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GEOGRAFIA

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GEOGRAF IA MANUAL DO PROFESSOR

Claudio GIARDINO Ligia ORTEGA Rosaly Braga CHIANCA Virna CARVALHO


Claudio GIARDINO

Bacharel e licenciado em Geografia pela PUC-SP. Especialista em Psicopedagogia pela UNIP-SP e em Gestão de Escolas pela FAAP-SP. Ex-professor de Geografia na rede pública e particular. Assessor de Geografia, coordenador e diretor pedagógico na rede particular de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Diretor de rede de escolas particulares. Autor de obras didáticas.

Ligia Maria ORTEGA Jantalia

Bacharel em Ciências Sociais pela FFLCH-USP. Ex-professora de Geografia das redes pública e particular de Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Autora de obras didáticas.

Rosaly Braga CHIANCA

Bacharel e licenciada em Geografia pela FFLCH-USP. Ex-professora de Geografia e Atualidades na rede particular de Ensino Fundamental II. Assessora de Geografia na rede particular de Ensino Fundamental I. Autora de obras didáticas e paradidáticas.

Virna CARVALHO

Bacharel e licenciada em Geografia pela UNICAMP. Mestre em Geografia Humana pela FFLCH-USP. Professora de Geografia na rede privada. Autora de publicações acadêmicas.

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GEOGRAF IA MANUAL DO PROFESSOR São Paulo • 2a edição • 2015

GEOGRAFIA


Geografia nos dias de hoje – 9o ano © 2015 Leya

Direção editorial Mônica Vendramin

Título original da obra: Geografia nos dias de hoje – 9 o ano

Coordenação editorial Ebe Christina Spadaccini

São Paulo * 2a edição * 2015

Edição Caren Inoue Cassia Yuka de Andrade Tamura Edição de texto da Assessoria Pedagógica Andréia Szcypula Assessoria técnico-pedagógica Simone Affonso da Silva Gerência de revisão Miriam de Carvalho Abões Assistência de coordenação de revisão Vinicius Oliveira de Macedo

Todos os direitos reservados: Leya Rua Dr. Olavo Egídio, 266 CEP 02037-000 – São Paulo – SP – Brasil Fone + 55 11 3129-5448 Fax + 55 11 3129-5448 www.leya.com.br leyaeducacao@leya.com ISBN 978-85-451-0101-7 (aluno) ISBN 978-85-451-0100-0 (professor) Impressão e acabamento

Revisão Rosemary Pereira de Lima Sâmia Rios Coordenação de arte e capa Thais Ometto Ilustração/foto de capa: Michael H./ Stone/ Getty Images Projeto gráfico Débora Barbieri Edição de arte Thais Pedroso Iconografia Jaime Toshio (coord.) Paula Dias Sônia Oddi Editoração eletrônica Cittá Estúdio (miolo) AGWM Editora e Produções Editoriais (Assessoria Pedagógica) Ilustrações Angelo Shuman Jonatas Tobias Fernando Pires Fernando Chan Isaura Ogawa Mapas Allmaps Gráficos Editoria de arte Produção Digital Coordenação: Camila Carletto Edição: Lívia Lima Paiva e Laura Cintra Labaki

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Ficha elaborada por: Tereza Cristina Barros – CRB-8/7410 Ficha elaborada por: Tereza Cristina Barros - CRB-8/7410

Geografia nos dias de hoje, 9º ano / Claudio Nélson Giardino...[et al.]. -– 2. ed. – São Paulo : Leya, 2015. Outros autores: Ligia Maria Ortega Jantalia, Rosaly Braga Chianca, Virna Carvalho. ISBN 978-85- 451-0101-7 (aluno) ISBN 978-85- 451-0100-0 (professor) 1. Geografia (Ensino fundamental) I. Giardino Claudio Nélson II. Jantalia, Ligia Maria Ortega III. Chianca, Rosaly Braga IV. Carvalho, Virna.

22.04/2015 CDD-372.891 --------------------------------------------------------Índice para Índices paracatálogo catálogosistemático: sistemático:

1. Geografia : Ensino fundamental 372.891

1. Geografia : Ensino fundamental

372.891


Apresentação Neste volume vamos dar continuidade aos nossos estudos sobre o espaço geográfico mundial. Compreender que vivemos em um mundo interligado e as condições que levaram à produção desses espaços globalizados serão assuntos que estudaremos este ano. Quais são as características da economia global? Como essas características influem na organização do espaço e na vida dos lugares? Por que, apesar dos avanços tecnológicos, encontramos tanta desigualdade social nesses espaços? Responder a essas questões nos fará entender melhor nosso mundo globalizado, identificando inclusive as relações entre as características do espaço local e do global. Continuaremos a estudar os continentes, analisando a Europa, a Ásia e a Oceania. Além desses continentes, estudaremos também as regiões polares. Veremos que, apesar de interligado, o mundo apresenta regiões com especificidades produzidas no decorrer do tempo pelas sociedades que ocupam e transformam o espaço onde vivem. Conhecer a geografia desse mundo no qual vivemos permite-nos também entender a nossa própria vida nos lugares. Desse modo, podemos fazer uma leitura das nossas condições de existência e agir para tornar essas condições cada vez mais justas e dignas.

Os autores.


CONHEÇA

seu livro Este é seu livro de Geografia. Ele vai acompanhá-lo durante todo o ano letivo. Vamos conhecê-lo?

Abertura de tema Imagens e texto de introdução apresentam os conteúdos que serão estudados nos capítulos que compõem o tema.

Foto da cidade de Wuhan com templo budista em primeiro plano, China, 2012. Wuhan é uma das cidades mais antigas da China, com 3 500 anos de existência. Localizada às margens do Rio Yang-Tsé (Rio Azul), a cidade é um importante centro financeiro, industrial e de serviços. Com mais de 8 milhões de habitantes, Wuhan é um centro tecnológico onde se desenvolvem indústrias do setor de comunicações ópticas, biomédicas, de energia renovável, siderúrgicas, automobilísticas, de informática, de serviços de logística, entre outras.

Foto de trecho da cidade de Mumbai, Índia, 2013. A cidade de Mumbai é uma das que mais cresceram economicamente no país, nas últimas duas décadas, apesar da baixa qualidade de vida de muitos de seus habitantes. Modernos edifícios comerciais contrastam com a falta de planejamento urbano, caracterizado pelo saneamento básico ineficiente e transportes e habitação precários para a população mais carente.

capitalista. Para isso, contam com o crescente avanço das técnicas de produção, o desenvolvimento e aperfeiçoamento de máquinas e a utilização de matérias-primas fornecidas pelas indústrias de base. As máquinas industriais vieram substituir a força e a habilidade manual do ser humano. Para produzir seus meios de vida, os trabalhadores operam as máquinas nas fábricas e vendem sua força de trabalho em troca de salários pagos pelos capitalistas. Em seu conjunto, a posição do trabalhador passou a ser determinada pela etapa da produção pela qual era responsabilizado na rotina da fábrica. Ele deixou de realizar todo o processo de produção de um artefato. Antes da Revolução Industrial, os artesãos desempenhavam todas as etapas de confecção de sapatos, roupas, ferramentas, louças etc. Nas grandes fábricas, como na indústria automobilística das primeiras décadas do século XX, os operários trabalhavam em linhas de montagem. Realizavam de forma repetitiva apenas um dos estágios da produção, trabalhando em frente a uma esteira rolante que se movimentava. Desse modo, o trabalhador desempenhava uma única tarefa, resumida a um movimento repetitivo e cronometrado. Isso fazia do trabalhador uma espécie de máquina.

Abertura de capítulo O capítulo inicia-se com imagens e perguntas que permitem verificar o conhecimento que você já possui sobre o assunto a ser tratado.

capítulo 9 | China e Índia: países emergentes no cenário global

Glossário Para facilitar a leitura, o glossário explica o significado de algumas palavras e expressões destacadas ao longo do texto.

Foto de linha de produção de automóveis da marca Ford, em Michigan, Estados Unidos, 1913. O fordismo foi um sistema de produção baseado na divisão de tarefas com a finalidade de reduzir o tempo de produção, e assim cada operário especializava-se numa única função.

A mecanização, ao lado da divisão do trabalho, contribuiu para o aumento da produtividade e eficiência do modo de produção. Desse modo, o trabalhador deixava de ter controle sobre a produção, possibilitando ao capitalista a apropriação final do produto fabricado e dos ganhos relacionados à comercialização da mercadoria. Nessa fase da economia industrial, acentuou-se a divisão da sociedade entre uma minoria de proprietários, donos dos meios de produção – os capitalistas – e uma grande massa de trabalhadores – os operários, que vendiam sua força de trabalho.

Índia e China são chamadas de países emergentes na atual fase da economia globalizada, pois apresentam um crescimento econômico e social acima da média dos países considerados em desenvolvimento. 186

Indústria de base: é a que produz matéria-prima e equipamentos (máquinas) que serão utilizados em outra indústria, por exemplo, a siderurgia (produção de ferro e de aço) e a metalurgia (produção de ligas metálicas).

BETTMAN/CORBIS/LATINSTOCK

países emergentes no cenário global BOAZ ROTTEM/ ALAMY/ GLOW IMAGES

Observe as fotos das duas cidades. Com auxílio das informações das legendas, identifique nas paisagens elementos que estão relacionados ao crescimento econômico e aos contrastes sociais e culturais.

China e Índia:

CALLE MONTES/ PHOTONONSTOP/ CORBIS/ LATINSTOCK

Capítulo

9

Capitalismo industrial e a organização do espaço Desde a segunda metade do século XIX, na fase inicial do capitalismo, os países industrializados da Europa, como Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha e

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

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O espaço mundial e a globalização | tema 1

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

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APROFUNDANDO E REFLETINDO Um dos países mais importantes do Oriente Médio são os Emirados Árabes Unidos (EAU). Trata-se de uma confederação de Estados autônomos – chamados Emirados –, situada no sudeste da Península Arábica, no Golfo Pérsico. Os sete emirados são Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm al-Qaiwain, Ras al-Khaimah e Fujairah. A capital e segunda maior cidade dos Emirados Árabes Unidos é Abu Dhabi. O território dos Emirados é desértico, com alguns oásis, regiões montanhosas e praias. A exploração do petróleo e do gás natural é a base da economia (foi o sexto produtor de petróleo em 2013). Nas últimas décadas, o país vem investindo em outros setores, como o comércio e o turismo. É nesse cenário que um dos Emirados, Dubai, tornou-se um grande complexo turístico, considerado hoje uma das cidades mais modernas do Oriente Médio e a mais populosa dos Emirados. As principais formas de obtenção de receita em Dubai são provenientes do turismo, do comércio, do G17_F2_NDH_G9_T3C7_M01 setor imobiliário e dos serviços financeiros. Já as receitas de petróleo e gás natural, que no passado foram G17_F2_NDH_G9_T3C7_M01 responsáveis pela consolidação da economia dos EAU, atualmente contribuem bem menos. Em um ranking da revista Forbes, Dubai estava 50º L Dubai: localização (2014) entre as sete cidades mais influentes do mundo, em 50º L

Texto 1

o elh erm rV Ma

o elh erm rV Ma

2014. O ranking foi feito com base em aspectos como KUWAIT Kuwait quantidade de investimento estrangeiro atraído, conGo KUWAIT lfo P Kuwait centração de sedes corporativas, conexões aéreas, BAHREINérsi Go co Manama lf ARÁBIA Dubai Golfo Doha de Om o P grau de desenvolvimento da indústria, serviços finanSAUDITA érs ã BAHREIN CATAR ico Abu Dhabi Manama ARÁBIA Dubai Golfo Trópico de Câncer Doha Riad de Om EMIRADOS Mascate ceiros, tecnologia e mídia, além de diversidade racial SAUDITA ã CATAR ÁRABES UNIDOS Abu Dhabi Riad EMIRADOS Mascate (cerca de 86% da população vieram de outros países). Trópico de Câncer ÁRABES UNIDOS OMÃ Dubai ainda conta com o maior aeroporto do mundo. 20º N OMÃ Duas das mais ambiciosas construções na 20º N OCEANO cidade de Dubai são o The World e Palm Islands, IÊMEN ÍNDICO espécies de arquipélagos artificiais. O primeiro tem Sana OCEANO IÊMEN ÍNDICO CapitalSana formato do mapa-múndi e é composto de cerca de Emirado de Dubai Capital 300 ilhas artificiais. O segundo arquipélago é formaLimites internacionais Emirado de Dubai 0 325 650 km Lagos e mares interiores do por três ilhas artificiais com formato de palmeiras. Limites internacionais 0 325 650 km Lagos e mares interiores Agora, leia algumas reportagens sobre Dubai. Adaptado de: CALDINI, Vera; ÍSOLA, Leda. Atlas geográfico Saraiva. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 134.

Iscas imobiliárias [...] Num piscar de olhos, Dubai, um pequeno emirado de solo desértico, tornou-se o epicentro dos maiores desvarios de que se tem notícia em matéria de condomínios residenciais. Ilhas artificiais em forma de palmeira, de mapa-múndi e até de sistema solar vão abrigar uma centena de resorts e hotéis de luxo, além de milhares de mansões. Há 45 bilhões de dólares investidos em pro-

156

capítulo 7 | A diversidade do quadro natural na Ásia

jetos imobiliários em construção e outros 45 bilhões estão prestes a sair do papel. [...] Por trás do mercado aquecido estão uma campanha publicitária avassaladora e uma estratégia de marketing curiosa: celebridades recebem de presente – ou a preço de banana – ilhas e mansões paradisíacas. Tudo para atrair compradores anônimos interessados em morar ou passar férias perto de

Aprofundando e refletindo

Índia: a violência contra as mulheres Os casos de violência contra mulheres na Índia têm sido cada vez mais noticiados na mídia. Mesmo que o governo tenha estabelecido “tolerância zero” para a violência, ainda assim o número de crimes contra as mulheres vem aumentando. Sushi Das escreveu um livro de memórias, no qual descreve a dura vida da mulher indiana.

Uma escritora conta o que é ser mulher na Índia [...] Garotas. Elas são uma dependência econômica para os pais indianos. A criação delas é cara. Elas podem arruinar a reputação da família com o poder da indiscrição. Elas precisam de um dote quando você as casa, e o que você recebe de volta? Nada além de preocupação e miséria.

Garotos, por outro lado, são produtivos economicamente. Quando crescerem, ganharão salários, trarão uma esposa para casa, recebendo o dote desta, e agirão de modo a preservar e trazer prosperidade à situação dos pais, quando estes envelhecem. Quem não desejaria filhos? [...]

DCM. Uma escritora conta o que é ser mulher na Índia, 17 mar. 2013. Disponível em: <www.diariodocentrodomundo.com.br/ a-vida-dificil-das-mulheres-nascidas-na-india/>. Acesso em: 17 dez. 2014.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, em 2012, foram registradas cerca de 244 mil queixas de violência contra as mulheres na Índia. Leia a seguir um texto sobre esse assunto.

Texto 2 Índia: o corpo delas é deles Um dos episódios mais chocantes ocorreu no fim de maio de 2014, quando duas adolescentes (de 14 e 16 anos) foram enforcadas numa árvore na aldeia de Katra Shahadatgani, no estado indiano de Uttar Pradesh, depois de terem sido violadas em grupo. Elas haviam ido a um banheiro a céu aberto, pois não havia instalação sanitária em suas casas (problema comum que afeta milhões de indianos), e foram atacadas. A família acusou a polícia de ter ignorado o caso por elas pertencerem a uma casta mais baixa. Ranjana Kumari, ativista do Centro de Pesquisa Social da Índia, entende que se trata de um “fato social, no qual os rapazes são vistos como um bem e as meninas, como uma obrigação a ser descartada”. Para a ativista, há falta de vontade política para mudar o sistema judicial [...]. A baixa quantidade de condenações –

apenas 27% das queixas feitas viram condenações de fato – é outro motivo para que os violadores não tenham medo da lei e saiam em liberdade, acrescenta.

Os boxes trazem informações complementares relacionadas ao conteúdo estudado.

Foto de mulheres de várias idades durante manifestação em memória de “Nirbhaya”, nome simbólico dado à vítima de estupro em 2012. Nova Délhi, 2014.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Adaptado de: HENRIQUES, Joana Gorjão. Índia: o corpo delas é deles, 15 jun. 2014. Público. Disponível em: <www.publico.pt/mundo/ noticia/india-o-corpo-delas-e-deles-1639875>. Acesso em: 17 dez. 2014..

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

4

Boxes

Texto1

Esta seção apresenta textos escritos pelos autores mesclados com textos jornalísticos, seguidos de atividades com questões para debate que visam trabalhar sua argumentação.

RAJ K RAJ/ HINDUSTAN TIMES/ GETTY IMAGES

Dubai: um grande complexo turístico

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

A Ásia | tema 3

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NÃO ESCREVA NO LIVRO.


ES N O C Í ATIVIDADES 1. Sobre as dimensões e limites do continente asiático:

a) Caracterize a Ásia em relação às dimensões territoriais. b) Quais são os limites da Ásia?

FORA DE ESCALA E CORES FANTASIA

Atividades

2. Qual aspecto geográfico justifica a existência de muitos fusos horários na Ásia? 3. Observe as imagens e os climogramas a seguir e responda aos itens a e b (página seguin-

te) em seu caderno. Kyoto (Japão)

MAGICFLUTE002/ ISTOCKPHOTO

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Precipitação (em mm)

Temperatura (em ºC)

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EDUCAPLUS. Disponível em: <www.educaplus.org/climatic/ cmg_db.php?estacion=477590>. Acesso em: 2 dez. 2014.

Gráfico de climograma de Kyoto (Japão).

Foto de floresta nas proximidades de Nikko, Japão, 2014. FLPA/ REX FEATURES/ GLOW IMAGES

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Bintulu (Malásia)

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0 J F M A M J J A S O N D

EDUCAPLUS. Disponível em: <www.educaplus.org/climatic/ cmg_db.php?estacion=964410>. Acesso em: 2 dez. 2014.

Gráfico de climograma de Bintulu (Malásia).

158

Foto de floresta em Bornéu, Malásia, 2012.

capítulo 7 | A diversidade do quadro natural na Ásia

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

No final do capítulo, as atividades vão ajudá-lo a exercitar e sistematizar seu conhecimento. Entre os tipos de atividades, destacam-se a leitura de imagens e o registro sobre os conceitos estudados que você fará no Construindo o glossário geográfico.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Recurso digital exclusivo para professor.

Trabalhando com mapas e gráficos

Greenwich

126-150

Mapa da localização das melhores universidades do mundo (2014).

Círculo Polar Antártico

151-175 176-200

0

4 260

8 520 km

CREATIVE Class. Where the world’s brains are, 19 out. 2010. Disponível em: <www. creativeclass.com/creative_class/category/universities/>. Acesso em: 19 nov. 2014.

As 10 melhores universidades do mundo (2014) 120

Avaliação (em pontos)

100

100

80

72,1

70,5

70,1

69,2 60,7

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Gráfico das 10 melhores universidades do mundo (2014).

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ACADEMIC Ranking of World Universities. Academic Ranking of World Universities 2014, s.d. Disponível em: <www.shanghairanking.com/ARWU2014.html>. Acesso em: 19 nov. 2014.

• Identifique onde se encontra a maioria das melhores universidades e explique a sua localização espacial relacionando­a com os tecnopolos. Utilize também os dados do gráfico acima. EM SEU CADERNO, EXPLIQUE OS CONCEITOS A SEGUIR.

Construindo o glossário geográfico • Empresas multinacionais ou transnacionais 42

capítulo 2 | A economia global e a organização do espaço

• Fluxos comerciais NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ALLMAPS

partir de dados do Academic Ranking of World Universities (Ranking Acadêmico das Univer­ sidades do Mundo). Essas universidades também são grandes centros de pesquisas de alta tecnologia. O autor do mapa utilizou o Planisfério: as melhores universidades (2014) ranking das melho­ OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico res universidades do mundo para mapear Londres São Francisco Boston / Cambridge onde estão as 500 Nova York Trópico de Câncer maiores universida­ Los Angeles OCEANO PACÍFICO des nas regiões me­ Equador O C EA N O P A C ÍF IC O OCEANO OCEANO Limite tropolitanas, e assim A T LÂ N T I C O internacional ÍNDICO Trópico de Capricórnio acadêmica ter a distribuição dos Pontuação total das universidades 24-50 centros de pesquisa 51-75 101-125 do mundo. OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

Geografia e cultura

Trabalhando com mapas e gráficos

Artes A Ilha de Páscoa , conhecida como Rapa Nui, situada no Oceano Pacífico e que atualmente pertence ao Chile, tem histórias bastante interessantes, entre elas, sobre as esculturas gigantescas conhecidas por “moais”. Não se sabe exatamente quando os primeiros seres humanos chegaram à ilha. Não há registros

No final de cada capítulo, há também atividades de leitura e interpretação de mapas e gráficos, que vão ajudá-lo a entender e usar esses elementos como fonte de informação sobre o espaço geográfico.

arqueológicos anteriores ao século VIII d.C. Muito da história da ilha se perdeu ao longo dos séculos. O que se sabe do período anterior à chegada dos europeus, além de todos os sítios arqueológicos, vem, em grande parte, da tradição oral. De acordo com pesquisas, os habitantes da Ilha de Páscoa tinham uma cultura semelhante à dos polinésios. A chegada do europeu ocorreu em 1722, quando o primeiro navio, pilotado por um holandês, atracou na ilha, no dia de Páscoa, daí o nome da ilha. A primeira e mais adequada descrição da ilha foi feita pelo capitão James Cook, em 1774, em sua breve visita de apenas quatro dias, quando realizou o reconhecimento do território pascoense. Cook tinha a vantagem de estar acompanhado por um taitiano, cujo idioma polinésio era similar ao dos povos insulares, possibilitando o entendimento entre eles.

