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Programa: “Simplificando a Economia” Ação II – Empresarial Tema: Fluxo de Caixa

Informações básicas; Entendimentos necessários;

Abril - 2016 1


Gestão de Fluxo de Caixa

Objeto do presente: Destacar aos empreendedores, e interessados, a importância da Gestão de Fluxo de Caixa na gestão de empresas, ou seja, a essencialidade em conhecê-lo e controlá-lo para uma melhor saúde financeira das empresas, independente de seu porte.

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 O básico:

O Que é o Fluxo de Caixa?

É exatamente o que o nome define: O Fluxo de dinheiro no Caixa.

Todo Fluxo de Caixa mostra em um período temporal as entradas e saídas de dinheiro e, por fim, através do somatório, o resultado final.

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 Mas qual é a importância em registrar e controlar o Fluxo de Caixa?

A resposta a esta pergunta frequentemente passa batida perante os gestores, principalmente, àqueles das pequenas empresas. É essencial controlar o fluxo de caixa, porque a empresa precisa ter capacidade financeira para honrar o pagamento de suas contas e, também, dispor de condições à continuidade das suas operações, produção, etc. A sua não observância pode ser fatal. Para os economistas o desleixo com Fluxo de Caixa pode ser comparado com uma doença silenciosa que atinge as empresas, da mesma forma como os profissionais da área médica referenciam, por exemplo, a hipertensão para os seres humanos. O descontrole quando descoberto tardiamente mais difícil é o saneamento (cura).

► A maioria dos empresários controla seus custos, o seu faturamento e o seu lucro. Isso é o suficiente?

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Não. Resultado (lucro ou prejuízo) e Caixa são conceitos e situações diferentes. Muitas vezes uma empresa lucrativa pode não gerar um caixa positivo, ou vice e versa.

Conceito econômico ideal para Fluxo de Caixa (Cash Flow):

“Administração do fluxo de caixa consiste em gerenciar as entradas e saídas de capital da empresa, buscando manter o saldo necessário com o fim de evitar empréstimos, o pagamento de juros e, ainda, a manutenção, a operação e o funcionamento ideal da respectiva”.

► Para uma administração efetiva do caixa o que é necessário?

 Ter CAPITAL DE GIRO para manter as operações da empresa em pleno funcionamento.  Retardar ao máximo os pagamentos sem tornar a empresa inadimplente e evitar contratos de despesas com pagamento de juros elevados;

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 Dar o maior giro possível aos estoques, sem prejudicar a receita ou a margem de lucro;  Reduzir os estoques ao mínimo, sem comprometer a produção e a comercialização;  Maximizar a rentabilidade das aplicações financeiras dos saldos de caixa;  Antecipar os recebimentos junto aos devedores, desde que não prejudiquem a capacidade competitiva das vendas; Agora sim! A seguir uma demonstração resumida de um Fluxo de Caixa Não há dúvida que a melhor maneira de entender o exposto é através de exemplo. Para o fim metodológico do exemplo estamos supondo que: • A empresa oferta (tem a venda) apenas um produto; • A empresa vende para apenas um cliente, que compra todos os meses; • Iremos considerar, para fins de análise do exemplo, quatro períodos de 365 dias. • A empresa opera com um custo mensal de R$ 800,00 e vende ao seu cliente a R$ 900,00. • A empresa está começando com zero de capital. Então, de imediato, concluímos que a empresa tem um lucro mensal de R$ 100,00, que representará R$1.200,00 ao final de cada ano. Vamos colocar este resultado anual em uma Planilha::  DRE (Demonstrativo de Resultados):

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Então, se considerarmos quatro períodos de um ano o lucro da empresa será de R$ 4.800,00 (R$ 1.200,00 X 4).

Qual deve ser o caixa dessa empresa?

Depende! O Caixa está diretamente ligado às condições que ela paga seus fornecedores e da forma ela realiza a venda. Para fins do exemplo vamos supor às seguintes condições, no curso de quatro anos:  Custos (01 fornecedor): Paga a vista  Receitas (01 cliente): Vende a prazo (60; 90 e 120 dias) O resultado dessa empresa nas condições traçadas é o seguinte:

OPS: Como assim?

→ Por que a empresa fica mais de dois anos com caixa negativo, apesar do Lucro? → Por que um Caixa tão inferior ao Lucro? → Como se chegou a esses valores?

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Vamos à compreenção e as respostas: ► A planilha abaixo irá apresentar, no primeiro ano, como o Fluxo de Caixa se comporta, dadas às condições do cliente e do fornecedor. Lembre-se que, no exemplo, a empresa inicia suas operações sem dinheiro no caixa.

