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No campus

Cultura

Unasp terá novo prédio para cursos

Grupo leva teatro às crianças de Artur Nogueira

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1o Semestre de 2011 - ano 2 - número 5 Jornal laboratório do curso de Jornalismo do Unasp-EC

Uma leitura aprofundada dos fatos

Tecnologia

Um click, uma compra O fenômeno do uso da internet deixa muitas consequências. Umas das que mais cresce em todo o mundo é a comodidade. Antes era necessário se levantar da poltrona para mudar o canal da TV. Surgiu o controle remoto. A máquina de datilografar já não era tão eficiente, surge o computador. Era necessário algo mais, que chamasse a atenção das pessoas sem ter que sair de casa. O computador ganhou internet e jogos. Como se não bastasse, a comunicação via web aparece, com o papel de encurtar a distância

entre as pessoas. O fenômeno da internet introduz novos caminhos. A inovação do comércio é um deles. De acordo com a pesquisa da Boston Consulting Group, o Brasil é líder de negócios de pessoas físicas na internet, com 80% de participação no mercado na America Latina. Devido ao baixo valor de custo dos computadores a população se alia a este tipo de comércio com mais facilidade. Esse mercado tem um crescimento de 1500% ao ano. Mas, será que este meio comercial é realmente seguro? Página 7

Economia

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Academias ignoram atestado médico Em muitos casos, o esforço físico pode trazer risco à vida do atleta e das pessoas comuns. Mesmo assim, a análise médica ainda é ignorada pela maioria das academias.

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Universitário cresce a cada ano Com a chegada de novos estudantes ao Unasp e o crescimento de Engenheiro Coelho, bairro começa a ser mais beneficiado com programas da prefeitura da cidade.

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Editorial

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EXPEDIENTE:

Centro Universitário Adventista de São Paulo Campus Engenheiro Coelho Est. Municipal Pr. Walter Boger, s/n, Fazenda Lagoa Bonita Engenheiro Coelho/SP CEP: 13165-970 Fone: (19) 3858-9000 Reitor: Euler Pereira Bahia Diretor Geral: José Paulo Martini Diretor de Graduação: Afonso Ligório Cardoso Curso de Comunicação Social-Jornalismo Coordenador: Martin Kuhn O jornal laboratório 2a Impressão é um periódico preparado pelos alunos do terceiro ano do curso de Comunicação Social-Jornalismo do Unasp-EC, em cumprimento parcial dos requisitos da disciplina de Jornalismo Impresso. As opiniões e pontos de vista expressos pelos autores das matérias publicadas neste jornal não representam necessariamente a visão do curso de Jornalismo do Unasp-EC ou a posição oficial da instituição. Professor Responsável: Luís Fernando Assunção (Mtb 7854)

O jornal está de volta Da mesma forma que as informações nunca acabam, o jornal Segunda Impressão também não. Nesta primeira edição de 2011, alunos do 5º semestre de jornalismo se empenharam com muitos telefonemas, discussões e disposição para produzir as matérias que você lê agora. Todos os anos, futuros jornalistas do 2º e 3º ano do curso revezam no desenvolvimento deste periódico que conta com quatro edições por semestre. Com as funções distribuídas entre repórteres, editores e fotógrafos, todos os estudantes colaboram de alguma forma para o projeto. A ideia geral é ter um agrupamento de reportagens e textos opinativos sobre os mais diversos temas, desde assuntos regionais até aqueles que envolvem toda a sociedade. Cada um aborda o assunto que achar melhor, a única preocupação é não ferir a linha editorial, ou seja, a forma de pensamento do veículo.

Ao final do semestre será feita uma seleção das melhores matérias e estas são reproduzidas em uma versão impressa do jornal – as edições anteriores são disponibilizadas online, nos sites de ABJ e da Rádio Unasp. No entanto, antes que qualquer coisa seja levada para a gráfica é bom lembrar que todo um processo tem que acontecer. Desde os primeiros dias da faculdade já se ouve falar que o jornalista precisa de muita paciência e lida com imprevistos constantemente. Na confecção deste material não poderia ser diferente e este pensamento é posto à prova. É fonte que desiste de dar a entrevista, é câmera fotográfica sem bateria, é estrutura textual sem sentido... Além, é claro, do temido deadline que parece estar sempre adiantado. São muitas as dificuldades, mas um bom profissional ou um aluno esforçado sempre consegue dar um jeito.

Capa e Diagramação: Vinícius Alencar Coordenadora de Produção: Ketlin Brito Editores Deborah Calixto Schermen Dias Vanessa Moraes Hidaiana Santos Repórteres Alex Bussulo Alysson de Oliveira Ana Manoela Pereira Ana Paula Rodrigues Carlla Fermino Carolina Perez Deni Allison da Silva Ereciano Rodrigues Fabíola Ferreira Jéssica Guidolin Ketlin Brito Laís de Souza Lucas Silva Lucas Schultz Marcelo Dias Pâmela Meireles Quezia Amorim Salisa Macedo Vanessa Costa Wanderson Isac Fotógrafos Alynne Grellmann Bárbara de Paula Daniele França Ellen Miranda Silva Editores de Imagem Thierri Farias Paulo Holdorf

Entre em contato conosco:

e-mail: segundaimpressão@unasp.edu.br fones: (19) 3858-9055/ 3858-9072

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Senhora com poucas ideias

Erê Rodrigues

Alysson Huf

Hollywood está sofrendo com a idade. Na última década, o coração do cinema ocidental começou a sentir o peso dos anos. Seu envelhecimento destaca-se em um sintoma angustiante da indústria cinematográfica: a falta de criatividade. E esse diagnóstico delicado se agrava ao notarmos a inexistência de algum esforço significativo que busque reverter a situação. Hollywood já foi sinônimo de originalidade, cultura e bom entretenimento. Clássicos foram produzidos e eternizados pelas lentes de talentosos diretores e roteiristas. A década de 80 foi marcada por uma explosão de filmes divertidos e originais. Boa parte deles era de qualidade. Alguns dos que fizeram muito sucesso foram “O exterminador do futuro”, “Curtindo a vida adoidado” “Karatê Kid”, “Indiana Jones”e “De volta para o futuro”. Após a fraca década de 90 – que não produziu muitos filmes icônicos – a indústria do cinema passou a investir pesado em franquias e adaptações. Essas adaptações, é claro, eram vistas como potenciais séries cinematográficas. Assim surgiram as trilogias de sucesso como “X-men”, “Piratas do Caribe”, “Bourne”, “Homem-Aranha” e mais um bocado de filmes de super-heróis, bruxos e vampiros recheados de ação e efeitos especiais. O cinema de Hollywood o maior e mais famoso do mundo, com investimento de centenas de empresas na produção e na distribuição de filmes. São criados jogos,

Mulher: objeto por opção?

brinquedos, cadernos, roupas, brides e acessórios. E quem paga por tudo isso? Você telespectador, além de ver o filme é claro, se vê cercado de produtos especiais. Esse mercado gera muito, muito dinheiro. Para que o cliente não pare de consumir, é preciso agradá-lo. Por isso é necessário saber o que seus consumidores querem e saciar seus desejos. Hollywood entendeu que seu público quer rever antigos clássicos, mas modernizados, e que também deseja ver adaptações de livros e outras mídias. Deu certo. Como resultado, todo ano aparece essas inúmeras sequências e adaptações que levam milhões de pessoas às salas de cinema e arrecadam bilhões de dólares em ingressos e produtos. Embora o lucro seja bom para gerar novas produções, a ganância Hollywoodiana não dá muita chance para filmes de qualidade, mesmo com tanto dinheiro entrando nos cofres dos estúdios. Hollywood se tornou uma fábrica que não cria, mas recicla filmes para compensar a aparente preguiça de seus produtores.

