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GEOGRAFIA

NOS DIAS

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GEOGRAF IA MANUAL DO PROFESSOR

Claudio GIARDINO Ligia ORTEGA Rosaly Braga CHIANCA Virna CARVALHO


Claudio GIARDINO

Bacharel e licenciado em Geografia pela PUC-SP. Especialista em Psicopedagogia pela UNIP-SP e em Gestão de Escolas pela FAAP-SP. Ex-professor de Geografia na rede pública e particular. Assessor de Geografia, coordenador e diretor pedagógico na rede particular de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Diretor de rede de escolas particulares. Autor de obras didáticas.

Ligia Maria ORTEGA Jantalia

Bacharel em Ciências Sociais pela FFLCH-USP. Ex-professora de Geografia das redes pública e particular de Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Autora de obras didáticas.

Rosaly Braga CHIANCA

Bacharel e licenciada em Geografia pela FFLCH-USP. Ex-professora de Geografia e Atualidades na rede particular de Ensino Fundamental II. Assessora de Geografia na rede particular de Ensino Fundamental I. Autora de obras didáticas e paradidáticas.

Virna CARVALHO

Bacharel e licenciada em Geografia pela UNICAMP. Mestre em Geografia Humana pela FFLCH-USP. Professora de Geografia na rede privada. Autora de publicações acadêmicas.

NOS DIAS

DE

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JE

GEOGRAF IA MANUAL DO PROFESSOR São Paulo • 2a edição • 2015

GEOGRAFIA


Geografia nos dias de hoje – 7o ano © 2015 Leya

Direção editorial Mônica Vendramin

Mapas Allmaps

Coordenação editorial Ebe Christina Spadaccini

Gráficos Editoria de arte

Edição Caren Inoue Cassia Yuka de Andrade Tamura Mariangela Secco

Produção Digital Coordenação: Camila Carletto Edição: Lívia Lima Paiva e Laura Cintra Labaki

Edição de texto Vera Lúcia Rocha Assessoria técnico-pedagógica Simone Afonso da Silva Edição de texto da Assessoria Pedagógica Andréia Szcypula Coordenação de produção Nadiane Oliveira Gerência de revisão Miriam de Carvalho Abões Assistência de coordenação de revisão Vinicius Oliveira de Macedo Revisão Rosemary Lima Sâmia Rios Coordenação de arte e capa Thais Ometto Ilustração/foto de capa: Richard Newstead/ Moment/ Getty Images Projeto gráfico Débora Barbieri Edição de arte Thais Pedroso Iconografia Jaime Toshio (coord.) Douglas Cometti Paula Dias Jad Alves Editoração eletrônica Cittá Estúdio (miolo) AGWM Editora e Produções Editoriais (Assessoria Pedagógica) Ilustrações Angelo Shuman Eduardo Borges Jon atas Tobias Fernando Pires Hiro Kawahara Meelow Silvio Malaguti

Título original da obra: Geografia nos dias de hoje – 7o ano São Paulo * 2a edição * 2015 Todos os direitos reservados: Leya Rua Dr. Olavo Egídio, 266 CEP 02037-000 – São Paulo – SP – Brasil Fone + 55 11 3129-5448 Fax + 55 11 3129-5448 www.leya.com.br leyaeducacao@leya.com ISBN 978-85-451-0097-3 (aluno) ISBN 978-85-451-0096-6 (professor) Impressão e acabamento

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Ficha elaborada por: Tereza Cristina Barros – CRB-8/7410 Ficha elaborada por: Tereza Cristina Barros - CRB-8/7410 Geografia nos dias de hoje, 7º ano / Claudio Giardino...[et al.]. -– 2. ed. – São Paulo : Leya, 2015. -- (Coleção geografia nos dias de hoje) Outros autores: Ligia Ortega, Rosaly Braga Chianca, Virna Carvalho. ISBN 978-85- 451-0097-3 (aluno) ISBN 978-85- 451-0096-6 (professor) 1. Geografia (Ensino fundamental) I. Giardino Claudio Nélson II. Jantalia, Ligia Maria Ortega III. Chianca, Rosaly Braga IV. Carvalho, Virna. V. Série

22.04/2015 CDD-372.891 --------------------------------------------------------Índices paracatálogo catálogosistemático: sistemático: Índice para

1. Geografia : Ensino fundamental 372.891

1. Geografia : Ensino fundamental

372.891


Apresentação Neste ano vamos estudar a Geografia do Brasil. Vamos aprender que o nosso país já foi um território com divisão política, dimensões e fronteiras bem diferentes das atuais. Vamos compreender as características e as mudanças desse espaço geográfico em construção. O Brasil é um país de grandes dimensões e apresenta uma variedade de paisagens nas cidades e nos campos. Com seu trabalho, o povo brasileiro transforma o espaço onde vive, construindo e organizando-o por meio de relações sociais e de relações com a natureza. Estudar a geografia do Brasil nos permite entender e analisar como a nossa sociedade, através do tempo, produziu e organiza o espaço geográfico atual. A qualidade de vida nas cidades e nas áreas rurais, a exploração dos recursos naturais no território, a diversidade ambiental no espaço geográfico, a desigualdade socioeconômica do país são temas que vamos discutir ao longo deste ano. Ao realizar esses estudos, vamos responder a muitas questões, observar paisagens e analisar diversos tipos de lugares e regiões. Discutiremos ideias, percorrendo caminhos que contribuirão para o entendimento da geografia do Brasil. Formar um pensamento geográfico, conhecer e compreender a realidade do país nos permitirão atuar na sociedade como cidadãos críticos, conscientes dos nossos direitos e deveres.

Os autores


CONHEÇA

seu livro Este é seu livro de Geografia. Ele vai acompanhá-lo durante todo o ano letivo. Vamos conhecê-lo.

71

Brasil:

Abertura de Tema

um espaço em construção

No capítulo 1, vamos ver que o Brasil nem sempre foi um território independente – até o início do século XIX, constituía um território governado por Portugal. Nas representações do território brasileiro feitas no passado, vamos identificar diversas ideias até chegar ao mapa político atual, com a divisão do nosso território em unidades administrativas e regiões. A localização do nosso território no mundo e a identificação de nossas dimensões e fronteiras também são assuntos que estudaremos nesse capítulo.

No capítulo 2, vamos investigar a formação do território brasileiro, assim como o papel dos diversos povos na constituição de nossa sociedade. No capítulo 3, vamos estudar movimentos migratórios, crescimento da população e sua distribuição no país, além de tratar da qualidade de vida dos brasileiros.

[1] Foto de mulheres indígenas Kamayurá preparadas para a cerimônia feminina do Yamuriaimã, em Gaúcha do Norte, Mato Grosso, 2012. [2] Foto do ensaio da peça Romeu e Julieta, com bailarinos da Companhia são Paulo de Dança, em São Paulo (SP), 2013.

EPITÁCIO PESSOA/ESTADÃO CONTEÚDO

2 RENATO SOARES/ PULSAR IMAGENS

1

Imagens e texto de introdução apresentam os conteúdos que serão estudados nos capítulos que compõem o Tema.

8

9

5

2

Observe as imagens e descreva como os espaços representados estão ocupados. As imagens 1 e 2 apresentam uma forma de uso da terra diferente da imagem 3. Qual é essa diferença? 102

RICARDO AZOURY/ PULSAR IMAGENS

[1] Foto de extensa plantação de laranjas em Colina, São Paulo, 2010. [2] Foto de agricultor trabalhando em plantação de mandioca em Triunfo, Pernambuco, 2010. [3] Foto de seringueiro extraindo látex em Xapuri, Acre, 2012.

3

A atividade econômica predominante nos Campos é a pecuária. No entanto, a agricultura vem avançando, como é o caso da cultura da soja. O uso indevido do solo nas regiões dos Campos Gaúchos tornou-se um grave problema, levando-os à arenização.

Abertura de capítulo

FERNANDO BUENO/ TYBA

1

JOÃO PRUDENTE/ PULSAR IMAGENS

Capítulo

Diferentes paisagens e interesses na organização do campo

O fator altitude nas áreas tropicais Além do fator latitude, a altitude é outro fator que interfere no clima e na vegetação do complexo regional do Centro-Sul, principalmente nas áreas localizadas na zona tropical. Observe na tabela as diferenças na temperatura média anual das cidades de Campos do Jordão, no estado de São Paulo, e do Rio de Janeiro, capital do estado do Rio de Janeiro. Apesar de estarem localizadas na mesma latitude, Campos do Jordão e Rio de Janeiro apresentam diferenças de temperaturas médias por causa da altitude. Nas áreas mais elevadas, como as regiões serranas, a pressão é menor assim como a temperatura, ao contrário do que ocorre no litoral, onde a pressão e a temperatura são maiores.

O capítulo inicia-se com imagens e perguntas que permitem verificar o conhecimento que você já possui sobre o assunto a ser tratado.

Rio de Janeiro e Campos do Jordão: latitude, temperatura, relevo e altitude média Cidade

Latitude

Relevo

Médias de altitude

Rio de Janeiro

22º S

24 ºC

Planície litorânea

Entre 0 e 380 m

Campos do Jordão

22º S

Temperatura média anual

13,6 ºC

Serra da Mantiqueira

1 700 m

Tabela elaborada pelos autores.

Assim, em regiões localizadas em planaltos e serras do leste e sudeste, como o sul de Minas Gerais, e as áreas com altitudes superiores a 800 metros, G2014_GEO7_C8_G25 nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, ocorrem temperaturas médias Climograma de Campos do Jordão (SP). mais baixas, e o tipo de clima é o tropical de altitude.

Credito: Cibele Queiroz Campos do Jordão (SP) Precipitação (em mm)

Temperatura (em ºC)

400

20

350

16

300 250

12

200 8

150 100

Como se justifica a diferença na temperatura do ar em cidades com a mesma latitude, ou seja, com a mesma distância em relação à linha do Equador?

Glossário Para facilitar a leitura, o glossário explica o significado de algumas palavras e expressões destacadas ao longo do texto.

4

50

0

0

A agricultura, a pecuária e o extrativismo são atividades do setor primário da economia e caracterizam o campo. São atividades que se destacam no Brasil e são predominantes na composição do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

capítulo 5 | Diferentes paisagens e interesses na organização do campo

Arenização: fenômeno que acontece nas regiões de clima úmido, com chuvas abundantes e de solos arenosos. O desmatamento e o manejo inadequado expõem o solo à ação da chuva e do vento, o que agrava a erosão da região. O solo arenoso, quando exposto à ação dos ventos, forma dunas de areia que se espalham por extensas áreas. A arenização torna o solo improdutivo.

J F M A M J J A S O N D

BARBOSA, João Paulo Macieira. Utilização de método de interpolação para análise e espacialização de dados climáticos: o SIG como ferramenta. In: Caminhos de geografia. Disponível em: <www.seer.ufu.br/index.php/ caminhosdegeografia/article/viewFile/15274/8575>. Acesso em: 16 mar. 2015.

NÃO ESCREVA NO LIVRO. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Gráfico de climograma do município de Campos do Jordão (SP). Território brasileiro e diversidade regional | tema 4

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

197

APLICANDO E AMPLIANDO O CONHECIMENTO 1. Leia o texto e, em seguida, responda às perguntas em seu caderno.

Aplicando e ampliando o conhecimento

Índios on line é um canal de diálogo, encontro e troca. Um portal de diálogo intercultural, que valoriza a diversidade, facilitando a informação e a comunicação para vários povos indígenas [Kiriri, Tupinambá, Pataxó-Hãhãhãe, Tumbalalá, na Bahia; Xucuru-Kariri, Kariri-Xocó, em Alagoas; e os Pankararu em Pernambuco] e para a sociedade de forma geral. Nos conectamos à internet em [nossas] [...] próprias aldeias [...], realizando uma aliança de estudo e trabalho em benefício de nossas comunidades e do mundo. Nossos objetivos são: facilitar o acesso à informação e comunicação para diferentes

povos indígenas, estimular o diálogo intercultural. Promover [...] [a pesquisa e estudo] de nossas culturas. Resgatar, preservar, atualizar, valorizar e projetar nossas culturas indígenas. Promover o respeito pelas diferenças. Conhecer e refletir sobre a nossa situação atual. Salvaguardar os bens imateriais mais antigos desta terra Brasil. Disponibilizar na internet arquivos (textos, fotos, vídeos) sobre os nossos povos para o Brasil e o mundo. Complementar e enriquecer os processos de educação escolar diferenciada multicultural indígena. Nos qualificar para garantir melhor nossos direitos. [...]

EDSON SATO/ PULSAR IMAGENS

ÍNDIOS On Line. Quem somos, s.d. Disponível em: <www.indiosonline.net/?page_id=3122>. Acesso em: 9 fev. 2015.

Foto de indígena com notebook em assembleia das etnias Yanomami realizada na comunidade Toototobí-Hutukara, em Barcelos, Amazonas, 2010. Os povos indígenas aprenderam a usar a internet para ajudá-los a se organizar, comunicar e divulgar sua cultura.

a) Quais povos indígenas participam do site “Índios on line”? Em que região do Brasil esses povos vivem? b) Quais são os objetivos do portal referentes à preservação da cultura indígena? c) Um dos objetivos do site é que os indígenas discutam sobre seus problemas e seus direitos nos dias de hoje. Copie no caderno trechos do texto que comprovem essa afirmação. d) Por que esse tipo de canal de comunicação é importante para as nações indígenas? Justifique.

32

capítulo 2 | Na formação do território, a presença de vários povos

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Ao longo dos séculos iniciais da colonização, a formação de vilas e cidades esteve relacionada às atividades econômicas do campo, inicialmente às atividades do setor açucareiro e, mais tarde, no século XVIII, às atividades extrativas de minérios, como ouro e pedras preciosas, principalmente no interior da colônia, na região das Minas Gerais.

De vilas a cidades

Esta seção apresenta textos literários, jornalísticos ou depoimentos, além de imagens (fotos, obras de arte, charges etc.) e atividades de compreensão, que permitem aprofundar os assuntos tratados.

Vila era um termo empregado ao longo do período colonial e imperial brasileiro para designar as unidades político-administrativas autônomas, equivalentes ao que hoje chamamos de municípios. Nas vilas, os símbolos de autonomia eram a Câmara, a Cadeia e o Pelourinho, lugar onde os escravos eram castigados. Geralmente, essas edificações localizavam-se na praça principal da vila. Nesse período da história brasileira, algumas vilas receberam o título de cidade por apresentarem importância política e econômica, destacando-se por suas atividades urbanas e, assim, tornaram-se a sede do poder municipal. O termo cidade, enquanto localidade no território nacional, designa a sede política e administrativa do município, e também a área onde se desenvolvem predominantemente as atividades como o comércio, os serviços públicos ou as atividades do governo, a prestação de serviços de educação, saúde, transporte, lazer, entre outros. Após a Constituição republicana de 1891, os estados da federação (chamados de províncias durante o Império) passaram a ter o poder de criar cidades, nomeando-as como sede político-administrativa dos municípios. 1910. COLEÇÃO PARTICULAR

Quem somos

Reprodução de cartão-postal de Fortaleza, Ceará, com vista, à esquerda, da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, de 1910. Ao fundo, a Serra da Arara. Em 1726, o povoado do entorno do Forte de Nossa Senhora de Assunção foi elevado à condição de vila. Em 1799, Fortaleza foi escolhida capital do estado do Ceará.

Muitas cidades foram criadas e cresceram ao longo do século XIX, principalmente na província de São Paulo, em virtude das atividades de comercialização do café e da rede ferroviária, que transportava o produto para os portos das cidades do Rio de Janeiro e de Santos. 80

4

capítulo 4 | Urbanização e industrialização no espaço brasileiro

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Boxes Os boxes trazem informações complementares relacionadas ao conteúdo estudado.


ES N O C Í ATIVIDADES

Atividades

1. O que propiciou ao Brasil se destacar atualmente como exportador de produtos agro-

pecuários? 2. Sobre a produção pecuária do Brasil, responda em seu caderno:

a) Qual é a posição e a importância da pecuária do Brasil no cenário internacional? b) Desde quando ele ocupa essa posição? c) Qual outro produto brasileiro, relacionado à pecuária, tem destacado o Brasil no mercado internacional?

FORA DE ESCALA E CORES FANTASIA

No final do capítulo, as atividades vão ajudá-lo a exercitar e sistematizar seu conhecimento. Entre os tipos de atividades, destacam-se a leitura de imagens e o registro sobre os conceitos estudados que você fará no Construindo o glossário geográfico.

3. Observe as fotos e, em seu caderno, complete a legenda de cada uma delas, explicando

LEO CALDAS/ PULSAR IMAGENS

o tipo de atividade e algumas das características representadas nas imagens.

RUBENS CHAVES/ PULSAR IMAGENS

Foto de plantação de uvas em Petrolina, Pernambuco, 2012.

INÊS CALIXTO/ PULSAR IMAGENS

Foto de granja em Paraopeba, Minas Gerais, 2014.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Recurso digital exclusivo para professor.

Foto de colheita de açaí em Belém, Pará, 2011. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Campo e cidade: a organização do espaço brasileiro | tema 2

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

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Trabalhando com mapas e gráficos

Brasil: densidade demográfica (2010) 50º O

Boa Vista

Macapá Belém São Luís

Manaus

MARANHÃO Teresina CEARÁ

ACRE

Porto Velho

Rio Branco

Palmas TOCANTINS

RONDÔNIA

Maceió ALAGOAS Aracaju SERGIPE

BAHIA

MATO GROSSO

Salvador Cuiabá

Menos de 1 De 1,1 a 10

GOIÁS Goiânia MATO GROSSO DO SUL

Belo Horizonte

Campo Grande SÃO PAULO

De 10,1 a 25 De 25,1 a 100

PARANÁ

Mais de 100

OCEANO ATLÂNTICO ESPÍRITO SANTO Vitória

RIO DE JANEIRO Rio de Janeiro São Paulo Trópico

Curitiba

Capital estadual

Rios

0

Elaborado com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 114; IBGE Atlas Escolar. Disponível em: <http://atlasescolar.ibge.gov.br/images/atlas/mapas_brasil/ brasil_densidade_demografica.pdf>. Acesso em: 26 fev. 2015.

Material uma folha de papel milimetrado ou quadriculado; lápis; borracha; lápis de cor. Modo de fazer Trace dois eixos no papel milimetrado ou quadriculado: um horizontal, de 10 cm, e outro vertical, de 10 cm. Os eixos devem ter o mesmo ponto de origem. No eixo vertical, faça uma pequena marca, de 1 em 1 cm. Nele, comece a marcar a partir do 5, indo até o 30. Cada 1 cm vale 5 (5, 10, 15, 20, 25, 30). Depois, no eixo horizontal, faça divisões de 1 em 1 cm. Cada centímetro equivale a uma década. Escreva embaixo de cada centímetro a década correspondente (1960, 1970, 1980, 1991, 2000, 2010, 2014). Agora, construa as barras. Desenhe uma barra por vez e pinte-as com uma cor de sua escolha. Veja o modelo na página seguinte. Para montar o gráfico, use os dados fornecidos na tabela.

440

Brasil: densidade demográfica (1960-2014) Densidade demográfica

Ano 1960

8,34

1970

11,10

1980

14,23

1991

17,26

2000

19,92

2010

22,43

2014

23,8

Brasil: um espaço em construção | tema 1

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Agora é com você! Continue a história de Lucas. Imagine como foi sua chegada ao Recife, o que mais o impressionou, quais foram as novas amizades, como é o local onde ele e sua família vão morar e se ele está satisfeito ou insatisfeito com a nova vida. Você é o autor da história de vida de Lucas.

Mural Notícias do campo Pesquise em revistas, jornais e na internet alguns dados, manchetes, fatos ou imagens que tratem de assuntos relacionados a questões no campo. Alguns exemplos de tema são: movimentos sociais ligados a questões da terra, êxodo rural, mecanização do campo, novas tecnologias, produtos orgânicos e outros assuntos que acabaram de estudar. Em grupo, organizem um mural com o material selecionado. Depois de pronto, cada grupo deve expor a visão geral dos assuntos abordados e apresentar uma notícia que julgar mais relevante e que melhor exemplifique algum ponto abordado no tema estudado.

Para relembrar

2. Observe com atenção a charge ao lado. Em segui-

ANGELI. FOLHA DE S.PAULO, 14/10/2007

1. Uma das frases a seguir apresenta um erro. Em seu

65

No final de cada capítulo, há também atividades de leitura e interpretação de mapas e gráficos, que vão ajudá-lo a entender e usar esses elementos como fonte de informação sobre o espaço geográfico.

Revendo o Tema

Produção de texto Lucas tinha 14 anos quando seus pais saíram do interior de Alagoas e foram morar em Recife. A família trabalhava no campo. Apesar de Lucas estudar em uma escola rural, ele costumava também trabalhar na lavoura, ajudando em pequenos serviços. Não conhecia a cidade grande, somente pela televisão. Estava muito animado em mudar de vida, ter novos amigos, passear, conhecer o mar e outras coisas que já havia visto pela TV. O dia chegou e Lucas se mudou.

caderno, responda qual é a alternativa errada e justifique sua escolha. a) As regiões metropolitanas brasileiras localizam-se no interior do país. b) A maioria das regiões metropolitanas brasileiras está em torno da capital do estado. c) Nem todas as capitais dos estados brasileiros formam uma região metropolitana (como, por exemplo, Porto Velho e Boa Vista). d) Na década de 1960, o crescimento populacional e a urbanização se acentuaram principalmente no eixo Rio-São Paulo, em grande parte por causa da criação e expansão de instalações industriais. e) São Paulo é considerada grande metrópole nacional; Brasília e Rio de Janeiro, metrópoles nacionais.

880 km

Mapa da densidade demográfica do Brasil (2010).

# Revendo o tema

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

nio

RIO GRANDE DO SUL Porto Alegre

Limites estaduais

fica brasileira, de 1960 a 2014.

da, responda às questões em seu caderno.

de Ca pricór

SANTA CATARINA Florianópolis

Capital federal Limites internacionais

DF Brasília MINAS GERAIS

9. Construa um gráfico de barras que mostre dados da densidade demográ-

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

RIO GRANDE DO NORTE Natal João Pessoa PERNAMBUCO Recife PARAÍBA

PIAUÍ

Densidade demográfica (hab./km2)

Trabalhando com mapas e gráficos

Fortaleza PARÁ

AMAZONAS

8. A população está distribuída de

forma desigual pelo território brasileiro. Observe o mapa ao lado e, em seguida, responda às questões no caderno. a) O que o mapa revela sobre a densidade demográfica? b) Qual região apresenta a maior densidade demográfica? E qual região apresenta a menor densidade demográfica? c) Podemos afirmar que a distribuição da população brasileira está relacionada a fatores históricos e econômicos? Explique.

AMAPÁ

RORAIMA Equador

Ao fim de cada Tema, uma seção de atividades variadas permite reunir e rever os conteúdos trabalhados. Entre essas atividades destaca-se a produção de texto.

Geografia e cultura Este Tema tratou do espaço urbano e do espaço rural. Agora, esses espaços serão abordados de outra maneira: por meio do olhar de artistas. A fotografia A fotografia registra um momento. É o olhar do artista que retrata um espaço e um tempo determinado, é o real que pode se tornar uma obra de arte. A foto ao lado documenta o trabalho no campo no século XIX, em uma lavoura de café. Marc Ferrez nasceu no Rio de Janeiro, em 1843, e morreu em 1923. Retratou o cotidiano brasileiro, e sua obra é um dos mais importantes documentos visuais da época do Brasil Império e do início da República.

Fotografia em preto e branco de lavoura de café. Marc Ferrez, século XIX.

A arte de rua ou arte urbana: o grafite No espaço urbano podem ocorrer diversos tipos de manifestações, entre elas a artística. O grafite é uma arte que cada vez mais conquista as cidades. Ao contrário da pichação, que é uma manifestação de vandalismo, o grafite é uma manifestação artística no espaço público, é a chamada arte de rua. Várias ruas de cidades brasileiras recebem a intervenção de grafiteiros. Os irmãos Gustavo e Otávio, conhecidos como osgemeos, nasceram em São Paulo e começaram a pintar os muros da cidade quando tinham apenas 12 anos. Como na época tudo era novidade e não havia referências, eles criaram seu próprio estilo e hoje são conhecidos no Brasil e em outros países. Veja um de seus trabalhos a seguir.

Foto de grafite feito por Gustavo e Otávio Pandolfo, conhecidos como osgemeos, sob o viaduto em São Paulo, São Paulo, 2013.