As misteriosas estátuas Os moais são estátuas esculpidas com pedras do vulcão Rano Raraku. Ninguém sabe por que os habitantes construíram tantas e tão grandes estátuas de pedra. A pedra vulcânica era fácil de escavar e esculpir. Quando cada estátua ficava pronta, era retirada da cratera, decorada e preparada para seguir viagem para seu lugar definitivo, um “ahu”. Todo o processo de criação e colocação dos moais era cercado de cerimônias religiosas. Os “ahu” eram plataformas cerimoniais construídas para receber os moais. A forma como essas estátuas eram transportadas ainda permanece um grande mistério. Apenas recentemente os cientistas conseguiram levantar teorias para explicar a vida desses povos. Os rapanuis, como são chamados os primeiros habitantes da ilha, acabaram desaparecendo. Há várias hipóteses para tal fato, como a aridez que se propagou pela ilha, dificultando a sobrevivência, e a chegada do colonizador, que trouxe doenças. Os rapanuis também foram atacados por comerciantes peruanos que os levaram como escravos – a maioria morreu no cativeiro. Existem muitas teorias relacionadas a esse mistério, e, apesar disso e de muitos livros escritos sobre o assunto, a verdade é que até os dias atuais não se sabe como as estátuas foram parar ali.

Geografia e cultura

OLIVIER CIRENDINI/ LONELY PLANET IMAGES/ GETTY IMAGES

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12. O mapa a seguir representa a localização das mais importantes universidades do mundo, a

Foto do Ahu Tongariki na Ilha de Páscoa, Chile, 2012. Ahus são as plataformas de pedras onde eram depositados os moais. Esses conjuntos, espécie de altar, se espalham em grande número junto à costa. Todos os moais, sem exceção, foram colocados de costas para o mar.

279

A Geografia e as demais manifestações artísticas são tratadas nesta seção, que apresenta textos literários, letras de música, histórias em quadrinhos. Aqui também aparecem as dicas de livros, filmes e sites.

# Revendo o tema ANDY SINGER, 2008

Imagine que você está navegando na internet e entra no blog de um amigo seu. Você vai interagir com ele pelo blog, no qual está publicada a imagem ao lado. Escolha como fará essa interação. Você pode: escrever um comentário de algumas linhas, emitindo sua opinião sobre o assunto da charge, ou pode publicar outra charge.

Mural

O pensador, charge de Andy Singer, 2008. A charge faz referência à escultura de Auguste Rodin.

Levantamento dos assuntos que foram destaques no último mês na internet Pesquise na internet assuntos que geraram um grande número de notícias e que foram manchetes de jornais, revistas semanais e sites, além de proporcionarem debates nas redes sociais. Selecione um ou

dois assuntos e, em grupos, organizem um mural com as manchetes. Depois, façam uma reflexão sobre a importância desses assuntos, relacionando-os com o cotidiano das pessoas nos lugares.

Para relembrar 1. Leia as frases a seguir e identifique, em seu ca-

derno, o assunto a que elas se referem. Depois, corrija as frases que estão incorretas. a) A presença do meio técnico-científico-informacional é mais vasta nos países industrializados e desenvolvidos dos continentes europeus e asiáticos, além de Estados Unidos e Canadá. b) A comunicação via satélite, cabos telefônicos e internet torna possível a transmissão de informações e a conexão entre lugares, a venda e compra de produtos e serviços. Essa realidade está presente em todos os países do mundo, colocando mesmo os países mais pobres na mesma situação de acesso a informação que os países mais ricos. c) Na informática, a produção tanto de computadores como de softwares, ou seja, de programas que permitem a utilização e a operação das informações pelo usuário, tornam mais ágil o trabalho em indústrias, bancos, escolas, comércio e nos serviços em geral.

d) A Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução Técnico-Científica, caracteriza-se pela relação entre as descobertas científicas e a aplicação desse conhecimento na produção de novos produtos e serviços. 2. Identifique e corrija no caderno as frases erradas

sobre as multinacionais. Justifique. a) Após a Segunda Guerra Mundial, as empresas multinacionais dos países desenvolvidos passaram a instalar unidades de produção em países menos industrializados. É na segunda metade do século XX que a expansão geográfica das multinacionais se intensifica. b) As multinacionais sempre procuraram instalar unidades de produção em países com alto nível de instrução, onde há mão de obra especializada, pois é desse tipo de trabalhador especializado e altamente qualificado que eles precisam em suas subsidiárias.

56

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Revendo o tema Ao fim de cada tema, uma seção de atividades variadas permite reunir e rever os conteúdos trabalhados. Entre essas atividades, destacam-se a produção de texto e de mural e as questões de exames para o ingresso em cursos do Ensino Médio e Superior.

P RO JE TO I I

Desastres ecológicos, impactos ambientais

A Europa, continente altamente industrializa­ do e populoso, enfrenta problemas originados da histórica exploração e utilização dos recursos na­ turais de forma inadequada. Destruição das pai­ sagens naturais, poluição atmosférica, contami­ nação das águas e dos solos, além de desastres ambientais fazem parte dessa lista. Novas medi­ das e metas estão sendo discutidas para evitar es­ ses problemas e assegurar condições e qualidade de vida para os europeus no futuro. Conhecer as causas da poluição dos mares e oceanos, bem como alguns desastres ecológicos que aconteceram no continente europeu é o obje­ tivo deste projeto.

Poluição marinha Durante muito tempo, os mares e oceanos foram considerados grandes reservatórios para a deposição de resíduos poluentes e também fon­ tes inesgotáveis de alimentos e recursos, além de importantes vias de comunicação. Contudo, ao longo do tempo, a poluição excessiva, a pesca in­ discriminada e o tráfego de petroleiros e navios de carga são exemplos do que tem colocado em risco a hidrosfera do nosso planeta. A faixa costei­ ra da Europa é uma das mais poluídas do mundo. Os despejos de esgotos de navios em alto­ ­mar, as lavagens de tanques de petroleiros, os despejos de resíduos nucleares, além de aciden­

tes com navios de carga são os fatores que fazem com que as águas das costas europeias do Mar do Norte, do Mar Báltico e do Atlântico sejam mui­ to poluídas. Também os históricos dejetos indus­ triais, que vão desde os rios ao mar, contribuíram para essa condição dos mares europeus. Em 2007, as águas do Mar Mediterrâneo foram considera­ das as mais poluídas do mundo. A pouca corren­ teza e a passagem estreita desse mar contribuem para que os dejetos, produtos químicos, o lixo e outras substâncias se acumulem rapidamente. O tráfego de navios petroleiros acarreta o ris­ co de marés negras, uma das formas mais graves de poluição dos oceanos, mares e rios navegáveis. As marés negras resultam de acidentes durante as operações de carga e descarga desses navios em que o petróleo é derramado nas águas ou em ra­ zão de vazamentos causados por colisões, rom­ bos no casco dos navios e naufrágios. Outra causa desse tipo de poluição marinha deve­se à lava­ gem dos tanques de óleo ilegalmente feita em al­ to­mar ou ao longo da costa. Os efeitos da maré negra são catastróficos para a vida marinha. Quando ela atinge a zona costeira a destruição aumenta, pois aniquila a fauna e a flora, provocando prejuízos à pesca e ao turismo. Vários desastres aconteceram na Europa com navios petroleiros. Conheça a história do Prestige. XULIO VILLARINO/ COVER/ GETTY IMAGES

Produção de texto Blog é um site na internet, criado por pessoas ou instituições com comentários e notícias de temas particulares. Podem funcionar como um diário on-line (ou seja, em tempo real), mas que também permite que o leitor interaja por meio de posts ou mensagens, incluindo ou publicando textos para o autor do blog ou para outros participantes. Nessas mensagens, os leitores podem publicar imagens e textos próprios ou de outras pessoas.

Foto de homem com pássaro coberto de óleo em La Coruña, Galícia, Espanha, 2004, após o vazamento de óleo do navio Prestige.

132

Projeto No fim do tema, a seção Projeto apresenta textos jornalísticos e científicos que abordam os conteúdos estudados, ampliando o conhecimento sobre o assunto. Por fim, as atividades do final da seção exercitam a compreensão de texto, a pesquisa e a sistematização de dados. 5


Sumário 1

O espaço mundial e a globalização, 8

 vida no mundo Capítulo 1 A globalizado, 10

2

A Europa, 64

Capítulo 4

E  uropa: diversidade natural do continente, 66

O local e o global: um mundo interligado, 11

Países e localização geográfica, 67

O avanço tecnológico como base para a globalização, 13

O quadro natural: clima e vegetação, 68

Aprofundando e refletindo, 21

O relevo e as águas das paisagens, 74

Atividades, 25

A presença dos recursos minerais e energéticos, 78

Capítulo 2 A  economia global e a

organização do espaço, 27

A expansão das multinacionais e a economia global, 28

Aprofundando e refletindo, 72

O consumo de energia e o crescimento da utilização de fontes renováveis, 79 Atividades, 81 Capítulo 5 E  uropa no cenário global, 84

As empresas multinacionais e a nova divisão internacional do trabalho, 32

Europa, continente desenvolvido, 85

Os fluxos da globalização, 34

Organização econômica, 97

Aprofundando e refletindo, 38

Os transportes na Europa, 100

Atividades, 41

O turismo e sua importância na economia, 101

Espaço urbano e população, 89

Aprofundando e refletindo, 102

 rabalho, consumo e Capítulo 3 T

Atividades, 106

desigualdade, 43

Novas relações de trabalho nos espaços da globalização, 44

centro-leste europeu, 109

Consumo nos espaços da globalização, 46

Rússia: um país em dois continentes, 110

Aprofundando e refletindo, 47

A Rússia e a organização econômica do espaço, 118

Desigualdades nos espaços da globalização, 50 Atividades, 53

#Revendo o tema, 56 Geografia e cultura, 58 Projeto I – Alimentação: um problema de saúde, 60

6

 Rússia e os países do Capítulo 6 A

Países do centro-leste europeu, 121 Aprofundando e refletindo, 122 Atividades, 124

#Revendo o tema, 128 Geografia e cultura, 130 Projeto II – Desastres ecológicos, impactos ambientais, 132


3

A Ásia, 138

 diversidade do quadro Capítulo 7 A natural na Ásia, 140

Localização do continente, 141 O quadro natural do continente asiático, 142 O relevo e as águas das paisagens, 149 A exploração dos recursos naturais: o petróleo, 153 Aprofundando e refletindo, 156

Os Tigres Asiáticos, 221 Aprofundando e refletindo, 225 Atividades, 226

#Revendo o tema, 229 Geografia e cultura, 234 Projeto III – A pirataria do século XXI, 236

4

Oceania e regiões polares, 240

Capítulo 11 O  ceania, 242

Atividades, 158

 iversidade regional Capítulo 8 D na Ásia, 162

Distribuição da população pelo continente, 163 Diferenças socioeconômicas e culturais, 169 Regiões da Ásia, 173 Aprofundando e refletindo, 178 Atividades, 183

 hina e Índia: países Capítulo 9 C

emergentes no cenário global, 186

Índia e China no espaço da globalização, 187 A Índia no continente asiático, 188 China, potência emergente do Oriente, 198 Aprofundando e refletindo, 208 Atividades, 209

Oceania: localização, 243 Quadro natural da Oceania, 244 O relevo, a atividade vulcânica e as águas marinhas, 247 A colonização do continente e os povos nativos, 249 Uma população desigualmente distribuída, 250 O crescimento populacional e a qualidade de vida, 251 Austrália e Nova Zelândia: nações desenvolvidas, 252 Aprofundando e refletindo, 256 Atividades, 258 Capítulo 12 Regiões polares, 260 Localização das regiões polares, 261 A região polar ártica, 262 Antártida: um imenso continente congelado, 266

Capítulo 10 O  Japão e os Tigres

Asiáticos, 211

Um arquipélago com altas densidades demográficas, 212

As questões ambientais nas zonas polares, 271 Aprofundando e refletindo, 272 Atividades, 274

#Revendo o tema, 276

A modernização e o expansionismo japonês, 213

Geografia e cultura, 279

A reconstrução da sociedade e o crescimento da economia japonesa, 215

Projeto IV – Preparando-se para o futuro, 281

A economia japonesa: exportações e importações, 218

Referências bibliográficas, 288 7


71 XAVIERARNAU/ ISTOCKPHOTO

1

8

O espaço mundial e a globalização

A ideia de um mundo interligado e as condições que favoreceram o fenômeno da globalização, como os avanços tecnológicos nos dois últimos séculos, são os assuntos que fazem parte do capítulo 1. No capítulo 2, veremos a formação e a expansão das grandes empresas pelo mundo – as multinacionais –, suas relações com a divisão do trabalho nos diversos continentes e sua influência na organização do espaço mundial.


O capítulo 3 aborda as novas relações de trabalho nos espaços da globalização. Trata também da questão do consumo e das desigualdades num mundo que explora os recursos naturais com intensidade e gera produtos e serviços que nem sempre estão à disposição da maioria das pessoas.

[1] Foto de mulheres usando celulares e tablet em Nova Délhi, Délhi, Índia, 2014. [2] Foto de escritório de site de rede social, em Dublin, Irlanda, 2013.

SIMON DAWSON/ BLOOMBERG/ GETTY IMAGES

2

9


globalizado

ALEXANDRO AULER/ AGÊNCIA O GLOBO

Capítulo

1

A vida no mundo

Observe as duas imagens e descreva-as. Com base nas informações das legendas, relacione esses dois acontecimentos ocorridos no Brasil, em 2013 e 2014, com os avanços tecnocientíficos das últimas décadas do século XX.

A primeira foto mostra uma cena de rua na qual manifestantes exibem um cartaz que faz menção às redes sociais, uma das maneiras que os manifestantes utilizaram para convocar a população. Na segunda foto, Juliano Pinto dá um chute na bola, graças a uma estrutura metálica que dá sustentação ao corpo e reage ao comando do cérebro. Esses dois fatos mostram avanços tecnológicos, um na área de comunicações, com o desenvolvimento e a utilização cada vez maior da internet, e outro no campo da ciência e saúde, com a criação de um aparelho que auxilia pessoas com deficiência a executar movimentos.

10

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Foto de manifestação contra o aumento da passagem de ônibus no Rio de Janeiro (RJ), em 2013. Em junho desse ano, em diversas capitais do Brasil, milhares de pessoas saíram às ruas contra o aumento da passagem do transporte público. Essas mobilizações, organizadas em redes sociais, acabaram destacando outros problemas, como a má qualidade dos serviços públicos, a corrupção política e os gastos públicos com grandes eventos esportivos (a Copa do Mundo de 2014).

capítulo 1 | A vida no mundo globalizado

Foto do brasileiro paraplégico Juliano Pinto, de 29 anos, que chutou uma bola na abertura da Copa do Mundo de 2014, em São Paulo (SP). Ele usou um exoesqueleto – estrutura metálica que dá sustentação ao corpo e reage a comandos do cérebro, como andar e chutar – criado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. A invenção teve sua primeira exibição pública na abertura da Copa do Mundo, evento que foi transmitido ao vivo e assistido por milhares de pessoas ao redor do mundo. NÃO ESCREVA NO LIVRO.


O local e o global: um mundo interligado

MARTIN BERNETTI/ AFP

Mercadorias, pessoas, informações, ordens e ideias circulam intensamente por diversos meios de transporte – caminhões, trens, navios e aviões – e pelos meios de comunicação – internet, rádio, televisão, telefonias fixa e móvel, jornais, livros e revistas. Com a difusão cada vez maior e simultânea de ideias e informações, repercutiram em várias partes do país e do mundo as manifestações de junho de 2013, no Brasil, quando a população brasileira demonstrou indignação em relação a várias questões nacionais. Outro exemplo de como fatos e informações circulam com velocidade no mundo atual é a transmissão de jogos durante eventos esportivos como olimpíadas e copas do mundo. Calcula-se que mais da metade dos habitantes do planeta assistiram, ao vivo, às transmissões para 211 países de jogos de futebol na última Copa do Mundo, realizada no Brasil, em 2014.

Foto de jornalistas de vários países do mundo na sala de imprensa da Arena Corinthians, em São Paulo (SP), na cobertura da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil.

A possibilidade de saber quase instantaneamente o que acontece a milhares de quilômetros de distância é uma característica atual do espaço mundial. Novas tecnologias em redes de comunicação e transporte tornaram possível interligar diversos lugares e ampliar as relações econômicas, políticas e culturais entre os diferentes povos. As redes sociais, como Twitter e Facebook, têm papel fundamental na divulgação e velocidade de informações. A utilização de mídias e redes sociais na transmissão de fatos e imagens reforça a ideia de que a tecnologia facilita a circulação de informações e objetos nas diversas regiões do planeta. Com a movimentação mais ágil do comércio, a integração entre as várias partes do mundo se acentuou, com elementos comuns nas paisagens urbanas e industriais. É possível constatar várias semelhanças no modo de vida das grandes cidades com milhões de habitantes: trânsito intenso de veículos, concentração de construções, comércio, serviços e consumo de produtos industrializados. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Twitter: rede social ou microblog na internet em que os usuários podem publicar textos de até 140 caracteres. Essas mensagens são conhecidas como tweets. Facebook: site de relacionamentos ou rede social, no qual é possível publicar (postar) comentários, notícias de interesse, fotos e vídeos.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

11


AKINTUNDE AKINLEYE/ REUTERS/ LATINSTOCK

BLUEHAND/ SHUTTERSTOCK

São características desse espaço geográfico mundializado as redes de transporte e de comunicação, que distribuem mercadorias e informações, e a produção de artigos em vários países, não mais em apenas uma localidade, onde está a empresa sede ou matriz.

Foto de rua comercial com veículos misturados a transeuntes e vendedores ambulantes em Lagos, Nigéria, 2013.

Observe as imagens acima, de duas grandes cidades: Lagos, a maior cidade da Nigéria, na África, com mais de 12 milhões de habitantes, e Tóquio, capital do Japão, na Ásia, com 37 milhões de habitantes na região metropolitana (estimativas da ONU de 2014). Em relação às características do espaço urbano, o que você notou de semelhante nas duas imagens? Nas duas, é possível observar atividades comerciais e a concentração de pessoas.

12

Foto do bairro de Akihabara, em Tóquio, Japão, 2013, que é especializado no comércio de produtos eletrônicos e video games.

Os lugares se integram graças às novas tecnologias de informação e dos mercados, que fazem com que fatos econômicos, políticos e culturais de origem distante façam parte de nosso cotidiano. No entanto, nem sempre o mundo esteve tão interligado pelas redes e fluxos econômicos. As relações sociais que se estabelecem, aproximando os lugares, decorrem, em grande parte, da dinâmica econômica criada com a globalização. O espaço mundial atual apresenta características próprias. Elas também são o resultado de um longo processo iniciado no século XVI, com o colonialismo. Foi quando países europeus começaram a empreender a ocupação e exploração de terras nos continentes americano, africano e asiático. A evolução tecnológica permitiu o crescimento da população do planeta, e o ser humano passou a ter mais meios para transformar os recursos da natureza e melhorar sua condição de vida. A Revolução Industrial iniciada na Inglaterra, no século XVIII, com os métodos fabris de manufatura, expandiu-se pelo século seguinte. As mudanças desenvolvidas por esse movimento foram determinantes para o surgimento de uma economia mundial, ao lado da contínua invenção de novas técnicas. No início do século XX, foi introduzido o modelo de produção em massa e, na segunda metade do século, surgiram os sistemas de computadores. Esse longo processo dependeu do desenvolvimento da tecnologia e das ciências, que passaram a constituir a base dos meios de produção e da vida moderna. O mundo tornou-se globalizado em razão dessas inovações técnicas, científicas e informacionais de integração entre pessoas, empresas e organizações de diversas partes do mundo. A seguir, o foco de estudo será o fenômeno da globalização, assim como os avanços científicos e tecnológicos que possibilitaram a formação das redes de integração e fluxos. Serão analisados também o desenvolvimento da civilização industrial iniciada no século XVIII e as etapas do desenvolvimento tecnológico até chegar ao atual período técnico-científico-informacional.

capítulo 1 | A vida no mundo globalizado

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


O avanço tecnológico como base para a globalização A Revolução Industrial

Tear mecânico, gravura anônima, de 1835, mostra o interior de uma fábrica de tecidos na Inglaterra. Com a invenção da máquina a vapor, no fim do século XVIII, o tear manual acabou sendo substituído pelo mecânico na produção têxtil ao longo do século XIX. ANÔNIMO. POWER LOOM WEAVING. 1835. GRAVURA. COLEÇÃO PARTICULAR. FOTO: LEEMAGE/ OTHER IMAGES

A partir da segunda metade do século XVIII, iniciou-se na Inglaterra a Revolução Industrial, marcada por grandes transformações sociais, políticas e econômicas. Houve mudanças na produção de mercadorias, com o surgimento de máquinas, e o desenvolvimento dos meios de transporte, com a construção de ferrovias e barcos a vapor. A invenção da máquina a vapor e sua aplicação na indústria e nos transportes dinamizaram o sistema de produção. Foi possível aumentar a eficácia das técnicas de produção e a velocidade na circulação de mercadorias e pessoas entre os vários países e continentes. A expansão da economia monetária também foi muito importante nesse momento. O dinheiro ganhou destaque na intermediação das relações comerciais, nas quais os valores de troca são representados em cédulas e moedas. Nesse período, as riquezas não eram mais acumuladas exclusivamente a partir das redes de comércio entre as metrópoles e suas respectivas colônias, pois o sistema econômico passa a se estruturar com base no trabalho assalariado e na propriedade privada dos meios de produção. A partir do século XIX, na Europa da era industrial, as cidades passaram a se desenvolver rapidamente. Era possível ver a fumaça saindo das altas chaminés nas cidades que ofereciam mão de obra, mercado consumidor e infraestrutura para o funcionamento de indústrias. Na paisagem, surgiu um grande número de construções, principalmente fábricas e armazéns, casarões, além dos bairros pobres onde residiam os operários.