A eleição de Dilma Roussef como presidenta do Brasil tem sido considerada como uma vitória feminina. Ela prometeu valorizar as mulheres e, já no início de seu governo, convocou nove delas para o ministério. Apesar de tudo isso, ainda existe lutas a serem vencidas nessa caminhada de valorização. O salário igual ao do homem, quando ambos exercem a mesma função numa empresa, é uma delas. Outro grande desafio pela frente é fazer com que a mídia não as considere apenas objetos sedutores, itens em minúsculas embalagens e desencadeadoras de fantasias e loucuras. Elas viraram, com suas imagens encantadoras, ilustração para publicidade de quase tudo: pneus, carros, móveis, apartamentos, etc. Ganhar a vida mostrando o corpo, trabalho feito com uma pitadinha de prostituição, tem sido a realidade de muitas mulheres que brilham nas telas de televisão. Embora a classificação indicativa, que regula a inadequação do que se veicula na mídia, seja contra a produção de peças publicitárias, filmes, que colocam a beleza física como condição para que se tenha uma vida mais feliz e aceitação social, o que vemos é a exposição feminina, usando a sensualidade e beleza para o comércio. A iconicidade pretendida a partir de uma imagem feminina, no entanto, nem sempre alcança o alvo, pois, principalmente aos homens, fica retida a figura da mulher sendo linda e maravilhosa, mas o produto anunciado fica no esquecimento. Um exemplo claro disto, são os comerciais de cerveja. Mesmo quem não bebe aprecia ver as lindas mulheres re-

petidas vezes e “sem moderação”. O fato de a mídia ter incentivado essa situação, que qualifica as mulheres como objetos participantes de um processo de venda dos mais variados produtos, fez com que muitas delas buscassem por iniciativa própria e avidamente, a glória de serem admiradas como celebridades, unicamente pela beleza física. O falecido deputado federal Clodovil Hernandes, em que pese toda a polêmica em torno de seu estilo de vida, uma vez se envolveu em forte polêmica ao dizer: “as mulheres ficaram muito ordinárias, ficaram vulgares, cheias de silicone” e que hoje em dia “trabalham deitadas e descansam em pé”. Hernandes defendia que a vulgarização da imagem feminina se devia a elas terem se rendido à tentação financeira mostrando o corpo. Naquela ocasião sua colega de parlamento, Cida Diogo disse ter sido ofendida por ele, pois quando ela questionou sobre a declaração a respeito das mulheres o deputado respondeu: “digamos que uma moça bonita se ofendesse porque ela pode se prostituir. Não é o seu caso. A senhora é uma mulher feia”. A briga durou vários dias através da imprensa e o ponto central era unicamente a beleza. A mídia passou a ideia de objeto e status de mercadoria para as mulheres e vai continuar assim enquanto alguém não levantar a voz mostrando que os valores oriundos do pensamento capitalista, que transformam pessoas em bens, são meras aparências ocas e sem consistência satisfatória para uso na administração social. É na mídia mesmo que pode surgir um contraponto para este absurdo, que faz das mulheres meras coisas, que ao envelhecerem podem ser trocadas por outras.


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I-DOSER Fabíola Ferreira, Laís Macêdo e Lucas Schultz

Clique aqui para se drogar.” A frase pode parecer ridícula, ou saída de um filme futurista, mas é comum aos usuários das drogas virtuais. As e-drugs, drogas digitais, são arquivos de áudio com 5 a 70 minutos de duração, que podem ser baixados na internet. O escapismo ao alcance de um clique, e sem substâncias alucinógenas: apenas sons. Os arquivos, se ouvidos com fones de ouvido, luz apagada e concentração, podem, supostamente, estimular efeitos de drogas reais. As opções são muitas: maconha, LSD, cocaína, ecstasy, ópio, haxixe, heroína, ácido, peiote, e até mesmo álcool. Há até simulações do efeito de antidepressivos, sedativos, anestesia e, inclusive, o Viagra. Na internet, sites prometem sensações de euforia, relaxamento, alucinações, surtos de genialidade criativa, orgasmos, maior capacidade de concentração, ou ainda, o estado de transe. Entre os fornecedores de e-drugs, o mais conhecido é o americano I-doser (www.i-doser.com). Lançado em 2005, o site garante simular efeitos de drogas e gerar variadas sensações por meio de sons. O site não é ilegal, uma vez que vende apenas sons e sua eficácia não é comprovada cientificamente. São quase duzentas doses com preços que variam entre R$ 10 e R$ 350. Se com as drogas reais há o contrabando, com as drogas virtuais há a pirataria. A grande maioria dos usuários instala o aplicativo do I-doser ilegalmente e faz download dos variados arquivos de áudio. O uso das drogas sonoras virou mania no mundo inteiro. Primeiro ganhou os Estados Unidos e a França. Disseminado via internet, rapidamente popularizou-se e já é moda entre os internautas brasileiros. Somente na rede social Orkut, as duas maiores comunidades sobre o as-

sunto somam quase 43 mil pessoas, a maioria de jovens de até 20 anos. Para o estudante Hamilton Wanderson, 18, as drogas virtuais são muito fracas. “Quando usei versões de maconha e ópio, esperava bem mais, mas senti apenas uma zonzeira, ouvi uns barulhos exteriores e mais nada.” Frustrado, Hamilton conta que, desde então, não utilizou mais as drogas digitais. “Não vale à pena, é muito tempo gasto pra nada”, afirma. Contudo, se para ele não funciona, para outros, pode funcionar. É o caso do publicitário e blogueiro Breno Spadotto, 21, que se surpreendeu com os resultados, a princípio pequenos, da dose “Peyote”. “De começo parecia tudo como as outras, corpo mexia para cá, para lá, ondulações e algumas visões. Até que eu adormeci, e quando acordei, senti meu lençol molhado de sangue. Meu nariz tinha sangrado bastante. Fui correndo para o banheiro. Quinze minutos depois o nariz voltou a sangrar. Fora o mau-humor que eu fiquei pelo resto do dia depois de ter usado essa dose”, conta Spadotto, em artigo publicado no blog Papo de Homem. Se as e-drugs fazem efeito para uns e, para outros, nem tanto, isso significa que elas funcionam apenas em determinados organismos, ou é um efeito placebo, em que crer na eficácia da droga provoca sintomas de funcio-

namento? A despeito da possibilidade sedutora de poder usar inúmeras drogas e experimentar sensações alucinantes sem nenhum efeito colateral, especialistas alertam que não há comprovação científica na proposta, apenas especulação. Para o Dr. Fernando Henrique Iazzetta, livre-docente em Música e Mediação Tecnológica da USP, as drogas virtuais são nada mais do que marketing. “Acho ridículo. Não existe embasamento científico. Não há pesquisa que comprove. Não estou dizendo que não possa acontecer ou que não existe essa possibilidade. Apenas

Droga de computador Drogas virtuais tornam-se febre entre os jovens que usam a internet

não há embasamento para isso”, elucida. De acordo com a Dra. Sonia Brucki, do Departamento de Neurologia Cognitiva da Academia Brasileira de Neurologia, “ainda não se tem uma resposta para esta questão. Falta comprovação. Alguns acreditam nos efeitos das drogas sonoras; outros, não.” Ao ser questionada sobre o funcionamento das drogas em

alguns casos, Sonia, que também é neurologista do Hospital das clínicas de São Paulo, disse que os efeitos podem, sim, serem sentidos, “mas é tudo uma questão de acreditar”.

Ausência de lei impede punição As e-drugs ganham cada vez mais adeptos. E críticos. Porém, em um contexto no qual tráfico, dependência química e violência estão interligados ao consumo de drogas, as e-drugs surgem como uma possível alternativa menos danosa. “As pessoas querem soluções para seus dilemas, com sensações confortantes e com menos risco a saúde. Esse é um dos principais motivos para a procura pelas e-drugs”, finaliza Klein. Tanto o usuário quanto o disseminador do i-doser não podem ser punidos por ausência de previsão legal quanto à “droga eletrônica”. Porém, suas posturas em comunidades de re-

des sociais e sites em geral podem ser enquadradas como incitação ou apologia ao uso de drogas, como preveem os artigos 286 e 187 do Código Penal. O segredo das drogas sonoras é antigo. Os criadores do i-Doser empregam uma técnica que usa sons com ondas binaurais, método descoberto pelo físico e meteorologista alemão Heinrich Wilhelm Dove, em 1839. As frequências binaurais são 99% inaudíveis, não é o ouvido que as ouve, mas sim o cérebro que as reconhece. Cada vez que o homem expressa um tipo de emoção, seu cérebro produz uma faixa específica de frequências. Dessa mesma maneira, o usuário da e-drugs

consegue estimular o seu cérebro a entrar na “faixa” emocional desejada. A técnica de estimulação faz o cére-

Os efeitos pretendidos nem sempre são obtidos pelo usuário. bro acreditar que está sendo alimentado quimicamente. Segundo o compositor de sons binaurais Luis Felipe Klein, o ser hu-

mano procura “novas sensações, brilhos especiais e realidades paralelas” para sair da rotina. “A função desta tecnologia, conhecida também como Neurodinâmica, é oferecer formas seguras e saudáveis, para a expansão da sensibilidade”, comenta. Caso duas frequências semelhantes, mas não iguais, sejam reproduzidas em cada um dos ouvidos, surgirá uma terceira frequência. O esforço do cérebro em sincronizá-las provocaria estímulos. Essas batidas são utilizadas, inclusive, em sessões de meditação e em algumas músicas. Mas os efeitos pretendidos através das “drogas” nem sempre são obtidos.

