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ARNO ALOÍSIO GOETTEMS • ANTONIO LUÍS JOIA

• Parte 1 – Ambiente e sociedade;

PARTE

3

• Parte 3 – Geopolítica e economia mundial. A obra traz também um caderno de Leituras Complementares, um caderno de Atividades Complementares e um Atlas Geográfico. Além disso, você tem acesso a uma plataforma inteligente que integra livro multimídia, imagens, animações, testes interativos e muitos outros recursos digitais, tudo para que seu aprendizado se torne mais dinâmico e prazeroso.

ARNO ALOÍSIO GOETTEMS • ANTONIO LUÍS JOIA

• Parte 2 – Brasil no mundo globalizado;

MANUAL DO PROFESSOR

ISBN 978-85-451-0436-0

LEITURAS E INTERAÇÃO M17_EM_GEO3_capaPROF.indd 1

Conteúdo digital

Geopolítica e economia mundial

Esta obra aborda temas da Geografia do Brasil e do mundo, que permitem compreender as sociedades atuais, suas mudanças ao longo da História e suas relações com a natureza. Nela também são analisadas as interações entre culturas e povos diversos e as dinâmicas político-econômicas e territoriais que marcaram a construção do espaço geográfico do Brasil e do mundo. O conteúdo está organizado em três partes:

volume único

parte 3

LEITURAS E INTERAÇÃO

G E O G R A F I A

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MANUAL DO PROFESSOR

LEITURAS E INTERAÇÃO PARTE 3 – Geopolítica e economia mundial

» ARNO ALOÍSIO GOETTEMS Bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo Mestre em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo Professor de Geografia na rede particular de São Paulo

» ANTONIO LUÍS JOIA Bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo Professor de Geografia no Ensino Fundamental e no Ensino Médio nas redes pública e particular do Estado de São Paulo Professor da rede municipal de São Paulo Conteúdo digital

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SUMÁRIO UNIDADE 9

GLOBALIZAÇÃO E ESPAÇO GEOGRÁFICO MUNDIAL . . . . . . . . . . 500

CAPÍTULO 25 Das guerras mundiais à

UNIDADE 10

REDES E FLUXOS NO MUNDO GLOBALIZADO . . . . . . . . . . . 558

CAPÍTULO 28 Redes de comunicação

............

560

multipolaridade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 502

1. O conceito de rede e a comunicação . . . . . . . . . . . . . . . . 561

1. Ordens mundiais e grandes guerras do século XX . . . . 503

2. A internet no mundo e no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 563

508

3. A comunicação telefônica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 566

3. Nova Ordem Mundial. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 518

4. Televisão, radiodifusão e mídia impressa . . . . . . . . . . . . 568

Atividades de análise e compreensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 520

Atividades de análise e compreensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 571

Questões de vestibulares e do Enem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 523

Questões de vestibulares e do Enem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 574

CAPÍTULO 26 Globalização econômica

CAPÍTULO 29 Redes de transportes

2. Ordem bipolar da Guerra Fria (1945-1991)

..........

...........

524

1. Globalização ou internacionalização da economia . . . . 525

e turismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 575

2. Contradições da globalização econômica . . . . . . . . . . . . 530

1. Redes de transportes no Brasil e no mundo . . . . . . . . . 576

Atividades de análise e compreensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 539

2. Redes de transportes no mundo globalizado . . . . . . . . . 585

Questões de vestibulares e do Enem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 540

3. Turismo no mundo globalizado

......................

589

Atividades de análise e compreensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 593 CAPÍTULO 27 Globalização e transformações

Questões de vestibulares e do Enem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 595

socioespaciais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 542 1. Aspectos culturais da globalização . . . . . . . . . . . . . . . . . . 543 2. Aspectos socioeconômicos da globalização. . . . . . . . . . 548

CAPÍTULO 30 Energia e questões

socioambientais

....................

597

Atividades de análise e compreensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 554

1. Origem e classificação das fontes de energia . . . . . . . . 598

Questões de vestibulares e do Enem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 556

2. Energias não renováveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 599 3. Energias renováveis

................................

4. Energia e sustentabilidade socioambiental

..........

604 610

Atividades de análise e compreensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 613 Questões de vestibulares e do Enem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 614

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UNIDADE 11

BLOCOS ECONÔMICOS E FLUXOS INTERNACIONAIS . . . . . . . 616

UNIDADE 12

CONFLITOS CONTEMPORÂNEOS E ESPAÇO GEOGRÁFICO MUNDIAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 668

CAPÍTULO 31 União Europeia e Nafta. . . . . . . . . . . . . 618 1. Níveis de integração econômica e comercial . . . . . . . . . 619

CAPÍTULO 34 Nacionalismos e separatismos . . . . 670

2. União Europeia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 620

1. Estado, nação e nacionalismo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 671

3. Nafta. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 628

2. Eclosão de movimentos nacionalistas contemporâneos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 675

Atividades de análise e compreensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 632 Questões de vestibulares e do Enem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 633

3. O papel das organizações internacionais e das grandes potências nos conflitos . . . . . . . . . . . . . . . . 677 Atividades de análise e compreensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 681 Questões de vestibulares e do Enem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 682

CAPÍTULO 32 Blocos de maior influência

no Hemisfério Oriental

.............

634

1. Da URSS à CEI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 635 2. Apec, Acordo de Associação Transpacífico e Asean

..

639

Atividades de análise e compreensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 647 Questões de vestibulares e do Enem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 649

CAPÍTULO 35 Conflitos na Europa e na Ásia

.....

684

1. Conflitos étnico-nacionalistas na Europa . . . . . . . . . . . . . 685 2. Conflitos na Ásia

...................................

693

Atividades de análise e compreensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 706 Questões de vestibulares e do Enem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 707

CAPÍTULO 33 Blocos econômicos da América

Latina e da África . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 650 1. Blocos econômicos da América Latina . . . . . . . . . . . . . . . 651

CAPÍTULO 36 Conflitos na África e na América . . 708

2. Blocos econômicos da África . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 660

1. Conflitos na África . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 709

Atividades de análise e compreensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 664

2. Conflitos africanos por região

Questões de vestibulares e do Enem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 666

3. Conflitos na América . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 721

.......................

712

Atividades de análise e compreensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 732 Questões de vestibulares e do Enem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 733 Referências bibliográficas da Parte 3. . . . . . . . . . . . . . . 734 Siglas das questões de vestibulares. . . . . . . . . . . . . . . . 735

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O objetivo desta abertura da Unidade 9 é introduzir o tema a ser abordado e despertar o interesse dos alunos para os estudos que serão desenvolvidos. No início dos capítulos haverá um momento específico para resgatar os conhecimentos prévios dos alunos sobre esses assuntos. Se julgar pertinente, esta abertura também pode ser explorada na leitura da imagem com os alunos. Veja outros comentários na Assessoria Pedagógica.

GLOBALIZAÇÃO E ESPAÇO GEOGRÁFICO MUNDIAL CAPÍTULO 25

Das guerras mundiais à multipolaridade: ordens mundiais e grandes guerras do século XX; o mundo bipolar da Guerra Fria (1945-1991); uma Nova Ordem Mundial.

CAPÍTULO 26

Globalização econômica: globalização ou internacionalização da economia; a formação do meio técnico-científico-informacional; o neoliberalismo e contradições da globalização econômica.

CAPÍTULO 27

Globalização e transformações socioespaciais: aspectos culturais e socioeconômicos da globalização; ocidentalização e multiculturalismo; território e lugar no contexto da globalização.

Reprodução da obra Capacity, do artista turco Hüseyin Aptelkin, 1998. O processo de globalização da economia traz mudanças no campo da política, da cultura, das relações sociais, entre outros aspectos da vida em sociedade. Há múltiplas maneiras de compreender essas mudanças, que se aprofundaram e aceleraram-se nas últimas décadas. Hüseyin Aptelkin, com Capacity, procurou representar sua percepção sobre esse processo histórico por meio de fotografias das fachadas de 36 hotéis, localizados em diferentes países nos quais se hospedou ao longo de seu trabalho como jornalista:ao centro percebe-se a palavra inglesa Capacity (“capacidade”).Essa obra fez parte das exposições da Bienal de Arte de São Paulo em 1998.

DIMENSÕES: 158.5 × 354 CM × 7 CM. HÜSEYIN BAHRI ALPTEKIN. PHOTO: SERKAN TAYCAN/ COURTESY THE ESTATE OF THE ARTIST AND RAMPA ISTANBUL

Os assuntos a serem tratados nesta unidade são:

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25 CAPÍTULO

Das guerras mundiais à multipolaridade

PRIMEIRA LEITURA

O objetivo deste capítulo é analisar o espaço mundial do século XX e as influências das potências mundiais, Estados Unidos e URSS, nas áreas econômica, política e militar. Será analisada a regionalização do mundo em dois grandes blocos: mundo bipolar e mundo multipolar. Veja outras orientações na Assessoria Pedagógica.

Durante a segunda metade do século XX, os meios de comunicação permitiram a expansão de certas formas de cultura em todo o mundo. Porém, foi com o advento da televisão e do cinema de massa que o sistema capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o socialista, liderado pela antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), juntamente com suas ideologias, foram divulgados em escala global. Expressões artísticas e culturais – como filmes, por exemplo – constituíram veículos de propaganda dos respectivos modelos socioeconômicos e de seus governos. No bloco socialista, por exemplo, esses ideais refletiam o processo político desencadeado com a Revolução Russa de 1917, que pregava a suposta igualdade social. No bloco capitalista, os ideais refletiam os interesses dos Estados Unidos, grande potência mundial que liderou a disseminação da economia de mercado, da propriedade privada e da suposta valorização de princípios, como a liberdade e a democracia. Para persuadir a população, ambos os sistemas apresentavam suas novas tecnologias espaciais, por meio de imagens de satélites, que permitiam a essas potências demonstrar o poder de defesa e de ataque em relação aos rivais em caso de uma guerra espacial. Isso porque a conquista do espaço, com os lançamentos de naves espaciais e de satélites, significava desenvolver um recurso tecnológico capaz de transportar uma bomba nuclear e atingir um ponto específico em qualquer continente da Terra, ao mesmo tempo que os satélites seriam capazes de detectar possíveis ataques aéreos. Era o chamado equilíbrio do terror, cujas implicações políticas, econômicas, culturais e territoriais influenciaram a construção e a transformação do espaço geográfico ao longo do século XX.

ATIVIDADE INICIAL

O objetivo desta atividade é propiciar um momento para que os alunos expressem o que sabem a respeito das influências econômicas, políticas e militares dos Estados Unidos e da URSS durante o período da Guerra Fria. Veja outras orientações na Assessoria Pedagógica.

• O século XX foi marcado por disputas tecnológicas decorrentes da Guerra Fria. A primeira viagem do ser humano à Lua, missão financiada pelos Estados Unidos e concluída em 1969, foi o ápice dessa disputa. Leia o texto e observe a imagem. Em seguida, res1. a) Em virtude da conjuntura política do período em que foi divulgada a notícia, pois o mundo estava praticamente dividido em duas ponda às questões. partes, uma liderada pelos Estados Unidos e outra liderada pela URSS, respectivamente, capitalista e socialista. NASA

Chegada do homem à Lua

Foto de Neil Armstrong caminhando na Lua, em 1969.

Em 20 de julho de 1969, exatamente às 23 horas, 56 minutos e 20 segundos de Brasília, o astronauta americano Neil Armstrong, 38 anos, entrava para a história como o primeiro homem a pisar na Lua e avistar a Terra de lá. [...] O mundo inteiro permaneceu em alerta naquele dia. Nada menos que 850 jornalistas de 55 países registraram o acontecimento. E estima-se que cerca de 1,2 bilhão de pessoas testemunhavam via satélite a alunissagem, considerada impossível tempos atrás. [...] “Este é um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade” (“That’s one small step for man, one giant leap for mankind ”), frase dita pelo astronauta, ouvida no mundo inteiro. Planetas Online. A chegada do ser humano à Lua (1969). Disponível em: <www.planetasonline.webatu.com/paginas/chegadahomemlua.html>. Acesso em: 28 dez. 2015.

a) Por que esse acontecimento teve grande repercussão na mídia em todo o mundo? b) Quais eram as finalidades da disputa pela supremacia tecnológica nas comunicações e nas viagens aeroespaciais? 1. b) A disputa pela supremacia na tecnologia de comunicações e viagens aeroespaciais servia como estratégia militar, associada a um sentimento de superioridade e segurança militar. Além disso, servia para promover uma propaganda política internacional dos sistemas econômicos capitalista e socialista.

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A ordem mundial ou internacional corresponde ao modo de organização de países ou blocos de países em suas relações político-econômico-sociais em determinado período da história. Antes de conhecer as ordens mundiais da história recente e contemporânea (segunda metade do século XX até os dias atuais), veja algumas das ordens mundiais de períodos históricos anteriores, como a da Revolução Industrial e as ordens geopolíticas das duas guerras mundiais.

