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GEOGRAFIA

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GEOGRAF IA MANUAL DO PROFESSOR

Claudio GIARDINO Ligia ORTEGA Rosaly Braga CHIANCA Virna CARVALHO


Claudio GIARDINO

Bacharel e licenciado em Geografia pela PUC-SP. Especialista em Psicopedagogia pela UNIP-SP e em Gestão de Escolas pela FAAP-SP. Ex-professor de Geografia na rede pública e particular. Assessor de Geografia, coordenador e diretor pedagógico na rede particular de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Diretor de rede de escolas particulares. Autor de obras didáticas.

Ligia Maria ORTEGA Jantalia

Bacharel em Ciências Sociais pela FFLCH-USP. Ex-professora de Geografia das redes pública e particular de Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Autora de obras didáticas.

Rosaly Braga CHIANCA

Bacharel e licenciada em Geografia pela FFLCH-USP. Ex-professora de Geografia e Atualidades na rede particular de Ensino Fundamental II. Assessora de Geografia na rede particular de Ensino Fundamental I. Autora de obras didáticas e paradidáticas.

Virna CARVALHO

Bacharel e licenciada em Geografia pela UNICAMP. Mestre em Geografia Humana pela FFLCH-USP. Professora de Geografia na rede privada. Autora de publicações acadêmicas.

NOS DIAS

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GEOGRAF IA MANUAL DO PROFESSOR São Paulo • 2a edição • 2015

GEOGRAFIA


Geografia nos dias de hoje – 8o ano © 2015 Leya

Direção editorial Mônica Vendramin Coordenação editorial Ebe Christina Spadaccini Edição Camila Orsi Trevisan Cassia Yuka de Andrade Tamura Caren Inoue Assessoria técnico-pedagógica Tiaraju Salini Duarte Edição de texto da Assessoria Pedagógica Andréia Szcypula Coordenação de produção Nadiane Oliveira Gerência de revisão Miriam de Carvalho Abões Assistência de coordenação de revisão Vinicius Oliveira de Macedo Revisão Rosemary Lima Sâmia Rios

Produção Digital Coordenação: Camila Carletto Edição: Lívia Lima Paiva e Laura Cintra Labaki

Título original da obra: Geografia nos dias de hoje – 8o ano São Paulo * 2a edição * 2015 Todos os direitos reservados: Leya Rua Dr. Olavo Egídio, 266 CEP 02037-000 – São Paulo – SP – Brasil Fone + 55 11 3129-5448 Fax + 55 11 3129-5448 www.leya.com.br leyaeducacao@leya.com ISBN 978-85-451-0099-7 (aluno) ISBN 978-85-451-0098-0 (professor) Impressão e acabamento

Coordenação de arte e capa Thais Ometto Ilustração/foto de capa: Michael H./ Stone/ Getty Images Projeto gráfico Débora Barbieri Edição de arte Thais Pedroso Iconografia Jaime Toshio (coord.) Paula Dias Sônia Oddi Editoração eletrônica Cittá Estúdio (miolo) AGWM Editora e Produções Editoriais (Assessoria Pedagógica) Ilustrações Angelo Shuman Eduardo Borges Jonatas Tobias Fernando Pires Hiro Kawahara Meelow Silvio Malaguti Mapas Allmaps Gráficos Editoria de arte

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Ficha elaborada por: Tereza Cristina Barros – CRB-8/7410 Ficha elaborada por: Tereza Cristina Barros - CRB-8/7410

Geografia nos dias de hoje, 8º ano / Claudio Giardino...[et al.]. -– 2. ed. – São Paulo : Leya, 2015. -- (Coleção geografia nos dias de hoje) Outros autores: Ligia Ortega, Rosaly Braga Chianca, Virna Carvalho. ISBN 978-85- 451-0099-7 (aluno) ISBN 978-85- 451-0098-0 (professor) 1. Geografia (Ensino fundamental) I. Giardino Claudio Nélson II. Jantalia, Ligia Maria Ortega III. Chianca, Rosaly Braga IV. Carvalho, Virna. V. Série

22.04/2015 CDD-372.891 --------------------------------------------------------Índices paracatálogo catálogosistemático: sistemático: Índice para

1. Geografia : Ensino fundamental 372.891

1. Geografia : Ensino fundamental

372.891


Apresentação Neste volume vamos ampliar o conhecimento geográfico do mundo em que vivemos. Estudaremos as diversas características naturais e socioespaciais de diferentes continentes, países e lugares. Entre os temas que vamos tratar podemos destacar: a atual divisão do mundo em países, os conflitos e as disputas por territórios, as dinâmicas da população mundial e também as desigualdades econômicas e sociais entre os países. Esses temas servirão de instrumento para que possamos compreender melhor as condições de vida nos lugares e as relações existentes entre a realidade à nossa volta e o mundo. Também estudaremos as condições fundamentais que produziram hoje os espaços da globalização, assim como as diferenças entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. A regionalização do mundo em continentes e o estudo da América e da África também serão abordados neste volume.

Os autores.


CONHEÇA

seu livro Este é seu livro de Geografia. Ele vai acompanhá-lo durante todo o ano letivo. Vamos conhecê-lo?

A África A África é o continente de povoamento humano mais antigo. No capítulo 9 estudaremos de que forma a natureza se apresenta no continente africano e como se dá a diversidade de paisagens. Analisaremos os aspectos do quadro natural e também os aspectos relativos a culturas atuais e às civilizações que se desenvolveram no continente há milhares de anos. No capítulo 10, veremos que muitos problemas políticos estão relacionados ao passado colonial e ao modo como os países se organizam política e economicamente depois da descolonização.

MICHELE BURGESS/ ALAMY/ LATINSTOCK

1

No capítulo 11, vamos investigar por que a África apresenta, em grande parte, países com graves problemas econômicos e sociais, por que as condições de produção entre os países africanos e os de outros continentes são desiguais e quais são as características econômicas das diversas regiões africanas. Assim, poderemos entender por que a população no continente africano apresenta os mais baixos índices de desenvolvimento humano do mundo.

Abertura de Tema Imagens e texto de introdução apresentam os conteúdos que serão estudados nos capítulos que compõem o Tema.

[1] Foto de zebras na Savana, na Reserva Nacional Masai Mara, Quênia, 2013. [2] Foto aérea da Cidade do Cabo, África do Sul, 2012.

2

DAVIDWALLPHOTO.COM/ ALAMY/ LATINSTOCK

4 7

212

213

O desenvolvimento entre os países

Observe as imagens ao lado. a) Quais as principais diferenças entre as duas paisagens? b) Com base nas fotos, o que é possível afirmar sobre a qualidade de vida dos moradores dessas cidades?

Foto de rua com edifícios históricos em Western Australia, na Austrália, 2014. DAVE STAMBOULIS/ ALAMY/ OTHER IMAGES

c) Em sua opinião, o que contribui para a qualidade de vida das pessoas?

O passado colonial

Abertura de capítulo

A colonização do continente africano pelas potências europeias no século XVI originou uma configuração política e territorial totalmente diferente da que existia anteriormente. A partir desse momento da história, a África viveu uma espoliação de maneira brutal: seres humanos, recursos naturais e valores culturais foram continuamente explorados e retirados do continente. Com a colonização, o mapa da África foi traçado pelas metrópoles europeias, que dividiram o continente sem que os próprios africanos fossem consultados.

O capítulo inicia-se com imagens e perguntas que permitem verificar o conhecimento que você já possui sobre o assunto a ser tratado.

capítulo 3 | O desenvolvimento e as desigualdades entre os países

Glossário Para facilitar a leitura, o glossário explica o significado de algumas palavras e expressões destacadas ao longo do texto.

A exploração da mão de obra escrava Desde o momento em que as transações comerciais se desenvolveram e se expandiram em escala intercontinental, a partir dos séculos XV e XVI, a África tornou-se uma região interessante para ser explorada. Primeiramente, o continente tornou-se fornecedor de mão de obra escrava. A escravidão é considerada um marco na história de dominação que alguns povos exerceram sobre outros. O tráfico negreiro durou quase dois séculos e retirou milhões de habitantes de seus territórios na África Subsaariana. Eles foram levados forçadamente como escravos para três continentes: Ásia, Europa e América, onde trabalhavam para enriquecimento das metrópoles. Das três rotas de tráfico de africanos que existiam, os europeus foram os maiores responsáveis por aquela que seguia pelo Oceano Atlântico. Estima-se que cerca de 40 a 100 milhões de africanos foram levados para a Europa e para a América. O tráfico negreiro para a América provocou a morte de cerca de 60 milhões de africanos. Essas pessoas foram escravizadas e submetidas a condições sub-humanas, pois exerciam todos os trabalhos braçais na colônia, tanto no campo como nas cidades.

Foto de acampamento de sem-teto em Kathmandu, Nepal, 2010.

68

Espoliação: ato de tirar de alguém, por fraude ou violência, algo que lhe pertence de direito.

THE BRIDGEMAN ART LIBRARY/ KEYSTONE, SEM DIMENSÕES INFORMADAS.

e as desigualdades

MICHAEL RUNKEL/ ROBERT HARDING COLLECTION/ GLOW IMAGES

Capítulo

3

Refinaria de açúcar, gravura colorida de Jean-Baptiste du Tertre, século XVIII.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

A África | tema 4

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

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APROFUNDANDO E REFLETINDO

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capítulo 8 | A organização espacial da América Anglo-Saxônica

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Boxes Os boxes trazem informações complementares relacionadas ao conteúdo estudado.

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2 1. Ciclo de ar Tempestades geram ventos com velocidades de 64 a 512 km/h, graças aos movimentos de ar quente, que sobe, e de ar frio, que desce. 2. Destruição O tornado é uma espécie de “ralo” que traz o ar da superfície para dentro da tempestade. Elaborado com base em: FOLHA de S.Paulo. Tempestades matam mais 12 nos EUA; 1.500 estão desaparecidos, 25 nov. 2011. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/mundo/920560tempestadesmatam-mais-12-nos-eua-1500-estao-desaparecidos. shtml>. Acesso em: 12 dez. 2014.

Ilustração representando a formação de um tornado.

Foto de carro de ponta-cabeça após passagem de tornado na cidade de Joplin, no Missouri, nos Estados Unidos, em 2011.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

4

Como se forma um tornado

ERIC THAYER/ REUTERS/ LATINSTOCK

BETTMANN/ CORBIS/ LATINSTOCK

Direitos civis nos EUA e Martin Luther King

Esta seção apresenta textos escritos pelos autores mesclados com textos jornalísticos, seguidos de atividades com questões para debate, que visam trabalhar sua argumentação.

Tornados nos Estados Unidos Os tornados são ventos de grande velocidade, entre 64 e 512 km/h, que em geral se manifestam como uma coluna de ar que pode ter 75 metros de altura (equivalente a um prédio de 30 andares) e que gira, como se fosse um cone ou funil, com a ponta mais fina perto da superfície. Esse fenômeno meteorológico atinge, principalmente, a região central dos Estados Unidos nos meses de maio e junho. É resultante do encontro de ar quente, que sobe, com o ar frio, que desce. A cada ano, segundo a emissora de TV CBS, aproximadamente 1,2 mil tornados passam pelo território americano. O estado de Oklahoma tem a maior taxa de grandes tornados superdestruidores. O tornado que mais devastou os Estados Unidos, com o maior número de pessoas mortas, ocorreu no dia 8 de março de 1925. Ele passou em três estados: Missouri, Illinois e Indiana, e deixou cerca de 700 mortos. Em maio de 2011, um tornado atingiu a cidade de Joplin, no Missouri, que foi destruída pelo pior tornado dos últimos 60 anos nos Estados Unidos, com ventos de até 320 km/h, causando a morte de 132 pessoas, rastro de destruição de um quilômetro de largura e 6,4 quilômetros de comprimento.

JONATAS TOBIAS

Em 2 de julho de 1964, no governo de Lyndon Johnson, passou a vigorar a Lei dos Direitos Civis, que proíbe nos EUA a discriminação baseada em raça, cor e sexo, religião ou nacionalidade. Assim se estabeleceu o fim da segregação racial em escolas, ambientes de trabalho e lugares públicos em todo o país. Passaram-se mais de 50 anos e ainda encontramos disparidades sociais e casos de descriminação racial. As disparidades sociais podem ser reconhecidas através das diferenças de renda e escolaridade identificadas nos espaços urbanos e nas escolas. Em cidades estadunidenses, como Miami, Chicago e Nova York, a separação entre negros, latinos e brancos por bairros é muito grande. Em Nova York, bairros como o Queens e o Bronx são majoritariamente habitados por negros e também com forte presença latina. Outro indicador social que reflete a separação e as diferenças sociais entre a população é o da educação. No estado de Nova York, por exemplo, menos de 10% das escolas podem ser chamadas de multirraciais. Das 32 escolas municipais nova-iorquinas, pouco mais da metade tinha, no máximo, 10% de estudantes brancos em 2010. A seguir, alguns fatos que marcaram a luta pela igualdade de direitos e condições de vida no país mais rico do continente americano.

Entre 1955 e 1968, a história dos Estados Unidos foi marcada pela luta contra a segregação e a discriminação racial, por rebeliões populares e pela presença de ativistas, entre eles Martin Luther King, que lutou pela igualdade dos direitos civis da população negra. Veja a seguir os fatos que marcaram a história da luta pelos direitos civis. • Montgomery – Estado do Alabama (1955) A costureira negra Rosa Parks entrou em um ônibus e sentou-se em um local reservado aos brancos. Intimada a ceder seu lugar a um passageiro branco, recusou-se e acabou sendo presa, julgada e condenada. Esse fato marca o início da luta de Martin Luther King, então presidente da Associação de Melhoramentos de Montgomery, que organizou um movimento de boicote ao transporte da cidade, o qual durou um ano. Por conta disso, teve sua casa bombardeada. • Little Rock Central High School – Estado de Arkansas (1957) Nove estudantes negros conseguiram nas cortes federais o direito de estudar na Central High School, escola de Little Rock, cidade do estado de Arkansas, onde as escolas eram, até então, segregacionistas, com espaços distintos para negros e brancos. No primeiro dia de aula, houve uma grande manifestação contra o ingresso de negros na escola. As pessoas gritavam, protestavam, totalmente tomadas por um sentimento histórico de Foto de alunos negros sendo acompanhados por soldados estadunidenses separação e discriminação racial, bano primeiro dia de aula na escola Central High School, em Little Rock, cidade do estado de Arkansas, Estados Unidos, 1957. seada na superioridade dos brancos.

G2014_GE08_T2_C07_I01

Aprofundando e refletindo

A luta pelos direitos civis

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

A América | tema 3

167

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


ES N O C Í ATIVIDADES 1. Explique o critério de divisão do continente em América Latina e América Anglo-Saxônica. 2. Descreva os limites da América Latina, ao norte, ao sul, ao leste e ao oeste.

Atividades

3. Qual a relação entre a latitude e a variedade climática da América Latina?

JOHN MOORE/ GETTY IMAGES

4. Observe a foto abaixo.

Foto do muro de concreto em Nogalez, México, na fronteira com os Estados Unidos, 2014.

• Com base na imagem, explique a seguinte afirmação: a fronteira entre México e Estados Unidos é uma das zonas de fronteira mais complexas do mundo. 5. Por que há grande variedade de clima e de vegetação na América Latina? 6. Quais são as principais bacias hidrográficas da América Latina? Cite as principais caracte-

rísticas delas. 7. Por que as civilizações da América Latina, que viveram e habitaram esse continente há

mais de quinhentos anos, são chamadas de pré-colombianas? 8. É correto afirmar que o extrativismo mineral na América Latina, para uso comercial e ex-

portação, ocorre desde a colonização até os dias atuais? Justifique sua resposta. 9. Em São Paulo foi construído o Memorial da América Latina, espaço para exposições e

DANIEL CYMBALISTA/ PULSAR IMAGENS

trocas culturais. O projeto arquitetônico foi criado por Oscar Niemeyer. Na entrada do Memorial, há a escultura Mão. Observe a imagem e identifique o mapa pintado em vermelho, lembrando sangue escorrido. É o mapa da América Latina. Ao explicar a simbologia da escultura, Niemeyer disse:

“Suor, sangue e pobreza marcaram a história desta América Latina tão desarticulada e oprimida”.

Foto da Mão, escultura de Oscar Niemeyer, de 1989. A obra tornou-se o símbolo por excelência do Memorial da América Latina, na cidade de São Paulo, e um marco urbano. Ela está pintada em muros e túneis da cidade, ao lado de reproduções dos principais pontos turísticos dessa cidade.

FUNDAÇÃO Memorial. Disponível em: <www.memorial. sp.gov.br/memorial/AgendaDetalhe.do?agendaId=1897>. Acesso em: 9 dez. 2014.

Cite exemplos de fatos do período colonial que complementam a afirmação de Niemeyer. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

A América | tema 3

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

143

FORA DE ESCALA E CORES FANTASIA

No final do capítulo, as atividades vão ajudá-lo a exercitar e sistematizar seu conhecimento. Entre os tipos de atividades, destacam-se a leitura de imagens e o registro sobre os conceitos estudados que você fará no Construindo o glossário geográfico.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Recurso digital exclusivo para professor.

Trabalhando com mapas e gráficos 8. Retome o mapa da página 70 e responda às questões a seguir.

84,6

92,3 86,1 79,7

85,3

90

88,5

Brasil: abastecimento de água e esgotamento sanitário segundo as grandes regiões, em % (2012-2013)

80

59,0,

47,0

60

58,2

50 40

44,7

37,9

Domicílios (em %)

70

30 Abastecimento de água

13,9

20 10

Esgotamento sanitário

te Oes troCen

Regiões

Sul

te

ste

es

de Nor

Sud

te Nor

Bra

sil

0

IBGE. PNAD. Síntese de Indicadores 2013. Disponível em: <ftp://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/Pesquisa_Nacional_ por_Amostra_de_Domicilios_anual/2013/Sintese_Indicadores/sintese_pnad2013.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2015.

Gráfico das condições de abastecimento de água e esgotamento sanitário, segundo as grandes regiões brasileiras (2012-2013).

a) Compare a porcentagem de domicílios com rede coletora nas grandes regiões do Brasil. b) Quais são as regiões brasileiras com mais de 80% de domicílios com rede geral de abastecimento de água? c) Em que medida as condições sanitárias de um país influenciam o IDH ?

EM SEU CADERNO, EXPLIQUE OS CONCEITOS A SEGUIR.

Construindo o glossário geográfico • IDH • PIB • PIB per capita

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

• Países emergentes • BRICS

O mundo globalizado | tema 2

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

85

No final de cada capítulo, há também atividades de leitura e interpretação de mapas e gráficos, que vão ajudá-lo a entender e usar esses elementos como fonte de informação sobre o espaço geográfico.

Geografia e cultura

Riqueza cultural na América Latina A América Latina apresenta uma grande riqueza cultural, que pode ser constatada em toda a produção artística, que começa com as sociedades que ocupavam o território bem antes da chegada dos colonizadores europeus. Poderíamos falar sobre o trabalho de inúmeros artistas que se destacaram nas artes plásticas, literatura, música e outras manifestações culturais. Das populações indígenas com suas festas e artesanato. Como não seria possível conhecer todo esse legado, escolhemos um representante da arte latino-americana. O muralista mexicano Diego Rivera (1886-1957) foi um dos maiores artistas plásticos mexicanos. Destacou-se por sua especialidade na prática do muralismo mexicano. A arte do mural é uma pintura na parede, ou sobre um muro ou um painel, que fica exposta constantemente, em que os artistas dirigem sua obra para o povo. Diego Rivera, José Clemente Orozco (1883-1949) e Davi Alfaro Siqueiros (1896-1974) são três grandes pintores muralistas. Para eles, o mural era uma arte pública e coletiva, que rompia com o individualismo da tradicional pintura de cavalete.

Rivera criou, entre 1921 e 1956, pinturas murais que, somadas, resultam em um total de 6 730 m2, distribuídos por dezenove prédios no México, oito nos Estados Unidos, um na China e um na Polônia. Rivera foi um militante comunista, e sua ideologia é expressa em sua obra. Foi um grande crítico do sistema capitalista. O movimento muralista no México ocorreu logo após a Revolução Mexicana, em 1910. O mural Indústria de Detroit foi encomendado por Edsel Ford, filho de Henry Ford, presidente da indústria automobilística que leva seu nome. Edsel pediu a Rivera que contasse em sua obra a história da indústria automobilística. Essa obra é encontrada no Instituto de Arte de Detroit e está exposta em duas paredes. Com essa encomenda, Edsel Ford quis homenagear a cidade de Detroit. Além de imagens das linhas de montagem tornadas famosas pela Ford, os murais também retratam os trabalhadores de escritório, aviões, pescadores e agricultores, bem como outras indústrias de Detroit na época, e profissões como médicos, farmacêuticos e químicos. Muitas pessoas se opuseram à obra de Rivera, mas Edsel Ford nunca respondeu às contestações.

A Geografia e as demais manifestações artísticas são tratadas nesta seção, que apresenta textos literários, letras de música, histórias em quadrinhos. Aqui também aparecem as dicas de livros, filmes e sites.

THE BRIDGEMAN ART LIBRARY/ KEYSTONE.

9. Observe o gráfico abaixo e responda às questões em seu caderno.

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Geografia e cultura

Trabalhando com mapas e gráficos

a) Que informação ele representa? b) Qual é o nível de IDH que predomina no continente sul-americano? c) Em qual continente os níveis de desenvolvimento predominantes são baixos? Quais são as consequências desses índices para a vida da população nesse continente?