129

P RO JE TO I I

Projeto

Foto de mãe Yanomami com seu filho na Aldeia do Castanha (Barcelos, Amazonas, 2010).

Leia e analise alguns dados a seguir. Em 2014, a avaliação do Fórum Econômico Mundial, sobre a igualdade entre gêneros no mundo, apontava que no Brasil a desigualdade entre homens e mulheres no tocante ao acesso à educação e ao nível da escolaridade era ainda muito acentuada. De acordo com dados do IBGE, em 2013 havia uma pequena diferença entre o número de mulheres e de homens analfabetos: 50,6% do total da população analfabeta eram mulheres. No entanto, em algumas regiões do Brasil, como no Nordeste, no Centro-Oeste e no Norte, a taxa de analfabetismo era ligeiramente maior entre os homens. Brasil e Grandes Regiões: número médio de anos de estudo (2013) Brasil 7,7

Norte 7,0

Nordeste 6,6

Sudeste 8,3

Sul 8,1

Centro-Oeste 8,0

Homem

7,4

6,6

6,2

8,2

7,9

7,7

Mulher

7,9

7,4

7,0

8,4

8,2

8,3

IBGE. PNAD – Brasil e Síntese de Indicadores 2013, 18 set. 2014. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/imprensa/ppts/000000188 51209112014124618639859.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2015.

127

A Geografia e as demais manifestações artísticas são tratadas nesta seção, que apresenta textos literários, letras de música, histórias em quadrinhos. Aqui também aparecem as dicas de livros, filmes e sites.

Mulher brasileira

O objetivo deste projeto é levantar alguns aspectos da situação da trabalhadora no Brasil. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em 2013, a proporção entre a população masculina e feminina vem se equilibrando nos últimos anos, apesar de as mulheres ainda corresponderem a 51,5% da população. Mas as diferenças entre os gêneros são grandes: os salários de homens e mulheres continuam desiguais, as mulheres predominam no trabalho doméstico e os homens ocupam mais postos com carteira assinada.

Total

Charge de Angeli, publicada na Folha de S.Paulo, em 14 out. 2007.

Geografia e cultura

Artes visuais

COLEÇÃO PARTICULAR

G17_F2_NDH_G7_T1C3_M03

ROBSON VENTURA/ FOLHAPRESS

a) De que região partiu o maior fluxo de migrantes nesse período? b) Para onde se dirigiu esse fluxo? c) Para onde se dirigiram os fluxos migratórios que partiram da região Sul?

ALLMAPS

e responda no caderno:

EDSON SATO/ PULSAR IMAGENS

7. Consulte o mapa de migrações no Brasil a partir da década de 1970 até 1980 (página 57)

Esses dados mostram que a média de anos de estudo das mulheres foi superior à dos homens. Mas é importante notar que, ainda assim, esse tempo médio não é suficiente para completar nem ao menos o Ensino Fundamental, que dura nove anos.

131

No fim do Tema, a seção Projeto apresenta textos jornalísticos e científicos que abordam os conteúdos estudados, ampliando o conhecimento sobre o assunto. Por fim, as atividades do final de cada projeto exercitam a compreensão de texto, a pesquisa e a sistematização de dados. 5


Sumário 1

Brasil: um espaço em construção, 8

 spaço geográfico e território Capítulo 1 E brasileiro, 10

2

Campo e cidade: a organização do espaço brasileiro, 76

Capítulo 4

A representação do território através do tempo, 11

As primeiras vilas e o processo de urbanização 79

Aplicando e ampliando o conhecimento, 14

A industrialização e o crescimento urbano 83

Divisão regional do território brasileiro, 21

Rede urbana e metropolização 87

Atividades, 24

Aplicando e ampliando o conhecimento, 96

Capítulo 2 N  a formação do território, a

presença de vários povos, 26

Atividades, 98 Capítulo 5 D  iferentes paisagens e

interesses na organização do campo, 102

Os primeiros habitantes do território brasileiro, 28 Os povos indígenas e a chegada dos colonizadores europeus, 30

As atividades econômicas no campo, 103

Aplicando e ampliando o conhecimento, 32

Tecnologia e industrialização no campo, 106

Ocupação e exploração do território brasileiro, 34

Aplicando e ampliando o conhecimento, 110

Aplicando e ampliando o conhecimento, 37

As atividades extrativistas no campo, 113

Atividades, 42

Distribuição de terras e as relações de trabalho no campo, 115

 população brasileira, 45 Capítulo 3 A Crescimento demográfico, 46 Aplicando e ampliando o conhecimento, 51 Distribuição da população, 53 Fluxos migratórios, 56 Aplicando e ampliando o conhecimento, 58 As desigualdades sociais no espaço brasileiro, 60 Atividades, 63

#Revendo o Tema, 68 Geografia e cultura, 70 Projeto I – Brasília, uma cidade formada por gente de todo o país, 71

6

U  rbanização e industrialização no espaço brasileiro, 78

Atividades, 123

#Revendo o Tema, 127 Geografia e cultura, 129 Projeto II – Mulher brasileira, 131


3

Paisagem, ação humana e natureza do Brasil, 136

 dinâmica da natureza e as Capítulo 6 A diferentes paisagens, 138

Brasil, um país na zona tropical, 139 A natureza compondo diversas paisagens, 140 Um relevo muito antigo, 141 As grandes unidades do relevo brasileiro, 143 Hidrografia do Brasil, 144 Climas do Brasil, 146 Domínios naturais do Brasil, 147 Aplicando e ampliando o conhecimento, 150

Dinamismo industrial e concentração das atividades econômicas, 202 A diversidade na ocupação do espaço, 211 Aplicando e ampliando o conhecimento, 215 Atividades, 218

 omplexo regional do Capítulo 9 C Nordeste, 221

Nordeste: uma região em crescimento, 222 As regiões naturais do Nordeste, 226 Aplicando e ampliando o conhecimento, 239 Nordeste: turismo e cultura, 242 Atividades, 247

Atividades, 157

 xploração e conservação Capítulo 7 E

dos recursos naturais, 162

Recursos naturais e sua utilização, 163 Recursos naturais e o impacto ambiental no Brasil, 165 Aplicando e ampliando o conhecimento, 172 Conservação ambiental e os recursos naturais, 174 Atividades, 177

#Revendo o Tema, 180 Geografia e cultura, 183 Projeto III – Da natureza aos fornos, 185

Capítulo 10 C  omplexo regional da

Amazônia, 250

Amazônia e Amazônia Legal, 251 A ocupação da região após a chegada do colonizador, 252 Integração da Amazônia: projetos agropecuários e de mineração, 255 Industrialização e crescimento urbano, 258 Povos da floresta e desenvolvimento sustentável,

260

Aplicando e ampliando o conhecimento, 262 Os desafios de uma região com grande biodiversidade, 263 Atividades, 268

4

Território brasileiro e diversidade regional, 190

#Revendo o Tema, 273 Geografia e cultura, 277 Projeto IV – Turismo e cultura, 279

 omplexo regional do Capítulo 8 C Centro-Sul, 192

Centro-Sul: a diversidade do quadro natural, 193

Referências bibliográficas, 286

Aplicando e ampliando o conhecimento, 200 7


71

Brasil:

um espaço em construção

No capítulo 1, vamos ver que o Brasil nem sempre foi um território independente – até o início do século XIX, constituía um território governado por Portugal. Nas representações do território brasileiro feitas no passado, vamos identificar diversas ideias até chegar ao mapa político atual, com a divisão do nosso território em unidades administrativas e regiões. A localização do nosso território no mundo e a identificação de nossas dimensões e fronteiras também são assuntos que estudaremos nesse capítulo.

RENATO SOARES/ PULSAR IMAGENS

1

8


No capítulo 2, vamos investigar a formação do território brasileiro, assim como o papel dos diversos povos na constituição de nossa sociedade. No capítulo 3, vamos estudar movimentos migratórios, crescimento da população e sua distribuição no país, além de tratar da qualidade de vida dos brasileiros.

[1] Foto de mulheres indígenas Kamayurá preparadas para a cerimônia feminina do Yamuriaimã, em Gaúcha do Norte, Mato Grosso, 2012. [2] Foto de ensaio da peça Romeu e Julieta, com bailarinos da Companhia São Paulo de Dança, em São Paulo (SP), 2013.

EPITÁCIO PESSOA/ESTADÃO CONTEÚDO

2

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Capítulo

1

Espaço

geográfico e território brasileiro

Sim, é possível identificar parte do território que hoje constitui o Brasil como uma área colonial. Esse espaço foi assim denominado porque pertencia ao domínio português. Permita que os alunos demonstrem seus conhecimentos prévios nesta questão. Oriente-os a perceber que um território colonial significa um espaço controlado e organizado de maneira a atender às necessidades da metrópole.

ALLMAPS

Portugal: presença no mundo (séculos XVI a XVIII)

Mapa da presença portuguesa no mundo (séculos XVI a XVIII).

Observe o mapa que representa áreas sob o domínio de Portugal entre os séculos XVI e XVIII, país que naquela época era uma grande potência colonial, ou seja, com domínio político e econômico sobre outros territórios. Você identifica o território que hoje constitui o Brasil, fazendo parte desse domínio?

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Adaptado de: DUBY, Georges (Org.). Atlas historique mondial. Paris: Larousse, 2007. p. 45.

No período em que esteve sob domínio de Portugal (do século XVI até 1822), o Brasil era bem diferente dos dias atuais. Apenas parte do que hoje corresponde a mais de oito milhões de quilômetros quadrados da área de nosso país era de domínio português. Além de terras no continente americano, Portugal possuía também territórios coloniais no continente africano, além de controlar vários centros (entrepostos) comerciais ao longo do litoral em vários continentes. A formação do território que hoje constitui o Brasil resultou de um longo processo histórico, e iniciaremos nossos estudos compreendendo como as diversas representações cartográficas do nosso espaço refletem a versão do colonizador sobre as terras ocupadas. Vamos reconhecer nesses diversos mapas algumas características da organização econômica no início da nossa colonização, as diferentes divisões políticas que já tivemos, a expansão de nossas fronteiras, chegando ao mapa político com a atual configuração do espaço brasileiro.

capítulo 1 | Espaço geográfico e território brasileiro

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Ao longo de pouco mais de três séculos, parte do território que hoje é chamado de Brasil pertencia a Portugal, importante metrópole no contexto das Grandes Navegações. Nessa época, o mapa do mundo foi desenhado pelos europeus, por causa do domínio político e cultural que exerceram e pela exploração econômica empreendida em diversas regiões do mundo, principalmente na América. Assim, durante a colonização, o espaço que já era habitado por povos indígenas foi apropriado por europeus, dando início à constituição do território brasileiro. O continente americano passou então a ser reorganizado de acordo com interesses, valores e princípios dos colonizadores, que se diferenciavam do modo de vida e da cultura dos diversos povos que já habitavam esse espaço. Navegar e encontrar novas terras eram, então, ações importantes nos séculos XV e XVI. Mas a meta maior era ocupar os novos territórios, pois isso permitiria atender aos interesses da metrópole, principalmente os mercantis, e explorar e comercializar produtos. Mapas elaborados no período das Grandes Navegações possibilitam detectar a importância da cartografia, cujas informações auxiliavam a defesa e a ocupação do território. O mapeamento do território conquistado era importante, uma vez que outros conquistadores europeus, como franceses e holandeses, tinham igualmente interesses na exploração mercantil das terras recém-encontradas. Nos séculos XVI e XVII, esses povos também fundaram cidades na costa do Sudeste e do Nordeste do Brasil. Portanto, esses primeiros mapas são importantes documentos históricos. Ao analisar esse material, é possível identificar os interesses e as ideias do colonizador europeu em relação às terras do continente americano e, em especial, às que viriam a formar o Brasil.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

268 X 356 CM. MUSEU NACIONAL DE BELAS-ARTES, RIO DE JANEIRO

A representação do território através do tempo

Primeira missa no Brasil, óleo sobre tela de Vítor Meirelles, 1860. A obra foi baseada no relato de Caminha em sua carta ao rei D. Manuel. Representa também a visão que o pintor idealizou da primeira missa realizada no Brasil. Portanto, essa pintura corresponde a uma representação de um fato histórico com base na visão de seu autor e, por isso, muitos elementos da obra compõem a imaginação do artista, não sendo necessariamente fatos da realidade.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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BIBLIOTHÈQUE NATIONALE DE FRANCE, PARIS. FOTO: DEA/ G. DAGLI ORTI/ DE AGOSTINI/ GETTY IMAGES

As representações do território colonial brasileiro O território brasileiro nem sempre apresentou essa configuração que conhecemos atualmente. Vamos observar mapas de diferentes períodos históricos e conhecer aspectos da representação do território que hoje constitui o Brasil. O mapa ao lado é uma das primeiras representações do território colonial brasileiro. O mapa Terra Brasilis é um documento cartográfico que permite interpretar algumas das ideias do colonizador em relação ao território brasileiro. A indicação de centenas de nomes ao longo da costa demonstra a necessidade de demarcação e ocupação do espaço. A representação da atividade indígena, de extração de madeira, no caso o pau-brasil, mostra a importância para o colonizador de explorar, nas terras recém-ocupadas, tudo o que tivesse valor comercial para a metrópole. No caso do pau-brasil, dele extraía-se uma tinta, importante na época para a coloração de tecidos. Pode-se afirmar que a configuração do território brasileiro começou com o Tratado de Tordesilhas em 1494. O Tratado de Tordesilhas foi um acordo firmado entre portugueses e espanhóis para definir a demarcação das novas terras e as que viessem a ser conquistadas.

Detalhe do mapa Terra Brasilis (do latim, “Terras do Brasil”), que se encontra no Atlas Miller, feito em 1519, pelos cartógrafos Lopo Homem, Jorge e Pedro Reinel, que trabalhavam para a realeza portuguesa. Observe a riqueza de detalhes e as ilustrações.

ALLMAPS

Tratado de Tordesilhas (1494)

Observe o mapa Terra Brasilis atentamente. Como estão representados os elementos naturais? E os povos indígenas que habitavam essas terras? Como é possível identificar, nesse mapa, o interesse da metrópole em explorar os recursos naturais do território? É possível perceber elementos naturais da fauna e da flora brasileira: diversas espécies de árvores, aves e pequenos mamíferos aparecem entre os habitantes do território. Os indígenas aparecem trabalhando na extração de madeira (pau-brasil), demonstrando o interesse da metrópole portuguesa em explorar os recursos naturais do território brasileiro.

Mapa indica linha do Tratado de Tordesilhas, um acordo firmado em 1494 entre Portugal e Espanha para decidir a divisão das terras recém-conhecidas do continente americano. Adaptado de: ALBUQUERQUE, Manoel Maurício et al. Atlas histórico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1986. p. 14.

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capítulo 1 | Espaço geográfico e território brasileiro

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MAPOTECA DO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, RIO DE JANEIRO. FOTO: DEA/ G. DAGLI ORTI/ DE AGOSTINI/ GETTY IMAGES

Assim, foi traçada uma linha imaginária a 370 léguas das ilhas de Cabo Verde: as terras a leste dessa linha pertenceriam a Portugal; as terras a oeste, à Espanha. Desse modo, as terras que viriam a formar o Brasil foram repartidas antes mesmo da chegada da esquadra de Cabral, em 1500. Observe ao lado o mapa de Luiz Teixeira, elaborado no fim do século XVI. Ele mostra a primeira divisão política do espaço brasileiro: as capitanias­ hereditárias­. Em 1534, o reino português dividiu o território brasileiro em capitanias hereditárias. O objetivo era assegurar a posse da terra recém-conquistada e impulsionar a ocupação e o povoamento do território. No mapa, podemos observar também as linhas do paralelo do Equador e do Trópico de Capricórnio; a rosa dos ventos, importante referência para localização e orientação no espaço; além do nome de lugares, rios e ilhas. No fim do século XVIII, o território brasileiro havia se expandido para além dos limites do Tratado de Capitanias hereditárias, mapa elaborado por Luiz Teixeira, cartógrafo português, em 1574, mostra a Tordesilhas. Isso decorreu, em grande parte, da busca divisão do espaço brasileiro naquela época. por metais preciosos, principalmente ouro e prata, e do cultivo de cana-de-açúcar. Observe, no mapa a seguir, o território brasileiro nesse período. COLEÇÃO PARTICULAR

Légua: medida de valor que varia de acordo com o país. No Brasil, corresponde a cerca de 3 milhas ou 5,5 quilômetros. Capitanias hereditárias: faixas de terra que se estendiam do litoral para o interior, até a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas. O sistema de capitanias hereditárias foi organizado pelo rei de Portugal D. João III para melhor administrar os recursos da colônia. Eram 15 capitanias hereditárias, que foram entregues aos capitães donatários, os responsáveis pela administração e gestão de cada capitania.

America Meridionalis, mapa de Tobias Conrad Lotter, 1772. O mapa mostra o território brasileiro se estendendo até a foz do Rio da Prata (circulado em vermelho), que faz a divisa entre o Uruguai e a Argentina, atualmente.

A existência de nomes ao longo do litoral pode ser relacionada à ocupação do território colonial, iniciada pelo litoral, que, desse modo, ficou mais povoado que a região central. Os rios, por sua vez, foram importantes caminhos que possibilitaram aos colonizadores conhecer e percorrer o interior do território e, por isso, aparecem nomeados, assim como os lugares ao longo de seus cursos.

Observe o mapa America Meridionalis, de 1772. Ele apresenta grande quantidade de nomes de territórios ocupados ao longo do litoral e de rios, por exemplo, o rio Amazonas ao norte do mapa. O que essa distribuição dos nomes no mapa pode indicar em relação à ocupação do espaço no continente? NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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APLICANDO E AMPLIANDO O CONHECIMENTO 1. Leia o texto, observe a carta e faça o que se pede.

sertão. Foram também determinando as Tão logo assentaram-se as primeiras fronteiras da produção e circulação dos provilas e cidades uma série de caminhos fodutos, na busca do grande salto, partindo ram sendo traçados sobre as terras condos portos rumo a uma Europa civilizada. quistadas, onde os rios eram vias fluviais de grande interesse. A lógica desses caminhos, verdadeiras teias no território ocupado, facilitava a circulação de riqueza. Caminhos hoje, boa parte materializados em estradas de rodagem, indicadores de um sistema bem racional de reduzir as distâncias e conhecer o território e dele apropriar-se. Uma análise dos antigos mapas nos leva a considerar a importante contribuição dos cartógrafos quando, assinalando lugares, determinam caminhos para interligar aquela gente na terra produtiva. Gradualmente os caminhos Carta da capitania de Pernambuco do Porto Calvo até o Recife, feita por buscaram o interior, o grande Johan Vingboons, 1660.

ACERVO DO INSTITUTO ARQUEOLÓGICO E HISTÓRICO GEOGRÁFICO DE PERNAMBUCO

Os caminhos da Gente – A construção da Teia

GALINDO, Marcos; MOTA MENEZES, José Luiz. Desenhos da Terra: Atlas Vingboons. Recife: Instituto Cultural Bandepe, 2003. p. 9.

b) Os rios, que formavam os caminhos fluviais.

d) O objetivo principal ao dividir o território em capitanias hereditárias era garantir a posse das novas terras conquistadas, assim como incentivar a ocupação e o povoamento do território.

A carta acima representa a capitania de Pernambuco no século XVII e foi desenhada pelo cartógrafo holandês Johan Vingboons. a) D  e acordo com o texto, qual a importância do trabalho dos cartógrafos na representação dos primeiros caminhos no Brasil colonial? a) Eles ajudaram a identificar os caminhos que ligavam as áreas de produção no Brasil colonial. b) Q  ue tipo de vias foram utilizadas para ligar as áreas de produção com as de escoamento? c) O  bserve o mapa da capitania de Pernambuco: qual a principal informação representada nesse mapa? Ele nos indica os limites da capitania? c) Os rios da capitania. Não, os limites não estão traçados. d) E  m 1574, o reino português dividiu o Brasil em capitanias hereditárias. Qual era o principal objetivo?

As representações do Brasil independente O Brasil tornou-se independente de Portugal em 1822. Com a autonomia política em relação a Portugal, o território brasileiro passou a ser dividido em províncias que, depois da Proclamação da República, em 1889, passaram a ser chamadas de estados. Como se pode observar no mapa da próxima página, os limites do território, agora de um país independente de Portugal, são bastante semelhantes aos do atual mapa político do Brasil. 14

capítulo 1 | Espaço geográfico e território brasileiro

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Brasil Império: divisão política (1822) ALLMAPS

É assim que a configuração territorial do Brasil, representada no mapa do Império, ao lado, pode ser entendida: como resultado de um processo histórico ao longo de mais de três séculos, durante o qual o território foi sendo ocupado, expandido, delimitado e definido. Após a Proclamação da República, em 1889, vários tratados de aquisição e posse de terras foram firmados. Na primeira década do século XX, novos limites foram estabelecidos em áreas de fronteiras territoriais com outros países, principalmente Bolívia e Colômbia. No mapa abaixo, podem-se identificar os limites territoriais do Brasil na primeira década do século XX. Os mapas do Brasil Império e do Brasil atual possuem muitas semelhanças, pois a maioria das fronteiras atuais já havia sido delimitada no período colonial, com exceção dos territórios anexados da Colômbia, Equador e Bolívia e da cessão de terras à Bolívia no início do século XX.

Mapa do Império do Brasil, que mostra os limites territoriais em 1822. Nessa época, o Brasil passou a apresentar uma divisão política em províncias.

Brasil: anexação de territórios (1903 a 1909) ALLMAPS

O mapa do Brasil Império possui semelhanças com o mapa do Brasil atual? Compare-o com o mapa atual do Brasil, da página 16.

Adaptado de: ALBUQUERQUE, Manoel M. de et al. Atlas histórico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1986.

Adaptado de: FOLHA de S.Paulo. História do Brasil: os 500 anos do país em uma obra completa, ilustrada e atualizada. São Paulo: Folha de S.Paulo, 1997. p. 182.

O mapa mostra a anexação de territórios da Colômbia (em 1907), do Equador (em 1904) e da Bolívia (em 1903 e 1907). Em 1909, o Brasil cedeu área para a Bolívia. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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A representação atual do Brasil ALLMAPS

Brasil: divisão política (2014)

Mapa da divisão política do Brasil (2014).

CASSANDRA CURY/ PULSAR IMAGENS

Elaborado com base em: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 90.

Atualmente, o Brasil está organizado em 27 unidades político-administrativas, sendo 26 denominadas estados-membros e uma que constitui o Distrito Federal, onde está localizada Brasília, a capital do país. A República Federativa do Brasil (nome oficial de nosso país) apresenta atualmente o regime político democrático. Nesse sistema, o povo elege por meio do voto direto o presidente, que exerce a função de dirigir o Estado brasileiro. O Brasil constitui também uma Federação e, por isso, em cada unidade político-administrativa (ou estado) há um representante eleito democraticamente, com a responsabilidade de governar de acordo com as leis do país e do estado. A sede do governo federal localiza-se em Brasília, no Distrito Federal. A sede dos governos estaduais encontra-se na cidade, capital dos estados. Os estados da federação, por sua vez, são divididos em unidades políticas menores, chamadas de municípios. Eles são administrados pelos prefeitos, eleitos também pelo voto popular.

Foto do prédio da Prefeitura Municipal de São João do Cariri, Paraíba, 2014.

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capítulo 1 | Espaço geográfico e território brasileiro

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Brasil: evolução da malha municipal (1940 e 2014) ALLMAPS

O número de municípios varia muito de estado para estado e depende de vários fatores, como a dimensão do estado, o número de habitantes e principalmente a história política e econômica. Por exemplo, Minas Gerais é o estado da federação com o maior número de municípios (853), enquanto o estado de Roraima possui apenas 15 municípios. O Brasil possuía 5 570 municípios em seu território, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2014. Assim, ao falar de território brasileiro, estamos nos referindo à porção do espaço terrestre, aéreo e marítimo, sobre a qual o Estado brasileiro exerce, organiza e distribui seus poderes de governo. É sobre esse espaço também que a sociedade brasileira constrói uma territorialidade, ou seja, imprime um conjunto de marcas e características que, ao longo do tempo, configuram o que chamamos de território brasileiro.

Mapas da evolução da malha municipal no Brasil (1940 e 2014). Observe a quantidade de municípios, criados a partir da segunda metade do século XX. Veja também a diferença entre as áreas dos municípios, principalmente entre os estados do Amazonas e de São Paulo. Elaborado com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 95; IBGE Cidades@. Disponível em: <www.cidades.ibge.gov.br>. Acesso em: 4 fev. 2015.