U.S. DEPARTMENT OF DEFENSE

1. Ordens mundiais e grandes guerras do século XX

Foto aérea obtida por militares estadunidenses mostra a localização de mísseis soviéticos em San Cristóbal, Cuba, 1962. Esta foi uma das imagens, possibilitadas pelas novas tecnologias, que contribuíram para a chamada crise dos mísseis, considerada um dos momentos mais tensos da Guerra Fria (veja o item 2 deste capítulo).

Ordem mundial no período da Revolução Industrial Durante a Primeira Revolução Industrial, entre meados do século XVIII e meados do século XIX, e a Segunda Revolução Industrial, de meados do século XIX até a primeira metade do século XX, a ordem mundial era fortemente influenciada pela produção industrial, pela expansão do capitalismo imperialista e pela exploração da força de trabalho. Nesse período, a Inglaterra e a França eram as principais potências industriais, mas, para poder vender seus produtos industrializados e importar matéria-prima mais barata, dependiam da independência das colônias que estavam sob domínio português e espanhol, além de outras potências europeias. Também interessava aos ingleses e aos franceses o fim da escravidão, pois a transformação dos trabalhadores escravos em assalariados aumentaria o contingente de consumidores de seus produtos. No entanto, Portugal e Espanha procuravam manter suas colônias na América, na África e na Ásia. As disputas por áreas de influência e pelo controle e exploração das colônias e dos mercados consumidores encontram-se na raiz da Primeira Guerra Mundial e sua respectiva ordem internacional.

Ordem da Primeira Guerra Mundial Foram vários os fatores que provocaram a Primeira Guerra Mundial (1914-1917), mas de modo geral os conflitos envolviam o espaço territorial. No início do século XX, a Alemanha emergia como mais um país industrial e capitalista, porém, diferentemente da Inglaterra e da França, não se destacava na conquista de colônias de exploração, o que dificultava o atendimento de suas necessidades industriais internas. Assim, a Alemanha almejava um projeto imperial expansionista, ou seja, o projeto estatal de anexar novos territórios. O geógrafo alemão Friedrich Ratzel (1844-1904) estava engajado no projeto expansionista do governo: sua obra propunha uma legitimação do expansionismo, pois, para ele, o território representava a possibilidade de trabalho e a existência de uma sociedade, ao mesmo tempo que sua perda significava a maior prova de decadência. Ratzel elaborou o conceito de espaço vital, ou seja, o equilíbrio entre a quantidade de população de um dado país e os recursos necessários para suprir suas necessidades. 503

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É nesse contexto que o conceito de espaço vital legitimou a ação imperialista do Estado alemão. Em outras palavras, somente por meio da expansão territorial é que um país poderia progredir. Dessa forma, a Alemanha iniciou seu projeto expansionista, na Guerra Franco-Prussiana de 1870--1871: conquistou a região da Alsácia-Lorena (área rica em carvão e minério de ferro que está localizada entre França e Alemanha, o que restringiu as fontes de energia e de matérias-primas para a França) e invadiu a Bélgica, com o objetivo de alcançar o Canal da Mancha, o que contribuiu para a eclosão da Primeira Guerra Mundial, entre outras causas que serão analisadas a seguir.

Causas da Primeira Guerra Mundial Foram várias as causas da Primeira Guerra Mundial, entre as quais se incluem as rivalidades imperialistas, a competição econômica entre as principais potências e o desejo de expansão territorial. Os países europeus tinham como objetivo principal dominar as áreas consideradas vitais para seu desenvolvimento e conquistar a hegemonia na Europa e no mundo. Foi nesse contexto que os países europeus aumentaram suas produções bélicas. O confronto parecia inevitável, motivo pelo qual o período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial ficou conhecido como Paz Armada. Veja a seguir os principais antecedentes da Primeira Guerra: • Alemanha, Itália e Japão participaram com atraso do processo de colonização da América, da África e da Ásia e não estavam satisfeitos com as poucas colônias conquistadas, pois isso dificultava o suprimento de matérias-primas e de alimentos. Nesse período, Inglaterra e França eram potências imperialistas, com terras em outros continentes, onde controlavam o mercado consumidor e a matéria-prima. • Entre as potências industriais, também já havia a concorrência por mercados de consumo, principalmente entre Inglaterra e Alemanha. • Forte nacionalismo nos países europeus, estimulado pelos próprios governos, que de certa forma já utilizavam esse instrumento como meio de manipular as pessoas para participar da guerra. • A França não aceitava a derrota sofrida na Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871, nem a perda da região da Alsácia-Lorena, incorporada pelos alemães naquele conflito. • A Alemanha, durante o governo de Otto Leopold Eduard von Bismarck (1815-1898), iniciou uma política de alianças com a Rússia e a Áustria-Hungria. No entanto, o novo imperador alemão, Guilherme II, adotou uma política militarista que minou as relações com a Rússia, provocando o descontentamento dos russos. • Em 1882, surgiu a Tríplice Aliança (liderada pelo Império Alemão, o Império Austro-Húngaro e a Itália), que se dispôs contra a Entente Cordiale (Cordial Entendimento), liderada pelo Império Britânico, a França e o Império Russo até o ano de 1917, ano da Revolução Russa. É importante ressaltar que apesar de a Itália fazer parte da Tríplice Aliança, durante a guerra o país permaneceu neutro até o início de 1915, quando passou a guerrear ao lado da Tríplice Entente com a promessa de que receberia terras pertencentes ao Império Austro-Húngaro. Os países que combateram pelo bloco da Tríplice Aliança são chamados de Potências Centrais.

Consequências da Primeira Guerra Mundial No conflito da Primeira Guerra, houve também a participação dos Estados Unidos, a partir de 1917, e depois de outros países, que, com a Entente, foram os vencedores do conflito (veja o mapa da página seguinte). Além da destruição da infraestrutura urbana, de estradas, e de parques industriais e de um saldo de aproximadamente 11 milhões de mortos (dos quais 8 milhões eram combatentes), ocorreram mudanças na geografia política da Europa e na economia internacional: • A Inglaterra e a França acumularam enormes débitos junto aos empresários dos Estados Unidos, que vendiam alimentos, armas e munições para as potências da Entente. De acordo com vários historiadores, um forte motivo para que o governo estadunidense financiasse parte da guerra e participasse definitivamente com suas forças armadas contra a Tríplice Aliança era que uma possível derrota da Entente poderia acarretar o não pagamento dos produtos comprados ao longo da guerra. • Destruição e crise econômica generalizada na Europa, em especial na Itália, na Alemanha e na Rússia, fato que favoreceu a ascensão dos Estados Unidos à posição de maior potência mundial. • A Tríplice Aliança foi derrotada, e os vitoriosos impuseram uma série de sanções à Alemanha por meio do Tratado de Versalhes, tais como: pesadas indenizações financeiras; restrições militares, como o exército limitado a, no máximo, 100 mil soldados; e significativas perdas territoriais, como a cessão de territórios para a Polônia e a devolução das províncias da Alsácia e da Lorena à França. • O Império Austro-Húngaro fragmentou-se e deu origem a novos países na Europa: Áustria, Hungria, Tchecoslováquia e Iugoslávia. • O enfraquecimento do Império Russo, que estava sob o regime czarista, criticado e ameaçado por grupos políticos contrários a esse regime, de liberais a socialistas. 504

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G2015_GEO3_C1_M01 9 500 000

13250000

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IMPÉRIO BRITÂNICO

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3 800 000 DINAMARCA

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3 800 000

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9 000 000 1700000*

1 950 000

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FRANÇA

SUÍÇA

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1 700 000*

1 050 000

5 600 000

100 000 7 222

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1 950 000 FRANÇA

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PORTUGAL

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SUÍÇA

1 000 000 ESPANHA

Potências centrais/ Tríplice Aliança

533 000 MONTENEGRO

1 050 000 5600 000

100 000 7222

50 000

ITÁLIA (1915)

533 000 MONTENEGRO

Potências da Entente Cordiale (aliadas)

1 000 000 ROMÊNIA (1916) 158 000*

322 000* BULGÁRIA (1915) 3 000* 950 000 SÉRVIA

GRÉCIA (1917) 200 000 5000*

Impérios/ Países unidos às potências centrais durante a guerra

322 000* BULGÁRIA (1915) 3 000* 950 000 SÉRVIA

GRÉCIA (1917) 200 000 5 000*

Mar Negro

Mar Negro

49000*

ALBÂNIA

IMPÉRIO OTOMANO 0 2 850 000 (1914)

IMPÉRIO OTOMANO 2850000 (1914) 325000*

40° N

270

325 000*

Países unidos às potências da Entente durante a guerra Total de forças mobilizadas

nça

1 000000 ROMÊNIA (1916) 158000*

49 000*

ALBÂNIA

Países neutros

50 000

ITÁLIA (1915)

1500000

PORTUGAL

ALEMANHA

IMPÉRIO RUSSO

1 500 000

LUXEMBURGO

800 000

IMPÉRIO RUSSO

BÉLGICA

BÉLGICA

8200000 JAPÃO

800 000

ALEMANHA

380000

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LUXEMBURGO

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41000 116 000

41 000 380 000

8 200 000 JAPÃO

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13 000 000 DINAMARCA

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EUA

1000000 HOLANDA

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IMPÉRIO BRITÂNICO

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13000000

Mar do Norte ALLMAPS áltic

OCEANO ATLÂNTICO

Mar do Norte

116 000

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OCEANO ATLÂNTICO

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9500000

NORUEGA ich

Europa: alianças militares a partir de 1914 – Tríplice Aliança e Entente Cordiale

540 km

Mar Mediterrâneo

Adaptado de: ATLAS da história do mundo. São Paulo: Folha de S.Paulo, 1995. p. 248.

Mortos (1914-1918)

*

(aliadas)

ências centrais

Entente durante a guerra

Números estimados Limite internacional

0

270

Lagos e mares interiores

540 km

Mar Mediterrâneo

Mapa dos países da Tríplice Aliança e da Entente Cordiale durante a Primeira Guerra Mundial.

Ordem da Segunda Guerra Mundial A exemplo da Primeira Guerra, de modo geral, a principal causa da Segunda Guerra Mundial foi a disputa por domínio territorial. Houve, porém, um agravante: os países da Tríplice Aliança perderam territórios na Primeira Guerra Mundial, sobretudo a Alemanha. Além de dominar poucas colônias, o fato de a Alemanha perder territórios importantes no próprio continente europeu dificultou ainda mais o suprimento de suas necessidades industriais. Diante disso, esse país retomou seu projeto expansionista na Europa, na década de 1930, enquanto o Japão empreendeu projeto semelhante na Ásia.

Causas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) Sem expandir seus territórios, os países da Tríplice Aliança continuaram carentes de matérias-primas. Também ficaram ressentidos com a cobrança de indenizações e sanções impostas pelo Tratado de Versalhes, sobretudo a Alemanha. Outros fatores ocorridos fora da Europa e não diretamente relacionados ao Tratado de Versalhes refletiram-se nos ideais expansionistas da Alemanha. Um deles foi o projeto expansionista do Japão, na década de 1930, que, com base no desejo de autossuficiência econômica, segurança militar e liderança na Ásia Oriental, invadiu a região da Manchúria em 1931 e anexou as províncias vizinhas. Essa conquista japonesa desafiou os principais objetivos instaurados no Tratado de Versalhes e também a autoridade internacional da Liga das Nações. A liga fracassou em seu objetivo maior de manter a paz e não evitou a nova guerra mundial, iniciada em 1939. Diante da invasão japonesa à Manchúria, a Alemanha percebeu o fracasso dos líderes da Liga das Nações, em especial da Grã-Bretanha e da França. Ao mesmo tempo, sob o governo de Hitler, em 1933, conseguiu obter apoio da população alemã para promover mais uma guerra expansionista. Com Hitler no poder, novamente as ideias do geógrafo Friedrich Ratzel e seu conceito de espaço vital foram utilizados para justificar o expansionismo alemão, de modo a desconsiderar as restrições do Tratado de Versalhes. Assim começou a política alemã de expansão na Europa. Em 1936 o país recuperou a região da Renânia, e a França não conseguiu reagir.

Liga das Nações: organização internacional criada em 1919 com o objetivo de resolver os conflitos internacionais e manter a paz mundial. Formada por um conselho permanente, com poder decisório (Grã-Bretanha, França, Itália, Japão, Alemanha e União Soviética), e por um conselho não permanente de países escolhidos pela Assembleia Geral e sem forças armadas próprias, seu poder baseava-se em sanções econômicas e militares. Apresentou atuações bem-sucedidas nas disputas nos Bálcãs e na América Latina, mas não conseguiu evitar a invasão japonesa da Manchúria (1931), a agressão italiana à Etiópia (1935) e o ataque russo à Finlândia (1939). Em abril de 1946, suas responsabilidades foram passadas para a recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU).