Mural Indústria de Detroit, afresco de Diego Rivera, 1932-1933. Dimensão do painel inferior: cerca de 5,40 m 13,70 m.

206

# Revendo o tema Produção de texto

Revendo o Tema

Para escrever essa reportagem, utilize o roteiro a seguir e baseie-se na foto abaixo do acontecimento ocorrido em maio de 2013, naquele país. Escreva uma manchete bem atrativa para a reportagem. Oriente-se pelas seguintes questões para redigir o primeiro parágrafo da sua reportagem: MIKE THEISS/ NATIONAL GEOGRAPHIC CREATIVE/ CORBIS/ LATINSTOCK

• O que aconteceu? Esclareça o fato ocorrido e o seu contexto. • Quando? Cite em que momento ocorreu o fato. • Onde? Mencione o local onde se passou o fato. • Como? Explique como se deu o fato e sua repercussão. • Por quê? Nos demais parágrafos, discuta o acontecimento: explique a causa do fato e aponte suas consequências. Para isso, use os seus conhecimentos geográficos. Lembre-se de que a reportagem tem de esclarecer a foto e a manchete. Observe que a foto é acompanhada de uma legenda.

Foto do tornado que passou por Oklahoma, Estados Unidos, em 31 de maio de 2013.

Mural

Os EUA nos noticiários Em grupo, pesquisem notícias sobre os Estados Unidos em diferentes fontes. Cada grupo será responsável por um tema: • Grupos 1 e 2: a participação dos EUA em algum conflito político de outro país e as intervenções que realiza. • Grupos 3 e 4: os principais acontecimentos da política e da economia estadunidenses noticiados nas mídias internacionais. Montem um mural com as manchetes das notícias pesquisadas e discutam a importância dos fatos ou acontecimentos tratados nelas. Destaquem a influência desses temas no mundo globalizado. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

203

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Ao fim de cada Tema, uma seção de atividades variadas permite reunir e rever os conteúdos trabalhados. Entre essas atividades, destacam-se a produção de texto e de mural e as questões de exames para o ingresso em cursos do Ensino Médio e Superior.

P RO JE TO I I

Homens e mulheres: os mesmos direitos?

As mulheres estão cada vez mais presentes na política, em cargos gerenciais e administrativos de grandes empresas, nas universidades. Mas essa situação não é igual pelo mundo, e, em muitos países, os direitos das mulheres são desrespeitados. Levantar e analisar alguns dados sobre as desigualdades sociais entre homens e mulheres é o objetivo deste projeto.

Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) Em 2010, foi apresentado um novo índice para analisar o desenvolvimento humano de cada país. Assim, além de analisar as desigualdades entre os países, também foram verificadas as disparidades existentes no tratamento de homens e de mulheres. Esse índice chama-se Índice de Desigualdade de Gênero (IDG). O IDG inclui a saúde reprodutiva das mulheres, medida por meio das taxas de mortalidade maternal e fecundidade entre adolescentes, e também a representação feminina nos parlamentos e a participação no mercado de trabalho. Os valores vão de 0 (igualdade perfeita) a 1 (desigualdade total). De forma geral, a desigualdade entre os sexos diminuiu no mundo, com avanços registrados em 86 dos 136 países analisados, que representam mais de 93% da população mundial, mas as mudanças ainda são lentas. Segundo o Relatório Anual do Fórum Econômico Mundial de 2013, os países com os melhores índices de igualdade entre os gêneros são Islândia, Finlândia, Noruega e Suécia. As maiores desigualdades entre gêneros estão na África Subsaariana, no sul da Ásia e nos Estados Árabes. A realidade é que mulheres e meninas têm acesso à saúde, à educação e ao mercado de trabalho de maneiras desiguais pelo mundo. Leia os textos a seguir.

ZOONAR/ROBERT B. FIS/ EASYPIX

A matéria-prima do jornalismo é a notícia. A partir dela, pode-se escrever uma reportagem, que se apoia nos elementos da notícia, mas que vai além dela, porque questiona o fato, permite discussão sobre ele. Nesta atividade você deverá fazer o papel de um jornalista e escrever uma reportagem, em primeira mão (ou seja, você será o primeiro jornalista a divulgar o fato), sobre um tornado que passou por Oklahoma City nos EUA, não só divulgando como também apontando as causas desse acontecimento e as consequências para o ser humano e o meio.

Foto de mulher trabalhando em indústria metalúrgica em Copenhague, capital da Dinamarca, 2013. A Dinamarca era o 5o país com maior índice de igualdade de gêneros, em 2014.

Índice de Desigualdade de Gênero (IDG): medida que registra a perda em relação às metas em virtude de disparidades entre gêneros nas dimensões de saúde reprodutiva, capacitação e participação na população ativa. Os valores vão de 0 (igualdade perfeita) a 1 (desigualdade total).

113

Projeto No fim do Tema, a seção Projeto apresenta textos jornalísticos e científicos que abordam os conteúdos estudados, ampliando o conhecimento sobre o assunto. Por fim, as atividades do final da seção exercitam a compreensão de texto, a pesquisa e a sistematização de dados. 5


Sumário 1

O espaço geográfico mundial, 8

 s fronteiras Capítulo 1 A

na atualidade, 10

Estado, território e nação, 12 Aprofundando e refletindo, 17

Capítulo 4

D  a geopolítica do pós­ ‑guerra à globalização, 86

O mundo dividido após a Segunda Guerra Mundial, 87 Os dois sistemas político-econômicos, 92 A expansão do sistema capitalista e a globalização, 96

Fronteiras e disputas territoriais, 21

A formação dos blocos econômicos, 101

Atividades, 27

Aprofundando e refletindo, 104 Atividades, 107

Capítulo 2 A  s dinâmicas populacionais

no mundo, 30

Crescimento populacional, 31 A distribuição populacional, 37

#Revendo o tema, 108 Geografia e cultura, 110 Projeto II – Homens e mulheres: os mesmos direitos?, 113

A mobilidade das populações, 43 Aprofundando e refletindo, 48 Atividades, 52

#Revendo o tema, 54 Geografia e cultura, 56 Projeto I – Povos e territórios, 58

2

A América, 118

Capítulo 5 A  mérica Latina: quadro

natural e exploração dos recursos naturais, 120

A regionalização do continente americano, 121

O mundo globalizado, 66

 desenvolvimento e as Capítulo 3 O desigualdades entre os países, 68

Indicadores sociais e econômicos no mundo, 69 Regionalização do mundo e desenvolvimento dependente, 74 Aprofundando e refletindo, 80 Atividades, 83

6

3

As grandes paisagens naturais da América Latina, 122 Relevo e hidrografia da América Latina, 124 Os fatores climáticos na América Latina, 128 Os tipos de clima, as formações vegetais e as paisagens, 131 Exploração dos recursos minerais, 134 Aprofundando e refletindo, 141 Atividades, 143


 organização do espaço na Capítulo 6 A América Latina, 145

A dependência do sistema agroexportador, 146 Modernização e crescimento urbano, 151

4

A África, 212

 diversidade natural e Capítulo 9 A cultural do continente africano, 214

Aprofundando e refletindo, 157

O quadro natural do continente africano, 215

Atividades, 160

Diversidade: civilizações e culturas africanas, 225

 América Capítulo 7 A

Anglo-Saxônica, 162

Aprofundando e refletindo, 230 Atividades, 232

Quadro natural da América Anglo-Saxônica, 163 A colonização e a formação do território na América Anglo-Saxônica, 171

Capítulo 10 O  bstáculos ao

desenvolvimento humano, 234

A industrialização nos Estados Unidos, 173 Aprofundando e refletindo, 176

O passado colonial, 235

Atividades, 179

A descolonização da África, 238 Conflitos étnicos e desestabilidade política, 240

 organização espacial da Capítulo 8 A

América Anglo-Saxônica, 181

A expansão da indústria dos Estados Unidos, 182 A indústria da guerra e o poderio militar nos Estados Unidos, 184 A expansão da economia norte-americana e a industrialização no Canadá, 186 A economia estadunidense, 188

Aprofundando e refletindo, 242 Atividades, 244 Capítulo 11 E  conomia e desenvolvimento

humano na África, 246

A economia das regiões africanas, 247 A população africana e o desenvolvimento humano, 258

A indústria e o espaço agrícola na América Anglo­ ‑Saxônica, 189

Aprofundando e refletindo, 262

O espaço urbano na América Anglo-Saxônica, 192

#Revendo o tema, 267

Aprofundando e refletindo, 198

Geografia e cultura, 269

Atividades, 200

Projeto IV – Esporte: diferenças e oportunidades, 271

#Revendo o tema, 203

Atividades, 264

Geografia e cultura, 206 Projeto III – O movimento hip-hop, 208

Referências bibliográficas, 280

7


71 ALE RUARO/ PULSAR IMAGENS

1

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O espaço

geográfico mundial Neste tema vamos tratar dos seguintes conceitos: país, fronteira, conflito, nação e dinâmicas populacionais. No capítulo 1, o objetivo é compreender que cada país é um Estado constituído de território com fronteiras definidas e uma nação. Isso nos levará a entender mais sobre as guerras e os conflitos étnicos e territoriais no mundo.


No capítulo 2, vamos estudar as dinâmicas popu­la­ cio­nais: crescimento, distribuição e mobilidade. Como a população mundial se distribui pelo mundo? Por que exis­ tem grandes concentrações populacionais? Por que ocorrem migrações? Essas serão algumas das questões sobre as quais refletiremos nesse capítulo.

[1] Foto da ponte Getúlio Vargas-Agustín Pedro Justo, em Uruguaiana (RS), 2014. Na fronteira entre Brasil e Argentina, a ponte passa sobre o Rio Uruguai e tem dois nomes: Getúlio Vargas, na parte brasileira, e Agustín Pedro Justo, na parte argentina. [2] Foto de rua movimentada em Dacca, Bangladesh, 2013.

REAZSUMON/ DEMOTIX/ CORBIS/ LATINSTOCK

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Capítulo

1

As fronteiras na atualidade Espera-se que o aluno perceba que as linhas representadas no mapa indicam os limites políticos, isto é, as fronteiras entre os países do mundo. As linhas não existem “na realidade”; por isso não aparecem na imagem de satélite: são convenções políticas que indicam o limite e a fronteira entre os países.

As imagens a seguir mostram o planeta Terra. No entanto, são duas representações diferentes. No planisfério político, na próxima página, é possível observar as linhas que dividem o mundo em partes, enquanto a imagem abaixo não apresenta esse tipo de divisão.

PLANET OBSERVER/ UNIVERSAL IMAGES GROUP/ VISUALS UNLIMITED, INC./ GLOW IMAGES

Compare a imagem de satélite abaixo e o planisfério na página seguinte, e identifique as diferenças na representação do planeta Terra.

Composição de imagens de satélite do planeta, 2010.

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capítulo 1 | As fronteiras na atualidade

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O espaço geográfico mundial | tema 1

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Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 32.

Mapa-múndi da divisão política (2014).

Planisfério: divisão política (2014) ALLMAPS


Estado, território e nação As duas representações que você viu nas páginas anteriores são da superfície terrestre. No planisfério político, contudo, aparecem informações que a imagem de satélite não pode fornecer: por exemplo, o nome dos países e as linhas que demarcam as fronteiras entre eles. No entanto, o mapa político do mundo não foi sempre assim; essas fronteiras mudaram ao longo do tempo. De modo geral, podemos dizer que as fronteiras delimitam os Estados nacionais, também chamados países. Cada Estado nacional pressupõe a existência de um território e de uma nação. Nos mapas políticos, podemos observar as linhas que representam os limites entre os países, os quais constituem a forma de organização do espaço político mundial.

O surgimento dos Estados nacionais e a organização do espaço Foi a partir do século XV, no período histórico de transição entre a Idade Média e o Renascimento, que se formaram as bases para o surgimento dos Estados nacionais. Mudanças econômicas e políticas deram início às transformações na porção ocidental do espaço europeu, até então organizado em reinos, desde o fim do Império Romano, no século V. Ao longo de quase dez séculos (séculos V ao XV), a região europeia caracterizava-se pela existência de grandes propriedades rurais, chamadas de feudos, controladas pelos senhores feudais. Esses senhores tinham muitos poderes em seus territórios, como criar moedas, cobrar impostos, estabelecer leis, julgar processos e comandar seus próprios exércitos. Cabia também aos senhores feudais prestar fidelidade ao rei, apoiando-o militar e economicamente. A população dos feudos era formada por camponeses ou servos, que trabalhavam nas terras do senhor feudal e pagavam impostos sobre o que produziam e sobre tudo o que utilizavam em seu trabalho, por exemplo, as ferramentas de trabalho. No entanto, essa organização social e política foi alterada ao longo desse período de transição, principalmente com o desenvolvimento do comércio e a formação de uma classe social denominada burguesia, composta principalmente de ricos artesãos e grandes comerciantes. Tal classe social passou a controlar as trocas comerciais e detinha as riquezas (pedras e metais preciosos, principalmente) provenientes de suas atividades. Naquela época, a variedade de impostos instituídos para cada um dos feudos dificultava as trocas comerciais e o controle do poder. Assim, tanto aos comerciantes quanto aos reis interessava estabelecer um regime que centralizasse o poder político-territorial. Compôs-se então uma aliança entre a burguesia e os reis, com o objetivo de fortalecer o regime da monarquia, facilitar a livre circulação de mercadorias e moedas, bem como o comércio entre feudos, eliminando a autonomia local dos senhores feudais. 12

capítulo 1 | As fronteiras na atualidade

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FRANCISCO PRADILLA (1848-1921). A CAPITULAÇÃO DE GRANADA, 1882, MOSTRANDO MUHAMMAD XII CONFRONTANDO FERDINAND E ISABELLA. ÓLEO SOBRE TELA.

É nesse período que se forma o Estado moderno, com poder para fixar novos limites territoriais e unificá-los num território sob autoridade suprema, naquele momento, representada por um rei ou monarca. Assim como o exército passou a garantir a unidade territorial do Estado, os tributos foram aplicados pelo governo real de forma centralizada e passaram a sustentar as monarquias nacionais. Esse Estado formava-se de modo absolutista, ou seja, o poder estava centralizado na figura do rei, e somente a nobreza detinha o poder.

A capitulação de Granada, óleo sobre tela de Francisco Pradilla, 1882. A obra mostra o rei Muhammad XII entregando as chaves da cidade de Granada à rainha Isabel de Castela. Esse quadro retrata o período em que as nobrezas de Portugal e Espanha se uniram para lutar contra os povos árabes que ocupavam a Península Ibérica desde o século VIII. Foi assim que esses Estados conquistaram a unificação política de seus territórios, antes mesmo do século XV.

Nos séculos XV e XVI, com a formação das monarquias absolutistas na Europa, como Portugal, Espanha, França e Inglaterra, o poder estava centralizado na figura do rei. Nesse período, em cada monarquia, ocorreu a unificação da moeda, da língua e do único exército, que passou a defender o território e a garantir o poder de governo, no caso do rei e da nobreza, sobre todos que habitavam aquela porção territorial delimitada sob o controle do Estado. No século XVIII, no entanto, o Estado monárquico, centralizado no poder absoluto do rei, foi transformado em Estado nacional, no qual o poder soberano não mais emanaria do rei, mas do povo. Essa transformação na fonte do poder soberano do Estado moderno está ligada a um momento histórico marcado por importantes manifestações sociais. Foi a Revolução Francesa, em 1789, que provocou grandes mudanças políticas, sociais e econômicas, não só na França como em várias partes do mundo.

A Revolução Francesa e o Estado-nação De modo geral, até o século XVIII, o Estado tinha o monopólio do poder sobre a economia. Mas a mobilização da população na luta por direitos de liberdade, igualdade e fraternidade, lemas da Revolução Francesa, levou à criação do Estado-nação. A Revolução Francesa é o marco da queda do regime monárquico absolutista e da substituição do poder do rei com a promulgação da Constituição NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço geográfico mundial | tema 1

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JEAN-PIERRE HOUËL (1735-1813). A TOMADA DA BASTILHA, 1789. ÓLEO SOBRE TELA, 51 X 39 CM. MUSÉE CARNAVALET, MUSÉES DE LA VILLE DE PARIS.

dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 1789. Importante evento da História Moderna, a Revolução Francesa foi a expressão das mudanças políticas e sociais ocorridas no contexto dos ideais iluministas, que defendiam a ideia do indivíduo como figura central, capaz de conduzir a sociedade e sua própria vida, utilizando-se para isso dos instrumentos da razão e do conhecimento sobre as coisas. Desse modo, o poder emanava do povo, isto é, da nação, não mais de Deus nem do rei como representante divino. A ideia de nação foi adotada para identificar a unificação do povo, legitimando assim o poder do Estado, isto é, o povo passou a ser a própria fonte de poder do Estado nacional. O povo, então, manifesta sua vontade política aos governantes, que passam a representar os interesses desse povo, que forma a nação. É nesse contexto que nasce o conceito de cidadania tal como usamos hoje.

A tomada da Bastilha, de Jean-Pierre Houël (1735-1813), óleo sobre tela, 1789. A Bastilha era uma fortaleza que protegia um dos lados da cidade de Paris; era também uma prisão. Sua tomada e queda são, portanto, a representação da conquista da liberdade e da derrubada do Absolutismo, marcando assim o início da Revolução Francesa, em 1789.

Portanto, atualmente, ao falar de Estados nacionais, estamos nos referindo a um modelo de organização política e territorial que foi fortemente influenciado pelos ideais da Revolução Francesa. Um dos principais modelos de Estado nacional que se vê no mundo atual se caracteriza por um conjunto de instituições políticas, formadas pela divisão de poderes entre os órgãos Executivo, Legislativo e Judiciário, pelas instituições militares e também por uma série de órgãos e de serviços públicos, como escolas, hospitais, bancos. Esse conjunto de instituições está presente em todo o território nacional, a fim de organizar, administrar e unificar o território do país. 14

capítulo 1 | As fronteiras na atualidade

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Território e territorialidade O território corresponde à extensão definida pelas fronteiras de um Estado. A nação, com seu idioma, religiões e sua cultura, dá sentido e base à existência deste Estado. Por exemplo, há a nação brasileira, a nação colombiana, a nação japonesa, entre outras bem definidas dentro dos limites territoriais de cada país. Nesse sentido, ao falar de nação, estamos nos referindo à territorialidade de um grupo humano e o sentimento de exclusividade e de pertencimento desse grupo ao ocupar um território. Ou seja, a nação é elemento fundamental da formação do Estado. Por isso, a territorialidade não se refere necessariamente ao território de um Estado, mas corresponde também a um espaço dotado de características com as quais um povo se identifica e onde garante a sua sobrevivência, transformando-o de acordo com sua cultura e interesses. Por sua vez, nem sempre a territorialidade de um povo tem poder soberano sobre o espaço que ocupa, sendo, por isso, uma nação sem Estado. Podemos dizer que a nação possui sua territorialidade, mas nem todas as nações têm um Estado e um território. Isso significa que um país surge por meio do domínio de uma unidade político-territorial por parte do Estado, que muitas vezes se impõe a diversas nações. Por conta disso, em muitos países, o território de um Estado-nação agrega diferentes nações, que em muitos casos foram submetidas ao poder unificador do Estado, em nome da construção de uma única identidade nacional. Embora o Estado nacional, em sua formação, possa englobar diversas nações, ele apresenta uma língua nacional oficial e símbolos, como hino nacional, bandeira e brasões, bem como a cultura e os costumes. Esses são elementos que favorecem a construção da unidade nacional. Esse é o caso do Brasil e, notadamente, de outros países, como Espanha, Bélgica, Suíça entre outros, já que a organização política dos povos se dá por meio de seus Estados nacionais. Alguns cientistas sociais, como Darcy Ribeiro, que exerceu importantes cargos públicos na área da educação e da cultura na década de 1980, questionam a existência de uma “nação brasileira”, por causa dos vários povos indígenas que habitam o território brasileiro. No entanto, todos afirmam a existência de um Estado nacional, que pode reunir, em seu território, várias nações. No mundo atual veem-se nações que foram dominadas ou extintas, como algumas nações indígenas da América Latina, ou mesmo aquelas que, por não terem um Estado próprio, vivem históricos conflitos territoriais para se tornarem independentes, como é o caso do povo basco na Espanha.

A atividade 1 no fim do capítulo é referente ao assunto tratado neste tópico.

Língua e religião: elementos da identidade nacional Um dos elementos que define a identidade histórico-cultural de uma nação é a língua, instrumento da comunicação entre os indivíduos. Por isso, pode-se afirmar que a língua é capaz de identificar determinado grupo humano, como acontece com o mandarim, um dos idiomas falados na China por mais de 1 bilhão de habitantes, ou o hindi, uma das línguas oficiais da Índia. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço geográfico mundial | tema 1

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ALLMAPS

Planisfério: as línguas do mundo (2013)

Mapa-múndi das línguas do mundo (2013). O mapa mostra as línguas faladas pela maioria da população dos países. A legenda “Outras” refere-se a línguas específicas daquele lugar ou à possibilidade de determinada língua não apresentar um número expressivo de pessoas falantes no mundo. MAPS of world. World Languages, 2013. Disponível em: <www.mapsofworld.com/world-language-map.htm>. Acesso em: 13 nov. 2014.

As atividades 2 e 3 no fim do capítulo são referentes ao assunto tratado neste tópico.

Metrópole: no sistema colonial, a metrópole era a nação europeia que dominava suas colônias, como as latino­‑americanas, da Espanha e de Portugal, e as africanas, da Inglaterra e da França, entre outras. Dialeto: variante de uma língua restrita a uma comunidade inserida em outra maior da mesma língua.