Capitalismo industrial Com a organização do sistema capitalista de produção, os capitalistas – aqueles que detêm os meios de produção, ou seja, terras, fábricas, máquinas, capital de investimento – compram dos trabalhadores a única mercadoria que possuem – a sua força de trabalho – pagando-lhes salário. É com a atividade industrial – a atividade humana que transforma a natureza em produtos – que o capitalismo se desenvolveu na segunda metade do século XVIII, principalmente com a produção de tecidos. A principal fonte de energia utilizada nesse período era o carvão, minério abundante na Inglaterra e em outros países do continente europeu.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

13


HERITAGE IMAGES/ CORBIS/ LATINSTOCK

Outro aspecto fundamental para o desenvolvimento do capitalismo industrial, em especial na Inglaterra, foi a existência da burguesia, classe social com grande capacidade de investimento nos setores industrial e financeiro (bancos e sociedades de ações), além dos serviços de transporte e do comércio. A classe trabalhadora, nesse período, era formada por antigos moradores do campo que, expropriados das terras, passaram a se instalar nas cidades e a trabalhar em fábricas, sem a devida qualificação e preparo, sujeitando-se a uma jornada de trabalho de mais de 12 horas por dia, sem nenhum tipo de benefício social, como fins de semana remunerados ou férias.

Gravura ou litogravura anônima, de cerca de 1845. A obra retrata Manchester, cidade localizada na Inglaterra, na época da Revolução Industrial. Observe as indústrias instaladas à beira do rio; ao fundo, um trem passa no viaduto.

Capital: todo elemento que pode ser aplicado na geração de produtos e riquezas, como, por exemplo, dinheiro, máquinas, instalações, prédios etc.

14

A capacidade humana de transformar a natureza ficou cada vez maior com o advento das máquinas e da industrialização. Além da Inglaterra, onde se originou, a produção industrial ocorreu também em outros países da Europa, como França, Alemanha, Suécia, Rússia, além dos Estados Unidos, no continente americano, e Japão, na Ásia. Esse processo de desenvolvimento dos meios de produção deu origem a uma sociedade industrial, com base no modo de vida urbano e em valores de troca, onde a produção, a distribuição e o consumo se tornam determinantes da organização do espaço. A expansão dos portos, a criação das ferrovias, a exploração de minerais co­mo o carvão, o de­ senvolvimento das ci­dades e o grande crescimento pres­ savam as características do demográfico ex­ novo espaço geográfico, resultado da era in­dus­trial que se instalaria em várias partes do mundo. A atividade 1 no fim do capítulo refere-se ao assunto tratado neste tópico.

A Segunda Revolução Industrial Um segundo momento da era industrial, no final do século XIX até meados do século XX, pode ser identificado com o desenvolvimento de novos ramos da atividade industrial, como o petroquímico, o elétrico, o químico e o automobilístico. Nesse período, avanços tecnológicos revolucionaram os transportes com a invenção do motor a combustão e do avião (no início do século XX) e a utilização de outras fontes de energia, como o petróleo, o gás e a eletricidade. Além das primeiras indústrias dos setores têxtil, siderúrgico e ferroviário da primeira fase industrial, foram desenvolvidos novos setores industriais com a utilização de novas fontes de energia. Ganharam importância as engenharias elétrica e mecânica, além dos transportes e da comunicação. Surgiram grandes indústrias, como as siderúrgicas, metalúrgicas, automobilísticas, petroquímicas, com apoio de bancos estadunidenses, alemães e ingleses presentes nos países que avançam na industrialização. Os meios de produção passaram a se concentrar cada vez mais nas mãos de empresas ou pessoas capazes de aumentar a capacidade produtiva das indústrias. São os capitalistas, os proprietários do capital, capazes de aplicar na produção e produzir uma renda que é reinvestida na produtividade do sistema

capítulo 1 | A vida no mundo globalizado

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Indústria de base: é a que produz matéria­ ‑prima e equipamentos (máquinas) que serão utilizados em outra indústria, por exemplo, a siderurgia (produção de ferro e de aço) e a metalurgia (produção de ligas metálicas).

BETTMAN/CORBIS/LATINSTOCK

capitalista. Para isso, contam com o crescente avanço das técnicas de produção, o desenvolvimento e aperfeiçoamento de máquinas e a utilização de matérias-primas fornecidas pelas indústrias de base. As máquinas industriais vieram substituir a força e a habilidade manual do ser humano. Para produzir seus meios de vida, os trabalhadores operam as máquinas nas fábricas e vendem sua força de trabalho em troca de salários pagos pelos capitalistas. Em seu conjunto, a posição do trabalhador passou a ser determinada pela etapa da produção pela qual era responsabilizado na rotina da fábrica. Ele deixou de realizar todo o processo de produção de um artefato. Antes da Revolução Industrial, os artesãos desempenhavam todas as etapas de confecção de sapatos, roupas, ferramentas, louças etc. Nas grandes fábricas, como na indústria automobilística das primeiras décadas do século XX, os operários trabalhavam em linhas de montagem. Realizavam de forma repetitiva apenas um dos estágios da produção, trabalhando em frente a uma esteira rolante que se movimentava. Desse modo, o trabalhador desempenhava uma única tarefa, resumida a um movimento repetitivo e cronometrado. Isso fazia do trabalhador uma espécie de máquina.

Foto de linha de produção de automóveis da marca Ford, em Michigan, Estados Unidos, 1913. O fordismo foi um sistema de produção baseado na divisão de tarefas com a finalidade de reduzir o tempo de produção, e assim cada operário especializava-se numa única função.

A mecanização, ao lado da divisão do trabalho, contribuiu para o aumento da produtividade e eficiência do modo de produção. Desse modo, o trabalhador deixava de ter controle sobre a produção, possibilitando ao capitalista a apropriação final do produto fabricado e dos ganhos relacionados à comercialização da mercadoria. Nessa fase da economia industrial, acentuou-se a divisão da sociedade entre uma minoria de proprietários, donos dos meios de produção – os capitalistas – e uma grande massa de trabalhadores – os operários, que vendiam sua força de trabalho.

A atividade 2 no fim do capítulo refere-se ao assunto tratado neste tópico.

Capitalismo industrial e a organização do espaço Desde a segunda metade do século XIX, na fase inicial do capitalismo, os países industrializados da Europa, como Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha e NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

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GUILHERME GAENSLY/ COLEÇÃO BRASCAN CEM ANOS NO BRASIL/ ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES

Foto das obras de implantanção de trilhos de bondes na Rua Líbero Badaró, no centro de São Paulo (SP), c. 1925, de autoria de Guilherme Gaensly.

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Itália, dominavam áreas na África e na Ásia com o objetivo de atender às necessidades geradas pela expansão industrial, tais como a obtenção de matéria-prima mineral (minério de ferro, cobre, estanho) e vegetal (como algodão e borracha), além de ampliar o mercado consumidor de seus produtos, inclusive em países na América que tinham se tornado independentes de suas antigas metrópoles. Desse modo, as grandes potências ocuparam territórios nos dois continentes, formaram novas colônias e intervieram na criação de infraestrutura de transportes, com a construção de ferrovias para o escoamento de matérias-primas exploradas nas colônias e para a distribuição dos produtos industrializados pelas metrópoles. Isso também ocorreu com países recém-independentes, como o Brasil. Na segunda metade do século XIX, com capital e tecnologia ingleses, foi implantada a primeira ferrovia pela São Paulo Railway Company. Ligava Jundiaí, no interior do estado de São Paulo, ao porto de Santos, escoando a produção de café para ser negociada com os mercados europeus. Na primeira metade do século XX, empresas de capital estrangeiro realizaram obras de infraestrutura de energia, implantando ou expandindo substancialmente as redes de distribuição de eletricidade e de gás nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Essas duas cidades passaram a ser transformadas pelas novas necessidades advindas das riquezas geradas pela produção do café. Bondes puxados por burros, que existiam já no começo do século, por exemplo, foram substituídos por bondes e ônibus movidos a eletricidade nas décadas de 1950 e 1960. A implantação de redes de transmissão de energia elétrica, postes de iluminação com lâmpadas incandescentes (no lugar dos lampiões a gás), a instalação de redes de telefonia, a expansão de trilhos de trens e bondes e de redes de gás canalizado, a construção de estações de trem e fábricas ao longo da linha férrea nas cidades são alguns dos elementos presentes nas paisagens urbanas em várias partes do mundo, transformadas e dinamizadas pelo ritmo industrial. Desse modo, as transformações estavam relacionadas com o crescimento das cidades e também com a expansão de grandes empresas. Com sedes localizadas nos países industrializados, essas empresas passaram a buscar novos mercados consumidores e maiores lucros dentro e fora de seus países de origem. A organização da economia então se ampliou e se ramificou pelos diferentes lugares do mundo, tanto para obter matérias-primas a preço baixo como para criar necessidades de consumo.

capítulo 1 | A vida no mundo globalizado

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


A Terceira Revolução Industrial

THANASAK WANICHPAN / CONTRIBUTOR/GETTY IMAGES

A partir da Segunda Guerra Mundial, a expansão da economia capitalista ampliou-se em escala global. As novas tecnologias da informação – como computadores, sistemas de controle a distância, satélites etc. – tornaram possível que cada uma das diversas etapas de produção de uma mercadoria fosse realizada em fábricas localizadas em diferentes lugares do mundo. As tecnologias aplicadas aos setores de produção, transporte, comunicação, controle, finanças e administração possibilitaram que empresas multinacionais espalhassem filiais em países em desenvolvimento, contribuindo para o aumento da circulação de mercadorias e informações, além de incrementar o comércio internacional. Nas últimas décadas do século XX, teve início uma nova etapa da expansão capitalista relacionada aos avanços tecnológicos: a Terceira Revolução Industrial ou Revolução Técnico-científica, caracterizada pela relação entre as descobertas científicas e a aplicação desse conhecimento na produção de novos produtos e serviços. Nessa fase, a informática, a cibernética e a robótica são fundamentais para os processos produtivos. Novas ciências, como a microeletrônica e a biotecnologia, direcionam a fabricação dos objetos. Fontes energéticas alternativas – como a solar, a eólica, os biocombustíveis etc. – assumem maior importância, diante dos problemas causados ao meio ambiente pelo uso desmedido de recursos naturais, além da queima de combustíveis fósseis, responsável por graves problemas de poluição e destruição ambiental desde a Primeira Revolução Industrial. Na informática, os computadores tornam mais ágil o trabalho das empresas, bancos, escolas, do comércio e dos serviços em geral. A vida cotidiana torna-se cada vez mais veloz e permeada por esses elementos modernos. Nas telecomunicações, o avanço da telefonia – telefones móveis ou celulares –, juntamente com a televisão, o rádio e a internet, foi significativo e possibilitou a comunicação imediata entre as várias partes do mundo. A expansão da internet, a rede mundial de computadores, a partir da década de 1980, vem conectando cada vez mais as diversas partes do mundo, “aproximando” pessoas e lugares. A modernização das máquinas pela robótica aplicada à produção industrial e agrícola vem substituindo cada vez mais a mão de obra dos trabalhadores na indústria e no campo.

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NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Foto de homem trabalhando com seu notebook em um café em Bangcoc, Tailândia, 2014. Muitas empresas equipam seus funcionários com notebooks e celulares com acesso à internet, para que eles possam trabalhar em qualquer lugar e horário. O espaço mundial e a globalização | tema 1

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Por outro lado, novas áreas profissionais também surgiram: engenharia de materiais, tecnologia da informação, gestão ambiental, entre muitas outras, fazendo diminuir, em número e importância, aquelas ligadas diretamente ao sistema de produção do início da industrialização. Na atual fase do desenvolvimento técnico-científico, o que se exige do trabalhador é um conhecimento mais especializado para operar máquinas mais sofisticadas. É exigido também que seja um profissional mais flexível, ou seja, que interaja com outras áreas do conhecimento. As empresas investem em pesquisa para criar novos produtos e, assim, aumentar produtividade e lucros. Outro fator que impulsiona o investimento nessas áreas é a competitividade maior entre as empresas. Elas disputam consumidores que buscam qualidade nos produtos e serviços, além de preços mais baixos.

Investimento em ciência e tecnologia, a produção do conhecimento e a competitividade industrial A competitividade da indústria no mundo globalizado está ligada a diversos fatores, entre eles os investimentos que são realizados em infraestrutura, educação e inovação tecnológica. No cenário globalizado, o investimento em ciência e tecnologia por parte das empresas e dos governos é essencial para alavancar o desenvolvimento econômico e social. Porém, a quantidade de investimentos nesse setor difere muito de país para país, e esse fator reflete na produção de conhecimento e na competitividade dos produtos no mercado mundial.

O Brasil no ranking mundial de competitividade Em 2014, as economias que se encontravam no topo do ranking que avalia a competitividade dos países no mercado mundial eram Estados Unidos, Suíça e Cingapura. O Brasil ocupava o 54o lugar (entre 60 países analisados). Essa posição está muito abaixo do desejado. Para que o Brasil se torne mais competitivo, é preciso melhorar a educação e ampliar a inovação tecnológica. Histórico das posições do Brasil no ranking mundial de competitividade (2005-2014) 54

55 51 49

Posições

50

46 44

45

44

43

42

Brasil 40

40

38

35 2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

Anos

FUNDAÇÃO Dom Cabral. Brasil perde cinco posições no ranking mundial de competitividade do IMD 2013, 3 jun. 2013. Disponível em: <www.fdc.org.br/imprensa/Paginas/noticia.aspx?noticia=14>. Acesso em: 17 nov. 2014.

Gráfico do histórico do Brasil no ranking mundial de competitividade (2005-2014).

Para que essas metas sejam atingidas, deve-se iniciar na escola o gosto pela ciência. Essa foi uma das questões debatidas no seminário Caminhos para a Inovação, organizado pelo Senado, em 2013. Leia o texto a seguir. 18

capítulo 1 | A vida no mundo globalizado

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Pesquisa, ciência, tecnologia e inovação começam na educação Participantes do seminário organizado pelo Senado destacaram a ligação crucial entre ciência e educação Começar pela escola Além das propostas de novas leis e críticas às atuais, os participantes do seminário Caminhos para a Inovação sugeriram que o país necessita de um sistema de educação eficiente, que desperte nos alunos o gosto pela ciência. Essa condição é considerada fundamental para que mais pessoas escolham a carreira de cientista e possam levar adiante mais pesquisas que levem a novas tecnologias e inovações. “Admiramos o que aconteceu de

bom nessas últimas décadas. Mas temos que ser mais ambiciosos. Precisamos massificar a prática da ciência e convencer a iniciativa privada de que vai ganhar mais dinheiro se investir em pesquisa básica e em pesquisa aplicada. Enquanto essa massificação não for realizada, não adianta a gente discutir inovação, porque não vamos ter gente para fazer inovação. Sem isso, vamos pegar receitas que vêm de fora e tentar aplicar esses modelos numa cultura totalmente diferente”. [...]

SENADO Federal. Pesquisa, ciência, tecnologia e inovação começam na educação, s.d. Disponível em: <www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/inovacao/pesquisa-ciencia-tecnologia-e-inovacao-educacao.aspx>. Acesso em: 17 nov. 2014.

NIKO GUIDO/ ISTOCKPHOTO

A atual revolução técnica e científica não acontece do mesmo modo em todas as regiões do mundo. Isso porque o grau de desenvolvimento científico e tecnológico é muito diferente entre os países. A presença do meio técnico-científico-informacional é maior nos países desenvolvidos do continente europeu, além dos Estados Unidos, Canadá e Japão. Neles, os investimentos públicos e privados em pesquisa e tecnologia são altos, e suas empresas aplicam grande parte do conhecimento produzido nos laboratórios, universidades e centros de pesquisa na produção e modernização de produtos e serviços.

Foto de vista geral de um bairro de Fez, Marrocos, 2012.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Observe as imagens de abertura deste tema, a imagem desta página e as da página seguinte. Identifique algumas características do atual período técnico­‑científico­ ‑informacional. Utilize as imagens para explicar por que o mundo atual é um espaço globalizado.

Nessas paisagens, observa-se a utilização da tecnologia (antenas parabólicas, computadores, telas para videoconferências etc.), o que caracteriza o meio técnico-científico-informacional. A intensificação do comércio entre os lugares, assim como o uso dos meios de comunicação (televisão, rádios e celulares), permite integrar milhões de pessoas a um mesmo evento, como a Copa do Mundo de Futebol, por exemplo, e demonstram como o mundo atual é um espaço globalizado.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

19


FOTOS: PHAINE/ OTHER IMAGES

Fotos de consulta médica realizada por videoconferência entre dois hospitais de Paris, França, 2011.

A atividade 3 no fim do capítulo refere-se ao assunto tratado neste tópico.

20

Nos países em desenvolvimento, o meio técnico-científico-informacional aparece em lugares ou regiões específicas em que é possível esse tipo de produção. Geralmente, essas regiões formaram-se ao longo do tempo, de acordo com as condições naturais ou por questões históricas. No Brasil, por exemplo, as regiões Sul e Sudeste apresentam maior índice de produções tecnológicas. Em outros países da América Latina ou da África, o desenvolvimento do meio técnico-científico-informacional ocorre nas capitais. Apesar das diferenças no modo de vida e no desenvolvimento econômico entre os países, é possível afirmar que essa atual fase técnico-científica-informacional caracteriza a chamada globalização. A globalização manifesta-se pela interdependência e integração, sobretudo econômicas, entre países, empresas e pessoas, assim como pelos fluxos intensos pelo mundo de mercadorias, capitais, informações e pessoas. A globalização é o atual estágio de evolução mundial da economia capitalista, que, sob a lógica técnico-científica-informacional de produção, transformou as relações do ser humano com o meio em que vive de forma sem precedentes. As características desse fenômeno afetam o modo de vida, provocando mudanças nas relações econômicas, políticas e culturais entre países e pessoas. Com a economia globalizada, o trabalho feito em um lugar pode ser facilmente conectado a processos globais. Mesmo as mais simples atividades diárias fazem referências a um grande número de outros lugares (por exemplo: um par tênis de marca estadunidense comprado no Brasil, mas que foi fabricado na China). Também a identificação com o entorno imediato é ampliada para outros espaços por meio de redes das quais se decide participar. Assim, as pessoas podem se identificar com uma causa ambiental (como a poluição marítima ou o desmatamento de florestas tropicais) ou política (como o combate à corrupção ou a regimes ditatoriais), mesmo que esses fatos ou fenômenos ocorram a milhares de quilômetros do lugar onde vivemos. As imagens mostram que a comunicação via satélite, cabos telefônicos e internet permite a transmissão de informações e a conexão entre lugares, além da venda e compra de produtos e serviços e intensificação do consumo. A conexão de povos por meio da intensificação das relações culturais e políticas, como, por exemplo, pela música, pelas artes, pelos esportes (como a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas, que reúnem bilhões de pessoas acompanhando os jogos), das organizações mundiais governamentais e não governamentais, expressa` também, de modo significativo, o fenômeno da globalização.

capítulo 1 | A vida no mundo globalizado

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


APROFUNDANDO E REFLETINDO Comunidade virtual de celulares. Ao mesmo tempo que viviam a tragédia, as pessoas registravam o ocorrido com seus aparelhos e retransmitiam pela internet e para redes de TV. A rede televisiva NHK World, única emissora pública do Japão, transmitia e fornecia as notícias para outras redes televisivas. No Brasil e em outras partes do mundo, foi possível assistir aos noticiários de televisão com as imagens fornecidas pela NHK. Observe o gráfico abaixo, que apresenta o número de usuários de internet por regiões do mundo, outra ferramenta que modifica a relação humana com as distâncias e o tempo. YASSER QUDIH/ ANADOLU AGENCY/ GETTY IMAGES

Neste capítulo foi abordado o modo como os progressos tecnológicos diminuíram distâncias. Eles também aceleraram os processos de trocas entre os povos e multiplicaram a capacidade de produção e difusão de objetos e informações. Por exemplo, o atentado de 11 de setembro de 2001, em Nova York, nos Estados Unidos, pôde ser acompanhado em quase todo o mundo. Pela televisão, pessoas do mundo inteiro puderam assistir, ao vivo, o ataque terrorista à segunda torre gêmea do World Trade Center, onde milhares de pessoas trabalhavam. Quase em tempo real, a tragédia foi transmitida para grande parte do mundo. Repórteres e jornalistas de vários países se conectavam com outros para obter informações ou eram enviados à região para cobrir o evento. As imagens transmitidas pela televisão trazem acontecimentos em locais distantes para perto das pessoas, por exemplo: os conflitos em países do Oriente Médio, como a guerra civil na Síria e os ataques de Israel à Palestina, em 2014. Na tragédia que abalou o Japão em 2011, quando um dos maiores terremotos do mundo, seguido de um tsunami, provocou a morte de milhares de pessoas, na porção nordeste do território, muitas imagens foram transmitidas logo após o ocorrido, graças aos registros feitos por usuários

Foto de explosão após ataque aéreo de Israel na Faixa de Gaza, em agosto de 2014. As emissoras de TV ficam 24 horas no ar transmitindo informações por satélite para o mundo inteiro.

Usuários de internet no mundo, em milhões de usuários (2013) África

240,1

América do Norte América Latina e Caribe

Regiões

Gráfico de usuários de internet por regiões (2013).

300,3 302 1 265,1

Ásia 566,3

Europa Oceania

24,8

Oriente Médio

103,8 0

100

200

300

400

500

600

700

800

900

1 000

Milhões de usuários INTERNET World Stats. World internet usage and population statistics, 31 dez. 2013. Disponível em: <www.internetworldstats.com/stats.htm>. Acesso em: 17 nov. 2014.

1 100

1 200

1 300

1 400

Observe o gráfico e identifique em qual região está o maior número de usuários de internet e em qual está o menor número.

O maior número de usuários encontra-se na Ásia e o menor número, na Oceania.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

21


Nos eventos do Japão, em 2011, a internet, com as redes sociais, serviu como um dos principais meios de comunicação e fonte de informações para quem tinha familiares e amigos nas áreas atingidas. Além disso, com o desastre nuclear na usina de Fukushima, consequência do terremoto e do tsunami, abriu-se um canal de debate sobre o uso e a segurança da energia nuclear. Atualmente, a internet é mais do que um canal de notícias. Além de ser um espaço de debate, como no exemplo citado na página anterior, ela está presente em outras áreas, tais como lazer, comércio e serviços, educação, pesquisa,

comércio, comunicação etc. Com a rede mundial de computadores, é possível partilhar opiniões, críticas, sugestões e se comunicar com pessoas em qualquer lugar do mundo por bate-papos virtuais (chats), blogs, redes sociais, telefone via internet etc., além de utilizar essas vias como ferramentas para divulgar negócios, postar anúncios e artigos. Outra atividade disponível na internet refere-se à educação a distância, com cursos de graduação, pós-graduação e outros. Há livros gratuitos na internet, serviços de mapas e passeios virtuais por diversas cidades, ruas e museus.

