha sido um feliz acaso. Não tinha nada a ver com o feitiço da anulação que eu tinha lançado contra Tory, ou com a proteção que eu lancei em Petra. E Dylan...pobre Dylan. Ele sentiu vontade de se apaixonar, e eu tinha aparecido, com essa enorme queda por ele...é claro que ele tinha se apaixonado por mim. Nada disso era prova que eu tinha os requerimentos de uma bruxa. Exceto, eu acho, para Tory, que provavelmente tinha se gabado para seu clã sobre sua ancestral bruxa, e seu destino como a verdadeira bruxa da nossa geração. E então eu tive que aparecer e arruinar tudo para ela. Tudo fazia perfeito sentido. Sério, não era de se espantar que ela estivesse tão furiosa. Mas se ser a bruxa da família significava tanto para ela, ela podia ficar com isso. Eu iria suspender o feitiço da anulação, e O que é que eu tava FALANDO? NÃO EXISTE MAGIA. Porque se existisse, o que havia acontecido hoje a noite nunca, nunca teria acontecido. Meu colar - aquele colar de pentagrama estúpido que a mulher da Encantamentos tinha me dado - teria me protegido. Mas não protegeu. Não protegeu porque o negócio todo era um lixo. Não existe magia. Não mais do que não existe sorte. Pelo menos boa sorte. Porque essa era uma coisa que nunca tinha acontecido comigo. E eu estava tão furiosa com o negócio todo - tão cansada de tudo - que eu puxei com força o pentagrama e o joguei do outro lado do banheiro. Eu tentei não olhar aonde ele caiu, para que mais tarde eu não pudesse voltar e apanhalo. Deixe que Marta o encontre e ache que é lixo. Eu desejei que eu pudesse jogar fora a minha vida tão facilmente.


Deve ter sido uma hora mais tarde - eu já estava na cama, no meu pijama mais abominável, o de flanela rosa com borboletas nele - quando eu escutei uma batida na minha porta. "Jean?" Era Petra. "Entre," eu disse. Petra era uma das únicas pessoas que eu achava que podia suportar naquele momento. "Eu pensei ter ouvido você ligar a banheira," ela disse, olhando pra mim preocupadamente da porta. "Você chegou em casa cedo, não foi?" "É," eu disse. "Não estava tão divertido, eu acabei descobrindo." "Você e Zach brigaram?" Petra perguntou gentilmente. "Pode-se dizer que sim," eu disse. "Eu pensei que sim. Porque ele está aqui." Eu sentei ereta na cama como um raio. "AQUI? AGORA?" "Sim, ele está lá embaixo. Ele gostaria de te ver." Ha. Aposto que sim. Para que ele pudesse me dizer...o quê? Que ele achava que não deveríamos mais nos ver? Que ele havia decidido voltar à sua política do laissez-faire - e uma das coisas em que ele estava adotando essa atitude de agora em diante era eu? Bem, eu não ia dar a ele essa satisfação. De jeito nenhum eu iria descer. Não estando sem maquiagem, com meu cabelo parecendo todo selvagem e encaracolado do vapor do jeito que estava. Não com meu pijama da borboleta. Isso não era jeito de se parecer durante um término. Não que estivessemos terminando, porque nós nunca saimos. De qualquer jeito, ele poderia terminar ou o que seja comigo - amanhã, quando eu estivesse usando gloss. "Você poderia dizer a ele que eu já fui dormir?" eu perguntei a ela. Petra uniu suas sobrancelhas. "É claro que eu posso, se você quiser. Mas tem certeza de que é o que você quer, Jean? Ele parece muito preocupado com você. Ele disse...ele disse que alguma coisa aconteceu hoje a noite. Alguma coisa com Tory?" "É," eu disse. Tenho certeza que ele parecia preocupado. Provavelmente porque ele tinha medo do tipo de feitiço que eu lançaria nele depois dele me chutar. Era só isso. "É, tenho certeza." "Bem," Petra disse. "Tudo bem. Você quer falar sobre isso?" Se eu queria falar sobre isso? Eu nao queria nem PENSAR nisso, nunca, nunca mais. "Quer saber?" eu disse. "Eu só quero mesmo ir dormir, se você não se importa." "Está bem," Petra disse, com um belo sorriso. "Só lembre-se, eu estou aqui se você precisar. Não precisa ficar envergonhada por causa do Willem. Se você


precisar de alguma coisa, só bata na porta lá de baixo. Tudo bem?" "Tudo bem," eu disse, arrumando um sorriso. "Obrigada. E boa noite." "Boa noite, Jean," Petra disse, e fechou a porta atrás dela. Petra era um amor. Eu iria mesmo sentir a falta dela quando eu fosse para casa. O que seria, eu já tinha decidido, assim que eu arranjasse um bilhete. Porque eu não podia ficar em Nova York nem mais um segundo. Eu certamente não podia voltar pra escola na segunda. Eu iria encarar Zach amanhã, porque eu devia a ele isso, de qualquer jeito. Mas eu ia voltar para Hancock, aonde eu pertencia. Depois da Tory, cuidar do Dylan seria fácil. Além do mais, talvez depois de ter descoberto sobre a boneca, ele se acalmaria um pouquinho. Garotos não gostam de saber que mentiram para eles e os manipularam. Zach era prova suficiente disso. Talvez Dylan seguisse o exemplo de Zach. Pelo menos UMA coisa boa iria sair de tudo isso, então. Eu falei para Petra dizer a Zach que eu estava dormindo, e eu apaguei as luzes assim que ela saiu, para mostrar que eu estava. Mas o sono demorou a vir. Eu fiquei deitada acordada, revendo a cena na Mesa Sete na minha cabeça, de novo e de novo. Mas não importa quantas vezes eu tentasse, eu não podia pensar em uma única coisa que eu poderia ter dito para fazer Zach acreditar em mim. Tory realmente tinha feito um excelente trabalho manipulando a situação ao seu gosto. Eu esperava, depois disso, que ela conseguisse o que ela queria. Zach. Nada mais de Petra. Os poderes mágicos de Branwen. O que quer que fosse. Certamente, poucas pessoas tinham trabalhado tão duro por isso quanto ela. Pelo menos, não de um jeito tão perturbador. Eu não sei que horas eu adormeci. Mas eu sei que horas eu acordei. Duas da manhã. Eu sei porque eu abri meus olhos e vi os numerais digitais vermelhos no relógio perto da minha cama. A razão pela qual eu acordei? Bom, foi uma coisa muito engraçada. Não foi porque de repente eu me enchi com um sensação de que - para variar tudo iria ficar bem. Não foi porque, desesperada como eu estava quando eu havia adormecido, eu havia acordado com uma sensação de calmaria, uma sensação de que não havia nada - nada no mundo - que eu precisava temer, embora ambas essas coisas fossem verdade. Não, eu acordei porque tinha alguém de pé do lado da minha cama, e sussurrando meu nome.