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Alguns países e nações construíram sua unidade com base na língua trazida da metrópole, ou seja, de quando eram territórios coloniais. É o caso do português no Brasil, do francês e do inglês no Canadá, do francês na Guiana Francesa, do espanhol na maioria dos países da América Latina, do inglês nos Estados Unidos e em vários países africanos. Esse é um aspecto da influência que as colônias receberam antes de se tornarem países independentes. Em muitos desses países onde a língua oficial foi formada pela língua do país colonizador, parte considerável da população fala também a língua de seus ancestrais, ou seja, daqueles que ocupavam o território antes de ele ser explorado pelas metrópoles. É o caso de certos paí­ses africanos, onde há uma variedade de línguas e de dialetos locais, algo em torno de 2 mil línguas. Na África do Sul, por exemplo, é comum a população falar diferentes línguas, principalmente entre as pessoas com maior nível de escolaridade que vivem nos centros urbanos. Há também no continente asiático países cuja população fala a língua do colonizador e de seus ancestrais. Esse é o caso da Índia, onde há grande número de pessoas multilíngue, ou seja, que falam mais de uma língua. O inglês, língua herdada na colonização, e o hindi são línguas oficiais utilizadas pelo governo federal, no entanto há outras 21 línguas também reconhecidas oficialmente. No Brasil, embora a língua portuguesa tenha sido trazida de Portugal para cá, ela incorporou, em seu processo de formação, outras matrizes culturais, como as dos povos indígenas (principalmente grupos do tronco Tupi) e as dos povos africanos. Isso mostra que as línguas se modificam e constituem um produto histórico e geográfico da vida em sociedade.

capítulo 1 | As fronteiras na atualidade

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APROFUNDANDO E REFLETINDO

Nos grandes centros urbanos, muitas pessoas­ estão acostumadas a passar pelas ruas e observar outdoors, a ir a shopping centers e comer em fast-food, ou, ainda, a pedir um hambúrguer pelo delivery. Nas empresas, é comum os funcionários serem chamados para participar de uma web conference, já preocupados com o dia seguinte, que é o deadline para a entrega do job pedido pelo chefe. As expressões destacadas em itálico no parágrafo anterior são da língua inglesa, mas que, de tão incorporadas ao dia a dia dos brasileiros, já podem ser encontradas em dicionários de língua portuguesa. Observe a foto. Você sabe o que é sale? A famosa liquidação aparece anunciada da mesma maneira em países de línguas muito diferentes. Esse processo de incorporação de palavras de outro idioma é chamado estrangeirismo, e atualmente ocorre na maioria dos países. A língua é um dos principais elementos de identidade de uma população e apresenta um papel importante na comunicação e na cultura. Uma língua, mesmo com número reduzido de falantes e apenas com importância local, tem, ainda assim, um grande valor como patrimônio cultural. No mundo falam-se mais de 20 mil idiomas e dialetos, mas o inglês está presente, pelo menos no uso de algumas palavras, na maioria dos países. O man-

MALTE CHRISTIANS/ DPA/ AFP

A presença marcante da língua inglesa no mundo

Foto de uma vitrine de loja na cidade de Hamburgo, Alemanha, 2011. Venda de produtos é anunciada com expressão em inglês (sale), em diferentes partes do mundo.

darim é a língua mais falada no planeta, por causa da grande população chinesa; no entanto, não é a língua dominante e não tem estatuto internacional. O inglês é língua oficial ou cooficial de sessenta países. O inglês se tornou o idioma mais difundido no mundo. Nem o latim, nem o árabe, correntes linguísticas de grande uso no passado, foram tão universais como o inglês. A língua carrega traços da cultura, de modo que se pode dizer que a cultura estadunidense, por exemplo, se difunde principalmente por meio do uso de sua língua, hoje falada em diferentes lugares do mundo.

Destaque que há tendência de muitas línguas caírem em desuso ou desaparecerem, uma vez que os falantes descendentes de determinadas etnias não dão continuidade ao uso da língua materna, adotando a língua oficial do país ou de outro grupo na região onde vivem. Segundo a Unesco, em média, uma língua desaparece Leia o texto a seguir, que explica por que algumas línguas são tão faladas e conhecidas. por semana no mundo.

As línguas do mundo Do século XVII ao início do XX, o francês foi considerado a língua das elites internacionais da cultura e da diplomacia. Permaneceu como língua dominante no século XIX, embora a França tenha cedido o lugar de potência dominante à Grã-Bretanha. O Tratado de Versalhes (1919), que encerra a Primeira Guerra Mundial, foi o primeiro grande documento diplomático a ser redigido em francês e em inglês, o que pode ser considerado uma “passagem do bastão” de uma língua para outra. O sucesso da

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língua inglesa se deve ao fato de ser a língua de uma das principais potências europeias (a Grã-Bretanha) e, ao mesmo tempo, da potência mundial ascendente, os Estados Unidos. O uso de uma língua é o reflexo de uma herança histórica, notadamente a dos impérios coloniais: África de língua francesa e inglesa, América Latina de língua portuguesa e espanhola. É igualmente produto da atividade de um poder de um país. O inglês tornou-se hoje universal graças a sua base colonial importante

O espaço geográfico mundial | tema 1

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(África anglófona, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Estados Unidos). O fenômeno da globalização acentuou a vantagem comparativa do inglês, que agora pode ser usado como língua veicular entre pessoas de diferentes línguas maternas, inclusive

no interior de um mesmo Estado. O inglês – ou, antes, sua forma globalizada e simplificada, o globish, muito diferente do inglês literário – tornou-se, inegavelmente, a língua internacional das mídias, dos negócios e da cultura mundializada. É a língua da globalização.

BONIFACE, Pascal; VEDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009. p. 51.

1. E spera-se que os alunos analisem seu próprio cotidiano e sua própria experiência a respeito do uso da língua inglesa no dia a dia dos brasileiros.

1. Com seus colegas, façam um levantamento das palavras usadas no seu dia a dia que sejam de origem

inglesa. Depois, organizem essas palavras em diferentes categorias, conforme o exemplo a seguir.

Palavras de origem inglesa no dia a dia Usadas no trabalho

Ligadas a esporte

Ligadas a alimentação

Ligadas a vestuário

Ligadas a computação

Sobre as atividades a seguir, para mais informações, consulte a Assessoria Pedagógica.

2. Leia a frase a seguir, que foi extraída do texto da página anterior. Reescreva o parágrafo, trocando as

expressões em inglês por expressões em português. Verifique se você encontrou correspondente em português para todas as palavras.

Nos grandes centros urbanos, muitas pessoas estão acostumadas a passar pelas ruas e observar outdoors, a ir a shopping centers e comer em fast-food, ou, ainda, a pedir um hambúrguer pelo delivery. Nas empresas, é comum os funcionários serem chamados para participar de uma web conference, já preocupados com o dia seguinte, que é o deadline para a entrega do job pedido pelo chefe. 2. Sugestões de resposta: outdoors: cartazes de propaganda; shopping centers: centros comerciais; fast-food: rede de comida rápida e instantânea; delivery: sistema de entrega em domicílio; web conference: conferência pela internet; deadline: dia de entrega; job: tarefa.

Questões para refletir e debater: • Quais são as situações em que as palavras estrangeiras são mais usadas no dia a dia? • Explique o motivo do uso de palavras de língua estrangeira nessas situações. • Você concorda em incorporar palavras de origem estrangeira ao vocabulário da língua portuguesa? Justifique sua resposta. 3. Retome com os alunos os argumentos levantados pela questão anterior. Se julgar pertinente,

3. Leia a manchete e o trecho a seguir.

divida a sala em duas partes e organize um debate entre os grupos, que deverão defender suas posições baseadas em pesquisas feitas em casa e nos estudos realizados neste capítulo.

Questão para refletir e debater: Sobre as atividades a seguir, para mais informações, consulte a Assessoria Pedagógica. • Qual sua opinião sobre a atitude do governo chinês de proibir o uso do inglês em diversas mídias? Justifique a resposta e discuta com seus colegas se vocês concordariam ou não caso isso acontecesse no Brasil.

China proíbe uso do inglês em jornais, revistas e sites Agência do governo diz que língua estrangeira “prejudica pureza do chinês” Para preservar a “pureza” da língua chinesa, jornais, revistas, livros e sites da China ficarão proibidos de utilizar termos em inglês, anunciou uma agência governamental. R7. China proíbe uso do inglês em jornais, revistas e sites, 22 dez. 2010. Disponível em: <http://noticias.r7.com/internacional/ noticias/china-proibe-uso-do-ingles-em-jornais-revistas-e-sites-20101222.html>. Acesso em: 19 mar. 2015.

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capítulo 1 | As fronteiras na atualidade

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As culturas religiosas Existem muitas religiões, umas mais antigas, outras mais recentes, mas todas influenciam padrões de vida, visões de mundo e comportamentos dos povos das regiões onde são dominantes. A religião faz parte dos aspectos culturais de um povo, portanto, é um dos elementos que identificam uma nação. Embora todas as religiões tenham aspectos em comum – o respeito ao divino e o cumprimento da conduta baseada nos princípios religiosos –, existem grandes diferenças entre elas. Isso faz com que elas se tornem importantes fatores de identidade da população e de diferenciação cultural. Esse é o caso do povo tibetano, que, em sua maioria, pratica a religião budista. O budismo é um importante aspecto constitutivo da cultura tibetana e de grande parte da Ásia.

Autonomia política: refere-se à liberdade de governo e, portanto, de decisão política em relação ao território ocupado. No caso do Tibete, significaria o fim do domínio e do controle político exercidos pelo governo chinês no território tibetano.

O Tibete O Tibete é uma província que foi incorporada à República Popular da China em 1950 e cuja população luta para voltar a ter autonomia política, uma tentativa para preservar sua cultura. O governo tibetano, que não é reconhecido pelo governo chinês, é teocrático, isto é, o poder político está fundamentado também no poder religioso. Tenzin Gyatso, o 14o Dalai Lama, é o líder político e também mentor espiritual do povo tibetano atualmente. Quando o Tibete se transformou em região autônoma da China, passando a ser parte do território chinês e sob a autoridade do governo

chinês, o Dalai Lama e grande parte do povo fugiram e se tornaram refugiados na Índia, em Daramsala, onde se instalou um governo tibetano em exílio, que já dura mais de sessenta anos. Em 1989, o Dalai Lama recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Esse evento trouxe visibilidade mundial à causa tibetana, que encontra adeptos e simpatizantes no mundo todo. Ainda hoje, muitos tibetanos estão refugiados na Índia. Enquanto isso, o território tibetano, isto é, a província chinesa do Tibete, sofre grandes transformações culturais que põem em risco a preservação de sua cultura budista.

ALLMAPS

Tibete: localização (2013)

Elaborado com base em: ATLAS du 21e siècle. Paris: Nathan, 2013. p. 101.

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Mapa de localização do Tibete (2013).

O espaço geográfico mundial | tema 1

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Essa situação, na qual a religião é um importante elemento da cultura e da identidade nacional, também se refere aos muçulmanos, que difundiram sua religião por diversas regiões da Ásia e da África, introduzindo, assim, traços culturais marcantes.

O islamismo e o cristianismo

Observe o mapa. Quais são as religiões que predominam no espaço mundial?

Mapa da distribuição das principais religiões do mundo (2012). O mapa mostra a distribuição das religiões com maior número de fiéis (por número absoluto) no mundo. É comum que, em um mesmo país, sejam professadas diferentes religiões, mas seria difícil retratar todas elas no mapa. Por isso, o critério adotado para a escolha da religião de cada país é aquela com maior número de fiéis. Neste mapa também não são indicadas as divisões do cristianismo (católicos, protestantes e ortodoxos) e do islamismo (sunitas e xiitas).

As religiões que predominam no espaço mundial são o cristianismo e o islamismo. Veja outras informações na Assessoria Pedagógica.

O islamismo é a religião fundada pelo profeta Maomé no início do século VII, na região da Arábia Saudita. O islã é o conjunto dos povos de civilização islâmica, ou seja, o universo de adeptos dessa religião. Os muçulmanos são os seguidores da fé islâmica, também chamados por alguns de islamitas, encontrados principalmente no Oriente Médio e no norte da África, mas espalhados por todo o mundo. O cristianismo é uma doutrina que tem fiéis em todo o mundo, mas não está concentrada em um único povo. Apesar disso, pode-se dizer que os cristãos vivem, em sua maioria, em países do Ocidente.

ALLMAPS

Planisfério: distribuição das principais religiões do mundo (2012)

MAPS of world. World Religions, 2012. Disponível em: <www.mapsofworld.com/world-religion-map.htm>. Acesso em: 13 nov. 2014.

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capítulo 1 | As fronteiras na atualidade

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Fronteiras e disputas territoriais

ESA/ NASA

Os territórios, com seu povo, seus limites e sua forma de governo, são construções históricas. Uma imagem de satélite do planeta Terra, como a do início deste capítulo, não mostra as divisões políticas dos Estados nacionais, apenas as divisões naturais dos continentes e das ilhas. As divisões políticas são construções humanas elaboradas ao longo do tempo. Os mapas a seguir revelam diferenças de divisões políticas e mostram que as fronteiras estão em permanente modificação, se alteram ao longo da história.

As atividades 5 a 9 no fim do capítulo são referentes aos assuntos tratados neste tópico.

1

[1] Imagem de satélite de 2009 do continente europeu. [2] Mapa da divisão política da Europa (1815). [3] Mapa da divisão política da Europa (2010). A imagem de satélite mostra o continente europeu. Já o mapa da Europa de 1815 revela os limites entre os impérios e os países, e o mapa atual da Europa mostra as fronteiras entre os países.

2

Europa: divisão política (2010)

3 ALLMAPS

ALLMAPS

Europa: divisão política (1815)

BONIFACE, Pascal; VEDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009. p. 74. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

IBGE. Atlas geográfico escolar: ensino fundamental do 6o ao 9o ano. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. p. 89. O espaço geográfico mundial | tema 1

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É possível perceber nos mapas que os limites territoriais entre os países são marcados por linhas imaginárias. Algumas vezes, os limites são marcados por acidentes geográficos naturais, como rios ou serras, ou podem ser marcados de modo artificial, como muros e cercas, marcos construídos de concreto, guaritas com cancelas que dividem um Estado de outro. A maneira como os limites entre paí­ses foram estabelecidos varia muito, e na maior parte das vezes envolveu grandes conflitos, como as guerras. Na delimitação das linhas de fronteira, são estabelecidos acordos entre os países envolvidos. As definições das fronteiras são resultado de ações humanas e ocorreram ao longo da história, no passado e no presente.

Nações e os conflitos territoriais A unificação territorial de um Estado envolve a reunião das várias nações que o habitam. Algumas vezes, um território nacional corresponde a uma só nação, em outras, o território nacional não reconhece todos os seus habitantes como iguais. Podem-se encontrar diferentes nações dentro de um mesmo Estado-nação, convivendo de forma pacífica ou conflituosa. Por exemplo, no norte do Brasil, vive a nação Yanomami, indígenas que habitam o território brasileiro e também a Venezuela. No Brasil, a maior parte das aldeias onde vivem os Yanomami está no estado de Roraima, embora também possam ser encontradas no estado do Amazonas. A partir de 1950, ocorreram contatos entre Yanomami e não indígenas, tanto missionários religiosos quanto linguistas e antropólogos que, pouco a pouco, foram conhecendo a cultura desse povo. O território Yanomami é muito rico em recursos naturais, como cassiterita, ouro e outros minerais. Por isso, na década de 1990, garimpeiros ávidos pelas riquezas naturais se apossaram de terras Yanomami e provocaram violentas lutas, levando mais de 1 500 índios à morte.

ALLMAPS

Área onde vivem os Yanomami: localização (2014)

Mapa de localização da área onde vivem os Yanomami (2014). ISA. Disponível em: <http://ti.socioambiental. org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4016>. Acesso em: 18 nov. 2014.

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capítulo 1 | As fronteiras na atualidade

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EDSON SATO/ PULSAR IMAGENS

Foto de índia Yanomami fazendo beiju de mandioca na aldeia Kolul, em Amajari, Roraima, 2010. Os Yanomami habitam terras inférteis para a prática agrícola. São tradicionalmente guerreiros e caçadores. Possuem uma língua particular e costumes tradicionais que permitem reconhecê­‑los como uma etnia, embora seus integrantes possam viver em aldeias distintas.

Esse evento trouxe visibilidade às questões territoriais desses indígenas e, em 1992, o governo brasileiro homologou a Terra Indígena Yanomami. Há outros casos de conflitos por territórios, como ocorre com os curdos, na Ásia. Os curdos vivem em terras do Iraque, Irã, Síria, Turquia, Armênia e Azerbaijão. Considerados a maior nação sem Estado no mundo, os curdos reivindicam a criação de um país próprio, o Curdistão. O povo curdo é constituído de um agrupamento de famílias que vivem em tribos. Dentre as principais atividades econômicas que desenvolvem estão o pastoreio e a fabricação de tapetes artesanais. São majoritariamente muçulmanos sunitas, organizam-se em clãs e, em algumas regiões, falam somente o idioma curdo. A partir de meados do século XX, ocorreram rebeliões curdas na Turquia e no Iraque em defesa da criação do território curdo.

Etnia: coletividade de indivíduos que apresentam uma especificidade social e cultural, refletida principal­mente na língua, na religião e nas maneiras de agir; grupo étnico. Sunita: maior ramo do islã, ao qual pertence a maioria dos muçulmanos. Outro ramo do islã são os xiitas, que são minoritários.

ALLMAPS

Curdistão: nação sem Estado (2008)

Mapa de localização da população curda (2008). SMITH, Dan. Atlas do Oriente Médio. São Paulo: Publifolha, 2008. p. 91.

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O espaço geográfico mundial | tema 1

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CARSTEN KOALL/ GETTY IMAGES

O projeto de um Estado curdo tem opositores não só dos governos da região, que reprimem com violência os separatistas, mas também dos governos de países ocidentais, por causa de interesses nessa região, onde se localizam grandes reservas de petróleo.

Foto de família curda fugindo da guerra, na fronteira de Síria e Turquia, em Suruc, 2014. Suruc fica próximo a Kobani, onde os curdos expulsaram tropas do Estado Islâmico (Isis) em janeiro de 2015, com um exército no qual as mulheres exerceram papel determinante para derrotar os invasores.

Em 1992, foi criado o governo regional do Curdistão, que controla três províncias de maioria curda no norte do Iraque. No entanto, essa região não tem fronteiras definidas e esse governo não tem autonomia para exportar o petróleo, produto importante para o desenvolvimento econômico da região.

A ação do Estado Islâmico em áreas ocupadas pelos povos curdos O Estado Islâmico do Iraque e da Síria (Isis, sigla em inglês) é uma organização que surgiu após a invasão dos Estados Unidos da América (EUA) e seus aliados no Iraque. Ganhou força (entre os anos de 2011/2013) com a guerra civil na Síria, e em 2014, ocupou extensas áreas do norte do Iraque e da Síria, tomando cidades curdas e provocando a fuga de milhares de pessoas. O objetivo desse grupo extremista é usar a luta armada e expandir-se por toda a região, utilizando-se de extrema violência. Uma das táticas de ação, usada em 2014, quando iniciaram a invasão no norte da Síria e do Iraque, foi a decapitação de prisioneiros e o envio de vídeos com imagens das execuções para serem divulgadas pelo mundo. Diante da ação de tanta violência desse grupo extremista islâmico, países como EUA, Inglaterra, França, Austrália, além de aliados árabes e forças militares curdas, lançaram ofensivas aéreas nas regiões ocupadas pelo Estado Islâmico a fim de combater a ação desse grupo na região. Ainda sobre conflitos por questões territoriais, é possível citar os palestinos. Atualmente eles esperam pela criação de um Estado palestino, em contrapartida à criação do Estado de Israel, em 1948. O fato de o Estado palestino não ter sido criado naquela ocasião, juntamente com Israel, provocou a expulsão de 70% dos palestinos da região e acirrou as guerras e disputas territoriais. 24

capítulo 1 | As fronteiras na atualidade

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


FINBARR O'REILLY/ REUTERS/ LATINSTOCK

A Cisjordânia, invadida pelos israelenses em 1967, na Guerra dos Seis Dias, é uma região de permanente conflito entre árabes palestinos e judeus israelenses. Na região, estão vários locais sagrados para os judeus e para os palestinos. Atualmente, muitos palestinos ficam sob as medidas de restrições dos israelenses, que controlam também os recursos hídricos da população.

ALLMAPS

Cisjordânia-Faixa de Gaza-Israel: localização (2014)

Elaborado com base em: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 103.

Mapa de localização da Cisjordânia - Faixa de Gaza - Israel (2014).

Foto de médico ajudando palestino, após ataque israelense na Faixa de Gaza, 2014. O conflito deixou um rastro de destruição: muitos civis morreram, mais de 10 mil estruturas foram destruídas – como residências, estradas, escolas, mesquitas, hospitais etc. – e cerca de 108 mil pessoas ficaram desabrigadas na região, que deve levar anos para ser reconstruída.