A história da televisão e da internet O desenvolvimento das telecomunicações está ligado à invenção e à utilização de satélites artificiais e de cabos de fibra óptica. Essa condição técnica é que permite a circulação de uma grande quantidade de informação a distância com menos custos, em menos tempo e com mais qualidade de som e imagem. A circulação de in-

formação a distância, com som ou imagem, pode ser feita por cabos de TV, telefone ou internet. Ou ainda por ondas eletromagnéticas, como as transmissões via rádio e televisão com antena. Tanto a televisão como a internet são tecnologias que surgiram no século XX. A televisão surgiu oficialmente em 1935, na Alemanha e na França.

4 Os satélites reenviam esses sinais para estações de recepção na terra.

As estações de TV enviam sinais para satélites, que fazem o reenvio.

1 Os e-mails e todas as comunicações feitas pela internet são processados por um provedor e transmitidos aos destinatários por satélite.

io rád

de TV

Antenas de rádio ampliam e distribuem sinais de rádio.

Sin

al d e

Sinais

em

m

ai

l

Te l

ef

on

Os provedores de internet enviam as comunicações por e-mail e internet aos destinatários.

E-

2 Central telefônica recebe e envia chamadas.

Comunicação por e-mails e internet

Televisão Telefone

Rádio

Ilustração com esquema da circulação de informações.

22

Atualmente, há mais de 500 satélites de comunicação em órbita.

a

3 A central telefônica processa as chamadas. As chamadas de longa distância são emitidas de antenas parabólicas para satélites.

ANGELO SHUMAN

A importância das telecomunicações

capítulo 1 | A vida no mundo globalizado

Comunicação por e-mails e internet Telefone Elaborado pelos autores.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


quisa e instituições militares. No início, a internet tinha poucos serviços – o mais utilizado era o correio eletrônico, ou serviço de e-mail. A pressão para que empresas pudessem também participar da rede mundial levou à sua abertura para uso comercial no início dos anos 1990. Foi o começo de uma nova era da comunicação. ACERVO PRÓ-TV, SÃO PAULO

Em 1936 foi a vez da Inglaterra, com a inauguração da estação de transmissão British Broadcasting Corporation, a BBC. No ano seguinte começaram as transmissões na Rússia, antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Em 1939, a National Broadcasting Company (NBC) transmitiu inicialmente para 400 aparelhos na cidade de Nova York, nos Estados Unidos. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi o único país a manter a programação no ar. Paris voltou com as transmissões em 1944, a União Soviética, em 1945, e a BBC, em julho de 1946, ao transmitir o desfile da vitória. As primeiras imagens coloridas televisionadas foram ao ar nos Estados Unidos. A CBS foi a primeira a transmitir em cores, em 1951. Já as primeiras transmissões via satélite datam de 1962. A primeira emissora de televisão do Brasil e da América do Sul foi inaugurada oficialmente em setembro de 1950, a TV Tupi, de São Paulo, que pertencia ao jornalista Assis Chateaubriand. A internet foi organizada ao longo da segunda metade do século XX, quando diversas instituições dos Estados Unidos e de outros países passaram a se interligar em uma grande rede de computadores, ainda sem cunho comercial. Antes disso, a rede que mais tarde se tornaria a atual internet era exclusiva para uso militar e começou a se formar depois da Segunda Guerra Mundial, no período da Guerra Fria. Ela se expandiu mais em 1969, com um projeto do governo estadunidense chamado Arpanet. Tinha como objetivo interligar universidades, instituições de pes-

Foto dos bastidores do primeiro programa exibido na TV no Brasil. "Boa noite, está no ar a televisão brasileira!", foi com essas palavras que Sônia Maria Dorce – na época, aos 5 anos de idade – vestida de indígena, abriu a primeira transmissão televisiva no Brasil, na extinta TV Tupi, em 18 de setembro de 1950.

O uso da internet no Brasil No Brasil, a internet vem ganhando espaço entre a população; em 2013, era utilizada por mais de 50% dos brasileiros acima de dez anos, ou seja, cerca de 85 milhões de pessoas. Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic), que visitou 16 mil residências em 350 municípios do país entre setembro de 2013 e fevereiro de 2014.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Em 2013, entre as classes sociais que navegavam na internet, a diferença entre a classe A e as classes D e E era de mais de 70%. Enquanto a classe A apresentava 97% de pessoas que utilizavam a internet, as classes mais baixas não passavam de 20%. Cerca de 49,9 milhões de pessoas cuja renda familiar era de até 2 salários mínimos não eram usuárias de internet. Esses dados evidenciam que a internet ainda é mais acessível para a população que possui mais recursos financeiros.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

23


100 80 60 43 40

32

46

49

35

25 20 0 2008

2009

2010 Anos

2011

2012

Proporção de domicílios com acesso à internet no Brasil (2008-2013) Porcentagem sobre o total de domicílios

Porcentagem sobre o total de domicílios

Proporção de domicílios com computador no Brasil (2008-2013)

100 80 60

20

Gráfico da proporção de domicílios com computador no Brasil (2008-2013).

18

24

40

43

2012

2013

27

0

2013

CETIC. Pesquisa TIC Domicílios 2013, 26 jun. 2014. Disponível em: <www.cetic.br/media/analises/tic-domicilios-2013. pdf>. Acesso em: 17 nov. 2014.

36

40

2008

2009

2010

2011 Anos

CETIC. Pesquisa TIC Domicílios 2013, 26 jun. 2014. Disponível em: <www.cetic.br/media/analises/tic-domicilios-2013.pdf>. Acesso em: 17 nov. 2014.

Gráfico da proporção de domicílios com acesso à internet no Brasil (2008-2013).

Sobre as atividades a seguir, para mais informações, consulte a Assessoria Pedagógica.

1. A televisão mostra reencontros entre pais e fi-

lhos, eventos esportivos, festividades – tudo em diferentes partes do mundo. No entanto, também é possível assistir a cenas de violência e de catástrofes naturais. A exposição pública dos envolvidos nesses fatos pode aumentar o sofrimento dessas pessoas. • Questões para refletir e debater: a) Na sua opinião, como esse tipo de informação deve ser divulgado para preservar a individualidade das pessoas envolvidas? b) Dê outros exemplos em que as imagens transmitidas pela televisão foram muito chocantes para você. 2. A internet liga países e dilui as fronteiras da in-

formação, desafiando os diferentes fusos horários. • Questões para refletir e debater: a) Quais são os pontos positivos do uso da internet? Dê exemplos que não foram citados no texto. b) Faça uma lista do que de melhor a internet pode oferecer no atual espaço globalizado em que as pessoas vivem.

4. O número de domicílios com acesso à internet

3. Além dos aspectos positivos, a internet também

importância da internet para quem vive no atual mundo globalizado. Resposta pessoal.

pode ser usada de modo ilegal ou prejudicial para

24

pessoas e instituições. Faça um levantamento entre seus colegas e familiares para saber de alguns exemplos do mau uso da internet. Pergunte se eles têm alguma sugestão para acabar com esse uso ou, pelo menos, diminuí-lo. Você pode pesquisar alguns dados em jornais e revistas, ou na própria internet. • Questões para refletir e debater: a) Quais são os usos negativos que a internet pode ter? b) O que poderia ser feito para diminuir esses problemas? c) Em grupo, façam uma lista de alguns dos problemas desencadeados pelo mau uso da internet no dia a dia das pessoas.

capítulo 1 | A vida no mundo globalizado

no Brasil vem aumentando. Confira novamente o segundo gráfico acima. • Questões para refletir e debater: a) O acesso à internet atualmente é ou não facilitado para a maioria da população brasileira? b) Quais são os pontos positivos em relação a um número maior de usuários de internet? 5. Para finalizar: tente exprimir em uma frase a

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ATIVIDADES 1. Quais são os tipos de mudanças decorridas da Primeira Revolução Industrial? Onde e

quando ela ocorreu? 2. Quais são os tipos de indústria que caracterizam o segundo momento da Revolução

Industrial?

2. O desenvolvimento de novos setores industriais caracteriza a Segunda Revolução Industrial, no fim do século XIX e meados do XX, entre os quais: petroquímico, elétrico, químico e automobilístico.

3. Explique em seu caderno a afirmação a seguir, utilizando para isso exemplos atuais.

“No mundo atual, os fluxos de informações são intensos e circulam por intermédio dos mais variados meios de comunicação, como internet, televisão, telefonia fixa e móvel, encurtando 3. O  aluno deverá dar exemplos de fatos nos quais o uso dos meios de comuas distâncias e o tempo.” nicação estiveram presentes e facilitaram a comunicação e a divulgação das informações.

4. Que relação é possível estabelecer entre as fotos e a afirmação a seguir:

EL-BRANDENBRAZIL/ ISTOCKPHOTO

“Podemos identificar, apesar das diferenças culturais e econômicas entre os lugares, muitos elementos que são característicos da paisagem urbana e industrial em diversos lugares no mundo.” 1

2

[1] Foto de jovens alemães na cidade de Mannheim, Alemanha, 2012. [2] Foto de jovens monges budistas em Yangon, Mianmar, 2012.

Trabalhando com mapas e gráficos 5. Apesar do crescimento de diferentes meios de comunicação nas últimas décadas, o mun-

do globalizado ainda é uma realidade distante para muitos países. Observe o mapa a seguir, que apresenta a porcentagem de usuários da internet pelas regiões do mundo.

4. Apesar de os jovens serem de lugares com culturas tão diferentes, eles se parecem, pois têm algo em comum: o uso de aparelhos eletrônicos, característica de zonas urbanas industriais em diversos lugares do mundo.

Planisfério: usuários de internet por regiões, em porcentagem (2013) ALLMAPS

IMAGEBROKER/ ALAMY/ GLOW IMAGES

1. A partir da segunda metade do século XVIII, teve início, na Inglaterra, a Revolução Industrial, um período marcado por grandes mudanças sociais, políticas e principalmente econômicas. Dentre elas estão: mudanças no processo de produção de mercadorias e desenvolvimento dos meios de transporte com a criação das ferrovias e dos barcos a vapor.

Elaborado com base em: INTERNET World Stats. World internet usage and population statistics, 31 dez. 2013. Disponível em: <www. internetworldstats. com/stats.htm>. Acesso em: 17 nov. 2014.

Mapa de usuários de internet por regiões no mundo (2013). NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

25


6. É possível constatar que apenas um país africano (Nigéria) aparece no ranking dos 10 países e apenas uma pequena parcela da população é usuária de internet (bem menos da metade da população). França, Reino Unido, Alemanha e Japão apresentam mais de 80% da população usuária de internet. A Índia, apesar do grande número de usuários (3o lugar no ranking) apresenta uma proporção muito pequena em comparação à população total do país (cerca de 15% da população). Destaque para o Brasil (4o lugar), com mais de 50% 7. da população usuária de internet. Revolução técnico-científica-informacional: transformações tecnológicas e científicas responsáveis pela evolução do processo industrial de mercadorias e serviços, conquistadas com o auxílio de novas tecnologias, como robótica, informática, engenharia genética, biotecnologia etc., além de equipamentos como satélites, telefones celulares, aparelhos complexos para exames na medicina etc.

26

Países

5. Em um primeiro Qual a sua conclusão a respeito dessas informações? Consulte o gráfico da página 21 momento, o destaque e verifique o número de usuários (em números absolutos) por regiões. Lembre-se de vai para a América do Norte, onde a grande que a distribuição da população pelo mundo é bastante desigual. maioria da população (quase 85%) utiliza a internet, porém é apenas 6. Observe os dados do gráfico abaixo. Compare o número de usuários de internet com a uma parte do continente população total do país e verifique se a maioria da população é usuária de internet. Veamericano, que também rifique também em qual continente estão localizados os países com grande número de engloba a América Latina e o Caribe. O continente usuários. Depois, explique a seguinte afirmação: “A atual revolução técnico-científicacom maior proporção -informacional processa-se de maneira desigual nos diversos países do mundo, assim de usuários de internet é a Europa, com 68,6% como em relação ao conjunto da população de um mesmo país”. de usuários. Apesar de apresentar o menor número de usuários de Países com maior quantidade de usuários de internet (2013) todos os continentes, a Oceania apresenta taxa de 620,9 67,5%. Vale ressaltar que China (1o) 1 355,6 esses usuários, em sua maioria, dizem respeito à Estados (2o) 268,5 318,8 Austrália e Nova Zelândia. Unidos A porcentagem da Ásia é 195,2 Índia (3o) pequena, apesar de apre1 236,3 sentar o maior número de 109,7 usuários do mundo; deveBrasil (4o) 202,6 -se lembrar, no entanto, 109,6 que se trata do continente Japão (5o) 127,1 mais populoso. 87,4 142,4

Rússia (6o)

69,7 80,9

Alemanha (7o)

67,3

Nigéria (8o) Reino o (9 ) Unido

57,2 63,7

França (10o)

55,2 66,2 0

177,1 Usuários de internet (2013) População (estimativa em 2014)

200

400

600

800

1 000

1 200

1 400

1 600

População (em milhões de habitantes) Elaborado com base em: INTERNET World Stats. World internet usage and population statistics, 31 dez. 2013. Disponível em: <www.internetworldstats.com/stats.htm>. Acesso em: 17 nov. 2014.

Gráfico dos países com maior quantidade de usuários de internet (2013).

Produza um mapa para representar o ranking dos países com maior número de usuários de internet no mundo, em 2013. Com um papel vegetal (ou papel de seda), uma caneta preta e um mapa-múndi, trace o contorno dos continentes e dos 10 países, de acordo com os dados do gráfico acima. Crie um símbolo para representar o número de usuários de internet. Em seguida, faça uma legenda para representar o lugar no ranking mundial de cada um desses países. Não se esqueça de colocar o título, a escala do mapa, os nomes dos países destacados e oceanos, além das coordenadas geográficas. Para elaborar o planisfério, utilize como base o mapa das páginas 286-287.

7. Converse com os alunos antes de iniciar a atividade. Uma das maneiras para representar a colocação de cada país no ranking mundial é utilizar o símbolo como unidade: quanto maior for o número de usuários, maior a quantidade de símbolos. Fluxos de mercadorias: trocas comerciais ou circulação de mercadorias, entradas e saídas da produção entre países, empresas, regiões, nos âmbitos nacional e internacional. EM SEU CADERNO, EXPLIQUE Construindo o glossário geográfico OS CONCEITOS A SEGUIR.

• Fluxos de mercadorias • Fluxo de informações

capítulo 1 | A vida no mundo globalizado

• Revolução técnico-científica Fluxo de informações: circulação de informações entre pessoas de diversos países, por diferentes meios e redes de comunicação, como internet, celulares, redes sociais, mídias digitais etc. NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Capítulo

2

A economia global

e a organização do espaço

PHIL DEGGINGER/ ALAMY/ OTHER IMAGES

Por motivos didáticos, os logotipos e marcas dos luminosos foram mantidos, pois este capítulo trata de globalização e empresas transnacionais. Os autores e a editora não estão, de nenhuma forma, recomendando a compra desses produtos.

Observe as fotos e descreva o que elas têm em comum. Relacione esses elementos com a globalização. Ambas as imagens apresentam cidades intensamente urbanizadas, com propagandas, prédios e comércio. É possível notar que marcas de produtos divulgados no Brasil aparecem em luminosos das duas cidades, o que caracteriza a globalização.

PHIL DEGGINGER/ ALAMY/ OTHER IMAGES

Foto de avenida em Nova York, Estados Unidos, 2009.

Foto de bairro de Shinjuku, em Tóquio, Japão, 2011.

Paisagens como as das imagens acima expressam características dos espaços globalizados. Em muitas cidades, na maioria dos países do mundo, estão presentes marcas de grandes empresas globais, assim como o comércio de produtos e serviços mundializados, ou seja, aqueles que são produzidos e vendidos em escala mundial. A intensa circulação de pessoas, informações e mercadorias principalmente no espaço das grandes cidades são também elementos das paisagens relacionados à nova etapa do capitalismo. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

27


A expansão das multinacionais e a economia global

Mapa da industrialização no mundo (2013).

A revolução técnico-científica-informacional que ocorreu nas últimas décadas do século XX foi a base para o fenômeno da globalização que, por sua vez, caracteriza o atual estágio de expansão capitalista. As características da distribuição espacial das empresas multinacionais ou transnacionais pelo mundo estão relacionadas, de um modo geral, com o processo de industrialização ocorrido no mundo a partir da Primeira Revolução Industrial. Desde seu início, no século XVIII, o processo de industrialização aconteceu de modo desigual nos diversos países do mundo. De modo geral, os países europeus foram os primeiros a se industrializar e, mais tarde, nas últimas décadas do século XIX e ao longo do século XX, foi a vez de alguns países da América Latina, África e Ásia iniciarem esse processo de modo mais efetivo. Assim, há países altamente industrializados, com destacado papel na inovação tecnológica e científica, como Estados Unidos, Japão e vários países da Europa, e outros que se industrializaram mais tarde, em função de fatores históricos, por exemplo, China, Índia, Brasil, Argentina, África do Sul. Nas últimas três décadas, os chamados países emergentes vêm se destacando no cenário mundial devido ao acelerado ritmo de crescimento econômico, ao desenvolvimento de tecnologias e às trocas comerciais. Nessa categoria, destacam-se o grupo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) e outros países, como Chile, México, Indonésia, Tailândia, Malásia. Embora demonstrem crescimento econômico, esses países não apresentam condições sociais satisfatórias, enfrentando vários problemas relacionados à distribuição de renda, à saúde e à educação.

ALLMAPS

Planisfério: industrialização (2013)

FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 50.

28

capítulo 2 | A economia global e a organização do espaço

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


A formação das grandes corporações

CORBIS/ LATINSTOCK

Durante a Segunda Revolução Industrial, do fim do século XIX ao início do século XX, teve início o desenvolvimento das indústrias química, elétrica, metalúrgica e petrolífera. Formaram-se grandes empresas em países considerados potências industriais, como Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. Muitas empresas nessa fase constituíram monopólios econômicos, passando a dominar o mercado de determinados produtos. Standard Oil, General Electric, General Motors e United Steel Co., nos Estados Unidos, Siemens e AEG, na Alemanha, são exemplos de impérios industriais e financeiros dessa fase. A petrolífera Standard Oil, por exemplo, fundada por John Davison Rockefeller, chegou a controlar grande parte da extração (setor primário), do refino (setor secundário) e da distribuição do petróleo (setor terciário) no mercado estadunidense. Isso se deu até 1911, quando a empresa foi dividida entre várias outras, como as conhecidas Exxon e a Mobil.

Observe o mapa da página anterior e resolva as questões a seguir: 1. Dê exemplos

de países mais industrializados. 2. Cite um país que

apresenta um grande número de regiões industriais. 3. Em qual continente

está localizada a maior parte dos países com nível de industrialização relativamente mais baixo, ou seja, que não estão destacados no mapa? 4. Qual é a situação

do Brasil? Quais outras informações descrevem o Brasil? 5. Como os países

emergentes são chamados?

Foto de refinaria de petróleo da Standard Oil em Richmond, Califórnia, Estados Unidos, 1911.

Nesse período, outras empresas, principalmente nos EUA e na Europa, controlavam grande parte do mercado nacional e mundial, por exemplo: a United Steel Co., que produzia e comercializava aço no mercado estadunidense; a General Electric dividia com as empresas alemãs Siemens e AEG o mercado mundial de produtos do setor elétrico; e a AT&T, no início do século XX, monopolizava os serviços de comunicação por telégrafo e telefone nos Estados Unidos. As empresas corporativas, isto é, aquelas formadas por um conjunto de empresas que atuam em diversos setores da economia, desenvolveram-se ao longo do século XX. São grandes empresas que adquirem outras NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1. Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Japão. 2. Estados Unidos. O aluno também pode citar a China. 3. No continente africano. 4. O Brasil aparece como um país recentemente industrializado e São Paulo como uma região industrial importante. 5. Os países emergentes são chamados de Novos Países Industrializados (NPI).

O espaço mundial e a globalização | tema 1

29


e formam corporações. O objetivo é ter mais acesso aos mercados mundiais para aumentar os lucros na sua cadeia produtiva. Uma empresa corporativa, por exemplo, pode ter garantidos o fornecimento das matérias-primas ou da infraestrutura de energia, a fabricação, que é feita em vários países, e a distribuição de seus produtos nos mercados mundiais. É por isso que essas companhias realizam fusões ou incorporações, além de acordos e parcerias com outras empresas. JOHN HARPER/ CORBIS/ GLOW IMAGES

Cadeia produtiva: envolve todas as etapas da produção de um bem, desde o planejamento e design até a inserção do produto acabado no mercado.

Foto de uma empresa de softwares estadunidense em Bangalore, Índia, 2012. As multinacionais caracterizam-se por manter a matriz em seu país de origem e manter filiais em outros países. Por questões didáticas, a marca da empresa foi mantida na fotografia acima, pois ilustra o fenômeno da globalização no mundo. Os autores e a editora não estão, de nenhuma forma, recomendando a compra desse produto.