"Jean," a voz disse. "Jean." Era uma garota, usando um longe vestido branco. Mas não era Tory, ainda vestida em sua roupa de baile da primavera. Porque essa garota estava sorrindo para mim - e não de um jeito mau, mas como se ela sinceramente gostasse de mim. Além disso, ela tinha um longo cabelo vermelho. E apesar de eu não a conhecer, eu sabia o nome dela. Eu o sabia tão bem como eu sabia o meu próprio. "Branwen?" eu disse, me sentando. Capítulo Vinte Mas no minuto que eu me sentei, ela tinha ido embora. A sorridente garota de cabelos vermelhos no longo vestido branco tinha desaparecido. Se é que ela estivera ali. Porque certamente ela fora apenas um sonho. Em um estado entre acordada e adormecida, eu tinha pensado que tinha visto minha ancestral do lado da minha cama, dizendo o meu nome. Tinha que ser isso. Porque eu não acreditava em fantasmas, não mais do que eu acreditava em magia. Pelo menos, não a partir dessa noite, de qualquer jeito. Foi enquanto eu estava dizendo isso a mim mesma que eu senti alguma coisa em volta do meu pescoço. Alguma coisa que não estava lá quando eu fui dormir. Alcançando-o, eu percebi que era o colar de pentagrama que Lisa havia me dado. Aquele que eu lembrava nitidamente de ter tirado do meu pulso e jogado do outro lado do cômodo mais cedo, nem mesmo olhando para ver aonde ele caira. E mesmo assim ele estava agora em volta do meu pescoço. Um sentimento de - o quê? Não medo. Porque eu não estava amedrontada. E nem apreensiva. Meu estômago não doia nem um pouco. Mas alguma coisa, qualquer coisa, chamava a minha atenção. Eu ainda sentia a estranha calma que eu havia experimentado ao acordar, mas agora ela estava unida com...felicidade. Eu estava feliz. O que estava acontecendo? Por que eu não estava com medo? Colares não se amarram sozinhos. Alguém tinha achado o colar e o colocado de volta no meu pescoço. Mas quem? Quem poderia ter entrado no meu quarto e feito algo assim, tão calmo e gentilmente que eu não tinha acordado? Petra? Ou o fantasma da minha ta-ta-ta-ta-ra avó cuidando de mim quando eu mais precisava dela? Me mostrando que - justamente como eu sempre suspeitei - eu realmente era a filha que ela mencionara - a que estava destinada à grandeza como uma bruxa. Não Tory.


Somente eu. Tinha sempre sido eu. Eu só precisava acreditar. Nela. Em mim mesma. De repente, eu sabia que o sono tinha ido embora. Minha pele estava formigando como se tivesse sido eletrificada. Eu pulei da cama e fui para a janela. Uma turva luz azul estava entrando pelas linhas transparentes da persiana - eu tinha esquecido de puxa-la. Eu presumi que a luz fosse do apartamento vizinho atrás da casa da Tory. Mas quando eu empurrei a persiana para o lado, eu vi que a luz vinha de uma lua cheia, pesada e branca, suspensa no céu da noite, tão brilhante que até tinha um pequeno arco-íris ao seu redor. Lua minguante, eu sabia de ter lido no livro de bruxas que eu comprara, era a época para fazer feitiços de banimento. Lua cheia era quando, tradicionalmente, as bruxas faziam feitiços de prosperidade e crescimento. Mas na noite de lua cheia...bom, basicamente tudo vale. Qualquer coisa é possível debaixo de uma lua cheia. É por isso que tantas pessoas acabam na sala de emergência nas noites em que a lua é cheia. Pelo menos, é o que eles dizem em ER. Que estranho que essa noite, dentre todas as noites, tenha lua cheia. Ou era por isso que Branwen tinha finalmente conseguido aparecer para mim? Por causa da lua...e da minha necessidade? Então eu escutei algo vindo do jardim. Parecia, na verdade, com Mouche. Mas o que Mouche estaria fazendo fora a essa hora da noite? Alice sempre se lembrava de chama-la e de traze-la para dentro depois de escuro. A gata dormia com ela toda noite. Quem poderia ter deixado Mouche sair? Então eu notei algo estranho. Tinha uma luz ligada no gazebo. Não. Certamente não. Eu tinha que estar imaginando coisas...do jeito que eu tinha imaginado ver Branwen. Se eu tivesse imaginado ter visto Branwen. Mas não. Lá estava de novo. Não só uma luz, mas várias, quase como se... ...como se alguém estivesse acendendo velas ali embaixo. Alguém que se parecia muito com a minha prima Tory. Sem ligar a luz - eu não queria que Tory visse, soubesse que eu estava acordada, e tivesse um aviso avançado que eu estava indo ver ela - eu deslizei do meu pijama e coloquei uma calça jeans e um suéter. Eu carreguei um par de mocassins na minha mão enquanto eu saia do meu quarto e descia as escadas, para que os meus passos não acordassem ninguém. Quando eu cheguei à porta que levava ao jardim, eu coloquei meus sapatos e desci as escadas para o jardim. Tinha bastante luz - azulada, mas ainda assim bastante - para poder enxergar.


Mas eu não precisava da luz da lua para ver o brilho amarelo que vinha de trás do vidro fosco do gazebo. Ou as três magras sombras produzidas por ele. Era Tory. Tory e seu clã. E de repente eu lembrei dos cogumelos. Os cogumelos que Tory tinha pedido a Chanelle para ajuda-la a raspar de uma lápide na luz da lua cheia. A lua estava completamente cheia agora. Ela começaria a minguar amanhã. Para o que for que ela estivesse planejando usa-los, isso tinha que acontecer hoje a noite. E para o que for que ela estivesse planejando usa-los, tinha que ser algo ruim, se eu conhecia a Tory. Não podia ser nada que tivesse a ver comigo. Ela tinha me dizimado no baile. Ela tinha que saber disso. Não, pra quem quer que esse feitiço estivesse destinado - Petra, Zach, quem sabia? - essa pessoa não era eu. Tory sabia que ela estava bem livre de mim. Pela primeira vez desde que eu tinha acordado naquela noite, eu senti outra coisa além de uma estranha calma. Raiva. Eu senti raiva. Não pelo que Tory tinha feito comigo - eu mereci aquilo, pelo que eu fiz com Dylan. Não, eu estava com raiva porque, tendo testemunhado hoje a noite os resultados diretos da minha própria tentativa de manipular a vontade dos outros, Tory ainda não conseguia ver que faze-lo era errado. Bom, isso era o bastante. Estava tudo acabado. Ela tinha que ser impedida. Eu iria impedi-la. Que foi quando eu abri com um empurrão a porta de vidro do gazebo para dizer a ela... ...até que o que eu vi lá dentro fez com que a minha voz secasse na garganta. Ali estavam elas, todas as três, Tory ainda em seu virginal vestido branco do baile. Gretchen e Lindsey, por outro lado, estavam totalmente enfeitadas com o usual delineador pesado e estavam usando preto. Elas estavam sentadas em volta de algo que parecia um pequeno altar na mesa de topo de vidro no meio do gazebo, completo com doze velas acesas (pretas, é claro) e algo parecido com um cálice vazio no meio da mesa/altar. E elas não pareciam nem um pouco surpresas de me ver. Bom, Tory não parecia, de qualquer jeito. "Pronto," ela disse, com uma certa quantidade de satisfação em sua voz. "Eu disse que ela viria, damas. Não falei?" A única resposta de Lindsey - não surpreedentemente - foi rir. Mas Gretchen, me lançando um olhar desdenhoso, disse, "Eu não entendi, Tory. Como você sabia?" "Porque ela é fraca," Tory disse. Foi quando eu vi o que ela estava segurando em suas mãos, debaixo da mesa de tampo de vidro. Era Mouche, lutando para