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40° N


Em 1938, a Alemanha anexou a Áustria e, no ano seguinte, terras da Tchecoslováquia, com o argumento de que já haviam sido povoadas por alemães. Inglaterra e França assinaram o Tratado de Munique em uma tentativa de apaziguá-la. Entre outras conquistas, a Alemanha retomou Danzig (atual Gdansk, na época pertencente à Polônia e importante para esse país no acesso ao Mar Báltico). Esse fato levou os alemães a ingressar mais cedo na guerra contra a Inglaterra e a França, que partiram em defesa da Polônia. Em 1939, os Aliados (Inglaterra, França, URSS e EUA) entraram na guerra para lutar contra o Eixo (Alemanha, Itália e Japão), tornando-a uma confrontação mundial. Porém, alemães e italianos tiveram dificuldades em avançar nos seus projetos de expansão territorial a partir de 1941: primeiro, com a invasão à União Soviética, que posteriormente conseguiu vencê-los na guerra em terra na Europa (veja o mapa a seguir); segundo, após o ataque japonês à base militar estadunidense em Pearl Harbor, os Estados Unidos entraram efetivamente na guerra.

Mapa do movimento das tropas aliadas na Segunda Guerra Mundial.

Consequências da Segunda Guerra Mundial

Greenwich

ALLMAPS

Segunda Guerra Mundial: movimento das tropas aliadas (1943-1945)

60° N

FINLÂNDIA NORUEGA

SUÉCIA

Mar do Norte

ESTÔNIA

IRLANDA

Londres

rB Ma

PAÍSES BAIXOS

GRÃ-BRETANHA

á

LITUÂNIA

Danzig

Berlim ALEMANHA

BÉLGICA

Dunquerque

LUXEMBURGO

Paris

FRANÇA

Nuremberg

POLÔNIA TCHEC OS LOV ÁQ U IA ÁUSTRIA

SUÍÇA

Vichy

IUGOSLÁVIA

Córsega

ESPANHA

1943

Roma

1942

1942 1942

Argel

1942

Odessa

GRÉCIA

TURQUIA

1943

Túnis

Sícilia

Creta

Mar Mediterrâneo

Chipre LÍBANO

Jerusalém

TUNÍSIA

PALESTINA

ARGÉLIA

0

430

Cairo

860 km

Alemanha e os territórios ocupados (fim de 1942) Território italiano (fim de 1942) Estados aliados do Eixo Reino Unido e territórios sob seu controle Território soviético não ocupado pelo Eixo Estados neutros

Mar Cáspio

Bucareste Ialta Mar Negro BULGÁRIA

ALBÂNIA

Sardenha

1944

ROMÊNIA

HUNGRIA

ITÁLIA

PORTUGAL

UNIÃO SOVIÉTICA

UCRÂNIA

Varsóvia

Normandia

OCEANO ATLÂNTICO

Moscou

o lt ic

DINAMARCA

LETÔNIA

LÍBIA

EGITO

SÍRIA IRAQUE TRANSJORDÂNIA

Suez ARÁBIA SAUDITA

Ofensivas aliadas Frente Ocidental

Frente Oriental 1943 1944 1945 Desembarque aliado Limite internacional Lagos e mares interiores

Cidade Capital

DUBY, Georges. Atlas Historique Mondial. Paris: Larousse, 2007. p. 50. Foto de homem observando a destruição causada pela bomba atômica lançada pelos EUA em Hiroshima, Japão, em 8 de agosto de 1945.

Em 1945, com a derrota da Alemanha, do Japão e da Itália na Segunda Guerra Mundial, os maiores interessados na guerra expansionista tiveram suas construções destruídas e uma grande perda humana, estimada em 15 milhões de militares e 35 milhões de civis, dos quais 20 milhões eram soviéticos, 6 milhões eram judeus e 4,5 milhões eram poloneses. Além disso, também perderam território e continuaram carentes de insumos para suas indústrias. Veja os principais fatos ocorridos e as perdas territoriais mais significativas: • O Japão, após ter conquistado o Sudeste Asiático, próximo às fronteiras da Índia e próximo à Austrália, e atacado a base naval dos Estados Unidos em Pearl Harbor, no Havaí, em 1941, sofreu contra-ataques estadunidenses. Além de ser derrotado na batalha naval de Midway, em 1942, em seu território, passou a lutar na defensiva, muitas vezes levando milhares de combatentes à morte. • Nos ataques e conflitos em território europeu, era comum o ataque aéreo suicida de pilotos japoneses, chamados de kamikazes. O golpe derradeiro dos Estados Unidos foi o ataque com bombas atômicas às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, fato que muitos historiadores consideram como uma demonstração ao mundo do poder bélico estadunidense, e não uma garantia do fim da guerra, já que o Japão estava praticamente derrotado. POPPERFOTO/ GETTY IMAGES

Sugerimos fazer a leitura deste tópico em conjunto com a disciplina de História.

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• As bombas foram lançadas após o Japão ter recusado a declaração de Potsdam, pe­la qual os líderes dos países aliados pediam sua rendição na guerra, além da instalação de um governo pacifista no país. Tais pedidos não foram cumpridos pelo imperador Michinomiya Hirohito (1901-1989), que, somente após os ataques, anunciou via rádio nacional a rendição do Japão na guerra. • A Itália foi ocupada pelos Aliados em 1943, quando o líder do país, Benito Mussolini, refugiou-se no norte e foi capturado e assassinado por comunistas italianos. O país perdeu suas colônias na África, entre elas as duas principais: Líbia e Somália, que se tornaram independentes em 1951 e 1960, respectivamente. • A Alemanha perdeu territórios para a Polônia e a URSS e teve seu território partilhado em zonas de ocupação com o objetivo de impedir a volta de Estados baseados em regimes de governo totalitários, militaristas e fortemente nacionalistas, liderados por ditadores (como foi o caso do nazismo na Alemanha, sob a liderança do ditador Hitler, e do fascismo na Itália, comandado por Mussolini). De acordo com o tratado firmado durante a Conferência de Potsdam, em 1945, Berlim foi dividida em quatro setores de ocupação (três no lado ocidental: setor francês, setor estadunidense e setor britânico; e o setor soviético, no lado oriental), após as divergências entre as potências sobre o futuro da divisão da Alemanha e do Leste Europeu. A Alemanha sofreu fragmentação política, e dois novos Estados alemães foram constituídos em 1949: a República Federal da Alemanha (RFA), ou Alemanha Ocidental, e a República Democrática Alemã (RDA), ou Alemanha Oriental. Veja o mapa abaixo. Essa divisão entre o socialismo e o capitalismo não se restringiu à Alemanha; estendeu-se à Europa e ao restante do mundo, dando início ao chamado mundo bipolar e ao período da Guerra G2014_GE09_T2_C6_M47a Fria (veja o próximo item). Apesar da ocupação de Berlim pelos vencedores e da pretensão de manter um único país, houve um desentendimento entre os países nessa cooperação e, em 1947, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos já tinham unido suas zonas de ocupação e, com a França, passaram a preparar o governo da futura Alemanha Ocidental. A URSS reagiu, bloqueando o fornecimento de suprimentos para a Alemanha Ocidental. Essa medida foi superada pelo transporte aéreo, com os chamados corredores aéreos ou ponte aérea. Tal crise contribuiu para a construção do Muro de Berlim, em 1961, movida por um objetivo Alemanha: pós-Segunda Guerra Mundial 10° L maior, por parte dos soviéticos, que era controlar a miMar do Norte Mar gração em direção à AlemaBáltico nha Ocidental. Es­ se país teve uma rápida recuperaBerlim ção econômica no pós-guerREPÚBLICA ra, impulsionada pelo Plano DEMOCRÁTICA ALEMÃ BERLIM Marshall, tornan­do-se uma REPÚBLICA ORIENTAL BERLIM FEDERAL DA área de atração para as poOCIDENTAL ALEMANHA 50° N pulações que enfrentavam severas dificuldades em raMuro de Berlim zão da destruição provocaLimite da cidade de Berlim da pela Segunda Guer­­ ra 0 170 340 km Mundial e para aqueles que Capital discordavam do sistema soRepública Federal da Alemanha (capitalista) cialista implantado pela República Democrática Alemã (socialista) Limites internacionais URSS. Foi nesse contexto que a construção do Muro ATLAS da história do mundo. São Paulo: Folha de S.Paulo, 1995. p. 271. de Berlim tornou-se um símMapa da Alemanha dividida após a Segunda Guerra Mundial. Em 1949, a Alemanha foi dividida em bolo da Guerra Fria, período duas áreas administrativas: a primeira, a República Federal da Alemanha (RFA), com capital em Bonn (Berem que a ordem mundial foi lim Ocidental),foi criada por Estados Unidos,Inglaterra e França; a segunda,a República Democrática Alemã bipolar (veja o próximo (RDA), com capital em Berlim Oriental, ficou sob o controle da URSS. Assim, surgiu uma nova definição de forças internacionais, mostrando que o mundo estava dividido em duas zonas de influência econômica, item). política e ideológica, controladas por EUA e URSS, ou, mais precisamente, a ordem da Guerra Fria.

Plano Marshall: conhecido oficialmente como Programa de Recuperação Europeia, surgiu de um encontro entre os Estados europeus e os Estados Unidos. Europa Oriental e URSS também foram convidadas, mas Josef Stalin acreditava que o plano era uma ameaça ao modelo socialista e impediu que outros países participassem.

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Durante a Guerra Fria, alguns países mantiveram-se neutros com relação ao apoio político a uma das principais potências envolvidas (EUA e URSS) e procuraram estabelecer uma discussão da relação econômica entre países ricos e pobres. Ainda assim, foram influenciados por uma dessas duas potências, sem conseguirem abolir com a ordem bipolar. Liderados pela Índia, Iugoslávia e Egito, esses países fizeram parte do chamado Movimento dos Países Não Alinhados, assunto que será abordado adiante neste capítulo.

2. Ordem bipolar da Guerra Fria (1945-1991) O Muro de Berlim simbolizou não só a divisão de uma cidade ou um país, mas também a divisão do mundo em dois polos de poder: o Ocidente, de economia capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o Oriente, de economia socialista, liderado pela URSS. Era o chamado mundo bipolar. Essa divisão do mundo ocorreu porque os países europeus estavam com suas economias fragilizadas após a Segunda Guerra Mundial, e somente os Estados Unidos e a URSS conseguiram manter sua estrutura produtiva e financeira após os confrontos. Por esse motivo, passaram a ser chamados de superpotências, exercendo grande influência na geopolítica mundial até o fim da década de 1990. O bloco a leste, em sua maioria, era composto por países socialistas, liderados pela URSS, e o bloco a oeste, em sua maioria, era formado por países capitalistas, liderados pelos Estados G2015_GEO3_C1_M04 Unidos. Veja o mapa a seguir.

ALLMAPS

Guerra Fria: o mundo bipolar (1945-1991) OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO

OCEANO PACÍFICO

Equador

OCEANO ÍNDICO

OCEANO ATLÂNTICO

Greenwich

Trópico de Capricórnio

Círculo Polar Antártico

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

0

Bloco capitalista Polo político-econômico-militar: Estados Unidos da América Primeiro Mundo (países capitalistas desenvolvidos)

GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 135. Mapa da divisão do mundo bipolar na Guerra Fria.

2 500

5000 km

Bloco socialista Polo político-econômico-militar: URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) Segundo Mundo (países socialistas)

Terceiro Mundo (países capitalistas subdesenvolvidos)

Sem dados

Limite internacional em 2015

Lagos e mares interiores

Essa nova regionalização do espaço mundial, caracterizada por discursos ideológicos distintos de Estados Unidos e URSS e por disputas por maiores áreas de influência, aumentou a tensão entre as duas potências, iniciada antes do fim da Segunda Guerra Mundial. Foi uma ordem mundial que passou a ser chamada de Guerra Fria, ou seja, um conflito ideológico em que os Estados Unidos defendiam e procuravam estabelecer o sistema de organização capitalista, e a URSS buscava implantar o sistema socialista de sociedade e de governo. Nessa ordem mundial, podiam ser identificados três conjuntos de países: • Países do Primeiro Mundo: eram os países capitalistas desenvolvidos, que tinham passado pelo desenvolvimento industrial da primeira e da segunda Revolução Industrial e já estavam mais avançados na produção de bens de consumo duráveis e não duráveis. Beneficiavam-se com as

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exportações para os países do chamado Terceiro Mundo, e sua população detinha elevado poder de consumo, apresentando baixas taxas de natalidade e de mortalidade. • Países do Segundo Mundo: formado por parte dos países socialistas que já tinham alcançado o desenvolvimento industrial da primeira e da segunda Revolução Industrial, mas que não contavam com uma indústria de tecnologia moderna para produzir bens de consumo duráveis e não duráveis; predominava a indústria bélica. Portanto, exportavam menos e sua economia era menos dinâmica em comparação à dos países de Primeiro Mundo, apesar de sua população apresentar alto nível de escolaridade e baixas taxas de natalidade e de mortalidade. • Países do Terceiro Mundo: eram os países capitalistas subdesenvolvidos, não industrializados ou pouco industrializados ou, ainda, que se industrializaram tardiamente e receberam diversos tipos de indústrias altamente poluidoras oriundas dos países desenvolvidos. De modo geral, forneciam alimentos e matérias-primas aos países do Primeiro Mundo, mas havia aqueles que procuravam desenvolver seu próprio parque industrial, como é o caso do Brasil. Após o fim da Guerra Fria, essas denominações (Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo) deixaram de ser usadas e passou-se a destacar o nível de desenvolvimento dos países, que passaram a ser divididos em Desenvolvidos, Subdesenvolvidos e Emergentes.