Assim, essas empresas multinacionais expandem sua atuação no mundo globalizado e, principalmente, seu poder na economia dos diferentes países. Muitas delas apresentam uma capacidade de investimentos e um volume de receita que superam o Produto Interno Bruto (PIB) de muitos países. Por possuírem empresas em vários países – ou seja, estão presentes em várias partes do mundo –, essas grandes empresas globais são denominadas “multinacionais” ou “transnacionais”. Com a matriz ou sede administrativa no país de origem, essas empresas recebem de suas filiais ou empresas subsidiárias os lucros obtidos na produção das mercadorias e serviços desenvolvidos pelo mundo. A atuação das empresas globais nos territórios gera uma série de consequências sociais, econômicas e ambientais para a vida das populações dos lugares onde se instalam. Elas são decorrentes dos investimentos financeiros ou de capital, como a instalação ou ampliação do parque industrial e a compra de empresas estatais de diversos setores, como energia, transportes e comunicações. A quantidade de postos de trabalho pode sofrer alterações, assim como o manejo de recursos naturais necessários para o desenvolvimento da atividade produtiva dessas empresas. 30

capítulo 2 | A economia global e a organização do espaço

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


ALLMAPS

Planisfério: as 11 maiores empresas globais em faturamento (2013)

Elaborado com base em: G1. Brasil tem sete entre 500 maiores empresas do mundo, aponta Fortune, 7 jul. 2014. Disponível em: <http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2014/07/brasil-tem-sete-entre-500-maioresempresas-do-mundo-aponta-fortune.html>. Acesso em: 18 nov. 2014.

As atividades 1 a 6 no fim do capítulo referem-se ao assunto tratado neste tópico.

Mapa das 11 maiores empresas globais em faturamento (2013).

A expansão das multinacionais pelo mundo Desde as últimas décadas do século XIX, empresas capitalistas da Europa atuavam em setores como transportes, energia e extração mineral em áreas coloniais e países recém-independentes na América, como Argentina e Brasil. Após a Segunda Guerra Mundial, as grandes empresas dos países desenvolvidos passaram a instalar unidades de produção em países menos industrializados. Assim, é na segunda metade do século XX que a expansão geográfica das multinacionais se intensifica. Nesta etapa da expansão das multinacionais, a divisão do trabalho entre os países de economia capitalista não mais se restringe a produtores de matérias-primas, agrícolas ou minerais e os que produzem produtos industrializados. Uma nova divisão internacional do trabalho desenvolveu-se com as tecnologias da informação, organizando a instalação de indústrias em vários países da América Latina (Brasil, México, Argentina, Venezuela, Chile); do continente africano (África do Sul, Nigéria, Argélia, Egito); do Oriente Médio (Turquia, Israel, Irã, Iraque) e da Ásia (Índia, Cingapura, Coreia do Sul, Indonésia, Taiwan, Hong Kong). Nesses países com economias de industrialização recente, os chamados emergentes, grande parte da produção no setor primário, como as commodities, tornou-se agroindustrial e continua importante para essas economias nacionais. Atualmente, porém, eles também possuem produção de bens duráveis e não duráveis, em razão do desenvolvimento do seu próprio parque industrial e da instalação de empresas multinacionais. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Commodities: o termo inglês significa “mercadorias” em português, mas refere­ ‑se principalmente a minérios e gêneros agrícolas produzidos em larga escala e negociados em bolsas de mercadorias. Seus preços são definidos em âmbito global pelo mercado internacional.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

31


As empresas multinacionais e a nova divisão internacional do trabalho

Setor financeiro: relativo à movimentação de capitais, como os negócios entre empresas que envolvem a compra e venda de produtos e serviços. Os serviços desenvolvidos pelos bancos referem­ ‑se a esse setor.

A expansão das empresas multinacionais em países de relativa industrialização ocorre em função das condições de produção. Entre elas, estão mão de obra e matéria-prima mais baratas, menores custos na aquisição de terrenos e de instalações industriais, incentivos fiscais (redução ou isenção de impostos), além de mercado consumidor para os produtos industrializados. Nos países-sedes, geralmente concentram-se empresas pertencentes às grandes corporações que se constituem nos centros de decisões que comandam a divisão do trabalho da corporação. São empresas geralmente relacionadas aos setores de criação e desenvolvimento de tecnologias, como os de informática, biotecnologia, eletrônicos, aeroespacial, automobilístico, além do setor de serviços como o setor financeiro, de seguros, de hotelaria e lazer. Esse tipo de empresa exige mão de obra especializada e, geralmente, está vinculada a grandes centros de pesquisas e universidades, sendo que sua concentração cria, no território, regiões especializadas na produção do conhecimento técnico e científico, os chamados “tecnopolos”. É o caso do pioneiro Vale do Silício, localizado no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, que desde os anos 1960 se destaca como um centro de criação e inovação no setor de eletrônica e informática. KEN WOLTER/ DREAMSTIME.COM

Por questões didáticas, a marca da empresa foi mantida na fotografia, pois ilustra o fenômeno da globalização no mundo. Os autores e a editora não estão, de nenhuma forma, recomendando a compra desse produto.

Foto de edifícios de empresa do ramo de tecnologia sediada no Vale do Silício, Califórnia, Estados Unidos, 2014. O Vale do Silício, nos EUA, é um tecnopolo que engloba várias cidades.

32

capítulo 2 | A economia global e a organização do espaço

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


ASSESSORIA DE IMPRENSA CTI

Em outros países desenvolvidos também há tecnopolos onde se encontram muitas empresas multinacionais que investem no desenvolvimento de novos produtos a partir da pesquisa científica. No Japão, um grande número de empresas do setor aeroespacial e de desenvolvimento de tecnologia avançada está localizado na cidade de Tsukuba, também um importante centro universitário. No Brasil, ainda que seja um país emergente, as cidades de Campinas e São José dos Campos, no estado de São Paulo, são importantes tecnopolos. Contam com indústrias e laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia avançada, ligadas aos setores aeronáutico, ciência da computação, física, engenharia elétrica e mecânica.

Foto aérea do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, do Ministério da Ciência e Tecnologia, próximo à Campinas, 2010. O centro faz pesquisas e desenvolvimento de tecnologias da informação. Componentes eletrônicos, microeletrônica, sistemas, softwares, aplicações de robótica e tecnologias para indústria em geral e medicina estão entre seus principais produtos.

Nos países menos desenvolvidos, as multinacionais atuam nos setores de base da economia, como mineração, siderurgia, distribuição de energia, exploração e distribuição de petróleo. Também produzem bens de consumo, como automóveis, roupas, calçados, eletrodomésticos, além de investirem no comércio a varejo, como os grandes supermercados, e no setor de serviços, como hotelaria e lazer. A concentração da pesquisa e do desenvolvimento de produtos de alta tecnologia nos países-sedes das multinacionais evidencia outro aspecto da nova divisão internacional do trabalho: a fragmentação do processo produtivo em vários países do mundo. Para reduzirem seus custos ao longo da cadeia produtiva, as empresas multinacionais fragmentam a produção de um mesmo produto, de acordo com as vantagens que cada país oferece a elas. Assim, a composição final do produto resulta, muitas vezes, da reunião de partes feitas em fábricas espalhadas pelo mundo. É o que acontece, por exemplo, com automóveis, computadores e aviões. Trata-se de uma produção mundializada em que se cria uma verdadeira rede produtiva, formada por diferentes empresas, ao lado de instituições de pesquisa e financeiras. A atividade 7 no fim do capítulo refere-se ao assunto tratado neste tópico. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

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O continente com maior comércio internacional é a Europa; o continente com menor comércio internacional é a África.

Qual o continente que se destaca no comércio internacional, pela maior porcentagem de exportações e importações? E o continente com o menor volume de comércio internacional?

Os fluxos da globalização Por meio do comércio são realizadas as trocas de bens entre pessoas, empresas e governos, envolvendo regiões e países. Na segunda metade do século XX, houve uma grande expansão do comércio internacional de mercadorias. O grande aumento do comércio mundial deve-se a diferentes fatores, entre eles crescimento da população mundial, intensificação da produção industrial, modernização dos transportes, desenvolvimento das telecomunicações e o aprimoramento da gestão empresarial. Com o estabelecimento das grandes empresas em inúmeros países do mundo, aumentou não só a produção de mercadorias, mas também o comércio mundial e o consumo. O mapa a seguir apresenta dados sobre o fluxo ou circulação de mercadorias no mundo.

ALLMAPS

Planisfério: comércio mundial de mercadorias, por regiões (2013)

Mapa do comércio mundial de mercadorias (2013).

Tigres Asiáticos (NICs): países da Ásia cujas economias tiveram forte crescimento na década de 1980: Taiwan, Coreia do Sul, Cingapura e Hong Kong (China), além de Indonésia, Malásia e Tailândia, reconhecidos por serem centros dinâmicos da Ásia e terem expressiva participação na economia mundial.

34

Elaborado com base em: OMC. Exportaciones e importaciones de mercancías en dólares EE.UU. corrientes, por regiones (2013), 14 abr. 2014. Disponível em: <www.wto.org/spanish/news_s/pres14_s/pr721_s.htm>. Acesso em: 19 nov. 2014.

Os principais fluxos do comércio internacional podem refletir os níveis de desenvolvimento econômico dos países e regiões, no que se refere à produção industrial. Os fluxos comerciais mais importantes realizam-se entre as regiões economicamente mais desenvolvidas: América do Norte, países da União Europeia e Ásia, sobretudo Japão e os novos países industrializados, como China e Tigres Asiáticos – ou NICs (sigla em inglês para Novos Países Industrializados) –, cuja participação no comércio inter­nacional tem crescido de forma expressiva. Há diferenças nos valores das exportações inter-regionais, pois os países desenvolvidos exportam mais produtos industrializados, que são

capítulo 2 | A economia global e a organização do espaço

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


as mercadorias mais valiosas. Nos países em desenvolvimento, predominam exportações de produtos agrícolas e minerais, as commodities. Como os produtos industriais têm mais valor econômico do que os agrícolas e minerais, nas trocas comerciais os países desenvolvidos adquirem maiores rendimentos. A estrutura das exportações de alguns países emergentes, como os asiáticos, mudou bastante ao longo dos anos. Atualmente, os produtos agrícolas deixaram de ser os principais produtos desses países no mercado internacional e a exportação de manufaturados também representa enormes rendimentos para eles. Comércio de mercadorias: ranking dos principais países exportadores e importadores (2013) Exportadores

Porcentagem

Importadores

Porcentagem

1. China

11,8

1. Estados Unidos

12,4

2. Estados Unidos

8,4

2. China

10,3

3. Alemanha

7,7

3. Alemanha

6,3

4. Japão

3,8

4. Japão

4,4

5. Holanda

3,5

5. França

3,6

6. França

3,1

6. Reino Unido

3,5

7. Hong Kong (China)

3,3

7. Coreia do Sul

3

8. Reino Unido

2,9

8. Holanda

3,1

9. Hong Kong (China)

2,9

9. Coreia do Sul

2,7

10. Rússia

2,8

10. Itália

2,5

Tabela do ranking dos principais países exportadores e importadores (2013).

OMC. Comércio de mercadorias: principais exportadores e importadores (2013). 14 abr. 2014. Disponível em: <www.wto.org/spanish/news_s/pres14_s/pr721_s.htm>. Acesso em: 18 nov. 2014.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Por questões didáticas, a marca da empresa foi mantida na fotografia, pois trata da circulação e distribuição de mercadorias para a exportação. Os autores e a editora não estão, de nenhuma forma, recomendando a compra desse serviço.

Foto de avião de carga no aeroporto de Hong Kong, China, 2012.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

MATT MAWSON/ CORBIS/ LATINSTOCK

Todo esse incremento da produção e do comércio internacional nas últimas décadas não significou, no entanto, igual distribuição de riqueza para todos os países. Apesar das novas oportunidades de trabalho e de produção criadas pela instalação de filiais das multinacionais em seus territórios, os lucros e as decisões de investimentos concentraram-se nas mãos das empresas multinacionais, cujas sedes estão nos países desenvolvidos. As decisões sobre onde e como produzir são, na maioria das vezes, tomadas nos países sedes que, além de desenvolver o processo de criação dos novos produtos, concentram cada vez mais os lucros obtidos com a produção e comércio mundializados. As empresas multinacionais têm aumentado, nos países mais pobres (ou com industrialização relativa), o investimento em infraestrutura de transporte, como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, principalmente com o objetivo de facilitar a distribuição e a circulação das mercadorias para a exportação. Assim, o crescimento do comércio representa, também, o desenvolvimento dos meios de transportes. Por exemplo, a infraestrutura de portos é melhorada, pois o comércio marítimo é importante nesse cenário mundial. Com o uso dos contêineres, os portos se tornam mais eficientes

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Mapa dos principais portos e aeroportos do mundo (2012).

para carregar e descarregar mercadorias em navios, trens e caminhões, que dali sairão para outros lugares. Em razão disso, desenvolve-se também a infraestrutura das rodovias, ferrovias e hidrovias dentro dos países. Uma grande rede de rotas comerciais modernas se configura no mundo. Além dos fluxos materiais de mercadorias e pessoas, a circulação cresceu de modo significativo com o desenvolvimento concomitante das telecomunicações, que permitem maior integração entre os diversos lugares, aumentando os fluxos imateriais, como mensagens e informações. Um exemplo disso é o crescimento das atividades de turismo, de lazer e de negócios, aperfeiçoando os intercâmbios culturais e profissionais.

ALLMAPS

Planisfério: principais portos e aeroportos (2012)

Observe o mapa acima com a localização dos principais portos e aeroportos internacionais. Em qual país se localizam as cidades com maior movimentação de passageiros em aeroportos? Em qual continente está a maior movimentação de contêineres (cargas) e mercadorias em portos?

Os Estados Unidos são o país com maior movimentação de passageiros em aeroportos. A Ásia é o continente com portos que movimentam a maior quantidade de cargas e mercadorias.

36

JPLDESIGNS/ DREAMSTIME.COM

IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 82.

G17_F2_NDH_G9_T1C2_F07

Vista do porto de Cingapura, no país de mesmo nome, 2014. Moderno e automatizado, o porto de Cingapura possui os terminais de contêineres mais movimentados do mundo. Por Cingapura passa boa parte dos produtos industrializados e matérias-primas do mundo, transportados entre o Canal de Suez e as grandes economias do Pacífico.

capítulo 2 | A economia global e a organização do espaço

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Fluxos de informação e capital A expansão das empresas multinacionais, assim como a fragmentação da produção, contribuiu também para as transações financeiras nacionais e mundiais e intensificação dos fluxos de capitais. As atividades da economia globalizada envolvem compra e venda não apenas de produtos, mas também de ações de grandes empresas, de moedas, de títulos da dívida pública, negociados em bolsas de valores.

O que é a bolsa de valores? É na bolsa de valores que acontece a compra e venda de títulos e ações das empresas. Uma ação é uma parte do capital social de uma empresa. Empresas que buscam se capitalizar, isto é, ter mais dinheiro e aumentar seu valor, vendem suas ações na bolsa de valores e distribuem seus lucros às pessoas físicas ou empresas que compraram essas ações, os investidores ou acionistas. As maiores negociações ocorrem nos Estados Unidos e na Europa, onde os grandes investidores internacionais realizam transações envolvendo um grande volume de capitais.

ALLMAPS

Planisfério: as 10 maiores bolsas de valores* (2013)

* Negociações em bilhões de dólares Fonte: WORLD Federation of Exchanges. 2013 WFE Market Highlights, 28 jan. 2014. Disponível em: <www.world-exchanges.org/files/2013_WFE_Market_Highlights.pdf>. Acesso em: 18 nov. 2014.

Mapa das 10 maiores bolsas de valores do mundo (2013).

A circulação mundial de informações sobre capitais financeiros, produtos, serviços etc. só foi possível com os recentes avanços nas redes de comunicação. Os novos fluxos de informação mudaram aspectos do cotidiano: ler jornais em versão eletrônica, comprar produtos e serviços pela internet são alguns exemplos dessas mudanças. Os fluxos de informação, de pessoas e mercadorias se intensificaram, aproximando lugares e povos, favorecendo a produção e o consumo, mas também expuseram diversas particularidades e desigualdades em relação ao acesso a bens de consumo e serviços, além da qualidade de vida. As atividades 8, 9 e 10 no fim do capítulo referem-se ao assunto tratado neste tópico. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

37


APROFUNDANDO E REFLETINDO Cadeias, segmentos e marcas A economia mundializada modificou o roteiro percorrido por um produto pronto e acabado até chegar às mãos do consumidor. A antiga produção, que centralizava todo o processo em um só lugar, unidade ou fábrica, cedeu espaço para cadeias produtivas que podem estar em diversos países, nos quais se encontram centros de pesquisa, de armazenagem ou de distribuição. Entendendo o que são cadeias produtivas qualquer parte do planeta (digamos, no México) e terá atendimento em português. Então, o que um operador de telemarketing/teleatendimento no México tem a ver com a fábrica de chips de computadores na China? Tudo a ver, ambos fazem parte de uma mesma cadeia que serviu o produto que você está usando. Se você acha que isso é verdade apenas para produtos altamente tecnológicos e industrializados, engana-se. Vejamos a cadeia produtiva dos alimentos: uma alface, por exemplo. Essa cadeia tem início nas pesquisas agropecuárias de um pesquisador da Embrapa, por exemplo, quando ele desenvolve e seleciona as melhores sementes, mais resistentes e adaptadas ao local onde será feito o plantio. Passam pelos produtores, empresas de agrotóxicos e fertilizantes, máquinas e equipamentos, trabalhadores, empréstimo agrícola, transporte, embalagem, armazenagem, marketing, venda até chegar à sua mesa… uma simples alface! DARIO PIGNATELLI/ BLOOMBERG VIA GETTY IMAGES

[...] Vamos imaginar um produto que todos vocês que estão lendo este texto estão usando: um computador. Ele é um exemplo típico de interligação de diferentes cadeias, países e segmentos. Provavelmente a tecnologia e os chips que seu computador possui foram desenvolvidos por anos de pesquisa no Vale do Silício, EUA; mas seu chip não foi produzido lá, essa produção foi terceirizada para alguma fábrica na China. Muitas outras peças foram também produzidas em outras partes da China ou na Índia, Taiwan ou outro produtor asiático. Mas você não viajou até a China para comprar seu computador. É possível que tenha comprado pela internet, num site brasileiro. Alguma empresa precisou comprá-lo da China para você, e alguma outra empresa o transportou até o Brasil (e uma outra entregou na sua casa). Junto com o computador vieram inclusive manuais em diversas línguas. Além disso, você também recebeu vários softwares, que foram desenvolvidos em outra parte do mundo, e caso você tenha dúvidas ligará para a central de atendimento que pode estar localizada em

Foto de fábrica de chips em Bang Pa-In, Tailândia, 2014. LOGÍSTICA Descomplicada. Entendendo o que são cadeias produtivas, s.d. Disponível em: <www.logisticadescomplicada.com/entendendo-o-que-sao-cadeias-produtivas/>. Acesso em: 18 nov. 2014.

38

capítulo 2 | A economia global e a organização do espaço

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Agora vamos rever nossos conhecimentos sobre as grandes empresas e sua atuação no mundo, por meio de um exemplo: a produção de tablets e smartphones. Existem diversas marcas que atuam no ramo de aparelhos eletrônicos, que vendem para o mundo inteiro. No entanto, existe uma cadeia produtiva formada por inúmeras empresas que fabricam seus produtos. Vamos utilizar um exemplo de uma marca fictícia, mas a situação ocorre na vida real. A X é uma empresa transnacional estadunidense que atua no ramo de aparelhos eletrônicos e informática, como computadores, celulares e aparelhos que reproduzem áudio digital.

Tablet: espécie de minicomputador em forma de prancheta com funções que variam de acesso à internet, visualização de fotos e vídeo, leitura de livros, jornais, além de jogos. Menores e mais leves que notebooks, podem ser levados a qualquer lugar. Apresentam telas sensíveis ao toque e dispensam o uso de teclados. Smartphone: termo de origem inglesa, cujo significado é “telefone inteligente”. O smartphone é um celular com tecnologias avançadas, o que inclui um sistema operacional, equivalente aos computadores.

Cadeia produtiva

3

2 10

9

8

6

5

4

7

1. EUA (Vale do Silício): empresa desenvolve produto

6. China: fábrica envia computador para o Brasil de navio

2. Índia: empresa produz chips

7. Brasil: computador chega ao porto

3. China: fábrica produz computadores 3. Taiwan: fábrica produz computadores 4. Brasil: pessoa compra por site da internet 5. Brasil: empresa compra por site da internet

Ilustração de uma cadeia produtiva.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

JONATAS TOBIAS

3

1

8. Brasil: computador é transportado até a casa do comprador 9. Brasil: comprador entra em contato com o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) 10. México: o SAC da empresa atende ao cliente

Elaborado pelos autores.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

39


A empresa também opera mais de 180 pontos de venda nos Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Canadá, Itália e também no Brasil. As lojas vendem a maioria dos produtos da empresa, assim como muitos produtos de terceiros e oferece suporte e consertos no local para seus hardwares e softwares. Como várias empresas modernas, a X não possui uma fábrica. Ela é uma marca e os seus produtos são fabricados por empresas parceiras. Entre elas, a Y, uma empresa que atua na montagem de produtos eletrônicos para marcas conhecidas do mercado de eletrônicos, e que conta com fábricas no Brasil para produzir peças para tablets e celulares. A Y é uma multinacional de origem chinesa, que iniciou suas atividades no Brasil em 2005, em Manaus (AM), com uma indústria de celulares e foi expandindo suas atividades. Em 2011, a companhia abriu uma terceira unidade no interior de São Paulo, voltada especificamente para a montagem de smartphones e tablets. Esse é um exemplo de como atuam as grandes marcas na maioria dos países. Existem outros produtos, como tênis, bolsas, roupas e eletrodomésticos que trazem etiquetas de marcas reconhecidas mundialmente, mas podem ter sido fabricados em países diferentes do país sede da multinacional. Os donos das marcas atuam com suas empresas parceiras em diversos lugares, escolhidos por condições favoráveis, como oferta de mão de obra barata, por exemplo.

1. No primeiro semestre de 2010, uma importante

indústria brasileira do setor de calçados comprou uma fábrica na China para produzir os cabedais do tênis – parte superior do produto feita de tecido, couro e materiais sintéticos. Essa etapa é a que exige contratação de maior número de trabalhadores para a costura do tênis. Depois, os cabedais são embarcados para Brasil e Argentina, onde ocorre apenas a colagem da sola. O objetivo da instalação da fábrica na China era tornar os preços do tênis mais competitivos no mercado internacional.