As qualidades emocionais, tipo de frequência empregada, qualidade dos equipamentos utilizados e o consumo de outras substâncias químicas, como a cafeína, são outros dos fatores que cortam a eficácia das e-drugs. Klein complementa que qualquer pessoa que não apresenta nenhum tipo de doença mental (como depressão ou epilepsia) ou usuários de droga podem utilizar as e-drugs. “Tudo o que faz bem, com mau uso, pode fazer mal. Por exemplo, se uma pessoa depressiva for se tratar com frequências entre 6 e 7hz, o problema poderá aumentar. É sempre bom fazer uso com um profissional experiente”, afirma.


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comportamento

Brincadeira

de criança, consequência de adulto As ofensas consideradas brincadeiras, podem trazer graves efeitos na vida adulta, tanto para o agressor como para a vítima Pâmela Meireles e Jéssica Guidolin

Ela começou a me humilhar, dia após dia, e levava toda turma junto com ela. Foram três anos de sofrimento”, declara o ator e bailarino Eduardo Garcia, vítima de Bullying na adolescência que ainda hoje, carrega marcas desse ato que é visto por muita gente como uma brincadeirinha de criança. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. São atos de violência, tanto física como verbal, de forma repetitiva por um mesmo alvo. Sendo ele praticado de várias formas desde isolamento por colegas, fofocas, intrigas até psicológica, física, sexual, moral e virtualmente (cyberbullying). Eduardo se considerava o mais maduro da turma. Em vários momentos, quando levantava a mão para fazer uma pergunta em sala de aula, seus colegas o ridicularizavam verbalmente. Isso fez com que ele começasse a se sentir inútil e afastar as pessoas que eram seus amigos de verdade, por desconfiar de todos à sua volta. Segundo Lauro Monteiro, pediatra e editor do site Observatório da infância, o Bullying é uma manifestação de algum problema psicológico ou social. A criança reproduz na escola o que acontece dentro de casa, que pode ser a prática ou a aceitação da violência. Chamados de bullies os agressores, na maioria das vezes, têm personalida-

de autoritária e a necessidade de estar sempre à frente, dominando, querendo ou não, necessitando da aceitação do grupo. Isso é uma consequência de uma baixa autoestima demonstrada também pela vítima, por se sentir inferiorizada e humilhada perante pessoas que a intimidam e se julgam ser “mais fortes”. Ou por não apresentarem características, denominadas perfeitas, pela sociedade. Problemas em casa podem agravar a situação da vítima de bullying. O bailarino confessa que a separação dos seus pais e a briga por pensão afetou seu estado emocional que piorava cada vez mais, até descobrir que seu pai não levava seu problema a sério, o que o fez entrar em profunda depressão. Consequências para a vida Essas práticas que muitas vezes não são levadas a sério, se não forem interrompidas, podem gerar reflexos negativos tanto na vítima como no agressor em sua fase adulta. Dr. Lauro comenta que se não for tratado, o agressor levará esse comportamento de “passar por cima dos outros a qualquer custo” para a sua vida, ele pode se transformar naquele que briga no trânsito ou continuar praticando o bullying no ambiente de trabalho (workbullying), outra forma de agressão. E a vítima continuará sofrendo mais, pois levará,

em sua recordação, momentos infelizes na escola. Este ato pode trazer consequências psicológicas e sociais, até autoagressão e em casos mais extremos o suicídio. O doutor também dá o exemplo de meninas que podem desenvolver distúrbios alimentares como anorexia e bulimia, pois são ou foram ofendidas pelo fato de estarem acima do peso. Ao apresentarem problemas em seu comportamento, o ideal é aconselhado frequentar psicólogos e especialistas na área, a fim de curar esses traumas que a infância ou adolescência deixou. Eduardo ainda continua em tratamento psicológico conversando com seu psicólogo sempre que precisa. Só hoje, com 22 anos, está conseguindo completar o ensino médio, pois o episódio alterou e baixou sua autoestima, afetando sua vida estudantil.“O Bullying sempre existiu, mas recebeu nome e notoriedade agora no século XXI”, afirma Karyne Rios, doutora e psicóloga. “Hoje, há mais espaço para discussão e conscientização, ao mesmo tempo em que há espaço também para o incentivo do mesmo, a mídia incentiva o bullying quando exibe programas violentos ou quando apresenta bullies em situações vantajosas sem contextualizar criticamente essas situações”, explica Karyne. A internet facilita a propagação da prática do bullying, por ser pú-

blica e não ter dono, já que a restrição é mínima sobre o que você fala ou faz virtualmente. O bullying não escolhe classe social, sexo ou idade. Pode ser praticado na escola, em casa e até no local de trabalho. E pessoas famosas também não escapam disso. “Eu ia me sentar com elas no intervalo, e elas levantavam e iam para outra mesa” declara Taylor Swift, cantora country americana, em entrevista à revista Women’s Health. Ela sofreu esse tipo de problema no colégio e descobriu na música, uma forma de descarregar essa angústia. Outro exemplo é o cantor e ator Justin Timberlake, que na época de escola era alvo de gozações por causa dos seus “braços longos” e também por ter, segundo ele, um cabelo estranho e acne. Além de Victoria Beckham, Justin Bieber, Chris Martin, Madonna e muitas outras celebridades que seguem uma carreira artística, onde a exposição é essencial, Eduardo da mesma forma começou a atuar, pois se sente livre de qualquer estereótipo e isso anula o sofrimento pelo qual já passou. Quem pratica bullying, comete um ato ilícito perante a justiça, considerado como desrespeito aos princípios constitucionais. O Estatuto da Criança e do Adolescente tem grande peso na defesa das vítimas, pois atos que o violam podem ser denunciados ao Juizado de Menores, diretamente a um juiz ou promotor.

Assédio violento Bullying é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully - tiranete ou valentão) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma. No uso coloquial “acossamento”, ou “intimidação” ou entre falantes de língua inglesa bullying é um termo frequentemente usado para descrever uma forma de assédio interpretado por alguém que está, de alguma forma, em condições de exercer o seu poder sobre alguém ou sobre um grupo mais “fraco”. O cientista sueco -Dan Olweus define bullying em três termos essenciais: o comportamento é agressivo e negativo; o comportamento é executado repetidamente; o comportamento ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. O bullying divide-se em duas categorias: bullying direto; bullying indireto, também conhecido como agressão social. O bullying direto é a forma mais comum entre os agressores (bullies) masculinos. A agressão social ou bullying indireto é a forma mais comum em bullies do sexo feminino e crianças pequenas, e é caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social. Este isolamento é obtido por meio de uma vasta variedade de técnicas, que incluem:espalhar comentários; recusa em se socializar com a vítima; intimidar outras pessoas; ridicularizar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos.