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Brasil: um espaço em construção | tema 1

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ALLMAPS

América do Sul: político (2014)

Localização, dimensão e fronteiras Como foi visto anteriormente, nas representações cartográficas do Brasil, as dimensões e fronteiras são resultado de um longo processo histórico de formação do território nacional pela sociedade brasileira, ou seja, nem sempre foram assim, tal como aparecem representadas no mapa político atual. O território brasileiro ocupa grande parte da porção central e leste do continente sul-americano. Limita-se com a maior parte dos países do continente sul-americano, com exceção de Chile e Equador.

Elaborado com base em: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 41.

Mapa político da América do Sul (2014). A fronteira entre o Brasil e os demais países do continente é bastante extensa. São 15 719 quilômetros de fronteiras terrestres, enquanto a marítima é de 10 959 quilômetros, segundo dados do IBGE. O Brasil apresenta uma faixa de fronteira marítima denominada mar territorial. São 370 quilômetros a partir da costa brasileira. Observe no mapa a linha pontilhada que identifica a faixa do mar territorial.

Limites e fronteiras

GERSON GERLOFF/ PULSAR IMAGENS

Quando nos referimos à ideia de fronteira e limite, estamos falando da divisão ou delimitação dos espaços entre territórios vizinhos. Os limites que vemos assinalados nos mapas políticos são linhas imaginárias que indicam as fronteiras entre territórios e também o contorno de cada um deles. Já a zona de fronteira é uma faixa de terra, muitas vezes habitada, na qual ocorrem contatos entre os habitantes de territórios vizinhos. Foto da ponte internacional Barão de Mauá, na fronteira do Brasil com o Uruguai, 2011. A ponte liga os municípios de Jaguarão, no Rio Grande do Sul, e Rio Branco, no Uruguai. Em zonas de fronteira habitadas, os habitantes dos territórios vizinhos estabelecem contatos.

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capítulo 1 | Espaço geográfico e território brasileiro

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Em relação aos hemisférios, o Brasil está totalmente localizado no Hemisfério Ocidental, ou seja, a oeste do Meridiano de Greenwich. Considerando os hemisférios Norte e Sul, as terras do Brasil estão quase que inteiramente localizadas no Hemisfério Sul (93%), e o restante (7%), no Hemisfério Norte.

ALLMAPS

Brasil: localização nos hemisférios Sul e Ocidental (2014)

Elaborado com base em: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 32.

Segundo o IBGE, o território brasileiro apresenta uma área de 8 514 876 quilômetros quadrados, que se estende de forma semelhante a um triângulo, com a base voltada para o norte e um dos vértices direcionados para o sul. A maior extensão territorial de norte a sul é de 4 394 quilômetros e, no sentido oeste-leste, a maior extensão corresponde a 4 319 quilômetros. Outra referência que nos permite localizar o Brasil é o sistema de coordenadas geográficas, que determinam uma posição na superfície terrestre por meio das medidas de latitude e longitude.

Mapa da localização do Brasil nos hemisférios Sul e Ocidental (2014).

Os cinco maiores países do mundo em extensão territorial 1

Rússia

17 075 400 km2

2

Canadá

9 984 670 km2

3

China

9 572 900 km2

4

Estados Unidos

9 372 614 km2

5

Brasil

8 514 876 km2

ALMANAQUE Abril 2011. São Paulo: Abril, 2011. p. 412, 421, 427, 459, 580.

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Brasil: um espaço em construção | tema 1

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JPAVANI

Observe no mapa abaixo os pontos extremos do território brasileiro.

Brasil: pontos extremos (2014)

ALLMAPS

Foto do ponto norte: Monte Caburaí, Roraima, 2012. Por muito tempo, o Oiapoque, no Amapá, era considerado o ponto mais ao norte do Brasil. Em 2002, cientistas comprovaram que por uma diferença de 84,5 km, o ponto mais setentrional do Brasil é o Monte Caburaí, onde se encontra a nascente do Rio Ailã.

Mapas dos pontos extremos do Brasil (2014).

GERSON GERLOFF/ PULSAR IMAGENS

Elaborado com base em: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 91.

Foto do ponto sul: Arroio Chuí, na fronteira com o Uruguai, Rio Grande do Sul, 2010.

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capítulo 1 | Espaço geográfico e território brasileiro

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Divisão regional do território brasileiro O critério utilizado foi a divisão por gêneros.

LEO CALDAS/ PULSAR IMAGENS

Imagine o espaço da sala de aula dividido em duas partes: a região ou porção do espaço ocupada pelas alunas e outra ocupada somente pelos alunos. Nesse caso, qual foi o critério utilizado para a divisão do espaço da sala de aula?

Foto aérea de área industrializada em Ipojuca, Pernambuco, 2013. PALÊ ZUPPANI/ PULSAR IMAGENS

Quando falamos de região, tradicionalmente entendemos como uma porção do espaço geográfico com características naturais, históricas ou sociais que lhe são particulares, e por isso apresenta uma diferenciação geográfica em relação a outros lugares. A fim de estudar qualquer porção da superfície terrestre, é possível delimitar áreas territoriais a partir de critérios estabelecidos para análise. Esse procedimento é chamado de regionalização, que reúne características ou elementos que são singulares ou próprios daquela porção do espaço. Por exemplo, áreas mais industrializadas e urbanizadas podem ser identificadas e distinguidas de outras com um grau menor de ocupação populacional e pouco ou nenhum uso industrial. Assim, o critério usado para regionalizar o espaço foi o grau de urbanização e as atividades econômicas predominantes. A região, portanto, caracteriza-se por apresentar particularidades dentro de um todo, ou seja, a ideia de região é utilizada para identificar aspectos e formas de vida que são específicas e que conferem identidade a uma determinada área ou porção do território.

A divisão regional do Brasil proposta pelo IBGE O IBGE é o órgão oficial do governo federal que tem como objetivo levantar dados da geografia do Brasil e apresentar estatísticas sociais, econômicas e demográficas. As informações do IBGE são úteis para outros órgãos do governo, que as utilizam para planejar políticas públicas. Desde a sua criação, em 1937, o IBGE já elaborou diversas regionalizações do território brasileiro. Observe algumas delas nos mapas a seguir. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Foto da Mata de Araucárias na área rural do município de Urubici, Santa Catarina, 2014.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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ALLMAPS

Brasil: divisão regional administrativa (1940, 1970 e 2014)

THÉRY, Hervé; MELLO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2005. p. 268; IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 94.

Mapas da divisão regional administrativa do Brasil (1940, 1970 e 2014).

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Como pode-se observar nos mapas, o IBGE considerou os limites dos estados para regionalizar o Brasil. Esse tipo de divisão criada pelo governo tem o objetivo de auxiliar o planejamento de ações nas regiões administrativas e, assim, promover o desenvolvimento social e econômico de um território tão extenso como o Brasil. No entanto, nem sempre os limites dos estados coincidem com as características naturais e socioeconômicas das regiões. Isso mostra que as regiões são formadas de modo mais espontâneo, ou seja, apresentam particularidades naturais, sociais e econômicas que as diferenciam de outros espaços, apesar dos limites políticos criados pelas divisões regionais. Desse modo, na divisão regional do IBGE, alguns contrastes se apresentam em uma mesma região, como é o caso do extremo norte do estado de Minas Gerais, que, por suas características naturais e econômicas, assemelha-se mais ao sul da Bahia, na região Nordeste, do que aos demais lugares da região Sudeste. Outro exemplo é o estado do Mato Grosso, na região Centro-Oeste, com áreas de intervenção humana e quadro natural ao sul do estado bastante diferentes das características do norte, que se aproximam mais da região Norte. Na regionalização feita em 1940, pelo IBGE, existiam cinco regiões: Norte, Nordeste, Centro, Leste e Sul. É interessante observar no mapa a quantidade de estados e a existência do território do Acre. Em 1970, as regiões receberam as mesmas denominações da divisão atual: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, mas a quantidade de estados é diferente no Centro-Oeste e na região Norte.

capítulo 1 | Espaço geográfico e território brasileiro

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


As mudanças na divisão política e regional do Brasil revelam quão dinâmica é a formação do território, uma vez que a sociedade, ao organizar e produzir novas territorialidades, provoca transformações nesse espaço e, portanto, na configuração do território. Atualmente, a divisão do território brasileiro feita pelo IBGE considera cinco regiões: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Ela utiliza como critérios as características naturais do território, assim como as econômicas e sociais, demonstradas até mesmo pelo desenvolvimento tecnológico. Por considerar os limites dos estados, a região Sudeste apresenta, em seu interior, outro exemplo de áreas que se distinguem entre si: áreas com pouca concentração industrial e baixo nível de desenvolvimento tecnológico – como é o caso do Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais – e áreas de pouca ou nenhuma presença industrial – como o Vale do Ribeira do Iguape, na porção do litoral sul do estado de São Paulo. Em contrapartida, há áreas intensamente industrializadas e urbanizadas, como a região metropolitana de São Paulo. Veja mais informações sobre divisão regional do Brasil na Assessoria Pedagógica.

Outra divisão regional adotada nos estudos geográficos organiza o Brasil em três regiões geoeconômicas: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul. A divisão em complexos regionais considera o processo histórico de formação do território nacional, associado aos aspectos naturais, sem respeitar os No decorrer do livro, utilizalimites entre os estados. Essa regionalização, portanto, utiliza como critérios as remos vários dados do IBGE, portanto vamos nos referir às características econômicas do território, assim como o modo pelo qual ele foi regiões administrativas desse instituto. ocupado e organizado ao longo do tempo. No tema 4, o objeto de estudo será o Brasil, Brasil: regiões geoeconômicas (2014) considerando a divisão do território em complexos regionais ou regiões geoeconômicas (Centro-Sul, Amazônia e Nordeste), sem, no entanto, deixar de relacioná-las com a totalidade do território nacional e com outras regiões do mundo. Por meio dos estudos geográficos, compreende-se como o território se formou, como foi ocupado ao longo do tempo e por que ele apresenta determinadas características e paisagens. De posse desses elementos, é possível entender o presente histórico, como é a vida do povo, seu trabalho, suas necessidades de moradia, educação, saúde, lazer e cultura, o que contribui para pensar e agir como cidadão brasileiro.

ALLMAPS

A divisão em complexos regionais ou regiões geoeconômicas

Elaborado com base em: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 152.

Mapa das regiões geoeconômicas do Brasil (2014). NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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ATIVIDADES 1. a ) Continente ame1. ricano; o Brasil faz fronteira com Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai; não faz limite com Chile nem com Equador; localiza-se no Hemisfério Ocidental e a maior parte no Hemisfério Sul. 1. b) Área: 8 514 876 2. km²; extensão norte a sul é de 4 394 km, e no sentido oeste-leste, a maior extensão é de 4 319 km. Pontos extremos – Norte: nascente do Rio Ailã, Monte Caburaí (Roraima); Sul: Arroio Chuí (Rio Grande do Sul); Leste: 3. Ponta do Seixas, Cabo Branco (Paraíba); Oeste: nascente do Rio Moa (Acre).

Copie o quadro ao lado no caderno e complete-o. Para isso, procure as informações no texto e nos mapas do capítulo. a) Localização do Brasil: escreva o nome do continente em que Brasil o Brasil se situa; os nomes dos países com que ele faz fronteiLocalização ra e não faz fronteira; os nomes dos hemisférios em relação do Brasil ao Meridiano de Greenwich e em relação à linha do Equador. Extensão b) Extensão territorial: área, extensão norte/sul e leste/oeste e territorial pontos extremos. Em relação à constituição das fronteiras do território brasileiro, faça o que se pede: a) Explique por que a definição das fronteiras de um território é resultado de um longo processo histórico. Utilize as representações do Brasil apresentadas neste capítulo para exemplificar sua explicação. b) Identifique no mapa Brasil: anexação de territórios (1903 a 1909), da página 15, quando e como o território que corresponde hoje ao estado do Acre foi anexado ao Brasil. Euclides da Cunha, importante escritor brasileiro, esteve com uma delegação na região dos conflitos de terra na região Norte. Pesquise em livros e na internet os motivos de sua viagem e em que medida ela influenciou a delimitação do território brasileiro. As respostas e orientações das atividades 3, 4 e 5 encontram-se na

ALE RUARO/ PULSAR IMAGENS

2. a) Desde o século a) Quais são os critérios utilizados pelo IBGE para dividir o Brasil em regiões? XVI, com o início da b) O Brasil também pode ser dividido em regiões geoeconômicas. Qual a principal difecolonização, já era possível identificar rença entre essa divisão e as que são propostas pelo IBGE? a modificação e a expansão das fronteiras, notadamente na direção 5. Com base nas fotos e nas informações do capítulo, escreva um texto que explique a oeste, por exemplo, seguinte frase: “Ao longo de mais de cinco séculos, o território brasileiro foi sendo conscom a divisão política tituído e nele observamos um conjunto de marcas e características”. do território colonial em capitanias hereditárias e com o Tratado de Tordesilhas. Do período 1 2 colonial, passando pela formação do território independente no século XIX até chegar ao início do século XX, as fronteiras brasileiras foram sendo definidas ao longo de um processo histórico de ocupação e formação do atual território nacional. 2. b) Em 1903, o Brasil, por meio de um Tratado com a Bolívia, anexou ao território a porção de terras que hoje corresponde ao Acre.

Foto dos pampas gaúchos, na zona rural de Quaraí, Rio Grande do Sul, 2010.

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capítulo 1 | Espaço geográfico e território brasileiro

Foto de atividade agropecuária, no município de Corumbá, Mato Grosso do Sul, 2010. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

DIEGO GAZOLA/ PULSAR IMAGENS

4. Sobre a regionalização do Brasil: Assessoria Pedagógica.


RUBENS CHAVES/ PULSAR IMAGENS

NEREU JR/ FOTOARENA

6. a) O mapa representa o território brasileiro dividido em capitanias hereditá4 rias, em 1574. 6. b) Desenhado por Luiz Teixeira, cartógrafo português, em 1574. 6. c) Os limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas, ou seja, a divisão das terras recém-conquistadas entre os reinos da Espanha e de Portugal. 6. d) A oeste: Espanha; a leste: Portugal. 6. e) A partir de 1534, o reino português dividiu o território brasileiro em capitanias hereditárias: quinze faixas de terra que se estendiam do litoral para o interior, até a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas. O objetivo era assegurar a posse da terra recém-conquistada. 6. f) Os mapas representavam as terras conquistadas e davam informações sobre esses locais, o que os ajudava, principalmente, na defesa e na ocupação do território. Foto aérea do bairro de Santa Cecília, São Paulo (SP), 2011. 6. g) A ocupação do espaço foi motivada, em grande parte, pela busca por metais preciosos, ouro e prata principalmente, e pela expansão da pecuária. 6. h) No início do século XX. 6. i) No mapa de 1574 não aparecem os limites territoriais, apenas as terras que a Portugal e Espanha. Somente no final da primeira década do gráficos pertenciam século XX é que as fronteiras foram estabelecidas com a configuração atual.

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Foto do polo petroquímico de Camaçari, Bahia, 2014.

Trabalhando com mapas e

6. Retome o mapa do alto da página 13 e faça o que se pede.

Limite territorial: a divisão ou delimitação dos espaços entre territórios vizinhos. Linha que aparece no mapa e que delimita os diferentes territórios.

a) O  bserve atentamente o mapa. O que ele representa? b) Identifique o nome do autor, sua nacionalidade e o ano em que foi feito. c) O  bserve que no mapa está traçada a linha de Tordesilhas. O que essa linha representa? d) A  quem pertenciam as terras a oeste? E a leste? e) E  xplique o que eram as capitanias hereditárias e por que o Brasil foi organizado nesse sistema. f) E  xplique por que os mapas eram importantes instrumentos para os portugueses na época do Brasil colonial. Em que eles podiam ajudar os colonizadores? g) N  o fim do século XVIII, o território brasileiro havia se expandido para além dos limites do Tratado de Tordesilhas. O que motivou a expansão do povoamento em direção ao interior do território? h) E  m que época as fronteiras do território brasileiro foram estabelecidas de acordo com a configuração atual? i) C  ompare o mapa de capitanias hereditárias da página 13 com o mapa do Brasil atual da página 16. Identifique diferenças em relação às fronteiras e à divisão administrativa.

Regionalização geoeconômica: a regionalização geoeconômica leva em consideração o processo histórico de formação do território

EM SEU CADERNO, EXPLIQUE OS CONCEITOS A SEGUIR. nacional, associado aos aspectos naturais, sem respeitar os limites dos estados. Essa divisão permite compreender as diferentes maneiras como o território brasileiro foi sendo organizado ao longo do tempo.

Construindo o glossário geográfico • Limite territorial • Regionalização administrativa (IBGE)

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

• Região • Regionalização geoeconômica

Região: porção do espaço que apresenta características próprias, ou seja, particularidades dentro de um todo. A região é utilizada para identificar aspectos específicos e que conferem identidade a uma determinada área de um espaço geográfico. Regionalização administrativa (IBGE): a divisão regional do IBGE considerou os limites dos estados para dividir o território brasileiro em cinco grandes regiões. Utiliza como critérios as características naturais do espaço geográfico, assim como as econômicas e sociais. Esse tipo de divisão criada pelo governo tem o objetivo de auxiliar o planejamento de ações e, assim, promover o desenvolvimento social e econômico do território brasileiro.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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RENATO SOARES/ PULSAR IMAGENS

O estudo da geografia do Brasil nos leva a conhecer a formação do nosso território. Observe as imagens e identifique alguns dos povos que contribuíram para a formação do nosso país, assim como marcas do colonizador na paisagem.

território, a presença de vários povos

Foto de indígenas Kayapó da Aldeia Moykarakô em São Felix do Xingu, Pará, 2015. Os Kayapó são exemplos de indígenas que procuram, por meio de seus rituais, festas, danças, música e artesanato, manter suas tradições vivas através das gerações. EDUARDO MARTINS/ A TARDE/ AGÊNCIA ESTADO

Capítulo

2

Na formação do

MARIO FRIEDLANDER/ PULSAR IMAGENS

Foto de apresentação da Banda Didá no Pelourinho, em Salvador, Bahia, 2010. A banda é composta apenas de mulheres afrodescendentes e pertence a uma associação cultural e sem fins lucrativos que atua promovendo gratuitamente atividades educativas.

Foto aérea do Forte Coimbra em Corumbá, Mato Grosso do Sul, 2014. Construído em 1775 com a finalidade de proteger e garantir a ocupação colonial contra as investidas espanholas, o forte é um dos vários exemplos de construções que registram as transformações feitas no território pelo colonizador português.

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Nas imagens é possível identificar indígenas e afrodescendentes. O Forte Coimbra, construído com a intenção de proteger o território, é um registro na paisagem que mostra a presença do colonizador europeu. capítulo 2 | Na formação do território, a presença de vários povos

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Caldeamento: cruzamento de grupos étnicos; o mesmo que miscigenação. Miscigenação mistura entre pessoas de diferentes etnias; mestiçagem.

Fotomontagem com imagens de diversas pessoas, 2010.

JOHN LUND/ BLEND IMAGES/ GETTY IMAGES

Pesquisando e escrevendo por muitos anos sobre a formação do Brasil e do nosso povo, o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro (1922-1997) afirma em seu livro O povo brasileiro que “surgimos da confluência, do entrechoque e do caldeamento do invasor português com índios silvícolas e campineiros e com negros africanos, uns e outros aliciados como escravos”. De uma maneira ampla, podemos afirmar que somos o resultado da miscigenação e da interação cultural de vários povos que, desde a chegada dos portugueses no século XVI, convivem neste território. Hoje, ao estudar a ocupação, a organização e as características do território brasileiro, sabe-se que grande parte da geografia do Brasil foi criada e transformada com base na contribuição de vários povos, não somente indígenas, portugueses e africanos, mas também outros imigrantes europeus e asiáticos que vieram ao Brasil, principalmente no século XIX e início do XX. Em diversas regiões do Brasil é possível encontrar traços da cultura de diferentes povos que colaboraram para a formação do território e da sociedade brasileiros.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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DELFIM MARTINS/ PULSAR IMAGENS

Os primeiros habitantes do território brasileiro

ZIG KOCH/ PULSAR IMAGENS

Foto de arqueólogos trabalhando em sítio arqueológico, Salgueiro, Pernambuco, 2011. Em um sítio arqueológico são encontrados materiais e objetos do passado remoto, usados por grupos humanos.

Foto de sambaqui em Laguna, Santa Catarina, 2014. Os sambaquis, formados ao longo de centenas de anos, revelam que os grupos humanos que viviam no litoral permaneciam por muito tempo em um mesmo lugar, uma vez que encontravam no mar e nas regiões próximas uma fonte abundante de alimentos. Sítio arqueológico: lugar onde grupos humanos da Pré-História deixaram algum vestígio de suas atividades, como pinturas, objetos de uso cotidiano (potes de cerâmica, pontas de flecha e pedras usadas para caçar), restos de fogueira, sepulturas etc.

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Os vestígios da presença humana no território brasileiro datam de aproximadamente 20 a 30 mil anos. São registros na paisagem reconhecidos por meio do trabalho de pesquisadores nos vários sítios arqueológicos existentes no país. É possível encontrar em alguns sítios arqueológicos desenhos feitos em paredes de cavernas, os chamados desenhos rupestres. Esses desenhos representam cenas e situações de vida de diferentes grupos humanos daquela época, como a caça, os objetos de uso cotidiano (utensílios e armas), os animais, a vegetação, os cultivos, além de figuras humanas. Os sambaquis são outro tipo de marca que pode ser encontrada nas paisagens e estão relacionados ao modo de vida dos povos que habitavam o litoral há cerca de 6 mil anos. Constituem grandes elevações no terreno, formadas principalmente por restos de conchas de moluscos que se acumulavam após as refeições, quando os grupos humanos retiravam o alimento do interior das conchas, depositando os restos nos arredores de onde viviam. Os sambaquis foram formados, provavelmente, ao longo de vários séculos, e são importantes registros do modo de vida e da organização do espaço estabelecida por esses grupos humanos. Atualmente, poucos sambaquis podem ser identificados, por causa da transformação e ocupação do litoral e também pelo fato de as conchas serem usadas como matéria-prima para a produção de cal. Alguns deles podem ser encontrados principalmente na zona costeira entre São Paulo e Rio Grande do Sul. Considerando-se os registros do passado pré-histórico do continente americano, é possível afirmar que grande parte dos grupos indígenas que habitavam a porção que hoje corresponde ao Brasil já desenvolvia a agricultura e também já utilizava objetos de cerâmica há cerca de 3 mil anos.

capítulo 2 | Na formação do território, a presença de vários povos

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


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Infográfico mostrando alguns sítios arqueológicos no Brasil.

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[2] Foto de objeto de cerâmica datado de 400 e 1300, feito por grupos humanos primitivos na região da Ilha de Marajó.

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Um dos maiores agrupamentos humanos estabeleceu-se na Ilha de Marajó, em áreas de matas e no litoral, por volta de 3 500 anos atrás. Eram agricultores e também fabricavam cerâmicas, utilizadas para guardar alimentos.

No Parque Nacional da Serra da Capivara, localizado no estado do Piauí, a arqueóloga brasileira Niède Guidon, ao realizar pesquisas no sítio arqueológico da caverna da Pedra Furada, afirma ter encontrado pedaços de carvão resultantes de fogueiras feitas por grupos humanos da região, que podem ter mais de 40 mil anos de existência. [1] Foto de pintura rupestre no Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, Piauí, 2010.

O Parque Nacional de Cavernas do Peruaçu localiza-se na cidade de Januária, Minas Gerais. Foi criado em 1999, com a finalidade de proteger o patrimônio geológico e arqueológico da região. Há várias cavernas no parque, onde pesquisadores já encontraram ossadas humanas que datam de mais de 11 mil anos.

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[3] Foto de pintura rupestre no Parque Nacional de Cavernas do Peruaçu, Itacarambi, Minas Gerais, 2007.