Com seus colegas faça um levantamento sobre a mudança da produção dos cabedais para a China, quais seriam os efeitos aqui no Brasil e quais foram os motivos que, em sua opinião, levaram a indústria a tomar essa decisão. • Questão para refletir e debater: quais são os efeitos que a saída de uma indústria causa ao deixar um lugar onde está instalada?

ZHAN YOUBING/ IMAGECHINA/ AFP

Sobre as atividades a seguir, para mais informações, consulte a Assessoria Pedagógica.

Foto de operários chineses em fábrica de cabedais de tênis, na cidade de Dongguan, Guangdong, China, 2010.

2. Com seus colegas, faça um levantamento de marcas que vocês conhecem. Escolham três ou quatro mais

famosas para vocês. Procurem saber onde os produtos dessas marcas são fabricados. Verifiquem se existe no Brasil alguma fábrica dessa marca ou se há uma empresa parceira que fabrica os produtos para ela. • Questão para refletir e debater: a produção pelas empresas parceiras ou subsidiárias das multinacionais traz benefícios para o país em que elas atuam? Quais são as vantagens e desvantagens para o país?

40

capítulo 2 | A economia global e a organização do espaço

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


ATIVIDADES 1. No início do século XX, a empresa petrolífera Standard Oil detinha o controle do mercado, uma única empresa que era dona de várias outras e controlava quase que inteiramente a extração, o refino e a distribuição do petróleo no mercado estadunidense, além

1. No início do século XX, a Standard Oil, nos Estados Unidos, era exemplo de império fi-

nanceiro. Como ela atuava no mercado? Responda em seu caderno.

da quase totalidade das exportações dos produtos desse setor. Com todo esse controle, ela podia impor os preços ao mercado.

2. Explique o que é uma empresa corporativa ou conglomerado e relacione-a com a cadeia

Uma empresa corporativa ou conglomerado é aquela que é formada por um conjunto de empresas que atuam em vários produtiva. 2. setores da economia. A cadeia produtiva refere-se a todas as etapas da produção e, no caso dos grandes conglomerados, essas empresas detêm o controle sobre grande parte da cadeia produtiva.

3. Uma empresa corpo-

3. Dê algumas características que fazem de uma empresa uma corporação. rativa pode assegurar seu suprimento de matéria-prima, energia, transporte etc. e, assim, baratear seus custos e aumentar seus lucros.

4. Explique o que é uma empresa transnacional ou multinacional.

4. Uma empresa transnacional ou multinacional é aquela que opera em diferentes países, em diversas partes do mundo.

5. Identifique e explique algumas das consequências que a atuação das multinacionais po-

dem gerar nos territórios onde atuam. 6. Em qual categoria de países se localizam as sedes das maiores empresas do mundo? 6. A maioria localiza-se em países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos e no continente europeu.

7. Que atrativos econômicos levam uma multinacional a se instalar em um país emergente? 7. O mercado em crescimento, a mão de obra barata, incentivos fiscais, entre outros.

8. No passado, as exportações dos países hoje chamados de emergentes eram de produtos

primários (agrícolas e minerais). Atualmente, quais outros produtos fazem parte das ex8. Atualmente, esses países também exportam produtos inportações desses países? Explique sua resposta. dustrializados. Os emergentes vêm aumentando o seu de-

senvolvimento industrial, porque sobre a base industrial já existente tem ocorrido a instalação das filiais de indústrias multinacionais.

9. Por que as multinacionais precisam da infraestrutura de transporte nos países nos quais 10. Complete as informações da seguinte

frase com o auxílio da imagem ao lado para explicar a importância do comércio marítimo atual: “O aumento da produção e do consumo corresponde à intensificação do comércio internacional, em que o transporte marítimo tem papel importante. Os navios estão cada vez mais preparados e especializados para realizar esse transporte entre os diferentes países.”

ARTERRA PICTURE LIBRARY/ ALAMY/ GLOW IMAGES

instalam suas filiais?

5. Entre as consequências da atuação de multinacionais em territórios onde se instalam, pode-se identificar a ampliação do parque industrial, a compra de empresas estatais e as alterações nos postos de trabalho com a abertura de novas empresas e/ou incorporação de outras. Além disso, a extração de recursos naturais pode causar problemas ao meio ambiente do país, principalmente se não houver uma legislação e fiscalização ambiental adequadas. 9. As empresas multinacionais precisam de infraestrutura de transporte, como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos para facilitar a distribuição e circulação das mercadorias, principalmente com o objetivo de exportação. A produção fragmentada exige a circulação de componentes e de produtos pelo mundo, para que diferentes lugares se integrem numa rede de produção globalizada.

Foto de navio cargueiro do tipo Ro-Ro, próprio para o transporte de automóveis, no porto de Ghent, na Bélgica, em 2013. Essa embarcação possui rampas de acesso para os veículos entrarem e saírem rodando, daí o nome Ro-Ro, abreviatura do inglês roll on roll off (“rolar para dentro e para fora”, em português). É comum também esse navio levar contêineres em seu convés ou deque.

10. Ver resposta desta atividade na próxima página.

11. A  partir da ilustração ao lado, redija um S TA NA

JO BI

TO AS

pequeno texto sobre proximidade das pessoas, difusão de informações, maneiras possíveis para realizar compras atualmente e empresas espalhadas pelo mundo. 11. O aluno poderá

usar a ilustração para abordar o papel da internet que conecta as pessoas com o mundo e que permite realizar operações comerciais, sem o uso do papel­‑ -moeda. Também pode mencionar que o mesmo produto pode ser encontrado em diferentes partes do mundo por causa da dispersão das multinacionais.

Ilustração mostra relações de produção e consumo entre pessoas de diversos países. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

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Fields, citações em pesquisas, publicações em revistas científicas como Nature and Science, e quantidade de publicações científicas per capita da instituição.

Mapa da localização das melhores universidades do mundo (2014). CREATIVE Class. Where the world’s brains are, 19 out. 2010. Disponível em: <www. creativeclass.com/creative_class/category/universities/>. Acesso em: 19 nov. 2014.

As 10 melhores universidades do mundo (2014) 120 100

100

80

72,1

70,5

70,1

69,2 60,7

60

59,6

57,4

57,4

20

Universidades

(R Ox ein fo o U rd nid o)

Ch i (EU cag A) o

Co lú (EU mb A) ia

C de alifó Te rn cn ia olo Ins gia titu (EU to A)

Pr in (EU ceto A) n

0

ACADEMIC Ranking of World Universities. Academic Ranking of World Universities 2014, s.d. Disponível em: <www.shanghairanking.com/ARWU2014.html>. Acesso em: 19 nov. 2014.

• Identifique onde se encontra a maioria das melhores universidades e explique a sua localização espacial relacionando-a com os tecnopolos. Utilize também os dados do gráfico acima.

Construindo o glossário geográfico • Empresas multinacionais ou transnacionais

42

60,5

40

M Ma d IT – ss e Te In ac cn st hu o itu se log to tts ia (EU A) C Be al rk ifó ele rn y ( iaEU A) Ca (R m ein br o U idg nid e o)

Gráfico das 10 melhores universidades do mundo (2014).

Empresas multinacionais ou transnacionais: empresas que atuam em diferentes partes do mundo.

capítulo 2 | A economia global e a organização do espaço

EM SEU CADERNO, EXPLIQUE OS CONCEITOS A SEGUIR.

• Fluxos comerciais

Fluxos comerciais: circulação de produtos e serviços (importações e exportações) entre empresas ou países.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ALLMAPS

partir de dados do Academic Ranking of World Universities (Ranking Acadêmico das Universidades do Mundo). Essas universidades também são grandes centros de pesquisas de alta tecnologia. O autor do mapa utilizou o Planisfério: as melhores universidades (2014) ranking das universidades do mundo para mapear onde estão as 500 melhores universidades nas regiões me­ tropolitanas, e assim ter a distribuição dos centros de pesquisa do mundo.

St a (EU nfor A) d

As universidades são classificadas em função de diversos indicadores de desempenho acadêmico e de pesquisa, incluindo ex-alunos e professores ganhadores de prêmios Nobel e medalhas

12. O mapa a seguir representa a localização das mais importantes universidades do mundo, a

Ha r (EU var A) d

12. As melhores universidades do mundo localizam-se em países desenvolvidos, principalmente nos EUA e no Reino Unido. No ranking mundial das 10 melhores universidades do mundo, 8 são norte-americanas, sendo as quatro primeiras consideradas as melhores. Essas universidades e os centros de pesquisa formam regiões especializadas na produção do conhecimento técnico e científico, que, em parceria com empresas, formam, em alguns casos, tecnopolos como o Vale do Silício, em São Francisco, no estado da Califórnia, Estados Unidos.

Trabalhando com mapas e gráficos

Avaliação (em pontos)

10. Os meios de transportes atuais estão cada vez mais rápidos e podem carregar uma grande quantidade de mercadorias. O processo de embarque e desembarque também está cada vez mais rápido e eficiente, como o cargueiro Ro-Ro, que possui um sistema ágil para embarcar e desembarcar veículos.


DAVID PEARSON/ ALAMY/ OTHER IMAGES

Capítulo

3

Trabalho, consumo e desigualdade

Foto de empresa de telemarketing situada em Mumbai, na Índia, 2012.

Os espaços da globalização estão marcados pela tecnologia da informação. Neles, são comuns telefones e computadores como instrumentos de trabalho. Em alguns escritórios de grandes cidades, apenas com o uso desses equipamentos é realizada a venda de produtos e serviços aos consumidores que podem estar a milhares de quilômetros de distância dessas cidades. Observe a imagem acima e descreva o uso de tecnologia nesse tipo de trabalho. Por que essa atividade é comum nos espaços globalizados? NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O trabalho executado pelas pessoas na foto é de atendente de telemarketing. Cada indivíduo desenvolve seu trabalho, utilizando computador e fones de ouvido conectados a uma linha telefônica. Há vários atendentes lado a lado, no mesmo ambiente. Em geral, esses profissionais não precisam estar na mesma cidade ou país dos consumidores a que se dirigem. Trata-se de uma atividade comum nos espaços globalizados, pois o mundo atual é marcado pela presença da tecnologia da informação, na qual telefones e computadores são importantes meios de trabalho.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

43


BETTMANN/ CORBIS/ LATINSTOCK

Novas relações de trabalho nos espaços da globalização

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As novas tecnologias presentes nos espaços da globalização alteraram as relações espaço-tempo, intensificando a produção e os fluxos de mercadorias, pessoas e informações entre os lugares. O trabalho de vendas ou de atendimento ao consumidor está presente em quase todos os produtos comercializados e serviços prestados, por exemplo, na área da saúde, de TV a cabo, telefonia fixa e móvel, internet, energia elétrica, serviços bancários, de cartão de crédito, entre outros. É comum a presença de dezenas de funcionários num mesmo ambiente de trabalho onde se utilizam, principalmente, as tecnologias do computador e do telefone. Essa forma de se relacionar entre empresas, prestadores de serviços, clientes, e entre as pessoas, é uma das características atuais da economia capitalista que predomina em nosso mundo globalizado. A influência da tecnologia transformou as relações na sociedade e contribuiu para uma nova organização do trabalho nos mais diversos setores da economia – financeiro, saúde, educação ou lazer, por exemplo –, tanto nos países industrializados como nos que estão em desenvolvimento. A produção para atender diferentes mercados, em todos os países e continentes, e a necessidade de ter custos menores acompanhados de inovações tecnológicas intensificaram o uso da automação no processo produtivo. Essa informatização reduziu o número de vagas e, consequentemente, de empregados nas empresas. Nos países mais desenvolvidos, a utilizaLinha de produção: ção cada vez maior de recursos tecnológicos na também conhecido como produção em série, esse sistema foi aperfeiçoado por Henry Ford no começo do século produção industrial e na prestação de serviços XX (daí o nome “modelo fordista”), no qual funcionários especializam­‑se em apenas uma determinada função, a gera desemprego nas fábricas. Em contrapartiqual executam de forma repetitiva. da, crescem as atividades no setor de serviços e o emprego nessa área. Já nos países menos desenvolvidos, o uso da tecnologia impulsiona também as atividades de serviços, mas provoca desemprego ainda maior na produção industrial e aumenta a pobreza. Até a primeira metade do século XX, quando grande parte dos empregos estava voltada para a produção de bens, como automóveis, eletrodomésticos, roupas e outros objetos de uso pessoal, o trabalhador passava muitas horas na linha de produção, realizando movimentos repetitivos e mecânicos. Esse modelo de organização do trabalho tinha o objetivo de faFoto de operárias na linha de produção em fábrica de aparelhos de rádio, em Plymouth, Estados Unidos, 1945. bricar mercadorias de forma mais eficiente e rápida possível. capítulo 3 | Trabalho, consumo e desigualdade

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


TOM GILKS/ ALAMY/ GLOW IMAGES

Foto de administrador de websites trabalhando em seu home office (“casa-escritório”, em português), em Kigali, Ruanda, 2014. O home office designa a prática de trabalhar em casa, sem a necessidade de se deslocar até uma empresa.

Os trabalhadores – inclusive os mais especializados, os que não atuavam diretamente na linha de produção e que trabalhavam no setor administrativo, por exemplo – geralmente criavam vínculos fortes com a empresa, permanecendo no mesmo lugar de trabalho por vários anos, na mesma atividade. Porém, a partir da segunda metade do século XX, as mudanças na economia provocadas pela expansão mundial das grandes empresas e pela competitividade tornaram mais flexíveis a organização da produção e as relações de trabalho. Assim, o objetivo de melhorar os índices de produtividade dos funcionários e de competitividade do produto continua o mesmo, mas os instrumentos que tornam isso possível num mercado agora globalizado avançaram enormemente. A capacidade de inovar, interagir e cooperar no ambiente de trabalho são atualmente habilidades e atitudes valorizadas nas novas relações de trabalho a fim de aumentar a eficiência do empregado, e são estimuladas pelas empresas com gratificações e prêmios. O local de trabalho, por sua vez, também se tornou mais flexível. Em algumas atividades profissionais, as tarefas podem ser desenvolvidas fora do ambiente da empresa. Com a utilização de computadores pessoais ou portáteis, da internet, de celulares, tablets e sistemas de voz e imagem via internet, alguns profissionais podem inclusive trabalhar em casa, na mesma cidade da empresa ou até em outro país. Apesar das mudanças nas relações de trabalho e de produção assinaladas nas últimas décadas, nem todas as empresas têm modelos de organização modernos. Muitas atividades produtivas procuram se tornar atuais, enfrentando várias dificuldades para serem competitivas no mercado. Além disso, muitos trabalhadores ainda vivenciam condições consideradas degradantes de trabalho em vários países do mundo: jornadas de trabalho sem períodos de descanso adequados, trabalhadores constantemente vigiados e controlados para atingirem a quantidade prevista de produção, salários baixos, muitas vezes insuficientes para garantir a sua sobrevivência. As atividades 1, 2, 3, 4 e 5 no fim do capítulo referem-se ao assunto tratado neste tópico. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Modelos de organização do trabalho Houve um período em que os operários eram vistos como extensão da máquina, pois se especializavam na fabricação de apenas uma parte do produto final, realizando tarefas mecânicas para produzirem sempre mais. Depois disso, veio o modelo que oferecia ao funcionário participação nos lucros da empresa e estabilidade no emprego em troca de dedicação e fidelidade. Na fase atual, existe um tipo de administração em­preendedora que bus­ca parcerias com outras empresas e faz ter­cei­rizações. Com isso, as empresas têm implan­tado uma nova organização do trabalho. Outro modelo contemporâneo é o de administração virtual, que valoriza a automação dos serviços administrativos, a inovação em produtos e serviços e o estilo participativo na gestão. Neste, há a possibilidade de trabalho a distância, que não exige a presença física do funcionário na empresa.

Terceirização: processo em que uma empresa contrata outra para realizar parte de suas atividades ou serviços que não são essenciais para sua produção principal. Por exemplo, uma indústria que contrata uma empresa de limpeza ou de segurança para executar esses serviços, em vez de contratar funcionários para essa finalidade. Trata-se de um processo que tem como objetivos a redução de custos e, principalmente, focar a empresa em sua atividade principal.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

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Consumo nos espaços da globalização

ULI DECK/ 1PA/ ZUMA PRESS/ EASYPIX

Com a expansão do sistema capitalista – e consequentemente das empresas transnacionais em várias regiões do planeta –, há um aumento significativo na quantidade de produtos e serviços no mercado, colocados à disposição do consumidor em vários lugares do mundo.

Foto de linha de produção de carros em Stuttgart, Alemanha, 2012. Uma das consequências do aumento da produção e do consumo é a utilização intensiva dos recursos naturais necessários para a produção de todos os bens e mercadorias que são consumidos diariamente.

Esse aumento da produção, impulsionado pelos avanços tecnológicos das últimas décadas, permitiu produzir mais em menos tempo. O aumento do fluxo comercial entre os países do mundo encontra-se relacionado a uma característica da sociedade urbano-industrial atual: o consumo de produtos industrializados e de serviços. Na globalização, não só as formas de organização do trabalho e da produção passaram por mudanças, mas também os hábitos de consumo e a forma de acesso a produtos e serviços. O poder econômico de algumas empresas globais é maior que o de muitos países e isso, de certo modo, pode ser demonstrado pelo volume de vendas de seus produtos e serviços. Computadores, celulares, roupas, calçados, vestuário, brinquedos são alguns exemplos de produtos que se renovam constantemente, com grande demanda em várias partes do mundo. 46

capítulo 3 | Trabalho, consumo e desigualdade

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Assim, nessa etapa da produção capitalista, onde a pesquisa e inovação são tão importantes, o consumo se intensifica e a produção de bens e serviços segue aumentando. Isso gera reflexos na organização da cadeia produtiva, na exploração dos recursos naturais, na circulação de pessoas, mercadorias e informações pelo mundo. Desse modo, o sistema econômico é permanentemente alimentado pela inovação tecnológica, determinante das relações entre a demanda, o consumo e a produção. Durante grande parte do século XX, quando o consumidor comprava um produto industrializado, como uma geladeira ou um automóvel, relacionava seu uso à duração do produto, em geral por mais de uma década. Por essa razão, essas mercadorias eram chamadas bens de consumo duráveis. No entanto, nas últimas décadas, com as tecnologias para fabricação de produtos menos duráveis e o constante lançamento de modelos novos, um produto se desgasta e se torna ultrapassado mais rapidamente – e assim o consumo aumenta. Além disso, com a propaganda e o marketing aplicados sobre os modelos e produtos novos, em muitos casos o consumidor é atraído às compras pela associação do produto com as ideias de bem-estar, felicidade, sucesso profissional, saúde, beleza, popularidade, entre outras.

APROFUNDANDO E REFLETINDO O consumo no Brasil Nas últimas duas décadas, muitas mudanças ocorreram no quadro econômico brasileiro: os tipos de gastos familiares, o rendimento familiar, o ritmo de crescimento econômico do país, a distribuição de renda e o consumo nas diversas regiões, o que levou a economia brasileira a assumir uma nova posição em relação a outros países. Essas mudanças alteraram principalmente o padrão de consumo, mas não as desigualdades existentes entre as classes sociais. Os dados do Censo do IBGE de 2010 mostraram apenas uma tímida reversão desse processo. Nesse período, principalmente entre 2008 a 2010, verificou-se um aumento do poder aquisitivo dos brasileiros, o que refletiu no crescimento do consumo entre as classes C e D. As empresas passaram, então, a criar novos produtos para atender às novas demandas dessas classes sociais. Bairros das periferias de grandes cidades (como São Paulo e Rio de Janeiro) tiveram um grande crescimento no setor comercial. Estimativas do IBGE apontaram um crescimento de 29,6% na renda média geral dos brasileiros entre 2003 e 2013. A casa própria, os eletrodomésticos, o carro e até os estudos, que faziam parte dos sonhos de consumo de uma boa parte da população, viraram realidade. Embora crescesse sucessivamente, o consumo desacelerou a partir de 2012: os brasileiros continuaram a consumir, porém um pouco menos, impondo novos desafios à economia do país. A classe C continuou como o maior grupo consumidor, porém foram as classes A e B, que mais contribuíram para o crescimento do consumo de bens duráveis e não duráveis no Brasil. Um dos motivos da queda no crescimento do consumo foi a inflação.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

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A mudança no mapa do consumo do Brasil Em pesquisas realizadas pela consultoria Índice de Potencial de Consumo – IPC Marketing, em 2014, houve mudanças na distribuição do consumo no país. Segundo a consultoria, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo diminuíram seu percentual no consumo em relação ao restante do país. A região Sudeste foi perdendo participação no consumo nacional nos últimos anos, o que pode ser explicado, em parte, pela melhora econômica de outras regiões. Em 2013, o peso da região foi de 50,53% e, em 2014, 48,5% em relação ao total do consumo do país. Dez anos antes, a região representava 55,79%. Já a fatia correspondente ao Nordeste alcançou um patamar recorde em 2014, com 19,5% de participação no consumo. Nesse período, as regiões Norte e Nordeste cresceram acima da média nacional. Evolução do consumo por regiões brasileiras (1991-2014) 70 60

Sudeste Nordeste

50 48,5 Índice (em %)

40

Sul Centro-Oeste

30

Norte

20

19,5

10

16,8 8,5

0

6 1991

2001

2010

2014

Ano Adaptado de: IPC Maps 2014. O consumo dos brasileiros atingirá R$ 3,3 trilhões, em 2014, s.d. Disponível em: <www.ipcbr.com/downpress/Release_Imprensa_2014.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2014.

Gráfico da evolução do consumo por regiões brasileiras (1991-2014).

Sobre as atividades a seguir, para mais informações, consulte a Assessoria Pedagógica.

