Page 36

a

“Asleep” abafada. Menos animada, com certeza”. Apesar de Porter ainda insistir que “Ask” foi uma sombra do “single fantástico que poderia ter sido”, ela manteve a luta dos Smiths para se manterem no Top 20 britânico depois de The Queen is Dead, provocando uma colaboração final em vídeo com o diretor Derek Jarman. [17, 27, 52, 193, 282, 307]

“Asleep”

(Morrissey/Marr), Lado B de “The Boy with the Thorn in his Side” (1985). A defesa mais explícita de Morrissey do suicídio, “Asleep” foi uma canção de ninar doce para os intoleravelmente solitários. Suas letras anteciparam a iminente “I Know it’s Over”, dos Smiths (escrita logo depois) e a obra prima final, “Last Night I Dreamt that Somebody Loved Me”, expressando a agonia de uma vida passada sempre sem ninguém ao lado de manhã. Em “Asleep”, Morrissey torna específico seu desejo de acabar com sua tristeza matinal escapando para um “outro mundo”; o sono sobre o qual ele canta – ou que deseja que cantem para ele – é o sono dos mortos, como o famoso solilóquio de Hamlet, de Shakespeare, “Ser ou não ser?”. Ainda assim, apesar de toda a depressão subentendida, “Asleep” é muito otimista em sua resolução suicida. Em contraste com toda a desesperança de “Last Night I Dreamt”, Morrissey fica “feliz” por ter assumido as rédeas de seu destino, acreditando, de modo meio cego, que “deve haver” paz do outro lado. Até mesmo as notas de caixa de música do encerramento da canção do tradicional brinde de Ano Novo, “Auld Lang Syne”, pareciam simbolizar um novo começo depois de tudo. O lado mais forte da canção era sua simplicidade; apenas Morrissey, uma rajada de vento mortal e os toques do piano

de Marr. Melodicamente, tinha certas semelhanças com a uma antiga canção com piano originalmente incluída no final da primeira demo dos Smiths, de “Suffer Little Children”. “Sem dúvida, é parecida”, confirma Marr, “porque é assim que eu toco o piano, não sei tocá-lo de nenhuma outra forma. ‘Asleep’ foi trabalhada no piano que herdei quando me mudei para a casa em Bowdon [no final de 1984]. O mesmo piano no qual compus ‘Oscillate Wildly’. Ele tinha um som estranho e agradável”. Como o engenheiro de som Stephen Street diz, “Asleep” foi gravada em “cerca de duas horas”, certa noite, depois de finalizar o lado B que a acompanhava, “Rubber Ring”; quando foram lançadas juntas no EP de 12 polegadas “The Boy with the Thorn in his Side”, esses dois lados B formaram um medley contínuo ligado por uma sequência. Os Smiths só tocaram “Asleep” em um show uma vez, na data final de sua turnê na Escócia, no outono de 1985 (Inverness Eden Court Theatre, 1o de outubro), uma decisão de última hora depois de descobrir um piano na coxia do palco. “Aquele show foi mesmo brilhante”, relembra Marr, “em parte porque sabíamos que faríamos o ‘Asleep’, então tínhamos o tipo de sensação estranha de ‘será que vai dar certo?’ sobre nós”. Quando um pequeno número de casos isolados de suicídios de fãs dos Smiths veio ao conhecimento deles no ano seguinte ao lançamento da música, Morrissey viu-se respondendo a acusações de irresponsabilidade feitas pela imprensa. “Asleep” não glamoriza de modo algum o suicídio, mas sua honestidade corajosa a respeito do tema e a empatia com aqueles que chegam a uma decisão mental tão extrema claramente o toleram. (Ver também suicídio). [17, 18, 28, 38, 206]

36

dic_morressey.indb 36

04/10/13 11:11

Mozipedia - A enciclopédia de Morrissey e dos Smiths  

Call me morbid, call me pale, but I spent so many years on your trail… Pare se você acha que já ouviu essa antes. Morrissey gosta mais de ga...

Mozipedia - A enciclopédia de Morrissey e dos Smiths  

Call me morbid, call me pale, but I spent so many years on your trail… Pare se você acha que já ouviu essa antes. Morrissey gosta mais de ga...

Advertisement