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Ônibus

Nova linha facilita vida de universitários Ana Paula Rodrigues e Alex Bússulo

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inicio do ano letivo foi marcado por uma novidade que beneficiou alunos do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) residentes em Cosmópolis e Artur Nogueira. Desde 14 de fevereiro, data de volta às aulas, está circulando uma nova linha de ônibus que deixa seus passageiros dentro do campus de Engenheiro Coelho, ao lado do estacionamento do prédio do ensino superior, atendendo os estudantes do período noturno. Qualquer pessoa pode utilizar a linha, seja aluno ou morador das proximidades do Centro Universitário. Aqueles que estiverem matriculados poderão solicitar uma carteirinha de estudante que lhes dará um desconto de 50% no pagamento das passagens. Para adquiri-la basta procurar a secretaria do ensino médio ou superior do Unasp que o pedido será encaminhado para se providenciar à carteirinha. Depois de passar por esse processo, basta retirá-la na rodoviária do município e fazer as recargas no mesmo lugar, sendo necessário apenas apresentar o controle de frequência carimbado pela secretaria da faculdade. Rosana Littke, representante da comunidade universitária de Artur Nogueira e Lucia Kettle, secretária da escola básica e representante da comu-

nidade do bairro universitário, entraram em negociação com a VB transporte e a Empresa Metropolitana de Transporte Urbano (EMTU) para que inicialmente essas linhas entrassem no Unasp e depois conseguiram trazê-la para o período noturno. Segundo Rosana, a iniciativa para que essa linha fosse implantada partiu da necessidade crescente da economia no transporte, devido ao pedágio. Agora a luta é para que também consiga para os períodos matutino e vespertino. Rosana também afirma que houve dificuldades para a implantação da linha. Foi necessária a ajuda dos alunos do 2º ano de administração e ciências contábeis que cursavam a disciplina de estatística. Com o auxilio do professor Robinson Panaino, o grupo realizou uma pesquisa de campo detalhada. O parecer foi encaminhado à empresa, relatando o perfil e horários dos usuários das linhas em questão. De acordo com a representante dos universitários de Artur Nogueira, o retorno dos estudantes só não foi o esperado porque a resposta da empresa foi dada apenas no início das aulas. E nesse período em que a informação foi passada aos alunos, muitos já haviam assinado contrato com as vans. Apesar disso, a ideia foi bem aceita e alguns só aguardam a chegada da carteirinha. A linha de ônibus possui, em média, 60 usuários

na ida e 25 na volta. Para os alunos que utilizavam as vans como meio de transporte, a economia foi cerca de 50% ao mês. De um lado se tem o ganho financeiro, porém perde-se um pouco do conforto já que os passageiros têm que se locomover até os pontos de ônibus. Para Regina Rodrigues, estudante do 2º ano de ciências contábeis, essa foi a melhor coisa que já fizeram, diminuindo os gastos com o transporte. O carro também era um meio muito utilizado como transporte, alguns com seu próprio veículo acompanhado de amigos e outros que se arriscavam com carona. Quem utiliza seu próprio veiculo sabe dos gastos, além de combustível e pedágio, que se tem eventualmente. E a carona nem sempre é garantida. Para os estudantes que ainda não tiveram a oportunidade de utilizar esta linha devido ao horário, as representantes estão instruindo pais e alunos a ligarem para o Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) cujo telefone é (19) 37335000, pedindo uma linha a mais, pois a empresa alega ter que comprar um ônibus para poder disponibilizá-la. Para aqueles que moram em outros municípios e também desejam tirar dúvidas de como conseguir este benefício, devem entrar em contato com a EMTU para obter mais informações.

Atraso na entrega de kits desagrada aos pais

Governador alckmin fez entrega simbólica dos kits no mês de março, mas material atrasou nas escolas

No dia 2 de março o governador Geraldo Alckmin participou da cerimônia de entrega simbólica dos kits escolares da rede estadual. Com o intuito de melhorar o ensino nas escolas, o Governo de São Paulo aderiu à demanda da entrega de materiais escolares para os alunos através de kits compostos por caderno, lápis de escrever, lápis de cor, apontador, borracha, régua e mochila. Com o custo individual de R$ 16,82, a Secretaria de Educação informou que foram investidos R$ 72 milhões na aquisição de 1,2 milhão de kits escolares este ano. Inicialmente a ideia da distribuição dos kits surgiu para a população carente. Hoje, todos os alunos têm direito ao benefício. Um dos objetivos do projeto “Kit Escolar” é proporcionar sentimento de igualdade entre os alunos. Qualquer estudante pode recebê-lo, mas é necessário estar regularmente matriculado na escola. Com a ajuda do governo, a renda familiar pode ser aproveitada de outras formas. Para a gerente de vendas Miriane de Oliveira os kits foram indispensáveis para a educação de sua filha, Tania de Oliveira de 10 anos. Miriane afirma que este é o ter-

ceiro ano em que sua filha recebe o kit. “Compro apenas aquilo que não vem acompanhando o kit, mas o gasto é muito menor em comparação com os anos passados, quando gastávamos cerca de R$150,00 com os materiais escolares para minha filha”, conclui. Mas os alunos da rede estadual ainda não receberam seus kits. Descontentes e preocupados, pais que dependem do benefício para seus filhos estudarem, reclamaram o atraso na entrega, que na opinião deles, deveria ocorrer no início do ano letivo. “Já estamos em março e meus filhos não têm todo material para iniciar as aulas. O estado nos cobra o envio das crianças à escola, com a supervisão de assistentes sociais, mas não nos dá suporte em tempo hábil para a ida de nossos filhos”, protesta a cabeleireira Fabiana Felix, mãe de dois filhos. Em algumas escolas os estudantes não receberam kits completos e outros ainda não foram entregues. De acordo com Alia Grellmann, professora do colégio José Aparecido Munhoz, falta cerca de 140 kits. Procurada pela reportagem, a Secretaria de Educação de Limeira não respondeu e alegou que um dos responsáveis pela entrega dos kits está de férias.


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cotidiano Comércio de lotes e casas cresce a cada ano com a chegada de novos alunos para o Unasp. Propriedades só agora estão sendo regularizadas, segundo a prefeitura

Mônica Andrade Raquel Derevecki

Universitário

Antes esquecido, hoje valorizado

Salisa Macedo Marcelo Dias

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bairro Universitário, pertencente à cidade de Engenheiro Coelho, está localizado próximo ao Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), e tem aproximadamente 25 anos e mais de 1.000 moradores. Nos últimos três anos, a prefeitura tem ajudado nas melhorias para infra-estrutura do bairro. Em 2009 a prefeitura gastou R$ 22 mil com a implantação da iluminação que dá acesso ao bairro, e em 2010 gastou cerca de R$ 140 mil com o asfalto da entrada do bairro através de uma emenda parlamentar com o governo federal. No ano passado, o Universitário ganhou novos horários de ônibus viabilizando o acesso às cidades de Artur Nogueira, Cosmópolis e o centro de Engenheiro Coelho. Para a conquista de novos horários de ônibus, a presidente da Associação dos Moradores (departamento responsável pela água e reuniões locais), Maria Lúcia Barros Kettle, prestou relatórios a diretoria da VB (empresa responsável pelo transporte da localidade) sobre a necessidade da disponibilidade de mais horários para o transporte. Através de uma reunião com os representantes da associação dos moradores e com a prefeita Rosemeire Scholl (PSDB), a empresa implantou novos horários para atender a comunidade. O assessor de imprensa da prefeitura de Engenheiro Coelho, Geziel Januário, disse que a prefeita tem tido boa disposição em atender aos pedidos que os responsáveis pela Associação dos Moradores do bairro Universitário têm solicitado a ela. O asfalto interno do bairro é um projeto da Associação dos Moradores que, através de reuniões juntamente com os proprietários de terrenos e com a pre-

feitura, conseguiram arrecadar a verba necessária para a pavimentação do local, sendo que os mesmos precisavam com urgência da concretização da obra. Thiago Prado, morador do bairro há dois anos e meio, diz que as condições em que o bairro se encontrava eram péssimas, pois na época da chuva formavam poças complicando o acesso a qualquer lugar. Além disso, a poeira levantava e isso proporcionava até alguns problemas de saúde, como rinite, tosse, e dificuldade de respirar para as pessoas que já possuíam problemas respiratórios ou mesmo alergias. A demora em começar as melhorias no bairro ocorreu devido à falta de documentação do mesmo. Apenas no ano passado a preocupação em regularizar os terrenos foi tomada pelos moradores, e assim as construções passaram a ser regularizadas. Um dos motivos pelos quais a prefeitura não podia ajudar no crescimento do bairro era a falta de escritura para os terrenos, porque o governo, que é quem viabiliza a verba, não permite investimentos em áreas irregulares. Um proprietário de terreno no bairro relatou que para essas novas construções teve que dispor de R$ 5 mil por cada terreno, e só ele teve que desembolsar R$ 15 mil devido aos seus três terrenos, para que o asfalto fosse feito. A prefeitura pediu, através de um oficio para o governo federal, no final do ano de 2010 a implantação de uma unidade básica de saúde (UBS), após indicação nº 00180/2010 do presidente da Câmara, Walter Aparecido Barbosa de Oliveira (PSDB) e do vice, Edmilson Ribeiro de Souza (PPS) à prefeita Rosemeire Scholl (PSDB). Esse pedido já foi apresentado ao Ministério da Saúde e tem como valor estimado R$ 200 mil para que a construção aconteça.