 FC (Fluxo de Caixa)

Eventuais perguntas a respeito da Planilha: ⃝ Por que zero de “Saldo Inicial” no mês de janeiro? Porque estamos considerando que a empresa iniciou operar sem dinheiro em caixa. ⃝ Por que o “Saldo Inicial” no mês de fevereiro é – R$ 800,00? Porque estamos considerando que o custo mensal da empresa é de R$ 800,00. ⃝ O “Saldo Inicial” de um mês sempre corresponde ao “Saldo Final” do mês anterior? Sim. Com exceção do mês de janeiro, pois foi no respectivo que a empresa começou a operar. ⃝ Por que os resultados das “Entradas” nos meses de janeiro e fevereiro é zero? Porque estamos considerando que a empresa vende em 60, 90, 120 dias, 7


logo a primeira prestação da venda de janeiro só ocorrerá em março (lembre que o valor da venda é R$ 900,00, ou seja, três parcelas de R$ 300,00). ⃝ De que forma se chega ao montante do “Saldo Final” mensal em um Fluxo de Caixa? Através do resultado matemático do “Saldo Inicial”, das “Entradas” e das “Saídas”, do respectivo mês. ⃝ Por que em todos os meses os valores das “Saídas” são idênticos? Porque no exemplo consideramos que mensalmente a empresa tem um custo de R$ 800,00. ⃝ Por que nas “Entradas” a uniformização de valor só se dá a partir do mês de maio? Os detalhamentos explicativos na planilha respondem a esta pergunta.

Analisando as informações, concluímos que:

1 - O Fluxo de Caixa apresentado demonstra que a empresa precisa de R$ 2.300,00 (maior valor negativo do período – mês de abril) de dinheiro em caixa para manter as operações sem entrar no negativo. Esse dinheiro em caixa (R$ 2.300,00 – valor mínimo ideal) é denominado Capital de Giro (CDG). 2 - Atente: Com Capital de Giro suficiente (calculado ou estimado, conforme a planilha – R$ 2.300,00), a empresa disporá de dinheiro para manter suas operações sem entrar no negativo, ou seja, sem necessidade de recorrer à busca de empréstimos, por exemplo. 3 - A empresa gerou - R$ 1.500,00 de Caixa no primeiro ano. Nos anos seguintes, se elaboramos planilhas conforme a anterior chegaremos a conclusão exposta na planilha abaixo:

4 - Sem Capital de Giro no inicio das operações, a empresa apresenta os seguintes resultados: 8


Então:  A empresa demora 27 meses pra zerar o caixa (ou repor o Capital de Giro). Somente a partir daí ela começa a acumular capital para investimentos, demais gastos e divisão dos lucros.  No fim de quatro anos, a empresa teve um Lucro acumulado de R$ 4.800,00, mas gerou um caixa de apenas R$ 2.100,00.

► E se essa empresa dispuser de um Capital de Giro de R$ 2.300.00, no início das operações? Os resultados serão mais atraentes. Vejamos:

* Compare a planilha acima com a da folha 07.  Em momento algum a empresa fica com Caixa negativo. 9


 No fim do primeiro ano, a empresa fecha suas operações com R$1.200,00 de Lucro e R$ 800,00 de Caixa e no quarto ano fecha com R$ 4.400,00 de caixa, como mostra a imagem abaixo:

Parece simples? É simples!

Mas...

► Como controlar o Fluxo de Caixa em uma empresa que:  Em dias diferentes, consome produtos e serviços diversos, possui vários fornecedores, a preços, prazos e condições diferentes.  Em dias diferentes, vende produtos e serviços diversos para inúmeros clientes, a preços, prazos e condições diferentes.

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Resposta: As informações estão (ou deveriam estar) no sistema. Faz-se necessário conciliar, organizar, analisar e tomar a melhor estratégia! Um Economista pode lhe ajudar!

Para gerir uma empresa, é fundamental informações. Para obter informações faz-se necessário acessar e organizar dados. O Economista é o Profissional indicado para analisar as informações operacionais, contábeis e financeiras da empresa, e ajudar o gestor a tomar a melhor estratégia.

 Economia e Negócios Todo profissional, independente do segmento, deve ter noção de economia e finanças para melhor gerir seu negócio e buscar as ferramentas necessárias. A Economia pode afetar um empreendimento por dentro ou por fora. Por dentro através da gestão econômica financeira e por fora devido à conjuntura econômica que pode ser/estar favorável ou não.