LEIA E COMPREENDA

Os países desenvolvidos são associados à ideia de países que atingiram elevado PIB (Produto Interno Bruto), alto nível de industrialização e boas condições de vida de suas populações. Nessa abordagem, o desenvolvimento é um processo de mudanças econômicas e tecnológicas que atendem às necessidades de suas populações e são acompanhadas pela melhoria das condições de vida das pessoas. Isso não significa, porém, que esses países não tenham problemas sociais, como a violência, a falta de moradia e alimentação adequadas. São exemplos de países considerados desenvolvidos atualmente: Japão, Estados Unidos, diversos países europeus, Austrália e Nova Zelândia. Já os países subdesenvolvidos caracterizam-se por ter uma estrutura econômica e social que não supre as necessidades da maior parte de suas populações, mesmo tendo, em alguns casos, economias em rápido crescimento. Esses países, que estão em crescimento econômico e apresentam melhoria das condições de vida das pessoas, são também chamados de países emergentes, a exemplo de Brasil e México. Isso não significa, contudo, que todo país emergente ou subdesenvolvido necessariamente se tornará desenvolvido ou que o subdesenvolvimento é uma etapa necessária para alcançar o desenvolvimento. Além do crescimento econômico, é preciso considerar a distribuição da riqueza, pois o verdadeiro desenvolvimento requer a melhoria das condições de vida de toda a população do país. A situação dos países subdesenvolvidos não é uniforme. Por exemplo, os novos países industrializados (NIP), como México, China, Índia e Brasil, têm nível considerável de industrialização, alto grau de investimentos externos e potencial ampliação do mercado consumidor. Vale lembrar que, apesar de pertencerem ao grupo de países com os 15 maiores PIBs e apresentarem melhoria das condições sociais em decorrência da aceleração econômica e da redução dos níveis de desemprego, ainda possuem outras características comuns, como mão de obra abundante e significativas reservas de recursos minerais. Boa parte de suas populações, porém, ainda convive com péssimas condições de vida e grande desigualdade social, características dos países subdesenvolvidos. Entre as economias emergentes que despertam maior interesse das transnacionais do mundo estão: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South Africa, em inglês), conhecidos pela sigla Brics.

RADZIAN/ DREAMSTIME.COM

Países desenvolvidos, subdesenvolvidos e emergentes

Foto de sem-tetos recolhendo latas de alumínio em Tóquio, Japão, 2011.

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Planos políticos, econômicos e militares da Guerra Fria

ált

Conselho de Assistência Econômica Mútua (Comecon): fundado em 1949, sob o comando da URSS, visava à integração econômica das nações do Leste Europeu.

ico

Gree nwic h

Com a divisão do continente europeu entre as democracias ocidentais e os países socialistas da G2015_GEO3_C1_M05 Europa Oriental, dois sistemas sociopolíticos, econômicos e militares foram introduzidos por Estados Unidos e URSS. Era a chamada Cortina de Ferro, expressão utilizada por Winston Churchill ISLÂNDIA (1874-1965), primeiro-ministro rtico1940 e 1950, para estabelecer a (ingressou na Aelc, 1970) britânico entre as décadaslarde o Á Círculo P divisão político-ideológica da Guerra Fria. ESTADOS UNIDOS No bloco ocidental capitalista, estabeleceu-seFINLÂNDIA o Plano Marshall em países como Reino Unido, E CANADÁ (membro associado França, Alemanha Ocidental, Canadá e Austrália, entre outros aliados dos Estados Unidos. No da Aelc, NORUEGA 1961-1985) bloco socialista, em países do Leste Europeu – como Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária, SUÉCIA Polônia, Alemanha Oriental e outros países aliados da URSS –, foi implantado o Comecon. DINAMARCA O Plano Marshall contou grande ajuda financeira dos Estados Unidos para a reconstru(retirou-se da REINOcom uma Aelc em REPÚBLICA UNIDO dezembro DA IRLANDA (retirou-se da ção dos países aliados da Europa Ocidental, nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial. A iniMar do de 1972) (membro Aelc em URSS rB Norte da Aelc, dezembro Ma dos Estados Unidos, George Marshall (1880-1959). ciativa recebeu o nome do secretário de Estado 1970-1972) de 1972) HOLANDA Também é importante destacar que,ALEMANHA durantePOLÔNIA a Guerra Fria, as duas superpotências visavam proORIENTAL (membro do Comecon, 1950) teger seus regimes político-ideológicos ao mesmo tempo que procuravam expandir suas áreas de BÉLGICA OCEANO TC influência. Para isso, surgiram duas principais alianças militares: a Otan (Organização do Tratado HEC ATLÂNTICO OSLO ALEMANHA VÁQUIA OCIDENTAL do Atlântico Norte), no Ocidente, e o Pacto de Varsóvia, no Oriente. Veja o mapa abaixo. FRANÇA

G2015_GEO3_C1_M05 ÁUSTRIA HUNGRIA

SUÍÇA

ROMÊNIA

(membro associado do Comecon,ISLÂNDIA 1964)

PORTUGAL

BULGÁRIA (ingressou na Aelc, 1970)

0

555

h 40° N GRÉCIA

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1 100 km

rtico

FINLÂNDIA

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Mar Mediterrâneo

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ALBÂNIA

(retirou-se do Pacto ESTADOS UNIDOS de Varsóvia, 1968) E CANADÁ

olar Á Círculo P

ALLMAPS

Guerra Fria: Otan e Pacto de Varsóvia (1945-1990) IUGOSLÁVIA

ITÁLIA

ESPANHA

(membro associado da Aelc, 1961-1985)

NORUEGA SUÉCIA

REPÚBLICA DA IRLANDA (membro da Aelc, 1970-1972)

Pacto de Varsóvia, 1948-1955 Blocos econômicos, 1988 Membro fundador da Associação Europeia de Livre Comércio (Aelc), 1960 Membros posteriores da Aelc Comecon (Conselho de Assistência Econômica Mútua), 1949 Membros posteriores do Comecon

OCEANO ATLÂNTICO

ico

Otan, 1949-1955

DINAMARCA (retirou-se da REINO Aelc em UNIDO dezembro (retirou-se da Mar do de 1972) Aelc em rB Norte dezembro Ma de 1972) ALEMANHA HOLANDA ORIENTAL POLÔNIA (membro do Comecon, 1950) BÉLGICA

ált

Divisão militar

FRANÇA

Cortina de Ferro Limite internacional

TC HEC OSLO ALEMANHA VÁQUIA OCIDENTAL

SUÍÇA

PORTUGAL

Mapa de alianças militares e dos planos econômicos durante a Guerra Fria (1945 -1990).

ÁUSTRIA HUNGRIA

ITÁLIA

ESPANHA

ATLAS da história do mundo. São Paulo: Folha de S.Paulo, 1995. p. 271.

URSS

ROMÊNIA IUGOSLÁVIA (membro associado do Comecon, 1964)

BULGÁRIA

ALBÂNIA (retirou-se do Pacto de Varsóvia, 1968) Mar Mediterrâneo 0

555

1100 km

40° N GRÉCIA TURQUIA

Divisão militar

Planos econômicos no blocoOtan, ocidental 1949-1955 Pacto de Varsóvia, 1948-1955 A Alemanha Ocidental, influenciada pelos Estados Unidos durante o período da Guerra Fria, receBlocos econômicos, 1988 beu do Plano Marshall 1,4 bilhão de dólares para sua recuperação econômica. Nela passou a vigoMembro fundador da Associação rar a economia capitalista, baseada na Europeia propriedade privada dos1960 meios de produção e na concorrênde Livre Comércio (Aelc), Membros da Aelc cia de mercado, permitindo a livre-iniciativa e aposteriores liberdade de criação. Nesse sistema, possibilita-se (Conselho de Assistência o acúmulo de riqueza, e o consumo estáComecon vinculado ao1949 poder aquisitivo de cada indivíduo. O objetivo Econômica Mútua), principal dos donos dos meios de produção o lucrodoe,Comecon em muitos casos, ocorre a subordinação Membroséposteriores Cortina grupos de Ferro econômicos mais influentes. do Estado aos interesses de determinados internacional Cabe destacar que a parte ocidentalLimite da Europa não se limitou à indústria bélica, principalmente a Alemanha Ocidental, que não só liderou o crescimento econômico, como também ampliou a produtividade de bens de consumo. Tal fato resultou na exportação de produtos industriais para os países ocidentais, em especial para os subdesenvolvidos, portanto, aumentou os salários e a capacidade de consumo e melhorou a qualidade de vida da população. Outro fator que

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beneficiou a Alemanha Ocidental foi que em seu território se localizavam as regiões industriais mais importantes do país, principalmente o Vale do Ruhr, onde se concentravam grandes áreas de extração de minérios (ferro e carvão), fundamentais para as indústrias. No contexto do Plano Marshall, observou-se uma nítida preocupação dos Estados Unidos em não deixar a Europa Ocidental ser influenciada pela URSS e dela tornar-se aliada. Isso ocorreu igualmente em relação ao Japão, visto como um forte aliado no Oriente, que também recebeu investimentos desse plano (retome o mapa da página 508). Assim, logo após a ocupação dos Estados Unidos, teve início a desmilitarização na Alemanha Ocidental por meio de um novo Estado, pacífico e democrático. Em 1947 criou-se a nova Constituição, que renunciava à guerra e promovia uma reforma no sistema educacional, o que permitiu eliminar do currículo escolar todo conteúdo que encorajasse a guerra. Ao mesmo tempo, passou-se a promover a pesquisa tecnológica no país, em grande parte responsável pela reconstrução de seu poder econômico.

Planos econômicos no bloco oriental

Foto de militares transportando tanques em São Paulo (SP), em 1964, um dia após o golpe militar que derrubou João Goulart, cujo governo foi considerado pelos Estados Unidos como alinhado ao comunismo. FOLHAPRESS

Na Alemanha Oriental, influenciada pela URSS, passou a vigorar uma economia planificada, baseada na propriedade estatal dos meios de produção, em grande parte sob forte influência do Comecon (retome o mapa da página 510), que visava à integração econômica das nações do Leste Europeu e constituiu uma resposta ao Plano Marshall. Além da União Soviética e da Alemanha Oriental, incluiu países como Tchecoslováquia, Bulgária, Hungria, Romênia, Vietnã e Cuba. Entretanto, esse bloco centrou sua produção na fabricação de armas, por isso a produção de bens de consumo ficou tecnologicamente defasada. As poucas exportações não favoreceram a melhoria do padrão de vida da população, e sim a opressão, a privação e a miséria. As diferenças entre os dois blocos foram observadas no início da Guerra Fria, o que motivou intensas migrações de alemães orientais em direção ao lado capitalista.

Planos políticos no bloco ocidental No bloco ocidental, a política organizou-se de acordo com o sistema econômico capitalista, sob a influência dos Estados Unidos, sobretudo a partir do Plano Marshall, independentemente dos regimes políticos. Englobou democracias, monarquias e até mesmo regimes autoritários, com o objetivo de conter o avanço do socialismo. No Brasil, por exemplo, a política desenvolvimentista industrial a partir da década de 1950, e sobretudo durante o governo militar (1964-1985), teve seu regime ditatorial apoiado pelos Estados Unidos, com o argumento de combater o comunismo e de promover a estabilidade política. Em 1964, os militares depuseram o presidente João Goulart (1919-1976), tomaram o poder, fecharam o Congresso e outorgaram uma nova Constituição; em troca, o país recebeu altos investimentos estadunidenses, que foram destinados à industrialização brasileira. O regime militar perdurou por mais de vinte anos no Brasil e teve o apoio da CIA, tanto na introdução da ditadura como na identificação daqueles que se manifestavam contrariamente ao governo. Essa intervenção também ocorreu em outros países da América Latina, como Bolívia, de 1966 a 1982; Paraguai, de 1954 a 1989; e Argentina, de 1955 a 1983, apesar de os Estados Unidos pregarem e divulgarem a democracia. O que importava era combater o comunismo, mesmo que isso significasse o fim da democracia e da liberdade.

CIA (Central Intelligence Agency): serviço de inteligência estadunidense que tem como principal objetivo coletar informações que possam ameaçar a segurança nacional. Criada em 1947, durante a Guerra Fria, inicialmente visava conter o avanço do comunismo.

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Planos políticos no bloco oriental No bloco oriental adotou-se o sistema socialista, com base na economia planificada. Em 1946, foi criado o Partido Socialista Unificado, nos moldes do Partido Comunista da União Soviética, e implantaram-se a censura e a repressão política. Essas medidas não contribuíram para a melhoria da qualidade de vida e da capacidade de consumo da população. Para muitos estudiosos, a política do partido único nos países socialistas era uma verdadeira ditadura, bem diferente do socialismo científico (veja o quadro abaixo). Apesar da expansão geográfica do socialismo, após a Segunda Guerra Mundial, sob a influência da URSS, mesmo nesse país muitas mudanças ocorreram no início da década de 1920. Travou-se uma luta política interna na URSS, principalmente após a morte de Vladimir Ilych Ulyanov (1870-1924), mais conhecido como Lênin. Com a expulsão de Lev Davidovich Bronstein (1879-1940), conhecido como Leon Trotsky, do poder, Stalin gradativamente eliminou seus opositores, por meio de prisões e mortes, ao mesmo tempo que foi conquistando o poder central do país e ampliando a atuação do Partido Comunista. Esse socialismo estabelecido na URSS ficou conhecido como socialismo real. Entre suas maiores contradições está o fato de existir a divisão de classes, ou seja, a presença de uma classe dominante formada por uma elite militar. Veja as principais diferenças entre o socialismo científico e o socialismo real na antiga URSS.