CARLOS LATUFF

Charge a respeito do muro de 8 metros de altura construído na Cisjordânia por Israel, de 2009. No balão de fala, à esquerda, está escrito, em inglês, “Aniversário do Muro de Berlim”; e a cena exibida na televisão mostra o muro sendo destruído. À direita, lê-se “Muro de Israel” e observa-se um palestino tentando ultrapassar a barreira. Esse muro avança sobre o território palestino e cria um novo limite territorial para Israel sobre a Cisjordânia, ocupada pelos palestinos. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço geográfico mundial | tema 1

25


AP PHOTO/ CHRISTOPHE ENA/ GLOW IMAGES

Isso acontece porque há nações que não têm independência política, ou seja, não estão organizadas sob um governo independente e não constituem um Estado soberano, embora tenham sua territorialidade. Por terem uma identidade étnica, com língua e costumes que as identificam e as diferenciam de outros povos, e por quererem ser reconhecidas para defender os direitos de sua identidade cultural e territorial, lutam e, muitas vezes, entram em conflitos armados com outros povos. Esses conflitos desencadeados no interior de um país são chamados de conflitos separatistas, que correspondem à luta comandada por um grupo de pessoas que deseja sua independência política e formação de um novo Estado. Os muitos conflitos ocorridos no século XX, e que se estendem aos dias atuais, geralmente são longos e violentos. Não acontecem somente dentro das áreas de disputa, mas se espalham para outros países e fazem inúmeras vítimas. Os atentados terroristas são características da atuação de grupos armados separatistas, embora não se possa afirmar que todos os movimentos separatistas sejam terroristas. O terrorismo usa a violência para fins políticos e, geralmente, provoca destruições de grande impacto a seus inimigos. Por isso, os ataques terroristas costumam ocorrer em lugares públicos e simbólicos, locais de culto e de encontros, em redes de transportes, entre outros. Em muitas de suas ações, embora o verdadeiro objetivo seja atingir os governos ou contrariar os interesses rivais, as vítimas são civis. Isso acaba gerando medo e insegurança na população em geral. Esses atos são realizados por indivíduos isolados ou por grupos organizados. Importante lembrar que esses grupos não representam a maneira de atuar ou de defender os direitos humanos de todos os povos. Nos países onde existe liberdade de expressão, como em países democráticos, a disputa por direitos é, normalmente, mais pacífica.

Foto de pessoas acendendo velas em homenagem às vítimas do atentado ao Museu Bardo, em Túnis, Tunísia, 2015. A autoria do ataque terrorista foi do grupo Estado Islâmico.

26

capítulo 1 | As fronteiras na atualidade

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


ATIVIDADES 1. O  s Estados nacionais

1. Explique a afirmação a seguir definindo os conceitos de território e fronteira: Os Esta- organizam-se em diver-

sas instituições: políticas (que formam os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, por exemplo), 2. Pode-se afirmar que a língua portuguesa contribui para a construção da identidade nacio- militares (os exércitos), civis (as escolas, as nal? Justifique. universidades, os serviços bancários, a sociedade 3. Observe o mapa Planisfério: as línguas do mundo (2013), da página 16 e responda às civil organizada). Essas instituições estão presenquestões: tes no território que forma a) O que é um país multilíngue? Utilize as informações do mapa para justificar a sua resposta. o Estado nacional. Os territórios são demarcab) Qual é o idioma oficial predominante na América do Sul? Justifique sua resposta. dos ou delimitados pelas fronteiras, que separam 2. Sim, a língua portuguesa é um dos elementos que 4. Observe os mapas e responda às questões. atribuem identidade à nação brasileira. Ela unifica a comu- os Estados nacionais entre si. nicação entre a maioria absoluta da população. As respostas das atividades 4 e 5 encontram-se na Assessoria Pedagógica.

dos nacionais exercem o poder em um determinado território unificado e delimitado por fronteiras.

Brasil Império: divisão política (1822-1889) ALLMAPS

ALLMAPS

Brasil: divisão política (2014)

ALBUQUERQUE, Manoel M. de. Atlas histórico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1986.

Mapa da divisão política do Brasil Império (1822-1889).

Elaborado com base em: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 94.

Mapa da divisão política do Brasil (2014).

a) Compare o contorno das fronteiras do Brasil Império com o contorno do Brasil atual. Que alteração ocorreu nas fronteiras brasileiras nesse período? b) A alteração no território do Brasil, mencionada na questão anterior, foi determinada pelo Tratado de Petrópolis, realizado em 1903. Pesquise: 3. a) Multilinguismo é o uso de mais • Esse tratado determinou quais alterações territoriais? de uma língua por um mesmo povo ou população de um país. Por exemplo, a • Quais países estavam envolvidos nessa disputa? Argélia tem o francês e o árabe como línguas oficiais e a Índia tem o inglês, o • Quais povos ocupavam esse território? hindi e o bengali como línguas oficiais. • Qual foi o resultado expresso no tratado?

3. b) O idioma oficial predominante na América do Sul é o espanhol. Isso acontece porque o espanhol é a língua oficial do país colonizador, a Espanha.

5. Explique por que as fronteiras são construções históricas. Para isso utilize o exemplo das

fronteiras no continente europeu, principalmente a partir do século XIX. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço geográfico mundial | tema 1

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6. Algumas vezes, um território é habitado por 6. Por que diferentes nações podem ser encontradas dentro de um mesmo território? uma só nação. Outras vezes, a formação do 7. Um Estado-nação pode ser formado por várias nações. Esse fato pode dar origem a conterritório de um Estado flitos entre os habitantes de um mesmo país? pode envolver a reunião de várias nações que o habitam. Esse processo 8. Sobre as disputas territoriais no Brasil: histórico de formação a) Dê um exemplo de uma nação no Brasil que teve suas terras demarcadas. do território e do Estado pode ser pacífico ou conb) Identifique as características do modo de vida desse povo. flituoso. O Estado pode c) Explique por que suas terras foram motivo de disputa. não reconhecer todas as pessoas que habitam seu território. Também pode haver grupos de Trabalhando com mapas e gráficos 9. O Brasil faz fronteira com a Venezuela ao norte pessoas que, vivendo em um território, reivindicam do país. Essa fronteira foi estabelecida pelo Tratado de 1859 e pelo Protocolo de 1928. As serras estabelecem os limites físicos a separação por sentirem entre os dois países. O Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil, localiza-se na serra que delimita os países. que não pertencem àque- 9. Os limites entre os países podem ser estabelecidos por diferentes elementos da natureza, le país, que pertencem a como rios, montanhas, serras etc. A partir da informação do mapa e da fotografia apreoutra nação.

sentados abaixo, elabore um texto sobre os limites do Brasil e da Venezuela.

8. c) As terras habitadas por eles possuem recursos naturais de grande interesse comercial, como cassiterita, ouro e outros minerais, o que aguçou o interesse por parte de garimpeiros e empresas mineradoras.

S e rra d o I m er

i

Mapa da divisão política do Brasil e da Venezuela (2010). IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 88.

Foto do Pico da Neblina, em São Gabriel da Cachoeira, Amazonas, 2010. A fronteira do Brasil com a Venezuela, delimitada pelo Tratado de 1859 e pelo Protocolo de 1928, tem uma extensão de 2 199 km e está perfeitamente demarcada. Uma parte dos limites é estabelecida pelas serras, onde se localiza o ponto mais alto do Brasil, o Pico da Neblina.

ALLMAPS

8. a) No texto, um exemplo de nação que teve suas terras demarcadas são os Yanomami. 8. b) Os Yanomami estão presentes em grande número no estado de Roraima. Eles são tradicionalmente guerreiros e caçadores. Seu dialeto e costumes tradicionais os definem como uma etnia, mesmo habitando aldeias diferentes.

Brasil e Venezuela: divisão política (2010)

FLAVIO BOCARDE. FONTE: ACERVO DO PARQUE NACIONAL DO PICO DA NEBLINA/ICMBIO

7. Uma determinada nação, com sua etnia e cultura própria, pode ter a intenção de formar seu próprio Estado-nação. Consequentemente, pode querer se separar do Estado-nação do qual faz parte e, dessa maneira, formar seu próprio país soberano. Esse fato pode gerar conflitos com habitantes contrários à separação e o próprio governo.

10. a) Brasil e Venezuela. 10. b) Os Yanomami habitam 10. Observe o mapa de localização da área ocupada pelos Yanomami (2014) da página 22 e o território brasileiro juntaresponda às questões propostas. mente com outros grupos não indígenas. Portanto, a)  Em quais territórios nacionais vive a nação Yanomami? diferentes nações ou Explique por que a nação Yanomami é um exemplo de que nem sempre um Estadopovos podem ocupar um b)  mesmo território, convi-nação é ocupado por apenas uma única nação. vendo de forma pacífica ou não.

28

capítulo 1 | As fronteiras na atualidade

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


11. Observe os gráficos abaixo. Em seguida, responda às questões no caderno.

As dez línguas mais faladas no mundo (2013)

848

78

84

122

193

250

244

260

335

500

167

750

414

Em milhões de falantes

1 000

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0

Idiomas

Algumas publicações apresentam o árabe entre as 10 línguas mais faladas. No entanto, a 1a língua árabe que aparece nesta listagem é a do Egito, com 54 milhões de falantes. OBSERVATÓRIO da Língua Portuguesa. As dez línguas mais faladas no mundo (2013), 3 jul. 2013. Disponível em: <http:// observatorio-lp.sapo.pt/pt/dados-estatisticos/as-linguas-mais-faladas/10-linguas-mais-faladas-no-mundo>. Acesso em: 19 nov. 2014.

Gráfico das dez línguas mais faladas no mundo (2013).

1 600 000 000 1 400 000 000 1 200 000 000 1 000 000 000 800 000 000 600 000 000 400 000 000 200 000 000 0

1 267 401 849

1 393 783 836

Os dez países mais populosos do mundo (2013)

11. a) Mandarim, espanhol, inglês, português e hindi. 11. b) O mandarim é a língua mais falada no mundo, sobretudo porque a China possui mais de 1 bilhão e 350 milhões de habitantes. 11. c) O uso do inglês em países de vários continentes é reflexo de um processo histórico relacionado aos impérios coloniais. Estados Unidos, na América, e outros países africanos e asiáticos foram colônias da Inglaterra. Além disso, atualmente os Estados Unidos exercem grande influência política e cultural sobre diversos países do mundo. 11. d) O inglês. Historicamente, a Inglaterra teve várias colônias sob seu domínio no mundo e, nos dias atuais, o inglês é usado como língua predominante em encontros de governos nacionais e em transações comerciais, entre outras situações.

a

142 467 651

185 132 926

Ru

ão

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178 516 904

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126 999 808 o

Ja

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Es

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

252 812 245

322 583 006

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Ch

il

202 033 670

as

Br

158 512 570

Ba

ng

lad

es

h

Habitantes

• Fronteiras: limites políticos construídos historicamente que marcam a separação entre dois ou mais territórios de países distintos. As fronteiras podem ser definidas de acordo com elementos naturais da paisagem ou em tratados políticos sem relação com os elementos Países naturais. IBGE Países, 2013. Disponível em: <www.ibge.gov.br/paisesat/main_frameset.php>. Acesso em: 3 dez. 2014. • Território: nome dado ao espaço geográfico deliGráfico dos dez países mais populosos do mundo (2013). mitado pela extensão das fronteiras de um Estado. • Territorialidade: é uma a) Quais são as cinco línguas mais faladas na atualidade? construção histórica que b) Observe agora o gráfico dos dez países mais populosos do mundo. Explique o fato corresponde a uma porção territorial com a qual de a língua chinesa ser a mais falada no mundo atualmente. o povo que a habita se c) Explique por que o inglês é falado em muitos países do continente africano, asiático identifica, garantindo sua sobrevivência e cultura. e mesmo na América. • Nação: é o nome que d) Qual é a língua mais usada por falantes de todo o mundo e reconhecida internacio- se dá ao povo que apresenta características nalmente? em comum, como língua e religião. Pode ou não EM SEU CADERNO, EXPLIQUE ter um Estado que o reConstruindo o glossário geográfico OS CONCEITOS A SEGUIR. presente como nação, ou seja, pode ou não ter um território sobre o qual tem • Fronteiras • Territorialidade poder soberano. A nação é também um elemento • Território • Nação fundamental da formação do Estado nacional. O espaço geográfico mundial | tema 1

29


Capítulo

2

Nesta imagem, as áreas mais claras são os pontos de luz (iluminação artificial) das cidades, que revelam as áreas mais densamente ocupadas no planeta. Pela concentração de pontos luminosos é possível identificar alguns países, como Brasil, EUA e Japão, e continentes, como a Europa. Espera-se que o aluno faça alguma referência ao Brasil, que tem as áreas mais urbanizadas no litoral do Oceano Atlântico.

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As dinâmicas

populacionais no mundo EARTH DAY IMAGE GALLERY/ NASA

Composição de imagens noturnas da superfície da Terra, obtidas por satélite em 2012.

Observe a composição de imagens de satélite. O que são as áreas mais claras? Você reconhece algum país, alguma fronteira ou regiões ao observar essa imagem?

capítulo 2 | As dinâmicas populacionais no mundo

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Crescimento populacional

SAIKO3P/ DREAMSTIME.COM

A imagem na página anterior resulta da montagem de diversas fotos de satélites, obtidas durante seguidas noites em cada região da Terra. Ao olhar para essa composição de imagens, podem-se ver áreas diferenciadas por cores mais claras, que são formadas pelo brilho das luzes das cidades emitidas à noite, o que significa consumo e disponibilidade de energia. Nessa imagem, não é possível identificar as fronteiras ou os países, mas podem ser vistas áreas de concentração humana, além de partes mais escuras, que são regiões menos populosas. É uma imagem que revela aspectos da ocupação humana e de sua distribuição geográfica sobre a Terra.

Foto de vista noturna de Hong Kong, China, 2013. Hong Kong corresponde a um dos pontos de concentração de luzes que podem ser observados na composição de imagens da página anterior. Depois que anoitece, a paisagem de Hong Kong se apresenta toda iluminada.

Ao observar a composição de imagens de satélite da página anterior, é possível perceber que a população mundial não está distribuída de modo uniforme pelo planeta, ou melhor, sobre os 30% da superfície terrestre que correspondem aos continentes. Entretanto, atualmente, a quantidade de habitantes é bem maior que a de séculos atrás. O crescimento populacional, a distribuição da população mundial pela superfície terrestre e a migração de pessoas entre os países são os temas também estudados pela Geografia.

Existem imagens de satélite que mostram áreas de concentração humana, áreas de incêndio na Amazônia, rotas pesqueiras no Japão, poços de petróleo nos desertos da Arábia, entre outros temas.

Uma população cada vez mais numerosa A população mundial levou quase dois mil anos, entre a Antiguidade e a Idade Moderna, para se duplicar. Ainda que houvesse elevada taxa de natalidade, ela estava acompanhada da taxa de mortalidade quase na mesma proporção. A fome, as guerras e, principalmente, as epidemias chegavam a dizimar povos inteiros. Antes do século XVIII a contagem da população mundial era de cerca de 250 milhões de habitantes; em meados desse mesmo século, mais de 700 milhões de pessoas passaram a ocupar a superfície da Terra. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço geográfico mundial | tema 1

31


O crescimento da população mundial, que nesse período acelerou e duplicou rapidamente, ocorreu, sobretudo, na Europa, em virtude das transformações do modo de vida decorrentes da Primeira Revolução Industrial, fenômeno que trouxe muitos avanços nas condições de sobrevivência das sociedades. Em 2014, a estimativa da população era de mais de 7,2 bilhões de pessoas; segundo a ONU, a população atingirá em 2050 a marca dos 9 bilhões. Crescimento da população mundial (1750-2014)

7,

20

0

8

6,

12

3

7

5 4

2,

53

2

3

26 1,

97 0,

0,

79

1

8

2

65

0

2

1,

População (em bilhões de habitantes)

6

1

14

00

20

20

50 19

00 19

50 18

00 18

17

50

0

Anos

Gráfico do crescimento da população mundial (1750-2014).

ONU. World Urbanization Prospects, the 2014 Revision, 2014. Disponível em: <http://esa.un.org/unpd/wup/ Highlights/WUP2014-Highlights.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2014.

O ritmo de crescimento populacional acelerou à medida que o ser humano passou a desenvolver meios de superar as limitações, como as ocasionadas pela natureza e pela própria sociedade. O ser humano, então, passou a aumentar sua capacidade de ocupação e sobrevivência sobre a superfície terrestre. Esse crescimento proporcional foi possível porque mais pessoas obtiveram os meios para lidar com os desafios da sobrevivência. Também, com melhores condições materiais ao longo do desenvolvimento da vida, mais pessoas puderam ter filhos e se manter por mais tempo.

A Revolução Industrial e as descobertas na área de saúde Com a formação da civilização industrial na Europa, núcleos de povoamento que abrigaram as primeiras fábricas passaram a constituir núcleos urbanos com maior quantidade de população. Afinal, muitas pessoas migraram do campo para morar nas cidades e trabalhar nas fábricas, levando ao aumento da densidade populacional urbana. 32

capítulo 2 | As dinâmicas populacionais no mundo

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DUDLEY STREET – SEVEN DIALS. EM: GUSTAVE DORÉ E BLANCHARD JERROLD. LONDRES, UMA PEREGRINAÇÃO. ILUSTRAÇÃO DE GUSTAVE DORÉ. LONDRES, 1872.

Cidades foram construídas e outras cresciam e, com elas, aumentava a preocupação com os problemas de saúde, pois à medida que as formas de produção fabril transformavam as condições da vida, aumentavam também a miséria e o número de doenças nas cidades. Muitas pessoas chegavam às cidades que não tinham infraestrutura necessária para acolher os novos habitantes, por exemplo, sistema de água e de esgoto, coleta de lixo e moradia adequada. Tal situação colocava em risco a vida dos trabalhadores e, com efeito, a produção e a distribuição das mercadorias eram prejudicadas. Por isso, a questão da saúde se tornou um fenômeno social e não um fato isolado, relacionada apenas ao indivíduo doente. A Revolução Industrial marcou o começo de uma revolução tecnológica e científica em várias áreas do conhecimento, como a Medicina, a Engenharia Civil e a Mecânica, entre outras ciências que surgiram para apoiar o desenvolvimento do novo modo de vida nas cidades. A solução dos problemas sanitários e a evolução das descobertas científicas e do desenvolvimento de vacinas no início do século XX foram determinantes para a diminuição da mortalidade infantil e da população em geral. Com o aumento da expectativa de vida, inicialmente nos países da Europa e, depois, no mundo como um todo, ocorreu o considerável aumento da população mundial. Podemos considerar tam­bém­outro fator para o crescimento da população mundial no século XIX, sobretudo na Europa. Com o advento da indústria e a expectativa de que a vida melhorasse com mais empregos e tecnologia, muitos jovens trabalhadores passaram a se casar e a ter mais filhos, causando o aumento da taxa de natalidade ao lado do aumento da expectativa de vida. Expectativa de vida (ou esperança de vida): refere­‑se ao número médio de anos que uma pessoa ou um grupo de pessoas pode viver. Para o cálculo da expectativa de vida utilizam-se as taxas de mortalidade por idade dos integrantes de uma população e calcula-se a média.

Dudley Street – Seven Dials, gravura em madeira de Gustave Doré, 1872. A obra retrata Londres e as precárias condições de vida da época. Note que as crianças estão descalças e brincam em uma rua com aglomeração de pessoas. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço geográfico mundial | tema 1

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Em meados do século XX, houve uma explosão demográfica, ocasionada pelas elevadas taxas de natalidade nos países pobres da Ásia, da América Latina e da África, pelo decréscimo das taxas de mortalidade em todo o mundo e pela elevação da expectativa de vida. Esses fatores intensificaram o ritmo de crescimento da população no século XX.

A relação campo e cidade

THE GRANGER COLLECTION, NEW YORK/ OTHER IMAGES

As técnicas científicas, isto é, as tecnologias, foram determinantes para aumentar o ritmo do crescimento da população, que passou a viver nas cidades. No entanto, embora vivendo nas cidades, a população continuou precisando de produtos oriundos do campo, especialmente os alimentos e diversas matérias-primas. E os moradores do campo também passaram a depender dos objetos produzidos na cidade. É a intensificação da relação campo-cidade. Os alimentos que fazem parte da alimentação cotidiana (mesmo os que passaram por alguma alteração industrial) foram plantados no campo, seja por trabalhadores rurais, seja com a ajuda de máquinas agrícolas. Isso quer dizer que, com o desenvolvimento da civilização industrial, ficou marcada a divisão do trabalho entre a cidade e o campo e estabeleceu-se uma relação de interdependência entre esses dois espaços.

Campo de algodão, óleo sobre painel de Walker William Aiken, século XIX.

34

A Revolução Industrial transformou, portanto, não apenas o modo de produzir as mercadorias, tornando os processos produtivos mais rápidos, eficientes e interdependentes entre si. Foi também uma revolução do modo de vida. As cidades foram crescendo e novas cidades surgiram em razão das atividades industriais, de comércio e serviços que nelas se estabeleciam. Paralelamente, a cidade exigia infraestrutura de água, esgoto e serviços urbanos, como saúde, transporte, educação, entre outros, às populações trabalhadoras.

capítulo 2 | As dinâmicas populacionais no mundo

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THE BRIDGEMAN ART LIBRARY/ KEYSTONE

O índice de população urbana cresceu enormemente, pois as novas profissões e os novos empregos atraíram a população do campo para a cidade. O trabalhador da cidade, assalariado nas fábricas, recebia um salário para que pudesse consumir aquilo de que necessitava.

Bar Temple na Rua Feet, gravura de Fahey Edward Henry (1844-1907), 1870. A obra retrata a cidade de Londres no final do século XIX, que já apresentava grandes construções e um número de habitantes expressivo.