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ARTES SOBRE ILUSTRAÇÃO DE JONATAS TOBIAS

Em Lagoa Santa, município da área metropolitana de Belo Horizonte, mais precisamente no sítio arqueológico da Lapa Vermelha, em 1975, foi descoberto o crânio de uma mulher que viveu há cerca de 11 500 anos e que foi R IN G chamada de Luzia pelos pesquisadores BE R/ PU brasileiros, uma homenagem a Lucy, fóssil LSA R IM A G EN S de 3,5 milhões de anos encontrado na Etiópia na década de 1970. O fóssil é considerado o exemplar mais antigo das Américas. A M

[4] Foto da reconstrução do crânio de Luzia em argila, exposta no Museu Nacional, Rio de Janeiro (RJ), 2009. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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Os povos indígenas e a chegada dos colonizadores europeus

MUSEU NACIONAL DA DINAMARCA, COPENHAGEN. FOTO: RÔMULO FIALDINI

Foto de manto tupinambá, datado do século XVI. Cabia aos homens Tupinambá confeccionar o manto, feito de penas de aves (guarás e araras). Há apenas cinco mantos no mundo, todos em posse de museus europeus.

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Quando os colonizadores portugueses chegaram às terras que atualmente formam o Brasil, a população indígena era de milhares de habitantes. Segundo o Instituto Socioambiental, estima-se que no século XVI, época da chegada dos colonizadores, havia entre 2 e 4 milhões de indígenas no atual território brasileiro. Os primeiros povos indígenas com os quais os portugueses tiveram contato foram os que falavam línguas do tronco Tupi. Esses povos reuniam características culturais e linguísticas semelhantes. Muitos desses povos indígenas descendiam dos povos das conchas e de outros grupos vindos do sul da Amazônia, do centro-oeste e do sul do território. Praticavam agricultura adaptada às condições da floresta tropical e cultivavam diversos vegetais. Utilizando-se de machados de pedra, eles retiravam as árvores da floresta e depois queimavam o terreno para fazer grandes roças, nas quais cultivavam mandioca, milho, batata-doce, tabaco, cará, urucum, algodão, amendoim, mamão, abacaxi, guaraná, entre outros vegetais, que eram consumidos e também serviam para confeccionar objetos e adornos, além de fazer parte de rituais. Por conta da grande variedade de línguas e da diversidade de culturas dos povos indígenas, não é possível afirmar que o modo de vida fosse homogêneo quando aqui chegaram os colonizadores europeus. O contato com os colonizadores e o extermínio de muitos povos indígenas provocaram significativas mudanças no modo de vida desses grupos que habitavam as terras americanas no século XVI. De acordo com o Censo 2010: características gerais dos indígenas, do IBGE, os povos indígenas em todo território nacional somam 896,9 mil indivíduos, sendo 63% residentes em terras indígenas e 36,2% em cidades. Desse total da população indígena, 817 mil se autodeclararam índios, enquanto 78,9 mil se consideram indígenas pelas tradições e costumes, apesar de se declararem de outra raça ou cor, principalmente parda. Essa foi a primeira vez que o Censo do IBGE identificou o número de etnias e das línguas faladas: 305 etnias e 274 línguas, sendo a língua Tikuna a mais falada (34 mil pessoas). Ainda segundo o Censo, a região Norte é a que concentra a maior parte da população indígena, cerca de 342,8 mil indígenas. Já a região Sul apresenta a menor parcela, reunindo 78,8 mil habitantes. O Nordeste é a região que possui a maior parcela da população indígena vivendo fora de terras indígenas (126,6 mil pessoas).

capítulo 2 | Na formação do território, a presença de vários povos

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Os dados permitem reconhecer que, desde o ano 1500, a população indígena diminuiu consideravelmente no território brasileiro. Os conflitos com os colonizadores, os massacres de milhares de indígenas, as doenças transmitidas pelos europeus e as guerras entre as aldeias ajudam a explicar essa redução. Vale lembrar ainda que, durante o processo de colonização, os indígenas foram os primeiros a serem escravizados; somente no século seguinte essa mão de obra foi substituída por africanos trazidos à força ao Brasil. Recentemente, os conflitos pela ocupação da terra com a expansão da agropecuária, do garimpo de ouro e diamantes, a implantação de indústrias de mineração e a construção de hidrelétricas, principalmente em terras nas regiões Norte e Centro-Oeste, têm provocado muitos problemas para a população indígena. Claude Lévi-Strauss

APIC/ HULTON ARCHIVE/ GETTY IMAGES

O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss viveu no Brasil na década de 1930 e estudou grupos indígenas das regiões Norte e Centro-Oeste. No texto a seguir (que faz parte do livro Saudades do Brasil), ele explica o declínio da população indígena e, consequentemente, de sua cultura, após a apropriação do território pelos colonizadores. Genocídio: extermínio, parcial ou total, de uma comunidade ou grupo étnico.

Foto do antropólogo francês Claude Lévi­ ‑Strauss na Amazônia, c. 1 936.

Costuma-se dizer que as doenças importadas são responsáveis, mais do que os massacres, pela forte queda demográfica que sucedeu ao descobrimento. Isso é verdade em muitos casos, mas não se pode esquecer que, da costa do Atlântico ao Amazonas, os portugueses cometeram um monstruoso genocídio. Ele começou no século XVI e prosseguiu ininterruptamente nos séculos XVIII e XIX, obra sobretudo dos bandeirantes, esses aventureiros a serviço dos poderes públicos e dos coloni-

zadores, que empregaram os meios mais terríveis para reduzir os índios à escravidão ou simplesmente para destruí-los. Depois dos bandeirantes, vieram as companhias de exploração da borracha, a seguir os negociantes de terras que, não faz muito tempo ainda, eram pagos por seus clientes para sobrevoar vastos territórios que eles se comprometiam a entregar limpiados, "limpos" de toda presença indígena, entenda-se; hoje, enfim, os garimpeiros de ouro e de diamantes.

LÉVI-STRAUSS, Claude. Saudades do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 13-4.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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APLICANDO E AMPLIANDO O CONHECIMENTO 1. Leia o texto e, em seguida, responda às perguntas em seu caderno.

1. d) Espera-se que o aluno perceba que esse canal de comunicação constitui uma possibilidade de diálogo intercultural, por meio do qual é possível reconhecer potencialidades e limites vividos por esses povos. Além disso, os indígenas não precisam se deslocar, pois conectam-se à internet em suas próprias Quem somos aldeias. Trata-se de uma mídia moderna, que tradicionalmente não faz parte do modo de vida indígena, mas que pode ser incorporada à cultura local, facilitando o acesso destes povos à informação e à comunicação, sem desestruturar seus modos de vida.

Índios on line é um canal de diálogo, encontro e troca. Um portal de diálogo intercultural, que valoriza a diversidade, facilitando a informação e a comunicação para vários povos indígenas [Kiriri, Tupinambá, Pataxó-Hãhãhãe, Tumbalalá, na Bahia; Xucuru-Kariri, Kariri-Xocó, em Alagoas; e os Pankararu em Pernambuco] e para a sociedade de forma geral. Nos conectamos à internet em [nossas] [...] próprias aldeias [...], realizando uma aliança de estudo e trabalho em benefício de nossas comunidades e do mundo. Nossos objetivos são: facilitar o acesso à informação e comunicação para diferentes

povos indígenas, estimular o diálogo intercultural. Promover [...] [a pesquisa e estudo] de nossas culturas. Resgatar, preservar, atualizar, valorizar e projetar nossas culturas indígenas. Promover o respeito pelas diferenças. Conhecer e refletir sobre a nossa situação atual. Salvaguardar os bens imateriais mais antigos desta terra Brasil. Disponibilizar na internet arquivos (textos, fotos, vídeos) sobre os nossos povos para o Brasil e o mundo. Complementar e enriquecer os processos de educação escolar diferenciada multicultural indígena. Nos qualificar para garantir melhor nossos direitos. [...]

EDSON SATO/ PULSAR IMAGENS

ÍNDIOS On Line. Quem somos, s.d. Disponível em: <www.indiosonline.net/?page_id=3122>. Acesso em: 9 fev. 2015.

Foto de indígena com notebook em assembleia das etnias Yanomami realizada na comunidade Toototobí-Hutukara, em Barcelos, Amazonas, 2010. Os povos indígenas aprenderam a usar a internet para ajudá-los a se organizar, comunicar e divulgar sua cultura. 1. b) O objetivo principal do portal é a garantia do acesso das comunidades à informação e à comunicação entre os diferentes grupos. Isso permite que eles possam estudar e pesquisar aspectos de sua própria cultura ou de outros povos, bem como se informar sobre seus direitos. 1. c) “Nossos objetivos são [...] Conhecer e refletir sobre a nossa situação atual. [...] Nos qualificar para garantir melhor nossos direitos.”

a) Q  uais povos indígenas participam do site “Índios on line”? Em que região do Brasil esses povos vivem? 1. a) São sete povos: Kiriri, Tupinambá, Pataxó-Hãhãhãe, Tumbalalá, Xucuru-Kariri, Kariri-Xocó e Pankararu, que vivem na região Nordeste. b) Quais são os objetivos do portal referentes à preservação da cultura indígena? c) Um dos objetivos do site é que os indígenas discutam sobre seus problemas e seus direitos nos dias de hoje. Copie no caderno trechos do texto que comprovem essa afirmação. d) Por que esse tipo de canal de comunicação é importante para as nações indígenas? Justifique.

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capítulo 2 | Na formação do território, a presença de vários povos

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


2. Os grupos indígenas espalhados hoje pelo Brasil são bastante diferentes uns dos outros. Observe alguns

ROGÉRIO REIS/ PULSAR IMAGENS

aspectos culturais, como o modo de construir moradias e os rituais e ornamentos aplicados em festividades. Depois, responda às questões. 2. a) A diversidade cultural dos indígenas do 1

Brasil pode ser comprovada pelo fato de haver 274 línguas faladas por 305 etnias distintas. 2. b) As ocas estão dispostas em torno de uma praça de terra batida, as ocas parecem ser cobertas de palha e, por seu tamanho, devem abrigar diversas famílias. 2. c) O homem da etnia Kuikuro está se pintando para um ritual fúnebre, com tintas pretas; a adolescente Guarani está sendo pintada por outra pessoa, com tintas vermelhas, para o dia a dia.

RITA BARRETO

[1] Foto aérea da aldeia Yawalapiti em Gaúcha do Norte, Mato Grosso, 2012. Observe que as ocas (moradias indígenas) estão dispostas em formato oval, em torno de uma praça de chão de terra batida.

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2. d) As doenças trazidas pelos europeus e os conflitos com os colonizadores, que muitas vezes promoviam massacres e capturavam indígenas, que eram forçados a trabalhar como escravos, foram os principais motivos da diminuição drástica da população indígena em território brasileiro na época da colonização. Depois, vieram as companhias de exploração de borracha,

RENATO SOARES/ PULSAR IMAGENS

[2] Foto de homem da etnia Kuikuro pintando o rosto para o Kuarup no Parque Nacional Xingu, Mato Grosso, 2012. O Kuarup é um ritual fúnebre que reúne os povos indígenas do Alto Xingu para homenagear uma pessoa ilustre de uma das aldeias que morreu.

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a expansão da fronteira agrícola, garimpeiros de ouro e de diamantes que entravam em conflito para ocupar suas terras, ainda não demarcadas. Atualmente os povos indígenas têm também de defender suas terras e a existência de sua população contra a implantação de indústrias de mineração e a construção de hidrelétricas.

[3] Foto de pintura no rosto de uma adolescente Guarani feita com urucum na aldeia Pindo-Te, em Pariquera-Açu, São Paulo, 2010.

a) Com base nas imagens e nas informações que você possui sobre os povos indígenas, explique a seguinte afirmação: “No Brasil, há uma enorme diversidade na cultura indígena”.  om base na imagem 1, descreva como são as habitações da aldeia Yawalapiti. b) C  bserve as imagens 2 e 3 e compare a maneira de se pintar dos povos retratados. c) O  pesar de atualmente encontrarmos povos indígenas espalhados por todo o Brasil, a população indíd) A gena diminuiu drasticamente desde a chegada dos colonizadores. Que motivos explicam tal fato?

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Brasil: um espaço em construção | tema 1

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Ocupação e exploração do território brasileiro

COLEÇÃO PARTICULAR DIMENSÕES NÃO ESPECIFICADAS

No século XVI, a ocupação de territórios pelos colonizadores europeus acarretou uma nova organização do espaço. A população indígena passou a ficar submetida aos portugueses. Essa nova configuração espacial foi resultado de um processo de ocupação e outro de resistência (por parte dos indígenas). Nas primeiras décadas de 1500, a primeira atividade econômica praticada pelos colonizadores nas novas terras foi a exploração do pau-brasil. O corante que era extraído do pau-brasil, utilizado no tingimento de algodão, tinha grande valor comercial na Europa. Durante esse período, fortificações militares foram construídas em pontos da costa brasileira para defender o território de invasores. Dessa maneira, a exploração econômica era feita com mão de obra indígena, que extraía da floresta grande quantidade dessa árvore. Essa exploração durou cerca de 370 anos e foi tão intensa que, atualmente, essa espécie corre risco de extinção. O povoamento se realizou efetivamente após a terceira década do século XVI, com a organização do espaço estabelecida por meio da exploração do açúcar. Com o cultivo da cana-de-açúcar em grandes propriedades, principalmente em áreas do litoral do Nordeste que hoje correspondem aos estados de Pernambuco e Bahia, e também em algumas áreas do Sudeste, a ocupação do território se concretizou. Para o trabalho nas fazendas de cana-de-açúcar foram trazidos, à força, vários povos do continente africano. Os negros africanos, juntamente com os indígenas e os brancos europeus, deram origem, a partir do século XVI, à formação do povo brasileiro.

Moinho de cana­‑de­ ‑açúcar, gravura de Johan Moritz Rugendas, século XIX.

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capítulo 2 | Na formação do território, a presença de vários povos

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Entre os séculos XVI e XVIII, a mão de obra escrava indígena foi sendo substituída pela mão de obra africana. A dificuldade crescente de capturar nativos para trabalhar – por conta do decréscimo das populações indígenas provocado por guerras e doenças – e o alto custo gerado pela captura de nativos que fugiam para o interior foram alguns dos fatores que explicam essa mudança. Alguns estudos também apontam o fato de que os homens indígenas resistiam ao trabalho na lavoura – a atividade era exercida por mulheres nas sociedades indígenas.

Africanos no território brasileiro Desde os meados do século XVI, iniciou-se em todo o Nordeste, mais especificamente na Bahia, a vinda de negros trazidos à força da África, que trabalhariam como escravos nas fazendas de cana-de-açúcar. O porto de Salvador, na Baía de Todos-os-Santos, foi um dos principais portos de entrada do comércio negreiro de origem africana. A captura de pessoas na África e a venda nas Américas eram essenciais para o aumento da produção colonial. Do século XVI para o XVII, o comércio de escravos cresceu em função da economia açucareira; durante o século XVIII, foi a economia mineradora que manteve o mesmo nível do comércio. A partir do século XIX, o comércio de escravos declinou em função da pressão inglesa para o fim do tráfico negreiro. Esse movimento involuntário das populações africanas para o território brasileiro durou cerca de quatro séculos e constitui o maior deslocamento intercontinental de povos negros da história mundial. Cerca de 9,5 milhões de africanos vieram para a América, sendo 3,6 milhões apenas para o Brasil. Eles foram enviados principalmente para Bahia, Rio de Janeiro, Maranhão e Pernambuco.

ALLMAPS

África: áreas de onde saíram os escravos (séculos XVI a XVIII)

Mapa das rotas de tráfico de escravos da África para o Brasil (séculos XVI a XVIII). BUENO, Eduardo. Brasil: uma história – Cinco séculos de um país em construção. São Paulo: LeYa, 2010. p.127.

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Brasil: um espaço em construção | tema 1

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Os povos africanos vindos para o Brasil como escravos pertenciam a diversas etnias, tais como Iorubá, Ewe-fon e Banto. Esses povos viviam em regiões que hoje correspondem a países como Angola, Moçambique, Guiné, Congo, Sudão, Nigéria, Serra Leoa, Costa do Marfim e Gâmbia. Esses africanos escravizados traziam consigo crenças, espiritualidade, rituais, valores, linguagem, tradições orais e costumes próprios, que foram totalmente desrespeitados e reprimidos; no entanto, muitas dessas manifestações persistiram, foram recriadas e hoje fazem parte da cultura brasileira. Destruição e reconstrução das identidades Os cativos deparavam com um processo de recriação das identidades africanas logo após a captura na África e o traslado para as Américas. Suas tradições eram ignoradas, e eles ganhavam novas designações logo que desembarcavam no Brasil – a primeira a se tornar comum foi negros da Guiné, usada para quaisquer escravos, fossem ou não oriundos do Golfo da Guiné. As novas identidades eram acompanhadas também da prática de juntar escravos e escravas de etnias distintas, para evitar comunicação entre eles. Os nomes indicavam ora a procedência do porto de embarque ou da região genérica de onde eram provenientes; ora um grupo identificado no Brasil, com características semelhantes, aos olhos dos

colonos; ou, ainda, a forma pela qual se autonomeavam. [...] Ressalte-se, nesse sentido, que a escravidão no Brasil, mesmo atropelando identidades tradicionais, não foi capaz de destruí-las completamente. Os próprios africanos podiam muito bem saber quem era quem a partir de sua inserção em determinados grupos culturais, identificando as experiências particulares de cada etnia. Os senhores não conseguiram apagar a memória das tradições e das culturas africanas nem minar os laços de solidariedade e identidade política que emergiam nos momentos de revolta e conflitos abertos na ordem escravista. Um campo importante para preservar e reconstruir identidades foram as práticas religiosas tradicionais.

JAN SOCHOR/ CON/ GETTY IMAGES

PNUD Brasil. Relatório do Desenvolvimento Humano Brasil 2005: racismo, pobreza e violência. Brasília: Pnud Brasil, 2005. p. 27.

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capítulo 2 | Na formação do território, a presença de vários povos

Foto de festa de Iemanjá em Amoreira, Bahia, 2012. Apesar de a prática do candomblé e do islamismo, religiões dos africanos escravizados, ser proibida, os negros africanos conseguiram manter algumas de suas tradições. Uma das maneiras foi relacionar seus deuses – os orixás – aos santos da Igreja Católica (Iemanjá é associada à Nossa Senhora). Assim, pareciam ter se convertido ao catolicismo.

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APLICANDO E AMPLIANDO O CONHECIMENTO Mestre Didi

1. a) Q  uando vieram do continente africano, trazidos à força, os africanos trouxeram consigo as marcas de sua cultura. Suas concepções de mundo, religiões, costumes e línguas foram, ao longo do tempo, sendo incorporadas, misturadas com os hábitos locais, contribuindo para a formação da atual cultura brasileira.

O Brasil é um país de origens diversas, prioritariamente portuguesa, africana e americana. Em um índice histórico, o censo indicou pela primeira vez que negros e pardos são a maioria da população brasileira: 50,7% de um total de 190.732.694 pessoas, e concentram-se nas regiões Norte e Nordeste do país. O censo também indicou que Salvador, na Bahia, era a cidade mais negra do Brasil, com 743 mil habitantes negros. São Paulo e Rio de Janeiro vinham na sequência, com 736 mil e 727 mil habitantes afrodescendentes, respectivamente. Os africanos que foram trazidos à força como escravos trouxeram suas culturas. Ao longo dos anos de colonização, o convívio possibilitou a transmissão de seus costumes, línguas, concepções estéticas e, sobretudo, religião, que foram fundamentais para a formação da cultura brasileira. Um dos grandes artistas brasileiros foi o baiano Mestre Didi, que tem em suas obras referências claras da cultura africana. Mestre Didi era artista e líder espiritual da comunidade Nagô no Brasil (comunidade de descendentes Iorubá). Conhecer um pouco da vida desse artista brasileiro é entender também a importante contribuição das culturas africanas para a cultura brasileira. Vamos saber quem ele foi. Deoscoredes Maximiliano dos Santos, conhecido como Mestre Didi, nasceu na Bahia, no dia 2 de dezembro de 1917, e morreu em outubro de 2013. É escritor e escultor de obras conhecidas mundialmente. Suas obras fazem parte de acervos de importantes museus, como o Museu Picasso, em Paris, na França. Mestre Didi possui ancestrais africanos, é descendente da importante família Asipa, originária do reino Iorubá, grupo étnico da África Ocidental. Além da atividade artística, dedicou-se à Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Asipa, casa que cultua os Egunguns (ancestrais masculinos). No Ilê Asipa, Mestre Didi ocupou o cargo de Alapini (supremo sacerdote do culto). O artista esculpia formas e as confeccionava com contas, búzios, renda de couro e folhas de palmeira, inspiradas em mitos, lendas e objetos de culto aos orixás.

1. e) Ao conhecer a formação cultural do povo brasileiro, é possível entender nossa própria identidade. Trata-se de reconhecer e identificar os elementos trazidos pelos portugueses e africanos, que se misturaram com a cultura local indígena, produzindo uma nova identidade, que é compartilhada por todos nós até os dias de hoje.

COLEÇÃO PARTICULAR. FOTO: RÔMULO FIALDINI

1. Leia o texto e responda às questões no caderno.

Foto de Iwin Igi – Espírito ancestral da árvore, obra de técnica mista de autoria de Mestre Didi, de 1999.

Ancestral: antepassado, antecessor. 1. b) Mestre Didi foi um sacerdote-artista: além de escritor e escultor, foi líder espiritual do Ilê Asipa, da comunidade Iorubá. Sua obra é reconhecida no mundo inteiro e é influenciada pela ancestralidade africana. A importância de Mestre Didi reside no fato de que sua obra permite perceber as contribuições das culturas africanas na constituição da cultura brasileira.

1. d) Produção de cana-de-açúcar e de café e a mineração.

a) Q  ue contribuições importantes para a cultura brasileira foram transmitidas pelos povos africanos? b) Q  uem foi Mestre Didi? Em sua opinião, qual é a importância dele para a cultura brasileira? c) P  or que os africanos foram trazidos à força ao Brasil? 1. c) Para trabalhar como mão de obra escrava. d) Q  uais são as principais atividades econômicas realizadas com o trabalho do africano escravizado? e) E  m sua opinião, é importante conhecermos a formação cultural do povo brasileiro? Por quê?

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

37


A ocupação do território entre os séculos XVII e XX No século XVII, além da agricultura da cana-de-açúcar, desenvolvida principalmente no litoral nordestino, teve início a atividade pecuária, que permitiu a ocupação de áreas do interior. A pecuária foi utilizada para fornecer animais de tração para os engenhos de açúcar. Ainda ao longo do século XVII, várias expedições seguiram os cursos dos rios da Amazônia, para explorar os recursos da floresta, como ervas, frutos e sementes. Muitos desses produtos tinham valor terapêutico, o que originou a expressão drogas do sertão. As primeiras décadas do século XVIII foram marcadas pela descoberta de metais preciosos, principalmente ouro e diamantes. Teve início a atividade mineradora. Nessa época, a ocupação do interior do território aconteceu de modo mais intenso, especificamente nas áreas que hoje correspondem aos estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Inicialmente, a capital da colônia foi Salvador, no estado da Bahia. Em 1763, a capital foi transferida para a cidade do Rio de Janeiro, mais próxima das minas, já que a atividade mineradora exigia um maior controle político em relação à organização da produção, do transporte e comércio dos metais que geravam riqueza para a metrópole.

ALLMAPS

Brasil: ciclos econômicos e ocupação do território (séc. XVIII)

Mapa dos ciclos econômicos e ocupação do território do Brasil (século XVIII). O açúcar, as drogas do sertão e os metais preciosos eram riquezas cuja exploração visava atender, principalmente, aos interesses da metrópole portuguesa. ALBUQUERQUE, Manoel Maurício et al. Atlas histórico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1986. p. 32.

38

capítulo 2 | Na formação do território, a presença de vários povos

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Grande parte da população escrava foi deslocada para as áreas de mineração e também para atuar em outras atividades, como os serviços domésticos, o comércio e o transporte de mercadorias e pessoas. Com a mineração, foram criados importantes conjuntos de estradas que ligavam os portos à região das minas. A Estrada Real, por exemplo, ligava o porto de Parati e do Rio de Janeiro, no litoral do atual estado do Rio de Janeiro, até a região mineradora. Partindo do litoral, a Estrada Real atravessava o vale do Rio Paraíba do Sul, localizado entre as serras do Mar e da Mantiqueira, e atingia o interior de Minas Gerais, chegando até Diamantina. Toda essa movimentação de pessoas e de mercadorias pelos caminhos da Estrada Real levou ao surgimento de povoados e vilas que, mais tarde, transformaram-se em importantes cidades.