1. Reúna-se com seus colegas para conversar sobre as ideias expostas no texto, como o aumento do

poder aquisitivo do brasileiro. De acordo com os dados já apresentados, ocorreram mudanças no poder aquisitivo que se refletiram no aumento do consumo. Verifiquem se esses dados representam as experiências no seu cotidiano, ou seja, se houve mudanças no consumo de suas famílias. Procurem dar exemplos. • Questão para refletir e debater: o aumento do poder aquisitivo possibilitou que os brasileiros consumissem mais? Elaborem um comentário com base nas investigações feitas. 2. Com base nos dados da evolução do consumo no Brasil, discutam com os colegas quais foram as

mudanças ocorridas nas regiões brasileiras. Levantem os possíveis motivos das mudanças. • Questão para refletir e debater: os dados mostram uma queda da participação da região Sudeste no consumo nacional. Como você explica esse fato?

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capítulo 3 | Trabalho, consumo e desigualdade

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Consumo e consumismo Novos hábitos no trabalho e em atividades do cotidiano familiar, da escola, de lazer, surgem, em grande parte, relacionados às inovações tecnológicas e ao aumento da produção e do consumo. O efeito da publicidade, assim como as atuais facilidades de crédito na compra de variados tipos de produtos, tem levado ao consumismo. Esse comportamento social é marcado pelo consumo exagerado da compra de produtos e da utilização de serviços, muitos dos quais não são importantes para a sobrevivência, além de não se levar em conta as consequências para a saúde e para o meio ambiente. Se todos os habitantes do planeta consumissem os produtos nos mesmos padrões de alguns dos países desenvolvidos, principalmente os EUA, seriam necessários mais que o triplo dos recursos naturais existentes, ou seja, mais de três planetas Terra para fabricar e distribuir a quantidade de produtos consumidos por essa parcela da população mundial. O aumento do consumo em tempos de globalização leva a pensar no limite da exploração dos recursos naturais, nos desperdícios comuns e na necessidade da reciclagem. Também há desigualdade nos acessos aos bens e serviços, principalmente daqueles ligados às necessidades básicas. Em alguns países e regiões, há consumo exagerado, em outros, faltam habitação, alimentos, saúde, educação. Assim, o comportamento consumista indiscriminado e a distribuição desigual da renda tornam o consumo um problema social.

Publicidade: atividade profissional contratada que presta serviços que divulgam os produtos do contratante, além de construir a imagem e a reputação da empresa.

Mapa do consumo de calorias, no mundo (2013).

ALLMAPS

Planisfério: consumo diário de calorias (2013)

ROSER, Max. Food per person, s.d. Our World in Data. Disponível em: <www.ourworldindata.org/data/food-agriculture/food-per-person/>. Acesso em: 19 nov. 2014.

As atividades 6 e 7 no fim do capítulo referem-se ao assunto tratado neste tópico. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

49


Desigualdades nos espaços da globalização Mesmo com o crescimento das empresas transnacionais e o aumento dos fluxos comerciais e culturais entre os povos de diferentes continentes, o desenvolvimento econômico e a riqueza não se distribuem de modo equilibrado no mundo. Apesar de ter favorecido o crescimento econômico em muitos países, a globalização acentuou as diferenças entre eles. Além disso, internamente, em muitos países, algumas regiões foram mais favorecidas que outras pela presença de empresas globais, acentuando as desigualdades entre a população. A nova divisão internacional do trabalho aumentou a oferta de trabalho em países emergentes, mas, ainda assim, não resolveu o problema do desemprego, porque os postos de trabalho mais modernos exigem mais qualificação profissional. Em muitas regiões, o desemprego gerado em função da automação e da saída de empresas para lugares com menor custo de produção é uma realidade que afeta a qualidade de vida. Nos países desenvolvidos, uma das maneiras de os governos enfrentarem a questão do desemprego, para que isso não gere pobreza, é a política de salário-desemprego, que supre, por determinado tempo, as necessidades de renda dos trabalhadores. Nos países mais pobres, onde isso não ocorre, a situação se agrava, pois, sem o salário-desemprego, o trabalhador desempregado e sua família têm poucas alternativas, o que multiplica a miséria e as economias de baixo rendimento, como a atividade dos ambulantes nas grandes cidades. As desigualdades no mundo também podem ser identificadas pela comparação entre outros indicadores sociais em que se constata grande diferença em relação à qualidade de vida nos países ricos e pobres.

ALLMAPS

Planisfério: níveis de riqueza (2013)

Mapa dos níveis de riqueza no mundo (2013).

50

DAVIES, James; LLUBERAS, Rodrigo; SHORROCKS, Anthony. World wealth levels 2013. In: CREDIT Suisse. Global Wealth Report 2013. Zurique: Research Institute, out. 2013. p. 8.

capítulo 3 | Trabalho, consumo e desigualdade

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2014, cerca de 1,2 bilhão de pessoas viviam com US$ 1,25 ou menos ao dia, o que explica parcialmente as diferenças na expectativa de vida, no consumo e nos rendimentos da população dos países mais pobres em relação ao restante do mundo. O mapa da página anterior mostra a grande desigualdade de riqueza entre as nações. O Relatório de Riqueza Global 2013, do Research Institute de Zurique, verificou que, apesar de a riqueza mundial ter crescido e atingido o seu maior pico em 2013, as desigualdades entre as nações, e entre a população de cada país, ou persistia igual ou havia aumentado. A Austrália é uma das nações mais ricas do planeta e com a menor desigualdade de renda entre a população. Já os Estados Unidos, nação com o maior PIB do mundo, apresenta um dos maiores índices de desigualdades. É no continente africano onde se concentram o maior número de países com as menores taxas de riqueza acumulada. Relatório em Davos mostra que 85 pessoas detêm 46% da riqueza mundial Apenas 85 pessoas no mundo detêm 46% de toda a riqueza produzida no planeta – mesmo percentual de metade da população – segundo um novo relatório, divulgado nesta segunda-feira no Fórum Econômico de Davos, na Suíça. O documento realça a incapacidade de políticos e líderes empresariais em deter o crescimento da desigualdade econômica. [...] No mundo, de acordo com Mapa da Desigualdade em 2013, os 10% mais ricos do planeta detêm atualmente 86% da riqueza mundial. Destes, 0,7% tem US$ 98,7 trilhões e a posse de 41% da riqueza mundial, maior valor já registrado na História da Humanidade. Com uma enorme soma de capital em suas mãos, um reduzido grupo de multimilionários, donos de grandes bancos, fundos de investimentos e monopólios espalhados pelo planeta, controla a indústria, o comércio e a agricultura. [...] CORREIO do Brasil. Relatório em Davos mostra que 85 pessoas detêm 46% da riqueza mundial, 20 jan. 2014. Disponível em: <http://correio dobrasil.com.br/ultimas/relatorio-em-davos-mostra-que-85-pessoas-detem-46-da-riqueza-mundial/678819/>. Acesso em: 21 nov. 2014.

Pirâmide da riqueza mundial (2013) Veja, na Assessoria Pedagógica, orientações sobre leitura e análise da Pirâmide da riqueza mundial (2013).

Acima de 1 milhão de dólares De 100 mil a 1 milhão de dólares

De 10 mil a 100 mil dólares

0,7%

7,7%

98,7 trilhões de dólares ou 41% 101,8 trilhões de dólares ou 42,3%

22,9%

Até 10 mil dólares 68,7%

Riqueza Porcentagem da população

33 trilhões de dólares ou 13,7%

7,3 trilhões de dólares ou 3%

Total de riqueza (dólares e porcentagem)

DAVIES, James; LLUBERAS, Rodrigo; SHORROCKS, Anthony. The global wealth pyramid. In: CREDIT Suisse. Global Wealth Report 2013. Zurique: Research Institute, out. 2013. p. 22.

Gráfico de pirâmide da riqueza mundial (2013).

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

51


Apesar dos avanços tecnológicos, da criação de novas profissões e das maiores possibilidades de emprego e consumo, em muitos países a população continua vivendo com dificuldades quando se considera a falta de acesso a serviços públicos essenciais, como, por exemplo, o abastecimento de água, a coleta de esgoto e lixo, a educação e a saúde, além de enfrentar escassez de moradia e condições pouco dignas de trabalho. Todos esses elementos são fundamentais para a qualidade de vida das pessoas. Provocada pela globalização, formou-se uma realidade contraditória. De um lado, a integração dos lugares pela tecnologia da informação, presente na organização do espaço, é capaz de aproximar pessoas, revelar acontecimentos, dinamizar a produção, fazer circular as mercadorias, a informação, o conhecimento. De outro lado, as diferenças reveladas no modo de vida aprofundam as desigualdades no acesso às condições de sobrevivência dignas. Nos próximos temas deste livro, serão estudadas regiões do mundo com diferentes características na organização do espaço: algumas desenvolvidas, como grande parte dos países do continente europeu, e outras onde a pobreza ainda é predominante, como em alguns países do continente asiático. PABLO TOSCO/ OXFAM/ AFP

A atividade 8 no fim do capítulo refere-se ao assunto tratado neste tópico.

JUSTIN MOTT/ CORBIS/ GLOW IMAGES

Foto de mulher retirando água em poço em Natriguel, Mauritânia, 2012. A Mauritânia é um dos países que se encontram no Sahel, região atingida por secas constantes.

Foto de menino em favela sem saneamento básico em Dacca, Bangladesh, 2013.

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capítulo 3 | Trabalho, consumo e desigualdade

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


ATIVIDADES 1. O uso das inovações tecnológicas para produzir mercadorias e serviços com custos menores e para atender a mercados diferentes situados em vários continentes intensificou a automação e a informatização, reduzindo, assim, o número de trabalhadores nas empresas. Nos países mais desenvolvidos, que utilizam recursos tecnológicos cada vez mais modernos, esse desemprego é absorvido pelo crescimento da produção de serviços. Já nos países subdesenvolvidos, o desemprego é responsável pelo aumento da pobreza e das atividades econômicas de baixo rendimento e informais.

1. As transformações tecnológicas ocorridas principalmente nas duas últimas décadas trouxe-

ram grandes transformações na relação entre mão de obra humana e indústria. Explique a consequência para os trabalhadores das inovações tecnológicas nas indústrias e serviços. 2. A linha de produção foi muito utilizada até meados do século XX. Ainda atualmente exis-

3. Estabeleça a relação entre a

imagem ao lado e o modelo capitalista desenvolvido nos Estados Unidos por Henry Ford. 4. Na atualidade, algumas prá-

ticas antes ignoradas ou consideradas menos importantes tornaram-se o foco das relações de trabalho nas grandes empresas. Justifique essa afir4. S aber inovar, interagir e cooperar no ambiente de trabalho para melhorar os índices de mação em seu caderno. produtividade e competitividade do produto no mercado globalizado são habilidades e atitudes valorizadas nas relações de trabalho nos dias atuais.

Quais condições de trabalho evidenciam isso? 6. Compare o comportamento do consumi-

dor durante grande parte do século XX aos hábitos de consumo nos últimos anos do perío­do globalizado. Cite exemplos. Veja a resposta da atividade 6 na página seguinte.

7. Leia a charge ao lado. Estabeleça uma rela-

ção entre publicidade e consumismo. 7. O apelo ao consumo feito pelas ações publicitárias muitas vezes leva ao consumo exagerado de bens ou ao consumo de pouca utilidade às pessoas, como a crítica feita pela menina ao pai, na charge. O consumismo caracteriza-se por esse comportamento, marcado pela compra de produtos e utilização de serviços dos quais as pessoas não necessitam.

Foto para a atividade 3.

2. Esse modelo de organização do trabalho degradante? é também chamado de linha de montagem e foi aperfeiçoado por Henry Ford. Nele, o trabalhador passa muitas horas na linha de produção, realizando movimentos repetitivos e mecânicos. O objetivo é executar da forma mais eficiente possível a tarefa, diminuindo cada vez mais seu tempo de execução e aumentando a produtividade. MÁRIO CÉSAR. CONSUMISMO INFANTIL. 2008

5. Por que a situação de muitos trabalhadores no mundo globalizado continua

FEATURECHINA/ NEWSCOM/ GLOW IMAGES

tem alguns modelos produtivos que utilizam a linha de produção. Quais as características desse modelo produtivo e quais seus objetivos principais?

Consumismo infantil, charge de Mário César, 2008.

5. Em vários países do mundo, muitos trabalhadores 8. Por que há uma contradição socioeconômica no mundo globalizado? Cite alguns exem- são expostos a condições 8. A contradição socioeconômica do mundo globalizado manifesta-se, plos e dados que justifiquem sua resposta. de um lado, pela possibilidade de integração dos lugares e das pesso- de trabalho consideradas degradantes, por exemas por meio da tecnologia da informação. Por outro lado, as diferenças do modo de vida das pessoas aprofundam as desigualdades no acesso plo: períodos de descanso às condições de sobrevivência digna. Como exemplos de desigualdade há: a) os 2,5 bilhões de indivíduos mais pobres que detêm apenas 5% inexistentes ou inadeda renda global, enquanto os 10% mais ricos controlam 54% da riqueza do mundo; b) mais de um bilhão de pessoas vive com menos de dois quados durante a jornada dólares por dia. de trabalho que, por sua Trabalhando com mapas e gráficos vez, costuma se estender além do estabelecido por lei, sem pagamento de 9. A desigualdade no mundo globalizado pode ser constatada por vários referenciais. Um horas extras. Há também deles é a análise do consumo de energia elétrica no mundo. Os países ricos tendem a ser vigilância constante e trabalho controlado para aqueles que mais consomem porque suas indústrias e cidades são grandes polos de uti- atingir a meta prevista lização de energia. Analise o mapa da página seguinte sobre o consumo de eletricidade na produção, além de salários baixos. no mundo e responda às questões no caderno. 3. Por razões didáticas, as informações sobre a imagem não foram inseridas na legenda. Trata-se de operárias em linha de produção em indústria de produtos eletrônicos, em Guangxi, China, 2012. A imagem, embora atual, representa o modelo fordista ou linha de produção, em que um operário exerce movimentos repetitivos e mecânicos durante muitas horas em seu turno de trabalho. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

53


ALLMAPS

Planisfério: consumo de eletricidade em KWh (2014)

Mapa do consumo de eletricidade no mundo (2014).

Elaborado com base em: CIA. The World Factbook, s.d. Disponível em: <www.cia.gov/library/publications/the-worldfactbook/fields/2233.html#56www.indexmundi.com/map/?v=81>. Acesso em: 21 nov. 2014.

9. a) Europa. b) África. c) Estados Unidos e China.

a) Qual o continente em que a maior parte dos países apresenta consumo médio alto de eletricidade? b) Qual o continente no qual a maior parte dos países possui o menor consumo de eletricidade? c) Identifique os dois países que possuem os maiores índices de consumo de eletricidade. d) Com base nos dados representados no mapa e naquilo que você estudou no capítulo, responda no caderno: como podem ser explicados os baixos índices de consumo de eletricidade de muitos países do mundo?

54

462,9

455,8

449,5

323,3

307,2

249,7 nh a pa

lia

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1 038

1

9. d) A desigualdade do mundo globalizado reflete-se em vários aspectos da sociedade, como o consumo de energia elétrica. Estados Unidos, China, Japão e boa parte dos países europeus são grandes consumidores de energia porque têm densas áreas industriais, que são grandes polos consumidores de eletricidade. Muitos países subdesenvolvidos ou pobres não têm grande potencial industrial e, consequentemente, seu consumo energético é menor.

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2

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3

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Gráfico dos 15 maiores consumidores de energia elétrica no mundo (2010-2013).

3 886

4

an

Consumo de energia (em bilhões de kWh)

6. Durante grande parte do século XX, o consumidor comprava um produto industrializado, como uma geladeira ou um automóvel, e relacionava seu uso à duração do produto, 10. Leia os gráficos a seguir sobre consumo de eletricidade e responda às perguntas que era geralmente de mais de dez anos. seu caderno. Nas últimas duas décadas, no entanto, o produto torna-se velho ou ultrapassado Os 15 maiores consumidores de energia elétrica no mundo (2010-2013) rapidamente por 6 causa das mudanças 5 322 tecnológicas e de 5 mercado, e o consumo aumenta.

Elaborado com base em: CIA. The World Factbook, s.d. Disponível em: <www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/ fields/2233.html#56www.indexmundi.com/map/?v=81>. Acesso em: 21 nov. 2014.

capítulo 3 | Trabalho, consumo e desigualdade

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


76,2

80

67,5

62,3

60

51,1

49,2

40

10. a) O  s 15 maiores consumidores de energia elétrica são os países mais ricos do mundo, os países em desenvolvimento do grupo BRICS e os Tigres Asiáticos (Coreia do Sul e Taiwan). São os países mais industrializados e urbanizados do mundo e sua população consome produtos eletroeletrônicos em grande quantidade. 10. b) Sim, porque o consumo de energia da China (o maior consumidor) é muito superior ao da África do Sul (décimo quinto país da lista dos maiores consumidores de energia). 10. c) Parte da lista é formada por pequenas ilhas do mundo onde o consumo de 46,5 38,1 37,2 eletricidade é reduzido, e outra parte por países africanos muito pobres. 32,5

28,9

27,9

23,2

20

22,3 7,4

Sa

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0

Ilh as

Consumo de energia (em milhões de kWh)

Os 15 menores consumidores de energia elétrica no mundo (2010-2013)

Elaborado com base em: CIA. The World Factbook, s.d. Disponível em: <www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/ fields/2233.html#56www.indexmundi.com/map/?v=81>. Acesso em: 21 nov. 2014.

a) C  ite as características dos 15 maiores consumidores de eletricidade quanto a: riqueza, nível de desenvolvimento, industrialização e urbanização. Como se pode interpretar a presença desses países nesse gráfico de maiores consumidores? b) C  omparando os 15 maiores consumidores de energia elétrica entre si pode-se afirmar que há desigualdade no mundo? Justifique. c) C  ite as características dos 15 menores consumidores de eletricidade quanto a localização e riqueza. Como se pode interpretar a presença desses países nesse gráfico de menores consumidores? 11. Leia o gráfico abaixo e responda às questões em seu caderno.

Consumo médio (em porcentagem)

Brasil: consumo médio* das famílias brasileiras (2008-2009) 40

* Média mensal familiar: R$ 2.626,31.

35,90

35 30 25 20

19,60

19,80

15 10

7,20

5 0

3,00

Alimentação Assistência Educação à saúde

5,50 2,40

0,50 Fumo

Habitação

2,00

Higiene e Recreação cuidados e cultura pessoais

1,10 Serviços pessoais

Transporte

Vestuário

2,90 Diversos

Segmentos

IBGE. Pesquisa de Orçamentos Familiares, 2008-2009, s.d. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/ economia/mat/2010/06/23/mapa-do-consumo-brasileiro-916954919.asp>. Acesso em: 21 nov. 2014.

a) Quais são os três segmentos nos quais as famílias brasileiras têm maior gasto percentual? b) Com base no que você estudou sobre consumo e consumismo e na leitura do gráfico com os gastos das famílias brasileiras, é possível afirmar que os maiores gastos estão relacionados ao consumo de produtos básicos para a sobrevivência? Justifique sua resposta.

Construindo o glossário geográfico • Consumismo

• Consumismo: trata-se do consumo exagerado de bens ou serviços, uma característica atual do sistema capitalista.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

EM SEU CADERNO, EXPLIQUE OS CONCEITOS A SEGUIR.

• Desigualdade global

Gráfico dos 15 menores consumidores de energia elétrica no mundo (2012).

11.a) Habitação, alimentação e transporte. 11.b) Sim, é possível fazer essa afirmação, pois os maiores gastos estão relacionados às necessidades básicas da população, como habitação, alimentação, transporte e saúde.

Gráfico do consumo médio das famílias brasileiras (2008-2009).

• Desigualdade global: refere-se às diferenças na qualidade de vida das pessoas, muitas vezes relacionadas à distribuição desigual da renda e às diferentes condições de vida nos lugares.

O espaço mundial e a globalização | tema 1

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# Revendo o tema

Blog é um site na internet, criado por pessoas ou instituições com comentários e notícias de temas particulares. Podem funcionar como um diário on-line (ou seja, em tempo real), mas que também permite que o leitor interaja por meio de posts ou mensagens, incluindo ou publicando textos para o autor do blog ou para outros participantes. Nessas mensagens, os leitores podem publicar imagens e textos próprios ou de outras pessoas.

Imagine que você está navegando na internet e entra no blog de um amigo seu. Você vai interagir com ele pelo blog, no qual está publicada a imagem ao lado.

Escolha como fará essa interação. Você pode: escrever um comentário de algumas linhas, emitindo sua opinião sobre o assunto da charge, ou pode publicar outra charge.

Mural

O pensador, charge de Andy Singer, 2008. A charge faz referência à escultura de Auguste Rodin.

Levantamento dos assuntos que foram destaques no último mês na internet

Pesquise na internet assuntos que geraram um grande número de notícias e que foram manchetes de jornais, revistas semanais e sites, além de proporcionarem debates nas redes sociais. Selecione um ou

Para relembrar

dois assuntos e, em grupos, organizem um mural com as manchetes. Depois, façam uma reflexão sobre a importância desses assuntos, relacionando-os com o cotidiano das pessoas nos lugares.

1. As frases referem-se ao nível atual de desenvolvimento do meio técnico­‑científico­‑informacional. A frase B está incorreta, pois há desigualdade de acesso entre os países: os mais pobres geralmente têm menos acesso à informação via internet que os mais ricos.