O campo e a cidade hoje A população das cidades sempre necessita das atividades praticadas no campo, sobretudo para produção de alimentos. Entretanto, a produção do campo em algumas regiões, por estar cada vez mais sofisticada tecnologicamente, com o emprego de agrotóxicos, fertilizantes, máquinas inteligentes, previsões meteorológicas, está se tornando extremamente dependente dos objetos e informações científicas produzidos nas regiões urbanas. Para observar a extensão do modo de vida urbano hoje, podemos verificar também o estilo de vida camponês. O trabalhador rural tem sido transformado num cidadão cada vez mais dependente das regiões urbanas, pois embora viva em áreas agrícolas e sua produção dependa de insumos e equipamentos da cidade, a energia elétrica, os televisores, a geladeira, o automóvel, o telefone e outros objetos de consumo doméstico, além dos serviços produzidos nas cidades maiores, transformaram definitivamente a organização da vida e o tempo lento do campo. Também, além da mudança no estilo de vida cotidiano do camponês, muitas atividades agrícolas são, hoje, agroindústrias modernas, como acontece com a produção da soja na região Norte do Brasil e do fumo no Sul. Veterinários, agrônomos, especialistas em adubos e outros profissionais moram nesses lugares: daí por que as modernas paisagens rurais são regiões agrícolas que contêm cidades, além do campo tradicional. Essas cidades de agronegócios são um tipo de cidade do campo, um campo moderno. O que não quer dizer que não existam milhares de pessoas produzindo pequenos excedentes para vender aos aglomerados urbanos, mas estas atividades rurais podem estar tanto nas regiões agrícolas quanto nas regiões urbanas.

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O espaço geográfico mundial | tema 1

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Quantas pessoas vivem em sua cidade? Qual é a taxa de urbanização do município em que você vive? Pesquise esses dados. Geralmente, esses dados podem ser obtidos na prefeitura do município ou, pela internet, no site do IBGE com informações sobre os municípios brasileiros: <http://www.ibge. gov.br/cidadesat/>. Acesso em: 21 abr. 2015.

A circulação do dinheiro durante esse processo de produção e consumo fez com que mais e novas mercadorias fossem produzidas para serem consumidas. O desenvolvimento dos transportes permitiu que o alimento e muitos produtos pudessem vir de lugares distantes e chegar aos habitantes das cidades. A moeda de troca na forma do dinheiro se tornou presente entre as atividades econômicas, enquanto cidades cresciam em função das necessidades da própria dinâmica urbana. Bancos e correios passaram a compor a paisagem e a dinâmica das cidades. Desse modo, a parcela da população urbana no total da população mundial veio a crescer, aprofundando o processo de industrialização ao lado da urbanização no mundo. A Inglaterra foi o primeiro país do mundo a se tornar predominantemente urbano e, em 1850, mais da metade da população inglesa era urbana. Em 2014, mais da metade da população mundial vivia em áreas urbanas, sendo que 56% da população que vivia em cidades estava no continente asiático, e segundo as projeções da ONU, em 2050, 70% da população viverá em cidades. Observe no gráfico que, de 1990 para 2014, o número de megacidades com mais 10 milhões de habitantes passou de 10 para 28 cidades, e há uma projeção de que em 2030 elas irão dobrar, passando a ser 41 megacidades no mundo. Crescimento da população urbana e tipos de cidade (1990-2030) 6 000

5 000

População (em milhões)

41 63

4 000 28 43

558

3 000 417

2 000

10 21

731

525

239 294 1 000

0

1990

2014

2030

Anos

Gráfico do crescimento da população urbana e tipos de cidade (1990-2030).

36

Megacidades – 10 milhões ou mais de habitantes

Cidades – de 500 000 a 1 milhão de habitantes

Grandes cidades – 5 a 10 milhões de habitantes

Áreas urbanas com menos de 500 000 habitantes

Cidades médias – 1 a 5 milhões de habitantes ONU. World Urbanization Prospects, the 2014 Revision, 2014. Disponível em: <http://esa.un.org/unpd/wup/ Highlights/WUP2014-Highlights.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2014.

capítulo 2 | As dinâmicas populacionais no mundo

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A distribuição populacional Países populosos e países densamente povoados O termo população se refere ao conjunto de pessoas que habitam determinado território. A população mundial corresponde à soma dos habitantes do mundo. As populações dos países estão distribuídas desigualmente pelo planeta; há áreas densamente povoadas e áreas pouco habitadas. A composição de imagens no começo do capítulo mostra a diversidade da ocupação dos continentes. É possível observar a existência de núcleos de povoamento e áreas que são vazios demográficos.

A Demografia A Demografia é a ciência da população. Conceitos como natalidade, mortalidade e fertilidade deram à Demografia notável estatuto de ciência. Como tal, a Demografia se tornou importante instrumento para a contagem da população em diferentes momentos históricos, considerando os fatores econômicos e sociais que nela influenciam. Originalmente, esses estudos populacionais surgiram para subsidiar os países a elaborar e a implementar projetos para seus cidadãos, nas áreas de saúde, educação, habitação, previdência social e outras, além de políticas econômicas, como as políticas de emprego e aquelas relacionadas aos tributos pagos por indivíduos e grandes e pequenas empresas. Os estudos populacionais permitem, então, mostrar dados sobre a configuração de uma sociedade e aspectos geográficos, de modo a evidenciar necessidades, carências etc. Por isso, afirma-se que o estudo da população é muito importante para a política nacional e a organização da vida social.

População absoluta é o total da população que habita certo lugar. A China é o país de maior população absoluta no mundo. Observe o gráfico da página 38 e veja quais eram os países mais populosos do mundo em 2014. Quando dizemos que um país é populoso significa que ele apresenta grande população absoluta. Porém, não se pode confundir populoso com povoado. Enquanto populoso considera o número total de habitantes, povoado considera também a distribuição das pessoas no território, isto é, o número de habitantes pela área medida. O número total de habitantes dividido pela área que ocupam designa a população relativa de um país ou região. A população relativa também pode ser chamada de densidade demográfica. Vamos refletir sobre esses termos. O Brasil apresenta um território bastante extenso em relação à quantidade de ­pessoas que o habitam; assim, apresenta baixa densidade demográfica. Por isso, afirmamos que o Brasil, embora seja o quinto país mais populoso do mundo, possui baixa densidade demográfica (24 hab./km²), portanto, é pouco povoado. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço geográfico mundial | tema 1

37


6

 83

9  84

01

3 7

1 2 6

7 4

1 3 9

1 400 000 000 1 200 000 000 1 000 000 000

6

800 000 000

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9 8 0

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12 2 8

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 00

600 000 000

2 5

Habitantes

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0 Ch

Observe o mapa abaixo. Identifique o continente que apresenta o maior número de países com densidades acima de 120 habitantes por quilômetro quadrado. Em seguida, dê exemplos de países desse continente que apresentam densidade superior a 270 habitantes por quilômetro quadrado. Formule uma hipótese para explicar esse fato.

83

1 600 000 000

Índ

Gráfico dos dez países mais populosos do mundo (2014).

O continente de maior densidade demográfica é a Ásia. Os países com as maiores densidades são Índia, Bangladesh, Japão e Coreia do Sul. Oriente os alunos a relacionar a densidade demográfica com a existência de megacidades e o fato de civilizações antigas terem surgido nessas regiões principalmente ao longo dos vales férteis dos rios e nas áreas costeiras.

Os dez países mais populosos do mundo (2014)

Países

IBGE. IBGE Países, 2014. Disponível em: <www.ibge.gov.br/paisesat/main_frameset.php>. Acesso em: 24 nov. 2014.

Mônaco é um exemplo de país densamente povoado (19 033 hab./km2), mas com uma população pequena: apenas 38 066 habitantes. Esse fato se dá devido ao pequeno território desse país, com 1,95 km2 de área somente. A China é um país muito populoso, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, e também densamente povoado. Embora apresente grande extensão territorial, sua população relativa é elevada, correspondendo a quase 145 hab./km².

A distribuição desigual da população Veja mais orientações sobre o mapa na Assessoria Pedagógica.

ALLMAPS

Planisfério: densidade demográfica (2011)

IBGE. Atlas escolar, 2011. Disponível em: <http://atlasescolar.ibge.gov.br/images/atlas/mapas_ mundo/mundo_densidade_demografica_por_paises.pdf>. Acesso em: 13 jan. 2015.

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capítulo 2 | As dinâmicas populacionais no mundo

Mapa da densidade demográfica do mundo (2011). NÃO ESCREVA NO LIVRO.


SVOBODAPAVEL/ DREAMSTIME.COM

Ao observar o mapa, pode-se perceber que a população mundial não está distribuída igualmente. Existem regiões densamente povoadas, como o sudeste e o sul da Ásia, e regiões pouco povoadas, como as áreas de altas latitudes. Para explicar as diferenças de povoamento da superfície terrestre, devem ser considerados dois fatores: os naturais e os históricos. O planeta Terra apresenta uma variedade de condições naturais relativamente adequadas à ocupação do ser humano, como as condições de clima, relevo e vegetação, entre outras. Mas, ao longo do tempo, o meio geográfico foi sendo mais ou menos transformado pelas condições técnicas de que cada sociedade dispôs a cada época. As técnicas, que são invenções da sociedade na sua relação com o meio de vida, permitem transformar a natureza. Os lugares vão sendo transformados em meios geográficos mais ou menos adequados à vida humana, e, assim, a sociedade amplia as possibilidades de ocupação de lugares antes inabitáveis.

Observe a foto de uma vila inuíte, na Groenlândia. a) Explique como os grupos humanos conseguem habitar lugares com temperaturas tão baixas. b) Você preferiria viver em lugares frios, com o rigor climático das regiões polares, ou em lugares quentes? Justifique sua resposta.

Foto da vista geral de uma vila inuíte, na Groenlândia, 2010. Os povos inuítes habitam as regiões polares.

As baixas densidades demográficas em algumas regiões podem ser explicadas pelas condições excepcionais de rigor climático, como é o caso das regiões polares. A dificuldade do organismo humano de suportar temperaturas muito baixas é um fator limitante e, além disso, nesses lugares, os meios de sobrevivência são reduzidos. Nas regiões polares, onde há longos e rigorosos invernos, o mar é, praticamente, a única fonte de recurso alimentar. Países como Canadá, Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia estão na região polar ártica, mas apresentam também parte de seus territórios na zona temperada, onde se localizam importantes cidades. Ainda que não se possa falar em vazios demográficos, ou seja, em regiões completamente desabitadas, a população de alguns desses países se concentra em alguns pontos, em lugares que, historicamente, foram se tornando mais habitáveis. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

a) As invenções técnicas, de acordo com as condições de cada época, permitem que o meio geográfico seja transformado pelo ser humano e assim a sociedade amplia as possibilidades de ocupação de lugares na superfície terrestre. b) Resposta pessoal. Espera-se que os alunos construam argumentos mencionando a interferência do clima (em especial da temperatura) no cotidiano das pessoas. As atividades de lazer, os alimentos disponíveis, as vestimentas, entre outros fatores, podem estar bastante relacionados à dinâmica climática.

O espaço geográfico mundial | tema 1

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RAGNAR TH. SIGURDSSON/ EASYPIX

Foto de pessoas jogando hóquei no gelo em lago congelado, em Reykjavik, Islândia, 2012. O país, localizado entre a linha imaginária do Círculo Polar Ártico e o Paralelo 60° N, é uma ilha vulcânica. Muitos de seus vulcões ainda estão em atividade. Reykjavik é a maior cidade da Islândia e fica no sul da ilha, com 206 mil habitantes em sua área metropolitana.

NASA

Volte ao mapa da página 38. Qual é a densidade demográfica da maioria dos países do norte da África e da Oceania?

Outra área de baixa densidade demográfica, em virtude do rigor das condições naturais, é a zona desértica quente ao norte do continente africano e também grande parte do continente australiano. Nesses casos, o fator limitante é, sobretudo, a aridez dos solos e a insuficiência de chuvas, que dificultam o desenvolvimento da agricultura e, consequentemente, o povoamento.

Imagem de satélite do norte da África, em 2002. As cores claras (bege) representam as áreas áridas. Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito são países dessa faixa desértica, denominada Saara Não são vazios demográficos, mas a população está concentrada em poucas cidades.

A densidade demográfica destes lugares varia de menos de 5 a 45 (na maioria dos países) habitantes por quilômetro quadrado. Dados populacionais obtidos em: CIA. The World Factbook, jul. 2014. Disponível em: <www. cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ic.html>. Acesso em: 25 nov. 2014.

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O deserto do Atacama, ao norte do Chile, é considerado o deserto mais árido do mundo, pois quase nunca chove na região. Embora haja grandes cidades no Chile, como Santiago, que abrigam quase 40% da população do país, o deserto é uma extensa área que abrange cidades pequenas. Nas zonas intertropicais, também são encontradas áreas vazias ou pouco povoadas. Nessas regiões, o principal fator limitante é a predominância de extensas florestas. A população desses lugares se organiza em comunidades pouco numerosas, em meio às matas tropicais e equatoriais. Entretanto, essas paisagens vêm sendo alteradas com a construção de rodovias, que cortam a floresta, permitindo que, mais e mais, cidades se desenvolvam e cresçam às suas margens. A chegada da BR-230, a Transamazônica, em 1972, no meio da Floresta Amazônica, serve de exemplo como um marco da urbanização da floresta. Veja sua localização no mapa da página ao lado. A BR-163, também no norte do Brasil, é uma importante rodovia, ao longo da qual crescem muitas cidades.

capítulo 2 | As dinâmicas populacionais no mundo

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A Amazônia brasileira apresenta baixa população relativa, embora não possamos considerá-la um vazio demográfico, mas uma área com descontinuidade de povoamento imposta pela própria floresta. Nela muitos povos tradicionais, por exemplo, indígenas e ribeirinhos, vivem espalhados em meio à densa vegetação. A expansão da agricultura e da pecuária, para ser realizada, se vale do desmatamento. Essas atividades permitem a ocupação humana na região, apesar do impacto ambiental que provocam. Esses exemplos demonstram que limites naturais podem dificultar a ocupação em diferentes regiões do planeta. Mas é importante observar que o desenvolvimento técnico e científico viabiliza a transformação dos limites, possibilitando estender as áreas habitadas. O emprego da agricultura moderna em lugares naturalmente inadequados, com a introdução de tecnologias que tornam os solos favoráveis à produção, também acaba atraindo mais pessoas, levando ao desenvolvimento de pequenas cidades. A dinâmica populacional revela um crescimento natural, dado pela relação entre natalidade e mortalidade, mas também responde ao desenvolvimento econômico e social desigual entre os povos.

ALLMAPS

Transamazônica: localização (2014)

Mapa de localização da Rodovia Transamazônica (2014). A BR-230, conhecida como Transamazônica, é uma rodovia transversal com mais de 4500 quilômetros de extensão. Inicia-se no município portuário de Cabedelo, na Paraíba, e cruza os estados do Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas, onde termina no município de Lábrea. Depois desse município, há um trecho em construção, que chega à fronteira com a Colômbia, no município de Benjamin Constant.

CESAR DINIZ/ PULSAR IMAGENS

Elaborado com base em: DNIT, 2014. Disponível em:<www. dnit.gov.br/rodovias/rodovias-federais/mapas/Rodovias%20 Transversais.jpg/image_view_ fullscreen>. Acesso em: 14 jan. 2014; IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 90

Foto de trecho urbano da Rodovia Transamazônica em São João dos Patos, Maranhão, 2014. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

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As antigas e grandes concentrações humanas População mundial por continentes (2014)

1,1 bilhão

4,4 bilhões

38,6 milhões

971,5 milhões 740,1 milhões

África Ásia América

Europa Oceania Mundo: 7,2 bilhões

PRB. World Population, 2014. Disponível em: <www.prb.org/wpds/2014/>. Acesso em: 25 nov. 2014.

O gráfico ao lado indica a população mundial, distribuída por continentes. Os continentes mais populosos são Ásia e África, seguidos de América, Europa e Oceania. As regiões mais densamente povoadas, e onde se localizam as maiores cidades do mundo, encontram-se na Ásia. Segundo a ONU, em 1990, existiam 10 “megacidades” (cidades com mais de 10 milhões de habitantes); em 2014, eram 28, e 16 estavam na Ásia e 4, na América Latina. Observe no mapa abaixo onde estão localizadas as 10 megacidades em torno das quais encontram-se as maiores aglomerações do mundo.

Gráfico da população mundial por continentes (2014).

ALLMAPS

Planisfério: as dez maiores megacidades (2014)

Mapa das dez maiores megacidades do mundo (2014).

Elaborado com base em: ONU. World Urbanization Prospects, 2014. Disponível em: <http://esa.un.org/unpd/wup/ Highlights/WUP2014-Highlights.pdf>. Acesso em: 14 jan. 2014.

A alta concentração demográfica na Ásia, principalmente nas regiões costeiras e ao longo dos grandes rios, que ficaram conhecidas como “formigueiro humano”, tem sua origem na presença histórica das grandes civilizações antigas que se estabeleceram ao longo dos vales férteis dos rios e próximo ao litoral.

As atividades 1, 2, 3, 4 e 5 no fim do capítulo referem-se aos assuntos tratados neste tópico.

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capítulo 2 | As dinâmicas populacionais no mundo

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A mobilidade das populações As atividades 6 e 7 no fim do capítulo referem-se ao assunto tratado nesse tópico.

ALEXANDRE S FONSECA/ PROA

A população que habita determinado território pode desenvolver toda sua vida em uma mesma região, adaptando-se às mudanças sociais, políticas e econômicas que venham a ocorrer com o passar do tempo. Ou pode sair do lugar de origem à procura de melhores condições de vida, se assim precisar e desejar, mas, normalmente, essa é uma decisão individual. Embora o desenvolvimento das técnicas tenha aumentado as possibilidades de ocupação e sobrevivência nas mais diferentes regiões do planeta, a capacidade para criar novas condições de trabalho e ritmos produtivos é sempre desigual pelo território mundial. Os fatores naturais, como o rigor do clima e as baixas temperaturas, sempre influenciaram as imigrações, porém, atualmente, são as desigualdades econômicas e sociais que levam milhares de pessoas a migrar, na esperança de encontrar melhores condições de vida e oportunidades de trabalho e de ascensão social. A dinâmica das populações, então, depende das transformações das condições de vida, pois muitas vezes as pessoas são forçadas a se mudar para outros lugares, como acontece com os refugiados, ou são espontaneamente atraídas para outros espaços porque oferecem possibilidades de trabalho, infraestrutura de serviços, entre outros fatores.

Foto de haitianos desembarcando em Manaus, Amazonas, em 2012. O grupo se juntou aos mais de 4 000 imigrantes do Haiti que optaram por viver em Manaus, após o terremoto que devastou o país em janeiro de 2010.

Essa dinâmica, em grande medida, acompanha o desenvolvimento econômico e social nas cidades e no campo. Considerar as dinâmicas populacionais é uma forma de analisar como as desigualdades da distribuição populacional estão atreladas à desigualdade da distribuição dos recursos e da riqueza. Pode-se afirmar que o aumento de renda em alguns países ou regiões permite que a população também aumente, não apenas por causa da melhoria das condições de vida, mas porque outras pessoas chegam na condição de imigrantes, já que o local ofereceria boas oportunidades de trabalho e de serviços nas áreas de saúde, educação etc. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Imigrante: de acordo com a ONU, imigrante é a pessoa que se instalou há mais de um ano em um país diferente daquele onde nasceu.

O espaço geográfico mundial | tema 1

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O gráfico a seguir indica um grande aumento dos movimentos migratórios a partir da segunda metade do século XX. Migrações internacionais (1955 a 2010) 240

250

Migrantes (em milhões)

225 191

200 175

156

150 125 100

110 86 75

75 50 1955

Gráfico das migrações internacionais (1955 a 2010).

Emigrante: é a pessoa que deixa o seu país de nascimento e vai morar em outro país.

Neste momento, vamos tratar das questões populacionais relacionadas ao fim das grandes guerras, ou seja, de mortes e contingentes de emigrações, abordando o período que está marcado pela globalização. Assim, o presente é tratado a partir do marco do pós-guerra.

A migração de mão de obra qualificada é chamada de “fuga de cérebros” a países onde se podem encontrar melhores condições de pesquisa e oportunidades de trabalho qualificado. Países então perdem parte de seus pesquisadores, como na área médica, física e outras, isto é, perdem pessoas qualificadas que seriam importantes para atuar no desenvolvimento de seus locais de origem.

44

1960

1965

1970

1975

1980

1985 Anos

1990

1995

2000

2005

2010

INTERNATIONAL Organization for Migration (IOM). Disponível em: <www.iom.int/jahia/jsp/index.jsp>. Acesso em: 15 jan. 2015.

Em 1965, os imigrantes eram 75 milhões (2,3% da população mundial) e, em 2010, o número absoluto de imigrantes praticamente triplicou: foi estimado em 240 milhões (ou seja, 3% da população mundial). Usamos o termo estimado, pois existem muito imigrantes clandestinos que não são considerados nos cálculos populacionais. De maneira geral, a motivação dos emigrantes ainda é, principalmente, econômica. Como muitas vezes vivenciam condições precárias de vida no local de origem, acabam deixando-o, atraídos por oportunidades em outro país. Muitos enfrentam situações perigosas, colocando a vida em risco, para terem seus sonhos realizados. Na segunda metade do século XX, os principais fluxos migratórios eram formados por pessoas que saíam de países em que as condições de vida não eram satisfatórias e iam para os países desenvolvidos. Os Estados Unidos continuam sendo o país que mais recebe imigrantes no mundo, e, em sua maioria, latino-americanos. Entre eles, os mexicanos formam o grupo mais numeroso, seguido de asiáticos (chineses, filipinos e indianos). Os Estados Unidos são o país onde reside o maior número de imigrantes brasileiros. Uma das características das migrações internacionais do século XXI é o aumento da imigração de refugiados.