se soltar e fazendo bastante tumulto para isso. O mesmo tumulto que eu tinha escutado do meu quarto. Que foi porque Tory abruptamente deixou o gato ir embora. Porque Mouche havia feito o que Tory precisava que ela fizesse. Ela me atraiu para o gazebo. Exatamente aonde Tory me queria. "Se ela é fraca," Gretchen disse ameaçadoramente, "então para que nós queremos ela?" "Eu te disse. Não é ela que nós queremos," Tory disse. "É o sangue dela." Que foi quando eu finalmente percebi o que estava acontecendo - porque elas estavam sentadas ao redor do cálice vazio. E pra que eu estava lá. Como o sangue do meu rosto, eu senti toda a determinação inserida vagarosamente por Branwen escoar. Eu me girei para ir embora - mas eu não fui rápida o bastante. Eu abri a porta - o bastante para Mouche correr - mas Gretchen, que se revelou tão forte quanto era alta, me agarrou à força e me puxou de volta, me empurrando rudemente para a cadeira de ferro forjado do lado oposto da mesa de Tory. "Amarre as mãos dela," Tory ordenou. E Lindsey e Gretchen obedientemente criaram uma corda de cetim preto provavelmente o cinto do roupão do pai de uma delas - e começaram a enrolar-la - não muito solta, não me importo de dizer - em volta do meu pulso. De fato, elas me amarraram com bastante força. "Meninas," eu disse. Eu disse a mim mesma para não entrar em pânico. Era provavelmente só algum tipo de ritual de trote estúpido. Provavelmente, elas iriam me fazer se juntar ao clã idiota delas e fazer um juramento estúpido. Só um pouco de sangria, para nos tornarmos "irmãs de alma", ou qualquer coisa. Ainda assim. "Eu acho que vocês cortaram a circulação dos meus dedos." "Cala a boca," Tory disse. "Está bem," eu disse. "Mas se os meu dedos ficarem pretos e começaram a cair-" "Eu disse, CALA A BOCA." Foi quando Tory se levantou de sua cadeira e me acertou com um golpe. Forte. Palma aberta, de lado a lado do rosto. Eu acho que poderíamos dizer que foi mais um tapa do que um golpe. Ainda assim, doeu. Por um minuto, eu vi estrelas. Foi quando eu percebi que isso provavelmente não era um trote afinal. "Está tudo pronto?" Tory perguntou para suas duas cúmplices, que concordaram. Gretchen parecia entusiasmada. Somente Lindsey parecia um pouco surpresa pelo tapa. Pelo menos, pelo que eu pude observar, por olhos que tinham se enchido automaticamente com lágrimas pelo golpe. Tory era


muito mais forte, fisicamente, do que eu achava que ela era. Aquela tapa tinha DOÍDO. "Tudo bem," Tory disse. Ela retornou ao seu assento. "Hoje a noite, debaixo dessa luz nova, um tempo de novos começos, eu vou corrigir um erro," ela começou. "Há cento e cinquenta anos, uma das mais poderosas bruxas de todos os tempos, Branwen, que havia nascido com o dom da magia, previu que uma descendente sua iria herdar seus notáveis poderes. Por toda lei que é natural e certa, essa descendente deveria ter sido eu. Mas por alguma razão completamente idiota, parece que é a minha prima Jinx." "Não sou," eu disse. Porque, apesar de eu ter visto Branwen no meu próprio quarto essa noite, eu desconfiava que, baseada em suas próprias experiências, ela provavelmente concordaria que negar possuir qualquer habilidade de bruxa era o caminho a seguir. "Não sou eu." Tory olhou para mim. "Não," ela disse, "interrompa a cerimônia." "Mas não sou eu, Tory," eu disse, desesperada. "Vamos lá, isso é estúpido. Como eu poderia ter poderes mágicos? Você sabe que eu sou a pessoa mais azarada na face do planeta-" "Como você explica Dylan, então, e a devoção dele por você?" Tory repreendeu. "Foi só um feliz acaso." "Shawn?" "Isso foi você," eu disse. "Você fez ele ser expulso." "Claro," Tory disse. "Mas todo mundo culpa você. E quanto ao Zach?" Eu pestanejei para ela. "Bem, Jinx? E. Quanto. Ao. Zach?" E, exatamente assim, estava de volta. A raiva que eu tinha sentido mais cedo. A raiva que Lisa tinha que eu precisaria quando o tempo chegasse. "Eu te disse um milhão de vezes," eu disse. "Zach não gosta de mim desse jeito. Nós somos só amigos...e provavelmente não somos mais nem isso, graças a VOCÊ e aquela SUA boneca estúpida, então-" Tory se levantou, uma mão erguida como se fosse me bater de novo. Eu olhei para ela, desafiando-a - só desafiando-a - a tentar de novo. Se ela chegasse um passo mais perto, eu iria chuta-la na cara. Mas Lindsey, dentre todas as pessoas, parou-a com seu choramingo. "Podemos acabar com isso de uma vez? Estou morrendo de fome. E você sabe o que acontece quando o açúcar no meu sangue fica baixo." "Está bem," ela disse. Foi quando Tory pegou a faca. Uma faca enorme - decorativa, do tipo que você compra nessas lojas que vendem facas ornamentais, como essas usadas