ALLMAPS

Estrada Real: cidades coloniais (séc. XVIII)

Adaptado de: MINISTÉRIO da Fazenda. Disponível em: <http://200anos.fazenda.gov.br/ galeria-de-imagens/casa-dos­ ‑contos-mg/CasaDosContos26. jpg/view>. Acesso em: 10 fev. 2015.

MARCOS AMEND/ PULSAR IMAGENS

Mapa da Estrada Real (século XVIII).

Foto da fachada dos casarões coloniais de Diamantina, Minas Gerais, 2014. Assim como Ouro Preto, Mariana, São João Del-Rei e Tiradentes, Diamantina surgiu na época da mineração de ouro e diamantes no século XVIII (seu antigo nome era Arraial do Tijuco). NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

39


COLEÇÃO PARTICULAR

Após três séculos de dominação portuguesa (séculos XVI a XIX), o resultado foi um território então povoado e ampliado para além do Tratado de Tordesilhas. No caso do sul do Brasil, a ocupação se inicia em meados do século XVII, com a introdução do gado, realizada por espanhóis e paulistas, principalmente nas áreas de campos. Mas, somente no século XIX é que a região foi efetivamente ocupada, consolidando assim o território por meio de tratados com o governo espanhol e da presença do imigrante europeu. As atividades econômicas como a cana-de-açúcar, drogas do sertão, pecuária e mineração evidenciam a forma da ocupação e as características do povoamento nas diversas regiões do território colonial. Partindo do litoral, região em que predominavam a cana-de-açúcar e o trabalho escravo, a ocupação se estendeu pelo interior, com a pecuária e principalmente com a mineração, ao longo do século XVIII. No período após a independência do Brasil, ocorrida em 1822, as áreas da atual região Sudeste passaram a se destacar com o cultivo do café e o comércio deste produto. Essa foi uma nova etapa para a organização do território brasileiro.

Foto de colheita de café em fazenda, Araraquara, São Paulo, 1900, de autoria de Guilherme Gaensly.

Novamente a mão de obra escrava e, mais tarde, a mão de obra do contingente de milhares de imigrantes, principalmente italianos, foram utilizadas no desenvolvimento da atividade econômica cafeeira. O cultivo do café foi responsável por grandes lucros para os donos das terras, além de dar impulso à integração do território, por meio da construção de ferrovias que transportavam o café dos centros produtores do Sudeste para os portos do litoral, principalmente o de Santos, no estado de São Paulo. Em pleno século XX, nas duas primeiras décadas, a população estimada era de cerca de 30 milhões de habitantes, e o território brasileiro apresentava a mesma dimensão e os limites atuais. 40

capítulo 2 | Na formação do território, a presença de vários povos

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


GUILHERME GAENSLY/COLEÇÃO BRASCAN CEM ANOS NO BRASIL/ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES, SÃO PAULO

A capital do país foi transferida em 1960 para a região Centro-Oeste, com a construção de Brasília, no Distrito Federal. Um dos objetivos dessa transferência da capital federal foi possibilitar uma maior integração nacional. Ou seja, depois de quatro séculos, após apresentar povoamento e ocupação iniciados pelo litoral, procurou-se integrar o território por meio de um centro político, onde se instalou o Governo Federal. Até hoje, alguns elementos na paisagem nos permitem identificar o tempo passado, como é o caso de algumas construções urbanas que permanecem nas cidades, mesmo que elas tenham novas funções. Entretanto, em outros lugares, percebe-se que a paisagem modifica-se muito rapidamente. Assim, o espaço é constantemente construído e organizado, com permanências e mudanças ao longo do tempo.

MAURICIO SIMONETTI/ PULSAR IMAGENS

Foto da Avenida Paulista, São Paulo (SP), de autoria de Guilherme Gaensly, 1902.

Foto da mesma avenida em registro de 2011. Compare o mesmo lugar em épocas diferentes e perceba as permanências e mudanças na paisagem ao longo do tempo. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

41


ATIVIDADES 1. As imagens a seguir ilustram muitos aspectos da ocupação e da exploração do espa-

ço geográfico brasileiro. Vamos produzir uma linha do tempo com algumas informações importantes sobre a ocupação do território brasileiro. Em seu caderno, reserve um bom espaço para poder completar com as informações já estudadas no capítulo. As imagens abaixo dão algumas dicas. Em sua linha do tempo, coloque as imagens em ordem cronológica e escreva um pequeno resumo para contextualizar o período. 1 - Ordem das fotos para a linha do tempo: 1, 6, 5, 2, 3 e 4

1

1 - Os vestígios dos primeiros habitantes do território que viria a se tornar o Brasil datam de cerca de 30 mil anos.

42

2

Engenho de açúcar no Brasil, desenho aquarelado sobre papel, com traços de carvão, de Frans Post, 1640. BIBLIOTECA MUNICIPAL MÁRIO DE ANDRADE, SÃO PAULO. FOTO: THE BRIDGEMAN ART LIBRARY/ KEYSTONE DIMENSÕES NÃO ESPECIFICADAS

Foto de vaso de cerâmica, datado entre os anos de 400 e 1 350, encontrado na Ilha de Marajó, Pará.

MUSEU REAL DE BELAS-ARTES DE BRUXELAS, 1913. 14,3 28,2 CM.

MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI, BELÉM. FOTO: RÔMULO FIALDINI

3

capítulo 2 | Na formação do território, a presença de vários povos

2 - Após a terceira década do século XVI, com a produção de açúcar, o povoamento do território aumentou. Os africanos trazidos para o Brasil eram obrigados a trabalhar como escravos nas fazendas de engenho e formaram a principal mão de obra desse ciclo econômico.

3 - A interiorização da ocupação do território se deu, sobretudo, a partir da descoberta de minas de metais preciosos (ouro e diamante, principalmente) no território onde hoje se localizam os estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Extração de diamantes, aquarela de Carlos Julião, século XVIII. A obra representa o trabalho dos escravos nas minas do Arraial do Tijuco, atual Diamantina, no estado de Minas Gerais. NÃO ESCREVA NO LIVRO.


4 - O Sudeste, a partir da independência do Brasil (1822), destacou-se com a agricultura e a comercialização do café. Inicialmente, a mão de obra escrava foi utilizada e, mais tarde, muitos imigrantes italianos vieram como mão de obra assalariada e ajudaram a gerar bastante lucro para os produtores. A construção de ferrovias para escoar a produção e o crescimento demográfico da região foram alguns dos fatores que impulsionaram a integração do território brasileiro.

15,9

22 CM. MUSEUS CASTRO MAYA, RIO DE JANEIRO

4

GERALDO MELO/ TYBA

Carregadores de café a caminho da cidade, aquarela sobre papel de Jean-Baptiste Debret, 1826. Representação de escravos carregando café no caminho entre a fazenda e a cidade, no estado do Rio de Janeiro.

5 5 - Nos séculos XVII e XVIII, para garantir a posse do território e servir de apoio à extração de madeira, foram construídos fortes em vários lugares do litoral.

6

80

112 CM. MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO, SÃO PAULO

Foto aérea do Forte de São Marcelo, na Baía de Todos-os­ ‑Santos, Salvador, Bahia, 2011. Construído entre 1650 e 1728, o forte é o único de formato circular na América.

6 - Os indígenas foram utilizados como mão de obra escrava nos primeiros períodos da colonização.

Índios atravessando um riacho (O caçador de escravos), óleo sobre tela, autor desconhecido, século XIX. Os indígenas eram capturados para servirem de escravos. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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Trabalhando com mapas e gráficos

2. c) A colonização brasileira teve início no litoral, o que provocou uma grande alteração nas características dessa parte do território, como a criação das primeiras cidades e o desenvolvimento das atividades econômicas. As populações indígenas nessas áreas foram, em parte, incorporadas à nova organização do espaço no território colonial; outra parte se deslocou para o interior e milhares de indivíduos foram dizimados em confrontos com os colonizadores. Com o passar dos séculos, a ocupação do interior e a exploração econômica do território fizeram diminuir ainda mais a população indígena, reduzindo-a à região Norte, predominantemente.

Os povos indígenas constituíam a população original do território que mais tarde viria a ser o Brasil. Observe o mapa a seguir e responda às questões no caderno. Brasil: maiores concentrações de população indígena (2010) ALLMAPS

2. a) A distribuição das maiores 2. concentrações de populações indígenas no território brasileiro.

Pintura rupestre: desenhos feitos por indivíduos pré-históricos em paredes de cavernas ou também em paredes rochosas ao ar livre. Sambaquis: vestígios dos povos que habitaram o litoral brasileiro há cerca de 6 000 anos. São acúmulos de restos de conchas e moluscos que formavam pequenos morros ao longo de vários séculos. Hoje em dia, grande parte dos sambaquis já foi bastante alterada pela ação Elaborado com base em: IBGE Indígenas. Mapas, s.d. Disponível em: <http://indigenas.ibge.gov.br/mapashumana. Povoamento: ato ou efeito de ocupar um determinado espaço com o assentamento de pessoas. Estrada Real: estrada que ligava os portos de Paraty e depois do Rio de Janeiro (ambos no estado do Rio de Janeiro) à região produtora de minérios como ouro, prata e pedras preciosas, localizada no estado de Minas Gerais.

44

Mapa das maiores concentrações de populações indígenas no Brasil (2010).

indigenas-2>. Acesso em: 11 mar. 2015.

a) Qual é o assunto retratado no mapa? b) Em qual região se concentra a população indígena? 2. b) Região Norte. c) Por que a população indígena se concentra nessa região?

Construindo o glossário geográfico • Pintura rupestre • Sambaquis

capítulo 2 | Na formação do território, a presença de vários povos

EM SEU CADERNO, EXPLIQUE OS CONCEITOS A SEGUIR.

• Povoamento • Estrada Real NÃO ESCREVA NO LIVRO.


220 X 160 CM. COLEÇÃO PARTICULAR

Capítulo

3

A população

brasileira

O Censo é realizado pelo IBGE a cada dez anos. Trata-se de uma pesquisa que reúne uma série de dados sobre a população brasileira. Para realizar essa pesquisa de âmbito nacional, o IBGE visita os domicílios do país, aplicando um questionário sobre diversos temas (renda, idade, profissão dos membros da família, por exemplo) que, quando reunidos, fornecem um

Você sabe o que é o Censo? Quais os objetivos dos censos demográficos? panorama da dinâmica social brasileira. Por meio do Censo é possível analisar a dinâmica da população brasileira, e é pelos índices fornecidos pelo Censo que o Governo Federal elabora políticas e projetos para a população.

JUCA MARTINS/ OLHAR IMAGEM

As crianças de Sebastião, obra de arte em técnica mista sobre madeira, de autoria de Fátima Miranda, 2006.

PALÊ ZUPPANI/ PULSAR IMAGENS

Foto de idosos no espaço de leitura e jogos em uma unidade do Sesc (Serviço Social do Comércio), São Paulo (SP), 2015.

Foto de recenseadora aguardando morador da casa para responder ao questionário do Censo do IBGE em bairro de Brasília (DF), 2010. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

45


Crescimento demográfico Demográfico, demografia estudo da população; área da ciência geográfica que estuda a dinâmica populacional, ou seja, distribuição da população, crescimento, taxas de natalidade e mortalidade, envelhecimento etc. Compreender a dinâmica populacional de um determinado espaço permite aos governos planejar e intervir na sociedade (identificar os locais onde é mais importante investir em saúde, educação, habitação, transportes, por exemplo).

Quando nos referimos à população de um país, estamos tratando basicamente de números que indicam quantidade de habitantes em um determinado tempo e espaço. No entanto, não são apenas os números que devem orientar o nosso estudo sobre a população brasileira, mas também o que eles revelam, por exemplo: • que o Brasil é um país de grandes diferenças populacionais; • que a taxa de crescimento da população brasileira foi menor nas últimas décadas do século XX; • que a expectativa de vida aumentou, e por isso é necessário atender também às necessidades da parcela da população mais idosa. Compreender essas e muitas outras questões nos auxilia a perceber alguns aspectos relacionados às condições de vida do povo brasileiro e a saber mais sobre a geografia de nosso país. De acordo com os dados do Censo de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira era de 190 755 799 habitantes. O Brasil é o quinto país mais populoso do mundo. Isso significa que a população absoluta ou total do Brasil é uma das maiores do mundo. Dados disponíveis em: <www.censo2010.ibge.gov.br/>. Acesso em: 11 fev. 2015.

Censos demográficos

REPRODUÇÃO/ <HTTP://CENSO2010.IBGE.GOV.BR/>

Os censos populacionais produzem informações imprescindíveis para a definição de políticas públicas e a tomada de decisões de investimento, sejam elas provenientes da iniciativa privada ou de qualquer nível de governo, e constituem a única fonte de referência sobre a situação de vida da população nos municípios e em seus recortes internos, como distritos, bairros e localidades, rurais ou urbanas, cujas realidades dependem de seus resultados para serem conhecidas e terem seus dados atualizados.

Reprodução da página do site do IBGE com os dados do Censo 2010. Acesso em: 11 fev. 2015. IBGE. Censos Demográficos, s.d. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/default_censo_2000.shtm>. Acesso em: 11 fev. 2015.

46

capítulo 3 | A população brasileira

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Observe o mapa e a tabela, que mostram os seis países mais populosos do mundo.

ALLMAPS

Planisfério: países mais populosos do mundo (2014)

Países mais populosos do mundo (2014) Posição

País

Número de habitantes

Posição

País

Número de habitantes

1o

China

1 355 692 576

4o

Indonésia

253 609 643

2

Índia

1 236 344 631

5o

Brasil

202 656 788

3o

Estados Unidos

318 892 103

6o

Paquistão

196 174 380

o

Mapa dos países mais populosos do mundo (2014).

CIA. The World Factbook, 22 jun. 2014. Disponível em: <www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/>. Acesso em: 11 fev. 2015. IBGE. Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009. p. 69.

O crescimento demográfico em um país ocorre em virtude do crescimento natural ou vegetativo da população e também por causa da imigração, ou seja, a chegada de pessoas provenientes de outros países que passam a viver no território. Brasil: população total recenseada (1872-2010) Ano

População total

1872

9 930 478

1890

14 333 915

1900

17 438 434

1920

30 635 605

1940

41 236 315

1950

51 944 397

1960

70 119 071

1970

93 139 037

1980

119 070 865

1991

146 825 475

2000

169 799 170

2010

190 755 799

IBGE. Brasil 500 anos. Disponível em: <http://brasil500anos.ibge.gov.br/estatisticas-dopovoamento/evolucao-da-populacao-brasileira>. Acesso em: 11 fev. 2015; IBGE. Censo 2010. Disponível em: <www.censo2010.ibge.gov.br/>. Acesso em: 11 fev. 2015.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Observe que os dados estão dispostos em uma tabela. A tabela é um recurso que apresenta informações ou dados organizados em colunas e linhas. As colunas são os tipos de dados da tabela referentes a nomes, países e datas, por exemplo. No caso da tabela ao lado, há duas colunas: uma que indica os anos, e outra que mostra a população recenseada. Ao ler a linha, é possível cruzar os dois dados: obtém­ ‑se a informação da população recenseada naquele ano.

Anote na lousa as hipóteses apresentadas pelos alunos sobre o aumento populacional na década de 1950. Utilize as hipóteses para antecipar alguns dos motivos que levam ao crescimento populacional.

Observe a tabela ao lado, que mostra a evolução da população brasileira desde o século XIX. Em 1872, foi realizado o primeiro recenseamento no país. Quais são suas hipóteses para o grande aumento populacional a partir da década de 1950?

Brasil: um espaço em construção | tema 1

47


Crescimento natural O índice de crescimento natural ou vegetativo é um dado obtido por meio da diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade. A taxa de natalidade se refere ao número de crianças nascidas vivas entre mil habitantes ao longo de um ano; a taxa de mortalidade corresponde ao número de pessoas que morrem entre mil habitantes ao longo de um ano. Para saber a variação do índice de crescimento natural, é preciso obter as taxas de natalidade e de mortalidade ao longo do período analisado e fazer o seguinte cálculo: Crescimento natural = taxa de natalidade – taxa de mortalidade

Observe os gráficos abaixo, que mostram as taxas de natalidade e mortalidade no Brasil, a partir de 1950.

43,5

30

44 37,7 31,87 23,72

21,06 14,47

1950

1960

EDITORIA DE ARTE

50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0

Brasil: taxa de mortalidade (1950-2014)

1970

1980

1990

2000

2014

Taxa de mortalidade (por mil habitantes)

Crianças nascidas vivas (por mil habitantes)

EDITORIA DE ARTE

Brasil: taxa de natalidade (1950-2014)

25 20

19,7 15

15

9,4

10

8,87

7,27

6,9

6,06

1990

2000

2014

5 0 1950

Ano

1960

1970

1980

Ano

IBGE. Séries Históricas e Estatísticas, s.d. Disponível em: <http:// seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?no=10&op=0&vcodigo=POP 201&t=taxa-bruta-natalidade>. Acesso em: 12 fev. 2015. / IBGE. Brasil em Síntese, s.d. Disponível em: <http://brasilemsintese.ibge.gov.br/ populacao/taxas-brutas-de-natalidade>. Acesso em: 12 fev. 2015.

IBGE. Séries Históricas e Estatísticas, s.d. Disponível em: <http:// seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?no=10&op=0&vcodigo=POP 261&t=taxa-bruta-mortalidade>. Acesso em: 12 fev. 2015. / IBGE. Brasil em Síntese, s.d. Disponível em: <http://brasilemsintese.ibge.gov.br/ populacao/taxas-brutas-de-mortalidade>. Acesso em: 12 fev. 2015.

O gráfico da esquerda apresenta a variação da taxa de natalidade no Brasil entre 1950 e 2014; o gráfico da direita apresenta a taxa de mortalidade no mesmo período. Observe as informações tratadas nas retas horizontal e vertical. No gráfico da esquerda, a reta horizontal apresenta as datas, e a vertical, a taxa de natalidade; ao cruzar os dois dados, obtémse a taxa de natalidade em determinada década. Por exemplo: a primeira coluna do gráfico da esquerda mostra que, em 1950, a taxa de natalidade foi de 43,5 por 1 000 habitantes, ou seja, no período de um ano, a cada grupo de 1 000 habitantes nasceram, aproximadamente, 43 crianças. Maior taxa de mortalidade: 1950; menor taxa: 2014. Década em que a população apresentou maior crescimento natural: 1960 [44 – 15 = 29].

Observando as colunas do gráfico da esquerda, podemos saber qual período apresentou a menor taxa de natalidade (2014) e qual apresentou a maior taxa (1960). Também é possível observar se existe uma tendência de crescimento ou de queda da taxa (a partir de 1960, verifica-se uma tendência de queda). Agora, verifique as mesmas informações no gráfico da direita (maior e menor taxas de mortalidade e se há tendência de crescimento ou de queda). Depois, com base nesses dados, calcule em qual década a população brasileira apresentou maior crescimento natural. O gráfico é uma representação de dados numéricos ou percentuais sobre um determinado assunto ou conceito. Os gráficos facilitam a compreensão de informações ou dados referentes a determinados fatos ou fenômenos. Eles podem ser de vários tipos, e os mais comuns são o gráfico de colunas, o de barras e o de círculos (conhecido como gráfico de setores). Para ler um gráfico de barras, deve-se proceder da seguinte maneira: • observar o título ou nome do gráfico; • ler as unidades de medida utilizadas nas duas linhas: a vertical e a horizontal; • observar as colunas dos gráficos na base horizontal e as informações da linha vertical. O cruzamento das informações entre colunas e linhas fornece os dados. O gráfico representa números que podem variar ao longo dos anos; portanto, é importante que o leitor de um gráfico fique atento à fonte e à data em que o gráfico foi produzido.

48

capítulo 3 | A população brasileira

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Observando os dados apresentados nos gráficos, é possível perceber que tanto as taxas de natalidade quanto as de mortalidade diminuíram nas últimas quatro décadas do século XX. Vários fatores ligados ao contexto social e econômico de nosso país explicam essa diminuição. Em relação à diminuição da mortalidade, principalmente a partir da década de 1950, serviços como saneamento básico (coleta de esgoto e lixo) e distribuição de água tratada melhoraram consideravelmente nas diversas regiões do país. O atendimento médico em postos públicos foi ampliado (principalmente as campanhas de vacinação de crianças). O decréscimo da taxa de natalidade ocorreu por causa da diminuição do número de filhos que as mulheres brasileiras vêm tendo nas últimas décadas, ou seja, a taxa de fecundidade (número de filhos por mulher) vem apresentando uma redução desde a década de 1960.

7

Número de filhos por mulher

EDITORIA DE ARTE

Brasil: taxa de fecundidade (1950-2014) 6,2

6

6,3

Observe o gráfico ao lado. O que acontece com a taxa de fecundidade após 1960? Como é possível explicar esse fato?

5,8

5

4,4

4 2,9

3

2,4

2

1,9

1,7

1 0

1950

1960

1970

1980

Ano

1991

2000

2009

2014

IBGE. Séries Históricas e Estatísticas, s.d. Disponível em: <http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/ series.aspx?no=10&op=0&vcodigo=POP263&t=taxa-fecundidade-total>. Acesso em: 12 fev. 2015. / IBGE. Brasil em Síntese, s.d. Disponível em: <http://brasilemsintese.ibge.gov.br/populacao/taxas­ ‑de-fecundidade-total>. Acesso em: 12 fev. 2015.

A partir de 1960 ocorre a queda na taxa de fecundidade, ou seja, diminui o número de filhos por mulher. Isso pode ser explicado, por exemplo, pelo maior número de mulheres inseridas no mercado de trabalho, bem como pelo maior acesso da população a informações sobre métodos contraceptivos.

Gráfico de taxa de fecundidade no Brasil de 1950 a 2014.

9

Número de filhos por mulher

EDITORIA DE ARTE

Brasil: evolução da taxa de fecundidade por região (1950-2010) Observe o gráfico de linhas ao lado. Apesar de a taxa de fecundidade brasileira vir diminuindo, isso não ocorre da mesma maneira em todas as regiões administrativas. Verifique quais regiões apresentam as maiores e as menores taxas de fecundidade.

Brasil

8

Nordeste

7

Sul

6

Norte

5

Sudeste Centro-Oeste

4 3 2 1 0 1950

1960

1970

1980

Ano

1991

2000

2010

IBGE. Teen, s.d. Disponível em: <http://teen.ibge.gov.br/biblioteca/274-teen/mao-na-roda/1726fecundidade-natalidade-e-mortalidade>. Acesso em: 12 fev. 2015. / IBGE. Censo Demográfico 2010 - Resultados gerais da amostra. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/ imprensa/ppts/00000008473104122012315727483985.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2015.

As maiores taxas de fecundidade ocorrem na região Norte; já as menores são da região Sudeste.

Gráfico da evolução da taxa de fecundidade por região do Brasil de 1950 a 2010.

Outro tipo de gráfico muito utilizado é o gráfico de linhas, como o acima. Observe que esse gráfico apresenta dois eixos: no eixo horizontal estão registrados os anos; no eixo vertical estão registrados os valores das taxas de fecundidade do Brasil e de cada região do país. Cada linha possui uma cor, que representa o país e suas regiões. Os números da taxa de fecundidade são colocados em ordem crescente, de baixo para cima. O comportamento da linha varia em função da modificação dos valores da informação que está sendo apresentada. No caso desse gráfico, a linha indicará se as taxas de fecundidade diminuíram ou aumentaram, e em que época isso ocorreu, em cada região do país. Ao ler o gráfico, é possível saber qual região apresentou as maiores e as menores taxas de fecundidade, se em todas as regiões do Brasil houve queda ou aumento dessas taxas, e em que período as taxas começaram a crescer ou a diminuir. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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A partir de 1940, a porcentagem da população urbana começou a aumentar e a porcentagem da população rural, a diminuir. Desde 1970, mais da metade da população passou a viver em cidades e, a partir de 2000, esse número chegou a mais de 80% da população.

De acordo com as informações da tabela ao lado, o que aconteceu com a distribuição da população a partir de 1940? Quais relações podem ser estabelecidas entre esse fato e as mudanças no modo de vida da população brasileira?