A imigração de refugiados Além dos migrantes econômicos, também fazem parte dos fluxos migratórios os refugiados e deslocados por consequência de conflitos étnicos, religiosos e geopolíticos. Segundo o relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), ao final de 2013 havia no mundo 51,2 milhões de pessoas que não estavam vivendo em seu país de origem e que saíram forçosamente devido a conflitos, à violência generalizada e aos desrespeitos aos direitos humanos. Dentre essas pessoas, 16,7 milhões eram refugiados, 11,7 milhões encontravam-se sob a proteção da ACNUR e dentre esses refugiados 5 milhões eram palestinos.

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AP PHOTO/ GEERT VANDEN WIJNGAERT/ AP GLOW IMAGES

Foto de refugiados afegãos em igreja de Bruxelas, na Bélgica, 2014. O Afeganistão encontra­ ‑se com frequência no topo da lista de países com maior número de refugiados em razão do controle do Talibã no país.

O ano de 2013 foi marcado por um aumento significativo do número de refugiados, haja vista que mais de 2,5 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar o seu país devido às guerras, e migrar para os países vizinhos. A guerra na República Árabe da Síria foi a que gerou maior número de refugiados; em 3 anos de guerras (2011 a 2013), mais de 2 milhões de pessoas deixaram o país. O Afeganistão há mais de 30 anos vem ocupando as primeiras posições na lista dos países de origem dos refugiados; a Somália também está entre os primeiros países de origem dos refugiados há anos. A República Árabe da Síria também aparece entre os primeiros lugares, mas isso vem ocorrendo somente nos últimos anos, em decorrência dos conflitos internos. Esses três países compunham 53% dos refugiados do mundo em 2013. Migrantes no mundo (2009)

70

8

69,

3

61,

Afeganistão

60

República Árabe da Síria

0

50,

50

Somália

40 30

3

19,

20

7,5

10 0

Países

Em milhões de habitantes

80

Os principais países de origem dos refugiados (2012-2013)

Europa

Ásia

América do Norte

África

América Latina

Sudão Rep. Democrática do Congo Mianmar

6,0

Iraque

Oceania

Colômbia Vietnã

Porcentagem de migrantes em relação à população do continente 9,50%

14,20%

1,30%

1,50%

1,90%

16,80%

INTERNATIONAL Organization for Migration (IOM) World Migration Report 2010. Disponível em: <http://publications.iom.int/bookstore/ free/WMR_2010_SPANISH.pdf>. Acesso em: 15 jan. 2015.

Gráfico dos migrantes no mundo (2009).

Eritreia Final de 2012

0

0,4

0,8

1,2

1,6

2,0

2,4

2,8

Em milhões de habitantes

Final de 2013

Elaborado com base em: UNHCR. War‘s Human Cost – Global Trends 2013. Disponível em: <www.unhcr.org/5399a14f9.html#_ga=1.16369268. 392174575.1416947034>. Acesso em: 15 jan. 2015.

Observe o gráfico acima (à direita) e verifique quais são os dois países que ao final de 2013 tinham gerado o maior número de refugiados.

Gráfico dos principais países de origem dos refugiados (2012­ ‑2013).

Os países que apresentam o maior número de refugiados são o Afeganistão e a República Árabe da Síria. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço geográfico mundial | tema 1

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SEAN GALLUP/ GETTY IMAGES EUROPE/ GETTY IMAGES

A maioria dos refugiados afegãos vivem no Paquistão, na República Islâmica do Irã e na Alemanha. O Afeganistão está em guerra há três décadas; mesmo com a queda do regime imposto pelo Talibã, a instabilidade política persiste no país, e a situação econômica os coloca entre os piores IDHs do mundo.

Foto de mulheres muçulmanas que caminham pelo bairro de imigrantes de Kreuzberg, em Berlim, Alemanha, em 2010.

Os refugiados sírios foram acolhidos principalmente por países fronteiriços, como o Líbano, a Turquia, a Jordânia e o Iraque. Em 2014, houve um aumento dos refugiados vindos da Síria e do Iraque, fugindo da ação do Estado Islâmico (Isis). À medida que o Estado Islâmico avançava e tomava várias cidades do norte da Síria, o número de refugiados aumentava, principalmente de curdos sírios. A maior parte desses refugiados dirigiram-se para a Turquia, e foram acolhidos pela ACNUR, porém, em meio ao conflito, a Turquia fechou parte das fronteiras, para que não entrassem membros do Isis junto com os refugiados.

Emigrar: cada vez mais difícil A situação dos imigrantes tem ficado cada vez mais difícil nos últimos anos. Não só para os refugiados que chegam em grandes contingentes, mas para aqueles que estão saindo dos seus países em busca de melhores condições de vida. A crise econômica mundial, que teve seu auge nos anos de 2008-2009, iniciada nos Estados Unidos e propagada pelo mundo, provocou o crescimento do desemprego, principalmente nos países da Europa, em virtude das relações econômicas existentes entre os países. Essa situação colaborou para acirrar ainda mais os problemas dos imigrantes e repercutiu também nas migrações. O que se verificou é que as taxas de desemprego foram maiores entre imigrantes, por causa das demissões e porque, em muitos casos, a prioridade de vagas é destinada à população nativa. Por isso, vários países tentaram fazer os imigrantes retornarem para seus países de origem, como ocorreu na República Tcheca, no Japão e na Espanha, países cujos governos criaram programas de retorno voluntário. 46

capítulo 2 | As dinâmicas populacionais no mundo

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Os refugiados passaram a ter mais dificuldades para conseguir entrar na Europa, e a ACNUR pedia aos países europeus que acolhessem mais refugiados sírios e facilitassem os procedimentos administrativos de concessão de asilo, no entanto, assistia-se na Europa aos países dificultando a chegada de imigrantes. Segundo relatório da Anistia Internacional em 2014: A UE [União Europeia] e os seus Estados-membros estão também cooperando e financiando países vizinhos, como Turquia, Marrocos e Líbia, na criação de zonas-tampão em volta da Europa, num esforço para parar migrantes e refugiados antes de estes chegarem às fronteiras europeias. Ao mesmo tempo, viram a cara aos abusos de direitos humanos que migrantes e refugiados têm sofrido naqueles países. “Os países da UE estão basicamente pagando os países vizinhos pelo policiamento de suas fronteiras. O problema é que muitos destes países são frequente-

mente incapazes de garantirem os direitos dos refugiados e migrantes que neles se encontram encurralados. Muitas destas pessoas acabam sem meios de subsistência, exploradas, intimidadas, impossibilitadas de pedir asilo”, explica John Dalhuisen. “Os Estados-membros da UE não podem se omitir no cumprimento das suas obrigações de direitos humanos para com aqueles que tentam entrar no território europeu entregando o controle da migração para países terceiros. Esta cooperação tem que acabar”, frisa o diretor do Programa para Europa e Ásia Central da Anistia Internacional.

BLASCO AVELLANEDA/ AFP/ GLOW IMAGES

ANISTIA Internacional. Europa: políticas de migração europeias colocam vidas e direitos humanos em risco, 10 jul. 2014. Disponível em: <https://anistia.org.br/noticias/europa-politicas-de-migracao-europeias-colocam-vidas-e-direitos-humanos-em-risco/>. Acesso em: 23 mar. 2015.

Foto de imigrantes africanos ultrapassando a cerca de sete metros de altura na fronteira de Marrocos, no norte da África, e Melilla, na Espanha, em 2014.

As atividades 6 e 7 no fim do capítulo referem-se ao assunto tratado neste tópico.

Com tudo isso, o racismo e a xenofobia também são problemas que se agravam. Se de um lado a chegada dos imigrantes teve papel importante na economia dos países ricos, pois significou mão de obra barata, de outro, esses mesmos países enfrentam altas taxas de desemprego. Assim, os imigrantes são muitas vezes responsabilizados injustamente pela falta de vagas no mercado de trabalho, principalmente em funções menos especializadas no setor de serviços e na indústria. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Racismo: qualquer ação, prática ou crença que reflita uma visão do mundo contra pessoas ou grupos de culturas ou etnias diferentes. Xenofobia: forte antipatia ou aversão por pessoas estrangeiras.

O espaço geográfico mundial | tema 1

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APROFUNDANDO E REFLETINDO Enfrentando fronteiras Os deslocamentos humanos em busca de melhores condições de vida estão presentes ao longo da história da humanidade. Mas atravessar fronteiras nem sempre é tarefa fácil. A vida de refugiados que deixam seus países por causa de conflitos e de guerras e a vida de migrantes que buscam um sonho e ingressam ilegalmente em um país são permeadas, na maioria das vezes, por situações arriscadas. São casos que nos mostram o quanto é difícil e perigoso imigrar em situações ilegais.

Os Estados Unidos são o país que possui a maior porcentagem de latino-americanos vivendo em seu território. O processo imigratório veio crescendo desde 1965, mas, a partir de 2007, começou a diminuir. A crise financeira enfrentada pelos Estados Unidos gerou desemprego, e os imigrantes foram os primeiros a perder seus postos de trabalho. As leis, como punições a empresários que contratassem imigrantes ilegais, e o controle rígido e intenso nas fronteiras foram medidas que também favoreceram o declínio da imigração, principalmente dos imigrantes ilegais, que chegam a ser quase 1/3 do total dos imigrantes do país. Entre as medidas adotadas contra a imigração, está um muro de quase 1 040 km, que cobre cerca de 30% dos 3 219 km entre os Estados Unidos e o México. Os imigrantes saem de seus países por razões diferentes: em Honduras, o golpe de Estado em junho de 2009 e a crise econômica e social provocaram uma emigração massiva. Desde 2009, os hondurenhos estão entre os grupos latino-americanos que mais imigraram para os Estados Unidos. Em geral, os motivos da imigração estão ligados à pobreza e à falta de trabalho, além do sonho de viver bem na sociedade estadunidense e poder enviar dinheiro a suas famílias. Outro fenômeno que vem ocorrendo é o grande número de crianças imigrantes sem estar acompanhadas pelos pais. O problema é maior na fronteira dos EUA, onde meninos adolescentes procurando emprego acabam fazendo parte da rede de jovens que saem da América Central, fugindo da pobreza e da violência das gangues, além das milhares de crianças desacompanhadas que são presas sem documentos tentando Foto de adolescente imigrante de Honduras tentando cruzar clandestinamente a fronteira dos EUA. obter permissão para trabalhar legalmente nos Estados Unidos, em Maryland (EUA), 2012. Leia a notícia abaixo.

Texto 1 Países buscam soluções para crianças imigrantes desacompanhadas Desde outubro de 2013, centenas de crianças e adolescentes têm chegado aos Estados Unidos (EUA) sem os pais ou parentes, em função, sobretudo, do aumento da violência em países da América Central, a exemplo, dentre outros, de Honduras, Guatemala, México e El Salvador. Como consequência, mais de 11 687 crianças e adolescentes menores de idade permanecem detidas em centros fronteiriços nos EUA e mais de 50 000 já cruzaram as fronteiras.

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capítulo 2 | As dinâmicas populacionais no mundo

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

JOSE LUIS MAGANA/ AP/ GLOW IMAGES

Os imigrantes latinos nos Estados Unidos


O grande influxo de crianças e adolescentes fez com que o governo norte-americano iniciasse um diálogo com os países de origem desse grupo em termos, inclusive, de uma crise humanitária. Ainda que algumas tenham vindo de países como Sri Lanka e Tanzânia, a grande maioria, ao redor de 74%, tem origem no chamado Triângulo do Norte, composto por: Guatemala, Honduras e El Salvador. [...] Apesar do diálogo sobre a questão ter avançado, vários grupos de jovens detidos nos EUA permanecem em celas que não oferecem nenhum conforto ou condições de permanência. Como resultado, grupos de Direitos Humanos e de proteção de vulneráveis têm acusado o governo de não oferecer condições adequadas de moradia nos abrigos, fato que lhe tem pressionado a cogitar a deportação de grande parte das crianças e adolescentes migrantes. MOREIRA, Paula G. Países buscam soluções para crianças imigrantes desacompanhadas, 4 jul. 2014. Ceiri. Disponível em: <www.jornal.ceiri. com.br/paises-buscam-solucoes-para-criancas-imigrantes-desacompanhadas/>. Acesso em: 26 mar. 2015.

A entrada de imigrantes na Europa Em razão dos conflitos e da situação de pobreza de muitos países, a Europa acaba sendo o destino escolhido de refugiados por oferecer melhores condições de vida. No entanto, chegar ao continente pode ser um desafio arriscado para imigrantes. No início de 2015, a travessia de imigrantes pelo Mediterrâneo com destino à Itália já havia duplicado em relação ao mesmo período de 2014, segundo dados da ACNUR (Agência da ONU para Refugiados). Em 2014, mais de 218 mil pessoas cruzaram o Mediterrâneo e cerca de 3 500 morreram durante o trajeto. Leia os textos a seguir.

Texto 2 Europa: políticas de migração europeias colocam vidas e direitos humanos em risco [...] “Devoluções” ilegais Os migrantes e refugiados que conseguem chegar às fronteiras da Europa arriscam-se, por sua vez, a serem “devolvidos” imediatamente. A Anistia Internacional documentou vários incidentes de “devoluções” feitas por guardas-fronteiriços na Bulgária e, particularmente, na Grécia – onde a prática revelou-se generalizada. Estas “devoluções” são ilegais, negam às pessoas o direito de requererem asilo, envolvem frequentemente atos de violência e algumas vezes colocam vidas em risco. A prática de empurrar migrantes e refugiados para trás das fronteiras é observada não apenas no sudeste da Europa. Em fevereiro passado [2014], a Guarda Civil espanhola disparou balas de borracha, tiros de

pólvora seca e gás lacrimogêneo contra um grupo de cerca de 250 migrantes e refugiados que nadavam desde Marrocos ao longo das praias em direção a Ceuta, enclave espanhol no norte da África. Pelo menos 14 pessoas morreram neste incidente. Outras 23, que conseguiram alcançar a praia, foram imediatamente enviadas de volta, aparentemente sem lhes ser permitido acesso a qualquer procedimento formal de requisição de asilo. [...] Diante dos obstáculos cada vez maiores para chegar à Europa por terra, refugiados e migrantes estão cada vez mais enveredando pelas vias marítimas mais perigosas em direção à Grécia e à Itália. Todos os anos centenas de pessoas morrem tentando chegar à costa europeia. [...]

ANISTIA Internacional. Europa: políticas de migração europeias colocam vidas e direitos humanos em risco, 10 jul. 2014. Disponível em: <https://anistia.org.br/noticias/europa-politicas-de-migracao-europeias-colocam-vidas-e-direitos-humanos-em-risco/>. Acesso em: 23 mar. 2015.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço geográfico mundial | tema 1

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Texto 3 Número recorde de imigrantes mortos no Mediterrâneo em 2014 mortes ocorrem em áreas remotas e não são relatadas, de acordo com a OIM. [...] Desde 2000 [até 2014], mais de 22 000 imigrantes morreram no Mediterrâneo. Além disso, desde 1996, 1 790 imigrantes morreram cruzando o Saara. [...] ISHARA S. KODIKARA/ AFP

[...] Desde o início do ano, a OIM registrou a morte de 4 077 imigrantes irregulares no mundo, desses, 3 072 apenas no Mediterrâneo. Para o Mediterrâneo, "2014 foi o ano mais letal", bem à frente do pico de 2011, quando foram registradas 1  500 mortes (contando os primeiros nove meses do ano). A maioria dos imigrantes que morreram às portas da Europa – falecidos por afogamento, asfixia, fome ou frio – eram originários da África e do Oriente Médio, de acordo com estatísticas divulgadas pela OIM, uma organização internacional com sede em Genebra, independente das Nações Unidas, que conta com 156 países-membros. [...] No total, pelo menos 40 mil imigrantes morreram em todo o mundo desde 2000 tentando entrar na Europa, Estados Unidos, Austrália e outros países. Mas os números reais são mais elevados, porque muitas

Foto de oficial da Marinha do Sri Lanka resgatando imigrante, que foi encontrada em um barco à deriva próximo a Nova Gales do Sul, Austrália, 2013.

ESTADO de Minas. Número recorde de imigrantes mortos no Mediterrâneo em 2014, 29 set. 2014. Disponível em: <www.em.com.br/app/ noticia/internacional/2014/09/29/interna_internacional,573904/numero-recorde-de-imigrantes-mortos-no-mediterraneo-em-2014.shtml>. Acesso em: 4 nov. 2014.

Os refugiados sírios A Guerra Civil da Síria, iniciada em 2011, levou à fuga de 3 milhões de pessoas do país, de acordo com dados da ACNUR, de 2014. Nesse ano, os sírios constituíam a maior população de refugiados do mundo. Leia o texto a seguir.

Texto 4 O conflito na Síria e a situação dos refugiados O conflito na Síria está entrando em seu quinto ano e as condições de vida deterioram-se em uma escala alarmante, para os milhões de refugiados sírios em países vizinhos, assim como para os deslocados internamente no país. Segundo informou hoje a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) essas pessoas estão sujeitas a um futuro incerto, até mesmo sem apoio internacional suficiente. [...] O Alto Comissário para Refugiados, António Guterres, reiterou que muito ainda precisa ser feito para retirar os sírios do pesadelo

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capítulo 2 | As dinâmicas populacionais no mundo

em que vivem. "Após cinco anos, as economias dos refugiados já se esgotaram, e um número crescente está recorrendo à mendicância, à prostituição e ao trabalho infantil. Famílias de classe média com crianças mal sobrevivem nas ruas: um pai disse que a vida como refugiado era como estar preso em areia movediça – quanto mais você se mexe, mais você afunda", afirmou Guterres. [...] Segundo ele, com o massivo fluxo de refugiados sírios durante os últimos quatro anos, a Turquia tornou-se o país com o

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


milhões de sírios dentro do país encontram-se em lugares de difícil acesso, incluindo 212 mil presos em áreas sitiadas. Milhões de crianças estão traumatizadas e com problemas de saúde. Um quarto das escolas sírias está danificado, elas foram destruídas ou transformadas em abrigos. Mais de metade dos hospitais sírios está destruída. Mais de 2,4 milhões de crianças na Síria não estão na escola. [...] GAIL ORENSTEIN/ NURPHOTO/ LATINSTOCK

maior número de refugiados da crise síria, investindo mais de 6 bilhões de dólares em assistência direta a eles. No entanto, diante dos crescentes problemas de segurança e da ajuda internacional insuficiente, nos últimos meses vários países vizinhos à Síria vêm adotando medidas para diminuir o fluxo de refugiados. Elas vão desde controles de fronteira a requisitos mais onerosos e complexos para estender a permanência dos refugiados. [...] "Os refugiados pagam o preço por inúmeros problemas, como o terrorismo e a crise econômica, e são percebidos como ameaças ao estilo de vida das comunidades de acolhida. Mas precisamos nos lembrar que a ameaça não vem dos refugiados, mas sim que eles foram as primeiras vítimas dela”, disse Guterres. Dentro da Síria, a situação está se deteriorando rapidamente. Mais de 12 milhões de pessoas precisam de ajuda para sobreviver. Quase 8 milhões foram deslocadas de suas casas, tendo que compartilhar quartos lotados com outras famílias ou se abrigando em prédios abandonados. Estima-se que 4,8

Foto de tendas de refugiados curdos em Suruc, Turquia, próximo à fronteira com a Síria, 2014.

ACNUR. Com o conflito na Síria entrando no quinto ano, pioram as condições de vida dos refugiados do país, 12 mar. 2015. Disponível em: <www.acnur.org/t3/portugues/noticias/noticia/com-o-conflito-na-siria-entrando-no-quinto-ano-pioram-as-condicoes-de-vida-dos-refugiados-do-pais/>. Acesso em: 24 mar. 2015.

Sobre as atividades a seguir, para mais informações, consulte a Assessoria Pedagógica.

1. Discuta com seus colegas: você gostaria de emigrar? Por quais motivos? Mesmo que você não quisesse

emigrar, escolha um país onde viveria. Justifique sua resposta. • Questão para refletir e debater: quais são os argumentos que justificam os fluxos de emigração? 2. Discuta com seus colegas sobre alguns aspectos dos fluxos de imigração. Com base no texto, respondam

às questões a seguir: a) P  or que crianças e jovens adolescentes estão entrando desacompanhadas dos pais nos Estados Unidos? Que riscos elas correm? b) O  que acontece com essas crianças e esses adolescentes quando chegam ao país de destino? c) Q  ual a sua opinião sobre o que deveria ser feito nesses países que recebem crianças e adolescentes sem os pais? 3. Explique os motivos do grande fluxo de imigrantes pelo Mediterrâneo em direção ao continente europeu

e os riscos que as pessoas correm ao imigrar ilegalmente. 4. Aponte alguns problemas vividos pelos refugiados sírios. Em relação às crianças das famílias refugiadas,

explique algumas consequências para sua saúde e educação. • Questões para refletir e debater: por que a situação dos refugiados no mundo é cada vez mais insegura e precária? Como países e governos podem resolver ou amenizar essa grave questão humanitária que afeta a qualidade de vida de milhões de pessoas e o futuro de jovens e crianças?