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 DICAS: • Atentar para a realidade do mercado; • Considerar o conceito SWOT (Forças, fraquezas, oportunidades e ameaças); • Elaborar orçamento e metas conforme o mercado e a realidade da empresa (Caixa); • Utilizar dados tangíveis e otimistas para as metas, sem desconsiderar eventuais cenários pessimistas, para não haver surpresas; • Rever todo período a evolução dos resultados; • Analisar os resultados e buscar entender o motivo deles, sejam positivos ou negativos; • Traçar estratégias para alcançar o resultado estipulado ou conter eventuais reveses conforme variações do mercado; • Lembrem-se sempre que a Economia é uma Ciência Social, que muda conforme o comportamento da sociedade.

“O bem mais valioso é o TEMPO OCUPADO para adquirir conhecimento e empregá-lo em seu trabalho, para, assim, adquirir capital e poder ocupá-lo da forma mais conveniente possível”. Então reflita: Onde você vai investir seu tempo?

Case Real ocorrido no Brasil Para um entendimento prático e real do “Fluxo de Caixa”, buscamos o fato ocorrido com uma das maiores Rede varejista do Brasil, no ano de 1996. Apesar de ser uma situação de conhecimento público, resguardaremos o nome da respectiva, nominando-a de ABC.

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Case da Rede ABC: Sucesso (1996) ► A Rede ABC foi uma referência em crescimento de vendas e adaptação ao mercado na década de 90, se tornando referência de mercado. Abaixo algumas características da empresa:  Empresa bem estruturada, quadro enxuto de funcionários, bom canal de vendas.  Receita de 2,2 bilhões de dólares, 16% de participação no mercado de eletroeletrônicos.  Lucro líquido de 124 milhões de reais, ação mais rentável na bolsa.  Melhor empresa do varejo (EXAME).  Rei dos eletrodomésticos (FORBES). # O cenário econômico em que ela estava inserida:  Explosão de consumo: aumento do poder de compra (plano Real).  1996: Antes do plano real não havia facilidades no financiamento.

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# Qual era sua estratégia?  Tomava dinheiro dos bancos a 2% a.m. e emprestava por 6% a.m. em até 36 meses. (75% das vendas a prazo).  Conseguiu aproveitar o crescimento da demanda e ganhar mercado frente a seus concorrentes por financiar seus clientes, estratégia que não era muito comum na época devido à cultura de inflação da população. ► Era uma empresa enxuta, lucrativa, atuava em um mercado emergente e praticava uma metodologia de gestão ousada. Obtinha lucros excepcionais.

# Case da Rede ABC: Resultados no ano de 1998  Dívida monumental: 700 milhões de reais.  Prejuízo de 171 milhões de reais.  Pedido de falência.

# Como isso aconteceu? A Situação da rede ABC no ano de 1997:  Mercado: Alta expressiva dos juros (subiu para 40% a.a.), alta de impostos, desemprego, crise asiática e significativa retomada da concorrência.  Inadimplência: 1,9 milhões de carnês em 1996 < 3,1 milhões de carnês em 1998. # Perda do Foco A Rede ABC perdeu o foco. Ao invés de lucrar com a venda de produtos, lucrava com o financiamento dos produtos. A rede não era um banco e não estava preparada para atuar como tal. A estratégia gerou um Fluxo de Caixa negativo, ou seja, a cada período, embora a empresa fechasse com aumento nas receitas e nos lucros, ela, na realidade, trabalhava com seu caixa no negativo.

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# Resumidamente: Causas e Consequências:  Pagava fornecedores em curto prazo, financiava clientes a médio e longo prazo.  Economia e risco: Tinha financiamentos a receber com juros a 6% a.a., enquanto os juros do mercado estavam em 40% a.a. para os novos financiamentos, ou seja, ela não conseguia manter suas operações no mesmo ritmo através de empréstimos, já que ela continuava recebendo os contratos anteriores a juros baixos.  Fluxo de caixa: gerou incapacidade da empresa em honrar seus compromissos assumidos.  Concordata e Falência. Empresa não conseguiu manter sua operação.

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Programa: “Simplificando a Economia”

Programa de responsabilidade da Ordem dos Economistas de Santa Catarina – OESC – instituído com o objetivo de repassar informações e orientações a respeito de assuntos detentores de vínculos, diretos ou indiretos, com a Ciência Econômica. O Programa “Simplificando a Economia” é metodologicamente composto por quatro Ações, compreendendo a área Social, a área empresarial, a área industrial e o serviço público. As configurações das Ações obedecem a especificação: Ação I – Social; Ação II – Empresarial; Ação III – Industrial; Ação IV – Serviço Público. O Programa não possui o propósito de detalhar informações técnicas/econômicas, mas sim de apresentar informações básicas sob o ponto de vista da economia, de acordo com o tema abordado nas Ações que o compreendem.

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