Cidade é uma das que mais cresce Moradores agora pedem um centro de educação infantil. Porém o número de crianças moradoras do bairro, por enquanto, não é o suficiente para que o pedido seja aceito. Também foi criado um plano diretor municipal, para todas as localidades, que tem como objetivo criar uma lei que implantará normas na área de infra-estrutura, para que haja ordem nas construções. Dessa maneira, haverá uma área específica para construir casas, outra para prédios, ou para área verde. Se isso ocorrer tudo terá seu devido espaço e as documentações estarão de acordo com a lei, facilitando a disponibilização de fundos da prefeitura de cada cidade para a melhoria do local. Um projeto que busca estruturar a região. De acordo com Januário, a cidade de Engenheiro Coelho está em segundo lugar como a cidade que mais está crescendo no estado de São Paulo. Apresenta um aumento de 56%

nos últimos 10 anos, contando com os bairros localizados ao redor do Unasp, totalizando aproximadamente 16 mil habitantes. Simone da Silva, moradora desde 2006 no bairro, era responsável pela imobiliária Galindo, que controla as locações dos imóveis, atualmente localizada no centro de Engenheiro Coelho. Simone conta que houve um grande crescimento em numero de pessoas e de investimento nas construções do bairro. Muitos dos proprietários de terrenos não tem só construído casas para aluguel, mas casas para vendas, em uma parceria com o projeto “Minha casa, minha vida”. O local está sendo mais valorizado devido às propostas de melhorias que já foram atendidas e às que estão cada vez mais próximas de serem realizadas como: coleta de lixo, comércio, legalização dos terrenos, iluminação, asfalto na entrada do bairro, o término da pavimentação

interna, rede de esgoto, calçadas, e outros. Por isso, os investimentos em construções de casas estão cada vez maiores. Os moradores do bairro são, em sua maioria, estudantes do Unasp ou pais de estudantes que saem de suas cidades para ajudarem seus filhos a concluírem o curso. Essa, na visão de Benedito Roberto, é a parte que mantêm o bairro. Para ele o motivo principal do crescimento do bairro é o Unasp, pois a cada ano novos alunos têm interesse em estudar e, como precisam de moradia, o primeiro lugar a ser procurado é o bairro Universitário. Primeiramente devido ao preço, e, agora, devido à boa estrutura. Tudo isso leva a prefeitura e o associação de moradores a quererem fazer um bom trabalho para que as condições oferecidas pelo bairro sejam cada vez melhores aos seus moradores. Assim, cooperam com o crescimento do bairro.


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internet

TECNOLOGIA.COM

As facilidades das compras on line A comodidade fala mais alto; as pessoas têm visto na internet a melhor opção de comprar sem precisar sair de casa

Wanderson Isac A. Pereira

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web se tornou um dos meios mais utilizados a fim de se obter comunicação, informação, entretenimento e trabalho. Devido ao grande avanço desse veículo é possível ver diversas mudanças acontecerem na sociedade. As pessoas estão cada vez mais impacientes e imediatistas. Isso ocorre pelo simples fato de que a internet impõe esse modo de vida. A demora de uma resposta de e-mail, a não-resposta no Orkut, Facebook ou qualquer outra rede social é motivo de impaciência ou raiva. A internet revolucionou a sociedade. Fez do homem pensativo, um ser que age pelos desejos. Transformou o ser humano em um ser acomodado, resumindo seu esforço físico em apenas alguns cliques. A sociedade se divide, a princípio, em três gerações distintas. A geração X, Y e Z. A geração atual, a “Y”, é conhecida como a geração da internet. São jovens que tem o caráter ousado, que não medem esforços para conseguir o que querem e que buscam subir na vida o mais rápido possível, por vezes, pulando alguns degraus. Essa nova sociedade busca cada vez mais a instantaneidade, querem lucro sem muito esforço e se enquadram nos padrões ditados pela internet. Mas não para por aí. Uma nova sociedade se aproxima. É a geração “Z”. Essa não permite a lentidão. Pressa é uma palavra-chave. É a geração que mais fará o uso da internet e de suas funções. A internet conseguiu espaço fixo no cotidiano de bilhões de pessoas ao redor do mundo. Segundo o F/Nazca, agência de publicidade brasileira, em uma pesquisa atualizada no dia 7 de março de 2011afirma que entre os brasileiros com mais de 12 anos, 54% costuma ter acesso à internet, ou seja, 81,3 milhões de internautas. Os principais locais de acesso para essas pessoas são as Lan Houses (31%), a própria casa (27%), e a casa de amigos e parentes (25%). Isso revela que o uso da internet é abusivo. A tendência é aumentar muito mais no decorrer dos anos. A internet não é apenas um meio em que as pessoas gastam seu tempo com diversão ou trabalho. Em matéria de novembro de 2009 da Globo.com (G1), a internet superou a TV como mídia favorita, e os internautas afirmaram que a internet se torna algo indispensável em suas vidas. Não conseguem viver sem ter um computador ao lado. Esse é o começo de uma sociedade totalmente

dependente da tecnologia. O uso da internet deixa muitas consequências. Umas das que mais cresce em todo o mundo é a comodidade. Antes era necessário se levantar da poltrona para mudar o canal da TV. Surgiu o controle remoto. A máquina de datilografar já não era tão eficiente, surge o computador. Era necessário algo mais, que chamasse a atenção das pessoas sem ter que sair de casa. O computador ganhou internet e jogos. Como se não bastasse, a comunicação via web aparece, com o papel de encurtar a distãncia entre as pessoas. O fenômeno da internet introduz novos caminhos. A inovação do comércio é um deles. De acordo com a pesquisa da Boston Consulting Group, o Brasil é líder de negócios de pessoas físicas na internet, com 80% de participação no mercado na America Latina. Devido ao baixo valor de custo dos computadores a população se alia a este tipo de comércio com mais facilidade. Esse mercado tem um crescimento de 1500% ao ano. Mas, este meio comercial é seguro? A resposta é sim. As empresas que usam o serviço de compra e venda pela a internet disponibilizam-se da tecnologia de segurança SSL( traduzido - camada de sockets protegida) em formulários ASP. Essa tecnologia permite que os dados do consumidor sejam criptografados. Ao enviá-los pelo site da empresa, somente a chave correspondente pode decodificar o que foi enviado. Sem a tecnologia SSL não é seguro fazer a compra. Lucas Brasil, estudante do curso de Administração, afirmou que o processo é seguro e que nunca teve problemas com as compras que fez, inclusive as de supermercados. “A compra é feita normalmente, você escolhe os produtos e a quantidade, o valor é contabilizado e passado no cartão. A vantagem é que você não precisa ir lá para comprar e nem pegar os produtos, é só marcar o horário que eles entregam em sua casa”, explica Lucas. Na maior parte dos casos, os consumidores virtuais afirmam que é muito mais vantajoso comprar pela a internet à ir a loja. Essa é uma das citações que recebe destaque nos depoimentos daqueles que fazem uso desse comércio. Valcenir do Vale Costa, matemático e mestre em Comunicação Social, aponta três motivos básicos que leva as pessoas a trocarem o comércio real pelo virtual. Em primeiro lugar, comprar é uma