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço geográfico mundial | tema 1

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ATIVIDADES 1. Em meados do século XVIII, a população do planeta passou para mais de 700 milhões de

habitantes. Esse crescimento se acelerou, sobretudo na Europa. Explique as causas desse crescimento. 2. Estabeleça a relação entre o crescimento urbano e a industrialização. 3. Quais foram as contribuições da Revolução Industrial para a mudança do modo de vida

de boa parte da população europeia especialmente? 4. Em meados do século XX, ocorreu uma explosão demográfica. Explique os motivos que

levaram a esse fenômeno. 5. Hoje, a maioria da população mundial é urbana. Justifique a afirmação fornecendo dados.

CHERT61/ DREAMSTIME.COM

2. Os espaços urbanos 6. Podemos afirmar que o estudo da população é um instrumento de grande importância passaram por considerável para a organização da vida social? Justifique sua resposta. A resposta das atividades 6 e 7 encontramcrescimento em decorrên-se na Assessoria Pedagógica. cia da Revolução Industrial. 7. Com base nestas fotos, explique os fatores que podem interferir no povoamento dos O fluxo de migrantes oriundos das áreas rurais lugares. aos centros urbanos, que vinham trabalhar nas fábricas em troca de salários, 1 2 contribuiu para o aumento da densidade populacional urbana, pois estes trabalhadores acabavam se estabelecendo ao redor das indústrias, sediadas em algumas cidades.

Foto de pessoas em Chengdu, na China, 2011. PAT OLIPHANT © 2014 OLIPHANT / DIST. BY UNIVERSAL UCLICK

3. No contexto da Revolução Industrial surgiu uma série de avanços científicos e tecnológicos que implicaram mudanças no modo de vida da população das cidades europeias. O desenvolvimento de vacinas e medicamentos, por exemplo, é um dos fatores Foto do deserto de Neguev, em Israel, 2010. que explica a melhoria na qualidade de vida dessas 8. Observe a populações e a consequente queda da taxa de charge e mortalidade nas cidades. responda às Avanços na Engenharia Civil e na Mecânica tamquestões da bém foram significativos página (provocando mudanças, por exemplo, nos transportes e seguinte. nas moradias). 4. As elevadas taxas de natalidade observadas em países da Ásia, África e América Latina, aliadas à elevação da expectativa de vida em todo o mundo, resultaram no fenômeno denominado explosão O despreparo demográfica. dos EUA com

a chegada 5. Em 2014, mais da mede crianças à tade da população mundial fronteira, charge vivia em áreas urbanas, de Pat Oliphant, sendo que 56% da população que vivia em cidades 2014. estava no continente asiático. Segundo as projeções da ONU, em 2050, 70% da população viverá em cidades. Em 2014, existiam 28 megacidades (aglomerados urbanos) com mais de 10 milhões de habitantes cada, e a projeção da ONU é de que em 2030 este número dobre, passando para 41 megacidades no mundo.

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capítulo 2 | As dinâmicas populacionais no mundo

XIAOFENG123/ DREAMSTIME.COM

1. O aumento da população ocorreu principalmente após a segunda metade do século XVII, em virtude das transformações decorrentes da Primeira Revolução Industrial. Este fenômeno levou muitas pessoas a migrarem do campo para as cidades. Naquela época, os avanços nas condições de higiene e saúde da população reduziram os níveis de mortalidade, contribuindo para o aumento do crescimento populacional na Europa.

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a) E  xplique o que o policial quer dizer ao afirmar que não estava prevista essa situação no trabalho dele. b) Q  ual é a relação do assunto retratado na charge com os temas trabalhados no texto 1 (páginas 48-49)? c) Q  uais são os países de origem da maior parte das crianças que imigram desacompanhadas para os EUA? Quais são os motivos desta imigração? 8. c) As crianças e os adolescentes são,

Trabalhando com mapas e

principalmente, de Honduras, Guatemala, México e El Salvador. As crianças imigram em virtude do aumento da violência e da pobreza nos seus países de origem. Além disso, gráficos elas buscam também melhores condições de vida.

9. Observe o mapa da página 38. Retome os conteúdos trabalhados ao longo do capítulo e 9. a) A Ásia. responda às questões propostas. a) Identifique qual continente apresenta as mais altas densidades demográficas do mundo. b) Q  uais são as áreas que apresentam as mais baixas densidades demográficas no mundo? c) C  onsulte o gráfico dos dez países mais populosos do mundo (página 38) e verifique se os quatro países mais populosos também são os mais povoados. d) E  xplique se o continente asiático é o mais populoso ou o mais povoado do mundo. e) Q  ue relações podemos estabelecer entre os mapas da página 38 (densidades demográficas) e da página 42 (localização das megacidades)?

10. O gráfico abaixo indica uma projeção de declínio da população urbana mundial até

o ano de 2050. Explique qual é o fator que levará ao declínio da população urbana e exemplifique a sua resposta. Atente para o fato de que este quadro é distinto em cada 10. O declínio da população urbana mundial está diretamente ligado ao declínio das taxas de um dos continentes.

crescimento da população. A Europa possui taxas de crescimento anuais menores que as taxas do continente africano, por exemplo.

África Ásia Europa A mérica Latina e Caribe América do Norte

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Oceania

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Distribuição da população urbana (%)

Distribuição da população urbana no mundo (1950-2050)

Anos

Elaborado com base em: ONU. World Urbanization Prospects, the 2014 Revision, 2014, p. 11. Disponível em: <http://esa. un.org/unpd/wup/Highlights/WUP2014-Highlights.pdf>. Acesso em: 16 jan. 2015.

8. a). O policial quis dizer que não estava preparado para trabalhar com imigração de crianças e adolescentes. 8. b) Ambos discutem o problema da imigração de crianças e adolescentes desacompanhados de adultos para os EUA e as consequências diplomáticas dessa situação. 9. b) As áreas que apresentam densidade demográfica com menos de 5 hab./km2 são: a Austrália, alguns países do continente americano (Canadá, Guiana, Suriname, além da Guiana Francesa), a Mongólia (Ásia) e alguns países do continente africano (Mauritânia, Saara Ocidental, Líbia, Namíbia e Botsuana). 9. c) Dos quatro países mais populosos do mundo, somente os EUA não se encontram entre as altas densidades demográficas. Isso se deve, em grande parte, ao seu imenso território, portanto não podemos dizer que se trata de um país muito povoado. No entanto, podemos afirmar que nos EUA a distribuição não é igual por todo o território, existindo áreas densamente povoadas, como no nordeste dos EUA, em especial em torno da megacidade de Nova York. 9.d) O continente asiático é o mais populoso, pois é o que apresenta a maior população absoluta. Na Ásia, há também países muito povoados, por exemplo, Bangladesh.

Gráfico da população urbana no mundo (1950­ ‑2050).

11. Consulte o gráfico da página 44 (Migrações internacionais – 1955 a 2010) e diga se houve um 9.e) As maiores me-

aumento expressivo do número de imigrantes nas três últimas décadas (entre 1990 e 2010). Utilizando-se dos conhecimentos adquiridos, explique o porquê desse fato. Utilize-se também em sua explicação do seguinte dado: no início de 2015, a travessia de imigrantes pelo Mediterrâneo com destino à Itália já havia duplicado em relação ao mesmo período de 2014.

gacidades do mundo localizam-se em sua maioria nos países de altas densidades demográficas, como a Índia e a China.

11. Sim, podemos observar uma ascensão na curva de crescimento no número de imigrantes de 1990 para 2010. Esse crescimento é maior se comparado às décadas anteriores. Podemos relacionar esse fato ao aumento de conflitos e à situação de pobreza de muitos países, o que fez aumentar o número de refugiados. A guerra na EM SEU CADERNO, EXPLIQUE Síria elevou o número Construindo o glossário geográfico OS CONCEITOS A SEGUIR. de imigrantes que tentavam atravessar População relativa: é o mesmo que densidade demográfica de um lu• População relativa gar, ou seja, o número total de habitantes dividido pela área que ocupam. o Mediterrâneo com destino à Itália, no • Vazios demográficos Vazios demográficos: áreas que apresentam pouca população absoluinício de 2015. ta e baixíssima densidade demográfica. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço geográfico mundial | tema 1

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# Revendo o tema Produção de texto

LUCAS LACAZ RUIZ/FOLHAPRESS

Ao caminhar pela cidade, pode ser que você já tenha visto um outdoor. Ele é um meio de comunicação que veicula algum tipo de propaganda e fica exposto ao ar livre, em geral afixado em estruturas apropriadas e em locais de grande visibilidade, como à beira de rodovias e nas ruas de cidades.

Foto de outdoor da campanha contra a dengue promovida pela prefeitura de São José dos Campos, São Paulo, 2015.

A palavra outdoor é de origem inglesa; no entanto, em inglês, não tem o mesmo significado que assume em português. Billboard é a palavra inglesa para qualquer tipo de propaganda (painel, letreiro luminoso, letreiro em parede, muro etc.). Agora, você fará parte da equipe de produção de uma agência publicitária. Um departamento do governo está realizando uma campanha para alertar as pessoas que tentam migrar ilegalmente para outros países, pois nos últimos anos têm aumentado muito os casos de pessoas que são deportadas. Imagine que você esteja envolvido nessa campanha. Pense em um outDeportar: quando um estrangeiro door que veicule um alerta sobre os perigos da imigração ilegal: os riscos que ou turista não é aceito as pessoas terão de enfrentar nessa empreitada e as dificuldades que podeno país em que está vivendo ou visitando e é rão ter ao chegar ao novo país. enviado de volta a seu Agora, use seus conhecimentos e a criatividade e produza um outpaís de origem. door para essa campanha.

Mural

Os conflitos territoriais e as migrações Pesquise na internet, jornais e revistas semanais notícias que se refiram a: • Conflitos territoriais no mundo e migrações internacionais. Em classe, vamos separar as notícias por assunto e datas de publicação para organizarmos um mural. Após a confecção do mural, selecione duas notícias que você julgue relevantes e atuais, e apresente-as à classe, com o objetivo de informá-los sobre o assunto, relacionando-as com o que foi trabalhado neste tema. 54


Para relembrar

1. e) População relativa refere-se à média do número de habitantes em uma determinada área (por quilômetro quadrado ou metro quadrado).

1. b) A população mundial não está igualmente distribuída pelo planeta. O hemisfério norte concentra as regiões mais povoadas da Terra, como a Ásia Oriental e a Europa Ocidental.

1. Escreva em seu caderno corretamente as afirmativas abaixo que apresentam informações falsas.

a) A população mundial corresponde à soma dos habitantes do mundo. b) A  s populações estão igualmente distribuídas no planeta, de modo que há o mesmo número de habitantes no Hemisfério Sul e no Hemisfério Norte. c) Quando estudamos o tema população, analisamos como os povos estão distribuídos geograficamente. 1. f) A zona desértica quente ao norte do continente africano (Deserto do Saara) é uma área que apresenta baixas densidades demográficas. d) D  emografia é a ciência que estuda a população. Utiliza-se exclusivamente de dados estatísticos. e) A população relativa é o total dos habitantes de um determinado lugar. f) A  zona desértica quente ao norte do continente africano apresenta grande densidade demográfica. g) O  s continentes mais populosos do mundo são a Ásia e a América, seguidos da Europa, da África, da Oceania e da Antártida. 1. g) Os continentes mais populosos do mundo são a Ásia e a África, seguidos de América, Europa, Oceania e Antártida. h) A Ásia Oriental é a região mais densamente povoada do planeta, e a Ásia Meridional é o segundo d) Demografia é a ciência que estuda a população. Ela se baseia em pesquisas de campo para elaborar grande foco populacional. 1. estatísticas sobre a organização da população de um lugar e, com isso, permitir a ação de políticas voltadas para suprir as carências observadas.

2. Em seu caderno, monte uma tabela (ver o modelo abaixo), mencionando as características da população

absoluta e relativa de Brasil, Mônaco e China. 2. Brasil: quinto país mais populoso do mundo com 202 milhões de habitantes em 2014; baixa densidade demográfica, em torno de 24 hab./km². Mônaco: país pouquíssimo populoso, com cerca de 38 000 habitantes em 2014; densidade demográfica altíssima, de cerca de 19 000 hab./km². China: país muito populoso, mais de 1 bilhão e 400 milhões de habitantes em 2014; densidade demográfica alta, de quase 145 hab./km².

Brasil – Mônaco – China: população absoluta e relativa População absoluta

População relativa

Brasil

3. A década de 2010 foi marcada pelo aumento significativo de refugiados. Identifique a alternativa incorre-

ta e explique a sua escolha. a) Em 2013, o Afeganistão estava em primeiro lugar na lista dos países de origem dos refugiados. Isso se deve ao aumento excessivo da população que imigrou para encontrar seus parentes que estavam bem estabelecidos nos países da Europa, como a Itália e a Espanha. Esses países recebem bem os imigrantes, que acabam compondo a força de trabalho do lugar. b) E  m 2013, a guerra na República Árabe da Síria foi a que gerou maior número de refugiados. Em três anos de guerra (2011 a 2013), mais de 2 milhões de pessoas deixaram o país. 3. a) O Afeganistão foi o país com o maior número de refugiados em 2013, devido ao longo período de instabilidade política e guerras, que gerou pobreza e dificuldades para a vida das pessoas. Mas, ao imigrar para outros países, os afegãos não são aceitos, e as dificuldades para se ter uma vida melhor são muito grandes. Países como Itália e Espanha, devido às dificuldades econômicas e às altas taxas de desemprego que enfrentam neste início de século, não veem os imigrantes com bom olhos, e a xenofobia vem crescendo. Hora do desafio

Alternativa d. As migrações populacionais ocorrem entre diferentes áreas de um mesmo país, como aquelas ligadas à concentração fundiária, e também entre países distintos, chamadas de migrações internacionais, comuns em casos de perseguições e guerras. As migrações revelam as desigualdades sociais, políticas e econômicas existentes entre diferentes regiões, uma vez que as pessoas saem de seus lugares (UEL 2004 – Adaptado) de origem para buscar melhores condições de vida e trabalho em outros lugares.

Escolha a alternativa que indica corretamente o processo que ocorre em áreas de perseguições religiosas, políticas ou ideológicas, guerras, conflitos políticos, falta de oportunidade de trabalho no local de origem, concentração fundiária. Em seu caderno faça um comentário para justificar sua escolha. a) Atração populacional d) Migrações populacionais b) Aumento das taxas de natalidade e) Diminuição das taxas de mortalidade c) Crescimento vegetativo 55


Geografia e cultura Música A arte é produto permanente da sociedade em que ela é produzida. Os acontecimentos de um tempo e de determinado grupo humano acabam se refletindo na vida cultural. A música é uma dessas manifestações e, por meio dela, os compositores podem expressar suas ideias, seus sentimentos e, assim, falar da sociedade, de fatos atuais, fazer suas críticas e também apenas entreter, divertir e despertar sentimentos. A letra da música que vamos apresentar nesta seção expressa muito bem um dos itens estudados no Tema 1. A música escolhida é o “Samba do Approach”, composição de Zeca Baleiro. Observe que ele utiliza palavras de origem inglesa e francesa. Ao usar tantas palavras da língua inglesa, Baleiro ironiza o excesso de expressões em inglês presentes no cotidiano dos brasileiros e a influência do estilo de vida estadunidense. Zeca Baleiro é um compositor bastante crítico, principalmente no que se refere ao consumismo. Apresenta um vasto repertório musical, que também agrada a um grande público.

Samba do Approach Venha provar meu brunch Saiba que eu tenho approach Na hora do lunch Eu ando de ferryboat... Eu tenho savoir-faire Meu temperamento é light Minha casa é hi-tech Toda hora rola um insight Já fui fã do Jethro Tull Hoje me amarro no Slash Minha vida agora é cool Meu passado é que foi trash... Venha provar meu brunch

Saiba que eu tenho approach Na hora do lunch Eu ando de ferryboat... Fica ligado no link Que eu vou confessar my love Depois do décimo drink Só um bom e velho Engov Eu tirei o meu green card E fui pra Miami Beach Posso não ser pop star Mas já sou um noveau riche... Venha provar meu brunch Saiba que eu tenho approach

Na hora do lunch Eu ando de ferryboat... Eu tenho sex appeal Saca só meu background Veloz como Damon Hill Tenaz como Fittipaldi Não dispenso um happy end Quero jogar no dream team De dia um macho man E de noite, drag queen... Venha provar meu brunch Saiba que eu tenho approach Na hora do lunch

Zeca Baleiro. CD Vô imbolá. MZA/Universal Music. Rio de Janeiro: 1999.

brunch: refeição que se toma quando se acorda tarde. approach: aproximação. lunch: almoço. ferryboat: balsa, barco de passagem. savoir-faire: habilidade, esperteza. light: suave (neste sentido da música). hi-tech: alta tecnologia.

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insight: discernimento, esclarecimento. Jethro Tull: uma banda de rock progressivo. Slash: ex-guitarrista da banda de rock estadunidense Guns N‘Roses. cool: legal. trash: coisa sem valor, refugo, escória, pessoa sem valor. my love: meu amor.

drink: bebida. green card: “cartão verde”, como é chamado o visto estadunidense, que permite aos estrangeiros morarem nos Estados Unidos. noveau riche: novo rico. sex appeal: atraente do ponto de vista sexual. background: fundo, segundo plano, fundamento.

Damon Hill: piloto britânico de Fórmula 1. happy end: final feliz. dream team: “time dos sonhos”, apelido da seleção estadunidense de basquete. drag queen: homem que se veste de mulher.


Por que Zeca Baleiro? José Ribamar Coelho dos Santos, Zeca Baleiro, como é conhecido, nasceu em São Luís do Maranhão, em 11 de abril de 1966. Por que Zeca Baleiro?

Sempre fui um implacável consumidor de balas e toda a sorte de guloseimas. Quando ingressei na Universidade, entre uma aula e outra, saboreava as minhas balas. Como era sabido que eu sempre tinha [...], quando alguém desejava comer uma, vinha a mim. Daí para me chamarem de Baleiro foi um passo. Confesso que, a princípio, aquilo não soava bem aos meus ouvidos. ZECA Baleiro. O apelido, s.d. UOL. Disponível em: <http://zecabaleiro.uol.com.br/biografia.php>. Acesso em: 23 mar. 2015.

Livros Oriente Médio e a Questão Palestina Beatriz Canepa e Nelson Bacic Olic. São Paulo: Moderna, 2003. O Oriente Médio é associado à imagem de uma região de constantes conflitos, intensificados pela existência das maiores jazidas de petróleo e por envolver a Questão Palestina. O livro trata do crescimento do fundamentalismo islâmico e dos desdobramentos gerados pelos ataques terroristas sofridos pelos Estados Unidos em 2001, bem como analisa as causas desses conflitos. A região parece estar longe de obter uma solução pacífica para tantos problemas. Palestina – na Faixa de Gaza Joe Sacco. São Paulo: Conrad, 2003. O livro é a viagem que Joe Sacco fez ao Oriente Médio, entre 1991 e 1992. Durante dois meses ele coletou histórias nas ruas, nos hospitais, nas escolas e nas casas de refugiados, onde fez mais de 100 entrevistas com palestinos e judeus. Com rara sensibilidade e perspicácia, o artista criou uma série de nove histórias. Palestina – uma nação ocupada, publicada pela Conrad em 2000, onde reuniu alguns desses relatos. Palestina – na Faixa de Gaza dá continuidade às incursões de Sacco por essas regiões em uma nova abordagem, a reportagem em quadrinhos.

Sites Clube Mundo Publicação direcionada para os alunos do ensino médio, traz um suplemento de História e Cultura, voltado especialmente para as disciplinas de História e Língua Portuguesa. A edição do ano 22, número 6, de outubro de 2014, traz uma reportagem sobre os plebiscitos e movimentos separatistas europeus. Disponível em: <www.clubemundo.com.br/pages/pdf/2014/mundo0614.pdf>. Acesso em: 9 dez. 2014. Já a edição do ano 20, número 2, de abril de 2012, traz uma reportagem sobre a nova realidade geopolítica do Oriente Médio. Disponível em: <www.clubemundo.com.br/pages/pdf/2012/mundo0212.pdf>. Acesso em: 9 dez. 2014. Fundo de População das Nações Unidas no Brasil (UNFPA) Ligado à ONU, este site tem informações e notícias sobre a população brasileira. Disponível em: <www.unfpa.org.br/novo/index.php>. Acesso em: 9 dez. 2014.

Filmes Promessas de um Novo Mundo (Promises) Direção: Carlos Bolado, B. Z. Goldberg e Justine Shapiro. Israel, 2001, 106 min. Classificação etária: livre. Documentário israelense, filmado entre 1995 e 2000, retrata a história de sete crianças israelenses e palestinas, com idades entre 9 e 13 anos, que vivem em Jerusalém. Apesar de morarem no mesmo lugar, cada uma vive em mundos distintos, separados por diferenças religiosas e marcados pelo histórico de conflitos e violência. Omar Direção: Hany Abu-Assad. Palestina, 2013, 96 min. Classificação etária: 12 anos. Trata-se de um filme em que o conflito entre Israel e Palestina é narrado a partir da ótica de adolescentes que, queiram ou não, são parte dos grandes conflitos políticos da região. Envolvido em uma história de amor do outro lado do muro, Omar, um jovem pasteleiro, torna-se um combatente da liberdade.

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P RO JE TO I

Povos e territórios

A história dos povos que habitam o planeta é marcada por diferentes maneiras de ocupar o meio geográfico e também pelas relações que se estabelecem entre os diferentes grupos humanos. Neste projeto, o objetivo é conhecer o modo de vida de alguns povos, sua relação com o lugar onde vivem, o meio geográfico que os reúne e, também, como esses povos foram modificando seu modo de vida à medida que seus territórios foram sendo conquistados e ocupados por outros grupos humanos.