nos filmes do Senhor dos Anéis. Uma olhada para a faca, e eu estava acabada. Era isso. Eu levantei-me da cadeira - só para Gretchen me empurrar de volta e me segurar com as duas mãos pressionadas, fortemente, nos meus ombros, enquanto eu me contorcia. Vendo que eu não iria escapar desse jeito, eu abri a boca para gritarMas Tory, antecipando a manobra, empurrou suas duas longas luvas de seda na minha boca, me amordaçando efetivamente. "Pare de lutar, Jinx," Tory estava dizendo, no que era uma voz bem tranquilizadora, para ela. "Isso é o que você quer, se lembra? Você sempre quis só ser normal, certo? Bom, assim que nós pegarmos sangue suficiente seu para eu beber, eu vou assumir os seus poderes, e você não vai mais ter que se preocupar. Eu fiz uma poção exterminadora com alguns cogumelos muito raros. Você pode bebe-la, e não vai mais precisar se preocupar com azar. Todos os poderes que você herdou de Branwen vão sumir. Em vez disso, eu vou ter eles." Tudo bem. Isso era ruim. Isso era muito ruim. Eu tive um pouco de azar antes disso, era verdade...mas isso definitivamente era pior. Eu tinha que sair disso. Mas como? Eu estava completamente impotente. Gretchen era forte. Essa corda estava amarrada tão apertada. Eu não podia gritar. O que eu podia fazer? O que qualquer um faz quando toda a esperança se foi, e todo o resto falha? O que era que Lisa da Encantamentos havia dito? Tory não pode me machucar se eu...se eu...se eu o quê? Por que eu não conseguia lembrar? Abraçar a magia. Mas como eu poderia? Como eu podia abraçar algo que havia me causado nada além de sofrimento por tanto tempo? Quer dizer, olhe o que aconteceu com Dylan. Olhe o que aconteceu com as pessoas no hospital na noite que eu nasci. Olhe o que havia acontecido essa noite no baile. Eu não podia abraçar algo que tinha bagunçado com tantas vidas, algo que eu tinha pressumido que era mau. "Espera um minuto," Lindsey disse. "Você vai beber o sangue dela?" "O que você esperava?" Tory exigiu. "É um ritual de sangue. Dã." "Eu sei," Lindsey disse, ficando, se uma coisa dessas era possível, mais pálida ainda. "Mas eu não sabia que você iria beber ele. Eu também tenho?" "Você quer que eu seja uma bruxa de verdade," Tory rugiu, "ou não?" "Bom," Lindsey disse. "Sim. Eu acho. Eu não sei. Mas você vai mesmo fazela beber aquele negócio com os cogumelos dentro? E se ela ficar doente? Eles podem ser venenosos, pelo que você sabe." "Não vai importar," Tory disse. "Ninguém vai acreditar nela. Eles vão achar que ela se envenenou, por conta do que aconteceu no baile. E até lá eu terei os poderes dela - que ela nunca apreciou, muito menos aprendeu como usa-los


corretamente. E mamãe e papai vão ficar nas minhas mãos." Para mim, Tory disse, em uma voz que era novamente tranquilizadora, "E Zach vai me amar, não a ela. Espere e verá." Mas eu mal ouvi ela. Porque eu estava pensando, E se o que Lisa tinha dito era verdade, e todas as coisas ruins que tinham acontecido comigo não tinham sido causadas por azar, mas por medo...medo interno? Medo do que eu realmente era? Medo que QUEM eu realmente era. A magia vai me salvar. Branwen vai me salvar...se eu abraçar aquilo que eu temo. E de repente, minha mente ficou vazia. Ao contrário, eu pensei na magia e como ela podia me salvar. Eu pensei na lua, tão brilhante e alta, com aquele arco-íris em volta dela. Eu pensei nas rosas florescendo pelo jardim todo. Eu pensei em Branwen, e como ela tinha devolvido o meu colar, e na calma que eu senti após ve-la, sorrindo, do lado da minha cama. E eu pensei em Zach, na casa ao lado. Tudo que ele tinha que fazer era olhar pela janela. Então ele veria o gazebo...ele me veria. "Eu não sei mais por quanto tempo eu posso segura-la," a voz de Gretchen soava tremida com o medo. Eu não tinha percebido aquilo antes. Mas agora, era como se os meu sentidos tivessem sido aguçados. Eu estava ciente do perfume das rosas no ar, tão doce. Acorda, Zach. Olha pra lua, Zach. Eu estou aqui, Zach. Eu estou aqui embaixo. "Está bem," Tory parecia furiosa. "Então cala a boca e assista enquanto eu faço isso." Tory então começou a "fazer isso" segurando a faca para que a lâmina cintilasse no luar que entrava pelo teto de vidro do gazebo. Então Tory enfatizou, "Em nome de Hecate, e Branwen, e...e de todas as bruxas do mundo, eu tiro dessa mulher o que por direito pertence a mim." Ela sinalizou para que Lindsey se abaixasse e agarrasse os meus dois pulsos o que ela fez, apesar de eu ter lutado para afasta-los dela, ao mesmo tempo que lutava para me libertar do forte agarro de Gretchen - e os segurasse acima do cálice. E, sem o menor sinal de hesitação, Tory começou a descer a lâmina brilhante que ela segurava. Que foi quando três coisas aconteceram simultaneamente. Lindsey soltou as minhas mãos e gritou, "Ah meu Deus, Tory! Você não pode realmente-" E eu ergui o meu joelho contra a parte de baixo da mesa o mais forte que eu pude, inclinando o pesado vidro - e o cálice, as velas, e a poção de cogumelos em cima dele - na direção da Tory.