1. Leia as frases a seguir e identifique, em seu ca-

derno, o assunto a que elas se referem. Depois, corrija as frases que estão incorretas. a) A presença do meio técnico-científico-informacional é mais vasta nos países industrializados e desenvolvidos dos continentes europeus e asiáticos, além de Estados Unidos e Canadá. b) A comunicação via satélite, cabos telefônicos e internet torna possível a transmissão de informações e a conexão entre lugares, a venda e compra de produtos e serviços. Essa realidade está presente em todos os países do mundo, colocando mesmo os países mais pobres na mesma situação de acesso a informação que os países mais ricos. c) Na informática, a produção tanto de computadores como de softwares, ou seja, de programas que permitem a utilização e a operação das informações pelo usuário, tornam mais ágil o trabalho em indústrias, bancos, escolas, comércio e nos serviços em geral. 56

ANDY SINGER, 2008

Produção de texto

2. A frase B está errada. Os países onde as multinacionais procuram instalar suas filiais ou unidades de produção geralmente são países pouco industrializados (conforme afirmativa A), com baixos índices de escolarização e de formação profissional ainda incipiente.

d) A  Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução Técnico-Científica, caracteriza-se pela relação entre as descobertas científicas e a aplicação desse conhecimento na produção de novos produtos e serviços. 2. Identifique e corrija no caderno as frases erradas

sobre as multinacionais. Justifique. a) Após a Segunda Guerra Mundial, as empresas multinacionais dos países desenvolvidos passaram a instalar unidades de produção em países menos industrializados. É na segunda metade do século XX que a expansão geográfica das multinacionais se intensifica. b)  As multinacionais sempre procuraram instalar unidades de produção em países com alto nível de instrução, onde há mão de obra especializada, pois é desse tipo de trabalhador especializado e altamente qualificado que eles precisam em suas subsidiárias.


3. P aralelamente ao crescimento do comércio, a indústria ligada aos meios de transportes se amplia e se especializa, como a indústria naval e de aeronaves, e aumenta o fluxo nos portos e aeroportos.

4. Observe a charge abaixo e escreva em seu cader-

no uma frase que melhor expressa a ideia que ela transmite. ANDY SINGER, 2000

c) Algumas multinacionais apresentam receitas que, em alguns casos, são maiores do que o PIB dos países em que atuam, e dependendo de seus tamanhos, podem empregar, em todas as suas empresas espalhadas pelo mundo, mais gente do que a população de muitos países. d) A maioria das sedes das empresas multinacionais localiza-se nos países desenvolvidos, em particular nos Estados Unidos, país onde se concentra o maior número de empresas multinacionais. 3. Observe as imagens abaixo. Escreva no caderno

STAN HONDA/ AFP

um comentário para as duas fotos, considerando o que foi estudado no capítulo sobre as atividades comerciais no mundo atualmente.

SUSAN BLICK/ GETTY IMAGES

1

2

Consumismo, charge de Andy Singer, 2010. 4. No mundo globalizado, que estimula o consumo e consequentemente o sucesso daqueles que consomem, possuir um carro dá status, mas não resolve os problemas de transporte nas cidades, pelo contrário: a grande quantidade de carros gera congestionamentos nos grandes centros, e isso piora a qualidade de vida dos cidadãos.

[1] Foto de passageiros no aeroporto internacional de Nova York, Estados Unidos, 2014. [2] Foto de navios atracados e guindastes no porto de Hong Kong, China, 2013.

Hora do desafio

Todas as alternativas estão corretas. Em seu comentário, espera-se que o aluno relacione o período atual da globalização com a intensificação dos fluxos de produtos e serviços e o dinamismo do comércio internacional, ressaltando a interdependência entre os países em virtude desses fluxos, e a importância do petróleo como fonte de energia.

• Identifique em seu caderno as alternativas corretas da atividade a seguir e elabore um comentário, justificando sua escolha. (PUC-RJ – Adaptado) A globalização procura expandir os mercados e, portanto, os lucros, que é o que de fato movimenta os fluxos de capital. Ela condiciona, hoje, a evolução da economia. Sobre a economia globalizada analise as seguintes afirmativas: I – A globalização acelerou e alargou, geograficaIII – A abertura dos mercados e as estratégias munmente, os fluxos de produtos e serviços, bem diais das grandes corporações atestam a intercomo o fluxo de informações e ordens. dependência da economia mundial. II – O comércio internacional tornou-se, nas últimas IV – O petróleo, devido a seu valor estratégico, dá décadas, um dos indicadores representativos da origem a intensos fluxos comerciais entre países economia globalizada. produtores e consumidores. 57


Geografia e cultura

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Foto de músicos tocando telarmônio ou dinamofone, em artigo da revista McClure's, de março de 1906. Inventado em 1897 por Thaddeus Cahill, trata-se do instrumento musical eletroacústico mais antigo que se conhece. VIVIEN KILLILEA/ AFP

Da mesma maneira que a tecnologia vem modificando o cotidiano das pessoas e ajudando na execução das tarefas diárias mais simples, ela também tem um papel importante na criação artística. A arte eletrônica é aquela que utiliza ferramentas e recursos eletrônicos – softwares, processadores, válvulas, dínamos – em seu processo de criação e exposição. Ela vem sendo muito difundida por conta da dependência cada vez maior da informática. Esse tipo de arte pode ser concebida por meio da computação gráfica, com câmeras de vídeo digital, utilizando-se samples (trechos de áudio ou vídeo, que será usado de uma outra maneira, diferente da usada originalmente). A arte eletrônica vem se popularizando graças à habilidade dos usuários com os computadores pessoais, que constituem uma ferramenta criativa para a expressão cultural de ideias e sentimentos. A internet é o principal veículo de divulgação da arte eletrônica, apesar de não ser o único lugar ou meio em que ela pode ser exposta. São comuns exposições físicas, em galerias de arte que trabalham com arte eletrônica, por exemplo. O vídeo e a computação gráfica estão presentes em áreas, como cinema, anúncios publicitários, vídeo-arte, possibilitando a criação de imagens que anteriormente eram impossíveis de serem feitas. São cenas fantásticas cheias de efeitos especiais, resultado de um intenso trabalho com especializados e complexos softwares de edição e programação. Pode-se dizer que um tipo de arte eletrônica popular hoje em dia é a música eletrônica, que tem sua base feita por meio de instrumentos eletrônicos, físicos ou virtuais. Suas origens remetem à criação do primeiro instrumento musical eletrônico em 1897, o telarmônio ou dinamofone. A popularização da arte eletrônica se deu no começo dos anos 1980 com os sintetizadores juntamente com a popularização dos computadores pessoais. Isso tornou acessível a manipulação e a edição de áudio. Com forte influência da dançante disco music do final dos anos 1970 e começo dos anos 1980, a música eletrônica popular foi desenvolvida para ser dançada. E estabeleceu suas próprias vertentes, como o techno, o trance e a house music que se ampliam e modificam a cada dia.

ANÔNIMO. EM MCCLURE'S MAGAZINE (USA) 1906. COLEÇÃO PARTICULAR

Arte eletrônica

Foto do DJ Anga tocando em festival realizado em Nova York, Estados Unidos, 2014. Sintetizador: instrumento eletrônico que sintetiza as características sonoras de qualquer instrumento ou voz.


Livros Em defesa da comida Michel Pollan. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2008. Nesse livro, o autor mostra como a alimentação, atualmente, está baseada em produtos industrializados, que são oferecidos aos consumidores de acordo com os interesses da agroindústria e da indústria de alimentos, apoiados em determinações da ciência da nutrição moderna.

Globalização: um mapa dos problemas Danilo Zolo. São Paulo: Conceito Editorial, 2010. Um conciso e ágil manual sobre os principais aspectos dos processos de mundialização: economia global, meio ambiente, direito internacional, direito de guerra, política internacional e a chamada Revolução Informática.

Dez anos que encolheram o mundo: 2001-2010 Daniel Piza. São Paulo: Leya, 2011. O autor propõe uma abordagem sobre a globalização que vai da hiperliquidez à crise mundial. E-book disponível em: <https:// books.google.com.br/books?id=Ge3Jc5HteqAC&pg=PT18&dq=globaliza%C3%A7%C3%A3o+2010&hl=ptBR&sa=X&ei=e2iIVLbI NYScNrK8gXg&ved=0CC0Q6AEwAw#v=onepage&q=globaliza%C3%A7%C3%A3o%202010&f=false>. Acesso em: 15 dez. 2014.

Sites Tudo sobre TV Um site dedicado à televisão: como e onde surgiu, fotos dos primeiros aparelhos e outras informações, como a história das telenovelas no Brasil. Disponível em: <www.tudosobretv.com.br>. Acesso em: 24 nov. 2014.

Viva Terra – Consumismo Na página do site, uma reportagem sobre consumismo e todos os problemas decorrentes dessa prática. Disponível em: <www. vivaterra.org.br/vivaterra_consumismo.htm>. Acesso em: 24 nov. 2014.

Filmes A rede social Direção: David Fincher, EUA, 2010. 120 min. Em 2003, Mark Zuckerberg, analista de sistemas graduado em Harvard, liga seu computador e começa a trabalhar em uma nova ideia. Seis anos depois, Zuckerberg se torna o mais jovem bilionário da história em função do sucesso da sua rede social Facebook.

Tempos modernos Direção: Charles Chaplin, EUA, 1936. 90 min. Um operário de uma linha de montagem (Charles Chaplin) é levado à loucura pela “monotonia frenética” do seu trabalho veloz e repetitivo. Após um longo período em um sanatório, ele fica curado de sua crise nervosa, mas desempregado. Deixa o hospital para começar uma nova vida, mas é preso por engano como um agitador comunista que liderava uma marcha de operários em protesto.

Capitalismo: uma história de amor Direção: Michael Moore, EUA, 2009. 125 min. Documentário que aborda o impacto desastroso que o domínio das multinacionais e de Wall Street (rua onde se localiza a bolsa de valores de Nova York e as sedes de vários outros bancos importantes) tem na vida cotidiana dos norte-americanos e, consequentemente, do resto do mundo.

O veneno está na mesa Direção: Silvio Tendler, Brasil, 2012. 50 min. Documentário sobre o uso de agrotóxicos na produção agrícola no Brasil e os efeitos comprovados para os trabalhadores da terra e para os consumidores de alimentos. O vídeo traz vários relatos que terminam denunciando o poder das grandes empresas na constituição da política agrícola nacional, assim como a incapacidade de lidar com os efeitos à saúde. Classificação indicativa: 12 anos.

Os delírios de consumo de Becky Bloom Direção: P. J. Hogan, EUA, 2009. 105 min. Uma jornalista torna-se respeitada colunista de economia. Compradora compulsiva, Bloom dá dicas e conselhos para suas leitoras não se descontrolarem nos gastos, enquanto faz exatamente o contrário.

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P RO JE TO I

Alimentação: um problema de saúde JLVDREAM/ DREAMSTIME.COM

A cada ano, milhões de pessoas morrem vítimas de problemas ligados à fome ou à subnutrição. Embora o mundo possa produzir alimentos para todas as pessoas, a sua distribuição é muito desigual, o que provoca também outro problema grave para a saúde: a superabundância de calorias consumidas por aqueles que, tendo alimentos para consumir, se alimentam de forma inadequada. A obesidade é também causadora de doenças que levam à morte. Este projeto vai abordar a questão da alimentação e analisar o problema da obesidade no mundo atual.

Fotos de hambúrguer, refrigerante e batatas fritas, além de catchup e mostarda. Esses alimentos são conhecidos como trash food (comida-lixo, em português).

É possível falar em paladar globalizado?

WWW.CARTOONSTOCK.COM

Enquanto se observa, na mídia, um aumento de apelos para alguns padrões de beleza, principalmente valorizando corpos esbeltos e musculosos, também se notam muitas mensagens incentivando o consumo de lanches calóricos e pouco nutritivos das lanchonetes e restaurantes fast-food (lanches rápidos, em tradução livre). Diariamente, é possível entrar em contato com apelos midiáticos que promovem os modelos de beleza a serem copiados, a magreza e os produtos dietéticos. Os anúncios também incitam o consumo de bebidas alcoólicas e calóricas, alimentos com muitos açúcares e gorduras. Esse tipo de publicidade é praticamente global, ou seja, dirigido a quase todas as partes do mundo, e as redes de

Charge de Wilfred Hildonen, publicada em 2010.

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alimentos internacionais sabem bem disso. Com seus produtos, as redes de fast-food multinacionais incitam não só um comportamento social, mas também uma difusão global de determinados gostos e paladares. E quais são os riscos do consumo crescente de lanches, da troca de refeições por lanches, ou mesmo os sanduíches e refrigerantes complementando a alimentação? Atualmente, há muitas pessoas que vivem com excesso de peso, vítimas de subnutrição, mas com a crescente adoção de hábitos alimentares que privilegiam o consumo de gorduras (como o fast-food) e estilos de vida sedentários, a obesidade se faz presente. A Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão da ONU que tradicionalmente se preocupa com os problemas de subnutrição no mundo, vem dando, nas últimas décadas, atenção à questão da obesidade e suas principais consequências. São as chamadas doenças da civilização, como diabetes, doenças cardiovasculares e cerebrais, hipertensão arterial (pressão alta). A cada ano, a obesidade mata milhões de pessoas só nos Estados Unidos e na Europa. Um cenário se apresenta para a indústria de alimentos: é preciso fazer produtos com menos calorias, menos gordura e açúcares e dar mais informação ao consumidor.


A obesidade pode ter causas genéticas, sociais e comportamentais. Nessa última categoria, estão o consumo de fast-food e a falta de atividades físicas. A acumulação de gordura decorre, em grande medida, do aumento de ingestão de alimentos e da redução do gasto energético. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), são consideradas obesas as pessoas que possuem Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 30 kg/m². O excesso de peso ou sobrepeso, por sua vez, é determinado quando o IMC está entre 25 e 29,9 kg/m². Para calcular o IMC, é necessário dividir o peso do indivíduo pela sua altura ao quadrado. As medidas utilizadas devem ser o quilograma (kg) e o metro (m). IMC =

Peso (kg) Altura (m) × Altura (m)

Nível de obesidade Categoria Abaixo do peso Peso normal Sobrepeso Obesidade Grau I Obesidade Grau II Obesidade Grau III

IMC Abaixo de 18,5 18,5 a 24,9 25 a 29,9 30 a 34,9 35 a 39,9 Acima de 40

ABESO. Calcule seu IMC, s.d. Disponível em: <www. abeso.org.br/imc/calcule-seu-imc.shtml>. Acesso em: 24 nov. 2014.

O que fazer diante dessa situação: • Mudar hábitos: modificar a alimentação, o comportamento em relação ao consumo de comida e às atividades físicas. • Buscar uma alimentação saudável com mais hortaliças, legumes e frutas e menos gordura. • Aprender a fazer as escolhas do que consumir com atenção, com menos influência das propagandas e mais consciência do que é bom para a saúde. • Adotar a prática de atividades físicas diárias significa ter um estilo de vida mais ativo.

O problema da obesidade no Brasil Por muitos anos o Brasil lutou contra a desnutrição. Há 40 anos, 37% das crianças brasileiras eram desnutridas, segundo estudo do Instituto Internacional de Investigação sobre Políticas Alimentares. Entre 2006 e 2007, o índice caiu para 7%, segundo essa instituição. No entanto, outro problema começava a despontar: a obesidade da população brasileira. Em 2009, uma em cada três crianças de 5 a 9 anos estava acima do peso recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009) feita pelo IBGE. A pesquisa mostrava que a obesidade vinha crescendo também entre a população adulta. Leia o texto a seguir.

Pela primeira vez em anos, Brasil estabiliza taxas de sobrepeso e obesidade Depois de oito anos, o número de pessoas com excesso de peso parou de crescer no Brasil. Um levantamento do Ministério da Saúde aponta que 50,8% da população brasileira estava acima do peso em 2013. Em 2012, o número de pessoas com excesso de peso estava com 51%. O levantamento faz parte da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que ouviu cerca de 23 mil brasileiros maio-

res de 18 anos que vivem nas 26 capitais do país e no Distrito Federal. [...] Em relação ao número de obesos (pessoas com IMC acima de 30), o Ministério da Saúde aponta que o índice passou de 17,4% em 2012 para 17,5% em 2013. Segundo a pesquisa, os homens têm mais excesso de peso do que as mulheres: 54,7% contra 47,4%. [...] Um dos fatores que podem ter colaborado com a queda nos números é a

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P RO JE TO I

Alimentação: um problema de saúde

reeducação alimentar. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de pessoas que fazem o consumo recomendado de hortaliças e frutas estava em 22,7% em 2012 e passou para 23,6% em 2013. [...] Outro indicador preocupante citado pelo ministério é o consumo excessivo de gordura saturada. Ao todo, 31% dos entrevistados não dispensam a carne gordu-

rosa e mais da metade (53,3%) consome leite integral regularmente. O consumo de refrigerante também registrou altos índices: 23,3% da população ingere a bebida pelo menos cinco dias da semana. “O consumo de refrigerante é preocupante porque as pessoas deixam de usar água para se hidratarem”, alerta Barbosa [Secretário de Vigilância em Saúde na época].

MATSUKI, Edgard. Pela primeira vez em anos, Brasil estabiliza taxas de sobrepeso e obesidade, 30 abr. 2014. UOL Notícias. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/04/30/pela-primeira-vez-em-anos-brasil-estabiliza-taxas-desobrepeso-e-obesidade.htm>. Acesso em: 21 nov. 2014.

1. Alguns comportamentos são globais: comer fast-food e ir a lanchonetes são programas feitos em quase todas as partes do mundo, e as redes de alimentos internacionais divulgam o consumo de seus produtos, incentivando não só um comportamento social, mas também uma imposição à sociedade de gostos e paladares.

Ação | Investigação

2. A obesidade pode ter causas genéticas ou sociais. As causas sociais incluem o consumo de fast-food e a pouca ou nenhuma prática esportiva. A acumulação de gordura está, em grande medida, relacionada com o aumento de ingestão de alimentos e a redução de gasto energético.

Compreensão do texto3. As doenças da civilização são: diabetes, doenças cardiovasculares e cerebrais e hipertensão arterial. São chamadas assim porque sua grande incidência é decorrente dos hábitos individuais e coletivos.

1. Dê exemplos de alguns comportamentos globais divulgados pela mídia, que estão ligados à difusão de

gostos e paladares. 2. Aponte as causas descritas no texto como fator para o grande número de obesos no mundo atual. 3. Quais são as doenças da civilização causadas pela obesidade? Por que são chamadas assim? 4. Como a OMS estabelece critérios para considerar uma pessoa obesa?

Pesquisa

4. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), são consideradas obesas as pessoas que possuem Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 30. O sobrepeso ocorre quando o índice está entre 25 e 29,9. Para calcular o IMC, divide-se o peso do indivíduo (em kg) pela sua altura (em m) ao quadrado.

Vamos agora fazer uma pesquisa para saber como melhorar hábitos e ter uma vida mais saudável.

1. Dividam-se em grupos e escolham o tema que vão pesquisar entre os listados a seguir. Cada integrante

deve trazer uma pesquisa individual sobre o tema do grupo.

Tema 1 – Alimentos saudáveis: como melhorar minhas refeições.

Tema 2 – A propaganda influenciando o que compro: como escolher o que consumo.

Tema 3 – Atividade física: como trocar uma vida sedentária por uma vida mais ativa.

Tema 4 – Os cuidados que se deve ter ao fazer regime.

2. Em classe, apresentem as pesquisas para o grupo e, depois, elaborem uma síntese para a classe. O

tema geral do trabalho é “Uma geração mais saudável: o que podemos fazer?”. 1a parte: Individualmente, realizar pesquisa.

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A pesquisa deverá conter informações e imagens (fotos, ilustrações, desenhos feitos pelo grupo) sobre os tópicos referentes ao tema do grupo. • Site para consulta: <www.anvisa.gov.br/propaganda/alimento_saudavel_gprop_web.pdf>. • Livros para consulta: GOES, José Ângelo Wenceslau. Fast-food: um estudo sobre globalização alimentar. Salvador: Edufba, 2010. RIQUE, Ana Beatriz; PORTELLA, Emilson. Novos conceitos de alimentação saudável e tabela de equivalências. São Paulo, Tecmedd, 2008.


2a parte: Em classe, elaborar um cartaz com a síntese do tema do grupo.

O grupo deverá selecionar as imagens que são mais significativas e organizá-las para ilustrar as informações principais sobre o tema. Façam legendas para as imagens (frases-resumos).

Coletando informações com os alunos da classe

Agora vocês vão coletar informações para completar o tema desse projeto, e verificar como a propaganda está influenciando os seus hábitos alimentares.

Etapas do trabalho 1. Levantamento do que se quer saber

Como são feitas as escolhas dos produtos consumidos.

2. Delimitação do universo da pesquisa

Serão entrevistados os alunos do 9º ano.

3. Elaboração e aplicação da entrevista Na Assessoria Pedagógica, há uma sugestão de roteiro de entrevista que contempla os pontos mencionados no item 3. Faça as adaptações que julgar necessárias.

Com seu(sua) professor(a), elaborem um questionário para investigar os seguintes aspectos junto ao público: a propaganda de alimentos, a influência da propaganda no consumo de alimentos, a importância das informações dos rótulos dos produtos, a relação entre hábitos alimentares e sedentarismo.

4. Organização das informações obtidas na entrevista

Após fazer as entrevistas, a etapa seguinte consiste em organizar os dados obtidos. Faça a contagem das respostas e a tabulação dos dados, seguindo as orientações.

Primeiro, faça um levantamento na classe do número de entrevistas realizadas. Anote em seu caderno.

A seguir, verifique as respostas iguais para cada pergunta e some-as, anotando no caderno os totais ao lado de cada item que constou do questionário com relação a: • propaganda de alimentos em vários meios de comunicação (TV, rádio, internet, cinema etc.); • influência da propaganda no consumo de alimentos; • o conhecimento das informações dos rótulos dos alimentos; • os hábitos alimentares, o sedentarismo e a prática de atividades físicas.

Esta parte pode ser realizada primeiro em grupo e, depois, com toda a classe.

5. Análise dos dados

Agora, analisem os resultados e verifiquem se a propaganda influencia seus hábitos de consumo.

Escrevam as conclusões a que vocês chegaram, apontando se os alunos entrevistados têm hábitos de vida saudáveis e o que precisa ser mudado.

Discussão

Para finalizar, realizem um debate, discutindo as questões: • Qual a importância de refletir sobre as informações recebidas por meio das propagandas de alimentos e nas redes de fast-food? • Qual é sua opinião em relação à propaganda de bebidas alcoólicas? Você é a favor ou contra? Justifique sua posição.

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Geografia Nos Dias de Hoje 9º ano  

Obra Aprovada no PNLD 2017 | A obra tem como objetivo dar ao aluno subsídios para a construção do conhecimento, levando-o a entender o mundo...

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