Povos inuítes: mudanças no modo de vida Entre os povos que sempre habitaram a região do Polo Ártico, estão os esquimós (como foram chamados pelos colonizadores), ou inuítes, como preferem ser denominados. O povo inuíte habita vastas áreas de Nunavut, região do noroeste do Canadá, a costa norte de Labrador (norte do Canadá), o norte de Quebec e a Groenlândia. Calcula-se que esse grupo se instalou há mais de 6 mil anos no Ártico. Tradicionalmente, eram grupos nômades que viviam da caça e da pesca e que sempre obtiveram um bom conhecimento sobre o meio geográfico que habitam. Os Inuíte são povos que têm um profundo respeito pelos seres humanos, pela terra, pelos animais e pelas plantas e, para a sobrevivência do grupo, é muito importante manter um relacionamento harmonioso com a natureza. Procuram utilizar os recursos da terra e do mar com sabedoria, para preservá-los para as gerações futuras. Na caça, seguem tradições e regras rigorosas para ajudar a manter esse equilíbrio. Para os Inuíte da costa norte de Labrador, por exemplo, é proibido matar qualquer animal em sua época de reprodução.

ALLMAPS

Povo inuíte: localização (2013)

Adaptado de CHARLIER, Jacques. Atlas du 21e siècle. Paris: Nathan, 2013. p. 134; Le Monde Diplomatique/Cartographie. Disponível em: <www.monde-diplomatique.fr/cartes/canada>. Acesso em: 27 nov. 2014.

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Mapa de localização do povo inuíte (2013).


TON KOENE/ VISUALS UNLIMITED/ CORBIS/ LATINSTOCK

Foto de homem ensinando menino a construir um iglu no extremo norte do Canadá, em 2009. Os iglus são construções típicas do povo inuíte. IMAGEBROKER/ ALAMY/ LATINSTOCK

Em relação à alimentação, costumavam comer carne crua (de onde provém o nome esquimó – “comedor de carne crua”), incluindo fígado cru da própria caça, sua única fonte de vitamina C. Embora sua dieta inclua muita gordura, eles apresentam baixas taxas de doenças coronárias, pois quase toda a gordura que consomem é insaturada, proveniente de peixes e focas. A cultura inuíte foi exposta a muitas influências externas durante o século XX. Os primeiros contatos regulares entre esses povos e os europeus começaram em meados do século XVII, quando os navios baleeiros europeus chegaram ao Ártico. Exceto pelos encontros com os negociantes de peles e alguns exploradores, os inuítes tiveram pouco contato com a população do restante do Canadá até a década de 1940. Nessa época, começaram as mudanças mais significativas em seu modo de vida, quando o governo canadense encorajou os Inuíte a morar em colônias permanentes, em vez de habitarem seus acampamentos sazonais, levando à formação de hábitos sedentários em lugar de nômades. Atualmente, nem todos vivem apenas da pesca e da caça. Também importam carne bovina, suína e aves, e cozinham-nas, em vez de comê-las cruas. As famosas casas feitas de gelo, chamadas iglus, não são mais as únicas moradias, porque hoje eles constroem modernas casas de madeira, com calefação, água encanada e energia elétrica. Os Inuíte trabalham em todos os setores da economia, incluindo mineração, petróleo e gás, na construção, no governo e em serviços administrativos. Muitos ainda complementam suas rendas por meio da caça. Atualmente, esses povos convivem com duas questões: não têm soberania sobre o seu território, apesar de terem uma parte de suas terras legalizadas pelo governo canadense, e podem enfrentar os problemas do aquecimento global, que, teoricamente, provocará grandes transformações em seu modo de vida, embora se possa afirmar que o aquecimento global atinja a todos, de forma geral.

Foto de homem inuíte pescando em buracos feitos no gelo, Groenlândia, no Oceano Ártico, 2012.

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P RO JE TO I

Povos e territórios

Povos mapuche: a luta pelo território

RODRIGO ABD/ AP/ LATINSTOCK

O povo mapuche (mapu = terra, che = gente; “gente da terra”) corresponde aos indígenas que vivem no centro-sul do Chile e no sudoeste da Argentina, no sul do continente americano. Esses povos, como tantos outros que habitavam o continente americano antes da chegada dos colonizadores europeus, eram soberanos em suas terras, estabeleciam ali sua territorialidade, que garantia seu sustento. Até o século XIX, o povo mapuche conseguiu resistir à invasão espanhola. Mas, durante o século XIX, a história começou a mudar. Os povos mapuche, que habitam o centro-sul do Chile, por meio de leis criadas em 1870, perderam suas terras para o Estado chileno (constituído como um país independente da Espanha desde 1818). O governo pôde fazer sua expansão territorial ocupando as terras mapuche, e os habitantes nativos foram convertidos em simples ocupantes do território. A partir daí começou a redução da territorialidade dos indígenas, e também se pode afirmar que essas populações empobreceram, pois essas poucas terras se tornaram insuficientes para suprir suas necessidades básicas. Ainda hoje, os Mapuche vivem sob a ameaça da dissolução do seu território. Os maiores inimigos das terras indígenas são os projetos de investimentos privados, como os de plantações florestais, que afetam diretamente as comunidades. O povo mapuche ainda preserva suas línguas tradicionais, sua religião e estrutura sociopolítica, apesar de muitos deles viverem na periferia das grandes cidades, como Buenos Aires e Santiago, em situação de pobreza.

Foto da Comunidade Autônoma de Temucuicui, do povo mapuche, em Ercilla, Chile, 2013.

Leia a seguir a declaração de uma índia mapuche diante da possível perda de suas terras. Multinacional pretende inundar terras índias “A terra é nossa mãe, e um mapuche não vende sua mãe”, responde a velha índia com voz fina e olhar desconfiado. Em castelhano entrecortado de mapudungún –

o dialeto do povo mapuche –, Berta Quintremán explica que não pretende sair do local em que nasceu e vive há imprecisos 76 anos.

CENTRO de Mídia Independente. Mutinacional pretende inundar terras índias, 19 fev. 2002. Disponível em: <www.midiaindependente.org/pt/red/2002/02/17988.shtml>. Acesso em: 27 nov. 2014.

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Tuaregues: povos do deserto divididos por fronteiras Distribuídos hoje em diferentes países, os povos tuaregues são habitantes do Deserto do Saara e descendem de berberes norte-africanos. Foram os primeiros povos a habitar o Saara. Ainda que estejam distribuídos por uma extensa região, atualmente a população tuaregue está reduzida. Tradicionalmente, para os tuaregues, as fronteiras não tinham nenhum significado. Mas, desde a colonização europeia, que fragmentou o território africano, a vida desses nômades se tornou muito difícil. A colonização desestruturou a vida desses povos. Os tuaregues já foram um povo rico, com sua técnica de criação de camelos, os quais eram vendidos como animais de carga para as caravanas. Mais tarde, destacaram-se também na condução dessas caravanas, quando obtiveram o monopólio do sal de Bilma, no comércio saariano. Os principais problemas que os tuaregues enfrentam atualmente são as guerras civis e as secas prolongadas. Leia o texto sobre os músicos do Tinariwen, grupo tuaregue de Mali.

Berberes: grupo étnico nômade que habita o norte da África desde a Pré-História e que vive hoje principalmente nas regiões montanhosas, em Marrocos e na Argélia, e em parte do Deserto do Saara. ALLMAPS

Tuaregues: localização (2014)

PHILIP LEE HARVEY/ GETTY IMAGES

Mapa de localização dos tuaregues (2014). Os tuaregues se distribuem principalmente na região do Saara, na Argélia, Mali, Níger, Líbia, Nigéria e Burkina Faso. A maior concentração é no Níger. Por causa das guerras civis que assolam a região, existem muitos refugiados INTERNATIONAL Work Group for Indigenous (IWGIA). Disponível em: <www.iwgia.org/ tuaregues na Mauritânia. regiones/africa/mali>. Acesso em: 27 nov. 2014.

Foto de homem tuaregue, Líbia, 2013. Os homens tuaregues costumam usar o turbante azul-escuro, o Tagelmust, mesmo entre os familiares. Acreditam que esse véu os protege dos maus espíritos e tem a função prática de proteger contra o sol do deserto e contra as rajadas de areia durante suas viagens em caravana.

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P RO JE TO I A resistência

Povos e territórios

8. “A terra é nossa mãe, e um mapuche não vende sua mãe.” Ela compara a importância que tem a terra para o povo mapuche à importância que as mães têm para a sobrevivência dos filhos. As duas são fonte da vida. Trata-se de uma relação de fortes laços afetivos com o lugar. A índia mapuche não atribui um valor monetário à terra e, portanto, não compreende o fato de insistirem na compra.

Os tuaregues do Mali trazem a São Paulo sons e ritmo de uma história milenar No deserto, nada é fácil. A escassez sempre fez parte da vida dos tuaregues, povo nômade do Saara Central que há milênios sobrevive com pouco e resiste como pode. Escondidas em recantos áridos do Mali, Líbia e Argélia, suas dificuldades começaram a ser reconhecidas no mundo graças a um de seus mais ilustres representantes – o grupo malinês Tinariwen. Liderado pelos guitarristas e compositores Ibrahim ag Alhabib e Alhousseini ag Abdoulahi, além do baixista Eyadou ag Leche, traduz musicalmente o estado de espírito de seus pares, o canto agridoce do exílio, a tristeza da perda e o prazer da nostalgia. [...] “Falta tudo onde vivemos”, explica de Paris, Eyadou ag Leche. “No deserto não há água, comida, hospitais... Como vivemos

em meio à natureza, nosso povo sempre é o primeiro a sofrer com as alterações climáticas, com o aumento do calor e da poluição. No Ocidente as pessoas procuram o sol enquanto nós procuramos a chuva.” A história do Tinariwen começa há quase 30 anos. O povo tuaregue ainda sofria com as consequências das secas de 1973, que o obrigou a abandonar a pecuária e migrar para os grandes centros urbanos. Muito antes de se tornarem figuras conhecidas da world music, era em volta de uma fogueira, sem luz elétrica, que Ibrahim ag Alhabib e seus parceiros se apresentavam, cantando para amigos e quem mais se aproximasse. Oficializando o grupo a partir de 1982 durante um festival na Argélia, trocaram seus instrumentos acústicos por guitarras elétricas. [...]

1. Os inuítes habitam as regiões do norte de Quebec e Labrador, além da Groenlândia. São áreas localizadas na zona TORRES, Bolivar. A resistência, 27 ago. 2011. Estadão Online. Disponível em: <www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-resistencia,764289,0.htm>. Acesso em: 27 nov. 2014. polar ártica, onde os invernos são extremamente rigorosos. 2. O contato com outras culturas e, portanto, a troca de hábitos pró- 3. Um dos traços tradicionais da cultura inuíte que se modificou foi a culinária. Os alimentos, prios por outros advindos de outras culturas durante o século XX. atualmente, são cozidos, em vez de serem comidos crus. As casas, antes feitas de gelo, hoje são feitas de madeira e contam com sistemas de calefação, água encanada e energia elétrica. 7. Porque a partir de 1870 os Mapuche perderam o direito sobre suas terras, que passaram a pertencer ao Estado chileno. A redução da territorialidade desse povo indígena levou ao seu empobrecimento, pois as poucas terras não são suficientes para garantir o sustento deles.

Ação | Investigação Compreensão do texto

1. Escreva algumas características do meio natural

onde habitam os povos inuítes. 2. O que ocasionou uma mudança no modo de

vida dos inuítes? 3. Cite algumas características do modo de vida

dos inuítes que foram se modificando nos últimos anos. 4. Além de toda a população inuíte não ter sobe-

rania sobre as suas terras, qual outro fato pode modificar seu modo de vida? 4. O aumento do aqueci-

mento global, que poderá levar ao derretimento das calotas de gelo.

5. Onde habita o povo mapuche? 6. Por que a terra é tão importante para o povo

mapuche? Que relação pode ser estabelecida entre o modo de vida mapuche e o inuíte? 7. Por que é possível afirmar que a pobreza do

povo mapuche se inicia após as leis criadas em 1870? 62

8. Explique a resposta que a índia mapuche deu

ao jornalista, quando lhe perguntaram por que ela não vendia sua terra. 9. Explique a afirmação: tradicionalmente, para

os tuaregues, as fronteiras não tinham nenhum significado. As respostas das atividades 9, 10, 11 e 12 encontram-se na Assessoria Pedagógica.

10. Que semelhanças podem ser estabelecidas en-

tre as mudanças ocorridas no modo de vida dos inuítes e dos tuaregues? A partir de quando se iniciam essas mudanças? Dê exemplos. 11. Quais são os principais problemas citados pelo

músico do grupo malinês em relação à situação dos tuaregues? 12. Pode-se afirmar que, nos três casos estudados,

as questões territoriais estão presentes para esses povos? Justifique. 5. O povo mapuche habita o centro-sul do Chile e o sudoeste da Argentina (sul do continente americano). 6. O povo mapuche tira da terra sua sobrevivência, assim como os povos inuítes buscam no mar e na terra os recursos para sobreviver.


Pesquisa Vamos completar nossos estudos por meio de uma pesquisa. Você deverá formar um grupo com seus colegas. Cada integrante da equipe deverá trazer uma pesquisa individual sobre o tema. Em classe, vocês apresentarão as pesquisas primeiro para o grupo e depois farão uma síntese para a classe. O tema da nossa pesquisa é: “Os povos e suas formas de sobrevivência”. Tema 1: Os povos lapões. Tema 2: O aquecimento global e as consequências na vida dos Inuíte e dos lapões. Tema 3: Os aborígines australianos. Para cada tema, pesquisem informações sobre: onde vivem, traços culturais importantes, modo de sobrevivência, atividades econômicas que praticam, problemas que enfrentam e que podem afetar a sobrevivência desse povo. Coletando informações com os alunos de nossa classe Para completar o nosso projeto, vamos fazer uma pesquisa para saber o que os entrevistados pensam sobre as populações ciganas. Antes, leia o texto sobre a origem desse povo.

O povo cigano

ISIFA/ GETTY IMAGES

Originárias do norte da Índia, as populações ciganas têm uma longa história de migrações e perseguições pelo mundo. Chegaram à Europa em diversas correntes migratórias, no início do século XV, e hoje estão espalhadas por todos os continentes. Ao Brasil, os ciganos começaram a chegar no século XVII. O termo “cigano” surgiu na Europa para identificar os diferentes clãs que depois foram chamados de ciganos. Nos dias atuais podemos distinguir três grandes grupos: Rom, Sinti e Calon, que apresentam inúmeras autodenominações, falam centenas de dialetos e têm os mais variados costumes e valores culturais, diferentes uns dos outros.

Foto de mulher dançando em festa cigana na cidade de Praga, na República Tcheca, em 2011. Os ciganos são um povo nômade que sempre viveu em acampamentos e preservou sua cultura. São perseguidos desde o século XV até os dias atuais.

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P RO JE TO I

Povos e territórios

Agora, leia a notícia a seguir sobre um dos problemas que os ciganos enfrentam no Brasil. Comunidade de ciganos vence preconceito ao torcer pelo Brasil A cigana Daiane Rocha sonha tanto com os gols da seleção no jogo contra Camarões quanto com a repetição de um gesto. Daiane espera que os moradores ao redor do acampamento, na cidade-satélite de Santa Maria, no Distrito Federal, olhem para ela e torçam com ela, reconhecendo-a como brasileira. A primeira vez que isso aconteceu foi na abertura da Copa do Mundo, quando o Brasil venceu a Croácia. Os 65 ciganos comemoraram cada um dos três gols e dançaram na vitória. Do outro lado da rua, os moradores, que até então os haviam rechaçado, torceram com eles, riram com eles, levantaram os braços em sinal de vitória. Ao sentir-se reconhecida como igual, Daiane chorou. Era um milagre do futebol. Para alcançar o tamanho do gesto é preciso compreender a profundidade da rejeição. Quando montaram acampamento, seis meses atrás, as barracas eram apedrejadas à noite. A comunidade não os queria ali. "A gente botava as crianças no meio, pra proteger. Nos chamavam de bandido, minha barraca rasgou com uma pedra", conta Daiane, 25. "No primeiro dia chegamos cansados, com fome e com sede. Eu e minhas irmãs fomos de casa em casa pedir um balde de água, de uma ponta a outra da rua, e ninguém deu. Então, quando me olharam e fizeram aquele gesto de levantar os braços, torcendo, chorei. Era como se eles dissessem que eu era igual, que eu também era brasileira. Aquele movimento de torcer foi como uma ponte." Brasileiros há mais gerações do que conseguem lembrar, os ciganos vivem uma realidade única: lutam para resistir como cultura, mas precisam esconder a cultura para sobreviver no cotidiano. A marca visível de sua diferença, num país tão mestiço

quanto o Brasil, não se dá na cor da pele, mas no que colocam sobre ela. [...] Os ciganos vivem sob suspeição. Em especial grupos pobres, como o de Wanderley. A brutalidade, marcada no DNA da História, tem provocado um curioso fenômeno. Nômades, da etnia calon, a comunidade de Wanderley reivindica a fixação. O movimento, que era lugar, virou um não lugar. "Cansamos de viajar e não conseguir montar as barracas, porque não deixam. É muito difícil ser expulso de um canto a outro, já sofremos demais." O grupo reivindica junto ao governo do Distrito Federal um pedaço de terra em outra cidade-satélite, a de Sobradinho. Mas não usam o termo "terra". Wanderley sempre diz "endereço". Sem "endereço", segundo ele, "um brasileiro não tem credibilidade". É possível ser nômade sem movimento? Wanderley interpreta: "Cigano é aquele que segue, morador é o que mora. Nós seremos ciganos que moram". Muitos não tinham carteira de identidade. A última a fazer a sua foi Sara, 19 anos. Fez para se igualar. Ela sofre com cálculos renais e tinha dificuldade para receber atendimento no SUS. "Várias vezes eu ficava no corredor, me contorcendo de dor, mas não me atendiam por eu não ter documentos", conta. Sara não existia, sequer a tinham registrado, porque a vida do seu povo seguia outra lógica do que é existir. Quando fez a carteira de identidade, a família preocupou-se. Sara teve uma reação emocional, não conseguia comer, emagreceu. Segundo ela, três quilos foi o que perdeu ao ganhar um lugar no cadastro. É sua primeira Copa como brasileira oficial. [...]

BRUM, Eliane. Comunidade de ciganos vence preconceito ao torcer pelo Brasil, 23 jun. 2014. Folha Online. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/esporte/folhanacopa/2014/06/1474719-comunidade-de-ciganos-vence-preconceito-no-gesto-de-torcer-pelo-brasil.shtml/>. Acesso em: 27 nov. 2014.

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Em sua pesquisa, procure saber os tipos de informações que os entrevistados têm sobre as populações ciganas.

Etapas do trabalho 1. Levantamento do que queremos saber

Pesquise a visão que as pessoas têm sobre os ciganos e por que pensam dessa maneira.

2. Delimitação do universo da pesquisa

Cada aluno da classe deverá entrevistar no mínimo duas pessoas, com mais de 14 anos, que conheçam algum cigano ou que saibam algo sobre o modo de vida desse povo.

3. Elaboração e aplicação da entrevista

Junto com o(a) professor(a), elaborem um roteiro para realizar a entrevista. Com esse roteiro, vocês devem perguntar aos entrevistados, por exemplo: o que eles sabem sobre os ciganos (moradia, aspectos culturais, atividades econômicas que praticam etc.), qual a opinião deles sobre existir ou não preconceito no Brasil em relação aos ciganos e ao modo de vida desse povo; se eles pensam nos ciganos como cidadãos brasileiros ou não; onde eles conseguiram informações sobre os ciganos e o modo de vida deles.

Na Assessoria Pedagógica, há uma sugestão de roteiro de entrevista que contempla os pontos mencionados acima. Faça as adaptações que julgar necessárias.

4. Organização das informações obtidas na entrevista

Após realizar as entrevistas, a etapa seguinte consiste em organizar os dados obtidos. Faça a contagem das respostas e a tabulação dos dados, seguindo as orientações. Primeiro, faça um levantamento na classe do número de entrevistas realizadas. Anote em seu caderno. Esta parte pode ser realizada primeiro em grupo e

Depois, vocês deverão verificar as respostas:

depois com toda a classe.

• quantos entrevistados conhecem ciganos; • quais foram as características descritas sobre o tipo de moradia, aspectos culturais e atividades econômicas que os ciganos praticam; • o que pensam sobre as atitudes ilícitas atribuídas a esse povo; • o que pensam sobre a cidadania desse povo; • o que pensam sobre o modo de vida desse povo. 5. Análise dos dados

Com o registro das respostas feito, vocês deverão analisar os resultados e verificar qual o tipo de conhecimento sobre os ciganos. Depois comparem com os relatos dados pelos ciganos na notícia, relativizando os pontos de vista.

6. Discussão

Agora, vocês vão discutir as seguintes questões: • A discriminação que persegue as populações ciganas está ligada ao fato de as pessoas terem dificuldade de aceitar um modo de vida diferente do seu? Justifique seu ponto de vista. • Em sua opinião, o fato de os ciganos serem nômades e, por isso, não firmarem sua identidade numa territorialidade fixa dificulta a luta pelos seus direitos? Justifique seu ponto de vista. 65

Geografia Nos Dias de Hoje 8º ano  

Obra Aprovada no PNLD 2017 | A obra tem como objetivo dar ao aluno subsídios para a construção do conhecimento, levando-o a entender o mundo...

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