E eu escutei a porta do gazebo abrir drasticamente, e uma familiar voz masculina disse, "Que diabos está acontecendo aqui?" Capítulo Vinte e Um "Zach!" Tory gritou, lutando para ficar em pé. "Ah meu Deus. O que você está fazendo aqui? Que bom você ter passado aqui." Zach, no entanto, não parecia estar com vontade de fazer gentilezas sociais. Talvez tenha sido o tampo de mesa de vidro que tinha rolado por cima da bainha da saia da Tory, a qual ela estava tentando desesperadamente - e mesmo assim casualmente - libertar. Ou talvez tenha sido a faca que ela ainda segurava em uma mão, ou a poção de cogumelo entornada por todo o vestido dela. Talvez tenha sido a expressão de choque e culpa de Gretchen e Lindsey. Ou talvez tenha sido o fato de eu estar amarrada e amordaçada e esparramada numa humilhante pilha no chão do gazebo. Em todo o caso, ele não respondeu a pergunta de Tory. Ao invés, ele se ajoelhou do meu lado e puxou as luvas da minha boca. "Você está bem?" ele queria saber. Eu fiz que sim com a cabeça. Eu não acho que eu poderia ter falado se eu quisesse. Não porque minha prima tinha acabado de tentar me matar. Mas porque Zach tinha se apressado para me resgatar sem ter lembrado de colocar uma camisa. Talvez Tory tivesse me matado, e eu tinha morrido e ido pro céu. Exceto que se esse era o céu, porque Lindsey estava chorando? "Ah, Zach, por favor não conte ao Sr. e Sra. Gardiner sobre isso," ela implorou. "A Sra. Gardiner está na mesma comissão de diretores voluntária da Sloan-Kettering que a minha mãe. Ela vai me MATAR se descobrir que eu fico brincando de ser bruxa." Foi quando Tory gritou, "LINDSEY! CALA A BOCA!" E então começou a tagarelar. "Nós tentamos impedi-la," Tory disse. "Sério, Zach. Mas Jean estava tão chateada, você sabe, pelo que aconteceu - por eu ter revelado que ela é uma bruxa no baile, e tudo - que ela tentou se matar. Foi assim que a gente achou ela. Nós já estavamos indo ligar pra emergência-" "Ela amordaçou ela mesma?" Zach exigiu grosseiramente. "E amarrou suas próprias mãos juntas? Bela tentativa, Tory. Mas eu escutei o que você estava dizendo para ela, sua doente-" Então Zach disse uns palavrões bem feios. Do tipo que minha mãe teria cobrado uma moeda de 25 centavos, se ele os tivesse dito em Hancock. "Deus," Tory disse, soando zangada. "Ótimo. Não acredite em nós. A única


razão pela qual você está do lado dela foi porque ela jogou um feitiço de amor em você. Como você se sente, sabendo que você é só uma vítima da MAGIA bruxa manipulativa dela?" "Não," eu tentei dizer. "Não escute ela. Eu usei magia. Eu chamei você aqui com magia, Zach. Mas pra me ajudar. Não para me amar. Nunca para me amar. Aquela boneca era dela! Aquela boneca era dela!" Mas nada saiu de mim a não ser um grasnado. Eu não conseguia falar, porque a minha garganta estava seca como areia. "A única vítima que eu consigo ver aqui é a Jean," Zach estava dizendo em uma voz áspera. "O que tem de errado com você, Tory? Você poderia realmente ter machucado ela." "Ah, claro." Tory estava fungando agora. "Fique do lado dela. Isso é muito bom. Eu te conheço desde que eu estava no jardim de infância, mas fique do lado da pessoa que você só conhece há um mês-" Mas Zach não estava escutando. "Me dê essa faca," ele disse para Tory, que em silêncio entregou a ele, enquanto Gretchen disse, soando verdadeiramente assustada, "Eu nunca achei que chegaria a esse ponto, Zach. Eu nunca pensei que Tory queria mesmo machuca-la. Quando ela nos contou sobre isso, ela disse que só ia brincar um pouco com ela. E também, que Jean não iria se importar, que ela estava cansada do azar dela, ou algo do tipo, e queria se livrar dele e da-lo pra Tory." Eu disse, "Nunca! Eu nunca vou entregar meu poder! Eu o abracei! Eu não tenho mais medo dele!" Mas tudo que saiu foi mais grasnado. "Só que não era azar" - Gretchen era a que estava tagarelando agora - "era magia, e ela - Jean - simplesmente não sabia como usa-la corretamente. E que se Tory bebesse o sangue dela - o sangue da Jean - aquela boneca dela iria funcionar, e você amaria ela do jeito que ela queria que você -" "GRETCHEN!" Tory berrou. "CALA A BOCA!" Zach usou a faca de Tory para cortar as cordas que estavam mantendo as minhas mãos unidas. Foi só quando ele me puxou para cima que ele percebeu - ambos percebemos - que eu não podia caminhar muito bem. Não por nada que Tory tivesse feito, mas por causa da dor no meu joelho, que eu tinha batido fortemente contra a mesa de topo de vidro para que ela inclinasse. "Vamos," Zach disse, deslizando um braço pela minha cintura. "Encoste-se em mim." E ele me ajudou a mancar para fora do gazebo e para dentro do fresco ar da noite do jardim, aonde Mouche nos encontrou, com um pequeno e curioso "Miau?" "Nós não podemos deixar Mouche aqui fora," eu tentei dizer. "Alice vai ficar


maluca se ela não estiver na cama dela quando ela acordar." Mas a minha voz ainda estava muito enferrujada da mordaça, e tudo o que saiu foi, "Mouche." "Eu sei," Zach disse. "Eu vou voltar e pega-la depois que eu te colocar pra dentro. Não se preocupe." E então ele começou a bater na porta, e poucos segundos mais tarde, eu escutei a voz de Petra dizer sonolenta, "Sim? Quem é - oh, Zach? O que você está - " Então em uma voz bem menos sonolenta, ela disse, "Jean!" Então o luar desapareceu, e nós estávamos no confortável apartamento no porão de Petra, cuja porta ficava bem no jardim. Zach estava me abaixando para o sofá de Petra, e eu pude perceber que Willem não estava dormindo lá, afinal de contas. Ele estava parado na entrada do quarto de Petra usando nada mais que uma cueca samba canção e com uma expressão bem confusa. Ele estava incrivelmente fofo. Apesar de não tão fofo quanto Zach, que não usava nada além da calça jeans que ele havia colocado tão afobadamente, que não estava nem abotoada corretamente. As mãos de Zach estavam cheias de cortes, também. O que havia acontecido com as maõs de Zach? Ah. As rosas. "Ah meu Deus," Petra estava dizendo. "O que aconteceu?" As rosas. Ele havia cortado-as nas rosas, escalando pela parede. Mas Petra não estava falando sobre Zach, no fim das contas. "Ela está bem. Ela só precisa de um pouco de água," Zach disse. Então, três palavras mais, pronunciadas tão friamente, que congelaram meu coração: "Foi a Tory." "Os pulsos dela -" "Elas amarram ela," Zach disse curtamente. "Ah meu Deus. Eu tenho que ir acordar os Gardiners," Petra disse. "NÃO!" uma voz estridente bradou. E foi quando eu percebi que Tory tinha nos seguido do gazebo. "Petra, não!" Tory gritou. A expressão dela - Willem tinha ligado as luzes do alto - era perto da histéria, de olhos arregalados. Ela ficou parada ali em seu vestido branco de baile sujo de poção, parecendo a Cinderela no baile - depois de perceber que o relógio tinha dado as doze badaladas. "Não conte para mamãe e papai! Jinx me disse que ela queria se livrar dos poderes dela. Ela me disse que não podia tomar conta deles...ela estava cansada de sempre ter tanto azar. Eu estava tentando ajuda-la. Honestamente." "Poderes?" William perguntou. "O que são esses poderes que ela está