atividade humana. Isso se torna

uma necessidade. Por esse motivo existem as lojas virtuais. O acesso ao banco pela internet é outra série de fatores. Em segundo lugar, existe a “Qualidade de Controle” entre consumidor e vendedor. Todo o processo de compra é arquivado e apresentado de forma segura ao consumidor. Em último lugar, o alcance que a internet disponibiliza é primordial. Apesar da praticidade, da economia e de outras vantagens, Costa aponta uma possível desvantagem. “Devido essa prática (comércio online) ter a tendência de aumentar, surgirão, quem sabe, os chamados ‘cyber crimes’, melhor dizendo, os bandidos da internet, mais conhecidos como hackers”, conclui. O maior número de vendas pela internet acontece no período de festas, principalmente natal e ano novo. A F/ Nazca, em uma pesquisa feita em 2007 e 2008, chegou a conclusão de que os artigos mais comprados no online são respectivamente os eletrônicos (11%), os livros (6%) e os eletrodomésticos (5%). Nesse período (2007, 2008) os internautas tinham medo de comprar virtualmente, por diversas razões. Alguns deles são o medo de o produto não chegar, ter em mãos um produto errado ou ainda, o produto não funcionar. A porcentagem de consumidores virtuais era de apenas 23%. O Brasil, em 2009, liderava o tempo médio gasto na internet. Em julho do mesmo ano, o tempo médio era de 48horas e 26 minutos, considerando apenas nave-

gaç ã o em sites. Com a utilização de redes sociais e jogos eletrônicos, esse tempo chegou às 71horas e 30 minutos. O matemático Valcenir Costa dá a dica de que antes de comprar algo online, é preciso visitar uma loja pessoalmente para verificar o produto. A compra deve ser realizada pela internet para um menor custo. Se os cuidados necessários forem tomados na hora da compra, como a checagem de segurança que a

empresa fornece, é preferível que se acomode na poltrona e desfrute das regalias que internet possibilita.


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no campus

Arquitetura

Novo curso, novas oportunidades

Carolina Félix e Vanessa Lemes

Unasp está construindo prédio para receber curso de arquitetura e urbanismo, já para o próximo mês de agosto

A

lista de pré-requisitos para implantação de novos cursos em uma instituição de ensino superior é imensa. Além de uma excelente estrutura técnica, a faculdade tem que prezar também pela qualidade de serviço. A implantação de novos cursos depende de protocolos preenchidos no sistema do e-MEC, Sistema eletrônico de acompanhamento dos processos que regulam a educação superior no Brasil. O Ministério da Educação, vai até a instituição e faz uma avaliação com suas exigências e, se estiver de acordo

com as exigências, o curso é aprovado. A aprovação é divulgada no Diário Oficial, onde a instituição poderá abrir o processo seletivo. O Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus de Engenheiro Coelho, já passou por esse processo. Os últimos cursos implantados foram sistemas para internet, que começou com 17 alunos e hoje está com 89, e o curso de história, que inicia o semestre com aproximadamente 44 alunos e atualmente 79 discentes estão matriculados. História começou em fevereiro de 2010 e Sistemas para Internet no segundo

semestre de 2009. Agora, o Unasp prevê para o mês de agosto a implantação do curso de aArquitetura e urbanismo, o mais novo curso da grade. A espera por este curso trouxe alunos ao Unasp desde o ano passado, caso do estudante Bruno Cesar que, ao informar-se da chegada de arquitetura, instalou-se no campus cursando engenharia civil. As grades curriculares de ambos os cursos são próximas e Bruno pretende transferir-se para o curso de arquitetura. Para alguns alunos, a possibilidade de somar arquitetura e urbanismo

aos estudos é uma forma de melhorar o currículo e, devido a essa interdisciplinaridade, o curso de arquitetura desperta a atenção dos futuros engenheiros do Centro Universitário. “A arquitetura completa o que falta em engenharia civil, a noção arquitetônica de uma obra,” explica a aluna do terceiro ano de engenharia civil, Wânia Moraes. Para Wânia esse conhecimento é repassado de forma superficial numa graduação. “O ideal é fazer todo o curso para aumentar não apenas o currículo, mas também a qualidade de serviço prestado como profissio-

nal”, revela a aluna. No entanto, o tempo a mais na faculdade para fazer uma segunda graduação, diverge as opiniões dos alunos. Segundo o estudante do último ano de engenharia civil, Maurício Freitas, existe uma relação muito próxima entre o curso de engenharia civil e arquitetura. Em sua opinião, o ideal seria ter uma grade de seis anos para graduar-se em ambos os cursos, sistema implantado na Universidade de São Paulo (USP). “O estudante não enfrentaria mais alguns anos na faculdade para sair especializado em arquitetura,” argumenta Freitas.

Prédio terá doze salas Curso novo, prédio novo. A chegada do curso culmina com a entrega de um novo prédio que está sendo construído ao lado do edifício que abriga os doze cursos disponíveis no centro universitário. O prédio terá doze salas, duas coordenações e mais duas salas para estágio. Com exceção do curso de arquitetura e urbanismo, ainda não há confirmação de outros cursos que funcionarão no novo prédio. O coordenador e professores do novo curso ainda não foram escolhidos. A análise de currículos e a capacitação necessária para o corpo docente e coordenação do curso ainda estão em processo. De acordo com o diretor acadêmico do Unasp, Afonso Cardoso, já existe procura para este curso. “A procura é quase que diariamente. Este curso vai atender uma demanda que está desejosa para entrar no ensino superior. Com a qualidade de nossos cursos e com o aquecimento do mercado nesta área, teremos duas turmas para iniciar,” comemora. Reconhecimento O crescimento da grade de cursos do Unasp tem relação com o reconhecimento de alguns cursos que tem representado a instituição com sucesso. Jornalismo e direito, por exemplo, são cursos que já têm titulações de reconhecimento. No ano de 2006, jornalis-

mo ficou em 2º lugar no Exame Nacional de Desenvolvimento Estudantil (Enade). E, em 2009, direito obteve mais de 80% de aprovação na primeira fase da prova da ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ambos os resultados foram conquistados no território de São Paulo. O Unasp possui 12 cursos, são eles: administração, ciências contábeis, comunicação social, direito, educação artística, engenharia civil, história, letras, pedagogia, tecnologia em sistemas para internet, teologia e tradutor e intérprete. E quem ganha com isso é o estudante que pode escolher transferir-se para outro curso com qual tenha mais afinidade. É o que pretende a estudante Jéssika Cabrera. Ela faz pedagogia, mas pretende cursar arquitetura. Acredita que o curso de arquitetura do Unasp lhe dará uma boa base profissional, pois sabe que o curso de engenharia proporciona experiência e preparo aos alunos. “Porque o Unasp já tem um curso de engenharia. Eles irão investir nos alunos do primeiro ano,” acredita. Com tantas mudanças, fica mais fácil se adaptar as exigências do mercado quando se é flexível na busca pelo conhecimento. A comunicação mudou, o consumidor mudou, os estilos mudaram, cabe a nós descobrir a melhor forma de nos associarmos a esta nova realidade.