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Pode-se afirmar que a diminuição do número de filhos por mulher no Brasil está relacionada às mudanças ocorridas em nossa sociedade nas últimas décadas, principalmente no que se refere ao papel que a mulher desempenha. As atividades realizadas por mulheres eram quase exclusivas ao âmbito doméstico; atualmente, muitas mulheres trabalham fora do lar, em atividades econômicas, administrativas, de governo, tanto nas áreas urbanas quanto nas áreas rurais. Na maioria dos casos, a mulher brasileira acumula dupla jornada de trabalho: além de desempenhar uma atividade profissional no mercado de trabalho, ainda cuida das tarefas domésticas. Por causa dessa nova realidade, muitos casais optam por ter poucos filhos. Esse fator, aliado ao acesso à informação sobre os métodos contraceptivos, vem contribuindo para a diminuição do número de filhos nas famílias brasileiras. As mudanças no Brasil e no mundo, a partir da década de 1960, como a crescente urbanização e industrialização, ocasionaram transformações significativas no modo de vida do povo brasileiro, principalmente nas regiões Sudeste e Sul do país, gerando reflexos na dinâmica populacional. Na tabela a seguir, é possível identificar a evolução da distribuição da população entre os espaços urbano e rural. A concentração da população no espaço urbano, a partir da década de 1960, a maior participação da mulher no mercado de trabalho e os custos financeiros elevados para a criação dos filhos foram fatores que influenciaram a diminuição da taxa de natalidade. Os avanços na medicina e as melhorias nos sistemas de atendimento médico e na ampliação dos programas de vacinação da população contribuíram para a diminuição da taxa de mortalidade. A alteração dessas taxas nas últimas décadas provocou mudanças nas taxas de crescimento natural e demográfico da população no Brasil. É possível perceber, por exemplo, que a população brasileira está envelhecendo. População residente, por situação de domicílio (1940 a 2010) Ano

Urbana

(%)

Rural

(%)

1940

12 880 182

31

28 356 133

69

1950

18 782 891

36

33 161 506

64

1960

31 303 034

45

38 767 423

55

1970

52 084 984

56

41 054 053

44

1980

80 436 409

68

38 566 297

32

1991

110 990 990

76

35 834 485

24

2000

137 953 959

81

31 845 211

19

2004

151 124 470

83

30 935 638

17

2010

160 925 792

84,36

29 830 007

15,64

IBGE. Vamos compreender o Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2006. p. 73; IBGE. Sinopse do Censo Demográfico 2010, s.d. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/sinopse/sinopse_tab_brasil_zip. shtm>. Acesso em: 13 fev. 2015; IBGE. Brasil em Síntese, s.d. Disponível em: <http://brasilemsintese.ibge.gov.br/ populacao/distribuicao-da-populacao-por-situacao-de-domicilio>. Acesso em: 13 fev. 2015.

capítulo 3 | A população brasileira

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APLICANDO E AMPLIANDO O CONHECIMENTO 1. Leia o texto 1 e, em seguida, discuta as questões com seus colegas.

Texto 1 Brasil atinge meta da ONU e reduz mortalidade infantil O Brasil atingiu a meta assumida no compromisso "Objetivos de Desenvolvimento do Milênio" de reduzir em dois terços os indicadores de mortalidade de crianças de até cinco anos. O índice, que era de 53,7 mortes por mil nascidos vivos em 1990, passou para 17,7 em 2011. [...] A meta foi atingida antes do prazo estipulado, 2015. [...] Objetivos do Milênio são metas estabelecidas em 2000 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e apoiadas por 192 países. Ao todo, são oito pontos: acabar com a fome e a miséria; universalização da educação primária; promoção da igualdade de gênero e autonomia das mulheres; reduzir a mortalidade na infância; reduzir a mortalidade materna, interromper a propagação e diminuir a incidência de HIV/ aids, universalizar o tratamento para a doença e reduzir a incidência de malária, tuberculose e outras doenças; qualidade de vida e respeito ao meio am-

biente, incluindo reduzir pela metade a proporção da população sem acesso permanente e sustentável à água potável e parceria mundial para o desenvolvimento. Mortalidade na infância O relatório preparado pelo governo mostra que a queda mais significativa registrada na mortalidade na infância ocorreu na faixa entre um e quatro anos de idade. Atualmente, o problema está concentrado sobretudo nos primeiros 27 dias de vida do bebê, o período neonatal. Embora o documento ressalte que o Brasil conseguiu cumprir a meta à frente de uma série de países, o texto admite que o nível de mortalidade até os cinco anos ainda é elevado. A desigualdade regional sofreu uma redução, no entanto, Norte e Nordeste ainda apresentam taxas superiores a 20 óbitos de crianças com menos de cinco anos por mil nascidos vivos. Na região Sul, são 13 por mil nascidos vivos.

UOL Notícias. Brasil atinge meta da ONU e reduz mortalidade infantil, 23 maio 2014. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2014/05/23/brasil-atinge-meta-da-onu-e-reduz-mortalidade-infantil.htm>. Acesso em: 13 fev. 2015.

1. a) Sim, o Brasil reduziu a mortalidade infantil, o que se pode provar pelo índice, que era de 53,7 mortes por mil nascidos vivos em 1990 e passou para 17,7 em 2011. 1. b) Os avanços na medicina, as melhorias no atendimento médico, a ampliação nos programas de vacinação e as melhorias no saneamento refletem na queda do índice de mortalidade infantil.

a) É possível afirmar que o Brasil vem reduzindo a mortalidade infantil? Comprove por meio de dados. b) Explique algumas das causas da diminuição nas taxas de mortalidade infantil. c) Explique como as mudanças na taxa de mortalidade infantil indicam melhora na qualidade de vida dos brasileiros. 1. c) A diminuição da mortalidade infantil mostra que as condições de saúde e de saneamento básico nos lugares melhoraram, e com isso a população ganha mais qualidade de vida.

2. Agora, leia os textos 2 e 3 e responda às questões em seu caderno.

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Brasil: um espaço em construção | tema 1

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Texto 2 Taxa de fecundidade no Brasil cai 70% em 40 anos [...] uma pesquisa do Ministério da Saúde mostra que a taxa de fecundidade do país, ou seja, a quantidade de filhos que cada brasileira gera, chegou a 1,8 em média – contra 6,3 nos anos 60. As razões para esta queda são várias, e uma das principais é a adesão das mulheres às rotinas competitivas de trabalho. De qualquer maneira, a quantidade de crianças que as mulheres dão à luz tem impacto direto na economia e na sociedade. Segundo especialistas, nos próximos trinta anos, a porcentagem de crianças e idosos vai ser menor em rela-

ção ao número total da população, o que faz diminuir tanto os gastos públicos quanto os dos cidadãos. [...] A queda da fecundidade também se deu no meio rural. Parte dessa mudança pode ser explicada pelas campanhas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis e métodos para evitar a gravidez indesejada. Na década de 1990, o Ministério da Saúde distribuía anualmente 5 milhões de cartelas de pílulas anticoncepcionais e 100 milhões de preservativos. Hoje, são repassados à população 50 milhões de cartelas de pílula e 1 bilhão de preservativos todo ano.

ABRIL.COM. Taxa de fecundidade no Brasil cai 70% em 40 anos, 1 ago. 2015. Disponível em: <www.abril.com.br/noticia/comportamento/ no_292629.shtml>. Acesso em: 13 fev. 2015.

Texto 3 Número de filhos por mulher é o menor da história Núbia Couto Santos, de 27 anos, [é] moradora de Francisco Morato, na Grande São Paulo. Diarista e com renda média de um salário mínimo, Núbia tem apenas um filho, Gustavo, de sete anos. E prefere continuar assim. Ao contrário de sua mãe, que teve cinco filhos, e de sua avó materna, que teve oito – na época, era preciso mão de obra para trabalhar na lavoura, no interior da Bahia. “No interior,

as pessoas­ continuam tendo mais filhos. Aqui é mais complicado, pois os gastos com moradia e educação são altos e boa parte das mulheres trabalha fora”. Separada, Núbia concentra a maior parte de sua renda nos cuidados com o filho. “Eu penso no ensino, na saúde, na alimentação e no lazer dele. Se tivesse mais filhos, certamente não poderia dar as melhores condições para o Gustavo”.

VIALLI, Andrea. Número de filhos por mulher é o menor da história, 19 set. 2009. O Estado de S. Paulo. Disponível em: <www.estadao.com.br/ noticias/geral,numero-de-filhos-por-mulher-e-o-menor-da-historia,437618>. Acesso em: 13 fev. 2015.

2. a) A participação da mulher no mercado de trabalho; o acesso à informação sobre os métodos contraceptivos e a distribuição feita pelo governo de pílulas anticoncepcionais e preservativos. O fator econômico pesa muito na diminuição da taxa de fecundidade, pois ter um filho envolve despesas com moradia, educação, alimentação, vestuário e lazer.

a) De acordo com os textos 2 e 3, quais são os motivos da queda da taxa de fecundidade? 2. b) Ter um filho envolve gastos com moradia, educação, saúde, b) Por que Núbia decidiu ter apenas um filho? alimentação e lazer. Se Núbia tivesse mais filhos, não poderia dar c) Você concorda com os motivos apresentados por Núbia? melhores condições de vida para Gustavo. 2. c) R  esposta pessoal. Espera-se que o aluno reflita sobre o padrão e o custo de vida em grandes cidades e as consequên­cias na criação de filhos.

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capítulo 3 | A população brasileira

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Distribuição da população Observe no mapa a distribuição da população brasileira.

ALLMAPS

Brasil: distribuição da população (2010)

IBGE. Atlas geográfico escolar. Disponível em: <http://atlasescolar.ibge.gov. br/images/atlas/mapas_brasil/brasil_distribuicao_populacao.pdf>. Acesso em: 11 mar. 2015.

Mapa da distribuição da população no Brasil (2010).

A distribuição da população pelo território brasileiro é desigual? Quais estados concentram grande parte da população brasileira? Qual é a sua hipótese para explicar esse tipo de distribuição?

A distribuição da população no território refere-se à quantidade de habitantes que vive em um determinado espaço ou região. Observe no mapa acima que a distribuição da população brasileira pelo território é desigual. Existem áreas com um índice de habitantes bastante elevado, como nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e áreas com um índice baixo, como a região Norte do país. A concentração da população ocorre principalmente no litoral brasileiro. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Sim, a população concentra-se nas capitais dos estados, nas grandes cidades e ao longo do litoral. Em contrapartida, há regiões de vazios demográficos, como na Amazônia. Os estados que concentram grande parte da população brasileira são os do Nordeste, do Sudeste e do Sul. Permita que os alunos levantem suas hipóteses e demonstrem seus conhecimentos prévios. Por razões didáticas, o símbolo que representa 10 000 habitantes (= ) foi aumentado na legenda do mapa, para ser visível isoladamente. Esclareça esse aspecto a seus alunos.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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Essa distribuição desigual deve-se à forma como o território brasileiro foi ocupado. A colonização do território foi iniciada pelo litoral e, por isso, as primeiras cidades no século XVI, assim como a primeira capital da colônia (Salvador) e a segunda (Rio de Janeiro), foram criadas no litoral, ou próximo a ele. Foi também o caso da cidade de São Paulo, fundada em 1554. Além disso, a maior parte das atividades econômicas do território colonial atendia ao mercado externo e era desenvolvida próximo ao litoral, contribuindo assim para o povoamento dessa área.

Densidade demográfica Para saber a relação entre a quantidade de habitantes em um determinado local e a área ocupada, utiliza-se o cálculo da densidade demográfica, que informa o grau de concentração de uma população no território. Esse cálculo é feito por meio da divisão entre a população absoluta e a área do território, obtendo-se, desse modo, a densidade demográfica de uma região. A densidade demográfica do Brasil era de 23,8 hab./km2 no ano de 2014. Mas, quando este dado é analisado regionalmente, percebe-se que a distribuição da população brasileira é bastante desigual entre as regiões administrativas. Na região Norte, por exemplo, Roraima tem 2,01 hab./km², a menor densidade demográfica do país, enquanto, na região Sudeste, o Rio de Janeiro tem 365,23 hab./km² e São Paulo, 166,25 hab./km².

Cálculo da densidade demográfica no Brasil população absoluta (202 768 562 hab.) Densidade demográfica = = 23,8 hab./km²   área total do território (8 515 767,01 km²)

A densidade demográfica no Brasil varia não só entre as regiões geográficas, mas também entre o litoral e o interior do território. Isso se deve às características de formação do território, como foi visto anteriormente. Ainda em relação aos estudos demográficos, é comum utilizar os conceitos de populoso e povoado. O termo populoso relaciona-se à quantidade total de habitantes de um determinado local. O termo povoado refere-se à concentração de habitantes por quilômetro quadrado.

A população brasileira por idade Outra característica da população que pode ser analisada é a distribuição por faixa etária. A quantidade de crianças, adolescentes, adultos e idosos em uma população é um dado importante para o governo planejar ações e medidas sociais e econômicas para atender às necessidades da população. Dependendo da composição etária do país, o governo direciona metas e cria novos planos para a população. 54

capítulo 3 | A população brasileira

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Pirâmide etária

Observe os gráficos:

Homens

9

7,2

Mulheres

100 anos ou mais 95 a 99 anos 90 a 94 anos 85 a 89 anos 80 a 84 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 5,4

3,6

1,8

0

0

População (em milhões)

1,8

3,6

5,4

7,2

9

População (em milhões)

Grupo de idade

UNITED States Census Bureau. International Programs – International Data Base, s.d. Disponível em: <www.census.gov/population/international/data/idb/region.php?N=%20Results%20 &T=12&A=separate&RT=0&Y=2014&R=-1&C=BR>. Acesso em: 19 fev. 2015.

Gráfico de distribuição da população brasileira por sexo, segundo grupos de idade, em 2014.

Brasil: distribuição da população residente, por sexo, segundo os grupos de idade (2002 e 2012) Homens

7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 Porcentagem da população

80 anos ou mais 75 a 79 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0

Mulheres

2002 2012

0

1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0

Grupo de idade

7,0

Porcentagem da população

IBGE. Síntese de Indicadores Sociais – Uma análise das condições de vida da população brasileira, 2013. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv66777. pdf>. Acesso em: 19 fev. 2015.

1. A população está concentrada na faixa etária de adolescentes (10-19 anos) e de adultos, parcialmente (20-59 anos).

1. De acordo com os dados do gráfico de cima, em qual faixa etária a população brasileira está concentrada: crianças (0-9 anos), adolescentes (10-19 anos), adultos (20-59 anos) ou idosos (60 ou mais)? 2. Comparando as linhas do gráfico de baixo, quais foram as mudanças ocorridas no topo e na base da pirâmide no período entre 2002 e 2012?

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Brasil: distribuição da população por sexo, segundo os grupos de idade (2014)

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Pirâmide etária é um tipo de gráfico que representa a porcentagem de homens e mulheres ou a população em números absolutos por faixa etária ou por idades. Também é chamada de pirâmide de idades. O formato da pirâmide revela algumas características da população. As pirâmides de base larga e topo estreito indicam predomínio de crianças e jovens e pequena população de idosos. Já as pirâmides com um corpo bastante significativo e com a faixa de adultos maior do que a de crianças indicam que a taxa de natalidade vem diminuindo e o número de adultos, aumentando. O topo da pirâmide também revela se a população vem envelhecendo, o que pode ser verificado ao observar aumento de pessoas no topo da pirâmide, especialmente se comparado aos anos anteriores. Observe dois exemplos de pirâmides etárias. Acima, a pirâmide etária da população brasileira no ano de 2014. Abaixo, a pirâmide etária em linhas, na qual é possível analisar a evolução da população brasileira comparando dados de duas datas diferentes, 2002 e 2012.

Gráfico de distribuição da população brasileira residente, por sexo, segundo grupos de idade, em 2002 e 2012. 2. Pela comparação das linhas correspondentes aos anos de 2002 e 2012, a base vem diminuindo e o topo vem aumentando.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

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Fluxos migratórios Além do crescimento natural e da distribuição da população, outro fator a ser considerado ao se analisar a população de uma determinada região é a sua mobilidade pelo território, denominada fluxos ou movimentos migratórios. Quando os deslocamentos populacionais acontecem internamente, dentro do país, são denominados migrações internas. Se os deslocamentos populacionais ocorrem para fora do país, são denominados migrações externas ou emigrações. Os fluxos que ocorrem no sentido inverso, ou seja, os movimentos de entrada no país, que contribuem para o crescimento da população, são chamados de fluxos imigratórios. A mão de obra imigrante foi muito utilizada, principalmente no século XIX e início do XX, na atividade econômica cafeeira, desenvolvida em áreas do Sudeste do país. Imigração estrangeira no Brasil [...] De 1850 a 1950 entraram no Brasil cerca de 4,9 milhões de imigrantes europeus; a década de 1890-1900 foi a que registrou o número mais significativo, 1,12 milhão de pessoas, ou seja, 25% do total. A procedência desse contingente é variada: Itália, Alemanha, Polônia, Portugal,

entre outros. Contudo, predominam os italianos, que entre 1880 e 1900 constituíram 60% de todos os imigrantes que aqui chegaram. De 1874 a 1889 entraram em São Paulo mais de 196 mil imigrantes, dos quais 20% eram italianos.

ACERVO ICONOGRAPHIA

VALIM, Ana. Migrações: da perda da terra à exclusão. São Paulo: Atual, 1996. p. 10.

Foto de imigrantes italianos recém-chegados à Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo (SP), cerca de 1900. A Hospedaria foi construída entre os séculos XIX e XX e, a partir de 1978, o prédio passou a sediar o Museu da Imigração, que funciona até hoje.

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capítulo 3 | A população brasileira

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Um dos grandes deslocamentos internos em território brasileiro ocorreu na segunda metade do século XX, quando o fluxo da população se direcionou dos estados do Nordeste, como Bahia e Pernambuco, para o Sudeste, mais especificamente para o estado de São Paulo. Esse deslocamento populacional relaciona-se com uma importante mudança na organização do território brasileiro: a intensa industrialização e urbanização ocorridas no Sudeste, principalmente a partir da década de 1960. São Paulo, na região administrativa do Sudeste, tornou-se uma grande cidade, a maior do país, pela intensidade de seu processo de industrialização, que acelerou a urbanização da região e levou ao crescimento da área ocupada da cidade e do entorno. A cidade não parava de receber contingente populacional do Brasil, em especial do Nordeste, e também do exterior. Isso a tornou uma das maiores cidades do mundo em milhões de habitantes. Na década de 1970, também partiram do Nordeste levas de migrantes para a Amazônia, em direção a áreas de mineração e agricultura. Também entre os anos de 1960 e 1970, fluxos migratórios do Sudeste e do Nordeste aconteceram em direção ao Centro-Oeste, devido à construção da nova capital do Brasil, Brasília. Dos estados do Sul e do Sudeste, como Minas Gerais e São Paulo, partiram levas de migrantes, nas décadas de 1970 e 1980, em direção às áreas de expansão agrícola do Centro-Oeste e da Amazônia, conhecidas como novas fronteiras agrícolas. De acordo com os dados sobre Brasil: migrações internas (1970 a 1980) migrações internas no Brasil obtidos pela Pesquisa Nacional da Amostra de Domicílios de 2013, o Centro-Oeste apresentou o maior percentual de pessoas que residiam na região e que não eram naturais dela (34,2%). Ou seja, no período atual, foi a região que recebeu o maior número de migrantes. Já o Nordeste apresentou o menor percentual de pessoas residentes, que não nasceram nos estados nordestinos (7,5%), ou seja, foi a região que menos recebeu migrantes. O estado de São Paulo, na região Sudeste, continuou com o maior contingente de pessoas não nascidas no estado (10,5 milhões de pessoas).

ALLMAPS

Migrações internas

Mapa de migrações internas no Brasil (1970 a 1980). THERY, Hervé; MELLO, Neli A. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2005. p. 102.

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Brasil: um espaço em construção | tema 1

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APLICANDO E AMPLIANDO O CONHECIMENTO

ALE RUARO/ PULSAR IMAGENS

Olhe as paisagens à sua volta, observe as características físicas e culturais dos brasileiros e você verá uma rica diversidade. Convivemos com culturas de povos oriundos do mundo inteiro. Os imigrantes que vieram ao Brasil trouxeram sua cultura e acabaram por deixar suas marcas, a sua contribuição. São italianos, espanhóis, alemães, poloneses, russos, portugueses, libaneses, turcos, armênios, nigerianos, japoneses, coreanos, chineses, bolivianos, argentinos, senegaleses, haitianos e tantos outros que aqui residem e que pertencem à história do Brasil. O período áureo da imigração para o Brasil ocorreu de 1850 a 1934, ano de criação das leis restritivas à vinda de imigrantes para o Brasil, que fizeram diminuir a entrada de estrangeiros. Nesse período, os imigrantes vinham atraídos pela possibilidade de atuar na agricultura, cultivando terras. Os italianos formaram o grupo de imigrantes mais numeroso do Brasil. Vieram primeiramente trabalhar em São Paulo, na lavoura do café, e também colonizaram o sul do Brasil. No período entre 1884 e 1933, somavam em torno de 1,4 milhão de pessoas, de acordo com dados do IBGE. Atualmente, as imigrações assumem características diferentes das que ocorriam no início do século XX e se tornam cada vez mais marcantes na composição populacional e social do Brasil. Nos últimos anos, o número de refugiados e de pessoas com visto de trabalho que chegam ao país vem aumentando, tendência que já estava apontada no Censo de 2010. Enquanto a América do Norte e a Europa fecham suas fronteiras como resposta às altas taxas de desemprego que atingem seus países, o Brasil se torna referência internacional na acolhida de imigrantes. Mesmo não havendo um programa oficial de incentivo do governo, a permanência é facilitada devido ao interesse do mercado na mão de obra. Em 2010, foi registrada a entrada de 268 468 imigrantes no Brasil. São Paulo, Paraná e Minas Gerais, juntos, receberam mais da metade dos imigrantes internacionais, seguidos do Rio de Janeiro e de Goiás. Os principais países de origem dos imigrantes, segundo o Censo de 2010, eram Estados Unidos (51 933), Japão (41 417), Paraguai (24 666), Portugal (21 376) e Bolívia (15 753). Nos anos seguintes, houve aumento do número de imigrantes que pediram asilo no país. Em 2014, os imigrantes refugiados vieram principalmente do Haiti, Senegal, Bangladesh, Gana, República Dominicana, Síria e Colômbia.

Foto de colheita de uvas em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, 2014. Introduzida pelos imigrantes italianos, a vinicultura marca as paisagens da região Sul do país.

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capítulo 3 | A população brasileira

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• Leia o texto a seguir e, com base no que você acabou de estudar, faça o que se pede.

Novos imigrantes mudam o cenário do Rio Grande do Sul Nova migração é um movimento recente, mas suficientemente forte para causar modificações econômicas, étnicas e culturais Um novo processo migratório, formado sobretudo por africanos e caribenhos, começa a vingar no Rio Grande do Sul – onde imigrantes italianos, alemães e poloneses se instalaram aos milhares no século 19. Muitas daquelas famílias europeias se fixaram em matagais despovoados na Serra, no Vale do Taquari e no Norte, dando início às principais colonizações do Estado. As regiões cresceram, cidades como Caxias do Sul, Lajeado e Passo Fundo se tornaram pujantes polos industriais e hoje são ponta de lança do ciclo encabeçado por 11,5 mil estrangeiros negros – vindos não de zonas rurais, como seus antecessores, mas do meio urbano, e com pelo menos o Ensino Médio no currículo escolar. Fogem da pobreza: no Brasil, podem ganhar até seis vezes mais do que no seu país de origem. O território gaúcho é um dos principais destinos de senegaleses e haitianos, principalmente o interior, pois em Porto Alegre o custo de vida é mais alto, e a demanda por essa mão de obra, menor. Nas pequenas cidades, eles mudam o retrato da massa trabalhadora. Em Encantado, fundada por italianos, os migrantes negros já representam 2% da população – e 30% dos funcionários de um frigorífico da Dália Alimentos. [...] [...]

Os refugiados no Brasil

Especialistas ressalvam que os números abaixo são os oficiais de solicitação de refúgio na Polícia Federal, mas o número de migrantes no Brasil é maior, considerando que muitos não aderem ao procedimento e ficam na clandestinidade. Outros milhares entram no país com visto de trabalho, pelos aeroportos, o que torna desnecessário o pedido de refúgio. 2010

1 003

2011

3 501 4 261

2012 2013

17 927

2014*

17 903

*Até 29 de julho

Países com mais pedidos de refúgio* 29 143

Haiti Senegal Bangladesh Gana República Dominicana

3 440 2 339 930 377

* O Ministério da Justiça, que administra as informações de pedido de refúgio, não sabe informar em quais Estados os imigrantes estão vivendo. Uma vez feito o pedido de refúgio, eles podem andar livremente pelo território nacional.