Princípios do socialismo científico

Características do socialismo real

Política

As teorias socialistas pregavam uma mudança no modelo capitalista industrial do século XIX, a fim de ter uma sociedade igualitária. Marx e Engels, contrários a essas teorias e com base em obras como Utopia, de Thomas More (1478-1535), chamavam os seus criadores de socialistas utópicos, pois não acreditavam nessas mudanças, apenas no fim desse sistema, que cederia lugar ao comunismo, um estágio de desenvolvimento do socialismo, como meio para se atingir a sociedade igualitária. Para eles, não seriam mais necessários governantes, uma vez que o povo seria o próprio governo.

Apesar da grande diversidade cultural dos países que integraram a URSS e das suas diferenças econômicas e históricas, apenas um partido político foi legalizado: o Partido Comunista. Este, por sua vez, só pôde se manter à custa da repressão praticada pelo governo sediado em Moscou, que definia as políticas internas e externas dos países aliados e reprimia qualquer manifestação que reivindicasse reformas no sistema ou democratização, como as que ocorreram na Polônia, na Hungria e na antiga Tchecoslováquia. A população soviética convivia com o temor de uma possível guerra, ao mesmo tempo que se sentia protegida pelo grande arsenal militar, mas, na verdade, as estatísticas da economia divulgadas pelo governo eram otimistas e, frequentemente, falsas.

Sociedade

Todos os indivíduos pertencem a uma única classe social. Os trabalhadores recebem salários e subsídios do Estado para a aquisição dos bens de que necessitam (casa, automóvel, vestuário, alimentos etc.).

As características da sociedade, em geral, eram contrárias ao ideal socialista porque ocorreram a centralização e a concentração de riquezas nas mãos do Estado e de seus gestores, os burocratas militares, além da exploração da força de trabalho pelas empresas estatais, com baixa remuneração.

Meios de produção (terras, fábricas, máquinas, áreas de mineração etc.)

Por serem propriedades do Estado, todos os meios de produção são bens públicos e, portanto, pertencem aos cidadãos.

Ocorreu a coletivização forçada das terras agrícolas, inclusive em regime de escravidão. Os demais meios de produção, de modo geral, funcionavam de acordo com os interesses do governo, fortemente voltados à produção de armas.

Economia, produção e consumo

Economia planificada, ou seja, o Estado controla, planeja e executa todas as atividades econômicas do país (setores primário, secundário e terciário). O objetivo é garantir o bem-estar da coletividade (socialização dos lucros) e o atendimento às necessidades básicas da população; o consumo é coletivizado por todos.

A economia crescia em ritmo lento, e os investimentos estavam muito mais direcionados às indústrias de base e de armamento. Gradativamente, deixou-se de investir nas indústrias de bens de consumo e na melhor distribuição da renda nacional.

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Em 1949, foi criada a aliança militar denominada Otan, formada por países ocidentais capitalistas, liderados pelos Estados Unidos. A principal função dessa organização era inibir o avanço do bloco socialista no continente europeu, fornecendo apoio militar para as nações integrantes. A Otan também foi uma iniciativa dos Estados Unidos e fazia parte da Doutrina Truman, política adotada pelo presidente Harry Truman (1884-1972), que, durante seu governo (1945-1953), a fim de conter o comunismo e obter a hegemonia econômica e militar mundial, fez alianças com um grande número de países. Além do Canadá, Truman procurou alianças com países capitalistas da Europa Ocidental, os quais foram beneficiados pelo Plano Marshall, entre eles: Itália, Reino Unido, Alemanha Ocidental, França, Suécia, Espanha e Holanda (veja o mapa da página 510). Apesar de promover o discurso da segurança internacional, na verdade a Otan defendia os interesses políticos e econômicos dos Estados Unidos, por exemplo, na América Latina, onde essa organização apoiou golpes de Estado e manipulou eleições. Entretanto, não conseguiu evitar que Fulgêncio Batista (1901-1973) fosse retirado do poder de Cuba, em 1959, pela Revolução Cubana, comandada por Fidel Alejandro Castro Ruz (1926-). Ainda na América Latina, por iniciativa dos Estados Unidos, também foi criada a OEA (Organização dos Estados Americanos), cujo principal acordo de cooperação militar continental foi o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar). Cuba fez parte desse tratado até 1959, ano da Revolução Cubana, quando foi introduzido no país um regime nos moldes soviéticos, o que lhe custou a suspensão no tratado e um bloqueio econômico imposto pelo governo estadunidense.

Livro – O grande inimigo – A história secreta do confronto final entre CIA e KGB. James Risen e Milton Bearden. (Rio de Janeiro, Objetiva, 2005). Um jornalista e um ex-agente secreto, ambos dos EUA, contam a história dos últimos dias da Guerra Fria. Centenas de entrevistas com ex-agentes estadunidenses e soviéticos serviram de base para a construção dessa narrativa.

BURT GLINN/ MAGNUM PHOTOS/ LATINSTOCK

Plano militar no bloco ocidental

Plano militar no bloco oriental Em resposta à Otan, foi criado, em 1955, o Pacto de Varsóvia, liderado pela URSS. Consistiu em uma aliança militar entre a URSS e os países socialistas do Leste Europeu, como Tchecoslováquia, Polônia, Bulgária, Hungria, além de países asiáticos (China e Coreia do Norte). Os países integrantes comprometeram-se a auxiliar-se mutuamente contra possíveis ataques dos países capitalistas. A organização foi dissolvida com o fim da URSS, fato que fortaleceu a Otan. Na Europa também houve neutralidade e outras alianças entre os países dos dois blocos. No bloco socialista da Europa Oriental, a Iugoslávia optou pela neutralidade e a Albânia posteriormente saiu do Pacto de Varsóvia. Já no bloco capitalista da Europa Ocidental, Finlândia, Suécia, Suíça e Áustria permaneceram neutras nas alianças militares e econômicas e organizaram a Associação Europeia de Livre Comércio (Aelc).

Países Não Alinhados durante a Guerra Fria

Foto de Fidel Castro, ao centro, discursando em Santa Clara, Cuba, durante a Revolução Cubana, em 1959.

Durante a ordem bipolar da Guerra Fria, Índia, Iugoslávia e Egito criaram, em 1961, o Movimento dos Países Não Alinhados, por meio do qual adotaram uma política de neutralidade diante das alianças feitas com as superpotências. Esses países procuraram discutir questões sobre o subdesenvolvimento e as relações econômicas entre países pobres e ricos. Esse movimento conseguiu a adesão de outros países em todos os continentes, mas não foi capaz de eliminar a ordem bipolar. 513

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Corrida armamentista Ainda no fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos atacaram o Japão com o lançamento das bombas em Hiroshima e em Nagasaki, em agosto de 1945. De acordo com vários historiadores, essa medida tinha não apenas o objetivo de forçar o imperador Hirohito a pedir a rendição do Japão na guerra, já militarmente derrotado, mas também o de demonstrar para o mundo a suposta superioridade militar estadunidense e, sobretudo, de intimidar a URSS. Por esse motivo, considera-se que o marco inicial da Guerra Fria tenham sido esses ataques, e não a divisão da Alemanha em 1949. Independentemente de qualquer hipótese de antecipação da geopolítica que iria se estabelecer no mundo pós-guerra, logo no começo do conflito da Guerra Fria iniciou-se uma verdadeira corrida armamentista e aeroespacial entre as duas superpotências, os Estados Unidos e a URSS. Ambas produziam armamentos de destruição em massa, e a cada tecnologia desenvolvida por uma potência, logo em seguida a outra procurava atingir um patamar superior, para deixar o oponente inseguro. Essa política adotada pelas duas potências na corrida armamentista ficou conhecida como equilíbrio do terror. Essa disputa tornou-se mais acirrada com as novas armas militares, principalmente os lançamentos de foguetes que colocaram os satélites em órbita, o que significava que o país era capaz de lançar outros com ogivas nucleares. A URSS lançou em 1957 o primeiro satélite artificial da história, o Sputnik-1, um equipamento composto de um termômetro e um transmissor de rádio. No mesmo ano lançou o Sputnik-2, espaçonave que levou a bordo a cachorrinha Laika, o primeiro ser vivo a entrar em órbita, que permaneceu dez dias no espaço ligada a instrumentos de medição de pressão arterial, batimentos cardíacos e outras reações biológicas. Em 1961, o cosmonauta soviético Yuri Alexeyevich Gagarin (1934-1968) foi o primeiro ser humano a viajar para o espaço, no comando da nave espacial Vostok 1, quando realizou um voo em torno da Terra. Em 1969, o astronauta estadunidense Neil Armstrong (1930-2012) tornou-se o primeiro homem a pisar na Lua.

Crise dos mísseis de Cuba Em 1962, 17 anos depois do início da corrida armamentista, os Estados Unidos registraram em fotografias aéreas uma construção militar em San Cristóbal, no oeste de Cuba (veja um exemplo na página 503), onde os soviéticos instalaram mísseis capazes de carregar ogivas atômicas que facilmente atingiriam os Estados Unidos. Nessa ocasião, o presidente estadunidense John Fitzgerald Kennedy (1917-1963) reuniu seus assessores e apostou em uma estratégia moderada e consistente: evitou alarmar a população, não deu ouvidos à oposição, que exigia uma ofensiva militar imediata contra Cuba, ao mesmo tempo que promoveu um bloqueio naval da ilha, impedindo a entrada de qualquer tipo de arma. Além disso, ele advertiu o governo soviético de que os Estados Unidos atacariam Cuba, caso G2015_GEO3_C1_M06 os mísseis fossem disparados. Cuba: crise dos mísseis (1962) ALLMAPS

75° O FLÓRIDA Concentração de forças dos EUA (Exército e Força Aérea) Base aérea Miami

Santa Clara

) 136 (FT

Candelaria

Sagua La Grande Remedios

reo aé

San Cristóbal

Havana

o

Guanajay

fa re -ta ça

Key West Trópico de Câncer

OCEANO ATLÂNTICO

Área bloq uea da po rf or Pat rul ha me nt BAHAMAS

CUBA Santiago de Cuba MÉXICO

Baía de Guantánamo JAMAICA

HAITI

REPÚBLICA DOMINICANA

Zona de bloqueio estadunidense

PORTO RICO

Bases soviéticas de mísseis móveis e bombardeios

ATLAS da história do mundo. São Paulo: Folha de S.Paulo, 1995. p. 293.

Base aérea dos EUA Base naval dos EUA Capital Cidade Limite internacional

 apa da crise dos mísseis M em Cuba (1962).

0

280

560 km

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A instalação militar em Cuba, principalmente em San Cristóbal, foi planejada pelo presidente cubano Fidel Castro e pelo primeiro-ministro da URSS Nikita Sergeyevich Kruschev (1894-1971). A medida consistiu em uma verdadeira retaliação ao governo de John Kennedy, após a fracassada invasão estadunidense à Baía dos Porcos, em abril de 1961, na tentativa de derrubar o regime comunista cubano. Ao mesmo tempo, funcionou como uma medida de precaução, caso houvesse uma nova tentativa de invasão a Cuba. Os Estados Unidos não acreditavam que seu oponente pudesse chegar tão próximo de suas fronteiras, mas, de qualquer maneira, em princípio, essa medida procurou manter o equilíbrio da Guerra Fria, que, até então, estava mais favorável aos Estados Unidos, em razão de seu maior arsenal balístico. A crise dos mísseis só acabou quando Nikita Kruschev escreveu uma carta de próprio punho e enviou-a ao governo estadunidense, solicitando a suspensão do ataque a Cuba.

Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP)

KCNA VIA KNS/HO/AFP

Diante dos efeitos destrutivos das armas nucleares, conhecidos em todo o mundo após o lançamento das bombas em Hiroshima e Nagasaki, em 1945, da crise dos mísseis, em 1962, e de uma possível guerra nuclear, foi assinado o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), em 1968. Esse tratado entrou em vigor em 1970 e tem como objetivos: impedir a proliferação da tecnologia utilizada na produção de armas nucleares, promover o desarmamento e garantir o uso pacífico da energia nuclear. Ele considera ainda a organização dos países em dois blocos: • Primeiro bloco: formado por países que tinham bombas nucleares antes de 1967 e que poderiam manter suas armas atômicas, mas não transferir e repassar a outros países a tecnologia desenvolvida. Esse bloco é composto por Estados Unidos, URSS, Reino Unido, França e China, que são os países vencedores da Segunda Guerra Mundial e membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. O Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares só foi posto em prática após o fim da Guerra Fria e não foi assinado por França, Índia e China. • Segundo bloco: formado pelos demais países do mundo, que se comprometeram a não desenvolver armas nucleares e a desenvolver tecnologia nuclear apenas para fins pacíficos, por exemplo, na produção de energia elétrica. Com o objetivo de detectar a existência de atividades secretas, os países ficam submetidos a um sistema de inspeção estabelecido pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). É importante destacar que alguns países que têm bombas nucleares não assinaram esse tratado, como é o caso de Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte.