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saúde

Autismo

Atenção e carinho para tratar

Associação de Mogi Guaçu cuida de crianças de toda a região que tenham esse tipo de distúrbio Deni Allison

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undada há sete anos pela diretora executiva Arlete de Lima Michelon, a Associação de Pais e Amigos do Autista da Baixa Mogiana - Fonte Viva tem como principal objetivo, com base na Núcleo de ensino e socialização do Autista, ajudar no desenvolvimento psicossocial de crianças portadoras do distúrbio conhecido como autismo. Hoje a escola é reconhecida pelo MEC e atende não só Mogi Guaçu, mas toda região. O incentivo para a criação desta associação nasceu da necessidade dos próprios fundadores. Arlete possui um filho autista e revela que a ideia de fundar a mesma se originou devido às escolas especiais situarem-se em outras cidades da região, o que tornava o processo mais caro e exaustivo. Com a ajuda de pais que também possuíam filhos autistas o projeto pôde sair do papel. Segundo a diretora, durante o desenvolvimento do projeto o autismo não era muito discutido pelos veículos de comunicação e pouco conteúdo especializado era encontrado, o que a levou a procurar conhecimento no exterior. Atualmente a associação possui vinte alunos com idades entre 3 a 12 anos, número reduzido devido à estrutura da associação, que é pequena e precisa de ajuda para aumentar o atendimento, pois não tem fins lucrativos. Há uma numerosa lista de espera, pois atualmente auxilia também outros municípios como Mogi Mirim, Estiva Gerbi e Itapira. Na Fonte Viva, o foco principal é a estimulação da linguagem por meio de livros, brinquedos educativos e socialização, sempre respeitando a idade e o avanço individual mediante ao tratamento. A equipe é multidisciplinar e atende integralmente aos alunos para que todo o tempo seja aproveitado evi-

tando crises supostamente ocasionadas por falta de atividades. O trabalho desenvolvido pela associação é de suma importante para os portadores de autismo e necessita que os profissionais envolvidos atuem com o lado emocional. “O fator principal que nos move é o amor e a paciência”, revelam as pedagogas Ana Elisa de Campos Abreu e Elaine Aparecida Pereira. É necessário um treinamento especial para trabalhar com autistas e, devido a essa e outras exigências, ajuda voluntária não é autorizada. Doações de brinquedos e alimentos também não são aceitos. Os brinquedos utilizados pelos alunos precisam ser especiais e as refeições são balanceadas. Cada aluno gera, em média, um custo de dois mil reais por mês. Portanto, a ajuda financeira é a melhor forma de colaborar com a escola, uma vez que a verba é revertida para as necessidades especiais dos próprios alunos, além de ajudar nos custos para a manutenção da escola. O termo autismo foi citado pela primeira vez em 1943, por Leo Kanner, onde se concluiu que a conduta da comunicação era classificada como comprometida. Há maior incidência no sexo masculino e possui diversas características: em alguns casos não há expressão facial e nem foco no olhar quando conversa, o autista prefere o isolamento inibindo a fala, o que dificulta a interação social. A fonoaudióloga Aline Jenny Favareto Nogueira afirma que em muitos casos, principalmente na infância, o autismo é confundido com a surdez, mas o que existe na verdade é uma falta de interesse da própria criança em se comunicar, muitas vezes, por não precisar ou por usar seus pais como ferramentas para a realização de tarefas.

“A leitura após certa idade distrai excessivamente o espírito humano das suas reflexões criadoras. Todo homem que lê demais e usa o cérebro de menos adquire a preguiça de pensar.”

Síndrome não é limitadora O autismo não limita nenhuma atividade. Que o diga os famosos que consiguiram driblar o distúrbio e se destacar no mundo acadêmico ou artístico. Temple Grandin, por exemplo, nasceu em 1947 e foi diagnosticada como autista aos dois anos. É PHD em Ciência Animal e professora da Universidade do Colorado. Grandin oferece várias palestras sobre autismo além de ter escrito alguns livros sobre a sua experiência como autista. Inventou a “SqueezeMachine” (“Máquina do aperto”) para ajudá-la nas suas dificuldades sensoriais. No seu livro “Thinking in Picture” Grandin relata que a sua primeira língua foi visual e como esta experiência a ajudou profissionalmente. A Grandin diz que conseguiu sucesso graças às oportunidades de mentores na escola e o apoio da família, principalmente o da mãe. Sua mãe publicou um livro “A thorn in my pocket” sobre sua experiência de criar uma criança autista em um tempo que as mães eram consideradas culpadas pelo autismo dos filhos e suas crianças eram encaminhadas para uma instituição por não existir cura. Outro autista famoso foi Thomas Jefferson - mencionado no livro Diagnosing Jefferson, de Norm Ledgin, como tendo possivelmente Síndrome de Asperger. Ele foi presidente dos Estados Unidos de 1800 a 1808. Nasceu em 1743 na Virgínia (EUA). Formou-se em Direito. Em 1776 redigiu a Declaração da Independência. Foi vice-presidente e, em 1800, eleito presidente e re-eleito novamente em 1804. Casou-se e

teve filhos. Morreu em 1826. Algumas de suas frases: “Quando nervoso, conte ate dez antes de falar; Se você estiver muito nervoso, até cem.” “Os dois princípios a que nossa conduta com os índios deve ser fundada são a justiça e o medo. Depois do sofrimento que causamos a eles, não conseguem nos amar...” (Thomas Jefferson para Benjamin Hawkins, 13 de agosto de 1786). Albert Einstein também era autista. Ele nasceu na Alemanha em 1879 e tinha a Síndrome de Asperger. Foi um grande cientista e desenvolveu as duas teorias da relatividade (a restrita e a geral). Einstein só falou aos três anos e repetia frases para ele mesmo até os sete anos de idade. Nunca foi considerado um gênio na infância, aliás, tinha algumas dificuldades: preferia brincar sozinho não se socializava bem. Apesar de ser tranqüilo tinha rompantes de insatisfação. Foi casado duas vezes e teve dois filhos no primeiro casamento. Em 1922, recebeu o prêmio Nobel de Física. Em 1933, temendo os nazistas por ser judeu, mudou-se para os Estados Unidos, onde se tornou cidadão americano em 1940. Foi professor da Universidade de Princeton. Seus alunos tinham dificuldades de acompanhar suas classes (segundo Temple Grandin por que ele pensava visualmente e os outros não o acompanhavam). Morreu em 1955 de um ataque cardíaco. Foi eleito pela Revista Times Magazine como personalidade do século pelo seu descobrimento. “O único homem que está isento de erros, é aquele que não arrisca acertar”, dizia.


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cultura

De balada a movimento cultural Grupo estabelecido em Artur Nogueira surgiu depois de uma festa para angariar fundos

Hidaiana Santos

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e não fosse pela enorme placa descrevendo os seus “moradores”, uma casa do bairro Ricardo Duzzi em Artur Nogueira, passaria despercebida. A casa em questão é o local em que os integrantes do Movimento Cultural Brincantti se encontram para ensaiar e desenvolver espetáculos e intervenções teatrais. Segundo a diretora do grupo, Elaine de Queiroz, 31 anos, trinta pessoas, em média, formam a equipe do Brincantti. O grupo existe desde 2004 e surgiu de uma festa. Elaine, juntamente com a equipe do adormecido grupo “O Fingidor”, precisava de dinheiro para pagar direito autoral de uma peça que seria apresentada num festival. Para angariar a quantia necessária, decidiram realizar uma festa. O nome da festa era Brincante. A festa deu certo, o direito autoral foi pago e, da balada, surgiu o Movimento Cultural Brincantti. Como já existia um grupo em São Paulo chamado Brincante, Elaine acrescentou um “t” ao nome e substituiu a letra “e” pelo “i”. Segundo a diretora, brincante é aquele palhaço de rua que anima as pessoas. Quando questionada sobre como administra e coordena o grupo, Elaine disse que é difícil e muitas vezes fica impossível cuidar de tudo sozinha. Ela delega funções para os integrantes do grupo e cada um passa a ter uma responsabilidade. Além de atuarem, as pessoas que formam o Movimen-

to Cultural Brincantti realizam tarefas paralelas ao teatro. Entre estudantes de jornalismo, publicidade e instrutor de informática, existem atores que levam alegria em suas performances. Antes de existir a casa Brincantti, os materiais usados nas peças teatrais eram guardados em lugares diferentes, eram distribuídos nas residências de cada um dos atores. O espaço existe há um ano e é zelado pelo próprio grupo. “O grupo precisava de um local para ensaiar, ter ideias e guardar os materiais”, explica o ator Celso Ricardo Lauro, 24 anos. O Brincantti não é formado apenas por mulheres. Os homens também estão presentes na composição. A atriz Heloisa Faria Nascimento, 23 anos, concorda com Celso quando ele diz que o “ator não pode ter preconceito”. O grupo garante que não existe discriminação e preconceito e todos se entendem. Há membros de idades diferentes e isso, segundo os atores, só enriquece as apresentações que a equipe realiza. Os atores ainda não conseguem viver apenas do teatro. Todas as despesas de manutenção da casa e realização de peças teatrais são bancadas pela equipe. O dinheiro investido nos espetáculos teatrais é gerado pelas baladas que o grupo promove. Elaine garante que as pessoas não possuem o hábito de irem ao teatro. Muitos preferem ficar em casa assistindo televisão, por ser mais prático. “A praticidade que o mundo atual impõe faz com que as pessoas fiquem em casa e não prestigiem a cultura da

cidade”, explica Elaine. A diretora vê nas crianças o futuro da cultura. Para ela, é fundamental investir nas crianças e despertar nelas o gosto pelo teatro e pela cultura em geral. O Brincantti revela-se diferente, por não ser apenas um grupo de teatro. O próprio nome “Movimento Cultural Brincantti” revela cultura que prega. Ou seja, não fica engessado apenas no teatro, mas realiza arte de todas as formas possíveis. Além de espetáculos, o Brincantti realiza intervenções em eventos da cidade. Para ilustrar: durante o concurso Miss Artur Nogueira Mirim, alguns integrantes do Movimento Cultural apresentaram cenas do filme “Alice no País das Maravilhas”. Essas cenas eram intercaladas no decorrer do evento.