falando?" "Tory," Petra disse, enquanto se ajoelhava ao meu lado e me oferecia um copo cheio de água, o qual eu aceitei e imediatamente sequei. "Não agora." "Espere," Tory disse. Ela estava chorando agora. Eu assisti enquanto lágrimas jorravam do seu belo rosto. "Era um jogo. Era só o que isso era. Jinx estava participando dele. Ela gostava." "Ah, é verdade?" a voz de Zach era dura. "E o rato morto? Ela gostava disso? E todo mundo na escola achando que ela era uma delatadora, quando foi você - não negue isso - que dedurou o Shawn...o seu próprio namorado? E quanto a façanha de hoje no baile, trazendo aquele cara de Iowa? Eu pude ver o quanto ela gostou daquilo." A voz de Zach pingava com sarcasmo. "E quem não gosta de ser amordaçado e amarrado?" "Eu te disse," Tory gritou, realmente histérica agora. "Era só um jogo. Jinx, diz pra eles! Diz pra eles que era só um jogo!" Eu olhei para Tory, de pé na minúscula e quente sala de Petra, parecendo tão incrivelmente linda. Ela sempre tinha sido a mais bonita dentre nós duas. Mas eu nunca tinha me ressentido por isso. Eu tinha aceitado, do jeito que você aceita que uma irmã é mais alta que você, ou um irmão é melhor no basquete. Mas ela nunca tinha sido capaz de me aceitar, e o que eu tinha, que ela não tinha. O que ela nunca, nunca teria. O negócio era que, por que ela deveria ter aceitado isso, quando por tanto tempo, eu mesma não tinha sido capaz de aceita-lo? Mas não agora. Agora, tudo era diferente. Tudo. Principalmente, eu. "Diz pra eles," Tory implorou pra mim, através de suas lágrimas. "Diga pra eles que era só um jogo, Jinx." "Não," eu disse. E dessa vez, quando eu falei, eu sabia que todos podiam me entender. "Não, não era um jogo, na verdade." Que foi quando Petra, pálida mas decidida, se virou e se dirigiu às escadas - e Tory correu atrás dela, gritando, "Não! Petra! Eu posso explicar! Espere!" E Willem, parecendo confuso mas determinado, foi atrás da Tory, aparentemente para ter certeza que ela não faria nada à Petra. E então eu estava sozinha com Zach. Eu tinha certeza que a demonstração de cavalheirismo devoto de Willem iria ser dolorosa, então eu virei para Zach e disse, "Eu sinto muito." Ele olhou para mim, claramente surpreso. "Sente muito? Pelo quê? Nada disso foi sua culpa." "Eu não quero dizer sobre isso," eu disse. "Quero dizer sobre Petra. E Willem.


Eu ia te contar. Mas eu não tive uma oportunidade. Você sabe." Quando ele continuou a me olhar inexpressivamente, eu elaborei: "Zach, eu sinto muito. Mas eu não acho que eles vão terminar tão cedo. Ela realmente ama ele. E ele realmente ama ela." A expressão de Zach, enquanto ele me olhava, foi de surpresa para uma que eu reconhecia. Era o mesmo olhar que ele tinha usado no campo de beisebol aquele dia - uma mistura de frustração e divertimento. "Jean," ele disse. "Eu não ligo para a Petra." "O que você quer dizer com não ligar pra ela?" eu perguntei, surpresa. "Você ama ela." "Não," Zach disse. "Não, eu não amo. Eu nunca amei." "Sim, você amou." Eu me sentei um pouco mais reta - e então recuei, quando o gesto atrapalhou meu joelho dolorido. Ainda assim, isso era importante demais para deixar passar. "Você me disse que amava ela -" "Não," Zach disse de novo. "Você me disse que eu amava ela. Por causa que o tolo do Robert disse. Tudo o que disse era que houve uma época que eu achava a Petra atraente. Foi você que continuou com isso. Mas a verdade é que tem alguém que eu tenho achado muito mais atraente por um tempo já." "Tem?" eu encarei ele com confusão...e desalento. "Você nunca me contou." "Não, eu não contei," ele admitou. "Eu achei que era mais fácil deixar você continuar achando que eu amava Petra. Porque dava pra dizer que você ainda estava assustada com o que houve com você, em Iowa, com aquele cara. Eu não achei que você estivesse pronta -" "Pronta?" eu sacudi minha cabeça. Do que ele estava falando? "Pronta pra quê?" "Pra que eu te contasse a verdade," Zach disse. Ele estava olhando pra mim tão intensamente, seus olhos verdes pareciam brilhantes como a lua parecera, lá fora. "Que eu tinha parado de gostar da Petra no minuto que eu te conheci." Quando eu continuei a olhar para ele sem expressão, ele disse, "Lá fora naquele mesmo maldito gazebo - no dia que você chegou. Não diga que você não lembra." "Eu?" eu ainda achava que não tinha entendido ele corretamente. "Eu?" "Você é claro," ele disse, soando descrente. "Jean - como você pode não ter visto? Tory viu - por que você acha que ela estava tão nervosa? Todo esse tempo, você vem dizendo a ela - a mim - pra todo mundo que você conhecia que você e eu éramos só amigos, quando só amigo era a última coisa que eu queria ser seu. E Tory sabia disso. Ela podia ver o que todos podiam, só de olhar pra mim - todo mundo menos você, aparentemente. Que eu estava louco por você..." A voz dele se apagou enquanto olhava pra mim. "Você ainda não acredita em mim, acredita?"


Como eu podia acreditar nele? Como isso podia estar acontecendo comigo, dentre todas as pessoas? "Era isso que eu temia," ele disse, com um suspiro."Eu acho que você não me deu outra escolha." "Outra escolha mas...o quê?" eu guinchei, alarmada. "Isso," ele disse. E a próxima coisa que me dei conta, os lábios dele estavam nos meus. Eu presumo que para nosso primeiro beijo, foi razoavelmente vacilante. Bom, está bem, talvez alguém como Tory, que está anos-luz na minha frente em conhecimento de sofisticação, podia ser beijada de tal maneira e não perder por completo a cabeça. Eu, por outro lado, não podia. Não foi como se ele tivesse me agarrado e moldado meu corpo ao dele, como Dylan tinha feito, na primeira vez que ele beijou. O beijo de Zach era o mais gentil que você podia imaginar. Ele mal estava me tocando, exceto por onde seus dedos descansavam nos meus ombros. Mas enquanto pode ter sido gentil, foi longo. O que você pode até chamar de demorado. E eu senti todo o caminho até os meus dedos do pé. Ah, eu senti. Quando ele levantou sua cabeça de novo para olhar pra mim, eu mal notei. Isso foi porque passarinhos e estrelas estavam voando na frente dos meu olhos, eu estava tão deslumbrada pelo gosto da boca dele na minha. Graças a Deus eu estava sentada. Se eu estivesse de pé quando ele tinha me beijado, eu tenho certeza que teria desmoronado. Eu senti como se estivesse derretendo. Por dentro. "Agora," ele me perguntou, na sua profunda, calma voz, "você acredita em mim?" Mas era difícil formular uma resposta, porque os meus lábios estavam formigando muito. "Está bem," Zach disse, quando eu não respondi de imediato, "Deixe-me tentar de novo." E ele se abaixou para me beijar mais. Dessa vez quando ele levantou a cabeça, pássaros, estrelas, e até pequenos arco-íris pareciam flutuar na minha frente. Era como se alguém tivesse deixado cair uma caixa de Lucky Charms* em gravidade zero. "Então," Zach perguntou. "Você acredita agora que é você que eu amo você que eu sempre amei, desde o dia que você vomitou chá gelado Long Island todo em cima de mim? Você acredita que eu estou cansado de tentar não te beijar? Você acredita que realmente, realmente não quer mais ser só