Conselho de Segurança da ONU: conselho composto de cinco países-membros permanentes, com direito a veto, e de dez membros não permanentes eleitos pela Assembleia Geral com mandatos de dois anos e sem direito a veto. O conselho tem a responsabilidade de manter a paz e a segurança internacionais. Em casos de ameaça à paz, ele recomenda às diferentes partes que tentem alcançá-la por meios pacíficos. Quando ocorrem lutas, procura pôr fim a elas o mais rapidamente possível. Também pode adotar medidas contra um Estado, como embargos comerciais e ações militares coletivas.

Foto do líder norte-coreano Kim Jong-Un acenando para oficiais do Exército em Pyongyang, capital da Coreia do Norte, 2013. Até o final de 2015, o país havia realizado três testes nucleares, o último deles em fevereiro de 2013.

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Guerras indiretas da Guerra Fria Durante a Guerra Fria, não houve uma guerra direta entre os Estados Unidos e a URSS. No entanto, essas potências influenciaram e financiaram conflitos ou guerras civis e deles participaram. Foram as chamadas guerras indiretas entre as potências. Veja alguns exemplos desse tipo de enfrentamento no continente asiático.

DÉBORA FERREIRA

Guerra da Coreia (1950-1953) O primeiro conflito militar em que as duas potências tiveram participação indireta foi a Guerra da Coreia. O conflito baseou-se na disputa entre a parte norte, a Coreia do Norte, socialista, que tinha apoio da China e da URSS, e a parte sul do país, Coreia do Sul, capitalista, apoiada pelos EUA. Isso ocorreu logo após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, ou seja, após a ocupação por forças soviéticas e estadunidenses em 1945, que a libertaram da condição de colônia japonesa, situação que vigorava desde 1910. Durante a ocupação dos aliados na Coreia, foi estabeleciCoreia: divisão pelo paralelo 38˚ (1953) do que a URSS aceitaria a rendição japonesa ao norte do 124° N URSS paralelo 38, local onde apoiou a instalação de um Estado comunista sob a liderança do guerrilheiro Kim II-sung (1912CHINA 1994). Ao assumir o poder na então Coreia do Norte, Kim logo fundou um Estado nos moldes soviéticos, ou seja, criou um partido único, organizou o Exército, nacionalizou as inNova Délhi Karachi dústrias e coletivizou as terras, mas tornou o país atrasado 0 120 240 km e isolado do mundo, tudo pela ideologia do comunismo, condição em que permanece até os dias atuais. Ao sul do paralelo 38, foi criada uma administração de ocuPyongyang OCEANO PACÍFICO pação estadunidense, que permaneceu no país até 1948, ano 20° N Paralelo 38° N em que Syngman Rhee (1875-1965) tornou-se presidente. Seul Embora distante de um modelo democrático, na maior parte Mar Amarelo do tempo, depois do período pós-guerra, desenvolveu uma indústria de alta tecnologia, a exemplo do Japão. Entretanto, durante a Guerra Fria, as duas Coreias almejavam a unificação do país e seu total domínio. Primeiro os norte-coreanos atacaram o sul, em 1950, mas foram contraConferência de Moscou JAPÃO -atacados pelos estadunidenses, que avançaram em direção 38º38º N) N) (Paralelo de Limite internacional à China, o que provocou a intervenção chinesa no apoio à Capital Coreia do Norte e logo permitiu a recuperação do território Coreia do Sul Mapa da divisão da Coreia pelo paralelo ao norte do país. Esse fato levou o governo Truman a desistir Coreia do Norte 38° N (1953). da guerra e, em 1953, todas as partes envolvidas concorALBUQUERQUE, Manoel M. et al. Atlas histórico escolar. 8. ed. daram com o fim do embate e a divisão do país ao longo do Rio de Janeiro: FAE, 1986. p. 159. paralelo 38.

Guerra do Vietnã (1964-1975) Com a ocupação japonesa no Sudeste Asiático, entre 1941 e 1942, as potências ocidentais que mantinham colônias na região foram expulsas. Após a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, potências europeias, como França e Holanda, tentaram retomar o domínio na região, mas encontraram resistência de populações e governos locais. No sul do Vietnã, os franceses restabeleceram o domínio, fato que gerou a guerra em 1946 e terminou com a derrota francesa em 1954, mas não foi o suficiente para o regime comunista do norte do Vietnã conseguir anexar essa área ao país. Em 1959, os norte-vietnamitas, com o apoio da China e da URSS, novamente entraram em conflito com o sul para obter a unificação, mas o sul, capitalista, teve o apoio dos Estados Unidos, tanto em armas como em tropas. Essa intervenção dos Estados Unidos tinha o objetivo de evitar a propagação do socialismo na Ásia, porém, para a população estadunidense, tratou-se de uma interferência malsucedida, tanto pelo alto investimento no conflito como pelo número de mortes nos combates terrestres (mais de 45 mil soldados mortos, além de mais de 300 mil feridos). 516

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ARCHIVE PHOTOS/ GETTY IMAGES

Foto de policiais observando manifestantes que protestavam contra a Guerra do Vietnã em Washington, DC, Estados Unidos, em 1972. Durante esse protesto, houve um violento confronto com a polícia e 173 manifestantes acabaram presos.

Apesar de as tropas estadunidenses terem matado muito mais soldados vietnamitas, os Estados Unidos são considerados perdedores nesse conflito, pois, do ponto de vista geopolítico da Guerra Fria, não impediram a formação da República Socialista do Vietnã e perderam apoio público interno. As muitas manifestações da população dos Estados Unidos, principalmente em virtude da frequente divulgação de mortes de soldados no conflito, forçaram a retirada das forças armadas em 1973. A partir desse ano, o Vi­et­­nã do Sul não teve forças para enfrentar o Vietnã do Norte e seus aliados. Dois anos depois, seu território foi incorporado, constituindo apenas um país. Cabe destacar que a unificação não significou melhoria na vida da população vietnamita; ao contrário, o Vietnã ficou isolado política e economicamente até o fim da década de 1980, quando iniciou a abertura de sua economia para atrair investimentos e tecnologia.

Guerra do Afeganistão (1979-1989) O território do Afeganistão tornou-se importante durante a Guerra Fria em razão de sua posição estratégica no Oriente Médio. Para a URSS constituía uma passagem às jazidas de petróleo do Oriente Médio e uma saída pelo Oceano Índico. Para os Estados Unidos, seria uma maneira de conter o avanço soviético em direção ao petróleo da região e o avanço do sistema socialista. A URSS ocupou o Afeganistão e tentou, entre 1979 e 1989, estabelecer o socialismo no país, realizando até mesmo a reforma agrária. Entretanto, os Estados Unidos apoiaram grupos locais que lutavam contra a invasão, principalmente o Talibã, e expulsaram os soviéticos. A expulsão dos soviéticos foi para os afegãos e os islâmicos uma vitória do islamismo. Em 1996, o Talibã tomou o poder com o discurso da paz, mas na verdade transformou-se em opressor da população, impondo medidas como: fechamento de escolas, proibição do trabalho feminino fora do lar, controle da mídia, queima de bibliotecas, extermínio étnico e estímulo ao cultivo da papoula para a produção de ópio e heroína, que financiavam esse grupo e a produção de suas armas. O Talibã permaneceu no governo até 2001, ano em que os Estados Unidos interferiram na política do país e expulsaram esse grupo do governo, após atentados terroristas em território estadunidense. Mas o Talibã continua influente na atualidade e tem como objetivo eliminar influências estrangeiras do Afeganistão – no caso, os Estados Unidos e a Otan.

Talibã: grupo fundamentalista islâmico originário da fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão. Na época da Guerra do Afeganistão, o grupo foi recrutado, financiado, armado e treinado pela agência de inteligência militar do Paquistão – o Inter Services Intelligence (ISI) – e desempenhou papel importante na expulsão soviética do Afeganistão.

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3. Nova Ordem Mundial Com a desintegração da URSS, em 1991, a queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha, em 1989, praticamente desapareceram o conflito Ocidente-Oriente e a rivalidade entre os sistemas econômicos capitalismo e socialismo. Surgiu então a chamada Nova Ordem Mundial, caracterizada não mais pela competição ideológica entre os Estados Unidos, capitalista, e a URSS, socialista, e sim pelas disputas entre países e blocos econômicos por mais mercados consumidores e pela influência político-econômica. A Nova Ordem caracteriza-se pelo desenvolvimento do capitalismo e pela decadência do socialismo, ao mesmo tempo que se estrutura em uma hierarquização de países, de acordo com seus níveis de desenvolvimento econômico e social, além da influência política.

Perestroika e Glasnost Filme – Adeus Lênin! Direção: Wolfgang Becker. Alemanha, 2003. 212 min. Retrata o cotidiano dos moradores da Alemanha Oriental no fim da Guerra Fria e as transformações do país com a queda do Muro de Berlim.

Em 1985, a URSS passou a ser governada por Mikhail Sergueievitch Gorbatchev (1931-), que apresentou propostas de reformas da economia socialista dentro da própria estrutura do partido. Em sua visão, as dificuldades existentes só poderiam ser resolvidas com a redução dos gastos militares. Veja quais eram suas propostas: • Perestroika: reestruturação econômica, que deveria possibilitar a diversificação industrial e elevar a produtividade; ao mesmo tempo, essas mudanças deveriam ser acompanhadas da abertura econômica. • Glasnost: visava associar a abertura econômica com a transparência política, ou seja, requeria uma intervenção na gestão da economia planificada, de maneira que pudesse substituir o modelo stalinista de governo, para a construção de um socialismo democrático e humanizado. Para pôr em prática essas mudanças, Gorbatchev primeiro propôs mais poder ao Legislativo, que fosse rotativo no governo, por meio de eleições gerais do presidente; segundo, seria necessário mudar a política externa, para acabar com a corrida armamentista e espacial; na política interna, a proposta consistia em descentralizar o poder decisório no país e introduzir um sistema de gestão igualitário dos direitos e deveres. Na política externa, ele viabilizou o tratado assinado entre a URSS e a República Federal da Alemanha, para sua reunificação com a República Democrática Alemã e a consequente queda do Muro de Berlim. Por esses motivos, Gorbatchev é reconhecido como um dos principais articuladores do fim da Guerra Fria. Entretanto, foi vítima de tentativa de golpe em 1991, e seu sucessor (Bóris Iéltsin), já eleito pela população, assumiu o governo, criando, com os presidentes da Ucrânia e da Bielorrússia, a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), assunto que será tratado no capítulo 32. De volta ao governo três dias depois do golpe, Gorbatchev assumiu o poder novamente, mas em 25 de dezembro de 1991 renunciou, fato que confirmou o fim da URSS.

Comunidade dos Estados Independentes (CEI): criada em 1991, teve como principal objetivo estabelecer um sistema econômico entre as nações da extinta URSS. Os primeiros integrantes do bloco foram: Rússia, Bielorrússia (também conhecida como Belarus) e Ucrânia; atualmente conta também com Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Moldávia, Quirguistão, Tajiquistão, Uzbequistão e Turcomenistão.

Ordem multipolar Dentre outras formas de regionalizar o mundo multipolar do pós-Guerra Fria, destacam-se três polos de influência capitalista, o chamado mundo tripolar, baseado na dominação tecnológica das principais potências econômicas sobre os países subdesenvolvidos e os emergentes. Os Estados Unidos, com maior área de influência na América; o Japão, com maior área de influência em grande parte do Sudeste Asiático e na Oceania; a União Europeia (uma aliança econômica entre os países europeus, como um prolongamento da Comunidade Europeia, que será tratada no capítulo 31), com maior área de influência na Europa e na África, como pode ser visto no mapa da próxima página. A Nova Ordem Mundial é também multipolar em razão das alianças econômicas e militares entre os países. Há diversos polos de integração, que formam os chamados blocos econômicos, como o Mercosul, na América do Sul, e o Nafta, na América do Norte, tema que será aprofundado na

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unidade 11. Além disso, há alianças políticas, econômicas e tecnológicas entre países de diferentes continentes, como o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que exercem influência na economia global do atual mundo multipolar. Também é evidente que, após o fim da ordem bipolar, a área de influência dos Estados Unidos em escala mundial aumentou, tanto pela sua economia quanto pelo seu poder bélico, o que permitiu a diversos estudiosos afirmar que é o único Estado nacional que apresenta poder econômico, militar e político global. Por isso, essa nova ordem também é chamada de mundo unipolar. Por fim, é importante destacar que, logo após o fim da URSS, a maior parte dos novos países independentes desse bloco enfrentou uma crise econômica acompanhada do arruinamento dos serviços públicos, como saúde e educação, características que eram positivas durante o auge do desenvolvimento sob o regime socialista (nas décadas de 1950 e 1960) e garantiam a esses países a classificação no chamado Segundo Mundo. Portanto, com a queda do Segundo Mundo (na década de 1990), já não faz mais sentido a classificação dos países em Primeiro, Segundo e Terceiro Mundos, e sim a utilização de uma nova divisão regional, marcada pela oposição entre o Norte desenvolvido, industrializado e dono das tecnologias de ponta, e o Sul subdesenvolvido, predominantemente exportador de matéria-prima. Os países subdesenvolvidos industrializados são, em sua maioria, dependentes dos países desenvolvidos, pois seus territórios servem às instalações industriais das transnacionais, que remetem a maior parte do lucro às suas sedes nos países do Norte. É nesse contexto que, mesmo com a flexibilidade das fronteiras nacionais, após o mundo bipolar, a distribuição de renda no mundo continuou desigual e intensificou as diferenças socioecoG2015_GEO3_C1_M07 nômicas entre os países do Norte e do Sul.