Curso O Brincantti está com vagas abertas para curso de teatro. Com duração de 9 meses, as aulas serão ministradas na Casa Cultural Brincantti. O custo é de R$ 50,00 mensais.

Informações e matrículas (19) 9106-9316 (Heloísa) Rua Luciano Antonio Carmona, 688 – Bairro Ricardo Duzzi

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saúde e bem-estar

Academias sem atestado médico

Academias e médicos ignoram a importância do laudo médico para atividades físicas Lucas Rocha

Morte em campo Um caso famoso de morte súbita durante a prática esportiva é o do jogador Serginho, 30, que sofreu uma parada cardiorrespiratória em 2004 na partida entre São Caetano e São Paulo. Depois de ser socorrido ainda dentro de campo, Serginho foi levado com vida ao Hospital São Luiz. Porém, 40 minutos após dar entrada no hospital, Serginho faleceu. Sílvio Luiz, goleiro do São Caetano na época do incidente, disse à imprensa que os exames de seu companheiro de clube haviam acusado um problema, porém existia “1% de chance de haver algum problema”. Porém, Paulo Forte, médico do clube, negou à justiça ter recebido qualquer laudo que alertava para o risco do jogador continuar sua carreira. Como consequência, o processo foi instaurado e, posteriormente, arquivado. No caso de uma academia de musculação, deve-se apresentar um atestado médico que comprove não só a capacidade cardiovascular, como também a situação muscular e óssea do atleta. Pela classificação dada pelo especialista nesses exames é possível personalizar os exercícios de musculação. Caso contrário, se a pessoa levantar um peso que o seu músculo não suporte ele pode ter uma lesão muscular, por exemplo. Para o tratamento de qualquer lesão provocada pela prática de exercício físico, o atleta pode processar a academia por negligência. Por isso, é imprescindível a apresentação de atestado médico e a orientação de um profissional de Educação Física durante a prática esportiva. Para Metz, quem não conseguir uma classificação suficiente para entrar em uma academia de musculação pode recorrer a outros esportes, ou por uma carga menor de exercícios. O importante é o atleta respeitar o próprio corpo.

A prática regular de exercícios físicos é recomendada por médicos para se manter uma boa saúde. Com este objetivo, muitas pessoas procuram uma academia para manter o corpo em forma. Mas a prática de qualquer atividade física sem o aval de um médico pode trazer resultados contrários ao esperado. Em certos casos, o esforço físico pode trazer risco à vida do atleta. Mesmo assim, a análise médica ainda é ignorada. A academia Corpo in forma, localizada no município de Artur Nogueira, SP, por exemplo, aceita alunos sem o aval médico. Para iniciar a prática física, basta ao atleta pagar a taxa de matrícula e a mensalidade no valor total de R$ 67,00. Nem mesmo a apresentação de documentos como o Registro Geral (RG) e o Cadastro de Pessoa Física (CPF) é requerida no momento do cadastro. O atestado médico é solicitado apenas em casos onde existem doenças cardíacas na família. Formado em Educação Física, Márcio Metz repudia a posição da Corpo in forma. “O atestado é necessário para todos que fazem musculação. Não só para a musculação, como qualquer atividade física. Se o aluno não apresenta, ele

pode se prejudicar”, pondera. Todavia, somente o atestado não representa nada. O documento assinado pelo médico só tem valor se a avaliação for completa, o que nem sempre ocorre. O estudante Arthur Souza, 20, já recebeu o aval médico para práticas esportivas sem ser avaliado. “O doutor apenas olhou para mim, perguntou minha idade e assinou o atestado”, relata Souza. Na época, Souza treinava regularmente no Lance Livre, uma escola de Basquete de renome em Brasília DF, e nunca sentiu nenhum incômodo no coração. Na prática, o documento não fez diferença em sua vida. Entretanto, o cardiologista Paulo Sanches alerta que o exame deve ser feito da mesma forma que se escolhe um carro usado para a compra. Primeiro olha-se o para-choque, a pintura, as rodas. Depois, vem o test-drive, onde se procura forçar o motor do carro para ver qual a verdadeira potencia. Não adianta apenas olhar o exterior, é necessário observar a capacidade do coração. Segundo Sanches, “o atestado não é o principal. Tem médico que dá, mas não vale nada sem os exames”. A Sociedade Brasileira de Cardiologia

(SBC) aconselha quais exames devem ser realizados antes da prática esportiva por meio de suas Diretrizes Nacionais. Mas se todos procurarem o aval de um médico na rede pública provocaria um “aumento considerável na fila para atendimento, mas não é um bicho de sete cabeças”, esclarece Sanches, que atende pela Prefeitura de Engenheiro Coelho - SP. Segundo as Diretrizes da SBC, toda pessoa de 0-35 anos, antes de iniciar qualquer atividade física, precisa, no mínimo, passar por uma avaliação clínica além de um exame de eletrocardiograma. A consulta e o exame podem prever doenças congênitas que matam. Para pessoas com mais de 35 anos, além do eletrocardiograma, é recomendado um teste ergométrico. No teste ergométrico, o atleta é submetido a um esforço físico onde é diagnosticado restrições do corpo em relação a atividades de maior intensidade. Para fumantes, diabéticos e hipertensos é recomendado o teste de esforço físico de forma prematura, portanto antes dos 35 anos. Mas até atletas e assintomáticos precisam passar pelo exame.

Faça certo A prática de atividade física deve ser sempre indicada e acompanhada por profissional qualificado, incluindo médicos, fisioterapeutas e profissionais de educação física. Caso sinta algo diferente, informe ao responsável. Evite fazer atividades físicas a céu aberto em horários muito quentes. Se for inevitável, prefira ambientes condicionados ou diminua a intensidade do exercício. E não se esqueça de usar protetor solar. Hidrate-se antes, durante e após a atividade. Recomenda-sea ingestão de 200 mililitros de água a cada 20 minutos

de exercício. Se a atividade for intensa e exceder 40 minutos, é recomendável fazer uso de alguma fonte de carboidrato (pode ser em gel) ou consumir bastante bebidas isotônicas. Use roupas leves e com tecidos que facilitam a transpiração (dry fit, por exemplo). Se a atividade for ao ar livre, não esqueça o boné. Pare se seu corpo sinalizar. Às vezes, por conta da alta temperatura, o rendimento cai, a pressão cai. Quando sentir um cansaço maior que o habitual ou sentir-se fraco, interrompa a atividade física imediatamente.

Qualidade de vida A atividade física consiste em exercícios bem planejados e bem estruturados, realizados repetitivamente. Eles conferem benefícios aos praticantes e têm seus riscos minimizados através de orientação e controle adequados. Esses exercícios regulares aumentam a longevidade, melhoram o nível de energia, a disposição e a saúde de um modo geral.

O que preciso ressaltar é o investimento contínuo no futuro, a partir do qual as pessoas devem buscar formas de se tornarem mais ativas no seu diaa-dia, como subir escadas, sair para dançar, praticar atividades como jardinagem, lavagem do carro, passeios no parque. A palavra de ordem é movimento.


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Jornal 2ª Impressão - Março  

Jornal laboratório elaborado por estudantes do curso de jornalismo do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheir...

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