amigo?" "Aham," eu disse, concordando como uma idiota. E então ele colocou meus braços em volta do pescoço dele e me puxou em direção a ele. E eu beijei ele mais um pouco. CAPÍTULO VINTE E DOIS Meu joelho revelou-se intensamente machucado, mas não torcido. O médico disse que o machucado tinha ido até o meu osso, mas que iria desaparecer. Algum dia. Do jeito que, eu esperava, a memória do que tinha acontecido aquela noite no gazebo iria desaparecer. Bom, não todas as memórias daquela noite, é claro. Quando eu voltei à Encantamentos para agradecer à Lisa por tudo que ela tinha feito por mim, e pra contar a ela o que tinha acontecido - porque, por exemplo, eu estava usando muletas - ela sorrira e disse, "Então. Você abraçou." Eu não precisei perguntar o que ela queria dizer. "Sim," eu disse. "Sim, eu abracei." Ela me disse para dormir com lavanda debaixo do meu travesseiro. Que iria amenizar os meus sonhos. Não amenizou. Mas definitivamente fez os meus lençois cheirarem melhor. O que ajudou, na verdade, foi o tempo. Tempo e, é claro, meus amigos. Tia Evelyn e tio Ted ficaram horrorizados quando escutaram o que Tory tinha feito pra mim. Mas ela ainda era a filha deles e, bem, eles tinham que ficar do lado dela. Mesmo se ela fosse um maluca total. Eu podia sentir compaixão. E não era como se ela tivesse tentado me matar. Eu tenho certeza. Tory só queria beber algumas gotas do meu sangue, absorver o que fosse que ela estava tão convencida que eu tinha herdado e ela não, me forçar a beber uma poção nociva que ela tinha confeccionado de algum fungo de uma lápide, e então me deixar ir. Pelo menos, foi isso o que ela tinha dito pros pais dela que aconteceria, se Zach não tivesse entrado. Eu acho que acredito nela. Quer dizer, é a mesma história que Lindsey e Gretchen contaram aos pais DELAS. Mas elas, é claro, dificilmente admitiriam que tinha sido cúmplices de tentativa de assassinato.


Realmente, a única pergunta que eu tinha sobre todo o negócio era...bem, a que eu fiz a Zach no dia seguinte. Eu tinha voltado pra casa da clínica do médico com uma bolsa de gelo no meu joelho, e estava sentada no gabinete de frente para a tv enquanto o Sr. e a Sra. Gardiner estavam no terapeuta da Tory...com Tory, é claro. Aquela pergunta era: Como ele sabia? Sobre o que estava acontecendo no gazebo. "Eu estava acordado," ele disse. "Eu não conseguia dormir." Ele mirou um sorriso torto na minha direção. "Eu acho que você sabe porque." "Aquela," eu disse, pelo que parecia a milionésima vez, "era a boneca da Tory, não -" "- era sua. Eu sei. Gretchen disse o mesmo noite passada, lembra? De qualquer jeito, eu estava de pé, e...eu não lembro bem - ah, eu escutei um gato chorando. Deve ter sido Mouche -" "Era," eu disse. Mouche estava a salvo de volta com Alice, que tinha sido privada de saber que seu amado bichinho de estimação tinha sido usado de uma maneira tão perigosa. "Certo. Bom, foi quando eu olhei para baixo e notei as luzes no gazebo. E eu só pensei que era...esquisito. Você sabe, que tivessem velas queimando no gazebo. E também que Mouche estive fora tão tarde. Então eu desci as escadas e saltei a parede entre nossos dois jardins para dar uma olhada. Enquanto eu explorava, eu escutei aquele negócio maluco que a Tory estava dizendo pra você. Então eu entrei e vi..bom, você sabe o que eu vi." Eu acenei. Sim. Eu sabia o que ele tinha visto. E também o que ele tinha escutado. Mouche, sim. Mas eu também. Ele tinha me escutado. Ele não sabia disso. Ele provavelmente nunca saberia. Mas estava tudo bem. Por enquanto. "Mas se você sabia o tempo todo que aquela boneca não era minha," eu perguntei pra ele, "por que você não disse alguma coisa? No baile, quero dizer." "Você foi embora tão rápido, como eu poderia? Eu tentei vir aqui mais tarde, também, mas Petra disse que você tinha ido dormir. De qualquer jeito, eu sabia que você não tinha feito a boneca," ele disse, "porque eu te conheço. Você sempre diz a verdade - bom, exceto pela mentira sobre comprar aquele livro pro aniversário da sua irmã Courtney." Eu corei - belamente, eu esperava. Mas ainda assim. "Que você eventualmente confessou. Você admitiu ter feito a boneca do Dylan, e era fácil dizer que aquelas duas bonecas não tinham sido feitas pela mesma pessoa." Eu esperava que sim. Quer dizer, eu tirei dez em costura na sétima série.