Mapa dos principais centros de influência do mundo multipolar, a partir de 1990: EUA, que exercem forte influência sobre o continente americano; União Europeia, que exerce forte influência sobre a Europa Ocidental e o continente africano; e Japão, que exerce forte influência sobre o Sudeste Asiático e a Oceania. Vale destacar que, entre os países emergentes, a China é o país com o maior PIB, além de ser o polo econômico que mais influencia a economia global. É necessário apontar que o mapa apresenta uma divisão socio-econômica do mundo elaborada de modo geral, sem destacar exceções.

ALLMAPS

Planisfério: mundo multipolar (a partir de 1990) OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico

E NORT Trópico de Câncer SUL

OCEANO PACÍFICO

OCEANO PACÍFICO Equador

HEMISFÉRIO NORTE HEMISFÉRIO SUL

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO ÍNDICO

Greenwich

Trópico de Capricórnio

NOR TE SUL

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

Círculo Polar Antártico

Principais polos político-econômicos do mundo multipolar Estados Unidos

Divisão do mundo por critério socioeconômico

0

2 500

5000 km

Países desenvolvidos

Japão

Países subdesenvolvidos

União Europeia Principais áreas de influência dos três polos político-econômicos Estados Unidos União Europeia

Sem dados

Divisões Norte e Sul Divisão socioeconômica do mundo

Japão Polos político-econômicos secundários China e Comunidade dos Estados Independentes (CEI) Área de grande interesse dos polos político-econômicos

Divisão geográfica do mundo Limite internacional em 2015 Lagos e mares interiores

Oriente Médio

GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 135.

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RELEITURA Neste capítulo você conheceu as transformações no espaço mundial do século XX a partir de 1945, quando teve início a chamada Guerra Fria, com a divisão do mundo em dois blocos de influências: dos Estados Unidos e da URSS. Em seguida, analisaram-se os principais planos políticos, econômicos e militares que buscavam a hegemonia mundial na Guerra Fria. Nesse período, constata-se que não houve um conflito direto entre Estados Unidos e URSS, mas que ambos participaram indiretamente de outros conflitos, para evitar que uma ideologia prevalecesse sobre a outra – por exemplo, a Guerra da Coreia e a Guerra do Vietnã, financiadas por essas potências. Também se analisou a corrida armamentista, com a produção de armamentos de destruição em massa, principalmente de bombas nucleares, que poderiam ser usadas caso houvesse uma guerra entre essas potências. Essa corrida provocou o temor na população mundial, sobretudo durante a crise dos mísseis em Cuba, quando os Estados Unidos perceberam o perigo de uma guerra nuclear. O governo de Mikhail Gorbatchev foi fundamental para as mudanças no sistema socialista soviético, fato que acirrou as manifestações contrárias ao socialismo real, até mesmo na Alemanha Oriental, onde a população exigia o fim do Muro de Berlim, o que ocorreu em 1989. Por fim, analisaram-se as diferentes regionalizações do pós-Guerra Fria, como: o mundo tripolar e o mundo multipolar, marcados por novas influências do capitalismo mundial, como as disputas pelas influências econômicas e pelo controle dos mercados consumidores, contexto em que emergiu a regionalização Norte (países desenvolvidos)-Sul (países subdesenvolvidos) e emergentes.

G2015_GEO3_C1_M08 ATIVIDADES DE ANÁLISE E COMPREENSÃO

1. b) Sim. Com o fim da Guerra Fria, as influências de um ou mais países sobre outras nações e continentes não ocorreram mais por questões ideológicas, mas sim econômicas, e formou-se a chamada Nova Ordem Mundial, como o mundo tripolar, que consiste em uma divisão regional de caráter econômico, em que o mundo está sob influência do Japão, da União Europeia e dos Estados Unidos.

Círcu

ISLÂNDIA

lo Pol ar Ártico

Gree

nwic

h

1. Retome a atividade da página 502 e resolva as questões a seguir. a ) Expresse o que você sabe a respeito da Guerra Fria e as influências econômicas, políticas e militares dos Estados Unidos e da URSS durante esse período. OCEANO NORUEGA b ) Pode-se afirmar que o capitalismo foi o sistema que sobressaiuATLÂNTICO após a Guerra Fria? Por quê?

G2015_GEO3_C1_M08

2. Observe o mapa abaixo e faça o que se pede nos itens a seguir.

IRLANDA REPÚBLICA FEDERAL DA ALEMANHA

ESTÔNIA LETÔNIA

29 DINAMARCA LITUÂNIA 9 BIE PAÍSES 156 BAIXOS REPÚBLICA 20 48 DEMOCRÁTICA 31 BÉLGICA POLÔNIA ALEMÃ 60 TCH ECO 40 SLOV 21 29 ÁQU 18 40 40 IA FRANÇA SUÍÇA ÁUSTRIA HUNGRIA ROMÊNIA 18

ALLMAPS

Europa: equilíbrio do terror (1945-1990)

FINLÂNDIA

SUÉCIA

Mar do Norte

REINO UNIDO

Círcu h

ISLÂNDIA

lo Pol ar Ártico

PORTUGAL IUGOSLÁVIA

Gree nwic

1. a) Espera-se que os alunos respondam que a Guerra Fria foi o período de disputa ideológica entre os Estados Unidos, capitalista, e a URSS, socialista, que teve início logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, até a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o fim da URSS, em 1991. Nesse período, as ideologias de ambos os países provocaram uma regionalização (divisão) do mundo em dois polos de influências, ou seja, o mundo bipolar. Também se espera que a turma responda que, nesse período, essas duas potências travaram uma disputa na produção de armas e ameaçavam-se mutuamente, mas não chegaram a entrar em conflito direto, daí o nome Guerra Fria. Cabe lembrar que, apesar de não entrarem em guerra, houve várias guerras e conflitos no período, em grande parte influenciados e financiados pelas duas potências, a fim de manter suas ideologias e a hegemonia mundial.

OCEANO ATLÂNTICO

ESPANHA

ALBÂNIA

FINLÂNDIA URSS

NORUEGA

IRLANDA REPÚBLICA FEDERAL DA ALEMANHA

ESTÔNIA

0

SUÉCIA

Mar do Norte

REINO UNIDO

29

LITUÂNIA 9 BIELORRÚSSIA PAÍSES 156 BAIXOS REPÚBLICA 20 48 DEMOCRÁTICA 31 BÉLGICA POLÔNIA 9 ALEMÃ 50 60 60 TCH 9 E C OSLO 40 UCRÂNIA 21 29 V Á QUIA 18 40 40 81 FRANÇA SUÍÇA ÁUSTRIA HUNGRIA MOLDÁVIA 2 ROMÊNIA

BULGÁRIA

ITÁLIA

Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)

Sicília (Itália) 108

1070 km

Outros países aliados 20

GRÉCIA

TURQUIA

Mísseis americanos Cortina de Ferro Pacto de Varsóvia Países comunistas não aliados à URSS

2

40° N

ALBÂNIA

535

Mar Mediterrâneo

Mar Negro

IUGOSLÁVIA ESPANHA

GRÉCIA

44

18

PORTUGAL

0

Sicília (Itália) 108

535 Pershing II 1070 km

LETÔNIA

DINAMARCA

BULGÁRIA

ITÁLIA

Mísseis soviéticos Limite internacional

As estatísticas representam os números de mísseis em tanques locais.

Mar Mediterrâneo

REKACEWICZ, Philippe. Le Monde Diplomatique. Disponível em: <www.monde-diplomatique.fr/cartes/deuxmondes>. Acesso em: 28 dez. 2015. Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)

Outros paísesentre aliados Mapa sobre o equilíbrio do terror na Europa, 1945 e 1990. 20

Mísseis americanos Cortina de Ferro

520

Pacto de Varsóvia Países comunistas não aliados à URSS 2

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Mísseis soviéticos Limite internacional

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2. d) Como destaca o mapa, apesar de socialistas, a Iugoslávia e a Albânia não estavam ligadas à URSS durante a Guerra Fria, pois faziam parte do Movimento dos Países Não Alinhados, que mantiveram a política de neutralidade entre as duas potências, buscando maneiras de resistir às pressões da Guerra Fria por meio de um caminho independente na política mundial. O objetivo dessas nações com a neutralidade era evitar que os estados-membros participassem das lutas entre os EUA e a URSS.

ALLMAPS

DÁLCIO MACHADO

2. a) “Cortina de Ferro” foi uma expressão utilizada para designar a divisão da Europa em duas partes durante a Guerra Fria: a ) Explique o significado da expressão “Cortina de Ferro”. • Europa Ocidental: sob o 3. b) O TNP divide b ) Caracterize a corrida armamentista e aeroespacial. controle político e/ou os países em dois influência dos EUA, os países c ) Relacione os dados apresentados no mapa com a expressão “equilíbrio do terror”. blocos: I) Estados adotaram o modelo Unidos, URSS, d ) Comente a posição política da Iugoslávia e da Albânia durante a Guerra Fria. político-econômico Reino Unido, França capitalista, com destaque e China, formado para o Plano Marshall no por países que âmbito econômico e para a 3. Analise a charge e resolva as questões a seguir. explodiram alguma Otan no plano militar. bomba nuclear • Europa Oriental: sob o antes de 1967 e controle político e/ou 3. a) O TNP tem que poderiam influência da URSS, os como objetivos: manter suas armas estados-satélites da impedir a atômicas, mas sem Alemanha Oriental, Polônia, proliferação da transferir ou Tchecoslováquia, Hungria, tecnologia repassar a Bulgária e Romênia adotaram utilizada na tecnologia para o modelo político-econômico produção de outros países; II) socialista, com destaque para armas nucleares, demais países do o Comecon no âmbito promover o mundo, que se econômico e o Pacto de desarmamento comprometeram a Varsóvia no plano militar. dos países que não desenvolver 2. b) A corrida armamentista e detêm ogivas armas nucleares e aeroespacial entre as duas nucleares e apenas desenvolver potências, os Estados Unidos garantir o uso tecnologia nuclear e a URSS, caracterizou-se pacífico da para fins pacíficos, pela produção de energia nuclear. como o Irã, que é armamentos, incluindo as signatário do Arsenal nuclear, charge de Dálcio Machado, publicada no Correio Popular, em 2010. armas de destruição em tratado. massa, e a criação de a ) Descreva os objetivos do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). tecnologias que permitissem “conquista do espaço”, b ) Classifique os países citados na charge de acordo com os blocos estabelecidos no referido tratado. acomo os satélites e os ônibus Justifique a situaçãoG2015_GEO3_C1_M09 apresentada na charge. espaciais tripulados. A cada tecnologia desenvolvida por 4. Observe o mapa e o gráfico e resolva as questões a seguir. uma potência, logo a outra procurava atingir um patamar superior, para tornar o Planisfério: estoque de armas nucleares (2009) oponente mais inseguro e demonstrar a superioridade de seu sistema políticoOCEANO GLACIAL ÁRTICO -econômico. Essa disputa Círculo Polar Ártico REINO tornou-se mais acirrada com RÚSSIA UNIDO as novas armas militares, principalmente os FRANÇA COREIA lançamentos de foguetes que ESTADOS DO NORTE CHINA UNIDOS colocaram os satélites em IRÃ PAQUISTÃO órbita, o que significava que o ISRAEL Trópico de Câncer país era capaz de lançar ÍNDIA OCEANO OCEANO outros foguetes com ogivas PACÍFICO ATLÂNTICO nucleares. Equador