Gráfico da quantidade de refugiados no Brasil de 2010 a 2014 e gráfico de países com mais pedidos de refúgio.

Hoje, o Brasil é o maior exportador de frango para o mundo muçulmano, com 1,8 bilhão de habitantes atendidos por 300 empresas, a maioria delas da Região Sul. E os muçulmanos só admitem receber o produto se o abate for dentro do rito halal (nos preceitos da religião). Isso contribuiu para que milhares de africanos viessem trabalhar aqui. [...]

ROLLSING, Carlos; TREZZI, Humberto. Novos imigrantes mudam o cenário do Rio Grande do Sul: nova migração é um movimento recente, mas suficientemente forte para causar modificações econômicas, étnicas e culturais. Zero Hora, 16 ago. 2014. Disponível em: <http://zh.clicrbs.com. br/rs/noticias/noticia/2014/08/novos-imigrantes-mudam-o-cenario-do-rio-grande-do-sul-4576728.html>. Acesso em: 23 fev. 2015.

3. O novo processo migratório neste século XXI se refere à chegada de migrantes que procuram melhores condições de vida, fugindo da pobreza em seu país de origem, como africanos e caribenhos, notadamente senegaleses e haitianos. Diferentemente do século XIX, quando os imigrantes vinham geralmente de regiões pobres do campo e imigravam para trabalhar também em áreas rurais, esses novos imigrantes do século XXI chegam, por exemplo, na região Sul, notadamente no Rio Grande do Sul, para trabalhar em indústrias em cidades do interior, que se caracterizam como novos polos industriais. 1. Em que período (décadas) ocorreu o maior fluxo imigratório para o Brasil? 1. De 1850 a 1934. 2. Os italianos, que se dirigiram para as regiões Sul e 2. Qual foi o grupo de imigrantes mais numeroso do Brasil, e para onde eles se dirigiram? Sudeste.

3. O texto fala sobre um novo processo imigratório no Brasil. Localize no tempo esse novo processo imigra-

tório e quem são os imigrantes. Aponte algumas diferenças entre os imigrantes italianos que se instalaram no sul do país entre os séculos XIX e XX e os imigrantes que vieram nos últimos anos.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

59


ELIÁRIA ANDRADE/ AGÊNCIA O GLOBO

As desigualdades sociais no espaço brasileiro 1

2

EUNICE PINTO/ AG.PARÁ_ARQUIVO

[1] Foto de parque em São Caetano do Sul, São Paulo, 2013. [2] Foto de rua sem pavimentação em Melgaço, Pará, 2012. Acesso a serviços públicos, áreas de lazer, meios de transporte e pavimentação são algumas das características de uma cidade que proporciona boa qualidade de vida a seus cidadãos.

As condições de vida do povo brasileiro são muito desiguais, o que pode ser constatado por meio da observação das paisagens e do acompanhamento de dados estatísticos. No campo e na cidade, as características do espaço geográfico, como tipos de moradia, acesso e utilização dos serviços de saúde, educação, lazer, transporte público, revelam diferenças significativas na qualidade de vida dos brasileiros. As imagens desta página mostram as condições de moradia dos habitantes do município de Melgaço, no Pará, e de São Caetano do Sul, em São Paulo. 60

capítulo 3 | A população brasileira

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


As diferenças na qualidade de vida do povo brasileiro resultam de fatores históricos, ou seja, do modo como se estabeleceu o desenvolvimento econômico, social e político ao longo do tempo no país. Durante o processo de formação do povo brasileiro, o trabalho escravo perdurou mais de três séculos, e esse fator gerou consequências sociais e econômicas para a vida em sociedade. Alguns indicadores sociais fornecem dados significativos para avaliar essas desigualdades sociais entre os brasileiros. Vamos investigar alguns deles para identificar algumas diferenças nas condições de vida da população brasileira.

Desigualdade de renda Apesar de uma melhora na última década, o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais em relação à distribuição de renda. Isto significa que uma pequena parcela da população detém grande parte da renda nacional, ou seja, no Brasil existe ampla distância entre os rendimentos dos mais ricos e os do restante da população. Essas desigualdades ocorrem também em âmbito regional, entre os estados. Brasil: rendimento médio mensal de trabalhadores com mais de 15 anos, segundo as regiões administrativas do Brasil (2013) Valores em Reais

2 000 1 500

1903

1872

Sudeste

Sul

1992

1681 1322

1 000

1148

1. O  valor do rendimento médio mensal do Brasil em 2013 era de R$ 1 681,00. 2. O rendimento médio mensal era maior no Centro-Oeste e menor no Nordeste. A diferença de ganho entre essas regiões era de R$ 844,00. 3. Resposta pessoal.

Gráfico do rendimento médio mensal de trabalhadores de 15 anos ou mais de idade, segundo as grandes regiões do Brasil, 2013.

500 0 Brasil

Norte

Nordeste

Centro­‑Oeste

Brasil e grandes regiões IBGE. PNAD – Síntese de Indicadores, 2013. Disponível em: <ftp://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/ Pesquisa_Nacional_por_Amostra_de_Domicilios_anual/2013/Sintese_Indicadores/sintese_pnad2013.pdf>. Acesso em: 24 fev. 2015.

Segundo a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD 2013), as maiores médias do rendimento mensal foram registradas no Distrito Federal e em São Paulo, enquanto no Ceará, Piauí e Alagoas se concentraram as piores médias de rendimento mensais, cerca de 50% mais baixas que no estado de São Paulo.

Indicadores sociais de esperança de vida e analfabetismo A esperança de vida é um indicador social que informa a expectativa média de duração da vida de um brasileiro, que, segundo dados de 2014, é de 73,8 anos. No entanto, ela varia entre as parcelas da população masculina e feminina, sendo atualmente de 77,6 para as mulheres e 70,4 para os homens. O aumento na esperança de vida no país está relacionado à diminuição da mortalidade infantil e às melhorias nas condições de saúde e saneamento básico nos espaços urbanos e rurais. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1. Observe o gráfico e responda: em 2013, qual era o valor do rendimento médio mensal do Brasil? 2. Identifique as regiões que detinham o maior e o menor rendimento médio mensal. Qual a diferença de ganho entre elas? 3. Na sua região, qual foi o rendimento médio mensal em 2013?

Brasil: um espaço em construção | tema 1

61


Veja na tabela abaixo as informações sobre este dado nas regiões brasileiras, conforme estudos do IBGE. Regiões brasileiras: esperança de vida ao nascer, segundo projeção populacional de ambos os sexos (2014 a 2018)

Sim, as taxas de analfabetismo são diferentes nas regiões. A região Nordeste apresenta a taxa mais alta do país, cerca de 12% maior que as taxas das regiões Sudeste e Sul. Isso mostra uma grande desigualdade no país em relação a esse indicador social.

Observe o gráfico. É possível dizer que existem diferenças nas taxas de analfabetismo entre as grandes regiões do Brasil? Exemplifique.

Regiões brasileiras

2014

2015

2016

2017

2018

Norte

73,50

73,76

74,01

74,25

74,50

Nordeste

72,09

72,42

72,73

73,05

73,35

Sudeste

75,90

76,15

76,39

76,63

76,86

Sul

76,43

76,66

76,88

77,10

77,31

Centro-Oeste

75,50

75,73

75,97

76,19

76,42

Adaptado de: IBGE/DPE/Coordenação de População e Indicadores Sociais – COPIS / GEADD. Projeto UNFPA/ BRASIL (BRA/02/P02) – População e Desenvolvimento: sistematização das medidas e indicadores sociodemográficos oriundos da projeção da população por sexo e idade, por método demográfico, das Grandes Regiões e Unidades da Federação para o período 1991-2030, s.d. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/imprensa/ ppts/0000000243.pdf>. Acesso em: 24 fev. 2015.

Os dados referentes à taxa de analfabetismo informam a quantidade de pessoas que não sabem ler e escrever no país, enquanto a escolaridade se relaciona à quantidade de anos de estudo em média da população. Ao relacionar esses dados com as possibilidades de acesso a empregos, que atualmente exigem mais estudo, pode-se perceber o quanto a escolaridade é importante para que a população obtenha melhores oportunidades de trabalho e renda. Observe o gráfico sobre a taxa de analfabetismo segundo as Grandes Regiões do IBGE. Brasil: taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade, segundo as grandes regiões (2013) 20

Porcentagem da população

16,6

Gráfico de taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade, segundo as grandes regiões do Brasil, em 2013.

15 10

8,3

9,5

0

Brasil

Norte

Nordeste

6,5

4,7

4,2

Sudeste

Sul

5

Centro­‑Oeste

Brasil e Grandes Regiões IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento. PNAD – Síntese de Indicadores, 2013. Disponível em: <ftp://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/Pesquisa_Nacional_por_Amostra_de_Domicilios_ anual/2013/Sintese_Indicadores/sintese_pnad2013.pdf>. Acesso em: 25 fev. 2015.

Ao analisar os indicadores sociais e econômicos dos cidadãos brasileiros, podem-se entender e caracterizar mais precisamente as condições de vida no território. Isso permite aos governantes refletir sobre a qualidade de vida dos cidadãos e agir de modo consciente, propondo políticas públicas que melhorem as condições de vida dos brasileiros e transformem determinadas realidades ao longo do tempo. 62

capítulo 3 | A população brasileira

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


ATIVIDADES 1. As desigualdades sociais no Brasil não se limitam às diferenças de renda, de região para

Texto 1 De acordo com a PNAD 2013, o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos dos homens foi de R$ 1 890,00, e o das mulheres, R$ 1 392,00. Este dado revela a diferença ainda existente entre os sexos já que, proporcionalmente, as mulheres recebem em média pelo seu trabalho 73,7% do rendimento de trabalho dos homens. Em relação às taxas de desemprego, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE mostra que existe uma diferença nas taxas de desempregos segundo a cor e gênero, a maior taxa é verificada entre as mulheres negras, que fecharam 2013 com 7,9%. Homens brancos têm taxa de apenas 3,8%.

LAURENI FOCHETTO

região, ou entre o campo e a cidade; elas também se referem a diferenças de renda e de escolaridade entre homens e mulheres e, principalmente, entre a população negra e a branca. Vamos analisar alguns dados nos textos a seguir. Leia os textos e faça o que se pede.

Foto de Cristiana Cruz Virgulino, médica ortopedista pediátrica, em seu consultório em São Paulo (SP), 2012. Ainda são poucas as mulheres negras que conseguem romper as barreiras do preconceito e da discriminação racial e ascender socialmente.

Texto 2 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em janeiro de 2014 o resultado da Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Um dos resultados apontados pela pesquisa revela que, no Brasil, trabalhadores de cor preta ou parda ganhavam, em média, muito menos do que os de cor branca em 2013. Segundo os dados do IBGE, um trabalhador Brasil: rendimento médio recebido (em reais) de cor preta ou parda nas regiões metropolitanas no trabalho principal, segundo cor ou raça, ganha, em média, 57,4% do rendimento recebipor regiões metropolitanas (2013)* do pelos trabalhadores de cor branca, ou seja, um Região metropolitana Branca Preta / Parda pouco mais da metade do salário de uma pessoa Total 2 396,74 1 374,79 de cor branca. Em termos numéricos, se trata de uma média salarial de R$ 1 374,79 para os trabaRecife 1 892,33 1 193,19 lhadores de cor preta ou parda e de R$ 2 396,74 Salvador 2 523,49 1 290,92 para os de cor branca. Belo Horizonte 2 555,19 1 415,89 Embora essa desigualdade tenha diminuído nos últimos dez anos, ela continua bastante alta e Rio de Janeiro 2 656,86 1 456,49 também varia conforme a região do país. São Paulo 2 408,31 1 386,46 Observe a tabela abaixo que mostra as difePorto Alegre 1 975,26 1 305,48 renças de salários entre negros e brancos, em di* Médias das estimativas mensais versas capitais do país no ano de 2013. Adaptado de: IBGE. Principais destaques da evolução do mercado de trabalho nas regiões metropolitanas abrangidas pela pesquisa, 2003­ ‑2013. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/retrospectiva2003_2013.pdf>. Acesso em: 25 fev. 2015. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

63


Texto 3

3. a) O período de maior incentivo à imigração foi entre 1850 e 1934, devido à substituição da mão de obra escrava nas lavouras de café.

Abordar a inclusão na sociedade Brasil – os números parecem melhores [...] O Brasil está a tentar reduzir as disparidades raciais para a sua população afro-brasileira e mestiça que constitui mais de metade dos seus 200 milhões de habitantes, através da implementação de políticas de discriminação positiva na educação. Em agosto de 2012, aprovou uma lei determinando cotas para a entrada preferencial de estudantes afro-brasileiros e mestiços, numa ra-

1. a) De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo IBGE e divulgada em janeiro de 2014, um trabalhador de cor preta ou parda no Brasil ganha, em média, pouco mais da metade (57,4%) do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. De acordo com a PNAD publicada em 2014, as mulheres recebem apenas cerca de 73,7% do rendimento do trabalho que é recebido pelos homens. As mulheres negras apresentavam, em 2013, uma taxa de desemprego de 7,9%, enquanto os homens brancos apresentaram 3,8%.

zão proporcional ao seu peso na população local (por exemplo, 80 por cento no estado da Bahia, no Nordeste, e 16 por cento em Santa Catarina, no Sul) em 59 universidades federais do país e em 38 institutos técnicos federais. Em 1997, 2,2 por cento dos estudantes de raça negra ou mestiça com idades entre os 18-24 frequentaram universidades; em 2012, foram 11 por cento. [...]

PNUD. Relatório do Desenvolvimento Humano 2014: sustentar o progresso humano: reduzir as vulnerabilidades e reforçar a resiliência. Disponível em: <www.pnud.org.br/arquivos/RDH2014pt.pdf>. Acesso em: 25 fev. 2015.

3. b) Migrações são deslocamentos de pessoas a) Identifique quais informações dos textos justificam as seguintes afirmações: de um lugar para outro. Quando os desloca• a população negra tem rendimentos inferiores à população branca; mentos ocorrem dentro • o rendimento médio mensal do homens é superior ao das mulheres; do país, são chamados de migrações internas. • o desemprego entre as mulheres negras é maior do que entre os homens brancos. As migrações externas b) Segundo o PNUD publicado pela ONU em 2014, qual foi a medida aplicada pelo gosão deslocamentos que ocorrem para fora ou verno do Brasil para diminuir as desigualdades na educação em relação à população para dentro do país. afro-brasileira e mestiça? 4. A região Centro-Oeste foi a que apresentou maior percentual 2. Qual a diferença de esperança de vida entre homens e mulheres segundo dados do IBGE (34,2%) de pessoas que em 2014? 2. A diferença de expectativa de vida é de cerca de 7 anos a mais para as mulheres, sendo 77,6 anos para as mulheres não nasceram na região e 70,4 para os homens. e que nela habitam; 3. Em relação à imigração, responda no caderno: a região Nordeste foi a que apresentou a) Qual foi o período de maior incentivo à vinda dos imigrantes para o Brasil? Por quê? o menor percentual b) Explique a diferença entre migrações internas e migrações externas. (7,5%). Isso significa que, para o Centro­ ‑Oeste, a migração foi 4. De acordo com a PNAD 2013 sobre a mobilidade populacional e estimativas de migramaior, enquanto para o ção, qual região do Brasil apresentou o maior percentual de habitantes não nascidos na Nordeste foi menor. 5. Ao serem estudados e região em que habitam? E qual apresentou o menor? O que esses dados revelam? analisados, esses dados permitem entender diversas características 5. Por que os indicadores sociais, como os de renda, analfabetismo, esperança de vida e das condições de vida mortalidade infantil, são importantes para entender as condições de vida no território da população brasileira. brasileiro? Eles também são importantes instrumentos para que os gover6. Faça uma pesquisa na internet e em livros para atualizar os dados referentes aos seguinnantes possam propor tes itens (podem ser estimativas). Não se esqueça de informar o ano referente ao dado e políticas públicas que visem melhorar essas a fonte em que foi pesquisado. 1. b) O governo instituiu, em agosto de 2012, a lei determinando cotas para a entrada condições de vida. de estudantes negros e pardos na proporção de seu peso na população local. Isso permitiu que a porcentagem de 6. Para auxiliar os Exemplo: estudantes negros e pardos com idades entre 18 e 24 anos aumentasse de 2,2%, em 1997, para 11%, em 2012. alunos na realização da pesquisa, indique o População brasileira: 203 922 250 habitantes, em 4 março de 2015. Dado obtido no site do site do IBGE, na página IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/>. Acesso em: 4 mar. 2015. Cidades@, na qual eles • População brasileira. encontrarão dados de todos os municípios • População do estado onde você vive. brasileiros. Disponível • População por sexo residente do município onde você vive. em: <http://cidades. ibge.gov.br/xtras/home. • População ocupada. php>. Acesso em: 26 • População alfabetizada residente do município onde você vive. fev. 2015.

64

capítulo 3 | A população brasileira

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


Trabalhando com mapas e gráficos As respostas da atividade 8 encontram-se na Assessoria Pedagógica.

7. Consulte o mapa de migrações no Brasil a partir da década de 1970 até 1980 (página 57)

 e que região partiu o maior a) D fluxo de migrantes nesse período? 7. a) Da região Nordeste. Para onde se dirigiu esse b)  fluxo? c) P  ara onde se dirigiram os fluxos migratórios que partiram da região Sul?

7. b) Para as regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste (Distrito Federal).

Brasil: densidade demográfica (2010) ALLMAPS

e responda no caderno:

7. c) Para as regiões Centro-Oeste e Norte.

8. A população está distribuída de

forma desigual pelo território brasileiro. Observe o mapa ao lado e, em seguida, responda às questões no caderno. a) O  que o mapa revela sobre a densidade demográfica? b) Q ual região apresenta a maior densidade demográfica? E qual região apresenta a menor densidade demográfica? c) P  odemos afirmar que a distribuição da população brasileira está relacionada a fatores históricos e econômicos? Explique.

Elaborado com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 114; IBGE Atlas Escolar. Disponível em: <http://atlasescolar.ibge.gov.br/images/atlas/mapas_brasil/ brasil_densidade_demografica.pdf>. Acesso em: 26 fev. 2015.

9. Construa um gráfico de barras que mostre dados da densidade demográ-

fica brasileira, de 1960 a 2014. Material

uma folha de papel milimetrado ou quadriculado; lápis; borracha; lápis de cor.

Modo de fazer

Trace dois eixos no papel milimetrado ou quadriculado: um horizontal, de 10 cm, e outro vertical, de 10 cm. Os eixos devem ter o mesmo ponto de origem.

No eixo vertical, faça uma pequena marca, de 1 em 1 cm. Nele, comece a marcar a partir do 5, indo até o 30. Cada 1 cm vale 5 (5, 10, 15, 20, 25, 30).

Depois, no eixo horizontal, faça divisões de 1 em 1 cm. Cada centímetro equivale a uma década. Escreva embaixo de cada centímetro a década correspondente (1960, 1970, 1980, 1991, 2000, 2010, 2014).

Agora, construa as barras. Desenhe uma barra por vez e pinte-as com uma cor de sua escolha. Veja o modelo na página seguinte.

Para montar o gráfico, use os dados fornecidos na tabela. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Mapa da densidade demográfica do Brasil (2010).

Brasil: densidade demográfica (1960-2014) Ano

Densidade demográfica

1960

8,34

1970

11,10

1980

14,23

1991

17,26

2000

19,92

2010

22,43

2014

23,8

Brasil: um espaço em construção | tema 1

65


EDITORIA DE ARTE

Brasil: densidade demográfica (1960-2014) 30 25 20

MODELO

15 10

8,34

5 0

1960 1970 1980 1991 2000 2014

Densidade demográfica

IBGE. Censo 2010. Disponível em: <www.censo2010. ibge.gov.br/sinopse/index. php?dados=10&uf=00>. Acesso em: 26 fev. 2015; IBGE. Área Territorial Brasileira. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/ geociencias/cartografia/default_ territ_area.shtm>. Acesso em: 26 fev. 2015; IBGE. População. Disponível em: <www.ibge.gov. br/apps/populacao/projecao/>. Acesso em: 26 fev. 2015.

Modelo de gráfico para a atividade 9.

a) O  que o gráfico que você fez revela? b) E  xplique o que significa o fato de o Brasil ter, em 2014, uma densidade demográfica de 23,8 hab./km2. Como se obtém esse dado? c) Por que a densidade demográfica do Brasil aumentou nos últimos anos? d) E  stabeleça relações entre o crescimento da população e as mudanças na organização do espaço necessárias para promover uma melhor qualidade de vida para o povo brasileiro.

Grupo de idade

10. Observe o gráfico a seguir e, depois, responda às questões no caderno. 9. a ) O aumento da densidade demográfica brasileira nas últimas décadas. 9. b) A cada 1 km2 vivem 23 Brasil: distribuição percentual da população residente, por sexo, segundo os habitantes. A densidade demográfica é obtida por meio grupos de idade (2002 e 2012) da divisão entre o número da população total do país pela área total do território. 80 anos ou mais Homens Mulheres 9. c) Em virtude do crescimen75 a 79 anos to da população brasileira. 70 a 74 anos 9. d) É necessário que o cres2002 65 a 69 anos cimento da população seja 60 a 64 anos acompanhado de oferta de 2012 55 a 59 anos empregos, de serviços públi50 a 54 anos cos, como escolas, hospitais, 45 a 49 anos IBGE. Síntese de lazer, rede de transporte, de Indicadores Sociais 40 a 44 anos comunicação. E também por – Uma Análise das um planejamento do gover35 a 39 anos Condições de Vida, no que organize os espaços 30 a 34 anos 2013, p. 20. Disponível rural e urbano com serviços 25 a 29 anos em: <ftp://ftp.ibge.gov. de infraestrutura, principal20 a 24 anos br/Indicadores_Sociais/ mente de rede coletora de 15 a 19 anos Sintese_de_Indicadores_ esgoto, de distribuição de 10 a 14 anos Sociais_2013/SIS_2013. água e coleta de lixo. 10. a) Pirâmide etária. 10. b) A distribuição da população por gênero e faixa etária. 10. c) Na pirâmide de 2002, porque a base é mais larga e a maior parte da população se concentra na faixa de 10 a 19 anos. 10. d) • O gráfico mostra que a população adulta e idosa aumentou em 2012. • Todas as faixas acima dos 44 anos aumentaram. 10. e) A presença de um maior número de jovens indica que a taxa de natalidade do país em 2002 era mais elevada em relação a 2012. 10. f) Os governantes devem estar atentos ao número de idosos da população, pois uma grande quantidade de pessoas dessa faixa etária requer investimentos nas áreas de saúde e previdência social.

66

5 a 9 anos 0 a 4 anos

7,0

pdf>. Acesso em: 26 fev. 2015.

6,0

5,0

4,0 3,0

2,0 1,0 0 1,0 2,0 Porcentagem da população

3,0

4,0

5,0

6,0

7,0

Gráfico de pirâmide etária da população brasileira (2002 e 2012).

a) Como se chama o tipo de gráfico representado acima? b) O que esse tipo de gráfico representa? c) Em qual ano é mais evidente que a maioria da população do país é jovem? Por quê? d) Leia a seguinte manchete de uma notícia: “IBGE: população brasileira envelhece em ritmo acelerado”. • Qual é a relação entre a manchete e os dados do gráfico? • Quais faixas etárias aumentaram de 2002 para 2012? e) Na composição da população brasileira, a pirâmide de 2002 revela um número de jovens maior do que a pirâmide de 2012. O que esse número indica a respeito da taxa de natalidade? f) Observe a pirâmide etária de 2012. Podemos perceber que ela indica a tendência de envelhecimento da população brasileira. Quais são os desafios para os governantes em relação a este fato?

capítulo 3 | A população brasileira

NÃO ESCREVA NO LIVRO.


11. Com o crescimento da população de mais de 60 anos, novas necessidades se impõem à

sociedade. As cidades precisam estar preparadas para proporcionar aos mais velhos uma boa qualidade de vida. Em 2003, foi aprovado no Brasil o Estatuto do Idoso, que trata dos direitos do idoso. Leia o artigo 3o desse Estatuto:

É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. BRASIL. Lei no 10.741, de 1o de outubro de 2003. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.741.htm>. Acesso em: 28 abr. 2015.