Enquanto que a boneca de Zach da Tory...bom, você pode dizer que tinha sido feita por uma pessoa que nem mesmo costurou um pegador para panelas. "Então eu sabia que você não tinha tentado colocar um feitiço do amor em mim usando uma boneca estúpida," Zach continuou. "Mas...bem, mas cedo no dia, eu achei um negócio meio estranho na minha mochila - " E ele puxou, do bolso da calça jeans dele, a pequena sacola que Lisa tinha feito pra mim. "Isso é pra proteção," eu disse. "Eu estava preocupada que Tory tentasse fazer algo à você. Você tem que guarda-la com você, e então nada de mal irá te acontecer." Ele olhou para a sacola, e balançou a cabeça. "Eu suspeitei que fosse algo do tipo," ele disse, devolvendo-a para seu bolso. "Mas eu não tinha certeza." Então eu percebi o que ele queria dizer. "Espera...você não pensou que era uma poção do amor, ou algo, pensou?" eu perguntei, ficando carmesim. "Bom," ele disse. "Eu estava tendo problemas em te tirar da minha cabeça. Então passou pela minha cabeça que você talvez -" "Zach!" eu gritei, me sentando - empurrando meu joelho. "Eu nunca - eu te disse, eu aprendi a minha lição com Dylan! Eu nunca, nunca irei fazer outro feitiço do amor enquanto eu viver." "Eu sei," ele disse, com uma risada. "Eu te amei bem antes de você ter uma chance de colocar um feitiço em mim. Eu te amei com eu nunca estive em Long Island." Eu não pude conter um grande sorriso imbecil da minha cara. "Eu te amei com eu gosto de focas," eu admiti. Ele sorriu de volta. "E de qualquer jeito," ele continuou, "você sabe que eu não acredito nessa tolice de bruxaria. Eu te disse isso." "Eu sei que você não acredita," eu disse. "Mas você tem que admitir..." Como eu poderia formular isso? "Todo o negócio com Dylan -" "Você mesma disse. Ele era um cara preparado para se apaixonar, e você apareceu exatamente no momento certo." "Sim," eu disse. "Mas então como você explica eu ter te empurrado pra fora do caminho daquele mensageiro da bicicleta?" "Mesma coisa. Lugar certo, hora errada," Zach disse. "E ontem a noite? Zach, como você pode começar a explicar ontem a noite?" "Que parte? A parte que a sua prima psicopata tentou drenar o seu sangue para que ela pudesse herdar um pouco da magia da sua avó morta? Ou a parte onde eu te resgatei?" "A segunda parte," eu disse. "Como você sabia que era pra olhar pela janela


naquele momento?" "Eu te disse," ele disse. "Eu escutei a gata da Alice." A gata? Ou eu? Ou...Branwen? "De qualquer jeito," Zach disse, dando de ombros, "nós estamos empatados agora. Eu não devo mais servidão eterna a você. Você me salvou de ser atropelado por uma bicicleta, e agora eu te salvei da sua prima psicótica. E falando em psicótica, o que aconteceu com o tal do Dylan, de qualquer modo?" "Os Gardiners colocaram ele em um avião de volta para Iowa essa manhã," eu disse, com um suspiro. Eu percebi que nunca iria conseguir fazer Zach admitir que existe magia. Ah, bom. Ele descobriria sozinho, eventualmente. Se ele passasse tempo o suficiente comigo, de qualquer jeito. Disso, eu não tinha dúvidas. "Eles acharam ele hospedado no Waldorf," eu disse. "Dylan, quero dizer. Tory usou um dos cartões de crédito deles para conseguir um quarto pra ele - pra não mencionar a passagem de avião. Ele gastou quinhentos doláres só em serviço de quarto e pay-per-view." "Uau," Zach disse. "Você sabe mesmo como escolhe-los." Eu joguei uma das almofadas do sofá nele. Ele pegou-a com uma risada e disse, "Você deve estar se sentindo melhor." Então ele se acomodou ao meu lado no sofá - cuidadoso com meu joelho machucado - e se inclinou até que seu rosto estivesse a uma polegada ou duas do meu. "Ei, Jean," ele disse, muito mais suavemente. Eu olhei para cima para os lábios dele. "Sim?" "Eu tenho um pressentimento" - agora Zach estava olhando para os meus lábios - "de que ninguém mais vai te chamar de Jinx. Eu acho que de agora em diante, sua sorte vai mudar para melhor." Então ele me beijou. Por estranho que pareça, acabou que Zach estava certo. Sobre a minha sorte mudar para melhor depois daquilo. Por exemplo, a bolsa de estudos da Chapman School que Zach tinha me contado? Bem, eu fiz um teste para ela. E eu consegui. Então, é claro, teve a parte embaraçosa...perguntar à tia Evelyn e tio Ted se eu podia ficar com eles para o próximo ano escolar. Mas pelo jeito que eles reagiram, estava claro que eles nunca pensaram que eu iria querer voltar para Hancock. Eu era um membro da família agora - a família deles - e eu era bem vinda para ficar o tempo que eu quisesse.


Isso pode ser pelo fato de que foi Tory, no final, que foi embora...pro campo de treinamento juvenil, aonde ela teve que passar o resto do seu segundo ano escolar, bem como as férias de verão. E então, quando ela voltou - o cabelo preto tingido dela tinha desaparecido, e uma nova penugem do cabelo natural loiro dela estava cobrindo a cabeça dela como a penugem em um pintinho - os pais dela tinham uma surpresa: eles alistaram ela em um internato "especial", ao invés da Chapman, para a 11º série. E apesar de Tory ter acusado eles de despacharem-na para a escola militar, isso não era verdade. Não mesmo. A escola pra qual que eles a mandaram era um lindo campo na - dentre todos os lugares - Iowa rural, aonde estudantes faziam coisas como comandar uma fazenda, ir em caminhadas na natureza, e basicamente se desafiar em maneiras que nunca tinham sido desafiados antes. Em outras palavras... Eles aprenderam a abraçar seus medos. Diariamente. Não foi fácil para tia Evelyn e tio Ted mandarem Tory para lá. Mas, como tia Evelyn formulou, ela tinha Teddy e Alice para se preocupar, e ela não achava que Tory era exatamente a melhor modelo no mundo para eles. E o bom do lugar aonde eles mandaram Tory? Ela podia ficar com a minha família nos finais de semana. Isso mesmo. Tory visitou Hancock todo sábado e domingo, e viu como era ser uma criança na casa de um pregador. De acordo com Chanelle, para quem Tory ocasionalmente escrevia, Tory achou a vida na minha casa ainda mais difícil do que no campo de treinamento. Ela tinha uma pessoa para conforta-la em seu sofrimento, no entanto. Com Dylan voltando pra casa todo final de semana da Iowa State, e Tory em Hancock todo final de semana, bem...eu acho que era apenas natural que o amor fosse florescer. Pelo menos se o último e-mail da Courtney - reclamando que Dylan e Tory estavam constantemente sendo pegos pela mamãe na sala de tv namorando - é digno de ser acreditado. E apesar do que Zach pode pensar, eu não tive nada a ver com isso. Afinal de contas, eu prometi à Zach que tinha desistido de feitiços de amor. Eu realmente pretendia isso, também. Porque o melhor e mais duradouro amor tem sua própria magia, e não precisa de ajuda da bruxaria. Zach estava certo sobe outra coisa, também: Ninguém me chama mais de Jinx. Agora é só Jean. Simples e velha Jean. E eu realmente gosto desse jeito.


Sorte ou Azar?