2. c) A corrida armamentista e aeroespacial adotada pelas duas potências fez com que Trópico de Capricórnio os governos dos dois países tivessem receio de iniciar uma Um quadrado totalmente preto representa 100 armas nucleares guerra nuclear, em virtude das Poder nuclear tradicional consequências para todos os G2015_GEO3_C1_G01 Notícias de poder nuclear habitantes da Terra. Dessa Estados suspeitos de desenvolver forma, a inexistência de OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO programa militar nuclear Círculo Polar Antártico guerras diretas entre as Limite internacional em 2015 potências, principal aspecto Lagos e mares interiores 0 3 000 6000 km do período conhecido como Guerra Fria, baseava-se no equilíbrio do terror, ou seja, no 40 000 Estados Unidos desenvolvimento contínuo de armas cada vez mais União Soviética tecnológicas e com maior 30 000 (Rússia a partir de 1992) capacidade de destruição, as G2015_GEO3_C1_G01 França, Reino Unido quais estimulavam o discurso e China do terror e do medo do 20 000 inimigo, ao mesmo tempo que impediam conflitos diretos 10 000 entre os EUA e a URSS. O mapa apresenta o posicionamento de mísseis 0 americanos na Europa 1945 1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2009 Ocidental e de mísseis Anos soviéticos na Europa Oriental, REKACEWICZ, Philippe. Le Monde Diplomatique. Disponível em: demonstrando o “equilíbrio do Mapa e gráfico sobre o estoque de armas <www.monde-diplomatique.fr/cartes/stocknucleaire>. Acesso em: 28 dez. 2015. terror” criado pela atuação nucleares em algumas nações, entre 1945 e 2009. das duas potências e pela corrida armamentista. OCEANO PACÍFICO

Número de armas nucleares

EDITORIA DE ARTE

Greenwich

OCEANO ÍNDICO

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4. b) De acordo com o gráfico, a Guerra Fria foi o período de maior produção de armas nucleares por causa da corrida armamentista que marcou o período. A Guerra Fria e a corrida armamentista tiveram início com o lançamento das bombas em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em agosto de 1945. O fim desse período teve dois marcos importantes: a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o fim da URSS, em 1991. 4. c) EUA e URSS tinham um número muito maior de armas nucleares ao longo da Guerra Fria em relação aos demais países, pois eram as potências líderes dos blocos antagônicos em conflito. No período atual, os EUA e a Rússia permanecem como os maiores detentores de armas nucleares, pois o processo de desarmamento tem sido lento e a produção de novas armas nucleares enfrenta grande reprovação da comunidade internacional. 5. a) A Nova Ordem Mundial caracteriza-se pela multipolaridade político-econômica, destacando-se três polos de influência capitalista, baseados na dominação tecnológica sobre os países subdesenvolvidos: os Estados Unidos, com maior área de influência na América; o Japão, com maior área de influência em grande parte do Sudeste Asiático e na Oceania; e a União Europeia, com maior área de influência na Europa e na África. Do ponto de vista militar, a Nova Ordem Mundial é unipolar, marcada pela supremacia bélica dos Estados Unidos. 5. b) De acordo com o texto, uma potência mundial tem três atributos principais: economia dinâmica, representada pelas altas taxas de crescimento do PIB e seu alto valor absoluto e relativo, além dos elevados volumes de exportação e importação; grande poderio militar, o que possibilita mobilizar intervenções estrangeiras e promover a defesa nacional; poder de influência política e econômica sobre os demais países, por meio de negociações diplomáticas, pressão ou coação. 5. c) De acordo com a divisão socioeconômica do mundo na Nova Ordem Mundial, os EUA fazem parte do Norte desenvolvido, industrializado, portador das tecnologias de ponta e dos altos índices de desenvolvimento social. A China faz parte do Sul subdesenvolvido, considerado um país emergente, de industrialização recente, com relativa dependência tecnológica e incipientes índices de desenvolvimento social.

4. a) De acordo com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China compõem o conjunto de países que podem manter armas nucleares, desde que não transfiram ou repassem a tecnologia desenvolvida para outros países. Todos eles assinaram o TNP e são considerados potências nucleares tradicionais, pois explodiram bombas atômicas antes da criação do tratado. Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Norte têm armas nucleares e não assinaram o TNP; são considerados novas potências nucleares. Por fim, o Irã é suspeito de possuir armas nucleares, embora tenha assinado o TNP.

a ) Comente a classificação dos países destacados no mapa, associando sua posição em relação ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). b ) De acordo com o gráfico, identifique o período de maior produção de armas nucleares e aponte os fatos que marcaram início e seu fim. c ) Justifique o número de armas nucleares apresentado pelos países destacados no gráfico e no mapa.

5. Leia o texto a seguir e faça o que se pede.

Reequilibrar as relações entre China e Estados Unidos O fulgurante desenvolvimento da China mexe com os poderes estabelecidos e complica seriamente as relações do país com os Estados Unidos. Washington reage adotando medidas que se dizem preventivas, mas podem ser entendidas como ofensivas e pressionar Pequim a uma reação ainda mais agressiva. Ao longo da última década, o PIB da China aumentou quase dez vezes mais rápido que o dos Estados Unidos: ele passou de cerca de US$ 1,1 trilhão em 2000 para US$ 5,88 trilhões em 2010, enquanto o norte-americano, no mesmo período, aumentou de US$ 10 trilhões para US$ 14,6 trilhões. A economia chinesa continua muito atrás, mas os especialistas preveem que em vinte anos ela possa alcançar a dos Estados Unidos. Se essa tendência se confirmar, mesmo com alguma desaceleração, em menos de uma década Pequim poderá estar jogando no mesmo nível de Washington. O país vem gradualmente adquirindo todos os atributos de uma superpotência em formação. Em 2011, seu orçamento de defesa foi de US$ 91,7 bilhões, 80% superior ao do Japão e 200% ao da Índia. A diferença em relação aos Estados Unidos nesse campo, que em 2000 era de 1 para 20, reduziu-se a 1 para 7. Embora ainda muito aquém, a China ocupa hoje o segundo lugar do mundo em despesa militar, e se Washington mantiver a atual política de contenção orçamentária, a diferença poderá reduzir-se ainda mais. Desde a década de 2000, as relações entre os dois países mudaram muito. A China investiu cerca de um terço de suas reservas de divisas estrangeiras em títulos do Tesouro norte-americano, tornando-se o maior credor dos Estados Unidos. Tendo se tornado a maior nação exportadora do mundo, ela está entre os principais fornecedores da América, o que ajuda Washington a conter sua inflação e permite que os investidores obtenham seus lucros. Desde a crise financeira de 2008, a China não para de se afirmar na cena internacional e nas relações com os Estados Unidos. Em 2009, na Cúpula de Copenhague, o país contrariou os norte-americanos a respeito do calendário de redução de emissões de carbono. No mesmo ano, a frota chinesa cercou o Impecável, navio da Marinha norte-americana que cruzava sua zona econômica exclusiva no Mar da China Meridional. Em 2010, o poder chinês mais uma vez resistiu às pressões de Washington, que pedia a condenação do ataque da Coreia do Norte contra a ilha sul-coreana de Yeonpyeong. Em 2011, recusou-se a respeitar o embargo às importações de petróleo iraniano, embora tenha sido mais dura com Teerã sobre seu programa de armamento nuclear. Mas nada disso impede a cooperação entre China e Estados Unidos em diversas áreas: a luta contra o terrorismo, contra a proliferação de armas de destruição em massa (pelo menos até certo ponto, como mostram as divergências sobre a República Popular Democrática da Coreia, por exemplo), ou os esforços de reabsorção da crise financeira. Mas as disputas também tendem a se multiplicar. […] DINGLI, Shen (Reitor do Instituto de Estudos Internacionais e diretor do Centro de Estudos Norte-Americanos da Universidade Fundan – Xangai). Le Monde Diplomatique Brasil, 4 maio 2012. Disponível em: <www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1173>. Acesso em: 28 dez. 2015.

a ) Com base nas informações apresentadas no texto e nos conhecimentos que você adquiriu neste capítulo, caracterize a Nova Ordem Mundial. b ) Identifique os atributos de uma potência mundial citados no texto. c ) Classifique os Estados Unidos e a China de acordo com a divisão socioeconômica do mundo na Nova Ordem Mundial e descreva suas principais características.

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QUESTÕES DE VESTIBULARES E DO ENEM Nas questões de múltipla escolha, escreva no caderno um comentário para justificar a alternativa escolhida. As questões dissertativas também devem ser respondidas no caderno. 3. b) Podem ser citadas: as Guerras da Coreia e do Vietnã, a crise dos mísseis em Cuba, a construção do Muro de Berlim e a divisão da cidade de Berlim em duas áreas de ocupação, uma ocidental capitalista e a outra oriental socialista.

REPDRODUÇÃO

4. Veja a resposta na Assessoria Pedagógica. esportiva e cultural mundializada. Para tanto, essa atividade envolve uma 5. (UERJ – Adaptado) 2. (Uerj) série de recursos econômicos, entre Edições da Copa do Mundo de Futebol:eles as negociações de compra e venda de jogadores de nacionalidades variadas, assim País Ano País Ano como investimentos Uruguai 1930 Espanha 1982 em infraestrutura para sediar Itália 1934 México 1986 eventos. Quando se trata de Copa França 1938 Itália 1990 do Mundo, os investimentos Brasil 1950 Estados Unidos 1994 somam questões de ordem Suíça 1954 França 1998 econômica e relações internacionais. Suécia 1958 Coreia do Sul/Japão 2002 Nas últimas duas décadas, em Foto do muro de Berlim antes de novembro de 1989. Chile 1962 Alemanha 2006 função do caráter multipolar das Inglaterra 1966 África do Sul 2010 relações internacionais, México 1970 Brasil 2014 diversificaram-se também os Alemanha Ocidental 1974 Rússia (previsão) 2018 países-sede do campeonato, o Argentina 1978 Catar (previsão) 2022 que pode ser observado na tabela.

REPDRODUÇÃO

3. (UEG-GO) A segunda metade do século XX foi marcada pela 1. (UFTM-MG) A ordem mundial baseada na bipolaridade foi desmontada durante os anos 1990. Com o término da Guerra Fria, chamada Guerra Fria entre os Estados Unidos e a URSS compôs-se um novo cenário político, econômico e social, no qual (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Consideran a ) as zonas de tensão foram controladas pelas políticas do esse momento histórico, monetárias da União Europeia. a ) Quais ideologias estavam em choque nesse conflito? b ) as chamadas forças de paz da Organização das Nações b ) Cite três momentos de tensão entre as duas superpotências. 3. a) Durante a Guerra Fria se consolidaram, de um lado, a hegemonia estadunidense no Unidas (ONU) realizaram, junto ao exército russo, opebloco capitalista e, de outro, a hegemonia soviética no bloco socialista. rações militares nos países aliados ao regime soviético. 4. (UFPR) Segundo Eric Hobsbawm, Gorbachev lançou uma c ) os conflitos étnico-culturais e religiosos deram lugar ao campanha para transformar o socialismo soviético baseado enfrentamento entre Estados nacionais. em dois slogans: a Perestroika, que pautava a reestruturação d ) a nova ordem mundial restabeleceu um período de paz da economia e da política, e a Glasnost, que representava a e solidariedade entre os povos. luta por liberdade de informação. Com base nessa afirma e ) os conflitos deixaram de ter a conotação ideológica cação, discorra sobre o colapso da URSS. pitalismo versus socialismo. 2. C. O futebol tornou-se uma prática

Adaptado de <quadrodemedalhas.com>.

A escolha de países que sediam a copa de futebol baseia-se em fatores variáveis. A partir de 2002, observa-se, na tabela, a diversificação geográfica dos países-sede. Duas motivações para a escolha desses países, a partir de 2002, estão explicitadas em: a ) valorização dos campeonatos desportivos − apoio à democratização política b ) inclusão de áreas periféricas − ampliação do número de seleções participantes c ) mundialização do esporte coletivo − multipolaridade das relações internacionais d ) quebra da hegemonia europeia − expansão econômica de áreas subdesenvolvidas

Foto do muro de Berlim em novembro de 1989.

5. A queda do Muro de Berlim significou para a Alemanha o início do processo de sua

reunificação política. No contexto internacional, simbolizou o fim da Guerra Fria. A derrubada do Muro de Berlim completou vinte anos em 2009. Construído em agosto de 1961, sua destruição é lembrada como marco do fim de uma época. Indique o significado político da queda do Muro de Berlim para a Alemanha e o significado simbólico desse acontecimento para o contexto político internacional.

1. E. A ordem bipolar que vigorou a partir do fim da Segunda Guerra Mundial até o início dos anos 1990 foi marcada pela oposição entre o bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o bloco socialista, liderado pela URSS. O fim dessa ordem representa o fim dos conflitos com base nas ideologias, conforme se afirma na alternativa E. Com relação às zonas de tensão, estas aos poucos foram desfeitas com a expansão do capitalismo, a abertura dos mercados e a integração das zonas a blocos econômicos, como no caso dos países ex-socialistas da Europa que se uniram à UE. Ao contrário do que se afirma na alternativa c, em muitas situações os conflitos étnico-culturais substituíram os enfrentamentos entre Estados nacionais. Com relação à alternativa D, a Nova Ordem Mundial não logrou estabelecer um período de paz; longe disso, surgiram os conflitos étnico-culturais. 523

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Geografia - Leituras e Interação | Parte 3: GEOPOLÍTICA E ECONOMIA MUNDIAL  

Esta obra aborda temas da Geografia do Brasil e do mundo, que permitem compreender as sociedades atuais, suas mudanças ao longo da História...

Geografia - Leituras e Interação | Parte 3: GEOPOLÍTICA E ECONOMIA MUNDIAL  

Esta obra aborda temas da Geografia do Brasil e do mundo, que permitem compreender as sociedades atuais, suas mudanças ao longo da História...

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