No caderno, escreva uma legenda para cada foto, considerando o artigo 3o do Estatuto do Idoso. Respostas pessoais. As legendas das fotos foram omitidas no livro do aluno para que não interferissem na resposta JOSÉ PATRÍCIO/ AGÊNCIA ESTADO

a ser elaborada.

1

Crescimento natural ou vegetativo: o índice de crescimento natural ou vegetativo é um dado obtido por meio da diferença entre a taxa de natalidade (número de crianças nascidas vivas por mil habitantes ao longo de um ano) e a taxa de mortalidade (número de óbitos por mil habitantes ao longo de um ano).

Fotos para a atividade 11.

CESAR DUARTE/ TYBA

Foto de baile da terceira idade no Parque da Água Branca, São Paulo (SP), 2010.

2 Densidade demográfica: relação entre a quantidade de habitantes em um determinado lugar e a área ocupada. A densidade demográfica informa o grau de concentração de uma população no território. Esse cálculo é feito dividindo-se a população absoluta pela área do território, obtendo-se, desse modo, a densidade absoluta do país.

Foto de idosos fazendo ginástica em academia ao ar livre no Rio de Janeiro (RJ), 2011.

Construindo o glossário geográfico • Crescimento natural ou vegetativo • Migrações internas NÃO ESCREVA NO LIVRO.

EM SEU CADERNO, EXPLIQUE OS CONCEITOS A SEGUIR.

• Densidade demográfica • Migrações externas

Migrações internas: movimentos populacionais que ocorrem dentro de um país. Migrações externas: movimentos populacionais que ocorrem de um país para outro.

Brasil: um espaço em construção | tema 1

67


# Revendo o tema Produção de texto

Muitos compositores, poetas e artistas do país representam o povo brasileiro em suas músicas, poemas e obras de arte. Cada um revela o seu ponto de vista sobre o nosso povo e a nossa terra em diferentes formas de expressão.

Seu Jorge é compositor e cantor de música popular brasileira (MPB). Leia a letra da música a seguir, que ele fez com os compositores Gabriel Moura e Jovi Joviniano, e observe como eles apresentaram o nosso país.

Brasis Tem um Brasil que é próspero Outro não muda Um Brasil que investe Outro que suga... Um de sunga Outro de gravata Tem um que faz amor E tem o outro que mata Brasil do ouro, Brasil da prata Brasil do balacochê, da mulata Tem um Brasil que é lindo Outro que fede O Brasil que dá É igualzinho ao que pede... Pede paz, saúde, trabalho e dinheiro Pede pelas crianças do país inteiro

Tem um Brasil que soca Outro que apanha Um Brasil que saca Outro que chuta Perde, ganha Sobe, desce Vai à luta, bate bola Porém não vai à escola Brasil de cobre, Brasil de lata É negro, é branco, é nissei É verde, é índio peladão É mameluco, é cafuzo, é confusão Oh pindorama eu quero seu porto seguro Suas palmeiras, suas feiras, seu café Suas riquezas, praias, cachoeiras Quero ver o seu povo de cabeça em pé SEU JORGE; MOURA, Gabriel; JOVINIANO, Jovi. Brasis.

Agora é com você! A proposta é fazer uma colagem em uma folha de papel sulfite para representar ideias sobre o nosso país e o nosso povo. Pesquise manchetes, ilustrações e fotos em jornais e revistas, recorte-as e cole-as no papel sulfite. Caso não tenha o material para fazer os recortes, você pode desenhar para representar a diversidade brasileira. Lembre-se do que aprendemos nesta unidade, inspire-se na letra da música “Brasis” e faça uma ilustração das características naturais, culturais e sociais que identificam nosso país e também o povo brasileiro.

Mural

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Desigualdades sociais e raciais no Brasil

Em grupo, façam um mural com o tema Desigualdades sociais e raciais no Brasil. Para isso, pesquisem na internet, em revistas e em jornais algumas imagens, notícias, dados que mostrem situações de desigualdade no Brasil. Organizem o material pesquisado e montem o cartaz. Em sala de aula, com a orientação do(a) professor(a), façam uma discussão sobre o tema do trabalho, usando os exemplos obtidos na pesquisa.


Para relembrar 1. Compare as duas formas de divisão do Brasil: a divisão regional do IBGE (ver mapas da página 22) e a

divisão em regiões geoeconômicas (ver mapa da página 23). Aponte as diferenças de critérios utilizados para regionalizar o território brasileiro. 1. A divisão em cinco grandes regiões segue somente o limite dos estados; já a divisão em regiões geoeconômicas considera a formação histórica e econômica do país e também alguns critérios naturais.

2. Observe as afirmações abaixo. Elas foram feitas por um aluno da sua idade e contêm alguns erros. Em seu

caderno, comente qual o erro que cada frase contém. a) O ritmo de crescimento natural da população brasileira vem aumentando, pois a taxa de natalidade é a) As taxas de natalidade têm se mostrado cada vez mais baixas, refletindo um ritmo de crescimento natural também mais cada vez maior. 2. moderado. b) Embora a desigualdade social brasileira seja elevada, não há diferenças na participação no mercado b) A desigualdade no acesso ao mercado de trabalho para brancos e negros é de trabalho entre a população negra e a branca. 2. muito elevada. c) A partir de 1950, um grande fluxo de migrantes deixou a região Sudeste por falta de empregos, migrando para o Nordeste, onde ocorreram muitos investimentos do governo, o que gerou a abertura de novas vagas de trabalho. 2. c) Ocorreu justamente o contrário do que se afirma. A partir da década de 1950, a população nordestina migrou em grande número para a região Sudeste, em busca de melhores padrões de vida.

Hora do desafio A questão do Enem nomeou a imagem ao lado de Os imigrantes, mas o nome

• (Enem 2007 – Adaptado) correto do quadro de Antonio Rocco é Os emigrantes. PINACOTECA DO ESTADO DE SÃO PAULO, SÃO PAULO

Um dia, os imigrantes aglomerados na amurada da proa chegavam à fedentina quente de um porto, num silêncio de mato e de febre amarela. Santos. – É aqui! Buenos Aires é aqui! – Tinham trocado o rótulo das bagagens, desciam em fila. Faziam suas necessidades nos trens dos animais onde iam. Jogavam-nos num pavilhão comum em São Paulo. – Buenos Aires é aqui! – Amontoados com trouxas, sanfonas e baús, num carro de bois, que pretos guiavam através do mato por estradas esburacadas, chegavam uma tarde nas senzalas donde acabava de sair o braço escravo. Formavam militarmente nas madrugadas do terreiro homens e mulheres, ante feitores de espingarda ao ombro.

Os emigrantes, óleo sobre tela de Antonio Rocco, 1910.

ANDRADE, Oswald de. Marco Zero II – Chão. Rio de Janeiro: Globo, 1991.

Levando-se em consideração o texto de Oswald de Andrade e a pintura de Antonio Rocco reproduzida acima, relativos à imigração europeia para o Brasil, há apenas uma afirmativa correta abaixo. Responda em seu caderno que alternativa é essa e aponte os erros das demais opções. a) A visão da imigração presente na pintura é trágica e, no texto, otimista. b) A pintura confirma a visão do texto quanto à imigração de argentinos para o Brasil. c) Os dois autores retratam dificuldades dos imigrantes na chegada ao Brasil. d) Antonio Rocco retrata de forma otimista a imigração, destacando o pioneirismo do alternativa correta é a c. Tanto o texto quanto a obra de arte mostram situações difíceis que os imigrantes imigrante. A(italianos na sua grande maioria) tiveram de passar ao chegar ao Brasil. e) Oswald de Andrade mostra que a condição de vida do imigrante era melhor que a dos ex-escravos.

Amurada da proa: parapeito na parte da frente da embarcação. Fedentina: fedor, mau cheiro.

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Música Um tema bastante comum na MPB é a migração. Canções que falam dos desejos de mudança, dos desejos de uma vida melhor, da saudade da cidade natal, do que foi deixado para trás e, também, do desejo de um dia poder voltar. Músicas como “Asa Branca” e “Pau de Arara”, ambas de Luiz Gonzaga, e “Peguei um Ita no Norte”, de Dorival Caymmi, falam dos motivos que levam as pessoas a abandonarem a terra natal e da tristeza e da saudade decorrentes disso. Leia a letra da música “Rancho Triste” e perceba a comovente descrição da saída de um lavrador do campo e seus sentimentos de tristeza e saudade.

EDU GARCIA/ AGÊNCIA ESTADO

Geografia e cultura

Foto dos músicos Pena Branca e Xavantinho, em 1990.

Rancho Triste Seu moço, lá na roça ainda existe Um ranchinho muito triste Porque não tem morador Um dia o lavrador cheio de filhos Deixou a roça de milho E pra cidade se mudou Pensando ser feliz mais que na roça Deixou a sua palhoça Pra morar no arranha-céu Mas tudo não passou de um sonho antigo Hoje sem lar, sem abrigo Desempenha o seu papel E a morena tem saudade da viola E o caboclo tem saudade do sertão

E hoje, sem terra e sem moradia Vive na periferia Solitário e sem razão Agora nem João, nem Maria Só revoltas todo o dia Na procura do seu chão E aquele rancho triste lá no mato Espera seu filho nato Pra de novo ser feliz A volta pro sertão de um sertanejo É maior que um desejo É viver e ser feliz E a morena tem saudade da viola E o caboclo tem saudade do sertão

Rancho Triste. Violas & canções (CD), de Pena Branca e Xavantinho, Velas Novodisc, 2001.

Livros O Vento do Oriente: uma viagem através da imigração japonesa no Brasil IBGE, Centro de Documentação e Disseminação de Informações. Rio de Janeiro: IBGE, 2008. Este livro simboliza a união entre Brasil e Japão não apenas por seu conteúdo, mas também por sua forma. Ao ser lido no sentido ocidental, o leitor encontra um resumo da história da imigração japonesa e explicações sobre a arte do origami. Ao ler no sentido oriental, os personagens de mangá Tatá e Bruno apresentam uma viagem no tempo sobre a cultura japonesa.

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Sites CIMI (Conselho Indigenista Missionário) Neste site você pode encontrar diversas notícias e informações sobre os povos indígenas brasileiros e também sobre a questão da terra no Brasil. Disponível em: <www.cimi.org.br/>. Acesso em: 27 fev. 2015.

Filmes A hora da estrela Direção: Suzana Amaral. Brasil: Embrafilmes, 1985 (96 min.). Drama que retrata a vida de uma nordestina que migra para o Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor. Cheia de sonhos, a nordestina passa por situações complicadas e é tratada com desprezo por seu marido, que a troca por outra mulher.


Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960. Nascida de um projeto urbanístico bastante ousado para a época, Brasília está situada na região central do país. Hoje é uma cidade bem diferente daquela idealizada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Brasília vem crescendo como metrópole e apresenta características bastante peculiares, como uma população proveniente das mais diversas partes do Brasil. Conhecer a história dessa gente é um dos objetivos deste projeto.

1

ACERVO DO ARQUIVO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL

P RO JE TO I

Brasília, uma cidade formada por gente de todo o país

2

Observe como a ideia original do plano-piloto foi concebida: na foto 1, a planta de Brasília, de autoria de Lúcio Costa, de 1957; na foto 2, imagem de satélite de Brasília, de 2010. Observe que o desenho da aeronave foi mantido.

3

VIZZONI/ AGÊNCIA ESTADO

Brasília é a terceira capital do país; a primeira capital foi Salvador, na época da chegada dos portugueses, e a segunda capital foi o Rio de Janeiro até 1960. Brasília foi idealizada na primeira constituição republicana, e era prevista a mudança da capital, então no Rio de Janeiro, localizada no litoral, para uma região no interior do Brasil. Muito tempo depois, em 1954, o governo de Café Filho (1954-1955) nomeou a Comissão de Localização da Nova Capital Federal (1954); o local que foi delimitado pela comissão tinha dimensões de 160 por 90 quilômetros quadrados e situava-se a mil quilômetros dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. No governo do presidente Juscelino Kubitschek, a ideia de construir Brasília tornou-se realidade.

NASA ARCHIVE/ ALAMY/ LATINSTOCK

A ideia da cidade

O aniversário de 50 anos de Brasília em 2010 Promover uma volta ao passado, relembrar a sua fundação, falar de sua gente foram temas de inúmeras reportagens sobre a comemoração dos 50 anos de Brasília. Vamos conhecer um pouco dessa cidade por meio de algumas dessas reportagens.

Foto aérea da construção dos prédios do Palácio do Planalto em Brasília (DF), no final da década de 1950.

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P RO JE TO I

Brasília, uma cidade formada por gente de todo o país

Texto 1 Brasil, Brasis A diversidade: a capital foi formada pela união de costumes, gostos e sotaques de todos os cantos do país. Essa rica mistura criou uma cultura única. A capital do país foi formada de um amálgama de várias culturas, mescladas num mesmo espaço que se firmava no centro do território brasileiro. Seja para tentar a sorte na nova Eldorado, seja por transferência forçada pela administração pública,

pessoas dos mais variados cantos do Brasil rumaram irreversivelmente para Brasília. Assim, a população da cidade, cujo sotaque característico e um jeito próprio de ser ainda estão em formação, nasceu de um verdadeiro caldeirão de hábitos e gostos. [...]

Texto 2 “Brasília representa uma nova perspectiva para o Brasil interior: a perspectiva de um Brasil verdadeiramente inter-regional

no seu modo de ser nação una e, ao mesmo tempo, plural: um Brasil feito de brasis” (Gilberto Freyre).

Fonte dos textos 1 e 2: CORREIO Brasiliense. Brasil, Brasis, 21 abr. 2010. Disponível em: <http://stat.correioweb.com.br/ cbonline/2010_04/50anos/bsb26-2104.pdf>. Acesso em: 2 mar. 2015.

Texto 3 Metade da população de Brasília é de forasteiros Uma brochura fininha de 1957, o “1o Recenseamento de Brasília”, registra o perfil dos primeiros habitantes do lugar. Em 20 de julho daquele ano havia 6 283 moradores: 3 152 vinham de Goiás, 1 154 de Minas (ou 18%), 493 de São Paulo (7%), e 296 da Bahia (4,7%). Mais tarde chegariam outros milhares de candangos (foram cerca de 60 mil ao lon-

go da construção), sobretudo nordestinos, goianos e mineiros. No primeiro censo nacional que incluiu Brasília (1970), os nascidos na capital eram 22,2% da população, índice que pularia para 31,9% em 1980, 41,5% em 1991 e 46,8% em 2000. No último grande levantamento, a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem Amálgama: liga, mistura ou ajuntamento de diferentes elementos.

EDITORIA DE ARTE

Nascidos no DF em relação ao total de moradores (1970 a 2010) 1970

1980 22%

1991

2010

32% 58%

78%

2000

42%

53%

47%

51%

49%

68%

Nascidos no DF Não nascidos no DF

72

CORREIO Brasiliense. Brasil, Brasis, 21 abr. 2010. Disponível em: <http://stat. correioweb.com.br/cbonline/2010_04/50anos/bsb26-2104.pdf>. Acesso em: 2 mar. 2015.

Candangos: nome dado aos operários oriundos do Nordeste que construíram Brasília.

Gráficos de nascidos no DF em relação ao total de moradores de 1970 a 2010.


de D ­ omicílio) de 2008, os nativos já eram 48,9%. Hoje, aos 50 anos, pelo menos metade da população de Brasília é brasiliense. A capital é a unidade da Federação mais cheia de forasteiros. Os nascidos em Minas, Estado de JK, sempre formaram a maior comunidade, seguidos pelos goianos, ambos pilares da cultura interiorana que é uma das

marcas do lugar, junto com a nordestina. A influência cultural do Rio, cujos habitantes integravam a primeira leva de funcionários transferidos da antiga capital, não se traduz no número de moradores fluminenses: em 1970, juntando nascidos no Rio e na Guanabara, eles eram 6,6% do total, número que só caiu desde então. [...]

FOLHA.COM. Metade da população de Brasília é de forasteiros, 21 abr. 2010. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u723438.shtml>. Acesso em: 2 mar. 2015.

As desigualdades sociais em Brasília

RUBENS CHAVES/ PULSAR IMAGENS

Brasília, segundo o PNUD de 2013, apresentava a 8a renda per capita do Brasil, que era mais que o dobro da média nacional, segundo informações do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). No entanto, essa qualidade de vida se manifesta no plano-piloto, enquanto nas cidades-satélites as condições são diferentes. De acordo com dados da Companhia de Planejamento do Distrito Federal, as Regiões Administrativas mais ricas da capital são: Lago Sul, Sudoeste/Octogonal, Lago Norte, Brasília e Park Way; e entre as mais pobres estão: Estrutural (SCIA) e Itapoã. Hectares: unidade de medida de área. Um hectare (ha) equivale a 100 ares ou um quadrado de lado igual a 100 metros.

ELIO RIZZO/ ESP. CB/ D.A. PRESS

Foto aérea do bairro Asa Norte, Brasília, Distrito Federal, 2013. Asa Norte localiza-se no plano-piloto e é um bairro bem estruturado e arborizado, cujos moradores têm alto poder aquisitivo.

Foto de rua da Vila Estrutural em Brasília (DF), 2010. A comunidade ocupa uma área de 154 hectares e está localizada próximo ao lixão que começou a se formar na década de 1960, após a inauguração de Brasília. Poucos anos depois, surgiram os primeiros barracos dos catadores de lixo próximo ao local.

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P RO JE TO I

Brasília, uma cidade formada por gente de todo o país

Ação | Investigação Compreensão do texto

1) Os primeiros moradores de Brasília vieram de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e da Bahia à procura de novas oportunidades e foram trabalhar na construção da cidade.

1. De onde vieram os primeiros moradores de Brasília (de acordo com o primeiro recenseamento)? Por que

foram para essa cidade?

2) Os dados mostram que, nos censos de 1970 a 1991, a maioria das pessoas não era nascida em Brasília. Somente nos censos de 2000 e 2010, a população brasiliense ultrapassou os 40% do total da população: 46,8% nascidos no DF em 2000; 48,7% nascidos no DF em 2010.

2. Mostre por meio de dados que é muito recente o fato de a população de Brasília ser formada em sua 3) Apesar de Brasília ter a maior renda per capita do Brasil, as condições de vida da região do plano-piloto quase maioria por brasilienses. são bem diferentes das condições de vida nas cidades-satélites, como é possível observar nas imagens dos bairros Asa Norte e Vila Estrutural.

3. Dê um exemplo de contrastes sociais em Brasília.

Professor, determine um tema da pesquisa para cada grupo e

Vamos conhecer mais sobre Brasília por meio de trabalhos em grupo. Cada grupo deverá pesquisar um tema sobre Brasília. A pesquisa abordará diferentes tópicos, e cada integrante do grupo deverá se responsabilizar por um deles.

Temas da pesquisa: • O plano-piloto e seus idealizadores; • A função político-administrativa de Brasília; • A cidade, os monumentos e o turismo­; • Os problemas de Brasília e as cidades-satélites.

ANDRÉ DIB/ PULSAR IMAGENS

os alunos como realizar a pesquisa individual. Ajude o Pesquisa oriente grupo na divisão dos tópicos para a pesquisa individual.

1a parte: pesquisa individual

Cada aluno vai pesquisar um tópico do tema. A pesquisa deverá conter informações sobre o tópico, além de imagens e ilustrações.

Foto da Catedral Metropolitana de Brasília, Distrito Federal, 2014.

2a parte: socializando as informações em classe

Os alunos devem partilhar as informações e imagens que obtiveram, agora com o grupo. Cada aluno deverá apresentar sua pesquisa individual para o grupo.

3a parte: produção de texto

Cada grupo deve selecionar as informações principais para redigir um texto final. Para facilitar, grifem as informações principais de cada pesquisa.

Na primeira parte do texto, o grupo deve redigir uma apresentação, ou seja, uma introdução do conteúdo que será tratado.

Depois, é o momento do desenvolvimento do texto. Selecionem e organizem as informações principais, criem subtópicos se necessário.

Releiam o texto, verificando se as ideias estão coerentes, se explicam o assunto que está sendo desenvolvido e se não há repetição de ideias.

Por fim, redijam a conclusão. Essa parte do texto deve sintetizar os conhecimentos desenvolvidos pelos integrantes do grupo.

Para ilustrar melhor a pesquisa, elaborem um cartaz.

4a parte: produção de um cartaz

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Com as ilustrações vocês deverão montar um cartaz. Primeiro façam um esboço da distribuição das imagens e, em seguida, escrevam as informações. Tomem cuidado com o acúmulo de informações ou de imagens. Para


escrever, deem preferência à letra de forma. Escrevam primeiro a lápis e depois passem a caneta, de preferência com ponta grossa e de uma cor escura, como preto ou azul-escuro. Elaborem um título na parte superior central do cartaz. Depois de pronto, apresentem seu cartaz para os outros grupos.

Coletando informações No tema 1, estudamos diferentes características da população brasileira. Agora, vocês vão levantar algumas informações para verificar se elas se aproximam das características gerais da população brasileira. O trabalho será realizado em diversas etapas. Veja a seguir. 1. Levantamento de informações

Um dos assuntos que estudamos é que o número de filhos por família vem diminuindo nos últimos anos. Podemos verificar se essa tendência ocorre nas famílias dos alunos do 7o ano. Outro aspecto que podemos pesquisar é a origem dos familiares: se existem migrantes entre as famílias dos alunos do 7o ano. Caso existam, devem-se detectar os motivos da migração e os lugares de origem. É o momento de verificar também sobre as migrações externas; se existe algum parente que vive fora do Brasil.

2. Delimitação do universo da pesquisa

Agora que já sabemos o que vamos pesquisar, a segunda etapa é delimitar o universo da nossa pesquisa, isto é, definir quem serão os entrevistados. Vamos então delimitar que os entrevistados serão as famílias (pai e mãe ou responsáveis pela educação familiar) dos alunos do 7o ano, de todas as classes da escola. Cada aluno deverá entrevistar o pai, a mãe ou responsáveis. Se isso não for possível, o aluno deve procurar obter os dados 2) Oriente seus alunos sobre quem deverá responder ao questionário. Explique que não é obricom alguma outra pessoa da família.

3. Elaboração e aplicação do questionário

gatório pai e mãe serem entrevistados­, para não constranger aqueles que não puderem fazer a entrevista. Comente como deve ser a postura durante a entrevista: os alunos devem explicar os motivos da pesquisa, falar sobre o que estão estudando e que tipo de dados serão coletados.

Junto com seus colegas e o(a) professor(a), elaborem um questionário para essa pesquisa, buscando extrair dos entrevistados informações relevantes sobre o tema pesquisado­. 3) Há um modelo de questionário para essa pesquisa na Assessoria Pedagógica.

4. Organização das informações obtidas na pesquisa

Após as entrevistas, a etapa seguinte é organizar os dados obtidos. Em primeiro lugar, faça a contagem das respostas. 4) Caso seja difícil trabalhar com o resultado de todas as classes, desenvolva o mesmo trabalho, mas só com os resultados de sua classe.

Para a tabulação dos dados, faça um levantamento na classe do número de entrevistas realizadas. Agora, anote cada uma das respostas. Some todas as respostas iguais. Por exemplo: quantos entrevistados têm um filho, dois, três etc. e assim por diante. Após contar os resultados das entrevistas da classe, some com os resultados das outras classes.

5. Apresentação dos resultados finais

Para apresentar e discutir os resultados da pesquisa, você deverá mostrar os dados em um gráfico de barras. Cada grupo ficará encarregado de montar um cartaz com um tópico da pesquisa e um gráfico, por exemplo: número de filhos; migrações no Brasil; migrações para o exterior. 5) Se necessário, retome o conteúdo de como se faz um gráfico de barras na página 68.

6. Discussão dos resultados

Após a apresentação dos dados para a classe, discutam as seguintes questões: • A pesquisa permite afirmar que, no passado, os pais tinham mais filhos do que hoje? Caso essa afirmação seja verdadeira, quais seriam os principais motivos para essa diferença? • A pesquisa permite constatar que existe um movimento migratório por parte dos entrevistados? Caso isso seja positivo, qual é o local predominante de origem? Quais são os motivos da migração? • A pesquisa permite constatar que existe um movimento migratório para o exterior? Qual país vem recebendo maior número de imigrantes? Quais são os motivos da emigração? • Os resultados obtidos nessa pesquisa confirmam o que foi estudado no capítulo 2? 75

Geografia Nos Dias de Hoje 7º ano  

Obra Aprovada no PNLD 2017 | A obra tem como objetivo dar ao aluno subsídios para a construção do conhecimento, levando-o a entender o mundo...

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